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Livro narra bastidores de negócios de filho de Lula

Autor não conseguiu editora e imprimiu a obra com dinheiro próprio


2.dez.2018 às 2h00

• EDIÇÃO IMPRESSA

Italo Nogueira
RIO DE JANEIRO

Sem editora e parca divulgação, circula há quase um mês no Rio de Janeiro o livro "Sócio do Filho: As
Verdades Sobre os Negócios Milionários do Filho do Ex-Presidente Lula".

É um texto-depoimento de Marco Aurélio Vitale, ex-executivo das empresas de Jonas Suassuna, com
sua versão sobre os bastidores da sociedade do empresário com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Suassuna foi sócio de Lulinha na Play TV e dono de metade do sítio em


Atibaia (SP)atribuído a Lula pelo Ministério Público Federal. No terreno de
sua propriedade não houve reformas, o que fez com que não fosse
denunciado na ação sobre os investimentos feitos por empreiteiras em favor
do petista.

Pelo relato de Vitale, o empresário se aproveitou de Lulinha por volta de


2005 para retomar um sucesso empresarial perdido, enquanto o filho do ex-
presidente precisava de uma fachada para receber seus recursos da empresa
de telefonia Oi.

Fábio Luís da Silva, filho do ex-presidente Lula - Sérgio Lima/ Folhapress

"Os malabarismos de retórica do grande mentiroso encantaram os futuros


sócios. O empresário quebrado posou de milionário, e convenceu", escreve o
ex-executivo.

Vitale afirma ter ouvido de Kalil Bittar, outro sócio de Lulinha, uma frase
atribuída a Lula sobre Suassuna. "O Jonas mente com tanta empolgação que
você fica ali prestando atenção e sabendo que é mentira o que ele está
falando. Ele é o maior mentiroso que conheço."

O ex-diretor comercial do Grupo Gol —firma de Suassuna que atua nas


áreas editorial e de tecnologia e sem relação com a companhia aérea de
mesmo nome— afirma que empresas de seu ex-empregador foram usadas
para repassar dinheiro da Oi para o filho do ex-presidente.

Os negócios seriam fruto de tráfico de influência de Lula e seriam de


fachada.

A informação foi revelada em entrevista de Vitale à Folha há um ano, que


descreveu quatro acordos suspeitos. O caso está sob análise da Polícia
Federal em Curitiba, ainda sem conclusão. Todos os acusados negam a
influência do petista na condução dos negócios.

A principal novidade do livro é a descrição da personalidade irascível de


Suassuna. O ex-diretor da Gol revela traços místicos do ex-patrão. Relata
que o empresário contava com uma mãe de santo para opinar sobre
negócios e afastar adversários.

"Certa vez, um repórter pediu uma entrevista e adiantou a pauta. Um


Suassuna com o rosto vermelho encerrou a ligação sem dar resposta ao
jornalista. Ato contínuo, a mãe de santo já estava ao telefone. [...] O
repórter, designado para outra pauta ou por qualquer outro motivo, nunca
mais apareceu", descreve.

Vitale relata ainda no livro a tentativa de Suassuna de demonstrar


proximidade com o ex-presidente –e a contrariedade de aliados.

Segundo o ex-executivo, o empresário construiu uma suíte destinada a Lula


na sua casa de veraneio numa ilha em Angra dos Reis. Apesar de insistentes
convites, o ex-presidente passou apenas uma tarde no local.

Suassuna passou a frequentar a intimidade do ex-presidente no sítio de


Atibaia. Segundo Vitale, "a proximidade do ex-presidente era um troféu a
ser exibido".

O livro afirma que as empresas de Suassuna bancavam despesas pessoais de


Lulinha e Kalil Bittar em troca da entrada de dinheiro da Oi em projetos
sem retorno financeiro.

O acordo passa a degringolar quando o dinheiro da empresa de telefonia


míngua, mas os gastos do filho do ex-presidente e Bittar permanecem os
mesmos.
Vitale diz que negociou com três editoras para publicar o livro. Relata uma
"operação" de Suassuna para evitar o fechamento de contratos. O ex-
executivo então decidiu imprimir por conta própria 1.000 exemplares. Cerca
de 600 já foram distribuídos ou vendidos no boca a boca –quase metade via
vaquinha virtual.

Suassuna nega ter sido beneficiado pela Oi em razão de suas relações com o
filho de Lula. Quando as revelações de Vitale vieram à tona, no ano passado,
a Oi afirmou que as empresas do Grupo Gol "são reconhecidas no mercado e
fornecedoras de grandes companhias que operam no país".

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Os negócios seriam fruto de tráfico de influência de Lula e seriam de fachada.

A informação foi revelada em entrevista de Vitale à Folha há um ano, que


descreveu quatro acordos suspeitos. O caso está sob análise da Polícia Federal
em Curitiba, ainda sem conclusão. Todos os acusados negam a influência do
petista na condução dos negócios.

A principal novidade do livro é a descrição da personalidade irascível de


Suassuna. O ex-diretor da Gol revela traços místicos do ex-patrão. Relata que o
empresário contava com uma mãe de santo para opinar sobre negócios e afastar
adversários.

"Certa vez, um repórter pediu uma entrevista e adiantou a pauta. Um Suassuna


com o rosto vermelho encerrou a ligação sem dar resposta ao jornalista. Ato
contínuo, a mãe de santo já estava ao telefone. [...] O repórter, designado para
outra pauta ou por qualquer outro motivo, nunca mais apareceu", descreve.

Vitale relata ainda no livro a tentativa de Suassuna de demonstrar proximidade


com o ex-presidente –e a contrariedade de aliados.

Segundo o ex-executivo, o empresário construiu uma suíte destinada a Lula na


sua casa de veraneio numa ilha em Angra dos Reis. Apesar de insistentes
convites, o ex-presidente passou apenas uma tarde no local.

Suassuna passou a frequentar a intimidade do ex-presidente no sítio de Atibaia.


Segundo Vitale, "a proximidade do ex-presidente era um troféu a ser exibido".

O livro afirma que as empresas de Suassuna bancavam despesas pessoais de


Lulinha e Kalil Bittar em troca da entrada de dinheiro da Oi em projetos sem
retorno financeiro.

O acordo passa a degringolar quando o dinheiro da empresa de telefonia


míngua, mas os gastos do filho do ex-presidente e Bittar permanecem os
mesmos.
Vitale diz que negociou com três editoras para publicar o livro. Relata uma
"operação" de Suassuna para evitar o fechamento de contratos. O ex-executivo
então decidiu imprimir por conta própria 1.000 exemplares. Cerca de 600 já
foram distribuídos ou vendidos no boca a boca –quase metade via vaquinha
virtual.

Suassuna nega ter sido beneficiado pela Oi em razão de suas relações com o
filho de Lula. Quando as revelações de Vitale vieram à tona, no ano passado, a
Oi afirmou que as empresas do Grupo Gol "são reconhecidas no mercado e
fornecedoras de grandes companhias que operam no país

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