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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS

Centro de Ciências Exatas e Tecnológica


Curso de Engenharia Civil

Rodrigo Martins Neves

ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE SOFTWARES DE


CÁLCULO ESTRUTURAL EM ESTRUTURAS DE
CONCRETO ARMADO.
.

Montes Claros – MG
Setembro / 2017
Rodrigo Martins Neves

ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE SOFTWARES DE CÁLCULO ESTRUTURAL


EM ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à


Coordenação do Curso de Engenharia Civil, da
Universidade Estadual de Montes Claros –UNIMONTES,
em cumprimento às exigências para obtenção do grau de
Bacharel em Engenharia Civil.

Orientador: Prof. Msc. Guilherme Augusto Guimarães

Montes Claros – MG
Julho / 2018
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 3
1.1 Problematização.................................................................................................................... 4
1.2 Hipótese ................................................................................................................................ 4
1.3 Justificativa ........................................................................................................................... 5
2 OBJETIVOS .......................................................................................................................... 6
2.1 Geral ..................................................................................................................................... 6
2.2 Específico ............................................................................................................................. 6
3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ............................................................................................. 7
3.1 Concreto Armado ................................................................................................................. 7
3.1.1Concreto ............................................................................................................................. 8

3.1.2Aço ................................................................................................................................... 11

3.2 Cálculo Estrutural ............................................................................................................... 12


3.2.1 Estados Limites ............................................................................................................... 14

3.2.2 Ações na Estrutura ........................................................................................................... 14

3.3 Tecnologias Computacionais .............................................................................................. 15


3.3.1 CYECAD ......................................................................................................................... 15

3.3.2 EBERICK ........................................................................................................................ 16

3.3.3 TQS.................................................................................................................................. 16

4 MATERIAIS E MÉTODOS ............................................................................................... 17


4.1 Método ................................................................................................................................ 17
4.2 Materiais ............................................................................................................................. 17
4.2.1 Parâmetros para o Cálculo Estrutural Adotados .............................................................. 17

4.2.2 Pré-dimensionamento dos elementos estruturais:............................................................ 18

5 RESULTADOS ESPERADOS ........................................................................................... 19


6 CRONOGRAMA ................................................................................................................. 20
7 ORÇAMENTO .................................................................................................................... 21
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 22
3

1 INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, os profissionais engenheiros têm buscado mecanismos


inovadores, a fim de garantir o crescimento e a competitividade em um mundo globalizado,
no qual garantir as exigências dos clientes, em um menor tempo e com baixo custo financeiro,
tornou-se fundamental para o sucesso de um empreendimento. (BAIA et al., 2014)
O advento da evolução das ciências dos materiais, aliada com as facilidades
proporcionadas pela informática, tem proporcionado aos engenheiros introduzir novas
abordagens no campo da construção civil, como projetor estruturas com peças de alta
resistência e com menores dimensões.
Kimura (2007) colabora ao afirmar que a evolução tecnológica está inserida,
praticamente, em todas as etapas de uma edificação são influenciadas pela precisão e rapidez
que a informática possibilita, seja ela na inserção de novos métodos de cálculo estrutural - a
partir do desenvolvimento de programas específicos para o cálculo estrutural - no
desenvolvimento de novos materiais, na gestão de obras, instalação hidráulica e elétrica, etc.
Ao introduzir novas abordagens nos métodos de cálculo, como, por exemplo, o
emprego intensivo do método dos elementos finitos, os Softwares de Cálculo Estrutural (SCE)
proporcionaram um novo olhar do engenheiro no ato de projetar, pois um trabalho que,
manualmente, seria direcionado para uma única abordagem de cálculo, pode ser
desmembrado e analisado diversas vezes, obtendo, assim, uma estrutura mais próxima da
realidade.
No entanto, mesmo tendo todo esse aparato tecnológico, cabe sempre ao
projetista determinar a melhor estrutura para cada situação. Não é simplesmente um trabalho
automatizado, pois, sendo o software é uma ferramenta de cálculo e visualização, os
resultados será consequências dos dados fornecidos pelo profissional. Portanto, compreender
as interações das diversas estruturas e como elas se comportam em decorrência as mudanças
de cargas solicitantes, é imprescindível para um bom projeto.
Souza e Vargas (2014) afirmam que, no contexto atual da Engenharia Civil, é
pouco provável a realização de projetos sem o uso da ferramenta computacional, porém,
mesmo com toda facilidade na execução de tarefas do dia a dia, é indispensável o
conhecimento e experiência de um bom engenheiro. Cabe a esse profissional conhecer com
profundidade o comportamento estrutural do projeto realizado e, através o auxílio de um
4

(SCE), fazer previsões de dimensões para que resulte em uma estrutura segura, racional,
funcional e econômica (CARVALHO, 2014).

