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ANÁLISE ECONÔMICA

DO DIREITO APLICADA

CONTRATOS E PROPRIEDADE

PROF. GUILHERME HELFENBERGER GALINO CASSI


ANÁLISE ECONÔMICA DO DIREITO
Método de estudo e interpretação do Direito
Contrário à Teoria Pura do Direito
Um dos expoentes do Realismo Jurídico
Direito e sua abertura a outros campos de estudo

Utilização de critérios econômicos para explicar fenômenos jurídicos


Contratos, decisões judiciais, leis, entre outros

AED também chamada de Direito & Economia (Law and Economics)

Diferente de Direito Econômico – Intervenção estatal na economia


Dois questionamentos principais
1. Como o comportamento dos sujeitos é afetado pela normas legais?
2. Como definir que uma norma jurídica é melhor do que outra?
Aplicação de um conceito de eficiência

Economia como ciência comportamental


Explicar a conduta humana em um ambiente de recursos escassos
Segmento conhecido como Microeconomia

Em suma, condutas são realizadas após a avaliação dos custos e benefícios


AED também se preocupa em avaliar o resultado das condutas
QUESTIONAMENTO

Pode haver diálogo entre Direito e Economia?

“Enquanto a eficiência se constitui no problema fundamental dos economistas, a


justiça é o tema que norteia os professores de Direito (...) é profunda a diferença
entre uma disciplina que procura explicar a vida econômica (e, de fato, toda ação
racional) e outra que pretende alcançar a justiça como elemento regulador de
todos os aspectos da conduta humana. Essa diferença significa, basicamente, que
o economista e o advogado vivem em mundos diferentes e falam diferentes
línguas”. In: STIGLER, George. “Law or Economics?”. The Journal of Law and
Economics, v. 35, n. 2.
HISTÓRICO

Direito influenciador das relações econômicas


Visão já existente na teoria clássica

Escola Institucional (séc. XIX) – Thorstein Veblen


Direito como “Instituição”

Wesley C. Mitchell
Decisões dos Tribunais e a influência no sistema econômico
Manutenção do sistema capitalista
HISTÓRICO
Ronald Coase
Utilização da barganha, e não de regulação, para solucionar externalidades

Guido Calabresi
Uso da economia para definir regras de responsabilidade civil
Caso FORD

A partir da década de 1960


Definição de que instrumentos econômicos são importantes ao Direito
HISTÓRICO
Richard A. Posner
Economista e juiz estadunidense
Sistema jurídico de common law
Permite decisões com base na equidade

Finalidade do Direito deveria ser aumentar o bem-estar social


Na primeira fase, Posner afirmava que era preciso aumentar riquezas
Na segunda fase, Posner alega que outros bens podem ser maximizados
Verificar os preços e custos envolvidos
Obter a decisão que melhor distribui os custos entre as pessoas
QUESTIONAMENTOS

O que deve ser perseguido pelo Direito?

O que é justiça?

Leis e decisões judiciais são justas? Por quê?

O que faz um contrato ser justo?


FUNDAMENTOS TEÓRICOS
Gary Becker
Economia é a junção de três elementos indeléveis
Comportamento maximizador
Preferências estáveis
Reação a incentivos

Direito (normas jurídicas) seria um conjunto de incentivos


Em síntese, os sujeitos valem-se dos incentivos propostos pelo direito para, a
partir de suas preferências, maximizar o seu próprio bem-estar.
MAXIMIZAÇÃO
Valoração do aumento do prazer e da diminuição da dor decorrente de uma ação
Adam Smith – Riqueza comum como resultados dos interesses das pessoas
P. ex.: Padeiro que faz pães

Sujeitos que sempre visam maximizar uma satisfação

Satisfação definida conforme a moral utilitarista


Jeremy Benthan (séc. XVIII)
Maximização da felicidade, hegemonia do prazer sobre a dor

