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Secretaria Educação do Espírito Santo (SEDU-ES)

Professor B – Ensino Fundamental e Médio –Matemática

Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados: identificação de informações explícitas


e implícitas; significado de palavras e expressões; distinção entre fato e opinião; tema do texto ............. 1
Suporte, gênero e enunciador do texto; função sociocomunicativa de um gênero textual; Interpretação
com o auxílio de material gráfico diverso; textos de diferentes gêneros. Relação entre textos: diferentes
formas de tratar uma informação; posições distintas entre duas ou mais opiniões relativas ao mesmo fato
ou tema; intertextualidade ...................................................................................................................... 23
Coerência e coesão referencial e sequencial: relações entre as partes do texto; identificação da tese
do texto; relação entre tese e argumentos; estratégias argumentativas; partes principais e secundárias no
texto; relações de sentido entre recursos verbais e não verbais. Relação causa/consequência entre partes
e elementos do texto; relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções,
advérbios, etc ......................................................................................................................................... 49
Relações entre recursos expressivos e efeitos de sentido: efeitos de ironia ou humor em textos
variados; efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e de outras notações, da escolha de uma
determinada palavra ou expressão; exploração de recursos ortográficos, morfossintáticos e
estilísticos ............................................................................................................................................... 88
Variação linguística: marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor do texto; marcas
linguísticas ou situações de uso que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de
registro ................................................................................................................................................. 133

Candidatos ao Concurso Público,


O Instituto Maximize Educação disponibiliza o e-mail professores@maxieduca.com.br para dúvidas
relacionadas ao conteúdo desta apostila como forma de auxiliá-los nos estudos para um bom desempenho
na prova.
As dúvidas serão encaminhadas para os professores responsáveis pela matéria, portanto, ao entrar em
contato, informe:
- Apostila (concurso e cargo);
- Disciplina (matéria);
- Número da página onde se encontra a dúvida; e
- Qual a dúvida.
Caso existam dúvidas em disciplinas diferentes, por favor, encaminhá-las em e-mails separados. O
professor terá até cinco dias úteis para respondê-la.
Bons estudos!

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Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados:
identificação de informações explícitas e implícitas; significado de
palavras e expressões; distinção entre fato e opinião;
tema do texto.

A literatura é a arte de recriar através da língua escrita. Sendo assim, temos vários tipos de gêneros
textuais, formas de escrita; mas a grande dificuldade encontrada pelas pessoas é a interpretação de
textos. Muitos dizem que não sabem interpretar, ou que é muito difícil. Se você tem pouca leitura,
consequentemente terá pouca argumentação, pouca visão, pouco ponto de vista e um grande medo de
interpretar. A interpretação é o alargamento dos horizontes. E esse alargamento acontece justamente
quando há leitura. Somos fragmentos de nossos escritos, de nossos pensamentos, de nossas histórias,
muitas vezes contadas por outros. Quantas vezes você não leu algo e pensou: “Nossa, ele disse tudo
que eu penso”. Com certeza, várias vezes. Temos aí a identificação de nossos pensamentos com os
pensamentos dos autores, mas para que aconteça, pelo menos não tenha preguiça de pensar, refletir,
formar ideias e escrever quando puder e quiser.
Tornar-se, portanto, alguém que escreve e que lê em nosso país é uma tarefa árdua, mas acredite,
valerá a pena para sua vida futura. Mesmo que você diga que interpretar é difícil, você exercita isso a
todo o momento. Exercita através de sua leitura de mundo. A todo e qualquer tempo, em nossas vidas,
interpretamos, argumentamos, expomos nossos pontos de vista. Mas, basta o(a) professor(a) dizer
“Vamos agora interpretar esse texto” para que as pessoas se calem. Ninguém sabe o que calado quer,
pois ao se calar você perde oportunidades valiosas de interagir e crescer no conhecimento. Perca o medo
de expor suas ideias. Faça isso como um exercício diário e verá que antes que pense, o medo terá ido
embora.

Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacionadas entre si, formando um todo significativo
capaz de produzir interação comunicativa (capacidade de codificar e decodificar).

Contexto – um texto é constituído por diversas frases. Em cada uma delas, há certa informação que
a faz ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando condições para a estruturação do conteúdo a
ser transmitido. A essa interligação dá-se o nome de contexto. Nota-se que o relacionamento entre as
frases é tão grande, que, se uma frase for retirada de seu contexto original e analisada separadamente,
poderá ter um significado diferente daquele inicial.

Intertexto - comumente, os textos apresentam referências diretas ou indiretas a outros autores através
de citações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto.

Interpretação de Texto - o primeiro objetivo de uma interpretação de um texto é a identificação de


sua ideia principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias, ou fundamentações, as
argumentações, ou explicações, que levem ao esclarecimento das questões apresentadas na prova.

Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a:

Identificar - reconhecer os elementos fundamentais de uma argumentação, de um processo, de uma


época (neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os quais definem o tempo).

Comparar - descobrir as relações de semelhança ou de diferenças entre as situações do texto.

Comentar - relacionar o conteúdo apresentado com uma realidade, opinando a respeito.

Resumir - concentrar as ideias centrais e/ou secundárias em um só parágrafo.

Parafrasear - reescrever o texto com outras palavras.

Exemplo

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Título do Texto Paráfrases
A integração do mundo.
“O Homem Unido” A integração da humanidade.
A união do homem.
Homem + Homem = Mundo.
A macacada se uniu. (sátira)

Condições Básicas para Interpretar

Faz-se necessário:
- Conhecimento Histórico – literário (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), leitura e prática.
- Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do texto) e semântico. Na semântica (significado
das palavras) incluem-se: homônimos e parônimos, denotação e conotação, sinonímia e antonímia,
polissemia, figuras de linguagem, entre outros.
- Capacidade de observação e de síntese.
- Capacidade de raciocínio.

Interpretar X Compreender

Interpretar Significa Compreender Significa


Explicar, comentar, julgar, tirar Intelecção, entendimento, atenção ao que realmente
conclusões, deduzir. está escrito.
Tipos de enunciados: Tipos de enunciados:
- através do texto, infere-se que... - o texto diz que...
- é possível deduzir que... - é sugerido pelo autor que...
- o autor permite concluir que... - de acordo com o texto, é correta ou errada a
- qual é a intenção do autor ao afirmar afirmação...
que... - o narrador afirma...

Erros de Interpretação

É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência de erros de interpretação. Os mais frequentes
são:
- Extrapolação (viagem). Ocorre quando se sai do contexto, acrescentado ideias que não estão no
texto, quer por conhecimento prévio do tema quer pela imaginação.
- Redução. É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção apenas a um aspecto, esquecendo que um
texto é um conjunto de ideias, o que pode ser insuficiente para o total do entendimento do tema
desenvolvido.
- Contradição. Não raro, o texto apresenta ideias contrárias às do candidato, fazendo-o tirar
conclusões equivocadas e, consequentemente, errando a questão.

Observação: Muitos pensam que há a ótica do escritor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas
numa prova de concurso o que deve ser levado em consideração é o que o autor diz e nada mais.

Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que relacionam palavras, orações, frases e/ou
parágrafos entre si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um pronome relativo, uma
conjunção (nexos), ou um pronome oblíquo átono, há uma relação correta entre o que se vai dizer e o
que já foi dito. São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre eles, está o mau uso do pronome
relativo e do pronome oblíquo átono. Este depende da regência do verbo; aquele do seu antecedente.
Não se pode esquecer também de que os pronomes relativos têm cada um valor semântico, por isso a
necessidade de adequação ao antecedente. Os pronomes relativos são muito importantes na
interpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de coesão. Assim sendo, deve-se levar em
consideração que existe um pronome relativo adequado a cada circunstância, a saber:

Que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente. Mas depende das condições da frase.
Qual (neutro) idem ao anterior.
Quem (pessoa).
Cujo (posse) - antes dele, aparece o possuidor e depois, o objeto possuído.
Como (modo).

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Onde (lugar).
Quando (tempo).
Quanto (montante).

Exemplo:
Falou tudo quanto queria (correto).
Falou tudo que queria (errado - antes do que, deveria aparecer o demonstrativo o).

Vícios de Linguagem – há os vícios de linguagem clássicos (barbarismo, solecismo, cacofonia...); no


dia a dia, porém, existem expressões que são mal empregadas, e por força desse hábito cometem-se
erros graves como:
- “Ele correu risco de vida”, quando a verdade o risco era de morte.
- “Senhor professor, eu lhe vi ontem”. Neste caso, o pronome oblíquo átono correto é “o”.
- “No bar: Me vê um café”. Além do erro de posição do pronome, há o mau uso.

Algumas dicas para interpretar um texto:

- O autor escreveu com uma intenção - tentar descobrir qual é, qual é a chave.
- Leia todo o texto uma primeira vez de forma despreocupada - assim você verá apenas os aspectos
superficiais primeiro.
- Na segunda leitura observe os detalhes, visualize em sua mente o cenário, os personagens - Quanto
mais real for a leitura na sua mente, mais fácil será para interpretar o texto.
- Duvide do(a) autor(a), leia as entrelinhas, perceba o que o(a) autor(a) te diz sem escrever no texto.
- Não tenha medo de opinar - Já vi terem medo de dizer o que achavam e a resposta estaria correta
se tivessem dito.
- Visualize vários caminhos, várias opções e interpretações, só não viaje muito na interpretação. Veja
os caminhos apontados pela escrita do(a) autor(a). Apegue-se aos caminhos que lhe são mostrados.
- Identifique as características físicas e psicológicas dos personagens - Se um determinado
personagem tem como característica ser mentiroso, por exemplo, o que ele diz no texto poderá ser
mentira não é mesmo? Analisar e identificar os personagens são pontos necessários para uma boa
interpretação de texto.
- Observe a linguagem, o tempo e espaço, a sequência dos acontecimentos. O feedback conta muito
na hora de interpretar.
- Analise os acontecimentos de acordo com a época do texto, assim, certas contradições ou
estranhamentos vistos por você podem ser apenas a cultura da época sendo demonstrada.
- Leia quantas vezes achar que deve - Não entendeu? Leia de novo. Nem todo dia estamos
concentrados e a rapidez na leitura vem com o hábito.

Para ler e entender um texto é preciso atingir dois níveis de leitura: Informativa e de reconhecimento;

Interpretativa:
A primeira leitura deve ser feita cuidadosamente por ser o primeiro contato com o texto, extraindo-se
informações e se preparando para a leitura interpretativa. Durante a interpretação grife palavras-chave,
passagens importantes; tente ligar uma palavra à ideia-central de cada parágrafo. A última fase de
interpretação concentra-se nas perguntas e opções de respostas. Marque palavras com não, exceto,
respectivamente, etc, pois fazem diferença na escolha adequada. Retorne ao texto mesmo que pareça
ser perda de tempo. Leia a frase anterior e posterior para ter ideia do sentido global proposto pelo autor.

Organização do Texto e Ideia Central

Um texto para ser compreendido deve apresentar ideias seletas e organizadas, através dos parágrafos
que é composto pela ideia central, argumentação e/ou desenvolvimento e a conclusão do texto. Podemos
desenvolver um parágrafo de várias formas:

- Declaração inicial;
- Definição;
- Divisão;
- Alusão histórica.

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Serve para dividir o texto em pontos menores, tendo em vista os diversos enfoques.
Convencionalmente, o parágrafo é indicado através da mudança de linha e um espaçamento da margem
esquerda. Uma das partes bem distintas do parágrafo é o tópico frasal, ou seja, a ideia central extraída
de maneira clara e resumida. Atentando-se para a ideia principal de cada parágrafo, asseguramos um
caminho que nos levará à compreensão do texto.

Os Tipos de Texto

Basicamente existem três tipos de texto:


- Texto narrativo;
- Texto descritivo;
- Texto dissertativo.

Cada um desses textos possui características próprias de construção, que veremos no tópico seguinte
(Tipologia Textual).

É comum encontrarmos queixas de que não sabem interpretar textos. Muitos têm aversão a
exercícios nessa categoria. Acham monótono, sem graça, e outras vezes dizem: cada um tem o seu
próprio entendimento do texto ou cada um interpreta a sua maneira. No texto literário, essa ideia tem
algum fundamento, tendo em vista a linguagem conotativa, os símbolos criados, mas em texto não
literário isso é um equívoco. Diante desse problema, seguem algumas dicas para você analisar,
compreender e interpretar com mais proficiência.

- Crie o hábito da leitura e o gosto por ela. Quando nós passamos a gostar de algo,
compreendemos melhor seu funcionamento. Nesse caso, as palavras tornam-se familiares a nós
mesmos. Não se deixe levar pela falsa impressão de que ler não faz diferença. Leia tudo que tenha
vontade, com o tempo você se tornará mais seleto e perceberá que algumas leituras foram
superficiais e, às vezes, até ridículas. Porém elas foram o ponto de partida e o estímulo para se
chegar a uma leitura mais refinada. Existe tempo para cada momento de nossas vidas.
- Seja curioso, investigue as palavras que circulam em seu meio.
- Aumente seu vocabulário e sua cultura. Além da leitura, um bom exercício para ampliar o léxico
é fazer palavras cruzadas.
- Faça exercícios de sinônimos e antônimos.
- Leia verdadeiramente.
- Leia algumas vezes o texto, pois a primeira impressão pode ser falsa. É preciso paciência para
ler outras vezes. Antes de responder as questões, retorne ao texto para sanar as dúvidas.
- Atenção ao que se pede. Às vezes a interpretação está voltada a uma linha do texto e por isso
você deve voltar ao parágrafo para localizar o que se afirma. Outras vezes, a questão está voltada à
ideia geral do texto.
- Fique atento a leituras de texto de todas as áreas do conhecimento, porque algumas perguntas
extrapolam ao que está escrito. Veja um exemplo disso:

Texto:

Pode dizer-se que a presença do negro representou sempre fator obrigatório no desenvolvimento dos
latifúndios coloniais. Os antigos moradores da terra foram, eventualmente, prestimosos colaboradores da
indústria extrativa, na caça, na pesca, em determinados ofícios mecânicos e na criação do gado.
Dificilmente se acomodavam, porém, ao trabalho acurado e metódico que exige a exploração dos
canaviais. Sua tendência espontânea era para as atividades menos sedentárias e que pudessem exercer-
se sem regularidade forçada e sem vigilância e fiscalização de estranhos.
(Sérgio Buarque de Holanda, in Raízes)

Infere-se do texto que os antigos moradores da terra eram:


(A) os portugueses.
(B) os negros.
(C) os índios.
(D) tanto os índios quanto aos negros.
(E) a miscigenação de portugueses e índios.

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Resposta “C”. Apesar do autor não ter citado o nome dos índios, é possível concluir pelas
características apresentadas no texto. Essa resposta exige conhecimento que extrapola o texto.

- Tome cuidado com as vírgulas. Veja por exemplo a diferença de sentido nas frases a seguir:
(1) Só, o Diego da M110 fez o trabalho de artes.
(2) Só o Diego da M110 fez o trabalho de artes.
(3) Os alunos dedicados passaram no vestibular.
(4) Os alunos, dedicados, passaram no vestibular.
(5) Marcão, canta Garçom, de Reginaldo Rossi.
(6) Marcão canta Garçom, de Reginaldo Rossi.

Explicações:
(1) Diego fez sozinho o trabalho de artes.
(2) Apenas o Diego fez o trabalho de artes.
(3) Havia, nesse caso, alunos dedicados e não dedicados e passaram no vestibular somente os que
se dedicaram, restringindo o grupo de alunos.
(4) Nesse outro caso, todos os alunos eram dedicados.
(5) Marcão é chamado para cantar.
(6) Marcão pratica a ação de cantar.

Leia o trecho e analise a afirmação que foi feita sobre ele:

“Sempre fez parte do desafio do magistério administrar adolescentes com hormônios em ebulição e
com o desejo natural da idade de desafiar as regras. A diferença é que, hoje, em muitos casos, a relação
comercial entre a escola e os pais se sobrepõe à autoridade do professor”.

Frase para análise.

Desafiar as regras é uma atitude própria do adolescente das escolas privadas. E esse é o grande
desafio do professor moderno.

- Não é mencionado que a escola seja da rede privada.


- O desafio não é apenas do professor atual, mas sempre fez parte do desafio do magistério. Outra
questão é que o grande desafio não é só administrar os desafios às regras, isso é parte do desafio, há
também os hormônios em ebulição que fazem parte do desafio do magistério.
- Atenção ao uso da paráfrase (reescrita do texto sem prejuízo do sentido original). Veja o exemplo:
Frase original: Estava eu hoje cedo, parado em um sinal de trânsito, quando olho na esquina, próximo
a uma porta, uma loirona a me olhar e eu olhava também.

(Concurso TRE/SC) A frase parafraseada é:


(A) Parado em um sinal de trânsito hoje cedo, numa esquina, próximo a uma porta, eu olhei para uma
loira e ela também me olhou.
(B) Hoje cedo, eu estava parado em um sinal de trânsito, quando ao olhar para uma esquina, meus
olhos deram com os olhos de uma loirona.
(C) Hoje cedo, estava eu parado em um sinal de trânsito quando vi, numa esquina, próxima a uma
porta, uma louraça a me olhar.
(D) Estava eu hoje cedo parado em um sinal de trânsito, quando olho na esquina, próximo a uma porta,
vejo uma loiraça a me olhar também.

Resposta “C”.

- A paráfrase pode ser construída de várias formas, veja algumas delas: substituição de locuções por
palavras; uso de sinônimos; mudança de discurso direto por indireto e vice-versa; converter a voz ativa
para a passiva; emprego de antonomásias ou perífrases (Rui Barbosa = A águia de Haia; o povo lusitano
= portugueses).

Observe a mudança de posição de palavras ou de expressões nas frases. Exemplos:


- Certos alunos no Brasil não convivem com a falta de professores.
- Alunos certos no Brasil não convivem com a falta de professores.

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- Os alunos determinados pediram ajuda aos professores.
- Determinados alunos pediram ajuda aos professores.

Explicações:
- Certos alunos = qualquer aluno.
- Alunos certos = aluno correto.
- Alunos determinados = alunos decididos.
- Determinados alunos = qualquer aluno.

Questões

01. (PM/BA - Soldado da Polícia Militar - FCC - PM/BA - Soldado da Polícia Militar)
Desde o desenvolvimento da linguagem, há 5.000 anos, a espécie humana passou a ter seu caminho
evolutivo direcionado pela cultura, cujos impulsos foram superando a limitação da biologia e os açoites
da natureza. Foi pela capacidade de pensar e de se comunicar que a humanidade obteve os meios para
escapar da fome e da morte prematura.
O atual empuxo tecnológico se acelerou de tal forma que alguns felizardos com acesso a todos os
recursos disponíveis na vanguarda dos avanços médicos, biológicos, tecnológicos e metabólicos podem
realisticamente pensar em viver em boa saúde mental e física bem mais do que 100 anos. O prolon-
gamento da vida saudável, em razão de uma velhice sem doenças, já foi só um exercício de visionários.
Hoje é um campo de pesquisa dos mais sérios e respeitados.
Robert Fogel, o principal formulador do conceito da evolução tecnofísica, e outros estudiosos estão
projetando os limites dessa fabulosa caminhada cultural na qualidade de vida dos seres humanos.
Quando se dedicam a essa tarefa, os estudiosos esbarram, em primeiro lugar, nas desigualdades de
renda e de acesso às inovações. Fazem parte das conjecturas dos estudiosos a questão ambiental e a
necessidade urgente de obtenção e popularização de novas formas de energia menos agressivas ao
planeta.
(Adaptado de Revista Veja, 25 de abril de 2012 p 141)

... a espécie humana passou a ter seu caminho evolutivo direcionado pela cultura, cujos impulsos
foram superando a limitação da biologia ... (1º parágrafo)

O sentido do segmento grifado acima está reproduzido com outras palavras, respeitando-se a lógica,
a correção e a clareza, em:
(A) o caminho da evolução da humanidade, apesar das limitações biológicas, passam ainda hoje pelo
desenvolvimento c cultural, que as possibilita.
(B) o desenvolvimento cultural da humanidade permitiu descobrir as causas de problemas que
afetavam a saúde das pessoas, bem como combater as doenças.
(C) os problemas de origem física, como uma doença, nem sempre foi possível resolvê-la, com base
nos problemas resultantes da biologia.
(D) com o desenvolvimento da cultura humana, descobriu-se as leis da biologia e do ambiente que
viviam, permitindo-os evoluir com mais saúde.
(E) as descobertas científicas da biologia veio permitir que a humanidade fosse se tornando mais capaz
de evoluir por um tempo mais longo e com saúde.

02. (IBAM - Prefeitura de Praia Grande/SP - Agente Administrativo - IBAM)

A historieta a seguir deverá ser utilizada para resolver a questão a seguir.

Tendo por base a frase “Venha aqui, seu vagabundo”, analise as afirmações seguintes.

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I. Temos na oração, um verbo conjugado no modo imperativo.
II. O vocábulo “seu”, no caso, é um pronome possessivo.
III. A vírgula foi empregada para isolar o vocativo.

É correto o que se afirmou em:


(A) I, apenas.
(B) I e III, apenas.
(C) II e III, apenas.
(D) I, II e III.

03. (MPE/RS - Técnico Superior de Informática - MPE)

Um estudo feito pela Universidade de Michigan constatou que o que mais se faz no Facebook, depois
de interagir com amigos, é olhar os perfis de pessoas que acabamos de conhecer. Se você
gostar do perfil, adicionará aquela pessoa, e estará formado um vínculo. No final, todo mundo vira amigo
de todo mundo. Mas, não é bem assim. As redes sociais têm o poder de transformar os chamados elos
latentes (pessoas que frequentam o mesmo ambiente social, mas não são suas amigas) em elos fracos
- uma forma superficial de amizade. Pois é, por mais que existam exceções ______ qualquer regra, todos
os estudos mostram que amizades geradas com a ajuda da Internet são mais fracas, sim, do que aquelas
que nascem e se desenvolvem fora dela.
Isso não é inteiramente ruim. Os seus amigos do peito geralmente são parecidos com você: pertencem
ao mesmo mundo e gostam das mesmas coisas. Os elos fracos, não. Eles transitam por grupos diferentes
do seu e, por isso, podem lhe apresentar novas pessoas e ampliar seus horizontes - gerando uma
renovação de ideias que faz bem a todos os relacionamentos, inclusive às amizades antigas. O problema
é que a maioria das redes na Internet é simétrica: se você quiser ter acesso às informações de uma
pessoa ou mesmo falar reservadamente com ela, é obrigado a pedir a amizade dela. Como é meio
grosseiro dizer “não’ ________ alguém que você conhece, todo mundo acaba adicionando todo mundo.
E isso vai levando ________ banalização do conceito de amizade.
É verdade. Mas, com a chegada de sítios como O Twitter, ficou diferente. Esse tipo de sítio é uma
rede social completamente assimétrica. E isso faz com que as redes de “seguidos” de alguém possam
se comunicar de maneira muito mais fluida. Ao estudar a sua própria rede no Twitter, o sociólogo Nicholas
Christakis, da Universidade de Harvard, percebeu que seus Amigos tinham começado a se comunicar
entre si Independentemente da mediação dele. Pessoas cujo único ponto em comum era o próprio
Christakis acabaram ficando amigas. No Twitter, eu posso me interessar pelo que você tem a dizer e
começar a te seguir. Nós não nos conhecemos. Mas você saberá quando eu o retuitar ou mencionar seu
nome no sítio, e poderá falar comigo. Meus seguidores também podem se interessar pelos seus tuítes e
começar a seguir você. Em suma, nós continuaremos não nos
conhecendo, mas as pessoas que estão _______ nossa volta podem virar amigas entre si.

Considere as seguintes afirmações.


I. Através do uso do advérbio sim (L. 15), o autor valida a assertiva de que as redes sociais tendem a
transformar elos latentes (L. 09) em elos fracos (L. 11).
II. Por meio da frase Isso não é inteiramente ruim (L. 17), o autor manifesta-se favorável à afirmação
de que as melhores amizades são aquelas que descobrimos fora das redes sociais.
III. Mediante o emprego do segmento É verdade (L. 33), o autor reitera sua opinião a respeito do caráter
trivial que a concepção de amizade vem assumindo nas redes sociais.

Quais estão corretas, de acordo com o texto?


(A) Apenas I.
(B) Apenas II.
(C) Apenas III.
(D) Apenas II e III.
(E) I, II e III.

04. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP) Leia a tira.

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No segundo quadrinho, a fala da personagem revela:
(A) hesitação.
(B) indiferença.
(C) contradição.
(D) raiva.
(E) exaltação.

05. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP)

Saber é trabalhar

Geralmente, numa situação de altos índices de desemprego, o trabalhador sente a necessidade de


aprimorar a sua formação para obter um posto de trabalho. As empresas buscam os mais qualificados
em cada categoria e excluem os que não se encaixam no perfil pretendido. Nos últimos anos, essa não
tem sido a lógica vigente no Brasil. Segundo a pesquisa de emprego urbano feita pelo Dieese
(Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e pela Fundação Seade (Sistema
Estadual De Análise de Dados), os níveis de pessoas sem emprego estão apresentando quedas
sucessivas de 2005 para cá. O desemprego em nove regiões metropolitanas medido pela pesquisa era
de 17,9% em 2005 e fechou em 11,9% em 2010.
A pesquisa do Dieese é um medidor importante, pois sua metodologia leva em conta não só o
desemprego aberto (quem está procurando trabalho), como também o oculto (pessoas que desistiram de
procurar ou estão em postos precários). Uma das consequências dessa situação é apontada dentro da
própria pesquisa, um aumento médio no nível de rendimentos dos trabalhadores ocupados.
A outra é a dificuldade que as empresas têm de encontrar mão de obra qualificada para os postos de
trabalho que estão abertos. A Fundação Dom Cabral apresentou, em março, a pesquisa Carência de
Profissionais no Brasil. A análise levou em conta profissionais dos níveis técnico, operacional, estratégico
e tático. Do total, 92% das empresas admitiram ter dificuldade para contratar a mão de obra de que
necessitam.
(Língua Portuguesa, outubro de 2011, Adaptado)

De acordo com o texto “Saber é Trabalhar” responda:

O texto revela que, no Brasil,


(A) as empresas estão mais rigorosas para selecionar os mais qualificados.
(B) os índices de desemprego têm se elevado continuamente nas regiões metropolitanas.
(C) os trabalhadores têm investido mais do que o necessário em sua formação profissional.
(D) as pesquisas sobre emprego são pouco consistentes e confiáveis.
(E) as empresas convivem com a carência de mão de obra qualificada.

06. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP) A frase inicial do texto –
Geralmente, numa situação… um posto de trabalho. – expressa as condições gerais em uma situação de
altos índices de desemprego. De acordo com essas condições,

(A) o perfil de profissional pretendido nem sempre é bem definido nas empresas.
(B) o desemprego aumenta em decorrência da qualificação profissional.
(C) a formação de um profissional é, via de regra, questão secundária na sua contratação.
(D) a qualificação profissional é um caminho para se conseguir um emprego.
(E) o profissional deve ter qualificação inferior em relação às pretensões da empresa.

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07. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP) De acordo com o texto
“Saber é Trabalhar” responda:
No contexto em que se insere o período – A outra é a dificuldade que as empresas têm de encontrar
mão de obra qualificada para os postos de trabalho que estão abertos. – (3.º parágrafo), entende-se que
a expressão
“A outra” refere-se a:
(A) consequências.
(B) lógica.
(C) pesquisa.
(D) situação.
(E) metodologia.

08. (Prefeitura de Praia Grande/SP - Agente Administrativo - IBAM)

O velho
Chico Buarque
O velho sem conselhos
De joelhos
De partida
Carrega com certeza
Todo o peso
Da sua vida
A vida inteira, diz que se guardou
Do carnaval, da brincadeira
Que ele não brincou.
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
Só a caminhada
Longa, pra nenhum lugar.

Nos versos da música “O velho”, Chico Buarque de Holanda retrata a vida de um homem que:
(A) temia envelhecer.
(B) não soube aproveitar a vida.
(C) foi apaixonado pelo carnaval.
(D) tinha orgulho de suas conquistas.

09. (PM/BA - Soldado da Polícia Militar - FCC)

Minha jangada vai sair pro mar


Vou trabalhar, meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar do mar
Um peixe bom eu vou trazer
Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer

Os versos acima, de uma música de Dorival Caymmi, abordam predominantemente,


(A) o trabalho dos pescadores, na busca de sua sobrevivência cotidiana.
(B) o respeito às condições ambientais como garantia da preservação dos recursos da natureza.
(C) a competição acirrada entre os pescadores pelos melhores pontos de pesca,
(D) a religiosidade dos pescadores, em que se misturam elementos de origem africana.
(E) a exploração a que estão sujeitos os trabalhadores que dependem do mar para sobreviver.

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10. (IFC - Analista de Tecnologia da Informação - IFC)

Texto 1
O futuro do trabalho
“[...]
Seja como for, é preciso resolver os problemas do desemprego e da informalidade, que são mais
acentuados nos países subdesenvolvidos. O caminho é estabelecer políticas de geração de empregos,
além de garantir melhores condições para os trabalhadores em ocupações precárias.
Uma das saídas é a redução da jornada de trabalho: as pessoas trabalham menos para que se abram
vagas para as desempregadas. Outra estratégia é instituir programas de formação profissional e de
microcrédito para trabalhadores autônomos, desempregados e pequenas empresas.”

Vestibular-Editora Abril, nov., 2002.

Texto 2
Conflito de gerações

“- Marquinhos... Marquinhos! [...]


O filho tentou disfarçar, lá no fundo do quintal, tirando meleca do nariz, mas, quando
a mãe chamava assim, era melhor ir. Na cozinha, a mãe ao lado da geladeira
aberta, com uma garrafa e um saco plástico vazios nas mãos:
- Você comeu toda a salsicha?!
- Não é bem verdade...Eu só usei as salsichas pra acabar com a mostarda. Já
estava até verde! Alguém ia acabar comendo estragado e ficar doente.
[...]
- Você tem resposta pra tudo, não?!
- Não é bem verdade... é a senhora que sempre pergunta.
- Você é uma gentinha! Só uma gentinha, tá entendendo?
O filho ficou olhando praquela mãe batendo com o pé no chão, bem nervosa
mesmo, mais alta que a geladeira e tudo. Aí foi obrigado a dizer:
- É... isso eu acho que é verdade.”
BONASSI, Fernando. In: Folha de São Paulo, 23 nov. 2002.

Ao analisar a linguagem e o discurso do texto 1 e do texto 2 respectivamente. Assinale a alternativa


CORRETA:

(A) no texto 1, a linguagem é mais informal, seguindo à norma padrão; utiliza-se ainda o discurso
indireto, envolvendo questões sociais. No texto 2, percebe-se uma linguagem menos informal e um
discurso direto entre mãe e filho.
(B) no texto 1, a linguagem é coloquial, seguindo à norma padrão; tem-se ainda o discurso indireto e
direto, aplicado à interpretação do cotidiano. Já no texto 2, a linguagem é formal, ocorre ainda um diálogo
entre mãe e filho.
(C) no texto 1, a linguagem é mais formal, obedecendo à norma culta; consegue-se ainda identificar
um discurso indireto, aplicado interpretativamente às questões sociais. Já no texto 2, além de uma
linguagem informal, em que se notam repetições e frases, ocorre, também, um diálogo entre mãe e filho.
(D) no texto 1, a linguagem é formal, segundo à norma culta; tem-se ainda a presença do discurso
direto que revela questões da comunidade. Já no texto 2, a linguagem é culta e o discurso é direto.
(E) no texto 1, a linguagem é menos formal, no entanto, segue à norma culta; identifica-se ainda o
discurso indireto, aplicado à análise do cotidiano. No texto 2, a linguagem é coloquial e o discurso é direto
entre mãe e filho.

11. (UEAP – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO – CS UFG/2014)

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Disponível em: < http://revistaplaneta.terra.com.br/secao/comportamento/viver-com-menos >

No texto, a repetição do verbo “querer" e a única ocorrência do verbo “precisar" colocam em evidência
(A) a oposição entre a variedade dos desejos dos indivíduos e as suas necessidades mínimas reais.
(B) o significado indistinto entre os dois verbos que se traduz pelo excesso de vontade por algo implícito
na imagem.
(C) o dinamismo do enunciador expresso pelas múltiplas necessidades apresentadas por ele para
atender os diversos setores de sua vida.
(D) a remissão ao gênero textual “bilhete" como forma de evitar que o interlocutor potencial se esqueça
de comprar o produto pedido pelo enunciador.

Respostas

01. Resposta B
“Caminho evolutivo direcionado pela cultura em outras palavras”: o desenvolvimento cultural

02. Resposta B
SEU = pode ser empregado como pronome possessivo ou como substantivo masculino (forma
utilizada na questão acima).

Observe abaixo um pouco do que diz o dicionário Houaiss sobre a utilização da palavra SEU como
substantivo masculino:
seu s.m. senhor ('tratamento respeitoso') (Empregado diante de nome de pessoa, ou de outro
axiônimo, ou de palavra designativa de profissão.) (seu Joaquim) (seu doutor) (seu delegado). GRAM
fem.: sinhá, sinha, siá, sia, senhora. Uso empregado também com valor afetivo (seu bobinho!), de forma
jocosa (p. ex.: aposto que seu Tiago saberá a resposta - sendo Tiago uma pessoa jovem) ou disfêmica
(seu pateta!), ou, ainda, com matiz interjetivo (tinha coragem de me enfrentar nada, seu!); nestes casos,
há no Brasil os fem. sua, senha, sinha.
Fonte: Dicionário Houaiss da língua portuguesa / Antônio Houaiss e Mauro de Salles Villar

03. Resposta D
No número II o autor deixa claro no texto, que as amizades formadas por redes sociais não são
duradoras nem possuem uma base sólida. Já no número III, a concepção de amizade proveniente de
redes sociais, esbarra em um ponto importante, aquela amizade de curtir fotos, comentários mas nada
profundo com sentimento.

04. Resposta B
Sim, o sentimento expresso no segundo quadrinho é de indiferença, visto que ele não se importa se a
grama do vizinho é mais verde ou não.

05. Resposta E
Segundo o texto, cada vez menos os candidatos a uma vaga de emprego se especializam ou possuem
um diferencial na hora de concorrer à uma vaga de emprego.

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06. Resposta D
Aqueles que não possuem um diferencial, uma maior qualificação, estão sujeitos a ficar sem emprego,
pois não possuem nada novo para oferecer às empresas.

07. Resposta A
Consequência, pois antes já estava enumerado outros motivos para a falta de qualificação dos
candidatos a um emprego.

08. Resposta B
No trecho que ele diz: “A vida inteira, diz que se guardou do carnaval, da brincadeira que ele não
brincou”... com este trecho é possível chegar a resposta “B” ele não aproveitou a vida.

09. Resposta A
Somente o o trecho: Se Deus quiser quando eu voltar do mar, um peixe bom eu vou traxer”, já é
possível perceber qual é a ideia de sua canção. A volta dos pescadores depois de um período no mar.

10. Resposta C
No texto 1 o autor descreve um problema e apresenta a solução, em uma linguagem mais culta. Já no
texto 2 temos um diálogo entre mãe e filho, o que não é necessário o uso da linguagem formal.

11. Resposta A
A imagem representada por bilhetes contendo mensagens construídas a partir dos verbos “querer” e
“precisar” são colocadas lado a lado para criar o contraste/comparação entre os desejos humanos e suas
reais necessidades.

Informações Explícitas e Implícitas

Texto:

“Neto ainda está longe de se igualar a qualquer um desses craques (Rivelino, Ademir da Guia, Pedro
Rocha e Pelé), mas ainda tem um longo caminho a trilhar (...).”
Veja São Paulo, 26/12/1990, p. 15.

Esse texto diz explicitamente que:


- Rivelino, Ademir da Guia, Pedro Rocha e Pelé são craques;
- Neto não tem o mesmo nível desses craques;
- Neto tem muito tempo de carreira pela frente.

O texto deixa implícito que:


- Existe a possibilidade de Neto um dia aproximar-se dos craques citados;
- Esses craques são referência de alto nível em sua especialidade esportiva;
- Há uma oposição entre Neto e esses craques no que diz respeito ao tempo disponível para evoluir.

Todos os textos transmitem explicitamente certas informações, enquanto deixam outras implícitas. Por
exemplo, o texto acima não explicita que existe a possibilidade de Neto se equiparar aos quatro
futebolistas, mas a inclusão do advérbio ainda estabelece esse implícito. Não diz também com explicitude
que há oposição entre Neto e os outros jogadores, sob o ponto de vista de contar com tempo para evoluir.
A escolha do conector “mas” entre a segunda e a primeira oração só é possível levando em conta esse
dado implícito. Como se vê, há mais significados num texto do que aqueles que aparecem explícitos na
sua superfície. Leitura proficiente é aquela capaz de depreender tanto um tipo de significado quanto o
outro, o que, em outras palavras, significa ler nas entrelinhas. Sem essa habilidade, o leitor passará por
cima de significados importantes ou, o que é bem pior, concordará com ideias e pontos de vista que
rejeitaria se os percebesse.
Os significados implícitos costumam ser classificados em duas categorias: os pressupostos e os
subentendidos.

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Pressupostos: são ideias implícitas que estão implicadas logicamente no sentido de certas palavras
ou expressões explicitadas na superfície da frase. Exemplo:

“André tornou-se um antitabagista convicto.”

A informação explícita é que hoje André é um antitabagista convicto. Do sentido do verbo tornar-se,
que significa "vir a ser", decorre logicamente que antes André não era antitabagista convicto. Essa
informação está pressuposta. Ninguém se torna algo que já era antes. Seria muito estranho dizer que a
palmeira tornou-se um vegetal.

“Eu ainda não conheço a Europa.”

A informação explícita é que o enunciador não tem conhecimento do continente europeu. O advérbio
ainda deixa pressuposta a possibilidade de ele um dia conhecê-la.
As informações explícitas podem ser questionadas pelo receptor, que pode ou não concordar com
elas. Os pressupostos, porém, devem ser verdadeiros ou, pelo menos, admitidos como tais, porque esta
é uma condição para garantir a continuidade do diálogo e também para fornecer fundamento às
afirmações explícitas. Isso significa que, se o pressuposto é falso, a informação explícita não tem
cabimento. Assim, por exemplo, se Maria não falta nunca a aula nenhuma, não tem o menor sentido dizer
“Até Maria compareceu à aula de hoje”. Até estabelece o pressuposto da inclusão de um elemento
inesperado.
Na leitura, é muito importante detectar os pressupostos, pois eles são um recurso argumentativo que
visa a levar o receptor a aceitar a orientação argumentativa do emissor. Ao introduzir uma ideia sob a
forma de pressuposto, o enunciador pretende transformar seu interlocutor em cúmplice, pois a ideia
implícita não é posta em discussão, e todos os argumentos explícitos só contribuem para confirmá-la. O
pressusposto aprisiona o receptor no sistema de pensamento montado pelo enunciador.
A demonstração disso pode ser feita com as “verdades incontestáveis” que estão na base de muitos
discursos políticos, como o que segue:
“Quando o curso do rio São Francisco for mudado, será resolvido o problema da seca no Nordeste.”

O enunciador estabelece o pressuposto de que é certa a mudança do curso do São Francisco e, por
consequência, a solução do problema da seca no Nordeste. O diálogo não teria continuidade se um
interlocutor não admitisse ou colocasse sob suspeita essa certeza. Em outros termos, haveria quebra da
continuidade do diálogo se alguém interviesse com uma pergunta deste tipo:

“Mas quem disse que é certa a mudança do curso do rio?”

A aceitação do pressuposto estabelecido pelo emissor permite levar adiante o debate; sua negação
compromete o diálogo, uma vez que destrói a base sobre a qual se constrói a argumentação, e daí
nenhum argumento tem mais importância ou razão de ser. Com pressupostos distintos, o diálogo não é
possível ou não tem sentido.
A mesma pergunta, feita para pessoas diferentes, pode ser embaraçosa ou não, dependendo do que
está pressuposto em cada situação. Para alguém que não faz segredo sobre a mudança de emprego,
não causa o menor embaraço uma pergunta como esta:

“Como vai você no seu novo emprego?”

O efeito da mesma pergunta seria catastrófico se ela se dirigisse a uma pessoa que conseguiu um
segundo emprego e quer manter sigilo até decidir se abandona o anterior. O adjetivo novo estabelece o
pressuposto de que o interrogado tem um emprego diferente do anterior.

Marcadores de Pressupostos

- Adjetivos ou palavras similares modificadoras do substantivo

Julinha foi minha primeira filha.


“Primeira” pressupõe que tenho outras filhas e que as outras nasceram depois de Julinha.

Destruíram a outra igreja do povoado.

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“Outra” pressupõe a existência de pelo menos uma igreja além da usada como referência.

- Certos verbos

Renato continua doente.


O verbo “continua” indica que Renato já estava doente no momento anterior ao presente.

Nossos dicionários já aportuguesaram a palavrea copydesk.


O verbo “aportuguesar” estabelece o pressuposto de que copidesque não existia em português.

- Certos advérbios

A produção automobilística brasileira está totalmente nas mãos das multinacionais.


O advérbio totalmente pressupõe que não há no Brasil indústria automobilística nacional.

- Você conferiu o resultado da loteria?


- Hoje não.
A negação precedida de um advérbio de tempo de âmbito limitado estabelece o pressuposto de que
apenas nesse intervalo (hoje) é que o interrogado não praticou o ato de conferir o resultado da loteria.

- Orações adjetivas

Os brasileiros, que não se importam com a coletividade, só se preocupam com seu bem-estar e, por
isso, jogam lixo na rua, fecham os cruzamentos, etc.
O pressuposto é que “todos” os brasileiros não se importam com a coletividade.

Os brasileiros que não se importam com a coletividade só se preocupam com seu bem-estar e, por
isso, jogam lixo na rua, fecham os cruzamentos, etc.
Nesse caso, o pressuposto é outro: “alguns” brasileiros não se importam com a coletividade.

No primeiro caso, a oração é explicativa; no segundo, é restritiva. As explicativas pressupõem que o


que elas expressam se refere à totalidade dos elementos de um conjunto; as restritivas, que o que elas
dizem concerne apenas a parte dos elementos de um conjunto. O produtor do texto escreverá uma
restritiva ou uma explicativa segundo o pressuposto que quiser comunicar.

Subentendidos: são insinuações contidas em uma frase ou um grupo de frases. Suponhamos que
uma pessoa estivesse em visita à casa de outra num dia de frio glacial e que uma janela, por onde
entravam rajadas de vento, estivesse aberta. Se o visitante dissesse “Que frio terrível”, poderia estar
insinuando que a janela deveria ser fechada.
Há uma diferença capital entre o pressuposto e o subentendido. O primeiro é uma informação es-
tabelecida como indiscutível tanto para o emissor quanto para o receptor, uma vez que decorre ne-
cessariamente do sentido de algum elemento linguístico colocado na frase. Ele pode ser negado, mas o
emissor coloca-o implicitamente para que não o seja. Já o subentendido é de responsabilidade do
receptor. O emissor pode esconder-se atrás do sentido literal das palavras e negar que tenha dito o que
o receptor depreendeu de suas palavras. Assim, no exemplo dado acima, se o dono da casa disser que
é muito pouco higiênico fechar todas as janelas, o visitante pode dizer que também acha e que apenas
constatou a intensidade do frio.
O subentendido serve, muitas vezes, para o emissor proteger-se, para transmitir a informação que
deseja dar a conhecer sem se comprometer. Imaginemos, por exemplo, que um funcionário
recém-promovido numa empresa ouvisse de um colega o seguinte:

“Competência e mérito continuam não valendo nada como critério de promoção nesta empresa...”
Esse comentário talvez suscitasse esta suspeita:
“Você está querendo dizer que eu não merecia a promoção?”
Ora, o funcionário preterido, tendo recorrido a um subentendido, poderia responder:
“Absolutamente! Estou falando em termos gerais.”

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Significação das Palavras

Quanto à significação, as palavras são divididas nas seguintes categorias:

Sinônimos: são palavras de sentido igual ou aproximado. Exemplo:


- Alfabeto, abecedário.
- Brado, grito, clamor.
- Extinguir, apagar, abolir, suprimir.
- Justo, certo, exato, reto, íntegro, imparcial.

Na maioria das vezes não é indiferente usar um sinônimo pelo outro. Embora irmanados pelo sentido
comum, os sinônimos diferenciam-se, entretanto, uns dos outros, por matizes de significação e certas
propriedades que o escritor não pode desconhecer. Com efeito, estes têm sentido mais amplo, aqueles,
mais restrito (animal e quadrúpede); uns são próprios da fala corrente, desataviada, vulgar, outros, ao
invés, pertencem à esfera da linguagem culta, literária, científica ou poética (orador e tribuno, oculista e
oftalmologista, cinzento e cinéreo).
A contribuição Greco-latina é responsável pela existência, em nossa língua, de numerosos pares de
sinônimos. Exemplos:
- Adversário e antagonista.
- Translúcido e diáfano.
- Semicírculo e hemiciclo.
- Contraveneno e antídoto.
- Moral e ética.
- Colóquio e diálogo.
- Transformação e metamorfose.
- Oposição e antítese.

O fato linguístico de existirem sinônimos chama-se sinonímia, palavra que também designa o emprego
de sinônimos.

Antônimos: são palavras de significação oposta. Exemplos:


- Ordem e anarquia.
- Soberba e humildade.
- Louvar e censurar.
- Mal e bem.

A antonímia pode originar-se de um prefixo de sentido oposto ou negativo. Exemplos:


bendizer/maldizer, simpático/antipático, progredir/regredir, concórdia/discórdia, explícito/implícito,
ativo/inativo, esperar/desesperar, comunista/anticomunista, simétrico/assimétrico, pré-nupcial/pós-
nupcial.

Homônimos: são palavras que têm a mesma pronúncia, e às vezes a mesma grafia, mas significação
diferente. Exemplos:
- São (sadio), são (forma do verbo ser) e são (santo).
- Aço (substantivo) e asso (verbo).

Só o contexto é que determina a significação dos homônimos. A homonímia pode ser causa de
ambiguidade, por isso é considerada uma deficiência dos idiomas.
O que chama a atenção nos homônimos é o seu aspecto fônico (som) e o gráfico (grafia). Daí serem
divididos em:
1. Homógrafos Heterofônicos: iguais na escrita e diferentes no timbre ou na intensidade das vogais.
- Rego (substantivo) e rego (verbo).
- Colher (verbo) e colher (substantivo).
- Jogo (substantivo) e jogo (verbo).
- Apoio (verbo) e apoio (substantivo).
- Para (verbo parar) e para (preposição).
- Providência (substantivo) e providencia (verbo).

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- Às (substantivo), às (contração) e as (artigo).
- Pelo (substantivo), pelo (verbo) e pelo (contração de per+o).

2. Homófonos Heterográficos: iguais na pronúncia e diferentes na escrita.


- Acender (atear, pôr fogo) e ascender (subir).
- Concertar (harmonizar) e consertar (reparar, emendar).
- Concerto (harmonia, sessão musical) e conserto (ato de consertar).
- Cegar (tornar cego) e segar (cortar, ceifar).
- Apreçar (determinar o preço, avaliar) e apressar (acelerar).
- Cela (pequeno quarto), sela (arreio) e sela (verbo selar).
- Censo (recenseamento) e senso (juízo).
- Cerrar (fechar) e serrar (cortar).
- Paço (palácio) e passo (andar).
- Hera (trepadeira) e era (época), era (verbo).
- Caça (ato de caçar), cassa (tecido) e cassa (verbo cassar = anular).
- Cessão (ato de ceder), seção (divisão, repartição) e sessão (tempo de uma reunião ou espetáculo).

3. Homófonos Homográficos: iguais na escrita e na pronúncia.


- Caminhada (substantivo), caminhada (verbo).
- Cedo (verbo), cedo (advérbio).
- Somem (verbo somar), somem (verbo sumir).
- Livre (adjetivo), livre (verbo livrar).
- Pomos (substantivo), pomos (verbo pôr).
- Alude (avalancha), alude (verbo aludir).

Parônimos: são palavras parecidas na escrita e na pronúncia:


coro e couro,
cesta e sesta,
eminente e iminente,
degradar e degredar,
cético e séptico,
prescrever e proscrever,
descrição e discrição,
infligir (aplicar) e infringir (transgredir),
sede (vontade de beber) e cede (verbo ceder),
comprimento e cumprimento,
deferir (conceder, dar deferimento) e diferir (ser diferente, divergir, adiar),
ratificar (confirmar) e retificar (tornar reto, corrigir),
vultoso (volumoso, muito grande: soma vultosa) e vultuoso (congestionado: rosto vultuoso).

Polissemia: Uma palavra pode ter mais de uma significação. A esse fato linguístico dá-se o nome de
polissemia. Exemplos:
- Mangueira: tubo de borracha ou plástico para regar as plantas ou apagar incêndios; árvore frutífera;
grande curral de gado.
- Pena: pluma; peça de metal para escrever; punição; dó.
- Velar: cobrir com véu; ocultar; vigiar; cuidar; relativo ao véu do palato.
Podemos citar ainda, como exemplos de palavras polissêmicas, o verbo dar e os substantivos linha e
ponto, que têm dezenas de acepções.

Sentido Próprio e Sentido Figurado: as palavras podem ser empregadas no sentido próprio ou no
sentido figurado. Exemplos:
- Construí um muro de pedra. (sentido próprio).
- Ênio tem um coração de pedra. (sentido figurado).
- As águas pingavam da torneira, (sentido próprio).
- As horas iam pingando lentamente, (sentido figurado).

Denotação e Conotação: Observe as palavras em destaque nos seguintes exemplos:


- Comprei uma correntinha de ouro.
- Fulano nadava em ouro.

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No primeiro exemplo, a palavra ouro denota ou designa simplesmente o conhecido metal precioso,
tem sentido próprio, real, denotativo.
No segundo exemplo, ouro sugere ou evoca riquezas, poder, glória, luxo, ostentação; tem o sentido
conotativo, possui várias conotações (ideias associadas, sentimentos, evocações que irradiam da
palavra).

Questões

HISTÓRIA E CULTURA DE PRESIDENTE OLEGÁRIO

O calendário de eventos da cidade de Presidente Olegário conta com algumas festas, religiosas e
profanas. O evento de maior tradição é a Festa de Nossa Senhora da Abadia de Andrequicé, localidade
situada cerca de 60 km da sede; esta festa acontece no mês de agosto, e a comemoração propriamente
dita tem lugar no dia 15 deste mês. É importante lembrar que a Romaria de Andrequicé (festa irmã da
Romaria de Água Suja), tem origens no final do século XIX, quando da doação do terreno e início das
celebrações e peregrinações em homenagem à Nossa Senhora da Abadia.
Nos dias hodiernos, a romaria conta com a presença de romeiros de diferentes partes do Estado de
Minas Gerais e de filhos da terra residentes em outros estados e distritos. Ainda no âmbito das festas
religiosas, durante o mês de janeiro, o município conta com uma gama de Folias de Reis, realizadas em
diferentes localidades rurais e no distrito sede. Em janeiro acontece também a Festa em Louvor a São
Sebastião, que tem lugar na localidade de Pissarrão. Até bem pouco tempo, contávamos ainda com a
Congada em Louvor a Nossa Senhora do Rosário, festa bonita e interessante por sua natureza e
constituição mas que, por motivos outros, deixou de acontecer nesta cidade gloriosa e triste pelo
esquecimento de algumas tradições.
Outra tradição que malgradamente caiu no ocaso foi a bela Contradança dos Godinhos, folguedo
iniciado em princípios do século XX pela família que dá nome à dança e que transita entre o sagrado e o
profano, constituindo um joguete em que homens constituem pares nos quais a outra parte é um homem
vestido de mulher (talvez em protesto ao arraigado patriarcalismo católico cristão do estado das Gerais),
dançando ao som de uma sanfona, baixos e um violão e ciceroneados por um palhaço. É interessante
notar que a profanação está justamente no vestir-se de mulher e questionar os tabus estabelecidos pelos
costumes civis e religiosos e a sagração, ou seja, a manutenção do sagrado nos símbolos sagrados do
catolicismo estampados nas vestimentas dos participantes. A tradição, infelizmente, vem se perdendo,
em parte por falta de investimentos de recursos públicos, através das secretarias de cultura, em parte
pelo crescente afastamento das gerações hodiernas em manifestações culturais tradicionais, de forma
que há apenas uma pessoa que ainda detém parte do conhecimento desta Contradança.
Outra interessante Festa, que vem perdendo, infelizmente, suas forças ao longo dos anos, é a Festa
da Produção, durante a qual o município, através da Prefeitura Municipal e do Sindicado dos Produtores
Rurais, expõe, discute e negocia os produtos agropecuários da cidade, além de promover shows musicais
no parque de exposições e atrações culturais em diferentes pontos da cidade. Infelizmente, como fora
dito, esta festa também tem perdido suas forças, mas nada que não possa ser resolvido com força de
vontade e investimentos efetivos nos setores de educação e cultura, principalmente.
No distrito da Galena também existe uma festa tradicional que é a Festa de Reis, em devoção aos
Três Reis que visitaram o menino Jesus após o seu nascimento, ela acontece a partir do dia 25 de
dezembro, quando começa a visita da folia nas casas e nas fazendas e no dia 05 de janeiro (dia dos
Santos Reis) o dia da Festa, quando todos se reúnem para rezar e comemorar o dia dos Santos Reis.
(Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre)

01. (Câmara Municipal de Presidente Olegário/MG - Técnico em Informática – FUMARC) Pode-


se inferir que “profano” e “sagrado” a que se refere o texto são ideias
(A) similares.
(B) sinonímicas.
(C) antagônicas.
(D) próximas.

TEXTO

1 As práticas judiciais e penais mobilizaram boa parte do debate sobre a Inquisição dos séculos XVI,
XVII e XVIII. O Santo Ofício afirmou-se desde cedo como um tribunal que se sobrepunha 4 a todos os

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privilégios de jurisdição existentes, mas a afirmação do seu poder contra os interesses de Estados
particulares suscitou protestos, nomeadamente em Veneza, em Nápoles e nos Países 7 Baixos. A prática
de condenação na base de testemunha singular deflagrou a grande controvérsia penal do século XVIII.
Francisco Bethencourt . Muito além do catolicismo.
In: Revista de História, ano 7, n.º 73, out./2011 (com adaptações).

