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Programa de Apoio à Produção de Material Didático

Sarita Leonel Aloísio Costa Sampaio

ABACATE:

ASPECTOS TÉCNICOS DA PRODUÇÃO

Apoio à Produção de Material Didático Sarita Leonel Aloísio Costa Sampaio ABACATE: ASPECTOS TÉCNICOS DA PRODUÇÃO
Apoio à Produção de Material Didático Sarita Leonel Aloísio Costa Sampaio ABACATE: ASPECTOS TÉCNICOS DA PRODUÇÃO
Apoio à Produção de Material Didático Sarita Leonel Aloísio Costa Sampaio ABACATE: ASPECTOS TÉCNICOS DA PRODUÇÃO

L583a

Leonel, Sarita Abacate : aspectos técnicos da produção / Sarita Leonel, Aloísio Costa Sampaio. – São Paulo :

Universidade Estadual Paulista : Cultura Acadêmica Editora, 2008 239 p.

ISBN 978-85-98605-44-9

1. Abacate – produção. I. Sampaio, Aloísio Costa. II. Título.

CDD 634.653

Ficha catalográfica elaborada pela Coordenadoria Geral de Bibliotecas da Unesp

Universidade Estadual Paulista

Reitor

Marcos Macari

Vice-Reitor

Herman Jacobus Cornelis Voorwald

Chefe de Gabinete

Kléber Tomás Resende

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Pró-Reitora de Pós-Graduação

Marilza Vieira Cunha Rudge

Pró-Reitor de Pesquisa

José Arana Varela

Pró-Reitoria de Extensão Universitária

Pró-Reitora Maria Amélia Máximo de Araújo

Pró-Reitoria de Administração

Pró-Reitor Julio Cezar Durigan

Secretaria Geral

Secretária Geral Maria Dalva Silva Pagotto

Cultura Acadêmica Editora

Praça da Sé, 108 - Centro CEP: 01001-900 - São Paulo-SP Telefone: (11) 3242-7171

APOIO:

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP FUNDAÇÃO PARA O VESTIBULAR DA UNESP - VUNESP CGB - COORDENADORIA GERAL DE BIBLIOTECAS

COMISSÃO EXECUTIVA

Elizabeth Berwerth Stucchi José Roberto Corrêa Saglietti Klaus Schlünzen Junior Leonor Maria Tanuri

APOIO TÉCNICO

Cecilia Specian Ivonette de Mattos José Welington Gonçalves Vieira

PROJETO GRÁFICO

Leonor Maria Tanuri APOIO TÉCNICO Cecilia Specian Ivonette de Mattos José Welington Gonçalves Vieira PROJETO GRÁFICO
Leonor Maria Tanuri APOIO TÉCNICO Cecilia Specian Ivonette de Mattos José Welington Gonçalves Vieira PROJETO GRÁFICO

SUMÁRIO

Mercado nacional para o abacate

7

Botânica e biologia reprodutiva do abacateiro

17

Ecofisiologia do abacateiro

25

Principais variedades de abacateiro

37

Propagação do abacateiro

65

Planejamento e instalação de pomares de abacateiro

75

Viabilidade econômica da irrigação no abacateiro

81

Nutrição e adubação do abacateiro

113

Adubação orgânica do abacateiro

125

Manejo de culturas intercalares no pomar de abacateiro

137

Sistema de podas e reguladores vegetais no manejo da copa do abacateiro

153

Doenças do abacateiro

167

Principais pragas do abacateiro

175

Colheita do abacate

185

Pós-colheita do abacate

199

Abacate como fonte terapêutica

215

SOBRE OS ORGANIZADORES

Sarita Leonel, Engenheira Agrônoma, Mestre e Doutora em Agronomia/Horticultura pela Faculdade de Ciências Agronômicas da UNESP, câmpus de Botucatu/SP. Professor Adjunto do Departamento de Produção Vegetal, setor Horticultura da FCA/UNESP/Botucatu. Vice-coordenadora do Programa de pós-graduação em Horticultura. Atua em nível de graduação e pós-graduação na área de fruticultura.

Aloísio Costa Sampaio, Agrônomo, Mestre em Produção Veg- etal pela FCAV/Unesp/Jaboticabal, Doutor em Horticultura pela FCA/ Unesp/Botucatu. Docente do Departamento de Ciências Biológicas da Unesp/FC/Bauru e do Curso de Pós-graduação em Horticultura da FCA/Unesp/Botucatu. Coordena o grupo de pesquisa e extensão:

Biologia aplicada à agricultura.

MERCADO NACIONAL E MUNDIAL PARA O ABA- CATE

Angela Vacaro de Souza 1

Dentre as atividades agropecuárias, a fruticultura é uma das maiores demandadoras de mão-de-obra. Num país que apresenta grande carência de emprego e de melhores condições de vida no meio rural, esse seu potencial empregador pode contribuir para minimizar problemas como o êxodo rural, o desemprego permanente ou sazonal

e a baixa geração de renda pelo segmento produtivo. Apesar do desenvolvimento, inclusive com a adoção de programas de qualidade e rastreabilidade das frutas (PIF - Produção Integrada de Frutas), que atendem a mercados mais exigentes, é fato que a oferta de informações, para embasar a tomada de decisão dos empresários nos vários segmentos da cadeia produtiva ainda é bastante escassa no país. Foram poucos instrumentos disponibilizados nos últimos anos para uma avaliação mais precisa dos mercados, suas oportunidades e riscos, frente às várias opções de fruteiras cultiváveis no país. Nesse ambiente, podemos esperar que momentos de dificuldade possam surgir em um futuro próximo para algumas espécies ou varie- dades de frutas, já que o crescimento observado na atividade não foi planejado de acordo com a evolução dos mercados.

Outro fator de risco, que deve ser considerado, é a concentração da produção de algumas fruteiras em poucas variedades, já que podem haver riscos sanitários, caso surjam pragas que afetem fortemente essas variedades, ou de mercado, com a queda na aceitação da variedade, pelo surgimento de outra com características melhores, ou pela simples substituição, pelo consumidor, por outras frutas. Recente estudo realizado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, 2004) indica uma excelente perspec- tiva para a demanda de frutas tropicais nos principais mercados, pre- vendo uma taxa anual média de 8% para o crescimento das impor- tações mundiais até 2010. O mesmo estudo, no entanto, alerta para

a necessidade de investimentos no controle de qualidade, ao mesmo

1 Eng. Agrônoma, Mestranda pelo Departamento de Produção Vegetal – Horticultura, Faculdade de Ciências Agronômicas/FCA/UNESP – C.P. 237 – CEP 18.610-307- Botucatu, SP – angelavacaro@hotmail.com.

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ABACATE

tempo que crescem as barreiras não tarifárias nos principais países importadores. Os produtores brasileiros vêm investindo pesadamente, com o apoio do governo federal, na produção e pós-colheita, para adequar nossas frutas às exigências dos principais mercados e têm buscado ampliar os mercados compradores, através de ações de promoção. Originário da américa tropical, de regiões colonizadas pelos espa- nhóis, o abacate se espalhou até a América do Sul chegando a Amazônia, podendo ser encontrado em todas as regiões do globo que possuem solos férteis e onde haja calor que lhe seja suficiente. Considerado uma das frutas tropicais mais valiosas, o abacateiro é cultivado na maioria das regiões tropicais e subtropicais, princi- palmente no México, América Central, partes das América do Sul, nas Índias Ocidentais, África do Sul, Israel e no Havaí; e em menor expressão, na Índia, República Malgache, Reunião, Madeira, Samoa, Taiti, Argélia, Austrália, EUA (Flórida e Califórnia), entre ou-tros (TEIXEIRA, 1991). Certamente, o primeiro fator a ser considerado, durante a escolha do local é o mercado final para o cultivar que se pretende plantar. O abacateiro somente inicia sua produção a partir de 3-4 anos de idade, atingindo o pico aos 15 anos, requerendo-se desse modo, uma escolha cuidadosa. O mercado deve ser analisado a nível local, estadual, na- cional e internacional. É necessário estudar a evolução dos preços nos últimos anos, e realizar projeções com relação às tendências ou comportamentos futuros.

O padrão de fruta exigido pelo mercado a que se pretende atingir

deve ser levado em conta. Nos países europeus e América do Norte, a preferência é por frutos pequenos com alto teor de óleo. O consumidor brasileiro, ao contrário, prefere frutos grandes e com baixo teor de óleo. Cultivares precoces ou tardias, comercializadas no início ou final da safra são preferidas por alcançarem melhores preços para a produção. Além disso, a precocidade pode ser acentuada se o plantio for realizado em regiões com altas temperaturas, e a colheita dos cultivares tardios pode ser retardada pelo plantio em regiões mais frias. Todavia, estes cultivares podem ser menos produtivos (KOLLER, 1984).

O agronegócio frutícola no Brasil apresentou grande dinamismo

nos últimos 15 anos, o que permitiu ao país atender boa parte da de-

MERCADO NACIONAL E INTERNACIONAL

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manda interna de frutas in natura e derivados e, ainda assim, ampliar sua participação no mercado mundial desses produtos, principalmente de frutas tropicais. A safra brasileira de frutas alcançou o volume re- corde de 41,4 milhões de toneladas em 2004.

O Brasil destina 52,5% da sua produção de frutas para o consumo

in natura (interno e externo) e 47,5% para o processamento industrial

(LIMA, 1999). As frutas destinadas ao consumo in natura são volta-

das, em sua quase totalidade, para o mercado interno, com exceção do melão que tem 24% da produção voltada à exportação. Especialistas do setor em todo o mundo desenham um cenário bastante positivo para

o comércio internacional de frutas e os principais indicadores com-

provam, destacando-se as frutas tropicais, cuja demanda nos países desenvolvidos é crescente.

Segundo o Agrianual (2007), a produção mundial de abacate foi

de 3,2 milhões de toneladas no ano de 2005. Do ano de 1998 até 2005

a produção mundial da fruta apresentou um aumento substancial de

cerca de 30% enquanto que a área colhida mundial no mesmo ano teve

um aumento de cerca de 20%

O abacate é consumido como alimento sob diversas formas no

Norte da América do Sul, América Central e México, tais como, purê, saladas, temperado com sal, pimenta, vinagre e outros condimentos, além de outros pratos, nas diversas refeições do dia (KOLLER, 1984). Além do seu valor na alimentação, o abacate tem sido aproveitado para várias outras aplicações: da polpa obtêm-se óleos comerciais; da semente produz-se uma tinta castanho-arroxeada; as flores odoríferas fazem do abacateiro uma planta melífera, e outras partes da planta, tais como: folhas, caroços, casca dos frutos e casca do tronco, têm sido utilizadas pela medicina popular (Teixeira, 1991). Segundo Donadio (1995), apesar do grande volume produzido por países americanos como o Brasil e o México (maior produtor mun- dial), apenas os EUA, entre os países americanos, tem sua produção voltada para a exportação, sendo o principal fornecedor do Japão. O mercado externo é bastante exigente no tocante a padrões de quali- dade e variedades específicas. Destacam-se na produção destinada à exportação, Israel, Espanha e África do Sul. A importação européia, que ao final da década de 60 era apenas de 10 mil toneladas, conforme Donadio (1995), chegou a mais de 120 mil toneladas no final da dé-

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ABACATE

cada de 80, projetando um volume de 275 mil toneladas anuais para o final da década de 90. Segundo uma análise de mercado feita pelos espanhóis, os preços caíram e persistem com tendência de queda, mas ainda assim, são atraentes. Ainda de acordo com este autor, o mercado europeu é considerado pequeno em termos de consumo per capita por ano, que está em torno de 100g. Donadio (1995) lembra que o abacate não é consumido na Europa como fruta, mas sim, como hortaliça, em entradas, saladas e outros pratos. O mercado externo do abacate tem mostrado crescimento devido, principalmente, a fatores que incluem avanços nas tecnologias de pós-colheita e no sistema de transporte marítimo; reduções contínuas de barreiras comerciais; forte demanda pelo consumo de abacate baseado, entre outros motivos, pela divul- gação dos benefícios do consumo da fruta na saúde, além do aumento de áreas e incentivos nos maiores países produtores, particularmente México e Chile, que devem continuar na liderança dos países exporta- dores (Evans e Nalampang, 2006). Vilela et al. (2005) ao avaliarem as tendências de mercado, desenvolveram uma tabela de risco, alertando para as culturas e condições econômicas que poderiam significar maior ou menor grau de risco futuro aos produtores e definiraram três grupos de fruteiras, distinguidos pelo grau de risco futuro projetado de mer- cado. No primeiro, onde foram listadas as culturas com menor risco de mercado estão o abacate e a banana. Estes produtos apresentaram taxa negativa de crescimento da produção entre 1990 e 2003 e, em qualquer cenário econômico futuro, a demanda supera a produção. No segundo grupo, o das culturas com risco futuro aumentado em condições de baixo crescimento econômico, estão goiaba, limão e uva; são produtos com baixo consumo per capita e/ou alto valor agregado, exigindo maior capacidade de compra para incorporação na dieta dos consumidores. Em cenários de menor crescimento econômico poderá haver excesso de oferta no mercado interno entre 2010 e 2015. O terceiro grupo de culturas que, mesmo com elevadas taxas de crescimento da economia, apresentam maior risco de excesso de oferta no mercado interno são o abacaxi, coco, mamão, manga, maracujá, pêssego e tangerina. Em relação ao aproveitamento industrial, apesar das qualidades para o aproveitamento desta fruta, não há grande demanda no mercado mundial para este fim (DONADIO, 1995). O maior produtor mundial é o México ficando o Brasil em quarto

MERCADO NACIONAL E INTERNACIONAL

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lugar no ranking, com uma produção, em 2006, de 169.335 toneladas em área de 11.548 ha, para uma produção mundial de aproximada- mente 3,3 milhões de toneladas e área de 346 mil ha (FAO, 2007). No Brasil, a abacaticultura teve grande desenvolvimento na década de 1970 devido aos incentivos fiscais concedidos pelo Governo Fede- ral, dentro do programa de reflorestamento do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), que financiou pomares com ca- racterísticas comerciais a partir de mudas enxertadas (Campos, 1984). Segundo dados do Agrianual (2007), para o ano de 2005, a situação econômica da cultura nos principais países produtores da cultura em produção (ton) e área (ha) estão descritos na Tabela 1.

Tabela 1: Situação econômica mundial da cultura do abacate.

SITUAÇÃO ECONÔMICA DA CULTURA

País México Indonésia Estados Unidos Brasil Africa do Sul

Área (ha)

Produção (ton)

100.000

987.000

41.232

263.575

28.000

247.000

12.000

185.811

12.500

182.000

Mundo

389.247

3.229.121

Fonte: Agrianual 2007.