Possibilidade de previsão do comportamento alheio


DILEMA DO PRISIONEIRO

Dois sujeitos (Huguinho e Zezinho) são presos e acusados da prática do crime


de furto. A polícia, deliberadamente, deixa cada um deles em uma sala
diversa, sem a possibilidade de comunicação entre si. Em seguida, é feita
uma proposta a cada um deles:
(a) Se não existir confissão do crime, a pena será de 03 anos, para os dois.
(b) Se o sujeito ficar calado e existir a delação do parceiro, quem delatar terá
pena de 01 ano, enquanto o outro terá pena de 10 anos.
(c) Se os dois confessarem, a pena será de 05 anos para ambos.
Pergunta-se: Huguinho deve delatar ou manter-se em silêncio?
RACIONALIDADE
Busca pela maximização não seria aleatória, mas sim racional
Economia assume que as pessoas são racionais
Não se fala do estado mental, mas da atitude propriamente dita
Atitude será racional quando for correta segundo o contexto

Postulado clássico de que a racionalidade dos homens seria absoluta


Todas as decisões tomadas com convicção de propósito
Entendimento que não corresponde à realidade

Criação da ideia de Racionalidade Limitada


Racionalidade limitada pela quantidade de informações sobre a realidade
Quanto mais informações se tem, melhor é a tomada de decisão
OBSERVAÇÕES
No caso do “Dilema do Prisioneiro”, a atividade dita por racional somente é
alcançada porque o sujeito tem conhecimento das penas envolvidas. Caso
contrário, talvez permanecesse em silêncio.

Em um contrato, muitas vezes o credor suporta o inadimplemento das


obrigações assumidas por ausência de informação prévia sobre o devedor.

Tese de Becker sobre a análise econômica do casamento e a importância das


informações.
PREFERÊNCIAS
Maximização de bem-estar depende das preferências do sujeito
Não necessariamente dinheiro
Pode ser ócio, conhecimento intelectual, momentos de lazer, etc.

Aplicação da economia depende da suposição de que preferências são estáveis


Pois diante das preferências sabe-se o que irá maximizar o bem-estar

Preferências arraigadas à ideia de utilidade


Utilidade que nasce de uma vontade do sujeito
Utilidade variável conforme momento do tempo e lugar
A depender do tempo e do lugar, as preferências modificam-se
Pessoas não têm apenas uma carência que precisa ser satisfeita
Em realidade vários bens (tangíveis ou intangíveis) satisfazem o sujeito
Todos os bens colocados em uma “cesta de preferências”
Se o sujeito tiver todos os itens da “cesta”, estará plenamente satisfeito

Sujeito talvez não consiga obter todos os itens da “cesta”


Existência da “restrição orçamentária” (recursos escassos)
Itens da “cesta de preferências” que são ordenados em prioridades

Itens da “cesta” têm uma taxa marginal de utilidade


P. ex.: O segundo copo d’água é menos útil que o primeiro
Atividades persistem até o momento em que o sujeito ganha com elas
MERCADO DE APARTAMENTOS
Imagine-se que numa cidade diversos estudantes vindos de outras localidades
buscam apartamentos para alugar. Há, no entanto, dois tipos de apartamentos: os
que se localizam nas adjacências do campus universitário, e aqueles situados a uma
maior distância, em um perímetro mais afastado.
Embora iguais em sua estrutura, esses apartamentos estão dispostos em dois
círculos tendo a universidade como centro, os mais próximos perfazem o círculo
interno, e os mais afastados o círculo externo. No caso de se escolher o segundo
tipo de apartamentos, mais distantes, os estudantes terão que percorrer um longo
caminho, por vezes no frio ou na chuva, ao ponto que no primeiro há possibilidade
de caminhar apenas alguns poucos metros, sem maiores dificuldades. Dado esse
cenário como premissa, cabe perguntar quem irá morar em cada um dos círculos e
a que preço?
APONTAMENTOS SOBRE O EXEMPLO
Quem conferir ao apartamento mais próximo da cidade universitária utilidade igual ou maior que seu
preço, morará no local

Todas as demais pessoas buscarão uma residência no círculo externo da cidade universitária

Preço que não está ligado ao valor de produção


Preço depende da disposição do consumidor em pagar pelo objeto

Segundo Becker, esse movimento também traz consequências bem claras à vida das pessoas:
(1) O aumento de preços diminui a demanda por alguma coisa
(2) A existência de taxas às atividades faz diminuir o seu exercício
Impostos sobre a gasolina diminuem o seu consumo
Penas sobre crimes (taxas) reduzem o seu cometimento
REAÇÃO A PREÇOS
Tendência do comportamento humano a reagir ao movimento de oferta e procura
Aumento do preço diminui atividade
Diminuição do preço aumenta atividade

