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Ótica sociológica: lme “Um Ato de


Coragem”

A Publicado por Aline Antonio há 3 anos  2.002 visualizações

Precisa de uma
INTRODUÇÃO orientação jurídica?

Esse trabalho tem como objetivo analisar o comportamento de alguns


personagens e instituições no filme “Um Ato de Coragem”, destacando a 1

forma com a qual estes concordaram ou não com as normas estabelecidas,


classificando-os em morais, imorais, éticos, antiéticos ou, caso não sejam
passíveis de julgamento moral, em amorais.

Não apenas classificando-os, mas também demonstrando através de


argumentos baseados em cenas da obra, a razão pelo qual se enquadram em
cada categoria.

“Prometo que ao exercer a arte de curar, Mostrar-me-ei sempre fiel aos


preceitos da honestidade, Da caridade e da ciência. Penetrando no interior
dos lares, Meus olhos serão cegos, Minha língua calará aos segredos que
me forem revelados, Os quais terei como preceito de honra. Nunca me
servirei da profissão para corromper os costumes, Ou favorecer o crime.
Se eu cumprir esse juramento com fidelidade, Goze eu, para sempre, a
minha vida e a minha arte, De boa reputação entre os homens. Se os
infringir ou deles me afastar, suceda-me o contrário” (HIPÓCRATES,
[05-?])

O texto acima se refere ao juramento de Hipócrates, o qual deve ser proferido


pelos médicos para ingressarem na profissão. Em “Um Ato de Coragem”,
todavia, descobrimos que, os mesmos profissionais que juram “Nunca me
servirei da profissão para corromper...” (HIPÓCRATES, [05-?]), são
subornados pelos planos de saúde para que não sejam requisitados exames
aos pacientes.

Em alguns casos, necessitamos extravasar o explícito, analisando algumas


hipóteses e fatos subentendidos e que são característicos da vida em
sociedade. Ao analisarmos, por exemplo, o comportamento da diretora do
hospital que, ao longo da trama decidiu incluir o nome do filho do
protagonista na lista de transplantes, foi preciso investigar as possíveis
motivações a partir de pistas que variam desde a sutileza de expressões faciais
à massiva comoção promovida pela mídia.

Dessa forma, buscamos comparar a realidade norte-americana à brasileira,


detectando falhas essenciais em organizações que deveriam oferecer suporte
aos cidadãos e que, todavia, os submetem às situações que, além de
constrangedoras, podem contribuir para a morte por falta de assistência.

1 ANÁLISE DO FILME “UM ATO DE CORAGEM”


1.1 Comportamento do hospital, Polícia, Empresa, Estado, Mídia e
Plano de Saúde

Em relação à mídia, apesar de ter contribuído para que o evento ganhasse


grande repercussão, garantindo reais mudanças no sistema de saúde
americano, seus interesses baseavam-se apenas no lucro. Podemos notar isso
quando, após um discurso inflamado, o repórter ressalta que o canal nove
havia chegado primeiro.

Outra situação que esclarece as reais intenções das emissoras é a cena na qual
os repórteres conseguem as imagens obtidas pelas câmeras as quais apenas a
polícia possuía acesso. A comemoração acerca dessa conquista deu-se não
devido ao fato de que contribuiria para o objetivo de John[1], mas sim graças à
consequente alta na audiência.

O hospital, por sua vez, não preocupou-se em cumprir o que deveria ser seu
principal objetivo, defender a vida incondicionalmente, já que, devido apenas
à não possibilidade do pagamento dos gastos referentes à operação,
recusaram-se a preservar a vida de uma criança, sendo que, as despesas, ao
analisarmos os ganhos do estabelecimento, podem ser consideradas
insignificantes.

Os médicos, como descobrimos devido à confissão do residente, muitas vezes


também não trabalhavam em prol da integridade de seus pacientes, já que,
subornados pelos planos de saúde, não requisitavam exames essenciais para
diagnosticar previamente problemas como o observado no filho[2] do
protagonista.

A postura da empresa na qual John trabalhava, revela o quão grande é o


descaso acerca da saúde do trabalhador e de sua família. O indivíduo aqui é
tratado como um número, nos levando à interpretação de que seu valor é tão
reduzido que nem mesmo uma mudança essencial no seu seguro saúde
necessitaria ser comunicada.

