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1 – Introdução

Diante das constantes e rápidas transformações que a moderna agricultura vem


sofrendo nas últimas décadas em virtude da crescente demanda populacional e da evolução
tecnológica, esta atividade vem agregando um alto valor competitivo no mercado. Dessa
forma, o agronegócio exige dos produtores rurais um alto grau de especialização e de
profissionalismo, visando otimizar, aumentar e agilizar a capacidade gerencial e produtiva das
empresas rurais.
Aliada a esta realidade, está a capacidade do produtor de coletar dados e informações
relativas à sua área produtiva, objetivando adaptar e implementar novas tecnologias à sua
realidade. Assim, a Agricultura de Precisão (AP), é o sistema de produção adotado por
agricultores de países de tecnologia avançada que surgiu como um sistema de gerenciamento
de informações, potencializado pelos avanços da tecnologia de referenciamento e
posicionamento (GPS) e sensoriamento remoto, viabilizando assim, a criação de conceitos
como os Sistemas de Informações Geográficas (SIG’s).
O Brasil hoje é um gigante no cenário agrícola no mundo. Por outro lado, a Agricultura
de Precisão precisa crescer muito para acompanhar o ritmo da produção, uma vez que muitos
produtores ainda não possuem os conceitos e benefícios desta forte e aliada esclarecidos e
tampouco compreendem a sua acessibilidade.
Dessa forma, faz-se necessário disseminar este conhecimento, fomentando a
comunhão desta prática no país, o que viria a contribuir significativamente para o
desenvolvimento das fronteiras agrícolas do pequeno, médio e grande produtor rural.

2 – Conceito e Histórico
A incorporação da tecnologia da Agricultura de Precisão na produção e práticas
agrícolas começou no início da década de 80, e recentemente tem se aumentado
sensivelmente. Apenas desta tecnologia não ser nova, tem-se experimentado uma quantidade
de informações disponível e uma variedade de informações muito maior do que se previa no
início do processo. Várias são as definições para o termo “Agricultura de Precisão”, a mais
usada foi definida por Balstreire (1998) da seguinte forma: “Um conjunto de técnicas que
permite o gerenciamento localizados das culturas” ou por Sonka (1997) que a define como:
“Uma estratégia de gerenciamento que se utiliza da tecnologia da informação para coletar
dados de múltiplas fontes, afim de auxiliarem nas decisões relacionadas a plantação”.

A Agricultura de Precisão consiste de um ciclo de análise de produtividade do solo


através da colheita, análise das características do solo (através de coleta de amostras ou
imagens de satélite), controle preciso de aplicação de insumos e correção da terra e controle
preciso da plantação e da aplicação de agrotóxicos. As vantagens de sua aplicação são
muitas como economia de insumos agrícolas (agrotóxicos, fertilizantes e corretivos agrícolas),
aumento da produtividade devido à otimização dos recursos do solo e sustentabilidade da
terra a longo prazo, explorando-a de forma otimizada e não depredadora. Assim, estas
vantagens são comprovadas no campo científico e prático. Experimentos comprovaram
aumentos de produtividade de 20% a 29% e economias de 13% a 23% de insumos agrícolas,
com relação a médias nacionais.

Este conceito estende-se ainda como uma filosofia de gerenciamento agrícola que
parte de informações exatas, precisas e se completa com decisões da mesma natureza.
Sendo uma maneira de gerir um campo produtivo metro a metro, levando em conta o fato de
que a menor porção de uma unidade de terra possui propriedades particulares e
especificamente diferentes. A principal característica dessa prática parte da aplicação dos
insumos agrícolas no local correto, no momento adequado, nas quantidades de insumos
necessários à produção, em área cada vez menores e mais homogêneas, tanto quando a
tecnologia e os custos envolvidos o permitam. Assim, a consolidação de tais tecnologias como
ferramentas a disposição do produtor permitem visualização da variabilidade espacial e
temporal de diversos fatores e características de cada área agrícola, considerando as
peculiaridades de cada parte da área no instante do manejo, desconsiderando assim uma
possível falsa uniformidade.

