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HISTÓRIA 5

Módulo 26 7º Ano

Imagem de São Pedro,


Mineração: sociedade e cultura em um dos grandes
Minas Gerais exemplos de santo
do pau oco (Mariana,
Minas Gerais).

Você já escutou a expressão “santinho do


pau oco”?

Domínio Público/Wikimedia
“Santo do pau oco” é uma expressão popular de
origem histórica utilizada no Brasil para designar pessoas
dissimuladas. Segundo o imaginário popular, o santo do
pau oco era, nas regiões mineradoras brasileiras, durante
o Período Colonial, um símbolo do contrabando de ouro,
em pedra ou pó, e de diamantes. Eram estátuas de madeira
esculpidas de diversos tamanhos, ocas por dentro, nas
quais o ouro e as pedras preciosas eram escondidos para
Expectativas de aprendizagem:
que ninguém soubesse, uma vez que os impostos cobrados – Compreender a especificidade da sociedade mineradora;
pelo fisco estavam muito altos. Governadores, escravos e
– mostrar as expressões culturais oriundas da mineração;
clérigos estavam envolvidos nesse tipo de contrabando. – valorizar e entender a obra de Aleijadinho.
Essa versão é considerada uma lenda, assim como
muitas histórias mineiras de comprovação discutível
envolvendo esse tipo de imagem. Provavelmente, as estátuas escavadas, para que as peças rachassem menos e ficassem
foram feitas assim pelos mesmos motivos que na Europa, mais leves. Vamos ver, neste módulo, as principais carac-
onde, desde a Idade Média, as esculturas de madeira eram terísticas da mineração no Brasil.

1. As consequências da mineração
1.1 Mudanças políticas e econômicas Dinâmicas da zona mineradora
núcleo da zona mineradora
A mineração de ouro e diamantes contribuiu para correntes de abastecimento
uma série de mudanças ocorridas no Brasil. Entre elas, articuladas por São Paulo
correntes de abastecimento São Luís
destacam-se uma intensa migração para a região das minas, articuladas pelo Rio de Janeiro
o expressivo processo de urbanização de Minas Gerais e o correntes de abastecimento Fortaleza
articuladas por Salvador
nascimento de um mercado interno. A descoberta do ouro Natal

ravos
aumentou também o meio circulante de riquezas na região esc avos
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Olinda
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e houve uma necessidade crescente de serviços e produtos.
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A região de Minas Gerais atraiu o charque (tipo de s
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carne salgada e seca) do Rio Grande do Sul, milhares de


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escravos da Região Nordeste e produtos manufaturados


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da Europa. As mercadorias eram escoadas por expedições, Sabará


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Vila Rica
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ietê (Ouro Preto) São João del-Rei a E a:
realizadas por tropeiros, que levavam os produtos em cima aran São Paulo Rio de Janeiro d urop
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de burros e mulas. açu
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O deslocamento do eixo econômico da colônia do


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Nordeste (cana-de-açúcar) para Minas Gerais levou as


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autoridades portuguesas a transferirem a capital da Colônia


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de Salvador para o Rio de Janeiro (1763). O objetivo dessa gado Rio
da
da
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medida era aumentar a fiscalização e o transporte do ouro ta

para Portugal.
6 HISTÓRIA
7º Ano Módulo 26

Os caminhos do ouro Os caminhos da Estrada Real


O Rio de Janeiro, no começo, não dispunha de
acesso direto às minas, o que dificultava o comércio.
O transporte era feito de Minas até a cidade de Paraty,
no Rio de Janeiro, mas rapidamente a cidade fluminense DIAMANTINA
se beneficiou com a abertura do “caminho novo”,
Serro
construído em três anos (de 1698 a 1701) e aperfei-
Santo Antônio
çoado entre 1701 e 1707, que ligava a região das minas do Norte
Conceição do
Caminho dos Diamantes
diretamente ao porto do Rio de Janeiro. Mato Dentro

Itambé do
Com a sua abertura, a viagem do Rio para Minas Mato Dentro
Bom Jesus
poderia ser realizada em 12 ou 17 dias, conforme o ritmo Sabará do Amparo
BELO HORIZONTE Caeté
da marcha. A vantagem do “caminho novo” era óbvia Rio Acima
Santuário
do Caraça
Santa Bárbara
Caminho do Santa Rita Durão
em comparação com o de São Paulo a Minas, no qual Sabarabuçu Itabirito
OURO PRETO
Mariana
Parque Estadual
se gastavam 60 dias. Essa vantagem teve importantes Congonhas
Entre Rios
do Itacolomi
Lavras Novas
de Minas Ouro Branco
consequências, pois transformou o Rio de Janeiro no maior Lagoa Dourada
Prados
fornecedor de produtos para as minas e na principal rota Caminho Velho Tiradentes
Carandaí Caminho Novo

São João del-Rei Barbacena


de escoamento do ouro. São Paulo sofreu os efeitos da nova Carrancas
situação, mas, devido à descoberta de minas em Goiás e Santos Dumont

Juiz de Fora
Mato Grosso, as perdas foram atenuadas. Caxambu Cruzília Monte Serrat

Sendo uma economia essencialmente importadora, São Lourenço


São Sebastião do Rio Verde
Inconfidência
Passa
a mineração dependia do abasteci­mento externo de Quatro Itaipava
Petrópolis
Cruzeiro
alimentos, ferramentas, objetos artesanais, incluindo Lorena Porto Estrela
Guaratinguetá
os de luxo, gado – principalmente o muar – para Cunha
RIO DE JANEIRO

transporte e tração e, finalmente, escravos. Três agentes PARATY

se encarregavam desse abastecimento: o tropeiro, que


trazia alimentos e outras mercadorias; o boiadeiro e os
No mapa: Caminho Novo, Caminho Velho, Caminho dos Diamantes e
comboieiros, que chegavam com os escravos. Caminho do Sabarabuçu.

1.2 Mudanças sociais branca. Finalmente, a “corrida do ouro” promoveu a


exploração no interior do Brasil e, consequentemente, seu
A mineração foi responsável por impor­tantes conse-
povoamento, anulando em definitivo a antiga demarcação
quências que se refletiram sobre a vida social da Colônia.
de Tordesilhas.
Já no início, provocou uma grande migração portuguesa
para a região das Minas Gerais, acompanhada da inten­ Sociedade mineradora
sificação do tráfico negreiro e do remanejamento do ricos
contingente interno de escravos. Segundo alguns autores, mineradores
autoridades da Coroa
no século XVIII, aproximadamente 800 mil portugueses portuguesa
trans­feriram-se para a Colônia – o que correspon­deria a pequenos mineradores
comerciantes
40% da população da Metrópole. tropeiros
soldados
A Colônia co­n heceu uma verdadeira “explosão” profissionais liberais
populacional, ultrapas­sando a quantia de 1 milhão de padres

habitantes, no século XVIII. A maioria da população de


escravos
Minas Gerais era composta por negros e mestiços, mas
a riqueza da região era centralizada em uma minoria
Mineração: sociedade e cultura em HISTÓRIA 7
Minas Gerais Módulo 26 7º Ano

A vida dos escravos nas minas era, talvez, mais

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árdua do que no engenho, pois trabalhavam o dia inteiro
em pé, dentro de rios ou de túneis que desabavam
frequentemente. Além disso, os negros transportavam
mercadorias e pessoas, construíam estradas e casas e
vendiam produtos nas cidades. Depois dos escravos, os
homens livres e pobres eram maioria em Minas Gerais.
Normalmente, eram marginalizados das atividades mine-
radoras. Muitos perambulavam pelas cidades, pedindo
esmolas, praticando pequenos furtos ou trabalhando em
diversos serviços, como construção de obras públicas,
expedições em busca de ouro ou destruindo aldeias
Debret, Mercado de escravos da rua do Valongo, Rio de Janeiro, século XIX.
indígenas e quilombos.

Os desabamentos das minas na Turquia

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Os desabamentos e acidentes em minas são muito
comuns até hoje. No ano de 2014, aconteceu um dos
maiores acidentes de desabamento na Turquia, deixando
299 mineiros mortos. “Foi um acidente inacreditável em
um sítio onde ocorreram poucos acidentes nos últimos
30 anos”, disse o presidente da Soma Holding (empresa
que controla a mina), Alp Gürkan, em uma conferência
de imprensa.
Logo depois do ocorrido, os responsáveis pela
mina relataram que a explosão de um transfor-
mador havia provocado o incêndio que se alastrou
com rapidez e levou ao colapso de parte da mina.
Entretanto, a empresa garante que não foi isso o que
aconteceu, negando falhas de manutenção – afinal,
teria havido um aumento inexplicável de calor que
provocou o fogo e o desabamento. Ruínas de minas na Turquia mostram a destruição causada pelo desabamento.

Outro exemplo da mudança atingia comerciantes, favoreceram o desenvolvimento das artes em Minas
agricultores, artesãos (carpinteiros, alfaiates, ourives), Gerais. O movimento barroco desenvolveu-se com os
profissionais liberais (professores, advogados e médicos), primeiros núcleos urbanos. As principais manifestações
padres, garimpeiros e artistas. As pessoas mais ricas da dessa arte foram as construções religiosas localizadas em
região não eram os mineradores, pois pagavam muitos Salvador e Recife. O auge do Barroco, porém, manifestou-
impostos com a produção de ouro, e sim os grandes comer- -se nas cidades mineiras do Ciclo do Ouro, como Ouro
ciantes que vendiam alimentos para abastecer a região. Preto e Mariana.
Apesar da influência inicial do Barroco europeu, a arte
2. O Barroco barroca no Brasil assumiu características próprias. Esta
evocava a religião em cada detalhe: altares, geralmente
O Barroco foi uma das formas de expressão artística
em madeira, expunham ricos ornamentos espirais ou
mais visíveis entre o século XVII e a primeira metade do
florais e eram entalhados com figuras de anjos e imagens
século XVIII no Brasil. O enriquecimento provocado pela
revestidas de uma fina película de ouro. Santos em relevo
mineração e a forte religiosidade dos povos das minas
8 HISTÓRIA
7º Ano Módulo 26

foram distribuídos pelas capelas da nave central, e o planta da Igreja do Carmo da Vila Rica) com uma escrava
teto, representando geralmente um céu em perspectiva, negra, produziu trabalhos que revelavam o extraordinário
aumentava a sensação de profundidade no ambiente. desenvolvimento do Barroco mineiro. Considerado gênio
O mais famoso artista barroco da região foi Antônio por muitos, sofria de uma doença que o deformava –
Francisco Lisboa (1730-1814), responsável por uma vasta origem do apelido Aleijadinho – e, por isso, trabalhava com
obra na arquitetura e na escultura, destacando-se com o martelo e o cinzel amarrados nos braços. Considerava-se
projetos nas igrejas e nos centros urbanos. Nascido filho um “escultor ornamental” que utilizava, no exercício de sua
ilegítimo do português Manuel Francisco Lisboa (autor da arte, o padrão decorativo do entalhe (madeira esculpida).

