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CONTABILIDADE

Apuração do Resultado
3 APURAÇÃO DO RESULTADO

A cada exercício social (normalmente, um ano) a empresa


deve apurar o resultado dos seus negócios. Para saber se
obteve lucro ou prejuízo, a contabilidade confronta a receita
(vendas) com as despesas. Se a receita foi maior que a despesa,
5 a empresa teve lucro. Se a receita foi menor que a despesa,
teve prejuízo.

Diante dos acontecimentos contábeis, como compra de


matéria-prima, pagamento de fornecedores, custos fixos
e variáveis gerais, e seu recebimento denominado receita,
10 apura-se o lucro. E o instrumento contábil que evidencia
esse resultado é o DRE – Demonstração do Resultado do
exercício.

DRE DRE
Cia. Sucesso Cia. Fracasso

Receita 90 Receita 60
Despesas (48)
___ Despesas (72)
___
Lucro 42 Prejuízo (12)

Confronto entre Receitas e Despesas

— Receitas > Despesas Lucro


— Receitas < Despesas Prejuízo

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Apuração do Resultado

Receita:

• Vendas de Produtos, Mercadorias ou Serviços

— À vista entrada de dinheiro em Caixa


— A prazo entrada de direitos a receber

5 • Aumentam o Ativo

• Nem todo aumento de Ativo significa Receita

— Empréstimos
— Financiamentos
— Compras a prazo
10 Despesas:

• Todo sacrifício, esforço para obter Receita

— Matéria-Prima; Mão-de-Obra;
— Consumo de bens (Depreciação);
— Serviços.
15 • Podem ocorrer à vista ou a prazo

— À vista saída de dinheiro do Caixa


— A prazo aumento das Obrigações

DRE

• A demonstração de resultado do exercício é um


20 resumo ordenado das receitas e despesas da empresa
em determinado período, normalmente 12 meses. É
apresentada de forma dedutiva vertical.

DRE
Receitas 100
(-) Despesas (50)
Sentido vertical (dedutivo)

Lucro/(prejuizo) 50

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Onde podemos perceber algumas diferenças:

Micros e Pequenas Empresas Médias e Grandes Empresas

DRE DRE
Receitas 100 V V Receitas 100
E E
(-) Despesas (50) R R (-) Custos (50)
T T (-) Despesas (10)
I I (-) .................... ........
C C
A A (-) .................... ........
L L

Lucro/(prejuízo) 50 Lucro/(prejuízo) 40

A receita bruta é o total bruto vendido no período. Nela


estão inclusos os impostos sobre vendas e dela não foram
subtraídas as devoluções (vendas canceladas) e os abatimentos
5 (descontos) ocorridos no período.

Impostos e taxas sobre vendas são aqueles gerados no


momento da venda:

• IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados (governo


federal) – de 0 a quase 400% (no caso de cigarros).

10 • ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços


(governo estadual) Estado de SP 18%.

• ISS – Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza


(governo municipal) Município SP de 0 a 10%.

• PIS – Programa de Integração Social – taxa sobre o


15 faturamento (governo federal) – 1,65% (não-cumulativo
a partir de 2002).

• COFINS – Contribuição para a Seguridade Social (governo


federal) - 7,6% (não-cumulativo a partir de 2003).

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Apuração do Resultado

Como modelo, podemos enxergar a seguinte estrutura:

Receita Bruta

(-) Deduções da Receita


= Receita Líquida
5 (-) Custos das Vendas
= Lucro Bruto
(-) Despesas Operacionais
= Lucro Operacional
(-) Despesas não Operacionais
10 + Receitas não Operacionais
= Lucro Antes do Imposto de Renda (LAIR)
(-) Provisão para Imposto de Renda
= Lucro Depois do Imposto de Renda

A Receita Bruta representa o somatório dos valores


das Notas Fiscais emitidas.

Impostos e Taxas s/ Vendas


- IPI
- ICMS
- ISS
- PIS
- COFINS
Devoluções (Vendas canceladas)
Abatimentos (descontos)

Veja o seguinte exemplo:

15 Admita-se que a Cia. Balanceada, indústria, tenha emitido


uma nota fiscal de venda cujo preço do produto seja de

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CONTABILIDADE

$ 10.000 mais 30% de IPI. O ICMS está incluso no preço do


produto:
Nota Fiscal__ ___ Cia. Balanceada DRE Cia. Balanceada
__________ ___ R............................
__________ ___ R SP - São Paulo Receita Bruta $ 13.000
Preço do Produto 10.000 (-) Deduções IPI $ (3.000)
+ IPI (30%) 3.000
Preço Total 13.000 ICMS $ (1.800)
ICMS incluso no preço 18% x Receita Líquida $ 8.200
$ 10.000 $ 1.800
________ ________

Para melhor entendimento vamos fazer algumas definições:

Custos das Vendas representam os gastos de “produção”


5 apropriados aos produtos ou serviços vendidos.

Despesas Operacionais: São despesas relacionadas à


atividade principal da organização, tais como:

. Vendas
. Administrativas
10 . Financeiras

Despesas Financeiras – São despesas relacionadas ao custo


da movimentação do dinheiro, ou da obtenção desse recurso.

. Juros incorridos (pagos ou não)


. Juros de mora pagos
15 . Descontos concedidos

Receitas Financeiras – São receitas relacionadas ao ganho


da movimentação do dinheiro da organização.

. Aplicações financeiras
. Juros de mora recebidos
20 . Descontos obtidos

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Apuração do Resultado

Despesas e Receitas não Operacionais são variações


registradas na D.R.E., que não fazem parte do objeto Social da
Empresa.

Ganhos ou Perdas ocorridos com venda de Permanentes:

5 • venda de ações (com lucro ou prejuízo);


• venda de imobilizados (com lucro ou prejuízo.

Lucro Depois do I.R.


(-) Doações e Contribuições
(-) Participações
= Lucro Líquido

Retenções
Dividendos

É a sobra líquida à disposição dos


proprietários da empresa.

3.1 Como apurar o lucro depois do IR

O exercício social em que é gerado lucro (ano X) denomina-se


“ano-base”. O exercício em que se paga o IRPJ (ano X+1)
denomina-se “exercício financeiro”.

10 Pelo regime de competência considera-se o IRPJ no período


em que foi gerado (ano-base). Portanto, calcula-se (provisão)
o valor do IRPJ a pagar e deduz-se tal quantia do “Lucro Antes
do Imposto de Renda”. Pela Legislação do IRPJ, a base de
cálculo (lucro ajustado) é calculada em um livro extracontábil
15 denominado “Livro de Apuração do Lucro Real” – LALUR.

Como apurar o Lucro Líquido

Lucro depois do Imposto de Renda


(-) Doações e Contribuições
(-) Participações
Lucro Líquido

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CONTABILIDADE

3.2 DOAR – Demonstração das Origens e


Aplicação dos Recursos

Objetivo da DOAR:

Apresentar as informações relativas às operações de


financiamento e investimento da empresa durante determinado
exercício social, em que investimentos são representados pelas
5 aplicações de recursos, e os financiamentos são representados
pelas origens de recursos.

Exemplo

Balanço da Cia. ABC 31-13 19x2 (antes da classificação)


Ativo Passivo
Caixas e Bancos 3.000 Fornecedores 11.000
Clientes 16.000 Empréstimos a Longo Prazo 12.000
Mercadorias 14.000
Despesas pagas antecipadamente 2.000 Capital 20.000
Hipotecas a receber 5.000 Reservas 6.000
Terrenos 10.000 Lucros acumulados 1.000
50.000 50.000

Podemos classificar as contas do Balanço em quatro grandes


grupos, levando-se em conta o ciclo operacional da empresa:

10 Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos

Balanço da Cia. ABC 31-13 19x2 (antes da classificação)


Ativo Passivo
Ativo Circulante Passivo Circulante
Caixas e Bancos 3.000 Fornecedores 11.000
Clientes 16.000
Mercadorias 14.000 Passivo Não Circulante
Despesas pagas antecipadamente 2.000 Empréstimo LP 12.000
Capital 20.000
Ativo Não Circulante Reservas 6.000
Hipotecas a receber 5.000 Lucros acumulados 1.000
Terrenos 10.000
Ativo Total 50.000 Passivo Total 50.000

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Apuração do Resultado

Essa separação é importante para visualizarmos a situação do


capital circulante líquido, que é diferença entre ativo circulante
e passivo circulante, como segue:

Ativo Passivo
Circulante Circulante

Passivo não
Circulante
Ativo não
Circulante

Onde

Ativo Passivo
Circulante Circulante

5 Capital Circulante
líquido { Passivo não
Circulante
Ativo não
Circulante

Vamos ver um exemplo aplicado em uma empresa em


determinado momento:

Balanço Patrimonial da Cia. ABC no final de 19x3:

Balanço da Cia. ABC 31-12 19x3


Ativo Passivo
Caixas e Bancos 2.000 Fornecedores 22.000
Clientes 18.000 Empréstimos a Longo Prazo 5.000
Mercadorias 21.000 Capital 20.000
Despesas pagas antecipadamente 1.000 Reservas 60.000
Hipotecas a receber 5.000 Lucros acumulados 7.000
Terrenos 13.000
60.000 60.000

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CONTABILIDADE

Balanço da Cia. ABC 31-13 19x2 (antes da classificação)


Ativo Passivo
Circulante Circulante
Caixas e Bancos 2.000 Fornecedores 22.000
Clientes 18.000
Mercadorias 21.000 Total do Passivo Circulante 22.000
Despesas Antecipadas 1.000
Não Circulante
Total do Ativo Circulante 42.000 Empréstimo LP 5.000
Capital 20.000
Não Circulante Reservas 6.000
Hipotecas a receber 5.000 Lucros acumulados 7.000
Terrenos 13.000
Total do Passivo não Circulante 38.000
Total do Ativo não Circulante 18.000

Ativo Total 60.000 Total do Passivo 60.000

Capital Circulante Líquido:

Ativo circulante – Passivo circulante

Final de 19X2: $ 35.000 - $ 11.000 = $ 24.000

Final de 19X3: $ 42.000 - $ 22.000 = $ 20.000

Aumento do Ativo Circulante 7.000


(-) Aumento do Passivo Circulante (11.000)
Variação negativa do CCL (4.000)

5 Causa das variações:

Em 31-12-19x2 Em 31-12-19x3 Efeitos sobre CCL


$ $ $
Ativo não Circulante 15.000 18.000 (-) 3.000
Passivo não Circulante 39.000 38.000 (-) 1.000
Capital Circulante Líquido 24.000 20.000 (-) 4.000

Origens
Aplicações $
Aumento do Ativo não Circulante 3.000
Redução do Passivo não Circulante 1.000
Diminuição do CCL 4.000

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Apuração do Resultado

Para uma melhor análise, podemos decompor o Ativo


e o Passivo não Circulantes e verificar a variação de cada
item:
Em Em Efeitos sobre CCL
31-12-19x2 31-12-19x3 Aumento Diminuição
Ativo não Circulante $ $ $ $
Hipotecas a Receber 5.000 5.000 -0- -0-
Terrenos 10.000 13.000 -0- 3.000
Passivo não Circulante
Empréstimos 12.000 5.000 -0- 7.000
Capital 20.000 20.000 -0- -0-
Reservas 6.000 6.000 -0- -0-
Lucros Acumulados 1.000 7.000 6.000 -0-
6.000 10.000
Diminuição do CCL 4.000
10.000 10.000

Então

Demonstração de Origens e Aplicações de CCL da Cia. ABC


para 19x3
Origens
Lucros Acumulados 6.000
Aplicações
Aquisição de terrenos 3.000
Redução de Empréstimos LP 7.000 (10.000)

Diminuição do CCL (4.000)

5 Alterações que não afetam o CCL:

Antes da Compra Depois da Compra


Ativo Circulante $ $
Caixa 10.000 10.000
Mercadorias 60.000 70.000
Clientes 50.000 50.000
Total Ativo Circulante 120.000 130.000

Passivo Circulante
Fornecedores (40.000) (50.000)

Capital Circulante Líquido 80.000 80.000

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CONTABILIDADE

Outras fontes de informações:

Demonstrações de Origens e Aplicações de CCL da Cia. ABC


para 19x3
Origens
Lucro Líquido 10.000
Aplicações
Aquisição de terrenos 3.000
Redução de Empréstimos LP 7.000
Dividendos pagos 4.000 (14.000)

Diminuição do CCL (4.000)

Novo Periodo:

Balanço da Cia. ABC 31-13 19x4


Ativo Passivo
Circulante Circulante
Caixas e Bancos 1.000 Fornecedores 13.000
Clientes 25.000 Contas a pagar 3.000
Mercadorias 16.000 Passivo Circulante 16.000
Ativo Circulante 42.000

Não Circulante Não Circulante


Hipotecas a receber 2.000 Empréstimo LP 18.000
Terrenos 13.000 Capital 20.000
Máquinas 10.000 Reservas 8.000
(-) Depreciação Acum. (1.000) Lucros acumulados 4.000
Ativo não circulante 24.000 Passivo não Circulante 50.000

Ativo Total 66.000 Total do Passivo 66.000

Demonstrações de Resultados da Cia. ABC para 19x4


Vendas Líquidas 190.000
(-) Custos das Mercadorias Vendidas (140.000)
Lucro Bruto 50.000

Menos: Despesas Administrativas 32.000


Despesas com Vendas 13.000
Despesas com Depreciação 1.000
Outras Despesas 2.000 48.000
Lucro Líquido do Período 2.000

Conta de Lucros Acumulados


Saldo em 31-12-19X4 7.000
Transferência para Reservas (2.000)
Lucro Líquido de 19X4 2.000
Lucro Distribuído (3.000)
Saldo em 31-12-19X4 4.000

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Apuração do Resultado

Comparando os balanços:

(A) Em 31-12-x3 Em 31-12-x4


Ativo Circulante 42.000 42.000
(-) Passivo Circulante (22.000) (16.000)
CCL 20.000 26.000
Aumento de CCL 6.000 -o-
26.000 26.000

Em Em Efeitos / CCL Sem efeito


(B) 31-12-x3 31-12-x4 Aumento Diminuição s / CCL
Ativo não Circulante
Hipoteca a Receber 5.000 2.000 3.000 -o- -o-
Terrenos 13.000 13.000 -o- -o- -o-
Máquinas -o- 10.000 -o- 1.000 -o-
(-) Depreciação Acumulada -o- (1.000) 1.000 -o- -o-

Passivo não Circulante


Empréstimo 5.000 18.000 13.000 -o- -o-
Capital 20.000 20.000 -o- -o- -o-
Reservas 6.000 8.000 -o- -o- 2.000
Lucros Acumulados 7.000 4.000 2.000 3.000 (2.000)
19.000 13.000 -o-
Aumento de CCL 6.000
19.000 19.000

Demonstrações de Origens e Aplicações de CCL da


Cia. ABC em 19x4 (em $)
Origens
Das Operações
Lucro Líquido 2.000
(+) Depreciação 1.000 3.000
Reprodução de Hipotecas a Receber 3.000
Aumento de Empréstimos a LP 13.000
19.000
Aplicações
Aquisições de Máquinas 10.000
Distribuição de Lucros 3.000 (13.000)
Aumento de CCL 6.000

Outras denominações:

Essa demonstração é também conhecida por Demonstrações


de Fontes e Usos de Fundos.
5 Outra denominação é Demonstração das Modificações na
Posição Financeira e é comum chamar o CCL de Capital de Giro
Líquido.

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CONTABILIDADE

No Brasil, por determinação da Lei das S.A. essa demonstração


é denominada Demonstração de Origens e Aplicações de
Recursos.

Atualmente há uma tendência de se substituir a DOAR pela


5 Demonstração do Fluxo de Caixa.

A superioridade do Fluxo de Caixa está vinculada às análises


de curto prazo e à gerência financeira do dia-a-dia.

Fluxo de Caixa - Método direto

Exemplo: Cia. ABC

Balanço da Cia. ABC


31-12-19x3 31-12-19x2
Caixas e Bancos 2.000 3.000
Clientes 18.000 16.000
Mercadorias 21.000 14.000
Despesas Antecipadas 1.000 2.000
Hipotecas a Receber 5.000 5.000
Terrenos 13.000 10.000
Total Ativo 60.000 50.000
Fornecedores 22.000 11.000
Empréstimos LP 5.000 12.000
Capital 20.000 20.000
Reservas 6.000 6.000
Lucros Acumulados 7.000 1.000
Total Passivo + PL 60.000 50.000

Demonstração de Lucros Acumulados da Cia.


