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Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 1

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Ano 2018, Número 200 Divulgação: quinta-feira, 4 de outubro de 2018


Publicação: sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Tribunal Superior Eleitoral

Ministra Rosa Maria Pires Weber


Presidente

Ministro Luís Roberto Barroso


Vice-Presidente

Ministro Jorge Mussi


Corregedor-Geral da Justiça Eleitoral

Rodrigo Curado Fleury


Diretor-Geral

Secretaria Judiciária

Secretaria de Gestão da Informação

Coordenadoria de Editoração e Publicações

Fone/Fax: (61) 3030-9321


cedip@tse.jus.br

Sumário
PRESIDÊNCIA ................................................................................................................................................................................2
SECRETARIA JUDICIÁRIA ................................................................................................................................................................2
Coordenadoria de Registros Partidários, Autuação e Distribuição ................................................................................................2
Despacho .....................................................................................................................................................................2
Coordenadoria de Processamento - Seção de Processamento I ...................................................................................................3
Intimação .....................................................................................................................................................................3
Coordenadoria de Processamento - Seção de Processamento II ..................................................................................................6
Decisão monocrática ......................................................................................................................................................6
Coordenadoria de Processamento - Seção de Processamento III ...............................................................................................22
Intimação ...................................................................................................................................................................22
Decisão monocrática ....................................................................................................................................................23
Coordenadoria de Acórdãos e Resoluções ..............................................................................................................................26
Acórdão .....................................................................................................................................................................26
Intimação ...................................................................................................................................................................38
Documentos Eletrônicos Publicados pelo PJE ..........................................................................................................................39
Intimação ...................................................................................................................................................................39
CORREGEDORIA ELEITORAL ..........................................................................................................................................................59
SECRETARIA DO TRIBUNAL ...........................................................................................................................................................59
Atos do Diretor-Geral ...........................................................................................................................................................59
Portaria ......................................................................................................................................................................59
SECRETARIA DE ADMINISTRAÇÃO .................................................................................................................................................60
SECRETARIA DE CONTROLE INTERNO E AUDITORIA .........................................................................................................................60
SECRETARIA DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO .............................................................................................................................61
SECRETARIA DE GESTÃO DA INFORMAÇÃO ....................................................................................................................................61
SECRETARIA DE SEGURANÇA E TRANSPORTE ..................................................................................................................................61
COMISSÃO PERMANENTE DE ÉTICA E SINDICÂNCIA DO TSE .............................................................................................................61

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, podendo ser acessado no endereço eletrônico http://www.tse.jus.br
Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 2

PRESIDÊNCIA

(NÃO HÁ PUBLICAÇÕES NESTA DATA)

SECRETARIA JUDICIÁRIA

Coordenadoria de Registros Partidários, Autuação e Distribuição

Despacho

PUBLICAÇÃO DE DESPACHO Nº 282/2018 - CPADI

PRESTAÇÃO DE CONTAS Nº 973-58.2014.6.00.0000 BRASÍLIA-DF


REQUERENTE: PARTIDO VERDE (PV) - NACIONAL
ADVOGADOS: MIGUEL CARLOS MENDES DE BARROS - OAB: 41961/DF E OUTROS
REQUERENTE: COMITÊ FINANCEIRO NACIONAL PARA PRESIDENTE DA REPÚBLICA - PV
MINISTRO EDSON FACHIN
PROTOCOLO: 19.180/2014

DESPACHO
Trata-se de prestação de contas apresentada pelo Partido Verde e seu Comitê Financeiro Nacional para Presidente da
República, referente à arrecadação e à aplicação de recursos financeiros na campanha eleitoral de 2014.
Em petição protocolada sob o nº 6450/2018, a advogada Ana Carolina da Motta Perin Schmitz Kohlitz, renuncia o mandato que
lhe foi outorgado nos autos deste processo, além de requerer a exclusão do seu nome "do sistema do processo digital e as
publicações oficiais realizadas no presente feito" (fl. 226).
Preceitua o Código de Processo Civil no seu art. 112, §2º:
O advogado poderá renunciar ao mandato a qualquer tempo, provando, na forma prevista neste Código, que comunicou a
renúncia ao mandante, a fim de que este nomeie sucessor.
§ 2º Dispensa-se a comunicação referida no caput quando a procuração tiver sido outorgada a vários advogados e a parte
continuar representada por outro, apesar da renúncia.
Verifica-se que o requerente outorgou poderes a vários advogados conforme procuração de fl. 111, sendo desnecessária a
comunicação da renúncia ao mandante.
Assim, encaminhem-se os autos à Secretaria Judiciária, para que atualize a autuação deste feito, excluindo-se o nome da
advogada peticionante, conforme o documento de fls. 225-226.
Após, remetam-se os autos à Asepa, para prosseguimento da análise.
Publique-se. Intime-se.
Brasília, 2 de outubro de 2018.
MINISTRO EDSON FACHIN
Relator

PUBLICAÇÃO DE DESPACHO Nº 283/2018 CPADI

PRESTAÇÃO DE CONTAS Nº 993-49.2014.6.00.0000 BRASÍLIA-DF


REQUERENTE: EDUARDO JORGE MARTINS ALVES SOBRINHO (PV)

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, podendo ser acessado no endereço eletrônico http://www.tse.jus.br
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ADVOGADO: TIAGO STREIT FONTANA - OAB: 13457/DF


MINISTRO EDSON FACHIN
PROTOCOLO: 19.199/2014

DESPACHO
Trata-se de prestação de contas apresentada pelo candidato ao cargo de Presidente da República pelo Partido Verde, Eduardo
Jorge Martins Alves Sobrinho, em conjunto com a candidata à vice, Célia Oliveira de Jesus Sacramento, referente à arrecadação
e à aplicação de recursos financeiros na campanha eleitoral de 2014.
Em petição protocolada sob o nº 6451/2018, a advogada Ana Carolina da Motta Perin Schmitz Kohlitz, renuncia o mandato que
lhe foi outorgado nos autos deste processo, além de requerer a exclusão do seu nome "do sistema do processo digital e as
publicações oficiais realizadas no presente feito" (fl. 192).
Preceitua o Código de Processo Civil no seu art. 112, §2º:
O advogado poderá renunciar ao mandato a qualquer tempo, provando, na forma prevista neste Código, que comunicou a
renúncia ao mandante, a fim de que este nomeie sucessor.
§ 2º Dispensa-se a comunicação referida no caput quando a procuração tiver sido outorgada a vários advogados e a parte
continuar representada por outro, apesar da renúncia.
Verifica-se que o requerente outorgou poderes a vários advogados conforme procuração de fl. 10, sendo desnecessária a
comunicação da renúncia ao mandante.
Assim, encaminhem-se os autos à Secretaria Judiciária, para que atualize a autuação deste feito, excluindo-se o nome da
advogada peticionante, conforme o documento de fls. 191-192.
Após, remetam-se os autos à Asepa, para prosseguimento da análise.
Publique-se. Intime-se.
Brasília, 3 de outubro de 2018.
MINISTRO EDSON FACHIN
Relator

Coordenadoria de Processamento - Seção de Processamento I

Intimação

PUBLICAÇÃO Nº 226/2018/SEPROC1

AGRAVOS REGIMENTAIS NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 251-63.2016.6.10.0036 PARNARAMA-MA 36ª Zona Eleitoral
(PARNARAMA)
AGRAVANTE: COLIGAÇÃO PARNARAMA MAIS FORTE
ADVOGADOS: RAFAEL MARTINS ESTORILIO - OAB: 47624/DF E OUTRO
AGRAVANTE: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL
AGRAVADOS: RAIMUNDO SILVA RODRIGUES DA SILVEIRA E OUTRO
ADVOGADO: MÁRCIO VENICIUS SILVA MELO - OAB: 2687/PI
Ministro Edson Fachin
Protocolo: 2.387/2018

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, podendo ser acessado no endereço eletrônico http://www.tse.jus.br
Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 4

Ficam intimados os Agravados, por seus advogados, para, querendo, apresentar contrarrazões aos Agravos Regimentais no
Recurso Especial Eleitoral Nº 251-63.2016.6.10.0036 PARNARAMA-MA 36ª Zona Eleitoral (PARNARAMA).

DANIEL VASCONCELOS BORGES NETTO


Coordenador de Processamento

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 33-54.2018.6.00.0000 BANDEIRA-MG 9ª Zona Eleitoral


(ALMENARA)
AGRAVANTE: ANTÔNIO RODRIGUES DOS SANTOS
ADVOGADOS: JULIO FIRMINO DA ROCHA FILHO - OAB: 96648/MG E OUTRO
AGRAVADA: COLIGAÇÃO JUNTOS PELA MUDANÇA. NOSSA BANDEIRA É VOCÊ!
ADVOGADOS: FRANCISCO GALVÃO DE CARVALHO - OAB: 8809/MG E OUTROS
Ministro Edson Fachin
Protocolo: 4.209/2018

Fica intimada a Agravada, por seus advogados, para, querendo, apresentar contrarrazões ao Agravo Regimental no Agravo de
Instrumento Nº 33-54.2018.6.00.0000 BANDEIRA-MG 9ª Zona Eleitoral (ALMENARA).

DANIEL VASCONCELOS BORGES NETTO


Coordenador de Processamento

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 241-97.2016.6.13.0274 ARAPORÃ-MG 274ª Zona Eleitoral


(TUPACIGUARA)
AGRAVANTE: VALDIR INÁCIO FERREIRA
ADVOGADOS: RENATA SOARES SILVA - OAB: 141886/MG E OUTRO
AGRAVADA: COLIGAÇÃO UNIDOS POR ARAPORÃ
ADVOGADOS: PATRICK MARIANO FONSECA CARDOSO - OAB: 143314/MG E OUTROS
Ministro Edson Fachin
Protocolo: 3.840/2018

Fica intimada a Agravada, por seus advogados, para, querendo, apresentar contrarrazões ao Agravo Regimental no Agravo de
Instrumento Nº 241-97.2016.6.13.0274 ARAPORÃ-MG 274ª Zona Eleitoral (TUPACIGUARA).
DANIEL VASCONCELOS BORGES NETTO
Coordenador de Processamento

AGRAVOS REGIMENTAIS NO RECURSO ORDINÁRIO Nº 3-24.2011.6.23.0000 BOA VISTA-RR


AGRAVANTE: FRANCISCO DE ASSIS RODRIGUES
ADVOGADOS: LUIS GUSTAVO MOTTA SEVERO DA SILVA - OAB: 34248/DF E OUTROS
AGRAVADO: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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AGRAVADO: JOSÉ DE ANCHIETA JÚNIOR


ADVOGADOS: FERNANDO NEVES DA SILVA - OAB: 2030/DF E OUTROS
AGRAVADOS: COLIGAÇÃO PRA RORAIMA VOLTAR A SER FELIZ E OUTRO
ADVOGADOS: HENRIQUE KEISUKE SADAMATSU - OAB: 208-A/RR E OUTROS
AGRAVANTES: COLIGAÇÃO PRA RORAIMA VOLTAR A SER FELIZ E OUTRO
ADVOGADOS: HENRIQUE KEISUKE SADAMATSU - OAB: 208-A/RR E OUTROS
AGRAVADO: FRANCISCO DE ASSIS RODRIGUES
ADVOGADOS: LUIS GUSTAVO MOTTA SEVERO DA SILVA - OAB: 34248/DF E OUTROS
AGRAVADO: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL
Ministro Edson Fachin
Protocolo: 6.373/2015

Ficam intimados os Agravados, por seus advogados, para, querendo, apresentar contrarrazões aos Agravos Regimentais no
Recurso Ordinário Nº 3-24.2011.6.23.0000 BOA VISTA-RR.

DANIEL VASCONCELOS BORGES NETTO


Coordenador de Processamento

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 218-97.2016.6.05.0170 CAMAÇARI-BA 171ª Zona Eleitoral


(CAMAÇARI)
AGRAVANTE: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL
AGRAVADO: ANTONIO ELINALDO ARAUJO DA SILVA
ADVOGADOS: ADEMIR ISMERIM MEDINA - OAB: 7829/BA E OUTROS
Ministro Luís Roberto Barroso
Protocolo: 549/2018

Fica intimado o Agravado, por seus advogados, para, querendo, apresentar contrarrazões ao Agravo Regimental no Agravo de
Instrumento Nº 218-97.2016.6.05.0170 CAMAÇARI-BA 171ª Zona Eleitoral (CAMAÇARI).

DANIEL VASCONCELOS BORGES NETTO


Coordenador de Processamento

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 424-65.2016.6.24.0079 IÇARA-SC 79ª Zona Eleitoral (IÇARA)
AGRAVANTE: COLIGAÇÃO COM O POVO
ADVOGADO: MARCEL LODETTI FÁBRIS - OAB: 37255/SC
AGRAVADOS: MURIALDO CANTO GASTALDON E OUTROS
ADVOGADO: ROBERTA SCHONFELDER DE SOUZA - OAB: 25835/SC
Ministro Luís Roberto Barroso
Protocolo: 7.021/2017

Fica intimado o Agravado, por seus advogados, para, querendo, apresentar contrarrazões ao Agravo Regimental no Agravo de
Instrumento Nº 424-65.2016.6.24.0079 IÇARA-SC 79ª Zona Eleitoral (IÇARA).

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, podendo ser acessado no endereço eletrônico http://www.tse.jus.br
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DANIEL VASCONCELOS BORGES NETTO


Coordenador de Processamento

Coordenadoria de Processamento - Seção de Processamento II

Decisão monocrática

PUBLICAÇÃO Nº 280/2018/SEPROC2/CPRO/SJD

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 329-38.2016.6.10.0107 BACURI-MA 107ª Zona Eleitoral
(BACURI)
AGRAVANTE: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL
AGRAVADO: WASHINGTON LUÍS DE OLIVEIRA
ADVOGADOS: GABRIELA ROLLEMBERG DE ALENCAR - OAB: 25157/DF E OUTROS
AGRAVADO: WALTER SILVA FILHO
ADVOGADO: LUCIANO ALLAN CARVALHO DE MATOS - OAB: 6205/MA
Ministro Jorge Mussi
Protocolo: 305/2018

De ordem,
Intime-se a parte contária para, querendo,
apresentar contrarrazões no prazo de 3 (três) dias.
Brasília, 02 de outubro de 2018.
Manoel José Ferreira Nunes Filho
Assessor-Chefe

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 329-38.2016.6.10.0107 BACURI-MA 107ª Zona Eleitoral
(BACURI)
EMBARGANTE: COLIGAÇÃO BACURI NO CAMINHO CERTO
ADVOGADOS: RAFAEL MARTINS ESTORILIO - OAB: 47624/DF E OUTROS
EMBARGADO: WASHINGTON LUÍS DE OLIVEIRA
ADVOGADOS: GABRIELA ROLLEMBERG DE ALENCAR - OAB: 25157/DF E OUTROS
EMBARGADO: WALTER SILVA FILHO
ADVOGADO: LUCIANO ALLAN CARVALHO DE MATOS - OAB: 6205/MA
Ministro Jorge Mussi
Protocolo: 305/2018

De ordem,
Intime-se a parte contária para, querendo,

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, podendo ser acessado no endereço eletrônico http://www.tse.jus.br
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apresentar contrarrazões no prazo de 3 (três) dias.


Brasília, 02 de outubro de 2018.
Manoel José Ferreira Nunes Filho
Assessor-Chefe

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 20-55.2018.6.00.0000 ANÁPOLIS-GO 141ª Zona Eleitoral (ANÁPOLIS)


RECORRENTE: ANTARES EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA - EPP
ADVOGADOS: MARKO ANTÔNIO DUARTE - OAB: 18601/GO E OUTROS
RECORRIDO: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL
Ministro Jorge Mussi
Protocolo: 2.189/2018

AGRAVO. RECURSO ESPECIAL. ELEIÇÕES 2014. DOAÇÃO ACIMA DO LIMITE LEGAL. PESSOA JURÍDICA. ART. 81, § 1º, DA LEI
9.504/97 (VIGENTE À ÉPOCA). FATURAMENTO BRUTO. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. RECEITA. APENAS SÓCIO
OSTENSIVO. REEXAME. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.
1. A recorrente foi condenada por doação eleitoral acima do limite de 2% previsto no art. 81, § 1º, da Lei 9.504/97, pois teve
faturamento bruto no ano de 2013 no valor de R$ 1.134.857,76 e doou R$ 68.110,66.
2. A Corte de origem considerou como faturamento bruto da empresa apenas aquele auferido isoladamente por ela, não
incluindo a receita das sociedades em conta de participação e de propósito específico das quais é sócia participante, por
entender que apenas sócio ostensivo poderia considerar como próprios tais rendimentos. Conclusão em consonância com a
jurisprudência deste Tribunal.
3. Decidir em sentido diverso demanda reexame do conjunto fático-probatório dos autos, medida inviável em sede
extraordinária, a teor da Súmula 24/TSE.
4. Recurso especial a que se nega seguimento.
DECISÃO
Trata-se de agravo interposto por Antares Empreendimentos Imobiliários Ltda - EPP em detrimento de decisum da Presidência
do TRE/GO que inadmitiu recurso especial contra arestos assim ementados (fls. 334 e 579):
RECURSO ELEITORAL. DOAÇÃO PARA CAMPANHA ELEITORAL. INOBSERVÂNCIA DO LIMITE LEGAL. PESSOA JURÍDICA.
PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA. REJEITADA. APLICAÇÃO DE MULTA COM BASE NO ART. 81 DA LEI Nº 9.504/97.
MÍNIMO LEGAL. RECURSO DESPROVIDO.
1 - A doação realizada por pessoa jurídica à campanha eleitoral tem como parâmetro de conformação legal o faturamento
bruto obtido no ano anterior à eleição, aferível mediante prova documental, a exemplo da declaração de imposto de renda,
sendo despicienda a realização de perícia ou a oitiva de testemunhas, haja vista a clareza e objetividade do parâmetro legal.
Possibilidade de julgamento antecipado da lide, com amparo no art. 330, inciso I, do Código de Processo Civil, de aplicação
subsidiária aos feitos eleitorais.
2 - Em conformidade com o art. 81, § 1º, da Lei nº 9.504/97, o limite de 2% deve ser calculado sobre o faturamento bruto das
pessoas jurídicas, isoladamente, não abrangendo outras sociedades empresariais que porventura tenha participação que,
apesar de possuírem interesses comuns, são, em regra, entes com personalidades jurídicas diversas.
3 - Tendo a recorrente realizado doação acima do limite legal, justifica-se a aplicação da sanção estipulada pelo revogado § 2º
do art. 81, da Lei Federal nº 9.504/97, de 30.09.1997, no mínimo legal, ausentes elementos que recomendem a necessidade de
sanção em patamar mais gravoso.
4 - Recurso desprovido.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO ELEITORAL. DOAÇÃO ACIMA DO LIMITE LEGAL. PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA DE
VIOLAÇÃO AO ART. 489, § 1º, IV, DO CPC. OMISSÃO NO JULGADO. EXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. INVIABILIDADE.
EMBARGOS ACOLHIDOS PARCIALMENTE.
1. Verificada a existência de omissão em sede de embargos, faz-se mister suprir a decisão proferida.
2. Os efeitos infringentes são cabíveis, tão somente, quando a omissão e/ou contradição apontadas forem capazes de, se
reconhecidas, modificar a decisão do órgão julgador. Não sendo este o presente caso, uma vez que a correção da omissão não é
suficiente para reverter o julgamento.

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3. Embargos de declaração conhecidos e, no mérito, parcialmente acolhidos.


Na origem, o Ministério Público ajuizou representação em face da agravante por supostamente doar a candidatos recursos
acima do limite legal nas Eleições 2014, em afronta ao art. 81, § 1º, da Lei 9.504/97, vigente à época dos fatos.
Em primeiro grau, os pedidos foram julgados parcialmente procedentes,
condenando-se a pessoa jurídica ao pagamento de multa em patamar mínimo (cinco vezes o valor doado em excesso), no
montante de R$ 227.067,50 (fl. 243).
O TRE/GO desproveu o recurso eleitoral (fls. 334-342) e rejeitou embargos de declaração (fls. 354-360).
Seguiu-se recurso especial (fls. 366-379), ao qual o e. Ministro Herman Benjamin, meu antecessor, deu provimento para anular
o acórdão referente aos declaratórios e determinar que a Corte de origem especificasse os valores relativos ao faturamento
bruto das sociedades em conta de participação e de propósito específico das quais a recorrente é sócia ostensiva (fls. 450-456).
No aresto de folhas 579-584, o TRE/GO acolheu parcialmente os embargos apenas para corrigir a referida omissão, sem efeitos
modificativos.
No recurso especial ora em análise, Antares Empreendimentos Imobiliários Ltda. - EPP alegou, em suma (fls. 583-595):
a) negativa de vigência ao art. 81, § 1º, da Lei 9.504/97, pois os acórdãos do TRE/GO "consideraram somente a receita da
Empresa Recorrente decorrente de suas atividades de forma autônoma, deixando de considerar a receita advinda de suas
parcerias com outras empresas na forma de sociedades de cota em participação (sic) (SCP"s) ou de sociedades de propósito
específico (SPE"s), chamando-se atenção para o fato de que a referida receita (no montante de R$ 5.632.124,02) foi
expressamente declarada à Receita Federal por meio da DIPJ"
(fl. 589);
b) divergência entre as decisões recorridas e aresto do TRE/RS no qual se "entendeu pela possibilidade do conceito de
faturamento bruto abranger a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, incluindo os frutos da participação em tais
sociedades" (fl. 590), independentemente de sua classificação contábil.

O recurso foi inadmitido pela Presidência do TRE/GO (fls. 607-610), o que ensejou agravo no qual se infirmaram os respectivos
fundamentos (fls. 616-625).
Contraminuta do Parquet às folhas 632-644.
Em despacho, determinei a adoção das providências constantes do
art. 7º da Res.-TSE 23.326/2010 aos documentos de folhas 552 a 574 (fl. 648).
A d. Procuradoria-Geral Eleitoral opinou pelo desprovimento do agravo (fls. 651-654).
É o relatório. Decido.
Verifica-se que a agravante infirmou os fundamentos da decisão agravada e que o recurso especial inadmitido preenche os
requisitos de admissibilidade. Desse modo, dou provimento ao agravo e passo ao exame do recurso, nos termos do art. 36, § 4º,
do RI-TSE.
No caso, a empresa recorrente foi condenada por doação eleitoral acima do limite de 2% previsto no art. 81, § 1º, da Lei
9.504/97, pois, apesar de ter declarado à Receita Federal faturamento bruto no ano de 2013 no valor de
R$ 1.134.857,76, doou R$ 68.110,66.
A Corte de origem considerou como faturamento bruto da empresa apenas aquele auferido isoladamente por ela, não incluindo
a receita das sociedades em conta de participação e de propósito específico das quais a recorrente é sócia participante, pois
entendeu que apenas sócio ostensivo poderia considerar como próprios tais rendimentos.
Veja-se o que foi consignado nos arestos a quo (fls. 339-340 e 580-582):
In casu, a informação SAFIS/DRF-Anápolis/GO nº 0060/2015, emitida pela Receita Federal do Brasil (f. 19), atesta que a empresa
recorrente efetuou doação à campanha eleitoral, no valor de R$ 68.110,66 (sessenta e oito mil, cento e dez reais e sessenta e
seis centavos), e auferiu, como faturamento bruto no exercício de 2013, o valor de R$ 1.134.857,76 (um milhão, cento e trinta e
quatro mil, oitocentos e cinquenta e sete reais e setenta e seis centavos).
Isso significa dizer que a doação efetuada ultrapassa em R$ 45.413,50 (quarenta e cinco mil, quatrocentos e treze reais e
cinquenta centavos) o valor permitido na legislação de regência. [...]
[...]
[...] Com efeito, o faturamento bruto auferido pela recorrente, na condição de empresa isolada, distingue-se do faturamento
bruto auferido pelas SCP"s e SPE"s das quais é sócia, por tratarem de entidades completamente diversas.
Nesse cenário, se as SCP"s e SPE"s detinham lastro, à época, para efetuarem doações a campanhas eleitorais, deveriam tê-lo
feito em nome próprio. Essa seria a única possibilidade de utilizar o faturamento bruto citado para a determinação do limite de

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doação, e não a hipótese dos autos, em que a doadora é, efetivamente, a empresa Antares Empreendimentos Imobiliários
Ltda, entidade jurídica autônoma que possui titularidade negocial, processual e responsabilidade patrimonial distinta das SCP"s
e SPE"s em que figura como sócia.
Postas premissas necessárias, infere-se que a doação em apreço adveio apenas da empresa recorrente, na qualidade de pessoa
jurídica independente, pois, caso assim não fosse, a prestação de contas do candidato beneficiado registraria, não uma, mas
três doações distintas, cada qual identificando as respectivas doadoras e os valores equivalentes ao percentual de 2%
estabelecidos com base nos seus faturamentos brutos no ano de 2013.
Sendo assim, diante da falta de qualquer documento capaz de demonstrar o contrário, considera-se que o faturamento bruto
da empresa doadora foi de R$ 1.134.857,76 (um milhão, cento e trinta e quatro mil, oitocentos e cinquenta e sete reais e
setenta e seis centavos), conforme, aliás, por ela declarado à Receita Federal (f. 63).
Tendo em vista a decisão do TSE de f. 450-456, que deu provimento "ao recurso especial para anular o aresto de embargos,
determinando o retorno dos autos ao TRE/GO para que, de modo expresso, especifique os valores relativos ao faturamento
bruto das sociedades em conta de participação e de propósito específico das quais a recorrente é sócia ostensiva" , determinou-
se às f. 466, que a embargante fosse notificada para demonstrar sua condição de sócia ostensiva à época da doação.
A embargante, todavia, não logrou êxito em comprovar a referida condição, pois dos contratos de constituição de sociedade
em conta de participação colacionados às f. 470-574, extrai-se que ela exibe apenas a condição de sócia participante, e não de
sócia ostensiva.
Recorde-se que, no tocante às sociedades em conta de participação, as operações que geram as receitas em decorrência dos
negócios jurídicos realizados pelos sócios são contabilizadas na pessoa da sócia ostensiva, de acordo com a legislação do
imposto de renda (art. 254 do Decreto Regulamentar nº 3.000/99), em linha com a expressa disposição contida no art. 991 do
Código Civil, senão veja-se:
Decreto Regulamentar nº 3.000/99
Art. 254. A escrituração das operações de sociedade em conta de participação poderá, à opção do sócio ostensivo, ser efetuada
nos livros deste ou em livros próprios, observando-se o seguinte:
I - quando forem utilizados os livros do sócio ostensivo, os registros contábeis deverão ser feitos de forma a evidenciar os
lançamentos referentes à sociedade em conta de participação;
II - os resultados e o lucro real correspondentes à sociedade em conta de participação deverão ser apurados e demonstrados
destacadamente dos resultados e do lucro real do sócio ostensivo, ainda que a escrituração seja feita nos mesmos livros;
III - nos documentos relacionados com a atividade da sociedade em conta de participação, o sócio ostensivo deverá fazer
constar indicação de modo a permitir identificar sua vinculação com a referida sociedade.
Código Civil
Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio
ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade.
Vale dizer, as receitas auferidas pelas atividades desenvolvidas em razão do negócio jurídico celebrado por meio da sociedade
em conta de participação são escrituradas e oferecidas à tributação exclusivamente pelo sócio ostensivo, em sua própria
contabilidade ou em livros próprios.
Nesse passo, considerando-se que nessa modalidade, os atos externos são realizados pela sócia ostensiva, que exerce
publicamente a atividade comercial e por ela se obriga, tão somente a esta cabe a titularidade da doação a campanhas
eleitorais.
[...]
Logo, o valor de R$ 5.632.124,02 (cinco milhões, seiscentos e trinta e dois mil e cento e vinte e quatro reais) não pode ser
considerado para fins de faturamento bruto da embargante.
Esse entendimento está de acordo com o que foi decidido por este Tribunal Superior a respeito do tema, ou seja, que apenas o
sócio ostensivo de sociedade em conta de participação pode considerar os rendimentos por ela obtidos para efeito de cálculo
do limite de doação eleitoral. Confira-se:
RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. ELEIÇÕES 2010. DOAÇÃO PARA CAMPANHA ELEITORAL. SÓCIO OSTENSIVO. SOCIEDADE EM
CONTA DE PARTICIPAÇÃO. FATURAMENTO BRUTO. POSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO.
1. As sociedades em conta de participação constituem meios lícitos de associação entre pessoas jurídicas ou físicas e "decorrem
da união de esforços, com compartilhamento de responsabilidades, comunhão de finalidade econômica e existência de um
patrimônio especial garantidor das obrigações assumidas no exercício da empresa" (REspe nº 1.230.981/RJ, rel. Min. Marco
Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJE de 5.2.2015)
2. Por não dispor de personalidade jurídica, não há possibilidade da doação eleitoral ser realizada em nome da sociedade em
conta de participação. Isso, entretanto, não impede que nas doações eleitorais efetuadas pela sócia ostensiva de sociedade em
conta de participação, o faturamento bruto da SCP, que é registrado na contabilidade da sócia ostensiva, possa ser considerado

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para efeito do cálculo a que se refere o § 1º do art. 81 da Lei 9.504/97.


