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A ARTE RUPESTRE
ARTE
Desde sempre os homens primitivos demonstraram uma grande atração pela Beleza e procuraram imitá­la, fazendo objetos agradáveis ao olhar e criando grandes pinturas e baixos­
relevos nas paredes das grutas ou em pedras ao ar livre, como por exemplo em Foz Côa.

O gosto pelo Belo já existia ainda antes do Homo Sapiens Sapiens. O Homem de Neardental já produzia, entre outros objetos, pequenos colares de pedrinhas polidas e furadas. Temos
de admitir, contudo, que a Arte mais expressiva e mais elaborada foi feita por nós, os homens modernos. A este tipo de Arte Pré­Histórica chamamos Arte Rupestre que significa "sobre
rocha" e prolonga­se até tarde, em pleno Neolítico.

Quase desde os primeiros tempos do Homo Sapiens que verdadeiras obras de Arte são por ele pintadas nas grutas representando os animais e as paisagens que conhecia:
renas, bisontes, mamutes, outras espécies de bovinos como touros ou vacas selvagens. Muitos desses animais desapareceram, não porque o Homem os tenha destruído mas
porque o clima, como veremos adiante, mudou e os animais tiveram que se deslocar para outras paragens. O significado destas gravuras ainda hoje é desconhecido:

Arte Rupestre ­ Cena de Caça

Terá sido uma bonito desenho para decorar as paredes?
Terá sido uma ritual especial, para dar sorte aos habitantes da gruta, para que pudessem ter sucesso na caça? Ainda hoje há algumas culturas em África que praticam esses
rituais: quando um pintor pinta um leão, por exemplo, ele acredita que está a lançar um feitiço contra um leão e, deste modo, pode caçá­lo. A Arte Rupestre pode estar ligada a
práticas semelhantes de Magia, como poderás verificar neste pequeno vídeo:

Outra das formas de Arte desta época constituiu no fabrico de pequenas estatuetas conhecidas como «Vénus». Tratava­se de figuras de mulheres que não tinham rosto, mas tinham as
formas femininas muito exageradas. Que significado tiveram?
 
Pensa­se que talvez estivessem ligadas a Cultos de Fertilidade, onde uma Deusa­Mãe tivesse um papel importante. Do seu tamanho bem como de marcas de pequenos furos
encontradas em algumas delas, depreendem alguns estudiosos que fossem amuletos que as mulheres transportavam para dar sorte nos nascimentos e nos partos.

Estatuetas de pequenas Vénus Paleolíticas

RELIGIÃO
Poucas coisas são tão antigas como a espiritualidade. Nós, os homens modernos, temo­la desde que existimos. Porém sabemos que há um outro grupo de hominídeos que também a
possuíam: os Homens de Neardental.
 
RELIGIÃO ENTRE OS NEARDENTAIS: Sabe­se que estes seres humanos já enterravam os seus corpos. Foi mesmo desenterrada uma sepultura Neandertal na região de Shanidar
(nordeste do atual Iraque). No seu interior estavam vários esqueletos pertencentes a um homem, duas mulheres e uma criança. Todos se encontravam em posição fetal, como se a
Terra fosse uma mãe de onde eles tornariam a nascer. Descobriu­se que o homem sofria de uma doença que o incapacitou desde muito cedo, uma forma avançada de artrite. Ele era,
portanto, um indivíduo que vivia às custas da tribo, que não podia caçar e ajudar os seus companheiros a trazer comida para a comunidade. No entanto, foi cuidado e amado e viveu até
muito tarde.
Enterrar os mortos significa uma coisa importantíssima: a crença num outro mundo, outra vida para além da Morte. Será que os neardentais já tinham uma Religião?
Os neardentais já possuíam sentimentos de compaixão, solidariedade e entreajuda entre os membros da sua tribo. Ajudavam os mais velhos e os mais fracos.
Os cientistas descobriram pólen fossilizado no interior da cova onde o esqueleto foi encontrado. Este morto teve oferendas, colocaram flores ao lado do seu corpo.

RELIGIÃO ENTRE OS PRIMEIROS HOMENS MODERNOS: Como terão sido as primeiras Religiões, entre nós? Eis algumas caraterísticas dos seus cultos:

É muito provável que os nossos antepassados acreditassem que todas as coisas estivessem vivas (pedras, montanhas, animais e plantas, rios, Sol e Lua, por exemplo).
Respeitavam a Natureza como algo Sagrado e cheio de Magia.
Antes do aparecimento da Agricultura, a maior preocupação do Homem era ser bem­sucedido na caça e na reprodução. 

Lascaux

Toda a Arte Rupestre estava intimamente ligada a estas formas de culto que temos dificuldade em entender, e que são de todos os tipos: figuras geométricas, espirais, riscos cruzados,
figuras humanas e animais e até escrita). São denominados Petroglifos. O nome deriva de duas palvras gregas (petrus ­ «pedra» e glyphein ­ «talhar»). Com efeito são gravuras
sulcadas na pedra e na rocha. O seu significado está vedado para nós, porque os povos que os fizeram já desapareceram. Só nos resta especular. Podemos contudo acreditar que
foram feitos com propósitos mágicos. Pensa­se que sejam símbolos encantados, com  o poder de influenciar o espaço à nossa volta, bem como as pessoas.  Também existem, nas
grutas, gravuras salpicadas de pintas e manchas e representações ainda mais estranhas, de mãos que são, por vezes, mutiladas e que parecem ter dedos parcialmente cortados . O
significado destas pinturas foi esquecido há muito tempo mas muitos pensam que, em alguns casos, possa ser uma marca dos pintores, uma espécie de assinatura primitiva.