ABC para 19x3 (em $)
Saldo em 31-12-19x2 1.000
Lucro Líquido de 19x3 10.000
Dividendos Distribuidos (4.000)
Saldo em 31-12-19x3 7.000

Demonstração do Resultado da Cia. ABC para


19x3 (em $)
Vendas líquidas 130.000
Custo das Mercadorias Vendidas (85.000)
Lucro Bruto 45.000
Despesas Administrativas (25.000)
Despesas com Vendas (10.000)
Lucro Líquido 10.000

55
Apuração do Resultado

Montagem do Fluxo de Caixa:

1º Passo: Cálculo do Recebimento das Vendas

$
Saldo inicial de Clientes 16.000
Mais: Vendas de 19x3 130.000
Menos: Saldo Final de Clientes (18.000)
Recebimentos de Clientes em 19x3 128.000

Montagem do Fluxo de Caixa:

2º Passo: Cálculo do Pagamento aos Fornecedores

$
Saldo inicial de Mercadorias 14.000
Mais: Compras ?
Menos: Saldo Final de Clientes (21.000)
Recebimentos de Clientes em 19x3 85.000

$
Saldo inicial de Fornecedores 11.000
Mais: Compras de 19x3 92.000
Menos: Saldo Final de Fornecedores (22.000)
Recebimentos de Clientes em 19x3 81.000

5 3º Passo: Cálculo do Pagamento de Despesas

$
Despesas Totais de 19x3 35.000
Menos: Desp. Antecip. 31/12/x1 (2.000)
Subtotal 33.000
Menos: Desp. Antecip. 31/12/x1 1.000
Pagamentos de Despesas em 19x3 34.000

56
CONTABILIDADE

Os demais passos continuam na mesma linha.

Fluxo de Caixa da Cia. ABC para 19x3 (em $)


Origens
Caixa Gerado pelas Operações:
Recebimentos de Vendas 128.000
Menos: Pagamentos de Compras (81.000)
Menos: Pagamentdos de Despesas (34.000) 13.000
Aplicações
Pagamento de Dividendos 4.000
Compra de Terrenos 3.000
Pagamento de Empréstimos a LP 7.000 (14.000)
Redução das Disponibilidades em 19x3 (1.000)
Conciliação
Saldo de Caixa e Bancos em 31-12-19x3 3.000
Redução das Disponibilidades em 19x3 (1.000)
Saldo de Caixa e Bancos em 31-12-19x3 2.000

Por mais lógica que possa ter o Método Direto, é comum o


uso, inclusive fora do Brasil, do método indireto.

Nesse método, parte-se do lucro líquido para, após os ajustes


5 necessários, chegar-se ao valor das disponibilidades produzidas.

Segue-se a mesma metodologia da montagem da DOAR, só


que as comparações se estendem às contas circulantes.

Fluxo de Caixa - Método Indireto

1º Passo: Começando pela DOAR de CCL.

Demonstração de Origens e Aplicações de CCL da Cia.


ABC para 19x3
Origens $ $
Lucro Líquido 10.000
Aplicações
Aquisição de Terrenos 3.000
Redução de Empréstimos LP 7.000
Dividendos Pagos 4.000 (14.000)

Diminuição do CCL (4.000)

10

57
Apuração do Resultado

Esse quadro utiliza informações do quadro das variações do


CCL, demonstrando o quê, e quanto aumentou.

2º Passo: Ajustando o “Caixa Gerado pelas Operações”.

Efeito sobre o Caixa

31/12/x3 31/12/x2 Aumento Diminuição


$ $ $ $

Clientes 18.000 16.000 2.000

Mercadorias 21.000 14.000 7.000

Despesas Antecipadas 1.000 2.000 1.000

Fornecedores 22.000 11.000 11.000

12.000 9.000

3.000

12.000 12.000

Observe que ficou uma situação de variação nula.

Agora, para se completar, adicionam-se esses itens ao valor


do Lucro Líquido para se ter o “Caixa Gerado pelas Operações”:

Caixa Gerado pelas Operações $

Lucro Líquido 10.000

(+) Aumento em Fornecedores 11.000

(+) Diminuição em Despesas Antecipadas 1.000

(+) Aumento em Clientes (2.000)

(+) Aumento em Mercadorias (7.000)

13.000

58
CONTABILIDADE

Fluxo de Caixa da Cia. ABC para 19x3 (em $) - Método indireto


Origens
Caixa Gerado pelas Operações:
Lucro Líquido 10.000
(+) Aumento em Fornecedores 11.000
(+) Diminuição em Despesas Antecipadas 1.000
(-) Aumento em Clientes (2.000)
(-) Aumento em Mercadorias (7.000) 13.000

Aplicações
Pagamento de Dividendos 4.000
Compra de Terrenos 3.000
Pagamentos de Empréstimos a LP 7.000 (14.000)

Redução das Disponibilidades em 19x3 (1.000)

Fluxos de Caixa
DRE DOAR
Cia. ABC - 19x3 $ $ Direito Indireto
$ $

Vendas Líquidas 130.000 128.000

Custo das Mercadorias Vendidas (85.000) (81.000)

Lucro Bruto 45.000 47.000

Despesas Administrativas e Vendas (35.000) (34.000)

Lucro Líquido 10.000 10.000 13.000 10.000

Ajustes 3.000

CCL/Caixa Gerado pelas Operações 10.000 13.000 13.000

Dividendos 4.000 4.000 4.000

Aquisição de Terrenos 3.000 3.000 3.000

Pagamentos Empréstimos a LP 7.000 7.000 7.000

Aplicações (14.000) (14.000) (14.000)

Variação Final 10.000 (4.000) (1.000) (1.000)

59
Apuração do Resultado

4 ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES


FINANCEIRAS

Até o presente momento estudamos a montagem e técnicas


de formação de balanço, suas contas, classificação. Estudamos
a montagem de um DRE, e os lucros gerados pela operação,
porém fazer uma análise desse balanço para compará-la com
5 concorrentes, com o passado, é um tanto complexo. Para
facilitar o processo de comparação, utilizamos índices extraídos
de instrumentos financeiros para tirarmos conclusões sobre a
saúde da organização.

Devido a sua capacidade de identificar as conseqüências das


10 tomadas de decisões dos administradores e por apresentar um
cenário prospectivo da empresa, a análise das demonstrações
contábeis é de grande importância para os usuários internos
(administradores) como para os externos (financiadores e
investidores).

15 Objetivo

De acordo com MARTINS & ASSAF NETO (1989: pág.234)1:

“A análise das demonstrações contábeis visa


fundamentalmente ao estudo do desempenho
econômico-financeiro de uma empresa em um determinado
20 período passado, para diagnosticar, em conseqüência, sua
posição atual, e produzir resultados que sirvam de base para a
previsão de tendências futura.”

Alguns cuidados devem ser tomados quando se utilizam


índices para avaliar uma empresa para que não haja uma análise
precipitada e suscetível a erros.
1
MARTINS, Eliseu & ASSAF NETO, Alexandre. Administração
Financeira – As finanças das empresas sob condições inflacionárias. 1ª.
Edição, 5ª Tiragem. São Paulo – SP. Editora Atlas, 1989.

60
CONTABILIDADE

Em primeiro lugar, a análise de um índice tem pouco valor


na interpretação do desempenho de uma empresa se esta for
feita sem outros índices que justificam e ratificam o diagnóstico
apresentado.

5 Outro aspecto que devemos observar é a necessidade de


parâmetros para que haja a comparação e a confirmação do
status de uma empresa.

Deve-se fazer uma comparação temporal, em que se


avalia a evolução dos elementos patrimoniais e de resultado
10 da empresa ao longo do tempo (em geral usando um intervalo
de três a cinco anos). Neste caso, temos uma interpretação
exclusivamente individual do histórico de performance
da empresa, permitindo, assim, traçar possibilidades de
implementar estratégias para atingir ou manter as metas de
15 desempenho dessa.

Faz-se necessário, também, observar qual a posição da


empresa (“Ranking”) perante o mercado. Assim, nada mais
natural que uma comparação setorial, ou seja, para saber se uma
empresa tem melhor rentabilidade ou maior liquidez do que sua
20 concorrente, por exemplo, devemos comparar as informações
econômico-financeiras dessas empresas.

Não teria sentido comparar o grau de liquidez de uma


empresa de transporte urbano com uma construtora, porque
as características de cada tipo de negócio causam uma grande
25 diferença entre esses índices sem necessariamente ser um
problema para cada tipo de empresa.

