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1 A Quinta do Vallado

A Quinta do Vallado, construída em 1716, é uma das mais antigas


e famosas Quintas do Vale do Douro.
Situada nas margens do Rio Corgo, um afluente do Rio Douro,
e perto da localidade de Peso da Régua, pertenceu à lendária
Dona Antónia Adelaide Ferreira, e mantém-se até hoje na posse
dos seus descendentes.
Durante cerca de 200 anos a Quinta do Vallado teve como
principal actividade a produção de vinhos do Porto, vinhos estes
comercializados pela Casa Ferreira, que pertencia à Família.

Após a venda desta casa, em 1987, foi decidido alargar a


actividade à produção e comercialização de vinhos, principal-
mente de mesa, com a marca Quinta do Vallado.

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A Quinta do Vallado A Quinta do Vallado

Iniciou-se nessa época um complexo projecto de replantação das responsabilidade do Arq. Francisco Vieira de Campos – e um novo
vinhas, bem como a construção de uma nova adega. Hotel Vínico, também da autoria do mesmo, traduzem-se nos mais
importantes investimentos alguma vez feitos nesta propriedade.
Hoje existem na Quinta do Vallado 25 ha de vinha muito velha,
com mais de cem anos de idade, e 45 ha de vinha com aproxima- A Quinta do Vallado é um dos lugares a não perder numa visita
damente 20 anos. A estes, juntam-se os novos 20 ha plantados em ao Douro. Os seus vinhos – brancos, tintos e Portos dispensam
2011 e 2012 na nova Quinta do Orgal, situada ao pé de Castelo apresentações e são hoje em dia conhecidos em todo o mundo.
Melhor, no Douro Superior.

Os actuais responsáveis pelos destinos da Quinta do Vallado são


todos tetranetos de Dona Antónia - João Ferreira Álvares Ribeiro,
Francisco Ferreira (responsável pela viticultura e produção) e
Francisco Olazabal (enólogo).

No século XXI, e já sob a direcção desta equipe, novos e


importantíssimos projectos foram efectuados. Uma nova adega
e cave de barricas, onde a mais avançada tecnologia convive
com um projecto de arquitectura da mais alta qualidade - da

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2 O Vinho — Ficha Técnica
Este vinho do porto centenário foi engarrafado em homenagem
ao bicentenário do nascimento da nossa antepassada Antónia
Adelaide.

Pela grande importância que teve no desenvolvimento da actividade


principal da família Ferreira - produção e comercialização de
vinhos do porto; pela ética que impôs na cultura empresarial da
família; pelo exemplo que foi e que serviu de referência às gerações
seguintes, até aos dias presentes; pelo amor à terra e ao vinho, que
nunca mais desapareceu na nossa família; pela preocupação e ajuda
à região, e a todos os que lhe estavam próximos.

Por tudo isto decidimos chamar-lhe Adelaide “Tributa” (homena-


gem, em latim).
Trata-se de um vinho raríssimo, produzido no ano de 1866 a partir
de videiras pré-filoxéricas, e ainda em vida de Dona Antónia.

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O Vinho — Ficha Técnica O Vinho — Ficha Técnica

Aroma — Este extraordinário Vinho do Porto apresenta logo ao Provém de um lote original de cinco pipas de castanho, que por
olhar uma cor extremamente sedutora, que faz lembrar âmbar ou concentração através dos tempos, num ambiente extremamente
mesmo mogno, com laivos esverdeados quando o copo é agitado, favorável, deu origem a apenas duas pipas de 550 lts.
sinal claro e evidente da idade do vinho.
O aroma é altamente complexo e rico com inúmeras nuances de Ano de produção — 1866, segundo os registos do produtor.
frutos secos (figos, amêndoas, ameixas), licores, iodo, especiarias,
nunca deixando de ser fresco e harmonioso. Estágio — este vinho estagiou grande parte da sua longa vida em
cascos de 600 lts de capacidade.
Prova — Com a prova o vinho torna-se sublime. Extremamente
Variedades — Este vinho foi elaborado a partir de vinhas pré-
rico, untuoso, concentrado, denso mas com uma acidez em
-filoxéricas, e, como tal, com uma mistura de variedades típicas
perfeita sintonia que confere um final de boca explosivo e
da região do Douro: Tinta Roriz, Tinta Amarela, Touriga Franca,
infindável, fazendo parecer que o vinho não se quer ir embora.
Barroca, Touriga Nacional entre muitas outras.
Estamos perante um vinho único, muito raro; logo após a 1ª prova
se decidiu que não deveria ter qualquer correcção ou “refresco”, e Álcool — 19,5%
por isso foi engarrafado exactamente nas condições em que estava.
Grau Baumé — 13,5º
O elevado grau Baumé (13,7º) foi desde logo uma indicação da sua
Engarrafamento — Foram engarrafadas 1.300 garrafas de
provecta idade. De facto, e de acordo com relatos fornecidos, este vinho
0,75 lts todas elas numeradas.
não foi objecto de qualquer atesto, pelo menos, nos últimos quarenta anos.

