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ERGONOMIA E SEGURANÇA DO TRABALHO

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RESUMO

O artigo relata o surgimento da Ergonomia e a Segurança do Trabalho, como


conseqüência do trabalho de diversos profissionais, como: Engenheiro,
fisiologistas, psicólogos etc. Mostra os principais campos de aplicação da
Ergonomia e seus benefícios.

Relata também, a segurança do trabalho como instrumento de prevenção de


acidentes nas empresas.

Palavras-Chave: Ergonomia, Segurança do Trabalho, aplicação, benefícios.

1. Considerações Gerais

Tendo em vista o processo de desenvolvimento pelo qual passa os setores


industriais e de serviços em nosso país com o processo de automação e
informatização, as adequações ergonômicas dos postos de trabalho e do sistema
de produção são necessidades imediatas.

Com o processo de globalização que estamos vivenciando, a empresa para


sobreviver precisa tornar-se competitiva, portanto é necessário que ela modernize
seus recursos técnicos (máquinas, equipamentos, ferramentas métodos e
processos de produção), qualifique e capacite seus recursos humanos
(funcionários / colaboradores) e proporcione boas condições de trabalho aos
mesmos. (www.dcaergonomia.com.br)

A produtividade e a qualidade do produto ou do serviço está diretamente ligada ao


posto de trabalho e ao sistema produtivo, e estes, deverão estar ergonomicamente
adequados aos funcionários / colaboradores, para que estes possam realizar suas
tarefas com conforto, eficiência e eficácia, sem causar danos a saúde física,
psicológica e cognitiva.

Tendo como premissas que os profissionais da Segurança e Medicina do


Trabalho, são os responsáveis pela gestão da qualidade de vida dos funcionários /
colaboradores de uma empresa, devem interagir e integrar com os profissionais da
gestão da produção e da gestão administrativa, para juntos vencerem os desafios
do presente e planejar o futuro das organizações.

2. Definição

Ergonomia:

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Segundo Itiro Lida (2000) a Ergonomia é o estudo da adaptação do trabalho ao
homem. O trabalho aqui tem uma acepção bastante ampla, abrangendo não
apenas aquelas máquinas e equipamentos utilizados para transformar os
materiais, mas também toda a situação em que ocorre o relacionamento entre o
homem e seu trabalho. Isso envolve não somente o ambiente físico, mas também
os aspectos organizacionais de como esse trabalho é programado e controlado
para produzir os resultados desejados.

Segurança no Trabalho:

É um conjunto de ciências e tecnologias que buscam a proteção do trabalhador


em seu local de trabalho, no que se refere à questão da segurança e da higiene
do trabalho. Seu objetivo básico envolve a prevenção de riscos e de acidentes nas
atividades de trabalho visando a defesa da integridade do trabalhador.
(www.segurancaetrabalho.com.br)

3. Histórico

Em 1857 Jastrezebowisky publicou um artigo intitulado "ensaios de ergonomia ou


ciência do trabalho". O tema é retomado quase cem anos depois, quando em
1949 um grupo de cientistas e pesquisadores se reúnem, interessados em
formalizar a existência desse novo ramo de aplicação interdisciplinar da ciência.

Em 1950, durante a segunda reunião deste grupo, foi proposto o neologismo


"ERGONOMIA", formado pelos termos gregos ergon (trabalho) e nomos (regras).
Funda-se assim no início da década de 50, na Inglaterra, a Ergonomics
Research Society.

A ergonomia no Brasil começou a ser evocada na USP, nos anos 60 pelo Prof.
Sergio Penna Khel. (Fonte: Abergo, 2000 – www.ergonomia.com.br)

4. Introdução

As atividades produtivas de homens e mulheres não são simples como pode


parecer, há necessidade de um estudo mais elaborado, nesse momento entra a
ergonomia, que propõe produzir o entendimento para que as mudanças possam
ser feitas, os projetos mais bem elaborados e as decisões tecnológicas melhor
assentadas. A saúde das pessoas, a eficiência dos serviços e a segurança das
instalações estarão, a partir daí, sendo efetivamente incorporadas à vida das
organizações.

