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INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS

ANÍSIO TEIXEIRA

NOTA TÉCNICA Nº 10/2017/CGCQTI/DEED

Brasília, 27 de junho de 2017.

Assunto: A remuneraçao media dos docentes em exercício na


educaçao basica: pareamento das bases de dados do Censo da
Educaçao Ba sica e da RAIS

Introdução

O professor tem papel fundamental na efetivação do direito constitucional a uma


educação de qualidade. A valorização desse profissional, entre outros aspectos, precisa
reconhecer a importância do seu papel social, a sua centralidade no processo de ensino-
aprendizagem, e também uma remuneração apropriada pelo exercício da função; pontos já
observados no Plano Nacional de Educação (Lei 13.005, de 25 de junho de 2014).
O Censo da Educação Básica coleta, entre os aspectos importantes sobre o exercício da
função docente no Brasil, dados sobre cursos de formação e a instituição formadora do docente,
tipo de contrato/vínculo com a rede de ensino, quantidade de escolas, identificação das
disciplinas e etapas de atuação, número de alunos sob sua regência. Essas características foram
recentemente exploradas pelo Inep1 e resultaram na publicação Perfil da docência no ensino
médio regular. Entretanto, apesar de coletar uma grande quantidade de informações a respeito da
atuação dos docentes da educação básica, o Censo não alcança a questão da remuneração do
docente.
A pesquisa realizada buscou recuperar essa informação, não disponível no Censo da
Educação Básica, a partir do pareamento de dados com a Relação Anual de Informações Sociais
(RAIS). Na primeira parte do estudo são detalhados os procedimentos adotados para
identificação, na base de dados da RAIS, das remunerações relativas à profissão docente por
meio das variáveis de classificação de ocupação e da categoria administrativa da fonte pagadora,
através da natureza jurídica do contrato. Na sequência, detalham-se os procedimentos para a
criação da chave de ligação das bases de dados e para validação dos vínculos resultantes do

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Perfil da docência no ensino médio regular, Inep 2015: http://www.publicacoes.inep.gov.br/portal/download/1281

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cruzamento dessas bases, considerando-se a análise de consistência dos valores da remuneração
e da carga horária.
O resultado do processo é uma base de dados com as informações dos docentes do Censo
da Educação Básica, aqueles efetivamente em sala de aula na data de referência da pesquisa, e as
informações de remuneração e carga horária contratual da RAIS, possibilitando o cálculo da
remuneração média para diferentes níveis de agregação territorial e dependência administrativa.
Este é um trabalho inédito e que pode contribuir para as discussões acerca da valorização
do docente nas diferentes esferas de governo, assim como na rede privada, além de oferecer
insumos importantes para caracterizar o contexto em que os resultados educacionais são
alcançados. Cumpre destacar que o presente trabalho apenas tornou-se viável a partir do Acordo
de Cooperação com Ministério do Trabalho e Emprego e Previdência Social, através da
Coordenação-Geral de Estatísticas do Trabalho – CGET, que disponibilizou a base de dados da
RAIS e contribuiu de forma significativa, com o apoio de sua equipe técnica, para a validação
dos resultados do estudo. Da perspectiva do Inep, a manutenção desta parceria com o MTPS é
importante para o aprimoramento dos dois levantamentos e a atualização deste estudo, que pode
se configurar como um novo instrumento de monitoramento da remuneração dos docentes em
efetivo exercício. Os resultados aqui apresentados não esgotam o potencial de análise desses
dados, aqui serão discutidos apenas os valores sumarizados. O Inep continuará explorando essas
informações, além de torná-las disponíveis no ambiente seguro do instituto para que possam ser
utilizados em novas pesquisas, a fim de ampliar o conhecimento sobre o tema.

1 Objetivo

A pesquisa tem por objetivo definir uma metodologia de pareamento das bases de dados
do Censo da Educação Básica e da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e calcular a
remuneração mensal, padronizada para uma carga horária de 40 horas semanais, dos docentes em
exercício em sala de aula, por dependência administrativa (federal, estadual, municipal e
privada), para diferentes níveis de agregação (município, UF, grandes regiões e Brasil). O estudo
inicial foi realizado com base nos dados disponíveis do ano de 2014 de ambas as pesquisas,
entretanto, pretende-se estender o tratamento e análise de dados, conforme metodologia descrita,
para compor uma série histórica e passar a ser realizado regularmente tão logo os dados das
fontes estejam disponíveis.

2 Fontes de Dados

2.1 O Censo da Educação Básica


O Censo da Educação Básica é uma pesquisa anual e declaratória, coordenada pelo Inep,
em articulação com estados e municípios, em que as escolas da educação básica informam, por

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meio de um sistema eletrônico disponível na Internet2, vários dados referentes à(s) escola(s), aos
docentes em sala de aula e aos alunos. Vale destacar, portanto, que os dados coletados pelo
Censo devem constar dos registros administrativos e escolares (acadêmicos), sendo, portanto, a
fonte de dados da pesquisa, que se constitui como uma pesquisa documental e não um cadastro
administrativo.

2.2 A Relação Anual de Informações Sociais (RAIS)


A RAIS, por sua vez, instituída pelo Decreto nº 76.900, de 23/12/75, sob
responsabilidade do Ministério do Trabalho e Emprego e Previdência Social (MTPS), tem como
objetivos o suprimento das necessidades de controle da atividade trabalhista no País, o
provimento de dados para a elaboração de estatísticas do trabalho e a disponibilização de
informações do mercado de trabalho às entidades governamentais. Todas as pessoas jurídicas de
direito privado e órgãos da administração direta e indireta dos governos federal, estadual ou
municipal, que empregam trabalhadores independentemente da forma do vínculo empregatício
(empregadores), devem obrigatoriamente declarar informações à RAIS. Assim, esse instrumento
tem a capacidade de prover informações laborais de docentes de todas as escolas, incluindo as de
administração federal, estadual, municipal e privada.

3 Metodologia

3.1 Bases de dados e variáveis


A base de dados do Censo da Educação Básica utilizada no estudo refere-se ao ano de
2014. São ao todo 2.229.256 docentes da educação básica em exercício em sala de aula. As
variáveis selecionadas para o estudo foram: código do docente (chave única de identificação do
docente na base de dados do Censo da Educação Básica), função que o docente exerce em sala
de aula, dependência administrativa da escola, código do estado da escola (IBGE), código do
município da escola (IBGE) e CPF do docente.

Tabela 1 – Lista de variáveis selecionadas da base de dados do Censo da Educação Básica - 2014
Variáveis Descrição
ano_censo Ano
fk_cod_docente Código do docente
id_dependencia_adm Dependência administrativa da escola
id_tipo_docente Função que o docente exerce na escola
fk_cod_estado UF da escola
fk_cod_municipio Município da escola
CPF CPF do docente
Fonte: Censo da Educação Básica/INEP/MEC

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Para mais informações consulte o endereço http://portal.inep.gov.br/basica-censo

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A base de dados da RAIS cedida ao INEP contém as informações de todos os vínculos
empregatícios registrados em 2014, sendo que cada linha representa um contrato. No total são
74.632.638 linhas, já retiradas aquelas em que o CPF era inválido, com remuneração igual a zero
ou com tempo de emprego igual a zero. As variáveis utilizadas foram: código do município
(IBGE), remuneração média anual (valor nominal), classificação brasileira de ocupações (CBO –
criada em 2002), classe de atividade econômica (CNAE – versão 2.0), CPF, ano, natureza
jurídica (CONCLA/2002), quantidade de horas contratuais por semana, tempo de emprego do
trabalhador, data de admissão do trabalhador e mês de desligamento do contrato.

Tabela 2 - Lista de variáveis selecionadas da base de dados da RAIS – 2014


Variáveis Descrição
sg_uf UF
cod_municipio Código IBGE do município
rem_med Remuneração média anual do trabalhador (valor nominal)
cod_cbo_2002 Classificação Brasileira de Ocupações, criada em 2002 - atualizada em 23/08/2004
cod_class_cnae_95 Classe de Atividade Econômica, segundo classificação CNAE - versão 2.0
cpf CPF
nu_ano Ano
natur_jur Natureza Jurídica (CONCLA/2002)
horas_contr Quantidade de horas contratuais por semana
temp_empr Tempo de emprego do trabalhador (quando acumulada representa a soma dos meses)
dt_admissao Data de admissão do trabalhador
mes_deslig Mês Desligamento
Fonte: RAIS/MTPS

A remuneração média anual, variável de remuneração usada no estudo, é definida,


segundo o dicionário de variáveis disponibilizado pelo MTPS no âmbito do Acordo de
Cooperação, como a média das remunerações mensais informadas na RAIS, referentes ao ano-
base, devidas em cada mês, pagas ou não, computados os valores considerados rendimentos do
trabalho. Para cada contrato, é informada a remuneração média anual, considerando como
denominador o número de meses trabalhados.
Segundo as orientações de preenchimento da RAIS, devem integrar as remunerações
mensais: salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, honorários, vantagens, adicionais
extraordinários, suplementações, representações, bonificações, gorjetas, gratificações,
participações, produtividade, porcentagens, comissões e corretagens. O 13º salário não deve ser
incluído nas remunerações mensais.3

3 MANUAL DE ORIENTAÇÃO RAIS, DISPONÍVEL EM:


HTTP://WWW.RAIS.GOV.BR/SITIO/RAIS_FTP/MANUALRAIS2016.PDF

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3.2 Tratamento de dados antes do pareamento das bases de dados.
3.2.1 Dados oriundos do Censo da Educação Básica
Para cumprir o objetivo da pesquisa, o pareamento entre as bases de dados deve não
apenas localizar o docente do Censo da Educação Básica na RAIS, trazendo a remuneração de
todos os contratos que ele trabalhou no ano de referência, mas possibilitar a construção de uma
base de dados em que a remuneração atribuída ao professor mantenha a correspondência entre a
categoria administrativa do empregador (RAIS) e a dependência administrativa da escola de
atuação (Censo da Educação Básica).
Assim, considerando que um docente pode lecionar em mais de uma rede de ensino, caso
o docente esteja em exercício em uma escola estadual e o seu rendimento, informado na RAIS,
refira-se a um empregador de categoria administrativa municipal, a remuneração média e carga-
horária do contrato de trabalho provenientes desse contrato não são consideradas para o cálculo
do rendimento médio dos docentes da referida agregação estadual.
Dado esse cenário, torna-se claro que não é possível usar apenas o CPF como chave de
ligação entre as duas bases de dados, e, por isso, foi construída uma nova chave para o
cruzamento de dados, composta pelo CPF do docente, a dependência administrativa (da escola
de atuação no Censo da Educação Básica e do empregador na RAIS), o estado e o município da
escola e do empregador.
Com essa nova chave, é possível garantir que apenas os dados da RAIS do vínculo
empregatício com o empregador de mesma categoria administrativa da função docente
informada no Censo da Educação Básica sejam correspondentes. Desta forma, a remuneração
encontrada na RAIS de um empregador da categoria administrativa municipal de um
determinado município, por exemplo, é atribuída apenas às escolas da rede municipal do mesmo
município. O mesmo se aplica para remunerações originadas na dependência estadual,
considerando o território do estado como delimitador. E, por fim, no caso das dependências
privada e federal, independente da UF ou município em que o docente atua, é atribuída a ele uma
única chave, sem considerar um campo para delimitar o território.
A nova chave de ligação entre as bases dados foi construída da seguinte forma:
a) se a dependência administrativa for privada ou federal:
Chave = CPF e dependência administrativa.
b) se a dependência administrativa for estadual:
Chave = CPF, dependência administrativa e UF.
c) se a dependência administrativa for municipal:
Chave = CPF, dependência administrativa e município.
Assim, para o presente estudo, vínculo é cada chave distinta que um docente possui,
sendo possível registrá-los de forma individual, inclusive, quando um docente atua em mais de
uma dependência administrativa; ou em uma mesma dependência administrativa, mas em
unidades da federação diferentes (municípios ou estados); resultando em mais de um vínculo na

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base de dados. No caso da rede privada ou da rede federal, caso o docente atue em apenas uma
dessas dependências, ainda que em duas ou mais UF, ou em mais de um município, é atribuído a
ele apenas um vínculo.
Após o tratamento dos dados, a base com as informações do Censo da Educação Básica
ficou com um total de 2.498.379 vínculos correspondentes a 2.229.256 docentes.

