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V CONALI - Congresso Nacional de Linguagens em Interação

Múltiplos Olhares
25, 26 e 27 de setembro de 2017
ISSN: 1981-8211

CADERNO DE RESUMOS
V CONALI - Congresso Nacional de Linguagens em
Interação
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V CONALI - Congresso Nacional de Linguagens em Interação
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25, 26 e 27 de setembro de 2017
ISSN: 1981-8211

COMISSÃO ORGANIZADORA

Coordenadora
Profa. Dra. Marcele Aires Franceschini (DTL/UEM)

Membros da Comissão
Profa. Dra. Aldinéia Cardoso Arantes da Silva (DTL/UEM)
Prof. Dr. Edson Carlos Romualdo (DTL/UEM)
Profa. Dra. Flávia Zanutto (DTL/UEM)
Prof. Dr. Márcio Roberto do Prado (DTL/UEM)
Prof. Me. Pedro Afonso Barth (DTL/UEM)
Prof. Dr. Ricardo Augusto de Lima (DTL/UEM)
Profa. Dra. Lilian Cristina Marins (DLM/UEM)
Profa. Dra. Vera Helena Gomes Wielewicki (DLM/UEM)
Profa. Dra. Luciana Dias Di Raimo (DLP/UEM)
Profa. Dra. Roselene de Fátima Coito (DLP/UEM)

Membro externo
Prof. Me. Jefferson Gustavo dos Santos Campos
(Unifamma)

Suplentes
Prof. Dr. Neil Armstrong Franco de Oliveira (DTL/UEM)
Profa. Dra. Luciana Cabrini Simões Calvo (DLM/UEM)
Profa. Dra. Roselene de Fátima Coito (DLP/UEM)

Secretária
Hilda de Carvalho (DTL)

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INDÍCE GERAL

SIMPÓSIOS DE LINGUÍSTICA............................................................................................................... 34
SIMPÓSIO 1) Linguagens e discursos nas relações de poder/saber da atualidade ...................... 35
1) O cuidado de si foucaultiano e o capital cultural bourdieusiano na publicidade: convergências no
ensino-aprendizagem da língua inglesa ....................................................................................................... 35
2) Análise de uma série discursiva: correção à escrita em língua inglesa feita pela cantora
Anitta em Maringá ...................................................................................................................................... 36
3) O sujeito no acontecimento “Jogo da baleia azul” ........................................................................ 37
4) Os enunciados “É golpe” e “Não é golpe” e os efeitos de sentido no discurso político da
presidenta Dilma Rousseff em seu processo de impeachment ......................................................... 38
5) Discurso e gênero: um estudo de caso sobre a mulher executiva em capas das revistas
Você S/A e Exame ..................................................................................................................................... 39
6) A circulação de discursos e constituição de verdades sobre o feminismo no Facebook....... 41
7) O saber econômico como fruto da estratégia retórica a produzir efeitos de verdade: o uso da
antítese no discurso econômico de John Maynard Keynes.......................................................................... 42
8) A estratégia biopolítica na dimensão da deficiência: corpos, discursos e práticas ................. 43
9) Dispositivo religioso: um mecanismo de leitura nas pinturas de Marianna Gartner................ 45
10) Objetivação da sexualidade de idoso ............................................................................................... 46
RESUMO 11 ............................................................................................................................................... 47
12) O Escola sem partido como nome próprio ................................................................................. 47
13) As condições de produção e a discursividade nos arranjos e na melodia de canções do
Engenheiros do Hawaii ................................................................................................................................. 48
14) As relações de saber e poder na constituição da ciência da linguagem .............................. 49
15) Nós Discursivos e Subjetivos que Prendem/libertam a Mulher Negra no Quarto de
Despejo........................................................................................................................................................ 50
16) Estupro contra a mulher: um movimento de desconstrução de discursos ...................................... 52
17) Práticas discursivas de objetivação/subjetivação do/sobre o idoso na internet .................. 53

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18) Arqueologia do corpo feminino de uma virgem juramentada ......................................................... 54


19) Discurso, velhice e anormalidade no filme O curioso caso de Benjamim Button (2008) ... 55
20) Resistência e poder no sujeito Helen Keller .............................................................................. 57
21) Um olhar analítico sobre o discurso de inclusão .............................................................................. 58
22) A “Maringá-Menina” e as porungas rio abaixo, dois discursos se confrontam no
nascimento de uma cidade....................................................................................................................... 59
23) O discurso do magistrado e a construção dialógica no discurso decisório: relações de aproximação
ou de distanciamento? ................................................................................................................................. 60
24) O entre-lugar no discurso das “Reflexões Pedagógicas sobre o ensino da EJA”: Relação
de Poder-Saber .......................................................................................................................................... 62
SIMPÓSIO 2) Linguística funcional: análises e perspectivas da língua em uso ............................. 63
1) Sobreposição semântica no conectivo “quando”: Uma análise em ocorrências na Ação
Penal 470 (caso Mensalão)...................................................................................................................... 64
2) Os usos e as relações de sentido estabelecidas pelas sentenças adverbiais: Um estudo
funcionalista à par do gênero discursivo jornalístico matéria ............................................................. 65
3) O uso de portanto no português brasileiro e no português africano ................................................... 66

4) As orações adverbiais hipotáticas concessivas na construção e argumentatividade textual .............. 67

5) Introdução, manutenção e retomada de tópicos discursivos na fala de professoras


universitárias ............................................................................................................................................... 69
6) Aspectos sintáticos de construções tanto que no português brasileiro............................................... 70
7) A Modalização Deôntica e a Modalização Epistêmica no discurso de posse do Presidente
Michel Temer .............................................................................................................................................. 71
8) A análise da (in)coerência do psicótico pela perspectiva funcionalista ............................................... 72

RESUMO 9 .................................................................................................................................................. 73

10) Usos epistêmicos e não epistêmicos do verbo modal poder em entrevistas jornalísticas do espanhol73
SIMPÓSIO 3) Diferentes tratamentos às classes de palavras e categorias gramaticais ............... 75
1) Adjetivo e substantivo: dificuldades de classificação no ensino de língua portuguesa ....................... 75
2) O passado linguístico pela via da História Social da Língua .................................................................. 76
3) Gramáticas revisitadas: a noção de sujeito ................................................................................... 77
4) A categoria gênero e a representação de homens e de mulheres no português brasileiro ................ 78
5) Uma proposta descritiva para organização das classes gramaticais ........................................ 80

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6) Análise de sentimentos: uma análise da polaridade do discurso por meio dos recursos linguísticos ..... 81
7) Relação entre aspecto verbal e finalidade argumentativa no gênero Resposta argumentativa
...................................................................................................................................................................... 82
8) Gramática descritiva, gramática normativa e classes gramaticais – a construção de uma
gramática pedagógica ............................................................................................................................... 84
9) A categoria gramatical de gênero no Latim: itinerários entre o linguístico e o cultural ........... 85
10) A posição do sujeito em orações interrogativas –wh no Português Clássico .......................... 86
11) Composicionalidade de locuções conjuntivas do português brasileiro............................................ 88
12) Descrição morfossintática do verbo no Kaingang ............................................................................ 88
SIMPÓSIO 4) Múltiplas discursividades em cenário social, midiático e artístico ............................ 90
1) Que leitura te move? ............................................................................................................................ 90
2) Deus na visão de Carlos Ruas no blogue “Um sábado qualquer” ............................................. 91
3) O não-dito e o silenciado: a resistência à Ditadura nas/pelas charges de Ziraldo no Pasquim ........... 92
4) Jogos de imagens do sujeito brasileiro nos pronunciamentos de Dilma e Temer frente ao
impeachment .............................................................................................................................................. 93
5) Interdiscurso: análise de propagandas segundo Mangueneau ............................................................ 94
6) Cultura pop e Feminismo: um percurso das imagens da mulher nas canções de Beyoncé . 95
7) South Park na “evidência” do dizer: o politicamente incorreto ........................................................... 96
8) Entre o artista e o artesão: ao significar suas obras, Hélio Leites se significa ...................................... 98
9) O político em funcionamento na materialidade artística pela composição cultura-popular-
religião ......................................................................................................................................................... 99
10) O entrelaçamento das formações discursivas no texto de teatro O balcão ................................. 100
11) Eu falo o que eu querer............................................................................................................... 101
12) Análise do discurso feminista em páginas do Facebook ................................................................ 102
SIMPÓSIO 5) Pesquisas e estudos em Letramentos ........................................................................ 103
1) Projetos de letramento e o ensino de língua materna no ensino fundamental: uma proposta
com jornal escolar .................................................................................................................................... 104
2) Letramento escolar: Uma proposta de leitura crítica......................................................................... 105
3) Práticas de Letramento acadêmico e aprendizagem de alunos do curso de Letras de uma
universidade pública paranaense .......................................................................................................... 106
4) Por que o inglês é a língua franca da academia? ...................................................................... 108

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5) Letramento e educação do campo: um olhar sobre a formação de educadores e educadoras do


PROCAMPO/UNEAL .................................................................................................................................... 109
6) Articulações teórico-metodológicas do Letramento a partir dos eixos de ensino-
aprendizagem de Língua Materna ........................................................................................................ 110
7) Letramento Literário: o conto como instrumento ........................................................................ 112
8) Alfabetização, letramento e linguística: um entrelace ................................................................ 113
9) Modelos culturais na escrita escolar ............................................................................................. 114
10) Jovens leitores reescrevem a sociedade: a leitura de textos sincréticos como
possibilidade de crítica e ação social ................................................................................................... 115
11) A reprodução de estigmas nos letramentos: análise das práticas de linguagem segundo
os gêneros sociais ................................................................................................................................... 117
12) Alfabetização e letramento: implicações para uma aprendizagem significativa ................ 119
13) Singularidades e letramento situado: os usos sociais da escrita em uma escola do campo
120
14) A relação do letramento literário no ambiente escolar com a formação de leitores críticos ........ 121
15) Letramentos escolares: relações de poder, autoridade e identidades ............................... 122
SIMPÓSIO 6) Recursos linguísticos e discursivos na argumentação ............................................. 124
1) Em meio ao riso: uma análise da representação social do professor ........................................ 124
2) Homem x Mulher: estereótipos “livres” no campo do humor........................................................ 125
3) A ideologia política na manchete do gênero notícia marcada pelos recursos argumentativos
.................................................................................................................................................................... 126
4) História e memória na crônica de Machado de Assis: um estudo dos recursos linguístico-
argumentativos ......................................................................................................................................... 127
5) Aspectos cognitivos da referenciação em textos argumentativos ............................................... 128
6) Contribuições da linguística textual para o revisor de textos ....................................................... 129
7) O hífen como recurso ortográfico e morfossemântico .................................................................. 130
8) Pronomes indefinidos e referência ................................................................................................... 131
9) Foucault e o discurso religioso: ordenação e funcionamento ...................................................... 133
SIMPÓSIO 7) Gêneros discursivos/textuais nas práticas sociais e de ensino: objetos de
descrição e de implementação didático-pedagógica ......................................................................... 134
1) O cognitivo e o ético na abordagem do gênero: uma proposta dialógica de análise
linguística .................................................................................................................................................. 134

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2) Construção de gêneros discursivos/textuais enquanto práticas sociais no contexto atual:


para além das práticas de ensino tradicionais .................................................................................... 135
3) Operações linguístico-discursivas na reescrita do gênero Conto de Mistério........................ 136
4) Práticas de ensino de língua materna: o que sabem os professores? ....................................... 137
5) O infográfico é (ou não) um gênero? ............................................................................................... 139
6) Análise da produção e reescrita textual nos anos iniciais: uma prática necessária ................. 140
7) Prática de análise linguística: reflexões sobre os elementos linguístico-discursivos em textos
do gênero Regras de Jogo ..................................................................................................................... 141
8) O trabalho com o tema do texto no 5º ano do Ensino Fundamental: uma proposta de
investigação de respostas discursivas escritas em oficinas de leitura ............................................ 142
9) Práticas de escrita no PIBID em sala de aula: relação com o conceito de gênero discursivo143
10) Marcas de estilo na produção dos gêneros 'carta aberta', 'carta de reclamação' e 'carta de
solicitação' em textos de alunos do Ensino Médio ............................................................................. 144
11) Concepções de leitura na prova de Redação do gênero textual Resumo............................... 145
12) A escrita do gênero discursivo carta pessoal no ensino fundamental enquanto atividade
dialógica .................................................................................................................................................... 146
13) Os aspectos sociais do gênero em atividades elaboradas por graduandos e pós-graduandos
em Letras .................................................................................................................................................. 147
14) Gênero Fábula: uma proposta de leitura e análise linguística ................................................... 148
15) Percepções das noções de gênero discursivo e de texto: um estudo comparativo entre as
formações inicial e continuada............................................................................................................... 150
16) HQs e Inglês: Uma proposta didática de ensino de língua inglesa por meio do gênero ....... 151
17) O gênero artigo de opinião em situação de vestibular ................................................................ 152
18) O sistema da projeção e a articulação de vozes no gênero notícia atributiva online ............ 153
19) A dificuldade de escrita do gênero fábula na escola ................................................................... 154
20) O processo de reescrita nas aulas do gênero resumo escolar ................................................. 156
21) O gênero ensaio: da esfera jornalística para a produção escrita de acadêmicos de Letras 157
22) A Linguística Contrastiva como aliada nas aulas de língua estrangeira moderna da
Educação Básica ..................................................................................................................................... 158
23) Uma proposta de ensino de leitura sobre o Gênero discursivo Canção: sincretismo entre a
linguagem verbal e a linguagem musical ............................................................................................. 159
24) Memórias literárias: um trabalho significativo de leitura e escrita em turmas de 7º. ano ...... 160

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25) A prática da escrita revelada no gênero crônica: entre nuances literárias e jornalísticas ..... 161
26) Gêneros do jornalismo cultural: bases para a produção textual escrita em curso de Letras162
27) Novela gráfica e algumas contribuições para a leitura e interpretação de textos
quadrinísticos............................................................................................................................................ 164
28) Ensino Escolar de Produção de Textos e a Consideração de Atividades Microtextuais ...... 165
29) A instrução ao sósia: a manifestação de um gênero na esfera acadêmica e seu potencial
formativo .................................................................................................................................................... 166
30 Leitura crítica de textos sob um viés dialógico: um possível encaminhamento ....................... 167
SIMPÓSIO 8) Lexicologia e terminologia: diálogos e interfaces ...................................................... 169
1) O léxico toponímico: nomes de motivações de natureza antropocultural atribuídos aos
municípios de Alagoas ............................................................................................................................ 170
2) A religiosidade na toponímia paranaense: primeiras reflexões ................................................ 171
3) A ocorrência de variação denominativa do termo “Agronegócios” em um corpus
semiespecializado. .................................................................................................................................. 172
4) Terminologia do Direito do Consumidor: Análise da variação denominativa ......................... 173
5) Coleta, etiquetagem e manipulação de corpus para a elaboração de um dicionário
Terminológico da Energia Eólica ........................................................................................................... 174
6) A elaboração do dicionário de energia hidráulica ....................................................................... 175
7) As marcas da fronteira na alimentação de paraguaios radicados em Aral Moreira-Brasil e
Departamento Santa Virgínia-Paraguai................................................................................................ 179
8) A retratação dos esquilos-europeus na tradução do léxico da obra Harry Potter and the
Philosopher’s Stone para o português brasileiro ................................................................................ 180
9) Estruturas de acesso à informação lexicográfica em dicionários eletrônicos de espanhol:
uma análise do potencial didático ......................................................................................................... 181
SIMPÓSIO 9) Para além do original: a tradução sob múltiplos olhares ......................................... 183
1) Carnaval pra inglês ver: uma análise tradutória do roteiro dos desfiles das escolas de
samba do Rio............................................................................................................................................ 183
2) Entre o metro e a ideologia: o caso de “La Malinconia”, de Umberto Saba ........................... 185
3) Expansão interpretativa e tradução: pluralidade e descentrismo............................................. 186
4) A tradução em Derrida: (des)caminhos para além de “Torres de Babel” ............................... 187
5) Da tela para o papel: um estudo sobre o seriado Supernatural ............................................... 188
6) Tradução de filmes no ensino de língua estrangeira ................................................................. 189

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7) A tradução interlingual e intersemiótica de Língua Inglesa: uma abordagem do livro O


menino do pijama listrado (2014) .......................................................................................................... 190
8) Breve percurso da história das traduções da bíblia até A Mensagem: contextualização
teórica e histórica ..................................................................................................................................... 191
9) Tradução cultural: Efeitos de sentido em “O Pistoleiro” (2004), de Stephen King ................ 192
10) Extraordinary tales: Edgar Allan Poe e o ensino de literatura via tradução na escola
pública........................................................................................................................................................ 193
11) Do jogo ao cinema: a tradução intersemiótica de Warcraft para a mídia cinematográfica
194
12) Uma análise da adaptação do texto literário Frankenstein, de Mary Shelley, para a versão
cinematográfica Mary Shelley’s Frankenstein ..................................................................................... 196
13) Ensino de língua inglesa e tradução: análise do interdiscurso em um blog jornalístico com
"dicas de inglês" ....................................................................................................................................... 197
14) The help: uso de traduções de textos literários na sala de aula .......................................... 198
15) A Revolução dos Bichos: do papel à tela................................................................................. 199
16) Ensino de Tradução para Secretariado – Um estudo sobre suas possíveis perspectivas e
abordagens ............................................................................................................................................... 200
17) Ka tū te ihi-ihi/ ka tū te wana-wana: o que acontece quando a Disney traduz para as telas
um semideus polinésio? ......................................................................................................................... 201
18) Shakespeare no meio do quê? ....................................................................................................... 202
19) O filme Little Women e a sobrevida do romance homônimo via adaptação cinematográfica
.................................................................................................................................................................... 204
20) Literatura e cinema: processos tradutórios do livro The boy in the stryped pyjama para o
filme homônimo ........................................................................................................................................ 205
21) Traduções bíblicas em linguagem contemporânea no Brasil: contextualização histórica .... 206
22) A canção e sua versão: procedimentos de adaptação/tradução nas canções de desenhos de
princesas do estúdio Disney .................................................................................................................. 207
23) Tradução e evolução: A transmissão cultural através da seleção literária ............................. 208
24) Merlim, uma adaptação bíblica de Robert de Boron ................................................................... 209
SIMPÓSIO 10) Tecnologias, ensino de línguas, políticas linguísticas e educacionais: ecos na
formação de professores ........................................................................................................................ 210
1) O uso das TIC na aprendizagem de línguas: limites e potencialidades da telecolaboração
no ensino médio profissionalizante ....................................................................................................... 211

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2) Avaliação de proficiência linguística e a formação de professores de LI ............................... 212


3) Língua portuguesa ou línguas em português? A proposta da lusofonia ................................. 213
RESUMO 4 ............................................................................................................................................... 214
5) Três práticas democráticas para o fomento de políticas educacionais - uma abordagem para
a proposição de políticas públicas a partir do público........................................................................ 214
6) A tecnologia na formação (continuada) do professor de inglês: potencializando o ensino e a
aprendizagem ........................................................................................................................................... 216
7) Ecos do programa paraná fala inglês: uma análise das notíciais oficiais e expectativas de
envolvidos no programa.......................................................................................................................... 217
8) Política linguística e formação de professores de línguas: bases conceituais e propostas
práticas com vistas ao engajamento..................................................................................................... 218
SIMPÓSIO 11) Reflexões sobre o ensino de linguagens nos cursos técnicos do IFPR .............. 220
1) Língua, variação e livro didático .................................................................................................... 220
2) Reescrevendo o futuro: a escrita como instrumento de inclusão no IFPR ............................. 221
3) Redação Interativa: uma proposta de aprimoramento da escrita para estudantes do ensino
médio ......................................................................................................................................................... 222

4) A produção textual no ensino médio nas instituições federais, estaduais e privadas. O que o
ENEM nos revela? ................................................................................................................................... 223
SIMPÓSIO 12) Ensino-aprendizado de língua estrangeira moderna no contexto brasileiro....... 226
1) O ensino-aprendizagem do gênero história em quadrinhos em espanhol ............................. 226
2) O ensino-aprendizado de língua estrangeira na era da mobilidade: o uso de dispositivos
móveis........................................................................................................................................................ 227
3) O uso de estratégias de aprendizagem no desenvolvimento da autonomia do aprendiz de
língua inglesa............................................................................................................................................ 228
4) Ensino de Língua Espanhola e PTD em Cena de rua ............................................................... 230
5) A internacionalização do ensino superior e o ensino de inglês nas séries iniciais: um estudo
de caso em um município do norte do estado do Paraná ................................................................. 231
6) O corpus como ferramenta de análise de elementos gramaticais em redações em língua
inglesa de alunos universitários............................................................................................................. 232
7) Passos e possibilidades para ensinar língua e literatura através das histórias em quadrinhos
– Conhecendo Miguel de Cervantes e sua obra: Dom Quijote ........................................................ 233

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SIMPÓSIO 13) Formação de professores e ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras:


diferentes olhares e múltiplas perspectivas ......................................................................................... 235
1) Marcas de linguagem lúdica em aulas de língua inglesa .......................................................... 235
2) Cuentacuentos: contribuições do teatro para o desenvolvimento da competência
comunicativa ............................................................................................................................................. 236
3) A língua Dothraki como LE: contrastes fonológicos com o Inglês como LM .......................... 237
4) Dúvidas na formação docente: o que e como ensinar a língua estrangeira? ........................ 239
5) PIBID e PROINTE em foco: construção identitária e aprendizagem do professor de língua
inglesa em espaços extracurriculares .................................................................................................. 241
6) Vivências de alunos ingressantes e formandos do curso de Letras: aprendizagem e
desenvolvimento da identidade docente .............................................................................................. 242
7) A identidade docente em um curso de Letras português-inglês .............................................. 243
8) O Celin e a sua contribuição com a formação de futuros professores de língua inglesa .... 244
9) Inglês como Língua Franca: algumas considerações a respeito da análise de um livro
didático ...................................................................................................................................................... 245
10) Elaboração de roteiro didático com unidades do PPPLE: espaço de formação continuada
para o professor ....................................................................................................................................... 246
11) A reflexão no estágio de docência em língua inglesa: contribuições de uma instrução ao
sósia 247
12) O Pibid-Letras/Inglês na formação docente continuada ........................................................ 248
13) Ensino de Língua Inglesa na educação básica pública: implicações sobre a (des)
valorização do idioma no atual cenário educacional .......................................................................... 249
14) Expectativa x realidade: os (per)cursos do professor em formação docente inicial nas
oficinas do Pibid ....................................................................................................................................... 250
15) O ensino por tarefas na formação inicial de professores em língua inglesa a distância:
possíveis encaminhamentos .................................................................................................................. 251
16) Bases de conhecimento docente em língua inglesa: a perspectiva de professores em
formação docente inicial no contexto do Pibid .................................................................................... 253
17) O inglês na escola pública funciona? - um relato de experiência, a partir da “amostragem
de tarefas” em LE, numa escola pública do município de Arapiraca (AL) ...................................... 254
18) A identidade do professor de língua Inglesa em busca de formação continuada: Sua
relação com o exame de proficiência Teaching Knowledge Test (TKT) de Cambridge ............... 255

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19) Proficiência leitora em língua inglesa: uma análise longitudinal dos testes ofertados pelo TEPLE
256
SIMPÓSIO 14) O Texto como Objeto: análises em perspectivas da linguística textual e da
linguística enunciativa ............................................................................................................................. 258
1) As limitações do código braille no universo multimodal ............................................................ 258
2) Intertextualidade e argumentação no gênero notícia no webjornalismo alagoano ............... 259
3) As representações do sujeito leitor idoso sob o Mangá “Zetsuen no Tempest”: uma
adaptação da peça “Tempestade” de Shakeaspere .......................................................................... 260
4) As categorias de pessoas como referência na enunciação ...................................................... 261
5) Polifonia e monofonia em reportagem da revista ACIM: “A Maringá da Diversidade”.......... 262
6) O “recadinho” nos gifs: uma reflexão sobre o reagrupamento de valores através da
entonação no comentário-réplica .......................................................................................................... 263
7) Os emojis em interações do Whatsapp: uma comparação entre produções de língua inglesa
e portuguesa ............................................................................................................................................. 264

8) Sociedades do conhecimento e as TICs na educação: intertextualidade e polifonia nos discursos do


porvir e na unesco ...................................................................................................................................... 265
9) Essa Coca-Cola é Fanta: suporte e produção de sentidos na campanha publicitária do Dia
Internacional do Orgulho LGBT .................................................................................................................. 267
10) O dialogismo, a interdiscursividade e a ideologia no discurso político .......................................... 268
11) A relação entre destinador/destinatário e enunciador/enunciatário no processo de leitura . 269
12) A condução ética na Revista Veja: os movimentos dialógicos e a reportagem enquanto
gênero discursivo ..................................................................................................................................... 270
13) Comando de produção escrita em livro didático do ensino fundamental: uma análise sob a
perspectiva dos gêneros discursivos .................................................................................................... 271
SIMPÓSIO 15) O discurso da violência e a Violência do Discurso ................................................. 273
1) Os discursos sobre a mulher em notícias online acerca da violência de gênero .................. 273
2) Marginalidade e violência: representações da linguagem agressiva no teatro de Plínio
Marcos ....................................................................................................................................................... 275
3) A escolha lexical na construção do discurso da violência ......................................................... 276
4) A “escrevivência” da violência em Maria, de Conceição Evaristo ............................................ 277
5) Ciça e a docilidade frente à violência contra a criança no Brasil ............................................. 278
SIMPÓSIO 16) Letramento e línguas indígenas na prática pedagógica .................................. 279

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1) Árvores Nativas no Pirajuí no Ensino Escolar ............................................................................. 279


2) A importância da religião indígena Guarani: aprendizagem das tradições e costumes dentro
e fora da Casa de Reza .......................................................................................................................... 280
3) Os conhecimentos tradicionais e universais na escola indígena: relato de experiência do
projeto Pibid Diversidade ........................................................................................................................ 281
4) A Contribuição da EaD Para a Formação de Professores Indígenas no Paraná .................. 283
5) Educação Escolar Indígena: fortalecimento da Educação Intercultural Bilíngue .................. 284

6) A função social da escrita e os jogos na alfabetização da criança indígena ......................... 285

7) O letramento na educação escolar indígena: possibilidades de aquisição e uso da linguagem


escrita ........................................................................................................................................................ 286
8) O Dialogismo entre as Línguas Indígenas e a Língua do Estrangeiro .................................... 287
SIMPÓSIO 17) Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem no Ensino Superior: estratégias e
ações ......................................................................................................................................................... 290
1) Crenças linguísticas de alunos sobre a língua portuguesa no âmbito da EAD ..................... 290
2) A construção identitária e cultural do sujeito no contexto da educação a distância ............. 291
3) A Educação a Distância e as Tecnologias Educacionais: apresentação do Grupo de
Pesquisa GPEaDTEC ............................................................................................................................. 292
SIMPÓSIO 18) Práticas escritas: da educação infantil à educação em nível universitário ......... 294
1) Acentuação gráfica na escrita inicial: a circulação da criança por práticas de letramento de e
oralidade .................................................................................................................................................... 294
2) O texto no processo de alfabetização: concepções e práticas docentes ............................... 296
3) Passos e impasses na utilização de enunciados escritos por crianças para pesquisa
científica .................................................................................................................................................... 296
4) A Atuação da Instituição Escolar na Emergência de Oscilação no Endereçamento de
Enunciados Infantis ................................................................................................................................. 298
5) A escrita acadêmica na formação de professores: entre realidade e expectativas .............. 299
6) Fronteiras entre o materno e o estrangeiro vistas a partir de rasuras ..................................... 300
7) Rasuras na dimensão ortográfica da escrita infantil .................................................................. 301
8) O caráter múltiplo das línguas na escrita infantil ........................................................................ 303
9) Translineação: marcas de heterogeneidade em enunciados escritos infantis....................... 304
10) Práticas de letramento, TIC e autonomia em contexto universitário ................................... 305

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11) Linha Braille: o romper da barreira comunicacional no contexto escolar ........................... 307
12) Fronteiras entre o estrangeiro e o materno na produção escrita em Inglês por
Acadêmicos do Curso de Letras/Inglês ................................................................................................ 308
13) Hipossegmentações e instâncias enunciativas: uma investigação a partir dos
constituintes Frase Entoacional (Φ) e Enunciado Fonológico (U) ................................................... 310
14) Grafias não convencionais em enunciados infantis e o conflito com a variação linguística
311

15) Rasuras presentes em produções escritas de uma turma do Ensino Fundamental II ..... 313

SIMPÓSIO 19) Ensino de língua estrangeira frente às dificuldades de aprendizagem ............... 314
1) Conhecer para compreender: uma análise do filme “A Chegada” como metáfora da relação
professor/aluno disléxico ........................................................................................................................ 314
2) Ensino de língua inglesa na educação de surdos: mapeando pesquisas, avanços e lacunas
no contexto brasileiro .............................................................................................................................. 316
3) Reflexões sobre o processo de aprendizagem de alunos com dificuldades: um ensino plural e ‘multi’
de língua inglesa ......................................................................................................................................... 317
SIMPÓSIO 20) Oralidade e gêneros orais em sala de aula: interações e diálogos ............... 318
1) Gênero textual entrevista telejornalística e ensino da língua portuguesa ........................................ 318
2) Influências da oralidade na escrita: análise dos processos de transferência da oralidade para
a escrita na produção de textos das séries iniciais ............................................................................ 319
3) Uma abordagem interdisciplinar de análise do texto falado em contextos forenses: a
preservação da face no Tribunal do Júri .............................................................................................. 320
4) Gênero textual entrevista em livros didáticos de língua portuguesa no ensino fundamental II e
médio .......................................................................................................................................................... 321
5) Turnos iniciados pelo marcador conversacional “well” em interações forenses .................... 323
6) Oralidade formal nas aulas de Língua Portuguesa: um caminho a percorrer .................................... 324
7) A influência da contação de histórias e leitura dramática na formação do cidadão.............. 325
8) Produção de seminários acadêmicos em contexto universitário: um hipergênero textual multimodal
em foco ....................................................................................................................................................... 326
9) Os marcadores discursivos “well”, “you know” e “I mean”: uma análise da língua inglesa
falada em contextos políticos ................................................................................................................. 327
10) O uso de perguntas prefaciadas pelo marcador "so" no contexto forense ......................... 328
SIMPÓSIO 21) Diferentes formas do discurso urbano: a linguagem, o político e o silêncio ....... 330

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1) Discursos urbanos dos/sobre os sujeitos negros do Ciclo do Marabaixo macapaense: o jogo


discursivo em funcionamento em versos de um “ladrão de marabaixo” ......................................... 330
2) Inês de Castro e Coimbra: um mito sempre em construção no espaço urbano .................... 331

3) Facebook e linchamentos: uma análise de discurso na rede ................................................... 333

4) A des-transformação da ideologia: uma leitura digital da cidade ............................................. 334


5) Jornalismo des-conhecido: o silêncio que significa o Caribe.................................................... 335
6) Encontros entre Amarildo e Haiti: o(s) percurso(s) de uma hashtag ....................................... 337
7) Memória e visibilidade de autores em Angoulême, a capital dos quadrinhos........................ 339
8) Signos envolvidos na construção colaborativa do entorno urbano: interpretando os
argumentos de mediação digital, pelo viés da semiótica de C.S. Peirce. ...................................... 340
9) Continuum espacial ......................................................................................................................... 341
10) Ocupar é resistir? Questões (im)pertinentes em movimento ................................................ 342

11) Imagem, Cidade e Resistência ........................................................................................................ 344

SIMPÓSIO 22) A constituição e a (re)constituição da linguagem em indivíduos com deficiência


intelectual .................................................................................................................................................. 345
1) Uso de linguagem verbal e não verbal na escrita inicial do parágrafo por estudantes com
dificuldades intelectuais de aprendizagem .......................................................................................... 345
2) A Neurolinguística Discursiva em Foco: um estudo sobre a apraxia de fala em uma criança
com síndrome de down ........................................................................................................................... 346
3) Estimulação fonoaudiológica de crianças com síndrome de Down por meio da
Musicoterapia ........................................................................................................................................... 347
4) Caracterização de alguns aspectos da linguagem oral e escrita de crianças com síndrome
de Down .................................................................................................................................................... 349
SIMPÓSIO 23) Análise do discurso em manifestações artísticas: Foucault e Bakhtin ................ 350
1) Formação Discursiva: o que pode e deve ser dito sobre Ana e Catarina ............................... 350
2) O Corpo Cinematográfico como Prática Discursiva no Processo de Normalização das
Relações Homoafetivas .......................................................................................................................... 351
3) Banner publicitário: o discurso e o acontecimento ..................................................................... 352
4) As relações de poder e os multiletramentos: uma possibilidade de leitura sobre o feminismo negro
353
5) Estratégias, táticas e resistência(s) em A Girl walks home alone at night: usos do véu islâmico ...... 355

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6) O cuidado de si: uma análise acerca da defesa pela castidade masculina na obra Virgeu de
Consolaçon ................................................................................................................................................. 356
7) O Discurso foucaultiano e a MPB no contexto ditatorial ................................................................... 357
8) Efeitos de verdade e poder em iconografias acerca da beleza feminina ............................... 358
9) Bakhtin e Ferreira Gullar – o conflito das vozes no poema “Não Há Vagas” ......................... 359
10) No livro-imagem “O cântico dos cânticos”: o ser da literatura ...................................................... 360
SIMPÓSIO 24) Língua e ensino: práticas reais e possíveis ............................................................. 361
1) O potencial educativo do dialogismo bakhtiniano em aulas de língua inglesa ...................... 362
2) Proposta de aula de leitura no Ensino Fundamental: gêneros discursivos manchete de
notícia e letra de música ......................................................................................................................... 363

3) A tira cômica no livro didático ........................................................................................................ 364

4) A memória, a (re)construção das identidades na pós-modernidade e uma proposta de


intervenção na escola com a novela gráfica Persépolis de Marjane Satrapi ................................. 365
5) As pesquisas colaborativas e seus desdobramentos no ensino de Língua Portuguesa...... 367
6) Multimodalidade e microtextos: novas possibilidades para a produção e leitura da crônica
contemporânea em sala de aula ........................................................................................................... 368
7) Processos fonológicos: marcas orais nas alterações de escrita em textos de aprendizes do
ensino fundamental II .............................................................................................................................. 369
8) Dinâmicas de Grupo Para se Fazer na Escola ........................................................................... 370
9) Leitura literária no Ensino Fundamental II: estudo de caso das concepções e práticas em
uma escola na cidade de Jaboti – PR .................................................................................................. 372
10) A leitura no ensino fundamental: uma proposta didática ....................................................... 373
11) Textualidades e escrita acadêmica: redimensionamentos epistemológicos em um curso
de graduação em Pedagogia ................................................................................................................. 374
12) A Influência da Internet nas Variações Linguísticas: Produção e Escrita ........................... 376
13) A leitura numa perspectiva discursiva: reflexões sobre as atividades de leitura no livro
didático do Ensino Fundamental ........................................................................................................... 377
14) As atividades (não) realizadas com a linguagem em livros didáticos de Língua
Portuguesa ................................................................................................................................................ 378
15) Tecendo estratégias de leitura para construção de sentidos na crônica de Stanislaw
Ponte Preta ............................................................................................................................................... 379
SIMPÓSIO 25) Variação linguística e ensino .................................................................................. 381

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1) Ensino de língua portuguesa no Brasil: reflexões acerca da língua materna e da língua


madrasta.................................................................................................................................................... 382
2) A variação linguística na fala do homem gay: análise de aspectos fonéticos no quadro Aula
de bichês da MTV .................................................................................................................................... 382
3) A elipse do sujeito pronominal de primeira pessoa .................................................................... 383
4) A variação no uso dos róticos condicionada pelo fator grau de formalidade ......................... 385
5) Estratégias de indeterminação do sujeito na linguagem falada ............................................... 386
6) Sociolinguística Educacional: a variação linguística como ferramenta de ensino da produção
textual ........................................................................................................................................................ 387
7) Análise de textos escritos de alunos do Programa de Aceleração de Estudos: uma
abordagem do ensino de língua materna pautada na Sociolinguística Educacional .................... 388
9) Crenças linguísticas de alunos sobre a língua portuguesa no âmbito da EAD ..................... 390

10) Variação linguística em livros didáticos de Língua Portuguesa para as séries iniciais do
Ensino Fundamental................................................................................................................................ 391
11) Crenças Linguísticas e Ensino de Língua Portuguesa na Escola Pública ......................... 392
12) Os processos fonéticos-fonológicos presentes nas produções orais e escritas de alunos
do ensino fundamental ............................................................................................................................ 393
13) Uma abordagem acerca das variações da língua e do preconceito linguístico no ensino
de Língua Portuguesa ............................................................................................................................. 394
14) Norma(s) Linguística(s) e ensino de Língua Portuguesa ...................................................... 395
SIMPÓSIO 26) O ensino de Língua espanhola na diversidade repensando a heterogeneidade
de funções da língua ............................................................................................................................... 397
1) Desenvolvendo a aprendizagem do espanhol dos negócios: constituição histórica e
pesquisas sobre o laboratório de línguas ............................................................................................ 397
2) A extensão universitária na Unespar e o perfil de seus acadêmicos: analisando o ensino de
língua espanhola do âmbito dos negócios........................................................................................... 398
3) A compreensão auditiva na aula de espanhol no ensino médio: o enfoque na diversidade
linguística e cultural ................................................................................................................................. 399
4) Língua espanhola em contextos específicos: debantendo os diferentes propósitos de sua
função ........................................................................................................................................................ 401
5) O ensino da língua espanhola no contexto de Secretariado Executivo: uma reflexão sobre
as formas da língua e as representações sobre a secretária em uma telenovela colombiana ... 402

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6) Um estudo sobre as crenças e atitudes linguísticas de estudantes do 3º ano do Ensino


