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Tribunal de Justiça

Gabinete Des. Tutmés Airan de Albuquerque Melo

Agravo de Instrumento n. 0801482-31.2014.8.02.0000


IPTU/ Imposto Predial e Territorial Urbano
1ª Câmara Cível
Relator:Des. Tutmés Airan de Albuquerque Melo
Agravante : ANCIL - Andrea Construções e Incorporações Ltda
Advogado : Clênio Pacheco Franco Júnior (OAB: 4876/AL)
Advogada : Larissa Karla Bomfim Marques de Souza (OAB: 10089/AL)
Advogada : Ana Paula Sandes Moura Franco (OAB: 7691/AL)
Advogado : João Abílio Ferro Bisneto (OAB: 10327/AL)
Advogada : Roberta Lins Verçosa (OAB: 8863/AL)
Advogado : Saron Couto Braga (OAB: 10719BA/L)
Agravado : Município de Maceió
Procurador : José Wilson dos Santos (OAB: 3638/AL)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE EXECUÇÃO FISCAL.


IPTU. CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA.
LEGITIMIDADE PASSIVA. PROPRIETÁRIO E POSSUIDOR. ART.
34 DO CTN. SÚMULA 399 DO STJ. LEGISLAÇÃO MUNICIPAL.
OPÇÃO DO FISCO. A MERA PROMESSA DE COMPRA E VENDA
NÃO IMPLICA TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE. ART. 1245
DO CC. MANUTENÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU.
RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO.

CONCLUSÃO: Vistos, relatados e discutidos estes autos de agravo de


instrumento nº 0801482-31.2014.8.02.0000, em que figuram, como agravante, ANCIL -
Andrea Construções e Incorporações Ltda e, como agravado, Município de Maceió,
devidamente qualificados nestes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado
de Alagoas, à unanimidade de votos, em CONHECER do agravo de instrumento para,
confirmando a liminar indeferida, em idêntica votação, NEGAR-LHE PROVIMENTO,
nos termos do voto do relator.
Participaram deste julgamento os desembargadores constantes na certidão.

Maceió, 13 de abril de 2016.

Des. Tutmés Airan de Albuquerque Melo


Relator

AI 0801482-31.2014.8.02.0000 A3 1
Tribunal de Justiça
Gabinete Des. Tutmés Airan de Albuquerque Melo

Agravo de Instrumento n. 0801482-31.2014.8.02.0000


IPTU/ Imposto Predial e Territorial Urbano
1ª Câmara Cível
Relator:Des. Tutmés Airan de Albuquerque Melo
Agravante : ANCIL - Andrea Construções e Incorporações Ltda
Advogado : Clênio Pacheco Franco Júnior (OAB: 4876/AL)
Advogada : Larissa Karla Bomfim Marques de Souza (OAB: 10089/AL)
Advogada : Ana Paula Sandes Moura Franco (OAB: 7691/AL)
Advogado : João Abílio Ferro Bisneto (OAB: 10327/AL)
Advogada : Roberta Lins Verçosa (OAB: 8863/AL)
Advogado : Saron Couto Braga (OAB: 10719BA/L)
Agravado : Município de Maceió
Procurador : José Wilson dos Santos (OAB: 3638/AL)