A Ergonomia é uma ciência multidisciplinar, pois se fundamenta em diferentes


domínios do saber, constituindo uma unidade estrutural que permite estabelecer

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uma coerência alicerçada nos seus métodos de intervenção.
(www.revistaesegurança.com.br / Publicação em Jan/Fev. 2006).

Novas tecnologias associadas às novas condições de realização do trabalho são


responsáveis por condições de trabalho muitas vezes gravosas para os
trabalhadores. Neste enquadramento, as perspectivas de intervenção em
Segurança e Saúde no Trabalho, centram-se normalmente na definição de
procedimentos de intervenção centrados na tipificação dos perigos ou dos fatores
de risco e convergem em soluções pré-definidas para os problemas
diagnosticados.

"Segurança do trabalho" é o conjunto de medidas técnicas, educacionais e


psicológicas empregadas para prevenir acidentes quer eliminando a condições
inseguras do ambiente, quer instruindo ou convencendo as pessoas da
implantação de práticas preventivas.

Os serviços de segurança são aplicados de acordo com organização de cada


empresa, as quais procuram colocar em prática os recursos possíveis para
conseguir a prevenção de acidentes, porém a implantação dos serviços de
segurança podem fracassar se as diretrizes básicas não forem bem delineadas e
compreendidas pela direção da empresa e não foram bem desenvolvidas em seus
vários aspectos; baseado em Chiavenato (1991).

5. Objetivos da Ergonomia

A ergonomia tem como objetivo geral melhorar as condições específicas do


trabalho humano, com a higiêne e a segurança do trabalho. Os organizadores do
trabalho também estudam o trabalho real para procedimentos mais racionais de
forma mais produtiva de efetuar as tarefas.

Variam as ênfases, as estratégias, alguns métodos e técnicas. A Ergonomia


orienta-se prioritariamente para a aplicação.

Cumpre ressaltar que a Ergonomia está justamente na sua práxis, que integra o
estudo das características físicas e psíquicas do homem, as avaliações
tecnológicas do sistema produtivo, a análise da tarefa, com a apreciação, o
diagnóstico, a projetação, a avaliação e a implantação de sistemas homens-
tarefas-máquinas. O ergonomista, junto com os engenheiros, arquitetos,
desenhistas industriais, analistas e programadores de sistemas, organizadores do
trabalho, propõe mudanças e inovações, sempre a partir de variáveis fisiológicas,
psicológicas e cognitivas humanas e segundo critérios que privilegiam o ser
humano.

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6. Abordagens em Ergonomia

As contribuições da ergonomia para introduzir melhorias em situações de trabalho


dentro de empresas podem variar, conforme a etapa em que elas ocorrem e
também conforme a abrangência com que é realizada.

A abrangência é classificada em análises de sistemas e análise dos postos de


trabalho.

A Análise de Sistemas preocupa-se com o funcionamento global de uma equipe


de trabalho usando uma ou mais máquinas, partindo de aspectos mais gerais,
como a distribuição de tarefas entre o homem e a máquina e assim por diante. A
análise pode se aprofundar gradativamente, até chegar o nível de cada um dos
postos de trabalho que os compõe.

A análise dos postos de trabalho é o estudo de uma parte do sistema onde atua
um trabalhador. Faz a análise da tarefa, da postura e dos movimentos do
trabalhador e de suas exigências físicas e psicológicas. Considerando um posto
mais simples, onde o homem opera apenas uma máquina, a análise deve partir do
estudo da interface homem-máquina. Ou seja das interações que ocorre entre o
homem, a máquina e o ambiente. Eles devem formar um conjunto harmônico,
chamado de sistema homem-máquina. Essa abordagem é diferente daquela
tradicionalmente adotada pelos projetistas, que se preocupam inicialmente com o
projeto da máquina, para, posteriormente, fazer adaptações para que ela possa
ser operada pelo trabalhador.

