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Álgebra II

EP12 - Versão Tutor


15a Semana - Aulas 14 e 15

1a Questão:
(a) Sejam H e K subgrupos de um grupo G. Prove que H ∩ K é um subgrupo de G.

(b) Sejam H e K subgrupos de um grupo G. Diga, justificando, se H ∪ K é ou não um


subgrupo de G.

Solução:
(a) Seja e o elemento neutro de G e denote por a0 o elemento inverso de a ∈ G.

• Como H e K são subgrupos e ∈ H e e ∈ K ⇒ e ∈ H ∩ K 6= ∅.

• Sejam a, b ∈ H ∩ K. Temos a e b ∈ H ⇒ ab0 ∈ H e a e b ∈ K ⇒ ab0 ∈ K, pois H e K


são subgrupos. Logo ab0 ∈ H ∩ K.

Conclusão: H ∩ K é subgrupo de G.

(b) A união de subgrupos não é necessariamente um subgrupo.


Considere o exemplo: 3Z e 5Z são subgrupos do grupo aditivo dos inteiros, Z, mas
H = 3Z ∪ 5Z não é subgrupo de Z, pois 8 = 3 + 5 ∈
/H

2a Questão: Sejam G um grupo abeliano e e o elemento neutro de G. Prove que H = {x ∈


G; x2 = e} é um subgrupo de G.

Solução: Seja e o elemento neutro de G e denote por a0 o elemento inverso de a ∈ G.

• e2 = e ⇒ e ∈ H 6= ∅.

• Se b ∈ H, então b2 = e ⇒ (b0 )2 = e ⇒ b0 ∈ H.

Sejam a, b ∈ H. Temos

(ab0 )2 = ab0 ab0 = a(b0 a)b0 = a(ab0 )b0 = (aa)(b0 b0 ) = a2 (b0 )2 = ee = e ⇒ ab0 ∈ H,

pois G é abeliano e b0 ∈ H, como acabamos de mostrar.

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Conclusão: H é subgrupo de G.

3a Questão:
(a) Sejam G um grupo e a ∈ G. Se N (a) = {x ∈ G; ax = xa}, prove que N (a) é um
subgrupo de G. N (a) é chamado centralizador de a em G.

(b) Sejam G um grupo e H um subgrupo de G. Prove que C(H) = {x ∈ G; hx =


xh, ∀h ∈ H} é um subgrupo de G. C(H) é chamado centralizador de H.

(c) Sejam G um grupo e considere o subconjunto Z(G) = {x ∈ G; gx = xg, ∀g ∈ G}.


Prove que Z(G) é um subgrupo de G. Z(G) é chamado centro de G.

Solução:
(a) Seja e o elemento neutro de G e denote por a0 o elemento inverso de a ∈ G.

• ae = ea = a ⇒ e ∈ N (a) 6= ∅.

• Se y ∈ N (a), então ay = ya. Logo

y 0 (ay)y 0 = y 0 (ya)y 0 ⇒ (y 0 a)(yy 0 ) = (y 0 y)(ay 0 ) ⇒ y 0 ae = eay 0 ⇒ y 0 a = ay 0

e, portanto, y 0 ∈ N (a).

Sejam x, y ∈ N (a). Temos

a(xy 0 ) = (ax)y 0 = (xa)y 0 = x(ay 0 ) = x(y 0 a) = (xy 0 )a ⇒ xy 0 ∈ N (a),

pois y 0 ∈ N (a), como acabamos de mostrar.

Conclusão: N (a) é subgrupo de G.

(b) Seja e o elemento neutro de G e denote por a0 o elemento inverso de a ∈ G.

• he = eh = h, ∀h ∈ H ⇒ e ∈ C(H) 6= ∅.

• Se y ∈ C(H), então hy = yh, ∀h ∈ H. Logo,

y 0 (hy)y 0 = y 0 (yh)y 0 ⇒ (y 0 h)(yy 0 ) = (y 0 y)(hy 0 ) ⇒ y 0 he = ehy 0 ⇒ y 0 h = hy 0 , ∀h ∈ H

e, portanto, y 0 ∈ C(H).

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Sejam x, y ∈ C(H). Temos

h(xy 0 ) = (hx)y 0 = (xh)y 0 = x(hy 0 ) = x(y 0 h) = (xy 0 )h, ∀h ∈ H ⇒ xy 0 ∈ C(H),

pois y 0 ∈ C(H), como acabamos de mostrar.

