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GEOTECNIA

Unidade
6
COMPACTAÇÃO DOS SOLOS

Prof. Marcos Antonio da Silva


(21) 98136.6311 - mecsolos.ugb@gmail.com
INTRODUÇÃO
 A compactação de um solo consiste em sua densificação por meio de um
equipamento mecânico, em geral um rolo compactador, embora, em alguns casos,
até soquetes manuais possam ser empregados.

 A compactação é um método de estabilização e melhoria do solo, visando reduzir


o volume de vazios do solo.
OBJETIVOS DA COMPACTAÇÃO

A compactação tem em vista estes 2 aspectos:

1. Aumentar a intimidade de contato entre os grãos; e


2. Tornar o aterro mais homogêneo melhorando as suas
características de resistência, deformabilidade e permeabilidade.

O aumento da densidade e a redução do índice de vazios


implicam em uma melhoria das propriedades do solo
OBRAS QUE EMPREGAM COMPACTAÇÃO

 Aterros para diversas utilidades


 Camadas constitutivas dos pavimentos
 Construção de barragens de terra
 Preenchimento com terra do espaço atrás de muros de arrimo

Os tipos de obra e de solo disponíveis vão ditar o processo de compactação a


ser empregado, a umidade em que o solo deve se encontrar na ocasião e a
densidade a ser atingida.
OBRAS QUE EMPREGAM COMPACTAÇÃO

 Aterros para diversas utilidades


 Camadas constitutivas dos pavimentos
 Construção de barragens de terra
 Preenchimento com terra do espaço atrás de muros
de arrimo

Os tipos de obra e de solo disponíveis vão ditar o processo de


compactação a ser empregado, a umidade em que o solo deve se
encontrar na ocasião e a densidade a ser atingida.
OBRAS QUE EMPREGAM COMPACTAÇÃO
 Aterros para diversas utilidades
OBRAS QUE EMPREGAM COMPACTAÇÃO
 Camadas constitutivas dos pavimentos

1 Contenção lateral
2 Areia de rejuntamento
3 Peças pré-moldadas de concreto
4 Areia de assentamento ou pó de pedra
5 Base
6 Sub-base
7 Subleito
OBRAS QUE EMPREGAM COMPACTAÇÃO
 Construção de barragens de terra
OBRAS QUE EMPREGAM COMPACTAÇÃO
 Preenchimento com terra do espaço atrás de muros
de arrimo
COMPACTAÇÃO DOS SOLOS

Um solo, quando transportado e depositado para a construção de um


aterro, fica num estado relativamente fofo e heterogêneo e, portanto,
pouco resistente e muito deformável.

Área de empréstimo Aterro compactado


HISTÓRICO DA COMPACTAÇÃO

O início da técnica de compactação é creditada ao engenheiro Ralph


Proctor, que, em 1933, publicou suas observações sobre a
compactação de aterros, mostrando ser a compactação função de
quatro variáveis:

 Peso específico seco (gd)


 Umidade (w)
 Energia de compactação (E)
 Tipo de solo
OBSERVAÇÕES DE PROCTOR

Aplicando-se uma certa energia de compactação (um certo nº de


passadas de um determinado equipamento no campo ou um certo nº de
golpes de um soquete sobre o solo contido num molde), a massa
específica resultante é função da umidade em que o solo estiver.

Quando se compacta com umidade baixa, o atrito das partículas é


muito alto e não se consegue uma significativa redução de vazios.

Para umidades mais elevadas, a água provoca um certo efeito de


lubrificação entre as partículas, que deslizam entre si, acomodando-se
num arranjo mais compacto.
OBSERVAÇÕES DE PROCTOR

Na compactação, as quantidades
de partículas e de água
permanecem constantes; o
aumento da massa específica
corresponde à eliminação de ar
dos vazios.

Há, portanto, para a energia


aplicada, um certo teor de
umidade, denominado umidade
ótima, que conduz a uma massa
específica máxima, ou uma
densidade máxima.
ENSAIO DE COMPACTAÇÃO

PROCTOR NORMAL

O ensaio de Proctor foi padronizado no Brasil pela


ABNT (NBR 7.182/86).

 A amostra deve ser previamente seca ao ar e destorroada

 Inicia-se o ensaio, acrescentando-se água até que o solo fique


com cerca de 5% de umidade abaixo da umidade ótima.