6.1. Ocasião da Abordagens em Ergonomia

As contribuições da ergonomia para introduzir melhorias em situações de trabalho


dentro de empresas podem variar, conforme a etapa em que elas ocorrem e
também conforme a abrangência com que é realizada.

Quanto à abrangência

A abrangência é classificada em análises de sistemas e análise dos postos de


trabalho.

A Análise de Sistemas preocupa-se com o funcionamento global de uma equipe


de trabalho usando uma ou mais máquinas, partindo de aspectos mais gerais,
como a distribuição de tarefas entre o homem e a máquina e assim por diante. A
análise pode se aprofundar gradativamente, até chegar o nível de cada um dos
postos de trabalho que os compõe.

Quanto à contribuição

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Ergonomia de concepção: Ocorre quando a contribuição ergonômica se faz
durante a fase inicial de projeto do produto, da máquina ou do ambiente. Está é a
melhor situação, pois as alternativas poderão ser amplamente examinadas, mas
também exige maior conhecimento e experiência, porque as decisões são
tomadas em cima de situações hipotéticas. O nível dessas decisões pode ser
melhorado, buscando-se informações em situações semelhantes que já existam
ou construindo modelos tridimensionais ("mock-ups’) em madeira ou papelão,
onde as situações de trabalho podem ser simuladas a custos relativamente
baixos".

Ergonomia de correção: A ergonomia de correção é aplicada em situações reais,


já existentes, para resolver problemas que se refletem na segurança, na fadiga
excessiva, em doenças do trabalhador ou na qualidade da vida excessiva, em
doenças do trabalhador ou na quantidade e qualidade da produção. Muitas vezes,
a solução adotada não é completamente satisfatória, pois exigiria custo elevado,
por exemplo, na substituição de máquinas inadequadas. Em alguns casos, as
melhorias, como mudanças de posturas, colocação de dispositivos de segurança e
aumento da iluminação podem ser feitas com relativa facilidade enquanto em
outros casos, como a redução da carga mental ou de ruídos, tornan-se difíceis.

Ergonomia de conscientização: Pode-se dizer que o sistema e os postos de


trabalho assemelham-se a organismos vivos em constante transformação e
adaptação. Portanto é importante conscientizar o operador, através de cursos de
treinamentos e freqüentes reciclagens, ensinado-o a trabalhar de forma segura,
reconhecendo os fatores de risco que podem surgir, a qualquer momento, no
ambiente de trabalho. Neste caso ele deve saber qual a providencia a ser
tomada. LIDA (1993)

Quanto a Interdisciplinares

Nas empresas existem diversas profissionais ligadas as saúdes do trabalhador, à


organização do trabalho e ao projeto de máquinas e equipamentos que podem
colaborar, fornecendo conhecimentos úteis que poderão ser aproveitados na
solução de problemas ergonômicos, entre esses profissionais são destacados:

• Médicos do trabalho: Podem ajudar na identificação dos locais que


provocam acidentes ou doenças;
• Analistas de trabalho: Ajudariam no estudo de métodos, tempos e postos
de trabalho;
• Psicólogos: Ajudam na implantação de novos métodos,
• Engenheiros: Ajudam nos aspectos técnicos, modificando as máquinas e
ambientes de trabalho;
• Desenhistas Industriais: Ajudariam na adaptação das máquinas e
equipamentos;
• Enfermeiros: Contribuem na recuperação dos trabalhadores;
• Engenheiros de Segurança e de Manutenção: Ajudariam na identificação
e correção de condições insalubres ou perigosas;

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• Administradores: Contribuem no estabelecimento de plano e cargos e
salários mais justos.

E para isso se tornar viável é imprescindível um apoio da alta administração da


empresa para facilitar, encorajar ou apite exigir envolvimento de todos esses
profissionais na solução de problemas ergonômicos.

7. Aplicações da Ergonomia

Numa situação ideal, a ergonomia deve ser aplicada desde as etapas iniciais do
projeto de uma máquina, ambiente ou local de trabalho. Estas deve sempre incluir
o ser humano como um de seus componentes. Assim, as características desse
operador devem ser consideradas conjuntamente com as características ou
restrições das partes mecânicas ou ambientais, para se ajustarem mutuamente.

