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UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

UNIJUI

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E ENGENHARIAS - DCEEng

CURSO DE DESIGN

Marcele Eidt

MODA E RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL: COLEÇÃO CÁPSULA


INCLUSIVA

Ijuí/RS
2018
Marcele Eidt

MODA E RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL: COLEÇÃO CÁPSULA


INCLUSIVA

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Curso


de Design da Universidade Regional do Noroeste do
Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, como
requisito parcial à obtenção ao título de Bacharel em
Design.

Ênfase: Produto

Orientador: Prof. Me. Diane Johann

Ijuí/RS
2018
RESUMO

A moda muito foi vista como uma atividade frívola, todavia atualmente tem se entendido o
quanto esta impacta a vida dos indivíduos nas mais diversas esferas, já alguns anos se discute
estes impactos e começa-se a propor novas formas de atuação e produção. Em concordância
com essa visão o presente trabalho objetivou o desenvolvimento da coleção cápsula, que alia
requisitos sociais e ambientais através da moda inclusiva e do upcycling. A discussão inicia-se
sobre a responsabilidade do designer em relação aos impactos na sociedade, passando pelos
conceitos de ecodesign à discussão sobre a sustentabilidade na moda e sua condição de
expressão para os indivíduos. O projeto teve como norteador dos resultados desenvolvidos a
metodologia de Munari (1998) aliando conceitos de Sorger e Udale (2009) sobre fundamentos
de design de moda. Também foi realizado um estudo de caso sobre osteogênese imperfeita
para basear o desenvolvimento do vestuário inclusivo. Como resultado obteve-se o
desenvolvimento da coleção cápsula “Don’t Label” traduzindo a necessidade de participação
no meio da moda de qualquer indivíduo independentemente da sua condição física, visto que
a mesma é uma forma de expressão dos indivíduos, e o quão importante é o pensar nas
individualidades de forma a não continuar a exclusão. Conclui-se que a moda pode e deve ser
um meio de repensar a forma de construção e condução da sociedade, podendo atuar em
diferentes frentes, inclusive conjuntas, sejam elas sociais ou voltadas à preocupação com os
impactos no meio ambiente.

Palavras chaves: Design. Responsabilidade social e ambiental. Moda inclusiva. Upcycling.


Ecodesign.
ABSTRACT

Fashion was much seen as a frivolous activity, however today it has been understood how
much it impacts the life of individuals in the most diverse spheres, for some years the impacts
are discussed and new forms of action and production are being proposed. In agreement to
this vision the present work aimed the development of a capsule collection allying social and
environmental requirements through inclusive fashion and upcycling. The discussion starts on
the designer’s responsibility in relation to the impacts in the society, going through the
concepts of ecodesign to the discussion about sustainability in fashion and its condition of
expression for individuals. The project had as a guide for obtained results the methodology of
Munari (1998) allying concepts by Sorger and Udale (2009) about fashion design
fundamentals. A case study on Osteogenesis imperfecta was performed as well, to base the
development of inclusive clothing. The result was the development of the capsule collection
“Don’t Label”, translating the need for participation of any individual in fashion despite its
physical condition, considering that this is a form of expression of individuals and how
important is the thinking about the individualities in order not to continue the exclusion. It is
concluded that fashion can and should be a way of rethinking the construction and conduction
of the society, being capable of acting in different fronts, including conjuncts, whether social
or concerned about the environmental impact.

Keywords: Design. Social and environmental responsibility. Inclusive fashion. Upcycling.


Ecodesign.
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Infográfico sobre a Insecta Shoes ........................................................................... 18


Figura 2 – Calças da marca Think Blue ................................................................................... 19
Figura 3 – Ligamento tela ......................................................................................................... 21
Figura 4 – Ligamento sarja ....................................................................................................... 21
Figura 5 – Ligamento Cetim..................................................................................................... 22
Figura 6 – Visão geral do brechó.............................................................................................. 29
Figura 7 – Saias em exposição ................................................................................................. 30
Figura 8 – Calças jeans brechó Liga Feminina......................................................................... 31
Figura 9 – Calças de tecidos sociais brechó Liga Feminina ..................................................... 31
Figura 10 – Araras de blusas e camisas brechó Liga Feminina................................................ 32
Figura 11 – Visão geral de parte do brechó da Liga Feminina................................................. 32
Figura 12 – Aplicações de tecidos de linho. ............................................................................. 33
Figura 13 – Exemplo tecidos de alfaiataria .............................................................................. 34
Figura 14 – Exemplos Street Style 1 ......................................................................................... 34
Figura 15 – Exemplos Street Style 2 ......................................................................................... 35
Figura 16 - Exemplo de composições armário cápsula ............................................................ 35
Figura 17 – Peças de roupa garimpadas ................................................................................... 36
Figura 18 – Rafes das peças para a coleção ............................................................................. 37
Figura 19 – Teste de cores nos rafes......................................................................................... 37
Figura 20 – Tecidos escolhidos ................................................................................................ 38
Figura 21 – Peças em jeans escolhidas ..................................................................................... 38
Figura 22 – Ficha Técnica Calça Alfaiataria ............................................................................ 39
Figura 23 – Peça em processo de desmanche e resultado ........................................................ 40
Figura 24 – Processo de modelagem da peça feita de tecido jeans .......................................... 41
Figura 25 – Detalhes da construção da peça............................................................................. 42
Figura 26 – Colete Patch .......................................................................................................... 43
Figura 27 – T-shirt Don’t Label ............................................................................................... 43
Figura 28 – Blusa Crop ............................................................................................................. 44
Figura 29 – Detalhes das aberturas laterais da blusa Crop ....................................................... 45
Figura 30 – Jaqueta Sporty ....................................................................................................... 45
Figura 31 – Bermuda Jogger .................................................................................................... 46
Figura 32 – Calça Alfaiataria.................................................................................................... 47
Figura 33 – Detalhes abertura Calça Alfaiataria ...................................................................... 47
Figura 34 – Antes e depois Blusa Crop .................................................................................... 48
Figura 35 – Antes e depois Jaqueta Sporty............................................................................... 48
Figura 36 – Antes e depois Bermuda Jogger ............................................................................ 49
Figura 37 – Antes e depois Calça Alfaiataria ........................................................................... 49
Figura 38 – Antes e depois colete jeans ................................................................................... 50
Figura 39 – Look A .................................................................................................................. 51
Figura 40 – Look B................................................................................................................... 51
Figura 41 – Look C ................................................................................................................... 52
Figura 42 – Look D .................................................................................................................. 52
Figura 43 – Look E ................................................................................................................... 52
Figura 44 – Look F ................................................................................................................... 53
Figura 45 – Look G .................................................................................................................. 53
Figura 46 – Look H .................................................................................................................. 53
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 7
2 REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................................ 9
2.1 Design e Responsabilidade ................................................................................................. 9
2.1.1 Design Social ................................................................................................................... 10
2.1.2 Sustentabilidade .............................................................................................................. 11
2.1.3 Ecodesign ........................................................................................................................ 12
2.2 Moda e Vestuário .............................................................................................................. 14
2.2.1 Sustentabilidade na Moda ............................................................................................... 16
2.2.1.1 Fast fashion e Slow Fashion......................................................................................... 17
2.2.2 Upcycling ......................................................................................................................... 17
2.3 Moda Inclusiva.................................................................................................................. 22
2.3.1 Osteogênese imperfeita ................................................................................................... 23
3 RESULTADOS ................................................................................................................ 25
3.1 Definição do Problema ..................................................................................................... 25
3.2 Componentes do Problema .............................................................................................. 25
3.3 Coleta e Análise de dados................................................................................................. 26
3.3.1 Pesquisas de campo ......................................................................................................... 26
3.3.2 Pesquisa de Referência .................................................................................................... 33
3.4 Criatividade....................................................................................................................... 36
3.5 Desenho de construção/ Ficha técnica ............................................................................ 39
3.6 Modelo ............................................................................................................................... 40
3.7 Apresentação da coleção .................................................................................................. 50
4 CONCLUSÃO...................................................................................................................... 54
REFERÊNCIAS......................................................................................................................56
APÊNDICES............................................................................................................................59
7

1 INTRODUÇÃO

Em projetos de moda em geral é levado em conta um determinado padrão de biotipo,


que se encaixam em parte da população de forma regular. Em indústrias a modelagem das
peças é realizada a partir de tabelas, quais os tamanhos que serão disponibilizados já estão
determinados pelas medidas. Porém muitas pessoas não são representadas e nem atendidas
dessa forma, dificilmente essas peças terão um caimento adequado na totalidade das pessoas
que irão adquiri-las. Imagina-se então a dificuldade das pessoas que possuem alguma
deficiência ou limitação. É visto que a forma como a produção do vestuário se dá atualmente,
com base em tabelas de medidas e levando em consideração estereótipos de beleza
preestabelecidos pela sociedade contemporânea, praticamente não dá espaço à produção
voltada às pessoas com necessidades específicas (WOLTZ E CARVALHO, 2008).
Maffei (2010) afirma que a vestimenta é como uma extensão do corpo,
proporcionando conforto, proteção, satisfação estética. O vestuário é ao mesmo tempo
necessidade básica do indivíduo dentro da sociedade, tanto por questões relacionadas à
convivência, como proteção das intempéries e questão complexa, pois possui relação direta
com o ser, com a forma de se expressar de cada indivíduo. Os indivíduos portadores
necessidades especiais possuem então limitações em uma questão tão básica do ser humano, o
que é um grande problema visto que:

A partir do momento em que uma pessoa fica privada de usar as roupas que gostaria,
perde parte da capacidade de expressar a sua personalidade por meio do vestuário.
Ainda, sua habilidade em interagir socialmente também é diminuída, já que o
vestuário é uma forma de demonstrar a concordância de um indivíduo com os outros
de seu grupo (WOLTZ e CARVALHO, 2008, p. 2).

O presente trabalho tem como tema o desenvolvimento de vestuário pelo viés da


responsabilidade socioambiental, duas temáticas que são comumente vistas em separado
aliadas na mesma discussão. O enfoque social se dará pelo vestuário inclusivo, que é o projeto
de peças de vestuário desenvolvidas para pessoas que estão fora do padrão estabelecido pela
moda comercial e que possuem alguma necessidade especial. Já no ambiental objetiva-se
trazer a aplicação do upcycling, o reuso de material já existente para criação de novos
produtos.
Ao falar de vestuário inclusivo são muitas as possibilidades e as necessidades
encontradas por diferentes públicos, por esta razão buscou-se delimitar o público-alvo para
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melhor aplicação do projeto. Este será voltado para pessoas que possuem a condição da
osteogênese imperfeita e fazem o uso da cadeira de rodas, para conhecer as necessidades e
particularidades do público-alvo será realizando assim um estudo de caso por meio de
pesquisa qualitativa.
O trabalho conta também com pesquisa bibliográfica e documental para dar base às
discussões aqui propostas em busca de fomentar o pensamento holístico da atuação do
designer independentemente da frente de atuação, conduzindo a mesma ao âmbito do projeto
de moda e vestuário para então chegar à questão da moda inclusiva. Para conduzir o processo
de desenvolvimento do produto final têm-se a metodologia projetual de Bruno Munari (1981),
que não sendo específica de moda, pode ser aplicada em diferentes tipos de projeto,
adaptando as etapas conforme a necessidade do mesmo, para dar norte em relação ao
vestuário especificamente, tem-se como o apoio Fundamentos de Design de Moda de Sorger e
Udale (2009).
Como objetivo deste trabalho tem-se então o intuito de desenvolver uma proposta de
vestuário adequado para cadeirantes em conformidade com design de moda e com requisitos
da sustentabilidade ambiental, mas especificamente o upcycling como já citado anteriormente
e que será explanado no desenvolvimento do trabalho. Objetiva-se também analisar as
particularidades do público-alvo e adaptar o vestuário às suas necessidades e características
levando em consideração a estética das peças e coerência do todo para assim formar um
conjunto, podendo ser denominado coleção. Fomentar a inclusão dos indivíduos fora do
padrão preestabelecido da moda no meio desta, para que a mesma possa cumprir seu papel de
questão complexa e tradução da expressão dos indivíduos, para isso como objetivo específico
também é imprescindível realizar o lançamento da coleção através de editorial de moda,
concretizando visualmente a questão da representatividade. Em relação à produção do
vestuário em si, objetiva-se aplicar o upcycling reutilizando peças de roupas já existentes para
criar novas peças, agregando valor e apelo estético as mesmas, fomentando assim a
sustentabilidade da moda aproveitando o valor dos materiais que poderiam ser desperdiçados
parando em aterros sanitários. No capítulo 3 então é onde consta a parte de desenvolvimento
da proposta, as pesquisas práticas necessárias para a realização e para o processo criativo,
bem como o resultado do projeto e apresentação da coleção através das imagens do editorial.
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2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Design e Responsabilidade