3.2.2 Dados oriundos da RAIS


Para reduzir o volume de dados da RAIS a ser processado e considerar apenas as
informações dos vínculos empregatícios próprios e relevantes ao universo do Censo da Educação
Básica, um primeiro batimento de dados apenas pelo CPF, entre as duas bases de dados,
possibilitou selecionar da RAIS os registros de vínculos de trabalho que poderiam ser
correlacionados com o Censo da Educação Básica. Neste primeiro cruzamento (pelo número do
CPF), foram localizados na RAIS 2.078.925 (93,2%) dos 2.229.256 docentes registrados no
Censo da Educação Básica, correspondendo a 3.078.141 contratos (um docente pode apresentar
mais de um contrato de trabalho ao longo do ano com um ou mais de um empregador). Esse
primeiro resultado, já aponta para uma boa qualidade de ambos os levantamentos.
Após a aplicação do filtro pelo CPF, antes de se efetivar o cruzamento de dados, foram
realizados os seguintes tratamentos na base de dados da RAIS: 1) criação de variável indicando
os empregos vinculados à educação; 2) criação de variável indicando a dependência
administrativa do empregador; 3) criação da chave de ligação para o cruzamento com os dados
do Censo da Educação Básica (seguindo a mesma metodologia aplicada no Censo); 4) cálculo da
renda média padronizada; 5) avaliação e tratamento de inconsistências na renda e na carga
horária. Esses tratamentos são detalhados a seguir.

3.2.2.1 Exclusão dos registros de remuneração referente a emprego não vinculado à


educação.
A Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) tem por finalidade a identificação das
ocupações no mercado de trabalho, para fins classificatórios junto aos registros administrativos e
domiciliares. Já a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) é o instrumento de
padronização nacional dos códigos de atividade econômica e dos critérios de enquadramento
utilizados pelos diversos órgãos da administração tributária do País. Para identificar na base de
dados da RAIS uma variável que correspondesse aos contratos típicos de professores, foram
selecionados todos os códigos da CBO e da CNAE vinculados à docência na Educação Básica.
Os códigos da CBO e da CNAE utilizados nessa classificação são os descritos nas tabelas 1 e 2,
respectivamente. Os contratos cujos códigos CBO ou CNAE são vinculados à Educação Básica
foram mantidos na base, os demais, que não estão enquadrados em nenhuma das duas listas,
foram descartados. É importante frisar que é possível que um contrato não seja classificado pela
CBO como de Educação Básica, mas que tenha sido pela CNAE, assim como o contrário.
Duas observações se fazem necessárias nesse ponto. A primeira em relação à inclusão da
CBO 234520 – Professor de Ensino Superior na Área de Prática de Ensino, na lista de códigos
relacionados à docência na Educação Básica. Essa CBO, embora seja própria do Ensino
Superior, permaneceu no estudo, pois é possível que docentes de Institutos Federais, que

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lecionam tanto na Educação Básica como no Ensino Superior, estejam classificados dessa forma.
A segunda, em relação à CNAE 75116 – Administração Pública em Geral, que, apesar de ser
uma classificação mais genérica do que as demais consideradas no estudo, apresentou uma
frequência muito alta entre os docentes de escolas públicas localizados em todo o País,
provavelmente uma opção comum dos empregadores públicos ao preencher os dados referentes
aos seus docentes.
Retirados os contratos que não são próprios da função docente, permaneceram na base de dados
2.052.694 registros.

Tabela 3 - Lista de CBOs de Educação Básica


CBO Descrição
231105 Professor de Nível Superior na Educação Infantil (Quatro a Seis Anos)
231110 Professor de Nível Superior na Educação Infantil (Zero a Três Anos)

231205 Professor da Educação de Jovens e Adultos do Ensino Fundamental (Primeira a Quarta Série)
231210 Professor de Nível Superior do Ensino Fundamental (Primeira a Quarta Série)
231305 Professor de Ciências Exatas e Naturais do Ensino Fundamental
231310 Professor de Educação Artística do Ensino Fundamental
231315 Professor de Educação Física do Ensino Fundamental
231320 Professor de Geografia do Ensino Fundamental

231325 Professor de História do Ensino Fundamental


231330 Professor de Língua Estrangeira Moderna do Ensino Fundamental
231335 Professor de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental
231340 Professor de Matemática do Ensino Fundamental
232105 Professor de Artes no Ensino Médio
232110 Professor de Biologia no Ensino Médio
232115 Professor de Disciplinas Pedagógicas no Ensino Médio
232120 Professor de Educação Física no Ensino Médio
232125 Professor de Filosofia no Ensino Médio
232130 Professor de Física no Ensino Médio
232135 Professor de Geografia no Ensino Médio
232140 Professor de História no Ensino Médio
232145 Professor de Língua e Literatura Brasileira no Ensino Médio
232150 Professor de Língua Estrangeira Moderna no Ensino Médio
232155 Professor de Matemática no Ensino Médio
232160 Professor de Psicologia no Ensino Médio
232165 Professor de Química no Ensino Médio
232170 Professor de Sociologia no Ensino Médio
233105 Professor da Área de Meio Ambiente
233110 Professor de Desenho Técnico
233115 Professor de Técnicas Agrícolas

233120 Professor de Técnicas Comerciais e Secretariais

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CBO Descrição
233125 Professor de Técnicas de Enfermagem
233130 Professor de Técnicas Industriais

233135 Professor de Tecnologia e Cálculo Técnico


233205 Instrutor de Aprendizagem e Treinamento Agropecuário
233210 Instrutor de Aprendizagem e Treinamento Industrial

233215 Professor de Aprendizagem e Treinamento Comercial


233220 Professor Instrutor de Ensino e Aprendizagem Agroflorestal
233225 Professor Instrutor de Ensino e Aprendizagem em Serviços

234520 Professor de Ensino Superior na Área de Pratica de Ensino


239205 Professor de Alunos com Deficiência Auditiva e Surdos
239210 Professor de Alunos com Deficiência Física
239215 Professor de Alunos com Deficiência Mental
239220 Professor de Alunos com Deficiência Múltipla
239225 Professor de Alunos com Deficiência Visual
239405 Coordenador Pedagógico
239410 Orientador Educacional
239415 Pedagogo
239420 Professor de Técnicas e Recursos Audiovisuais
239425 Psicopedagogo
239430 Supervisor de Ensino
239435 Designer Educacional
331105 Professor de Nível Médio na Educação Infantil
331110 Auxiliar de Desenvolvimento Infantil
331205 Professor de Nível Médio no Ensino Fundamental
331305 Professor de Nível Médio no Ensino Profissionalizante
332105 Professor Leigo no Ensino Fundamental
332205 Professor Prático no Ensino Profissionalizante
333115 Professores de Cursos Livres
Fonte: RAIS/MTPS

Tabela 4 - Lista de CNAEs de Educação Básica


CNAE Descrição
75116 Administração Pública em Geral
80136 Educação Infantil creche

80144 Educação Infantil pré-escola


80152 Ensino Fundamental
80209 Ensino Médio

80969 Educação Profissional de Nível Técnico


80977 Educação Profissional de Nível Tecnológico
80993 Outras Atividades de Ensino

Fonte: RAIS/MTPS

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3.2.2.2 Construção da variável dependência administrativa na RAIS
Tendo em vista que o objetivo do estudo é estimar a remuneração média mensal do
docente por dependência administrativa, foi necessário construir uma nova variável na RAIS
compatível com a dependência administrativa das escolas do Censo da Educação Básica. Para
tanto, foi usada a natureza jurídica do contrato, conforme lista apresentada na tabela 3.
Não foi possível classificar todas as categorias de natureza jurídica do contrato em
conformidade com as categorias de dependência administrativa do Censo da Educação Básica,
então, esses contratos foram classificados na dependência administrativa “outros” e,
posteriormente, descartados.
Além disso, em alguns casos, foi possível definir a natureza jurídica do contrato apenas
como relacionada à rede pública. Para tais casos, o tratamento considerou a dependência
administrativa registrada no Censo da Educação Básica quando o docente do respectivo CPF foi
localizado em apenas uma dependência administrativa, sendo ela da rede pública (podendo essa
ser federal, estadual ou municipal). Depois de retirados os contratos cuja dependência foi
classificada como “outros”, permaneceram na base de dados 2.052.101docentes.

Tabela 5 - Correspondência Natureza Jurídica para dependência administrativa

Dependência
Código Natureza jurídica da RAIS administrativa atribuída

1015 Órgão Público do Poder Executivo Federal federal


1040 Órgão Público do Poder Legislativo Federal federal
1074 Órgão Público do Poder Judiciário Federal federal
1104 Autarquia Federal federal
1139 Fundação Federal federal
1163 Órgão Público Autônomo Federal federal
1023 Órgão Público do Poder Executivo Estadual ou do Distrito Federal estadual
1058 Órgão Público do Poder Legislativo Estadual ou do Distrito Federal estadual
1082 Órgão Público do Poder Judiciário Estadual estadual

1112 Autarquia Estadual ou do Distrito Federal estadual


1147 Fundação Estadual ou do Distrito Federal estadual
1171 Órgão Público Autônomo Estadual ou do Distrito Federal estadual
1031 Órgão Público do Poder Executivo Municipal municipal
1066 Órgão Público do Poder Legislativo Municipal municipal
1120 Autarquia Municipal municipal
1155 Fundação Municipal municipal
1180 Órgão Público Autônomo Municipal municipal
2046 Sociedade Anônima Aberta privada
2062 Sociedade Empresária Limitada privada
2070 Sociedade Empresária em Nome Coletivo - a partir da RAIS2008 privada
2089 Sociedade Empresária em Comandita Simples privada

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Dependência
Código Natureza jurídica da RAIS administrativa atribuída

2097 Sociedade Empresária em Comandita por Ações privada


2100 Sociedade Mercantil de Capital e Indústria privada

2135 Empresário (Individual) privada


2143 Cooperativa privada
2178 Estabelecimentos, no Brasil, de Sociedade Estrangeira privada

2232 Sociedade Simples Pura privada


2240 Sociedade Simples Limitada privada
2259 Sociedade Simples em Nomes Coletivo privada

2267 Sociedade Simples em Comandita Simples privada


2275 Empresa Binacional privada
3069 Fundação Privada privada
3077 Serviço Social Autônomo privada
3220 Organização Religiosa privada
3999 Associação Privada privada
4081 Contribuinte individual - até a RAIS 2007 e a partir de 2010 outros
1201 Fundo Público público
1210 Associação Pública público
2011 Empresa Pública público
2038 Sociedade de Economia Mista público
2054 Sociedade Anônima Fechada privada
2151 Consórcio de Sociedades privada
2283 Consórcio de Empregadores privada
2305 Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (de Natureza Empresária) privada
2313 Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (de Natureza Simples) privada
3034 Serviço Notarial e Registral (Cartório) outros
3085 Condomínio Edifícios outros
3123 Partido Político outros
3131 Entidade Sindical - até a RAIS 2007 e a partir de 2010 privada
3204 Estabelecimentos, no Brasil, de Fundação ou Associação Estrangeiras privada
3239 Comunidade Indígena outros
4014 Empresa Individual Imobiliária privada
4022 Segurado Especial outros
4080 Contribuinte individual - utilizada na RAIS 2008 e 2009 outros
4090 Candidato a Cargo Político Eletivo outros
4111 Leiloeiro outros
5010 Organização Internacional outros
5029 Representação Diplomática Estrangeira outros
Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

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Construção da chave para o cruzamento das bases de dados
Da mesma forma como foi feito no Censo da Educação Básica, com a dependência
administrativa construída na RAIS, o passo seguinte foi construir uma nova chave de
cruzamento, da seguinte forma:
a) se a dependência administrativa for privada ou federal:
Chave = CPF, dependência administrativa.
b) se a dependência administrativa for estadual:
Chave = CPF, dependência administrativa, UF.
c) se a dependência administrativa for municipal:
Chave = CPF, dependência administrativa, município.
Com a construção da nova chave, verifica-se a ocorrência de três situações: (1) docentes
que possuem um único contrato e, portanto, um único vínculo/chave na base; (2) docentes que
possuem dois ou mais contratos em vínculos/chaves distintas, por exemplo, um docente com um
contrato na rede estadual e outro na rede municipal; (3) docentes com dois ou mais contratos e
um único vínculo/chave (por exemplo, um docente com dois contratos distintos na rede privada).