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Cristo flagelado. Cristo no Horto das Oliveiras. Cristo carregando a cruz.

C om a prática de
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decorar o interior das igrejas


mineiras, desenvolveu-
-se uma escola de pintura
01 Identifique as principais consequências econômicas
que, assimilando elementos e políticas decorrentes da atividade mineradora.
estrangeiros, soube traduzi-
-los e adaptá-los às caracte-
02 Analise as principais mudanças ocorridas na vida
rísticas regionais. Um dos dos habitantes da Colônia, provocadas pela descoberta
seus representantes mais do ouro.
importantes foi Manuel
Assunção da Virgem.
da Costa Ataíde. Fugindo 03 Caracterize a sociedade mineradora.
aos padrões da pintura europeia, retratou a Virgem Maria
no teto da Igreja de São Francisco, em Ouro Preto, como 04 Cite as principais características do Barroco mineiro.
uma mulher morena que, cercada de anjos mulatos, acolhia
piedosamente os fiéis em sua glória. 05 Faça um breve comentário sobre os principais artistas
No campo da literatura, na Bahia, destaca-se o poeta do Barroco mineiro.
Gregório de Matos Guerra, também conhecido como
“Boca do Inferno”. Ele é considerado o mais importante
poeta barroco brasileiro, dividindo esse prestígio com Padre
Antônio Vieira, que ganhou destaque com seus sermões.
Mineração: sociedade e cultura em HISTÓRIA 9
Minas Gerais Módulo 26 7º Ano

01 Sobre a mineração que se desenvolveu no Brasil Uma das consequências do processo descrito no texto,
colonial, podemos afirmar que: em termos administrativos, foi:

(A) contribuiu para a decadência do ciclo açucareiro, pois (A) a transferência da capital do vice-reinado para São
os grandes senhores de engenho abandonaram suas Paulo, que passou a ser o polo econômico mais
lavouras para se dedicar à mineração. importante da Colônia.
(B) contribuiu para o desenvolvimento da produção (B) a criação das Câmaras Municipais que passaram
açucareira, na medida em que gerava capitais para a deter, na Colônia, os poderes de concessão para
serem investidos nessa atividade agroexportadora. exploração do ouro em Minas Gerais.
(C) contribuiu para o desenvolvimento do mercado (C) o deslocamento do eixo da vida da Colônia para o
interno, na medida em que criou um importante Centro-Sul, especialmente para o Rio de Janeiro, por
centro consumidor de produtos de subsistência de onde entravam escravos e suprimentos e por onde
outras regiões. saía o ouro das minas.
(D) não favoreceu em nada o mercado interno, pois os (D) o desaparecimento do sistema de capitanias here-
raros produtos de subsistência não produzidos na ditárias e sua substituição, na Região Sudeste, pelas
região eram importados da Europa. províncias.
(E) não contribuiu em nada para o mercado interno (E) o desenvolvimento de um comércio paralelo de
da Colônia, pois a zona de mineração era centro escravos nas antigas regiões produtoras de açúcar, o
consumidor de gêneros de subsistência em proporções que gerou a necessidade de centralizar o poder nas
insignificantes. mãos dos ouvidores.

02 No século XVIII, a produção do ouro provocou 04 Entre as características da sociedade da região das
muitas transformações na Colônia. Entre elas, podemos Minas Gerais no período da extração de ouro, no século
destacar: XVIII, podemos citar:

(A) a urbanização da Amazônia, o início da produção (A) maior mobilidade social que no restante da Colônia.
do tabaco e a introdução do trabalho livre com os (B) pequeno desenvolvimento artístico e ausência de
imigrantes. estímulo à produção cultural.
(B) a introdução do tráfico africano, a integração do índio (C) predomínio do meio rural sobre o urbano, como no
e a desarticulação das relações com a Inglaterra. restante da Colônia.
(C) a industrialização de São Paulo, a produção de café (D) comércio interno restrito e ausência de setores sociais
no Vale do Paraíba e a expansão da criação de ovinos intermediários.
em Minas Gerais. (E) menor presença de irmandades religiosas que no
(D) a preservação da população indígena, a decadência restante da Colônia.
da produção algodoeira e a introdução de operários
europeus. 05 Nos centros urbanos do Brasil colonial, a arquitetura
(E) o aumento da produção de alimentos, a integração e as artes caracterizaram-se pelo estilo:
de novas áreas por meio da pecuária e do comércio
e a mudança do eixo econômico para o Sul. (A) rococó.
(B) renascentista.
03 (C) art nouveau.
Há exagero em dizer que a extração do ouro liquidou (D) modernista.
a economia açucareira do Nordeste. Ela já estava em (E) barroco.
dificuldades vinte anos antes da descoberta do ouro (...).
Mas não há dúvida de que foi afetada pelos deslocamentos
de população e, sobretudo, pelo aumento do preço da mão
de obra escrava.
10 HISTÓRIA
7º Ano Módulo 26

01 02 O Barroco foi um estilo artístico predominante


A sede insaciável do ouro estimulou tantos a deixarem na Europa entre os séculos XVII e XVIII, chegando
suas terras e a meterem-se por caminhos tão ásperos como à América portuguesa no século XVIII. Esse estilo é
representativo do trânsito cultural entre os continentes,
são os das minas que dificultosamente se poderá dar conta
pois:
do número de pessoas que atualmente lá estão (...). A
cada ano, vêm nas frotas quantidades de portugueses e de (A) incorporou à arquitetura religiosa os vitrais góticos,
estrangeiros para passarem às minas. Das cidades, vilas e auxiliando a Igreja reformista na conversão das
recôncavos e sertões do Brasil, vão brancos, pardos e pretos, populações nativas ao protestantismo.
e muitos índios, de que os paulistas se servem. (B) implicou uma adaptação das técnicas às condições da
Colônia, utilizando como material a pedra-sabão em
ANTONIL, André João. Cultura e opulência do Brasil. São Paulo: Melhoramentos; Brasília: INL, 1976.
lugar do mármore.
(C) consolidou a pintura como modalidade artística na
A descrição anterior refere-se à sociedade formada na
Colônia, disseminando escolas para o ensino dessa
região das Minas Gerais no século XVIII. A respeito dessa
técnica nas cidades.
sociedade, considere as seguintes afirmações:
(D) privilegiou a proporcionalidade, a racionalidade e o
equilíbrio, associando-se às características da empresa
I. A possibilidade de ascensão social era mais facilitada
colonial.
do que na atividade açucareira empreendida no
(E) ampliou o horizonte temático dos artistas coloniais,
Nordeste.
enfatizando cenas do cotidiano que substituíram as
II. A riqueza gerada promoveu o desenvolvimento de
cenas bíblicas renascentistas.
uma agricultura em grande escala, voltada para a
exportação.
III. O desenvolvimento acarretou uma sociedade urbana,
heterogênea, composta por comerciantes, funcionários
reais, profissionais liberais e escravos.

Qual(is) está(ão) correta(s)?

(A) Apenas I.
(B) Apenas II.
(C) Apenas I e II.
(D) Apenas I e III.
(E) Apenas II e III.
Mineração: sociedade e cultura em HISTÓRIA 11
Minas Gerais Módulo 26 7º Ano

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HISTÓRIA 12
Módulo 27 7º Ano

Rebeliões coloniais: Emboabas, Vila Rica, Beckman e Mascates

Você saberia explicar os motivos pelos


quais a maioria dos líderes de revoltas e
motins recebe penas de morte violentas?
Sabemos que, quando uma sociedade não está satis-

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feita com o seu governo, ela mostra de alguma forma
indignação e ânsia por mudança. Seja por pequenas
rebeliões, grandes revoltas ou até mesmo revoluções,
indivíduos tentam tomar para si as responsabilidades
políticas, buscando destituir o governo vigente ou, pelo
menos, mudar a sua conduta.
Mas e quando dá errado? E quando as forças
Expectativas de aprendizagem:
repressoras do governo conseguem abafar as revoltas?
– Compreender o contexto que culminou nas revoltas
Dependendo da época e da sociedade, a punição pode durante o Período Colonial;
ser mais branda ou mais extremada, como a pena capital. – entender as especificidades das rebeliões coloniais;
Hoje, poucos Estados adotam a pena de morte em suas – reconhecer a inexistência de um intuito separatista nas
revoltas.
Constituições. Um exemplo é a Indonésia, que aplica leis
rigorosíssimas no combate ao tráfico de drogas. Quem
for pego com mais de cinco gramas de droga pode ser Apesar do sadismo velado, fazia-se isso como forma de
condenado à morte por fuzilamento. A lei não prevê dar o exemplo e amedrontar os que planejavam se voltar
exceções para estrangeiros. contra o governo: qualquer um que ousasse repetir o ato
Até a República, o Brasil apresentava postura semelhante teria o mesmo fim.
com relação a revoltas contra Portugal ou a Monarquia. Neste módulo, vamos aprender sobre as principais
Muitos foram os líderes de revoltas esquartejados e que revoltas no Brasil durante o Período Colonial. Veremos
tiveram seus membros espalhados pelas províncias. os seus motivos, objetivos e desfechos.