Dessa forma, alguns problemas iniciais estão atrelados à aplicabilidade deste recurso,
como dificuldade na intepretação de um volume considerável de dados, elevado custo dos

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equipamentos, adaptação das tecnologias à diferentes regiões e popularização das técnicas
envolvidas no processo. Por outro lado, estas técnicas têm evoluído para soluções viáveis,
tornando-a uma ferramenta real ao alcance dos produtores. Assim, tem sido empregada a
combinação de novas tecnologias associadas à informação com uma agricultura comercial
madura. É um sistema de manejo de produção integrado, que iguala o tipo e a quantia de
insumos que entram na propriedade com as necessidades da cultura em pequenas áreas
dentro de um campo da propriedade.

Atualmente, a Agricultura de Precisão é considerada por boa parte dos especialistas


em informação e sensoriamento remoto como um sistema de gestão da produção agrícola,
onde são definidas e aplicadas tecnologias e procedimentos, visando otimizar os sistemas
agrícolas, com enfoque no manejo das diferenças produtivas e dos fatores envolvidos na
produção. A características crucial desta prática é a existência de uma variabilidade nas áreas
agrícolas, fazendo-se necessária a criação de condições de manejo que respeitem esta
diversidade, gerando assim um maior potencial produtivo e menor impacto ambiental. Esta
técnica pode ser estendida também a um processo que envolve o conhecimento espacial
baseado no uso de dados obtidos com auxílio de satélites, nesse âmbito, a Agricultura de
Precisão tem sido frequentemente definida com base nas tecnologias que permitem que ela
seja realizada com GPS ou sistema de taxa variável, porém, é importante ressaltar a
importância na qualidade da interpretação das informações geradas por estes dispositivos,
efetuando-se um trabalho minucioso, pertinente e hábil nas extensões rurais.

Assim, as vantagens geradas pela utilização dessa prática nas propriedades agrícolas
são de possibilitar um melhor conhecimento do campo de produção, permitindo a tomada de
decisões melhor embasadas, tendo-se uma maior capacidade e flexibilidade para distribuição
dos insumos em local e tempo adequados, minimizando custos de produção, bem como
uniformidade e produtividade com a correção dos fatores que contribuem para sua
variabilidade obtendo-se um aumento global da produtividade e também a aplicação
localizada dos insumos necessários para sustentar uma alta produtividade contribuindo com
a preservação ambiental.

3 – Agricultura de Precisão no Brasil

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Com a globalização da economia e a competitividade dos produtos agrícolas, surgiu a
necessidade de se obter produções em níveis cada vez maiores, e impõe à atividade agrícola
novos métodos e técnicas de produção, aliados à eficiência e maior controle dos resultados
obtidos no campo. Para que os agricultores brasileiros continuem competitivos neste mercado
globalizado é necessário produzir cada vez mais com menor custo de produção.

Por outro lado, os mercados compradores estão cada vez mais exigentes com relação
à segurança alimentar, rastreabilidade, respeito ao meio ambiente, sistemas de produção
sustentáveis e energia renovável, além das barreiras sanitárias e fitossanitárias. Poucos
países no mundo têm condições de dar esta resposta à crescente demanda para produção
de alimentos. Os produtores, por outro lado, dada a globalização e margens de lucro mais
apertadas, serão mais exigidos em termos de competitividade e sustentabilidade. Hoje a
agricultura moderna está relacionada à distribuição inadequada dos insumos agrícolas
(calcário, semente, adubo, herbicida, inseticida) a uma gestão da unidade produtiva deficiente,
acarretando zonas de baixa produção agrícola dentro da mesma área cultivada. Com a
utilização das ferramentas e tecnologias da Agricultura de Precisão é possível auxiliar o
produtor a identificar qual o insumo deve ser aplicado e “como” fazê-lo, permiti ainda identificar
os locais específicos com diferentes potenciais de produtividade, podendo-se determinar ou
não a aplicação, desde que seja econômica e tecnicamente viável.

