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MANUAL DE FORMAÇÃO

CURSO DE APRENDIZAGEM
TÉCNICO/A COMERCIAL

DOMÍNIO DE FORMAÇÃO: ECONOMIA

UFCD: 6700 – AGENTES ECONÓMICOS E ATIVIDADES ECONÓMICAS

Área de Formação: 341 – Comércio

Entidade Formadora: Ensibriga Educação e Formação, Lda

Formador/a: Rosa Paulo


ÍNDICE GERAL
Resultados da Aprendizagem ................................... Erro! Marcador não definido.
1.Atividade económica ................................................................................... 5
1.1.Conceito ................................................................................................... 5
1.2.Tipos ....................................................................................................... 6
2.Principais intervenientes na atividade económica ...................................... 8
2.1.Agentes económicos................................................................................. 8
3.Relações entre agentes económicos ........................................................... 9
3.1.Circuito económico ................................................................................... 9
4.Objetivos da atividade económica............................................................. 10
4.1.Necessidades.......................................................................................... 10
4.1.1.Conceito ............................................................................................... 10
4.1.2.Características ...................................................................................... 10
4.1.3.Tipos.................................................................................................... 11
4.1.4.Classificação quanto à importância ......................................................... 11
4.1.5. Classificação quanto ao custo na aquisição ............................................. 11
4.2.Correspondência entre o desenvolvimento tecnológico e a manifestação
de novas necessidades ................................................................................. 12
4.3.Bens ....................................................................................................... 12
4.3.1.Conceito ............................................................................................... 12
4.3.2.Bens livres ............................................................................................ 13
4.3.3.Bens económicos (produtos e serviços) ................................................... 13
4.4.Classificação de bens económicos .......................................................... 13
4.4.1.Quanto à função ................................................................................... 13
4.4.2.Quanto a sua duração ........................................................................... 14
4.4.3.Quanto a sua relação com outros bens.................................................... 14
5.Produção de bens e serviços ..................................................................... 15
5.1.Noção ..................................................................................................... 15
5.2.Sectores de atividade económica ........................................................... 15
5.3.Produto Interno Bruto (PIB) .................................................................. 16
5.4.Produção ................................................................................................ 16
5.5.Fatores de produção ............................................................................... 16
6.Distribuição ............................................................................................... 19
6.1.Conceito ................................................................................................. 19
6.2. Importância da distribuição na atualidade............................................ 19
6.3.Circuitos de distribuição ......................................................................... 19
6.3.1.Conceito ............................................................................................... 19
6.3.2.Tipos (ultra curtos, curtos e longos)........................................................ 20
7.Comércio ................................................................................................... 21
7.1.Conceito ................................................................................................. 21
7.2.Tipos (ou formatos) ................................................................................ 21
7.2.1.Independente ....................................................................................... 21
7.2.2.Associado ............................................................................................. 22
7.2.3.Integrado (sucursais, franchising, grandes superfícies e grandes superfícies
especializadas) .............................................................................................. 22
7.3.Método de vendas .................................................................................. 23
7.3.1.Venda direta ......................................................................................... 23
2
7.3.2.Cibervenda ........................................................................................... 23
7.3.3.Venda automática ................................................................................. 24
7.3.4.Venda por catálogo ............................................................................... 24
8.Consumo ................................................................................................... 25
8.1.Conceito ................................................................................................. 25
8.2. Influência dos preços e do rendimento no consumo ............................. 25
8.3.Tipos....................................................................................................... 26
8.3.1.Final/Intermédio ................................................................................... 26
8.3.2.Essencial/supérfluo ................................................................................ 26
8.4.Fatores explicativos ............................................................................... 26
8.4.1.Rendimento .......................................................................................... 26
8.4.2.Preços .................................................................................................. 26
8.4.3.Moda ................................................................................................... 27
8.4.4. Publicidade .......................................................................................... 27
8.5.Consumismo ........................................................................................... 27
8.5.1.Conceito ............................................................................................... 27
8.5.2.Consequências – endividamento e problemas ambientais.......................... 27
8.6.Consumerismo e o movimento dos consumidores ................................. 28
8.7.Direitos e deveres dos consumidores ..................................................... 28
9. Mercados e preços .................................................................................... 29
9.1.Conceito de mercado .............................................................................. 29
9.2.Componentes de mercado ...................................................................... 29
9.3.Estruturas dos mercados de bens e serviços .......................................... 29
9.3.1.Concorrência perfeita............................................................................. 29
9.3.2.Concorrência Imperfeita (monopólio, oligopólio e concorrência
monopolística) ............................................................................................... 30
9.4.Mercado de concorrência perfeita .......................................................... 32
9.4.1.Oferta e Lei da oferta ............................................................................ 32
9.4.2.Procura e lei da procura ......................................................................... 34
9.4.3.Equilíbrio do mercado: Preço de Equilíbrio ............................................... 35
9.5.Preço:Factores que influenciam a formação dos preços......................... 39
9.5.1.Custos de produção ............................................................................... 39
9.5.2.Mecanismos de mercado ........................................................................ 41
9.5.3.Outros .................................................................................................. 42
10.Moeda...................................................................................................... 45
10.1.Evolução da moeda .............................................................................. 45
10.1.1.Troca direta ........................................................................................ 45
10.1.2.Troca indireta...................................................................................... 46
10.2.Funções ................................................................................................ 46
10.3.Tipos de moeda na atualidade .............................................................. 47
10.4.Novas formas de pagamento ................................................................ 49
10.4.1.Desmaterialização da moeda ................................................................ 49
Bibliografia ................................................................................................... 50

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FICHA TÉCNICA DO SUPORTE

Curso: Técnico (a) Comercial

Destinatários: Este curso de Aprendizagem dirige-se a todos aqueles que tenham como
habilitações mínimas o 9º ano, desempregados, com idades compreendidas entre os 15 e os
24 anos.

Conteúdos (tipo):
x Textos de enquadramento teórico dos conteúdos/temas
 Tabelas, gráficos, quadros e/ou figuras de apoio aos textos teóricos
 Exercícios e/ou actividades de aprendizagem para execução autónoma por
parte do utilizador (formando)
 Propostas de resolução dos exercícios
x Organizados conteúdos em capítulos
 Ilustrações de orientação para a execução de determinadas operações (numa
lógica demonstrativa)
 Glossário
 Legislação (extractos relevantes para a formação em causa)
 xBibliografia
 Links de interesse

Exploração esperada por parte do utilizador:


 Durante a formação, como suporte de apoio às actividades dos planos de
sessão
 Durante a formação, como forma de aprofundamento da aprendizagem
realizada em sala
 Após a formação, como ferramenta de apoio à transferência do aprendido
para o posto de trabalho

O suporte pode ser utilizado numa lógica de auto-aprendizagem autónoma pelos


formandos?
 Sim  Não  Apenas nalguns capítulos

Autor:

Data de entrega para validação: ____ / ____ / ________

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1. Atividade económica

1.1. Conceito

A economia é o sistema consolidado de atividades humanas relacionadas com a


produção, distribuição, troca e consumo de bens e serviços de um país ou outra área.
A atividade económica gera riqueza através da extração, transformação e distribuição
de recursos naturais, bens e serviços, tendo como objetivo satisfazer as necessidades
humanas.
A economia é inseparável da evolução tecnológica, da história da civilização, da
organização social, da geografia e da ecologia do planeta Terra.

