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© 1999, CNPq- Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

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. -
o trabalho de editoração deste livro_(normahzaçao, rt d' gramação) foi realizado
a e e 1a SUMÁRIO
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http://www.cbra.org.br
e-mail: cbra @cbra.org.br; cbra@ uol.com.br A concepção de desenvolvimento regional
Paulo Roberto Haddad.. ... ..... ...... .......... ........ ................ .. ... ............... ... .. .... . 9
Apêndice técnico: A competitividade do agronegócio - Estudo de
COMITÊ OE APOIO TÉCNICO c/uster
Alexandre Loures Bandeira Dias- CBRA Paulo Roberto Haddad.... ....... ............. ..... .. ..... ......... ..... ............................. 23
Maria Helena C.da Silva - CBRA 2 Impactos dos planos de governo sobre a agroindústria brasileira
Marta Lúcia Oliveira - CBRA Paulo Roberto Haddad ........... .................. ....... ......... .. .. ... ............ ...... ... .. ..... 37
Simone Martins de Abreu - CBRA 3 Análise dos impactos das políticas macroeconômicas sobre a
agroindústria brasileira
Paulo Roberto Haddad.. .. ..... . ...... ....... ............. ......... .. ................. ......... ..... .. 43
CNPq -Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico 4 A agroindústria e os desequilíbrios regionais de desenvolvimento
Paulo Roberto Haddad..... ...... ........ ......... .... ...... .... ... .......... ......... .. ........ .... .. 53
SEPN 0 .509 Bloco A Ed.Nazir I
70750-901 Brasília-DF 11 - ESTUDO DE CASOS
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E-mail: prcunha@cnpq.br ou gloriag@cnpq.br Gilberto C.C . Mascarenhas; Rosalina Ramos Midlej; Salvador dai Pozzo
Trevizan ; João Manuel Afonso; Ebiezel Nascimento Andrade Filho;
Josemar Xavier de Medeiros ........................ ........ .................. ....... ...... ...... ..
59
C737 A competitividade do agronegócio e o desenvolvimento regional no
O c/uster suinícola do oeste de Santa Catarina
Brasil; estudo de cluster. I Organizado por Paulo Roberto Jonas lrineu dos Santos Filho ; Neusa Alice dos Santos; Mário Duarte
Haddad ai ai. - Brasília:CNPq/Embrapa, 1999. Canever; Ivan Sergio Freire de Sousa; Luís Fernando Vieira ................ .. ..
OOOp .: ii. 125
O cluster de grãos na região de Rio Verde no Sudoeste de Goiás
1 Agronegócio _ Brasil. 2. Agroindústria- Brasil. 3.
Des~nvolvimento regional - Brasil. I. Haddad, Paulo Roberto . Flávio Augusto D'Araújo Couto; José de Anchieta Monteiro .. ...... .. ......... .. ..
181
CDD-338.1 CDU-339.5 (81) O c/usterda fruticultura no pólo Petrolina-Juazeiro
Carlos Roberto Machado Pimentel. ... ........... . ....... .. ..... ...... ............. ... ..... .. ... 229

III- CONCLUSÃO

Considerações finais
Paulo Roberto Haddad .. .... ................................... ..... ............ ......... ... .. ....... 263
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regional, principalmente a noção de "clusters" - definida nos primeiros capítulos -


como o exame concreto de quatro pólos de desenvolvimento localizados em
diferentes pontos do território nacional. Cada um desses pólos gira em tomo de alguns
produtos fundamentais, deixando clara a caracterização de "c/ustet''. O leitor
rapidamente verificará que uma das condições necessárias ao desenvolvimento é a '
construção de redes, isto é, a integração de diferentes ateres e atividades formando
grandes aglomerados interativos. Nesses pólos interagem de alguma forma uma série
de instituições como centros de pesquisa, universidades, escolas técnicas,
1
agroindústrias, produção agropecuária, fornecedores de insumos e de máquinas/
equipamentos e tantas outras.

Através dos relatos que formam aqui os capítulos 5 a 8, o relacionamento A CONCEPÇÃO DE


entre as diferentes instituições é discutido, bem como são apresentados alguns
fatores limitantes ao desenvolvimento da cada "cluster". Não apenas isso. Fica DESENVOLVIMENTO REGIONAL
evidente nesses casos relatados o papel alavancador da ciência e da tecnologia.

Ciência e tecnologia está em todo o lugar dentro das cadeias agroindustriais,


ou seja, na semente utilizada no campo, na raça animal, na forma de plantio e
colheita, no processamento industrial, no transporte, nas embalagens, na gestão Paulo Roberto Haddad 1
empresarial e no entendimento das forças sociais e econômicas que determinam as
demandas dos mercados. Não é sem razão que se firma o conceito de tecnociência,
significando não apenas a reunião do que tradicionalmente se conhece como ciência e
tecnologia, mas também aqueles atores interessados no seu desenvolvimento: 1. INTRODUÇÃO
políticos, empresários, trabalhadores, consumidores.