Atualmente há uma variedade de softwares de cálculo estrutural, como AltoQi


Eberick e o TQS, criados no Brasil. Há, também, o CypeCAD, que é originário da Espanha, o
Strap, Adapt, SAP2000, Robot e Tricalc. Todos eles podem ter suas configurações alteradas,
de modo a operar conforme as normas nacionais de concreto armado. O uso desses softwares
tem ajudado a solucionar diversos problemas de projeto, entretanto, conduzido
incorretamente, poderá levar o usuário a tomar decisões equivocadas e que conduzem a um
projeto aparentemente certo, porém com erros delicados (FISCHER, 2013).

1.1 Problematização

Por acelerar os processos de trabalho e possibilitar maior precisão nos cálculos, o


uso de SCE tornou-se uma ferramenta imprescindível ao trabalho do engenheiro. Contudo, o
uso incorreto pode acarretar em projetos imprecisos e com alto custo operacional. Assim, será
que os principais softwares presentes no mercado apresentam resultados semelhantes no que
diz respeito ao projeto estrutural? Quais são as configurações presentes nesses programas? Há
variações entre eles que implicam em projetos mais ou menos eficientes, em termos de
performance, segurança e custo?

1.2 Hipótese

Devido aos diversos modelos de análise estrutural e configurações presentes nos


SCE, os resultados obtidos por eles podem apresentar diferenças significavas no projeto final.
5

1.3 Justificativa

Como a elaboração do projeto estrutural é um trabalho minucioso, no qual


alterações de pequenas variáveis podem implicar em diferentes resultados, assim, além do
conhecimento do engenheiro, a escolha e uso do SCE é fundamental para um bom resultado
do produto final. Percebe-se, portanto, a necessidade de estudos que aponte as diferenças
desses programas e as implicações da utilização dessas ferramentas no projeto estrutural.
Nisso justifica a elaboração desse estudo.
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2 OBJETIVOS

2.1 Objetivo Geral

Analisar os resultados de três software de cálculo estrutural.

2.2 Objetivos Específicos

 Identificar se há diferenças entres os programas estruturais;


 Identificar as configurações de cada software;
 Comparar os resultados dos softwares em estudo.
 Analisar as implicações de cada software nos aspectos de dimensionamento, segurança
e custo final do empreendimento.
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3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

3.1 Concreto Armado

Concreto armado é o material composto, obtido pela associação do concreto com


barras de aço (denominada de armadura passiva), convenientemente colocadas em seu
interior, que devido à baixa resistência à tração do concreto, absorve os esforços de tração na
estrutura, além de proporcionar aumento de resistência nas peças comprimidas. (ARAÚJO,
2010)
A primeira estrutura de concreto armado considerada é o barco em ferrocimento
realizado pelo francês Jean-Louis Lambot, em 1848. Nos anos seguintes, trabalhos foram
desenvolvidos em todo mundo, como vigotas e pequenas lajes na França (1852), estacas de
fundação de concreto com armadura Inglaterra (1871), colunas armadas nos Estados Unidos
(1873), etc. No Brasil, o uso do concreto armado se deu no século XX, sendo um dos marcos
mais importantes a construção ponte de concreto armado Rio de Janeiro, em 1908 pelo
engenheiro Hennebique. (CLÍMACO, 2008)
O que torna possível o uso do aço com o concreto, conforme Clímaco (2008), é a
propriedade da aderência, que garante a solidariedade entre esses dois elementos, ou seja, o
conjunto funciona como uma peça monolítica. “Devido a aderência, as deformações das
barras de aço são praticamente iguais às deformações do concreto que as envolve. ”
(ARAÚJO, 2010, p.1)
Segundo Pinheiros (2003), a aderência pode ser dividida em três modalidades: por
adesão, atrito e mecânica. A primeira decorre das interações físico-químicas entre os dois
materiais; já a por atrito ocorre em virtude da rugosidade superficial da barra. Por fim,
"aderência mecânica é decorrente da existência de nervuras ou entalhes na superfície da
barra" (PINHEIROS, 2010, p.36).
A aderência é diretamente relacionada com a penetração da barra na peça de
concreto, sendo que a verificação dessa propriedade, quanto ao escorregamento da barra, é
definido pelo ensaio de arrancamento e o modelo de vigas com transasse de barras (FILHO,
2006).
8