Dessa forma, o mercado aponta para a inovação e incorporação da tecnologia como


uma ferramenta fundamental para a competitividade e sustentabilidade em resposta à
produção crescente de alimentos. A Agricultura de Precisão auxilia a melhoria da gestão da
propriedade rural com o uso de sensores ópticos, adubação e semeadura a taxa variável em
tempo real, piloto automático, tráfego controlado, plantio na mesma linha, aproveitando a
adubação residual e permitindo a semeadura noturna. Essas ferramentas contribuem para
tornar as práticas agropecuárias cada vez mais precisas e decisões acertadas para melhor
gerenciamento da unidade produtiva.

4 – Áreas de aplicação da Agricultura de Precisão

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4.1 – Gerenciamento Agrícola

Os avanços na tecnologia da informação e sua aplicação na produção agrícola, tem


criado uma mudança no processo decisório da administração agrícola. Uma vez que essas
mudanças dependiam do avanço nas tecnologias, atualmente consolidadas. Assim, tendo em
vista a necessidade de monitorar e avaliar as operações agrícolas, buscando manter a
qualidade necessária para a Agricultura de Precisão, é necessário manter uma gestão
aprimorada da propriedade, uma vez que é insuficiente apenas a obtenção dos dados, sendo
necessário organizá-los e associá-los às atividades e processos envolvidos, possibilitando
encontrar falhas e buscar soluções. Assim, a utilização desta ferramenta, de maneira
acessível ao produtor para organizar e gerir essas informações é relevante para que haja uma
integração entre as recomendações e os resultados, de forma simples, para que o agricultor
possa se beneficiar das informações geradas.
Assim o que mais anima os proprietários e que mostra o maior potencial imediato para
agricultura de precisão é o gerenciamento de pequenas áreas. A habilidade de repetidamente
localizar um talhão específico e dele medir a produtividade e o rendimento financeiro, promove
uma oportunidade de otimizar a produtividade e lucro de cada área. Subdividir o campo em
pedaços menores e gerenciáveis, o torna economicamente e ambientalmente sustentáveis.

4.2 – Sistema de Mapeamento de Colheita

O Sistema GPS está diretamente ligado aos dados georreferenciados, utilizados na


Agricultura de Precisão. O uso do GPS permite associar a informação de latitude e longitude
aos dados obtidos de um local específico do campo. Também é usado largamente para guiar
a navegação pelo campo, provendo ao produtor a possibilidade de revisitar um determinado
local, afim de comprovar a eficácia do gerenciamento escolhido. Assim o GPS se torna um
componente essencial para a maioria das aplicações de agricultura de precisão baseadas em
mapeamento do solo. Ainda as aplicações de sensoriamento em tempo real e posicionamento
em tempo real podem usufruir do sistema GPS.
Os dados geográficos digitais gerados pelo GPS, podem ser armazenados, analisados
e mostrados de diferentes maneiras, formando o núcleo da agricultura de precisão. Os
pacotes de software que são usados para manusear estes dados chamados SIG (Sistema de
Informações Geográficas), estão disponíveis em uma gama de capacidades e custos, mas
todos apresentam a capacidade de mostrarem graficamente dados. Estes sistemas variam de

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simples mostradores de mapas até sistemas complexos capazes de analisar e integrar
diferentes tipos de dados de diferentes bases de dados.
Os sistemas de mapeamento da colheita são capazes de armazenar as informações
relativas à produtividade durante o processo da colheita, georreferenciando os dados e
adicionando as características da safra colhida. Os mapas resultantes mostram explicitamente
as áreas de variação de produtividade, como a produtividade é o fator determinante nas
decisões de gerenciamento, estes mapas são desejados para ratificar as decisões de
gerenciamento e manejo do campo.
Desde 1992, a colheita de grãos tem sido mapeada nos EUA usando sensores de
massa e sistemas GPS para armazenar a posição. Estes sensores medem a umidade dos
grãos, a mistura dos tipos de grãos e a colheita por área, determinado a quantidade de grãos
da produtividade por acre. Baseado neste sistema a Massey Ferguson possui um sistema SIG
de gerenciamento de produtividade no campo, que abrange todas as fases da plantação e se
torna um dos mais completos do mercado.