Este é um livro que trata das relações entre desenvolvimento, c1encia e Para delimitar a concepção fundamental de um processo de desenvolvimento
tecnologia como instrumento de promoção social e aumento da competitividade da regional, é preciso, desde o início, distingui-la do mero processo de crescimento eco-
economia brasileira. Tem-se aqui o resultado de um trabalho que não só foi multi- nômico. A localização e a implantação de novas atividades econômicas numa região
institucional, mas também multi e interdisciplinar. Economistas, sociólogos, biólogos e podem elevar os seus níveis de produção, de renda e de emprego a um ritmo mais
profissionais das ciências agrárias formaram equipes de trabalho que coletaram e intenso do que o crescimento de sua população, sem que, entretanto, ocorra um pro-
analisaram dados das mais diferentes fontes. Temos convicção de que o mesmo traz cesso de desenvolvimento econômico e social. Os valores per capita do produto e da
contribuições originais e relevantes ao tema do desenvolvimento regional, podendo renda regional se expandem, denotando basicamente que a região estará vivendo
servir de base para o melhor entendimento e mesmo para o fortalecimento do uma etapa favorável na sua trajetória de crescimento econômico e que, em média,
agronegócio brasileiro. estará havendo um aumento na quantidade de bens e serviços à disposição dos seus
habitantes.

Este processo de crescimento econômico irá depender, principalmente, da ca-


Carlos Américo Pacheco Alberto Duque Portugal '\. pacidade da região para atrair recursos nacionais e internacionais, públicos e privados,
Secretário-Executivo Vice-Presidente · 'k, ~través de diferentes modalidades (negociação de projetas; transferências intergover-
Mini·stério da Ciência e Tecnologia Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária ' namentais de natureza não-constitucional etc). Dependerá, também, dos impactos que
,~~ as políticas macroeconômicas e setoriais terão sobre a economia regional; estas polí-
..... '
:·~·· ·~·------------
, ·~· ·.,~ .. Professor Emérito da UFMG; Ex-Ministro do Planejamento e da Fazenda; Consultor de Organizações
;~· Públicas e Privadas, Nacionais e Internacionais; Presidente da Phorum - Consultoria e Pesquisa em
~_& ,'• Economia Ltda., Belo Horizonte·MG. E-mail: phorum@net.em.com.br
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10 A Concepção de Desenvolvimento Regional A 11