3. Cabendo ao sócio ostensivo toda responsabilidade quanto ao gerenciamento do negócio, realizado em seu nome individual,
inclusive o recolhimento dos tributos e a declaração de imposto de renda da SCP, ainda que de forma apartada, é razoável
admitir que os rendimentos auferidos pela sociedade possam ser considerados para fins de apuração do percentual do limite de
doação para campanha eleitoral.
4. A situação específica das sociedades em conta de participação não se confunde com a hipótese de grupos empresariais, cujo
volume global de faturamento não é admitido para efeito da apuração do limite de doação.
5. Deve ser restabelecida a sentença na qual a representação foi julgada improcedente, em face da ausência de afronta ao art.
81 da Lei 9.504/97. [...]
(REspe 398-60/DF, redator para acórdão Min. Henrique Neves, DJE de 6/12/2016)
O e. Ministro Henrique Neves esclareceu em seu voto nesse julgamento:
Verifique-se, a propósito, que o inverso é que não pode ocorrer. Como toda a atividade comercial é concentrada na sócia
ostensiva, são os sócios participantes que não podem considerar as receitas auferidas como faturamento próprio, pois a eles
cabem apenas os resultados distribuídos.
Na hipótese dos autos, tal entendimento, apesar de ter sido registrado no acórdão regional, ao invés de confirmá-lo, enseja a
sua reforma. Isso porque, considerado justamente o parâmetro das personalidades jurídicas distintas das pessoas envolvidas, os
recursos decorrentes das operações e atividades realizadas exclusivamente no nome da sócia ostensiva não podem ser
atribuídos, por meio de relação despersonificada, aos sócios participantes ou, muito menos, à própria sociedade em conta de
participação, que não possui sequer personalidade.
Em outras palavras, as receitas apuradas pelas operações comerciais realizadas exclusivamente pela sócia ostensiva somente
podem ser consideradas no âmbito da referida empresa, não sendo possível seccioná-las, seja para atribuir faturamento à SCP
(que não possui personalidade jurídica), seja para transferi-lo aos sócios participantes.
(sem destaque no original)
Ademais, para se chegar a conclusão diversa do TRE/GO quanto ao fato de ser a recorrente apenas sócia participante das
sociedades de cota em participação e de propósito específico, seria necessário reexame do conjunto fático-probatório dos
autos, inviável em sede extraordinária, a teor da Súmula 24/TSE.
O acórdão regional, portanto, não merece reforma.
Ante o exposto, nego seguimento ao recurso especial, nos termos do art. 36, § 6º, do RI-TSE.
Publique-se. Intimem-se. Reautue-se.
Brasília (DF), 26 de setembro de 2018.
MINISTRO JORGE MUSSI
Relator

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 434-05.2016.6.26.0128 LAGOINHA-SP 128ª Zona Eleitoral (SÃO LUÍS DO PARAITINGA)
RECORRENTES: CLAUDIO HENRIQUE DA SILVA E OUTRO
ADVOGADOS: LUIZ RICARDO MADEIRA MOREIRA SALATA - OAB: 274341/SP E OUTROS
RECORRIDO: TIAGO MAGNO DE OLIVEIRA
ADVOGADOS: PAULO SÉRGIO MENDES DE CARVALHO - OAB: 131979/SP E OUTRA
RECORRIDO: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL
REFERÊNCIA: PROTOCOLO Nº 6.065/2018
INTERESSADO: FRANCISCO DIOGO DE CARVALHO
ADVOGADO: ANTÔNIO PEDRO MACHADO OAB: 52908/DF
Ministro Jorge Mussi
Protocolo: 9.776/2017

De ordem,
Defiro o pedido de vista pelo prazo de três dias.

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P. I.
Brasília, 13/9/2018.
Manoel José Ferreira Nunes Filho
Assessor-Chefe

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 123-48.2016.6.17.0133 TRINDADE-PE 133ª Zona Eleitoral (TRINDADE)


AGRAVANTE: COLIGAÇÃO AVANÇA TRINDADE PORQUE JUNTOS SOMOS MAIS FORTE
ADVOGADOS: WILSON SENA BRASIL - OAB: 38500/PE E OUTRO
AGRAVADOS: HELBE DA SILVA RODRIGUES E OUTRO
ADVOGADO: GLEIFSON LOPES PIRES - OAB: 23573/PE
Ministro Jorge Mussi
Protocolo: 4.653/2018

AGRAVO. RECURSO ESPECIAL. ELEIÇÕES 2016. PREFEITO E VICE. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL (AIJE). ABUSO DE
PODER ECONÔMICO. CAPTAÇÃO ILÍCITA DE SUFRÁGIO. NÃO CONFIGURADOS. PROVA. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. NEGATIVA
DE SEGUIMENTO.
1. O TRE/PE, por decisão unânime, manteve sentença de improcedência dos pedidos formulados em Ação de Investigação
Judicial Eleitoral (AIJE), concluindo que não se comprovaram abuso de poder econômico e compra de votos pelos recorridos,
segundos colocados no pleito majoritário de Trindade/PE em 2016.
2. Após ampla instrução probatória, a Corte Regional afirmou não existirem provas de que os recorridos tenham adquirido ou
distribuído camisetas na cor verde às vésperas da eleição, comprado votos ou fornecido transporte para eleitores no dia do
pleito.
3. A reforma do acórdão regional com base nos depoimentos indicados pela recorrente demandaria novo exame do acervo
fático-probatório, pois o conteúdo dessas declarações não consta do aresto recorrido. Incide, na espécie, o obstáculo da
Súmula 24/TSE.
4. De qualquer forma, em razão da natureza objetiva da prova materializada em documentos, fotografias, gravações de áudio e
vídeo e quebra de sigilo bancário, o valor probatório desses elementos não pode ser suplantado pelo subjetivismo e
parcialidade da prova oral, constituída por depoimento de simples informantes interessados no desfecho da causa, pois são eles
filiados a partido político da coligação recorrente ou detentores de cargo público comissionado.
5. Não havendo provas robustas e incontestes quanto à conduta em exame, não é possível reconhecer configurado abuso de
poder econômico ou captação ilícita de sufrágio por meras presunções. Precedentes.
6. Recurso especial a que se nega seguimento.
DECISÃO
Trata-se de agravo interposto pela Coligação Avança Trindade Porque Juntos Somos Mais Forte em detrimento de decisum da
Presidência do TRE/PE em que se inadmitiu recurso especial contra aresto assim ementado (fl. 240):
RECURSO ELEITORAL. ELEIÇÕES 2016. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL (AIJE). ABUSO DE PODER ECONÔMICO. CAPTAÇÃO
ILÍCITA DE SUFRÁGIO. AUSÊNCIA DE PROVAS ROBUSTAS. DESPROVIMENTO.
1. Para a configuração do abuso do poder econômico, há de concorrer provas robustas de que houve a utilização de recursos
financeiros, de forma desproporcional, em benefício de determinada candidatura, que venha a comprometer a lisura e a
normalidade das eleições.
2. Para fim de captação ilícita de sufrágio, prevista no art. 41-A da
Lei 9.504/97, exige-se prova robusta da finalidade de se obter voto e da anuência do candidato, sendo insuficientes meras
presunções acerca do encadeamento das condutas.
3. A manutenção da sentença é medida que se impõe, visto que as provas (fotografias, vídeos e depoimentos) produzidas
durante a instrução processual são frágeis e absolutamente inaptas a comprovar as supostas condutas perpetradas, pois não
foram capazes de produzir juízo de certeza acerca da prática dos ilícitos eleitorais (captação ilícita de sufrágio e abuso de poder
econômico) pelos ora recorridos.
4. Recurso desprovido.
Na origem, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) ajuizou Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) em desfavor de Helbe da

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Silva Rodrigues Nascimento e Paulo Rennê Gomes da Silva (candidatos a prefeito e vice-prefeito no Município de Trindade/PE
nas Eleições 2016 - não eleitos) por suposta prática de abuso de poder econômico e captação ilícita de sufrágio, nos termos dos
arts. 22 da LC 64/90 e 41-A da Lei 9.504/97.
Afirmou-se que os investigados, às vésperas da eleição, distribuíram grande quantidade de camisetas verdes, mesma cor de sua
campanha, em troca de apoio político, além de fornecerem transporte ilegal a eleitores que trajavam essa camiseta no dia do
pleito.
Os pedidos foram julgados improcedentes em primeiro grau por falta de provas (fls. 183-187).
O TRE/PE, por votação unânime, desproveu o apelo (fls. 240-249).
No recurso especial, a Coligação Avança Trindade Porque Juntos Somos Mais Forte alegou, em síntese, que (fls. 251-270):
a) o aresto a quo violou os arts. 39, § 6º, e 39-A, § 1º, da Lei 9.504/97, pois "restou evidenciado no processo a distribuição de
camisas da cor verde para os eleitores de sua corrente eleitoral, bem como a concessão de transporte no dia do pleito para
eleitores trajando a cor única da campanha dos investigados" (fl. 258);
b) "as provas trazidas pelos requerentes sob fls. 19 [gravação de áudio e vídeo], por si só comprovam o alegado na inicial, mas
foram também evidenciados e confirmados durante toda a instrução probatória"
(fl. 258);
c) "os depoimentos dos informantes devem ser levados em consideração, vez que possuem uma forte conexão com o feito,
respaldados de veracidade que são comprovados no decorrer do processo" (fl. 260);
d) a prova testemunhal produzida na AIJE 122-63/PA - e que fora emprestada para esse processo por solicitação do Ministério
Público Eleitoral - demonstra que os investigados adquiriram grande quantidade de camisetas verdes, pois esse material foi
entregue em uma chácara na companhia do irmão da candidata Helbe da Silva Rodrigues Nascimento;
e) a compra de camisetas da mesma cor e modelo somente se justifica pela intenção eleitoral;
f) "embora não houvesse a participação direta na aquisição pelos investigados, restou comprovada a utilização de terceiros para
benefício dos requeridos, que estrategicamente tentaram não se expor" (fl. 265).
O recurso foi inadmitido pela Presidência do TRE/PE (fls. 274-277),
o que ensejou agravo no qual se infirmaram os fundamentos dessa decisão (fls. 279-294).
Helbe da Silva Rodrigues Nascimento e Paulo Rennê Gomes da Silva apresentaram contrarrazões ao recurso especial (fls. 298-
301) e contraminuta ao agravo (fls. 302-304).
A d. Procuradoria-Geral Eleitoral opinou pelo não conhecimento e desprovimento do agravo (fls. 311-312).
É o relatório. Decido.
Verifico que a agravante infirmou os fundamentos da decisão agravada e que o recurso inadmitido preenche os requisitos de
admissibilidade.
Desse modo, dou provimento ao agravo e passo ao exame do recurso, nos termos do
art. 36, § 4º, do RI-TSE.
O TRE/PE, por decisão unânime, manteve sentença de improcedência dos pedidos formulados em Ação de Investigação Judicial
Eleitoral (AIJE), ajuizada pela coligação recorrente, concluindo que não se comprovou suposta prática de abuso de poder
econômico e captação ilícita de sufrágio.
Após ampla instrução probatória e de percuciente exame sobre informações, documentos, quebra de sigilo bancário,
fotografias e gravações em áudio e vídeo, a Corte Regional afirmou que não existem provas de que os recorridos tenham
adquirido ou distribuído camisetas na cor verde às vésperas da eleição, comprado votos ou fornecido transporte para eleitores
no dia do pleito.
Extraio do acórdão do TRE/PE a síntese dos fatos (fls. 245-246):
Contudo, depreende-se dos autos que o conjunto probatório não é suficiente para embasar eventual condenação, tendo em
vista que, para a configuração do abuso do poder econômico, há de concorrer provas robustas de que houve a utilização de
recursos financeiros, de forma desproporcional, em benefício de determinada candidatura, que venha a comprometer a lisura e
a normalidade das eleições.
As provas colacionadas nos autos não servem para comprovar as condutas ilícitas atribuídas, eis que não demonstram, de
forma inequívoca, a potencialidade lesiva sob a perspectiva do abuso de poder econômico.
Em relação às fotografias, apenas constatam várias pessoas com camisetas lisas verdes, sem padrão único, em passeatas e
movimentos em favor dos recorridos.
Quanto aos vídeos, extraio trecho da sentença, à fl. 184:
No vídeo 1, extrai-se o transporte de pessoas, algumas com camisas verdes, incluindo o motorista da van.

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No vídeo 2, há uma contagem de camisas, mas de cor amarela e não verde (sendo esta a cor do partido dos requeridos).
No vídeo 3, apenas o encontro entre grupos dos partidos rivais.
No vídeo 04 há menção de que uma vereadora estaria dando dinheiro em troca de votos, mas não é possível perceber a
transação financeira mencionada.
No vídeo 5 há uma pessoa, aparentemente embriagada, trocando a camiseta de cor amarela por uma nota de dez reais e uma
lata de cachaça PITU. Contudo, não há indicação da autoria.
No vídeo 6 há menção de uma pesquisa registrada em que os requeridos estariam na frente em futura eleição.
No vídeo 7 uma pessoa vestida com camisa verde falando era mais fácil o mar secar que Helbinha perder.
No mesmo sentido das fotografias e os vídeos, e comungando com o posicionamento tomado pelo Ministério Público Eleitoral,
conforme suas alegações finais às fls. 176/182, entendo que os depoimentos das testemunhas arroladas pela parte recorrente
são insuficientes para demonstrar suas alegações:
"Quanto ao depoimento das pessoas ouvidas em juízo como informantes, entendo que não devem ser levados em consideração
para a condenação dos réus, uma vez que são filiados a partidos políticos que fazem parte da coligação autora, bem como
exercem cargos comissionados junto ao Município de Trindade" .
Assim, para fins de condenação por abuso de poder econômico, não há provas de que os recorridos tenham distribuído camisas
verdes durante o período eleitoral, tanto que nenhuma das testemunhas ouvidas em juízo puderam afirmar que os réus doaram
diretamente as camisas aos eleitores, nem que as camisas verdes estavam sendo distribuídas por terceiros a pedido dos réus.
Com relação à comparação dos dados bancários dos recorrentes com o das empresas responsáveis pela confecção das camisas,
não contém dados que comprovem que as partes figurantes no polo passivo tenham transferido valores.
Em relação à lista escrita à mão em uma folha de caderno com o nome de algumas pessoas, utilizada para comprovar a
captação ilícita de sufrágio como um esquema de compra de votos montado pelos réus, entendo não ser possível afirmar a
autoria de tal documento e quem o forneceu, sendo, assim, impossível de ser utilizado como prova em desfavor dos recorridos.
Ademais, cabia ao recorrente comprovar a ocorrência de captação ilícita de sufrágio, provando que os candidatos não eleitos
aos cargos de prefeito e vice-prefeito na cidade de Trindade compraram, efetivamente, voto junto aos eleitores do município.
Contudo, nenhuma das provas de captação ilícita se revela apta a sustentar a hipótese levantada na exordial.
Quanto ao transporte de eleitores, conforme destacou o juiz eleitoral,
"... não há vínculo com os representados. Contudo, a conduta pode encontrar subsunção no crime descrito no artigo 11, inciso
III da Lei 6.091/74, cabendo ao Parquet coordenar investigação e promover a ação penal para tanto" .
[...]
Portanto, a manutenção da sentença é medida que se impõe, visto que as provas (fotografias, vídeos e depoimentos)
produzidas durante a instrução processual são frágeis e absolutamente inaptas a comprovar as supostas condutas perpetradas,
pois não foram capazes de produzir juízo de certeza acerca da prática dos ilícitos eleitorais (captação ilícita de sufrágio e abuso
de poder econômico) pelos ora recorridos.
Diante disso, em razão da ausência de provas concretas da ocorrência de captação ilícita de sufrágio ou abuso de poder
econômico, e em consonância com o parecer da douta Procuradoria Regional Eleitoral, voto pelo não provimento da pretensão
recursal, mantendo-se incólume a sentença proferida pelo juízo de primeiro grau.
(sem destaques no original)
De fato, a prova dos autos não apresenta consistência e robustez o bastante para dela se concluir que os recorridos tenham
adquirido ou distribuído camisetas na cor verde às vésperas da eleição, comprado votos ou transportado eleitores no dia do
pleito.
Na gravação de áudio e vídeo, infere-se que a grande quantidade de camisetas filmadas são, na realidade, de cor amarela, a
mesma utilizada na campanha eleitoral da coligação recorrente.
Na prova fotográfica, apenas se verifica certa aglomeração de pessoas em passeata vestindo camisetas verdes, mesma cor da
campanha dos recorridos, mas sem nenhum tipo de padronização ou propaganda eleitoral estampada.
Na quebra de sigilo bancário, por sua vez, não se observou nenhuma espécie de pagamento realizado pelos recorridos a favor
das empresas responsáveis pela confecção do material impugnado.
Na prova oral, as testemunhas compromissadas foram unânimes ao afirmar que não se têm notícias de compra ou distribuição
de camisetas pelos recorridos ou por terceiros em seu nome.
Quanto à prova documental, uma única folha de caderno preenchida à mão não comprova prática de captação ilícita de
sufrágio, sobretudo porque de autoria indeterminada.
Na outra gravação de áudio e vídeo, também não se comprovou suposto transporte de eleitores no dia das eleições, pois não se
demonstrou envolvimento dos recorridos.

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A reforma do acórdão regional com base nos depoimentos indicados pela recorrente demandaria o reexame desse meio de
prova, pois o conteúdo dessas declarações não consta do aresto recorrido. Incide, na espécie, o obstáculo da Súmula 24/TSE.
De qualquer forma, as conclusões do TRE/PE sobre todo o conjunto fático-probatório não podem ser afastadas com base em
mero depoimento de pessoas interessadas no desfecho da causa e que apenas foram aceitas em juízo como simples
informantes.
A toda evidência, em razão da natureza objetiva da prova material consistente em documentos, fotografias, gravações de áudio
e vídeo e quebra de sigilo bancário, a força probante desses elementos não pode ser suplantada pelo subjetivismo e
parcialidade da prova oral, constituída por depoimento de pessoas vinculadas à candidatura adversária, filiados a partido
político da coligação recorrente ou detentores de cargo comissionado.
Prevalece, assim, o entendimento de que não existem provas de que os recorridos tenham adquirido ou distribuído camisetas
na cor verde às vésperas do pleito, comprado votos ou mesmo transportado eleitores no dia da eleição.
Com efeito, não havendo provas robustas e incontestes quanto à conduta em exame, não é possível reconhecer configurado
abuso de poder econômico ou captação ilícita de sufrágio por meras presunções (RO 1718-21/PB, Rel. Min. Napoleão Maia, DJE
de 28/6/2018; AgR-RO 8047-38/RJ, de minha relatoria, DJE de 28/2/2018; AgR-AI 546-18/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJE de
31/8/2016 e AgR-REspe 418-48/BA, Rel. Min. Luciana Lóssio, DJE de 4/4/2016; REspe 238-30/RS, Rel. Min. Henrique Neves, DJE
de 22/10/2015; AgR-RO 1675-89/RO, Rel. Min. João Otávio Noronha, DJE de 27/10/2015).
Por fim, a presente demanda não autoriza a cassação de registro ou diploma dos recorridos sob o enfoque do abuso de poder
econômico, vez que não se indicaram elementos minimamente indiciários da gravidade da conduta (requisito do
art. 22, XVI, da LC 64/90), como a quantidade de camisetas distribuídas, o valor gasto pelos recorridos ou o número de eleitores
beneficiados em contraste com a dimensão do Município.
À luz da jurisprudência desta Corte Superior, a gravidade da conduta
- consubstanciada na aptidão de desequilibrar a igualdade entre os candidatos e afetar a normalidade das eleições - precisa
estar demonstrada, de forma concreta, para a caracterização do abuso de poder, hipótese não verificada no caso concreto
(AgR-AI 322-48/MG, Rel. Min. Rosa Weber, DJE de 3/8/2018).
A conclusão do acórdão regional, portanto, não merece reparo.
Ante o exposto, nego seguimento ao recurso especial, nos termos do art. 36, § 6º, do RI-TSE.
Publique-se. Intimem-se. Reautue-se.
Brasília (DF), 26 de setembro de 2018.
MINISTRO JORGE MUSSI
Relator

AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 14-48.2018.6.00.0000 VARGINHA-MG 281ª Zona Eleitoral (VARGINHA)


AGRAVANTE: RÔMULO AZEVEDO RIBEIRO
ADVOGADOS: CHALFUN ADVOGADOS ASSOCIADOS - OAB: 1973/MG E OUTROS
AGRAVADO: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL
Ministro Geraldo Og Niceas Marques Fernandes
Protocolo: 2.124/2018

DECISÃO
AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. DEVOLUTIVIDADE RESTRITA. AUSÊNCIA DE
IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. NÃO DEMONSTRAÇÃO DOS DISPOSITIVOS VIOLADOS.
ÓBICES SUMULARES. AGRAVO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO.
Trata-se de agravo interposto por Rômulo Azevedo Ribeiro da decisão que inadmitiu o recurso especial manejado contra o
acórdão do TRE de Minas Gerais que deu parcial provimento ao recurso eleitoral interposto da sentença proferida pelo Juízo da
281ª Zona Eleitoral e fixou como termo a quo da extinção da punibilidade do agravante o dia 24.12.2015, data na qual se iniciou
o prazo de 8 anos relativo à incidência da causa de inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, 1, da LC nº 64/1990.
Rômulo Azevedo Ribeiro foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, nos autos da Ação Penal nº 3322-
62.2012.4.01.3809, à pena privativa de liberdade de 1 ano e 4 meses, substituída por 2 restritivas de direito, além do
pagamento de 10 dias-multa no patamar de 1 salário-mínimo, e foi determinada a perda do mandato eletivo de vereador, em
virtude da prática do crime capitulado no art. 168, § 1º, II, do Código Penal.

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Em decorrência de suposta certificação errônea do trânsito em julgado, foi proposta ação de revisão criminal, ocasião em que
foi concedida tutela antecipada para suspender a eficácia da sentença penal, no que tange à perda do mandato eletivo, até o
julgamento final da referida revisão.
Diante disso, o Juízo da 281ª Zona Eleitoral determinou a suspensão dos direitos políticos do agravante, nos termos do art. 15,
III, da Constituição, c/c o art. 51 da Res.-TSE no 21.538/2003.
Irresignado, o ora agravante manejou recurso eleitoral, ocasião em que o TRE de Minas Gerais deu-lhe provimento para
determinar que fosse cancelada a anotação da suspensão dos direitos políticos no cadastro eleitoral de Rômulo Azevedo
Ribeiro.
Informado, o Ministério Público Eleitoral interpôs recurso especial, no qual aduziu, em suma, que a suspensão dos direitos
políticos é decorrência automática da sentença criminal transitada em julgado, de certo que a existência de antecipação de
tutela que suspendeu a eficácia da sentença penal no que tange à perda do mandato eletivo de vereador não tem o condão de
afastar o disposto art. 15, III, da CF/88.
Analisado o apelo nobre, a eminente Ministra Maria Thereza de Assis Moura julgou-o prejudicado, devido à perda
superveniente do objeto, haja vista a concessão de indulto.
Na ocasião, ao ressaltar o entendimento desta Corte Superior de que "a extinção da punibilidade, pelo cumprimento das
condições do indulto, equivale, para fins de incidência da causa de inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, da LC no 64/90, ao
cumprimento da pena" (ED-AgR-REspe no 28.949/SP, rel. Min. Joaquim Barbosa, publicado na sessão de 16.12.2008),
esclareceu-se que a análise acerca da incidência ou não da LC nº 64/1990 não foi objeto do referido recurso especial.
Posteriormente, com base no entendimento desta Corte Superior retrocitado, o Juízo da 281ª Zona Eleitoral determinou o
registro do código ASE de inelegibilidade no cadastro eleitoral do ora agravante, haja vista que o crime pelo qual foi condenado
atrai a aplicação do disposto no art. 1º, I, e, 1, da LC nº 64/1990.
Interposto recurso eleitoral pelo ora agravante com vista a determinar o cancelamento da anotação de inelegibilidade, o
Regional deu-lhe parcial provimento apenas para retificar o termo a quo da extinção da punibilidade, o qual deveria
corresponder ao dia 24.12.2015, data na qual foi publicado o Decreto nº 8.615/2015, que concedeu o indulto ao ora agravante,
e termo inicial da contagem do prazo de inelegibilidade de 8 anos.
O referido acórdão está assim ementado (fl. 293):
Recurso eleitoral. Suspensão dos direitos políticos. Condenação criminal transitada em julgado. Indulto. Declaração de
inelegibilidade.
Preliminar. Intempestividade do recurso.
Não se tratando de ações eleitorais atinentes ao pleito de 2016, inaplicável o disposto no art. 16 da LC nº 64/90, que dispõe que
os prazos, no período eleitoral, são peremptórios e contínuos, não se suspendendo aos sábados, domingos e feriados.
Rejeitada.
Pretensão de suspensão da inelegibilidade decorrente do art. 10, I, "e", 1, da LC no 64/90, decorrente de crime tipificado no art.
168,
§ 1º, II, do Código Penal, que teve sua punibilidade extinta por indulto.
O c. Tribunal Superior Eleitoral, no julgamento do RMS nº 150-90.2013, entendeu que a extinção da punibilidade pelo indulto
equivale, para fins de incidência da causa de inelegibilidade, prevista no art. 10, I, "e", 1, da LC 64/90, ao cumprimento da pena.
Destarte, incide a inelegibilidade, desde a condenação, estendendo seus efeitos até o transcurso de oito anos após o
cumprimento da pena, no caso, a contar da data da publicação do indulto. O termo a quo da extinção da punibilidade deve ser
considerado o dia 24/12/2015.
Recurso a que se dá parcial provimento.
Opostos embargos de declaração, foram eles rejeitados pelo acórdão de fls. 327-330.
Ato contínuo, Rômulo Azevedo Ribeiro interpôs recurso especial, com base no art. 276, I, a, do CE (fls. 334-347), e alegou, em
suma, violação aos arts. 5º, II, da CF e 1º, I, e, 1, da LC nº 64/1990, ao argumento precípuo de que, se o presente caso não se
enquadra em nenhuma das hipóteses previstas na LC nº 64/1990, não se afigura possível a manutenção do lançamento do
código ASE de inelegibilidade em seu cadastro eleitoral.
Na ocasião, aduziu que o fundamento utilizado pelo Juízo de primeira instância para determinar a inscrição da inelegibilidade
em seu cadastro eleitoral - condenação por órgão colegiado pela prática do crime de apropriação indébita - não encontra
respaldo no art. 1º, I, e, 1, da LC nº 64/1990, na medida em que o referido delito "não é crime contra a economia popular [...];
não é crime contra a fé pública [...]; não é crime contra a administração pública [...]" ; e "não é crime contra o patrimônio
público" (fls. 343).
Também afirmou que a mencionada condenação é objeto de revisão criminal em trâmite no TRF da 1ª Região, motivo pelo qual
pleiteou a reforma da decisão que determinou o registro da inelegibilidade em seu cadastro até o julgamento final da referida
revisão por aquela Corte.

