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A analogia, assim como a equidade e os usos são fontes de direito mediatas (indirectas),

as quais, ao contrário das fontes de direito imediatas (directas) que criam normas jurídicas, as
fontes de direito mediatas contribuem para a sua formação. Existem contudo diferenças
substanciais entre as aludidas fontes de direito mediatas.

O recurso à analogia justifica-se por razões de "coerência normativa" e de "justiça relativa",


é imposta pelo princípio da igualdade ("casos semelhantes ou conflitos de interesses
semelhantes devem ter um tratamento semelhante"), numa perspetiva de integração de lacunas
da lei (artigo 10.º CC).

A analogia só é aplicável quando existe disposição normativa ainda que não sobre o
caso concreto, mas que de acordo com o seu carácter teleológico (fins) essas normas se
considerem aplicáveis tendo em conta o princípio da igualdade.

A remissão para norma aplicável em caso análogo pressupõe o reconhecimento um


mínimo comum. Há que integrar a lacuna ou proceder a uma extensão teleológica reconhecendo
a existência de tal direito também no caso em concreto.

A equidade (artigo 4.º do CC), tradicionalmente definida como “justiça do caso concreto”,
opõe-se à justiça vista como uma intenção normativa de carácter geral e abstrato.

O juízo equitativo é formulado via ponderação da individualidade do caso concreto “sub


juditio”, uma que vez que da abstração da lei pode resultar desajustamentos entre o que é a
justiça decorrente dessa lei e a justiça que é desejável no caso concreto e é, nessa ponderação
residual que terá sentido o recurso à equidade.

O recurso à equidade, em respeito ao princípio da igualdade, deve adequar a sua solução


a outras decisões já proferidas, embora em ponderação e adequação às circunstâncias do caso
concreto.
A equidade faz a segurança jurídica decorrente da lei se tornar uma regra justa porque
desce às peculiaridades dos casos concretos.

Os usos, cujo valor jurídico está previsto no artigo 3.º do CC, correspondem por sua vez a
práticas sociais reiteradas não acompanhadas da convicção de obrigatoriedade (algo que
os distingue dos costumes), consubstanciando-se numa ideia de uma reiteração ou repetição
dum comportamento ao longo do tempo.

Os usos, conforme previsto no disposto do artigo 3.º do CC, para que sejam atendíveis
juridicamente devem respeitar os princípios da boa-fé e da confiança.

Os usos de facto que não constituindo verdadeiras normas jurídicas, nem se confundindo
com o costume como fonte de direito consuetidinário, correspondem a práticas sociais
reiteradas, não acompanhadas da convicção da sua obrigatoriedade, podendo inclusivamente
afastar normas legais supletivas, mas sem valor perante normas imperativas.

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