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“Quero que todos os homens sejam tais como também eu sou; no entanto, cada

um tem de Deus o seu próprio dom; um, na verdade, de um modo; outro, de


outro.” (1Coríntios 7:7)
1Coríntios 7.7

Paulo aqui discursa sobre o casamento (1Co 7.1-6), mostrando que casar-se ou
não está ligado não só a oportunidades, mas também a um dom espiritual. O dom do
celibato, apesar de sofrer com o preconceito de todas as culturas com este assunto, é
uma bênção dada por Deus. Veremos, ao tratar sobre os dons individualmente, como e
por quê ele se manifesta.

A igreja de Corinto era peculiar em vários sentidos. Apesar de experimentar


diversos dons considerados miraculosos, confirmando a presença do Espírito em seu
meio, carecia tremendamente de outra “graça” do Espírito: a santidade. Esta falta
gerava, dentre outras coisas, muita divisão, o que só era acentuada com a diversidade
dos dons manifestados. Nos capítulos 12, 13 e 14, Paulo tenta corrigir o mau uso dos
dons pelos coríntios.

“4 Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. 5 E também há


diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. 6 E há diversidade nas
realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. 7 A manifestação
do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso.”
1Coríntios 12.4-7

LIÇÃO

Apesar da diversidade dos dons e das realizações dos mesmos, a origem de tudo é
uma só: o Espírito Santo, que não age de forma aleatória, mas visa “um fim
proveitoso”.
Tudo o que for feito, deve ser feito para glória de Deus

“8 Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro,


segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; 9 a outro, no mesmo
Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; 10 a outro, operações
de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um,
variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las.”
1Coríntios 12.8-10

Outra pequena amostragem dos dons é relatada aqui: palavra de sabedoria,


palavra de conhecimento, fé, cura, operações de milagres, profecia, discernimento de
espíritos, variedade de línguas e interpretação de línguas. A ênfase de Paulo, segundo os
versos 8 e 9, NÃO ESTÁ NA DIVERSIDADE, MAS NA UNIDADE , pois os dons, mesmo sendo
diferentes em função no Corpo, foram dados pelo mesmo e único Espírito Santo
visando a um fim proveitoso – a Edificação da Igreja.
LIÇÃO
NÃO É O QUE SE FAZ, OU QUAL DOM SE TEM
A ÊNFASE É NA INTENÇÃO (PROPÓSITO) DO CORAÇÃO
12.11

“Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as,


como lhe apraz, a cada um, individualmente.”
1 Coríntios 12:11

Novamente a ênfase na ação do Espírito, contudo, algo de grande importância é


que não existe uma classe superior de cristãos e outra inferior. Não existe esse de crente
com dons e outros sem dons.

Lição
SOMOS UM EM CRISTO E TODOS RECEBEMOS DONS.

Uns desenvolvem Outros enterram


Uns se exercitam Outros atrofiam
Existe os que dão sangue Existe os sanguessuga

De que lado você está?

12.12-27 – A unidade da Igreja é novamente ressaltada: muitos membros, um só


corpo. A ilustração dos membros de nosso corpo físico é clara, ajudando-nos a
compreender melhor estas verdades. Não há dom mais honroso que o outro. Todos são
importantes e todos precisam uns dos outros, “para que não haja divisão no corpo, pelo
contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros”.

12.28 – Paulo parece estabelecer uma classificação de importância de alguns


dons, mas que não deve ser entendida de maneira genérica. Escrevendo a uma igreja
nova, em meio a um movimento apostólico de plantação de igrejas, Paulo parece ter em
mente a progressão do surgimento de uma nova comunidade: ao apóstolo, que planta o
trabalho embrionário, é agregado o trabalho do profeta e do mestre, que darão norte à
comunidade, revelando a vontade de Deus e as verdades da sua Palavra. Os demais são
agregados sem uma ordem muito rígida, onde o dom de variedades de línguas é deixado
por último, aparentemente de propósito, devido à excessiva valorização que os coríntios
davam ao mesmo.

