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CENTRO UNIVERSITÁRIO DO NORTE

LICENCIATURA EM HISTÓRIA

DAVID SALES BARBOSA

A REFORMA PROTESTANTE

MANAUS

2013
DAVID SALES BARBOSA

A REFORMA PROTESTANTE

TRABALHO SOLICITADO PARA


OBTENÇÃO DE NOTA NA
DISCIPLINA MUNDO MODERNO DO
3º PERIODO DE HISTÓRIA DO
CENTRO UNIVERSITÁRIO DO
NORTE.

Professor (a): Simone Villanova

MANAUS

2013
A Reforma ocorreu na segunda e terceira décadas do século XVI porque
determinado conjunto de circunstâncias criou uma situação que tornou possível e
provável o seu aparecimento.
Martinho Lutero queria reformar a Igreja, esta, muito poderosa, corrupta e
atrelada a politica. O desagrado pela situação existente da Igreja tinha dois aspectos;
primeiro, o descontentamento com a Igreja como instituição e, em segundo lugar, um
desejo de regresso a uma religião pessoal mais satisfatória, mais intimamente baseada
na história do Evangelho do que a Igreja contemporânea.
A Igreja encontrava-se no século XVI com seus preceitos bastante corrompidos.
Dum modo geral, a religião tornara-se mais mecânica e materialista do que fora antes.
É necessário ressaltar que na Idade Média existiram outros reformadores,
contanto, Martinho Lutero não foi o primeiro, o que ocorreu no período de Lutero foi
que o Renascimento tinha dado origem a mudanças que favoreciam uma Reforma, pois
a Reforma criou as suas raízes na situação social contemporânea
Martinho Lutero não é de modo algum susceptível duma análise simples. Os
seus curiosos e inesperados desvios mais o obscurecem do que o clarificam. Um
neurótico e um aspirante a asceta, guiado pela a única luz do amor de Deus, afetuoso e
simpático, amante da música e da oração, corajoso e profético, não se pode pôr em
dúvida que ele fosse um gênio religioso. O problema do pecado fascinou-o e
atormentou-o, até que acabou por resolvê-lo, depositando uma confiança total no poder
salvífico de Cristo e na graça predestinante de Deus. Exprimiu o seu desprezo pela a
razão humana. Pensava, no entanto, que a razão tinha de estar presa a Cristo e devia ser
usada como serva da fé.
Lutero, utilizou-se de Santo Agostinho e da Bíblia para formar o seu
pensamento, ele interpretava a Bíblia de uma maneira cada vez mais literal. O autor
ressalta que Lutero não foi o primeiro a fazer a tradução da Bíblia.
O sistema das indulgências, com a sua visão mecânica do pecado e do
arrependimento, provocava indignação em Lutero. Uma tabela anexa indicava os preços
estabelecidos de acordo com a categoria do beneficiário; os pobres não eram excluídos.
Em troca do pagamento em dinheiro prometia-se ao comprador inteira e completa
absolvição de todos os pecados e indulgência plenária para as almas de parentes
falecidos, as quais seriam imediatamente libertas das penas do Purgatório.
Na véspera de Todos os Santos de 1517, Lutero pregou na porta da capela do
castelo de Wittenberg as famosas noventas e cinco teses a declarar que a venda de
indulgências conduzia a abusos tais que elas deveriam ser condenadas, aqui, é
necessário enfatizar que pregar teses na porta da Igreja quando se estava inconformado
com alguma atitude da mesma era algo comum em tal período.
A data de 1517 é justamente considerada como a do inicio oficial da Reforma,
muito embora os resultados imediatos não tenham sido particularmente relevantes. O
fato é que o papa Leão X convocou Lutero para comparecer em Roma, informando a
Lutero que se retirasse suas teses a excomunhão não aconteceria. Lutero negou em se
retratar e em 3 de Janeiro de 1521 foi selada uma nova bula, Decet Romanum
Pontificem a excomungar Lutero. Estava travada então a batalha. Martinho Lutero
apelou então ao Imperado Carlos V, mais não obteve êxito, afinal em 26 de Maio um
edicto imperial baniu-o do império.
O movimento que Lutero tinha iniciado, ganhando ímpeto com a pressão da
ambição secular e da devoção religiosa, deu origem a uma revolução mundial. O
Protestantismo era, por si só, uma força divisora. Fomentou, quase contra a sua própria
vontade, o individualismo politico e econômico, permitiu uma liberdade maior de
interpretação da fé e, talvez por causa disso, ajudou a uma mudança gradual do
individualismo religioso para o individualismo secular.
Há três observações a fazer para que a sua posição de Lutero possa ser
