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04 = 2 Pedro 1.5-7 – Certeza da Salvação. D.Martin Lloyd-Jones,PES, p.

48-59 (03/03/2017)

Os versos 1-4 tratam do que Deus fez por nós. Os versos 5-7 nos exorta a desempenharmos
a nossa parte. Os versos 8-11 são praticamente uma repetição dos mesmos princípios já
apresentados, entretanto, apresenta em acréscimo a razão porque devemos atender ao apelo.

I. UMA EXORTAÇÃO EM FAVOR DA SEGURANÇA DA SALVAÇÃO.

a) O verso 10 é a chave da Epístola de 2 Pedro.


O objetivo explícito de Pedro é que os irmãos tornem segura a sua vocação e eleição. As
tribulações que vem de fora e as heresias que vem de dentro podem nos deixar inseguros quanto
à veracidade de nossa fé. Por isso a fé precisa ser abastecida das virtudes enumeradas acima a
fim de que a fé deles fosse fortalecida.

b) O que significa essa exortação?


Pedro não os exorta a realizarem sua própria eleição e vocação, mas que as confirmem por
meio da prática perseverante de sua fé. Eles não criaram sua eleição e vocação, elas foram
recebidas gratuitamente da parte de Deus (“obtiveram” – v.1). A salvação é uma obra
exclusivamente divina (v.3; Ef 2.1,8,9; Rm 8.29). Uma pessoa morta não pode regenerar-se, é
Deus quem elege e chama. A mente humana jamais poderia arquitetar isso, pois no contexto
religioso, os termos eleição e vocação são exclusivamente bíblicos.

Eleição e vocação são atos divinos, mas a questão é: Será que sabemos pessoalmente que
fomos eleitos e chamados? Fica evidente por essa pergunta que o que Pedro pleiteia aqui é que
cada cristão experimente a segurança de sua própria salvação. O mesmo faz João em 1 João
5.13.

II. QUEM DEVE TER ESSA SEGURANÇA?

a) Uma dádiva para crentes comuns.


Pedro não fala de uma classe especial de crentes (apóstolos, profetas, santos católicos,
pastores famosos), mas de todos os crentes, inclusive os mais comuns. Não há diferenciação
entre grandes e pequenos. Todos podem tê-la e todos devem se esforçar diligentemente por
fortalecê-la em seus corações.

Paulo diz: “porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar
o meu depósito até aquele Dia” (2Tm 1:12 ARA). A verdade é que Deus nos deu em Cristo a vida
eterna (1 Jo 5.11,12).

b) Objeções à doutrina da Segurança da salvação.


1. Alguns são antagônicos à doutrina por causa da maneira leviana como certas pessoas a
expressam.
Há pessoas que falam sobre a certeza da salvação com verbosidade, superficialidade e uma
ofensiva leviandade que expressa mais presunção do que fé genuína. Seu objetivo é testemunhar
a sua satisfação consigo mesmos e não o evangelho da graça. Contudo, não há essa frivolidade
na linguagem do Novo Testamento. A alegria do crente do Novo Testamento é a do pecador que
sabe ser merecedor do inferno; que compreende a sua corrupção pecaminosa e que atribui tudo
o que é, como salvo em Cristo, à graça e à misericórdia divinas. O crente do Novo Testamento é
aquele que compreende que foi perdoado para poder ser chamado à santidade e tronar-se
semelhante a Deus no seu caráter. Quanto mais alguém procura ser semelhante a Cristo, menos
frívolo, menos superficial ele será (p.53,54). Afirmar a segurança da salvação não é presunção
porque este é o ensino das escrituras. Portanto é um ato de fé em Cristo.

2. Alguns acham que não podem afirmar a segurança da salvação enquanto não forem perfeitos.
Para estes, somente quem puder arrogar-se perfeição isenta de pecado tem o direito de
alegar a certeza da salvação. Todavia isso é uma confusão, porque a ideia de perfeição isenta de
pecado não existe nas Escrituras. Elas nos ensinam que devemos reivindicar a segurança da
salvação e nos certificarmos disso firmados nas promessas bíblicas, não nos esforços humanos.

A Bíblia ensina claramente que ainda existem duas naturezas residindo dentro dos
cristãos, a velha e a nova, e que a velha natureza está continuamente em guerra contra a nova;
mas o fato de a carne estar ali não significa que o Espírito não esteja (p.54).

III. POR QUE DEVEMOS TER ESSA SEGURANÇA DA SALVAÇÃO?

Há três razões bíblicas para isso:


1) Deus é quem a oferece.
Isso quer dizer que ela é ensinada nas escrituras, logo é Deus quem nos pede para que
façamos mais firmes a nossa vocação e eleição. Faz parte de seu método de salvação que seja
assim. Todas as epístolas do Novo Testamento foram escritas para dar certeza às pessoas e o
conhecimento dessa segurança a fim de que sua fé fosse fortalecida. Negar o que Deus oferece
como reforço à nossa fé é que é falsa humildade e uma forma espúria de humildade. Em 2 Tm
1.12 Paulo afirma simplesmente: “Porque eu sei...” A segurança da salvação não é incompatível
com a humildade porque os homens mais humildes que a igreja e o mundo já conheceram foram
os que tinham certeza de sua salvação.

2) Sem ela somos cristãos incompletos.


Se não temos certeza não podemos nos regozijar na salvação; falta algo; seremos
subdesenvolvidos e não crescidos. Se faltar certeza ao cristão ele será míope, não enxergará
bem.

3) Essa segurança faz de nós melhores testemunhas de Cristo.


“A alegria do Senhor é a nossa força” (Ne 8.10). O melhor obreiro é o que está mais seguro de
sua tarefa. Nada é mais desastroso para uma testemunha em seu depoimento como a incerteza
quanto ao que viu. A fé cristã tem a sua força na certeza e autoridade de seu testemunho a
respeito de Cristo. O homem que tem certeza é o homem que exerce atração, que conhece a sua
causa e entende o seu dever. Cristãos seguros são eficazes em seu testemunho.

IV. COMO SE PODE OBTER ESSA SEGURANÇA DA SALVAÇÃO?

a) A fé objetiva nos fatos concernentes ao Senhor Jesus Cristo.


Há dois perigos a evitar: O exagero no auto-exame e a ausência de qualquer exame. Quem
se sobrecarrega de dúvidas e suspeitas torna-se mórbido em sua fé. Ficar esperando por uma
experiência, visão ou manifestação espetacular de Deus a fim de basear nisso as suas
convicções é perigoso para a fé. Homem nenhum poderá sentir-se seguro olhando somente para
o seu próprio coração, mas para a rocha que é Cristo.

b) Completar a fé, abastecê-la com uma vida cristã prática, ativa.


Não fiquemos apenas sentados na contemplação de Cristo, saiamos para praticar a nossa fé!
Noutras palavras, se não exercitarmos nossos músculos, cada dia seremos menos capazes de
usá-los.

Conclusão:
Crer e crescer são a norma para a vida cristã frutífera. Agir e praticar é a equação da vida
cristã equilibrada e fiel.