Objeto de estudo: Qual a perspetiva própria da realidade social que a Economia


pretende estudar?

Questões que interessam à Economia:


• Produção
• Consumo
• Distribuição - Tentar encontrar soluções
• Poupança
• Repartição da riqueza
• Satisfação das necessidades da população
• Maximização do seu bem-estar

O problema económico
Encontramo-nos perante uma situação contraditória: de um lado, a multiplicidade das
nossas necessidades, que são ilimitadas; do outro, a escassez dos recursos capazes de
as satisfazer. É aqui que reside o problema fundamental da economia.
A Racionalidade Económica consiste na gestão eficaz dos recursos de modo a obter-se
o máximo benefício.

O custo de oportunidade
Custo de oportunidade: custa da alternativa que tem de ser sacrificada para se obter
um bem ou benefício.

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1.2. Tipos

Os tipos ou setores da atividade económica corresponde a uma divisão das atividades


económicas de cada país, de acordo com a essência da tarefa em questão. Estão no
mesmo setor instituições que produzam bens ou prestem serviços de uma mesma
classe.

Tradicionalmente divide-se a economia de cada país em três setores:


• Primário - compreende as atividades ligadas à natureza: agricultura,
silvicultura, pescas, pecuária, caça ou indústrias extrativas;

6
• Secundário - engloba as atividades industriais transformadoras, a construção,
a produção de energia;
• Terciário (ou dos serviços) - engloba o comércio, o turismo, os transportes e
as atividades financeiras.

Vários autores propõem a individualização do ensino e da investigação do sector


terciário, formando estas duas atividades o setor quaternário. No entanto, esta
metodologia não tem sido grandemente seguida.
Existe uma relação entre o nível de desenvolvimento de um país e a distribuição da sua
população ativa pelos três setores.
De facto, quanto maior for a população ativa a trabalhar no setor primário, mais
atrasado economicamente deverá ser o país. À medida que ele se vai desenvolvendo, a
sua população vai sendo transferida para os setores industrial e de serviços.

7
2. Principais intervenientes na atividade económica

2.1. Agentes económicos

A sociedade é constituída por uma multiplicidade de agentes económicos.


Os agentes económicos são indivíduos, instituições ou conjunto de instituições que,
através das suas decisões e ações, tomadas racionalmente, influenciam de alguma
forma a economia.
Os agentes económicos são classificados de acordo com o critério funcional que se
baseia nas principais funções exercidas pelos agentes económicos na atividade
económica.

Funções:

Famílias:
• Consumo: utilização de bens e serviços na satisfação de necessidades
• Poupança: parte do rendimento que não é utilizada no consumo

Empresas:
• Repartição dos rendimentos: distribuição das mais-valias geradas durante o
processo produtivo pelos diversos intervenientes nessa atividade, conforme a
sua participação no processo
• Produção: processo através do qual se obtém os bens e serviços
• Distribuição: conjunto das operações que permitem encaminhar um produto
da fase final da fabricação para a fase do consumidor ou do utilizador

Estado:
• Satisfação das necessidades coletivas da população (produção de B&S)
• Redistribuição dos rendimentos: ação que consiste em tornar possuidor de um
rendimento um determinado número de indivíduos que pela sua atividade ou
qualificação não o teria recebido espontaneamente (minimizar as desigualdades
económicas e sociais)

Resto do mundo:
• Conjunto dos agentes económicos não residentes que estabelecem relações
económicas com residentes.

Cada um dos agentes económicos utiliza os rendimentos recebidos para efetuar os


seus consumos ou constituindo uma poupança.

8
3. Relações entre agentes económicos

3.1. Circuito económico

O circuito económico representa a atividade económica e a forma como se


estabelecem as relações entre os agentes económicos.
Existem duas espécies de agentes económicos, os micro-sujeitos, unidades individuais
de produção (empresa) ou de consumo (individuo/família), e os macro-sujeitos que
agregam todas as unidades individuais que exercem a mesma função, no âmbito da
atividade económica.
Nesta situação, quando falamos, por exemplo, em Famílias ou em Empresas, queremos
referir o conjunto de todas as famílias e de todas as empresas de determinado país ou
região.
À Economia interessa o comportamento dos macro-sujeitos. Os agentes económicos
são as Famílias, cuja principal função na atividade económica é de consumir, as
Empresas cuja função principal é a produção de bens e serviços não financeiros, as
Instituições Financeiras que prestam serviços financeiros, como o financiamento aos
que pretendem produzir, adquirir algo e não o conseguem suportar por si, onde
depositamos as nossas poupanças, a Administração Pública (Estado), que garante a
satisfação das necessidades coletivas da população e o Resto do Mundo (Exterior) com
os quais trocamos bens, serviços e capitais, pois nenhum país sobrevive sozinho,
estabelecendo-se relações com os restantes países.

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4. Objetivos da atividade económica

4.1. Necessidades

4.1.1. Conceito

Como referido, a atividade económica consiste no conjunto dos atos realizados pelo
homem que têm como objetivo a satisfação das necessidades, desejos e interesses do
homem, particularmente através do consumo, mediante a produção, a distribuição e o
intercâmbio de bens e serviços.

Necessidade humana relevante para a análise económica é todo e qualquer estado de


carência, simples apetência ou de insatisfação que move o indivíduo (ou o grupo
social) a procurar obter coisas (ou aprestação de serviços) que julga capazes de
preencher esse vazio ou a fazer cessar esse estado de insatisfação.
O objetivo da atividade económica é satisfazer as necessidades através da produção. O
termo necessidade é utilizado muito frequentemente no nosso quotidiano e designa,
geralmente, um estado de carência ou de mal-estar que se sente pela falta de
qualquer coisa ou pela não realização de qualquer ato, por exemplo, a necessidade de
comer ou de ir ao cinema.
Contudo, na terminologia económica, a noção de necessidade engloba tudo aquilo que
se deseja, desde uma refeição num restaurante até uma jóia mais cara

4.1.2. Características

As necessidades humanas são múltiplas e variam no tempo e no espaço. Existe uma


enorme diversidade de necessidades que apresentam as seguintes características:
• Multiplicidade: diz respeito ao facto do indivíduo sentir necessidades ilimitadas
(múltiplas). Segundo o psicólogo americano Maslow, as necessidades podem
ser hierarquizadas em níveis diferentes, desde as fundamentais, como a
alimentação, Às de nível superior, onde se inclui a realização pessoal.
• Substituibilidade: significa que as mesmas necessidades podem ser satisfeitas
por bens alternativos (que se substituem uns aos outros).
• Sociabilidade: significa que a intensidade de uma necessidade vai diminuindo à
medida que a vamos satisfazendo, acabando por desaparecer.
• Relatividade: enquanto factos sociais, as necessidades variam temporal e
geograficamente, isto é, são relativas ao tempo e ao espaço.

