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1.

INTRODUÇÃO
O presente trabalho debruça sobre “o salário mínimo em Moçambique face a sua polarização
que divide vários pensadores em termos de posições, uma vez que as empresas pagam
salários acima do mínimo”. A criação de um salário mínimo nacional teve como antecedente
histórico no plano New Deal, implementado pelo presidente norte-americano Franklin
Roosevelt, entre 1933-1940, no âmbito do combate à Grande Depressão. Todavia, o salário
mínimo pode servir como instrumento de política macroeconómica cuja função tem em vista
atingir determinadas finalidades. Quanto ao seu papel Pereira (2008), alega que o salário
mínimo deve estimular o consumo e a economia de forma geral e visa estimular a economia e
gerar empregos, como os programas emergentes de obras públicas, figurou também a
instituição do salário mínimo nacional naquele país.

A política de fixação do salário mínimo tem como objectivo essencial assegurar aos
trabalhadores a protecção social necessária no que respeita aos níveis mínimos admissíveis de
salários, de modo a garantir o direito de todos os trabalhadores a um salário mínimo que seja
suficiente para cobrir as mínimas condições de vida, o que não acontece em Moçambique.
Todavia, os modelos económicos simplistas de orientação neoclássica defendem que a
introdução do salário mínimo gera ineficiências resultantes da distorção do mercado de
trabalho em relação ao salário de equilíbrio, as quais conduzem ao desemprego, inflação (via
custos ou excesso de procura) e erosão do poder de compra do salário. No entanto, o salário é
apenas uma das várias remunerações realizadas pela distribuição da riqueza, além dos juros,
rendas, impostos e lucros. Os efeitos colaterais do aumento do salário mínimo constituem um
problema empírico muito difícil de medir com exactidão, o que em parte acontece porque há
muitos outros factores envolvidos na determinação do emprego, inflação e distribuição do
rendimento. Isto significa que não se pode argumentar à priori, e com base em pressupostos
simplistas, que o efeito de uma medida isolada, como o aumento do salário mínimo, será um
factor determinante para procura de emprego em Moçambique. É nesta senda que o presente
trabalho tem como objectivo geral analisar a procura do emprego em Moçambique vírus
salários mínimo, na qual foi elaborado no âmbito da Cadeira de Macroeconomia do Curso de
Licenciatura em Relações Internacionais e Diplomacia com a seguinte estrutura: capitulo 1,
antecedida pela presente introdução; De seguida, no capitulo 2 debruça sobre sete (07)
conceitos chaves: salário mínimo, trabalho, ocupação, Emprego e desemprego, mercado de
emprego; por fim iremos debruçar acerca do estudo de caso e finalmente apresentar-se-á uma
breve Conclusão e as Referencias Bibliográficas.
CAPITULO 2. DEBATE CONCEITUAL
2.1.1 Trabalho

O trabalho pode ser visto como uma actividade metódica das forças corporais e intelectuais
do homem, visando sua própria conservação e desenvolvimento e para a transformação do
mundo exterior, nesse sentido, o trabalho gera profissões e, o indivíduo desenvolve sua
profissão trabalhando (Lisa Enciclopédia Universal, 1970, p.1165).

2.1.2. Profissão
A profissão é definida como um conjunto de tarefas económica que concorrem para a mesma
finalidade e que pressupõem conhecimentos semelhantes adquiridas mediante uma
aprendizagem, destinadas a assegurar a manutenção da vida (INEFP, 2006).

2.1.3. Emprego
O emprego se define como sendo uma relação entre homens que vendem a sua força de
trabalho em troca de um valor ou remuneração e homens que compram essa força de trabalho
pagando salário. É uma espécie de contrato estável, e mais ou menos duradoura no qual o
possuidor dos meios de produção paga pelo trabalho de outros (INEFP, 2004).

2.1.4. Mercado de Emprego


O mercado de emprego esta interagindo com pessoas que procuram emprego especializado
ou não especializado (mão-de-obra) e Empresas (pessoas jurídicas) que oferecem emprego
num sistema econômico capitalista, tendo uma função de mercado, local ou cenário onde se
pode comprar ou vender produtos e serviços. A procura e a oferta destes elementos é que
fazem o mercado de trabalho dentro de um momento, suscitando um desenvolvimento
social (Ministério do Trabalho, 2009).