1. Introdução
©visual7/iStock

Muitos conhecem a Guerra dos Emboabas, dos


Mascates e as revoltas de Vila Rica e Beckman como
revoltas nativistas. Essas revoltas não tiveram um caráter
de independência, mas de reforma do Pacto Colonial,
ao contrário das revoltas consideradas emancipacionistas,
como a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana, cujo Bandeira do
Maranhão.
objetivo era romper com tal política.
Para tentar resolver os problemas da região, o
2. Revolta de Beckman (1684) governo português criou a Companhia de Comércio do
Maranhão, cuja função era vender bacalhau, azeite de
A colônia do Maranhão no século XVII tinha uma
oliva e outros produtos e escravos africanos aos colonos.
economia voltada para a lavoura do açúcar e para a
Dessa forma, a Companhia teve o monopólio do comércio
extração das drogas do sertão, fazendo uso da mão de obra
do Maranhão por 20 anos.
indígena, já que a falta de recursos dificultava a compra
de escravos africanos. Por isso, os colonos maranhenses No entanto, a criação da Companhia agravou os
passaram a invadir aldeias jesuíticas. problemas na região, pois, além de não trazer escravos
Rebeliões coloniais: Emboabas, Vila Rica, Beckman e Mascates HISTÓRIA 13
Módulo 27 7º Ano

africanos em número suficiente, ela vendia mercadorias

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de má qualidade a preços altos, usava medidas e pesos
adulterados para comprar os produtos dos colonos e
pagava preços baixos pelos produtos que comprava.
No início de 1684, liderados pelos irmãos Manuel e
Tomás Beckman, os colonos invadiram e destruíram o
colégio dos jesuítas – os quais combatiam a escravização
de índios –, saquearam os armazéns da Companhia
e depuseram o governador local. Manuel Beckman
assumiu o governo e aboliu o monopólio da Companhia
de Comércio. Mesmo assim, não conseguiu resolver os
problemas econômicos da região e não obteve apoio de
outras capitanias. Pintura representando a Guerra dos Emboabas.
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No ano de 1700, os paulistas propuseram um decreto


para a Câmara de São Paulo que concedesse as lavras
apenas aos habitantes da região. O pedido não foi
atendido, sobretudo por não interessar ao governo
português, uma vez que a quantidade de portugueses
que se dirigiam à região era grande, e quanto mais ouro
fosse encontrado, maior seria a arrecadação de impostos.
Os conflitos entre paulistas e emboabas começaram em
1708. No ano seguinte, ocorreu um episódio muito violento,
o Capão da Traição. Depois de sucessivas derrotas, os
paulistas se renderam em troca da liberdade. No entanto,
Tomás Beckman. os emboabas os atacaram, matando-os.
Em meio aos acontecimentos, Tomás Beckman, um dos A ação dos emboabas aumentou a insatisfação dos
líderes da manifestação, foi até Portugal para reafirmar sua paulistas, e, com novas derrotas, muitos deles abandonaram
lealdade às autoridades lusitanas e denunciar as infrações a região e iniciaram a procura de novas jazidas de ouro nos
cometidas pela Companhia de Comércio. A Coroa portu- atuais estados do Mato Grosso e Goiás. Ao avançarem para
guesa aboliu os privilégios da Companhia e mandou um o interior da colônia brasileira, os paulistas contribuíram
novo governador para o Maranhão. O representante do para o aumento do território brasileiro.
rei dissolveu o governo provisório, prendeu os principais Com o objetivo de pacificar a região, o governo
líderes e executou Manuel Beckman. português criou a capitania de São Paulo e Minas do
Ouro, estabeleceu regras para concessão de terras entre
3. Guerra dos Emboabas paulistas e emboabas e São Paulo deixou de ser vila para
se tornar cidade.
(1708-1709)
Os bandeirantes, originários de São Paulo, desco-
4. A Revolta de Vila Rica (1720)
briram as primeiras minas de ouro no final do século Diante das descobertas de ricas jazidas de ouro na colônia
XVII e, por esse motivo, julgavam-se detentores de brasileira, a metrópole portuguesa criou mecanismos mais
todas as riquezas da região. Os paulistas acreditavam duros para fiscalizar a produção aurífera. Com isso, os
que deveriam ter privilégios na exploração do ouro, por colonos passaram a se rebelar por causa desse rígido controle
isso se opuseram à presença de colonos vindos de outras estabelecido. Além disso, a descoberta de ouro aumentou
regiões do Brasil e de estrangeiros, como portugueses, drasticamente o preço dos produtos na região, agravando
chamados de emboabas. ainda mais a insatisfação dos mineradores.
14 HISTÓRIA
7º Ano Módulo 27

Os mineradores tentavam de todas as formas

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escapar da cobrança do quinto: era comum
o contrabando na região e esconder o ouro
produzido. Com o objetivo de controlar esse
contrabando, o rei de Portugal criou as casas
de fundição. Esses locais deveriam receber
todo o ouro produzido para ser transformado
em barras com o selo real, depois de retirado
o quinto para a Coroa portuguesa. Portanto,
o ouro só estaria em situação regular se tivesse
passado pela casa de fundição.
Com o anúncio da criação das casas
de fundição, uma multidão liderada pelo Estabelecida em 1653, a Casa de Fundição, que já serviu como quartel e Casa da Câmara e
tropeiro Filipe dos Santos elaborou um cadeia, atualmente abriga o Museu Municipal de Iguape.
documento denunciando a corrupção dos o governador de Minas Gerais, o Conde de Assumar,
funcionários da Coroa, os impostos cobrados, e exigindo fingiu aceitar as condições dos revoltosos e organizou
o fechamento das casas de fundição. Para ganhar tempo, uma repressão violenta contra eles.

A literatura e as Minas: história e poesia

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A poetisa Cecília Meireles deixou, no seu
Romanceiro da Inconfidência, um canto em que
lamenta a destruição e perseguição do governador de
Minas Gerais a Filipe dos Santos e aos outros revol-
tosos; ali, seus versos retratam um algoz cruel – “Dizem
que o Conde se ria! / mas quem ri, chora também” –,
pois abusara do poder e traíra sua própria palavra.
O poeta Carlos Drummond de Andrade, em
Passeios na ilha, referiu-se sobre o mesmo acon-
tecimento, descrevendo-o: “[As ruínas do Morro
da Queimada] são ásperas, cruéis, e se não vêm
seguramente daquele dia de julho de 1720, em que a
soldadesca de Conde de Assumar ateou fogo no arraial
de Ouro Podre”.

Carlos Drummond de Andrade também escreveu sobre a


Revolta de Vila Rica.
Rebeliões coloniais: Emboabas, Vila Rica, Beckman e Mascates HISTÓRIA 15
Módulo 27 7º Ano

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Foi a primeira cidade brasileira a ser declarada
Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela
Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura (Unesco), principalmente pela
arquitetura preservada do Período Colonial brasileiro,
com a construção de estruturas fiscalizadoras, igrejas
luxuosas e belos sobrados.

5. Guerra dos Mascates


Julgamento de Filipe dos Santos, Antonio Parreiras.
(1710-1711)
Os líderes do movimento foram presos, e suas casas,
queimadas e destruídas. Filipe dos Santos foi executado na Para entender a Guerra dos Mascates, é preciso voltar
praça principal de Vila Rica. Seus braços e pernas foram à invasão dos holandeses em Pernambuco, no século
amarrados a quatro cavalos que, partindo em direções XVII. Durante a permanência desses invasores na região,
opostas, estraçalharam-nos. A cabeça de Filipe foi exposta a cidade de Recife foi urbanizada e recebeu diversos
em Vila Rica, e as outras partes do corpo foram espalhadas investimentos.
pela capitania. A forma violenta de punição imposta pela

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Coroa era comum naquela época e visava intimidar outras
pessoas que tentassem uma nova revolta.

A cidade de Ouro Preto


©Douglas Cometti/Folhapress

Ao término do domínio português, Recife acelerou seu progresso, acirrando a


velha rivalidade com Olinda.

Depois da expulsão dos holandeses, os comerciantes


portugueses (chamados de mascates) estabeleceram-se na
cidade, desenvolvendo novos negócios. Para evitar outras
invasões, o governo português apoiou a centralização
política da região em Recife, favorecendo os comerciantes
portugueses. Essa política, no entanto, desagradou os
senhores de engenho de Olinda, pois a cidade era uma
vila e o antigo polo político de Pernambuco.

Vista da Igreja Nossa Senhora do Rosário.


A crise da economia açucareira pode ser apontada
como a grande causa da Guerra dos Mascates. Os senhores
Em 1823, após a Independência do Brasil, Vila
de engenho de Olinda foram obrigados a recorrer cons-
Rica recebeu o título de Imperial Cidade, conferido
tantemente a empréstimos dos comerciantes de Recife.
por Dom Pedro I do Brasil, tornando-se oficialmente
Esse povoado se beneficiava dos juros que recebia dos
capital da então província das Minas Gerais e passando
senhores de engenho olindenses e do intenso movimento
a ser designada como Imperial Cidade de Ouro Preto.
comercial do porto.
16 HISTÓRIA
7º Ano Módulo 27

03 Quais foram as consequências da Guerra dos

Domínio Público/Wikimedia
Emboabas?

04 Cite os objetivos da Revolta de Vila Rica.

05 Analise os fatores que levaram à guerra entre Recife


e Olinda no início do século XVII.