3.2.2.3 Obtenção da Remuneração Média por Hora ponderada pelo total de horas
trabalhadas
Para os docentes enquadrados nesse terceiro caso, a fim de estimar, para cada vínculo,
apenas uma remuneração, optou-se pelo cálculo da remuneração média por hora ponderada pelo
número de horas total trabalhadas em cada contrato (Rem_med_hora), dado pela seguinte
fórmula:
𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑟𝑒𝑛𝑑𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜𝑠 𝑒𝑚 2014 𝑛𝑜 𝑣í𝑛𝑐𝑢𝑙𝑜 𝑖 ∑𝑗 𝑅𝑒𝑚_𝑀𝑒𝑑𝑖,𝑗 × 𝑇𝑖,𝑗
𝑅𝑒𝑚_𝑀𝑒𝑑_𝐻𝑜𝑟𝑎𝑖 = =
𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 ℎ𝑜𝑟𝑎𝑠 𝑡𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑎𝑑𝑎𝑠 𝑒𝑚 2014 𝑛𝑜 𝑣í𝑛𝑐𝑢𝑙𝑜 𝑖 ∑𝑗 ℎ𝑜𝑟𝑎𝑠_𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑖,𝑗 × 4 × 𝑇𝑖,𝑗

Onde,

i = Identificação da esfera administrativa ou empregador,


j = Identificação do contrato na esfera administrativa i,
̅ i = Remuneração média por hora na esfera administrativa i,
R
Rem_Medi,j = Remuneração média no contrato j na esfera administrativa i,
Horas_contri,j = Número de horas semanais do contrato j na esfera administrativa i,
Ti,j = Tempo de contrato j em meses na esfera administrativa i
(variável construída a partir do tempo de emprego do trabalhador, data de admissão do trabalhador
e mês de desligamento do contrato).

A criação da variável 𝑇𝑖,𝑗 apresentada na equação acima, também necessitou de um


tratamento, visto que a variável de tempo de emprego na base da RAIS representa o número de
meses acumulados naquele contrato. Portanto, se o docente ingressou naquele emprego antes de
2014 e permaneceu empregado até o final do ano, o tempo de emprego é maior do que 12 meses.
Como o interesse do estudo é apenas o ano de 2014, foi construída uma nova variável indicando
o número de meses acumulados apenas em 2014, da seguinte forma:
a) Se o docente foi admitido no contrato antes de 2014 e não foi desligado do contrato
em 2014: tempo de emprego em 2014 = 12 meses;

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b) Se o docente foi admitido no contrato antes de 2014 e desligado do contrato em 2014:
tempo de emprego em 2014 = mês de desligamento do contrato;
c) Se o docente foi admitido no contrato em 2014 e desligado do contrato também em
2014: tempo de emprego em 2014 = tempo de emprego informado na RAIS;
d) Se o docente foi admitido no contrato em 2014 e não foi desligado do contrato em
2014: tempo de emprego em 2014 = tempo de emprego informado na RAIS.
Para a obtenção do número de horas trabalhadas em um determinado contrato, que é
utilizado no denominador da fórmula que define a remuneração média ponderada
(ℎ𝑜𝑟𝑎𝑠_𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑖,𝑗 × 4 × 𝑇𝑖,𝑗 ), o número de horas semanais do contrato é multiplicado por quatro -
assumindo que cada mês tem quatro semanas. O número total de horas trabalhadas em 2014
(soma das horas de todos os contratos de um mesmo vínculo) foi limitado ao máximo de 2.880
horas, valor que corresponde a jornada de trabalho anual de um trabalhador com jornada semanal
de 60 horas. Assim, foi imputado o valor de 2.880 horas para os tempos superiores a esse valor.

3.3 Tratamentos decorrentes de um primeiro pareamento das bases de


dados do Censo da Educação Básica e RAIS
Após executados os tratamentos descritos anteriormente, realizou-se o pareamento das
bases de dados do Censo da Educação Básica e da RAIS pela chave de ligação construída. Com
a base de dados resultante, foram realizadas análises exploratórias nas variáveis de remuneração
e carga horária por dependência administrativa. Com isso, foram identificadas algumas
situações, detalhadas a seguir, que poderiam enviesar os dados, caso não fossem tratadas.
Para facilitar a análise e a comparação de contratos com cargas horárias semanais
distintas, o primeiro passo foi padronizar as remunerações médias por hora para um contrato com
carga horária semanal de 40 horas (160 horas no mês), com a seguinte fórmula:

𝑅𝑒𝑚𝑚𝑒𝑑40 = 𝑅𝑒𝑚𝑚𝑒𝑑ℎ𝑜𝑟𝑎 × 160


𝑖

Tendo a remuneração média padronizada para 40 horas, foi avaliada a distribuição dessa
remuneração por dependência administrativa e por faixa de horas contratuais por semana, pois
sabidamente há diferenças consideráveis nos salários por dependência administrativa e carga
horária. Na tabela 6, observa-se que à medida que o número de horas do contrato decresce, há
um aumento significativo na remuneração média padronizada. Além disso, para todas as faixas
de horas contratuais, o valor máximo da remuneração encontrada não é razoável para um
contrato de docente no País, o que traz a necessidade de estabelecer um ponto de corte para a
remuneração média padronizada máxima. Com esse intuito, foi calculado o 99º percentil da
remuneração padronizada por dependência administrativa e faixa de horas contratuais por
semana.
Analisando a tabela 6, percebe-se, por exemplo, que não é razoável que contratos entre
duas e cinco horas semanais, na rede estadual, tenham remuneração padronizada de até R$
87.847,20, e que assim, o valor do 99º percentil ainda seria um ponto de corte muito elevado. Os

12
contratos de uma hora semanal, além de serem contratos não usuais na profissão, apresentaram
uma distribuição da remuneração com muitos valores extremos, assim, os dados desses contratos
foram desconsiderados nas próximas análises.

Tabela 6 – Medidas de posição da remuneração média anual padronizada para 40 horas semanais

Número de contratos
Dependência Faixa de Remuneração 99º percentil em Valor máximo em Número de
com remuneração
administrativa horas Média R$ R$ contratos
acima do 99º percentil

[20,40) 5.770,64 15.878,43 23.363,20 978 6


Federal
[40,44] 7.821,77 17.920,06 49.140,71 22.944 223
[0,1] 21.054,40 21.054,40 21.054,40 1 1
[2,5) 24.943,98 87.847,20 89.402,40 128 2
Estadual [5,20) 4.536,61 16.732,96 100.634,37 25.472 388
[20,40) 4.004,76 12.943,66 75.313,83 375.926 4.945
[40,44] 3.041,78 9.326,20 74.149,89 316.959 3.159
[0,1] 75.528,89 259.520,77 858.636,40 1.820 21
[2,5) 17.798,33 48.163,70 167.946,00 6.560 107
Municipal [5,20) 5.908,34 18.073,95 106.728,87 55.949 1.028
[20,40) 3.774,08 11.392,10 124.413,40 612.354 7.163
[40,44] 2.332,47 7.358,76 40.656,00 403.059 4.175
[0,1] 84.217,30 331.640,00 1.165.275,60 3.218 32
[2,5) 14.281,56 78.862,63 439.841,20 8.927 124
Privada [5,20) 5.424,65 21.212,80 135.450,24 87.983 1.586
[20,40) 3.265,81 13.482,81 62.117,48 168.127 1.894
[40,44] 1.799,46 7.698,52 80.701,03 159.501 1.566
Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

Ainda na tentativa de encontrar um ponto de corte, a distribuição dos rendimentos


padronizados foi avaliada por meio de histogramas (Figuras 1 e 2). Em todos os histogramas,
para melhorar a visualização do gráfico, a remuneração média padronizada para 40 horas foi
limitada em R$ 100.000,00. Além disso, como mencionado anteriormente, foram
desconsiderados todos os contratos com carga horária semanal de uma hora.
Observa-se que a frequência de contratos diminui à medida que a remuneração se
aproxima de R$ 20.000,00, sendo imperceptível no gráfico a frequência de contratos acima desse
valor (Figura 1). O mesmo se verifica quando se avalia a distribuição dos rendimentos frente ao
teto constitucional de remuneração dos servidores públicos - representado pela linha vertical nos
histogramas - que em 2014 era de R$ 29.462,25.
No histograma seguinte, por faixa de horas, evidencia-se que as distribuições das
remunerações dos contratos de 20 a 40 horas contratuais por semana e de 40 a 44 horas semanais
são semelhantes. Por outro lado, para faixa de duas a 5 horas, a distribuição é a mais distinta e a

13
que apresenta maior frequência de remunerações elevadas, mas novamente se verifica que
poucos valores ultrapassam o teto do funcionalismo público.

30

25

Teto do funcionalismo público:


R$ 29.462,25
20
%

15

10

0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000

Remuneração média padronizada para 40 horas

Figura 1 - Distribuição da remuneração média padronizada para 40 horas dos contratos dos docentes
localizados na RAIS 2014.

14
Teto do funcionalismo público:
40 R$ 29.462,25
% 30
20 [2,5)
10
0
0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000

Remuneração média padronizada para 40 horas

40
30
[5,20)
%

20
10
0
0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000

Remuneração média padronizada para 40 horas

40
30 [20,40)
%

20
10
0
0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000

Remuneração média padronizada para 40 horas

40
30
[40,44]
%

20
10
0
0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000

Remuneração média padronizada para 40 horas

Figura 2 - Distribuição da remuneração dos contratos dos docentes localizados na RAIS 2014 por faixa de
horas contratual.

Ainda estudando o fenômeno das remunerações médias muito elevadas, ao avaliar as


remunerações médias da rede municipal (foram avaliados apenas os municípios em que foram
localizados na RAIS mais de 60% dos docentes da rede), observou-se que dos 20 municípios
com maior remuneração, 19 municípios tem carga horária média por semana menor ou igual a
oito horas (Tabela 7).

15
Além de não ser comum, na rede pública, a contratação de docentes com uma carga
horária tão baixa, dos municípios listados na tabela 7 com carga horária menor ou igual a oito
horas por semana, apenas os municípios de Formosa do Rio Preto e Candeias apresentam uma
boa posição no ranking pelo PIB per capita, o que se tomou como um indicativo de que as
remunerações médias calculadas não condizem com a realidade dos municípios. Uma hipótese
de explicação é de que o dado de carga horária informado por esses municípios corresponderia à
carga horária diária do contrato, ao invés da semanal – como deveria ser.

Tabela 7 - 20 municípios com maior remuneração média ponderada padronizada para 40 horas na rede
municipal
Carga
Remuneração
Qtd. horária Produto
Qtd. % docentes média
docentes no média dos Interno Bruto
UF Município docentes na localizados padronizada para Ranking
Censo Ed. contratos da per capita
RAIS na RAIS 40 horas por
Básica rede em R$ - 2011
semana em R$
municipal
RN Pau dos Ferros 108 105 97,22 41.540,96 2,31 12.215,64 3.082
SP Tabatinga 97 92 94,85 33.650,04 2,15 12.053,45 3.105
BA Caém 105 103 98,10 22.218,17 4,00 6.500,50 4.774
Oliveira dos
BA Brejinhos 237 195 82,28 20.500,24 4,06 6.374,96 4.847
CE Jaguaribe 270 270 100,00 20.331,68 2,46 12.007,40 3.111
BA Pedro Alexandre 167 152 91,02 20.219,92 4,29 5.822,32 5.111
Deputado Irapuan
CE Pinheiro 105 103 98,10 19.150,64 2,19 6.095,27 4.989
GO Formosa 537 531 98,88 18.213,47 7,16 15.580,38 2.467
CE Pedra Branca 428 383 89,49 17.527,03 2,40 5.495,10 5.270
Formosa do Rio
BA Preto 323 319 98,76 17.502,60 4,32 54.551,79 167
CE Pindoretama 189 188 99,47 17.215,61 3,51 8.425,68 3.981
BA Biritinga 205 193 94,15 16.292,25 4,04 5.651,76 5.212
BA Ibitiara 132 129 97,73 15.963,92 5,01 4.982,56 5.462
BA Lafaiete Coutinho 55 47 85,45 15.805,32 4,60 7.215,50 4.425
Riachão do
BA Jacuípe 204 194 95,10 14.307,53 8,00 7.112,67 4.463
CE Ibaretama 124 123 99,19 14.165,49 4,46 5.408,15 5.311
Conselheiro
PR Mairinck 19 19 100,00 12.807,47 6,00 19.323,48 1.843
BA Candeias 547 546 99,82 12.619,30 9,55 34.927,78 550
BA Andaraí 210 193 91,90 12.323,25 4,05 5.543,92 5.252
BA Remanso 587 568 96,76 11.943,54 4,07 6.443,18 4.808
Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

Considerando os problemas encontrados após o pareamento pela chave, tornou-se


evidente a necessidade de aplicar mais dois filtros na base de dados da RAIS, finalizando, dessa
forma, a fase de tratamento de dados do estudo. Levando em conta os indícios de equívocos na
declaração da carga horária e, por consequência, uma superestimativa no cálculo das
remunerações médias em alguns municípios, resolveu-se retirar da base de dados todos os
contratos com carga horária menor ou igual a oito horas por semana. Além disso, adotou-se
como valor máximo para a remuneração média anual, o teto constitucional do funcionalismo
público de R$ 29.462,25, pois, embora não seja comum que docentes recebam remunerações

16
acima de R$ 20.000,00, essas são remunerações que poderiam ser reais, principalmente na rede
privada. Na rede pública esse corte se justifica mais naturalmente já que este é o teto legal.
A figura 3 apresenta um resumo dos tratamentos realizados na base da RAIS no qual se
pode acompanhar o número de docentes remanescentes após cada tratamento. Observa-se que
após todos os tratamentos menos de 3% dos docentes identificados inicialmente na RAIS foram
removidos da base.