Em prol do corte de gastos por parte da firma, mesmo atuando durante a


mesma quantidade de horas do que antes, seus benefícios foram reduzidos.
Esse revela-se extremamente imoral, pois, de acordo com as normas
estabelecidas, as horas de trabalho têm de ser recompensadas de acordo com
as condições instituídas previamente.

O Estado, por sua vez, não disponibilizou informações suficientes para que a
família de John pudesse efetuar a reclamação ou processo necessários para
revogar a decisão de rebaixar seu seguro saúde.

Apenas após dias tentando fazê-lo e obter a confirmação, descobriram que


deveriam ter feito outro requerimento, não possuindo este o valor necessário
para que seu filho voltasse a ter direito ao transplante por meio do plano de
saúde.

Em relação à polícia, o comportamento do oficial que parabenizou a


diretora[3] do hospital pelo que ele acreditava ser sua capacidade de mentir,
juntamente à sugestão acerca de informar falsamente que o nome do menino
havia sido incluído na lista de transplante, além da vaidade que cercava o seu
chefe que, apenas importando-se com sua imagem, mantinha-se alheio à
possibilidade de a instituição que comandava estar cometendo injustiças,
demonstram que o comportamento da mesma foi constituído por uma
sucessão de atos imorais.

Pode ser classificado da mesma forma como antiético ao analisarmos que,


perante a manifestação da intenção de matar o personagem de Denzel
Washington, estava contradizendo a exigência ética de defender a vida.
Relacionada à morte do protagonista, estaria a morte de seu filho que, nesse
caso, não conseguiria o órgão necessário à sua sobrevivência. Dessa forma, a
instituição atuaria direta e indiretamente em prol da morte de dois indivíduos.

Notamos, dessa forma, que as diversas instituições que deveriam agir em prol
da sociedade, não oferecem o suporte necessário para amparar os indivíduos
nos momentos em que estes se encontram mais vulneráveis. Detectamos ao
longo do filme, inclusive, a deficiência do sistema de saúde americano que, de
certa forma, exemplifica o que ocorre em diversos países como o Brasil, no
qual muitos pacientes morrem nos corredores dos hospitais por falta de
cuidados médicos.

1.2 Princípio de coação interna e coação externa no filme

O princípio de coação externa está presente quando o personagem de Denzel


Washington manteve algumas pessoas em cativeiro no hospital perante a vida
do seu filho estar sendo ameaçada. Dessa forma, não pode ser
responsabilizado pelos seus atos, atuando na proteção do mais importante
princípio ético: a vida.

A mesma coisa ocorre com a esposa[4] do protagonista que, na ânsia de tentar


salvar seu filho, ou seja, pressionada pela iminência da morte, liga para o
marido exigindo que esse tome alguma atitude urgentemente. A situação se
revela de uma forma na qual se conclui que, caso não tivesse o feito, a criança
estaria morta.

Quando o filho de John pede, inconscientemente, que o pai lhe dê um novo


coração, esse não percebe que isso poderia implicar no suicídio do mesmo,
dessa forma, notamos a coação interna, já que uma doença compromete sua
consciência psicológica, não podendo ser responsabilizado por seus atos.

1.3 Análise do comportamento de John

John foi contra as normas estabelecidas ao manter algumas pessoas em


cativeiro, podendo, por exemplo, ter atrasado o parto da senhora que estava
na sala de espera, dessa forma, podemos considerar que este comportamento
foi imoral.

Por outro lado, no entanto, é possível observar a coação externa, já que a


atitude foi tomada mediante o risco da morte de seu filho, que possuía um
sério problema cardíaco. Se considerarmos esse fato, não seria passível de
julgamento moral, tornando-se amoral.

Ao notarmos que a arma com a qual ameaçava matar os reféns não estava
carregada, percebe-se que não havia a intenção de ferir o mais importante
princípio ético, a vida. Assim, quando removemos essa preocupação ética,
nota-se um pai tentando, de todas as formas possíveis, defender a vida de sua
prole, ato esse que podemos considerar moral.

Quando o protagonista permitiu a entrada da maca com o ferido, a moralidade


revelou-se, já que, mesmo podendo prejudicar seu objetivo, defendeu a vida
de um desconhecido, fazendo com que a estrutura e funcionários do hospital
atuassem de modo a fazer de tudo para salvar vidas.