Embora o Brasil esteja bem posicionado na classificação dos maiores produtores, exportou em 2003 apenas cerca de US$ 302 mil (SECEX, 2003). Com certeza grande parte deste volume exportado, deve-se ao trabalho da Fazenda Jaguacy, localizada no Município de Bauru (SP), que cultiva o cv. Hass desde 1980. Atualmente, a Jaguacy Brasil através de um sistema de parceria conta com 20 produtores associados distribuídos pelo Estado de São Paulo, sendo apenas um produtor no Estado de Minas Gerais. As áreas produtivas dos parceiros da Jaguacy Brasil variam de 05 a 170 hectares em produção. A safra de 2006 do cv. Hass produzido pelos parceiros e comercializado pela Jaguacy Bra- sil foi de mil toneladas da fruta, sendo 86% destinada à exportação e 14% ao mercado doméstico (Informação pessoal de Vitor Carvalho, 2007).

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ABACATE

O México é o maior exportador e a França, o maior importador.

Assim, a produção brasileira é praticamente destinada ao mercado nacional. No Estado de São Paulo, na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP), o comércio de abacate encontra-se concentrado em poucos atacadistas. Nos últimos cinco anos os cultivares mais comercializados foram: Geada e Fortuna.

A produção brasileira está distribuída principalmente pela Região

Sudeste, seguida pelo Nordeste e Sul, sendo o Estado de São Paulo o maior produtor, com produção em 2005, de 79 mil toneladas (46% do total nacional). O segundo Estado produtor, Minas Gerais, apresenta participação ao redor de 20%, seguido pelo Paraná com 12%, Espírito Santo com 5% e o Rio Grande do Sul com 4,7% (Agrianual, 2007). O Mercado interno é o maior consumidor da fruta. A tabela 2 mostra a produção brasileira (ton) da fruta dividida por região de cultivo.

Tabela 2: Produção brasileira de abacate (ha) e área colhida.

PRODUÇÃO BRASILEIRA E ÁREA COLHIDA – 2005

Região

Produção (ton)

Área colhida (ha)

Norte

4.599

700

Nordeste

9.074

946

Sudeste

123.467

7.918

Sul

30.350

2.218

Cento-oeste

3.044

151

Brasil

17.534

11.933

Fonte: Agrianual 2007.

Diferenças nos rendimentos agrícolas entre os Estados devem-se, principalmente, às formas de cultivo, de tratos culturais além da di- versidade de cultivares em função das preferências dos consumidores das várias regiões. No Estado de São Paulo, 16% da área com abacate é colhida no mês de abril, seguida por 13% em março e 11% em fevereiro, porém a colheita de abacate no Brasil é feita o ano todo. Isto é possível através do plantio de diferentes variedades. Levando em consideração os estados maiores produtores da fruta, segue a tabela 3 mostrando a situação econômica da cultura em área

MERCADO NACIONAL E INTERNACIONAL

colhida (ha) e produção (ton).

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Tabela 3: Situação econômica da cultura em 2005.

SITUAÇÃO ECONÔMICA DA CULTURA

Estado

Área (ha)

Produção (ton)

São Paulo

4.458

79.864

Minas Gerais

2.705

34.361

Paraná

1.567

22.034

Espírito Santo

715

8.555

Brasil

11.933

17.534

Fonte: Agrianual 2007.

A cultura do abacate pode ser encontrada em praticamente todo

o Estado de São Paulo, porém 75% da área total cultivada encontra-se

em 39 municípios, sendo os principais, Mogi-Mirim e Jardinópolis. O plantio de novas áreas nos primeiros anos da década de 1990 justificou

o aumento dos rendimentos a partir de 2001.

O Brasil é um país que tem a sua produção voltada principalmente

para o mercado interno. Por isso, a lista de variedades tende a aumentar muito devido à seleção local. As variedades locais são importantes por sua adaptação às condições climáticas, hábitos de consumo, resistência

a doenças, qualidade, aparência e conservação pós-colheita. No Brasil, destacam-se as variedades Quintal e Fortuna.

A definição das zonas climáticas de maturação de abacate no Es-

tado de São Paulo é de grande importância prática, pois permite a

escolha das variedades que produzam, em uma determinada região, exatamente na época em que os preços de mercado sejam mais com- pensadores.

A época de maturação das variedades de abacate no Estado de São

Paulo é bastante diferenciada em suas diversas regiões ecológicas. Isso se deve basicamente ao efeito da temperatura do ar sobre o desenvol-

vimento da planta, principalmente no período entre o florescimento e

a maturação (LUCCHESI & MONTENEGRO, 1975). Montenegro (1956), em levantamentos do número de abacateiros do Estado de São Paulo, verificou que uma mesma variedade ama- durecia em épocas diferentes nas distintas regiões do Estado. Baseado

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ABACATE

nessas observações, regionalizou o Estado de São Paulo em cinco zonas de maturação: 1) Zona de Ribeirão Preto; 2) Zona de Limeira; 3) Zona de Valinhos; 4) Zona de Buri e 5) Zona de São Sebastião. Trabalho semelhante foi realizado por Platt (1975) para abacateiros na Califórnia (EUA). O zoneamento feito por Montenegro (1956), que representou im- portante contribuição na implantação e desenvolvimento da abacati- cultura paulista, sendo até hoje bastante utilizado por extensionistas e produtores, é pouco detalhado, pois coloca em uma mesma zona de maturação regiões climáticas bastante distintas. Este é o caso das regiões de Franca e de Votuporanga, situadas na Zona de Ribeirão Pre- to, porém com características climáticas diferentes. Esses equívocos provavelmente se devem à pequena disponibilidade de informações sobre o desenvolvimento da planta nas diferentes regiões do Estado na época em que o estudo foi realizado. Atualmente, técnicas como a estimativa da temperatura média em função de variáveis geográficas (PEDRO JR. et al, 1991) e o conceito dos Graus-dia (HOLMES & ROBERTSON, 1959) permitem a obten- ção de resultados mais precisos e detalhados do desenvolvimento das plantas nas diferentes regiões ecológicas. Os cultivares mais utilizados no mercado interno são: Simmonds, Barbieri, Collinson, Quintal, Fortuna, Breda, Reis, Solano, Imperador, Ouro Verde e Campinas. No mercado externo e para a industrialização são mais empregados os cultivares: Tatuí, Hass e Wagner. As varie- dades Hass e Fuerte vêm sendo comercializadas no mercado nacional sob a denominação “Avocado” e por serem cultivares diferenciados têm sido mais valorizados. As variedades: Ouro Verde, Geada e For- tuna são mais comerciáveis no exterior, devido ao seu formato.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AGRIANUAL. Anuário da Agricultura Brasileira. 10. ed. São Paulo:

FNP Consultoria & Agroinformativos, 2007. p. 142-144.

CAMPOS, J. S. Abacaticultura paulista. Campinas: CATI, 1984. 92p. (Boletim Técnico, 181).

MERCADO NACIONAL E INTERNACIONAL

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DONADIO, L. C. Abacate para exportação: aspectos técnicos da produção. 2a. ed. rev aum. Publicações técnicas FRUPEX, n º 2. Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, Secretaria de Desenvolvimento Rural, Programa de Apoio à Produção e Exportação de Frutas, Hortaliças, Flores e Plantas Ornamentais. Bra- sília. EMBRAPA – SPI, 1995. 53p.

EVANS, E.; NALAMPANG, S. World, U.S. and Florida Avocado Situation and Outlook. World Trade Organization, 2006. 10p.

FOODAGRICULTURALORGANIZATION – FAO (2007). Statistical database. Disponível em: www.apps.fao.org. Acesso em: 26 nov. 2007. HOLMES, R.M., ROBERTSON, G.W. Heat units and crop growth. Ottawa, Canada Department of Agriculture. Publication n. 1042, 1959. 35 p.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICO – IBGE. Produção Agrícola Municipal. Rio de Janeiro, 2004. Dis- ponível em: www.sidra.ibge.gov.br. Acesso em: 10 abr. 2007.

KOLLER, O.C. ABACATICULTURA. Porto Alegre. Ed. Da Univer- sidade/UFGRS, 1984. 138p.

LIMA, J. P. R.; MIRANDA, E. A. Novo ciclo de investimentos e inovação tecnológica no Nordeste. Segmento: Fruticultura. Con- trato de Consultoria para o Banco do Nordeste, Relatório 1, Recife,

abr,1999.

LUCCHESI, A.A., MONTENEGRO, H.W.S. Influência ecológica no desenvolvimento do fruto e no teor de óleo na polpa do abacate (Per- sea americana, Miller). Anais da ESALQ, Piracicaba, v. 32, n. 1, p. 419- 447. 1975.

MONTENEGRO, H.W.S. Contribuição para o estudo pomológico do abacateiro. Piracicaba: USP,1956 92 p. Tese (Livre Docência) Es- cola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo, 1956.

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ABACATE

PEDRO JR., M. J.; MELLO, M. H. A.; ORTOLANI, A. et al. Estima- tiva das temperaturas médias mensais das máximas e das mínimas para o Estado de São Paulo. Campinas. Instituto Agronômico, 11 p., 1991 (Boletim Técnico n. 142).

SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR – SECEX. 2003. Dis- ponível em: Acesso em: 10 abr. 2007.

TEIXEIRA, C. G. Cultura [do abacate]. In: TEIXEIRA, C. G. et al. ABACATE: cultura, matéria prima, processamento e aspectos econômicos. 2a. ed. Série Frutas Tropicais n º 8, ITAL, Campinas, 1991. 250p.

VILELA, P.S.; CASTRO, C.W. de; AVELAR, S.O. de C. Análise da oferta e da demanda de frutas selecionadas no Brasil para o decênio 2006/2015, 2005.

BOTÂNICA E BIOLOGIA REPRODUTIVA DO ABA- CATEIRO

Márcia Regina Antunes Maciel 1

Características botânicas do abacateiro O abacate (Persea Americana Mill.) teve origem na América Cen- tral e possui ampla distribuição, desde regiões tropicais e subtropi- cais do planeta. Pertence a família Lauraceae, que é considerada uma das famílias mais primitivas dentro da divisão Magnoliophyta. Tal fato se deve às suas características morfológicas e anatômicas que as aproxima de outras famílias como Calycanthaceae, Idiospermaceae e Hernandiaceae. As Lauraceae apresentam-se amplamente distribuídas através das regiões tropicais e subtropicais do planeta, sendo formadas por 49 gêneros e 2.500 - 3.000 espécies, sendo que no Brasil ocorrem cerca de 400 espécies. É considerada uma das mais complexas famílias do ponto de vista taxonômico devido ao grande número de espécies e por serem utilizados caracteres crípticos na distinção de gêneros e espécies (Cronquist, 1988; Werff e Richter, 1996; Castro e Lorenzi,

2005).

Atualmente, o abacate é inserido no gênero Persea e é conside- rado nativo do Brasil (Castro e Lorenzi, 2005). Os primeiros registros relativos à utilização das espécies desta família datam de 2.800 A.C, sendo originários da Grécia antiga. Isso influenciou o nome de muitos gêneros que fazem uma alusão àquela época. Laurus L., por exemplo, vem do celta “lauer” que significa verde ou ainda “laus” que significa louvor e o gênero Phoebe, tem o seu nome relacionado ao Deus Apolo. Outras espécies utilizadas desde a Grécia antiga são as pertencentes ao gênero Cinnamomum Schaeffer, que significa “caneleira” em grego (Barroso et al., 1978; CO-TEIXEIRA, 1980, in Marques, 2001), e os nativos do Peru já usavam-na há mais de três mil anos. Marques (2001) estudou a importância econômica da família Lauraceae; comentando que há um número expressivo de espécies, com uma grande diversidade de usos, com destaque para as que pos-

1 Doutoranda Horticultura/Dept.° Produção Vegetal/Faculdade de Ciências Agronômicas/ UNESP/Botucatu, SP. macieletno@fca.unesp.br

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ABACATE

suem utilização medicinal e na indústria. Ainda ressalta que o alto

valor econômico das espécies com uso madeireiro, tem levado a uma exploração crescente ao longo dos anos, fazendo com que estas se tornem “vulneráveis” ou mesmo “em perigo de extinção”, segundo classificação da União Internacional para Conservação da Natureza e Recursos Naturais (I.U.C.N) (Vieira et al., 1997). Concordando com

o referido autores é necessário e urgente estudos direcionados para

as espécies nativas desta família, que podem ser fonte de vários usos

como alimentício e medicinal, entre outros. Para as espécies comerci-

ais, o abacateiro, já é consagrado, no entanto é interessante pesquisar

o

uso múltiplo dos produtos, como o óleo de abacate, que é comestível

e

pode ter outras aplicações, como por exemplo, a medicinal.

O

abacateiro é uma árvore com copa aberta, e ramos bifurcados e

o

crescimento decorre da gema apical. A casca dos ramos e tronco é

suberosa, recortada, grossa, com espessura de até 3 cm e cor variável entre cinza claro e escuro, podendo atingir 20 metros de altura. As folhas mostram variações de comprimento de 14 a 19 cm, largura de 7 a 9 cm, com pecíolos de 3 a 4,5 cm. O ápice da folha é geralmente afilado, com a base foliar de ângulo maior, com 90 a 100

graus. A face superior é glabra e a inferior pubescente. São perenes podendo haver renovação total na época da florada. São simples e in- teiras, com pecíolo curto, sua forma é elíptica e a nervação penada. O limbo é de cor creme claro, quebradiço e com vasos grandes. Os ramos novos possuem pêlos e podem variar de cor, dependendo da raça. As flores possuem sépalas com 5 mm, e pétalas um pouco maiores

e os estames são quadriloculares, fornecem pólen (mantem-se viáveis 5-6 dias, a uma temperatura de 20 a 32ºC). Três estaminódios secretam néctar e são hermafroditas, simétricas, verde-amareladas, com aproxi- madamente 1 cm de diâmetro. As panículas podem possuir até 200 flores, originárias de gemas florais terminais (apenas 1% irá originar frutos), além disso, esta planta apresenta dicogamia.

O fruto é do tipo drupa, com casca (pericarpo) delgada, grossa ou

quebradiça, de coloração verde-oliva e brilhante, tem polpa (mesocar- po) carnosa, espessa e cremosa, de coloração creme-amarelada, rica em óleos vegetais. As sementes são cobertas pelo endocarpo (envoltório coriáceo) recobrindo os cotilédones. O pedúnculo é de tamanho médio

a longo, inserido no centro ou lateralmente no fruto por uma parte mais

BOTÂNICA E BIOLOGIA •

19

grossa chamada pedicelo. As grandes variações de cor, formato, ta- manho, casca, polpa e semente podem ocorrer nos frutos do abacateiro, dependendo das raças e variedades. Seu peso pode variar de 50 g a 2,5 kg, e tem grande valor alimentício. O fruto quando maduro tem a seguinte composição bromatológica: água, 71,51%; proteína, 2,15%; matérias graxas, 19,31%; carboidratos, 5,63%; cinza 1,36%. O abacate é um fruto que tem grande apreciação popular, e é comu- mente encontrado nos quintais, em especial nas áreas mais afastadas do centro urbano. As pessoas que mantém esta árvore em seus quintais, além de saborear a fruta, faz uso medicinal das folhas, casca. O poten- cial industrial desta planta é pouco estudado e explorado no Brasil. Portanto maiores pesquisas, voltadas para o aproveitamento múlti- plo e industrialização do óleo, por exemplo, pode ser interessante para os produtores e para a economia do país.