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O Vinho — Ficha Técnica O Vinho — Ficha Técnica

COMENTÁRIOS AO VINHO E NOTAS DE O estágio prolongado na madeira, sempre em ambiente oxidativo,


PROVA DE RUI FALCÃO favorece a concentração de cor, o escurecimento progressivo do
vinho e o desenvolvimento de aromas terciários, proporcionando
Porto Vallado Tributa — Não é comum conseguir encontrar vinhos mais untuosos e gordos, intensificando a exuberância
um Vinho do Porto engarrafado tardiamente após um longo aromática e a doçura, obrigando a que a acidez seja suficientemente
período de estágio em madeira. E ainda é menos comum eléctrica e veemente para refrescar e avivar o final de boca.
encontrar um caso drástico como este Vallado Tributa, um Vinho O Vallado Tributa é um vinho onde a paciência, mais que uma
do Porto excepcional que teve oportunidade de repousar e de se virtude, revelou ser uma necessidade absoluta, e onde as palavras
educar durante mais de um século em tonéis de madeira velha frescura e acidez estão presentes desde o primeiro instante.
aproveitando o silêncio das caves frescas de uma casa duriense.
São raros os vinhos que conseguem prosperar com o avançar Nota de prova — Cor mogno muito escura. O que sobressalta
da idade ou sequer sobreviver a tamanha provação do tempo. de imediato é o frescor e ardor do nariz, a juventude e entusiasmo
E são raras as famílias que conseguem preservar um vinho tão contagiante dos aromas, o viço que transmite sugestões francas
excepcional durante quatro, cinco ou seis gerações, alimentando-o de café, vinagrinho, mar, iodo e sal. A boca confirma e reafirma a
e apaparicando-o ao longo do tempo para só dele receber proveitos frescura tremenda prometida pelo nariz denunciando uma juventude
ao fim de muitas décadas. Até porque os vinhos do Porto velhos comovente. Juventude confirmada pelo ataque primoroso e pela energia
vão evaporando lentamente com o passar do tempo, com as transbordante que não esconde a musculatura, terminando com uma
agruras do calor e da humidade, acumulando perdas dramáticas acidez pungente que o arrebata para um final esmagador. Uma juventude
para quem guarda e acarinha um vinho durante mais de um século. imensa e quase incompatível com os seus mais de cem anos de vida.

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3 As Quintas de Dona Adelaide Ferreira
Aciprestes Alegria Amarela Arnozelo
Avidagos Bateiras Boa Vista Caldas do
Moledo Coalheiro Cristelo Diabas Granja
Guergoças Laurentim Lodeiro Mera Mileu
Negrilhos Nogueiras Passadouro Pego
Per o Couto Piscais Porrais Porto Pousa
Provesende Quebrada Rodo Sampaio
Sentinho Serro Setecasas Sidermas Soutelo
Torre Travassos Tua Valebom Valedapia
Valemeao Vallado Vargellas Vesúvio
Vila Maior

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As Quintas de Dona Adelaide Ferreira

1 — QUINTA DO VESÚVIO

A 1ª referência a esta Quinta remonta a 1565.

António Bernardo Ferreira I, tio e sogro de Dona Antónia,


adquire em 1823, ao Conde da Lapa, a Quinta das Figueiras.
Este nome provinha do facto de possuir muitas figueiras.
Localizada em Numão, no Concelho de Vila Nova de Foz
Côa, esta Quinta, rebaptizada para Quinta do Vesúvio no
dia 23 de Novembro de 1830, foi detentora de todos os
superlativos que uma propriedade do Douro pode receber.

