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NBR 16.577 E AS INTERPRETAÇÕES


15th January
CONFUSAS | ESPAÇOS CONFINADOS
Por Fábio Souza:

[https://1.bp.blogspot.com/-qDh-
QRpl6lY/WlyKA4_johI/AAAAAAAAD0s/WuBk0R2QnRsNB1IjDgh2ymgC47BocGafQCLcBGAs/s
1600/trat%2B9.JPG]

Desde os primeiros meses do ano de 2017 está em vigor a Norma Técnica NBR
16.577 - PREVENÇÃO DE ACIDENTES EM ESPAÇOS CONFINADOS. Essa norma veio
em substituição da NBR 14.787 que foi cancelada desde julho de 2015 e que ainda é
referendada na NR-33.
A nova NBR sem dúvida trouxe um conteúdo bem mas amplo do que sua
antecessora e completou de forma muito técnica o texto que a Norma
Regulamentadora 33 possui.
Dentro desse mundo é importante lembrarmos que uma Norma Regulamentadora
possui um poder legal trabalhista mais amplo do que uma norma técnica, no caso
uma NR tem amplitude para fiscalização e aplicação de multas, o que no caso uma
NBR não. A não ser que a mesma seja citada como obrigatoriedade dentro de uma
NR ou outra legislação. Ambas são muito importantes e são o embasamento para
nossas tomadas de decisões na segurança do trabalho e na determinação de
nossos procedimentos de segurança.
O que me levou a escrever essa nota foi devido à um texto que circulou (na internet
e redes sociais) com muita força em meados de 2017 interpretando e explicando
alguns itens da nova NBR de espaços confinados. O texto sem dúvida foi uma
excelente iniciativa, adiantou muita informação da norma técnica e serviu de base
para muitas pessoas que não chegaram a ler a Norma na íntegra e tomaram como
base aquele texto. Usaram esse texto inclusive para basear seus treinamentos e em
reuniões de gestão de mudança.
Isso de certa forma pode ser perigoso, pois se basear na interpretação de uma
pessoa e não da íntegra da norma para tomada de decisões pode levar a equívocos.
Por exemplo, fui consultado por uma ex-aluna, que na época estagiava em uma
grande multinacional, sobre as decisões que eles teriam que tomar devido à
obrigatoriedade dos espaços confinados terem entradas de no mínimo 600 mm. Os
profissionais estavam desesperados sobre o que fazer. Imagina ter que cortar
aberturas nos equipamentos?? Ter que parar uma planta química, limpar as
centenas de equipamentos (espaços confinados) para adequar as bocas de
visita????
Esse talvez foi o maior equívoco do texto que circulou na internet e redes sociais. 
A NBR é muito clara (para quem leu o texto na íntegra) de que as bocas de visita de
600 mm são uma recomendação para os projetistas que desenvolvem os
equipamentos operacionais que virão a se tornar um espaço confinado, ou seja, o
projetista de um tanque de armazenamento recebeu uma recomendação para
quando desenhar o projeto que contemple essa informação. Primeiro é uma
recomendação e não imposição e SEGUNDO isso é para os projetos (novos
equipamentos) e não o que está em uso.
Outra parte equivocada, do texto que circulou, foi quanto à afirmação de que um
supervisor de entrada não poderia mais exercer o papel de vigia.
Em momento algum a NBR traz essa informação!!! Na verdade a NBR só reforçou as
obrigações do supervisor de entrada e da importância do seu papel na sistemática
de liberação e acompanhamento de trabalhos em espaços confinados. A NBR não
mudou em nada o item 33.3.4.6 da NR33 que afirma que o supervisor pode exercer
o papel de vigia e até o momento desse texto a própria legislação também não
sofreu nenhuma alteração quanto à essa informação.
Inclusive a própria NBR reforça que o trabalho em espaço confinado precisa no
mínimo de apenas duas pessoas; um vigia e um trabalhador autorizado. Então qual
o problema de uma pessoa com capacitação de carga horária de 40h (supervisor)
realizar todas as medições, tomadas de decisões, preenchimento da PET e logo
após tudo isso poder acompanhar do lado de fora as atividades (como vigia) para
que o trabalhador autorizado exerça suas funções????