ticas comandadas principalmente pelo Governo Federal, geram condições externas às limitações físicas ou por legislação ambiental), na sobre-exploração da força de
decisões regionais que podem estimular ou freiar o crescimento económico da região, ho (que pode encontrar resistências políticas ou legais com o avanço da redemo-
de acordo com os rebatimentos específicos destas políticas sobre sua estrutura pro- n::tLIILa•vaiJJ ou na informalidade e na clandestinidade de suas operações (que podem
dutiva. Quase sempre, estas políticas são , por si só , predominantes e capazes de ex- com a modernização e eficácia dos sistemas tributários e previdenciários).
plicar o crescimento económico e a evolução da renda de uma determinada região.
As vantagens competitivas dinâmicas da agroindústria de uma região, aquelas
Por outro lado, o processo de desenvolvimento de uma região, que pressupõe resistem aos processos de globalização e de integração da economia nacional,
o seu crescimento económico, dependerá, segundo Boisier (1993), fundamentalmente , inicialmente, da sua dotação de recurs.os naturais e de sua posição relativa
da sua capacidade de organização social que se associa: (a) ao aumento da autono- regiões do país e do exterior. No médio prazo, pode-se afirmar que esta dota-
mia regional para a tomada de decisões; (b) ao aumento da capacidade para reter e corresponde simplesmente ao estoque dos recursos naturais que são requeridos,
reinvestir o excedente económico gerado pelo processo de crescimento local; (c) a um . algum grau m~is significativo, pela economia nacional para atender às demandas
crescente processo de inclusão social, (d) e, a um processo permanente de conserva- · e externa . A medida que os requisitos da economia se modificam a longo pra-
ção e preservação do ecossistema regional. Esta capacidade de org~nização social da composição e a dimensão do estoque se alteram e, nesse sentido, o significado
região é o fator endógeno por excelência para transformar o crescimento em desen- seja "a dotação de recursos" de uma região muda com a dinâmica do cresci -
volvimento, através de uma complexa malha de instituições e de agentes de desenvol- económico, ou seja, com os determinantes da demanda final (preferências dos
vimento, articulados por uma cultura regional e por um projeto político regional. idores, distribuição de renda, comércio exterior), com as condições tecnológi-
produção (surgimento de novos produtos e novos processos) , da organização
Segundo esta concepção, mais explicitamente, o desenvolvimento de uma ,. ,.,,~,n~a produtivo e de seu arcabouço político-institucional (legislação ambiental,
determinada região pressupõe : de segurança etc.).
• um crescente processo de autonomia decisória;
• uma crescente capacidade regional de captação e reinversão do excedente Em geral, quando se pretende definir quais são as potencialidades de cresci-
económico; económico de uma região a partir da sua dotação de recursos, é preciso estar
um crescente processo de inclusão social; de que o conceito de potencialidade de recursos é económico e não físico. Ou
• uma crescente consciência e ação ambientalista; o valor de um recurso natural não é intrínseco ao material, mas depende da es-
• uma crescente sincronia intersetorial e territorial do crescimento; da demanda, dos custos relativos de produção, dos custos de transporte, das
tecnológicas que sejam comercialmente adotadas etl;.
• uma crescente percepção coletiva de pertencer à região .
A delimitação de um sistema produtivo regional competitivamente dinâmico é A questão dos custos relativos é crítica: uma oportunidade favorável em algu-
imprescindível para uma região inserida num País que passa, de u.m l.ado, por um ·lbc:ali:dade ou região pode não ser explorada devidamente por causa da existência
crescente processo de integração nacional desde o f1m dos anos c~nquenta, a qu~l melhor oportunidade em outra localidade ou região. Portanto, a incorporação
vem estimulando a concorrência interregional; e, de outro lado, por um processo ma1~ noções de custos de oportunidade e de concorrência são importantes para a me-
recente de integração global, que amplia o espaço da concorrência internacional. E compreensão do conceito de competitividade interregional.
difícil imaginar a sobrevivência de atividades económicas de qualqu~~ .naturez~ .e ~m
qualquer escala produtiva numa região que não disponha de co~pet1t1v1d~de d1nam1ca Não se pode deixar de avaliar as oportunidades de investimentos que podem ir
em termos de preço e de qualidade para enfrentar bens e serv1ços eqw~alentes que à medida que a própria exploração da base de recursos naturais da regi-
chegam aos seus municípios e localidades com custos de tra~s~ortes e Impostos al- o crescimento do seu mercado interno. O mercado interno de uma região é,
fandegários cada vez mais declinantes, num contexto de comercio extenor desregula- função de três vetares principais: o tamanho da população regional; o seu nível
mentado. produtividade; o grau de concentração na sua distribuição pessoal e familiar de
e de riqueza. Quanto maior a população, maior o nível de produtividade (quanto
Neste sentido, é preciso, inicialmente, que se distingam as vantagens .: conô- a capacidade de produzir, maior a capacidade de consumir) e mais bem distribuída
micas espúrias das vantagens competitivas dinâmicas específicas de cada reg1ao. As de uma região, maior será a dimensão de seu mercado interno. Embora em ai-
vantagens competitivas espúrias são aquelas que não se sustentam no longo prazo regiões, em que a base económica seja predominantemente agroindustrial,
por estarem fundamentadas apenas em incentivos fiscais e financeiros ~eco!rentes ~qu~ ii o seu sistema produtivo e problemas de degradação ambiental acarretem
podem desaparecer a partir das exigências de um programa de estab1hzaçao e~on?ml­ rtiginosa da capacidade produtiva dos recursos naturais (os quais, somados à
ca), no uso predatório dos recursos naturais do ecossistema (que podem se restnng1r ou fundiária, podem levar os níveis de produtividade agrícola para patamares ex-
12 A Concepção de Desenvolvimento Reg ional de Desenvolvimento na I 13

tremamente baixos), observa-se a formação de um mercado emergente para bens e


serviços que não dependem necessariamente de econom ias de escala de produção.

