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O QUE É O VINHO?

O vinho é o suco fermentado de uvas prensadas; uma bebida alcóolica que


pode levar à embriaguez, caso consumido em excesso. A maioria de nós sabe o que o
vinho é, embora alguns professores tenham tentado explicar que o vinho na Escritura
às vezes é vinho e, outras, suco de uva.
A verdade pura é que os melhores estudiosos bíblicos argumentam, de forma
consistente e clara, que não apenas o “vinho” na Bíblia é alcoólico, como também
afirmam que o suco não-fermentado de uva seria praticamente uma impossibilidade.
D. F. Watson declara isso com toda franqueza em The Dictionary of Jesus and
the Gospels, em seu artigo Wine [Vinho], quando ele diz que “todo vinho mencionado
na Bíblia é suco de uva fermentado com teor alcoólico. Nenhuma bebida não
fermentada era chamada de vinho”.

QUEM BEBIA VINHO NA BÍBLIA ?


Quase todo mundo. Beber vinho era normativo para os judeus (Gênesis 14.18;
Juízes 19.19; 1 Samuel 16.20), embora os sacerdotes levitas no serviço do templo
(Levítico 10.8–9), os nazireus (Números 6.3) e os recabitas (Jeremias 35.1–3) se
abstivessem dele. No Novo Testamento, João Batista também se absteve.
A despeito do que alguns alegam hoje, o próprio Jesus bebeu vinho (Lucas
22.18; Mateus 11.18,19; 26.27-29), e foi acusado de beberrão por seus acusadores:
“Pois veio João, que não comia nem bebia, e dizem: Tem demônio! Veio o
Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho,
amigo de publicanos e pecadores! Mas a sabedoria é justificada por suas obras”
(Mateus 11.18–19).

COMO O VINHO É DESCRITO NA ESCRITURA ?


O vinho era a bebida comum dos judeus, usufruído com refeições e
compartilhado com amigos (Gênesis 14.18; João 2.3). Era também uma parte
essencial da adoração do povo de Deus em ambos os Testamentos.
A “oferta de bebida” consistia de vinho (Êxodo 29.40; Levítico 23.13), e o povo
de Deus trazia vinho por ocasião dos sacrifícios de oferta (1 Samuel 1.24). Os judeus,
inclusive, guardavam vinho no templo (1 Crônicas 9.29). Em Isaías 62.9, o povo é
abençoado pelo Senhor de tal maneira que é descrito bebendo vinho no santuário
diante da presença de Deus. Em Deuteronômio 14.22–27, lemos o seguinte:
“Certamente, darás os dízimos de todo o fruto das tuas sementes, que ano
após ano se recolher do campo. E, perante o SENHOR, teu Deus, no lugar que
escolher para ali fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu cereal, do teu
vinho, do teu azeite e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que
aprendas a temer o SENHOR, teu Deus, todos os dias. Quando o caminho te for
comprido demais, que os não possas levar, por estar longe de ti o lugar que o
SENHOR, teu Deus, escolher para ali pôr o seu nome, quando o SENHOR, teu Deus,
te tiver abençoado, então, vende-os, e leva o dinheiro na tua mão, e vai ao lugar que o
SENHOR, teu Deus, escolher. Esse dinheiro, dá-lo-ás por tudo o que deseja a tua
alma, por vacas, ou ovelhas, ou vinho, ou bebida forte, ou qualquer coisa que te pedir
a tua alma; come-o ali perante o SENHOR, teu Deus, e te alegrarás, tu e a tua casa;
porém não desampararás o levita que está dentro da tua cidade, pois não tem parte
nem herança contigo”.
O vinho foi usado na celebração da páscoa e é usado na celebração da Ceia
do Senhor no Novo Testamento (Lucas 22.7-23; 1 Coríntios 11.17-32).
Ele também é usado com fins medicinais, para ajudar o fraco e o doente (2
Samuel 16.2; Provérbios 31.6; 1 Timóteo 5.23).
Não é forçado dizer que Deus gosta de vinho. Ele estava associado com a
vida, as bênçãos divinas e o reino de Deus. Em Juízes 9.13, lemos que o vinho é
aquilo que “agrada a Deus (ELOHIM ) e aos homens”. O Salmo 104.15 retrata o vinho
de modo semelhante, dizendo que ele “alegra o coração do homem” (Eclesiastes
10.19; Isaías 55.1,2; Zacarias 10.7). Até mesmo o cumprimento futuro do reino de
Deus é caracterizado pela abundância de vinho (Isaías 25.6–8; Amós 9.13).
Naturalmente, nem toda referência ao vinho na Bíblia é positiva. A bebedice é
condenada, e o povo de Deus é advertido contra os perigos da embriaguez (Isaías
28.1,7; Efésios 5.18; Isaías 5.11; Tito 2.3).
Em seu livro What Would Jesus Drink (O que Jesus beberia), Brad Whittington
divide as referências bíblicas ao álcool em três tipos. Ao todo, existem 247 referências
ao álcool na Escritura. 40 são negativas (advertências sobre a bebedice, perigos
potenciais do álcool etc.), 145 são positivas (sinal da benção divina, uso no culto etc.)
e 62 são neutras (pessoas acusadas falsamente de estarem bêbadas, votos de
abstinência etc.). A Bíblia é tudo, menos silenciosa sobre a questão do vinho. Ele,
como todo álcool, deve ser tratado com cuidado, visto como uma bênção e recebido
com ações de graças entre aqueles que o bebem. Não deve ser consumido
excessivamente.