Abacateiro comercial Segundo Maranca (1993), deve-se a Willians (1976), a classifica- ção das variedades de abacateiro existentes em três raças, como ele as chamou e continuam sendo assim conhecidas. O abacateiro apresenta três raças comerciais: a Mexicana (Persea americana var. drymifolia), Antilhana (P. americana var. Americana) e Guatemalteca (P. nubi- gena var. Guatemalensis). Essa classificação é atualmente bem aceita, embora todos também podem se referir ao abacateiro apenas como P. americana Mill. Cultivares de abacate são em geral, híbridos entre as

espécies ou raças mexicana, antilhana ou guatemalense (Quadro 1). Maranca (1993), salienta que a chave para diferenciar as três raças leva em consideração o aroma emitido pelas folhas e outros caracteres do abacateiro, como época de maturação dessas três raças. A) As folhas, quando esfregadas, exalam cheiro de anis.

1. Árvore relativamente resistente ao frio; maturação dos frutos

em 6 a 8 meses depois do florescimento, dependendo do clima. Fruto pequeno com casca fina, suave, lisa. Semente relativa-

mente grande

Raça Mexicana.

AA) As folhas, quando esfregadas, não exalam cheiro de anis.

2. Árvore menos resistente ao frio; maturação dos frutos em 10

a 15 meses depois do florescimento. Fruto de tamanho médio

a grande. Casca grossa e dura, superfície geralmente áspera.

20

ABACATE

Raça guatemalteca. 3. Árvores ainda menos resistente ao frio; maturação dos frutos em 6 a 8 meses depois do florescimento. Fruto de tamanho médio a grande. Casca grossa, mas suave e com superfície li- sa Raça antilhana. QUADRO 01 – Outras características utilizadas para diferenciar as três raças de abacateiro:

 

Antilhana

Guate-

Mexicana

 

malense

Folhas

Sem aroma

Sem aroma

Cheira igual er-

20 cm

de 15-18 cm

va-doce (anis) de 8-10 cm

Época de floresci- mento

Ago-Set

Set-Out

Jul-Ago

Estação de amadurecimento

Dez-Mar

Mar-Set

Dez-Abr

Tempo entre a for-

5-8 meses

10-13 meses

6-8 meses

mação do fruto e a maturação Tamanho dos frutos

400-2000 g

200-2000 g

50-400 g

Textura da casca

Coriácea

Grossa e

Macia e fina

Teor de óleo

Baixo

quebradiça Médio a alto

Médio a alto

Origem (altitude)

0-1000 m

1000-1800 m

1800-2600 m

Suscetibilidade

Alta

Média (-4 ºC)

Baixa (-5,5 ºC)

à geada (planta adulta)

(-2,5 ºC)

Vida pós-colheita

Baixa

Alta

Média

Tolerância à alcali-

Alta

Média

Baixa

nidade Tolerância à salini- dade

Alta

Média

Baixa

BOTÂNICA E BIOLOGIA •

21

Fonte: MARANCA (1993)

Biologia reprodutiva do abacateiro

O abacateiro inicia a produção, por volta dos três anos de idade

em plantas enxertadas, e até os oito anos, nas oriundas de pé-franco.

A polinização e fecundação são necessárias para a produção de fru- tos. O pólen pode ser levado até 2 Km. A fecundação ocorre em 28

horas e é possível a partenocarpia, que originará frutos pequenos. A frutificação pode ser afetada por uma série de fatores, como o clima, tipo de raças, cultivares, porta-enxertos, tratos culturais, polinização cruzada e os insetos.

A germinação ocorre a partir de 25ºC. Temperaturas de 28-33ºC

ocasionam queda das flores. A participação de insetos é essencial para

a reprodução do abacateiro, em especial as abelhas. É uma planta que apresenta dicogamia protogínica das flores, ou seja, o órgão feminino está sempre pronto para funcionar antes dos órgãos masculinos e dependendo do período desse comportamento, convencionou-se classificar as variedades de abacateiro nos tipos A ou B (quadro 2).

QUADRO 2 – Dicogamia das flores do abacateiro

 

Tipo A

Tipo B

 

Manhã

Flores abertas com estigmas receptivos

----------

1º dia

Tarde

Flores fechadas

Flores abertas com estigmas receptivos

Noite

Flores fechadas

Flores fechadas

Manhã

Flores fechadas

Flores abertas nova- mente com estames deiscentes

2º dia

Tarde

As flores abrem novamente com estames deiscentes

Fonte: Portal Toda Fruta (2007).

22

ABACATE

Assim o interplantio de variedades dos tipos A e B, atende à ne- cessidade de polinização cruzada, aumentando assim as possibilidades de fecundação e formação de frutos. As flores hermafroditas apresentam dicogamia. A época da matu- ridade do pistilo não corresponde à da deiscência das anteras e isto é um fato que precisa ser considerado na escolha das variedades. Nunca se planta uma só variedade. Num pomar bem organizado e fecundo, 25% das plantas serão do grupo A, outros 25% do grupo B e os 50% restante poderão ser de outras variedades. A classificação se refere ao modo de floração do abacateiro. Para obter uma boa polinização é preciso que no mesmo pomar existam variedades de abacateiro A e B. Nos abacateiros de variedades A, a primeira abertura da flor ocorre de manhã, quando o estigma (parte que recebe o pólen) está aberto, pronto para ser polinizado. Mas as anteras, que contêm os grãos de pólen, só vão abrir-se na tarde do dia seguinte, quando o estigma não tem mais condições de receber o seu pólen. Nos abacateiros do grupo B, a abertura do estigma e da antera tem alternâncias diferentes, complementando as aberturas das flores dos abacateiros do grupo A. Assim, o pólen saído das anteras das flores de um grupo de abacateiros vai para os estigmas das flores do outro grupo e ocorre o que se chama de polinização cruzada. O pólen é le- vado de uma planta para outra por insetos, principalmente abelhas. Por isso é aconselhável que as plantas polinizadoras não estejam a mais de 15 m de distância das que devem ser polinizadas e que haja duas colméias por hectare. Caso o agricultor queira colher abacates de uma só variedade, é preciso que haja no mínimo 10% de plantas polinizado- ras do outro grupo. Sabendo-se escolher as variedades, é possível ter abacate durante o ano inteiro, pois cada uma delas terá a sua própria época de frutificação (Pimentel, 2007; todafruta, 2007).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRUCKNER, C., H. Melhoramento de fruteiras tropicais. Ed. UFV, 2002.

PIMENTEL, G. R. Fruticultura Brasileira. São Paulo: Nobel. 2007.

BOTÂNICA E BIOLOGIA •

23

MARANCA, G. Fruticultura comercial: manga e abacate. São Paulo: Nobel. 1993.

MARQUES, C. A.,. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DA FAMÍLIA LAURACEAE Lindl. Floresta e Ambiente. Universidade Federal de Viçosa. V. 8, n.1, p.195 - 206, jan./dez. 2001.

H. Botânica Sistemática: Guia ilus-

trado para identificação das famílias de angiospermas da flora brasileira, baseado na APG II. Nova Odessa, SP: Instituto Plan- tarum, 2005.

SOUZA, V. C.; LORENZI,

http://www.todafruta.com.br/todafruta/noticias_su.asp?menu=257

acesso em 15/03/2007.

ECOFISIOLOGIA DO ABACATEIRO

1 – INTRODUÇÃO

Jaime Duarte Filho 1 Sarita Leonel 2 Csaignon Mariano Caproni 1 Ronaldo Simões Grossi 3

O abacateiro pertence à família Lauraceae, que compreende cerca

de 50 gêneros, sendo Persea o subgênero do abacate, com várias es- pécies se aproximando do abacateiro comercial, este pertencente a três espécies e variedades hortícolas que caracterizam as três raças: a)

Mexicana – Persea americana var. drymifolia; b) Antilhana – Persea americana var. americana e c) Guatemalense ou Guatemalteca – Per- sea nubigena var. guatemalensis. As variedades comerciais são em geral híbridas dessas três espé- cies. Essa diversidade genética confere ao abacateiro condições de adaptação às mais variadas situações de clima e solo que superam as

de muitas outras frutíferas. Sob este aspecto, segundo Donadio (1992), vale destacar a grande resistência ao frio que tem a raça mexicana, enquanto a antilhana é considerada de boa adaptação à região tropical,

e a guatemalense é tida como intermediária. Quanto ao solo destaca-se

a maior adaptação da raça antilhana aos solos salinos, o que tem pos-

sibilitado o seu plantio comercial em áreas com estas características, mediante o uso de porta-enxertos da raça ou de seus híbridos.

2 – EXIGÊNCIAS EDAFOCLIMÁTICAS DO ABACATEIRO

Para que possa crescer e produzir bem, o abacateiro necessita de condições climáticas e de solos favoráveis.

2.1 – Solo

O solo, através de suas características físicas, químicas e biológi-

cas, deve fornecer suporte adequado ao abacateiro, influindo direta-

1 Engenheiros Agrônomos. Pesquisadores da EPAMIG-CTSM. duartefilho@epamig.br 2 UNESP. Faculdade de Ciências Agronômicas. Departamento de Produção Vegetal. Setor Horticultura. sarinel@fca.unesp.br 3 Engenheiro Agrônomo. SAA/CATI. Casa da Agricultura de São Manuel. ca.saomanuel@cati.sp.gov.br

26

ABACATE

mente sobre o seu crescimento e produtividade. São importantes no solo: a disponibilidade de água, de ar e de nutrientes. A água e o ar dependem das condições físicas, e os nutrientes, das condições quími- cas e biológicas. Na seleção dos solos, devem ser observadas com prioridade as condições físicas, que são difíceis de serem mudadas. As melhorias químicas podem ser obtidas mais facilmente, através de calagem e adubações. Do ponto de vista das condições físicas, segundo Donadio (1992)

o abacateiro é uma das frutíferas mais exigentes em matéria de solo, devendo estes terem boa drenagem e profundidade. Desta forma, solos mistos, areno-argilosos e profundos são os mais indicados, devido à sensibilidade desta espécie à asfixia, de maior ocorrência em solos argilosos ou rasos com camada impermeável. Afora essas considera- ções, são características importantes do solo a acidez (pH) e o nível de umidade e salinidade, em relação aos quais o abacateiro é muito sensível e exigente.

O índice de salinidade, medido pela condutividade elétrica, de até

2 mm hos/cm é considerado normal para a cultura, enquanto que aque- les acima de 3 mm hos/cm pode causar problemas à planta, tais como queima da ponta e bordos das folhas e queda da produção (Donadio,

1992).

Em muitas partes do mundo, o crescimento e a produtividade do abacateiro são bastante prejudicados em solos com deficiência de oxi-

gênio resultantes da má drenagem dos solos, da compactação ou de inundações na zona radicular (Schaffer, 2006). A privação total (ano- xia) ou parcial (hipoxia) do oxigênio no solo provoca no abacateiro:

redução do desenvolvimento tanto do sistema radicular quanto da parte aérea, murcha moderada a severa do caule e das folhas, abscisão de folha e necroses nas raízes (Schaffer, Whiley, 2002).

O desenvolvimento vegetativo e reprodutivo do abacateiro e de

muitas outras plantas é diretamente proporcional à disponibilidade de água no solo. Segundo Larcher (2000) a primeira e mais sensível res-

posta ao déficit hídrico é a diminuição da turgescência e, associada a esse evento, a diminuição do processo de crescimento (particularmente

o crescimento em extensão). Essa resposta e muitas outras foram ob-

servadas no abacateiro por Chartzoulakis et al. (2002), que avaliando

ECOFISIOLOGIA DO ABACATEIRO •

27

o efeito do estresse hídrico sobre dois cultivares de abacateiro ‘Fuerte’

e ‘Hass’, observaram que o diâmetro do tronco de ‘Fuerte’ e ‘Hass’ foi reduzido em 34 e 39%, respectivamente, após seis meses sob condições de estresse. Além disso, esses mesmos cultivares apresentaram uma redução significativa de 57 e 69% na área foliar total e de 63 e 80% na massa seca total das plantas, respectivamente. Foi observado, também, que plantas sob condições de estresse apresentaram folhas de tamanho inferior e com menor peso específico e uma redução da biomassa das raízes fibrosas em ambos cultivares, entretanto, com maior expressão em ‘Hass’.

A faixa de pH ideal está entre 5 e 7. Solos com pH mais baixo de-

vem ser corrigidos via calagem, já solos com pH mais alto podem pro- vocar deficiência de microelementos, especialmente de ferro, bastante demandado pelo abacateiro (Donadio, 1992; Maranca, 1980). De acordo com o relato de koller et al. (2002), deve ser tomado um cuidado especial com o uso de solos compactados, com teor de argila superior a 70%, mal drenados, ou em locais planos, onde na época das chuvas o lençol freático aflora a menos de 2 m de profundidade, porque essas condições de mau arejamento são propícias ao aparecimento da doença gomose (Phytophthora cinnamomi). A doença se manifesta no sistema radicular, causando o apodrecimento das radicelas, da casca de raízes grossas e do tronco das árvores da região do colo, sendo o controle difícil e caro. O mais aconselhável é o plantio em solos pro- fundos, porosos e bem drenados.

2.2 – Clima

O abacateiro possui ampla capacidade de adaptação às condições

mais variadas de clima. Em que pese à variabilidade genética e sua interação com o ambiente, os principais parâmetros climáticos que exercem influência sobre o abacateiro são:

Temperatura

A temperatura do ar atua no processo de evapotranspiração, devido

ao fato de que a radiação solar absorvida pela atmosfera e o calor emitido pela superfície cultivada elevam a temperatura do ar. O ar aquecido próximo às plantas transfere energia para a cultura na forma de fluxo de calor sensível, aumentando as taxas evapotranspiratórias.

28

ABACATE

Além disso, a temperatura interfere na atividade fotossintética das plantas, por que este fenômeno envolve reações bioquímicas, cujos catalisadores, as enzimas, são dependentes da temperatura para expres- sar sua atividade máxima (Larcher, 2000). A temperatura, juntamente com a luminosidade, exerce forte in- fluência no desenvolvimento reprodutivo do abacateiro, afetando prin- cipalmente o florescimento em todas as suas fases, desde o processo de dicogamia, verificada nesta espécie, até o processo da polinização e da germinação do grão de pólen (Davenport, 1986, Sedgley e Annells, 1981; Donadio 1992). Segundo Davenport (1986) temperaturas durante o dia de 20ºC

e a noite entre 5-15ºC promovem a indução floral do abacateiro. En- tretanto, essa resposta é variável conforme o cultivar, em função da sua descendência, segundo Wolfe et al. (1942), que observou que abacateiros da raça antilhana não suportam temperaturas inferiores a -4,4ºC e são injuriadas consideravelmente a -2,8ºC, enquanto a maio- ria dos cultivares guatemalenses não suportam temperaturas abaixo de 6,1ºC, e alguns cultivares mexicanos, muito resistentes, suportam temperaturas inferiores a -7,7ºC. A temperatura do solo exerce, também, influência sobre o desen- volvimento do abacateiro e, da mesma forma, é variável conforme a raça. Yusof et al. (1969) observaram que abacateiros jovens da raça mexicana submetidos a três temperaturas de solo (21, 27 e 32ºC), apre- sentaram diferenças significativas nos seguintes parâmetros: massa fresca do sistema radicular, massa seca do caule e total e na altura

e circunferência do caule. Foi observado também que as diferentes

temperaturas influenciaram no status nutricional das folhas, pela maior ou menor absorção de macro e microelementos. De acordo com o relato de Bergh & Lahav (1996) um dos objetivos do melhoramento genético do abacateiro é a seleção de cultivares tole- rantes ao frio, visando à exploração econômica em regiões sujeitas a geadas. Estudos já comprovaram que existe uma grande variabilidade genética em relação à tolerância ao frio entre as raças e entre cultivares dentro das raças. Platt (1975) estabeleceu os limites de tolerância ao frio sob condições da Califórnia/EUA para o cultivar Fuerte que foi de -2,8ºC.