2.1.5. Ocupação
A ocupação de uma pessoa é a espécie de trabalho feito por ela, independentemente do local
em que esse trabalho é realizado. Considera-se ocupação ao conjunto de expectativas que
indivíduos têm, em relação ao papel exercido por ela (Ministério do Trabalho, 2009).
2.1.6. Desemprego
O conjunto de pessoas com idade activa para trabalhar, mas que no entanto, se encontram
sem trabalho (OIT, S/D). De acordo com INEFP (2004), uma parte significativa da População
Economicamente Activa, ao não conseguir inserção no sector formal, exerce uma actividade
geradora de rendimento na economia informal. Relativamente aos níveis de qualificação e
educação, 57% da população moçambicana é analfabeta e mais de 80% da mão-de-obra não
possui nenhuma formação.

As estatísticas do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional-INEFP, relativas


ao desemprego registado em 2004, indicam que a procura de emprego tem as seguintes
características:

 Baixo nível académico (90% tem menos de 9ª classe e apenas 1.3% tem o nível
secundário);
 Baixa qualificação profissional (62% não tem nenhuma qualificação) e pouca ou
nenhuma experiência profissional, o que aliado à reduzida oferta de formação
profissional resulta numa fraca empregabilidade.
Com efeito, existe no País cerca de uma centena de Centros de Formação Profissional, entre
públicos e privados, dos quais aproximadamente 10% fornecem formação para o ramo
industrial, sendo que os outros, na sua grande maioria, realizam formação param o sector
terciário ou de serviços. Entretanto, segundo dados do inquérito sobre a força de trabalho,
IFTRAB (2004/05), a taxa de desemprego é mais acentuada nas províncias de Maputo
Cidade, Maputo Província, Niassa, Manica e Sofala.

Igualmente constata-se que o desemprego atinge mais os jovens particularmente os residentes


nas zonas urbanas. De uma maneira geral, as taxas de desemprego em Moçambique, estão
acima dos 40% nas zonas urbanas, sendo que grande parte da população sobrevive do sector
informal, uma vez que o mercado tem uma série de limitações para jovens recém-formados,
mesmo em áreas técnico-profissionais.

2.1.7. Salário mínimo


O salário mínimo é definido como sendo o limite abaixo do qual nenhum empregador não
está legalmente permitido a pagar aos seus empregados. Na maioria dos casos, a
determinação do salário mínimo tem em conta dois aspectos importantes nomeadamente a
definição/composição e o tempo/período de referência. A composição, como o próprio nome
claramente deixa transparecer, tem a ver com os elementos que contam para determinação do
salário mínimo. Tais elementos incluem a remuneração base, os pagamentos variáveis
baseados na produtividade, desempenho, bónus, Salário mínimo gratificações, as
compensações pelo trabalho para além dos requisitos normais (ex: horas extras), os
suplementos, as ajudas e benefícios (incluindo em espécie).

O salário mínimo em Moçambique corresponde ao salário base, ou seja o valor mensal pago
ao trabalhador sem incluir outros benefícios. O salário é normalmente pago apenas em forma
de dinheiro embora a lei permita que uma parte do valor (até 25%) possa ser pago em
espécie, desde que os artigos sejam do interesse do trabalhador e assim esteja acordado.

O tempo de referência para a aplicação do salário mínimo é o mês tal como referido nos
Despachos Ministeriais que fixam salários mínimos mensais. O artigo 53, alínea c) da Lei de
Trabalho, refere que a remuneração deve ser paga em períodos certos de uma semana, de uma
quinzena ou de um mês, consoante o estabelecido no contracto individual de trabalho ou em
instrumentos de regulamentação colectiva. Para períodos inferiores a um mês, subentende-se
que o salário mínimo deve ser proporcional ao tempo despendido efectivamente no trabalho
(de acordo com artigo 55 número 1 da Lei de Trabalho). Porém, tem havido diferenças entre
as empresas no cálculo do salário mínimo diário para trabalhadores sazonais e eventuais. De
acordo com Law et al (2000:12) “algumas empresas calculam a taxa diária como o salário
mínimo mensal dividido por 24 dias; outras, divididas por 30 dias”.

O salário mínimo no País constitui um instrumento de protecção dos trabalhadores com


baixos rendimentos. O decreto 39/90 de 3 de Dezembro, no contexto de economia de
mercado e da descentralização do processo de fixação e aumento de salários, refere que “dada
a necessidade de proteger os trabalhadores com baixos rendimentos é imprescindível que o
salário mínimo continue a ser fixado centralmente pelo governo, cabendo os parceiros sociais
a determinação dos restantes salários por via negocial”.