Médio sobre a língua espanhola ........................................................................................................... 403
7) O ensino/aprendizagem de espanhol por meio de consignas elaboradas para as provas do
DELE .......................................................................................................................................................... 404
8) As variantes lexicais da língua espanhola em dicionários bilíngues português-espanhol: um
estudo do tratamento lexicográfico no campo semântico dos alimentos ........................................ 406
9) A tradução no ensino de língua espanhola: mapeando as consignas de um material didático
407
SIMPÓSIO 27) Experiências de formação acadêmica: a introdução à pesquisa e iniciação à
docência .................................................................................................................................................... 408
1) Análise de uma aula de gramática ................................................................................................ 408
2) Leitura interdisciplinar: uma proposta pedagógica para a autonomia do indivíduo .............. 409
3) O gênero discursivo miniconto multimodal: uma abordagem Bakhtiniana ............................. 411

4) Que professor de português queremos formar? (Uma análise das provas que contratam
professores de português para lecionarem na educação básica) ................................................... 412
5) Experiência do PIBID Interdisciplinar: cartas mágicas a 801 ................................................... 413
6) Planejamento e ensino de literatura no ensino médio: um relato da experiência de estágio
supervisionado ......................................................................................................................................... 415
7) Abordagem do gênero crônica em atividades de leitura em livros didáticos de língua
portuguesa ................................................................................................................................................ 416
8) A importância de refletir sobre a prática no ensino de língua portuguesa .............................. 417
9) Reflexões acerca da ação docente no desenvolvimento de um curso de extensão no Pibid
418

10) Literatura e valores: uma experiência literária na formação de alunos da educação infantil
420
11) Leitura Literária: perspectivas sobre o mundo ........................................................................ 421
12) A reescrita de gênero acadêmico: o desenvolvimento do aluno .......................................... 422
SIMPÓSIO 28) Por uma análise do discurso contemporânea: governamentalidade, sujeito,
língua(gem) ............................................................................................................................................... 424
1) Relações de Sofrimento e Prazer no ambiente de trabalho: uma análise discursiva do
profissional de secretariado ................................................................................................................... 425
2) Olhares de silêncio: o sujeito corpo punido ................................................................................. 426

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3) Processos de subjetivação dos sujeitos do cárcere brasileiro. ................................................ 427


4) O homem transexual em discurso na e pela mídia brasileira contemporânea ...................... 428
5) As relações de poder na construção de sentidos através do discurso fílmico em O Auto da
Compadecida............................................................................................................................................ 429
6) A identidade brasileira nas práticas de letramento da área do Design de Interiores ............ 431
7) Letramento escolar: processo constituinte da formação social do sujeito indígena ............. 432
8) “O amor 60+”: o idoso na capa de Donna.................................................................................... 433
9) Os contornos do biopoder e da biopolítica na adoção do português como língua oficial e de
ensino em Moçambique .......................................................................................................................... 434
10) Copacabana Palace: um olhar sob os elementos de significação e representação de
identidades ................................................................................................................................................ 436
11) Regimes de (in)visibilidade identitária no Ensino Básico moçambicano: (des)encontros
entre nacionalidade e etnicidade......................................................................................................... 437
12) Processos de governamentalidade no vestibular para os povos indígenas no paraná: uma
trajetória teórico-analítica ....................................................................................................................... 438
13) O digital como prática-pedagógica inovadora em comunidade indígena do Paraná:
métodos teórico-analíticos ...................................................................................................................... 440
14) “Nossos corpos têm mais vida, nossas vidas mais amores”?: representações do corpo
transgênero masculino no cinema ........................................................................................................ 441
SIMPÓSIO 29) Análises discursivas de diferentes materialidades: conceitos e diálogos ........... 443
1) Do Old Scholl ao Cool: formações discursivas no processo de leitura de capas de discos de
RAP ............................................................................................................................................................ 443
2) A influência da posição social na produção do Artigo de Opinião ........................................... 444
3) O corpo como materialidade discursiva em protestos do grupo feminista FEMEN .............. 446
4) Relações entre forma-sujeito e posição-sujeito no discurso bíblico ........................................ 447
5) O político e as redes sociais: as imagens de si e novos meios ............................................... 448
6) Memes e o(s) discurso(s) nas redes sociais virtuais.................................................................. 449
7) Leitura discursiva e práticas escolares: uma abordagem de textos midiáticos ..................... 450
8) Como pensar a constituição do saber ao historiar uma ideia linguística? Refletindo sobre a
categoria “tempo” nos Estudos da Linguagem.................................................................................... 452

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9) Questões sobre ética e moral discursivas nas propagandas governamentais sobre a


Reforma do Ensino Médio: os abusos de palavras e o os efeitos do deslocamento do termo
“reforma” para “novo” .............................................................................................................................. 453
10) Os sentidos de Autoria no discurso científico: uma análise do Author’s Guide na revista
científica Nature ....................................................................................................................................... 455
11) Análises discursivas de diferentes materialidades: incorporação de ethos............................. 456
12) As representações discursivas e considerações sobre autoria nas redações em contexto de
vestibular ................................................................................................................................................... 457
13) Análise de Discurso aplicada ao ensino de práticas de leitura a partir de gêneros
jornalísticos presentes em livro didático............................................................................................... 459
14) Ensino a distância: efeitos de presencialização...................................................................... 460
RESUMO 15 ............................................................................................................................................. 461
SIMPÓSIO 31) Desafios e possibilidades para o ensino de inglês e espanhol para alunos com
necessidades educacionais especiais: aspectos teóricos e metodológicos .................................. 462
1) Mapeando o ensino-aprendizagem de língua inglesa para alunos surdos em Pato
Branco/PR ................................................................................................................................................. 462
2) Balanço de teses e dissertações nas áreas de Educação e Letras/Linguística sobre o
ensino/aprendizagem de inglês para alunos com deficiência .................................................................... 463
SIMPÓSIO 32) O Saussure dos Manuscritos e algumas (re)visões da linguística contemporânea
em cursos de letras ................................................................................................................................. 465
1) A diacronia e sincronia no Curso de Linguística Geral ........................................................................ 465

2) De l’essence double du language e Notes pour un livre sur la linguistique générale 10.f:
uma associação possível entre manuscritos saussurianos .............................................................. 466
3) O signo em Saussure: resquícios de uma conceituação........................................................... 468
4) Saussure, a fala, o discurso e o objeto da Linguística ............................................................... 469
5) Literatura e Linguística: Um encontro entre Saussure, Jakobson e Guimarães Rosa. ........ 470
6) A dicotomia langue e parole nas obras Curso de Linguística Geral e Escritos de Linguística Geral, de
Ferdinand de Saussure ............................................................................................................................... 472
7) A dicotomia do Signo Linguístico nas obras Curso de Linguística Geral e Escritos de Linguística Geral,
de Ferdinand de Saussure .......................................................................................................................... 473
8) O conceito em movimento .............................................................................................................. 474

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9) Saussure entre o Curso de Linguística Geral e os Escritos de Linguística Geral - Língua, Fala e a
Linguagem................................................................................................................................................... 475
SIMPÓSIOS DE LITERATURA............................................................................................................. 477
SIMPÓSIO 1) Sui Caedere: reflexões sobre suicídio e literatura..................................................... 478
1) A Poética do Vazio em Jerusalém, de Gonçalo Tavares .......................................................... 478
2) Angústia/ Suicídio em Jerusalém ........................................................................................................ 479
3) O caráter na obra Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares .............................................................. 481
4) Psicanalisando a Literatura: A Ideação Suicida de ERNEST no Romance Jerusalém ........ 482

5) Vazio e Suicídio em Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares ..................................................................... 483

6) Artaud e a Fabricação da Loucura e do Suicídio ................................................................................. 484


7) O “Suicídio Falho” em The Bell Jar, de Sylvia Plath ............................................................................ 485
8) O Vazio Existencial e a Morte em Um homem: Klaus Klump, de Gonçalo M. Tavares ...................... 486
9) Sobre Suicídio e Literatura: Possíveis Operadores de Leitura ................................................. 487
10) Os Lusíadas e Mensagem: Um Estudo Comparatista ........................................................... 488
11) A arena infernal de Stavróguin: suicídio e dialogismo n’Os demônios de Dostoiévski .... 490
12) Das Experiências de Vazio à Tentação do Suicídio: Jerusalém de Gonçalo M. Tavares 491
13) Assim na Vida como na Ficção: a Literatura como Forma de Expressão da Angústia
Existencial na Obra de Horácio Quiroga .............................................................................................. 492
14) O Amor Suicida e a Palavra Poética no Romantismo............................................................ 494
15) A Autobiografia e as Memórias em “O olho de Vidro do meu Avô”, de Bartolomeu Campos De
Queirós ....................................................................................................................................................... 496
16) O Suicídio de Judas Iscariotes: Representações Bíblicas da Morte ................................... 497
17) A Morte (antes da morte) em Last Days, de Gus Van Sant ............................................................ 498
18) A Negação do Vazio no Conto: Sobre as Origens (pouco visíveis) de um Suicídio, de
Gonçalo M. Tavares ................................................................................................................................ 499
19) Entre a Vida e a Morte em A Desumanização, de Valter Hugo Mãe .............................................. 500
20) Temas Polêmicos na Literatura Infantil e Juvenil: Percepções Sobre o Suicídio em Crianças e
Jovens 501
21) Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares: O Vazio e o Suicídio Mesclado de Loucura e
Sanidade ................................................................................................................................................... 502

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SIMPÓSIO 2) Literatura latino-americana: diálogos em perspectivas comparativas ................... 504


1) O Contexto Histórico das “Órfãs da Rainha” em Desmundo (1996), um Romance Histórico
Contemporâneo de Mediação ................................................................................................................ 504
2) As Memórias da Ditadura em K. – Relato de uma Busca, de Bernardo Kucinski ................. 506
3) A Fotografia como Reconstrução do Passado em Relato de um Certo Oriente, de Milton
Hatoum ...................................................................................................................................................... 508
4) Os Vestígios da Biografia em O Ateneu, de RAUL POMPEIA: As Marcas de um “Pacto
Autobiográfico” ......................................................................................................................................... 510
5) Os Percursos da Memória em Ainda Estou Aqui, de Marcelo Rubens Paiva ........................ 511
6) Considerações Histórico-Literárias sobre a Revolução Haitiana em El Reino de este Mundo
(2012 [1949]), de Alejo Carpentier ........................................................................................................ 513
7) Na Maria De Jesus Ribeiro: Trajetória das Imagens Ficcionais Desconstrutivas e Mediativas
de Anita Garibaldi .................................................................................................................................... 514
8) Literatura Espanhola e Latino-Americana: Símbolos, Religiosidade e Culturas
Transtemporais ........................................................................................................................................ 515
9) Conflitos Territoriais entre Paraguaios e Brasiguaios em Xirú, de Damián Cebrera ............ 516
10) O Paradoxo Civilização x Bárbarie no Conto – Amar a Un Hombre Feo – O Insólito do
Amor na História e Ficção da América Latina ..................................................................................... 517
11) Uma (re)leitura da Colonização Brasileira em A Mãe da Mãe da Sua Mãe e Suas Filhas
(2002): Um Romance de Mediação ...................................................................................................... 519
12) A Conquista da Europa no Teatro Histórico: Uma Leitura de Los Indios Estaban Cabreros
520
13) Jornalismo e Ficção em Foco nas Obras Latino-Americanas de Gabriel Garcías Márquez
e Fernando Morais ................................................................................................................................... 521
14) Entre o Revisitar e o Recriar da História Nacional: A Segunda Pátria, de Miguel Sanches
Neto 522
15) A Construção Discursiva sobre Simón Bolívar em La Carroza de Bolívar (2012), de Evelio
Rosero ....................................................................................................................................................... 523
16) A Palavra Armada em Menina, de Paulo Stucchi: a Guerra do Paraguai como pretexto 525
17) O romance histórico: uma trajetória em fases e modalidades – um caminho de
descolonização para a América Latina................................................................................................. 526
18) “Grupos simétricos en Poesía” (1958) y “La Masa sonora del poema sus organizaciones
vocálicas” (1986): consideraciones sobre la obra crítica e poética de Idea Vilariño..................... 527

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19) Feliz ano velho, a maldição de Funes ...................................................................................... 528


20) La noche de los feos: uma análise Literária e Semiótica ...................................................... 530
SIMPÓSIO 3) Literatura e mídias visuais: relações e interfaces ..................................................... 531
1) Shakespeare na Contemporaneidade: Analisando a Característica das Oposições na
Adaptação Fílmica Macbeth ................................................................................................................... 531
2) Soldados de Salamina: uma análise de três possibilidades de tradução intersemiótica ..... 533
3) A Transposição de Personagens do Romance Orgulho e Preconceito (1813) para a
Websérie The Lizzie Bennet Diaries (2012): Um processo de (re)interpretação e (re)criação ... 534
4) Considerações Acerca do Narrador em Heart of Darkness e Apocalypse Now .................... 535
5) Romance falhado? A escrita “não criativa” de Luci Collin ......................................................... 536
6) Do Argumento Roteirístico ao Filme: Uma Transmutação ........................................................ 537
SIMPÓSIO 4) Após o dilúvio, travessias do fim: teoria, interpretação e problematização .......... 538
1) A violência objetiva por meio da homotextualidade em caio fernando abreu ........................ 538
2) Era Uma Vez Três Mulheres em Duas Páginas no canto “Amuadinho” de Terras do Sem fim
de Jorge Amado ....................................................................................................................................... 540
3) As Formas de “Apropriação-do-mundo” em A Passagem Tensa dos Corpos ....................... 540
4) Debaixo do véu: ocultação e foraclusão em Pirlimpsiquice (1962), de Guimarães Rosa .... 542
5) Do Simbólico ao Imaginário: O Real de Policarpo Quaresma a partir do Materialismo
Lacaniano .................................................................................................................................................. 542
6) Mito familiar da ideologia em Admirável mundo novo, de Aldous Huxley: possibilidades de
diálogo entre Ferenc Fehér e Slavoj Zizek .......................................................................................... 544
7) A Insustentável Leveza do Ser e Suas Relações com o Poético: Da Narrativa Fílmica ao
Cinema de Poesia.................................................................................................................................... 545
8) Distopia e Pós-utopia: Uma Perspectiva de Análise de Farenheit 451 ................................... 546
9) Agenciamento Interpassivo: Considerações Sobre o Ambiente Ficcional de Imersão do
Jogo Game of Thrones ........................................................................................................................... 547
10) Desvelando os Quitutes: Um Estudo do Narrador na Obra A Deliciosa e Sangrenta
Aventura Latina de Jane Spitfire de Augusto Boal ............................................................................. 548
11) Não Verás País Nenhum: As Questões Ecológicas e suas Consequências Violentas .... 549
12) Que Mirada é Essa? O Ponto de Vista na Ficção Cinematográfica nos Longas La Ciénaga,
La Niña Santa e La Mujer Sin Cabeza de Lucrecia Martel ............................................................... 550
13) O Incômodo Silêncio das Filhas do Falecido Coronel ................................................................ 551

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14) A Experiência Abissal da Literatura em Enrique Vila-Matas ...................................................... 553


15) Bem-vindo a Hogwarts: Leitores e Leituras de Harry Potter ................................................. 554
16) A Cosmologia de VISNIEC no Espetáculo “O Corpo da Mulher como Campo de Batalha”
555
17) A Política Totalitária do Romance 1984, de GEORGE ORWELL, Sob a Perspectiva do
Materialismo Lacaniano .......................................................................................................................... 557
18) Autoficção e Outras Modalidades Híbridas.............................................................................. 558
19) Crusoé e Sexta-feira: Questão da Alteridade na Literatura e no Cinema........................... 559
20) Um Cinturão: As Entrelinhas da Memória e da Ficção no Contexto Histórico ................... 560
21) O Olhar de Carolina em Casa de Alvenaria ............................................................................ 561
22) A Violência Objetiva em O arquivo, de Victor Giudice ........................................................... 562
23) Traumas em Carne e Plástico: A Paixão pelo Real na Série Westworld ............................ 564
SIMPÓSIO 5) Estudos da paisagem na literatura: poesia e narrativa ............................................ 565
1) Imaginário e paisagem na poética de Sophia de Mello Breyner Andresen ............................ 565
2) Agarrados à terra: duplicidade narrativa e sentimento topofílico em Vidas Secas, de
Graciliano Ramos .................................................................................................................................... 566
3) Dois Milagres de Maria no Espaço Sagrado do Santuário de Terena: estudo do texto e das
Iluminuras .................................................................................................................................................. 567
4) As Cantigas De Amigo: Percepção E Construção Do Espaço Natural ................................... 569
5) A cidade e a paisagem de uma experiência distante: um olhar existencialista em Aparição,
de Vergílio Ferreira .................................................................................................................................. 570
6) Espaço e Identidade em Ana em Veneza .................................................................................... 571
RESUMO 7 ............................................................................................................................................... 572
8) A Imagem do Mar na Poesia Pessoana .......................................................................................... 573
9) Paisagem e Metapoesia em Poemas de João Cabral De Melo Neto ......................................... 574
10) Claridades do Sul: A Presença da Paisagem e da Decadência como Formas de
Revelação Lírica ...................................................................................................................................... 575

11) A Paisagem no Conto O Triunfo de Clarice Lispector ........................................................... 576

12) Cantigas de amigo galego-portuguesas: cenários medievais retomados por Marly de


Oliveira ....................................................................................................................................................... 577

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13) O Declarado e o Obscuro: Uma Leitura da Paisagem Amazônica a Partir do Discurso de


um Viajante Espanhol ............................................................................................................................. 578
14) A Paisagem e a Representação do Retirante em Dois Romances: A Bagaceira e Vidas
Secas 580
15) Entre Palavras e Imagens, Figurações do Espaço em Vergílio Ferreira ............................ 582
16) Diálogos entre Literatura e Pintura: Um dos Subsídios para os Estudos da Paisagem na
Teoria Literária ......................................................................................................................................... 584
SIMPÓSIO 6) Aspectos socioculturais da narrativa fantástica ......................................................... 586
1) A construção imagética da loucura como representação do fantástico no conto “A dança dos ossos”,
de Bernardo Guimarães .............................................................................................................................. 586
2) Elementos socioculturais infiltrados no conto Mandovi .................................................................. 587
3) O fantástico em “Fios de ouro”, de Conceição Evaristo ............................................................ 588
4) Uma análise do conto No rio, além da curva de Mia Couto pelo viés do Realismo
Maravilhoso ............................................................................................................................................... 589
5) Death Note: o fantástico na narrativa multimodal de Tsugumi Ohba e Takeshi
Obata ......................................................................................................................................................... 590
6) Quando a sociedade chega tarde ao confronto: um estudo sobre a negatividade do fenômeno
fantástico em “Paper menagerie”, de Ken Liu............................................................................................ 591
7) Resumo ............................................................................................................................................... 592
8) Detalhes do mundo proibido:Sobre escolhas vocabulares e polêmicas tradutórias no mundo de gelo
e fogo .......................................................................................................................................................... 592
9) O Pacto Diabólico Em O Retrato De Dorian Gray, De Oscar Wilde ........................................ 593
10) O Inquietante (Das Unheimlich) em “A Caçada”, de Lygia Fagundes Telles ..................... 594
11) O universo fantástico em Aura, de Carlos Fuentes ................................................................ 595
12) Fantasmas do Passado, uma análise do fantástico em Mariana Enriquez ........................ 596
13) O herói em Os Magos (GROSSMAN, 2011) .................................................................................... 598
14) O Insólito nos Ensaios Saramágicos ................................................................................................ 599
15) Os inquietantes autômatos de E. T. A. Hoffmann no mundo de Odradek .......................... 600
16) O fantástico em Merlim de Robert de Boron ........................................................................... 602
17) O espaço gótico como gerador do fantástico na poesia de Álvares de Azevedo ............. 603
SIMPÓSIO 7) A tessitura poética do erotismo: transgressão, interdito, sexualidade ................... 604

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1) Gillka Machado: “ser mulher”. Poética denúncia das mazelas da essência feminina .......... 604
2) Uma análise dos relacionamentos interpessoais na obra ‘’Minha vida fora de série’’ de
Paula Pimenta, a partir da teoria do ‘’Amor líquido’’ de Zygmunt Bauman. ................................... 605
3) “E então eu posso preparar-me para morrer”: Morte e erotismo em Enquanto agonizo...... 606
4) O erotismo na poesia de Hilda Hilst: um olhar lascivo de leitora ....................................................... 607
5) Erotismo nas releituras de contos de fadas de Angela Carter ................................................. 608
6) Humilhação, sexo e perversão em contos de Ana Paula Maia ................................................ 609
RESUMO 7 ..................................................................................................... Erro! Indicador não definido.
8) Rei da Vela: o erotismo com simulacro grotesco da política econômica de 30 ........................ 611
9) A construção da personagem Cristina na obra O abraço, de Lygia Bojunga, sob a perspectiva da
introspecção psicológica............................................................................................................................. 612
SIMPÓSIO 8) Cultura e literatura multicultural e de minorias, e sua inserção no espaço
educacional e difusão por meios eletrônicos....................................................................................... 614
1) As personagens femininas em Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie ..................... 614
2) Letramento literário e trabalho com poesia para alunos assentados da EJA ........................ 615
3) Draupadi – O mito na construção da identidade da mulher indiana ........................................ 616

4) Reflexões sobre o lugar de fala no conto Ana Davenga de Conceição Evaristo .................. 617

5) O herói do teatro negro em deslocamento e em crise: aspectos da modernidade em


Sortilégio – Mistério Negro, de Abdias Nascimento ........................................................................... 618
6) O Sol de fevereiro de Maria Helena Vargas da Silveira nas trilhas do contemporâneo....... 620

7) Mulheres do terceiro mundo, empreendedoras e arrimos de família ...................................... 621

8) Literatura de autoria feminina popular no Baixo Rio São Francisco alagoano: um estudo do
efeito narrativo criado por Morena Teixeira a partir da produção de bonecas/os de pano .......... 622
9) Tão resistente quanto uma torta: uma proposta de reflexão em The help no contexto escolar
623
10) Análise da representação simbólica dos animais nos contos The Badger and The Bear e
Dance in a Buffalo Skull de Zitkala-Ša ................................................................................................. 624
11) Entre a réplica e o real: uma análise da personagem Nkem, da obra No seu Pescoço, de
Chimamanda Ngozi Adichie ................................................................................................................... 625
12) O cemitério dos vivos: crítica e militância de Lima Barreto a favor dos silenciados pelas
teorias raciais do século XIX .................................................................................................................. 626

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13) A apropriação e representação cultural na literatura infanto-juvenil nativa de Olívio


Jekupé ....................................................................................................................................................... 627
14) Por entre as resistências e as insubmissões das mulheres negras: um olhar sobre Shirley
Paixão ........................................................................................................................................................ 629
15) O ato de escrever da personagem Jo March, no romance Little Women: uma estratégia
de resistência............................................................................................................................................ 630
16) Com os pés firmes no chão: a representação da terra na literatura indígena e japonesa
631
17) Estratégias de resistência, sobrevivência e continuidade no discurso de grupos étnicos
colonizados: reflexões teóricas .............................................................................................................. 632
18) Problematizando questões de hibridismo e transculturação na obra de Pauline Melville 633
19) Uma reflexão ideológica do poema Para ouvir e entender estrelas de Cuti ...................... 634
SIMPÓSIO 9) Literatura, teatro e cinema: interfaces e transições .................................................. 635
1) Dos palcos à tela: o processo de adaptação e construção das personagens em Nossa Vida
não Vale um Chevrolet, de Mario Bortolotto ........................................................................................ 636
2) Das (in)definições de contemporaneidade aos aspectos formais do texto dramático infantil:
uma leitura de A viagem de um barquinho, de Sylvia Orthof............................................................ 637
3) O narrador em Caderno de um ausente, de João Anzanello Carrascoza ............................................ 638
4) A Dramaturgia do Visconde de Taunay: um estudo sobre a presença/ausência de uma
fortuna crítica ............................................................................................................................................ 639
5) O diálogo entre o teatro expressionista e as a ideias freudianas: a expressão do mundo
interior pela deformação visual e sonora em A mulher sem pecado ............................................... 640
6) Espetáculo imaginário em A tragédia brasileira, de Sérgio Sant’Anna .............................................. 641
7) A característica manipuladora das protagonistas femininas nas obras “Macbeth” e “Arras
por foro de Espanha” ............................................................................................................................... 643
8) As mulheres de Asa Branca ........................................................................................................... 644
9) A tessitura dramática de Caio F. em seu teatro. Uma análise de Pode Ser Que Seja Só O Leiteiro Lá
Fora 644
10) Estudo do percurso do anti-herói na literatura brasileira: momentos representativos do século
XIX: a rapsódia Macunaíma e a Ópera do Malandro.................................................................................. 645
11) Representação das personagens femininas de Nelson Rodrigues na peça Vestido de
Noiva 646
12) Passageiro do fim do dia: as relações de voz e memória na narrativa literária contemporânea .. 648

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13) Confluências entre Paris, Texas e Crônicas de Motel ..................................................................... 649


SIMPÓSIO 10) Estudos franceses e intertextualidade ...................................................................... 650
1) La dame aux Camélias – do romance romântico ao romance de cordel: releituras
comparadas do perfil de uma cortesã .................................................................................................. 650
2) Letramento literário em “La tête en friche” ................................................................................... 651
3) Motivação ao letramento literário a partir do projeto ShortÉdition ........................................... 652
4) Le dernier jour d’un condamné – a personagem na narrativa e no filme ................................ 653
5) Leitura e letramento literário: a intertextualidade em “A primeira só” e “Eco e Narciso” ...... 654
6)Um olhar crítico sob o leitor e a leitura em Piloto de Guerra de Antoine De Saint- Éxupery ... 656
7) Obra literária e filme: uma releitura de “Le dernier jour d’un condamné”, de Victor Hugo ...... 657
8) Diálogo entre Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato e os contos de Charles Perrault
.................................................................................................................................................................... 658
SIMPÓSIO 11) Literaturas afrodescendentes e indígenas: novos desafios .................................. 661
1) Muitas vozes e muitas cores .......................................................................................................... 661
2) Versos, vivências identitárias na escrita de Maria Celestina Fernandes e Geni Guimarães .. 662
3) Personagens planos e esféricos como reveladores de um discurso afrodescendente na
obra de Machado de Assis e de Lima Barreto .................................................................................... 663
4) Emancipação da mulher através da Literatura ............................................................................... 664
5) De Amado e de Archanjo: algumas palavras.................................................................................. 665
6) De Abdias do Nascimento a Guellwaar Adún: a mística negra na Confraria dos Espertos 666
7) Identidade da mulher negra em Quarto de Despejo, de Maria Carolina de Jesus ................... 666
8) Por entre os Becos da Memória de Conceição Evaristo .............................................................. 667
9) O sonho nas obras O vendedor de passados e A vida no céu, de José Eduardo Agualusa.. 668
10) O Feminismo Negro de Chandra Mohanty e Lélia Gonzales ............................................... 670
11) Textualidades indígenas: reflexões e desafios de sala de aula ................................................ 671
12) Infância e estereótipos: a criança negra na literatura infantil ................................................ 672
13) Para além das margens: Quarto de Despejo e a literatura negra marginal. ........................... 673
RESUMO 14 ............................................................................................................................................. 674
15) Vozes, rastros de quem vive, no desvelar dos saberes humanitários ..................................... 674
16) O Racismo representado na Literatura Juvenil: uma análise da obra Pretinha, eu? ........................... 675

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SIMPÓSIO 12) Teatro em Perspectiva ................................................................................................ 676


1) Corpo e poder em Álbum de família, de Nelson Rodrigues ...................................................... 676

2) A importância da forma e do conteúdo da peça oswaldiana O rei da vela no Século 21 .... 677

3) Estilhaços políticos de uma Feira de Opinião: estudo da canção “Enquanto seu lobo não
vem”, de Caetano Veloso, e da peça “O líder”, de Lauro César Muniz .......................................... 678
4) Recontado a contrapelo: para uma concepção social e histórica do teatro moderno norte-
americano.................................................................................................................................................. 680
5) Artaud e Grotowski: a arte de não interpretar em busca do ser teatral................................... 681
6) Shakespeare e sociedade: percepções do texto shakespeariano no Brasil do século XVI ao
XXI 682
7) Valsa no. 6: um monólogo sobre o feminino ............................................................................... 683
8) Apropriação crítica da Revista de Ano e da Comédia de Costumes em Café (1933/1942), de
Mário de Andrade .................................................................................................................................... 684
9) Teatro e sociedade no MST: uma análise da peça A farsa da justiça burguesa................... 685
10) A luta de classes presente em sobrados e mocambos, de Hermilo Borba Filho .............. 686
11) Revolução na América do Sul sob o ponto de vista da morte .............................................. 687
12) O expressionismo alemão em debate: Bertolt Brecht e o conceito de realismo................ 688
13) A Invasão, de Dias Gomes e Eles não Usam Black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri: ecos
do realismo crítico no moderno teatro brasileiro. ................................................................................ 690
14) O teatro de Chico Buarque na dialética entre o clássico e a vida social: um estudo em
torno de Gota d’água (1975) .................................................................................................................. 691
15) O Teatro de Chico de Assis em perspectiva Dialética ........................................................... 692
16) A última dança: uma Simone Weil épica, interpretada por Natalia Gonsales .................... 693
17) Os ingleses e a comédia de costumes de Martins Pena e França Junior: o mundo das
negociatas e dos favores ........................................................................................................................ 694
18) Arte e sociedade no teatro de Gianfrancesco Guarnieri........................................................ 695
19) Tradição do teatro dialético no Brasil: Uma leitura a partir de As Confrarias de Jorge Andrade .. 696
20) Trabalho de Brecht no teatro brasileiro atual .......................................................................... 697
21) O silêncio em dois espetáculos brasileiros ..................................................................................... 699
SIMPÓSIO 13) As incidências da dor: cortes literários, suturas psicanalíticas ............................. 700
1) As vozes silenciadas da Rebelião da Casa Penal São José (Liberto) .................................... 701

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2) Poesia melancólica: uma interpretação psicanalítica......................................................................... 702


3) A Moça Tecelã: Uma análise teórica do conto de Marina Colassanti ..................................... 703
4) Saturno em Mar Absoluto e Outros Poemas ...................................................................................... 704
5) A Melancolia da Forma: da Morte em Hilda Hilst .............................................................................. 705
6) Olhar melancólico e a busca por identidade ...................................................................................... 706
SIMPÓSIO 14) Literatura e ecocrítica: um olhar sobre o contemporâneo ..................................... 707
1) A presença imagística da natureza na poesia de Adélia Prado – um diálogo com a
ecocrítica ................................................................................................................................................... 707
2) Poesia, percepção e paisagem natural na obra de Rodrigo Garcia Lopes ............................ 709
3) Um olhar ecocrítico para o protagonismo feminino em The Fifth Sacred Thing (1993), de
Starhawk.................................................................................................................................................... 710
4) O fandango em perspectiva: acontecimentos geopoéticos na vida caiçara........................... 711
5) A Semântica espacial de Manoel de Barros ................................................................................ 712
6) Água, Fogo, Terra e Etéreo na poesia de Karen Debértolis ........................................................ 712
SIMPÓSIO 15) Transformações no espaço e no romance ............................................................... 713
1) As representações dos espaços internos e externos em Repouso de Cornelio Penna ...................... 714
2) A potência transformadora da água em A maçã no escuro, de Clarice Lispector .............................. 714
3) Um breve estudo sobre O Romance e a Narrativa: A Hora da Estrela, de Clarice Lispector
716
4) Água Viva: um romance lírico de Clarice Lispector ............................................................................ 717
5) A enunciação dos espaços: o amor em Uma viagem à Índia ................................................... 718
6) A função estruturante da cidade: notas sobre o monólogo interior em Ulysses, de James Joyce .... 722
7) Contra o silêncio desses espaços, ou a curadoria depois do fim em Wittgenstein’s Mistress
723
SIMPÓSIO 16) A parte da sombra, o amplo presente: territórios e dispersões da poesia
contemporânea ........................................................................................................................................ 725
1) “E tudo era o mar?”: Lírica e arquétipo em Talhamar (1982), de Dora Ferreira da Silva ..... 725
2) A coisa poética de Jacques Derrida.............................................................................................. 726
3) De haicais e epigramas: Meu olho não puxado puxou o lado errado (2016) e outros poemas
de Yassu Noguchi .................................................................................................................................... 727

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4) O sopro lírico de Dora Ferreira da Silva: imaginário e metapoesia em “Nascimento do


poema”....................................................................................................................................................... 728
5) Análise de uma nova modalidade de produção literária: ganhadores do prêmio ABLetras
ofertado pela Academia Brasileira de Letras em 2010 ..................................................................... 729
6) “Como o diabo gosta”: identidade e resistênciana poética de Belchior .................................. 731
SIMPÓSIO 18) Língua francesa, literaturas francesa e francófona................................................. 731
1) A produção textual escrita em língua estrangeira: aspectos processuais e formação de
professores ............................................................................................................................................... 731
2) A imagem pictórica e sua relevância como componente de interpretação na obra A
Invenção de Hugo Cabret ....................................................................................................................... 732
3) Formação docente: experiências vivenciadas pelos alunos bolsistas do PIBID-Francês.... 733
4) A construção do tempo da memória na novela “Sylvie: Souvenirs du Valois” de Gérard de
Nerval......................................................................................................................................................... 734
5) A experiência do PIBID entre os alunos do Curso de Letras/Francês .................................... 736
6) A ironia de Voltaire e a construção da criticidade para um mundo moderno ......................... 737

7) A aprendizagem de francês na formação do Secretário Executivo Trilíngue: um olhar à luz


da teoria da curva de esquecimento. .................................................................................................... 738
SIMPÓSIO 19) A voz e a vez dos animais não-humanos em diferentes ciências ........................ 741
1) Marley e eu, de John Grogan: especieísmo, vida e amor ......................................................... 741
2) Entre humanos e galinhas: o respeito aos animais não humanos na obra A vida íntima de
Laura, de Clarice Lispector..................................................................................................................... 742
3) A literatura animalista abolicionista em sala de aula: experiências e vivências .................... 743
4) O tratamento ético dos animais não humanos nas HQs “Armandinho” .................................. 744
5) A literatura infantil como ferramenta de divulgação e preservação de animais pouco
conhecidos da fauna brasileira .............................................................................................................. 745

6) “Na lista de prioridades do país, não tem lugar para os animais”: considerações sobre a
violência contra animais não humanos em Disgrace de J.M. Coetzee ........................................... 746
7) Relações de igualdade e distanciamento entre humanidade e animalidade na obra Vidas
Secas de Graciliano Ramos comparado com os escritos de Franz Kafka ..................................... 747
8) Literatura de defesa animal no contexto escolar ........................................................................ 749
9) Representação animal em Clarice Lispector ............................................................................... 750

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10) A Revolução dos Bichos não humanos: uma análise animalesca e abolicionista ............ 751
11) O discurso científico e o tema da experimentação em animais não humanos .................. 752
12) Os animais em A maçã no escuro, de Clarice Lispector: uma leitura ecofeminista.......... 753
SIMPÓSIO 20) Ecos da Cultura Clássica na Literatura .................................................................... 756
1) Reinventando o mito de Perséfone: a imagem da morte em O sofá estampado, de Lygia
Bojunga Nunes ......................................................................................................................................... 756
2) O destino d’Os filhos de Húrin: vestígios da literatura clássica no mundo secundário de J. R.
R. Tolkien .................................................................................................................................................. 757
3) Aspectos da construção do herói épico na Ilíada, em análise da trajetória de Páris
Alexandre .................................................................................................................................................. 758
4) A apropriação poética da Grécia antiga enquanto paisagem na obra de Sophia de Mello
Breyner Andresen .................................................................................................................................... 759
5) No universo de Star Wars: o herói mitológico na ficção científica ........................................... 760
6) Complexo de Electra: do mito grego à Psicanálise .................................................................... 761
7) Da ancestralidade mítica à modernidade: as nuances do retorno em Ciranda de Pedra, de
Lygia Fagundes Telles ............................................................................................................................ 762
SIMPÓSIO 21) Desafios contemporâneos de ensino e pesquisa em Literatura: entre artes,
mídicas e tecnologias .............................................................................................................................. 765
RESUMO 1 ................................................................................................................................................... 765
RESUMO 2 ................................................................................................................................................... 765
3) A poética pasoliniana entre o gesto e a palavra: reflexões acerca da criação do Decameron
(1971)......................................................................................................................................................... 765
Resumo 4 .................................................................................................................................................... 766
5) Novas tecnologias: WebQuest como recurso para aprendizagem de literatura afro-brasileira
.................................................................................................................................................................... 766
6) A literatura na formação do leitor crítico no Ensino Médio brasileiro de acordo com os
documentos norteadores da educação: um caso de prescindibilidade? ........................................ 767
7) Práticas literárias no ciberespaço: desafios de alunos da educação do campo ....................... 768
8) Contemporaneidade tecnológica: a leitura literária pelo olhar do público jovem ................................ 769
9) Metaficção historiográfica em O homem do castelo alto de Philip K. Dick............................................ 770
10) A balada de John Constantine ........................................................................................................ 771
11) Literatura e fanfics: Relatos de uma experiência no ensino médio ............................................... 772

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12) Ecos do Bildungsroman em A Droga da Obediência de Pedro Bandeira ............................................. 773


13) Os Cavaleiros do Zodíaco: narrativa e caracterização de personagens em tempos de arte transmídia
.................................................................................................................................................................... 774
14) I-POE: Uma Leitura de “Annabel Lee” ........................................................................................... 775
Resumo 15 ................................................................................................................................................ 776
16) Revitalização do mito grego: os crimes de sangue na franquia de videogames God of War
.................................................................................................................................................................... 776
17) Fandom: The Sims in Machinima .................................................................................................... 777
18) Literatura e fanfics: Relatos de uma experiência no ensino médio ..................................................... 778

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SIMPÓSIOS DE LINGUÍSTICA

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SIMPÓSIO 1) Linguagens e discursos nas relações de poder/saber da


atualidade

Profa. Dra. Adélli Bortolon Bazza (UEM)


adellibazza@hotmail.com
Profa. Dra. Denise Gabriel Witzel (Unicentro)
witzeldg@gmail.com

1) O cuidado de si foucaultiano e o capital cultural bourdieusiano na


publicidade: convergências no ensino-aprendizagem da língua
inglesa

Profa. Me. Aline Yuri Kiminami (UEM)


Prof. Dr. Pedro Navarro (UEM/Orientador)

Resumo:

Este estudo se propôs a analisar os conceitos de cuidado de si, de Michel Foucault, e


capital cultural, de Pierre Bourdieu, buscando encontrar confluências e afinidades
quanto aos dois conceitos, tendo como ponto de convergência o ensino-aprendizagem
da língua inglesa no cenário contemporâneo. Temos ainda como pano de fundo,
campanhas publicitárias de escolas de língua inglesa, materialidade na qual podemos
vislumbrar os discursos com relação à língua inglesa circulando. O conceito de cuidado
de si (epiméleia heautoû), como Foucault (2010) define em O governo de si e dos
outros, é o fio condutor da articulação entre subjetividade e verdade, conceitos que
juntamente ao biopoder e poder disciplinar, contribuem para que seja possível traçar um
paralelo com a teoria do capital cultural. Tal teoria, defendida por Bourdieu (1979, 2000,
2009), postula que há um tipo de capital que se manifesta na forma de um poder
simbólico de extrema importância no ambiente escolar, e que privilegia aqueles alunos

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que têm, de berço, mais condições e oportunidades de acessar a cultura legítima, o


código cultural valorizado pela sociedade escolar. Com isso, o autor indica que, para
que o aluno seja capaz de ser bem-sucedido no âmbito escolar, é necessário que ele
possua certas noções de cultura e capacidade linguística e comunicativa que devem ser
prévias, recebidas da família, de seu círculo social. É um poder simbólico que é
invisível, de construção da realidade e, portanto, estruturante e os sistemas simbólicos,
como a arte, a religião e a língua, são por ele estruturados. Esse tipo de poder faz crer,
faz transformar a visão e a ação sobre o mundo, se definindo sobre/em uma relação
entre os que exercem o poder, e aqueles que a ele estão sujeitos. Entendemos que o
poder simbólico detém o poder de transformar algo como uma língua em um capital
cultural, na medida em que, ao ser exercido, faz transformar a visão que temos sobre tal
objeto. Da mesma forma, a disciplina para Foucault (2000) é vista como uma técnica,
um mecanismo, um dispositivo de poder atuando sobre o corpo dos indivíduos,
manipulando gestos e condutas, os adestrando. Nessa medida, o poder é entendido
como invisível e simultaneamente, onividente. Percebemos também a inserção da
língua inglesa nos currículos escolares nacionais como uma das referidas táticas de
governamentabilidade, uma vez que o governo, através dessa imposição curricular,
gere a população no sentido de preparar os cidadãos para um mercado de trabalho que
exige o conhecimento da língua como requisito para obtenção de cargos mais altos e
variados. Ao ser capaz de se enquadrar nessa exigência e ser contratado, o sujeito
alcança uma situação favorável para que possa se subsistir, governar sua família e
acumular, produzir e fazer circular riquezas.