Toohill & Alexander (1979) ponderaram que a fixação de limites exa-

ECOFISIOLOGIA DO ABACATEIRO •

29

tos de tolerância ao frio é de difícil demarcação, visto que os danos causados a um cultivar são influenciados pelo grau e duração do frio e pelas condições fisiológicas da planta no momento da ocorrência das baixas temperaturas. Em trabalho de pesquisa realizado por Soares et al. (2002), em Capão Bonito/SP, avaliando a tolerância ao frio de diferentes cultivares de abacateiro foi concluído que os cultivares Fuerte, Jumbo, Ermor e Solano mostraram menor grau de injúria na copa. O cultivar Ermor foi o mais afetado pelas baixas temperaturas em relação à queda de fru- tos. Os autores indicaram os cultivares Fuerte e Solano para a região, devido ao baixo nível combinado de danos apresentados (injúrias e queda de frutos).

Radiação solar A radiação solar absorvida pela cultura do abacateiro interfere no ciclo vegetativo e no período de desenvolvimento do fruto, sendo de grande importância para o crescimento, floração e frutificação, daí a importância do manejo cultural, principalmente, em plantios muito adensados. Em decorrência do hábito de crescimento vigoroso da árvore, existe, geralmente, uma porcentagem relativamente alta de folhas sombreadas, em comparação com folhas ensolaradas. Dessa forma, grande parte das folhas localizadas no interior da copa recebe baixos níveis de luz, diminuindo a disponibilidade de carboidratos provocando, consequentemente, reduções no crescimento e produção. Uma maior penetração da luz na copa, como resultado da realização da poda, pode provocar um aumento significativo na produção, au- mento no calibre dos frutos e melhora a execução das outras práticas no pomar (Mena, 2005).

Umidade Relativa do Ar A umidade do ar durante o ciclo do abacateiro é muito importante, por favorecer o surgimento de doenças fúngicas. Quando altos valores de umidade relativa estão associados a temperaturas elevadas, ocorre uma maior incidência dessas doenças, tais como oídio e antracnose, provo- cando danos econômicos, podendo, inclusive, inviabilizar a produção comercial de frutos. Segundo Donadio (1992) as variedades antilhanas são mais adaptadas a locais com alta umidade, ou seja, acima de 70%.

30

ABACATE

Altitude A altitude está geralmente associada à temperatura, exercendo, desta forma, bastante influência sobre o ciclo produtivo do abacateiro pela alteração da época de maturação das diferentes variedades de abacateiro. No Estado de São Paulo, por exemplo, uma variedade pode ser colhida com até três meses de diferença, se for plantada no norte ou sul do estado, devido tanto ás variações de temperatura quanto a esse parâmetro e a latitude. Sentelhas et al. (1995), com base neste parâmetro e na latitude, temperatura média do ar e a necessidade de graus-dia de cada vari- edade (maturação precoce, meia-estação e tardia) determinaram as zonas climáticas de maturação para os três grupos de variedades de abacateiro no estado de São Paulo (Tabelas 1, 2 e 3). A determinação das zonas de maturação é um parâmetro técnico de relevância para os produtores de abacate, pois com base nele, poderão ser determinadas às épocas de colheita, bem como poderá melhorar a sazonalidade da oferta do produto no mercado, o que muito provavelmente acarretará em melhores preços de venda para o produto.

ECOFISIOLOGIA DO ABACATEIRO •

31

Tabela 1 - Duração média estimada do subperíodo “florescimento – maturação” (DFM), em dias, para variedades de abacateiro de matu- ração precoce, em função da latitude e da altitude, no Estado de São Paulo.

Alt.

Latitude (graus)

 

(m)

20,0 20,5 21,0 21,5 22,0 22,5 23,0 23,5 24,0 24,5 25,0

50

97

102 106

110

114

119

123

127

132 136

140

100

106

111

115 119

123

128

132

136

141 145

149

150

115

120

124 128

133

137

141

145

150 154

158

200

124

129

133 137

142

146

150

154

159 163

167

250

133

138

142 146

151

155

159

163

168 172

176

300

142

147

151 155

160

164

168

172

177 181

185

350

151

156

160 164

169

173

177

181

186 190

194

400

160

165

169 173

178

182

186

190

195 199

203

450

169

174

178 182

187

191

195

199 204 208 208 213 217 217 222 226 226 231 235 235 240 244 244 249 253

212

500

178

183

187 191

196

200

204

221

550

187

192 196 200

205

209

213

230

600

96

201 205 209

214

218

222

239

650

205

210 214 218

323

227

231

248

700

214

219 223 227

232

236

240

257

750

223

228 232 236

241

245

249

253 258 262 262 267 271 271 276 280 280 285 289 289 294 298 298 303 307 307 312 316

266

800

232

237 241 245

250

254

258

275

850

241

246 250 254

259

263

267

284

900

250

255 259 263

268

272

276

293

950

259

264 268 272

277

281

285

302

1000

268

273 277 281

286

290

294

311

1050

277

282 286 290

295

299

303

320

1100

286

291 295 299

304

308

312

316

321 325

329

Fonte: Sentelhas et al. (1995)

Ventos A presença de ventos constantes e fortes é prejudicial ao abacateiro tanto do ponto de vista fitossanitário quanto fisiológico. O vento em velocidade superior a 10 Km h -1 é prejudicial, favorecendo o surgi-

32

ABACATE

mento de doenças e ácaros. Na fisiologia, a presença de ventos acelera

a evaportranspiração das plantas, aumentando o consumo de água e em muitos casos, limitando a produção.

Tabela 2 - Duração média estimada do subperíodo “florescimento

– maturação” (DFM), em dias, para variedades de abacateiro de matu-

ração de meia-estação, em função da latitude e da altitude, no Estado

de São Paulo.

Alt.

Latitude (graus)

 

(m)

20,0 20,5

21,0 21,5 22,0 22,5 23,0 23,5 24,0 24,5 25,0

50

101

109

117

124 132

140

148

156

163

171

179

100

115

123

131

138 146

154

162

170

177

185

193

150

129

137

145

152 160

168

176

184

191

199

207

200

143

151

159

166 174

182

190

198

205

213

221

250

157

165

173

180 188

196

204

212

219

227

235

300

171

179

187

194 202

210

218

226

233

241

249

350

185

193

201

208 216

224

232

240

247

255

263

400

199

207

215

222 230

238

246

254

261

269

277

450

213

221

229

236 244

252

260

268

275

283

291

500

227

235

243

250 258

266

274

282

289

297

305

550

241

249

257

264 272

280

288

296

303

311

319

600

255

263

271

278 286

294

302

310

317

325

333

650

269

277

285

292 300

308

316

324

331

339

347

700

283

291

299

306 314

322

330

338

345

353

361

750

297

305

313

320 328

336

344

352

359

367

375

800

311

319

327

334 342

350

358

366

373

381

389

850

325

333

341

348 356

364

372

380

387

395

403

900

339

347

355

362 370

378

386

394

401

409

417

950

353

361

369

376 384

392

400

408

415

423

431

1000

367

375

383

390 398

406

414

422

429

437

445

1050

381

389

397

404 412

420

428

436

443

451

459

1100

395

403

411

418 426

434

442

450

457

465

473

Fonte: Sentelhas et al. (1995)

ECOFISIOLOGIA DO ABACATEIRO •

33

O fruticultor deve ter muito cuidado com a escolha da área de plantio. Além disso, o plantio de quebra-ventos é sempre aconselhável, para amortecer a velocidade dos ventos. Koller (2002) recomenda o plantio de quebra-ventos a uma distância de 8 metros dos abacateiros, mencionando as seguintes espécies que podem ser utilizadas para esta finalidade: pinus, grevíleas, eucaliptos e o próprio abacateiro de pé- franco.

34

ABACATE

Tabela 3 - Duração média estimada do subperíodo “florescimen- to – maturação” (DFM), em dias, para variedades de abacateiro de maturação tardia, em função da latitude e da altitude, no Estado de São Paulo.

Alt.

Latitude (graus)

 

(m)

20,0 20,5 21,0 21,5 22,0 22,5 23,0 23,5 24,0 24,5 25,0

50

146

156

165

175

185

195

205

214

224 234 244 240 249 259 255 265 275 271 280 290 286 296 306 302 311 321 317 327 337 333 342 352 348 358 368 364 373 383 379 389 399 395 404 414 410 420 430 426 435 445 441 451 461 457 466 476 472 482 492 488 497 507 503 513 523 519 528 538 534 544 554 550 559 569

100

161

171

181

191

201

210

220

230

150

177

187

196

206

216

226

236

245

200

192

202

212

222

232

241

251

261

250

208

218

227

237

247

257

267

276

300

223

233

243

253

263

272

282

292

350

239

249

258

268

278

288

298

307

400

254

264

274

284

294

303

313

323

450

270

280

289

299

309

319

329

338

500

285

295

305

315

325

334

344

354

550

301

311

320

330

340

350

360

369

600

316

326

336

346

356

365

375

385

650

332

342

351

361

371

381

391

400

700

347

357

367

377

387

396

406

416

750

363

373

382

392

402

412

422

431

800

378

388

398

408

418

427

437

447

850

394

404

413

423

433

443

453

462

900

409

419

429

439

449

458

468

478

950

425

435

444

454

464

474

484

493

1000

440

450

460

470

480

489

499

509

1050

456

466

475

485

495

505

515

524

1100

471

481

491

501

511

520

530

540

Fonte: Sentelhas et al. (1995)

ECOFISIOLOGIA DO ABACATEIRO •

35

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PRINCIPAIS VARIEDADES DE ABACATEIRO

I – INTRODUÇÃO

Dayana Portes Ramos 1 Aloísio Costa Sampaio 2

O abacateiro, Persea americana, é uma fruta tradicional do con- tinente americano, que em milhares de anos se foi multiplicando em milhares de diferentes linhas genéticas, sendo impossível hoje tentar uma lista completa de variedades. As principais características das variedades mais cultivadas indi- cam que o mercado brasileiro é amplamente abastecido em meados do ano, enquanto no início e no final da safra (janeiro-fevereiro e outubro- dezembro em São Paulo, respectivamente) há pouca oferta, a preços geralmente mais altos. Os produtores têm preferido selecionar varie- dades que produzem nos períodos de menor oferta, tornando menores as diferenças de preços entre as épocas (Donadio, 1995). As variedades locais são importantes por sua adaptação tanto às condições climáticas existentes, quanto à forma de utilização do fruto e outros hábitos de consumo, bem como por sua resistência às doen- ças e sua aparência, qualidade e conservação pós-colheita (Donadio,

1987).

Escolher a variedade certa para determinado local, não é fácil, pois há várias exigências climáticas, problemas de polinização, de- mora na maturação, exigências na qualidade do fruto e o mercado a ser abastecido. Sabendo da importância da escolha de uma variedade, este capítu- lo objetivou mostrar algumas variedades conhecidas, descrevendo as mais importantes, bem como apresentar características almejadas para estas. Procurou-se ainda mostrar os fatores que interferem no desen- volvimento das variedades, a fim de facilitar a escolha em relação ao mercado e qualidades da fruta.

1 Eng. Agrônoma, Mestranda pelo Departamento de Produção Vegetal-Horticultura, Faculdade de Ciências Agronômicas/FCA/UNESP – Cx. P. 237 – CEP 18610-307 - Botucatu, SP – pitchagro@yahoo.com.br. 2 Docente do Departamento de Ciências Biológicas, FC/UNESP – Cx. P. 473 – CEP 17033-360 - Bauru, SP e do Curso de Pós-graduação em Horticultura/FCA/UNESP – Botucatu, SP - aloísio@fc.unesp.br

38

ABACATE

II – CARACTERÍSTICAS ALMEJADAS NAS VARIEDADES

Escolher a variedade certa para determinadas regiões não é fácil, pois as exigências são muitas: polpa uniforme, de gosto agradável, sem fibra, que se descolora lentamente quando cortada, casca fina ou média de fácil remoção, cor atrativa, falta de manchas ou defeitos, forma ovalada regular, semente aderente à polpa, peso não excessivo, alto conteúdo de óleo. Bergh (1975), relata que a maioria dos mercados classificam como ideal, frutos com peso em torno de 300 g. Segundo Ceagesp (2007) os abacates são classificados como de alto teor de óleo quando possuem 20-25%, médio (12-15%) e baixo (5-10%). O rendimento de polpa é classificado, segundo Donadio (1987), em alto (+68%), médio (64-68%) e baixo (menos de 64%). Segundo Tango et al. (2004) a média geral que um abacate pode ter de casca e semente para não se tornar inviável para comercialização é de 31,4% e os teores de óleo acima de 18% são viáveis para a extração. Têm-se ainda as exigências de alto valor nutritivo, de capacidade de longa conservação e de resistência ao frio, além do vigor da planta, produtividade, resistência às pragas e doenças, fácil propagação, to- lerância aos ventos, à cal e à salinidade, continuidade da produção sem alternância anual, produção precoce ou tardia e adaptabilidade ao porta-enxerto. São tantos, pois, os requisitos da técnica, do ambiente e do mercado, que fica difícil encontrar em somente uma variedade to- das essas características (Maranca, 1980). Segundo Gustafson (1976), citado por Maranca (1980) seriam necessárias de 4 a 10 variedades para produzir e vender bem no mercado o ano todo. Tal proeza, se- gundo o autor, foi conseguida, na Califórnia, com híbridos mexicanos- guatemalenses, sendo apenas 5 as variedades recomendadas: Hass, cultivar que cobre 50% daquele estado norte-americano, Fuerte, com outros 26% da área, Bacon, com outros 11% da área, e outras culti- vares menores que cobrem o restante 13% da área do estado. Isso só foi possível porque, naquelas condições, a fruta dos cultivares citados se conservam na árvore por vários meses, sem amadurecer e perder- se. Já isso não acontece no Brasil e na Flórida, nos quais os frutos se conservam por pouco tempo na árvore (Maranca, 1980). No entanto, no Brasil deveria haver abacate o ano inteiro, em maior ou menor quantidade; mas de fato, a produção é limitada. No

PRINCIPAIS vARIEDADES •

39

estado de São Paulo, o abacateiro floresce de maio a dezembro, depen- dendo da região e especialmente da altitude, sendo mais intensamente de julho a outubro. A maior produção vai de fevereiro a julho, com maior escassez de outubro a janeiro. É difícil dizer quais os cultivares escolher em condições tão diferenciadas como as que apresentam o Brasil. Por outro lado são tão grandes as possibilidades no país, que muita coisa poderia ser feita, por enquanto aproveitando os cultivares já introduzidos, experimentados e mais comuns (Maranca, 1980).

