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NÍVEL AVANÇADO

- MÓDULO V -

PROCESSOS ORACULARES III


- O TARÔ e a MAGIA -
1ª Parte: O DESENVOLVIMENTO DA MAGIA

PROCESSO HISTÓRICO

1. DEFINIÇÕES
Antigamente, chamada de “Grande Ciência Sagrada” pelos magos. De qualquer maneira
é uma ciência oculta que estuda os segredos da natureza e a sua relação com o homem,
criando assim um conjunto de teorias e práticas que visam ao desenvolvimento integral das
faculdades internas espirituais e ocultas do homem, até que este tenha o domínio total
sobre si mesmo e sobre a natureza.
A magia tem características ritualísticas e cerimoniais que visam entrar em contato
com os aspectos ocultos do universo e da divindade. A etimologia da palavra “magia”
provém da língua persa, magus ou magi, significando tanto imagem quanto um homem
sábio. Também pode significar algo que exerce fascínio.

2. ORIGEM
Há registros de práticas mágicas em diversas épocas e civilizações. Supõe-se que o
caçador primitivo, entre outras motivações, desenhava a presa na parede da caverna
antevendo o sucesso da caça; adquiriu o ritual de enterrar os mortos; nomeou as forças da
natureza que (provisoriamente) desconhecia, dando origem à primeira tentativa de
compreensão da realidade, o que chamamos de mito.
Segundo o Novo Testamento bíblico, por exemplo, são três magos, os primeiros a dar as
boas vindas ao messias recém-nascido (a Bíblia nunca disse que eram reis magos, somente
diz que eram astrólogos que vinham do Oriente). No Velho Testamento, há a disputa
mágica entre Moisés e os magos egípcios. Nos Vedas, no Bhagavad Gita, no Alcorão, nos
diversos textos sagrados de diversas culturas antigas existem relatos similares.
Praticamente todas as religiões preservaram suas atividades mágicas ritualísticas, que se
confundem com a própria prática religiosa - a celebração da comunhão pelos católicos, a
incorporação de entidades pelos médiuns espíritas, a prece diária do muçulmano voltado
para Meca ou ainda o sigilo (símbolo) do caboclo riscado no chão pelo umbandista. Os
antigos acreditavam no poder dos homens, e que através da magia, eles poderiam
comandar os deuses. Assim, os deuses são, na verdade, os poderes ocultos e latentes na
natureza.
Durante o período da Inquisição, os magos foram perseguidos, julgados e queimados
vivos pela Igreja Católica, pois esta acreditava que a magia estava relacionada com o diabo
e suas manifestações.
A magia, segundo seus adeptos, é muitas vezes descrita como uma ciência que estuda
todos os aspectos latentes do ser humano e das manifestações da natureza. Trata-se assim,
de uma forma de encarar a vida sob um aspecto mais elevado e espiritual. Os magos,
utilizando-se de atividades místicas e de autoconhecimento, buscam a sabedoria sagrada e
a elevação de potencialidades do ser humano. A magia seria também a ciência de simpatia
e similaridade mútua, como a ciência da comunicação direta com as potências
supernaturais, um conhecimento prático dos mistérios ocultos na natureza, intimamente
relacionada com as disciplinas ocultas, como o Hermetismo, a Alquimia, a Gnose e a
Astrologia. Para Aleister Crowley é "a arte de provocar mudanças a partir da vontade".

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No final do século XIX, a magia ressurgiu, principalmente, após a publicação do livro
“A Doutrina Secreta”, de Helena Petrovna Blavatsky, e pela atuação da “Ordem Hermética
do Amanhecer Dourado” (Hermetic Order of the Golden Dawn), na Inglaterra, que reviveu a
magia ritualística e cerimonial.

SISTEMAS DE MAGIA

1. MAGIA CLÁSSICA
É a magia contemporânea encontrada nas raízes dos trabalhos de iniciados como,
Eliphas Levi e Papus. A teosofia, ou a moderna teosofia, tem como um de seus fundadores
Helena Petrovna Blavatsky, que foi buscar no oriente a fonte de seu importante sistema
filosófico. Este sistema não se apresenta exatamente como os sistemas utilizados pelos
estudiosos de magia, mas antes, pretende transmitir o conhecimento esotérico universal
que estaria contido em toda e qualquer tradição filosófica ou religiosa. Blavatsky
considera, por exemplo, que todos os homens são magos no sentido último da palavra, pois
todos podem utilizar o divino poder criador, seja através do pensamento, da palavra ou da
ação.

2. MAGIA DA AURORA DOURADA (GOLDEN DAWN)


É uma fusão rígida da cabala prática com a magia greco-egípcia. Seu sistema complexo
de magia ritual é firmemente baseado na tradição medieval européia. Há uma grande
ênfase na magia dos números. Os paramentos rituais são de uma impressionante riqueza
simbólica, bem como os rituais são bastante variados de acordo com a finalidade e o grau
mágico dos participantes. Suas iniciações são por graus, começando pelo neófito (0=0),
indo até os graus secretos (6=5 e 7=4), alcançados, e conhecidos, por poucos; até a bem
pouco tempo, fora da ordem, pensava-se ser o 5=6 o grau máximo da Aurora Dourada.
Curioso que na Golden Dawn não se praticava (nem se aceitava) a magia sexual. Deste
sistema propagou-se o uso de sigilos e pentáculos, bem como ressurgiu o interesse pela
cabala, numerologia, astrologia e geomancia. Além disso, sua interpretação e simplificação
do Sistema dos tattwas do livro "As Forças Sutis da Natureza", de autoria de Rama Prasad,
permitiu uma grande abertura.
Uma das mais importantes adições ao ocultismo ocidental, dada pela Golden Dawn, foi
através de seu método de "criação de imagens telesmáticas".

3. MAGIA AURUM SOLIS


É uma variação do Sistema da Golden Dawn, bastante completo, tendo como principal
adição ao sistema mencionado, o uso de práticas de magia sexual (muito embora seus
métodos dessa forma de magia não pareçam ser muito potentes). Mas, contém no seu bojo
todo o material técnico da Golden Dawn, exceto ter realizado uma simplificação na
simbologia dos paramentos.
Este grupo é liderado pelos renomados ocultistas Melita Denning e Osborne Phillips.

4. MAGIA DE SALOMÃO
Basicamente, consiste no uso de sigilos e pentáculos de inteligências planetárias, que
serão evocadas ou invocadas sobre talismãs e pentáculos. É um sistema importante que foi
aproveitado por quase todas as ordens ocultas hoje em atividade.
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5. MAGIA THELÊMICA
Refere-se à doutrina ou filosofia religiosa difundida por Aleister Crowley a partir de
1904, nos moldes propostos pelo “Liber AL vel Legis” (Livro da Lei), publicação recebida
por uma entidade autodenominada "Aiwass", ministro da cultura de “Hoor-par-Kraat” (o
Deus Horus).
De acordo com a filosofia thelêmica, o ser humano está afastado de sua condição
divina não pela encarnação, conforme pregava, por exemplo, o gnosticismo, e sim pela
simples não-conscientização desta natureza. Essa falta de consciência seria mantida por
uma série de fatores, dentre os quais, podem-se citar o conceito de pecado (enquanto
restrição artificial dos impulsos naturais), o egocentrismo, e a entrega à vontade alheia ou
aos vícios (que no conceito thelêmico refere-se a qualquer atitude que controle a vontade ao
invés de ser controlada por ela). Assim, cabia ao ser humano buscar uma profunda
autoconsciência, chegando assim, ao conhecimento do que foi chamado de “verdadeira
Vontade” (Thelema, do grego: vontade), o objetivo principal da encarnação de um espírito
individual. Segundo Crowley, um dos caminhos desta busca pelo autoconhecimento
passava pela experimentação dos próprios limites. Mas, essa experimentação, que por
muitos podia ser vista como mera libertinagem ou imoralidade deveria sempre ser
executada com rigor científico, imparcialidade e permanente refinamento. Assim, qualquer
ato na vida passaria a ser uma ferramenta através da qual cada um poderia obter um
profundo conhecimento de sua própria psique.
Esse sistema é representada no duplo enunciado da chamada Lei de Thelema: "Fazes o
que tu queres há de ser tudo da Lei" ("Do what thou wilt shall be the whole of the Law");
"Amor é a Lei, Amor sob Vontade" ("Love is the Law, Love under Will”). Nesta injunção,
chamada de "a mais libertária das leis e a mais restritiva das leis", a pessoa é chamada a
descobrir sua verdadeira natureza (o "tu" do primeiro enunciado) e, através desse
conhecimento, submeter-se por completo à sua verdadeira Vontade, deixando de lado todo
e qualquer vício, capricho ou desejo que possa desviar seu caminho desse fim último.
O sistema thelêmico prescinde dos conceitos de "bem" e do "mal" absolutos, uma vez
que lida com a individuação plena do ser humano, o que transforma todo ato em algo
relativo. Por outro lado, prega também a necessidade de uma disciplina absoluta para que
os caprichos não sejam confundidos com a Vontade, o que levaria ao afastamento da
mesma, e de uma completa responsabilidade sobre sua própria vida, pois não há deuses
externos a quem pedir auxílio, ou demônios fora de cada um que possam servir de bodes-
expiatórios.
O sistema Thelêmico ampliou suas fronteiras, fazendo uma revisão na magia ritual, na
magia sexual e nas artes divinatórias. Faz uso da "Corrente 93", (das correntes draconiana,
ofidioniana e tifoniana). As principais organizações a seguirem a filosofia de Thelema, a
nível mundial, são:
Astrum Argentum: fundada em 1907 por Aleister Crowley e George Cecil Jones em
cima da estrutura de umas das mais influentes ordens mágicas dos Séculos XIX e XX, a
Golden Dawn (The Hermetic Order of Golden Dawn).
Ordo Templi Orientis (ou O.T.O.): é uma organização ocultista de inspiração
maçônica, fundada em 1895 por Carl Kellner, Franz Hartmann e Theodor Reuss, e
posteriormente reformulada por Aleister Crowley, tornando-se a principal representante do
movimento thelêmico.

6. MAGIA GNÓSTICA
Samael Aun Weor, fundador do Movimento Gnóstico Cristão Universal, ensinou a magia
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sexual como um dos pilares fundamentais do que chamou “revolução da consciência”. Sua
principal característica é o que o próprio autor chama de "ascética revolucionária da Era de
Aquário". Ainda de acordo com o autor, metafisicamente, seu processo consiste na "mescla
inteligente da ânsia sexual com o entusiasmo espiritual". Contudo, em termos que se atêm
somente à fisiologia desta classe de magia sexual, esta consiste, em suma, na conexão dos
órgãos genitais masculinos e femininos (chamados pelos termos orientais lingam e yoni)
evitando-se o orgasmo, tanto masculino quanto feminino, e a conseqüente perda do
sêmem.

7. MAGIA DA O.T.O.
É a abreviação de Ordo Templi Orientis, fundada por Theodore Reuss e Karl Kellner no
início do Século XX. Baseou-se, inicialmente na aplicação dos conhecimentos do tantra
sobre o sistema da maçonaria.
Quando o ocultista inglês Aleister Crowley, passou a ter o controle da ordem, seus
rituais e filosofia básica foram reformulados para serem interpretados e trabalhados sob a
chamada Lei de Thelema. A O.T.O. acabou sendo a origem de diversas dissidências que
adotaram diferentes visões sobre a magia. Dentre as dissidências que realizam um trabalho
considerado sério podemos citar a Ordo Templi Orientis Antiqua (O.T.O.A.) e a Tiphonian
Ordo Templi Orientis (T.O.T.O.).

8. MAGIA PLANETÁRIA
Criado pelo grupo "Aurum Solis". Baseia-se em rituais destinados a evocar ou invocar
os "espíritos olímpicos", entidades planetárias (inteligências), arquétipos dos arcanos do
tarô, ou deuses e deusas (ou seres mitológicos), entre outros. É um sistema prático,
completo, eficiente, de poucos riscos e fácil de colocar em prática.

9. MAGIA SANGREAL
Criado pelo famoso ocultista William G. Gray. É um Sistema que busca fundir a
tradição Ocidental em suas principais manifestações: a cabala e a magia. Na verdade, a
cabala aqui abordada é a teórica, que, aliás, é utilizada em todas as escolas de ocultismo,
exceto aquelas que abraçam o sistema de cabala prática de Franz Bardon, do sistema
hermético. Apesar disso, é um sistema bastante completo e racional, que tem fascinado os
mais experientes e competentes ocultistas da atualidade. A obra de W. G. Gray é extensa,
mas não excessiva, o que contribui para facilitar o estudo deste sistema.
Sua principal característica é a de "criar" (dentro de cada praticante) um "sistema solar
em miniatura". A partir daí, cada iniciado trabalha em seu Microcosmos e no Macrocosmos
de forma idêntica.

10. MAGIA DOS TATTWAS


É um método de utilização dos símbolos gráficos orientais representantes dos cinco
elementos (éter, fogo, água, ar e terra). Usa-se o desenho pertinente como forma de
meditação e expansão da mente que, através desse processo, consegue-se penetrar em um
determinado portal para outras dimensões. É um eficiente método de auto-iniciação.

11. MAGIA PATHWORKING


Idêntico em tudo ao sistema dos tattwas, exceto que se utiliza desenhos relativos às
esferas e caminhos ("Paths") da “Árvore da Vida”, que é um hieróglifo cabalístico. Pode-se,

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alternativamente, utilizar-se de sigilos de diversas entidades (visando "viajar" para as
paragens habitadas por aquelas), ou até mesmo os vévés (sigilos do Voodú), com a mesma
finalidade, a auto-iniciação.

12. MAGIA SEXUAL


É o termo ocultista para designar diversas práticas sexuais usadas com propósitos
mágicos, místicos ou espirituais. A premissa fundamental da magia sexual é o conceito de
que a energia sexual, ou libido, do organismo humano é a força mais poderosa que
podemos manipular e que algumas práticas ocultas podem acumular, direcionar ou
modificar estar energia de modo a atingir objetivos pré-determinados.
Existem duas escolas principais de magia sexual:
O Caminho da mão esquerda: defende que o orgasmo deve ser adiado até que sua
energia seja tanta que possa, segundo a visão dos praticantes, alterar a realidade ou levá-
los a estados alterados de consciência. Os seguidores desta escola baseiam seus
conhecimentos no trabalho original de Paschal Beverly Randolph, seguido de Theodor
Reuss, e mais tardiamente por Aleister Crowley.
O Caminho da mão direita: defende que o orgasmo é a antítese da sublimação sexual.
Neste contexto o orgasmo não é apenas adiado, mas superado em prol do que seus
praticantes consideram energias superiores. O caminho da mão direita não admite práticas
como masturbação e homossexualismo. Um exemplo desta escola de magia sexual é o
movimento gnóstico proposto por Samael Aun Weor.
A magia sexual existe sob diversos sistemas diferentes e conflitantes, a maioria deles
derivados do sistema originalmente desenvolvido por Paschal Beverly Randolph e depois
por Theodore Reuss, na Ordo Templi Orientis (O.T.O.). Estão entre os diversos sistemas de
magia sexual:
Ansariético: criado pelos ansarichs ou aluítas (em inglês: ansaireth ou ainda nusairis)
na Síria antiga; é o primeiro dos modernos métodos de magia sexual;
Eulis: criado por Pascal Beverly Randolph, um iniciado entre os aluítas; é um método
científico de magia sexual Ocidental, muito poderoso e perigoso. Seu criador era médico, e
cometeu suicídio após muitos problemas na vida. Era mulato, político liberal, libertino e
residente nos Estados Unidos, no século XIX;
Sistema da O.T.O.: basicamente um método de magia sexual que busca a elevação
espiritual através do sexo. Tem três graus de aptidão mágica sexual – o VIII, o IX e o XI.
Pode ser considerado o tantra Ocidental;
Sistema da Fraternitas Saturni: é derivado da O.T.O., mas abertamente luciferiano;
Sistema Maatiano: criado por dissidentes da O.T.O., que tem uma visão mais moderna
da magia sexual. Sua visão sobre o grau XI é particularmente distinta;
Sistema da O.T.O.A.: derivado da O.T.O., é muito parecido com este, porém faz uso
não apenas da magia sexual praticada fisicamente, mas também de práticas astrais desse
tipo de magia;
Caos: sistema mágico baseado em "automagia sexual";
Movimento Gnóstico Cristão Universal: sistema de magia sexual acentuadamente
ascético, fundado pelo neo-gnóstico Samael Aun Weor.
Sistema Zos-Kia: criado por Austin Osman Spare; consiste no uso mágico da "auto-
magia sexual" ou "auto-amor". É também um sistema muito potente e perigoso. Seu
criador, talentoso artista plástico, morreu esquecido e quase na miséria.

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Sistema Palladium: criado por Robert North, estudioso de Franz Bardon, P. B.
Randolph, Aleister Crowley, além de outros mestres do ocultismo. Tem sua doutrina, os
palladianos, no conceito do ser humano pré-adâmico, isto é, no ser humano bissexuado,
para o qual o relacionamento sexual era desnecessário para a procriação. Esses seres eram
os "Elohim", "Filhos de Deus", que criaram o "pecado" relacionando-se sexualmente uns com
os outros (o que era desnecessário), provocando a "queda" da humanidade. Com o "pecado",
veio a "punição": Deus dividiu o sexo dos seres humanos, o que provocou a expulsão deles
do "Éden", sua "Expulsão do Paraíso". Baseando-se nessa crença, além de buscar decifrar os
ensinamentos ocultos de todos os mestres, e interpretar o significado oculto da literatura,
os palladianos buscam trazer luz aos conceitos tão mal compreendido da magia sexual.

13. MAGIA LUCIFÉRICA (LUCIFERIANISMO)


Este sistema é desenvolvido por uma fraternidade chamada "Fraternitas Saturni". É um
sistema parecido com o da O.T.O., centralizando suas práticas em magia sexual (em
especial nas práticas da "mão esquerda"), e em magia ritualística. A diferença principal em
relação a O.T.O. é que, enquanto esta busca a fusão individuada com a energia criadora,
porém sem uma representação central, a Fraternitas Saturni busca elevar o espírito
humano a uma condição de divindade, representada por Lúcifer. O sistema possui 33
graus.

14. MAGIA ENOQUIANA


É um sistema simbolicamente complexo, que consiste na evocação de energias ou
entidades de trinta esferas de poder em torno da Terra. É um sistema poderoso e perigoso,
mas já existem diversos guias práticos no mercado, que permitem uma condução
relativamente segura.
Este Sistema foi descoberto por John Dee e Edward Kelley; posteriormente, foi
aperfeiçoado pela Golden Dawn por Aleister Crowley e seus muitos seguidores, entre eles
vale destacar Gerald Schueler. Os "nomes bárbaros" a que se referem muitos textos de
ocultismo são os "nomes de poder" utilizados neste sistema mágico. Aqui, trabalha-se num
universo próprio, distinto daquele conhecido no hermetismo e na astrologia. Busca-se
contato com elementais, anjos, demônios e com o próprio anjo da guarda. Dizem alguns
entendidos que a famosa "Arca da União" é o "Tablete da União", peça fundamental deste
sistema. Esse "Tablete da União" encontra-se a disposição de qualquer Mago que cruze o
"Grande Abismo Exterior", após a passagem pelo sub-plano de ZAX, no plano Akashico,
Etérico ou do Espírito, local onde estão situados os sub-planos LIL, ARN, ZOM, PAZ, LIT,
MAZ, DEO, ZID e ZIP, os últimos entre os 30 aethyrs ou sub-planos. Essa região é logo
anterior ao último "anel pelo qual nada passa", tudo isso dentro do conceito do universo
pela física enoquiana.
Para encerrar essa abordagem sobre a Magia Enoquiana, um aviso: muito cuidado ao
pronunciar qualquer palavra no idioma enoquiano, pois as mesmas têm muita força,
podendo provocar manifestações nos planos sutis mesmo que as "chamadas" tenham sido
feitas de forma inconsciente ou inconseqüente.

15. MAGIA MUSICAL


Criado por uma renomada ocultista, Juanita Wescott, estudiosa do sistema de Franz
Bardon. O sistema de Magia Musical faz uso dos mais elevados ensinamentos do
hermetismo e da cabala, do ponto de vista de Franz Bardon.

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16. MAGIA SATÂNICA (SATANISMO)
É um fenômeno cristão; só existe por causa do cristianismo. Baseia-se no dualismo
Deus-Diabo, presente em tantas culturas, e no dualismo Bem-Mal, presente no inconsciente
coletivo. Historicamente, o satanismo como culto organizado nunca existiu, até a criação
da Igreja de Satã, fundada em 30 de Abril de 1966, por Anton Szandor La Vey, na
Califórnia, Estados Unidos. A partir de então, o satanismo passou a contar com rituais
específicos, buscando criar versões próprias da magia ritual e da magia sexual, além de ter
sua própria versão da missa católica, chamada “missa negra”. Basicamente, tudo como se
convencionou chamar de magia negra (submeter os outros a nossa vontade, causar
enfermidades, provocar acidentes ou desgraças e até a mesmo a morte dos outros, obter
vantagens em questões legais, em assuntos ilegais ou imorais, corromper a mente alheia,
etc.), tem lugar entre os satanistas. Na corrente da Igreja de Satã, não se prega o sacrifício
animal, substituído pelo orgasmo sexual; o sacrifício humano inexiste, ao menos com a
pretensa vítima "ao vivo" (é aceitável realizar um ritual visando a morte de outrem que será
uma "vítima sacrificial", embora não seja imolada num altar). Portanto, os satanistas
modernos podem vir a realizar sacrifícios humanos, desde que sejam apenas na forma de
rituais representados de forma teatral, isto é, o sacrifício é de forma simbólica, apenas.
Os ensinamentos de La Vey baseiam-se nos de Aleister Crowley, Austin Osman Spare,
da O.T.O. e da F.S. (Fraternitas Saturni), além de fazer extenso uso das chamadas
“Correntes Enoquianas". O satanismo de La Vey é um culto organizado, nada tendo a ver
com os satanistas que, volta e meia, são manchete dos noticiários.
Basicamente, a crença do Satanista dividi-se em três pontos:
O Diabo é mais poderoso que Deus;
Aqueles que praticam o mal pelo mal estão realizando o trabalho de Satã, sendo,
portanto, seus servidores;
Satã recompensa seus servidores com poderes pessoais e facilita-lhes satisfazer e
realizar seus desejos.
Satanistas verdadeiros são raros, a grande maioria dos que se dizem tal são
simplesmente, pessoas possuídas por forças desconhecidas que invocaram, cujo destino
será a cadeia, o manicômio ou a tumba, e por fim o suicídio. Satanismo não é
Luciferianismo.

17. MAGIA SAGRADA DE ABRAMELIN (QUADRADOS MÁGICOS)


Tipo de magia ritual cujo alvo principal é a conversação com o próprio anjo da guarda;
Faz-se uso de uma série de “quadrados mágicos” que evocam energias diversas. É um
sistema poderoso e perigoso, no qual muitos experimentadores se "deram muito mal".
As instruções dadas no famoso livro que ensina este sistema não devem ser levadas a
cabo, "ao pé da letra", de forma irrefletida; deve-se, porém, ter total atenção aos
ensinamentos, antes de colocar os mesmos em prática. Como em todos os textos antigos,
nele também muita coisa está cifrada ou velada.
Deste poderoso Sistema apareceram inúmeras práticas com "quadrados mágicos".

18. BRUXARIA (WITCHCRAFT)


Até virem à luz os trabalhos de Gerald Gardner, Raymond Buckland e Scott Cuningham,
não se podia considerar a bruxaria um sistema mágico.

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As bruxas e os bruxos se reúnem nos "covens", que por sua vez encontram-se nos
"sabbats", as oito grandes festividades definidas pelos solstícios, pelos equinócios, e pelos
dias eqüidistantes entre esses. Os últimos são considerados mais importantes.
A bruxaria é um misto de métodos de magia clássica (ritual, sexual, etc.), com práticas
de magia natural (uso de velas, incensos, ervas, banhos, poções, etc.), cultuando entidades
pagãs em geral. Nada tem a ver com o Satanismo.

19. MAGIA DRUIDA (DRUIDISMO)


Há muito em comum entre o druidismo moderno e a wicca (nome dado nos países de
língua inglesa à bruxaria). As principais diferenças residem na mitologia utilizada nos seus
rituais (a celta), além dos locais de culto (entre árvores de carvalho ou círculos de pedras).
O druidismo pode ser resumido como um culto à mãe natureza em todas as suas
manifestações rituais.

20. MAGIA XAMÂNICA (XAMANISMO)


É um culto característico de povos asiáticos e árticos. Embora a palavra xamã tenha
origem na tribo siberiana dos Tugus, não existe origem histórica ou geográfica para o
xamanismo, prática religiosa, de cura e filosófica encontrada no mundo todo.
O xamanismo trabalha com profundo respeito às forças da natureza, com rituais
vividos por qualquer tipo de pessoa, envolvendo cristais, fogo, água, metal, madeira. É um
conceito de vida que busca no autoconhecimento a chave para o equilíbrio do ser.
O sacerdote do xamanismo é o xamã, que entra em transe durante rituais xamânicos,
manifestando poderes aparentemente sobrenaturais, e invocando espíritos da natureza. A
comunicação com estes aspectos sutis da natureza se processa através de estados alterados
de consciência. Estados esses alcançados através de batidas de tambor, danças e até ervas
alucinógenas. O xamã pode ser homem ou mulher, e sempre há na história pessoal desse
indivíduo um desafio, como uma doença física ou mental, que se configura como um
chamado, uma vocação. Depois disto há uma longa preparação, um aprendizado sobre
plantas medicinais e outros métodos de cura, e sobre técnicas para atingir o estado
alterado de consciência e formas de se proteger contra o descontrole. O xamã é tido como
um profundo conhecedor da natureza humana, tanto na parte física quanto psíquica.

21. MAGIA SEIDR


Foi, muitas vezes, descrito como uma feitiçaria realizada para “ferver” certos objetos
imputados de poderes mágicos, sendo basicamente utilizado como um rito adivinhatório ou
para assassinato, ou ainda, como prescreve Boyer, relacionado a três ações básicas: prever
o futuro, aprisionar, causar doenças/desgraças ou matar. A tradução do termo varia
segundo os pesquisadores, mas geralmente é interpretada como sendo canto. Tratava-se de
um ritual mágico de tipo divinatório e profético, com conotações xamanistas, e uma arte
mágica criada pela deusa Freyja. Era um tipo de magia extática com transe, êxtase do
celebrante e cantos da assembléia, geralmente realizada durante a noite e praticada sobre
uma plataforma chamada de assento para encantamento (seidhjallr). A sua realização era
conectada com sons mágicos ou encantamentos, e a melodia era considerada bonita para
os ouvidos. Também compreendia fórmulas mágicas para chamar tempestades e todos os
tipos de injúrias, metamorfoses e predições de eventos futuros. Criada pela deusa Freyja,
era praticada especialmente por mulheres chamadas seidkonur (no singular, seidkona).

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Para Neil Price, seria antes de tudo, uma forma de extensão do espírito e de suas
faculdades, enquanto que para Zoe Borovsky, a performance do seidr simbolizaria o modelo
vertical de universo (cosmológico) da árvore Yggdrasill. Como para o xamã, a praticante de
seidr devia descer ao mundo dos mortos para relatar os ensinamentos que buscam os vivos
e para efetuar certos malefícios.
A magia nórdica era tanto praticada por homens quanto por mulheres, com uma nítida
especialização feminina. As sagas estão repletas de práticas mágicas, mas maiores detalhes
sobre o ritual do seidr são desconhecidos.

22. MAGIA DEMONÍACA (GOETIA OU GOÉCIA)


Consiste na evocação das entidades demoníacas, demônios, de habitantes da "Zona
Mauva" ou das Qlippoths. É uma variação unilateral da magia evocativa do sistema
hermético. Obviamente é um sistema muito perigoso.

23. MAGIA SOLAR


Aonde se busca, única e exclusivamente, o conhecimento e a conversação com o anjo
da guarda.

24. MAGIA BON-PO (BON-PA)


É um sistema de magia originário do Tibet. É uma seita de magia negra, com estreitas
ligações com as lojas da FOGC (Ordem Franco-Massônica da Centúria Dourada), sediadas
em Munich, Alemanha, desde 1825, com outras 98 Lojas espalhadas por todo o mundo.
Na O.T.O.A., faz-se uso de práticas mágicas bon-pa. Membros da seita bon-pa estiveram
envolvidos com organizações sinistras, como a "Mão Negra", responsável pelo Arquiduque
Ferdinando da Áustria, o que precipitou no mundo, a Primeira Guerra Mundial. Durante a
era nazista na Alemanha, membros da seita bon-pa eram vistos freqüentando a cúpula do
poder.
Outro nome pelo qual a seita bon-pa ou bon-po é conhecida é "A Fraternidade Negra".
Muitos chefes de Estado, artistas famosos e pessoas de destaque na sociedade, foram ou
são vinculados à bon-pa ou à FOGC, através de "pactos" feitos com as forças das trevas.
Vale notar que, na Alemanha nazista, todas as ordens herméticas foram perseguidas e
proscritas, exceto a FOGC. E, na China, após a tomada do poder por Mao Tse Tung, todas as
seitas foram perseguidas e proscritas, exceto a bon-pa. Seriam Hitler e Mao Tse Tung,
membros das mesmas, assim como seus principais asseclas? Vale a pena ler a obra
"Frabato", de autoria de Franz Bardon, e a edição do mês de Agosto de 1993 da revista
"Planeta" (Editora Três). Em ambas, muita coisa é revelada sobre a história dessas seitas,
inclusive sobre suas práticas nefastas.

25. MAGIA ZOS-KIA-CULTUS


Criado por Austin Osman Spare, o redescobridor do culto de Príapo. É a primeira
manifestação organizada de magia pragmática. Baseia-se na fusão da magia sexual com a
sigilização mágica. A obra "Practical Sigil Magic", de Frater U. D., revela seus segredos. É
um sistema eficiente, mas não serve para qualquer pessoa, somente para aquelas de mente
aberta e sem preconceitos. O motivo é simples: seu método de magia sexual é o conhecido
como "Grau VIII", na O.T.O., ou seja, a auto-magia sexual.

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26. MAGIA DAS RUNAS
Runas são letras-símbolos, cada qual com significados variados e distintos. Tem uso
em divinação, em magia pentacular e em meditação. Infelizmente, a cabala das runas
perdeu-se para sempre na noite dos tempos. As runas tem origem totalmente teutônica. As
runas tem se tornado um dos mais importantes alfabetos mágicos, talvez devido a seu
poder como elementos emissores de ondas-de-fôrma, talvez devido à facilidade de sua
escrita.

27. MAGIA ICÔNICA OU ICONOGRÁFICA (ANTIGO SISTEMA HEBRAÍSTA)


Desenvolvido por Jean-Gaston Bardet, com a colaboração de Jean De La Foye, é um
sistema tecnicamente complexo, que consiste em utilizar as letras de fôrma hebraicas como
fonte de emissões de ondas-de-fôrma. Hoje, com o sistema aprimorado por António
Rodrigues, utiliza-se dessas letras, além de outros símbolos ou ícones, para a detecção e
criação de "estados esotéricos", bem como para neutralizar ou alterar energias sutis
diversas. É um dos mais potentes que existe, dentro da visão de emissores e detectores de
ondas-de-fôrma.
Rodrigues introduziu muitas "palavras de conteúdo mágico" nesse sistema, muitas das
quais oriundas da obra "777", de Aleister Crowley. Se for utilizado como forma de
meditação, ou conjuntamente à cabala simbólica (a que faz uso do hieróglifo da Árvore da
Vida), é eficiente para a prática do "pathworking".

28. MAGIA DO CAOS OU CÍRCULO DO CAOS (I.O.T. – ILLUMINATES OF THANATEROS)


A magia do caos tem origem nos trabalhos de Austin Osman Spare, redescobridor do
culto de Príapo. A magia do caos é atualmente bastante divulgada por seu organizador
Peter James Carroll, além de Adrian Savage. Os praticantes da magia do caos consideram-se
herdeiros mágicos de Aleister Crowley (e da O.T.O.) e de Austin Osman Spare (e da ZOS-
KIA-CULTUS). Seu sistema procura englobar tudo quanto seja válido e prático em magia,
descartando tudo quanto for mais complexo que o necessário. Caracteriza-se por não ter
preconceitos contra nenhuma forma de magia, desde que funcione. Está se tornando o mais
influente sistema de magia entre os intelectuais da modernidade. Entre suas práticas mais
importantes vale ressaltar o uso da magia sexual, em especial dos métodos "de mão
esquerda". Seus graus mágicos são cinco, em ordem decrescente: 4º, 3º, 2º, 1º e 0º.