Docentes localizados na
Mantendo ocupações Retirando carga horária
RAIS (CPF presente entre
relacionadas à atividade igual ou inferior a 8 horas
os docentes do Censo
docente (CBO ou CNAE) por semana
Escolar)
2.078.925 (100%) 2.052.694 (98,7%) 2.023.057 (97,3%)

Retirando remunerações
acima do teto do Retirando dependência
funcionalismo - R$ administrativa "outros"
29.462,253 2.022.257 (97,2%)
2.022.808 (97,3%)

Figura 3 - Evolução do número de docentes localizados na base da RAIS após cada tratamento. Fonte:
RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

4 Pareamento Censo da Educação Básica x RAIS: análise dos resultados

4.1 Quantitativos de docentes com vínculo encontrado em ambas as bases de


dados
Após todos os tratamentos descritos, foi refeito o pareamento entre o Censo da Educação
Básica e a RAIS com ambas as bases já devidamente tratadas. No total, foram localizados 87,4%
dos vínculos dos docentes do Censo na RAIS, conforme a tabela 6. O percentual de localizados
nas dependências administrativas da rede pública é bastante satisfatório, sendo de 87,7% para a
rede federal, 95,6% para a rede estadual e 89,8% para a rede municipal. Já na rede privada, o
percentual é menor, tendo sido localizados 70,6%.

17
Tabela 8 – Quantidade de vínculos no Censo da Educação Básica e localizados no pareamento por esfera
administrativa – Brasil – 2014

Dependência administrativa Censo da Educação Básica Localizados na RAIS % de localizados

Total 2.498.379 2.184.395 87,4

Federal 27.284 23.921 87,7

Estadual 749.837 717.144 95,6

Municipal 1.186.542 1.065.630 89,8

Privada 534.716 377.700 70,6

Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

Ao desagregar essas informações por UF, percebe-se que nas redes de ensino federal,
estadual e municipal os resultados são bastante satisfatórios. Na esfera federal, apenas Amapá
apresenta baixo percentual de encontrados, com apenas dois vínculos de docentes localizados.
Na esfera estadual, apenas em Alagoas foram localizados menos de 50% dos vínculos de
docentes. Na esfera municipal, para todas as UF’s foram localizados mais de 60% dos vínculos.
Por outro lado, na rede privada, em seis UF’s foram localizados menos de 60% dos vínculos de
docentes (Tabela 9).

Tabela 9 – Quantitativos de vínculos no Censo da Educação Básica e localizados no pareamento por esfera
administrativa, segundo Unidade da Federação, 2014
Federal Estadual Municipal Privada

UF Vínculos Vínculos Vínculos Vínculos Vínculos Vínculos Vínculos Vínculos


Censo pareados na % Censo pareados % Censo pareados na % Censo pareados %
Escolar RAIS Escolar na RAIS Escolar RAIS Escolar na RAIS

AP 123 2 1,6 7.461 6.019 80,7 3.632 2.725 75,0 1.297 847 65,3
RJ 3.433 2.412 70,3 44.517 43.282 97,2 83.769 80.973 96,7 64.469 47.715 74,0
DF 502 378 75,3 21.498 21.026 97,8 9.503 8.232 86,6
PR 916 753 82,2 53.589 53.373 99,6 57.727 55.520 96,2 33.297 22.501 67,6
MG 3.515 2.908 82,7 99.912 98.300 98,4 106.197 104.123 98,0 52.836 34.187 64,7
MS 302 257 85,1 12.307 11.861 96,4 17.609 15.801 89,7 6.041 4.030 66,7
RN 1.313 1.142 87,0 9.501 8.014 84,3 21.488 19.480 90,7 9.017 6.103 67,7
MA 911 803 88,1 18.617 17.572 94,4 81.607 51.326 62,9 11.971 5.151 43,0
RS 2.289 2.037 89,0 50.010 49.698 99,4 59.862 58.079 97,0 27.329 20.176 73,8
PE 1.258 1.121 89,1 24.334 23.886 98,2 51.097 44.804 87,7 26.589 16.239 61,1
AM 669 611 91,3 15.213 14.407 94,7 26.179 21.184 80,9 4.627 3.482 75,3
SP 993 914 92,0 173.186 172.336 99,5 197.396 189.942 96,2 143.218 116.213 81,1
PI 690 636 92,2 12.419 11.288 90,9 30.399 23.808 78,3 7.132 3.852 54,0
AC 198 184 92,9 7.063 6.185 87,6 4.984 3.319 66,6 718 532 74,1
PA 898 836 93,1 16.465 16.357 99,3 63.074 54.597 86,6 11.899 6.850 57,6
CE 846 790 93,4 20.079 13.996 69,7 64.632 57.345 88,7 21.246 12.900 60,7
RR 198 185 93,4 4.418 4.295 97,2 3.114 2.623 84,2 683 532 77,9
MT 686 645 94,0 17.833 17.509 98,2 16.556 14.827 89,6 5.967 4.323 72,4
PB 789 744 94,3 16.621 15.177 91,3 29.386 25.859 88,0 10.212 5.558 54,4

18
Federal Estadual Municipal Privada

UF Vínculos Vínculos Vínculos Vínculos Vínculos Vínculos Vínculos Vínculos


Censo pareados na % Censo pareados % Censo pareados na % Censo pareados %
Escolar RAIS Escolar na RAIS Escolar RAIS Escolar na RAIS

BA 1.673 1.593 95,2 36.757 28.822 78,4 107.678 93.100 86,5 29.749 17.369 58,4
GO 1.056 1.021 96,7 19.661 19.606 99,7 30.902 28.131 91,0 16.009 11.190 69,9
AL 623 608 97,6 6.815 3.001 44,0 24.008 18.018 75,0 6.927 4.345 62,7
SC 1.393 1.361 97,7 25.128 25.026 99,6 44.693 42.943 96,1 16.525 13.014 78,8
SE 430 421 97,9 6.258 6.241 99,7 13.014 12.066 92,7 6.182 4.439 71,8
TO 354 348 98,3 7.374 7.314 99,2 9.656 9.024 93,5 2.132 1.375 64,5
ES 939 924 98,4 14.537 14.428 99,3 29.720 28.002 94,2 6.954 5.463 78,6
RO 309 309 100 8.264 8.125 98,3 8.163 8.011 98,1 2.804 1.597 57,0
Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

Ao analisar a distribuição dos municípios por proporção de vínculos de docentes


localizados na esfera municipal, nota-se que para 93,8% dos municípios do País, foram
localizados mais de 60% dos vínculos de docentes, resultado bastante satisfatório (Tabela 10).
Por estado, apenas no Acre e no Maranhão a proporção ficou abaixo de 60% (Tabela 11).

Tabela 10 – Distribuição dos municípios por proporção de vínculos localizados no pareamento na esfera
municipal

% de docentes localizados Número de Municípios % % acumulado

Total 5.568 100,0 -

80 a 100 4.795 86,1 86,1

60 a 80 429 7,7 93,8

40 a 60 167 3,0 96,8

20 a 40 58 1,0 97,9

0 a 20 119 2,1 100,0


Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

19
6.000

5.000 4.795

4.000

3.000

2.000

1.000
429
167 58 119
0
80 a 100 60 a 80 40 a 60 20 a 40 0 a 20

Figura 4 - Distribuição dos municípios por proporção de vínculos localizados no pareamento na esfera
municipal

Tabela 11 - Distribuição dos municípios por proporção de vínculos localizados no pareamento na esfera
municipal, segundo Unidade da Federação

% de docentes localizados
Total de municípios na
UF
UF

0 a 20 20 a 40 40 a 60 60 a 80 80 a 100 60 a 100

MA 217 8,3 9,2 27,2 30,4 24,9 55,3


AC 22 4,5 13,6 22,7 36,4 22,7 59,1
AM 62 4,8 8,1 16,1 22,6 48,4 71,0
AL 102 2,9 5,9 14,7 24,5 52,0 76,5
AP 16 12,5 0,0 6,3 31,3 50,0 81,3
PI 224 4,5 0,4 9,4 25,0 60,7 85,7
PA 144 3,5 2,8 5,6 12,5 75,7 88,2
CE 184 4,9 1,1 3,3 9,2 81,5 90,8
BA 417 5,3 1,0 1,9 10,3 81,5 91,8
PE 184 1,6 1,6 4,3 16,3 76,1 92,4
RR 15 6,7 0,0 0,0 6,7 86,7 93,3
GO 246 3,3 0,8 1,6 5,3 89,0 94,3

PB 223 3,6 0,4 1,3 13,5 81,2 94,6


TO 139 1,4 0,0 2,2 6,5 89,9 96,4
RJ 92 1,1 0,0 2,2 3,3 93,5 96,7
MS 79 0,0 0,0 2,5 3,8 93,7 97,5
RN 167 1,8 0,0 0,6 15,0 82,6 97,6
MT 141 0,7 0,0 1,4 5,0 92,9 97,9
PR 399 0,8 0,3 0,8 3,8 94,5 98,2
SP 645 0,6 0,6 0,3 1,7 96,7 98,4
SC 295 1,0 0,3 0,0 0,7 98,0 98,6

20
% de docentes localizados
Total de municípios na
UF
UF

0 a 20 20 a 40 40 a 60 60 a 80 80 a 100 60 a 100

SE 75 1,3 0,0 0,0 4,0 94,7 98,7


ES 78 1,3 0,0 0,0 2,6 96,2 98,7
MG 853 0,5 0,1 0,5 0,9 98,0 98,9
RS 497 0,6 0,0 0,0 2,8 96,6 99,4
RO 52 0,0 0,0 0,0 1,9 98,1 100,0
Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

4.2 Remuneração média mensal


Para calcular a remuneração média mensal ponderada pela carga horária e padronizada
para 40 horas semanais dos contratos dos docentes localizados nos estratos Brasil, estados e
municípios, foi utilizada a mesma lógica apresentada para o cálculo da remuneração média
ponderada pelo número de horas total trabalhadas:

𝐑𝐞𝐦𝐮𝐧𝐞𝐫𝐚çã𝐨 𝐌é𝐝𝐢𝐚 𝐩𝐨𝐧𝐝𝐞𝐫𝐚𝐝𝐚 𝐩𝐞𝐥𝐚 𝐜𝐚𝐫𝐠𝐚 𝐡𝐨𝐫á𝐫𝐢𝐚 𝐞 𝐩𝐚𝐝𝐫𝐨𝐧𝐢𝐳𝐚𝐝𝐚 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝟒𝟎 𝐡𝐨𝐫𝐚𝐬 (𝐑𝐌𝟒𝟎𝐡) =

Total de rendimentos em 2014 no ente federado, por dependência administrativa


∗ 160
Total de horas trabalhadas em 2014 no ente federado, por dependência administrativa

O cálculo da média de horas semanais do contrato e da remuneração média bruta mensal é


apresentado a seguir:

𝐌é𝐝𝐢𝐚 𝐝𝐞 𝐇𝐨𝐫𝐚𝐬 𝐒𝐞𝐦𝐚𝐧𝐚𝐢𝐬 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐭𝐫𝐚𝐭𝐨 (𝐌𝐇𝐒) =