Palavras-chave: Cuidado de Si; Capital Cultural; Língua Inglesa; Análise do Discurso.

2) Análise de uma série discursiva: correção à escrita em língua inglesa


feita pela cantora Anitta em Maringá

Ana Paula Assoni (UEM)


Miriam Fila Miglioli Teixeira (UEM)
Profa. Dra Adélli Bazza (UEM/Orientadora)

Resumo:

No mês de maio do ano 2017, a cantora nacional Anitta publicou em sua rede social
instagran imagens, nas quais fazia correções à escrita em língua inglesa. Essas
correções foram realizadas nos folhetos encontrados em roupas de cama e toalhas de

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um hotel na cidade de Maringá. Depois disso, a cantora utilizou um “snapchat’,escolheu


fazer uma foto híbrida de seu rosto e de um cavalo/burro e postou, em sua rede social,
a correção executada pela mesma, bem como a referida foto. Esse evento foi alvo de
debates em redes sociais, pois a população, principalmente de Maringá, sentiu-se
ofendida com tal comparação. A correção, feita por Anitta, pautou-se, por exemplo, na
palavra change, a qual estava grafada como chance.Portanto, o chamado “erro” foi
detectado pela troca da letra ‘G’ pela ‘C’. Diante desse evento discursivo, o presente
trabalho apresenta uma análise sob o viés da Análise do Discurso foucautiana.. Para
isso, utilizamos os conceitos de formação discursiva de poder e memória, no intuito de
analisar a constituição dessa formação na correção executada pela cantora. Para a
análise dessa correção, utilizaremos os aportes teóricos de Paul Michel Foucault.
Apresentamos uma breve análise, principalmente, quanto à linguagem sendo utilizada
como poder. Esperamos, com esse trabalho mostrar como a contribuição dos aportes
teóricos foucaultianos podem contribuir na análise prática da relação de poder do
referido evento discursivo. Além disso, intencionamos contribuir com essa experiência,
para que possa ser utilizada de exemplo para análises de outros possíveis eventos
discursivos, tendo como sujeitos que conduzem essa análise professores de língua
portuguesa.

Palavras-chave: Análise do discurso;foucaltiana;poder;memória.

3) O sujeito no acontecimento “Jogo da baleia azul”

Celi Barbosa dos Santos(Profletras/UEM)

Resumo:

Este trabalho tem por objetivo apresentar uma possível análise descritiva do
acontecimento “Jogo da Baleia Azul” a fim de desenvolver um olhar crítico sobre a
construção do sujeito na formação discursiva presentes nas séries de enunciados de
dois documentos: o post que circulou nas redes sociais sobre uma reunião do prefeito
de Curitiba, Rafael Greca com os seus assessores para discutirem o efeito desse jogo e
sua repercussão entre os adolescentes e o documento enviado às escolas pela Rede
Estadual de Ensino do Paraná- SEED recomendando aos gestores das escolas,
docentes, funcionários e pais especial atenção no fortalecimento de mecanismos de

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proteção de crianças e adolescentes nas escolas diante de jogos violentos. A análise do


discurso está embasada na tríade língua, história e discurso. A relação do homem com
o mundo e com as palavras não ocorre diretamente, mas através da mediação dos
discursos, assim é mister que se busque a realidade de um dado discurso. Neste
processo, as perguntas relevantes são: “O que se diz?”, “Como se diz?”, e “Por que se
diz?” para que se analise com criticidade o sujeito discursivo de um dado
acontecimento. Sob este viés, pretendemos analisar quem são os sujeitos resistentes
nessas séries enunciativas através da materialidade dos discursos veiculados na mídia
e nas escolas, os quais acionam componentes lexicais, de memórias e dispositivos em
seus enunciados que marcam posicionamentos do sujeito discursivo. Teoricamente, o
trabalho ancora-se nos conceitos de sujeito, formação discursiva e acontecimento na
perspectiva da análise do discurso oriundas dos estudos foucaultianos e dos estudiosos
de suas teorias. (FOUCAULT, 2008, 1999; GREGOLIN, 2006; DREYFUS; RABINOW,
1995; FISHER, 2012). Percebemos que para Foucault o sujeito não está alienado por
ideologias ao ponto de encobrir sua visão da realidade, pois ao mesmo tempo em que é
constituído pelas relações de poder, ele não precisa permanecer neutro num dado
acontecimento e sim resistir frente ao que lhe é posto, construindo novas formas de
subjetividade.

Palavras-chave: Sujeito; Acontecimento; Análise do discurso.

4) Os enunciados “É golpe” e “Não é golpe” e os efeitos de sentido no


discurso político da presidenta Dilma Rousseff em seu processo de
impeachment

Cláudia Oliveira (UNEB)


Prof. Me. Emerson Tadeu Cotrim Assunção (UNEB)

Resumo:

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O discurso político sempre figurou como objeto principal de estudo da Análise do


Discurso francesa (ADF), já que as materialidades linguístico-discursivas advindas
desse tipo de discurso demandam olhares para os efeitos de sentidos presentes nesses
acontecimentos (PÊCHEUX, 1997), evidenciando afetamentos sócio-históricos e
posições ideológicas assumidas por sujeitos. As análises, que registramos nessa
comunicação, tomam como ponto de partida o estudo do discurso político da presidenta
Dilma Rousseff no momento do seu afastamento provisório, pelo Senado, de suas
funções presidenciais. Como objetivo, intencionamos compreender como as
materialidades dos enunciados É golpe e Não é golpe são agenciados no discurso de
Dilma Rousseff no acontecimento discursivo processo de impeachment no ano de 2016.
A pesquisa, de caráter qualitativo, foi realizada utilizando as transcrições, por nós
realizadas, dos dois discursos proferidos pela presidenta Dilma Rousseff, no dia doze
(12) de maio de 2016, em dois espaços e para públicos distintos: i) no salão do Palácio
do Planalto, para emissoras de rádio, televisão, mídias digitais, seus ex-ministros e
políticos e ii) na área externa da sede presidencial, para o público de simpatizantes e
militantes políticos. Para a análise, uma vez selecionado o corpus, utilizamos as
concepções teóricas de Análise do Discurso Francesa (ADF), com base nas noções de
enunciado e sujeito, advindas dos estudos de Foucault (2008); saberes sobre efeitos de
sentido em Pêcheux (1997), Orlandi (2003) e Gregolin (2006) e, por considerar a
relevância do sujeito político dentro da análise do discurso, buscamos apontamentos a
partir da concepção de Courtine (2006), Piovezani Filho (2009) e Possenti (2016).
Tematizamos, também, sobre as conquistas históricas de mulheres engajadas em
movimentos sociais diversos, no universo social e político para, assim, evidenciarmos a
trajetória política da presidenta Dilma Rousseff. Em decorrência desse cronotopo
(BAKHTIN, 2013), foi necessário traçar um paralelo com a história política dos
processos políticos dos anos de 1964, 1992 e 2016, de modo que alinhássemos os
acontecimentos políticos e jurídicos que culminaram no afastamento de Dilma Rousseff.
As análises apontam um plano muito bem arquitetado, por diversos segmentos, para
tomar à força o que não havia sido conquistado nas urnas, bem como a denúncia
presente no discurso da presidenta Dilma denunciando o golpe parlamentar de 2016.

Palavras-chave: Análise do Discurso; Política; Dilma Rousseff; Efeitos de sentido.

5) Discurso e gênero: um estudo de caso sobre a mulher executiva em


capas das revistas Você S/A e Exame

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Juliana Netto Ricobello (UEM)


Prof. Dr. Pedro Luis Navarro Barbosa (UEM/Orientador)

Resumo:
Nas análises discursivas sobre a produção do sujeito, a questão da memória surge
como um dos elementos importantes para a compreensão do funcionamento do
discurso midiático, quando este faz circular enunciados que constroem determinadas
representações sobre os indivíduos. A relação sempre tensa entre memória, história e
processos de subjetivação implica considerar dois aspectos: o primeiro diz respeito aos
modos de apropriação de elementos discursivos fornecidos pela memória histórica de
uma sociedade. Nos discursos midiáticos são analisados e recuperados aspectos
históricos que contribuem para a construção, no presente, de uma memória que
influencia o processo de produção de identificações; o segundo aspecto concerne ao
fato de que a prática discursiva midiática opera com a diversidade de tempos sociais e
com a diversidade de memórias coletivas, o que acarreta uma descontinuidade entre o
presente construído pela mídia (com os recortes que realiza da memória e da realidade)
e o conjunto de enunciações dispersas, heterogêneas e atemporais que forma o saber
histórico de um grupo social sobre aquilo que o constitui e o diferencia de outros. Em
virtude dessa base teórica, é analisado uma série enunciativa em que a mulher
executiva emerge como princípio de diferenciação e objeto do crescente e competitivo
mercado de trabalho, que vem solicitando, cada vez mais, um novo tipo de trabalhador,
no caso específico, uma “nova mulher executiva”, que precisa saber gerenciar um
grupo, controlar suas emoções, lidar com a disputa entre sexos no campo dos negócios
e mostrar criatividade para se manter no cargo ou galgar postos mais elevados. Em
relação ao objeto de estudo, que é a construção da identidade da mulher executiva na
atualidade, a crise de identidade alterou tanto a imagem do homem quanto a da mulher,
trazendo ganhos positivos. Observa que os papéis que tais sujeitos exercem hoje na
sociedade parecem não ser como antes, quando eram mais bem definidos e
delimitados. A partir das considerações feitas até o momento permitem observar como o
contexto discursivo é fundamental para que se verifiquem os mecanismos que
permeiam a produção e a manipulação de identidades veiculadas na mídia, em
especial, na mídia impressa acerca do sujeito mulher executiva . Os discursos sobre a
mulher executiva em publicações das revistas Você S/A e Exame possibilita uma
conexão entre poder e saber na produção de sentidos sobre esse sujeito, sobre a
participação feminina na área do empreendedorismo e sobre a competição com o seu
outro, a saber: homem executivo.

Palavras-chave :Análise do Discurso; Mulher Executiva; Identidade; Competição; Mídia


impressa.

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6) A circulação de discursos e constituição de verdades sobre o


feminismo no Facebook

Me. Ronaldo Nezo (UEM)


Profa. Dra. Eliane Rose Maio (UEM/Orientadora)

Resumo:

As redes sociais na internet estão modificando os processos sociais e informacionais da


sociedade. Dados referentes ao primeiro semestre de 2017 apontam que cerca de 66%
dos brasileiros tiveram as redes como principal fonte de consumo de informação e,
nesse segmento, o Facebook foi a referência para 57% das pessoas. Na atualidade, o
Facebook se constitui como a maior rede social do planeta, com cerca de 2 bilhões de
usuários - e, em 2016, o Brasil já tinha mais de 102 milhões de usuários da rede. As
redes, porém, não são apenas um espaço para consumo de informações; também
permitem aos próprios usuários disseminarem conteúdos, reconfigurá-los contribuindo
para a produção de saberes. Nesse ambiente de circulação e constituição de discursos,
temas relacionados à mulher e ao seu corpo ganham espaço em práticas discursivas
nos quais emergem temáticas defendidas por feministas e também antifeministas.
Confrontam-se valores opostos que retomam uma memória de uma luta histórica que,
noutras épocas, já apresentava o embate entre o desejo do sujeito mulher ter acesso
aos mesmos lugares e posições sociais ocupadas pelos homens e a tentativa de
manutenção da hegemonia masculina sustentada também em enunciados verbais e
imagéticos que desvalorizam tal luta recorrendo a estereótipos diversos - por vezes,
repetidos por mulheres. No início do século passado (anos 1900), as mulheres que se
decidiam ir à luta pelo reconhecimento de direitos e buscavam disseminar suas ideias
eram tidas como feias, masculinas, fúteis, amorais ou que se manifestavam por algum
tipo frustração. Ou seja, não sendo privilegiadas com a beleza e outros atributos
naturalizados como sendo femininos. Partindo desse contexto, o objetivo da pesquisa é
analisar em enunciados verbais e imagéticos discursos sobre mulheres e seus corpos
em que há menção ao feminismo. Para isso, investigam-se as especificidades das
redes sociais como lugar de práticas discursivas; compreendem-se noções a respeito
do discurso em Michel Foucault e a relação saber e poder na constituição de verdades;
por fim são retomados estudos que tratam de gênero, sexualidade e da luta de
mulheres tida como feministas na primeira metade do século 20 no Brasil. Conclui-se
que, se por um lado, o Facebook tem permitido manifestações de resistência e
empoderamento da mulher; por outro, discursos antifeministas têm contribuído para
constituição de verdades sobre mulheres que lutam pelo reconhecimento e valorização
de si mesmas.

Palavras-chave: Facebook; Feminismo; Discurso.

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7) O saber econômico como fruto da estratégia retórica a produzir


efeitos de verdade: o uso da antítese no discurso econômico de John
Maynard Keynes

Dr. Thiago Martins Prado (UNEB-PPGEL)

Resumo:

A pertinência teórica em realizar uma investigação das figuras de linguagem no discurso


econômico justifica-se de dois modos. No primeiro plano, a proposição de se analisar a
formação do argumento em narrativas científicas por meio da realização das figuras de
linguagem, demasiadamente ilustradas nos textos poéticos, está em consonância com
as exigências advindas da própria área dos Estudos de Linguagem. Na perspectiva de
Jakobson (2003, p.129): “o estudo linguístico da função poética deve ultrapassar os
limites da poesia”. De outro modo, atentando-se às observações de Chaïm Perelman e
Lucie Olbrechts-Tyteca (2005), a investigação sobre as figuras de linguagem devem
atender menos as necessidades de legitimação de um modo literário de expressão que
as emergências em reconhecê-las como técnicas do discurso persuasivo. No segundo
plano, ao notar a figura de linguagem como técnica de persuasão, podem-se interpretar
teorias científicas como montagens discursivas e questionar a sua legitimidade ou a sua
presunção em implicar autonomia ou fundamentos inquestionáveis para as áreas de
saber. Nesse sentido, reconhecer o discurso econômico como um entrecruzamento de
narrativas eivadas de ferramentas e estratégias de persuasão desmobiliza a nocividade
(ou a confiança) de uma interpretação mais monolítica ou mais hegemônica sobre os
fenômenos econômicos. Interpretar os efeitos de verdade nos discursos econômicos tal
como uma necessidade de uma instauração ou manutenção de um mecanismo de
poder sinaliza para o entendimento da construção do saber como uma estratégia não
isenta de comprometimento ideológico. Segundo os ensinamentos de Fiorin (1998), em
Linguagem e Ideologia, não somente as representações ideológicas são materializadas
pelo discurso como também o conhecimento, fruto de organização discursiva,
compromete-se com interesses sociais. Nesse sentido, Fiorin torna claro que a
neutralidade não é resultado de uma adequada aplicação científica; o discurso da
imparcialidade no campo da ciência deriva, em verdade, da força ideológica dos grupos
sociais dominantes. Levar isso em consideração é reconhecer que a prática retórica é o
centro da produção do saber científico. Quando os estudos linguísticos, com essa
perspectiva, aproximam-se da análise econômica, o tipo de investigação interdisciplinar
que pode surgir a partir daí tanto potencializa uma como outra área. Nas ciências
econômicas, o estudo a respeito da intenção discursiva, como uma vertente diferente da
análise da sequência monetária ou do planejamento para a maximização dos lucros,
aparece como um instrumento necessário para conter a nocividade da hegemonia
interpretativa nessa área. Nas ciências linguísticas, o alargamento do seu instrumental
teórico para a área da economia possibilita uma aplicabilidade que amplia a capacidade

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de modificar a dimensão social associada aos resultados das discussões da análise


econômica. Reconhecer e expor as intenções dos discursos na área da ciência
econômica, com o auxílio da teoria linguística, desmonta as estratégias incutidas neles.
A partir disso, uma boa maneira de buscar traços retóricos nos discursos da área
econômica é investigar a construção desses por meio das figuras de linguagem. Como
uma ilustração de como tal análise interdisciplinar pode ser conduzida, elegeu-se a
análise da figura de linguagem como recurso retórico no discurso de John Maynard
Keynes. Como um novo marco para a área das ciências econômicas, os estudos de
Keynes confrontaram a teoria clássica (de base liberal) com uma estratégia retórica que
foi marcada pelas antíteses: estímulo à poupança versus estímulo ao consumo,
autorregulação do mercado versus intervenção estatal na economia, contenção de
despesas públicas versus elevação de gastos públicos.

Palavras-chave: Figuras de retórica; discurso econômico; John Maynard Keynes;


efeitos de verdade; poder-saber.

8) A estratégia biopolítica na dimensão da deficiência: corpos, discursos


e práticas

Vivian Ferreira Dias (UFSC)

Resumo:

A sexualidade é compreendida por Foucault (2005) como localizada na encruzilhada


entre corpo e população. Igualmente a deficiência é atravessada pela estratégia
biopolítica, ou seja, por um poder que se investe sobre a vida biológica: nos corpos
(reabilitação/normalização) e na população (por meio do controle de doenças que
podem culminar em deficiência, de forma preventiva - exames do pezinho, da orelhinha,

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por exemplo). No entanto, diferentemente da sexualidade, que pode ser velada e não
publicizada, a deficiência é uma dimensão que pode cooptar qualquer um, em qualquer
tempo, e é facilmente percebida. O objetivo do presente trabalho é analisar a estratégia
biopolítica na dimensão da deficiência, o controle dos corpos, os discursos e as práticas
que subjetivam e produzem as pessoas com deficiência. Como material empírico dessa
análise, lanço mão de um texto/imagem veiculado em uma campanha publicitária na
Grande Florianópolis. Trata-se do símbolo internacional da pessoa com deficiência, já-
visto, mas deslocado- em vez do círculo em branco que representa a cabeça do
cadeirante, há um capacete de motociclista e junto dessa imagem está disposto o texto:
“Não troque de transporte, pilote sua moto com inteligência”. Por meio de uma análise
discursiva, de base foucaultiana, entendo que nesse texto da campanha o risco de se
tornar pessoa com deficiência é a estratégia para a produção de saberes sobre o corpo
no trânsito e para a regulação dos comportamentos dos sujeitos. O poder desse
discurso controla de forma coercitiva as práticas e as ações da sociedade (FOUCAULT,
1996). As relações de poder imbricadas no texto/imagem fazem emergir pelo menos
duas constatações: (1) há uma tensão entre ser pessoa com deficiência e ser pessoa
sem deficiência- aqui no caso o motociclista- que passa a ser uma potencial pessoa
com deficiência- existe, portanto, uma sobreposição dos sentidos (a tênue linha que
separa “normalidade” e “anormalidade”). E nesse embate de forças, os saberes
legitimados são aqueles identificados com o sentido da normalidade e que mantêm a
pessoa com deficiência, representada pelo cadeirante, em posição inferior, já que a
deficiência é discursivizada como algo que precisa ser evitado e (2) o saber produzido é
aquele da consequência, do castigo pela imprudência- “corra, dirija alcoolizado, costure
o trânsito e mudará o meio de transporte”. Não use a inteligência, que se associa a
sentidos ligados à prudência e responsabilidade no trânsito, e se tornará cadeirante, o
que culpabiliza a pessoa com deficiência adquirida. E coloca mais uma vez, numa
relação de oposição e binarismos, de um lado, a normalidade (ser inteligente, por
conseguinte agir com prudência, respeitando as normas de trânsito e de segurança)
como o saber legitimado, com potência reguladora sobre os comportamentos, e de
outro, a anormalidade como seu contraponto, uma vez que o risco pode produzir a
deficiência, ou seja, a sequela, a dependência, a culpa, o castigo.

Palavras-chave: deficiência, corpo, discurso, biopolítica.

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9) Dispositivo religioso: um mecanismo de leitura nas pinturas de


Marianna Gartner

Prof. Me. Ednaldo Tartaglia Santos (UNIFAP / PLE-UEM)

Resumo:

Nesta pesquisa, apresentamos uma análise do processo de (in)visibilidade discursiva de


algumas pinturas da artista plástica canadense Marianna Gartner. Esta análise se
fundamenta nos pressupostos teóricos e metodológicos da Análise do Discurso (AD)
francesa, de linha foucaultiana. Elegemos, como materialidade discursiva, seis telas de
Gartner (Meninas com veado morto, Meninos com garça morta, Bebê Diabo III, Clara na
corda bamba, Jesus tatuado e Quatro homens em pé), além de uma interpretação
realizada por Alberto Manguel (2001) a respeito da tela Quatro homens em pé da artista
plástica canadense. Marianna Gartner se formou em pintura e fotografia pela
Universidade de Calgary, no entanto, dedicou-se exclusivamente à pintura. Ela teve
influência de artistas clássicos e modernos alemães e italianos. As imagens criadas por
Gartner chamam a atenção devido ao atravessamento discursivo de elementos
religiosos de base cristã, mais precisamente o duelo entre vida e morte, céu e inferno. O
interesse em analisar as obras de Marianna Gartner surgiu por meio da leitura da tela
Quatro homens em pé realizada por Alberto Manguel no livro Lendo Imagens: uma
história de amor e ódio. Na ocasião, Manguel fez uma interpretação calcada em
elementos religiosos do catolicismo, no entanto, em um primeiro momento, ao nível do
visível, não é possível fazer tal interpretação da referida tela. Nesse sentido,
questionamos como se dá o processo de visibilidade discursiva do dispositivo religioso
nas imagens criadas por Marianna Gartner, levando em consideração elementos de
invisibilidade e inteligibilidade construídos pela artista no universo de suas obras. No
processo analítico, fizemos uma articulação entre as noções de dispositivo religioso e
de memória discursiva que, quando organizadas e inter-relacionadas, dão
possibilidades de compreender o universo que a artista plástica cria em suas obras,
permitindo também entender a leitura realizada por Alberto Manguel em relação a
Quatro homens em pé. Por fim, as análises das obras de Gartner possibilitaram
visualizar uma performance discursiva verbal e não verbal inscrita no dispositivo
religioso cristão que é ativado pela memória dos sujeitos que comungam ou têm
conhecimento desse conjunto de práticas discursivas. Assim, afirmamos que a análise
discursiva, realizada ao nível do visível e do invisível nas imagens pictóricas de Gartner,
foi possível graças a (re)tomada de elementos discursos do dispositivo religioso cristão.

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Palavras-chave: Dispositivo religioso; memória; (in)visibilidade discursiva; pinturas de


Marianna Gartner.

10) Objetivação da sexualidade de idoso

Dra. Adélli Bortolon Bazza (UEM)

Resumo:

Nas últimas décadas, observou-se, em países desenvolvidos e em desenvolvimento,


um aumento no número de idosos, o que fez com que essa população se tornasse foco
do olhar do poder. Juntamente a um trabalho governamental que busca gerir esses
corpos e vidas, inicia-se uma produção discursiva que fala desse sujeito idoso. Entre os
saberes produzidos está o de que o idoso tem uma vida sexual ativa. Desse modo,
propomos investigar como essa vida sexual ativa está representada nos processos em
que se fala dele. Para tanto, embasamo-nos em uma análise discursiva calcada nos
pressupostos foucaultianos. Da vasta obra do autor, destacamos os conceitos de
objetivação, subjetivação, dispositivo da sexualidade. Em seu livro História da
Sexualidade I (2004), Foucault aponta duas estratégias diferentes como possibilidades
do dispositivo da sexualidade: a ciência sexual e a arte erótica. A primeira está pautada
na prática da confissão e da análise da verdade sobre o sexo. A segunda seria
constituída por uma vivência em que o sujeito vive para seu prazer, acumulando
experiências e as guardando para si. A série enunciativa constituída para essa análise é
composta de textos de mídia em que a questão da sexualidade do idoso seja
mencionada: dois comerciais (Havaianas e Corega), um folder educativo sobre o uso de
preservativo, um ensaio fotográfico com idosos (disponível on line), uma reportagem
sobre a vida sexual na terceira idade, o título de um livro e um texto humorístico que
circula em redes sociais. A análise das sequências enunciativas indica que, no campo
da objetivação, existe uma produção discursiva que insiste em uma vida sexual ativa.
Essa produção está pautada em uma estratégia em que a sexualidade está centrada no
ato sexual, com foco na virilidade. Centralizada numa técnica que esquadrinha uma
ciência sexual, essa técnica insiste na potência, na quantidade de ereção e no vigor do
corpo.

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Palavras-chave: Objetivação; Sexualidade; Idoso.

RESUMO 11

12) O Escola sem partido como nome próprio

Luciano Paz de LIRA – UNITAU


Profa. Dra. Claudete Moreno Ghiraldelo (UNITAU/Orientadora)

RESUMO:

Escola e partido são duas das palavras mais utilizadas hoje em dia no Brasil. Quando
elas são agrupadas para formar um nome próprio “Escola Sem Partido”, é sinal que um
determinado discurso procura sua estabilidade e força de interpelação. O presente
trabalho tem por objetivo refletir sobre os movimentos semântico-discursivos relativos
ao fenômeno da ambiguidade e eplipse contidos no nome próprio Escola sem Partido.
Pretende-se revelar as relações interdiscursivas, políticas e ideológicas presentes
implícita e explicitamente - lembradas ou esquecidas, a partir dos pressupostos da
Análise de Discurso Francesa. Para tanto, procuramos situar diacrônica e
sincronicamente a denominação do movimento e identificar os sentidos da forma-
sujeito, bem como às posições discursivas a ela associadas, índices de sua inscrição na
história e da materialidade mesma do nome. Do ponto de vista metodológico, o recorte
e a escolha quanto à perspectiva pecheuxtiana de AD significa que as condições
materiais de produção, veiculação, utilização e reutilização dos enunciados é
fundamental. Os resultados evidenciam as forças dinâmicas que possibilitam e
sustentam relações de dominação/exploração/reprodução e que são ocultadas pelo
movimento de interpelação presente, por exemplo, na constituição do nome próprio do
movimento e que permitem concluir acerca do jogo de forças políticas e ideológicas que
funcionam no sentido de legitimar e reproduzir determinadas relações.

Palavras-chave: Escola Sem Partido; Discurso; Forças de produção; Materialidade


discursiva; Interdiscurso.

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13) As condições de produção e a discursividade nos arranjos e na


melodia de canções do Engenheiros do Hawaii

Íngrid Francine Lívero Jordão (UEM)


Prof. Dr. Pedro Navarro (UEM/Orientador)
Profa. Dra. Flávia Zanutto (UEM/Co-orientadora)

Resumo:

O estudo do discurso presente em canções presta-se a uma análise tanto ao nível


lexical quanto ao nível da harmonia e da construção de notas melódicas, além disso,
esse mesmo estudo pode lançar luz sobre a constituição do sujeito do canto. É
plausível, dessa forma, que determinadas bandas, em certo momento, produzam
canções que venham a servir de corpus para a compreensão de uma época, de um
estilo musical e mesmo de um aspecto da história sociocultural de um país. Partindo de
postulados erigidos pelo campo teórico da Análise do Discurso, com especial atenção
para aqueles formulados por Michel Foucault, a presente comunicação tem como
proposta apresentar os resultados de uma pesquisa que analisou o discurso e o sujeito
do canto, partindo do pressuposto de que este é visto como um lugar vazio, a partir do
qual tantos outros indivíduos podem falar. O sujeito que enuncia desse lugar insere-se
em uma formação discursiva, de onde advêm e se faz “ouvir” diversas temáticas sobre a
vida, os anseios, as declarações de amor, apreciações morais e políticas que
constituem a contemporaneidade brasileira. Além desse aspecto norteador, os arranjos
e as melodias, os quais configuram uma possibilidade discursiva de “escuta do som da
voz,” abrem espaço para que se analise a posição de sujeito de onde a voz pode se
propagar, ressoando lugares de enunciação completamente diferentes em relação à
posição enunciativa postulada como origem, de forma a tomar o discurso literomusical
como formador de sujeitos e também formado por sujeitos em contextos únicos. A
banda eleita para análise discursiva foi os Engenheiros do Hawaii, existente desde 1985
e que trouxe um legado de letras e de melodias muito significativo e bastante difundido
ainda hoje. O corpus constituiu-se, portanto, de uma seleção de músicas dessa banda,
a qual deveria ter mais de uma versão, fosse gravada em estúdio, ao vivo ou acústico. A
partir de tais critérios, quatro composições foram escolhidas, a saber: Terra de
Gigantes, Pra ser sincero, Alívio Imediato e Toda Forma de Poder. Tendo em vista a
existência de mais de uma versão para cada uma, o trabalho foi feito com dez
gravações diferentes, encontradas na internet. Foi possível perceber desdobramentos
quanto às diferentes versões de produção. Com algumas exceções, as músicas em
versão acústica dão visibilidade a processos de subjetivação materializados de forma
mais intimista, com uma técnica instrumental mais aprofundada e mesmo com
instrumentos diferenciados. Não existe um sujeito único produtor ou mesmo ouvinte
dessas versões, assim há situações em que o sujeito se identifica com o que está sendo

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cantado na letra, há também o sujeito crítico na posição de enunciador que irá se utilizar
da formação melódica do show acústico para revestir os enunciados no intuito de
suavizar seu forte efeito verbal. No caso das versões em show ao vivo nesse modo, é
notável também o hábito do cantor de unir letras de diferentes canções em uma só,
além das várias fugas à melodia originalmente escrita em versos determinados para
efeito de show com o público que conhece e tem relação com a banda, prática
discursiva essa que delineia a construção do discurso e de seus sujeitos participantes
nesse contexto. Como as versões em estúdio foram na maioria gravadas nas décadas
de 1980 e 1990, seu caráter crítico é ainda mais evidente, não só na letra, mas também
na musicalização que acompanha as tendências de outros grupos ditos fundadores do
BRock, o qual tinha como um de seus objetivos identificar novamente o público jovem
após uma época de forte censura. Com essas reflexões, foi possível apontar elementos
de formação de um discurso que pode vir a se tornar novamente, se já não o é, parte
fortemente relevante das relações de poder-saber de nossa contemporaneidade.

Palavras-chave: Análise do Discurso; Subjetivação; Discurso em Foucault;


Discursividade Musical; Rock Nacional.

14) As relações de saber e poder na constituição da ciência da


linguagem

Daiany Bonácio (UEL)

Resumo:

No final do século XIX e início do século XX, estudiosos se debruçaram sobre a questão
de que faltava cientificidade aos estudos linguísticos. A filosofia da linguagem
concentrava suas pesquisas na instauração de uma ciência com método, objeto e
objetivos próprios. Desse mirante, observamos Ferdinand Saussure e os adeptos do
estruturalismo linguístico buscando pensar a linguagem enquanto ciência. Estamos
diante de uma ciência positivista das línguas, a qual procura mostrar uma forma própria
de compreender a própria ciência. Como Saussure propõe um estudo imanente da

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língua, relacionando-a a organização interna dos seus elementos, vislumbramos nesses


fatos a construção de um verdadeiro para época e a analítica do poder desenvolvidos
por Michel Foucault em seu livro Microfísica do Poder. Segundo o filósofo, alguns
discursos têm o poder de produzir as verdades de uma sociedade, as quais são
impostas por determinados grupos e circulam de forma naturalizada. Ao tomar tal
conceito para o tema proposto, observamos que a teoria saussereana foi adotada como
verdadeiro de uma época: os manuais de linguística colocam Saussure e seu livro
Curso de Linguística Geral (CLG) como o marco necessário para a instauração da
ciência linguística. Foucault (1998) mostra que a verdade é uma construção histórica,
efeitos de verdade que são produzidos; sendo assim, os manuais de linguística dizendo
que Saussure é o pai da linguística produz efeitos de verdade. Com base nessas
discussões, levantamos alguns questionamentos: que efeitos de poder circulam entre os
enunciados sobre a fundação da ciência linguística? Que tipo de poder é esse capaz de
produzir discursos tidos como verdadeiros e com efeitos tão poderosos? Não foi de
forma abrupta que o estruturalismo saussureano foi considerado o fundador da
linguística moderna; relações de saber e poder ao longo da história possibilitaram seu
aparecimento. Com a finalidade de discutir essas questões, discorreremos acerca do
que foi dito sobre a formação da linguística moderna e como isso instituiu novos
discursos para a ciência da linguagem da/na época. A partir dos conceitos de saber e
poder de Michel Foucault, buscamos observar os fatos desse período e tirá-los da
evidência a fim de compreender melhor os acontecimentos do momento em que se
buscava estabelecer a cientificidade dos estudos da linguagem.

Palavras-chave: Análise do Discurso; Verdade; Poder; Linguística.

15) Nós Discursivos e Subjetivos que Prendem/libertam a Mulher Negra


no Quarto de Despejo

Sandra Lúcia Dimidiuk Bassani (UNICENTRO)


Profa. Dra Denise Gabriel Witzel(Orientadora)

Resumo:

Com base nos pressupostos teóricos da Análise de Discurso de linha francesa e das
contribuições de Michel Foucault, nesse campo do saber pretendemos compreender as

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condições históricas e sociais de produção dos discursos em Carolina Maria de Jesus,


bem como perceber as formas pelas quais ela produz seu discurso a partir das
condutas/contracondutas, identificação/desidentificação, com as várias formações
discursivas que permeiam o discurso da escritora, partindo de estudos realizados sobre
o poder nas tramas discursivas das enunciabilidades. Carolina Maria de Jesus, na obra
O Quarto de despejo: diário de uma favelada (1960),coloca em evidência a
discursividade do corpo e o dizer da mulher da favela, por meio de denúncias e críticas
sociais. Com a leitura dos livros e revistas que encontrava no lixo, ela tomou
consciência de sua posição no mundo e pôde reinventar seus modos de subjetivação,
relatando em diários suas amarguras e dificuldades. Carolina buscava melhoria de vida,
reconhecimento e aceitação na sociedade letrada. Utilizando a escrita como principal
prática, ela resiste. Metodologicamente, nossas reflexões se organizam a partir da
seleção de enunciados do livro que abordam o posicionamento da autora a respeito da
leitura, da escrita, das formas de submissão da mulher em meio a sociedade patriarcal
dos anos de 1950, forjada por relações de poder e formas de resistência.
Concentrando-nos, também, na irrupção dos discursos que ganharam materialidade nas
páginas da revista O Cruzeiro na década de 1950, autorizando a enunciabilidade hoje
do nome de Carolina, considerada um expoente da cultura negra, ela recebeu
reconhecimento pelo trabalho não somente literário, mas também social de uma autora-
personagem cuja obra se confunde com sua vida. Essa visibilidade ocorreu porque
relatava o cotidiano miserável de sua vida na favela, metaforicamente identificada como
“quarto de despejo”. Em nosso percurso analítico faremos alusão ao conjunto de
técnicas e procedimentos que caracterizam a economia das almas como significação de
condutas nos indivíduos; a produção de sentidos a partir das formas de resistência;
contraconduta e virilidade de Carolina de Jesus: sujeito-mulher, mãe solteira de três
filhos, negra, favelada, com pouquíssima escolaridade, catadora de recicláveis, a qual
enfrentava com palavras os poderes: do governo, vizinhos e, principalmente, a fome,
nesse sentido, verificamos o discurso ao lado da história e os recursos linguísticos que
estabelecem o que pode ser dito no surgimento dos enunciados na formação do sujeito
discutindo teórica e analiticamente os movimentos de controle dos poderes sobre os
corpos femininos, a governamentalidade, a comunidade em determinado momento
histórico, sua busca incessante de acesso ao poder, bem como a resistência e a
virilidade de um corpo feminino.