3.1.1Concreto

Segundo Araújo (2010), o concreto é um compósito constituído de agregados


inertes envoltos por um aglomerante. É considerado um dos principais elementos da
construção civil, sendo empregadas em diversas áreas, como habitações, estradas e barragens,
etc. (ABCP, 2002).
Segundo Pedroso (2009), o cimento Portland foi desenvolvido pelo inglês Joseph
Aspdin, que, ao queimar calcário e argila e misturá-los, obteve um pó hidráulico com
semelhanças a uma pedra. O nome dado a esse aglomerante é uma referência às rochas da ilha
britânica de Portland, material bastante utilizado no século XIX (PEDROSO, 2009).
Conforme Carvalho (2012), os agregados são constituídos, geralmente, por areia e
brita, sendo que as principais funções desses elementos são conferir aumento de resistência e
atenuar a influência nociva da retração; já o aglomerante (elemento responsável pela
aderência dos elementos) é formado pela reação entre a água e o cimento Portland, conforme
Figura 1:

Figura 1: Etapas da reação do cimento Portland com a água


Fonte: (CARVALHO, 2012)

A água, no processo das reações com o cimento, tem um papel de hidratar o


cimento e conferir a plasticidade no tempo inicial, sendo importante avaliar se esse agente
apresenta cheiro, sabor anormais e turvação; uma vez que esses dados indicarão se existem
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substâncias dissolvidas, o que pode afetar a resistências mecânica e química do concreto e da


armadura; além afetar a compacidade e o crescimento cristalino dos produtos da hidratação do
cimento (CARVALHO, 2012).
Juntamente com o tipo de cimento, a resistência do concreto depende do tipo de
agregado, do aditivo utilizado e principalmente, da proporção de água, que determina a
porosidade da pasta de cimento; consequentemente, as propriedades mecânicas (ARAÚJO,
2010).
Segundo Reis, Magalhães, Burgos (2016), era corriqueiro nas construções o uso
de concreto com baixa resistência à compressão do concreto (fck), geralmente em torno de 15
a 20 MPa. No entanto, devido as exigências atuais, no qual espera-se estruturas mais esbeltas
e que atenda os critérios de segurança e durabilidade, concreto de maior resistência passou a
ser utilizado com mais frequência, principalmente nos países mais desenvolvidos.
Fato é que a (fck) é considerada como critério fundamental para o projeto
estrutural, sendo obrigatório a explicitação de seu valor em todos os desenhos e memoriais,
uma vez que aliada com o cobrimento nominal e o módulo de elasticidade do concreto (Ec),
está diretamente associada ao dimensionamento das estruturas, conforme os requisitos de
segurança nos Estados de Limites Últimos (ELU) e Estados Limites de Serviço (ELS),
implicando diretamente na vida útil da estrutura (ZALAF et al., 2014).
Carvalho (2012) contribui ao afirmar que, com o desenvolvimento tecnológico,
outros constituintes têm sido introduzidos - aditivos superplastificantes e adições minerais-
conferindo propriedades especiais a esse elemento, tais como maior plasticidade, aumento da
resistência inicial, menor retração, etc. Atualmente, encontra-se no mercado concreto com fck
superior a 50 Mpa, conhecido como Concreto de Alto Desempenho (CAD), que, além da
elevada resistência à compressão, apresenta maior durabilidade (REIS, MAGALHÃES,
BURGOS., 2016).
Outro exemplo da evolução tecnológica, segundo Filho (2006) é o concreto auto
adensável, que inclui materiais inorgânicos de granulação fina, proporcionando um material
com elevada plasticidade, capaz de fluir para qualquer local da forma, em virtude apenas da
acomodação do seu peso próprio. Não há necessidade de vibração, o que leva aumento da
produtividade e diminuição dos custos.
A confecção do concreto é dada a partir de dosagens dos seus elementos, obtendo
o traço. A definição da melhor proporção se dá em virtude da resistência e plasticidade,
procura-se, assim, uma quantidade de argamassa que não seja insuficiente para preencher os
vazios entre as partículas de britas e os recantos das formas; nem uma quantidade elevada, o
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que resultaria em consumo excessivo de água (CARVALHO, 2012). O autor supracitado