02. (Instituto Rio Branco - Diplomata - Bolsa-prêmio de vocação para a Diplomacia - Objetiva –
CESPE) A expressão “todos os privilégios” (L.4) poderia ser substituída por todas as prerrogativas, sem
prejuízo para o sentido do período em questão e sem a necessidade de ajustes gramaticais no texto.
A) Certo
B) Errado

TEXTO

1 Olinda é conhecida no mundo inteiro pela fama dos seus mamulengos e bonecos carnavalescos
gigantes, que, sendo tão populares, também participam dos festejos 4 da Semana Santa. A origem da
arte de fazer bonecos gigantes em Olinda remete à Europa de séculos atrás, onde, durante a Idade Média,
eram criadas figuras 7 enormes e malignas para criticar a repressão da Inquisição. A criação e a execução
dos bonecos constituem uma arte que, passada de geração para geração 10 familiar, é preservada por
iniciativas como a do Museu do Mamulengo. Esse museu, além de realizar apresentações diárias, conta
com cerca de mil e quinhentas peças em seu 13 acervo.
Priscila Gorzoni. Olinda e a tradição dos bonecos. In: Língua Portuguesa, ed. 21 (com adaptações).
TEXTO

Os telejornais, de grande audiência em todas as camadas da população, nem sempre dedicam espaço
à política. Nos jornais impressos de circulação nacional — considerados os principais divulgadores da
atividade legislativa e dos fatos de natureza política —, o noticiário, naturalmente, não abrange todas as
atividades de plenário, das comissões e muito menos dos parlamentares individualmente. O espaço
dedicado aos assuntos políticos nos meios de comunicação é insuficiente para dar ampla cobertura e
adequada divulgação às atividades do Congresso. Jornalistas políticos de destaque, como o veterano
Villas Boas Corrêa, já se manifestaram de maneira incisiva a respeito: “Acho que a imprensa merece seus
puxões de orelha porque não faz nenhum esforço para cobrir aquilo que ainda remanesce de importante
no Congresso, como, por exemplo, o trabalho das comissões...”, disse o jornalista, em depoimento ao
Centro de Pesquisas e Documentação da Fundação Getúlio Vargas, em 1995.
Sérgio Chacon. Congresso, imprensa e opinião pública: o caso da CPMI dos
Sanguessugas, 2008. Internet:<www.bd.camara.gov.br> (com adaptações).

03. (AL/CE - Analista Legislativo - Língua Portuguesa – Gramática Normativa e Revisão


Ortográfica – CESPE) O período “O espaço dedicado aos assuntos políticos nos meios de comunicação
é insuficiente para dar ampla cobertura e adequada divulgação às atividades do Congresso” poderia ser
deslocado para a posição inicial do parágrafo, sem prejuízo para a organização e a coerência do texto.
A) Certo
B) Errado

TEXTO

As universidades corporativas surgiram no mercado educacional com o intuito de capacitar os


funcionários de instituições e grandes empresas. No caso da Universidade do Parlamento Cearense
(UNIPACE), um dos seus principais focos foi contribuir com a educação dos servidores públicos. Criada
em 2007, ela surgiu para aperfeiçoar a atuação do funcionalismo estadual, promovendo atividades
direcionadas à formação e qualificação profissional dos servidores e agentes políticos vinculados às
assembleias legislativas e às câmaras municipais conveniadas. A presidente da UNIPACE, Patrícia
Saboya, define a educação como princípio da democratização de um povo, da manutenção da cultura e
das tradições. Em consonância com o discurso do escritor e economista César Benjamin, que afirma: “O
maior patrimônio de um país é seu próprio povo, e o maior patrimônio de um povo é a sua cultura”, ela
acredita que a cultura permite ao cidadão comum expressar melhor conceitos e sentimentos, conhecer
bem a língua que fala, reconhecer sua identidade e ampliar seu horizonte de direitos. O resultado disso,
segundo a deputada, é um aumento de sua capacidade de organização e de comunicar-se melhor consigo

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e com outros povos, aprender novas técnicas. Enfim, ter acesso ao que de melhor a humanidade produziu
na ciência e na arte. De acordo com a parlamentar, um dos objetivos da instituição é ampliar os cursos
de formação na área de políticas públicas para capacitar os servidores públicos ao melhor atendimento à
população.
Internet: <www.al.ce.gov.br> (com adaptações).

04. (AL/CE - Analista Legislativo - Língua Portuguesa – Gramática Normativa e Revisão


Ortográfica – CESPE) No trecho “define a educação como princípio da democratização de um povo, da
manutenção”, o recurso de repetição do elemento “da” deve-se à preservação do paralelismo sintático na
oração.
A) Certo
B) Errado

TEXTO

O governo do estado do Ceará, por meio da Secretaria de Planejamento e Gestão, apresenta a


segunda edição, revisada, do Manual do Servidor Público Estadual, com o objetivo de orientar e facilitar
o entendimento de assuntos relacionados à área de pessoal no que concerne aos direitos e deveres, às
concessões e obrigações, tendo em vista as constantes alterações da legislação aplicável ao servidor.
As informações inseridas no documento apresentam-se de forma objetiva e em linguagem clara,
garantindo às pessoas o conhecimento permanente dessas informações para que não venham a sofrer
prejuízo de qualquer natureza. Importa ressaltar que esse instrumento está aberto a mudanças, para
evitar a obsolescência e de modo a proporcionar aos servidores uma dinâmica eficiente das atividades e
a possibilidade de cooperação intelectual. O governo espera que o manuseio deste manual possa servir
como importante instrumento de fortalecimento da conduta ética no trato dos assuntos relacionados ao
serviço público estadual, como fonte permanente de consulta para dirimir dúvidas e também como
mecanismo facilitador dos procedimentos administrativos.
Internet: <www.gestaodoservidor.ce.gov.br> (com adaptações).

05. (AL/CE - Analista Legislativo - Língua Portuguesa – Gramática Normativa e Revisão


Ortográfica – CESPE) A expressão “tendo em vista” poderia ser substituída por haja vista, sem prejuízo
para os sentidos do texto, uma vez que ambas as expressões estabelecem relação de causalidade entre
ideias.
A) Certo
B) Errado

06. (SAAE/SP - FISCAL LEITURISTA - VUNESP – 2014 - adaptada)

Reuso de água

A água, um dia, pode acabar. A frase soa alarmista demais, mas basta uma conversa com um
especialista na área de recursos hídricos para perceber que o que parecia impossível – não haver água
limpa para todos – é cada vez uma realidade mais próxima. Entre as soluções está o seu
reaproveitamento. E é isso o que engenheiros, sanitaristas, biólogos, empresários e o poder público têm
debatido nos últimos anos: formas de desenvolver processos produtivos mais limpos, com menor
utilização de água e produção de esgoto também. A palavra da vez nesta área é reuso, que, simplificando,
é o aproveitamento de uma água que já foi utilizada. Por exemplo: usar a água do banho para a rega de
jardim ou aquela que foi utilizada em um processo de resfriamento industrial para lavagem de
equipamentos. A vantagem disso? Redução nos gastos, na geração de esgotos e uma mudança cultural,
que considera necessário usar água com responsabilidade.
Existem no Brasil muitas pesquisas sobre formas de reuso e bons especialistas. Só que muitos desses
estudos ainda não saíram do papel e o país ainda engatinha nisso. Um dos entraves para tanto é que
não existem, por enquanto, leis que estabeleçam os sistemas de reuso, suas regras e padrões de
qualidade definidos. Essa água pode conter uma quantidade elevada de micro-organismos que trazem
danos à saúde, como bactérias, vírus e afins. Os padrões usados, até o momento, são os internacionais.
Há diretrizes sobre o tema, mas nenhuma regra estabelecida ou políticas de incentivo ao sistema – o
que vale, ainda, é a consciência de cada um em optar por formas que poluam menos e deem uma força
para o meio-ambiente.

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As iniciativas de reuso ainda estão quase que limitadas à indústria, mas alguns novos condomínios
residenciais já mostram essa preocupação.
O reuso em conjuntos residenciais funciona da seguinte forma: a água usada no banho e na máquina
de lavar roupa, por exemplo, é segregada; passa, então, para um sistema de tratamento e depois é
direcionada para utilização na descarga sanitária e limpeza das áreas comuns. Comprovou-se que a
economia acontece, tanto em pagamento de água como em lançamento de esgoto.
(Ana Holanda. Reuso de água. Saneas- Associação dos Engenheiros da Sabesp- Edição Especial/vol. 02/n.°23/agosto
2006. Adaptado).

Um dos entraves para tanto é que não existem, por enquanto, leis que estabeleçam [...] (2.º parágrafo)
[...] a água usada no banho e na máquina de lavar roupa, por exemplo, é segregada; passa, então,
para um sistema de tratamento e depois é direcionada para utilização na descarga sanitária e limpeza
das áreas comuns. (4.º parágrafo)
As palavras destacadas podem ser substituídas, correta e respectivamente, sem prejuízo do sentido
do texto, por
(A) obstáculos; evaporada.
(B) proveitos; decantada.
(C) riscos; acumulada.
(D) empecilhos; separada.
(E) desígnios; descartada.

07. (TJ-PA - MÉDICO PSIQUIATRA - VUNESP - 2014) Leia o trecho do primeiro parágrafo para
responder à questão.

Meu amigo lusitano, Diniz, está traduzindo para o francês meus dois primeiros romances, Os Éguas e
Moscow. Temos trocado e-mails muito interessantes, por conta de palavras e gírias comuns no meu Pará
e absolutamente sem sentido para ele. Às vezes é bem difícil explicar, como na cena em que alguém
empina papagaio e corta o adversário “no gasgo”.

A expressão por conta de, em destaque, tem sentido equivalente ao de.


(A) a despeito de.
(B) com o intuito de.
(C) em contrapartida a.
(D) em detrimento de
(E) em virtude de.

08. (POLÍCIA CIVIL/SP - OFICIAL ADMINISTRATIVO - VUNESP/2014) Considere a frase:


De 38 países pesquisados, o Brasil é o segundo mercado em que as empresas têm mais dificuldade
para encontrar talentos, atrás apenas do Japão.
A expressão destacada pode ser corretamente substituída, mantendo-se inalterado o sentido do texto
original e de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, por:
(A) no qual.
(B) pelo qual.
(C) do qual
(D) com o qual.
(E) em cujo o qual.

09. (PREFEITURA DE OSASCO/SP - MOTORISTA DE AMBULÂNCIA – FGV/2014)

Dificuldades no combate à dengue

A epidemia da dengue tem feito estragos na cidade de São Paulo. Só este ano, já foram registrados
cerca de 15 mil casos da doença, segundo dados da Prefeitura.
As subprefeituras e a Vigilância Sanitária dizem que existe um protocolo para identificar os focos de
reprodução do mosquito transmissor, depois que uma pessoa é infectada. Mas quando alguém fica
doente e avisa as autoridades, não é bem isso que acontece.
(Saúde Uol).

A palavra “epidemia” tem como melhor significado:

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(A) doença que atinge grande número de pessoas.
(B) enfermidade que é tratada com vacinas.
(C) problema de saúde a ser tratado pelo poder público.
(D) febre causada por motivo desconhecido.
(E) doença trazida por mosquitos ou aranhas.

10. Na oração: Em sua vida, nunca teve muito ......, apresentava-se sempre ...... no ..... de tarefas ......
.
As palavras adequadas para preenchimento das lacunas são:
(A) censo - lasso - cumprimento - eminentes
(B) senso - lasso - cumprimento - iminentes
(C) senso - laço - comprimento - iminentes
(D) senso - laço - cumprimento - eminentes
(E) censo - lasso - comprimento – iminentes

Respostas

01. Resposta C
A alternativa “C” é a correta, pois define exatamente a contrariedade de sentido entre “profano” e
“sagrado”. Profano= tudo que é estranho à religião.

02. Resposta A
Alternativa “A” privilégios=prerrogativas=concessões=vantagens dadas ao réu no mundo jurídico.

03. Resposta A
A alternativa “A” é a correta, pois mesmo se deslocando o período para o início do parágrafo, o sentido
será o mesmo e não afeta sua estrutura.

04. Resposta A
A alternativa “A” é a correta porque ao se repetir a preposição de ou sua combinação há a preservação
do paralelismo sintático na oração.

05. Resposta B
A alternativa “B” é a correta porque “tendo em vista” = aspirando, destinando-se, intentando,
planejando, pretendendo;
“haja vista” = tendo em conta, tendo em vista, a julgar por. É uma expressão que tem uma estrutura
semântica invariável, e permanece inalterada independentemente da frase onde está inserida.
A substituição de uma pela outra prejudicaria o entendimento do texto pois estabeleceria uma outra
relação (consequência).

06. Resposta D
Questão que exige que o candidato entenda o sentido da palavra em um contexto. Lendo o texto e
realizando as alterações adequadas, chega-se à conclusão de que “entrave” é algo que atrapalha –
poderia ser “obstáculo” ou “empecilho”; já “água segregada” não poderia ser substituída por “evaporada”,
pois como a reaproveitaríamos? Portanto, chegamos à Resposta: empecilhos e separada.

07. Resposta E
A expressão “por conta de” pode ser substituída por “em razão de, em virtude de”.

08. Resposta A
Eliminemos o item E, já que não deve haver artigo após o pronome “cujo”. Precisamos de uma
preposição que substitua o “em” – “no” = em + o, Portanto, a opção correta é “no qual”.

09. Resposta A
Epidemia é o termo utilizado quando há um número elevado de pessoas com a mesma doença.

10. Resposta B
Censo: conjunto de dados estatísticos que informa diferentes características dos habitantes de uma
cidade, um estado ou uma nação.

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Senso: qualidade de sensato; prudência.

Lasso: fatigado; esgotado.


Laço: nó facilmente desatável.

Comprimento: extensão de algo considerado de uma extremidade à outra


Cumprimento: ato ou efeito de cumprir; execução de algo / gesto ou palavra (oral ou escrita) que denota
delicadeza, cortesia, atenção para com outrem ou ainda agradecimento

Eminente: que se destaca por sua qualidade ou importância; excelente, superior


Iminente: situação que está para acontecer dentro de pouco tempo

Fato e Opinião

Qual é a diferença entre um fato e uma opinião? O fato é aquilo que aconteceu, enquanto que a
opinião é o que alguém pensa que ocorreu, uma interpretação dos fatos. Digamos: houve um roubo na
portaria da empresa e alguém vai investigá-lo. Se essa pessoa for absolutamente honesta, faz um
relatório claro relatando os fatos com absoluta fidelidade e após esse relato objetivo, apresenta sua
opinião sobre os acontecimentos. É usualmente desejável que ela dê sua opinião porque, se foi escalada
para investigar o crime é porque tem qualificação para isso; além disso, o próprio fato de ela ter
investigado já lhe dá autoridade para opinar.

É importante considerar:

- Vivemos num mundo em que tomamos decisões a partir de informações;

- Estas nos chegam por meio de relatos de fatos e expressões de opiniões;

- Fatos usualmente podem ser submetidos à prova: por números, documentos, registros;

- Opiniões, por outro lado, refletem juízos, valores, interpretações;

- Muitas pessoas confundem fatos e opiniões, e quando isso ocorre temos de ter cuidado com as
informações que vêm delas;

- Igualmente temos de estar atentos às nossas próprias opiniões, pois elas podem ser tomadas
como fatos por outros;

- Nossas decisões devem ser baseadas em fatos, mas podem levar em conta as opiniões de gente
qualificada sobre tais fatos.

Exemplo:

Trecho do livro “Sufismo no Ocidente”

Um mestre que conhecia o caminho para a sabedoria foi visitado por um grupo de buscadores.
Encontraram-no num pátio, cercado de discípulos, em meio ao que parecia ser uma festa.
Alguns buscadores disseram:
– Que ofensivo, esta não é a forma de se comportar, qualquer que seja o pretexto.
Outros disseram:
– Isto nos parece excelente, gostamos desta sessão de ensinamento e desejamos participar dela.
E outros disseram:
– Estamos meio perplexos e queremos saber mais sobre este enigma.
Os demais buscadores comentaram entre si:
– Pode haver alguma sabedoria nisto, mas não sabemos se devemos perguntar ou não.
O mestre afastou todos.

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Todas estas pessoas, em conversas ou por escrito, difundiram suas opiniões sobre o ocorrido.
Mesmo aqueles que não falaram por experiência direta foram afetados por ele, e suas palavras e obras
refletiram sua opinião a respeito.
Algum tempo depois, determinados membros do grupo de buscadores passaram novamente por ali
e foram ver o mestre. Parados à sua porta, observaram que, no pátio, ele e seus discípulos estavam
agora sentados com decoro, em profunda contemplação.
– Assim está melhor — disseram alguns dos visitantes. — É evidente que alguma coisa aprenderam
com os nossos protestos.
– Isto é excelente — falaram outros — porque, na última vez, sem sombra de dúvida ele só nos
estava colocando à prova.
– Isto é demasiado sombrio — outros disseram. — Podíamos ter encontrado caras sérias em
qualquer lugar.
E houve outras opiniões, faladas e pensadas. O sábio, quando terminou o tempo de reflexão,
dispensou todos estes visitantes.
Muito tempo depois, um pequeno número deles voltou para pedir sua interpretação do que haviam
experimentado. Apresentaram-se diante da porta e olharam para dentro do pátio. O mestre estava
sentado, sozinho, nem em divertimento, nem em meditação. Em parte alguma se via qualquer dos seus
anteriores discípulos.
– Agora podem escutar a história completa — disse-lhes. — Pude despedir meus discípulos, já que
a tarefa foi realizada. Quando vieram pela primeira vez, a aula tinha estado demasiadamente séria. Eu
estava aplicando o corretivo. Na segunda vez em que vieram, haviam estado demasiado alegres. Eu
estava aplicando o corretivo. Quando um homem está trabalhando, nem sempre se explica diante de
visitantes eventuais, por muito interessado que eles acreditem estar. Quando uma ação está em
andamento, o que conta é a correta realização dessa ação. Nestas circunstâncias, a avaliação externa
torna-se um assunto secundário.

Suporte, gênero e enunciador do texto; função


sociocomunicativa de um gênero textual; Interpretação com
o auxílio de material gráfico diverso; textos de diferentes
gêneros. Relação entre textos: diferentes formas de tratar
uma informação; posições distintas entre duas ou mais
opiniões relativas ao mesmo fato ou tema; intertextualidade.

Textos Ficcionais e Não Ficcionais

Os textos não ficcionais baseiam-se na realidade, e os ficcionais inventam um mundo, onde os


acontecimentos ocorrem coerentemente com o que se passa no enredo da história.
Ficcionais: Conto; Crônica; Romance; Poemas; História em Quadrinhos.

Não Ficcionais:
- Jornalísticos: notícia, editorial, artigos, cartas e textos de divulgação científica.
- Instrucionais: didáticos, resumos, receitas, catálogos, índices, listas, verbetes em geral, bulas e
notas explicativas de embalagens.
- Epistolares: bilhetes, cartas familiares e cartas formais.
- Administrativos: requerimentos, ofícios e etc.

Ficcionais

Conto

É um gênero textual que apresenta um único conflito, tomado já próximo do seu desfecho. Encerra
uma história com poucas personagens, e também tempo e espaço reduzido. A linguagem pode ser formal

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ou informal. É uma obra de ficção que cria um universo de seres e acontecimentos, de fantasia ou
imaginação. Como todos os textos de ficção, o conto apresenta um narrador, personagens, ponto de vista
e enredo. Classicamente, diz-se que o conto se define pela sua pequena extensão. Mais curto que a
novela ou o romance, o conto tem uma estrutura fechada, desenvolve uma história e tem apenas um
clímax.
As principais características do conto são:

Linguagem simples, direta, acessível e dinâmica


Narrativa linear e curta, tanto em extensão quanto no tempo em que se passa
Todas as ações se encaminham diretamente para o desfecho
Envolve poucas personagens, e todas elas se movimentam em torno de uma única ação
As ações se passam em um só espaço, constituem um só eixo temático e um só conflito

Exemplo:

Lépida
Tudo lento, parado, paralisado.
- Maldição! - dizia um homem que tinha sido o melhor corredor daquele lugar.
- Que tristeza a minha - lamentava uma pequena bailarina, olhando para as suas sapatilhas cor-de-
rosa.
Assim estava Lépida, uma cidade muito alegre que no passado fora reconhecida pela leveza e
agilidade de seus habitantes. Todos muito fortes, andavam, corriam e nadavam pelos seus limpos canais.
Até que chegou um terrível pirata à procura da riqueza do lugar. Para dominar Lépida, roubou de um
mago um elixir paralisante e despejou no principal rio. Após beberem a água, os habitantes ficaram muito
lentos, tão lentos que não conseguiram impedir a maldade do terrível pirata. Seu povo nunca mais foi o
mesmo. Lépida foi roubada em seu maior tesouro e permaneceu estagnada por muitos anos.
Um dia nasceu um menino, que foi chamado de Zim. O único entre tantos que ficou livre da maldição
que passara de geração em geração. Diferente de todos, era muito ágil e, ao crescer, saiu em busca de
uma solução. Encontrou pelo caminho bruxas de olhar feroz, gigantes de três, cinco e sete cabeças,
noites escuras, dias de chuva, sol intenso. Zim tudo enfrentou.
E numa noite morna, ao deitar-se em sua cama de folhas, viu ao seu lado um velho de olhos amarelos
e brilhantes. Era o mago que havia sido roubado pelo pirata muitos anos antes. Zim ficou apreensivo.
Mas o velho mago (que tudo sabia) deu-lhe um frasco. Nele havia um antídoto e Zim compreendeu o que
deveria fazer. Despejou o líquido no rio de sua cidade.
Lépida despertou diferente naquela manhã. Um copo de água aqui, um banho ali e eram novamente
braços que se mexiam, pernas que corriam, saltos e sorrisos. E a dança das sapatilhas cor-de-rosa.

(Carla Caruso)

Crônica

Em jornais e revistas, há textos normalmente assinados por um escritor de ficção ou por uma pessoa
especializada em determinada área (economia, gastronomia, negócios, entre outras) que escreve com
periodicidade para uma seção (por exemplo, todos os domingos para o Caderno de Economia). Esses
textos, conhecidos como crônicas, são curtos e em geral predominantemente narrativos, podendo
apresentar alguns trechos dissertativos. Exemplo:

A luta e a lição
Um brasileiro de 38 anos, Vítor Negrete, morreu no Tibete após escalar pela segunda vez o ponto
culminante do planeta, o monte Everest. Da primeira, usou o reforço de um cilindro de oxigênio para
suportar a altura. Na segunda (e última), dispensou o cilindro, devido ao seu estado geral, que era
considerado ótimo. As façanhas dele me emocionaram, a bem sucedida e a malograda. Aqui do meu
canto, temendo e tremendo toda a vez que viajo no bondinho do Pão de Açúcar, fico meditando sobre os
motivos que levam alguns heróis a se superarem. Vitor já havia vencido o cume mais alto do mundo. Quis
provar mais, fazendo a escalada sem a ajuda do oxigênio suplementar. O que leva um ser humano bem
sucedido a vencer desafios assim?

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Ora, dirão os entendidos, é assim que caminha a humanidade. Se cada um repetisse meu exemplo,
ficando solidamente instalado no chão, sem tentar a aventura, ainda estaríamos nas cavernas, lascando
o fogo com pedras, comendo animais crus e puxando nossas mulheres pelos cabelos, como os trogloditas
- se é que os trogloditas faziam isso. Somos o que somos hoje devido a heróis que trocam a vida pelo
risco. Bem verdade que escalar montanhas, em si, não traz nada de prático ao resto da humanidade que
prefere ficar na cômoda planície da segurança.
Mas o que há de louvável (e lamentável) na aventura de Vítor Negrete é a aspiração de ir mais longe,
de superar marcas, de ir mais alto, desafiando os riscos. Não sei até que ponto ele foi temerário ao recusar
o oxigênio suplementar. Mas seu exemplo - e seu sacrifício - é uma lição de luta, mesmo sendo uma luta
perdida.
(Autor: Carlos Heitor Cony.
Publicado na Folha Online)

Romance

O termo romance pode referir-se a dois gêneros literários. O primeiro deles é uma composição poética
popular, histórica ou lírica, transmitida pela tradição oral, sendo geralmente de autor anônimo;
corresponde aproximadamente à balada medieval. E como forma literária moderna, o termo designa uma
composição em prosa. Todo Romance se organiza a partir de uma trama, ou seja, em torno dos
acontecimentos que são organizados em uma sequência temporal. A linguagem utilizada em um
Romance é muito variável, vai depender de quem escreve, de uma boa diferenciação entre linguagem
escrita e linguagem oral e principalmente do tipo de Romance.
Quanto ao tipo de abordagem o Romance pode ser: Urbano, Regionalista, Indianista e Histórico. E
quanto à época ou Escola Literária, o Romance pode ser: Romântico, Realista, Naturalista e Modernista.

- Romance urbano: retratação da vida social das grandes cidades, cujo foco das tramas são,
principalmente, as comuns intrigas amorosas, as traições, os ambientes urbanos e as situações comuns
da vida das pessoas que vivem neles.

- Romance Regionalista: aborda questões sociais a respeito de determinadas regiões do Brasil,


destacando características de cada região. O linguajar típico da região é utilizado no Romance e as
personagens são pessoas que vivem longe das cidades.

- Romance Indianista: escritos principalmente durante o Romantismo e trazem à tona a vida e os


costumes indígenas. Diversas vezes, no Romantismo, os romances indianistas trazem uma idealização
do índio que vira um herói convivendo com o homem branco.

- Romance Histórico: como o nome diz, é um Romance que destaca vida e costumes de certa época
e lugar da história. Faz uma combinação entre fatos realmente ocorridos e fatos fictícios.

Poema

Um poema é uma obra literária geralmente apresentada em versos e estrofes (ainda que possa existir
prosa poética, assim designada pelo uso de temas específicos e de figuras de estilo próprias da poesia).
Efetivamente, existe uma diferença entre poesia e poema. Segundo vários autores, o poema é um objeto
literário com existência material concreta, a poesia tem um carácter imaterial e transcendente. Fortemente
relacionado com a música, beleza e arte, o poema tem as suas raízes históricas nas letras de
acompanhamento de peças musicais. Até a Idade Média, os poemas eram cantados. Só depois o texto
foi separado do acompanhamento musical. Tal como na música, o ritmo tem uma grande importância.
Um poema também faz parte de um sarau (reuniões em casas particulares para expressar artes, canções,
poemas, poesias etc). Obra em verso em que há poesia. Exemplo:

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado


Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado

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Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Vinicius de Moraes

Poema: é uma obra literária que se apresenta em forma de versos, estrofes ou prosa.

Verso: cada linha do poema.

Estrofe: conjunto de versos.

Versificação / Metrificação: é a arte de compor o verso, estrofe e poema dividindo-os em partes e


detalhando cada uma delas. As principais partes a serem estudadas são: rima, ritmo e métrica dos versos.

RIMA

Semelhança de sons das sílabas finais dos versos.


Exemplo de rima:

Poesia por acaso

Sem inspiração
estou agora.
Tento atiçar a imaginação
mas ela demora.
Não consigo pensar em algo
que faça rimas.
Clarice Pacheco

Tipos de rimas:

a) PARALELAS OU EMPARELHADAS (AA BB)

Paralelas são as rimas dispostas da seguinte maneira:


1ª com a 2ª
3ª com a 4ª

A 1 "As horas pela alameda


A 2 Arrastavam vestes de seda,

B 3 Vestes de seda sonhada


B 4 Pela alameda alongada."
Fernando Pessoa

b) OPOSTAS OU INTERPOLADAS (AB BA)

Opostas são as rimas dispostas em:


1ª com a 4ª
2ª com a 3ª

A 1 "Amo-te afim, de um calmo amor prestante


B 2 E te amo além, presente na saudade
B 3 Amo-te enfim, com grande liberdade
A 4 Dentro da eternidade e a cada instante."
Vinícius de Moraes

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c) ENCADEADAS

Encadeadas são as rimas dispostas em:


1ª com palavra não final da 2ª
3ª com palavra não final da 4ª

A 1 "As flores d'alma que se alteram belas,


A 2 Puras, singelas, orvalhadas, vivas
B 3 Têm mais aroma e são mais formosas
B 4 Que as pobres rosas num jardim cativas..."
Castro Alves

d) ALTERNADAS (AB AB)

A Sei que canto. E a canção é tudo.


B Tem sangue eterno a asa ritmada.
A E um dia sei estarei mudo
B Mais nada.

Observação:

Existem alguns versos que não possuem rima, tais versos são chamados de
“Versos Livres”.

RÍTMO

É a cadência musical dos versos, obtida através de através da sucessão de sílabas átonas e tônicas.

Exemplo:

"Tu choraste em presença da morte?


Na presença de estranhos choraste?"
Gonçalves Dias

MÉTRICA DOS VERSOS

É a técnica de medir o número de sílabas do verso.


Para realizar a escansão, que é a divisão do verso em sílabas poéticas, observe o seguinte:

duas vogais (final e inicial) formam uma só a sílaba


o ditongo crescente é contado como uma sílaba
a contagem vai até a última sílaba tônica do verso

Exemplo de escansão:
1 2 3 4 5 6 7
Oh!/ que/ sau/ da/ des/ que eu/ te-nho

1 2 3 4 5 6 7
Da au/ ro/ ra/ da/ mi/ nha/ vi-da

1 2 3 4 5 6 7
Da/ mi/ nhá in/ fân/ cia/ que/ ri-da

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1 2 3 4 5 6 7
Que os/ a/ nos/ não/ tra/ zem/ mais

Classificação dos versos em relação ao número de sílabas:

Tetrassílabos ( 4 SÍLABAS ),
Pentassílabos ( 5 SÍLABAS ),
Hexassílabos ( 6 SÍLABAS ),
Heptassílabos ( 7 SÍLABAS ),
Octossílabos ( 8 SÍLABAS ),
Eneassílabos ( 9 SÍLABAS ),
Decassílabos ( 10 SÍLABAS ),
Hendecassílabos ( 11 SÍLABAS ),
Dodecassílabos ( 12 SÍLABAS )
Versos Livres.

Alguns Versos tem Nomenclatura Especial:

de 5 sílabas ---------- redondilha menor


de 7 sílabas ---------- redondilha maior
de 10 sílabas --------- heroico
de 12 sílabas --------- alexandrino

História em quadrinhos

As primeiras manifestações das Histórias em Quadrinhos surgiram no começo do século XX, na busca
de novos meios de comunicação e expressão gráfica e visual. Entre os primeiros autores das histórias
em quadrinhos estão o suíço Rudolph Töpffer, o alemão Wilhelm Bush, o francês Georges, e o brasileiro
Ângelo Agostini. A origem dos balões presentes nas histórias em quadrinhos pode ser atribuída a
personagens, observadas em ilustrações europeias desde o século XIV.
As histórias em quadrinhos começaram no Brasil no século XIX, adotando um estilo satírico conhecido
como cartuns, charges ou caricaturas e que depois se estabeleceria com as populares tiras. A publicação
de revistas próprias de histórias em quadrinhos no Brasil começou no início do século XX também.
Atualmente, o estilo cômicos dos super-heróis americanos é o predominante, mas vem perdendo espaço
para uma expansão muito rápida dos quadrinhos japoneses (conhecidos como Mangá).
A leitura interpretativa de Histórias em Quadrinhos, assim como de charges, requer uma construção
de sentidos que, para que ocorra, é necessário mobilizar alguns processos de significação, como a
percepção da atualidade, a representação do mundo, a observação dos detalhes visuais e/ou linguísticos,
a transformação de linguagem conotativa (sentido mais usual) em denotativa (sentido amplificado pelo
contexto, pelos aspetos socioculturais etc). Em suma, usa-se o conhecimento da realidade e de processos
linguísticos para “inverter” ou “subverter” produzindo, assim, sentidos alternativos a partir de situações
extremas. Exemplo:
Observe a tirinha em quadrinhos do Calvin:

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O objetivo do Calvin era vender ao seu pai um desenho de sua autoria pela exorbitante quantia de
500 dólares. Ele optou por valorizar o desenho, mostrando todas as habilidades conquistadas para
conseguir produzi-lo. O pai, no último quadrinho, reconhece o empenho do filho, utilizando-se de um
conector de concessão (“Ainda assim”), valorizando a importância de tudo aquilo. Contudo, afirma que
não pagaria o valor pedido (como se dissesse: “sim, filho, foi um esforço absurdo, mas não vou pagar por
isso!”).
A graça está no fato de Calvin elaborar um discurso “maduro” em relação ao seu desenvolvimento
cognitivo e motor nos dois primeiros quadrinhos e, somente depois, ficar claro para nós, leitores, que toda
a força argumentativa foi em prol da cobrança pelo desenho que ele mesmo fez. Em outras palavras, o
personagem empenha-se na construção de um raciocínio em prol de uma finalidade absurda – o que nos
faz sorrir no último quadrinho, já que é somente nele que conseguimos “completar” o sentido. Claro, se
você conhece os quadrinhos do Calvin, sabe que ele tem apenas 6 anos, o que torna tudo ainda mais
hilário, mas a falta deste conhecimento não prejudica em nada a interpretação textual.

Não ficcionais - jornalísticos

Notícia

O principal objetivo da notícia é levar informação atual a um público específico. A notícia conta o que
ocorreu, quando, onde, como e por quê. Para verificar se ela está bem elaborada, o emissor deve
responder às perguntas: O quê? (fato ou fatos); Quando? (tempo); Onde? (local); Como? (de que forma)
e Por quê? (causas). A notícia apresenta três partes:

- Manchete (ou título principal) – resume, com objetividade, o assunto da notícia. Essa frase curta
e de impacto, em geral, aparece em letras grandes e destacadas.
- Lide (ou lead) – complementa o título principal, fornecendo as principais informações da notícia.
Como a manchete, sua função é despertar a atenção do leitor para o texto.
- Corpo – contém o desenvolvimento mais amplo e detalhado dos fatos.
A notícia usa uma linguagem formal, que segue a norma culta da língua. A ordem direta, a voz ativa,
os verbos de ação e as frases curtas permitem fluir as ideias. É preferível a linguagem acessível e simples.
Evite gírias, termos coloquiais e frases intercaladas.
Os fatos, em geral, são apresentados de forma impessoal e escritos em 3ª pessoa, com o predomínio
da função referencial, já que esse texto visa à informação.
A falta de tempo do leitor exige a seleção das informações mais relevantes, vocabulário preciso e termos específicos
que o ajudem a compreender melhor os fatos. Em jornais ou revistas impressos ou on-line, e em programas de rádio ou
televisão, a informação transmitida pela notícia precisa ser verídica, atual e despertar o interesse do leitor.

Editorial

Os editoriais são textos de um jornal em que o conteúdo expressa a opinião da empresa, da direção
ou da equipe de redação, sem a obrigação de ter alguma imparcialidade ou objetividade. Geralmente,
grandes jornais reservam um espaço predeterminado para os editoriais em duas ou mais colunas logo
nas primeiras páginas internas. Os boxes (quadros) dos editoriais são normalmente demarcados com
uma borda ou tipografia diferente para marcar claramente que aquele texto é opinativo, e não informativo.
Exemplo:

Cidade paraibana é exemplo ao País

Em tempos em que estudantes escrevem receita de macarrão instantâneo e transcrevem hino de clube
de futebol na redação do Exame Nacional do Ensino Médio e ainda obtém nota máxima no teste, uma
boa notícia vem de uma pequena cidade no interior da Paraíba chamada Paulista, de cerca de 12 mil
habitantes. Alunos da Escola Municipal Cândido de Assis Queiroga obtiveram destaque nas últimas
edições da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas.
O segredo é absolutamente simples, e quem explica é a professora Jonilda Alves Ferreira: a chave é
ensinar Matemática através de atividades do cotidiano, como fazer compras na feira ou medir ingredientes
para uma receita. Com essas ações práticas, na edição de 2012 da Olimpíada, a escola conquistou nada
menos do que cinco medalhas de ouro, duas de prata, três de bronze e 12 menções honrosas. Orgulhosa,
a professora conta que se sentia triste com a repulsa dos estudantes aos números, e teve a ideia de pô-
los para vivenciar a Matemática em suas vidas, aproximando-os da disciplina.

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O que parecia ser um grande desafio tornou-se realidade e, hoje, a cidade inteira orgulha-se de seus
filhos campeões olímpicos. Os estudantes paraibanos devem ser exemplo para todo o País, que anda
precisando, sim, de modelos a se inspirar. O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA,
na sigla em inglês) – o mais sério teste internacional para avaliar o desempenho escolar e coordenado
pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – continua sendo implacável com o
Brasil. No exame publicado de 2012, o País aparece na incômoda penúltima posição entre 40 países
avaliados.
O teste aponta que o aprendizado de Matemática, Leitura e Ciências durante o ciclo fundamental é
sofrível, e perdemos para países como Colômbia, Tailândia e México. Já passa da hora de as autoridades
melhorarem a gestão de nossa Educação Pública e seguir o exemplo da pequena Paulista.

Fonte: http://www.oestadoce.com.br/noticia/
editorial-cidade-paraibana-e-exemplo-ao-pais

Artigos

É comum encontrar circulando no rádio, na TV, nas revistas, nos jornais, temas polêmicos que exigem
uma posição por parte dos ouvintes, espectadores e leitores, por isso, o autor geralmente apresenta seu
ponto de vista sobre o tema em questão através do artigo (texto jornalístico).
Nos gêneros argumentativos, o autor geralmente tem a intenção de convencer seus interlocutores e,
para isso, precisa apresentar bons argumentos, que consistem em verdades e opiniões. O artigo de
opinião é fundamentado em impressões pessoais do autor do texto e, por isso, são fáceis de contestar.
O artigo deve começar com uma breve introdução, que descreva sucintamente o tema e refira os
pontos mais importantes. Um leitor deve conseguir formar uma ideia clara sobre o assunto e o conteúdo
do artigo ao ler apenas a introdução. Por favor tenha em mente que embora esteja familiarizado com o
tema sobre o qual está a escrever, outros leitores da podem não o estar. Assim, é importante clarificar
cedo o contexto do artigo. Por exemplo, em vez de escrever:
Guano é um personagem que faz o papel de mascote do grupo Lily Mu. Seria mais informativo
escrever:
Guano é um personagem da série de desenho animado Kappa Mikey que faz o papel de mascote do
grupo Lily Mu.

Caracterize o assunto, especialmente se existirem opiniões diferentes sobre o tema. Seja objetivo.
Evite o uso de eufemismos e de calão ou gíria, e explique o jargão. No final do artigo deve listar as
referências utilizadas, e ao longo do artigo deve citar a fonte das afirmações feitas, especialmente se
estas forem controversas ou suscitarem dúvidas.

Cartas

A carta é um dos instrumentos mais úteis em situações diversas. É um dos mais antigos meios de
comunicação. Em uma carta formal é preciso ter cuidado na coerência do tratamento, por exemplo, se
começamos a carta no tratamento em terceira pessoa devemos ir até o fim em terceira pessoa: se, si,
consigo, o, a, lhe, sua, diga, não digas, etc., seguindo também os pronomes e formas verbais na terceira
pessoa.
Atenção aos pronomes de tratamento como Vossa Senhoria, Vossa Excelência, eles devem concordar
sempre na terceira pessoa.
Há vários tipos de cartas, a forma da carta depende do seu conteúdo:

- Carta Pessoal é a carta que escrevemos para amigos, parentes, namorado(a), o remetente é a
própria pessoa que assina a carta, estas cartas não têm um modelo pronto, são escritas de uma maneira
particular.

- Carta Comercial se torna o meio mais efetivo e seguro de comunicação dentro de uma organização.
A linguagem deve ser clara, simples, correta e objetiva. Existem alguns tipos de carta comercial:

- Particular, familiar ou social: são tipos de correspondência que são trocadas entre
particulares, cujo assunto, se enquadra em particular, íntimo e pessoal.

- Bancária: este é focalizado nos assuntos relacionados à vida bancária.

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- Comercial: associado às transações industriais ou comerciais.

- Oficial: Destinada ao serviço militar, público ou civil.

A documentação comercial compreende os papéis empregados em todas as transações da empresa


como: Carta, Telegrama, Cheque, Pedido de Duplicatas, Faturas, Memorandos, Relatórios, Avisos,
Recibos, Fax. Na correspondência a linguagem mais correta é aquela que é adequada ao contexto, ao
momento, e à relação entre o emissor e o destinatário.
Por exemplo: a linguagem que você usa para falar com um amigo, não é a mesma que você usa para
falar com sua avó, ou com um parente distante.
Existem vários tipos de cartas, e pessoas diferentes para qual deve mandá-las, cartas de amor, de
familiares que moram muito longe, ou se alguém é parabenizado por seu aniversário. A carta ao ser
escrita deve ser primeiramente bem analisada em termos de língua portuguesa, ou seja, deve-se observar
a concordância, a pontuação e a maneira de escrever com início, meio e então o fim, contendo também
um cabeçalho e se for uma carta formal, deve conter pronomes de tratamento (Senhor, Senhora, V. Ex.ª
etc.) e por fim a finalização da carta que deve conter somente um cumprimento formal ou não (grato,
beijos, abraços, adeus etc.).
Depois de todos esses itens terem sido colocados na carta, a mesma deverá ser colocada em um
envelope para ser enviado ao destinatário. Na parte de trás e superior do envelope deve-se conter alguns
dados muito importantes tais como: nome do destinatário, endereço (rua, bairro e cidade) e por fim o
CEP. Já o remetente (quem vai enviar a carta), também deve inserir na carta os mesmos dados que o do
destinatário, que devem ser escritos na parte da frente do envelope. E por fim deve ser colocado no
envelope um selo que serve para que a carta seja levada à pessoa mencionada. Exemplo:

- Cabeçalho: cidade, data, mês e ano.


- Conteúdo: o texto da carta com começo, meio e fim.
- Saudações: finalização da carta.

No envelope deve conter: Atrás do envelope, lado com aba. Remetente.


- Nome completo.
- Rua – número – bairro (não obrigatório)
- Cidade – Estado.
- CEP.

Alguns concursos e exames vestibulares trazem como prova de redação o pedido de elaboração de
uma carta argumentativa. Significa que o estudante deverá elaborar uma carta que tenha "tese" (o assunto
propriamente dito) argumentação (o conjunto de ideias ou fatos que constituem os argumentos que levam
ao convencimento ou à conclusão de algo) e conclusão.
A carta argumentativa que apresento como exemplo tem como tese o "casamento", ou melhor, "a
manutenção do casamento". A argumentação, em dois parágrafos, tenta convencer o interlocutor de que
o casamento não deve ser desfeito, sendo esta a conclusão.

Caro Nicolo

Chegou-me a notícia de que você e Maria Lúcia estão em vias de separação. Isso me entristeceu
deveras, já que vocês sempre foram considerados o casal exemplar. Lembra-se daquela época quando
brincávamos, dizendo que vocês eram "mais" perfeitos que Tarcísio Meira e Glória Meneses, o casal
modelo da televisão brasileira? Pois é. E agora me vem essa informação estapafúrdia de que a perfeição
é imperfeita. Fiquei chocado, mas ainda tenho a esperança de que não passa de uma crise superável.
Por isso peguei a caneta para escrever-lhes minhas considerações sobre o assunto e tentar ajudá-los a
superar isso. Como amigo de infância e mais velho que você, portanto mais experiente, acho que tenho
esse direito, não é mesmo? E também porque, conforme você sabe muito bem, minha tese sempre foi a
de que casamento é dedicação e sacrifício. Isso que quero evidenciar a vocês nestas linhas.
Quando vocês se uniram, não apenas formaram um casal, mas sim se tornaram um casal, o que
significa que a individualidade de cada um não foi extinta. Cada um de vocês traz uma bagagem de
história pessoal e familiar muito forte, e isso não pode ser jamais desprezado. Em alguma crise conjugal,
cada um deve ter isso em mente, para entender os pontos de vista do outro e, assim, relevar pequenos
deslizes e perdoá-los. Perdoar não significa esquecer completamente o problema, mas sim renunciar à
punição e deixar de considerar essenciais os erros. O mais importante está na harmonia do casal e do

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próprio ser. Quem consegue agir dessa maneira desenvolve, certamente, suas inteligências interpessoais
e intrapessoais.
O segundo aspecto que quero frisar é o da honra, esse princípio ético que leva alguém a ter uma
conduta proba, virtuosa, corajosa, e que lhe permite gozar de bom conceito junto à sociedade. Muito bem.
Não quero entrar em detalhes de caráter religioso, mas quero lembrar-lhes que prometeram perante a
comunidade e perante seu líder religioso ficar juntos "até que a morte os separe". Foi uma promessa
solene. Uma pessoa honrada cumpre suas promessas e não se deixa abater por seus problemas, e sim
os resolve conforme surgirem, por mais graves que sejam.
Vocês são extremamente inteligentes e têm aquelas duas inteligências, intrapessoal e interpessoal,
bem desenvolvidas, eu o sei. Devem, portanto, renunciar à punição que estão infligindo a si mesmos e
enfrentar a situação com dignidade, já que são pessoas honradas. Devem, portanto, tentar, até a última
esperança, manter o casamento. E não podem deixar que essa última esperança se esgote. "Aparem as
arestas", como dizem alguns, e não esgotem os recursos para permanecerem juntos, afinal casamento é
dedicação e sacrifício. Espero que essas poucas palavras produzam o efeito desejado: a conscientização
de que vocês são unos, de que o casal que se tornaram não deve e não pode ser desfeito e de que são
capazes de solucionar as desavenças e transformá-las em aprendizagem.
Abraços fraternos de seu amigo.
Noslid Takannory

Carta Argumentativa

Relembrando, é preciso destacar dois tipos básicos de carta. O primeiro é a correspondência oficial e
comercial, que nos é enviada pelos poderes políticos ou por empresas privadas (comunicações de multas
de trânsito, mudanças de endereço e telefone, propostas para renovar assinaturas de revistas, etc.).
Este tipo de carta caracteriza-se por seguir modelos prontos, em que o remetente só altera alguns
dados. Apresentam uma linguagem padronizada (repare que elas são extremamente parecidas,
começando geralmente por “Vimos por meio desta…”) e normalmente são redigidas na linguagem formal
culta. Nesse tipo de correspondência, mesmo que venha assinada por uma pessoa física, o emissor é
uma pessoa jurídica (órgão público ou empresa privada), no caso, devidamente representada por um
funcionário.
Outro tipo de correspondência é a carta pessoal, que utilizamos para estabelecer contato com amigos,
parentes, namorado(a). Tais cartas, por serem mais informais que a correspondência oficial e comercial,
não seguem modelos prontos, caracterizando-se pela linguagem coloquial. Nesse caso o remetente é a
própria pessoa que assina a correspondência.
Embora você possa encontrar por aí livros que trazem “modelos” de cartas pessoais (principalmente
“modelos de carta de amor”), fuja deles, pois tais “modelos” se caracterizam por uma linguagem artificial,
surrada, repleta de expressões desgastadas, além de serem completamente ultrapassados.
Não há regras fixas (nem modelos) para se escrever uma carta pessoal, afora a data, o nome (ou
apelido) da pessoa a quem se destina e o nome (ou apelido) de quem a escreve, a forma de redação de
uma carta pessoal é extremamente particular.
No processo de comunicação (e a correspondência é uma forma de comunicação entre pessoas), não
se pode falar em linguagem correta, mas em linguagem adequada. Não falamos com uma criança do
mesmo modo que falamos com um adulto.
A linguagem que utilizamos quando discutimos um filme com os amigos é bastante diferente daquela
a que recorremos quando vamos requerer vaga para um estágio ao diretor de uma empresa. Em síntese:
a linguagem correta é a adequada ao assunto tratado (mais formal ou mais informal), à situação em que
está sendo produzida, à relação entre emissor e destinatário (a linguagem que você utiliza com um amigo
íntimo é bastante diferente da que se utiliza com um parente distante ou mesmo com um estranho).
Na correspondência deve ocorrer exatamente a mesma coisa: a linguagem e o tratamento utilizados
vão variar em função da intimidade dos correspondentes, bem como do assunto tratado. Uma carta a um
parente distante comunicando um fato grave ocorrido com alguém da família apresentará uma linguagem
mais formal. Já uma carta ao melhor amigo comunicando a aprovação no vestibular terá uma linguagem
mais simples e descontraída, sem formalismos de qualquer espécie.

Partes da Carta

- local e data;
- destinatário;
- saudação;

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- interlocução com o destinatário;
- despedida;
- assinatura.

Esses itens estão na ordem em que devem aparecer. Caso se esqueça de dizer algo importante e já
tenha finalizado a carta é só acrescentar a abreviação latina P.S (post scriptum) ou Obs. (observação).
Essa sigla é originada do verbo latino “post scribere” que significa “escrever depois”.

As Expressões Surradas

Na produção de textos, devemos evitar frases feitas e expressões surradas (os chamados clichês),
como “nos píncaros da glória”, “silêncio sepulcral”, “nos primórdios da humanidade”, etc. Na carta, não é
diferente. Fuja de expressões surradas que já apareceram em milhares de cartas, como “Escrevo-lhes
estas mal traçadas linhas” ou “Espero que esta vá encontrá-lo gozando de saúde”.

A Coerência no Tratamento

Na carta formal, é necessário a coerência no tratamento. Se a iniciamos tratando o destinatário por tu,
devemos manter esse tratamento até o fim, tomando todo o cuidado com pronome e formas verbais.
Nesse tipo de carta, são comuns os erros de uniformidade de tratamento como o que apresentamos
abaixo:

“Você deverá comparecer à reunião. Espero-te ansiosamente. Não se esqueça de trazer tua agenda.”

Observe que não há nenhuma uniformidade de tratamento: começa-se por você (terceira pessoa),
depois se passa para a segunda pessoa (te), volta-se à terceira (se), terminando com a segunda (tua).
Ainda com relação à uniformidade, fique atento ao emprego de pronomes de tratamento como Vossa
Senhoria, Vossa Excelência, etc. Embora se refiram às pessoas com quem falamos, esses pronomes
devem concordar na terceira pessoa. Veja:

“Aguardo que Vossa Senhoria possa enviar-me ainda hoje os relatórios de sua autoria.
Vossa Excelência não precisa preocupar-se com seus auxiliares.”

Pronome de Tratamento

- Abade, prior, superior, visitador de ordem religiosa – Paternidade – Revmo. Dom (Padre)
- Abadessa – Caridade – Revma. Madre
- Almirante – Excelência – Exmo. Sr. Almirante
- Arcebispo – Excelência e Reverendíssima – Exmo. e Revmo. Dom
- Arquiduque – Alteza – A Sua Alteza Arquiduque
- Bispo – Excelência e Reverendíssima – Exmo. E Revmo. Dom
- Brigadeiro – Excelência – Exmo. Sr. Brigadeiro
- Cardeal – Eminência e Reverendíssima – Emmo. E Revmo. Cardeal Dom
- Cônego – Reverendíssima – Revmo. Sr. Côn.
- Cônsul – Senhoria (Vossa Senhoria) – Ilmo. Sr. Cônsul
- Coronel – Senhoria – Ilmo. Sr. Cel.
- Deputado – Excelência – Exmo. Sr. Deputado
- Desembargador – Excelência – Exmo. Sr. Desembargador
- Duque – Alteza (Sereníssimo Senhor) – A Sua Alteza Duque
- Embaixador – Excelência – Exmo. Sr. General
- Frade – Reverendíssima – Revmo. Sr. Fr.
- Freira – Reverendíssima – Revma. Ir.
- General – Excelência – Exmo. Sr. General
- Governador de Estado – Excelência – Exmo. Sr. Governador
- Imperador – Majestade (Senhor) – A Sua Majestade Imperador
- Irmã (Madre, Sóror) – Reverendíssima – Rema. Ir. (Madre, Sóror)
- Juiz – Excelência (Meritíssimo Juiz) – Exmo. Sr. Dr.
- Major – Senhoria – Ilmo. Sr. Major
- Marechal – Excelência – Emo. Sr. Marechal

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- Ministro – Excelência – Exmo. Sr. Ministro
- Monsenhor – Reverendíssima – Revmo. Sr. Mons.
- Padre – Reverendíssima – Revmo. Sr. Padre
- Papa – Santidade (Santíssimo Padre), Beatitude – A Sua Santidade Papa (Ao Beatíssimo Padre)
- Patriarca – Excelência, Reverendíssima e Beatitude – Exmo. E Revmo. Dom (Ao Beatíssimo Padre)
- Prefeito – Excelência – Exmo. Sr. Prefeito
- Presidente de Estado – Excelência – Exmo. Sr. Presidente
- Príncipe, Princesa – Alteza (Sereníssimo Senhor, Sereníssima Senhor) – A Sua Alteza Príncipe (ou
Princesa)
- Rei, Rainha – Majestade (Senhor, Senhora) – A Sua Majestade Rei (ou Rainha)
- Reitor (de Universidade) – Magnificência (Magnífico Reitor) – Exmo. Sr. Reitor
- Reitor (de Seminário) – Reverendíssimo – Revmo. Sr. Pe.
- Secretário de Estado – Excelência – Exmo. Sr. Secretário
- Senador – Excelência – Exmo. Sr. Senador
- Tenente Coronel – Senhoria – Ilmo. Sr. Ten. Cel.
- Vereador – Excelência – Ilmo. Sr. Vereador
- Demais autoridades, oficiais e particulares, chefes de seção, presidentes de bancos, órgãos
de segundo escalão do governo – Senhoria – Ilmo. Sr.

Na Correspondência Pública, costuma-se usar V.Sª para pessoa de categoria igual ou inferior, e V.
Exª para pessoa de categoria superior.
Consultor geral, Chefe de estado, chefe de gabinetes Legislativo, Demais autoridades recebem como
pronome de tratamento Vossa Senhoria. Como vocativo – quando se dirige a autoridade (forma adequada
ao Cargo): Usa-se “Senhor”.
Todos os tratamentos podem aparecer na forma oblíqua, após dirigir-se a uma autoridade. Podemos,
sem temor de erro, dizer: “Formulamos-lhe”, “pedimos-lhe”, vemos na sua pessoa”, em vez de formulamos
a V. Sª., ou a V.Exª., etc.