PALAVRAS-CHAVE: Quarto de Despejo, sujeito-mulher, resistência, contraconduta,


virilidade.

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16) Estupro contra a mulher: um movimento de desconstrução de discursos

Fernanda Bonomo Bertola (UEM)

Prof. Dr. Pedro Navarro (UEM/CNPq)

Resumo:

A cada 11 minutos, uma mulher é violentada sexualmente no Brasil. O estupro, crime


que ocorre, na maioria das vezes, contra pessoas do sexo feminino, espalha o medo
entre as mulheres. Uma pesquisa do Datafolha realizada, em 2016, a pedido do Fórum
Brasileiro de Segurança Pública, mostrou que, dentre os entrevistados, 90% das
mulheres têm medo de sofrer algum tipo de violência sexual, em que se enquadra,
conforme a legislação brasileira, o crime de estupro. Esse tipo de crime foi amplamente
debatido pela sociedade brasileira entre os meses de maio, junho e julho de 2016, em
razão de denúncias realizadas por jovens do sexo feminino sobre estupro coletivo que
sofreram nos estados do Rio de Janeiro e Piauí, no mesmo período do mesmo ano. Os
casos, que não têm relação entre si, e aconteceeram em datas diferentes, vieram à tona
com grande força devido à intensa atenção da mídia e grande repercussão nas redes
sociais. Pela forma como o caso foi noticiado em diversas oportunidades, percebeu-se a
necessidade de aprofundar uma reflexão discursiva acerca do estupro, na condição de
crime de gênero. Esta comunicação apresenta a proposta de pesquisa que será
desenvolvida para a produção da dissertação de mestrado da autora, sob orientação do
professor doutor Pedro Navarro. Ainda em fase inicial, a proposta pretende descontruir
discursos jornalísticos que, possivelmente, acabam por culpabilizar a mulher pelo ato
criminoso e, dessa forma, integram movimentações sociais, históricos e culturais que
desembocam no estupro. O trabalho tem como aporte teórico e metodológico a Análise
de Discurso de orientação foucaultiana e, para descontruir os discrusos, visa a analisar
a forma como é construída a culpa nos casos de estupro, acionando conceitos como
enunciado e função enunciativa, condições de possibilidade, subjetivação, objetivação,
prática discursiva, acontecimento, memória discursiva, poder, corpo e, com mais
ênfase, dispositivo. O corpus construído para a fase analítica será composto a partir de
enunciados recortados do Facebook e do site da Folha de São Paulo, esse por ser o
jornal eletrônico mais acessado, cuja fanpage registra a maior audiência, do País.
Assim, a pesquisa pretende analisar o modo como as mulheres alvos de crimes de

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estupro são faladas sob o possível funcionamento de um dispositivo de culpabilização


da mulher estuprada, formatado à luz de fatores históricos, culturais e sociais, os quais
se propõe levantar para a pesquisa com embasamento em teorias sociológicas e
feministas.

Palavras-chave: estupro; crime de gênero; dispositivo; culpabilização; jornalismo.

17) Práticas discursivas de objetivação/subjetivação do/sobre o idoso na


internet

Ivy Mariel Valsecchi (UEM)


Prof Dr. Pedro Navarro (UEM/CNPq/Orientador)

Resumo:

Com o trabalho, busca-se analisar de que forma se materializam as práticas discursivas


no espaço virtual que objetivam/subjetivam o sujeito idoso. Para tanto, o estudo está
embasado em uma abordagem discursiva, ancorada nos pressupostos de Michel
Foucault, que concebe o discurso como prática e cujo estudo divide-se em três
momentos. No primeiro, o do saber, o estudioso, por meio de seu método arqueológico,
busca entender a construção dos saberes na sociedade. No segundo momento, com a
genealogia do poder, Foucault trata da relação entre o saber e o poder, ou seja, as
maneiras pelas quais os saberes são construídos e legitimam o poder e este transforma
os saberes. Ao delinear uma genealogia, ou seja, uma “anti-ciência”, Foucault rompe
com a tirania dos discursos hierárquicos e privilegiados para considerar o saber das
pessoas. Trata-se, então, de agir contra os efeitos de poder centralizadores que regem
o discurso científico de nossa sociedade. O poder, para Foucault, se exerce, se dá nas
relações, é micro, ninguém o detém, ele escapa, além de ser, fundamentalmente, uma
relação de força. Em um terceiro momento, Foucault trata da subjetivação dos sujeitos a
partir do governo de si e dos outros, a, “governamentalidade”. Trata-se, por exemplo, de
governar a vida dos cidadãos, como os da terceira idade, para que vivam mais. Ao
conceber a noção foucaultiana de história, ou seja, que é serial, rompe-se com a noção
de uma história global, cronológica, pois se entende que a história tem rupturas.
Portanto, historicizar os discursos é fundante para uma análise foucaultiana. O
estudioso entendia, então, que existem verdades da época, a exemplo dos conceitos de
família, escola e também de velhice, que mudam de acordo com o tempo. Assim,
trabalham-se com séries enunciativas, que constituem uma forma de se fazer história -

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contada a partir de tais séries -; retoma-se a história para explicar o presente. Portanto,
fazer análise de discurso na perspectiva foucaultiana é como fazer uma espécie de
história do presente. A população idosa tem crescido vertiginosamente e os novos
arranjos familiares (com cada vez mais mulheres trabalhando fora, por exemplo, e
idosos que vivem sozinhos ou são colocados em instituições específicas para a terceira
idade), têm modificado as políticas públicas, buscando-se maneiras de garantir
qualidade de vida aos que têm acima de 60 anos. Frente a isso, pode-se dizer que nos
discursos que circulam há regularidades que permitem analisar a construção da
subjetividade das pessoas da terceira idade, já que, ao dizer quem é o idoso atual,
acaba-se por ditar atitudes que os idosos devem ter para que sejam vistos dessa
maneira. Tendo isso em vista, o estudo busca analisar a identidade da população idosa
com base em séries enunciativas organizadas em ambiente virtual (sites e blogs), com
foco exclusivo nos idosos, considerando que o processo de subjetivação destes está
fundamentado na historicização, em áreas específicas de saber e em práticas de poder.
As publicações demonstram o mesmo objetivo: promover um envelhecimento saudável
e ativo, com idosos que, inclusive, dominam as Novas Tecnologias de Informação e
Comunicação (NTIC’s), o que retoma uma memória histórica associada às imagens que
se tem dos idosos como sujeitos com problemas de saúde e inertes, sem disposição e
alheios às tecnologias. Há nas publicações uma regularidade que aponta para um
enunciado de que o idoso precisa ser ativo e conectado às novas tecnologias.
Entretanto, nos discursos são retomados saberes históricos que demonstram que há
práticas discursivas que estabelecem o que se espera desse sujeito, e não
verdadeiramente como esse sujeito se enxerga, já que, ao mesmo tempo em que é
circulada a importância de se deixar para trás uma visão estereotipada do sujeito idoso,
tal concepção é reforçada.

Palavras-chave: Idosos; Discurso; Subjetivação.

18) Arqueologia do corpo feminino de uma virgem juramentada

Isidora Popović (Unicentro)


Profa. Dra. Denise Gabriel Witzel (Unicentro/Orientadora)

Resumo:

O presente trabalho irá refletir sobre o acontecimento das virgens juramentadas-


mulheres que viveram como homem mantendo o juramento de não ter as relações
sexuais. A análise será realizada a partir dos conceitos e noções da Análise do Discurso
(AD) conduzidas nos vestígios teóricos de Michael Foucault. O objetivo será entender

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melhor como foi construído esse acontecimento em dado momento sócio-histórico e


discutir sobre a figura e o corpo feminino. Também, como instrumentos de análise, será
imprescindível discorrer sobre os conceitos essenciais do livro escrito por Foucault, A
Arqueologia do saber, notadamente o enunciado, o discurso e o arquivo. Por meio
desses conceitos, será mais fácil compreender aquilo que se diz sobre as virgens
juramentadas e realizar uma análise mais apropriada que exige este simpósio. Será
analisada uma reportagem de onde irrompem dizeres e imagens relacionados com elas,
mediante uma rede de saber e poder de que trata Foucault. A reportagem, gravada no
mês de julho de 2004, teve como sujeito entrevistado uma das virgens juramentadas do
norte de Montenegro, Stana Cerović. Stana era a mais nova das cinco filhas e, por essa
razão, assumiu o papel de homem desde criança, por causa da insistência de seus pais.
O caso dela também chamou muita atenção de vários estudiosos estrangeiros de
diferentes campos de conhecimento. Essa reportagem se constitui fonte de enunciados
por meio dos quais serão visíveis as condições de sua co-existência com outros
enunciados que apontam para o funcionamento desse fenômeno típico da península
balcânica. Através da análise dos enunciados, inscritos em dada formação discursiva, é
possível entender a posição desse sujeito feminino numa sociedade com a forte
dominação da mentalidade patriarcal e ter uma visão geral das práticas – discursivas e
não discursivas - realizadas por elas. Tudo isso dá um enfoque especial ao corpo como
espaço que faz com que emerjam esses enunciados e atualizem-se saberes. É
relevante articular tudo isso com as relações de poder que implicam os efeitos de
verdade e de subjetividade. Assim sendo, o corpo é também o objeto de poder que se
mostrará com bastante evidência na análise deste trabalho. Isso explicará como as
virgens juramentadas, ao desemepenharem o papel de homem, ocuparam uma posição
importante nessa sociedade, diferenciando-se bastante da posição que tinham as
mulheres naquela época. Em vista disso, ao assujeitar o seu corpo conseguiram ter um
certo poder.

Palavras-chave: Discurso; Corpo; Virgem juramentada; Poder.

19) Discurso, velhice e anormalidade no filme O curioso caso de


Benjamim Button (2008)

Josiele Cardoso da Silva (UEM)


Prof. Dr. Pedro Navarro (UEM/CNPq/Orientador)

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Resumo:

Esta pesquisa desenvolve a temática “O cinema, a velhice e a anormalidade em O


curioso caso de Benjamim Button (2008)”, da qual fizemos um recorte a partir do projeto
de iniciação científica, norteado, teórica e metodologicamente, pela Análise do Discurso
na perspectiva de Michel Foucault. O objeto de análise em questão surgiu de um Conto
de Francis Scott Fitzgerald, da década 1922, sendo adaptado em 2008 para o cinema e
dirigido por David Fincher. Inicialmente, é apresentada uma velhice como tempo de
rememorar o passado, de tentar reviver as lembranças, pois o filme se inicia com Dayse
(Cate Blanchett) contando à sua filha sobre a construção de um relógio, cujo sentido era
invertido, anti-horário. Também solicita a sua filha que leia para ela o diário de
Benjamim Button (Brad Pitt), o qual, assim como o relógio, seguia em um curso
contrário ao tempo cronológico, ou seja, iniciava sua vida na velhice e a termina na
primeira infância. Sendo assim, há nessa materialidade fílmica discursos relacionados à
velhice e aos idosos como, por exemplo, os problemas de saúde, a solidão, a
lembrança ou a falta dela e a morte. Para analisar essa materialidade fílmica, optamos
por elencar os seguintes conceitos: cinema, velhice e a anormalidade. Sendo assim,
com a linguagem cinematográfica, é possível materializar e difundir determinados
discursos. Já a anormalidade em relação à velhice, apresentada no filme, se encontra
no personagem principal da trama, pois ele segue em um sentido contrário aos demais
personagens humanos. O discurso fílmico sobre a velhice não é demarcado de maneira
objetivada ou logicamente estabilizada, mas sim de maneira poética, romantizada, não
havendo uma apelação ao grotesco e às imperfeições. Há um ideal de “normatização do
anormal” quando se refere ao sentido de vida de Benjamim Button, visto que o cinema
se utiliza de sujeitos e de situações anormais para criar esses personagens anormais,
sentimentos que condizem com os demais da sociedade para nos sensibilizar. Em
consequência disto, a contextualização desses conceitos só será possível por meio dos
estudos de Foucault (2009, 2010) sobre os indivíduos anormais, monstruosos, e as
transformações dos saberes e poderes investidos sobre eles, sobre um poder que
normatiza. Já os estudos de Courtine (2011) nos possibilita visualizar o corpo anormal
sendo incorporado ao cinema, como espetáculo de massa, o que viabiliza compreender
as mudanças do olhar em relação ao anormal. Por fim, buscamos com esta pesquisa
dar visualização discursiva às representações da velhice e da anormalidade na
linguagem cinematográfica capaz de gerar práticas de objetivação e de subjetivação.

Palavras-chave: Michel Foucault; Velhice; Poder de Normatização.

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20) Resistência e poder no sujeito Helen Keller

Suellen Fernanda de Quadros (Unicentro)


Profa. Dra. Denise Gabriel Witzel (Unicentro/Orientadora)

Resumo:

Apresentaremos neste trabalho reflexões sobre as práticas discursivas que emergem da


história de Helen Adams Keller (1880-1968) – mulher americana, surda e cega, que se
tornou uma ativista social na luta pelos direitos das mulheres e das pessoas com
deficiência e uma renomada escritora condecorada em vários países. Tomaremos como
norte os conceitos da análise do discurso (AD) de linha francesa, mais especificamente
nas formulações arqueológicas de Michel Foucault, por meio das quais analisaremos a
constituição do sujeito emaranhado às relações de poder e resistência presentes nos
discursos reverberados sobre o corpo de Helen Keller, visto a priori como um corpo
louco e deficiente, incapacitado de enxergar, de se comunicar e, consequentemente, de
viver em sociedade. Partindo do pressuposto que o discurso deve ser entendido como
um conjunto de fatos linguísticos e não linguísticos, ou seja enunciados, e que, segundo
Foucault, um enunciado precisa ter uma substância, um suporte, um lugar e uma data
(FOUCAULT, 2016), desenvolveremos uma análise a partir dos discursos
materializados em alguns trechos do filme “O Milagre de Anne Sulivan” (1962)- uma
produção baseada na história real de Helen Keller e que retrata o drama vivido pela
professora Anne Sullivan que, para ensinar Keller a compreender o mundo que a
cercava, precisou encarar inúmeras situações de poder e resistência por causa dos pais
que sempre mimavam a garota, sem ao menos lhe ensinar algo concreto para a vida.
Os trechos que compuseram a análise deste trabalho retratam como Keller foi
discursivizada durante sua infância, mais necessariamente nos momentos que
antecedem a fase de sua aquisição da linguagem. Dividimos a análise a fim de
demonstrar três pontos de vista sobre Keller: dos funcionários da fazenda, do irmão de
Keller e de seu pai. Interessa-nos evidenciar a tensão entre poder e resistência,
fortemente marcada nessa fase da vida do sujeito Helen Keller. A importância deste
trabalho centra-se na busca por informações históricas que nos possibilitam um trajeto
analítico focado no efeito do jogo de poder que reinventa verdades e cria novas formas
de sujeições do presente, pois, para Foucault, “onde há poder há resistência”
(FOUCAULT, 1975-1976). Visamos, também, compreender o funcionamento da
linguagem em determinados momentos e como a memória discursiva – o interdiscurso –
age na produção do sujeito e de sua subjetividade, entrelaçada por diferentes discursos
produzidos ao longo dos tempos nos mais distintos meios sociais e, consequentemente,
partindo de vários enunciadores.

Palavras-chave: Enunciados; corpo feminino; poder; resistência.

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21) Um olhar analítico sobre o discurso de inclusão

Profa. Me. Marilza Nunes de A. Nascimento( UFMS/UNIESP/CRE-9)


Profa. Espec. Vânia Aparecida de A. Bagi(CRE-9)
Profa. Dra.Claudete Cameschi de Souza(UFMS)

Resumo:

Este artigo objetiva analisar, interpretar e problematizar os efeitos de sentido


discursivos sobre inclusão. O objeto de análise é um enunciado veiculado pelo suporte
digital facebook que, por meio da linguagem verbal e não verbal, aborda o referido
assunto. A metodologia utilizada segue a Análise do Discurso de Linha Francesa (AD),
em que o enunciado foi recortado e analisado, em sua materialidade linguística, os
efeitos de sentido produzidos.Optamos por essa teoria porque entendemos que o
sujeito se constitui historicamente na/pela linguagem, produz identidades e
subjetividades, possibilitando a outros indivíduos (re) significar o mundo e a si mesmos.
Como nos orienta Orlandi (2012, p.15), a Análise do Discurso não trabalha com a língua
enquanto um sistema abstrato, mas com a língua no mundo, com maneiras de
significar, com homens falando, considerando a produção de sentidos enquanto parte
de suas vidas, seja enquanto sujeitos ou enquanto membros de uma determinada forma
de sociedade. Nesse sentido,nossa hipótese parte do princípio de que o enunciado
analisado trata as diferenças de forma estereotipada, produzindo efeitos de sentido
excludentes, os quais desconstroem a inclusão como necessária à promoção e
efetivação de equidade social. Dessa forma, para nortear esta investigação, aportarmo-
nos teoricamente em Foucault(1996), Costa(2010) e outros teóricos que trabalham sob
viés de que o sujeito discursivo é histórico, ideológico e social, uma vez que para a
Análise do discurso as palavras não possuem sentidos estagnados, mas os sentidos se
deslocam, dependendo de quem fala, de quando fala, de como fala, para quem fala e
para quê fala. Por outro lado, Foucault (1996), assevera-nos que a produção do
discurso é ao mesmo tempo, controlada, selecionada, organizada e redistribuída por
certo número de procedimentos que tem por função conjurar seus poderes e perigos,
dominarem seu acontecimento aleatório, esquivar sua pesada e temível materialidade
de ideologias.Orlandi(2005), complementa ao dizer que os efeitos de sentido dependem
da formação discursiva e das condições de produção que se irrompem,tendo o sujeito
lugar de destaque e junto dele ganham foco a história e a ideologia (COSTA, 2010), as

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quais, ao nosso entender, são responsáveis pelos o efeitos de sentido do discurso e, ao


mesmo tempo, a dispersão deles.

Palavras-chave: Inclusão, Discurso, Efeito de sentido

22) A “Maringá-Menina” e as porungas rio abaixo, dois discursos se


confrontam no nascimento de uma cidade

Airton Donizete de Oliveira (UEPG)


Profa. Me. Letícia Leal de Almeida (UEPG/Orientadora)

Resumo:

Esta pesquisa, em fase preliminar, analisa duas publicações que começaram a escrever
a história de Maringá (cidade localizada no noroeste do Paraná e, segundo o IBGE, em
2016, tinha 403. 063 habitantes). A primeira é a Revista Maringá Ilustrada, com 200
páginas, lançada em 1957, em comemoração ao 10º aniversário de Maringá. Uma
publicação tradicional, elogiando a cidade recém-fundada, bem como seus
personagens, homens e mulheres que se estabeleceram em Maringá. A revista,
produzida por Ary de Lima e Antônio Augusto de Assis, fala da Maringá que deu certo,
uma promissora cidade que nascia no noroeste do Paraná. Esta análise começa pela
capa de ambas publicações. No caso da revista, na capa estampa-se a figura de uma
menina para dizer que se tratava da “Cidade Menina”, que nascia naquela boca de
sertão. Uma menina sorrindo com o olhar para cima, direcionado para o slogan da
revista: “Maringá, ‘Cidade-Menina’, que nasceu de olhos voltados para o céu”. A
imagem retrata um lugar em que tudo dá certo, com futuro brilhante, uma espécie de
oásis do norte e noroeste do Paraná. Na página 3, um texto reafirma os atributos da
capa, tecendo vultosos elogios àquela Maringá dos anos 1950. Entre outros, cita:
“Maringá, aí está a crescer, a progredir impressionantemente, a desenvolver-se, dentro
de características, dos mais modernos centros citadinos”. Pelas páginas da Revista
Maringá Ilustrada artigos e anúncios seguem o mesmo diapasão, retratando uma cidade
dos sonhos, onde a felicidade não era apenas um projeto, mas a realidade dos seus
quase 100 mil habitantes, na época. Mas outra publicação, também produzida em 1957

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e publicada em 1961, refuta essa visão. Trata-se do livro Terra Crua, de Jorge Ferreira
Duque Estrada. Uma narração realmente nua da história de Maringá, revelando a
violência que rondava a cidade na década de 1950. O que não é novidade, pois se trata
de uma região de fronteira, constituindo-se em um lugar de crimes e grilagens de terra.
A capa de Terra Crua já rompe com o discurso da “Cidade-Menina” estampando a
imagem de Zé Risada, também conhecido por Risadinha, negro e personagem folclórico
de Maringá. O livro revela passagens fortes sobre a violência na cidade, descrevendo
as mortes por grilagens de terra: “Jogado n’água, a cabeça do ‘bicho’ vai ao fundo,
enquanto as porungas, muito leves, flutuam juntamente com os pés, descrevendo, no
começo, uma dança desesperada, macabros revolteios”, diz, complementando que
assim “os cabras” (homens) desciam rio abaixo e logo deixavam de respirar; ou seja,
morriam. Estrada também fala de Aníbal Goulart Maia, que era uma espécie de “manda
chuva” em Maringá. Pistoleiro e grileiro de terra que tinha 80 jagunços na cidade. Logo
depois de escrever o livro, o autor mudou-se de Maringá e só retornou em 1961 para
lançá-lo. Para analisar esses dois discursos, que descrevem os primeiros passos de
Maringá, nos anos 1950, recorremos à Análise de Discurso, interpretando-os sob a ótica
foucaultiana. Para Foucault, os discursos são controlados pela sociedade. O discurso
político é tratado no que ele chama de “tabu do objeto”, pois há certas coisas e
determinados assuntos que não podem ser ditos. Assim, a Revista Maringá Ilustrada
cumpre bem esse papel, demonstrando uma cidade ideal para viver, sem violência ou
qualquer outra atribulação. Desta forma, a publicação agradava à Companhia
Melhoramento Norte do Paraná e o poder político local. O livro Terra Crua, ao contrário,
rompe a interdição (termo usado por Foucault) do discurso e descreve a Maringá real,
trazendo à tona os casos de violência e grilagem de terra. Com o andamento desta
pesquisa, pretendemos analisar mais detalhes das duas publicações, inclusive,
ampliando a análise sobre as capas de ambas que detêm forte visualidade.
Palavras-chave: Colonização regional; Maringá; discursos midiáticos e políticos.

23) O discurso do magistrado e a construção dialógica no discurso


decisório: relações de aproximação ou de distanciamento?

Sirval Martins dos Santos Júnior (FDV)


Valdeciliana da Silva Ramos (FDV)
Profa. Dra. Valdeciliana da Silva Ramos (FDV/Orientadora)

Resumo:

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Os cidadãos, atualmente, em busca de ter maior acesso à justiça, anseiam por


conhecer melhor os fatos que envolvem ações jurídicas nas quais estão envolvidos.
Assim, tendem a saber o teor dos textos jurídicos decisórios numa busca da
compreensão de seus direitos. A partir desta realidade, este trabalho se propõe a
verificar a construção dialógica presente no discurso jurídico, bem como discutir os
efeitos que as estratégias dialógicas podem produzir no sujeito interpretante deste texto.
Como este domínio discursivo recorre a gêneros distintos para se materializar
(decisório, processual, opinativo, científico, normativo), o presente estudo se preocupa
em analisar textos decisórios, selecionados por meio de amostragem, mais
precisamente textos produzidos por magistrados de 1ª instância. Assim, visa analisar os
mecanismos e as estratégias discursivas que promovem o dialogismo em sentenças.
Com base nos pressupostos de Bakthin (2002, 2003), que vê o dialogismo como
fundamental no processo de comunicação, tem-se que a relação entre quem enuncia e
quem recebe a enunciação é elemento fundamental para a concretização da
comunicação entre os sujeitos. Isso é presente na manifestação do discurso jurídico,
uma vez que as relações discursivas nesta área demandam relações de poder as quais,
por vezes, ultrapassam as relações de saber. Com efeito, a comunicação eficaz na
esfera jurídica deve ser um dos objetivos precípuos deste tipo discursivo, tendo em vista
que qualquer cidadão deve ter acesso a seus direitos e, para tanto, faz-se necessário
ter conhecimento e compreensão dos mesmos. Para analisar com mais precisão este
domínio discursivo, além da perspectiva de Bakhtin, recorre-se à concepção de
Contrato de Comunicação de Charaudeau (1992, 2006, 2007, 2008) – que permite
observar a finalidade comunicativa, quais as circunstâncias comunicacionais entre
outros aspectos pertinentes para se entender a construção do discurso na realidade
jurídica. Ademais, parte-se também da concepção de sujeito de Foucault, que vê o
sujeito não como essência em si, mas parte da noção de que a subjetividade é
construída no discurso e pelo discurso. Muitas vezes, a construção dialógica se realiza
por um duplo vértice, quais sejam: diálogo com o leitor – processo interacional que se
concretiza em tentar atingir o outro com o processo comunicativo (persuadir,
argumentar, seduzir, entre outros), que é a essência da análise deste trabalho; diálogo
com outros (autores, senso comum, fatos, dados, etc) – em que se materializa o
processo de intertextualidade, que, embora relevante, não é o cerne da análise neste
trabalho. De todo modo, a partir deste estudo, é possível vislumbrar que o dialogismo,
no discurso jurídico, permite uma infinidade de possibilidades discursivas, as quais,
muitas vezes, aproximam os sujeitos, tornando o texto mais acessível ao leitor, mas,
não raro, pode afastá-lo, estabelecendo uma relação de distanciamento como afirmação
de estrutura de poder. Por isso, é fundamental que o comunicante saiba os limites para
a utilização da estrutura dialógica, não só pensando em atingir um objetivo a qualquer
custo, mas também ponderando o papel social que cada sujeito desempenha no cenário
forense.

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Palavras-chave: Discurso jurídico. Dialogismo. Contrato de comunicação. Magistrado.


Relações de poder-fazer.

24) O entre-lugar no discurso das “Reflexões Pedagógicas sobre o


ensino da EJA”: Relação de Poder-Saber

Cristiane dos Santos Liberato EugênioElis Reginia (UFMS)


Profa. Dra. Celina Aparecida Garcia de Souza Nascimento (UFMS/Orientadora)

Resumo:

As “Reflexões pedagógicas sobre o ensino e aprendizagem de pessoas jovens e


adultas” é um documento que subsidia o processo de ensino-aprendizagem destinado
aos professores que atuam em salas de EJA com objetivo de auxiliar na elaboração de
projetos e propostas curriculares a serem desenvolvidos. Este trabalho tem como
objetivo analisar e discutir discursivamente esse documento destinado a professores da
EJA, questionando e problematizando o discurso, almejando contribuir para o
aperfeiçoamento de uma postura crítica em relação ao ensino-aprendizagem dessa
modalidade de ensino, a partir da análise das condições de produção e da materialidade
lingüística. Com base na análise desses documentos, essa pesquisa insere-se numa
perspectiva histórica que pretende chamar a atenção para a dimensão política, com o
interesse em estudar o discurso educacional tendo como objetivo o questionamento da
representação do governo sobre si e sobre o professor. Partimos da hipótese de que o
discurso político-oficial das reflexões pedagógicas direcionado ao ensino da educação
de jovens e adultos encontra-se atravessado pela imbricação de duas relações: de
poder e de saber, objetivando tanto o bem social quanto a busca da verdade, como
também esse discurso é atravessado por muitas vozes, dentre das quais se encontram
aquelas que perpassam o poder, que deixam resvalar a heterogeneidade constitutiva no
discurso político educacional do material em análise. Buscaremos, também,
compreender de que lugar fala o sujeito-enunciador e a representação que faz de si e
do seu sujeito-alocutário. A construção da identidade desses sujeitos passa pela esfera
da administração pública, da subjetividade sempre controlada e contida, para que
signifique dentro dos moldes preconizados. Por meio de designações, recategorizações,
a utilização de pronomes possessivos, determinados verbos e expressões, buscaremos

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emergência da representação estereotipada, marginal e excludente do/sobre o aluno da


EJA por parte da cultura hegemônica por interesses econômicos e sociais da história
brasileira.Com isso, observaremos os efeitos de sentido e suas implicações para as
relações de poder-saber no discurso das reflexões pedagógicas da EJA, bem como,
destacar as marcas linguísticas que caracterizam esse discurso e levantar as
emergências de representação incorporada nas relações de poder-saber. Para tanto,
nos valemos do arcabouço teórico da Análise do Discurso de origem francesa (AD), a
partir dos estudos de Coracini (2003; 2007; 2011), de Pêcheux (1988; 1990); de Orlandi
(1999) e de Authier-Révuz (1990; 1998), a partir do método arqueogenealógico de
Foucault (1990; 1997; 1999; 2007).

Palavras-chave: Discurso, Poder, saber, Resistência.

SIMPÓSIO 2) Linguística funcional: análises e perspectivas da língua em


uso

Profa. Dra. Simone Maria Barbosa Nery Nascimento (Unespar)

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simoneuem@gmail.com
Profa. Me. Virginia Maria Nuss (Unesp)
virnuss@hotmail.com

1) Sobreposição semântica no conectivo “quando”: Uma análise em


ocorrências na Ação Penal 470 (caso Mensalão)

Evelyn Cardogna Nogueira Furman (UNESPAR)


Profa. Me. Juliana Carla Barbieri Steffler (UNESPAR\ Orientadora)

Resumo:
O presente trabalho analisou vinte e três ocorrências de orações adverbiais temporais
introduzidas pelo conectivo 'quando', presentes na Ação Penal nº470 (Origens dos
recursos empregados no esquema criminoso (caso Mensalão)). A fundamentação
teórica baseou-se nos pressupostos funcionalistas de Haliday (1985) e Neves (2000)
que, simultaneamente, defendem a concepção de que a gramática é emergente e,
portanto, configura-se como resultado das pressões de uso de uma determinada
comunidade linguística. O estudo realizado apontou usos que estão para além da
clássica univocidade, segundo a qual para cada forma haveria uma única função
(quando > tempo). Isso ocorre, porque o conectivo apresenta a tendência geral de trazer
em sua carga semântica o sentido de condição e, mais raramente, o de contraste,
associado ao de tempo. Tal fato suscitou, a um só tempo, a necessidade de se revisar o
aparato teórico de cunho normativo (Cunha e Cintra (1985) e Mesquita (1990)), bem
como a nomenclatura comumente empregada, já que a conjunção, a princípio, indicativa
de tempo pode trazer outras noções, recorrentes também em textos escritos da
modalidade padrão do português brasileiro. Assim, por um lado, os resultados apontam
para a necessidade de se tratar as construções com 'quando' como aquelas cuja função
pode introduzir sentenças indicativas de tempo, tempo-condição, tempo-contraste. Por
outro, indicam a relação direta entre a sobreposição de carga semântica e os diferentes
momentos da organização do texto no que diz respeito ao gênero Ação Penal. Em
outras palavras, o conectivo tende a indicar a noção canônica de tempo se empregado
em sentenças cujos objetivos centram-se na explicação/definição de uma lei, um inciso,
um procedimento recorrente na esfera jurídica; se, ao contrário, a intenção é, de fato,
fazer referência ao evento motivo da ação – e, por conseguinte, desenvolver uma
sequência narrativa - o mesmo conectivo acumula ao sentido básico o de condição e de
contraste, respectivamente. Por conseguinte, foi possível a identificação das limitações
do tratamento tradicional dado às orações temporais e o reconhecimento da existência

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de polissemia na atuação dessas cláusulas. Ademais, em função do alto grau de


formalidade do gênero analisado e do paralelo que estabelece com a modalidade
padrão da língua portuguesa do Brasil, é possível considerar que o fenômeno da
sobreposição semântica do conectivo prototípico “quando” encontra-se já bastante
cristalizado e consolidado.

Palavras-chave: Orações Temporais; Tradição Gramatical; Funcionalismo.

2) Os usos e as relações de sentido estabelecidas pelas sentenças


adverbiais: Um estudo funcionalista à par do gênero discursivo
jornalístico matéria

Vanessa Leme Fadel Steinhauser (UNESPAR)


Profa. Me. Juliana Carla Barbieri Steffler (UNESPAR/Orientadora)

Resumo:
O presente trabalho resulta de uma análise advinda do Projeto de Iniciação Científica
intitulado “Estudo das orações hipotáticas adverbiais em textos jornalísticos: Uma
proposta de análise e recategorização semântica à par da noção de radialidade”
desenvolvido na UNESPAR – Campus de Paranavaí, no período de 2016 à 2017. O
estudo culminou na investigação de 26 matérias publicadas na Revista IstoÉ Online,
nas quais identificamos um total de 296 sentenças adverbiais, ou seja, orações que, em
termos semânticos, caracterizam-se por retratar circunstâncias diversas e,
sintaticamente, por estabelecer uma relação de dependência (Halliday, 1985) com as
consideradas principais. Os resultados apontam para a predominância significativa de
sentenças finais (41,21%), seguidas de temporais (17,56%). Nesse ínterim, os dados
foram analisados à luz das particularidades referentes ao contexto de produção inerente
ao gênero escolhido (matéria), no qual destaca-se a esfera comunicativa (jornalística e,
concomitantemente, digital) – conforme os pressupostos teóricos de Bakhtin (1997),

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Brait (2000), Costa (2010), Fiorin (2001), Koch (1997) e Marcuschi (2008).
Identificamos, assim, uma alusão à linguagem como prática textual-discursiva, em que a
conexão expressa entre texto e contexto, seja ele histórico, cultural, social ou cognitivo,
perpassa o sujeito e a sociedade, sendo o uso das categorias sintáticas e a
compreensão semântica, fatores subordinados aos contextos pragmáticos. Ademais,
vale ressaltar também que o projeto apurou a incidência de casos que transcursam as
classificações canônicas da gramática normativa e apresentam conectivos introdutórios
com cargas semânticas sobrepostas. Destarte, observamos que em uma mesma oração
pode haver duas ou, até mesmo, três circunstâncias empregadas. Tal aspecto pôde ser
materializado ao averiguarmos episódios de maleabilidade em que a estrutura provou
ser não-arbitrária, motivada, icônica e, o sentido, contextualmente dependente e não-
atômico – seguindo as premissas de Givón (1995). Dentre as noções de sentido que se
sobrepõem, destacam-se, principalmente, as relações de: tempo e causa; condição e
comparação; tempo e condição; tempo e comparação; tempo, causa e condição; tempo
e proporção; concessão e condição; causa e concessão; condição e consequência;
tempo e consequência; tempo, causa e comparação; condição, comparação e
concessão. Axiomaticamente, conclui-se que, seguindo os princípios da linguística
cognitivo-funcional – elencados por Ferrari (2011), Halliday (1985), Langacker (1987),
Neves (2000), entre outros, cujas postulações vinculadas à interdependência,
continuum e radialidade são subsídios cruciais aos novos estudos dessa corrente –
nosso trabalho buscou questionar o tratamento tradicional dado a esses fenômenos
linguísticos e defender o processo de interação e de usos contextuais efetivos da língua
voltados às estratégias discursivo-comunicativas.
Palavras-chave: Sentenças adverbiais; perspectiva funcionalista; gênero jornalístico
discursivo-comunicativo.

3) O uso de portanto no português brasileiro e no português africano

Kátia Roseane Cortez dos Santos (UEM)


Prof. Dr. Juliano Desiderato Antonio (UEM/Orientador)

Resumo:
O objetivo deste estudo é analisar as ocorrências do elemento portanto em um corpus
da modalidade oral do português brasileiro e do português africano. A partir de uma
perspectiva funcionalista da linguagem, busca-se identificar o valor semântico desse
elemento (análise pautada no trabalho de Lopes, Pezatti e Novaes, de 2001) e também
quais relações retóricas ele sinaliza (perspectiva adotada pela Teoria da Estrutura

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Retórica (Rhetorical Structure Theory – RST)). O corpus da pesquisa é constituído por


45 gravações e suas respectivas transcrições ortográficas; são textos exemplificativos
do português falado no Brasil (20) e nos países africanos de língua oficial portuguesa:
Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe (5 de cada).
Constatou-se que o uso do elemento “portanto” é muito mais frequente na segunda
variedade, uma vez que ele surgiu apenas 1 vez nos textos brasileiros. Além disso,
evidenciou-se que, em relação ao valor semântico do elemento, na maior parte das
vezes ele surgiu como um marcador conversacional, em 46 de um total de 97
ocorrências; em segundo lugar na escala de frequência, estava o valor semântico de
articulador discursivo reformulador de termos, 13 ocorrências; e, em terceiro lugar, o
articulador discursivo encaminhador de tópico surgiu em 12 ocorrências. No que
concerne aos resultados da análise empreendida na perspectiva da RST, observou-se
que a na maior parte das vezes, o portanto sinaliza uma relação retórica de resultado,
em 16 de um total de 36 ocorrências. Ocupando a segunda colocação na escala, está a
relação retórica de elaboração, com 9 ocorrências; em terceiro, temos a relação de
resumo, que emerge 5 vezes no corpus analisado; e em quarto lugar temos a relação
retórica de reformulação (do tipo núcleo-satélite), apresentando-se 4 vezes nos textos.
Por fim, notamos que quando a relação retórica é de resultado, geralmente o valor
semântico de “portanto” é de conector ou advérbio; quando a relação é a elaboração,
tem-se normalmente o valor semântico de articulador discursivo encaminhador de
tópico; se a relação retórica for o resumo, é muito grande a possibilidade de o valor
semântico do elemento “portanto” ser o de articulador discursivo encaminhador de
tópico; por fim, há ainda a correspondência entre o valor semântico de articulador
discursivo reformulador de termos e a relação retórica de reformulação núcleo-satélite.