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A Presidência do TRE de Minas Gerais negou seguimento ao recurso especial, ao argumento de que inexiste a alegada violação a
lei, na medida em que se constatou que o ora agravante foi condenado pelo TRF da 1ª Região pela prática do crime de
apropriação indébita, previsto no art. 168 do Código Penal, o que atraiu a incidência da causa de inelegibilidade disposta no
item 2 da alínea e do inciso I do art. 1º da LC no 64/1990.
Sobreveio, assim, a interposição do presente agravo (fls. 362-368), no qual o agravante reitera os argumentos expostos no
apelo especial de que o crime de apropriação indébita não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no art. 1º, I, e, 1,
da LC nº 64/1990.
Esclarece que (fl. 365):
[...] a decisão que se busca reforma é aquela da lavra do MM. Juiz Eleitoral de Varginha, Minas Gerais, que determinou o
lançamento de inelegibilidade com fulcro no art. 1º, inciso I, alínea "e" , item 01 da Lei Complementar no 64/90.
[...] Contudo, ao apreciar o recurso especial interposto o Ilmo. Desembargador afirmou ser aplicável o item 02 da alínea "e" , do
inciso I do art. 1º da Lei 64/90, sendo essa verdadeira inovação.
Nesse norte, aduz que (fl. 367v.):
[...] o presente caso não se enquadra na hipótese apontada pelo Meritíssimo Juiz a quo, ou seja, não enseja a inelegibilidade
para qualquer cargo público [...].
E defende que (fl. 367v.):
[...] permitir a modificação da fundamentação da decisão recorrida, mantendo o dispositivo inalterado nesta fase processual,
caracterizará verdadeiro cerceamento de defesa, vez que o atual posicionamento, aplicabilidade do item 02 e não 01 como
utilizado pelo MM. Juiz a quo, não fora objeto dos recursos interpostos.
Ao final, requer o conhecimento e o provimento do agravo, de forma a viabilizar o regular processamento do recurso especial.
O MPE apresentou contrarrazões ao agravo e ao recurso especial (fls. 370-373).
A Procuradoria-Geral Eleitoral, por meio do parecer de fls. 376-382, pronunciou-se pelo não conhecimento do agravo e, caso
conhecido, pelo seu desprovimento.
É o relatório.
Verifico a tempestividade do agravo. A decisão agravada foi publicada no DJe de 12.3.2018, segunda-feira (fl. 361v.), e o prazo
recursal teve início em 13.3.2018, terça-feira. O presente agravo foi interposto em 14.3.2018, quarta-feira (fls. 362), de forma,
portanto, tempestiva. Por outro lado, a petição foi subscrita por advogada devidamente constituída nos autos (fls. 17 e 355) e
há interesse e legitimidade.
A despeito das razões apresentadas pelo agravante, não logra êxito a sua insurgência.
Inicialmente, não merece reparos o fundamento da decisão agravada de que "não há argumentos que permitem dar trânsito ao
especial com base na alegada violação à lei" (fl. 361).
Depreende-se da decisão agravada que a determinação de anotação de inelegibilidade no cadastro eleitoral do agravante
decorreu da incidência da causa de inelegibilidade disposta no item 2 da alínea e do inciso I do art. 1º da LC nº 64/1990, haja
vista que o delito pelo qual foi condenado pelo TRF da 1ª Região - apropriação indébita, capitulado no art. 168 do CP - trata de
crime contra o patrimônio privado.
Confiram-se, para tanto, os seguintes excertos do aresto regional que apreciou os embargos de declaração opostos ao acórdão
recorrido (fl. 329):
Este Regional entendeu, em síntese, que o embargante encontra-se inelegível por haver cometido o crime de apropriação
indébita, tipificado no art. 168 do CP, crime contra o patrimônio privado, incidindo no item 2 da alínea "e" do inciso I do art. 1º
da LC nº 64/90. Ao contrário do alegado pelo embargante, o acórdão não afirmou que a causa de sua inelegibilidade advém do
cometimento de crime contra a economia popular.
Destacou-se, inclusive, decisão do c. Tribunal Superior Eleitoral, no julgamento do RMS 150-90.2013, oportunidade em que a
Corte Superior entendeu que a extinção da punibilidade pelo indulto equivale, para fins de incidência da causa de inelegibilidade
prevista no art. 1º, I, "e" , 1, da LC nº 64/90, ao cumprimento da pena (Relatora: Luciana Lóssio). Cito outros julgados do TSE,
com entendimento similar: ARESPE 23.963/SP/2004, Relator: Ministro Gilmar Mendes e ED-AgR-Respe 28949/SP/2008, Relator:
Ministro Joaquim Barbosa.
Por fim, seus direitos políticos foram restabelecidos, não havendo que se falar em qualquer omissão quanto à questão.
O agravante insiste na tese de que o fundamento utilizado pelo Juízo de primeira instância para determinar o lançamento do
código ASE de inelegibilidade em seu cadastro não se aplica à hipótese dos autos, na medida em que o crime de apropriação
indébita não se amolda à causa de inelegibilidade prevista no art. 1º, inciso I, alínea e, item 1, da LC nº 64/1990.
Aduz que a conclusão da Corte Regional de que incide na espécie a causa da inelegibilidade contida no item 2 da alínea e do
inciso I do art. 1º da LC nº 64/1990 caracterizou cerceamento de defesa, haja vista que, por constituir fundamento novo, não
teve a oportunidade de se defender sobre este argumento ao longo do processo.

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Ora, ao analisar o acórdão recorrido, noto que o Tribunal Regional expressamente tratou do tema quando analisado o recurso
eleitoral manejado contra a decisão proferida pelo Juízo de primeira instância que determinou o lançamento do multicitado
código ASE de inelegibilidade no cadastro eleitoral de Rômulo Azevedo Ribeiro, ocasião em que deliberou por que fosse
retificado o fundamento utilizado para a referida anotação administrativa, haja vista se tratar de mero erro material.
Para tanto, confira-se o seguinte trecho do voto-vista proferido pelo juiz Antônio Augusto Mesquita Fonte Boa, cujo
entendimento foi incorporado ao acórdão regional (fls. 303-305):
É de se notar que o recorrente, que ora se insurge contra a anotação de inelegibilidade, incidente após a extinção da
punibilidade por indulto decretado em 24/12/2015, o faz reclamando a observância da "autoridade da decisão" de fls. 79/93 e
citando trechos de meu voto, então proferido.
[...].
Assim, deve ser mantido o lançamento da inelegibilidade, conforme indicado pelo i. Relator, tendo por termo inicial a data do
decreto de indulto, a saber, 24/12/15.
Faço, contudo, uma retificação, plenamente possível, por se tratar de erro material em anotação administrativa: o crime de
apropriação indébita, tipificado no art. 168 do CP, é crime contra o patrimônio privado, o que remete à incidência do item 2, da
alínea "e" ; do inciso I, do art. 1º, da LC nº 64/90, e, não, ao seu item 1.
Com essas considerações, acompanho o voto do Relator, para dar parcialmente provimento ao recurso, de modo a fixar como
termo a quo da extinção da punibilidade do recorrente o dia 24/12/2015, permanecendo inelegível pelos 8 (oito) anos
subsequentes, e retificar os termos do lançamento para que seja informado o art. 1º, I, 2, da LC nº 64/90.
É como voto.
O JUIZ RICARDO MATOS DE OLIVEIRA - Sr. Presidente, pela ordem.
Gostaria de aderir ao destaque feito pelo eminente Juiz Antônio Augusto Mesquita Fonte Boa. De fato, tratou-se de erro
material e passou desapercebido por mim. Peço escusas à Corte.
O DES. PEDRO BERIVARDES DE OLIVEIRA - Acompanho o eminente Relator.
O JUIZ PAULO ROGÉRIO ABRANTES - Sr. Presidente, pela ordem. Também estou aderindo a retificação feita pelo Relator.
O JUIZ CARLOS ROBERTO DE CARVALHO - Acompanho o eminente Relator.
O JUIZ RICARDO TORRES OLIVEIRA - Com o Relator.
No ponto, insta ressaltar que a jurisprudência pacífica deste Tribunal Superior entende que a existência de erro material no
julgado pode ser reconhecida inclusive de ofício pelo relator, hipótese dos autos.
A título ilustrativo, cito o seguinte precedente:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CORREÇÃO, EX OFFICIO, DE ERRO MATERIAL. POSSIBILIDADE.
I - Inexatidões materiais são passíveis de correção de oficio, sendo, portanto, correta a retificação da proclamação do
julgamento, quando constatada a falta de correspondência com a fundamentação desenvolvida no voto condutor (EDcl no REsp
nº 150.081/RJ, rel. Min. Felix Fischer, julgado em 16/3/1999).
II - Embargos de declaração rejeitados.
(REspe nº 346-27/PR, rel. Min. Fernando Gonçalves, DJe de 18.6.2009)
Portanto, observo que o acórdão combatido, além de examinar de forma detida a questão versada nos autos, assentou
expressamente que a hipótese ventilada amolda-se à causa de inelegibilidade prevista no art. 1º, inciso I, alínea e, item 2, da LC
nº 64/1990, motivo pelo qual, constatado o erro material no que tange ao dispositivo utilizado para fundamentar a decisão que
determinou a anotação de inelegibilidade no cadastro eleitoral do agravante, foi necessário proceder à retificação para indicar
corretamente a causa de inelegibilidade aplicável à espécie.
De outro giro, o apelo nobre interposto foi inadmitido pelo Presidente da Corte a quo por padecer de deficiência na
fundamentação, em especial por não se amoldar a pretensão recursal à hipótese de afronta à lei alegada pelo agravante. Na
ocasião da negativa de seguimento do recurso especial, destacou-se o seguinte (fl. 361):
O recorrente alega violação aos arts. 5º, inc. II, da Constituição Federal e 1º, inc. I, al. "e" , da LC no 64/90, ao argumento de que
o presente caso não se enquadra em nenhuma das hipóteses legais e taxativas de inelegibilidade.
Contudo, extrai-se do acórdão dos embargos de declaração que o recorrente "encontra-se inelegível por haver cometido o
crime de apropriação indébita, tipificado no art. 168 do CP, crime contra o patrimônio privado, que incide no item 2 da alínea
"e" do inciso I do art. 1º da LC no 64/90. Transcrevo, por oportuno, trecho do acórdão recorrido que esclarece a questão, f.
329:
[...]
Verifica-se dos autos que ocorreu a extinção da punibilidade do recorrente por indulto, que seus direitos políticos foram
restabelecidos e que, segundo entendimento do c. TSE, à semelhança do cumprimento da pena, iniciou-se a contagem do prazo

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de 8 (oito) anos de inelegibilidade em 24/12/2015.


Assim, da leitura da decisão impugnada e das razões recursais, conclui-se que não há argumentos que permitem dar trânsito ao
especial com base na alegada violação à lei.
Pois bem. Da análise das razões do agravo, verifico que a parte se limitou a reiterar as alegações constantes do recurso especial
de
fls. 334-347 inadmitido - violação aos arts. 5º, II, da CF e 1º, I, e, 1, da LC
nº 64/1990 - e não rebateu, como lhe competia, os fundamentos da decisão impugnada transcrita anteriormente.
De acordo com o parecer ministerial, o agravo não merece prosperar, tendo em vista que o agravante não se desincumbiu do
ônus de atacar especificamente os fundamentos que motivaram a inadmissão do apelo nobre, consubstanciados na
constatação de que a extinção da punibilidade do crime de apropriação indébita se deu com base no art. 1º, inciso I, alínea e,
item 2, e não no item 1, bem como no fato de que o início da contagem do prazo de 8 anos de inelegibilidade se deu em
24.12.2015. No ponto, o ilustre Vice-Procurador-Geral Eleitoral destacou o seguinte (fls. 379-380):
14. De início, ressalta à leitura das razões da presente irresignação, que seu teor constitui reprodução quase integral do especial
ao qual pretende conferir trânsito.
15. Essa particular circunstância evidencia, por si só, o comprometimento da regularidade formal deste agravo, bem ainda a
inobservância do postulado da dialeticidade, o que constitui óbice suficiente ao seu processamento.
16. Cabe assinalar que o mero reprisamento das razões do especial revela, ainda, a ausência de impugnação aos principais
fundamentos da decisão agravada, consistentes no fato de que: (i) a extinção da punibilidade do crime de apropriação indébita
se deu com fundamento no art. 1º, inciso I, alínea "e, item 2 e não no item 1, bem como que (ii) o prazo para a contagem do
prazo de 08 (oito) anos de inelegibilidade teve início em 24/12/2015.
17. Com efeito, as alegadas violações aos artigos 1º, inciso I, alínea "e" , da Lei Complementar nº 64/90 e 5º, inciso II, da
Constituição da República, têm por premissa fática comum a incidência de inelegibilidade, como bem pontuou a decisão
agravada (fls. 361):
[...]
18. Significa dizer, portanto, que a parte agravante não impugnou, de modo explícito, a conclusão a que chegou o Tribunal a
quo, no sentido de que o agravante foi condenado por crime contra o patrimônio privado (item 2 da alínea "e" do inciso I do
art. 1º, da Lei Complementar nº 64/1990) e que, apesar de concedido indulto, a contagem do prazo de 8 (oito) anos de sua
inelegibilidade iniciou-se com o trânsito em julgado da decisão. Ateve-se a afirmar apenas que a sentença suspendeu seus
direitos políticos com fulcro artigo 1º, inciso I, alínea "e" , item 1, da Lei Complementar nº 64/90 e não no item 2.
19. Assim, a ausência de enfrentamento específico do principal fundamento do pronunciamento recorrido, configura
irregularidade formal, porquanto não tem o condão de afastar a motivação apresentada pelo juízo primeiro de admissibilidade.
20. Nesse contexto, é impossível a compreensão da controvérsia, o que inviabiliza a abertura da via especial, nos termos do
enunciado nº 26 da Súmula do Tribunal Superior Eleitoral, segundo o qual "é inadmissível o recurso que deixa de impugnar
especificamente fundamento da decisão recorrida que é, por si só, suficiente para a manutenção desta" .
Assim, na linha da pacífica jurisprudência desta Corte Superior, por não ter o agravante explanado de forma escorreita
nenhuma justificativa que pudesse ensejar a reforma da decisão agravada, é de rigor sua manutenção. Confira-se, a propósito, o
seguinte precedente desta Corte:
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE CONTAS DE PARTIDO POLÍTICO. EXERCÍCIO FINANCEIRO
DE 2010. FALTA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA 182
DO STJ. VÍCIOS INSANÁVEIS. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DO CONJUNTO PROBATÓRIO. DECISÃO MANTIDA POR SEUS
PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. DESPROVIMENTO.
1. O ônus de impugnar os fundamentos da decisão que obstaram o regular processamento do seu agravo é do agravante, sob
pena de subsistirem as conclusões do decisum monocrático, nos termos do enunciado da Súmula 182/STJ, segundo a qual é
inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada. Precedentes:
AgR-AI 220-39/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, DJe 26.8.2013, e AgR-AI 134-63/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, DJe 3.9.2013.
2. O princípio da dialeticidade recursal impõe ao recorrente o ônus de evidenciar os motivos de fato e de direito capazes de
infirmar todos os fundamentos do decisum que se pretende modificar, sob pena de vê-lo mantido por seus próprios
fundamentos.
[...].
5. Agravo regimental desprovido.
(AgR-AI 231-75/MG, rel. Min. Luiz Fux, DJe de 2.8.2016)
Dessa forma, constato que o agravante não explanou de forma escorreita nenhuma justificativa que pudesse ensejar a reforma
da decisão monocrática, uma vez que não rebateu, como lhe competia, os fundamentos da decisão agravada. Portanto, é de
rigor a aplicação do enunciado nº 26 da Súmula do TSE, segundo o qual "é inadmissível o recurso que deixa de impugnar

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especificamente fundamento da decisão recorrida que é, por si só, suficiente para a manutenção desta" .
Assim, verifico que, por qualquer lado que se analise, não há como prosperar as alegações do agravante.
Ante o exposto, com base no § 6º do art. 36 do Regimento Interno do Tribunal Superior Eleitoral, nego seguimento ao agravo.
Publique-se. Intimem-se.
Brasília, 27 de setembro de 2018.
Ministro Og Fernandes
Relator

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 12-83.2012.6.09.0147 GOIÂNIA-GO 147ª Zona Eleitoral (GOIÂNIA)


RECORRENTE: UNIÃO
ADVOGADA: ISADORA CANEZIN GUIMARÃES, PROCURADORA DA FAZENDA NACIONAL - OAB: 24341/GO
RECORRIDO: SEBASTIÃO DE SOUZA ALMEIDA
ADVOGADO: CÉLIA DO NASCIMENTO - OAB: 886/GO
Ministro Jorge Mussi
Protocolo: 3.108/2018

RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. DÍVIDA ATIVA. MULTA ELEITORAL. PRAZO PRESCRICIONAL. DEZ ANOS. ART. 205 DO CÓDIGO
CIVIL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INCIDÊNCIA. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.
1. Multa eleitoral configura dívida ativa de natureza não tributária, sujeita ao prazo prescricional de dez anos (art. 205 do
Código Civil). Precedentes.
2. A teor do art. 40, §§ 2º e 4º, da Lei 6.830/80, findo o lapso de um ano de suspensão da execução, inicia a fluir,
automaticamente, o prazo prescricional. Tese reafirmada pela
1ª Seção do c. Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo
- REsp 1.340.553/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12/9/2018.
3. No caso, na linha do parecer da d. Procuradoria-Geral Eleitoral, forçoso reconhecer a prescrição intercorrente, pois o decisum
que ordenou a suspensão do processo deu-se em 29/8/2006, escoando-se o prazo decenal em 30/8/2017.
4. Recurso especial a que se nega seguimento.
DECISÃO
Trata-se de recurso especial interposto pela União contra acórdão assim ementado (fl. 246):
AGRAVO INTERNO EM RECURSO ELEITORAL EM EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. OCORRÊNCIA. CRÉDITO DE
NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. DECURSO DO PRAZO DE UM ANO DE FORMA AUTOMÁTICA. DESNECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DA
FAZENDA PÚBLICA. COMPENSAÇÃO UNILATERAL DE DÉBITOS NÃO TRIBUTÁRIOS COM CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
IMPOSSIBILIDADE. RECURSO ELEITORAL NÃO CONHECIDO. DECISÃO MONOCRÁTICA MANTIDA. DESPROVIMENTO DO AGRAVO
INTERNO.
1. Aplicável à espécie a súmula 314 do STJ que firma o entendimento de que o prazo da prescrição quinquenal intercorrente
inicia um ano após a suspensão do processo executivo, quando não localizados bens penhoráveis.
2. Interpretando a própria súmula, o STJ consolidou o entendimento de que é desnecessária a intimação da Fazenda Pública da
suspensão da execução, bem como do ato de arquivamento, o qual decorre do transcurso do prazo de um ano da suspensão
automaticamente.
3. Os sucessivos despachos concedendo novas suspensões da marcha processual não têm o condão de interromper novamente
a prescrição.
4. Não encontra amparo legal a compensação unilateral de débitos não tributários com créditos tributários (saldo a restituir do
IRRF), conforme exegese do art. 54 da Lei 4.320/64 e art. 74, §12, I, "e" , da Lei 9.430196.
5. Agravo Interno conhecido e desprovido.
Na origem, cuida-se de execução fiscal de dívida ativa manejada pela recorrente para cobrança de multa eleitoral estabelecida
em desfavor de Sebastião de Souza Almeida em sede de representação por propaganda extemporânea.
Em primeiro grau, reconheceu-se, de ofício, a prescrição intercorrente, haja vista o transcurso de mais de cinco anos desde a
data em que se expirou o prazo da primeira suspensão do processo.

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A sentença foi mantida por unanimidade pelo TRE/GO.


Seguiu-se recurso especial da União, em que se alegou ofensa ao
art. 40 da Lei 8.630/80 e dissídio pretoriano, sob os seguintes fundamentos
(fls. 261-271):
a) "a prescrição intercorrente se caracteriza quando o processo executivo fica paralisado, em qualquer impulso processual pelo
credor, por prazo superior ao previsto para a prescrição da pretensão" (fl. 266);
b) "na hipótese dos autos, não há que se falar em prescrição intercorrente porque a Fazenda Nacional não se manteve inerte na
busca da satisfação do seu direito, tendo impulsionado, tempestivamente, o executivo fiscal, razão pela qual não poderá ser
penalizada com a extinção do processo e, consequentemente, do seu crédito" (fls. 267-268);
c) "não houve paralisação do processo pelo prazo de 5 (cinco) anos"
(fl. 268), porquanto a Fazenda Nacional requereu diligências contínuas no feito em 2005, 2007, 2009 e 2012, tendo, apenas em
2017, requerido a suspensão do prazo com base no Regime Diferenciado de Cobrança de Crédito - RDCC (art. 20 da Portaria
PGFN 396).
Sem contrarrazões, conforme certidão de folha 278.

A d. Procuradoria-Geral Eleitoral opinou pelo desprovimento do recurso (fls. 281-283).


É o relatório. Decido.
Conforme relatado, o TRE/GO manteve sentença em que se reconheceu, de ofício, a prescrição quinquenal intercorrente em
execução de dívida ativa manejada pela Fazenda Nacional para cobrança de multa imposta em representação por propaganda
extemporânea, consignando o seguinte panorama fático:
a) em decisão datada de 29/8/2006, suspendeu-se o processo por um ano, e, por conseguinte, o prazo prescricional;
b) após o transcurso desse lapso, iniciou-se a contagem do prazo da prescrição quinquenal intercorrente, que se consumou em
30/8/2012.
Retirem-se excertos do aresto a quo, de onde se extraem as particularidades do caso (fls. 248-249):
O presente feito é de longa data: a execução fiscal foi proposta em 11/05/2005. Com a regular citação do executado, a
prescrição foi interrompida, voltando a correr novamente. Ocorre que, em razão das infrutíferas tentativas de localizar bens
penhoráveis para saldar o crédito, e atendendo a requerimento da Procuradoria da Fazenda Nacional, foi deferida, em decisão
datada de 29/08/2006, a suspensão do processo pelo prazo de um ano, a teor do art. 40, caput, da Lei 6.830/80, suspendendo-
se, por conseguinte, o prazo prescricional. [...]
Como dito, a decisão que deferiu a suspensão do feito foi prolatada em 29/08/2006, de modo que, após o prazo de um ano,
iniciou-se de forma automática a contagem do prazo da prescrição quinquenal intercorrente, consumando-se em 30/08/2012.
(sem destaques no original)
A União insurge-se contra tal desfecho, alegando, em síntese, que não se manteve inerte na busca da satisfação do crédito,
tendo impulsionado o processo por diversas vezes, o que afastaria, em seu entender, a prescrição intercorrente.
Todavia, razão não lhe assiste.
Como bem pontuou o TRE/GO, consoante os §§ 2º e 4º do art. 40 da
Lei 6.830/80, findo o prazo de um ano de suspensão, inicia-se, automaticamente, o prazo prescricional aplicável (de acordo com
a natureza do crédito exequendo). Veja-se o dispositivo:
Art. 40. O Juiz suspenderá o curso da execução, enquanto não for localizado o devedor ou encontrados bens sobre os quais
possa recair a penhora, e, nesses casos, não correrá o prazo de prescrição. [...]
2º Decorrido o prazo máximo de 1 (um) ano, sem que seja localizado o devedor ou encontrados bens penhoráveis, o Juiz
ordenará o arquivamento dos autos.
§ 4º Se da decisão que ordenar o arquivamento tiver decorrido o prazo prescricional, o juiz, depois de ouvida a Fazenda Pública,
poderá, de ofício, reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la de imediato. [...]
(sem destaques no original)
Essa tese foi reafirmada pela 1ª Seção do c. Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo - REsp 1.340.553/RS, Rel.
Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12/9/2018.
É indiferente o fato de a Fazenda Pública ter peticionado por inúmeras vezes requerendo diligências diversas, pois o ato
inaugural da prescrição, repita-se, é o fim do prazo de suspensão do processo, salvo se sobrevier causa interruptiva, o que,
todavia, a partir da moldura regional, não ocorreu na espécie. Veja-se (fl. 250v):

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Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 2 1

Em arremate, considerando não existir na presente ação executiva qualquer marco interruptivo, há que ser reconhecida a
prescrição intercorrente, motivo pelo qual mantenho os fundamentos da decisão agravada.
(sem destaques no original)
Cabe, por fim, uma observação.
O TRE/GO reconheceu incidir, na hipótese, a prescrição quinquenal. Contudo, a teor da jurisprudência desta Corte, "a multa
eleitoral configura dívida ativa de essência não tributária, sujeita ao prazo prescricional do art. 205 do Código Civil, qual seja, 10
(dez) anos" (AgR-REspe 55-18/PA, Rel. Min. Luiz Fux, DJE de 7/8/2017).
Todavia, na linha do parecer da d. Procuradoria-Geral Eleitoral, mesmo
adotando-se o prazo decenal, forçoso reconhecer a prescrição intercorrente, pois transcorridos mais de dez anos depois de
findo o prazo da suspensão do processo a que alude o art. 40 da Lei 6.830/80. Transcreva-se trecho do opinativo ministerial (fl.
283):
Portanto, requerida a suspensão do feito em 29/8/2006, após o prazo de um ano, iniciou-se de forma automática a contagem
do prazo prescricional. E, ainda que se considere que a prescrição intercorrente, nos feitos eleitorais, é de dez anos, esta
consumou-se em 30/8/2017.
(sem destaque no original)
Desse modo, o acórdão regional não merece reparo.
Ante o exposto, nego seguimento ao recurso especial, nos termos do art. 36, § 6º, do RI-TSE.
Publique-se. Intimem-se.
Brasília (DF), 1º de outubro de 2018.
MINISTRO JORGE MUSSI
Relator

AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 506-68.2016.6.19.0198 ITATIAIA-RJ 198ª Zona Eleitoral (RESENDE)


AGRAVANTE: EDUARDO SANCLER JACOB DO AMARAL
ADVOGADO: RICARDO RABELO MACEDO - OAB: 91414/RJ
Ministro Jorge Mussi
Protocolo: 4.210/2018

AGRAVO. RECURSO ESPECIAL. ELEIÇÕES 2016. CONTAS DE CAMPANHA DESAPROVADAS. FUNDAMENTO NÃO INFIRMADO.
SÚMULA 26/TSE. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.
1. "É inadmissível o recurso que deixa de impugnar especificamente fundamento da decisão recorrida que é, por si só, suficiente
para a manutenção desta" (Súmula 26/TSE).
2. No caso, o agravante não infirmou, de modo específico, fundamento do decisum agravado de que o recurso é inadmissível
por incidência da Súmula 27/TSE.
3. Agravo a que se nega seguimento.
DECISÃO
Trata-se de agravo interposto por Eduardo Sancler Jacob do Amaral, candidato não eleito ao cargo de prefeito do Município de
Itatiaia nas Eleições 2016, contra decisum da Presidência do TRE/RJ em que se inadmitiu recurso especial manejado em
detrimento de aresto proferido em sede de prestação de contas de campanha.
A d. Procuradoria-Geral Eleitoral opinou pelo não conhecimento do agravo (fls. 358-359).
É o relatório. Decido.
Consoante a Súmula 26/TSE, "é inadmissível o recurso que deixa de impugnar especificamente fundamento da decisão
recorrida que é, por si só, suficiente para a manutenção desta" .
No caso dos autos, o agravante não infirmou, de modo específico, fundamento do decisum agravado de que o recurso é
inadmissível por incidência da Súmula 27/TSE, visto que não indicados dispositivos supostamente ofendidos das Leis 9.504/97 e
4.737/65, bem como de indefinida resolução desta Corte Superior.

Ante o exposto, nego seguimento ao agravo, nos termos

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do art. 36, § 6º, do RI-TSE.