Preços são incentivos


As pessoas pautam seus comportamentos por meio de incentivos

Direito como arcabouço de incentivos ao comportamento dos sujeitos


Incentivos positivos e incentivos negativos
Direito como “Instituição” – Normas de interação entre indivíduos
EXEMPLOS
Alta tributação à indústria fumageira

Cominação de penas a ilícitos penais

Existência de cláusula penal em Contratos

Cominação de multa astreintes em decisões judiciais

Obs.: Necessidade de imposição dos custos pelo Estado


EFICIÊNCIA E BEM-ESTAR SOCIAL
É desejável que as normas jurídicas sejam eficientes
Norma que cause mais vantagens do que desvantagens é eficiente
Normas devem maximizar o bem-estar (utilidade) social
Maximizar o bem-estar social ao menor custo
Uma norma, com mesmo propósito, pode ser mais eficiente do que outra

Eficiência associada à otimização de uma ideia de valor a ser maximizado


O valor a ser considerado não necessariamente é monetário
Pode ser proteção ao meio ambiente, distribuição de renda, saúde, etc.

Diante de recursos escassos, busca-se melhor utilizá-los


Não utilizar os recursos de maneira eficiente seria injusto
EFICIÊNCIA
Economia presume que todo indivíduo racional possui um “nível de satisfação”
Nível de satisfação que advém das preferências dos sujeitos

Dificuldade prática em mensurar o “nível de satisfação de um sujeito”


Usualmente usa-se uma escala alternativa (dinheiro)
Por exemplo:
Para Pedro, comer peixe no almoço tem o valor de R$ 1.000,00
Para Pedro, comer frango no almoço tem o valor de R$ 500,00

Se Pedro, que tem frango para comer, puder trocar por peixe, será uma medida eficiente
CUSTO DE OPORTUNIDADE
A escassez de recursos faz com que as pessoas tenham que fazer escolhas
P. ex.: Ausência de tempo ou de dinheiro

Toda escolha tem, portanto, uma alternativa que é preterida


É o custo de oportunidade
Também chamado de trade off

Custo de oportunidade não pode ser melhor que a escolha realizada


Caso contrário a escolha não é eficiente

Se o custo de oportunidade for melhor, há uma tendência de troca


EXEMPLO
Para todo contrato de compra e venda, obter o dinheiro é o custo de oportunidade
de estar com o objeto.

Por exemplo, alguém tem um relógio ao qual confere o valor de R$ 1.500,00.

Outro sujeito, que se interessou pelo objeto, faz uma oferta de R$ 2.000,00.

Como o segundo dá mais valor ao relógio que o primeiro, há uma tendência de


troca.
CRITÉRIOS DE EFICIÊNCIA
Eficiência de Pareto (Vilfredo Pareto)
É eficiente a troca que coloca alguém em situação melhor
Sem que ninguém fique pior
A partir do momento em que não forem mais possíveis trocas
Será uma situação “Pareto Ótimo”

Eficiência de Kaldor-Hicks
Admite mudanças que prejudiquem outras pessoas
Desde que o resultado seja positivo do ponto de vista da coletividade
P. ex.: Aumento da tributação sobre um setor da sociedade para custear a saúde
Economia se vale do utilitarismo para definir a eficiência
Jeremy Benthan (séc. XVIII)
Maximização da felicidade, hegemonia do prazer sobre a dor
Correta é a decisão que aumenta o prazer do maior número de pessoas

Por exemplo:
Pedro prefere comer peixe no almoço a frango
Ana prefere comer peixe no almoço a frango
Gabriela prefere, ao contrário, comer frango no almoço a peixe

A decisão mais eficiente é ter peixe no almoço


QUESTIONAMENTO

Caso do bonde desgovernado

Cinco pessoas trabalhando em uma linha

Uma pessoa trabalhando na linha alternativa

Maquinista, antes de sair, tem a opção de mudar ou não o trajeto do bonde


EXTERNALIDADES
Uma das espécies de falha de mercado

Qualquer decisão acarreta custos e benefícios


Por vezes, os custos e benefícios atingem terceiras pessoas
P. ex.: Poluição
Efeito chamado de externalidades
Podem ser positivas ou negativas