Em geral, podemos afirmar que a competitividade dinâmica de uma reg ião


dentro de um sistema de concorrência espacial, particularmente para as atividades
que não se vinculam diretamente à sua dotação de recursos naturais, depende de um
componente estrutural e de um componente diferencial. O componente estrutural nos
informa que, no processo de desenvolvimento nacional, há alguns selares que cres-
cem mais rapidamente que os demais, e que os fatores responsáveis por estas dife-
rentes taxas de crescimento setorial nacional são : variações na estrutura da demanda, i
variações de produtividade, inovações tecnológicas etc. Como uma região que se es-
pecializa naqueles selares mais dinâmicos da economia nacional é a que atinge uma
variação estrutural positiva em termos de emprego, produção e renda, então é funda-
mental que se pesquisem as possibilidades de cada reg ião para a localização de fir-
mas ou estabelecimentos pertencentes a cada um destes selares.
Nível de Nível de arrecadação
Por outro lado, o crescimento regional não pode ser examinado apenas por produção tributária
reg ional
este ângu lo, pois todos os setores produtivos apresentam desempenho diferenciado
entre as várias regiões da economia nacional. Assim, não é difícil imaginar-se que,
tendo ocorrido alterações na superfície locac ional de uma economia nacional , uma 1 - lmp_actos hipotéticos de uma nova atividade econômica sobre 0 desenvolvi-
da reg1ao em que se localiza.
dada região possa se desenvolver mais rapidamente do que as outras, desde que
consiga atrair uma proporção crescente de atividades ou firmas , ainda que estas per-
tençam a setores de crescimento lento no âmbito nac ional. As principais forças que E.feitos de dispersão ou de encadeamento para trás: dada a estrutura tecnoló-
aluam no sentido de provocar estes reajustamentos são , quase sempre, de natureza ~lca da nova atividade econômica, esta necessitará de certas quantidades de
). i
locacional , tais como: variações nos custos de transporte, estímulos fiscais específicos ms~~os para produzir determinadas quantidades de produtos. A economia da
'I para determinadas áreas , diferenciais nos preços relativos de insumos entre regiões reg1ao pode se bene.ficiar destes efeitos diretos de encadeamento para trás,
etc. Torna-se, pois, necessário estudar as vantagens locacionais de cada uma das pr~duz1ndo parc~la s1gnlflcat1va destes insumos, através do sistema produtivo
regiões para a atração de selares produtivos de crescimento lento ao nível nacional, existente ou da Implantação de novos projetas industriais· os encadeamentos
bem como os fatores explicativos do desempenho favorável destes setores em algu- par~ trás podem ~erar várias rodadas de efeitos positivos 'para a econom ia da
mas regiões. re.g1ao, ~o1s as allvidades beneficiadas pelos efeitos diretos necessitarão tam-
be~ de msu~os, parcela das quais poderá, eventualmente, também ser pro-
duzida na propna região (efeitos indiretos): exemplo na Fig.2 .
2. SINCRONIA INTERSETORIAL E TERRITORIAL DO CRESCIMENTO ECONÔMICO

É fundamental que se analisem as condições necessárias e suficientes que


poderão garantir a formação de um ciclo de expansão econômica mais permanente Efeitos
numa região, a partir dos efeitos de encadeamento que uma base econômica agroin- diretos
para trás
dustrial pode provocar ou induzir.

Os diferentes efeitos multiplicadores ou de encadeamentos são apresentados Efeitos


na Fig. 1 e, para compreender o seu significado, é preciso analisar os efeitos que no- indiretos
vas atividades económicas (toma-se, como exemplo, a cadeia produtiva mínero- para trás
metalúrgica) poderiam gerar na economia de uma região, os quais são classificados
em Haddad (1989): 2 - Efeitos multiplicadores para trás de uma nova atividade econômica.
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14 A Concepção de Desenvolvimento Regional A Conce 15

• Efeitos de dispersão ou de encadeamentos para frente: trata-se ?e


benefici~­ Efeitos Fiscais: dadas as características do sistema fiscal do País o desen-
mentos que podem ser realizados com os produtos da nova attvtdade ec~no­ volvimento de uma nova atividade econômica, com suas repercussÕes em ati-
mica na própria economia da região, através de efeitos causados em attvtda- vidades satélites ou complementares e sobre o processo de urbanização na
des que utilizam estes produtos como insumos: exemplo na Fig.3. região, sempre irá conduzir ao crescimento das receitas tributárias da região
(próprias ou de transferências), por causa do aumento da circulação de mer-
Alividade Econômica cadorias, da expansão dos selares terciários e dos acréscimos nos valores
patrimoniais privados: exemplo na Fig.5.

Nova atividade:
Exirativa Mineral
Aumento na · Expansão n·a·
metalurgia ·dá produção, na 1------l arrecadação de
não ferrosos · renda e nos valo· impostos diretos,
.res indiretos e taxas

Efeitos di retas Efeitos indiretos


para frente
para frente Efeitos de
encadeamento
Figura 3 - Efeitos multiplicadores para frente de uma nova atividade econômica. trás .

• Efeitos induzidos: são os provocados pela demanda final de bens de consumo


ou de bens de capital em função do crescimento da renda regional; a implan-
tação da nova atividade econômica na região e a produção resultante .dos
efeitos de encadeamento promoverão uma expansão nos mercados locats, a
qual pode estimular o crescimento na produção local para o atendin:ento d?
consumo privado ou dos investimentos reais, dependendo do potenctal de di-
versificação da economia regional: exemplo na Fig.4.
ra 5- Efeitos fiscais de uma nova atividade econômica.

Os multiplicadores regionais que podem ser derivados desta seqüência de im-


mostram que a expansão da produção, da renda, do mercado de trabalho e da
ação fiscal provocada pela nova atividade econômica, dependerá das estrutu-
emanda final e da produção da economia regional, assim como da legislação
em vigor em cada país ou região. Quanto maior o grau de interdependência
e quanto menor o grau de "vazamentos" nos fluxos de produção e de renda
para outras regiões, maiores serão os valores dos efeitos multiplicadores.
por exemplo, a ocorrência de importação de matérias-primas, importação de
de consumo, pagamentos extra-regionais de dividendos, de serviços de assis-
técnica, de custos financeiros, isto faz com que os impactos econômicos sobre
sejam bem menores.