01
Em 1720, a Coroa portuguesa decidiu proibir defini-
tivamente a circulação de ouro em pó, instalando a Casa
de Fundição em Vila Rica, onde todo o metal extraído
das minas deveria ser transformado em barras para
depois ser transportado ao litoral. A medida pretendia
acabar com o contrabando e incrementar a arrecadação
de impostos, prejudicando os interesses dos proprietários
de lavras auríferas, comerciantes e profissionais liberais
que recebiam ouro em pó pelos seus serviços, além dos
tropeiros que escoavam a produção. As novas diretrizes
foram intensamente discutidas nos bares, nas tavernas,
A Vila de Olinda e o Porto de Recife no fim do século XVI. e críticas ferozes eram lançadas nas rodas de conversa
Para agravar a tensão entre as cidades, o governador contra a administração local. Uma revolta se levantaria
de Pernambuco passou a morar em Recife e o povoado contra as medidas de controle da Coroa.
foi elevado à categoria de vila. Assim, Recife seria legi- Eles formaram o Brasil, Fábio Pestana Ramos e Marcus Vinicius de Morais.

timada como centro político de Pernambuco. Por esses A revolta ocorrida contra as medidas de controle da Coroa
motivos, no ano de 1710, os olindenses tentaram matar portuguesa foi:
o governador e invadiram a cidade de Recife.
(A) a Guerra dos Emboabas.
Os recifenses organizaram ofensiva contra os invasores (B) a Revolta de Filipe dos Santos.
e, com a ajuda do governo português e de outras capitanias, (C) a Inconfidência Mineira.
conseguiram vencer Olinda. Um novo governador foi (D) a Guerra dos Mascates.
nomeado, Felix José de Mendonça, que prendeu mais de (E) a Revolta de Beckman.
cem integrantes da aristocracia de Olinda. A cidade de
Recife prosperou e tornou-se mais tarde a sede da capitania 02
de Pernambuco. À medida que o século chegava ao fim, agravava-se a
tensão entre os comerciantes portugueses residentes em
Recife e os produtores luso-brasileiros. Esse atrito assumiu
a forma de uma contenda municipal entre Recife e Olinda,
ou seja, entre o credor urbano e o devedor rural. Olinda era
01 Qual era o principal objetivo das revoltas coloniais a principal cidade de Pernambuco e sediava as principais
ou nativistas? instituições locais. Lá, os senhores de engenho tinham suas
casas. Por outro lado, o porto de Recife, a poucos quilômetros
02 Quais foram os fatores para a eclosão da Revolta de
de distância, era o principal local do embarque das exporta-
Beckman?
ções de açúcar da capitania.
História do Brasil: uma interpretação, Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota.
Rebeliões coloniais: Emboabas, Vila Rica, Beckman e Mascates HISTÓRIA 17
Módulo 27 7º Ano

A tensão mencionada no texto contribuiu para desenca- 04 Considerando os conflitos sociais que ocorreram no
dear qual das rebeliões coloniais citadas abaixo? Período Colonial, é correto afirmar:

(A) Aclamação de Amador Bueno da Ribeira. (A) Todos os conflitos ocorridos no Período Colonial
(B) Revolta de Beckman. entre colonos e forças metropolitanas são conside-
(C) Guerra dos Mascates. rados precursores da independência, sendo iniciados
(D) Guerra dos Emboabas. por grupos de colonos sempre oprimidos que
(E) Revolta de Filipe dos Santos. buscavam mais liberdade, igualdade e fraternidade.
(B) Foram movimentos nativistas que, estimulados pelo
03 antiabsolutismo e por ideias liberais, lutavam pela
Dom Pedro Miguel de Almeida Portugal – Conde independência do Brasil.
de Assumar – casou-se em 1715 com D. Maria José de (C) A Revolta de Vila Rica de 1720, que teve a liderança
de Filipe dos Santos, foi motivada pela crise da
Lencastre. Daí a dois anos partiria para o Brasil como
economia aurífera e tinha como principal objetivo a
governador da capitania de São Paulo e Minas Gerais. Nas independência do Brasil.
Minas, não teria sossego, dividido entre o cuidado ante (D) A maior parte dos conflitos nos 300 anos de adminis-
virtuais levantes escravos e efetivos levantes de poderosos; tração portuguesa não teve por finalidade a separação
o mais sério destes o celebrizaria como algoz: foi o Conde entre Brasil e Portugal.
de Assumar que, em 1720, mandou executar Filipe dos (E) Não há registros de participação popular e muito
Santos sem julgamento, sendo a seguir chamado a Lisboa menos de escravos em nenhum dos conflitos
ocorridos na América portuguesa.
e amargurado um longo ostracismo.
Norma e conflito: aspectos da história de Minas no século XVIII, Laura de Mello e Souza. 05 A Revolta de Filipe dos Santos (1720), em Minas
Gerais, resultou, entre outros motivos, da:
A morte de Filipe dos Santos esteve vinculada a:
(A) intromissão dos jesuítas no ativo comércio dos
(A) uma sublevação em Vila Rica, que envolveu vários paulistas na região das minas.
grupos sociais, descontentes com a decisão de levar (B) disseminação das ideias oriundas dos filósofos do
todo ouro extraído para ser quintado nas casas de Iluminismo francês.
fundição. (C) criação das casas de fundição e das moedas, a fim de
(B) um movimento popular que exigia a autonomia controlar a produção aurífera.
de Minas Gerais da capitania do Rio de Janeiro e o (D) tentativa de afirmação política dos portugueses sobre
imediato cancelamento das atividades da Companhia a nascente burguesia paulista.
de Comércio do Brasil. (E) tensão criada nas minas, em virtude do monopólio
(C) uma revolta denominada Guerra do Sertão, da Companhia de Comércio do Maranhão.
comandada por potentados locais, que não aceitavam
as imposições colonialistas portuguesas, como a
proibição do comércio com a Bahia.
(D) uma insurreição comandada pela elite colonial,
inspirada no sebastianismo, que defendia a emanci-
01 Relacione o desempenho da Companhia de Comércio
pação da região das minas do restante da América
do Maranhão com a deflagração da Revolta de Beckman.
portuguesa, com a criação de uma nova monarquia.
(E) uma rebelião, que contrapôs os paulistas – desco-
02 Estabeleça as diferenças políticas e econômicas entre
bridores das minas e primeiros exploradores – e
Recife e Olinda no século XVIII.
os chamados emboabas ou forasteiros – pessoas de
outras regiões do Brasil, que vieram atrás das riquezas
de Minas.
HISTÓRIA 18
Módulo 28 7º Ano

Revoltas separatistas:

©masterSergeant/iStock
Conjuração Mineira

Você já se perguntou por que comemoramos


o feriado de Tiradentes?
Muitos sabem que Tiradentes foi um dos líderes de
uma revolta e que foi morto e esquartejado pelas forças
repressivas coloniais. No entanto, existiram muitos outros
mártires na história do Brasil que não ganharam uma
celebração nacional pelos seus feitos. Então, por que
Expectativas de aprendizagem:
Tiradentes?
– Relacionar a Conjuração Mineira ao período da mineração;
É necessário explicar que Joaquim José da Silva Xavier, – entender as motivações para a sedição e o seu
o Tiradentes, é um mito e símbolo republicano. Sendo um desdobramento para o processo de independência;
dos líderes da Inconfidência Mineira, ele não só lutou pela – identificar as origens do mito de Tiradentes.
instauração de uma república em Minas Gerais, como
também foi morto defendendo-a. Neste módulo, vamos entender todo o processo da
Portanto, o feriado de Tiradentes, no dia 21 de abril – Inconfidência Mineira, tal como os seus antecedentes
data de sua morte –, é celebrado por ele representar um e os seus motivos e objetivos, além de compreender a
herói da República brasileira. participação de Tiradentes na revolta.

1. Antecedentes como Revolução Industrial, e os franceses do Terceiro


Estado estavam lutando pelo fim dos privilégios da
No final do século XVIII, aconteceram mudanças nobreza e do clero. As lutas revolucionárias culminaram
significativas no mundo ocidental. Na Europa, a Inglaterra na Revolução Francesa, que suprimiu o poder absolutista
passou por um processo de industrialização, conhecido dos reis e transformou o mundo do Antigo Regime.

A importância do Iluminismo para a iluminista já circulava por aqui, oculto nas bibliotecas
Inconfidência Mineira particulares, avidamente almejado pelos intelectuais
Os pensadores do Iluminismo defendiam o uso da leigos ou religiosos. As ideias de Locke, Montes-
razão para clarear a relação do homem com o mundo. quieu e Rousseau foram
©GeorgiosArt/iStock

Em muitos aspectos, o século XVIII ainda estava fundamentais para a


mergulhado em relações sociais e econômicas herdadas contestação ao sistema
da Idade Média. colonial. Além disso, o
Iluminismo gerou uma
Não obstante, nesse contexto de opressão, os ideais
percepção mais acabada
de liberdade, igualdade e fraternidade começavam
em relação à crise do
a ser amplamente divulgados. No Brasil do século
Antigo Regime, repre-
XVII, o cenário geral era de exploração. Em Minas,
sentada pela decadência
pelas riquezas das lavras de ouro e diamante, o rigor
do absolutismo e pelas
da vigilância foi ainda maior. Proibia-se a abertura de
mudanças que se pro-
estradas, de fábricas e de engenhos.
cessavam em várias Jean-Jacques Rousseau.
Contudo, apesar da mão de ferro das autoridades nações.
portuguesas, no final do século XVIII, o espírito
Revoltas separatistas: Conjuração Mineira HISTÓRIA 19
Módulo 28 7º Ano

Na América do Norte, os colonos das Treze Colônias

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utilizaram as ideias de liberdade para lutar contra o
domínio metropolitano inglês. A independência da região
representou uma fonte de inspiração para que outras
colônias pudessem seguir o mesmo caminho. Todos os
acontecimentos citados tiveram grande impacto no Brasil,
pois os colonos buscaram pela primeira vez a libertação
do domínio colonial português.
A fiscalização da produção de ouro foi um dos fatores para as revoltas em

Domínio Público/Wikimedia
Minas Gerais.

O Brasil era a única salvação econômica para manter


a economia portuguesa estável. No entanto, o ouro
enviado em grandes remessas para os cofres lusitanos
começava a diminuir. Essa conjuntura obrigou a Coroa
portuguesa a adotar medidas para garantir a produção
de ouro. É possível citar:
• o aumento da fiscalização em torno da produção de
ouro;
• a proibição da instalação de engenhos de açúcar na
região, para que os escravos africanos trabalhassem
apenas na produção de ouro;
• a determinação de que o quinto (20%) teria que ser
superior a 1.500 quilos de ouro por ano.