29. MAGIA NATURAL


Consiste na utilização de elementos físicos, na forma de realizar atos de magia
mumíaca (efígie de pessoas, representando-as, tornando-se receptáculos dos atos mágicos
destinados àquelas), bem como no uso de banhos energéticos, defumações, pós, ungüentos,
etc., visando obter resultados mágicos pela "via do menor esforço".

30. MAGIA NECRONOMICÔNICA (NECRONOMICON)


Uma variação da magia ritual, que se baseia na mitologia presente nos contos de
horror do autor Howard Phillips Lovecraft, em especial no Deus Cthulhu, e no livro mágico
“O Necronomicon” (citado com freqüência pelo autor).
Atualmente, diversos grupos fazem uso deste sistema na prática, entre eles valendo
destacar a I.O.T., a O.R.M. e a Igreja de Satã. Frank G. Ripel, ocultista italiano que lidera a
O.R.M., pode ser considerado o mais importante divulgador deste sistema de magia, além
de ser o renovador do sistema thelêmico; mas o grupo I.O.T. tem sido o responsável pela

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modernização (e explicação racional) deste poderoso sistema. Aliás, poderoso e perigoso,
por isso mesmo atraente. Tão atraente que foi criada uma coleção de RPG's versando sobre
o culto de Cthulhu, o Necronomicon e outras idéias de H. P. Lovecraft.

31. MAGIA HERMÉTICA (HERMETISMO DE FRANZ BARDON)


Sistema amplamente explicado (na teoria e na prática) nas obras de Franz Bardon, a
reencarnação de Hermes Trismegisto (conforme sua autobiografia intitulada "Frabato, The
Magician").
O sistema hermético prega um desenvolvimento gradativo das energias no ser humano,
partindo de simples exercícios de respiração e concentração mental, até o domínio dos
elementos, daí à evocação mágica, e até à cabala, aonde se aprende o misticismo das letras
e o uso mágico de palavras e sentenças, algumas das quais foram utilizadas para realizar
todos os milagres descritos na Bíblia e em outros textos sagrados.

32. MAGIA QABALÍSTICA


É a prática do misticismo das letras (isto é, do conhecimento das cores, notas musicais,
elementos naturais e suas respectivas qualidades, regiões do corpo em que cada letra atua,
etc.), daí das palavras e de sentenças; o uso de mais de uma letra, cabalisticamente, tem o
nome de “fórmula cabalística”. Muitas escolas de ocultismo, que utilizam a cabala como
parte de seus ensinamentos, o fazem utilizando a chamada cabala teórica, que se baseia no
hieróglifo da Árvore da Vida e suas atribuições. Poucas Escolas utilizam a cabala prática,
como ensinada por Franz Bardon. As diferenças entre a cabala prática e a teórica são
muitas, mas, como principal distinção, na cabala teórica o enriquecimento pessoal é apenas
a nível teórico, isto é, intelectual, enquanto que na prática se aprende, se compreende, se
vive a realidade do misticismo das letras. O mesmo conhecimento que foi utilizado para
criar tudo quanto existe no universo. É simultaneamente dogmático e pragmático.

33. MAGIA ELETRÔNICA


É uma forma "acessória" da magia ritual, utilizando-se de paramentos do tipo "bobina
tesla" ou "gerador Van De Graff", para gerar poderosas energias visando potencializar os
rituais.

34. MAGIA PSICOTRÔNICA


É uma forma de magia pragmática que utiliza o simbolismo próprio do mago (uma vez
que será este a determinar quais os números a serem utilizados, qual o tempo de exposição
ao poder do equipamento utilizado, ou ainda uma série enorme de "coisas" passíveis de
emissão psicotrônica, detectadas ou determinadas por meios radiestésicos ou intuitivos),
aliado à eletricidade e à eletrônica, para produzir seus efeitos. Apesar de utilizar-se de
aparato muitas das vezes sofisticado, tem o mesmo tipo de ação que outras variedades de
magia ritual, isto é, depende inteiramente (ou quase) das qualidades mágicas do operador.

35. MAGIA DAS EMISSÕES DE ONDAS-DE-FÔRMA


É uma forma de magia dogmática, posto que faz uso de paramentos e símbolos sem
paralelo no sub-consciente do mago; exceção se aplica aos gráficos que dependem de uma
seleção radiestésica de seu design, como, por exemplo, no sistema alpha-omega (aonde se
seleciona os algarismos numéricos e a quantidade de círculos em torne daqueles, para se
construir o gráfico). Para exemplificar o uso prático, se utiliza equipamentos
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bidimensionais ou tridimensionais; os primeiros são os gráficos emissores, compensadores
e moduladores de ondas-de-fôrma, enquanto os outros são os aparelhos tipo pirâmides,
esferas ocas, meias-esferas, arranjos espaciais que parecem móbiles, etc. Neste Sistema, na
sua parte tridimensional, é que se utilizam os pêndulos, as forquilhas e demais
instrumentos radiestésicos, rabdomânticos e geo-biológicos.

36. MAGIA RADIÔNICA


É a única modalidade de magia que, apesar de totalmente encaixada no sistema de
magia ritual, e herdeira única do sistema psicotrônico, reúne em si, simultaneamente, as
características de dogmatismo e pragmatismo. Os métodos utilizados para a detecção das
energias são nitidamente pragmáticos, uma vez que fazem uso de pêndulos (radiestesia) ou
das placas de fricção (sistemas sujeitos à Lei das Sincronicidades, de Carl Gustav Jung).
O "coração" do sistema radiônico, porém, não é seu método de detecção (uma vez que
há aparelhos sem nenhum sistema de detecção, como a Peggotty Board, ou tábua de
cravilhas), mas seu sistema de índices. Esses índices são em geral descobertos ou criados
pelos pesquisadores do sistema em questão, e passados adiante para os outros usuários do
sistema, que não são necessariamente pesquisadores. Assim, quando se utilizam índices
desenvolvidos por outras pessoas, se está operando no sistema dogmático, apesar de que
os números presentes nos índices são sempre comuns à mente de qualquer operador, mas
as seqüências em que eles aparecem que formam os índices, o fazem de forma
desconhecida ao subconsciente do operador, portanto de forma dogmática. Quando, porém,
fazemos uso de índices que sejam fruto de nossas próprias pesquisas ou experiências,
trabalhamos, então, de forma pragmática. Portanto, em se tratando de magia radiônica,
somente nossas próprias pesquisas permitem um trabalho totalmente pragmático.

37. MAGIA RELIGIOSA


É qualquer sistema de magia praticado dentro de cultos ou doutrinas religiosas, sejam
elas, com base em ensinamento tradicional, espiritual ou natural:
Pajelança: é a prática do xamanismo no Brasil. É constante em todas as etnias
indígenas brasileiras, sendo o xamã conhecido como pajé na língua tupi. É a comunicação
com os encantados através de cânticos, danças e utilização de instrumentos musicais
(maracá, zunidores) para captura e afastamento de espíritos malignos tipo mamaés,
anhangás, utilização do jejum, restrições dietéticas, reclusão do doente, além de uma série
de práticas terapêuticas que incluem: o uso do tabaco (o pajé fuma grandes cachimbos),
aplicação de calor e defumação, massagens, fricções, extração da doença por
sucção/vômito, escarificação no tórax e locais inflamados com bico, dentes de animais ou
fragmentos de cristais – houve época que essa última técnica associou-se à medicina dos
cirurgiões barbeiros e aplicadores das sanguessugas (Hirudus medicinalis ou bicha como
era conhecida no Brasil antigo) e as terapias por aplicação de ventosas atualmente uma
prática em extinção.
Cultos Ameríndios: entre os índios Guarani Kaiová a comunicação deles com as
divindades e os ancestrais acontece através do canto e dança. Em algumas tribos da
América do Sul além de rituais com música, e dança há utilização de plantas psicoativas.
Generalizações sobre as práticas etnomédicas ameríndias ou de qualquer outra região do
planeta são perigosas porque existe certa especificidade em cada sistema de crenças mítico-
religioso e/ou prática cultural destinada à recuperação da saúde. Por outro lado a
comparação nos permite ampliar o conhecimento sobre uso de plantas, uso de técnicas de
êxtase ou mesmo sobre esse conjunto de práticas, ditas primitivas, que nos permitem
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conhecer e controlar estados de consciência, controlar emoções, modificar sentimentos e
curar doenças, organizado sob a forma de um conhecimento empírico, aparentemente não
lógico. Segundo o antropólogo Levi-Strauss o "pensamento selvagem" diferencia-se do
conhecimento científico por ser analógico, basear-se na introspecção (intuição) em lugar da
observação e lógica de contradições. Nos sistemas etnomédicos dos ameríndios
encontramos o uso de plantas psicoativas como a Jurema (Mimosa negra; M. hostilis), a
Ayahuasca ou Hoasca (Banisteria caapi & Psichotria viridis), o Paricá (Piptadenia
peregrina, P. macrocarpa), o Tabaco (Nicotina tabacum). A utilização de produtos animais
como as secreções do anuro Phyllomedusa bicolor, utilizado popularmente no norte do país
como "vacina do sapo" além de técnicas de sangria, exposição ao fogo (calor), defumações,
restrições de alimentação e de práticas sexuais. Se incluirmos a América do Norte e Central,
da definição de ameríndio, encontraremos mais plantas psicoativas como a Datura (D.
stramonium) e cactos (Lophophora Williamsii); além de fungos ou cogumelos (Psilocibe e
Stropharia) e técnicas semelhantes à sauna (câmaras de suar – suadouros). Alguns
antropólogos chamam atenção para especificidade das medicinas das antigas civilizações
Inca e Asteca especialmente a primeira que inclui práticas cirúrgicas como trepanações do
crânio com finalidade neurocirúrgica não completamente esclarecida (descompressão de
tumores, hematomas, hemorragias). A medicina inca sofisticada farmacopéia inclui
enteógenos misturados com pelo menos uma dezena de plantas curativas ou plantas
mestras (plantas professoras). As etnias callawaya e aymarás conservaram e
desenvolveram grande parte de sua farmacopéia. Houve em algumas regiões associação
com práticas européias de hidroterapia e medicina natural como no Chile, Manuel Lazaeta
Acharan (1881-1959) – bastante conhecido no Brasil pela nova geração de médicos
naturalistas. No Brasil apesar da tradição multi-étnica dos ameríndios observa-se que
muitas das práticas do xamanismo ou pajelança se "fundiram" com rituais católicos,
espíritas e africanos (crenças de afro-descendentes) conhecidos em algumas regiões como
pajelança cabocla, culto aos encantados, toré, catimbó, candomblé de caboclo, culto a
Jurema.
Candomblé: É uma religião com base no culto aos ancestrais, chamados de Orixás,
Inquices ou Voduns (Brasil, Uruguai, Argentina e Venezuela), de origem africana. Religião
que tem o seu ápice nas festas ou xirês onde ocorre a incorporação de espíritos deificados
(Orixás) e ligados à forças e fenômenos da natureza. É muitas vezes chamado de um culto
anímico, pois o fenômeno do transe mediúnico é relativo ao animas (natureza do corpo).
Foi particularmente desenvolvida no Brasil sob o conhecimento dos sacerdotes africanos
que foram escravizados e trazidos da África para o Brasil, juntamente com seus Orixás,
Inquices e Voduns, sua cultura, e seu idioma, entre 1549 e 1888. Esses escravos brasileiros
pertenciam a diversos grupos étnicos, incluindo os yorubá, os ewe, os fon, e os bantu.
Como a religião se tornou semi-independente em regiões diferentes do país, entre grupos
étnicos diferentes, evoluíram diversas "divisões" ou nações, que se distinguem entre si
principalmente pelo conjunto de divindades veneradas, o atabaque (música) e a língua
sagrada usada nos rituais. A prática da magia ritualística envolve elementos da natureza
(pedras, velas, fogo, sangue dos animais imolados, animais soltos, folhas, ervas e seu
sumo, pós, alimentos, frutos e outros elementos) que compõe o “ebó” (trabalho ou
oferenda) associado às fórmulas mágicas entoadas na língua sagrada dos Orixás (o
yorubá). Serve para diversas finalidades, desde limpezas, sacudimentos até para rituais de
introdução e consagração.
Santeria: Traduz-se por “caminhos dos santos”, onde os termos preferidos entre
praticantes incluem lukumi e regla de ocha. É um conjunto de sistemas religiosos
relacionados que funde crenças católicas com a religião tradicional yorubá, praticada por

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escravos e seus descendentes em Cuba, no Brasil (onde o candomblé apresenta
semelhanças com a santeria), em Porto Rico, na República Dominicana, no Panamá e em
centros de população latino-americana nos Estados Unidos como Florida, Nova York, e
Califórnia. Santeria é, originalmente um termo pejorativo aplicado pelos espanhóis para
ridicularizar a devoção excessiva dos seguidores aos santos e à negligência de Deus. Os
proprietários cristãos dos escravos não permitiram que praticassem suas várias religiões
animistas da África Ocidental. Os escravos encontraram uma maneira de contornar
concluindo que os santos cristãos eram manifestações simplesmente diferentes de seus
vários deuses. Os proprietários pensaram que seus escravos tinham se tornados bons
cristãos e elogiavam os santos, quando na realidade continuavam suas práticas
tradicionais. O ritual de santeria é altamente secreto e transmitido de forma oral. As
práticas conhecidas incluem sacrifício animal, dança extática, e invocações cantadas aos
espíritos. A música do tambor, atabaque e danças são usados para produzir um estado do
transe nos participantes, que podem incorporar um orixá e até mesmo falar com sua voz.
Os antepassados são tidos em alta estima na santeria. O deus é consultado como Olorun,
ou o "dono do céu" e Olodumaré. Até a década de 30 era comum ouvir falar de sacrifícios
humanos em cultos de santeria, porém não é um fato histórico. Muitos ativistas de direitos
dos animais fazem exame da prática de santeria de sacrifício animal, declarando que é
cruel. Os seguidores de santeria alegam que as matanças são conduzidas da mesma
maneira que animais são abatidos para consumo e isto não é necessariamente sádico. Além
disso, o animal é cozido e comido mais tarde. Em 1993, a Corte Suprema dos Estados
Unidos estabeleceu que leis de crueldade do animal dirigidas especificamente contra a
santeria eram inconstitucionais, e a prática não viu nenhum desafio legal significativo
desde então.
Vodou ou Voodoo: É chamado de sèvis gine ou "serviço africano" no Haiti, tem
também fortes elementos dos povos igbo, Congo da África Central, e o yorubá da Nigéria,
embora muitos povos diferentes ou "nações" da África têm representação na liturgia do
sèvis gine, assim como os índios taíno, os povos originais das ilhas agora conhecidas como
hispaniola. Formas crioulas de Haiti de vodu existem no Haiti (onde é nativo), na
República Dominicana, em partes de Cuba, e nos Estados Unidos, e em outros lugares em
que os imigrantes de Haiti dispersaram durante os anos. É similar a outras religiões da
diáspora africana, tais como lukumi ou regla de ocha (conhecida também como santeria)
em Cuba, candomblé e umbanda no Brasil, todas essas religiões que evoluíram entre
descendentes de africanos transplantados nas Américas. A maioria dos africanos que foram
trazidos como escravos para o Haiti eram da costa da Guiné da África ocidental, e seus
descendentes são os primeiros praticantes de Vodu (aqueles africanos trazidos ao sul dos E.
U. eram primeiramente do reino de Congo). A sobrevivência do sistema da crenças no novo
mundo é notável, embora as tradições mudem com o tempo. Uma das maiores diferenças,
entretanto, entre o Vodu africano e o haitiano é que os africanos transplantados do Haiti
foram obrigados a disfarçar o seu iwa ou loa (espíritos), como santos católicos romanos,
um processo chamado sincretismo. Para combinar os espíritos de muitas e diferentes
nações africanas e indígenas, as partes da liturgia católica romana foram incorporadas
para substituir rezas ou elementos perdidos; além disso, as imagens de santos católicos
são usadas para representar os vários espíritos ou "misteh" ("mistérios”, o termo preferido
em Haiti), e muitos santos mesmos são honrados no vodu em seu próprio direito. Este
sincretismo permite que o Vodu abranja o africano, Indígena, e os antepassados europeus
em uma maneira inteira e completa. É verdadeiramente “Religião de Kreyòl”. A cerimônia
mais importante historicamente do vodu na história do Haiti era a cerimônia Bwa Kayiman
ou Bois Caïman de agosto 1791, que começou a Revolução Haitiana, em que o espírito de
Ezili Dantor possuía um clérigo e recebia um porco preto como oferenda, e todos as pessoas
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presentes comprometeram-se com a luta pela liberdade. Esta cerimônia resultou finalmente
na libertação dos povos do Haiti da dominação colonial francesa em 1804, e o
estabelecimento da primeira república de povos negros na história do mundo. Este vodu
Haitiano cresceu nos Estados Unidos de forma significativa a partir do final dos anos 1960
e começo dos anos 1970 com as levas de imigrantes haitianos fugindo do regime opressivo
de Duvalier, estabelecendo-se em Miami, Nova Iorque, Chicago, e outras cidades.
Umbanda: As raízes da Umbanda estão na fusão da cultura da ancestralidade indígena
com a da africana, tendo ela sido primeiramente manifestada em uma sessão kardecista a
15 de novembro de 1908 através do médium Zélio Fernandino de Morais, e posteriormente
estruturada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas. Pela necessidade de aceitação e de
atuação das falanges que a umbanda engloba, o Caboclo das Sete Encruzilhadas veio com a
missão de difundir a umbanda como uma vertente do Espiritismo. É uma manifestação
religiosa baseada na caridade, na igualdade entre os seus filhos e no cuidado para com os
humildes, visando sempre ao bem e à evolução espiritual. É baseada na manifestação de
espíritos provenientes das chamadas 7 linhas de umbanda (caboclos, preto-velhos e
crianças), os quais vêm incorporar nos médiuns para auxiliar seus irmãos encarnados a
compreenderem melhor a si mesmos e ao próximo, e a evoluírem através de ações benéficas
para com a humanidade. Mantém-se na umbanda o sincretismo religioso com o catolicismo
e seus santos, assim como no antigo candomblé dos escravos, por uma questão de tradição,
pois antigamente fazia-se necessário como uma forma de tornar aceito o culto afro-
brasileiro sem que fosse visto como algo estranho e desconhecido, e, portanto, perseguido e
combatido. A magia da Umbanda consiste em trabalhos que reúnem elementos da natureza
(ervas, velas, pedras, essências e alimentos) em associação ao ponto riscado (Lei de
Pemba). Esses pontos riscados são expressos de acordo com as ordens espirituais do astral
superior, onde os sinais são idealizados para diversos fins. A umbanda se divide,
praticamente em duas: a umbanda popular (que reúne conceitos e doutrinas pregadas pelos
espíritos que incorporam nos médiuns) e a umbanda esotérica (que reúne conceitos e
doutrinas pregadas pelo mediunismo e pelas tradições esotéricas orientais).
Kimbanda: Sistema religioso relativo à contraparte equilibrante da Umbanda, fazendo
parte da mesma. Trata-se da invocação de entidades específicas, chamadas Exus ou
compadres e pombas-gira ou comadres, podendo-se com a ajuda dessas entidades, fazer
tanto o bem quanto o mal, dependendo do caráter do pedido. Também se enquadram dentro
deste aspecto, as entidades chamadas de ciganos e ciganas, preferindo, muitas vezes, um
culto diferenciado e a parte.
Kiumbanda: Sistema religioso caótico e sem doutrinas e muitas vezes confundido com
a kimbanda. Trata-se da invocação e incorporação de espíritos chamados kiumbas que
estão às margens da Lei da umbanda. São espíritos confusos, resolutos, renegados,
viciados e totalmente apegados aos elementos materiais que absorvem através da
incorporação em seus médiuns. É neste culto que, praticamente se desenvolveu a magia
negra.
Wicca: É uma religião neopagã, é um termo relativamente novo, pois ela é baseada na
crença da magia e filosofia celta, a qual procura um equilíbrio entre o masculino e
feminino. Gerald Gardner criou uma vertente da Wicca em meados dos anos 40 e 50.
Embora essa "fundação" tenha ocorrido provavelmente na década de 1940, só foi revelada
publicamente em 1954. Vale lembrar que a Wicca não foi uma religião criada a partir do
nada nesse período, mas sobrevivente a toda a ascensão do Patriarcado até a Idade Média.
Veio ao público nesse período, pois a Bruxaria ainda era vista como crime nas décadas de
40 e 50 da Inglaterra. Desde seu renascimento, várias tradições de Wicca evoluíram ou
foram criadas. A tradição que segue os ensinamentos e práticas específicos, conforme
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estabelecidos por Gardner é denominada tradição gardneriana. Além dela, muitas outras
Tradições de Wicca se desenvolveram e também existem muitos praticantes de Wicca que
não pertencem a nenhuma Tradição estabelecida, mas criam a sua própria forma de culto
aos Antigos Deuses, se denominando Bruxos Solitários. É importante frisar que a Wicca
não é uma religião antiga, mas uma religião com bases antigas. A Wicca tem suas crenças
fundadas no antigo Paganismo.

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2ª Parte: CONCEITOS MAGÍSTICOS

MATÉRIA e ENERGIA

1. CORRELAÇÕES MATÉRIA x ENERGIA


Um dos campos do entendimento essencial da magia está na compreensão e utilização
das várias formas de manifestação das “energias da natureza”. Porém, constata-se que
toda a matéria, seja ela orgânica ou inorgânica, natural ou artificial, viva ou morta, visível
ou invisível, tudo contém energia. Daí surge uma confusão em termos de saber o que é
matéria e o que é pura e simplesmente energia.
Geralmente, a idéia de “energia” parte do princípio de esta ser algo que não se pode ver
ou tocar, mas pode ser sentida ou percebida de alguma forma. Por exemplo, a eletricidade é
uma forma de energia que existe e não se pode vê-la, mas podemos entender suas
manifestações. Ao contrário, a idéia de “matéria” seria um princípio muito fácil de entendê-
lo e caracterizá-lo, como por exemplo, qualquer objeto que podemos tocar, sentir e
identificar.
Existem também outras formas de se ter uma idéia do que é energia, quando se trata
do funcionamento do nosso corpo. A bioenergia é uma delas, também chamada de “orgone”
pelos pesquisadores do assunto. Essa energia também tem suas nuanças e manifestações
diferenciadas, umas mais sutis, outras mais densas, como por exemplo, os pensamentos,
os sentimentos, e as emoções. Tudo é energia. Da mesma forma que percebemos a
bioenergia, todo o complexo orgânico é simplesmente chamado de matéria: os ossos, os
órgãos, o sangue, a linfa, o músculo, a pele, etc. Uns mais sutis que os outros, como os
gases produzidos pelo corpo e os líquidos segregados. Sendo assim, parece que a matéria
produz energia. Parece que o cérebro gera pensamentos, o coração, sentimentos, etc. Mas,
na verdade, um é a contraparte da mesma substância do outro. A matéria e a energia são a
mesma coisa, podendo chamá-las única e simplesmente, de um princípio existente no
universo cósmico e equivalente: a substância etérica (éter).
Uma idéia clara e simplificada sobre a compreensão do que é “matéria”, pode estar
contida no significado de ser uma substância etérica em seu grau mais denso; contudo, a
idéia de ser energia está no significado de também ser a mesma substância etérica, só que
no seu grau mais sutil. Um exemplo disso está na “água”, como sendo uma substância
etérica, que no seu estado mais denso se transforma em gelo, e no seu estado mais sutil é o
vapor d’água; contudo, continua sendo a mesma substância, a água. Entende-se, portanto,
que matéria e energia são a mesma coisa (substância etérica) em que se manifesta em
diversos graus de densidade.

2. A LEI DA SETESSÊNCIA DA MATÉRIA


Essa propriedade de manifestação da substância etérica obedece a um princípio: o da
setessência da matéria. Este princípio dá um significado na divisibilidade de toda
substância, seja mental, astral, etérica ou física. Em cada plano, a mesma substância vai
vibrar desde o seu grau mais sutil ao mais denso, contendo uma típica manifestação em
mais sete estados característicos ao plano em que se encontram, se condensando até
chegar no seu grau limite, no mundo concreto ou físico. Por causa dessa propriedade da
substância etérica, de se subdividir em sete e formar graus de vibração energética, é que se
formam os espaços do universo, a natureza, o universo do homem (microcosmos) e o
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universo divino (macrocosmos), também chamadas de dimensões-realidades existentes,
conhecidas por nós como planos e subplanos da existência. Essa constituição da
substância etérica em sete formas de manifestação gerou um conhecimento de que toda a
energia existente possui uma força regente (conceituada mais claramente nas forças
celestes e na magia astrológica), um sentido e um tipo exclusivo de manifestação. As
regências dessas manifestações são conduzidas pelos “tattwas” (do hindu, linhas de força),
e são em número de sete no total, mas somente 5 se manifestam no plano físico.

OS TATTWAS

1. FORMAÇÃO DOS TATTWAS


Palavra originária do sânscrito Tattvas, que significa “linhas de força”. Os tattwas são
em número de sete, sendo dois de ordem superior (não se manifestam no mundo físico) e
cinco de ordem inferior. Eles são os responsáveis por tudo o que existe no mundo material e
etérico. Eles se alternam em suas funções de dia e a noite, conforme as leis cósmicas da
setessência da matéria. Esses cinco tattwas inferiores que se manifestam no mundo físico
nascem a partir do tattwa superior Akasha (o Ovo Cósmico).
A seqüência da criação dos tattwas não é a mesma seqüência por ordem vibratória, e
também não é a mesma apresentada pelos hindus. Pela ordem de criação, o princípio do
tattwa Tejas (fogo) nasce primeiro do Akasha; por segundo, nasce o princípio do Tattwa
Apas (água), em terceiro, o Vayu (ar) e por último, Prithivi (terra). Esta é a mesma ordem de
formação do Quaternário Sagrado, o “Tetragrammaton” (constituição do nome sagrado
“Yod-He-Vau-He”, dos hebreus, onde Yod é o fogo, o 1º He é a água, Vau é o ar, e o 2º He é a
terra). O sentido contrário da ordem de criação dos tattwas é o mesmo sentido que o
zodíaco faz em suas 12 fases, ou seja, é a mesma ordem natural e de seqüência dos 12
signos e das 12 casas do zodíaco.
A ordem dos tattwas levando em conta os seus graus vibratórios é a seguinte: o mais
sutil e elevado é o principio do tattwa Akasha, da onde todos os quatro restantes e
inferiores surgem. O segundo mais sutil é o princípio Vayu (ar); em seguida, na escala
vibratória, vem Tejas (fogo), e depois Apas (água); por último, o mais denso, o princípio
Prithivi (terra). Esta ordem é aquela que se apresenta no duplo etérico do corpo humano
através dos centros energéticos, geralmente chamados de chakras.
Existe outra ordem a ser comentada, que é a ordem geralmente colocada pelos hindus:
1º, o princípio Akasha (respeitando que é deste princípio que os outros, de caráter inferior,
surgem); 2º, vem o Tejas (fogo); 3º, o Vayu (ar); 4º, Apas (água); por último, vem o
princípio Prithivi (terra), assim como nos demais exemplos citados acima. Existe uma razão
pela qual os hindus expressam dessa forma: a natureza do princípio Vayu, o ar, é o de
ligação e condução entre os princípios Tejas (fogo) e Apas (água). Esses dois princípios que
surgem primeiro pela ordem de criação e formação dos tattwas, são de naturezas contrárias
e opostas, precisando de uma outra, de caráter neutro, para poder equilibrá-las e conduzi-
las em um ciclo natural de existência. Portanto, esta ordem se constitui numa formação
cíclica dos elementos da natureza, onde os quatro princípios básicos nascem do Akasha e
dão origem a um ciclo perpétuo, que se observa na natureza e na respiração dos seres
vivos.

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2. OS PRINCÍPIOS MASCULINO E FEMININO
Esses princípios têm sua origem nos planos superiores do nosso universo cósmico, e
atuam em todos os planos, porém suas principais manifestações estão nos mundos
espiritual e mental. Os princípios que regem esses mundos superiores são conhecidos pelos
hindus como os tattwas “Addy” e “Arupadaka”, respectivamente. Basta dizer que o tattwa
Addy é o princípio divino (ou princípio masculino, yang) que atua na nossa espiritualidade
ou consciência superior, e se manifesta no plano espiritual ou mental superior, regendo a
luz do dia aqui na Terra. Para dar origem ao Akasha (o terceiro tattwa criado), o tattwa
Addy encontrou sua complementação no princípio feminino ou yin (substância divina), que
rege o plano mental inferior, e atua na nossa natureza e na personalidade moldável pelo
espírito ou pela consciência (espírito). Este princípio é o tattwa Arupadaka que tem
influência nas noites (ausência de luz, ou luz refletida) daqui da Terra.
Esses dois princípios deram origem ao tattwa Akasha, constituindo assim, a tríade da
manifestação divina: o Pai, o Filho, o Espírito Santo; Brahma, Vishnu e Shiva; a Luz
(tantra), a Forma (yantra) e o Som (mantra).
Os princípios masculino e feminino se estendem em tudo no universo, até ao plano
físico, porém não deixam de atuar como regentes dos planos superiores. Temos noção da
existência deles através da manifestação da luz do Sol e da luz deste refletida pela Lua e
pela própria Terra, da manifestação dos sexos masculinos e femininos em todos os seres
vivos, e da natureza polar (polaridade positiva e negativa) de tudo o que existe.
A natureza polar das manifestações destes princípios superiores é o que mais interessa
ao caminho do magista, pois ele terá que encontrar em si esta dualidade expressa em todas
as formas vivas e nos princípios atuantes. Sendo assim, todas as substâncias geradas no
universo cósmico são bipolares, duais, tem seus contrários e suas complementações. Isso
induz ao iniciado, a encontrar o terceiro princípio equilibrante dessas duas forças
superiores e primárias, que é o tattwa Akasha, o princípio neutro.

3. O PRINCÍPIO ETÉRICO

Para o magista, o princípio etérico é regido pelo tattwa Akasha (éter) e seu símbolo é
um ovo negro apontando para baixo, indicando o princípio de nascimento, tal como é a
imagem do útero. Sua principal atuação é no campo astral chegando até ao plano físico.
Este tattwa é o mais etéreo dos cinco. Sua função está no comando, na formação e
direcionamento dos quatro tattwas mais densos.
O princípio etérico tem sua principal atuação no plano intermediário, mas para nós, no
mundo físico ele se torna um princípio superior aos quatro elementos básicos da formação
do plano físico. Por causa disso este é o elemento mais elevado dessa perspectiva, o mais
poderoso e inimaginável. Ele é considerado pelos magistas, a origem, o fundamento de
todas as coisas e de toda a criação. É a esfera primordial. É por isso que o Akasha é isento
de espaço e de tempo. Ele é o não criado, o incompreensível, o indefinível. As religiões
chamam-no de Deus. Ele é a quinta força, a força primordial; ele é aquilo que contém tudo
o que foi criado e que mantém tudo em equilíbrio. É a origem e a pureza de todos os
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pensamentos e idéias, é o mundo das coisas primordiais no qual se mantém tudo o que foi
criado, desde as esferas mais elevadas até as mais baixas. É a quintessência dos
alquimistas. É tudo em todas as coisas.
O princípio etérico representa a energia sutil astro-etérica, o gerador do movimento
energético da respiração. Esta força se manifesta no corpo humano através do sentido da
audição. Este tattwa tem a função de transformar tudo na vida, tem o poder de agregar e
desagregar a matéria, representando o nascimento e a morte de todas as coisas. Sua
natureza é andrógina, a busca incessante da perfeição em nós, ou de Deus em nós. Na
personalidade humana representa a nossa inteligência, como fator direcionador do nosso
ego. Toda inteligência diretora da vida possui causa e conseqüência, gerando a idéia do
“Karma Individual”. Quando este tattwa gera os quatro elementos, ele cria uma imagem,
uma espécie de cruz simbólica, se posicionando no meio dela. No corpo etérico, sua energia
é transmutada no chakra da garganta. Na astrologia encontramos correspondência com o
planeta Mercúrio e sua cor vibratória no astral é laranja. No tarô é representado como a
quintessência dos arcanos menores, ou seja, o arcano 22, o Mundo (a Grande Obra dos
alquimistas).

