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DIDÁTICA E AÇÃO

DOCENTE: DA TEORIA

À PRÁTICA, DA

PRÁTICA À TEORIA

PR O F E SSO R A M A R I A
C R I S T I N A E . S TI V AL
DIDÁTICA E AÇÃO DOCENTE: DA TEORIA À PRÁTICA, DA PRÁTICA À TEORIA
PROFESSORA MARIA CRISTINA ELIAS ESPER STIVAL
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Os primeiros registros históricos da ação pedagógica, efetivada nas escolas e


mosteiros têm suas características desde a Antigüidade Clássica ou no período
Medieval. Entretanto, a didática aparece em meados do século XVII, com João
Amos Comenio, ao escrever a primeira obra sobre a didática "A didática Magna",
estabelecendo alguns princípios de vida da história da Didática, que tem raízes de
crise e constitui um marco revolucionário e doutrinário no campo da Educação.
A nova proposta de Didática originou-se do pensamento pedagógico de
Comênio (1592-1670), fase de transição da Idade Média à Idade Moderna, em que
está situada à didática Magna. Tendo como expressão inicial das transformações
que atingiram a sociedade no momento em que o modo de produção capitalista
emergente no interior da sociedade feudal contribuía para alterar as condições e
necessidades materiais, políticas e ideológicas predominantes.
Entre os anos 20 e 50, a Didática segue os postulados da Escola Nova, em
que as articulações entre como ensinar e a sociedade seguiram o pensamento de
Comênio. Considerado como expressão das transformações econômicas, políticas,
sociais e ideológicas ocorridas no interior da sociedade feudal.
Assim, na nova disciplina eram depositadas as reformas da Humanidade, no
que refere-se a preparação dos professores que por sua vez, se preocupariam com
a formação das novas gerações.
A Didática segue os princípios da Escola Nova, que busca superar os da
Escola Tradicional, reformando internamente a escola. Já nos anos 60 e 80, se
passa de um enfoque humanista, centrado no processo interpessoal, a uma
dimensão técnica que enfoca o processo ensino-aprendizagem como uma ação
intencional, que procura organizar pedagogicamente as condições que facilitem o
processo de aprendizagem. Tal encaminhamento está centrado em objetivos
instrucionais, na seleção de conteúdos, nas estratégias de ensino, destacando-se
palavras como produtividade, eficiência, racionalização, operatividade e controle.

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS – É proibida a reprodução total ou parcial, de qualquer forma ou por qualquer
meio. A violação dos direitos de autor (Lei n.º 9.610/98) é crime estabelecido pelo artigo 184 do Código Penal.
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A partir dos anos 70, se acentuam as críticas a estas perspectivas didáticas,


que repercutiu aspectos da aparente neutralidade pretendida pelo modelo tecnicista,
revelando seus componentes político-sociais e econômicos.
Na atualidade, a perspectiva fundamental da didática é trabalhada na
formação de docente, o fato de assumir a função de polivalente do processo de
ensino-aprendizagem e articular suas três dimensões: técnica, humana e política no
centro configurador de sua temática.
Partindo do que foi exposto, a teoria e pratica são, portanto, partes
integrantes de uma atividade humana na sociedade. Desse modo, a teoria-
conhecimento é um momento da prática-ação, assim a prática social é um momento
da teoria e do próprio pensar. A função do profissional da educação, está
intrinsicamente relacionada a de mediador intelectual do saber elaborado no
comprometimento com a produção do conhecimento elaborado e com a construção
de uma sociedade brasileira intelectualizada.
Segundo Kosik, a práxis é ativa, é atividade que se produz historicamente,
que se renova continuamente e que se constitui unidade do homem e do mundo, da
matéria e do espírito, do sujeito e do objeto, do produto e da produtividade. Assim,
revela que a práxis humana vai além do contraponto entre teoria e prática, mas
exerce um momento dialético, momento existencial da subjetividade humana.
Nos últimos anos, no Brasil, vêm sendo realizado muitos estudos sobre a
história da didática e suas lutas, classificando as tendências pedagógicas em duas
grandes correntes: uma de cunho liberal e outra de cunho progressista.
A corrente progressista na sociedade contemporânea exige dos profissionais
da educação práticas educativas com inovações pedagógicas e científicas. Tais
inovações devem ser extraídas no decorrer do trabalho docente? Será que implica
para o profissional avaliar sua prática pedagógica?A reflexão constante da prática
educativa garante sustentação teórica?
Nesta perspectiva, os profissionais da educação estão sujeitos aos processos
educacionais que exigem muito mais do que reforçam as questões sociais e estão
também preocupados em repassar novos hábitos para a formação humana dos
estudantes. Mas, a questão do desgaste do trabalho técnico dos profissionais da
educação compromete o trabalho docente que se transforma num escravo do seu
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trabalho ou poderia tratar como “trabalhadores improdutivos”1 que para a lógica do


capital não geram renda necessária para lucro. Esta questão nos remete a pensar o
compromisso dos profissionais da educação para lidar como os percalços da
profissão.
A escola pública brasileira suporta há anos problemas crônicos da pobreza
das famílias, o baixo salário dos profissionais, a desvalorização da própria profissão,
as precárias condições físicas e materiais das escolas, a repetência, a defasagem
idade-série, as dificuldades de aprendizagem dos estudantes, políticas públicas que
atendem a juventude, formação continuada aos profissionais da educação que
atenda as necessidades para domínio do conteúdo e forma, encaminhamentos
repassados a outros segmentos como saúde, política e comunidade local,
entendimentos necessários sobre questões de gênero, violência e diversidade social
e cultural, gestão escolar com posturas autoritárias, fatores esses que contribuem
para o rebaixamento da qualidade do ensino público.

1
Termo usado nos texto do professor Celestino Alves da Silva Junior.

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