Efeitos induzidos Uma economia regional, cuja base produtiva é constituída predominantemente
Figura 4 - Efeitos induzidos de uma nova atividade econômica. único tipo de bem, é extremamente vulnerável. Os choques adversos no preço
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16 A Concepção de Desenvolvimento Regional 17

deste bem nos mercados extra-regionais, o aparecimento de substitutos ou a exaustão se o perfil de distribuição de riqueza e de renda pessoal da nova atividade não
do mesmo, sem que, num dado lapso de tempo, a estrutura produtiva da região tenha se for suficiente para provocar a desconcentração da distribuição prevalecente
diversificado, coloca problemas de difícil solução, pelo menos no curto e médio prazos. (ou que, até mesmo, alue na direção de reforçar o padrão concentrador), se-
rão menores os efeitos induzidos para promover a expansão do mercado in-
Conclui-se, pois, que uma das condições para que uma atividade econômica terno regional;
que se localiza numa região possa promover o desenvolvimento sustentável desta re-
gião e não estimule apenas um ciclo de crescimento instável e pouco duradouro, é • se os capitais investidos na nova atividade forem originários de outras regiões,
indispensável que haja uma difusão do dinamismo da expansão da nossa atividade não se conseguirá internalizar os excedentes financeiros gerados no novo ci-
econômica para outros selares da economia regional; vale dizer que esta atividade clo produtivo, os quais "vazam" para regiões desenvolvidas, implicando na re-
deve se articular de maneira adequada com o sistema produtivo regional (ver Fig.6) . duzida capacidade de auto-financiamento para se promover a diversificação
da estrutura produtiva regional.
.Efeitos pofenciais de Nesta situação hipotética, caracteriza-se um cenário pessimista para o desen-
dispersão para frente ,..,,.,,nr,., de
uma região que poderia se denominar de "enclave econômico regional",
e para trás todos os efeitos perversos em termos da limitada capacidade de difusão e de di-
ismo de uma atividade econômica sobre o desenvolvimento da região. Este cená-
·Características Difusão potenCial dó é totalmente irrealista, quando examinamos a experiência histórica de algumas
Tecnológicas da dinamismo da .nova produtoras de alimentos ou de matérias-primas minerais, cujo crescimento
f- atividade so.bre os
noya atividade ico ocorreu a partir da formação de uma base econômica para a exploração de
' -Econômica ,setores da economia · os naturais ainda que submetidos a primeiros processamentos . O cenário per-
; , re ional: também, que se vislumbre o esforço de planejamento a ser feito para que se re-
liI as tendências restritivas ao desenvolvimento de uma região e, ao mesmo tem -
Perfil da distribuição . esclarece alguns dos motivos pelos quais muitos dos ciclos económicos que vie-
'
I de rende e efeitos · acontecendo historicamente em muitas regiões, não foram capazes de dinamizar
,I
i'' induzidos C maneira sustentável o seu processo de desenvolvimento.
'
Grau de diversidade
da base de recursos 1---------------------~ DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
naturáis dare ião
É preciso que, na estratégia de desenvolvimento econômico e social de uma
Ião se introduza crescente consciência e ação ambientalista através da adoção do
Figura 6 - Mecanismos de difusão da nova atividade econômica sobre a economia de uma de sustentabilidade no processo de expansão da produção e do consumo, a
região. que a taxa de uso dos recursos regionais (particularmente, os naturais) seja no
mo igual à taxa de reposição e de conservação destes recursos (ver Fig. 7). As
A pior situação para o processo de desenvolvimento de uma região sob o as- Constituições, a do Brasil e as dos Estados da Federação, priorizaram, em vári-
pecto analisado poderá ocorrer quando houver a convergência dos seguintes fatores seus dispositivos, a indispensável condicionalidade de se incorporar a dimensão
relacionados com a implantação de uma nova atividade econômica (Haddad & no processo de planejamento nacional e estadual. Entre estes dispositivos,
Schwartzman, 1976): a ação popular, que visa a anular atos lesivos ao meio ambiente; estudo
de impacto ambiental para instalação de obra ou atividade potencialmente cau -
• se a região estiver exportando produtos de grande peso gerados pela nova de significativa degradação do meio ambiente; sistemas de sanções penais e
atividade, o transporte de retorno tende a ocorrer com capacidade ociosa, re- nlr1íst.ratíva1s para as condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente .
duzindo-se o frete de retorno; diante de fretes de retorno mais baixos, eleva-se ros dispositivos constitucionais, ancorados em intensa mobilização política
a capacidade competitiva para as importações, inibindo-se possíveis ativida- rrvn~írTlont'"" conservacionistas, nos darão certa segurança para afirmar que a pre-
des locais substitutivas de importação voltadas para a demanda regional (im- llnl~ç:ao ambiental é uma tendência de peso ao longo dos próximos anos, trazendo
pacto reduzido para os efeitos de encadeamento e para os efeitos induzidos); mudança uma concepção alternativa de desenvolvimento, na qual a questão dos
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11:1 A t;oncepçao ae uesenvoiVImento Heg1ona1 19

ecossistemas não seja tratada à margem das principais decisões sobre a acumulação complexa e interdependente rede de temas de natureza econômica e social.
de capital e seus efeitos distributivos.