RELATÓRIO

1. ANCIL Andrea Construções e Incorporações interpôs agravo de


instrumento, com pedido de liminar, em face do Município de Maceió, objetivando
desconstituir a decisão proferida pelo juízo de Direito da 15ª Vara Cível da Capital/Fazenda
Municipal, nos autos da ação de execução fiscal, autuada sob nº
0004199-51.2011.8.02.0001.
2. A decisão recorrida deixou de conhecer da exceção de pré-executividade
apresentada pelo agravante, determinando o normal prosseguimento da execução fiscal.
3. Irresignada, a parte agravante interpôs o presente recurso, sustentando que o
imóvel em referência foi transferido em 12 de novembro de 2004, por meio de contrato de
promessa de compra e venda realizado entre a recorrente e o Sr. Elias Ramos de Araújo e
sua esposa a Sra. Juracy Morais de Araújo, tendo estes tomado posse do imóvel desde
então. Argumentou que é não parte legítima para figurar no polo passivo da execução fiscal
em tela, uma vez que não é proprietária ou possuidora do imóvel em questão. Pleiteou o
efeito suspensivo para determinar a suspensão da execução fiscal em trâmite no juízo de
origem.
4. Às fls. 62/66, indeferi o pedido de efeito suspensivo.
5. Devidamente intimada, a parte agravada apresentou contrarrazões (fls.
70/77), pugnando pelo não provimento do presente recurso, de forma que a decisão
recorrida seja mantida.

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6. O magistrado de primeiro prestou as informações solicitadas (fl. 79).
É o relatório. Passo a expor meu voto.

VOTO

7. De início, destaco que o juízo de admissibilidade do presente agravo de


instrumento já fora operado quando do indeferimento do pedido de efeito suspensivo.
8. Pois bem. Enfrentei, na liminar proferida nos autos, o ponto referente à
inverossimilhança do direito da parte agravante, o que ratifico a título de resolução do
mérito recursal, tendo em vista que não há mais fatos ou argumentos novos a enfrentar.
9. Assim, em atenção ao princípio da celeridade e da economia processual, e
ainda ante a ausência de fatos e argumentos novos, passo a ratificar os termos da liminar
indeferida, transcrevendo os fundamentos ali apresentados:
No caso em exame, entendo que não estão presentes os requisitos para
concessão da liminar, pelas razões a seguir expostas.
De início, passo a transcrever o trecho da decisão recorrida:

[...]
Reforçando o exposto, de que a simples promessa de compra e venda ou,
até mesmo, o contrato de compra e venda, por si só, não transferem a
propriedade e, em razão disso, não eximem o Executado de pagar o
tributo, de acordo está o art. 1.245 do Código Civil, sobretudo em seu
§1º, o qual transcrevo:
Art. 1.245. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do
título translativo no Registro de Imóveis.
§ 1º. Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a
ser havido como dono do imóvel.
Deste modo, a compra e venda de imóvel, só produzirá eficácia real,
perante
terceiros, quando devidamente registrada no Cartório de Imóveis.
Conclui-se, então, que se o contrato de compra e venda (contrato
definitivo), quando não registrado, não tem o condão de transferir a
propriedade do bem imóvel objeto do negócio jurídico, que dirá um
contrato de promessa de compra e venda, sem estar, também,
devidamente registrado.
Ademais, segundo o art. 34 do CTN, consideram-se contribuintes do
IPTU o
proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil ou o seu possuidor a
qualquer título.
Neste sentido firmou o Superior Tribunal de Justiça STJ o entendimento
de que tanto o promitente comprador (possuidor a qualquer título) do
imóvel quanto seu proprietário/promitente vendedor (aquele que tem a
propriedade registrada no Registro de Imóveis) são contribuintes
responsáveis pelo pagamento do IPTU, cabendo a autoridade
administrativa optar por aquele que melhor favorecer a arrecadação,

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admitindo a legitimidade passiva ad causam do proprietário e do
possuidor.
Desta feita, inexistindo nos autos comprovação do registro da alienação
do bem no cartório de registro de imóveis, não se configura a
ilegitimidade passiva aduzida, motivo pelo qual deixo de conhecer da
Exceção de Pré-executividade apresentada, determinando o normal
prosseguimento da ação.