Análise vertical

A análise vertical, também conhecida como análise da


estrutura, consiste em determinar o grau de participação de um

61
Apuração do Resultado

determinado grupo ou conta patrimonial (de forma percentual)


em relação a um determinado resultado.

No caso do Balanço Patrimonial, esse será o total do Ativo


ou do Passivo. Já na Demonstração do Resultado do Exercício,
5 alguns autores recomendam utilizar o valor total das Vendas
Líquidas.

De acordo com o exemplo da empresa Makro Atacadista S.A.,


citado inicialmente na Unidade VI, apresentaremos a seguir um
exemplo de Análise Vertical. Para conhecer esta publicação na
íntegra, ver: http://www.makro.com.br/balanco.asp.

MAKRO ATACADISTA S.A.


CNPJ nº 47.427.653/0001-15
Balanços patrimoniais em 31 de dezembro - Em milhares de reais

Ativo Controladora Consolidado


Circulante 2005 AV 2004 AV
Caixa e bancos ...................................... 73.298 7,62% 32.497 3,94%
Aplicações financeiras (Nota 5) ..... 100.310 10,42% 142.752 17,32%
Estoques (Nota 6) ................................ 299.923 31,17% 227.819 27,64%
Impostos a recuperar (Nota 7) ....... 39.248 4,08% 26.422 3,21%
Despesas pagas antecipadamente 2.855 0,30% 3.163 0,38%
Outros créditos .................................... 10.906 1,13% 5.613 0,68%
________________________________
526.540 54,71% 438.266 53,17%
Realizável a longo prazo
Imposto de renda e contribuição
social diferidos ............................. 11.164 1,16% 10.474 1,27%
Depósitos judiciais .......................... 23.148 2,41% 19.578 2,38%
Outros créditos .............................. 21.966 2,28% 20.244 2,46%
________________________________
56.278 5,85% 50.296 6,10%
Permanente
Investimentos (Nota 9) ...................
Imobilizado (Nota 10) ..................... 375.521 39,02% 328.547 39,86%
Diferido ..................................... 4.026 0,42% 7.090 0,86%
________________________________
379.547 39,44% 335.637 40,72%
Total do ativo 962.365 100% 824.199 100%
Fonte: http://www.makro.com.br/balanco.asp.

62
CONTABILIDADE

MAKRO ATACADISTA S.A.


CNPJ nº 47.427.653/0001-15
Balanços patrimoniais em 31 de dezembro - Em milhares de reais

Passivo e Patrimônio Líquido Controladora Consolidado


Circulante 2005 AV 2004 AV
Fornecedores ........................................ 492.292 51,15% 371.070 45,02%
Financiamentos (Nota 11) ............... 71.629 7,44% 67.744 8,22%
Provisão para férias e encargos
sociais ...................................................... 20.513 2,13% 19.198 2,33%
Impostos a recolher ........................ 8.965 0,93% 6.377 0,77%
PIS e COFINS a recolher (Nota 13) 34.544 3,59% 19.387 2,35%
Dividendos e juros sobre o capital
próprio .................................................... 1.782 0,19% 1.959 0,24%
Outras obrigações .............................. 20.855 2,17% 24.801 3,01%
________________________________
650.580 67,60% 510.536 61,94%
Exigível a longo prazo
Financiamentos (Nota 11) .............. 731 0,08% 777 0,09%
Prov.para contingências (Nota 12) 28.370 2,95% 26.836 3,26%
Outras obrigações .......................... 4.406 0,46% 2.600 0,32%
________________________________
33.507 3,48% 30.213 3,67%
Patrimônio líquido (nota 14)
Capital social ............................... 221.902 23,06% 221.902 26,92%
Reservas de lucros ......................... 56.376 5,86% 61.548 7,47%
________________________________
278.278 28,92% 283.450 34,39%
Total do ativo 962.365 100% 824.199 100%
Fonte: http://www.makro.com.br/balanco.asp.

A fórmula utilizada para desenvolver a análise vertical no


Balanço Patrimonial em percentual é:

Conta ou Grupo Patrimonial x 100


______________________________
Total do Ativo ou do Passivo

Conta ou Grupo patrimonial x 100

Conta ou Grupo Resultado x 100


______________________________
Total da Receita Líquida

Análise horizontal

5 A análise horizontal demonstra a variação de um elemento


ou grupo patrimonial ou de resultado durante dois ou mais
períodos.

63
Apuração do Resultado

Exemplo:

MAKRO ATACADISTA S.A.


CNPJ nº 47.427.653/0001-15
Balanços patrimoniais em 31 de dezembro - Em milhares de reais
Consolidado
Ativo 2005 VH 2005 2004
Circulante 526.540 120,14% 438.266
Realizável a longo prazo 56.278 111,89% 50.296
Permanente 379.547 113,08% 335.637
Total do ativo 962.365 116,76% 824.199

Observe que, ao compararmos o grupo do Ativo Circulante


do Macro Atacadista S.A. de 2004 com o de 2005, verificamos
um crescimento de 20,14%.

(Conta ou Grupo Patrimonial ou de Resultado do


Exercício X+1)x 100
____________________________________________
Conta ou Grupo Patrimonial ou de Resultado do
Exercício X

5 É interessante verificar qual a influência da inflação


sobre essa análise de evolução dos itens patrimoniais ou de
resultado.

Por exemplo, quando trazemos os valores de 2004 a valores


de 2005 compensando a perda inflacionária, observamos
10 uma alteração no crescimento identificado anteriormente. No
exemplo sem atualização monetária, temos um crescimento no
Ativo Circulante de 20,14%.

Agora, se multiplicarmos R$ 438.266 x 1,0120 (variação


IGPM acumulada em dez/2005) = 443.529.

15 Nesse caso, não houve de fato um crescimento de 120,14%,


e sim de 118,72%, repercutindo assim uma perda de 5.263 (em
milhares de R$), conforme podemos ver a seguir.

64
CONTABILIDADE

2005 VH 2005 2004 VH 2005 2004 Corrigido


526.540 120,14% 438.266 118,72% 443.529
56.278 111,89% 50.296 110,57% 50.900
379.547 113,08% 335.637 111,74% 339.667
962.365 116,76% 824.199 115,38% 834.096

MAKRO ATACADISTA S.A.


CNPJ nº 47.427.653/0001-15
Balanços patrimoniais em 31 de dezembro - Em milhares de reais
Consolidado
Ativo 2005 VH 2005 2004*
Circulante 526.540 118,72% 443.529
Realizável a longo prazo 56.278 110,57% 50.900
Permanente 379.547 111,74% 339.667
Total do ativo 962.365 115,38% 834.096
*Obs.:Valores de 2004 foram atualizados pela variação do
IGP-M durante o exercício de 2005.

Análise por índices ou quocientes

A análise por índice corresponde à relação entre contas


Patrimoniais ou de Resultado com o intuito de gerar informações
que não estão claramente identificadas nas respectivas
5 demonstrações.

São inúmeros os índices ou quocientes utilizados em


uma análise econômico-financeira:

• Liquidez
• Atividade
10 • Lucratividade
• Endividamento
• Capacidade de Pagamento

65
Apuração do Resultado

Índice de Liquidez

Ativo Passivo
Ativo Circulante $ 2.000 Passivo circulante $ 1.500

Exigível Lp $ 1.500

Ativo Permanente $ 4.000 Patrimônio Líquido $ 3.000


Total$ 6.000 Total $ 6.000

É a capacidade da empresa de pagar suas obrigações.

Os índices de liquidez analisam, através da relação entre os


realizáveis e os exigíveis, a capacidade da empresa de honrar
5 seus compromissos.

É recomendável que este índice seja igual ou superior a 1, o


que significa dizer que a capacidade da empresa está equilibrada,
se igual a 1, ou superavitária, caso seja superior a esse.

Os índices de liquidez podem ser:

10 • Índice de Liquidez Geral:

LG = AC + RLP
PC + LP

LG = 526.540 + 56.278
650.580 + 33.507

LG = 582.818
684.087
LG = 0,85

15 O índice de liquidez geral analisa se o conjunto de bens e


direitos dos realizáveis possui capacidade de pagamento do
total dos exigíveis.