Análise dos efeitos jurídicos deve considerar as externalidades

Obs: Externalidades e Função Social dos Contratos


EXTERNALIDADES E A DIRETIVA 2004/113/CE
ART. 4º -Para efeitos da presente directiva, o princípio da igualdade de tratamento entre
homens e mulheres significa:
A proibição de qualquer discriminação directa em função do sexo, incluindo um tratamento
menos favorável dispensado às mulheres por motivos de gravidez e maternidade

ART. 5º. 2. Sem prejuízo do n.o1, os Estados-Membros podem decidir, antes de 21 de Dezembro
de 2007, permitir diferenciações proporcionadas nos prémios e benefícios individuais sempre
que a consideração do sexo seja um factor determinante na avaliação de risco com base em
dados actuariais e estatísticos relevantes e rigorosos.

JULGAMENTO PELO TRIBUNAL DE JUSTIÇA EUROPEU


AUTOS – C – 236/09
ATIVIDADE
Descreva duas externalidades positivas ou negativas que, diante de um
fenômeno jurídico, podem existir no mercado securitário.

Em seguida, indique se alguma intervenção estatal poderia ser tomada nesses


casos para impedir ou mitigar a externalidade.
AED POSITIVA E AED NORMATIVA

Diferenciação entre AED Positiva e AED Normativa

AED Positiva (também chamada de descritiva)


Tem por objeto de estudo algo que já existe (contrato, sentença, etc.)
Visa saber se o objetivo perseguido pela norma é atingido
P. ex.: Lei de combate à fome
Atingimento de finalidade chama-se “Efetividade”

Se não há efetividade é porque não existem incentivos suficientes


AED POSITIVA E AED NORMATIVA
Se há efetividade, passa-se à análise da eficiência
Eficiência entendida como produzir o máximo bem-estar social
Maximizar o bem-estar dos envolvidos com o menor custo

AED normativa
Tem por objeto algo a ser criado (Minuta de Contrato, Projeto de Lei, etc.)
Desenho de incentivos para alcançar a efetividade
Definir o que é útil aos sujeitos e como maximizá-lo
Diminuir os custos em busca da eficiência
Sopesar as externalidades
AED APLICADA AOS CONTRATOS
Análise Econômica do Direito aplicada aos Contratos
Criação de um contrato ótimo
Aquele em que as obrigações são cumpridas pelos contratantes
Contrato com menor custo interno e externo

Contrato como objeto de estudo do direito


Juridicização do contrato
Contrato-conceito econômico (transação de riquezas)
Contrato-conceito jurídico (regulamento entre as partes)
AED APLICADA AO CONTRATO-CONCEITO
JURÍDICO
Contrato como regulamento do agir dos contratantes

Contrato deve ter normas de incentivo ao cumprimento das obrigações


Alternativamente, deve ter mecanismos ex post eficazes
P. ex.: Poder Judiciário efetivo

Incerteza no cumprimento das obrigações assumidas em um contrato


Sem muita importância para os contratos instantâneos
De grande relevância aos contratos diferidos ou sucessivos
Pela racionalidade, alguém realiza um contrato quando há vantagens
Caso contrário a atitude seria irracional

Escolhas racionais para decidir pelo adimplemento ou inadimplemento do contrato


Não cumprir uma norma contratual pode ser mais vantajoso ao sujeito
Preceito de maximização do bem-estar

O contratante, sabendo que o devedor tende a inadimplir um contrato, pode:


a) Não realizar o contrato
b) Criar salvaguardas ex ante
c) Não criar salvaguardas ex ante, mas confiar nos remédios ex post
Pode haver situação em que o contratante não sabe que o devedor irá a inadimplir
Racionalidade dos sujeitos é limitada pelas informações que possui

Racionalidade limitada pode ter por justificativa:


(a) Colher informações é muito caro
(b) Existe omissão voluntária por parte do devedor

Ausência de dados leva à denominada assimetria informacional


Um dos contratantes possui mais dados sobre o negócio que o outro
Pode impedir a tomada de salvaguardas ex ante
Abre margem ao comportamento oportunista
COMPORTAMENTO OPORTUNISTA

Situação em que os sujeitos não irão cumprir as obrigações assumidas


Desvio dos propósitos do contrato assumido

Pode ser seleção adversa ou risco moral


Seleção adversa é ex ante
Ou pode ser vista como uma variável exógena às partes
Risco Moral é ex post
Ou pode ser visto como uma variável endógena às partes
JOGO DO PRINCIPAL E DO AGENTE
Um sujeito “A” pretende realizar um contrato com outro, “B”, para que esse, na condição de
mandatário, realize negócios em seu nome.