Total de horas trabalhadas em 2014 no ente federado, por dependência administrativa


( ) /4
Total de meses trabalhados em 2014 no ente federado, por dependência administrativa

Total de rendimentos em 2014 no ente federado, por dependência administrativa


𝐑𝐞𝐦𝐮𝐧𝐞𝐫𝐚çã𝐨 𝐦é𝐝𝐢𝐚 𝐛𝐫𝐮𝐭𝐚 =
Total de meses trabalhados em 2014 no ente federado, por dependência administrativa

Ainda, o cálculo da remuneração média bruta mensal é equivalente a:

RM40h
𝐑𝐞𝐦𝐮𝐧𝐞𝐫𝐚çã𝐨 𝐦é𝐝𝐢𝐚 𝐛𝐫𝐮𝐭𝐚 = ∗ MHS
40

21
4.3 Resultados da remuneração média mensal - Brasil
4.3.1 Rede Federal
Nota-se, na tabela 12, que a administração federal é a que melhor remunera os docentes,
com remuneração média de R$ 7.767,9 para contratos de 40 horas semanais. A remuneração
média da rede estadual corresponde a 44,7% da remuneração média da rede federal. Na rede
municipal a remuneração média corresponde a 40,1% daquela auferida na rede federal e na rede
privada 33,5% daquela. A média de horas semanais de um contrato da esfera federal é de 39,3
horas semanais, na esfera estadual é de 31,1 horas semanais, enquanto nas demais dependências
administrativas é de aproximadamente 30 horas.
Tabela 12 - Remuneração média mensal ponderada pela carga horária e padronizada para 40 horas semanais
- Brasil - 2014
Remuneração média ponderada
Média de horas semanais do Razão Rede de ensino /
Rede de ensino N padronizada para 40 horas
contrato Federal
semanais em R$

Federal 23.921 7.767,9 39,3 1,00

Estadual 717.144 3.476,4 31,1 0,45

Municipal 1.065.630 3.116,4 30,6 0,40

Privada 377.700 2.599,3 30,2 0,33

Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

No País, o docente com formação superior é mais bem remunerado do que aquele sem
formação superior, quando se diferencia a remuneração por formação acadêmica do docente para
todas as dependências administrativas. Na esfera privada é onde a diferença é mais acentuada, e
chega a R$ 1.328,3 entre os dois grupos. No outro extremo, a menor diferença decorrente do
nível de escolarização do docente é observada na esfera federal, R$ 838,3. Em relação à média
de horas semanais do contrato dos docentes, exceto para a rede federal, os docentes com
formação superior trabalham de 1,5 a 4,5 horas menos do que os docentes sem formação
correspondente (Tabelas 13 e 14).
Tabela 13 - Remuneração média mensal ponderada pela carga horária e padronizada para 40 horas semanais
de professores com formação superior - Brasil – 2014

Remuneração média ponderada


Média de horas semanais do Razão Rede de ensino
Rede de ensino N padronizada para 40 horas semanais
contrato / Federal
em R$

Federal 23.315 7.788,8 39,3 1,00


Estadual 661.323 3.572,7 31,0 0,46
Municipal 817.868 3.408,9 30,1 0,44
Privada 269.308 2.996,7 29,0 0,38
Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

22
Tabela 14 - Remuneração média mensal ponderada pela carga horária e padronizada para 40 horas semanais
de professores sem formação superior - Brasil – 2014

Remuneração média ponderada


Média de horas semanais do Razão Rede de ensino
Rede de ensino N padronizada para 40 horas semanais
contrato / Federal
em R$

Federal 606 6.950,5 38,8 1,00


Estadual 55.821 2.265,9 32,4 0,33
Municipal 247.762 2.152,4 32,6 0,31
Privada 108.392 1.668,3 33,5 0,24
Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

4.3.2 Rede Estadual


Na rede estadual, os docentes do Mato Grosso, da Paraíba e de Rondônia são os que
recebem menor remuneração média mensal para uma jornada de 40 horas semanais, são
respectivamente R$ 1.996,40, R$ 2.079,50 e R$ 2.325,30. A remuneração média, para a mesma
jornada, da rede estadual no Brasil é de R$ 3.476,40. Por outro lado, Mato Grosso do Sul,
Distrito Federal e Pará são os estados que melhor remuneram seus docentes, com remunerações
médias padronizadas para 40 horas de R$ 5.118,4, R$ 7.067,4 e R$ 10.083,20, respectivamente
(Tabela 15).
Ao analisar a remuneração média da rede estadual pela formação do docente, observa-se que,
assim como para o Brasil, em todas as UFs a remuneração dos docentes com formação superior é
maior do que a remuneração dos docentes sem essa formação. A maior diferença é no Paraná,
onde o docente com formação superior recebe uma remuneração média de R$ 4.654,80 e o
professor sem formação superior recebe R$ 1.206,80 para uma jornada de 40 horas semanais.
Em Mato Grosso, a remuneração média do docente sem formação superior é de R$ 917,70, um
pouco maior do que o salário mínimo vigente em 2014 (R$ 724,00).

Tabela 15 - Remuneração média mensal ponderada pela carga horária e padronizada para 40 horas semanais
da rede estadual, segundo Unidade da Federação – 2014
2014
Total Com superior Sem superior

UF Remuneração Remuneração Remuneração


Média de
média ponderada média ponderada média ponderada
Remuneração horas
padronizada para N % padronizada para N padronizada para N
bruta semanais
40 horas 40 horas 40 horas
do contrato
semanais em R$ semanais em R$ semanais em R$

MT 1.996,4 1.996,4 40,0 17.509 98,2 2.048,7 16.535 917,7 974


PB 2.079,5 1.560,7 30,0 15.177 91,3 2.216,3 12.324 1.459,3 2.853
RO 2.325,3 2.214,4 38,1 8.125 98,3 2.349,3 7.650 1.921,4 475
RJ*
RN 2.391,9 2.391,9 40,0 8.014 84,3 2.398,6 7.544 2.275,3 470
PI 2.429,4 1.987,2 32,7 11.288 90,9 2.473,1 10.161 1.981,4 1.127
ES 2.467,5 2.186,0 35,4 14.428 99,3 2.486,1 14.025 1.791,8 403
PE 2.520,0 2.227,5 35,4 23.886 98,2 2.572,0 21.997 1.804,0 1.889

23
2014
Total Com superior Sem superior

UF Remuneração Remuneração Remuneração


Média de
média ponderada média ponderada média ponderada
Remuneração horas
padronizada para N % padronizada para N padronizada para N
bruta semanais
40 horas 40 horas 40 horas
do contrato
semanais em R$ semanais em R$ semanais em R$

CE 2.695,8 1.921,6 28,5 13.996 69,7 2.812,7 12.204 1.840,1 1.792


AL 2.986,0 1.933,1 25,9 3.001 44,0 3.011,8 2.765 2.634,4 236
RS 3.098,2 2.164,0 27,9 49.698 99,4 3.152,3 44.677 2.613,2 5.021
SP 3.139,6 2.628,0 33,5 172.336 99,5 3.245,1 157.529 2.061,0 14.807
TO 3.203,0 3.202,5 40,0 7.314 99,2 3.287,1 6.877 1.743,0 437
AM 3.299,5 2.474,8 30,0 14.407 94,7 3.314,5 13.986 2.686,6 421
GO 3.380,5 3.137,2 37,1 19.606 99,7 3.597,8 17.379 1.553,7 2.227
MG 3.537,0 2.147,6 24,3 98.300 98,4 3.606,8 92.548 2.361,3 5.752
AC 3.748,9 2.601,4 27,8 6.185 87,6 3.996,1 5.016 2.437,4 1.169
SE 3.911,8 3.904,5 39,9 6.241 99,7 3.921,6 6.052 3.579,2 189
SC 3.929,2 2.547,6 25,9 25.026 99,6 4.127,3 20.239 2.970,2 4.787
RR 4.229,2 3.177,5 30,1 4.295 97,2 5.203,4 2.782 2.684,3 1.513
PR 4.504,6 3.104,8 27,6 53.373 99,6 4.654,8 51.190 1.260,8 2.183
MA 4.532,0 2.703,3 23,9 17.572 94,4 4.627,0 16.339 2.952,9 1.233
AP 4.620,9 4.618,2 40,0 6.019 80,7 4.842,3 4.919 3.632,4 1.100
BA 4.629,9 3.888,5 33,6 28.822 78,4 4.749,2 27.076 2.510,1 1.746
MS 5.118,4 2.675,6 20,9 11.861 96,4 5.164,3 11.454 3.687,5 407
DF 7.067,4 6.286,7 35,6 21.026 97,8 7.128,3 20.145 5.489,0 881
PA 10.083,2 5.138,2 20,4 16.357 99,3 10.180,9 15.730 7.440,4 627
Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC
* O Secretário de Estado do Rio de Janeiro solicitou a exclusão do resultado da rede estadual informando que houve
um equívoco na informação da carga-horária contratual na RAIS, gerando uma informação não correspondente com
a realidade.

4.4 Rede Municipal


Na rede municipal, foram considerados para análise apenas os municípios em que foi
possível localizar mais de 60% dos docentes informados ao Censo da Educação Básica.
Considerando a formação acadêmica dos docentes, em geral, o docente com formação superior
tem remuneração mais alta do que a remuneração do docente sem o mesmo nível de
escolaridade.
Em relação à remuneração média ponderada padronizada para 40 horas das capitais
brasileiras, torna-se evidente a discrepância entre as remunerações dos docentes no Brasil.
Enquanto em João Pessoa, para uma jornada de 40 horas, a remuneração média é de R$ 2.124,7,
em Porto Alegre, para a mesma jornada, a remuneração média é de R$ 10.947,2 (Tabela 18).

24
Tabela 16 - Remuneração média mensal ponderada padronizada para 40 horas, número de vínculos
localizados na RAIS, percentual de localizados em relação ao Censo da Educação Básica, segundo formação,
nas capitais brasileiras - Rede Municipal – 2014

Total Com superior Sem superior

Remuneração Remuneração Remuneração


Média de
UF Município média ponderada média ponderada média ponderada
Remuneração horas
padronizada para N % padronizada para N padronizada para N
bruta semanais
40 horas 40 horas 40 horas
do contrato
semanais em R$ semanais em R$ semanais em R$

PB João Pessoa 2.124,7 2.124,7 40,0 2.633 94,2 2.234,6 2.246 1.473,5 387
PI Teresina 3.042,0 2.575,7 33,9 2.711 82,6 3.037,4 2.482 3.094,4 229
RO Porto Velho 3.096,4 2.181,9 28,2 1.792 97,9 3.126,9 1.634 2.768,1 158

RR Boa Vista 3.191,1 2.108,1 26,4 1.214 78,5 3.193,7 1.040 3.175,1 174
SE Aracaju 3.449,5 3.437,0 39,9 1.054 75,0 3.461,4 1.021 3.012,2 33
TO Palmas 3.564,2 3.495,5 39,2 1.709 96,3 4.142,9 1.108 2.069,7 601

CE Fortaleza 3.596,5 3.182,7 35,4 7.500 94,4 3.611,1 7.325 2.940,2 175
AP Macapá 3.649,6 3.969,5 43,5 1.089 83,9 3.939,4 623 3.262,1 466
AC Rio Branco 3.909,7 2.551,1 26,1 665 78,6 3.914,8 646 3.743,3 19

AL Maceió 3.919,8 2.458,6 25,1 1.981 90,9 4.115,6 1.716 2.631,1 265
AM Manaus 3.953,2 2.965,0 30,0 6.878 99,8 3.952,1 6.609 3.978,8 269
RN Natal 4.112,1 2.291,1 22,3 2.623 98,7 4.196,2 2.448 3.035,6 175

SC Florianópolis 4.230,7 3.386,4 32,0 1.579 98,7 4.304,2 1.502 2.653,8 77


MT Cuiabá 4.408,6 2.545,0 23,1 1.172 52,5 4.597,4 1.097 2.107,0 75
PE Recife 4.422,9 3.472,7 31,4 3.692 97,6 4.447,3 3.584 3.554,0 108
MA São Luis 4.564,3 2.907,6 25,5 3.908 97,9 4.655,7 3.506 3.855,9 402
ES Vitória 5.018,1 3.207,1 25,6 2.764 99,5 4.998,8 2.697 5.875,2 67
SP São Paulo 5.075,0 4.381,6 34,5 37.982 99,9 5.092,8 36.670 4.506,6 1.312
PA Belém 5.136,2 4.361,8 34,0 2.122 80,3 5.168,0 1.945 4.807,3 177
BA Salvador 5.368,5 4.497,7 33,5 4.680 93,7 5.397,8 4.556 4.216,3 124
GO Goiânia 5.412,5 3.317,4 24,5 5.130 98,1 5.425,2 4.972 4.957,4 158

PR Curitiba 5.425,9 2.733,0 20,1 6.750 99,6 5.438,6 6.662 4.444,2 88


MG Belo Horizonte 5.658,8 3.264,1 23,1 7.920 98,5 5.830,9 7.206 3.698,3 714
RJ Rio de Janeiro 6.146,3 3.270,3 21,3 26.383 99,7 6.359,0 22.361 5.067,1 4.022

MS Campo Grande 7.401,5 3.750,0 20,3 3.240 69,9 7.408,3 3.217 5.844,7 23
RS Porto Alegre 10.947,2 5.531,8 20,2 2.543 97,8 11.018,7 2.491 7.245,1 52
Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

A figura 5 e a tabela 19 apresentam os boxplots por UF da remuneração média


padronizada para 40 horas semanais da rede municipal e as medidas de posição da remuneração
média por UF. Paraíba é o estado com menor mediana, em 50% dos municípios, a remuneração
média padronizada para 40 horas semanais é menor do que R$ 1.754,40, enquanto no Rio
Grande do Sul a mediana da remuneração média padronizada é de R$ 3.251,20, R$ 1.496,80 a
mais do que na Paraíba.

