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ARISTÓTELES

Para Aristóteles o Estado é encarado como um instituição natural, necessária, decorrente da própria natureza humana. É resultante dos
movimentos naturais de coordenação e harmonia. Sua finalidade primeira seria a segurança da vida social, a regulamentação da
convivência entre os homens, e em seguida, a promoção do bem estar coletivo.
Afirma Aristótels que o Estado deve bastar-se a si mesmo, isto é, deve ser autossuficiente. Observe-se que nessa ideia de autarquia
encontram muitos autores a gênese da soberania nacional e ensinou que, nas manifestações populares, a expressão qualitativa deve ser
levada em conta juntamente com a expressão quantitativa.

JUSTIFICAÇÃO DO ESTADO
O poder do governo sempre precisou de crenças ou doutrinas que o justificassem, tanto para legitimar o comando quanto para legitimar a
obediência.
A princípio, o poder do governo em nome e sob a influência dos Deuses, contanto assim, com uma justificação natural, aceitável pela
simples crença religiosa. Mas, havia necessidade de uma firma justificação doutrinária do poder que foi se tornando cada vez mais
imperiosa, até apresentar-se como problema crucial da ciência política.
Segundo o Prof. Pedro Calmon, as teorias que procuram justificar o Estado tem o mesmo valor especulativo daquelas que explicam o
direito na sua gênese. Refletem o pensamento político dominante nas diversas fases da evolução humana e procuram explicar a derivação
do Estado: a) sobrenatural (estado divino); b) da Lei ou da razão (Estado humano); e c) da história ou da evolução (Estado Social).
Essas diversas doutrinas assinalam a marcha da evolução estatal no tempo da antiguidade remota à atualidade, ou seja, a partir do Estado
fundado no direito divino, entendido como expressão sobrenatural da vontade de Deus, ao Estado moderno, entendido como expressão
concreto do vontade coletiva.
A justificação doutrinárias do poder é um dos mais difíceis na teoria política, porque produz conflitos ideológicos que acabam sempre por
solapar os alicerces da paz universal.
As atribuições mais antigas quanto ao poder do Estado são as chamadas teorias teológico-religiosos, que se dividem em: direito
sobrenatural e direito dividido providencial.
Outra justificação do Estado é quanto as teorias racionalistas, que justificam o Estado como sendo de origem convencional, como produto
da razão humana. Elas partem de um estudo das comunidades primitivas, em estado de natureza e através de uma concepção metafísica
do direito natural, chegando a conclusão de que a sociedade civil nasceu de uma acordo utilitário e consciente entre os indivíduos.
Essas teorias foram corporificadas e ganharam maior evidência com a Reforma religiosa, fazendo côro com a filosofia de Descartes,
delineada em Discursos sobre o método, filosofia esta que ensinou o raciocínio sistemático que conduz a dúvida completa, e a partir daí, o
racionalismo religioso passou a orientar as ciências do Direito e do Estado.
As teorias racionalistas de justificação do Estado, partindo de uma pressuposto a respeito do homem primitivo em estado de natureza,
entrosam-se com os princípios de direito natural.

HUGO GROTIUS
Holandês (1583 -1647), foi precursos da doutrina do direito natural e, de certo modo, do racionalismo na ciência do Estado. Em sua famosa
obra De jure Belli et Pacis, esboçou a divisão dicotômica do Direito em positivo e natural: acima do direito positivo, contingente, variável,
estabelecido pela vontade, dos homens existe um direito natural, imutável, absoluto, independente do tempo e do espaço decorrente da
própria natureza humana, alheio e superior à vontade do soberano.
Hugo Grotius conceituou o Estado como “uma sociedade perfeita de homens livres que tem por finalidade a regulamentação do direito e a
consecução do bem-estar coletivo”.
KANT, HOBBES, PUFFENDORF, THOMAZIUS, LEIBNITZ, WOLF, ROUSSEAU, BLACKSTONE e outros gênios luminosos do séc. XVII,
desenvolveram essa doutrina dando-lhe magno esplendor.

Immanuel Kant
o grande filósofo de Koenigsberg, doutrinou o seguinte: O homem reconhece que é a causa necessária e livre das suas ações (razão pura) e
que deve obedecer a uma regra de comportamento preexistente, ditada pela razão prática (imperativo categórico). O direito tem por fim
garantir a liberdade, e por fundamento, um conceito geral, inato, inseparável do homem, fornecido a priori pela razão prática, sob a forma
de um preceito absoluto: “conduze-te de modo tal que a tua liberdade possa coexistir com a liberdade de todos e de cada um”.
Conclui Kant que ao saírem do estado de natureza para o de associação, submeteram-se os homens a uma limitação externa, livre e
publicamente acordada, surgindo, assim, a autoridade civil, o Estado.

TOMAZ HOBBES
O mais reputado dentre os escritores do séc. XVIII, foi o primeiro sistematizador do contratualismo como teoria justificativa do Estado. É
havido também como teórico do absolutismo, embora não o tenha pregado à maneira de Filmer e Bossuet, com fundamento no direito
divino. Seu absolutismo é racional e sua concepção do Estado tende a conformar-se com a natureza humana.
Para justificar o poder absoluto, Hobbes parte da descrição do estado de natureza: o homem não é naturalmente sociável como pretende a
doutrina aristotélica. No estado de natureza o homem era inimigo feroz dos seus semelhantes. Cada um devia se defender contra a
violência dos outros. Cada homem era um lobo para os outros homens. Por todos os lados havia a guerra mútua, a luta de cada um contra
todos.
Cada homem alimenta em si a ambição do poder, a tendência para o domínio sobre os outros homem, que só cessa com a morte. Só
triunfam a força e a astúcia. E para saírem desse estado caótico, todos indivíduos teriam cedido os seus direitos a um homem ou a uma
assembleia de homens, que personifica a coletividade e que assume o encargo de conter o estado de guerra mútua. A fórmula se resumiria
no seguinte: – Autorizo e transfiro a este homem ou assembleia de homens o meu direito de governar-me a mim mesmo, com a condição
de que vós outros transfirais também a ele o vosso direito, e autorizeis todos os seus atos nas mesmas condições como o faço.
Embora teórico do absolutismo e partidário do regime monárquico, Hobbes, admitindo a alienação dos direitos individuais em favor de
uma assembleia de homens, não afastou das suas cogitações a forma republicana.
Hobbes distinguiu, em O Leviatã, duas categorias de Estado: o Estado real, formado historicamente e baseado sobre as relações da força, e
o Estado racional deduzido da razão. Esse título foi escolhido para mostrar a onipotência que o governo devia possuir. O Leviatã é aquele
peixe monstruoso de que fala a Bíblia, o qual, sendo o maior de todos os peixes, impedia os mais fortes de engolirem os menores. O Estado
(Leviatã) é o deus onipotente e mortal.

BENEDITO SPINOZA
Em sua obra principal – Tractatus Thologicus Politicus defendeu as mesmas ideias de Hobbes, embora com conclusões diferentes: a razão
ensina ao homem que a sociedade é útil, que a paz é preferível à guerra e que o amor deve prevalecer o ódio. Os indivíduos cedem os seus
direitos ao Estado para que este lhes assegure a paz e a justiça. Falhando nestes objetivos, o Estado deve ser dissolvido, formando-se
outro. O indivíduo não transfere ao Estado a sua liberdade de pensar, por isso que, o governo há de harmonizar-se com os ideais que
ditaram a sua formação.

JOHN LOCKE
Desenvolveu o contratualismo em bases liberais, opondo-se ao absolutismo de Hobbes. Foi Locke o vanguardeiro do liberalismo na
Inglaterra. Em sua obra Ensaio sobre o Governo Civil (1690) em que faz a justificação doutrinária da revolução Inglesa de 1688, desenvolve
os seguintes princípios: o homem não delegou ao Estado senão poderes de regulamentação das relações externas na vida social, pois
reservou para si uma parte de direitos que são indelegáveis. As liberdades fundamentais, o direito à vida, como todos os direito inerentes à
personalidade humana, são anteriores e superiores ao Estado.
Locke encara o governo como troca de serviços: os súditos obedecem e são protegidos; a autoridade dirige e promove justiça; o contrato é
utilitário e sua moral é o bem comum.
No tocante a propriedade privada, afirma Locke que ela tem sua base no direito natural: O Estado não cria a propriedade, mas reconhece e
protege.
Pregou Locke a liberdade religiosa, sem dependência do Estado, embora tivesse recusado tolerância para com os ateus e combatido os
católicos porque estes não toleravam outras religiões.
Locke foi ainda o precursor da teoria dos três poderes fundamentais, desenvolvida posteriormente Montesquieu.
Veja mais em: Jonh Locke.

