Você está na página 1de 6

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA

LICENCIATURA EM QUÍMICA
EXA465 – EXPERIMENTAÇÃO PARA O ENSINO DA QUÍMICA II
DOCENTE: PROF. DR. MARCUS DE OLIVEIRA MELO

Equipamentos alternativos para laboratório de ensino de Química: chapa de


aquecimento e calorímetro

DISCENTES: DOUGLAS SAMPAIO


EVA BARBARA SÁ TELES

FEIRA DE SANTANA, 16 DE NOVEMBRO DE 2018


2018.2

1. TÍTULO: Equipamentos alternativos para laboratório de ensino de Química: chapa de


aquecimento e calorímetro

2. AUTORES: Jailson Rodrigo Pacheco1 (FM)*, Arilson Sartorelli Ribas 1 (FM), Flavio
Massao Matsumoto2 (PQ)

1 Editora Positivo. Rua Major Heitor Guimarães, 174. Seminário, Curitiba – PR. CEP 80.440-
020.
2 Departamento de Química – UFPR. Centro Politécnico. Jardim das Américas, Curitiba – PR.
CEP 81.531-990.

3. INTRODUÇÃO

Muitas escolas públicas e privadas não possuem estrutura necessária para a realização
de atividades experimentais como recurso às aulas de química, muitas vezes pela falta de
recurso financeiro disponível para esse fim.
Conforme os dados do censo da educação de 2006, publicados em 2007 do Instituto
de Pesquisas Educacionais Darci Ribeiro (INEP), vinculado ao Ministério da Educação (MEC),
nota-se que menos de 20% das escolas públicas e 47% das particulares do Brasil dispõem de
um espaço físico para realização das aulas práticas, e que regiões norte, nordeste e centro-oeste
a situação é bem pior. Em muitos casos, até mesmo as escolas que possuem laboratório, não
possuem equipamentos e materiais mínimos para a realização da atividade prática, o que pode
afetar a eficiência da aula e até mesmo comprometer a segurança do experimento.

4. OBJETIVO

Diante das dificuldades em se encontrar na escola um laboratório que possua recursos


mínimos para a execução de uma atividade prática, esse trabalho tem como proposta a
elaboração de equipamentos alternativos, de baixo custo que permita a realização dos
experimentos com segurança em laboratório de ensino na área de Ciências.

5. PARTE EXPERIMENTAL
5.1 MONTAGEM DE UMA CHAPA DE AQUECIMENTO

Foram montados dois equipamentos alternativos: uma chapa de aquecimento montada


a partir de um ferro elétrico de passar roupa convencional; e um calorímetro feito com espuma
isolante de poliuretano (PU) e outros materiais alternativos.
Devido a seu elevado custo, as chapas de aquecimento têm sido pouco utilizadas e,
como alternativa para o aquecimento de substâncias em geral, as escolas utilizam bicos de gás
ou lamparinas, gerando grandes preocupações, devido ao risco de acidentes decorrentes do
manuseio desses aparelhos durante o aquecimento de substâncias inflamáveis. Sendo assim,
uma chapa de aquecimento alternativa pode ser montada usando uma base de um ferro de passar
roupa, previamente desmontado.

5.1.1 MATERIAIS E MONTAGEM


Foi utilizado um ferro elétrico de passar a seco da Marca Britânia, modelo FB23, de
potência 1000 W, operando sob uma tensão de 127 V e a frequência da rede elétrica entre 50 e
60 Hz; furadeira e parafusos metálicos para serem usados como os “pés” de sustentação. Foi
removida toda a parte plástica externa do ferro de passar roupa, protegendo o controle de
temperatura e o circuito luminoso do sistema. Adaptaram-se três parafusos, que funcionam
como suporte da chapa de aquecimento e manteve-se o botão de controle da temperatura na
posição de máximo aquecimento.

5.1.2 TESTES DE EFICIÊNCIA DO EQUIPAMENTO

Foram realizados três testes para verificar a eficiência no funcionamento do


equipamento: (1) aquecimento de uma massa de água conhecida, a fim de relacionar a potência
do equipamento com o tempo; (2) medida direta da temperatura da superfície com o objetivo
de verificar a estabilidade no controle da temperatura; (3) utilização da chapa para calibrar um
sensor de temperatura montado com uma resistência elétrica de uma lâmpada de 40 W e 110
V, para verificar a viabilidade prática de utilização do equipamento.