O salário mínimo opera sobre a população activa com emprego formal. Dados do CEMPRE e
do IAF indicam que apenas 6% da população activa, 521.207 trabalhadores, têm emprego
formal. Dados da DNPET (de 2000), indicam que apenas um quarto da população activa com
emprego formal recebe o salário mínimo. Portanto, o salário mínimo atinge um pequeno
grupo da população activa pelo que o salário mínimo não pode ser o instrumento principal de
luta pelo desenvolvimento e contra a pobreza.
No entanto, isto não invalida o papel do salário mínimo na protecção dos rendimentos de
grupos específicos de trabalhadores. Além disso, o salário é, em muitas regiões do País, a
fonte principal de rendimento que permite financiar a actividade familiar por conta própria ou
que permite especializar a produção familiar para a segurança alimentar. Por outro lado, o
salário formal tem impacto no rendimento informal, pois este salário permite financiar tanto a
oferta como a procura informal. Isto é, o salário formal tem efeitos sinergéticos positivos para
além da do seu impacto directo na população activa com emprego formal.

A negociação do salário mínimo é feita através de um mecanismo tripartido ao nível da CCT,


criada pelo decreto 7/94 de 9 de Março. São partes integrantes da CCT os representantes do
governo, sindicatos e empregadores. A CCT é presidida pelo ministro do trabalho em
exercício. Em relação ao salário mínimo, o papel da CCT é discutir e apresentar propostas o
Conselho de Ministros a quem cabe tomar a decisão final. Porém, nem sempre as propostas
apresentadas ao Conselho de Ministros são acolhidas por este órgão, principalmente quando a
CCT não consegue apresentar uma proposta comum.

De acordo com a OIT, são cinco os sistemas de determinação de salário mínimo mais
utilizados internacionalmente, nomeadamente: (i) taxa única; (ii) salário mínimo regional;
(iii) salário mínimo por ocupação ou por sector de actividade; (iv) salário mínimo juvenil e
para adultos; (v) sistemas combinados de salário mínimo.

Moçambique utiliza um sistema combinado de taxa única nacional e taxa por categoria (agro-
pecuários, operários e empregados). A aplicação do sistema de taxa única é bastante
discutível, fundamentalmente nos países em vias desenvolvimento, que são caracterizados
por assimetrias regionais e sectoriais de desenvolvimento. O estabelecimento da taxa única
nacional de salário mínimo pressupõe a existência de condições semelhantes de mão-de-obra
(em quantidade e qualidade), de níveis de desenvolvimento equilibrado entre as diferentes
regiões, e de desempenho dos sectores da economia. A realidade económica do país é
caracterizada por assimetrias regionais de desenvolvimento e heterogeneidade na evolução
dos diferentes sectores da economia. Assim, a aplicação deste sistema neste cenário pode
gerar efeitos negativos para economia e em particular para os beneficiários.
CAPITULO 2. DESEMPREGO EM MOÇAMBIQUE E SUAS CAUSAS
2.1.1. Características do Desemprego em Moçambique

Uma avaliação das características do desemprego em Moçambique tem que tomar em conta a
qualidade e a fraca abrangência dos dados existentes sobre o mercado de trabalho:

2.1.1.1. Comparação das estatísticas globais (Censos Populacionais)

Analisando os resultados do I Recenseamento Geral d a População 1980 e o II em 1997,


pode-se afirmar que a taxa do desemprego é mais elevada dentre os jovens na faixa etária de
18 a 19 anos e para os homens. Para as mulheres, a maior taxa regista-se na faixa etária dos
12 a 14 anos. Comparados os dois Censos, conclui-se que houve um aumento das taxas de
desemprego no geral, e com maior notabilidade nas mulheres, onde a taxa girava em volta
dos 1,53% no Censo de 1980 e para 1997 a taxa de desemprego girar em torno dos 21%. Esse
estudo mostrou que a taxa nacional de desemprego é maior para mulheres (27%) contra 14%
para homens. Desses dados pode-se afirmar que o desemprego é alto nas zonas urbanas do
que nas zonas rurais, pelo facto de que a maioria pessoas do campo tem ocupação na
agricultura independentemente do rendimento que auferem.