afirma, ainda, que os métodos de dosagem subdividem em empírica e experimental. A
primeira é baseada em conceitos arbitrários, através de tabelas desenvolvidas por profissionais
baseadas em experiência anterior. Já, a dosagem experimental é realizada em laboratórios,
onde, através de análises específicas, são determinados a mistura ideal do concreto.
A produção de concreto pode ser feita no próprio canteiro de obra ou usinado.
Este apresenta a vantagem na economia de materiais, maior controle tecnológico dos
materiais, no que diz respeito a dosagem, resistência e consistência, menor mobilização de
mão de obra; o que resulta em uma melhor produtividade no empreendimento (COUTO,
2013).
Quando se faz a opção da mistura no próprio local, com auxílio da betoneira,

alguns cuidados devem ser tomados para obtenção de um concreto mais eficiente, como

sugere o autor supracitado:

...é aconselhado uma sequência, onde, coloca-se primeiramente uma parte da água e
os demais materiais vêm seguindo uma ordem (brita, cimento, areia e o restante da
água). Pode-se adotar, também, a sequência, na qual, se coloca a brita, metade da
água, areia, cimento e o restante da água. Essa segunda sequência é indicada para as
betoneiras de 360 litros (as mais usadas) e quando a dosagem for feita para um
volume de 20 litros de cimento (COUTO, 2013, p. 53, apud SOUZA JÚNIOR,
2003).

O tempo de vida útil das estruturas de concreto é um dos aspectos de maior


relevância na concepção de uma edificação, sendo as atuais exigências cada vez mais rígidas,
tanto na fase de projeto, quanto na fase de execução da estrutura; isso, em virtude dos
processos de deterioração ocorridas pelos processos de lixiviação, provocada pela água,
expansões decorrentes de reações entre os álcalis do cimento e certos agregados reativos
(ARAÚJO, 2010).
Além disso, para obter um concreto resistente, econômico e de bom aspecto,
Carvalho (2012) ressalva a importância do engenheiro atentar aos seguintes fatores:
propriedades de cada um dos materiais componentes, relação água/cimento, aos meios
adequados para transporte, lançamento, adensamento e cura.
Sobre este, Carvalho (2014) enfatiza a importância de evitar a evaporação precoce
do concreto, pois isso levará ao surgimento de tensões de tração, consequentemente, à
formação de fissuras e a diminuição da resistência final do concreto.
11

3.1.2Aço

Segundo Pinheiros (2003), o aço é uma liga metálica constituída de ferro,


acrescido de uma pequena porcentagem de carbono (em torno de 0,002% até 2%). Esse
elemento forma as armaduras utilizadas no concreto armado, e são classificadas como fio e
barra; sendo essa diferenciação dado pelo tipo de fabricação: este é produzido por laminação a
quente, enquanto aquele por trefilação ou laminação a frio (ARAÚJO, 2010).
A nomenclatura dos aços segue o padrão estabelecido pela norma NBR 7480
(1996), onde as barras de aço são categorizadas de CA-25 e CA-50 e possuem diâmetro
mínimo de 6,3 milímetros; e os fios como CA-60, apresentando diâmetro máximo de 10 mm,
conforme Tabela 1:

TABELA 1
Diâmetros usuais de barras e fios.
BARRAS: Laminação a Quente
16 20 22 25 32 40

FIOS: Laminação a Frio


5 5,5 6 6,4 7 8 9,5 10
Fonte: NBR 7480

Segundo Carvalho (2014), além de influenciar na classificação, o processo de


fabricação do aço influencia no seu comportamento de deformação, apresentando patamar de
escoamento definido nas barras e não nos fios, em que há uma deformação específica
permanente de 0,002(0,2% ou 2%o), conforme figuras 2:

:
Figura 2: Gráficos de deformação-tensão de barras e fios.
Fonte: (ARAÚJO, 2010)
12

“As características mecânicas mais importantes para a definição de um aço são o


limite elástico, a resistência e o alongamento na ruptura. Essas características são
determinadas através de ensaios de tração” (PINHEIROS, 2003, p.36).