4. O PRINCÍPIO DO FOGO

É o primeiro elemento que, de acordo com os escritos orientais, nasceu do princípio


akáshico. Esse elemento, assim como todos os outros, não age só em nosso plano denso,
material, mas em tudo o que foi criado. As características básicas do princípio do fogo são
o calor e a expansão; é por isso que no começo da criação tudo era fogo e luz. A bíblia
também diz: "Fiat lux - que se faça a luz". Naturalmente a base da luz é o fogo. Cada
elemento, inclusive o fogo, possui duas polaridades, a ativa e a passiva. A explosão é
inerente ao princípio do fogo, e será definida como o gerador do princípio do “fluido
elétrico”. É como se fosse a energia elétrica em nosso corpo (energia estática), uma série de
pulsões de partículas energéticas sendo repelidas pela explosão inicial: a força de emissão
(ou repulsão).
Este princípio pode ser também chamado do princípio da energia sutil ígnea, ou
simplesmente, o tattwa Tejas (fogo), que se concretiza nas partículas de oxigênio do mundo
físico. Ele estimula o sentido da visão e rege todos os ciclos de desenvolvimento e
crescimento. Sua natureza é bipolar, mas é essencialmente masculina e ativa (yang). No
corpo humano está assentado nos desejos, no instinto, no impulso, na agressividade. Na
personalidade representa a mente consciente e o seu grau de lucidez ou vigília. No corpo
etérico, sua energia é transmutada no chakra do plexo solar. Na astrologia encontramos
correspondência com o planeta Marte e sua cor vibratória no astral é vermelha. Para o
magista ter sucesso em suas realizações, ele necessita cultivar o atributo deste princípio,
que é a ousadia ou a coragem. No tarô, se equivale a espada do mago. Na cruz do
quaternário, posiciona-se ao sul.

5. O PRINCÍPIO DA ÁGUA

É o segundo elemento que nasce a partir do Akasha. Sua natureza é exatamente


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contrária ao elemento do fogo, por isso é que nasceu logo em seguida, na formação e
criação de todas as coisas. Suas características básicas são o frio e a retração. Aqui
também se tratam de dois pólos: o pólo ativo, que é construtivo, doador de vida, nutriente e
preservador; e o negativo, desagregador, fermentador, decompositor, dissipador. Como o
elemento água possui em si a característica básica da retração, ele deu origem ao princípio
do “fluido magnético” (o princípio da atração, o magnetismo). Tanto o fogo quanto a água
agem em todas as regiões. Segundo a lei da criação, o princípio do fogo não poderia existir
se não contivesse um pólo oposto, ou seja, o princípio da água. Esses dois elementos, fogo
e água, são aqueles elementos básicos com os quais tudo foi criado.
Este princípio pode também ser chamado de princípio da energia sutil hídrica (tattwa
Apas), se concretizando nas partículas de hidrogênio do mundo material. Estimula o
sentido do paladar. Sua principal função é de renovação, purificação e atração, responsável
por todos os ciclos minguantes, abismais, da decomposição e da decadência. Sua natureza
é essencialmente feminina (yin) e se assenta no corpo humano, nos sentimentos, nas
emoções, na sensibilidade, no psiquismo e na mente subconsciente. No corpo etérico, sua
energia é transmutada no chakra sexual. Na astrologia encontramos correspondência com
o planeta Vênus e sua cor vibratória no astral é verde. O atributo do mago é o
conhecimento, a sabedoria. No tarô, seu símbolo é a taça, o naipe de copas. No quaternário
sagrado, se apresenta ao norte.

6. O PRINCÍPIO DO AR

É o terceiro elemento a nascer do Akasha. Representa, simbolicamente o elemento ar,


sendo também considerado o princípio da energia sutil eólica. Os iniciados encaram esse
princípio não como um elemento real, mas colocam-no numa posição intermediária entre o
princípio do fogo e o da água; o princípio do ar, como meio, por assim dizer, produz um
equilíbrio neutralizante dos efeitos passivo e ativo do fogo e da água, gerando o princípio
do “fluido eletromagnético” (os fluidos elétrico e magnético em equilíbrio mútuo). Através
dos efeitos alternados dos elementos passivo e ativo do fogo e da água, toda a vida criada
tomou-se pelo movimento.
Este princípio, depois de formado, se posiciona acima e no meio dos dois elementos
anteriores, a água e o fogo. Então, torna-se, por sua natureza andrógina e equilibradora,
mais sutil e superior a todos os quatro elementos restantes, conduzindo e controlando
todos eles. É considerado mais ativo do que passivo, portanto é em essência, masculino
(yang). No mundo das formas encontramos concretizado nas partículas de nitrogênio.
Estimula o sentido do olfato, e tem funções naturais de expansão, condução, relação,
ligação e dissipação. Rege os ciclos das cheias e das vazantes, os ápices, o auge, assim
como também as renovações, o renascimento, as reconstruções e as mudanças. No corpo
humano quando se liga ao fogo, representa a vontade, a expressão das idéias; quando se
liga à água, representa o próprio sentimento, ou as suas expressões e relações. Representa
também, a mente supraconsciente. No corpo etérico, sua energia é transmutada no chakra
cardíaco. Na astrologia encontramos correspondência com o planeta Júpiter e sua cor
vibratória no astral é azul. O atributo do mago para este princípio é a Vontade. No tarô, seu
símbolo é o bastão do mago, o naipe de paus. No quaternário sagrado, se forma e se
apresenta ao leste.

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7. O PRINCÍPIO DA TERRA

É o quarto e último elemento a ser criado. Representa, simbolicamente o elemento


terra, sendo também considerado o princípio da energia sutil telúrica. O elemento terra
formou-se por último, não por acaso. É que ele possui uma característica específica, a
solidificação, que integra em si todos os outros três elementos. Foi justamente essa
característica que conferiu uma forma concreta aos três elementos. Ao mesmo tempo,
porém, foi introduzido um limite ao seu efeito, o que resultou na criação do espaço, da
dimensão, do peso, e do tempo. Em conjunto com a terra, o efeito recíproco dos outros três
elementos tornou-se quadripolar. O fluido na polaridade do elemento terra é
eletromagnético, indicando uma neutralidade em sua função mais prática e mais realista
para nós.
Este princípio é considerado mais passivo do que ativo, portanto é em essência,
feminino (yin). No mundo das formas encontramos concretizado nas partículas de carbono.
Estimula o sentido do tato, e têm funções naturais de concentração, coesão, estruturação e
também, de neutralização e bloqueio. Rege os ciclos das trevas, da escuridão, da morte e
dos mortos, assim como também as dissoluções, a transcendência, a continuidade e
permanência das transformações. No corpo humano representa as funções biológicas do
organismo, as ações e reações, as atividades, o trabalho e as realizações. Representa
também, a mente inconsciente. No corpo etérico, sua energia é transmutada no chakra
básico, o kundalini. Na astrologia encontramos correspondência com o planeta Saturno e
sua cor vibratória no astral é amarela. O atributo do mago para este princípio é a Quietude
e a Perseverança. No tarô, seu símbolo é o pentáculo, o naipe de ouros. No quaternário
sagrado, se forma e se apresenta ao oeste.

PROPRIEDADES da SUBSTÂNCIA ETÉRICA

1. OS ESTADOS VIBRATÓRIOS DA SUBSTÂNCIA ETÉRICA


Uma das propriedades da substância etérica está no seu grau de vibração que vai do
mais sutil (partículas em movimento infinitamente veloz) ao mais denso (partículas em
movimento lento). É muito importante para o magista ter o conhecimento do grau de
vibração da matéria ou da substância etérica. O iniciado nesse conhecimento reconhece
suas leis, e o possibilita interagir com todos os elementos, manipulando-os conforme sua
própria vontade.
Em todo corpo, organismo ou objeto, se aplica a lei da setessência da matéria, onde a
parte mais densa compreende-se de três estados vibratórios, e a parte mais sutil
compreende-se de quatro estados superiores e invisíveis à percepção comum. Para os
objetos e organismos inanimados (sem vida), a parte sutil compreende-se em apenas três
estados vibratórios, ficando igual a sua contraparte mais densa e visível à percepção
comum.
A parte mais densa compreende-se dos três estados da matéria que já conhecemos: o
estado físico sólido, o estado físico líquido e o estado físico gasoso; esta é a respectiva
ordem de densidade (do mais denso para o mais sutil). As propriedades desta parte física
densa da matéria compreendem tudo aquilo que já experimentamos, segundo as leis físicas
- 23 -
que conhecemos tão bem e que já tivemos um certo contato. No entanto, vale à pena
salientar que para transformar qualquer matéria sólida em líquida e depois, esta em
gasosa, basta aquecer o material, ocasionando a aceleração das partículas que o compõe.
No caso inverso, precisamos fazer justamente o contrário, ou seja, desacelerar as partículas
pelo processo de esfriamento.
A parte mais sutil da matéria é compreendida de quatro estados, também chamado de
estados etéricos (não confundir com os quatro elementos ou tattwas). Por convenção são
mencionados com a seguinte nomenclatura: estado físico-etéreo sólido, estado físico-etéreo
líquido, estado físico-etéreo gasoso e estado físico-etéreo luminoso ou vital. Eles estão na
mesma ordem de densidade da parte física mais densa, e correspondem em atributos e
propriedades igualmente aos estados mais densos. O estado físico-etéreo luminoso não é
propriamente um estado, mas um componente essencial para a sustentação da vida em um
organismo vivo qualquer no plano físico. Os hindus o chamam de prâna (vitalidade ou éter
vital); os terapeutas do ocidente o reconhecem como orgone. Só é encontrado em seres
vivos e compreende todos os reinos da natureza: animal, vegetal e mineral.

2. FORMAÇÃO DOS PLANOS OU DIMENSÕES DA EXISTÊNCIA


Da mesma forma que é importante para o magista ter o conhecimento do grau de
vibração da matéria, é importante reconhecer em que planos ou dimensões os diversos
graus das energias podem existir e até onde um praticante de magia pode chegar ou
alcançar.
Outra propriedade da substância etérica está na formação do universo cósmico. É
graças à divisibilidade da substância etérica em seus estados vibratórios de energia, que se
preenche todo o nosso conhecido universo de vida. Assim como a propriedade da vibração,
a substância etérica gerou o “meio” ou o “espaço” dimensionado em suas próprias
características, preenchendo-os com este mesmo tipo de energia vibratória em seus
diversos graus. Em todos os casos, os hermetistas reconhecem no universo ou no todo, três
grandes planos: o plano físico, o plano astral e o plano mental. De acordo com a lei da
densidade da matéria, no plano físico encontramos o tipo de matéria mais densa que
existe. A matéria mais sutil existente no universo pertence ao plano mental. O plano astral
se torna um plano intermediário entre o mais sutil e o mais denso. Em cada grande plano
se subdivide em mais sete subplanos, fazendo valer o princípio da setessência da matéria.
Para os hermetistas, a subdivisão dos grandes planos é em mais dois para cada um deles,
ficando da seguinte maneira: plano físico denso e plano etéreo-físico; plano astral inferior e
plano astral superior; plano mental inferior e plano mental superior. Em cada grande plano
percebe-se que os estados da matéria se fazem presente em suas três partes mais densas
para os subplanos inferiores, e as 4 partes mais sutis para os subplanos superiores. Assim
preenchemos todo o universo com a substância etérica.
De acordo com o princípio da setessência da matéria, na subdivisão dos grandes
planos, deveríamos nos alertar que faltaria um plano ou dimensão para expressar o sétimo
estado sutil da matéria, por assim ser chamado. Esse sétimo subplano, o mais sutil de
todos, assim como o sétimo estado da matéria, não seria exatamente uma dimensão-
realidade como percebemos no universo da matéria. Entendemos que é uma esfera acima
da nossa compreensão ou um mundo relativo à essência divina. Essa dimensão superior
seria pertencente ao universo imaterial, portanto incabível tentar uma classificação por
aqui. Mas para a maioria das filosofias e religiões existentes, existe uma classificação
setenária para as diversas moradas do espírito.
É importante também ressaltar que em cada grande plano da existência, a setessência
da matéria se faz presente, mas com uma nomenclatura diferenciada. Os exemplos
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anteriores só se referem ao grande plano físico. Para o grande plano astral teríamos a
seguinte composição dos estados da matéria: estado astral inferior sólido, estado astral
inferior líquido, estado astral inferior gasoso, estado astral superior sólido, estado astral
superior líquido, estado astral superior gasoso e estado astral superior luminoso ou vital.
Para o grande plano mental, também teríamos uma denominação diferenciada e
correspondente à dimensão: estado mental inferior sólido, estado mental inferior líquido,
estado mental inferior gasoso, estado mental superior sólido, estado mental superior
líquido, estado mental superior gasoso e estado mental superior luminoso ou vital. O
sétimo estado da matéria mais sutil que se encontra em cada grande plano é o responsável
pela intermediação e a interligação entre as dimensões existentes, ocorrendo uma
interpenetração e fusão da matéria de um plano ao outro.
Para finalizar o entendimento, existem diversos exemplos de matéria física que nós
sabemos e nem precisamos mencionar por aqui. Contudo, exemplo de matéria astral (toda a
energia que se manifesta no grande plano astral) se faz necessário: sentimentos, desejos,
emoções, são exemplos de energia astral (ou matéria astral). Os pensamentos abstratos e
objetivos, as idéias, os cálculos, as razões, são exemplos de energia mental (ou matéria
mental), que permeiam a dimensão ou grande plano mental.

3. A FORMAÇÃO DOS VEÍCULOS DE MANIFESTAÇÃO DA CONSCIÊNCIA


Segundo o processo de criação e formação do universo, existem apenas três realidades
essenciais a tudo o que existe: o espírito, a substância etérica e o espaço cósmico. Sabe-se,
portanto, que a substância etérica interpenetrou no espaço cósmico e criaram-se as
dimensões-realidades que conhecemos como planos do universo cósmico. No entanto, não
haveria motivo para gerar planos da existência se não houvesse o “espírito” para habitá-
los. A origem dessas três realidades é um mistério e não cabe aqui defini-las em sua
totalidade. Mas, o que se sabe, de acordo com as leis que nos regem, é que o espírito em
seu estado de pura manifestação vibratória (alusão aos anjos, seres de pureza espiritual),
em um dado momento da criação, interpenetrou a matéria, ou seja, mergulhou nas
dimensões-realidades, recém criadas (alusão à queda dos anjos, na história da criação).
Essa interpenetração na matéria, fez com que o espírito pudesse se expressar nesses lócus
dimensionados pela substância etérica. Mas, que para o espírito pudesse realmente se
expressar, ele precisaria de um invólucro que o envolvesse, garantindo uma forma
energética suscetível a nova realidade da sua própria existência nesse universo. A cada
mergulho em cada plano e subplano, o espírito foi agregando em si, a matéria (propriedade
da substância etérica) permitindo-o se expressar nos planos e subplanos da existência.
Esse é o processo da “encarnação” e da “involução”, no sentido do ser espiritual se utilizar
de corpos, cada vez mais densos, até chegar no seu estado limite, no plano físico denso.
A nomenclatura para os corpos que o espírito-consciência possa se manifestar se
diferencia em cada filosofia ou religião. Alguns atribuem a três corpos, outros a sete. Aqui
entra, portanto, a mesma definição que foi para os estados da substância e as suas
dimensões ou planos. Aplicando a lei da setessência da matéria, onde qualquer tipo de
substância é regido por este princípio, os corpos são três grandes invólucros que se
subdividem em mais sete partes. Esses invólucros são os corpos ou veículos que permitem
o ser espiritual expressar seus pensamentos, sentimentos e suas ações. Portanto, somos
todos constituídos de corpo mental (veículo dos pensamentos e da inteligência), de corpo
astral (veículo dos sentimentos e emoções), e de corpo físico (veículo da saúde e das ações).
O espírito, ou a consciência é expresso no próprio corpo mental, não possuindo um veículo
a parte e sim a característica de “essência”. Esses três corpos se subdividem em mais dois
cada, permitindo que algumas filosofias entendessem como sendo sete corpos e não apenas
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três. O sétimo corpo ou invólucro do espírito não seria propriamente um corpo de expressão
e sim, a nossa própria essência, pois todos os corpos são a sua expressão. De acordo com a
classificação setenária, os corpos ou veículos da consciência são: o corpo espiritual (não
sendo propriamente um corpo, e sim, a nossa essência ou consciência), o corpo causal (a
parte superior do corpo mental), o corpo mental (a parte inferior do corpo mental), o corpo
astral etérico (a parte superior do corpo astral), o corpo astral inferior (a parte inferior do
corpo astral), o duplo etérico ou corpo etéreo-físico (a parte superior do corpo físico) e o
corpo físico denso (a parte inferior do corpo físico, incluindo o complexo orgânico).

ESCOLAS PRINCÍPIO INFERIOR PRINCÍPIO INTERMEDIÁRIO PRINCÍPIO SUPERIOR

Esoterismo Corpo Físico Corpo Astral Corpo Mental

Ocultismo Corpo Alma Espírito

Hermetismo Corpo Mediador Plástico Espírito

Rosa-Cruz Corpo Vida Alma Imortal

Egípcios Khat Ka e Khou Ba

Cabala Nephesh ou Gaph Rouach ou Imago Neschamah

Hindus Rupa Kama Rupa Atma

Chineses Xuong Khi Wun

Espiritismo Corpo Perispírito Alma ou Espírito

Cristianismo Corpus Anima Spirits

PRINCÍPIOS DA
DIVISÃO DIVISÃO
CONSTITUIÇÃO DIVISÃO ESOTÉRICA
OCULTISTA HINDU
DO HOMEM

Espírito Espírito Puro ou


Princípio Divino Atma
(sem corpo ou veículo) Vontade Celeste

Corpo Mental Puro ou


Alma Pura Buddhi
Princípio Mental Mental Superior
ou Superior
Corpo Mental Inferior Alma Ancestral Manas

Corpo
Corpo Astral Superior Kama Rupa
Princípio Astral Eletromagnético
ou Intermediário
Corpo Astral Inferior Corpo Sensitivo Linga Sharira

Prana ou
Corpo Etéreo-Físico Corpo Vital
Jivatma
Princípio Material
ou Inferior
Rupa ou
Corpo Físico Denso Corpo Orgânico
Stula Sharira

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OS CHAKRAS

1. CONSTITUIÇÃO DOS CHAKRAS


Palavra de origem sânscrita que significa “roda”. São verdadeiros vórtices ou centros de
energia na forma cônica de um turbilhão, existentes nos corpos físico e astral do ser
espiritual. Tem a função principal de absorver e emitir o “prâna” ou “ki” (energia vital –
base constituinte no duplo etérico). A parte da metabolização da energia astral para física
começa em sua superfície ou na sua boca formada de pétalas ou raios, cada qual,
constituído de um número suficiente e de acordo com sua função. O metabolismo orgânico
ocorre em seu assentamento, juntamente com a glândula que está coligada. A forma cônica
do chakra é constituída, portanto, de “boca” (com suas pétalas revestidas de tela atômica
ou búdica), “duto” (condutor de aparência de um caule de uma flor) e “raiz” (assentamento
ligado às glândulas e aos canais linfáticos). Existem quatro chakras que tem sua abertura
para frente do corpo e na mesma altura para trás (o 3º, o 4º, o 5º e o 6º). Todos eles estão
conectados em sete pontos nervosos e de inserção energética (cruzamento de energias).
É nesta área do corpo etérico (duplo etérico) que circula a energia kundalini (espécie de
fogo serpentino regenerador que vem do interior da Terra). Mais especificamente, a
kundalini encontra-se aonde os três nadis (Ida, Pingala e Sushumna - canais invisíveis
para o fluxo de forças psíquicas) se unem, simbolizando uma serpente enroscada dentro do
chakra Muladhara (chakra básico). Essa força energética da kundalini deve ascender
através dos nadis Sushumna, Ida e Pingala, passando por todos os chakras reavivando-os
até alcançar o chakra Sahasrara, no alto da cabeça, assim o indivíduo alcançaria a meta
suprema da iluminação. Sushumna é também conhecido como o canal de fogo ou
Sarasvati, um dos rios sagrados da Índia; Sushumna assemelha-se a um dos principais
meridianos da acupuntura, ao meridiano Vaso Governador, que se ergue na extremidade do
cóccix, percorre a parte central das costas, passando pela parte posterior da cabeça e
terminando no lábio superior. Para os hindus, Sushumna faz seu caminho do vértice
passando pelo interior da medula terminando por atingir a região sacra. O próprio
Sushumna tem uma natureza trina, contendo forças mais sutis dispostas umas dentro das
outras, sendo a mais interior delas, chitrini, de onde partem pedúnculos ou ramos que
atravessam o corpo humano e vão terminar na parte anterior do corpo abrindo-se em forma
de rosáceas, formando os chakras. Ida é também conhecido por chandra, a Lua, ou o rio
Ganges. Partindo da narina esquerda este “nadi” percorre as regiões cervical, dorsal e
lombar do corpo humano, paralelamente à coluna vertebral até unir-se a Sushumna na
região sacra. Pingala é também conhecido como surya, o Sol ou o rio Yamuna; parte da
narina direita percorre o mesmo caminho de Ida paralelamente à coluna vertebral até unir-
se a Sushumna na região sacra. Algumas autoridades no assunto declaram que os dois
nadis, Ida e Pingala formam um padrão que envolve os chakras, outros, porém, dizem que
os chakras emergem das junções aonde Ida e Pingala atravessam o Sushumna. Segundo os
registros o Ida, à esquerda, e o Pingala, à direita enroscam-se em Sushumna como as duas
serpentes se enroscam no caduceu do deus mensageiro Hermes.
Os chakras maiores e principais são em número de sete. Assim como os tattwas, os
dois primeiros chakras são considerados superiores e os cinco posteriores, são os
inferiores. Ao redor deles existem chakras menores ou satélites, desempenhando funções
secundárias.

2. CHAKRA CORONÁRIO
Também chamado de Sahasrara pelos hindus; possui 960 pétalas ou raios; está
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localizado no topo da cabeça e irriga o cérebro; é ligado à glândula pineal; é o centro da
espiritualidade, considerado o chakra “Pai”, criador e direcionador de todas as energias
para os outros chakras; está ligado à energia espiritual, ao tattwa Addy e a iluminação
(expansão da consciência).

3. CHAKRA FRONTAL
Também chamado de Ajna pelos hindus; possui 96 pétalas ou raios (visualmente, dois
lados de 48 pétalas); está localizado na testa, entre as sobrancelhas (o 3º olho) e irriga a
parte frontal do cérebro, os olhos e o nariz; é ligado à glândula pituitária ou hipófise; é o
centro da percepção-inteligência e da razão, considerado o chakra “Mãe” tendo o comando
e influência sobre os demais chakras; está ligado a energia mental e ao tattwa Arupadaka.

4. CHAKRA DA GARGANTA
Também chamado de Visuddha pelos hindus; possui 16 pétalas ou raios; está
localizado na garganta e irriga a própria garganta, a boca e os ouvidos; é ligado às
glândulas tireóide e paratireóides; é o centro da comunicação e expressão dos sentimentos
e pensamentos, assim como da criatividade; está ligado a energia etérica, ao tattwa Akasha
e aos fónons (estímulos nervosos que afetam ou estimulam o sentido da audição).

5. CHAKRA CARDÍACO
Também chamado de Anahata pelos hindus; possui 12 pétalas ou raios; está localizado
na altura do coração e irriga os ombros, braços e peito e os órgãos contidos nesta área; é
ligado à glândula timo; é o centro dos sentimentos; está ligado a energia eólica, ao tattwa
Vayu e aos ósmons (estímulos nervosos que afetam ou estimulam o sentido do olfato).

6. CHAKRA SOLAR
Também chamado de Manipura pelos hindus; possui 10 pétalas ou raios; está
localizado na altura do plexo solar e irriga o próprio plexo e os órgãos do sistema digestivo;
é ligado às glândulas pâncreas e baço; é o centro das emoções; está ligado à energia ígnea,
ao tattwa Tejas e aos fótons (estímulos nervosos que afetam ou estimulam o sentido da
visão – conexão direta com o chakra frontal).

7. CHAKRA SEXUAL
Também chamado de Svadhisthana pelos hindus; possui 6 pétalas ou raios; está
localizado a 3 dedos abaixo do umbigo e irriga a pelve e o sistema urinário; é ligado às
glândulas supra-renais; é o centro do instinto de procriação e dos desejos; está ligado a
energia hídrica, ao tattwa Apas e aos gênsons (estímulos nervosos que afetam ou
estimulam o sentido do paladar).

8. CHAKRA BÁSICO
Também chamado de Muladhara pelos hindus; possui 4 pétalas ou raios; está localizado
na altura do períneo e irriga a região do sacro, o sistema excretor e as pernas; é ligado às
gônadas; é o centro do instinto de sobrevivência e de preservação; está ligado a energia
telúrica, ao tattwa Prithivi, ao kundalini (fogo serpentino regenerador) e aos áfenons
(estímulos nervosos que afetam ou estimulam o sentido do tato).

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UNIVERSOS da MAGIA

1. O MICROCOSMO E O MACROCOSMO
Todo mago tem que saber das suas capacidades físicas e mentais, pois tudo o que ele
próprio desenvolver, vai afetar diretamente os planos da existência do seu universo interior
e exterior. Dentro do aspecto interno (Microcosmo) do mago, temos 4 níveis mentais em que
ele atua, refletindo, também nos três principais veículos de manifestações da consciência.
Dentro do aspecto externo (Macrocosmo) do mago, atuará de modo a influenciar e ser
influenciado por entidades espirituais em seus diversos planos de manifestação.

2. NÍVEL CONSCIENTE
Estar consciente é um estado de percepção ou vigília em que possuímos conhecimento
ou alguma espécie de contato em que se adquirem certas experiências. Sabe-se que o nível
de percepção é relativo àquilo que se pode alcançar em termos de potencial humano dos
sentidos físicos, pois nem todos conseguem, na sua totalidade, visualizar, sentir, ouvir, etc.
Existem faixas de percepção dentro dos universos extra-sensoriais que os nossos sentidos
estão limitados a perceber. Por isso que o mago realiza operações mágicas em que altera o
estado de consciência para poder absorver o conhecimento daquele nível de existência.
Esotericamente, a consciência está relacionada ao elemento “fogo”, cujo atributo é a
iluminação própria. Dentro deste nível, a consciência pode viajar ou manifestar-se dentro
dos três corpos, veículos ou invólucros (limitações) principais:
Corpo Físico: é o que conhecemos como o complexo orgânico, representando a nossa
existência concreta e densa. É o veículo dos nossos instintos básicos de sobrevivência. Em
seu estado um pouco menos denso, temos o Duplo Etérico, responsável por absorver o
prâna (substância vital para a manutenção e vida do corpo físico) através dos chakras;
veículo da vitalidade e do animismo; na cabala é representado por Nephesh.
Corpo Astral: tem a mesma aparência do corpo físico, porém, é mais sutil e invisível
aos olhos humanos; é o veículo dos nossos desejos e emoções, dos nossos sentimentos e
paixões (ilusões); na cabala é representado por Ruach.
Corpo Mental: não possui forma definida, pois somente com pensamentos concretos é
que se dá forma. Naturalmente, possui um campo vibratório ao redor e dentro do corpo
humano de forma ovalada. É o veículo dos pensamentos, das idéias, da inteligência, da
mentalidade como um todo; na cabala é representado por Neschamah.

3. NÍVEL INCONSCIENTE
Neste nível é o estado de percepção em que estamos dormindo, não tendo noção das
realidades que experimentamos ter contato. Quando dormimos temos contato com o
inconsciente coletivo, absorvendo-o em forma de arquétipos e símbolos; é nesse estado (do
sono) que realimentamos nosso corpo físico com o prâna; isso ocorre, pois deslocamos o
corpo astral, para o duplo etérico captar com mais facilidade a energia deste plano. É neste
momento que realizamos a projeção extrafísica, uma pequena viagem da nossa consciência
necessária para a manutenção da vida. Todos os seres vivos executam esse processo
inconscientemente. Depois disso, temos uma pequena lembrança do que vivemos neste
processo, transfigurando em sonhos. Portanto, o inconsciente se torna nosso poderoso
arquivo de experiências conservadas e registradas de uma maneira desorganizada ou
caótica, com a finalidade de expurgar quando necessário em forma de sonhos, sem
danificar ou contundir a consciência.
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Esotericamente é representado pelo elemento “terra”, cujo atributo é a origem ou as
raízes da nossa existência, a ancestralidade.

4. NÍVEL SUBCONSCIENTE
Este é um estado entre a inconsciência e a consciência. Serve como ferramenta ou
suporte de comunicação entre um estado e o outro. É considerado um amortecedor da
consciência, pois não teríamos condições de suportar a quantidade de informações
absorvidas durante o estado de vigília. É uma ferramenta poderosíssima para enviar
comandos para o inconsciente e dele extrair poderes latentes ou adormecidos. Uma das
formas em que se consegue trabalhar com o subconsciente é através da PNL (Programação
Neuro-Linguística).
Esotericamente é representado pelo elemento “água”, cujo atributo é a absorção do
conhecimento.

5. NÍVEL SUPRACONSCIENTE
Este nível é um estado de percepção acima da consciência ou sobre ela. As formas de
percepção em que esse estado de vigília se encontra seriam superiores ao estado normal da
consciência. É neste nível mental que se encontram as faculdades psíquicas extra-
sensoriais, como a clarividência, a clariaudiência, a psicometria, a intuição, a telepatia, a
projeção e a transposição da consciência, etc. É neste nível mental que a vigília humana
pode perceber coisas além das físicas e torná-las acessível ao nosso conhecimento, ou seja,
enviar para a mente consciente as informações absorvidas de um plano mais sutil. Nesse
caso, é dito que a pessoa possui uma capacidade mediúnica semi-consciente, pois parte das
informações se perdem por causa da interação e amortecimento das informações feitas pela
mente subconsciente (animismo). Da mesma forma que a percepção-consciência não pode
ser danificada pelas informações à nível inconsciente (do passado), a mesma não poderia
ser danificada pelas informações à nível supraconsciente (do futuro).
Esotericamente é representado pelo “ar”, cujo atributo é a comunicação entre os planos
superiores e inferiores.

6. CLASSIFICAÇÕES DA MAGIA
Para o sentido da execução da magia ficar bem definida deve-se compreender, segundo
alguns aspectos, que a mesma se divide em duas de cunho moral, e mais duas de cunho
prático:
Magia Teórica: conjunto de doutrinas e técnicas relativas a rituais e cerimoniais
referentes à evocação e à invocação, à natureza e ao poder das entidades espirituais
residentes em outros planos da existência, à adivinhação, à fabricação de instrumentos e
de talismãs, enfim, ao desenvolvimento de algumas faculdades psíquicas a fim de aguçar a
própria sensibilidade.
Magia Prática: é todo o desenvolvimento ativo do que foi enunciado como teoria, com
o objetivo de realizar mudanças físicas, astrais, mentais e espirituais através de um
determinado trabalho magístico.
Magia Branca: sob o aspecto moral, essa é o tipo de magia relacionada a tudo o que se
faz bem, o que é relativo. Está relacionada aos conceitos da evolução, do desenvolvimento,
da construção, do equilíbrio, da união, da felicidade e da prosperidade.
Magia Negra: sob o aspecto moral, essa é o tipo de magia relacionada a tudo o que faz
mal, o que também é relativo. Está relacionada aos conceitos da involução, da degradação,
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do corrompimento, da destruição, do impedimento, do bloqueio, do aprisionamento, do
desequilíbrio, do desentendimento, do afastamento e do extermínio.
Magia Dogmática: é a forma de magia que faz uso de símbolos e arquétipos gerais e
comuns a todas as pessoas, simbologia essa diferenciada daquela pertencente ao
subconsciente do operador.
Magia Pragmática: é a que faz uso apenas dos símbolos e arquétipos pessoais, do
fator de ressurgimento atávico ou intuitivo do simbolismo presente no subconsciente do
operador.

7. LEIS DA MAGIA
As leis da magia resumem o processo e o mecanismo da sua execução, tal como ela é.
As leis são, basicamente, três:
1ª - Toda e qualquer magia se inicia no campo mental (através do Princípio do
Mentalismo). Através da ideação forma-se uma corrente de pensamentos (egrégora), os
quais imantarão e atrairão certas classes de entidades que vibrem de acordo com esta
corrente;
2ª - O sucesso da operação mágica está intimamente ligado à vontade do mago. É preciso
que o mago tenha o devido domínio sobre os elementos vibratórios (os quatro elementos) e
sobre a atuação das entidades astralizadas, e até mesmo saber manipular as forças sutis
da natureza (tattwas) nos diversos planos;
3ª - Nenhuma operação mágica atingirá seu objetivo se não for projetado sobre
determinados elementos físicos densos e etéricos, os quais servirão de canais, suporte,
pontos de apoio e pontos de partida para a devida execução e seu sucesso, segundo a
destreza e o objetivo visado do mago. Esses materiais servirão como elementos radicais que
serão movimentados (ativados vibratoriamente) do plano físico para o etérico e deste para
o astral. Esse movimento acontece através do ato petitório (invocação) que é uma execução
do próprio mago através dos atos mágicos. O resultado dos atos mágicos cria uma forte
reação no plano astral (que podem ser observados como fenômenos de ressonância ou
somação, dissonância, reflexão, refração e reverberação) juntamente com a classe de
entidades atraídas e direcionadas para o sentido da petição magística. Sendo assim, a
magia retorna ao plano físico gradativamente e condensa-se como o resultado da operação
mágica. Neste ponto finaliza-se toda a operação se neutralizando no plano físico tendo
alcançado ou não, o objetivo preposto.

