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INTRODUÇÃO AO DIMENSIONAMENTO

DE VASO DE PRESSÃO CONFORME CÓDIGO


ASME
ÍNDICE

1 INTRODUÇÃO

1.1 HISTÓRICO
1.2 ESTRUTURAÇÃO DOS CÓDIGOS DO ASME
1.3 ESTRUTURAÇÃO DO CÓDIGO ASME SEÇÃO VIII, DIV. 1
1.4 CONSIDERAÇÕES DE PROJETO CONFORME PARTE UG
1.5 ALGUNS TIPOS DE VASOS DE PRESSÃO

2 CÁLCULO DE CASCOS SUBMETIDOS A PRESSÃO INTERNA

2.1 CONCEITOS BÁSICOS

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1. INTRODUÇÃO

1.1 HISTÓRICO

Os vasos de pressão são equipamentos oferecem riscos quanto a


segurança e, que podem provocar graves conseqüências quando mal projetados
ou mal operados. Após consecutivos acidentes com estes equipamentos,
particularmente na Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos, com perdas
materiais e, mais importante, perdas de vidas humanas, uma série de
associações decidiu padronizar o projeto e a fabricação inicialmente de
caldeiras. O ASME (American Society of Mechanical Engineers), por exemplo,
foi uma dessas entidades.
No Brasil, o desenvolvimento da indústria de bens de capital,
impulsionada principalmente pela PETROBRÁS, gerou a necessidade de
desenvolverem-se metodologias de projeto, soldagem e inspeção voltadas para
a execução de componentes complexos destinados à indústria petroquímica e,
para isso, a PETROBRAS baseou -se, em suas exigências como grande
compradora, nas normas americanas que eram as mais voltadas para a
prospecção e beneficiamento d e petróleo, particularmente o código ASME.
As indústrias de origem alemã sediadas no Brasil, a ABNT (Associação
Brasileira de Normas Técni cas) e o programa nuclear brasileiro executado em
convênio com o governo e indústrias alemãs, tentaram introduzir na indústria
de base do Brasil as normas DIN (Deutsches Institut fiz Normen) e AD -
MERKBLATTER para cálculo, fabricação, soldagem, etc. Porém a escala em
que isso ocorreu foi pequena, comparada à verdadeira avalanche de pedidos
originados pela PETROBRAS , evidentemente os fabricantes preferiram adequar
seu pessoal e sua indústria às normas americanas ``ASME´´.
Desse modo, para um curso atual sobr e projeto básico de vasos de
pressão, recorrer-se à norma ASME, entretanto é conveniente lembrar que as
normas alemãs, particularmente o AD -MERKBLATTER para vasos de pressão,
permitem cálculos até mais elaborados que os executados pelo ASME. Aliás, as
normas alemãs e européias em geral, caracterizam -se pela utilização de
quantidades menores de material do que as normas americanas, isso motivado
pela falta de recursos materiais na Europa pós -guerra e na carência de
matérias-primas em grande parte desses país es.

1.2 ESTRUTURAÇÃO DOS CÓDIGOS DO ASME

O ASME dividiu suas normas para vasos de pressão em 11 seções


básicas e algumas subseções, e dentre essas, destacamos:
a. Seção I: projeto e fabricação de caldeiras de potência;
b. Seção II: destinado às especificações de materiais, ou seja, características físicas,
químicas e metalúrgicas, propriedades mecânicas, e testes de qualificação;
c. Seção V: regulamenta todo e qualquer exame não -destrutivo executado em
vasos de pressão; projeto e fabricação de vasos de pressão;
d. Seção VIII - Divisão 1: projeto e fabricação de vasos de pressão;
e. Seção VIII - Divisão 2: projeto e fabricação de vasos de pressão;
f. Seção IX: qualificação de soldagem e brazagem, bem como qualificação de
recursos humanos (soldadores) para execução das mesmas.

Dentre as seções acima, abordar-se-a aquelas relativa ao projeto de vasos


de pressão, principalmente, a Seção VIII - Divisão 1. A Divisão 2 normalmente
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é utilizada em cálculos mais elaborados, implicando custos maiores de projeto
e fabricação. Evidentemente, cada seção deverá ser utilizada de acordo com
suas próprias regras, de maneira geral existem diferenças básicas de filosofia e
também de tensões admissíveis dos materiais empregados.

1.3 ESTRUTURAÇÃO DO CÓDIGO ASME SEÇÃO VIII - DIV. 1

A Seção VIII - Divisão 1, subdividido-se em subseções, partes e


apêndices mandatórios e não-mandatórios (regras opcionais), e nest a pode-se
destacar:
a. Parte UG: requisitos gerais para todos os métodos de projeto e fabricação
e todos os materiais.
b. Parte UW: requisitos relativos aos métodos de fabricação de vasos de
pressão soldados.
c. Parte UCS: requisitos para vasos de pressão construídos em aço carbono
e aços de baixa liga.
d. Apêndice Mandatório 1: fórmulas de projeto suplementares.
e. Apêndice Mandatório 2: regras para o dimensionamento de flanges
aparafusados.