Para dar início às discussões do presente trabalho é necessário elucidar uma questão
básica relacionada ao Design, apesar do objetivo final do mesmo ser o desenvolvimento de
produto de Moda em específico. Atualmente o Design ainda é visto apenas como ferramenta
de embelezamento de produtos e serviços como descrevem Fornasier et al. (2012, p. 4) “sob o
ponto de vista popular, o designer está ligado à criação de produtos ou serviços de luxo e
beleza, pois é entendido como gerador da aparência formal de produtos, ligado a “bela forma”
e à arte”. Extremamente comum e da mesma forma indesejado esta ideia tende a camuflar “a
função primeira do designer que é facilitar o cumprimento de tarefas e necessidades básicas
do homem, por meio da criação de produtos, mensagens ou serviços” (FORNASIER et al.,
2012, p. 4).
Muitos autores de base do Design concordam com o ponto de que a função primordial
do designer não é simplesmente projetar produtos apenas pela estética e sem consciência dos
impactos que os produtos têm na sociedade e no ambiente. Platcheck (2012, p. 120) afirma
que “devido à influencia do Design no nascimento e desenvolvimento de produto, faz-se
necessário que essa atividade tenha responsabilidade social e ambiental com o surgimento de
novos produtos e o desenvolvimento sustentável”. Manzini (2008) afirma que “no “código
genético” do design está registrada a ideia de que sua razão de ser é melhorar a qualidade do
mundo”, ou seja, por ser o elo entre os produtos e a sociedade e a produção e as empresas o
designer tem certo dever de pensar nas consequências daquilo que é projetado.
Inclusive Manzini (2008) traz uma questão sobre qual tem sido o papel dos designers
até o momento, levando em consideração as condições atuais de nosso planeta e a natureza
catastrófica das transformações em andamento e ainda constata que a resposta é clara, pois de
forma geral ainda são “parte do problema”. Costa (2008) também gera uma questão sobre este
papel.
Será o design uma área apenas vinculada ao desenvolvimento de produtos voltados
ao mercado de consumo? Será que desenvolvemos apenas lixo? Haja vista a
discussão constante de que o excesso do consumo acarretará a escassez de matérias
primas e aumento de lixo no mundo (COSTA, 2008).

Manzini (2008) acredita que os designers não só podem como devem ter outro papel
além de “parte do problema” tornando-se “parte da solução”, começando por repensar qual a
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qualidade do mundo que o design deveria promover seguindo sua missão ética. Pois como o
mesmo ainda afirma
os designers podem ter um papel muito especial e, esperamos, importante: mesmo
não tendo meios para impor sua própria visão aos outros, possuem, porém, os
instrumentos para operar sobre a qualidade das coisas e sua aceitabilidade e,
portanto, sobre a atração que novos cenários de bem-estar possam por ventura
exercer (MANZINI, 2008, p. 16).

Essa missão ética se dá pela forma que se estruturam os métodos de trabalho dos
designers, contribuindo para uma visão holística dos problemas.

Assim, a prática do Design é o projeto, sendo essa atividade projetual


interdisciplinar e integrada, e constitui um modo cooperativo de ação para
desenvolvimento de produtos industriais e gráficos. Para evitar desperdícios de
tempo, recursos humanos e materiais, o Design utiliza métodos de ação que aliam a
criatividade ao trabalho interdisciplinar. (PLATCHECK, 2012, p. 4)

Percebe-se que cada vez mais o Design é importante e essencial para sustentação e
reconhecimento de produtos no mercado, deve-se então atuar consciente da responsabilidade
social e ecológica, utilizando as ferramentas do mercado para desenvolvimento de produtos
como um todo (COSTA, 2008). “A partir da conscientização de que o Design domina técnicas
de manipulação, deve-se voltar à inclusão de valores como: importar-se e aceitar a
responsabilidade da qualidade de vida nas diferentes atuações do design” (FORNASIER,
2012, p. 5).
Constatada a responsabilidade intrínseca da atuação do designer sob o impacto do
resultado das suas ações e projetos é necessário trazer alguns conceitos que estão relacionados
a essas responsabilidades citadas.

2.1.1 Design Social

De certa forma é um tanto redundante a expressão Design Social visto que os produtos
de design sejam eles de qualquer natureza são direcionados as pessoas e a sociedade. Contudo
é importante a conceituação e discussão para suscitar a consciência dos problemas da
sociedade como um todo.
Pazmino (2007) vê que o design voltado para a sociedade, consiste em desenvolver
produtos que atendam às necessidades reais específicas de cidadãos menos favorecidos,
social, cultural e economicamente; assim como, algumas populações como pessoas de baixa-
renda ou com necessidades especiais devido à idade, saúde, ou inaptidão. Esse conceito pode
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trazer a ideia apenas de assistencialismo por parte do designer em relação ao projeto. Porém
afirma Costa (2008) que
produtos sociais, aqueles que estão engajados em uma cadeia produtiva que olha o
lado humano em que está inserido, sem, contudo se abster de questões econômicas e
de mercado, tem sido desenvolvidos em consonância com a criação de um mercado
específico, denominado com vários termos, seja comércio justo, economia solidária,
produto sustentável, etc. (COSTA, 2008).

Nesta abordagem é necessário priorizar requisitos sociais os mesmos que devem ser
considerados em todos os níveis do processo de desenvolvimento e produção, visando obter
produtos que causem uma melhoria na qualidade de vida dos excluídos (PAZMINO, 2007).
Para Pazmino (2007, p. 3) “o design social deve ser socialmente benéfico e economicamente
viável”.
Pode-se considerar que o engajamento do designer em programas sobre saúde pública,
segurança no trabalho, planejamento familiar, direitos humanos ou prevenção de crimes são
apenas algumas das frentes de atuação através das quais o design e o designer evidenciam de
maneira mais direta e impactante a sua relação com o social, ou um possível
comprometimento moral que poderá assumir guiando-se para a produção de soluções que
repercutam na qualidade de vida para as populações (WANDERLEY et al, 2017).

Na atualidade, com uma sociedade imersa em problemas de ordem global e


complexa, entre eles, da resistência da pobreza e dos agravamentos da exaustão e
degradação do meio-ambiente, assim como de questões de produção, consumo,
descarte, educação, acesso a bens de consumo, acesso à informação, economia,
comunicação, materialidade, bem-estar, cultura, identidade, democracia, cidadania,
etc., parece-nos mais do que justificável uma maior preocupação com uma visão
ampla e sistêmica sobre as práticas do design. (WANDERLEY et al., 2017, p.11 ).

Entende-se então por design social a atuação preocupada com as diversas questões da
sociedade, nas mais diversas esferas, seguindo as conceituações passa-se ao conceito de
sustentabilidade como salientado pelos autores acima está também inserida no design social.

2.1.2 Sustentabilidade

A palavra sustentabilidade é por vezes empregada de forma errônea, considerando o


seu conceito apenas relativo ao meio ambiente. Esta pode ser pensada como um conceito
sistêmico que se propõe a ser uma forma de condicionar a sociedade humana a planejar e agir
de forma a preencher o vazio causado pelas necessidades sócio-culturais-ambientais-
econômicas do mundo em que vivemos (COSTA, 2008). A sustentabilidade é baseada então
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em quatro pilares segundo Costa (2008): ser ecologicamente correto, economicamente viável,
socialmente justo e culturalmente aceito.
Segundo Manzini (2008) a expressão “Desenvolvimento Sustentável” foi introduzida
no debate internacional pela primeira vez em um documento da Comissão Mundial para o
Ambiente e o Desenvolvimento chamado “Nosso futuro comum” e tornou-se a palavra chave
da Conferencia das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, realizada em 1992,
no Rio de Janeiro.
A perspectiva da sustentabilidade põe em discussão nosso atual modelo de
desenvolvimento. Nos próximos decênios, deveremos ser capazes de passar de uma
sociedade em que o bem-estar e a saúde econômica, que hoje são medidos em
termos de crescimento da população e do consumo de matéria-prima, para uma
sociedade em que seja possível viver melhor consumindo (muito) menos e
desenvolver a economia reduzindo a produção de produtos materiais. (MANZINI e
VEZZOLI, 2005, p. 31).

Não se pretende aqui elencar e discutir toda a questão da sustentabilidade devido ao


foco do trabalho, de forma sucinta procurou-se esclarecer que esta engloba mais que a
sustentabilidade ambiental. Voltando então a discussão para a questão ambiental, conforme
Manzini (2008)
A expressão “sustentabilidade ambiental” refere-se às condições sistêmicas a partir
das quais as atividades humanas, em escala mundial ou em escala local, não
perturbem os ciclos naturais além dos limites de resiliência dos ecossistemas nos
quais são baseados e, ao mesmo tempo, não empobreçam o capital natural que será
herdado pelas gerações futuras. (MANZINI, 2008, p. 22)

No campo do Design a atuação em busca da sustentabilidade ambiental tem um nome


e metodologias próprias. O Ecodesign é o ramo do design voltado para as questões de
preocupação ambiental. Para Platcheck (2012, p. 9) “EcoDesign está inserido no conceito de
“Design Sustentável”, o qual é parte fundamental do Desenvolvimento Sustentável. Além dos
aspectos mencionados, o Design Sustentável associa o EcoDesign a fatores sociais e éticos no
processo de design do produto.”

2.1.3 Ecodesign

Manzini e Vezzoli (2005, p. 27) trazem em seu livro a discussão sobre


desenvolvimento de produtos sustentáveis em que seu ponto de partida é “a consideração
banal, mas muitas vezes esquecida, de que a nossa sociedade, e, portanto a nossa vida e a das
futuras gerações, depende do funcionamento no longo prazo daquele intrincado de
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ecossistemas que, por simplicidade, chamamos natureza”. A natureza ou comumente chamada


de meio ambiente é o foco da discussão do ecodesign, pois,

os processos de fabricação de grande parte dos produtos industriais podem causar


impactos negativos ao meio ambiente, como a geração de resíduos, destruição de
ecossistemas e a diminuição dos recursos naturais disponíveis. Da mesma forma, os
atuais modelos de desenvolvimento industrial ameaçam exceder os limites da
sustentabilidade em termos da utilização de recursos naturais e geração de resíduos
sólidos, comprometendo o equilíbrio do clima, da vegetação e de produção de
alimentos (PLATCHECK, 2012, p. 7).

Os elementos básicos da natureza, ar, água e solo não possuem a capacidade de


absorver resíduos com segurança, a menos que sejam completamente biodegradáveis e
saudáveis e apesar dos equívocos que ainda persistem mesmo os ecossistemas aquáticos são
incapazes de purificar e destilar resíduos perigosos em níveis seguros (BRAUNGART E
DONOUGH, 2014).
Segundo Tischner et al. (apud Platchek, 2012) Ecodesign “significa que o “meio
ambiente” é adicionado como um critério no desenvolvimento do produto em paralelo com os
critérios tradicionais de funcionalidade, usabilidade, segurança, confiabilidade, ergonomia,
viabilidade técnica e, não menos importante, estética”, ou seja desenvolvimentos de produtos
com consciência ambiental de maneira sistemática que visa a inclusão de aspectos ambientais
desde a concepção do produto até o design final das possibilidades de soluções.