A Carta é o elemento postal mais importante, constituída por algumas folhas de papel fechadas em
um envelope, que é selado e enviado ao destinatário da mensagem através do serviço dos correios.
Atualmente a carta vem sendo substituída pelo e-mail que é a forma de correio eletrônico mais
difundida no mundo, mas ainda há pessoas que pelo simples prazer de trocar correspondências físicas
preferem utilizar o método da Carta.
Encontramo-nos hoje, inseridos em uma sociedade extremamente dinâmica, na qual o fator “tempo”
desempenha sua palavra de ordem. Para que possamos acompanhar esta evolução, precisamos nos
adequar constantemente, principalmente com o manuseio referente aos recursos tecnológicos.
Sua finalidade restringe-se à comunicação entre as pessoas, uma vez que esta se dá de forma rápida
e eficiente, permitindo que haja a troca de mensagens feitas em meio eletrônico, interagindo as relações
pessoais e profissionais. Essa comunicação, que antes só era possível por meio de cartas e telegramas,
atualmente possibilita a troca de informações a qualquer instante, independente da distância a que se
inserem os interlocutores envolvidos.
Quanto à estrutura, assemelha-se à carta no que se refere ao vocativo, texto, despedida e assinatura.
A data não é fator relevante, pois o próprio programa já se incube de detalhar o dia e a hora em que a
mensagem foi enviada.
No que se refere à linguagem, esta varia de acordo com o grau de intimidade estabelecido entre os
interlocutores e com a finalidade a que se destina a comunicação. Obviamente que, ao se tratar de
assuntos profissionais, o vocabulário tende a apresentar certo formalismo.
A palavra e-mail constitui a redução de eletronic mail, cuja significância é correio eletrônico, sua
estrutura pauta-se pela seguinte forma: nome@provedor.com.br
O nome representa o usuário; @ é o símbolo que passa ao computador a mensagem de que o conjunto
de informações é de um endereço de e-mail; o provedor é a empresa que viabiliza o acesso à Internet de
forma gratuita ou mediante o pagamento de uma taxa. O termo “com” tem o sentido de comercial e “br”
de Brasil.

Na maioria dos jornais e revistas, há uma seção destinada a cartas do leitor. Ela oferece um espaço
para o leitor elogiar ou criticar uma matéria publicada, ou fazer sugestões. Os comentários podem referir-
se às ideias de um texto, com as quais o leitor concorda ou não; à maneira como o assunto foi abordado;
ou à qualidade do texto em si. É possível também fazer alusão a outras cartas de leitores, para concordar
ou não com o ponto de vista expresso nelas. A linguagem da carta costuma variar conforme o perfil dos

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leitores da publicação. Pode ser mais descontraída, se o público é jovem, ou ter um aspecto mais formal.
Esse tipo de carta apresenta formato parecido com o das cartas pessoais: data, vocativo (a quem ela é
dirigida), corpo do texto, despedida e assinatura.

Textos de divulgação científica

Sua finalidade discursiva pauta-se pela divulgação de conhecimentos acerca do saber científico,
assemelhando-se, portanto, com os demais gêneros circundantes no meio educacional como um todo,
entre eles, textos didáticos e verbetes de enciclopédias. Mediante tal pressuposto, já temos a ideia do
caráter condizente à linguagem, uma vez que esta se perfaz de características marcantes - a objetividade,
isentando-se de traços pessoais por parte do emissor, como também por obedecer ao padrão formal da
língua. Outro aspecto passível de destaque é o fato de que no texto científico, às vezes, temos a
oportunidade de nos deparar com determinadas terminologias e conceitos próprios da área científica a
que eles se referem.
Veiculados por diversos meios de comunicação, seja em jornais, revistas, livros ou meio eletrônico,
compartilham-se com uma gama de interlocutores. Razão esta que incide na forma como se estruturam,
não seguindo um padrão rígido, uma vez que este se interliga a vários fatores, tais como: assunto, público-
alvo, emissor, momento histórico, dentre outros. Mas, geralmente, no primeiro e segundo parágrafos, o
autor expõe a ideia principal, sendo representada por uma ideia ou conceito. Nos parágrafos que seguem,
ocorre o desenvolvimento propriamente dito da ideia, lembrando que tais argumentos são subsidiados
em fontes verdadeiramente passíveis de comprovação - comparações, dados estatísticos, relações de
causa e efeito, dentre outras.

Não ficcionais – instrucionais

Didáticos

Na leitura de um texto didático, é preciso apanhar suas ideias fundamentais. Um texto didático é um
texto conceitual, ou seja, não figurativo. Nele os termos significam exatamente aquilo que denotam, sendo
descabida a atribuição de segundos sentidos ou valores conotativos aos termos. Num texto didático
devem se analisar ainda com todo o cuidado os elementos de coesão. Deve-se observar a expectativa
de sentido que eles criam, para que possa entender bem o texto.
O entendimento do texto didático de uma determinada disciplina requer o conhecimento do significado
exato dos termos com que ela opera. Conhecer esses termos significa conhecer um conjunto de princípios
e de conceitos sobre os quais repousa uma determinada ciência, certa teoria, um campo do saber. O uso
da terminologia científica dá maior rigor à exposição, pois evita as conotações e as imprecisões dos
termos da linguagem cotidiana. Por outro lado, a definição dos termos depende do nível de público a que
se destina.
Um manual de introdução à física, destinado a alunos de primeiro grau, expõe um conceito de cada
vez e, por conseguinte, vai definindo paulatinamente os termos específicos dessa ciência. Num livro de
física para universitários não cabe a definição de termos que os alunos já deveriam saber, pois senão
quem escreve precisaria escrever sobre tudo o que a ciência em que ele é especialista já estudou.

Resumos

Resumo é uma exposição abreviada de um acontecimento. Fazer um resumo significa apresentar o


conteúdo de forma sintética, destacando as informações essenciais do conteúdo de um livro, artigo,
argumento de filme, peça teatral, etc. A elaboração de um resumo exige análise e interpretação do
conteúdo para que sejam transmitidas as ideias mais importantes.
Escrever um texto em poucas linhas ajuda o aluno a desenvolver a sua capacidade de síntese,
objetividade e clareza: três fatores que serão muito importantes ao longo da vida escolar. Além de ser um
ótimo instrumento de estudo da matéria para fazer um teste. Resumo é sinônimo de “recapitulação”,
quando, ao final de cada capítulo de um livro é apresentado um breve texto com as ideias chave do
assunto introduzido. Outros sinônimos de resumo são: sinopse, sumário, síntese, epítome e compêndio.

Receitas

A receita tem como objetivo informar a fórmula de um produto seja ele industrial ou caseiro, contando
detalhadamente sobre seu preparo. É uma sequência de passos para a preparação de alimentos. As

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receitas geralmente vêm com seus verbos no modo imperativo, para dar ordens de como preparar seu
prato seja ele qual for. Elas são encontradas em diversas fontes como: livros, sites, programas (TV/Rádio),
revistas ou até mesmo em jornais e panfletos. A receita também ajuda a fazer vários tipos de pratos
típicos e saudáveis e até sobremesas deliciosas.

Catálogos

Catálogo é uma relação ordenada de coisas ou pessoas com descrições curtas a respeito de cada uma.
Espécie de livro, guia ou sumário que contém informações sobre lugares, pessoas, produtos e outros.
Têm o objetivo de dar opções para uma melhor escolha.

Índices

Enumeração detalhada dos assuntos, nomes de pessoas, nomes geográficos, acontecimentos, etc.,
com a indicação de sua localização no texto.

Listas

Enumeração de elementos selecionados do texto, tais como datas, ilustrações, exemplo, tabelas etc.,
na ordem de sua ocorrência.

Verbetes em geral

O verbete é um tipo de texto predominantemente descritivo. A elaboração reflete o conflito seminal


que define a elegância científica: a negociação constante entre síntese e exaustividade. Os padrões do
gênero valorizam tanto a brevidade e a abordagem direta dos temas quanto o detalhamento e a
completude da informação.
É um texto escrito, de caráter informativo, destinado a explicar um conceito segundo padrões
descritivos sistemáticos, determinados pela obra de referência da qual faz parte: mais comumente, um
dicionário ou uma enciclopédia. O verbete é essencialmente destinado a consulta, o que lhe impõe uma
construção discursiva sucinta e de acesso imediato, embora isso não incorra necessariamente em curta
extensão. Geralmente, os verbetes abordam conceitos bem estabelecidos em algum paradigma
acadêmico-científico, ao invés de entrar em polêmicas referentes a categorias teóricas discutíveis.
Por sua pretensão universalista e pela posição respeitável que ocupa no sistema de valores da cultura
racionalista, espera-se que todo verbete siga as normas padrão de uso da língua escrita, em um nível
elevado de formalidade. Por sua natureza sistemática e por ser destinado à consulta, espera-se que a
linguagem do verbete seja também o mais objetiva possível. As consequências gramaticais desse
princípio são: no nível lexical, precisão na escolha dos termos e ausência de palavras que expressem
subjetividade (opiniões, impressões e sensações); no nível sintático, simplificação das construções; e no
nível estilístico, denotação (ausência de ornamentos e figuras de linguagem).
É comum a presença de terminologia especializada na construção do verbete, embora sua frequência
varie conforme o público consumidor da obra de referência em que se insere o texto. Elementos de
linguagens não verbais (especialmente pictóricos) são tradicionalmente agregados ao verbete com função
de esclarecimento.

Bulas

Bula pode referir-se a:


Bula Pontifícia - documento expedido pela Santa Sé. Refere-se não ao conteúdo e à solenidade de
um documento pontifício, como tal, mas à apresentação, à forma externa do documento, a saber, lacrado
com pequena bola (em latim, “bulla”) de cera ou metal, em geral, chumbo. Assim, existem Litterae
Apostolicae (carta apostólica) em forma ou não de bula e também Constituição Apostólica em forma de
bula. Por exemplo, a carta apostólica “Munificentissimus Deus”, bem como as Constituições Apostólicas
de criação de dioceses. A bula mais antiga que se conhece é do Papa Agapito I (535), conservada apenas
em desenho. O mais antigo original conservado é do Papa Adeodato I (615-618).

Bula (medicamento) - folha com informações sobre medicamentos. Nome que se dá ao conjunto de
informações sobre um medicamento que obrigatoriamente os laboratórios farmacêuticos devem

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acrescentar à embalagem de seus produtos vendidos no varejo. As informações podem ser direcionadas
aos usuários dos medicamentos, aos profissionais de saúde ou a ambos.

Notas explicativas de embalagens

As notas explicativas servem para que o fabricante do produto esclareça ou explique aspectos da
composição, nutrição, advertências a respeito do produto.

Não ficcionais – epistolares

Bilhetes

O bilhete é uma mensagem curta, trocada entre as pessoas, para pedir, agradecer, oferecer, informar,
desculpar ou perguntar. O bilhete é composto normalmente de: data, nome do destinatário antecedido de
um cumprimento, mensagem, despedida e nome do remetente. Exemplo:

Belinha,
Passei na sua casa para contar o que aconteceu comigo ontem à noite.
Telefone para mim hoje à tarde, que eu vou contar tudinho para você!
Um beijinho da amiga Juliana. 14/03/2013

Cartas familiares e cartas formais

A carta é um dos instrumentos mais úteis em situações diversas. É um dos mais antigos meios de
comunicação. Em uma carta formal é preciso ter cuidado na coerência do tratamento, por exemplo, se
começamos a carta no tratamento em terceira pessoa devemos ir até o fim em terceira pessoa, seguindo
também os pronomes e formas verbais na terceira pessoa. Há vários tipos de cartas, o formato da carta
depende do seu conteúdo:
- Carta Pessoal é a carta que escrevemos para amigos, parentes, namorado(a), o remetente é a
própria pessoa que assina a carta, estas cartas não têm um modelo pronto, são escritas de uma maneira
particular.
- Carta Comercial se torna o meio mais efetivo e seguro de comunicação dentro de uma organização.
A linguagem deve ser clara, simples, correta e objetiva.
A carta ao ser escrita deve ser primeiramente bem analisada em termos de língua portuguesa, ou seja,
deve-se observar a concordância, a pontuação e a maneira de escrever com início, meio e então o fim,
contendo também um cabeçalho e se for uma carta formal, deve conter pronomes de tratamento (Senhor,
Senhora, V. Ex.ª etc.) e por fim a finalização da carta que deve conter somente um cumprimento formal
ou não (grato, beijos, abraços, adeus etc.). Depois de todos esses itens terem sido colocados na carta, a
mesma deverá ser colocada em um envelope para ser enviado ao destinatário. Na parte de trás e superior
do envelope deve-se conter alguns dados muito importantes tais como: nome do destinatário, endereço
(rua, bairro e cidade) e por fim o CEP. Já o remetente (quem vai enviar a carta), também deve inserir na
carta os mesmos dados que o do destinatário, que devem ser escritos na parte da frente do envelope. E
por fim deve ser colocado no envelope um selo que serve para que a carta seja levada à pessoa
mencionada.

Não ficcionais – administrativos

Requerimentos

É o instrumento por meio do qual o interessado requer a uma autoridade administrativa um direito do
qual se julga detentor. Estrutura:
- Vocativo, cargo ou função (e nome do destinatário), ou seja, da autoridade competente.
- Texto incluindo: Preâmbulo, contendo nome do requerente (grafado em letras maiúsculas) e
respectiva qualificação: nacionalidade, estado civil, profissão, documento de identidade, idade (se maior
de 60 anos, para fins de preferência na tramitação do processo, segundo a Lei 10.741/03), e domicílio
(caso o requerente seja servidor da Câmara dos Deputados, precedendo à qualificação civil deve ser
colocado o número do registro funcional e a lotação); Exposição do pedido, de preferência indicando os
fundamentos legais do requerimento e os elementos probatórios de natureza fática.
- Fecho: “Nestes termos, Pede deferimento”.

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- Local e data.
- Assinatura e, se for o caso de servidor, função ou cargo.

Ofícios

O Ofício deve conter as seguintes partes:

- Tipo e número do expediente, seguido da sigla do órgão que o expede. Exemplos:


Of. 123/2002-MME
Aviso 123/2002-SG
Mem. 123/2002-MF

- Local e data. Devem vir por extenso com alinhamento à direita. Exemplo:
Brasília, 20 de maio de 2013

- Assunto. Resumo do teor do documento. Exemplos:


Assunto: Produtividade do órgão em 2012.
Assunto: Necessidade de aquisição de novos computadores.

- Destinatário. O nome e o cargo da pessoa a quem é dirigida a comunicação. No caso do ofício,


deve ser incluído também o endereço.

- Texto. Nos casos em que não for de mero encaminhamento de documentos, o expediente deve
conter a seguinte estrutura:

Introdução: que se confunde com o parágrafo de abertura, na qual é apresentado o assunto que
motiva a comunicação. Evite o uso das formas: “Tenho a honra de”, “Tenho o prazer de”, “Cumpre-me
informar que”, empregue a forma direta;
Desenvolvimento: no qual o assunto é detalhado; se o texto contiver mais de uma ideia sobre o
assunto, elas devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que confere maior clareza à exposição;
Conclusão: em que é reafirmada ou simplesmente reapresentada a posição recomendada sobre o
assunto.
Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto nos casos em que estes estejam organizados
em itens ou títulos e subtítulos.

Questão

Velocidade do metrô supera muito a dos carros em SP

Os trens da Companhia do Metropolitano de São Paulo (metrô) circulam com velocidade média até
quatro vezes maior do que a dos carros nas ruas da metrópole. No horário de pico da noite, entre 17h e
20h, os usuários do transporte público sobre trilhos deslocam-se a 32,4 quilômetros por hora (km/h), em
média. Enquanto isso, os paulistanos que estão atrás do volante trafegam a 7,6 km/h, quase no ritmo de
um pedestre.
Na manhã, entre 7h e 10h, os números sofrem algumas alterações. O carro melhora seu desempenho
e atinge a velocidade de uma bicicleta, 20,6 km/h. O metrô mantém os 32,4 km/h, conforme mostram os
dados obtidos pelo estado por meio da Lei de Acesso à Informação. As velocidades dos carros foram
medidas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) no corredor modelo da cidade – Avenidas
Eusébio Matoso e Rebouças e Rua da Consolação.
Circulam diariamente pela cidade 4,2 milhões de carros. O metrô paulistano recebe 4,7 milhões de
passageiros, provenientes de toda a região metropolitana. Embora o metrô seja mais rápido, muitos
paulistanos preferem usar carro.
Disponível em: <http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/velocidade-do-metro-upera-muito-a-dos-carros-em-sp>.
Acesso em: 7/3/2014, com adaptações.

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1. (SECRETARIA DE ESTADO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DO DISTRITO FEDERAL/DF –
TÉCNICO EM ELETRÔNICA – IADES/2014) Quanto à tipologia, o texto lido é, predominantemente,
(A) descritivo, pois está voltado apenas para a representação das características dos trens do metrô e
dos carros de São Paulo.
(B) narrativo, pois desenvolve uma sequência de acontecimentos durante alguns períodos do dia em
São Paulo.
(C) dissertativo, pois apresenta e analisa dados sobre a velocidade dos trens do metrô de São Paulo
e a dos carros que circulam pela metrópole.
(D) narrativo, pois relata episódios sobre os horários de pico de São Paulo.
(E) dissertativo, pois apresenta e discute uma opinião sobre a qualidade do serviço prestado pelo metrô
de São Paulo.

Resposta

1. Resposta: C
O texto apresenta características da descrição, mas, como é destacado no enunciado: predomina o
dissertativo, analisando dados que dão ao autor base para argumentação.

Gêneros não Literários

A linguagem não literária apresenta peculiaridades que a diferem da linguagem literária, entre elas o
emprego de uma linguagem convencional e denotativa.
A linguagem não literária tem como função informar de maneira clara e sucinta, desconsiderando
aspectos estilísticos próprios da linguagem literária.
Você sabia que os diversos textos podem ser classificados de acordo com a linguagem utilizada? A
linguagem de um texto está condicionada à sua funcionalidade: se a intenção é informar, a escolha
vocabular deve estar de acordo com essa finalidade; se a intenção é artística, outros recursos linguísticos
mais apropriados devem ser utilizados.
Quando pensamos nos diversos tipos e gêneros textuais, devemos pensar também na linguagem
adequada a ser adotada em cada um deles. Por isso existem a linguagem literária e a linguagem não
literária. Essa última será nosso objeto de análise, e o Mundo Educação traz para você todas as
especificidades que marcam a construção do discurso não literário.
Diferentemente do que acontece com os textos literários, nos quais há uma preocupação com o objeto
linguístico e também com o estilo, os textos não literários apresentam características bem delimitadas
para que possam cumprir sua principal missão, que é, na maioria das vezes, a de informar. Quando
pensamos em informação, alguns elementos devem ser elencados, como a objetividade, a transparência
e o compromisso com uma linguagem não literária, afastando assim possíveis equívocos na interpretação
de um texto. Para ilustrar melhor as diferenças entre linguagem literária e não literária, observe dois textos
cuja temática, embora comum a ambos, é abordada em diferentes perspectivas e com escolhas
vocabulares bem distintas:

Texto 1 (exemplo de linguagem não literária):

Piratininga virou São Paulo: o colégio é hoje uma metrópole


Os padres jesuítas José de Anchieta e Manoel da Nóbrega subiram a Serra do Mar, nos idos de 1553,
a fim de buscar um local seguro para se instalar e catequizar os índios. Ao atingir o planalto de Piratininga,
encontraram o ponto ideal. Tinha “ares frios e temperados como os de Espanha” e “uma terra mui sadia,
fresca e de boas águas”. Os religiosos construíram um colégio numa pequena colina, próxima aos rios
Tamanduateí e Anhangabaú, onde celebraram uma missa. Era o dia 25 de janeiro de 1554, data que
marca o aniversário de São Paulo. Quase cinco séculos depois, o povoado de Piratininga se transformou
numa cidade de 11 milhões de habitantes. Daqueles tempos, restam apenas as fundações da construção
feita pelos padres e índios no Pateo do Collegio.
Piratininga demorou 157 anos para se tornar uma cidade chamada São Paulo, decisão ratificada pelo
rei de Portugal. Nessa época, São Paulo ainda era o ponto de partida das bandeiras, expedições que
cortavam o interior do Brasil. Tinham como objetivos a busca de minerais preciosos e o aprisionamento
de índios para trabalhar como escravos nas minas e lavouras.
(Disponível em http://www.cidadedesaopaulo.com/sp/br/a-cidade-de-sao-paulo)

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Texto 2 (exemplo de linguagem literária)

Soneto sentimental à cidade de São Paulo


Ó cidade tão lírica e tão fria!
Mercenária, que importa - basta! - importa
Que à noite, quando te repousas morta
Lenta e cruel te envolve uma agonia

Não te amo à luz plácida do dia


Amo-te quando a neblina te transporta
Nesse momento, amante, abres-me a porta
E eu te possuo nua e fugidia.

Sinto como a tua íris fosforeja


Entre um poema, um riso e uma cerveja
E que mal há se o lar onde se espera

Traz saudade de alguma Baviera


Se a poesia é tua, e em cada mesa
Há um pecador morrendo de beleza?
(Vinícius de Moraes)

O primeiro texto, publicado em um site de informações sobre a cidade de São Paulo, é um claro
exemplo de linguagem não literária. Nele predominam escolhas linguísticas cuja função é transmitir para
o leitor um pouco da história da capital paulista, sem que para isso sejam empregados recursos
estilísticos, como figuras de linguagem e de construção, elementos próprios dos textos literários. No
segundo texto, um poema de Vinícius de Moraes, percebemos claramente que existe uma preocupação
com o estilo, o que confere ao texto maior expressividade. Em ambos os textos o objeto é o mesmo, a
cidade de São Paulo, no entanto, existem grandes diferenças no que diz respeito ao plano da linguagem.
As notícias, os artigos jornalísticos, os textos didáticos, os verbetes de dicionários e enciclopédias, as
propagandas publicitárias, os textos científicos, as receitas culinárias e os manuais são exemplos de
gêneros textuais que empregam a linguagem não literária. No discurso não literário deve predominar uma
linguagem objetiva, clara e concisa a fim de que a informação seja repassada de maneira eficiente, livre
de possíveis dificuldades que prejudiquem o entendimento do texto.

Gêneros como Práticas Histórico-Sociais

Segundo Marcuschi os gêneros textuais são fenômenos históricos, profundamente vinculados à vida
cultural e social, portanto, são entidades sócio discursivas e formas de ação social em qualquer situação
comunicativa.
Caracterizam-se como eventos textuais altamente maleáveis e dinâmicos.
Passemos para uma simples observação histórica do surgimento dos gêneros que revela um conjunto
limitado dos mesmos. Após a invenção da escrita alfabética por volta do século VII a.C., multiplicam-se
os gêneros, surgindo os tipos da escrita; os gêneros expandem-se com o surgimento da cultura impressa
e atualmente a fase denominada cultura eletrônica, particularmente computador (internet) aparece como
uma explosão de novo gênero e forma de comunicação, tanto na oralidade como na escrita.
Os gêneros textuais caracterizam-se muito mais por suas funções comunicativas; cognitivas e
institucionais, do que por suas peculiaridades linguísticas e estruturais.

Intertextualidade

A Intertextualidade pode ser definida como um diálogo entre dois textos. Observe os dois textos abaixo
e note como Murilo Mendes (século XX) faz referência ao texto de Gonçalves Dias (século XIX):

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Canção do Exílio

Minha terra tem palmeiras,


Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,


Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,


Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,


Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,


Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."

(Gonçalves Dias)

Canção do Exílio

Minha terra tem macieiras da Califórnia


onde cantam gaturamos de Veneza.
Os poetas da minha terra
são pretos que vivem em torres de ametista,
os sargentos do exército são monistas, cubistas,
os filósofos são polacos vendendo a prestações.
gente não pode dormir
com os oradores e os pernilongos.
Os sururus em família têm por testemunha a
[Gioconda
Eu morro sufocado
em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia.

Ai quem me dera chupar uma carambola de


[verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade!
(Murilo Mendes)

Nota-se que há correspondência entre os dois textos. A paródia-piadista de Murilo Mendes é um


exemplo de intertextualidade, uma vez que seu texto foi criado tomando como ponto de partida o texto de
Gonçalves Dias.

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Na literatura, e até mesmo nas artes, a intertextualidade é persistente. Sabemos que todo texto, seja
ele literário ou não, é oriundo de outro, seja direta ou indiretamente. Qualquer texto que se refere a
assuntos abordados em outros textos é exemplo de intertextualização.
A intertextualidade está presente também em outras áreas, como na pintura, veja as várias versões
da famosa pintura de Leonardo da Vinci, Mona Lisa:

Mona Lisa, Leonardo da Vinci. Óleo sobre tela, 1503.


Mona Lisa, Marcel Duchamp, 1919.
Mona Lisa, Fernando Botero, 1978.
Mona Lisa, propaganda publicitária.

Pode-se definir, então, a intertextualidade como sendo a criação de um texto a partir de outro texto já
existente. Dependendo da situação, a intertextualidade tem funções diferentes que dependem muito dos
textos/contextos em que ela é inserida.
Evidentemente, o fenômeno da intertextualidade está ligado ao "conhecimento do mundo", que deve
ser compartilhado, ou seja, comum ao produtor e ao receptor de textos. O diálogo pode ocorrer em
diversas áreas do conhecimento, não se restringindo única e exclusivamente a textos literários.
Na pintura tem-se, por exemplo, o quadro do pintor barroco italiano Caravaggio e a fotografia da
americana Cindy Sherman, na qual quem posa é ela mesma. O quadro de Caravaggio foi pintado no final
do século XVI, já o trabalho fotográfico de Cindy Sherman foi produzido quase quatrocentos anos mais
tarde. Na foto, Sherman cria o mesmo ambiente e a mesma atmosfera sensual da pintura, reunindo um
conjunto de elementos: a coroa de flores na cabeça, o contraste entre claro e escuro, a sensualidade do
ombro nu etc. A foto de Sherman é uma recriação do quadro de Caravaggio e, portanto, é um tipo de
intertextualidade na pintura.
Na publicidade, por exemplo, a que vimos sobre anúncios do Bom Bril, o ator se veste e se posiciona
como se fosse a Mona Lisa de Leonardo da Vinci e cujo slogan era "Mon Bijou deixa sua roupa uma
perfeita obra-prima". Esse enunciado sugere ao leitor que o produto anunciado deixa a roupa bem macia
e mais perfumada, ou seja, uma verdadeira obra-prima (se referindo ao quadro de Da Vinci). Nesse caso
pode-se dizer que a intertextualidade assume a função de não só persuadir o leitor como também de
difundir a cultura, uma vez que se trata de uma relação com a arte (pintura, escultura, literatura etc).
Intertextualidade é a relação entre dois textos caracterizada por um citar o outro.

Tipos de Intertextualidade

Pode-se destacar sete tipos de intertextualidade:

- Epígrafe: constitui uma escrita introdutória.


- Citação: é uma transcrição do texto alheio, marcada por aspas.
- Paráfrase: é a reprodução do texto do outro com a palavra do autor. Ela não se confunde com o
plágio, pois o autor deixa claro sua intenção e a fonte.
- Paródia: é uma forma de apropriação que, em lugar de endossar o modelo retomado, rompe com ele,
sutil ou abertamente. Ela perverte o texto anterior, visando à ironia ou a crítica.
- Pastiche: uma recorrência a um gênero.
- Tradução: está no campo da intertextualidade porque implica a recriação de um texto.
- Referência e alusão.

Para ampliar esse conhecimento, vale trazer um exemplo de intertextualidade na literatura. Às vezes,
a superposição de um texto sobre outro pode provocar certa atualização ou modernização do primeiro
texto. Nota-se isso no livro “Mensagem”, de Fernando Pessoa, que retoma, por exemplo, com seu poema

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“O Monstrengo” o episódio do Gigante Adamastor de “Os Lusíadas” de Camões. Ocorre como que um
diálogo entre os dois textos. Em alguns casos, aproxima-se da paródia (canto paralelo), como o poema
“Madrigal Melancólico” de Manuel Bandeira, do livro “Ritmo Dissoluto”, que seguramente serviu de
inspiração e assim se refletiu no seguinte poema:

Assim como Bandeira

O que amo em ti
não são esses olhos doces
delicados
nem esse riso de anjo adolescente.

O que amo em ti
não é só essa pele acetinada
sempre pronta para a carícia renovada
nem esse seio róseo e atrevido
a desenhar-se sob o tecido.

O que amo em ti
não é essa pressa louca
de viver cada vão momento
nem a falta de memória para a dor.

O que amo em ti
não é apenas essa voz leve
que me envolve e me consome
nem o que deseja todo homem
flor definida e definitiva
a abrir-se como boca ou ferida
nem mesmo essa juventude assim perdida.

O que amo em ti
enigmática e solidária:
É a Vida!
(Geraldo Chacon, Meu Caderno de Poesia,
Flâmula, 2004, p. 37)

Madrigal Melancólico

O que eu adoro em ti
não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.

(...)

O que eu adoro em tua natureza,


não é o profundo instinto maternal
em teu flanco aberto como uma ferida.
nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida.

(Manuel Bandeira, Estrela da Vida Inteira,


José Olympio, 1980, p. 83)

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A relação intertextual é estabelecida, por exemplo, no texto de Oswald de Andrade, escrito no século
XX, "Meus oito anos", quando este cita o poema , do século XIX, de Casimiro de Abreu, de mesmo nome.

Meus oito anos

Oh! Que saudade que tenho


Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Que amor, que sonhos, que flores
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

(Casimiro de Abreu)

Meus oito anos

Oh! Que saudade que tenho


Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Naquele quintal de terra
Da rua São Antonio
Debaixo da bananeira
Sem nenhum laranjais!

(Oswald de Andade)

A intertextualidade acontece quando há uma referência explícita ou implícita de um texto em outro.


Também pode ocorrer com outras formas além do texto, música, pintura, filme, novela etc. Toda vez que
uma obra fizer alusão à outra ocorre a intertextualidade.
Apresenta-se explicitamente quando o autor informa o objeto de sua citação. Num texto científico, por
exemplo, o autor do texto citado é indicado, já na forma implícita, a indicação é oculta. Por isso é
importante para o leitor o conhecimento de mundo, um saber prévio, para reconhecer e identificar quando
há um diálogo entre os textos. A intertextualidade pode ocorrer afirmando as mesmas ideias da obra
citada ou contestando-as. Vejamos duas das formas: a Paráfrase e a Paródia.

Na paráfrase as palavras são mudadas, porém a ideia do texto é confirmada pelo novo texto, a alusão
ocorre para atualizar, reafirmar os sentidos ou alguns sentidos do texto citado. É dizer com outras palavras
o que já foi dito. Temos um exemplo citado por Affonso Romano Sant’Anna em seu livro “Paródia,
paráfrase & Cia”:

Texto Original
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.

(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”)

Paráfrase
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’.
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?
Eu tão esquecido de minha terra…
Ai terra que tem palmeiras
Onde canta o sabiá!

(Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e Bahia”)

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Este texto de Gonçalves Dias, “Canção do Exílio”, é muito utilizado como exemplo de paráfrase e de
paródia, aqui o poeta Carlos Drummond de Andrade retoma o texto primitivo conservando suas ideias,
não há mudança do sentido principal do texto que é a saudade da terra natal.

A paródia é uma forma de contestar ou ridicularizar outros textos, há uma ruptura com as ideologias
impostas e por isso é objeto de interesse para os estudiosos da língua e das artes. Ocorre, aqui, um
choque de interpretação, a voz do texto original é retomada para transformar seu sentido, leva o leitor a
uma reflexão crítica de suas verdades incontestadas anteriormente, com esse processo há uma
indagação sobre os dogmas estabelecidos e uma busca pela verdade real, concebida através do
raciocínio e da crítica. Os programas humorísticos fazem uso contínuo dessa arte, frequentemente os
discursos de políticos são abordados de maneira cômica e contestadora, provocando risos e também
reflexão a respeito da demagogia praticada pela classe dominante. Com o mesmo texto utilizado
anteriormente, teremos, agora, uma paródia.

Texto Original
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.

(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”)

Paródia
Minha terra tem palmares
onde gorjeia o mar
os passarinhos daqui
não cantam como os de lá.

(Oswald de Andrade, “Canto de regresso à pátria”)

O nome Palmares, escrito com letra minúscula, substitui a palavra palmeiras, há um contexto histórico,
social e racial neste texto, Palmares é o quilombo liderado por Zumbi, foi dizimado em 1695, há uma
inversão do sentido do texto primitivo que foi substituído pela crítica à escravidão existente no Brasil.
Na literatura relativa à Linguística Textual, é frequente apontar-se como um dos fatores de textualidade
a referência - explícita ou implícita - a outros textos, tomados estes num sentido bem amplo (orais,
escritos, visuais - artes plásticas, cinema , música, propaganda etc.) A esse “diálogo”entre textos dá-se o
nome de intertextualidade.
Evidentemente, a intertextualidade está ligada ao “conhecimento de mundo”, que deve ser
compartilhado, ou seja, comum ao produtor e ao receptor de textos.
A intertextualidade pressupõe um universo cultural muito amplo e complexo, pois implica a
identificação / o reconhecimento de remissões a obras ou a textos / trechos mais, ou menos conhecidos,
além de exigir do interlocutor a capacidade de interpretar a função daquela citação ou alusão em questão.
Entre os variadíssimos tipos de referências, há provérbios, ditos populares, frases bíblicas ou obras /
trechos de obras constantemente citados, literalmente ou modificados, cujo reconhecimento é facilmente
perceptível pelos interlocutores em geral. Por exemplo, uma revista brasileira adotou o slogan: “Dize-me
o que lês e dir-te-ei quem és”. Voltada fundamentalmente para um público de uma determinada classe
sociocultural, o produtor do mencionado anúncio espera que os leitores reconheçam a frase da Bíblia
(“Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és”). Ao adaptar a sentença, a intenção da propaganda é,
evidentemente, angariar a confiança do leitor (e, consequentemente, a credibilidade das informações
contidas naquele periódico), pois a Bíblia costuma ser tomada como um livro de pensamentos e
ensinamentos considerados como “verdades” universalmente assentadas e aceitas por diversas
comunidades. Outro tipo comum de intertextualidade é a introdução em textos de provérbios ou ditos
populares, que também inspiram confiança, pois costumam conter mensagens reconhecidas como
verdadeiras. São aproveitados não só em propaganda, mas ainda em variados textos orais ou escritos,
literários e não-literários. Por exemplo, ao iniciar o poema “Tecendo a manhã”, João Cabral de Melo Neto
defende uma ideia: “Um galo sozinho não tece uma manhã”. Não é necessário muito esforço para
reconhecer que por detrás dessas palavras está o ditado “Uma andorinha só não faz verão”. O verso
inicial funciona, pois, como uma espécie de “tese”, que o texto irá tentar comprovar através de
argumentação poética.

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Há, no entanto, certos tipos de citações (literais ou construídas) e de alusões muito sutis que só são
compartilhadas por um pequeno número de pessoas. É o caso de referências utilizadas em textos
científicos ou jornalísticos (Seções de Economia, de Informática, por exemplo) e em obras literárias, prosa
ou poesia, que às vezes remetem a uma forma e/ou a um conteúdo bastante específico(s), percebido(s)
apenas por um leitor/interlocutor muito bem informado e/ou altamente letrado. Na literatura, podem-se
citar, entre muitos outros, autores estrangeiros, como James Joyce, T.S. Eliot, Umberto Eco.
A remissão a textos e paratextos do circuito cultural (mídia, propaganda, outdoors, nomes de marcas
de produtos etc.) é especialmente recorrente em autores chamados pós-modernos. Para ilustrar, pode-
se mencionar, entre outros escritores brasileiros, Ana Cristina Cesar, poetisa carioca, que usa e “abusa”
da intertextualidade em seus textos, a tal ponto que, sem a identificação das referências, o poema se
torna, constantemente, ininteligível e chega a ser considerado por algumas pessoas como um
“amontoado aleatório de enunciados”, sem coerência e, portanto, desprovido de sentido.

Os teóricos costumam identificar tipos de intertextualidade, entre os quais se destacam:


- a que se liga ao conteúdo (por exemplo, matérias jornalísticas que se reportam a notícias veiculadas
anteriormente na imprensa falada e/ou escrita: textos literários ou não-literários que se referem a temas
ou assuntos contidos em outros textos etc.). Podem ser explícitas (citações entre aspas, com ou sem
indicação da fonte) ou implícitas (paráfrases, paródias etc.);

- a que se associa ao caráter formal, que pode ou não estar ligado à tipologia textual como, por
exemplo, textos que “imitam” a linguagem bíblica, jurídica, linguagem de relatório etc. ou que procuram
imitar o estilo de um autor, em que comenta o seriado da TV Globo, baseado no livro de Guimarães Rosa,
procurando manter a linguagem e o estilo do escritor);

- a que remete a tipos textuais (ou “fatores tipológicos”), ligados a modelos cognitivos globais, às
estruturas e superestruturas ou a aspectos formais de caráter linguístico próprios de cada tipo de discurso
e/ou a cada tipo de texto: tipologias ligadas a estilos de época. Por superestrutura entendem-se, entre
outras, estruturas argumentativas (Tese anterior), premissas - argumentos (contra-argumentos - síntese),
conclusão (nova tese), estruturas narrativas (situação - complicação - ação ou avaliação – resolução),
moral ou estado final etc.;

Outro aspecto que é mencionado muito superficialmente é o da intertextualidade linguística. Ela está
ligada ao que o linguista romeno, Eugenio Coseriu, chama de formas do “discurso repetido”:
- “textemas” ou “unidades de textos”: provérbios, ditados populares; citações de vários tipos,
consagradas pela tradição cultural de uma comunidade etc.;
- “sintagmas estereotipados”: equivalentes a expressões idiomáticas;
- “perífrases léxicas”: unidades multivocabulares, empregadas frequentemente, mas ainda não
lexicalizadas (ex. “gravemente doente”, “dia útil”, “fazer misérias” etc.).

A intertextualidade tem funções diferentes, dependendo dos textos/contextos em que as referências


(linguísticas ou culturais) estão inseridas. Chamo a isso “graus das funções da intertextualidade”.
Didaticamente pode-se dizer que a referência cultural e/ou linguística pode servir apenas de pretexto,
é o caso de “epígrafes” longinquamente vinculadas a um trabalho e/ou a um texto. Sem dizer com isso
que todas as epígrafes funcionem apenas como pretextos. Em geral, o produtor do texto elege algo
pertinente e condizente com a temática de que trata. Existam algumas, todavia, que estão ali apenas para
mostrar “conhecimento” de frases famosas e/ou para servir de “decoração” no texto. Neste caso, o
“intertexto” não tem um papel específico nem na construção nem na camada semântica do texto.
Outras vezes, o autor parte de uma frase ou de um verso que ocorreu a ele repentinamente (texto “A
última crônica”, em que o autor confessa estar sem assunto e tem de escrever). Afirma então:

“Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete
na lembrança: assim eu quereria meu último poema.”

Descreve então uma cena passada em um botequim, em que um casal comemora modestamente o
aniversário da filha, com um pedaço de bolo, uma coca cola e três velinhas brancas. O pai parecia
satisfeito com o sucesso da celebração, até que fica perturbado por ter sido observado, mas acaba por
sustentar a satisfação e se abre num sorriso. O autor termina a crônica, parafraseando o verso de Manuel
Bandeira: “Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso”. O verso de
Bandeira não pode ser considerado, nessa crônica, um mero pretexto. A intertextualidade desempenha

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o papel de conferir certa “literariedade” à crônica, além de explicar o título e servir de “fecho de ouro” para
um texto que se inicia sem um conteúdo previamente escolhido. Não é, contudo, imprescindível à
compreensão do texto.
O que parece importante é que não se encare a intertextualidade apenas como a “identificação” da
fonte e, sim, que se procure estudá-la como um enriquecimento da leitura e da produção de textos e,
sobretudo, que se tente mostrar a função da sua presença na construção e no(s) sentido(s) dos textos.
Como afirmam Koch & Travaglia, “todas as questões ligadas à intertextualidade influenciam tanto o
processo de produção como o de compreensão de textos”.
Considerada por alguns autores como uma das condições para a existência de um texto, a
intertextualidade se destaca por relacionar um texto concreto com a memória textual coletiva, a memória
de um grupo ou de um indivíduo específico.
Trata-se da possibilidade de os textos serem criados a partir de outros textos. As obras de caráter
científico remetem explicitamente a autores reconhecidos, garantindo, assim, a veracidade das
afirmações. Nossas conversas são entrelaçadas de alusões a inúmeras considerações armazenadas em
nossas mentes. O jornal está repleto de referências já supostamente conhecidas pelo leitor. A leitura de
um romance, de um conto, novela, enfim, de qualquer obra literária, nos aponta para outras obras, muitas
vezes de forma implícita.
A nossa compreensão de textos (considerados aqui da forma mais abrangente) muito dependerá da
nossa experiência de vida, das nossas vivências, das nossas leituras. Determinadas obras só se revelam
através do conhecimento de outras. Ao visitar um museu, por exemplo, o nosso conhecimento prévio
muito nos auxilia ao nos depararmos com certas obras.
A noção de intertextualidade, da presença contínua de outros textos em determinado texto, nos leva a
refletir a respeito da individualidade e da coletividade em termos de criação. Já vimos anteriormente que
a citação de outros textos se faz de forma implícita ou explícita. Mas, com que objetivo?
Um texto remete a outro para defender as ideias nele contidas ou para contestar tais ideias. Assim,
para se definir diante de determinado assunto, o autor do texto leva em consideração as ideias de outros
"autores" e com eles dialoga no seu texto.
Ainda ressaltando a importância da intertextualidade, remetemos às considerações de Vigner: "Afirma-
se aqui a importância do fenômeno da intertextualidade como fator essencial à legibilidade do texto
literário, e, a nosso ver, de todos os outros textos. O texto não é mais considerado só nas suas relações
com um referente extra-textual, mas primeiro na relação estabelecida com outros textos".
Como exemplo, temos um texto "Questão da Objetividade" e uma crônica de Zuenir Ventura, "Em vez
das células, as cédulas" para concretizar um pouco mais o conceito de intertextualidade.

Questão da Objetividade

As Ciências Humanas invadem hoje todo o nosso espaço mental. Até parece que nossa cultura
assinou um contrato com tais disciplinas, estipulando que lhes compete resolver tecnicamente boa parte
dos conflitos gerados pela aceleração das atuais mudanças sociais. É em nome do conhecimento objetivo
que elas se julgam no direito de explicar os fenômenos humanos e de propor soluções de ordem ética,
política, ideológica ou simplesmente humanitária, sem se darem conta de que, fazendo isso, podem
facilmente converter-se em "comodidades teóricas" para seus autores e em "comodidades práticas" para
sua clientela. Também é em nome do rigor científico que tentam construir todo o seu campo teórico do
fenômeno humano, mas através da ideia que gostariam de ter dele, visto terem renunciado aos seus
apelos e às suas significações. O equívoco olhar de Narciso, fascinado por sua própria beleza, estaria
substituído por um olhar frio, objetivo, escrupuloso, calculista e calculador: e as disciplinas humanas
seriam científicas!
(Introdução às Ciências Humanas. Hilton Japiassu.
São Paulo, Letras e Letras, 1994, pp.89/90)

Comentário: Neste texto, temos um bom exemplo do que se define como intertextualidade. As relações
entre textos, a citação de um texto por outro, enfim, o diálogo entre textos. Muitas vezes, para entender
um texto na sua totalidade, é preciso conhecer o(s) texto(s) que nele fora(m) citado(s).
No trecho, por exemplo, em que se discute o papel das Ciências Humanas nos tempos atuais e o
espaço que estão ocupando, é trazido à tona o mito de Narciso. É preciso, então, dispor do conhecimento
de que Narciso, jovem dotado de grande beleza, apaixonou-se por sua própria imagem quando a viu
refletida na água de uma fonte onde foi matar a sede. Suas tentativas de alcançar a bela imagem
acabaram em desespero e morte.

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O último parágrafo, em que o mito de Narciso é citado, demonstra que, dado o modo como as Ciências
Humanas são vistas hoje, até o olhar de Narciso, antes "fascinado por sua própria beleza", seria substituído
por um "olhar frio, objetivo, escrupuloso, calculista e calculador", ou seja, o olhar de Narciso perderia o seu
tom de encantamento para se transformar em algo material, sem sentimentos. A comparação se estende às
Ciências Humanas, que, de humanas, nada mais teriam, transformando-se em disciplinas científicas.

Em vez das células, as cédulas

Nesses tempos de clonagem, recomenda-se assistir ao documentário Arquitetura da destruição, de Peter


Cohen. A fantástica história de Dolly, a ovelha, parece saída do filme, que conta a aventura demente do
nazismo, com seus sonhos de beleza e suas fantasias genéticas, seus experimentos de eugenia e purificação
da raça.
Os cientistas são engraçados: bons para inventar e péssimos para prever. Primeiro, descobrem; depois se
assustam com o risco da descoberta e aí então passam a gritar "cuidado, perigo". Fizeram isso com quase
todos os inventos, inclusive com a fissão nuclear, espantando-se quando "o átomo para a paz" tornou-se uma
mortífera arma de guerra. E estão fazendo o mesmo agora.
(...) Desde muito tempo se discute o quanto a ciência, ao procurar o bem, pode provocar involuntariamente
o mal. O que a Arquitetura da destruição mostra é como a arte e a estética são capazes de fazer o mesmo,
isto é, como a beleza pode servir à morte, à crueldade e à destruição.
Hitler julgava-se "o maior ator da Europa" e acreditava ser alguma coisa como um "tirano-artista"
nietzschiano ou um "ditador de gênio" wagneriano. Para ele, "a vida era arte," e o mundo, uma grandiosa ópera
da qual era diretor e protagonista.
O documentário mostra como os rituais coletivos, os grandes espetáculos de massa, as tochas acesas (...)
tudo isso constituía um culto estético - ainda que redundante (...) E o pior - todo esse aparato era posto a
serviço da perversa utopia de Hitler: a manipulação genética, a possibilidade de purificação racial e de
eliminação das imperfeições, principalmente as físicas. Não importava que os mais ilustres exemplares
nazistas, eles próprios, desmoralizassem o que pregavam em termos de eugenia.
O que importava é que as pessoas queriam acreditar na insensatez apesar dos insensatos, como ainda há
quem continue acreditando. No Brasil, felizmente, Dolly provoca mais piada do que ameaça. Já se atribui isso
ao fato de que a nossa arquitetura da destruição é a corrupção. Somos craques mesmo é em clonagem
financeira. O que seriam nossos laranjas e fantasmas senão clones e replicantes virtuais? Aqui, em vez de
células, estamos interessados é em manipular cédulas.
(Zuenir Ventura, JB, 1997)

Comentário: Tendo como ponto de partida a alusão ao documentário Arquitetura da destruição, o texto
mantém sua unidade de sentido na relação que estabelece com outros textos, com dados da História.
Nesta crônica, duas propriedades do texto são facilmente perceptíveis: a intertextualidade e a inserção
histórica.
O texto se constrói, à medida que retoma fatos já conhecidos. Nesse sentido, quanto mais amplo for o
repertório do leitor, o seu acervo de conhecimentos, maior será a sua competência para perceber como
os textos "dialogam uns com os outros" por meio de referências, alusões e citações.
Para perceber as intenções do autor desta crônica, ou seja, a sua intencionalidade, é preciso que o
leitor tenha conhecimento de fatos atuais, como as referências ao documentário recém lançado no circuito
cinematográfico, à ovelha clonada Dolly, aos "laranjas" e "fantasmas", termos que dizem respeito aos
envolvidos em transações econômicas duvidosas. É preciso que conheça também o que foi o nazismo, a
figura de Hitler e sua obsessão pela raça pura, e ainda tenha conhecimento da existência do filósofo
Nietzsche e do compositor Wagner.
O vocabulário utilizado aponta para campos semânticos relacionados à clonagem, à raça pura, aos
binômios arte/beleza, arte/destruição, corrupção.
- Clonagem: experimentos, avanços genéticos, ovelhas, cientistas, inventos, células, clones
replicantes, manipulação genética, descoberta.
- Raça Pura: aventura, demente do nazismo, fantasias genéticas, experimentos de eugenia, utopia
perversa, manipulação genética, imperfeições físicas, eugenia.
- Arte/Beleza - Arte/Destruição: estética, sonhos de beleza, crueldade, tirano artista
ditador de gênio, nietzschiano, wagneriano, grandiosa ópera, diretor, protagonista, espetáculos de massa
e tochas acesas.
- Corrupção: laranjas, clonagem financeira, cédulas, fantasmas.

Esses campos semânticos se entrecruzam, porque englobam referências múltiplas dentro do texto.

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Coerência e coesão referencial e sequencial: relações entre
as partes do texto; identificação da tese do texto; relação
entre tese e argumentos; estratégias argumentativas; partes
principais e secundárias no texto; relações de sentido entre
recursos verbais e não verbais. Relação
causa/consequência entre partes e elementos do texto;
relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas
por conjunções, advérbios, etc.

Coesão

Uma das propriedades que distinguem um texto de um amontoado de frases é a relação existente
entre os elementos que os constituem. A coesão textual é a ligação, a relação, a conexão entre palavras,
expressões ou frases do texto. Ela manifesta-se por elementos gramaticais, que servem para estabelecer
vínculos entre os componentes do texto. Observe:

“O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum de anotações, que segurava na mão.”

Nesse período, o pronome relativo “que” estabelece conexão entre as duas orações. O iraquiano leu
sua declaração num bloquinho comum de anotações e segurava na mão, retomando na segunda um dos
termos da primeira: bloquinho. O pronome relativo é um elemento coesivo, e a conexão entre as duas
orações, um fenômeno de coesão. Leia o texto que segue:

Arroz-doce da infância

Ingredientes
1 litro de leite desnatado
150g de arroz cru lavado
1 pitada de sal
4 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sobremesa) de canela em pó

Preparo
Em uma panela ferva o leite, acrescente o arroz, a pitada de sal e mexa sem parar até cozinhar o
arroz. Adicione o açúcar e deixe no fogo por mais 2 ou 3 minutos. Despeje em um recipiente, polvilhe a
canela. Sirva.
Cozinha Clássica Baixo Colesterol, nº4. São Paulo, InCor, agosto de 1999, p. 42.

Toda receita culinária tem duas partes: lista dos ingredientes e modo de preparar. As informações
apresentadas na primeira são retomadas na segunda. Nesta, os nomes mencionados pela primeira vez
na lista de ingredientes vêm precedidos de artigo definido, o qual exerce, entre outras funções, a de
indicar que o termo determinado por ele se refere ao mesmo ser a que uma palavra idêntica já fizera
menção.
No nosso texto, por exemplo, quando se diz que se adiciona o açúcar, o artigo citado na primeira parte.
Se dissesse apenas adicione açúcar, deveria adicionar, pois se trataria de outro açúcar, diverso daquele
citado no rol dos ingredientes.
Há dois tipos principais de mecanismos de coesão: retomada ou antecipação de palavras, expressões
ou frases e encadeamento de segmentos.

Retomada ou Antecipação por meio de uma palavra gramatical - (pronome, verbos ou


advérbios)

“No mercado de trabalho brasileiro, ainda hoje não há total igualdade entre homens e mulheres: estas
ainda ganham menos do que aqueles em cargos equivalentes.”

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Nesse período, o pronome demonstrativo “estas” retoma o termo mulheres, enquanto “aqueles”
recupera a palavra homens.
Os termos que servem para retomar outros são denominados anafóricos; os que servem para anunciar,
para antecipar outros são chamados catafóricos. No exemplo a seguir, desta antecipa abandonar a
faculdade no último ano:

“Já viu uma loucura desta, abandonar a faculdade no último ano?”

São anafóricos ou catafóricos os pronomes demonstrativos, os pronomes relativos, certos advérbios


ou locuções adverbiais (nesse momento, então, lá), o verbo fazer, o artigo definido, os pronomes pessoais
de 3ª pessoa (ele, o, a, os, as, lhe, lhes), os pronomes indefinidos. Exemplos:

“Ele era muito diferente de seu mestre, a quem sucedera na cátedra de Sociologia na Universidade de
São Paulo.”

O pronome relativo “quem” retoma o substantivo mestre.

“As pessoas simplificam Machado de Assis; elas o veem como um descrente do amor e da amizade.”

O pronome pessoal “elas” recupera o substantivo pessoas; o pronome pessoal “o” retoma o nome
Machado de Assis.

“Os dois homens caminhavam pela calçada, ambos trajando roupa escura.”

O numeral “ambos” retoma a expressão os dois homens.

“Fui ao cinema domingo e, chegando lá, fiquei desanimado com a fila.”

O advérbio “lá” recupera a expressão ao cinema.

“O governador vai pessoalmente inaugurar a creche dos funcionários do palácio, e o fará para
demonstrar seu apreço aos servidores.”

A forma verbal “fará” retoma a perífrase verbal vai inaugurar e seu complemento.

- Em princípio, o termo a que “o” anafórico se refere deve estar presente no texto, senão a coesão fica
comprometida, como neste exemplo:

“André é meu grande amigo. Começou a namorá-la há vários meses.”

A rigor, não se pode dizer que o pronome “la” seja um anafórico, pois não está retomando nenhuma
das palavras citadas antes. Exatamente por isso, o sentido da frase fica totalmente prejudicado: não há
possibilidade de se depreender o sentido desse pronome.
Pode ocorrer, no entanto, que o anafórico não se refira a nenhuma palavra citada anteriormente no
interior do texto, mas que possa ser inferida por certos pressupostos típicos da cultura em que se inscreve
o texto. É o caso de um exemplo como este:

“O casamento teria sido às 20 horas. O noivo já estava desesperado, porque eram 21 horas e ela não
havia comparecido.”

Por dados do contexto cultural, sabe-se que o pronome “ela” é um anafórico que só pode estar-se
referindo à palavra noiva. Num casamento, estando presente o noivo, o desespero só pode ser pelo atraso
da noiva (representada por “ela” no exemplo citado).

- O artigo indefinido serve geralmente para introduzir informações novas ao texto. Quando elas forem
retomadas, deverão ser precedidas do artigo definido, pois este é que tem a função de indicar que o termo
por ele determinado é idêntico, em termos de valor referencial, a um termo já mencionado.

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“O encarregado da limpeza encontrou uma carteira na sala de espetáculos. Curiosamente, a
carteira tinha muito dinheiro dentro, mas nem um documento sequer.”

- Quando, em dado contexto, o anafórico pode referir-se a dois termos distintos, há uma ruptura
de coesão, porque ocorre uma ambiguidade insolúvel. É preciso que o texto seja escrito de tal forma
que o leitor possa determinar exatamente qual é a palavra retomada pelo anafórico.

“Durante o ensaio, o ator principal brigou com o diretor por causa da sua arrogância.”

O anafórico “sua” pode estar-se referindo tanto à palavra ator quanto a diretor.

“André brigou com o ex-namorado de uma amiga, que trabalha na mesma firma.”

Não se sabe se o anafórico “que” está se referindo ao termo amiga ou a ex-namorado. Permutando
o anafórico “que” por “o qual” ou “a qual”, essa ambiguidade seria desfeita.

