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PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

FACULDADE DE VENDA NOVA DO IMIGRANTE- FAVENI

UMA ABORDAGEM SOBRE INCLUSÃO NO MUSEU


VIVO DO PADRE CÍCERO EM JUAZEIRO DO NORTE-
CE

ANA CLÁUDIA DE SOUSA FARIAS

__________________________________________
Venda Nova do Imigrante- ES
2018
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
FACULDADE DE VENDA NOVA DO IMIGRANTE- FAVENI

UMA ABORDAGEM SOBRE INCLUSÃO NO MUSEU


VIVO DO PADRE CÍCERO EM JUAZEIRO DO NORTE-
CE

Trabalho de conclusão de curso apresentado a


banca examinadora da Faculdade Venda Nova do
Imigrante- FAVENI, como exigência de obtenção do
título de Pós- graduação.

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PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
FACULDADE DE VENDA NOVA DO IMIGRANTE- FAVENI

UMA ABORDAGEM SOBRE INCLUSÃO NO MUSEU VIVO DO PADRE CÍCERO


EM JUAZEIRO DO NORTE-CE

Ana Cláudia de Sousa Farias1 - FAVENI


Professora Doutora Ana Paula Rodrigues2 - FAVENI

RESUMO

O presente artigo tem como substrato a pesquisa que venho desenvolvendo sobre
Educação em Museus e traz como foco questões sobre inclusão a pessoa com
necessidades especiais nesses espaços. Pretendemos debater a integração de
pessoas com necessidades especiais nas atividades e espaços museológicos na
cidade de Juazeiro do Norte-CE, trataremos especificamente da Instituição
denominada Museu Vivo do Padre Cícero, localizado na Colina do Horto. Esta
pesquisa configura-se em um Estudo de Caso.

PALAVRAS- CHAVE: Pessoa com necessidades especiais. Inclusão. Museu Vivo do


Padre Cícero

ABSTRACT
This article has as a substrate the research that I have been developing on
Education in Museums and brings as a focus questions about inclusion the person
with special needs in these spaces. We intend to discuss the integration of people
with special needs in the activities and museum spaces in the city of Juazeiro do
Norte-CE, we will specifically deal with the Institution called Padre Cícero's Living
Museum located in Horto Hill. This research is set out in a Case Study.

KEYWORDS: Person with special needs. Father Cícero's Living Museum

1
Professora de Arte, anaclaudia.artesvisuais@gmail.com
2
Doutora em Educação, professora de Pós-graduação da Faculdade Venda Nova do Imigrante- FAVENI
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1- INTRODUÇÃO

A cidade de Juazeiro do Norte tem como cenário a presença do comércio motivado


pela crença no ideário do Padre Cícero Romão Batista (1844-1934). A figura mítica do Padre
Cícero é quem conduz o imaginário traduzido em identidade local e cultural, sendo esta a
marca da produção cultural local.
Conhecida como a “Capital da Fé” devido às romarias que são resultados das ações do
Padre Cícero Romão Batista, fundador da cidade, segundo consta ainda vivo era venerado e
considerado santo.
O Museu Vivo do Padre Cícero, está localizado na cidade de Juazeiro do Norte no
Cariri3 cearense, possui uma configuração expositiva em que predomina um forte pendor
devocional, que emana de grande parte de seu acervo. Esse enfoque propicia uma espécie de
“musealização do sagrado”: o objeto de contemplação estética é convertido em artefato de
devoção religiosa.
Por outro lado, o museu ao promover um discurso monológico, sem compreender as
competências e expectativas de um público diversificado e plural, reduz a mensagem aos
aspectos materiais de apreensão imediata, restringindo-se apenas a um tipo de grupo
específico, o público formado por devotos romeiros, sem favorecer a outros públicos,
descaracteriza de sua função educativa.
A ideia de se pesquisar inclusão nos museus surgiu do fato de esses ambientes
desempenharem um papel importante na sociedade e na vida diária dos sujeitos.
Segundo Purificação, Souza, Melo (2007)
No Brasil, segundo o Censo realizado em 2000 pelo IBGE-Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística e divulgado em 2002, existem 24,5 milhões de
brasileiros portadores de algum tipo de deficiência9. Tais dados revelam que
14,5% da população brasileira apresenta alguma deficiência física, mental,
visual ou auditiva. Os dados do Censo demostram que, do total, 8,3% possuem
deficiência mental, 26,9% deficiência física, 48,1% visual e 16,7% auditiva. A
pesquisa revela que entre 16,5 milhões de pessoas com deficiência visual,

