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DOI: 10.

1590/1809-2950/00121022014

Doenças neuromusculares:

EDITORIAL
rediscutindo o “overtraining”
Marco Orsini1,2,3, Renata Hydee Hasue², Marco Antônio Araújo Leite³, Sara Lúcia Silveira de Menezes¹,
Júlio Guilherme Silva¹, Acary Bulle Oliveira4

A
s doenças neuromusculares (DNM) são da Esclerose Lateral Amiotrófica; por outro lado,
um grupo heterogêneo de desordens da exercícios de baixa intensidade aumentam sua
região anterior da medula espinal, nervos sobrevida. O tipo de exercício também parece
periféricos, junção neuromuscular e musculatura influenciar a morte neuronal. A natação causa
estriada esquelética. É consenso que os programas menor perda de motoneurônios que o exercí-
de exercícios podem otimizar as funções motora e cio em esteira, principalmente dos de tamanho
cardiovascular, além de prevenir a atrofia por de- médio que inervam fibras musculares fásicas, pre-
suso e o descondicionamento nos indivíduos com serva o número de astrócitos e oligodendrócitos
DNM. A literatura sugere a abordagem indivi- da região anterior da medula espinal e aumenta
dualizada, submáxima e adaptada às particulari- a sobrevida em experimentos animais. Deve ser
dades de cada afecção, com metas de tratamento ressaltado que ainda são poucos os estudos ran-
criteriosas e frequentemente reanalisadas, para se domizados controlados em seres humanos com
evitar o supertreinamento (“overtraining”). DNM verificando os efeitos dos exercícios te-
Existe a crença de que o treinamento motor rapêuticos de resistência, o que os torna incon-
em pacientes com DNM pode ser deletério e cau- clusivos. Em pacientes com Síndrome Pós-Pólio,
sar a síndrome do supertreinamento, caracteriza- o exercício terapêutico submáximo pode contri-
do pela instalação de sintomas que refletem uma buir para melhor controle da fraqueza muscular,
relação não ideal entre o esforço e a tolerância a aptidão cardiorrespiratória e padrão de deam-
ele, exteriorizando-se com diminuição de desem- bulação, devendo ser evitadas as atividades que
penho físico, aumento de lesões musculares e até causam fadiga muscular ou dor nas articulações.
imunossupressão, aumentando a susceptibilidade Esse princípio também é válido para algumas
às infecções. Muitas DNM de caráter crônico, distrofinopatias, em que a ativação muscular repe-
progressivo, e muitas vezes inexorável, precisam tida e exaustiva aumenta tanto o oxigênio como o
ser abordadas com enfoque no gerenciamento da nitrogênio muscular e, agudamente, afeta a função
fraqueza muscular, e não no incremento da força, contrátil. Nas miopatias mitocondriais, o exercício
regra que também é válida para os músculos da aeróbico moderado mostrou-se eficaz em melho-
deglutição e da respiração. rar o desempenho muscular. Exercícios aeróbicos
O treinamento extenuante com exercícios no cicloergômetro também foram benéficos para
aeróbicos intensos acelera a degradação do de- aumentar a VO2 max e a força muscular em mem-
sempenho motor e o óbito em modelos animais bros inferiores de pacientes com distrofia muscular

¹Programa de Mestrado em Ciências da Reabilitação do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM) – Bonsucesso (RJ), Brasil.
²Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) –
São Paulo (SP), Brasil.
³Serviço de Neurologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) – Niterói (RJ), Brasil.
4
Departamento de Neurologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) – São Paulo (SP), Brasil.

Endereço para correspondência: Marco Orsini – Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação – Praça das Nações, 34 – CEP: 21041-021 – Bonsucesso (RJ), Brasil –
E-mail: orsinimarco@hotmail.com

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Fisioter Pesq. 2014;21(2):101-102

de Becker, sem provocar aumento nos níveis de enzima de estímulos para provocar energia. Uma redução de
creatina quinase (CK) e alterações no tecido muscular estímulos supostamente causa uma atividade ineficaz;
ou no ecocardiograma. Se prescritos adequadamente e contudo, estímulos demasiados num sistema já comba-
com precaução, há indícios de que a eletroestimulação lido irão sobrecarregá-lo, prejudicando ainda mais a sua
neuromuscular focando as fibras de contração lenta e os função. Não existem protocolos voltados para grupos
exercícios resistidos de baixa intensidade também são de DNM, nem avaliações padronizadas. Os programas
benéficos para melhorar a força e a funcionalidade de devem ser desenvolvidos com base nos achados clíni-
pacientes distróficos. Entretanto, se ocorrer o supretrei- cos dos pacientes e de acordo com a história natural da
namento da unidade motoras, danos funcionais prova- doença abordada. A troca de saberes entre os profissio-
velmente ocorrerão. nais, a utilização de equipamentos de suporte e pro-
Como conclusão, podemos encarar a unidade mo- teção, assim como o suporte psicológico, devem fazer
tora como um grande gerador elétrico que necessita parte da proposta de reabilitação.

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