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4.1.3. Tipos

As necessidades podem ser classificadas nos seguintes tipos:


1. Quanto a importância
2. Quanto ao custo na aquisição
3. Quanto à abrangência
4. Quanto ao processo de aquisição

4.1.4. Classificação quanto à importância

Quanto à importância as necessidades podem ser:


1. Básicas ou Primárias – São aquelas necessidades sem as quais o homem não
vive. Ex: Alimentação, Vestuário, Saúde, etc.
2. Secundárias ou não essenciais – São aquelas que apesar de serem
importantes delas não dependem a vida do homem, e podem ser adiadas para
secundo plano. Ex: Cultura e lazer, educação, desporto e turismo.

4.1.5. Classificação quanto ao custo na aquisição

Quanto ao custo na aquisição as necessidades podem ser:

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1. Económicas: Aquelas que para satisfazer necessitam da intervenção da
moeda, Ex: Pão, sapato, peixe, etc.
2. Não Económicas: Aquelas que para satisfazer não necessitam a intervenção
da moeda. Ex: o ar, praia. etc.

4.2. Correspondência entre o desenvolvimento tecnológico e


a manifestação de novas necessidades

À medida que a sociedade evolui e novas situações são descobertas e possíveis, o


homem deseja coisas novas e diferentes. Pode-se dizer que á medida que o mundo
evolui, o homem procura coisa novas, fazendo estas parte das suas necessidades
atuais.
Compreender este fenómeno é tão simples como analisar o que as pessoas tinham e
precisavam há uns anos para serem felizes, e o que têm e precisam atualmente. Este
desejo ou necessidade faz evoluir o mundo.

4.3. Bens

4.3.1. Conceito

“Bem é tudo aquilo que permite satisfazer uma ou várias necessidades humanas.”

Os bens materiais são coisas ou objetos com realidade material (da esferográfica ao
avião). Podem-se ver, apalpar e sentir.
Os serviços (bens imateriais) são atividades humanas cuja realidade, na maior parte
dos casos, se esgota no momento em que acabam de ser prestados. É o caso dos
serviços de transporte, de um espetáculo, de uma aula, de um programa de televisão.
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4.3.2. Bens livres

São aqueles que existem em quantidade ilimitada e podem ser obtidos com pouco ou
nenhum esforço humano, ou seja, sua utilização não implica relações de ordem
económica.
Bens Livres não possuem preço, isto é, tem preço zero, como o mar, a luz solar, o ar.
O ar é um bem livre, pois a terra oferece ar para todas as pessoas em quantidades
maiores do que as desejadas por todos os indivíduos.

4.3.3. Bens económicos (produtos e serviços)

São relativamente escassos e supõe a ocorrência de esforço humano na sua obtenção,


por esse motivo, possuem preço, ou seja, preço maior que zero.

4.4. Classificação de bens económicos

Para além da classificação de bens económicos os bens podem-se ainda classificar de


acordo com os critérios:
• Quanto à função
• Quanto à duração
• Quanto à relação com outros bens

4.4.1. Quanto à função

Bens de consumo – Aquele bem que destina ao consumo final, esta pronto a ser
consumido. Ex: pão, manga.
Bens de Produção – São aqueles bens utilizados na produção de outros, sofrem
uma alteração. Ex: farinha, a manga para a produção do sumo de manga.

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4.4.2. Quanto a sua duração

Bens duradouros – Aquele que ao satisfazerem uma necessidade não perdem as


suas qualidades iniciais: uma casa. etc.
Bens não duradouros – São aqueles que ao satisfazerem as suas necessidades
perdem as suas qualidades iniciais. Ex: O combustível.

4.4.3. Quanto a sua relação com outros bens

Bens complementares – São aqueles que se complementam, não se utilizam


sem a utilização de outros. Ex: o carro e as rodas; ou combustível.
Bens sucedâneos ou substituíveis – Aqueles que se podem substituir para
uma satisfação idêntica: Ex: Margarina e a manteiga

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5. Produção de bens e serviços

5.1. Noção

Produzir consiste em criar bens e serviços. A produção designa a atividade económica


que consiste em criar bens e serviços. A produção aparece de início como resultado de
um trabalho produzido pelo homem.

5.2. Sectores de atividade económica

A classificação da atividade económica em três sectores é devida ao economista


australiano Colin Clark nos anos 40. Um sector compreende então o conjunto das
empresas que têm a mesma atividade principal, tendo cada empresa uma única
atividade principal.

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O sector primário corresponde ao conjunto das atividades produtoras de matérias-
primas (agricultura, minas).

O sector secundário diz respeito às atividades industrial considerado em sentido lato


(energia, industrias agroalimentares, industria de bens de produção e de bens de
consumo, construção e obras públicas).

O sector terciário inclui todas as atividades que não estão classificadas nos dois outros
sectores. Trata-se dos serviços, quer sejam mercantis (comércio, transportes e
telecomunicações, turismo, serviços prestados às empresas e às famílias) ou não
mercantis (saúde, por exemplo).

Os serviços são bens imateriais que podem se produzidos em todos os tipos de


atividades. Certas medidas de produção fizeram da produção destes bens a sua
atividade principal.

Distingue-se hoje, por vezes, um subconjunto do sector terciários chamado “sector


quaternário”, incluindo o conjunto dos serviços ligados à informação e à comunicação
(imprensa, informática, publicidade, etc.).

5.3. Produto Interno Bruto (PIB)

O produto interno bruto (PIB) representa a soma (em valores monetários) de


todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região (países ou
cidades), durante um período determinado (mês, trimestre, ano, etc.). O PIB é um dos
indicadores mais utilizados para medir a atividade económica de uma região.

5.4. Produção

Produção: é a atividade do Homem sobre a Natureza com vista à obtenção dos bens e
dos serviços necessários à satisfação das suas necessidades.
Processo produtivo: sequência de etapas através das quais as matérias-primas são
transformadas em produtos finais.

5.5. Fatores de produção

Para realizar a atividade produtiva, o Homem necessita de dispensar energia física e


intelectual (trabalho), de assegurar a utilização de outros bens (capital), não
esquecendo as matérias-primas.

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Os Fatores de Produção são limitados e escassos, ou seja, não existem em quantidade
suficiente para produzir todos os bens desejados pela sociedade.
Trabalho
Mão-de-obra: todo esforço humano, físico ou mental, despendido na produção de bens
e serviços. Como o trabalho no sentido econômico do serviço prestado de um médico,
do operário da construção civil, a supervisão de um gerente de banco, o trabalho de
um agricultor no campo.