Conclusão: C(H) é subgrupo de G.

(c) Seja e o elemento neutro de G e denote por a0 o elemento inverso de a ∈ G.

• ge = eg = g, ∀g ∈ G ⇒ e ∈ Z(G) 6= ∅.

• Se y ∈ Z(G), então gy = yg, ∀g ∈ G. Logo,

y 0 (gy)y 0 = y 0 (yg)y 0 ⇒ (y 0 g)(yy 0 ) = (y 0 y)(gy 0 ) ⇒ y 0 ge = egy 0 ⇒ y 0 g = gy 0 , ∀g ∈ G

e, portanto, y 0 ∈ Z(G).

Sejam x, y ∈ C(H). Temos

g(xy 0 ) = (gx)y 0 = (xg)y 0 = x(gy 0 ) = x(y 0 g) = (xy 0 )g, ∀g ∈ G ⇒ xy 0 ∈ Z(G),

pois y 0 ∈ Z(G), como acabamos de mostrar.

Conclusão: Z(G) é subgrupo de G.

4a Questão: Seja S3 o grupo das permutações de três elementos. Prove que


       
 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 
H=  , , , 
 1 2 3 2 3 1 3 1 2 1 3 2 

não é subgrupo de S3 .

Solução: Observe que


    
1 2 3 1 2 3 1 2 3
  = ∈
/ H.
2 3 1 1 3 2 2 1 3

3
Logo H não é subgrupo de S3 .

5a Questão: Diga, justificando, se os grupos G (com operação ) e K (com operação ⊕),


definidos pelas tabelas abaixo, são cı́clicos.

e a b c ⊕ e0 a0 b0 c0

e e a b c e0 e0 a0 b0 c0
a a b c e a0 a0 e0 c0 b0
b b c e a b0 b0 c0 e0 a0
c c e a b c0 c0 b0 a0 e0

Solução:

• Observando a tabela do grupo G (com operação ), vemos que os elementos a e c têm


ordem 4. De fato :  



 a=a 


 c=c

 

 
a2 = b
 c 2 = b

a3 = c c3 = a

 


 


 

 
a4 = e
 c 4 = e

Portanto, este grupo é um grupo cı́clico com geradores a e c.

• Observando a tabela do grupo K (com operação ⊕), vemos que, à exceção de e0 , todos
os seus elementos têm ordem 2, ou seja, (a0 )2 = (b0 )2 = (c0 )2 = e0 . Isto mostra que este
grupo não é cı́clico.

6a Questão: Considere o grupo Z∗n = {a ∈ Zn ; mdc(a, n) = 1} (veja a definição na página


160 da aula 12).
(a) Prove que Z∗4 , Z∗5 , Z∗9 , Z∗18 são grupos cı́clicos.

(b) Prove que Z∗8 , Z∗20 não são grupos cı́clicos.

Solução:
(a)

4
• Z∗4 = {1, 3} = 3 .

• Z∗5 = {1, 2, 3, 4} = 2 .

2 (2)2 (2)3 (2)4


2 4 3 1

• Z∗9 = {1, 2, 4, 5, 7, 8} = 2

2 (2)2 (2)3 (2)4 (2)5 (2)6


2 4 8 7 5 1

• Z∗18 = {1, 5, 7, 11, 13, 17} = 5



5 (5)2 (5)3 (5)4 (5)5 (5)6


5 7 17 13 11 1

(b)

• Z∗8 = {1, 3, 5, 7}. À exceção de 1, todo elemento de Z∗8 tem ordem 2:

(3)2 = (5)2 = (7)2 = 1.

• Z∗20 = {1, 3, 7, 9, 11, 13, 17, 19}.

Elementos de ordem 2:

(9)2 = 1, (11)2 = (−9)2 = 1, (19)2 = (−1)2 = 1.

Elementos de ordem 4:

(3)4 = (9)2 = 1, (7)4 = (9)2 = 1, (13)4 = (−7)4 = 1, (17)4 = (−3)4 = 1.

Assim, Z∗8 e Z∗20 não possuem gerador, isto é, não são cı́clicos.

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7a Questão: Prove que todo subgrupo de um grupo cı́clico é também cı́clico.