66
CONTABILIDADE

Índice de Liquidez Corrente:

LC = AC
PC
LC = 526.540
650.580
LC = 0,81

5 O índice de liquidez corrente é a relação do Ativo Circulante


com o Passivo Circulante, avaliando a capacidade da empresa de
liquidar seu passivo a curto prazo com os ativos realizáveis no
mesmo período.

• Índice de Liquidez Seca:

10 LS = Disponível + Aplic. Financ. + Duplic. a Receber


PC
LS = 173.608
650.580
LS = 0,27

O índice de liquidez seca mede, através da relação do total


dos ativos disponíveis e dos créditos a receber - excluindo o
15 estoque por não ter a certeza da venda desse - as obrigações a
serem pagas no curto prazo.

Índices de endividamento

Os índices de endividamento mensuram o grau de participação


do capital de terceiros em relação ao capital próprio.

20 Analisam, também, o grau de comprometimento financeiro


e sua capacidade de liquidá-lo a longo prazo. Possuir um índice
superior a 1 neste caso demonstra uma alta dependência de
terceiros.

67
Apuração do Resultado

• Índice de Participação de Capitais de Terceiros sobre os


Recursos Totais:
Exigível Total
Ativo Total

684.087 = 0,71
962.365

5 • Relação Capital de Terceiros / Capital Próprio ou Grau


de Endividamento:
Exigível Total
Patrimônio Líquido

684.087 = 2,46
278.278

• Relação Capital de Terceiros / Passivo Total:

10 Exigível Total
Passivo Total

684.087 = 0,71
962.365

Indicadores de atividade

Conforme definido por MARTINS & ASSAF NETO1 (1989:


pág.247), “... os indicadores de atividade visam à mensuração
15 das diversas durações de ‘um ciclo operacional’, o qual envolve
todas as fases operacionais típicas de uma empresa, que vão
desde à aquisição de insumos básicos ou mercadorias até o
recebimento das vendas realizadas.”

• Prazo médio de estocagem:


Estoque médio
20 (El +EF) / 2 = X 360
C.M.V
Índice que apresenta o número de dias em que o estoque
permaneceu armazenado.

68
CONTABILIDADE

• Prazo Médio de Pagamento a Fornecedores:

Contas a Pagar a
Fornecedores (Médio) = X 360
Compras a Prazo (Anual)

Índice que apresenta o número de dias (em média) que a


empresa leva para pagar seus fornecedores.

5 • Prazo Médio de Recebimento:

Valor a Receber das


Vendas a prazo (média) = X 360
Vendas a Prazo (Anual)

Índice que apresenta o número de dias (em média) que a


empresa leva para receber de seus clientes.

Indicadores de rentabilidade

10 Os índices de rentabilidade revelam o grau de retorno


alcançado pela empresa durante um determinado período.

• Retorno sobre o ativo:


Lucro Líquido
Ativo Total

• Retorno sobre o Patrimônio Líquido:

15 Lucro Líquido
Patrimônio Líquido

• Rentabilidade das Vendas

Os índices de rentabilidade das vendas demonstram o grau de


eficiência que uma empresa tem de gerar lucro por intermédio
das vendas.

69
Apuração do Resultado

Margem Operacional:

Lucro Operacional
Vendas Líquidas

Margem Líquida
Lucro Líquido
Vendas Líquidas

5 REVISÃO

5.1 Evolução da Contabilidade

5 A evolução da contabilidade se divide em seis fases:

• Contabilidade Primitiva (Idade Antiga);


• Período Estacionário (Idade Média);
• Primeira Sistematização (Século XV);
• Período de Consolidação (Século XVI a XVIII);
10 • Fase Científica (Século XIX);
• Atualidade (A partir do Século XX).

Contabilidade ⇒ Ciência Factual.

Objeto de Estudo ⇒ O patrimônio das entidades.

Campo de Aplicação ⇒ As Aziendas*.

Controle e Planejamento para a


Finalidade ⇒
tomada de decisões.

Área de atuação – todos os tipos de entidade que necessitem


de uma estrutura organizacional e consumam bens patrimoniais
para alcançar seu objetivo utilizam a contabilidade como
15 instrumento de controle e de mensuração de seus resultados.

70
CONTABILIDADE

Patrimônio – É o conjunto de bens, direitos e obrigações


de uma pessoa física, de Pessoas Jurídicas ou de uma
Entidade.

Bem – tudo que esteja suscetível de avaliação econômica e


5 que satisfaça uma necessidade ou atenda uma demanda.

Direitos – Todos os Valores a Receber de Terceiros.

Obrigações – Todos os Valores a Pagar a Terceiros.

Aspecto Qualitativo – a identificação dos elementos


patrimoniais por sua natureza, por exemplo, caixa (numerários),
10 Banco Conta Movimento (as operações de depósito e retirada
bancária), Créditos a Receber (Títulos gerados por vendas a
prazo), Estoque, entre outros.

Aspecto Quantitativo – É a representação de valor do


elemento patrimonial perante o patrimônio.

15 Patrimônio Bruto – o somatório dos Bens, Direitos e


Obrigações de uma entidade.

Ativo – conjunto de Bens e Direitos.

Passivo – as Obrigações para com Terceiros.

Situação Patrimonial Líquida – é a diferença entre o Ativo


20 e o Passivo de uma entidade.

Representação Gráfica do Patrimônio

Patrimônio
Ativo Passivo
OBRIGAÇÕES
BENS E DIREITOS
SITUAÇÃO PATRIMONIAL LÍQUIDA (SPL)

71
Apuração do Resultado

Situações patrimoniais

A > P ⇒ SPL POSITIVA OU SUPERAVITÁRIA

A = P ⇒ SPL NULA

A < P ⇒ SPL NEGATIVA, DEFICITÁRIA OU


PASSIVO A DESCOBERTO

Origens e aplicações de recursos

Balanço Patrimonial
Ativo Passivo
Aplicação de Recursos
Origem dos Recursos:

• Recursos de Terceiros

• Recursos Próprios

Recursos de Terceiros correspondem às obrigações


adquiridas através de dívidas geradas pelo giro operacional ou
5 de financiamentos.

Recursos Próprios correspondem aos recursos dos sócios ou


acionistas investidos na empresa ou crescimento do Patrimônio
Líquido através do lucro obtido.

O Ativo representa o destino dos recursos investidos


10 nesta empresa. Esta coluna demonstra claramente onde foram
aplicados os referidos recursos.

Todas as contas de aplicação são de natureza Devedora (com


poucas exceções) pela sua representação de responsabilidade
para com a origem dos recursos.

72
CONTABILIDADE

Todas as contas de origem são de natureza Credora por


representarem os titulares dos recursos aplicados.

5.2 Princípios fundamentais de contabilidade

Resolução CFC 750/93, são Princípios Fundamentais de


Contabilidade:

5 • Da entidade;
• Da continuidade;
• Da oportunidade;
• Do registro pelo valor original;
• Da atualização monetária;
10 • Da competência;
• Da prudência.

5.3 Contabilidade gerencial

5.3.1 Atos e fatos administrativos

Atos Administrativos – São as ações que não causam


mudanças no patrimônio da entidade. Os atos administrativos
não são do interesse da contabilidade.

15 Fatos Administrativos – São as ações que causam mudanças


no patrimônio da entidade, sejam de caráter qualitativo,
quantitativo ou ambos os casos. Os fatos administrativos são
também chamados de Fatos Contábeis por serem de interesse
da contabilidade. Os Fatos Administrativos ou Contábeis são
20 classificados como:

• Fatos Permutativos;
• Fatos Modificativos e
• Fatos Mistos.

Fatos Permutativos – São os fatos contábeis que não


25 alteram o valor do PL (Patrimônio Líquido), mesmo alterando
o valor dos demais elementos patrimoniais.

73
Apuração do Resultado

Fatos Modificativos – São os fatos contábeis que alteram


o valor do PL (Patrimônio Líquido), causando aumento ou
redução no Ativo ou no Passivo da Entidade.

Fatos Mistos – São os fatos contábeis que possuem no


5 mesmo evento fatos permutativos e modificativos.

5.3.2 Escrituração

Escrituração – É uma técnica que se utiliza dos lançamentos


para controlar os elementos patrimoniais.

Lançamentos ou Partidas – São os registros escritos dos


fatos contábeis.

10 Elementos Essenciais dos Lançamentos:

• Local e data da ocorrência do fato;


• Contas a serem debitadas e creditadas;
• Histórico, com objetividade e clareza em sua narração;
• Valor do fato contábil.

