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Nome; ___________________

Teste de avaliação do 9.º A 29 de novembro de 2018

GRUPO I
Compreensão do oral
Para responderes aos itens deste grupo, vais ouvir um excerto informativo sobre o arquivo da Torre
do Tombo e os tesouros que encerra.
1. Numera os subtítulos de 1 a 4, de acordo com a ordem pela qual as informações sobre o
arquivo da Torre do Tombo são apresentadas no texto.
1

O primeiro subtítulo já se encontra numerado.

 Diversidade dos visitantes atuais


Prestação do serviço de certidões
 Instalações ao longo do tempo
 Natureza dos primeiros documentos arquivados
2. Para cada item (2.1. a 2.3.), assinala com X a opção que completa cada afirmação, de acordo com
o texto.
2.1. Na sequência do terramoto de 1755, o arquivo da Torre do Tombo instalou-se

A  no edifício onde se encontra atualmente.


B numa das torres do Castelo de São Jorge.

C no antigo Mosteiro de São Bento.

2.2. O locutor utiliza a palavra «casa» para se referir

A às instalações da Torre do Tombo no Mosteiro de São Bento.


B às instalações atuais do arquivo da Torre do Tombo.

C à torre do Castelo de São Jorge em que o arquivo se instalou.


2.3. Ao longo do texto, o discurso do locutor valoriza sobretudo

A os diferentes locais onde o arquivo se instalou.


B o conteúdo dos primeiros documentos do arquivo.

C o arquivo enquanto testemunho de outras épocas.


Grupo II
PARTE A

Lê o texto seguinte. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado.

CARONTE Filho imortal de Érebo e da Noite, este ancião mal vestido, de figura
sombria e sinistra, tem por função passar as almas dos mortos nos rios que os
2
separam do mundo dos Infernos. Duro e inflexível, o barqueiro infernal não permite a
nenhum vivente subir para a sua barca e realizar a menor travessia. Avaro acima de
5 tudo, ele exige aos passageiros um óbolo. É por isso que sempre se coloca uma
pequena moeda na boca do morto, antes de o entregar à pira 1. Mas, para os que,
defuntos, permanecem sobre a terra sem sepultura, Caronte mostra-se impiedoso.
Afastadas brutalmente, as suas almas são obrigadas a errar, durante cem anos, até
que se decida sobre o seu destino. Segundo Homero e Hesíodo 2, as almas atraves-
10 sam, elas mesmas, os rios lamacentos e pantanosos dos Infernos, guiadas por Her-
mes. Mas é essencialmente a especulação3 romana que, inspirando-se no espírito
alado4, condutor dos mortos na religião etrusca, forjou a personagem Caronte, um
pouco incerta na mitologia grega. Eneias, por exemplo, conseguiu convencê-lo, ao
apresentar-lhe um ramo de ouro, que lhe oferecera previamente a Sibila de Cumas,
15 ramo consagrado a Proserpina. Pôde, sem dificuldade, atravessar o primeiro rio
infernal. Quanto a Héracles, que descera aos Infernos ainda vivo, encheu Caronte de
socos e forçou-o a aceitá-lo na sua barca. O velho devia ser punido por esta infração
à lei dos Infernos: foi, durante um ano, banido da morada dos mortos.

Joël Schmidt, Dicionário de Mitologia Grega e Romana, Edições 70, 1994

1. pira: fogueira onde se queimavam os cadáveres. 2. Homero e Hesíodo: escritores gregos, autores,
respetivamente, de A Odisseia e Teogonia. 3. especulação: suposição, conjetura. 4. alado: com asas.

Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.

1. As afirmações apresentadas de (A) a (G) correspondem a ideias-chave do texto. Escreve a


sequência de letras que corresponde à ordem pela qual essas ideias aparecem no texto. Começa
a sequência pela letra (E).
(A) Estratégia utilizada por Eneias para ultrapassar o primeiro rio infernal.

(B) Outra versão do que sucederia às almas, de acordo com dois famosos escritores.

(C) Castigo de Caronte ao permitir a entrada de um vivente nos Infernos.