JEAN JACQUES ROUSSEAU


Foi a figura mais proeminente a corrente contratualista. Dentre todos os teóricos do voluntarismo, destacou-se pela amplitude da
formação dos Estados – Discurso sobre as causas da desigualdade entre os homens e contrato social – tiveram a mais ampla divulgação em
todos os tempos, sendo recebidos como evangelhos revolucionários da Europa e da América, no séc. XVIII.
No seu Discurso desenvolve Rousseau a parte crítica, e no Contrato social a parte dogmática. Este último, que representa, na expressão de
bergson, “a mais poderosa influência que jamais se exercem sobre o espírito humano”, continua sendo objeto de discussões entre os mais
altos representantes do pensamento político universal, quer pelos seus erros que a evolução do mundo trouxe à tona, quer pelo seu
conteúdo respeitável de verdades imperecíveis.
Rousseau afirmou que o Estado é convencional. Resulta da vontade geral que é uma soma da vontade manifestada pela maioria dos
indivíduos. A nação (povo organizado) é superior ao rei. Não há direito divino da coroa, mas sim, direito legal docorrente da soberania
nacional. O governo é instituído para promover o bem comum, e só é suportável enquanto justo. Não correspondendo ele com os anseios
populares que determinam a sua organização, o povo tem direito de substituí-lo, refazendo o contrato…
No seu ponto de partida, a filosofia de Rousseau é diametralmente oposta à de Hobbes e Spinoza. Segundo a concepção destes, o estado
natural primitivo era de guerra mútua. Para Rousseau o estado de natureza era de felicidade perfeita: o homem, em estado de natureza, é
sadio, ágil e robusto, encontra facilmente o pouco que precisa. Os únicos bens que conhece são alimentos, a mulher e o repouso, e os
males que teme são a dor e a fome (Discours sur I’origine de l’inefalité parmi les hommes).
Entretanto, para sua felicidade, a princípio, e para a sua desgraça, mas tarde, o homem adquiriu duas virtudes que o extremam dos outros
animais: a faculdade de aquiescer ou resistir e a faculdade de aperfeiçoar-se. Sem essas capacidades a humanidade teria ficado
eternamente em sua condição primitiva, e assim, desenvolveram a inteligência, a linguagem e todas as outras faculdades em potencial.
Os que acumulavam maiores posses passaram a dominar e submeter os mais pobres. A prosperidade individual tornou os homens avaros,
licenciosos e perversos. Nesse período, que foi de transição do estado de natureza para a sociedade civil, os homens trataram de reunir
suas forças, armando um poder supremo que a todos defenderia, mantendo o estado de coisas existente. Ao se associarem, tinham a
necessidade de salvaguardar a liberdade, que é própria do homem, e que, segundo o direito natural, é inalienável. O problema social
consistia, assim em encontrar uma forma de associação capaz de proporcionar os meios de defesa e proteção, com toda a força comum, às
pessoas e aos seus bens, formando assim, o contrato social.
O contrato social de Rousseau, embora inspirado em ideias democráticas, tem muito do absolutismo de Hobbes, pois infundiu nas novas
democracias uma noção antitética de soberania que veio abrir caminho para o Estado totalitário.
O prof. Ataliba Nogueira entendeu que a teoria de Rousseau reduziu o homem à condição de escravo da coletividade, justificando toda
espécie de opressão. A maior vulnerabilidade do contratualismo está no seu profundo conteúdo metafísico e deontológico. Sem dúvida, a
falência do Estado liberal e individualista, que não pôde dar solução aos problema desconcertantes manifestados pela evolução social a
partir da segunda metade do séc. XIX, trouxe à tona muito erros dessa teoria.

EDMUNDO BURKE
Opondo-se ao artificialismo da teoria contratualista, surgiu no cenário político a escola história, afirmando que o Estado não é uma
organização convencional, não é uma instituição jurídica, mas é um produto de um desenvolvimento natural de uma determinação da
comunidade estabelecida em determinado território.
O Estado é um fato social e uma realidade histórica, não uma manifestação formal de vontades apuradas num dado momento, ele reflete a
alma popular, o espírito da raça.
Apoia-se esta escola de ensinamentos de Aristóteles: o homem é um ser eminentemente político; sua tendência natural é para a vida em
sociedade, para realização das superiores formas associativas. A família é a célula primária do Estado; a associação familiar constitui o
grupo político menor; a associação destes grupos constitui o grupo maior que é o Estado.
Savigny e Gustavo Hugo, na Alemanha, adotaram e desenvolveram amplamente esta concepção realista do Estado como fato social,
especialmente no campo de direito privado, mesmo porque, segundo observa Pedro Calmon, a doutrina histórica servia a duas ideias
profundamente germânicas: o espírito da raça e a tendência a uma progresso ilimitado.
Adam Muller, Ihering e Bluntschli foram outros corifeus desta mesma doutrina.
Edmundo Burke foi o principal expoente da escola clássica. Condenou corajosamente certos princípios da revolução francesa, notadamente
“a noção dos direitos do homem na sua abstração e seu absoluto” e a “impessoalidade das instituições”.
A doutrina de Burke teve grande repercussão mundial. Sua obra alcançou onde edições em um ano, foi considerado como o “catecismo da
reação contra-revolucionária”.

Causas Determinates do Aparecimento do Estado

TEORIA DA ORIGEM FAMILIAR


Esta teoria, de todas a mais antiga, apoia-se na derivação da humanidade de um casal originário. Portanto, é de fundo religioso.
Compreende duas correntes principais: a) Teoria Patriarcal; e, b) Teoria Matriarcal.

TEORIA PATRIARCAL – Sustenta a teoria que o Estado deriva de um núcleo familiar, cuja autoridade suprema pertenceria ao ascendente
varão mais velho (patriarca). O Estado seriam, assim, uma ampliação da família patriarcal. Grécia e Roma tiveram essa origem, segundo a
tradição. O Estado de Israel (exemplo típico) originou-se da família de Jacob, conforme relato bíblico.
Conta esta teoria com tríplice autoridade da Bíblia, de Aristóteles e do Direito Romano.
Seus divulgadores foram Sumner Maine, Westermack e Starke.
Na Inglaterra deu-lhe notável vulgarização Robert Filmer, que defendeu o absolutismo de Carlo I perante o parlamento.
Os pregoeiros da teoria patriarcal encontram na organização do Estado os elementos básicos da família antiga: unidade do poder, direito
de primogenitura, inalienabilidade do domínio territorial, etc. Seus argumentos, porém, se ajustam às monarquias, especialmente às
antigas monarquias centralizadas, nas quais o monarca representava, efetivamente, a autoridade do pater familias.
É ponto quase pacífico, em sociologia, a origem familiar dos primeiros agrupamentos humanos. Entretanto, se esta teoria explica de
maneira aceitável a gênese da sociedade, certo é que não encontra a mesma aceitação quando procura explicar a origem do Estado como
organização política. Como observa La Bigne de Villeneuve, uma família fecunda pode ser o ponto de partida de um Estado – e disso dá
muitos exemplos históricos. Mas, em regra, o estado se forma pela reunião de várias famílias. Os primitivos Estados gregos foram grupos
de clans. Estes grupos formavam as gens; um grupo de gens formava a frataria; um grupo de fratias formava a tribu; e esta se constituía em
Estado-Cidade (polis). O Estado-Cidade evoluiu para o Estado nacional ou plurinacional.

TEORIA MATRIARCAL – Dentre as diversas correntes teóricas da origem familiar do estado e em oposição formal ao patriarcalismo,
destaca-se a teoria matriarcal ou matriarcalística.
Bachofen foi o principal defensor desta teoria, seguido por Morgan, Grose, Kholer e Durkheim.
A primeira organização familiar teria sido baseada na autoridade da mãe. De uma primitiva convivência em estado de completa
promiscuidade, teria surgida a família matrilínea, naturalmente, por razões de natureza filosófica – mater semper certa. Assim, como era
geralmente incerta a paternidade, teria sido a mãe a dirigente e autoridade suprema das primitivas famílias, de maneira que, o clan
matronímico, sendo que a mais antiga forma de organização familiar, seria o “fundamento” da sociedade civil.
O matriarcado, que não deve ser confundido com a “ginecocracia” ou hegemonia política da mulher, precedeu realmente o patriarcado, na
evolução social. Entretanto, é a família patriarcal a que exerceu crescente influência, em todas as fases da evolução histórica dos povos.

TEORIA DA ORIGEM PATRIMONIAL


Essa teoria tem suas raízes, segundo alguns autores da filosofia de Platão, que admitiu, no Livro II de sua República, originar-se o Estado da
união das profissões econômicas.
Também Cícero explica o Estado como uma organização destinada a proteger a propriedade e regulamentar as relações de ordem
patrimonial.
Decorre desta teoria, de certo modo, a afirmação de que o direito de propriedade é um direito natural, anterior ao Estado.
O Estado feudal, da Idade Média, ajustava-se perfeitamente a esta concepção: era uma organização essencialmente de ordem patrimonial.
Entretanto, como instituição anômala, não pode fornecer elementos seguros à determinação das leis sociológicas.
Haller, que foi o principal corifeu da teoria patrimonial, afirmava que a posse da terra gerou o poder público e deu origem à organização
estatal.
Modernamente esta teoria foi acolhida pelo socialismo, doutrina política que considera o fator econômico como determinante dos
fenômenos sociais.

TEORIA DA FORÇA
Também chamada “da origem violenta do Estado”, afirma que a organização política resultou do poder de dominação dos mais fortes
sobre os mais fracos. Dizia Bodim que “o que dá origem ao Estado é a violência dos mais fortes”.
Gumplowicz e Oppenheimer desenvolveram amplos estudos a respeito das primitivas organizações sociais, concluindo que foram elas
resultantes das lutas travadas entre os indivíduos, sendo o poder público uma instituição que surgiu com a finalidade de regulamentar a
dominação dos vencedores e a submissão dos vencidos. Franz Oppenheimer, médico, filósofo e professor de ciência política em Frankfurt,
escreveu textualmente: “o Estado é inteiramente, quanto `a sua origem, e quase inteiramente quanto à sua natureza, durante os primeiros
tempos de sua existência, uma organização social imposta por um grupo vencedor a um grupo vencido, destinada a manter esse domínio
internamente e proteger-se contra ataques exteriores”.
Thomas Hobbes
discípulo de Bacon, foi o principal sistematizador desta doutrina, no começo dos tempos modernos. Afirma este autor que os homens, no
estado de natureza, eram inimigos uns dos outros e viviam em guerra permanente. E como toda guerra termina com a vitória dos mais
fortes, o Estado surgiu como resultado dessa vitória, sendo uma organização do grupo dominante para manter o domínio sobre os
vencidos.
Note-se que Hobbes distinguiu duas categorias de Estados: real e racional. O Estado que se forma por imposição da força é o Estado real,
enquanto que o Estado racional provém da razão, segundo a fórmula contratualista.
Esta teoria da força, disse Jellinek, “apoia-se aparentemente nos fatos históricos: no processo da formação originária dos Estados quase
sempre houve luta; a guerra foi, em geral, o princípio criador dos povos. Ademais, essa doutrina parece encontrar confirmação no fato
incontestável de que todo Estado representa, por sua natureza, uma organização de forma e dominação.
Entretanto, como afirma Lima Queiroz, o conceito de força como origem de autoridade, é insuficiente para dar a justificação a base da
legitimidade e a explicação jurídica dos fenômenos que constituem o Estado.
Ressalta à evidência que, sem força protetora e atuante, muitas sociedades não teriam podido organizar-se em Estado. Todos os poderes,
inicialmente, foram protetores. Para refrear a tirania das inclinações individuais e conter as pretensões opostas, recorreu-se, a princípio, à
criação de um poder coercitivo, religioso, patriarcal ou guerreiro. E tal poder teria sido o primeiro esboço do Estado.
Segundo um entendimento mais racional, porém, a força que dá origem ao Estado não poderia ser a força bruta, por si só, sem outra
finalidade que não fosse a dominação, mas sim, a força que promove a unidade, estabelece o direito e realiza a justiça. Neste sentido é
magnifica a lição de Fustel de Coulanges: as gerações modernas, em suas ideias sobre a formação dos governos, são levados a crer, ora que
eles são resultantes exclusivamente da força e da violência, ora que são uma criação da razão. É um duplo erro: a origem das instituições
sociais não deve ser procurada tão alto nem tão baixo. A força bruta não poderia estabelecê-las; as regras da razão são impotentes para
criá-las. Entre a violência e as vãs utopias, na região média em que o homem se move e vive, encontram-se os interesses. São eles que
fazem as instituições e que decidem sobre a maneira pela qual uma comunidade se organiza politicamente.