A ideia de “A” é entregar para “B” o valor de R$ 100 mil, sendo que o lucro obtido será dividido
igualmente entre os dois.

Com esse contexto três cenários são possíveis:


Jogador “A” entrega o dinheiro ao jogador “B” e esse cumpre com a sua promessa
Jogador “A” entrega o dinheiro ao jogador “B” e esse não cumpre com a sua promessa
Jogador “A” não entrega o dinheiro para o jogador “B” e nenhum negócio é realizado
JOGO DO PRINCIPAL E DO AGENTE
Teoria dos Jogos
A ação de um sujeito depende da ação do outro
Todos os sujeitos são racionais

Pergunta-se: Qual a preferência dos jogadores?


Se a resposta for obter lucro, há uma tendência a “A” investir
Se a resposta for obter lucro, há uma tendência a “B” não cooperar

Investir e não cooperar são as estratégias dominantes


Para “A”, não investir é a atitude racional

A decisão de não investir será ineficiente (não gerará riqueza alguma)


CONTRATO COMO NORMATIVA
Cooperação é o caminho para um contrato eficiente
Cooperação tem que ser a opção mais vantajosa

Estabelecimento de custos que obstem a maximização do bem-estar do oportunista


Hipótese em que o oportunista cumprirá os interesses mútuos

Utilização das fontes do contrato para impor custos


(1) Vontade, (2) Legislação, (3) Atos administrativos e (4) Jurisprudência
CONTRATO COMO NORMATIVA
Medidas de coibição ou estímulo
P. ex.: Perda de cobertura por agravamento de risco
P. ex.: Diminuição do prêmio do seguro por ausência de sinistro (Contrato)

Medidas podem ser ex ante


P. ex.: Arras e cláusula penal

Medidas podem ser ex post


P. ex.: Arbitragem

Obs.: Importância do cumprimento adequado dos remédios pelo Poder Judiciário


Possibilidade de abrir mão de salvaguardas ex ante pela confiança ex post
MEDIDAS DE REVELAÇÃO DE INFORMAÇÕES
Racionalidade que é limitada pelo número de informações dos sujeitos
Quanto mais informações, mais correta a decisão

Obtenção de informações que pode ser cara e tornar irracional a realização de um


contrato
Normas jurídicas devem diminuir custos de obtenção de informações
P. ex.: Quem consegue realizar um exame prévio a menor custo

Contrato deve estimular a revelação eficiente de informações


Normas jurídicas devem estimular o compartilhamento de informações
P. ex.: Perda de cobertura por omissão dolosa de informação (766 CC)
CUSTOS DE TRANSAÇÃO
Um contrato é na verdade um processo
Informação
Negociação
Instrumentalização/formalização
Monitoramento/cumprimento
Execução