Retomada por palavra lexical - (substantivo, adjetivo ou verbo)

Uma palavra pode ser retomada, que por uma repetição, quer por uma substituição por sinônimo,
hiperônimo, hipônimo ou antonomásia.
Sinônimo é o nome que se dá a uma palavra que possui o mesmo sentido que outra, ou sentido
bastante aproximado: injúria e afronta, alegre e contente.
Hiperônimo é um termo que mantém com outro uma relação do tipo contém/está contido;
Hipônimo é uma palavra que mantém com outra uma relação do tipo está contido/contém. O
significado do termo rosa está contido no de flor e o de flor contém o de rosa, pois toda rosa é uma
flor, mas nem toda flor é uma rosa. Flor é, pois, hiperônimo de rosa, e esta palavra é hipônimo
daquela.
Antonomásia é a substituição de um nome próprio por um nome comum ou de um comum por
um próprio. Ela ocorre, principalmente, quando uma pessoa célebre é designada por uma
característica notória ou quando o nome próprio de uma personagem famosa é usado para designar
outras pessoas que possuam a mesma característica que a distingue:

“O rei do futebol (=Pelé) só podia ser um brasileiro.”

“O herói de dois mundos (=Garibaldi) foi lembrado numa recente minissérie de tevê.”

Referência ao fato notório de Giuseppe Garibaldi haver lutado pela liberdade na Europa e na América.

“Ele é um Hércules.” (=um homem muito forte).

Referência à força física que caracteriza o herói grego Hércules.

“Um presidente da República tem uma agenda de trabalho extremamente carregada. Deve receber
ministros, embaixadores, visitantes estrangeiros, parlamentares; precisa a todo o momento tomar graves
decisões que afetam a vida de muitas pessoas; necessita acompanhar tudo o que acontece no Brasil e
no mundo. Um presidente deve começar a trabalhar ao raiar do dia e terminar sua jornada altas horas da
noite.”

A repetição do termo presidente estabelece a coesão entre o último período e o que vem antes dele.

“Observava as estrelas, os planetas, os satélites. Os astros sempre o atraíram.”

Os dois períodos estão relacionados pelo hiperônimo astros, que recupera os hipônimos estrelas,
planetas, satélites.

“Eles (os alquimistas) acreditavam que o organismo do homem era regido por humores (fluidos
orgânicos) que percorriam, ou apenas existiam, em maior ou menor intensidade em nosso corpo. Eram

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quatro os humores: o sangue, a fleuma (secreção pulmonar), a bile amarela e a bile negra. E eram
também estes quatro fluidos ligados aos quatro elementos fundamentais: ao Ar (seco), à Água (úmido),
ao Fogo (quente) e à Terra (frio), respectivamente.”
Ziraldo. In: Revista Vozes, nº3, abril de 1970, p.18.

Nesse texto, a ligação entre o segundo e o primeiro períodos se faz pela repetição da palavra humores;
entre o terceiro e o segundo se faz pela utilização do sinônimo fluidos.
É preciso manejar com muito cuidado a repetição de palavras, pois, se ela não for usada para criar um
efeito de sentido de intensificação, constituirá uma falha de estilo. No trecho transcrito a seguir, por
exemplo, fica claro o uso da repetição da palavra vice e outras parecidas (vicissitudes, vicejam, viciem),
com a evidente intenção de ridicularizar a condição secundária que um provável flamenguista atribui ao
Vasco e ao seu Vice-presidente:

“Recebi por esses dias um e-mail com uma série de piadas sobre o pouco simpático Eurico Miranda.
Faltam-me provas, mas tudo leva a crer que o remetente seja um flamenguista.”

Segundo o texto, Eurico nasceu para ser vice: é vice-presidente do clube, vice-campeão carioca e bi-
vice-campeão mundial. E isso sem falar do vice no Carioca de futsal, no Carioca de basquete, no
Brasileiro de basquete e na Taça Guanabara. São vicissitudes que vicejam. Espero que não viciem.
José Roberto Torero. In: Folha de S. Paulo, 08/03/2000, p. 4-7.

A elipse é o apagamento de um segmento de frase que pode ser facilmente recuperado pelo contexto.
Também constitui um expediente de coesão, pois é o apagamento de um termo que seria repetido, e o
preenchimento do vazio deixado pelo termo apagado (=elíptico) exige, necessariamente, que se faça
correlação com outros termos presentes no contexto, ou referidos na situação em que se desenrola a
fala.
Vejamos estes versos do poema “Círculo vicioso”, de Machado de Assis:

(...)
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:

“Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela


Claridade imorta, que toda a luz resume!”
Obra completa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1979, v.III, p. 151.

Nesse caso, o verbo dizer, que seria enunciado antes daquilo que disse a lua, isto é, antes das aspas,
fica subentendido, é omitido por ser facilmente presumível.
Qualquer segmento da frase pode sofrer elipse. Veja que, no exemplo abaixo, é o sujeito meu pai que
vem elidido (ou apagado) antes de sentiu e parou:

“Meu pai começou a andar novamente, sentiu a pontada no peito e parou.”

Pode ocorrer também elipse por antecipação. No exemplo que segue, aquela promoção é
complemento tanto de querer quanto de desejar, no entanto aparece apenas depois do segundo verbo:

“Ficou muito deprimido com o fato de ter sido preferido. Afinal, queria muito, desejava ardentemente
aquela promoção.”

Quando se faz essa elipse por antecipação com verbos que têm regência diferente, a coesão é
rompida. Por exemplo, não se deve dizer “Conheço e gosto deste livro”, pois o verbo conhecer rege
complemento não introduzido por preposição, e a elipse retoma o complemento inteiro, portanto teríamos
uma preposição indevida: “Conheço (deste livro) e gosto deste livro”. Em “Implico e dispenso sem dó os
estranhos palpiteiros”, diferentemente, no complemento em elipse faltaria a preposição “com” exigida pelo
verbo implicar.
Nesses casos, para assegurar a coesão, o recomendável é colocar o complemento junto ao primeiro
verbo, respeitando sua regência, e retomá-lo após o segundo por um anafórico, acrescentando a
preposição devida (Conheço este livro e gosto dele) ou eliminando a indevida (Implico com estranhos
palpiteiros e os dispenso sem dó).

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Coesão por Conexão

Há na língua uma série de palavras ou locuções que são responsáveis pela concatenação ou relação
entre segmentos do texto. Esses elementos denominam-se conectores ou operadores discursivos. Por
exemplo: visto que, até, ora, no entanto, contudo, ou seja.
Note-se que eles fazem mais do que ligar partes do texto: estabelecem entre elas relações semânticas
de diversos tipos, como contrariedade, causa, consequência, condição, conclusão, etc. Essas relações
exercem função argumentativa no texto, por isso os operadores discursivos não podem ser usados
indiscriminadamente.
Na frase “O time apresentou um bom futebol, mas não alcançou a vitória”, por exemplo, o conector
“mas” está adequadamente usado, pois ele liga dois segmentos com orientação argumentativa contrária.
Se fosse utilizado, nesse caso, o conector “portanto”, o resultado seria um paradoxo semântico, pois esse
operador discursivo liga dois segmentos com a mesma orientação argumentativa, sendo o segmento
introduzido por ele a conclusão do anterior.

- Gradação: há operadores que marcam uma gradação numa série de argumentos orientados para
uma mesma conclusão. Dividem-se eles, em dois subtipos: os que indicam o argumento mais forte de
uma série: até, mesmo, até mesmo, inclusive, e os que subentendem uma escala com argumentos mais
fortes: ao menos, pelo menos, no mínimo, no máximo, quando muito.

“Ele é um bom conferencista: tem uma voz bonita, é bem articulado, conhece bem o assunto de que
fala e é até sedutor.”

Toda a série de qualidades está orientada no sentido de comprovar que ele é bom conferencista;
dentro dessa série, ser sedutor é considerado o argumento mais forte.

“Ele é ambicioso e tem grande capacidade de trabalho. Chegará a ser pelo menos diretor da
empresa.”

Pelo menos introduz um argumento orientado no mesmo sentido de ser ambicioso e ter grande
capacidade de trabalho; por outro lado, subentende que há argumentos mais fortes para comprovar que
ele tem as qualidades requeridas dos que vão longe (por exemplo, ser presidente da empresa) e que se
está usando o menos forte; ao menos, pelo menos e no mínimo ligam argumentos de valor positivo.

“Ele não é bom aluno. No máximo vai terminar o segundo grau.”


No máximo introduz um argumento orientado no mesmo sentido de ter muita dificuldade de aprender;
supõe que há uma escala argumentativa (por exemplo, fazer uma faculdade) e que se está usando o
argumento menos forte da escala no sentido de provar a afirmação anterior; no máximo e quando muito
estabelecem ligação entre argumentos de valor depreciativo.

- Conjunção Argumentativa: há operadores que assinalam uma conjunção argumentativa, ou seja,


ligam um conjunto de argumentos orientados em favor de uma dada conclusão: e, também, ainda, nem,
não só... mas também, tanto... como, além de, a par de.

“Se alguém pode tomar essa decisão é você. Você é o diretor da escola, é muito respeitado pelos
funcionários e também é muito querido pelos alunos.”

Arrolam-se três argumentos em favor da tese que é o interlocutor quem pode tomar uma dada decisão.
O último deles é introduzido por “e também”, que indica um argumento final na mesma direção
argumentativa dos precedentes.
Esses operadores introduzem novos argumentos; não significam, em hipótese nenhuma, a repetição
do que já foi dito. Ou seja, só podem ser ligados com conectores de conjunção segmentos que
representam uma progressão discursiva. É possível dizer “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram e
continuou seu discurso”, porque o segundo segmento indica um desenvolvimento da exposição. Não teria
cabimento usar operadores desse tipo para ligar dois segmentos como “Disfarçou as lágrimas que o
assaltaram e escondeu o choro que tomou conta dele”.

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- Disjunção Argumentativa: há também operadores que indicam uma disjunção argumentativa, ou
seja, fazem uma conexão entre segmentos que levam a conclusões opostas, que têm orientação
argumentativa diferente: ou, ou então, quer... quer, seja... seja, caso contrário, ao contrário.

“Não agredi esse imbecil. Ao contrário, ajudei a separar a briga, para que ele não apanhasse.”

O argumento introduzido por ao contrário é diametralmente oposto àquele de que o falante teria
agredido alguém.

- Conclusão: existem operadores que marcam uma conclusão em relação ao que foi dito em dois ou
mais enunciados anteriores (geralmente, uma das afirmações de que decorre a conclusão fica implícita,
por manifestar uma voz geral, uma verdade universalmente aceita): logo, portanto, por conseguinte, pois
(o pois é conclusivo quando não encabeça a oração).

“Essa guerra é uma guerra de conquista, pois visa ao controle dos fluxos mundiais de petróleo. Por
conseguinte, não é moralmente defensável.”

Por conseguinte introduz uma conclusão em relação à afirmação exposta no primeiro período.

- Comparação: outros importantes operadores discursivos são os que estabelecem uma comparação
de igualdade, superioridade ou inferioridade entre dois elementos, com vistas a uma conclusão contrária
ou favorável a certa ideia: tanto... quanto, tão... como, mais... (do) que.

“Os problemas de fuga de presos serão tanto mais graves quanto maior for a corrupção entre os
agentes penitenciários.”

O comparativo de igualdade tem no texto uma função argumentativa: mostrar que o problema da fuga
de presos cresce à medida que aumenta a corrupção entre os agentes penitenciários; por isso, os
segmentos podem até ser permutáveis do ponto de vista sintático, mas não o são do ponto de vista
argumentativo, pois não há igualdade argumentativa proposta, “Tanto maior será a corrupção entre os
agentes penitenciários quanto mais grave for o problema da fuga de presos”.
Muitas vezes a permutação dos segmentos leva a conclusões opostas: Imagine-se, por exemplo, o
seguinte diálogo entre o diretor de um clube esportivo e o técnico de futebol:

“__Precisamos promover atletas das divisões de base para reforçar nosso time.
__Qualquer atleta das divisões de base é tão bom quanto os do time principal.”

Nesse caso, o argumento do técnico é a favor da promoção, pois ele declara que qualquer atleta das
divisões de base tem, pelo menos, o mesmo nível dos do time principal, o que significa que estes não
primam exatamente pela excelência em relação aos outros.
Suponhamos, agora, que o técnico tivesse invertido os segmentos na sua fala:

“__Qualquer atleta do time principal é tão bom quanto os das divisões de base.”

Nesse caso, seu argumento seria contra a necessidade da promoção, pois ele estaria declarando que
os atletas do time principal são tão bons quanto os das divisões de base.

- Explicação ou Justificativa: há operadores que introduzem uma explicação ou uma justificativa em


relação ao que foi dito anteriormente: porque, já que, que, pois.

“Já que os Estados Unidos invadiram o Iraque sem autorização da ONU, devem arcar sozinhos com
os custos da guerra.”

Já que inicia um argumento que dá uma justificativa para a tese de que os Estados Unidos devam
arcar sozinhos com o custo da guerra contra o Iraque.

- Contrajunção: os operadores discursivos que assinalam uma relação de contrajunção, isto é, que
ligam enunciados com orientação argumentativa contrária, são as conjunções adversativas (mas,

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contudo, todavia, no entanto, entretanto, porém) e as concessivas (embora, apesar de, apesar de que,
conquanto, ainda que, posto que, se bem que).
Qual é a diferença entre as adversativas e as concessivas, se tanto umas como outras ligam
enunciados com orientação argumentativa contrária?
Nas adversativas, prevalece a orientação do segmento introduzido pela conjunção.

“O atleta pode cair por causa do impacto, mas se levanta mais decidido a vencer.”

Nesse caso, a primeira oração conduz a uma conclusão negativa sobre um processo ocorrido com o
atleta, enquanto a começada pela conjunção “mas” leva a uma conclusão positiva. Essa segunda
orientação é a mais forte.
Compare-se, por exemplo, “Ela é simpática, mas não é bonita” com “Ela não é bonita, mas é simpática”.
No primeiro caso, o que se quer dizer é que a simpatia é suplantada pela falta de beleza; no segundo,
que a falta de beleza perde relevância diante da simpatia. Quando se usam as conjunções adversativas,
introduz-se um argumento com vistas à determinada conclusão, para, em seguida, apresentar um
argumento decisivo para uma conclusão contrária.
Com as conjunções concessivas, a orientação argumentativa que predomina é a do segmento não
introduzido pela conjunção.

“Embora haja conexão entre saber escrever e saber gramática, trata-se de capacidades diferentes.”

A oração iniciada por “embora” apresenta uma orientação argumentativa no sentido de que saber
escrever e saber gramática são duas coisas interligadas; a oração principal conduz à direção
argumentativa contrária.
Quando se utilizam conjunções concessivas, a estratégia argumentativa é a de introduzir no texto um
argumento que, embora tido como verdadeiro, será anulado por outro mais forte com orientação contrária.
A diferença entre as adversativas e as concessivas, portanto, é de estratégia argumentativa. Compare
os seguintes períodos:

“Por mais que o exército tivesse planejado a operação (argumento mais fraco), a realidade mostrou-
se mais complexa (argumento mais forte).”
“O exército planejou minuciosamente a operação (argumento mais fraco), mas a realidade mostrou-
se mais complexa (argumento mais forte).”

- Argumento Decisivo: há operadores discursivos que introduzem um argumento decisivo para


derrubar a argumentação contrária, mas apresentando-o como se fosse um acréscimo, como se fosse
apenas algo mais numa série argumentativa: além do mais, além de tudo, além disso, ademais.

“Ele está num período muito bom da vida: começou a namorar a mulher de seus sonhos, foi promovido
na empresa, recebeu um prêmio que ambicionava havia muito tempo e, além disso, ganhou uma bolada
na loteria.”

O operador discursivo introduz o que se considera a prova mais forte de que “Ele está num período
muito bom da vida”; no entanto, essa prova é apresentada como se fosse apenas mais uma.

- Generalização ou Amplificação: existem operadores que assinalam uma generalização ou uma


amplificação do que foi dito antes: de fato, realmente, como aliás, também, é verdade que.

“O problema da erradicação da pobreza passa pela geração de empregos. De fato, só o crescimento


econômico leva ao aumento de renda da população.”

O conector introduz uma amplificação do que foi dito antes.

“Ele é um técnico retranqueiro, como aliás o são todos os que atualmente militam no nosso futebol.

O conector introduz uma generalização ao que foi afirmado: não “ele”, mas todos os técnicos do nosso
futebol são retranqueiros.

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- Especificação ou Exemplificação: também há operadores que marcam uma especificação ou
uma exemplificação do que foi afirmado anteriormente: por exemplo, como.

“A violência não é um fenômeno que está disseminado apenas entre as camadas mais pobres da
população. Por exemplo, é crescente o número de jovens da classe média que estão envolvidos em
toda sorte de delitos, dos menos aos mais graves.”

Por exemplo assinala que o que vem a seguir especifica, exemplifica a afirmação de que a
violência não é um fenômeno adstrito aos membros das “camadas mais pobres da população”.

- Retificação ou Correção: há ainda os que indicam uma retificação, uma correção do que foi
afirmado antes: ou melhor, de fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer dizer, ou seja, em outras
palavras. Exemplo:

“Vou-me casar neste final de semana. Ou melhor, vou passar a viver junto com minha namorada.”

O conector inicia um segmento que retifica o que foi dito antes.


Esses operadores servem também para marcar um esclarecimento, um desenvolvimento, uma
redefinição do conteúdo enunciado anteriormente. Exemplo:

“A última tentativa de proibir a propaganda de cigarros nas corridas de Fórmula 1 não vingou. De
fato, os interesses dos fabricantes mais uma vez prevaleceram sobre os da saúde.”

O conector introduz um esclarecimento sobre o que foi dito antes.


Servem ainda para assinalar uma atenuação ou um reforço do conteúdo de verdade de um
enunciado. Exemplo:

“Quando a atual oposição estava no comando do país, não fez o que exige hoje que o governo
faça. Ao contrário, suas políticas iam na direção contrária do que prega atualmente.

O conector introduz um argumento que reforça o que foi dito antes.

- Explicação: há operadores que desencadeiam uma explicação, uma confirmação, uma ilustração do
que foi afirmado antes: assim, desse modo, dessa maneira.

“O exército inimigo não desejava a paz. Assim, enquanto se processavam as negociações, atacou de
surpresa.”

O operador introduz uma confirmação do que foi afirmado antes.

Coesão por Justaposição

É a coesão que se estabelece com base na sequência dos enunciados, marcada ou não com
sequenciadores. Examinemos os principais sequenciadores.

- Sequenciadores Temporais: são os indicadores de anterioridade, concomitância ou posterioridade:


dois meses depois, uma semana antes, um pouco mais tarde, etc. (são utilizados predominantemente
nas narrações).

“Uma semana antes de ser internado gravemente doente, ele esteve conosco. Estava alegre e cheio
de planos para o futuro.”

- Sequenciadores Espaciais: são os indicadores de posição relativa no espaço: à esquerda, à direita,


junto de, etc. (são usados principalmente nas descrições).

“A um lado, duas estatuetas de bronze dourado, representando o amor e a castidade, sustentam uma
cúpula oval de forma ligeira, donde se desdobram até o pavimento bambolins de cassa finíssima. (...) Do

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outro lado, há uma lareira, não de fogo, que o dispensa nosso ameno clima fluminense, ainda na maior
força do inverno.”
José de Alencar. Senhora.São Paulo, FTD, 1992, p. 77.

- Sequenciadores de Ordem: são os que assinalam a ordem dos assuntos numa exposição:
primeiramente, em segunda, a seguir, finalmente, etc.

“Para mostrar os horrores da guerra, falarei, inicialmente, das agruras por que passam as populações
civis; em seguida, discorrerei sobre a vida dos soldados na frente de batalha; finalmente, exporei suas
consequências para a economia mundial e, portanto, para a vida cotidiana de todos os habitantes do
planeta.”

- Sequenciadores para Introdução: são os que, na conversação principalmente, servem para


introduzir um tema ou mudar de assunto: a propósito, por falar nisso, mas voltando ao assunto, fazendo
um parêntese, etc.

“Joaquim viveu sempre cercado do carinho de muitas pessoas. A propósito, era um homem que sabia
agradar às mulheres.”

- Operadores discursivos não explicitados: se o texto for construído sem marcadores de


sequenciação, o leitor deverá inferir, a partir da ordem dos enunciados, os operadores discursivos não
explicitados na superfície textual. Nesses casos, os lugares dos diferentes conectores estarão indicados,
na escrita, pelos sinais de pontuação: ponto-final, vírgula, ponto-e-vírgula, dois-pontos.

“A reforma política é indispensável. Sem a existência da fidelidade partidária, cada parlamentar vota
segundo seus interesses e não de acordo com um programa partidário. Assim, não há bases
governamentais sólidas.”

Esse texto contém três períodos. O segundo indica a causa de a reforma política ser indispensável.
Portanto o ponto-final do primeiro período está no lugar de um porque.

A língua tem um grande número de conectores e sequenciadores. Apresentamos os principais e


explicamos sua função. É preciso ficar atento aos fenômenos de coesão. Mostramos que o uso
inadequado dos conectores e a utilização inapropriada dos anafóricos ou catafóricos geram rupturas na
coesão, o que leva o texto a não ter sentido ou, pelo menos, a não ter o sentido desejado. Outra falha
comum no que tange a coesão é a falta de partes indispensáveis da oração ou do período. Analisemos
este exemplo:

“As empresas que anunciaram que apoiariam a campanha de combate à fome que foi lançada pelo
governo federal.”

O período compõe-se de:


- As empresas
- que anunciaram (oração subordinada adjetiva restritiva da primeira oração)
- que apoiariam a campanha de combate à fome (oração subordinada substantiva objetiva direta da
segunda oração)
- que foi lançada pelo governo federal (oração subordinada adjetiva restritiva da terceira oração).

Observe-se que falta o predicado da primeira oração. Quem escreveu o período começou a encadear
orações subordinadas e “esqueceu-se” de terminar a principal.
Quebras de coesão desse tipo são mais comuns em períodos longos. No entanto, mesmo quando se
elaboram períodos curtos é preciso cuidar para que sejam sintaticamente completos e para que suas
partes estejam bem conectadas entre si.
Para que um conjunto de frases constitua um texto, não basta que elas estejam coesas: se não tiverem
unidade de sentido, mesmo que aparentemente organizadas, elas não passarão de um amontoado
injustificado. Exemplo:

“Vivo há muitos anos em São Paulo. A cidade tem excelentes restaurantes. Ela tem bairros muito
pobres. Também o Rio de Janeiro tem favelas.”

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Todas as frases são coesas. O hiperônimo cidade retoma o substantivo São Paulo, estabelecendo
uma relação entre o segundo e o primeiro períodos. O pronome “ela” recupera a palavra cidade,
vinculando o terceiro ao segundo período. O operador também realiza uma conjunção argumentativa,
relacionando o quarto período ao terceiro. No entanto, esse conjunto não é um texto, pois não apresenta
unidade de sentido, isto é, não tem coerência. A coesão, portanto, é condição necessária, mas não
suficiente, para produzir um texto.
Questões

01. (TJ/RJ – Analista Judiciário – FGV/2014)

TEXTO 1 – BEM TRATADA, FAZ BEM

Sérgio Magalhães, O Globo

O arquiteto Jaime Lerner cunhou esta frase premonitória: “O carro é o cigarro do futuro.” Quem poderia
imaginar a reversão cultural que se deu no consumo do tabaco?
Talvez o automóvel não seja descartável tão facilmente. Este jornal, em uma série de reportagens,
nestes dias, mostrou o privilégio que os governos dão ao uso do carro e o desprezo ao transporte coletivo.
Surpreendentemente, houve entrevistado que opinou favoravelmente, valorizando Los Angeles – um caso
típico de cidade rodoviária e dispersa.
Ainda nestes dias, a ONU reafirmou o compromisso desta geração com o futuro da humanidade e
contra o aquecimento global – para o qual a emissão de CO2 do rodoviarismo é agente básico. (A USP
acaba de divulgar estudo advertindo que a poluição em São Paulo mata o dobro do que o trânsito.)
O transporte também esteve no centro dos protestos de junho de 2013. Lembremos: ele está
interrelacionado com a moradia, o emprego, o lazer. Como se vê, não faltam razões para o debate do
tema.
“Como se vê, não faltam razões para o debate do tema.”

Substituindo o termo em destaque por uma oração desenvolvida, a forma correta e adequada seria:
(A) para que se debatesse o tema;
(B) para se debater o tema;
(C) para que se debata o tema;
(D) para debater-se o tema;
(E) para que o tema fosse debatido.

02. (TJ/RJ – Analista Judiciário – FGV/2014)


“A USP acaba de divulgar estudo advertindo que a poluição em São Paulo mata o dobro do que o
trânsito”.

A oração em forma desenvolvida que substitui correta e adequadamente o gerúndio “advertindo” é:


(A) com a advertência de;
(B) quando adverte;
(C) em que adverte;
(D) no qual advertia;
(E) para advertir.

03. (PC/RJ – Papilocopista – IBF/2014)

Texto III
Corrida contra o ebola

Já faz seis meses que o atual surto de ebola na África Ocidental despertou a atenção da comunidade
internacional, mas nada sugere que as medidas até agora adotadas para refrear o avanço da doença
tenham sido eficazes.
Ao contrário, quase metade das cerca de 4.000 contaminações registradas neste ano ocorreram nas
últimas três semanas, e as mais de 2.000 mortes atestam a força da enfermidade. A escalada levou o
diretor do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos EUA, Tom Frieden, a afirmar que a
epidemia está fora de controle.

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O vírus encontrou ambiente propício para se propagar. De um lado, as condições sanitárias e
econômicas dos países afetados são as piores possíveis. De outro, a Organização Mundial da Saúde foi
incapaz de mobilizar com celeridade um contingente expressivo de profissionais para atuar nessas
localidades afetadas.
Verdade que uma parcela das debilidades da OMS se explica por problemas financeiros. Só 20% dos
recursos da entidade vêm de contribuições compulsórias dos países-membros – o restante é formado por
doações voluntárias.
A crise econômica mundial se fez sentir também nessa área, e a organização perdeu quase US$ 1
bilhão de seu orçamento bianual, hoje de quase US$ 4 bilhões. Para comparação, o CDC dos EUA
contou, somente no ano de 2013, com cerca de US$ 6 bilhões.
Os cortes obrigaram a OMS a fazer escolhas difíceis. A agência passou a dar mais ênfase à luta contra
enfermidades globais crônicas, como doenças coronárias e diabetes. O departamento de respostas a
epidemias e pandemias foi dissolvido e integrado a outros. Muitos profissionais experimentados deixaram
seus cargos.
Pesa contra o órgão da ONU, de todo modo, a demora para reconhecer a gravidade da situação. Seus
esforços iniciais foram limitados e mal liderados.
O surto agora atingiu proporções tais que já não é mais possível enfrentá-lo de Genebra, cidade suíça
sede da OMS. Tornou-se crucial estabelecer um comando central na África Ocidental, com
representantes dos países afetados.
Espera-se também maior comprometimento das potências mundiais, sobretudo Estados Unidos,
Inglaterra e França, que possuem antigos laços com Libéria, Serra Leoa e Guiné, respectivamente.
A comunidade internacional tem diante de si um desafio enorme, mas é ainda maior a necessidade de
agir com rapidez. Nessa batalha global contra o ebola, todo tempo perdido conta a favor da doença.

(Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/09/1512104-editorial-corrida-contra-o-ebola.shtml: Acesso em: 08/09/2014)

Assinale a opção em que se indica, INCORRETAMENTE, o referente do termo em destaque.


(A) “quase US$ 1 bilhão de seu orçamento bianual” (5º§) – organização
(B) “A agência passou a dar mais ênfase” (6º§) – OMS
(C) “Pesa contra o órgão da ONU”(7º§) – OMS
(D) “Seus esforços iniciais foram limitados” (7º§) – gravidade da situação
(E) “A comunidade tem diante de si” (10º§) – comunidade internacional

04. (TJ/SP – Escrevente Técnico Judiciário – VUNESP-2014)

Leia o texto para responder a questão.

As cotas raciais deram certo porque seus beneficiados são, sim, competentes. Merecem, sim,
frequentar uma universidade pública e de qualidade. No vestibular, que é o princípio de tudo, os cotistas
estão só um pouco atrás. Segundo dados do Sistema de Seleção Unificada, a nota de corte para os
candidatos convencionais a vagas de medicina nas federais foi de 787,56 pontos. Para os cotistas, foi de
761,67 pontos. A diferença entre eles, portanto, ficou próxima de 3%. IstoÉ entrevistou educadores e
todos disseram que essa distância é mais do que razoável. Na verdade, é quase nada. Se em uma
disciplina tão concorrida quanto medicina um coeficiente de apenas 3% separa os privilegiados, que
estudaram em colégios privados, dos negros e pobres, que frequentaram escolas públicas, então é justo
supor que a diferença mínima pode, perfeitamente, ser igualada ou superada no decorrer dos cursos.
Depende só da disposição do aluno. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma das mais
conceituadas do País, os resultados do último vestibular surpreenderam. “A maior diferença entre as
notas de ingresso de cotistas e não cotistas foi observada no curso de economia”, diz Ângela Rocha, pró-
reitora da UFRJ. “Mesmo assim, essa distância foi de 11%, o que, estatisticamente, não é significativo”.
(www.istoe.com.br)

Para responder a questão, considere a passagem – A diferença entre eles, portanto, ficou próxima de
3%.

O pronome eles tem como referente:


(A) candidatos convencionais e cotistas.
(B) beneficiados.

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(C) dados do Sistema de Seleção Unificada.
(D) dados do Sistema de Seleção Unificada e pontos.
(E) pontos.

05. (TJ/SP – Escrevente Técnico Judiciário – VUNESP-2014)

Leia os quadrinhos para responder a questão.

Um enunciado possível em substituição à fala do terceiro quadrinho, em conformidade com a norma-


padrão da língua portuguesa, é:
(A) Se você ir pelos caminhos da verdade, leve um capacete.
(B) Caso você vá pelos caminhos da verdade, lembra-se de levar um capacete.
(C) Se você se mantiver nos caminhos da verdade, leve um capacete.
(D) Caso você se mantém nos caminhos da verdade, lembre de levar um capacete.
(E) Ainda que você se mantêm nos caminhos da verdade, leva um capacete.

Respostas

01. (C) - As orações subordinadas desenvolvidas possuem conjunção e verbos conjugados em


modos e tempos verbais.
Na letra "a" o verbo está num tempo diferente da frase.
Na letra "b" o verbo está no infinitivo o que caracteriza como oração reduzida.
Na letra "c" a oração apresenta a conjunção "para que" que exprime finalidade e o verbo está
conjugado no tempo correto da frase.
Na letra "d" não apresenta conjunção.
Na letra "e" o verbo está no particípio caracterizando oração reduzida.
Portanto, a resposta certa é a letra "c".

02. (C) - “A USP acaba de divulgar estudo advertindo que a poluição em São Paulo mata o dobro do
que o trânsito”.
Os verbos acabar e matar contidos na frase estão no presente do indicativo. Logo, o verbo advertir
ficará no presente do indicativo. EX: eu advirto, tu advertes, ele adverte.

03. (D) - Pesa contra o órgão da ONU, de todo modo, a demora para reconhecer a gravidade da
situação. Seus esforços iniciais foram limitados e mal liderados.
De quem foram os esforços? Da ONU, pois estes formam limitados e mal liderados.

04. (A) - "a nota de corte para os candidatos convencionais a vagas de medicina nas federais foi de
787,56 pontos. Para os cotistas, foi de 761,67 pontos"
A DIFERENÇA ENTRE ELES é de 3%.
eles quem ? (os candidatos convencionais e os cotistas) que estão postos em relação a diferença de
NOTA .

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05. (C)
(A) Se você ir (for) pelos caminhos da verdade, leve um capacete.
(B) Caso você vá pelos caminhos da verdade, lembra-se (lembre-se) de levar um capacete.
(C) Se você se mantiver nos caminhos da verdade, leve um capacete.
(D) Caso você se mantém (mantenha) nos caminhos da verdade, lembre de levar um capacete.
(D) Ainda que você se mantêm (mantenha) nos caminhos da verdade, leva (leve) um capacete.

Coerência

Infância

O camisolão
O jarro
O passarinho
O oceano
A vista na casa que a gente sentava no sofá

Adolescência

Aquele amor
Nem me fale

Maturidade

O Sr. e a Sra. Amadeu


Participam a V. Exa.
O feliz nascimento
De sua filha
Gilberta

Velhice

O netinho jogou os óculos


Na latrina
Oswaldo de Andrade. Poesias reunidas.
4ª Ed. Rio de Janeiro
Civilização Brasileira, 1974, p. 160-161.

Talvez o que mais chame a atenção nesse poema, ao menos à primeira vista, seja a ausência de
elementos de coesão, quer retomando o que foi dito antes, quer encadeando segmentos textuais. No
entanto, percebemos nele um sentido unitário, sobretudo se soubermos que o seu título é “As quatro
gares”, ou seja, as quatro estações.
Com essa informação, podemos imaginar que se trata de flashes de cada uma das quatro grandes
fases da vida: a infância, a adolescência, a maturidade e a velhice. A primeira é caracterizada pelas
descobertas (o oceano), por ações (o jarro, que certamente a criança quebrara; o passarinho que ela
caçara) e por experiências marcantes (a visita que se percebia na sala apropriada e o camisolão que se
usava para dormir); a segunda é caracterizada por amores perdidos, de que não se quer mais falar; a
terceira, pela formalidade e pela responsabilidade indicadas pela participação formal do nascimento da
filha; a última, pela condescendência para com a traquinagem do neto (a quem cabe a vez de assumir a
ação). A primeira parte é uma sucessão de palavras; a segunda, uma frase em que falta um nexo sintático;
a terceira, a participação do nascimento de uma filha; e a quarta, uma oração completa, porém
aparentemente desgarrada das demais.
Como se explica que sejamos capazes de entender esse poema em seus múltiplos sentidos, apesar
da falta de marcadores de coesão entre as partes?
A explicação está no fato de que ele tem uma qualidade indispensável para a existência de um texto:
a coerência.
Que é a unidade de sentido resultante da relação que se estabelece entre as partes do texto. Uma
ideia ajuda a compreender a outra, produzindo um sentido global, à luz do qual cada uma das partes

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ganha sentido. No poema acima, os subtítulos “Infância”, “Adolescência”, “Maturidade” e “Velhice”
garantem essa unidade. Colocar a participação formal do nascimento da filha, por exemplo, sob o título
“Maturidade” dá a conotação da responsabilidade habitualmente associada ao indivíduo adulto e cria um
sentido unitário.
Esse texto, como outros do mesmo tipo, comprova que um conjunto de enunciados pode formar um
todo coerente mesmo sem a presença de elementos coesivos, isto é, mesmo sem a presença explícita
de marcadores de relação entre as diferentes unidades linguísticas. Em outros termos, a coesão funciona
apenas como um mecanismo auxiliar na produção da unidade de sentido, pois esta depende, na verdade,
das relações subjacentes ao texto, da não-contradição entre as partes, da continuidade semântica, em
síntese, da coerência.
A coerência é um fator de interpretabilidade do texto, pois possibilita que todas as suas partes sejam
englobadas num único significado que explique cada uma delas. Quando esse sentido não pode ser
alcançado por faltar relação de sentido entre as partes, lemos um texto incoerente, como este:

A todo ser humano foi dado o direito de opção entre a mediocridade de uma vida que se acomoda e a
grandeza de uma vida voltada para o aprimoramento intelectual.
A adolescência é uma fase tão difícil que todos enfrentam. De repente vejo que não sou mais uma
“criancinha” dependente do “papai”. Chegou a hora de me decidir! Tenho que escolher uma profissão
para me realizar e ser independente financeiramente.
No país em que vivemos, que predomina o capitalismo, o mais rico sempre é quem vence!
Apud: J. A. Durigan, M. B. M. Abaurre e Y. F. Vieira (orgs).
A magia da mudança. Campinas, Unicamp, 1987, p. 53.

Nesses parágrafos, vemos três temas (direito de opção; adolescência e escolha profissional; relações
sociais sob o capitalismo) que mantêm relações muito tênues entre si. Esse fato, prejudicando a
continuidade semântica entre as partes, impede a apreensão do todo e, portanto, configura um texto
incoerente.
Há no texto, vários tipos de relação entre as partes que o compõem, e, por isso, costuma-se falar em
vários níveis de coerência.

Coerência Narrativa

A coerência narrativa consiste no respeito às implicações lógicas entre as partes do relato. Por
exemplo, para que um sujeito realize uma ação, é preciso que ele tenha competência para tanto, ou seja,
que saiba e possa efetuá-la. Constitui, então, incoerência narrativa o seguinte exemplo: o narrador conta
que foi a uma festa onde todos fumavam e, por isso, a espessa fumaça impedia que se visse qualquer
coisa; de repente, sem mencionar nenhuma mudança dessa situação, ele diz que se encostou a uma
coluna e passou a observar as pessoas, que eram ruivas, loiras, morenas. Se o narrador diz que não
podia enxergar nada, é incoerente dizer que via as pessoas com tanta nitidez. Em outros termos, se nega
a competência para a realização de um desempenho qualquer, esse desempenho não pode ocorrer. Isso
por respeito às leis da coerência narrativa. Observe outro exemplo:

“Pior fez o quarto-zagueiro Edinho Baiano, do Paraná Clube, entrevistado por um repórter da Rádio
Cidade. O Paraná tinha tomado um balaio de gols do Guarani de Campinas, alguns dias antes. O repórter
queria saber o que tinha acontecido. Edinho não teve dúvida sobre os motivos:
__ Como a gente já esperava, fomos surpreendidos pelo ataque do Guarani.”
Ernâni Buchman. In: Folha de Londrina.

A surpresa implica o inesperado. Não se pode ser surpreendido com o que já se esperava que
acontecesse.

Coerência Argumentativa

A coerência argumentativa diz respeito às relações de implicação ou de adequação entre premissas e


conclusões ou entre afirmações e consequências. Não é possível alguém dizer que é a favor da pena de
morte porque é contra tirar a vida de alguém. Da mesma forma, é incoerente defender o respeito à lei e
à Constituição Brasileira e ser favorável à execução de assaltantes no interior de prisões.

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Muitas vezes, as conclusões não são adequadas às premissas. Não há coerência, por exemplo, num
raciocínio como este:

Há muitos servidores públicos no Brasil que são verdadeiros marajás.


O candidato a governador é funcionário público.
Portanto o candidato é um marajá.

Segundo uma lei da lógica formal, não se pode concluir nada com certeza baseado em duas premissas
particulares. Dizer que muitos servidores públicos são marajás não permite concluir que qualquer um
seja.
A falta de relação entre o que se diz e o que foi dito anteriormente também constitui incoerência. É o
que se vê neste diálogo:

“__ Vereador, o senhor é a favor ou contra o pagamento de pedágio para circular no centro da cidade?
__ É preciso melhorar a vida dos habitantes das grandes cidades. A degradação urbana atinge a todos
nós e, por conseguinte, é necessário reabilitar as áreas que contam com abundante oferta de serviços
públicos.”

Coerência Figurativa

A coerência figurativa refere-se à compatibilidade das figuras que manifestam determinado tema. Para
que o leitor possa perceber o tema que está sendo veiculado por uma série de figuras encadeadas, estas
precisam ser compatíveis umas com as outras. Seria estranho (para dizer o mínimo) que alguém, ao
descrever um jantar oferecido no palácio do Itamarati a um governador estrangeiro, depois de falar de
baixela de prata, porcelana finíssima, flores, candelabros, toalhas de renda, incluísse no percurso
figurativo guardanapos de papel.

Coerência Temporal

Por coerência temporal entende-se aquela que concerne à sucessão dos eventos e à compatibilidade
dos enunciados do ponto de vista de sua localização no tempo. Não se poderia, por exemplo, dizer: “O
assassino foi executado na câmara de gás e, depois, condenado à morte”.

Coerência Espacial

A coerência espacial diz respeito à compatibilidade dos enunciados do ponto de vista da localização
no espaço. Seria incoerente, por exemplo, o seguinte texto: “O filme ‘A Marvada Carne’ mostra a mudança
sofrida por um homem que vivia lá no interior e encanta-se com a agitação e a diversidade da vida na
capital, pois aqui já não suportava mais a mesmice e o tédio”. Dizendo lá no interior, o enunciador dá a
entender que seu pronunciamento está sendo feito de algum lugar distante do interior; portanto ele não
poderia usar o advérbio “aqui” para localizar “a mesmice” e “o tédio” que caracterizavam a vida interiorana
da personagem. Em síntese, não é coerente usar “lá” e “aqui” para indicar o mesmo lugar.

Coerência do Nível de Linguagem Utilizado

A coerência do nível de linguagem utilizado é aquela que concerne à compatibilidade do léxico e das
estruturas morfossintáticas com a variante escolhida numa dada situação de comunicação. Ocorre
incoerência relacionada ao nível de linguagem quando, por exemplo, o enunciador utiliza um termo chulo
ou pertencente à linguagem informal num texto caracterizado pela norma culta formal. Tanto sabemos
que isso não é permitido que, quando o fazemos, acrescentamos uma ressalva: com perdão da palavra,
se me permitem dizer. Observe um exemplo de incoerência nesse nível:

“Tendo recebido a notificação para pagamento da chamada taxa do lixo, ouso dirigir-me a V. Exª,
senhora prefeita, para expor-lhe minha inconformidade diante dessa medida, porque o IPTU foi
aumentado, no governo anterior, de 0,6% para 1% do valor venal do imóvel exatamente para cobrir as
despesas da municipalidade com os gastos de coleta e destinação dos resíduos sólidos produzidos pelos
moradores de nossa cidade. Francamente, achei uma sacanagem esta armação da Prefeitura: jogar mais
um gasto nas costas da gente.”

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Como se vê, o léxico usado no último período do texto destoa completamente do utilizado no período
anterior.

Ninguém há de negar a incoerência de um texto como este: Saltou para a rua, abriu a janela do 5º
andar e deixou um bilhete no parapeito explicando a razão de seu suicídio, em que há evidente violação
da lei sucessivamente dos eventos. Entretanto talvez nem todo mundo concorde que seja incoerente
incluir guardanapos de papel no jantar do Itamarati descrito no item sobre coerência figurativa, alguém
poderia objetivar que é preconceito considerá-los inadequados. Então, justifica-se perguntar: o que, afinal,
determina se um texto é ou não coerente?
A natureza da coerência está relacionada a dois conceitos básicos de verdade: adequação à realidade
e conformidade lógica entre os enunciados.
Vimos que temos diferentes níveis de coerência: narrativa, argumentativa, figurativa, etc. Em cada
nível, temos duas espécies diversas de coerência:

- extratextual: aquela que diz respeito à adequação entre o texto e uma “realidade” exterior a ele.
- intratextual: aquela que diz respeito à compatibilidade, à adequação, à não-contradição entre os
enunciados do texto.

A exterioridade a que o conteúdo do texto deve ajustar-se pode ser:


- o conhecimento do mundo: o conjunto de dados referentes ao mundo físico, à cultura de um povo,
ao conteúdo das ciências, etc. que constitui o repertório com que se produzem e se entendem textos. O
período “O homem olhou através das paredes e viu onde os bandidos escondiam a vítima que havia sido
sequestrada” é incoerente, pois nosso conhecimento do mundo diz que homens não veem através das
paredes. Temos, então, uma incoerência figurativa extratextual.
- os mecanismos semânticos e gramaticais da língua: o conjunto dos conhecimentos sobre o
código linguístico necessário à codificação de mensagens decodificáveis por outros usuários da mesma
língua. O texto seguinte, por exemplo, está absolutamente sem sentido por inobservância de mecanismos
desse tipo:

“Conscientizar alunos pré-sólidos ao ingresso de uma carreira universitária informações críticas a


respeito da realidade profissional a ser optada. Deve ser ciado novos métodos criativos nos ensinos de
primeiro e segundo grau: estimulando o aluno a formação crítica de suas ideias as quais, serão a
praticidade cotidiana. Aptidões pessoais serão associadas a testes vocacionais sérios de maneira
discursiva a analisar conceituações fundamentais.”
Apud: J. A. Durigan et alii. Op. cit., p. 58.

Fatores de Coerência

- O contexto: para uma dada unidade linguística, funciona como contexto a unidade linguística maior
que ela: a sílaba é contexto para o fonema; a palavra, para a sílaba; a oração, para a palavra; o período,
para a oração; o texto, para o período, e assim por diante.

“Um chopps, dois pastel, o polpettone do Jardim de Napoli, cruzar a Ipiranga com a Avenida São João,
o “Parmera”, o “Curíntia”, todo mundo estar usando cinto de segurança.”

À primeira vista, parece não haver nenhuma coerência na enumeração desses elementos. Quando
ficamos sabendo, no entanto, que eles fazem parte de um texto intitulado “100 motivos para gostar de
São Paulo”, o que aparentemente era caótico torna-se coerente:

100 motivos para gostar de São Paulo

1. Um chopps
2. E dois pastel
(...)
5. O polpettone do Jardim de Napoli
(...)
30. Cruzar a Ipiranga com a av. São João
(...)
43. O “Parmera”

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(...)
45. O “Curíntia”
(...)
59. Todo mundo estar usando cinto de segurança
(...)

O texto apresenta os traços culturais da cidade, e todos convergem para um único significado: a
celebração da capital do estado de São Paulo no seu aniversário. Os dois primeiros itens de nosso
exemplo referem-se a marcas linguísticas do falar paulistano; o terceiro, a um prato que tornou conhecido
o restaurante chamado Jardim de Napoli; o quarto, a um verso da música “Sampa”, de Caetano Veloso;
o sexto e o sétimo, à maneira como os dois times mais populares da cidade são denominados na variante
linguística popular; o último à obediência a uma lei que na época ainda não vigorava no resto do país.

- A situação de comunicação:

__A telefônica.
__Era hoje?

Esse diálogo não seria compreendido fora da situação de interlocução, porque deixa implícitos certos
enunciados que, dentro dela, são perfeitamente compreendidos:

__ O empregado da companhia telefônica que vinha consertar o telefone está aí.


__ Era hoje que ele viria?

- O conhecimento de mundo:

31 de março / 1º de abril
Dúvida Revolucionária

Ontem foi hoje?


Ou hoje é que foi ontem?

Aparentemente, falta coerência temporal a esse poema: o que significa “ontem foi hoje” ou “hoje é que
foi ontem?”. No entanto, as duas datas colocadas no início do poema e o título remetem a um episódio
da História do Brasil, o golpe militar de 1964, chamado Revolução de 1964. Esse fato deve fazer parte de
nosso conhecimento de mundo, assim como o detalhe de que ele ocorreu no dia 1º de abril, mas sua
comemoração foi mudada para 31 de março, para evitar relações entre o evento e o “dia da mentira”.

- As regras do gênero:

“O homem olhou através das paredes e viu onde os bandidos escondiam a vítima que havia sido
sequestrada.”

Essa frase é incoerente no discurso cotidiano, mas é completamente coerente no mundo criado pelas
histórias de super-heróis, em que o Super-Homem, por exemplo, tem força praticamente ilimitada; pode
voar no espaço a uma velocidade igual à da luz; quando ultrapassa essa velocidade, vence a barreira do
tempo e pode transferir-se para outras épocas; seus olhos de raios X permitem-lhe ver através de
qualquer corpo, a distâncias infinitas, etc.
Nosso conhecimento de mundo não é restrito ao que efetivamente existe, ao que se pode ver, tocar,
etc.: ele inclui também os mundos criados pela linguagem nos diferentes gêneros de texto, ficção
científica, contos maravilhosos, mitos, discurso religioso, etc., regidos por outras lógicas. Assim, o que é
incoerente num determinado gênero não o é, necessariamente, em outro.

- O sentido não literal:

“As verdes ideias incolores dormem, mas poderão explodir a qualquer momento.”

Tomando em seu sentido literal, esse texto é absurdo, pois, nessa acepção, o termo ideias não pode
ser qualificado por adjetivos de cor; não se podem atribuir ao mesmo ser, ao mesmo tempo, as qualidades

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verde e incolor; o verbo dormir deve ter como sujeito um substantivo animado. No entanto, se
entendermos ideias verdes em sentido não literal, como concepções ambientalistas, o período pode ser
lido da seguinte maneira: “As ideias ambientalistas sem atrativo estão latentes, mas poderão manifestar-
se a qualquer momento.”

- O intertexto:

Falso diálogo entre Pessoa e Caeiro

__ a chuva me deixa triste...


__ a mim me deixa molhado.
José Paulo Paes. Op. Cit., p 79.

Muitos textos retomam outros, constroem-se com base em outros e, por isso, só ganham coerência
nessa relação com o texto sobre o qual foram construídos, ou seja, na relação de intertextualidade. É o
caso desse poema. Para compreendê-lo, é preciso saber que Alberto Caeiro é um dos heterônimos do
poeta Fernando Pessoa; que heterônimo não é pseudônimo, mas uma individualidade lírica distinta da do
autor (o ortônimo); que para Caeiro o real é a exterioridade e não devemos acrescentar-lhe impressões
subjetivas; que sua posição é antimetafísica; que não devemos interpretar a realidade pela inteligência,
pois essa interpretação conduz a simples conceitos vazios, em síntese, é preciso ter lido textos de Caeiro.
Por outro lado, é preciso saber que o ortônimo (Fernando Pessoa ele mesmo) exprime suas emoções,
falando da solidão interior, do tédio, etc.

Incoerência Proposital

Existem textos em que há uma quebra proposital da coerência, com vistas a produzir determinado
efeito de sentido, assim como existem outros que fazem da não coerência o próprio princípio constitutivo
da produção de sentido. Poderia alguém perguntar, então, se realmente existe texto incoerente. Sem
dúvida existe: é aquele em que a incoerência é produzida involuntariamente, por inabilidade, descuido ou
ignorância do enunciador, e não usada funcionalmente para construir certo sentido.
Quando se trata de incoerência proposital, o enunciador dissemina pistas no texto, para que o leitor
perceba que ela faz parte de um programa intencionalmente direcionado para veicular determinado tema.
Se, por exemplo, num texto que mostra uma festa muito luxuosa, aparecem figuras como pessoas
comendo de boca aberta, falando em voz muito alta e em linguagem chula, ostentando suas últimas
aquisições, o enunciador certamente não está querendo manifestar o tema do luxo, do requinte, mas o
da vulgaridade dos novos-ricos. Para ficar no exemplo da festa: em filmes como “Quero ser grande” (Big,
dirigido por Penny Marshall em 1988, com Tom Hanks) e “Um convidado bem trapalhão” (The party, Blake
Edwards, 1968, com Peter Sellers), há cenas em que os respectivos protagonistas exibem
comportamento incompatível com a ocasião, mas não há incoerência nisso, pois todo o enredo converge
para que o espectador se solidarize com eles, por sua ingenuidade e falta de traquejo social. Mas, se
aparece num texto uma figura incoerente uma única vez, o leitor não pode ter certeza de que se trata de
uma quebra de coerência proposital, com vistas a criar determinado efeito de sentido, vai pensar que se
trata de contradição devida a inabilidade, descuido ou ignorância do enunciador.
Dissemos também que há outros textos que fazem da inversão da realidade seu princípio constitutivo;
da incoerência, um fator de coerência. São exemplos as obras de Lewis Carrol “Alice no país das
maravilhas” e “Através do espelho”, que pretendem apresentar paradoxos de sentido, subverter o
princípio da realidade, mostrar as aporias da lógica, confrontar a lógica do senso comum com outras.

Reproduzimos um poema de Manuel Bandeira que contém mais de um exemplo do que foi
abordado:

Teresa

A primeira vez que vi Teresa


Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna

Quando vi Teresa de novo


Achei que seus olhos eram muito mais velhos

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[que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando
[que o resto do corpo nascesse)

Da terceira vez não vi mais nada


Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face
[das águas.
Poesias completas e prosa. Rio de Janeiro,
Aguilar, 1986, p. 214.

Para percebermos a coerência desse texto, é preciso, no mínimo, que nosso conhecimento de mundo
inclua o poema:

O Adeus de Teresa

A primeira vez que fitei Teresa,


Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...

Castro Alves

Para identificarmos a relação de intertextualidade entre eles; que tenhamos noção da crítica do
Modernismo às escolas literárias precedentes, no caso, ao Romantismo, em que nenhuma musa seria
tratada com tanta cerimônia e muito menos teria “cara”; que façamos uma leitura não literal; que
percebamos sua lógica interna, criada pela disseminação proposital de elementos que pareceriam
absurdos em outro contexto.

Argumentação

O ato de comunicação não visa apenas transmitir uma informação a alguém. Quem comunica pretende
criar uma imagem positiva de si mesmo (por exemplo, a de um sujeito educado, ou inteligente, ou culto),
quer ser aceito, deseja que o que diz seja admitido como verdadeiro. Em síntese, tem a intenção de
convencer, ou seja, tem o desejo de que o ouvinte creia no que o texto diz e faça o que ele propõe.
Se essa é a finalidade última de todo ato de comunicação, todo texto contém um componente
argumentativo. A argumentação é o conjunto de recursos de natureza linguística destinados a persuadir
a pessoa a quem a comunicação se destina. Está presente em todo tipo de texto e visa a promover
adesão às teses e aos pontos de vista defendidos.
As pessoas costumam pensar que o argumento seja apenas uma prova de verdade ou uma razão
indiscutível para comprovar a veracidade de um fato. O argumento é mais que isso: como se disse acima,
é um recurso de linguagem utilizado para levar o interlocutor a crer naquilo que está sendo dito, a aceitar
como verdadeiro o que está sendo transmitido. A argumentação pertence ao domínio da retórica, arte de
persuadir as pessoas mediante o uso de recursos de linguagem.
Para compreender claramente o que é um argumento, é bom voltar ao que diz Aristóteles, filósofo
grego do século lV a.C., numa obra intitulada “Tópicos: os argumentos são úteis quando se tem de
escolher entre duas ou mais coisas”.
Se tivermos de escolher entre uma coisa vantajosa e uma desvantajosa, como a saúde e a doença,
não precisamos argumentar. Suponhamos, no entanto, que tenhamos de escolher entre duas coisas
igualmente vantajosas, a riqueza e a saúde. Nesse caso, precisamos argumentar sobre qual das duas é
mais desejável. O argumento pode então ser definido como qualquer recurso que torna uma coisa mais
desejável que outra. Isso significa que ele atua no domínio do preferível. Ele é utilizado para fazer o
interlocutor crer que, entre duas teses, uma é mais provável que a outra, mais possível que a outra, mais
desejável que a outra, é preferível à outra.
O objetivo da argumentação não é demonstrar a verdade de um fato, mas levar o ouvinte a admitir
como verdadeiro o que o enunciador está propondo.
Há uma diferença entre o raciocínio lógico e a argumentação. O primeiro opera no domínio do
necessário, ou seja, pretende demonstrar que uma conclusão deriva necessariamente das premissas

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propostas, que se deduz obrigatoriamente dos postulados admitidos. No raciocínio lógico, as conclusões
não dependem de crenças, de uma maneira de ver o mundo, mas apenas do encadeamento de premissas
e conclusões.