25
É possível observar que o Rio de Janeiro, o Acre e a Bahia são os estados com maior
diferença interquartílica na remuneração média da rede municipal, evidenciando a
heterogeneidade entre os municípios dessas UF’s. No Rio de Janeiro, por exemplo, essa
diferença é de R$ 1.823,80, uma vez que 25% dos municípios têm remuneração média de até R$
R$ 2.281,50 e 75% dos municípios têm remuneração média de até R$ 4.105,40. Por outro lado,
as UF’s cujas redes municipais são mais homogêneas são Roraima, Rondônia e Paraíba.
Além disso, exceto Aracaju, capital de Sergipe, todas as demais capitais apresentam
remuneração média padronizada para 40 horas acima do 3º quartil, sendo que 17 delas não só
estão acima, como também são outliers da rede municipal do estado a que pertencem.

Tabela 17 - Medidas de posição da remuneração média padronizada para 40 horas semanais por UF
Diferença
UF Mínimo 1º quartil Mediana Média 3º quartil Máximo
interquartílica

PB 739,4 1.531,6 1.754,4 1.889,3 2.060,2 7.471,6 528,6

MA 658,2 1.282,5 1.757,2 1.934,7 2.374,7 6.568,9 1.092,2

AM 872,6 1.401,4 1.772,6 2.020,8 2.566,4 3.953,2 1.165,0

RR 1.184,1 1.695,8 1.817,6 2.032,9 2.152,2 3.464,1 456,4

AC 1.089,1 1.409,8 1.872,4 2.116,9 2.957,1 3.909,7 1.547,3

CE 862,9 1.467,3 1.883,2 1.901,4 2.218,1 4.010,5 750,8

TO 1.116,2 1.660,9 1.988,0 2.018,7 2.300,4 3.564,2 639,5

PI 724,0 1.741,3 2.022,1 2.038,1 2.325,6 3.625,7 584,4

PE 995,9 1.763,9 2.036,4 2.173,5 2.463,3 6.053,1 699,4

MG 733,9 1.714,1 2.206,2 2.285,4 2.717,7 8.127,8 1.003,6

AP 1.452,5 1.933,2 2.251,3 2.364,6 2.557,6 3.649,6 624,4

BA 669,7 1.651,2 2.302,1 2.457,3 3.058,0 7.362,1 1.406,9

RO 1.516,5 2.200,8 2.439,0 2.449,5 2.704,6 3.296,9 503,8

RN 1.214,7 1.985,3 2.441,2 2.431,6 2.817,4 5.286,9 832,1

AL 965,3 2.014,3 2.453,5 2.495,1 2.926,1 3.959,1 911,8

PA 1.096,3 2.058,5 2.494,4 2.777,7 3.147,1 10.871,6 1.088,6

GO 995,5 2.049,4 2.518,2 2.588,3 2.986,4 6.349,0 936,9

SC 1.291,4 2.344,8 2.744,2 2.747,7 3.083,3 5.976,3 738,4

PR 1.090,9 2.369,1 2.747,1 2.766,4 3.160,6 6.002,6 791,5

MS 1.310,8 2.130,7 2.832,7 2.982,1 3.472,9 7.401,5 1.342,2

SP 966,8 2.396,8 2.854,9 3.032,7 3.457,3 9.289,0 1.060,5

MT 1.312,7 2.412,9 2.881,4 2.876,8 3.228,9 6.106,2 816,0

ES 1.253,2 2.395,9 2.891,1 3.003,3 3.433,2 7.490,4 1.037,2

SE 802,1 2.382,1 2.906,0 3.044,5 3.568,9 5.634,1 1.186,8

RJ 1.150,2 2.281,5 3.171,2 3.374,3 4.105,4 8.701,5 1.823,8

RS 1.056,4 2.737,7 3.251,2 3.350,0 3.923,1 10.947,2 1.185,3

Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

26
Figura 5 - Boxplots da remuneração média padronizada para 40 horas da rede municipal por UF - 2014

27
4.5 Rede Privada
Na rede privada, os docentes de Sergipe, do Rio Grande do Norte e do Ceará são os que
recebem menor remuneração média, são R$ 1.499,90, R$ 1.503,8 e R$ 1.555,5, respectivamente,
para uma jornada de 40 horas semanais, enquanto a remuneração média, para a mesma jornada,
da rede privada no Brasil é de R$ 2.599,30 (Tabela 20). Por outro lado, Rio Grande do Sul, São
Paulo e Distrito Federal são os estados que melhor remuneram os docentes na rede privada, com
remunerações médias padronizadas para 40 horas de R$ 2.899,70, 3.147,80 e R$ 3.788,10,
respectivamente. Além disso, em todos os estados, os professores com formação superior
recebem remunerações média maiores do que aqueles sem formação superior.

Tabela 18 - Remuneração média mensal ponderada padronizada para 40 horas, número de vínculos
localizados na RAIS, percentual de localizados em relação ao Censo da Educação Básica, segundo formação, -
Rede Privada - UF - 2014
Total Com superior Sem superior

Remuneração Remuneração Remuneração


Média de
UF média ponderada média ponderada média ponderada
Remuneração horas
padronizada para N % padronizada para N padronizada para N
bruta semanais
40 horas 40 horas 40 horas
do contrato
semanais em R$ semanais em R$ semanais em R$

SE 1.499,9 1.221,9 32,6 4.439 71,8 1.691,4 3.128 1.033,8 1.311


RN 1.503,8 1.259,0 33,5 6.103 67,7 1.736,1 4.040 1.035,2 2.063
CE 1.555,5 1.269,2 32,6 12.900 60,7 1.797,0 8.195 1.123,6 4.705
PB 1.651,9 1.101,2 26,7 5.558 54,4 1.898,4 3.518 1.242,8 2.040
AL 1.691,7 1.241,0 29,3 4.345 62,7 2.104,4 2.249 1.291,5 2.096
MA 1.804,3 1.416,8 31,4 5.151 43,0 2.091,7 3.328 1.288,6 1.823
PE 1.806,0 1.400,0 31,0 16.239 61,1 2.166,6 9.566 1.278,5 6.673
BA 1.871,5 1.453,0 31,1 17.369 58,4 2.315,0 9.947 1.295,9 7.422
PI 1.903,9 1.407,7 29,6 3.852 54,0 2.075,9 2.853 1.382,1 999
GO 2.198,8 1.707,4 31,1 11.190 69,9 2.423,6 8.000 1.642,2 3.190
RR 2.236,0 1.877,3 33,6 532 77,9 2.753,9 345 1.391,0 187
AP 2.279,0 1.666,4 29,2 847 65,3 2.576,0 657 1.444,2 190
RJ 2.362,7 1.759,9 29,8 47.715 74,0 2.929,4 27.048 1.655,2 20.667
PA 2.386,9 1.667,3 27,9 6.850 57,6 2.630,1 5.036 1.741,3 1.814
MS 2.433,4 1.770,0 29,1 4.030 66,7 2.544,3 3.309 1.953,3 721
RO 2.474,7 1.866,7 30,2 1.597 57,0 2.731,9 1.216 1.754,2 381
TO 2.485,0 1.950,0 31,4 1.375 64,5 2.781,1 992 1.707,3 383
AM 2.493,0 2.119,0 34,0 3.482 75,3 2.851,0 2.466 1.715,5 1.016
PR 2.546,0 1.813,0 28,5 22.501 67,6 2.835,9 17.325 1.649,6 5.176
SC 2.562,0 1.955,3 30,5 13.014 78,8 2.808,7 9.670 1.841,2 3.344
MT 2.591,0 1.853,5 28,6 4.323 72,4 2.736,7 3.556 1.910,7 767
ES 2.682,7 2.006,3 29,9 5.463 78,6 2.853,4 4.610 1.793,2 853
AC 2.798,1 2.160,7 30,9 532 74,1 2.866,7 423 2.548,0 109

28
Total Com superior Sem superior

Remuneração Remuneração Remuneração


Média de
UF média ponderada média ponderada média ponderada
Remuneração horas
padronizada para N % padronizada para N padronizada para N
bruta semanais
40 horas 40 horas 40 horas
do contrato
semanais em R$ semanais em R$ semanais em R$

MG 2.841,0 2.044,2 28,8 34.187 64,7 3.241,8 24.876 1.896,6 9.311


RS 2.899,7 1.961,8 27,1 20.176 73,8 3.877,8 12.646 1.588,4 7.530
SP 3.147,8 2.464,6 31,3 116.213 81,1 3.425,7 94.104 2.063,2 22.109
DF 3.788,1 2.634,1 27,8 8.232 86,6 4.143,3 6.666 2.281,8 1.566
Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

5 Avaliação da consistência dos resultados

5.1 Comparação dados SIOPE


Com o objetivo de se avaliar a consistência dos resultados apresentados, foi calculado o
gasto anual com a remuneração dos docentes estimado para o município (GARD-M), a partir da
remuneração média calculada nesse estudo, e o valor obtido foi relacionado à despesa
empenhada com profissionais do magistério nos municípios, em 2014, coletada pelo Sistema de
Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (SIOPE4).
O gasto total anual estimado foi dado pela seguinte fórmula:

qtd_censo ∗ Rem_med_40 ∗ horas_contr_med ∗ 12


(GARD − M) =
40
Em que,
GARD-M: gasto anual com a remuneração dos docentes estimado para o município
qtd_censo: quantidade de docentes do Censo Escolar na rede municipal
Rem_med_40: remuneração média ponderada pela carga horária padronizada para 40 horas
semanais da rede municipal
horas_contr_med: média de horas contratuais da rede municipal

A análise da dispersão da despesa total empenhada e o gasto anual com remuneração


docente estimado sugere associação entre as duas variáveis, sendo que à medida que a despesa

4 O Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (SIOPE) é um sistema eletrônico,


operacionalizado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), instituído para coleta,
processamento, disseminação e acesso público às informações referentes aos orçamentos de educação da União, dos
estados, do Distrito Federal e dos municípios, sem prejuízo das atribuições próprias dos Poderes Legislativos e dos
Tribunais de Contas. O SIOPE, visando à padronização de tratamento gerencial, calcula a aplicação da receita
vinculada à manutenção e desenvolvimento do ensino de cada ente federado.

29
total empenhada com profissionais do magistério aumenta, a remuneração total estimada também
aumenta.

1.000.000.000
100.000.000
Gasto anual estimado (escala logarítmica)

10.000.000
1.000.000
100.000

100.000 1.000.000 10.000.000 100.000.000 1.000.000.000

Despesa anual empenhada com profissionais do magistério - SIOPE (escala logarítmica)

Figura 6- Gráfico de dispersão Gasto Anual com Remuneração Docente Estimado x Despesa Empenhada com
os Profissionais do Magistério - Brasil – 2014

O coeficiente de correlação de Person5 entre a despesa total e empenhada e a remuneração


estimada pelo estudo é de 0,97, demonstrando uma forte associação positiva entre as duas
variáveis.