Custos ex ante e Custos ex post

O contratante incorrerá em custos ex ante até igualar o benefício esperado com o contrato
Grau ótimo de informações incompletas (busca soluções ex post)
JURISPRUDÊNCIA
CUSTOS DE MONITORAMENTO
CIVIL E PROCESSUAL. ACÓRDÃO ESTADUAL. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. SEGURO. COBERTURA
DE VALORES DIVERSOS FURTADOS NAS DEPENDÊNCIAS DO BANCO SEGURADO. RECUSA CALCADA
EM ALEGAÇÕES SOBRE FALTA DE PLANO ADEQUADO DE SEGURANÇA E EXISTÊNCIA DE
DUPLICIDADE DE SEGURO. CLÁUSULAS CONTRATUAIS RESTRITIVAS. OBRIGAÇÃO LEGAL
RECONHECIDA. INAPLICABILIDADE DAS SÚMULAS N. 5 E 7-STJ DADA A PECULIARIDADE DA ESPÉCIE.
CC/1916, ART. 1.438. I. [...]
II. Contextualizados os fatos pelo acórdão estadual, possível ao STJ, neste caso concreto, dar aos mesmos
tratamento jurídico distinto do aplicado pelo Tribunal de origem, sem que isso importe em infringência
às Súmulas n. 5 e 7 do STJ.
III. O cumprimento de obrigação civil legal resultante de contrato de seguro não fica afastado pela
aplicação de cláusulas de exceção que de sobremaneira favorecem a empresa seguradora, isentando-a
da responsabilidade sobre o risco assumido quando, ao vistoriar as dependências do banco autor, não
fez restrições às condições de segurança e nem, ulteriormente, durante a vigência da cobertura,
tampouco preocupou-se em fiscalizar a manutenção adequada do sistema de segurança, apontando
eventuais vícios que poderiam autorizar a rescisão da avença ou eximi-la de cobrir o sinistro,
caracterizado pelo furto de valores dentro das instalações da instituição. IV. [...]
V. Recurso especial conhecido em parte e provido. Ação procedente.
(REsp 442.751/RJ, Rel. Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR, QUARTA TURMA, julgado em 11/12/2007, DJ
25/02/2008, p. 1)
Diz o acórdão:
“Pois bem. No caso dos autos foi afirmado pela autora na réplica que houve a vistoria e a
tréplica, de fls. 216/217, não nega o fato, fala apenas que "não foram mantidas até a
época em que ocorreu o sinistro" . Portanto, não impugnada a assertiva, houve a vistoria
prévia para a contratação, e isso é até bastante óbvio, em se tratando de seguro dessa
espécie. A manutenção ou não de adequados sistemas de segurança não é fato
excludente da obrigação, dado que também é absolutamente elementar a cobertura
durante o prazo do contrato, e para eximir-se a seguradora do encargo, teria, das duas,
uma das opções: ou proceder a vistorias ao longo do contrato, para verificação dos
sistemas, se permaneçam ou não em correto funcionamento, exigindo, em hipótese
negativa, a sua readequação, ou, então, verificado o vício, notificar o banco segurado
rescindindo o contrato. O que não pode é realizar a vistoria, contratar o seguro, receber o
prêmio e, ao depois, com base em cômoda cláusula, mas inócua frente ao direito das
obrigações, eximir-se do pagamento.”
QUESTIONAMENTO

Na hipótese de omissão de disposição contratual, a seguradora poderia ser


reputada omissão em não vistoriar a agência bancária?
JURISPRUDÊNCIA
CUSTOS DE INFORMAÇÃO
SEGURO DE VIDA. DOENÇA PREEXISTENTE. EXAMES PRÉVIOS. AUSÊNCIA.
INOPONIBILIDADE. Conforme entendimento pacificado desta Corte, a seguradora, ao
receber o pagamento do prêmio e concretizar o seguro, sem exigir exames prévios,
responde pelo risco assumido, não podendo esquivar-se do pagamento da indenização,
sob a alegação de doença preexistente, salvo se comprove a deliberada má-fé do
segurado. Recurso provido. (REsp 777.974/MG, Rel. Ministro CASTRO FILHO, TERCEIRA
TURMA, julgado em 09/05/2006, DJ 12/03/2007, p. 228)

Súmula 609 - A recusa de cobertura securitária, sob a alegação de doença preexistente, é


ilícita se não houve a exigência de exames médicos prévios à contratação ou a
demonstração de má-fé do segurado. (Súmula 609, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em
11/04/2018, DJe 17/04/2018)
AED APLICADA À PROPRIEDADE
Conceito de propriedade
Uso exclusivo, liberdade, auto expressão, opressão, etc.

Não preocupação da economia em explicar o fenômeno da propriedade


Incumbência de analisar formar alternativas de propriedade
Considerados critérios de eficiência e distribuição

Existência, no Brasil, de regras estáticas de propriedade


Atribuição inicial de direitos nem sempre é a melhor alternativa
Relevância nos países de common law
EXEMPLOS DE DIVERGÊNCIAS
(1) Foguetes América S.A. cria e envia um satélite para o espaço a fim de transmitir dados
de empresas privadas entre o Brasil e a Europa. Meses depois, o satélite de outra
empresa (Jupiter Foguetes S.A.), aproxima-se tanto da órbita do satélite de Foguetes
América S.A. que acaba por interferir na transmissão de seus dados. Diante do
episódio, clientes de Foguetes América S.A. decidem encerrar o contrato de
prestação de serviços em razão dúvidas quanto à sua segurança.