(D) Indicação do que sucedia aos mortos que não eram sepultados.

(E) Caracterização de Caronte.

(F) Motivo por que o barqueiro consentiu a entrada de Héracles na sua barca.

(G) Requisito exigido aos que pretendiam efetuar a passagem.


2. Seleciona, em cada item (2.1. a 2.4.), a opção correta relativamente ao sentido do texto.
Escreve o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.

2.1. Caronte só permite a passagem às almas se


(A) não tiverem cometido nenhum pecado.
(B) não tiverem sido enterradas.
(C) lhe derem uma compensação.
(D) estas tiverem sido cremadas numa pira.

2.2. A palavra “errar” (linha 8) pode ser substituída por 3


(A) vaguear.
(B) enganar-se.
(C) pecar.
(D) perder-se.

2.3. Para os escritores gregos referidos, a travessia das almas


(A) fazia-se em duas barcas: a do Inferno e a da Glória.
(B) era guiada por Hermes.
(C) era orientada por Caronte.
(D) só dependia delas mesmas.

2.4. Os dois heróis referidos no texto (Eneias e Héracles) convenceram Caronte a deixá-los
passar o primeiro rio infernal,
(A) oferecendo-lhe presentes: um ramo de ouro e um par de socos.
(B) dando-lhe uma prenda ou através da força física.
(C) seguindo os conselhos da Sibila de Cumas.
(D) adorando Proserpina.

3. Seleciona a única afirmação falsa, de acordo com o sentido do texto.


Escreve o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.
(A) “os” (linha 2) substitui “mortos”.
(B) “ele” (linha 5) substitui “o barqueiro infernal”.
(C) “o” (linha 6) substitui “óbolo”.
(D) “lhe” em “que lhe oferecera” (linha 14) substitui “Eneias”.
PARTE B

Lê o excerto seguinte do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, consultando as notas


apresentadas.

Cena II
DIA. Ó precioso Dom Anrique!
Cá vindes vós? Que cousa é esta?! 4

Vem o Fidalgo e, chegando ao batel infernal, diz:

1. agora.
FID. Esta barca onde vai ora,1
2. aparelhada, pronta para a
que assi está apercebida?2
partida.
5 DIA. Vai pera a Ilha Perdida
e há de partir logo essora.3 3. sem demora.
FID. Pera lá vai asenhora?4 4. tendo sido tomado por
“senhora”, o Diabo retifica, no
DIA. Senhor, a vosso serviço.
verso seguinte.
FID. Parece-me isso cortiço.5
5. coisa sem valor, embarcação
10 DIA. Porque a vedes lá de fora.
pobre.

FID. Porém, a que terra passais?


DIA. Pera o Inferno, senhor.
FID. Terra é bem sem-sabor.
DIA. Quê?! E também cá zombais?!
15 FID. E passageiros achais
pera tal habitação?
DIA. Vejo-vos eu em feição
pera ir ao nosso cais…6 6. o Inferno.

FID. Parece-te a ti assi!


20 DIA. Em que esperas ter guarida?7 7. defesa, proteção.
FID. Que leixo8 na outra vida 8. deixo.

quem reze sempre por mi.


DIA. Quem reze sempre por ti?!
Hi hi hi hi hi hi hi!…
25 E tu viveste a teu prazer,
cuidando cá guarecer,9 9. salvar-te.
porque rezam lá por ti?!

Embarca ou embarcai,
que haveis de ir à derradeira.10 10. por fim.

30
Mandai meter a cadeira,
que assi passou vosso pai. 11. É mesmo verdade?
FID. Quê, quê, quê?… Assi lhe vai?! 11 12. de imediato.
DIA. Vai ou vem! Embarcai prestes!12
35
Segundo lá escolhestes,
assi cá vos contentai.