4.3 – Amostragem georreferenciada de solo

Uma técnica que tem se tornado bastante popular é a geração do mapa individual para
cada indicador da fertilidade do solo. Para isso é necessário investimento na coleta de
amostras na forma que se convencionou denominar de amostragem em grade. Ela tem o
objetivo de determinar as necessidades do solo com maior detalhamento quando comparado
a prática da amostragem convencional.
Para tanto, divide-se o talhão em quadrículas imaginárias, regulares ou não, e em cada
quadrícula retira-se amostras de solo que irão para o laboratório. Podem-se usar diferentes
estratégias para amostragem em grade. A mais comum delas é a amostragem pontual onde
as amostras serão coletadas no centro de cada quadrícula. Utiliza-se GPS para localizar cada
um desses pontos e retira-se algumas sub-amostras em torno do ponto para então juntá-las
e compor a amostra que será enviada ao laboratório e representará aquele ponto. A
composição da amostra é muito importante para eliminar ou pelo menos diminuir bastante a
interferência de ocorrências locais, naturais ou não, tais como uma pequena mancha de alta
fertilidade causada pela semeadora no ciclo anterior, ou então o local onde houve um acúmulo
acidental de adubo. O número de sub-amostras é um aspecto bastante polêmico e de difícil
definição. O solo é um ambiente bastante heterogêneo, mesmo a pequenas distâncias e para
cada componente que se queira analisar, essa heterogeneidade terá um comportamento
próprio. Na prática tem-se utilizado números de sub-amostras que vão de 3 a 12.

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Outra estratégia de amostragem é fazer-se a coleta espalhada e aleatória dentro de
toda a quadrícula ou célula. As várias sub-amostras são então combinadas para formar a
amostra que irá ao laboratório. No primeiro caso, com amostragem de pontos, é possível
adotar o procedimento denominado de interpolação, que consiste em estimar valores nas
regiões não amostradas da lavoura. No caso da amostragem por célula não há como se fazer
a interpolação porque não existe um valor para os atributos do solo centrado em um ponto e
cada célula é então tratada com uma unidade de manejo. A estratégia da amostragem por
células é recomendada para casos em que a densidade amostral, por algum motivo, é limitada
e nesse caso utilizam-se células ou quadrículas grandes, da ordem de 5 a 20 hectares. Já na
amostragem por pontos deve haver uma investigação preliminar para definir a distância entre
amostras. Nesse caso é importante que haja o suporte de algum especialista que possa
conduzir ou orientar essa investigação.
Um projeto piloto dentro da propriedade, envolvendo uma área representativa e
suficientemente grande, permite que essa investigação com o uso de conceitos da
Geoestatística indique uma distância e, portanto, uma densidade amostral adequada.
Aspectos relativos a ferramentas e métodos de coleta de amostras apenas devem respeitar
os procedimentos que garantem a qualidade das amostras.
Quanto à mecanização ou automatização da coleta, fica por conta do usuário, visando
apenas à ergonomia, conforto e custo. Os itens de análise a serem solicitados do laboratório
têm a ver com o que se está investigando. Portanto a inclusão de micronutrientes é válida
para uma investigação mais detalhada, porém representará custos adicionais. Sabe-se que a
distribuição granulométrica ou textura do solo tem uma participação importantíssima nas
relações de trocas, disponibilidade de nutrientes, capacidade de armazenamento de água,
tendência à compactação e tantas outras características do solo, o que sugere que na primeira
amostragem seja feita também a análise granulométrica, que terá valor praticamente
permanente.