III – DESCRIÇÃO DAS VARIEDADES

A espécie Persea americana pode ser dividida em três raças de ori-

gens diferentes, na qual cada raça possui características específicas.

A Raça Antilhana reúne os abacateiros conhecidos como “comum”

ou “manteiga”, onde são procedentes das regiões baixas das Américas Central e do Sul. É a menos resistente ao frio, danificando-se com temperaturas inferiores a -2ºC. Os frutos possuem pedúnculos curtos,

casca lisa, coriácea, com cerca de 1,5 mm de espessura e polpa com

baixo teor de óleo. As sementes são de tamanho relativamente grande e normalmente, encontram-se soltas na cavidade. Os cultivares desta raça amadurecem os frutos geralmente no verão, sendo portanto, os mais precoces (Campos, 1984).

A Raça Guatemalense é originária das regiões altas da América

Central, seus representantes são mais resistentes ao frio que os da Anti-

lhana. Os frutos são grandes, com pedúnculos compridos, casca grossa, com 1,5 a 3,0 mm de espessura, geralmente rugosa. A maturação se completa, conforme a variedade, de maio a novembro. O caroço ocupa toda a cavidade que o contém. O teor de óleo na polpa é médio, em torno de 12%. Possui folhas mais verde intenso do que as Antilhanas (Campos, 1984).

A Raça Mexicana é originária das regiões altas do México e da

cordilheira. È a mais resistente ao frio, suportando temperaturas próxi-

mas a -6ºC. Tem como característica o cheiro de anis nas folhas e flores, quando esmagados. Os frutos são geralmente pequenos, com pedúnculo curto, possuem alto teor de óleo. Os frutos amadurecem nos meses quentes do ano, geralmente de dezembro a fevereiro (Campos,

1984).

40

ABACATE

Além dessas raças, têm-se as variedades híbridas resultantes de cruzamentos entre as diferentes raças. No Brasil, é grande o número dessas variedades exploradas com sucesso comercial. Bertanha, Er- mor, Herculano, Paulista, Solano e Vitória são variedades híbridas gua- temalense-antilhano pouco conhecidas, mas que se mostram bastante promissoras, principalmente a Ermor, considerada a maior produtora de todas as variedades conhecidas (Campos, 1984). Maranca (1980) classifica as variedades de abacate basicamente em duas categorias principais: as de clima tropical (como Lula, Col- linson, Taylor, Pollock, Booth-8, Waldin) e as de clima subtropical (como Fuerte, Hass, Bacon, Zutano, Reed, Ettinger). As primeiras são geralmente variedades da raça antilhana, da raça guatemalense, e/ou híbridos das duas; as variedades de clima subtropical são das raças mexicana ou guatemalense, ou híbridos das duas, podendo citar a Hass e a Fuerte. Para Donadio (1995) as variedades do abacateiro agrupam- se em variedades para exportação e para consumo interno. No Brasil, entretanto, as variedades de exportação são pouco aceitas no mercado interno, o que reduz as possibilidades de cultivo. As variedades desti- nadas ao consumo interno baseiam-se em seleções locais, geralmente de frutos grandes com baixo teor de óleo, na sua maioria das raças antilhana, ou híbridos destas. A maioria dos países vem utilizando a seleção de híbridos locais como meio de obtenção de novos cultivares. Assim, foram obtidas diversas variedades tardias no Brasil (Gonçalves, 1999, citado por Bruckner 2002), que tem sido plantadas em escala comercial em alguns locais, tais como Geada, Quintal, Fortuna, Ouro Verde, Solano, Tatuí, Dourado, Margarida, Reis e Campinas. Segundo a Ceagesp (2007), as variedades que estão sendo comercializadas em São Paulo são Fucks, Geada, Margarida, Ouro Verde, Breda, Fortuna, Quintal e Hass.

1 – Variedades com destino ao mercado interno

Fortuna É um híbrido antilhano, do grupo floral A, muito comum no Estado de São Paulo, especialmente na região de Mogi-Mirim, aconselhado pelo IAC (1972). Possui fruto grande e bonito, de formato piriforme, pesando de 600 a 800 g (Donadio, 1987). O período de colheita varia

PRINCIPAIS vARIEDADES •

41

de maio a agosto, no entanto a Ceagesp (2007) cita que essa variação

é

de fevereiro a junho e que a polpa do fruto é amarela sem fibras

e

a casca é verde lisa, com espessura média. Como inconvenientes

possui sabor aguado, baixo conteúdo de óleo, que faz a fruta menos conservável, pouca resistência à podridão do pé (Phytophtora spp) e rápido envelhecimento. Apesar disso tem uma boa comerciabilidade, alto rendimento (25 caixas/planta) e boa resistência à ferrugem (Ma- ranca, 1980). Sabendo da dificuldade de se conservar o fruto desse híbrido, Ger- mano et al. (1996) estudaram o uso de dose de radiações gama do Cobalto-60 e observaram que houve um prolongamento dos dias de vida de prateleira quando os frutos foram irradiados com 75 e 100 Gy

e depois mantidos em condição ambientes. Segundo Campos (1984) esse híbrido tem ótima aceitação no mer- cado interno e boa produtividade, boa resistência às doenças e ao trans- porte e alto rendimento de polpa. Tango et al. (2004) caracterizaram frutos de variedades de abacateiro e observaram para esse híbrido um alto rendimento de polpa (75,7%); 12,5% de caroço; 11,8% de casca e 24,3% de caroço e casca. Em relação à porcentagem de óleo apresentou um valor baixo (5,9%) e um alto valor de umidade (87,2), não sendo viável para extração de óleo.

umidade (87,2), não sendo viável para extração de óleo. Figura 1 – Abacate do cultivar Fortuna

Figura 1 – Abacate do cultivar Fortuna (Pratânea-SP). (Foto: Dayana Portes Ramos)

42

ABACATE

Quintal É um híbrido antilhano-guatemalense, do grupo floral B, menos popular que o anteriormente citado, também aconselhado pelo IAC (1972). A árvore é menos produtiva (8 caixas/planta), mas a madeira resiste bem à carga dos frutos, dispensando o custoso escoramento. A fruta possui casca fina, com poucas manchas pretas (Maranca, 1980). Seu período de colheita varia de abril a junho, possui alto rendimento de polpa (68%), sendo a polpa amarela sem fibras (Ceagesp, 2007), baixa porcentagem de óleo, frutos oblonga, com pescoço, pesando 400-600 g (Donadio, 1987). Tango et al. (2004) observaram para esse híbrido o mais alto rendimento de polpa (81,3%) e as menores proporções de caroço e casca, respectivamente: 10,1 e 8,6%, quando comparado a outras variedades. Em relação à porcentagem de óleo apresentou um valor médio (14,7%) e valor de umidade de 77,4%. A composição em ácidos graxos foi de: palmítico - 19,0%, palmitoléico – 7,6%, esteárico: 0,5%, oléico – 65,2% e linoléico – 9,3%. Segundo Campos (1984) esse híbrido tem boa aceitação no mer- cado interno, ótima produtividade, boa resistência às doenças e regular resistência ao transporte. Germano et al. (1996) objetivando aumen- tar a vida de prateleira, devido a sua pouca resistência ao transporte, estudou doses de irradiação e observou que ‘Quintal’ não respondeu às radiações, porém se conservou significativamente melhor quando mantido em local refrigerado (12-13,5ºC; UR: 45-55%).

mantido em local refrigerado (12-13,5ºC; UR: 45-55%). Figura 2 – Abacate do cultivar Quintal (Pratânea-SP).

Figura 2 – Abacate do cultivar Quintal (Pratânea-SP). (Foto: Dayana Portes Ramos)

PRINCIPAIS vARIEDADES •

43

Solano

É um híbrido antilhano-guatemalense, de maturação tardia, onde

a colheita ocorre de agosto a novembro. Apresenta mais resistência ao

frio que outras, devido à descendência da raça guatemalense ou mexi- cana. O cultivar se desenvolveu, bem ao sul-oeste do Estado de São Paulo, na divisa com o Paraná, na zona de Itararé (Donadio, 1987). O fruto é verde escuro, com formato piriforme (Donadio, 1987), com casca dura pontilhada, comprimento de até 11-12 cm e peso de 700 g a 1 kg ou mais, ou seja, grande demais para as normas de exi- gências e possibilidades do mercado. Não obstante o inconveniente do tamanho, a casca é dura e a resistência da fruta a embalagem e ao transporte é baixa. Apresenta polpa amarela, abundante e aromática, com pouco óleo. As sementes não são muito grandes e nem se desta- cam facilmente, o que constitui uma qualidade comercial positiva (Maranca, 1980). No conjunto, o fruto não é muito bem aceito, possuindo caracterís- ticas da raça antilhana, como polpa muito aguada, pouco óleo, doce, pouco conservável; mas com a vantagem da resistência ao frio e da maturação tardia, quando o consumidor está apto a pagar melhores preços pela fruta (Maranca, 1980).

Ouro verde

É um híbrido antilhano-guatemalense, do grupo floral A, que tem

ótima aceitação no mercado interno e boa resistência ao transporte (Campos, 1984). O seu período de colheita varia de julho a setembro

(Donadio, 1987). Possui fruto elíptico, pesando 500-700 g, alto rendimento de polpa

e média porcentagem de óleo (Donadio, 1987). Tango et al. (2004)

citam um alto rendimento de polpa (73,7%); 12,7% de caroço; 13,6% de casca e 26,3% de caroço e casca. Em relação à porcentagem de óleo apresentou alto valor (19,9%) e uma umidade de 70,4%, sendo estas características viáveis para extração de óleo. A composição em ácidos graxos foi de: palmítico - 18,3%, palmitoléico – 6,8%, esteárico: 0,5%, oléico – 60,6% e linoléico – 13,2%. Soares et al. (2002) estudando tolerância de cultivares a baixa tem- peratura (-2,8ºC), em Capão Bonito, observaram que essa variedade

apresentou 65% de injúrias na copa.

44

ABACATE

Dourado

É um híbrido antilhano-guatemalense, do grupo floral A, originário

de Arapongas-PR, que apresenta fruto orbicular, pesando 580 g, com médio rendimento de polpa e média porcentagem de óleo. O período de colheita ocorre de outubro a dezembro (Donadio, 1987). Segundo Carvalho et al. (1983) as características mais marcantes desse híbrido são a polpa de coloração amarelo forte, a relativa tolerância às baixas temperaturas e a produção concentrada nos meses de outubro-novem- bro, no norte do Paraná. Carvalho et al. (1983) estudando algumas características físicas e químicas dos frutos do abacateiro ‘Margarida’ e ‘Dourado’, no Norte do Paraná observaram para o híbrido Dourado que o peso médio do fruto foi de 580,34 g, no qual a polpa pesou 420,75 g (72,5%), o caroço 97,04 g (16,7%) e a casca 62,55 g (10,8%), ou seja, observou-se um alto rendimento de polpa, diferente do que foi relatado por Donadio (1987). A composição química da planta constituiu-se de 77,7% de umidade; 1,70% de cinzas totais; 1,40% de proteína bruta e 16,10% de extrato etéreo.

Margarida

É um híbrido antilhano guatemalense, do grupo floral B, originário

de Arapongas-PR. Segundo Carvalho et al. (1983) esse híbrido tem se destacado pela tolerância às baixas temperaturas e pela época de matu- ração tardia que, nas condições do Norte Paranaense, ocorre nos meses de novembro e de dezembro. Soares et al. (2002) estudando tolerância de cultivares às baixas temperaturas, observaram que essa variedade

apresentou 40% de injúrias na copa e 30% de queda dos frutos. Possui fruto obvocado, pesando 750 g, com médio rendimento de polpa e baixa porcentagem de óleo (Donadio, 1987). A casca é verde rugosa, espessa e a polpa amarela sem fibras (Ceagesp, 2007). Car-

valho et al. (1983) observaram que o peso médio do fruto foi de 750,2 g, na qual a polpa pesou 572,36 g (76,3%), o caroço 119,46 g(15,9%) e

a casca 58,36 g (7,8%). A composição química da planta constituiu-se

de 76,3% de umidade, 1,30% de cinzas totais, 1,20% de proteína bruta

e 12,60% de extrato etéreo.

PRINCIPAIS vARIEDADES •

45

PRINCIPAIS vARIEDADES • 45 Figura 3 – Abacate do cultivar Margarida (Pratânea-SP). (Foto: Dayana Portes Ramos)

Figura 3 – Abacate do cultivar Margarida (Pratânea-SP). (Foto: Dayana Portes Ramos)

Reis

É um híbrido antilhano-guatemalense, do grupo floral B, cujo

período de colheita varia de agosto a setembro. Possui fruto piriforme, com pescoço, pesando 700-800 g, com alto rendimento de polpa e baixa porcentagem de óleo (Donadio, 1987).

Soares et al. (2002) estudando tolerância de cultivares à baixa tem- peratura, observaram que essa variedade apresentou 40% de injúrias na copa e 20% de queda dos frutos.

Campinas

É um híbrido antilhano-guatemalense, do grupo floral B, que pos-

sui fruto elíptico, pesando 600-700 g, alto rendimento de polpa e média

porcentagem de óleo. O período de colheita pode variar de setembro a outubro (Donadio, 1987). Soares et al. (2002), estudando tolerância de cultivares à baixa temperatura, observaram que essa variedade apresentou 25% de in- júrias na copa, porém elevada taxa de queda de frutos (80%).

Geada

É uma variedade da raça antilhana, do grupo floral B, cujos frutos

46

ABACATE

são piriforme-elípticos, pesando 600-750 g, com alto rendimento de polpa e baixa porcentagem de óleo. O período de colheita ocorre de janeiro a fevereiro (Donadio, 1987), porém a Ceagesp (2007), cita esse período como sendo de novembro a abril e comenta que o fruto tem a polpa amarela com poucas fibras e a casca verde lisa, com espessura fina.

Soares et al. (2002) estudando tolerância de cultivares às baixas temperaturas, observaram que essa variedade apresentou quase 100% de injúria na copa, devido ser da raça antilhana, ou seja, não suportar baixas temperaturas.

Ryan

É um híbrido mexicano-guatemalense, pertencente ao grupo floral

B, de produção tardia. Apresenta má aceitação no mercado interno, estando voltado mais para o mercado externo. Tem ótima produtivi- dade; boa resistência às doenças e ao transporte; médio rendimento de

polpa e alta porcentagem de óleo (Campos, 1984). Gómez Lopes (2002), caracterizando frutos de variedades de aba- cate, na Venezuela, observou para o fruto peso de 146,46 g, altura de 8,48 cm e diâmetro de 5,92 cm. Apresentou 64,85% de polpa, 22,41% de caroço e 12,74% de casca.