Pois que já a morte passastes, 13. segundo a mitologia, os mortos tinham de


haveis de passar o rio.13 atravessar o rio Letes, numa barca
conduzida por Caronte, e pagavam a
5
FID. Não há aqui outro navio?
DIA. Não, senhor, que este fretastes, viagem com uma moeda (óbolo).
40
14. no momento em que morreste.
e primeiro que espirastes,14
me destes logo sinal.
FID. Que sinal foi esse tal?
15. os pecados que lhe tinham dado prazer,
DIA. Do que vós vos contentastes.15 de que gozara em vida.

45 FID. A estoutra barca me vou.


Hou da barca!… Pera onde is?…
Ah, barqueiros! Não me ouvis?

Gil Vicente, Auto da Barca do Inferno,


edição de Mário Fiúza, Porto Editora

Responde, de forma completa e bem estruturada, aos itens que se seguem, com base no
excerto acima reproduzido e no teu conhecimento da obra.

4. Identifica o local onde decorre a ação.


5. Indica os símbolos caracterizadores do Fidalgo e o seu significado.
6. Aponta o critério indicado pelo Diabo para que as almas se salvem ou sejam condenadas.
7. Indica a acusação feita pelo Diabo ao Fidalgo.
8. Explicita a intenção crítica desta cena.
9. Refere o recurso expressivo presente na segunda fala do Diabo e comenta o seu valor
expressivo.
Grupo III

1. Seleciona a opção que só apresenta vocábulos cujo feminino se forma regularmente.

(A) Europeu, cidadão, professor, galo.


(B) Caneta, borracha, mochila, sapatilha.
(C) Filho, sobrinho, coelho, aluno.
(D) Irmã, órgão, artesão, órfão.

2. A frase em que o adjetivo se encontra no grau comparativo.


6

(A) O azeite é a gordura mais natural.


(B) A sopa fica mais deliciosa com muitos legumes.
(C) A fruta é melhor para a saúde do que os doces.
(D) Nem sempre, comemos os melhores alimentos.

3. A frase que contém só um pronome é:


(A) Nenhum aluno faltou à aula.
(B) Já li o livro que me emprestaste e fiquei fascinada.
(C) Fomos todos visitá-lo quando esteve doente.
(D) Esses papéis não são meus.

4. Identifica todas as frases em que a palavra “que” é um pronome relativo.


(A) As árvores que plantei estão crescidas.
(B) Este ano o verão foi tão quente que houve imensos incêndios.
(C) Rega o jardim, que está muito calor.
(D) Pus numa jarra as flores que me deste.
(E) É verdade que a natureza se renova, mas devemos preservá-la.

5. Indica a função sintática dos elementos sublinhados nas frases seguintes.


a. O Fidalgo, personagem vicentina, surge acompanhado de um pajem.
b. Esta personagem é o representante da nobreza.

6. Transcreve e classifica a oração subordinada que integra a frase complexa que se segue.
Geralmente, os alunos que leem o Auto da Barca do Inferno acham graça ao Parvo.

7. Transforma cada par de frases simples numa frase complexa, substituindo o elemento sublinhado
pelo pronome relativo que.
Faz as alterações necessárias.
a. Os alunos gostaram muito da representação da peça. Eles foram ver a peça.
b. A peça está a ter muito público. A peça estreou em janeiro.
Grupo IV

Lê o excerto do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, e responde, de forma completa e bem
estruturada.
[Vai-se à barca do Anjo, e diz:]

Hou da barca, oulá, hou!…


ONZ. Haveis logo de partir?
E onde queres tu ir?
ANJO Eu pera o Paraíso vou. 7
Pois cant’eu mui fora estou
ONZ.
de te levar pera lá.
ANJO Essoutra te levará:
vai pera quem te enganou!
Porquê?