4.4 – Sistemas de monitorização ambiental e da produtividade

A Agricultura de Precisão envolve a aplicação diferenciada e à medida dos fatores de


produção, levando em conta a variação espacial e temporal do potencial produtivo do meio e
das necessidades específicas das culturas. Com este propósito, é vulgar o recurso a dois
grandes tipos de sistemas de monitorização: a) Ambiental: caracteriza a evolução de vários
parâmetros do meio e das próprias plantas ao longo do tempo e no decurso da cultura; b)

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Produtividade: estima a variação espacial (no interior de uma parcela ou folha de cultura) da
produção alcançada pela cultura.
A monitorização da produtividade é, atualmente, a tecnologia de Agricultura de
Precisão mais utilizada pelos agricultores dos países mais desenvolvidos, estando a sua
aplicação muito difundida no caso das culturas arvenses para grão como cereais de Inverno,
milho, soja e outros. Existem igualmente sistemas para monitorizar a produtividade de outras
culturas, como algumas hortícolas, industriais ou forrageiras. No entanto, é nos cereais que
estes sistemas têm tido maior implantação. De facto, as ceifeiras debulhadoras mais recentes,
nomeadamente os seus modelos de topo de gama, já vêm equipadas com estes sistemas de
origem. Nota-se que, no contexto da Agricultura de Precisão, estes sistemas referem-se à
monitorização instantânea da produtividade, ou seja, a um conjunto de tecnologias que
permite medir, em tempo real, a produtividade de uma cultura que corresponde a uma
pequena parcela de terreno.
Os mapas de produtividade podem ser construídos recorrendo a Sistemas de
Informação Geográfica (SIG), o que facilita substancialmente o tratamento e visualização da
informação. Tudo isto, pode ser feito em tempo real, se for possível recorrer a DGPS, ou à
posteriori, quando apenas existe GPS. Neste último caso, a correção diferencial é feita
posteriormente, recorrendo a dados fornecidos via Internet. Os mapas gerados pelos sistemas
de monitorização, nomeadamente depois de tratados os dados, fornecem uma informação
muito útil aos agricultores, podendo ser considerados como instrumentos de suporte à tomada
de decisão. Os mapas gerados pelos sistemas de monitorização, nomeadamente depois de
tratados os dados, fornecem uma informação muito útil aos agricultores, podendo ser
considerados como instrumentos de suporte à tomada de decisão.
A análise da variabilidade espacial da produtividade no seio da parcela pode estar
associada a inúmeros fatores, relacionados com as características do solo ou das próprias
culturas. Muitas vezes, os sistemas de monitorização da produtividade possibilitam, por si só,
a identificação destas limitações, permitindo corrigir os problemas e aumentar as produções
no ano seguinte. É necessário, no entanto, ter em atenção que a atividade agrícola depende
de fatores extremamente diversos, e que as condições podem mudar de forma marcada com
a variação intra e inter-anual das condições climáticas. Por vezes, é necessário recolher
informação ao longo de vários anos e analisar outras variáveis, para conseguir compreender
os padrões de variabilidade na produtividade das culturas. No entanto, não hesitamos em
afirmar que a monitorização da produtividade, ou pelo menos a identificação da grandeza da
variação intra-parcelar da produção, constitui, quase sempre, o primeiro passo na
implementação de um sistema de Agricultura de Precisão, mas está, normalmente, longe de
ser suficiente para solucionar todos os problemas.