5
O coeficiente de correlação de Pearson varia de -1 a 1, quanto mais próxima de 1, significa forte correlação
positiva, quanto mais próxima de 1, significa forte correlação negativa, e quanto mais próximo de 0, significa
ausência de correlação.

30
5.2 Análise longitudinal
5.2.1 Metodologia
Com o intuito de avaliar se a metodologia é adequada também para análise ano a ano,
foram realizados os batimentos entre a RAIS 2012 e o Censo Escolar 2012 e a RAIS 2013 e o
Censo Escolar 2013. Nos dois batimentos, foram aplicados os mesmos critérios utilizados nas
bases de dados de 2014, com a atualização do teto do funcionalismo público para R$ 26.723,13,
em 2012, e para R$ 28.059,29, em 2013. Os resultados são apresentados a seguir.

5.2.1.1 Quantitativos de docentes com vínculo encontrado em ambas as bases de


dados
Em 2012, 2013 e 2014, o quantitativo de docentes localizados, por dependência
administrativa, a nível Brasil, se manteve estável. A rede estadual apresentou maior variação no
período, em 2013, o percentual de encontrados diminuiu de 95,2% para 88,1% e, em 2014, subiu
para 95,6%. Na rede privada, o percentual de localizados subiu de 68,6%, em 2012, para 70,6%,
em 2014, ainda que a rede permaneça com o menor percentual de localizados do que as demais.

Tabela 19 – Quantidade de vínculos no Censo da Educação Básica e localizados no pareamento por esfera
administrativa – Brasil – 2012 a 2014
2012 2013 2014
Dependência
administrativa Censo Pareados na Censo Pareados na Censo Pareados na
% % %
Escolar RAIS Escolar RAIS Escolar RAIS

Total 2.396.564 2.077.696 86,7 2.453.051 2.074.326 84,6 2.498.379 2.184.395 87,4

Federal 23.303 20.712 88,9 25.398 22.356 88,0 27.284 23.921 87,7

Estadual 739.954 704.697 95,2 745.996 657.524 88,1 749.837 717.144 95,6

Municipal 1.132.083 1.008.510 89,1 1.165.449 1.033.977 88,7 1.186.542 1.065.630 89,8

Privada 501.224 343.777 68,6 516.208 360.469 69,8 534.716 377.700 70,6
Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

Ao desagregar os dados por UF, confirma-se que a rede estadual é a que mais sofreu
variação nos três anos. Alagoas é o estado brasileiro com menor percentual de encontrados nos
três anos analisados. Rio Grande do Sul e Bahia tiveram uma queda no percentual de
encontrados em 2013, e, em 2014, voltaram a ter números semelhantes aos de 2012. Esmiuçando
os dados desses estados, percebe-se, que de um ano para outro, o principal motivo de não
pareamento dos dados é que docentes que foram classificados em 2012 em uma dependência
administrativa na RAIS, a partir da natureza jurídica, em 2013, foram classificados em outra
dependência, ainda que no Censo Escolar eles permaneçam na mesma dependência.

31
Tabela 20 - Quantidade de vínculos no Censo da Educação Básica e localizados no pareamento - Rede
Federal – 2012 a 2014
2012 2013 2014

UF Vínculos no Vínculos Vínculos Vínculos Vínculos Vínculos


Censo localizados na % no Censo localizados % no Censo localizados %
Escolar RAIS Escolar na RAIS Escolar na RAIS

AP 78 0 0,0 84 1 1,2 123 2 1,6

RJ 3.149 2.720 86,4 3.366 2.902 86,2 3.433 2.412 70,3

DF 470 131 27,9 495 372 75,2 502 378 75,3

PR 972 768 79,0 963 767 79,6 916 753 82,2

MG 3.058 2.619 85,6 3.256 2.692 82,7 3.515 2.908 82,7

MS 262 206 78,6 309 253 81,9 302 257 85,1

RN 1.021 1.011 99,0 1.134 1.036 91,4 1.313 1.142 87,0

MA 818 737 90,1 899 813 90,4 911 803 88,1

RS 1.954 1.771 90,6 2.142 1.925 89,9 2.289 2.037 89,0

PE 1.129 1.038 91,9 1.184 1.113 94,0 1.258 1.121 89,1

AM 606 550 90,8 605 556 91,9 669 611 91,3

SP 576 533 92,5 961 913 95,0 993 914 92,0

PI 602 585 97,2 705 684 97,0 690 636 92,2

AC 114 17 14,9 164 129 78,7 198 184 92,9

PA 944 876 92,8 884 842 95,2 898 836 93,1

CE 666 606 91,0 829 737 88,9 846 790 93,4

RR 214 135 63,1 214 192 89,7 198 185 93,4

MT 518 516 99,6 552 549 99,5 686 645 94,0

PB 695 624 89,8 724 656 90,6 789 744 94,3

BA 1.183 1.104 93,3 1.302 1.234 94,8 1.673 1.593 95,2

GO 881 846 96,0 929 886 95,4 1.056 1.021 96,7

AL 533 520 97,6 531 10 1,9 623 608 97,6

SC 1.200 1.170 97,5 1.260 1.233 97,9 1.393 1.361 97,7

SE 354 331 93,5 429 405 94,4 430 421 97,9

TO 276 274 99,3 386 380 98,4 354 348 98,3

ES 817 810 99,1 869 860 99,0 939 924 98,4

RO 230 230 100,0 271 271 100,0 309 309 100,0


Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

32
Tabela 21 - Quantidade de vínculos no Censo da Educação Básica e localizados no pareamento - Rede
Estadual – 2012 a 2014
2012 2013 2014

UF Vínculos Vínculos Vínculos Vínculos Vínculos Vínculos


Censo pareados na % Censo pareados na % Censo pareados na %
Escolar RAIS Escolar RAIS Escolar RAIS

AL 6.179 3.085 49,9 6.299 2.722 43,2 6.815 3.001 44,0

CE 18.094 15.570 86,1 20.198 17.686 87,6 20.079 13.996 69,7

BA 38.464 30.185 78,5 37.433 24.421 65,2 36.757 28.822 78,4

AP 7.029 6.258 89,0 7.117 5.548 78,0 7.461 6.019 80,7

RN 9.577 8.448 88,2 9.475 8.314 87,7 9.501 8.014 84,3

AC 6.859 6.610 96,4 6.707 6.455 96,2 7.063 6.185 87,6

PI 14.133 13.554 95,9 12.230 11.732 95,9 12.419 11.288 90,9

PB 17.178 16.631 96,8 16.885 16.165 95,7 16.621 15.177 91,3

MA 19.488 16.955 87,0 18.220 17.093 93,8 18.617 17.572 94,4

AM 15.303 14.435 94,3 15.229 14.325 94,1 15.213 14.407 94,7

MS 10.940 4.567 41,7 11.181 4.363 39,0 12.307 11.861 96,4

RR 4.146 4.093 98,7 4.609 4.460 96,8 4.418 4.295 97,2

RJ 43.646 42.360 97,1 43.153 41.909 97,1 44.517 43.282 97,2

DF 19.995 19.255 96,3 20.895 20.609 98,6 21.498 21.026 97,8

PE 26.181 25.370 96,9 24.341 23.762 97,6 24.334 23.886 98,2

MT 17.969 17.571 97,8 17.924 17.524 97,8 17.833 17.509 98,2

RO 8.434 8.219 97,5 8.515 8.354 98,1 8.264 8.125 98,3

MG 91.880 91.264 99,3 100.811 99.338 98,5 99.912 98.300 98,4

TO 7.860 7.671 97,6 7.805 7.645 98,0 7.374 7.314 99,2

ES 14.100 14.069 99,8 14.110 14.067 99,7 14.537 14.428 99,3

PA 17.176 15.598 90,8 16.920 16.817 99,4 16.465 16.357 99,3

RS 49.951 49.461 99,0 50.500 37.979 75,2 50.010 49.698 99,4

SP 172.281 171.079 99,3 172.923 171.952 99,4 173.186 172.336 99,5

SC 24.632 24.435 99,2 24.142 24.012 99,5 25.128 25.026 99,6

PR 51.327 51.097 99,6 52.257 52.006 99,5 53.589 53.373 99,6

GO 19.651 19.397 98,7 19.599 19.468 99,3 19.661 19.606 99,7

SE 7.481 7.460 99,7 6.518 6.475 99,3 6.258 6.241 99,7

Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

33
Tabela 22 - Quantidade de vínculos no Censo da Educação Básica e localizados no pareamento - Rede
Privada – 2012 a 2014
2012 2013 2014

UF Vínculos Vínculos Vínculos no Vínculos Vínculos Vínculos


no Censo localizados % Censo localizados % no Censo localizados %
Escolar na RAIS Escolar na RAIS Escolar na RAIS

MA 10.577 4.508 42,6 11.276 4.768 42,3 11.971 5.151 43,0

PI 7.037 3.633 51,6 7.045 3.638 51,6 7.132 3.852 54,0

PB 9.250 4.821 52,1 9.933 5.247 52,8 10.212 5.558 54,4

RO 2.461 1.401 56,9 2.598 1.448 55,7 2.804 1.597 57,0

PA 10.363 5.738 55,4 11.544 6.241 54,1 11.899 6.850 57,6

BA 27.570 15.118 54,8 27.375 15.463 56,5 29.749 17.369 58,4

CE 20.685 11.934 57,7 20.778 12.259 59,0 21.246 12.900 60,7

PE 24.814 14.405 58,1 25.939 15.130 58,3 26.589 16.239 61,1

AL 6.790 4.115 60,6 6.767 4.098 60,6 6.927 4.345 62,7

TO 2.110 1.347 63,8 2.019 1.331 65,9 2.132 1.375 64,5

MG 52.300 32.209 61,6 52.279 32.648 62,4 52.836 34.187 64,7

AP 1.135 642 56,6 1.187 706 59,5 1.297 847 65,3

MS 5.871 3.868 65,9 5.921 3.849 65,0 6.041 4.030 66,7

PR 30.255 20.282 67,0 31.852 20.946 65,8 33.297 22.501 67,6

RN 8.340 5.527 66,3 8.526 5.628 66,0 9.017 6.103 67,7

GO 15.028 9.962 66,3 15.518 10.608 68,4 16.009 11.190 69,9

SE 5.330 3.922 73,6 5.553 4.055 73,0 6.182 4.439 71,8

MT 5.224 3.678 70,4 5.570 4.024 72,2 5.967 4.323 72,4

RS 25.871 18.277 70,6 26.339 20.297 77,1 27.329 20.176 73,8

RJ 59.564 43.567 73,1 63.129 46.226 73,2 64.469 47.715 74,0

AC 578 464 80,3 617 501 81,2 718 532 74,1

AM 4.280 3.242 75,7 4.216 3.205 76,0 4.627 3.482 75,3

RR 516 357 69,2 606 506 83,5 683 532 77,9

ES 6.827 4.947 72,5 6.926 5.094 73,5 6.954 5.463 78,6

SC 14.984 11.610 77,5 15.753 12.378 78,6 16.525 13.014 78,8

SP 135.133 107.143 79,3 138.452 111.535 80,6 143.218 116.213 81,1

DF 8.908 7.535 84,6 9.054 7.651 84,5 9.503 8.232 86,6


Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

Em relação à rede municipal, a distribuição do percentual de docentes localizados por


município se manteve estável nos três anos, assim como em 2014, em 2012 e em 2013, em
aproximadamente 93% dos municípios do país, foram localizados mais de 60% dos docentes.

34
Tabela 23 - % de docentes localizados na RAIS pela proporção de municípios - Brasil – 2012 a 2014
2012 2013 2014
% de docentes
localizados Número de Número de Número de
% % acumulado % % acumulado % % acumulado
Municípios Municípios Municípios

Total 5.563 100 - 5.563 100 - 5.563 100 -

80 a 100 4.762 85,6 85,6 4.762 85,6 85,6 4.762 85,6 85,6

60 a 80 440 7,9 93,5 440 7,9 93,5 440 7,9 93,5

40 a 60 166 3,0 96,5 166 3,0 96,5 166 3,0 96,5

20 a 40 57 2,5 99,0 57 2,5 99,0 57 2,5 99,0

0 a 20 138 1,0 100 138 1,0 100 138 1,0 100


Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

5.2.2 Remuneração média mensal: comparativo 2012, 2013 e 2014


A remuneração média padronizada para 40 horas semanais, a nível Brasil, cresce a cada
ano em todas as redes de ensino. Nos três anos estudados, a rede federal é a que melhor
remunera os docentes, além de ter sido a que teve maior crescimento entre 2012 e 2014. Os
docentes dessa rede têm contratos de 39,3 horas semanais em média. É possível observar
também, que as redes estadual, municipal e privada têm contratos de aproximadamente 30 horas
semanais em média, para todos os anos, no entanto, em relação à remuneração, a rede estadual
apresenta valores mais altos.