Além disso, o governo português decretou o Alvará


de 1785, que proibiu o funcionamento de manufaturas
Declaração de Independência dos Estados Unidos.
nas colônias. Essa imposição metropolitana – que visava
impedir desvios da mão de obra do campo para as fábricas
2. Fatores para a – paralisou a produção manufatureira em Minas Gerais e
Inconfidência Mineira obrigou os mineiros a importarem tudo que consumiam.
A tensão atingiu o auge em 1788, quando chegou o
A situação portuguesa no final do século XVIII novo governador da capitania, o Visconde de Barbacena,
era péssima: o país era pobre, com poucas manufaturas que tinha instruções de aumentar a receita da Coroa e, por
e estava em dívida com os ingleses. O ouro brasileiro isso, anunciou a decretação da derrama – um tributo que
extraído pelos portugueses foi drenado para a Inglaterra, deveria ser cobrado de toda a população de Minas Gerais
como forma de pagamento das manufaturas produzidas para cobrir a dívida dos mineradores, por não atingirem
pelo país. a cota mínima de impostos.

Produção de ouro em Minas Gerais (séc. XVIII)


10,1
9,4 9,6
9
produção (toneladas)

8,7
7,9
7,2 6,9
6,5 6,5 6,7 6,5 6,2
5,4 TAVARES, Ruzimar Batista. Atividades
4,4 4,8 extrativas minerais e seus corolá-
1,2
3,6 rios na Bacia do Alto Ribeirão do
3,1
Carmo: da descoberta do ouro aos
1,5 dias atuais. 2006. Dissertação –
Universidade Federal de Ouro Preto,
1705 1710 1715 1720 1725 1729 1734 1739 1744 1749 1754 1759 1764 1769 1774 1779 1784 1789 1794 1799
Ouro Preto, MG.
20 HISTÓRIA
7º Ano Módulo 28

A capitania de Minas Gerais devia a Portugal mais imediata dos escravos, enquanto outros acreditavam que
de cinco toneladas de ouro. Os colonos argumentavam a independência tinha que ser feita para manter os privi-
que não podiam pagar, pois o ouro estava se esgotando. légios das elites, sem a organização de reformas sociais.
As autoridades portuguesas afirmavam que o ouro não
chegava por causa da corrupção e do contrabando. 4. O fim do movimento
O movimento foi organizado para acontecer no
3. A organização do movimento dia da decretação da derrama, quando as autoridades
Devido ao aumento da pressão portuguesa, a indepen­ portuguesas começassem a cobrar os impostos atrasados.
dência de Minas Gerais era, para muitos, a única solução O plano, entretanto, não se concretizou, pois Joaquim
para a melhoria da vida dos colonos. Em 1789, um grupo Silvério dos Reis delatou a conspiração para as autori-
de homens da elite planejou uma revolta para promover dades, em troca do perdão de suas dívidas.
a emancipação da colônia brasileira. O governador de Minas suspendeu a derrama e
Entre os conjurados (rebeldes), é possível citar o poeta ordenou a prisão dos principais envolvidos. O processo
e desembargador Tomás Antônio Gonzaga, o poeta e contra os conspiradores, conhecido como devassa, levou
advogado Cláudio Manuel da Costa, o minerador e advogado três anos. Todos os rebeldes tiveram seus bens confiscados,
Inácio José de Alvarenga Peixoto, o padre Oliveira Rolim e o 9 foram expulsos para a África e 11 foram condenados por
contratador Joaquim Silvério dos Reis. Essas pessoas tinham, enforcamento, mas 10 tiveram sua pena modificada para
em sua maioria, dívidas com a Coroa portuguesa. o exílio na África. Apenas a sentença de Tiradentes foi
mantida: no dia 21 de abril de 1792, aconteceu a execução.
O corpo de Joaquim José da Silva Xavier foi esquartejado; a
cabeça ficou em Vila Rica, e os membros foram colocados
em postes nas estradas entre Minas Gerais e Rio de Janeiro.

©Halley Pacheco de Oliveira/Wikimedia


Domínio Público/Wikimedia

O poeta árcade
Tomás Antônio
Gonzaga, uma
das figuras do
movimento.

Entre os rebeldes, havia um dentista, tropeiro, garimpeiro


e militar: Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tira­
dentes. Ele era o maior propagandista da independência de
Minas Gerais. Os objetivos do movimento eram os seguintes:
• a proclamação da República;
• o perdão das dívidas dos mineiros;
• a criação de uma universidade em Vila Rica;
FIGUEIREDO, Aurélio de. Martírio de Tiradentes. 1893. Óleo sobre tela. Rio de
• o incentivo de manufaturas no Brasil.
Janeiro, Museu Histórico Nacional.
No entanto, a escravidão era um tema de conflito
entre os conspiradores, pois alguns defendiam a abolição
Revoltas separatistas: Conjuração Mineira HISTÓRIA 21
Módulo 28 7º Ano

O mito Tiradentes
Por que Tiradentes foi o único dos revoltosos do 01 Aponte as principais ideias que influenciaram os
mineiros no final do século XVIII.
século XVIII a ser transformado em herói nacional?
A figura de Tiradentes foi um instrumento cultural 02 Explique a situação portuguesa em relação às
apropriado para a formulação da ideia de nação e de medidas implementadas na capitania de Minas Gerais na
nacionalismo do Brasil, durante o regime republicano. segunda metade do século XVIII.
Não por acaso, ele representa um mito que ultrapassou
os eventos do século XVIII, pois começou a ser cons- 03 Aponte os fatores para a eclosão da Inconfidência
Mineira.
truído no século XIX, em um momento de criação da
nação e da identidade nacional. 04 Identifique os principais objetivos da revolta.
Em 1873, com a publicação da obra História da
Conjuração Mineira, Joaquim Norberto de Souza e 05 Comente o desfecho do movimento mineiro.
Silva foi o primeiro autor a estabelecer a associação
do herói com Cristo. Foi, sobretudo, depois da
Proclamação da República que o “mito” Tiradentes
recebeu honras de um republicano que no século
01 Leia atentamente as seguintes afirmações sobre a
XVIII já havia organizado uma luta antimonarquista.
chamada Inconfidência Mineira:
Tiradentes representou a rebeldia que refletia o caráter
plebeu e humilde de um homem do povo que lutou I. A Inconfidência Mineira foi um movimento de
pela independência do seu país e morreu resignado contestação à Coroa portuguesa, em função do
por ter cumprido um dever cívico. aumento de impostos sobre o açúcar, principal
Resumindo, ele era ligado à redenção de um produto de Minas Gerais no século XVIII.
II. Predominava, entre os inconfidentes, a ideia de se
herói nacional. Isso porque a República não possuía
criar uma república.
nenhuma figura capaz de sintetizar e de sustentar III. Dos inconfidentes, apenas Joaquim José da Silva
simbolicamente o novo regime. Instalada a República, Xavier, o Tiradentes, foi morto; a maioria foi
por decreto de 1890, o dia 21 de abril foi declarado condenada à prisão e ao degredo.
feriado nacional, juntamente com o 15 de novembro.
Assinale a alternativa correta:
©Andrevruas/Wikimedia

(A) Apenas as proposições I e III são verdadeiras.


(B) Apenas as proposições II e III são verdadeiras.
(C) Todas as proposições são verdadeiras.
(D) Apenas a proposição I é verdadeira.
(E) Nenhuma proposição é verdadeira.

02 Foi um movimento de libertação colonial que queria


o fim do Pacto Colonial, mas não preconizava a abolição
da escravidão:

(A) Guerra dos Emboabas.


(B) Conjura Carioca.
(C) Revolta dos Malês.
(D) Inconfidência Mineira.
(E) Revolta do Maneta.

Estátua de Tiradentes em Belo Horizonte. 


22 HISTÓRIA
7º Ano Módulo 28

03 (C) Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.


Era óbvia a sedução que o enforcamento do alferes (D) Somente as afirmativas I, III e IV estão corretas.
representava para o governo português: pouca gente levaria (E) Todas as afirmativas estão corretas.
a sério um movimento chefiado por um simples Tiradentes
05 Acerca da Inconfidência Mineira (1789), é correto
(e as autoridades lusas, depois de 1790, invariavelmente afirmar que:
se referiam ao alferes por seu apelido de Tiradentes). Um
julgamento-exibição, seguido pela execução pública de (A) a Coroa portuguesa, diante da possível vitória do
Silva Xavier, proporcionaria o impacto máximo, como movimento, negociou com os inconfidentes e propôs
advertência, ao mesmo tempo em que minimizaria e a anistia total aos revoltosos.
ridicularizaria os objetivos do movimento: Tiradentes seria (B) o projeto dos inconfidentes, com o objetivo de
deslocar mão de obra para as minas, incluía o fecha-
um perfeito exemplo para outros colonos descontentes e
mento de engenhos e de fábricas de tecidos.
tentados a pedir demais antes do tempo. (C) a maior parte da direção do movimento era formada
MAXWELL, Kenneth. A devassa da devassa, 1978. por pessoas pobres e, em suas propostas, havia a
defesa da extinção da propriedade privada.
O texto permite afirmar que:
(D) a rebelião ocorreu em um contexto no qual acontecia
a diminuição da produção do ouro e o aumento na
(A) o fato de o movimento ser chefiado por um simples
cobrança de imposto por parte da Coroa portuguesa.
Tiradentes foi a razão do seu fracasso.
(E) a introdução do trabalho livre em substituição à
(B) o governo tentou diminuir a relevância da revolta e
mão de obra escrava e a indenização aos grandes
aplicou punição exemplar em Tiradentes.
proprietários escravagistas eram defendidas pelos
(C) o alferes foi enforcado por sua capacidade de liderar
inconfidentes.
e seduzir os setores mais pobres do povo.
(D) o despreparo de Tiradentes acabou por frustrar os
planos de revolta contra os portugueses.
(E) o movimento chefiado por Tiradentes não chegou a
preocupar as autoridades portuguesas.
01 Na história brasileira, a representação de Tiradentes,
04 A partir de seus conhecimentos sobre a Conjuração um dos protagonistas da Inconfidência Mineira (1788-
Mineira (1789), examine as afirmativas a seguir: -1789), exemplifica um processo de transformação de
alguns de seus personagens em heróis nacionais.
I. Inspirados pelas ideias iluministas, os conjurados
mineiros defenderam a liberdade de comércio e a Apresente duas propostas políticas da Inconfidência
independência da região das minas. Mineira.
II. Dentre os grupos sociais envolvidos no movimento,
destacaram-se os proprietários de lavras e de terras, 02 Leia o texto a seguir:
os oficiais militares, os clérigos, os letrados e os
escravos. Se, na monarquia, Tiradentes, quando lembrado,
III. O exemplo da possibilidade de quebra do vínculo
era apresentado como um homem sem habilidades e
colonial representado pela independência das Treze
Colônias exerceu influência entre aqueles que plane- realização profissional, no início da República ele passou
jaram a conspiração. a ser descrito como personagem de múltiplos talentos,
IV. O declínio da exploração aurífera, na segunda metade entre os quais o talento político e revolucionário. Já no
do século XVIII, e a iminente cobrança da derrama Estado Novo, tornava-se exemplo do brasileiro laborioso
foram fatores que contribuíram para aumentar a e dotado de inúmeras qualidades...
insatisfação dos colonos mineiros com a Coroa
FONSECA, Thais Nívia de Lima e. “A imagem do herói”. In: Nossa história.
portuguesa. São Paulo: Editora Vera Cruz, n. 3, 2004. p. 81.

