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Tensões nos solos

Disciplina: Mecânica Dos Solos

Profa. Thaís Cristina Campos de Abreu


E-mail: thais.abreu@gmail.com

CIV 1581 – Profa. Thaís Cristina Campos de Abreu - 2015


Tensões nos solos

• Apenas com os conhecimentos de caracterização do


solo, quando corretamente interpretados, permitem
antecipar de modo qualitativo certas características do
comportamento mecânico do solo.
• Uma avaliação aproximada e quantitativa do
comportamento do solo exige uma abordagem mecânica
do problema, formulada através das tensões instaladas
nos maciços e das deformações associadas.

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Tensões nos solos
• Conceitos de Tensão em solos
– O solo é constituído de partículas que estabelecem forças de contato
entre si e, também, transmitem forças que lhes foram aplicadas. Além
das forças que são suportadas pela água quando essa está presente
nos vazios do solo
– Em solos granulares: transmissão da força ocorre pelo contato direto
entre os minerais (areia-silte)
– Em solos finos: transmissão das forças pode ocorrer através da água
quimicamente absorvida (argila)

F
Ponto A
Ponto A expandido
expandido
(areia)
(argila) A
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Tensões nos solos
• Conceitos de Tensão em solos
• Microscópico
– A área de contato entre as partículas é muito pequena, sendo menos de 1 %
da área de qualquer seção. Assim, as tensões instaladas nestas áreas são
muito elevadas, no mínimo 2 ordens de grandeza acima daquelas que foram
definidas (macroscópica)

B
B
Área
unitária, A
F

Área de cada contato B’


No de contatos (Plano ondulado BB
rebatido na horizontal)
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Tensões nos solos
• Conceitos de Tensão em solos
• Macroscópico

Seções transversais
através de partículas

Vazios

Ponto de contacto entre partículas

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Tensões nos solos
• Tensões normais e de cisalhamento em um plano
– Estado plano de tensões
σv = Nv/a; σh = Nh/a
τh = Th/a; τv = Tv/a
Área a

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Tensões nos solos
• Tensões principais

• Tensões tangenciais são


nulas, isto é, as tensões
são puramente normais

• As tensões atuantes nas


faces horizontais são as
tensões totais verticais

• As tensões atuantes nas


faces verticais são as
tensões totais horizontais

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Tensões nos solos

• O estudo do comportamento dos materiais dentro de


uma tensão aplicada é necessário, conhecendo como a
distribuição de tensões ocorre ao longo de diversos
componentes do solo

• Ao avaliar problemas como compressibilidade dos solos,


capacidade de carga das fundações, estabilidade de
taludes e pressão lateral em estruturas de contenção de
terra, precisa-se conhecer a natureza da distribuição de
tensões ao longo de determinada seção transversal do
perfil de solo.

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Tensões nos solos
Ed. Tecnoesfera de James Law Cybertecture, Dubai

Heydar Aliyev Center, de Zaha Hadid, Baku, Azerbaijão

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Tensões nos solos
MAC, de Oscar Niemeyer, Rio de Janeiro Museu do olho, de Oscar Niemeyer, Curitiba

Museu do Amanhã, de Santiago Calatrava, Rio de Janeiro

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Tensões nos solos

• Tensões nos maciços naturais

• Tensões geostáticas (virgem): existentes no maciço


independente de qualquer obra humana, são
decorrentes do peso próprio do solo

• Tensões induzidas: associadas às ações impostas pelas


obras, devido aos acréscimos de tensões introduzidas
no solo por carregamentos externos

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Tensões nos solos

• Tensões geostática (virgem) podem ser divididas em:

• Tensões gravitacionais (de repouso): associadas ao


peso próprio do terreno. Estas com importância nos
maciços terrosos

• Tensões tectónicas: associadas as forças que se


desenvolvem no interior da crosta terrestre. Estas
assumem importância em certos maciços rochosos

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Tensões geostática
• Tensão vertical
– É a tensão que atua na face horizontal de um elemento

Definição Geral

γi = peso específico de cada


camada
Δz = espessura de cada camada

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Tensões nos poros
• Poro-pressão
– É a tensão ou pressão nos poros (nos vazios dos solos).
– Estando a água em condições hidrostáticas e o nível freático na
superfície do terreno, então:

– onde
ΥW = 10 kN/m3 ou ρw = 1 g/cm3
Z = altura da coluna de água

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Tensões geostáticas
• Ex. de perfil de tensões verticais totais

• Ponto 1
• σv1 = γ1*z1=13*2=26 kN/m2

• Ponto 2
• σv2 = γ1*z1 + γ2*z2=
=13*2 + 15*3 = 71 kN/m2

• Ponto 3
• σv3 = γ1*z1 + γ2*z2 + γ3*z3 =
=13*2 + 15*3 +17*1 =
88 kN/m2
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Tensões nos poros
• Ex. de perfil de poro-pressão
• Ponto 1
• u1 = γw*z1=10*2=20 kN/m2

