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[DOENÇAS MICÓTICAS DA MUCOSA BUCAL – MARINA LINE] 2018/1

CANDIDÍASE OU CANDIDOSE

-Pelo menos três fatores gerais podem determinar se existe evidência clínica de infecção: estado imunológico do
hospedeiro, ambiente da mucosa oral e o micro-organismo.

-Infecção mais comum na cavidade oral.

-Afeta pacientes mais idosos devido ao uso de próteses antigas e com alta freqüência, sem higienizar.

- Micro-organismo causador : Candida albicans

- Fungo dimórfico : levedura ou hifa. A forma infectante é a hifa.

- Porque o paciente teria candidíase? Na maioria das vezes é o uso crônico da prótese dentária, ou a perda da
dimensão vertical de oclusão (acumula saliva na comissura labial e cria um sítio favorável), ou paciente
imunodepremido. É incomum a candidíase em pacientes saudáveis.

-Infecções leves.

-Queixa do paciente: queimação na área infectada, gosto ruim na boca. Porém, normalmente o paciente nem
percebe as infecções na boca (Assintomáticos).

-Infecção superficial, que não entra no tecido conjuntivo. Sempre na superfície da mucosa.

-Variações clínicas da candidíase:

• Pseudomembranosa (sapinho, múltiplas placas brancas)

Caracterizada pela presença de placas brancas aderentes na mucosa oral, que lembram leite coalhado. As placas
brancas são compostas por uma massa desordenada de hifas, leveduras, células epiteliais descamadas e
fragmentos de tecido necrótico.Normalmente essas placas se destacam da mucosa quando é friccionado.

Pode ser iniciada por exposição do paciente a antibióticos de amplo espectro (eliminando assim as bactérias
competidoras) ou pela diminuição da capacidade imune do paciente.

Sintomas, quando presentes, costumam ser relativamente brandos e consistem em uma sensação de queimação
da mucosa oral ou um gosto desagradável.

Caracteristicamente, as placas são distribuídas na mucosa jugal, palato e dorso da língua.


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• Eritematosa

Afeta qualquer região da mucosa bucal e mais comum.

Pacientes sentem queimação, pela presença do fungo.

Área avermelhada
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Comum em pacientes imunodepremidos.

Queilite angular ( só fica na comissura labial ) -> contém pequenas fissuras e sente queimadura ao abrir a boca.
Comum em idosos que têm redução da dimensão vertical de oclusão e sulcos acentuados nas comissuras labiais.
A saliva tende a se acumular nestas áreas, mantendo-as úmidas e favorecendo a infecção por fungos.

Queilocandidíase -> lesões por todo o lábio

Glossite romboidal mediana ou atrofia papilar central (região posterior do dorso da língua) -> Apresentação
clínica: devido ao contato da língua com o palato, pode-se ter a candidíase no palato. O eritema se deve em parte
à perda das papilas filiformes naquela área.

Estomatite por dentadura ou Estomatite protética: condição caracterizada por uma variedade de graus de
eritema, algumas vezes acompanhado por petéquias hemorrágicas, localizadas no palato com uma prótese
removível.
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• Crônica hiperplásica (branca)

-Não destacável da mucosa quando friccionado.

-Comum ser confundida com leucoplasias, por estas serem brancas e não destacáveis. Portanto, é muito
importante a biópsia para diagnosticar corretamente.

-É comum ter as lesões próximas à comissura labial ou na região anterior da mucosa jugal.

• Mucocutânea
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-Muito rara.

-Associada a alterações imunológicas importantes.

-Tipo mais agressivo da doença.

-Candidíase ou vermelha ou branca na mucosa bucal.

-É encontrada por várias partes do corpo ( mãos e pés, pele )

CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS

-Feita a biópsia, a microscopia dita o tratamento da infecção. Normalmente vê-se hifas ou pseudo-hifas.

-As características em comum a todos os tipos são hiperparaceratinização e alogamento das projeções epiteliais.
Em geral, um infiltrado inflamatório crônico pode ser observado no tecido conjuntivo imediatamente subjacente ao
epitélio infectado. Frequentemente, pequenas coleções de neutrófilos (microabcessos) são identificadas na
camada de paraceratina e na camada de células escamosas superficial próxima aos micro-organismos.