A ergonomia pode ser aplicada em vários setores de atividade (Ergonomia


Industrial, hospitalar, escolar, transportes, sistemas informatizados, etc). Em todos
eles é possível existirem intervenções ergonômicas para melhorar
significativamente a eficiência, produtividade, segurança e saúde nos postos de
trabalho. A ergonomia atua em todas as frentes de qualquer situação de trabalho
ou lazer, desde os stress físicos nas articulações, músculos, nervo e etc, até aos
fatores ambientais que possam afetar a audição, visão, conforto e principalmente
a saúde. VIDAL, M (1998).

Alguns exemplos das áreas de atuação da ergonomia:

Ergonomia na Indústria

Segundo Itiro Lida, a ergonomia contribui para melhorar a eficiência, a


confiabilidade e a qualidade das operações industriais. Isso pode ser feito
basicamente por três via: aperfeiçoamentos do sistema homem-máquina,
organização do trabalho e melhorias das condições de trabalho.

A aplicação da ergonomia da indústria, é feita identificando-se os locais onde


ocorre maiores problemas ergonômicos. Estes podem ser reconhecido por certos
sintomas como alto índice de erros, acidentes, doenças, absenteísmos e
rotatividade dos empregados.

Ergonomia da Vida Diária

A Ergonomia tem contribuído para melhorar a vida quotidiana, tornando os meios


de transporte mais cômodos e seguros, a mobília doméstica mais confortável e os
aparelhos eletrodomésticos mais eficiência e seguros.

Hoje existe um ramo da ergonomia que se dedica ao teste de produtos de


consumo, muitas vezes ligado a órgãos de defesa dos consumidores, que avalia o

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desempenho dos produtos e divulga os resultados desses testes para a
população.

Atualmente são realizados estudos Ergonômicos para melhorar as residências, a


circulação de pedestres em locais públicos, ajudar pessoas com deficiências
físicas e assim por diante.

8. Custo Benefício

As decisões nas organizações são tomadas com base em dados objetivos,


normalmente baseadas na análise de custo e benefício, ou seja, só há
investimento se os benefícios previstos forem maiores que seus custos. A
Ergonomia, para ser aceita pela alta direção, deverá estar preparada para
comprovar, objetivamente suas proposta produzem benefícios que superem os
custos.

A Análise de custo e benefício em Ergonomia não é tão simples quanto, por


exemplo, o caso de compra e venda de mercadorias.

Nas comparações entre custos e benefícios, a primeira parte, referente aos


custos, geralmente é determinada com maior facilidade e costuma incidir a curto
prazo.

Já os benefícios não são facilmente quantificáveis. Eles podem incluir itens como
conforto e segurança dos trabalhadores, que nem sempre podem ser traduzidos
em termos monetários, pelo menos a curto prazo. Em outros casos, são
representados por fatores intangíveis como acidentes ou degradações de
qualidade que foram evitados.

9. Plano de Segurança no Trabalho

Segundo Chiavenato (1999) o programa de segurança no trabalho requer as


seguintes práticas:

• Estabelecimento de um sistema de indicadores e estatísticas de acidentes:


são estabelecidos de acordo com as condições de trabalho, o ramo de
atividade, o tamanho e a localização e outros aspectos de cada
organização.
• Desenvolvimento de sistemas de relatórios de providencias: avaliar e
identificar os problemas e os riscos existentes no local de trabalho e quais
medidas preventivas devem ser tomadas. Cada local de trabalho tem
necessidades diferentes para a implementação de sistemas de segurança.
Todas as pessoas da organização devem estar envolvidas no

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desenvolvimento de um plano de segurança e compreender que este é útil
e benéfico para todos.
• Desenvolvimento de regras e procedimentos de segurança: após a
identificação dos riscos existentes nos locais de trabalho, as organizações
devem procurar eliminá-los, reduzi-los ou controlá-los através de meios
possíveis como treinamento de funcionários em técnicas de segurança,
manutenção preventiva dos equipamentos e das instalações, práticas de
melhoria contínua ao programa de segurança e outros.
• Recompensas aos gerentes e supervisores pela administração eficaz da
função de segurança.