O EcoDesign tende a minimizar o impacto ambiental, reduzir custos de produção e


possibilitar às empresas um diferencial competitivo dentro de um mercado que a
cada dia dá maior ênfase ao desenvolvimento sustentável, assumindo assim um
papel fundamental no contexto mundial visto que a capacidade de se extraírem
matérias-primas da natureza vem se esgotando em um ritmo acelerado. Assim, a
utilização de técnicas de desenvolvimento dos produtos deve conter em sua base
itens que possibilitem a geração de produtos com vistas ao EcoDesign, garantindo,
então, o mínimo de impacto ambiental. Essa base da materialização do conceito de
desenvolvimento sustentável está na passagem gradual e a longo prazo das atuais
estruturas lineares de projetação e produção para estruturas mais cíclicas e que
assentam às estratégias de EcoDesign e produção mais limpa (PLATCHECK, 2012,
p. 120 ).

Para Barbero e Cozzo (2009, p. 11) “o ecodesign enquanto projeto de objetos na sua
complexidade funcional, não só tem a possibilidade de desenhar a sua forma como também de
renovar os processos de produção e os hábitos comportamentais, com vista a uma maior
sustentabilidade ambiental” sendo aquilo que caracteriza o mesmo é efetivamente, “uma
capacidade imaginativa perspicaz na busca de sistemas, tecnologias e estratégias de produção
alternativas”. As autoras ainda elencam oito formas de atuação do ecodesign nos projetos. São
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elas: O design por componente, a redução do material e o design para a desmontagem, o


material único e os materiais “bio”, a reciclagem e a reutilização, a redução dimensional, o
design de serviços, a tecnologia para a sustentabilidade, ecopublicidade e o design sistêmico.
Platcheck (2012) vê que a solução para os impactos ambientais é a prevenção dos
mesmos, através da avaliação do ciclo de vida do produto, pois é na fase do projeto que se
decide as características do mesmo em relação aos impactos ambientais. Para isso a autora
propõe algumas ações para os projetos que em conjunto visam reduzir desde a concepção até
o destino final dos mesmos os impactos ambientais.
O conjunto dessas práticas pode ser definido como Design Orientado ao Meio
Ambiente. As práticas englobam preocupações em relação à fabricação através da
racionalização da utilização de recursos materiais e de produção – Design Orientado a
Produção; em que o enfoque é a redução do tempo de montagem – Design Orientado a
Montagem; da manutenção durante a vida útil, prolongando o tempo de utilização – Design
Orientado ao Serviço; Design Orientado a Reciclagem que objetiva obter materiais aptos a
serem reciclados e reutilizados; e por fim o Design Orientado a Desmontagem que é condição
necessária para otimização do processo de reciclagem, objetivando facilitar o desmonte
(PLATCHECK, 2012).
Por fim, um projeto tende a minimizar os impactos ambientais à medida que utiliza e
aplica os conceitos de repensar – na sustentabilidade antes da concepção, reutilizar –
componentes ou o todo, reduzir – reusando subsistemas e facilitando desmonte e manutenção,
e reciclar componentes (PLATECHECK, 2012).
O presente projeto objetiva então adentrar no ecodesign de forma prática a partir do
reuso de materiais, processo a ser detalhado adiante. Faz-se necessário voltar o fio condutor
da presente discussão para o conceito de Moda e Vestuário para que se chegue nos objetivos a
serem aplicados no projeto.

2.2 Moda e Vestuário

A palavra Moda possui um conceito de certa forma bem abrangente, em geral a


primeira coisa que nos vem à mente quando se fala em moda é em relação ao vestuário e as
constantes mudanças que ocorrem devido as sistema instaurado de tendências e fast-fashion.
A moda também pode ser seguida por outros ramos além do vestuário, e que atualmente
acontece muito, como por exemplo, na área de cosméticos, carros, decoração e até arquitetura.
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Pessoas da área e até sociólogos veem a moda além do modismo instaurado e


acreditam no poder que esta tem sob os indivíduos. Carvalhal (2016) em seu livro Moda com
Propósito dá várias definições sobre moda. Para ele a “a moda é uma extensão do corpo. Pode
ser uma forma de ver (e mostrar) a vida. Ajuda a descobrir “quem somos”... E também a
revelar e construir nossa identidade” também descreve que “a moda pode cumprir um
propósito muito maior do que cobrir o corpo. Como uma arte, ela pode nos ajudar nos dilemas
mais íntimos do nosso cotidiano”.
Godart (2010, p. 13) traz um conceito da moda como indústria afirmando que nessa
condição “é caracterizada por uma dualidade fundamental, posto que ela é ao mesmo tempo
uma atividade econômica e uma atividade artística.”, ele explica que é considerada atividade
econômica por produzir objetos e ao mesmo tempo artística por produzir símbolos, “a moda
não se contenta, portanto, em transformar tecidos em roupas, ela cria objetos portadores de
significado”. Também se refere à moda como “um fato social total, visto que além de ser
simultaneamente artística, econômica, política, sociológica, ela atinge questões de expressão
da identidade social”.
Desde as primeiras criações, roupa e moda cumpriram uma série de propósitos.
Adorno, proteção, diferenciação e legitimação, por exemplo. Papéis tão importantes que
muitas vezes transcendiam a utilidade da peça e que tinham em comum o propósito de servir à
vida das pessoas. Servir aos seus sonhos. Servir à construção da sua identidade. Servir à
busca, ao autoconhecimento e ao estabelecimento de diálogos de laços sociais.
(CARVALHAL, 2016)
Conforme Castilho (2007) por moda entende-se um conjunto de trajes e acessórios
ornamentais, que deve ser entendida como universal independente da cultura – mesmo que
determinado povo não se utilize de roupas – pois os seres humanos se valem de diferentes
técnicas de construção e de elaboração de caráter discursivo, entendendo-se assim a moda
como forma de linguagem. A definição de vestuário fica restrito então como objeto da moda,
mesmo entendido como um conjunto de trajes e acessórios ornamentais o mesmo é a estrutura
pela qual se dá a linguagem da moda (CASTILHO, 2007).
Se a moda é considerada além de tendências, não é mera atividade frívola e tem a
capacidade de individualizar as pessoas, de forma a se realizarem em sua expressão
identitária, é possível que a forma como se dá a indústria da moda atualmente, esta trabalhe de
forma positiva em relação às pessoas e ao meio ambiente? Carvalhal (2016) vem de encontro
a essa dúvida, trazendo muitas informações para a discussão, ele afirma que é preciso
ressignificar a moda. A forma como está sendo conduzida pode até trazer lucros em curto
16

prazo, mas os custos são muito altos, a degradação do meio ambiente, a exploração das
pessoas é que estão cobrindo essa conta. É fato que “o consumo absolutamente excessivo e a
lógica da moda rápida tem sido um dos maiores vilões dos últimos tempos” (CARVALHAL,
2016). Ainda conforme o autor, o descarte sempre foi incentivado pela moda, um produto só é
“útil” quando está na moda.
Para Schulte et al. (2013, p. 196) “o designer tem o papel de traduzir o simbólico para
o palpável, agregando valores que afetem e sensibilizem o consumidor, para que se
identifique com o produto. Assim, o designer pode atuar como ativista da causa sustentável
contribuindo para melhorar o sistema da moda, cujo principal objetivo ainda é apenas o
lucro”.

2.2.1 Sustentabilidade na Moda

Sobre os impactos no meio ambiente do consumo dos recursos naturais em geral,


calculou-se que nas ultimas três décadas foi consumido um terço dos recursos naturais
disponíveis e estima-se que hoje 20% da população consumam cerca de 80% dos recursos,
enquanto o restante vive em sérias restrições. (CARVALHAL, 2016). O autor acredita que a
moda deve colaborar com a difusão e a conscientização sobre a sustentabilidade e as
demandas do planeta.
Schulte et al. (2013) traz um bom resumo sobre a condição da sustentabilidade na
moda:
Na indústria da moda, infelizmente ainda hoje, a questão da sustentabilidade na
maioria dos casos é tratada como simplesmente uma estratégia de marketing e uma
alavanca para vendas. Geralmente a informação de sustentabilidade é resumida em
pequenos slogans e etiquetas, não levando ao consumidor uma informação completa
sobre os impactos que o produto consumido por ele causa ao meio ambiente, e se é
realmente sustentável como fala na embalagem. (SCHULTE et al., 2013, p. 206).

Para autores que defendem a sustentabilidade na moda veem o sistema fast-fashion


como uma problemática, para Ferronato e Franzato (2015, p. 106)

como consequência do sistema fast-fashion as roupas são descartadas com muita


facilidade, seja devido à baixa durabilidade ocasionada pela produção em escala,
baixa qualidade e focada no consumo de massas ou pela adoção de tendências de
curta duração, fazendo com que as roupas deixem de serem usadas por estarem fora
de moda.

Os autores citados acima ainda acreditam que “o sistema da moda fornece um bom
exemplo de que a mudança rumo à sustentabilidade está principalmente relacionada com as
formas de projeto, produção e consumo.” (FERRONATO E FRANZATO, 2015, p. 106).
17

2.2.1.1 Fast fashion e Slow Fashion

Fast Fashion e Slow fashion são sistemas de moda divergentes. Assim como a
tradução literal dos nomes propõe significam moda rápida e moda lenta respectivamente. O
sistema Fast Fashion advém de grandes lojas, que possuem lojas a nível global, a exemplo da
Zara, possuem um sistema de produção muito rápido e ininterrupto aonde as novidades
chegam a todo o momento, instigando o desejo de consumo das pessoas (MEA et al., 2014).
Falando de forma mais realista esse modelo não apresenta somente a aceleração da produção,
também do consumo e do descarte causando graves impactos tanto ao meio ambiente quanto
aos trabalhadores das indústrias (ABREU, 2017).
Já o Slow Fashion é um movimento de contraponto desse sistema, surge para gerar
consciência nos consumidores, tanto social quanto ecológica e tem origem no movimento
slow design criado por Fuad-Luke (MEA et al, 2014). A moda lenta não deve ser vista como
algo ruim ou ineficaz e sim como maneira de melhorar a produtividade que passa a ser
medida também pelos ganhos sociais e ecológicos (MEA et al, 2014).

2.2.2 Upcycling

Diferentemente da reciclagem o upcycling não despende de gastos energéticos e


materiais para tornar o material um novo objeto, o material retorna ao ciclo de utilização da
maneira como foi encontrado, este é um processo de recuperação que ressignifica um material
e converte resíduos muitas vezes desperdiçados em produtos com melhor qualidade
(QUARTIM, 2011).
O upcycling tem vantagens ambientais em relação à reciclagem, pois a maioria do
material reciclado é na realidade subciclado – downcycled – reduzindo a qualidade do
material original, seu valor e potencial de utilização e ainda pode aumentar a contaminação da
biosfera, com frequência mais substâncias químicas são acrescentadas para tornar os materiais
úteis novamente (BRAUNGART E DONOUGH, 2014).
Schulte (2013) defende o upcycling em relação a moda:

O conceito upcycling é outra possibilidade de aplicação da sustentabilidade na moda


pela qual as peças de vestuário são reparadas ou reutilizadas, pois se baseia em peças
de roupas que iriam para o descarte. Técnicas desenvolvidas por um designer como
remodelar, costurar e recortar, agregam valor e possibilitam uma nova vida útil para
uma peça antes vista como não reutilizável. (SCHULTE, 2013, p. 205).
18

Existem empresas relacionadas à moda que utilizam do upcycling na sua produção. A


exemplo tem-se a Insecta Shoes que é uma marca de sapatos e acessórios ecológicos e
veganos, a empresa nasceu em 2014 e inicialmente produzia o cabedal dos seus calçados
apenas a partir de roupas garimpadas em brechós, atualmente também utilizam garrafas de
plástico recicladas para a composição dos tecidos (INSECTA SHOES, 2016). Abaixo segue
infográfico retirado do site da empresa (figura 1) que explica as partes dos calçados e a
quantidade de matéria já reaproveitada.