Vale comentar que a gama de assuntos tratados dentro desta seção é


grande, no entanto, as seções acima destacadas fornecem uma boa visão do
projeto de vasos construídos em aço carbono ou baixa liga, soldados. Além
disso, permite a extrapolação para outros tipos de construções, pois a parte UG
é de cunho geral.
As regras foram elaboradas para vasos submetidos à pressões que não
excedam 3000 psi (210,9 kgf/cm² ); quando isso ocorrer é necessário análise
adicional por métodos mais sofisticados ou utilizando pr ocessos de cálculo e
fabricação adotados por outras normas. O ASME permite que, caso o vaso seja
calculado por outros meios mas, ainda assim, respeite também as suas regras,
ele seja considerado um vaso ASME. E importante observar que a Divisão 2 do
ASME não restringe valores de pressão, ou de cargas de fadiga.

1.4 CONSIDERAÇÕES DE PROJETO CONFORME PARTE UG

A parte UG é estruturada em parágrafos, e cada um destes trata


especificamente de um assunto , segue-se breve comentários quanto aos
parágrafos UG-16, UG-20, UG-21, UG-22, UG-23 e UG-25.
Em UG-16, são definidos requisitos de caráter geral, tais como
espessuras mínimas permitidas para costados e tampos após conformação em
condições particulares de operação.
O parágrafo UG-20 trata da temperatura de projeto. Esta não deve ser
menor do que a temperatura média da parede do vaso em operação, conforme
indicadò no esquema abaixo.

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O ASME, além disso, não permite que vasos s ejam projetados para
temperatuas que excedam os valores indicados para cada material na tabela de
tensões admissíveis, conforme ASME, Seção II, Parte D.
Como uma boa medida de segurança é comum tomar -se a temperatura de
projeto 10% maior do que a temperatura média máxima de operação.
O parágrafo UG-21 define a pressão de projeto como sendo, no mínimo,
igual aquela da condição mais severa de pressão e temperatura esperada em
operação normal. Recomenda -se também utilizar a pressão de projeto 10%
maior que aquela definida pelo ASME.
O parágrafo UG-22 define os tipos de carregamento que devem ser
considerados no cálculo de vasos de pressão, entre eles: pressão interna ou
externa, peso do vaso e seu conteúdo em condições de operação e teste, reações
devido a internos, olhais, aneis, saias, se las e pernas, ações de vento, neve e
reações sísmicas onde requeridas, etc.
Os valores de tensões admissíveis para cada material são definidos no
parágrafo UG-23; para tração deve-se considerar os valores apresentados na
Seção II, Parte D.
Para o caso de tensões de compressão longitudinal, o ASME indica que o
'valor máximo admissivel seja o menor entre o valor obtido para a tração e o
fator "B" retirado de tabelas de pressão externa para os diversos materiais.
O ASME assume ainda que, consi derando-se todas as combinações
possíveis de cargas em UG -22, aplicáveis para cada caso, as tensões primárias
de membrana não ultrapassem o valor indicado nas tabelas de tração e, as
tensões primárias de membrana mais as tensões primárias devido à flexão n ão
ultrapassem 1,5 vezes o valor indicado nestas tabelas.
O ASME faz recomendações também quanto às cargas provocadas por
vento, indicando que, ness es casos, a combinação dessa carga com outras
quaisquer descritas em UG -22, permitem utilizar como tensões admissíveis, os
valores contidos nas tabelas de tração vezes 1,2. Além disso, carregamento
devido a terremoto e vento não precisa ser considerado agindo
simultaneamente.
Partes da parede do vaso, tais com o, costado, tampos, bocais e flanges,
em contato com o fluido de processo acabam sofrendo deterioração através de
processo de corrosão. Com isso o parágrafo UG -25 recomenda a utilização de
sobreespessura para compensar estas perdas. Estes valores são definidos
baseados no tempo de vida útil e da agressivid ade do fluido. Todos os cálculos
empregados neste código devem considerar as dimensões no estado corroído.
Tensão primária conforme definido pelo ASME basicamente é uma
tensão normal ou de cisalhamento que é necessária para satisfazer as leis de
equilíbrio das forças e momentos (internos e externos) devido ao carregamento
do sistema. A principal característica da tensão primária é que ela não é auto -
limitante, casos comuns de tensões primárias são aquelas derivadas do
carregamento de pressão, do peso própri o, do vento, etc. Tensões primárias que
ultrapassem o valor do escoamento do material podem ocasionar grandes
deformações e até o colapso da estrutura.
Diferentemente das tensões primárias, as tensões secundárias não são
necessárias para satisfazer as con dições de equilíbrio do sistema, elas ocorrem
devido a restrições de componentes adjacentes ou auto -restrições da própria
estrutura. Além disso, são auto-limitantes, pequenas deformações e
escoamentos locais podem satisfazer as condições que originaram as tensões,
não sendo esperada a falha do componente devido à ocorrência desse tipo de