Elementos Constitutivos do Estado

Povo
filosófico-social - é a reunião de uma multidão ao redor do consenso do direito e dos interesses comuns”. Cabe ao Estado harmonizar os
vários interesses.
antropologia cultural - é a população que pertence à mesma cultura, habitando determinado território.
Política - política é a busca comum do bem comum (sentido geral) ou a atividade que busca o poder de Estado para a partir dele
administrar a sociedade( sentido específico). Na boca dos políticos profissionais “povo”apresenta grande ambiguidade. Por um lado
expressa o conjunto indiferenciado dos membros de uma sociedade determinada(populus) por outro, significa a gente pobre e com parca
instrução e marginalizada (plebs=plebe). Quando os políticos dizem que “vão ao povo, falam ao povo e aagem em benefício do povo”,
pensam nas maiorias pobres.

Soberania
Para a política, a soberania é o exercício da autoridade que reside num povo e que se exerce por intermédio dos seus órgãos
constitucionais representativos. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora também define o conceito de soberania como sendo a
autoridade suprema do poder público e como a alteza ou excelência não superada em qualquer ordem imaterial.
Aos olhos de Jean Jacques Rousseau, soberano é o povo. Porém, cada cidadão é soberano e súbdito em simultâneo, uma vez que contribui
para a criação da autoridade (como tal, faz parte da mesma) embora, por sua vez, esteja submetido a esta mesma autoridade e seja
obrigado a obedecer a esta.
Desta forma, para Rousseau, todos os cidadãos são livres e iguais, tendo em conta que não são mandados por um indivíduo em concreto,
recebendo antes ordens de um sujeito indeterminado que representa a vontade geral.

Território
Território, do latim territorĭum, é uma porção da superfície terrestre que pertence a um país, uma província, uma região, etc. O termo pode
ser extensivo à terra ou ao terreno que possui ou controla uma pessoa, uma organização ou uma instituição.
Exemplos: “O território provincial estende-se até àquelas montanhas”, “O governo venezuelano garantiu que, em caso de necessidade,
defenderia a integridade do seu território com as armas”, “As tropas já entraram no território inimigo: agora, resta-nos aguardar pela
resposta local”.
A noção de território pode entender-se a nível político ou geográfico. Para a política, o território é a delimitação na qual existe uma
população fixa e que depende de uma autoridade competente. A cidade de Mar del Plata, por exemplo, é um território que pertence à
Província de Buenos Aires e que, por sua vez, faz parte da República Argentina. Significa que Mar del Plata conta com um presidente de
câmara (a autoridade municipal), o qual presta contas ao governador de Buenos Aires (a autoridade provincial) que, por sua vez se
encontra na hierarquia institucional sob a alçada da presidência argentina (a autoridade nacional).
O território marca os limites da actividade estatal e da actividade de um Estado estrangeiro. Um Estado nacional não tem qualquer
autoridade para além do seu território, mas pode gerir os recursos naturais e humanos que façam parte da sua superfície territorial.

O Poder Estatal
È clarividente que o Poder Público prima pela paz social e pela convivência pacífica entre as pessoas; mas para tanto, imprescindível se
mostra a existência de um poder central para controlar a vida social, para fazer valer as normas mandamentais e regular as relações sociais.
Daí a necessidade de estudarmos o Poder do Estado.
Para alguns autores, o Estado seria o próprio poder, ou seja, não seria possível conceber uma figura central, incumbida de controlar os
membros da sociedade nas relações rotineiras, e ainda, capaz de fazer cumprir suas determinações independentemente da vontade de
seus subordinados, sem um poder central e coercitivo[1].
Entretanto, para a maioria dos autores o poder não se confunde com o próprio Estado, mas é elemento essencial deste, tendo como
característica maior a soberania. Deve-se entender por soberania o poder no qual o Estado é titular exclusivo, exercendo-o de forma livre,
porém não arbitrária, dentro de uma extensão territorial, tendo como escopo regular a vida em sociedade.
Na tentativa de melhor elucidar a questão do poder estatal, Jellinek ensina que a peculiaridade desse poder é a dominação. Com efeito, há
duas espécies de poder segundo aquele autor: o não dominante e o dominante. O primeiro tipo estaria presente em toda e qualquer
organização que não o Estado, ou seja, em um agrupamento humano onde a autoridade central, quando existente, não possui legitimidade
ou força para fazer cumprir suas determinações. O que não ocorre com as figuras centrais dotadas de poder dominante, onde seus
membros se obrigam a cumprir as determinações da autoridade central, sob pena de sofrerem uma sanção. Trazendo isso para nosso
sistema, seria a legitimidade do Estado em punir os infratores dos mandamentos legais.
Ressalte-se ainda, que o poder estatal dominante possui duas características que lhe são próprias, a saber: ele é originário, pois todos os
demais poderes da sociedade vão partir deste ponto; e também irresistível, pois nenhum membro da sociedade pode se escusar de
cumprir as normas mandamentais do Estado, tampouco se furtar de receber as punições legalmente estabelecidas em caso de
descumprimento daquelas; observando-se sempre que as ordens do Estado independem da vontade singular dos indivíduos.
Outra questão importante a ser levantada quando da análise mais profunda sobre o poder estatal é se este é predominantemente político
ou jurídico, ou ainda, se apresenta um pouco de ambos. Isto se mostra importante, pois, em se adotando uma ou outra posição, está-se
legitimando um poder unilateral e arbitrário, fundamentado apenas na vontade do governante o que fatalmente nos levaria a uma postura
totalitária.
Realmente, o governante enquanto chefe de estado tem autonomia suficiente para determinar certas atitudes de seus governados que em
nada contribuiria para o desenvolvimento social e a manutenção da paz social. Medidas arbitrárias encontrariam guarida e porque não,
plena legitimidade independentemente dos parâmetros determinados pelo ordenamento jurídico pátrio, se tomássemos o poder estatal
por meramente político.
Da mesma forma, em se adotando uma postura exclusivamente jurídica, uma vez estabelecida uma nova ordem jurídica por um líder de
estado déspota, estar-se-ia consagrando plena legitimidade ao governante para cometer atos que vão de encontro à liberdade e garantias
individuais.
Destarte, não se pode admitir o poder estatal como exclusivamente jurídico ou político. A relação entre poder e direito foi estreita e
sempre presente nas mais diferentes épocas da humanidade. Analisando-se qualquer agrupamento humano munido de um poder central e
com relativa organização social, por mais primitiva que esta seja, haverá de se constatar sempre um poder e uma ordem jurídica.
Com efeito, nas lições de Miguel Reale, organizar-se é constituir-se em um poder, não havendo organização sem direito, assim como não
há poder que não seja jurídico, ou seja, não há poder insuscetível de qualificação jurídica[2].
Eis que surge a feliz indagação proposta por Dallari: em que sentido, então, deve ser entendida a afirmação de que todo poder, embora
político, é também jurídico?
A resposta é apontada pelo mesmo autor, remetendo-se aos estudos de Edmond Picard, quando este fala em graus de juridicidade, onde o
direito haveria de existir em diferentes graus de influência, desde o estado potencial até o estado positivo variável[3]. Explica-se.
Este estágio inicial de influência do direito seria a pura e simples atuação da força estatal na consecução de uma determinada finalidade
qualquer, presente no âmbito social. Já o grau máximo de atuação do direito, através da força estatal, seria quando toda a estrutura do
poder público norteia-se a concretizar um objetivo estritamente jurídico sob a luz das normas jurídicas.
Trata-se da atuação do Estado a serviço do Direito.
Posto isso, percebe-se que, mesmo quando o poder estatal digna-se a realizar todo e qualquer objetivo social, revestindo-se de uma forma
predominantemente política e aparentemente alheio à atuação do direito, este poder já estará se revestindo da natureza jurídica, ainda
que de uma forma primária.
Por outro lado, mesmo quando o Estado atua em direção aos objetivos estritamente jurídicos, valendo-se dos mandamentos contidos no
ordenamento jurídico pátrio, far-se-á presente a figura de um poder político, pois o Poder Público ainda restará capacitado para agir com
plena eficácia e independência para a realização dos objetivos sociais e portanto, não jurídicos.
Enfim, pode-se agora chegar a uma conceituação eficaz e elucidativa de Estado, pois analisados estão todos os seus elementos de sua
constituição, bem como a forma de atuação deste ente na esfera social; há também o elemento pessoal que se perfaz no povo e, estando
este situado em determinado território, emerge-se aqui ainda a força inimaginável da territorialidade que é o elemento limitador físico da
ação jurídica e política do ente estatal.