Foi provado através do último Censo que as mulheres são na sua maioria desempregadas
comparadamente com os homens, isso deve-se a factores socioculturais que inibem a própria
mulher integrar no mercado de emprego, dentre eles o índice de analfabetismo é mais alto nas
mulheres rondando nos 74,1% contra 44,6% para os homens.

2.2. Políticas de Emprego em Moçambique e a sua fragilidade

As políticas de emprego em Moçambique não são eficazes, principalmente as passivas que


visam tornar a situação do desempregado mais tolerável, pois partem do pressuposto que os
problemas do desemprego são gerados no mercado do trabalho. Essas não têm obtidos
melhores resultados. Se não existe vagas em Moçambique, a potencialidade das políticas de
emprego em diminuir o desemprego será reduzida dramaticamente. Supor que o principal
determinante na solução do problema do desemprego é o crescimento, as políticas de
emprego terão um pequeno impacto em termos práticos, por seguintes motives:

 O baixo nível de alfabetização da população aliada a uma fraca formação técnico-


profissional, o que contribui para a redução da sua produtividade, principalmente
neste mundo cada vez mais competitiva e globalizado, e assim a sua preponderante
para empregos que usem muita mão de obra e exijam pouca qualificação;

 Falta de informação ou assimetria da mesma no mercado de trabalho;

 Existência de um ambiente de negócios considerados ainda pouco atraente à


promoção de investimento;

 A legislação laboral vigente, considera em muitos casos pouco flexível, o que torna os
mecanismos no Mercado de trabalho formal bastante moroso.

Segundo Pangara, (2010), muitas políticas tentam diminuir a taxa natural do desemprego
reduzindo o desemprego fraccional, mas outras que tentam melhorar a situação do
desempregado podem acabar por aumentar este tipo de desemprego. Ora vejamos:

 Baixar a taxa natural do desemprego reduzindo o desemprego ficcional

As agências de emprego do Governo divulguem a informação sobre vagas, a fim de combinar


trabalhadores e empregos com mais eficiência. Devendo se ter em conta programas de
treinamento com financiamento político para facilitar a transição de trabalhadores de
indústrias em declínio para indústrias em expansão;

 Melhorar a situação do desemprego, podendo aumentar o desemprego ficcional

Programas de seguro-desemprego, ou seja, os trabalhadores podem continuar a receber uma


fracção de salário por um determinado tempo depois de perderem emprego.

O conjunto destas, seriam consideradas políticas de emprego na actualidade, ou como


afirma Abreu (2001), o conjunto de medidas que actuam sobre a oferta de trabalho. Essas
políticas dividem-se:

 Políticas activas: englobam uma série de acções que tendem a reduzir o nível de
desemprego, geralmente actuando sobre o contingente de trabalhadores, tais como:
formação profissional, intermediação, apoio aos micro e pequenas empreendimentos,
subsídios à contratação de uma determinada população alvo, criação de empregos
pelo sector publico;

 Políticas passivas: englobam que tendem a tornar mais tolerável a condição de


desempregado, mediante uma transferência monetária a todo o trabalhador
desempregado, como o subsídio de desemprego, ou reduzir a oferta de trabalho,
mediante a aposentadoria precoce.

2.1.1. Causas Gerais do Desemprego


IFTRAB (2004/05), mostra que da População Economicamente Activa (PEA) de 91,8%,
18,7% se encontra desempregada. O desemprego em Moçambique, é de natureza estrutural, e
tem as seguintes causas:

 Incapacidade da economia em gerar postos de trabalhos em números suficientes para