1.4 Análise do comportamento da diretora do hospital

A diretora do hospital inicialmente agiu de forma antiética, já que não atuou


em prol da proteção da vida. Mesmo perante o fato de que o filho do
protagonista morreria caso não recebesse um coração novo, essa se recusou a
cedê-lo temendo uma perda de capital, apesar de, como revelado por Denzel
Washington, essa ser insignificante mediante os ganhos do hospital.

O comportamento, no entanto, modificou-se ao longo da trama. Ao tornar-se


público, o caso alcançou grande repercussão. Dessa forma, como não se
manteve alheia aos meios de comunicação, suas atitudes provavelmente foram
influenciadas pela mídia que, visando lucrar com o acontecido, transmitiu os
fatos de forma a comover ainda mais o receptor.

Outra questão importante é que a reputação do hospital encontrava-se


ameaçada. A instituição que deveria salvar vidas estava contribuindo para a
morte de uma criança? Essa é a indagação que certamente parte da população
estava fazendo. Autorizar o transplante significaria redimir-se perante a
opinião pública, convertendo um panorama comprometedor em uma
possibilidade de promover sua atividade. Dessa forma, os gastos com a
operação seriam ínfimos em relação à visibilidade e seus conseqüentes
ganhos.

Apesar dos diversos fatos que culminaram na decisão, uma real mudança
comportamental pôde ser observada na cena em que, após a visita na qual foi
anunciado que o nome do garoto estava na lista, o policial[5] parabeniza a
diretora pelo que ele acredita ser sua capacidade de mentir. Essa, por sua vez
demonstra frieza quanto ao elogia que, mais tarde, revela-se improcedente já
que, ela o havia incluído na lista que salvaria sua vida.

CONCLUSÃO
A análise das diversas instituições e personagens presentes no filme permite
traçar um panorama que engloba desde a realidade americana à de outros
países como o Brasil.

O descaso em relação ao bem-estar do indivíduo, desrespeito acerca da moral,


bem como a indiferença perante a morte que, no caso, poderia ser evitada
apenas mediante o não recebimento de um pagamento cujo impacto nas
finanças do hospital seria insignificante, demonstram o quão ausente a
sociedade se revela nos momentos em que os indivíduos mais necessitam de
amparo.

As filas nos corredores dos hospitais públicos, falta de medicamentos


essenciais nas farmácias populares, bem como casos que se assemelham ao do
filme no sentido de que importantes procedimentos cirúrgicos não podem ser
realizados devido à falta de materiais ou profissionais para que ocorram com
êxito, ilustram esse fato, já que, a rede pública destina-se principalmente
àqueles que, impossibilitados de pagar pelos serviços particulares, dependem
totalmente do governo. Sendo assim, caso não recebam assistência, o que
ocorre frequentemente, não possuem alternativas exceto aguardar ou desistir,
apelando aos empréstimos para arcar com os custos do tratamento em
instituições particulares.

A espera pela disponibilidade deste, muitas vezes, culmina no


comprometimento da enfermidade do paciente que, pode inclusive morrer
perante a negligência do sistema cujo suposto objetivo é o salvamento de
vidas.

Em prol do lucro, os planos de saúde, por sua vez, manipulam a saúde dos
indivíduos através de, por exemplo, subornos aos médicos para que esses não
requisitem exames que poderiam implicar no descobrimento precoce de
doenças, o que tornaria a cura um objetivo viável.

A vida, segundo essas práticas, torna-se dispensável e seleta a uma minoria


que pode pagar abundantemente. Observamos, dessa forma, a não obediência
a diversos princípios morais, sendo que a ética é desrespeitada continuamente
mediante ao descaso com o qual são tratados os cidadãos, sendo necessários
casos trágicos e de grande repercussão como o observado em “Um Ato de
Coragem” para que mudanças comecem a ser efetivamente realizadas.

BIBLIOGRAFIA

MAIA, Paulo Leandro. O abc da metodologia.2. Ed. Rev. E ampl. São


Paulo: Liv. E Ed. Universitária de Direito, 2008.

CASSAVETES, Nick. John Q. Estados Unidos: Playarte Home Vídeo, 2002.

REZENDE, Dr. Joffre M. Juramento de Hipócrates. Disponível em:


http://www.portaldafamilia.org/datas/medico/med003.shtml. Acesso em: 22
de maio. 2011.

Escrito por: Aline Antonio, Bianca Dias de Siqueira, Carolina Andrade, Beatriz
Augusto, Fernanda Cardoso, Ananda Miranda, Caio Campos, Gustavo
Gonzalez.

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