ARTE MÓVEL E ARTE PARIETAL


Tal como nos dias de hoje, o homem paleolítico realizava as suas obras artísticas de várias formas. Pintava gravuras nas paredes das cavernas, pedras e blocos que não podiam ser
deslocados (Arte Parietal) e esculpia pequenos objetos que podia sempre levar consigo (Arte Móvel), tais como pequenas estatuetas (como as Vénus). Todas as ferramentas de osso e
madeira que são usadas para caçar e pescar (arpões, azagaias, setas) também podem ser consideradas Arte Móvel porque já podiam ser confecionadas de forma artística.

Propulsor ­ Arma utilizada para caçar, em osso

EM PORTUGAL
Os primeiros vestígios de Arte Pré­Histórica em Portugal datam do final do Paleolítico (a partir de 40.000 a.c.). Contudo, a datação dos muitos lugares arqueológicos é escassa e
deficiente, graças à falta de estudos adequados. O nosso país não parece mostrar interesse no nosso passado distante. Há falta de incentivos e apoios na sinalização, catalogação e
proteção destes lugares. A Arte Pré­Histórica portuguesa é rica e variada mas, infelizmente, os locais onde esta se encontra estão constantemente abandonados e sujeitos a
vandalismos e às intempéries.

PETROGLIFOS
Em Portugal, os Petroglifos com formas em espiral e circunferências surgiram por volta do Final do Calcolítico (3.500 a.c.). Inserem ­se na Cultura Megalítica e estendem­se até à Idade
do Ferro. Temos, como exemplo, os petroglifos da Pedra Escrita, no Concelho de S. Pedro do Sul, que data de 1000 a.c.

Outro exemplo de Petroglifos em Portugal ­ mais precisamente a Península Ibérica ­ é o Grupo Galaico­Português, que se espalhou por toda a zona da Galiza e Norte de Portugal e que
datam principalmente dos período Calcolítico e Idade do Bronze. Os mais famosos exemplares são os Petroglifos de Touron e o Labirinto de Mogor, em Espanha. No nosso território
temos a Lage dos Sinais, em Barcelos (um grande penedo que se encontra enterrado na sua maior parte) e as Gravuras no Concelho de Mogadouro. Um dos locais mais importantes é
um santuário ao ar livre, onde podemos observar vários petroglifos. Este monumento encontra­se em Bouça do Colado, na Serra da Arrábida. É um complexo megalítico com uma pedra
central, que o povo local chama o «Penedo do Encanto». Esta pedra está rodeada de outras mais pequenas, igualmente esculpidas com espirais. 

Penedo do Encanto, Parque Nacional de Peneda­Gerês
GRAVURAS LITOGRÁFICAS
Contudo, o local arqueológico mais famoso é, sem dúvida, o famoso complexo de Arte Rupestre de Vila Nova de Foz Côa, que consiste numa concentração de gravuras litográficas ao ar
livre. Pensa­se que tenha sido um santuário que foi sendo sempre acrescentado ao longo dos milénios, ao longo de todo o Paleolítico Superior, desde 22.000 Até 10.000 a.c.

Cale do Coa, Gravura em pedra

ARTE MÓVEL
Pensou­se durante muitas décadas que em Portugal não existiam muitos vestígios relativos à Arte Móvel Paleolítica. As únicas descobertas consistiam em pequenas Vénus de fabrico
muito simples, que em nada se comparam às coleções da restante Europa.

Duas Vénus portuguesas: Toca do Pai Lopes e Grutas do Escoural

Uma delas, à direita, foi encontrada na Gruta do Escoural. A gruta começou por ser habitada por homens de Neandertal, em meados do Paleolítico mas foram os homo sapiens sapiens,
há cerca de 35.000 anos, que começaram a deixar a sua marca: pinturas nas paredes, gravuras líticas (sulcadas na pedra, tal como Foz Côa) e pequenos artefactos como esta Vénus à
direita.
Contudo foram encontrados no vale do Côa o maior conjunto de Arte Móvel do Paleolítico, datando do Paleolítico Superior. Consiste num conjunto de pequenas placas de xisto onde
foram gravadas imagens da antiga fauna que existia no final deste período, bem como figuras humanas esculpidas. Têm cerca de 10 a 20 cm entre 18 a 12.000 anos.

PINTURA
Portugal não é pródigo em Pinturas Paleolíticas. As mais famosas são as da Gruta do Escoural, já mencionado acima:

Animais sobrepostos – Gruta do Escoural, Montemor­o­Novo (cerca de 35.000 ­ 8000a.c.).

Esta fotografia revela algo que os «homens das cavernas» faziam habitualmente, quando encontravam sulcos na rocha que eram produto da erosão das águas: eles «encaixavam» as
figuras nesses sulcos. Pensa­se que esta prática estaria ligada a ritos mágicos. Ou seja: colocar uma figura num lugar onde passasse a água iria garantir a caça e a fertilidade dos
animais. Estes seriam abençoados pela água e teriam muitos filhos.
Com o passar dos milénios ­ e já na Cultura Megalítica do Calcolítico e Idade do Bronze (iremos falar nele mais adiante) ­ a Pintura também foi aplicada em alguns megalitos. Eis um
exemplo: a Anta de Antelas, em Oliveira de Frades (Viseu).

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