Tabela 24 - Remuneração média padronizada para 40 horas semanais por rede de ensino - Brasil – 2012 a
2014
2012 2013 2014

Rede de Média Média de Média Média de Média Média de


ensino padronizada para horas padronizada horas padronizada horas
N N N
40 horas semanais para 40 horas semanais do para 40 horas semanais do
semanais em R$ do contrato semanais em R$ contrato semanais em R$ contrato

Federal 20.712 5.710,61 39,34 22.405 6.664,23 39,28 23.921 7.767,9 39,3

Estadual 704.697 3.058,82 29,82 695.201 3.252,64 30,53 717.144 3.476,4 31,1

Municipal 1.008.510 2.587,55 30,36 1.035.204 2.837,47 30,63 1.065.630 3.116,4 30,6

Privada 343.777 2.193,59 30,13 359.007 2.399,78 30,20 377.700 2.599,3 30,2

Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

Ao desagregar a remuneração da rede estadual por UF, é possível observar alguns


indícios de inconsistências. Em Mato Grosso do Sul, em 2012, a remuneração média
padronizada para 40 horas semanais é de 5.568,1, em 2013, aumenta para 6.003,0 e, em 2014,
diminui para R$ 5.118,4. Neste caso, a média de horas semanais do contrato se mantém estável,
o que possivelmente explica a oscilação da remuneração média calculada é o percentual de
docentes localizados, que passou de 40% aproximadamente em 2012 e 2013, para 96,4% em
2014.

35
Tabela 25 - Remuneração média padronizada para 40 horas por UF - Rede Estadual – 2012 a 2014
2012 2013 2014

Total Total Total

Remuneração Remuneração Remuneração


UF média Média de média Média de média Média
ponderada horas ponderada horas ponderada de horas
Remuneração Remuneração Remuneração
padronizada semanais % padronizada semanais % padronizada semanais %
bruta bruta bruta
para 40 horas do para 40 horas do para 40 horas do
semanais em contrato semanais em contrato semanais em contrato
R$ R$ R$

MT 1.606,4 1.606,4 40 97,8 1.758,4 1.758,4 40,0 97,8 1.996,4 1.996,4 40,0 98,2

PB 1.698,5 1.278,1 30,1 96,8 1.893,2 1.421,0 30,0 95,7 2.079,5 1.560,7 30,0 91,3

RO 2.008,9 1.908,5 38 97,5 2.267,4 2.153,8 38,0 98,1 2.325,3 2.214,4 38,1 98,3

RJ*

RN 1.911,8 1.911,8 40 88,2 2.177,2 2.177,2 40,0 87,7 2.391,9 2.391,9 40,0 84,3

PI 1.529,2 1.529,2 40 95,9 1.825,3 1.824,5 40,0 95,9 2.429,4 1.987,2 32,7 90,9

ES 2.177,2 1.954,0 35,9 99,8 2.251,4 2.012,6 35,8 99,7 2.467,5 2.186,0 35,4 99,3

PE 2.151,5 1.904,1 35,4 96,9 2.300,6 2.019,3 35,1 97,6 2.520,0 2.227,5 35,4 98,2

CE 2.362,4 1.872,2 31,7 86,1 2.654,0 1.924,9 29,0 87,6 2.695,8 1.921,6 28,5 69,7

AL 2.674,5 1.845,4 27,6 49,9 2.860,8 1.943,5 27,2 43,2 2.986,0 1.933,1 25,9 44,0

RS 2.403,0 1.622,0 27 99,0 2.665,6 1.881,1 28,2 75,2 3.098,2 2.164,0 27,9 99,4

SP 2.948,0 2.439,5 33,1 99,3 2.901,7 2.447,6 33,7 99,4 3.139,6 2.628,0 33,5 99,5

TO 3.118,5 2.876,8 36,9 97,6 3.115,4 3.115,1 40,0 98,0 3.203,0 3.202,5 40,0 99,2

AM 2.537,7 1.903,3 30 94,3 2.701,7 2.027,1 30,0 94,1 3.299,5 2.474,8 30,0 94,7

GO 3.072,0 2.849,3 37,1 98,7 3.212,7 2.977,6 37,1 99,3 3.380,5 3.137,2 37,1 99,7

MG 3.076,6 1.869,0 24,3 99,3 3.244,3 1.968,4 24,3 98,5 3.537,0 2.147,6 24,3 98,4

AC 3.226,1 2.217,9 27,5 96,4 3.501,8 2.405,5 27,5 96,2 3.748,9 2.601,4 27,8 87,6

SE 3.275,0 3.234,1 39,5 99,7 3.370,9 3.346,7 39,7 99,3 3.911,8 3.904,5 39,9 99,7

SC 3.224,3 2.224,8 27,6 99,2 3.577,5 2.404,3 26,9 99,5 3.929,2 2.547,6 25,9 99,6

RR 4.203,6 2.847,9 27,1 98,7 4.111,4 3.002,0 29,2 96,8 4.229,2 3.177,5 30,1 97,2

PR 3.519,2 2.340,3 26,6 99,6 4.104,8 2.810,9 27,4 99,5 4.504,6 3.104,8 27,6 99,6

MA 3.781,4 2.287,7 24,2 87,0 4.031,0 2.405,7 23,9 93,8 4.532,0 2.703,3 23,9 94,4

AP 3.859,9 3.859,9 40 89,0 4.384,0 4.382,2 40,0 78,0 4.620,9 4.618,2 40,0 80,7

BA 3.301,2 2.649,2 32,1 78,5 4.039,4 3.372,9 33,4 65,2 4.629,9 3.888,5 33,6 78,4

MS 5.568,1 3.215,6 23,1 41,7 6.003,0 3.455,5 23,0 39,0 5.118,4 2.675,6 20,9 96,4

DF 6.435,9 5.728,0 35,6 96, 6.718,6 5.996,6 35,7 98, 7.067,4 6.286,7 35,6 97
3 6 ,8

PA 8.148,2 4.176,0 20,5 90, 8.954,5 4.586,1 20,5 99, 10.083,2 5.138,2 20,4 99
8 4 ,3

Fonte: RAIS/MTPS e Censo da Educação Básica/INEP/MEC

* O Secretário de Estado do Rio de Janeiro solicitou a exclusão do resultado da rede estadual informando que houve
um equívoco na informação da carga-horária contratual na RAIS, gerando uma informação não correspondente com
a realidade.

36
A fim de analisar a rede municipal, foram construídos os gráficos da remuneração média
padronizada para 40 horas de 2012 versus 2013, assim como para 2013 versus 2014,
apresentando os municípios em categorias: municípios que apresentaram queda na remuneração
média padronizada para 40 horas semanais superior de 20%, municípios com comportamento
regular, municípios em que a remuneração média é superior ao piso nacional e tiveram um
crescimento superior a 30% no ano seguinte e municípios que apresentavam remuneração média
inferior ao piso em um ano e no ano seguinte apresentaram remuneração média acima de 1,3
vezes o valor do piso nacional. É importante ressaltar que o valor do piso nacional em 2012 foi
de R$ 1.451,00 e, em 2013, R$ 1.567,00.
Tanto na figura 7, quanto na figura 8, a maior parte dos municípios não apresenta
oscilação significativa. Como é indicado pelos pontos plotados na cor verde, na comparação
2012 versus 2013, 88,93% dos municípios tiveram comportamento regular e na comparação
2013 versus 2014, 90,26%.
12.000
Remuneração média padronizada para 40 horas - 2013

10.000
8.000
6.000
4.000
2.000
0

0 2.000 4.000 6.000 8.000 10.000 12.000

Remuneração média padronizada para 40 horas - 2012

Queda superior a 20% - 210 (3,77%)


Municípios com comportamento regular - 4.947 (88,93%)
Média de 2012 acima do piso e crescimento superior a 30% - 304 (5,46%)
Média de 2012 abaixo do piso e crescimento acima de 1,3 vezes o valor do piso - 102 (1,83%)

Figura 7 - Remuneração média padronizada para 40 horas semanais 2012 x 2013

37
12.000
Remuneração média padronizada para 40 horas - 2014

10.000
8.000
6.000
4.000
2.000
0

0 2.000 4.000 6.000 8.000 10.000 12.000

Remuneração média padronizada para 40 horas - 2013

Queda superior a 20% - 178 (3,2%)


Municípios com comportamento regular - 5.021 (90,26%)
Média de 2013 acima do piso e crescimento superior a 30% - 261 (4,69%)
Média de 2013 abaixo do piso e crescimento acima de 1,3 vezes o valor do piso - 103 (1,85%)

Figura 8 - Remuneração média padronizada para 40 horas semanais 2013 x 2014

6 Conclusão

A atribuição da remuneração ao docente em exercício em sala de aula, a partir do


pareamento entre a RAIS e o Censo da Educação Básica, traz um avanço para análise da
remuneração dos docentes no Brasil. A junção das bases em nível individual permitiu o cálculo
da remuneração e da carga horária em diferentes níveis de agregação, permitindo inclusive a
avaliação para agregação municipal. Considerando a boa consistência dos dados e que para todas
as esferas administrativas a amostra encontrada foi bastante satisfatória, espera-se que esse
estudo possa contribuir para o desenho, o monitoramento e a avaliação de políticas no setor,
inclusive na rede privada.

38
Assim como em outras referências6 do mesmo tema, foi observado que os docentes da rede
privada não são, em média, mais bem remunerados do que os da rede pública. Além disso, com a
possibilidade de analisar a remuneração média juntamente com a carga horária média de
trabalho, dois aspectos fundamentais para a organização das redes de ensino para o atendimento
da demanda educacional no território de interesse, o estudo permite a reflexão sobre formas de
contratação do docente.
Em virtude da sensibilidade dos dados, dos requisitos do Acordo de Cooperação com o
Ministério do Trabalho e Emprego e Previdência Social, bem como para atender ao disposto na
Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011) com relação ao sigilo
dos dados pessoais, os dados individuais resultantes da pesquisa não serão disponibilizados para
evitar a identificação direta dos docentes e suas respectivas remunerações.
Por outro lado, o INEP disponibilizará publicamente três bases de dados com níveis de
agregação distintos. A primeira será uma base de dados com as informações de remuneração
média para todas as esferas administrativas consolidadas para o Brasil, a segunda base terá as
remunerações médias dos docentes das esferas estadual, municipal e privada consolidadas por
UF e a terceira base de dados conterá as informações de remuneração média da rede municipal
para todos os municípios em que foram localizados docentes na RAIS. Os três arquivos também
serão compostos por quantitativos de vínculos de docentes no Censo da Educação Básica e na
RAIS, grau de formação do docente, média de horas contratuais, entre outros dados.

6
Reportagem “Rede pública, salário maior”, Jornal O Globo, 30/3/2015, disponível em:
http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/professores-de-escolas-estaduais-municipais-ja-recebem-mais-que-os-
de-particulares-15730656

39
Referências Bibliográficas

INEP. Perfil da docência no Ensino Médio Regular. Brasília: Diretoria de Estatísticas


Educacionais – Inep, 2015.
INEP. Portal do Censo da Educação Básica. Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/basica-
censo>. Acesso em: 12 jun. 2017.
INEP. Sinopse Estatística do Censo dos Profissionais do Magistério da Educação Básica
2003. Brasília: Inep. 2003.
MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO E PREVIDÊNCIA SOCIAL(MTPS). Portal da
RAIS, disponível em http://www.rais.gov.br/sitio/index.jsf
FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO (FNDE). Portal do Siope,
disponível em http://www.fnde.gov.br/fnde-sistemas/sistema-siope-apresentacao
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, SECRETARIA DE ARTICULAÇÃO COM OS SISTEMAS
DE ENSINO. Nota Técnica 563 (2015) – Referencial para cálculo de custos dos profissionais da
educação básica pública.
FARENZENA, N.; e MACHADO, M. G. F. O custo das escolas públicas municipais: resultados
de uma pesquisa e implicações políticas. Revista Brasileira de Política e Administração da
Educação, Porto Alegre, v. 22, n. 2, p. 277-290, jul./dez. 2006.

40