Poder social
Um professor tem poder sobre os seus alunos. Os pais têm poder sobre os seus filhos. Um chefe tem poder sobre os seus funcionários. Os
políticos têm poder para decidir. O poder social está presente em todas as áreas da vida: uma pessoa tem poder sobre a outra, algumas
profissões têm mais poder que as outras, mas o que é poder? Não basta dizer que alguém é poderoso, precisamos definir claramente o
que é o poder.
O poder é a capacidade de fazer ou ser algo. A capacidade de exercer um domínio hegemônico sobre uma ou várias pessoas. A capacidade
de influenciar um e/ou vários indivíduos e assumir a autoridade suprema reconhecida em uma sociedade. Como podemos ver, a definição
de poder é muito vaga. Ao longo da história, houve diferentes definições, teorias e tipologias de poder. Para entendê-lo melhor, é
necessário conhecer algumas definições mais aceitas.
Um dos primeiros autores a falar sobre o poder foi Friedrich Nietzsche (2005). Ele citou o desejo de ser poderoso como uma ambição de
alcançar os seus desejos. Quase ao mesmo tempo, Max Weber definiu o poder como a oportunidade ou a possibilidade existente em uma
relação social que permite que um indivíduo satisfaça a sua própria vontade. Posteriormente, desde o marxismo, vários autores estudaram
esse conceito. O filósofo francês Michel Foucault desenvolveu uma das análises mais abrangentes sobre o poder. Embora tenha havido
muitos outros autores, citaremos alguns dos mais relevantes, sem esquecer os trabalhos sobre o poder social estudados pela psicologia.
Ideologia e Poder
O significado positivo de ideologia
O primeiro significado de ideologia é um conjunto de ideias que pretende explicar a realidade e as transformações sociais. Neste sentido, é
sinônimo de doutrina ou ideário em geral e tem a função de orientar a ação social de indivíduos e de grupos. Aqui, a ideologia tem um
caráter descritivo (ela explica como as coisas são) e também normativo (como deveriam ser). Seu uso levou a uma sensação positiva de
ideologia como qualquer visão de mundo ou corpo de pensamento filosófico. Por este ponto de vista, a ideologia abrange toda a esfera da
cultura, incluindo a ciência, e pode ser vista como um intermediário necessário entre os indivíduos e o mundo.

O significado negativo de ideologia


Uma segunda concepção vem do pensamento marxista. Na obra de Karl Marx, a ideologia aparece como algo necessariamente negativo e
pejorativo: trata-se da distorção do pensamento que nasce das contradições sociais e que serve justamente para ocultar ou disfarçar tais
contradições.
Em uma concepção filosófica, a palavra é utilizada no título do livro “A Ideologia Alemã” de Marx e Engels. Nesta obra, os autores
defendem o materialismo e criticam os filósofos alemães por separarem a produção de ideias da produção das condições sociais. Assim, os
componentes ideológicos da superestrutura seriam formados por julgamentos necessariamente enganadores através da distorção da
compreensão da realidade social.
Neste sentido, a ideologia funciona politicamente como um elemento específico da superestrutura da sociedade. Lembremos que, no
pensamento marxista, a superestrutura deriva do conflito de interesses das diferentes classes que fazem parte da base econômica de
determinada sociedade. A superestrutura compreende os modos de pensar, as visões de mundo e demais componentes ideológicos de
uma classe e tem como função manter as relações econômicas que constituem a infraestrutura, reforçando assim os interesses coletivos
da classe dominante, através da força persuasiva dos seus componentes ideológicos.

Max Weber
Max Weber foi um dos pensadores mais importantes do século XX. Embora o seu campo de estudo seja muito variado, nos
concentraremos na sua concepção sobre poder e dominação. Para Weber poder significa “a probabilidade de impor a própria vontade,
dentro de uma relação social, mesmo contra toda resistência e qualquer que seja a base dessa probabilidade (Weber, 2005)”.
Neste caso, o poder envolve a capacidade potencial de impor a vontadee pode se manifestar de maneiras diferentes. Enquanto a
dominação, entendida como uma forma de mandato-obediência, seria a maneira mais bem-sucedida de expressar o poder.
Dentro da dominação existem diferentes tipos. Um dos mais importantes seria a legitimidade, que é a crença na validade de uma ordem
ou de uma relação social específica. Existem três formas de legitimidade na dominação (Weber, 2007).
 Dominação jurídica racional: “baseia-se na crença na legalidade da ordem estabelecida e no direito de dar ordens aos que têm
competência para exercer a dominação de acordo com esse sistema”.
 Dominação tradicional: “baseia-se na crença habitual no caráter sagrado das tradições que sempre existiram e na legitimidade dos
elementos para exercer a autoridade em virtude dessas tradições”.
 Dominação carismática: “baseia-se na extraordinária entrega da santidade, heroísmo ou exemplaridade de uma pessoa e da ordem criada
ou revelada por essa pessoa”.

Michel Foucault
Foucault dizia que o poder está em toda parte, porque não vem de um lugar específico. Portanto, o poder não poderia estar localizado em
uma instituição ou estado e a ideia marxista de assumi-lo não seria possível.O poder é uma relação de forças que ocorre em uma
sociedade em um determinado momento. Dessa forma, se considerarmos o poder como o resultado das relações de poder, ele estará em
toda parte. E os indivíduos não podem ser considerados independentes dessas relações.
Foucault, na contramão das concepções anteriores de poder, se perguntava: como as relações de poder podem produzir regras de direito
que, por sua vez, produzem discursos da verdade? Embora o poder, o direito e a verdade se retroalimentem, o poder sempre mantém
uma influência preponderante sobre o direito e a verdade. As teorias de Foucault abordam a relação existente
entre poder e conhecimento e como eles são usados como uma forma de controle social através das instituições.

Embora Foucault analise o poder em diferentes contextos e épocas, uma das concepções mais importantes é a do biopoder (Foucault,
2000). O biopoder é uma prática dos estados modernos através do qual eles controlam a população. O poder moderno, de acordo com a
análise de Foucault, é codificado nas práticas sociais e no comportamento humano, pois o indivíduo aceita gradualmente os controles sutis
e as expectativas da ordem social. Com o biopoder, ocorre uma regularização biológica da vida. Um exemplo clássico é encontrado nos
hospitais psiquiátricos, nas prisões e tribunais, que definem as normas pelas quais uma parte da população se afasta da sociedade
(Foucault, 2002).

Jellinek
afirmou a inexistência de uma relação de domínio, uma vez que o domínio exercido pelo Estado expressa o poder do império que, por sua
vez, recai diretamente sobre os indivíduos. Desta forma, o direito do Estado ao território é mero reflexo do poder exercido sobre as
pessoas.
Segundo Jellinek, existem duas espécies de poder: o poder dominante e o poder não dominante.
Como característica principal, o poder não dominante é o que não dispõe de força para obrigar com seus próprios meios à execução de
suas ordens. Essa idéia de poder não dominante acaba por levar à caracterização de um poder disciplinador, desprovido de dominação ou
“imperium”.
Embora ele não esclareça essa falta de força só pode ter o sentido de meio de coação legal, pois uma sociedade particular pode dispor de
grande força no sentido material.
O poder dominante apresenta duas características básicas: é originário e irresistível.
É originário porque o Estado Moderno se afirma a si mesmo como o princípio originário dos submetidos.
Isto se torna claro pelo direito que ele próprio se atribuiu, de dispor, mediante as suas leis, em seu território, de todo o poder de
dominação. Ainda que conceda aos submetidos um relativo poder de independência perante ele, o Estado tem um poder que lhe é próprio
e do qual derivam os demais poderes.
Considera-se irresistível, por ser um poder dominante. Dominar significa mandar de um modo incondicionado e poder exercer coação para
que cumpram as ordens dadas. A irresistibilidade se revela na impossibilidade em que se acha o submetido de se subtrair ao poder
dominante.
Em relação ao poder não dominante, é relativamente fácil alguém quebrar o vínculo de submissão. Entretanto, quando se trata do poder
do Estado, isso é praticamente impossível, não havendo a possibilidade de renunciar a uma cidadania, pura e simplesmente, sendo
possível, mudar de cidadania, o que significa subtrair-se ao poder de um Estado para submeter-se a outro.
Talvez com a excessiva expressão de força desse poder irresistível, incondicionado e coativo, o próprio Jellinek, procurou atenuá-lo,
concluindo como observação de que num Estado plenamente desenvolvido, ou numa situação normal, o poder dominante deverá ter o
caráter de papel jurídico.
A conclusão final, é que o conceito de poder do Estado já se acha contido no conceito de ordem jurídica. Sendo assim, não existe razão
para o tratamento autônomo do poder, especialmente para considerá-lo desligado da soberania, que é um atributo de poder e, em última
análise, da própria ordem jurídica.

Benjamin Constant
Nascido próximo à Lausanne (Suíça) em 25 de outubro de 1767, de descendentes de huguenotes, Constant foi educado nas universidades
de Erlangen e Endimburgo, sendo a última, um centro de Política Whig e o local de célebres professores tais como Adam Smith e Adam
Ferguson.
Ao contrário dos fisiocratas, que apoiavam um déspota esclarecido para promover os princípios liberais, Constant rejeitou tais soluções,
declarando que o governo era a maior ameaça à liberdade. A pior coisa seria dar ao Estado mais poder, independente de qual fosse sua
agenda.
Ele tinha muitas razões para limitar a intervenção estatal na vida das pessoas:
1. Os erros legislativos espalham os efeitos negativos por toda a nação, em oposição aos erros individuais que são limitados em seu escopo;
2. Os estragos causados pela leis errôneas afetam aos cidadãos mais do que aos legisladores, que estão, portanto, menos inclinados à repeli-
las;
3. Leva mais tempo reparar o estrago causado por uma legislação do que reparar o estrago causado por indivíduos nas suas escolhas
privadas;
4. Por conta da observação constante de críticos, os políticos estão menos inclinados a admitir o erro publicamente e desfazer o estrago feito;
5. Os políticos estão mais inclinados à tomar decisões baseados no pragmatismo e no preconceito do que nos princípios, como estaria
disposto um cidadão de bem.
Assim como Montesquieu, Constant acreditava num sistema de freios e contrapesos, além de apoiar a liberdade de imprensa e outras
instituições. Ao contrário de alguns críticos da religião daquela época, ele acreditava que a religião era uma força positiva na sociedade e
que ajudava, assim como o regionalismo, a controlar o poder do Estado.