Por exemplo, um raciocínio lógico é o seguinte encadeamento:

A é igual a B.
A é igual a C.
Então: C é igual a A.

Admitidos os dois postulados, a conclusão é, obrigatoriamente, que C é igual a A.

Outro exemplo:

Todo ruminante é um mamífero.


A vaca é um ruminante.
Logo, a vaca é um mamífero.

Admitidas como verdadeiras as duas premissas, a conclusão também será verdadeira.


No domínio da argumentação, as coisas são diferentes. Nele, a conclusão não é necessária, não é
obrigatória. Por isso, deve-se mostrar que ela é a mais desejável, a mais provável, a mais plausível. Se
o Banco do Brasil fizer uma propaganda dizendo-se mais confiável do que os concorrentes porque existe
desde a chegada da família real portuguesa ao Brasil, ele estará dizendo-nos que um banco com quase
dois séculos de existência é sólido e, por isso, confiável. Embora não haja relação necessária entre a
solidez de uma instituição bancária e sua antiguidade, esta tem peso argumentativo na afirmação da
confiabilidade de um banco. Portanto é provável que se creia que um banco mais antigo seja mais
confiável do que outro fundado há dois ou três anos.
Enumerar todos os tipos de argumentos é uma tarefa quase impossível, tantas são as formas de que
nos valemos para fazer as pessoas preferirem uma coisa a outra. Por isso, é importante entender bem
como eles funcionam.
Já vimos diversas características dos argumentos. É preciso acrescentar mais uma: o convencimento
do interlocutor, o auditório, que pode ser individual ou coletivo, será tanto mais fácil quanto mais os
argumentos estiverem de acordo com suas crenças, suas expectativas, seus valores. Não se pode
convencer um auditório pertencente a uma dada cultura enfatizando coisas que ele abomina. Será mais
fácil convencê-lo valorizando coisas que ele considera positivas. No Brasil, a publicidade da cerveja vem
com frequência associada ao futebol, ao gol, à paixão nacional. Nos Estados Unidos, essa associação
certamente não surtiria efeito, porque lá o futebol não é valorizado da mesma forma que no Brasil. O
poder persuasivo de um argumento está vinculado ao que é valorizado ou desvalorizado numa dada
cultura.

Tipos de Argumento

Já verificamos que qualquer recurso linguístico destinado a fazer o interlocutor dar preferência à tese
do enunciador é um argumento. Exemplo:

Argumento de Autoridade

É a citação, no texto, de afirmações de pessoas reconhecidas pelo auditório como autoridades em


certo domínio do saber, para servir de apoio àquilo que o enunciador está propondo. Esse recurso produz
dois efeitos distintos: revela o conhecimento do produtor do texto a respeito do assunto de que está
tratando; dá ao texto a garantia do autor citado. É preciso, no entanto, não fazer do texto um amontoado
de citações. A citação precisa ser pertinente e verdadeira. Exemplo:

“A imaginação é mais importante do que o conhecimento.”

Quem disse a frase aí de cima não fui eu... Foi Einstein. Para ele, uma coisa vem antes da outra: sem
imaginação, não há conhecimento. Nunca o inverso.
Alex José Periscinoto.
In: Folha de S. Paulo, 30/8/1993, p. 5-2

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A tese defendida nesse texto é que a imaginação é mais importante do que o conhecimento. Para levar
o auditório a aderir a ela, o enunciador cita um dos mais célebres cientistas do mundo. Se um físico de
renome mundial disse isso, então as pessoas devem acreditar que é verdade.

Argumento de Quantidade

É aquele que valoriza mais o que é apreciado pelo maior número de pessoas, o que existe em maior
número, o que tem maior duração, o que tem maior número de adeptos, etc. O fundamento desse tipo de
argumento é que mais = melhor. A publicidade faz largo uso do argumento de quantidade.

Argumento do Consenso

É uma variante do argumento de quantidade. Fundamenta-se em afirmações que, numa determinada


época, são aceitas como verdadeiras e, portanto, dispensam comprovações, a menos que o objetivo do
texto seja comprovar alguma delas. Parte da ideia de que o consenso, mesmo que equivocado,
corresponde ao indiscutível, ao verdadeiro e, portanto, é melhor do que aquilo que não desfruta dele. Em
nossa época, são consensuais, por exemplo, as afirmações de que o meio ambiente precisa ser protegido
e de que as condições de vida são piores nos países subdesenvolvidos. Ao confiar no consenso, porém,
corre-se o risco de passar dos argumentos válidos para os lugares-comuns, os preconceitos e as frases
carentes de qualquer base científica.

Argumento de Existência

É aquele que se fundamenta no fato de que é mais fácil aceitar aquilo que comprovadamente existe
do que aquilo que é apenas provável, que é apenas possível. A sabedoria popular enuncia o argumento
de existência no provérbio “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando”.
Nesse tipo de argumento, incluem-se as provas documentais (fotos, estatísticas, depoimentos, gra-
vações, etc.) ou provas concretas, que tornam mais aceitável uma afirmação genérica. Durante a invasão
do Iraque, por exemplo, os jornais diziam que o exército americano era muito mais poderoso do que o
iraquiano. Essa afirmação, sem ser acompanhada de provas concretas, poderia ser vista como propa-
gandística. No entanto, quando documentada pela comparação do número de canhões, de carros de
combate, de navios, etc., ganhava credibilidade.

Argumento quase lógico

É aquele que opera com base nas relações lógicas, como causa e efeito, analogia, implicação, iden-
tidade, etc. Esses raciocínios são chamados quase lógicos porque, diversamente dos raciocínios lógicos,
eles não pretendem estabelecer relações necessárias entre os elementos, mas sim instituir relações
prováveis, possíveis, plausíveis. Por exemplo, quando se diz “A é igual a B”, “B é igual a C”, “então A é
igual a C”, estabelece-se uma relação de identidade lógica. Entretanto, quando se afirma “Amigo de amigo
meu é meu amigo” não se institui uma identidade lógica, mas uma identidade provável.
Um texto coerente do ponto de vista lógico é mais facilmente aceito do que um texto incoerente. Vários
são os defeitos que concorrem para desqualificar o texto do ponto de vista lógico: fugir do tema proposto,
cair em contradição, tirar conclusões que não se fundamentam nos dados apresentados, ilustrar -
afirmações gerais com fatos inadequados, narrar um fato e dele extrair generalizações indevidas.

Argumento do Atributo

É aquele que considera melhor o que tem proriedades típicas daquilo que é mais valorizado
socialmente, por exemplo, o mais raro é melhor que o comum, o que é mais refinado é melhor que o que
é mais grosseiro, etc.
Por esse motivo, a publicidade usa, com muita frequência, celebridades recomendando prédios
residenciais, produtos de beleza, alimentos estéticos, etc., com base no fato de que o consumidor tende
a associar o produto anunciado com atributos da celebridade.
Uma variante do argumento de atributo é o argumento da competência linguística. A utilização da
variante culta e formal da língua que o produtor do texto conhece a norma linguística socialmente mais
valorizada e, por conseguinte, deve produzir um texto em que se pode confiar. Nesse sentido é que se
diz que o modo de dizer dá confiabilidade ao que se diz.

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Imagine-se que um médico deva falar sobre o estado de saúde de uma personalidade pública. Ele
poderia fazê-lo das duas maneiras indicadas abaixo, mas a primeira seria infinitamente mais adequada
para a persuasão do que a segunda, pois esta produziria certa estranheza e não criaria uma imagem de
competência do médico:

- Para aumentar a confiabilidade do diagnóstico e levando em conta o caráter invasivo de alguns


exames, a equipe médica houve por bem determinar o internamento do governador pelo período de três
dias, a partir de hoje, 4 de fevereiro de 2001.
- Para conseguir fazer exames com mais cuidado e porque alguns deles são barras-pesadas, a gente
botou o governador no hospital por três dias.

Como dissemos antes, todo texto tem uma função argumentativa, porque ninguém fala para não ser
levado a sério, para ser ridicularizado, para ser desmentido: em todo ato de comunicação deseja-se
influenciar alguém. Por mais neutro que pretenda ser, um texto tem sempre uma orientação
argumentativa.
A orientação argumentativa é certa direção que o falante traça para seu texto. Por exemplo, um
jornalista, ao falar de um homem público, pode ter a intenção de criticá-lo, de ridicularizá-lo ou, ao
contrário, de mostrar sua grandeza.
O enunciador cria a orientação argumentativa de seu texto dando destaque a uns fatos e não a outros,
omitindo certos episódios e revelando outros, escolhendo determinadas palavras e não outra. Veja:

“O clima da festa era tão pacífico que até sogras e noras trocavam abraços afetuosos.”

O enunciador aí pretende ressaltar a ideia geral de que noras e sogras não se toleram. Não fosse
assim, não teria escolhido esse fato para ilustrar o clima da festa nem teria utilizado o termo até, que
serve para incluir no argumento alguma coisa inesperada.
Além dos defeitos de argumentação mencionados quando tratamos de alguns tipos de argumentação,
vamos citar outros:
- Uso sem delimitação adequada de palavra de sentido tão amplo, que serve de argumento para um
ponto de vista e seu contrário. São noções confusas, como paz, que, paradoxalmente, pode ser usada
pelo agressor e pelo agredido. Essas palavras podem ter valor positivo (paz, justiça, honestidade,
democracia) ou vir carregadas de valor negativo (autoritarismo, degradação do meio ambiente, injustiça,
corrupção).
- Uso de afirmações tão amplas, que podem ser derrubadas por um único contra-exemplo. Quando se
diz “Todos os políticos são ladrões”, basta um único exemplo de político honesto para destruir o
argumento.
- Emprego de noções científicas sem nenhum rigor, fora do contexto adequado, sem o significado
apropriado, vulgarizando-as e atribuindo-lhes uma significação subjetiva e grosseira. É o caso, por
exemplo, da frase “O imperialismo de certas indústrias não permite que outras crescam”, em que o termo
imperialismo é descabido, uma vez que, a rigor, significa “ação de um Estado visando a reduzir outros à
sua dependência política e econômica”.

A boa argumentação é aquela que está de acordo com a situação concreta do texto, que leva em conta
os componentes envolvidos na discussão (o tipo de pessoa a quem se dirige a comunicação, o assunto,
etc).
Convém ainda alertar que não se convence ninguém com manifestações de sinceridade do autor
(como eu, que não costumo mentir...) ou com declarações de certeza expressas em fórmulas feitas (como
estou certo, creio firmemente, é claro, é óbvio, é evidente, afirmo com toda a certeza, etc). Em vez de
prometer, em seu texto, sinceridade e certeza, autenticidade e verdade, o enunciador deve construir um
texto que revele isso. Em outros termos, essas qualidades não se prometem, manifestam-se na ação.
A argumentação é a exploração de recursos para fazer parecer verdadeiro aquilo que se diz num texto
e, com isso, levar a pessoa a que texto é endereçado a crer naquilo que ele diz.
Um texto dissertativo tem um assunto ou tema e expressa um ponto de vista, acompanhado de certa
fundamentação, que inclui a argumentação, questionamento, com o objetivo de persuadir. Argumentar é
o processo pelo qual se estabelecem relações para chegar à conclusão, com base em premissas.
Persuadir é um processo de convencimento, por meio da argumentação, no qual se procura convencer
os outros, de modo a influenciar seu pensamento e seu comportamento.
A persuasão pode ser válida e não válida. Na persuasão válida, expõem-se com clareza os
fundamentos de uma ideia ou proposição, e o interlocutor pode questionar cada passo do raciocínio

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empregado na argumentação. A persuasão não válida apoia-se em argumentos subjetivos, apelos
subliminares, chantagens sentimentais, com o emprego de "apelações", como a inflexão de voz, a mímica
e até o choro.
Alguns autores classificam a dissertação em duas modalidades, expositiva e argumentativa. Esta exige
argumentação, razões a favor e contra uma ideia, ao passo que a outra é informativa, apresenta dados
sem a intenção de convencer. Na verdade, a escolha dos dados levantados, a maneira de expô-los no
texto já revelam uma "tomada de posição", a adoção de um ponto de vista na dissertação, ainda que sem
a apresentação explícita de argumentos. Desse ponto de vista, a dissertação pode ser definida como
discussão, debate, questionamento, o que implica a liberdade de pensamento, a possibilidade de
discordar ou concordar parcialmente. A liberdade de questionar é fundamental, mas não é suficiente para
organizar um texto dissertativo. É necessária também a exposição dos fundamentos, os motivos, os
porquês da defesa de um ponto de vista.
Pode-se dizer que o homem vive em permanente atitude argumentativa. A argumentação está
presente em qualquer tipo de discurso, porém, é no texto dissertativo que ela melhor se evidencia.
Para discutir um tema, para confrontar argumentos e posições, é necessária a capacidade de conhecer
outros pontos de vista e seus respectivos argumentos. Uma discussão impõe, muitas vezes, a análise de
argumentos opostos, antagônicos. Como sempre, essa capacidade aprende-se com a prática. Um bom
exercício para aprender a argumentar e contra-argumentar consiste em desenvolver as seguintes
habilidades:
- argumentação: anotar todos os argumentos a favor de uma ideia ou fato; imaginar um interlocutor
que adote a posição totalmente contrária;

- contra-argumentação: imaginar um diálogo-debate e quais os argumentos que essa pessoa


imaginária possivelmente apresentaria contra a argumentação proposta;

- refutação: argumentos e razões contra a argumentação oposta.

A argumentação tem a finalidade de persuadir, portanto, argumentar consiste em estabelecer relações


para tirar conclusões válidas, como se procede no método dialético. O método dialético não envolve
apenas questões ideológicas, geradoras de polêmicas. Trata-se de um método de investigação da
realidade pelo estudo de sua ação recíproca, da contradição inerente ao fenômeno em questão e da
mudança dialética que ocorre na natureza e na sociedade.
Descartes (1596-1650), filósofo e pensador francês, criou o método de raciocínio silogístico, baseado
na dedução, que parte do simples para o complexo. Para ele, verdade e evidência são a mesma coisa, e
pelo raciocínio torna-se possível chegar a conclusões verdadeiras, desde que o assunto seja pesquisado
em partes, começando-se pelas proposições mais simples até alcançar, por meio de deduções, a
conclusão final. Para a linha de raciocínio cartesiana, é fundamental determinar o problema, dividi-lo em
partes, ordenar os conceitos, simplificando-os, enumerar todos os seus elementos e determinar o lugar
de cada um no conjunto da dedução.
A lógica cartesiana, até os nossos dias, é fundamental para a argumentação dos trabalhos
acadêmicos. Descartes propôs quatro regras básicas que constituem um conjunto de reflexos vitais, uma
série de movimentos sucessivos e contínuos do espírito em busca da verdade:

- evidência;
- divisão ou análise;
- ordem ou dedução;
- enumeração.

A enumeração pode apresentar dois tipos de falhas: a omissão e a incompreensão. Qualquer erro na
enumeração pode quebrar o encadeamento das ideias, indispensável para o processo dedutivo.
A forma de argumentação mais empregada na redação acadêmica é o silogismo, raciocínio baseado
nas regras cartesianas, que contém três proposições: duas premissas, maior e menor, e a conclusão. As
três proposições são encadeadas de tal forma, que a conclusão é deduzida da maior por intermédio da
menor. A premissa maior deve ser universal, emprega todo, nenhum, pois alguns não caracteriza a
universalidade.
Há dois métodos fundamentais de raciocínio: a dedução (silogística), que parte do geral para o
particular, e a indução, que vai do particular para o geral. A expressão formal do método dedutivo é o
silogismo. A dedução é o caminho das consequências, baseia-se em uma conexão descendente (do geral
para o particular) que leva à conclusão. Segundo esse método, partindo-se de teorias gerais, de verdades

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universais, pode-se chegar à previsão ou determinação de fenômenos particulares. O percurso do
raciocínio vai da causa para o efeito. Exemplo:

Todo homem é mortal (premissa maior = geral, universal)


Fulano é homem (premissa menor = particular)
Logo, Fulano é mortal (conclusão)

A indução percorre o caminho inverso ao da dedução, baseia-se em uma conexão ascendente, do


particular para o geral. Nesse caso, as constatações particulares levam às leis gerais, ou seja, parte de
fatos particulares conhecidos para os fatos gerais, desconhecidos. O percurso do raciocínio se faz do
efeito para a causa. Exemplo:

O calor dilata o ferro (particular)


O calor dilata o bronze (particular)
O calor dilata o cobre (particular)
O ferro, o bronze, o cobre são metais
Logo, o calor dilata metais (geral, universal)

Quanto a seus aspectos formais, o silogismo pode ser válido e verdadeiro; a conclusão será verdadeira
se as duas premissas também o forem. Se há erro ou equívoco na apreciação dos fatos, pode-se partir
de premissas verdadeiras para chegar a uma conclusão falsa. Tem-se, desse modo, o sofisma. Uma
definição inexata, uma divisão incompleta, a ignorância da causa, a falsa analogia são algumas causas
do sofisma. O sofisma pressupõe má fé, intenção deliberada de enganar ou levar ao erro; quando o
sofisma não tem essas intenções propositais, costuma-se chamar esse processo de argumentação de
paralogismo. Encontra-se um exemplo simples de sofisma no seguinte diálogo:

- Você concorda que possui uma coisa que não perdeu?


- Lógico, concordo.
- Você perdeu um brilhante de 40 quilates?
- Claro que não!
- Então você possui um brilhante de 40 quilates...

Exemplos de sofismas:

Dedução
Todo professor tem um diploma (geral, universal)
Fulano tem um diploma (particular)
Logo, fulano é professor (geral – conclusão falsa)

Indução
O Rio de Janeiro tem uma estátua do Cristo Redentor. (particular)
Taubaté (SP) tem uma estátua do Cristo Redentor. (particular)
Rio de Janeiro e Taubaté são cidades.
Logo, toda cidade tem uma estátua do Cristo Redentor. (geral – conclusão falsa)

Nota-se que as premissas são verdadeiras, mas a conclusão pode ser falsa. Nem todas as pessoas
que têm diploma são professores; nem todas as cidades têm uma estátua do Cristo Redentor. Comete-se
erro quando se faz generalizações apressadas ou infundadas. A "simples inspeção" é a ausência de
análise ou análise superficial dos fatos, que leva a pronunciamentos subjetivos, baseados nos
sentimentos não ditados pela razão.
Existem, ainda, outros métodos, subsidiários ou não fundamentais, que contribuem para a descoberta
ou comprovação da verdade: análise, síntese, classificação e definição. Além desses, existem outros
métodos particulares de algumas ciências, que adaptam os processos de dedução e indução à natureza
de uma realidade particular. Pode-se afirmar que cada ciência tem seu método próprio demonstrativo,
comparativo, histórico etc. A análise, a síntese, a classificação a definição são chamadas métodos
sistemáticos, porque pela organização e ordenação das ideias visam sistematizar a pesquisa.

Análise e síntese são dois processos opostos, mas interligados; a análise parte do todo para as
partes, a síntese, das partes para o todo. A análise precede a síntese, porém, de certo modo, uma

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depende da outra. A análise decompõe o todo em partes, enquanto a síntese recompõe o todo pela
reunião das partes. Sabe-se, porém, que o todo não é uma simples justaposição das partes. Se alguém
reunisse todas as peças de um relógio, não significa que reconstruiu o relógio, pois fez apenas um
amontoado de partes. Só reconstruiria todo se as partes estivessem organizadas, devidamente
combinadas, seguida uma ordem de relações necessárias, funcionais, então, o relógio estaria
reconstruído.
Síntese, portanto, é o processo de reconstrução do todo por meio da integração das partes, reunidas
e relacionadas num conjunto. Toda síntese, por ser uma reconstrução, pressupõe a análise, que é a
decomposição. A análise, no entanto, exige uma decomposição organizada, é preciso saber como dividir
o todo em partes. As operações que se realizam na análise e na síntese podem ser assim relacionadas:

Análise: penetrar, decompor, separar, dividir.


Síntese: integrar, recompor, juntar, reunir.

A análise tem importância vital no processo de coleta de ideias a respeito do tema proposto, de seu
desdobramento e da criação de abordagens possíveis. A síntese também é importante na escolha dos
elementos que farão parte do texto.
Segundo Garcia (1973, p.300), a análise pode ser formal ou informal. A análise formal pode ser
científica ou experimental; é característica das ciências matemáticas, físico-naturais e experimentais. A
análise informal é racional ou total, consiste em “discernir” por vários atos distintos da atenção os
elementos constitutivos de um todo, os diferentes caracteres de um objeto ou fenômeno.
A análise decompõe o todo em partes, a classificação estabelece as necessárias relações de
dependência e hierarquia entre as partes. Análise e classificação ligam-se intimamente, a ponto de se
confundir uma com a outra, contudo são procedimentos diversos: análise é decomposição e classificação
é hierarquisação.
Nas ciências naturais, classificam-se os seres, fatos e fenômenos por suas diferenças e semelhanças;
fora das ciências naturais, a classificação pode-se efetuar por meio de um processo mais ou menos
arbitrário, em que os caracteres comuns e diferenciadores são empregados de modo mais ou menos
convencional. A classificação, no reino animal, em ramos, classes, ordens, subordens, gêneros e
espécies, é um exemplo de classificação natural, pelas características comuns e diferenciadoras. A
classificação dos variados itens integrantes de uma lista mais ou menos caótica é artificial.
Exemplo: aquecedor, automóvel, barbeador, batata, caminhão, canário, jipe, leite, ônibus, pão, pardal,
pintassilgo, queijo, relógio, sabiá, torradeira.

Aves: Canário, Pardal, Pintassilgo, Sabiá.


Alimentos: Batata, Leite, Pão, Queijo.
Mecanismos: Aquecedor, Barbeador, Relógio, Torradeira.
Veículos: Automóvel, Caminhão, Jipe, Ônibus.

Os elementos desta lista foram classificados por ordem alfabética e pelas afinidades comuns entre
eles. Estabelecer critérios de classificação das ideias e argumentos, pela ordem de importância, é uma
habilidade indispensável para elaborar o desenvolvimento de uma redação. Tanto faz que a ordem seja
crescente, do fato mais importante para o menos importante, ou decrescente, primeiro o menos
importante e, no final, o impacto do mais importante; é indispensável que haja uma lógica na classificação.
A elaboração do plano compreende a classificação das partes e subdivisões, ou seja, os elementos do
plano devem obedecer a uma hierarquização. (Garcia, 1973, p. 302-304.)
Para a clareza da dissertação, é indispensável que, logo na introdução, os termos e conceitos sejam
definidos, pois, para expressar um questionamento, deve-se, de antemão, expor clara e racionalmente
as posições assumidas e os argumentos que as justificam. É muito importante deixar claro o campo da
discussão e a posição adotada, isto é, esclarecer não só o assunto, mas também os pontos de vista sobre
ele.
A definição tem por objetivo a exatidão no emprego da linguagem e consiste na enumeração das
qualidades próprias de uma ideia, palavra ou objeto. Definir é classificar o elemento conforme a espécie
a que pertence, demonstra: a característica que o diferencia dos outros elementos dessa mesma espécie.
Entre os vários processos de exposição de ideias, a definição é um dos mais importantes, sobretudo
no âmbito das ciências. A definição científica ou didática é denotativa, ou seja, atribui às palavras seu
sentido usual ou consensual, enquanto a conotativa ou metafórica emprega palavras de sentido figurado.
Segundo a lógica tradicional aristotélica, a definição consta de três elementos:

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- o termo a ser definido;
- o gênero ou espécie;
- a diferença específica.

O que distingue o termo definido de outros elementos da mesma espécie. Exemplo:

Na frase: O homem é um animal racional classifica-se:

Elemento espécie diferença


a ser definido específica

É muito comum formular definições de maneira defeituosa, por exemplo: Análise é quando a gente
decompõe o todo em partes. Esse tipo de definição é gramaticalmente incorreto; quando é advérbio de
tempo, não representa o gênero, a espécie, a gente é forma coloquial não adequada à redação
acadêmica. Tão importante é saber formular uma definição, que se recorre a Garcia (1973, p.306), para
determinar os "requisitos da definição denotativa”. Para ser exata, a definição deve apresentar os
seguintes requisitos:
- o termo deve realmente pertencer ao gênero ou classe em que está incluído: “mesa é um móvel”
(classe em que ‘mesa’ está realmente incluída) e não “mesa é um instrumento ou ferramenta ou
instalação”;
- o gênero deve ser suficientemente amplo para incluir todos os exemplos específicos da coisa definida,
e suficientemente restritos para que a diferença possa ser percebida sem dificuldade;
- deve ser obrigatoriamente afirmativa: não há, em verdade, definição, quando se diz que o “triângulo
não é um prisma”;
- deve ser recíproca: “O homem é um ser vivo” não constitui definição exata, porque a recíproca, “Todo
ser vivo é um homem” não é verdadeira (o gato é ser vivo e não é homem);
- deve ser breve (contida num só período). Quando a definição, ou o que se pretenda como tal, é muito
longa (séries de períodos ou de parágrafos), chama-se explicação, e também definição expandida;
- deve ter uma estrutura gramatical rígida: sujeito (o termo) + cópula (verbo de ligação ser) + predicativo
(o gênero) + adjuntos (as diferenças).

As definições dos dicionários de língua são feitas por meio de paráfrases definitórias, ou seja, uma
operação metalinguística que consiste em estabelecer uma relação de equivalência entre a palavra e
seus significados.
A força do texto dissertativo está em sua fundamentação. Sempre é fundamental procurar um porquê,
uma razão verdadeira e necessária. A verdade de um ponto de vista deve ser demonstrada com
argumentos válidos. O ponto de vista mais lógico e racional do mundo não tem valor, se não estiver
acompanhado de uma fundamentação coerente e adequada.
Os métodos fundamentais de raciocínio segundo a lógica clássica, que foram abordados
anteriormente, auxiliam o julgamento da validade dos fatos. Às vezes, a argumentação é clara e pode
reconhecer-se facilmente seus elementos e suas relações; outras vezes, as premissas e as conclusões
organizam-se de modo livre, misturando-se na estrutura do argumento. Por isso, é preciso aprender a
reconhecer os elementos que constituem um argumento: premissas/conclusões. Depois de reconhecer,
verificar se tais elementos são verdadeiros ou falsos; em seguida, avaliar se o argumento está expresso
corretamente; se há coerência e adequação entre seus elementos, ou se há contradição. Para isso é que
se aprendem os processos de raciocínio por dedução e por indução. Admitindo-se que raciocinar é
relacionar, conclui-se que o argumento é um tipo específico de relação entre as premissas e a conclusão.

Procedimentos Argumentativos: Constituem os procedimentos argumentativos mais empregados


para comprovar uma afirmação: exemplificação, explicitação, enumeração, comparação.

Exemplificação: Procura justificar os pontos de vista por meio de exemplos, hierarquizar afirmações.
São expressões comuns nesse tipo de procedimento: mais importante que, superior a, de maior
relevância que. Empregam-se também dados estatísticos, acompanhados de expressões: considerando
os dados; conforme os dados apresentados. Faz-se a exemplificação, ainda, pela apresentação de

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causas e consequências, usando-se comumente as expressões: porque, porquanto, pois que, uma vez
que, visto que, por causa de, em virtude de, em vista de, por motivo de.

Explicitação: O objetivo desse recurso argumentativo é explicar ou esclarecer os pontos de vista


apresentados. Pode-se alcançar esse objetivo pela definição, pelo testemunho e pela interpretação. Na
explicitação por definição, empregam-se expressões como: quer dizer, denomina-se, chama-se, na
verdade, isto é, haja vista, ou melhor; nos testemunhos são comuns as expressões: conforme, segundo,
na opinião de, no parecer de, consoante as ideias de, no entender de, no pensamento de. A explicitação
se faz também pela interpretação, em que são comuns as seguintes expressões: parece, assim, desse
ponto de vista.

Enumeração: Faz-se pela apresentação de uma sequência de elementos que comprovam uma
opinião, tais como a enumeração de pormenores, de fatos, em uma sequência de tempo, em que são
frequentes as expressões: primeiro, segundo, por último, antes, depois, ainda, em seguida, então,
presentemente, antigamente, depois de, antes de, atualmente, hoje, no passado, sucessivamente,
respectivamente. Na enumeração de fatos em uma sequência de espaço, empregam-se as seguintes
expressões: cá, lá, acolá, ali, aí, além, adiante, perto de, ao redor de, no Estado tal, na capital, no interior,
nas grandes cidades, no sul, no leste...

Comparação: Analogia e contraste são as duas maneiras de se estabelecer a comparação, com a


finalidade de comprovar uma ideia ou opinião. Na analogia, são comuns as expressões: da mesma forma,
tal como, tanto quanto, assim como, igualmente. Para estabelecer contraste, empregam-se as
expressões: mais que, menos que, melhor que, pior que.

Entre outros tipos de argumentos empregados para aumentar o poder de persuasão de um texto
dissertativo encontram-se:

Argumento de autoridade: O saber notório de uma autoridade reconhecida em certa área do


conhecimento dá apoio a uma afirmação. Dessa maneira, procura-se trazer para o enunciado a
credibilidade da autoridade citada. Lembre-se que as citações literais no corpo de um texto constituem
argumentos de autoridade. Ao fazer uma citação, o enunciador situa os enunciados nela contidos na linha
de raciocínio que ele considera mais adequada para explicar ou justificar um fato ou fenômeno. Esse tipo
de argumento tem mais caráter confirmatório que comprobatório.

Apoio na consensualidade: Certas afirmações dispensam explicação ou comprovação, pois seu


conteúdo é aceito como válido por consenso, pelo menos em determinado espaço sociocultural. Nesse
caso, incluem-se:
- A declaração que expressa uma verdade universal (o homem, mortal, aspira à imortalidade);
- A declaração que é evidente por si mesma (caso dos postulados e axiomas);
- Quando escapam ao domínio intelectual, ou seja, é de natureza subjetiva ou sentimental (o amor tem
razões que a própria razão desconhece); implica apreciação de ordem estética (gosto não se discute);
diz respeito à fé religiosa, aos dogmas (creio, ainda que parece absurdo).

Comprovação pela experiência ou observação: A verdade de um fato ou afirmação pode ser


comprovada por meio de dados concretos, estatísticos ou documentais.

Comprovação pela fundamentação lógica: A comprovação se realiza por meio de argumentos


racionais, baseados na lógica: causa/efeito; consequência/causa; condição/ocorrência.

Fatos não se discutem; discutem-se opiniões. As declarações, julgamento, pronunciamentos,


apreciações que expressam opiniões pessoais (não subjetivas) devem ter sua validade comprovada, e
só os fatos provam. Em resumo toda afirmação ou juízo que expresse uma opinião pessoal só terá
validade se fundamentada na evidência dos fatos, ou seja, se acompanhada de provas, validade dos
argumentos, porém, pode ser contestada por meio da contra-argumentação ou refutação. São vários os
processos de contra-argumentação:

Refutação pelo absurdo: refuta-se uma afirmação demonstrando o absurdo da consequência.


Exemplo clássico é a contra-argumentação do cordeiro, na conhecida fábula "O lobo e o cordeiro";

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Refutação por exclusão: consiste em propor várias hipóteses para eliminá-las, apresentando-se, então,
aquela que se julga verdadeira;

Desqualificação do argumento: atribui-se o argumento à opinião pessoal subjetiva do enunciador,


restringindo-se a universalidade da afirmação;

Ataque ao argumento pelo testemunho de autoridade: consiste em refutar um argumento empregando


os testemunhos de autoridade que contrariam a afirmação apresentada;

Desqualificar dados concretos apresentados: consiste em desautorizar dados reais, demonstrando que
o enunciador baseou-se em dados corretos, mas tirou conclusões falsas ou inconsequentes. Por exemplo, se
na argumentação afirmou-se, por meio de dados estatísticos, que "o controle demográfico produz o
desenvolvimento", afirma-se que a conclusão é inconsequente, pois se baseia em uma relação de causa-efeito
difícil de ser comprovada. Para contra-argumentar, propõe-se uma relação inversa: "o desenvolvimento é que
gera o controle demográfico".

Apresentam-se aqui sugestões, um dos roteiros possíveis para desenvolver um tema, que podem ser
analisadas e adaptadas ao desenvolvimento de outros temas. Elege-se um tema, e, em seguida, sugerem-se
os procedimentos que devem ser adotados para a elaboração de um Plano de Redação.

Tema: O homem e a máquina: necessidade e riscos da evolução tecnológica

- Questionar o tema, transformá-lo em interrogação, responder a interrogação (assumir um ponto de vista);


dar o porquê da resposta, justificar, criando um argumento básico;
- Imaginar um ponto de vista oposto ao argumento básico e construir uma contra-argumentação; pensar a
forma de refutação que poderia ser feita ao argumento básico e tentar desqualificá-la (rever tipos de
argumentação);
- Refletir sobre o contexto, ou seja, fazer uma coleta de ideias que estejam direta ou indiretamente ligadas
ao tema (as ideias podem ser listadas livremente ou organizadas como causa e consequência);
- Analisar as ideias anotadas, sua relação com o tema e com o argumento básico;
- Fazer uma seleção das ideias pertinentes, escolhendo as que poderão ser aproveitadas no texto; essas
ideias transformam-se em argumentos auxiliares, que explicam e corroboram a ideia do argumento básico;
- Fazer um esboço do Plano de Redação, organizando uma sequência na apresentação das ideias
selecionadas, obedecendo às partes principais da estrutura do texto, que poderia ser mais ou menos a
seguinte:

Introdução

- função social da ciência e da tecnologia;


- definições de ciência e tecnologia;
- indivíduo e sociedade perante o avanço tecnológico.

Desenvolvimento

- apresentação de aspectos positivos e negativos do desenvolvimento tecnológico;


- como o desenvolvimento científico-tecnológico modificou as condições de vida no mundo atual;
- a tecnocracia: oposição entre uma sociedade tecnologicamente desenvolvida e a dependência tecnológica
dos países subdesenvolvidos;
- enumerar e discutir os fatores de desenvolvimento social;
- comparar a vida de hoje com os diversos tipos de vida do passado; apontar semelhanças e diferenças;
- analisar as condições atuais de vida nos grandes centros urbanos;
- como se poderia usar a ciência e a tecnologia para humanizar mais a sociedade.

Conclusão

- a tecnologia pode libertar ou escravizar: benefícios/consequências maléficas;


- síntese interpretativa dos argumentos e contra-argumentos apresentados.

Naturalmente esse não é o único, nem o melhor plano de redação: é um dos possíveis.

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Ideias Principais e Ideias Secundárias

Para uma boa compreensão textual é necessário entender a estrutura interna do texto, analisar as
ideias primárias e secundárias e verificar como elas se relacionam.
As ideias principais estão relacionadas com o tema central, o assunto núcleo; as ideias secundárias
unem-se às ideias principais e formam uma cadeia, ou seja, ocorre a explanação da ideia básica e, a
seguir, o desdobramento dessa ideia nos parágrafos seguintes, a fim de aprofundar o assunto.

Ideia principal:
Meu primo já havia chegado à metade da perigosa ponte de ferro quando, de repente, um trem saiu da
curva, a cem metros da ponte.

Ideias secundárias:
Com isso, ele não teve tempo de correr para a frente ou para trás, mas, demonstrando grande presença
de espírito, agachou-se, segurou, com as mãos, um dos dormentes e deixou o corpo pendurado.

A ideia principal refere-se ao a ação perigosa, agravada pelo aparecimento do trem.

As ideias secundárias aparecem para complementar a ideia principal.

Linguagem Verbal e Não Verbal

Linguagem é a capacidade que possuímos de expressar nossos pensamentos, ideias, opiniões e


sentimentos. Está relacionada a fenômenos comunicativos; onde há comunicação, há linguagem.
Podemos usar inúmeros tipos de linguagens para estabelecermos atos de comunicação, tais como:
sinais, símbolos, sons, gestos e regras com sinais convencionais (linguagem escrita e linguagem mímica,
por exemplo). Num sentido mais genérico, a linguagem pode ser classificada como qualquer sistema de
sinais que se valem os indivíduos para comunicar-se.
A linguagem pode ser:

- Verbal: aquela que faz uso das palavras para comunicar algo.

As figuras acima nos comunicam sua mensagem através da linguagem verbal (usa palavras para
transmitir a informação).

- Não Verbal: aquela que utiliza outros métodos de comunicação, que não são as palavras. Dentre
elas estão: a linguagem de sinais, as placas e sinais de trânsito, a linguagem corporal, uma figura, a
expressão facial, um gesto, etc.

Essas figuras fazem uso apenas de imagens para comunicar o que representam.

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A Língua é um instrumento de comunicação, sendo composta por regras gramaticais que possibilitam
que determinado grupo de falantes consiga produzir enunciados que lhes permitam comunicar-se e
compreender-se. Por exemplo: falantes da língua portuguesa.
A língua possui um caráter social: pertence a todo um conjunto de pessoas, as quais podem agir sobre
ela. Cada membro da comunidade pode optar por esta ou aquela forma de expressão. Por outro lado,
não é possível criar uma língua particular e exigir que outros falantes a compreendam. Dessa forma, cada
indivíduo pode usar de maneira particular a língua comunitária, originando a fala. A fala está sempre
condicionada pelas regras socialmente estabelecidas da língua, mas é suficientemente ampla para
permitir um exercício criativo da comunicação. Um indivíduo pode pronunciar um enunciado da seguinte
maneira:

A família de Regina era paupérrima.

Outro, no entanto, pode optar por:

A família de Regina era muito pobre.

As diferenças e semelhanças constatadas devem-se às diversas manifestações da fala de cada um.


Note, além disso, que essas manifestações devem obedecer às regras gerais da língua portuguesa, para
não correrem o risco de produzir enunciados incompreensíveis como:

Família a paupérrima de era Regina.

Não devemos confundir língua com escrita, pois são dois meios de comunicação distintos. A escrita
representa um estágio posterior de uma língua. A língua falada é mais espontânea, abrange a
comunicação linguística em toda sua totalidade. Além disso, é acompanhada pelo tom de voz, algumas
vezes por mímicas, incluindo-se fisionomias. A língua escrita não é apenas a representação da língua
falada, mas sim um sistema mais disciplinado e rígido, uma vez que não conta com o jogo fisionômico,
as mímicas e o tom de voz do falante. No Brasil, por exemplo, todos falam a língua portuguesa, mas
existem usos diferentes da língua devido a diversos fatores. Dentre eles, destacam-se:

- Fatores Regionais: é possível notar a diferença do português falado por um habitante da região
nordeste e outro da região sudeste do Brasil. Dentro de uma mesma região, também há variações no uso
da língua. No estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, há diferenças entre a língua utilizada por um
cidadão que vive na capital e aquela utilizada por um cidadão do interior do estado.
- Fatores Culturais: o grau de escolarização e a formação cultural de um indivíduo também são fatores
que colaboram para os diferentes usos da língua. Uma pessoa escolarizada utiliza a língua de uma
maneira diferente da pessoa que não teve acesso à escola.
- Fatores Contextuais: nosso modo de falar varia de acordo com a situação em que nos encontramos:
quando conversamos com nossos amigos, não usamos os termos que usaríamos se estivéssemos
discursando em uma solenidade de formatura.
- Fatores Profissionais: o exercício de algumas atividades requer o domínio de certas formas de
língua chamadas línguas técnicas. Abundantes em termos específicos, essas formas têm uso
praticamente restrito ao intercâmbio técnico de engenheiros, químicos, profissionais da área de direito e
da informática, biólogos, médicos, linguistas e outros especialistas.
- Fatores Naturais: o uso da língua pelos falantes sofre influência de fatores naturais, como idade e
sexo. Uma criança não utiliza a língua da mesma maneira que um adulto, daí falar-se em linguagem
infantil e linguagem adulta.

Fala

É a utilização oral da língua pelo indivíduo. É um ato individual, pois cada indivíduo, para a
manifestação da fala, pode escolher os elementos da língua que lhe convém, conforme seu gosto e sua
necessidade, de acordo com a situação, o contexto, sua personalidade, o ambiente sociocultural em que
vive, etc. Desse modo, dentro da unidade da língua, há uma grande diversificação nos mais variados
níveis da fala. Cada indivíduo, além de conhecer o que fala, conhece também o que os outros falam; é
por isso que somos capazes de dialogar com pessoas dos mais variados graus de cultura, embora nem
sempre a linguagem delas seja exatamente como a nossa.
Devido ao caráter individual da fala, é possível observar alguns níveis:

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- Nível Coloquial-Popular: é a fala que a maioria das pessoas utiliza no seu dia a dia, principalmente
em situações informais. Esse nível da fala é mais espontâneo, ao utilizá-lo, não nos preocupamos em
saber se falamos de acordo ou não com as regras formais estabelecidas pela língua.
- Nível Formal-Culto: é o nível da fala normalmente utilizado pelas pessoas em situações formais.
Caracteriza-se por um cuidado maior com o vocabulário e pela obediência às regras gramaticais
estabelecidas pela língua.

Signo

É um elemento representativo que apresenta dois aspectos: o significado e o significante. Ao escutar


a palavra “cachorro”, reconhecemos a sequência de sons que formam essa palavra. Esses sons se
identificam com a lembrança deles que está em nossa memória. Essa lembrança constitui uma real
imagem sonora, armazenada em nosso cérebro que é o significante do signo “cachorro”. Quando
escutamos essa palavra, logo pensamos em um animal irracional de quatro patas, com pelos, olhos,
orelhas, etc. Esse conceito que nos vem à mente é o significado do signo “cachorro” e também se
encontra armazenado em nossa memória.
Ao empregar os signos que formam a nossa língua, devemos obedecer às regras gramaticais
convencionadas pela própria língua. Desse modo, por exemplo, é possível colocar o artigo indefinido “um”
diante do signo “cachorro”, formando a sequência “um cachorro”, o mesmo não seria possível se
quiséssemos colocar o artigo “uma” diante do signo “cachorro”. A sequência “uma cachorro” contraria
uma regra de concordância da língua portuguesa, o que faz com que essa sentença seja rejeitada. Os
signos que constituem a língua obedecem a padrões determinados de organização. O conhecimento de
uma língua engloba tanto a identificação de seus signos, como também o uso adequado de suas regras
combinatórias.
Signo: elemento representativo que possui duas partes indissolúveis: significado e significante.
Significado (é o conceito, a ideia transmitida pelo signo, a parte abstrata do signo) + Significante (é a
imagem sonora, a forma, a parte concreta do signo, suas letras e seus fonemas).
Língua: conjunto de sinais baseado em palavras que obedecem às regras gramaticais.
Fala: uso individual da língua, aberto à criatividade e ao desenvolvimento da liberdade de expressão
e compreensão.

Textos Não Verbais: Leituras de Imagens

Existem diversas formas de discursos e textos, para cada um deles há características específicas e
diferentes formas de interpretação. Os textos imagéticos, construídos por imagens e algumas vezes por
imagens e palavras, ganharam grande destaque nas últimas décadas e têm sido cada vez mais utilizados.
A simbologia é uma forma de comunicação não verbal que consegue, por meio de símbolos gráficos
populares, transmitir mensagens e exprimir ideias e conceitos em uma linguagem figurativa ou abstrata.
A capacidade de reconhecimento e interpretação das imagens/símbolos é determinada pelo
conhecimento de cada pessoa.
Três exemplos de símbolos cotidianamente utilizados são: logotipos, ícones e sinalizações. Segue
alguns exemplos:

Ícones

WIFI ALIMENTAÇÃO RECICLAGEM

Logotipos

Apple WWF McDonald’s Windows

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Sinalização

Textos Não Verbais:

Conjunções

As Conjunções exercem a função de conectar as palavras dentro de uma oração. Desta forma, elas
estabelecem uma relação de coordenação ou subordinação e são classificadas em: Conjunções
Coordenativas e Conjunções Subordinativas.

Conjunções Coordenativas

1. Aditivas (Adição)

E
Nem

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Não só
Mas também
Mas ainda
Senão

Exemplos:
Viajamos e descansamos.
Essa tarefa não ate nem desta.
Eu não só estudo, mas também trabalho.

2. Adversativas (Posição Contrária)

Mas
Porém
Todavia
Entretanto
No entanto

Exemplos:
Ela era explorada, mas não se queixava.
Os alunos estudaram, no entanto não conseguiram as notas necessárias.

3. Alternativas (Alternância)

Ou, ou
Ora, ora
Quer, quer
Já, já

Exemplos:
Ou você vem agora, ou não haverá mais ingressos.
Ora chovia, ora fazia sol.

4. Conclusivas (Conclusão)

Logo
Portanto
Por conseguinte
Pois (após o verbo)

Exemplos:
O caminho é perigoso; vá, pois, com cuidado!
Estamos nos esforçando, logo seremos recompensados.

5. Explicativas (Explicação)

Que
Porque
Porquanto
Pois (antes
do verbo)

Exemplos:
Não leia no escuro, que faz mal à vista.

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Compre estas mercadorias, pois já estamos ficando sem.

Conjunções Subordinativas

Ligam uma oração principal a uma oração subordinativa, com verbo flexionado.

1. Integrantes: iniciam a oração subordinada substantiva – Que / Se / Como

Exemplos:
Todos perceberam que você estava atrasado.
Aposto como você estava nervosa.

2. Temporais (Tempo) – Quando / Enquanto / Logo que / Assim que / Desde que

Exemplos:
Logo que chegaram, a festa acabou.
Quando eu disse a verdade, ninguém acreditou.

3. Finais (Finalidade) – Para que / A fim de que

Exemplo:
Foi embora logo, a fim de que ninguém o perturbasse.

4. Proporcionais (Proporcionalidade) – À proporção que / À medida que / Quanto mais ... mais /
Quanto menos... menos

Exemplos:
À medida que se vive, mais se aprende.
Quanto mais se preocupa, mais se aborrece.

5. Causais (Causa) – Porque / Como / Visto que / Uma vez que

Exemplo: Como estivesse doente, não pôde sair.

6. Condicionais (Condição) – Se / Caso / Desde que

Exemplos:
Comprarei o livro, desde que esteja disponível.
Se chover, não poderemos ir.

7. Comparativas (Comparação) – Como / Que / Do que / Quanto / Que nem

Exemplos:
Os filhos comeram como leões.
A luz é mais veloz do que o som.

8. Conformativas (Conformidade) – Como / Conforme / Segundo

Exemplos:
As coisas não são como parecem.
Farei tudo, conforme foi pedido.

9. Consecutivas (Consequência) – Que (precedido dos termos: tal, tão, tanto...) / De forma que

Exemplos:
A menina chorou tanto, que não conseguiu ir para a escola.
Ontem estive viajando, de forma que não consegui participar da reunião.

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10. Concessivas (Concessão) – Embora / Conquanto / Ainda que / Mesmo que / Por mais que

Exemplos:
Todos gostaram, embora estivesse mal feito.
Por mais que gritasse, ninguém o socorreu.

Advérbio

Advérbio é a palavra invariável que modifica um verbo (Chegou cedo), um outro advérbio (Falou muito
bem), um adjetivo (Estava muito bonita). De acordo com a circunstância que exprime, o advérbio pode
ser de:
Tempo: ainda, agora, antigamente, antes, amiúde (=sempre), amanhã, breve, brevemente, cedo,
diariamente, depois, depressa, hoje, imediatamente, já, lentamente, logo, novamente, outrora.
Lugar: aqui, acolá, atrás, acima, adiante, ali, abaixo, além, algures (=em algum lugar), aquém, alhures
(= em outro lugar), aquém,dentro, defronte, fora, longe, perto.
Modo: assim, bem, depressa, aliás (= de outro modo ), devagar, mal, melhor pior, e a maior parte dos
advérbios que termina em mente: calmamente, suavemente, rapidamente, tristemente.
Afirmação: certamente, decerto, deveras, efetivamente, realmente, sim, seguramente.
Negação: absolutamente, de modo algum, de jeito nenhum, nem, não, tampouco (=também não).
Intensidade: apenas, assaz bastante bastante, bem, demais,mais, meio, menos, muito, quase,
quanto, tão, tanto, pouco.
Dúvida: acaso, eventuamente, por ventura, quiçá, possivelmente, talvez.

Adverbios Interrogativos: São empregados em orações interrogativas diretas ou indiretas. Podem


exprimir: lugar, tempo, modo, ou causa.
- Onde fica o Clube das Acácias ? (direta)
- Preciso saber onde fica o Clube das Acássias. (indireta)
- Quando minha amiga Delma chegará de Campinas? (direta)
- Gostaria de saber quando minha amiga Delma chegará de Campinas. (indireta)

Locuçoes Adverbiais: São duas ou mais palavras que têm o valor de advérbio: às cegas, às claras,
às toa, às pressas, às escondidas, à noite, à tarde, às vezes, ao acaso, de repente, de chofre, de cor, de
improviso, de propósito, de viva voz, de medo, com certeza, por perto, por um triz, de vez em quando,
sem dúvida, de forma alguma, em vão, por certo, à esquerda, à direta, a pé, a esmo, por ali, a distância.
- De repente o dia se fez noite.
- Por um triz eu não me denunciei.
- Sem dúvida você é o melhor.

Graus dos Advérbios: o advérbio não vai para o plural, são palavras invariáveis, mas alguns admitem
a flexão de grau: comparativo e superlativo.

Comparativo de:
Igualdade - tão + advérbio + quanto, como: Sou tão feliz quanto / como você.
Superioridade - Analítico: mais do que: Raquel é mais elegante do que eu.
- Sintético: melhor, pior que: Amanhã será melhor do que hoje.
Inferioridade - menos do que: Falei menos do que devia.

Superlativo Absoluto:
Analítico - mais, muito, pouco,menos: O candidato defendeu-se muito mal.
Sintético - íssimo, érrimo: Localizei-o rapídíssimo.

Palavras e Locuções Denotativas: São palavras semelhantes a advérbios e que não possuem
classificação especial. Não se enquadram em nenhuma das dez classes de palavras. São chamadas de
denotativas e exprimem:
Afetividade: felizmente, infelizmente, ainda bem: Ainda bem que você veio.
Designação, Indicação: eis: Eis aqui o herói da turma.

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Exclusão: exclusive, menos, exceto, fora, salvo, senão, sequer: Não me disse sequer uma palavra de
amor.
Inclusão: inclusive, também, mesmo, ainda, até, além disso, de mais a mais: Também há flores no
céu.
Limitação: só, apenas, somente, unicamente: Só Deus é perfeito.
Realce: cá, lá, é que, sobretudo, mesmo: Sei lá o que ele quis dizer!
Retificação: aliás, ou melhor, isto é, ou antes: Irei à Bahia na próxima semana, ou melhor, no próximo
mês.
Explicação: por exemplo, a saber: Você, por exemplo, tem bom caráter.

Emprego do Advérbio

- Na linguagem coloquial, familiar, é comum o emprego do sufixo diminutivo dando aos advérbios o
valor de superlativo sintético: agorinha, cedinho, pertinho, devagarinho, depressinha, rapidinho (bem
rápido): Rapidinho chegou a casa; Moro pertinho da universidade.
- Frequenternente empregamos adjetivos com valor de advérbio: A cerveja que desce redondo.
(redondamente)
- Bastante - antes de adjetivo, é advérbio, portanto, não vai para o plural; equivale a muito / a: Aquelas
jovens são bastante simpáticas e gentis.
- Bastante, antes de substantivo, é adjetivo, portanto vai para o plural, equivale a muitos / as: Contei
bastantes estrelas no céu.
- Não confunda mal (advérbio, oposto de bem) com mau (adjetivo, oposto de bom): Mal cheguei a
casa, encontrei- a de mau humor.
- Antes de verbo no particípio, diz-se mais bem, mais mal: Ficamos mais bem informados depois do
noticiário notumo.
- Em frase negativa o advérbio já equivale a mais: Já não se fazem professores como antigamente.
(=não se fazem mais)
- Na locução adverbial a olhos vistos (=claramente), o particípio permanece no masculino plural: Minha
irmã Zuleide emagrecia a olhos vistos.
- Dois ou mais advérbios terminados em mente, apenas no último permanece mente: Educada e
pacientemente, falei a todos.
- A repetição de um mesmo advérbio assume o valor superlativo: Levantei cedo, cedo.

Questões

01. Assinale a frase em que meio funciona como advérbio:


(A) Só quero meio quilo.
(B) Achei-o meio triste.
(C) Descobri o meio de acertar.
(D) Parou no meio da rua.
(E) Comprou um metro e meio.

02. Só não há advérbio em:


(A) Não o quero.
(B) Ali está o material.
(C) Tudo está correto.
(D) Talvez ele fale.
(E) Já cheguei.

03. Qual das frases abaixo possui advérbio de modo?


(A) Realmente ela errou.
(B) Antigamente era mais pacato o mundo.
(C) Lá está teu primo.
(D) Ela fala bem.
(E) Estava bem cansado.

04. Classifique a locução adverbial que aparece em "Machucou-se com a lâmina".


(A) modo
(B) instrumento

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(C) causa
(D) concessão
(E) fim

05. (EBSERH – Técnico em Citopatogia – INSTITUTO AOCP /2015)

Sobre a Ansiedade
por Karin Hueck
[...]
Processar os dados

[...] se há um fator gerador de ansiedade que seja típico dos nossos tempos, esse é a informação. Sim,
são as coisas que você lê todos os dias nos jornais, recebe por email e aprende na SUPER. Diariamente,
há notícias de novos alimentos que causam câncer, de novos vírus mutantes que atacam o seu
computador, de novos criminosos violentos que estão à solta por aí. É ou não é de enlouquecer?
A velocidade com que a informação viaja o mundo é algo muito recente, com o qual os seres humanos
ainda não sabem lidar – e muito menos aprenderam a filtrar. Já foram cunhados até alguns termos para
definir a ansiedade trazida pelos novos meios de comunicação: technologyrelated anxiety (ansiedade que
surge quando o computador trava, que afeta 50% dos trabalhadores americanos), ringxiety (impressão
de que o seu celular está tocando o tempo todo) e a ansiedade de estar desconectado da internet e não
saber o que acontece no mundo, que já contaminou 68% dos americanos.
[...]
Poucas coisas mudaram tão rapidamente como a troca de informações. Em 1801, a notícia de que
Portugal e Espanha estavam em guerra demorou 3 meses para chegar ao Rio Grande do Sul. Quando
chegou, o capitão de armas do estado declarou guerra aos vizinhos espanhóis, sem saber que a batalha
na Europa já tinha terminado. Em 2004, quando um tsunami devastou o litoral do Sudeste Asiático, os
primeiros blogs já estavam dando detalhes da destruição em menos de duas horas.
Hoje em dia, ficamos sabendo de todos os desastres naturais, todos os ataques terroristas e todos os
acidentes de avião que acontecem ao redor do mundo, e nos sentimos vulneráveis. E, muito mais do que
isso, nos sentimos incapazes se não sabemos palpitar sobre a música da moda, a eleição americana ou
o acelerador de partículas na Suíça. Já que a informação está disponível, por que não sabemos de tudo
um pouco? Essa avalanche de informação também causa outro tipo de neurose.
O tempo todo, as TVs e revistas do mundo exibem corpos esculturais, executivos milionários e atletas
de alto rendimento. Na comparação com essas pessoas, nós, reles mortais, sempre saímos perdendo.
“Claro que nos comparamos com quem é bem sucedido e maravilhoso. Infelizmente, não estamos
preparados para viver com um grupo de comparação tão grande, e o resultado é que ficamos ansiosos e
com baixa autoestima", diz o filósofo Perring. O que ele quer dizer é que o ser humano sempre funciona
na base da comparação. Ou seja, se todo mundo ao seu redor tiver o mesmo número de recursos, você
não vai se sentir pior do que ninguém, mas, se, de repente, uma pessoa do seu lado ficar muito mais rica,
bonita, feliz e bem sucedida, você vai se sentir infeliz. Quer dizer, podemos não sofrer mais com a falta
de comida ou com doenças, mas sofremos porque não somos todos iguais ao Brad Pitt e a Angelina Jolie.

