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Cosit

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Coordenação-Geral de Tributação

Solução de Consulta nº 148 - Cosit


Data 3 de junho de 2014
Processo
Interessado
CNPJ/CPF

ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA


CNPJ. INSCRIÇÃO. ENTIDADES RELIGIOSAS.
Conforme o disposto na IN RFB nº 1.183, de 2011, as pessoas jurídicas
estão obrigadas a inscrever no CNPJ todos os seus estabelecimentos, assim
entendidos, grosso modo, todos os locais nos quais desenvolvam suas
atividades. Conforme esta disposição normativa, as entidades religiosas
ficaram sujeitas a inscrever no CNPJ como estabelecimentos, independente
da entidade, todos os seus templos, isto é, os locais onde desenvolvam a
prática ou culto religiosos, ainda que voltados exclusivamente a essas
atividades.
Tal conclusão decorre do fato de que o referido diploma não reproduziu a
exceção prevista nos normativos anteriormente vigentes (até a IN SRF nº
200, de 2002, inclusive) os quais estabeleciam que não se caracterizaria
como estabelecimento, para efeito de obrigatoriedade de inscrição, a
unidade, móvel ou imóvel, quando considerada mera extensão da atividade
de um outro, assim entendida, entre outros, a que fosse desenvolvida em
templo dedicado, exclusivamente, à prática de atividade religiosa,
observada sua subordinação a entidade nacional ou regional, previamente
cadastrada.
Dispositivos Legais: IN RFB nº1.183, de 2011, art. 4º, parágrafo 2º, e art.
5º.

ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA


CNPJ. INSCRIÇÃO. TORRES DE RETRANSMISSÃO DE TELEFONIA
MÓVEL.
As torres de transmissão são unidades auxiliares das operadoras dos
serviços de telefonia. Por não estarem incluídas no Anexo VII da IN 1.183,
de 2011, não necessitam de CNPJ próprio.
Dispositivos Legais: IN RFB nº1.183, de 2011, art. 4º, parágrafo 2º e art.
5º.

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Relatório

A interessada acima qualificada, com ramo de atividade na Administração


Pública, formula consulta acerca da interpretação de legislação tributária, nos termos que são,
resumidamente, transcritos abaixo.

2. A consulta versa sobre a necessidade das torres de retransmissão de telefonia


móvel possuir CNPJ próprio. Mais especificamente, existe uma inscrição para a operadora em
sua cidade sede e persiste a dúvida se as suas torres, inclusive as situadas em outros
municípios, necessitariam também de inscrição.

3. A consulente registra que Instrução Normativa SRF nº 002/2001, já revogada,


trazia em seu art. 15, parágrafo 4º, inciso III a dispensa de inscrição no CNPJ, para as torres.
Nesta linha, ressalta que a atual IN RFB nº 1.183, de 2011 não faz referência às disposições
anteriores, causando dúvidas na interpretação da norma.

4. Por fim, a consulente menciona que os templos religiosos se encontram na


mesma situação e solicita, também para eles, esclarecimentos quanto a necessidade de inscrição
no sistema CNPJ.

5. É o relatório.

Fundamentos

6. A formalização da consulta à legislação tributária subordina-se ao disposto nos


artigos 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 1972, nos artigos 48 a 50 da Lei nº 9.430, de 1996 e
nos artigos 88 a 102 do Decreto nº 7.574, de 2011. A matéria se encontra regulamentada, no
âmbito da RFB, pela Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013, que
substituiu a Instrução Normativa RFB nº 740, de 02 de maio de 2007.

7. Preliminarmente, importa observar que o instituto da consulta sobre a


interpretação da legislação tributária, relativa aos tributos e contribuições administrados pela
Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), tem o objetivo de dirimir dúvidas concernentes
a dispositivos da legislação tributária aplicável a fatos concretos e determinados, relatados pelo
sujeito passivo de obrigação tributária, principal ou acessória. Convém enfatizar que o escopo
único do instituto é, tão somente, fornecer ao sujeito passivo a interpretação, adotada pela
RFB, acerca de determinada norma tributária, a qual discipline situações por ele enfrentadas e
cujo sentido lhe pareça dúbio, obscuro ou de difícil compreensão. Ainda nesta linha, não serão
objeto de análise questões relativas a dúvidas quanto aos procedimentos a serem adotados pelo
contribuinte, ou mesmo com relação a correção do seu entendimento na aplicação da norma
uma vez que tais questionamentos constituem matéria estranha à esfera de competência deste
órgão.

