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RATIFICAÇÃO

A ratificação é o ato solene pelo qual o órgão competente do direito constitucional


declara a vontade do Estado se obrigar a um tratado, perante as suas disposições
comprometendo-se a executá-lo. Em Portugal, é exatamente através da ratificação, a
cargo do Presidente da República, que se opera a vinculação do Estado.
A ratificação decorre de um ato livre e depende da decisão de uma autoridade
competente, que neste caso é o presidente da república. Pressupõem, sendo um ato
livre que exista o direito de recusar a ratificação, quanto mais não seja, em razão de
uma politica do tratado.
Pode acontecer que o Presidente da República ratifique um tratado sem que, em
momento anterior, hajam sido cumpridas, ou tenham-no sido defeituosamente,
determinadas formalidades constitucionalmente previstas. Se for esse o caso,
estaremos perante as chamadas ratificações imperfeitas.
Em conclusão, é através da ratificação, o cargo do presidente da republica, que se
opera a vinculação do estado português aos tratado solenes.

RATIFICAÇÃO IMPERFEITA
Sempre o presidente da republica ratifique um tratado sem que, em momento
anterior, hajam sido cumpridas, ou tenham-no sido defeituosamente, determinadas
formalidades constitucionalmente previstas. Se for esse o caso, estaremos perante as
chamadas ratificações imperfeitas.
Como exemplos de ratificações imperfeitas, em Portugal, podemos considerar os
seguintes exemplos:
- Ratificação do PR sem prévia aprovação do tratado pela Assembleia da Republica;
- Um excesso de forma traduzido na aprovação do tratado por intermedio da lei, e não
através de resolução da AR como prevê a CRP, seguindo-se a subsequente ratificação
pelo PR;
- Ratificação pelo chefe de estado, a despeito do não cumprimento das exigências
procedimentos no que respeita à designação dos plenipotenciários.
- Ratificação pelo PR, sem que na negociação do tratado tenham participado os
governos reginais, estando em causa matéria de interesse especifico para as Regiões
Autónomas. Art.46º nº1 nº2 da CV
Não se permite a um estado evocar uma ratificação imperfeita, se o fizer estará a
alegar a violação de um preceito do seu direito interno, respeitante à competência
para a conclusão dos tratados. A ratificação imperfeita tornar-se-a num vicio
pertinente e dará origem à invalidade da convenção.

COSTUME
Consiste na adoção continuada e uniforme de certos atos que se denominam
precedentes. Assim, será urgente que os sujeitos de direito internacional pratiquem ou
omitam determinados comportamentos, fazendo-o de forma similar durante um lapso
de tempo mais ou menos alargado. Traduz o sentimento, experimento por aqueles
que levam a cabo os aludidos comportamentos, de que a sua conduta é obrigatória,
isto é corresponde a uma exigência de justiça. É acompanhado também de um
sentimento de obrigatoriedade.

COSTUMES SELVAGENS
Os costumes selvagens, são normas costumeiras que se formam mais rápido, são
opostas ao conhecimento tradicional. Estas, resultam de uma inversão no processo
formativo dos costumes do passado. Evidenciam por assim dizer, uma originalidade no
respetivo procedimento de constituição.
Sempre se evidenciou que uma norma costumeira só pela conjugação do elemento
material ou objetivo com o elemento subjetivo e ou psicológico, e provada que
estivesse a precedência do primeiro em relação ao segundo, tornando-se perfeita.
Cedo, tornou-se impossível a compatibilização entre a lentidão do processo tradicional
de formação do costume e as crescentes exigências de rapidez e prontidão que a
realidade social coloca ao direito internacional. Estes emergiam práticas novas na
comunidade internacional.
Questiona-se a legitimidade de um processo de formação oposto, ao seja, de uma
prévia convicção de obrigatoriedade a que se seguirá a progressiva sedimentação.
Admitindo-se como válida esta inversão dos elementos integradores do procedimento
de elaborar as normas consuetudinárias, estaríamos na presença dos mencionados
costumes selvagens.
O costume selvagem estaria assim então em oposição aos costumes tradicionais.

DIREITO INTERNACIONAL GERAL


A existência de uma verdadeira comunidade jurídica leva todos os estados a estarem
submetidos ao mesmo ordenamento jurídico, ou seja, ao mesmo direito. Fala-se em
direito internacional geral para significar o direito que se aplica à comunidade
internacional universal. Trata-se porem de princípios ou normas de Direito
Internacional que se aplicam a toda a comunidade internacional. Este, substancia-se
num conjunto de normas aceites pela comunidade internacional de estados no sei
conjunto. Integram esta, as normas de costume geral, tal como as convenções de
alcance internacional amplamente participadas.
O direito internacional geral “resume-se” num conjunto de normas aceites pela
comunidade de estados no seu conjunto.

DIREITO INTERNACIONAL PARTICULAR


São de direito internacional particular as normas e princípios de direito internacional
que se aplicam a uma determinada região do mundo. É para o Direito aplicável a tais
sociedades particulares (desde que constituídas, ao menos, por dois Estados), que se
reserva a designação de Direito Internacional Particular.
Este é composto pelas normas de costume regional e local e, bem assim, pelas
constantes da maior parte dos tratados internacionais.