3.2 Cálculo Estrutural

O dimensionamento estrutural consiste em determinar o modelo estrutural que


constitua a parte resistente da edificação, ou seja, das peças que a formarão, suas posições e
interações, de modo que resulte uma estrutura capaz de receber os esforços das ações
atuantes, sem apresentar rupturas ou deformações não previstas (PINHEIROS, 2003).
A respeito disso, Carvalho (2014) contribui:

O cálculo, ou dimensionamento, de uma estrutura deve garantir que ela suporte, de


forma segura, estável e sem deformações excessivas, todas as solicitações a que está
submetida durante sua execução e utilização. O dimensionamento, dessa forma,
consiste em impedir a ruína (falha) da estrutura, ou de determinadas partes dela. Por
ruína não se entende o perigo e ruptura, que ameaça a vida dos ocupantes, mas
também as situações em que a edificação não apresenta um perfeito estado para
utilização, por causa de deformações excessivas, fissuras inaceitáveis, etc. Em outras
palavras, a finalidade do cálculo estrutural é garantir, com segurança adequada, que
a estrutura mantenha certas características que possibilitem a utilização satisfatória
da construção, durante sua vida útil, para as finalidades para as quais foi concebida.
(CARVALHO, 2014, p. 46).

O projeto estrutural deve ser orientado a obter seu melhor ajuste ao projeto de
arquitetônico, levando-se em consideração o fator económico, as qualidades construtivas e a
eficiência global da edificação (CLÍMATO, 2008).
Sobre o projeto estrutural, Pimenta (2009) reforça que essa etapa é uma das mais
importantes nos processos de uma construção, implicando diretamente nos custos finais do
empreendimento, devendo, portanto, ser realizada por profissionais experientes, capacitados e
com aparato técnico e tecnológico.
Kimura (2007) contribui ao afirmar que, deve o projetista, ao conceber uma
estrutura, preocupar com as interferências de cada elemento, assim, quando há o lançamento
de pilares, por exemplo, deve-se atentar como será posicionado o reservatório d'água, ou se os
mesmos estarão interferindo no espaço de outros ambientes, como garagem.
Para concepção estrutural tem que avaliar as interações entre os subsistemas de
uma edificação, que a princípio, são análises complexas e difíceis, e nem sempre possíveis,
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por isso, usa-se em desmembrar os elementos, cujo o comportamento seja conhecido e de


fácil análise, obtendo, assim, uma estrutura com resultados satisfatórios (CARVALHO,
2014).
Após isso, “a estrutura retoma o caráter tridimensional, pela justaposição dos
elementos estruturais considerados em sua análise. Nessa fase, deve-se verificar, com o
máximo rigor, a compatibilidade das decomposições e das simplificações efetuadas”
(CLÍMATO, 2008, p. 68).
A classificação dos elementos estruturais segue a orientação da NBR 6118 (2014),
que considera os fatores relacionados a geometria e função estrutural, conforme Figura 2:

Figura 3: Tipos de elementos estruturais


Fonte: (CLÍMACO, 2008)

Carvalho (2014) considera que, quanto aos métodos de cálculo estrutural, há os


métodos clássicos e de cálculo na ruptura (estados limites). O primeiro método parte do
princípio que os materiais apresentaram um comportamento linear, assim, as tensões máximas
são limitadas a uma fração da resistência dos materiais, garantindo a segurança do projeto. O
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cálculo pelo método clássico apresenta algumas restrições, como a um mau aproveitamento
dos materiais, superdimensionamento.
O método na ruptura (ou dos Estado Limites) as solicitações têm seus valores
majorados por um coeficiente de segurança e a resistência dos materiais minoradas. A NBR
6118 adotou esse tipo de método, por considerar mais segura para a estrutura (CLÍMACO,
2008).