Adaptado de http://super.abril.com.br/saude/ansiedade-447836.shtml

Em “Diariamente, há notícias de novos alimentos que causam câncer...”, o termo destacado expressa
(A) negação.
(B) tempo.
(C) localização.
(D) intensidade.
(E) afirmação.

06. Ele ficou em casa. A palavra em é:


(A) conjunção
(B) pronome indefinido
(C) artigo definido
(D) advérbio de lugar
(E) preposição

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07. (EBSERH – Nutricionista – INSTITUTO AOCP/2015)

A lista de desejos

Rosely Sayao

Acabou a graça de dar presentes em situações de comemoração e celebração, não é? Hoje, temos
listas para quase todas as ocasiões: casamento, chá de cozinha e seus similares – e há similares
espantosos, como chá de lingerie –, nascimento de filho e chá de bebê, e agora até para aniversário.
Presente para os filhos? Tudo eles já pediram e apenas mudam, de vez em quando ou frequentemente,
a ordem das suas prioridades. Quem tem filho tem sempre à sua disposição uma lista de pedidos de
presentes feita por ele, que pode crescer diariamente, e que tanto pode ser informal quanto formal.
A filha de uma amiga, por exemplo, tem uma lista na bolsa escrita à mão pelo filho, que tem a liberdade
de sacá-la a qualquer momento para fazer as mudanças que ele julgar necessárias. Ah! E ela funciona
tanto como lista de pedidos como também de “checklist" porque, dessa maneira, o garoto controla o que
já recebeu e o que ainda está por vir. Sim: essas listas são quase uma garantia de conseguir ter o pedido
atendido.
Ninguém mais precisa ter trabalho ao comprar um presente para um conhecido, para um colega de
trabalho, para alguma criança e até amigo. Sabe aquele esforço de pensar na pessoa que vai receber o
presente e de imaginar o que ela gostaria de ganhar, o que tem relação com ela e seu modo de ser e de
viver? Pois é: agora, basta um telefonema ou uma passada rápida nas lojas físicas ou virtuais em que as
listas estão, ou até mesmo pedir para uma outra pessoa realizar tal tarefa, e pronto! Problema resolvido!
Não é preciso mais o investimento pessoal do pensar em algo, de procurar até encontrar, de bater
perna e cabeça até sentir-se satisfeito com a escolha feita que, além de tudo, precisaria estar dentro do
orçamento disponível para tal. Hoje, o presente custa só o gasto financeiro e nem precisa estar dentro do
orçamento porque, para não transgredir a lista, às vezes é preciso parcelar o presente em diversas
prestações...
E, assim que os convites chegam, acompanhados sem discrição alguma das listas, é uma correria dos
convidados para efetuar sem demora sua compra. É que os presentes menos custosos são os primeiros
a serem ticados nas listas, e quem demora para cumprir seu compromisso acaba gastando um pouco
mais do que gostaria.
Se, por um lado, dar presentes deixou de dar trabalho, por outro deixou também totalmente excluído
do ato de presentear o relacionamento entre as pessoas envolvidas. Ganho para o mercado de consumo,
perda para as relações humanas afetivas.
Os presentes se tornaram impessoais, objetos de utilidade ou de luxo desejados. Acabou-se o que era
doce no que já foi, num passado recente, uma demonstração pessoal de carinho.
Sabe, caro leitor, aquela expressão de surpresa gostosa, ou de um pequeno susto que insiste em se
expressar, apesar da vontade de querer que ele passe despercebido, quando recebíamos um mimo? Ou
aquela frase transparente de criança, que nunca deixa por menos: “Eu não quero isso!"? Tudo isso
acabou. Hoje, tudo o que ocorre é uma operação mental dupla. Quem recebe apenas tica algum item da
lista elaborada, e quem presenteia dá-se por satisfeito por ter cumprido seu compromisso.
Que tempos mais chatos. Resta, a quem tiver coragem, a possibilidade de transgredir essas tais listas.
Assim, é possível tornar a vida mais saborosa.
Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/colunas/
roselysayao/2014/07/1489356-a-lista-de-desejos.shtml

Assinale a alternativa em que a expressão ou termo destacado NÃO expressa tempo.


(A) “às vezes”.
(B) “de vez em quando”
(C) “frequentemente”.
(D) “Hoje”.
(E) “pouco”.

08. Em “Eles fizeram tudo às claras”; a expressão destacada é:


(A) uma locução adjetiva, modificando a palavra tudo.
(B) um advérbio, modificando o verbo fazer.
(C) uma locução adverbial, modificando a palavra tudo.
(D) uma locução adverbial, modificando o verbo fazer.
(E) uma locução adjetiva, modificando o verbo fazer

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09. Leia o texto que segue:
“Não há muito tempo atrás
Eu sonhava um dia ter
Esse ordenado enorme
Que mal me dá pra viver.”
(Millôr Fernandes)

“Um dia” e “mal” exprimem, respectivamente, circunstâncias de:


(A) tempo / intensidade.
(B) tempo / modo.
(C) lugar / intensidade.
(D) tempo / causa.
(E) lugar / modo.

Respostas

01. Resposta B
Alternativa A: meio quilo = quantidade
Alternativa B (correta): meio triste = advérbio de intensidade
Alternativa C: descobri o meio = jeito, maneira
Alternativa D: meio da rua = metade
Alternativa E: um metro e meio = quantidade

02. Reposta C
Alternativa A: Não – advérbio de negação
Alternativa B: Ali – advérbio de lugar
Alternativa D:Talvez – advérvio de dúvida
Alternativa E: Já – advérbio de tempo

03. Resposta D
Alternativa A: Realmente – advérbio de afirmação
Alternativa B: Antigamente – advérbio de tempo
Alternativa C: Lá – advérbio de lugar
Alternativa D (correta): Bem – advérbio de modo / modifica a maneiro com que ela fala.
Alternativa E: Bem- advérbio de intensidade

04. Resposta B
“Com a lâmina” = instrumento

05. Resposta B
Diariamente = de modo diário, advérbio de tempo.

06. Resposta E

07. Resposta E
"pouco" advérbio de intensidade, todas as outras estão relacionadas com tempo.

08. Resposta D

09. Resposta B

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Relações entre recursos expressivos e efeitos de sentido:
efeitos de ironia ou humor em textos variados; efeito de
sentido decorrente do uso da pontuação e de outras
notações, da escolha de uma determinada palavra ou
expressão; exploração de recursos ortográficos,
morfossintáticos e estilísticos.

Norma Culta

Norma culta ou linguagem culta é uma expressão empregada pelos linguistas brasileiros para designar
o conjunto de variedades linguísticas produzidas pelos falantes classificado como cidadãos nascidos e
criados em zona urbana e com nível de escolaridade elevado. Assim, a norma culta define o uso correto
da Língua Portuguesa com base no que está escrito nos livros de gramática.

Aquisição da Linguagem e o Propósito da Língua

A aprendizagem da língua inicia-se em casa, no contexto familiar, que é o primeiro círculo social para
uma criança. A criança imita o que ouve e aprende, aos poucos, o vocabulário e as leis combinatórias da
língua. Um jovem falante também vai exercitando o aparelho fonador, ou seja, a língua, os lábios, os
dentes, os maxilares, as cordas vocais para produzir sons que se transformam, mais tarde, em palavras,
frases e textos.
Um falante ao entrar em contato com outras pessoas em diferentes ambientes sociais como a rua, a
escola e etc., começa a perceber que nem todos falam da mesma forma. Há pessoas que falam de forma
diferente por pertencerem a outras cidades ou regiões do país, ou por fazerem parte de outro grupo ou
classe social. Essas diferenças no uso da língua constituem as variedades linguísticas.
A língua é um poderoso instrumento de ação social, ela possibilita transmitir nossas ideias e transmitir
um conjunto de informações sobre nós mesmos. Desta forma, ela pode tanto facilitar quanto dificultar o
nosso relacionamento com as pessoas e com a sociedade no que diz respeito a nossa capacidade de
uso e articulação da língua.
Certas palavras e construções que empregamos acabam denunciando quem somos socialmente, ou
seja, em que região do país nascemos, qual nosso nível social e escolar, nossa formação e, às vezes,
até nossos valores, círculo de amizades e hobbies, como skate, rock, surfe, etc. O uso da língua também
pode informar nossa timidez, sobre nossa capacidade de nos adaptarmos às situações novas e nossa
insegurança.

Variedades Linguísticas

A língua escrita e falada apresenta uma série de variações e transformações ao pasar do tempo. Tais
variações decorrem das diferenças entre as épocas, condições sociais, culturais e regionais dos falantes.
Tomemos como exemplo a transformação ortográfica do vocábulo “farmácia” que antes era grafado com
“ph”, assim, a palavra era escrita “pharmácia”.
Todas as variedades linguísticas são adequadas, desde que cumpram com eficiência o papel
fundamental da língua, o de permitir e estabelecer a comunicação entre as pessoas. Apesar disso, há
uma entre as variedades que tem maior prestígio social, a norma culta ou norma padrã.
A norma culta é a variedade linguística ensinada nas escolas, contida na maior parte dos livros,
registros escritos, nas mídias televisivas, entre outros. Como variantes da norma padrão aparecem: a
linguagem regional, a gíria, a linguagem específica de grupos ou profissões (policiais, jogadores de
futebol, advogados, surfistas).
O ensino da língua culta na escola não tem a finalidade de condenar ou eliminar a língua que falamos
em nossa família ou em nossa comunidade. Ao contrário, o domínio da língua culta, somado ao domínio
de outras variedades linguísticas, torna-nos mais preparados para nos comunicarmos nos diferentes
contextos lingísticos, já que a linguagem utilizada em reuniões de trabalho não deve ser a mesma utilizada
em uma reunião de amigos no final de semana.
Portanto, saber usar bem uma língua equivale a saber empregá-la de modo adequado às mais
diferentes situações sociais de que participamos.

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Graus de Formalismo

São muitos os tipos de registros quanto ao formalismo, tais como: o registro formal, que é uma
linguagem mais cuidada; o coloquial, que não tem um planejamento prévio, caracterizando-se por
construções gramaticais mais livres, repetições frequentes, frases curtas e conectores simples; o informal,
que se caracteriza pelo uso de ortografia simplificada e construções simples ( geralmente usado entre
membros de uma mesma família ou entre amigos).
As variações de registro ocorrem de acordo com o grau de formalismo existente na situação de
comunicação; com o modo de expressão, isto é, se trata de um registro formal ou escrito; com a sintonia
entre interlocutores, que envolve aspectos como graus de cortesia, deferência, tecnicidade (domínio de
um vocabulário específico de algum campo científico, por exemplo).

ATITUDES NÃO RECOMENDADAS

EXPRESSÕES CONDENÁVEIS USO RECOMENDADO


A nível de / Ao nível Em nível, No nível
Face a / Frente a Ante, Diante, Em face de, Em vista de, Perante
Onde (Quando não exprime lugar) Em que, Na qual, Nas quais, No qual, Nos quais
Sob um ponto de vista De um ponto de vista
Sob um prisma Por (ou através de) um prisma
Em função de Em virtude de, Por causa de, Em consequência de, Por,
Em razão de

Expressões não recomendadas

- a partir de (a não ser com valor temporal).


Opção: com base em, tomando-se por base, valendo-se de...

- através de (para exprimir “meio” ou instrumento).


Opção: por, mediante, por meio de, por intermédio de, segundo...

- devido a.
Opção: em razão de, em virtude de, graças a, por causa de.

- dito.
Opção: citado, mencionado.

- enquanto.
Opção: ao passo que.

- inclusive (a não ser quando significa incluindo-se).


Opção: até, ainda, igualmente, mesmo, também.

- no sentido de, com vistas a.


Opção: a fim de, para, com a finalidade de, tendo em vista.

- pois (no início da oração).


Opção: já que, porque, uma vez que, visto que.

- principalmente.
Opção: especialmente, sobretudo, em especial, em particular.

Expressões que demandam atenção

- acaso, caso – com se, use acaso; caso rejeita o se


- aceitado, aceito – com ter e haver, aceitado; com ser e estar, aceito
- acendido, aceso (formas similares) – idem

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- à custa de – e não às custas de
- à medida que – à proporção que, ao mesmo tempo que, conforme
- na medida em que – tendo em vista que, uma vez que
- a meu ver – e não ao meu ver
- a ponto de – e não ao ponto de
- a posteriori, a priori – não tem valor temporal
- em termos de – modismo; evitar
- enquanto que – o que é redundância
- entre um e outro – entre exige a conjunção e, e não a
- implicar em – a regência é direta (sem em)
- ir de encontro a – chocar-se com
- ir ao encontro de – concordar com
- se não, senão – quando se pode substituir por caso não, separado; quando não se pode, junto
- todo mundo – todos
- todo o mundo – o mundo inteiro
- não pagamento = hífen somente quando o segundo termo for substantivo
- este e isto – referência próxima do falante (a lugar, a tempo presente; a futuro próximo; ao anunciar
e a que se está tratando)
- esse e isso – referência longe do falante e perto do ouvinte (tempo futuro, desejo de distância; tempo
passado próximo do presente, ou distante ao já mencionado e a ênfase).

Erros Comuns

- "Hoje ao receber alguns presentes no qual completo vinte anos tenho muitas novidades para contar”.
Uso inadequado do pronome relativo. Ele provoca falta de coesão, pois não consegue perceber a que
antecedente ele se refere, portanto nada conecta e produz relação absurda.

- "Ainda brincava de boneca quando conheci Davi, piloto de cart, moreno, 20 anos, com olhos cor de
mel. "Tudo começou naquele baile de quinze anos", "... é aos dezoito anos que se começa a procurar o
caminho do amanhã e encontrar as perspectiva que nos acompanham para sempre na estrada da vida”.
Você pode ter conhecimento do vocabulário e das regras gramaticais e, assim, construir um texto sem
erros. Entretanto, se você reproduz sem nenhuma crítica ou reflexão expressões gastas, vulgarizadas
pelo uso contínuo. A boa qualidade do texto fica comprometida.

- Tema: Para você, as experiências genéticas de clonagem põem em xeque todos os conceitos
humanos sobre Deus e a vida? "Bem a clonagem não é tudo, mas na vida tudo tem o seu valor e os
homens a todo momento necessitam de descobrir todos os mistérios da vida que nos cerca a todo
instante”.
É de extrema importância seguir o que foi proposto no tema. Antes de começar o texto leia atentamente
todos os elementos que o examinador apresentou. Esquematize as ideias e perceba se não há falta de
correspondência entre o tema proposto e o texto criado.

- "Uma biópsia do tumor retirado do fígado do meu primo (...) mostrou que ele não era maligno”.
Esta frase está ambígua. Não se sabe se o pronome ele refere-se ao fígado ou ao primo. Para se evitar
a ambiguidade, deve-se observar se a relação entre cada palavra do texto está correta.

- "Ele me tratava como uma criança, mas eu era apenas uma criança”.
Problema com o uso do conectivo “mas”. O conectivo mas indica uma circunstância de oposição, de
ideia contrária a. Portanto, a relação adversativa introduzida pelo "mas" no fragmento acima produz uma
ideia absurda.

- "Entretanto, como já diziam os sábios: depois da tempestade sempre vem a bonança. Após longo
suplício, meu coração apaziguava as tormentas e a sensatez me mostrava que só estaríamos separadas
carnalmente”.
Não utilize provérbios ou ditos populares. Eles empobrecem a redação e fazem parecer que o autor
não tem criatividade ao lançar mão de formas já gastas pelo uso frequente.

- "Todos os deputados são corruptos”.


Evite pensamentos radicais. É recomendável não generalizar e evitar, assim, posições extremistas.

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- "Bem, acho que - você sabe - não é fácil dizer essas coisas. Olhe, acho que ele não vai concordar
com a decisão que você tomou, quero dizer, os fatos levam você a isso, mas você sabe - todos sabem -
ele pensa diferente. É bom a gente pensar como vai fazer para, enfim, para ele entender a decisão”.
O ato de escrever é diferente do ato de falar. O texto escrito não deve apresentar marcas de oralidade.

- "Mal cheiro", "mau-humorado".


Mal opõe-se a bem e mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-humorado).
Igualmente: mau humor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar.

- "Fazem" cinco anos.


Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.

- "Houveram" muitos acidentes.


Haver, como existir, também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve
haver muitos casos iguais.

- Para "mim" fazer.


Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.

- Entre "eu" e você.


Depois de preposição, usa-se mim ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti.

- "Há" dez anos "atrás".


Há e atrás indicam passado na frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás.

- "Entrar dentro".
Problema de redundância. O certo seria: entrar em.
Veja outras redundâncias: Sair fora ou para fora, elo de ligação, monopólio exclusivo, já não há mais,
ganhar grátis, viúva do falecido.

- Vai assistir "o" jogo hoje.


Assistir como presenciar exige a: Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão.
Outros verbos com a: A medida não agradou (desagradou) à população. / Eles obedeceram
(desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu à carta. /
Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes.

- Preferia ir "do que" ficar.


Prefere-se sempre uma coisa a outra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a mesma norma: É preferível
lutar a morrer sem glória.

- Não há regra sem "excessão".


O certo é exceção.
Veja outras grafias erradas e, entre parênteses, a forma correta: "paralizar" (paralisar), "beneficiente"
(beneficente), "xuxu" (chuchu), "previlégio" (privilégio), "vultuoso" (vultoso), "cincoenta" (cinquenta), "zuar"
(zoar), "frustado" (frustrado), "calcáreo" (calcário), "advinhar" (adivinhar), "benvindo" (bem-vindo),
"ascenção" (ascensão), "pixar" (pichar), "impecilho" (empecilho), "envólucro" (invólucro).

- Comprei "ele" para você.


Eu, tu, ele, nós, vós e eles não podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o para você. Também: Deixe-
os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me.

- "Aluga-se" casas.
O verbo concorda com o sujeito: Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se evitam
acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se empregados.

- Chegou "em" São Paulo.


Verbos de movimento exigem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os
filhos ao circo.

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- Todos somos "cidadões".
O plural de cidadão é cidadãos. Veja outros: caracteres (de caráter), juniores, seniores, escrivães,
tabeliães, gângsteres.

- A última "seção" de cinema.


Seção significa divisão, repartição, e sessão equivale a tempo de uma reunião, função: Seção Eleitoral,
Seção de Esportes, seção de brinquedos; sessão de cinema, sessão de pancadas, sessão do Congresso.

- Vendeu "uma" grama de ouro.


Grama, peso, é palavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas.

- "Porisso".
Duas palavras, por isso, como de repente e a partir de

- Não viu "qualquer" risco.


Deve-se usar “nenhum”, e não "qualquer.
Não viu nenhum risco. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. / Nunca promoveu nenhuma confusão.

- A feira "inicia" amanhã.


Alguma coisa se inicia, se inaugura: A feira inicia-se (inaugura-se) amanhã.

- O peixe tem muito "espinho".


Peixe tem espinha.
Veja outras confusões desse tipo: O "fuzil" (fusível) queimou. / Casa "germinada" (geminada), "ciclo"
(círculo) vicioso, "cabeçário" (cabeçalho).

- Não sabiam "aonde" ele estava.


O certo: Não sabiam onde ele estava.
Aonde se usa com verbos de movimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos?

- "Obrigado", disse a moça.


Obrigado concorda com a pessoa: "Obrigada", disse a moça. / Obrigado pela atenção. / Muito
obrigados por tudo.

- Ela era "meia" louca.


Meio, advérbio, não varia: meio louca, meio esperta, meio amiga.

- "Fica" você comigo.


Fica é imperativo do pronome tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. / Venha pra
Caixa você também. / Chegue aqui.

- A questão não tem nada "haver" com você.


A questão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com
você.

- Vou "emprestar" dele.


Emprestar é ceder, e não tomar por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou emprestar o
livro (ceder) ao meu irmão.
Repare nesta concordância: Pediu emprestadas duas malas.

- Ele foi um dos que "chegou" antes.


Um dos que faz a concordância no plural: Ele foi um dos que chegaram antes (dos que chegaram
antes, ele foi um). / Era um dos que sempre vibravam com a vitória.

- "Cerca de 18" pessoas o saudaram. Cerca de indica arredondamento e não pode aparecer com
números exatos: Cerca de 20 pessoas o saudaram.

- Tinha "chego" atrasado.


"Chego" não existe. O certo: Tinha chegado atrasado.

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- Queria namorar "com" o colega.
O com não existe: Queria namorar o colega.

- O processo deu entrada "junto ao" STF.


Processo dá entrada no STF

- As pessoas "esperavam-o".
Quando o verbo termina em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e nas:
As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos.

- Vocês "fariam-lhe" um favor?


Não se usa pronome átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do presente, futuro do
pretérito (antigo condicional) ou particípio. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor? / Ele se
imporá pelos conhecimentos (e nunca "imporá-se"). / Os amigos nos darão (e não "darão-nos") um
presente. / Tendo-me formado (e nunca tendo "formado-me").

- Chegou "a" duas horas e partirá daqui "há" cinco minutos.


Há indica passado e equivale a faz, enquanto a exprime distância ou tempo futuro (não pode ser
substituído por faz): Chegou há (faz) duas horas e partirá daqui a (tempo futuro) cinco minutos. / O atirador
estava a (distância) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) pouco menos de dez dias.

- Estávamos "em" quatro à mesa.


O “em” não existe: Estávamos quatro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos cinco na sala.

- Sentou "na" mesa para comer.


Sentar-se (ou sentar) em é sentar-se em cima de. Veja o certo: Sentou-se à mesa para comer. / Sentou
ao piano, à máquina, ao computador.

- Ficou contente "por causa que" ninguém se feriu.


A locução não existe. Use porque: Ficou contente porque ninguém se feriu.

- O time empatou "em" 2 a 2.


A preposição é “por”: O time empatou por 2 a 2. Repare que ele ganha por e perde por. Da mesma
forma: empate por.

- Não queria que "receiassem" a sua companhia.


O i não existe: Não queria que receassem a sua companhia. Da mesma forma: passeemos, enfearam,
ceaste, receeis (só existe i quando o acento cai no e que precede a terminação ear: receiem, passeias,
enfeiam).

- Eles "tem" razão.


No plural, têm é com acento. Tem é a forma do singular. O mesmo ocorre com vem e vêm e põe e
põem: Ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele põe, eles põem.

- Acordos "políticos-partidários". Nos adjetivos compostos, só o último elemento varia: acordos político-
partidários. Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas, medidas econômico-financeiras, partidos
social-democratas.

- Andou por "todo" país.


Todo o (ou a) é que significa inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro). / Toda a tripulação (a
tripulação inteira) foi demitida.
Sem o, todo quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada homem) é mortal. / Toda nação (qualquer
nação) tem inimigos.

- "Todos" amigos o elogiavam.


No plural, todos exige os: Todos os amigos o elogiavam. / Era difícil apontar todas as contradições do
texto.

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- Ela "mesmo" arrumou a sala.
“Mesmo” é variável: Ela mesma (própria) arrumou a sala. / As vítimas mesmas recorreram à polícia.

- Chamei-o e "o mesmo" não atendeu.


Não se pode empregar o mesmo no lugar de pronome ou substantivo: Chamei-o e ele não atendeu. /
Os funcionários públicos reuniram-se hoje: amanhã o país conhecerá a decisão dos servidores (e não
"dos mesmos").

- Vou sair "essa" noite.


É este que designa o tempo no qual se está o objeto próximo: Esta noite, esta semana (a semana em
que se está), este dia, este jornal (o jornal que estou lendo), este século (o século 20).

- A temperatura chegou a 0 "graus". Zero indica singular sempre: Zero grau, zero-quilômetro, zero
hora.

- Comeu frango "ao invés de" peixe.


Em vez de indica substituição: Comeu frango em vez de peixe.
Ao invés de significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu.

- Se eu "ver" você por aí...


O certo é: Se eu vir, revir, previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir); se eu tiver (de ter); se ele puser
(de pôr); se ele fizer (de fazer); se nós dissermos (de dizer).

- Evite que a bomba "expluda". Explodir só tem as pessoas em que depois do “d” vêm “e” e “i”: Explode,
explodiram, etc. Portanto, não escreva nem fale "exploda" ou "expluda",

- Disse o que "quiz".


Não existe z, mas apenas s, nas pessoas de querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, quiséssemos;
pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos.

- O homem "possue" muitos bens.


O certo: O homem possui muitos bens. Verbos em uir só têm a terminação ui: Inclui, atribui, polui.
Verbos em uar é que admitem ue: Continue, recue, atue, atenue.

- A tese "onde".
Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brincam.
Nos demais casos, use em que: A tese em que ele defende essa ideia. / O livro em que... / A faixa em
que ele canta... / Na entrevista em que...

- Já "foi comunicado" da decisão.


Uma decisão é comunicada, mas ninguém "é comunicado" de alguma coisa. Assim: Já foi informado
(cientificado, avisado) da decisão. Outra forma errada: A diretoria "comunicou" os empregados da
decisão. Opções corretas: A diretoria comunicou a decisão aos empregados. / A decisão foi comunicada
aos empregados.

- A modelo "pousou" o dia todo.


Modelo posa (de pose). Quem pousa é ave, avião, viajante, etc.

- Espero que "viagem" hoje.


Viagem, com g, é o substantivo: Minha viagem. A forma verbal é viajem (de viajar).
Evite também "comprimentar" alguém: de cumprimento (saudação), só pode resultar cumprimentar.
Comprimento é extensão. Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido (concretizado).

- O pai "sequer" foi avisado.


Sequer deve ser usado com negativa: O pai nem sequer foi avisado. / Partiu sem sequer nos avisar.

- O fato passou "desapercebido".


Na verdade, o fato passou despercebido, não foi notado. Desapercebido significa desprevenido.

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- "Haja visto" seu empenho...
A expressão é “haja vista” e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista
suas críticas.

- A moça "que ele gosta".


Quem gosta, gosta de, o certo é: A moça de que ele gosta

- É hora "dele" chegar.


Não se deve fazer a contração da preposição com artigo ou pronome, nos casos seguidos de infinitivo:
É hora de ele chegar. / Apesar de o amigo tê-lo convidado. / Depois de esses fatos terem ocorrido.

- A festa começa às 8 "hrs.".


As abreviaturas do sistema métrico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8 h, 2 km (e não "kms."),
5 m, 10 kg.

- "Dado" os índices das pesquisas...


A concordância é normal: Dados os índices das pesquisas... / Dado o resultado... / Dadas as suas
ideias...

- Ficou "sobre" a mira do assaltante.


Sob é que significa debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se sob a cama.
Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E
lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o doce, calda. Da mesma forma, alguém traz alguma coisa
e alguém vai para trás.

- "Ao meu ver". Não existe artigo nessas expressões: A meu ver, a seu ver, a no

Efeitos de Ironia em Textos

A ironia é um instrumento de literatura ou de retórica que consiste em dizer o contrário daquilo que se
pensa, deixando entender uma distância intencional entre aquilo que dizemos e aquilo que realmente
pensamos. Na Literatura, a ironia é a arte de gozar com alguém ou de alguma coisa, com vista a obter
uma reação do leitor, ouvinte ou interlocutor.
Ela pode ser utilizada, entre outras formas, com o objetivo de denunciar, de criticar ou de censurar
algo. Para tal, o locutor descreve a realidade com termos aparentemente valorizantes, mas com a
finalidade de desvalorizar. A ironia convida o leitor ou o ouvinte, a ser ativo durante a leitura, para refletir
sobre o tema e escolher uma determinada posição.
A maior parte das teorias de retórica distingue três tipos de ironia: oral, dramática e de situação.

- A ironia oral é a disparidade entre a expressão e a intenção: quando um locutor diz uma coisa, mas
pretende expressar outra, ou então quando um significado literal é contrário para atingir o efeito desejado.

- A ironia dramática (ou sátira) é a disparidade entre a expressão e a compreensão/cognição: quando


uma palavra ou uma ação põe uma questão em jogo e a plateia entende o significado da situação, mas
a personagem não.

- A ironia de situação é a disparidade existente entre a intenção e o resultado: quando o resultado de


uma ação é contrário ao desejo ou efeito esperado. Da mesma maneira, a ironia infinita é a disparidade
entre o desejo humano e as duras realidades do mundo externo.

Exemplo:
__Você está intolerante hoje.
__Não diga, meu amor!

É também um estilo de linguagem caracterizado por subverter o símbolo que, a princípio, representa.
A ironia utiliza-se como uma forma de linguagem pré-estabelecida para, a partir e de dentro dela, contestá-

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la. Foi utilizada por Sócrates, na Grécia Antiga, como ferramenta para fazer os seus interlocutures
entrarem em contradição, no seu método socrático.

Leia este trecho escrito por Murilo Mendes:

“Uma moça nossa vizinha dedilhava admiravelmente mal ao piano alguns estudos de Litz”.

Observe que a expressão “admiravelmente” é exatamente o oposto do adjetivo posterior “mal”,


deixando bastante clara a presença da ironia ou antífrase, figura de linguagem que expressa um sentido
contrário ao significado habitual.

Segundo Pires, existem três tipos de ironia:

- asteísmo: quando louva;

- sarcasmo: quando zomba;

- antífrase: quando engrandece ideias funestas, erradas, fora de propósito e quando se faz uso
carinhoso de termos ofensivos.

Veja exemplos na literatura:

“Moça linda bem tratada, três séculos de família, burra como uma porta: um amor!” (Mário de Andrade)

“A excelente dona Inácia era mestra na arte de judiar crianças”. (Monteiro Lobato)

Exemplo em textos falados:

“Quem foi o inteligente que usou o computador e apagou tudo o que estava gravado?”

“Essa cômoda está tão limpinha que dá para escrever com o dedo.”

“João é tão experto que travou o carro com a chave dentro.”

O contexto é de fundamental importância para a compreensão da ironia, pois, inserindo a situação


onde a fala foi produzida e a entonação do falante, determinamos em que sentido as palavras estão
empregadas. Veja estes exemplos:

“Olá, Carlos. Como você está em forma!”

“Meus parabéns pelo seu belo serviço!”

As duas frases só podem ser compreendidas ironicamente se a entonação da voz se der nas palavras
“forma” e “belo”. Entretanto, isso não seria necessário se inseríssemos essas afirmações nos seguintes
contextos:

Frase 1 – Carlos está pesando atualmente 140 quilos.


Frase 2 – O funcionário elogiado é um segurança que dormiu em serviço e, por isso, não viu o meliante
que roubou todo o dinheiro da empresa.

Não seria necessário inserir o contexto na frase 1, se a reformularmos da seguinte maneira:

“Olá, Carlos! Como você está em forma… de baleia!”

Portanto, definimos como ironia a figura de linguagem que afirma o contrário do que se quer dizer.
São avaliadas diversas situações onde a ironia se apresenta nas suas mais variadas formas, buscando
apontar as melhores direções para o uso da mesma e quando se deve evitar a utilização dela. Os
resultados obtidos nessa avaliação não são de caráter totalmente conclusivo, sua função real é
apresentar um panorama sobre a adequação do uso desta figura semântica. É necessário também

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ressaltar que como base para essa análise foi utilizado apenas material teórico, ou seja, sem nenhuma
experiência prática. Por fim busca-se mostrar que a ironia é uma “arma” que se utilizada de uma maneira
inteligente possui um grande valor. Jornalismo, Literatura, Política e até mesmo em cenas cotidianas
como conversas entre amigos ou no trabalho a ironia se faz presente muitas vezes.

Definir essa figura semântica nos leva a percorrer diversos caminhos, pois se trata de algo com
múltiplas faces e consequentemente com várias teorias e linhas de pensamentos.

Além da velha definição de ironia que é dizer uma coisa e dar a entender o contrário pode-se também
a definir de outras maneiras como, por exemplo, a busca por dizer algo que venha a instigar uma série
de interpretações subversivas sobre o que foi dito.

Ter domínio do bom senso e alguma noção sobre ética é importante para ser irônico sem ser ofensivo,
para ser “escrachado” e mesmo assim ser inteligente, para usar essa ferramenta como algo enriquecedor
no contexto determinado.

O fato de ser irônico gera muitas controvérsias, certo descontentamento, normalmente ligado a
dificuldade de entendimento dessa figura linguística, o que nos remete a outras questões como raciocínio
lógico, senso de humor e mente aberta.

A ironia realmente está quase que totalmente interligada com o humor, dentre as várias formas do
mesmo, até pode-se dizer que é preciso certo refinamento de humor para entender grande parte das
questões onde se emprega elementos irônicos.

Outra questão importante a ser ressaltada é o fato do domínio de contexto/situação para que possa
haver uma melhor compreensão da ideia que se está tentando passar ao se expressar ironicamente,
havendo isso ocorre uma facilitação maior que vai possibilitar uma melhor interação entre todas as partes.

A ironia é definida por muitos teóricos como a figura de linguagem mais interessante que existe, tanto
pelo seu caráter ousado e desafiador, mas também pela grande possibilidade de enriquecimento da fala
e escrita. Seu uso feito de forma adequada possui uma tendência muito forte de ser o diferencial do
trabalho ou situação, sempre tendo em vista todas essas questões contextuais e as consequências de
empregar corretamente esse elemento linguístico. Por se tratar de um elemento linguístico com uma
enorme possibilidade de uso nas mais variadas formas, compreender um pouco das questões do
surgimento da ironia e das relações desta com as situações onde é empregada, se torna fundamental,
não só para uma melhor compreensão, mas também para uma melhor utilização que, assim, terá uma
maior tendência de ser melhor absorvida pela outra(s) parte(s) do diálogo.

A ironia pode ser considerada o elemento de linguagem mais provocador que existe. Seu uso na
maioria das vezes visa mesmo fazer uso dessas provocações geradas por essa figura linguística. Por
isso mesmo é necessário muito cuidado ao ser irônico, pois a compreensão por parte de todos depende
primeiramente da forma com que a ironia é passada. A observação bem feita do contexto/situação onde
está ocorrendo a atividade é mais do que importante, é fundamental, caso contrário o tiro pode sair pela
culatra, a arma poderosa pode ter efeito contrário e colocar por água abaixo uma série de questões
relevantes. Então, ter um domínio mesmo que mínimo desses fatos pode ser suficiente para uma
utilização “correta” e sem maiores perigos. Bom senso também é algo totalmente relevante dentro dessas
questões.

Provocante, ousada, pra muitos até irritante. Esses são alguns dos muitos adjetivos que são dados a
ironia, sendo que essa é realmente algo muito complicado de se obter uma definição final, não só pela
sua amplitude, mas também pela sua versatilidade.

Interpretação de Charges

A charge ou cartum é um desenho de caráter humorístico, geralmente veiculado pela imprensa. Ela
também pode ser considerada como texto e, nesse sentido, pode ser lida por qualquer um de nós. Trata-

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se de um tipo de texto muito importante na mídia atual, graças à sua capacidade de fazer, de modo
sintético, críticas político-sociais.
Um público muito amplo se interessa pela charge, tanto pelo uso do humor e da sátira, quanto por
exigir do leitor apenas um pequeno conhecimento da situação focalizada, para se reconhecerem as
referências e insinuações feitas pelo autor.
Há cerca de dez anos, os concursos públicos e exames escolares passaram a se utilizar de charges
para avaliar a capacidade de interpretação dos concursandos e alunos. Em um concurso, por exemplo, o
tema proposto para a prova de redação era "O indivíduo frente à ética nacional", que vinha, como de
costume, acompanhado de uma coletânea composta por dois textos opinativos, publicados na mídia
impressa, e a seguinte charge:

De autoria de Millôr Fernandes.

A charge discute a honestidade social a partir de uma cena irônica: a lamentação de um indivíduo que,
por só poder lidar com gente honesta, encontra-se num deserto.
A charge, associada aos textos da coletânea e ao tema anunciado na proposta, compunham um
panorama mais amplo do problema incluído na proposta, conduzindo o leitor a alguns questionamentos
que poderiam direcionar a elaboração de seu texto:

- Existe alguma pessoa completamente honesta no mundo? O que isso significa?

- O indivíduo que chama os outros de desonestos e antiéticos apresenta realmente um comportamento


ético que o diferencie dos demais?

- O fato de acharmos que a maioria age de modo antiético nos daria o direito de assim também o fazer,
para não sermos os únicos diferentes?

- A ética que deveria nortear as relações humanas é hoje característica de poucos? Ela se tornou uma
exceção?

Essa proposta de redação possibilitou construírem sua argumentação a partir dos exemplos que
melhor se adequassem à sua linha de raciocínio.
Os temas de charges, porém, nem sempre são assim tão amplos. Eles podem estar ligados a
acontecimentos específicos de uma época ou local, o que é muito frequente nas charges diárias. Quando
são publicadas em jornais regionais, por exemplo, as charges podem fazer referência a fatos que não são
conhecidos por moradores de outras cidades ou Estados, o que lhes dificulta a compreensão.
Nos jornais de grande alcance, as charges normalmente recuperam os assuntos que ganharam
destaque nacional nos dias anteriores. Abaixo veremos três exemplos de charges, todas referentes ao
mesmo tema. As três tratam do mesmo tema: a queda do governador de São Paulo, José Serra, nas
pesquisas que avaliam a intenção de voto do eleitor brasileiro para a campanha presidencial.
Para compreendê-las, o leitor precisa acionar uma série de conhecimentos prévios que já possui no
seu próprio repertório cultural. Vamos examinar cada um dos casos:

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Com todos sabemos, durante as campanhas eleitorais, os candidatos precisam expor suas ideias, e
suas propostas. A charge, entretanto, ressalta a necessidade do candidato não “falar demais”, ou seja,
nesse caso, não prometer aquilo que ele não será capaz de cumprir, com a finalidade de ganhar o voto
do eleitor.

http://arquivosimpertinentes.blogspot.com.br/

Aqui não há texto verbal. A imagem traz um homem sendo “guiado” pela televisão, como se fosse um
cavalo. Essa charge nos remete à forma como o sensacionalismo e a apelação está levando o povo a ver
e acreditar apenas naquilo que é transmitido, sem cultivar no público a noção de interpretação dos fatos
e opinião própria à respeito dos acontecimentos.
Mais uma vez, para interpretar a charge, o leitor precisará relacionar a imagem a seu conhecimento
sobre os fatos.

http://www.luizberto.com/

Esta charge não possui fala, porém, claramente podemos observar que a bomba de gasolina é o
grande vilão, e o motorista, assustado se esconde dela. Tudo isso, deve-se pelo fato da alta no preço dos
combustíveis que frequentemente amedronta e preocupa a população. Esta charge foi feita numa época
em que a crise se instalou no país, e o governo Dilma decretou a alta no preço dos combustíveis de uma
forma exagerada.
A leitura interpretativa de charges é uma habilidade cada vez mais cobrada em provas de vestibulares
e de concursos em geral, tanto nas questões de língua portuguesa quanto nos temas de redação. Isso
acontece porque a charge é um modelo de texto que extrapola a linguagem verbal (por vezes até nem

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usada), exige um bom nível de conhecimento de mundo e competência para inferir críticas e relacionar
fatos sociais. Por isso, treine a leitura de charges, procure ampliar seu nível de compreensão e evite ser
surpreendido.
Questões

Examine a charge abaixo para responder às questões 01 e 02.

01. O efeito de humor da charge acima consiste em insinuar que:


(A) os casais estão vivendo relacionamentos mais próximos e duradouros, graças ao uso das
redes sociais.
(B) o uso de ferramentas digitais possibilitou o surgimento de novos padrões de comportamento.
(C) as redes sociais contêm ferramentas que permitem ao usuário ter mais privacidade em
relação a seus conteúdos postados.
(D) o Facebook e o Twitter incentivam mais a “curtição” presencial que a virtual.
(E) o uso de ferramentas digitais impede o processo criativo dos usuários.

02. Na charge predomina:


(A) a orientação dos leitores quanto ao uso correto das redes sociais.
(B) o interesse em descrever pessoas viciadas em internet.
(C) a descrição dos tipos de redes sociais.
(D) a crítica reflexiva a alguns comportamentos da era digital.
(E) a reprodução de cenas comuns na era digital.

03. Fuvest - 2014

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A charge satiriza uma prática eleitoral presente no Brasil da chamada “Primeira República”. Tal prática
revelava a:
(A) Ignorância, por parte dos eleitores, dos rumos políticos do país, tornando esses eleitores adeptos
de ideologias políticas nazifascistas.
(B) Ausência de autonomia dos eleitores e sua fidelidade forçada a alguns políticos, as quais limitavam
o direito de escolha e demonstravam a fragilidade das instituições republicanas.
(C) Restrição provocada pelo voto censitário, que limitava o direito de participação política àqueles que
possuíam um certo número de animais.
(D) Facilidade de acesso à informação e propaganda política, permitindo aos eleitores a rápida
identificação dos candidatos que defendiam a soberania nacional frente às ameaças estrangeiras.
(E) Ampliação do direito de voto trazida pela República, que passou a incluir os analfabetos e facilitou
sua manipulação por políticos inescrupulosos.

04. (PREFEITURA DE BELO HORIZONTE MG – TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR INFORMÁTICA –


FUMARC/2014)

Na interpretação da charge, está CORRETO o que se diz em:


(A) A discriminação racial existe apenas em algumas profissões.
(B) Apesar do fim do apartheid, a discriminação racial ainda é presente em nossos dias.
(C) O serviço doméstico não é valorizado em países de língua portuguesa.
(D) Os jornais noticiaram a morte de Mandela como sendo um episódio “chato"

Respostas

01. Resposta B
A charge usa a imagem de um casal que se relaciona intimamente por meio de ferramentas digitais,
para mostrar que essas ferramentas possibilitaram, na atualidade, o surgimento de novos padrões de
comportamento.

02. Resposta D
Tanto a charge quanto o texto “Para reconectar” têm como objetivo principal fazer uma crítica reflexiva
quanto ao uso exagerado das redes sociais.

03. Resposta E
A charge faz uma crítica ao chamado “voto de cabresto”, prática muito utilizada pelos políticos na
“Primeira República”, quando esses obrigavam seus eleitores a votarem em seus candidatos para
manterem-se no poder. A expressão “voto de cabresto” é uma clara alusão ao nome dado ao boi manso
que serve de guia a touros.

04. Resposta B
"Madiba" é referência direta a Nelson Mandela, líder rebelde e presidente da África do Sul de 1994 a
1999, considerado como o mais importante líder da África Negra, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de
1993, falecido recentemente.

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Na charge, a discriminação racial ainda se faz presente, com a figura de um "negro" em situação
serviçal, subalterna ao "senhor", representado pelo homem que lê a notícia.

Pontuação

Para a elaboração de um texto escrito deve-se considerar o uso adequado dos sinais gráficos como:
espaços, pontos, vírgula, ponto e vírgula, dois pontos, travessão, parênteses, reticências, aspas e etc.
Tais sinais têm papéis variados no texto escrito e, se utilizados corretamente, facilitam a compreensão
e entendimento do texto.

Vírgula

1. Aplicação da Vírgula

A vírgula marca uma breve pausa e é obrigatória nos seguintes casos:

1° Inversão de Termos
Exemplo: Ontem, à medida que eles corrigiam as questões, eu me preocupava com o resultado da
prova.

2° Intercalações de Termos
Exemplo: A distância, que tudo apaga, há de me fazer esquecê-lo.

3° Inspeção de Simples Juízo


Exemplo: “Esse homem é suspeito”, dizia a vizinhança.

4° Enumerações
- sem gradação: Coleciono livros, revistas, jornais, discos.1
- com gradação: Não compreendo o ciúme, a saudade, a dor da despedida.2

5° Vocativos, Apostos
- vocativos: Queridos ouvintes, nossa programação passará por pequenas mudanças.
- apostos: É aqui, nesta querida escola, que nos encontramos.

6° Omissões de Termos
- elipse: A praça deserta, ninguém àquela hora na rua. (omitiu-se o verbo “estava” após o vocábulo
“ninguém”, ou seja, ocorreu elipse do verbo estava)
- zeugma: Na classe, alguns alunos são interessados; outros, (são) relapsos. (supressão do verbo
“são” antes do vocábulo “relapsos”)

7° Termos Repetidos
Exemplo: Nada, nada há de me derrotar.

8° Sequência de Adjuntos Adverbiais


Exemplo: Saíram do museu, ontem, por voltas das 17h.

2. Vírgula Proibida

Não se separa por vírgula:


- sujeito de predicado;
- objeto de verbo;
- adjunto adnominal de nome;
- complemento nominal de nome;

1
Retirado de: SCHOCAIR, Nelson Maia. Gramática Moderna da Língua Portuguesa: Teoria e prática. 6ª ed. Rio de janeiro, 2012, p.488.
2
Retirado de: SCHOCAIR, Nelson Maia. Gramática Moderna da Língua Portuguesa: Teoria e prática. 6ª ed. Rio de janeiro, 2012, p.488.

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- oração principal da subordinada substantiva (desde que esta não seja apositiva nem apareça na
ordem inversa).

Dois Pontos

Usos dos Dois Pontos

- Antes de enumerações.
Exemplo: Compre três frutas hoje: maçã, uva e laranja.

- Iniciando citações.
Exemplo: “Segundo o folclórico Vicente Mateus: ‘Quem está na chuva é para se queimar’”3.

- Antes de orações que explicam o enunciado anterior


Exemplo: Não foi explicado o que deveríamos fazer: o que nos deixa insatisfeitos.

- Depois de verbos que introduzem a fala.


Exemplo: “(...) e disse: aqui não podemos ficar!”

Ponto e Vírgula

Usos do Ponto e Vírgula


Este sinal gráfico é utilizado para anunciar pausas mais fortes, para separar orações adversativas
(enfatizando o contraste de ideias) e para separar os itens de enunciados.
Exemplos:

Os dois rapazes estavam desesperados por dinheiro; Ernesto não tinha dinheiro nem crédito. (pausa
longa)

Sonhava em comprar todos os sapatos da loja; comprei, porém, apenas um par. (separação da oração
adversativa na qual a conjunção - porém - aparece no meio da oração)

Enumeração com explicitação - Comprei alguns livros: de matemática, para estudar para o concurso;
um romance, para me distrair nas horas vagas; e um dicionário, para enriquecer meu vocabulário.

Enumeração com ponto e vírgula, mas sem vírgula, para marcar distribuição - Comprei os produtos no
supermercado: farinha para um bolo; tomates para o molho; e pão para o café da manhã.

Parênteses

Usos dos Parênteses

- Isolar datas.
Exemplo: Refiro-me aos soldados da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

- Isolar siglas.
Exemplo: A taxa de desemprego subiu para 5,3% da população economicamente ativa (PEA)...

- Isolar explicações ou retificações


Exemplo: Eu expliquei uma vez (ou duas vezes) o motivo de minha preocupação.

Reticências

Aplicação das Reticências

- Indicam a interrupção de uma frase, deixando-a com sentido incompleto.


Exemplo: Não consegui falar com a Laura... Quem sabe se eu ligar mais tarde...

3
Retirado de: SCHOCAIR, Nelson Maia. Gramática Moderna da Língua Portuguesa: Teoria e prática. 6ª ed. Rio de janeiro, 2012, p.488.

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- Sugerem prolongamento de ideias.
Exemplo: “Sua tez, alva e pura como um floco de algodão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-
rosa...” (José de Alencar)

- Indicam dúvida ou hesitação.


Exemplo: Não sei... Acho que... Não quero ir hoje.

- Indicam omissão de palavras ou frases no período.


Exemplo: “Se o lindo semblante não se impregnasse constantemente, (...) ninguém veria nela a
verdadeira fisionomia de Aurélia, e sim a máscara de alguma profunda decepção.” (José de Alencar)

Travessão

Usos do Travessão

- Nos diálogos, para marcar a fala das personagens.


Exemplo: As meninas gritaram: - Venham nos buscar!

- No meio de sentenças, para dar ênfase em informações.


Exemplo: O garçom - creio que já lhe falei - está muito bem no novo serviço - é o que ouvi dizer.

Ponto de Exclamação

Usos do Ponto de Exclamação

- Após vocativos.
Exemplo: Vem, Fabiano!

- Após imperativos.
Exemplo: Corram!

- Após interjeição.
Exemplos: Ai! / Ufa!

- Após expressões ou frases de caráter emocional.


Exemplo: Quantas pessoas!

Aspas

Aplicação das Aspas

- Isolam termos distantes da norma culta, como gírias, neologismos, arcaísmos, expressões populares
entre outros.
Exemplo: Eles tocaram “flashback”, “tipo assim” anos 70 e 80. Foi um verdadeiro “show”.

- Delimitam transcrições ou citações textuais


Exemplo: Segundo Rui Barbosa: “A política afina o espírito.”

- Isolam estrangeirismos.
Exemplo: Os restaurantes “fast food” têm reinado na cidade.

Questões

01. (CLIN – Auxiliar de Enfermagem do Trabalho – COSEAC - 2015).

Primavera

1 A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem
possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata,

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essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a
primavera que chega.

2 Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes,
- e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

3 Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de
Jaipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas
borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, - e certamente conversam: mas tão baixinho que
não se entende.

4 Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram
suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

5 Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, - e só os
poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de
flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

6 Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se
enfeita para as festas da sua perpetuação.

7 Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que
desejarem, no momento em que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do
céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, - e os ouvidos que por acaso os
ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora, se entendeu e amou.

8 Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos
novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos
por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os
manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que
desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores
agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

9 Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, - por fidelidade à obscura
semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida - e efêmera.
(MEIRELES, Cecília. "Cecília Meireles - Obra em Prosa?
Vol. 1. Nova Fronteira: Rio de Janeiro, 1998, p. 366.)

"...e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam
a preparar sua vida para a primavera que chega" (1º §)

No fragmento acima, as vírgulas foram empregadas para:


(A) marcar termo adverbial intercalado.
(B) isolar oração adjetiva explicativa.
(C) enfatizar o termo sujeito em relação ao predicado.
(D) separar termo em função de aposto.

02. (PC – CE - Escrivão da Policia Civil de 1ª classe – VUNESP - 2015). Assinale a alternativa
correta quanto ao uso da vírgula, considerando-se a norma-padrão da língua portuguesa.
(A) Os amigos, apesar de terem esquecido de nos avisar, que demoraria tanto, informaram-nos de que
a gravidez, era algo demorado.
(B) Os amigos, apesar de terem esquecido de nos avisar que demoraria tanto, informaram-nos de que
a gravidez era algo demorado
(C) Os amigos, apesar de terem esquecido, de nos avisar que demoraria tanto, informaram-nos de que
a gravidez era algo demorado.
(D) Os amigos apesar de terem esquecido de nos avisar que, demoraria tanto, informaram-nos, de que
a gravidez era algo demorado.
(E) Os amigos, apesar de, terem esquecido de nos avisar que demoraria tanto, informaram-nos de que
a gravidez, era algo demorado.

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03. (TJ/SP - Assistente Social - VUNESP) Observe o texto dos quadrinhos.

Considerando a norma-padrão de pontuação e de emprego dos pronomes de tratamento, assinale a


alternativa que expressa com correção a notícia dada pelo repórter, à vista do texto dos quadrinhos.
(A) Em sua entrevista, Sua Senhoria o vereador Formigão declara que: a crise continua e ele, também
– pois são inseparáveis.
(B) Em sua entrevista, Vossa Senhoria o ministro Formigão declara que, a crise continua, e ele
também: pois são inseparáveis.
(C) Em sua entrevista, Vossa Excelência o deputado Formigão, declara que a crise continua e ele,
também; pois são inseparáveis.
(D) Em sua entrevista, Sua Excelência, o senador Formigão, declara que a crise continua, e ele,
também, pois são inseparáveis.
(E) Em sua entrevista Sua Excelência o Diretor-Presidente da empresa Formigão, declara que a crise
continua; e ele também, pois, são inseparáveis.

04. (IFC - Auxiliar administrativo - IFC). Assinale dentre as alternativas a frase que apresenta
pontuação adequada:
(A) Mãe, venha até meu quarto.
(B) Curitiba 27 de outubro de 2012.
(C) O menino, sentia-se mal.
(D) Onde estão os nossos: pais, vizinhos.
(E) Assim permite-se roupas, curtas.

05. (IFC - Auxiliar administrativo - IFC). Assinale a opção em que o uso da vírgula é utilizado em
uma expressão conclusiva.
(A) O tempo está feio, isto é, choverá ainda esta manhã.
(B) Daqui a pouco, iremos todos ao mercado.
(C) O tempo está feio, portanto, choverá em breve.
(D) Gabriela, a bonita garota, está cheia de alegria.
(E) Cheios de esperança, os meninos saíram alegres.

06. Indique a opção em que o trecho está incorreto gramaticalmente.


(A) As transformações tecnológicas, já que não existe sociedade civilizada sem lei, apenas tornam
mais complexas as regras que, muitas vezes, incomodam e atrapalham, mas que continuarão sendo uma
garantia fundamental de desenvolvimento com justiça.
(B) Não existe sociedade civilizada sem lei e as transformações tecnológicas apenas tornam mais
complexas as regras que, muitas vezes, incomodam e atrapalham, mas que continuarão sendo uma
garantia fundamental de desenvolvimento com justiça.

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(C) Não existe sociedade civilizada sem lei, por isso as transformações tecnológicas apenas tornam
mais complexas as regras que, muitas vezes, incomodam e atrapalham, mas, no entanto, continuarão
sendo uma garantia fundamental de desenvolvimento com justiça.
(D) Não existe sociedade civilizada sem lei. As transformações tecnológicas apenas tornam mais
complexas as regras que, muitas vezes incomodam e atrapalham, mas que, continuarão sendo garantias
fundamentais de desenvolvimento com justiça.
(E) As transformações tecnológicas apenas tornam mais complexas as regras que, muitas vezes,
incomodam e atrapalham, mas que continuarão sendo uma garantia fundamental de desenvolvimento
com justiça. Não existe sociedade civilizada sem lei.