MODELO MODERNO OU CARTA DAS NAÇÕES UNIDAS


O modelo moderno do Direito Internacional compreende o lapso temporal que medeia de 1945 até ao
presente. Desenvolveu-se um sistema jurídico internacional diverso do precedente, o chamado modelo
de Westefalia. Assiste-se após o fim da 2º guerra mundial, a uma mutação significativa, por comparação
com o período anterior.
-Sofreram-se alterações, nomeadamente no plano de sujeitos de direito. O Direito Internacional
universalizou-se; ele deixou de regular apenas o círculo restrito dos Estados europeus para passar a
regular também os novos membros da comunidade internacional. Para alem dos países, emergem as
organizações internacionais. Estas começam a atuar nos variados domínios, a sociedade internacional
deixa de basear-se, exclusivamente, no interestadualismo para se tornar mais institucional.
As organizações internacionais são definidas como associações voluntárias de Estados, criadas através
de tratado, dotadas de órgãos próprios, com personalidade jurídica internacional. Em relação à
personalidade jurídica internacional das organizações internacionais, tornou-se mais frequente o
surgimento de grupos organizados, lutando em nome de um povo contra determinadas estruturas de
opressão. Estes centravam-se apenas numa luta contra o colonialismo, passaram depois a abranger a
luta contra os regimes racistas e as situações de dominação estrangeira.
Os chamados povos não autónomos, ascendem à qualidade de sujeitos do Direito Internacional.
Organizações internacionais, povos não autónomos e indivíduos são estes os novos sujeitos de Direito
Internacional que vieram juntar-se aos sujeitos tradicionais: os Estados e os insurretos.

- Quanto ás fontes de direito , o modelo da carta das nações unidas trouxe consigo expansão do
quadro de fontes tradicional. Ao costume e aos tratados bilaterais do modelo clássico, haverá agora que
acrescentar o costume “selvagem”, os tratados multilaterais e as resoluções das organizações
internacionais.

As chamadas convenções internacionais, por outro lado, cessam de ser apenas bilaterais.
O recurso aos tratados multilaterais celebrados entre mais do que 2 partes, torna se cada vez mais
frequente nesta fase de desenvolvimento do direito internacional.

As organizações internacionais têm hoje uma personalidade jurídica distinta da dos Estados membros,
vendo que o poder de emitir atos normativos de alcance geral ou individual, se conta entre os corolários
daquele atributo.
A designação mais apropriada para aqueles atos é o termo resolução. As resoluções podem ser de
diversa natureza, em função da maior ou menor vinculatividade de que se revistam, assumindo,
designadamente a forma de decisões, recomendações ou pareceres.

- o recurso à força nas relações internacionais era considerado legitimo, ou eram débeis os limites
impostos ao estado, no modelo moderno caracteriza-se pelo lugar proeminente que no edifício
normativo do direito internacional passa a ocupar o principio da proibição do recurso à força nas
relações internacionais.

- as preocupações ambientais, ou seja, tutelar e preservar os sistemas naturais, e de equilibrar os


ecossistemas, erigem-se, também, a questão central do Direito Internacional mais moderno,
concretamente, do Direito Internacional dos últimos seis lustros.

- é importante falar do surgimento de um conjunto de princípios jurídicos reputados de


fundamentais. Entendeu-se que existem determinados valores como valores supremos de comunidade
internacional. O valor de paz, por exemplo é um verdadeiro “bem publico”. O valor da proteção da
dignidade fundamental da pessoa humana, concretiza-se a par da integridade do homem. Daí ganhou
forma um amplo movimento internacional, traduzido na adoção de inúmeras convenções
internacionais, destinadas a tutelar os direitos e liberdades fundamentais de todos os homens,
independentemente da raça, do sexo, da condição social...

- a violação de normas que tutelam interesses fundamentais da comunidade


internacional não constituía já, como constitui a infração ás que não contendam o interesse geral e
ordem pública, mero assunto privado entre os estados autor e vitima do ilícito, bem como pelo
contrário, a responsabilidade civil universaliza-se convertendo em assunto público, em algo que diz
respeito a todos os estados.
Neste contexto, insere-se a distinção entre crimes e delitos internacionais, adotada pela Comissão de
Direito Internacional, indicando a existência de regimes destintos de responsabilidade internacional.
O facto de a responsabilidade por factos ilícitos se ter individualizado, no sentido de que, o sujeito
passivo da relação jurídica de uma violação emergente passa a ser o próprio individuo o infrator.

- as características do modelo moderno ou da carta das nações unidas de direito


internacional: O direito Internacional contemporâneo é um direito axiologicamente fundado e
materialmente interessado, que não se funda na ideia falaciosa da igualdade apenas formal dos Estados.
Daí que as suas normas, visem moldar, ou conformar a realidade a que se dirigem.
Paralelamente verifica-se um reforço do grau de integração e de institucionalização de uma sociedade
que está em curso para o modelo da comunidade. Ocorrem ainda assim, situações graves no plano
internacional.