Assinale a alternativa correta: a. A que episódio célebre da história brasileira se liga o


personagem citado no texto?
(A) Somente as afirmativas I e II estão corretas.
b. Qual é a razão imediata para o início desse episódio?
(B) Somente as afirmativas I e III estão corretas.
HISTÓRIA 23
Módulo 29 7º Ano

Revoltas separatistas: Conjuração Baiana

Você consegue fazer alguma relação entre a


Primavera Árabe e a Conjuração Baiana?
Ficou conhecido como Primavera Árabe o conjunto
de rebeliões que ocorreu no mundo árabe – mais preci-
samente Tunísia, Egito, Síria, Líbia, entre outros –, no
início de 2011, cujo principal intuito foi destituir ditadores
que estavam no poder em seus respectivos países havia
décadas. Os movimentos de maioria jovem lutavam,
também, por liberdade e maiores oportunidades.
O que aproxima a Primavera Árabe da Conjuração
Baiana é o fato de que os revoltosos de ambos os movi-
mentos usaram as mídias de sua época para difundir seus
ideais. Nas revoltas do mundo árabe, os protestos e as
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manifestações existiram não apenas nas ruas, mas também
em redes sociais, como YouTube, Twitter, Facebook etc. Já
a sedição baiana utilizou panfletos distribuídos na porta
de uma igreja para divulgar suas ideologias e seus anseios.
Neste módulo, vamos entender as motivações para Expectativas de aprendizagem:
– Relacionar a Conjuração Baiana à crise do Nordeste;
a revolta dos baianos, a composição social dos manifes-
– notar a composição social da sedição, essencialmente
tantes e por que a distribuição dos panfletos desfavoreceu popular e negra;
a insurreição. – identificar as influências para a conjuração.

1. Antecedentes 2. Fatores para a revolta


Dez anos depois da revolta em Minas Gerais em Os fatores para a eclosão da revolta podem ser expli-
1789, outro movimento com o objetivo de independência cados pela péssima situação pela qual passava a população
ocorreu no Brasil: a Conjuração Baiana. Os rebeldes pobre de Salvador. As altas constantes nos preços dos
baianos eram, em sua maioria, pobres; já os mineiros alimentos – como carne, sal, azeite, milho – acabaram
faziam parte da elite letrada. causando uma fome generalizada na cidade. Além disso,
A Bahia já não desfrutava mais o poder político podem-se citar:
e econômico que tinha quando Salvador era a capital • o monopólio comercial português, que encarecia a
da colônia brasileira. Em 1763, o Rio de Janeiro passou importação de produtos essenciais;
a ser a capital, e, no âmbito econômico, a lavoura de • a proibição da produção de manufaturas no Brasil,
açúcar não conseguia mais sustentar a economia baiana. após a decretação do Alvará de 1785;
A cidade de Salvador, no final do século XVIII, possuía • os altos impostos cobrados pelos portugueses.
cerca de 60 mil habitantes, dentre os quais 40 mil eram
negros e mestiços. O restante da população livre vivia
com dificuldades, sendo discriminado por sua cor e por
ser pobre. Era formado por soldados, artesãos, pescadores,
alfaiates e vendedores ambulantes.
24 HISTÓRIA
7º Ano Módulo 29

O Alvará de 1785

Domínio Público/Wikimedia
A rainha D. Maria I reverteu algumas medidas
estabelecidas pelo Marquês de Pombal, entre elas, a
permissão da instalação de algumas manufaturas no
Brasil. Leia abaixo parte do alvará, com a justificativa
da medida:
“Eu a rainha faço saber aos que este alvará virem:
que sendo-me presente o grande número de fábricas
e manufaturas que de alguns anos por esta parte se
têm difundido em diferentes capitanias do Brasil,
com grave prejuízo da cultura, e da lavoura, e da
exploração de terras minerais daquele vasto conti-
nente; porque havendo nele uma grande, e conhecida,
falta de população, é evidente que, quanto mais se
multiplicar o número dos fabricantes, mais diminuirá
o dos cultivadores; e menos braços haverá que se
possam empregar no descobrimento, e rompimento
de uma grande parte daqueles extensos domínios que
ainda se acha inculta, e desconhecida.”
D. Maria I de Portugal.

3. Objetivos do movimento
Embora as classes pobres fossem mais sensíveis à Além disso, os intelectuais baianos produziram,
situação econômica da região, o movimento contou com dentro da loja maçônica (sociedade secreta) Cavaleiros
a participação de intelectuais importantes. Podem ser da Luz, folhetos, pasquins (jornais) e manuscritos que
citados o médico Cipriano Barata, o padre Agostinho convocavam o povo a apoiar uma proposta de liberdade
Gomes, o senhor de engenho Joaquim Inácio de Siqueira para a Bahia.
Bulcão e os professores Francisco Muniz Barreto e José Na manhã do dia 12 de agosto de 1798, a cidade de
da Silva Lisboa. Esses homens reuniram-se para traduzir Salvador acordou com centenas de cartazes em diversos
e estudar os principais pensadores iluministas. pontos. Nos escritos, os rebeldes defendiam:
Domínio Público/Wikimedia

• a proclamação de uma república democrática


(inspirada na república jacobina francesa);
• a abertura dos portos brasileiros a todas as nações
(liberdade comercial);
• o fim dos preconceitos contra a população negra;
• a diminuição dos impostos;
• o aumento dos salários dos trabalhadores.

Bandeira da Conjuração Baiana. As cores da bandeira do movimento (azul,


branco e vermelho) são, até hoje, as cores da Bahia.
Revoltas separatistas: Conjuração Baiana HISTÓRIA 25
Módulo 29 7º Ano

No momento em que os intelectuais perceberam a 4. Desfecho da Conjuração


possibilidade de radicalização das reivindicações e de
grande adesão popular, eles se afastaram do movimento. A revolta também foi delatada por um “traidor”, como
Com isso, os soldados Lucas Dantas e Luiz Gonzaga das ocorreu na Inconfidência Mineira, em 1789. Dessa vez, o
Virgens e os alfaiates João de Deus e Luís Pires passaram traidor foi José da Veiga, que contou ao governador da
a liderar o movimento. Bahia a hora, o dia e o local em que seria realizada a última
reunião para colocar o movimento nas ruas de Salvador.
Assim, o governo organizou a reação ao movimento, que
A Independência do Haiti ficou conhecido como Conjuração Baiana ou Revolta
Durante o século XVIII, muitos países latino- dos Alfaiates, devido ao grande número de alfaiates
-americanos se envolveram em lutas por suas participantes.
independências perante as metrópoles colonizadoras, Avisados a tempo, muitos revoltosos, principalmente
como França, Portugal e Espanha. O primeiro desses os ligados à loja maçônica, conseguiram fugir. No entanto,
países foi o Haiti, que se tornou independente da a partir da lista de suspeitos indicada por José da Veiga e
França por meio de uma conturbada revolução. Antes de novas denúncias, depois de alguns dias de vigilância,
chamada de Saint Domingue, a colônia era o maior diversos participantes foram presos. A grande culpa recaiu
produtor de açúcar do mundo e principal exportador sobre Luiz Gonzaga das Virgens, Lucas Dantas, João de
de produtos como o café para a Europa. Deus e Manuel Faustino Santos, condenados à forca e
A população, que tinha cerca de 500 mil pessoas, esquartejados. Seus corpos foram colocados em diferentes
era composta por aproximadamente 35 mil brancos, 30 locais da Bahia. Outros envolvidos foram exilados na
mil mulatos livres e 430 mil escravos negros que tinham África, e os escravos que participaram da conjuração foram
sido trazidos do continente africano. Percebendo sua açoitados e vendidos para fora de Salvador.
maioria demográfica na sociedade, em 1791, esses

©Sérgio Pedreira/Folhapress
escravos se mobilizaram, unidos com mulatos livres
e ex-escravos, com o objetivo de dar fim ao domínio
exercido pela minúscula elite branca que controlava os
poderes e as instituições políticas do local.
Domínio Público/Wikimedia

François-Dominique Toussaint
Louverture, líder da independência
do Haiti.