Solução:
Sejam G um grupo cı́clico, G = hai, e H um subgrupo de G. Evidentemente, os elementos
de H são potências de a. Dentre estas potências, vamos tomar a de menor expoente positivo
(o que sempre pode ser feito), digamos ak = b.
Se mostrarmos que todo elemento de H é da forma (ak )j , onde j ∈ Z, concluiremos que
b = ak é gerador de H e, portanto, que H é um grupo cı́clico.
Seja c = ai um elemento arbitrário de H. Pelo Algoritmo da Divisão podemos escrever
i = kj + r, onde 0 ≤ r ≤ k − 1. Assim,

c = ai = a(kj+r) = akj .ar = (ak )j .ar (i).

Observe que ak ∈ H ⇒ (ak )j ∈ H ⇒ (ak )−j ∈ H. Logo, resulta de (i) que

(ak )−j .c = (ak )−j .(ak )j .ar = ((ak )−j .(ak )j ).ar = ar ⇒ ar ∈ H,

pois H é subgrupo.
Como ar ∈ H, devemos obrigatoriamente ter r = 0, pois se r 6= 0, terı́amos um expoente
positivo menor do que k, que é o menor expoente positivo tal que ak ∈ H, o que certamente
não pode ocorrer. Dessa forma, c = (ak )j , concluindo a prova de que H é cı́clico.

8a Questão:
(a) Sejam G um grupo e a−1 o elemento inverso de a ∈ G. Se G é um grupo cı́clico e
a ∈ G é um gerador de G, prove que a−1 também é gerador de G, ou seja, G = ha−1 i.

(b) Seja G um grupo cı́clico com um único gerador. Determine a ordem de G.

Solução:
(a)

• Seja ha−1 i o subgrupo gerado por a−1 . Se b ∈ ha−1 i, existe j ∈ Z tal que

b = (a−1 )j ⇒ b = a−j ⇒ b ∈ hai

e, portanto, ha−1 i ⊆ hai.

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• Reciprocamente, se c ∈ hai, existe k ∈ Z tal que

c = ak ⇒ c = (a−1 )−k ⇒ c ∈ a−1



e, portanto, hai ⊆ ha−1 i.

Conclusão: ha−1 i = hai = G.

(b) Sejam e o elemento neutro de G e a um gerador de G. Pelo item a), a−1 também é
gerador de G. Como G tem um único gerador, segue-se que a = a−1 , ou seja, a2 = a−1 a = e.
Isto implica que G = hai = {a, e} e, portanto, G tem ordem 2.

9a Questão:Sejam p um número primo e G um grupo de ordem p2 . Mostre que G possui no


máximo p + 1 subgrupos de ordem p.

Solução: Sejam H1 e H2 subgrupos distintos de G de ordem p. Como H1 ∩ H2 é um


subgrupo de H1 então a ordem de H1 ∩ H2 divide p. Logo, a ordem de H1 ∩ H2 é 1 ou P.
Sendo H1 6= H2 , temos que |H1 ∩ H2 | = 1e , portanto, H1 ∩ H2 = {e}.
De forma geral, se H1 , · · · , Hn são subgrupos distintos de G de ordem p, então o conjunto
H1 ∪ · · · ∪ Hn possui n(p − 1) + 1 elementos. Como H1 ∪ · · · Hn é um subconjunto de G,
então
n(p − 1) + 1 ≤ p2 ,

isto é
n(p − 1) ≤ p2 − 1 = (p − 1)(p + 1).

Dividindo a igualdade anterior por p − 1, temos que

n ≤ p + 1.

10a Questão:Determine as possı́veis ordens dos subgrupos de um grupo G de ordem 15 e


de um grupo K de ordem 32.

Solução:
Se um grupo G tem ordem n, resulta do Teorema de Lagrange que as ordens dos subgrupo
de G são divisores de n. Portanto, se Dn é o conjunto dos divisores do inteiro positivo n,as

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possı́veis ordens dos subgrupos de G são os elementos de Dn . Como D15 = {1, 3, 5, 15} e
D32 = {1, 2, 4, 8, 16, 32}, as possı́veis ordens dos subgrupos de G são 1, 3, 5 e 15 e as possı́veis
ordens dos subgrupos de K são 1, 2, 4, 8, 16 e 32.

11a Questão: Dados os grupos G abaixo, determine as ordens de cada um de seus elementos.
(a) G = Z12

(b) G = S3 .

(c) G = Q∗ = Q − {0}, grupo multiplicativo.