8. A presente consulta versa sobre a necessidade dos templos religiosos e as torres


de retransmissão de telefonia móvel possuírem CNPJ próprio, tendo em vista que a
normatização em vigor deixa margem para dúvidas.
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9. Para subsidiar a presente análise cumpre reproduzir trechos das normas mencionadas
pela consulente, bem como dos demais normativos pertinentes (os grifos não constam do
original):

IN SRF nº 002, de 2001


(...)

Art. 15. A pessoa jurídica deverá inscrever no CNPJ cada um de seus


estabelecimentos, inclusive os situados no exterior.

§ 1 º O estabelecimento é a unidade autônoma, móvel ou imóvel, em que a


pessoa jurídica exerce, em caráter permanente ou temporário, atividade
econômica ou social geradora de obrigação tributária, principal ou
acessória.

§ 2 º Na hipótese de a pessoa jurídica possuir mais de um estabelecimento, o


matriz terá o número de ordem igual a 0001, e os demais, denominados de
filiais, independentemente de outra denominação jurídica, serão numerados
em ordem seqüencial a partir de 0002.

§ 3 º A unidade móvel somente será considerada estabelecimento se a pessoa


jurídica não dispuser de unidade imóvel, sendo seu endereço o da pessoa
física responsável perante o CNPJ.

§ 4 º A unidade móvel ou imóvel não será estabelecimento quando


considerada mera extensão da atividade de um outro, assim entendida a
que for desenvolvida em:

I - veículos pertencentes a estabelecimento cadastrado;

II - canteiros de obras, vinculados a estabelecimento cadastrado, desde que


nos mesmos não se desenvolva atividade geradora de obrigação tributária
principal do Imposto sobre Produtos I ndustrializados (IPI) ou do Imposto
sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação
de Serviço de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação
(ICMS);

III - dependências como torres, casas-de-força, depósitos de material e


assemelhados, desde que vinculadas a estabelecimento cadastrado;

IV - templo onde se desenvolva, exclusivamente, oração comunitária ou


administração de sacramentos, desde que subordinado a entidade nacional
ou regional cadastrada.

(...)

IN SRF nº 200, de 2002

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Art. 13. A pessoa jurídica deverá inscrever no CNPJ cada um de seus


estabelecimentos, inclusive os situados no exterior.

§ 1 º O estabelecimento é a unidade autônoma, móvel ou imóvel, em que a


pessoa jurídica exerce, em caráter permanente ou temporário, atividade
econômica ou social geradora de obrigação tributária, principal ou
acessória.

§ 2 º Na hipótese de a pessoa jurídica possuir mais de um estabelecimento, a


matriz terá o número de ordem igual a 0001, e os demais, denominados
filiais, independentemente de outra denominação jurídica, serão numerados
em ordem seqüencial a partir de 0002.

§ 3 º A unidade móvel somente será considerada estabelecimento se a pessoa


jurídica não dispuser de unidade imóvel, sendo seu endereço o da pessoa
física responsável perante o CNPJ.

§ 4 º A unidade móvel ou imóvel não será estabelecimento quando


considerada mera extensão da atividade de um outro, assim entendida a
que for desenvolvida em:

I - veículos pertencentes a estabelecimento cadastrado;

II - canteiros de obras, vinculados a estabelecimento cadastrado, desde que


nos mesmos não se desenvolva atividade geradora de obrigação tributária
principal do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ou do Imposto
sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação
de Serviço de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação
(ICMS);

III - dependências como torres, casas-de-força, depósitos de material e


assemelhados, desde que vinculadas a estabelecimento cadastrado;

IV - templo dedicado, exclusivamente, à prática de atividade religiosa,


observada subordinação a entidade nacional ou regional, previamente
cadastrada.
(...)
10. Conforme se pode observar, a IN SRF nº 002, de 2001, não considerava como
estabelecimento tanto as torres, desde que vinculadas a entidade cadastrada, quanto os templos
dedicados exclusivamente à pratica de atividade religiosa, observada subordinação a entidade
nacional ou regional, previamente cadastrada. A IN SRF nº 200, de 2002, que revogou a norma
anterior, manteve as disposições anteriores, não considerando as torres e os templos como
estabelecimentos.