15 Fórmulas de Lançamento:

1ª fórmula – uma conta no débito e uma no crédito.

2ª fórmula – uma só conta no débito e mais de uma no


crédito.

3ª fórmula – mais de uma conta no débito e uma só no


20 crédito.

4ª fórmula – mais de uma conta no débito e no crédito.

74
CONTABILIDADE

Erros na Escrituração dos Lançamentos:

• Erros de redação no histórico do lançamento;


• Erros de valores lançados a maior ou a menor;
• Troca de uma conta por outra;
5 • Inversão de contas;
• Omissão de lançamentos;
• Lançamentos em duplicidade.

Retificações de Lançamento:
• Retificação no próprio histórico, referindo-se ao erro de
10 redação, quando este for identificado antes mesmo da finalização
do lançamento;
• Estorno;
• Lançamento de retificação;
• Lançamento complementar;
15 • Ressalva por contabilista habilitado.

Conta

Conta – representação gráfica dos elementos patrimoniais


(bens, direitos e obrigações) e os de mutação do patrimônio
(receitas, custos e despesas) de uma entidade.

Teoria das Contas


Teoria Personalista;
Teoria Materialista;
20 Teoria Patrimonialista.

Na Teoria Personalista os elementos patrimoniais são


representados por pessoas que interagem entre si através de
relações jurídicas.

75
Apuração do Resultado

A Teoria Personalista divide as contas em três grupos:

Contas dos Proprietários – São as contas que demonstram


a relação jurídica entre a entidade (azienda) e os sócios ou
acionistas. São consideradas contas dos proprietários todas as
5 contas que compõem o Patrimônio Líquido.

Agentes Consignatários – São as contas que representam as


“pessoas” que têm a responsabilidade da guarda ou da transação
dos bens da entidade. Exemplo: Caixa, Bancos, Estoque, Móveis,
Veículos, entre outros.

10 Agentes Correspondentes – São as contas que representam


as “pessoas” que mantêm relação jurídica com a entidade.
Exemplo: os Clientes (Duplicatas a Receber) e os Fornecedores
(Duplicatas a Pagar).

Teoria materialista

15 A Teoria Materialista vai de encontro à Teoria Personalista


quando declara que as contas não são apenas relações jurídicas
de “pessoas”, com exceção das relações com terceiros, e sim
representam valores materiais.

A Teoria Materialista divide as contas em dois tipos:

20 Contas Integrais – São as contas do Ativo e do Passivo.

Contas Diferenciais – São as contas que compõem a


Situação Patrimonial Líquida e as que causam sua variação.
Exemplo: Receitas, Custos e Despesas.

Teoria patrimonialista

25 Pela Teoria Patrimonialista, as contas se dividem em dois tipos: as


que compõem o Patrimônio, representando a estática patrimonial
e as que o modificam, representando a dinâmica patrimonial.

76
CONTABILIDADE

As contas que representam a estática patrimonial são


chamadas de Contas Patrimoniais.

As contas que representam a dinâmica patrimonial são


chamadas de Contas De Resultado.

5 Plano de contas

“Plano de Conta é o agrupamento ordenado de todas


as contas que são utilizadas pela contabilidade dentro de
determinada empresa.”

Débito, Crédito e Saldo

Todas as contas do Ativo são de aplicação e têm natureza


Devedora (com poucas exceções) pela sua representação de
responsabilidade para com a origem dos recursos.

Todas as contas do Passivo são de origem e têm natureza


Credora por representarem os titulares dos recursos
aplicados.

O Ativo é Devedor, então todas as vezes que houver


aumento do ativo o registro deste deve ser a Débito. Em caso
de redução deste o registro deve ser a Crédito.

O Passivo Exigível e o Patrimônio Líquido são Credores,


então todas as vezes que houver aumento do Passivo ou do
Patrimônio Líquido, o registro desses deve ser a Crédito. Em
caso de redução desses o registro deve ser a Débito.

As Contas dos Custos e Despesas sempre serão Debitadas


por causarem a redução do Patrimônio Líquido e as contas
de Receitas sempre serão Creditadas porque elas causam o
aumento do Patrimônio Líquido.

77
Apuração do Resultado

Contas Natureza Acréscimo Redução


Ativo Devedora Debita Credita
Redutoras Do Ativo Credora Credita Debita
Passivo Credora Credita Debita
Redutoras Do Passivo Devedora Debita Credita
Patr.líquido Credora Credita Debita
Receita Credora Credita Debita*
Custo Devedora Debita Credita*
Despesa Devedora Debita Credita*
*Obs.: Nas contas de resultado, a redução pode ocorrer através do
estorno, que é a retificação de um lançamento incorreto através da
inversão desse.

Método das partidas dobradas

De acordo com este método, para cada débito existe um


crédito de igual valor.

Método dos balanços sucessivos

5 Consiste na elaboração de um novo balanço a cada variação


qualitativa ou quantitativa para demonstrar a nova situação
patrimonial.

Livros e Escrituração Contábil

Livros Utilidade Natureza Finalidade


Diário Principal Cronológico Obrigatório
Razão Principal Sistemático Obrigatório
LALUR Auxiliar Sistemático Obrigatório
Registro de Duplicatas Auxiliar Sistemático Obrigatório
Caixa Auxiliar Sistemático Facultativo
Contas-Correntes Auxiliar Sistemático Facultativo

Formalidade do livro diário

10 As formalidades do Livro Diário têm a seguinte classificação:

• Formalidades extrínsecas: deve ser encadernado com


folhas numeradas em seqüência, tipograficamente.

78
CONTABILIDADE

Deve conter os termos de abertura e encerramento e


ser submetido à autenticação do órgão competente do
Registro do Comércio (ex.: Junta Comercial).

• Formalidades intrínsecas: deve ser completo, em idioma


5 e moeda nacionais, com individuação e clareza, por ordem
cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco
nem entrelinhas, rasuras, emendas e transportes para as
margens.

6 FATOS CONTÁBEIS QUE AFETAM A SITUAÇÃO


LÍQUIDA

6.1 Introdução

Regime contábil adotado no Brasil, Regime da Competência.

10 Exercício Social – intervalo de 365 dias.

Receita – De origem latina, cujo significado é de coisa


recebida ou reavida, a receita pode ser definida como:

Total dos valores recebidos por uma pessoa física ou


jurídica decorrente de seu relacionamento mercantil com
terceiros, seja ela uma venda de produto, uma prestação
de serviço ou um ganho em conseqüência a uma aplicação
financeira em um determinado período.

As Receitas são as responsáveis pelas mutações positivas


da Situação Patrimonial Líquida, conseqüentemente, possuem
15 natureza credora.

As Receitas são: Operacionais ou Não Operacionais.

As Receitas Operacionais são aquelas oriundas das


atividades objeto da empresa. Essas atividades devem estar
explícitas no Contrato Social da Empresa.

79
Apuração do Resultado

As Receitas Não Operacionais são os valores recebidos


de transações que não fazem parte das operações usuais da
empresa.

Gasto – de acordo com Eliseu Martins, “...é o sacrifício


5 financeiro com que a entidade arca para a obtenção de um
produto ou serviço qualquer, sacrifício esse representado
por entrega ou promessa de entrega de ativos (normalmente
dinheiro).”

Investimento – Em uma visão geral, podemos conceituar


10 investimento como aplicação de recursos com a finalidade de
conseguir um benefício futuro.

Desembolso – É a entrega do recurso financeiro (pagamento)


em troca do recebimento dos bens e serviços para a empresa.

Perda – Bem ou serviço consumido de forma anormal e


15 involuntária. Consumo ou privação de um bem decorrente de
um fato inesperado como a destruição, extravio, apreensão.

Podemos definir Custo como: consumo de bens ou serviços


na produção de novos bens ou serviços.

Já a Despesa, de acordo com o autor MARION é: “... todo


20 sacrifício (esforço) realizado pela empresa no sentido de
obter receita. Pode ser vista também como o consumo parcial
ou total do ativo (ativo expirado), ou seja, um ativo que já não
traz benefício à empresa.” (Grifo nosso)

Um mesmo gasto pode ser interpretado como custo ou


como despesa dependendo da interpretação do classificador
e de seu grau de conhecimento do fato.
Os custos podem ser:

25 Diretos – São os custos diretamente ligados à produção,


cujo consumo total ou parcial é de fácil mensuração. Exemplo:

80
CONTABILIDADE

Mão-de-obra dos operários, Os KW de energia elétrica utilizados


para realizar a movimentação das máquinas, embalagens, entre
outros.