absorver os desempregados incluindo os jovens que anualmente ingressam no
mercado de trabalho;
 Os elevados índices de pobreza absoluta. O último inquérito aos agregados familiares
(IAF) 2002-02, apresenta um índice de incidência da pobreza absoluta de 54,1%. De
acordo com a Estratégia do Emprego e Formação Profissional em Moçambique 2006-
2015 (2006) factores tais como:
 Elevadas taxas de analfabetismo;
 Baixos índices de produtividade no sector agrícola familiar, de onde provém os
rendimentos de mais de 80% da população;
 Fraca disponibilidade de infra-estrutura básicas nas zonas rurais (estradas, energia,
água, telecomunicações, etc.).
 A baixa oferta de educação no geral, de formação profissionalizante no particular, e
do abandono escolar, principalmente nos jovens;
 Demanda de uma força de trabalho cada vez mais qualificada, capaz de acompanhar a
evolução tecnológica;
 Redução do peso do Estado como empregador, dada a mudança do papel deste na
economia do trabalho;
 Tendência a descentralização da utilização da mão-de-obra moçambicana nas minas
da África do Sul;
 Elevada vulnerabilidade do sector agrícola aos desastres naturais que, em
determinados períodos, geram situações de desemprego e a limitada disponibilidade
de emprego, pois segundo o IAF 2002/03, nas zonas rurais, 93% da população
encontra-se ocupada na agricultura, silvicultura e pesca.
2.2. Causas do Desemprego
A criação de políticas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI),
marcando a transição entre o socialismo e a economia do mercado, com intuito de recuperar
na indústria transformadora, os níveis de produção e exportação privatizando algumas
empresas. Nesse processo, uma das análises mais controversas quando às origens e causas do
desemprego em Moçambique são as consequências do programa de privatização; guerra;
problemas de gestão de bens públicos e a reestruturação das empresas antes da sua
privatização em associação com a desmobilização de cerca de 108.000 militares; o regresso
dos refugiados nos países vizinhos, o retorno de cerca de 16.000 trabalhadores moçambicanos
da extinta República Democrática Alemã aquando do fim da Guerra de desestabilização, bem
como a falência de muitas empresas (MITRAB, 2003).

Últimos cincos anos, a necessidade de diminuir o fosso entre o salário agro-pecuário e


industrial têm vindo a ser explicitamente debatida tendo os reajustamentos neste período
reflectido esse debate. Com efeito em 1999 a taxa de aumento do salário mínimo agro-
pecuário foi 4% superior à do industrial; em 2001 3% em 2003 mais 4%. Do poder de compra
perdido com a inflação, sendo que os adicionais 50% da taxa de crescimento económico e o
factor negocial representam ganhos reais.

Depois de analisadas as razões do fracasso das políticas de emprego em Moçambique, é


importante referir porque é que as políticas de Keynes, que têm como pressuposto o problema
de crescimento também não são bem sucedidas. Se o problema é o crescimento, de acordo
com a teoria de Keynes, as melhores políticas seriam as fiscais e monetárias que iriam
incrementar o nível de rendimento estimulando a procura agregada. Só que essas políticas
que tiveram efeito durante uma fase da evolução económica dos países desenvolvidos, não
terão resultados tão positivos em Moçambique, na medida em que a oferta interna é não só
insuficiente para a procura existente, o que leva o país a depender bastante de importação e
de ajuda externa, como também, é de menor qualidade se comparada com outros países,
talvez porque os recursos não estão a ser usados no seu potencial.

Em contrapartida, o modelo keynesiano sustenta que as variáveis do mercado de trabalho têm


que ser administrado mediante instrumentos de políticas macroeconómicas e não através de
políticas direccionadas ao próprio mercado de trabalho. Deste modo, estamos perante duas
teorias: a de Keynes que aponta a imperfeição no ajuste entre oferta e demanda agregadas, o
que exige uma intervenção permanente no sentido de sustentar esta última se quiserem atingir
e manter algo próximo ao pleno emprego. A Segunda é a dos neoclássicos que defende que
os mercados se auto-regulam e , deixados em liberdade, tendem a um ponto de equilíbrio em
que a alocação dos recursos inclusive do trabalho se tornem óptima.
CAPITULO 3. A FIXACAO DO SALARIO MINIMO EM MOCAMBIQUE FACTOR
DA POLARIZACAO DE IDEIAS, TENDO EM CONTA QUE O PAGAMENTO
EFECTUADO AOS TRABALHADORES ESTÁ ACIMA DO SALARIO MINIMO.

3.1. Critérios de determinação do salário mínimo


O artigo 3 da Convenção n° 131 da OIT , sobre os métodos de fixação de salário mínimo, no
que respeita aos países em via desenvolvimento, recomenda que os elementos a tomar em
consideração para determinar o nível dos salários mínimos deverão, tanto quanto possível e
apropriado, tendo em conta a prática e as necessidades nacionais, abranger:

 As necessidades básicas dos trabalhadores e das respectivas famílias, tendo em


atenção o nível geral dos salários no país, o custo de vida, as prestações para
segurança social e os níveis de vida comparados com outros grupos sociais, e
 Factores de ordem económica, abrangendo as exigências de desenvolvimento
económico, a produtividade e o interesse que há em atingir e manter um alto nível de
emprego.

