Você está na página 1de 2

Correção Teste de Avaliação n.

º 3
Novos Contextos –-
Ano letivo 20 / 20
Nome da Escola Filosofia | 10.º
Turma N.º Data / / 20

Professor

A ação humana – análise e compreensão do agir


- A rede conceptual da ação

1.1. Um acontecimento é, em princípio, algo que ocorre num determinado tempo e


lugar, que é suscetível de afetar o sujeito, mas que não depende da sua vontade.
Uma ação, por sua vez, é algo que o ser humano faz de modo voluntário,
consciente e livre, com racionalidade, algo que pode ser nomeado pela intenção do
agente ou explicado pelos seus motivos.

1.2. Entre as diversas modalidades daquilo que fazemos, encontramos aquilo que é
realizado de modo inconsciente e involuntário; o que é realizado de modo consciente e
involuntário; o que é realizado de modo inconsciente, por efeito do hábito ou da rotina;
e, por fim, o que realizamos de modo consciente e voluntário.
Só estes últimos comportamentos – surgindo como algo dotado de
«racionalidade e de intenção», livre e, por conseguinte, responsável – podem ser
considerados ações.

2.1. Uma intenção é sinónimo de propósito e desígnio. Podemos, assim, definir uma
ação intencional como o curso da ação que alguém pretende seguir ou, até, como o
objetivo que guia a ação – o “tender para outra coisa” a que se refere o excerto.
Por outro lado, ter uma intenção significa encontrar-se num estado mental que se
orienta, ou que tende, para a concretização (que até pode ser apenas a manutenção ou
o evitamento) de um determinado estado de coisas.

2.2. Classicamente, o desejo é entendido como uma tendência acompanhada de


consciência, constituindo uma aspiração por algo que nos falta. Freud colocou em
causa esta perspetiva. Segundo este autor, o desejo é, sobretudo, inconsciente.
A intenção, enquanto estado subjetivo de tender para algo ou de aspiração por
algo, pode ser identificada com o desejo. Mas ela, uma vez que é, em princípio,
consciente, acaba por ir além do mero desejo. Será necessário entendê-la à luz de uma
finalidade e de um projeto.

3. O motivo significa, de um modo geral, tudo o que é capaz de influir sobre as


faculdades humanas, em particular a vontade, levando-as à ação. Trata-se da razão
consciente do agir (intencional), que muitos autores distinguem do móbil (impulso da
sensibilidade, sentimento ou estado afetivo, por vezes inconsciente). No âmbito da
psicologia moderna o conceito de motivo é extensível a toda a necessidade ou desejo
ligados a uma intenção de atingir determinado objetivo. Como tal, para
compreendermos os motivos, teremos sempre de ter em conta as crenças e os desejos.
O fim (finalidade ou meta) da ação diz respeito a tudo aquilo que ativa, orienta e
dirige a ação, sendo frequentemente difícil separá-lo dos motivos.
Motivos e fins podem ainda ser associados à noção de projeto, aquilo que
alguém se propõe fazer. Mas tal conceito pode ser igualmente aplicado ao ser humano,
na medida em que este, ao projetar e ao realizar algo, também se projeta e realiza a si
mesmo (ser de projeto).

4.1. A deliberação é o processo de reflexão que, em princípio, antecede a decisão.


Trata-se de um momento no qual a vontade, unida à inteligência, concebe as diferentes
alternativas em relação ao objeto apresentado, e as razões a favor ou contra e depois
as discute e pondera. Trata-se de comparar os «motivos por ou contra um dado ato»,
pensando igualmente sobre os meios que permitem atingir determinados fins.
A decisão, que geralmente se segue à deliberação, consiste na escolha de
alternativas possíveis em função de determinadas razões e motivações. Ela constitui o
momento da escolha e da resolução, no qual é superado o conflito de motivos que
impulsionavam o sujeito para a ação.

4.2. Quando dizemos que nem todas as ações são deliberadas, queremos dizer que
nem todas são planificadas e ponderadas previamente. Trata-se de admitir que há
ações em relação às quais não se verifica uma reflexão prévia.
Neste sentido, considera-se que há «intenções na ação», intenções que temos
enquanto efetivamente realizamos uma dada ação. Por exemplo, numa conversa
normal, não se planifica ou pondera longamente o que se vai dizer a seguir: as palavras
são ditas sem um ato de deliberação.

5. Para o comentário a esta questão, espera-se que o aluno:


- reconheça que a ação humana é tudo o que fazemos de modo consciente,
voluntário e intencional, tendo um autor – o agente;
- estabeleça uma relação entre liberdade e responsabilidade, compreendendo
que o agente, sendo livre, pode ser responsabilizado, isto é, o agente livre tem de
assumir as suas ações e responder por elas;
- discuta de forma crítica e fundamentada a opinião de Sarte expressa no
excerto: o indivíduo, ao decidir agir de determinada forma, ao efetuar determinadas
escolhas, está a afirmar o valor dessas opções, dando implicitamente a entender que
isso é o melhor para todos.