Publique-se. Intimem-se.
Brasília (DF), 1º de outubro de 2018.
MINISTRO JORGE MUSSI
Relator

PUBLICAÇÃO Nº 282/2018/SEPROC2/CPRO/SJD

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 726-58.2016.6.20.0030 GUAMARÉ-RN 30ª Zona Eleitoral (MACAU)


RECORRENTE: WILDEMBERG WILLIAN DE MACÊDO BEZERRA
ADVOGADOS: FÁBIO LUIZ MONTE DE HOLLANDA - OAB: 12555-B/RN E OUTRO
RECORRIDO: PODEMOS (PODE) - MUNICIPAL
ADVOGADO: NILO FERREIRA PINTO JÚNIOR - OAB: 2437/RN
Ministro Jorge Mussi
Protocolo: 6.067/2018

DESPACHO
Determino o desentranhamento dos documentos indicados pela Secretaria Judiciária à folha 462, formando-se anexo, em
observância ao disposto no art. 7º da Res.-TSE 23.326/2010.
Após, encaminhem-se os autos à d. Procuradoria-Geral Eleitoral para emissão de parecer, nos termos do § 1º do art. 269 do
Código Eleitoral.
Publique-se. Intimem-se.
Brasília (DF), 27 de setembro de 2018.
MINISTRO JORGE MUSSI
Relator

Coordenadoria de Processamento - Seção de Processamento III

Intimação

PUBLICAÇÃO DE INTIMAÇÃO Nº 226/2018 - SEPROC3

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 14-42.2016.6.17.0001 RECIFE-PE 1ª Zona Eleitoral (RECIFE)
AGRAVANTE: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL
AGRAVADO: ROMERO LIMA BEZERRA DE ALBUQUERQUE
ADVOGADOS: GABRIELA ROLLEMBERG DE ALENCAR - OAB: 25157/DF E OUTROS

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Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto


Protocolo: 3.044/2018

Fica intimado o Agravado, por seus advogados, para, querendo, apresentar contrarrazões ao AGRAVO REGIMENTAL NO
RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 14-42.2016.6.17.0001, no prazo de 3 (três) dias.
Daniel Vasconcelos Borges Netto
Coordenador de Processamento

PUBLICAÇÃO DE INTIMAÇÃO Nº 225/2018 - SEPROC3

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 132-70.2016.6.06.0018 TARRAFAS-CE 18ª Zona Eleitoral
(ASSARÉ)
AGRAVANTE: ANTÔNIO ALVES DE OLIVEIRA
ADVOGADOS: VICENTE BANDEIRA DE AQUINO NETO - OAB: 9665/CE E OUTROS
AGRAVADA: COLIGAÇÃO VONTADE DO POVO
ADVOGADOS: FRANCISCO IONE PEREIRA LIMA - OAB: 4585/CE E OUTROS
Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto
Protocolo: 891/2017

Fica intimada a Agravada, por seus advogados, para, querendo, apresentarem contrarrazões ao AGRAVO REGIMENTAL NO
RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 132-70.2016.6.06.0018, no prazo de 3 (três) dias.
Daniel Vasconcelos Borges Netto
Coordenador de Processamento

Decisão monocrática

PUBLICAÇÃO DE DECISÃO Nº 170/2018 - SEPROC3

AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 22-80.2017.6.10.0000 SÃO LUÍS-MA


AGRAVANTE: PARTIDO REPUBLICANO PROGRESSISTA (PRP) - ESTADUAL
ADVOGADOS: RONALDO HENRIQUE SANTOS RIBEIRO - OAB: 7402/MA E OUTRA
Ministro Admar Gonzaga
Protocolo: 4.410/2018

DECISÃO
O Diretório Estadual do Partido Republicano Progressista (PRP) interpôs agravo (fls. 143-162) em face da decisão do Presidente
do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (fls. 135-139) que negou seguimento ao recurso especial (fls. 115-133), manejado
em desfavor do acórdão daquele Tribunal (fls. 51-58), o qual, por unanimidade, desaprovou a prestação de contas partidárias
das eleições de 2016 e aplicou a sansão de perda do direito ao recebimento de quotas do fundo partidário pelo prazo de 6
meses, nos termos do art. 68, III, c.c. o § 3º, da Res.-TSE 23.463.
Eis a ementa do acórdão regional (fls. 51-52):
PRESTAÇÃO DE CONTAS. ELEIÇÕES 2016. PARTIDO POLÍTICO. OMISSÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS PARCIAL. ENTREGA DE
PRESTAÇÃO DE CONTAS FINAL EXTEMPORÂNEA. IRREGULARIDADES FORMAIS. NÃO ABERTURA DA CONTA BANCÁRIA DE
CAMPANHA. AUSÊNCIA DE EXTRATOS BANCÁRIOS. DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS. DESAPROVAÇÃO DAS CONTAS. PERDA DE
COTA DO FUNDO PARTIDÁRIO DO ANO SEGUINTE.
1. A omissão quanto à entrega da prestação de contas parcial, bem como do envio da prestação de contas final de campanha
fora do prazo estabelecido na Res. TSE nº 23.463/2015, constituem irregularidades formais que não comprometem a análise

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das contas, ensejando apenas a ressalva na sua aprovação.


2. A abertura da conta bancária específica de campanha e a apresentação dos respectivos extratos consolidados e definitivos,
abrangendo todo o período da campanha eleitoral, são medidas obrigatórias para que a Justiça Eleitoral verifique a ausência ou
não de movimentação financeira do Partido, conforme se extrai da leitura do art. 7º, caput, em combinação com o art. 48, II,
"a" , todos da Resolução TSE nº 23.463/2015.
3. Contas desaprovadas e consequente perda do direito ao recebimento da cota do Fundo Partidário do ano seguinte, pelo
prazo de 6 (seis) meses, tendo em vista a gravidade das irregularidades, nos termos do art. 68, III c/c §§3º e 5º, da Res. TSE nº
23.463/2015.
Opostos embargos de declaração (fls. 63-83), foram eles rejeitados, por acórdão assim ementado (fls. 99-100):
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO COM EFEITOS MODIFICATIVOS EM PRESTAÇÃO DE CONTAS DE CAMPANHA. PARTIDO POLÍTICO.
ALEGAÇÃO DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS. RES. TSE 23.463/2015 APLICÁVEL À ESPÉCIE. PRETENSÃO
DE REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE. CONHECIMENTO E DESPROVIMENTO.
1. Não há omissão no Acórdão embargado quanto a fundamentos apresentados pela defesa, tampouco contradição ao afirmar
que não houve manifestação quanto às irregularidades apontadas, simplesmente porque a defesa/manifestação não esclareceu
as irregularidades detectadas, se limitando a elencar os documentos já juntados aos autos e que estavam incompletos.
2. A decisão embargada não apenas cita o ato normativo, mas também explica o motivo da aplicação da sanção de suspensão
do recebimento das cotas do Fundo Partidário do ano seguinte, pelo prazo de 6 (seis) meses, qual seja: consequência pela
desaprovação das contas de campanha do embargante e pela gravidade das irregularidades, nos termos do art. 68, III c/c §§3º e
5º, da Res. TSE nº 23.463/2015. Não havendo omissão no acórdão embargado, quanto a essa alegação.
3. A norma específica que rege a arrecadação e os gastos de recursos por partidos políticos e candidatos e sobre a prestação de
contas nas eleições de 2016 é a Res. TSE nº 23.463/2015, aplicada ao presente caso. E a sanção de suspensão do recebimento
das cotas do Fundo Partidário, está vigente e disposta nos já citados
§§ 3º e 5º do art. 68 desta Resolução, como consequência pela desaprovação das contas de campanha de partido.
4. Os presentes Embargos de Declaração apenas retratam o inconformismo do Embargante com a decisão combatida, tentando
rediscutir matéria já superada.
5. Não havendo no corpo do acórdão vícios que devam ser sanados pela via declaratória, impõe-se o seu desprovimento.
6. Embargos de declaração conhecidos e desprovidos
O agravante sustenta, em suma, que:
a) há violação aos arts. 5º, XXXV, 93, IX, da Constituição Federal, 489, § 1º, e 1.022 do Código de Processo Civil, pois o acórdão
alusivo ao julgamento dos embargos de declaração foi contraditório e omisso, não tendo a Corte de origem se manifestado a
respeito da juridicidade e da relevância dos documentos juntados pelo agravante na prestação de contas, oportunidade na qual
sanou as irregularidades apontadas pelo TRE, reputando-se a decisão embargada como não fundamentada;
b) houve contrariedade à redação conferida pela Lei 13.165/2015 ao art. 37 da Lei 9.096/95, que aboliu a sanção de suspensão
do repasse de quotas do fundo partidário, devendo tal entendimento trazido pelo novo diploma, mais benéfico à agremiação
partidária, ser aplicado retroativamente, nos moldes da teoria geral do direito penal.
Postula o conhecimento e o provimento do apelo, a fim de que sejam anulados ou reformados os acórdãos regionais.
A Procuradoria-Geral Eleitoral, no parecer às fls. 175-177, opinou pelo não conhecimento do agravo.
É o relatório.
Decido.
O agravo é tempestivo. A decisão agravada foi publicada no DJE em 14.5.2018, segunda-feira (fl. 140), e o apelo foi interposto
em 17.5.2018, quinta-feira (fl. 143), em peça subscrita por advogado habilitado nos autos (procuração à fl. 37).
Na decisão agravada, foram adotados os seguintes fundamentos para negar trânsito ao recurso especial (fls. 135-139):
[...] verifica-se que o recorrente fundamenta o presente recurso especial eleitoral no seu mero inconformismo com a decisão
que lhe foi contrária. Todavia, em que pese o esforço intelectivo do recorrente em questionar a legitimidade da decisão deste
Colegiado, não vislumbro qualquer ofensa à legislação infraconstitucional e tampouco a princípios constitucionais.
Nesse ínterim, as irregularidades apontadas desde a gênese dos presentes autos persistiram até seu termo, de forma que a
agremiação recorrente, mesmo devidamente intimada a se manifestar, não apresentou justificativa adequada e apta a afastar o
juízo de desaprovação das contas de campanha.
Aliás, a matéria, além de ter sido discutida à exaustão pela e. Corte Regional encontra-se pacificada em no próprio TSE, que já
tem entendimento consolidado em sentido contrário.
Assim, é obrigatória a abertura de conta bancária, específica de campanha, para candidatos, partidos e comitês, cuja exceção se
aplica apenas a candidatos aos cargos de prefeito e vereador, onde não haja agência bancária, ou a vereador em município com

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menos de vinte mil eleitores, não se alcançando qualquer órgão partidário, nos termos do art. 22, § 2º, da Lei nº 9.504/97.
Tal exigência legal objetiva assegurar a veracidade da movimentação financeira do partido, cuja comprovação deve dar-se pelos
extratos bancários, ainda que zerados, não podendo ser substituídos por peças que compõem a prestação, mas que não
apresentam caráter oficial acerca da demonstração da devida confiabilidade e consistência das informações.
[...]
Inexiste, portanto, qualquer divergência na interpretação de lei, como fez referência o recorrente, entre a decisão recorrida e o
entendimento do TSE, na medida em que o Acórdão regional caminhou no mesmo sentido da Corte Superior Eleitoral.
Dessa forma, o que se observa do recurso sub oculi é o mero inconformismo da parte recorrente com o decisum vergastado,
insuficiente a ensejar o conhecimento do presente Recurso Especial. Em verdade, como dito alhures, não vislumbro qualquer
ofensa à legislação infraconstitucional e, menos ainda, a princípios constitucionais.
Portanto, o Acórdão deste Regional está de acordo com a jurisprudência dominante do Tribunal Superior Eleitoral, o que atrai a
incidência do enunciado da súmula nº 30 do TSE: "não se conhece de recurso especial eleitoral por dissídio jurisprudencial,
quando a decisão recorrida estiver em conformidade com a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral".
O Presidente do TRE/MA negou seguimento ao recurso especial por entender pelo mero inconformismo da parte, além do que:
a) as alegadas violações a dispositivos legais e princípios constitucionais não se verificaram nem ficou evidenciado o dissenso
jurisprudencial; b) o agravante, mesmo devidamente intimado à época, não apresentou justificativa adequada e apta a afastar o
juízo de desaprovação das contas de campanha; c) a matéria que versava sobre as irregularidades decorrentes da abertura de
conta bancária específica para campanha foi exaustivamente discutida na Corte Regional, que acompanhou entendimento
consolidado do TSE.
Ainda que o agravante tenha infirmado os fundamentos da decisão impugnada, o agravo não merece prosperar, diante da
inviabilidade do recurso especial.
O agravante insiste, preliminarmente, em que a decisão dos embargos de declaração malferiu os arts. 5º, XXXV, 93, IX, da
Constituição Federal, 489, § 1º, e 1.022 do Código de Processo Civil.
Argumenta que não foram sanadas a omissão e a contradição apontadas nos declaratórios, em face da afirmação do TRE/MA
no sentido de que não houve manifestação da agremiação, quando, na verdade, houve efetivamente a juntada de documentos
capazes de sanar as irregularidades apontadas na prestação de contas, não tendo o Tribunal a quo examinado tais documentos.
A esse respeito, o voto condutor da Corte de origem, no julgamento dos aclaratórios, assim se manifestou (fls. 104-106):
[...]
O Embargante afirma que o Acórdão atacado foi omisso quanto a diversos fundamentos apresentados pela defesa, bem como
por não ter mencionado o motivo da aplicação da sanção de suspensão do recebimento das cotas do Fundo Partidário do ano
seguinte, pois, segundo o Embargante, essa sanção não existe mais, citando, como fundamentação, a Res. TSE nº 23.464/2015.
Sustenta ainda que o Acórdão teria sido contraditório ao afirmar que não houve manifestação da agremiação partidária sobre o
parecer preliminar do órgão de controle interno pela desaprovação das contas.
Sobre as alegações de omissão quanto aos fundamentos apresentados pela defesa do Embargante, bem como de contradição
ao afirmar que não houve manifestação do Embargante acerca do parecer preliminar sobre as contas prestadas, o acórdão
assim se posicionou:
Conforme relatado, o PARTIDO REPUBLICANO PROGRESSISTA - PRP apresentou suas contas relativas à campanha eleitoral do
ano de 2016, após ter sido regularmente intimado (fls. 07), tendo a Coordenadoria de Controle Interno - COCIN, em parecer
conclusivo (fls. 42/43), se manifestado pela desaprovação das contas, reafirmando as falhas já apontadas no parecer preliminar
e não esclarecidas pelo partido quando intimado (fls. 36/37), são elas:
I) Omissão quanto à entrega de prestação de contas parcial, em contrariedade ao art. 43, § 4º, da Res. TSE nº 23.463/2015;
II) Entrega da prestação de contas final fora do prazo fixado no art. 45, caput e § 1º, da Res. TSE 23.463/2015; e
III) Ausência de informações sobre a abertura da conta bancária específica de campanha, bem como sobre os respectivos
extratos bancários, contrariando o art .48, II, "a" , da Res. TSE n.º 23.463/2015. Grifos acrescidos.
No relatório do referido Acórdão, também foi mencionado o seguinte (fl. 53):
Devidamente intimado a se manifestar acerca do referido parecer técnico (n. 34), o partido limitou-se a informar que "foi
realizada a prestação de contas final, conforme extrato e recibo já juntados nos autos em epígrafe" . Não se pronunciando
acerca das irregularidades apontadas no parecer técnico nem apresentando retificação das contas (fl. 36).
Ora, o Embargante foi devidamente intimado a se manifestar acerca das irregularidades apontadas no parecer prévio (fl. 34),
nos termos do art. 64, § 1º da Res. TSE nº 23.463/2015 e a manifestação/defesa apresentada não esclareceu as irregularidades,
vez que não juntou documentos ou prestação de contas retificadora, capazes de sanar as irregularidades detectadas, limitando-
se apenas a informar que a prestação de contas final havia sido realizada, conforme extrato e recibo já juntados aos autos (fl.
36), e o Acórdão faz referência a tal pronunciamento do Embargante.
Neste ponto, ressalte-se que os únicos documentos que o Embargante apresentou neste processo foram o extrato da prestação

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de contas final e dois recibos eleitorais (fls. 17/20), em resposta à intimação inicial para apresentar suas contas (fl. 07), os quais
foram devidamente analisados, tanto pelo órgão técnico deste Regional, quanto por mim, enquanto Relator, segundo o rito
estabelecido pela Res. TSE nº 23.463/2015, e não se referem, como alega o Embargante, à defesa ou manifestação acerca da
intimação sobre o relatório preliminar (emitido após a apresentação inicial das contas) que detectou as irregularidades que
ensejaram a desaprovação de suas contas (fl. 34).
Portanto, não há omissão no Acórdão embargado quanto aos fundamentos apresentados pela defesa, tampouco contradição
ao afirmar que não houve manifestação quanto às irregularidades apontadas, simplesmente porque a defesa/manifestação não
esclareceu as irregularidades detectadas pela COCIN, se limitando a elencar os documentos já juntados aos autos e que estavam
incompletos.
O referido Acórdão tratou, especificamente, das irregularidades que ensejaram a desaprovação das contas apresentadas,
considerando toda a documentação juntada aos autos.
Vê-se, portanto, que a Corte de origem refutou, fundamentadamente, a arguida existência de vícios na decisão embargada que
desaprovou as contas do diretório regional, razão pela qual não se evidenciam configurados os alegados vícios suscitados.
De outra, o partido postula a aplicação retroativa da redação conferida pela Lei 13.165/2015 ao art. 37 da Lei 9.096/95, que
teria modificado o sancionamento em face de desaprovação de contas.
Sobre esse ponto, o Tribunal a quo, no julgamento dos declaratórios, assim se pronunciou (fl. 108):
[...] no que se refere à alegação de que a sanção de suspensão do recebimento das cotas do Fundo Partidário não existe mais e
que deveria ser aplicada, à espécie, a Res. TSE n.º 23.464/2015, vale ressaltar que os embargos de declaração não se prestam à
reapreciação da causa nem à inovação de teses.
[...]
Afora isso, tal alegação não se sustenta, pois a Res. TSE
nº 23.464/2015 regulamenta o disposto no Título III da Lei nº 9.096 (Lei dos Partidos Políticos), que trata das finanças e
contabilidade dos partidos políticos, sendo norma especifica para a prestação de contas anual dos partidos políticos e não para
a prestação de contas das eleições do ano de 2016.
A norma específica que rege a arrecadação e os gastos de recursos por partidos políticos e candidatos e sobre a prestação de
contas nas eleições de 2016 é a Res. TSE nº 23.463/2015, aplicada ao presente caso. E a sanção de suspensão do recebimento
das cotas do Fundo Partidário, está vigente e disposta nos já citados §§ 3º e 5º do art. 68, desta Resolução, como consequência
pela desaprovação das contas de campanha de partido.
[...]
No caso, correta a compreensão da Corte de origem, porquanto o feito versa sobre prestação de contas de campanha eleitoral,
cuja sanção é regulada pelo art. 25 da Lei 9.504/97, enquanto a inovação legislativa invocada pelo recorrente diz respeito à
disciplina das contas partidárias, regulada pela Lei 9.096/95.
Em caso similar, já se decidiu: "A regra do art. 37, § 11, da Lei 9.096/95 diz respeito a contas partidárias, e o feito versa sobre
prestação de contas de campanha eleitoral, além do que o dispositivo em tela foi trazido pela Lei 13.165/2015, razão pela qual
é inaplicável às contas do pleito de 2014" (AgR-AI 1999-53, de minha relatoria, DJE de 3.10.2017, grifo nosso).
Por essas razões e nos termos do art. 36, § 6º, do Regimento Interno do Tribunal Superior Eleitoral, nego seguimento ao agravo
interposto por Estadual do Partido Republicano Progressista (PRP).
Publique-se.
Intime-se.
Brasília, 3 de outubro de 2018.
Ministro Admar Gonzaga
Relator

Coordenadoria de Acórdãos e Resoluções

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 2 7

Acórdão

PUBLICAÇÃO DE DECISÕES Nº 317/2018

ACÓRDÃOS
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 29-51. 2017.6.00.0000 CLASSE 32 PEDRANÓPOLIS SÃO
PAULO
Relator: Ministro Admar Gonzaga
Agravantes: José Roberto Martins e outro
Advogados: Paula Regina Bernadelli OAB: 380645/SP e outros
Agravada: Coligação União e Progresso
Advogados: Marcos Roberto de Lollo OAB: 279350/SP e outros

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 188-05. 2016.6.26.0000 CLASSE 32 PEDRANÓPOLIS SÃO
PAULO
Relator: Ministro Admar Gonzaga
Agravante: Ministério Público Eleitoral
Agravados: José Roberto Martins e outro
Advogados: Paula Regina Bernadelli ? OAB: 380645/SP e outros

Ementa:
ELEIÇÕES 2016. AGRAVOS REGIMENTAIS. RECURSOS ESPECIAIS. AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO. ART. 14, § 10,
DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL. CAPTAÇÃO ILÍCITA DE SUFRÁGIO. ABUSO DO
PODER ECONÔMICO. ARTS. 41-A DA LEI 9.504/97 E 22 DA LEI COMPLEMENTAR 64/1990. REEXAME DE PROVA. GRAVIDADE DA
CONDUTA. INÉPCIA DA PETIÇÃO INICIAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. DOCUMENTO NOVO.
DESCARACTERIZAÇÃO. AÇÃO PENAL. DEPOIMENTOS. ACÓRDÃO ABSOLUTÓRIO. INDEPENDÊNCIA DE INSTÂNCIAS. DISSÍDIO
JURISPRUDENCIAL. SEMELHANÇA FÁTICA ENTRE JULGADOS. AUSÊNCIA. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Histórico da demanda
1. Trata-se de agravos regimentais interpostos:
a) pelo Ministério Público Eleitoral, em face de decisão individual, na parte em que deu provimento ao recurso especial
interposto por José Roberto Martins e Belizário Ribeiro Donato nos autos de ação de impugnação de mandato eletivo, a fim de
reformar o acórdão regional e julgar improcedente o pedido, afastando, assim, a condenação dos ora agravados por abuso de
poder e corrupção mediante captação ilícita de sufrágio, ante a não demonstração da gravidade ou potencialidade lesiva da
conduta;
b) por José Roberto Martins e Belizário Ribeiro Donato, em face de decisão individual, na parte em que deu parcial provimento
ao recurso especial por eles manejado nos autos de ação de investigação judicial eleitoral, para reformar parcialmente o aresto
regional e afastar a sua condenação por conduta vedada a agente público, tornando insubsistente a multa aplicada por esse
fundamento, mantendo, todavia, a condenação pela prática de captação ilícita de sufrágio.
Agravo regimental do Ministério Público Eleitoral
1. A jurisprudência deste Tribunal é firme no sentido de que é possível, em sede de recurso especial eleitoral, realizar-se o
reenquadramento jurídico dos fatos delineados no acórdão regional, por se tratar de questão de direito. Precedentes.
2. No caso, a conclusão da decisão agravada, no sentido de não ter sido suficientemente demonstrada pelo Tribunal de origem
a gravidade ou a potencialidade lesiva da conduta ilícita, apurada em ação de impugnação de mandato eletivo, foi tomada sem
a necessidade de incursão no contexto fático-probatório dos autos, pois partiu da análise de elementos fáticos registrados no
aresto recorrido, de forma que não há falar em inobservância do verbete da Súmula 24 do TSE.
3. Quanto ao argumento ministerial de que a gravidade da conduta deveria ser reconhecida por critério qualitativo com base
no § 9º do art. 14 da Constituição Federal, o qual salvaguarda também a probidade administrativa e a moralidade para o
exercício do mandato, o certo é que "o bem jurídico tutelado pela AIME é a legitimidade da eleição, razão pela qual, ao se
apurar, nessa via processual, a captação ilícita de sufrágio, cumpre aferir se os fatos foram potencialmente graves a ponto de
ensejar desequilíbrio no pleito" (AgR-REspe 430-40, rel. Min. Dias Toffoli, DJe de 27.5.2014), de modo que não se dispensa a
demonstração em concreto da magnitude ou gravidade dos atos praticados, o que não ocorreu na espécie.
Agravo regimental de José Roberto Martins e Belizário Ribeiro Donato

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Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 2 8

1. Os agravantes não atacaram objetivamente os fundamentos da decisão agravada, pelos quais foram rejeitadas as alegações
de inépcia da petição inicial e de supressão de instância, limitando-se a repetir a argumentação apresentada no recurso
especial, o que atrai a incidência do verbete da Súmula 26 do TSE. De qualquer modo, reitera-se que:
a) é improcedente a alegação de inépcia da petição inicial da ação de investigação judicial eleitoral, pois, conforme consignado
no acórdão recorrido, a peça narra a realização de reforma de casas de moradores em troca de votos, inclusive com o
fornecimento de material e de mão de obra, o que atende de forma suficiente aos requisitos legais, consoante já decidiu este
Tribunal no AI 6.893, rel. Min. Gerardo Grossi, DJ de 19.3.2007;
b) a alegação de supressão de instância merece ser rejeitada, pois o Tribunal a quo, mediante premissas fáticas que não podem
ser revistas em recurso especial, assentou que a ação de investigação judicial eleitoral estava apta para julgamento quanto à
captação ilícita de sufrágio, anotando que o juízo de primeiro grau se manifestara sobre a matéria, ainda que para apontar a
insuficiência dos fatos narrados, e que tais fatos foram objeto de prova colhida sob o crivo do contraditório. Incidência, na
espécie, do disposto no § 3º do art. 515 do CPC/1973, vigente à época do julgamento do recurso eleitoral, e da orientação desta
Corte no REspe 645-36, rel. Min. Marcelo Ribeiro, DJe de 26.8.2011.
2. Rejeita-se a alegação de ofensa aos arts. 435 do Código de Processo Civil e 23 da Lei Complementar 64/1990, pois a Corte de
origem concluiu que os depoimentos colhidos em ação penal sobre os mesmos fatos e juntados somente com os embargos
declaratórios não configuram prova nova, porque seu teor era de conhecimento dos agravantes no momento da prolação do
acórdão embargado. Ademais, como bem pontuado no aresto regional, a análise da decisão penal absolutória não se afigurava
imprescindível para o deslinde da controvérsia na espécie, porquanto as instâncias cível-eleitoral e criminal-eleitoral são
independentes entre si (RHC 180-57, rel. Min. Luciana Lóssio, DJe de 1º.7.2016; RHC 249-19, rel. Min. Herman Benjamin, DJe de
16.5.2017; e HC 672-14, rel. Min. Luiz Fux, DJe de 22.4.2015), cabendo ressaltar que a absolvição por insuficiência de provas não
se equipara, para fins de eventual vinculação da decisão a ser proferida nas ações cíveis eleitorais, à decisão criminal que
entende que foi provada a inexistência do fato ou que o réu não concorreu para a infração.
3. Tendo a decisão agravada explicitado as razões pelas quais concluiu inexistir semelhança fática entre os julgados
confrontados para fins de demonstração da alegada divergência jurisprudencial, afigura-se insubsistente o argumento de ofensa
aos arts. 489 do CPC/2015 e 93, IX, da Constituição da República.
Agravos regimentais aos quais se nega provimento.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em negar provimento aos agravos regimentais, nos
termos do voto do relator.
Brasília, 30 de agosto de 2018.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Jorge Mussi, Og Fernandes,
Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 144-88.2016.6.13.0277


CLASSE 32 UBERABA MINAS GERAIS
Relator: Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto
Embargante: Coligação Uberaba Pode
Advogados: Renata Soares Silva OAB: 141886/MG e outros
Embargada: Coligação Somos Todos Uberaba
Advogados: Wederson Advíncula Siqueira OAB: 102533/MG e outros

Ementa:
ELEIÇÕES 2016. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. REPRESENTAÇÃO. PESQUISA
ELEITORAL ANTECIPADA. ART. 33 DA LEI Nº 9.504/97. ARTS. 2º E 17 DA RES.-TSE Nº 23.453/2015. NÃO RESPEITADO O PRAZO
DE 5 (CINCO) DIAS ANTECEDENTES À DIVULGAÇÃO DE PESQUISA ELEITORAL REGISTRADA. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA.
REJULGAMENTO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE. CARÁTER PROTELATÓRIO. NÃO CONHECIMENTO. MULTA.
1. A novel redação do art. 275 do Código Eleitoral (CE), dada pela Lei nº 13.105, de 2015, admite embargos de declaração nas
hipóteses previstas no Código de Processo Civil (CPC), o qual, em seu art. 1.022, prevê o seu cabimento para: I esclarecer
obscuridade ou eliminar contradição; II suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício
ou a requerimento; e III corrigir erro material.
2. O teor do acórdão embargado evidencia a desnecessidade de integração, mostrando-se claro, coerente e livre de
contradição, haja vista que examina as questões propostas nas razões do regimental de forma suficiente.