Porque esse bolsão


ONZ. tomará todo o navio.
Juro a Deus que vai vazio!
Não já no teu coração.
ANJO Lá me ficam, de rondão,1
vinte e seis milhões n’u˜a arca.
ONZ. Pois que onzena2 tanto abarca,3 1. de roldão, precipitadamente, em confusão.
não lhe dais embarcação?4 2. juro excessivo (de onze por cento).
ANJO
3. arrecada, amealha.
ONZ. 4. jogo de palavras entre “abarca” e
Gil Vicente, Auto da Barca do Inferno,
“embarcação”.
edição de Mário Fiúza, Porto Editora

Escreve um texto expositivo, com um mínimo de 70 e um máximo de 120 palavras, no qual


apresentes linhas fundamentais de leitura do excerto da cena do Onzeneiro acima reproduzido.
O teu texto deve incluir uma parte introdutória, uma parte de desenvolvimento e uma parte de
conclusão.
Organiza a informação da forma que considerares mais pertinente, tratando os tópicos
apresentados a seguir.
• Apresentação das personagens intervenientes.
• Referência ao local onde as personagens se encontram.
• Indicação de um argumento utilizado pelo Onzeneiro para entrar na barca da Glória.
• Explicitação da personagem a quem se refere o Anjo ao dizer: “vai pera quem te enganou!”
(linha 8).

I II II III IV
1 ……….. 4 pontos Parte A Parte B 1……. 2 pontos Item único
2.1 …….. 3 pontos 1………. 3 pontos ….. 4……. 3 pontos 2……. 2 pontos
2.2 …….. 3 pontos 2.1 ……. 2 pontos 5……. 6 pontos 3……. 2 pontos 28 pontos
2.3…….. 3 pontos 2.2. ……. 2 pontos 6……. 4 pontos 4…….3 pontos
2.3 ……. 2 pontos 7……. 4 pontos 5……. 3 pontos
2.4……. 2 pontos 8……. 6 pontos 6……. 3 pontos
3 ……. 2 pontos 9……. 4 pontos 7……. 4 pontos

º
A
Proposta de correção

1. 4-3-1-2
C

B
C

GRUPO II - PARTE A

1. E, G, D, B, A, F, C.
2.1. (C);
8
2.2. (A);
2.3. (B);
2.4. (B).
3. (C).
Grupo I - PARTE B
4. Esta cena decorre num cais onde se encontram duas barcas – a barca do Inferno (“batel infernal”)
e a barca do Paraíso.
5. Os símbolos caracterizadores do Fidalgo são o pajem, o manto e a cadeira de espaldas. O pajem
simboliza a tirania e a exploração; o manto, a sua vaidade; a cadeira de espaldas, o seu
estatuto social.
6. A forma como cada um viveu na Terra determina o seu destino: “Segundo lá escolhestes,/assi cá
vos contentai.” Assim, se cumpriu as regras morais, embarcará na barca do Paraíso; se não o
fez, na barca infernal.
7. O Diabo acusa o Fidalgo de ter vivido “a seu prazer”, de acordo com as suas vontades.
8. Gil Vicente pretende criticar não apenas este Fidalgo, mas toda a nobreza. Assim, critica a
presunção, a tirania e imoralidade da nobreza, que explora o povo.
9. O recurso expressivo presente é o eufemismo (“Ilha Perdida”), utilizado para atenuar o destino da
barca, o Inferno, não o referindo diretamente.
10.

GRUPO III
1. D)
2. C)
3. A)
4. A,,D
5. a. modificador do nome apositivo. b. predicativo do sujeito.
6. “que leem o Auto da Barca do Inferno” → oração subordinada (adjetiva) relativa restritiva.
7 a. Os alunos gostaram muito da representação da peça que foram ver. b. A peça que estreou
em janeiro está a ter muito público.
Grupo IV
Esta cena decorre num cais, onde se encontram duas barcas – a barca do Inferno e a barca do
Paraíso.
Neste excerto, intervêm o Anjo e o Onzeneiro, que procura entrar na barca da Glória. No entanto,
o Anjo manda-o dirigir-se “pera quem te enganou!”, ou seja, para o Diabo, acusando-o de ter o
coração cheio de pecados – “Porque esse bolsão / tomará todo o navio.”.
Procurando defender-se, o Onzeneiro afirma que o seu “bolsão” está vazio, pois deixou na terra
todo o seu dinheiro, o que demonstra que não compreendeu que o bolsão que carrega simboliza o
seu amor ao dinheiro, a cobiça que enche o seu coração.
Com esta cena, o autor critica a cobiça e a avareza.
(118 palavras)
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