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tensão, a não ser para casos de aplicação de esforços cíclicos. Os casos mais
típicos de tensões secundárias são as tensões térmicas e aquelas que ocorrem
em descontinuidades geométricas. A figura abaixo ilustra a diferença entre as
tensões primárias e secundárias. Observe que, para a temperatura, se não
houver restrição não há tensão enquanto que, para a pressão, há tensão com ou
sem restrição.

deslocamento 1

PRESSÃO
tubo com
tensão Componente
primária em análise
sem
tubo sem restrições
tensão
primária TEMPERATURA

deslocamento 2
deslocamento 1 e 2 restritos pelo tampo que tem
temperatura diferente da do casco - o tampo
desloca menos do que o cilindro devid o à sua
geometria e temperatura

Componente
em análise
forças locais devido à restrição dos com
deslocamentos – tensões secundárias restrições

exemplos de tensões primárias e secundárias

O ASME também diferencia as tensões admissíveis para as tensões de


membrana e flexão porque inúmeros trabalhos já demonstraram que um
componente resiste mais à flexão do que à tração, por exemplo. Isso ocorre
porque a distribuição das tensões ao longo da espessura estudada é diferente
para os casos de membrana e de flexão. No primeiro caso a distribuição é
uniforme para toda a espessura e, no segundo, há um valor máximo e um valor
mínimo de tensão agindo na superfície da espessura de um componente sob

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análise, enquanto no restante da superfície a tensão ainda é baixa, atingindo
zero em algum ponto do interior da espessura , a figura abaixo ilustra esses
aspectos.

tensão de membrana tensão devido a flexão

tração

compressão

quando o ponto da superfície


quando um ponto atinge o valor
atinge o valor da tensão de
da tensão de escoamento, todos
escoamento, o mesmo escoa e
os pontos da mesma seção
tal situação não ocorre nos
resistente atingem esse valor
demais pontos da mesma seção
simultaneamente
resistente

exemplos de tensões de membrana e flexão

1.5 ALGUNS TIPOS DE VASOS DE PRESSÃO

Alguns tipos de vasos de pressão são apresentados abaixo, destacando


também alguns de seus principais acessórios, tais como, suportes, bocais,
fjanges, etc. Evidentemente, a gama de equipamentos é enorme e com
geometria das mais variadas, portanto, o objetivo deste capítulo, por mais
simples que se possa apresentar, é dar uma idéia da concepção básica que
envolve os equipamentos.

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a) Vaso de pressão vertical

b) Vaso de pressão horizontal

2 CÁLCULO DE CASCOS SUBMETIDOS À PRESSÃO INTERNA

2.1 CONCEITOS BÁSICOS

Na Resistência dos Materiais, são estudados os recipientes sob pressão


resistindo à esforços normais de tração. Estes esforços geram tensões normais
de tração chamadas "tensões de membrana" nas direções circunferenciais e
longitudinais, as quais são apresentadas abaixo.

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projeção
da
pressão

P tensão
σc σc circunferencial
direção tangencial
D t

σL

tensão
D longitudinal
P direção longitudianal

σL

tensão de membrana em cilindros sob pressão interna


a) Tensão de membrana circunferencial  C – recipientes cilíndricos:
P – pressão interna
t – espessura do corpo cilíndrico
L – comprimento do corpo cilíndrico

da figura, tem-se:

𝐹 𝐹
𝜎𝑐 = =
𝐴 2. 𝑡. 𝐿

𝐹 𝐹
𝑃= = ∴ 𝐹 = 2. 𝑃. 𝑅. 𝐿
𝐴 2. 𝑅. 𝐿

substituindo, tem-se:

2. 𝑃. 𝑅. 𝐿 𝑃. 𝑅
𝜎𝑐 = ∴ 𝑡=
2. 𝑡. 𝐿 𝜎𝑐
corte longitudinal
recipiente cilíndrico

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b) Tensão de membrana longitudinal  L – recipientes cilíndricos:

da figura, tem-se:

𝐹 𝐹
𝜎𝐿 = ≅
𝐴 2. 𝜋. 𝑅. 𝑡

𝐹 𝐹
𝑃= = ∴ 𝐹 = 𝑃. 𝜋. 𝑅 2
𝐴 𝜋. 𝑅 2

substituindo, tem-se:

corte transversal 𝑃. 𝜋. 𝑅 2 𝑃. 𝑅
𝜎𝐿 = ∴ 𝑡=
recipiente cilíndrico 2. 𝜋. 𝑅. 𝑡 2. 𝜎𝐿

Observa-se que a espessura mínima requerida para resistir à tensão


longitudinal é a metade da tensão circunferencial.

c) Tensão de membrana circunferencial  C – recipientes esféricos:

da figura, tem-se:

𝐹 𝐹
𝜎𝐶 = ≅
𝐴 2. 𝜋. 𝑅. 𝑡

𝐹 𝐹
𝑃= = ∴ 𝐹 = 𝑃. 𝜋. 𝑅 2
𝐴 𝜋. 𝑅 2

substituindo, tem-se:

corte em qualquer plano 𝑃. 𝜋. 𝑅 2 𝑃. 𝑅


recipiente esférico 𝜎𝐶 = ∴ 𝑡=
2. 𝜋. 𝑅. 𝑡 2. 𝜎𝐶