8. O TETRAGRAMMATON
Os elementos do Tetragrammaton constituem a formação do símbolo da cruz, base de
qualquer oráculo e de qualquer processo magístico. Esses elementos estão dispostos nesta
idéia com os quatro elementos básicos associados aos princípios “Yod-He-Vau-He”, no qual,
o seu resultado é conhecido como o Terceiro Grande Nome de Deus Todo-Poderoso pela
cabala hebraica. Este nome devidamente pronunciado (Yehovah, Yeve, Yave ou Yahve) gera
um poder miraculoso, aquele que dá o poder de realização. No sentido inverso (Havayoth),
o nome dá poder ao reino da anarquia, do caos ou de satã.
Cada princípio-letra do quaternário sagrado está associado aos diversos elementos da
natureza, da magia, da alquimia e da metafísica. Na magia, “Yod” está ligado ao Fogo,
“He” com a Água, “Vau” com o Ar e o 2º “He” com a Terra. Na metafísica, “Yod” está ligado
a Energia, “He” com o Espaço, “Vau” com o Tempo e o 2º “He” com a Matéria. Na iniciação,
“Yod” está ligado a Vontade, “He” com a Sabedoria, “Vau” com a Ousadia e o 2º “He” com a
Quietude. Na alquimia, “Yod” está ligado com o Enxofre, “He” com o Mercúrio, “Vau” com o
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Azougue (solvente universal simbolizado pelo caduceu triplo encimado pelas asas de uma
águia) e o 2º “He” com o Sal. Na direção dos pontos cardeais, “Yod” está ligado ao Sul,
“He” com o Norte (às vezes com o Oeste), “Vau” com o Leste e o 2º “He” com o Oeste (às
vezes com o Norte). Nas estações, “Yod” está ligado ao Verão, “He” com o Inverno, “Vau”
com a Primavera e o 2º “He” com o Outono. O ciclo lunar também está associado aos
quatro elementos, “Yod” está ligado a fase da Lua Crescente, “He” com a fase da Lua
Minguante, “Vau” com a fase da Lua Nova e o 2º “He” com a fase da Lua Cheia. Os Animais
Herméticos também entram na correspondência, “Yod” está ligado ao Leão, “He” com o
Anjo, “Vau” com a Águia e o 2º “He” com o Touro.

9. O GRANDE ARCANO DA MAGIA


Este arcano é compreendido na execução de uma operação de magia definida como:
“Uma decisão da vontade humana (individual ou coletiva) exercida para solucionar um
problema, cuja execução depende das atividades (não cotidianas) de seres individualizados,
operando em 2 ou 3 planos”.
Todos os elementos relacionados à operação mágica são manifestações pessoais do
Princípio do Mentalismo (única origem mental), da formação de um “turbilhão astral”
(formação astral universal), e da escolha do ponto de apoio ou de partida (execução e
condensação no plano físico). A relação desses três princípios com o poder de realização na
execução da magia é chamado de “Grande Arcano”.
O entendimento deste Grande Arcano nunca é revelado pelo mestre ao discípulo. A
razão disto é provocar no discípulo o domínio nos três planos de manifestações da magia
em que somente ele pode alcançar e merecer. Se o discípulo não descobriu e dominou o
Grande Arcano por si mesmo, significa que ainda não alcançou o desenvolvimento
suficiente em alguns dos planos, fazendo com que se torne perigoso para ele mesmo e para
o meio ambiente. O próprio caráter do Grande Arcano se baseia no elemento de
entendimento e compreensão subjetivos. Isto é de caráter elevado, pois a ligação da magia
com o operador se torna uma só expressão, dando a cada discípulo características próprias
baseadas nas suas constituições físicas, astrais e mentais que é diferenciada em todas as
pessoas.

10. AS OPERAÇÕES MÁGICAS


Entendemos que magia é a manipulação e transformação da energia (a matéria em
seus diferentes estados vibracionais). Por isso, a magia é a ciência mãe de todas as outras.
É a sabedoria integral das antigas Raças (a Lemuriana e a Atlante), a arte sagrada, a arte
do mago. É a aplicação da vontade do mago sobre as várias potências, fazendo com que as
mesmas atuem sobre as transformações das energias plano a plano, visando, é claro,
atingir um determinado objetivo.
As operações mágicas se resumem, basicamente, em cinco “atos mágicos” que são, à
nível operacional, cinco tipos clássicos de se fazer magia:
Divinação ou Oracular: método pelo qual o mago se utiliza de elementos oraculares
para poder acessar as informações provenientes do mundo espiritual do passado, presente
ou futuro;
Evocação: método pelo qual o mago ordena, manda ou comanda através de um meio,
objeto ou ritual;
Invocação: método pelo qual o mago chama, clama ou incorpora através de um meio,
objeto ou ritual;

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Encantamento: método pelo qual o mago imanta ou consagra algum tipo de força
espiritual em um meio, objeto ou ritual;
Iluminação: método pelo qual o mago avança em graus a sua evolução espiritual,
adquirindo mais consciência e sabedoria.
Em cada ato mágico descrito anteriormente, pode funcionar em até cinco níveis de
magia tradicional:
Feitiçaria, Bruxaria ou Baixa Magia (Magia Negra):
Divinação ou Oracular: neste nível é a utilização de métodos oraculares para uma
simples consulta divinatória, que possa representar o macrocosmo do mago. Pode ser
utilizado as runas, a geomancia, o oráculo de Ifá, os búzios, o I ching ou o tarô. Também se
deve manter um diário para anotar todos os resultados obtidos;
Evocação: o mago cria, artesanalmente, uma imagem, uma escultura, um
assentamento; as funções podem ser as mais diversas, definidas pelo mago; o fetiche é
tratado como um ser vivo, em que nele se exerce o poder de comando; pode ou não conter
elementos do mago;
Invocação: o mago prepara todo o seu ambiente de magia, vestindo-se adequadamente,
dispondo de simbologias ou assentamentos próximos ao trabalho de invocação, fazendo
com que se torne um templo de adoração da entidade da qual quer invocar (chamar); o
templo, a decoração do ambiente e as vestimentas do mago representam a personificação
da força da entidade com que se quer trabalhar; neste nível pode haver ou não uma
incorporação ou expressão da entidade no próprio operador;
Encantamento: para essa função pode-se utilizar uma série de instrumentos, mas em
especial deve-se obter uma ferramenta especial, de significado distinto para o mago; para
fazer o encantamento, o mago faz uma representação física do objeto do desejo, usando as
ferramentas mágicas para realizar a teatralização do ato; por exemplo, o bonequinho
representando a pessoa, é batizado ou coisa que o valha, depois roga-se pragas sobre o
mesmo, então se espeta ele todo com alfinetes, representando ferimentos na vítima;
Iluminação: aqui o mago busca a eliminação das fraquezas e o concomitante
fortalecimento de suas virtudes. Algo como uma introspecção deve ser realizada, para
conhecer as próprias qualidades e os próprios defeitos.
Xamanismo ou Magia Natural:
Divinação ou Oracular: neste nível é a utilização da faculdade de vidência através de
objetos oraculares para uma devida consulta divinatória; o Mago interpreta a visão de
acordo com seu simbolismo pessoal;
Evocação: o mago busca estabelecer uma visualização de uma entidade por ele
projetada, para realizar seus desejos; muitas vezes, pode-se visualizar a mesma entidade
que se "assentou" no nível de feitiçaria. Pode-se interagir com essas entidades em sonho,
donde se tira o conceito do "parceiro astral";
Invocação: o mago deixa seu inconsciente vir a tona para poder fazer uso de suas
faculdades anímicas; pode utilizar-se de ervas com propriedade de alterar os sentidos ou
som de tambores para induzi-lo a esse estado anímico. A imitação da atitude de um animal
em questão ajuda muito esta operação; faz-se isso até o mago ser tomado por essa força
animal;
Encantamento: o mago tenta imprimir sua vontade no mundo exterior por uma
visualização simbólica ou direta do efeito desejado;
Iluminação: o mago visualiza sua própria morte, seguido do desmembramento de seu
corpo; então, deve visualizar a reconstrução de seu corpo e a seguir seu renascimento. É a
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chamada "jornada" dos xamãs.
Magia Ritual:
Divinação ou Oracular: neste nível é a utilização de qualquer método oracular já
descrito anteriormente, desde que os objetos de consulta sejam antes consagrados através
de uma prática ou ritualística própria pra isso; é uma consulta divinatória complexa, que
representa em sua totalidade, o macrocosmo do mago. É imprescindível que a mente do
mago deva estar profundamente vinculada ao processo, fazendo com que altere o seu
estado de consciência. Também, neste nível, deve-se manter um diário para anotar todos os
resultados obtidos;
Evocação: o mago pode evocar a entidade já trabalhada nos dois níveis anteriores, ou
então qualquer outra. Em geral, um sigilo desenhado em papel ou receptáculo, um
pantáculo, ou um conjunto de sinais de linguagem em um receptáculo magístico,
simbolizando a entidade evocada é o que basta para criar o vínculo necessário entre a
mente do mago e a entidade que se deseja evocar;
Invocação: o mago busca saturar seus sentidos com as experiências correspondentes ou
simbólicas de alguma qualidade particular que busca invocar; no caso, pode ser dos
arquétipos universais, através da decoração do templo e de sua pessoa com cores, aromas,
símbolos, pedras, plantas, metais e sons correspondentes aquele arquétipo desejado. O
mago tenta ser "possuído" pela entidade em questão; antes de qualquer evocação mágica, o
mago deve realizar todos os rituais preparativos para a possessão;
Encantamento: aqui entram em ação as "Armas Mágicas", que variam de acordo com o
mago, dentro, é claro, de um simbolismo universal. A concentração deve ser no ritual, ou
no sigilo, ao invés de na realização do desejo; o sigilo é traçado com a ferramenta mágica,
no ar, e a mente é levada a um estado alterado de consciência. Assim, entra em ação a
mente inconsciente, mais poderosa nessas operações;
Iluminação: tem a característica de buscar (e encontrar) esferas de poder dentro de nós
mesmos; aqui cabe qualquer sistema de iniciação hermética.
Magia Astral: Todas as operações deste nível são idênticas a todas as praticadas nos
três níveis anteriormente descritos, exceto que são realizadas apenas em âmbito mental,
isto é, na mente do mago. Entra aqui neste nível, algumas técnicas de projeção da
consciência, clarividência, apometria e outras faculdades mediúnicas. Portanto, tudo ocorre
nos planos interiores do mago, desde a construção de seu templo, até as operações mais
práticas.
Alta Magia: As operações neste nível são elevadas, devendo ser praticadas somente
por quem já seja um iniciado por um sistema de magia ou por uma escola que dê suporte;
as operações neste nível envolve todo o conhecimento (todas as ciências ocultas) do mago
segundo seu grau de poder de alcance.
Em toda a operação magística existe a sua contraparte mental. Baseia-se no próprio
entendimento do processo de execução da magia. Toda a operação mágica deve possuir um
planejamento, ou seja, o operador deve ser completamente capaz de compreender o esboço
geral da operação, deve estar preparado para qualquer aparição astral, deve saber a origem,
espécie e tipo de entidade manifestada. A chave para o entendimento da contraparte mental
está na grande lei do ternário expressa em três figuras geométricas: a 1ª e superior é a
parte mental do Arcano, o “Ternário do Grande Arcano” ou o “Axioma do Ternário
Metafísico” (casamento do Yod com o 1º He – vontade e consciência em equilíbrio)
simbolizado por um triângulo eqüilátero evolutivo com os hieróglifos dentro; a 2ª e
mediana é a parte astral do arcano, o “Binário do Grande Arcano” ou o “Binário da Rota do
Turbilhão Astral” (a formação do Vau – é o mistério do turbilhão básico, a definição da
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passagem do mental para o físico e vice-versa, o mistério universal da evolução e
involução) simbolizado por um hexagrama com o hieróglifo no meio; a 3ª e inferior é a
parte física do arcano, o “Quaternário do Grande Arcano” ou o “Quaternário da Rota
Elementar” (a realização do 2º He – a autoridade e o domínio dos elementos no mundo
físico das realizações, o mistério de sua realização, o segredo do ponto de partida, o
mistério da transformação como resultado da aplicação de seu poder no mundo das
formas) simbolizado por uma cruz dentro de um círculo, com o hieróglifo inscrito dentro de
um quadrado no seu centro.
TABELA DE ASSOCIAÇÃO AOS QUATRO ELEMENTOS DO QUATERNÁRIO SAGRADO
Elementos AR FOGO ÁGUA TERRA
Nome Hebraico Ruach Asch Maim Aretz (Ophir)
Nome Divino Yehovah Elohim El Adonai
Deva Esotérico Sanaka Sanâtana Sanatkúmara Sananda
Deva Guardião Yama (Vayu) Indra (Agni) Varuna Kuvera (Kubera, Kshiti)
Signo Zodiacal Aquário (Anjo) Leão Escorpião (Águia) Touro
Arcanjo Rafael Michael Gabriel Auriel
Anjo Chassan Aral Taliahad Forlak
Príncipe Ariel Seraph Tharsis Kerub
Rei Paralda Dijn Nichsa Ghob
Elementar Sílfides Salamandras Ondinas Gnomos
Ponto Cardeal Leste Sul Oeste Norte
Tattwa Vayu Tejas Apas Prithivi
Forma - Cor Círculo Azul Triângulo Vermelho Meia-lua Prateada Quadrado Amarelo
Bastão ou Cetro Espada, Punhal
Arma Mágica Taça (Copas) Pentáculo, Sigilo (Ouros)
(Paus) (Espadas)
Força Sutil Eólica Ígnea Hídrica Telúrica
Átomo Nitrogênio Oxigênio Hidrogênio Carbono
Fase Lunar Lua Nova Lua Crescente Lua Cheia Lua Minguante
Estação do Ano Primavera Verão Outono Inverno
Fase do Dia Alvorada Meio-Dia Pôr-do-Sol Meia-Noite
Fase da Vida Infância Juventude Maturidade Senilidade
Fatalidade Nascimento Crescimento Envelhecimento Morte
Campos, matas, Cavernas, grutas, sob
Montanhas,
Reinos da florestas, Rios, lagos, lagoas, grandes árvores,
pedreiras, encostas,
Natureza nascentes, mares, oceano florestas fechadas,
canyons, deserto
cachoeiras, praias lodaçais, pântanos
Ventania, Maremotos, Terremotos, abalos
Fenômenos da Raios, relâmpagos,
furacões, tsunami, cheias, sísmicos, avalanche,
Natureza erupções vulcânicas
tornados, gêiseres enchentes, chuvas erosão
Condição
Seco Calor Úmido Frio
Atmosférica

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Elementos AR FOGO ÁGUA TERRA
Polaridade Positiva Positiva Negativa Negativa
Natureza Expansiva Irradiante Fluídica Coesiva
Função Neutralização,
Renovação Transformação Vitalização
Elementar + Concentração
Função
Dispersão Destruição Desvitalização Impedância, Bloqueio
Elementar -
Biliosos (flexíveis,
Melancólicos
nervosos, Sanguíneos (ativos, Fleumáticos
(Pessimistas, Práticos,
objetivos, Impulsivos, (Emocionais,
Temperamento Perseverantes, Teimosos,
racionais, Instintivos, Inquietos, Reativos, Tímidos,
Retraídos, Relutantes,
ambiciosos, Tensos, Irregulares) Intuitivos)
Conservadores)
dispersos)

OS QUATRO ELEMENTOS DO QUATERNÁRIO SAGRADO NA MOVIMENTAÇÃO MAGÍSTICA

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11. AS ENTIDADES ESPIRITUAIS
Naturalmente, todo o mago lida com uma grande faixa de tipos de entidades que
acabam por adquirir alguns nomes característicos, segundo diversas tradições:
Formas-Pensamento: Não são propriamente ditas, entidades espirituais e sim, uma
manifestação inconsciente ou consciente de um pensamento ou idéia emanados de
qualquer pessoa ou espírito nos planos mental e astral que assume uma determinada
forma característica e alimentada constantemente por esse mesmo agente; geralmente, tem
a durabilidade ou existência de acordo com a quantidade e força de alimentação para com
essas formas-pensamento geradas.
Egrégora: Também não são propriamente ditas, entidades espirituais e sim, uma
manifestação inconsciente ou consciente de um pensamento ou idéia (que assume forma
nos planos astral e mental) gerados por um grupo de pessoas com afinidades ou sintonia,
constantemente alimentados por esse mesmo grupo; geralmente, tem a durabilidade ou
existência de acordo com a quantidade e força de alimentação para com essas formas-
pensamento geradas.
Sombras ou Larvas Astrais: São originárias das formas-pensamento criadas que se
alojam no corpo astral do indivíduo que o gerou, com a função de sugar-lhe a energia vital;
são verdadeiros parasitas. Esta é uma classe de entidades criadas, assim como os
elementais são, por nós mesmos, de forma inconsciente, ou seja, criado pelos nossos
desejos instintivos, nossos medos e necessidades mal dirigidas. Costumam habitar no
nosso campo áurico, a fim de alimentarem-se da bioenergia humana. A maioria das
pessoas não é completamente saudável, muito pelo contrário, são mais doentes do que se
imagina. A busca pela reeducação dos instintos ou o domínio do comportamento reativo ou
impulsivo é necessária para criar em si mesmo o pentagrama consciente (os elementais
saudáveis), o ser superior, o mestre, o guia. É nesta condição que o mago se torna o Sumo-
Sacerdote (o Papa), uma condição de ser um homem completamente saudável. O processo
da criação das larvas ou sombras (potencialmente doenças) vem do desequilíbrio da
conectividade entre os corpos físico, astral e mental. O homem particularmente impulsivo
tem mais chances de desequilibrar seus corpos por simplesmente, não conseguir evoluir ou
elevar sua mente consciente. Cada reação instintiva negativa ou contrária à vontade
própria desencadeia diversos distúrbios emocionais pelo corpo físico, assim como a má
alimentação e o mau comportamento (no sentido de absorver coisas nocivas aos três
corpos, nos campos mental, astral e físico). É através deste comportamento baseado no
egoísmo aprendido individualmente, até ao nível social nacional (patriotismo) é que
estimulamos as larvas astrais criadas pela nossa imaginação ou por correntes egregóricas.
Essas larvas são entidades vivas graças ao nosso poder mental de criar os pentagramas
vivos (imagens-símbolos do nosso mal). Existem larvas de tudo quanto é tipo, e o objetivo
delas é geralmente se alimentar das emoções instintivas, gerando uma falsa felicidade ou
contentamento. Existem pessoas que alimentam larvas astrais criadas por elas mesmas, ao
longo de diversas encarnações. Estas pessoas estão doentes por muito tempo e nem
desconfiam disso, pois acham perfeitamente normal na sociedade em que vivem. A única
maneira de destruir uma larva é considerar o seu oposto em si mesmo (ter consciência que
ela existe e o motivo pelo qual existe) elevar sua consciência e reeducar-se perante seu
comportamento instintivo. O instinto existe para sobrevivência no mundo material, mas
não é necessário exagerar ou dramatizar a reação instintiva. É claro que não se deve
dominar o instinto, por ser naturalmente indomável, mas o que devemos controlar é como
reagimos emocionalmente. O que se deve conduzir são as emoções e não o instinto. A
impulsividade de se alimentar constantemente pode conduzir a pessoa a ter sérios
problemas de obesidade. Não se deve frear a atitude de se alimentar, mas sim o motivo pelo
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qual se alimenta, se é fome verdadeira ou se é puramente ansiedade. É essa a reeducação
que se fala. Sendo assim, a larva perde sua força e vitalidade, e por conseqüência, morre,
permitindo o homem ficar livre para elevar-se mentalmente e iluminar-se. Assim ele poderá
criar grandes pentagramas conscientes e se beneficiar de sua força de guia ou mestre.
Elementais: Entidade espiritual criada por formas-pensamento e ligadas a um sistema
de crença em que a possibilita de viver se alimentando dessa mesma idéia. Também
considerados pela filosofia hermética, como “pentagramas evolutivos ou conscientes”.
Dentro desta concepção, o pentagrama é um símbolo daqueles que desejam buscar sua
realização por meios magísticos, e para poder ter efeito no mundo físico, deverá alcançar a
devida iniciação e obter o domínio sobre os elementos e correntes astrais, adquirindo,
assim, as capacidades superfísicas que os tornam um verdadeiro mago. Um pentagrama
seria muito mais que apenas um simples símbolo ou ponto de apoio magístico. Na verdade,
incorpora-se em sua forma uma entidade viva (elemental), criado pelo próprio mago. Os
pentagramas são largamente utilizados pelos maçons, rosa-cruzes e médiuns-magistas de
diversas escolas. Ele é muito necessário para o combate ou luta astral com outros seres,
encarnados ou desencarnados (aqueles que vivem apenas em dois planos – o astral e o
mental), e até mesmo contra egrégoras. Na maioria dos casos, vence aquele que tiver o
melhor ponto de apoio ou o mais forte corpo físico (corpo robusto de muita saúde). Se os
dois tiverem forças iguais, vence aquele que tiver desenvolvido em si um melhor
pentagrama. Às vezes um pentagrama pode ser formulado de tal forma a ficar invertido e
não significar magia negra, e sim, a vontade do operante direcionado para o mundo físico.
O significado pode variar de acordo com a formulação e desenvolvimento do pentagrama. A
criação de um pentagrama em si mesmo (elemental) serve não só para produzir algumas
novas manifestações, mas sim, lutar contra o seu oposto, contra os obstáculos que vêm de
seu desenvolvimento ainda insuficiente, principalmente no plano astral. Para criar um
pentagrama é necessário fazê-lo em duas partes: a primeira fase consiste em afirmar a
vontade consciente em si mesmo (expansão da consciência ou iluminação); isso ocorre
através dos exercícios de concentração e de meditação (não é um exercício, é o mais
elevado uso de nossa consciência, e só é possível através da capacidade de concentração).
A segunda fase consiste em transformar os aspectos instintivos, reativos e impulsivos em
aspectos controlados ou dominados (reeducação, em vez de reagir contrariamente às coisas
de modo mecânico ou instintivo, deve meditar ou refletir os seus modos).
Fantasmas, Cascões ou Cascarões: São restos do duplo-etérico que fica em torno de
um recém morto, geralmente aproveitados e manipulados por um mago, a fim de dar vida
temporariamente para um determinado trabalho ou função; pode tanto ser dirigido para o
bem como para o mal.
Homúnculo ou Golem: Entidade espiritual criada por um indivíduo na forma de um
ser humano, que tem em si "colocadas" algumas substâncias materiais (ou orgânicas e até
mesmo de origem humana) num "corpo físico" sem funções mágicas. Seu corpo físico pode,
porém, ser magicamente animado mediante práticas específicas, como por exemplo, através
da eletricidade ou do magnetismo.
Psichogones: Elementais criados artificialmente por meio da magia sexual.
Elementares: Entidades espirituais originárias de uma outra via de evolução que
situa-se entre o reino animal e hominal. Cada qual vive em um reino elementar particular
onde atribui-se qualidades das quais sobrevive de acordo com o elemento que está a ele
intimamente ligado. Esses elementos são formadores do quaternário ar, fogo, água e terra;
são os chamados gnomos, ondinas, sereias, silfos, sílfides, fadas e salamandras.
Poltergeist: Palavra alemã que significa Espírito Brincalhão. Em parapsicologia,
designa fenômenos paranormais causados por espíritos perturbados como, por exemplo,
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ruídos sem causa aparente, objetos que se movem sozinhos (até mesmo caindo sozinhos e
"voando" sem impulso nenhum, por ninguém), luzes apagando e acendendo sozinhas, fogo
espontâneo, etc.
Domovoi: Espírito dono da casa onde reside. É considerada também a egrégora das
moradias, a parte astral e mental das residências. Na Polônia costuma-se removê-lo quando
se muda.
Vampiros e Lobisomens: Entidades espirituais já deformadas ou degeneradas que
sugam a vitalidade humana à força, muitas vezes, porém, por meio da sedução ou do
medo. Muitas seitas de magia negra fazem uso deste tipo de entidade, embora não
exclusivamente originários delas.
Súcubos: Entidades espirituais vampíricas que atuam sexualmente sob a forma
feminina.
Íncubos: Entidades espirituais vampíricas que atuam sexualmente sob a forma
masculina.
Guardião: Entidade espiritual incorporante que assume diversas formas (inclusive a de
animais no Xamanismo) vinculada magisticamente ou religiosamente (na Umbanda, são os
Exus, Compadres e Comadres) a alguém, para dar-lhe proteção (ou a terceiros);
Mensageiro: Entidade espiritual vinculada magisticamente a alguém, que possui a
principal característica de poder transitar nos mundos ou planos (e subplanos) superiores
ou inferiores, levando mensagens para outras entidades.
Kiumbas: Entidades espirituais incorporantes e obsessoras; são trevosas, renegadas,
confusas, viciadas e desordeiras. Geralmente se vendem por bebidas, fumo ou drogas para
efetuar trabalhos de magia negra.
Ajé, Feiticeiras ou Bruxas: Entidades espirituais geralmente malévolas. As ajés são
consideradas feiticeiras ou bruxas da cultura Nagô.
Demônios e Dragões do Umbral: Classe de entidades espirituais incorporantes
dedicadas ao serviço do caos, no serviço das trevas. São considerados inteligências
oriundas dos submundos astrais.
Eguns, Compadres (Exus de Umbanda), Comadres (Pomba-Gira), Ciganos,
Caboclos, Pretos-Velhos ou Crianças (Erês): Seres espirituais desencarnados e
incorporantes que atuam como guias, protetores, mentores ou simplesmente conselheiros.
Geralmente se manifestam dentro dos cultos das religiões Umbanda, Quimbanda e todas as
de origem afro-brasileiras.
Protetores ou Militantes de correntes religiosas: Seres espirituais desencarnados e
incorporantes que atuam geralmente, como entidades pertencentes às religiões Umbanda e
Espírita.
Gênios Protetores ou Anjos da Guarda: São espíritos desencarnados e incorporantes,
ou mesmo uma inteligência viva no plano astral, que recebe a missão, quando do
nascimento de alguém, da sua "guarda". Está muito próximo durante a infância,
distanciando-se pouco a pouco conforme a pessoa vai ficando mais velha. Em geral, afasta-
se após a adolescência, exceto quando a pessoa busca seu "contato".
Eborás, Inkices, Loas ou Voduns: São entidades espirituais incorporantes,
considerados ancestrais africanos. São geralmente confundidos com os Orixás. Mas na
verdade, são apenas eguns (espíritos desencarnados) dos sacerdotes dos cultos africanos
que foram deificados durante sua vida terrena, e que retornam ou se manifestam, através
da “possessão” dos seus filhos (iniciados elegun’s dos cultos africanos).
Nirmanakaya, Guias ou Chefes de Legião: Ser espiritual incorporante, de grande
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evolução, que superou o ciclo reencarnatório. Tem a função de gerar correntes de forças
espirituais a fim de impulsionar a evolução da humanidade.
Devas, Pitris Lunares, Anjos ou Arcanjos: Classe de entidades espirituais não
incorporantes dedicadas ao serviço da luz divina, à obra cósmica. São considerados
inteligências originais do plano astral superior.
Kama-Rajás: São seres elementares originários de uma outra linha de evolução muito
longe da nossa. São de uma categoria bastante superior e tem funções específicas de
controle dos ciclos da natureza da Terra.
Lipika: Classe de entidades espirituais não incorporantes que atuam na esfera divina
de regular o karma de tudo o que é vivo. São chamados de os Senhores do Karma.
Divindades, Orixás: Classe de entidades espirituais de grande poder não incorporantes
e que fizeram parte da criação do mundo. São geralmente ligadas a algum fenômeno ou
manifestação da natureza, ou a alguma cultura ou sociedade que a cultua.
Espíritos Planetários e Zodiacais: Entidades espirituais não incorporantes formadas
das qualidades de um único astro celeste ou signo zodiacal, e a este atada.

12. A SIMBOLOGIA MÁGICA


A maioria dos símbolos existentes reage ao plano astral, assim como reage no plano
físico, significando e dando sentido à sua função, de acordo com as escolas tradicionais de
magia que os utilizam ao longo das suas existências. Muitos símbolos do Antigo Egito não
interagem mais com o plano astral por não serem mais usuais em sua aplicação. Existem
alguns símbolos tradicionais, como a cruz, por exemplo, que ainda vibra em sintonia com a
maioria das entidades astrais por ser muito utilizada e por muito tempo pelas escolas de
tradição.
Os símbolos podem ser simples ou complexos e fazem sua característica aparecer na
forma, como por exemplo:
O nº 1 é simbolizado pelo ponto e significa a “unidade”;
O nº 2 é simbolizado pela reta ou pela meia-lua (semicírculo) e significa
“receptividade”;
O nº 3 é simbolizado pelo triângulo e significa o “equilíbrio” ou o “ternário”;
O nº 4 é simbolizado pela cruz e significa o “quaternário” ou a “transformação dos
elementos”;
O nº 5 é simbolizado pelo pentagrama e significa a “vontade segundo o livre-arbítrio”.
O conjunto dos símbolos, ou a união de vários símbolos para representar uma idéia, é
considerado um símbolo complexo ou um “pentáculo”. A maioria dos símbolos está
associada aos alfabetos (os mais antigos) e, por assim dizer, produzem um som no astral,
ou uma vibração. Essa vibração é um comando do mundo material para o astral, onde as
entidades obedecem quando afinizadas com o símbolo ou evocadas magisticamente.
Existem pentáculos que estão carregados de simbolismo e formas alfabéticas,
constituindo de verdadeiras fórmulas ou códigos (chaves de acesso ao plano astral). Essas
fórmulas interagem com o mundo astral a fim de dinamizar o pentáculo e produzir o efeito
desejado. Existem duas formas de utilização dessas fórmulas ou códigos: os “mantras” e os
“setras”. Os mantras destinam-se à ação sobre os corpos astrais de outros seres, além do
operante, mesmo que esses outros seres possam pertencer ao seu “eu” coletivo. Essas
fórmulas são geralmente frases longas, de sentido amplo ou genérico. Já, os setras servem
para fortificar ou influenciar o corpo astral do próprio operante até atingir a sua
consciência, servindo de escudo energético e segurança, facilitando ou dando condições
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essenciais para a execução da sua própria vontade na operação magística. Essas fórmulas
são geralmente frases curtas e dizem algo muito pessoal do operante, para que possa agir
em seus centros (chakras) e na sua consciência.

13. AS CORES
A cor é uma percepção visual provocada pela ação de um feixe de fótons sobre células
especializadas da retina, que transmitem através de informação pré-processada no nervo
óptico, impressões para o sistema nervoso. A cor de um material é determinada pelas
médias de freqüência dos pacotes de onda que as suas moléculas constituintes refletem.
Um objeto terá determinada cor se não absorver justamente os raios correspondentes à
freqüência daquela cor. Assim, um objeto é vermelho se absorve preferencialmente as
freqüências fora do vermelho. A cor é relacionada com os diferentes comprimentos de onda
do espectro eletromagnético. São percebidas pelas pessoas, em faixa específica (zona do
visível), e por alguns animais através dos órgãos de visão, como uma sensação que nos
permite diferenciar os objetos do espaço com maior precisão. Considerando as cores como
luz, a cor branca resulta da sobreposição de todas as cores, enquanto o preto é a ausência
de luz. Uma luz branca pode ser decomposta em todas as cores (o espectro) por meio de um
prisma. Na natureza, esta decomposição origina um arco-íris. Quando se fala de cor, há que
distinguir entre a cor obtida aditivamente (cor luz) ou a cor obtida subtrativamente (cor
pigmento). De qualquer maneira é uma vibração da energia em forma de luz ou reflexo
dela.