Palavras-chave: Portanto; Valor semântico; Relação retórica.

4) As orações adverbiais hipotáticas concessivas na construção e


argumentatividade textual

Me. Virginia Maria Nuss (UNESP)

Resumo:

As orações hipotáticas adverbiais concessivas podem ser observadas de modo a serem


descritos alguns processos de construção e argumentatividade textual. A forma e a
função de tais construções são capazes de proporcionar variadas orientações

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argumentativas e conduzir o ouvinte a diferentes conclusões, assim como realizar a


alteração do conteúdo informacional que o ouvinte já possui acerca de determinado
conteúdo, conforme o propósito do falante. A proposta deste trabalho visa apresentar os
resultados oriundos de análises que verificaram tal funcionamento. Com base nos
conceitos teóricos da Gramática Sistêmico Funcional (Halliday 1994, 2004) aliados aos
conceitos teóricos da Perspectiva Textual Interativa (Jubran, 2006; Koch, 2005, 2013),
investigaram-se questões pertinentes à formulação textual e interação. Estudos teóricos
argumentativos de cunho linguístico e discursivo (Semântica Argumentativa [DUCROT,
1988] e Nova Retórica [PERELMAN e OLBRECHTS-TYTECA, 2005], respectivamente)
também foram utilizados. Esse aparato teórico foi utilizado nas análises realizadas nas
ocorrencias de orações hipotáticas adverbiais concessivas encontradas em um córpus
de língua falada. O córpus em questão foi obtido por meio de entrevistas realizadas com
doze diferentes líderes religiosos (padres, pastores e representantes de doutrinas
cristãs) e possui aprovação do Comitê Permanente de Ética Em Pesquisa Com Seres
Humanos da UEM – COPEP/UEM. As entrevistas foram gravas e posteriormente
transcritas conforme as normas do projeto da Norma Urbana Oral Culta (NURC) de São
Paulo. Os parâmetros de análise utilizados foram: classificação das orações adverbiais
nos diferentes níveis de atuação lógico-semântica (níveis de conteúdo, epistêmico e ato
de fala), tipos de conjunções, tempo verbal, topicalidade, informatividade, posição das
orações adverbiais (posposta ou anteposta), e subtipos das orações condicionais
(factual, contrafactual e potencial). Os resultados encontrados, em termos de função
textual-discursiva, demonstram que as orações adverbiais hipotáticas concessivas
atuam mais como segmentos de centração e concernência do que de distribuição
tópica. Ao veicular, de diferentes maneiras, os conteúdos informacionais novos e
compartilhados entre falante e ouvinte, essas orações não apenas atribuem ao texto
coerência, mas possibilitam o relevo informacional e estruturação tópica. Acerca da
argumentatividade, as orações se articulam de modo a: (i) influir na argumentatividade
do texto, atribuindo força projetiva ao argumento; (ii) funcionar como argumento no
interior de outro argumento, incorrendo novamente em uma maior argumentatividade; e
(iii) constituírem-se em argumentos plenos dentro do texto.

Palavras-chave: Orações hipotáticas adverbiais concessivas; Articulação de orações;


Argumentatividade.

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5) Introdução, manutenção e retomada de tópicos discursivos na fala de


professoras universitárias

Maria Margarete de Paiva Silva (UNEAL/ UEM)

Resumo:

O estudo da língua em uso, como preconizam os Parâmetros Curriculares Nacionais


desde a década de 1990, vem se desenvolvendo a passos largos no Brasil,
compreendendo que os estudos tradicionais, baseados na gramática normativa, não
dão conta dos fenômenos que ocorrem na língua em funcionamento. Observa-se que,
no Brasil, o estudo da relação entre função e forma no âmbito gramatical vem ganhando
espaço nas universidades, entretando ainda está distanciado dos professores da
educação básica, o que proporciona pouca visibilidade ao estudo da língua em situação
real de comunicação. Entende-se que há uma necessidade emergente de que os
estudos que privilegiam conteúdos mais próximos da língua que utilizamos no nosso
cotidiano, através da fala, da escuta, da leitura e da escrita, nas diversas situações de
interação, sejam trabalhados na escola, a fim de atender às necessidades de
comunicação dos alunos. Não menos importante no funcionalismo, é compreenderque a
língua é governada por regras fonológicas, morfológicas, sintáticas, semânticas e
pragmáticas e que o uso dela se dá na interação entre falantes de uma mesma língua.
Para Dik (1989) um texto é um espaço vazio que vai sendo constituido com tópicos que
nele vão sendo introduzidos: o novo, que aparece no texto pela primeira vez; e o dado,
já conhecido. Alguns tópicos dados são mantidos e ou retomados, para garantir a
compreensão do texto. Nesse sentido, nessa comunicação oral abordaremos algumas
categorias de introdução, manutenção e retomada de tópicos discursivos presentes na
fala de duas professoras universitárias entrevistadas a respeito do currículo do curso de
Pedagogia. Quanto à metodologia, evidenciamos que as entrevistas orais
semiestruturadas foram gravadas e transcritas em 2016. Os dados selecionados foram
analisados com base na noção de tópico discursivo, pautados no funcionalismo de Dik
(1989), que reconhece tanto o sistema da língua quanto o uso da língua, mas considera
que o entendimento da forma do enunciado depende de sua função, com referência ao
falante, ao ouvinte e a seus papeis no contexto de interação. Também, nos
fundamentamos no estudo de Antonio (2005) em narrativa, haja vista que analisamos as
mesmas categorias de tópico discursivo em entrevistas orais. Como resultado,
encontramos as seguintes categorias: introdução (asserção metalinguística, posição
sintática do objeto, posição sintática do sujeito), manutenção (referência anafórica,
paralelismo sintático, subtópicos) e retomada de tópicos discursivos (referência
anafórica).

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PALAVRAS-CHAVE: Funcionalismo. Tópico dado. Tópico novo. Texto.

6) Aspectos sintáticos de construções tanto que no português brasileiro

Rosangela Jovino Alves (IFSC)


Profa. Dra. Maria Regina Pante (UEM/Orientadora)

Resumo:

A flexibilidade dos elementos linguísticos de qualquer língua em uso faz que esses
elementos sejam alvos de variação ou mudança linguística. Tanto a variação quanto a
mudança ocorrem porque as formas linguísticas alteram-se em função do uso, e essas
alterações envolvem o discurso e a gramática da língua. Quando as formas linguísticas,
em função do discurso, alteram-se na gramática, tem-se um processo de
gramaticalização. Na perspectiva de autores que entendem a língua como
um multissistema, a gramaticalização não é um processo unidirecional e derivacional de
mudança que ocorre quando itens lexicais adquirem características gramaticais e itens
gramaticais tornam-se mais gramaticais. Nessa perspectiva, a gramaticalização consiste
em um dos processos de mudança que pode ocorrer nos sistemas linguísticos, do
mesmo modo que a lexicalização, a semanticização e a discursivização. Esses
processos ocorrem simultaneamente, sem hierarquia entre eles, de forma
multidirecional. O sistema da gramática é constituído pelos subsistemas: fonologia,
morfologia e sintaxe. Dessa forma, na gramaticalização, uma palavra pode sofrer
alterações fonológicas, morfológicas e sintáticas. Os processos nos subsistemas da
fonologia (fonologização), da morfologia (morfologização) e da sintaxe (sintaticização)
ocorrem de forma simultânea e não há primazia de um subsistema sobre o outro. Neste
trabalho, destacamos aspectos sintáticos da gramaticalização da construção tanto que
no português brasileiro sob a perspectiva multissistêmica. Abordamos, assim, o
subsistema da sintaxe, tendo por objetivo evidenciar similaridades e diferenças nos
aspectos sintáticos de construções correlatas consecutivas com tanto que e outras
construções que não podem ser enquadradas sob o mesmo rótulo. Em sentenças
correlatas consecutivas, os elementos tanto e que estão em interdependência sintática,
ocorrendo cada elemento em uma sentença distinta. Por outro lado, em outras

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ocorrências, que denominamos evidenciais, os elementos tanto e que ocorrem em início


de sentença, com os dois elementos adjacentes, após pausa, tendo variações em que
esses elementos ocorrem introduzindo sentença, mas com outros elementos, até
mesmo sentenças, entre eles. Buscamos com este trabalho evidenciar novos usos de
tanto que no portugues brasileiro, ampliando a compreensão do processo de
gramaticalização a partir de uma perspectiva multissistêmcia e também contribuindo
para os estudos da gramática da língua em uso.

Palavras-chave: Funcionalismo; Gramaticalizaçao; Tanto Que..

7) A Modalização Deôntica e a Modalização Epistêmica no discurso de


posse do Presidente Michel Temer

Sâmia L. Cardoso dos Santos (UEM)


Prof. Dr. Juliano Desiderato Antonio (UEM/Orientador)

Resumo:

Considerando que todo enunciado tem marcas que nos permite avaliar a intenção do
falante. Ao produzir um discurso, o locutor usa estratégias discursivas para convencer o
leitor/ouvinte, visto que ele possui uma intenção comunicativa diante da comunidade
discursiva em que está inserido. Uma dessas marcas comunicativas é a modalização,
esta se responsabiliza por sinalizar para o interlocutor a opinião do locutor, marcando o
seu discurso como irrelutável ou contestável. Atualmente, muitos estudiosos têm se
interessado por esta peculiaridade, devido a grande quantidade de modalidades
existentes, suas complexidades e sua importância para o discurso. Desse modo, o
presente trabalho buscou investigar as modalidades epistêmicas e as modalidades
deônticas por meio dos verbos modais no discurso de posse do Presidente Michel
Temer, caracterizando o grau do possível, do obrigatório e do permitido e, por
consequência, compreendendo como o lider politico se posiciona diante da atual
realidade política do nosso país. Para o desenvolvimento desse trabalho, foram
utilizados como referência teórica Lyons (1977), Neves (1996), (1997), (2002), (2002),
(2006), Castilho (2012), Camparini (2002) e Nascimento (2010). Como apresentado
anteriormente, o corpus se constitue por meio do discurso de posse do presidente
Michel Temer, pronunciado no dia doze de junho de dois mil e dezesseis, retirado do
site oficial do Grupo Globo – G1. Nesse disrcurso, foram analisadas as incidências das
modalidades epistêmicas e deônticas, como elas são evidenciadas e a ocorrência dos
principais verbos modais e seu carater polissêmico. Para isso, se fez necessário um

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levantamento da quantidade de ocorrência de ambas as modalidades. Ao longo da


análise, foi constatado o predomínio da primeira pessoa ora no singular ora no plural, e
um grande número de verbos que dão ao falante um comprometimento com o que está
sendo enunciado, assim permite-lhe registrar a certeza, o dever e a opinião do
Presidente Michel Temer, isto posto constatou-se que o discurso do lider político
brasileiro é formador de opiniões e, por meio dele, o Presidente Michel Temer manteve
contato com a população, com o intuito de tomar posse do seu cargo político e
apresentar seu comprometimento e sua proposta, manifestando linguisticamente seu
grau de confiança naquilo que enuncia e faz obedecer.

Palavras-chave: Discurso Político; Modalização Espistêmica; Modalização Deôntica.

8) A análise da (in)coerência do psicótico pela perspectiva funcionalista

Fernanda Trombini Rahmen Cassim (UEM)

Resumo:

A linguagem do psicótico, especialmente dos indivíduos diagnosticados com


esquizofrenia, sempre foi vista como incoerente. Porém a visão de coerência adotada
para tal análise, muitas vezes, partiu de perspectivas linguísticas que não levam em
conta a língua em uso. De acordo com Dascal e Françoso (2012), a maioria das
pesquisas relacionadas com o comportamento linguístico de esquizofrênicos foi
centrada principalmente no estudo da aquisição da linguagem, o que nos serve para
refletir sobre a direção à qual os estudos psicolinguísticos evoluíram. Abordando a
esquizofrenia em termos psicopragmáticos, Dascal e Françoso (2012) apresentam as
ideias de Schwartz (1982), para o qual não há um "problema de linguagem" na
esquizofrenia. Com base na conhecida distinção chomskyniana entre competência e
desempenho, Schwartz (citado por Dascal e Françoso (2012)) conclui que as
peculiaridades do discurso esquizofrênico não implicam um déficit de linguagem (ou
seja, uma competência), mas eles supostamente representam deficiências no
desempenho linguístico. Quanto à natureza desses déficits, Schwartz (1982 apud
DASCAL; FRANÇOSO, 2012) afirma que estão relacionados à capacidade de atender
seletivamente a estímulos do meio ambiente. Bleuler (1950 apud SCHWARTZ, 1982),
ao observar o discurso peculiar dos esquizofrênicos, acreditava que o déficit
apresentado por eles não era linguístico. Ele afirmava que a “anormalidade” não estaria
na linguagem, mas em seu “conteúdo”. Tal premissa demonstra como, há muito tempo,
a ciência fracassou em distinguir pensamento de linguagem, o que levou a argumentos
tautológicos, como a crença de que há um distúrbio do pensamento quando a fala é

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incoerente. Schwartz (1982) acredita que a maioria das pesquisas sobre a “linguagem
esquizofrênica” é marcada por falhas metodológicas, observações problemáticas,
raciocínio tautológico e hipóteses teóricas que não consideram as complexidades da
linguagem. Nesse sentido, propomos, neste trabalho, apresentar as pesquisas já
realizadas nesse campo, demonstrando a necessidade de se considerar a perspectiva
funcionalista para tal análise. Para o funcionalismo, segundo Neves (1997), as relações
entre as unidades e as funções das unidades têm prioridade sobre seus limites e sua
posição, e a gramática é acessível às pressões do uso. Um modelo de análise
funcionalista que pode no servir para estudar as relações de coerência no discurso
psicótico é a Teoria da Estrutura Retórica, a qual descreve as funções e estruturas que
compõem os textos bem como a organização deles, levando em conta o fato de que as
relações entre as partes do texto formam um todo coerente. Tal coerência se dá quando
cada unidade textual tem uma razão para existir e exerce uma função considerando
suas demais partes. Segundo Giering (2007), a análise a partir da RST atribui um papel,
uma função, a cada unidade informacional do texto, conferindo razão e existência a
cada elemento. Isso porque toda unidade textual contém a intenção pragmática do
falante/escritor, o qual procura atingir uma comunicação eficiente com seu interlocutor.
Compreendemos, portanto, que a Teoria da Estrutura Retórica pode contribuir
fortemente para analisar as relações de coerência que emergem do discurso psicótico.

Palavras-chave: Coerência; Funcionalismo; Discurso psicótico; Teoria da Estrutura


Retórica.

RESUMO 9

10) Usos epistêmicos e não epistêmicos do verbo modal poder em


entrevistas jornalísticas do espanhol

Sandra Denise Gasparini Bastos (UNESP)

Resumo:

De maneira genérica, Quirk et al (1985) definem modalidade como o modo pelo qual o
significado de uma frase é qualificado, refletindo, assim, o julgamento do falante sobre a
probabilidade de ser verdadeira a proposição que ele expressa. Narrog (2012) afirma
que a noção de modalidade sempre deve ser vista associada à noção de subjetividade,
pois modalidade inclui subjetividade e subjetividade tem relação com modalidade.
Desse modo, de acordo com Magni (2010), pode-se dizer que, ao se tratar de

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modalidade, se está diante de uma relação entre o falante e seu enunciado, ou, ainda,
de uma relação entre o modo como o enunciador avalia e julga o conteúdo presente no
seu enunciado. É, portanto, uma relação subjetiva, contida em todo tipo de texto, tendo
em vista que este é produzido por um indivíduo que, uma vez formado por suas crenças
e opiniões, filtra e faz sua avaliação, ainda que inconscientemente, do que está sendo
enunciado. Para que esse julgamento seja analisado e descrito, é necessária uma
investigação conjunta entre todos os elementos (sintáticos, semânticos e pragmáticos)
presentes no contexto. Por essa razão, a abordagem funcionalista, que prevê uma
integração dos diferentes níveis de análise, tendo a pragmática primazia sobre a
semântica e esta sobre a sintaxe revela-se a mais adequada para os estudos
descritivos da modalidade de maneira geral. Entre as várias formas de expressão da
modalidade, este trabalho descreve os diferentes usos modais do verbo poder em
espanhol. Objetiva-se verificar em que medida o valor modal epistêmico expresso pelo
verbo diferencia-se dos valores modais não epistêmicos e em que medida o contexto
(informações pragmáticas e evidências gramaticais previstas nos parâmetros de
análise) contribui para diferenciar tais valores. Para auxiliar na análise, utiliza-se a
classificação de modalidade proposta por Hengeveld (2004), que dentro de um modelo
funcionalista distingue dois parâmetros importantes para o estudo da modalidade: o alvo
da avaliação e o domínio semântico da avaliação. O primeiro parâmetro, alvo da
avaliação, refere-se à parte do enunciado que é modalizada. Por esse parâmetro, as
modalidades podem estar orientadas para o participante, para o evento ou para a
proposição. Pelo segundo parâmetro, domínio semântico da avaliação, as modalidades
podem ser classificadas em facultativa, deôntica, volitiva, epistêmica e evidencial. Além
do valor modal epistêmico, foram identificados nos dados outros dois valores não
epistêmicos – facultativo e deôntico – que foram descritos e analisados com base em
alguns parâmetros de análise, entre os quais destacam-se: alvo da avaliação modal,
presença ou ausência do sujeito, traços [humano] e [animado] do sujeito, dinamicidade
e agentividade do predicado, pessoa gramatical do sujeito, tempo e modo verbal do
modal poder, presença da negação anteposta ao modal. O córpus utilizado nesta
pesquisa foi organizado por Gasparini-Bastos (2004) e está composto por 20 entrevistas
jornalísticas publicadas na revista espanhola El País (suplemento dominical do jornal),
selecionadas aleatoriamente entre os anos de 2000 e 2001. A proposta de se trabalhar
com esse tipo de gênero resulta interessante se se considerar que as entrevistas
jornalísticas são mais próximas da oralidade, quando comparadas a outros gêneros
textuais, o que favorece o maior aparecimento de elementos modais.

Palavras-chave: Funcionalismo; modalidade; verbo poder; espanhol.

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SIMPÓSIO 3) Diferentes tratamentos às classes de palavras e categorias


gramaticais

Prof. Dr. Juliano Desiderato Antonio (UEM)


prof.jdantonio@gmail.com
Me. André Vinícius Lopes Coneglian (Mackenzie)
coneglian03@gmail.com

1) Adjetivo e substantivo: dificuldades de classificação no ensino de


língua portuguesa

Caroline Larissa Saccoman (UNESPAR)


Dra. Patricia Ormastroni Iagallo (UNESPAR)
Tatiane de Souza de Jesus (UNESPAR)

Resumo:

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A teoria linguística reconhece a importância de se definir classes para as palavras.


Podemos claramente entender essa necessidade quando precisamos de uma
metalinguagem para a descrição gramatical. Outro exemplo são os estudos quanto aos
processos de formação de palavras. Para este trabalho, pensamos na necessidade do
professor de língua portuguesa que precisa de uma nomenclatura para o tratamento de
palavras como as que compõem o enunciado “Este doce é muito doce”. Embora as
gramáticas escolares definam o substantivo e o adjetivo como duas classes de palavras
distintas, muitas vezes o aluno – e mesmo o professor – tem dúvidas na análise desses
casos. Um dos motivos são as várias abordagens e considerações descritivas. Porém, a
necessidade do professor de língua portuguesa de considerações básicas para se
trabalhar, por exemplo, o que é um adjetivo e o que é um substantivo com seu aluno é
urgente. Este trabalho apresenta uma perspectiva de tratamento para essas duas
classes com foco numa tríplice classificação: morfológica, semântica e sintática e no
mecanismo de derivação imprópria, para auxiliar o professor de língua portuguesa.
Quanto ao critério de classificação pelos níveis linguísticos da morfologia, da semântica
e da sintaxe, um dos problemas é tratar o substantivo tendo como critério dominante
apenas a semântica, e o adjetivo, a sintaxe. Seguindo a proposta de Margarida Basilio
em “Formação e classes de palavras no português do Brasil” (2004), o professor ao
invés de considerar apenas um critério poderia – e deveria – se utilizar de um conjunto
de critérios, visto que seu campo de atuação naquele momento não é de defesa de
alguma linha teórica. Além do mais, o trabalho com os critérios semânticos e
gramaticais (sintáticos e morfológicos) só enriqueceriam os estudos de seus alunos. Por
exemplo, além da definição semântica dos substantivos podemos dizer como eles se
comportam na construção dos enunciados (descrição sintática) e como são suas
propriedades de concordância em relação aos adjetivos, por exemplo (descrição
morfológica). Outra questão a ser discutida no nosso trabalho, como vimos, é o fato de
o substantivo e o adjetivo apresentarem um fenômeno de mútua conversão ou
derivação imprópria, ou seja, uma expansão de propriedades de uma palavra a qual
passa a ser usada em situações próprias de outra classe, como por exemplo o adjetivo
“velho” se comportando como substantivo em “O velho atravessou a rua”.

Palavras-chave: classes de palavras; substantivo; adjetivo; ensino; derivação


imprópria.

2) O passado linguístico pela via da História Social da Língua

Prof. Dr. Hélcius Batista Pereira (UEM)

Resumo:

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O trabalho propõe uma reflexão sobre a pesquisa histórica da língua pela perspectiva
sócio-histórica. A partir de uma reflexão sobre os alcances e limites dos estudos
realizados com os instrumentais tradicionais da Linguística Histórica, propõe uma via
alternativa através da História Social da Língua. Nesta perspectiva, abre-se mão da
autonomia da Língua e, portanto, dos contornos tradicionais da Linguística, buscando
na multi/transdisciplinaridade as saídas para as escavações. As mútuas relações entre
as normas linguísticas e as sociais são exploradas, pelo diálogo do instrumental da
Linguística – da análise da gramática até a análise do discurso - e de outras ciências
sociais como a História e a Sociologia. Interessa a esta forma do fazer científico estudar
como as identidades são constituídas historicamente a partir da linguagem e,
simultaneamente, como a língua é resultante das definições identitárias. O trabalho
apontará alguns dos resultados obtidos por estudos realizados no Brasil nas últimas
décadas, a partir deste viés. Mais especificamente mostraremos brevemente os
caminhos trilhados por Pagotto (1998) em estudo sobre as normas linguísticas dos
textos constitucionais do Império e da Primeira República; por Pereira (2010) sobre a
realização do sujeito pela elite paulistana de fins do Século XIX e primeira décadas do
século XX; por Oliveira (2011) que se ateve sobre a ordem dos clíticos nas infinitivas
preposicionadas em textos de escritores brasileiros e portugueses dos Séculos XIX e
XX; por Santos Silva (2012), que analisou o uso dos clíticos por intelectuais paulistas do
período republicano; e, finalmente, por Ribeiro (2015) que analisou atas escritas por
diretores, secretários e professores da Escola Normal e do Ginásio da Capital de São
Paulo, procurando relacionar o que chama de “sintaxe da ordem” - a norma linguística
para a posição do sujeito sentencial e do clítico em contexto de infinitiva preposicionada
- às normas sociais e de criação de identidade sociocultural. Por fim, o trabalho também
dará notícias de pesquisa recém iniciada no âmbito do DLP/CCH/UEM sobre o uso de
pronomes demonstrativos por membros da elite brasileira da primeira metade do século
XX, mais especificamente da família Mesquita, proprietária do jornal O Estado de São
Paulo, suportada teoricamente por 4 pilares que se articulam para tratar a complexidade
da língua: a Teoria Multissistêmica, tal qual proposta por Castilho (2010); a
Sociolinguística Variacionista proposta por Labov (2008) e Weinreich; Labov & Herzog
(2006); o conceito de “comunidade de prática” de Eckert & McConnell-Ginet (2010); e,
como perspectiva para interpretação social dos fatos estudados, a Teoria da Economia
das Trocas Linguísticas, encontrada em Pierre Bourdieu (1994, 2003, 2007 e 2008).

Palavras-chave: Linguística Histórica, História Social da Língua, Diacronia.

3) Gramáticas revisitadas: a noção de sujeito

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Franciele Renata Ribeiro (UEPG)


Profa. Dra. Marina Chiara Legroski (UEPG/Orientadora)

Resumo:

A nomenclatura adotada hoje em dia nas gramáticas tradicionais teve origem em 1959,
por meio da Portaria nº36 do Ministério da Educação, que ficou conhecida como
Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB). Apesar de adotarem a mesma nomenclatura
geral, as gramáticas pós NGB diferem na forma de apresentação dos conceitos, uma
vez que este documento apenas normatiza a nomenclatura, deixando a cargo do
gramático fazer relação entre o nome e função da estrutura linguística em questão. O
foco do nosso trabalho é apresentar o termo ‘’sujeito’’ que é a nomenclatura usada e
determinada pela Nomenclatura Gramatical Brasileira como um dos termos essenciais
da oração, neste trabalho temos como objetivo refletir, comparar e buscar entender as
interfaces significativas sobre a definição do conceito presente nas Gramáticas
Tradicionais e Pedagógicas. Mostramos a partir dos dados coletados das gramáticas
dos autores: Bagno (2012); Bechara (2009); Cegalla (1971); Cereja (2009); Cunha
(2001); Luft (2002); Neto (1998); Perini (1996,2010) e Sacconi (1994), onde foram
analisadas as definições, atentando sempre para a função e o sentido que o mesmo
exerce. Para as definições sintáticas tomamos como base teórica Mioto (2007), e para
as definições semânticas analisamos pela ótica dos papeis semânticos atribuídos por
Cançado (2008), também fizemos a comparação e relação entre as definições.
Observamos que há uma imprecisão sobre a conceituação da noção de sujeito, onde
ocorre uma mistura de características linguísticas da sintaxe e da semântica, e por
vezes, não há a preocupação com a delimitação do termo. Desse modo, pretendemos
com o estudo aqui exposto informar as diferentes formas de construção do conceito
citado, discutir e colaborar com a reflexão de uma análise mais convincente a respeito
dos valores da significação do termo, cooperando para a divulgação dos estudos
sintáticos e semânticos nas gramáticas pedagógicas e para os professores atuantes em
sala de aula, visto que o termo é necessariamente utilizado nos estudos linguísticos
práticos e teóricos da área, também apontamos a necessidade de revisitar as
gramáticas, assim como a nomenclatura que ela segue, seus pontos de conceituação e
sobretudo no que se refere ao termo “sujeito”, nesse sentido, procuramos ajudar na
adoção de uma postura mais crítica diante desses dados linguísticos.

Palavras-chave: Gramática Normativa; Gramática Descritiva; Gramática


Pedagógica; Sintagma Nominal.

4) A categoria gênero e a representação de homens e de mulheres no


português brasileiro

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Prof. Dr. Juliano Desiderato Antonio (UEM)

Resumo:

O debate que se observa atualmente a respeito do sexismo no uso da língua, em


especial no que diz respeito à categoria gramatical de gênero, merece reflexões que
levem em conta explicações não apenas morfológicas, mas também semânticas,
psicolinguísticas e diacrônicas. Os posicionamentos a respeito desse tema podem ser
categorizados em dois extremos: de um lado, há o grupo de falantes que, acreditando
no pareamento entre gênero gramatical e sexo dos seres, tenta criar e impor um gênero
neutro para o português por meio da utilização de caracteres ilegíveis como “@” e “x” e
de uma terminação “e” para adjetivos, como em “indignade” (em vez de “indignado” ou
“indignada”); no outro extremo, há aqueles que tratam o gênero apenas como uma
categoria formal, sem qualquer motivação semântica, e desconsideram a necessidade
de um tratamento não sexista da língua. Neste trabalho, pretende-se discutir uma
proposta que explique: i) do ponto de vista diacrônico, a formação do gênero dos nomes
em português, com base em Coutinho (1974), Said Ali (1965), Mattos e Silva (2001) e
Silva Neto (1970); ii) do ponto de vista semântico-pragmático, a relevância de um
tratamento não sexista do gênero, a partir de Hellinger e Buβmann (2001); iii) do ponto
de vista psicolinguístico, evidências da percepção e da construção androcêntricas do
mundo por influência de fatores de ordem cultural, social e linguística; iv) do ponto de
vista formal, a sistematização morfossintática da categoria gênero no português,
fundamentada em Camara Jr (1976) e Kehdi (1990). Para se atingir esse objetivo, o
trabalho será guiado pelas perguntas (adaptadas) propostas por Hellinger e Buβmann
(2001): 1) Como se dá a representação linguística de homens e mulheres por meio do
gênero gramatical? 2) Em se tratando de referência humana, a opção é pelo masculino
como gênero não marcado? 3) Quais as evidências empíricas para a afirmação de que,
em contextos neutros, expressões de gênero masculino são percebidas como genéricas
e livres de preconceito? 4) A língua contém expressões idiomáticas, metáforas,
provérbios que sejam indicativos de hierarquias ou estereótipos socioculturais
relacionados ao gênero? Também serão discutidas duas propostas para o tratamento
não sexista da língua portuguesa: o Manual para uso não sexista da linguagem,
elaborado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo do Estado do Rio
Grande do Sul, a partir do manual da Red de Educación Popular entre Mujeres de
Latinoamérica y Caribe, e das orientações do Parlamento Europeu reunidas no
documento intitulado Linguagem neutra do ponto de vista do género no Parlamento
Europeu, traduzido e adaptado para o português.

Palavras-chave: Gênero gramatical; Semântica; Morfologia; Sexismo.

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5) Uma proposta descritiva para organização das classes gramaticais

Caroline Viera Santos (UEL)

Natália Marques de Jesus (UEL)

Maria Isabel Borges (UEL)

Resumo:

A distribuição de base prescritiva das classes gramaticais, apesar de falha, ainda


constitui uma referência predominante nos livros didáticos e nas aulas de português no
Ensino Fundamental. O fazer descritivo — instaurado como um princípio teórico-
metodológico na Linguística Moderna — norteia algumas proposições para, dentre
outros problemas, a expansão do foco na nomenclatura e na definição
descontextualizada do uso: Antunes (2007; 2014), Franchi (2006), Neves (2003) e
Pinilla (2013), por exemplo, contribuem no repensar sobre as concepções de gramática;
Neves (1999), Bagno (2011), Castilho (2010), Castilho e Elias (2011), Macambira (1975)
apresentam outras formas de organização das classes de palavras, as quais
desencadeiam em análises que contemplem a língua em uso, como é proposto no
âmbito da visão descritiva. Neste trabalho, objetiva-se apresentar alguns aspectos
referentes a uma proposta de organização e funcionamento das classes de palavras, já
em desenvolvimento em projetos de pesquisa sobre quadrinhos e gramática, desde
2013. Em linhas gerais, tal proposta coloca o texto como amostra de funcionamento do
português e considera diversos princípios e procedimentos descritivos vinculados à
língua em uso, tais como: a) critérios mórfico/morfológico, sintático/funcional e
semântico; b) distribuição das palavras em lexicais e gramaticais (NEVES, 2012); c)
modificadores, determinantes, especificadores, complementadores (CASTILHO, 2010);
d) palavras sinsemânticas e autossemânticas (ULLMAN, 1973); e) estrutura mórfica da
palavra em base lexical e morfemas gramaticais (derivacionais e flexionais) (BASÍLIO,
2007). As tiras cômicas de “A Turma de Charlie Brown” de Charles Schulz, “Bichinhos
de Jardim” de Clara Gomes e “(SIC)” de Walmir Orlandeli constituem as amostras de
textos para a descrição e explicação da organização e do funcionamento das classes
gramaticais, sobretudo, dos verbos (classe aberta) e das conjunções (classe fechada).
Entende-se como tira cômica um texto híbrido (conexão entre palavra e ilustração) que

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se desenvolve em uma sequência narrativa. Como fundamento, tal sequência se


organiza em construção da expectativa e desfecho cômico. (RAMOS, 2010; 2011; 2014)
O desenvolvimento da sequência narrativa depende, sobretudo, do que as personagens
fazem e dos efeitos provocados por tais ações em outras personagens. Constata-se,
por meio dos verbos indicadores de movimento, o acúmulo do desdobramento narrativo
com a caracterização das personagens. Dentre as conjunções, o “mas” sempre está
associado ao efeito cômico, uma tese já defendida por Vieira (2015) que se confirma.

Palavras-chave: Classes gramaticais; tira cômica; “A Turma de Charlie Brown”;


“Bichinhos de Jardim”; “(SIC)”.

6) Análise de sentimentos: uma análise da polaridade do discurso por meio


dos recursos linguísticos

Ana Carolina Leatte Santin (UEM)


Dr. Juliano Desiderato Antonio (UEM/Orientador)

Resumo:

A participação de usuários compartilhando informações, interesses e opiniões na WEB


tem aumentado nos últimos anos. O Facebook alcançou em 2017 o número de 2
bilhões de pessoas socializando mensalmente em sua plataforma. Este cenário constitui
um amplo campo de pesquisa para o linguista que se interessa em investigar a língua
em uso. A análise de sentimentos, uma área em ebulição que envolve a Linguística e a
Ciência da Computação, tem a finalidade de investigar e minerar a opinião dos usuários
de redes sociais para verificar suas avaliações a respeito, por exemplo, de produtos,
serviços, temas diversos e estilo de vida. O objetivo deste estudo foi investigar recursos
linguísticos empregados por usuários falantes do português brasileiro em redes sociais
para a indicação de avaliação positiva, neutra ou negativa. O corpus da pesquisa foi
composto por comentários extraídos manualmente de páginas públicas do Facebook.
Inicialmente, os dados foram segmentados para verificação da polaridade positiva,
neutra ou negativa das avaliações por meio do comportamento linguístico dos usuários.
A segunda etapa deste estudo consistiu em elaborar e aplicar um formulário online a fim
de comparar a análise prévia da polaridade de trechos dos comentários extraídos do

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Facebook com as respostas obtidas pelo formulário. Para a fundamentação da pesquisa


buscaram-se subsídios teóricos principalmente nos estudos sobre a análise de
sentimentos de Taboada (2011, 2016); na Teoria da Valoração de Martin & White
(2005); na definição de referenciação de Mondada e Dubois (2013); na noção de
formação ideológica de Pêcheux (1988); nas definições das propriedades gramaticais
de Neves (2000) e Castilho (2012); e nas considerações sobre construções e
expressões idiomáticas de acordo com Jackendoff (2013). Os resultados da análise do
corpus mostraram que é possível detectar as avaliações dos usuários por meio de
diferentes recursos linguísticos, tais como adjetivos, construções e expressões
idiomáticas. Constatou-se que a polaridade do discurso é determinada por fatores
cognitivos, sociais, culturais e históricos do falante, por exemplo, o substantivo direita
pode ter conotação positiva ou negativa dependendo do sujeito que desempenha a
atividade linguística. Também constatou-se que as construções e as expressões
idiomáticas denotam a valoração do discurso. Por meio da construção não basta...tem
que..., que possui o pareamento de forma e significado, e da expressão idiomática valer
a pena, que tem sentido cristalizado pelos falantes do português brasileiro, o usuário
desempenha sua prática linguística e formula sua opinião de acordo com as referências
que possui sobre o tema abordado. Em virtude da quantidade de dados publicados
constantemente no Facebook, conclui-se que as redes sociais constituem um amplo
material para a investigação da análise de sentimentos tanto para o linguista quanto
para aqueles que desejam minerar opiniões dos usuários.

Palavras-chave: Linguística; Análise de sentimentos; Facebook; Polaridade; Recursos


linguísticos.

7) Relação entre aspecto verbal e finalidade argumentativa no gênero


Resposta argumentativa

Me. Renata Boregas Santini (UEM)

Prof. Dr. Juliano Desiderato Antonio (UEM/Orientador)

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Resumo:

O presente trabalho possui como tema um estudo acerca do aspecto verbal, com o
objetivo de analisar quais aspectos verbais são mais recorrentes nos textos de gênero
textual Resposta argumentativa, bem como a relação dessa categoria com a construção
da argumentação nesse gênero. Buscamos em Castilho (2012), Comrie (1976) e
Travaglia (1985) considerações para fundamentar teoricamente questões relacionadas
à categoria do aspecto verbal e em Citelli (1986), (1994) e Garcia (2002) embasamento
teórico acerca da argumentação e também de como ela se constitui no gênero textual
aqui estudado - a Resposta argumentativa. Para o desenvolvimento do trabalho,
utilizamo-nos de redações produzidas em situação de vestibular, da prova aplicada no
concurso vestibular de verão, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no ano de
2013, as quais foram cedidas pela Comissão do Vestibular Unificado (CVU), da mesma
instituição. Utilizando-nos dessas redações, realizamos uma pesquisa de natureza
quantitativo-qualitativa, a partir dos seguintes procedimentos metodológicos:
inicialmente, separamos os textos em três blocos, conforme adequação estrutural do
texto ao gênero resposta argumentativa, bem como quanto ao alcance da finalidade
argumentativa. A partir desses critérios, há um bloco que contempla as redações
avaliadas como boas; outro, as consideradas regulares; e, no terceiro, aquelas
consideradas ruins. Após esse procedimento, selecionamos os verbos que constituem o
núcleo das sentenças, deixando, por ora, a análise daqueles que aparecem como
argumentos; fizemos a análise do aspecto desses verbos, seguida do levantamento da
quantidade de recorrência dos aspectos que esses verbos representam e, por fim,
avaliamos se essa recorrência está associada à avaliação do texto como bom, regular
ou ruim. Como esse trabalho constitui parte do processo de tese em desenvolvimento,
os resultados ainda estão em processo.

Palavras-chave: Aspecto verbal; Argumentação; Resposta argumentativa.