3.2.1 Estados Limites

Quando uma estrutura de concreto armado não atende os requisitos de segurança,


durabilidade e bom desempenho de serviço, considera-se que a edificação alcançou o estado
limite, que são definidos como estados limites últimos e estados limites de utilização
(ARAÚJO, 2010).
O primeiro caso relaciona com a perda completa da função da estrutura,
inviabilizando seu uso; já o segundo, compreende com durabilidade da construção, ou seja,
aparência, presença de fissuras, conforto ao usuário e a correta funcionalidade (CARVALHO,
2014).

3.2.2 Ações na Estrutura

Segundo Clímaco (2008), as ações em uma estrutura subdividem em permanentes,


e variáveis. A primeira é representada pelas ações que atuam constantemente durante a vida
útil da edificação, como por exemplo, o peso próprio das peças estruturais.
Já as variáveis, que correspondem as ações que apresentam mudanças nos valores
durante a vida da construção, são divididas em diretas, ações resultantes de cargas acidentais,
como o peso de pessoas, veículos, etc; e indiretas, resultante de situações especiais, como
temperatura e por ações dinâmicas (CARVALHO, 2014).
15

3.3 Tecnologias Computacionais

Conforme Kimura (2007), o uso de uma ferramenta computacional proporciona


diversas vantagens na elaboração do projeto, tais como: produtividade, qualidade e segurança.
Antes do uso extensivo dos computadores, era impossível avaliar as estruturas em muitas
interações, isso em virtude das dificuldades de cálculo e das imprecisões de cálculo realizados
manualmente. Até há algum tempo, era impossível calcular um edifício diversas vezes, ou
mesmo com mais detalhes e requintes. Os processamentos eram extremamente lentos e muitas
simplificações tinham que ser adotadas.
Atualmente existe no mercado diversos sistemas computacionais, destinados as
diversas áreas da engenharia. Assim, há software específicos para desenho, como exemplo
temos os sistemas CAD, software de análise, que calcula os esforços e deslocamentos da
estrutura, sem dimensionar a peça. Por fim, há software de dimensionamento/verificação
integrado, que além de avaliar os esforços, dimensiona os elementos estruturais. (KIMURA,
2007)

3.3.1 CYECAD

É um programa de análise e dimensionamento estrutural, que segue as normas da


NBR 6118. Possui recurso próprio de CAD, onde é possível alocar dados geométricos do
projeto arquitetônico, possibilitando a interação com diversos programas, o que permite maior
eficiência nas alterações do projeto. O sistema permite uma variedade de ações, como de
desenho, cálculo e dimensionamento de estruturas em concreto armado e metálicas compostas
por: pilares, paredes e cortinas; vigas de concreto, metálicas e mistas; lajes de vigotas, etc.
(VERGUTZ e CUSTÓDIO, 2010)
Quanto as configurações, o Cypecad permite ao usuário manipular os dados,
conforme a necessidade do projeto, como por exemplo, os esforços provocados pelo vento,
tipo de vínculo entre as estruturas, etc.
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3.3.2 EBERICK

O surgimento do software Eberick, que pertencente a empresa ALTOQI


Tecnologia em informática ltda, é utilizado para elaboração de projeto estrutural de
edificações de concreto armado. Respaldado nas normas nacionais, o programa permite o
dimensionamento de vigas, lajes, pilares, blocos, sapatas e estacas (VERGUTZ e
CUSTÓDIO, 2010).
Possui o próprio sistema gráfico de entrada de dados, além de diversos recursos de
dimensionamento e detalhamento dos elementos. O programa apresenta, também, a
possibilidade da visualização tridimensional da estrutura modelada e exportação de arquivos
em outros formatos. Sua aplicação pode ser completada com recursos extras – módulos -,
conforme as exigências do projeto.

3.3.3 TQS

O software TQS, criado pela A TQS Informática Ltda., é um sistema de análise e


dimensionamento de estrutura de concreto armado e protendido. Baseado na nobre 6118, o
programa realiza análise de esforços através de pórtico espacial, grelha e elementos finitos de
placas, cálculo de estabilidade global; dimensionamento das peças estruturais, vigas, pilares,
lajes (convencionais, nervuradas, sem vigas, treliçadas), etc.
Conforme a TQS Informática:

A análise estrutural realizada pelo cad/tqs é baseada num modelo integrado (grelhas
+ pórticos espaciais) que considera: ligações viga-pilar flexibilizadas, não-
linearidade física (fissuração do concreto), não-linearidade geométrica (gamaz ou p-
delta), processo construtivo, offsets-rígidos automáticos, modelos especiais para
vigas de transição, plastificações automáticas nos apoios, e muitas outras
características exclusivas. (TQS)