Cores do espectro visível


Cor Comprimento de onda Freqüência
vermelho ~ 625-740 nm ~ 480-405 THz
laranja ~ 590-625 nm ~ 510-480 THz
amarelo ~ 565-590 nm ~ 530-510 THz
verde ~ 500-565 nm ~ 600-530 THz
ciano ~ 485-500 nm ~ 620-600 THz
azul ~ 440-485 nm ~ 680-620 THz
violeta ~ 380-440 nm ~ 790-680 THz
Espectro Contínuo

Branco: Associa-se à idéia de paz, de calma, de pureza. Também está associado ao frio
e à limpeza. Significa inocência e pureza. Traz pureza, sinceridade e verdade; repele
energias negativas e eleva as vibrações; facilita o contato com os guias espirituais e com os
ancestrais; gerencia o equilíbrio interior, proteção, instinto, memória, partos, cuidado de
animais domésticos e de crianças e sonhos. Também pode ser usado como coringa, para
todos os propósitos, substituto para qualquer cor. As roupas brancas têm sido associadas à
limpeza, à pureza e a inocência. Nos países orientais, o branco é usado como uma cor
adequada para a morte e o pesar, aceitando que a pessoa morta partiu do mundo físico
para um plano espiritual mais puro. Essa é a cor do desprendimento. O branco reflete todas
as cores e as pessoas que o utilizam nas roupas podem fazê-lo para manter-se refrescadas
sob o calor dos raios solares.
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Cinza: Simboliza o medo ou a depressão, mas é também uma cor que transmite
estabilidade, equilíbrio, sucesso e qualidade, por ser a mistura do preto e do branco. Não
deve ser usado por quem sofre de memória fraca ou para quem tiver predisposição para
depressão. É usado para cancelar ou neutralizar encantamentos que não servem mais aos
nossos propósitos.
Prata: É uma cor com as mesmas características do cinza, porém está associada ao
moderno, às novas tecnologias, à novidade, à inovação.
Preto: Está associado à idéia de morte, luto ou terror, no entanto, também se liga ao
mistério e à fantasia, sendo hoje em dia uma cor com valor de uma certa sofisticação e
luxo. Significa também dignidade. Transmite introspecção, favorece a auto-análise e
permite um aprofundamento do indivíduo no seu processo existencial. Remove obstáculos,
vícios e emoções não desejadas. O uso em excesso traz melancolia, depressão, tristeza,
confusão, perdas e medo. Por isso, jamais deveria ser usado por pessoas que acabaram de
perder um ente querido. O amarelo seria o mais indicado. Na maioria das sociedades
ocidentais, o preto quase sempre é a cor da morte, do luto e da penitência. Em geral, essa
cor é usada por pessoas que rejeitam a sociedade ou se rebelam contra as normas sociais. O
preto é uma cor que nega a luz e as pessoas que a usam nas roupas rejeitam a luz em si
próprias, empurrando-a para longe e não permitindo que ela seja absorvida. Essa é a cor
usada pelos homens de negócio, policiais e padres para refletir poder e autoridade. O preto
é percebido como escuro e misterioso e também pode significar sexo. Contudo, essa cor
também é usada pelas pessoas que preferem parecer tradicionais e responsáveis.
Marrom: Representa a constância, a disciplina, a uniformidade e a observação das
regras. Atrai o dinheiro ganho através do trabalho e conecta a pessoa à Mãe Terra. Usado
em excesso traz autocrítica exagerada, dependência afetiva e isolamento. Absorve a
negatividade, mas a retém, devendo fazer sempre uma limpeza para renovação, de alguma
forma. A cor marrom geralmente está associada com terra e estabilidade. O marrom é uma
cor envolvida com o enraizamento e a criação de fundações firmes para o futuro
(semelhante ao lado positivo do vermelho). Ele também contém a qualidade poderosa do
preto, no que se refere à autoridade, à confiança interior e à auto-afirmação. Uma pessoa
que gosta de vestir-se com marrom por certo é extremamente dedicada e comprometida com
seu trabalho, sua família e seus amigos. No lado positivo, essas pessoas são práticas e
materialistas na vida, mas em seu aspecto negativo elas podem ser profundamente
inseguras e instáveis. A cor marrom gera organização e constância, especialmente nas
responsabilidades do cotidiano. As pessoas que gostam de usar essa cor são capazes de ir
"à raiz das coisas" e lidar com questões complicadas de forma simples e direta. Elas não
são pessoas "insensatas".
Castanho: É uma variação do marrom com os mesmos atributos. É a cor da Terra. Esta
cor significa maturidade, consciência e responsabilidade. Está ainda associada ao conforto,
estabilidade, resistência e simplicidade.
Vermelho: É a cor mais quente, ativa e estimulante. Fortalece o corpo e dá mais
energia física, impulso sexual (principalmente o vermelho cereja), força de vontade,
conquista, liderança e senso de auto-estima. Deve ser usado, antes das refeições, por quem
tem problemas digestivos e circulatórios. Se usado em excesso, o vermelho torna a pessoa
agressiva e briguenta. Simboliza o perigo, fogo, sangue, paixão, destruição, raiva, guerra,
combate e conquista; cor de aproximação e encontro. Esta cor faz com que você se sinta
mais vigoroso, expansivo e pronto para avançar adiante em algum sentido evidente. Ela
tende a atrair o olhar das pessoas e chamar a atenção. Se você usar vermelho, isso pode
indicar que tem ardor e paixão, ferocidade e força. As pessoas que gostam de ação e drama
apreciam essa cor. Vestir-se de vermelho também pode indicar sexualidade vigorosa.
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Vermelho Escuro: Contém os mesmos significados do vermelho, porém acrescenta-se
elegância, requinte e liderança.
Rosa: É uma variação do vermelho, temperado com as qualidades do branco. É
romance, amor espiritual (sem conotação sexual). Eleva as vibrações e o contato espiritual,
afasta energias negativas e promove fraternidade. O Rosa significa beleza, saúde,
sensualidade e também romantismo.
Rosa Claro: É uma variação do vermelho e uma sub-variação do rosa. Está associado
ao feminino. Remete para algo amoroso, carinhoso, terno, suave e ao mesmo tempo para
uma certa fragilidade e delicadeza. Está ainda associado à compaixão.
Salmão: Está associado à felicidade e à harmonia.
Laranja: É a mistura do vermelho com o amarelo, portanto traz as qualidades dessas
duas cores. Traz sucesso, agilidade mental, atrai boa sorte e prosperidade; desencoraja a
preguiça. Simboliza o encorajamento, estimulação, robustez, atração, gentileza,
cordialidade, tolerância e prosperidade. Esta cor revigorante e estimulante não tem muito
do mesmo dinamismo do vermelho. Se estiver usando roupas da cor laranja, você pode ter
traços corajosos e aventureiros, demonstrando entusiasmo e zelo em qualquer coisa que
faça, mesmo que isso consuma suas energias. As pessoas que usam essa cor são
afirmativas e gostam de rir e fazer outras pessoas rirem. O uso de roupas da cor laranja
também estimula a conversação e o senso de humor.
Amarelo: Desperta novas esperanças no caso de resignação de doentes que desistiram
da cura. Dá vivacidade, alegria, desprendimento, leveza. Produz desinibição, brilho,
espirituosidade e espiritualidade. Diminui a ansiedade e as preocupações; fortalece os
olhos e os ouvidos além de ajudar na cura da artrite. Atrai dinheiro e poder. Atrai pessoas
alegres para a sua vida, rejuvenesce e traz charme; constrói confiança, dá poder de
persuasão, energia e inteligência. Traz luz para a solução de problemas, ajuda a reter
conhecimentos e desenvolver a sabedoria. Usada em excesso, torna a pessoa irresponsável
e volúvel. O Amarelo simboliza a criatividade, as idéias, o conhecimento, alegria, juventude
e nobreza. Esta cor geralmente é usada pelos intelectuais, estudiosos e pessoas que gostam
de ocupar posições de autoridade e de controle. Ela estimula a receptividade e a atenção
aos detalhes. Vestir-se de amarelo "atrai a luz". Essa é a cor mais associada com o Sol e
tende a gerar qualidades otimistas e positivas nas pessoas que a usam em suas roupas.
Dourado: É uma variação do amarelo, possuindo os mesmos atributos, acrescentando,
vibração elevada, vigor, inteligência superior e nobreza. O Dourado está simbolicamente
associado ao ouro e à riqueza, a algo majestoso.
Bege: É uma variação do amarelo também. É uma cor que transmite calma e
passividade. Está associada à melancolia e ao clássico.
Verde: É a cor mais harmoniosa e calmante de todas. Representa as energias da
natureza, esperança, perseverança, segurança e satisfação; fertilidade. Facilita a
comunicação com as plantas e a natureza. Simboliza a vida nova, energia, fertilidade,
crescimento e saúde. Usada em excesso, determina orgulho, superioridade e arrogância.
Esta cor ajuda as pessoas a criarem um ambiente equilibrado, suavizante e calmo à sua
volta. Ela simboliza harmonia e equilíbrio. O verde das roupas tende a refletir tipos
convencionais, pessoas que gostam de ater-se ao que é certo e justo e que preferem não
sobressair numa multidão. Os indivíduos que apreciam essa cor geralmente gostam da
natureza e da segurança que ela traz.
Verde-escuro: Além de possuir as características da cor verde, está associado ao
masculino, lembra grandeza, como um oceano. É uma cor que simboliza tudo o que é viril.
Verde-claro: Contém todo o significado do verde, somando contentamento e proteção.
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Azul-Turquesa: Esta cor estimula as pessoas a demonstrarem interesse por você. Ela
expressa uma personalidade revigorante, que está facilmente acessível. O azul-turquesa
ajuda a clarear seus pensamentos e sentimentos, produzindo clareza em sua comunicação.
Se você gosta de usar essa cor nas roupas, quer ser visto como portador de jovialidade e
vivacidade.
Azul: Traz saúde emocional, paz e calma. Promove o entendimento entre as pessoas.
Favorece as atividades intelectuais e a meditação. Simboliza a devoção, fé, aspiração,
sinceridade, lealdade, confiança e tranqüilidade. Não possui contra-indicações. O Azul é a
cor do céu, do espírito e do pensamento. Simboliza a lealdade, a fidelidade, a personalidade
e sutileza. Simboliza também o ideal e o sonho. É a mais fria das cores. Vestir-se de azul
sugere espiritualidade e ordem. As pessoas que usam essa cor refletem um desejo de paz e
quietude, tranqüilidade e até mesmo solidão. Essa cor não é ameaçadora e o indivíduo que
a utiliza por certo valoriza a lealdade e a honestidade.
Azul Claro: Possui os mesmos atributos do azul, porém soma-se tranqüilidade,
compreensão e frescura.
Azul Marinho ou Azul Escuro (Índigo): Também possui as mesmas características
comuns do azul, porém esta cor é considerada uma cor romântica, talvez porque lembre a
cor do mar, no entanto é uma cor que se associa a uma certa falta de coragem ou
monotonia.
Violeta, Lilás ou Roxo: É uma cor metafísica. É também a cor da alquimia e da magia.
Ela é vista como a cor da energia cósmica e da inspiração espiritual. A cor violeta e
excelente para purificação e cura dos níveis físico, emocional e mental. Ajuda a encontrar
novos caminhos para a espiritualidade e a elevar nossa intuição espiritual. Traz poderes
mentais. Deve ser usada para combater a insônia. Simboliza a dignidade, devoção, piedade,
sinceridade, espiritualidade, purificação e transformação. Quando usada em excesso acaba
provocando manias e fanatismo. O uso de roupas violeta gera sentimentos como respeito
próprio, dignidade e auto-estima. Essa é a cor usada pelos sacerdotes católicos para refletir
santidade e humildade. Em virtude da sua riqueza, ela também está associada com o
monarca, a extravagância e a prosperidade. Muitos artistas preferem essa cor para suas
roupas, talvez por causa das suas qualidades espirituais ou criativas.
Magenta: Contém algumas das características do vermelho e do rosa. É a mais
refinada e sutil dentre todas as cores, o magenta transmuda desejo em seus equivalentes
físicos. Dedicação, reverência, gratidão e comprometimento são características atribuídas a
essa cor, cujo empenho é expressar o idealismo em sua forma mais pura. A cor magenta é a
última do espectro, trazendo consigo um grau elevado de compreensão e maturidade, em
conseqüência da sua passagem por todas as outras cores. Habilidade administrativa é uma
de suas características, junto com grande compaixão. O magenta é uma cor protetora e
nutriente, quente e suave, cuja expressão mais elevada é o amor espiritual ou
incondicional. Dentro de seus aspectos desfavoráveis pode gerar a energia da
superioridade, que tende a levar ao esnobismo, à arrogância e por fim ao isolamento. O
lado negativo dessa cor pode resultar num comportamento fanático, monopolizador e
autoritário. Falta de amor próprio, desprezo pelas necessidades alheias e insegurança estão
na faixa negativa do magenta. A auto-estima exacerbada pode resultar do uso indevido do
conhecimento e poder intrínsecos a essa cor. Vestir roupas dessa cor gera sentimentos de
suavidade, afetuosidade e docilidade. Ela estimula afeição e sentimentos como amor e
compaixão. Devido à contribuição do vermelho para a produção dessa cor, o magenta
também transmite uma mensagem sexual poderosa, que pode ser manipuladora num nível
sutil. Se você gosta de vestir-se com essa cor, isso pode indicar que quer expressar sua
sensualidade.
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14. PARAMENTOS DE MAGIA
Um mago realmente bem treinado é capaz de praticar a evocação mágica sem o auxílio
de paramento algum. Mas, como magos experientes são raros hoje em dia, é válida a
utilização desses instrumentos. A principal vantagem de se utilizar o método da magia
cerimonial, com todos seus paramentos, consiste em que, pelo uso e manuseio repetido, os
instrumentos mágicos passam a ter uma forte energia própria, o que permitirá ao mago, em
pouco tempo, fazer uso de seus paramentos sem que se esforce pessoalmente para obter
resultados mágicos nítidos. Na realidade, os paramentos mágicos só têm valor quando o
mago conhece plenamente seu simbolismo, pois os mesmos são apenas auxílios para a
consciência e a memória do mago. Da onde se conclui que todo o poder do mago pode
acumular-se nos ditos instrumentos de emanação. Dirigindo sua atenção para determinado
instrumento, as faculdades e poderes por esse instrumento simbolizados são trazidos à
mente consciente do operador. Portanto, quando o mago utiliza, em seu trabalho
cerimonial, determinado instrumento, ele obtém o contato desejado, sem qualquer esforço
especial de sua parte. Cada implemento mágico representa forças espirituais, leis e
qualidades:
Roupagem: É o conjunto de materiais que identifica, protege e classifica o mago dentro de
suas operações. Algumas delas não se tornam tão necessárias quanto outras:
Túnica: É a roupagem principal do mago em suas cerimônias. Simboliza a sua proteção
contra influências externas. Deve ser longa e confeccionada em seda, fechada de cima a
baixo.
Cinto: Simboliza o equilíbrio. Pode, também, ser uma faixa que prende pela altura da
cintura do mago.
Capa: Item dispensável, podendo usá-lo para fins de proteção contra intempéries
quando o mago for a campo. É importante que seja cômoda e que permita ampla
liberdade de movimentos.
Coroa ou Tiara: Símbolo da autoridade e dignidade do mago. Muitas vezes pode estar
associado ao grau que o magista possui, indicando um domínio ou poder.
Chapéu: Podem ser de vários formatos e estilos; a maioria (chapéus com ponta) tem a
função de canalizar as energias externas para a cabeça do mago, fazendo com que ele
se concentre melhor em suas operações. Outros tipos de chapeis têm a particularidade
de proteger a parte sagrada e principal do mago, que é a cabeça.
Bordados: Muitas vezes em uma escola, sociedade ou ordem de magia, é necessário
que o mago ou o iniciado tenha sinais ou símbolos bordados em sua roupa, coroa ou
cinto, pois representam a categoria, o nível e o poder que tem para com o mundo da
magia.
Calçados: Sandálias de couro são o ideal. Evita-se usar borracha e material sintético
nos pés, bem como, sapatos desconfortáveis e apertados; em alguns casos é melhor
ficar com os pés descalços, pois o contato com a terra em uma operação mágica pode
ser vital.
Pulseiras, Anéis e Colares: Esta parte de acessórios se faz necessário para proteção do
mago. Jamais deve se utilizar esses paramentos para fins de beleza e estética. Também
pode indicar um elemento de sintonia com seu mentor ou guia espiritual.
Armas Elementares: São os instrumentos mais importantes dentro da magia cerimonial.
Estão associados aos quatro elementos do quaternário sagrado que o mago deve dominar.
Antes de tudo, as armas devem ser consagradas como instrumentos de magia, cada qual
representando um elemento e uma força dominante do mago. Ao passo que estes

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instrumentos forem sendo utilizados, vai se imantando cada vez mais as forças
características delas. Existe uma incongruência a respeito do que se atribui para as armas
mágicas no que diz as escolas tradicionais de magia, portanto, certos elementos ficam
trocados para se ajustar melhor a função de cada uma, a saber:
Varinha de Comando ou Bastão Mágico: O mais importante paramento da magia
cerimonial. Considerando os antigos tratados de magia, a elaboração deste instrumento
apresenta uma enorme dificuldade de ordem prática. É necessário procurar um ramo de
aveleira silvestre, freixo, sabugueiro, salgueiro ou amendoeira de 40 a 50 cm de
comprimento, sem nós, com dois cm de diâmetro, o mais reto possível. Cortá-lo num
domingo de manhã, o mais perto do nascer do sol. Deverá ser entoada uma fórmula
mágica para a colheita. Enquanto o miolo estiver fresco, passar um fio rígido de cobre
de comprimento suficiente para que saia pelas extremidades (caso encontrar
dificuldade, aquecer o fio antes de introduzi-lo). Quando estiver cavado o canal interno,
introduzir outro fio de cobre de 5 mm de diâmetro, sobrando por ambas extremidades
uns 2 cm. Em uma das pontas deverá ser adaptado um prisma poliédrico ou uma pedra
lapidada (cristal branco ou transparente de formato piramidal), e na outra extremidade
deverá ser adaptado uma pedra de igual formato ou uma resina preta (ou qualquer
pedra negra); no centro do anel deverá ser colocado mais dois anéis (um de prata,
alpaca ou zinco, e o outro de ouro ou cobre). Poderá o bastão ser descascado, lixado e
pintado, sendo que numa das metades, na cor dourada e na outra metade, prateada.
Essa pintura deverá ser metalizada prateando a metade do bastão que contém numa
das extremidades a pedra clara até o centro (anel dourado), e dourando a metade da
pedra negra até o seu centro (anel prateado). Deverá ser impressos nos anéis e ao longo
da varinha sinais dos elementos correspondentes aos das vibrações ligadas com as
cores inversas. Sob a ótica de algumas escolas tradicionais de magia, é correspondente
ao elemento fogo, e segundo outras, este instrumento é ligado ao elemento ar e as suas
entidades correspondentes (arcanjo, inteligência e guardião). Existe um ritual de
consagração deste instrumento para dar poder ao mago, concentrando sua energia de
comando e exercendo certa influência externa.
Taça ou Cálice: Tradicionalmente e comumente ligada ao elemento água e suas
correspondências sagradas. Simboliza o conhecimento do mago como elemento vital
para adquirir sabedoria. Pode ser de vidro (cristal) ou de metal (prata). Deverão ser
grafados em seu corpo os signos correspondentes segundo a consagração a ser feita.
Punhal, Adaga e Espada: Tradicionalmente ligado ao elemento ar, e segundo algumas
escolas ao elemento terra ou ao fogo. As espadas podem ser de vários formatos e
estilos, o qual deverá ser escolhido segundo o gosto do mago. Ela corresponde à
execução magista em dois sentidos, o evolutivo (pra cima) ou o involutivo (pra baixo),
serve para as ações e execuções de acordo com a vontade do mago. Deverá ser
consagrada uma espada que corte dos dois lados ou duas espadas de diferentes ações.
Também deverão ser consagrados dois punhais ou adagas para trabalhos menores.
Deverão ser grafados nestas armas sinais ligados ao elemento fogo e suas
correspondências espirituais. Em alguns casos pode ser grafado na própria lâmina.
Tridente: Idem a espada, porém é mais adequada somente ao trabalho negativo
coligado com entidades afins.
Pentáculo: Tradicionalmente ligado ao elemento terra, porém algumas escolas o
associam ao fogo. Está referente ao elemento terra quando se utiliza o pentáculo com
função de receptáculo, um receptador de energias a fim de neutralizar emanações
negativas externas e concentrar toda a ação do trabalho magístico de forma coesa e
estruturada. É chamado de Pentáculo por possuir em uma das faces o signo do
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pentagrama com inscrições da magia tradicional do tetragrammaton. No caso do
pentáculo, é utilizado para a função de inscrever sinais cabalísticos e magísticos que
invocam ou evocam forças espirituais dinamizando e sustentando a vontade do mago
de realizar um determinado trabalho. O elemento que sintetiza e condensa para o
mundo material é a terra. O pentáculo é um receptáculo de forças que condiz com as
ações do mago e no que diz respeito a isso, deve se calar, comportar-se de maneira a
ser quieto e silencioso. Pois é nele que são impressos todos os segredos da execução do
seu trabalho magístico, é onde se movimenta a magia, onde tem início e fim (ponto de
apoio – referência). Os sinais que são impressos, tanto no pentáculo, como no
pentáculo seguem regras e conformidades com as escolas em que o mago é ligado,
representando seu universo de poder macrocósmico.
Lamen: O mesmo que o pentáculo, mas relativo ao microcosmo. Representa
simbolicamente a autoridade psíquica e intelectual, o grau de hierarquia que a força
invocada segue como lei, além da atitude e maturidade do mago. Expressa a autoridade
absoluta do mago ou da entidade.
Sigilo: Mesmo que o lamen, sendo símbolo de um poder parcial, um “ponto riscado”
simples que determina a natureza do serviço a ser desempenhado pela entidade ou
ordenado pelo mago.
Ferramentas de Suporte: São instrumentos consagrados para determinadas funções
durante o trabalho ou atividade magística:
Facão ou Faca de Arte: Não é utilizado para fins de execução magística e sim para
trabalhos de corte e recolhimento de matérias-primas e produção ou construção de
diversos produtos ou instrumentos. Deve-se ter uma faca ou facão específico para
colher folhas, plantas, arbustos ou ervas; em alguns casos haverá a necessidade de
utilizar faca de madeira para cortar alguns vegetais. Todas elas são devidamente
consagradas segundo sua utilização.
Caneta de Arte, Pincel ou Pó Mineral: É a ferramenta de escrita, igualmente
consagrada para determinados objetivos que envolvem a consagração de objetos. É
utilizada para traçar os sinais ou hieróglifos de consagração, imantação, invocação ou
evocação nos pentáculos, talismãs, lamen ou sigilos, ou simplesmente escrever (com
caneta tinteiro) em um diário os resultados obtidos. No caso do pó mineral (giz ou
pemba), pode-se fazer uma pasta adicionando óleo ou água, fazendo com que se torne
uma espécie de tintura.
Pirógrafo: Serve para gravar dizeres ou desenhos nos paramentos mágicos.
Diário Mágico: Caderno para que sejam relatadas todas as operações mágicas.
Livro dos Sonhos: Caderno para anotar as experiências oníricas e sonhos translúcidos
de grande importância para a conscientização do mago.
Turíbulo ou Braseiro: É utilizado para defumação do ambiente em que o mago se
encontra. Sua função em alguns casos é criar uma atmosfera adequada em que através
dos elementos defumados possa condensar a visualização de entidades espirituais
manifestadas. O melhor recipiente que não neutraliza os efeitos principalmente das
ervas, é o feito de barro ou cerâmica.
Queimador de Essências ou Richô: Deve-se adaptar um recipiente acima do braseiro
que permita colocar óleos, essências e água para poder extrair o vapor com o odor
deles.
Castiçais ou Portas-Vela: Utilizado apenas para fixar as velas de pé.
Lanterna ou Lamparina: Também chamada de "Lanterna Mágica"; é o símbolo da
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iluminação e entendimento.
Agulhas: Para costurar e bordar nas vestes mágicas.
Sino ou Chocalho: Serve para chamar a atenção dos seres de outros planos.
Tambor: Serve para induzir através do som o transe para algumas operações mágicas.
Altar: Para apoiar os paramentos mágicos.
Porta-Bíblia: Para apoiar o Diário Mágico.
Armário: Para guardar os implementos mágicos.
Instrumentos Divinatórios: Segue uma série de recursos em que se utiliza na execução da
magia cerimonial:
Bola de Cristal ou Copo da Vidência.
Espelho Mágico: A mais importante ferramenta da magia oracular. Permite a
visualização de outros planos e esferas. Pode substituir ao triângulo mágico. Nas obras
de Franz Bardon encontram-se instruções sobre sua preparação e utilização.
Círculo Mágico: Simboliza o infinito. Representa simbolicamente o micro e o
macrocosmo. O mago, em seu centro, representa Deus, comandando o universo.
Triângulo Mágico: Simboliza a tridimensionalidade; possibilita a manifestação física
de entidades espirituais.
Oráculos: São os diversos métodos de acesso divinatório ligados às antigas tradições
que permitem buscar respostas e soluções espirituais. Ex.: Tarô, Ifá, Geomancia,
Astrologia, Runas, I Ching, etc.
Elementos e Produtos: Sal (para exorcismos e purificações), Incenso (para ser
queimado durante os rituais), Óleos e Essências, Água, Sangue, Cera e Tinta.

15. O DIABO
Também é conhecido sob o nome de o “Pai da Mentira”, “Satanás”, “Satã”, etc. É uma
imagem considerada a personificação do mal, da mentira, da negação, da ilusão. É uma
figura mítica que envolve um conjunto de crenças. Exerce um profundo fascínio, mesmo
para aqueles que possuem uma forte vontade pentagramática. As Tradições em geral
concordam com o fato de que todo o mal se origina a partir de uma existência isolada, ou
simplesmente através do “egotismo” (importância exagerada ao ego ou a própria
personalidade). Quando esta importância do ego é eliminada, o homem se transforma num
ser reintegrado ou liberado. Esta causa do mal tem origem na queda do homem, cujo fator
responsável e principal, é a “ignorância” humana. Já dizia Cristo: “...conhece a Verdade, e a
Verdade te libertará”.
Existe uma outra figura mítica relacionada com o diabo: o “Baphomet”. Esta imagem
foi corrompida pela Igreja Católica; antes disso, foi utilizada largamente pelos cavaleiros
templários como símbolo de força (egrégora). Pelo método cabalístico do notariqon, a
palavra hebraica Baphomet é lida como “Temohpab” (ao contrário - “Templi Omnium
Hominum Pacis Abbas”), que significa o “Sacerdote do Templo da Paz para todos os
Homens”. Os cavaleiros templários usaram essa expressão para identificar o turbilhão
astral individualizado que, quando direcionado com habilidade, pode efetivamente levar os
homens ao caminho da paz interior e do auto-aperfeiçoamento. Os cavaleiros sonhavam
com a criação de um reino de paz e união de todas as nações, e que, para alcançarem esse
objetivo, direcionaram todos os meios e poderes de sua egrégora representados na figura.
Mas, de acordo com a história, a imagem da divindade astral foi destruída pelos agentes da
inquisição no tempo do Papa Clemente V.
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A imagem que se tem no arcano XV do tarô é a imagem criada por Henry Kunrath
(1560-1605 - médico, alquimista e cabalista alemão que difundiu as obras de Paracelso e
os ensinamentos rosacruzes, e que criou a figura do andrógino, representação do bode de
Mendes, o Baphomet dos Templários, mencionado por Eliphas Levi), cujo simbolismo é
quase idêntico ao Baphomet. A combinação dos símbolos expressos na figura do Baphomet
(o Grande Andrógino) resulta na solução de muitos problemas enigmáticos sobre o mistério
da realização. A tradição não revela maiores explicações sobre o assunto, pois é de caráter
individual e com esforço próprio que o iniciado pode descobrir por si só o efeito desta
revelação.

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16. A INICIAÇÃO NA MAGIA
Segundo algumas escolas, existem diversas etapas na iniciação como provas de
superação, onde deve ser testada a coragem do mago, seja branco ou negro. As provas
“físicas” dão condições ao iniciado de enfrentar seu próprio medo sem perder a cabeça ou o
controle. A prova do “fogo” consiste em passar por este elemento (em uma fogueira) sem
medo de se queimar; a prova da “água” consiste em nadar em águas agitadas do mar ou de
um rio; a prova do “ar” consiste em subir em locais altos e de cima, olhar para baixo, tendo
seus pés como único ponto de apoio em um espaço mínimo para eles; geralmente, usa-se a
subida em montanhas, precipícios ou mastros de navios, com esse objetivo; a prova da
“terra” consiste em penetrar em passagens subterrâneas sem o conhecimento do seu fim;
pode ser realizada em cavernas desconhecidas e escuras. Além desses testes físicos, existe
um quinto teste aplicado para a superação do medo de espíritos, fantasmas ou aparições:
consiste em não ter medo de ir à noite a um local como cemitérios desertos, casas mal-
assombradas, florestas sombrias de difícil acesso, etc. Esse último teste físico pode
representar um medo místico por parte do iniciado, e um verdadeiro mago não pode ter
medo de cadáveres ou espíritos. O próximo nível de testes é relativo às experiências astrais
para o medo, o desejo e a consciência: para o medo no mundo astral, o candidato precisa
projetar-se para fora do corpo (através do método de magnetização projetiva) e enfrentar
monstros repulsivos, agressivos e maldosos criados especificadamente para esse fim; para
o desejo, o candidato deve ser capaz de suprimir o próprio desejo sexual, sob as condições
mais favoráveis possíveis, quando nada se interpõe à realização desse desejo; existem dois
fatores neste teste que o candidato é obrigado a superar-se: o primeiro diz respeito a
resistir ao prazer sexual que se aproxima; o segundo, é o candidato não se aproveitar de
suas conquistas para submeter a mulher à sua paixão. O terceiro teste é referente à
consciência do candidato, onde ele deverá cumprir qualquer ordem recebida e mantê-la
confidencial; onde deverá guardar segredo diante de qualquer tentação; onde deverá
prestar atenção em uma determinada instrução, sem desviar-se do objetivo proposto; onde
não deverá trair a intenção pessoal de alguém; tudo isso sob condições de segurança
completa e ausência qualquer de punição no caso de fracasso, assim como na presença de
uma grande tentação. Se em ambas as escolas de magia (branca ou negra) esses testes são
semelhantes a nível externo, em seu caráter interno é muito diferente. O candidato à mago
negro terá outros objetivos para vencer estes testes, se aliando ao mal, se especializando
nas artes da obscuridade e das trevas. Já o candidato à mago branco deverá aliar-se ao
bem, visando sempre a luz e a evolução em detrenimento da sua própria comodidade e
egoísmo.
Existem diversos modelos de processos iniciáticos, tanto quanto existem as suas
escolas ou filosofias. Em todos os casos, o processo iniciático para acontecer é necessário
ter um condutor, uma relação do tipo mestre-discípulo, ou sacerdote-iniciado. Dentro deste
esquema o mestre iniciático nunca abandona seu neófito. Estabelece-se, portanto, uma
relação de dependência, que para andar neste caminho, tem de haver um guia encarnado. O
processo iniciático acontece, geralmente, em três níveis:
O 1º nível é a “iniciação física” que se subdivide em mais três níveis; o sub-nível
relativo à parte física é relacionada às provas de caráter dos elementos e seus domínios
(provas de coragem); o segundo sub-nível é relativo ao astral onde o candidato passa por
provas de influência fluídica e magnética; o terceiro sub-nível é relativo ao mental, onde a
prova e oral ou escrita seguindo os ensinamentos daquela tradição.
O 2º nível é a “iniciação astral”. Nesta ocasião o candidato passa por diversos rituais
que vai desde sua preparação física (dieta alimentar), passa pelo batismo, pela

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consagração, imantação de forças e depois a experimentação e vivências astrais (projeção
astral).
O 3º nível é a “iniciação mental”, onde o candidato passa para um nível superior de
aprendizado, para poder adquirir a “sabedoria” e o “amor universal” por meio do
Hermetismo Ético.
A auto-iniciação difere do processo iniciático somente em termos da relação mestre-
discípulo. Contudo, o neófito deve buscar em si mesmo o “mestre interior”, o seu guia no
astral e seu protetor. Também se faz necessário estabelecer regras de conexão com a
verdadeira tradição, aquela vinculada à sabedoria contida no tarô. Naturalmente o trabalho
e o desenvolvimento do neófito requerem um maior esforço por parte do iniciado. Existem,
de acordo com os ensinamentos da Tradição Hermética que o estudante se desenvolva
simultaneamente em nove ciclos, ou seja, seu progresso acontece em paralelo e não em
seqüência. Esses nove ciclos são programas de desenvolvimento que atinge todos os níveis
de aprendizado possíveis de obter pela auto-iniciação. São elas:
Eliminar todas as formas de covardia física;
Eliminar todo o tipo de indecisão;
Eliminar os remorsos e lamentações retrospectivos ligados a atos e acontecimentos que
não podem ser mais alterados;
Lutar, o mais possível, contra a superstição;
Lutar, o mais possível, contra o preconceito;
Lutar, o mais possível, contra conjunturas;
Alcançar uma boa forma física e cuidar da saúde tanto tempo quanto possível. Nada
deve ser negligenciado;
Alcançar, igualmente, uma boa forma astral. Isso significa esforçar-se pela já
mencionada “harmonia espiritual” e, externamente, por uma classificação e conhecimento
exato dos seres astrais e suas manifestações;
Organizar-se mentalmente; ter clareza, a absoluta contemplação metafísica e plena
consciência da própria origem de sua emanação que está no arquétipo.