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5 – Futuro da Agricultura de Precisão no Brasil

Estimativas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação - FAO


e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE mostram que
a população brasileira poderá crescer 40% nos próximos 10 anos, a população mundial
poderá chegar a 8,3 bilhões de habitantes em 2030. Se considerarmos a área disponível para
produção de alimentos e o número de habitantes percebemos que cada vez mais a área
agricultável/habitante vai diminuir. Esse panorama nos mostra que o aumento da
produtividade será fundamental para atender a demanda mundial por alimentos.
Por outro lado, os mercados compradores são cada vez mais exigentes com relação
à segurança alimentar, rastreabilidade, respeito ao meio ambiente, mercado justo e sistemas
de produção sustentáveis e energia renovável, além das barreiras sanitárias e fitossanitárias.
Considerando que poucos países no mundo têm condições de dar esta resposta à crescente
demanda para produção de alimentos, o Brasil tem um grande desafio para se tornar, num
prazo de 10 a 20 anos, um dos principais produtores de alimentos do mundo. Os produtores,
por outro lado, dada a globalização e margens mais apertadas, serão mais exigidos em termos
de competitividade e sustentabilidade. Cada vez mais nossos produtores percebem que a
tomada das decisões, tanto de gestores como de operadores, por sistemas inteligentes, mais
que uma tendência, é uma questão se sobrevivência e uma necessidade.
O Agronegócio Brasileiro é responsável por 26,4% do PIB nacional, 36% das
exportações brasileiras e 39% dos empregos gerados. Neste contexto, o desenvolvimento da
AP, o uso de máquinas e equipamentos com tecnologia eletrônica embarcada, adaptados
para a agricultura moderna é uma realidade e a demanda é cada vez maior. Dessa forma, o
mercado aponta para a inovação e incorporação tecnológica como uma ferramenta
fundamental para a competitividade e resposta à produção crescente de alimentos e energia
renovável. A AP caminha para o uso de sensores ópticos para adubação a taxa variável em
tempo real, semeadura a taxa variada, de acordo com os mapas de fertilidade e declividade
do terreno, piloto automático e tráfego controlado, plantio na mesma linha aproveitando a
adubação residual e permitindo a semeadura noturna, escarificação à taxa variável. Essas
ferramentas contribuem para tornar as práticas agropecuárias cada vez mais sustentáveis,
com decisões mais precisas e acertadas para melhor gerenciamento agropecuário.
Outros aspectos de aplicação dessa ferramenta são na área de zootecnia,
principalmente na gestão e manejo para bem-estar animal, na gestão hídrica (irrigação de
precisão), na silvicultura, como apoio às ações de defesa agropecuária e rastreabilidade e
monitoramento dos impactos ambientais. Esses conceitos já são usados há algum tempo na
agricultura, mas na produção animal ainda são poucos difundidos e tem um mercado enorme

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se considerarmos a participação brasileira nos mercados mundiais de carne de frango e
suínos. Poderia trazer grandes incrementos na eficiência das granjas ao monitorar as
respostas dos animais, aves e suínos, ao manejo visando diminuir o stress e melhorar o seu
desempenho produtivo e/ou reprodutivo.
Algumas cooperativas do Rio Grande do Sul já oferecem este serviço para seus
cooperados, Projeto Cooperativo em Agricultura de Precisão – APcoop. Segundo seus
diretores é uma forma de permitir o acesso de pequenos produtores à tecnologia, uma
verdadeira “inclusão tecnológica”. O APcoop alia tecnologia (máquinas, equipamentos,
eletrônica embarcada, geotecnologias, programas computacionais e pessoal especializado)
com conhecimento e visa estimular a adoção da agricultura de precisão no sistema
cooperativo do RS. Atualmente fazem parte deste projeto 1850 produtores, associados à 19
cooperativas, ou seja, demonstra a verdadeira “inclusão tecnológica” de pequenos e médios
produtores, promovendo/propiciando uma nova forma de se “fazer agricultura”.
Com as ações em andamento: apoio à projetos de pesquisa, transferência de
tecnologia à pequenos e médios produtores, desmistificação do tema (elaboração de boletins,
realização de workshop, participação em feiras agropecuárias, dias-de-campo), aproximação
do setor produtivo com academia e governo, discussão para elaboração de políticas públicas
voltadas para a AP acreditamos que o setor vai dar uma resposta bastante positiva com o
desenvolvimento da AP, na geração de tecnologia, inovação, aumento na geração de renda
e melhoria da competitividade do agronegócio brasileiro.