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As Quintas de Dona Adelaide Ferreira As Quintas de Dona Adelaide Ferreira

Adjectivos como “épica e colossal” descreviam o que se Uma obra gigantesca de rasgar as terras com as mãos, criar
passou naqueles “confins do mundo”. Transformou-se os socalcos, cultivar as vinhas, levou 12 anos para que
o nada, praticamente um deserto, na mais fantástica e tudo estivesse pronto. A casa senhorial, na época, uma das
gigantesca obra do Douro na época. maiores construídas no Douro, foi erguida com 23 grandes
“A superfície cultivada da Quinta é talvez superior a 300 cômodos.
hectares. Da base do Monte de Espinho, à Ribeira da Teja, Embora localizada fora da área das primeiras demarcações
ao longo do rio, existe uma distância de 3.000 metros; do rio do Douro vinhateiro, “num processo de 1824, enviado ao
à cumiada do Monte do Olival tem na máxima largura 2.500 Ministério do Reino, a solicitar autorização para exportar
metros, e o circuito da propriedade é orçado em 12.000 os vinhos da Quinta das Figueiras (mais tarde denominada
metros”. Quinta do Vesúvio), então fora da Região Demarcada”,
Imediatamente após a compra, António Bernardo I inicia a António Bernardo I, já matriculado como negociante de
formação da Quinta para a sua maior vocação- a produção vinhos desde 1809, contava com os vinhos do Vesúvio nas
de uvas para a elaboração de vinhos, embora tivesse suas regulares exportações para a Inglaterra.
preservado parte da propriedade para uma produção menor Para a época da sua implantação, tudo na Quinta do
de cereais e frutos. Vesúvio assombrava, desde os vinhedos primitivos, onde
Para trabalhar no primeiro ano contrata 100 galegos, mas 600 mil bacelos de 13 castas tintas foram plantados, até aos
logo em 1825 são empregados na Quinta mais de 500 edifícios que eram destinados à elaboração dos vinhos. “A
trabalhadores. adega, com 58,9 metros de comprimento, tinha oito lagares
de 25 pipas, trabalhando em cada um deles 70 homens”,

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As Quintas de Dona Adelaide Ferreira As Quintas de Dona Adelaide Ferreira

e para acomodar o “exército” de trabalhadores na época das 2 — QUINTA DE VARGELAS


vindimas, existiam sete cardenhos.
António Bernardo Ferreira I, orgulhoso de sua obra escreveu
numa carta para o seu agente no Porto: “Todos os ingleses
nesta [quinta] fizeram grandes elogios ao meu armazém e
não acharam segunda Adega no Douro como a minha, o que
os fez acreditar na paixão que tenho por vinhos bons”.
Até ao ano de 1989, todo o vinho produzido na Quinta do
Vesúvio foi adquirido pela Casa Ferreira, que o comprava
aos 18 co-proprietários da Quinta descendentes de Dona
Antónia. Nesta data, a Quinta foi adquirida pela Família
Symington, que dos 325 ha da propriedade cultiva 140 ha
de vinhedos.
Os primeiros registros da marca Vesúvio que constam nos Em 1831, o tio e sogro de Dona Antónia, António Bernardo
arquivos da Casa Ferreira são de 17 de Novembro de 1902. Ferreira I, adquiriu a Pedro Gomes da Silva a Quinta
Vargelas de Cima que era também conhecida por Quinta do
Vale. Na verdade, esta vasta propriedade era dividida em
três partes, conhecida como Vargelas de Cima, do Meio e
de Baixo, como prova uma carta no Arquivo Histórico da

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As Quintas de Dona Adelaide Ferreira As Quintas de Dona Adelaide Ferreira