O VINHO NA BÍBLIA ERA MISTURADO COM ÁGUA?


De acordo com F. S. Fitzsimmonds, em seu artigo “Wine and Strong Drink”
(Vinho é bebida forte) no New Bible Dictionary, a resposta é “não”. Pelo menos, não no
Antigo Testamento.
No Novo Testamento, o vinho provavelmente era misturado com duas partes de água
para uma de vinho. Alguns que se opõem ao uso do vinho como uma bebida
argumentam que o vinho na Escritura era tão diluído com água que era difícil ficar
bêbado. Parece que o vinho no Novo Testamento, caso misturado, teria o mesmo teor
alcoólico que as cervejas de hoje. (Ver, também, a Baker Encyclopedia of the Bible).

QUAL DEVE SER A ATITUDE CRISTÃ PARA COM O VINHO?


É importante que os cristãos entendam o quadro completo. O vinho é visto
como uma bênção divina e como um meio potencial pelo qual as pessoas trazem
destruições sobre si mesmas.
Esses dois aspectos do vinho — seu uso e seu abuso, seus benefícios e sua
maldição, sua aceitação à vista de Deus e sua aversão — estão entrelaçados na
estrutura do Antigo Testamento para que possa alegrar o coração do homem (Salmos
104.15) ou levar sua mente ao engano (Isaías 28.7); ele pode ser associado com o
festim (Eclesiastes 10.19) ou com a ira (Isaías 5.11); pode ser usado para encobrir a
vergonha de Noé (Gênesis 9.21) ou, nas mãos de Melquisedeque, para honrar Abraão
(Gênesis 14.18).
Os cristãos devem ser cautelosos com o vinho e a bebida forte, exercendo moderação
e domínio próprio. E em relação ao outro, é importante que levemos em conta a
liberdade sem sermos julgados nem por beber nem por se abster. Pode-se beber para
a glória de Deus, enquanto o outro pode se abster para a glória de Deus.

EM RESUMO, O QUE É O VINHO?

O vinho é um dom de Deus. Nele vemos o amor de Deus em proporcionar vida e


alegria para todas as pessoas. Mas também enxergamos um sentido mais profundo.
No vinho vemos o amor de Deus no sacrifício de Jesus Cristo, que remove nossa
culpa, satisfaz a ira de Deus e salva a todos os que creem.

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