Enfim, a legislação não foi alterada e a NBR não possui nenhuma frase que impede o
supervisor de trabalhar desta forma. Deixarei ao fim dessa matéria o texto na íntegra
da NBR.
[https://3.bp.blogspot.com/-UK-h-
oPOLUQ/WlyKa335mzI/AAAAAAAAD0w/0dBXH08Int8RWkeVhD_NrqS6vqfPbFEEQCLcBGAs/
s1600/foto%2Bex%2B5.jpg]

Quero que entendam que não escrevi isso para crucificar o texto que tanto cito aqui,
até pelo contrário, é uma ótima matéria com ótimas informações e que ajudou em
muito na explicação de vários tópicos na nova norma técnica. A grande questão
aqui é que não podemos acreditar em tudo que lemos em redes sociais
(principalmente). É preciso questionar e buscar a fonte das coisas,
principalmente  por se tratar de um documento com poder de fiscalização. É
necessário ler a legislação toda também.

Muitas pessoas acreditam que esse texto foi escrito pelo MTE, outras afirmaram
que foi a FUNDACENTRO e por isso teria força de Lei. E na verdade esse texto foi
escrito por uma Engenheira de segurança e publicado inicialmente no LINKED IN, ou
seja, não se trata de um documento legal. É a mesma coisa que esse texto que
coloco aqui.

A problemática de uma NBR é que temos que pagar por ela (e caro) para termos
acesso às informações e isso prejudica muitos profissionais que precisam das
informações e não conseguem acesso fácil, mesmo precisando tanto. Dessa forma
alguns acabam caindo na armadilha das redes sociais sem questionar a origem do
que foi postado, quem postou, se o texto original não foi alterado, etc, etc.

Encerrando aqui minhas palavras então:


- pesquisem mais sobre as informações que recebem.
- não precisa sair cortando os espaços confinados da sua empresa (rsrsrs).
- de acordo com a NR33, supervisor pode exercer o papel de vigia.

Grande abraço e bons estudos.

Texto na íntegra da NBR 16.577 sobre o SUPERVISOR:

10 Deveres
10.1 Supervisor de entrada
10.1.1 O supervisor de entrada deve conhecer os riscos que possam ser encontrados
durante a entrada,
incluindo informação sobre o modo, sinais ou sintomas e consequências da
exposição ao agente
10.1.2 O supervisor de entrada deve conferir as entradas apropriadas nos espaços
confinados, os
testes, os procedimentos e a presença dos equipamentos listados na PET, no local.
10.1.3 O supervisor de entrada deve questionar o(s) trabalhador(es) autorizado(s)
sobre seu estado
de saúde pré-tarefa para execução das atividades em espaço confinado, visando
identificar alguma
indisposição momentânea.
10.1.4 O supervisor de entrada deve cancelar os procedimentos de entrada e a PET,
quando
necessário.
10.1.5 O supervisor de entrada deve verificar se os serviços de emergência e
salvamento estão
disponíveis e se os meios para acioná-los estão operantes.
10.1.6 O supervisor de entrada deve determinar, no caso de troca de turno do vigia,
que a responsabilidade
pela continuidade da operação seja transferida para o próximo vigia.

PARTE DA NBR QUE TRATA SOBRE A BOCA DE VISITA DE 600 mm:

Sendo impossível a eliminação de quaisquer características contribuintes para a


classificação do
espaço como confinado, recomenda-se a adoção, onde aplicável , dos seguintes
princípios e medidas

mitigadoras, ainda na fase de projeto :

q) assegurar aberturas mínimas de 600 mm de diâmetro para acessos aos espaços


confinados;

Postado há 15th January por Fábio Souza

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