Capital técnico (fixo e circulante)


São várias as aceções do termo capital. É constituído por tudo o que participa no
processo produtivo com exceção dos recursos naturais e do trabalho.

Capital Circulante: Constituída por Meios de produção não duradouros (matérias


primas e matérias subsidiárias que desaparecem por que são incorporadas nos
produtos acabados).

Capital Fixo: Constituída por Meios de produção duradouros utilizados várias vezes e
que permitem a realização do processo produtivo por vários períodos, mas que sofrem
um natural desgaste devido ao uso e ao clima. Ex: Edifícios e equipamentos

Capital Humano
Designa o conjunto das capacidades economicamente produtivas de um individuo,
nomeadamente a sua instrução e formação

Capital Natural
Referente aos recursos naturais disponíveis e utilizados no processo produtivo

Recursos Naturais Renováveis


Os recursos naturais ou reservas naturais constituem a base sobre a qual se exercem
as atividades dos demais recursos, pois se encontram na origem de todo o processo de
produção.
Compreende todos recursos da natureza, como florestas, recursos minerais e hídricos,
energia solar, ventos, marés, a gravidade da Terra, que são utilizados na produção de
bens econômicos.

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Texto de Apoio
A escassez dos recursos naturais
Com a passagem dos tempos, o homem modifica a disponibilidade dos recursos
naturais pela descoberta de novos usos para os recursos que, antes, tinham pequena
ou nenhuma aplicação económica para eles. Alguns recursos hoje essenciais para o
Homem eram, no passado, de pequena importância – há cem anos o petróleo
dificilmente poderia ser encarado como recurso de extremo significado, a ponto de a
sua falta ser capaz de provocar a quase paralisia de todo o processo produtivo da
moderna economia.
Quando o estado tecnológico é alterado pela inovação as características económicas, e
muitas vezes, também físicas, de um dado recurso natural, podem ser igualmente
alteradas. Novas tecnologias de perfuração podem aumentar os recursos de petróleo e
de gás, novas sementes podem proporcionar aumentos substanciais no cultivo de
certos bens. Desta forma, quando a tecnologia evoluir, a base dos recursos naturais
tende a alterar-se.

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6. Distribuição

6.1. Conceito

O conceito de distribuição está associado ao transporte de mercadorias mas a


distribuição, enquanto variável de negócio, é um conceito muito mais abrangente que
pode referir:
✓ À distribuição física de produtos
✓ Um sector de atividade (tradicionalmente designado por comércio);
✓ Uma componente da política de marketing de uma empresa produtora
✓ A estratégia de negócio do distribuidor.

6.2. Importância da distribuição na atualidade

A distribuição é a atividade intermediária entre produtores e consumidores que


comporta o transporte e o comércio dos produtos (estes complementam-se) e neste
sentido tem de se compatibilizar com produtores e consumidores / oferta e procura.

A distribuição assume uma importância vital na atualidade, na medida em que as


empresas têm de garantir o produto na quantidade e qualidade certa, no tempo certo.

Atividades ligadas ao processo de distribuição

6.3. Circuitos de distribuição

6.3.1.Conceito

Um circuito de distribuição é composto por todas as entidades (empresas,


equipamentos, pessoas) que desempenham uma função na condução de um fluxo de
bens ou serviços do produtor ou fabricante para o consumidor final.
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• Armazenista ou grossista: comerciante que compra os bens aos produtores em
grandes quantidades, fraciona-os e armazena-os, vendendo-os depois aos
retalhistas.
• Retalhista: comerciante que, em geral, compra os bens aos armazenistas,
vendendo-os posteriormente aos consumidores.

6.3.2. Tipos (ultra curtos, curtos e longos)

As entidades que, mais frequentemente, integram um canal de distribuição são:

Exemplo de um circuito de distribuição

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7. Comércio

7.1. Conceito

Para satisfazer as necessidades, não basta que um bem seja produzido, é necessário
que chegue aos consumidores, de forma cómoda e em quantidades certas. Para isso
existe um conjunto de atividades que estabelecem ligação entre a produção e o
consumo, designadas por comércio.

O Comércio corresponde à fase em que se estabelece a troca de bens. E pode ser:


• Comércio Grossista – É quando o grossista contacta diretamente com o
produtor e reúne, por vezes produções que se encontram dispersas.
• Comércio retalhista – quando o retalhista adquire os produtos junto do
grossista, oferecendo-o aos consumidores nos locais e nas quantidades que
eles necessitam.

7.2. Tipos (ou formatos)

O comércio retalhista, de forma a obter melhores resultados, organiza-se de várias


formas:
✓ Comércio independente
✓ Comércio integrado
✓ Comércio associado

7.2.1. Independente

É constituído na maioria das vezes por empresas familiares, de dimensões


relativamente pequenas, com um reduzido número de trabalhadores, ou até mesmo
nenhum, pois encontram-se a cargo do próprio proprietário e operam normalmente
num único ponto de venda.
Este comércio encontra-se espalhado por centros habitacionais, junto dos
consumidores ou em pequenos centros urbanos.

Ex: Lojas de ferramentas, minimercados, lojas de roupa ou até o caso do comércio


ambulante ou itinerante.

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7.2.2. Associado

O comércio associado compreende empresas que mantêm a sua independência


jurídica, associando uma ou mais atividades, de modo a obter vantagens, e a competir
com o comércio integrado.
Estas associações de comerciantes, têm como objetivo efetuar compras em conjunto e
obter preços mais baixos, devido ao grande volume de compras, que nunca
conseguiriam assegurar isoladamente.
Desta forma, podem desenvolver operações promocionais de maior escala, conhecer
melhores mercados e gerir mais racionalmente os stocks, o que também isoladamente
se tornaria mais difícil.

Ex: Frescos, Grula (Grupo Lisboeta de abastecimento de produtos alimentares)

7.2.3. Integrado (sucursais, franchising, grandes superfícies e grandes


superfícies especializadas)

O comércio integrado ou organizado, devido à sua grande dimensão, reúne as funções


grossista e retalhista, explorando cadeias em pontos de vendas identificados pela
mesma insígnia, e, aplicando políticas comuns de gestão. Como os supermercados
Pingo Doce, a Vobis, a Worten, entre outros.
Dentro do comércio integrado temos:
✓ Sucursais,
✓ Franchising,
✓ Grandes superfícies e
✓ Grandes superfícies especializadas

Sucursais
Uma sucursal é uma empresa que está dependente de uma outra, a sua sede. A forma
de trabalho é indicada pela empresa-mãe que controla as suas diversas dependências
ou filiais.
Exemplo: bancos

Franchising
Neste tipo de organização, as empresas, apesar de serem jurídica e independentes
umas das outras, estão ligadas por contrato á empresa mãe – O franqueador –
aplicando políticas de gestão comuns.

Ex: Benetton, McDonald’s, entre outros.