Casa Ferreira do ano de 1831 que relata a produção daquele se tendo procedido à reconversão da vinha, a produção
ano. Nessas três quintas denominadas Vargelas, há registo era praticamente nula. Esta quinta pertencia desde 1860
de produção de 40 pipas na de Cima, 45 pipas na do Meio e aos Condes de Azambuja, pois Dona Maria da Assunção
25 pipas na de Baixo, junto ao Rio Douro. recebeu-a como legítima, que lhe cabia por herança
Os vinhos produzidos em Vargelas eram considerados deixada por seu Pai. Dona Antónia ficou a administrar esta
excelentes desde os primórdios do século XIX. Em carta propriedade até o ano de 1893, quando então a Condessa
datada de 27 de Abril de 1836, António Bernardo Ferreira I de Azambuja, herdeira natural da propriedade, a vendeu,
escreveu: “O vinho de Vargelas é fantástico, e esta deve ser alegando que a Quinta não era rentável; a produção
a opinião de todos os que percebem de vinhos”. Também o do quinhão das Vargelas que pertencia aos Ferreiras
Visconde de Villa Maior faz muitas referências à Quinta em teve o seguinte rendimento: “Em 1866 - 63 pipas, em
seu célebre livro, O Douro Ilustrado, onde afirma: “produz 1876 - 38 pipas, em 1886 - 3 pipas e em 1896 - zero”.
de 70 a 80 pipas de excelente vinho de feitoria e embarque”. No ano de 1893 a Casa Taylor’s compra 2/3 da Quinta das
Os vinhos de Quinta de Vargelas atingiram enorme Vargelas e nela faz uma revolução, atingindo um alto grau
prestígio no principal mercado de Vinho do Porto da época, de qualidade e quantidade de vinho. Em 1896 a Taylor’s
a Inglaterra. adquire então a totalidade da vinha, integrando a parte que
Com o passar dos anos a Quinta de Vargelas foi sentindo o pertencia à Condessa de Azambuja.
declínio na sua produção. Resultado de algum desinteresse
de outros proprietários que formavam o bloco, da invasão
do oídio e da filoxera, nos anos oitenta do século XIX, não

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As Quintas de Dona Adelaide Ferreira As Quintas de Dona Adelaide Ferreira

3 — QUINTA DE ARNOZELO São João da Pesqueira e Vila Nova de Foz Côa. Em 1876
produz 36 pipas de vinho, em 1886 - 16 pipas e em 1896, por
ter sido fortemente atacada pela filoxera, produz somente
0,5 pipa! “As primeiras notícias seguras da presença do
insecto surgem apenas em 1879, nas Quintas de Cima
Cachão, na Coalheira e em Arnozelo”.
Em 1936, a Viscondessa de Vila Marim, herdeira de Dona
Antónia vendeu a propriedade a José Saraiva de Aguilar.
Actualmente esta quinta pertence à empresa Sogevinus,
detentora das marcas Calem e Burmester.

Esta propriedade, cujas origens remontam ao séc XVI, e


hoje com cerca de 200 ha, foi adquirida por Dona Antónia
ao Visconde de Proença-a-Velha, em finais de 1868;
foi aumentada em 1888 “Casa e terrenos com videiras
e figueiras, junto à Quinta de Arnozelo, comprados a
D. Maria da Luz Pereira de Cedovim por 358$905 reis”;
está localizada no Douro Superior, na margem sul, entre

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As Quintas de Dona Adelaide Ferreira As Quintas de Dona Adelaide Ferreira

4 — QUINTA DAS NOGUEIRAS 5 — MEÃO

Localizada na Régua, esta Quinta tinha somente seis ha


de vinhedos e uma grande casa de habitação que serviu
por muito tempo como ponto de apoio aos Ferreiras em
suas incursões às diversas propriedades no Douro. Para os
percursos mais longos, Dona Antónia subia o Rio Douro
num barco rabelo, indo até ao Vesúvio e ao Meão. Nas
deslocações pelas redondezas, como às Caldas do Moledo,
a locomoção dava-se no seu famoso “coupé”, um simpático
landau com tracção animal.
Foi nesta casa que Dona Antónia passou ou últimos anos da
sua vida, acabando então por ai falecer.
Criada a partir do nada, assim surgiu a Quinta do Vale Meão,
também conhecida como Monte Meão.
Esta é talvez a obra que mais enaltece o espírito empreendedor
de Dona Antónia, a sua visão aguçada de negócios e o seu amor
pelas terras do Douro.