Figura 1 – Infográfico sobre a Insecta Shoes

Fonte: Insecta Shoes

Outro exemplo é a Think Blue uma marca de roupas upcycling e slow fashion,
segundo o site da marca criam roupas únicas e exclusivas a partir de matéria-prima descartada
e combinam design e consumo consciente na sua produção (THINKBLUEUPCYCLED). A
característica marcante das peças é a combinação de pedaços diferentes de jeans na mesma
19

peça, formando um padrão único, as peças vão desde calças, vestidos, casacos e blusas. Na
figura 2 conta imagem retirada do site da marca qual apresenta o modelo das calças.

Figura 2 – Calças da marca Think Blue

Fonte: ThinkBlue Upcycled

Pelas razões citadas acredita-se que seja uma das alternativas de mudanças na moda a
reutilizando materiais já existentes na produção de novos produtos de moda ao invés de
utilizar materiais novos, diminuindo drasticamente os consumos de matéria prima e energia
gastos. Para poder melhor desenvolver a proposta de reutilizar os tecidos é necessário da
mesma forma que se conheça quais os tipos de tecidos empregados no vestuário atualmente, e
como se dá a produção dos mesmos.

2.2.3 Tecidos

Para Sorger e Udale (2009) é de extrema importância que um designer de moda


conheça os tecidos e suas propriedades, para que possa fazer escolhas certas para seus
modelos. Afirmam que “o peso e o caimento de um tecido afetarão a silhueta de uma roupa,
dando-lhe forma ou deixando-a drapear” (Sorger e Udale, 2009, p. 58) e que os tecidos
também devem ser escolhidos levando em consideração o valor estético.
Para entender os tecidos e as classificações, é necessário compreender os tipos de
fibras e os processos de produção. As fibras são o fundamento dos tecidos, quais podem ser
classificadas como naturais, artificiais ou sintéticas, cada uma conta com as próprias
características e qualidades (UDALE, 2009). A autora ainda afirma que “o modo como são
20

fiadas e a maneira que o fio é fabricado afeta o desempenho e aparência do tecido final”
(UDALE, 2009, p. 41).
Dentro das três classificações das fibras ainda encontramos outras conforme explanam
Sorger e Udale (2009) e Udale (2009). As fibras naturais podem ser de celulose, que tem
origem vegetal, podendo ser extraídas de diversas plantas, são fibras desse tipo o algodão e o
linho; de proteína, que são as de origem animal, e englobam a lã, a seda, o couro e também
peles; Metais também podem ser utilizados como matéria prima para tecidos. Já fibras
artificiais são divididas em celulósicas e não celulósicas, assim como as naturais as
celulósicas são extraídas de plantas e arvores, que é o caso do raiom, Tecel, acetato, triacetato
e Lyocell, que contém celulose natural; as fibras não celulósicas são puramente químicas e
classificadas como sintéticas, é o caso da poliamida, do acrílico e do poliéster. Ainda existem
outros tipos de fibras mais avançadas que são feitas a partir de fontes naturais, como a Azlon
que pode ser regenerada da proteína do leite, do amendoim, do milho e da soja; As
microfibras têm propriedades avançadas e são utilizadas em tecidos de alto desempenho como
em roupas esportivas.

Em relação à fabricação do tecido, existem duas formas principais de transformar fios


em tecidos, a malharia e a tecelagem, o crochê, a renda e o macramê são outras técnicas, o
tecido ainda pode ser produzido diretamente de fibras e soluções químicas. Na tecelagem
plana é feita uma trama de fios dispostos paralelamente ao sentido do comprimento do tecido,
conhecido como urdume, pelos quais passam os fios na largura do tecido, chamados de trama.
(UDALE, 2009)

Existem três principais tipos de entrelaçamento dos fios: tecidos em ligamento tela
(Figura 3), em ligamento sarja (Figura 4) e em ligamento cetim (Figura 5). As diferentes
tramas produzem uma variedade de tecidos. Os tecidos resultantes do ligamento em tela são
também chamados de tecidos planos e são adequados para estamparia e técnicas como
plissagem. Exemplos de tecidos planos são: calicó, lona, cambraia, chifom, musseline e voal.
Os tecidos em ligamento sarja são fortes e resistentes, costumam apresentar um
entrelaçamento firme. Exemplos desse ligamento são algodão grosso (ou chino), brim e tweed
e pied-de-poule. O ligamento cetim tem como resultado tecidos brilhantes e sedosos por causa
de sua trama fechada, são exemplos o cetim dupla face, crepe cetim, e demais tecidos de
cetim. (UDALE, 2009)
21

Figura 3 – Ligamento tela

Fonte: Audaces

Figura 4 – Ligamento sarja

Fonte: Maximus Tecidos


22

Figura 5 – Ligamento Cetim

Fonte: Maximus Tecidos

Os tecidos resultantes da malharia “são fabricados a partir da interligação de laçadas,


que podem ser tricotados ao longo da urdidura ou da trama, proporcionando uma qualidade
elástica” (UDALE, 2009, p. 78). O tricô feito à mão é um exemplo de malha. Existem
diversos tipos de pontos para se obter diferentes tipos de acabamento nas malhas. Outras
formas de fabricação dos têxteis, nessa categoria se encontram as rendas, o crochê e o
macramê. (UDALE, 2009). Pode-se perceber então que as formas de se construir um tecido
são diversas e a escolha do mesmo depende do tipo de intenção que se tem com a peça a ser
projetada, variando conforme estrutura, toque, cores e demais acabamentos.

2.3 Moda Inclusiva

Já discutida a questão da moda, da sustentabilidade ambiental e demais temas vistos,


passa-se a abordar a questão da moda inclusiva e o significado. Segundo o dicionário
Michaelis Online inclusão é o “ato ou efeito de incluir (-se); introdução de uma coisa em
outra, de um indivíduo em um grupo etc” ou ainda explorando mais, conforme o mesmo
dicionário, o termo inclusão social: “ato de trazer aquele que é excluído socialmente, por
qualquer motivo, para uma sociedade que participa de todos os aspectos e dimensões da vida,
isto é, dos âmbitos econômico, cultural, político, religioso etc”. A inclusão social é tratada
23

principalmente em relação às pessoas com necessidades especiais, que em muitos aspectos da


vida cotidiana acabam sendo esquecidos por quem projeta produtos e acabam impossibilitadas
de realizar as tarefas normalmente, como é o caso da Moda (WOLTZ e CARVALHO, 2008).
Para Woltz e Carvalho (2008, p. 5) “a forma como a produção do vestuário se dá
atualmente, com base em tabelas de medidas e levando em consideração estereótipos de
beleza preestabelecidos pela sociedade contemporânea, praticamente não dá espaço à
produção voltada às pessoas com necessidades específicas”.
A Moda Inclusiva então se dá basicamente “pela adaptação do vestuário às
especificidades dos portadores de necessidades especiais, nomeadamente os usuários de
cadeiras de roda, promove-se a inclusão destes indivíduos, aumentando a sua qualidade de
vida e autoestima e incrementando a sua capacidade de estabelecer relações interpessoais”
(WOLTZ e CARVALHO, 2008. P. 7). E para os seguintes autores Pereira, Andrade e Berton
(2015, p. 4) a moda inclusiva se da pela “democratização da vestimenta e o incentivo à
inclusão social de grupos constatados como marginalizados, no que diz respeito à
indumentária”.
Como já visto anteriormente, a moda é como uma linguagem e o vestuário seu objeto
de expressão. A vestimenta é como uma extensão do corpo, proporcionando conforto,
proteção, satisfação estética, o vestuário é ao mesmo tempo necessidade básica do indivíduo
dentro da sociedade, tanto por questões relacionadas à convivência, como proteção das
intempéries e questão complexa, pois possui relação direta com o ser, com a forma de se
expressar de cada indivíduo e os indivíduos portadores necessidades especiais possuem então
limitações em uma questão tão básica do ser humano (MAFFEI, 2010).

2.3.1 Osteogênese imperfeita

Dado o estudo de caso a ser apresentado nos resultados do projeto, viu-se a


necessidade de conceituar brevemente a Osteogênese e a condição de quem a porta. Conforme
o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde (2013) a Osteogênese
imperfeita configura-se como “doença caracterizada por fragilidade óssea causada por defeito
qualitativo ou quantitativo do colágeno tipo 1... a presença de proteína estrutural anormal
determina a fragilidade óssea, nesta doença, há fraturas aos mínimos traumas e deformidades
ósseas.”. A Osteogênese imperfeita é uma doença hereditária que prejudica o crescimento
ósseo, e a formação correta dos mesmos os tornando anormalmente frágeis (MANUAL
MSD). A variação das condições de diferentes indivíduos, e atualmente oito tipos de
24

classificações, sendo condição geral a baixa estatura, além da fragilidade dos ossos.
(MINISTÉRIO DA SAÚDE).
Explanados os conceitos necessários passa-se então a fase de desenvolvimento prático
do trabalho, no capítulo três consta a metodologia aplicada e seus resultados.
25

3 RESULTADOS

A metodologia usada como base para nortear o desenvolvimento do presente projeto


foi a de Bruno Munari (1998). Método esse usado para diversos tipos de projetos de design,
que também se encaixa para o projeto de produtos de vestuário, como é o caso. Munari (1998)
afirma que, para projetos de design, são necessárias diversas etapas antes da geração de ideais,
a grande ideia é deixada de lado pelas etapas necessárias de pesquisa, para a obtenção de um
modelo com menor possibilidade de erros devido às etapas percorridas. Utilizou-se também
de requisitos do livro Fundamentos de Design de Moda de Sorger e Udale (2009) para auxílio
no desenvolvimento.

3.1 Definição do Problema

O problema do presente projeto é o desenvolvimento de produtos de vestuário


voltados a suprir as necessidades dos indivíduos que fazem uso de cadeira de rodas tanto em
questões de vestibilidade como de inclusão dessas pessoas no meio da moda. Obter peças que
se adequem às necessidades e que possam ser utilizadas por quaisquer outras pessoas, dessa
forma criando a inclusão no todo e não fomentando a exclusividade. Como é perceptível, a
partir do referencial, estar incluído na moda e poder se expressar através do vestuário é
também necessidade de qualquer indivíduo dentro de uma sociedade.
Em segundo plano se tem a questão ambiental abordada através da utilização de peças
de vestuário já existentes, que foram descartadas pelo primeiro usuário, e tem a probabilidade
de pararem em aterros sanitários. O projeto busca criar a conversa entre as duas
problemáticas, culminando em um resultado que atenda aos dois requisitos. O problema do
projeto então é realizar peças de vestuário adaptadas a cadeirantes utilizando o upcycling na
sua realização.

3.2 Componentes do Problema

Segundo Munari (1998) decompor o problema facilita o projeto, pois possibilita a


resolução dos diversos pequenos problemas encontrados dentro do geral. Os componentes do
problema deste projeto foram definidos a partir de requisitos para a criação e confecção das
peças.
Os principais são em relação à modelagem das peças. Que tenha atributos que
facilitem o vestir, principalmente que a pessoa cadeirante possa se vestir sem auxilio de
26

outrem. Que as peças sejam atraentes e/ou estejam em tendência, atingindo assim a
necessidade de inclusão no universo da moda.
A reutilização de tecidos de peças já existentes também levando em consideração
tecidos que sejam adequados para o público-alvo. A necessidade de coerência visual das
peças, podendo ser denominadas no todo de coleção. A produção e por fim a apresentação da
coleção.

3.3 Coleta e Análise de dados

Esta etapa refere-se às pesquisas necessárias para a realização do projeto, além do


referencial teórico já apresentado. São necessárias pesquisas de campo e de referências visuais
e o que mais se fizer útil para o desenvolvimento do produto final. Como afirmam Sorger e
Udale (2009) “pesquisa significa investigação criativa, e o bom design não acontece sem
alguma forma de pesquisa. Ela nutre a imaginação e inspira a mente criativa.”.