12.29,30 – Com perguntas retóricas, Paulo ataca a idéia de que, por alguns dons
serem (supostamente) melhores que outros, todos deveriam tê-los (ou buscá-los). Ao
contrário, cada um deve servir com seu dom, enriquecendo a igreja com tal variedade.
12.31a – Paulo, com este conselho, não contraria o que acabara de dizer. Ele
provavelmente não tem em mente que alguns dons são, na essência, melhores que
outros, mas que, dependendo da uso e da necessidade da igreja, alguns dons se tornam
mais necessários – e por isto melhores – que outros. Todos devem exercitar os dons que
já possuem, mas, ao buscar novos dons para a igreja, uma análise do que seria melhor
para a comunidade deveria ser feita.

13 – Neste capítulo, diferente da visão romântica que muitos têm, Paulo fala da
maneira como os dons devem ser exercidos: com amor. De nada adianta ter diversos
dons se não sirvo meus irmãos movido pelo amor. Nos vv. 8-10, Paulo mostra que os
dons são temporais: durarão até a (segunda) vinda do que é perfeito, Jesus. Cristo será
nossa plenitude e não necessitaremos mais dos dons. Só restará o amor.

14.1-19 – Neste capítulo, Paulo confirma sua maneira de valorizar os dons. Os


melhores são os que mais edificam a igreja. Enquanto o que fala em línguas edifica-se a
si mesmo, o que profetiza edifica a igreja, portanto, é melhor (veja vv. 1-5). A exceção
acontece quando há interpretação das línguas, ocorrendo aí a edificação de toda a
comunidade. Por meio de comparações, Paulo segue explicando seu ponto de vista nos
versículos de 6 a 11, concluindo novamente no 12: “procurai progredir, para a
edificação da igreja”. Após insistir no assunto nos versos de 13 a 18, reforça no 19:
“prefiro falar na igreja cinco palavras com entendimento, para instruir outros, que dez
mil em outra língua”.

14.20-25 – Este trecho é muitas vezes mal interpretado por causa do uso que
Paulo faz do termo sinal. Geralmente usada para indicar um fato que abre os olhos dos
incrédulos, aqui Paulo o usa numa comparação com uma profecia de Isaías (28:11,12)
que traz juízo e não quebrantamento. Assim, as línguas não são vantagem para o
incrédulo, mas a profecia, sim, pois esta dá testemunho que Deus está presente na igreja.

14.26-40 – O que Paulo faz não é proibir o falar em línguas, mas colocar ordem
no culto, insistindo que “os espíritos dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas”,
ou seja, ninguém é arrebatado no uso dos dons ao ponto de não ter mais controle de seus
atos. Por isto, tudo deve ser feito “com decência e ordem”. Uma passagem de difícil
interpretação neste trecho é a 34-35, pois ela contraria o trecho de 1 Coríntios 11.2-16,
que fala da mulher que ora e profetiza. Muito se tem falado a respeito destes versos e
fortes preconceitos contra a mulher na igreja têm sido mantido com isto. Diante da
discordância de tantos teólogos na interpretação exata da idéia de Paulo, seria ousado
chegarmos a uma conclusão definitiva sobre o assunto. Todavia, analisando a cultura da
época e a maneira como Jesus rompeu com as estruturas machistas de seu tempo,
causando incompreensão até de seus discípulos, é provável que Paulo (que era tão
avesso ao controle da Lei na vida dos crentes) estivesse tentando evitar um rompimento
brusco com a sociedade da época que, tanto nas sinagogas judaicas quanto no meio
pagão, tinha o costume de não aceitar a palavra da mulher como sendo de confiança
(“para a mulher é vergonhoso falar”). Assim, é possível que Paulo assumisse uma
posição conservadora temendo causar escândalo, mantendo, assim, o bom testemunho
das igrejas cristãs. Comparando com 1 Timóteo 2.12, pode ser também que Paulo
estivesse se referindo à formulação doutrinária (ensino) da igreja, que deveria ficar a
cargo dos homens, como cabeças da família e liderança da igreja. Interpretando este
texto como sendo resultado da cultura da época, podemos aplicá-lo da mesma forma,
hoje: como culturalmente a mulher tem espaço amplo em nossa sociedade, escândalo
para os incrédulos seria proibi-la de falar na igreja, respeitando o contexto de 1Timóteo,
que mantém a liderança masculina sobre a mulher como ordenança bíblica.