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Grandes superfícies
Lojas de grande dimensão que oferecem uma grande variedade e diversidade de bens,
sobretudo alimentares e de higiene. (São consideradas grandes superfícies quando a
sua área é igual ou superior a 2000 m2.) Ex: Continente, Jumbo, Carrefour.
Oferecem no mesmo local diversas categorias de produtos arrumados em secções,
funcionando cada secção quase como uma loja especializada.

Grandes superfícies especializadas


São lojas de grande dimensão, dirigidas para uma mesma gama de produtos, bastante
especializada.

Ex: “ Toys ‘R’ Us” brinquedos, Ikea na decoração, Aki de bricolage, entre outros.

7.3. Método de vendas

Para haver comércio, não é necessário existir o conceito físico de ponto de venda á
distância, de forma automática, porta a porta, ou pela internet. As vendas podem ser
realizadas das seguintes formas:

7.3.1. Venda direta

Exige o contacto direto entre o vendedor e o consumidor, no entanto, este contacto


não é feito no ponto de venda, mas na casa do cliente ou no emprego, sendo
habitualmente designada por venda porta-à-porta.

7.3.2. Cibervenda

Consiste na venda/ aquisição de bens ou serviços através da internet. Pode-se


comprar de tudo, desde livros, CDs, bilhetes, roupa, software.

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7.3.3. Venda automática

Este tipo de venda utiliza equipamentos automáticos instalados em locais públicos e de


grande circulação. (estações de comboios, aeroportos, hospitais, escolas, etc…) Neste
meio de vendas, podemos comprar desde bilhetes, tabaco, a bebidas, comida.
Na grande maioria, a forma de pagamento utilizada é o dinheiro, no entanto, já há
também através de cartões de débito ou crédito.

7.3.4. Venda por catálogo

Técnica de venda onde os produtos são apresentados ao consumidor através de


catálogo. Neste tipo de venda não existe o contacto direto entre o comprador e o
vendedor.

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8. Consumo

8.1. Conceito

É o ato de utilizar um bem ou serviço com vista à satisfação de necessidades. Pode ser
entendido como ato económico e social.

Consumo – ato económico


O consumo representa um ato económico porque para satisfazer determinadas
necessidades em vez de outras e ao decidir consumir certos bens e serviços, está-se a
efetuar escolhas com implicações em toda a economia.
Além disso, é um comportamento relativo às funções estudadas pela ciência económica
– produção, consumo, acumulação, repartição de rendimentos, etc.

Consumo – ato social


Ao consumir está-se a dar origem a consequências que podem ser benéficas ou
prejudiciais para os consumidores, mas também para a atividade coletiva mais próxima
ou para o Mundo.

8.2. Influência dos preços e do rendimento no consumo

A quantidade consumida de um bem (Ex. Bem A) também depende do preço:

• Do próprio bem (se aumentar o preço do bem A diminui o consumo do bem A


ou se diminuir o preço do bem A aumenta o consumo do bem A)

Efeito-rendimento
• De outros bens (Ex. bem B) → bens substituíveis (se aumenta preço de B
aumenta o consumo de A ou se diminui o preço de B, diminui o Consumo de A)

Efeito-substituição
No caso de serem bens complementares (se aumenta o preço de B diminui o
consumo de A ou se diminui o preço de B aumenta o consumo de A).

25
8.3. Tipos

8.3.1. Final/Intermédio

Consumo Final: consumo de bens e serviços pelas famílias.

Consumo Intermédio: consumo de bens para posterior transformação pelas


empresas, até se transformarem em bens de consumo final.

8.3.2. Essencial/supérfluo

Consumo Essencial: consumo de bens e serviços indispensáveis à sobrevivência do


indivíduo.

Consumo supérfluo: consumo de bens e serviços dispensáveis

8.4. Fatores explicativos

O consumo é um fenómeno social complexo, condicionado por múltiplos fatores, com


influência sobre a vida humana e a do Planeta.

8.4.1. Rendimento

O consumo dá-se em função do rendimento. Isto significa que uma alteração no nível
de rendimentos dos consumidores reflete-se, em princípio, no nível do consumo.

8.4.2. Preços

O consumo liga-se diretamente preço dos bens, dado que dele depende a capacidade
aquisitiva dos consumidores:
- Uma subida generalizada dos preços dos bens pressupõe uma diminuição na
capacidade aquisitiva das famílias, se os respetivos rendimentos se mantiverem.
- Pelo contrário, uma descida generalizada dos preços supõe um aumento da
capacidade aquisitiva dos consumidores, mesmo que se mantenha o nível dos
respetivos rendimentos.
Um aumento dos preços, não acompanhado da elevação proporcional dos
rendimentos, obriga os consumidores a abdicarem de consumos não essenciais,
atribuindo assim, uma maior parcela do seu rendimento à satisfação das necessidades
básicas.
26
A diminuição generalizada dos preços dos bens equivale à possibilidade de as famílias
utilizarem uma maior parte do seu rendimento na aquisição de bens não essenciais,
melhorando assim o seu padrão de vida.

Quando a subida dos preços não abrange a totalidade dos bens ou dos serviços é
natural que a procura dos consumidores se desloque para aqueles bens ou serviços
que apresentam preços mais baixos e satisfaçam as mesmas necessidades.

8.4.3. Moda

A moda influencia a renovação constante do consumo de alguns produtos e suscita


novas necessidades, começando nas classes sociais superiores. As classes sociais mais
baixas procuram imitar o comportamento das classes superiores (Efeito
demonstração/imitação).

8.4.4. Publicidade

Esta técnica de marketing dá a conhecer os produtos, mas também cria nos indivíduos
a necessidade e o desejo de adquirir certos bens, os designados bens publicitários que
surgem através da televisão, do rádio, do jornal, entre outros.

8.5. Consumismo

8.5.1. Conceito

Consumismo: é o conjunto dos comportamentos e atitudes suscetíveis de conduzir a


um consumo sem critério, compulsivo, irresponsável e perigoso.

O consumismo, a que a sociedade portuguesa não é alheia, tem causado problemas


económicos e sociais às famílias. O endividamento é um desses problemas.

8.5.2. Consequências – endividamento e problemas ambientais

A produção e consumo em massa trouxe uma série de consequências, onde se


destacam as seguintes:
• Manipulação do consumidor
• Consumo de produtos desnecessários e sem valor

27
• Prejuízo para a sociedade/Humanidade
• Matérias-primas não renováveis
• Degradação do meio ambiente
• Endividamento das famílias

8.6. Consumerismo e o movimento dos consumidores

O consumerismo é a ação social conduzida a vários níveis para legitimar ou aprofundar


os direitos dos consumidores, incluindo-se aqui a intervenção no mercado com o
objetivo de aperfeiçoar a qualidade de vida e os valores sociais.

Para conseguir o consumerismo deve-se apostar na consciencialização para a defesa


do consumidor e do meio ambiente investindo em aspetos como:

• Informação ao consumidor
• Reconhecimento de um conjunto de direitos
• Educação do consumidor

8.7. Direitos e deveres dos consumidores

De acordo com a Constituição Portuguesa (art.º 60º), os direitos fundamentais do


consumidor são:
• Direito à proteção da saúde e da segurança;
• Direito à proteção dos direitos económicos;
• Direito à reparação de danos;
• Direito à informação e à educação;
• Direito à representação;
• Direito a uma justiça acessível e pronta.