Tendo em conta as recomendações da OIT acima mencionadas, os critérios universalmente


utilizados na fixação dos salários mínimos, em particular nos países em vias de
desenvolvimento, enquadram-se em quatro categorias: (1) as necessidades dos trabalhadores;
(2) a capacidade de pagamento das empresas; (3) os salários e rendimentos de outros sectores
da economia; (iv) as exigências do desenvolvimento económico (Guilaze, 2002: 11-19).

3.2. Critério da capacidade de pagamento das empresas


A utilização da capacidade de pagamento das empresas como critério de fixação do salário
mínimo explica-se pela preocupação de se estabelecer um nível salarial compatível com as
possibilidades das empresas e prever as respectivas repercussões sobre o conjunto da
economia. Neste critério, parte-se do pressuposto que a empresa só pode pagar aquilo que
está dentro das suas capacidades, e não o que seria ideal para a sobrevivência dos
trabalhadores.

Entende-se ser difícil a avaliação quantitativa da “capacidade de pagamento das empresas”.


Contudo, na sua determinação, os seguintes elementos deverão ser considerados:

 Os custos salariais;
 Os outros custos com pessoal (incluindo despesas do empregador em segurança social
e outros custos não monetários relacionados com o factor trabalho);
 Custos de outros factores de produção (Pember & Dupré, 1997:6).

A determinação da “capacidade de pagamento das empresas” baseia-se na pesquisa sobre o


custo de trabalho. As estimativas da estrutura do custo de trabalho, bem como uma indicação
sobre o impacto do salário mínimo ou do salário básico no total do custo de trabalho, e, por
conseguinte, na rentabilidade das empresas. Assim, o nível de salário fixado deverá
possibilitar às empresas cobrir os outros custos operacionais, bem como conceder um retorno
adequado sobre o investimento realizado.

3.3. A fixação do salário mínimo em Moçambique factor da polarização de ideias, tendo


em conta que o pagamento efectuado aos trabalhadores está acima do Salário mínimo.
A explicação da fixação do salário em Moçambique cujas empresas pagam acima do mínimo
encontra-se compreendida em varias situações, dentre várias, a que destacar a fixação do
salário mínimo com base na capacidade de pagamento das empresas determinada a partir da
avaliação da sua rentabilidade. Por outro lado, a adopção desta opção teria consequências
negativas no emprego uma vez que para as empresas não poderão suportar os novos salários e
optarão pelo despedimento da força de trabalho, procurando manter a estrutura de custos com
força de trabalho. No entanto, isto pode ter outros resultados, como estimular as empresas
menos rentáveis a adoptarem melhores métodos de trabalho e seguirem o exemplo das mais
rentáveis, sobretudo se houver restrições tecnológicas e de escala mínimas que impeçam a
perfeita flexibilidade na redução da força de trabalho;

A fixação do salário compatível com as possibilidades das empresas de maior rentabilidade.


Esta opção poderá conduzir à falência das empresas de menor rentabilidade, quando
obrigadas a pagar salários ao nível das empresas rentáveis. Contudo, a fixação do salário
compatível com a possibilidade das empresas de menor rentabilidade. Com esta opção, gera-
se uma situação em que as empresas mais prósperas não se preocupem com a elevação do
nível de salários, apesar de possuírem capacidades para o efeito, dado que passarão a pagar
em consonância com as empresas menos produtivas, especialmente se as empresas menos
produtivas forem dominantes na economia.

Por outro lado, as empresas mais produtivas tendem a possuir uma força de trabalho mais
qualificada, estável e produtiva, pelo que também têm interesse em investir nessa força de
trabalho, mantê-la e desenvolvê-la. É, pois, bem possível que as empresas mais produtivas
paguem salários bem acima do mínimo.

Adopção de uma solução intermédia em que se incorre num dos dois inconvenientes
anteriores. Destas três opções, recomenda-se a adopção da segunda que atende as empresas
de menor capacidade pelo receio de provocar falência das empresas marginais. Este receio
resulta da constatação de existência de um número cada vez maior de empresas que não têm
conseguido honrar o pagamento de salários aos seus trabalhadores, em tempo útil, e
acumulando dívidas enormes com salários em atraso (Idem:9).