3
“Limitando-se com os estados do Pernambuco, Piauí e Paraíba, o Cariri cearense, segundo a geógrafa Edith
Menezes, “apresenta aspectos diferenciados do sertão circundante. É um brejo de encosta e de vale que se
estende em parte da depressão sertaneja ( 2007, p. 341). É, portanto, uma espécie de vale fértil ilhado pelo sertão,
cujo epicentro religioso e econômico, encontra-se na cidade de Juazeiro do Norte”. (ROCHA, 2012, p. 11)

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159.824 são incapazes de enxergar, e, entre os 5,7 milhões de brasileiros com
deficiência auditiva, 176.067 não ouvem. E, ainda, que do total de pessoas

portadoras de deficiência no Brasil, 22,8% tem deficiência motora, ou seja,


mais de 5,5 milhões de brasileiros. (PURIFICAÇÃO,SOUZA,MELO,
2007,p.6)

A característica mais relevante do museu é de ser uma instituição de Educação não


formal, sendo assim, no meio educacional brasileiro, um assunto que vem tomando dimensões
cada vez mais importantes é a inclusão.
Questões sobre educação em museus fazem parte de um rol de problemas aos quais
pesquisadores vêm se dedicando, ora enfocando temas educacionais amplos relacionados ao
papel social e educacional dos museus, ora tomando por foco questões específicas de
aprendizagem ou sobre processos de transposição do conhecimento científico nos espaços
expositivos e nas demais atividades educativas, porém o tema inclusão nesses espaços é
pouco debatido.
Esta crescente mobilização, encontra espaço nas instituições de ensino e apoio à
cultura, com o objetivo de tornar prático o cumprimento dos direitos das pessoas com
necessidades educacionais especiais. Museus e instituições culturais compõem uma parcela
significativa deste grupo que, que vem avançando ainda que de forma lenta nessa discursão,
onde se busca alternativas para tornar esses espaços acessíveis a esse público especifico.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que “Toda pessoa tem o direito
de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do
processo científico e de seus benefícios.” (ONU, 1948: Artigo XXVII, § 1). O Instituto de
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em seu site, define:
O museu é uma instituição permanente, aberta ao público, sem fins
lucrativos, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento, que
adquire, conserva pesquisa, expõe e divulga as evidências materiais e os
bens representativos do homem e da natureza, com a finalidade de
promover o conhecimento, a educação e o lazer. (IPHAN, 2007)

Estas práticas inclusivas recentes, que ainda encontram-se num processo evolutivo,
paradoxalmente, cumprem verdadeira e tardiamente as razões essenciais para que estas
instituições públicas existam: levar o patrimônio histórico e artístico a toda pessoa.

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2- MUSEU E INCLUSÃO

A reflexão sobre acessibilidade ao acervo do museu, como também as


atividades educativas desenvolvidas nesses espaços, tem vindo a aumentar e torna-se
imprescindível que essas instituições, enquanto espaços socioculturais aceitem e
integrem, no âmbito das suas ações, a inclusão de todos os públicos.
A integração, comunicação e inclusão são elementos essenciais e devem
constar no projeto educativo dos museus, dada a sua ligação à sociedade diversificada,
heterogénea e consumidora cultural.
Para Santos (2009),
Para que essa inclusão se materialize é necessário equipar fisicamente os
museus para receber os novos visitantes e preparar as suas equipas para um
acolhimento e seguimento adequado. É, igualmente, necessário transmitir a
informação, com o formato adequado, cumprir normas, disponibilizar
conteúdos, preparar atividades… em suma, é necessário respeitar a diferença
e aceitá-la! Se a inclusão social significa alguma coisa, então significará a
procura e remoção de barreira e a consciencialização para com as pessoas que
estão a ser postas de parte há gerações e precisam de uma ajuda adicional,
numa variedade de formas, para conseguirem exercer os seus direitos de
participação. Cabe aos museus conseguir comunicar com todos os seus
públicos, de forma correta e assídua.(SANTOS, 2009, p.309)