Sob a liderança do líder Toussaint Louverture,


eles conseguiram tomar a colônia e extinguir a ordem
vigente, tornando-se independentes. Mais tarde,
quando a França estava sob o domínio das classes Busto de João de Deus Nascimento, líder da Conjuração Baiana.
populares, o governo metropolitano decidiu abolir a
escravidão em todas as suas colônias.
26 HISTÓRIA
7º Ano Módulo 29

03 Analise o texto e a imagem que seguem:

Seus objetivos foram mais abrangentes, não se


01 Analise a situação da capitania da Bahia antes da limitando apenas aos ideais de liberdade e independência.
Conjuração Baiana.
O levante do final do século XVIII propunha mudanças
02 Cite alguns fatores para a eclosão da Conjuração verdadeiramente revolucionárias na estrutura da Colônia.
Baiana. Pregava a igualdade de raça e de cor, o fim da escravidão, a
abolição de todos os privilégios, podendo ser considerada
03 Identifique os principais objetivos da revolta baiana a primeira tentativa de revolução social brasileira.
de 1798. COSTA & MELO. História do Brasil. São Paulo: Scipione, 1999. p. 118.

04 Por que a Conjuração Baiana também é conhecida


como Conjuração dos Alfaiates?

05 Comente como terminou a Conjuração Baiana.

01 Os principais movimentos que refletiram a crise


do sistema colonial brasileiro tiveram vários pontos em
comum, mas apenas um deles discutiu a abolição da
escravatura e contava com a participação das camadas
mais pobres.
NOVAES & LOBO. História do Brasil para principiantes. 2. ed.
Esse enunciado se refere à: São Paulo: Ática, 1998. p. 129.

(A) Inconfidência Mineira. Assinale a alternativa que contém o nome desse


(B) Sabinada. movimento e indica a fonte de uma das principais influ-
(C) Confederação do Equador. ências externas por ele recebidas:
(D) Conjuração Baiana.
(E) Cabanagem. (A) Guerra dos Mascates – Revolução Inglesa.
(B) Inconfidência Mineira – Independência dos Estados
02 Referente à Conjuração Baiana, é correto afirmar que: Unidos.
(C) Conjuração Baiana – Revolução Francesa.
(A) defendia a livre produção, a industrialização, a doação (D) Confederação do Equador – Congresso de Viena.
de terras às famílias pobres, porém preconizava a (E) Revolta dos Malês – Revolução Independentista do
manutenção da escravidão. Haiti.
(B) eclodiu devido à criação das casas de fundição.
(C) promovida pela Sociedade Literária Carioca, mesmo 04 A respeito da Conjuração Baiana, considere as
sem mártires e sem grandes heroísmos, atestava a afirmações a seguir:
divulgação crescente na Colônia da ideologia liberal.
(D) influenciados pelas ideias liberais, os irmãos Suassuna I. Ela seguiu o exemplo da Inconfidência Mineira e da
elaboraram um projeto de independência para a Conjuração Carioca, pois apresentava as mesmas
província, mas logo foram presos e punidos. motivações e características.
(E) muitos alfaiates, sapateiros, bordadores, carapinas II. Ela objetivou a proclamação imediata da República,
e pedreiros aderiram ao movimento, que, por isso, sob inspiração da Revolução Francesa, e defendeu o
ficou conhecido como Revolta dos Alfaiates. fim da escravidão.
Revoltas separatistas: Conjuração Baiana HISTÓRIA 27
Módulo 29 7º Ano

III. Ela envolveu, entre seus participantes, pessoas


oriundas das camadas populares, como escravos,
artesãos e soldados, quase todos negros ou mulatos.
01 Na manhã de 12 de agosto de 1798, um panfleto
Qual(is) está(ão) correta(s)? revolucionário afixado em vários lugares da cidade de
Salvador dizia:
(A) Apenas II.
(B) Apenas I e II. Povo, o tempo é chegado para vós defendêreis a vossa
(C) Apenas I e III. Liberdade; o dia da nossa revolução, da nossa Liberdade
(D) Apenas II e III. e de nossa felicidade está para chegar, animai-vos que
(E) I, II e III. sereis felizes.

05 DEL PRIORE, Mary et al. Documentos de História do Brasil -


de Cabral aos anos 90. São Paulo: Scipione, 1997. p. 38.

Ó vós Homens cidadãos; ó vós povos curvados e


abandonados pelo Rei, pelos seus despotismos, pelos A partir desse texto e de seus conhecimentos:
seus ministros. Ó vós povo que nascestes para seres livres
a. diga que movimento produziu o panfleto citado.
e para gozardes dos bons efeitos da liberdade... O dia da
b. cite três acontecimentos ocorridos no período, na
nossa revolução está para chegar, animai-vos, que sereis esfera internacional, que podem ser relacionados a
felizes para sempre. esse movimento.
Panfleto: “Aviso ao povo Bahiense”.

02
O fragmento apresentado se refere ao movimento
conhecido como Conjuração dos Alfaiates. Com relação No clima de opinião que se seguiu à revolta de São
a esse movimento ocorrido na Bahia em 1798, é correto Domingos (Haiti), a descoberta de planos de uma revolta
afirmar que os revoltosos pretendiam: armada dos artesãos mulatos da Bahia (Conjuração
Baiana), no decorrer de 1798, teve um impacto todo
(A) instalar uma República Provisória na cidade de São especial, pois os planos demonstravam o que os brancos
Salvador, com apoio da elite burocrática e de alguns pensantes já haviam começado a perceber: as ideias de
membros do alto clero. igualdade social, se propagadas em uma sociedade em
(B) defender o fim da dominação colonial, garantindo,
que apenas um terço da população era branca, seriam,
porém, a preservação do regime monárquico e a
manutenção da escravidão. inevitavelmente, interpretadas em termos raciais.
(C) estabelecer um governo democrático na capitania da MAXWELL, Kenneth. Chocolate, piratas e outros malandros. Ensaios tropicais.
São Paulo: Paz e Terra, 1999. p. 167 (adaptado).
Bahia de Todos os Santos, com igualdade de direitos,
sem distinção de cor ou riqueza.
(D) protestar contra a política mercantilista portuguesa, As revoltas ocorridas em São Domingos no final do
buscando conseguir o apoio do governo norte- século XVIII levaram a colônia antilhana a um movimento
-americano para pôr fim ao Pacto Colonial. de emancipação política bastante peculiar (1804). Essas
(E) desenvolver na região uma economia com base na revoltas influenciaram movimentos populares ocorridos
exportação de produtos industrializados com o uso em outras sociedades latino-americanas, inclusive no Brasil.
dos escravos indígenas.
Cite uma proposta da Conjuração Baiana que evidencie a
influência das revoltas de São Domingos no Haiti.
28 HISTÓRIA
7º Ano Módulo 29

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HISTÓRIA 29
Módulo 30 7º Ano

Revisão

01 Acerca desse contexto e sobre o ciclo do ouro, é correto


As revoltas nativistas foram aquelas que tiveram como afirmar, exceto:
causa principal o descontentamento dos colonos brasi-
(A) Ocorreu a intensificação das bandeiras de apresa-
leiros com as medidas tomadas pela Coroa portuguesa.
mento e a escravização dos indígenas, que eram a
Ocorreram entre o final do século XVII e início do XVIII. principal mão de obra na exploração do ouro de
Disponível em: <www.historiadobrasil.net/brasil_colonial/revoltas_nativistas.htm>. aluvião e das lavras.
Acesso em: 22 jul. 2016.
(B) A ação dos tropeiros contribuiu para o surgimento
de um mercado interno. A região mineradora era
Entre as principais revoltas nativistas, destacam-se:
abastecida por essa atividade com charque e outros
derivados da pecuária.
(A) Beckman e Filipe dos Santos.
(C) A Guerra dos Emboabas foi um conflito que resultou
(B) Cabanagem e Balaiada.
das tentativas de controle das minas de ouro desco-
(C) Sabinada e Farrapos.
bertas pelos colonos e bandeirantes que desejavam
(D) Carrancas e Setembrada.
o monopólio da exploração e eram contrários à
presença de portugueses e exploradores de outras
02 No Brasil colonial, existiam homens que saíam da
regiões.
região de São Vicente e se dirigiam para o interior do
(D) As casas de fundição exerciam a função de controlar
Brasil através de florestas e rios. Tais expedições tinham,
a cobrança do quinto, um imposto sobre o ouro
de maneira geral, como objetivo a captura de índios e a
extraído pelos mineradores. O ouro “quintado” era
busca de metais preciosos. Trata-se dos:
transformado em barras com o selo real português.
(A) faiscadores.
05 Fazendo um paralelo entre os movimentos revolucio-
(B) emboabas.
nários, a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana,
(C) bandeirantes.
podemos afirmar que:
(D) capitães do mato.
(E) feitores.
(A) enquanto os participantes da Inconfidência Mineira,
em geral, buscaram como modelo político a república
03 A Inconfidência Mineira (1789) e a Conjuração
organizada nos Estados Unidos, na Conjuração
Baiana (1798) tiveram semelhanças e diferenças signifi-
Baiana foi clara a inspiração na Revolução Francesa.
cativas. É correto afirmar que:
(B) a existência da imprensa livre no século XVIII no
Brasil possibilitou a difusão dos ideais de liberdade
(A) as duas revoltas tiveram como objetivo central a luta
e igualdade em Minas e em outras regiões do país,
pelo fim da escravidão.
possibilitando o êxito dos revoltosos.
(B) a revolta mineira teve caráter eminentemente popular
(C) na capitania das Minas Gerais, o consumo de livros
e a baiana, aristocrático e burguês.
era inferior, quando comparado a outras capitanias,
(C) a revolta mineira propunha a independência brasileira
o que dificultou a discussão dos ideais emancipacio-
e a baiana, a manutenção dos laços com Portugal.
nistas pelos setores médios urbanos.
(D) as duas revoltas obtiveram vitórias militares no início,
(D) na Inconfidência Mineira, houve um amplo apoio
mas acabaram derrotadas.
das camadas populares, dando maior força ao
(E) as duas revoltas incorporaram e difundiram ideias e
movimento, enquanto a Conjuração Baiana ficou
princípios iluministas.
restrita a intelectuais.
(E) na Conjuração Baiana, os envolvidos restringiram
04 A mineração durante o Período Colonial brasileiro foi
suas ações a reuniões secretas coordenadas pela loja
uma das frentes que contribuíram para a interiorização da
maçônica Cavaleiros da Luz, sem nenhuma iniciativa
economia e para o surgimento de vilas e cidades no interior.
de convocação pública para a luta.
30 HISTÓRIA
7º Ano Módulo 30