(2) Gabriela, durante o inverno, compra um imóvel residencial no norte da cidade por
um ótimo preço. Chegado o verão, diante do calor e dos fortes ventos, a casa de
Gabriela é infestada por um forte cheiro vindo de uma chácara em que se criam
ovelhas, localizada nas adjacências. Indignada, Gabriela se junta com outros
proprietários da região com o intuito de proibir a atividade exercida na chácara.
PERGUNTAS FUNDAMENTAIS

(1) Como se estabelecem direitos de propriedade?

(2) O que pode ser propriedade privada?

(3) O que os donos podem fazer com sua propriedade?


PROPRIEDADE
Características de propriedade
Utilização do bem conforme entendimento do titular
Não interferência de terceiros (inclusive o próprio Estado)

Propriedade cria um ambiente de privacidade sobre um determinado objeto


Direito que deve ser utilizado de maneira eficiente

Teoria da Barganha
Transferência da propriedade a outra pessoa (quando racional)
Criação do excedente de cooperação
EXEMPLO DE BARGANHA
Ana tem R$ 50 mil em dinheiro para comprar um carro
Carlos tem um carro, ao qual dá o valor de R$ 40 mil
Soma de valores desse cenário  R$ 90 mil (valor da não cooperação)

Qualquer negociação entre R$ 40 mil e R$ 50 mil será eficiente

Realizada a negociação por R$ 45 mil


Ana terá um carro no valor de R$ 45 mil
Ana terá guardado R$ 5 mil
Carlos terá R$ 45 mil em dinheiro
Soma da negociação  R$ 95 mil (excedente de cooperação – R$ 5 mil)
CUSTOS E A EXISÊNCIA DE PROPRIEDADE
Em um estado de natureza a proteção à propriedade é privada
Custos para defesa da propriedade contra terceiros
Tempo e recursos poderiam ser investidos em outras atividades
Custo de oportunidade

Sem o Estado a defesa da propriedade é realizada individualmente


Custos socializados menores que os custos individuais somados
Monopólio do uso da força seria a atitude racional
Incentivo à melhor destinação de recursos
Criação do contrato social
O QUE PODE SER PROPRIEDADE PRIVADA
Bens públicos
Uso por uma pessoa não impede o uso por outras
Eficiência dificulta que sejam controlados por entes privados
Altos custos para garantir o uso exclusivo (p. ex. espaço aéreo)

Bens privados
Uso por uma pessoa impede o uso por outras
Rivalidade no consumo de bens privados
Eficiência exige que sejam controlados por indivíduos
Haverão trocas até o bem estar com quem lhe confere maior valor
TEOREMA DE COASE - EXEMPLO
Antonio e Carolina são dois agricultores vizinhos.

Antonio cria gado e Carolina cultiva milho.

Os gados de Antonio sempre fogem de sua fazenda e invadem a área de Carolina.

Pela invasão, os gados de Antonio causam um prejuízo de R$ 10 mil ao ano a Carolina.

Quem deve ser responsabilizado pelo prejuízo?


TEOREMA DE COASE

No Brasil, adota-se a teoria de que quem causa o dano deve por ele responsabilizar-se

No caso hipotético, a invasão de gados pode ser evitada com a construção de uma cerca

Se Antonio cercar seu imóvel, custará R$ 8 mil ao ano

Se Carolina cercar seu imóvel, custará R$ 5 mil ao ano

Pelos custos envolvidos (10, 8 e 5), a melhor alternativa é cercar o imóvel de Carolina
CONSIDERAÇÕES SOBRE O TEOREMA DE COASE
Diante dos dados, a melhor solução sempre será cercar a plantação de milho

Escolha de independe da alocação inicial de direitos

Escolha racional, porém, depende do nível de informações que os sujeitos possuem

Custos de transação podem ser altos a ponto de impedir a negociação entre as partes
Quanto menores eles forem, mais fácil o acordo

Direitos de propriedade claros e simples auxiliam a cooperação


Não haverá custos para entendimento da norma

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