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DESIGUALDADES SOCIAIS E REGIONAIS:

O Brasil vive um grave problema de desigualdade social e entre as


diferentes regiões do país. Enquanto algumas concentram a maior parte da
riqueza nacional, outras, enfrentam, difíceis problemas de subdesenvolvimento,
pobreza, difícil acesso à educação, saúde, justiça, emprego e outros fatores
determinantes para o bem-estar social. Nesse contexto, o Estado Federal, tem
o dever de promover as políticas públicas necessárias para prosperar as
mudanças que promovam o encurtamento da distância entre os mais carentes e
aqueles que detêm maior poder de riqueza. O tratamento dado a esta questão
deve ser prioritário, sob pena de comprometer todo o processo
desenvolvimentista do país. Mas afinal do que trata essas desigualdades? Qual
o seu conceito em cerne?
Desigualdade social é a diferença econômica que existe entre
determinados grupos de pessoas dentro de uma mesma sociedade. Isto se torna
um problema para uma região ou país quando a distância entre rendas são muito
grandes dando origem a fortes disparidades. Em tese, sempre haverá
desigualdade social, pois é impossível que cada um tenha exatamente as
mesmas quantidades de bens materiais. Inúmeras são as causas que aumentam
a distância entre ricos e pobres. As mais comuns estão, má distribuição de renda,
má administração dos recursos, lógica de acumulação do mercado capitalista
(consumo, mais-valia), falta de investimento nas áreas sociais, culturais, saúde
e educação, falta de oportunidades de trabalho, corrupção. Consequências
deste fato se faz quando, um país não consegue atender as necessidades
básicas de grande parte de seus cidadãos, tampouco irá prosperar de forma
equitativa.
Umas das consequências mais graves são a pobreza, a miséria e a
favelização. Ademais, a desigualdade social traz: fome, desnutrição e
mortalidade infantil, aumento das taxas de desemprego, grandes diferenças
entre as classes sociais, marginalização de parte da sociedade, atraso no
progresso da economia do país, aumento dos índices de violência e
criminalidade

Desigualdades regionais, é o fator de uma região ser mais afetada que a outra,
em termos de crescimento ou subdesenvolvimento, podemos nos referir também
entre estados ou cidades. Haja vista que temos como exemplo, a região
Nordeste, nessa região se encontra os estados que possuem maior
concentração de pessoas com rendimento de até meio salário. Quando tratamos
de disparidade, a mais marcante está entre o Centro-sul e o Nordeste isto no
desenvolvimento humano.

O desenvolvimento humano avalia a qualidade de vida de uma população, em


nível nacional, estadual e municipal. Tal avaliação requer estudos e cruzamentos
de dados estatísticos. Isso pode ser realizado por vários órgãos, públicos ou
privados, dependendo do interesse ou abordagem, embora o órgão oficial
brasileiro seja o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O primeiro
passo é coletar os dados através do censo nacional e, a partir daí, pode-se
estabelecer comparações entre os estados. Fazendo uma classificação,
baseada no IDH das regiões brasileiras, teremos a seguinte hierarquia:

Primeiro lugar: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Rio de
Janeiro, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul;
Segundo lugar: Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Rondônia, Amazonas,
Roraima e Amapá;
Terceiro lugar: Acre, Pará e Sergipe.
Por último, estão os estados do Nordeste, com exceção de Sergipe.

Lembrando que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) significa


como a população de um determinado lugar está vivendo, segundo a qualidade
de vida, renda per capita, mortalidade infantil, taxa de analfabetismo, expectativa
de vida, qualidade dos serviços públicos (saúde, educação e infraestrutura em
geral).A partir desses fatos, verifica-se que dentro de um país pode haver vários
tipos de desigualdades que podem ser decorrentes de vários fatores (históricos,
econômicos, sociais etc.).

Tendo em vista tais conceitos, a relativização deste assunto para que nos
promova um bem estar social seria a TRIBUTAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE
REDUÇÃO DAS DESIGUALDADES REGIONAIS E SOCIAIS, a Constituição
Federal revela em diversos dispositivos a preocupação do Estado com o bem-
estar social e econômico. O artigo 170 proclama os valores buscados pela ordem
econômica, entre eles a redução das desigualdades regionais e sociais. Já no
artigo 180 encontra-se estabelecido que os entes federados devem promover o
turismo como fator de desenvolvimento social e econômico. O desenvolvimento
deve ser visto como um estado de equilíbrio entre a geração e no consumo de
riquezas em todo o território nacional. Deve ser harmônico, sem que se
perpetuem bolsões de miséria em determinadas regiões, fomentando as
atividades econômicas que conjuguem preservação ambiental, respeito ao
consumidor e concretização de valores socialmente relevantes. Segundo Fábio
Nusdeo, no desenvolvimento estão inseridos elementos fundamentais como a
estabilidade da economia, a ecologia, o controle da balança de pagamentos, o
pleno emprego e a distribuição de renda (NUSDEO, 2002, p.11).