Reforma da Monarquia: o Poder Moderador e os Conselhos Municipais


Constant também desenvolveu uma nova teoria de Monarquia Constitucional, na qual o poder real deveria ser um poder neutro que atua
protegendo, balanceando e restringindo os excessos dos outros poderes ativos (o executivo, o legislativo e o judiciário). Isso foi um avanço
na teoria predominante no mundo inglês, na qual o Rei detinha o poder executivo. No esquema de Constant, o poder executivo pertencia a
um Conselho de Ministros (ou Gabinete) o qual, apesar de apontado pelo Monarca, seria o supremo responsável pelo Parlamento. Fazendo
essa distinção teorética entre os poderes do Monarca (como chefe de Estado) e dos ministros (como o Executivo) Constant estava
respondendo à realidade política aparente na Grã-Bretanha: os ministros, e não o Rei, são responsáveis pelo governo. Ou seja, o Rei “reina
mas não governa”. Isso foi importante para o desenvolvimento do governo parlamentarista francês.
Deve-se notar, porém, que o Monarca não existe para ser uma figura sem poderes no esquema de Constant: ele deve ter muitos poderes,
incluindo o poder de fazer apontamentos judiciais, o poder de dissolver a Câmara dos Deputados e invocar novas eleições, o poder de
apontar os senadores vitalícios, e o poder de demitir os ministros. Porém, ele não poderia governar ou administrar diretamente, já que
esses são os poderes dos ministros responsáveis.
Essa teoria foi em Portugal (1826) e no Brasil (1824), onde o Rei detinha o “Poder Moderador” em vez do Poder Executivo. No Brasil,
porém, o Imperador manteve o Poder Executivo até 1847, quando a criação do Presidente do Conselho de Ministros tornou a figura do
Imperador detentora somente do Poder Moderador. Em outros lugares o Poder Executivo foi notoriamente investido no Monarca, porém
exercido somente pelos ministros responsáveis. Um exemplo disso é o estatuto de 1848 do Reino da Sardenha, que veio a ser a base da
constituição italiana de 1861.
Outras preocupações de Constant incluíram um “novo tipo de federalismo” – um sério atentado para descentralizar o governo francês pela
devolução dos poderes a conselhos municipais eleitos. Essa proposta frutificou em 1831, um ano após sua morte, quando conselhos
municipais eleitos foram criados.

Hans Kelsen
Para Hans Kelsen, a teoria geral está voltada para uma análise estrutural do Direito positivo e explica que quando a doutrina é
denominada de teoria pura do Direito significa que ela está sendo conservada livre de elementos estranhos ao seu objeto particular
(econômicos, filosóficos, ideológicos e políticos), ao método de uma ciência cujo único objetivo é a cognição do Direito e não a sua
formação[57].
Por volta de 1955 surge A democracia, livro em que Hans Kelsen discorre acerca do fenômeno democrático, o qual é fundamentado em
dois pressupostos elementares: liberdade e igualdade. Neste livro, Hans Kelsen aduz que a autodeterminação política é que fundamenta
o poder, pois a ordem social dever ser criada por aqueles que estão igualmente submetidos a essa ordem e arremata: “Democracia
significa identidade entre governantes e governados, entre sujeito e objeto do poder, governo do povo sobre o povo”[58].
Para Hans Kelsen, o que caracteriza a democracia é a síntese dos princípios da liberdade e da igualdade. Afirma que, partindo-se da
premissa de que todos são iguais, em princípio poder-se-ia pensar que ninguém deveria mandar em ninguém. Posteriormente menciona
que a experiência mostrou que para ser igual é necessário deixar-se comandar. De acordo com Hans Kelsen, a ideologia política não
renega unir liberdade com igualdade

Teoria da Tripartição do Poder por Montesquieu


Tudo aconteceu a partir de um trabalho de busca da essência, da natureza de cada tipo de poder estabelecido nas sociedades
e comparando as relações que as leis da época tinham com a natureza em si.
Montesquieu desenvolveu uma ideia que dá o parâmetro do constitucionalismo, ou seja, do conjunto de leis contidas numa
constituição. É o tipo de regência mais comum em quase todos os tipos de governos de hoje e que busca de maneira
democrática designar as autoridades competentes a cada âmbito da sociedade. Isso ocorre para se evitar o autoritarismo, a
arbitrariedade e a violência, que eram comuns na maioria das monarquias absolutistas da época, quando reis e tiranos
sustentavam suas próprias concepções do que achavam que era justo ou verdadeiro a partir de conceitos puramente
religiosos e/ou impositores.
A partir dessa concepção de constitucionalismo em sua obra, Montesquieu começou a traçar um pensamento de forma a
dividir os poderes dentro de um governo. Inspirado pela constituição inglesa da época, que apesar de não ter essa divisão
clara em sua estruturação, o francês dividiu de maneira cuidadosa e detalhada para os moldes de sua época os três poderes
em Executivo, Legislativo e Judiciário.
A ideia central da teoria dos três poderes é de que um poder em suas atribuições equilibraria a autonomia e interviria quando
necessário no outro, propondo uma harmonia e uma maior organização na esfera governamental de um estado.
Em síntese, pode-se dizer, a grosso modo, que é um regime onde o poder é limitado e equilibrado pelo poder, ou seja, como o
próprio Montesquieu citou em 'O Espírito das Leis': “[...]só o poder freia o poder”, o que ele chama de “Sistema de freios e
contrapesos”. Nenhum dos três poderes tem autonomia absoluta sobre a sociedade, nem sobre os outros tipos de poderes;
mas sim um, em conjunto com o outro, deveria reger o Estado de maneira a exercer uma igualdade social e governamental.

Formas de Governo

As Formas de Governo consistem na política de governança adotada na organização das nações.


Trata-se de um tema complexo que se altera ao longo dos anos à medida que os Estados passam a expandir regimes e
sistemas de acordo com as tendências sociais.
O primeiro estudioso a refletir acerca da complexidade do governo foi Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) - filósofo grego que se
dedicou à Metafísica, Ética e ao Estado e em sua obra “A Política“ analisa os regimes políticos, bem como as suas formas.
VEJA TAMBÉM: O que é Política?
Segundo Aristóteles
Aristóteles descreve o governo com critérios de justiça e objetivos que visam o bem comum. Assim, classifica as formas de
governo mediante o número e o poder dado ao(s) governante(s).
Segundo Aristóteles eram legítimas, puras - porque visavam o interesse comum - as seguintes formas de governo:
 Monarquia - Rei tem poder supremo
 Aristocracia - Alguns nobres detém o poder
 Democracia ou Politeia - Povo detém o controle político
Por sua vez, eram ilegítimas - porque visavam interesse próprio - as seguintes formas que deturpavam a concepção de
governo do filósofo - as chamadas formas legítimas citadas acima - corrompendo, assim, a sua essência política:
 Tirania - Poder supremo obtido de forma corrupta
 Oligarquia - Poder detido por um grupo que o exerce de forma injusta
 Demagogia ou Olocracia - Poder exercido por facções populares
Depois de Aristóteles muitos outros estudos abordaram este assunto, resultando em formas de governo diferentes, tal como
as que Maquiavel considerou: República e Principado.

Sistema de Governo: de acordo com Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo (Direito Administrativo Descomplicado. Impetus.
2007. pág. 12): “A forma com que se dá a relação entre o Poder Legislativo e o Poder Executivo no exercício das funções
governamentais consubstancia outro importante aspecto da organização estatal. A depender do modo como se estabelece
esse relacionamento, se há uma maior independência ou maior colaboração entre eles, teremos dois sistemas (ou regimes) de
governo: o sistema presidencialista e o sistema parlamentarista.” O Brasil adota o regime presidencialista.
Presidencialismo
Modelo de sistema em que há concentração do chefe de governo e o chefe de Estado na figura de uma só pessoa, o
Presidente, mas não deve jamais ser confundido com monarquia ou algo do gênero, pois neste sistema os governantes
devem ser escolhidos pelo povo, pressupondo assim, a democracia (regime de governo).
 Divisão orgânica dos poderes;
 independência entre os poderes;
 Harmonia entre os poderes;
 Eleições diretas pelo povo, exceto em casos excepcionais.
3.2 - Parlamentarismo
Os parlamentares, assim como no presidencialismo, são escolhidos pela população, no entanto, neste sistema de governo há
diferença entre chefe de governo (administra o pais) e chefe de Estado (relações externas e forças armadas) que são
escolhidos pelos parlamentares e não diretamente pelo povo.
 Divisão orgânica dos poderes;
 interdependência entre legislativo e executivo;
 Descentralização de chefia de governo e chefia de Estado numa só pessoa;
 Parlamento escolhe o chefe de Estado;
 Dissolução do parlamento com convocação de novas eleições gerais, por injunção do Chefe de Estado.;
4.0 - REGIME DE GOVERNO
4.1 - Democracia
Regime democrático pode ser entendido como aquele em que o poder é emanado do povo, um regime que proporciona voz
e ação à população através na criação de leis, fiscalização (remédios constitucionais), escolha dos representantes, direta ou
indiretamente e etc.
4.2 - Autocrático
Trata-se de um governo autoritário, de poder absoluto, que governa conforme sua arbitrariedade todos os níveis
governamentais. Neste sistema, antagônico em relação à Democracia, a gestão é exercida através do soberano ou de
delegações arbitrárias feitas pelo mesmo.
Democracia direta:
Democracia direta é uma forma de governo democrático onde a população tem o direito de participar diretamente das
tomadas de decisões. No entanto, este é um modelo viável para sociedades pequenas, onde é possível uma deliberação entre
todos os seus membros.
Os primeiros relatos da democracia direta são de Atenas, na Antiga Grécia, quando o sistema de governo consistia na
participação popular para a tomada das principais decisões. Os cidadãos se reuniam em praça pública e, assim, discutiam e
votavam em assuntos políticos e sobre os problemas da cidade.

Democracia Indireta
A democracia indireta estabelece que a população utilize do voto para a escolha dos representantes políticos mais adequados
aos seus interesses. Desse modo, os cidadãos teriam os seus direitos assegurados por vereadores e deputados que se
comprometeriam a atender os anseios de seus eleitores. No entanto, observando o desenvolvimento da democracia indireta,
vemos que esse compromisso entre os políticos e os cidadãos está sujeito a vários questionamentos.

Visando escapar do afastamento à norma democrática, observamos hoje a organização de algumas iniciativas interessadas em
reforçar o poder de intervenção do povo através do uso do voto. Um desses exemplos pode ser visto na organização do
chamado “orçamento participativo”, sistema em que autoridades de um município anunciam a existência de uma
determinada verba e conclamam a população de um bairro ou região para discutir e votar sobre qual a melhor destinação dos
recursos.

Democracia Formal
a democracia formal pode favorecer uma minoria restrita de detentores do poder econômico e, portanto, não ser um poder
para o povo, embora seja um governo do povo, assim uma ditadura política pode favorecer em períodos de transformação
revolucionária, quando não existem condições para o exercício de uma democracia formal, a classe mais numerosa dos
cidadãos, e ser portanto, um governo para o povo, embora não seja um governo do povo. O aspecto formal da democracia
consiste no conjunto de instituições características deste regime: voto secreto e universal, autonomia dos poderes,
pluripartidarismo, representatividade, liberdade de pensamento e assim por diante. Trata-se do estabelecimento dos meios
pelos quais a democracia é exercida.