O plano de segurança deve estar voltado para toda a organização, e não somente
para a área de produção. Todas as pessoas da organização devem estar
envolvidas no desenvolvimento de um plano de segurança e compreender que
este é útil e benéfico para todos.

10. Acidentes e Segurança no Trabalho

"Pode-se afirmar que o acidente, em termos de administração, é um


acontecimento não planejado e não controlado, onde a ação ou reação de um
objeto, substância, radiação ou indivíduo, resulta num acidente pessoal ou na sua
probabilidade". (Carvalho & Nascimento, 1993).

Do ponto de vista preventivo, pode-se identificar a causa do acidente como sendo


todo fator que, se não for removido a tempo, conduzirá ao acidente propriamente
dito.

Embora os acidentes não sejam inevitáveis e não se manifestem por acaso, eles
são provocados e, por isso mesmo, podem e devem ser preventivos através da
eliminação de suas causas.

11. Atuação da Segurança do Trabalho

Segundo Chiavenato (1991), a Segurança do Trabalho atua em três principais


áreas de atividades:

• Prevenção de Roubos;
• Prevenção de Incêndios;
• Prevenção de Acidentes.

11.1 Prevenção de Roubos

São realizados através de serviços de vigilância. Normalmente cada organização


possui ou contratam esses serviços de acordo com as suas características.

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Chiavenato (1991), cita alguns itens que geralmente fazem parte de um plano de
prevenção de roubos:

• Controle de entrada e saída de pessoal: acontecem geralmente na portaria


da empresa onde este controle pode ser visual, revista pessoal, ou através
de aparelhos eletrônicos;
• Controle de entrada e saída de veículos;
• Ronda pelos terrenos e pelo interior da fábrica;
• Registro de máquinas, equipamentos e ferramentas: são registradas e
inventariadas periodicamente, para efeito de controle e prevenção de furtos;
• Controles contábeis: são efetuados nas áreas de compras, almoxarifado,
expedição e recepção de mercadorias, para prevenir casos de
superfaturamento (valor da compra maior do que da nota fiscal),
subfaturamento (valor da compra menor do que da nota fiscal).

11.2 Prevenção de Incêndios

A prevenção e o combate de incêndios nas organizações, exigem um


planejamento cuidadoso, como a escolha de extintores adequados a cada área,
dimensionamento do reservatório de água, sistema de detecção e alarme e
principalmente treinamento do pessoal.

11.3. Prevenção de Acidentes

Segundo Chiavenato (1991), a Segurança busca minimizar os Acidentes do


Trabalho. Podemos conceituar Acidente do trabalho como decorrer do trabalho,
provocando, direta ou indiretamente, lesão corporal, perturbação funcional ou
doença que determine a morte, a perda total ou parcial permanente ou temporária
da capacidade para o trabalho. A palavra acidente significa ato imprevisto e
perfeitamente evitável na maioria dos casos. As estatísticas de acidentes do
trabalho, por lei, englobam também os acidentes de trajeto, ou seja, aqueles que
ocorrem no trajeto do empregado de sua casa para a organização, e vice-versa.

Os acidentes do trabalho classificam-se em: (Chiavenato 1991).

Acidente sem afastamento: Após o acidente, o empregado continua trabalhando.

Acidente com afastamento: É aquele que pode resultar:

a) Incapacidade temporária é a perda total da capacidade para o trabalho durante


o dia do acidente ou que se prolongue por período menor que um ano. No retorno,
o empregado assume sua função sem redução da capacidade.

b) Incapacidade permanente parcial é a redução permanente e parcial da


capacidade para o trabalho, ocorrida no mesmo dia ou que se prolongue por
período menor que um ano.