Além dos seus direitos, os consumidores devem ter consciência dos seus deveres.
• Consciência crítica (questionar-se acerca da sua compra)
• Ação (reclamar quando os direitos como consumidores são violados)
• Preocupação social (estar conscientes dos nossos consumos sobre os outros
Concidadãos)
• Consciência do meio ambiente (devemos sempre preservar o ambiente)
• Solidariedade (defesa comum dos interesses dos consumidores)

28
9. Mercados e preços

9.1. Conceito de mercado

Mercado é um local ou um contexto em que compradores e vendedores de bens,


serviços ou recursos estabelecem contatos e comercializam.

• Os mercados estão no centro da atividade económica.


• Um mercado usa preços para conciliar decisões sobre consumo e produção.

Em sentido corrente pode designar o local físico onde se encontram compradores e


vendedores (espaço), normalmente, em data(s) fixa(s) (espaço).

Em sentido económico (noção mais abstrata designa as unidades físicas de tempo e de


espaço já não são necessárias e a existência de um intermediário (ex.: bolsa de
valores)

9.2. Componentes de mercado

Para um mercado funcionar tem de ter uma oferta e uma procura.

Produção ≠ Oferta
Produção - Tudo o que é efetivamente Produzido (toda a produção de um país)

Oferta - parte da produção que é posta à venda (parte da produção que os vendedores
estão dispostos a vender).

9.3. Estruturas dos mercados de bens e serviços

9.3.1. Concorrência perfeita

É o mercado em que existem muitos produtores ou vendedores de um bem


homogéneos e muitos compradores.
Os preços resultam da interação entre a oferta e a procura (a empresa não tem poder
para fixar os preços)
Nº Produtores: inúmeros
Controlo sobre o preço: nulo
Bens produzidos: homogéneos
Concorrência: muita

29
9.3.2. Concorrência Imperfeita (monopólio, oligopólio e concorrência
monopolística)

Monopólio

É o mercado em que existe um único produtor ou vendedor


Nº Produtores: um
Controlo sobre o preço: total
Bens produzidos: único
Concorrência: nenhuma

Oligopólio

É o mercado em que existem poucos produtores ou vendedores de bens diferenciados


ou de bens idênticos.
Nº Produtores: alguns
Controlo sobre o preço: limitado
Bens produzidos: pouco diferenciados
Concorrência: pouca

Concorrência monopolista

Os preços dependem do poder que a empresa tiver no mercado:


- monopólio: total poder
- oligopólio: algum poder
- concorrência monopolística: pouco poder
É o mercado em que existem muitos produtores ou vendedores de um bem parecido,
mas não idêntico, e muitos compradores.
Nº Produtores: muitos
Controlo sobre o preço: pouco
Bens produzidos: diferenciados
Concorrência: bastante

Tipos de
Aspetos positivos Aspetos negativos
Mercado
-O preço é definido através do -A atomização e a pequena
confronto entre a oferta e a dimensão das empresas são so
Concorrência
procura em mercados de bens fatores que dificultam o
perfeita
homogéneos. investimento em pesquisa e
-O mercado apresenta condições a melhoramento dos bens.

30
transparência, a atomicidade, a -É o mercado que afeta de
homogeneidade, a mobilidade dos melhor forma os recursos
fatores de produção, a livre existentes.
entrada e saída de mercado
-O preço é estipulado pelo -A capacidade do monopolista
monopolista controlar o preço pode lesar os
-As barreiras tecnológica legal e a interesses do consumidor, ao
dimensão do mercado impedem a exigir preços mais elevados e
entrada de novos concorrentes. ao apresentar bens sem grande
Monopólio -O monopolista, ao obter lucros evolução qualitativa.
elevados, pode destiná-los a -O poder de mercado do
aumentar o investimento na monopolista não é absoluto, é
empresa, ao contribuir para a limitado pela intervenção do
inovação tecnológica e para a estado e pela existência de
melhoria na qualidade dos bens bens substitutos
-O controlo sobre o preço de -A capacidade do oligopolista
mercado que cada oligopolista controlar o preço pode lesar os
tem depende da reação dos seus interesses do consumidor
concorrentes fixando preços mais elevados e
-Há possibilidade dos oligopolistas apresentando bens sem grande
estabelecerem acordos entre si evolução qualitativa.
Oligopólio com objetivo de controlar o preço. -A possibilidade dos
-No mercado oligopolista as oligopolistas estabelecerem
empresas podem oferecer acordos entre si, com o objetivo
produtos diferenciados ou não de aumentar os preços e os
diferenciados. lucros, pode obrigar o
consumidor a pagar preços
mais elevados pelo bem.
-Muitos vendedores sem -A atomização e a pequena
capacidade para controlar preços dimensão das empresas são
Concorrência -Produtos diferenciados fatores que dificultam o
monopolística investimento em pesquisa e
melhoramento na qualidade dos
bens

31
9.4. Mercado de concorrência perfeita

Nº Produtores: inúmeros
Controlo sobre o preço: nulo
Bens produzidos: homogéneos
Concorrência: muita

É o mercado em que existem muitos produtores ou vendedores de um bem


homogéneo e muitos compradores.
Os preços resultam da interação entre a oferta e a procura (a empresa não tem poder
para fixar os preços).

9.4.1. Oferta e Lei da oferta

• Oferta agregada (global ou de mercado): é o somatório das ofertas individuais.


• Oferta individual: para cada vendedor consiste na quantidade de um bem que
esse vendedor está disposto a vender a cada preço.

32
S – Curva da oferta (S): esta curva representa, graficamente, as quantidades de um
bem que um conjunto de vendedores está disposto a vender a cada preço.

Relação direta ou função crescente


Devido às maiores perspetivas de lucro quando os preços são mais elevados.

Lei da Oferta
A quantidade oferecida de um bem varia no mesmo sentido ao do seu preço, desde
que o resto se mantenha constante.

OU

Um aumento do preço provoca um aumento na quantidade oferecida e uma redução


do preço provoca uma redução da quantidade oferecida, ceteris paribus.

Fatores determinantes da oferta:


• Custos de produção
• Tecnologia ou métodos de produção

33
• Preço de outros bens
• Objetivos da empresa
• Sazonalidade
• Nº de produtores (empresas)

9.4.2. Procura e lei da procura

Procura: A procura de um bem é a quantidade desse bem que os compradores estão


dispostos a adquirir a cada preço.

• Procura agregada (global ou de mercado): consiste nas intenções de compra de


todos os consumidores a cada preço (é o somatório das procuras individuais).
• Procura individual: consiste na quantidade de um bem que um determinado
comprador está disposto a adquirir a cada preço.