Democracia Social
A social-democracia (ou socialdemocracia) é uma ideologia que surgiu no fim do século XIX e início do século XX por
partidários do marxismo que acreditavam que a transição para uma sociedade socialista poderia ocorrer sem uma revolução,
mas por meio de uma evolução democrática. A ideologia social-democrata prega uma gradual reforma legislativa do sistema
capitalista a fim de torná-lo mais igualitário, geralmente tendo em meta uma sociedade socialista.

A social-democracia tem suas raízes na idéia de Karl Marx de que seria possível, em certos países, estabelecer o comunismo ou
socialismo por uma revolução pacífica e democrática. Essa idéia também foi avançada por Friedrich Engels e, principalmente,
por Karl Kautsky.

A Internacional Socialista definiu a social-democracia como forma ideal de democracia representativa, que pode solucionar os
problemas encontrados numa democracia liberal, enfatizando os seguintes princípios para construir um estado de bem-estar
social: primeiro, a liberdade inclui não somente as liberdades individuais, entendendo-se por "liberdade" também o direito a
não ser discriminado e de não ser submisso aos proprietários dos meios de produção e detentores de poder político abusivo.
Segundo, deve haver igualdade e justiça social, não somente perante a lei mas também em termos econômicos e
socioculturais, o que permite oportunidades iguais para todos, incluindo aqueles desfavorecidos física, social ou mentalmente.
Finalmente, defende-se ser fundamental que haja solidariedade e que seja desenvolvido um senso de compaixão pelas vítimas
da injustiça e desigualdade.

Teorias da Democracia
Joseph Schumpeter
Na década de 1940, com a obra “Capitalismo, Socialismo e Democracia”, caracterizou a democracia como um método, um
procedimento de escolha dos dirigentes políticos. Deste modo, a democracia é nomeada como procedimental, porque se
define apenas como um sistema de regras para a escolha daqueles líderes os quais tomariam as decisões políticas que
garantiriam ou não o bem comum da comunidade que os escolheu, uma vez que o método democrático é um sistema
institucional para a tomada de decisões políticas, no qual o individuo adquire o poder de decidir mediante uma luta
competitiva pelos votos do eleitor (Schumpeter, 1961, p. 328). Logo, a democracia caracteriza-se como um procedimento
minimalista, com pouco ou nenhum valor substantivo, como um arranjo para formalizar as decisões coletivas pelo voto
popular. Como Schumpeter (1961) associava o processo político ao mercado econômico, acabou por apresentar uma
perspectiva negativa acerca da busca do bem comum entre os cidadãos. Ou seja, como pressupõe que os indivíduos escolhem
os líderes políticos a partir de fatores externos às suas necessidades sociais e políticas, assim como acontece na esfera
econômica, vê a sociedade como um composto de indivíduos sem a possibilidade de construção de vontades coletivas

Robert Dahl
Por exemplo, e uma gama de estudos posteriores tomam como condições para um modelo aproximado de Poliarquia uma
série de características que têm relação com a democracia competitiva, tais como: A) O direito a formular preferências
(liberdade de formar e aderir a organizações; liberdade de expressão, Direito ao voto; Direito de líderes políticos disputarem
apoios; fontes alternativas de informação); B) Oportunidade de exprimir preferências (Além das condições anteriores é preciso
elegibilidade para os cargos públicos e eleições livres e idôneas); C) Preferências consideradas no governo (Todas as condições
anteriores mais a existência de instituições que garantam que as políticas governamentais dependem de eleições e de outras
manifestações de preferência).

Jürgen Habermas

formulou, apresentou-se como contraponto, além aos pressupostos da democracia de cunho liberal, procedimental e
minimalista, ao modelo republicano (participativo) de democracia, em especial ao seu aspecto cívico, os quais os indivíduos
seriam dotados de virtudes políticas. Como argumentou Habermas (1995) em relação ao aspecto ético subjacente desse
modelo: Em situações de pluralismo cultural e social, por trás das metas politicamente relevantes, muitas vezes escondem-se
interesses e orientações valorativas, que entram em conflito na perspectiva de consenso, necessitam de um equilíbrio ou de
um compromisso que não é possível alcançar mediante discursos éticos, ainda que os resultados se sujeitem á condição de
não transgredir os valores básicos consensuais de uma cultura (Habermas; 1995, p.44). Portanto, o reconhecimento do
pluralismo cultural e social, bem como dos conflitos de interesses sociais estimula o autor (Habermas) a redefinir a
democracia, deslocando o foco da cidadania virtuosa para a dos espaços públicos e dos procedimentos comunicativos
(Lüchmann, 2002, p.2-3). Assim, o modelo deliberativo apresentado por Habermas, inspirado nas questões colocadas pela
Teoria Crítica, sustentava que a interação discursiva entre os cidadãos e representantes constitui o aspecto essencial para a
formulação das decisões políticas e no processo de reconhecimento de direitos, liberdades e reivindicações individuais. Neste
modelo, conceitos como esfera pública e sociedade civil tornaram-se essenciais para a compreensão do processo de
deliberação. Noprimeiro, prevalece a autoridade do melhor argumento, através da participação igualitária e pública dos
cidadãos, e, com a inserção dos atores da sociedade civil, amplia-se a agenda de debate público com novos temas, objetos de
discussão pautados pela argumentação racional. Nesse sentido, a inserção dos atores da sociedade civil na esfera pública
representa uma aproximação com o mundo da vida, dado que os atores da sociedade civil – advindos de instituições não
econômicas, não estatais – estão mais próximos dos problemas e das demandas do cidadão comum. Entretanto, com o
crescimento do sistema (que engloba os subsistemas político e econômico), os processos mediados linguisticamente, que
objetivam o consenso, assumem uma posição secundária e vão sendo colonizadas pelos meios de controle do sistema, como o
dinheiro, o mercado e a burocracia.

Habermas
Introduz o seu modelo discursivo de democracia através de um contraste entre duas alternativas muito estilizadas: o modelo
liberal e o republicano. Por outras palavras, estamos perante um esboço que tem como pano de fundo uma esquematização
do debate em termos típicos dos EUA. Independentemente das limitações que esta escolha comporta, interessa-nos , aqui,
pelo que tem de constitutivo na configuração da compreensão habermasiana da democracia discursiva e deliberativa. De
facto, o seu modelo de uma democracia processual pretende, explicitamente, integrar as características mais positivas dos
dois modelos clássicos nos EUA. O confronto com estes modelos passa pela articulação de alguns conceitos fundamentais na
teoria política: cidadania, direito e natureza do processo político.
ntais.
O modelo liberal define o estatuto do cidadão, antes de mais, pelos direitos negativos face ao Estado e aos outros cidadãos.
Enquanto sujeito deste tipo de direitos, o cidadão goza da protecção do Estado na medida em que se confinar aos limites
traçados pela lei. Direitos políticos e direitos civis teriam a mesma estrutura. Os cidadãos ao defenderem os seus interesses
através do voto, em vários processos eleitorais, esta riam a agir de acordo com a mesma lógica dos participantes num
mercado 9. O modelo republicano, pelo contrário, conceptualiza o cidadão como sujeito de direitos políticos. A liberdade do
cidadão é positiva. Não significa, primordialmente, protecção contra interferências na esfera privada mas sim possibilidade de
participação numa praxis comum 10. Habermas faz a caracterização do modelo republicano de tal modo que se toma difícil
distingui-lo de traços característicos da sua própria posição teórica.

Kelsen

Kelsen afirma a democracia nos marcos de um pensamento aberto [09], que, no entanto, não prescinde de uma "ordem estatal
preexistente" [10]. Um Estado definido como "ordem normativa específica que regula o comportamento mútuo dos
homens" [11], a evidenciar seu monismo jurídico, sua compreensão da questão da soberania e seu relativismo em matéria de
valores e, por conseguinte, sua defesa de uma democracia que, como tal, deve ser desprovida de qualquer ideologia. As
posições doutrinárias e ideológicas cabem nos partidos políticos, cuja importância Kelsen enfatiza [12], na condição de elo a
vincular o interesse geral, preso ao Estado, ainda que de forma fictícia [13], e os interesses parciais a cargo de grupos [14].

Na visão de Kelsen, democracia decorre de dois postulados da razão prática [15]: a liberdade, que exige o mínimo de coerção
sobre o indivíduo ("é a própria natureza, que, exigindo liberdade, se rebela contra a sociedade" [16]); a igualdade, que decorre
da liberdade e da identidade da condição humana ("ninguém deve mandar em ninguém") [17]. Democracia é, portanto, modelo
procedimental que possibilita à política sintetizar juridicamente esses dois princípios (liberdade e igualdade) [18]. Nas palavras
do autor:
"É a própria natureza que, exigindo liberdade, se rebela contra a sociedade. O peso da vontade alheia, imposto pela vida em
sociedade, parece tanto mais opressivo quanto mais diretamente se exprime no homem o sentimento primitivo do próprio
valor (...) Da idéia de que somos – idealmente – iguais, pode-se deduzir que ninguém deve mandar em ninguém. Mas a
experiência ensina que, se quisermos ser realmente todos iguais, deveremos deixar-nos comandar. Por isso a ideologia política
não renuncia a unir liberdade com igualdade. A síntese destes dois princípios é justamente a característica da democracia [19]."
Observe-se que sociedade e Estado decorrem, na obra kelseniana, de uma percepção contratualista e jurídica do fenômeno
social. Tem-se, assim, o poder político como comando jurídico a ser imposto a todos; a transformação da liberdade natural em
liberdade política; a liberdade como legalidade político-jurídica e social, a solucionar a contradição entre o sentido da
liberdade original e o constrangimento imposto pela ordem social, que se resolve "apenas quando a liberdade se torna
expressão de uma legalidade específica" [20].
Para Kelsen, "a liberdade natural transforma-se em liberdade social ou política. É politicamente livre aquele que está
submetido, sim, mas à vontade própria e não alheia" [21]. O autor absorve a discussão moderna da democracia, que remonta a
Rousseau [22], estabelecendo-a balizada pelo conflito entre liberdade individual e ordem social [23]. A institucionalização da
democracia assenta-se, nesses termos, na busca da maior aproximação possível do ideal de um processo político dotado de
participação geral e direta e decisões unânimes [24]. Muda a idéia de liberdade, que passa a se relacionar com uma ordem
jurídica dotada de valor objetivo [25].
Kelsen enuncia possibilidades de se tentar garantir mais ou menos aproximação entre vontade e decisão do indivíduo e as
decisões socialmente vinculantes oriundas do Estado e formadas pela vontade momentânea da maioria [26]. Há a defesa do
princípio majoritário e sua vinculação não só com o ideal de igualdade, mas com o princípio da liberdade [27]. Nessa acepção,
somente igualdade seria a defesa da ditadura da maioria [28]. A equação democrática se forma ao se admitir que, nesse modelo
de democracia, "se nem todos os indivíduos são livres, pelo menos o seu maior número o é, o que vale dizer que há
necessidade de uma ordem social que contrarie o menor número deles" [29]. Relaciona-se, nesse passo, Estado a liberdade
individual, democracia a liberalismo. Afinal, "no regime democrático é o próprio Estado que aparece como sujeito de poder",
personalizado e contratualmente fundado, impondo concluir que "com o sujeito do domínio muda, ao mesmo tempo, o
sujeito da liberdade". "O indivíduo, que cria a ordem do Estado, organicamente unido a outros indivíduos, é livre justamente
nos laços dessa união" [30].