Breda

É um híbrido antilhano-guatemalense, do grupo floral A, que pos-

sui fruto de tamanho médio (400-600 g), elíptico, com casca lisa fina

e polpa amarela sem fibras. A época de produção é tardia, variando de junho a dezembro. Apresenta um alto valor comercial, porém a produção é alternante (Ceagesp, 2007). Soares et al. (2002) observaram que essa variedade apresentou 100% de injúrias na copa, mostrando que esse híbrido apresenta mais características da raça antilhana, do que guatemalense.

PRINCIPAIS vARIEDADES •

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PRINCIPAIS vARIEDADES • 47 Figura 4 – Abacate do cultivar Breda (Pratânea-SP). (Foto: Dayana Portes Ramos)

Figura 4 – Abacate do cultivar Breda (Pratânea-SP). (Foto: Dayana Portes Ramos)

Pollock Originou-se da Flórida/EUA e começou a propagar-se comercial- mente no início do século, sendo ainda hoje uma das melhores varie- dades antilhanas. O fruto é alongado, piriforme, grande, pesando de 0,5 a mais de 1 kg; é verde brilhante, com superfície lisa, polpa amarela, semente grande, algumas vezes solta na cavidade. O conteúdo de óleo na polpa é baixo, tendo cerca de 5% (Maranca, 1980). Bleinroth (1978), Fersini (1975), Montenegro (1956) e Tango et al. (1969/70) estudaram a caracterização de frutos e observaram que os frutos pesaram 530,70 g, 890-1000 g, 775,2 g e 719,7 g, respectiva- mente. Os mesmos autores também encontraram baixa porcentagem de óleo, porém os valores variaram um pouco, na qual Fersini (1975) observou 6,10%, Medina et al. (1978): 7,54%, Lucchesi e Montenegro (1975): 7,90 e Tango et al. (1969/70): 13,40%. Os últimos autores em 2004 encontraram para essa variedade um valor mais baixo, quando comparado às outras variedades (5,3%) e o valor mais alto de umidade (87,9%), tornando-se inviável para extração de óleo. A composição em ácidos graxos foi de: palmítico - 22%, palmitoléico – 8,6%, esteárico:

0,4%, oléico – 57,7% e linoléico – 13,1%. Na Flórida é a variedade de maior precocidade de maturação

48

ABACATE

(metade de julho a fins de setembro). No estado de São Paulo é uma das cultivares mais importantes, pois amadurece em janeiro e feve- reiro, com produções constantes. A fruta resiste à refrigeração discretamente a 5,5ºC. Soares et al. (2002) estudando tolerância de cultivares à baixa temperatura, obser- varam que essa variedade apresentou 100% de injúrias na copa, sendo pouco resistente. Esta variedade confirmou sua elevada produtividade em pesqui- sas realizadas na Venezuela (Maranca, 1980). Campos (1984), dis- corda, citando que essa variedade tem pequena produtividade, ótima aceitação no mercado interno, ótima resistência às doenças, regular resistência ao transporte e alto rendimento de polpa. Bleinroth (1978), Montenegro (1956) e Tango et al. (1969/70) obtiveram alto rendimento de polpa, respectivamente: 80,4%, 80,9% e 78,7%. Tango et al. (2004) também encontraram um alto rendimento de polpa, porém um pouco mais baixo que os outros autores (73,1%); 12,8% de caroço; 14,1% de casca e 26,9% de caroço e casca.

Waldin É uma variedade antilhana, originária da Flórida, do grupo floral A, que se pode alternar no plantio com a Pollock, coincidindo aproxi- madamente o período de floração. No estado de São Paulo amadurece em fevereiro-março e até em abril, com produtividade elevada e cons-

tante, sendo necessário às vezes fazer o raleamento para que os frutos não fiquem pequenos demais e com defeitos. A fruta não resiste bem

à refrigeração (Maranca, 1980). Tem fruto ovalado, mais curto e arredondado que ‘Pollock’, ca- racteristicamente achatado de um lado na parte terminal, de tamanho médio a grande, pesando 400 a 800 g; com casca suave, verde clara

a cinzenta amarelada, polpa amarela de bom aroma, semente média

a grande, quase presa à cavidade, conteúdo de óleo de 5 a 10% (Ma-

ranca, 1980). Gómez Lopes (2000), caracterizando frutos de varie- dades de abacate, na Venezuela, observou para o fruto peso de 176,28

g, altura de 8,56 cm e diâmetro de 6,30 cm. Apresentou 63,63% de

polpa, 25,93% de caroço e 10,44% de casca. Em relação ao teor de óleo, Medina et al. (1978) observaram um valor de 10,05%; Lucchesi

e Montenegro (1975): 10,0% e Tango et al. (1969/70): 6,9%. Tango et

PRINCIPAIS vARIEDADES •

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al. (2004) também encontraram valor nesse intervalo (9,6%) e 81,7% de umidade. A composição em ácidos graxos foi de: palmítico - 29%, palmitoléico – 8,2%, esteárico: 0,4%, oléico – 47,0% e linoléico – 14,3%. Em relação à porcentagem de polpa, apresentou médio ren- dimento (61,4%); 25,1% de caroço; 13,5% de semente e 38,6% de casca e semente.

Simmonds

É uma velha variedade antilhana, do grupo floral A, originada da

Flórida. Possui o fruto grande, com formato elíptico e com casca verde amarelada, lisa, atrativa, com polpa de excelente qualidade e produção abundante, sem alternância anual (Maranca, 1980).

Segundo Campos (1984) tem boa aceitação no mercado interno, boa produtividade, boa resistência às doenças, regular resistência ao transporte, alto rendimento de polpa e baixa porcentagem de óleo. Ou- tros autores também encontraram baixa porcentagem de óleo, porém os valores variaram um pouco, no qual Medina et al. (1978) obser- varam 3,86%, Lucchesi e Montenegro (1975): 6,60%, e Tango et al. (1969/70): 10,20%. Bleinroth (1978) observou que os frutos dessa variedade apresen- taram peso médio de 400,40 g; 66,30% de polpa e 24,48% de caroço; no entanto Tango et al. (1969/70) encontrou 551 g, 69,30% e 15%, respectivamente. Em 2004, Tango et al. encontraram valores seme- lhantes, nos quais observaram 71,8% de polpa; 14,7% de caroço; 13,5% de casca e 28,2% de casca e semente. Em relação à porcentagem de óleo, apresentou um valor baixo (7,2%) e um alto valor de umidade (84,0%), não sendo está característica viável para extração de óleo. A composição em ácidos graxos foi de: palmítico – 26,3%, palmitoléico – 10,3%, esteárico: 0,5%, oléico – 47,1% e linoléico – 14,0%. Soares et al. (2002) estudando tolerância de cultivares à baixa tem- peratura, observaram que essa variedade apresentou 100% de injúrias na copa, mostrando a baixa resistência às baixas temperaturas.

Linda

É uma variedade guatemalense do grupo floral B, comum na zona

entre Limeira e Ribeirão Preto, assim com na de Valinhos, no estado

de São Paulo, amadurecendo de julho a agosto, com elevada produ-

50

ABACATE

tividade. A fruta é de qualidade boa a excelente, com casca purpúrea quando madura, de tamanho grande, com peso de 700-800 g, semente pequena; a forma elíptica, a casca dura e lenhosa, a polpa sem fibra (Maranca, 1980). Alguns autores, estudando o peso dos frutos, en- contraram valores bem próximos ao intervalo acima, onde Bleinroth (1978) verificou frutos pesando 853,50 g, Fersini (1975): 890-1000 g, Montenegro (1956) e Tango et al. (1969/70): 641 g. Segundo Campos (1984), essa variedade tem boa aceitação no mercado interno, regular resistência às doenças, ótima resistência ao transporte, alto rendimento de polpa e porcentagem de óleo. Bleinroth (1978) e Montenegro (1956) observaram 73,3% de polpa, e Tango et al. (1969/70): 65%. Em relação à proporção de caroço, Bleinroth (1978) e Montenegro (1956) observaram valor de 13% e Tango et al. (1969/70):

25%. Tango et al. (2004) relataram que frutos apresentaram 69,6% de

polpa; 15,7% de caroço; 14,7% de casca e 30,4% de casca e semente. Fersini (1975), observou frutos com 12,20% de óleo, Medina et al. (1978): 7,54%, Lucchesi e Montenegro (1975): 12,30 e Tango et al. (1969/70): 15,20%. Em 2004, Tango et al. (2004) encontraram 7,7% de lipídeos e 86,2% de umidade, ou seja, inviável para extração de óleo. A composição em ácidos graxos foi de: palmítico – 18,9%, palmitoléico

– 7,1%, esteárico: 0,4%, oléico – 58,8% e linoléico – 12,9%.

Wagner É uma variedade guatemalense do grupo floral A, comum nas zo-

nas de maior altitude do estado de São Paulo, onde frutifica de agosto

a setembro. Apresenta porte alto, boa produtividade, fruto pequeno

arredondado, de polpa amarela, com bom aroma, casca corrugada de cor verde, peso de 450 g, que permanece na árvore por muito tempo (Maranca, 1980). Bleinroth (1978) encontrou frutos pesando 312,2 g;

Fersini (1975): 220-340 g, Montenegro (1956): 400,3 g e Tango et al. (1969/70): 344 g. Segundo Campos (1984) essa variedade tem má aceitação no mer- cado interno, má resistência às doenças, ótima resistência ao trans- porte, baixo rendimento de polpa e alta porcentagem de óleo. Blein- roth (1978) observou frutos com rendimento de polpa de 59,55%, Montenegro (1956): 67,44% e Tango et al. (1969/70): 62,70. Tango

et al. (2004) observaram 65,2% de polpa, 24,5% de caroço, 10,3% de

PRINCIPAIS vARIEDADES •

51

casca e 34,8% de caroço e casca. Em relação ao teor de óleo Fersini (1975) observou 16,0%, Medina et al. (1978): 20,80%, Lucchesi e Montenegro (1975): 18,70 e Tango et al. (1969/70): 24,80%. Tango

et al. (2004) encontraram nos frutos 20,6% de óleo e 71,6% de umi-

dade, sendo viáveis para a extração de óleo. A composição em ácidos graxos foi de: palmítico - 23,2%, palmitoléico – 7,8%, oléico – 58,9% e linoléico – 10,1%.

Prince

É uma variedade guatemalense, do grupo floral B, com fruto médio

de boa qualidade. A árvore é vigorosa, de boa e constante produtivi- dade e apresenta a maior precocidade entre as variedades desta raça, começando a amadurecer em julho. Prospera bem na região entre Ri- beirão Preto e Limeira, no estado de São Paulo, em zonas frescas e ventiladas, relativamente mais altas, sendo uma das mais importantes no estado (Maranca, 1980). Segundo Campos (1984), essa variedade tem boa aceitação no mercado interno, regular resistência às doenças, ótima resistência ao transporte, alto rendimento de polpa e porcentagem de óleo. Bleinroth (1978) e Montenegro (1956) encontraram 74% de rendimento de polpa e Tango et al. (1969/70): 69,30. Bleinroth (1978) encontrou como peso dos frutos 825,9 g, Montenegro (1956): 669,16 g e Tango et al. (1969/70): 551 g.

Collinson

É um híbrido guatemalense-antilhano do grupo floral A, aconse-

lhado pelo IAC (1972) e seguramente uma das melhores variedades (Maranca, 1980). Amadurece no estado de São Paulo, em maio e junho.

O fruto é grande, com 600 g, ovalado, de casca lisa e coriácea, verde

brilhante (Maranca, 1980). Bleinroth (1978) observou frutos pesando 612,10 g, Fersini (1975): 560 g, Medina et al. (1978): 600 g, Monte- negro (1956): 628,50 g e Tango et al. (1969/70): 458,3 g. È a única variedade conhecida que não produz pólen, devendo ser plantada com árvores dos grupos A e B. A produtividade é boa e constante, com polpa de ótima qualidade, mas de difícil conservação (Maranca, 1980). Em relação ao rendimento da polpa os autores encontraram eleva- do rendimento, na qual Bleinroth (1978) encontrou 71,8%, Medina et

52

ABACATE

al. (1978): 78%, Montenegro (1956): 78,5% e Tango et al. (1969/70):

66,3%. Tango et al. (2004) obtiveram 73,0% de polpa, 16,8% de caroço, 10,2% de casca e 27% de casca e semente. Com relação ao teor de óleo,

os autores encontraram média porcentagem de óleo, no qual Lucchesi

e Montenegro (1975) encontraram 13,00% e Tango et al. (1969/70):

11,50%. Tango et al. (2004) encontraram alta porcentagem de óleo (21,2%) e 67,9% de umidade, sendo viável para a extração de óleo. A

composição em ácidos graxos foram: palmítico - 20,6%, palmitoléico

– 2,9%, esteárico: 0,7%, oléico – 63,1% e linoléico – 11,8%.

Fuchs

É também conhecida como Fuchsia, sendo difundida em São

Paulo. Pertence ao grupo floral A e tem fruto grande de 500 g ou 1 kg, em formato de pêra, com casca coriácea, fina, lisa, verde brilhante

(Maranca, 1980) e polpa amarela, com fibras. O período de colheita varia de janeiro a março (Ceagesp, 2007).

Lula

É uma variedade criada na Flórida/EUA cerca de meio século

atrás, de uma semente de variedade guatemalense fertilizada por pólen desconhecido. No estado de São Paulo proporciona alta produtivi- dade, com maturação de maio a junho. É variedade do grupo floral A.

O freqüente odor de anis nas folhas, faz pensar que se trate de uma

variedade mexicana. O fruto é piriforme, geralmente com pescoço,

de médio tamanho, pesando de 400 a 700 g, casca lisa ou levemente

granulada, de cor verde clara, bonita. Polpa excelente, semente grande, presa à cavidade; conteúdo de óleo de 6 a 15% (Maranca, 1980). Ou- tros autores também encontraram esse intervalo, entre os quais Hulme (1971) observou 13,6% de óleo e Medina et al. (1978) 16,6%. A fruta se presta bem para refrigeração. O inconveniente desta variedade é a susceptibilidade à verrugose das folhas e frutos (Maran-

ca, 1980). Gómez Lopes (2002) caracterizou frutos de variedades de

abacate, na Venezuela e observou que o peso dos frutos foi de 336,84

g, com altura de 13,16 cm e diâmetro de 7,88 cm. Apresentou um ren-

dimento de polpa de 55,68%, 31,77% de caroço e 12,54% de casca.