17. CAPACIDADES PSÍQUICAS OU MEDIÚNICAS


Existem diversas capacidades psíquicas que o magista pode praticar segundo o curso
da sua iniciação. Uma capacidade psíquica é também considerada uma forma mediúnica de
despertar seus poderes.
A psicometria é uma capacidade psíquica que um médium-magista tem quando ativa o
seu sexto sentido (o ódico), entrando em contato com o duplo astral de diversos objetos
inanimados ou animados, assim como a aura humana e o corpo astral de outros seres. É
possível perceber através da concentração passiva (método do estado meditativo em que
somente se observa através da imaginação astral) todo o processo histórico que foi
produzido ou criado qualquer objeto, as emoções e sentimentos impressos em seu campo
astral, assim como na aura humana, pode perceber o que estar por vir. Este estado de
concentração passiva permite que entidades utilizem fluidos para nos dar informações e
expressar através da mente deles próprias, suas idéias.
A auto-sugestão também é uma capacidade mediúnica. É um poder que pode ser
livremente empregado e oferece resultados muito claros e definidos. Trata-se de uma prece
consciente, um pedido feito para si mesmo em ocasiões que precisaria enfrentar ou superar
algum obstáculo, como uma prova de seleção, ou uma entrevista para um emprego.
Funciona da seguinte maneira: utiliza-se o método de concentração ativa com o emprego
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da imaginação astral, ou seja, escreva uma fórmula ou frase que diga exatamente como
deve estar no momento da situação em que deve passar; pronuncie sob a forma de oração
ou prece desejando para si mesmo alcançar o objetivo proposto; mantenha-se em estado
meditativo e comece a criar imagens ou clichês sob uma determinada forma simbólica; esta
forma se transforma em um pentáculo ou pentagrama vivo (entidade astral sob sua própria
vontade) e se dirige para o determinado propósito que é fazer passar pela situação em que
requer ajuda.
Existe uma faculdade mediúnica inerente a todos nós, mas que é essencial para o
médium-magista: a projeção astral. Esta pode ser consciente ou inconsciente, conforme o
desenvolvimento do indivíduo. A projeção da consciência para o plano astral é um fator
natural que ocorre toda noite quando dormimos. O duplo etérico se desloca para que o
corpo astral possa sair do corpo físico e levar consigo a consciência (espírito), mesmo que
dormindo ou em um estado letárgico. O problema de exteriorizar a consciência desperta ou
lúcida está aí; temos, naturalmente, a tendência a dormir, em vez de aproveitar a viagem
para se tornar ativo em outro plano. A única diferença em relação à morte é que quando
ocorre este fenômeno no momento do sono, estamos ligados por um cordão vibratório
chamado de cordão de prata. Essa cor prateada é característica da sua constituição
energética formada em parte, pelo duplo etérico e pelo corpo astral inferior. Ele liga o corpo
astral (que sai da parte posterior da cabeça) ao corpo físico em três centros ou plexos. Tem
a função de transmitir os nutrientes absorvidos pelo corpo astral alimentando e renovando
as energias estruturadas no corpo físico. No caso da morte este cordão é rompido e a vida
começa a cessar no corpo físico. Todo o exercício que tem como conseqüência o cessar da
ansiedade acerca do funcionamento normal de algum órgão ou de um grupo de órgãos, ou
acerca das influências do meio ambiente sobre os sentidos físicos, ajuda de maneira
eficiente nas práticas de projeção do astrossoma. São eles:
Meditação sobre o axioma: “O que o mantém escravo do próprio corpo? Apenas o seu
apego a ele, o medo de perdê-lo, o seu desejo de viver dentro dele?”. Aqui entra também
outros tipos de meditação: sobre acontecimentos que supomos estar distante, no espaço e
no tempo; sobre detalhes de ações dentre os quais somos capazes de formar uma idéia
geral criada por dados incompletos fornecidos por um dos nossos órgãos dos sentidos;
sobre coisas e acontecimentos imaginários (viagens); sobre a outra vida (no astral) que
poderíamos ter com mais liberdade e sem as limitações que o plano físico oferece.
Preparar um diário onde irá anotar todos os sonhos que tiver ou se lembrar assim que
acordar. Fazer o exercício também, da retrocognição, onde irá lembrar-se de todos os passos
que realizou no dia anterior de trás para adiante.
Cansar os órgãos físicos, sem se curvar às suas reações; resistir aos próprios desejos
físicos e até mesmo às necessidades físicas básicas.
Desenvolver o desapontamento com os prazeres físicos através da própria força de
vontade exatamente no momento de experimentar esses prazeres; deverá evocar esses
prazeres sem experimentá-los com os órgãos dos sentidos.
Respirar de maneira cíclica conforme a filosofia do hatha e raja iogas bem como, os
exercícios de prender a respiração, e a utilização do método da respiração do kundalini.
Dentro deste processo respiratório realiza-se um outro exercício, o da modificação
deliberada do ritmo dos batimentos cardíacos.
Circular energia através da absorção energética dos chakras em especial a do baço
(centro responsável pela projeção da consciência).
Realizar exercícios de concentração energética dos chakras em uma posição agradável e
por longo tempo. Este exercício tem o propósito de adquirir a abstenção do sono e a
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capacidade de dormir segundo a própria vontade, bem como a isolação perante as
influências externas.
Realizar exercícios de concentração para ativar os sentidos ocultos (extrafísicos:
clarividência e clariaudiência), através das impressões recebidas por imagens e sons. Entra
aqui também, os exercícios de telepatia, ou seja, da transmissão de figuras geométricas
básicas através de uma pessoa à distância, e os exercícios de meditação e concentração nas
mandalas mentais geradas como fatores de isolação dos sentidos.
Através dos exercícios de respiração desenvolver a técnica do “balonemant”, até
provocar os estados de letargia e catalepsia. Também entram nesta fase de exercícios,
elementos que auxiliam na provocação ou expulsão do corpo astral, que é a utilização de
drogas que alteram o estado da consciência, favorecendo o transe mediúnico (folhas de
coca, chá da folha da jurema, bebida do Santo-Daime, etc.).
Invocar através de orações a assistência de uma egrégora poderosa ou de guias que
possam conduzir a experiência extracorpórea.
Pedir ajuda a uma outra pessoa para utilizar a técnica de hipnose (magnetismo) como
método de exteriorização do astrossoma.
Utilizar determinados setras e mantras como ativadores dos chakras das funções de
exteriorização astral.
Organizar uma corrente de pessoas com a intenção de provocar magisticamente e
através da mediunidade a projeção da consciência de um indivíduo.

Existe uma outra capacidade comum a todos os médiuns-magistas que os possibilitam


entrar em contato e atuar no plano astral. É quando ele se encontra no “estado passivo
para sintonizações astrais”. A sintonia astral é o ajustamento de correntes de energias do
corpo astral de um indivíduo com as correntes de energias astrais de uma egrégora. Essa
sintonização afeta diretamente os chakras astrais que ressoam as vibrações para os
chakras etéricos, afetando diretamente o sistema linfático do corpo físico humano. O
contato com os organismos astrais existentes (entidades vivas e representantes de uma
corrente egregórica, como o Baphomet) pode ser feito de acordo com a escala vibratória dos
chakras de um indivíduo (sutil, mediana e densa). Essa sintonização de nossos
ressonadores astrais (chakras) em uma escala vibratória desejada surge como resultado de
um longo e tedioso trabalho (meditações, purificação da consciência, exercícios de
desapego e de concentração). Caso o ajuste for positivo, ou seja, de fato ocorrer, as
correntes vibratórias do corpo astral de um indivíduo estimulará o complexo vibratório do
próprio Baphomet, unindo-se a sua egrégora (correntes de energia vibratória dentro da
escala dirigida). No sentido contrário, o astrossoma de um indivíduo estaria sendo
vampirizado pela egrégora. O único meio comprovado para entrar em contato e se ajustar a
uma determinada egrégora, é através do “monoideísmo”, que é o estado da alma ou do
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astrossoma dotado de um organismo psíquico (parte sensível do corpo físico), que se acha
dominado por uma idéia central (a mais importante). Se colocarmos uma determinada idéia
em primeiro lugar no reino de nossa atividade mental, a criação dos turbilhões realizáveis
torna-se muito fácil e efetiva. “Um pensamento fortemente criado por alguém em
meditação numa distante caverna na Índia, ou num quarto silencioso em uma cidade
qualquer do Ocidente, pode ter repercussões em qualquer parte do planeta”. Essa afirmação
é simplesmente natural, quando sabemos e concordamos que não há energia perdida na
natureza. Assim, o método de aplicação do monoideísmo leva ao estabelecimento de
determinados objetivos, ou alvos, que são colocados em primeiro lugar até que sejam
alcançados, neste ou em outro plano. Esta é a essência do monoideísmo. Pela concentração
em qualquer coisa, simplesmente damos preferência absoluta a algum pensamento,
sentimento ou ação, acima de qualquer outro. A concentração sendo a raiz de todos os
métodos, talvez seja mais exigente em suas aplicações ou mais científica do que qualquer
outra prática oculta. O tanto que o próprio hermetismo antecipa em seus adeptos um certo
grau da capacidade de se concentrar.
O próximo passo no monoideísmo será a preparação da formação astral pertencente à
monoidéia dada. Isso significa que essa forma astral deve ser construída a partir das
células (correntes ou turbilhões astrais) de nosso próprio corpo astral, com a adição
daqueles organismos astrais do plano exterior que formos capazes de vampirizar (usufruir).
Isso significa que a corrente (turbilhão) da forma astral desce da monoidéia até o seu ponto
de apoio no plano físico e, ao ser refletido (ressonância magnética na parte mais densa),
ascende novamente até o seu ponto de origem, apoiando e fortalecendo, dessa forma, a
monoidéia diretora de suas vibrações.
Outra capacidade psíquica é a “sensibilidade astral” ou “mediunidade projetiva”. O
desenvolvimento da sensibilidade astral para a magia operacional é de fundamental
importância para o sucesso desejado. É através dos exercícios basicamente, de
concentração e meditação (também de despertar da consciência na exteriorização do
astrossoma), que os diversos fatores da sensibilidade astral de um indivíduo se
desenvolvem. Esses fatores são métodos particulares que causam a transferência de
monoidéias através de seus subplanos da existência. Um exemplo de método é o da “auto-
sugestão”. O ajustamento ou sintonia da natureza da forma astral gerada pela monoidéia
com a natureza de Baphomet mostra seu desejo natural em comum de preencher o vácuo
da monoforma. Esta é a possibilidade de criação de auto-sugestão. Um indivíduo pode até
mesmo não acreditar que a operação de auto-sugestão terá sucesso e ainda assim a coisa
acontecerá, desde que não crie formas astrais opostas.
Outro exemplo é a forma passiva de “telepatia”. Limita-se à recepção de impressões
externas, como luz (imagens), som, odor, sabor e sensação tátil; em suma, é tudo o que os
cinco sentidos levam à consciência. Além disso, existem outras impressões telepáticas que
se pode perceber, como: pensamentos, sentimentos, emoções e instintos. O processo de
telepatia à distância se dá a partir da sintonia entre os astrossomas dos elementos ativo e
passivo. Para uma eficiência nesse processo, aplica-se o monoideísmo na interação astral
em uma hora previamente combinada. É claro que a recepção torna-se mais fácil à medida
que ocorrem mais experiências entre as duas pessoas envolvidas.
Outro método particular é a dos exercícios psicométricos, onde os ocultistas usam o
contato do astrossoma com certos objetos, de maneira a capturar da aura de tais objetos
alguns clichês de influências astrais a eles relacionados. Os resultados das experiências
psicométricas dependem da presença de vibrações semelhantes às desses clichês no
astrossoma do operante. O fator mais importante na sensibilidade astral de um

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determinado astrossoma para o recebimento de impressões exteriores é o conhecimento das
leis que governam a submissão de uma vontade humana a uma outra vontade e vice-versa.
As capacidades de psicometria, telepatia e de auto-sugestão estão escondidos (latentes)
em todos os seres humanos. Em alguns, essas capacidades já estão manifestadas, em
outros, estão muito próximas disso, mas o desenvolvimento imperfeito das células
(turbilhões) correspondentes em seus cérebros impede a manifestação imediata. Neste caso,
para estimular a sensibilidade, pode se fazer massagens em certos pontos da cabeça do
indivíduo, facilitando assim, a sua manifestação. A influência ativa do organismo
vibratório de Baphomet, como uma entidade viva no astral (microcosmo), baseia-se na
produção de vibrações na consciência de um indivíduo. O microcosmo tem a possibilidade
de aumentar a amplitude de suas próprias vibrações, tornando-as mais duráveis. Além
disso, pode, sob certas condições (concentração), através da estabilidade de sua escala de
vibrações, até sintonizar adequadamente outros astrossomas, intimamente relacionados a
ele próprio tocante à sua natureza e constituição. Pode, também, atrair para a sua corrente
egregórica astrossomas similarmente sintonizados de seu meio ambiente, embora numa
amplitude de vibrações menos freqüente. Quanto maior a escala do astrossoma que opera,
mais numerosos serão os órgãos de Baphomet influenciados e envolvidos, isto é,
vampirizados. Por outro lado, quanto maior a amplitude de vibrações no astrossoma do
operante, mais alcance terá a transmissão da influência de suas vibrações. Em ambos os
casos, o astrossoma está em posição de aumentar seu acúmulo de energia e,
conseqüentemente, seus meios realizáveis. O trabalho “ativo” consiste em criar as
egrégoras, enquanto que o trabalho “passivo” ajusta (une ou sintoniza).
Na telepatia, o operante (a parte ativa) intensifica suas vibrações na esfera
relacionada, imaginando claramente (concentração) o estado de espírito, imagem,
pensamento e outros elementos desejados. Além disso, apanha e seleciona determinados
seres do plano astral do mesmo tipo que o seu (sintonizados), remagnetiza-os
harmoniosamente, e forma com eles uma corrente dirigida por sua monoforma de instrução
egregórica (essência, objetivo e sentido da existência ou forma astral da egrégora). O
operante utiliza sua própria energia e a energia da corrente, sintonizando de acordo com
elas o astrossoma do paciente (a parte passiva), pronto para operar neste, com o objetivo de
acordo com sua monoidéia. Sendo assim, Baphomet se movimenta de cima para baixo
(corrente descendente) e de baixo para cima (corrente ascendente), dentro dos padrões
sefiróticos do processo diabático duplo de telepatia. O apoio para uma operação como essa
pode vir de imagens ou figuras geométricas, contempladas pelo operante, de seus gestos,
correspondendo aos estados de espírito transmitidos, de um olhar penetrante dirigido à
fotografia do sujeito (a parte passiva, o paciente), etc. Para as experiências psicométricas, é
importante que o operador se sintonize em uma escala ou amplitude de ressonância
possivelmente maior, que faça parte dos clichês provavelmente encontráveis no campo
magnético (aura) do objeto. Devido ao caráter acidental desses clichês, o operante deve
desenvolver a sensibilidade mediúnica para quaisquer impressões em si mesmo. Em
operações de magnetismo ativo (forças e radiações ódicas = hipnose e auto-sugestão) se
utiliza da natureza de Baphomet para o preenchimento do vácuo que possa ocorrer durante
a construção de turbilhões ininterrupta. O operante deve refrear-se também, para não se
envolver em aventuras. Quanto mais poderoso e desenvolvido for o astrossoma do
operante, maiores serão os detalhes para criar a imagem das manifestações sugestivas.
A divisão pentagramática de fluidos no homem é a cabeça (elemento neutro), braço e
perna direita (elementos positivos), e braço e perna esquerda (elementos negativos). Dentro
do sistema sefirótico decimal, a constituição fluídica do homem assume a seguinte
imagem:
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1. Sefirah Keter = emanações da região do terceiro olho (fluidos sutis neutros).
2. Sefirah Hokhmah = emanações do olho direito (fluidos sutis positivos).
3. Sefirah Binah = emanações do olho esquerdo (fluidos sutis negativos).
4. Sefirah Hesed ou Gedulah = emanações da mão direita (fluidos astrais positivos).
5. Sefirah Gevurah ou Gueburah = emanações da mão esquerda (fluidos astrais
negativos).
6. Sefirah Tiferet = emanações do plexo solar (fluidos astrais neutros).
7. Sefirah Nezah = acúmulo no pé direito (fluidos densos positivos).
8. Sefirah Hod = acúmulo no pé esquerdo (fluidos densos positivos).
9. Sefirah Yesod = emanações dos órgãos sexuais (fluidos densos neutros).
10. Sefirah Malkut = mundo isolado da matéria densa de natureza variável.
Na eventualidade de sermos atacados de repente por uma pessoa, por um animal, ou
por uma forma de vida qualquer, onde não temos tempo de usar meios físicos de defesa ou
quando estes se revelam inadequados, podemos lançar “bolas astrais” que paralisam o
inimigo, provocando danos à sua saúde ou simplesmente impedindo de agir. Pela cabala
tradicional essa autodefesa ocorre da seguinte maneira: juntar o máximo possível de
fluidos negativos do astral do pé direito; adicionar a esses fluidos, os que podem ser
fornecidos pelo plexo solar e pelos gânglios secundários do lado esquerdo do corpo; da
mesma maneira, concentrar o máximo possível dos fluídos polarizados de ambas as mãos;
adicionar o acúmulo dos fluidos negativos da mão esquerda já concentrados no primeiro e
terceiro procedimentos; projetar todos esses fluidos contra o inimigo, usando as pontas dos
dedos e a palma da mão esquerda. Esse é o procedimento da emissão de fluidos negativos
para a autodefesa. Em situações de controle sobre pessoas bastante resistentes também
podem projetar fluidos negativos partindo da mão esquerda do operador sobre a cabeça do
paciente. A conseqüência desse processo se dá em três fases: excitabilidade (ansiedade),
moleza dos membros (perda da força ou motivação) e paralisia geral (estado cataléptico). A
transmissão de fluidos positivos pode ser feita com a mão direita sobre a cabeça de um
paciente ou com o olhar direito. Também pode efetuar a transmissão da mão direita do
operante acima da mão esquerda do paciente, e a mão direita do paciente sobre a mão
esquerda do operador. Também oferece bons resultados na transmissão de fluidos positivos
quando o operante segura o polegar do paciente e vice-versa. Em passes normais
(magnéticos) também se projeta a mão direita e esquerda do operador no sentido da cabeça
até a parte inferior do abdômen do paciente (tanto à frente como atrás). Também podem
transmitir fluidos por sugestão à distância, ordenando que o paciente aceite os fluidos
positivos.
Um homem dotado de desenvolvimento e forças astrais pode influenciar diretamente
ou indiretamente o meio ambiente (macrocosmo) e vice-versa. Em ambos os casos, a
energia manifestada no objeto da operação deve ser mais forte do que a energia do
operante. Até mesmo as amplitudes dessas vibrações devem atingir patamares superiores
ao potencial próprio do operador. Em um círculo espiritualista comum, com uma corrente
adequada, o médium dirigente ou o mais ativo, pode usar dos fluidos de todos os membros
presentes e manipulá-lo conforme sua vontade, a favor ou contra alguém, que pode ser até
do mesmo grupo. Quando um orador se dirige a uma multidão, ele utiliza o mesmo
princípio para dominá-la. Claro, que nesse caso, o manipulador age mais no subconsciente
e através do seu carisma (força magnética de atração) do que conscientemente. Um outro
problema que se cria nesse jogo de influências é a relação de dependência com tais
correntes egregóricas de força já existentes no astral. Essa ligação é um meio ilusório de
obter poder de dominação sobre algo. Mesmo porque essa relação dependente cria
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dificuldades para as contrapartes densas (corpos) e conseqüentemente as envolvem em
sofrimento. Isso acontece devido ao karma ser o supremo senhor e governante dos homens.
O sucesso neste tipo de interação ocorre quando o operador se torna independente das
correntes, as quais submete o seu poder de manipulação. Existe, portanto, a capacidade de
capturar alguns órgãos determinados do macrocosmo (em posições nas quais esses órgãos
cumprem determinadas atividades especiais) que estão temporariamente enfraquecidos por
causa do deslocamento particular de seus gânglios (centros nervosos no mundo físico),
estando numa situação desconfortável, de forma a poderem ser obrigados por nós a realizar
nossa vontade (é o que se trata na magia cerimonial). Às vezes sintonizamos o mundo
externo (a natureza) com o nosso mundo interno (o arquétipo) de acordo com a nossa
própria vontade; mas, às vezes, o que acontece na verdade é o inverso, a própria natureza
molda a vontade humana dentro dos seus padrões. As operações mais interessantes a
respeito desta inter-relação homem-natureza é a manifestação da energia à distância,
quando ela nasce mediante a síntese plena de ambos os sistemas de manifestação (ativa e
passiva). Recomenda-se, portanto, que para exteriorizar o astrossoma (projeção da
consciência no mundo astral) com alguma vantagem para o homem, este deve estar
simultaneamente em condições de orientar-se no plano astral e de permitir que sua
influência se fizesse sentir. Orientar-se no astral, nada mais é, do que saber o que estamos
procurando. No mundo das formas (plano físico), onde os clichês são seres vivos, o
conhecimento está invariavelmente ligado à autoridade. No plano astral não há habitantes
que tenham familiaridade perfeita com as atividades de um setor da vida privada no plano
físico, onde existe autorização relativa ao segmento preposto. Tais fatos somente são
possíveis na vida de três planos, onde a manifestação inferior é a matéria densa e a
superior é a regente ou a autoridade. Somente no plano físico são possíveis tais anomalias
ou irregularidades de acordo com esse princípio, em que homens bons e sábios não têm
autoridade ou bens físicos, enquanto indivíduos de menor valor têm poder e riqueza. O
plano físico é o reino dos fatos, das ações, da manifestação concreta, final e limitante de
tudo o que existe acima (nos planos mais sutis). O plano astral é reino das emoções e
sentimentos, onde as leis universais governam os seres de acordo com o karma de cada
um. O plano mental é o reino da essência, do princípio das coisas, das criações e
nascimento de tudo o que existe e existirá algum dia no mundo físico. Não podemos,
portanto, nos confundirmos com o formalismo criado pelas hierarquias das sociedades e
culturas existentes no mundo das formas. A cada vez que temos que fazer algo com a vida
astral (vida em dois planos), somos obrigados a sermos legisladores e formalistas. É muito
fácil ficarmos a mercê de um clichê em especial, mas não é fácil encontrá-lo no astral, onde
tudo o que há no nosso mundo tridimensional, e muitíssimas outras coisas estão colocadas
em seu imenso espaço. Se tivermos que efetivamente, nos projetarmos para fora do corpo
físico, é melhor que escolhamos um propósito, um subplano definido com o qual podemos
ter mais familiaridade no campo de nossas experiências terrenas. Nosso monoideísmo deve
ser treinado para dirigir-se de acordo com a nossa escolha efetiva, não importa se o que se
trata é de um subplano inferior ou superior, mas ao mesmo tempo, não devemos perder de
vista a consciência em outros subplanos existentes. Porque, se perdermos a consciência de
nossas manifestações em subplanos inferiores, perderemos também nossos pontos de apoio
nesses subplanos. E a essa perda estará ligada a de nossa autoridade, do ponto de vista
ativo, e a da memória das coisas vistas, no aspecto passivo. Perder os subplanos superiores
significa perder a compreensão do que foi visto e, nesse caso, nem nossa autoridade
pentagramática, nem nossa memória terão para nós qualquer utilidade.
A utilização de drogas para a visitação astral é um método largamente empregado em
algumas tradições. Trata-se de fumar ópio, comer haxixe, ingerir mescalina e outras drogas
químicas que causam o efeito de alterar a consciência para os estados suprafísicos da
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existência. As drogas são, definitivamente, prejudiciais e sem utilidade, no sentido mais
real dessas palavras. Elas não podem ajudar e nem provocar expansão real da consciência
por serem apenas uma combinação de matéria física agindo sobre outra espécie de matéria
física, o cérebro. É a mesma coisa do que forçar a abertura dos olhos dos recém nascidos. O
que poderiam enxergar os olhos ainda não desenvolvidos? Somente uma imagem distorcida
do mundo, sem contar o prejuízo causado na própria visão ocular. É por esse motivo que
todas as descrições do estado de consciência e das visões obtidas por meio de drogas são
sem sentido, ilógicas e variam muito de pessoa para pessoa. Nenhum santo, verdadeiro
iogue ou ocultista jamais tentou ter algo que ainda não possuísse pelo uso de drogas ou
anestésicos. Isso deveria ser o bastante para nós, se estivermos buscando a luz e não os
prazeres ambíguos e as curiosidades de visões irreais, excitação ou sonhos que, no final,
inevitavelmente enfraquecem o indivíduo e o deixam frustrado, especialmente no momento
da morte física, quando as drogas não têm qualquer utilidade. A idéia de realizar uma
projeção da consciência pelos métodos naturais é a de visitar outros mundos enquanto
mestres, e não como pentagramas tímidos e ignorantes à mercê de quase todas as
artimanhas e entidades do plano astral. Os “visitantes ilegais” dessa espécie, isto é, os que
tentam usar meios artificiais (drogas, anestésicos e ervas) podem ver apenas o que lhes é
mostrado, e lhes aparecerão entidades que nem de perto são do tipo angélico; isso se o
visitante não for alguém santificado (iniciado nesses mistérios e possuidor de autoridade).
Mas os seres santificados certamente não utilizariam essas drogas para visitar outros
mundos e ainda sem autorização. Sabe-se bem o quanto pode ser enganosa e falsa a maior
parte dos clichês do astral inferior. E é somente a esse tipo de clichê que o homem comum
que não se desenvolveu através de qualquer treinamento oculto ou prática espiritual, e que
não tem poderes teúrgicos ou ao menos mágicos, tem acesso.

18. A SAÚDE
Este é um campo amplamente desenvolvido na magia e também, necessário. Conforme
o objetivo do médium-magista, deve-se aplicar diversas formas de alimentação ou dietas
alimentares, assim como a ingestão de certos elementos naturais para ativar a percepção
extra-sensorial. Em termos de dietas, existem as comidas macrobióticas, as com base nos
vegetais (vegetariana), as com base nos carboidratos, etc. A ingestão de gordura e carne
excessiva pode danificar o aparelho digestivo e dificultar o acesso espiritual. Algumas
ervas (ou preparos com diversas ervas) também estimulam a consciência do mago para
diversos fins, como para percepção extrafísica, projeção da consciência, incorporação, etc. O
que se deve ter cuidado é que alguns elementos podem ter efeito destruidor dos estímulos
nervosos e ao mesmo tempo viciosos (o corpo tem necessidade de ingerir doses para manter
o círculo vicioso), como o álcool, a nicotina, etc. A queima de substâncias naturais
(defumação) também favorece o mago em diversos aspectos e planos.

19. A ALTA MAGIA


É também chamada de magia do heptagrama. Os primeiros ocultistas utilizavam a
imagem simbólica de uma estrela de sete pontas (heptagrama), que poderia ser com a
ponta virada para cima (representação da magia evolutiva) ou para baixo (representação da
magia involutiva), segundo os princípios de realização magística. Esta estrela era composta
de sete sinais dos sete planetas mágicos dispostos em cada uma das pontas, sendo que
aquela que aponta para cima ou para baixo era a do Sol. Os hermetistas contemporâneos
transformaram este pentáculo em uma forma diferente, um quadrado encimado por um
triângulo ou ao contrário. Se os sete planetas são a representação das Causas Secundárias,
então devem existir as Causas Primárias em um plano superior. No mundo da Emanação
- 58 -
Divina existem as três Causas Primárias ou Princípios Divinos que geram as sete Causas
Secundárias ou o Setenário Sagrado. Essas Causas Primordiais são constituídas de três
elementos: o Neutro (Poder – Shiva: Princípio da Destruição), o Positivo (Consciência –
Bhrama: Princípio da Criação) e o Negativo (Conhecimento – Vishnu: Princípio da
Conservação). Esses princípios dão condições para se formar os sete tipos de coagulatos
(corpos planetários), em nosso sistema solar; os sete influenciam diretamente os seres
humanos que pertencem ao oitavo coagulato, a Terra. Existem mais dois coagulatos
ocultados pelo Sol (Urano) e pela Lua (Netuno). Os sábios antigos sabiam da existência de
mais planetas no nosso sistema, porém não determinaram estes, como diretamente
influentes. Assim como existem seres vivos nos reinos mineral, vegetal e animal na Terra,
podem existir também, nos outros planetas; talvez não em todos os reinos, mas sim, em
alguns dos planos superiores existentes. Os antigos classificavam as entidades dos sete
planetas mágicos ou seres planetários, assim como classificavam a existência de seres ou
entidades da Terra. Esta classificação varia conforme a cultura, pois eram, geralmente,
vinculadas aos diversos mitos da “Criação”. Existe uma infinidade de nomenclaturas que
define os tipos de divindades e suas funções, nos diversos planos de manifestação,
principalmente no que se refere à magia invocatória e evocatória. Existem as 7 Divindades
Superiores (deram origem aos corpos sutis do homem) e as 7 Divindades Inferiores (deram
origem ao corpo físico do homem); os 7 Arcanjos (regentes das hostes superiores), os 7
Gênios (regentes superiores dos elementos), os 7 Anjos (regentes das hostes intermediárias)
e os 7 Demônios (regentes das hostes inferiores); os 7 Príncipes (regentes dos reinos ou
mundos cabalísticos) e as 7 Divindades Elementares (regentes das forças da natureza); as 7
Inteligências Planetárias (espíritos do universo – os Lipika, que fazem a reconstituição
kármica), os 7 Deuses Olímpicos (regentes e construtores dos espíritos nos astros) e os 7
Espíritos Planetários (regentes e construtores da humanidade que animam astros – os
Dhyân-Choans), etc.
Dentro do ponto de vista operacional, a alta magia se executa na prática através da
chamada “magia cerimonial” ou “magia ritual”. A ritualística é um tipo de magia em que o
operante sozinho, ou com a ajuda de uma corrente, escolhe o momento e as condições
favoráveis para sua operação e obriga alguns órgãos de “Baphomet” (chakras astrais) a
produzir determinadas manifestações. Existem três fatores na constituição de toda a
operação de magia cerimonial:
1º. O Operante: onde o mago utiliza seu acúmulo de energia mediúnica;
2º. Os instrumentos e livros mágicos: utilizados para criar fórmulas de caráter de mantra
ou de setra para ajudar nas invocações;
3º. O pentáculo da operação: através do conhecimento do mago, deve escolher
cuidadosamente o tempo e o lugar da operação. Esse é o meio principal da operação, onde,
juntamente com os meios secundários são incluídos na formação do pentáculo.
Os pentáculos de operações astrais têm, geralmente, a forma de um círculo, chamado
de “círculo mágico”. A área deste círculo é traçada com uma “espada mágica” (neste caso, a
espada tem que possuir um isolamento na sua empunhadura); o círculo também pode ser
traçado com carvão ou giz consagrados. Um operante muito experiente também pode traçá-
lo apenas com a mão astral (com a imaginação no campo astral). Neste caso, o operante
deve possuir um poder de imaginação muito desenvolvido dentro do ponto de vista técnico,
que criará tudo o que precisa no plano astral. Em conexão com isso, o operante deve
conhecer o ponto de partida para o esforço de vontade que faz nascer as emanações e
fluidos. O nome desse processo é chamado de “poder de concentração” (pedra fundamental
e básica na realização humana e das operações de magia). Este é o único poder universal
que cria, destrói e perpetua. A emanação de fluidos precisa de um bom condutor, assim
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como a eletricidade. Por isso é que se utilizam metais, carvão ou giz para traçar os círculos
mágicos. O Círculo Mágico é então, uma esfera simbólica na qual o operante se sente
completamente autorizado a realizar sua ação, e, portanto, completamente protegido.
Nenhum inimigo pode penetrar no interior desta esfera, criada especialmente destinada ao
operante. Em seu interior há somente a influência e a radiação dinâmica dele próprio.
Também existem as entidades auxiliares que o ajudam; estas são dominadas pelo operante,
assim como existem as influências das correntes de protetores que o autorizam a realizar a
operação. Para esta autorização é necessária uma iniciação adequada, bênçãos,
ensinamentos e permissão. A área do círculo mágico é como uma cerca fluídica que separa
o operante de todos os acidentes e ataques de fora. Um sensitivo vidente pode ver
perfeitamente o círculo formado como uma cerca flamejante. O círculo mágico em sua parte
interna será preenchido com o a figura da cruz retangular do quaternário hermético. O
ponto central dessa cruz é o próprio operante onde governa e se sente a vontade no reino
da sua própria contemplação metafísica. A extremidade leste é considerada a fonte da
existência (a mônada) e deve ser grafada com o signo “alfa” (ou qualquer símbolo que
signifique o início). A extremidade oeste é considerada a finalização, os objetivos da ação
do operante e deve ser grafada com o signo “ômega” (ou qualquer símbolo que signifique o
fim). Além da contemplação interior do governo do operante, este deve se concentrar em
certas decisões e objetivos que pode criar o centro mental de comando e o ponto de partida
da operação. Uma vontade poderosa e inflexível, plenamente consciente de sua liberdade
pentagramática, que dirige todo o empreendimento, é o primeiro fator de sucesso. Também
deverá ser formado um outro círculo concêntrico ao primeiro com uma distância
aproximada entre 30 a 90 cm, o qual servirá de limite simbólico do plano mental da
operação concebida pelo mago.
Dentro do círculo interno da operação magística, o qual foi concebido pelo mago para a
sua atuação no plano mental, deverá ser caracterizado cabalisticamente pelos nomes de
Deus, que são manifestações sefiróticas de atividade do pentagrama no reino das fases
anteriormente estabelecidas do processo diabático. A tradição nos dá a escolha de 11
Nomes: Ehieh, Jah, Jave, El, Elohim, Eloha, Sabbaoth, Shadai, Adonai, Ab e Agla. Há
também um 12º Nome, Elhai, se o operante tiver coragem de usá-lo. Entre esses nomes,
escolhem-se quatro, que são colocados nos quadrantes do círculo mágico, obtidos pela
extensão dos braços de cruz hermética do interior do primeiro círculo. Normalmente os
nomes são separados um do outro por pequenas cruzes colocadas entre eles. A escolha de
nomes, e especialmente a adição do quarto nome aos três já escolhidos, depende de duas
leis usadas em magia cerimonial:
1ª. A escolha de nomes usados no círculo mágico depende dos objetivos da operação. Cada
nome expressa uma das virtudes de Deus. Sendo assim, analisando cuidadosamente o
objetivo da operação, um dos nomes se encaixará dentro do contexto da operação,
fornecendo a proteção necessária para ser utilizada.
2ª. A escolha do quarto nome fará com que o círculo mágico formule cabalisticamente e
adicionalmente, juntamente com os outros três nomes, o princípio da liberdade
pentagramática do operante.
Deve ser criado um terceiro círculo (astral) em torno do segundo círculo (mental), com o
propósito de influenciar magisticamente as egrégoras mais importantes do macrocosmo.
Este círculo desempenhará o papel de defesa contra as influências astrais prejudiciais. Se
antes o mago teve uma definição mental dele mesmo e do conjunto da operação, agora ele
deverá calcular com exatidão a função das “Causalidades Secundárias”, tanto nele mesmo
como na operação. Isso pode ser cabalisticamente realizado pelo uso dos anjos dos planetas
ligados a operação.
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Com esta correspondência, observa-se a necessidade da escolha correta do momento da
operação, isto é, da escolha certa do dia e da hora planetária. Observa-se, também que
todos os nomes dos anjos têm o mesmo sufixo “el”. No hebraico antigo, “el” tem um
significado próximo a “senhor”, denotando a grande autoridade do ser que ostenta este
nome. Aceita-se também, além desses nomes, palavras latinas (indicando hora, dia, mês,
ano e até fases da lua) que devem ser colocadas no interior do círculo.
Dentro das operações de magia cerimonial, não apenas se exige a comunicação com as
entidades invocadas através do “sexto sentido” (visão astral, clarividência), como ainda
sua manifestação física, acessível aos nossos cinco sentidos físicos. Portanto, busca-se a
materialização, na qual ocorre dentro de um complicado processo de vampirização inferior
realizado com a participação de elementares. Em condições normais, as invocações
envolvem principalmente os silfos, ou as correntes de elementares correlacionados com
esse grupo. Deve ser criado um quarto círculo magístico além do círculo astral, para poder
agir contra as influências danosas dos elementos semi-materializados da esfera exterior.
Neste último círculo costumam-se colocar os nomes dos representantes dos silfos nos
quatro quadrantes entre os pontos cardeais, sendo que o mais velho deles é colocado entre
o sul e o leste. A cada nome acrescenta-se a palavra latina “rex” (rei). Todas as outras
inscrições são em hebraico.