Sistema Eleitoral Majoritário


É o adotado nas eleições para Senador da República, Presidente da República, Governadores da República e Prefeitos. Este
sistema leva em conta o número de votos válidos ofertados ao candidato registrado por partido político. Dá-se importância
ao candidato e não ao partido político pelo qual é registrado.
Há duas espécies do sistema eleitoral majoritário
1.1 Majoritário simples
1.2 Majoritário absoluto
O simples contenta-se com qualquer maioria de votos, já o absoluto exige no mínimo maioria absoluta de votos para
considerar o candidato eleito, se não terá que haver 2º turno de votação.
O sistema majoritário simples é adotado nas eleições para Senador e Prefeito de Municípios com menos de 200 mil eleitores
(art. 29, II, CR/88). E o sistema majoritário absoluto é adotado nas eleições para Presidente da República, Governadores e
Prefeitos de Municípios com mais de 200 mil eleitores.

O Sistema Eleitoral Proporcional é o adotado nas eleições para Deputado Federal, Deputado Estadual e Vereadores. Aqui,
dá-se importância ao número de votos válidos ao partido político, pois ao votar na legenda, faz-se a escolha por partido. O
art. 109 do Código Eleitoral (Lei 4.737/65) explica como se chega ao número de votos válidos.

Constituição
Se define como a Lei Maior de uma sociedade politicamente organizada. Logo, é a maneira que se forma, se estabelece e se
organiza uma sociedade.
Pensando no conteúdo material, seria o conjunto de normas que disciplinam a criação do Estado, sua estrutura básica, as
atribuições de seus órgãos, dos limites de poder, dos direitos dos indivíduos, dos grupos e da sociedade como um todo.
Sendo a constituição a Lei Maior, fundamental e suprema, atinge na formação de poderes públicos, aquisição de poder, forma
de governo, distribuição de competências, direitos, garantias e deveres dos cidadãos.
Quanto ao conteúdo formal, é o que diz respeito ao texto escrito resultante da manifestação do Poder Constituinte Originário,
ou seja, que somente possa ser modificado nos limites estabelecidos pelo mesmo Poder Constituinte.
A Constituição Federal é uma norma superior que determina como devem ser produzidas as demais normas e que limita o
conteúdo das mesmas, sujeitando-o ao seu texto, as suas determinações.
Em relação à forma, a constituição pode ser escrita, ou não. Sendo escrita, é sistematizada em um único texto. Não escrita, é
contida em textos esparsos ou em convenções.
A constituição pode ainda se definir como promulgada ou outorgada. A primeira é quando conta com a participação popular
em sua elaboração, mediante a eleição de seus representantes. A segunda é quando há ausência da legítima manifestação
popular na sua construção e da imposição de detentores do poder público de fato.
A constituição pode ser definida em sentido jurídico, político e sociológico.
Sentido jurídico
Para Hans Kelsen, a constituição deveria ser entendida como conjunto de normas fundamentais que exterioriza os elementos
essenciais do Estado. Com base no sentido lógico-jurídico, a constituição é norma hipotética fundamental.
Sentido político
Segundo Carl Schmitt é a decisão política fundamental, não se confundindo com leis constitucionais. Porém, a constituição
deveria cuidar apenas da estrutura do Estado e seus direitos fundamentais.
Sentido sociológico
De acordo Ferdinand Lassale a constituição é a soma dos fatores reais de poder presente em um determinado Estado.
Nos tempos atuais, os Estados democráticos possuem constituições democráticas, assim consideradas as promulgadas pelo
poder constituinte, que se origina por meio do povo.
Fases do Constitucionalismo

1ª Etapa
Constitucionalismo Antigo
Começa na Antiguidade e vai até o fim do século 18. Tem-se algumas limitações aos poderes do monarca. A primeira
experiência constitucionalista foi o Estado Hebreu (o poder do monarca era limitado pelas leis divinas, por se tratar de um
estado teocrático). Outras referências: Grécia, Roma e Inglaterra. As CARACTERÍSTICAS marcantes desse período são: 1)
conjunto de princípios que garantem a existência de direitos perante o monarca; 2) as Constituições deste período eram
consuetudinárias (costumeiras); 3) supremacia do Parlamento (principalmente na Inglaterra); 4) forte influência da religião.

2ª Etapa
Constitucionalismo Clássico ou Liberal
Surge com as revoluções liberais. Começa no fim do século 18 e vai até a 1ª Guerra Mundial. O marco inicial, aqui, é o
surgimento das primeiras Constituições escritas. Duas experiências importantes: norte americana e francesa.
Constitucionalismo Norte-Americano Constitucionalismo Francês
A primeira contribuição foi a primeira Constituição escrita (1787), formal, rígida e dotada de supremacia. É também o primeiro
documento formal. Outra característica é o surgimento do controle difuso de constitucionalidade (decisão proferida em 1803,
no caso Marbury VS. Madison, proferida pelo Presidente da Suprema Corte, Marshal) – tal decisão foi a primeira a declarar a
inconstitucionalidade de uma lei e estabelecer as bases para o controle de constitucionalidade. A terceira contribuição é o
fortalecimento do Poder Judiciário. Outra contribuição importante foi a experiência republicana em um país de grande
extensão e população. Criou-se também o federalismo e o presidencialismo. A última contribuição foi a declaração do estado
da Virgínia (Virgina Bill of Rights), em 1776 – direitos e garantias fundamentais.
Começa com a Revolução Francesa, em 1789. Foi a segunda Constituição escrita da Europa, em 1791 (durou 2 anos, com várias
Constituições de curta durações seguidas). Características: 1) supremacia do Parlamento (“A lei é a expressão da vontade
geral” – Rosseau); 2) garantia de direitos; 3) separação dos poderes; 4) poder constituinte originário e derivado – principal
formulador foi o Abade Sieyès. Surge aqui a Escola da Exegese (interpretação da Constituição). Seu auge foi por volta de 1830.
Sua decadência se deu em 1880. Sua base foi o surgimento do Código de Napoleão (1804). Sua visão era de que a
interpretação era uma atividade meramente mecânica. “O juiz é a boca da lei”. O juiz simplesmente revelava o que a lei dizia
(interpretação literal).
Nessa etapa surge a 1ª GERAÇÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS, os quais são ligados à liberdade, chamados de direitos civis e
políticos. Alguns autores preferem a expressão dimensões, já que uma não exclui a outra (Karel Vazak – 1979). Tornou-se
mundialmente conhecido por Bobbio. No Brasil, Paulo Bonavides é seu principal expoente, trazendo sua própria classificação,
que será adotada. Os direitos não foram dados pelo Estado, mas conquistados através de lutas históricas. E os primeiros estão
ligados ao valor LIBERDADE. Exigem do estado uma prestação de CARÁTER NEGATIVO (abstenção – de forma direta). São
classificados como direitos INDIVIDUAIS em face do Estado. Eram oponíveis apenas ao Estado – eficácia vertical.
Surge, também, nessa etapa, o ESTADO DE DIREITO, cuja expressão sinônima é Estado Liberal. Existem três experiências
principais, apesar de existir anteriores: a) “Rule of Law” – Inglaterra (Estado das Leis, e não do homem); b) “Rechtsstaat”, na
Prússia; c) “État Légal”, na França – primeira sistematização coerente. CARACTERÍSTICAS: liberalismo – político e econômico:
Liberalismo Político Liberalismo Econômico a) a limitação do Estado pelo direito se estende ao soberano; b) a Administração
Pública tem sua atuação pautada pela lei; c) fracionamento das funções estatais; d) direitos individuais assegurados contra o
Estado.
a) assegurar a ordem e a segurança, o Estado não intervém na economia e na ordem social – Estado abstencionista.

3ª Etapa
Constitucionalismo Moderno ou Social
Surge com o fim da 1ª Guerra Mundial e vai até aproximadamente até o fim da 2ª Guerra Mundial. Com o fim da 1ª Guerra,
houve uma crise econômica, com um aumento das desigualdades. Daí, o Liberalismo entrou em crise. O modelo do Estado
Liberal começou a ser questionado. Assim, surgem duas Constituições que se tornaram paradigmas: a Constituição do México
(1917) e a Constituição de Weimar (1919). A partir dessas constituições, começam a consagrar, de forma sistemática, os
direitos sociais, surgindo a 2ª GERAÇÃO DE DIREITOS, valores ligados à igualdade material (a igualdade formal já existia). São
os direitos sociais, econômicos e culturais. Tais direitos exigem do Estado uma AÇÃO POSITIVA (prestações materiais ou
jurídicas). Aqui, são basicamente direitos COLETIVOS.
Tem-se, nessa época, uma evolução da Escola da Exegese, com Savigny (1850), que elabora os cânulos interpretativos
(gramatical, histórico, lógico e sistemático). Posteriormente a doutrina acrescenta o elemento teleológico (busca o sentido da
lei).
Surge ainda, nessa etapa, o ESTADO SOCIAL, que se caracteriza por ser um Estado intervencionista. Características: a) o Estado
abandona sua postura abstencionista e passa a intervir nas relações sociais, econômicas e laborais; b) papel decisivo na
produção e distribuição de bens; c) garantia de um mínimo bem-estar social (“wel fare state”).