11. Tal situação foi alterada com a edição da IN SRF nº 568, de 8 de setembro de
2005, que não excepcionou a situação das torres e dos templos, conforme ilustrado abaixo:

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IN SRF nº 568, de 2005

Da Inscrição no CNPJ

Da Obrigatoriedade de Inscrição no CNPJ

Art. 10. As entidades domiciliadas no Brasil, inclusive as pessoas jurídicas por


equiparação, estão obrigadas a inscreverem no CNPJ, antes de iniciarem suas
atividades, todos os seus estabelecimentos localizados no Brasil ou no exterior.

§ 1 º Para efeitos de CNPJ, estabelecimento é o local, privado ou público,


edificado ou não, móvel ou imóvel, próprio ou de terceiro, em que a entidade
exerça, em caráter temporário ou permanente, suas atividades, inclusive as
atividades auxiliares constantes do Anexo III , bem assim onde se encontrem
armazenadas mercadorias.

§ 2 º Consideram-se estabelecimentos, para fins do disposto neste artigo, as


plataformas de produção e armazenamento de petróleo e gás natural, ainda que
estejam em construção.

§ 3 º No caso das plataformas de produção e armazenamento de petróleo e gás


natural de que trata o § 2 º , o endereço a ser informado ao CNPJ será o do
estabelecimento da pessoa jurídica proprietária ou arrendatária da plataforma,
em terra firme, cuja localização seja a mais próxima.

(...)

12. Portanto, a partir da entrada em vigor da IN SRF nº 568, de 2005, teve-se por
bem alterar o entendimento administrativo quanto à caracterização de estabelecimentos
obrigados a inscrição, eliminando-se as exceções antes previstas no art. 13 da IN SRF nº 200,
de 2002. Tal ordenamento foi mantido pelas normas supervenientes, quais sejam a IN RFB nº
748, de 2007, a IN RFB nº 1005, de 2010 e a atual IN RFB nº 1.183, de 2011.

13. Retornando a análise da consulta formulada, um dos aspectos que se pretende


ver esclarecido é com relação aos templos religiosos. Como visto acima, tem-se que, nos
termos do diploma atualmente vigente, bem assim naqueles editados após a IN SRF nº 200, de
2002, as pessoas jurídicas, inclusive as associações sem finalidade lucrativa, estão obrigadas a
inscrever no CNPJ todos os seus estabelecimentos, assim entendidos, grosso modo, todos os
locais onde exerçam suas atividades.

14. É forçoso reconhecer que, a partir da entrada em vigor da IN SRF nº 568, de


2005, teve-se por bem alterar o entendimento administrativo quanto à caracterização de
estabelecimentos obrigados a inscrição, eliminando-se as exceções antes previstas no art. 13 da
IN SRF nº 200, 2002. Por conseguinte, conclui-se que ficaram, desde então, obrigados a
inscrever-se no CNPJ como estabelecimentos independentes da entidade religiosa, todos os
locais nos quais esta desenvolva as atividades a que se propõe, conforme seus estatutos sociais,
ou seja, seus templos.

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15. Com relação ao outro questionamento da consulente, as torres de telefonia, cabe


esclarecer, em primeiro lugar, se elas devem ser consideradas como estabelecimentos de uma
empresa ou meras unidades auxiliares. Para tanto, vale reproduzir a definição de unidades
auxiliares, dada pela Comissão Nacional de Classificação-CONCLA, do IBGE e que consta da
página da Receita Federal (os grifos não constam do original):

Unidade Auxiliar

"De acordo com a Resolução CONCLA 03, de 04 de julho de 2002, uma


unidade é considerada auxiliar se produzir bens ou serviços para uso
exclusivo pela própria empresa, isto é, que não entram na composição do
produto final do estabelecimento mas que ajudam a criar condições para a
execução de suas atividades principais e secundárias. A essas unidades
deverá ser atribuído o código CNAE-Fiscal do estabelecimento a que serve.
Caso a unidade auxiliar atenda a mais de um estabelecimento da empresa,
deverá lhe ser atribuído o código CNAE-Fiscal da unidade de produção com
valor adicionado de maior peso relativo, aceitando-se, a título de
simplificação, o código da atividade principal da empresa como um todo."