Uma concepção adequada da estratégia de desenvolvimento econômico e so-


. região e sua área de influência deve conter, como elemento essencial, um
processo de inclusão social. Esta preocupação deriva do fato de que as ex-
nãci reriovãveis históricas, do Brasil e de outros países da América Latina, segundo a
revelam a existência de nenhuma correlação geral e sistemática entre
econômico e distribuição de renda e de riqueza; vale dizer, não há ne-
··· ·'""'m""'' de que um processo de crescimento econômico sustentado possa
hores condições de vida para o conjunto dos habitantes da região. Na ver-
experiências, quando devidamente documentadas, mostram que:

A desigualdade não aumenta numa primeira fase do processo de crescime~to


econômico para depois se atenuar; existem tantos países em desenvolvi-
mento em que a desigualdade aumenta, como países em que esta diminui
nesta primeira fase; '
Figura 7- Crescimento sustentável dos recursos naturais.
· A desigualdade não tende a se tornar mais aguda nos países em desenvolvi-
Y = taxa de crescimento da produção do recurso natural;
mento mais pobres, do que nos menos pobres;
h = taxa de crescimento do uso (extração, exploração) do recurso natural;
(-) =o estoque do recurso diminui;
A desigualdade não tende a se tornar mais aguda, quanto mais rápido seja o
(+)=o estoque do recurso aumenta.
crescimento econômico;
O conceito de desenvolvimento sustentável tem sua idéia-força centrada na Uma desigualdade maior inicialmente não induz a um crescimento maior pos-
investigação científica das relações dos homens entre si e com a natureza "dentro de teriormente;
modelos mais dinâmicos, onde a natureza deixa de participar apenas de forma passi-
va, de onde os homens retiram insumos necessários à produção das coisas úteis, para . ' Crescimento e eqüidade podem ser objetivos conflitivos como podem chegar a
salientarem a dependência deste homem à natureza, à qual ele está materialmente ser complementares ou independentes; a relação dependerá das políticas que
condicionado" ... "baseia-se no imperativo moral de respeitar as necessidades das ge- .se adotem; as maiores possibilidades de conflito podem ocorrer entre aquelas
rações futuras, o que implica a exigência de preservar o capital de estoque de recur- . políti~a~ em que ambos objetivos são complementares no longo prazo, mas
sos naturais, fundamental na organização das atividades econômicas" ... ''vem tendo ·contranos no curto prazo, como por exemplo: a maioria das políticas ambien-
diferentes interpretações e abordagens, com ênfase ora na preservação dos seres ' tais de sustentabilidade ou políticas de inversões em capital humano com lon-
vivos em geral, ora na preservação do Homem e do seu habitat, mas sempre voltadas . gos períodos de gestação, como as da educação formal;
para a utilização não predatória dos recursos naturais e salvaguarda de oportunidades
para as gerações futuras" - Projeto AR IDAS ( Magalhães et ai., 1993). Neste sentido, em primeiro lugar, deve se dar prioridade àquelas políticas que
.. permitam a implementação dos objetivos de eqüidade e de crescimento de
Todos os principais elementos ou dimensões que compõem o conceito de ·forma simultânea e complementar; em segundo lugar, devem vir as políticas
desenvolvimento sustentável se articulam em torno do uso eficiente e racional dos re- que estes objetivos sejam relativamente independentes um do outro; em
cursos naturais renováveis e não-renováveis, orientando-se para a melhoria da quali- . último lugar, e somente quando forem indispensáveis, devem se aplicar as
dade de vida da população, desde que observado o respeito pelas necessidades das políticas em que ambos os objetivos estejam em conflito.
getações futuras. A partir deste marco de referência, discutem-se, então, as questões
distributivas, a escolha das tecnologias de produção e de gestão e as implicações polí- , constatou-se, em diversos países, que a compatibilidade entre o cres-
<::U A Goncepçao ae uesenvoiVImemo Heg1ona1
A de Desenvolvimento
21
cimento econômico e o desenvolvimento social não se processa espontaneamente. Da
aplicação das estratégias que se firmaram no pressuposto de que os objetivos redistri- tributivista_colocará t_odo o empenho, intencionalmente, nas ações e nas medidas
butivos e de eqüidade ficassem subordinados à manutenção do crescimento acelerado . ma1or probab1hd_ade (ou que nos dão certeza) de beneficiar os grupos so-
balxa renda na Reg1ao.
do PIB, conclu iu-se que a redução das desigualdades não foi atingida através de im-
pactos indiretos gerados pela prioridade atribuída aos critérios de eficiência. Admitiu-
se, em princípio, que expandindo-se o produto e a base tributável da economia seria N~o desejamo~ penetra: ~a longa trilha das discussões teóricas a esse res-
mais fácil para o poder público manipular maiores recursos, capazes de favorecer so- porem a sepa~a?ao dos cntenos de eficiência e distribuição não se deve · ·d · ·
luções para os problemas econômicos e sociais dos segmentos mais pobres da po- - .•.., ....,.,~.s.•e~jam antagomcos . A expe!iência de longos anos, em vários países, en~r~t:~~
pulação; vale dizer, acreditava-se que o desenvolvimento social seria um subproduto que C: aun:ento da ef1c1enc1a econômica e, portanto, da produtividade e do