07. Uma outra maneira igualmente correta de reescrever-se a frase “Os riscos da inflação podem ser
calculados; e o prejuízo financeiro deles, previsto”, mantendo-se o seu sentido original é:
(A) Podem ser calculados e previstos os riscos da inflação e seu prejuízo financeiro.
(B) Os riscos da inflação e seu prejuízo financeiro podem ser calculados e previstos.
(C) Podem ser calculados os riscos da inflação e pode ser previsto seu prejuízo financeiro.
(D) Podem ser calculados os prejuízos financeiros e calculados seus riscos inflacionários.
(E) Podem ser calculados os prejuízos financeiros advindos dos riscos inflacionários.

08. Está inteiramente adequada a pontuação da seguinte frase:


(A) A LRF permite, entre outras coisas que, a oposição e a população, fiscalizem a administração das
verbas públicas.
(B) Alegam alguns prefeitos, que encontram dificuldades, para fazer frente aos gastos que a
Constituição determina, nas áreas da saúde e da educação.
(C) São graves as penas previstas para quem descumpre, por negligência ou má fé, as normas de
responsabilidade fiscal da lei promulgada em 2000.
(D) Fazem parte da LRF, as instruções que definem os limites para as despesas de pessoal, e as
regras para a criação de dívidas.
(E) Qualquer cidadão pode, graças à promulgação da LRF entrar com ação judicial para fazê-la
cumprir, conforme sua regulamentação.

09. Entre uma prosa e outra, "seo" Samuca, morador das cercanias do Parque Nacional Grande Sertão
Veredas, no norte de Minas Gerais, me presenteia com um achado da sabedoria cabocla: "Pois é, não
sei pra onde a Terra está andando, mas certamente pra bom lugar não é. Só sei que donde só se tira e
não se põe, um dia tudo o mais tem que se acabar." Samuel dos Santos Pereira viveu seus 75 anos
campeando livre entre cerradões, matas de galeria, matas secas, campos limpos ou sujos e campos
cerrados, ecossistemas que constituem a magnífica savana brasileira. "Ainda bem que existe o Parque",
exclama o vaqueiro, "porque hoje tudo em volta de mim é plantação de soja e pastagem pra gado."

Viajar pelo Cerrado do Centro-Oeste é viver a surpresa permanente. Na Serra da Canastra, em São
Roque de Minas, nascente do Rio São Francisco, podem-se avistar tamanduás bandeira, lobos-guarás
e, com sorte, o pato-mergulhão, ameaçado de extinção. Lá está também a maravilhosa Casca D'Anta,
primeira e mais alta cachoeira do Velho Chico, com 186 metros de queda livre.

No Jalapão, no Tocantins, o Cerrado é diferente, parece um deserto com dunas de até 40 metros de
altura. Mas, ao contrário dos Lençóis Maranhenses, tem água em profusão, nascentes, cachoeiras,
lagoas, serras e chapadões. E uma fauna exuberante, com 440 espécies de vertebrados. Nas veredas,
os habitantes da comunidade quilombola de Mumbuca descobriram o capim-dourado, uma fibra que a
criatividade local transformou em artigo de exportação.

Em Goiás, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, o viajante se extasia com a beleza das
cachoeiras e das matas de galeria, das piscinas naturais, das formações rochosas, dos cânions do Rio
Preto e do Vale da Lua. Perto do município de Chapadão do Céu, também em Goiás, fica o Parque
Nacional das Emas, onde acontece o surpreendente espetáculo da bioluminescência, uma irradiação de
luz azul esverdeada produzida pelas larvas de vaga-lumes nos cupinzeiros. Pena que todo o entorno do
parque foi drenado para permitir a plantação de soja. Agrotóxicos despejados por avião são levados pelo
vento e contaminam nascentes e rios que atravessam essa unidade de conservação. Outra tristeza
provocada pela ganância humana são as voçorocas das nascentes do Rio Araguaia, quase cem, com
quilômetros de extensão e dezenas de metros de profundidade. Elas jogam milhões de toneladas de
sedimentos no rio, inviabilizando sua navegabilidade.

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Apesar de tanta beleza e biodiversidade (mais de 300 espécies de plantas locais são utilizadas pela
medicina popular), o Cerrado do "seo" Samuca está minguando e tende a desaparecer. O que percebo,
como testemunha ocular, é que entra governo e sai governo e o processo de desertificação do país
continua em crescimento assombroso.

Como disse Euclides da Cunha, somos especialistas em fazer desertos. Só haverá esperança para os
vastos espaços das Geraes, esse sertão do tamanho do mundo, celebrado pela genialidade de João
Guimarães Rosa, se abandonarmos nosso conformismo e nossa proverbial omissão.

(Araquém Alcântara, fotógrafo. O Estado de S. Paulo, Especial


H 4-5, 27 de setembro de 2009, com adaptações)

Em relação ao emprego de sinais de pontuação no texto, está INCORRETO o que se afirma em:
(A) As aspas em “seo” (1ª linha) registram uma forma coloquial de tratamento.
(B) Os dois-pontos na 4ª linha sinalizam a introdução da fala de um interlocutor no texto.
(C) As aspas em “Ainda bem que existe o Parque” (10ª linha) assinalam o segmento que contém o
assunto central do texto.
(D) Os parênteses, no 5º parágrafo, isolam uma afirmativa empregada como argumento que respalda
a ressalva anterior, referente à beleza e biodiversidade do Cerrado.
(E) A vírgula após a expressão campos cerrados, na 9ª linha, pode ser corretamente substituída por
um travessão, sem prejuízo do sentido original

Respostas

01. Resposta D
O trecho que está entre vírgulas é um aposto explicativo. Ele remete-se ao termo “habitantes da mata”
explicando quem estes são.

02. Resposta B
A frase apresenta um inversão de termos, sua ordem direta seria: Os amigos informaram-nos de que
a gravidez era algo demorado, apesar de terem esquecido de nos avisar que demoraria tanto.
Deste modo, quando há inversão dos termos de uma frase deve-se separá-lo por vírgulas.

03. Resposta D
O pronome de tratamento Vossa Excelência e Sua Excelência tem uso distinto.

Vossa Excelência = usar para falar com a autoridade. Sua Excelência = usar para falar da autoridade.
Logo, não poderia ser a alternativa “b” ou “c”.

a) O vereador Formigão é aposto explicativo, logo deveria estar entre vírgulas, e não se admite usar
travessão antes do "pois".

d) Correta

e) Se tiver adjunto adverbial deslocado, a vírgula é obrigatória, exceto se for de curta extensão
(formada por 1 ou 2 palavras)
Portanto, o correto seria: “Em sua entrevista, Sua Excelência...”

04. Resposta A
A vírgula aqui, está corretamente empregada pois trata-se de um Vocativo, um “chamamento” .

05. Resposta C
"Portanto" é uma conjunção coordenada conclusiva. O objetivo dela é trazer duas ideias, fazendo da
segunda uma conclusão da primeira.
Outras do mesmo valor semântico: Logo, por isso, então...

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06. Resposta D
A opção “D” apresenta uma falha de pontuação, já que o adjunto adverbial “muitas vezes” interrompe
uma sequência lógica. A gramática normativa até admite o adjunto adverbial deslocado, contendo corpo
pequeno, mas este deve aparecer entre vírgulas.
O fato de aparecer vírgula antes do adjunto adverbial “muitas vezes”, porém não aparecer vírgula após
a ele faz com que a alternativa apresente um erro de pontuação.

07. Resposta C
A segunda vírgula indica a omissão da locução “verbal pode ser”, podendo ser reescrita: “Os riscos
da inflação podem ser calculados, e o prejuízo financeiro deles pode ser previsto”.

08. Resposta C
Usamos a vírgula para isolar orações adjetivas explicativas. As orações subordinadas adjetivas fazem
o papel de um adjetivo, ou seja, restringem ou explicam o sentido de um substantivo ou de um pronome
da oração principal.

09. Resposta B
Os dois pontos na 3ª linha sinalizam um provérbio caboclo, no qual “seo” Samuca presenteia o escritor.
O sinal “dois pontos” introduzem enumerações, sumários, explicações, exemplificações, citações e
afirmações.

Ortografia

A palavra ortografia é formada pelos elementos gregos orto “correto” e grafia “escrita” sendo a escrita
correta das palavras da língua portuguesa, obedecendo a uma combinação de critérios etimológicos
(ligados à origem das palavras) e fonológicos (ligados aos fonemas representados).
Somente a intimidade com a palavra escrita, é que acaba trazendo a memorização da grafia correta.
Deve-se também criar o hábito de consultar constantemente um dicionário.

Alfabeto

O alfabeto passou a ser formado por 26 letras. As letras “k”, “w” e “y” não eram consideradas
integrantes do alfabeto (agora são). Essas letras são usadas em unidades de medida, nomes próprios,
palavras estrangeiras e outras palavras em geral. Exemplos: km, kg, watt, playground, William, Kafka,
kafkiano.
Vogais: a, e, i, o, u, y, w.
Consoantes: b,c,d,f,g,h,j,k,l,m,n,p,q,r,s,t,v,w,x,z.
Alfabeto: a,b,c,d,e,f,g,h,i,j,k,l,m,n,o,p,q,r,s,t,u,v,w,x,y,z.

Observações:
A letra “Y” possui o mesmo som que a letra “I”, portanto, ela é classificada como vogal.

A letra “K” possui o mesmo som que o “C” e o “QU” nas palavras, assim, é considerada consoante.
Exemplo: Kuait / Kiwi.

Já a letra “W” pode ser considerada vogal ou consoante, dependendo da palavra em questão, veja os
exemplos:

No nome próprio Wagner o “W” possui o som de “V”, logo, é classificado como consoante.

Já no vocábulo “web” o “W” possui o som de “U”, classificando-se, portanto, como vogal.

Emprego da letra H

Esta letra, em início ou fim de palavras, não tem valor fonético; conservou-se apenas como símbolo,
por força da etimologia e da tradição escrita. Grafa-se, por exemplo, hoje, porque esta palavra vem do
latim hodie.

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Emprega-se o H:
- Inicial, quando etimológico: hábito, hélice, herói, hérnia, hesitar, haurir, etc.
- Medial, como integrante dos dígrafos ch, lh e nh: chave, boliche, telha, flecha, companhia, etc.
- Final e inicial, em certas interjeições: ah!, ih!, hem?, hum!, etc.
- Algumas palavras iniciadas com a letra H: hálito, harmonia, hangar, hábil, hemorragia, hemisfério,
heliporto, hematoma, hífen, hilaridade, hipocondria, hipótese, hipocrisia, homenagear, hera, húmus;
- Sem h, porém, os derivados baianos, baianinha, baião, baianada, etc.

Não se usa H:
- No início de alguns vocábulos em que o h, embora etimológico, foi eliminado por se tratar de palavras
que entraram na língua por via popular, como é o caso de erva, inverno, e Espanha, respectivamente do
latim, herba, hibernus e Hispania. Os derivados eruditos, entretanto, grafam-se com h: herbívoro,
herbicida, hispânico, hibernal, hibernar, etc.

Emprego das letras E, I, O e U

Na língua falada, a distinção entre as vogais átonas /e/ e /i/, /o/ e /u/ nem sempre é nítida. É
principalmente desse fato que nascem as dúvidas quando se escrevem palavras como quase, intitular,
mágoa, bulir, etc., em que ocorrem aquelas vogais.

Escreve-se com a letra E:

- A sílaba final de formas dos verbos terminados em –uar: continue, habitue, pontue, etc.
- A sílaba final de formas dos verbos terminados em –oar: abençoe, magoe, perdoe, etc.
- As palavras formadas com o prefixo ante– (antes, anterior): antebraço, antecipar, antedatar,
antediluviano, antevéspera, etc.
- Os seguintes vocábulos: Arrepiar, Cadeado, Candeeiro, Cemitério, Confete, Creolina, Cumeeira,
Desperdício, Destilar, Disenteria, Empecilho, Encarnar, Indígena, Irrequieto, Lacrimogêneo, Mexerico,
Mimeógrafo, Orquídea, Peru, Quase, Quepe, Senão, Sequer, Seriema, Seringa, Umedecer.

Emprega-se a letra I:

- Na sílaba final de formas dos verbos terminados em –air/–oer /–uir: cai, corrói, diminuir, influi, possui,
retribui, sai, etc.
- Em palavras formadas com o prefixo anti- (contra): antiaéreo, Anticristo, antitetânico, antiestético, etc.
- Nos seguintes vocábulos: aborígine, açoriano, artifício, artimanha, camoniano, Casimiro, chefiar,
cimento, crânio, criar, criador, criação, crioulo, digladiar, displicente, erisipela, escárnio, feminino, Filipe,
frontispício, Ifigênia, inclinar, incinerar, inigualável, invólucro, lajiano, lampião, pátio, penicilina,
pontiagudo, privilégio, requisito, Sicília (ilha), silvícola, siri, terebintina, Tibiriçá, Virgílio.

Grafam-se com a letra O: abolir, banto, boate, bolacha, boletim, botequim, bússola, chover, cobiça,
concorrência, costume, engolir, goela, mágoa, mocambo, moela, moleque, mosquito, névoa, nódoa,
óbolo, ocorrência, rebotalho, Romênia, tribo.

Grafam-se com a letra U: bulir, burburinho, camundongo, chuviscar, cumbuca, cúpula, curtume,
cutucar, entupir, íngua, jabuti, jabuticaba, lóbulo, Manuel, mutuca, rebuliço, tábua, tabuada, tonitruante,
trégua, urtiga.

Parônimos: Registramos alguns parônimos que se diferenciam pela oposição das vogais /e/ e /i/, /o/
e /u/. Fixemos a grafia e o significado dos seguintes:

área = superfície
ária = melodia, cantiga
arrear = pôr arreios, enfeitar
arriar = abaixar, pôr no chão, cair
comprido = longo
cumprido = particípio de cumprir
comprimento = extensão
cumprimento = saudação, ato de cumprir

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costear = navegar ou passar junto à costa
custear = pagar as custas, financiar
deferir = conceder, atender
diferir = ser diferente, divergir
delatar = denunciar
dilatar = distender, aumentar
descrição = ato de descrever
discrição = qualidade de quem é discreto
emergir = vir à tona
imergir = mergulhar
emigrar = sair do país
imigrar = entrar num país estranho
emigrante = que ou quem emigra
imigrante = que ou quem imigra
eminente = elevado, ilustre
iminente = que ameaça acontecer
recrear = divertir
recriar = criar novamente
soar = emitir som, ecoar, repercutir
suar = expelir suor pelos poros, transpirar
sortir = abastecer
surtir = produzir (efeito ou resultado)
sortido = abastecido, bem provido, variado
surtido = produzido, causado
vadear = atravessar (rio) por onde dá pé, passar a vau
vadiar = viver na vadiagem, vagabundear, levar vida de vadio

Emprego das letras G e J

Para representar o fonema /j/ existem duas letras; g e j. Grafa-se este ou aquele signo não de modo
arbitrário, mas de acordo com a origem da palavra. Exemplos: gesso (do grego gypsos), jeito (do latim
jactu) e jipe (do inglês jeep).

Escrevem-se com G:

- Os substantivos terminados em –agem, -igem, -ugem: garagem, massagem, viagem, origem,


vertigem, ferrugem, lanugem. Exceção: pajem
- As palavras terminadas em –ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio: contágio, estágio, egrégio, prodígio,
relógio, refúgio.
- Palavras derivadas de outras que se grafam com g: massagista (de massagem), vertiginoso (de
vertigem), ferruginoso (de ferrugem), engessar (de gesso), faringite (de faringe), selvageria (de
selvagem), etc.
- Os seguintes vocábulos: algema, angico, apogeu, auge, estrangeiro, gengiva, gesto, gibi, gilete,
ginete, gíria, giz, hegemonia, herege, megera, monge, rabugento, sugestão, tangerina, tigela.

Escrevem-se com J:

- Palavras derivadas de outras terminadas em –já: laranja (laranjeira), loja (lojista, lojeca), granja
(granjeiro, granjense), gorja (gorjeta, gorjeio), lisonja (lisonjear, lisonjeiro), sarja (sarjeta), cereja
(cerejeira).
- Todas as formas da conjugação dos verbos terminados em –jar ou –jear: arranjar (arranje), despejar
(despejei), gorjear (gorjeia), viajar (viajei, viajem) – (viagem é substantivo).
- Vocábulos cognatos ou derivados de outros que têm j: laje (lajedo), nojo (nojento), jeito (jeitoso,
enjeitar, projeção, rejeitar, sujeito, trajeto, trejeito).
- Palavras de origem ameríndia (principalmente tupi-guarani) ou africana: canjerê, canjica, jenipapo,
jequitibá, jerimum, jiboia, jiló, jirau, pajé, etc.
- As seguintes palavras: alfanje, alforje, berinjela, cafajeste, cerejeira, intrujice, jeca, jegue, Jeremias,
Jericó, Jerônimo, jérsei, jiu-jítsu, majestade, majestoso, manjedoura, manjericão, ojeriza, pegajento,
rijeza, sabujice, sujeira, traje, ultraje, varejista.

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- Atenção: Moji, palavra de origem indígena, deve ser escrita com J. Por tradição algumas cidades de
São Paulo adotam a grafia com G, como as cidades de Mogi das Cruzes e Mogi-Mirim.

Representação do fonema /S/

O fonema /s/, conforme o caso, representa-se por:

- C, Ç: acetinado, açafrão, almaço, anoitecer, censura, cimento, dança, dançar, contorção, exceção,
endereço, Iguaçu, maçarico, maçaroca, maço, maciço, miçanga, muçulmano, muçurana, paçoca, pança,
pinça, Suíça, suíço, vicissitude.
- S: ânsia, ansiar, ansioso, ansiedade, cansar, cansado, descansar, descanso, diversão, excursão,
farsa, ganso, hortênsia, pretensão, pretensioso, propensão, remorso, sebo, tenso, utensílio.
- SS: acesso, acessório, acessível, assar, asseio, assinar, carrossel, cassino, concessão, discussão,
escassez, escasso, essencial, expressão, fracasso, impressão, massa, massagista, missão, necessário,
obsessão, opressão, pêssego, procissão, profissão, profissional, ressurreição, sessenta, sossegar,
sossego, submissão, sucessivo.
- SC, SÇ: acréscimo, adolescente, ascensão, consciência, consciente, crescer, cresço, descer, desço,
desça, disciplina, discípulo, discernir, fascinar, florescer, imprescindível, néscio, oscilar, piscina,
ressuscitar, seiscentos, suscetível, suscetibilidade, suscitar, víscera.
- X: aproximar, auxiliar, auxílio, máximo, próximo, proximidade, trouxe, trouxer, trouxeram, etc.
- XC: exceção, excedente, exceder, excelência, excelente, excelso, excêntrico, excepcional, excesso,
excessivo, exceto, excitar, etc.

Homônimos

acento = inflexão da voz, sinal gráfico


assento = lugar para sentar-se
acético = referente ao ácido acético (vinagre)
ascético = referente ao ascetismo, místico
cesta = utensílio de vime ou outro material
sexta = ordinal referente a seis
círio = grande vela de cera
sírio = natural da Síria
cismo = pensão
sismo = terremoto
empoçar = formar poça
empossar = dar posse a
incipiente = principiante
insipiente = ignorante
intercessão = ato de interceder
interseção = ponto em que duas linhas se cruzam
ruço = pardacento
russo = natural da Rússia

Emprego de S com valor de Z

- Adjetivos com os sufixos –oso, -osa: gostoso, gostosa, gracioso, graciosa, teimoso, teimosa, etc.
- Adjetivos pátrios com os sufixos –ês, -esa: português, portuguesa, inglês, inglesa, milanês, milanesa,
etc.
- Substantivos e adjetivos terminados em –ês, feminino –esa: burguês, burguesa, burgueses,
camponês, camponesa, camponeses, freguês, freguesa, fregueses, etc.
- Verbos derivados de palavras cujo radical termina em –s: analisar (de análise), apresar (de presa),
atrasar (de atrás), extasiar (de êxtase), extravasar (de vaso), alisar (de liso), etc.
- Formas dos verbos pôr e querer e de seus derivados: pus, pusemos, compôs, impuser, quis,
quiseram, etc.
- Os seguintes nomes próprios de pessoas: Avis, Baltasar, Brás, Eliseu, Garcês, Heloísa, Inês, Isabel,
Isaura, Luís, Luísa, Queirós, Resende, Sousa, Teresa, Teresinha, Tomás, Valdês.
- Os seguintes vocábulos e seus cognatos: aliás, anis, arnês, ás, ases, através, avisar, besouro,
colisão, convés, cortês, cortesia, defesa, despesa, empresa, esplêndido, espontâneo, evasiva, fase, frase,

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freguesia, fusível, gás, Goiás, groselha, heresia, hesitar, manganês, mês, mesada, obséquio, obus,
paisagem, país, paraíso, pêsames, pesquisa, presa, presépio, presídio, querosene, raposa, represa,
requisito, rês, reses, retrós, revés, surpresa, tesoura, tesouro, três, usina, vasilha, vaselina, vigésimo,
visita.

Emprego da letra Z

- Os derivados em –zal, -zeiro, -zinho, -zinha, -zito, -zita: cafezal, cafezeiro, cafezinho, avezinha,
cãozito, avezita, etc.
- Os derivados de palavras cujo radical termina em –z: cruzeiro (de cruz), enraizar (de raiz), esvaziar
(de vazio), etc.
- Os verbos formados com o sufixo –izar e palavras cognatas: fertilizar, fertilizante, civilizar, civilização,
etc.
- Substantivos abstratos em –eza, derivados de adjetivos e denotando qualidade física ou moral:
pobreza (de pobre), limpeza (de limpo), frieza (de frio), etc.
- As seguintes palavras: azar, azeite, azáfama, azedo, amizade, aprazível, baliza, buzinar, bazar,
chafariz, cicatriz, ojeriza, prezar, prezado, proeza, vazar, vizinho, xadrez.

Sufixo –ÊS e –EZ

- O sufixo –ês (latim –ense) forma adjetivos (às vezes substantivos) derivados de substantivos
concretos: montês (de monte), cortês (de corte), burguês (de burgo), montanhês (de montanha), francês
(de França), chinês (de China), etc.
- O sufixo –ez forma substantivos abstratos femininos derivados de adjetivos: aridez (de árido), acidez
(de ácido), rapidez (de rápido), estupidez (de estúpido), mudez (de mudo) avidez (de ávido) palidez (de
pálido) lucidez (de lúcido), etc.

Sufixo –ESA e –EZA

Usa-se –esa (com s):


- Nos seguintes substantivos cognatos de verbos terminados em –ender: defesa (defender), presa
(prender), despesa (despender), represa (prender), empresa (empreender), surpresa (surpreender), etc.
- Nos substantivos femininos designativos de títulos nobiliárquicos: baronesa, dogesa, duquesa,
marquesa, princesa, consulesa, prioresa, etc.
- Nas formas femininas dos adjetivos terminados em –ês: burguesa (de burguês), francesa (de
francês), camponesa (de camponês), milanesa (de milanês), holandesa (de holandês), etc.
- Nas seguintes palavras femininas: framboesa, indefesa, lesa, mesa, sobremesa, obesa, Teresa, tesa,
toesa, turquesa, etc.

Usa-se –eza (com z):


- Nos substantivos femininos abstratos derivados de adjetivos e denotando qualidade, estado,
condição: beleza (de belo), franqueza (de franco), pobreza (de pobre), leveza (de leve), etc.

Verbos terminados em –ISAR e -IZAR

Escreve-se –isar (com s) quando o radical dos nomes correspondentes termina em –s. Se o radical
não terminar em –s, grafa-se –izar (com z): avisar (aviso + ar), analisar (análise + ar), alisar (a + liso +
ar), bisar (bis + ar), catalisar (catálise + ar), improvisar (improviso + ar), paralisar (paralisia + ar), pesquisar
(pesquisa + ar), pisar, repisar (piso + ar), frisar (friso + ar), grisar (gris + ar), anarquizar (anarquia + izar),
civilizar (civil + izar), canalizar (canal + izar), amenizar (ameno + izar), colonizar (colono + izar), vulgarizar
(vulgar + izar), motorizar (motor + izar), escravizar (escravo + izar), cicatrizar (cicatriz + izar), deslizar
(deslize + izar), matizar (matiz + izar).

Emprego do X

- Esta letra representa os seguintes fonemas:

Ch – xarope, enxofre, vexame, etc.


CS – sexo, látex, léxico, tóxico, etc.

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Z – exame, exílio, êxodo, etc.
SS – auxílio, máximo, próximo, etc.
S – sexto, texto, expectativa, extensão, etc.

- Não soa nos grupos internos –xce- e –xci-: exceção, exceder, excelente, excelso, excêntrico,
excessivo, excitar, inexcedível, etc.
- Grafam-se com x e não com s: expectativa, experiente, expiar, expirar, expoente, êxtase, extasiado,
extrair, fênix, texto, etc.
- Escreve-se x e não ch: Em geral, depois de ditongo: caixa, baixo, faixa, feixe, frouxo, ameixa, rouxinol,
seixo, etc. Excetuam-se caucho e os derivados cauchal, recauchutar e recauchutagem. Geralmente,
depois da sílaba inicial en-: enxada, enxame, enxamear, enxaguar, enxaqueca, enxergar, enxerto,
enxoval, enxugar, enxurrada, enxuto, etc. Excepcionalmente, grafam-se com ch: encharcar (de charco),
encher e seus derivados (enchente, preencher), enchova, enchumaçar (de chumaço), enfim, toda vez
que se trata do prefixo en- + palavra iniciada por ch. Em vocábulos de origem indígena ou africana:
abacaxi, xavante, caxambu, caxinguelê, orixá, maxixe, etc. Nas seguintes palavras: bexiga, bruxa, coaxar,
faxina, graxa, lagartixa, lixa, lixo, mexer, mexerico, puxar, rixa, oxalá, praxe, vexame, xarope, xaxim,
xícara, xale, xingar, xampu.

Emprego do dígrafo CH

Escreve-se com ch, entre outros os seguintes vocábulos: bucha, charque, charrua, chavena,
chimarrão, chuchu, cochilo, fachada, ficha, flecha, mecha, mochila, pechincha, tocha.

Homônimos

Bucho = estômago
Buxo = espécie de arbusto
Cocha = recipiente de madeira
Coxa = capenga, manco
Tacha = mancha, defeito; pequeno prego; prego de cabeça larga e chata, caldeira
Taxa = imposto, preço de serviço público, conta, tarifa
Chá = planta da família das teáceas; infusão de folhas do chá ou de outras plantas
Xá = título do soberano da Pérsia (atual Irã)
Cheque = ordem de pagamento
Xeque = no jogo de xadrez, lance em que o rei é atacado por uma peça adversária

Consoantes dobradas

- Nas palavras portuguesas só se duplicam as consoantes C, R, S.


- Escreve-se com CC ou CÇ quando as duas consoantes soam distintamente: convicção, occipital,
cocção, fricção, friccionar, facção, sucção, etc.
- Duplicam-se o R e o S em dois casos: Quando, intervocálicos, representam os fonemas /r/ forte e /s/
sibilante, respectivamente: carro, ferro, pêssego, missão, etc. Quando a um elemento de composição
terminado em vogal seguir, sem interposição do hífen, palavra começada com /r/ ou /s/: arroxeado,
correlação, pressupor, bissemanal, girassol, minissaia, etc.

CÊ - cedilha
É a letra C que se pôs cedilha. Indica que o Ç passa a ter som de /S/: almaço, ameaça, cobiça, doença,
eleição, exceção, força, frustração, geringonça, justiça, lição, miçanga, preguiça, raça.
Nos substantivos derivados dos verbos: ter e torcer e seus derivados: ater, atenção; abster, abstenção;
reter, retenção; torcer, torção; contorcer, contorção; distorcer, distorção.
O Ç só é usado antes de A, O, U.

Emprego das iniciais maiúsculas

- A primeira palavra de período ou citação. Diz um provérbio árabe: “A agulha veste os outros e vive
nua”. No início dos versos que não abrem período é facultativo o uso da letra maiúscula.

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- Substantivos próprios (antropônimos, alcunhas, topônimos, nomes sagrados, mitológicos,
astronômicos): José, Tiradentes, Brasil, Amazônia, Campinas, Deus, Maria Santíssima, Tupã, Minerva, Via-
Láctea, Marte, Cruzeiro do Sul, etc.
- Nomes de épocas históricas, datas e fatos importantes, festas religiosas: Idade Média, Renascença,
Centenário da Independência do Brasil, a Páscoa, o Natal, o Dia das Mães, etc.
- Nomes de altos cargos e dignidades: Papa, Presidente da República, etc.
- Nomes de altos conceitos religiosos ou políticos: Igreja, Nação, Estado, Pátria, União, República, etc.
- Nomes de ruas, praças, edifícios, estabelecimentos, agremiações, órgãos públicos, etc: Rua do
Ouvidor, Praça da Paz, Academia Brasileira de Letras, Banco do Brasil, Teatro Municipal, Colégio Santista,
etc.
- Nomes de artes, ciências, títulos de produções artísticas, literárias e científicas, títulos de jornais e
revistas: Medicina, Arquitetura, Os Lusíadas, O Guarani, Dicionário Geográfico Brasileiro, Correio da
Manhã, Manchete, etc.
- Expressões de tratamento: Vossa Excelência, Sr. Presidente, Excelentíssimo Senhor Ministro, Senhor
Diretor, etc.
- Nomes dos pontos cardeais, quando designam regiões: Os povos do Oriente, o falar do Norte.
Mas: Corri o país de norte a sul. O Sol nasce a leste.
- Nomes comuns, quando personificados ou individuados: o Amor, o Ódio, a Morte, o Jabuti (nas fábulas),
etc.

Emprego das iniciais minúsculas

- Nomes de meses, de festas pagãs ou populares, nomes gentílicos, nomes próprios tornados comuns:
maia, bacanais, carnaval, ingleses, ave-maria, um havana, etc.
- Os nomes a que se referem os itens 4 e 5 acima, quando empregados em sentido geral: São Pedro foi
o primeiro papa. Todos amam sua pátria.
- Nomes comuns antepostos a nomes próprios geográficos: o rio Amazonas, a baía de Guanabara, o
pico da Neblina, etc.
- Palavras, depois de dois pontos, não se tratando de citação direta: “Qual deles: o hortelão ou o
advogado?”; “Chegam os magos do Oriente, com suas dádivas: ouro, incenso, mirra”.
- No interior dos títulos, as palavras átonas, como: o, a, com, de, em, sem, grafam-se com inicial
minúscula.

Algumas palavras ou expressões costumam apresentar dificuldades colocando em maus lençóis quem
pretende falar ou redigir português culto. Esta é uma oportunidade para você aperfeiçoar seu
desempenho. Preste atenção e tente incorporar tais palavras certas em situações apropriadas.
A anos: a indica tempo futuro: Daqui a um ano iremos à Europa.
Há anos: há indica tempo passado: não o vejo há meses.

“Procure o seu caminho


Eu aprendi a andar sozinho
Isto foi há muito tempo atrás
Mas ainda sei como se faz
Minhas mãos estão cansadas
Não tenho mais onde me agarrar.”
(gravação: Nenhum de Nós)

Atenção: Há muito tempo já indica passado. Não há necessidade de usar atrás, isto é um pleonasmo.

Acerca de: equivale a (a respeito de): Falávamos acerca de uma solução melhor.
Há cerca de: equivale a (faz tempo). Há cerca de dias resolvemos este caso.

Ao encontro de: equivale (estar a favor de): Sua atitude vai ao encontro da verdade.
De encontro a: equivale a (oposição, choque): Minhas opiniões vão de encontro às suas.

A fim de: locução prepositiva que indica (finalidade): Vou a fim de visitá-la.
Afim: é um adjetivo e equivale a (igual, semelhante): Somos almas afins.

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Ao invés de: equivale (ao contrário de): Ao invés de falar começou a chorar (oposição).
Em vez de: equivale a (no lugar de): Em vez de acompanhar-me, ficou só.

Faça você a sua parte, ao invés de ficar me cobrando!


Quantas vezes usamos “ao invés de” quando queremos dizer “no lugar de”!
Contudo, esse emprego é equivocado, uma vez que “invés” significa “contrário”, “inverso”. Não que
seja absurdamente errado escrever “ao invés de” em frases que expressam sentido de “em lugar de”,
mas é preferível optar por “em vez de”.
Observe: Em vez de conversar, preferiu gritar para a escola inteira ouvir! (em lugar de)
Ele pediu que fosse embora ao invés de ficar e discutir o caso. (ao contrário de)
Use “ao invés de” quando quiser o significado de “ao contrário de”, “em oposição a”, “avesso”, “inverso”.
Use “em vez de” quando quiser um sentido de “no lugar de” ou “em lugar de”. No entanto, pode assumir
o significado de “ao invés de”, sem problemas. Porém, o que ocorre é justamente o contrário, coloca-se
“ao invés de” onde não poderia.

A par: equivale a (bem informado, ciente): Estamos a par das boas notícias.
Ao par: indica relação (de igualdade ou equivalência entre valores financeiros – câmbio): O dólar e o
euro estão ao par.

Aprender: tomar conhecimento de: O menino aprendeu a lição.


Apreender: prender: O fiscal apreendeu a carteirinha do menino.

À toa: é uma locução adverbial de modo, equivale a (inutilmente, sem razão): Andava à toa pela rua.
À toa: é um adjetivo (refere-se a um substantivo), equivale a (inútil, desprezível). Foi uma atitude à toa
e precipitada. (até 01/01/2009 era grafada: à-toa)

Baixar: os preços quando não há objeto direto; os preços funcionam como sujeito: Baixaram os preços
(sujeito) nos supermercados. Vamos comemorar, pessoal!
Abaixar: os preços empregado com objeto direto: Os postos (sujeito) de combustível abaixaram os
preços (objeto direto) da gasolina.

Bebedor: é a pessoa que bebe: Tornei-me um grande bebedor de vinho.


Bebedouro: é o aparelho que fornece água. Este bebedouro está funcionando bem.

Bem-Vindo: é um adjetivo composto: Você é sempre bem vindo aqui, jovem.


Benvindo: é nome próprio: Benvindo é meu colega de classe.
Boêmia/Boemia: são formas variantes (usadas normalmente): Vivia na boêmia/boemia.

Botijão/Bujão de gás: ambas formas corretas: Comprei um botijão/bujão de gás.

Câmara: equivale ao local de trabalho onde se reúnem os vereadores, deputados: Ficaram todos
reunidos na Câmara Municipal.
Câmera: aparelho que fotografa, tira fotos: Comprei uma câmera japonesa.

Champanha/Champanhe (do francês): O champanha/champanhe está bem gelado.

Cessão: equivale ao ato de doar, doação: Foi confirmada a cessão do terreno.


Sessão: equivale ao intervalo de tempo de uma reunião: A sessão do filme durou duas horas.
Seção/Secção: repartição pública, departamento: Visitei hoje a seção de esportes.

Demais: é advérbio de intensidade, equivale a muito, aparece intensificando verbos, adjetivos ou o


próprio advérbio. Vocês falam demais, caras!
Demais: pode ser usado como substantivo, seguido de artigo, equivale a os outros. Chamaram mais dez
candidatos, os demais devem aguardar.
De mais: é locução prepositiva, opõe-se a de menos, refere-se sempre a um substantivo ou a um
pronome: Não vejo nada de mais em sua decisão.

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Dia a dia: é um substantivo, equivale a cotidiano, diário, que faz ou acontece todo dia. Meu dia a dia é
cheio de surpresas. (até 01/01/2009, era grafado dia-a-dia)
Dia a dia: é uma expressão adverbial, equivale a diariamente. O álcool aumenta dia a dia. Pode isso?

Descriminar: equivale a (inocentar, absolver de crime). O réu foi descriminado; pra sorte dele.
Discriminar: equivale a (diferençar, distinguir, separar). Era impossível discriminar os caracteres do
documento. Cumpre discriminar os verdadeiros dos falsos valores. /Os negros ainda são discriminados.

Descrição: ato de descrever: A descrição sobre o jogador foi perfeita.


Discrição: qualidade ou caráter de ser discreto, reservado: Você foi muito discreto.

Entrega em domicílio: equivale a lugar: Fiz a entrega em domicílio.


Entrega a domicílio com verbos de movimento: Enviou as compras a domicílio.

As expressões “entrega em domicílio” e “entrega a domicílio” são muito recorrentes em restaurantes,


na propaganda televisa, no outdoor, no folder, no panfleto, no catálogo, na fala. Convivem juntas sem
problemas maiores porque são entendidas da mesma forma, com um mesmo sentido. No entanto, quando
falamos de gramática normativa, temos que ter cuidado, pois “a domicílio” não é aceita. Por quê? A
regra estabelece que esta última locução adverbial deve ser usada nos casos de verbos que indicam
movimento, como: levar, enviar, trazer, ir, conduzir, dirigir-se.
Portanto, “A loja entregou meu sofá a casa” não está correto. Já a locução adverbial “em domicílio”
é usada com os verbos sem noção de movimento: entregar, dar, cortar, fazer.
A dúvida surge com o verbo “entregar”: não indicaria movimento? De acordo com a gramática purista
não, uma vez que quem entrega, entrega algo em algum lugar.
Porém, há aqueles que afirmam que este verbo indica sim movimento, pois quem entrega se desloca
de um lugar para outro.
Contudo, obedecendo às normas gramaticais, devemos usar “entrega em domicílio”, nos atentando ao
fato de que a finalidade é que vale: a entrega será feita no (em+o) domicílio de uma pessoa.

Espectador: é aquele que vê, assiste: Os espectadores se fartaram da apresentação.


Expectador: é aquele que está na expectativa, que espera alguma coisa: O expectador aguardava o
momento da chamada.

Estada: permanência de pessoa (tempo em algum lugar): A estada dela aqui foi gratificante.
Estadia: prazo concedido para carga e descarga de navios ou veículos: A estadia do carro foi
prolongada por mais algumas semanas.

Fosforescente: adjetivo derivado de fósforo; que brilha no escuro: Este material é fosforescente.
Fluorescente: adjetivo derivado de flúor, elemento químico, refere-se a um determinado tipo de
luminosidade: A luz branca do carro era fluorescente.

Haja - do verbo haver - É preciso que não haja descuido.


Aja - do verbo agir - Aja com cuidado, Carlinhos.

Houve: pretérito perfeito do verbo haver, 3ª pessoa do singular.


Ouve: presente do indicativo do verbo ouvir, 3ª pessoa do singular.

Levantar: é sinônimo de erguer: Ginês, meu estimado cunhado, levantou sozinho a tampa do poço.
Levantar-se: pôr de pé: Luís e Diego levantaram-se cedo e, dirigiram-se ao aeroporto.

Mal: advérbio de modo, equivale a erradamente, é oposto de bem: Dormi mal. (bem). Equivale a nocivo,
prejudicial, enfermidade; pode vir antecedido de artigo, adjetivo ou pronome: A comida fez mal para mim.
Seu mal é crer em tudo. Conjunção subordinativa temporal, equivale a assim que, logo que: Mal chegou
começou a chorar desesperadamente.
Mau: adjetivo, equivale a ruim, oposto de bom; plural=maus; feminino=má. Você é um mau exemplo
(bom). Substantivo: Os maus nunca vencem.

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Mas: conjunção adversativa (ideia contrária), equivale a porém, contudo, entretanto: Telefonei-lhe mas
ela não atendeu.
Mais: pronome ou advérbio de intensidade, opõe-se a menos: Há mais flores perfumadas no campo.

Nem um: equivale a nem um sequer, nem um único; a palavra “um” expressa quantidade: Nem um filho
de Deus apareceu para ajudá-la.
Nenhum: pronome indefinido variável em gênero e número; vem antes de um substantivo, é oposto de
algum: Nenhum jornal divulgou o resultado do concurso.

Obrigada: As mulheres devem dizer: muito obrigada, eu mesma, eu própria.


Obrigado: Os homens devem dizer: muito obrigado, eu mesmo, eu próprio.

Onde: indica o lugar em que se está; refere-se a verbos que exprimem estado, permanência: Onde fica
a farmácia mais próxima?
Aonde: ideia de movimento; equivale (para onde) somente com verbo de movimento desde que indique
deslocamento, ou seja, a+onde. Aonde vão com tanta pressa?

“Pode seguir a tua estrada


o teu brinquedo de estar
fantasiando um segredo
o ponto aonde quer chegar...”
(gravação: Barão Vermelho)

Por ora: equivale a “por este momento”, “por enquanto”: Por ora chega de trabalhar.
Por hora: locução equivale a “cada sessenta minutos”: Você deve cobrar por hora.

Emprego do Porquê

Orações Interrogativas
Exemplo:
(pode ser substituído
Por que devemos nos preocupar com o meio
por: por qual motivo, por
ambiente?
qual razão)
Por Que
Exemplo:
Equivalendo a “pelo Os motivos por que não respondeu são
qual” desconhecidos.
Exemplos:
Você ainda tem coragem de perguntar por quê?
Final de frases e
Por Quê Você não vai? Por quê?
seguidos de pontuação
Não sei por quê!
Exemplos:
Conjunção que indica A situação agravou-se porque ninguém reclamou.
explicação ou causa Ninguém mais o espera, porque ele sempre se
Porque
atrasa.
Conjunção de Finalidade
Exemplos:
– equivale a “para que”,
Não julgues porque não te julguem.
“a fim de que”.
Função de substantivo –
Exemplos:
vem acompanhado de
Não é fácil encontrar o porquê de toda confusão.
Porquê artigo ou pronome
Dê-me um porquê de sua saída.

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1. Por que (pergunta)
2. Porque (resposta)
3. Por quê (fim de frase: motivo)
4. O Porquê (substantivo)

Emprego de outras palavras

Senão: equivale a “caso contrário”, “a não ser”: Não fazia coisa nenhuma senão criticar.
Se não: equivale a “se por acaso não”, em orações adverbiais condicionais: Se não houver homens
honestos, o país não sairá desta situação crítica.

Tampouco: advérbio, equivale a “também não”: Não compareceu, tampouco apresentou qualquer
justificativa.
Tão pouco: advérbio de intensidade: Encontramo-nos tão pouco esta semana.

Trás ou Atrás = indicam lugar, são advérbios.


Traz - do verbo trazer.

Vultoso: volumoso: Fizemos um trabalho vultoso aqui.


Vultuoso: atacado de congestão no rosto: Sua face está vultuosa e deformada.

Questões

01. (TJ/SP - Assistente Social - VUNESP). Assinale a alternativa em que todas as palavras estão
grafadas segundo a ortografia oficial.
(A) Diante da paralização das atividades dos agentes dos correios, pede-se a compreenção de todos,
pois ouve exceções na distribuição dos processos.
(B) O revesamento dos funcionarios entre o Natal e o Ano Novo será feito mediante sorteio, para que
não ocorra descriminação.
(C) Durante o período de recessão, os chefes serão encumbidos de controlar a imissão de faxes e
copias xerox.
(D) A concessão de férias obedece a critérios legais, o mesmo ocorrendo com os casos de rescisão
contratual.
(E) É certo que os cuidados com o educando devem dobrar durante a adolecencia, para que o jovem
haja sempre de acordo com a lei.

02. (CIAAR - Capelão Militar Católico - CIAAR)

O “gilete” dos tablets

Num mundo capitalista como este em que vivemos, onde as empresas concorrem para posicionar suas
marcas e fixar logotipos e slogans na cabeça dos consumidores, a síndrome do “Gillette” pode ser decisiva
para a perpetuação de um produto. É isso que preocupa a concorrência do iPad, tablet da Apple.
Assim como a marca de lâminas de barbear tornou-se sinônimo de toda a categoria de barbeadores,
eclipsando o nome das marcas que ofereciam produtos similares, o mesmo pode estar acontecendo com
o tablet lançado por Steve Jobs. O maior temor do mercado é que as pessoas passem a se referir aos
tablets como “iPad” em geral, dizendo “iPad da Samsung” ou “iPad da Motorola”, e assim por diante.

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[...] O mesmo se deu com os lenços Kleenex, os curativos Band-aid e as fotocopiadoras Xerox. Resta
saber se os consumidores se habituarão com outros nomes para produto tecnológico.

Disponível em: http//revistalingua.uol.com.br/textos/blog-edgard/o-gilete-dos-tablets-260395-1.asp – Adaptado.

No texto I, a palavra “gilete” (com inicial minúscula e apenas uma letra “L” na segunda sílaba) compõe
o título, ao passo que no primeiro parágrafo tem-se a forma “Gillette” (com inicial maiúscula e duas letras
“L” na segunda sílaba). Julgue as afirmativas a respeito dessa diferença.

I. A diferença de grafia entre as duas formas é fruto de um erro de ortografia.


II. A diferença de grafia se dá devido “gilete”, do título, ser um nome comum e “Gillette”, do primeiro
parágrafo, um nome próprio.
III. Há diferença entre as formas por “Gillette” ser parte do nome de um problema recorrente em
economia chamado síndrome do “Gillette”.
IV. Há diferença entre as formas por “gilete” ser a designação de qualquer lâmina descartável de
barbear e “Gillette”, uma lâmina descartável de uma marca específica.
Estão corretas apenas as afirmativas
(A) I e III.
(B) II e III.
(C) II e IV.
(D) III e IV.

03. (CRF-SC - Operador de Computador - IESES)

Pra que serve um vereador?


por César Cerqueira
Disponível em Http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0
EMI3171-1-PRA+QUE+SERVE+UM+VEREADOR. Html/Acesso em 06 de outubro de 2012.

(...) Mas se o prefeito e seus secretários planejam e coordenam toda a administração da cidade, o que
sobra ao vereador, esse cargo que em 2012 será disputado por 440 mil pessoas? (Há mais candidatos a
vereador do que a soma de budistas e judeus no Brasil segundo o Censo de 2010).
A constituição de 1988 ajudou a defninir a função desses políticos, apontando suas competências
genéricas. Segundo a Carta, as principais são legislar e fiscalizar. As leis que eles redigem e aprovam
não podem contrariar as das esferas superiores (estadual e federal), mas podem regulamentar algumas
coisas importantes, como restrições a fumo em locais e regras para venda de carne moída. Mas outras
nem tanto, como o nome novo daquela rua que você nem sabe que existe. Na área de fiscalização, cabe
a eles acompanhar gastos do município, avaliar ações do prefeito e cobrar trasnparência. Além disso,
eles devem atuar como administradores das próprias Câmaras, e às vezes até como juízes, ao processar
e julgar o prefeito e os próprios colegas em caso de irregularidades. Isso é o que diz a lei.
No dia a dia, porém, a atividade que toma mais tempo dos vereadores é o atendimento de pedidos dos
indivíduos, comunidades e outros grupos de eleições. Sabe aquelas faixas que dizem “Obrigado, vereador
Fulano, por trazer o asfalto à comunidade da Vila Ribeirinha”? Pode ser asfalto, mas também pode ser
emprego, remédios, óculos, dinheiro para pagar contas, material de construção. Ou seja, atender a
demandas específicas e imediatas, sejam individuais ou coletivas. Isso é o que a maioria dos vereadores
tenta fazer – até porque é justamente isso que os eleitores esperam dele.
Uma pesquisa publicada pelo luperj (Instituto Universitário de Pesquisa do rio de Janeiro) em 2009
mostra como um vereador da zona oeste do Rio construiu sua fama a partir da manutenção de “centros
sociais” privados, com 80 funcionários cada um, que ofereciam desde cursos de lambaeróbica até
consultas médicas e jurídicas. O Brasil está cheio de exemplos assim. E como esas atividades não estão
proibidas em lei – ao menos fora do período eleitoral -, é complicado dizer se isso é certo ou errado.
“Medir o clientelismo, a troca de benefícios entre pessoas com diferentes níveis de poder, é muito
difícil. A fronteira ética neste caso é muito borrada, porque, por mais que isso possa ter uma conotação
negativa, o vereador é importante como canal para resolver problemas pontuais da população”, diz Felix
Lopez, cientísta político do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Ele lembra que, afinal, esse
é o representante político mais acessível ao cidadão comum.
“A maioria dos eleitores acha inadequado o vereador dizer: “Meu papel é legislar e fiscalizar e não vou
fazer isso que você está me pedindo”, afirma Lopez, coautor de um estudo que analisou em detalhes a
rotina de vereadores de 12 cidades de Minas Gerais. Quando questionados sobre o que era mais

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importante em seu trabalho, 60% deles responderam que era “atender a pedidos individuais ou coletivos
de eleitores” (...). Não por acaso, 44% deles disseram que essa era a atividade que mais ocupa seu tempo
de trabalho.
No estudo, os autores apontam três fatores que ajudam a explicar esse perfil assistencialista do
vereador. Um deles é a natureza quase amadora da gestão municipal brasileira, baseada em redes de
contato pessoal. Outro seria o tamanho relativamente pequeno dos municípios no país – nos 89% com
menos de 50 mil habitantes, não existe mesmo tanta coisa sobre o que legislar. Inclusive, a maior parte
das câmaras nessas cidades só tem uma ou duas sessões por semana. A última explicação seria o poder
reduzido desses políticos: questões importantes, como a definição do orçamento, acabam na mão dos
prefeitos.
Para compensar e mostrar serviço na Câmara, os vereadores acabam sugerindo e aprovando um
grande volume de leis que pouco ajudam a vida do cidadão (...)

Analise as proposições a seguir e em seguida assinale a alternativa correta:


I. O termo “isso”, destacado no terceiro parágrafo, retoma a expressão “pode ser asfalto, mas também
pode ser emprego, remédio, óculos, dinheiro para pagar contas, material de construção”.
II. No trecho: “Há mais candidatos a vereador do que a soma de budistas” temos a presença de
palavras parônimas.
III. Em: “consultas médicas e jurídicas”, as duas palavras acentuadas recebem acento pelo mesmo
motivo.
IV. O emprego dos parênteses no final do 1º parágrafo tem a função de indicar possibilidade alternativa
de leitura.

(A) Apenas as assertivas II, III e IV estão corretas.


(B) Apenas as assertivas II e III estão corretas.
(C) Apenas as assertivas I e IV estão corretas.
(D) Apenas a assertiva III está correta.

04. (MPE-RS - Técnico em Informática - Sistemas - MPE)

A empresa de segurança móvel LookOut afirmou nesta segunda-feira que algumas redes de
publicidade recolheram secretamente informações pessoais de usuários de aplicativos durante o ano
passado e agora ________ acesso a milhões de smartphones em todo o mundo. Segundo a LookOut,
essas práticas não regulamentadas estão em ________. Por essa razão, urge que desenvolvedores de
aplicativos e anunciantes se unam na busca de soluções para que o consumidor não fique vulnerável a
esse tipo de invasão. A empresa afirma que mais de 80 milhões de aplicativos que foram baixados
carregam uma forma de anúncios invasivos que podem pegar os dados pessoais dos usuários a partir de
telefones ou instalar software sem o conhecimento deles. Algumas redes mais agressivas conseguem
até mesmo coletar endereços de e-mail ou números de telefone sem a permissão do usuário. As redes
de publicidade atuam como intermediárias, ligando um grande número de anunciantes com editores de
mídia. Os casos estão crescendo especialmente a partir da expansão da plataforma Android, do Google,
onde aplicativos como o Angry Birds são distribuídos gratuitamente financiados por meio de anúncios.
As empresas de publicidade estão acompanhando de perto como o setor de anúncios móveis ________
representando uma oportunidade para novos fluxos de receita. Todavia, com consumidores cada vez
mais conscientes das questões de privacidade, algumas dizem que práticas agressivas como essas
poderiam ser ________ para o aumento da comercialização de smartphones. "Estamos vivendo os
primórdios da publicidade móvel, e os modelos são muito similares aos da web, onde as práticas não são
muito respeitosas", disse Anne Bezançon, presidente da Placecast, que fornece serviços baseados em
localização de marketing, mas garante não vender as informações de seus 10 milhões de clientes. ―A
experiência móvel é muito mais íntima e pessoal — um telefone é como se fosse uma extensão da
pessoa. É o equivalente a alguém sussurrar em seu ouvido”, afirma Bezançon.

Adaptado de:< http://oglobo.globo.com/tecnologia/empresa-deseguranca-alerta-para-ameaca-privacidade-em-smartphones-5429137>.


Acesso em: 09 de julho de 2012.

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas no texto, nesta ordem.


(A) têm – ascensão – vem – desastrosas
(B) tem – ascenção – vêm – desastrozas
(C) têm – ascensão – vem – desastrozas

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(D) têm – ascenção – veem – desastrozas
(E) tem – ascenção – vêm – dezastrosas

05. (IFC - Auxiliar administrativo - IFC). Assinale a opção em que todas as palavras são vocábulos
de sentidos iguais ou aproximados:
(A) Escopo; Intento; Mira; Tronco.
(B) Adiado; Adiantado; Delongado; Moroso.
(C) Dúctil; Madeira; Lenha; Brando.
(D) Branco; Níveo; Cândido; Alvo.
(E) Tangerina; Bergamota; Jambo; Mexerica.