Puebla

PRINCIPAIS vARIEDADES •

53

É uma variedade mexicana, do grupo floral A, que amadure em

janeiro-fevereiro, com fruto médio de boa qualidade, ovalado, pesando 150 a 350 g, polpa amarela de bom aroma. Pode desenvolver-se em zonas mais frescas dos estados sulinos (Maranca, 1980). Fersini (1975) observou alta porcentagem de óleo (19,5%) e Medina et al. (1978) mé- dia (10,8-11,9%). Gómez Lopes (2000), caracterizando frutos de va-

riedades de abacate, na Venezuela, observou que o fruto pesou 106,96 g, com altura de 7,90 cm e diâmetro de 4,72 cm. Apresentou 63,23% de polpa, 26,00% de caroço e 10,78% de casca.

Gottfried

É outra variedade mexicana, do grupo floral A, cujo amadureci-

mento vai de dezembro a fevereiro. Possui fruto de casca purpúrea, polpa amarela, fruto grande, com peso variando de 250 a 500 g (Ma- ranca, 1980).

Booth 8

É uma variedade originária da Flórida/EUA em 1920, difundida

em muitos países latino-americanos com sucesso. Apresenta árvore vigorosa de porte aberto, com enorme produtividade. A alternância da produção é freqüente, como conseqüência da excessiva carga. Os frutos aparecem em grupos; são oblongo-ovalados, pequenos a médios, pesando desde 250 até 800 g; casca mais ou menos verde, um pouco áspera, espessa e de consistência lenhosa; polpa creme claro, semente de médio tamanho, presa a cavidade; teor em óleo de 6 a 12%. A fruta resiste moderadamente à refrigeração. Nascida de uma semente de variedade guatemalense, provavelmente polinizada por variedade antilhana, é do grupo floral B (Maranca, 1980).

Itzamna

É uma variedade guatemalense, do grupo floral B, hoje pouco di-

fundida no Brasil, ao contrário de muitos outros países do continente. No estado de São Paulo, amadurece em agosto-outubro, isto é, mais tarde que as outras variedades guatemalenses, sendo considerada como uma das variedades mais tardias, com fruto de excelente qualidade. Tais características poderiam fazê-la merecedora de maior difusão,

54

ABACATE

futuramente no país; porém deve-se observar seu comportamento em

relação às doenças, fator que limitou sua extensão em países onde foi cultivada em condições ecológicas não ideais (Maranca, 1980). Segundo Tango et al. (2004) encontraram baixo rendimento de polpa (58,3%), 19,7% de caroço, 22,0% de casca e 41,7% de caroço

e

casca. Apesar disso apresentou alta porcentagem de óleo (20,7%)

e

69,2% de umidade, sendo viável para a extração de óleo. A com-

posição em ácidos graxos foi de: palmítico – 24,2%, palmitoléico – 5,8%, esteárico: 0,4%, oléico – 47,3% e linoléico – 21,2%. Tango et al. (1969/70) e Medina et al. (1978) encontraram valores menores, 14,5% e 7,4%, respectivamente.

Princesa

É uma variedade antilhana, do grupo floral A, difundida na zona

de Limeira, juntamente com ‘Linda’ e ‘Simmonds’, amadurecendo em março, com produtividade constante (Maranca, 1980).

Taylor

É considerada uma das melhores variedades guatemalenses, do

grupo A, de boa produtividade, com fruto pequeno. Amadurece em agosto. Seu comportamento deve ser estudado em cada região, para

polinização da variedade Linda, que começa sua floração um pouco

mais tarde, prolongando-se quinze dias ou mais depois de terminada

a das outras variedades do grupo A. O fruto é piriforme, um pouco

ovalado, pesando de 350 a 500 g, com casca verde escura granulada, polpa amarela, semente média, presa à cavidade, médio conteúdo de óleo, de 12 a 17%. Hulme (1971) e Lucchesi e Montenegro (1975) ob- servaram o mesmo (12%). O sabor e o aroma são excelentes (Maranca, 1980). Fersini (1975) observou frutos pesando 350-500 g, Medina et

al. (1978): 370 g, Montenegro (1956): 370,3 g. Em relação ao rendi- mento da polpa, observou valor médio, na qual, Medina et al. (1978)

e Montenegro (1956) encontraram 66,2% de polpa. A árvore produz já

nos primeiros anos de plantio, mas a carga não é sempre constante. A preferência desta variedade é para clima mais ameno, cujo fruto resiste bem à conservação refrigerada. Sua difusão ficou um pouco limitada

devido a se adaptar em ambientes mais frios (Maranca, 1980).

PRINCIPAIS vARIEDADES •

2 – Variedades para exportação

55

Quanto às variedades destinadas à exportação, em que pese à seleção ou mesmo a obtenção de novas variedades mediante hibrida- ção, principalmente na Califórnia/EUA, as duas variedades mais im- portantes na maioria dos países exportadores ainda são a Fuerte e a Hass, originadas de polinização aberta, não controlada.

Fuerte

É um híbrido guatemalense-mexicano, exigente em clima mais

ameno e localização com altitude elevada. É aconselhado oficialmente no estado de São Paulo, com fruto de polpa manteigosa excelente e

aromática. O inconveniente, que está limitando sua área de difusão é

a produção alternada, com anos de carga reduzida. Apesar de ser do

grupo floral B, a plantação alternada com outras variedades pode ser freqüentemente dispensada, em condições climáticas normais, pois esta variedade consegue freqüentemente autopolinizar-se. É também

a variedade mais difundida em Israel (Maranca, 1980).

A casca é flexível, elástica, de cor verde, sem brilho. A polpa não

possui fibras, mas é firme. A semente tem tamanho pequeno a médio, cônica e aderente à polpa. O fruto é facilmente descascável e resistente ao transporte. Registra-se nesta variedade a tendência à produção de

frutos sem sementes, pequenos, de pouco ou nenhum valor comercial (Donadio, 1995).

de pouco ou nenhum valor comercial (Donadio, 1995). Figura 5 - Abacate do cultivar Fuerte (Bauru

Figura 5 - Abacate do cultivar Fuerte (Bauru - SP). (Foto: Vítor Carvalho)

56

ABACATE

Young (1965), na Califórnia, objetivando aumento na vida de prateleira do fruto, irradiou frutos no estágio pré-climatérico com do- ses de 50 a 100 Gy e verificou que amadureceram normalmente, ainda que alguns dias mais tarde que as testemunhas. Kahan et al. (1968) irradiaram abacates uniformemente maduros em intervalos maiores entre colheita e irradiação, na qual retardaram mais o amadurecimento. Observaram ainda que a dose de 150 Gy causou ligeiro escurecimento na superfície da polpa quando cortada. Segundo Campos (1984) esta variedade tem má aceitação no mercado interno, estando voltada para o mercado externo, além de baixa resistência às doenças e baixo rendimento de polpa. Tango et al. (1969/70) encontraram para essa variedade médio rendimento de polpa (66,30%). O mesmo ocorreu em 2004, onde encontraram 65,8%

de polpa, 22,3% de caroço, 11,9% de casca e 34,2% de caroço e casca.

A polpa alcança o teor de óleo de 22% em média (até 26%), com o

fruto piriforme e de tamanho médio a pequeno e peso de 150 a 350 g (Donadio, 1995). Os autores observaram o mesmo intervalo de peso em seus experimentos, na qual Fersini (1975) encontrou o valor vari- ando de 240 a 450 g, Medina et al. (1978): 225-450 g e Tango et al. (1969/70): 159 g. Gómez Lopes (2002) estudando frutos de variedades

de abacate, na Venezuela, observou para esta variedade peso de 192,86

g, com altura de 12,04 cm e diâmetro de 5,86 cm. A polpa apresentou

um rendimento de 70,90%, 17,04% de caroço e 12,06% de casca. Com relação ao teor de óleo, os valores disponíveis na literatura variaram bastante, no qual Fersini (1975) encontrou valores de 25 a 29%, Medina et al. (1978): 10,37%, Lucchesi e Montenegro (1975):

35,0%, Tango et al. (1969/70): 25,50% e Tango et al. (2004): 30,3%, sendo considerada viável para extração de óleo. A composição em áci- dos graxos foi de: palmítico – 20,2%, palmitoléico – 7,9%, esteárico:

0,4%, oléico – 61,4% e linoléico – 10,1% (Tango et al., 2004). Essa variedade é exigente no tocante à temperatura-ambiente, prin- cipalmente na época de floração e no começo da frutificação, quando fica mais sensível às baixas temperaturas, embora a planta resista bem às geadas. Soares et al. (2002) concordam com esse relato, pois ob- servaram que essa variedade apresentou maior tolerância às baixas temperaturas, não verificando injúria na copa e nem queda de frutos, quando comparada a outras variedades. Esse resultado é concordante

PRINCIPAIS vARIEDADES •

57

com a literatura (Krezdorn, 1974; Campbell e Malo, 1976), que rela- ciona o grau de tolerância ao frio com a raça do cultivar. Exige polinizadores específicos para melhorar sua produção. Guill

e Gazit (1991) demonstraram que as variedades Topa-Topa e Tova são

ótimos polinizadores para Fuerte. A colheita dessa variedade inclui-se

na categoria de precoce a média, sendo de cinco a sete meses o espaço de tempo da floração à maturação. No Brasil, há poucas plantações co- merciais da variedade. A maior delas, localizada em Bauru/SP, produz frutos para exportação de março a junho, época que em parte coincide com a produção da África do Sul e da Austrália (Donadio, 1995).

Hass

É um híbrido guatemalense-mexicano, com acentuada predo-

minância da primeira. Surgiu na Califórnia/EUA na década de 20. É mais suscetível ao frio que a Fuerte, principalmente na época de flo-

ração. É sensível a baixa umidade, sobretudo onde há ventos quentes

e secos, que dessecam as flores e folhas jovens, fazendo-as cair. Pro- duz flores em grande quantidade, tendendo muitas vezes à excessiva

frutificação, com reflexo negativo no seu tamanho médio. É em geral, muito produtiva e apresenta a interessante característica de reter fruto na planta mesmo depois de atingida a maturação comercial, por isso pode ser colhida durante longo tempo (Donadio, 1995).

O fruto é oval-piriforme, de casca grossa e rugosa, resiste bem

ao transporte. Tem cor verde, que escurece na maturação, chegando ao violáceo-escuro. É facilmente descascável, pesa de 180 a 300 g

e tem uma polpa de excelente qualidade, sem fibras. O teor de óleo

é de 20% em média, indo de 18 a 22%, embora seja colhido com o

mínimo de 8 a 10%, para fins de exportação, na África do Sul e nos

Estados Unidos (Donadio, 1995). Tango et al. (2004) verificaram em

seu experimento alta porcentagem de óleo (31,1%) e 57,2% de umi- dade, podendo ser feita à extração de óleo. A composição em ácidos graxos foi de: palmítico – 24,5%, palmitoléico – 13,3%, esteárico:

0,3%, oléico – 47,7% e linoléico – 14,2%.

A semente é pequena, esférica e aderente à polpa. Em Bauru/SP

esta variedade é colhida para exportação de junho a setembro. Mais tarde, portanto, que a Fuerte. Guill e Gazit (1991) indicam como po- linizador mais eficiente, nas condições de Israel, a variedade Ettinger

58

ABACATE

plantada até 18 m de distância, que resultou na produção de 17 a 20 t/ ha. Esta caiu para 8-10 t/ha com o plantio do polinizador a 50 m, e a menos de 5 t/ha com outros polinizadores. Segundo Campos (1984) essa variedade tem má aceitação no mer- cado interno, ótima produtividade, boa resistência às doenças, ótima resistência ao transporte e alto rendimento de polpa. Tango et al. (2004) também observaram alto rendimento de polpa (67,5%), 19% de caroço, 13,5% de casca e 32,5% de caroço e casca.

19% de caroço, 13,5% de casca e 32,5% de caroço e casca. Figura 6: Abacate do
19% de caroço, 13,5% de casca e 32,5% de caroço e casca. Figura 6: Abacate do

Figura 6: Abacate do cultivar Hass (Bauru-SP). (Foto: Dayana Portes Ramos)

do cultivar Hass (Bauru-SP). (Foto: Dayana Portes Ramos) Figura 7: Abacate do cultivar Hass colhido para

Figura 7: Abacate do cultivar Hass colhido para exportação (Bauru-SP) (Foto: Aloísio Costa Sampaio)

PRINCIPAIS vARIEDADES •

59

Outras variedades de abacateiro são plantadas em pequena escala em outros países e são descritas abaixo, segundo Calabrese (1989) e Suppo (1982). Bacon e Zutano são híbridos mexicano-guatemalense, originários da Califórnia, do grupo floral B, que produzem precocemente frutos de 250-300 g. Reed é uma variedade guatemalense, originária da Califórnia, do grupo A, que produz tardiamente frutos de 300-400 g. Ettinger é um híbrido mexicano-guatemalense originário de Isra- el, do grupo floral B, que produz precocemente frutos de 200-300 g. Edanol é uma variedade guatemalense originária da África do Sul, do grupo floral B, que têm produção precoce ou média e apresenta frutos de 250-300 g. Horshim é um híbrido mexicano-guatemalense, originário de Isra- el, do grupo floral B, que produz medianamente frutos de 250-300 g. Gwen é uma variedade guatemalense originária, da Califórnia, do grupo floral A, que produz precocemente frutos de 200-350 g. É resultante de um trabalho de melhoramento por cruzamento realizado na Califórnia. É a mais promissora dentre os vários híbridos selecio- nados, na qual pode chegar a 70 t/ha. Rincon é um híbrido mexicano-guatemalense, originário do Méxi- co, do grupo floral A, que tem produção precoce ou média e apresenta frutos de 150-300 g. Tova é uma variedade mexicana, originária de Israel, do grupo A, que produz precocemente frutos de 250 g. Nabal é um híbrido guatemalense, originário de Israel, do grupo floral B, que produz precocemente frutos de 300-400 g. As variedades acima citadas foram obtidas da Fuerte e Hass, por isso lembram suas características. Estas não chegaram a adquirir grande importância comercial, porque ou têm os mesmos defeitos ou não têm qualidades superiores às das duas variedades. Algumas são empregadas como polinizadoras de outras variedades (Suppo, 1982). Conforme o relato de Martins et al. (2006), nos últimos anos os produtores de abacate têm procurado outras variedades que possam ser alternativas às atuais disponíveis. Para disponibilizar material que possa atender a demanda foram realizados trabalhos de melhoramento de plantas, disponíveis no campo e no Banco Ativo de Germoplasma

60

ABACATE

da FCAV/UNESP/Campus de Jaboticabal, originadas por cruzamentos ou mutações, que permitiram a seleção de variedade com frutos de tamanho pequeno e ausência de semente. A planta matriz, denominada ‘Inêz’, tem características típicas da raça antilhana, com maturação precoce (fevereiro/março), para as condições de Jaboticabal/SP. O fruto de formato alongado tem, em média, 15,6 cm de comprimento e 5,6 cm de largura, pesando 230 g, dos quais 96% corresponde a polpa, que é de coloração creme-esverdeado, com palatabilidade muito boa

e ºBrix de 7,6, sendo a casca verde e lisa. Os trabalhos, ainda na fase

inicial, já indicam resultados bastante promissores para o desenvolvi-

mento de novos cultivares com características desejáveis.