cronológico do crescimento econômico. produça? na_o resul~am necessariamente em aumento do bem-estar sócio-
1-'
do~ Cl_dad~os ma1s pobres da comunidade, nem reduz o desemprego e 0
Contudo, a experiência histórica vem demonstrando que a simples mobiliza- go . S1gn1f1cat1vamente. Nessas questões, a regra geral é 0 insucesso das
. e medidas propostas para gerar mais eqüidade social.
f' ção intensiva dos fatores de produção tende a reproduzir, agora sim, de forma espontâ-
nea, as condições sociais iniciais que lhe deram sustentação. Assim, o poder indutor
do crescimento econômico propicia maior diferenciação dos sistemas sociais sem, con- ~ntretanto, embora possam ocorrer programas ou projetas de gastos úblicos
li tudo, gerar mais eqüidade, pois esta não é impulsionada por nenhum mecanismo auto- ·carater f_undamentalmente distributivo (por exemplo: programa de nutri~o para
sustentado, porquanto os efeitos genuínos do crescimento econômico estão estrutural- de ~a1xa renda) e outr~s _de caráter eminentemente de eficiência (tais como
li mente vinculados aos imperativos da acumulação e à lógica da diferenciação social. de 1nfra-~st~utura econ?~1ca para atuação de programas industriais num sis-
II
1de co~correnc~a entre reg1oes) , essa desvinculação é tanto mais obscura quanto
Ii É indispensável, portanto, que, na formu lação da estratégia de desenvolvi- ongo oro penodo em que se avaliam os impactos dos programas e dos projetas
mento para uma região, seja dada ênfase especial à articulação entre o processo de exemplo, pro~ramas de educação para a população de baixa renda os quais no
crescimento econômico e a distribuição de renda e de riqueza na região. De um lado, prazo, gerarao recursos humanos qualificados para o sistema prod~tivo). '
é preciso que haja uma política educacional que qualifique a força de trabalho local
para os postos de serviços a serem abertos em novos investimentos, particularmente Os_ di~er~n!es programas e projetas de um plano de desenvolvimento regional
naqueles intensivos de ciência e tecnologia; e, do outro lado, que parte do excedente a d1stnbU1çao da renda através_ de benefícios derivados dos salários e dos ren-
econômico gerado pelo ciclo de expansão da economia regional seja internalizado (via pnv~do~ gerados pelos projetas produtivos e também dos benefícios dos
sistema fiscal) para o financiamento de políticas sociais compensatórias para os gru- so~1a1s n_ao d1retamente produtivos (por exemplo, educação e saúde). Na anã-
pos dos excluídos da região. efeitos d1s~lbUt1vos des~es projetas não diretamente produtivos , é importante
r a d1mens~o temporal. A medida que a ênfase está na solução de problemas
Assim, não basta, pois, que se identifiquem oportunidades de investimentos . alocaçao de fundo~ . em programas diretamente ligados a esse setor, a
dinamicamente competitivos numa região (o que, muitas vezes, se denomina de voca- ltnlltégia e_ de c~rto prazo (politicas soc1ais de natureza compensatória). Quando se
ções regionais) e as formas de mobilizá-las, uma vez que a implantação e a operação d1mensao ~e longo praz?, a e~tr~tégia tem de considerar que o uso alterna-
destes investimentos podem resultar num processo socialmente excludente para a e':: projetas_com efe1tos d1stnbutivos positivos pode melhorar considera-
população local e gerar apenas um ciclo de crescimento econômico. Entretanto, não . a~ carenc1as ex_1s!entes_e virá a se constituir em solução melhor. No lon 0
se pode afirmar que os critérios de eficiência e de eqüidade social (ou de distribuição ef1c1enc1a e d1stnbu1çao estao bastante interligadas, quase sempre. g
de renda e de riqueza) que orientam a seleção e a prioridade de investimentos públi-
cos e privados numa região sejam, em princípio, mutuamente, exclusivos. Vale ~ pena aqui ~~n~ionar a importância relativa de diferentes objetivos. Da
~ane1ra que o eqU1l1bno do balanço de pagamentos ou o crescimento da pro-
Um programa ou projeto de investimento, como o de construção de estradas nao po?em ser tom~dos con:o objetivos o~ fins últimos, mas apenas como mei-
vicinais, pode-se enquadrar no critério de eficiência e no critério de distribuição, pois . . se atmg1r outros fins, o objetlvo de acrescimo no emprego é importante não
aumenta os fluxos de comercialização, as margens de lucro, e, enfim, a produção f1:n, mas como me1o_p_ ara melhor redistribuição da renda e elevação na qualida-
agrícola regional e, ao mesmo tempo, pode beneficiar os pequenos produtores de me- VIda .. Os grupos soc1a1s~ ta1s como pequenos fazendeiros e camponeses vincu-
nor nível de rendimentos. O que interessa ressaltar é a ênfase dada ao programa ou à agncultura de subs1stenc1a, 1nd1cam o objetivo real que é atingido por diferen-
projeto. Os programas ou projetas de natureza distributiva, por exemplo, devem, na rnatlv~s de d~senvolv1mento reg~on~l. A~ características regionais (grau de ur-
maioria das vezes , ser eficientes também sob o aspecto econômico. Contudo, o objeti- ·'·"'•"''""''"'" d1spon1b1hdade de terras, d1stnbU1çao fundiária) determinam as políticas
a serem adotadas. Ass1m, do ponto de vista da distribuição de renda, a
I

