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O VALOR DO MENTORING

Paulo Erlich*

Praticamente em toda empresa, independentemente de sua natureza, porte ou tempo de


funcionamento, existe alguma bagagem de conhecimento e experiência que pode ser usada em
favor do desenvolvimento de talentos e levá-la para um nível acima daquele em que se encontra.
Para colocar essa bagagem em prática é preciso identificar aqueles que a possuem e aqueles a
quem ela pode servir.

Pensando em uma analogia, o fluxo de conhecimentos e experiência funciona como em


uma família, em que os relativamente mais sábios – em geral, os mais experientes – contribuem
naturalmente com os mais jovens que precisam de uma base intelectual e moral para evoluir. Ou
como em uma escola, onde alguns mestres, além de passarem o conhecimento formal,
espontaneamente orientam alunos nos caminhos da vida. Grande parte de nós, senão cada um de
nós, provavelmente já passou por uma experiência desse tipo, não só na família ou no ambiente
escolar, mas em inúmeros outros contextos, como, por exemplo, em grupos de amigos, na
comunidade religiosa ou mesmo no ambiente de trabalho.

Em uma época como a de hoje, quando a escassez de talentos é uma das reclamações mais
frequentes no mundo do trabalho, cabe muito bem pensar no valor de adaptar formalmente para
a vida organizacional as experiências de aprendizagem e crescimento que acontecem
espontaneamente entre as pessoas. Se é preciso aumentar a equipe e não se consegue selecionar
os “perfeitos” para os cargos, uma saída pode ser contratar os que mais se aproximam do perfil
desejado e suprir com os recursos internos suas necessidades de desenvolvimento. Da mesma
forma, quando os atuais colaboradores não estão prontos para novas demandas da empresa,
podemos desenvolvê-los internamente. Isso é possível através do Mentoring, um recurso que
pode gerar ótimos resultados. Os programas de mentoring organizacional são concebidos para
estruturar relacionamentos entre os detentores da bagagem, os mentores, e os que podem
aproveitá-la para crescer, os mentorados.

Podemos utilizar o mentoring com diversos fins. Entre outros, acelerar a adaptação dos
que acabaram de entrar na organização, gerar ou incrementar competências àqueles que
entendemos precisam evoluir, disseminar a cultura da organização e preparar líderes em todos os
níveis. O mentoring, em espectro amplo, contribui fortemente para a aprendizagem
organizacional. Os mentores são voluntários e seu trabalho com o mentorado vale para este como
uma verdadeira capacitação. Assim, além promover a evolução das pessoas, esse processo
contribui para a redução dos custos de treinamento. São benefícios que se somam em favor dos
resultados corporativos.

* Paulo Erlich é consultor em Mentoring Organizacional e Gestão da Qualidade de Vida no Trabalho, além de coach
executivo e de vida. E-mail: paulo@erlich.com.br

Texto publicado no Jornal do Commercio, Recife, 14/10/12, p. 42

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