A administração e setor educativo do Museu Vivo do Padre Cícero, parecem


não atentar para essa realidade, ao chegar ao museu percebe-se um único tipo de
referência à pessoa com necessidades especiais, são rampas que favorecem o acesso à
entrada da instituição.
Um fato que poderá está acarretando essa atitude da instituição frente aos
desafios contemporâneos na Educação Inclusiva, seja que a revisão museológica e
museográfica do Museu Vivo do Padre Cícero, não corresponde plenamente às
demandas contemporâneas. Primeiramente porque seu espaço físico está preso a um
histórico de criação que permitiu, com o tempo, a formação de um hiato entre a
instituição e a população. Nessa perspectiva, considerando às dinâmicas da
contemporaneidade, refletimos sobre a pertinência da concepção do projeto expositivo
do Museu Vivo do Padre Cícero, a qual foi idealizada há quase duas décadas,
mantendo-se, até hoje, fiel ao seu projeto original, a despeito das novas tendências
curatoriais.
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Todo o percurso expográfico do Museu Vivo do Padre Cícero, demonstra que a
instituição parece desconhecer questões mais simples sobre acessibilidade e inclusão,
a começar pela forma de expor o acervo do museu, em que os objetos de exposição
estão expostos de tal forma que limita o trânsito ao serem colocados em lugares que
reduzem os espaços de circulação do visitante portador de necessidades especiais.
Neste contexto, a inclusão não poderá limitar-se exclusivamente à área
arquitetônica, mas, também, a tudo o que está relacionado com as vertentes
comunicativa, informativa e eletrônica.
Segundo Lima, Berquó(2012),
Ao se tratar do problema de conferir tratamento diferente a determinado
segmento, deve-se lembrar que esse procedimento não representa conceder
privilégios, e, sim, estabelecer e tornar disponível as condições que são
exigidas pelas peculiaridades de cada indivíduo, visando à garantia da
igualdade no mundo social. (LIMA, BERQUÓ, 2012, p.2).

Pensar o museu como um espaço democrático é ir além de questões de


salvaguarda de objetos. A experiência vivida nessas instituições deve ir além, até o
cotidiano dos visitantes transformando a visão de mundo face ao acesso à cultura e à
defesa dos bens culturais, como património pertencente a toda comunidade. Que, por
princípio, abrem portas a todos, embora, na realidade, continuem fechados para
alguns.
Definições sobre inclusão e acesso devem ser entendidas como concepções
amplas e globais que não se referem apenas à deficiência, mas com objetivo de
exercer um verdadeira de inclusão, onde todos cabem.

3- CONCLUSÃO
Observando as características e ações traçadas do Museu Vivo do Padre Cícero, são
notórias a necessidade de adesão por parte da instituição a questão da inclusão em seus
espaços tanto arquitetônico como a acessibilidade ao seu acervo e todas as atividades que são
desenvolvidas pela instituição promovedora de cultura. O universo que envolve o museu em
questão favorece uma prática religiosa que carrega em sua semântica um ambiente rico de
conteúdos simbólicos, que culminam em uma reapropriação das tradições religiosas cuja
autoria está no seu público diversificado como expressão de devoção e fé.

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Concluímos que, no atual estado da questão, o acervo pertencente ao Museu Vivo do
Padre Cícero, e sua expografia é pensada para um público não portador de necessidades
especiais, veiculando os aspectos da sua ligação desde a forma como estão distribuídos os
objetos expostos como a inexistência por parte do setor educativo de programas que possam
contemplar este tipo de público especificamente.
Com essa compreensão, estabelecemos os pilares desta pesquisa, buscando analisar o
discurso do Museu Vivo do Padre Cícero em Juazeiro do Norte representado pelo seu projeto
educativo na perspectiva de refletir e abordar o aprofundamento desta discursão no âmbito do
Cariri cearense.
Em síntese, a nossa pesquisa visa à compreensão das relações sutis que perpassam a
recepção do Museu Vivo do Padre Cícero, no que diz respeito a um público formado por
pessoas com necessidades especiais, ponderando as tensões entre exclusão e inclusão
estabelecidas ou sugeridas pela dimensão educativa da instituição, reverberando com isso na
dimensão expositiva da instituição citada.

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REFERÊNCIAS

BRASIL: Constituição da República Federativa do Brasil.Lei de Diretrizes e Bases da


Educação Nacional – LeiN. 9.394/96 <Disponível em :
https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/70320/65.pdf > Acessado em 15/12/2017
LIMA, D. F.C.; BERQUÓ, A.F. Museu Através do Toque: a Inclusão Social da Pessoa com
Deficiência Visual. Artigo <Disponível em: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/10331.pdf
> Acessado em 16/12/2017.
PURIFICAÇÃO, S.B.G, SOUZA.R.G, MELO,V.B. O direito das pessoas portadoras de
deficiência. Artigo. <Disponível em: http://www.unaerp.br/sici-unaerp/edicoes-
anteriores/2007/secao-2-3/1017-o-direito-das-pessoas-portadoras-de-deficiencia/file >
Acessado em 15/12/2017
ROCHA, E. S. E. Vestígios do Sagrado: uma etnografia, sobre formas e silêncios.
Programa de Pós Graduação em Antropologia Social. Universidade de São Paulo – USP. Tese
apresentada em 2012
SANTOS, Sónia. Museus Inclusivos: realidade ou utopia? Tese. <Disponível em :
http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/8945.pdf > Acessado em 17/12/2017.
SITES
IPHAN. Brasília: Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Apresenta
informações sobre museus e instituições culturais do Brasil. <Disponível em:
http://portal.iphan.gov.br/ > Acessado em : 15/12/2017

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