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 2 9

3. Nos termos do art. 2º, § 2º, da Res.-TSE nº 23.453/2015, aplicável às pesquisas eleitorais relativas ao pleito de 2016, na
contagem do prazo, deve ser excluído o dia do início e incluído o dia do vencimento.
4. No caso em tela, como o registro data do dia 7.9.2016, o prazo se iniciou no dia 8.9.2016, encerrando-se no dia 12.9.2016.
Assim, a divulgação somente poderia ocorrer no dia 13.9.2016, isto é, após transcorridos integralmente os 5 (cinco) dias
exigidos pela legislação.
5. A contradição que autoriza o acolhimento dos aclaratórios é aquela interna no acórdão hostilizado, examinada entre as
respectivas premissas e a conclusão, e não relativa ao entendimento da parte acerca da valoração da prova ou da escorreita
interpretação do direito. Precedente.
6. Os presentes aclaratórios não objetivam sanar vícios no acórdão embargado, mas, sim, promover rejulgamento da causa, o
que, como se sabe, não é possível nesta via processual. Precedente.
7. Sobressai, in casu, o intuito manifestamente protelatório dos embargos, porquanto as alegações veiculadas pelo embargante
consistem na mera reprodução de tese exposta no recurso especial, a qual foi pontualmente enfrentada por esta Corte.
8. Nesse contexto, impõe-se a aplicação da multa prevista no art. 275, § 6º, do CE, medida que, longe de restringir o exercício
regular do direito de ação garantido pela Constituição Federal, visa preservar o postulado da duração razoável do processo, que
tem especial relevo na esfera eleitoral, além de conferir ampla efetividade ao disposto no art. 97-A da Lei nº 9.504/97 e no art.
6º do CPC/2015, que impõe a todos os sujeitos do processo o dever de cooperação para o aperfeiçoamento da prestação
jurisdicional.
9. Embargos de declaração não conhecidos e declarados manifestamente protelatórios, com imposição de multa fixada em
valor equivalente a 1 (um) salário mínimo.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em não conhecer dos embargos de declaração, assentar
o caráter protelatório e aplicar multa à embargante, nos termos do voto do relator.
Brasília, 4 de setembro de 2018.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Jorge Mussi, Og Fernandes,
Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 498-60. 2016.6.25.0025 CLASSE 32 TELHA SERGIPE
Relator: Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto
Agravante: Partido Trabalhista Cristão (PTC) Municipal
Advogada: Katianne Cintia Correa Rocha OAB: 7297/SE

Ementa:
ELEIÇÕES 2016. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. PRESTAÇÃO DE CONTAS. DIRETÓRIO
MUNICIPAL. EXTRATOS BANCÁRIOS. AUSÊNCIA PARCIAL. DESAPROVAÇÃO. SÚMULAS Nº 24/TSE E 30/TSE. INCIDÊNCIA.
DESPROVIMENTO.
1. O Tribunal de origem desaprovou as contas do agravante sob o fundamento de que a ausência de extrato bancário
representa irregularidade de caráter insanável que compromete a confiabilidade das contas na medida em que impede a
escorreita análise da movimentação financeira do prestador, juízo cuja revisão é inviável em sede extraordinária, a teor da
Súmula nº 24/TSE. Precedentes.
2. Essa orientação está em harmonia com a jurisprudência desta Corte, o que atrai a Súmula nº 30/TSE.
3. Não há falar na aplicação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade quando constatado vício grave que
comprometa a confiabilidade das contas. Precedentes.
4. Agravo regimental desprovido.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em negar provimento ao agravo regimental, nos termos
do voto do relator.
Brasília, 4 de setembro de 2018.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Jorge Mussi, Og Fernandes,
Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 3 0

Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 147-77.2016.6.03.0000 CLASSE 32 MACAPÁ AMAPÁ


Relator: Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto
Agravante: Ministério Público Eleitoral
Agravado: Partido Pátria Livre (PPL) ? Estadual
Advogada: Cristiane Nunes da Silva ? OAB: 2165/AP

Ementa:
ELEIÇÕES 2016. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. PRESTAÇÃO DE CONTAS. PARTIDO.
AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE EXTRATO BANCÁRIO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. DESAPROVAÇÃO.
DESPROVIMENTO.
1. Consoante jurisprudência deste Tribunal Superior, apresentados minimamente documentos na prestação de contas, estas
devem ser desaprovadas, e não julgadas não prestadas. (Precedentes: AgR-REspe nº 725-04/PR, Rel. Min. Luciana Lóssio, DJe de
18.3.2015; AgR-REspe n° 1758-73/PR, Rel. Min. Rosa Weber, DJe de 26.4.2018).
2. A não apresentação do extrato bancário de todo o período de campanha eleitoral constitui motivo para a desaprovação das
contas, mas não enseja, por si só, o julgamento destas como não prestadas. (Nesse sentido: AgR-REspe n° 157-24/AP, de minha
relatoria, DJe de 6.6.2018; AgR-REspe nº 3110-61/GO, Rel. Min. Henrique Neves, DJe de 20.9.2016; AgR-REspe n° 1910-73/DF,
Rel. Min. Luciana Lóssio, DJe de 5.8.2016).
3. Conforme assentado recentemente nesta Corte Superior, "ainda que a matéria possa vir a ser reapreciada por esta Corte,
eventual novo entendimento deve incidir apenas em relação aos pleitos futuros, em nome dos princípios da segurança jurídica,
isonomia e proteção da confiança, consoante já se decidiu em inúmeras oportunidades" (AgR-REspe n° 727-80/MG, Rel. Min.
Jorge Mussi, julgado em 21.8.2018).
4. Da moldura fática delineada pela Corte Regional, conclui-se que as contas foram julgadas desaprovadas, porquanto o
balanço contábil foi acompanhado por outros documentos que permitiram a análise das contas. Rever tal entendimento
demandaria nova incursão no acervo fático-probatório, providência vedada na estreita via do recurso especial, consoante
Súmula nº 24/TSE.
5. Agravo regimental desprovido.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em negar provimento ao agravo regimental, nos termos
do voto do relator.
Brasília, 6 de setembro de 2018.
Composição: Ministros Luís Roberto Barroso (vice-presidente no exercício da presidência), Edson Fachin, Og Fernandes, Luis
Felipe Salomão, Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto. Ausente, ocasionalmente, a Ministra Rosa Weber.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.

PUBLICAÇÃO DE DECISÕES Nº 318/2018

ACÓRDÃOS

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 258-06.2016.6.21.0115 CLASSE 6 PANAMBI RIO GRANDE DO


SUL
Relator: Ministro Admar Gonzaga
Agravante: Ministério Público Eleitoral
Agravados: José Luiz de Mello Almeida e outros
Advogado: Rafael Lange da Silva OAB: 58966/RS

Ementa:
ELEIÇÕES 2016. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL.

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 3 1

CONDUTA VEDADA E ABUSO DE PODER POLÍTICO. PREFEITO E VICE-PREFEITO ELEITOS. VEREADORA. ACÓRDÃO REGIONAL.
IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. REVISÃO DE FATOS E
PROVAS. IMPOSSIBILIDADE.
1. Agravo regimental que se limita a reproduzir as mesmas razões já lançadas por ocasião da interposição do agravo em recurso
especial. Incidência do verbete sumular 26 do TSE.
2. A pretensão envolve reexame do contexto fático-probatório. Óbice do verbete sumular 24 desta Corte Superior.
Agravo regimental a que se nega provimento.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em negar provimento ao agravo regimental, nos termos
do voto do relator.
Brasília, 18 de setembro de 2018.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Jorge Mussi, Og Fernandes,
Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 133-37.2016.6.09.0011 CLASSE 6 FORMOSA GOIÁS


Relator: Ministro Admar Gonzaga
Agravantes: Edna de Oliveira Costa e outro
Advogados: Tatiana Basso Parreira OAB: 38154/GO e outros
Agravada: Coligação Unidos para Vencer

Ementa:
ELEIÇÕES 2016. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE. VÍCIO
TRANSRESCISÓRIO. INEXISTÊNCIA.
1. Não foi infirmado o fundamento da decisão agravada alusivo à conformidade do entendimento da Corte de origem com a
jurisprudência deste Tribunal Superior, que é no sentido da excepcionalidade do cabimento da ação declaratória de nulidade.
Incidência do verbete sumular 26 do TSE.
2. A jurisprudência desta Corte Superior é pacífica no sentido de que "o cabimento da querela nullitatis restringe-se às
hipóteses de revelia decorrente de ausência ou de defeito na citação e de sentença proferida sem dispositivo legal, sem
assinatura do magistrado ou exarada por quem não exerce função judicante ou atividade jurisdicional" (AgR-AI 505-93, rel. Min.
Gilmar Mendes, DJe de 5.3.2015).
3. A matéria suscitada na ação declaratória de nulidade, referente à alegada invalidade da constituição de comissão provisória
e ao descumprimento de prazos de filiação partidária, deveria ter sido ventilada por meio de impugnações ao processo alusivo
ao DRAP e aos registros de candidatura individuais, o que não ocorreu na espécie. Incidência da preclusão, que apenas
corrobora o trâmite normal dos processos cujas decisões se visa à desconstituição.
4. O disposto no art. 489, § 1º, IV, do Código de Processo Civil não exige que o órgão julgador se manifeste sobre os
argumentos vinculados ao meritum causae de ação cuja própria admissão foi negada.
Agravo regimental a que se nega provimento.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em negar provimento ao agravo regimental, nos termos
do voto do relator.
Brasília, 4 de setembro de 2018.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Jorge Mussi, Og Fernandes,
Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 994-20.2016.6.26.0330 CLASSE 32 EUCLIDES DA CUNHA

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 3 2

PAULISTA SÃO PAULO


Relator: Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto
Agravantes: Christian Fuziki Ikeda e outra
Advogados: Armando Sampaio de Rezende Junior OAB: 1523-A/DF e outro
Agravada: Coligação Agora É Ficha Limpa
Advogados: Maycon Cordeiro do Nascimento OAB: 276825/SP e outros
Agravado: Ministério Público Eleitoral

Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECEBIMENTO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE
MANDATO ELETIVO. FRAUDE. DOCUMENTO. TRANSFERÊNCIA ELEITORAL. ART. 14, § 9º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. DECISÃO.
RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM. REJULGAMENTO DA CAUSA. DESPROVIMENTO.
1. Embora seja cabível a oposição de embargos de declaração contra qualquer decisão judicial (art. 1.022, caput, do CPC),
recebo os presentes embargos de declaração como agravo regimental, tendo em vista que, a pretexto de indicar omissão no
decisum monocrático, os agravantes veiculam pretensão modificativa (AgR-REspe nº 2431-61/GO, reI. Min. Luiz Fux, DJe de
27.9.2016).
2. Na decisão agravada, deu-se provimento aos recursos especiais interpostos pelo Ministério Público Eleitoral e pela Coligação
Agora É Ficha Limpa para reformar o acórdão regional e determinar o retorno dos autos à instância de origem a fim de regular
processamento da ação de impugnação de mandato eletivo (AIME).
3. Consoante destacado na decisão ora combatida, a doutrina caracteriza a fraude "como o ato voluntário que induz outrem
em erro, mediante a utilização de meio astucioso ou ardil. Pressupõe que a conduta seja perpetrada com o deliberado
propósito de induzir alguém em erro, configurando-se o ilícito tanto quando houver benefício como prejuízo indevido a
quaisquer dos atores do processo eleitoral (candidato, partido ou coligação); outrossim, que a ação ilícita "abrange toda e
qualquer fase relacionada ao processo eleitoral (inclusive a fase de votação e apuração), desde que tenha como resultado a
interferência na manifestação de vontade do eleitorado, com reflexo na apuração de votos" (fl. 283).
4. Lado outro, não foi impugnado o óbice consignado na decisão agravada de que o entendimento desta Corte Superior
segundo o qual "a possível fraude ocorrida por ocasião da transferência de domicílio eleitoral não enseja a propositura da Ação
de Impugnação de Mandato Eletivo (AgR-REspe nº 24806/SP, rel. Min. Luiz Carlos Lopes Madeira, DJe de 24.5.2005)" foi
superado, haja vista que, atualmente, o termo "fraude" contido no art. 14, § 10, da CF/88 é interpretado "de forma mais ampla,
a englobar todas as situações de fraude que possam afetar a normalidade das eleições e a legitimidade do mandato eletivo,
inclusive nos casos de fraude à lei" (fl. 286).
5. A ausência de impugnação específica dos fundamentos do decisum inviabiliza o provimento do agravo regimental. Aplicação
da Súmula nº 26/TSE.
6. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental, ao qual se nega provimento.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em receber os embargos de declaração como agravo
regimental e negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
Brasília, 13 de setembro de 2018.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Jorge Mussi, Luis Felipe Salomão,
Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 703-98.2016.6.19.0076 CLASSE 6 CAMPOS DOS GOYTACAZES


RIO DE JANEIRO
Relator: Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto
Agravante: Amaro Roberto Pinto
Advogados: Glauco André Fonseca Wamburg OAB: 159577/RJ e outro
Agravado: Ministério Público Eleitoral

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, podendo ser acessado no endereço eletrônico http://www.tse.jus.br
Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 3 3

Ementa:
ELEIÇÕES 2016. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO ESPECIAL. AIJE. PROGRAMA SOCIAL. CHEQUE-
CIDADÃO. USO ELEITOREIRO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRELIMINARES REJEITADAS. ABUSO DE
PODER CARACTERIZADO. PROVAS ROBUSTAS. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. REITERAÇÃO DE TESES. SÚMULA Nº 26/TSE.
DESPROVIMENTO.
1. A mera reiteração de teses recursais atrai o Enunciado Sumular nº 26/TSE, segundo o qual "é inadmissível o recurso que
deixa de impugnar especificamente fundamento da decisão recorrida que é, por si só, suficiente para a manutenção desta".
2. Os temas referentes à existência de violação aos princípios do contraditório e da ampla de defesa, em razão do
indeferimento de substituição das testemunhas, a não garantia dos direitos previstos na Portaria MJ nº 1.287/2005 e ao
flagrante preparado não foram objeto de debate pela Corte de origem, tampouco se apontou, nas razões do apelo nobre,
omissão no acórdão regional em violação ao art. 275 do CE, o que inviabiliza a análise das questões nesta sede recursal, nos
termos da Súmula nº 72/TSE.
3. Quanto à diligência realizada, a partir da simples leitura dos acórdãos regionais, verifica-se que aquela se deu nos limites do
mandado judicial sem nenhuma ilegalidade, por conseguinte , e que o agravante, embora não tenha sido incluído no polo
passivo da Ação Cautelar nº 654-57, teve amplo acesso aos documentos dela provenientes "[...] o recorrente teve amplo
acesso aos autos da AIJE que trazem em seu bojo as provas produzidas no processo cautelar. Resta claro pelas manifestações
do investigado nos autos que lhe foi possibilitado o pleno exercício da ampla defesa e do contraditório" (fl. 612v) , motivo pelo
qual não há falar em ilicitude de provas e em violação ao contraditório e à ampla defesa.
4. O entendimento refletivo na decisão vergastada, no sentido da legitimidade das provas obtidas a partir de procedimento
preparatório eleitoral instaurado pelo Ministério Público Eleitoral, está em sintonia com a tese sedimentada na jurisprudência
deste Tribunal a partir do julgamento do AgR-REspe nº 1314-83/PI.
5. Inconsistente, também, a tese de ausência de fundamentação do acórdão, porquanto a Corte Regional, além de considerar
todos os argumentos da defesa o que motivou a rejeição dos embargos de declaração por ter havido "mera reiteração de
arguições já realizadas na instância ordinária, bem como em sede recursal e que já foram devidamente enfrentadas" (fl. 634v) ,
expôs de forma clara as razões de decidir, sem incorrer em nenhuma das hipóteses previstas nos incisos do § 1º do art. 489 do
CPC.
6. Consoante assentado na decisão agravada, do contexto delineado no acórdão recorrido, é possível extrair, tal como exige a
reiterada jurisprudência desta Corte, provas sem contradições, robustas e coesas de que o agravante, dolosamente, em conluio
com diversos outros candidatos, utilizou-se de recursos públicos para alavancar sua candidatura para o cargo de vereador no
pleito de 2016 por meio de concessão e distribuição ilegal do benefício assistencial oriundo do programa Cheque Cidadão,
descrito como "programa de transferência de renda temporário, que o Poder Executivo de Campos dos Goytacazes instituiu, em
1º de maio de 2009, para beneficiar família em situação de vulnerabilidade social, cujo valor atual é de R$ 200,00 (duzentos
reais) mensais" (fl. 614), com nítido propósito de obter votos, ilícito gravíssimo que maculou a lisura e a normalidade da eleição
proporcional no Município de Campos dos Goytacazes/RJ.
7. Delineado esse quadro, a reforma da conclusão a que chegou a Corte de origem demandaria o reexame do acervo fático-
probatório dos autos, providência incabível em sede de recurso especial, a teor do Enunciado Sumular no 24/TSE.
8. O dissídio pretoriano não ficou caracterizado, pois: a) não foi feito o cotejo analítico para verificação da similitude fática
entre a decisão atacada e os paradigmas colacionados (Súmula nº 28/TSE); e b) nos termos da jurisprudência desta Corte
Superior, "o recurso especial, quando fundamentado em suposta divergência jurisprudencial, não comporta conhecimento nas
hipóteses em que, a pretexto de modificação da decisão objurgada, se pretenda o revolvimento do conjunto fático-probatório
dos autos" (AgR-REspe nº 871-35/PI, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.6.2016).
9. Agravo regimental desprovido.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em negar provimento ao agravo regimental, nos termos
do voto do relator.
Brasília, 4 de setembro de 2018.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Jorge Mussi, Og Fernandes,
Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 718-10.2016.6.13.0246 CLASSE 32 SANTA LUZIA MINAS GERAIS


Relator: Ministro Admar Gonzaga
Recorrente: Roseli Ferreira Pimentel

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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Advogados: José Sad Júnior OAB: 65791/MG e outros


Recorrido: Christiano Augusto Xavier Ferreira
Advogados: Arthur Magno e Silva Guerra OAB: 79195/MG e outro

Ementa:
ELEIÇÕES 2016. RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO. ABUSO DO PODER
ECONÔMICO. PREFEITO.
1. Os recorrentes renunciaram aos mandatos, configurando a dupla vacância, já quando os recursos estavam pautados para
julgamento nesta Corte Superior e após o afastamento de ambos dos respectivos cargos, a titular por causa não eleitoral
(penal), o vice em razão de condenação eleitoral decorrente do reconhecimento de abuso do poder econômico, confirmada
pelo Tribunal a quo. Em tais circunstâncias, independentemente da comprovação de propósito fraudulento, deve ser afastada a
jurisprudência desta Corte que recomenda a declaração de perda do objeto do recurso interposto em sede de ação de
impugnação de mandato eletivo, sob pena de frustração da inelegibilidade inserta no art. 1º, I, d, da Lei Complementar 64/90,
cuja incidência pode ser efeito secundário da condenação em sede de AIME.
2. Não importa em violação ao art. 28, § 4º, do Código Eleitoral quando há impossibilidade absoluta de convocação do membro
da classe de jurista, em razão da inércia do Presidente da República, hipótese em que se admite o julgamento do recurso com o
quórum possível.
3. O Tribunal de origem não conheceu da alegação de decadência decorrente da não inclusão de supostos litisconsortes
passivos necessários em sede de AIME, por se tratar de inovação de tese recursal suscitada apenas em sede de embargos de
declaração, entendimento que está de acordo com a compreensão desta Corte acerca do tema. Precedente: AgR-RCED 8015-
38, rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, DJe de 13.5.2016.
4. A rejeição da tese da litispendência teve como fundamento a inexistência de tríplice identidade entre os feitos, sobretudo
em razão da diversidade das causas de pedir, tendo em vista que a ação de impugnação de mandato eletivo foi intentada com
mais um fato além daqueles discutidos em sede de ações de investigação judicial eleitoral.
5. A possibilidade de reconhecimento de litispendência entre ações eleitorais nas quais se discuta a mesma relação jurídica-
base pressupõe identidade absoluta de fatos, inexistência de provas novas e ausência da pretensão de exame da gravidade sob
a ótica do conjunto da obra, elementos que não estão presentes na espécie.
6. A alegada inobservância do art. 96-B da Lei 9.504/97 não causou prejuízos, visto que houve julgamento conjunto de todas as
demandas alusivas ao uso indevido de meios de comunicação e ao abuso do poder econômico por meio da veiculação
desproporcional de notícias no Município de Santa Luzia/MG, tendo a Corte de origem dado solução uniforme a todas as
demandas conexas.
7. Na exordial da ação de impugnação de mandato eletivo, foi narrada a suposta existência de abuso do poder econômico
decorrente do uso desproporcional de recursos econômicos (edições de jornais) em favor de candidatura. Adequação da via
eleita, que deve ser aferida in status assertionis, de acordo com as balizas fixadas na inicial e sem cognição exauriente da prova.
8. O Tribunal de origem, soberano na análise de fatos e provas, entendeu caracterizado o abuso do poder econômico, em razão
da veiculação, na semana imediatamente anterior às Eleições de 2016, de 30.000 exemplares do periódico Folha de Minas
Gerais e 6.000 exemplares do periódico Muro da Pedra, ambos distribuídos gratuitamente e exclusivamente dedicados à
promoção pessoal da figura da recorrente.
9. As circunstâncias destacadas no acórdão recorrido, especialmente a massividade da propaganda, a proximidade do pleito e a
abrangência da distribuição, que alcançou aproximadamente 23,24% do eleitorado do Município de Santa Luzia/MG, são
suficientes para justificar o juízo de gravidade da conduta, qualificada como apta a quebrar a legitimidade e a isonomia do
pleito eleitoral.
10. Embora a imprensa escrita disponha de liberdade para apoiar determinada candidatura, devem ser apurados eventuais
abusos, a fim de resguardar bens jurídicos caros ao processo eleitoral, tais como a higidez do pleito em face da influência
econômica e, ainda, a igualdade entre os candidatos.
11. Na linha da jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral, o abuso do poder econômico caracteriza-se por emprego
desproporcional de recursos patrimoniais (públicos ou privados), de forma a comprometer a legitimidade do pleito e a paridade
de armas entre postulantes a cargo eletivo, o que se verificou na espécie.
12. Dissídio jurisprudencial não caracterizado na espécie, a teor do verbete sumular 28 do TSE.
Recurso especial a que se nega provimento.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em negar provimento ao recurso especial eleitoral
interposto por Roseli Ferreira Pimentel, mantendo o acórdão regional que excluiu a declaração de inelegibilidade, mas que
manteve a cassação do seu diploma e de Fernando César de Almeida Nunes Resende Vieira, nos termos do voto do relator.

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 3 5

Brasília, 4 de setembro de 2018.


Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Jorge Mussi, Og Fernandes,
Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.

PUBLICAÇÃO DE DECISÃO Nº 319 / 2018

ACÓRDÃO

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 686-62. 2016.6.19.0076 CLASSE 6 CAMPOS DOS GOYTACAZES
RIO DE JANEIRO
Relator: Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto
Agravante: Linda Mara da Silva
Advogados: Luis Gustavo Motta Severo da Silva ? OAB: 34248/DF e outros
Agravado: Ministério Público Eleitoral

Ementa:
ELEIÇÕES 2016. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO ESPECIAL. AIJE. PROGRAMA SOCIAL. CHEQUE
CIDADÃO. USO ELEITOREIRO. ACÓRDÃO REGIONAL SEM VÍCIOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
PRELIMINARES REJEITADAS. ABUSO DE PODER CARACTERIZADO. PROVAS ROBUSTAS. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE.
DESPROVIMENTO.
1. Os apontados vícios de fundamentação omissões e contradição inexistem, pois as teses defensivas foram devidamente
analisadas pela instância regional, o que motivou, inclusive, a rejeição dos embargos de declaração.
2. É infundada a alegação de que o acórdão recorrido não se manifestou sobre o resultado do julgamento da Rp nº 3-93, uma
vez que, além de se tratar de indevida inovação recursal em sede de aclaratórios (Súmula nº 72/TSE) o que afasta a incidência
do art. 1.025 do CPC , "a contradição que autoriza o acolhimento dos embargos de declaração é a interna, que ocorre entre as
proposições e conclusões do próprio julgado, e não entre esse e decisão proferida em processo diverso" (ED-PC nº 545-81/DF,
Rel. Min. Nancy Andrighi, DJe de 3.8.2012).
3. Colhe-se da decisão regional que o indeferimento da produção de prova pericial ocorreu em virtude de sua desnecessidade e
inutilidade ao fundamento assim declinado pelo magistrado de primeiro grau: "(...) forçoso reconhecer a impertinência da
prova pericial pleiteada pelo investigado. A generalidade do pleito, por si só, já constitui razão suficiente para a sua rejeição.
Não foi feita qualquer indicação mínima do documento que se pretende examinar, tampouco a razão pela qual haveria dúvida
quanto à autenticidade da documentação apreendida" (fl. 812v).
4. Ao reexaminar a matéria em grau recursal, o Tribunal a quo consignou que "[...] a produção da prova pericial não traria aos
autos elementos que contribuíssem para a elucidação dos fatos, mas tão somente geraria demora na prestação jurisdicional" (fl.
812v).
5. No que tange ao indeferimento do pedido de substituição de testemunha, é possível extrair da simples leitura do acórdão
que a Corte Regional, além de rememorar que a tese defensiva já foi enfrentada no MS nº 446-10 a pretendida substituição
foi considerada medida procrastinatória, forjada para tumultuar a marcha processual, além de não estar enquadrada nas
hipóteses autorizadas pelo art. 451 do CPC , rechaçou a alegação de cerceamento de defesa sob o fundamento de que a ora
agravante, em nenhum momento, demonstrou a existência de prejuízo, elemento primordial para a decretação de nulidade do
ato processual, conforme preconiza o art. 219 do CE.
6. Para alterar as conclusões do decisum, a fim de reconhecer a necessidade e imprescindibilidade das aludidas provas, seria
necessário reavaliar o seu conteúdo, o que esbarra no óbice da Súmula nº 24/TSE.
7. No que diz respeito ao tema empréstimo de prova, afirmou-se, no apelo nobre e no presente recurso, que o TRE/RJ falhou
ao não se expressar a respeito da inexistência de decisão autorizadora do compartilhamento de prova. No entanto, em nenhum
momento, seja no recurso eleitoral, seja nos aclaratórios, a ora agravante provocou a referida Corte sobre o assunto (Súmula nº
72/TSE), razão pela qual não há falar em vício.
8. No presente recurso, aduz a agravante que a Corte Regional não examinou a tese de que a "[...] falta de identidade de partes
inviabiliza o empréstimo da prova [...]" (fl. 1104), alegação que constitui verdadeira e indevida inovação recursal.
9. Quanto ao pedido de nulidade em razão da ausência de documentos acompanhando a contrafé, o TRE/RJ asseverou que, se
o vício formal ocorreu de fato, a ora agravante não comprovou a existência de prejuízo "[...] é preciso registrar que a alegada
ausência da documentação não está certificada nos autos, e mesmo que tenha, por um lapso, ocorrido, não causou qualquer

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Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 3 6

prejuízo à defesa da investigada" (fl. 811) , pressuposto indispensável para o reconhecimento do vício.
10. Também não prospera a tese de nulidade das provas colhidas na ação cautelar em virtude de a ora agravante não ter
figurado no polo passivo, visto que, de acordo com a decisão atacada, no momento da propositura, "[...] não se encontravam
identificados os participantes da fraude [...]" (fl. 811), o que somente ocorreu com o desdobramento da diligência.
11. O entendimento refletivo na decisão vergastada de legitimidade das provas obtidas a partir de procedimento preparatório
eleitoral instaurado pelo Ministério Público Eleitoral está em sintonia com a tese sedimentada na jurisprudência deste
Tribunal a partir do julgamento do AgR-REspe nº 1314-83/PI, razão pela qual incide no caso o óbice da Súmula nº 30/TSE.
12. Não estão minimamente demonstrados em nenhum dos aspectos suscitados pelo agravante: a) a ausência de
fundamentação, contradição ou omissão no acórdão vergastado, porquanto a Corte Regional declinou, de forma exaustiva e
verticalizada, as razões de decidir sem incorrer em nenhuma das hipóteses previstas nos incisos do § 1º do art. 489 do CPC ,
enfrentando todas as teses de defesa, as quais foram afastadas uma a uma; e b) o suposto prejuízo ou ofensa a princípios e
garantias processuais, o que afasta a pretendida nulidade do acórdão por cerceamento do direito de defesa.
13. Ficaram evidenciados, segundo os fundamentos declinados no acórdão regional, calcado no exame soberano de fatos e
provas, a) o uso eleitoreiro do programa social; e b) o uso de 1.518 cheques cidadão feito pela agravante para beneficiar sua
candidatura.
14. Foi identificada a existência do número do título eleitoral em cadastros de usuários, o que reforça a ideia de sua utilização
com finalidade eleitoral.
15. A gravidade do ilícito foi robustamente revelada ante a má utilização do programa social levada a cabo pela agravante e por
demais membros da base governista, a fim de incutir no eleitorado a imediata associação entre os candidatos e o programa
social em questão.
16. A fundamentação desenvolvida ao longo do aresto regional foi pródiga na indicação das provas que embasaram o
convencimento do TRE/RJ, constituídas por documentos que evidenciaram acréscimo significativo na concessão de tais
benefícios em ano eleitoral, inclusive por meio de inclusão extraoficial e clandestina de beneficiários, feita em desacordo com
as diretrizes estabelecidas pela SMDHS e fora do alcance dos órgãos de fiscalização, bem como por depoimentos testemunhais
de integrantes do GAP e do CRESS.
17. Para alterar as conclusões do Tribunal a quo, vinculadas à análise do amplo caderno probatório, seria necessário
redimensioná-lo e reincursionar sobre o seu conteúdo, providência inadmissível nas instâncias extraordinárias, consoante o
disposto na Súmula nº 24/TSE.
18. O dissídio pretoriano não ficou caracterizado, pois: a) não foi feito o cotejo analítico para verificação da similitude fática
entre a decisão atacada e os paradigmas colacionados (Súmula nº 28/TSE); e b) nos termos da jurisprudência desta Corte
Superior, "o recurso especial, quando fundamentado em suposta divergência jurisprudencial, não comporta conhecimento nas
hipóteses em que, a pretexto de modificação da decisão objurgada, se pretenda o revolvimento do conjunto fático-probatório
dos autos" (AgR-REspe nº 871-35/PI, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.6.2016).
19. Agravo regimental desprovido.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em negar provimento ao agravo regimental, nos termos
do voto do relator.
Brasília, 13 de setembro de 2018.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Jorge Mussi, Luis Felipe Salomão,
Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 322-53. 2016.6.20.0047 CLASSE 32 PENDÊNCIAS RIO
GRANDE DO NORTE
Relator: Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto
Agravantes: Fernando Antonio Bezerra de Medeiros e outro
Advogados: Abraão Luiz Filgueira Lopes OAB: 9463/RN e outros
Agravada: Coligação Chegou a Hora de Mudar I
Advogado: Marcos Antonio Rodrigues de Santana OAB: 12331/RN

Ementa:
ELEIÇÕES 2016. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. PRESTAÇÃO DE CONTAS DE