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A incapacidade permanente parcial é motivada por:

Perda de qualquer membro ou parte do mesmo;

Perda de visão ou redução funcional de um olho;

Redução da função de qualquer membro ou parte do mesmo;

Perda da audição ou redução funcional de um ouvido.

c) Incapacidade total permanente é a perda total, em caráter permanente, da


capacidade de trabalho.

d) Morte.

12. CIPA

Segundo Chiavenato (1991), não se deve confundir órgão de segurança da


organização com a CIPA: Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. A CIPA é
uma imposição legal da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Nas
organizações onde existem as duas, embora trabalhem em conjunto, com o
mesmo objetivo CIPA é órgão de segurança devem ser chamados pelos seus
verdadeiros nomes e merecer a devida destinação. À CIPA cabe apontar os atos
em seguros dos trabalhadores e as condições de insegurança. A CIPA tem
especial importância nos programas de segurança da pequena e media industria.
Mas nas grandes empresas seu conceito esta mais evoluído os membros da CIPA
auxiliam os supervisores e chefes nos assuntos de segurança.

Órgão de Segurança: CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes

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13. A Empresa – Alcoa Alumínio S.A.

Em 2001, a unidade da Alcoa Poços de Caldas foi uma das cinco fábricas, entre
as mais de 220 espalhadas em 37 países, escolhida como Modelo Mundial em
Segurança, Saúde e Meio Ambiente. No ano anterior, durante uma auditoria
realizada por especialistas do mundo inteiro, foi a única a obter nota máxima
nesses quesitos.

O reconhecimento não veio por acaso, a empresa adota normas rígidas no que diz
respeito à segurança dos seus funcionários. Para se ter uma idéia, todos os dias
antes de iniciar a jornada de trabalho os colaboradores, sem qualquer distinção,
reservam 10 minutos para o Diálogo Diário de Segurança (DDS). Trata-se de uma
conversa sistematizada para expor problemas, oportunidades, dicas ou sugestões,
os encontros são realizados em todas os setores operacionais e de apoio,
inclusive contratadas. Além disso, a elaboração de sugestões na área de
segurança, saúde e meio ambiente rende prêmios em dinheiro e se a idéia resultar
na redução significativa dos riscos identificados, a quantia aumenta
progressivamente como forma de reconhecimento.

As informações sobre segurança, saúde e meio ambiente podem ser obtidas via
Intranet, por meio do portal MyAlcoa. Existem computadores instalados em vários
quiosques no interior da fábrica.

Para o gerente de operações, Edson Schiavotelo, trabalhar com segurança dentro


da Alcoa é condição de emprego. Ele enfatiza que essa doutrina é vivenciada em
todos os níveis da organização e as exigências estendem-se também às
prestadoras de serviço. "A unidade de Poços de Caldas optou por realizar um
processo de treinamento intenso, porém usando a criatividade com o objetivo de
tornar o assunto mais atrativo para o trabalhador realmente aprender a lição".

Schiavotelo revela que em 2003 a taxa de incidentes registrados dentro da fábrica,


equipara-se aos números das empresas considerado padrão mundial em
segurança e saúde. Na Alcoa não se fala em acidentes, mas sim em incidentes,
pois o principal objetivo é a prevenção. "Implantamos uma série de ferramentas
durante todo o ano e atingimos valores nunca alcançados anteriormente. Somos
certificados pela ISO 9001/2000, ISO 14001, OSHAS 18001, BS 8800 e SA 8000
e outras".

"Trabalhar com segurança dentro da Alcoa é condição de emprego. Essa doutrina


é vivenciada em todos os níveis da organização e as exigências estendem-se
também às prestadoras de serviço". Edson Schiavotello.