3.3.1 Pesquisas de campo

As pesquisas de campo foram de dois tipos. Primeiramente para conhecimento das


necessidades do público-alvo, foi feito um questionário com perguntas abertas (Apêndice A)
para que os entrevistados pudessem expressar nas suas palavras quais as suas dificuldades em
relação ao vestuário, as formas de vestir, tecidos empregados, modelagens e estilos, pois
perguntas com opções fixas não sanariam essa necessidade. Só através da pesquisa com
pessoas que possuem as características específicas do público do projeto é que se pode
entender qual a real necessidade.
O questionário foi respondido ao total por cinco pessoas que possuem a condição da
osteogênese imperfeita e fazem uso de cadeira de rodas para sua locomoção. O questionário
completo com as perguntas e respostas encontra-se no apêndice B. A partir das respostas
pode-se obter confirmação da discussão tratada nesse projeto sobre a necessidade da inclusão
dessas pessoas na moda, de como o sistema atual da mesma ainda é exclusivo para diversas
pessoas e também a importância que o fato da inclusão através da moda tem no cotidiano. A
última questão era um espaço para demais comentários que as entrevistadas achassem
importante e talvez não tivessem sido abordados. Uma das entrevistadas escreveu a seguinte
resposta:
O vestuário de um portador com deficiência não pode se ater ao que temos e
encontramos e pronto. Tem de sim ser ajustado ou já comprado da forma que
devemos usa-lo, pois também mostra a nossa vaidade e nos eleva em autoestima.
27

Uma boa combinação de peças de roupas e acessórios podem sim mudar o seu dia e
da forma como encara ele. Precisamos de mais roupas e principalmente sapatos de
tamanhos corretos para a gente com um preço acessível. Mandar fazer é de um custo
enorme, porque não ter nas lojas aquela medida especial? Não precisa de toda uma
personalização, apenas precisamos de roupas para pessoas que são, até mesmo de
estatura baixa e com uma modelagem moderna e não infantil como é o que mais
tem. ¹

As perguntas abordaram questões sobre compra de roupas, as dificuldades, a


necessidade de ajustes, o porquê das escolhas, quais materiais e modelagens preferidos, estilo
e peças que não pode usar. Analisando-as uma a uma com as respostas agrupadas pode-se ver
que algumas tiveram respostas quase que unanimes, a exemplo de que todas as entrevistadas
necessitam de ajustes em relação ao comprimento das peças, como barras de calças e mangas
de casacos e camisas. As seguintes observações foram constatadas a partir das respostas:

 Há certa dificuldade na compra de roupas.


 Necessidade de tamanhos infantis e dificuldade de encontrar peças que não tenham
temas infantis.
 Preferência por comprar roupas prontas.
 Necessidade de ajustes.
 Desejo por roupas que atenda o estilo e/ou acompanhe tendências.
 Peças fáceis de vestir.
 Desejo de estar bem vestida conforme ocasião.
 Dificuldade maior em roupas sociais
 Detalhes na parte de trás das peças são incômodos (detalhes em bolsos e barras).

A segunda pesquisa de campo realizada é em relação à disponibilidade de materiais.


Diferentemente da pesquisa de materiais habitual em projetos de vestuário, que se dá em
fábricas ou lojas de tecidos para compra de tecido em metro, aqui foi realizada pesquisa em
locais que recebem doações de roupas, para descobrir quais tipos de peças e/ou tecidos que
mais recebem ou tem menos saída e assim poder realizar peças de roupas a partir do
upcycling.

____________________________

¹ Informação fornecida pela entrevistada 3, em questionário realizado para o presente projeto, consta no
Apêndice B.
28

A pesquisa foi realizada em diferentes entidades da cidade de Ijuí (RS), com pesquisa
e entrevista local. As entidades procuradas foram: a Secretaria de Desenvolvimento Social, o
Lar MEAME, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana (IECLB), a Liga Feminina de
Combate ao Câncer, e a Associação de Saúde Mental – Casa AMA. Realizou-se uma
entrevista informal com os responsáveis pelo setor de doações ou responsável geral de cada
entidade.

Em nenhum dos locais pode-se obter dados em números por não haver nenhum tipo de
contabilização ou controle de estoque do que é recebido e do quem tem saída, principalmente
pela demanda de trabalho que isso traria em relação ao volume de peças recebido, dado que
em parte das entidades o trabalho é inclusive voluntário e as entidades recebem volume
considerável de doações. Também por não ser relevante às entidades contabilizar cada tipo de
peça. Em alguns dos locais pode-se constatar esses dados através da observação pessoal, ou
descrição de quem foi entrevistado, como será descrito a seguir.

A Secretaria de Desenvolvimento Social é um órgão público municipal. As roupas


recebidas são disponibilizadas para a população carente de forma que a pessoa pode ir até o
local e escolher 10 peças por mês sem nenhum custo. No período em que foi realizada a
pesquisa, o local no qual está instalada passava por reformas e, por não haver então espaço
disponível, repassaram as roupas a outras entidades.

O Lar Meame é uma casa de passagem que abriga crianças e adolescentes, e se


mantém com ajuda de custo do governo e doações. Algumas das peças recebidas são
repassadas para as crianças e os adolescentes à medida que se faz necessário a cada um. Além
disso, são realizados brechós em bairros da cidade com população mais carente com o
excedente das doações. Segundo informações recebidas da funcionária responsável pela
organização das roupas para os brechós, as peças que ainda sobram após os brechós são a
maioria calças jeans com modelos que estão “fora de moda” e de tecidos como linho.

Na IECLB são realizados brechós mensalmente com as roupas recebidas de doações e


o lucro destes é revertido para o Serviço de Amparo Bem-Estar da Velhice em Ijuí
(SABEVE), mantido pela mesma. Com a pesquisa no brechó pode-se observar quais tipos de
peças e tecidos que mais sobram, por falta de saída, que no caso são tecidos de alfaiataria e
linho principalmente, em peças como saias longas e algumas calças, blusas e camisetas de
tecidos variados. Na figura 6 constam imagens da visão geral do brechó e na figura 7 a
exposição das saias, o tipo de peça que menos tem saída.
29

Figura 6 – Visão geral do brechó

Fonte: Autora
30

Figura 7 – Saias em exposição

Fonte: Autora

Na Liga Feminina de Combate ao Câncer inicialmente as doações recebidas vão para


pessoas assistidas pela Liga, conforme necessidade das mesmas, com o excedente é realizado
brechó e o lucro revertido para compra de medicações e outros itens necessários. O brechó é
realizado permanentemente de segundas a quintas no período da tarde. A pesquisa no local
também foi realizada por observação pessoal, pois por ser composto por voluntárias e haver
gestões que trocam de tempos em tempos, não foi possível obter dados das envolvidas. Foi
observado então que há em maior quantidade blusas e camisas de tecidos variados, diversas
calças com tecido de alfaiataria, como misto de linho e sociais como Oxford bem como,
grande quantidade de calças jeans. As peças recebidas que não possuem condições de ser
doadas ou irem para o brechó são doadas para a Associação de Catadores de Ijuí – ACATA e
outras peças como lençóis e toalhas que também não estão em condições de serem doadas,
são repassadas para uma igreja que faz colchas de retalhos. Na figura 8 podemos ver a
exposição de calças jeans e o de calças de modelo social, dos tecidos citados acima, na figura
9. As figuras 10 e 11 dão visão das demais araras do brechó.
31

Figura 8 – Calças jeans brechó Liga Feminina

Fonte: Autora

Figura 9 – Calças de tecidos sociais brechó Liga Feminina

Fonte: Autora
32

Figura 10 – Araras de blusas e camisas brechó Liga Feminina

Fonte: Autora

Figura 11 – Visão geral de parte do brechó da Liga Feminina

Fonte: Autora
33

Na Casa AMA também são realizados brechós mensalmente com as doações recebidas
e em geral a maior parte se não o todo das peças são vendidas. Não foi possível fazer
observações no local, pois a data do brechó não coincidiu com o período da pesquisa.

Analisando então o que foi encontrado nos locais, pode-se observar que há excedente
principalmente de peças como calças ou saias de tecidos como linho, de alfaiataria e
semelhantes, pois não são tecidos comumente usados no dia a dia atualmente. Também há
excedente de calças jeans, muitas com modelagens e lavagens não tradicionais, que
facilmente saem de moda e do gosto das pessoas em geral.

3.3.2 Pesquisa de Referência

A partir da análise das pesquisas de campo e verificação dos tecidos que podem ser
utilizados na coleção, foi necessário realizar pesquisa de referência em relação a aplicação
desses tecidos para melhor entender quais as utilizações possíveis, limitações e posterior
análise das possibilidades criativas. A pesquisa foi realizada a partir de imagens.

O linho como já explicado no item 2.2.4 é uma fibra vegetal e pode haver variações na
sua gramatura conforme a aplicação, visualmente falando o tecido pode ser mais fino,
podendo ter leve transparência ou mais denso. Inclusive pode ser misturado com outros tipos
de fios como a viscose e o algodão. Pode compor peças leves e fluídas como camisas e calças
soltas e até modelos estruturados como se pode ver na figura 12. A seguir também consta
imagem (figura 13) com referências de tecidos de alfaiataria.

Figura 12 – Aplicações de tecidos de linho.

Fonte: Autora
34

Figura 13 – Exemplo tecidos de alfaiataria

Fonte: Autora

Houve a necessidade de se definir um estilo a seguir para a criação das peças, advindo
também da análise do questionário e observação de preferência ou desejo – não realizado –
por algumas peças de estilo alfaiataria e estilo pessoal casual. Foi escolhido assim o Street
Style como norteador. O termo significa moda de rua, a busca de inspiração vem de fora das
passarelas e editoriais de grandes marcas, vem do que as pessoas estão vestindo pelas ruas da
cidade. Há diversos blogs que tem como objetivo principal observar e capturar imagens das
composições criativas e cheias de personalidade das pessoas no seu dia-a-dia. Não existem
regras no street style, a mistura é completamente livre, tanto de tecidos como de modelos de
peças. Há combinação de blazer com calça de moletom, T-shirt (camiseta) com calça social,
as possibilidades são infinitas e a graça é a liberdade de misturar e compor. Nas figuras 14 e
15 podem-se ver exemplos do estilo.

Figura 14 – Exemplos Street Style 1

Fonte: Autora
35

Figura 15 – Exemplos Street Style 2

Fonte: Autora

Outro requisito de referência para nortear a coleção foi o de armário cápsula. O


conceito de armário cápsula advém do minimalismo em que o objetivo é manter quantidade
reduzida de peças no armário e consequentemente peças que sejam versáteis, com modelagens
em geral mais básicas e funcionais que auxiliem em composições harmônicas e variadas com
a determinada quantidade de peças. Peças mais básicas não são sinônimas de sem graça, pode
haver as que sejam mais excêntricas contanto que sejam versáteis. Na figura 16 consta
exemplo de composições de um armário cápsula.

Figura 16 - Exemplo de composições armário cápsula

Fonte: Pinterest
36

As referências visuais são importantes para auxiliar na construção e definição do


conjunto de peças da coleção, estas ajudam na inspiração de composição da coleção e
modelagem das peças, preparando o repertório para a etapa de criatividade.

3.4 Criatividade
Para a escolha dos materiais da coleção, foi realizado garimpo de peças nos brechós
das instituições entrevistadas, considerando os excedentes já citados. No garimpo a escolha
das peças se deu pela avaliação do potencial dos seus tecidos, observando cores, padronagens
e texturas. Várias peças foram selecionadas, quais passaram por outra seleção para então
serem definidas as peças que teriam seus tecidos reutilizados na coleção. A seguir podem-se
ver na Figura 17 as peças selecionadas inicialmente e a variedade de tecidos encontrados.

Figura 17 – Peças de roupa garimpadas

Fonte: Autora

Antes da seleção final dos tecidos foram feitos alguns rafes de modelos (figura 18)
para verificar as possibilidades em relação aos tecidos considerando textura e caimento dos
mesmos. Também foi feito teste das cores nos rafes (figura 19) para verificar a composição da
coleção e a combinação dos tecidos, se as variações criariam uma composição final
harmônica.
37

Figura 18 – Rafes das peças para a coleção

Fonte: Autora

Figura 19 – Teste de cores nos rafes

Fonte: Autora

Para a escolha final dos tecidos levou-se em consideração as possibilidades dos


mesmos em relação a caimento e quantidade disponível nas peças, bem como a questão das
cores, sendo a maior parte de tons neutros e algumas com cores – conforme os requisitos de
armário cápsula – para criar o contraste e aumentar as possibilidades, conforme vemos na
figura 20.
38

Figura 20 – Tecidos escolhidos

Fonte: Autora

Também foram escolhidas algumas peças em jeans para a possibilidade de uma criação de
uma peça chave, na figura 21 constam as peças escolhidas.