ELEMENTARES SILFOS
PLANETA DIA ANJOS
L/N N/O O/S S/L
Sol Domingo Michael Cynabal Andas Thus Varcan Rex
Lua Segunda-feira Gabriel Abuzaha Mistabu Bilet Arcan Rex
Marte Terça-feira Kamael Paffran Ismoli Carmax Sammy Rex
Mercúrio Quarta-feira Raphael Aercus Sallales Suquinos Modiath Rex
Júpiter Quinta-feira Sachiel ou Zadkiel (Zedekiel) Zebul Gutriz Maguth Guth Rex
Vênus Sexta-feira Haniel Flaef Abalidoth Amabiel Sarabotes Rex
Saturno Sábado Cassiel ou Shebtaiel Balidet Asseibi Abumalith Maymon Rex

A Tradição permite a presença de uma, três ou nove pessoas dentro do círculo mágico.
Quando estiverem mais de uma pessoa no interior do círculo, quem fala e dirige é o
operante (o médium-magista), mas pode haver assistentes ou assessores que podem
utilizar também, os instrumentos mágicos. Em alguns casos raros, onde o operante
principal é uma pessoa virgem (ou hermafrodita - ou ainda um casal, homem e mulher que
tenham se relacionado em todos os níveis), a contagem para este, vale como sendo de duas
pessoas. Em outros casos, uma ou mais pessoas podem ser substituídas por animais,
amarrados no interior do círculo, ou treinados de tal maneira a não deixarem o círculo em
quaisquer circunstâncias. De acordo com a tradição existe ainda uma operação “menor”,
onde o operante principal deverá permanecer no interior do círculo mágico durante todo o
tempo, mas seu assistente tem o direito de sair e entrar novamente. De todas as maneiras,
considera-se que todos os operantes tenham tido uma iniciação no quaternário hermético
(cruz do pentáculo) e na história da queda e reintegração do homem (por isso é que são
utilizados no círculo o “alfa” e o “omega”). Tudo isso exige uma preparação mística
obrigatória (de 3 a 40 dias, dependendo da seriedade da operação). Prescreve-se para os
animais uma cerimônia de purificação mística, com orações purificadoras e aspersão de
água consagrada.

- 61 -
O primeiro círculo do pentáculo da operação (círculo mental), o mago prepara sua
monoidéia através de longas meditações e consciência da liberdade pentagramática do
indivíduo. Em seguida, vem o círculo astral, onde o mago necessita do silêncio ou meio-
silêncio durante um período de tempo; ele elimina todas as impurezas e vibrações
desequilibradas dos pensamentos e sentimentos, fazendo surgir a vitória interior sobre o
mal (desenvolvimento das qualidades contra os vícios dos sete chakras ou potências
planetárias). Ainda dentro deste círculo observam-se as quatro extremidades da cruz
interna, lembrando os quatro instrumentos mágicos: o “cetro” (que serve para conduzir e
direcionar os fluidos dispersos); o “cálice” (que serve como ponto de apoio da imaginação,
favorecendo a concentração para formação de imagens puras e bem elaboradas); a
“espada” (que serve para dispersar ou dissolver as energias negativas ou impropriamente
condensadas pela imaginação do operador); o “pentagrama” (que serve de ponto de apoio
para o plano e objetivo da operação, fazendo com que o mago se lembre da sua liberdade de
atuar segunda a tradição o qual pertence). O próximo círculo, o círculo mais externo e
físico, é dos elementares, onde o operante se lembrará da necessidade da auto-preparação
planejada por meio de certas regras restritivas, como jejum, banhos com ervas, defumação,
estar com saúde em ordem, organização no dia da operação, etc. Também deve garantir-se
contra a intervenção de outras pessoas ou seres que possam ser seus inimigos. Portanto,
nos cantos do pentáculo, serão desenhados quatro pentagramas (com três pontas para fora
e duas para dentro), que servirão de defesa contra ataques súbitos, repelindo-os para fora
da fortaleza do mago. Também é importante saber de antemão de que lado os seres astrais
condensados ou materializados, podem aparecer. Sendo assim, antes, o operante estabelece
um local para as aparições, traçando a leste, externamente ao círculo, um triângulo regular
com o ápice voltado para fora, e nele inscreve-se o grande nome “Yod-Hé-Vau-Hé” em
hebraico, pertencente à esfera principal dos sefiroth involutivos que se condensam
posteriormente. Referente às Causalidades Secundárias, verifica-se a cor das roupas usadas
pelo operante, os metais e pedras à sua disposição, os setras e mantras que pode utilizar,
os aromas, ervas e extratos que serão queimados, evaporados ou aspergidos (a queima
desses elementos deve ser postos em um recipiente adequado em um pequeno pentáculo
especial ao sul do círculo externo, do lado de fora, mas próximo ao operador), e finalmente,
a cor do raio que será dirigido pela lanterna mágica para o espaço do triângulo do grande
nome. Essa lanterna também deve ser colocada ao lado de fora do círculo no sudoeste.
Os “grimoires” são livros manuscritos de magia ritual e natural da época medieval que
chegaram até nossos dias em diversos exemplares, e que estão conservados em algumas
bibliotecas européias. Para o magista, os grimoires são de excelente ajuda na realização
das operações mágicas, servindo de material didático. Os principais são:
O Sefer Yetzirá;
O Livro Tibetano dos Mortos;
A Clavícula Salomonis ou Chave de Salomão: grimoire mais conhecido, suspeito e
temido, chamado de “Livro do Diabo” na Idade Média, cujo autor foi o bíblico Rei Salomão,
filho de Davi;
O Grande Alberto: coleção de receitas de magia natural, atribuída a Alberto Magno,
doutor da Igreja;
O Lemegeton: também chamado de “Pequena Chave” ou ainda de “Livro dos Espíritos”,
da época da Inquisição, cujo autor desconhecido era um mago entre os mais importantes;
O Livro do Papa Honório: livro infernal erroneamente atribuído ao Papa Honório III;
O Grimorium Verum: manual prático que ensina, desde o princípio, a vasta e complexa
arte da magia negra operativa;
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O Grand Grimoire: atribuído a um certo “Antonio do rabino”, um veneziano, que
descreve um verdadeiro “pacto com o Diabo”, século XVI;
O Livro do Comando: livro popular associado ao “Livro do Diabo” e freqüentemente
utilizado por bruxas e feiticeiros;
A filosofia oculta de E. C. Agrippa: verdadeiro tratado de magia natural, cerimonial e
teúrgica;
O Enchiridion: livro de certa importância que contém diversas fórmulas cerimoniais de
magia prática operativa;
A Magia Sagrada de Abramelin – o Mago: texto de magia ritual que descreve uma
verdadeira cerimônia de auto-iniciação para entrar em contato direto com o seu próprio
anjo da guarda;
O Magus: obra publicada na Inglaterra em 1801 que reúne diversos livros precedentes,
enquadrados eu um esquema doutrinário precioso e integrados pelos complementos do
autor, Francis Barret;
De Heptarchia Mystica: descreve um sistema prático de comunicação com entidades
angelicais, da autoria de um médico elisabetano John Dee, em 1580;
Magick: obra principal de Aleister Crowley, que contém uma coleção de temáticas
associadas à magia;
A Magia da Golden Dawn: escritos e documentos oficiais desta Escola, reunidos e
reordenados pelo dr. Israel Regardie.
Esses livros não podem ser considerados como a palavra final em instrução e
construção das operações, porque não há operação mágica que possa ser identicamente
compreendida nem mesmo por dois operantes, a menos que ambos tenham se preparado
para ela em conjunto.
Para a confecção de talismãs e a consagração de outras ferramentas de magia, existem
infinitas correlações e classificações, de acordo com as escolas tradicionais dogmáticas ou
pragmáticas. Cada qual desenvolve métodos de acordo com a cultura e época de suas
vivências. Normalmente, seguem regras de influência astrológica comum a todos, onde os
astros atuam em maior ou menor grau de suas forças. Convém ressaltar que os astros
exercem suas influências a todo o momento, seja durante o dia ou a noite e em qualquer
localidade do planeta. Quando o mago confecciona ou consagra um instrumento, uma
ferramenta, uma arma ou um sigilo, sempre se utiliza dessas influências para caracterizar
o seu receptáculo de forças. Em geral, utilizam-se as correspondências planetárias
(seguindo tabelas abaixo) juntando com as fórmulas mágicas e simbologia aplicada. Essa
simbologia também segue princípios estabelecidos por escolas e métodos tradicionais.
Naturalmente, encontramos algumas associações feitas com os planetas de inúmeras
formas. Encontra-se nas tabelas seguintes quase todos os fatores e elementos
correspondentes aos astros, de acordo com a Tradição de algumas escolas ou filosofias.

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HORAS MÁGICAS DO DIA
HORA DOMINGO SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SÁBADO

1 Q R U S V T W
2 T W Q R U S V
3 S V T W Q R U
4 R U S V T W Q
5 W Q R U S V T
6 V T W Q R U S
7 U S V T W Q R
8 Q R U S V T W
9 T W Q R U S V
10 S V T W Q R U
11 R U S V T W Q
12 W Q R U S V T
HORAS MÁGICAS DA NOITE
HORA DOMINGO SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SÁBADO

1 V T W Q R U S
2 U S V T W Q R
3 Q R U S V T W
4 T W Q R U S V
5 S V T W Q R U
6 R U S V T W Q
7 W Q R U S V T
8 V T W Q R U S
9 U S V T W Q R
10 Q R U S V T W
11 T W Q R U S V
12 S V T W Q R U

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QUADRO DAS PRINCIPAIS DIVINDADES PLANETÁRIAS
PRINCIPES
PLANETAS KUMÂRAS DEVAS GÊNIOS ORIXÁS ARCANJOS INTELIGÊNCIA E.O.P.
DEMÔNIOS
DEUSES Linhas da ANJOS S. ORDEM QABALÍSTICA
M. O. LIPIKA ESPÍRITOS ESPÍRITOS MINISTROS
EGÍPCIOS UMBANDA ANJOS I. ORDEM dos ESCUDOS
Oxalá, Ashtaroth
Panchâshikha, Orunmilá e
Mârthanda Adônis Gabarael Nakhiel Och
Sana ou Sna todos Orixás Lúcifer
Funfun
1– Haioth ha
6- Melachim
Michael Kadosh (Santos
Q X (Reis)
Seres Viventes)
Oxalá – Povo Thuss, Andas, 6- Tageriron, 1- Thaumiel
Rama Sûrya Rá Pardael Sorath
do Oriente Cynabal Zomiel (Os (Gêmeos de
(Pardiel),
Disputadores, Deus, As duas
Hurtapel,
Árduos Forças
Auratapel
Instigadores) Combatentes)
Malkah, Be- Lilith
Yemanjá e Tharshisim, Velad
Kapila Soma Tao Raphael Phul
todas as Yabás Be-Ruachoth, Leviatã
Shechalim
9- Querubim
(Poderosos) 2- Aufanim
Gabriel
e 10- Ashim (Rodas)
(Almas de Fogo)
R Y Shad Barshemoth
9- Gamaliel,
Bilet, Mistabu, Nachashiel,
Krishna Chandra Ísis Yemanjá Há Shartra-Than, Obriel (Os
Abuzaha
Michael, Chashmodai Obscenos, Os
2- Oghiel (Os
Samael, Bileth, Obscuros)
Estorvadores)
Missaln e 10- Lilith
(Rainha da
Noite, dos
Demônios)
Ribhu, Hasmodat
Oxumaré,
Sanasujara, Buda ou
Astaphai Yewá, Exu, Yoriel Tiriel Ophiel
Sujata ou Budha Satã Belial
Ibeji
Ambhamsi
8- Beni-Elohim
S Z Indra –
Raphael
(Filhos de Deus)
Suquinos, 8- Samael Ordem Oculta
Buda ou Budha Akasha - Toth e Neit Yori – Exu Taphthartharath
Budha Sallalés (Veneno de das Serpentes
Miel, Seraphiel
Deus, Os
Mentirosos)
Xangô, Ayirá, Acham
Sanaka Brihaspati Eloi Mikael Yahphiel Bethor
Oiá Ashtaroth e Amaimon
4– Chasmalin (Seres
Zadkiel
V Háthor e
Resplandescentes)
Vamana Vayu - Guru Xangô Tachiel, Hismael Maguth, Gutriz
Tauret 4- Gosheklah (Os Golpeadores, Os
Cassiel,
Fraturadores, Os Perturbadores)
Asaiel,
Oxum, Ode, Baal
Ahura-Mazda,
Logunedé,
Sanatkúmara ou Ushanas Orai Ismael Hagiel Hagith
Oxossi, Paimon e Asmodeus
Karttikeya
T Ossanhe
Haniel 7- Elohim (Deuses)
Varuna - Amabiel, Aba,
Parasu Rama Ptah e Maat Oxossi Anael, Rachiel, Kedemal 7- Oreb Zarak, Qetzephiel (os
Shukra Abalidot, Flaef
Sachiel Corvos da Dispersão ou da Morte)
Nambroth
Sanâtara Mangala Sabaoth Ogum, Obá Samuel Graphiel Phaleg
Belzebu e Oriens
U Sekhmet e
Samael
Carmax, Ismoli,
5- Serafim (Serpentes de Fogo)
Narasimha Agni - Kuja Ogum Satael, Bartzabel 5- Golachab (Os Incendiários, os
Osíris Paffkan
Amabiel Queimadores com o Fogo)
Xapanã, Moloch
Sananda ou Jeová
Kshiti Obaluayie, Yramael Agiel Aratron
Sanandana Ildabaoth Magot e Ariton
Nana Burukú
W Zaphkiel 3- Aralim (Tronos)
Kubera, ou Anúbis e Cassiel, Abumalith,
Kurma Yorimá Zazel
Kuvera - Sani Bastet Machatan, Asseibi, Balidet 3- Satariel ou Satorial (Ocultadores
ou Destruidores)
Uriel

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QUADRO DE ASSOCIAÇÕES PLANETÁRIAS
PLANETAS Q X R Y S Z V U T W
Nº Ordinário 10 1 9 2 3 8 4 7 6 5
Nº Cabal. 6 1 9 2 8 10 4 5 7 3
Nº da Soma
666=9 - 3321=9 - 2080=1 - 136=1 325=1 1225=1 45=9
Total do QM
Nº da Soma
111=3 - 369=9 - 260=8 - 34=7 65=2 175=4 15=6
da FileiraQM
Polaridade + - N + - + -
Tattwas Addy Arupadaka Akasha Vayú Tejas Apas Prithivi
Energia
Espiritual Mental Astral Etérica Eólica Ígnea Hídrica Telúrica
Táttwica
Reg. Elem.
Espiritual Mental Astral Etérica Fogo Água Ar Terra
Primária
Reg. Elem.
Mental Espiritual Etérica Astral Água Fogo Terra Ar
Secundária
Reg. Elem.
Astral Etérica Espiritual Mental Ar Terra Fogo Água
Terciária
Reg. Elem.
Etérica Astral Mental Espiritual Terra Ar Água Fogo
Quaternária
Dia da
Dom Qua Seg Sex Quarta Terça Quinta Terça Sexta Sábado
Semana
Ponto
SE SO NE NO S O L N
Cardeal
Horário 9:00 - 12:00 18:00 – 21:00 12:00 – 15:00 0:00 – 3:00 15:00 – 18:00 3:00 – 6:00 6:00 – 9:00 21:00 – 24:00
Forma Triângulo Meia-Lua Quadrado
Ponto Traço Ovo Negro Círculo Azul
Táttwica Vermelho Prateada Amarelo
Círculo Estrela de Traço
Estrela de 8 Cruz ou Estrela de 7
Geometria c/ Ponto Ponto 9 Pontas ou ½ Triângulo Hexagrama Pentagrama
Pontas Quadrado Pontas
Central ou Círculo Lua
Turbilhão, Espada, Fig.Geométricas Serpente, Foice,
Signo da Lua, Caduceu Alado, Coroa, Cabeça
Símbolos Círculo, Cabeça de Regulares, “G”, Cabeça de
Cálice Cabeça de Cachorro de Águia
Homem Leão Pombo Bode ou Boi
Chakra Coronário Frontal Laríngeo Básico Cardíaco Solar Sexual Básico
Energia Sabedoria Amor Purificação Justiça Despertar Doutrina Iniciação
Poder Divinação Magia Elevação Conhecimento Perdão Vontade Regeneração
Atributo Fortaleza Respeito Entendimento Realização Sabedoria Justiça Conselho Pureza
Dons Sabedoria Razão Inteligência Piedade Coragem Respeito Compreensão
Vibração + Paciência Firmeza Esperança Atividade Humildade Gêneros. Reflexão Temperança
Vibração - Ira Leviandade Receio Inação Soberbia Egoísmo Imprudência Luxúria
Virtudes Fé Esperança Generosidade Justiça Pureza Temperança Prudência
Orgulho, Ciúme,
Vícios Inveja Gula Ódio Luxúria Cobiça, Avareza
Vaidade Possessividade
Vocábulo-
Paz Amor Verdade Justiça Perdão Igualdade Fraternidade
Luz
Saltério ou
Sacramento Eucaristia Confirmação Ordenação Penitência Matrimônio Extremunção
Batismo
Períodos da
Infância Puberdade Metanóia Desencarne Maturidade Adolescência Juventude Velhice
Vida
Uarada, Eamaka, Valaga, Pakasha,
Mantras Tana, Tanan Haba, Rakan Zaiatsa, Raokan
Shanatan Matam Qabashan Roasan
Neumas AÂME MUUÊÁÁ KAAÊÊ HAARAAÊÊ HÂÂNAÊÊ HAASIÊÊ HÂÂRIÊÊ
Som
ThaKaYaBan KaYaZan RaTsan ThaKaDan RaPaGan ThaKaOaMan ShaMan
Hermético
Letras T-N H–B Z - Y – Ts W–R-D E–M-C V–L-G P – K - Sh
Vogais I A E Y O H O

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QUADRADOS E SELOS MÁGICOS PLANETÁRIOS DO SOL, DA LUA, DE MERCÚRIO E DE JÚPITER

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QUADRADOS E SELOS MÁGICOS PLANETÁRIOS DE VÊNUS, DE SATURNO E DE MARTE

Correspondências Geométricas e Geomânticas aos EOP

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20. A MAGIA NEGRA
Também chamada de “enfeitiçamento”. Basicamente é o uso violento de recursos
astrais e físicos de um homem encarnado contra um outro homem, igualmente encarnado.
As influências mágicas sempre estão ligadas a certas manifestações nos planos astrais
físicos ou inferiores. O feitiço pode ter inúmeros objetivos: amor, doença ou morte, prejuízo
material, falência, eliminação ou diminuição de atividades lucrativas, etc. É exatamente
devido ao fato de que os resultados fazem parte dos subplanos inferiores do universo que o
próprio termo é usado no sentido de algo mau, e com razão. Trata-se sempre de uma
operação muito grosseira, que exige uma base sólida na matéria. Isso se realiza da
seguinte maneira: cria-se uma entidade involutiva (elemental) de acordo com o plano
cabalístico. O mundo criativo desse ser pertence inteiramente ao operante. Os planos
conseguintes devem penetrar, por suas influências, os mundos mental, astral e físico,
respectivamente. Deve haver uma sintonia dos elementos gerados para com as atividades e
funções a cada esfera de atuação, para que o operante possa arquitetar e dirigir as
influências adequadamente. Os planos inferiores devem ser de características comum a
todos os tipos de homens, pois a entidade vai poder interagir temporariamente entre os
mundos em comum (os três mundos inferiores cabalísticos) sem comprometer a causa ou o
seu criador. O próximo problema para o operante será a realização de uma sugestão
determinada, como “doença ética” para aquela parte do mundo criativo, parte artificial e
recentemente construída, que corresponde à individualidade livre da vítima (pentagrama ou
elemental). O operante sugerirá então a doença “formal” no interior da parte astral em
comum, que corresponderá ao conjunto de sensações do sujeito e, por fim, uma doença
física relacionada à parte física em comum do sujeito. O padrão geral é esse. É muito difícil
possuir completamente todos os três mundos do sujeito da operação. Mas não há
necessidade de tomá-los completamente; basta uma pequena parte. Essa parte é, então,
contaminada com uma doença colocada para que se espalhe o máximo possível pelos
órgãos da vítima, enquanto que os órgãos do operante, que penetraram no organismo
comum da entidade artificialmente moldada, são cuidadosamente protegidos. Ninguém
contestaria a insatisfação ética, devido a algum acidente, pode algumas vezes destruir a
harmonia espiritual de um indivíduo fraco; que formas erroneamente construída à sua
volta pode atingir o seu próprio mundo formal, e que o bacilo contagioso inoculado em uma
célula de seu corpo pode facilmente contaminar todo o seu organismo. Os elementos
deliberadamente infectados devem fazer parte de outros que representam o caráter,
construção ou secreções fisiológicos dos órgãos a serem afetados. Para o enfeitiçamento
ético de um homem ambicioso é importante inoculá-lo com elementos relacionados ao seu
próprio egoísmo. Para um homem que gosta das aparências estéticas, é interessante
introduzir um elemento de vergonha e fealdade (feiúra) em sua parte astral. Para os
enfeitiçamentos de morte, amor, doença, ódio, vingança, etc., é essencial afetar a sua parte
física (orgânica), pegando suas células sanguíneas, em lugar de, digamos, parte de sua
epiderme. É importante dar forma às partes não essenciais do mundo físico da vítima
assim obtidas, sugerindo uma espécie de realidade no mundo visível. Se o operante pode
somente obter um pouco de cabelo, fará uma figura de cera e fixará os cabelos à cabeça
dessa figura. Quando houver falta de material para a parte física do elemental, poderá
compensar com a confecção da parte astral com uma forma semelhante a vítima e com o
batizado com o nome da vítima. Se o operante deseja sugerir o medo a sua vítima, sem
saber exatamente o que realmente assusta a pessoa em questão, mas sabendo o que
confunde, o operante sintoniza todo o organismo artificial (elemental criado)
primeiramente com a confusão e depois adiciona o medo apenas como imagina. Quando o
medo for inoculado, o operante tenta subjugar todos os sentimentos de medo em si próprio.
Isso funcionará desde que ele próprio não seja suscetível de ficar confuso. Mas se for
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suscetível, o próprio operante será afetado pelo medo. O conhecido “golpe do retorno” é o
resultado de uma tentativa de infectar outra pessoa com uma doença à qual o perante é
mais sensível que o sujeito. Naturalmente, em tal caso tudo volta para o operante. Um
indivíduo covarde que se preocupa com seu bem estar físico e status social receberá um
golpe contrário se tentar enfeitiçar alguém com o objetivo de provocar-lhe um prejuízo
material. Uma pessoa fraca afetivamente, tentando enfeitiçar alguém por amor, ficará ela
própria, estúpida e desesperadamente apaixonada. Pode-se obter uma auto-proteção no
enfeitiçamento pela introdução de um terceiro sujeito que é colocado no pano de fundo da
parte mental da operação, e pela escolha habilidosa de suas propriedades astrais e físicas.
De acordo com isso, o terceiro elemento do sujeito da operação deve ser mais sensitivo que
o operante para a aceitação do feitiço. Se um indivíduo está enfeitiçando para a tristeza e o
desenvolvimento progressivo desse sentimento, seria sensato substituir-se por um cão, que
eventualmente seria torturado pela tristeza, no caso de um golpe contrário (choque de
retorno); mas seria completamente errado tentar proteger-se pela transferência da má
influência a um corpo que viva em nosso quintal. O nível da feitiçaria é justamente essa: a
de coletar sangue, dentes, unhas, suor, esperma, cabelos, roupas, etc., da vítima e
introduzir esses elementos na base física de toda a operação, freqüentemente misturando
secreções do corpo da vítima com as próprias secreções do operante. Em alguns casos, os
feiticeiros se satisfazem com uma boneca, fotografia ou outra imagem “formal”,
introduzindo nesses itens, partes reais do corpo do sujeito. Em outros casos, preferem um
organismo vivo (como um sapo) para torná-lo semelhante à vítima dando-lhe o nome desta
através de um “batismo” de magia negra. Ao usar uma influência exclusivamente
energética, como no caso de tentar fazer alguém cair na rua, o feiticeiro segue sua vítima
tentando imitar seus passos e infeccionado-o com a idéia de tropeçar, mas impedindo-se no
último momento de sofrer uma queda como a que provocou em seu inimigo. Tudo é tão
simples quanto parece ser misterioso. A chave disso está justamente na atividade de um
indivíduo ao atacar a passividade de uma outra pessoa. Naturalmente, o conhecimento e
experiência é tão importante quanto a intensidade da força de vontade em todos os atos
mágicos.
A Tradição Hermética recomenda uma defesa universal contra o enfeitiçamento: “não
dormir”, no sentido de não permanecer passivo ou distraído. A razão para isso é que não
há flecha astral que consiga espetar um homem ativo e perceptivo em todos os planos,
exatamente da mesma forma que uma flecha comum não consegue perfurar uma roda em
alta rotação. Não dormir no plano mental significa orar por todos e principalmente pelos
inimigos, desejando que seus adversários não satisfaçam-se com quaisquer planos de
vingança contra outrem. Não dormir no plano astral significa nutrir-se com boas formas
definidas na própria consciência, escolhidas e geradas por si mesmo, com o objetivo de não
permitir que algo se prenda vindo de fora. Pensamentos positivos geram sentimentos
positivos, como amor, compaixão, amizade, união, afeto, lealdade, afastando-se das
paixões avassaladoras e ilusões nos relacionamentos. No plano físico, não dormir significa
exercitar seu corpo físico de maneira com que ative e aumente sua força, saúde e
vitalidade, criando uma grande resistência contra o enfeitiçamento. No caso de um
determinado feitiço já ter atingido uma vítima e esta, já estiver sofrendo as conseqüências
deste ataque infame e traiçoeiro, existe sim, uma salvação. Na maioria esmagadora dos
casos o ataque culmina no plano físico, onde o mago negro tem como objetivo prejudicar a
pessoa. Sendo assim, a utilização da espada mágica como agente neutralizador e
eliminador das larvas astrais incrustadas no campo áurico, podem resolver grande parte do
problema. Executa-se diversos golpes em um processo de tratamento nos plexos (chakras),
até a vítima sentir uma melhora. Algumas vezes, será necessária a utilização de tridente
(arma mágica específica para remoção de larvas astrais). Às vezes, é necessário fazer um
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tratamento de irradiação nos plexos para restaurar as funções bioenergéticas da pessoa. A
utilização de ervas para chás, banhos e defumadores, também podem ser utilizados para a
remoção e o afastamento dessas larvas, bem como a reativação e harmonização das
funções orgânicas prejudicadas. Para a parte mental da vítima, alguns rituais de
exorcismo, desobsessão e de concentração, podem também, fazer-se necessário. Claro que
tudo isso implica em um tratamento com uma certa regularidade, tempo e seqüência
adequada, juntamente com o propósito de eliminar o mal da parte ou das várias partes
afetadas da vítima.
A vampirização é uma forma de magia negra que ocorre com grande freqüência de dia
ou de noite. É comum, quando pessoas mais novas e saudáveis se misturam com pessoas
mais velhas e decadentes, principalmente quando estas moram ou dormem na mesma casa
ou quarto, e através da projeção do corpo astral da pessoa velha (que, naturalmente, pode
estar inconsciente), esta extrai a vitalidade da pessoa mais nova ou mais próxima, com o
propósito de alongar sua vida. Dentro do ponto de vista da tradição tal procedimento é
impróprio e proibido. Mesmo assim, nos tempos antigos, o rei Davi que, no entanto, foi
considerado uma pessoa santificada e inspirada, praticava o vampirismo na sua velhice,
ordenando que muitos adolescentes de ambos os sexos ficassem ao seu lado. Esses jovens
eram até mesmo chamados de rejuvenescedores do velho rei. Portanto, é desaconselhável
que gente mais jovem durma muito perto de pessoas velhas e doentes, para não correrem o
risco de perder sua energia vital (prana) para os vampiros inconscientes de sua família. Da
mesma maneira, não se deveria permitir que sua comida fosse preparada por gente velha e
doente, não importando se a doença não é absolutamente contagiosa do ponto de vista
físico, como o reumatismo, os problemas cardíacos, etc. Onde há doença há desequilíbrio
astral que tenta vampirizar tudo o que está ao seu alcance. Tudo isso não afeta um mago
treinado e experiente, que conhece a “armadura ódica” e outros meios de isolamento (por
meio da concentração). Se não for possível uma reorganização completa dos locais de
dormir, por causa de condições adversas, então a simples colocação de uma grande bacia
de água fresca ao lado da cama, como defesa contra vampirismo impedirá em certa medida
o velho astrossoma que está vagando de roubar a energia do jovem adormecido. Mas,
imediatamente após o despertar, a bacia deve ser removida, a água esvaziada e o recipiente
lavado de maneira que nada da água da noite, agora impura, permaneça em contato com
seres humanos.

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2ª Parte: A ALQUIMIA

FATORES da ALQUIMIA

1. DEFINIÇÕES
É uma tradição antiga que combina elementos de química, física, astrologia, arte,
metalurgia, medicina, misticismo, e religião.