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6 – Considerações Finais

Apesar das discussões sobre o aumento do desemprego nas propriedades agrícolas


como resultado da modernização das lavouras, a agricultura de precisão vislumbra para um
farto mercado de manuseio e manutenção de equipamentos, desenvolvimento de novos
produtos e ampliação do mercado já existente. Entretanto, essa nova estrutura demandará
profissionais especializados.
De antemão, a Agricultura de Precisão precisa ser encarada como uma forma de o
agricultor conhecer mais a fundo os diferentes talhões, como vêm sendo manejados e como
respondem ao manejo. Essas informações são valiosas do ponto de vista gerencial, no dia a
dia da propriedade, além de comporem o histórico de uso das áreas. Isso, por si só, já constitui
um grande benefício da AP, porém difícil de ser mensurado em termos econômicos. O preço
relativamente baixo da terra em algumas regiões do Brasil e a aplicação de tecnologias de
precisão em culturas de baixo valor comercial unitário, como os grãos em geral, são fatores
que poderão retardar a expansão e a consolidação da AP no país.
Por outro lado, culturas de maior valor agregado, como citrus e cana-de-açúcar, em
regiões de terras mais valorizadas, têm forte potencial para inserção da AP com lucratividade.
Também em consequência de uma relação benefício/custo mais compensadora, pode-se
esperar avanços no desenvolvimento de tecnologias de AP especialmente voltadas para
sistemas de produção de frutas para exportação, tais como uva de mesa e manga, dentre
outras.
Obstáculos ainda são impostos pelo custo relativamente elevado do ferramental
empregado na AP, carência de pesquisas para adaptação e validação tecnológica
considerando as características dos sistemas de produção, precariedade da assistência
técnica por parte dos fornecedores de máquinas e equipamentos, escassez de pessoal
especializado para consultoria agronômica em AP e, especialmente, falta de mão-de-obra
treinada nas fazendas brasileiras.
Dessa forma, ao falar em Agricultura de Precisão no Brasil, estamos diante de um
imensurável potencial agrícola, porém, que ainda necessita de incentivo, estudo e
aplicabilidade por parte dos produtores rurais, além da viabilidade desta aplicação buscando
se reduzir os possíveis danos resultantes dessa prática, que sem dúvida, representa o
presente e o futuro da agricultura mundial.

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8 - Referências Bibliográficas

• Georreferenciamento - Agricultura de Precisão


Disponível em:
http://www.agrolink.com.br/georreferenciamento/AgriculturaPrecisao.aspx
• Agricultura de Precisão – Boletim Técnico
Disponível em:
http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/file/Desenvolvimento_Sustentavel/Agr
icultura-Precisao/Boletim%20T%C3%A9cnico%20%20-
%20Agricultura%20de%20Precis%C3%A3o%202013.pdf
• Agricultura de Precisão – Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento
Disponível em:
http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/Boletim%20T%C3%A9cnico%20AP.p
df
• Agricultura de Precisão – Situação e Tendências
Disponível em:
http://www.canaldoprodutor.com.br/agricultura-precisao/wp-
content/uploads/2012/09/Jos%C3%A9-P.-Molin-Esalq_USP.pdf
• SENAR – Agricultura de Precisão
Disponível em:
http://www.senar.org.br/programa/agricultura-de-precisao
• Agricultura de Precisão no Brasil: Avanços, Dificuldades e Impactos no
Manejo e Conservação do Solo, Segurança Alimentar e Sustentabilidade
Disponível em:
http://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/870646/1/Agriculturapr
ecisao.pdf

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9 – ANEXO 1

Relatório – Visita Técnica MONSANTO

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