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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CAMPANHA. CANDIDATO. PREFEITO. VICE-PREFEITO. DESAPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS


FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA Nº 26/TSE. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA Nº 27/TSE.
ENTENDIMENTO EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA. SÚMULA Nº 30/TSE.
1. A ausência de impugnação específica de fundamento da decisão agravada qual seja: a incidência da Súmula nº 24/TSE para
aferir a existência do numerário e a transferência dos ditos valores para a conta de campanha - é falha que atrai o óbice da
Súmula n° 26/SE.
2. A precariedade da fundamentação recursal, a qual deixa de alcançar todos os fundamentos da decisão, notadamente a
remissão ao acórdão regional no que diz respeito à origem vedada dos recursos empregados em campanha, faz incidir o
impedimento da Súmula nº 27/TSE.
3. Os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, quando se está a tratar de processos de prestação de contas, somente
são aplicáveis em hipóteses cujo valor das irregularidades é módico, somado à ausência de indícios de má-fé do prestador e de
prejuízos à análise da regularidade das contas pela Justiça Eleitoral, hipótese esta não verificada no caso em apreço. Súmula nº
30/TSE.
4. Agravo regimental desprovido.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em negar provimento ao agravo regimental, nos termos
do voto do relator.
Brasília, 30 de agosto de 2018.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Jorge Mussi, Og Fernandes,
Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 408-42. 2012.6.19.0063 CLASSE 6 SILVA JARDIM RIO DE
JANEIRO
Relator: Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto
Agravante: Robson Oliveira Azeredo
Advogados: Luiz Paulo de Barros Correia Viveiros de Castro OAB: 73146/RJ e outros
Agravante: Flávio Eduardo da Costa Brito
Advogados: Eduardo Damian Duarte OAB: 106783/RJ e outros
Agravado: Ministério Público Eleitoral

Ementa:
ELEIÇÕES 2012. AGRAVOS REGIMENTAIS. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL
ELEITORAL (AIJE). ABUSO DE PODER. CAPTAÇÃO ILÍCITA DE SUFRÁGIO. COMPLEXO ESQUEMA DE COMPRA DE VOTOS.
MANUTENÇÃO DA CONDENAÇÃO. PROPORCIONALIDADE DA MULTA PECUNIÁRIA. REEXAME DOS FATOS E PROVAS.
IMPOSSIBILIDADE. FUNDAMENTOS NÃO INFIRMADOS. SÚMULA Nº 26/TSE. DESPROVIMENTO.
1. A ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada atrai o óbice da Súmula nº 26/TSE.
2. Consoante assentado no decisum combatido, rever a conclusão da Corte Regional e atender a pretensão do recorrente
reconhecer a nulidade dos depoimentos colhidos na referida audiência, uma vez que foram prestados unilateralmente e em
afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa demandaria o reexame dos fatos e provas constantes nos autos, o
que é vedado nos termos da Súmula nº 24/TSE.
3. In casu, o TRE/RJ, soberano na análise do conjunto fático-probatório dos autos, assentou que houve captação ilícita de
sufrágio e abuso de poder nas condutas praticadas pelos agravantes, consistentes no oferecimento de dinheiro e vantagens em
troca de votos, tais como cargos em comissão e vagas em empresas com contrato com a administração pública, utilização
indevida de funcionários públicos em campanha eleitoral e uso de bens públicos com fins particulares, em um grande esquema
de compra de votos deflagrado no Município de Silva Jardim/RJ.
4. Quanto ao primeiro agravante, consta no acórdão regional que "o robusto acervo probatório carreado aos autos comprova,
de forma inequívoca, o envolvimento do recorrente na prática de captação ilícita de sufrágio por meio do aliciamento de
eleitores, utilizando-se do oferecimento de valores em espécie, promessas de emprego e transporte de eleitores para a
realização de exames médicos, tudo com o intuito de obter votos" (fl. 3077).
5. Quanto ao segundo agravante, consignou a Corte Regional que, com base nas provas produzidas no diálogo interceptado e
na oitiva de testemunha, o investigado se valeu do cargo público ocupado na Câmara Municipal de Silva Jardim/RJ para se

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Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 3 8

beneficiar no pleito eleitoral, além de ter participado ativamente da captação ilícita de sufrágio com aliciamento de vários
eleitores mediante pagamento de valores em espécie, promessas de emprego, material de construção, dentre outros atos
ilícitos.
6. Conclusão em sentido diverso demandaria reexame de fatos e provas, providência inviável em sede extraordinária, a teor da
Súmula nº 24/TSE.
7. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, "não ofende os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade a
aplicação de multa eleitoral em seu patamar máximo quando provada a existência de complexo esquema de compra de votos"
(AgR-REspe nº 795-13/RJ, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJe de 26.10.2015).
8. Agravos regimentais desprovidos.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em negar provimento aos agravos, nos termos do voto
do relator.
Brasília, 4 de setembro de 2018.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Jorge Mussi, Og Fernandes,
Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.

Intimação

PUBLICAÇÃO DE INTIMAÇÃO Nº 187/2018

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 1-43. 2015.6.25.0005 CLASSE 32 CAPELA SERGIPE
Relator: Ministro Jorge Mussi
Recorrente: Ministério Público Eleitoral
Recorrido: Acrísio Estevão dos Santos
Advogado: Bruno Rocha Lima ? OAB: 4315/SE

Fica intimado o recorrido, por seus advogados para, querendo, no prazo de 3 (três) dias, apresentar contrarrazões ao Recurso
Extraordinário interposto nos autos do Recurso Especial Eleitoral nº 1-43. 2015.6.25.0005.

PUBLICAÇÃO DE INTIMAÇÃO Nº 188/2018

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ORDINÁRIO Nº 1277-61.2014.6.25.0000 CLASSE 37 ARACAJU SERGIPE


Relator originário: Ministro Luiz Fux
Redator para o acórdão: Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto
Recorrente: Ministério Público Eleitoral
Recorrido: Zeca Ramos da Silva
Advogados: Márcio Macedo Conrado OAB: 3806/SE e outro

Fica intimado o embargado, por seus advogados para, querendo, no prazo de 3 (três) dias, apresentar contrarrazões aos
Embargos de Declaração opostos nos autos do RECURSO ORDINÁRIO Nº 1277-61.2014.6.25.0000.

PUBLICAÇÃO DE INTIMAÇÃO Nº 189/2018

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 3 9

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 126-92. 2016.6.10.0037


CLASSE 32 BEQUIMÃO MARANHÃO
Relator: Ministro Admar Gonzaga
Embargante: Jorge Ascenção Rodrigues Filho
Advogados: Abdon Clementino de Marinho OAB: 4980/MA e outros
Embargada: Coligação Bequimão de Todos Nós
Advogados: Antonio Augusto Sousa OAB: 4847/MA e outros
Embargado: Ministério Público Eleitoral
Fica intimado o embargado, por seus advogados para, querendo, no prazo de 3 (três) dias, apresentar contrarrazões aos
Embargos de Declaração opostos nos autos do RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 126-92. 2016.6.10.0037

PUBLICAÇÃO DE INTIMAÇÃO Nº 191/2018

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 76-93.2016.6.20.0035 - APODI - RIO GRANDE DO NORTE
RELATOR: MINISTRO JORGE MUSSI
RECORRENTES: COLIGAÇÃO PARA APODI CONTINUAR AVANÇANDO e Outro
ADVOGADOS: CAIO VITOR RIBEIRO BARBOSA - OAB: 7719/RN e Outros
RECORRIDO: ANTÔNIO DE SOUZA MAIA JUNIOR
ADVOGADOS: CARLO VIRGÍLIO FERNANDES DE PAIVA - OAB: 3942/RN e Outros
PROTOCOLO: 6.656/2018

Fica intimado o recorrido, por seus advogados, para, querendo, no prazo de 3 (três) dias, apresentar contrarrazões ao Recurso
Extraordinário interposto nos autos do Recurso Especial Eleitoral nº 76-93.2016.6.20.0035.

Documentos Eletrônicos Publicados pelo PJE

Intimação

Processo 0600497-29.2018.6.00.0000

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL


ACÓRDÃO
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NA PETIÇÃO 0600497-29.2018.6.00.0000 –BRASÍLIA –DISTRITO FEDERAL

Relatora: Ministra Rosa Weber


Agravante: Carlos Antônio de Freitas
Requerido: Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal
Requerido: Tribunal Regional Eleitoral de Goiás

AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO REGIMENTAL. PETIÇÃO. DIREITOS POLÍTICOS SUSPENSOS. CAPACIDADE POSTULATÓRIA.

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Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 4 0

AUSÊNCIA. INSCRIÇÃO NA OAB SUSPENSA. NÃO CONHECIMENTO.


Histórico da demanda
1. Petição proposta por Carlos Antônio de Freitas na qual requer seja determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral o
restabelecimento dos seus direitos políticos, que teriam sido suspensos pelos Tribunais Regionais Eleitorais do Distrito Federal e
de Goiás.
2. Julgado prejudicado o primeiro agravo regimental, pelo Ministro Luiz Fux, determinado o arquivamento dos autos, ante a
irregularidade na representação processual, suspensa a inscrição do agravante na OAB.
Do segundo agravo regimental
3. Embora tenha o agravante juntado decisão do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, publicada no DOU de
26.6.2018, pela qual dado provimento ao Recurso nº 07.0000.2016.006243-8/SCA-PTU para declarar cessada a sanção de
suspensão do exercício profissional discutida naquele processo, sua inscrição ainda permanece suspensa no Cadastro Nacional
de Advogados.
4. Não conhecimento do recurso por ausência de capacidade postulatória, a impedir o exame da pretensão deduzida.
Conclusão
Agravo regimental não conhecido.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em não conhecer do agravo regimental, nos termos do
voto da relatora.

Brasília, 13 de setembro de 2018.

MINISTRA ROSA WEBER –RELATORA

RELATÓRIO

A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER: Senhores Ministros, trata-se do segundo agravo regimental (IDs 299607 e 301232)
interposto por Carlos Antônio de Freitas em face da decisão, da lavra do Ministro Luiz Fux, pela qual determinado o
arquivamento dos autos, ante a irregularidade na representação processual, suspensa a sua inscrição na OAB.
Reproduzo os fundamentos da decisão agravada (ID 298414):
Trata-se de agravo regimental interposto por Carlos Antônio de Freitas (ID 294953), no qual reitera pedido para que o Tribunal
Superior Eleitoral determine o restabelecimento dos seus direitos políticos, os quais, segundo alega, teriam sido suspensos
pelos Tribunais Regionais Eleitorais do Distrito Federal e de Goiás.
Acosta documentação na qual consta que sua situação na Ordem dos Advogados do Brasil teria sido regularizada (ID nº
294988).
Vieram-me os autos conclusos para apreciação.
Éo relatório. Decido.
Em consulta ao Cadastro Nacional de Advogados - CNA, nos sítios da OAB e da Seccional de Minas Gerais, constata-se que o
Requerente ainda está com a inscrição suspensa, não podendo, portanto, exercer as atividades privativas de advocacia.
Assim, na esteira das decisões por mim proferidas anteriormente, nada há a apreciar.
Arquive-se.
Publique-se.
O agravante alega, em suma:
a. deve ser julgado pelo Plenário deste Tribunal seu pedido de restabelecimento de direitos políticos, suspensa sua inscrição
eleitoral “por dolo da União Federal”;
b. ser primário e ter “bons antecedentes criminais, civis e administrativo”; e
c. consagrada sua inocência pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, restabelecida a profissão de advogado.
Requer, ainda, a procedência da ação de danos morais, materiais e lucros cessantes que move na Justiça Comum em desfavor
da União.

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Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 4 1

Éo relatório.
VOTO

A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (relatora): Senhores Ministros, o agravo regimental não reúne condições de
cognoscibilidade, ante a ausência de capacidade postulatória do agravante, a impedir o exame da pretensão deduzida.
Embora tenha o agravante juntado decisão do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, publicada no DOU de
26.6.2018, pela qual dado provimento ao Recurso nº 07.0000.2016.006243-8/SCA-PTU para declarar cessada a sanção de
suspensão do exercício profissional discutida naquele processo, sua inscrição ainda permanece suspensa no Cadastro Nacional
de Advogados, verificada pendência da sanção disciplinar, ainda que por motivo diverso.
Nessa linha, “a suspensão da inscrição na OAB do ora agravante, que atua em causa própria, impede o conhecimento do
recurso, devido àfalta de capacidade postulatória do seu subscritor, o que torna o ato nulo (AgR-AC nº 709-75/GO, Rel. Min.
Dias Toffoli, DJe de 14.2.2014).
Ante o exposto, não conheço do agravo regimental.
Écomo voto.

EXTRATO DA ATA

AgR-AgR-Pet nº 0600497-29.2018.6.00.0000/DF. Relatora: Ministra Rosa Weber. Agravante: Carlos Antônio de Freitas.
Requerido: Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal. Requerido: Tribunal Regional Eleitoral de Goiás.
Decisão: O Tribunal, por unanimidade, não conheceu do agravo regimental, nos termos do voto da relatora.
Composicão: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luis Roberto Barroso, Edson Fachin, Jorge Mussi, Luis Felipe Salomão,
Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.
SESSÃO DE 13.9.2018.

Processo 0600560-88.2017.6.00.0000

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL


ACÓRDÃO

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NA PETIÇÃO Nº 0600560-88.2017.6.00.0000 –BRASÍLIA –DISTRITO


FEDERAL
Relatora: Ministro Rosa Weber Embargante: Partido Social Cristão (PSC) - Nacional
Advogados: Marcelo do Nascimento Carvalho Pereira - OAB: 22895/DF e outros Embargada: Fundação Instituto Pedro Aleixo -
FIPA
Advogado: Juliano Cesar Gomes - OAB: 118456/MG

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, podendo ser acessado no endereço eletrônico http://www.tse.jus.br
Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 4 2

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL. PETIÇÃO. PSC. DEVOLUÇÃO DE VERBAS DO FUNDO PARTIDÁRIO. RECUSA
DA FUNDAÇÃO INSTITUÍDA PELA AGREMIAÇÃO (FIPA) EM DEVOLVER OS VALORES REPASSADOS E NÃO UTILIZADOS NOS
EXERCÍCIOS FINANCEIROS DE 2015 E 2016. FACULDADE PREVISTA NOS ARTS. 44, §6º, DA LEI Nº 9.096/1995 E 20, §2º, I, DA RES.-
TSE Nº 23.464/2015. PEDIDO INDEFERIDO. QUESTÃO INTERNA CORPORIS QUE REFOGE ÀCOMPETÊNCIA DESTA ESPECIALIZADA.
AUSÊNCIA DE REFLEXO DIRETO NO PROCESSO ELEITORAL. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. REJEITADOS.
1. Da leitura das razões dos embargos de declaração, constata-se não apontada a ocorrência de quaisquer das hipóteses
previstas no art. 1.022 do CPC de 2015, voltada a insurgência contra a suposta ausência de publicação da data de julgamento,
bem assim contra o equívoco no recebimento do agravo regimental como pedido de reconsideração, não verificados na
espécie.
2. Ausência de obscuridade justificadora da oposição de embargos declaratórios, nos termos do art. 1.022 do CPC de 2015, a
evidenciar o caráter meramente infringente da insurgência.
Embargos de declaração rejeitados.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do
voto da relatora.

Brasília, 13 de setembro de 2018.

MINISTRA ROSA WEBER – RELATORA

RELATÓRIO

A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER: Senhores Ministros, contra o acórdão pelo qual recebido o agravo regimental como
pedido de reconsideração, indeferido o pleito de devolução de sobras dos recursos do Fundo Partidário destinados pela
agremiação àFundação Instituto Pedro Aleixo (FIPA), referentes aos exercícios de 2015 e 2016 –por ser questão inserida no
âmbito da autonomia partidária, ausente competência da Justiça Eleitoral –, opõe embargos de declaração, com efeitos
infringentes, o Diretório Nacional do Partido Social Cristão (PSC).
Transcrevo a ementa do acórdão embargado (ID nº 192984):
AGRAVO REGIMENTAL EM PETIÇÃO. PSC. DEVOLUÇÃO DE VERBAS DO FUNDO PARTIDÁRIO. RECUSA DA FUNDAÇÃO INSTITUÍDA
PELA AGREMIAÇÃO (FIPA) EM DEVOLVER OS VALORES REPASSADOS E NÃO UTILIZADOS NOS EXERCÍCIOS FINANCEIROS DE 2015
E 2016. FACULDADE PREVISTA NOS ARTS. 44, §6º, DA LEI Nº 9.096/1995 E 20, §2º, I, DA RES.-TSE Nº 23.464/2015. PEDIDO NÃO
CONHECIDO. QUESTÃO INTERNA CORPORIS QUE REFOGE ÀCOMPETÊNCIA DESTA ESPECIALIZADA. AUSÊNCIA DE REFLEXO
DIRETO NO PROCESSO ELEITORAL. RECURSO RECEBIDO COMO PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO E INDEFERIDO.
1. Contra decisão pela qual não conhecido o pedido de devolução dos recursos do Fundo Partidário destinados àFundação
Instituto Pedro Aleixo (FIPA) e não utilizados nos exercícios de 2015 e 2016, manejou agravo regimental o Partido Social Cristão
(PSC) - Nacional.
2. Na linha da jurisprudência do TSE, recebe-se como pedido de reconsideração o agravo regimental interposto contra decisão
em processo de natureza administrativa. (PP nº 1334, Relator Min. Henrique Neves da Silva, DJE de 3.4.2017).
3. Embora o art. 29, §7º, I a VI, da Res.-TSE nº 23.464/2015 atribua àJustiça Eleitoral competência para fiscalizar a aplicação de
recursos do Fundo Partidário repassados pelos partidos políticos às suas fundações, os critérios de distribuição interna desses
valores, para além dos ditames legalmente estabelecidos –‘inclusive no que toca àmanutenção de fundação de pesquisa,
doutrinação e educação política, com aplicação do limite mínimo de vinte por cento do total’ –consubstanciam matéria inserida
no âmbito da autonomia da respectiva agremiação partidária, a ser disciplinada em seu próprio estatuto (arts. 17, §1º, da
Constituição Federal e 15, VII e VIII, da Lei nº 9.096/95).
4. A eventual devolução de recursos repassados pelo partido e não utilizados pela fundação no exercício financeiro, para
reversão em outras atividades partidárias, éuma faculdade prevista nos arts. 44, §6º, da Lei nº 9.096/1995 e 20, §2º, I, da Res.-
TSE nº 23.464/2015, não competindo àJustiça Eleitoral sinalizar-lhes a atuação em conflito de interesses quanto a relações
jurídicas de estrito direito privado, ausente reflexo direto no processo eleitoral.
5. Agravo regimental recebido como pedido de reconsideração e indeferido.”

O embargante, em sua minuta, (ID nº 207067) aponta obscuro o acórdão hostilizado, em relação aos seguintes pontos:

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Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 4 3

a) inclusão do feito em pauta sem qualquer despacho, ausente o dia do julgamento, a impossibilitar a distribuição de
memoriais; e
b) recebido o agravo regimental como pedido de reconsideração, a despeito de não se tratar de matéria administrativa.
Requer o acolhimento dos embargos para que seja determinado novo dia para julgamento com a devida publicação da pauta no
DJe.
Sem contrarrazões.
Éo relatório.

VOTO

A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (relatora): Senhores Ministros, satisfeitos os pressupostos extrínsecos, passo àanálise dos
embargos de declaração.
Não há vícios a sanar.
Da leitura das razões dos embargos de declaração, constato voltada a insurgência contra a suposta ausência de publicação da
data para o julgamento do feito, bem assim contra o recebimento do agravo regimental como pedido de reconsideração.
Quanto àsuposta ausência de publicação da data de julgamento, verifico, pelo andamento, ocorrida a intimação da inclusão do
processo em pauta no dia 27.3.2018 para julgamento no dia 3.4.2018, observado o prazo mínimo de 24 horas, previsto no art.
18 da Res.-TSE nº 23.478/2016.
Por outro lado, devidamente fundamentado o recebimento do agravo regimental como pedido de reconsideração, nos
seguintes termos:
(...) inicialmente, recebo o presente agravo regimental como pedido de reconsideração, porquanto interposto contra decisão
prolatada em processo de natureza administrativa. Nesse sentido: PP nº 1334, Relator Min. Henrique Neves da Silva, DJE de
3.4.2017.
Nesse contexto, respeitado o prazo de 24 (vinte e quatro) horas entre a publicação da pauta de julgamento e a sessão
respectiva, bem como justificado o recebimento do agravo regimental como pedido de reconsideração, àmíngua de
obscuridade no acórdão ora embargado, o que se observa éa tentativa de novo julgamento da causa.
Ausentes quaisquer das hipóteses elencadas no art. 1.022 do CPC, evidencia-se tão somente o inconformismo da parte com a
decisão que lhe foi desfavorável.
Pelo exposto, rejeito os embargos de declaração.
Écomo voto.

Art. 18. Os julgamentos das ações originárias e dos recursos nos Tribunais Eleitorais, inclusive os agravos e embargos de
declaração na hipótese do art. 1.024, §1º, do Novo Código de Processo Civil, somente poderão ser realizados 24 horas após a
publicação da pauta.
Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para:
I - esclarecer obscuridade ou eliminar contradição;
II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento;
III - corrigir erro material.
Parágrafo único. Considera-se omissa a decisão que:
I - deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência
aplicável ao caso sob julgamento;
II - incorra em qualquer das condutas descritas no art. 489, §1º.

EXTRATO DA ATA

ED-AgR-Pet nº 0600560-88.2017.6.00.0000/DF. Relatora: Ministra Rosa Weber. Embargante: Partido Social Cristão (PSC)
–Nacional (Advogados: Marcelo do Nascimento Carvalho Pereira –OAB: 22895/DF e outros). Embargada: Fundação Instituto

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Pedro Aleixo - FIPA (Advogado: Juliano Cesar Gomes - OAB: 118456/MG).


Decisão: O Tribunal, por unanimidade, rejeitou os embargos de declaração, nos termos do voto da relatora.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Jorge Mussi, Luis Felipe Salomão,
Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.

SESSÃO DE 13.9.2018.

Processo 0600974-86.2017.6.00.0000

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL


ACÓRDÃO

AGRAVO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO NA AÇÃO RESCISÓRIA Nº 0600974-86.2017.6.00.0000 –FLORIANÓPOLIS –SANTA


CATARINA
Relatora: Ministra Rosa Weber
Agravante: Anísio Anatólio Soares
Advogados: Paulo Fretta Moreira –OAB: 19086/SC e outros
Agravado: Ministério Público Eleitoral

ELEIÇÕES 2012. AGRAVO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. ABUSO DE PODER. INELEGIBILIDADE. RECURSO
EXTRAORDINÁRIO INADMITIDO COM FUNDAMENTO NO ART. 1.030, I, a, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MANEJO DE AGRAVO
EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO PREVISTO NO ART. 1.042 DO CPC. NÃO CABIMENTO. ERRO INESCUSÁVEL. INEXISTÊNCIA DE
DÚVIDA OBJETIVA. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE. AGRAVO NÃO CONHECIDO.
Histórico da demanda
1. Trata-se de agravo manejado por Anísio Anatólio Soares contra decisão proferida pelo Min. Luiz Fux, Presidente do TSE
àépoca, pela qual negado seguimento ao recurso extraordinário, com fundamento no art. 1.030, inc. I, alínea a, do CPC, não
concretizado o requisito da repercussão geral o exame de admissibilidade da ação rescisória (STF- AI nº 751478 RG/SP, rel. Min.
Dias Toffoli, DJe de 11.2.2010).
Do agravo regimental

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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2. Impugnável mediante agravo interno ao colegiado deste Tribunal Superior Eleitoral a decisão que inadmitiu o recurso
extraordinário com fundamento no art. 1.030, inc. I, alínea a, do CPC, notadamente porque a matéria versada no recurso diz
sobre questão relativamente àqual o Supremo Tribunal Federal já reconheceu a ausência de repercussão geral.
3. Inaplicável, àespécie, o princípio da fungibilidade. Precedentes.
Agravo não conhecido.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral , por unanimidade, em não conhecer do agravo, nos termos do voto da
relatora.
Brasília, 13 de setembro de 2018.
MINISTRA ROSA WEBER – RELATORA

RELATÓRIO

A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER: Senhores Ministros, contra decisão proferida pelo Min. Luiz Fux, Presidente do TSE
àépoca, pela qual negado seguimento ao seu recurso extraordinário –com fundamento no art. 1.030, inc. I, alínea a, do CPC –,
não concretizado o requisito da repercussão geral o exame de admissibilidade da ação rescisória –, manejou agravo Anatólio
Soares.
Em suas razões (ID nº 169513), o agravante sustenta, em síntese, que:
a) cabível o agravo, nos próprios autos, nos termos do art. 1.030, inc. V, §1º1, c.c. o art. 1.0422, ambos do CPC, questionado
especificamente o direito ao acesso àjustiça, como fundamento do extraordinário; e
b) não examinada, pelo precedente colacionado na decisão agravada (AI nº 751478 RG/SP, rel. Min. Dias Toffoli), a repercussão
geral sobre negativa de prestação jurisdicional ou o acesso àjustiça, propriamente dito.
Reitera, no mais, os argumentos expendidos no recurso extraordinário, no qual sustenta, em suma, (i) prequestionada a ofensa
ao art. 5º, inc. XXXV, da Constituição Federal; (ii) evidenciada a repercussão geral, uma vez que o formalismo exigido “constitui
uma manipulação arbitrária do direito prejudicial a todos os aspirantes àjurisdição do Tribunal Superior Eleitoral, que vem
verdadeiramente se negando a cumprir sua função constitucional de facilitar o acesso àjustiça, deixando a Carta Magna
ineficaz e a isonomia sem meio que a assegure, com prejuízos transindividuais evidentes (fl. 10); e (iii) não examinado o mérito
da ação rescisória, o que comprova a negativa de acesso àJustiça.
Em petição avulsa (ID nº 282898), o agravante aduz em trâmite, na 2ª Vara Cível da Comarca de Biguaçu, Ação Civil Pública nº
0900250-51.2017.8.24.0007, proposta pelo Ministério Público de Santa Catarina, na qual se pretende sua condenação por ato
de improbidade administrativa, relativa aos mesmos fatos tratados na Ação de Investigação Judicial Eleitoral nº 819-
36.2012.8.21.0002, cuja desconstituição se busca na presente ação.
Tendo em vista a amplitude probatória, naqueles autos, e admitida a juntada de novos documentos neste processo –amparado
nos arts. 435 do CPC e 5º, inc. LV, da CRFB –, acosta provas que evidenciam (i) não identificados e apontados, pelo MPE,
servidores no evento; (ii) indícios de fraude no documento apresentado por Antônio Jaime Engracia; (iii) não contraditórios o
depoimento de Carlos Eduardo Brito –única testemunha na AIJE –e as declarações prestadas pelas testemunhas de defesa e
pelo requerido; e (iv) a prática comum da realização de reunião com secretários e assessores fora da Prefeitura.
Pretende, ao final, o julgamento da ação rescisória com a procedência do pedido de desconstituição do acórdão 29.200 e
subsequente novo julgamento.
Éo relatório.

(1) Art. 1.030. Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribunal, o recorrido será intimado para apresentar
contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual os autos serão conclusos ao presidente ou ao vice-presidente do
tribunal recorrido, que deverá:
[...]
V –realizar o juízo de admissibilidade e, se positivo, remeter o feito ao Supremo Tribunal Federal ou ao Superior Tribunal de
Justiça, desde que:
[...]
§1º Da decisão de inadmissibilidade proferida com fundamento no inciso V caberá agravo ao tribunal superior, nos termos do
art.1.042.

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(2) Art. 1.042. Cabe agravo contra decisão do presidente ou do vice-presidente do tribunal recorrido que inadmitir recurso
extraordinário ou recurso especial, salvo quando fundada na aplicação de entendimento firmado em regime de repercussão
geral ou em julgamento de recursos repetitivos.