4ª Etapa
Constitucionalismo Contemporâneo
Surge a partir do fim da 2ª Guerra Mundial. Houve uma nova preocupação, ante as barbáries da guerra. A dignidade da pessoa
humana passou a ser valor central. Tal valor passou a ser consagrado expressamente. Passou a ser um valor absoluto. Não se
trata de princípio, pois não há gradação da dignidade. Todos tem a mesma. Surgem várias novas gerações de direitos
fundamentais. Os de 3ª GERAÇÃO são ligados ao valor fraternidade ou solidariedade, tais como direito ao desenvolvimento ou
progresso, direito de auto-determinação dos povos, ao meio-ambiente, de comunicação e de propriedade sobre o patrimônio
comum da humanidade (para alguns autores, de visitar). O rol é meramente exemplificativo. Trata-se de direitos
TRANSINDIVIDUAIS. A 4ª GERAÇÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS, segundo Paulo Bonavides, são os direitos à democracia,
informação e pluralismo. Dois aspectos merecem destaque:
Democracia
FORMAL – é o sentido tradicional, corresponde à premissa majoritária – vontade da maioria – democracia é aquilo que a
maioria deseja.
SUBSTANCIAL – para que a vontade da maioria realmente seja uma vontade livre, é necessária assegurar alguns direitos
pressupostos, tais como liberdade de associação, de reunião, de manifestação do pensamento, além de direitos sociais básicos
como saúde e educação – é mais abrangente que a democracia formal.
Pluralismo
Consagrado no art. 1º, inciso V, CF/8 – pluralismo político – fundamentos da república – não se trata apenas de pluralismo
político, mas significa, além de pluralismo político-partidário, artístico, ideológico, cultural, religioso e de opções e orientações
de vida – é mais amplo, abrange o respeito à diversidade. O respeito do direito à diferença, diversidade. (Boaventura de Souza
Santos – “Temos o direito de ser iguais quando a diferença nos inferioriza, e temos o direito de ser diferentes, quando a
igualdade nos descaracteriza). Alguns autores, como Perez Luño, acrescenta o direito à identificação genética do indivíduo.
5ª GERAÇÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS – direito à paz. Não são todos os autores que mencionam tal geração. Paulo
Bonavides acrescentou tal geração recentemente, em 2006. A paz é axioma universal da democracia participativa, supremo
direito da humanidade.

4ª Etapa
Constitucionalismo Contemporâneo
A partir da 3ª GERAÇÃO, os direitos são definidos como TRANSINDIVIDUAIS. Rol Taxativo.
Surge, nessa etapa, o ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO, que tenta superar as deficiências e sintetizar as conquistas dos dois
modelos anteriores. É a junção do Estado Liberal e do Estado Social – tenta fundir aquilo que cada um possui de melhor, de
forma mais equilibrada. Alguns autores preferem chamá-lo de Estado Constitucional de Direito, uma vez que a nomenclatura
Estado Democrático de Direito está impregnada a idéia de império da lei, enquanto que no Estado Constitucional
Democrático, se resume na força normativa da Constituição. Características: a) a introdução de novos mecanismos de
participação popular direta e ampliação do sufrágio; b) preocupação com a dimensão material e com a efetividade dos direitos
fundamentais (maior característica do Constitucionalismo Contemporâneo); c) a limitação do Poder Legislativo abrange o
aspecto formal e material, condutas comissivas e omissivas; d) Jurisdição constitucional para assegurar a supremacia da
Constituição e a proteção efetiva dos direitos fundamentais – assegurar a força normativa da Constituição e os direitos
fundamentais.

O MODELO FEDERAL
O federalismo surgiu nos Estados Unidos, em 1787, após a proclamação de independência das 13 colônias britânicas da
América, que ocorreu no ano anterior. Neste episódio, cada colônia tornou-se um Estado soberano e plenamente
independente. No entanto, para se protegeram das ameaças da antiga metrópole inglesa, esses Estados estabeleceram um
pacto de colaboração, reunindo-se em uma Confederação.
Esse pacto confederativo garantia o direito de retirada a qualquer tempo, o que ainda deixava os Estados confederados em
situação de fragilidade. Por esse motivo, seus representantes reuniram-se na Filadélfia para estruturarem a base do
federalismo e da federação norte-americana.
Nela, cada Estado cedeu parte de sua soberania a um órgão central, responsável pela unificação, não sendo mais admitido o
direito de secessão (ou retirada). Neste momento, formaram-se, por meio de um pacto federativo, os Estados Unidos da
América, todos autônomos entre si.
Esse tipo de formação de uma federação, a doutrina costuma chamar de formação centrípeta, ou por aglutinação, pois ocorre
de fora para dentro. Em outras palavras, vários Estados independentes se unem para a formação da federação. No caso da
República Federativa Brasil, ao contrário dos Estados Unidos, a formação foi centrífuga, de dentro para fora, a partir de um
Estado unitário que se descentralizou.

Características do federalismo
Embora cada federação possua características próprias e peculiares, conforme sua realidade local, é possível distinguir pontos
comuns a todas elas. Dentre esses pontos, temos primeiramente a descentralização política, em que é conferida autonomia a
certos núcleos descentralizados de poder político.
Como outra característica comum, os entes federativos que formam a federação são apenas autônomos entre si, pois apenas
o Estado federal é soberano.
Essa autonomia confere aos Estados-membros o poder de auto-organização por meio da elaboração de suas Constituições
Estaduais. Além disso, eles possuem um órgão representativo, que no Brasil, por exemplo, é representado pelo Senado
Federal.
No federalismo, há reparticão de competências entre os entes federativos, como garantia de sua autonomia, e também
a repartição de receitas, que busca assegurar o equilíbrio financeiro entre eles.
É também essencial a existência de uma Constituição rígida para conferir estabilidade institucional à federação, bem como a
existência de um ente guardião da Constituição, que no caso brasileiro é o Supremo Tribunal Federal.
Outra característica do federalismo é a inexistência do direito de secessão, separação ou retirada do ente federativo. A
Constituição brasileira de 1988 estabelece o princípio da indissolubilidade do vínculo federativo, vedando, por exemplo, a
deliberação de proposta de emenda constitucional tendente a abolir a forma federativa de Estado (art. 60, § 4º, I). Além disso,
a tentativa de separação de algum Estado enseja a intervenção federal.
A possibilidade de intervenção é também característica do federalismo. O processo interventivo é utilizado em momentos de
crise institucional, para garantir o equilíbrio federativo e a manutenção da federação.

Tipos de federalismo
A primeira classificação do federalismo o separa, conforme a formação histórica, em federalismopor agregação e
federalismo por desagregação ou segregação. No primeiro tipo, por agregação, estados soberanos e independentes abrem
mão de parte de sua soberania para a formação de um novo Estado federativo, passando a serem apenas autônomos entre si.
Dentre os países com esse tipo de formação, temos os Estados Unidos e a Alemanha.
Já no federalismo por desagregação, o Estado federativo surge a partir de um Estado unitário que se descentraliza,
normalmente por razões políticas e de eficiência. Exemplo de federalismo por desagragação aconteceu no Brasil a partir da
Proclamação da República e com a Constituição de 1891.
Quanto à separação das competências e atribuições, o federalismo é dividido em federalismo dual e federalismo cooperativo.
No dual, há uma separação rígida entre essas competências, não havendo qualquer interpenetração entre elas nem
colaboração entre os entes. Exemplo foram os Estado Unidos em sua origem. Já no federalismo cooperativo, as atribuições são
exercidas de forma comum ou concorrente, privilegiando a atuação em conjunto e aproximando os entes federativos. Por esse
motivo, o federalismo dual, no mundo moderno, está sendo gradualmente substituído pelo cooperativo.
Outra classificação divide o federalismo em simétrico e assimétrico. No federalismo simétrico, há entre os entes federados
uma homogeneidade quanto à cultura, ao desenvolvimento e à língua também, como nos Estados Unidos, por exemplo. Já no
assimétrico, há um diversidade cultural e linguística entre esses entes, como ocorre no Canadá, um país não só bilíngue, mas
também multicultural.
Em relação ao Brasil, a doutrina costuma dizer que há um “erro de simetria” no seu federalismo, já que a Constituição trata de
forma idêntica Estados com peculiaridades próprias, o que leva a um tratamento jurídico simétrico para entes assimétricos.
Isso ocorre quando, por exemplo, estabelece um número fixo de 3 senadores para todos os Estado.
Outro tipo de federalismo definido pela doutrina é o federalismo orgânico, em que o Estado federal é considerado um
organismo, buscando uma sustentação do todo em detrimento das partes. Esse modelo de federalismo é marcado por uma
concepção centralizadora, em que os Estados-membros são enfraquecidos pelo poder central, ideologia que inclusive serviu a
objetivos ditatoriais de alguns Estados federais ao longo da história.
No federalismo por integração, outro tipo, há também uma preponderância do governo central em relação aos demais entes
federativos. Porém, ele busca atenuar algumas característica do modelo federativo clássico em nome da integração nacional.
A doutrina costuma se referir a ele como um federalismo meramente formal, já que se aproxima mais de um Estado unitário
descentralizado, em função da ampla dependência das unidades federativas em relação ao governo federal.
O federalismo de equilíbrio, por sua vez, busca manter a harmonia entre os entes federados, reforçando suas instituições e
utilizando estratégias como a criação de regiões de desenvolvimento, regiões metropolitanas, concessão de benefícios e
programas para redistribuição de renda.
Finalmente, temos o chamado federalismo de segundo grau, observado no Brasil, que conta com 3 ordens federativas: uma
federal, representada pela União, uma regional, representada pelos Estados, e ainda uma local, representada pelo Municípios.
No caso dos Municípios, estes apresentam 2 graus de auto-organização: um em relação à Constituição Federal e outro em
relação à constituição do Estado-membro em que se localiza. O Distrito Federal ocupa posição peculiar no federalismo
brasileiro, sendo classificado como uma unidade federada de autonomia parcialmente tutelada.

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