(d) G = Z∗13

(e) G = Z∗18 .

Solução:

(a)
ordem 1 ordem 2 ordem 3 ordem 4 ordem 6 ordem 12
0 6 4, 8 3, 9 2, 10 1, 5, 7, 11

(b)
 
1 2 3
1. • ordem 1:  .
1 2 3
     
1 2 3 1 2 3 1 2 3
• ordem 2:  , , .
1 3 2 3 2 1 2 1 3
   
1 2 3 3 1 2
• ordem 3:  , .
2 3 1 1 2 3

(c) Como a equação xn = 1, n ∈ N = {1, 2, . . .} somente possui soluções reais para x = 1


e ∀n ∈ N e x = −1 e n par, 1 tem ordem 1, -1 tem ordem 2 e x ∈ Q∗ − {−1, 1} tem ordem
infinita.

(d) Z∗13 = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12}.

ordem 1 ordem 2 ordem 3 ordem 4 ordem 6 ordem 12


1 12 3, 9 5, 8 4, 10 2, 6, 7, 11

8
(e) Z∗18 = {1, 5, 7, 11, 13, 17}.

ordem 1 ordem 2 ordem 3 ordem 6


1 17 7, 13 5, 11

12a Questão: Sejam G um grupo e e o elemento neutro de G. Se a ∈ G tem ordem n e


ak = e, prove que n | k (n divide k).

Solução: Aplicando o Algoritmo da Divisão podemos escrever k = nq+r, onde 0 ≤ r ≤ n−1.


Temos que
e = ak = a(nq+r) = anq .ar = (an )q .ar = (e)q .ar = e.ar = ar .

Neste caso, devemos obrigatoriamente ter r = 0, pois se r 6= 0, terı́amos um expoente positivo


menor do que n, que é a ordem de a, o que certamente não pode ocorrer, pois a ordem
de a é o menor expoente positivo m tal que am = e. Dessa forma, k = nq, concluindo a
prova de que n | k.

13a Questão: Sejam G um grupo e e o elemento neutro de G. Se os únicos subgrupos de


G são H = {e} e H = G, prove que G é finito e a ordem de G é um número primo.

Solução:

• Suponhamos que G seja infinito. Se a ∈ G − {e}, então G = hai, pois G não possui
subgrupos não triviais (distintos de {e} e G). Considere agora H = ha2 i. Como G não
possui subgrupos não triviais, devemos ter H = G, mas isto implica que existe k ∈ Z
tal que a = (a2 )k = a2k ⇒ e = a2k−1 se k > 0 ou e = a1−2k se k < 0, ou seja, temos
a|2k−1| = e ⇒ G = {a, a2 , . . . , a|2k−1| = e} o que é um absurdo, pois estamos supondo
que G é um grupo infinito. Isto mostra que G é finito.

• Vamos agora mostrar que a ordem de G, o(G), é um número primo. Suponhamos que
o(G) é um número composto, ou seja, que podemos escrever o(G) = mn, com m > 1
e n > 1. Se a ∈ G − {e}, temos (am )n = amn = ao(G) = e. Pela Questão 13 podemos
concluir que o(am ) | n, ou seja, o(am ) ≤ n < o(G), mas isto implica que H = ham i é

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um subgrupo de G com 2 ≤ O(H) < o(G), ou seja, H ? um subgrupo não trivial de
G, o que é um absurdo. Assim, a ordem de G não pode ser um número composto, o
que completa a prova de que G é um grupo finito e sua ordem é um número primo.

14a Questão: Prove que todo grupo de ordem menor ou igual a 5 é abeliano.

Solução: Seja G um grupo com ordem o(G) ≤ 5.

• Se o(G) = 1, G somente possui o seu elemento neutro e obviamente G é abeliano.

• Se o(G) ∈ {2, 3, 5}, G é cı́clico e todo grupo cı́clico é abeliano.

• Vamos analisar o caso n = 4. Se o(G) = 4 e G possui elemento de ordem 4, então G


é cı́clico, logo abeliano. Se G não possui elemento de ordem 4, resulta do Teorema de
Lagrange que todos os seus elementos distintos do elemento neutro e têm ordem 2.
Se x−1 denota o elemento inverso de x ∈ G, temos x2 = e ⇒ x = x−1 , ∀x ∈ G. Neste
caso, vimos na Solução da Questão 5 do EP 11 que G é abeliano.

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