Indiretos – São os custos de difícil mensuração quanto a


5 sua participação no processo produtivo. Exemplo: Remuneração
do Supervisor de Produção, Aluguel do Prédio etc. Em geral esta
mensuração acaba sendo arbitrada por algum tipo de rateio.

Rateio: divisão proporcional a partir de um parâmetro de


participação.

10 Os custos também podem ser:

Fixos – Custos, cujo consumo total no processo de produção


não se altera devido à quantidade produzida. Exemplo: a
remuneração do gerente de produção.

Variáveis – Custos, cujo consumo total é diretamente


15 proporcional à quantidade produzida. Exemplo: Matéria-prima
e outros insumos.

As Despesas podem ser:

Despesas Pré-Operacionais – como o próprio nome sugere,


são todas as despesas inerentes ao processo de implantação, isto
20 é, as despesas ocorridas antes que a entidade inicie as operações
que justificam o objeto social da empresa.

Despesas Operacionais – São as despesas necessárias à


atividade da empresa. De acordo com o Regulamento do Imposto
de Renda as despesas operacionais são: “as usuais ou normais
25 no tipo de transações, operações ou atividades da empresa,
entendendo-se como necessárias as pagas ou incorridas para a
realização das transações ou operações exigidas pela atividade da
empresa.” (RIR/1999, art. 299 e seus §§ e PN CST no 32, de 1981)

Despesas Não-Operacionais – segundo a legislação fiscal


30 que trata sobre o tema, são aquelas decorrentes de transações não

81
Apuração do Resultado

incluídas nas atividades principais ou acessórias que constituam


objeto da empresa. Os arts. 418 a 445 do RIR/1999 expressamente
discriminam o que se considera como resultados não-operacionais,
os quais se referem, basicamente, a transações com bens do ativo
5 permanente (IN SRF nº 11, de 1996, art. 36, § 1o).

6.2 Regime de competência

Este regime adotado no Brasil refere-se ao Princípio da


Competência, conforme Resolução CFC no 750/93, em seu capítulo
II, Seção VI, art. 9º, que determina em seu texto que: “... as receitas
e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do
10 período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando
se correlacionarem, independentemente de recebimento ou
pagamento.”(grifo nosso)

6.3 Regime de caixa

O Regime de Caixa funciona exatamente de forma inversa


ao Regime de Competência, ou seja, as receitas são registradas
15 com a entrada do recurso financeiro (dinheiro) e as despesas
através do desembolso.

6.4 Provisões

É quando se sabe exatamente ou se estima o quanto será


desembolsado no futuro e se registra em contas de obrigações
(algumas são contas redutoras do Ativo que são as contas
20 de ajuste que possuem saldo credor).

7 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

Conforme o artigo 176 da Lei 6.404/76 as demonstrações


financeiras exigidas para as Sociedades Anônimas são:

I - balanço patrimonial;
II - demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados;
25 III - demonstração do resultado do exercício;
IV - demonstração das origens e aplicações de
recursos.

82
CONTABILIDADE

Já o Novo Código Civil, Lei no 10.406, de 10 de janeiro de


2002, em seu capítulo IV, Seção III, Art. 1.065, determina que
ao término de cada exercício social as Sociedades limitadas
devem elaborar:

5 • Inventário;
• Balanço Patrimonial;
• Balanço de Resultado Econômico ou Demonstração da
Conta de Lucros e Perdas.

No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente


10 de grau de liquidez dos elementos nelas registrados, nos
seguintes grupos:
a) ativo circulante;
b) ativo realizável a longo prazo;
c) ativo permanente, dividido em investimentos, ativo
15 imobilizado e ativo diferido.
No passivo, as contas serão classificadas nos seguintes
grupos:
a) passivo circulante;
b) passivo exigível a longo prazo;
20 c) resultados de exercícios futuros;
d) patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de
capital, reservas de reavaliação, reservas de lucros e lucros
ou prejuízos acumulados.
§ 3º - “Os saldos devedores e credores que a companhia não
25 tiver direito de compensar serão classificados separadamente.”
No artigo 178 devemos observar os três pontos-chave sobre
o Balanço Patrimonial:
• Agrupamento de contas por sua natureza;
• Estrutura decrescente de grau de liquidez* do Ativo;
30 • Fator tempo como parâmetro para a divisão dos Ativos e
Passivos.

83
Apuração do Resultado

* Liquidez – propriedade que alguns bens possuem de ser


facilmente convertíveis em dinheiro vivo.

Conta Grau de Liquidez Prazo


Caixa Muito alta Curto Prazo
Bancos Muito alta Curto Prazo
Duplicatas a Receber Alta Curto Prazo
Empréstimos a quotistas média Longo Prazo
Veículos baixa S/ prazo determinado

7.1 Ativo

Ativo Circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis


no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de
recursos em despesas do exercício seguinte:
Ativo Realizável a Longo Prazo: os direitos realizáveis após
5 o término do exercício seguinte, assim como os derivados de
vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas
ou controladas (Art. 243), diretores, acionistas ou participantes
no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais
na exploração do objeto da companhia;
10 Investimentos: as participações permanentes em outras
sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis
no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da
atividade da companhia ou da empresa;
Ativo Imobilizado: os direitos que tenham por objeto
15 bens destinados à manutenção das atividades da companhia e
da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de
propriedade industrial ou comercial;
Ativo Diferido: as aplicações de recursos em despesas
que contribuirão para a formação do resultado de mais de
20 um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados
aos acionistas durante o período que anteceder o início das
operações sociais.

84
CONTABILIDADE

Obs.: Na empresa cujo ciclo operacional tiver duração


maior que o exercício social, a classificação no circulante ou
longo prazo terá por base o prazo desse ciclo.

CIRCULANTE – Antes da Lei 6.404/76 era chamado de Ativo


5 Realizável a Curto Prazo, que são todos os ativos que se realizam
dentro do período de um exercício social.

Assim, fica óbvio o conceito de Ativo Realizável a Longo


Prazo: Todos os ativos que se realizam em um prazo superior a
um exercício social.

10 Ativo Permanente – Também conhecido como Ativo Fixo,


são os itens que não têm como objetivo a sua transformação em
dinheiro vivo. Seu objetivo é criar estrutura que ajude a empresa
a obter resultados positivos. Sua realização através da venda é
tão difícil que a maioria dos autores e a legislação fiscal entende
15 o resultado desta como não operacional.

7.2 Critérios de avaliação do ativo

Os direitos e títulos de crédito, e quaisquer valores mobiliários


não classificados como investimentos, pelo custo de aquisição
ou pelo valor do mercado, se este for menor;

As mercadorias pelo custo de aquisição ou produção,


20 deduzido de provisão para ajustá-lo ao valor de mercado,
quando este for inferior;

Os investimentos em participação no capital social de outras


sociedades - pelo custo de aquisição, deduzido de provisão para
perdas prováveis na realização do seu valor, quando essa perda
25 estiver comprovada como permanente, e que não será modificado
em razão do recebimento, sem custo para a companhia, de ações
ou quotas bonificadas;

Os demais investimentos, pelo custo de aquisição, deduzido


de provisão para atender às perdas prováveis na realização do
30 seu valor, ou para redução do custo de aquisição ao valor de
mercado, quando este for inferior;

85
Apuração do Resultado

Os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de


aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação,
amortização ou exaustão;

O ativo diferido, pelo valor do capital aplicado, deduzido do


5 saldo das contas que registrem a sua amortização.

Passivo Exigível – O conjunto das obrigações exigíveis da


entidade é dividido em dois grupos:
• Circulante;
• Exigível a Longo Prazo.
10 Ambos se assemelham aos grupos do Ativo no seu aspecto
temporal para definição das contas, ou seja, as obrigações cujos
valores se vencem até o exercício seguinte são Circulantes e
caso ultrapassem serão classificados como Exigível a Longo
Prazo.
15 Resultados de Exercício Futuro – Todas as receitas de
exercícios futuros, diminuídas dos custos e despesas a elas
correspondentes.

Esse grupo de contas que se localiza entre o Exigível e o


Patrimônio Líquido é de difícil utilização na maioria das empresas.
20 Consiste nas receitas recebidas antecipadamente e que serão
reconhecidas em períodos futuros. Devem ser lançados com
suas devidas deduções, todas as despesas e custos incorridos
para a realização dessas receitas. É importante observar que este
tipo de Receita não deve estar sujeita a devoluções por parte da
25 empresa.