Figura 21 – Peças em jeans escolhidas

Fonte: Autora
39

As peças da coleção foram definidas através da avaliação das necessidades e desejos


do público-alvo, requisitos do projeto e adequação ao estilo e conceito definidos nas pesquisas
de referência, com base nos rafes apresentados. Os desenhos foram realizados através das
fichas técnicas, para melhor compreensão dos detalhes, por exemplo, a necessidade de
emprego de zíperes em alguns dos modelos.

3.5 Desenho de construção/ Ficha técnica


As fichas técnicas foram elaboradas em um único modelo que consta nome da coleção,
da peça, além de modelistas, desenho planificado das peças com explicação dos detalhes
através de setas indicativas e legenda com tipo de tecido, amostra, linhas e observações. Na
figura 22 vê-se o modelo das fichas representadas pela ficha da Calça Alfaiataria, as demais
fichas constam nos apêndices do C ao H.

Figura 22 – Ficha Técnica Calça Alfaiataria

Fonte: Autora
40

3.6 Modelo
Esta etapa é referente à execução das peças-piloto da coleção. Para esse fim contou-se
com a colaboração de profissionais para realizar a modelagem e a costura da maioria delas,
sendo estes costureiras e alfaiate. Antes de iniciar a realização das peças, obteve-se contato
com os profissionais para inicialmente explicar os requisitos do projeto em relação à
reutilização dos tecidos e público-alvo, em seguida verificar as possibilidades em relação aos
materiais e os modelos pensados e posteriormente ser realizada a confecção.

Ao conversar com os profissionais e explicar os modelos referentes aos tecidos, ainda


foram feitas algumas alterações para se chegar às peças finais. Algumas peças utilizadas
foram desmanchadas para melhor aproveitamento dos tecidos como se pode observar na
figura 23, onde se vê uma etapa da desmontagem e o resultado final. Outras peças não
obtiveram necessidade de desmontagem e ainda outra teve desconstrução parcial,
aproveitando parte da modelagem existente.

Figura 23 – Peça em processo de desmanche e resultado

Fonte: Autora
41

Todas as peças da coleção foram confeccionadas com base nas medidas da modelo
que representará a coleção, qual também participou respondendo o questionário para o
público-alvo, dada a questão identificada da certa dificuldade de encontrar tamanhos de
medidas padrão que sirvam corretamente e tenham bom caimento, e também para evitar
posterior ajuste das mesmas. Como já citado anteriormente as peças feitas pelos colaboradores
tiveram a modelagem realizada pelos mesmos.

A peça-piloto que teve como tecido base para confecção o jeans teve a modelagem e
confecção da peça realizada pela autora do trabalho. Optou-se pela realização pela
possibilidade de explorar o desenho da montagem da peça no momento da modelagem.
Primeiramente foi feito molde básico em papel, para então definir partes dos tecidos a serem
utilizadas e encaixe sobre o molde. Pode-se ver o processo descrito na figura 24.

Figura 24 – Processo de modelagem da peça feita de tecido jeans

Fonte: Autora

Na próxima figura (figura 25) se vê mais detalhes da união dos pedaços do tecido e
montagem da peça.
42

Figura 25 – Detalhes da construção da peça

Fonte: Autora

Para completar a composição das peças optou-se por comprar tecido 100% algodão
para que pudesse ser feita camiseta básica, visto que este tipo de peça ou tecido para esse fim
não estava disponível em qualidade para ser reutilizada que fizesse composição adequada
segundo os requisitos da coleção nos brechós.
Obteve-se então um total de seis peças-piloto da coleção cápsula. Segue-se uma
análise de cada peça desenvolvida e suas particularidades das figuras 26 a 33. E após um
comparativo entre o antes e depois das peças.
Iniciando a análise das peças vê-se na figura 26 a peça em tecido jeans, que se
configura como um colete, aliando o jeans a modelagem de colete obtém-se uma peça
extremamente versátil capaz de transformar uma composição de peças em outra
completamente diferente, pois o colete acrescenta uma composição diferenciando-a e as
possibilidades de ornar as cores dos tecidos jeans com outras são bastante variadas. A
composição das peças de diferentes tonalidades de jeans deu um ar despojado e casual,
agregando apelo estético à peça.
43

Figura 26 – Colete Patch

Fonte: Autora

A seguir na figura 27, T-shirt Don’t Label, camiseta básica que recebeu estampa em
estêncil personalizada com a temática da coleção. Deixa de ser uma peça extremamente
básica pela estampa, sem perder a versatilidade. A estampa é a composição de um código de
barras com a frase “Don’t let people label you” (Não deixe as pessoas rotularem você) que
representa o espírito da coleção no sentido do indivíduo não se deixar rotular por outrem, se
privando de algo por sua condição física ou qualquer que seja.

Figura 27 – T-shirt Don’t Label

Fonte: Autora
44

A próxima peça, figura 28, a Blusa Crop, é uma blusa de linho na cor cru, de certa
forma também básica pelas cores, que conta com detalhe de recorte frontal, acabamento em
viés preto e zíperes nas laterais. Os detalhes valorizaram a peça, mantendo a versatilidade e
dando um ar mais sofisticado à peça. Os zíperes não são apenas meros detalhes na peça,
visam a funcionalidade da mesma, aumentando a abertura disponível e autonomia para a
pessoa cadeirante ou com pouca mobilidade na hora de vestir-se. Na parte das costas conta
com pequena abertura na parte superior para também facilitar o vestir. Na figura 29 se vê os
detalhes de abertura da peça. Foi adicionado pedaço de tecido para ficar entre o zíper e a pele
para que não machuque na hora de utilizar ou fechar a peça.

Figura 28 – Blusa Crop

Fonte: Autora
45

Figura 29 – Detalhes das aberturas laterais da blusa Crop

Fonte: Autora

A peça da figura 30 é a Jaqueta Sporty, em estilo esportivo contrastante com o cetim


changeant (tecido que tem dupla tonalidade) deixa a peça excêntrica sendo peça-chave para
composição de looks mais diferenciados e ao mesmo tempo possibilitando diversas
combinações. A peça possui recorte nas mangas para melhor aproveitamento do tecido.

Figura 30 – Jaqueta Sporty

Fonte: Autora
46

A Bermuda Jogger, figura 31, tem modelagem básica, mais alongada, solta no quadril
e ajustada na perna e elástico na cintura para facilitar o vestir, pode ser usada com a barra
dobrada para um ar mais despojado. Uma das peças de cor da coleção e mesmo assim
possibilita várias combinações por ter cor de tom mais fechado.

Figura 31 – Bermuda Jogger

Fonte: Autora

Por fim, na figura 32, a Calça Alfaiataria tem modelagem mais confortável na cintura
e ajustada na perna, para possibilitar a versatilidade de usos, podendo ser usada com a barra
dobrada ou não. Como mecanismo de vestibilidade utilizou-se de zíperes em ambas as
laterais, aumentando assim a abertura e a facilidade de vestir na falta de mobilidade dos
membros inferiores. Possui bolso falso para incrementar o visual da calça, dada a não
necessidade de bolsos reais para cadeirante. Na figura 33 se vê os detalhes da abertura dos
zíperes.
47

Figura 32 – Calça Alfaiataria

Fonte: Autora

Figura 33 – Detalhes abertura Calça Alfaiataria

Fonte: Autora

Analisadas as peças individualmente, seguem-se então imagens comparativas do antes


e depois das peças, como eram as peças garimpadas e como ficaram após reuso do tecido em
novas modelagens. Da figura 34 a 38, na sequência da Blusa Crop, Jaqueta Sporty, Bermuda
Jogger, Calça Alfaiataria e Colete Jeans.
48

Figura 34 – Antes e depois Blusa Crop

Fonte: Autora

Figura 35 – Antes e depois Jaqueta Sporty

Fonte: Autora
49

Figura 36 – Antes e depois Bermuda Jogger

Fonte: Autora

Figura 37 – Antes e depois Calça Alfaiataria

Fonte: Autora
50

Figura 38 – Antes e depois colete jeans

Fonte: Autora

Fazendo análise geral do antes e depois se pode ver que as peças ganharam valor
agregado ao receberem a remodelagem, passaram de peças não desejadas, de modelagens não
utilizadas habitualmente, fora das tendências, para modelagens versáteis e com apelo estético,
além das melhorias em relação à vestibilidade que podem ser utilizadas para pessoas que
fazem uso da cadeira de rodas e que não restringe o uso a somente cadeirantes.

3.7 Apresentação da coleção


O conjunto das peças apresentadas no item acima compõe a coleção cápsula inclusiva,
objetivo principal deste projeto. A coleção recebe o nome de Don’t Label, que significa “não
rotule”, afirmando então a necessidade de representatividade na moda de pessoas que estão
completamente fora dos padrões estabelecidos, sejam elas pessoas em cadeiras de rodas, ou
com alguma outra condição física não comum. Demonstrando que independente do
julgamento por incapacidade por outros indivíduos a pessoa em cadeira de rodas, ou no caso,
também com a condição de osteogênese imperfeita pode utilizar peças que sejam do seu gosto
e/ ou tendência, basta que o vestuário seja mais acessível em relação a tamanhos e detalhes
para vestibilidade. A coleção também alcançou seu objetivo definido pelas pesquisas de
referências de representar um armário cápsula, composta por peças versáteis que conversam
entre si, possibilitando diferentes combinações das mesmas, sendo ao mesmo tempo peças
chave e diferenciadas do básico tradicional.
51

Para a produção do editorial buscou-se por lugares que comumente não são
frequentados por cadeirantes, principalmente pela dificuldade do acesso – e até do julgamento
de outros. Nas figuras 39 a 46 apresenta-se o lookbook da coleção, as possibilidades de
composição das peças.

Figura 39 – Look A

Fonte: Autora

Figura 40 – Look B

Fonte: Autora
52

Figura 41 – Look C

Fonte: Autora

Figura 42 – Look D

Fonte: Autora

Figura 43 – Look E

Fonte: Autora
53

Figura 44 – Look F

Fonte: Autora

Figura 45 – Look G

Fonte: Autora

Figura 46 – Look H

Fonte: Autora
54

4 CONCLUSÃO

O presente trabalho possibilitou pesquisa e por consequência ampliação dos


conhecimentos em relação à sustentabilidade em projetos, em especial em relação à
sustentabilidade ambiental e ecodesign. Ficando clara a necessidade de protagonismo do
profissional de design frente às necessidades de mudança na sociedade como um todo,
principalmente no que tange aos processos e produtos, nas mais diversas áreas, pois como se
pode perceber também, para que haja mudanças efetivas nos resultados que obtemos dos
impactos da humanidade, será necessário repensar principalmente a forma como as coisas
continuam sendo processadas.
Também possibilitou adquirir maior conhecimento sobre a situação vivida pelo
público-alvo do projeto, pessoas com osteogênese imperfeita que fazem uso da cadeira de
rodas, através da pesquisa qualitativa. Observou-se então que em relação à questão básica que
é o vestir estes indivíduos ficam restritos nas suas escolhas, devido a estereótipos de biótipo e
a utilização de tabelas pouco abrangentes para a produção do vestuário. Com algumas
adaptações, como utilização de tabelas para tamanhos infantis, o vestuário passa a ser
inclusivo, podendo também ser utilizado por outras pessoas que tenham baixa estatura ou com
condição de nanismo, por exemplo. Além das adaptações nas aberturas que não impedem em
nada a utilização pelo restante da população, inclusive agregam valor estético a algumas
peças. Salienta-se a necessidade de testes por outras pessoas que utilizem cadeira de rodas e
não tenham mobilidade nos membros inferiores para comprovar a usabilidade dos
mecanismos aplicados e possíveis adaptações se necessário.
Em relação ao upcycling e a moda, observou-se a possibilidade de reutilização de
peças de roupas descartadas para a confecção de novas peças. Pensando em produção de
maior escala, pode-se criar peças padrão que tenham recortes determinados, para assim
aproveitar os tecidos e manter o caimento das peças. A produção ficaria restrita a quantidade
de peças geradas, impossibilitando de ser utilizado por uma empresa de fast fashion, por
exemplo, porém esse tipo de iniciativa faz justamente o caminho contrário das fast fashions,
por repensar os modos de consumo e contribuir com a sustentabilidade da cadeia de moda. É
fomentado assim o slow fashion, a valorização dos serviços e o consumo consciente,
fomentando também a economia local.
Conclui-se então que o trabalho atingiu seu objetivo através da discussão gerada,
deixando em aberto possíveis associações que possam advir dos termos apresentados, bem
55

como, principalmente pela criação de uma coleção cápsula inclusiva que fomenta tanto a
inclusão das diferenças na linguagem da moda como a produção mais consciente dos
impactos sociais e ambientais.
56