Não é tão difícil perceber isto, como poderia parecer à primeira


vista. Ao se manusear um solo, percebe-se uma umidade relativa
que depende dos limites LL e LP. A umidade ótima é geralmente
muito próxima e um pouco inferior ao LP
ENSAIO DE COMPACTAÇÃO
PROCTOR NORMAL
 Uma porção do solo é colocada num cilindro
padrão (10cm de diâmetro, altura de 12,73cm,
volume de 1.000cm3) e submetida a 26 golpes de
um soquete com massa de 2,5Kg e caindo de
30,5cm.
 A porção do solo compactado deve ocupar
cerca de um terço da altura do cilindro.
 O processo é repetido mais duas vezes,
atingindo-se uma altura um pouco superior à do
cilindro, o que é possibilitado por um anel
complementar.
Acerta-se o volume raspando o excesso.
ENSAIO DE COMPACTAÇÃO

OBS:

Anteriormente, o número de golpes era de 25.

A alteração da norma NBR 7.182/86 para 26 foi


para ajustar a Energia de Compactação ao
valor de outras normas internacionais.

As dimensões do cilindro padronizado no


Brasil são um pouco diferente das demais.
ENSAIO DE COMPACTAÇÃO
PROCTOR NORMAL
 Determina-se a massa específica (g/cm³, kg/dm³) do corpo de prova obtido.
 Com uma amostra de seu interior, determina-se a umidade.
 A partir da massa específica e do teor de umidade, calcula-se a densidade seca
(ou o peso específico seco) através da seguinte fórmula:

OBS.: O peso específico é determinado pelo produto da massa específica seca pela
aceleração da gravidade: 10 m/s².
ENSAIO DE COMPACTAÇÃO

PROCTOR NORMAL

 A amostra é destorroada, a umidade


aumentada (cerca de 2%), nova
compactação é feita, e novo par de
valores umidade-densidade seca é
obtido.

 A operação é repetida até que se


perceba que a densidade, depois de ter
subido, já tenha caído em duas ou três
operações sucessivas.
ENSAIO DE COMPACTAÇÃO

PROCTOR NORMAL
Com os dados obtidos,
desenha-se a curva de
compactação que
consiste na
representação do peso
específico seco em
função do teor de
umidade.

Maior grau de compactação de


campo
CURVA DE COMPACTAÇÃO

No próprio gráfico do ensaio pode-se traçar a curva de saturação que corresponde ao


lugar geométrico dos valores de umidade e densidade seca, estando o solo saturado
(S = 100% = 1,0)
gd : peso específico seco do solo
Sg s g w S = 1,0
gsgw g s : densidade dos grãos do solo
gd  gd 
Sg w  g s w g w  g s w gw : peso específico da água
e : índice de vazios
CURVA DE COMPACTAÇÃO

Da mesma forma, pode-se traçar curvas correspondentes a igual grau


de saturação. A curva de compactação é definida pela equação:
Sg s g w
gd 
Sg w  g s w

O ramo da curva de
compactação anterior
ao valor de umidade
ótima é denominado de
“ramo seco” e o trecho
posterior de “ramo
úmido” da curva de
compactação.
Comportamento dos Solos
VALORES TÍPICOS

 De maneira geral, os solos argilosos


apresentam gd baixos e wot elevadas.
 Valores como wot de 25% a 30%
correspondendo a gd máximos de
1,4 a 1,5 t/m³ são comuns em argilas.
 Solos siltosos também apresentam
valores baixos de gd.
 As Areias com pedregulhos, bem
graduados e pouco argilosos,
apresentam gd máximos elevados e
wot baixas, da ordem de 9 a 10%
ENERGIA DE COMPACTAÇÃO

 O peso específico seco máximo e a umidade ótima determinada no ensaio descrito


como Ensaio Normal de Compactação ou Ensaio Proctor Normal não são índices
físicos do solo. Estes valores dependem da energia aplicada na compactação.
 Chama-se ENERGIA DE COMPACTAÇÃO, ou esforço de compactação, ao trabalho
executado, referido à unidade de volume de solo após compactação. A energia de
compactação é dada pela seguinte fórmula:

M.H.N .N
g c
EC 
V
M – massa do soquete
H – altura de queda do soquete
Ng – o número de golpes por camada
Nc – número de camadas
V – volume de solo compactado
INFLUÊNCIA DA ENERGIA DE COMPACTAÇÃO

 Quando o solo se encontra com umidade abaixo da ótima, a aplicação de maior energia de
compactação provoca aumento do peso específico seco. No entanto, quando a umidade é
maior do que a ótima, maior esforço de compactação pouco ou nada provoca de aumento do
peso específico, pois não se consegue expelir o ar dos vazios.

Isto também ocorre no CAMPO.

 A insistência da passagem do equipamento compactador quando o solo se encontra muito


úmido faz com que ocorra o fenômeno que os engenheiros chamam de “borrachudo”: o solo se
comprime na passagem, para logo a seguir se dilatar, como se fosse uma borracha.