Patrimônio Líquido - Esse grupo de contas representa a


aplicação dos recursos dos proprietários na constituição da
empresa. Ele está dividido em:

• Capital Social;
30 • Reservas de Capital;

86
CONTABILIDADE

• Reservas de Reavaliação;
• Reservas de Lucros;
• Lucros ou Prejuízos Acumulados;
• Ações em Tesouraria.

7.3 Capital Social

5 O Capital Social corresponde ao recurso inicialmente utilizado


pelos proprietários para constituir a empresa. Formalizado
através de um contrato social e acrescido através de aditivos.
Fazem parte do Capital Social as seguintes contas:

• Capital Subscrito – Corresponde ao valor total acordado


10 através de contrato social que cada quotista (no caso da Ltda.)
irá aplicar na sociedade;

• Capital a Integralizar – Valor ainda não transferido de


fato para o patrimônio da empresa por parte dos quotistas.

Reservas – são valores que podem ter origem no recebimento


15 dos quotistas ou de terceiros sem que isso represente aumento
de capital ou uma receita (Reserva de Capital), uma reavaliação
quantitativa dos valores dos elementos que compõem o ativo
(Reserva de Reavaliação) ou então, dos lucros não distribuídos
aos proprietários (Reserva de Lucros).

20 Ações em Tesouraria – São as ações adquiridas pela própria


empresa.

7.4 Critérios de avaliação do passivo

No balanço, os elementos do passivo serão avaliados de


acordo com os seguintes critérios:

As obrigações, encargos e riscos, conhecidos ou


25 calculáveis, inclusive imposto de renda a pagar com base no
resultado do exercício, serão computados pelo valor atualizado
até a data do balanço;

87
Apuração do Resultado

As obrigações em moeda estrangeira, com cláusula de


paridade cambial, serão convertidas em moeda nacional à taxa
de câmbio em vigor na data do balanço.

8 ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES


FINANCEIRAS

De acordo com MARTINS & ASSAF NETO(1989: pág.234)2:


5 “A análise das demonstrações contábeis visa fundamentalmente
ao estudo do desempenho econômico-financeiro de uma
empresa em um determinado período passado, para diagnosticar,
em conseqüência, sua posição atual, e produzir resultados que
sirvam de base para a previsão de tendências futura.”

10 As técnicas de análise das demonstrações financeiras mais


utilizadas são:

• Análise Vertical;
• Análise Horizontal e
• Análise dos índices.
15 A análise de um índice tem pouco valor na interpretação
do desempenho de uma empresa se esta for feita sem outros
índices que justificam e ratificam o diagnóstico apresentado.

Comparação temporal, em que se avalia a evolução dos


elementos patrimoniais e de resultado da empresa ao longo do
20 tempo (em geral usando um intervalo de três a cinco anos).

Comparação setorial, ou seja, para saber se uma empresa


tem melhor rentabilidade ou maior liquidez do que sua
concorrente, por exemplo, devemos comparar as informações
econômico-financeiras destas empresas.

25 Análise Vertical – Também conhecida como análise da


estrutura, consiste em determinar o grau de participação de um
determinado grupo ou conta patrimonial (de forma percentual)
em relação a um determinado resultado.
2
op. cit.

88
CONTABILIDADE

A fórmula utilizada para desenvolver a análise vertical no


Balanço Patrimonial em percentual é:

Conta ou Grupo de Resultado x 100


______________________________
Total do Ativo ou do Passivo

Para a Demonstração do Resultado, em percentual é:

Conta ou Grupo de Resultado x 100


5 ______________________________
Total da Receita Líquida

ANÁLISE HORIZONTAL – A análise horizontal demonstra a


variação de um elemento ou grupo patrimonial ou de resultado
durante dois ou mais períodos.

(Conta ou Grupo Patrimonial ou de Resultado do Exercício X+1)x 100


_________________________________________________________
Conta ou Grupo Patrimonial ou de Resultado do Exercício X

8.1 Análise por índices ou quocientes

10 A análise por índice corresponde à relação entre contas


Patrimoniais ou de Resultado com o intuito de gerar informações
que não estão claramente identificadas nas respectivas
demonstrações.

Neste módulo iremos tratar de quatro grupos de índices:

15 • Liquidez;
• Endividamento;
• Atividade;
• Rentabilidade.

ÍNDICES DE LIQUIDEZ – analisam, através da relação entre


20 os realizáveis e os exigíveis, a capacidade da empresa de honrar

89
Apuração do Resultado

seus compromissos. É recomendável que este índice seja igual ou


superior a 1, o que significa dizer que a capacidade da empresa
está equilibrada, se igual a 1, ou superavitária, caso seja superior
a esse.

5 Os índices de liquidez podem ser:

• Índice de Liquidez Geral:

AC + RLP
LG = ________
PC + ELP

O índice de liquidez geral analisa se o conjunto de bens e


direitos dos realizáveis possui capacidade de pagamento do
10 total dos exigíveis.

• Índice de Liquidez Corrente:

AC
LC = ____
PC
O índice de liquidez corrente é a relação do Ativo Circulante
com o Passivo Circulante, avaliando a capacidade da empresa de
15 liquidar seu passivo a curto prazo com os ativos realizáveis no
mesmo período.

• Índice de Liquidez Seca:

Disponível + Aplic. Financ.


+ Dupl. a Receber
LS = ________________________
PC

O índice de liquidez seca mede através da relação do total


20 dos ativos disponíveis e dos créditos a receber, excluindo o

90
CONTABILIDADE

estoque por não ter a certeza da venda desse, as obrigações a


serem pagas no curto prazo.

ÍNDICES DE ENDIVIDAMENTO – mensuram o grau de


participação do capital de terceiros em relação ao capital próprio.
5 Analisam também o grau de comprometimento financeiro e
sua capacidade de liquidá-lo a longo prazo. Possuir um índice
superior a 1 neste caso demonstra uma alta dependência de
terceiros.

• Índice de Participação de Capitais de Terceiros sobre


10 os Recursos Totais:

Exigível Total
____________
Ativo Total

• Relação Capital de Terceiros / Capital Próprio ou Grau


de Endividamento:

Exigível Total
___________________
Patrimônio Líquido

15 • Relação Capital de Terceiros / Passivo Total:

Exigível Total
____________
Passivo Total

INDICADORES DE ATIVIDADE – mensuram as diversas


durações de um ciclo operacional.
• Prazo Médio de Estocagem:

Estoque Médio (EI+EF)/2 X 360


____________________
20
C.M.V

91
Apuração do Resultado

Índice que apresenta o número de dias em que o estoque


permaneceu armazenado.

• Prazo Médio de Pagamento a Fornecedores:

Contas a Pagar a Fornecedores (Médio)


______________________________ X 360
Compras a Prazo (Anual)

5 Índice que apresenta o número de dias (em média) que a


empresa leva para pagar seus fornecedores.

• Prazo Médio de Recebimento:

Valor a Receber das Vendas a prazo (Média)


___________________________________ X 360
Compras a Prazo (Anual)

Índice que apresenta o número de dias (em média) que a


10 empresa leva para receber de seus clientes.

INDICADORES DE RENTABILIDADE – revelam o grau


de retorno alcançado pela empresa durante um determinado
período.

• Retorno sobre o Ativo:

15 Lucro Líquido
_____________
Ativo Total
• Retorno sobre o Patrimônio Líquido:

Lucro Líquido
__________________
Patrimônio Líquido
• Rentabilidade das Vendas:

Os índices de rentabilidade das vendas demonstram o grau de


20 eficiência que uma empresa tem de gerar lucro por intermédio
das vendas.

92
CONTABILIDADE

Margem Operacional:

Lucro Operacional
__________________
Vendas Líquidas

Margem Líquida:

Lucro Líquido
__________________
Vendas Líquidas

Bibliografia básica

MARION, José C. Contabilidade básica. São Paulo: Atlas 2004 7ª


Ed.

NETO, Alexandre A.; ARAUJO, Adriana M. Introdução a


Contabilidade. São Paulo: Atlas 2004

Complementar

GOUVEIA, Nelson. Contabilidade básica. São Paulo: Harba 2001

SILVA, César A. Tibúrcio.; TRISTÃO, Gilberto. Contabilidade


básica. São Paulo: Atlas 2000

93