REFERÊNCIAS

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Acesso em: 28 abril 2018

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<http://www.coloquiomoda.com.br/anais/4-coloquio-de-moda-gt04_artigo-de-gt.php> Acesso
em: 11 jun 2017.
59

APÊNDICE A – Questionário para público-alvo

UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO


GRANDO DO SUL
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E ENGENHARIAS
CURSO DE DESIGN
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
MARCELE ADAM EIDT

QUESTIONÁRIO PARA O PÚBLICO-ALVO

O Trabalho de Conclusão de Curso tem como finalidade realizar uma coleção de vestuário
com temática inclusiva, sendo o público-alvo pessoas em cadeiras de rodas. Com o
questionário a seguir pretende-se melhor compreender as necessidades e dificuldades
enfrentadas pelo público-alvo do projeto em relação ao vestuário e para identificação e melhor
resolução dos problemas.
Sinta-se à vontade para escrever nas suas próprias palavras, o questionário foi realizado sem
alternativas, de forma aberta para que assim possa escrever e explicar tudo que precisar.
Desde já agradeço sua participação. Sua colaboração é de extrema importância.

1 - Comprar roupas para você é um problema? Qual (is) a(s) sua(s) maior(es) dificuldade(s)
em relação à roupa?
2 - Você costuma comprar ou mandar fazer suas roupas? Precisa de ajustes quando compra
pronta? Que tipo de ajustes?
3 - O que você mais presa na escolha das suas roupas (cor, modelo, material,...) e por quê?
4 - Possui algum estilo (ex.: casual, esportivo, social – descreva com suas palavras se
necessário)? Consegue roupas adequadas conforme o estilo?
5 - Tem modelo/ modelagem de roupa preferidos? Quais? Esse modelo é o que você mais
utiliza? Se não, cite qual mais utiliza.
6 - Que tipo de peça você gostaria de usar e não consegue por questões de modelagem da peça
e limitações em relação à cadeira de rodas? (Por ser desconfortável ou que atrapalhe na
locomoção, etc.).
7 - Tem algo que lhe incomoda em peças de roupa que você utiliza ou que deixa de utilizar
por causa dos “detalhes” e não da modelagem? (Exemplo: botões, fechos, zíperes)
8 - A numeração empregada nas peças de roupas atende as suas necessidades? Qual a
numeração que geralmente você usa? (Cite de calças/ bermudas, camisetas e casacos, se
possível).

Deixe comentários sobre questões que não foram abordadas no questionário que você acha
importante em relação ao tema, bem como sugestões e críticas.
60

APÊNDICE B – Respostas questionário para público-alvo

RESPOSTAS QUESTIONÁRIO PARA O PÚBLICO-ALVO

ENTREVISTADA 1

1 - Comprar roupas para você é um problema? Qual (is) a(s) sua(s) maior(es) dificuldade(s)
em relação à roupa?

Não, uma das dificuldades são os comprimentos das peças

2 - Você costuma comprar ou mandar fazer suas roupas? Precisa de ajustes quando compra
pronta? Que tipo de ajustes?

Costumo comprar,os ajustes são feitos na barra.

3 - O que você mais presa na escolha das suas roupas (cor, modelo, material,...) e por quê?

Todas as opções, gosto de peças com qualidade e estilo.

4 - Possui algum estilo (ex.: casual, esportivo, social – descreva com suas palavras se
necessário)? Consegue roupas adequadas conforme o estilo?

Gosto de peças conforme a ocasião, nas sociais encontro maior dificuldade, pois em alguns
modelos não tem como fazer ajustes.

5 - Tem modelo/ modelagem de roupa preferidos? Quais? Esse modelo é o que você mais
utiliza? Se não, cite qual mais utiliza.

Casual chic,uma mistura de peças de malha com short de alfaiataria .

6 - Que tipo de peça você gostaria de usar e não consegue por questões de modelagem da peça
e limitações em relação à cadeira de rodas? (Por ser desconfortável ou que atrapalhe na
locomoção, etc.).

No meu caso nunca encontrei tamanha dificuldade.

7 - Tem algo que lhe incomoda em peças de roupa que você utiliza ou que deixa de utilizar
por causa dos “detalhes” e não da modelagem? (Exemplo: botões, fechos, zíperes).

Sim, zíperes nas laterais.


61

8 - A numeração empregada nas peças de roupas atende as suas necessidades? Qual a


numeração que geralmente você usa? (Cite de calças/ bermudas, camisetas e casacos, se
possível).

Sim ,tamanho M e G em ambas as peças .

Deixe comentários sobre questões que não foram abordadas no questionário que você acha
importante em relação ao tema, bem como sugestões e críticas.

As perguntas foram bem elaboradas, não vejo necessidade,obrigada por desenvolver um


trabalho voltado para nós q possuímos algum tipo de limitação.

_________________________________________________________________________

ENTREVISTADA 2

1 - Comprar roupas para você é um problema? Qual (is) a(s) sua(s) maior(es) dificuldade(s)
em relação à roupa?

Na maioria das vezes sim, pois os modelos "em alta" na maioria das vezes é desproporcional
para meu corpo. Zíperes, decotes, golas muito largas, mangas com comprimeto muito grande.

2 - Você costuma comprar ou mandar fazer suas roupas? Precisa de ajustes quando compra
pronta? Que tipo de ajustes?

Depende muito da ocasião, se é roupa para o dia a dia eu compro sem problema algum,
mesmo sendo com um mdelo menor ou numero infantil. Agora, se é para eventos grandes
como casamentos, festas, e tal, eu mando fazer sim ou reformo o modelo totalmente para
minhas medidas.

3 - O que você mais presa na escolha das suas roupas (cor, modelo, material,...) e por quê?

Preso por cor, para combinar com o que já tenho em casa. Preso por modelo, pra ver se não
irá ficar desproporcional em minhas cicatrizes ou deformidades. E material "que estica" pois
tenho pouca mobilidade então preciso de algo fácil e que eu possa vestir e tirar com
facilidade, e sozinha que é mais importante rs

4 - Possui algum estilo (ex.: casual, esportivo, social – descreva com suas palavras se
necessário)? Consegue roupas adequadas conforme o estilo?
62

Eu sou mais social, gosto de estar vestida conforme o necessário para a ocasião, e na maioria
das vezes é bem dificil de ir conforme minhas necessidades.

5 - Tem modelo/ modelagem de roupa preferidos? Quais? Esse modelo é o que você mais
utiliza? Se não, cite qual mais utiliza.

Gosto de estar elegante, mas sempre opto por usar calça ou shorts, são meus preferidos. Mas
eu também estou abrindo mão para usar vestidos de vez enquanto.

6 - Que tipo de peça você gostaria de usar e não consegue por questões de modelagem da peça
e limitações em relação à cadeira de rodas? (Por ser desconfortável ou que atrapalhe na
locomoção, etc.).

Não sei se é possivel, mas eu nunca deixei de usar ou vestir algo por conta da cadeira de
rodas, eu sempre me permiti adaptar para satisfazer minha própria vontade.

7 - Tem algo que lhe incomoda em peças de roupa que você utiliza ou que deixa de utilizar
por causa dos “detalhes” e não da modelagem? (Exemplo: botões, fechos, zíperes).

unica coisa que me incomoda, é os modelos pequenos de roupa terem apenas estampas
infantis, de resto não me importa muito...

8 - A numeração empregada nas peças de roupas atende as suas necessidades? Qual a


numeração que geralmente você usa? (Cite de calças/ bermudas, camisetas e casacos, se
possível).

Algumas vezes sim. Calças 16, 34 ou P adulto, camisetas e 14 ou P adulto, e sapatos 28,29 ou
30. Tudo depende muito do modelo, o que exige várias e várias provas.

Deixe comentários sobre questões que não foram abordadas no questionário que você acha
importante em relação ao tema, bem como sugestões e críticas.

Acho que abordaram o suficiente, mas seria interessante falar também sobre lingeries, é algo
mais pessoal sim, mas seria bacana pensarem em modelos mais adultos em formato pequeno,
como sutiã com bolha ou estampas mais femininas do que borboletinhas e coisas assim ...

_________________________________________________________________________
63

ENTREVISTADA 3

1 - Comprar roupas para você é um problema? Qual (is) a(s) sua(s) maior(es) dificuldade(s)
em relação à roupa?

Em alguns aspectos é um problema sim. Consigo comprar na área de adulto, tamanhos p ou


pp. Consigo usar normalmente, entretanto a maioria precisa de ajuste ou nas alças ou no
comprimento da calça ou saia.

2 - Você costuma comprar ou mandar fazer suas roupas? Precisa de ajustes quando compra
pronta? Que tipo de ajustes?

Costumo comprar. Sim, no comprimento de vestidos, calças e ajuste de alças de camisas e


afins.

3 - O que você mais presa na escolha das suas roupas (cor, modelo, material,...) e por quê?

Um conjunto de fatores; Tem de ser de bom material, um modelo que me cative e que eu
possa combinar com várias outras peças e o tamanho, nada largo demais ou apertado demais,
na medida. Sendo assim, não tenho especificamente um tamanho exato, as vezes é P ou PP ou
até mesmo M, dependendo da peça.

4 - Possui algum estilo (ex.: casual, esportivo, social – descreva com suas palavras se
necessário)? Consegue roupas adequadas conforme o estilo?

Sim, consigo roupas adequadas conforme o estilo. Sou uma mistura do social com o casual.
Gosto de colocar um jeans com um blazer de caimento. Vai muito do momento, gosto de
roupas com cor, mas nada com muita estampa ou muita mistura no mesmo conjunto.

5 - Tem modelo/ modelagem de roupa preferidos? Quais? Esse modelo é o que você mais
utiliza? Se não, cite qual mais utiliza.

Não tenho um modelo preferido de modelagem, mas utilizo mais no momento roupas com
caimento.

6 - Que tipo de peça você gostaria de usar e não consegue por questões de modelagem da peça
e limitações em relação à cadeira de rodas? (Por ser desconfortável ou que atrapalhe na
locomoção, etc.).
64

Macacão, é uma peça que já ousei experimentar. Apesar de não ser minha primeira opção, é
algo que gostaria de tentar mais vezes, entretanto, por conta de que temos que tirar por um
todo a roupa caso necessitemos de ir ao banheiro, por exemplo, complica um pouco mais por
ficarmos sentadas.

7 - Tem algo que lhe incomoda em peças de roupa que você utiliza ou que deixa de utilizar
por causa dos “detalhes” e não da modelagem? (Exemplo: botões, fechos, zíperes).

Sim. Uso mais bermudas de panos mais moles, pois os mais resistentes atrapalham um pouco
assim como os botões muito grandes ou detalhes de bolsos atras (inúteis – na minha visão),
pois não vamos usar o bolso atrás.

8 - A numeração empregada nas peças de roupas atende as suas necessidades? Qual a


numeração que geralmente você usa? (Cite de calças/ bermudas, camisetas e casacos, se
possível).

Calças e Bermudas, depende muito do formato mas é entre 36 e 38. Então consigo encontrar
bastante. Camisas normalmente são P ou PP. E casacos a mesma coisa, P ou no máximo M.

Deixe comentários sobre questões que não foram abordadas no questionário que você acha
importante em relação ao tema, bem como sugestões e críticas.