Portanto, as empresas mais produtivas tendem a pagar salários mais altos, negociados
colectivamente ao nível empresarial. Como o salário mínimo se destina a proteger grupos
mais desfavorecidos de trabalhadores, os mais bem pagos não são o alvo principal da política
de salário mínimo. Para quantificar o impacto da política do salário mínimo sobre o emprego,
seria necessário uma série longa de dados agregados ou desagregados em Moçambique (por
sectores, empresa, etc.) sobre o emprego cobrindo preferencialmente dois períodos (antes e
depois da introdução do salário mínimo).
CONCLUSÃO
Recomendações quanto ao salário mínimo
Primeiro, é necessário definir qual é o papel do salário mínimo. Em muitos países, o salário
mínimo protege grupos marginais de trabalhadores: não qualificados, com emprego sazonal
ou eventual, em sectores de muito baixa produtividade. Em Moçambique, no entanto, 25% da
força de trabalho com emprego formal é abrangida pelo salário mínimo. É importante
determinar por que é que a proporção de trabalhadores com salário mínimo é tão alta e em
que sectores isso acontece.

Dados disponíveis e obtidos para este estudo mostram que há sectores onde o salário mínimo
praticado é superior ao salário mínimo oficial. Muitos destes sectores ajustam os seus salários
mínimos à taxas inferiores ao do salário mínimo oficial, de tal modo que o salário mínimo
oficial e o praticado tendem a convergir.

Há sectores da economia, principalmente na agricultura, agro-indústria rural, comércio


retalhista e pesca têm uma percentagem muito alta de trabalhadores com o salário mínimo.
Nestes sectores, o salário mínimo tem um papel muito maior tanto na protecção dos
trabalhadores, como na estabilidade ou instabilidade financeira das empresas. Por outro lado,
não há homogeneidade na disponibilidade e qualidade da força de trabalho e no desempenho
das regiões e dos sectores da economia do País.

Assim, o sistema de taxa única não é o mais adequado nem para os trabalhadores nem para a
economia. Sugere-se a fixação do salário mínimo com base em sectores, dado que este
possibilita a minimização do risco da redução do nível de emprego pelo aumento do salário
mínimo para além da capacidade de pagamento das empresas, e sem a respectiva
compensação no aumento da produtividade dos trabalhadores. Este sistema procura pelo
menos fixar um salário que tem em conta o estágio de desenvolvimento, a tendência de
evolução de um determinado no sector e acautela a questão de intensidade de uso de factor
trabalho.

Deste modo, este sistema consegue acomodar mais facilmente as preocupações e dificuldades
das empresas, bem como as preocupações dos seus trabalhadores. Assim, recomenda-se que
se estuda a forma de operacionalização deste sistema incluindo a definição dos sectores tendo
em contas as características das actividades e da disponibilidade de informação.
Considerações finais
A compreensão da problemática do desemprego em Moçambique, envolve uma avaliação do
conceito teórico e da validade das políticas para a redução do desemprego. As causas do
desemprego no país, podem ser vistas de duas facetas: numa perspectiva de evolução
histórica e económica do país e numa perspectiva actual, evidenciando as causas gerais.

Uma das características importantes de Moçambique é que uma larga parte da força do
trabalho encontrar-se no sector informal, que se caracteriza por providenciar rendimentos
baixos aos seus trabalhadores e muitas vezes instáveis. INFOR (2004: 75) defende que 75,2%
do total da força de trabalho encontra-se no sector informal, com maior concertação na região
Centro (80,8%) e na zona rural (86,9%), sendo as províncias de Zambézia (80,5%) e Gaza
(83,6%) as que apresentam maior percentagem e a cidade de Maputo (20,6%) como a
provincial com menor percentagem. Como os trabalhadores moçambicanos não recebem
nenhum subsídio do Governo quando desempregados, não se pode dar ao luxo ficar parado,
por isso sempre desempenham algum tipo de actividade, mesmo informal, mas declara-se
como empregados, assim a medida padrão do desemprego acaba por subestimar a verdadeira
extensão da sua falta de oportunidade em satisfazer as suas necessidades.

Como solução, propõe-se uma nova medida de cálculo do desemprego, que considere os
trabalhadores que auferem rendimentos inferiores ao salário mínimo como desempregados, o
que estaria mais em consonância com os dados de incidência da pobreza no país.
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