D – Curva da procura (D): esta curva representa, graficamente, as quantidades de


um bem que um conjunto de consumidores está disposto a comprar a cada preço.

34
Relação inversa ou função decrescente, Devido a 2 efeitos:
• Efeito-substituição: efeito resultante da alteração das condições de
concorrência entre os bens, quando o preço varia. O consumidor compra outros
bens.
• Efeito-rendimento: efeito resultante da alteração do rendimento real. É como
se o consumidor ficasse mais pobre.

Lei da procura
A quantidade procurada de um bem varia em sentido inverso ao do seu preço, desde
que o resto se mantenha constante.

OU
Um aumento do preço provoca uma redução na quantidade procurada e uma redução
do preço provoca um aumento da quantidade procurada, ceteris paribus.

Fatores determinantes da procura:


• Rendimento dos consumidores
• Preço de outros bens
• Preferências dos consumidores
• Nº de consumidores
• Sazonalidade
• Expectativas dos consumidores

9.4.3. Equilíbrio do mercado: Preço de Equilíbrio

Para que se verifique a concorrência perfeita deve ser preenchido um conjunto de


condições, sendo as principais as seguintes:

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- Atomização do mercado, ou seja, que exista um grande número de consumidores
e um grande número de produtores, e que nenhum deles tenha dimensão suficiente
para influenciar o mercado;

-Transparência do mercado, no sentido de que todos os consumidores e todos os


produtores devem ter um conhecimento perfeito de todos os preços; é por este motivo
que a legislação obriga à afixação dos preços dos produtos, nas montras dos
estabelecimentos, nas bancas do peixe, etc.
-Mobilidade dos fatores de produção; o mecanismo de mercado pressupõe a fácil
reconversão e deslocalização dos fatores produtivos, capital e força de trabalho, para
os setores que mais oportunidades lucrativas ofereçam aos produtores.

- Homogeneidade dos produtos; no caso de não existir homogeneidade, ou seja,


no caso dos produtos serem diferenciados, o funcionamento do mercado aproxima-se
duma situação de monopólio, onde cada produtor tende a ser o "monopolista" do seu
próprio produto.

Um exemplo desta diferenciação, ou falta de homogeneidade, encontra-se nas calças


de ganga (jeans) que, embora basicamente semelhantes, são objeto de diferenciação
por meio de características secundárias ou da "marca", permitindo a existência de
preços muito diferenciados e impedindo que haja uma concorrência perfeita; esta
tendência para a diferenciação mais ou menos artificial dos produtos é uma
característica das economias modernas.

Quando se verificam condições de concorrência perfeita, o preço de mercado tende a


situar-se no ponto onde a oferta é igual à procura. Este preço toma a designação de
preço de equilíbrio.

Conforme podemos ver na figura seguinte, o preço de equilíbrio corresponde ao ponto


onde a curva da procura se cruza com a curva da oferta:

Equilíbrio significa estabilidade, e o preço de equilíbrio representa, de facto, um ponto


de estabilidade do mercado.

36
Poderemos compreender melhor este conceito de estabilidade se procurarmos saber o
que é que se passa se o preço de mercado (aquele que efetivamente ocorre no
mercado num dado momento) não for um preço de equilíbrio.

Vejamos o caso da figura seguinte, onde o preço P1 se encontra acima do preço de


equilíbrio. Para este preço não existe igualdade entre oferta e procura. O que acontece
é que a oferta é superior à procura.

E o motivo é fácil de compreender: a um preço mais elevado, os produtores estão


dispostos a vender mais, mas os consumidores estão dispostos a comprar menos.

Nesta situação de oferta superior à procura vão ficar muitos bens para vender pelo que
se trata de uma situação insustentável. O resultado é que o preço tenderá a descer
para o ponto de equilíbrio.

Vejamos agora a hipótese do preço de mercado se situar abaixo do preço de equilíbrio,


situação representada na figura seguinte.

Neste caso a procura é superior à oferta, precisamente porque o preço é aliciante para
os consumidores mas indesejável para os produtores. Trata-se de uma situação
insustentável, porque rapidamente os produtos se esgotarão no mercado. O preço
tenderá agora a subir para o ponto de equilíbrio.

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Contudo o preço de equilíbrio não é sempre o mesmo: ele pode modificar-se em
resposta a deslocações das curvas da oferta e da procura, deslocações cujas causas já
analisámos noutra parte deste capítulo.

Vejamos o caso da figura seguinte, em que a curva da oferta sofre uma deslocação de
para a direita, de S para S1. Isto determina a fixação de um novo preço de equilíbrio,
P1, que se situa abaixo do preço de equilíbrio anterior.

Se a curva da oferta se deslocar para a esquerda, o novo preço de equilíbrio estará


acima do anterior, conforme se pode ver na figura seguinte, onde a curva da oferta se
desloca de S para S2.

Vejamos agora o que acontece com as deslocações da curva da procura. A deslocação


da curva da procura para a direita, de D para D1, representada na figura seguinte,
traduz-se por uma subida do preço de equilíbrio.

38
No caso da curva da procura se deslocar para a esquerda, de D para D2, o resultado
será a descida do preço de equilíbrio, conforme se pode ver na figura seguinte.

9.5. Preço: Fatores que influenciam a formação dos preços

9.5.1. Custos de produção

- Redução nos custos de produção (Ex. Matérias-primas)

39
- Aumento dos custos de produção (Ex. Salários)

40
9.5.2. Mecanismos de mercado

Redução do preço de um bem substituto / aumento do preço de um bem


complementar

Redução do preço de um bem complementar / aumento do preço de um bem


substituível
41
9.5.3. Outros

Aumento do rendimento (caso de um bem normal) / diminuição do


rendimento (caso de um bem inferior)

42
Aumento do rendimento (caso de um bem inferior) / diminuição do
rendimento (caso de um bem normal

43
44
10. Moeda

10.1. Evolução da moeda

A dinâmica que a atividade comercial tomou e a multiplicidade de produtos a trocar


exigiu o aparecimento de um bem que servisse para medir o valor de todos os outros,
facilitando e permitindo, assim, o desenvolvimento das trocas. O desenvolvimento da
atividade produtiva exigiu a criação da moeda.

A moeda é, portanto, um bem de aceitação generalizada que se utiliza como


intermediário nas trocas, isto é, em todos os atos de compra e de venda de bens e
serviços. A moeda surge, assim, como um bem que todos os indivíduos aceitam sem
contestação e que é utilizada para medir o valor de todos os bens e serviços.

10.1.1. Troca direta

Inicialmente, as trocas assumiram uma forma muito rudimentar, trocando-se um bem


diretamente por outro bem diretamente por outro bem. Era a troca direta.