convenientemente entendida. Lutero foi um escritor tão prolífico (a edição alemã das
suas obras estende-se por 93 volumes) que a sua teologia pode parecer carecida de
sistematização. Em segundo lugar, a teologia de Lutero acha-se fundamente impregnada
do pensamento escolástico medieval. Ele nunca visualizou claramente a separação da
Igreja e Estado porque uma e outro eram para ele duas partes dum todo único, noção
que estava de perfeito acordo com o ponto de vista medieval. O seu conservantismo em
assuntos econômicos revela-se nas suas ideias sobre o comércio e a sua aversão ao juro.
Assim, muitas de suas ideias eram medievais, e pensar nele como sendo um alemão
moderno é falsificar a história. Um terceiro ponto que precisa ser notado é a sua leitura
e apreçoada teologia mística alemã. Condenou a transubstanciação sem abandonar a
ideia da presença real na Eucarística. Opôs se analogamente à autoridade do papa
porque ele estava em conflito com a Palavra de Deus e para Lutero cada indivíduo
deveria fazer suas próprias interpretações do que estava escrito nas Sagradas Escrituras.
Apesar de Martinho Lutero ser um dos reformadores mais conhecidos e citados,
houve outros reformadores como João Calvino.
O Calvinismo cristalizou a Reforma. Lutero e Zuínglio tinham modificado
radicalmente a antiga religião, mas para além do vigoroso realce dado à Palavra de
Deus, as crenças reformadas careciam duma autoridade precisa, duma direção
organizada e duma filosofia lógica. João Calvino deu-lhes tudo isso e mais ainda. Ele
foi um daqueles raros caracteres em que o pensamento e a ação se conjugam e que, se
chegam a deixar marca, gravam-na profundamente na história. João Calvino estudou
Teologia e depois Direito, então, é positivo que os seus estudos jurídicos e clássicos lhe
deixaram na mente uma impressão, e pode explicar-se através deles a índole legalista
das suas ideias teológicas.
Em seu livro Instituição da Religião Cristã, continha às ideias fundamentais em
que se assentavam o Calvinismo. Uma das mais intrigantes era a teoria da
predestinação, esta nasceu da crença de Calvino na presciência absoluta de Deus, e da
firme convicção, robustecida pelas suas leituras de S.Paulo e Santo Agostinho, de que o
homem incapaz de se salvar pelas suas próprias ações somente pode ser salvo pela
merecida graça de Deus, livremente concedida.
Calvino aceita a autoridade inquestionável da Igreja e condenava os
anabaptistas, que insistiam no direito a uma interpretação particular das Escrituras e
negavam assim a autoridade eclesiástica.
Em relação à Igreja e Estado, João Calvino tinha uma concepção mais moderna,
pois para ele o Estado não deveria interferir na Igreja, embora deva fazer tudo aquilo
que puder para ajudá-la, mas a Igreja também não deveria interferir no Estado, ou seja,
Calvino propunha uma separação.
Os Regulamentos Eclesiásticos de Calvino estabeleciam como devia ser
governada a Igreja. Esta teria duas instituições dirigentes, o Venerável Ministério
(formado pelo os pastores que examinava os que se sentiam vocacionados para a
ordenação, apresentando depois ao Conselho para a provação) e o Consistório (um
conselho se seis ministros e doze anciãos, que em teoria, era um tribunal da moral que
tomava conhecimento de todas as formas de atividade, lidando com os vícios mais
graves e com as infrações mais banais). Ainda podemos dizer que o pensamento político
calvinista adaptou as noções do próprio Calvino e o conceito medieval de direito natural
às necessidades da situação contemporânea, numa síntese cheia de significado para o
futuro. O significado econômico do Calvinismo, e bem assim o da crença reformada em
geral, tem sido origem de prolongada controvérsia, como a tese de Max Weber que
propunha que a fé protestante teria contribuído para o desenvolvimento do capitalismo.
O Calvinismo foi assim, uma força religiosa, política e social extremamente
poderosa, embora nem sempre da maneira que o próprio Calvino teria desejado,
principalmente porque ensinou o homem a encarar a vida como um todo integrado, fora
do qual nada poderia subsistir. O Catolicismo adotou igualmente uma visão total da
vida, mas a sua própria disciplina e entusiasmo empalidecem diante daquele que foi o
mais agressivo dos movimentos protestantes.
Referências Bibliográficas:

GREEN, V.H.H. Renascimento e Reforma. 2ª Edição. Dom Quixote, 1991.