VOTO

A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (relatora): Senhores Ministros, embora tempestivo e regular a representação processual,
não se credencia o agravo ao conhecimento.
O Ministro Luiz Fux, Presidente deste Tribunal Superior àépoca, negou seguimento ao recurso extraordinário do ora agravante
com fundamento no art. 1.030, inc. I, alínea a, do CPC3, não concretizado o requisito da repercussão geral no exame de
admissibilidade da ação rescisória (STF- AI nº 751478 RG/SP, rel. Min. Dias Toffoli, DJe de 11.2.2010).
A propósito, transcrevo (ID nº 167863):
1. O recurso não merece seguimento.
Conquanto o recorrente postule a admissão do recurso em razão de suposta ofensa ao art. 5º, inciso XXXV, da Constituição
Federal, verifico que a questão dos autos se refere àausência de pressuposto de admissibilidade da ação rescisória.
Ocorre que, no julgamento do AI 751478 RG/SP, rel. Min. Dias Toffoli, em 11.2.2010, o Supremo Tribunal Federal assentou que
a matéria referente aos requisitos de admissibilidade da ação rescisória não possui repercussão geral apta a abrir a estreita via
do apelo extremo, haja vista a natureza infraconstitucional da questão. Confira-se, a propósito, a ementa do julgado (Tema
248):
DIREITO DO TRABALHO. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DE AÇÃO RESCISÓRIA. MATÉRIA RESTRITA AO PLANO
INFRACONSTITUCIONAL. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.
3. Ante o exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário, nos termos do art. 1.030, inciso I, alínea a, do Código de
Processo Civil.
Publique-se. (Destaquei)
Com efeito, consabido que, nos termos do art. 1.030, §2º, do CPC4, impugnável, mediante agravo interno ao colegiado deste
Tribunal Superior, a decisão que inadmitiu o recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, inc. I, alínea a, do CPC,
notadamente porque a matéria versada no recurso diz sobre questão relativamente àqual o Supremo Tribunal Federal já
reconheceu a ausência de repercussão geral, inaplicável, àespécie, o princípio da fungibilidade, na linha da jurisprudência do
TSE:
AGRAVO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO NA PRESTAÇÃO DE CONTAS. PCO. EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2011. RECURSO
EXTRAORDINÁRIO A QUE FOI NEGADO SEGUIMENTO COM FUNDAMENTO NO ART. 1.030, I, A, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
MATÉRIA DE ÍNDOLE INFRACONSTITUCIONAL. AGRAVO NÃO CABÍVEL. ERRO INESCUSÁVEL. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA
OBJETIVA. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE. AGRAVO NÃO CONHECIDO.
1. O agravo em recurso extraordinário émanejado, em regra, para impugnar decisão de presidente ou vice-presidente de
tribunal que tenha inadmitido o apelo extremo, consoante se extrai dos arts. 1.030, §1º, e 1.042, primeira parte, do CPC, sendo
encaminhado ao tribunal superior ( i.e., o Supremo Tribunal Federal).
2. A norma processual civil somente excepcionou algumas situações de negativa de seguimento do recurso extraordinário. São
elas: juízos de admissibilidade que tenham por fundamento orientação firmada em regime de repercussão geral e
entendimento consolidado em julgamento de recursos repetitivos ou que discuta questão constitucional àqual o Supremo
Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, hipóteses em que o recurso cabível éo agravo
interno, ex vi do art. 1.030, I e §2º, e do art. 1.042, parte final, a ser submetido ao colegiado do tribunal recorrido.
3. In casu, ao recurso extraordinário foi negado seguimento sobre o fundamento de que o STF assentou a ausência de
repercussão geral quando a alegação de violação àampla defesa e ao contraditório depender da interpretação de normas
infraconstitucionais. Desse modo, constata-se a subsunção do decisum ao disposto no art. 1.030, I, a, do CPC, afigurando-se
incabível, bem por isso, o agravo em recurso extraordinário ora manejado.
4. O princípio da fungibilidade recursal não se aplica neste caso, visto que a interposição de um recurso por outro consubstancia
erro inescusável, ante a inexistência de dúvida objetiva quanto ao instrumento cabível para impugnar a decisão de
inadmissibilidade do recurso extraordinário.
5. Agravo não conhecido.
(AgR-PC nº 26054/DF, Min. Luiz Fux, sessão jurisdicional de 7.8.2018, pendente de publicação - destaquei).
Ademais, nada a prover quanto àpetição ID nº 282898, não examinado o mérito da ação rescisória, ante a incompetência deste
Tribunal Superior (ID nº 76198).
Ante o exposto, não conheço do agravo.

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Écomo voto.

(3) Art. 1.030. Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribunal, o recorrido será intimado para apresentar
contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual os autos serão conclusos ao presidente ou ao vice-presidente do
tribunal recorrido, que deverá
I –negar seguimento:
a) a recurso extraordinário que discuta questão constitucional àqual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a
existência de repercussão geral ou a recurso extraordinário interposto contra acórdão que esteja em conformidade com
entendimento do Supremo Tribunal Federal exarado no regime de repercussão geral;
(4) Art. 1.030, §2 ºDa decisão proferida com fundamento nos incisos I e III caberá agravo interno, nos termos do art. 1.021.

EXTRATO DA ATA

Ag-RE-AR nº 0600974-86.2017.6.00.0000/SC. Relatora: Ministra Rosa Weber. Agravante: Anísio Anatólio Soares (Advogados:
Paulo Fretta Moreira –OAB: 19086/SC e outros). Agravado: Ministério Público Eleitoral.
Decisão: O Tribunal, por unanimidade, não conheceu do agravo, nos termos do voto da relatora.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Jorge Mussi, Luis Felipe Salomão,
Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.

SESSÃO DE 13.9.2018.

Processo 0601553-97.2018.6.00.0000

index: PRESTAÇÃO DE CONTAS (11531)-0601553-97.2018.6.00.0000-[Cargo - Deputado Federal, Prestação de Contas]-


AMAZONAS-MANAUS
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

PRESTAÇÃO DE CONTAS (11531) Nº 0601553-97.2018.6.00.0000 (PJe) - MANAUS - AMAZONAS RELATOR: MINISTRO LUIZ
EDSON FACHIN REQUERENTE: ANA SUSY DE ALMEIDA CAVALCANTE Advogado do(a) REQUERENTE: HELADIO DE SOUZA GOMES
JUNIOR - AM11129
DECISÃO
ELEIÇÕES 2014. PRESTAÇÃO DE CONTAS. CARGO. DEPUTADO FEDERAL. INCOMPETÊNCIA DO TSE. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.
PEDIDO DE LIMINAR PREJUDICADO.
Trata-se de prestação de contas referente às Eleições 2014, com pedido liminar, apresentada por Ana Suzy de Almeida
Cavalcante, objetivando a concessão de certidão de quitação eleitoral para renovação de passaporte.
Requer, liminarmente, a expedição de certidão de quitação eleitoral e, ao final, o julgamento pela aprovação de suas contas
relativas às Eleições de 2014.
Éo relatório.
A presente prestação de contas não merece acolhimento.
Observa-se que a prestação de contas apresentada se refere àcampanha de Deputado Federal para o pleito de 2014, de modo
que a competência para o processamento e julgamento dessa prestação de contas édo Tribunal Regional Eleitoral do
Amazonas, conforme previsão do art. 89, II, do Código Eleitoral c/c art. 33, §5º, da Res.-TSE nº 23.406/2014.
Ante o exposto, dada àincompetência desta Corte, nego seguimento àprestação de contas, ficando prejudicado o exame do
pedido de liminar.
Publique-se. Brasília, 2 de outubro de 2018. Ministro LUIZ EDSON FACHIN Relator
Processo 0601117-75.2017.6.00.0000

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TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL


ACÓRDÃO

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NA PETIÇÃO Nº 0601117-75.2017.6.00.0000 - PETROLINA -


PERNAMBUCO

Relatora: Ministra Rosa Weber


Embargante: Ministério Público Eleitoral
Embargado: Adalberto Cavalcanti Rodrigues
Advogados: Bruno Rangel Avelino da Silva - OAB: 23067/DF e outros

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL. PETIÇÃO. AÇÃO DE JUSTIFICAÇÃO DE DESFILIAÇÃO PARTIDÁRIA.


DEPUTADO FEDERAL. JUSTA CAUSA RECONHECIDA. ANUÊNCIA DO PARTIDO TRABALHISTA BRASILEIRO. OMISSÃO.
CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REJEIÇÃO.
1. Não se prestam os embargos de declaração, não obstante sua vocação democrática e a finalidade precípua de
aperfeiçoamento da prestação jurisdicional que os inspira, para o reexame das premissas fáticas e jurídicas já apreciadas no
acórdão embargado.
2. O julgador não está obrigado ao exame de todas as alegações suscitadas pelas partes quando desnecessárias diante dos
fundamentos em que lastreada sua decisão, suficientes a ampará-la.
3. Ausência de omissão e de contradição justificadoras da oposição de embargos declaratórios, a evidenciar tão somente o
inconformismo da parte com a decisão que lhe foi desfavorável.
Embargos de declaração rejeitados.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do
voto da relatora.

Brasília, 2 de agosto de 2018.


MINISTRA ROSA WEBER - RELATORA

RELATÓRIO

A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER: Senhor Presidente, contra o acórdão pelo qual, àunanimidade, negado provimento ao
agravo regimental –mantida a declaração de justa causa na desfiliação de Adalberto Cavalcanti Rodrigues do Partido Trabalhista
Brasileiro (PTB) –, opõe embargos de declaração o Ministério Público Eleitoral.
O acórdão embargado está assim ementado (ID nº 197951):
AGRAVO REGIMENTAL. AÇÃO DE JUSTIFICAÇÃO DE DESFILIAÇÃO PARTIDÁRIA. DEPUTADO FEDERAL. ANUÊNCIA DO PARTIDO
TRABALHISTA BRASILEIRO (PTB). PRECEDENTES. NÃO PROVIMENTO.
Histórico da demanda
1. Ação de justificação de desfiliação partidária proposta por Adalberto Cavalcanti Rodrigues –Deputado Federal –em face do
Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), por alegada justa causa, a subsidiar seu desligamento dos quadros da agremiação.
2. Declarada a existência de justa causa para a desfiliação –ausente oposição do partido político àsolicitação pretendida –,
maneja agravo regimental o Ministério Público Eleitoral.
Do agravo regimental
3. A jurisprudência desta Corte Superior ésólida no sentido de que a concordância da agremiação partidária com o desligamento
do filiado éapta a permitir a desfiliação sem prejuízo do mandato eletivo.

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Conclusão
Agravo regimental conhecido e não provido.
Aponta o embargante, em linhas gerais, omissão no acórdão embargado, porquanto não analisada a fidelidade partidária sob a
ótica das recentes manifestações proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) –no sentido da necessidade de se interpretrar
a filiação partidária como condição de elegibilidade, a tornar vedadas as candidaturas avulsas –, ao revés do que prevê o Pacto
San Jose da Costa Rica, ausente exigência de filiação a partido político.
Por sua vez, sustenta contraditória a decisão embargada, fundamentada a justa causa para a desfiliação em circunstância não
prevista em lei –anuência da agremiação partidária –, a violar o disposto nos arts. 1º, parágrafo único, e 14 da Constituição
Federal; e 1º, §1º, da Res.-TSE nº 22.610/2007.
Dessa forma, argumenta a “violação ao princípio da soberania popular”, porquanto o eleitor “escolheu aquele candidato
naquele partido para representá-lo politicamente”.
Pugna, ao final, “pelo acolhimento dos embargos de declaração, para que seja reformada a decisão ora embargada que julgou
procedente a ação de justificação de desfiliação partidária”, bem como objetiva o prequestionamento da matéria
constitucional para futura apreciação pelo STF (ID nº 245202).
Contrarrazões (ID nº 252580).
Éo relatório.

VOTO

A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (relatora): Senhor Presidente, preenchidos os pressupostos extrínsecos, examino os
intrínsecos.
Não há vícios a sanar.
Àluz do aresto embargado, reconhecida a justa causa para a desfiliação de Adalberto Cavalcanti Rodrigues –Deputado Federal
–do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), sopesadas as divergências intrapartidárias e a hostilidade entre as partes, minimizadas
com a anuência da agremiação em relação ao desligamento do filiado dos seus quadros.
Ao contrário do que sustenta o embargante, prescindível a análise da filiação partidária sob o enfoque da elegibilidade –e,
porventura, seus desdobramentos –, assentado no acórdão embargado “que esta Corte Superior (Consulta/TSE nº 1.398) e o
Supremo Tribunal Federal (Mandados de Segurança nos 26.602, 26.603 e 26.604) já se posicionaram no sentido de que os
mandatos no sistema de representação proporcional pertencem aos partidos políticos e não aos parlamentares” (destaquei).
Logo, “a anuência com a sua desfiliação partidária ésuficiente para a caracterização da justa causa que permite a mudança de
legenda sem a perda do direito ao exercício do cargo (AgR-AI nº 113848, Rel. Min. Henrique Neves da Silva, DJe de 20.9.2016
–destaquei)”.
Consabido que "a omissão apta a ser suprida pelos declaratórios éaquela advinda do próprio julgamento e prejudicial
àcompreensão da causa" (ED-AgR-AI nº 10.804, Rel. Min. Marcelo Ribeiro, DJe de 1º.2.2011), e a contradição que possibilita o
acolhimento dos aclaratórios éaquela ocorrente entre as respectivas premissas ou entre estas e a conclusão ou resultante do
cotejo da ementa com o julgado e/ou sua parte dispositiva, hipóteses que em absoluto se verificam na espécie.
Pontuo não se prestarem os declaratórios, não obstante sua vocação democrática e a finalidade precípua de aperfeiçoamento
da prestação jurisdicional que os inspira, para o reexame das questões de fato e de direito já apreciadas no acórdão embargado.
Firme o entendimento de que “a via aclaratória não se presta àrediscussão dos fundamentos do acórdão recorrido. Os
embargos de declaração utilizados para esse fim ultrapassam os limites delineados pelo art. 535, inc. I e II, do CPC c.c. o art. 275
do Código Eleitoral" (AgR-Al nº 11708/MG, Rel. Min. Felix Fischer, DJe de 15.4.2010 –destaquei).
Acresço não estar o julgador obrigado ao exame de todas as alegações suscitadas pelas partes quando desnecessárias diante
dos fundamentos em que lastreada sua decisão, suficientes a ampará-la.
Por fim, incabíveis os embargos de declaração, mesmo para fins de prequestionamento, quando inexistentes no julgado algum
dos vícios objeto do art. 275 do Código Eleitoral. Precedentes: ED-AgR-AI nº 17152/MT, Rel. Min. Tarcisio Vieira de Carvalho
Neto, DJe de 9.10.2017; ED-AgR-AI nº 5783/PI, Rel. Min. Admar Gonzaga, DJe de 22.9.2017; ED-AgR-REspe nº 8344/MG, Rel.
Min. Napoleão Nunes Maia, DJe de 5.9.2017.
Ausentes quaisquer das hipóteses elencadas no art. 1.022 do CPC/2015[1], evidencia-se tão somente o inconformismo da parte
com a decisão que lhe foi desfavorável.
Embargos de declaração rejeitados.
Écomo voto.
[1] Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para:
I - esclarecer obscuridade ou eliminar contradição;

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II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento;
III - corrigir erro material.
Parágrafo único. Considera-se omissa a decisão que:
I - deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência
aplicável ao caso sob julgamento;
II - incorra em qualquer das condutas descritas no art. 489, §1º.

EXTRATO DA ATA

ED-AgR-Pet nº 0601117-75.2017.6.00.0000/PE. Relatora: Ministra Rosa Weber. Embargante: Ministério Público Eleitoral.
Embargado: Adalberto Cavalcanti Rodrigues (Advogados: Bruno Rangel Avelino da Silva OAB: 23067/DF e outros).
Decisão: O Tribunal, por unanimidade, rejeitou os embargos de declaração, nos termos do voto da relatora.
Composição: Ministros Luiz Fux (presidente), Rosa Weber, Luís Roberto Barroso, Napoleão Nunes Maia Filho, Jorge Mussi,
Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.

SESSÃO DE 2.8.2018.

Processo 0600525-94.2018.6.00.0000

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL


ACÓRDÃO
CONSULTA Nº 0600525-94.2018.6.00.0000 –BRASÍLIA –DISTRITO FEDERAL
Relatora: Ministra Rosa Weber Consulente: Randolph Frederich Rodrigues Alves Advogados: Apollo Bernardes da Silva -
OAB/DF: 44002 e outros
CONSULTA. SENADOR DA REPÚBLICA. CANDIDATURA ÚNICA. ELEIÇÃO PROPORCIONAL. COTA DE GÊNERO. ART. 10, §3º, DA LEI
Nº 9.504/1997. PROCESSO ELEITORAL EM ANDAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
1. Revela-se inviável a manifestação em consultas quando iniciado o processo eleitoral, ante o risco de antecipação, por esta
Corte Superior, de conclusões jurídicas relacionadas a possíveis demandas futuras.
2. Consulta não conhecida.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em não conhecer da consulta, nos termos do voto da
relatora.
Brasília, 16 de agosto de 2018.
MINISTRA ROSA WEBER – RELATORA

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Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 5 1

RELATÓRIO

A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER: Senhores Ministros, trata-se de consulta formulada pelo Senador da República Randolph
Frederich Rodrigues Alves acerca da possibilidade de lançamento, pelo Partido Político, de candidatura única para a Câmara dos
Deputados, diante do preceito normativo que estabelece cota de gênero –art. 10, §3º, da Lei nº 9.504/1997[1].
O consulente elabora o seguinte questionamento (ID 268276):
Com relação àchapa de candidatos àCâmara Federal, um determinado partido possui uma única candidatura e não irá fazer
coligação. Seria juridicamente admissível, em virtude da impossibilidade de cindir ‘uma única candidatura’ entre os sexos, este
partido registrar apenas e tão somente essa candidatura àCâmara Federal?
Em 30.5.2018, distribuídos àminha relatoria, foram os autos remetidos àAssessoria Consultiva (Assec), que opinou no sentido
de se responder positivamente ao questionamento, constando ressalva expressa de que, em eleição proporcional, apenas se
admite candidatura única se esta for de uma mulher, de modo a privilegiar a maior participação feminina na política, nos
seguintes moldes (ID 274958):
Consulta. Candidatura única. Eleição proporcional. Cota de gênero. PARECER. Resposta positiva. Possibilidade. Ressalva. Ação
afirmativa. Candidata do gênero feminino.
Autos a mim conclusos em 19.6.2018.
Éo relatório.
[1] Art. 10. Cada partido ou coligação poderá registrar candidatos para a Câmara dos Deputados, a Câmara Legislativa, as
assembleias legislativas e as câmaras municipais no total de até 150% (cento e cinquenta por cento) do número de lugares a
preencher [...]
§3º Do número de vagas resultante das regras previstas neste artigo, cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30%
(trinta por cento) e o máximo de 70% (setenta por cento) para candidaturas de cada sexo.

VOTO

A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (relatora): Senhores Ministros, desde já, cumpre consignar que, a teor do inciso XII do
artigo 23 do Código Eleitoral, compete ao TSE, privativamente, “responder, sobre matéria eleitoral, às consultas que lhe forem
feitas em tese por autoridade com jurisdição federal ou órgão nacional de partido político”.
Cinge-se a presente consulta, formulada por Senador da República, sobre a possibilidade de um Partido Político apresentar
apenas um candidato para o cargo de Deputado Federal, no contexto da norma eleitoral que impõe a proporcionalidade entre
gêneros, prevista no art. 10, §3º, da Lei das Eleições.
Repiso o teor do questionamento:
Com relação àchapa de candidatos àCâmara Federal, um determinado partido possui uma única candidatura e não irá fazer
coligação. Seria juridicamente admissível, em virtude da impossibilidade de cindir ‘uma única candidatura’ entre os sexos, este
partido registrar apenas e tão somente essa candidatura àCâmara Federal?
A consulta não deve ser conhecida.
Não obstante presentes os requisitos de admissibilidade, verifico já iniciado o processo eleitoral, coincidente com a data da
realização das convenções partidárias para a escolha de candidatos e a deliberação sobre coligações, findando na data da
diplomação dos candidatos eleitos.
A minirreforma eleitoral de 2015 alterou o art. 8º da Lei n° 9.504/97, de ordem a modificar o período para a realização das
convenções, dispondo que " a escolha dos candidatos pelos partidos e a deliberação sobre coligações deverão ser feitas no
período de 20 de julho a 5 de agosto do ano em que se realizarem as eleições".
Com efeito, revela-se inviável a manifestação em consultas durante esse período, ante o risco de antecipação, por esta Corte
Superior, de conclusões jurídicas relacionadas a possíveis demandas futuras.
A propósito, cito a jurisprudência deste Tribunal Superior Eleitoral:
CONSULTA. MANDATO. DECISÃO JUDICIAL. CARGO. EXERCÍCIO TEMPORÁRIO. REELEIÇÃO. PERÍODO ELEITORAL. INÍCIO. NÃO
CONHECIMENTO. Iniciado o processo eleitoral, não se conhece de consulta, porquanto seu objeto poderá ser apreciado pela
Justiça Eleitoral, em caso concreto. Consulta não conhecida. (Cta n° 517-1/DF, Rel. Min. Luciana Lóssio, DJe de 21.8.2014).
CONSULTA. REELEIÇÃO. CARGO. PREFEITO. MEMBRO DE ÓRGÃO ADMINISTRATIVO. CONSÓRCIO PÚBLICO. FUNÇÕES
DESEMPENHADAS POR CHEFE DO EXECUTIVO MUNICIPAL. DESINCOMPATIBILIZAÇÃO. INÍCIO DO PERÍODO ELEITORAL.
CONVENÇÕES PARTIDÁRIAS REALIZADAS. IMPOSSIBILIDADE DE MANIFESTAÇÃO DA CORTE DADO O RISCO DE APRECIAÇÃO DE
DEMANDAS CONCRETAS. NÃO CONHECIMENTO.

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1. A consulta não deve ser conhecida quando já iniciado o processo eleitoral, porquanto o objeto do questionamento poderá
ser apreciado pela Justiça Eleitoral ante a sobrevinda de demandas concretas.
2. Consulta não conhecida. (Cta nº 233-32/DF, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 28.9.2016)
Ante o exposto, não conheço da consulta.
Écomo voto.

EXTRATO DA ATA

CTA nº 0600525-94.2018.6.00.0000/DF. Relatora: Ministra Rosa Weber. Consulente: Randolph Frederich Rodrigues Alves
(Advogados: Apollo Bernardes da Silva - OAB/DF: 44002 e outros).
Decisão: O Tribunal, por unanimidade, não conheceu da consulta, nos termos do voto da relatora.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Napoleão Nunes Maia Filho,
Jorge Mussi, Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.

SESSÃO DE 16.8.2018.
Processo 0601018-71.2018.6.00.0000

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL


ACÓRDÃO
CONSULTA 0601018-71.2018.6.00.0000 –BRASÍLIA –DISTRITO FEDERAL Relator: Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto
Consulente: Partido Novo (NOVO) –NACIONAL
Advogados: Marilda de Paula Silveira –OAB: 33.958/DF e outros

CONSULTA. NOTÍCIAS FALSAS. MEDIDAS ADOTADAS. PEDIDO DE INFORMAÇÕES. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. CONTEÚDO.
RETIRADA. INDICAÇÃO INDIVIDUAL. JUÍZES ELEITORAIS. PODER DE POLÍCIA. ALCANCE. RELEITURA. PERÍODO ELEITORAL. INÍCIO.
NÃO CONHECIMENTO.
1. Consulta formulada nos seguintes termos: “a) quais as medidas não contenciosas que vêm sendo tomadas por esta c. Corte
Superior para impedir a desinformação do eleitor por meio da disseminação pulverizada de informações falsas, injuriosas,
caluniosas e difamatórias sobre candidatos em plataformas digitais? b) a pretensão de garantir a liberdade do voto,
considerando a relevância desse ato decisório que éconcentrado no tempo, que édatado e cujos efeitos se estendem por anos,
exige que a Justiça Eleitoral determine que as plataformas digitais retirem, independentemente da indicação individual e
específica da URL de cada postagem, todo o conteúdo idêntico que dissemine informação falsa, injuriosa, caluniosa ou
difamatória a respeito de candidatos? c) A disrupção tecnológica e a interferência na manifestação de vontade do eleitor exige
a releitura dos art. 35, incisos IV, V e XVII, no art. 129 e no art. 242, parágrafo único, todos do Código Eleitoral no sentido de
que os juízes eleitorais possuem competência para exercer poder de polícia administrativa determinando a retirada de
conteúdo falso, injurioso, calunioso ou difamatório de plataformas digitais e aplicativos de mensagens?”(ID nº 311698 –p. 6).
2. O item a não se trata necessariamente de uma dúvida a ser dirimida por esta Justiça especializada, porquanto não se reveste
das características próprias de consulta, mas, sim, de um pedido de informações ou até mesmo de uma prestação de contas
acerca dos procedimentos adotados para impedir a difusão de notícias falsas, demanda esta que não encontra amparo na via
eleita.
3. Os itens b e c buscam medidas de providências por partes desta Justiça Eleitoral, seja para determinar a retirada de
conteúdos falaciosos, independentemente da indicação individual e endereço específico (URL) de cada postagem, seja para
rever o alcance dos dispositivos do Código Eleitoral no que alude ao poder coercitivo de polícia dos juízes eleitorais.
4. Em que pesem a relevância e a contemporaneidade da matéria e os esforços já envidados por esse Tribunal Superior no
combate àdisseminação das chamadas fake news, da maneira como as indagações foram propostas, o adequado exame resulta
impossibilitado, pois o consulente relata situação fática, com tópicos que não se enquadram na natureza jurídica das consultas.
5. Conforme se verifica do texto legal que disciplina as consultas (inciso XII do art. 23 do CE), para que sejam elas admitidas,
além da legitimidade, existente na espécie, necessário se faz a presença cumulativa da pertinência do tema (matéria eleitoral),
com formulação em tese (com contornos de abstração), o que a toda evidência não se observou no presente caso.
6. Ademais, iniciado o processo eleitoral, não se conhece de consulta, porquanto seu objeto poderá ser apreciado pela Justiça

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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Eleitoral em caso concreto.


7. Consulta não conhecida.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em não conhecer da consulta, nos termos do voto do
relator.
Brasília, 25 de setembro de 2018.

MINISTRO TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO – RELATOR

RELATÓRIO

O SENHOR MINISTRO TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO (relator): Senhora Presidente, cuida-se de consulta formulada pelo
Diretório Nacional do Partido Novo, por meio de seu presidente, cuja matéria de fundo discorre sobre procedimentos adotados
por esta Justiça Eleitoral no combate às chamadas fake news e ataques aos candidatos do partido consulente.
Antes de adentrar aos quesitos da consulta propriamente ditos, o consulente sustenta que o órgão partidário busca na presente
consulta esclarecer dúvida sobre “[...] os instrumentos concretos que vem sendo utilizados por esta C. Corte para combater os
insistentes ataques de fake news no Whatsapp e em redes sociais (Twitter, Facebook e Instagram) tendo em vista a ineficiência
do combate judicial individual [que exige URL de cada postagem e quebra de sigilo telefônico] absolutamente incompatível com
a velocidade da informação que circula na internet”, sobretudo quanto ao exercício do poder de polícia pelos juízes eleitorais,
nos termos dos incisos IV, V e XVII do art. 35, art. 129 e parágrafo único do art. 242, todos do Código Eleitoral (ID nº 311698 –p.
1-2).
Faz uma sinopse dos impactos das novas tecnologias na disseminação de notícias falsas e caluniosas contra os candidatos em
geral, mas particularmente em desfavor do candidato do Partido Novo concorrente àPresidência da República, João Amoedo.
Afirma que o controle desta Justiça, o qual éexercido caso a caso, tem sido ineficaz no combate àdivulgação desses conteúdos
na internet e nos aplicativos de mensagem, uma vez que as plataformas digitais têm exigido a individualização do perfil para a
retirada de “conteúdos idênticos que pulverizam informação falsa” (ID nº 311698 –p. 3). Daí dizer que os institutos devem ser
repensados para obter alcance maior do que a tradicional judicialização individual.
Reconhece que este Tribunal Superior, atento aos malefícios da divulgação desses conteúdos falaciosos, adotou medidas para o
combate a sua disseminação. Porém, aduz que as novas tecnologias têm potencializado esse cenário com grande impacto na
vontade do eleitor, ao argumento de que, “quando se trata da liberdade do voto, éinquestionável que a desinformação écapaz
de impactar a autonomia da vontade. Aliás, uma rede de desinformação pode servir como instrumento de fomento ao
aprofundamento de emoções que podem interferir, de forma maliciosa e orquestrada, na formação da vontade (ID nº 311698
–p. 4).
Ressalta que o tema ganhou força nessas eleições de 2018, a partir das circunstâncias observadas no Brexit e nas eleições
americana e francesa, a reclamar um processo de reanálise deste Tribunal.
Frente a essas premissas, a consulta foi apresentada nos seguintes termos (ID nº 311698):
a) quais as medidas não contenciosas que vêm sendo tomadas por esta c. Corte Superior para impedir a desinformação do
eleitor por meio da disseminação pulverizada de informações falsas, injuriosas, caluniosas e difamatórias sobre candidatos em
plataformas digitais?
b) a pretensão de garantir a liberdade do voto, considerando a relevância desse ato decisório que éconcentrado no tempo, que
édatado e cujos efeitos se estendem por anos, exige que a Justiça Eleitoral determine que as plataformas digitais retirem,
independentemente da indicação individual e específica da URL de cada postagem, todo o conteúdo idêntico que dissemine
informação falsa, injuriosa, caluniosa ou difamatória a respeito de candidatos?
c) A disrupção tecnológica e a interferência na manifestação de vontade do eleitor exige a releitura dos art. 35, incisos IV, V e
XVII, no art. 129 e no art. 242, parágrafo único, todos do Código Eleitoral no sentido de que os juízes eleitorais possuem
competência para exercer poder de polícia administrativa determinando a retirada de conteúdo falso, injurioso, calunioso ou
difamatório de plataformas digitais e aplicativos de mensagens?
A Assessoria Consultiva (Assec) opina pelo não conhecimento da consulta. Ressalta-se que a presente consulta foi protocolizada
em 29.8.2018, quando já iniciado o período eleitoral em curso, e eventual resposta poderia resultar em possível
pronunciamento acerca de caso concreto (ID nº 342518).
Éo relatório.