Para manter um compromisso com funcionários, prestadores de serviços e


clientes, a Alcoa Poços de Caldas segue um rigoroso plano de gerenciamento
baseado em nove elementos e 48 sub-elementos, são eles:

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• Comprometimento: entender a política e os valores da companhia;
• Organização: cada um deve aceitar e exercer suas lideranças dentro do
seu grupo de trabalho;
• Comunicação: formas de transmitir estratégias e treinamentos;
• Gerenciamento de incidentes: os incidentes com e sem lesão devem ser
reportados por meio de um formulário;
• Controle de riscos de engenharia: um dos mais importantes, pois engloba
inspeções de segurança, EPIs, plano de atendimento de emergência,
revisão de saúde, segurança e meio ambiente, controle de energias
perigosas, controle de quedas, equipamentos móveis, espaços confinados,
riscos elétricos, serviços a quente, líquidos inflamáveis e combustíveis,
processos de combustão e proteção de máquinas (para cada item existem
referências como normas específicas Alcoa e guias de implementação);
• Controle de riscos à saúde: programa de avaliação das exposições,
gerenciamento de materiais perigosos, gerenciamento de asbesto,
programa de ergonomia, proteções respiratórias, auditivas e radiológicas,
serviços médicos, exames especiais;
• Controle de práticas de trabalho: trata-se da adesão das contratadas às
normas da Alcoa, procedimentos operacionais e do programa de
observação de tarefas;
• Treinamento: existe uma matriz de treinamento anual dentro da empresa;
• Medição: medir todos os itens relacionados, um trabalho pró-ativo para
tornar o ambiente mais seguro.

A aplicação sistematizada de todos os elementos é fundamental para atingir o


objetivo do Sistema de Gerenciamento: um ambiente de trabalho livre de
incidentes. Entre as prioridades abordadas pelo programa, está o item 6 (controle
de riscos à saúde), que engloba questões como conservação auditiva e proteção
respiratória, projetos reconhecidos mundialmente e merecedores de vários
prêmios. (www.cipanet.com.br - Programa de Segurança).

14. Conclusão.

A Ergonomia trata-se de uma disciplina orientada para uma abordagem sistêmica


de todos os aspectos da atividade humana. Para darem conta da amplitude dessa
dimensão e poderem intervir nas atividades do trabalho é preciso que os
ergonomistas tenham uma abordagem holística de todo o campo de ação da
disciplina, tanto em seus aspectos físicos e cognitivos, como sociais,
organizacionais, ambientais, etc.

O planejamento estratégico na montagem de uma fábrica, escritório ou um outro


ambiente de trabalho têm conquistado cada vez mais importância no cuidado das
empresas dos mais diversos setores de atuação.

A adaptação do ambiente às medidas do corpo humano, e suas necessidades,


tem sido encarada como chave para o sucesso de empreendimentos. Novos

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competidores e novas maneiras de competir estão surgindo a todo instante. Para
sobreviver e crescer no mundo dos negócios não basta praticar a melhoria
contínua dos processos. Humanizar o emprego, de forma a obter-se um resultado
satisfatório, tanto para a organização como para o empregado, são também
atitudes quase obrigatórias na busca pela excelência organizacional.

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15. Referência Bibliografia

ABERGO, 2000 - A certificação do ergonomista brasileiro - Editorial do Boletim


1/2000, Associação Brasileira de Ergonomia. (http://www.ergonomia.com.br)

LIDA, Itiro, Ergonomia Projeto e Produção, Editora Edgar Blücher Ltda, 2000.

BARROS, Olavo B. Ergonomia 2 - O Ambiente Físico de Trabalho, a


Produtividade e a Qualidade de Vida em Odontologia, Editora Pancast, 1993.

CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas, Editora Campus, 2º Tiragem, 1999.

VIDAL, M. Roteiro de Análise Ergonômica do Trabalho. Rio de Janeiro, 1998.

CARVALHO, Antonio V. & NASCIMENTO, Luiz P., Administração de Recursos


Humanos, Editora Pioneira S.P, Volume 1, 1993.

CHIAVENATO, Idalberto. Recursos Humanos, Edição Compacta, 1991.

http://www.revistaseguranca.com (Publicada em Jan./Fev. 2006)

http://www.dcaergonomia.com.br/artigos/erg-qual8.htm

http://www.segurancaetrabalho.com.br

http://www.areaseg.com/artigos

http://www.cipanet.com.br/Programa de Segurança

Não garantimos a atualização desta lista de sites. Esses serviços podem ter
mudado de endereço ou ter sido interrompido

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