Na prática, este tipo de troca levantava grandes inconvenientes:


• Dupla coincidência de desejos: Para realizar a troca era necessário encontrar
alguém que possuísse exatamente o que queria e que quisesse exatamente
aquilo que eu tinha. Esta necessidade de dupla coincidência de valores levava,
a que por vezes, a troca não se efetuava.
• Atribuição de valor de bens: Uma vês ultrapassado o obstáculo de coincidência
de desejos, havia agora a problema na atribuição de valores aos bens.
• Divisibilidade ou fracionamento dos bens: Se para alguns bens o fracionamento
não constitui um problema, para outros como animais ou até peles, dividi-los
tornava-se difícil ou inconveniente.

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• Transportar bens – Por vezes, para efetuar um elevado número de trocas, ter-
se-ia de transportar um elevado número de bens que nem sempre eram fáceis
de transportar.
• Elevado número de transações – Para que se tivesse o bem desejado, era
necessário, por vezes, efetuar trocas intermédias, obrigando á realização de um
número de transações mais ou menos elevado e ao transporte de um
considerável número de bens.

10.1.2. Troca indireta

A troca direta constituía um entrave ao desenvolvimento das trocas e da economia.

Assim, passaram a ser utilizados alguns bens como intermediários na troca, que, sendo
aceites por todos os membros da comunidade, permitem dividir a operação da troca
em três partes: trocar o bem que possuo por um bem intermediário e posteriormente
utilizá-lo para adquirir outros bens.

Tratava-se assim da troca indireta, funcionando esse intermediário como moeda, a


moeda-mercadoria, que constitui a forma mais rudimentar da moeda.

10.2. Funções

• A moeda é um meio de pagamento geral e definitivo. Significa isto que


qualquer dívida pode ser paga em moeda, já que esta é de aceitação
generalizada, pelo que, como consequência, o devedor fica definitivamente
liberto dessa obrigação;

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• É uma medida de valor, porque serve para exprimir o valor dos bens. O preço
de cada bem é expresso na moeda, o que permite, inclusivamente, comparar o
valor dos bens;
• Constitui-se como uma reserva de valor, visto que podemos conservá-la para a
utilizarmos posteriormente, ou seja, não sendo gasta, permite ao seu detentor
a aquisição de bens no futuro.

10.3. Tipos de moeda na atualidade

Inicialmente a moeda era de ouro e prata e o seu peso correspondia ao seu valor,
sendo esta a fase da moeda pesada. Por vezes verificavam-se erros, e a moeda não
era prática e por isso ela passou a ser contada, assemelhando-se a pequenos discos
com determinados pesos para determinar a quantidade de ouro. (Moeda contada)

Para garantir a sua autenticidade, ela passou a ser cunhada. – Moeda cunhada
Com as longas distâncias a percorrer, os comerciantes passaram a depositar a moeda
em bancos, onde recebiam um certificado de depósito, podendo ser levantado noutra
cidade, era assim mais seguro e prático. Estes certificados representavam o ouro
depositado, sendo eles designados por moeda papel.

Para evitar situações de abuso, o estado passou a intervir, chamando assim toda a
exclusividade da emissão de moeda, decretando a obrigatoriedade da aceitação da sua
moeda papel, tornando o seu curso forçado, sem que fosse possível converte-la,
tornando-a inconvertível.

A moeda passou assim a circular com base na confiança nas pessoas que nela
depositavam, era por isso moeda fiduciária.

Desta forma, a moeda papel transformou-se em papel-moeda. Passando agora o


estado a poder emitir papel-moeda, os bancos continuavam a aceitar os depósitos dos
seus clientes, mas agora em notar de banco, dando ordens ao seu banco através de
cheques para movimentar dinheiro na sua conta. – Moeda escritural.

Formas atuais de moeda:


• Divisionária ou de trocos, constituída pela moeda metálica, utilizada sobretudo
nos pagamentos de baixo valor.
• Papel-moeda, notas de banco, utilizadas principalmente para pagamentos de
valor mais elevado.

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• Moeda escritural, constituída por depósitos previamente efetuados nos bancos e
que pode ser movimentada, através de cheque, cartões de débito e de crédito.

Fases da união económica e Monetária


• Existiram 3 fases

Critérios de convergência:
• Inflação
• Défice orçamentaL
• Dívida pública
• Taxas de juro de longo prazo
• Estabilidade cambial

Défice orçamental: diferença entre as despesas e as receitas do Estado.

Vantagens da moeda única:

Para os particulares:
• Facilita a comparação dos preços dos produtos nos vários países;
• Facilita o turismo porque não é necessário fazer câmbio de moeda;
• Os salários, as poupanças e as reformas tornam-se mais estáveis porque o
valor da moeda é mais estável o que implica maior poder de compra;
• Economia mais estável o que implica crescimento económico implicando assim
a criação de emprego.

Para as empresas:
• Diminui os custos dos negócios, porque evita câmbios;
• Diminui os riscos dos negócios com países que não pertencem à EU, porque o
euro é uma moeda internacionalmente aceite, que compete com o dólar;
• Permite obter empréstimos mais favoráveis, porque os juros tendem a baixar;
• Incentiva o investimento, porque, além de facilitar os empréstimos, a
estabilidade que proporciona gera confiança.

Para a EU e os diversos países que a integram:


• Torna a Europa mais competitiva no comércio internacional, porque o euro
pode mais facilmente rivalizar com o dólar e o iene;
• Facilita o comércio interno e, por isso, contribui para o desenvolvimento da
União;

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• Torna a economia de cada país mais estável (alguns países deixam de ter
uma moeda fraca);
• Estabilidade monetária duradoura o que implica a descida das taxas de juro e
por sua vez implica o aumento do investimento e do emprego.

Desvantagens da moeda única:


• Sobrecarga de informação para o consumidor final, devido à dupla fixação dos
preços;
• Custos de preparação da introdução do euro por parte do sector bancário;
• Elevado investimento em caixas automáticas, cabinas telefónicas, máquinas
de contagem de moedas e notas, parquímetros, máquinas registadoras, etc.;
• Dupla contabilização e utilização de dois sistemas de pagamentos diferentes.

A única desvantagem que perdura é a perda de autonomia no que respeita à condução


da política económica.

10.4. Novas formas de pagamento

10.4.1. Desmaterialização da moeda

Atualmente, enormes quantias circulam entre contas bancárias no mesmo país, ou


entre países, através de meios eletrónicos, o que constitui mais um passo no processo
de desmaterialização da moeda.

A desmaterialização da moeda acentuou-se com as formas atuais de moeda como os


cartões eletrónicos (Multibanco, Visa, etc.) sendo a moeda eletrónica e a moeda
informática, quando podemos efetuar transações através de um computador,
efetuando os negócios de uma forma muito mais eficaz.

49
Bibliografia

Gomes, Rita; Silva, Fernando, Economia, Manual nível 3 - Ensino profissional, Porto
Editora, 2010

Henriques, Lucinda Sobral; Leandro, Manuela, Economia A, Manual 10º-11º anos,


Porto Editora, 2008

Neves, João César, O meu livro de economia, Texto Editores, 2009

Sites Consultados

Universidade Aberta
Apontamentos “Introdução à Economia”
http://sebentaua.blogspot.pt/