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8) Gramática descritiva, gramática normativa e classes gramaticais – a


construção de uma gramática pedagógica

Prof. Dr. Marcelo Silveira (UEL)

Resumo:

O presente trabalho faz parte dos projetos de estudos linguísticos “Cadernos de Teorias
da Linguagem” e “Gramática, Bilinguismo e Multiculturalismo”, ambos da Universidade
Estadual de Londrina, cujos objetivos estão ligados a modelos descritivos das ciências
da linguagem, levando em conta contextos multiculturais. Trata-se, aqui, de uma
pesquisa bibliográfica em gramáticas presentes nas escolas e academias, cujos
fundamentos traduzem as propostas da Nomenclatura Gramatical Brasileira – NGB.
Para essa análise qualitativa, são utilizadas dez gramáticas representativas publicadas
após o ano 2000, de autores brasileiros, tais como: Cintra e Cunha (2001), Bechara
(2002), Castilho (2015) e outros. Nosso objetivo é observar a maneira pela qual a
gramática tradicional – formalizada na NGB – direciona o olhar: em algumas obras, tem-
se o olhar descritivo; e, em outras, a função normativa e uniformizadora da escola
determina o tratamento de questões gramaticais. Nesse contexto, a abordagem dada às
classes gramaticais chama a atenção e não aparece de maneira uniforme em todas as
obras pesquisadas. As classes gramaticais começam a ser delimitadas no período
clássico, conforme Benveniste (1976), e seguem por todo o percurso de constituição da
gramática tradicional. Nas obras que tendem para a descrição, as classes gramaticais
são concebidas em sua dimensão sintática, semântica e morfológica (cf. MOURA
NEVES, 2011; BECHARA, 2002). Em outros trabalhos mais normativos (cf. ALMEIDA,
2010; ROCHA LIMA, 2002), as classes gramaticais são consideradas relativas à
morfologia, deixando em segundo plano os aspectos sintáticos e semânticos, que,
mesmo não evidenciados, continuam implícitos nas classificações gramaticais. É
preciso notar que a constituição das classes gramaticais, por sua origem clássica, está
baseada na estrutura do grego e do latim – línguas que reinaram no poder até o
Renascimento (cf. LYONS, 1987). Dessa forma, o sistema linguístico é classificado de
acordo com particularidades das línguas clássicas, deixando de contemplar
particularidades do sistema de línguas que não seguem o modelo da tradição, como as

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línguas orientais e as línguas ágrafas. Nossas pesquisas estão voltadas para a


compreensão das classes gramaticais, em função da constituição de uma gramática
pedagógica de línguas ágrafas, na qual a perspectiva didática deve estar acima de
qualquer normatividade.

Palavras-chave: Gramática descritiva; gramática normativa; classes gramaticais;


gramática pedagógica; línguas ágrafas.

9) A categoria gramatical de gênero no Latim: itinerários entre o


linguístico e o cultural

Douglas Gonçalves de Souza (UNEAL/PLE-UEM)

Resumo:

O Latim organiza a categoria de gênero, presente em nomes (substantivos, adjetivos) e


em pronomes, de modo tripartite: masculino, feminino e neutro. Conforme Faria (1995),
tal configuração categorial representaria um estado secundário, pois que resultaria de
um estado inicial em que a referida categoria, ainda no indoeuropeu, teria se constituído
com base na oposição entre seres animados e seres inanimados. Contudo, ao se
observar o arranjo da categoria no Latim, pode-se perceber que não há uma
equivalência direta, por um lado, entre seres animados e gêneros masculino e feminino,
e por outro lado, entre seres inanimados e gênero neutro, o que pode apontar para a
influência de outros fatores até mesmo extralinguísticos na distribuição do gênero. No
que tange ao gênero considerado controlado, isto é, observado a partir das relações
hierárquicas próprias de um sintagma nominal, o Latim, segundo Ernout (1953),
generalizou ao neutro a forma de masculino, no nominativo singular, dos particípios

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presentes e dos adjetivos de temas consonântico ou sonântico sincopado, como: ferens


(do verbo fero “transportar”, “aquele que transporta”), audax “audacioso”. Dessa
maneira, a mesma forma de nominativo passava a ser utilizada nos três gêneros.
Outrossim, o presente trabalho intenta não só descrever, de modo mais detalhado, a
sistematização da categoria gramatical de gênero do Latim Literário (Arcaico, Clássico e
Pós-Clássico) ao Latim Vulgar, como também refletir acerca de quais elementos
linguísticos e/ou socioculturais interferiram nesse processo e de que modo houve tal
interferência. Com base na seleção de fragmentos textuais e de sintagmas nominais
devidamente contextualizados – de modo que se observe o gênero em dados oriundos
de usos reais -, este trabalho será desenvolvido à luz das seguintes perguntas
(adaptadas) propostas por Hellinger e Buβmann (2001): 1) Como ocorrem os
procedimentos linguísticos de concordância, pronominalização e formação de palavras
no Latim, e como se dá a representação linguística de homens e mulheres por meio do
gênero gramatical? 2) Em se tratando de referência humana, a opção é pelo masculino
como gênero não marcado e isso recupera algum tipo de assimetria social? 3) Quais as
evidências empíricas para a afirmação de que, em contextos neutros, expressões de
gênero masculino são percebidas como genéricas e livres de preconceito? 4) A língua
contém expressões idiomáticas, metáforas, provérbios que sejam indicativos de
hierarquias ou estereótipos socioculturais relacionados ao gênero?

Palavras-chave: gênero gramatical, semântica, morfossintaxe, Latim

10) A posição do sujeito em orações interrogativas –wh no Português


Clássico
Samara Shiele Paes (UEM)
Prof. Dr. André Luis Antonelli (UEM/Orientador)

Resumo:

A presente comunicação tem como objetivo analisar as orações interrogativas matrizes -


wh do português seiscentista. Sabe-se que, no âmbito teórico da gramática gerativa, a
ordem de palavras no português clássico tem sido objeto de estudo de muitos
pesquisadores que se propõem a discutir questões como a posição dos verbos, dos

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clíticos etc. Em particular, este trabalho investiga a questão da posição do sujeito


nessas estruturas sintáticas, buscando verificar em que medida aspectos como o tipo de
elemento -wh presente na sentença ou sua função sintática influenciam na ordem linear
do sujeito em relação ao verbo finito da oração. Além disso, procurará responder
questões como: 1) qual a posição do sujeito em orações interrogativas –wh; 2) se o tipo
de elemento –wh influencia na possível posição ocupada pelo sujeito; 3) se a função
sintática exercida pelo elemento –wh é também um fator determinante na possível
posição ocupada pelo sujeito. Para tanto, será utilizado, como corpus da pesquisa, a
tradução do Novo Testamento realizada por João Ferreira de Almeida, publicada em
1681, uma vez que o material é de grande representatividade para o objeto de estudo,
pois, num trabalho que tem como foco as fases passadas de uma determinada língua
(portanto, diacrônico), com a ausência de falantes nativos da língua em questão, resta
ao pesquisador simplesmente a análise dos dados escritos aos quais tem acesso,
sendo o emprego de quantidades substanciais de dados a forma por excelência de se
corroborar uma tese. Além disso, esse corpus deve demonstrar como era a língua no
período investigado e, portanto, optou-se por essa tradução, pois, entre outras coisas, é
um trabalho de difusão da língua portuguesa, compreendendo várias características
gramaticais em uso do português seiscentista. Ademais, tendo em vista que alguns
aspectos (como a obrigatoriedade da posposição do sujeito em determinadas estruturas
interrogativas, por exemplo) não foram trabalhados em investigações sobre a posição
do sujeito em orações interrogativas do português clássico, esta pesquisa surge como
uma forma de preencher essas lacunas em torno do assunto, atentando para uma
amostra de dados diferente de outras já analisadas. Sendo assim, a partir de uma coleta
de orações interrogativas –wh finitas matrizes, essa comunicação se propõe a ampliar a
análise sobre a posição do sujeito em orações interrogativas -wh do português clássico,
focalizando algumas características particulares da ordem de palavras nessas orações.

Palavras-chave: Gramática gerativa; Português clássico; Orações interrogativas;


Posição do sujeito.

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11) Composicionalidade de locuções conjuntivas do português


brasileiro

André V. L. Coneglian (UPM)

Resumo:

Neste trabalho propõe-se discutir o estatuto categorial das tradicionalmente chamadas


locuções conjuntivas, que são aquelas formadas por uma base lexical e uma partícula
subordinativa, como é o caso de visto que, já que, se bem que, ainda que, entre outras.
No português brasileiro, o esquema sintático que permite essas formações é bastante
produtivo, principalmente para locuções que compõem a zona semântica das
causalidades, que abriga relações de causalidade, de condicionalidade e de
concessividade. Discute-se, especificamente, o modo pelo qual o significado dessas
locuções surge. Por um lado, há autores que argumentam a favor de processos
metafóricos e metonímicos na composição do significado dessas conjunções, ficando a
cargo da partícula subordinativa o estabelecimento de tal significado (por exemplo,
Barreto, 1999); por outro, há os autores que assumem uma completa indisociabilidade
entre base lexical e partícula subordinativa (por exemplo, Moraes, 1976). Essas duas
visões são reinterpretadas, neste trabalho, à luz da teoria da Gramática Cognitiva
(LANGACKER, 1987, 1991), como composicionalidade e analisabilidade,
respectivamente. A operacionalização dessas duas questões passa pela formação de
mapas semânticos das locuções da zona de causalidades.

Palavras-chave: locuções conjuntivas; composicionalidade; causalidade;


condicionalidade; concessividade.

12) Descrição morfossintática do verbo no Kaingang

Gislaine Domingues (UEL)

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Resumo:

Os dados do censo demográfico, realizado pelo Instituto de Brasileiro de Geografia e


Estatística (IBGE) em 2010, apontam que, dos 191 milhões de habitantes do Brasil,
cerca de 0,4% se autodeclarou indígena, o que supõe um número de 817 mil índios
vivendo em território brasileiro. Dentre os povos indígenas do Brasil, estão os Kaingang,
a língua (Tronco Macro-Jê, família Jê), que recebe o mesmo nome do povo, é falada por
mais de 30.000 pessoas, distribuídas em mais de 30 Terras Indígenas nos estados do
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e pequena parte de São Paulo. Pautados no
modelo teórico funcionalista, mais precisamente na classificação de palavras a partir do
modelo dos protótipos defendido por Givón (1984, 1995, 2001) e Payne (1997), o
presente trabalho volta-se a descrição e análise morfossintática da classe dos verbo da
língua Kaingang. Descreveremos algumas das principais propriedades semânticas e
morfossintáticas da referida classe gramatical, enfatizando a classificação dos verbos
quanto ao número de argumentos; as características morfossintáticas dos verbos
estativos/descritivos e dos verbos ativos, bem como o processo de ativação verbal. O
corpus constitui-se de dados coletados com informantes indígenas da Terra Indígena
Apucaraninha, localizada no município de Tamarana-PR. A análise aponta que, em
relação aos critérios semânticos, os verbos no Kaingang podem denotar estados,
ações, processos e eventos. Quanto ao número de argumentos, dividem-se em
intransitivos e transitivos. Os intransitivos apresentam duas classes: os verbos
intransitivos simples e os verbos intransitivos estendidos. Os verbos intransitivos
simples ainda se subdividem em dois tipos: verbos ativos e verbos estativos/ descritivos.
Os verbos transitivos, por sua vez, dividem-se também em ativos e estendidos
(bivalentes), ou seja, possuem um argumento e um constituinte oblíquo. Quanto ao
processo de ativação verbal, descreveremos os aspectos morfológicos e a atuação
desse fenômeno na sintaxe da língua. Esperamos que este trabalho possa contribuir
não apenas para os estudos gramaticais, mas também para o conhecimento e
divulgação da cultura Kaingang, que possa servir como fonte para estudos
comparativos da família Jê e colaborar para a elaboração da gramática pedagógica a
ser utilizada pelos professores das escolas indígenas Kaingang no Paraná.

Palavras-chave: Kaingang; Verbo; Classe de palavras; Morfossintaxe.

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SIMPÓSIO 4) Múltiplas discursividades em cenário social, midiático e


artístico

Profa. Dra. Renata Marcelle Lara (UEM)


renatamlara@gmail.com
Profa. Dra. Célia Bassuma Fernandes (Unicentro)
bacelfer@hotmail.com \ bacelfer@yahoo.com.br

1) Que leitura te move?

Profa. Me. Rutzkaya Queiroz dos Reis

Resumo:

Que leitura te move? é pergunta e argumento do documentário audiovisual de mesmo


nome, e propõe para seu roteiro um protagonismo simultâneo das obras rememoradas
e seus leitores; professores de diversas áreas de formação, com atuação nos cursos de
Letras e Pedagogia no estado de São Paulo, Brasil, que formam outros e novos
professores. A premissa é que nesse contexto escolar brasileiro, o professor figura
sempre como aquele convocado a ouvir a instituição nas suas muitas e por vezes
confusas hierarquias, os alunos, às vezes, até e equivocadamente também pais de
alunos, os (des)governo(s), para tratar de conteúdos previamente estabelecidos como
parte de um plano de trabalho sistematizado que lhe chega proposto sob o viés da
leitura das diretrizes que regem esse sistema de ensino, embora o discurso afirme uma
“construção do conhecimento” que considere a formação docente na riqueza de suas
variantes. Mas, o que tem a narrar e dizer o professor para além de conteúdos
previamente estabelecidos, e das expectativas de públicos, do mercadológico ou até de
alguns pares? O documentário busca ouvir o professor na movência de afetos
dimensionados pela leitura trazida de seu arquivo pessoal, que compõe a memória da
vida, e inevitavelmente repercute na atuação como professor, dada a impossibilidade de
repartir o ‘ser’ em funções. Os vinte e quatro entrevistados responderam à pergunta
‘que leitura te move?’ rememorando afetos da infância à idade adulta, de variados
contextos e múltiplas dificuldades e alegrias, perpassando tipos de texto que vão da
fotografia ao romance, teatro, poesia, conto, manifestos, ensaios, história, geografia,
educação, sociologia e teologia, de operários no interior de São Paulo a Miguel de
Cervantes, Teolinda Gersão, Maria José Dupré, Marcelo Rubens Paiva, Oscar Wilde,

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Fiódor Dostoiévski, João Guimarães Rosa, Laurence Sterne, Pedro Calderón de la


Barca, , Edgar Allan Poe, Machado de Assis, Virginia Woolf, Paulo Freire, Antonio
Gramsci, Jorge Larrosa, Roger Chartier, Euclides da Cunha, Karl Marx, Pierre Bourdieu,
Leonardo Boff, Paulo, o apóstolo bíblico. As entrevistas foram gravadas entre
dezembro de 2016 e fevereiro de 2017, individualmente, numa proposta de
documentário fílmico com imagens em preto e branco, que considere a leitura que move
esses leitores como percurso de uma formação e narrativa de vidas que, no conjunto
formam inteligências, de alunos e seus pares, e individualmente percorrem sendas que
emulam particularidades que quando observadas de perto, revelam a universalidade do
que é humano. E aqui, o convite para ver imagens em preto e branco e ouvir as cores
dessas memórias.
Palavras-chave: documentário, cinema, literatura, professor(a), leitor(a).

2) Deus na visão de Carlos Ruas no blogue “Um sábado qualquer”

Isabela Rodrigues Vieira (UEL)


Profa. Dra. Maria Isabel Borges (UEL)

Resumo:

Neste trabalho, o objetivo principal é mostrar de que maneira Deus é retratado como
uma personagem caricata, tornando-o personificado, na série “Um sábado qualquer” de
Carlos Ruas. A proposta desse cartunista é, ao invés da publicação de suas tiras na
forma tradicional em jornais impressos, utilizar-se da internet, para reinterpretar os
principais fatos bíblicos, sem, inicialmente, posicionar-se a favor de uma ou outra
religião, e sim estabelecer discussões de cunho filosófico. Para tanto, a humanização de
Deus, segundo ele, inclui sofrer, chorar, sorrir, enraivecer, arrepender-se, discutir com a
mulher etc., resultando-se no blogue de maior acesso na atualidade, cerca de 2,7
milhões de leitores, que foi criado em 2009, com publicações impressas a partir de
2015. A tira cômica, como gênero quadrinístico, constitui uma sequência narrativa
organizada em torno da construção de uma expectativa que se direciona a um desfecho
cômico (RAMOS, 2010; 2011; 2014). Compartilha dos recursos da linguagem dos
quadrinhos, tais como: balões, personagens fixos ou não (podendo ser caricatos,
estilizados, humanizados ou personificados), onomatopeias, metáforas visuais, cores,
diferentes marcações temporais e espaciais, linhas cinéticas, ângulos de visão,
legendas etc. No âmbito da Análise do Discurso (AD) de linha francesa, a Formação
Discursiva (FD) corresponde a tudo aquilo que é real na língua, determinando, assim, o
dizer do sujeito e camuflando as posições ideológicas. Nesse sentido, mesmo que a

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proposta de Ruas seja, à primeira vista, a mais democrática possível e destituída de


ofensas a um seguidor religioso, o efeito cômico, muitas vezes, banaliza fatos relatados
nos livros sagrados, aproximando-os de aspectos considerados pecados, por exemplo.
Em diversas tiras ausentes de linguagem verbal, é possível a atribuição de sentidos
vinculados às condições de produção ─ Brasil como Estado laico, liberdade de
expressão, pluralidade religiosa ─ e ao redizer da memória discursiva do sujeito leitor.
Ademais, não existe uma imparcialidade, um neutro no discurso, qualquer coisa que é
dita possui um significado e uma intencionalidade, pois, para a AD, não existe um
discurso sem sujeito, nem um sujeito sem ideologia. Toda a enunciação do sujeito é o
resultado de um produto ao mesmo tempo em que constitui um processo.
Teoricamente, consideram-se os trabalhos de Brandão (1999), Orlandi (2003) e a obra
“A ordem do discurso” de Foucault (1970), ao lado de estudos de Cagnin (2014),
Acevedo (1990) e Ramos (2010; 2011; 2014) sobre os quadrinhos.

Palavras-chaves: Análise do Discurso; internet; tira cômica; “Um Sábado Qualquer”.

3) O não-dito e o silenciado: a resistência à Ditadura nas/pelas charges


de Ziraldo no Pasquim

Me. Natália Martins Besagio (UEM)

Resumo:

Conhecido como um dos períodos de maior repressão da história brasileira, o governo


Médici (1969-1974) foi responsável pela constituição de um aparato repressor
assentado no tripé burocracia, censura e violência. Neste contexto, a liberdade de
expressão e, por conseguinte, a liberdade de imprensa, foram vetadas, abrindo espaço
para a construção de uma via alternativa de comunicação e fazendo emergir a
circulação de tabloides como O Pasquim que, em seu próprio nome, carregava a marca
do deboche. Tais publicações aproximaram-se da contracultura, oferecendo uma
vertente cultural para a análise das ações categorizadas como subversivas e que, de
alguma maneira, contestaram os padrões impostos pela Ditadura. A imprensa
alternativa teria se constituído como um veículo de ruptura com o modelo vigente,
desobedecendo não somente às austeras e violentas imposições militares, mas aos
próprios padrões de escrita e veiculação da informação. Não se enquadravam na
direita, nem tampouco na tradicional esquerda. Não utilizavam regras de publicação,

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pauta, ou mesmo editorial, como acontecera na redação do Pasquim. O frequente uso


de imagens, marca do tabloide, abriu a possibilidade de burlar a censura, encampada
durante o período de fechamento político. Merece destaque a charge que, como
instrumento de intervenção política, encontrou nos jornais alternativos seu espaço de
atuação, quebrando a monotonia e a severa objetividade do texto, além de dizer o que
não poderia ser dito/verbalizado, ou o que fora silenciado pela censura. Diante de tal
perspectiva, o presente artigo tem como objetivo responder ao seguinte
questionamento: de que modo o humor da charge subverteu, ou não, os valores
impostos pelo Regime Militar? Para tal empreitada pretende estabelecer um entremeio
entre a História e a Linguística por meio da Análise de Discurso, abordada pelo viés de
Michel Pêcheux. Isso porque, as charges publicadas no tabloide, especificamente
aquelas de Ziraldo Alves Pinto, são constituídas por um já-dito e esquecido, que retorna
na forma do dizer. Ou seja, o que fora dito ou representado por meio do traço sobre
humor, resistência, censura, violência; o que fora proferido por filósofos, sociólogos e
estudantes sobre a contracultura; os movimentos que eclodiram na década de 1960, os
dizeres políticos relacionados ao governo ditatorial e que significam ali, nas imagens
publicadas e veiculadas pelo Pasquim, constituindo-se como uma via eficaz de
resistência à Ditadura Militar no Brasil.

Palavras-chave: Ditadura Militar; Imprensa Alternativa; Análise de Discurso; Charge;


Ziraldo.

4) Jogos de imagens do sujeito brasileiro nos pronunciamentos de Dilma


e Temer frente ao impeachment

Vivian Elis Golfetto Ramos (UEM)


Profa. Dra Maria Célia Cortez Passetti (UEM/Orientadora)

Resumo:

Este artigo apresenta uma discussão sobre os jogos de imagens e os efeitos de


sentidos nos discursos de Dilma Rousseff e de Michel Temer quanto ao impeachment.
O objetivo é analisar o funcionamento imaginário acerca do sujeito brasileiro nos
referidos discursos a fim de compreender os efeitos de sentidos resultantes de tal
funcionamento, tendo em vista o impacto deste acontecimento político na vida dos
brasileiros, uma vez que Dilma e Temer ocupam o cargo mais alto da hierarquia política
e o modo como governam incide na vida do sujeito brasileiro. Esse sujeito brasileiro
aqui é entendido como aquele que possui direito e deveres, dentre os quais o direito ao

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voto é um deles. Portanto, um sujeito que sofre as consequências, positivas ou


negativas, daqueles que governam o país, os estados e os municípios. Para isso,
retomam-se as condições de produção em que tais pronunciamentos se realizam,
aponta-se o modo como se configuram os dizeres possíveis para Dilma e para Temer,
no que diz respeito aos lugares sociais ocupados por esses sujeitos durante o processo
e busca-se compreender como funcionam as imagens do sujeito brasileiro e os
mecanismos de sustentação, atravessamento ou dissolução de tais imagens,
observando-se também os efeitos de sentidos produzidos no funcionamento do
imaginário em torno do ser brasileiro nos pronunciamentos de destituição e assunção da
Presidência da República. Nosso aporte teórico será sustentado pela vertente
pecheutiana da Análise do Discurso, bem como pelos estudos de Orlandi (2015) e
Indursky (2002). Os principais conceitos utilizados neste momento são formações
imaginárias e posição sujeito, por meio de uma análise de recortes construídos a partir
da transcrição dos pronunciamentos de afastamento de Dilma Rousseff e de posse
temporária de Michel Temer na abertura do processo de impeachment e que produzem
discursos acerca do sujeito brasileiro. Tais pronunciamentos, publicados pela página
online do jornal O Globo, foram transmitidos ao vivo, em rede nacional, pelos diversos
meios de comunicação, em 12 de maio de 2016. No discurso de Dilma, os resultados
apontam para o funcionamento imaginário de um sujeito brasileiro ativo, que pode/deve
se manifestar frente às questões do governo, enquanto que no discurso de Temer, o
mesmo sujeito aparece passivo, devendo consentir com as ações governamentais.

Palavras-chave: Discurso político; efeitos de sentidos; formações imaginárias; posição


sujeito.

5) Interdiscurso: análise de propagandas segundo Mangueneau

Caroline Bognar da Silva Ceolin (UEM)


Profa. Dra. Roselene de Fátima Coito (UEM/Orientadora)

Resumo:

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Este trabalho é resultado de uma pesquisa realizada para a disciplina de Estudos das
Interpretações II, que integra o quarto ano do curso de Letras Português/Inglês e
Literaturas correspondes da Universidade Estadual de Maringá (UEM). O presente
estudo fundamenta-se na Análise do Discurso (doravante AD) de linha francesa
desenvolvida por Mangueneau (2008) e propõe-se a analisar cinco propagandas de
hortifrútis, de modo a relacionar o conceito de interdiscurso postulado pelo autor ao
corpus selecionado. O material escolhido para essa pesquisa é resultado de uma
campanha publicitária lançada no ano de 2008, intitulada Hollywood, cujo slogan é:
“Aqui a natureza é a estrela”. A campanha produzida pela agência MP Publicidade e
destinada à empresa Hortifruti, associa títulos de grandes produções cinematográficas à
frutas, legumes e verduras, por exemplo: “Melão Rouge”, “O quiabo veste Prada” e “A
hortaliça rebelde. No que se refere à base teórica do trabalho, interdiscurso é entendido
por Mangueneau (1997) como constituído por uma tríade, em outras palavras, por três
conceitos complementares, a saber: universo discursivo, que abrange o conjunto de
formações discursivas que interagem em uma dada conjuntura, campo discursivo, que
corresponde a um conjunto de formações discursivas que se encontram em
concorrência e se delimitam mutuamente em determinada área do universo discursivo,
e espaço discursivo, que compreende a subconjuntos de formações discursivas. A partir
da análise realizada, foi possível: a) verificar a presença do interdiscurso nas
propagandas estudadas, uma vez que elas dialogam com textos do campo discursivo
cinematográfico; e b) identificar que as propagandas analisadas pertencem ao universo
discursivo midiático, ao campo discursivo publicitário e possuem como espaço
discursivo os enunciados que produzem efeitos de sentido. Outro resultado obtido, é
relativo ao efeito de sentido produzido pela campanha publicitária desenvolvida, isto é, a
associação entre as características convenientes dos filmes e/ou personagens dessas
obras aos produtos comercializados. Diante do exposto, a relevância desse trabalho
reside na importância da AD para compreensão de enunciados e para a formação de
procedimentos que evidenciem o “olhar leitor” (MANGUENEAU, 1997), bem como na
contribuição à área de pesquisa.

Palavras-chave: Análise do Discurso; Mangueneau; Interdiscruso.

6) Cultura pop e Feminismo: um percurso das imagens da mulher nas


canções de Beyoncé

Ághata Cristine Rocha de Almeida (UEM)

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Nágila Naiane Ribeiro Oliveira (UEM)


Prof. Dr. Edson Carlos Romualdo (UEM/Orientador)
Resumo:

O conceito de cultura pop pode ser entendido como “conjunto de práticas, experiências
e produtos norteados pela lógica midiática, que tem como gênese o entretenimento”
(SOARES, 2013), ou seja, ao falar do universo pop nos referimos aos produtos
midiáticos criados pela indústria do entretenimento em suas diversas áreas: música,
cinema, televisão etc. Esses produtos são difundidos globalmente, sendo consumidos
por milhões de pessoas ao redor do mundo e usados tanto para criar um senso de
pertencimento e identificação a um grupo quanto como forma de diferenciação dos
demais. Nesse universo pop, a cantora Beyoncé é uma das artistas mais relevantes da
atualidade, tendo acumulado vinte e dois Grammy Awards ao longo de vinte e sete anos
de carreira e declarada em segundo lugar na lista da revista Forbes das cem
celebridades mais bem pagas de 2017. Durante sua carreira solo, foram vendidos, até o
ano de 2016, mais de 75 milhões de álbuns no mundo todo, fato que comprova o
alcance de suas canções e sua influência, principalmente sobre seu público, composto
majoritariamente por mulheres de 12 a 34 anos. Além da carreira artística, a cantora
entrou em evidência por se declarar feminista durante a premiação do MTV Video Music
Awards de 2014, em sua performance da canção Flawless, que traz na letra parte do
discurso da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie sobre feminismo e o papel
da mulher na sociedade. Diante desse quadro, nosso objetivo neste trabalho é analisar
as letras das canções dos álbuns da cantora Beyoncé, procurando mostrar as imagens
de mulher presentes em sua discografia. Mais especificamente, nosso intuito é
identificar as possíveis imagens e observar se houve uma mudança de tais imagens no
percurso da carreira da cantora. Nossos pressupostos teóricos fundamentam-se nos
estudos da Análise do Discurso de linha francesa, principalmente os de Pêcheux e seus
seguidores no Brasil, e estudos sobre o Feminismo. As análises mostram a construção
de diversas imagens de mulher que se repetem ao longo dos álbuns: a submissa, a
independente, a sexualmente livre, a mãe, a apaixonada e a feminista. Entre elas, duas
são mais recorrentes, sobressaindo-se em todos os álbuns: a mulher submissa e a
independente. Entretanto, houve uma mudança na proporção de canções em que
aparece cada uma das imagens. Nos primeiros alguns, a imagem da mulher submissa
era a que predominava, porém, com o passar do tempo, passou a predominar a oposta.
A imagem da mulher feminista, por sua vez, apareceu apenas nos dois últimos álbuns
lançados.

Palavras-chave: Análise do Discurso; Feminismo; formações imaginárias; cultura pop.

7) South Park na “evidência” do dizer: o politicamente incorreto

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Lucas Mestrinheire Hungaro (UEM)


Profa. Dra. Roselene de Fatima Coito (UEM/Orientadora)

Resumo:

A linguagem humana – mais do que uma ferramenta de comunicação em sua função


expressiva – configura-se como meio onde emergem e se produzem subjetividade,
significados, cultura e sentidos, tanto de maneira verbal (fala, música etc) quanto não
verbal (imagens, figuras, signos visuais e sensoriais). A linguagem é tomada pelo
indivíduo, que se dá como sujeito ao ser interpelado pela ideologia e o inconsciente,
como objeto situado social e historicamente, também levando em conta os processos de
condição de produção sócio-históricas ideológicas. Portanto, entende-se a linguagem
como sendo o discurso. Uma forma de se tentar penetrar nos efeitos do sentido do
discurso é pela Análise do Discurso. Esta, especialmente a de linha francesa, estuda os
efeitos de sentido produzidos pelas escolhas de linguagem, utilizadas na construção do
texto (material tomado para análise) e pelas suas relações com a exterioridade que o
“emoldura”. O objeto de estudo neste artigo é a produção de dizeres no humor da série
animada norte-americana South Park. Seu sucesso é geralmente atribuído ao seu
humor escatológico, grotesco e às sucessivas referências a personalidades que habitam
o imaginário contemporâneo, carente de fama e sucesso. A série satiriza os excessos
da vida contemporânea: adoração de celebridades, ditadura do politicamente correto,
neoliberalismo e estereótipos. Esta série é veiculada diariamente na televisão brasileira
no canal fechado Comedy Central e prevê um público acima de 16 anos de idade.
Contudo, pelo horário que circula, após o almoço, essa classificação etária não
corresponde àquilo estabelecido pela censura. Diante disso, pensamos o politicamente
incorreto e nos perguntamos: o que esta produção animada afeta na produção de
sentidos produzidos sócio-historicamente na sociedade brasileira? Tendo em vista esta
inquietação, voltaremos nosso olhar para o humor. O discurso humorístico pode ter a
possibilidade de “trapacear a e com a língua”. Esse trapacear discursivo possibilita uma
produção de sentido contra hegemônica ou diferenciada dos discursos dominantes. O
humor vem a ser tomado como um discurso à deriva caracterizado pela busca de
inversão e a “deformação” do que é sério e/ou instituído. Podemos dizer que o humor
contido no discurso do politicamente incorreto, também, opera seu sentido, contrariando
ou invertendo padrões instituídos e verdades estabelecidas. O corpus neste artigo será
a estereotipização do baiano em um episódio de South Park dublado para o português
brasileiro e será analisada esta “evidência”, no sentido de naturalização de dizeres
sobre o nordestino, especificamente neste caso, o baiano.

Palavras-chave: Série animada; Condições de produção; Politicamente incorreto.

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8) Entre o artista e o artesão: ao significar suas obras, Hélio Leites se


significa

Bruno Arnold Pesch (UEM)


Renata Marcelle Lara (UEM)

Resumo:

Durante uma pesquisa teórico-análitica mais ampla, dedicamo-nos em compreender o


funcionamento da composição artesanato-cultura nas produções artísticas do
artista/artesão Hélio Leites. Nesta pesquisa, uma das etapas foi realizada em campo,
que contemplou uma entrevista semi-estruturada com o artista e uma observação não
participante de suas obras em miniatura, em um local de sua propriedade, onde
algumas de suas obras foram registradas. Para tanto, foram respeitados os parâmetros
requeridos pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, no que se refere,
entre outros, ao Termo de Consentimento e Livre Esclarecimento. Como afirma Orlandi
(1996) em Interpretação: leitura e efeitos do trabalho simbólico, a linguagem é uma ação
que transforma e constitui identidades; “ao falar, ao significar, eu me significo”
(ORLANDI, 1996, p.28). Partindo desse pressuposto, interessa-nos, nesta
comunicação, analisar trechos da entrevista concedida por Leites (2016) em que, ao
dizer/significar sua obra, o artista se significa. Nesse sentido, objetiva-se pela
alternância da descrição e interpretação, como nos ensina Pêcheux (1997), em O
discurso: estrutura ou acontecimento, observar as características e propriedades do
trabalho do artista/artesão capazes de visibilizar a relação artesanato-cultura. Entende-
se que artesanato encontra a cultura nas práticas de (entre) sujeitos em um
determinado momento sócio-histórico e ideológico, tal como aponta Mariani (2009) ao
falar sobre cultura num capítulo do livro O discurso na contemporaneidade. Nesse
encontro de artesanato com cultura (composição artesanato-cultura) vê-se que tanto o
sujeito quanto suas instituições e organizações são determinadas por causas que
escapam a seu controle. Pela análise discursiva da entrevista, pode-se observar que
Leites na e pela (com)posição sujeito-artista-artesão diz sobre sua produção artística,
sendo afetado pelo desejo do múltiplo da convivência sem precedentes, como também
pela divisão hierárquico-social. O sujeito investigado está entre o desejo do popular
(vivências cotidianas) e as regras sociais. Resalta-se que esta comunicação é um
recorte da pesquisa “O discurso artístico na composição artesanato-cultura em
miniaturas de Hélio Leites”, desenvolvida no Curso de Artes Visuais da Universidade
Estadual de Maringá.

Palavras-chave: Análise de Discurso. Hélio Leites. (Com)posição sujeito. Obras em


Miniatura.

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9) O político em funcionamento na materialidade artística pela


composição cultura-popular-religião

Guilherme Radi Dias (UEM)


Profa. Dra. Renata Marcelle Lara (UEM/Orientadora)

Resumo:

A criação artística, em sua composição heterogênea de sentidos, guarda relações


constantes com a história, colocando em relevo questões ligadas à memória e à
sociedade, além de ser concebida envolvendo o entrelaçamento de saberes e de
conceitos que modelam as suas características estéticas. Nesta pesquisa, vinculada ao
Grupo de Pesquisa Docente em “Discursividades, Cultura e Mídia e Arte”, nos voltamos
para a obra do artista brasileiro Flávio Império, abordando a imagem pictórica como
materialidade discursiva e trazendo como enfoque a composição cultura-popular-religião
nas obras da série Polípticos. Tomando por base os procedimentos da vertente
pecheutiana da Análise de Discurso, esta investigação tem por objetivo a análise da
composição cultura-popular-religião na configuração e significação da série pictórica
Polípticos, de Flávio Império, que se destacou também em outras frentes de criação
como o teatro e a arquitetura, nas quais teve um importante histórico de militância
política. Interrogamos, por meio da presente temática, de que forma a composição entre
cultura, popular e religião possibilita ou silencia o funcionamento do político como (efeito
de) resistência em Polípticos. Partindo do levantamento das condições de produção
relacionadas às criações pictóricas e às particularidades da poética deste artista,
realizamos um percurso de análise pautado nas especificidades do Discurso Artístico,
apresentados nos trabalhos de Nadia Neckel. Balizados pelo referencial teórico-
metodológico da AD, observamos, neste percurso investigativo, que os sentidos do
religioso, do popular e do político se entretecem no dizer característico que se constitui
nas/pelas imagens pictóricas de Flávio Império. A multiplicidade de sentidos do objeto
artístico, em sua constante mobilidade constitutiva da materialidade polissêmica do
Discurso Artístico, caracteriza as formas de significação referentes à obra artística, que
é marcada em seu caráter discursivo pela incompletude, pela falha, representando a
possibilidade sempre presente de que se tenham outros sentidos em funcionamento,
oportunizando assim perceber, pelas marcas discursivas, o jogo entre o real e o
simbólico operando por meio da linguagem artística e conjugando, no campo do
imaginário, a religiosidade brasileira com a cultura popular, marginalizada, e a cultura de
massa, programada e sistematizada, cujos sentidos estão entrelaçados na constituição
do objeto artístico.

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Palavras-chave: Análise de Discurso; Discurso Artístico; Polípticos; Flávio Império.

10) O entrelaçamento das formações discursivas no texto de teatro O


balcão

Nilda Aparecida Barbosa (pg-UEM)

Resumo:

Nesta comunicação pretendemos abordar o conceito de formação discursiva de acordo


com os pressupostos teóricos de Michel Pêcheux para analisar suas implicações no
texto teatral O balcão de Jean Genet. A compreensão da noção de formação discursiva
pressupõe seu embricamento em outros conceitos delineados pela proposta de
Pêcheux como ideologia, inconsciente, formações ideológicas e formas sujeito.
Portanto, são estas noções que mobilizaremos para esta análise que propomos
apresentar. O balcão é um bordel comandado por Madame Irma e desenrola-se em
quadros. Em cada um desses quadros, personagens realizam suas fantasias mais
secretas, como tornar-se um bispo, um rei, entre outras. Nas relações entre as
diferentes formações discursivas que permeiam cada quadro e na relação de conjunto
com os demais, pois cada quadro é um microcosmo, um aspecto que chama atenção é
o livre curso dado aos conteúdos do inconsciente. Se, em uma sociedade, o sujeito é
conduzido pelos aparelhos ideológicos do estado a seguir determinadas regras de
conduta, esses conteúdos do inconsciente que deslizam por meio dos atos falhos, dos
chistes, dos não ditos, no bordel são postos em evidência. O bordel torna-se ponto de
cruzamento de diferentes formações discursivas e extravasamento das pulsões e, se o
primeiro olhar nos conduz a pensar num sujeito que exerce a resistência por meio do
inconsciente, por outro lado, os muitos quadros que se desenrolam revelam o contrário,
pois os sujeitos vão ali, entre quatro paredes, viver personagens da sociedade da qual
sentem-se marginalizados, excluídos. Logo, à primeira vista, o bordel torna-se mais um
espaço de reprodução dos aparelhos ideológicos do estado. Nosso intuito, é olhar para
esses quadros procurando delinear o embricamento das diferentes formações
discursivas que os perpassam; procurando compreender como o autor trabalha a
resistência nesse mundo às avessas, quais são seus mecanismos de realização como
forma de luta de classes.