A Concepção de Desenvolvimento Regional


}\ 22 ÊNDICE TÉCNICO
li I
. d t 0 ode ser uma estratégia que se efetiva nu~
\11 maximização do cre~c1mento _do pro u P do onto de vista oposto, uma redistribui-
'I
I,' i
prazo politicamente lnsus_te~t~vel , enquan~~· t s aluais pode ser politicamente inviá-
ção muito grande ~o pa~lmomo e ddos_renb-~~i~~~ pode não ser conflitiva e ser viável,
.COMPETITIVIDADE DO AGRONEGÓCIO
I:
vel. Porém, a conjugaçao desse~ _?IS o).
'
., ·ESTUDO DE CLUSTER
'
dentro de certos limites de negoclaçao politica.
I'

s. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS auJo Roberto Haddad


1
T Fortaleza
HADDAD, P.R. (Org.) Economia Regional -Teorias e métodos de ana tse.-

BNB, 1989. SCHWARTZMAN, J. Desequilíbrios regionais e descentralização in- '


HADDAD, P.R.,
I
dustrial. Rio: IPEA, 1976. . .
BOISIER ,_S. Sociedad Y territorio · Lima: ;ci~A~ ;~ÍDES S. PROJETO ÁRIDAS: Políti-
I 9 Uma agroindústria é uma empresa que processa materiais de origem vegetal
animal. O processamento envolve transformação e preservação através de altera-
ii MAGALHAES, A. R., B_EZERRASNEtTOt; .1, no Nordeste. Brasília: SEPLAN - IICA -
cas de Desenvolvimento us en ave o física ou química, estocagem, embalagem, distribuição. As agroindústrias podem
11
ESQUEL,1993
r classificadas, de forma simplificada, de acordo com o grau em que a matéria-prima
n 1 1 ,transformada. Em geral, os investimentos de capital, a complexidade tecnológica e
I 1 I __;·~Q's requisitos de gerenciamento aumentam à medida que o grau de transformação se
.·~\~Jfríplia (Austin, 1996). O conjunto das diferentes organizações e estruturas das agroin-
'' 'âOslrias configura o segmento do agronegócios (agribussiness).

I I Não é tarefa simples delimitar as fronteiras intersetoriais que venham a definir


seja o agronegócio em um país como o Brasil, que já atingiu um grau de indus-
IJ.!ti.IIL<>v"'u muito acentuado. Entretanto, diversos estudos que analisam o agribusiness
País, compreendendo "os negócios da agricultura de dentro para fora da
ra", estimam que ela representa mais de 30% do Produto Interno Bruto, emprega
de 35% da população economicamente ativa residente e responde por 40% das
_,_,.,;:;,n~o~•e~::;''"' exportações.

Existem diversas abordagens analíticas para se investigarem os problemas de


nvolvimento da agroindústria num determinado país ou região. Desde que a eco-
la brasileira vem se abrindo para uma integração competitiva em escala global, a
das investigações têm sido maior nas questões da competitividade do comple-
agroindustrial. Os estudos de competitividade têm destacado, além das principais

Emérito da UFMG; Ex-Ministro do Planejamento e da Fazenda; Consultor Económico de Orga-


blicas e Privadas, Nacionais e Internacionais; Presidente da Phorum - Consultaria e Pesquisa
I!OcrmOITua Lida., Belo Horizonte-MG. Este texto foi preparado com a colaboração de João Paulo Ama-
' professor da Escola de Veterinária da UFMG. E-mail: phorum@netem.com.br