• Ponto 2
• u2 = γw*z1 + γw*z2=
=10*2 + 10*3 = 50 kN/m2

• Ponto 3
• u3 = γw*z1 + γw*z2 + γw*z3 =
=10*2 + 10*3 +10*1 =
60 kN/m2

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Tensões nos solos
• Tensão efetiva
– Terzaghi identificou que a tensão normal total (σ) num plano
qualquer deve ser considerada como a soma de duas parcelas:
• a tensão transmitida pelos contatos entre as partículas,
conhecida como tensão efetiva (σ’), que é suportada pelos
sólidos em seus pontos de contato;
• a pressão de água, conhecida como poro-pressão ou
pressão neutra, que é a pressão suportada pela água e que
atua com igual intensidade em todas as direções;

NA

NA NA

esponja em repouso peso aplicado elevação da água


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Tensões nos solos
• Tensão efetiva
– O Princípio das Tensões Efetivas, estabelecida por Terzaghi é
expressa para solos saturados como:

ou

N
A

N N
A A

esponja em peso elevação da


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repouso aplicado água 18
Tensões nos solos
• Ex. de perfil de tensões (efetiva, total e poro-pressão)

σv u σ`v
1
2
3

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Tensões geostática
• Tensão horizontal
– É a tensão atuante na face vertical de um elemento
– Ao contrário das tensões verticais, o cálculo não resulta de
considerações puramente gravitacionais

– O parâmetro K é o coeficiente de empuxo em repouso

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Tensões geostática
• Valores típicos de K é o coeficiente de empuxo em
repouso

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Tensões induzidas
• Tensões induzidas por carregamentos

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Tensões induzidas
• Tensões induzidas por carregamentos

• As estruturas civis promovem uma modificação do estado de


tensão de repouso de forma mais ou menos significativa numa
dada região do maciço subjacente e ou envolvente.
• As avaliações das tensões induzidas no maciço envolve uma
formulação matematicamente complexa. Essa envolve a
integração de um sistema formado pelas seguintes equações
diferenciais
i) equações de equilíbrio
ii) equações de compatibilidade
iii) equações constituintes

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Tensões induzidas
• No total são 9 equações diferenciais – 3 equações de
equilíbrio e 6 equações de compatibilidade

• Essas envolvem 12 funções incógnitas – 6 referentes ao


estado de tensão e 6 ao estado de deformação em
todos os pontos do meio em análise.

• As leis constitutivas do material permitem resolver o


sistema, tornando-o determinado

• Essas leis tentam reproduzir por via matemática a


resposta física dos materiais.

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Tensões induzidas
• Uma fundação colocada na superfície de um maciço
terroso submetido a uma carga vertical centrada
crescente (ΔQs)

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Tensões induzidas
• Na grande maioria dos problemas envolvendo o
carregamento de maciços terrosos por estruturas civis,
estas são dimensionadas de modo que a carga
ΔQstransmitida ao terreno se mantenha
consideravelmente abaixo daqueles valores que
tenderiam a induzir a ruptura do maciço, isto é,
deformações tendencialmente infinitas.

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Tensões induzidas

• Para tal condição de projeto, dois objetivos são


essenciais
i) obter uma confortável margem de segurança em
relação a um estado limite último no solo de fundação
ii) controlar as deformações do mesmo solo dentro de
limites reduzidos, dessa forma miminizando eventuais
estados limites últimos e de utilização da própria
estrutura
• Portanto, a adoção de um modelo de comportamento
elástico linear para o maciço parece aceitável. Isso nos
permite a recorrer a soluções analíticas conhecidas da
Teoria da Elasticidade dos corpos sólidos

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Tensões induzidas
• Uma reserva: a tensão transmitida ao terreno mesmo
sendo modesta, se ela for removida as deformações não
são.
• Isto porque, em geral, os carregamentos tendem a
conferir aos solos arrumações do agregado de partículas
de maior estabilidade.
• Em muitos problemas que envolvem o carregamento de
maciços terrosos à superfície ou perto desta, as
soluções da Teoria da Elasticidade são aplicadas para o
cálculo do estado de tensão induzido

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Tensões induzidas
• As tensões incrementais vão se somar ao estado de tensão
de repouso de um maciço
• As expressões das tensões incrementais têm em comum:
i) todas as componentes das tensões são diretamente
proporcionais à força ΔQs, ou à pressão Δqs, aplicadas à
superfície
ii) todas as componentes das tensões dependem das
coordenadas do ponto, onde a origem coincide com o ponto
de aplicação da carga ou com o centro da área carregada
iii) as tensões normais no plano horizontal dependem do
coeficiente de Poisson do meio elástico
iv) as tensões induzidas são independentes do módulo de
elasticidade do meio

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