Palavras-chave: Formação discursiva; Pêcheux; Teatro francês; O balcão.

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11) Eu falo o que eu querer

Ailton Pirouzi Junior (UEL)


Guilherme Gonçalves Pacífico (UEL)
Dr. Marcelo Silveira (UEL/Orientador)

Resumo:
O presente trabalho pretende apresentar e defender a proposta de Le Page (1980), de
que todo ato de fala é um ato de identidade. Não fixando apenas na proposta
apresentada acima, mas também colocando as marcas e conclusões dos estudos feitos
pelos colaboradores do presente artigo. As identidades são marcadas pelas diferenças
e estão imersas num ambiente de poder e hierarquia, assim como as línguas que
servindo como item identitário, também são atingidas por esse envolvente. A ideia
mantida pelas ciências humanas é de que a identidade e suas relações de poder não
são fenômenos inatos. Segundo Kathryn Woodward, a sua construção e manutenção
acontecem por meio do social e simbólico (2000. p. 14). O papel do símbolo é dar razão
as definições de quem está incluído ou excluído, enquanto o do social é concretizar
essa classificação. As variações linguísticas do português brasileiro são assinadas por
uma dicotomia histórica entre o urbano e o caipira, aquele como detentor de uma norma
culta, uma identidade valorizada e conservadora, e este de um estigma social
simplesmente por estar fora do padrão, daquele círculo. Assim, acaba sofrendo com os
preconceitos linguísticos que envolve uma pessoa não letrada conforme o padronizado,
a gramática normativa o atribui a “burrice”, o desconhecimento sobre o mundo que o
cerca, descartando todo conhecimento adquirido com o cotidiano, com o vivo, a
improvisação e a criatividade. A canção “linguisticamente performática” “Zaluzejo”, da
banda O Teatro Mágico, propõe exatamente a desconstrução desses preconceitos por
meio da arte, da poesia, da sonoridade, da performance que atinge todos os envolvidos.
Faz um convite à percepção de que ali, nas discrepâncias entre o padrão e o utilizado
não são “erros”, mas sim, de uma criatividade resultante da manipulação e domínio da
língua (e todas as significâncias e conexões estabelecidas entre locutor e receptor) em
sua forma oral, mesmo que se altere suas formas sonoras ou escritas, todos os signos
vêm carregados de ideologia e formação histórica em seu intuito de se concretizar a
linguagem, a interação. Dito isso, pretendemos comparar a canção citada com algumas
situações comuns no dia a dia das pessoas que usam a língua da maneira descrita na
música e a partir disso mostrar que pode-se ter uma comunicação totalmente viável sem

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o uso da língua nomeada como “correta”. Após os estudos e análises serem aplicadas,
a principal intenção dos colaboradores serão levar essa ideia ao meio acadêmico e isso
não se refere só a faculdades ou e congressos, mas também salas de aulas e didáticas
dos professores atuais.

Palavras-chave: Linguagem; Identidade; Performance.

12) Análise do discurso feminista em páginas do Facebook

Mariana Guidetti Rosa (UFSCar)


Prof. Dr. Roberto Leiser Baronas (UFSCar/Orientador)

Resumo:

A partir de questionamentos acerca dos diferentes sentidos que circulam na web, e com
o objetivo de compreender como o discurso feminista se manifesta em duas páginas
que feministas do Facebook ("Empodere duas mulheres" e "Não me Kahlo, ambas com
aproximadamente 1 milhão de seguidores e muitos compartilhamentos), propõe-se
analisar três lexias recorrentes no Feminismo e que estão presentes em textos
feministas das duas páginas: sororidade, feminicídio e empoderamento. O presente
projeto de pesquisa de Mestrado está ancorado na Análise do Discurso de orientação
francesa de Michel Pêcheux, nas teorias sobre hipergênero e cenografia propostas por
Dominique Maingueneau, e também nos conceitos de poder e modos de subjetivação
de Michel Foucault. Almeja-se analisar os diferentes sentidos dos três termos
(sororidade, feminicídio e empoderamento) e suas circulações nos textos de duas
páginas da rede social Facebook, tendo como hipótese que há diferentes processos de
subjetivações (Foucault, 1984, 1985, 1995) produzidos em relação à posição da mulher
nos discursos na web. Para que se possa comprovar essa hipótese, inicialmente,
verificar-se-á como os textos eleitos para as análises a partir de determinados percursos
(Maingueneau, 2007, 2015) e inscrição em determinadas formações discursivas
(Maingueneau, 2015) se inscrevem no hipergênero (Maingueneau, 2015). A análise
pautar-se-á no reconhecimento das diferentes cenografias e como as mesmas são
mobilizadas; na sequência, como o interdiscurso irrompe nos textos escolhidos para
análise. Por fim, por meio dos percursos inesperados (Maingueneau, 2015), será
possível explicitar as relações imprevistas existentes no interior do interdiscurso, medir
a dispersão e explorar a disseminação dos sentidos das lexias escolhidas (sororidade,
feminicídio e empoderamento). Dessa forma, poder-se-á circunscrever os sentidos que
os termos produzem e, consequentemente, verificar a existência de diferentes modos

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de subjetivação e em quais discursos esses termos possibilitam subjetivar-se. A


pesquisa de Mestrado se encontra ainda em fase embrionária e há um exemplo de
análise a ser apresentado e discutido. Por se tratar da análise de somente um texto, a
noção de percurso não aparece, já que seria necessário, no entendimento de
Dominique Maingueneau (2007), mais textos de análise para conseguir estabelecer um
percurso analítico entre eles.

Palavras-chave: Discurso; Cenografia; Feminismo; Hipergênero

SIMPÓSIO 5) Pesquisas e estudos em Letramentos

Profa. Dra. Cláudia Madalena Feisteur (UNEB)


claudiamadalenafeistauer@gmail.com
Me. Emerson Tadeu Cotrim Assunção (UNEB)
emersonbrumado@hotmail.com

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1) Projetos de letramento e o ensino de língua materna no ensino


fundamental: uma proposta com jornal escolar

Ana Paula da Silva e Lino (UEL)


Profa. Dra Andréia da Cunha Malheiros Santana (UEL/Orientadora)

Resumo:

As estratégias que objetivam melhorar e universalizar o ensino brasileiro estão


relacionadas às demandas de uma nova realidade social do país. O crescente processo
de urbanização e industrialização, a expansão dos meios de comunicação e o impacto
da escrita em todas as esferas de atividades humanas demonstram a importância do
domínio do uso da linguagem nos mais diversos contextos, com as mais diversas
finalidades. Diante desse quadro, o ensino de língua portuguesa tem alcançado lugar de
destaque dentro das discussões sobre a melhoria do ensino no país. No entanto, a
realidade do ensino nas escolas públicas tem deflagrado que ainda há um longo
caminho entre o que se espera do ensino e o que, de forma geral, tem-se realizado
junto aos alunos. Na modalidade escrita, há um inadequado processo de escolarização
porque se artificializa a produção escrita de tal forma que ela não corresponde, de fato,
a uma prática social, mas apenas a uma atividade com função e finalidade unicamente
escolar. Diante do exposto, objetiva-se elaborar e aplicar, a uma turma do ensino
fundamental II, um projeto de letramento com o propósito de produzir um jornal escolar.
Nesse projeto, haverá a reflexão sobre o potencial da perspectiva do letramento à
melhoria da relação ensino-aprendizagem da modalidade escrita em língua portuguesa
ao aproximar as práticas sociais permeadas pela escrita das atividades escolares,
vinculando conhecimentos sistematizados a áreas, temas ou problemáticas de interesse
e relevância social para os alunos. A partir desse momento, pretende-se analisar os
pontos positivos e negativos dessa implantação, caso haja, no ensino da língua
materna. Sendo assim, tem-se como objetivos específicos: a) proporcionar a prática de
leitura e escrita provenientes das discussões e análises de assuntos relacionados às
questões sociais do entorno e de interação dos alunos; b) proporcionar aos educandos
momentos em que possam manifestar suas opiniões no tocante aos temas discutidos;
c) desenvolver a leitura e a escrita enquanto prática social, imbuídas de questões de
poder e ideologia; d) realizar o estudo de alguns gêneros discursivos necessários à
elaboração de um jornal escolar. Para tanto, esse trabalho tem como referencial teórico

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os documentos oficiais que regem a educação básica brasileira, especificamente no


tocante ao ensino da língua portuguesa, tais como Parâmetros Curriculares Nacionais
(1998) e Diretrizes Curriculares Estaduais (2008); os Estudos do Letramento, segundo
Street (2014), Kleiman (2000, 2005, 2006, 2010) e Soares (2001); e dos Projetos de
Letramento, baseado em Tinoco (2008). Também há a assunção da concepção sócio-
histórica da linguagem com base em Bakhtin (2003), considerando que as práticas
sociais devem orientar o ensino de língua materna no contexto escolar. Espera-se, com
esse projeto, que os alunos, ao compreenderem a escrita como ferramenta à
participação social, desenvolvam-se como autores de seus discursos, possibilitando um
trabalho significativo e crítico com a língua materna.

Palavras-chave: Projetos de letramento; Língua Portuguesa; Jornal escolar.

2) Letramento escolar: Uma proposta de leitura crítica

Elaine de Castro (UEM)


Profa. Dra. Neiva Maria Jung (UEM/Orientadora)

Resumo:

O ensino de Língua Estrangeira (LE) na Educação Básica, de acordo com os


Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), tem como objetivo contribuir para o processo
educacional do aprendiz, levando-o além da aquisição de habilidades e competências
linguísticas (BRASIL, 1998). Para tanto, as aulas de LE e Língua Materna devem
privilegiar ou propor atividades envolvendo a leitura e a escrita que promovam o
engajamento discursivo do aprendiz em práticas sociais variadas. Assim, o
desenvolvimento de atividades sobre temas relevantes e com base em gêneros
discursivos nas aulas de LE consiste numa possibilidade de ampliar a participação do
aprendiz em sua própria língua e cultura, promovendo seu letramento e contribuindo
para sua formação como cidadão (SCHLATTER, 2009). Por este viés, proponho uma
prática pedagógica embasada na Leitura Crítica (LC) e no letramento como prática
social (STREET, 2014), a partir de um processo de leitura que englobe o conhecimento
prévio, a compreensão e interpretação textual e o desenvolvimento da criticidade
mediante o texto. Proponho uma atividade de leitura para alunos do Ensino

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25, 26 e 27 de setembro de 2017
ISSN: 1981-8211

Fundamental II envolvendo gêneros textuais condizentes com a faixa etária, sugerindo


uma abordagem crítica a ser trabalhada por meio de três etapas: pre-reading, while-
reading e post-reading. Em cada uma delas, são sugeridos questionamentos e
exercícios que promovem a interpretação e compreensão textual, bem como a
identificação de um tema nas entrelinhas da história, sugerindo como foco da atividade
a discussão em torno de ideologias presentes no texto. Assim definido, o trabalho
processual com a LC acontece primeiramente por meio de uma contextualização,
trazendo para a sala de aula aquilo que já se sabe sobre o assunto do texto e passando
por uma investigação de informações presentes no próprio texto, sendo a LE um meio
de interpretação. Em seguida, são propostas questões que exploram a criticidade na
interação entre o leitor e o tema, a partir da reação e produção de discursos pelo
aprendiz, que exerce papel ativo ao ter como tarefa questionar, avaliar, opinar,
comparar com sua realidade, enfim, dialogar e não simplesmente receber a informação
veiculada pelo texto. Com tal proposta, espero reforçar a importância da LC para
ampliar a participação do aluno em práticas sociais letradas, formando-o como leitor
crítico e cidadão desde o Ensino Fundamental II.

Palavras-chave: Leitura Crítica. Letramento Escolar. Educação Básica.

3) Práticas de Letramento acadêmico e aprendizagem de alunos do


curso de Letras de uma universidade pública paranaense

Giselli Cristina Claro Rampazzo (UEM)


Profa. Dra. Neiva Maria Jung (UEM/Orientadora)

Resumo:

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Neste trabalho, temos como objetivo principal apresentar o projeto de mestrado


intitulado que parte da problemática de como alunos da graduação em Letras produzem
entendimentos em práticas letradas acadêmicas, ao chegarem nas universidades, e
como relacionam esse conhecimento acadêmico à prática de formação docente. Para
tanto, partimos dos pressupostos teórico-metodológicos dos Novos Estudos do
Letramento (STREET, 1984) e da Etnografia da Linguagem (GARCEZ; SCHULZ, 2015).
Os Novos estudos do Letramento mostram que práticas letradas são constitutivas da
identidade e pessoalidade, ou seja, toda e qualquer forma de leitura e escrita que
aprendemos e usamos está associada a determinadas identidades e expectativas
sociais acerca de modelos de comportamento e papéis a desempenhar, (STREET,
2006, p. 466). Nessa perspectiva, aprender o letramento acadêmico significa apreender
modelos de comportamento, papéis e identidades relacionados com as formas de
participação nas práticas letradas acadêmicas. A grande problemática do trabalho é
então compreender como acadêmicos de um curso de Letras se apropriam do
letramento acadêmico e que modelos de participação levam para a observação e
proposição de aulas nas disciplinas de Estágio, tendo em vista a formação docente. A
pesquisa está inserida na área da Linguística Aplicada. A etnografia da linguagem será
usada como aporte teórico- metodológico que possibilita observar práticas situadas e
particulares visando um entendimento interpretativo das ações e das formas de
participação utilizadas no local observado. Os dados serão gerados em quatro
disciplinas de um curso de Letras, de uma universidade pública situada no norte do
Paraná, procurando realizar uma observação longitudinal do curso, por meio de
observações, descrição da realidade e interpretação. Serão utilizados como
instrumentos o diário de campo e entrevistas semi-estruturadas com os interlocutors
bem como produções escritas realizadas por eles durante o decorrer das aulas
observadas. Em termos de resultados, pretendemos contribuir para currículos que
concebam a leitura e escrita como ferramentas para agir socialmente e que possibilitem
aos alunos reconhecer padrões culturais e ideológicos de uma prática acadêmica, a fim
de que possam também engajar seus futuros alunos com práticas letradas interculturais.

Palavras-chave: Escrita acadêmica; Práticas de Letramento; Aprendizagem; Formação


de professores.

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4) Por que o inglês é a língua franca da academia?

Carlos Eduardo de Araujo Placido (USP)

Profa. Dra. Marília Mendes Ferreira (USP/ Orientadora)

Resumo:

Nosso mundo parece estar diminuindo rapidamente. Os conceitos de tempo e espaço


nunca foram tão revisitados, bem como as nossas formas de obter nosso conhecimento
(ou conhecimentos). De acordo com o WTTC (World Travel and Tourism Council, 2008),
há um número crescente de pessoas que viajam todos os anos, o que representa mais
pessoas se comunicando em uma língua diferente da deles. Curiosamente, o turismo
não é o único cenário onde há necessidade do uso de uma língua “comum”. Esta
necessidade também se recai sobre o mundo cooperativo e acadêmico, bem como,
sobre outras áreas. Pessoas com diferentes línguas precisam de uma mesma língua
para se comunicarem, mesmo que essa língua não seja a língua materna de nenhuma
delas. Neste caso, uma terceira língua entra em jogo. Ao invés de ser simplesmente
uma ferramenta de comunicação, esta terceira língua pode ter implicações diretas sobre
a identidade das pessoas e suas relações sociais. Este é o caso da língua inglesa. Ela
vem sendo usada cada vez mais como língua franca no meio acadêmico brasileiro,
assim como em uma pletora de países nórdicos e asiáticos. Entretanto, a língua inglesa
não é a língua com maior número de falantes no mundo. Na verdade, em relação à
quantidade, ela é a terceira, logo atrás da língua chinesa e da língua espanhola,
primeira e segunda colocadas respectivamente. Se ela não é a língua com maior
número de falantes, por que ela vem se solidificando como a língua franca da academia,
mormente da academia internacional? Na tentativa de responder esta pergunta, esta
pesquisa vem investigando mais profundamente os diferentes fatores os quais
auxiliaram e ainda auxiliam na manutenção do status quo “privilegiado” da língua
inglesa no meio acadêmico. Sendo assim, o objetivo principal desta pesquisa é o de
tentar responder a seguinte pergunta: Por que a língua inglesa é a língua franca da
academia? Para isso, esta pesquisa vem sendo pautada nas obras seminais de Jenkins
(2000), Seidhofer (2004), Matsuda (2010) e Horner (2011) entre outros. Ela está dividida
em três partes que se complementam. Na primeira parte, ela traz uma leitura
revisionista dos principais conceitos acerca do termo língua franca, na medida em que a
posição de privilégio da língua inglesa vem sendo constatada por diversos

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pesquisadores (SWALES, 1990; JENKINS, 2000; CANAGARAJAH, 2002; MATSUDA,


2010; HORNER, 2010, ROYSTER & TRIMBUR, 2011, CAREY, 2013). Já na segunda
parte, ela expõe a importância da língua inglesa no mundo atual, principalmente em
relação à glocalização e a influência dos nativos e não-nativos sobre este idioma
(MCARTHUR, 1998; JENKINS, 2000; GNUTZMANN, 2002; MAIR, 2003; BRUTT-
GRIFFLER, 2006). Na terceira e última parte, esta pesquisa discute alguns dos
principais fatores que justificam a utilização do inglês como língua franca na academia
nos dias atuais, baseadas diretamente nas proposições fulcrais de Sue Wright (2004).

Palavras-chave: Inglês como língua franca; Letramento acadêmico; Língua inglesa.

5) Letramento e educação do campo: um olhar sobre a formação de


educadores e educadoras do PROCAMPO/UNEAL

Sanadia Gama dos Santos (UNEAL/PG-UEM)


Profa. Dra Neiva Maria Jung (UEM/Orientadora)

Resumo:

Este trabalho é parte da tese de doutorado em andamento no Programa de Pós-


Graduação em Letras (DINTER UNEAL/UEM) a qual tem como objetivo investigar o
modo como professores/as, alunos/as e comunidade constroem práticas de letramento
no ensino-aprendizagem de língua portuguesa em escolas do campo no Estado de
Alagoas. O Programa de Licenciatura em Educação do campo (PROCAMPO),
coordenado pela UNEAL (Universidade Estadual de Alagoas) teve como objetivo
atender as demandas de atividades de formação para professores que atuam nas
escolas do campo em Alagoas. Em termos de proposta pedagógica, a formação
docente compreendeu a alternância: tempo comunidade e tempo universidade. Nesse
sentido, Silva (2009) embasou as matrizes metodológicas e epistemológicas da
Educação do Campo a partir de três grandes pontos: identidade - diversos sujeitos que
estão no campo; movimentos sociais - as práticas educativas a partir de cada
experiência e organização; e Educação do campo como ato político e criativo. Nesta
comunicação temos como objetivo analisar a proposta pedagógica do curso. Os dados

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para análise serão o Projeto Político pedagógico do curso, para contextualizar o


pensamento e a proposta de educação do campo, e atividades integradas realizadas
nas disciplinas Língua Portuguesa 3 e Literatura Alagoana da turma de Letras do curso
PROCAMPO durante a feira da Reforma Agrária, realizada em novembro de 2014. Essa
análise será realizada a partir da perspectiva dos Novos Estudos de Letramento que
propõem compreender que as maneiras utilizadas pelas pessoas, ao interagirem por
meio da leitura e escrita, tem relação com conhecimento, identidade e ser (STREET,
2003). Desse modo, letramento não é dado ou ensinado, mas traz efeitos sociais, é
construído histórica, ideológica ou socialmente. Em termos de resultados, os dados do
nosso trabalho mostram um letramento escolar que possibilita a formação de
educadores e educadoras do compõem o formato modular e dinâmico, o que teve
implicações nas concepções de tempo e espaço propostos para as atividades e,
consequentemente, no reconhecimento e legitimação de saberes e identidades locais.

Palavras-chave: Educação do campo; Formação docente; Letramento.

6) Articulações teórico-metodológicas do Letramento a partir dos eixos


de ensino-aprendizagem de Língua Materna

Sweder Souza (UTFPR)

Resumo:

No campo do ensino-aprendizagem, a recente incorporação do termo letramento gera,


ainda, dúvidas em relação à proposta por ele assumida. Algumas dessas dúvidas se
debruçam, por exemplo, em confundir alfabetização com letramento; que letramento é
um método didático que visa substituir a alfabetização; outros creem que letramento e

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alfabetização são sinônimos; dúvidas metodológicas que acoplem as propostas teórico-


metodológicas debatidas pelos estudos do letramento etc. Algumas dessas questões,
entre outras, podem decorrer da falta de esclarecimento acerca da área. Nesse sentido,
torna-se imprescindível debater, tanto teórica como metodologicamente, propostas
voltadas à articulação dos eixos de ensino-aprendizagem de língua materna, propostas
pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, os PCNs, com os estudos do letramento, no
sentido de dar um caráter cada vez mais social aos usos da oralidade, escrita, da leitura
e da prática de análise linguística. Dessa forma, os estudos acerca do letramento
abrem um grande leque de possibilidades articulatórias para o desenvolvimento das
quatro habilidades de ensino-aprendizagem que devem ser trabalhadas ao longo do
processo formativo do sujeito. A noção de cunho social ligada aos eixos já é abordada
teoricamente pelos documentos norteadores de ensino, ancoradas nas propostas do
Círculo de Bakhtin, tomando a língua como parte social da constituição do sujeito.
Assim, pretende-se trazer à tona uma recapitulação dos pressupostos assumidos pelos
estudos de letramento e seus diversos desdobramentos, abordados por Street (1984;
2014) e outros, bem como os relativos aos eixos de ensino-aprendizagem de língua
materna, tais como os encontrados nos PCNs, nos estudos de Mendonça (2006),
Antunes (2003), Geraldi (2002), Marcuschi (2008) e outros, a fim de tecer considerações
acerca de como os estudos de letramento, configurando-se como área macro, podem
contribuir teórica e metodologicamente para os eixos de ensino e, em que medida o
cenário escolar brasileiro, junto de cada eixo de ensino-aprendizagem, também podem
estar articulados aos pressupostos dos letramento. Nesse sentido, busca-se (re)pensar
tais questões de maneira com que se possa identificar e dar maior ênfase às teorias e
às práticas de letramento que estão articuladas aos eixos, uma vez que elas já parecem
imbricadas, mesmo que, ainda, as questões de letramento apareçam de maneira
sucinta nos documentos que regem o ensino no Brasil, como no documento de
Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais, os
PCN+, o qual apresenta uma breve explicação, de maneira um tanto limitada, sobre o
que seria o letramento, articulada à seção de Gramática, como: ‘‘conjunto de práticas
que denotam a capacidade de uso de diferentes tipos de material escrito’’ (BRASIL,
2002, p. 60). Assim sendo, pretende-se, com a presente comunicação, levantar as
proximidades entre os estudos teóricos de letramento e a sua relação com os eixos de
ensino-aprendizagem, a fim de fornecer material pertinente para o trabalho com o
ensino-aprendizagem e também à prática docente.

Palavras-chave: Letramento; Ensino-aprendizagem; Língua Materna.

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7) Letramento Literário: o conto como instrumento

Stéffani Priscila Léo dos Santos Rocco (UEL)

Profa. Me. Marlene Angélica Kronemberger Aguilera (UEL/Orientadora)

Resumo:

O texto literário é um instrumento colaborador para a formação de leitores, desse modo,


é a partir do letramento literário que ocorre a potencialização da leitura e a relevância do
ato de ler, o qual traz ao aluno um rico universo de novos conhecimentos, aprimorando
e construindo sentido por meio das palavras. O letramento literário é bem mais que a
prática de ler textos literários, como se a leitura fosse algo já definido, pronto e acabado,
mas sim o exercício de sentido e de compreensão do mundo por meio das palavras.
Porém, nas práticas escolares o uso da leitura limita-se apenas como pretexto para o
ensino da língua, a teorização da literatura ou um mero passatempo, deixando de lado a
importância de uma leitura significativa, que assegura o seu domínio efetivo, pois o texto
é muito mais que sinais gráficos. Deste modo, o presente trabalho tem como objetivo
uma proposta didática destinada aos últimos anos do ensino fundamental II em torno do
conto “A moça tecelã”, de Marina Colasanti. A partir de pesquisas iniciais junto ao
letramento literário, o proposto conto foi selecionado por tratar de questões
contemporâneas, sobretudo questões humanas, que afligem o homem em qualquer
época, o que leva o leitor a reflexões de caráter individual e social, e também por se
tratar de uma leitura prazerosa pois, a autora usa a leveza do recurso dos contos de
fadas, para a construção do conto. Vislumbra-se esse gênero textual por tratar de uma
narrativa curta, mas que demanda de uma atenção do leitor e a mediação do professor
para a compreensão do texto, buscando oportunizar ao aluno o letramento literário, na
intenção de que o aluno desperte o interesse pela leitura, a compreensão do texto e não
somente decodificação dos signos linguísticos, proporcionando a ele a interação com o
texto. O leitor que utiliza do letramento literário, tem suporte para deduzir as

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informações e situações, realizando reflexões durante e após o término do ato de


leitura, capaz de desenvolver uma noção crítica a partir das informações adquiridas no
texto. Para tanto, a proposta é fundamentada e tem como gênese o letramento literário
de Cosson (2012), a formação do leitor de Kleiman (2001) e o método recepcional de
Bordini & Aguiar (1998). Nesse sentido a começar por uma proposta de ensino
utilizando o gênero textual conto como instrumento de leitura, pode-se contribuir para a
formação de leitores segundo as concepções do letramento literário.

Palavras-chaves: Letramento Literário; Conto; Marina Colasanti.

8) Alfabetização, letramento e linguística: um entrelace

Silvia Adriana Trolez (UEM)

Wemerson Damasio (UEM)

Profa. Dra Annie Rose dos Santos (UEM/Orientadora)

Resumo:

O termo letramento, a partir da década de oitenta, passou a ser difundido entre os


estudiosos voltados à área da educação. Mais de duas décadas depois, os termos
alfabetização e letramento ainda continuam sendo fundidos e confundidos no Brasil,
especialmente entre os profissionais da área, embora sejam dissociáveis e
interdependentes. Isso implica em afirmar que se tratam de processos correlacionados
porém distintos, uma vez que a alfabetização é considerada um processo finito e o

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letramento, infinito. Associada aos dois conceitos, a linguística, também considerada


como estudo recente, aparece como um fator contribuinte e essencial para se alcançar
o objetivo maior proposto pelo letramento, qual seja, a dissipação do aprendido para o
cotidiano, haja vista que um dos objetos de estudo da linguística é a utilização da língua
em situação real de uso. Entretanto, como o Brasil é um país miscigenado, comumente
os professores se deparam em sala de aula com aprendizes das mais variadas regiões,
portadores de uma bagagem singular oriunda de seu contexto social. No panorama
educacional público do século XXI, a heterogeneidade dos educandos é ainda maior, o
que significa uma variação linguajeira digna dessa mistura de contextos sociais e
educacionais. Objetivamos, neste artigo, discutir alfabetização e letramento com o
aporte de Soares (2006). Fundamentamo-nos em Cagliari (1993) para alicerçar a base
de estudos sobre a relevância da linguística no processo de alfabetização. Também
com o amparo de Kleiman (2007) e Faraco (2002), trazemos subsídios para uma
reflexão acerca da prática docente na busca por resultados satisfatórios dos discentes
no que se refere ao processo de letramento. Para tanto, empreendemos
questionamentos a respeito das variações linguísticas apresentadas pelos estudantes,
tanto na oralidade como na escrita. Neste trabalho apresentamos uma pesquisa com
professores de Língua Portuguesa dos Ensinos Fundamental um e dois, da capital e da
região noroeste do Paraná, relativa aos conceitos de alfabetização, letramento e sobre a
percepção e recepção de seus discentes no tocante à variação linguística que os
aprendizes do Português Brasileiro apresentam em sua oralidade e escrita. Nosso
propósito é a reflexão acerca do objetivo de se auferir com os estudantes o resultado do
processo de letramento, distinguindo-o de alfabetização e remetendo a linguística como
contribuinte essencial para a disseminação do aprendizado no cotidiano do aprendiz.

Palavras-chave: Alfabetização, letramento, linguística, variação linguística.

9) Modelos culturais na escrita escolar

Joás Ferreira da Silva (UEM-PG)

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Profa. Dra. Neiva Maria Jung (UEM-Orientadora)

Resumo:

A escrita, concebida como prática social (STREET, 2014) presente nas comunidades
letradas, insere-se no grupo de atividades que manifestam aspectos das infra e das
supraestruturas ideológicas de cada corpo social. O trabalho, nesse sentido, tem por
objetivo refletir as relações epistemológicas, identitárias e de poder (ZAVALA, 2010;
WALSH, 2009) que permeiam a escrita produzida em ambiente escolar, pensada aqui
sob a perspectiva dos letramentos acadêmicos (LEA e STREET, 2006; LILLIS e
SCOTT, 2007). Para isso, identificam-se modelos culturais (HAMEL, 2013; TUTA, 2013)
na escrita de estudantes do Ensino Médio em um colégio particular do extremo noroeste
paranaense, analisando os procedimentos adotados por eles na incorporação ou
transgressão do modelo cultural privilegiado nos textos de apoio e sugerido no comando
da proposta de redação em contexto simulado de vestibular.

Palavras-chave: Escrita escolar; Interculturalidade crítica; Letramentos acadêmicos;

Modelos culturais.

10) Jovens leitores reescrevem a sociedade: a leitura de textos


sincréticos como possibilidade de crítica e ação social

Laura David Bucholz (UFSM)

Profa. Dra. Marluza Terezinha da Rosa (UFSM/Orientadora)

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Resumo:

Realizar a leitura de determinado texto não implica somente em decodificar as palavras


ou elementos gráficos, consiste em interpretá-lo de acordo com o contexto em que está
inserido, as vivências e a cultura do leitor, entre outros fatores. Por esse motivo, sabe-
se que todo texto oferece não uma única possibilidade de interpretação, mas uma
multiplicidade de sentidos possíveis, consequentemente, cada leitura é, também, uma
reescritura (DERRIDA, 2005). Ao criar um novo texto que se mantém no elo com o que
foi lido e interpretado, o leitor-autor estará praticando o ato da releitura. No momento em
que é feita a releitura e, também, a ressignificação, o autor acaba inserindo traços
próprios no seu texto, mesmo imperceptivelmente. Desse modo, a partir de uma
atividade de (re)leitura e (re)escrita de tirinhas e charges feita por alunos do primeiro
ano do Ensino Médio, foi analisado como o autor inseriu-se no texto produzido, além do
posicionamento crítico que tomou. Essa atividade foi uma das propostas realizadas pelo
projeto Compreender os letramentos locais para (in)formar novos leitores, que atua em
uma escola pública do município de Frederico Westphalen, RS, com o
público mencionado. Através de um Clube de Leitura, o projeto objetiva incentivar os
alunos a ler e desconstruir o conceito de que leitura refere-se somente à literatura ou às
grandes obras, utilizando-se, para isso, dos letramentos locais. Segundo Rojo (2009),
letramentos locais são diálogos cotidianos, não sistematizados e frequentemente
desvalorizados pela cultura oficial e pelo espaço escolar. No projeto, assim como na
atividade proposta, são trabalhados principalmente textos sincréticos, com os quais o
público tem mais familiaridade. As tirinhas e as charges foram utilizadas para discutir as
relações entre linguagem verbal e não-verbal e chamaram a atenção dos alunos pelo
fato de terem como base as imagens. Trata-se de gêneros que encontram leitores em
todas as idades, notadamente no caso das charges, por pertencerem ao discurso
jornalístico e por serem publicadas em locais de maior circulação como jornais, revistas
e internet. Atividades como essa contribuem “para entender a produção de sentidos por
parte de estudantes de um determinado contexto social e as representações por eles
elaboradas” (MACHADO, 2008). Os alunos participantes se colocaram como autores e
utilizaram o espaço das tirinhas e charges para críticas ou para a escrita de si.
Atualmente, a leitura crítica de gêneros textuais apresenta uma considerável
importância no contexto midiático, principalmente com a facilidade da divulgação de
informações. Isso faz com que o letramento crítico seja levado em consideração, já que
se consolida como uma prática que vai além dos textos cotidianos, permitindo que
sejam ressignificadas representações sociais que, hoje, são naturalizadas. Possibilita

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também que situações de discriminação diminuam, pois os autores podem


compreender-se como atores na sociedade e perceber, através dos textos que criaram,
problemas que antes poderiam passar despercebidos.

Palavras-chave: letramento, releitura, leitura crítica, texto sincrético.

11) A reprodução de estigmas nos letramentos: análise das práticas de


linguagem segundo os gêneros sociais

Wellington Felipe Hack (UFSM FW)


Profa. Dra Marluza Terezinha da Rosa (UFSM FW/Orientadora)

Resumo:

Cada vez mais, é necessário o uso de diferentes formas de linguagem, adequadas


segundo o contexto em que se está inserido e os objetivos pretendidos. Seja em lugares
formais, como em locais de trabalho ou documentos oficiais, seja na conversa com
amigos, a inserção em práticas que envolvem leitura e escrita sempre foi fundamental.
Entretanto, estudos realizados desde a década de 1970, dentre os quais se destaca o
trabalho de Lakoff (1973), apontam que, se dois falantes de gêneros sociais diferentes
se expressarem sobre o mesmo assunto e em termos semelhantes, a recepção será
distinta de acordo com a imagem que se faz do emissor da mensagem. Como sugere a
autora, no trabalho “Linguagem e lugar da mulher”, certas palavras e formas de
expressão são associadas ao que se considerada “feminino”, enquanto outras, ao
“masculino”. Desse modo, este artigo pretende analisar como hábitos de letramentos se
constituem em diferentes grupos sociais, de acordo com a autodeclaração de gênero
dos participantes, atendo-se ao fato de algumas manifestações da linguagem serem
mais recorrentes em um determinado gênero. Para o registro do corpus, foram
utilizados questionários respondidos por 20 alunos ingressantes no Ensino Médio em
uma escola pública de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul. Seguimos, neste
estudo, a definição, proposta por Rojo (2009) e Street (1995), de duas diferentes
práticas de letramento. A primeira refere-se aos letramentos dominantes, que são
formas de linguagem que, associadas a instituições formais, seguem uma linha de

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padronização. Nessa perspectiva enquadra-se o ensino escolar, que depende de


agentes culturalmente valorizados. A segunda divisão diz respeito à linguagem utilizada
no dia a dia, que não segue, portanto, uma padronização tão sistemática. Essas
manifestações são os considerados letramentos locais, ou vernaculares, usualmente
desvalorizadas no ensino tradicional. Porém, faz-se necessário compreender que esses
letramentos locais são o primeiro contato dos alunos com a língua, o que serve de base
para a reflexão tanto sobre as dificuldades que têm ao se confrontar com o ensino
escolar, quanto sobre o trabalho de inserção no uso mais formal da linguagem
(TFOUNI, MONTE-SERRAT e MARTHA, 2013). Com base nos conceitos acima
descritos, que se inscrevem nas teorias contemporâneas acerca da leitura,
pretendemos apresentar como os letramentos dominantes e os letramentos locais se
apresentam em cada gênero com características próprias. Em análise preliminar,
durante as atividades do projeto “Compreender os letramentos locais para (in)formar
novos leitores”, desenvolvido na escola, notou-se uma maior aproximação do público
feminino com trabalhos que envolviam o letramento dominante, como textos poéticos e
contos. Portais e letras de músicas também foram apontados como práticas mais
comuns ao gênero feminino em contraposição ao masculino.Já em textos que traziam
de alguma forma conteúdo relacionado a games e tecnologia, seja como assunto
principal seja como tema paralelo, nem sempre explorado nos espaços escolarizados
de trabalho com a linguagem, a predominância das respostas positivas veio do gênero
masculino. Para realizar a análise, o artigo se ancora no trabalho de Barton e Hamilton
(1998), segundo o qual as práticas sociais são estereotipadas por gêneros e classes.
Semechechem e Jung (2013) acrescentam que o modelo escolar brasileiro pressupõe
engajamento em eventos letrados, submissão às práticas dominantes, organização e
asseio pessoal, ou seja, características que reforçam um padrão comportamental
compreendido como feminino, o que dificulta o aprendizado de quem transgride esse
modelo. Assim, pretendemos analisar com quais formas de letramento os gêneros
masculino e feminino, segundo autodeclaração dos próprios estudantes, têm mais
proximidade. Buscaremos entender também de que modo a filiação a essas práticas
pode determinar características de pertencimento destes grupos.

Palavras-chave: Letramento, Gêneros Sociais, Linguagem.