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As Quintas de Dona Adelaide Ferreira As Quintas de Dona Adelaide Ferreira

Quando se julgava que esta senhora fosse ficar em casa, A experiência da Quinta do Vesúvio tinha mostrado que o
gozando de uma reforma merecida de tantas lutas familiares Douro Superior poderia ser domado e que a sua topografia,
e mercantis, Dona Antónia, então com 76 anos de idade, menos acidentada que a do Baixo e do Cima Corgo, ajudaria
lança-se no projecto mais ousado da sua vida - transformar muito no trabalho manual das vinhas.
aquela imensidão de terra que mais parecia um deserto Vários anos mais tarde, em 1952, nasceria nesta quinta o
semiárido numa quinta produtiva e rentável. mais famoso vinho tinto português, o Barca Velha, fruto
As obras desta Quinta têm início num local chamado Barca da teimosia do singular enólogo Fernando Moreira Paes
Velha, no ano de 1887, e somente nove anos depois, justamente Nicolau de Almeida.
no ano de sua morte, em 1896, a obra é concluída. No ano de 1888, trabalharam na formação e construção do Vale
“Vasta e Grandiosa”, assim Affonso Cabral a qualificou em Meão mais de 1.000 jornaleiros que cultivaram “100 milheiros
1985 na sua obra sobre o Douro. Uma obra com início confuso, de videiras, além de milhares de oliveiras e amendoeiras”.
com invasões de gado da região e retiradas ilegais de cortiça, Com tudo cultivado, só em 1890 tem início a construção dos
obrigou Dona Antónia a utilizar a justiça para confirmar os armazéns e dos lagares. O armazém conhecido como Barca
seus direitos de legítima proprietária. Findas estas questões, Velha é uma obra de pedra com um grande portão e lagares de
só começa então no ano de 1887 a plantar videiras para obter granito. A Quinta chegou a ter na época de sua implantação e
vinhos. Aqui se revela outro ponto positivo da visão empresarial até alguns anos depois um hospital privativo.
desta senhora; com o Cima Corgo pontilhado de propriedades Hoje, esta grande propriedade pertence a Francisco Javier
destruídas pela filoxera, restava desbravar o Douro Superior, Olazabal Rebelo Valente, trineto de Dona Antónia, e aos
um lugar tão quente e árido que ninguém queria lá pôr os pés, seus filhos que lá produzem vinhos maduros e do Porto.
muito menos dinheiro!
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As Quintas de Dona Adelaide Ferreira As Quintas de Dona Adelaide Ferreira

6 — QUINTA DO PORTO Toda a sua área de cultivo é classificada pela letra A,


indicativo este referente à melhor qualidade.
Esta Quinta após a morte de Dona Antónia passou a ser
propriedade da sua filha, a Condessa de Azambuja, e após
a morte desta, foi herdada por três das suas filhas, Maria
do Carmo, Maria Luiza e Maria Thereza. Mais tarde foi
adquirida pela Casa Ferreira.
Em 1896, esta Quinta produziu 28 pipas de vinho e
actualmente produz quase 100. As uvas provenientes desta
propriedade são vinificadas na Quinta do Seixo, que fica em
frente à Quinta do Porto, na outra margem do Rio Douro.

Localizada no Cima Corgo, no concelho de Sabrosa, próxima


ao Pinhão, esta Quinta foi adquirida por Dona Antónia
no ano de 1863. Tem hoje uma área total de 36 ha, 24 dos
quais ocupados por vinhas. 90% das cepas cultivadas estão
divididas entre as castas Touriga Francesa, Tinta Barroca e
Tinta Roriz, sendo 10% das restantes uma grande variedade
de outras castas.

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As Quintas de Dona Adelaide Ferreira

7 — QUINTA DO VALLADO

Esta propriedade antiga, cujos primeiros registos datam de


1716, pertencendo a Josefa Taveira, viria somente no ano de
1818 fazer parte do património dos Ferreiras. O tio de Dona
Antónia e seu futuro sogro, António Bernardo Ferreira I,
adquiriu esta Quinta e desde então a propriedade pertence
aos descendentes desse senhor. Já lá vão seis gerações.