5.1.3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os resultados dos testes de eficiência do equipamento são sumarizados abaixo:


(1) Aquecimento de uma massa de água: Usando 200 mL de água, verificou-se que a
temperatura passou de 30 a 60°C em 10 min e 2 s. A temperatura máxima alcançada no
aquecimento foi 80°C, independente do tempo e da quantidade de água utilizada.
(2) Medida da temperatura na superfície da chapa: Verificou-se que a temperatura
ficou estável entre 153 e 155°C.
(3) Calibração do sensor de temperatura: Nesse teste foi criada a curva de calibração e
o coeficiente de correlação (R²) para a curva é 0,9969, indicando que o sensor está calibrado.

Verificou-se que o tempo de aquecimento da chapa é rápido devido a elevada potência


do ferro de passar roupa (1000 W), em relação a uma chapa de aquecimento convencional (600
W), fazendo com que o experimento seja realizado em menos tempo. Por outro lado, uma
desvantagem desse sistema de aquecimento é a temperatura máxima que a água consegue
atingir, pois limita o uso a sistemas orgânicos. A estabilidade térmica do equipamento pôde ser
obtida, observando uma variação de apenas 2°C na temperatura da superfície, assim, a chapa
ser utilizada como um substituto de um banho-maria. Além disso, percebeu-se também que a
lâmpada adaptada à chapa acende quando a chapa aquece, provando o funcionamento adequado
desse sistema de controle.
O valor do coeficiente de correlação R² para a curva de calibração de um sensor de
temperatura apresenta um alto grau de confiabilidade do sistema analisado, indicando que esse
equipamento poderá ser utilizado no dia a dia, como uma chapa de aquecimento. Isso pôde ser
observado durante sua utilização em atividades experimentais em cursos de extensão
promovidos pela Editora Positivo nos meses de março e abril.

5.2 MONTAGEM DE UM CALORÍMETRO

Foi proposto a montagem de um calorímetro com espuma de poliuretano expandida.


O calorímetro é um aparelho isolado termicamente do meio ambiente e muito utilizado nos
laboratórios de ensino para fazer estudos sobre a quantidade de calor trocado entre dois ou mais
corpos de temperaturas diferentes. É um recipiente de formato bem simples, construído para
que não ocorra troca de calor entre o mesmo e o meio ambiente.

5.2.1 MATERIAIS E MONTAGEM


Para desenvolvimento do calorímetro foi utilizado um recipiente plástico com tampa,
termômetro e espuma de poliuretano comercial.
Primeiro foi feito furos nas laterais do recipiente plástico para que houvesse a entrada
de ar. Feito isso adicionou-se ao recipiente a espuma de poliuretano. Em seguida, inseriu-se o
béquer centralizado na espuma e manteve o controle de altura por cerca de 45 mim. Após isso,
o sistema é posto para secar por cerca de 24 horas.
Na tampa do recipiente deve ser feito um furo onde posteriormente haverá a inserção
do termômetro.

5.2.2 TESTE E EFICIÊNCIA DO EQUIPAMENTO

Afim de determinar a eficácia do equipamento foram realizados dois testes: o primeiro


foi a determinação da capacidade térmica do calorímetro e o segundo teste foi determinar a
entalpia de neutralização de um ácido forte com uma base forte.
O primeiro teste, foi feito em duplicata e consistiu em adicionar 40 mL de água
destilada, á temperatura ambiente no calorímetro. Em seguida aquecer uma porção de 40 mL
de água a aproximadamente 50ºc e adicionar rapidamente ao calorímetro, tampa-lo e anotar a
temperatura da mistura em um intervalo de 10 segundos.
Este teste busca entender quanto de calor foi perdido no sistema uma vez que a
capacidade calorífera das substâncias é igual.
O segundo teste consistiu em medir em uma proveta,40 mL de solução de ácido
clorídrico, 1,0 mol/L e colocar no calorímetro. Medir o volume da solução de hidróxido de
sódio, necessário para neutralizar os 40 mL de ácido e adicionar lentamente, medir a
temperatura máxima alcançada e calcular a entalpia através do balanço energético da reação de
neutralização de hidróxido de sódio e ácido clorídrico.

5.2.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Conforme os testes supracitados ao determinar a capacidade térmica do calorímetro,


usando o valor médio foi obtido o valor de 132,2 J\K, enquanto ao determinar a entalpia de
neutralização ácido-base a variação de ∆𝑇 foi de 5 ºc.

6. CONCLUSÕES
Com base nos testes é possível verificar eficiência de ambos os equipamentos
propostos, sendo um importante recurso no ensino de química, pois além de eficiência e
confiabilidade os equipamentos propostos possuem baixo custo.

7. REFERÊNCIAS

PACHECO, Jailson R.; RIBAS, Arilson S.; MATSUMOTO, Flávio M. Equipamentos


alternativos para laboratório de ensino de Química: chapa de aquecimento e calorímetro. XIV
Encontro Nacional de Ensino de Química (XIV ENEQ), UFPR. Curitiba, 2008.