2. OBJETIVOS DA ALQUIMIA
Existem três objetivos principais na sua prática:
Transmutação dos metais inferiores em ouro;
Obter a pedra filosofal (substância mística que amplifica os poderes de um alquimista),
produtora do Elixir da Imortalidade (ou Elixir da Longa Vida), uma panacéia universal, um
remédio que curaria todas as doenças e daria vida eterna àqueles que o ingerissem;
Criar vida humana artificial, os Homúnculos.

3. REALIZAÇÕES DENTRO DA ALQUIMIA


É reconhecido que, apesar de não ter caráter científico, a alquimia foi uma fase
importante na qual se desenvolveram muitos dos procedimentos e conhecimentos que mais
tarde foram utilizados pela química. Alguns estudiosos da alquimia admitem que o elixir
da imortalidade e a pedra filosofal são temas simbólicos, que provêm de práticas de
purificação espiritual, e dessa forma, não poderiam ser consideradas substâncias reais. Há
pesquisadores que identificam o Elixir da Imortalidade como um líquido produzido pelo
próprio corpo humano, que teria a propriedade de prolongar indefinidamente a vida
daqueles que conseguissem realizar a chamada "Grande Obra", tornando-se assim
verdadeiros alquimistas. Existem referências dessa substância desconhecida também na
tradição da yoga.

4. A ORIGEM DA ALQUIMIA
A sua origem se perde no tempo, sendo mais antiga do que a história da humanidade.
Seu verdadeiro início é desconhecido e envolto em obscuridade e mistério. Assim, seu
surgimento confunde-se com a origem e evolução do homem sobre a Terra. Muitos
associam a origem da alquimia à herança de conhecimentos de uma antiga civilização que
teria sido extinta. Os conhecimentos sobre a alquimia estariam impregnados no
inconsciente coletivo de todas as civilizações até hoje ou poderiam ter sido transmitidos
pelos remanescentes desses povos. Desta maneira a alquimia teria resistido ao tempo.
Os textos chineses antigos se referem as "ilhas dos bem aventurados" que eram
habitadas por imortais. Acreditava-se que ervas contidas nestas três ilhas após sofrerem
um preparo poderiam produzir a juventude eterna, seria como o elixir da longa vida da
alquimia.
No ocidente, o Egito é considerado o criador da alquimia. O próprio nome é de origem
árabe (“Al” corresponde ao artigo “o”), com raiz grega (elkimyâ). Kimyâ deriva de Khen (ou
“chem”), que significa "o país negro", nome dado ao Egito na antigüidade. Outros acham
que se relaciona ao vocábulo grego derivado de “chyma”, que se relaciona com a fundição
de metais. Os alquimistas relacionam a sua origem ao deus egípcio Toth, que os gregos
chamavam de Hermes (Hermes Trismegisto). Alguns alquimistas o consideravam como um
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rei antigo que realmente teria existido, sendo o primeiro sábio e inventor das ciências e do
alfabeto. Por causa de Hermes a alquimia também ficou conhecida como arte hermética ou
ciência hermética.
Os relatos mais remotos de doutrinas que utilizavam os preceitos alquímicos remontam
de uma lenda que menciona o seu uso pelos chineses em 4.500 a.C. Ao que parece ela teria
aflorado do taoísmo clássico (Tao Chia) e do taoísmo popular, religioso e mágico (Tao
Chiao). Porém os textos alquímicos começaram a surgir na dinastia T'ang, por volta de 600
a.C. Na China, o mais famoso alquimista foi Ko Hung (cujo nome verdadeiro era Pao Pu-
tzu, viveu de 249-330 d.C.) que acreditava que com a alquimia poderia superar a
mortalidade. Atribui-se a ele a autoria de mais de cem livros sobre o assunto, dos quais o
mais famoso é "O Mestre que Preserva sua Simplicidade Primitiva". Teria aprendido a
alquimia por volta de 220 d.C. com Tso Tzu. O tratado de Ko Hung, além da alquimia trata
também da ciência da alma e das ciências naturais. Sua obra trata tanto do elixir da longa
vida bem como da transmutação dos metais. Até então a alquimia chinesa era puramente
espiritual e foi Ko Hung que introduziu o materialismo, provavelmente devido a influências
externas. Ela foi influenciada também pelo I Ching "O Livro das Mutações". Posteriormente
seguiu a escola dos cinco elementos, que mesmo assim permaneceu quase que
completamente mental-espiritual. Na China a alquimia também ficou vinculada à
preparação artificial do cinábrio (minério do qual se extraía o mercúrio - sulfeto de
mercúrio), que era considerado uma substância talismânica associada à manutenção da
saúde e a imortalidade. A metalurgia, principalmente o ato da fundição, era um trabalho
que deveria ser realizado por homens puros conhecedores dos ritos e do ofício. A
transformação espiritual era simbolizada pelo "novo nascimento", associada à obtenção do
metal a partir do minério (cinábrio e mercúrio). A filosofia hindu de 1000 a.C. apresentava
algumas semelhanças com a alquimia chinesa, como por exemplo, o Soma cujo conceito
assemelhava-se ao do elixir da longa vida.
No Egito a alquimia teria surgido no século III d.C. e demonstrava uma influência do
sistema filosófico-religioso da época helenística misturando conhecimentos médicos com
metalúrgicos. A cidade de Alexandria era o reduto dos alquimistas. O alquimista grego
mais famoso foi Zózimo (séc. IV), que nasceu em Panópolis e viveu em Alexandria, escreveu
uma grande quantidade de obras. Nesta época, várias mulheres dedicavam-se a alquimia,
como por exemplo, Maria, a judia, que inventou o um banho térmico com água muito
utilizado nos laboratórios atualmente, o "banho-maria"; Kleopatra, que possivelmente não
seria a Rainha Cleópatra; Copta e Teosébia. Os persas conheciam a medicina, magia e
alquimia. A alquimia possuía um pouco da imagem da população de Alexandria, era uma
mistura das práticas helenísticas, caldaicas, egípcias e judaicas. Alexandre "o Grande" foi
quem teria disseminado a alquimia durante suas conquistas aos povos Bizantinos e
posteriormente aos Árabes. Os árabes, sob a influência dos egípcios e chineses, trouxeram
a alquimia para o ocidente ao redor do ano de 950, inicialmente para a Espanha.
Construíram-se escolas e bibliotecas que atraiam inúmeros estudiosos. Conta-se que o
primeiro europeu a conhecer a alquimia foi o teólogo e matemático monge Gerbert que mais
tarde tornou-se papa, no período de 999/1003, com o nome de Silvestre II. Na Itália Miguel
Scott, astrólogo, escreveu uma obra intitulada “De Secretis” em que a alquimia estava
constantemente presente.
No século X, a alquimia chinesa renunciou a preparação de ouro e se concentrou mais
na parte espiritual. Ao invés de fazerem operações alquímicas com metais, a maioria dos
alquimistas realizava experimentos diretamente sobre seu corpo e espírito. Esta retomada a
uma ciência espiritual teve como ponto culminante no século XIII com o Taoísmo de Buda,
com as práticas da escola Zen.
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A alquimia deixou muitas contribuições para a química, como subproduto de seus
estudos, dentre eles podemos citar: a pólvora, a porcelana, vários ácidos (ácido sulfúrico),
gases (cloro), metais (antimônio), técnicas físico-químicas (destilação, precipitação e
sublimação), além de vários equipamentos de laboratório. Na China produzia-se alumínio
no século II e a eletricidade era conhecida pelos alquimistas de Bagdá desde o século II a.C.

5. A PEDRA FILOSOFAL
Os alquimistas tentavam produzir em laboratório a pedra filosofal (ou mercúrio dos
filósofos, entre muitos outros nomes) a partir de matéria-prima mais grosseira. Com esta
pedra seria possível obter a transmutação dos metais e o Elixir da Imortalidade, que é
capaz de prolongar a vida indefinidamente. O trabalho relacionado com a pedra filosofal
era chamado por eles de "A Grande Obra". Alguns consideram que o trabalho de laboratório
dos alquimistas medievais com os "metais" era, na verdade, uma metáfora para a
verdadeira natureza espiritual da alquimia. Assim, a transformação dos metais em ouro
pode ser interpretada como uma transformação de si próprio, de um estado inferior para
um estado espiritual superior. Outros consideram que as operações alquímicas e a
transmutação do operador ocorrem em paralelo; existem, ainda, outras opiniões. A pedra
filosofal poderia não só efetuar a transmutação, mas também elaborar o elixir da longa
vida, uma panacéia universal, que prolongaria a vida indefinidamente. Isto demonstra as
preocupações dos alquimistas com a saúde e a medicina.

6. SIMBOLISMO
O unicórnio ou o veado: representam o elemento terra;
Peixes: representam o elemento água;
Pássaros: representam o elemento ar;
Salamandra: representam o elemento fogo;
O corvo: simboliza a fase de putrefação do processo, que fica da cor negra;
Um tonel de vinho: representa a fermentação;
A caverna: representa a fase de dissolução, quando a matéria se aprofunda, se racha e
se abre.
Os metais: são representados por sete planetas correspondentes, pois eram preparados
elixires de outros metais, além do ouro e da prata;
A balança: representa o ar, a sublimação, as proporções naturais;
O Andrógino ou Adão e Eva: representam a matéria prima, composta do mercúrio e do
enxofre;
O anjo: simboliza a água;
Espírito da Pedra: é a matéria-prima, bem como o próprio alquimista; podem ser
representados pelo bobo, pelo peregrino ou pelo viajante; a imagem de uma rocha,
cavernas, montanhas e outras representações de grandes blocos de pedra, sob o qual
encontram-se tesouros; esta cena ainda pode conter uma árvore, uma nascente, um dragão
montando guarda, mineiros trabalhando, isto tudo evoca a matéria-prima, que também é
comparada à virgem, pois ainda não recebeu o princípio masculino, ou com uma prostituta
que é capaz de receber todos os princípios masculinos, comparando assim a matéria-prima
com a facilidade de unir-se aos metais. Ë capaz de abrigar dentro de si todos os metais,
apesar de não ser metálica. Os alquimistas também chamavam a matéria-prima de lobo
cinzento;
Uma mendiga ou uma velha: representa o aspecto desprezível e repulsivo da matéria-
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prima ou raiz metálica;
O leite da virgem: designa o mercúrio comum ou primeiro mercúrio por fluir sem
cessar de uma coisa a outra, alimentar tudo e passando de um ser a outro, até mesmo da
vida para a morte e vice-versa;
Árvore: representa o eixo do mundo ou o eixo do trabalho do alquimista em que a
matéria-prima constitui a raiz;
Uma luta entre o dragão alado contra o dragão áptero, de um cão com uma cadela
ou da salamandra com a rêmora: representam o combate entre o volátil e o fixo, o
feminino e o masculino, ou o mercúrio e o enxofre, os dois princípios que estão contidos na
matéria;
O casamento do rei e da rainha, do homem de vermelho com a mulher de branco,
do irmão com a irmã, de Apolo e Diana, do sol e da lua: representam a união entre os
dois princípios masculinos e femininos. Normalmente a este casamento precede morte e
tristeza;
Apanhar um pássaro: significa fixar o volátil;
O leão verde: normalmente é associado ao sal;
A pessoa iniciável ou a substância inicial (matéria-prima): pode ser representada
pelo filho mais jovem de uma viúva (que representa Ísis) ou de um rei, um soldado que já
cumpriu o serviço militar, um aprendiz de ferreiro, um jovem pastor, o filho de um rei em
idade de se casar e outros casos semelhantes;
O abismo, um recife e outros perigos de uma viagem: representam os cuidados ou os
perigos que o fogo conduzido inadequadamente podem causar;
Uma fonte, leão verde, água da vida ou da morte, água ígnea, fogo aquoso, água que
não molha as mãos, água benta, vento, espada, lanterna, cervo, um velho, um
servidor, o peregrino, o louco, mãe louca, dragão, serpente, Diana, cão, dentre outros:
representam o dissolvente universal que é tanto associado ao sal como ao mercúrio.

7. OS PRINCÍPIOS ELEMENTARES
A alquimia além do aspecto espiritual constitui uma verdadeira ciência que tem como
finalidade compreender a matéria e o cosmo, ou seja, o microcosmo e o macrocosmo, além
de tentar reproduzir de forma mais rápida o que a natureza leva milênios para conseguir.
Como em qualquer área de conhecimento, a alquimia possuía uma linguagem própria. Para
tentar transmitir conhecimentos que não havia palavras específicas para expressar eles
utilizaram termos conhecidos, que transmitia uma idéia rudimentar de algum evento.
Assim utilizavam os termos Água, Terra, Ar e Fogo para explicar os quatro elementos,
correlacionando-os respectivamente com os estados líquido, sólido, gasoso e a energia:
Terra: constitui o estado visível sólido; representa a solidez que estabiliza a matéria, o
suporte para o líquido;
Água: constitui o estado visível líquido; é penetrante, dissolvente e nutritiva;
Ar: constitui o estado invisível gasoso; é expansivo, volátil;
Fogo: constitui o estado invisível energético; simbolizava todos os tipos de energia,
inclusive a energia imaterial dos corpos; é a energia que acelera o processo, aquece,
ilumina;
Quintessência ou Éter: constitui o estado invisível etérico; equilibra e penetra nos
corpos, é a força viva;
Enxofre: princípio fixo; representa as propriedades ativas da combustibilidade, da ação
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corrosiva, do poder de atacar os metais; é o princípio ativo ou masculino, o movimento, a
forma, o quente. É considerado o embrião da pedra e alimentado pelo mercúrio, pois está
contido em seu ventre. Também é considerada a energia animadora e constitui o objetivo
da Grande Obra;
Mercúrio: princípio volátil que representava as propriedades passivas, a maleabilidade,
o brilho, a fusibilidade, a fraca tensão de vapor, o escorregadio que toma várias formas e o
fugidio. Além de designar a matéria, designa também outros aspectos como o princípio
passivo ou feminino, o inerte, o frio. O mercúrio também pode designar a matéria-prima, é
considerado a mãe dos metais ou a água primitiva que deu origem a todos eles. Este é o
mercúrio segundo, mercúrio filosófico ou mercúrio duplo que contém os dois princípios, o
mercúrio e o enxofre. O primeiro mercúrio ou mercúrio comum também é chamado de
dissolvente universal. O mercúrio é ao mesmo tempo o caminho e o andarilho, com a
Grande Obra representando uma viagem. Estes dois princípios possuem as propriedades
contrárias e a mistura de propriedades contrárias é muito importante na alquimia, ou seja,
o dualismo enxofre-mercúrio de todas as coisas. O mercúrio também é chamado de sal dos
metais. Na realidade o mercúrio no final da obra adquire a tríplice qualidade;
Sal: também conhecido por arsênico; é o meio de união entre as propriedades do Mercúrio e
as do Enxofre, como uma força de interação, muitas vezes associado a energia vital, que
une a alma ao corpo. No ser humano, o enxofre seria o corpo físico; o mercúrio, a alma e o
sal, o espírito mediador. Esse sal normalmente é relatado como sendo um fogo aquoso ou
uma água ígnea e é obtido a partir do mercúrio comum em conjunção com o fogo, obtendo
assim a chamada "água que não molha as mãos". Assim como o mercúrio, o sal também é
relatado como sendo o dissolvente universal. Na verdade o fixo e o volátil nunca podem
estar separados, não existe mercúrio que não contenha o enxofre, por isso, às vezes o sal
aparece com o nome de um deles dependendo da fase da operação. O sal protege os metais
para que no processo não sejam totalmente destruídos e reste assim a semente, que por seu
intermédio nascerá algo novo.

8. OS SETE METAIS
Na natureza, a terra contém "sementes" que dão origem aos metais por um processo de
evolução e aperfeiçoamento. Todos os metais, com o tempo transformar-se-ão em ouro que
contém o equilíbrio perfeito dos quatro elementos. Na alquimia não existe matéria morta e
todas as substâncias, animal, vegetal ou mineral, são dotadas de vida e movimento, ou
seja, possuem suas energias características:
Ouro: representado pelo Sol;
Prata: representado pela Lua;
Mercúrio: representado pelo planeta Mercúrio;
Estanho: representado por Júpiter;
Chumbo: representado por Saturno, por ser considerado pesado e lento;
Cobre: representado por Vênus, indicando maleabilidade, sossego, beleza e prazer;
Ferro: representado por Marte.

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AS FILOSOFIAS na ALQUIMIA

1. A UNIDADE DA MATÉRIA E DO UNIVERSO


O mundo é como um grande organismo (macrocosmo), enquanto que o homem é um
pequeno mundo (microcosmo), esta é uma das interpretações da frase: "O que está em cima
é como o que está em baixo". O próprio laboratório do alquimista é um microcosmo onde
ele tenta reproduzir de maneira mais acelerada um processo semelhante ao da criação do
mundo. Toda matéria (por matéria fica entendido tudo que existe no universo, até mesmo a
energia pode estar revestida pela matéria) é constituída de uma mesma unidade comum a
todas as substâncias. A partir desta "semente" podem-se produzir infinitas combinações e
infinitas substâncias. O símbolo alquímico do ouroboros (serpente mordendo a própria
calda formando um círculo) representa estas constantes transformações em que nada
desaparece nem é criado, tudo é transformado como o princípio da conservação de energia,
ou primeira lei da termodinâmica, postulado muito tempo depois. Portanto, esta unidade da
matéria é única e a mesma para todas as coisas, podendo combinar-se produzindo uma
variedade infinita de substâncias e energias. Matéria e energia provêm de uma mesma
entidade. Einstein unificou a interconversão entre matéria e energia, na equação E=m.c2
(E = energia liberada; m = matéria transformada e c = velocidade da luz). Os alquimistas
procuram reduzir a matéria à unidade comum, que não são os átomos, para assim poderem
reestruturá-la, tornando possível a transmutação. Esta unidade da matéria constitui tudo
que existe, desde os átomos que se combinam para formar as moléculas e estas irão formar
outras substâncias mais complexas, os organismos até os planetas que formam os sistemas
e galáxias. Portanto, todas as coisas possuem a mesma unidade fundamental, este é o
postulado fundamental da alquimia "Omnia in unum" (Tudo em Um). O caos primordial
que deu origem ao universo é comparado no reino mineral à matéria-prima, que é uma
massa em estado de desordem que dará origem à pedra filosofal.

2. DEUS - O MUNDO CELESTE E O TERRENO


Tudo o que existe material ou espiritual constitui uma única unidade. O divino é
expresso como sendo "o círculo cujo centro está em toda parte e a circunferência em parte
alguma". Portanto, todas as coisas surgiram do mesmo Criador, o mundo terreno é
constituído pelos mesmos componentes que o mundo celeste. Um dos grandes problemas
de compreensão dos fundamentos da alquimia consiste na interpretação do espírito que só
pode ser compreendido remontando a uma memória muito antiga, da época em que todos
os seres do mundo celeste e do mundo terreno se comunicavam e o espírito circulava
livremente entre todos os seres. Muitos alquimistas foram grandes profetas como
Nostradamos, Paracelso, dentre outros e todos eles acreditavam que em breve, no fim de
mais um ciclo terrestre, haveria uma grande catástrofe que seria um novo começo para a
humanidade. Restaria uma consciência coletiva, a mesma que deu origem a alquimia em
outros ciclos.

3. O DUALISMO SEXUAL
A energia original é criada pela junção dos princípios masculino e feminino (Sol e Lua).
Muitos alquimistas constituem casais na busca da Grande Obra, porém para que ocorra
uma perfeita união alquímica este casal, ou seja, estas duas metades devem ser
complementares formando um único ser (como a figura alquímica do andrógino). Contudo é
muito difícil encontrar um par que produza uma união tão perfeita.

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4. A VIDA
Talvez uma das mais interessantes idéias dos alquimistas seja a criação de vida
humana a partir de materiais inanimados. Não se pode duvidar da influência que a
tradição judaica teve neste aspecto, pois na cabala existe a possibilidade de dar vida a um
ser artificial, o Golem. O conceito do homúnculo (do latim, homunculus, pequeno homem)
parece ter sido usado pela primeira vez pelo alquimista Paracelso para designar uma
criatura que tinha cerca de 12 polegadas de altura e que, segundo ele, poderia ser criada
por meio de sêmen humano posto em uma retorta hermeticamente fechada e aquecida em
esterco de cavalo durante 40 dias. Então, segundo ele, se formaria o embrião. Outro
Alquimista famoso que tentou criar homunculus foi Johanned Konrad Dippel, que utilizava
técnicas bizarras como fecundar ovos de galinha com sêmen humano e tapar o orifício com
sangue de menstruação. Estes relatos poderiam referir-se de forma figurada ao processo de
fabricação da pedra filosofal, onde o homúnculo representaria a matéria prima para a
fabricação da pedra ou então uma fase da iniciação em que o homem ressurge após a morte
do outro já degradado. Na concepção alquímica tudo o que existe é vivo, até mesmo os
minerais. Os metais vivem, crescem, reproduzem-se e evoluem. Portanto qualquer metáfora
sobre seres vivos podem estar referindo-se também ao reino mineral. A natureza e todos os
seus constituintes devem ser respeitados para que a harmonia perfeita possa ser mantida.
Esta consciência opõe-se claramente a forma de encarar a natureza até hoje, em que esta
deve ser explorada o máximo possível e ainda se considera isto a evolução da humanidade.
Reaprender a ver, sentir e ouvir a natureza significa incorporar-se a ela, para relembrar o
remoto passado quando fazíamos parte dela integralmente.

5. O AMOR
Todo o conhecimento alquímico está alicerçado no amor e por isso inacessível aos
processos científicos atuais. A união pelo amor está sempre presente em qualquer obra
alquímica representando uma energia que une dois princípios ou dois materiais, tornando-
os um só. De forma figurada é descrita como o casamento do Sol e da Lua, do enxofre e do
mercúrio, do Rei e da Rainha, do Céu e da Terra ou do irmão e da irmã, por terem vindo da
mesma raiz ou mesma substância.

6. O LABORATÓRIO
A prática alquímica, de maneira extremamente resumida, consiste em pegar a matéria-
prima primordial e eliminar as suas impurezas (morte e renascimento), separando seus
componentes (mercúrio e enxofre) e reunindo-os novamente (por intermédio do sal) fixando
os elementos voláteis, formando assim a pedra filosofal. Seria como "libertar o espírito por
meio da matéria e a própria matéria por meio do espírito", ou ainda, fazer do fixo, o volátil
e do volátil, o fixo, onde não se pode fazer cada etapa independentemente. O alquimista é
uma peça fundamental nos experimentos e não somente um simples observador. O
experimento e o experimentador constituem uma única coisa na alquimia. Este ponto de
vista do experimentador como participante está agora sendo retomado pela física quântica,
alterando o termo observador para participante. Portanto, mesmo tendo o conhecimento
prático do processo, se tiver perdido a pureza do espírito, a Grande Obra não poderá ser
concluída. Vários alquimistas relatam doze processos, em três etapas ou três obras, para a
realização da Grande Obra que, contudo, não correspondem literalmente aos nomes
conhecidos:
1. Calcinação: constitui a purificação do primeiro material pelo fogo, sem diminuir seu
teor de água;

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2. Solução ou dissolução: a parte sólida é dissolvida na água, porém é relatado que esta
água não molha a mão. A água pode ser o próprio mercúrio. Esta é uma "dissolução
filosófica" em que o solvente mata os metais, portanto esta fase é um símbolo da morte
para os três reinos;
3. Separação: o mercúrio é separado do enxofre. Fornecendo um calor externo adequado,
o mercúrio que contém o enxofre interno coagula a si mesmo graças a um artifício que
constitui um segredo, o secretum secretorum, que é uma marca divisória entre a alquimia e
a química. Este artifício consiste, metaforicamente, em capturar um raio de sol, condensá-
lo, aprisioná-lo em um frasco hermeticamente fechado e alimentá-lo com o fogo. A terra
fica em baixo enquanto o espírito sobe. Esta etapa completa a primeira obra e quando
concluída corretamente pode se ver a formação de uma estrela dentro do frasco;
4. Conjunção: o mercúrio e o enxofre são novamente unidos. Toda a operação deve ser
realizada no mesmo recipiente, sendo que nesta fase o frasco é hermeticamente fechado;
5. Putrefação: o calor mata os corpos e a putrefação ocorre. Aparece uma coloração
escura, enegrecida;
6. Congelamento: nesta fase aparece uma coloração esbranquiçada, um calor brando é
quem promove esta mudança;
7. Cibação: à matéria seca devem ser adicionados os componentes necessários para
alimentá-la;
8. Sublimação: fase em que o corpo torna-se espiritual e o espírito corporal, ou seja,
volatilizar o fixo e fixar o volátil, sendo que um processo depende do outro e não é possível
fixar um sem volatilizar o outro. Para esta fase é relatado uma duração de quarenta dias.
Porém, todo esse processo que se encerra com a sublimação teve início na conjunção e
constitui a segunda obra;
9. Fermentação: adiciona-se ouro para tornar o já existente mais ativo;
10. Exaltação: processo semelhante a sublimação, seria uma ressublimação;
11. Multiplicação: uma quantidade maior de energia é acrescida nesta etapa, porém não é
necessariamente a matéria que aumenta;
Projeção: teste final da pedra em seus usos normais, como a transmutação. O agente da
dissolução é convertido em paciente que sofre a operação na fase da coagulação. Por isso a
operação é comparada à brincadeira de criança de "pular carniça" em que ora um pula o
outro e ora é pulado.

7. A MATÉRIA-PRIMA
Esta primeira matéria que dará origem a pedra filosofal constitui um dos grandes
segredos da alquimia. Normalmente é descrita como algo desprezado, inferior e sem valor.
Pode ser encontrado em todos os lugares, é conhecido por todos, é varrido para fora de
casa, as crianças brincam com ele, porém possui o poder de derrubar soberanos. Dentre os
não iniciados, cada um aposta em um tipo de material tanto do reino animal, vegetal como
mineral. Vários utilizaram minérios (especialmente os de chumbo, o cinábrio que contém
enxofre e mercúrio, o stibine um raro mineral sulfuroso, a galena que é magnética), cinzas,
fezes, barro, sangue, cabelos. A maioria deles emprega a própria terra, recolhida em local
preservado. A terra estaria impregnada de energia cósmica, com a água que contém. Esta
matéria não está somente no reino do psiquismo, como afirmava Jung, ela tem também sua
expressão no reino material através de um mineral que possui propriedades vegetativas.
Descobrir a matéria-prima não é o principal, mas sim erguê-la a um ponto privilegiado para
as operações subseqüentes. Esta abordagem só será conseguida quando o alquimista deixa
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de lado a fronteira fictícia entre os elementos constitutivos de sua personalidade (física e
espiritual) e o universo. Ela normalmente é relacionada ao caos da gênese, a base de todo o
processo, que tanto é material como imaterial. Para descobrir a matéria-prima mineral o
operador e o objeto, observador e o observado, devem estar unidos. Isto significa se
abstrair da visão lógica e desenvolver uma visão intuitiva. Esta visão pode aparecer após
um longo período de reflexão sobre os impasses insolúveis da alquimia, após um estímulo
externo como o barulho do vento, das ondas do mar, do trovão e outros. Caso contrário ela
permanecerá escondida por uma roupagem ou uma casca como o ovo.

8. O ORVALHO
O orvalho normalmente é utilizado para umedecer (banhar e nutrir) a matéria-prima.
Como se condensa lentamente e desce da atmosfera está impregnado da energia cósmica. A
melhor época de recolher o orvalho vai do equinócio de primavera ao solstício de verão,
pois possui uma maior energia. Normalmente é recolhido com lençóis estendidos sobre
vegetação rasteira sem, no entanto, tocá-la.

9. AS CORES DA GRANDE OBRA DA ALQUIMIA


Nas várias etapas do processo a matéria vai mudando de cor, primeiro aparecendo uma
massa enegrecida, que passa a esbranquiçada e finalmente avermelhada. A cor negra seria
a cor da fase da putrefação, a cor branca se inicia na fase de dissolução e a cor vermelha
constitui a fase final do processo, ou seja, a pedra filosofal. Podem também aparecer cores
intermediárias como o amarelo e mesmo as cores do arco-íris, também chamadas de cores
da cauda do pavão. A observação destas cores é muito importante para saber se a obra está
evoluindo de maneira correta. Outro indício da conclusão constitui na junção de cristais em
forma de estrela na superfície do líquido, ou um som parecido com o canto de cisnes.

10. A TEMPERATURA
A temperatura do forno em cada etapa do trabalho deve ser rigorosamente controlada.
O aquecimento deve ser aumentado de forma gradual e bem lenta. A primeira etapa
(putrefação) pode durar quarenta dias e a temperatura desta é compara a do ventre ou do
seio materno. Aquecendo-se muito corre o risco de fracasso ou mesmo de explosão. Existem
basicamente, dois processos de elevar a temperatura em um laboratório alquímico:
Via úmida: A via úmida, como o próprio nome já indica, é realizada com água (do
orvalho). Esta via é muito lenta, podendo durar meses ou anos e oferece menores riscos. As
temperaturas nas várias etapas são consideravelmente menores, tendo em vista que a água
ferve a 100 ºC. O recipiente utilizado é um balão de vidro ou cristal (também chamado de
ovo filosófico, por seu formato) que suporta bem as temperaturas requeridas nesta via.
Nunca se deve deixar ferver, pois pode haver uma explosão devido ao aprisionamento de
gases no recipiente hermeticamente fechado.
Via seca: Esta via é bem mais rápida, dura apenas sete dias, porém é bem mais
perigosa, pois pode haver explosão. Tudo é feito em um cadinho, pequeno recipiente de
porcelana aberto em cima com a aparência de um copo, que resiste a altíssimas
temperaturas. Não há adição de água. É raramente relatada e praticada, porém os
alquimistas que a praticaram a consideram com muito mais chances de obter sucesso. Uma
outra via seca também relatada é a diretíssima, que seria quase instantânea durando
apenas três dias. Esta seria realizada a partir da emanação de um tipo de energia na forma
de raio diretamente no cadinho e no corpo do alquimista. Porém seria extremamente
perigosa podendo até mesmo fazer desaparecer o corpo do alquimista.
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BIBLIOGRAFIA ALQUÍMICA

1. OS ALQUIMISTAS FAMOSOS E SUAS OBRAS


Os alquimistas mais conhecidos, bem como suas obras, são:
Nicolas Flamel (1330-1417): Escreveu "O Livro das Figuras Hieroglíficas" (1399), "O
Sumário Filosófico" (1409) e "Saltério Químico" (1414).
Paracelso (Aureolus Phillippus Teophrastus Bombast von Hohenheim – 1493-1541):
Suas obras que são consideradas como mais importantes são: “Tratado Sobre as Feridas
Abertas” (1528), “Paramirum” (1530-1531), “Chirurgia Magna” (1536), “De Gradibus”
(1568), “Tratado Sobre as Enfermidades dos Mineiros” (1576), “Opúsculo sobre os Banhos
Minerais” (1576) e “De generatione stultorum” (tratado no qual correlaciona o cretinismo
com o bócio endêmico). Escreveu também um livro de profecias “Os Prognósticos”, que não
conseguiu igualar as “Centúrias” escrito por Nostradamus.
Nostradamus (1503-?): Publicou a primeira edição das “Centúrias” em 1555 e a
previsão que o tornou famoso, o anúncio da morte do rei da França Henrique II em um
duelo a cavalo, que se concretizou três anos depois.
Isaac Newton (1642-1727): Físico e matemático Inglês, um dos maiores gênios de
todos os tempos. Foi convencido pelos amigos a expor ao mundo a beleza e a precisão de
sua teoria, publicando então sua obra “Philosophiae Naturalis Principia Mathematica” que
permaneceu incompreensível e rejeitado pelos cientistas de sua geração. Newton era um
iniciado, que acreditava que a Alquimia deveria permanecer secreta e por isso nunca
publicou os resultados de seus experimentos alquímicos, apesar de possivelmente ter
obtido êxito em alguns deles. Em 1940, Dobbs estudou os inúmeros manuscritos
alquímicos escritos por Newton e escreveu um livro intitulado "Os Fundamentos da
Alquimia de Newton".
Roger Bacon (1214-1294): Foi um dos maiores sábios da época e estudou a Alquimia,
realizando inclusive experimentos com transmutação de metais. Escreveu várias obras,
entre as quais figura como grande trabalho de sua vida o livro “Opus Majus”, manuscrito
de caráter enciclopédico que ficou perdido por cerca de 450 anos (foi encontrado e
publicado em 1733). Sua obra alquímica foi reunida no século XVII com o nome “Tesouro
Químico de Roger Bacon” e era composta dos seguintes livros: “Alquimia Maior”, “O
Espelho da Alquimia”, “Sobre o Leão Verde”, “Breviário do dom de Deus”, “Os Segredos dos
Segredos”, além de outras anotações.

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