16 Pela definição acima, parece não haver dúvidas de que as torres de retransmissão
são unidades auxiliares dos serviços de telefonia móvel, ou seja unidades auxiliares das
entidades prestadoras do serviço, as empresas de telefonia. As torres não entram na composição
do produto final mas possibilitam, ou criam condições, para que o serviço seja fornecido.

17. É importante observar que, a partir da IN SRF nº 568, de 2005, as normas


reguladoras passaram, através de um anexo, a definir um rol de unidades auxiliares que seriam
consideradas, por expressa disposição normativa, como sendo estabelecimentos. Desta forma,
uma vez incluídas nos anexos, ficam sujeitas, portanto, a inscrição no CNPJ. Este dispositivo foi
também, contemplado na IN SRF nº 748, de 2007(anexo V), na IN RFB nº 1005, de
2010(Anexo V) e na atual IN RFB nº 1.183, de 2011(Anexo VII), este último reproduzido
abaixo (os grifos não contam do original):

IN RFB nº 1.183, de 2011

CAPÍTULO II
DAS ENTIDADES OBRIGADAS À INSCRIÇÃO

Art. 4º Todas as pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, inclusive as


equiparadas, estão obrigadas a inscrever no CNPJ cada um de seus
estabelecimentos localizados no Brasil ou no exterior, antes do início de suas
atividades.

§ 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios devem possuir uma


inscrição no CNPJ, na condição de matriz, que os identifique na qualidade de
pessoa jurídica de direito público, sem prejuízo das inscrições de seus órgãos
públicos, conforme disposto no inciso I do art. 5º.

§ 2º No âmbito do CNPJ, estabelecimento é o local, privado ou público,


edificado ou não, móvel ou imóvel, próprio ou de terceiro, onde a entidade
exerce, em caráter /temporário ou permanente, suas atividades, inclusive as

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unidades auxiliares constantes do Anexo VII a esta Instrução Normativa, bem


como onde se encontram armazenadas mercadorias.

ANEXO VII
TABELA DE UNIDADES AUXILIARES

Sede
Escritório Administrativo
Depósito Fechado
Almoxarifado
Oficina de Reparação
Garagem
Unidade de Abastecimento de Combustíveis
Posto de Coleta
Ponto de Exposição
Centro de TreinamentoCentro de Processamento de Dados

18. Como se pode observar, as torres de retransmissão não estão incluídas entre as
unidades auxiliares consideradas como estabelecimentos pelo Anexo VII, da IN RFB nº 1.183,
de 2011 não estando, portanto, sujeitas a registro no sistema CNPJ.

Conclusão

19. Diante do exposto, proponho que a presente consulta seja solucionada de forma
a esclarecer a interessada que:

1) As entidades religiosas ficaram sujeitas a inscrever no CNPJ, como


estabelecimentos independentes da entidade, todos os seus templos, isto é,
os locais onde desenvolvam a prática ou culto religiosos, ainda que
voltados exclusivamente a essas atividades.
2) As torres de transmissão são unidades auxiliares das operadoras dos
serviços de telefonia. Por não estarem incluídas no Anexo VII da IN RFB
nº 1.183, de 2011, não necessitam de CNPJ próprio.

À consideração superior.

Assinado digitalmente por


Mario Jorge Rente da Silva
Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil
Matr. 13.862

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De acordo. Encaminhe-se à Coordenadora da Copen.

Assinado Digitalmente por


José Carlos Sabino Alves
Auditor-Fiscal da RFB mat. 20.241
Chefe da Divisão de Tributação/SRRF07

De acordo. Ao Coordenador-Geral da Cosit para aprovação.

Assinado Digitalmente por


Mirza Mendes Reis
Coordenadora da Copen

Ordem de Intimação

Aprovo a Solução de Consulta. Publique-se e divulgue-se nos termos do


art. 27 da IN RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013. Dê-se ciência ao interessado.

FERNANDO MOMBELLI
Coordenador-Geral da Cosit