06. (TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP)


Que mexer o esqueleto é bom para a saúde já virou até sabedoria popular. Agora, estudo levanta
hipóteses sobre ........................ praticar atividade física..........................benefícios para a totalidade do
corpo. Os resultados podem levar a novas terapias para reabilitar músculos contundidos ou mesmo para
.......................... e restaurar a perda muscular que ocorre com o avanço da idade.
(Ciência Hoje, março de 2012)

As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com:


(A) porque … trás … previnir
(B) porque … traz … previnir
(C) porquê … tras … previnir
(D) por que … traz … prevenir
(E) por quê … tráz … prevenir

07. (TJ-MG) Técnico Judiciário - Analista de Recursos Humanos

Como o rei de um país chuvoso

(1) Um espectro ronda o mundo atual: o espectro do tédio. Ele se manifesta de (2) diversas maneiras.
Algumas de suas vítimas invadem o “shopping Center” e, (3) empunhando um cartão de crédito,
comprometem o futuro do marido ou da mulher (4) e dos filhos. A maioria opta por ficar horas diante da
TV, assistindo a “reality (5) shows”, os quais, por razões que me escapam, tornam interessante para seu
(6) público a vida comum de estranhos, ou seja, algo idêntico à própria rotina considerada vazia,
claustrofóbica.
(8) O mal ataca hoje em dia faixas etárias que, uma ou duas gerações atrás, (9) julgávamos
naturalmente imunizadas a seu contágio. Crianças sempre foram (10) capazes de se divertir umas com
as outras ou até sozinhas. Dotadas de cérebros (11) que, como esponjas, tudo absorvem e de um
ambiente, qualquer um, no qual tudo (12) é novo, tudo é infinito, nunca lhes faltam informação e dados a
processar. Elas (13) não precisam ser entretidas pelos adultos, pois o que quer que estes façam ou
deixem de fazer lhes desperta, por definição, a curiosidade natural e aguça seus (15) instintos analíticos.
E, todavia, os pais se veem cada vez mais compelidos a (16) inventar maneiras de distrair seus filhos
durante as horas ociosas destes, um (17) conceito que, na minha infância, não existia. É a ideia de que,
se a família os (18) ocupar com atividades, os filhos terão mais facilidades na vida.
Sendo assim, os pais, simplesmente, não deixam os filhos pararem. (20) Se o mal em si nada tem de
original e, ao que tudo indica, surgiu, assim como (21) o medo, o nojo e a raiva, junto com nossa espécie
ou, quem sabe, antes, também (22) é verdade que, por milênios, somente uma minoria dispunha das
precondições necessárias para sofrer dele. (23) Falamos do homem cujas refeições da semana
dependiam do que (24) conseguiria caçar na segunda-feira, antes de, na terça, estar (25) fraco o bastante
para se converter em caça e de uma mulher que, de sol a sol, (26) trabalhava com a enxada ou o pilão.
Nenhum deles tinha tempo de sentir o tédio, (27) que pressupõe ócio abundante e sistemático para se
manifestar em grande (28) escala. Ninguém lhe oferecia facilidades. Por isso é que, até onde a memória
coletiva alcança, o problema quase sempre se restringia ao topo da pirâmide (30) social, a reis, nobres,
magnatas, aos membros privilegiados de sociedades que, (31) organizadas e avançadas, transformavam
a faina abusiva da maioria no luxo de (32) pouquíssimos eleitos.
(33) O tédio, portanto, foi um produto de luxo, e isso até tão recentemente que (34) Baudelaire, para,
há século e meio, descrevê-lo, comparou-se ao rei de um país (35) chuvoso, como se experimentar
delicadeza tão refinada elevasse socialmente quem não passava de “aristocrata de espírito”.

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(37) Coube à Revolução Industrial a produção em massa daquilo que, (38) previamente, eram
raridades reservadas a uma elite mínima. E, se houve um (39) produto que se difundiu com sucesso
notável pelos mais inesperados andares e (40) recantos do edifício social, esse produto foi o tédio. Nem
se requer uma fartura de (41) Primeiro Mundo para se chegar à sua massificação. Basta, a rigor, que à
(42) satisfação do biologicamente básico se associe o cerceamento de outras (43) possibilidades (como,
inclusive, a da fuga ou da emigração), para que o tempo (44) ocioso ou inútil se encarregue do resto. Foi
assim que, após as emoções (45) fornecidas por Stalin e Hitler, os países socialistas se revelaram exímios
(46) fabricantes de tédio, único bem em cuja produção competiram à altura com seus (47) rivais
capitalistas. O tédio não é piada, nem um problema menor. Ele é central. Se (48) não existisse o tédio,
não haveria, por exemplo, tantas empresas de (49) entretenimento e tantas fortunas decorrentes delas.
Seja como for, nem esta nem (50) soluções tradicionais (a alta cultura, a religião organizada) resolverão
seus (51) impasses. Que fazer com essa novidade histórica, as massas de crianças e jovens
perpetuamente desempregados, funcionários, gente aposentada e cidadãos em geral ameaçados não
pela fome, guerra ou epidemias, mas pelo tédio, algo que ainda ontem afetava apenas alguns monarcas?
ASCHER, Nélson, Folha de S. Paulo, 9 abr. 2007, Ilustrada. (Texto adaptado)

“O mal ataca hoje em dia faixas etárias que, uma ou duas gerações atrás, julgávamos naturalmente
imunizadas a seu contágio.” (linhas 8-9).
A expressão destacada pode ser substituída sem alteração significativa do sentido por:
(A) a uma ou duas gerações.
(B) acerca de duas gerações.
(C) há uma ou duas gerações.
(D) por uma ou duas gerações.

08. Assinale a opção que completa corretamente as lacunas da frase abaixo: Não sei o _____ ela está
com os olhos vermelhos, talvez seja _____ chorou.
(A) porquê / porque;
(B) por que / porque;
(C) porque / por que;
(D) porquê / por quê;
(E) por que / por quê.

09. (Unimep – SP) “Se você não arrumar o fogão, além de não poder cozinhar as batatas, há o perigo
próximo de uma explosão.”
As palavras destacadas podem ser substituídas por:
(A) concertar – coser – iminente
(B) consertar – cozer – eminente
(C) consertar – cozer – iminente
(D) concertar – coser – iminente
(E) consertar – coser – eminente

10. (PREFEITURA DE SERTANEJA PR – AGENTE ADMINISTRATIVO – UNIUV/2015) Assinale a


alternativa em que a ortografia está incorreta:

(A) Egrégio;
(B) Selvageria;
(C) Fascinante;
(D) Orquídia;
(E) Umedecer.

11. (IF SP – TÉCNICO EM ENFERMAGEM – FUNDEP/2014) Assinale a alternativa em que há ERRO


de ortografia:
(A) Acesso permitido apenas aos funcionários do setor.
(B) A exposição não deve exceder a dois segundos.
(C) O prazo de pagamento expira no último dia útil do mês.
(D) Embalamos refeições para viajem.

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12. (CAU SP – ASSISTENTE TÉCNICO CONTÁBIL – MAKIYAMA/2014) Assinale a alternativa cuja
oração NÃO apresenta erros de ortografia.
(A) Parece até que a garota foi flexada por um cupido...
(B) Preciso providenciar o lisenciamento do meu carro.
(C) A bandeija com trinta ovos custa cinco reais.
(D) O camaleão é um répitil muito exótico.
(E) O botijão de água está com rachaduras.

13. (ELETTROBRAS – LEITURISTA – IADES/2015) Considerando as regras de ortografia, assinale


a alternativa em que a palavra está grafada corretamente.
(A) Dimencionar.
(B) Assosciação.
(C) Capassitores.
(D) Xoque.
(E) Conversão.

14. (MPE SP – ANALISTA DE PROMOTORIA – VUNESP/2015)

Considerando a ortografia e a acentuação da norma-padrão da língua portuguesa, as lacunas estão,


correta e respectivamente, preenchidas por:
(A) mal ... por que ... intuíto
(B) mau ... por que ... intuito
(C) mau ... porque ... intuíto
(D) mal ... porque ... intuito
(E) mal ... por quê ... intuito

Respostas

01. Resposta D
a) Diante da paralização das atividades dos agentes dos correios, pede-se a compreenção de todos,
pois ouve exceções na distribuição dos processos. (paralisação - compreensão - houve)
b) O revesamento dos funcionarios entre o Natal e o Ano Novo será feito mediante sorteio, para que
não ocorra descriminação. (revezamento - funcionários - discriminação)
c) Durante o período de recessão, os chefes serão encumbidos de controlar a imissão de faxes e
copias xerox. (incumbidos - emissão - cópias)
d) A concessão de férias obedece a critérios legais, o mesmo ocorrendo com os casos de rescisão
contratual.
e) É certo que os cuidados com o educando devem dobrar durante a adolecencia, para que o jovem
haja sempre de acordo com a lei. (adolescência - aja)

02. Resposta C
A palavra “gilete” significa apenas uma lâmina de barbear, já a palavra “Gillette” está diretamente
relacionada a uma marca de lâminas de barbear, escreve-se com letra maiúscula porque trata-se de um
nome próprio.

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03. Resposta D
As palavras a e há são HOMÓFONAS (Homo: IGUAIS; Fonas: SOM) ou seja, tem GRAFIAS
DIFERENTES mas possuem o MESMO SOM. O Há descrito no texto vem do verbo Haver, no sentido
de existir. e o "a" não é considerado uma palavra e sim é um artigo! Por isso a opção 2 está errada.
Parônimos comparam palavras, e não palavras e conjunções, palavras e artigo, etc.

04. Resposta A
têm (ees) – ascensão – vem (ele)– desastrosas (na palavra desastrosas não há a utilização da
consoante z).

05. Resposta D
Nesta alternativa todas as palavras significam algo claro, branco.

06. Resposta D
Por que - equivale a "por qual razão";
Traz - na oração o "traz" está no sentido de trazer, portanto com Z sem acento pois acentua-se os
monossílabos tônicos apenas se estes terminarem com A, E, O (s).
Trás - com S apenas se a oração der por entender que o "trás" está em sentido de posição posterior.

07. Resposta C
A alternativa “a” está incorreta, pois a preposição “a” não remete a tempo, como o verbo haver (existir
e fazer). A alternativa “b” está incorreta, pois “a cerca de” significa “aproximadamente”, “mais ou menos”,
deixando o sentido em dúvida. Quanto à alternativa “d”, a preposição “por” muda o sentido afirmando que
o mal ataca hoje em dia faixas etárias que somente há uma ou duas gerações atrás, julgávamos... não
podendo ter acontecido em outras gerações. Confirmamos então a veracidade da alternativa “c”.

08. Resposta B
A partícula “o” é um pronome demonstrativo, equivalendo a aquilo, e funciona como antecedente do
pronome relativo: “Não sei aquilo pelo qual ela está com os olhos vermelhos”. A primeira impressão é a
de que seria um artigo, mas não faria sentido preenchermos a lacuna com o substantivo “motivo” que é
sinônimo de “porquê”. A segunda lacuna dá claramente a ideia de causa, logo deve ser utilizada a
conjunção “porque”.

09. Resposta C
Consertar – reparo, ato ou efeito de consertar.
Cozer – cozinhar.
Iminente – que ameaça acontecer.

10. Resposta D
E) Apesar do substantivo ser umidade, o adjetivo ser úmido o verbo é umedecer, assim como o seu
particípio umedecido.

Correção: orquídea

11. Resposta D
VIAGEM = SUBSTANTIVO

VIAJAR = VERBO

12. Resposta E
A) palavra certa é FLECHADA
B) palavra certa é LICENCIAMENTO
C) palavra certa é BANDEJA
D) palavra certa é RÉPTIL
E) CORRETA

13. Resposta E
A) Dimensionar
B) Associação

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C) Capacitores
D) Choque

14. Resposta D
- Mal: pode substituir por bem; Mau: pode substituir por bom.

- Porque: quando posso trocar por: pois; já que...


Porquê: é substantivo e tem significado de "o motivo". Vem precedido de um artigo! (Ex: Quero saber
o porquê da discussão).
Por que --> frases interrogativas = por qual razão; por qual motivo. Utiliza-se para perguntas diretas
(Ex: Por que você fez isso?) e indiretas (Ex: Quero saber o por que você fez isso).
Por quê = por qual razão; por qual motivo. A diferença é que vem antes de um ponto, seja final,
interrogativo ou exclamação. (Ex: Você não disse a verdade. Por quê? / 2º Exemplo: Não entendo por
quê.).

- intuito
in.tui.to
(túi) sm (lat intuitu) 1 Escopo, fim. 2 Aquilo que se tem em vista; plano, propósito.

Estilística

Estilística é o ramo da linguística que estuda as variações da língua e sua utilização, incluindo o uso
estético da linguagem e as suas diferentes aplicações dependendo do contexto ou situação. Por exemplo,
a língua de publicidade, política, religião, autores individuais, ou a língua de um período, todos pertencem
a uma situação particular. Em outras palavras, todos possuem um "lugar".
Na estilística, analisa-se a capacidade de provocar sugestões e emoções usando certas fórmulas e
efeitos de estilo, por exemplo, as características da estilística incluírem o uso do diálogo, incluindo acentos
regionais e os dialetos desse determinado povo, língua descritiva, o uso da gramática, tal como a voz
passiva ou voz ativa, o uso da língua particular, etc. Além disso, a estilística é um termo distintivo que
pode ser usado para determinar conexões entre forma e efeitos dentro de uma variedade particular da
língua. Consequentemente, a estilística visa ao que "acontece" dentro da língua; o que as associações
linguísticas revelam do estilo da língua.

Em geral, a situação em que um tipo de língua é encontrado pode geralmente ser vista enquanto
apropriada ou imprópria ao estilo da língua que se usou. Uma carta pessoal de amor provavelmente não
possuiria a linguagem apropriada para este tipo de artigo. Entretanto, dentro da língua de uma
correspondência romântica o estilo da carta e seu contexto podem estar relacionados. Pode ser intenção
do autor incluir uma palavra, frase ou sentença que não apenas transmite os sentimentos de afeição, mas
também reflete o ambiente original de sua composição romântica. Mesmo assim, usando uma suposta
língua convencional e aparentemente apropriada dentro de um contexto específico (as palavras
aparentemente apropriadas que correspondem à situação em que aparecem), existe a possibilidade que
nesta língua possa faltar o sentido e deixar de transmitir fielmente a mensagem destinada ao leitor do
autor, tornando assim tal linguagem obsoleta precisamente devido à sua convencionalidade. Além disso,
para qualquer escritor que pretenda transmitir a sua opinião em uma variedade de linguagem que sinta,
é adequado para o contexto encontrar-se involuntariamente em conformidade com um estilo particular,
que, em seguida, obscurece o conteúdo da sua escrita.
A divisão proposta pelo francês Pierre Giraud abarca duas condições de origem: aquelas figuras
usadas pelo próprio idioma (estilística da língua), e aquelas criadas pelo autor (estilística genética). Para
aqueles que a entendem como uma divisão da gramática, a Estilística divide-se em:

• Figuras de sintaxe ou de construção - das quais as mais importantes são a elipse (com a
subespécie zeugma), pleonasmo, polissíndeto, inversão (hipérbato, anástrofe, prolepse e sínquise),
anacoluto, silepse, onomatopeia e repetição.

• Figuras de palavras - onde se tem a metáfora, a metonímia (e seu caso especial: a sinédoque),
catacrese e antonomásia.

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• Figuras de pensamento - antítese, apóstrofe, eufemismo, disfemismo, hipérbole, ironia (antífrase),
personificação e retificação.

Segundo essa divisão, a ela cabe, também, o estudo dos chamados Vícios de linguagem, tais como a
ambiguidade (anfibologia), barbarismo, cacofonia, estrangeirismo, colisão, eco, solecismo e obscuridade.
Fonte: http://osletrados.blogspot.com.br/2012/11/semantica-estilistica.html

Figuras de Linguagem

Também chamadas Figuras de Estilo, são recursos especiais de que se vale quem fala ou escreve,
para comunicar à expressão mais força e colorido, intensidade e beleza.
Podemos classificá-las em três tipos:
- Figuras de Palavras (ou tropos);
- Figuras de Construção (ou de sintaxe);
- Figuras de Pensamento.

Figuras de Palavra

Compare estes exemplos:


O tigre é uma fera. (fera = animal feroz: sentido próprio, literal, usual)
Pedro era uma fera. (fera = pessoa muito brava: sentido figurado, ocasional)

No segundo exemplo, a palavra fera sofreu um desvio na sua significação própria e diz muito mais do
que a expressão vulgar “pessoa brava”. Semelhantes desvios de significação a que são submetidas as
palavras, quando se deseja atingir um efeito expressivo, denominam-se figuras de palavras ou tropos (do
grego trópos, giro, desvio).

São as seguintes as figuras de palavras:

Metáfora: consiste em atribuir a uma palavra características de outra, em função de uma analogia
estabelecida de forma bem subjetiva.
“Meu verso é sangue” (Manuel Bandeira)
Observe que, ao associar verso a sangue, o poeta estabeleceu uma analogia entre essas duas
palavras, vendo nelas uma relação de semelhança. Todos os significados que a palavra sangue sugere
ao leitor passam também para a palavra verso.
Os poetas são mestres na citação de metáforas surpreendentes, ricas em significados. Exemplo:

“Ó minha amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus.”
Vinícius de Moraes

A metáfora é uma espécie de comparação sem a presença de conectivos do tipo como, tal como,
assim como etc. Quando esses conectivos aparecem na frase, temos uma comparação e não uma
metáfora. Exemplo:
“A felicidade é como a gota de orvalho
numa pétala de flor.
Brilha tranquila, depois de leve oscila
e cai como uma lágrima de amor.”
Vinícius de Moraes

Comparação: é a comparação entre dois elementos comuns; semelhantes. Normalmente se emprega


uma conjunção comparativa: como, tal qual, assim como.

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“Sejamos simples e calmos
Como os regatos e as árvores”
Fernando Pessoa

Metonímia: consiste no emprego de uma palavra por outra com a qual ela se relaciona. Ocorre a
metonímia quando empregamos:

- o autor ou criador pela obra. Exemplo: Gosto de ler Jorge Amado (observe que o nome do autor
está sendo usado no lugar de suas obras).

- o efeito pela causa e vice-versa. Exemplos: Ganho a vida com o suor do meu rosto. (o suor é o
efeito ou resultado e está sendo usado no lugar da causa, ou seja, o “trabalho”); Vivo do meu trabalho. (o
trabalho é causa e está no lugar do efeito ou resultado, ou seja, o “lucro”).

- o continente pelo conteúdo. Exemplo: Ela comeu uma caixa de doces. (a palavra caixa, que designa
o continente ou aquilo que contém, está sendo usada no lugar da palavra doces, que designaria o
conteúdo).

- o abstrato pelo concreto e vice-versa. Exemplos: A velhice deve ser respeitada. (o abstrato velhice
está no lugar do concreto, ou seja, pessoas velhas).Ele tem um grande coração. (o concreto coração está
no lugar do abstrato, ou seja, bondade).

- o instrumento pela pessoa que o utiliza. Exemplo: Ele é bom volante. (o termo volante está sendo
usado no lugar do termo piloto ou motorista).

- o lugar pelo produto. Exemplo: Gosto muito de tomar um Porto. (o produto vinho foi substituído pelo
nome do lugar em que é feito, ou seja, a cidade do Porto).

- o símbolo ou sinal pela coisa significada. Exemplo: Os revolucionários queriam o trono. (a palavra
trono, nesse caso, simboliza o império, o poder).

- a parte pelo todo. Exemplo: Não há teto para os necessitados. (a parte teto está no lugar do todo,
“a casa”).

- o indivíduo pela classe ou espécie. Exemplo: Ele foi o judas do grupo. (o nome próprio Judas está
sendo usado como substantivo comum, designando a espécie dos homens traidores).

- o singular pelo plural. Exemplo: O homem é um animal racional. (o singular homem está sendo
usado no lugar do plural homens).

- o gênero ou a qualidade pela espécie. Exemplo: Os mortais somos imperfeitos. (a palavra mortais
está no lugar de “seres humanos”).

- a matéria pelo objeto. Exemplo: Ele não tem um níquel. (a matéria níquel é usada no lugar da coisa
fabricada, que é “moeda”).

Observação: Os últimos 5 casos recebem também o nome de Sinédoque.

Perífrase: é a substituição de um nome por uma expressão que facilita a sua identificação. Exemplo:
O país do futebol acredita no seu povo. (país do futebol = Brasil)

Sinestesia: é a mistura de sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido.


“O vento frio e cortante balança os trigais dourados e macios que se estendiam pelo campo.” (frio e
cortante = tato / dourados e macios = visão + tato)

Catacrese: consiste em transferir a uma palavra o sentido próprio de outra, utilizando-se formas já
incorporadas aos usos da língua. Se a metáfora surpreende pela originalidade da associação de ideias,
o mesmo não ocorre com a catacrese, que já não chama a atenção por ser tão repetidamente usada.

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Exemplo: Ele embarcou no trem das onze. (originariamente, a palavra embarcar pressupõe barco e não
trem).

Antonomásia: ocorre quando substituímos um nome próprio pela qualidade ou característica que o
distingue. Exemplo: O Poeta dos Escravos é baiano. (Poeta dos Escravos está no lugar do nome próprio
Castro Alves, poeta baiano que se distinguiu por escrever poemas em defesa dos escravos).

Figuras de Construção

Compare as duas maneiras de construir esta frase:


Os homens pararam, o medo no coração.
Os homens pararam, com o medo no coração.
Nota-se que a primeira construção é mais concisa e elegante. Desvia-se da norma estritamente
gramatical para atingir um fim expressivo ou estilístico. Foi com esse intuito que assim a redigiu Jorge
Amado.
A essas construções que se afastam das estruturas regulares ou comuns e que visam transmitir à
frase mais concisão, expressividade ou elegância dá-se o nome de figuras de construção ou de sintaxe.

São as mais importantes figuras de construção:

Elipse: consiste na omissão de um termo da frase, o qual, no entanto, pode ser facilmente identificado.
Exemplo: No fim da festa, sobre as mesas, copos e garrafas vazias. (ocorre a omissão do verbo haver:
No fim da festa havia, sobre as mesas, copos e garrafas vazias).

Pleonasmo: consiste no emprego de palavras redundantes para reforçar uma ideia. Exemplo: Ele vive
uma vida feliz.
Observação: Devem ser evitados os pleonasmos viciosos, que não têm valor de reforço, sendo antes
fruto do desconhecimento do sentido das palavras, como por exemplo, as construções “subir para cima”,
“protagonista principal”, “entrar para dentro”, etc.

Polissíndeto: consiste na repetição enfática do conectivo, geralmente o “e”. Exemplo: Felizes, eles
riam, e cantavam, e pulavam de alegria, e dançavam pelas ruas...

Inversão ou Hipérbato: consiste em alterar a ordem normal dos termos ou orações com o fim de lhes
dar destaque:
“Passarinho, desisti de ter.” (Rubem Braga)
“Justo ela diz que é, mas eu não acho não.” (Carlos Drummond de Andrade)
“Por que brigavam no meu interior esses entes de sonho não sei.” (Graciliano Ramos)
“Tão leve estou que já nem sombra tenho.” (Mário Quintana)
Observação: o termo que desejamos realçar é colocado, em geral, no início da frase.

Anacoluto: consiste na quebra da estrutura sintática da oração. O tipo de anacoluto mais comum é
aquele em que um termo parece que vai ser o sujeito da oração, mas a construção se modifica e ele
acaba sem função sintática. Essa figura é usada geralmente para pôr em relevo a ideia que consideramos
mais importante, destacando-a do resto. Exemplo: “Eu, que era branca e linda, eis-me medonha e escura.”
(Manuel Bandeira) (o pronome eu, enunciado no início, não se liga sintaticamente à oração eis-me
medonha e escura.)

Silepse: ocorre quando a concordância de gênero, número ou pessoa é feita com ideias ou termos
subentendidos na frase e não claramente expressos. A silepse pode ser:
- de gênero. Exemplo: Vossa Majestade parece cansado. (o adjetivo cansado concorda não com o
pronome de tratamento Vossa Majestade, de forma feminina, mas com a pessoa a quem esse pronome
se refere – pessoa do sexo masculino).
- de número. Exemplo: O pessoal ficou apavorado e saíram correndo. (o verbo sair concordou com a
ideia de plural que a palavra pessoal sugere).
- de pessoa. Exemplo: Os brasileiros gostamos de futebol. (o sujeito os brasileiros levaria o verbo
usualmente para a 3ª pessoa do plural, mas a concordância foi feita com a 1ª pessoa do plural, indicando
que a pessoa que fala está incluída em os brasileiros).

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Onomatopeia: consiste no aproveitamento de palavras cuja pronúncia imita o som ou a voz natural
dos seres. É um recurso fonêmico ou melódico que a língua proporciona ao escritor.
“Pedrinho, sem mais palavras, deu rédea e, lept! lept! arrancou estrada afora.” (Monteiro Lobato)
“O som, mais longe, retumba, morre.” (Goncalves Dias)
“O longo vestido longo da velhíssima senhora frufrulha no alto da escada.” (Carlos Drummond de
Andrade)
“Tíbios flautins finíssimos gritavam.” (Olavo Bilac)
“Troe e retroe a trompa.” (Raimundo Correia)
“Vozes veladas, veludosas vozes,
volúpias dos violões, vozes veladas,
vagam nos velhos vórtices velozes
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.” (Cruz e Sousa)

As onomatopeias, como nos três últimos exemplos, podem resultar da Aliteração (repetição de
fonemas nas palavras de uma frase ou de um verso).

Repetição: consiste em reiterar (repetir) palavras ou orações para enfatizar a afirmação ou sugerir
insistência, progressão:
“O surdo pede que repitam, que repitam a última frase.” (Cecília Meireles)
“Tudo, tudo parado: parado e morto.” (Mário Palmério)
“Ia-se pelos perfumistas, escolhia, escolhia, saía toda perfumada.” (José Geraldo Vieira)
“E o ronco das águas crescia, crescia, vinha pra dentro da casona.” (Bernardo Élis)
“O mar foi ficando escuro, escuro, até que a última lâmpada se apagou.” (Inácio de Loyola Brandão)

Zeugma: consiste na omissão de um ou mais termos anteriormente enunciados. Exemplo: A manhã


estava ensolarada; a praia, cheia de gente. (há omissão do verbo estar na segunda oração (...a praia
estava cheia de gente)).

Assíndeto: ocorre quando certas orações ou palavras, que poderiam se ligar por um conectivo, vêm
apenas justapostas. Exemplo: Vim, vi, venci.

Anáfora: consiste na repetição de uma palavra ou de um segmento do texto com o objetivo de enfatizar
uma ideia. É uma figura de construção muito usada em poesia. Exemplo:
“Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade
Que ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade
Que ninguém mais precisa tanto de alegria e serenidade.”

Paranomásia: palavras com sons semelhantes, mas de significados diferentes, vulgarmente chamada
de trocadilho. Exemplo: Era iminente o fim do eminente político.

Neologismo: criação de palavras novas. Exemplo: O projeto foi considerado imexível.

Figuras de Pensamento

São processos estilísticos que se realizam na esfera do pensamento, no âmbito da frase. Nelas
intervêm fortemente a emoção, o sentimento, a paixão. Eis as principais figuras de pensamento:

Antítese: consiste em realçar uma ideia pela aproximação de palavras de sentidos opostos. Exemplo:
“Morre! Tu viverás nas estradas que abriste!” (Olavo Bilac)
Apóstrofe: consiste na interrupção do texto para se chamar a atenção de alguém ou de coisas
personificadas. Sintaticamente, a apóstrofe corresponde ao vocativo. Exemplo:
“Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade” (Vinícius de Moraes)

Eufemismo: ocorre quando, no lugar das palavras próprias, são empregadas outras com a finalidade
de atenuar ou evitar a expressão direta de uma ideia desagradável ou grosseira. Exemplo: Depois de
muito sofrimento, ele entregou a alma a Deus.

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Gradação: ocorre quando se organiza uma sequência de palavras ou frases que exprimem a
intensificação progressiva de uma ideia. Exemplo: “Eu era pobre. Era subalterno. Era nada.” (Monteiro
Lobato)

Hipérbole: ocorre quando, para realçar uma ideia, exageramos na sua representação. Exemplo: Está
muito calor. Os jogadores estão morrendo de sede no campo.

Ironia: é o emprego de palavras que, na frase, têm o sentido oposto ao que querem dizer. É usada
geralmente com sentido sarcástico. Exemplo: Quem foi o inteligente que usou o computador e apagou o
que estava gravado?

Paradoxo: é o encontro de ideias que se opõem; ideias opostas. Exemplo:


“É tão difícil olhar o mundo
e ver o que ainda existe
pois sem você
meu mundo é diferente
minha alegria é triste.” (Roberto Carlos e Erasmo)
(a alegria e a tristeza se opõem, se a alegria é triste, ela tem uma qualidade que é antagônica).

Personificação ou Prosopopéia ou Animismo: consiste em atribuir características humanas a outros


seres. Exemplo:
“Ah! cidade maliciosa
de olhos de ressaca
que das índias guardou a vontade de andar nua.” (Ferreira Gullar)

Reticência: consiste em suspender o pensamento, deixando-o meio velado. Exemplo:


“De todas, porém, a que me cativou logo foi uma... uma... não sei se digo.” (Machado de Assis)
“Quem sabe se o gigante Piaimã, comedor de gente...” (Mário de Andrade)

Retificação: como a palavra diz, consiste em retificar uma afirmação anterior. Exemplos:
É uma joia, ou melhor, uma preciosidade, esse quadro.
O síndico, aliás, uma síndica muito gentil não sabia como resolver o caso.
“O país andava numa situação política tão complicada quanto a de agora. Não, minto. Tanto não.”
(Raquel de Queiroz)
“Tirou, ou antes, foi-lhe tirado o lenço da mão.” (Machado de Assis)
“Ronaldo tem as maiores notas da classe. Da classe? Do ginásio!” (Geraldo França de Lima)

Questões
01. (DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – TÉCNICO SUPERIOR
ESPECIALIZADO EM BIBLIOTECONOMIA – FGV/2014 - adaptada). Ao dizer que os shoppings são
“cidades”, o autor do texto faz uso de um tipo de linguagem figurada denominada
(A) metonímia.
(B) eufemismo.
(C) hipérbole.
(D) metáfora.
(E) catacrese.

02. (PREFEITURA DE ARCOVERDE/PE - ADMINISTRADOR DE RECURSOS HUMANOS –


CONPASS/2014) Identifique a figura de linguagem presente na tira seguinte:

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(A) metonímia
(B) prosopopeia
(C) hipérbole
(D) eufemismo
(E) onomatopeia

03. (CASAL/AL - ADMINISTRADOR DE REDE - COPEVE/UFAL/2014)

Está tão quente que dá para fritar um ovo no asfalto.

O dito popular é, na maioria das vezes, uma figura de linguagem. Entre as 14h30min e às 15h desta
terça-feira, horário do dia em que o calor é mais intenso, a temperatura do asfalto, medida com um
termômetro de contato, chegou a 65ºC. Para fritar um ovo, seria preciso que o local alcançasse
aproximadamente 90 ºC.
Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br. Acesso em: 22 jan. 2014.

O texto cita que o dito popular “está tão quente que dá para fritar um ovo no asfalto” expressa uma
figura de linguagem. O autor do texto refere-se a qual figura de linguagem?
(A) Eufemismo.
(B) Hipérbole.
(C) Paradoxo.
(D) Metonímia.
(E) Hipérbato.

04. (SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA/PI – ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL – UESPI/2014).


A linguagem por meio da qual interagimos no nosso dia a dia pode revestir-se de nuances as mais
diversas: pode apresentar-se em sentido literal, figurado, metafórico. A opção em cujo trecho utilizou-se
linguagem metafórica é
(A) O equilíbrio ou desequilíbrio depende do ambiente familiar.
(B) Temos medo de sair às ruas.
(C) Nestes dias começamos a ter medo também dentro dos shoppings.
(D) Somos esse novelo de dons.
(E) As notícias da imprensa nos dão medo em geral.

05. (SECRETARIA DE ESTADO DE DEFESA SOCIAL/MG – AGENTE DE SEGURANÇA


SOCIOEDUCATIVO – IBFC/2014) No verso “Essa dor doeu mais forte”, pode-se perceber a presença de
uma figura de linguagem denominada:
(A) ironia
(B) pleonasmo
(C) comparação
(D) metonímia

Respostas

01. Resposta D
A metáfora consiste em retirar uma palavra de seu contexto convencional (denotativo) e transportá-la
para um novo campo de significação (conotativa), por meio de uma comparação implícita, de uma
similaridade existente entre as duas.
(Fonte:http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/metafora-figura-de-palavra-variacoes-e-exemplos.htm)

02. Resposta D
“Eufemismo = é o emprego de uma expressão mais suave, mais nobre ou menos agressiva, para
comunicar alguma coisa áspera, desagradável ou chocante”. No caso da tirinha, é utilizada a expressão
“deram suas vidas por nós” no lugar de “que morreram por nós”.

03. Resposta B
A expressão é um exagero! Ela serve apenas para representar o calor excessivo que está fazendo. A
figura que é utilizada “mil vezes” (!) para atingir tal objetivo é a hipérbole.

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04. Resposta D
A alternativa que apresenta uma linguagem metafórica (figurada) é a que emprega o termo “novelo”
fora de seu contexto habitual (novelo de lã, por exemplo), representando, aqui, um emaranhado, um
monte, vários dons.

05. Resposta B
Repetição de ideia = pleonasmo (essa dor doeu).

Variação linguística: marcas linguísticas que evidenciam o


locutor e o interlocutor do texto; marcas linguísticas ou
situações de uso que singularizam as variedades
linguísticas sociais, regionais e de registro

“Há uma grande diferença se fala um deus ou um herói; se um velho amadurecido ou um jovem
impetuoso na flor da idade; se uma matrona autoritária ou uma dedicada; se um mercador errante ou um
lavrador de pequeno campo fértil (...)”

Todas as pessoas que falam uma determinada língua conhecem as estruturas gerais, básicas, de
funcionamento podem sofrer variações devido à influência de inúmeros fatores. Tais variações, que às
vezes são pouco perceptíveis e outras vezes bastante evidentes, recebem o nome genérico de
variedades ou variações linguísticas.
Nenhuma língua é usada de maneira uniforme por todos os seus falantes em todos os lugares e em
qualquer situação. Sabe-se que, numa mesma língua, há formas distintas para traduzir o mesmo
significado dentro de um mesmo contexto. Suponham-se, por exemplo, os dois enunciados a seguir:

Veio me visitar um amigo que eu morei na casa dele faz tempo.


Veio visitar-me um amigo em cuja casa eu morei há anos.
Qualquer falante do português reconhecerá que os dois enunciados pertencem ao seu idioma e têm o
mesmo sentido, mas também que há diferenças. Pode dizer, por exemplo, que o segundo é de uma
pessoa mais “estudada”.
Isso é prova de que, ainda que intuitivamente e sem saber dar grandes explicações, as pessoas têm
noção de que existem muitas maneiras de falar a mesma língua. É o que os teóricos chamam de variações
linguísticas.
As variações que distinguem uma variante de outra se manifestam em quatro planos distintos, a saber:
fônico, morfológico, sintático e lexical.

Variações Fônicas

São as que ocorrem no modo de pronunciar os sons constituintes da palavra. Os exemplos de variação
fônica são abundantes e, ao lado do vocabulário, constituem os domínios em que se percebe com mais
nitidez a diferença entre uma variante e outra. Entre esses casos, podemos citar:
- a queda do “r” final dos verbos, muito comum na linguagem oral no português: falá, vendê, curti (em
vez de curtir), compô.
- o acréscimo de vogal no início de certas palavras: eu me alembro, o pássaro avoa, formas comuns
na linguagem clássica, hoje frequentes na fala caipira.
- a queda de sons no início de palavras: ocê, cê, ta, tava, marelo (amarelo), margoso (amargoso),
características na linguagem oral coloquial.
- a redução de proparoxítonas a paroxítonas: Petrópis (Petrópolis), fórfi (fósforo), porva (pólvora), todas
elas formas típicas de pessoas de baixa condição social.
- A pronúncia do “l” final de sílaba como “u” (na maioria das regiões do Brasil) ou como “l” (em certas
regiões do Rio Grande do Sul e Santa Catarina) ou ainda como “r” (na linguagem caipira): quintau, quintar,
quintal; pastéu, paster, pastel; faróu, farór, farol.

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- deslocamento do “r” no interior da sílaba: largato, preguntar, estrupo, cardeneta, típicos de pessoas
de baixa condição social.

Variações Morfológicas

São as que ocorrem nas formas constituintes da palavra. Nesse domínio, as diferenças entre as
variantes não são tão numerosas quanto as de natureza fônica, mas não são desprezíveis. Como
exemplos, podemos citar:
- o uso do prefixo hiper- em vez do sufixo -íssimo para criar o superlativo de adjetivos, recurso muito
característico da linguagem jovem urbana: um cara hiper-humano (em vez de humaníssimo), uma prova
hiperdifícil (em vez de dificílima), um carro hiperpossante (em vez de possantíssimo).
- a conjugação de verbos irregulares pelo modelo dos regulares: ele interviu (interveio), se ele manter
(mantiver), se ele ver (vir) o recado, quando ele repor (repuser).
- a conjugação de verbos regulares pelo modelo de irregulares: vareia (varia), negoceia (negocia).
- uso de substantivos masculinos como femininos ou vice-versa: duzentas gramas de presunto
(duzentos), a champanha (o champanha), tive muita dó dela (muito dó), mistura do cal (da cal).
- a omissão do “s” como marca de plural de substantivos e adjetivos (típicos do falar paulistano): os
amigo e as amiga, os livro indicado, as noite fria, os caso mais comum.
- o enfraquecimento do uso do modo subjuntivo: Espero que o Brasil reflete (reflita) sobre o que
aconteceu nas últimas eleições; Se eu estava (estivesse) lá, não deixava acontecer; Não é possível que
ele esforçou (tenha se esforçado) mais que eu.

Variações Sintáticas

Dizem respeito às correlações entre as palavras da frase. No domínio da sintaxe, como no da


morfologia, não são tantas as diferenças entre uma variante e outra. Como exemplo, podemos citar:
- o uso de pronomes do caso reto com outra função que não a de sujeito: encontrei ele (em vez de
encontrei-o) na rua; não irão sem você e eu (em vez de mim); nada houve entre tu (em vez de ti) e ele.
- o uso do pronome lhe como objeto direto: não lhe (em vez de “o”) convidei; eu lhe (em vez de “o”) vi
ontem.
- a ausência da preposição adequada antes do pronome relativo em função de complemento verbal:
são pessoas que (em vez de: de que) eu gosto muito; este é o melhor filme que (em vez de a que) eu
assisti; você é a pessoa que (em vez de em que) eu mais confio.
- a substituição do pronome relativo “cujo” pelo pronome “que” no início da frase mais a combinação
da preposição “de” com o pronome “ele” (=dele): É um amigo que eu já conhecia a família dele (em vez
de cuja família eu já conhecia).
- a mistura de tratamento entre tu e você, sobretudo quando se trata de verbos no imperativo: Entra,
que eu quero falar com você (em vez de contigo); Fala baixo que a sua (em vez de tua) voz me irrita.
- ausência de concordância do verbo com o sujeito: Eles chegou tarde (em grupos de baixa extração
social); Faltou naquela semana muitos alunos; Comentou-se os episódios.

Variações Léxicas

É o conjunto de palavras de uma língua. As variantes do plano do léxico, como as do plano fônico, são
muito numerosas e caracterizam com nitidez uma variante em confronto com outra. Eis alguns, entre
múltiplos exemplos possíveis de citar:
- a escolha do adjetivo maior em vez do advérbio muito para formar o grau superlativo dos adjetivos,
características da linguagem jovem de alguns centros urbanos: maior legal; maior difícil; Esse amigo é
um carinha maior esforçado.
- as diferenças lexicais entre Brasil e Portugal são tantas e, às vezes, tão surpreendentes, que têm
sido objeto de piada de lado a lado do Oceano. Em Portugal chamam de cueca aquilo que no Brasil
chamamos de calcinha; o que chamamos de fila no Brasil, em Portugal chamam de bicha; café da manhã
em Portugal se diz pequeno almoço; camisola em Portugal traduz o mesmo que chamamos de suéter,
malha, camiseta.

Designações das Variantes Lexicais:

- Arcaísmo: diz-se de palavras que já caíram de uso e, por isso, denunciam uma linguagem já
ultrapassada e envelhecida. É o caso de reclame, em vez de anúncio publicitário; na década de 60, o

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rapaz chamava a namorada de broto (hoje se diz gatinha ou forma semelhante), e um homem bonito era
um pão; na linguagem antiga, médico era designado pelo nome físico; um bobalhão era chamado de coió
ou bocó; em vez de refrigerante usava-se gasosa; algo muito bom, de qualidade excelente, era supimpa.

- Neologismo: é o contrário do arcaísmo. Trata-se de palavras recém-criadas, muitas das quais mal
ou nem entraram para os dicionários. A moderna linguagem da computação tem vários exemplos, como
escanear, deletar, printar; outros exemplos extraídos da tecnologia moderna são mixar (fazer a
combinação de sons), robotizar, robotização.

- Estrangeirismo: trata-se do emprego de palavras emprestadas de outra língua, que ainda não foram
aportuguesadas, preservando a forma de origem. Nesse caso, há muitas expressões latinas, sobretudo
da linguagem jurídica, tais como: habeas-corpus (literalmente, “tenhas o corpo” ou, mais livremente,
“estejas em liberdade”), ipso facto (“pelo próprio fato de”, “por isso mesmo”), ipsis litteris (textualmente,
“com as mesmas letras”), grosso modo (“de modo grosseiro”, “impreciso”), sic (“assim, como está
escrito”), data venia (“com sua permissão”).
As palavras de origem inglesas são inúmeras: insight (compreensão repentina de algo, uma percepção
súbita), feeling (“sensibilidade”, capacidade de percepção), briefing (conjunto de informações básicas),
jingle (mensagem publicitária em forma de música).
Do francês, hoje são poucos os estrangeirismos que ainda não se aportuguesaram, mas há
ocorrências: hors-concours (“fora de concurso”, sem concorrer a prêmios), tête-à-tête (palestra particular
entre duas pessoas), esprit de corps (“espírito de corpo”, corporativismo), menu (cardápio), à la carte
(cardápio “à escolha do freguês”), physique du rôle (aparência adequada à caracterização de um
personagem).

- Jargão: é o vocabulário típico de um campo profissional como a medicina, a engenharia, a


publicidade, o jornalismo. No jargão médico temos uso tópico (para remédios que não devem ser
ingeridos), apneia (interrupção da respiração), AVC ou acidente vascular cerebral (derrame cerebral). No
jargão jornalístico chama-se de gralha, pastel ou caco o erro tipográfico como a troca ou inversão de uma
letra. A palavra lide é o nome que se dá à abertura de uma notícia ou reportagem, onde se apresenta
sucintamente o assunto ou se destaca o fato essencial. Quando o lide é muito prolixo, é chamado de
nariz-de-cera. Furo é notícia dada em primeira mão. Quando o furo se revela falso, foi uma barriga. Entre
os jornalistas é comum o uso do verbo repercutir como transitivo direto: __ Vá lá repercutir a notícia de
renúncia! (esse uso é considerado errado pela gramática normativa).

- Gíria: é o vocabulário especial de um grupo que não deseja ser entendido por outros grupos ou que
pretende marcar sua identidade por meio da linguagem. Existe a gíria de grupos marginalizados, de
grupos jovens e de segmentos sociais de contestação, sobretudo quando falam de atividades proibidas.
A lista de gírias é numerosíssima em qualquer língua: ralado (no sentido de afetado por algum prejuízo
ou má-sorte), ir pro brejo (ser malsucedido, fracassar, prejudicar-se irremediavelmente), cara ou cabra
(indivíduo, pessoa), bicha (homossexual masculino), levar um lero (conversar).

- Preciosismo: diz-se que é preciosista um léxico excessivamente erudito, muito raro, afetado:
Escoimar (em vez de corrigir); procrastinar (em vez de adiar); discrepar (em vez de discordar); cinesíforo
(em vez de motorista); obnubilar (em vez de obscurecer ou embaçar); conúbio (em vez de casamento);
chufa (em vez de caçoada, troça).

- Vulgarismo: é o contrário do preciosismo, ou seja, o uso de um léxico vulgar, rasteiro, obsceno,


grosseiro. É o caso de quem diz, por exemplo, de saco cheio (em vez de aborrecido), se ferrou (em vez
de se deu mal, arruinou-se), feder (em vez de cheirar mal), ranho (em vez de muco, secreção do nariz).

Tipos de Variação

Não tem sido fácil para os estudiosos encontrar para as variantes linguísticas um sistema de
classificação que seja simples e, ao mesmo tempo, capaz de dar conta de todas as diferenças que
caracterizam os múltiplos modos de falar dentro de uma comunidade linguística. O principal problema é
que os critérios adotados, muitas vezes, se superpõem, em vez de atuarem isoladamente.
As variações mais importantes, para o interesse do concurso público, são os seguintes:

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- Sócio-Cultural: Esse tipo de variação pode ser percebido com certa facilidade. Por exemplo, alguém
diz a seguinte frase:

“Tá na cara que eles não teve peito de encará os ladrão.” (frase 1)

Que tipo de pessoa comumente fala dessa maneira? Vamos caracterizá-la, por exemplo, pela sua
profissão: um advogado? Um trabalhador braçal de construção civil? Um médico? Um garimpeiro? Um
repórter de televisão?
E quem usaria a frase abaixo?

“Obviamente faltou-lhe coragem para enfrentar os ladrões.” (frase 2)

Sem dúvida, associamos à frase 1 os falantes pertencentes a grupos sociais economicamente mais
pobres. Pessoas que, muitas vezes, não frequentaram nem a escola primária, ou, quando muito, fizeram-
no em condições não adequadas.
Por outro lado, a frase 2 é mais comum aos falantes que tiveram possibilidades sócio-econômicas
melhores e puderam, por isso, ter um contato mais duradouro com a escola, com a leitura, com pessoas
de um nível cultural mais elevado e, dessa forma, “aperfeiçoaram” o seu modo de utilização da língua.
Convém ficar claro, no entanto, que a diferenciação feita acima está bastante simplificada, uma vez
que há diversos outros fatores que interferem na maneira como o falante escolhe as palavras e constrói
as frases. Por exemplo, a situação de uso da língua: um advogado, num tribunal de júri, jamais usaria a
expressão “tá na cara”, mas isso não significa que ele não possa usá-la numa situação informal
(conversando com alguns amigos, por exemplo).
Da comparação entre as frases 1 e 2, podemos concluir que as condições sociais influem no modo de
falar dos indivíduos, gerando, assim, certas variações na maneira de usar uma mesma língua. A elas
damos o nome de variações sócio-culturais.

- Geográfica: é, no Brasil, bastante grande e pode ser facilmente notada. Ela se caracteriza pelo
acento linguístico, que é o conjunto das qualidades fisiológicas do som (altura, timbre, intensidade),
por isso é uma variante cujas marcas se notam principalmente na pronúncia. Ao conjunto das
características da pronúncia de uma determinada região dá-se o nome de sotaque: sotaque mineiro,
sotaque nordestino, sotaque gaúcho etc. A variação geográfica, além de ocorrer na pronúncia, pode
também ser percebida no vocabulário, em certas estruturas de frases e nos sentidos diferentes que
algumas palavras podem assumir em diferentes regiões do país.
Leia, como exemplo de variação geográfica, o trecho abaixo, em que Guimarães Rosa, no conto “São
Marcos”, recria a fala de um típico sertanejo do centro-norte de Minas:

“__ Mas você tem medo dele... [de um feiticeiro chamado Mangolô!].
__ Há-de-o!... Agora, abusar e arrastar mala, não faço. Não faço, porque não paga a pena... De
primeiro, quando eu era moço, isso sim!... Já fui gente. Para ganhar aposta, já fui, de noite, foras d’hora,
em cemitério... (...). Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito, gosta de se comparecer. Hoje, não,
estou percurando é sossego...”
- Histórica: as línguas não são estáticas, fixas, imutáveis. Elas se alteram com o passar do tempo e
com o uso. Muda a forma de falar, mudam as palavras, a grafia e o sentido delas. Essas alterações
recebem o nome de variações históricas.
Os dois textos a seguir são de Carlos Drummond de Andrade. Neles, o escritor, meio em tom de
brincadeira, mostra como a língua vai mudando com o tempo. No texto I, ele fala das palavras de
antigamente e, no texto II, fala das palavras de hoje.

Texto I

Antigamente

Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e prendadas. Não fazia
anos; completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhes
pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E se levantam tábua, o
remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. (...) Os mais idosos, depois da janta,
faziam o quilo, saindo para tomar a fresca; e também tomava cautela de não apanhar sereno. Os mais
jovens, esses iam ao animatógrafo, e mais tarde ao cinematógrafo, chupando balas de alteia. Ou

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sonhavam em andar de aeroplano; os quais, de pouco siso, se metiam em camisas de onze varas, e até
em calças pardas; não admira que dessem com os burros n’agua.
(...) Embora sem saber da missa a metade, os presunçosos queriam ensinar padre-nosso ao vigário,
e com isso punham a mão em cumbuca. Era natural que com eles se perdesse a tramontana. A pessoa
cheia de melindres ficava sentida com a desfeita que lhe faziam quando, por exemplo, insinuavam que
seu filho era artioso. Verdade seja que às vezes os meninos eram mesmo encapetados; chegavam a pitar
escondido, atrás da igreja. As meninas, não: verdadeiros cromos, umas teteias.
(...) Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os meninos, lombrigas; asthma os gatos, os
homens portavam ceroulas, bortinas a capa de goma (...). Não havia fotógrafos, mas retratistas, e os
cristãos não morriam: descansavam.
Mas tudo isso era antigamente, isto é, doutora.

Texto II

Entre Palavras

Entre coisas e palavras – principalmente entre palavras – circulamos. A maioria delas não figura nos
dicionários de há trinta anos, ou figura com outras acepções. A todo momento impõe-se tornar
conhecimento de novas palavras e combinações.
Você que me lê, preste atenção. Não deixe passar nenhuma palavra ou locução atual, pelo seu ouvido,
sem registrá-la. Amanhã, pode precisar dela. E cuidado ao conversar com seu avô; talvez ele não entenda
o que você diz.
O malote, o cassete, o spray, o fuscão, o copião, a Vemaguet, a chacrete, o linóleo, o nylon, o nycron,
o ditafone, a informática, a dublagem, o sinteco, o telex... Existiam em 1940?
Ponha aí o computador, os anticoncepcionais, os mísseis, a motoneta, a Velo-Solex, o biquíni, o
módulo lunar, o antibiótico, o enfarte, a acupuntura, a biônica, o acrílico, o ta legal, a apartheid, o som
pop, as estruturas e a infraestrutura.
Não esqueça também (seria imperdoável) o Terceiro Mundo, a descapitalização, o desenvolvimento,
o unissex, o bandeirinha, o mass media, o Ibope, a renda per capita, a mixagem.
Só? Não. Tem seu lugar ao sol a metalinguagem, o servomecanismo, as algias, a coca-cola, o
superego, a Futurologia, a homeostasia, a Adecif, a Transamazônica, a Sudene, o Incra, a Unesco, o
Isop, a Oea, e a ONU.
Estão reclamando, porque não citei a conotação, o conglomerado, a diagramação, o ideologema, o
idioleto, o ICM, a IBM, o falou, as operações triangulares, o zoom, e a guitarra elétrica.
Olhe aí na fila – quem? Embreagem, defasagem, barra tensora, vela de ignição, engarrafamento,
Detran, poliéster, filhotes de bonificação, letra imobiliária, conservacionismo, carnet da girafa, poluição.
Fundos de investimento, e daí? Também os de incentivos fiscais. Knon-how. Barbeador elétrico de
noventa microrranhuras. Fenolite, Baquelite, LP e compacto. Alimentos super congelados. Viagens pelo
crediário, Circuito fechado de TV Rodoviária. Argh! Pow! Click!
Não havia nada disso no Jornal do tempo de Venceslau Brás, ou mesmo, de Washington Luís. Algumas
coisas começam a aparecer sob Getúlio Vargas. Hoje estão ali na esquina, para consumo geral. A
enumeração caótica não é uma invenção crítica de Leo Spitzer. Está aí, na vida de todos os dias. Entre
palavras circulamos, vivemos, morremos, e palavras somos, finalmente, mas com que significado?
(Carlos Drummond de Andrade, Poesia e prosa,
Rio de Janeiro, Nova Aguiar, 1988)

- De Situação: aquelas que são provocadas pelas alterações das circunstâncias em que se desenrola
o ato de comunicação. Um modo de falar compatível com determinada situação é incompatível com outra:

Ô mano, ta difícil de te entendê.

Esse modo de dizer, que é adequado a um diálogo em situação informal, não tem cabimento se o
interlocutor é o professor em situação de aula.
Assim, um único indivíduo não fala de maneira uniforme em todas as circunstâncias, excetuados
alguns falantes da linguagem culta, que servem invariavelmente de uma linguagem formal, sendo, por
isso mesmo, considerados excessivamente formais ou afetados.
São muitos os fatores de situação que interferem na fala de um indivíduo, tais como o tema sobre o
qual ele discorre (em princípio ninguém fala da morte ou de suas crenças religiosas como falaria de um
jogo de futebol ou de uma briga que tenha presenciado), o ambiente físico em que se dá um diálogo (num

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templo não se usa a mesma linguagem que numa sauna), o grau de intimidade entre os falantes (com
um superior, a linguagem é uma, com um colega de mesmo nível, é outra), o grau de comprometimento
que a fala implica para o falante (num depoimento para um juiz no fórum escolhem-se as palavras, num
relato de uma conquista amorosa para um colega fala-se com menos preocupação).
As variações de acordo com a situação costumam ser chamadas de níveis de fala ou, simplesmente,
variações de estilo e são classificadas em duas grandes divisões:
- Estilo Formal: aquele em que é alto o grau de reflexão sobre o que se diz, bem como o estado de
atenção e vigilância. É na linguagem escrita, em geral, que o grau de formalidade é mais tenso.
- Estilo Informal (ou coloquial): aquele em que se fala com despreocupação e espontaneidade, em que
o grau de reflexão sobre o que se diz é mínimo. É na linguagem oral íntima e familiar que esse estilo
melhor se manifesta.
Como exemplo de estilo coloquial vem a seguir um pequeno trecho da gravação de uma conversa
telefônica entre duas universitárias paulistanas de classe média, transcrito do livro Tempos Linguísticos,
de Fernando Tarallo. As reticências indicam as pausas.

Eu não sei tem dia... depende do meu estado de espírito, tem dia que minha voz... mais ta assim,
sabe? taquara rachada? Fica assim aquela voz baixa. Outro dia eu fui lê um artigo, lê?! Um menino lá
que faiz pós-graduação na, na GV, ele me, nóis ficamo até duas hora da manhã ele me explicando toda
a matéria de economia, das nove da noite.

Como se pode notar, não há preocupação com a pronúncia nem com a continuidade das ideias, nem
com a escolha das palavras. Para exemplificar o estilo formal, eis um trecho da gravação de uma aula de
português de uma professora universitária do Rio de Janeiro, transcrito do livro de Dinah Callou. A
linguagem falada culta na cidade do Rio de Janeiro. As pausas são marcadas com reticências.

o que está ocorrendo com nossos alunos é uma fragmentação do ensino... ou seja... ele perde a noção
do todo... e fica com uma série... de aspectos teóricos... isolados... que ele não sabe vincular a realidade
nenhuma de seu idioma... isto é válido também para a faculdade de letras... ou seja... né? há uma série...
de conceitos teóricos... que têm nomes bonitos e sofisticados... mas que... na hora de serem
empregados... deixam muito a desejar...

Nota-se que, por tratar-se de exposição oral, não há o grau de formalidade e planejamento típico do
texto escrito, mas trata-se de um estilo bem mais formal e vigiado que o da menina ao telefone.

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