O vestuário de um portador com deficiência não pode se ater ao que temos e encontramos e
pronto. Tem de sim ser ajustado ou já comprado da forma que devemos usa-lo, pois também
mostra a nossa vaidade e nos eleva em auto estima. Uma boa combinação de peças de roupas
e acessórios podem sim mudar o seu dia e da forma como encara ele. Precisamos de mais
roupas e principalmente SAPATOS de tamanhos corretos para a gente com um preço
acessível. Mandar fazer é de um custo enorme, porque não ter nas lojas aquela medida
especial? Não precisa de toda uma personalização, apenas precisamos de roupas para pessoas
que são até mesmo de estatura baixa e com uma modelagem moderna e não infantil como é o
que mais tem.

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ENTREVISTADA 4

1 - Comprar roupas para você é um problema? Qual (is) a(s) sua(s) maior(es) dificuldade(s)
em relação à roupa?
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Sim, pois em razão da minha baixa estatura tenho que recorrer ao setor infantil e, dessa forma,
tenho dificuldade em encontrar peças que se adequem ao meu tamanho, mas também ao meu
estilo e à minha idade.

2 - Você costuma comprar ou mandar fazer suas roupas? Precisa de ajustes quando compra
pronta? Que tipo de ajustes?

Sim, os ajustes mais comuns que costumo fazer são: barra da calça ou do vestido, ajuste das
mangas e, em razão de uma severa escoliose que possuo, preciso alargar algumas camisas na
parte do tronco ou estreitar na parte do busto.

3 - O que você mais presa na escolha das suas roupas (cor, modelo, material,...) e por quê?

Modelo e material. O primeiro porque eu busco por modelos que atendam ao meu estilo, mas
que também valorizem os meus atributos, a exemplo de peças que alonguem minha silhueta
e/ou disfarcem a minha escoliose. O segundo porque eu busco por tecidos mais maleáveis e
que tenham um melhor caimento em mim e na cadeira; uma vez que tecidos mais duros ou
rígidos não ficam visualmente bonitos no corpo e nem confortáveis.

4 - Possui algum estilo (ex.: casual, esportivo, social – descreva com suas palavras se
necessário)? Consegue roupas adequadas conforme o estilo?

Meu estilo é clássico e casual. Nem sempre e quando preciso (ou desejo) uma peça que não
encontro sou obrigada a mandar alguém confeccioná-la.

5 - Tem modelo/ modelagem de roupa preferidos? Quais? Esse modelo é o que você mais
utiliza? Se não, cite qual mais utiliza.

Substitui as calças jeans por leggings, pois, além de serem mais confortáveis, se ajustam
melhor ao meu corpo e o cós de elástico causa menos atrito à minha pele. E, por conta da
minha escoliose, costumo marcar minha cintura – vestidos, blusas e camisas – abaixo do
busto, ou seja, opto pelo modelo cintura império.

6 - Que tipo de peça você gostaria de usar e não consegue por questões de modelagem da peça
e limitações em relação à cadeira de rodas? (Por ser desconfortável ou que atrapalhe na
locomoção, etc.).
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Eu não uso macacões, pois, além da peça não ficar visualmente bem para quem fica
constantemente sentada, se trata de uma roupa que dá muito trabalho na hora de ir ao
banheiro, já que tenho que tirar e colocar ela de uma só vez.

7 - Tem algo que lhe incomoda em peças de roupa que você utiliza ou que deixa de utilizar
por causa dos “detalhes” e não da modelagem? (Exemplo: botões, fechos, zíperes).

Botões grandes na parte das costas, pois o detalhe pode machucar a pele que fica em contato
direto com o encosto da cadeira de rodas. Calças com detalhes na parte traseira e quando o
cós é largo ou feito de um material mais duro ou rígido.

8 - A numeração empregada nas peças de roupas atende as suas necessidades? Qual a


numeração que geralmente você usa? (Cite de calças/ bermudas, camisetas e casacos, se
possível).

Não, pois a minha numeração não corresponde a minha idade biológica e, além disso, cada
marca possui uma numeração própria, ou seja, não existe no Brasil uma numeração padrão e
isso me obriga a experimentar toda peça em uma loja ou de não fazer comprar online com
medo da peça não servir em mim. No geral, eu visto tamanho 6 ou 8 para blusas, camisas,
casacos e vestidos. Calças, shorts e saias são, geralmente, do tamanho 6 ou 4.

Deixe comentários sobre questões que não foram abordadas no questionário que você acha
importante em relação ao tema, bem como sugestões e críticas.

Nada a declarar.

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ENTREVISTADA 5
1 - Comprar roupas para você é um problema? Qual (is) a(s) sua(s) maior(es) dificuldade(s)
em relação à roupa?

Sim, comprar roupas para mim nem sempre foi fácil. A principal dificuldade é não encontrar
roupa do tamanho certo que não tenha que ser ajustada. A única peça que eu não preciso
ajustar é vestido curto, se eu encontro ele de um comprimento bom, se não também ajusto.
Outra dificuldade são as lojas com provadores apertados e que não entram a cadeira, ou até
espelhos muito altos que não aparecem o corpo inteiro.
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2 - Você costuma comprar ou mandar fazer suas roupas? Precisa de ajustes quando compra
pronta? Que tipo de ajustes?

Eu prefiro comprar minhas roupas prontas, mesmo que tenha que ajustar. Os ajustes certos
que tenho que fazer são as barras das calças, sempre tenho que tirar um pouco, além de
algumas peças ter que ajustar nas laterais para ficar skinny, até mesmo calça de pijama eu
ajusto a barra. Calça flare não pude usar porque se eu comprasse uma teria que ajustar a barra
e sairia o flare, ou calças que tenham detalhes na barra também não uso. Casacos se possível
geralmente tenho que cortar as mangas e muitas vezes um pouco do comprimento, por
exemplo comprei um blazer esses dias, tive que tirar no comprimento pois tenho o troco
menor e sobrava muito tecido nas laterais da cadeira e não ficava bonito como é a proposta do
blazer. Esses são os principais ajustes que tenho que fazer, barra e comprimento de manga, as
vezes comprimento do troco. Vestidos a maioria dão certo o comprimento, mas se precisar eu
tiro um pouco.

3 - O que você mais presa na escolha das suas roupas (cor, modelo, material,...) e por quê?

O que eu mais preso é algo do meu estilo. Cores mais alegres e vivas, exceto amarelo, e
materiais procuro tecidos mais encorpados, que dão mais estrutura a roupa dependendo da
peça. Não gosto de tecidos leves, como crepe, seda, e afins, eles não tomam forma no corpo
como eu fico a maior parte do tempo sentada, e esse excesso de tecido que cai dos lados,
como em vestidos rodados também não fica bom, acaba atrapalhando na cadeira, podendo até
enroscar.

4 - Possui algum estilo (ex.: casual, esportivo, social – descreva com suas palavras se
necessário)? Consegue roupas adequadas conforme o estilo?

Meu estilo é bem variado, me visto conforme o humor, mas posso dizer que é casual e
clássico. Gosto de roupas tendências, mas aquelas que acho que ficariam boas para mim.
Consigo roupas adequadas para meu estilo, mas sempre fazendo ajustes.

5 - Tem modelo/ modelagem de roupa preferidos? Quais? Esse modelo é o que você mais
utiliza? Se não, cite qual mais utiliza.

Calça jeans, camiseta e blusa é o que eu mais uso, pela praticidade. No verão gosto de usar
vestido retos ou mais justos no corpo e shorts. Acho lindo também calças de alfaiataria, calças
mais soltas, mas não sei como usar e ainda não encontrei uma que dê certo.
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6 - Que tipo de peça você gostaria de usar e não consegue por questões de modelagem da peça
e limitações em relação à cadeira de rodas? (Por ser desconfortável ou que atrapalhe na
locomoção, etc.).

Vestido rodado tipo princesa sempre quis usar, pois acho lindo, mas não consigo por causa da
cadeira, muito tecido na saia e o volume, coisas que atrapalhariam. Vestido longo também
gostaria de usar. Então sempre opto pelos vestidos retos que ficam mais ajustados ao corpo.
Macacão, é muito trabalhoso para vestir por exemplo, na hora ir ao banheiro ter que ficar
tirando, acho um saco. Também, roupas com muito tecido, como vestidos muito fluídos,
tecido embola na hora de sentar e sobra muito nas laterais da cadeira. Saia também é uma
peça que não gosto de usar, tenho a impressão que fica subindo e não em sinto bem. Shorts
muito curto também não uso e não gosto de vestir, realmente é desconfortável. Casacos,
sobretudo, muito compridos que acaba sentando em cima, é desconfortável e a peça não se
ajeita no corpo. Calças que tenham detalhe atrás ou muito perto do cós atrapalha ou cintura
baixa é muito ruim de usar. Meu maior problema com tecidos é em relação a vestidos. Camisa
é outra peça que gostaria de usar mais não consegui me encontrar ainda, algumas são muito
longas e não ficam bonitas.

7 - Tem algo que lhe incomoda em peças de roupa que você utiliza ou que deixa de utilizar
por causa dos “detalhes” e não da modelagem? (Exemplo: botões, fechos, zíperes).

Zíper acho ruim em algumas peças quando ele fica estufado e não fica reto, como na maioria
dos casacos, mas não me atrapalha tanto. Velcro eu não gosto. Gosto de peças com elástico,
facilita na hora do uso, é mais confortável. Não gosto também de peças que tenham algum
detalhe nas costas, pois como fico sentada não aparece devido ao encosto da cadeira, além que
dependendo do detalhe incomoda. Calças com detalhes nos bolsos tanto da frente como de
trás. Calças que o bolso da frente não seja costurado, tanto jeans como outros tecidos, ao
sentar o bolso fica aberto, não fica bonito. Ou com muitos detalhes na região da cintura e do
cós sempre evito usar.

8 - A numeração empregada nas peças de roupas atende as suas necessidades? Qual a


numeração que geralmente você usa? (Cite de calças/ bermudas, camisetas e casacos, se
possível).

Não atende a minha necessidade, o que serve no tronco as vezes não serve nas mangas, ou os
ombros ficam caídos. O que serve nas pernas as vezes não serve na cintura, ou fica muito
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comprido ou a roupa não se ajeita mesmo. Agora eu achei uma numeração de calça jeans que
dá mais certo e preciso fazer pouquíssimos ajustes, uso 14 ou 16 (infantil, dependendo da
marca e da modelagem varia o tamanho) dependendo da peça ajusto só comprimento da barra,
por ser numeração infantil estou tendo problema com modelos, principalmente para encontrar
uma peça que não pareça tão infantil. Agora estou atrás de uma calça de alfaiataria e uma
jogger, ainda não encontrei. Se for legging ou outro tipo de tecido que não seja jeans eu
consigo encontrar o P adulto.

Deixe comentários sobre questões que não foram abordadas no questionário que você acha
importante em relação ao tema, bem como sugestões e críticas.

Acho que não somente peças voltadas para a praticidade do dia a dia mas também ter maior
disponibilidade de roupas tendências. Seria muito legal se tivesse uma consultoria de moda
voltada para esses casos. Porque eu gostaria de vestir roupas mais tendências, mas não sei o
que ficaria bom ou legal é sempre voltado muito para o básico e o normal. Até mesmo os
recortes das roupas quais ficariam mais legais de usar, dicas mais voltadas para quem fica
mais tempo sentada, seria bem importante e bem legal. Outro problema são os calçados, a
minha numeração é infantil, achar calçados que me sirvam e que não seja de personagem
infantil é a parte mais difícil. Além do conforto. Há alguns sites que tem numeração especial,
porém os modelos não são muito bonitos ou práticos.
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APÊNDICE C – Ficha Técnica Colete Patch


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APÊNDICE D – Ficha Técnica T-shirt Don`t Label


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APÊNDICE E – Ficha Técnica Blusa Crop


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APÊNDICE F – Ficha Técnica Ficha Técnica Jaqueta Sporty


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APÊNDICE G – Ficha Técnica Short Jogger


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APÊNDICE H – Ficha Técnica Calça Alfaiataria