Você está na página 1de 8

TREINAMENTO IF-AT

Módulo 2- 5 Ensaio Visual e Dimensional

_________________________________________________________
Ensaio Visual

1- ENSAIO VISUAL
1.1 Generalidades
O Ensaio Visual é provavelmente o mais empregado de todos os ensaios não destrutivos. É um
método simples, rápido e de baixo custo. Embora seja muito simples, o exame visual nunca
deve ser ignorado, mesmo se a peça em exame for submetida a outros ensaios. Por exemplo o
exame visual de um cordão de solda, por exemplo, feita por um inspetor experiente, pode
revelar alguma informações acerca da qualidade da solda, tais como: presença ou ausência de
trincas, orientação e posição das trincas, porosidade e a interface entre a solda e o metal base.
Uma vez realizado o exame visual, o inspetor poderá lançar mão de outros exames, como por
exemplo, o ensaio radiográfico, com o fim de examinar possíveis descontinuidades internas.
Deve-se ter sempre em mente que um ensaio não destrutivo não é concorrente de outro; logo o
ensaio visual tem larga faixa de aplicação, porém jamais se pode usá-lo em serviços de
responsabilidade ou em substituição a outro.
A inspeção visual dos metais tem grande importância na condução de outros ensaios,
fornecendo-nos informações referentes ao prosseguimento dos ensaios destrutivos por outros
métodos.
Apesar da aplicabilidade do exame visual, este não dá crédito para concluir sobre o estado
interno da peça.

1.2 Instrumentos auxiliares da inspeção visual


Além, é claro, do próprio olho humano dispomos de instrumentos óticos que auxiliam a
inspeção visual. São eles:
• lupas
• espelhos
• tuboscópios
• borescópios
• projetores e comparadores
• Câmeras de TV em circuito fechado
O ângulo com o qual o objetivo é observado é chamado "ângulo de visão", e é uma medida
aparente do tamanho do objeto. Na figura 1 é mostrado o ângulo "α" de visão.
TREINAMENTO IF-AT
Módulo 2- 5 Ensaio Visual e Dimensional

_________________________________________________________
  Olho

Objeto Image
m

Figura 1 – Imagem formada na retina

A fim de se examinar o objeto com maiores detalhes, é necessário, portanto, aproximar o


objeto do olho, para diminuir o ângulo de visão, daí aumenta-se consequentemente a
ampliação do detalhe do objeto em inspeção.
No entanto não se pode aproximar muito o objeto do olho, pois tem de ser levado em conta
também o problema de acomodação.
A distância de 250 mm representa este ponto de acomodação do olho. Nestas condições a
única maneira de aumentar o ângulo de visão é através da colocação de uma lente
convergente na frente do olho, como mostra a figura .
  Lente

Imagem
Objeto
(virtual)

d  
 
Figura 2 – Ampliação utilizando-se lente convergente.
d
Neste caso a ampliação (a) é dada por: a =
f
Onde: d → distância de visão distinta (250 mm)
f → distância focal da lente, mm

1.3 Inspeção de partes internas


Para a inspeção interna é a técnica visual com o uso de espelhos, tuboscópios e borescópios.
Não existem ainda padrões reconhecidos nacionalmente para estes equipamentos ou métodos.
TREINAMENTO IF-AT
Módulo 2- 5 Ensaio Visual e Dimensional

_________________________________________________________
A inspeção visual não é reconhecida oficialmente pela ASNT (American Society for
Nondestructive Testing), no entanto esta sociedade estabeleceu recentemente um comitê para
estudar o assunto.
A  inspeção  visual  não  é  formalmente  reconhecida  em  primeiro  lugar  porque  
existe  uma  lacuna  de  padrões  uniformes,  especificações,  procedimentos  e  
inspetores  qualificados.  
Adicionalmente um dos critérios para a aceitação são resultados reproduzíveis em fotos ou
gráficos. Embora tais sistemas sejam disponíveis há algum tempo, muitos usuários ainda
confiam inteiramente na determinação individual subjetiva do inspetor, sem registro do que foi
visto. Tendo em mente estas circunstâncias, convém estudarmos os vários aspectos técnicos
da inspeção visual interna.
Com o propósito de estabelecer padrões, é essencial verificar-se todos os elementos
envolvidos no método. Os quatro elementos básicos são:
• O inspetor
• O objeto em si
• O instrumento óptico e
• A iluminação.
Cada elemento está interligado ao outro e afeta o resultado final, que é uma decisão ou
diagnóstico.
A decisão final pode ser tomada através de dois métodos alternativos:

1.3.1 Método reprodutivo


Produz um registro visual através de uma fotografia, videoteipe ou filme cinematográfico.
Naturalmente isto tem diversas vantagens. Este método pode ser comparado a uma série de
padrões 'normais' ou 'anormais'. Podem ser feitas comparações com registros de inspeções
anteriores para determinar se houve crescimento da rachadura ou modificação progressiva.
Diversas pessoas podem estudar os registros para obter uma opinião especializada. A fadiga
visual é reduzida e correções por falha de visão tornam-se mais fáceis. Enfim, é uma decisão,
que pode ser mais objetiva.

1.3.2 Método subjetivo


Com este método o inspetor decide imediatamente, baseando-se somente no que vê. É
semelhante ao juiz que deve decidir imediatamente sem o benefício do 'replay' instantâneo e
confiar na memória para qualquer comparação. Infelizmente este é hoje o procedimento
normalmente usado, tornando a padronização difícil, se não impossível. Somente a acuidade
visual e a competência de um profissional são os elementos que determinam se a inspeção é
válida.
TREINAMENTO IF-AT
Módulo 2- 5 Ensaio Visual e Dimensional

_________________________________________________________
1.4 O inspetor
O primeiro dos quatro elementos básicos nos dois métodos. Obviamente o inspetor em
qualquer método de END deve ser competente. Não existe nenhuma razão para que o inspetor
visual não deva ser qualificado da mesma maneira como os inspetores de radiografias ou ultra-
som. Isto requer programas de treinamento formalizados e ensaios para receber um certificado
de aprovação. Embora não seja praticável de imediato em todas as indústrias e situações,
deverá permanecer como objetivo a longo prazo.
A preocupação imediata deve ser a acuidade visual das pessoas designadas para a inspeção
visual. Mas, de acordo com estatísticas recentes, cinquenta por cento da população, maior de
20 anos de idade, requer lentes corretivas. Contudo, nos primeiros estágios de falha visual,
muitas pessoas não se dão conta de que necessitam de óculos ou não os usam.
Freqüentemente o uso de óculos é inconveniente para observar objetos através de um
borescópio ou fibroscópio, pois é difícil colocar o olho à distância ideal da ocular do aparelho. A
visão é distorcida pelo brilho e reflexos. A concha de borracha nas oculares dos fibroscópios,
desenhada para evitar reflexos externos, não é eficiente para os que usam óculos. Por esta
razão é essencial que cada instrumento tenha capacidade de permitir ao inspetor o ajuste
dióptico na própria ocular.

1.5 O objeto
A peça ou o objeto a ser inspecionado é o segundo elemento importante. Suas características
são determinantes à especificação do borescópio ou fibroscópio necessário. Na escolha do
instrumento deverão ser considerados os seguintes fatores:
1.5.1 Distância da objetiva
Este fator ajuda a determinar a fonte de iluminação necessária, a distância focal requerida para
a máxima nitidez, o poder de resolução e aumento.
1.5.2 Dimensão do objeto
Quando combinado com a distância, este fator determina qual o angulo da visão, lente ou
campo de visão necessários para observar toda a superfície, em particular com o borescópio
de visão lateral.
1.5.3 Dimensão do defeito
A dimensão de alguns defeitos considerados significantes ou críticos (trincas ou rachaduras)
determinam o aumento e a resolução necessários.
1.5.4 Reflexibilidade
Superfícies que recebem luz, tais como as impregnadas com oxidação, necessitam de níveis
de iluminação maiores. A preparação conveniente da superfície muitas vezes se torna
necessária.
TREINAMENTO IF-AT
Módulo 2- 5 Ensaio Visual e Dimensional