A presente lide cinge-se ao inconformismo da agravante com o não


conhecimento da exceção de pré-executividade por ela manejada em
execução fiscal. Para tanto, sustentou, a agravante, que o imóvel objeto
da referida execução fora transferido para terceiros, por meio de contrato
de promessa de compra e venda, estando estes últimos já na posse do
imóvel.
Sendo assim, argumenta que, por não ser parte legítima para constar no
polo passivo da lide de execução fiscal promovida pelo agravado, deve a
ação executiva ser suspensa para, ao final, ser extinta sem resolução de
mérito.
O artigo 34 do CTN prevê que o contribuinte do IPTU é “o proprietário
do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer
título”. Ante a indefinição legal, o STJ editou a súmula 399 com o
seguinte teor: "Cabe à legislação municipal estabelecer o sujeito passivo
do IPTU”.
O Código Tributário de Maceió, no artigo 6.º, por sua vez, apenas
parafraseia o artigo 34 do CTN, ao prevê que “O contribuinte do imposto
é o proprietário, o titular do domínio útil ou possuidor, a qualquer título,
do bem imóvel”.
Para dissipar todas as dúvidas, o Superior Tribunal de Justiça, em decisão
paradigmática, pacificou o entendimento de que, apresentando a lei uma
alternativa para se definir o legítimo contribuinte do IPTU, cabe à
autoridade administrativa optar por um deles.
Eis a ementa do julgado em questão:

TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. IPTU. CONTRATO DE


PROMESSA DE COMPRA-E-VENDA. LEGITIMIDADE PASSIVA.
PROPRIETÁRIO E POSSUIDOR. LEGISLAÇÃO MUNICIPAL.
1. O art. 34 do CTN estabelece que contribuinte do IPTU "é o
proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a
qualquer título".
2. A existência de possuidor apto a ser considerado contribuinte do IPTU
não implica a exclusão automática, do pólo passivo da obrigação
tributária, do titular do domínio (assim entendido aquele que tem a
propriedade registrada no Registro de Imóveis).
3. Ao legislador municipal cabe eleger o sujeito passivo do tributo,
contemplando qualquer das situações previstas no CTN. Definindo a lei
como contribuinte o proprietário, o titular do domínio útil, ou o possuidor
a qualquer título, pode a autoridade administrativa optar por um ou por
outro visando a facilitar o procedimento de arrecadação.
4. Recurso especial a que se nega provimento.
(REsp 475.078/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/09/2004, DJ 27/09/2004, p. 213)

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O que se percebe é que, recaindo a condição de contribuinte do IPTU


tanto sobre o proprietário quanto o possuidor a qualquer título, no caso
em tela, é legítima a opção do fisco municipal pelo agravante como
sujeito passivo da execução fiscal.
Como bem observado pelo juiz de primeiro grau, como base no art. 1.245
do Código Civil, a mera promessa de compra e venda não implica a
transferência da propriedade, logo a agravante ainda deve ser reconhecida
como legítima proprietária do imóvel objeto da execução fiscal.
Por todos os fundamentos expostos, INDEFIRO o pedido de efeito
suspensivo. Oficie-se, com urgência, o Juiz de Direito da 15.ª Vara Cível
da Capital/Fazenda Municipal, dando-lhe ciência do inteiro teor desta
decisão e requisitando-lhe que, no prazo de 10 (dez) dias, preste as
informações que entender necessárias sobre o andamento do feito. Intime-
se a parte agravada, na forma estabelecida no art. 527, V, do CPC, para
que responda aos termos do presente agravo, no prazo de 10 (dez) dias,
facultando-lhe juntar cópias das peças que entender convenientes.
Cumpridas as determinações supramencionadas, voltem-me os autos
conclusos para o normal prosseguimento do feito.
Publique-se.
10. Assim, por entender que os fundamentos transcritos são inteiramente
suficientes e aplicáveis para a resolução do mérito recursal, mantenho as mesmas razões de
convencimento daquela decisão como motivação de decidir o mérito do presente agravo de
instrumento.
11. Por todos os fundamentos expostos, CONHEÇO do recurso para,
confirmando a liminar indeferida, NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo-se incólume
a decisão recorrida.
É como voto.

Maceió, 13 de abril de 2016.

Des. Tutmés Airan de Albuquerque Melo


Relator

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