VOTO

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SENHOR MINISTRO TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO (relator): Senhora Presidente, o regramento da consulta, no âmbito
do Tribunal Superior Eleitoral, está previsto no art. 23, XII, do Código Eleitoral, in verbis:
Art. 23. Compete, ainda, privativamente, ao Tribunal Superior:
[...]
XII –responder, sobre matéria eleitoral, às consultas que lhe forem feitas em tese por autoridade com jurisdição federal ou
órgão nacional de partido político.
O texto normativo exige, para o conhecimento da consulta, a presença simultânea de três requisitos: pertinência temática
(matéria eleitoral), formulação em tese e legitimidade do consulente.
O Diretório Nacional do Partido Novo éparte legítima para o presente questionamento, uma vez que se trata de órgão nacional
de partido político.
Quanto ao objeto, observo que o questionamento apresentado no item a não se trata necessariamente de uma dúvida a ser
dirimida por esta Justiça especializada, porquanto não se reveste das características próprias de consulta, mas, sim, de um
pedido de informações ou até mesmo de uma prestação de contas acerca dos procedimentos adotados para impedir a difusão
de notícias falsas, demanda esta que não encontra amparo na via eleita, razão pela qual não se conhece desse item, devendo o
consulente buscar os mecanismos adequados, nos termos da Lei nº 12.527/2011, que regula o acesso àinformação.
Nesse mesmo sentido foi o parecer da Assec, in verbis:
[...] o item nº 1 não reúne as condições necessárias ao seu conhecimento, pois se trata de simples pedido de informação acerca
de procedimento não contencioso adotado por este Tribunal Superior, o que desborda o escopo da consulta. (ID nº 342518, p. 2
–grifei)
No que se refere aos itens b e c, entendo que buscam medidas de providências por partes desta Justiça Eleitoral, seja para
determinar a retirada de conteúdos falaciosos, independentemente da indicação individual e endereço específico (URL) de cada
postagem, seja para rever o alcance dos dispositivos do Código Eleitoral no que alude ao poder coercitivo de polícia dos juízes
eleitorais.
Em que pesem a relevância e a contemporaneidade da matéria e os esforços já envidados por esse Tribunal Superior no
combate àdisseminação das chamadas fake news, da maneira como as indagações foram propostas, o adequado exame resulta
impossibilitado, pois o consulente relata situação fática, com tópicos que não se enquadram na natureza jurídica das consultas.
As questões postas, por um lado, contemplam solicitação de informações sobre as medidas não contenciosas adotadas por esta
Justiça especializada para obstar a propagação de notícias falsas; por outro, buscam ações concretas para a consecução dessas
medidas, segundo as circunstâncias e entendimento do consulente em relação aos candidatos em geral e ao próprio
pretendente ao cargo de Presidente da República pelo Partido Novo.
Como se verifica do texto legal que disciplina as consultas (inciso XII do art. 23 do CE), para que sejam elas admitidas, além da
legitimidade, a qual já reconhecida na espécie, necessário se faz a presença cumulativa da pertinência do tema (matéria
eleitoral), com formulação em tese (com contornos de abstração), o que a toda evidência não se observou no presente caso.
Sob esse cenário, éconsabido que os parâmetros que levam ao enfrentamento das consultas formuladas nesta Corte Superior
são de extremo rigor. As indagações devem ser propostas de forma clara e objetiva, de modo a não conter lacunas que somente
por ilação ou presunção podem ser integralizadas.
No presente caso, conhecer da consulta obrigaria a este Tribunal desenvolver os próprios fundamentos e avançar para além dos
elementos fáticos e legais a que se referem os questionamentos. Tal providência extrapola os limites para as resposta às
consultas que são propostas a este Tribunal. Nesse sentido:
CONSULTA. DEPUTADO FEDERAL. INELEGIBILIDADE DE PREFEITO MUNICIPAL. PECULIARIDADES. NÃO CONHECIMENTO.
1. A atribuição legal estabelecida no artigo 23, XII, do Código Eleitoral deve ser exercida com cautela, de modo a não gerar
dúvidas ou desigualdades no momento da aplicação da lei aos casos concretos.
2. Os parâmetros para o conhecimento das consultas devem ser extremamente rigorosos, sendo imprescindível que os
questionamentos sejam formulados em tese e, ainda, de forma simples e objetiva, sem que haja a possibilidade de se dar
múltiplas respostas. Precedentes.
(Cta nº 1724-50/DF, Rel. Min. Gilson Dipp, DJe de 24.2.2012 –grifei)
Consulta. Ausência. Especificidade.
–Se o questionamento formulado pelo consulente não detém a especificidade necessária, de modo a permitir um preciso
enfrentamento da questão, não há como responder a consulta, porquanto seriam exigidas suposições e interpretações
casuísticas.
Consulta não conhecida.
(Cta nº 1.718/DF, Rel. Min. Arnaldo Versiani, DJe de 19.10.2009 –grifei)

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Como se não bastasse, éentendimento desta Corte Eleitoral que, quando já em curso o processo eleitoral, que se inicia com a
realização das convenções partidárias para escolha de candidatos e deliberação sobre coligações, não se conhece de consulta.
Nesse contexto, a inviabilidade de manifestação em consultas durante esse período se justifica pela possibilidade de o objeto da
consulta ser apreciado pela Justiça Eleitoral, em caso concreto. Nesse sentido:
CONSULTA. MANDATO. DECISÃO JUDICIAL. CARGO. EXERCÍCIO TEMPORÁRIO. REELEIÇÃO. PERÍODO ELEITORAL. INÍCIO. NÃO
CONHECIMENTO.
1. Iniciado o processo eleitoral, não se conhece de consulta, porquanto seu objeto poderá ser apreciado pela Justiça Eleitoral,
em caso concreto.
2. Consulta não conhecida.
(Cta nº 517-11/DF, Rel. Min. Luciana Lóssio, DJe de 21.8.2014 –grifei)
Consulta. Propaganda Eleitoral. Utilização de imagem e voz de candidato em favor de outro cuja coligação agrega partidos
concorrentes. Não se conhece de consulta em período eleitoral.
Precedentes. Matéria já apreciada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Consulta não conhecida.
(Cta n° 1711-85/DF , Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe de 22.8.2012 –grifei)
Ante o exposto, não conheço da consulta.
Écomo voto.

EXTRATO DA ATA

Cta nº 0601018-71.2018.6.00.0000/DF. Relator: Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto. Consulente: Partido Novo (NOVO)
–NACIONAL (Advogados: Marilda de Paula Silveira –OAB: 33.958/DF e outros).
Decisão: O Tribunal, por unanimidade, não conheceu da consulta, nos termos do voto do relator.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Jorge Mussi, Og Fernandes,
Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.

SESSÃO DE 25.9.2018.

Processo 0600057-18.2017.6.09.0000

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL


ACÓRDÃO

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AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 0600057-18.2017.6.09.0000 –FORMOSA –GOIÁS


Relatora: Ministra Rosa Weber.
Agravante: Natanael Caetano do Nascimento
Advogada: Tatiana Basso Parreira –OAB: 38154/GO
Agravada: União

ELEIÇÕES 2016. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE.
EXTINÇÃO, NA ORIGEM, DO WRIT SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. ART. 10, CAPUT, DA LEI Nº 12.016/2009. USO DA MEDIDA
COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE OU TERATOLOGIA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA Nº
22/TSE. INVIABILIDADE. FUNDAMENTOS NÃO INFIRMADOS. ART. 932, III, DO CPC/2015. SÚMULA Nº 26/TSE. NÃO
CONHECIMENTO.
Histórico da demanda
1. Contra acórdão do TRE/GO, pelo qual negado provimento ao agravo interno em mandado de segurança, mantido o
indeferimento da petição inicial do writ, nos termos do art. 10, caput, da Lei nº 12.016/2009, interpôs recurso em mandado de
segurança Natanael Caetano do Nascimento.
2. Neguei seguimento ao recurso ordinário interposto aos seguintes fundamentos: (i) aplicação da Súmula nº 22/TSE; (ii)
ausente impugnação ao DRAP objeto do mandamus, que foi deferido e transitou em julgado em 16.9.2016; (iii) finalizado o
processo eleitoral com a consequente diplomação dos eleitos; e (iv) inexistente ilegalidade ou teratologia (ID nº. 195.980).
Do agravo regimental
3. A teor do entendimento desta Corte Superior, “a parte agravante possui o ônus de impugnar os fundamentos do decisum
fustigado, sob pena de subsistirem as suas conclusões, nos termos dos Enunciados de Súmula nº 26 do TSE e nº 182 do STJ.
Precedentes” (AgR-REspe nº 4158/SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 19.12.2016).
Agravo regimental não conhecido.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em não conhecer do agravo regimental, nos termos do
voto da relatora.

Brasília, 21 de agosto de 2018.


MINISTRA ROSA WEBER –RELATORA

RELATÓRIO

A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER: Senhores Ministros, trata-se de agravo regimental contra decisão pela qual neguei
seguimento ao recurso ordinário em mandado de segurança –impetrado por Natanael Caetano do Nascimento contra a decisão
monocrática do Juiz do TRE/GO Luciano Mtanios Hanna, que extinguiu, sem resolução de mérito, a ação declaratória de
nulidade nº 0600019-06.2017.6.09.0000, nos termos do art. 485, I, do CPC/20151, considerada preclusa a discussão deduzida
na peça preambular (ID nº 160.392) –, mantido o indeferimento do writ, nos termos do art. 10, caput, da Lei nº 12.016/2009,
ausente teratologia ou manifesta ilegalidade a excepcionar o seu processamento.
Transcrevo os fundamentos da decisão agravada na qual assentado: (i) aplicável a Súmula nº 22/TSE; (ii) ausente impugnação
ao DRAP objeto do mandamus, que foi deferido e transitou em julgado em 16.9.2016; (iii) finalizado o processo eleitoral com a
consequente diplomação dos eleitos; e (iv) inexistente ilegalidade ou teratologia (ID nº. 195.980):
O presente mandado de segurança foi impetrado contra decisão monocrática do Juiz do TRE/GO Luciano Mtanios Hanna pela
qual extinta, sem resolução de mérito (art. 485, I, do CPC/2015), a ação declaratória de nulidade ajuizada pelo ora recorrente
(proc. nº 0600019-06.2017.6.09.0000), considerada preclusa a discussão deduzida na peça preambular (ID nº 160.392), qual
seja, a regularidade da criação das Comissões Provisórias do PSB e do PV de Formosa/GO, instituídas pelos respectivos órgãos
de direção estadual do partido para as eleições de 2016.
O Tribunal de origem, ao analisar o mandamus, manteve o indeferimento da inicial, com fundamento no art. 10, caput, da Lei
nº 12.016/2009, por manifesta inadequação processual da via eleita, ao entendimento de que ‘a decisão judicial impugnada,
proferida pela autoridade impetrada, encontra-se devidamente fundamentada com base na legislação de regência sobre a
matéria e não há prova pré-constituída de que seja teratológica ou ilegal, a fim de superar a vedação do art. 5º, II, da Lei nº
12.016/2009 e da Súmula nº 267/STF (ID nº 160.405).
Nada colhe o recurso.

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De plano, destaco que éentendimento pacífico do Tribunal Superior Eleitoral que o mandado de segurança não ésucedâneo
recursal, excepcionadas as situações que revelem teratologia ou manifesta ilegalidade. Nesse sentido:
‘ELEIÇÕES 2012. AGRAVO REGIMENTAL. MANDADO DE SEGURANÇA. REALIZAÇÃO DE ELEIÇÕES SUPLEMENTARES.
POSTERGAÇÃO. POSSIBILIDADE. CASO CONCRETO. RECURSO DESPROVIDO.
1. A jurisprudência dos tribunais superiores há muito se firmou no sentido da impossibilidade de utilização do mandado de
segurança como sucedâneo de recurso (art. 5º, inciso II, da Lei nº 12.016/2009), ressalvada a hipótese de decisão judicial
verdadeiramente teratológica –por esta se entende a manifestamente ilegal ou proferida com abuso de poder.
(...)
3. Agravo desprovido.’ (MS nº 222-71/PR, Rel. Min. Maria Thereza Rocha de Assis Moura, DJe de 16.02.2017, destaquei)
‘RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. IMPETRAÇÃO CONTRA ATO JUDICIAL. EXCEPCIONALIDADE. TERATOLOGIA NÃO
DEMONSTRADA.
1. Na linha da jurisprudência desta Corte Superior, o mandado de segurança não ésucedâneo recursal, de modo que a
impugnação de ato judicial por essa via tem caráter excepcional, cabível somente diante de situação que revele teratologia.
2. No caso, o acórdão recorrido ressaltou que a oitiva das testemunhas se deu em razão de pedido do Ministério Público
Eleitoral –o qual atuou na condição de fiscal da lei –e a partir de diligência ordenada pelo juízo competente, nos termos do art.
5º, §§2º e 3º, da Lei Complementar nº 64/90. Teratologia não demonstrada.
3. ‘A decretação de nulidade de ato processual sob a alegação de cerceamento de defesa pressupõe a efetiva demonstração de
prejuízo, nos termos do art. 219 do Código Eleitoral’ (ED-AgR-AI nº 148-52, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJe de
4.02.2014), o que não se verificou na espécie.
Agravo regimental a que se nega provimento’ (AgR-RMS nº 72-48/MA, Rel. Min. Henrique Neves da Silva, DJe de 2.6.2015).
Na espécie, ressaltado pelo TRE/GO que as matérias suscitadas no mandamus foram devolvidas em sede de agravo interno
manejado contra a decisão que extinguiu a mencionada ação declaratória, ‘via adequada para análise das diversas questões
aduzidas pelo agravante (ID nº 160415, fl. 8). Aplicação da Súmula nº 22/TSE2.
De mais a mais, àluz da decisão hostilizada no âmbito da ação declaratória de nulidade (ID nº 160392), consignado que ‘a
matéria ora discutida deveria ter sido abordada àépoca do registro de candidatura, contudo, pela consulta no Sistema de
Acompanhamentos de Documentos e Processos desta Justiça, percebe-se que não houve impugnação ao DRAP da Coligação
Novo Caminho para Formosa PRB, PV, PSB, que foi deferido e transitou em julgado em 16/09/2016 (Protocolo nº 80.303/2016)’
(fl. 3 –destaquei).
E complementa o Tribunal Regional: ‘finalizado o processo eleitoral com a diplomação dos eleitos, a competência desta Justiça
remanesce nas hipóteses de impugnação ao mandato eletivo listadas na legislação regente, dentre as quais não se inclui o
tema ora debatido, relativo ao direito intrapartidário (fl. 3).
Sem maiores digressões, certo que não houve impugnação ao DRAP da Coligação ‘Novo Caminho para Formosa’ (PRB, PV, PSB)
–finalizado o processo eleitoral com a consequente diplomação dos eleitos –e, devolvida a matéria em sede de agravo interno
no âmbito da instância ordinária –conforme ponderado pela Corte de origem –descabe, na via estreita do mandamus,
reconhecer a existência de direito líquido e certo àrecontagem dos votos obtidos pelas agremiações coligadas, com a
consequente redefinição dos candidatos eleitos, não logrando êxito o impetrante em comprovar a existência de quaisquer das
hipóteses excepcionais aptas a ensejar eventual processamento da ação mandamental.
Ante o exposto, nego seguimento ao recurso em mandado de segurança, com base no art. 36, §6º, do RITSE (destaquei).
Em sua minuta, o agravante aduz, em suma, que:
a) os fundamentos da decisão agravada não podem prevalecer “diante da consistência jurídica posta pelo agravante, a qual se
sobrepõe àdecisão agravada por força de regras constitucionais e legais cogentes expressamente violadas e descumpridas pela
decisão agravada, dado que os atos atacados e decisões recorridas são em concreto inconstitucionais e nulos de pleno" (fl. 3);
b) houve " nulidade da decisão agravada por deficiência de fundamentação", que " não analisou, não refutou e nem enfrentou
nenhuma das questões de direito, ou seja, os dispositivos constitucionais e legais expressamente violados, ressaltando que a
ínclita Relatora só pode deixar de aplicá-los se forem declarados inconstitucionais" (fls. 3-4);
c) o " processo foi protocolado em 22.2.2017 o qual já deveria ter tido a solução da perda de mandato dos vereadores em
22.2.2018", tendo direito a uma " decisão de mérito justa, efetiva e satisfativa em tempo razoável, diante do teor jurídico
cogente dos arts. 5º, caput , II, XXXV e LXXVIII, e §1º da CF/1988; 97, §1º e 97-A, §1º, da Lei nº 9.504/1997; e 1º, 3º, 4º e 6º da
Lei nº 13.105/2015 (fl. 7);
d) " sendo a Constituição a Lei Magna e devendo todas as demais normas legais, bem como decisões judiciais, curvarem-se ao
seu entendimento imperativo, toda decisão judicial ainda que transitada em julgado superveniente, contrária àdecisão
vinculante do STF e ao dispositivo constitucional, deve ser desconstituída mediante ação rescisória ou querela nulitatis
insanabilis , desde que obedecido o prazo legal ou razoável para sua interposição, como fez o agravante no caso concreto" (fl.
11);

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e) existe " manifesta violação do teor cogente do art. 1º, parágrafo único, da CF/1988, que éexpresso que o poder emanado do
povo só pode ser exercido por aqueles que foram eleitos nos termos da constituição e da lei nas eleições, do art. 5º, caput ,
CF/1988, que garante a igualdade e a segurança jurídica para todos, bem como o teor cogente do art. 14, §3º, da CF19/88, que
éexpresso que a soberania popular exercida pelo voto só ocorrerá nos termos e na forma da lei com valor igual para todos, com
o pleno exercício dos direitos políticos, o que não foi cumprido no caso posto, sendo medida jurídica a imediata desconstituição
da coligação e seus eleitos" (fl. 12);
f) é“induvidosa a inconstitucionalidade do ato de constituição das Comissões Provisórias do PV e PSB/Formosa pelo PV e
PSB/Goiás, do registro das Comissões Provisórias do PV e PSB/Formosa pelo TER/GO e das decisões recorridas, tendo em vista
que estes partidos não possuíam órgãos de direção de acordo com os seus estatutos até as suas convenções, como exige o art.
4º da Lei 9.504/1997, a qual reside na ofensa manifesta dos artigos 5º, XXXVI, §1º e 102, §2º, da CF/1988 (fl. 16);
g) " com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e da sanção e publicação da Lei nº 12.016/2009, a Súmula 267 do STF
e a Súmula 22 do TSE são absolutamente insubsistentes e inaplicáveis no nosso ordenamento jurídico constitucional e legal
vigente" (fl. 33);
h) “o PSB e PV/Formosa tinham até a data de 5.8.2016 das suas convenções para constituir o seu órgão de direção no
município, e 11 dos 14 candidatos do PV tinham que ter dois anos de filiação partidária até a data da sua convenção em
2.8.2016 (...) para ter o direito de participar das eleições de 2016 e integrar no processo de registro da Coligação Um Novo
Caminho para Formosa (...), o que não foi praticado, operando a decadência desse direito do PSB e PV/Formosa com todos os
seus candidatos, em 3.8.2014 e em 06.8.2016, portanto já estava extinto o direito destes participarem das eleições de 2016" (fl.
34); e
i) " a decadência ématéria de ordem pública e deve ser conhecida de ofício pelo juiz em qualquer tempo, o que foi violado e
omitido pelo acórdão recorrido e decisões impugnadas" (fl. 37).
Éo relatório.

1Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:


I - indeferir a petição inicial;
2 “N ão cabe mandado de segurança contra decisão judicial recorrível, salvo situações de teratologia ou manifestamente
ilegais”.

VOTO

A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (relatora): Senhores Ministros, embora tempestivo e regular a representação processual, o
agravo regimental não reúne condições de cognoscibilidade.
O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE/GO) negou provimento ao agravo interno em mandado de segurança, mantido o
indeferimento da petição inicial do writ, nos termos do art. 10, caput, da Lei nº 12.016/2009.
Neguei seguimento ao recurso ordinário interposto aos seguintes fundamentos: (i) aplicável a Súmula nº 22/TSE; (ii) ausente
impugnação ao DRAP objeto do mandamus, que foi deferido e transitou em julgado em 16.9.2016; (iii) finalizado o processo
eleitoral com a consequente diplomação dos eleitos; e (iv) inexistente ilegalidade ou teratologia (ID nº. 195.980).
Nas razões do agravo regimental, a despeito da alegada inconstitucionalidade da Súmula nº 22/TSE, o agravante limita-se,
quanto ao mais, a repetir as alegações do recurso ordinário –quanto ao necessário reconhecimento da nulidade da Coligação
“Novo Caminho para Formosa” (PRB, PV e PSB), formada para as eleições proporcionais de 2016 do Município de Formosa/GO,
não preenchidas as normas estabelecidas no processo eleitoral vigente àépoca –, deixando de infirmar os outros fundamentos
lançados na decisão agravada suficientes, por si sós, àmanutenção do decisum.
Conforme o disposto no art. 932, II, do CPC/2015, incumbe ao relator “não conhecer de recursoinadmissível, prejudicado ou que
não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida (destaquei).
A teor do entendimento desta Corte Superior, “a parte agravante possui o ônus de impugnar os fundamentos do decisum
fustigado, sob pena de subsistirem as suas conclusões, nos termos dos Enunciados de Súmula nº 26 do TSE e nº 182 do STJ.
Precedentes (AgR-REspe nº 4158/SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 19.12.2016). Na mesma linha de entendimento:
AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS. PARTIDO
POLÍTICO. EXERCÍCIO FINANCEIRO. DESAPROVAÇÃO. SENTENÇA. INTIMAÇÃO PESSOAL DA PARTE. RECURSO ELEITORAL
INTEMPESTIVO. AUSENTE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA SOBRE A INTEMPESTIVIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 26/TSE. NÃO
CONHECIMENTO.
[...]
3. Éinviável o agravo regimental que deixa de atacar os fundamentos da decisão agravada, limitando-se a reiterar as razões
veiculadas no agravo de instrumento. Aplicação da Súmula nº 26/TSE. Precedentes.

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, podendo ser acessado no endereço eletrônico http://www.tse.jus.br
Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 5 9

Agravo regimental não conhecido (AgR-AI nº 17-70, da minha relatoria, DJe de 9.2.2018). (Destaquei)
Ante o exposto, não conheço do agravo regimental.
Écomo voto.
O agravo regimental foi interposto no dia 3.3.2018, um dia após o prazo final, 2.2.2018, tendo em vista a indisponibilidade no
sistema do PJe, conforme esclarecido pela Secretaria Judiciária, nos termos da certidão de ID 266741.
Art. 10. A inicial será desde logo indeferida, por decisão motivada, quando não for o caso de mandado de segurança ou lhe
faltar algum dos requisitos legais ou quando decorrido o prazo legal para a impetração.

EXTRATO DA ATA

AgR-RMS nº 0600057-18.2017.6.09.0000/GO. Relatora: Ministra Rosa Weber. Agravante: Natanael Caetano do Nascimento
(Advogada: Tatiana Basso Parreira –OAB: 38154/GO). Agravada: União.
Decisão: O Tribunal, por unanimidade, não conheceu do agravo regimental, nos termos do voto da relatora.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Jorge Mussi, Napoleão Nunes
Maia Filho, Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.

SESSÃO DE 21.8.2018.

CORREGEDORIA ELEITORAL

(NÃO HÁ PUBLICAÇÕES NESTA DATA)

SECRETARIA DO TRIBUNAL

Atos do Diretor-Geral

Portaria

Portaria TSE nº 898 de 04 de outubro de 2018.

O DIRETOR-GERAL DA SECRETARIA DO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL, com base no disposto no inciso XV do art. 116 do

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, podendo ser acessado no endereço eletrônico http://www.tse.jus.br
Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 6 0

Regulamento Interno e no caput do art. 38 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990,


R E S O L V E:
designar LUZIMAR MAGALHÃES DA COSTA FEITOZA, Técnico Judiciário, Área Administrativa, para substituir a Chefe de Seção de
Planejamento de Contratações e Elaborações de Termos de Referência, Nível FC-6, da Coordenadoria de Tecnologia Eleitoral,
da Secretaria de Tecnologia da Informação, no período de 3 a 5.10.2018.
RODRIGO CURADO FLEURY
DIRETOR-GERAL
Documento assinado eletronicamente em 04/10/2018, às 14:29, conforme art. 1º, §2º, III, b, da Lei 11.419/2006.
A autenticidade do documento pode ser conferida em
https://sei.tse.jus.br/sei/controlador_externo.php?acao=documento_conferir&id_orgao_acesso_externo=0&cv=0876626&crc=
4E64D8DC, informando, caso não preenchido, o código verificador 0876626 e o código CRC 4E64D8DC.

Portaria TSE nº 897 de 04 de outubro de 2018.

O DIRETOR-GERAL DA SECRETARIA DO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL, com base no disposto no inciso XV do art. 116 do
Regulamento Interno e no caput do art. 38 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990,
R E S O L V E:
Art 1° Designar ALEXANDRE GOMES DOERNER SENA, Técnico Judiciário, Área Apoio Especializado, Operação de Computadores,
para substituir a Chefe de Seção de Educação à Distância, Nível FC-6, da Coordenadoria de Educação e Desenvolvimento, da
Secretaria de Gestão de Pessoas, nos seus afastamentos e impedimentos legais ou regulamentares.
Art 2° Revogar a Portaria TSE n° 215, de 1º.3.2018, publicada no DJe do dia 5 subsequente, pág. 73.
RODRIGO CURADO FLEURY
DIRETOR-GERAL
Documento assinado eletronicamente em 04/10/2018, às 10:26, conforme art. 1º, §2º, III, b, da Lei 11.419/2006.
A autenticidade do documento pode ser conferida em
https://sei.tse.jus.br/sei/controlador_externo.php?acao=documento_conferir&id_orgao_acesso_externo=0&cv=0876191&crc=
D20CF8A3, informando, caso não preenchido, o código verificador 0876191 e o código CRC D20CF8A3.

Portaria TSE nº 900 de 04 de outubro de 2018.

O DIRETOR-GERAL DA SECRETARIA DO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL, com base no disposto no inciso XV do art. 116 do
Regulamento Interno e no caput do art. 38 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990,
R E S O L V E:
designar ANAIDE PEREIRA LOPES, Analista Judiciário, Área Apoio Especializado, Arquivologia, para substituir o Chefe de Seção
de Protocolo Administrativo e Expedição, Nível FC-6, da Coordenadoria de Gestão Documental, da Secretaria de Gestão da
Informação, no período de 8 a 11.10.2018.
RODRIGO CURADO FLEURY
DIRETOR-GERAL
Documento assinado eletronicamente em 04/10/2018, às 14:54, conforme art. 1º, §2º, III, b, da Lei 11.419/2006.
A autenticidade do documento pode ser conferida em
https://sei.tse.jus.br/sei/controlador_externo.php?acao=documento_conferir&id_orgao_acesso_externo=0&cv=0876636&crc=
038CD9F6, informando, caso não preenchido, o código verificador 0876636 e o código CRC 038CD9F6.

SECRETARIA DE ADMINISTRAÇÃO

(NÃO HÁ PUBLICAÇÕES NESTA DATA)

SECRETARIA DE CONTROLE INTERNO E AUDITORIA

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, podendo ser acessado no endereço eletrônico http://www.tse.jus.br
Ano 2018, Número 200 Brasília, sexta-feira, 5 de outubro de 2018 Página 6 1

(NÃO HÁ PUBLICAÇÕES NESTA DATA)

SECRETARIA DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

(NÃO HÁ PUBLICAÇÕES NESTA DATA)

SECRETARIA DE GESTÃO DA INFORMAÇÃO

(NÃO HÁ PUBLICAÇÕES NESTA DATA)

SECRETARIA DE SEGURANÇA E TRANSPORTE

(NÃO HÁ PUBLICAÇÕES NESTA DATA)

COMISSÃO PERMANENTE DE ÉTICA E SINDICÂNCIA DO TSE

(NÃO HÁ PUBLICAÇÕES NESTA DATA)

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