_________________________________________________________

Figura 3 – Fibroscópio

Imagem Objeto

Figura 4 – Borescópio
TREINAMENTO IF-AT
Módulo 2- 5 Ensaio Visual e Dimensional

_________________________________________________________

Figura 5 – Turbinas observadas com fibroscópio

1.6 Normalização

Norma Título
AWS B1.10 Guide for the non destructive examination of welds
AWS B1.11 Guide for the visual examination of welds
ISO-8501 Preparation of Steel Substrates before Application of Paints and
Related Products - Visual Assessment of Surface Cleanliness - Part
1: Rust Grades and Preparation Grades of Uncoated Steel Substrates
and Steel Substrates After Overall Removal of Previous Coatings
MSS SP-55 Quality Standard for Steel Casting for Valves, Flanges and Fittings
and Other Piping Components
Alloy Casting Institute Standard for Alloy Inspection of Casting Surfaces
Nota: Como complemento do assunto, recomenda-se a leitura da norma da Petrobras N-1597.

N-1597.pdf
TREINAMENTO IF-AT
Módulo 2- 5 Ensaio Visual e Dimensional

_________________________________________________________
2- ENSAIO DIMENSIONAL
O   ensaio   dimensional   consiste   em   medir,   com   auxílio   de   instrumentos   apropriados,   as  
características   geométricas   de   uma   junta   preparada   para   soldagem,   onde   se   obtêm   os   valores   de  
ângulo  do  bisel,  ângulo  do  chanfro,  abertura  de  raiz  e  espessura  da  peça.  
No caso específico de juntas soldadas, é possível determinar embicamento, reforço excessivo,
deformação angular, pernas de solda, penetração excessiva, concavidade e convexidade.

Normas gerais de medição


Na  tomada  de  quaisquer  medidas,  três  são  os  elementos  fundamentais:  
•  O  método;  
•  O  instrumento;  
•  O  operador.    
O úItimo é, taIvez, o mais importante. É ele o responsável pela análise dos resultados e pela
precisão das medidas, devendo conhecer perfeitamente os instrumentos e escolher os
métodos mais adequados para o seu uso. Ao lidar com tais instrumentos, é importante que o
Inspetor tenha em mente as normas e recomendações que se seguem:
•   Verificar   se   a   peça   por   examinar   está   suficientemente   limpa,   de   modo   que   não   danifique   o(s)  
instrumento(s)  nem  prejudique  a  medição;  
•  Verificar  se  a  sensibilidade  do  instrumento  é  adequada  à  medição  que  se  irá  executar;  
•  Evitar  choque,  oxidação  e  sujeira  no(s)  instrumento(s);  
•   Sempre   que   possível,   deixar   a   peça   atingir   a   temperatura   ambiente   antes   de   tocá-­‐la   com   o(s)  
instrumento(s)  de  medição.  
Os  instrumentos  mais  utilizados  para  Inspeção  Dimensional  de  juntas  preparadas  para  soldagem  e  
juntas  soldadas  já  foram  descritos  no  Módulo  Básico  –  Unidade  III  –  Metrologia  Industrial.  
São  eles:  
•  Régua  Graduada;  
•  Trena;  
•  Paquímetro;  
•  Calibre  de  Solda;  
• Goniômetro.
A seguir serão apresentados outros instrumentos, que embora não sejam convencionais, são
largamente utilizados no ensaio dimensional de juntas soldadas.

Gabaritos
São dispositivos fabricados pelo usuário para verificar a conformidade do serviço com as
normas de projeto, quando os instrumentos convencionais não atendem às necessidades.

Vantagens
•  É  um  processo  de  inspeção  bastante  rápido;  
•  Se  fabricados  dentro  da  precisão  requerida  para  o  serviço,  elimina  erros  de  leitura.  
 
TREINAMENTO IF-AT
Módulo 2- 5 Ensaio Visual e Dimensional

_________________________________________________________
Desvantagens
•   Nem   sempre   é   possível   ao   usuário   fabricar   certos   tipos   de   gabaritos   com   a   precisão  
adequada;  
•  Como  demandam  tempo  para  a  sua  fabricação,  só  devem  ser  usados  para  verificações  repetitivas.

Gabarito para verificação de chanfro