Como os outros sistemas apresentados, o TQS possui um editor gráfico próprio e


possibilita, ao usuário, importar e exportar dados a outros programas.
17

4 MATERIAIS E MÉTODOS

4.1 Método

O método adotado para realização deste trabalho será o comparativo. Conforme


Prodanov e Freitas (2013, p. 38):

Centrado em estudar semelhanças e diferenças, esse método realiza comparações


com o objetivo de verificar semelhanças e explicar divergências. O método
comparativo, ao ocupar-se das explicações de fenômenos, permite analisar o dado
concreto, deduzindo elementos constantes, abstratos ou gerais nele presentes.

Os programas avaliados são: Eberick, TQS e Cypecad. Assim, os SCE serão


comparados em três etapas de dimensionamento, sendo a primeira parte com os elementos
estruturais totalmente engastados, a segunda com as peças com vinculação semi-rígida, por
fim, a última etapa com vínculos rotulados. Os resultados obtidos serão categorizados
conforme as dimensões das estruturas, consumo de aço e concreto.

4.2 Materiais

Além dos SCE mencionados, serão utilizadas planilhas eletrônicas, feitas com
auxílio do programa Excel. O projeto arquitetônico em estudo corresponde de um edifício de
cinco pavimentos.

4.2.1 Parâmetros para o Cálculo Estrutural Adotados

Os parâmetros de carga, dimensionamento, combinação de esforços seguirão as


orientações das normas NBR 6120 (1980) e NBR 6118 (2014).
18

4.2.2 Pré-dimensionamento dos elementos estruturais:

Para o pré-dimensionamento, seguirá as orientações de Pinheiros (2010):

I. Seção do pilar:

𝟑𝟎.𝛂 .𝐀.(𝐧+𝟎,𝟕)
𝐀𝐜 = (1)
𝐟𝐜𝐤 +𝟎,𝟎𝟏.(𝟔𝟗,𝟐−𝐟𝐜𝐤 )

Ac – área da seção do concreto;


𝛼 – coeficiente que leva em conta as excentricidades da carga;
A – área de influência do pilar;
n – número de pavimentos-tipo.

II. Altura da viga:

𝑳𝒐
𝒉𝒗 = 𝟏𝟎 (2)

Lo – tamanho do vão.

III. Espessura da laje (h):


𝒉 = (𝒅 + 𝒄) + (3)
𝟐

d = altura útil da laje;


∅ = diâmetro das barras;
c = cobrimento nominal da armadura.

Os dados obtidos pelo pré-dimensionamento serão atribuídos a todos os softwares


em estudo. No cálculo da laje, será considerado a análise de elementos pré-moldados e laje
maciça.
19

5 RESULTADOS ESPERADOS

Busca-se com esse trabalho compreender as diferenças dos principais softwares de


cálculo estrutural disponíveis no mercado e suas implicações no projeto estrutural. Com isso,
possibilitar a estudantes e profissionais engenheiros civis uma fonte de informações a respeito
das diferenças, funcionalidades, benefícios que cada software proporciona. Além disso, tenta-
se, com o presente, explicitar a importância do engenheiro civil na elaboração do projeto
estrutural.
20

6 CRONOGRAMA

Ano 2017 2018

Fases/meses F M A M J J A S O N D J F M
F Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar
e
v
Levantament x x x x x x x
o x x x
bibliográfico
Análise e x x x x x x
revisão do x x x
material
Leituras e x x x x x x x x x
fichamentos x x x x
Revisão x x x x x x x
bibliográfica x x x x

Análise dos x x x x x x
dados da x x x x x
pesquisa
Introdução e x x x x x
Consideraçõ x
es Finais

Entrega da x x
redação final x
21

7 ORÇAMENTO

Ferramentas Preço (R$)

Notebook 2700

Licença Eberick 2300

Licença Cypecad 5000

Licença TQS 5000

Licença Excel 2500

Total 17500
22

REFERÊNCIAS

ABCP, Associação Brasileira de Cimento Portland,. Guia Básico de Utilização do Cimento


Portland. 7.ed. São Paulo, 2002. 28p. (BT-106)

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118 – Projeto de


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