01 Discutiu-se muito, no segundo semestre de 2015, no 02


Brasil, a problemática do aumento dos impostos devido Em 1682, foi criada a Companhia Geral do Comércio
ao déficit de 30 milhões nas contas públicas. Nesse debate, do estado do Maranhão, com o objetivo de controlar os
é possível visualizar recorrências a episódios da história
atritos entre fazendeiros e religiosos na disputa pelo trabalho
política brasileira, conforme observamos na charge a seguir:
indígena, mais barato que o africano, e incentivar a produção
local... A companhia venderia aos habitantes do Maranhão
produtos europeus, como azeite, vinho e tecidos, e deles
compraria o que produzissem, como algodão, açúcar, madeira
e as drogas do sertão, para comercializar na Europa. Também
deveria fornecer à região quinhentos escravos por ano,
uma fonte alternativa de mão de obra, diante da resistência
jesuítica em permitir a escravidão de nativos. Os preços
cobrados pela companhia, entretanto, eram abusivos, e ela não
cumpria os acordos, como o fornecimento de escravos.
VICENTINO, Claudio; DORIGO, Gianpaolo. História geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2010. p. 358.

O texto acima descreve uma situação que colaborou para


o acontecimento de um conflito, no Período Colonial
brasileiro ocorrido na segunda metade do século XVII,
Disponível em: <https://goo.gl/wN8ft4>. que ficou conhecido como:
A charge faz menção:
(A) Revolta de Beckman.
(B) Guerra dos Mascates.
(A) à Conjuração Baiana, evento que também ficou
(C) Guerra dos Emboabas.
conhecido como Rebelião dos Alfaiates, na qual os
(D) Revolta de Felipe dos Santos.
revoltosos, além de questionarem os altos impostos,
(E) Revolta de Amador Bueno.
buscaram fundar um governo monárquico no Brasil,
independente de Portugal.
03
(B) à marca do pensamento católico no contexto do Brasil
colonial, que deu base ideológica para criminalizar e Tanto na Conjuração Mineira quanto na Baiana, com
punir os políticos corruptos. graus e níveis diferenciados de envolvimento dos grupos
(C) à Revolução Pernambucana, que eclodiu devido mais pobres da população, estão presentes os seguintes
ao aumento de impostos que foi decretado com a aspectos do pensamento iluminista.
chegada da Família Real portuguesa ao Brasil, em
NETO, João A. de Freitas; TASINAFO, Célio Ricardo. História geral e do Brasil. São Paulo: Habra.
1808. Esse movimento também foi marcado pela luta
pelo fim da escravidão.
Assinale a alternativa que aponta aspectos dessa influência
(D) à Conjuração Mineira, revolta que ocorreu em Minas
iluminista:
Gerais em decorrência da derrama declarada pela
Coroa portuguesa e dos preços abusivos que eram
(A) A Conjuração Baiana defendia o regime monárquico
cobrados pelas mercadorias importadas.
e não teve a participação popular como na Mineira,
(E) à restrição da liberdade de imprensa, no contexto do
embora adotasse as ideias liberais.
século XIX, que dificultou a emergência de movi-
(B) O movimento rebelde que teria sido deflagrado na
mentos contrários à excessiva cobrança de impostos
capitania de Minas Gerais em 1789 defendia o centra-
pela Coroa portuguesa.
lismo lusitano, porque sua principal preocupação era
com a libertação dos escravos.
Revisão HISTÓRIA 31
Módulo 30 7º Ano

(C) Havia as noções de que os governos deveriam existir milícia paga. Sem falar nos escravos, cujo total, segundo os
para garantir direitos naturais dos homens, como a liber- documentos da época, ascendia a mais de cem mil. A neces-
dade e a ideia de que a soberania residia no povo, e sidade de abastecer-se toda essa gente provocava a formação
não no monarca. de grandes currais; a própria lavoura ganhava alento novo.
(D) Compreendiam que as leis deveriam expressar a
vontade da nobreza e do clero, e não a dos escravos. HOLANDA, Sérgio Buarque de. “Metais e pedras preciosas”. História geral da civilização brasileira.
v. 2, 1960 (adaptado).
(E) A experiência de independência dos Estados Unidos
da América em 1776 não influenciou as conju- De acordo com o texto, é correto concluir que a extra-
rações Baiana e Mineira, apesar de ambas defenderem ção de metais preciosos em Minas Gerais no século XVIII:
ideias liberais.
(A) impediu o domínio do governo metropolitano nas áreas
04 de extração e favoreceu a independência colonial.
Aportou nesta cidade um navio francês que descar- (B) bloqueou a possibilidade de ascensão social na Colônia e
regou, com todo segredo e sagacidade, uns livrinhos cujo forçou a alta dos preços dos instrumentos de mineração.
conteúdo era ensinar o modo mais fácil de fazer subleva- (C) provocou um processo de urbanização e articulou a
ções nos estados com infalível resultado (...). Instruídos economia colonial em torno da mineração.
(D) extinguiu a economia colonial agroexportadora e
por esses livrinhos, alguns mulatinhos e também alguns
incorporou a população litorânea economicamente
branquinhos da plebe, conceberam o arrojado pensa- ativa.
mento de fazerem também seu levante (...). (E) restringiu a divisão da sociedade em senhores e
“Relação da francesia formada pelos homens pardos da cidade da Bahia no ano de 1798.” escravos e limitou a diversidade cultural da Colônia.
Autor anônimo. In: Saga. São Paulo: Abril Cultural, 1981. p. 269.

No contexto da Conjuração Baiana (1798), o texto pode


ser associado:
(A) à capacidade dos homens de cor da Bahia de promo- 01
verem levantes contra o poder senhorial e acabar com A Inconfidência Mineira representou potencialmente
o regime de escravidão no Brasil. uma das maiores ameaças de subversão da ordem colonial.
(B) ao projeto dos negros escravos, livres e libertos da O fato de ter ocorrido na área das Minas, área na qual
Bahia de instalar uma monarquia constitucional,
a permanente vigilância e repressão sobre a população
inspirada no ideal liberal da alta burguesia francesa.
(C) à influência do liberalismo jacobino francês nos setores eram as tarefas maiores das autoridades públicas, indica
mais populares que participaram do movimento baiano, um alto grau de consciência da capacidade de libertação
impregnando-o de um ideal de república democrática. da dominação metropolitana.
(D) à forma como o movimento iluminista chegou ao Brasil, RESENDE, Maria Eugênia Lage de. A Inconfidência Mineira. São Paulo: Global, 1988.
compondo uma ideologia própria que sustentará a luta
dos homens pobres pela tomada do poder imperial. De acordo com o texto acima, assinale a opção correta:
(E) ao papel de lideranças revolucionárias francesas que
viajavam pela América, incentivando levantes liberais (A) A opulência da produção mineradora alcançou o seu
e democráticos contra os governos absolutistas apogeu na segunda metade do século XVIII, aumen-
metropolitanos. tando a ganância da Metrópole portuguesa, que acredi-
tava que os mineiros estivessem sonegando impostos e
05 passou a usar de violência na cobrança destes.
Em meados do século, o negócio dos metais não ocuparia (B) O descontentamento dos colonos aumentava de
senão o terço, ou bem menos, da população. O grosso dessa acordo com o preço das mercadorias importadas,
gente compõe-se de mercadores de tenda aberta, oficiais dos já que eram proibidas as manufaturas na Colônia.
mais variados ofícios, boticários, prestamistas, estalajadeiros, Além disso, os jornais que circulavam na região
alertavam a população sobre a corrupção nos altos
taberneiros, advogados, médicos, cirurgiões-barbeiros,
cargos administrativos coloniais.
burocratas, clérigos, mestres-escolas, tropeiros, soldados da
32 HISTÓRIA
7º Ano Módulo 30

(C) Sofrendo violenta opressão, a classe dominante mineira 02


conscientizou-se das contradições entre os seus inte- A transferência da Corte portuguesa para o Brasil
resses e os da Metrópole. Influenciada pelo pensamento beneficiou a economia mineira. O final do século XVIII
iluminista e na iminência da cobrança da derrama em
fora marcado pelo enfraquecimento da mineração.
Vila Rica, em 1789, preparou uma insurreição.
(D) Contando com adesão e apoio efetivo de diversas Mas não se deve imaginar um cenário de decadência.
parcelas da população mineira, os insurgentes A mineração ocasionou em Minas uma diversificação
reivindicavam um governo republicano inspirado econômica e um consequente crescimento populacional
nas ideias presentes na Constituição dos EUA, mas sem precedentes. O sul de Minas adquiriu importância
foram traídos por um dos participantes em troca do crescente ao produzir gêneros de subsistência para
perdão de suas dívidas pessoais. abastecer os centros urbanos.
(E) Mesmo sem ter ocorrido de fato, a Inconfidência
Mineira, o apoio recebido da população revoltada CUNHA, Alexandre Mendes. “Tropeiros em alta”. Revista de História da Biblioteca Nacional.
Rio de Janeiro, v. 28, jan. 2008 (adaptado). Disponível em: <http://rhbn.com.br/secao/capa/tropeiros-
e influenciada pelos ideais iluministas, demonstrou em-alta>. Acesso em: 10 jun. 2015.

a maturidade do processo pela independência do


país. Tal engajamento esteve presente durante todas Explique as funções desempenhadas pelos tropeiros na
as lutas em prol da emancipação brasileira. integração política e geográfica do Sudeste.

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