IV – FATORES QUE INTERFEREM NA ESCOLHA DAS VARI- EDADES

Escolher variedades, entre as citadas e as demais existentes, no País e fora dele, não é tarefa fácil, quando se pensa nas numerosas exigências climáticas ou florais de cada uma delas, ao problema da polinização, à demora na maturação, ao tamanho, cor e outras quali- dades da fruta, já discutidas. (Maranca, 1980). Também é importante a associação entre espécies e condições climáticas capazes de mudar a época de produção, antecipar a das vari- edades precoces, ou retardar a das tardias, um fator de grande interesse prático na escolha das variedades a serem plantadas em determinada região (Donadio, 1995). Um fator importante na escolha da variedade baseia-se na necessi- dade de polinização cruzada, com vistas ao aumento de produção, pois já se viu que há combinações de variedades que levam à melhoria da produção (Gazit, 1976). No caso da variedade Fuerte, foi demons- trado que a Tova é a melhor polinizadora. Na Ettinger, por sua vez,

a variedade Tova induz um aumento de produção de 200 a 300%,

comparando-se com outras polinizadoras (Donadio, 1995). Para facilitar a escolha da variedade a ser plantada é necessário observar o comportamento das variedades em cada região, para saber melhor as características apresentadas, como por exemplo, se a varie- dade tem a possibilidade de extração de óleo, se possui alto rendimento de polpa, ou ainda, se necessita de polinizadores.

PRINCIPAIS vARIEDADES •

IV – CONSIDERAÇÕES FINAIS

61

Existe a necessidade de mais estudos com a cultura do abacateiro no Brasil, visando solucionar problemas, dentre os quais destaca-se a necessidade de oferta do produto no mercado o ano todo. É possível verificar que as variedades apresentam características diferentes em determinadas regiões, destacando-se com isso a necessi- dade da pesquisa local, com o objetivo de indicar as variedades mais adaptadas ao clima, além do conhecimento prévio das exigências do mercado consumidor.

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PROPAGAÇÃO DO ABACATEIRO

Tatiana Rezende Pires de Almeida 1 Aloísio Costa Sampaio 2

1. Introdução O abacateiro é propagado basicamente através de sementes ou pelo método de enxertia. Para fins comerciais recomenda-se a enxer- tia, já que se trata de uma planta de porte alto e bastante passível de variações genéticas, visto ser uma planta alógama. A enxertia também visa antecipar o período produtivo das plantas e garantir uma maior uniformidade fenotípica no pomar (Cyro, 1991 citado por Moraes et al., 2002). Em razão do abacateiro ter sido propagado durante muitos anos exclusivamente por meio de sementes, obteve-se um grande número de híbridos, visto que a semente do abacate é monoembriônica geran- do apenas plantas híbridas, normalmente diferentes entre si, algumas vezes, porém, os fenótipos são similares dificultando o processo de melhoramento (Grecco et al., 2006). Geralmente a semente do abacate quando germina apresenta vários caules, que podem ser confundidos com a poliembrionia, mas neste caso trata-se de policaulia, ou seja, a formação de vários caules pro- venientes de apenas um embrião gamético (Zaccaro, 2003). Por outro lado, os pomares que foram formados com mudas propa- gadas através de sementes apresentavam grande variabilidade na forma e dimensão das copas das árvores e os frutos colhidos também eram muito diferentes em relação à forma, tamanho, qualidade da polpa e época de maturação (Zaccaro, 2003). Desta forma a utilização de sementes restringe-se à formação de porta enxertos para serem enxertados com cultivares melhoradas. A utilização da clonagem através da formação de plantas obtidas através da estaquia, alporquia e cultura de tecidos tem apresentado resultados animadores (Zaccaro, 2003).

1 Engenheira Agrônoma. Mestranda em Horticultura pela UNESP/FCA/Botucatu 2 Docente do Departamento de Ciências Biológicas, FC/UNESP – Cx. P. 473 – CEP 17033-360 - Bauru, SP e do Curso de Pós-graduação em Horticultura/FCA/UNESP – Botucatu, SP - aloísio@fc.unesp.br

66

ABACATE

2. Propagação do Abacateiro por Enxertia A propagação do abacateiro por enxertia é o método empregado comercialmente pelos viveiristas. Este método consiste basicamente na obtenção dos porta-enxertos através de sementes e na posterior enxertia dos cultivares copa. A seguir, são descritas as etapas para a obtenção da muda de abacateiro por enxertia.

2.1.

Preparo da semente para obtenção dos porta-enxer-

tos

As sementes de abacate para formação dos porta-enxertos devem ser retiradas de plantas adultas, sadias e produtivas, colhendo-se os frutos quando maduros ou “de vez”, com o maior cuidado possível para que não caiam no chão e danifiquem a semente (Zaccaro, 2003). As sementes devem ser lavadas retirando-se a película que as envolve. Utiliza-se um banho com água quente a 49 – 50ºC por 30 minutos e após devem ser lavadas com água fria, colocando-as para secarem a sombra. Se não for utilizado o banho com água quente, recomenda-se utilizar um fungicida específico para proteção das se- mentes. A semeadura deve ser realizada o mais rápido possível, pois o poder germinativo decresce rapidamente (Zaccaro, 2003). Recomenda-se a utilização de sementes da raça mexicana (Got- tfried), raça guatemalense (Nimlioh) que amadurecem entre feve- reiro e abril e da raça antilhana (grupo manteiga) e seus híbridos que amadurecem normalmente entre dezembro e fevereiro. Geralmente os viveiristas retiram as sementes de plantas vigorosas e produtivas e que amadurecem até março – abril. Normalmente são híbridos da raça anti- lhana que se adaptam melhor às condições tropicais (Zaccaro, 2003).

2.2. Semeadura

O método da semeadura consiste na utilização de sacos plásticos medindo 20 cm de diâmetro por 40 cm de altura ou também, pode ser realizada no campo plantando os porta enxertos no espaçamento de 1,00 x 0,30 m. Neste caso, as sementes devem ser semeadas em canteiros de areia em condições semelhantes às utilizadas para forma- ção de mudas em sacos plásticos e, após a germinação das sementes, as plantas são transplantadas para o viveiro. Este tipo de plantio não é aconselhável por ser difícil de retirar a planta do chão para posterior-

PROPAGAçãO DO ABACATEIRO •

67

mente colocá-las em jacazinhos ou embalagens semelhantes, neces- sitando de um maior tempo de aclimatação, pois o corte das raízes realizado durante o arranquio da muda causa um traumatismo muito grande e, pode existir contaminação das raízes com o fungo causador da podridão das raízes (Zaccaro, 2003).

o fungo causador da podridão das raízes (Zaccaro, 2003). Figura 1. Semeadura direta de sementes de

Figura 1. Semeadura direta de sementes de abacate comum visando obten- ção de Porta-enxerto. (Foto: Aloísio Costa Sampaio)

ção de Porta-enxerto. (Foto: Aloísio Costa Sampaio) Figura 2. Porta-enxertos em desenvolvimento para futura

Figura 2. Porta-enxertos em desenvolvimento para futura enxertia por fenda cheia, na Fazenda Jaguacy, Bauru (SP). (Foto: Aloísio Costa Sampaio)

68

ABACATE

2.3. Enxertia Utiliza-se a garfagem em fenda cheia e a borbulhia. A enxertia por borbulhia é empregada apenas no caso de porta-enxertos formados no campo, pois necessita de maior diâmetro destes para a enxertia da borbulha que deverá ser mais lenhosa (Zaccarro, 2003). Devido às inúmeras vantagens da garfagem em fenda cheia, como

o uso de sacos plásticos para formação dos porta-enxertos, melhor pe-

gamento da enxertia, maior rapidez de aclimatação da muda e melhor pegamento das mudas no campo, atualmente a borbulhia tornou-se obsoleta para a produção de mudas de abacateiro (Zaccaro, 2003). Os porta enxertos estarão em condições propícias para a enxertia quando atingirem a altura de 0,20 – 0,30 m de altura, com o caule de coloração bronzeada e diâmetro de um lápis. Os garfos deverão ser retirados de plantas matrizes de cultivares selecionados, registrads e de alta produtividade. Os ponteiros deverão ser cortados com 5 – 8 cm de comprimento retirando-se os pecíolos das folhas (Zaccaro, 2003). Os porta enxertos devem ser aparados a 4 cm acima do ápice da semente, efetuando-se um corte longitudinal de 3 cm de comprimento ao longo do caule. No garfo efetuam-se dois cortes longitudinais con- vergentes de 3 cm de comprimento formando uma cunha. A seguir, introduz-se o garfo dentro da fenda do porta-enxerto, fixando-o com um fitilho de plástico, envolvendo-se toda a área do corte para a pro- teção local da enxertia. Após protege-se o enxerto com um saco plás- tico transparente que é envolvido e fixado sobre o enxerto para evitar

o ressecamento e queimaduras do sol (Zaccaro, 2003). Depois de 30 a 40 dias, o enxerto inicia a brotação, quando deve ser retirado o saco plástico e o fitilho. De 40 a 90 dias após a enxertia, deve-se realizar a desbrota do porta enxerto, condução da muda e aclimatação gradativa da muda ao sol. A muda de abacateiro estará pronta para o plantio no local definitivo quando atingir 0,40 – 0,50 m de altura, que ocorrerá com 10 a 12 meses após a semeadura do porta- enxerto (Zaccaro, 2003). O sucesso da enxertia depende do conhecimento da técnica, da habilidade do enxertador, das condições da planta, do ambiente e de outros fatores. Um cuidado especial é quanto à proteção do enxerto contra a desidratação após a operação, principalmente quando se trata de enxertia por garfagem (Hartmann et al., 1990 citados por Jacomino

PROPAGAçãO DO ABACATEIRO •

69

et al., 2000). Além da sacola de polietileno pode ser utilizado o parafilme que

é um material a prova d’água, bastante flexível e maleável, que é apli-

cado sobre o local a ser protegido, de forma a proporcionar cobertura adequada e ajustar-se às formas do enxerto (Jacomino et al., 2000). O parafilme constitui-se num plástico especial, bastante flexível, maleável e biodegradável, não necessitando ser retirado (Jacomino et al., 2000). O mesmo autor, estudando seis tipos de materiais para

a proteção, como o saco de polietileno, parafina, parafina + vaselina, cera de abelha, parafilme e filme de PVC, obtiveram que parafilme e filme de PVC foram os melhores materiais para a proteção do enxerto em abacateiro ‘Fortuna’. Segundo Koller (1984), o saco de polietileno utilizado para cobrir

o enxerto tem a finalidade de conservar a umidade do ar, evitando a desidratação do garfo, sem impedir as trocas gasosas de O 2 e CO 2 , importantes para o pegamento do enxerto. Mindêllo Neto et al. (2004) também estudando materiais para a proteção do enxerto, obtiveram que o parafilme promoveu um aumento percentual no pegamento quando comparado ao saco de polietileno.

no pegamento quando comparado ao saco de polietileno. Figura 3. Porta-enxerto de abacate comum enxertada com

Figura 3. Porta-enxerto de abacate comum enxertada com a cv. Hass na Fazenda Jaguacy, Bauru (SP). (Foto: Aloísio Costa Sampaio)

70

ABACATE

3. Propagação do abacateiro por estaquia

O abacateiro possui problemas para propagação por estaquia, devi-

do ao difícil enraizamento das estacas. Para solucionar este problema pode utilizar-se fitorreguladores, especialmente o ácido indolbutírico

(AIB), que aumenta a concentração endógena de auxinas nos tecidos e induz a formação de raízes (Gaspar & Hoffinger, 1988 citados por Silveira et al., 2004).

O anelamento, associado à utilização de fitorreguladores, é outra

solução já que este é utilizado com o objetivo de seccionar os va- sos do floema, situados no córtex do ramo, impedindo a translocação descendente de carboidratos, fitormônios e co-fatores benéficos ao enraizamento, como o ácido isoclorogênico e terpenóides oxigenados

(Hartmann & Kester, 1997).

O estiolamento (crescimento na ausência de luz) dos ramos, tam-

bém é outra técnica para auxiliar, pois aumenta a concentração interna

de auxinas no ramo, diminui a lignificação dos tecidos, aumenta o acúmulo de amido na região estiolada e diminui o conteúdo de co- fatores negativos ao enraizamento, especialmente AIA – oxidase (Bas- suk & Maynard, 1987; Hartmann & Kester, 1997 citados por Silveira et al., 2004). Estudando o efeito do estiolamento nos cultivares Ouro Verde (raça guatemalense x antilhana) e Baronesa (raça antilhana), Silveira et al. (2004) observaram que a técnica proporcionou uma maior por- centagem de sobrevivência, brotação e enraizamento nas estacas da cultivar Ouro Verde, porém o mesmo não pôde ser observado para a cultivar Baronesa, indicando que o estiolamento não é uma prática recomendada para todas as cultivares de abacateiro. Reuveni & Raviv (1976) e Koller (1992), citados por Silveira et al. (2004) afirmam que os clones mexicanos apresentam maior facilidade para enraizar, os guatemalenses e os híbridos são intermediários e os antilhanos são de difícil enraizamento. Entre os reguladores de crescimento, o mais utilizado é o AIB (ácido indolbutírico), cujo efeito estimulante do enraizamento já foi comprovado para diversas espécies frutíferas (Mindêllo Neto et al., 2006). Segundo o mesmo autor, outro fator que pode influenciar no enraizamento de estacas de abacateiro é o tempo de imersão das estacas na solução hidroalcoólica, ocorrendo divergências na literatura, onde

PROPAGAçãO DO ABACATEIRO •

71

alguns autores citam 10 segundos (Silveira et al., 2004), 20 segundos (Bourdeaut,1970) e 24 horas (La Pena, 1975). Mindêllo Neto et al. (2006) empregando AIB em estacas do cv. Fuerte nas concentrações de 0, 500, 1000, 2000, 4000 mg L -1 durante 5 segundos (imersão rápida) e 24 horas (imersão lenta) obtiveram que as concentrações maiores que 500 mg L -1 ocorreu uma diminuição na por- centagem de estacas enraizadas, principalmente nas concentrações de 2000 e 4000 mg L-1. Isso provavelmente devem-se à concentração de AIB acima da necessária para estímulos ao enraizamento ocasionado desbalanço hormonal nas estacas e desequilíbrio entre promotores e inibidores (Tabela 1).

Tabela 1 - Porcentagem de estacas herbáceas enraizadas de aba- cateiro cv. Fuerte, em função do tempo de imersão e diferentes concen- trações de AIB (mg L -1 ) diluídas em solução hidroalcoólica (1:1), com testemunha (1) somente água. Canoinhas, SC, 2004. Fonte: Mindêllo Neto et al., 2006.

Tempo de

imersão

Concentração AIB (mg L-1)

 

0

500

1000

2000

4000

5 segundos

22,5 A d

47,5 A a

37,5 A b

32,5 A c

30,0 A c

24 horas

27,5 A a

0,0 B b

0,0 B b

0,0 B b

0,0 B b

C.V. (%)

17,24