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As Quintas de Dona Adelaide Ferreira As Quintas de Dona Adelaide Ferreira

António Bernardo I faz grandes investimentos nesta Quinta, Os actuais responsáveis pela Quinta são os tetranetos de
nomeadamente em vinhas, pomares (o maior pomar de Dona Antónia, João e Francisco Ferreira, que imprimiram
laranjeiras do Douro), estruturas - casa e adega - e também um grande desenvolvimento nas vinhas, adega, bem como
numa azenha no Rio Corgo, em que o maquinismo era no novo Hotel Vínico.
composto por 3 engenhos. A população local, desconfiada
em relação a este engenho nunca visto, acabou por “sabotar”
o mesmo!!

Localizada no Baixo Corgo, possui uma casa muito grande,


com uma capela armoriada anexa. Todos os Ferreiras que
sucederam a António Bernardo I cuidaram com muito zelo e
carinho desta propriedade.

Um bisneto de Dona Antónia, Jorge Viterbo Ferreira,


tornou-se o único proprietário da Quinta e fez nela grandes
empreendimentos, aumentando-lhe a produtividade. Devido
à sua morte precoce, seu filho, Jorge Maria Cabral Ferreira,
sucede-lhe na administração da Quinta.

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As Quintas de Dona Adelaide Ferreira As Quintas de Dona Adelaide Ferreira

8 — QUINTA DO RODO 9 — QUINTA DOS ACIPRESTES

Pedro Gil, avô materno de Dona Antónia, compra em 1834


a Quinta do Rodo, localizada na Freguesia de Godim, no
Município de Peso da Régua. Consta em alguns registros de
1886 uma produção de 86 pipas de vinho.
Facto curioso é que quando se descobriu que para dominar
a praga Phyloxera Vastatrix seria necessário um enxerto
em videira americana, Dona Antónia inicia na Quinta do
Rodo a formação de um viveiro “de mais de 6 mil videiras
americanas, com as castas Solonis, Rupestris e Riparia”.
Hoje no local, numa área de 7,6 ha, está implantada a Escola
Profissional de Desenvolvimento Rural. Localizada no Cima Corgo, na Freguesia de Soutelo
do Douro, no concelho de São João da Pesqueira, esta
antiga Quinta, propriedade do Visconde da Baía, foi
adquirida em 1864 por 12.000$000 reis, durante a
gestão de Silva Torres em conjunto com sua mulher,
Dona Antónia Adelaide Ferreira.

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As Quintas de Dona Adelaide Ferreira

O seu curioso nome deve-se a seis aciprestes existentes


na Quinta.
Resultado da compra sucessiva de terrenos contíguos
à Quinta original, hoje a propriedade tem 70 ha, todos
cultivados com vinhas classificadas com a letra “A”.
A empreitada levada a cabo por Dona Antónia e seu marido
Francisco Torres é citada por Villa Maior, no seu célebre
livro “O Douro Ilustrado”, de 1876. Assim se referiu o
autor ao que viu na Quinta dos Aciprestes naquela época:
“A restauração de todas estas vinhas, empreendida com
muita largueza pelo Senhor Torres, elevará talvez o número
das cepas a mais de 330.000 e a sua produção a 250 pipas
de vinho de primeira classe e conservará a antiga reputação
com que era acolhido pelo commercio inglez”.
Hoje esta Quinta pertence à Real Companhia Velha.

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4 A Caixa
A caixa em que a garrafa vem embalada foi desenhada pelo
Arq. Francisco Vieira de Campos, responsável pelo desenho dos
projectos da nova adega da Quinta do Vallado, concluída em 2009,
e do “Wine Hotel”, concluído em 2012.

O desenho e a estrutura da caixa basearam-se no projecto da cave


de barricas, cujo interior se assemelha a um túnel, e o exterior a
um paralelipípedo. O revestimento exterior é em barras de xisto,
rocha predominante no solo do vale do douro.

Foi com muito entusiasmo que o Arq. Francisco Vieira de Campos,


responsável arquitectónico pelos 2 investimentos mais importantes
na era moderna da Quinta do Vallado, aceitou o desafio para
desenhar a caixa deste vinho, também ele um dos mais importantes
e promissores projectos enológicos dos tempos recentes.

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A Caixa A Caixa
A Caixa A Caixa
foi aberto em

na companhia de

,
de
Livro número