O que se comprime são as bolhas de ar ocluso


INFLUÊNCIA DA ENERGIA DE COMPACTAÇÃO

 Uma maior energia de


compactação conduz a uma
maior densidade seca
máxima e uma menor
umidade ótima, deslocando
a curva de compactação
para a esquerda e para cima.
ESTRUTURA DOS SOLOS
COMPACTADOS
A estrutura do solo compactado
depende da ENERGIA aplicada e
da umidade do solo

Umidade baixa:
A atração face-aresta das
partículas não é vencida pela
energia aplicada e o solo fica
com estrutura floculada

Umidade alta: a repulsão entre as partículas aumenta, e a compactação as orienta,


posicionando-as paralelamente, ficando com uma estrutura dispersa
ESTRUTURA DOS SOLOS
COMPACTADOS
Estrutura floculada: contatos se fazem entre faces e arestas (ATRAÇÃO)

Estrutura dispersa: as partículas se posicionam paralelamente, face a


face (REPULSÃO)
A COMPACTAÇÃO NO CAMPO

Consiste nas seguintes operações:


1. Escolha da área de empréstimo: problema técnico-econômico
2. Transporte e espalhamento do solo (geralmente entre 22 e 23cm): hfinal =15cm
3. Acerto da umidade
4. Compactação propriamente dita: equipamentos escolhidos de acordo com o tipo
de solo
5. Controle da compactação:
As especificações não fixam intervalos de umidade e peso específico seco a serem
obtidos, mas um desvio de umidade em relação à ótima (p. ex: wot ± 2%) e um grau mínimo
de compactação.
g d campo
GC   100%
g d máx
A COMPACTAÇÃO NO CAMPO

Controle da Umidade:
Diversos são procedimentos de ensaio para a obtenção do
teor de umidade em campo, a saber:
 Estufa
 Frigideira
 Álcool
 Speedy
 Nuclear
 Outros

Importante nessa determinação é que seja rápida, na ordem


de 15 minutos ou menos, para a equipe não ficar ociosa por
muito tempo.
A COMPACTAÇÃO NO CAMPO

Controle da Umidade:
 Método da Estufa - DNIT-ME 213/94
 Estufas com ventilação forçada
 + 15 horas (Pouco Usado devido a lentidão)
 Por diferenças de pesos determina-se o teor de umidade do
solo
 Método da Frigideira
 Seca-se pequena porção de solo úmido em uma
frigideira
 Por diferenças de pesos determina-se o teor de umidade do
solo
A COMPACTAÇÃO NO CAMPO

Controle da Umidade:
 Método do Álcool – DNIT-ME 088/94
 Coloca-se álcool no solo e ateia-se fogo
 Por diferenças de pesos determina-se o teor de umidade do solo
 Método do Speedy – DNIT-ME 052/94
 Equipamento patenteado - recipiente hermético (Speedy)
 Reação química da água contida no solo com o carbureto de cálcio,
que provoca pressão medida no Manômetro do recipiente
 Quanto mais água no solo, maior a Pressão
 Tabela correlaciona Pressão x Umidade
A COMPACTAÇÃO NO CAMPO

Controle da Umidade:
 Método Nuclear
 Medição do Gradiente de radiação entre a radiação emitida e a
recebida
 Equipamento – Fonte de radiação Nuclear (fonte de césio 137 ou
fonte de Ameris Berilo)
 Operador distancia-se 10m para acionar o equipamento, após curto
período de tempo o aparelho efetua a medida e o operador retorna
para a verificação da leitura
 Existem equipamentos que além de medir umidade, também mede a
densidade seca de campo

 Método Nuclear
 Pode entrar nessa categoria de outros métodos, qualquer tipo de
recurso que possibilite a extração de água de amostras de solo,
como por exemplo, forno de micro-ondas ligado a um gerador.
EQUIPAMENTOS DE COMPACTAÇÃO

Soquetes
São compactadores de impacto utilizados em locais de difícil acesso para os rolos
compressores, como em valas, trincheiras, etc. Possuem peso mínimo de 15Kgf,
podendo ser manuais ou mecânicos (sapos). A camada compactada deve ter 10 a
15cm para o caso dos solos finos e em torno de 15cm para o caso dos solos
grossos.
EQUIPAMENTOS DE COMPACTAÇÃO

Rolos Estáticos
Os rolos estáticos compreendem os rolos pé-de-carneiro, os rolos lisos de roda de
aço e os rolos pneumáticos.

Rolos Dinâmicos
Os rolos dinâmicos compreendem os diversos rolos vibratórios.
EQUIPAMENTOS DE COMPACTAÇÃO

Rolos Pé de Carneiro
 São constituídos por cilindros metálicos com protuberâncias solidarizadas, com altura de
aproximadamente 20cm.
 São indicados na compactação de solo não arenosos e promovem um grande
entrosamento entre as camadas compactadas.
 A camada compactada possui geralmente 15cm, com número de passadas variando entre
4 e 6 para solos finos e de 6 e 8 para solos grossos.