Os incentivos fiscais são os instrumentos hábeis na concessão de


benefícios que visem incentivar ações esperadas e devem ser utilizados para a
concretização dos princípios constitucionais de que garantem os direitos
fundamentais dos cidadãos. Os incentivos devem ser concedidos na busca de
soluções para os problemas sociais e desigualdades regionais, e devem ser
considerados legítimos. Nesse sentido, destaca Heleno Taveira Tôrres que “todo
incentivo fiscal concedido sob amparo constitucional é legitimo, enquanto nutre-
se do desígnio de reduzir desigualdades e reduzir o bem comum, como o
desenvolvimento regional ou nacional” (TÔRRES, 2005, p. 79).

No entanto, as normas tributárias indutoras devem obedecer as divisões


do exercício do poder público, verificando as competências tributária e
reguladora. Assim, os entes federativos podem conceder incentivos fiscais
desde que não estejam regulando matéria alheia à sua esfera de poder. Também
esse incentivo não pode ocorrer à margem dos limites impostos pelo federalismo
adotado pelo Estado Brasileiro, devendo observar os critérios estabelecidos na
ordem jurídica. A concessão de incentivos fiscais pelos Estados e o Distrito
Federal devem ser submetidas para aprovação pelo Conselho Nacional de
Política Fazendária (CONFAZ), para evitar que, na ânsia de atraírem
investimentos para si, os Estados, não se sobreponham aos interesses
nacionais. Afasta-se assim práticas inseridas no conceito de “guerra fiscal”.
Importante também lembrar da Lei Complementar nº 101, de 04 de maio
de 2000, conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal, que determina
limitações na concessão ou ampliação de incentivos fiscais, que protege, como
mecanismo de controle, o pacto federativo.
Um exemplo maior dessa política e seu engajamento dentre essas
relações seria, A produção e uso de biocombustíveis, especialmente o biodiesel,
têm sido apontados como alternativas viáveis de conciliação entre as três
importantes vertentes da vida em sociedade: ambiental, social e econômica. Os
biocombustíveis – tanto o biodiesel como o etanol, podem ser produzidos em
grande escala no Brasil, que possui as condições necessárias e que não
costuma ser encontradas facilmente: grandes extensões de terra, água em
abundância, sol o ano todo e mão-de-obra disponível. Trata-se de uma fonte
renovável, que além de trazer benefícios ambientais, também possibilita a
geração de empregos, tanto na fase produção e de coleta da matéria prima,
quanto na etapa de processamento. Promove o desenvolvimento da agricultura
tanto nas zonas rurais já desenvolvidas, como nas desfavorecidas, além de
evitar a desertificação, em sendo manejadas adequadamente as culturas.
Estudos desenvolvidos conjuntamente pelo Ministério do
Desenvolvimento Agrário; Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;
Ministério das Cidades, e Ministério da Integração Nacional mostram que a cada
1% da substituição de óleo diesel por biodiesel produzido com a participação da
agricultura familiar podem ser gerados aproximadamente 45 mil empregos no
campo, com uma renda anual de R$ 4.9000,00 (quatro mil e novecentos reais)
por emprego. Na agricultura empresarial emprega-se, em média, 1 trabalhador
por 100 hectares cultivados, enquanto que na familiar a relação é de apenas 10
hectares por trabalhador.
Com efeito, diante de tantos benefícios, como a criação de novos
empregos no setor agroindustrial, a geração de renda, o fomento ao
cooperativismo, a perspectiva de contribuição ao equilíbrio da nossa balança
comercial e pelos comprovados benefícios ao meio ambiente, pode-se dizer que
o biodiesel tem potencial para constituir um dos principais programas sociais do
governo brasileiro, representando fator de distribuição de renda, inclusão social
e apoio à agricultura familiar (RAMOS, 2006)
Destaque-se, para fins do presente, as competências tributárias, tanto no
campo da legislação como da aplicação e execução das normas. Sendo
exercidas parcelas de competências pelos diversos membros da Federação,
todavia delimitação esta colocada pela própria Constituição Federal. Em Países
em desenvolvimento, como no caso brasileiro, verifica-se que são grandes os
índices de desigualdades regionais e sociais, de forma que é papel do Estado
lançar mão dos instrumentos existentes para diminuir e até mesmo sanar essas
diversidades. Cite-se aqui a possibilidade de se utilizar das competências
tributárias como meios de neutralização das desigualdades. Plenamente
aceitável pelo ordenamento jurídico brasileiro, a utilização de incentivos fiscais
como tal instrumento, conforme inclusive já se lança mão em casos específicos
como os referidos no desenvolvimento.
Que no caso do biodiesel a política de incentivos fiscais proporciona um
novo e lucrativo campo de mercado, no qual proporciona avanços tecnológicos,
com estudos de novas formas de trabalho, novos produtos e novos
equipamentos, bem como, a criação de diversos postos de trabalhos, permitindo
inclusão social. Dessa forma, fica evidente que um dos caminhos a serem
elegidos para a redução das desigualdades sociais e regionais é a adoção de
incentivos fiscais, dentro das possibilidades e limites postos pela própria
Constituição Federal, que, pelo seu sistema adotado, quando da manifestação
do Poder Constituinte, já teve em si os referidos mecanismos.