-A simples apresentação clínica é quase sempre suficiente para diagnóstico. Caso haja dúvida, pode-se fazer um
esfregaço ou biópsia( no caso da hiperplásica)

-Tratamento primário: correção da doença que fez o paciente ficar imunodeprimido ( porque que o paciente teve
candidíase?)

-Antifúngicos: nistatina (bochecho da droga por 3 ou 4 vezes por dia), ou pomada Miconazol.

-Nistatina só funciona por contato. Se engolir não tem efeito porque vai ser inibido pelo sistema gastrointestinal.

PARACOCCIDIODOMICOSE

-Agente etiológico: Paracoccidioides brasiliensis

-O fungo é birefringente e produz vários brotamentos. Pode estar dentro de uma célula gigante ou não.

-Parece com câncer de boca

-Comum na América do Sul e Central

-Predileção muito grande por homens. Os hormônios femininos inibem a transformação da forma inócua do fungo
para a forma patogênica.

-Maioria dos casos é em trabalhadores rurais,por inalação do fungo. Este pode e espalhar por via hematogênica
ou linfática para uma variedade de tecidos, incluindo linfonodos, pele e glândulas adrenais.

-Infecção profunda. Há infecção do pulmão quase sempre.

-Dentistas fazem diagnóstico pelas lesões de boca e os infectologistas fazem o tratamento.

- Lesões granulares, bem irregulares, eritematosa

-Tem inflamação crônica granulomatosa (rica em macrófagos e células gigantes), com formação de vários
granulomas. ( isso diferencia de um câncer de boca).
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-Numa infecção há presença de vários focos ou lesões múltiplas, o que acontece com o Paracoccidiodomicose
(lesões em amora) ; Neoplasias há focos únicos.

-O epitélio apresenta-se proliferação pseudocarcinomatosa (apenas reação por causa do fungo), há


microabcessos (muitos neutrófilos), e granulomas (com células gigantes do tipo Langerahs).

-Na palpação, é um tecido endurecido (fibrosado)

-Apresenta pontinhos vermelhos na lesão, devido a vasculite (inflamação dos vasos). Isso ajuda na diferenciação
de outras doenças, como câncer de boca.

-Apresentação clínica, com presença dos pontinhos vermelhos, já é sugestivo da doença. Porém, faz-se a biópsia.

-Tratamento: vai depender da gravidade da doença; normalmente drogas mais fortes são prescritas e é muito
longo. Pode ser utilizado o Itraconazol, Cetoconazol e Anfotericina B intravenosa (casos mais graves).

ZIGOMICOSE

-Infecção profunda, agressiva e oportunista

-Associada normalmente a uma imunossupressão muito grande.

-É observada principalmente nos diabéticos insulino-dependentes que têm diabetes descompensada e estão em
cetoacidose. Tal fenômeno inibe a ligação do ferro à transferrina, fazendo com que os níveis séricos de ferro
aumentem. O crescimento desse fungo é estimulado pelo ferro, e pacientes que estão fazendo alguns tipos de
medicamento quelantes de ferro também apresentam essa doença.

-Infecta pela inalação dos esporos e, consequentemente, afeta os pulmões.

-Manifestação clínica: rinocerebral (tipo de micose que destrói o nariz e envolve o sistema nervoso central) e pode
afetar o palato. Paciente apresenta cefaléia, dor fácil, tumefação facial, distúrbios visuais e geralmente os
sintomas estão relacionados com o envolvimento dos nervos cranianos (paralisia facial, por exemplo).
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-Radiograficamente: observa-se opacificação dos seios associada ao apagamento irregular das paredes ósseas
sinusais. Pode ser difícil distinguir esse quadro de um tumor maligno que afete a região dos seios.

-Características histopatológicas: o tecido lesionado revela extensa necrose. A destruição tecidual extensa e a
necrose associada a esta doença são indubitavelmente atribuíveis à preferência dos fungos pela invasão de
pequenos vasos sanguíneos, levando à alteração da vascularização tecidual com conseqüentes infarto e necrose.

-Tratamento: Anfotericina B.