Características que afetam a performance dos rolos pé-de-carneiro:


• Pressão de contato
• Área de contato de cada pé,
• Número de passadas por cobertura
• Número de pés em contato com o solo
EQUIPAMENTOS DE COMPACTAÇÃO

Rolos Lisos
 São usados em bases de estradas, em capeamentos e são indicados para solos arenosos,
pedregulhos e pedra britada, lançados em espessuras inferiores a 15cm.
 Este tipo de rolo compacta bem camadas finas de 5 a 15cm com 4 a 5 passadas. Os rolos
lisos possuem pesos de 1 a 20t.
 Freqüentemente são utilizados para o acabamento superficial das camadas compactadas.

Desvantagens:
• Pequena área de contato
• Afunda em solos moles, dificultando
a tração.
EQUIPAMENTOS DE COMPACTAÇÃO

Rolos Pneumáticos

 São eficientes na compactação de capas


asfálticas, bases e sub-bases de estradas e
indicados para solos de granulação fina e arenosa.

 Podem ser utilizados em camadas de até 40 cm e possuem área de contato variável,


função da pressão nos pneus e do peso do equipamento.

Pode-se usar rolos com cargas elevadas obtendo-se bons resultados. Neste caso, muito
cuidado deve ser tomado no sentido de se evitar a ruptura do solo.
EQUIPAMENTOS DE COMPACTAÇÃO

Rolos Vibratórios
 São utilizados eficientemente na compactação de solos granulares (areias), onde os rolos
pneumáticos ou pé-de-carneiro não atuam com eficiência.

 Este tipo de rolo quando não é usado corretamente produz super compactação.

 A espessura máxima da camada é de 15cm.


ESCOLHA DOS EQUIPAMENTOS DE
COMPACTAÇÃO

Solos Coesivos
Nos solos coesivos há uma parcela preponderante de partículas finas e
muito finas (silte e argila), nas quais as forças de coesão desempenham
papel muito importante, sendo indicado a utilização de rolos pé-de-carneiro

Solos Granulares
Nos solos granulares há pouca ou nenhuma coesão entre os grãos
existindo, entretanto, atrito interno entre eles, sendo indicada a utilização
rolo liso vibratório
ÍNDICE DE SUPORTE CALIFÓRNIA (ISC)

Índice de Suporte Califórnia (ISC) ou California Bearing Ratio (CBR)


 Tem o objetivo de integrar no dimensionamento de pavimentos
rodoviários, determinando a capacidade de suporte de um solo
compactado.
 NORMA ABNT: NBR 9895/87
 O ensaio de CBR é determinado através da relação entre a
pressão necessária para penetrar um pistão cilíndrico
padronizado em um corpo de prova de um determinado solo, e
a pressão necessária para penetrar o mesmo pistão em uma
brita graduada padrão
ÍNDICE DE SUPORTE CALIFÓRNIA (ISC)

CBR (California Bearing Ratio) ou ISC (Índice de Suporte Califórnia)


 O Ensaio é dividido em 3 fases:
 Compactação do corpo de prova – Ensaio com energia padrão (Proctor)
 Expansão – Imersão dos CPs por 4 dias, lendo o extensômetro a cada 24h
 Resistência à penetração – Drenagem d’água dos CPs por 15 min e prensagem
dos mesmos, para ruptura através da penetração de um pistão cilíndrico, com
uma velocidade de 1,27 mm/min, registrando os valores para o cálculo das
pressões de cada penetração.
ÍNDICE DE SUPORTE CALIFÓRNIA (ISC)

Qualidade do Solo x CBR

Sistema de Classificação
CBR Nº Qualidade Utilização
Unificado

0–3 péssimo Sub-base OH, CH, MH, OL

3–7 Ruim a regular Sub-base OH, CH, MH, OL

7 – 20 regular Sub-base OL, CL, ML, SC, SM, SP

20 – 50 bom Base, sub-base GM, GC, SW, SP, SP, GP

> 50 excelente base GW, GM


Exercício
Exercício

O aterro de uma barragem foi compactado a um peso específico natural de 21,5kN/m3 e uma umidade
de 12%. O valor de Gs é 2,65

a) Calcule o peso específico aparente seco, o índice de vazios e o grau de saturação.

b) Sabendo que o grau de compactação do aterro é igual a 95%, qual o valor do peso específico
seco máximo obtido em ensaios de compactação?
c) O que se espera da estrutura de um solo nos ramos seco e úmido da curva de compactação?