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12) Alfabetização e letramento: implicações para uma


aprendizagem significativa

Marina Leopoldina Gonçalves de Paiva da Mota Pereira (UEM)


Vinicius da Silva Zacarias (UEM)
Viviane Evangelista Neves Santos (UEM)
Profa. Dra. Annie Rose dos Santos (UEM/Orientadora)

Resumo:

Esta comunicação é resultado de um estudo de caráter bibliográfico, no qual se busca


retomar os conceitos de alfabetização e letramento e observar como estes têm sido
interpretados e acolhidos na educação brasileira ao longo dos anos, assim como os
reflexos dessas interpretações nas atividades de ensino propostas,principalmente, para
os alunos das séries iniciais. Inicialmente, empreendemos uma breve conceituação
sobre a alfabetização e discutimos seus principais métodos, tendo como base teórica os
estudos desenvolvidos por Moll (1999), Soares (2004), Morais (2005), e Galvão e Leal
(2005). Com o respaldo dos de Mello (2007), tratamos da importância da teoria proposta
por Ferreiro e Teberosky (1985). Em um segundo momento, conceituamos letramento,
com base em Soares (2004) e Kleiman (2007), e fazemos um contraponto com a
definição de alfabetização; discutimos, também, as implicações negativas de um
trabalho em sala de aula exclusivamente alicerçado nos princípios do letramento. Os
resultados desses estudos apontam que cada um dos conceitos abordados tem sua
especificidade, que deve ser respeitada, e revelam ainda que no atual cenário da
educação brasileira, há necessidade de que alfabetização e letramento ocorram
simultaneamente, sem que um se sobressaia ao outro. Essa premissa é relevante para
desfazer a ideia equivocada de alguns profissionais que defendem a supremacia do
letramento em detrimento da alfabetização, o que Soares (2004) apresenta como causa
do evidente fracasso escolar de nossos alunos com relação à escrita e leitura, fracasso
comprovado pelos resultados das avaliações externas em nível nacional. Defendemos
que essas ponderações devem ser discutidas pelos profissionais da educação, já que,
especialmente o professor, pelo papel de mediador entre aluno e conhecimento que
desempenha, deve conhecer as diversas bases teóricas existentes para orientar sua
atuação em sala de aula, não aceitando nenhuma delas como verdades absolutas ou
receitas mágicas que sirvam para todo e qualquer tipo de contexto. Cabe ao professor,
em um olhar atento às necessidades dos alunos, buscar, no do arcabouço teórico
proposto pela literatura, as abordagens que mais possibilitarão ao aprendiz um

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desenvolvimento de suas habilidades de leitura e escrita com sucesso, cumprindo assim


sua função social na vida desses alunos.

Palavras-chave: Alfabetização, letramento, aprendizagem.

13) Singularidades e letramento situado: os usos sociais da escrita


em uma escola do campo

Bruna Carolini Barbosa (UEL/CAPES)

Dra. Ana Lúcia de Campos Almeida (UEL/Orientadora)

Resumo:

As pesquisas na área da educação têm buscado propor alternativas para práticas


mais contextualizadas e que considerem o educando enquanto sujeito histórico e
socialmente situado. Pesquisadores e educadores buscam meios de articular a
produção teórica e a prática docente. Entretanto, ainda se prioriza o espaço
urbano, enquanto o campo, sua escola e seus sujeitos não detêm a mesma
atenção e prioridade na agenda acadêmica. No que diz respeito ao ensino de
língua portuguesa, um olhar sensível à realidade e identidade do alunado garante
um ensino contextualizado em que os usos sociais da escrita norteiam o projeto
pedagógico, no entanto, em sua grande maioria, as práticas docentes têm se
pautado em uma concepção estruturalista da língua. Este trabalho baseia-se em
uma concepção sócio-histórica e ideológica do letramento (STREET, 1984, 1993,
1995, 2005; GEE, 2000; KLEIMAN, 1995; BARTON, HAMILTON & IVANIC, 2000)
e pretende, por meio de um estudo etnográfico, observar as práticas de letramento
implementadas por meio de um modelo escolar assumidamente ideológico em
uma escola itinerante de acampamento de Reforma Agrária. Para compreender o
lugar que a escola ocupa no MST é preciso refletir, primeiramente, sobre o sentido

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educativo do próprio Movimento, entendê-lo enquanto um sujeito social e


educativo; é preciso um olhar mais sensível sobre seus sujeitos, identidade social,
cultural e política, desde sua gênese até suas tensões atuais, sua busca por
direitos, existência e identidade, sua coletividade. Neste artigo procuramos tecer
reflexões sobre as singularidades desse contexto, bem como de suas práticas
orais e letradas. Para tanto, elencamos dois eventos de letramento para descrição
e análise à luz de uma metodologia qualitativa interpretativista. Os eventos de
letramento compreendem uma aula de compreensão textual e de uma “formatura”,
gênero discursivo predominantemente oral praticado em escolas itinerantes de
Reforma Agrária. A análise permite discutir as características da Pedagogia do
Movimento em que a escola é uma das agências dentro de um grande projeto de
letramento chamado MST.

Palavras-chave: Letramentos; Sujeito sócio-histórico; Educação do Campo.

14) A relação do letramento literário no ambiente escolar com a


formação de leitores críticos

Claudia Peres Barbosa Jorge (PG. UEL)


Dra. Ana Lúcia de Campos Almeida (UEL)

Resumo:

A qualidade da Educação Básica tem sido tema de grandes debates nos últimos tempos
no cenário nacional. A disciplina de Língua Portuguesa demarca importante espaço no
currículo escolar, assim possui destaque nas políticas públicas educacionais, a exemplo
do seu papel nas avaliações em larga escala, como a prova Brasil e o Sistema de
Avaliação da Educação Básica (Saeb), que compõem o Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica. Ao mesmo tempo, observamos a ausência da formação crítica dos
estudantes que sofrem os efeitos alienantes da indústria cultural midiática, fazendo com
que os espaços de reflexão e interesse político sejam cada vez mais reduzidos.
Assistimos à reprodução das construções ideológicas das sociedades modernas, que
trazem em seu bojo papeis previamente definidos e estereotipados, tidos como naturais,
desconsiderando todo o conjunto de elementos/interesses subjacentes que permeiam
essas construções - como a reprodução das representações identitárias de grupos

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sociais marginalizados (mulher, negro, “pobre”). Este trabalho visa a estudar as diversas
maneiras por meio das quais as propostas de letramento literário podem contribuir com
as práticas escolares, visando desenvolver uma perspectiva crítica, a partir da análise-
interpretativa da crônica “Muribeca”, do poema “O Bicho” e do documentário “Ilha das
Flores”, sobretudo no que diz respeito à construção histórica de um grupo social
“marginalizado” em uma sociedade em que ainda prevalece um discurso conservador.
Refletir de que forma o texto literário pode contribuir para a emancipação do sujeito. O
tema será pesquisado tomando como referências teóricas os estudos de Cosson
(2012), Kleiman (1995), Street (2014) e Paulino (2008) sobre a relação entre o
letramento literário escolar e sua relação com a formação de um leitor crítico,
relacionando o trabalho a temas atuais que ao longo da história não foram abordados a
contento. Na escola, nota-se uma limitação dos saberes e do trabalho com a literatura,
limitando seu estudo a períodos literários, ao contexto histórico, às características de
estilo e autores principais sem se deter na própria leitura do texto literário. Pretendo,
dessa forma, contribuir com um instrumental teórico-metodológico que auxilie os
professores de LP na formação de leitores críticos no Ensino Básico.

Palavras-chave: Letramento literário; Formação de leitores; Formação de professores.

15) Letramentos escolares: relações de poder, autoridade e


identidades

Jakeline A. Semechechem (UENP)

Profa. Dra Neiva Maria Jung (UEM/Orientadora)

Resumo:

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Nesta comunicação temos como objetivo reconhecer organizações da fala-em-


interação, a fim de discutir procedimentos, papéis sociais e identidades coconstruídas
em eventos de letramento escolares. Partimos dos Novos Estudos de Letramento
(STREET, 1984, 1993, 2014) ou, no Brasil, dos Estudos de Letramento (KLEIMAN;
ASSIS, 2016) que reconhece ‘letramentos’ relacionados a contextos sociais, culturais e
ideológicos, ao invés de um único letramento, neutro, que é o mesmo em todo lugar
(STREET, 1984, 1993, 2014; STREET; LEFSTEIN, 2007). As práticas de letramento
são constitutivas, segundo Street (2006), da identidade e pessoalidade, e não seria o
espaço físico, a presença de tecnologias, a disciplina a qual o texto está vinculado, o
tema de um debate, que possibilitaria reconhecermos letramento escolar, letramento
digital, letramento matemático, letramento acadêmico respectivamente. Precisamos
observar como as pessoas em eventos de letramentos situados se reconhecem,
reconhecem os outros, os modelos culturais e ideológicos que trazem para esses
eventos e como se engajam e coconstroem ações em torno do texto escrito.
Considerando essa perspectiva ontológica e epistemológica, analisamos duas
atividades de leitura, uma de aula de língua espanhola e outra de uma aula de língua
portuguesa de um colégio público do Paraná. Os dados mostram organizações de fala-
em-interação institucional, em que as professoras controlam o sistema de tomada de
turnos e apresentam instruções sobre como lidar com o texto naquele aqui e agora, e os
alunos ratificam esses procedimentos, embora alguns apresentem também ações de
resistência. Em termos de resultados, identificamos que ainda temos muito presente em
nossas escolas uma pedagogização do letramento, em que regras para o engajamento
dos participantes como professor e como alunos são continuamente afirmadas e
reforçadas dentro de práticas que supostamente têm a ver apenas com usar o
letramento e falar dele, confirmando desse modo relações de hierarquia, autoridade e
controle por meio dessas práticas letradas, o que contribui para (re)afirmar o lugar do
letramento na escola, como apresenta Street (2014), “de uma estrutura de autoridade
culturalmente definida” (p. 138).

Palavras-chave: Letramentos; eventos de letramento; identidades.

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SIMPÓSIO 6) Recursos linguísticos e discursivos na argumentação

Profa. Dra. Isabel Cristina Cordeiro (UEL)


isabel-cordeiro@uol.com.br
Profa. Dra. Esther Gomes de Oliveira (UEL)
ego@uel.br

1) Em meio ao riso: uma análise da representação social do professor

Aldimeres Ferraz da Silva (UEL)


Valéria Di Raimo (UEL)
Profa. Dra. Rosemeri Passos Baltazar Machado (Orientadora)

Resumo:
Fundamentamos este trabalho a partir da perspectiva teórica da Análise de Discurso
francesa e o objetivo é explicitar os processos de significação de alguns discursos
chargísticos, perpassados pela temática da educação. Acreditamos que os discursos
relacionados à educação, em nosso país, são assuntos relevantes, uma vez que podem
despertar novas posturas, principalmente se levarmos em consideração que as
condições de ensino/aprendizagem no ensino público brasileiro não são satisfatórias.
Nosso corpus é constituído de quatro charges cuja temática é referente à educação no
contexto contemporâneo, abordando humoristicamente as condições sociais em que o
professor e o ensino brasileiro estão inseridos. Buscamos elucidar pontos relevantes
como as formações discursivas e ideológicas; as condições de produção; a constituição
dos sujeitos; os já-ditos e as representações presentes nos discursos. Refletimos a
respeito desses discursos, considerando que a língua tem caráter histórico e funcional.
Além disso, acreditamos que o humor tem relevante função social, pois se constitui
como prática sócio-comunicativa. Nesse sentido, organizamos nossa pesquisa do
seguinte modo: primeiramente, realizamos uma breve revisão da literatura acerca do
campo teórico do humor (MORAES, 2005; POSENTI, 1998; SOUSA, 2008) e também

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da Análise de Discurso de orientação francesa (PÊCHEUX, 2014; ORLANDI, 2009;


FOUCAULT, 2008; BRANDÃO, 2006). Não é novidade que o professor tem sido notado
como profissional extremamente desvalorizado e desmotivado, e o campo teórico do
humor possibilita uma leitura crítica e reflexiva, capaz de despertar a sociedade, de
forma lúdica, para tais questões e, ao mesmo tempo, auxilia na compreensão dos
sentidos que circulam socialmente, reflexos de uma construção sócio-histórica e
ideológica do meio em que vivemos. Nesse âmbito, os efeitos de sentidos das charges
analisadas estão estreitamente relacionados às condições de produção, ou seja, à
conjuntura educacional brasileira. Percebemos, então, o quanto repensar a condição
atual da educação brasileira é algo evidente em nossa sociedade. É por meio do
discurso de humor que o riso pode aliviar a exaustão, a tensão e as injustiças ao redor
da educação, mas acima de tudo, trata-se de um meio eficaz para a reflexão a respeito
da representação social do professor na sociedade e, consequentemente, referente ao
processo de ensino-aprendizagem.
Palavras-chave: Professor; Campo do Humor; Análise de Discurso; Representação
Social.

2) Homem x Mulher: estereótipos “livres” no campo do humor

Ana Carolina Bernardino (UEL)


Profa. Dra. Rosemeri Passos Baltazar Machado (UEL/Orientadora)

Resumo:
A Análise do Discurso se forma a partir da construção de sentidos por meio de análises
da mensagem a ser transmitida. Os estudos do discurso passam pela materialidade
linguística e buscam compreender os processos de significação em uma dimensão
discursiva, levando em conta os aspectos exteriores à língua, tais como a formação
ideológica (FI), formação discursiva (FD) e as condições de produção (CPs).
Compreende-se que a linguagem é estritamente social e é por meio dela que os
indivíduos se relacionam e estabelecem interação. Sendo assim, estudar a linguagem é
uma forma singela de compreender o mundo em que vivemos. O presente artigo propõe
uma pesquisa dentro do campo do humor, sobre o aspecto do estereótipo, segundo a
abordagem teórica da Análise do Discurso (AD) de linha francesa, revelado pelos
discursos apreendidos em charges, mostrando as diferenças entre homens/mulheres e
tem por objetivo estudar o funcionamento discursivo na produção dos sentidos, com o
intuito de verificar de que forma os possíveis efeitos de sentido são materializados por
meio da linguagem. A pesquisa consiste em uma análise de três charges, nas quais se

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observa a afirmação dos estereótipos (e sua cristalização) que caracterizam homens x


mulheres, em nossa sociedade. Dessa forma, busca-se compreender as dimensões
socioculturais e de produção de sentido por meio da análise, para identificar aspectos
linguísticos e ideológicos que fazem parte do discurso. A metodologia escolhida foi,
primeiramente, uma revisão bibliográfica a respeito do aporte teórico (AD), além de uma
reflexão sobre a aplicação do suporte teórico ao corpus selecionado. A dinamicidade
que constrói os discursos nos propicia possibilidades diversas para as análises do
corpus, o que torna esse trabalho justificável, afinal, a diversidade de interpretações é
possível visto que o gênero charge apresenta, em uma única imagem, diversos
atravessamentos. Pode-se perceber que o conceito de formação ideológica é
importantíssimo para a determinação dos múltiplos efeitos de sentidos e, que esses
sentidos serão construídos de maneiras distintas, pois os sujeitos que interpretam os
discursos não são (nem de longe) atravessados pelas mesmas formações ideológicas,
bem como não compartilham das mesmas condições de produção. Autores como
Pêcheux, Brandão, Orlandi, Possenti, entre outros fazem parte do embasamento teórico
contribuindo para a construção dos conhecimentos.
Palavras-Chave: Estereótipo. Homem X Mulher. Ideologia. Sentidos.

3) A ideologia política na manchete do gênero notícia marcada pelos


recursos argumentativos

Geisa Pelissari Silvério (PG-UEL)


Dra. Esther Gomes de Oliveira (UEL/Orientadora)

Resumo:
Há diversas maneiras possíveis de construir um enunciado para facilitar a transmissão
de informação e a interação entre os falantes. Essas maneiras, denominadas gêneros
discursivos, serão utilizadas de acordo com a necessidade do falante que fará
adequações conforme o contexto comunicativo em que está inserido. Além disso, ele
também determinará o que dizer e o modo como dizer, pensando em como atingir ao
seu ouvinte. Sendo assim, é fundamental que o locutor, ao participar da interação
verbal, reflita sobre o outro de si próprio, isto é, compreenda aquilo que seu interlocutor
deseja receber como informação a fim de que o processo interacional torne-se dialógico
e, consequentemente, haja a atitude responsiva ativa do outro para dar continuidade à
interação. O modo como o locutor pensa e seleciona esses enunciados evidencia a
argumentatividade intrínseca a qualquer palavra, pois sentidos são conferidos às
palavras escolhidas que permeiam a formação ideológica do enunciador. Logo, ao se

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operarem alterações nas escolhas lexicais em certo contexto, mudanças de significação


ocorrem, produzindo um novo discurso de efeito argumentativo, ou seja, os sentidos são
construídos no encadeamento discursivo. A teoria da argumentação apregoa que a
argumentação está na língua, pois é por meio dela que os usuários podem fazer
escolhas infinitas, utilizadas de modo intencional, despertando a adesão ou o
envolvimento dos interlocutores. Neste trabalho, baseado nos pressupostos teóricos de
Bakhtin (2003), Ducrot (1987) e Maingueneau (2005) e nas pesquisas desenvolvidas no
Brasil sob estes escopos teóricos, procuramos expor a importância de se compreender
como a palavra por si só é extremamente persuasiva e está permeada de ideologias, as
quais são acionadas pelos produtores do texto, mesmo quando intencionam somente
informar algo. Para a comprovação disso, utilizamos o gênero notícia, mais
especificamente a manchete, considerado um texto informativo, e buscamos
depreender como os recursos argumentativos exprimem a ideologia política do locutor
para o interlocutor, desmistificando a neutralidade que esse gênero tenta apresentar.
Logo, a compreensão desses recursos pelo interlocutor, e pelo aluno como uso didático,
leva-o ao desenvolvimento eficaz do senso crítico.
Palavras-chave: Manchete; Recursos Argumentativos; Ideologia Política.

4) História e memória na crônica de Machado de Assis: um estudo dos


recursos linguístico-argumentativos

Rita de Cássia Simões Martelini (UEL)


Profa. Dra. Esther Gomes de Oliveira (UEL/Orientadora)
Resumo:
A crônica de Machado de Assis é a parte menos conhecida de sua obra, mas foi como
cronista, na imprensa carioca, entre 1859 e 1900, que o escritor legou aos brasileiros
não apenas uma expressão literária de qualidade, mas também um panorama histórico,
político e cultural do país. Valendo-se da crônica, do jornal, de diversos pseudônimos e
de uma linguagem irônica e enviesada, Machado pôde refletir sobre os principais
acontecimentos de sua época, sem comprometer, contudo, o seu ofício de jornalista,
principalmente, em tempos de censura imposta pelos governos militares no início da
República. Persuadindo por implícitos e lançando mão de diversos recursos linguístico-
argumentativos, foi possível ao cronista opinar sobre episódios históricos, dos quais foi
testemunha, entre eles, a Abolição, a transição do Império para o sistema republicano e
a crise do Encilhamento. Do ponto de vista dos estudos da linguagem, a crônica
machadiana chama-nos a atenção exatamente pelo emprego desses recursos
linguístico-argumentativos, utilizados pelo cronista para defender seus argumentos.

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Para este trabalho, analisaremos uma crônica publicada em 14 de maio de 1893, na


série A Semana, da Gazeta de Notícias, cujo tema é o não comparecimento da
população às festividades municipais para a comemoração dos cinco anos da Lei
Áurea. Na visão do cronista, assim como a memória da Independência, esse dia, o da
Abolição, vai morrendo, “e a lembrança do passado com ele”. O primeiro recurso que
identificamos é a seleção lexical, verificada a partir de elementos da natureza, que
estabelecem uma comparação entre o tempo ido e o presente. Desta forma, termos
como “grande sol”, “felicidade” e “delírio” são empregados para referir-se ao treze de
maio de 1888, enquanto ao mesmo dia, cinco anos depois, restam o “céu feio e triste”, o
“Corcovado de carapuça” e a “ausência de sol”. Segundo pesquisadores da área de
linguagem, é por meio da seleção lexical que se inserem as oposições, os jogos de
palavras e as metáforas, conferindo ao texto uma carga significativa de implícitos. Outro
recurso que destacamos é o argumento de autoridade, empregado pelo cronista para
afirmar que esteve presente “naquele domingo de 1888” e, assim, introduzir a si mesmo
como prova no exame da questão, apelando para a modéstia e para o respeito. Tanto a
seleção lexical quanto o argumento de autoridade estão estrategicamente relacionados
ao terceiro recurso, a metáfora, que reforça a visão melancólica do cronista diante da
falta de memória histórica do brasileiro. Há uma compatibilidade sêmica entre “flores” e
“memória”: quando o cronista abre os jornais para ler as notícias, são as flores que o
fazem recordar dos personagens e dos eventos históricos, nacionais e internacionais;
para ele, o brasileiro é um povo sem flores, o que significa um povo sem memória.
Palavras-chave: Recursos linguístico-argumentativos; Machado de Assis; crônica.

5) Aspectos cognitivos da referenciação em textos argumentativos

Profa. Dra. Esther Gomes de Oliveira (UEL)


Profa. Dra. Isabel Cristina Cordeiro (UEL)

Resumo:
Essa comunicação tem como principal objetivo corroborar com os estudos que
relacionam os aspectos da cognição à coerência e à referenciação. Trata-se de um
trabalho vinculado ao projeto de pesquisa “Linguagem e Cognição: a construção de
sentidos no discurso”, desenvolvido na Universidade Estadual de Londrina, cujo aporte
teórico fundamental é a Linguística Textual. Os estudos atuais que investigam os
fenômenos da referenciação apresentam diversificadas possibilidades de análise,
principalmente a partir de uma vertente sociocognitiva. A coerência, considerada o
“princípio de interpretabilidade” de um texto, é também um critério macrotextual e a sua

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relação com os demais fatores textuais é imprescindível. Dessa forma, pretendemos


demonstrar as maneiras pelas quais a força argumentativa dos elementos referenciais
se manifesta na construção persuasiva dos textos. Nesse engendramento linguístico-
cognitivo entre referenciação e argumentatividade, encontram-se amalgamadas uma
multiplicidade de mecanismos que são, inclusive, extremamente profícuos para o
posicionamento ideológico do enunciador do texto. Portanto, há um complexo
entrelaçamento de estratégias para a compreensão do sentido global de um texto e,
consequentemente, o alcance de seu nível de coerência, ou seja, são relevantes os
aspectos cognitivos, discursivos, sociais, culturais, linguísticos, entre outros. O
interlocutor mobiliza, ainda, variados fatores para conseguir chegar à completude
linguístico-argumentativa do texto, pois são resgatados, em sua memória discursiva,
diversos conhecimentos multidimensionais como, por exemplo: conhecimento
linguístico, enciclopédico; e todo esse aparato ainda é responsável pela dinamicidade
prototípica do mecanismo da referenciação, que se ramifica em processos referenciais
que defluem de operações cognitivas estimuladas para valorizar ou estabelecer a
posição do sujeito enunciador no interior do quadro enunciativo. A seleção lexical
mobilizada pelo enunciador legitima, às vezes, de forma sub-reptícia, o teor persuasivo
que subjaz ao texto. Desse modo, nesta comunicação, objetivamos apresentar, em
textos argumentativos, os seguintes processos referenciais: a) descrição nominal; b)
recategorização; c) anáfora; e d) intercâmbio de recursos multimodais e linguísticos.
Palavras-chave: Referenciação; cognição; argumentação.

6) Contribuições da linguística textual para o revisor de textos

Josyelle Bonfante Curti (UEL)


Profa. Dra Isabel Cristina Cordeiro (UEL/Orientadora)

Resumo:
A linguística textual, por prover estudos e investigações acerca do texto, sua construção
e suas funções, será tomada como base teórica nesse trabalho, evidenciando suas
colaborações para o revisor de textos. A construção de um bom texto depende da forma
como suas ideias estão organizadas e de como produzem sentido; dada a importância
da coesão e da coerência no processo de compreensão e de significação dos textos,
levando-se em consideração que se a coesão liga os elementos, a coerência nos
permite depreender sentido a partir da articulação desses elementos e da relação entre
eles e os fatores externos. Assim sendo, traçaremos um breve histórico da Linguística
Textual desde seu surgimento no Brasil, na década de 1960, comentando as diferentes

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perspectivas e abordagens pelas quais passou, até a atual concepção como disciplina
sociocognitiva interacionista, e discorreremos as definições de texto e os fatores de
textualidade, com ênfase na coesão, coerência e intencionalidade e o trabalho do
revisor de textos. Por meio de pesquisa bibliográfica e análise de excertos retirados do
Jornal Folha de Londrina, da cidade de Londrina-PR, com a finalidade de mostrar as
possibilidades de melhoria da construção textual, tomaremos como base o olhar e as
habilidades do revisor, sintetizando as características a ele essenciais e como ele pode
atuar no aprimoramento do texto. O estudo tem como objetivo geral verificar as
contribuições da Linguística Textual para o trabalho com o texto e a importância do
revisor de textos nesse percurso. Uma vez estabelecida essa importância e a
necessidade da revisão de textos, enfatizando seus benefícios e transformações, é
possível concluir que, se antes coesão e coerência eram fatores determinantes para se
definir um texto e um “não texto”, hoje o texto pode existir sem que tais fatores estejam
bem estabelecidos e marcados. Entretanto, um texto sem coesão e sem coerência não
se comunica com competência e tem seu sentido comprometido. Ainda que o texto
apresente coesão e coerência, se ele não estabelecer uma relação de interação verbal
concreta, ele não existe. Para o revisor, então, o essencial é entender o texto e seu
funcionamento, pois, mais do que corrigir erros, cabe a ele tornar o texto adequado e
capaz de se comunicar sem falhas e sem ruídos, tornar sua mensagem mais clara e
compreensível para conduzir o leitor à depreensão de significado e à atribuição de
sentidos. Por essa razão a revisão é importante no curso de construção textual, pois,
uma vez publicado, não há mais possibilidade de correção e adequação e a
compreensão do texto ficará prejudicada. Além dos exemplos analisados, o fato é que
todo texto merece ser revisado e refinado, por menor que seja seu tamanho e por maior
que seja o nível de instrução de quem escreve, pois todo texto tende a apresentar erros,
não por falta de sabedoria, mas porque a língua é heterogênea, multifacetada e
comporta diversas formas, finalidades, usos e estilos.
Palavras-chave: Linguística textual; Coesão e coerência; Intencionalidade; Revisão de
texto.

7) O hífen como recurso ortográfico e morfossemântico

Aline da Silva Aparecido (UEL)


Profa. Dra. Maria Isabel Borges (UEL/Orientadora)

Resumo:
Com o Novo Acordo Ortográfico, em vigor desde 2009, cujo objetivo é, por meio de uma
ortografia em comum, facilitar a comunicação escrita pelos países pertencentes a
Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Brasil, Cabo Verde,

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Guiné-Bissal, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-


leste. Surgiram várias dúvidas relacionadas ao hífen, nem sempre possíveis de explicar
pelos manuais normativo-prescritivos de gramática. Tratando o hífen como recurso
ortográfico a serviço de uma política linguística e presente na formação de palavras
compostas, observam-se que a descrição e a explicação de seu uso ultrapassam os
limites ortográficos. Nesse sentido, o objetivo principal, neste trabalho, é
descrever/explicar os usos do hífen como recurso linguístico e argumentativo nas tiras
cômicas “(SIC)” (2010; 2016; 2016) e “Grump” (2014; 2016) de Orlandeli e “Toda a
Mafalda” (2010) de Quino. Assim, torna-se possível observar o hífen sob os olhares
ortográfico e morfossemântico, revelando características desse recurso argumentativo
no funcionamento textual. São analisadas oitenta e oito tiras cômicas, as quais contêm
o processo de formação de palavras por composição por justaposição, ligadas pelo
hífen. Essas palavras favorecem a compreensão de sentidos possíveis a partir do texto,
auxiliando direta ou indiretamente para o humor, uma das características das tiras
cômicas. O hífen, sob uma visão prescritiva, pode constituir um recurso gráfico que
deve ou não ser usado na composição ortográfica de uma palavra, como em
“megassena”, presente em tiras do cartunista Orlandeli. Com base na regra prescritiva,
tal palavra deveria ser grafada aglutinada e com dois ‘s’, no entanto o autor optou por
escrevê-la com hífen. Baseando-se em uma visão descritiva de gramática, o hífen pode
participar da construção dos sentidos possíveis de uma tira cômica, como a palavra
‘governo-caramelo’, usada por Quino. Nesse caso, é preciso considerar o contexto de
produção, para que o composto tenha sentido. Basílio (1989) é a referência principal
adotada para tratar o hífen como recurso necessário no processo de formação de
palavras, em conexão com os trabalhos de Koch (1984), Koch e Elias (2011; 2012).
Sobre a noção de tira cômica e os recursos da linguagem dos quadrinhos, são
considerados os trabalhos de (2009; 2011; 2014). O hífen está presente em cento e
dezoito tiras, formando palavras, sobretudo, a partir da composição. Há poucos casos
de formação de palavras por derivação. Em todos os casos, atua como recurso
argumentativo fundamental para a construção do efeito cômico.
Palavras-chave: Formação de palavras; tira cômica; hífen como recurso linguístico e
argumentativo

8) Pronomes indefinidos e referência

Alice Pereira Luz (UEL)


Bianca Biazotto MORIS (UEL)

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25, 26 e 27 de setembro de 2017
ISSN: 1981-8211

Profa Dra. Maria Isabel Borges (UEL/Orientadora)

Resumo:
Os objetivos, neste trabalho, são: a) quantificar os pronomes indefinidos presentes na
série “(SIC)” (ORLANDELI, 2016) e em “10 anos com Mafalda” (QUINO, 2010); b)
relacioná-los com as ilustrações que constituem uma das linguagens fundamentais para
a configuração de uma tira cômica. Os pronomes indefinidos representam a outra
linguagem, a verbal, para que se tenha tal gênero quadrinístico. A tira cômica é definida
como um texto híbrido, geralmente curto, com personagens fixos ou não, os quais estão
situados em relação a um tempo e espaço, de modo que uma sequência narrativa, com
desfecho cômico, seja desenvolvida (RAMOS, 2010; 2011; 2014). Já os pronomes
indefinidos, sob o olhar prescritivo, são conceituados como uma classe gramatical
flexionada na terceira pessoa, indicando uma noção vaga e/ou indeterminada
(ALMEIDA, 1969; CUNHA, 1975; CUNHA, CINTRA, 2013; LIMA, 2011). Enquanto, sob
o ponto de vista descritivo, eles são analisados observando os fatos reais e as regras de
uso efetivo da língua, portanto, de maneira discursiva. Dentre as 77 tiras analisadas da
série “(SIC)”, 46 pronomes são utilizados. Das 696 tiras cômicas da Mafalda, a amostra
é constituída de 290, organizada nos seguintes temas: a família, a rua, a escola, a
situação do mundo e a sopa. Respectivamente, foram encontradas: 66, 24, 47, 24 e 8
ocorrências de pronomes indefinidos. Para Castilho e Elias (2012), os pronomes
retomam um substantivo previamente já enunciado, realizando o ato de substituição na
frase. Tal ação é chamada de “anáfora”. Os pronomes podem ser anafóricos, quando
retomam outra palavra, ou dêiticos, quando localizam no espaço e no tempo os
participantes do discurso. Os pronomes são polifuncionais, por executarem mais de
uma função. Conforme a definição Castilho e Elias (2012), há duas situações: a) quando
a informação sobre alguma quantidade pode ser definida; b) quando determinada
informação é indefinida. Em um contexto extralinguístico, Koch (2005) afirma que é
preciso compreender a referência de um modo globalizado, isto é, em relação com o
discurso. Uma vez utilizado um referente no âmbito do texto, a referência se constrói
discursivamente, ultrapassando os limites do texto. Assim, observa-se que, na maioria
das tiras, a ilustração sinaliza uma referência, tornando-os determinados e,
consequentemente, questionando a definição construída sob o olhar prescritivo.
“Ninguém” e “nada”, além disso, em “(SIC)”, expressam uma negação. Já nas tiras da
Mafalda, são usadas as expressões como “montes” e “nada”, representando os
pronomes “muito” e “nada”, os quais refletem uma visão contrária a que a gramática
prescritiva estabelece como também pressupõem uma relação discursiva. Em todas as
ocorrências, o efeito do humor se dá discursivamente e dependem desses pronomes.
Palavras-chave: Referência; Pronomes indefinidos; Tira cômica.

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ISSN: 1981-8211

9) Foucault e o discurso religioso: ordenação e funcionamento

Me. Éder Wilton Gustavo Felix Calado (UEL)


Dra. Rosemeri Passos Baltazar Machado (UEL/co-autora)

Resumo:
O discurso religioso é objeto de interesse dos mais variados ramos de estudo, não
sendo diferente por parte da Análise do Discurso francesa (AD). O presente trabalho
procura elencar os conceitos levantados por Foucault, no livro A ordem do discurso
(2009), lançado em 1971. Esse autor divide os conceitos de ordenamento discursivo
em: 1) procedimentos externos de controle do discurso; 2) procedimentos internos de
controle do discurso e 3) procedimentos que condicionam o funcionamento do discurso.
Os primeiros, procedimentos externos de controle do discurso, são sistemas de
exclusão, logo têm por propósito excluir aqueles que não pertencem ao funcionamento
discursivo, dentre os quais podemos citar: a) interdição, o qual mostra que não se pode
dizer tudo o que se quer dizer e em qualquer circunstância; b) razão versus loucura, que
consiste em um procedimento de rejeição. Por meio dele o louco é apartado, assim é
pelo discurso que se diferencia louco e sábio; c) Vontade de verdade, o qual evidencia
que se deve submissão ao discurso verdadeiro, que, por sua vez, é pronunciado por
alguém com direito de proferi-lo (este alguém é quem detém o saber). Já os
procedimentos internos de controle do discurso mostram que os discursos exercem seu
próprio controle, estabelecem os limites para o discurso. Segundo Foucault, esses
procedimentos são: a) comentário: procedimento que consiste na retomada dos
discursos maiores (no caso o discurso religioso), retomando-o e reformulando-o; b)
Autor: é um procedimento que recorta o discurso a partir de uma atribuição de
identidade (assim, não se pode falar em autor da forma tradicional, mas de uma função
autor); c) Disciplina, que consiste em restrições que limitam as proposições, assim, para
que um discurso seja aceito, ele precisa se adequar aos limites da disciplina que lhe
abarca. Por fim, os procedimentos que condicionam o discurso são aqueles que
selecionam os sujeitos que falam, como por exemplo: a) o ritual: tomado como o mais
visível dentre as formas de seleção, pois só participam do ritual os sujeitos autorizados,
iniciados; b) sociedades do discurso: são as sociedades que protegem e produzem os
discursos, porém para circular dentro delas próprias, em um espaço fechado; c)
doutrina: é a institucionalização do discurso nas mãos dos especialistas; e, por último,
d) a apropriação social do discurso, que consiste na propagação do discurso por meio
da educação institucional. Todos esses mecanismos, de uma forma ou de outra, são
visíveis no discurso religioso, refletir a respeito deles por meio da verificação de
exemplos que elucidem cada um dos procedimentos de ordenação é o foco deste
artigo. Essas aparições são, por vezes, sutis e por outras, descaradas, captadas nas
relações de poder do discurso religioso.

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Palavras-chave: discurso religioso, ordem, funcionamento, sujeitos.

SIMPÓSIO 7) Gêneros discursivos/textuais nas práticas sociais e de


ensino: objetos de descrição e de implementação didático-pedagógica

Prof. Dr. Neil Armstrong Franco de Oliveira (UEM)


prof.neilfranco@gmail.com
Profa. Dra. Terezinha de Conceição Costa-Hübes (Unioeste)

1) O cognitivo e o ético na abordagem do gênero: uma proposta


dialógica de análise linguística

Adriana Delmira Mendes Polato (UNESPAR)

Resumo:
A relação gramática-estilo é peculiarmente abordada por Bakhtin (1988; 2003; 2013),
Bakhtin/Volochinov (2006) e Volochinov/Bakhtin (1926). A arquitetônica dessa
discussão permite compreender que as escolhas linguísticas da autoria, seja em nível
vocabular, morfológico ou sintático, estão orientadas a ligações objetais e semânticas
de caráter cognitivo e ético, numa mobilização via gênero discursivo (SOBRAL, 2009), a
qual reflete o compartilhamento de axiologias sociais sustentadoras da constituição
textual/discursiva. Essas contribuições elucidam o funcionamento imbricado das
dimensões cognitivas e éticas que envolvem a constituição da (co)autoria, tanto no
processo de leitura quanto no processo de produção textual escrita, dos quais a
atividade epilinguística (FRANCHI, 1987; GERALDI, 1991) deve ser integrante para a
formação do sujeito social consciente, deliberado, capaz e habilidoso para interpretar as

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condutas que regem a interação e a interlocução demarcada e agir socialmente por


meio da linguagem. Isso tanto pode se dar quando compreende e responde às
estratégias de dizer do outro na leitura, ou quando lança um projeto de compreensão ao
interlocutor na escrita. Nesse sentido, a abordagem de todas essas escolhas
conscientes, deliberadas e, portanto, éticas da autoria, envolvem desde o gênero
mobilizador do dizer e suas possíveis formas sociais de realização composicional, até,
de modo mais vertical, a escolha dos aspectos estilístico-gramaticais - parte percebida
do enunciado capaz de revelar como e em que termos sócio-valorativos se dá a
interação autor-criador, interlocutor e tema. Essa é uma discussão merecedora de
atenção por parte dos linguístas aplicados que defendem o ensino na perspectiva dos
gêneros discursivos sob a perspectiva dialógica de trabalho com a linguagem, porque
remete à abordagem do gênero a partir do todo de seu acabamento estético, o que
circuscreve sua interpretação às representações das formas de organização da vida
social, para colocar em foco o discurso, ou seja a linguagem no centro das relações
sociais, conforme propôs Bakhtin/Volochinov (2006). A partir dessa compreensão,
discutimos uma proposta de análise linguística de estatuto dialógico, cuja finalidade é
interpretar efeitos, ou cargas sócio-valorativas do direcionamento motivado,
indissioncrático e vivo das escolhas estilístico-gramaticais da autoria em enunciado
específico, demonstrando como tanto respondem à dimensão cognitiva quanto à
dimensão ética que permeia o uso da linguagem, neste último caso, sendo o meio
dialógico para mover as relações sociais.
Palavras-chave: Gênero discursivo; Análise linguística; Perspectiva dialógica.

2) Construção de gêneros discursivos/textuais enquanto práticas


sociais no contexto atual: para além das práticas de ensino
tradicionais

Dr. Heliud Luis Maia Moura (UFOPA)

Resumo:
Considerando a multiplicidade de atividades sociais em mobilização nos contextos
sociais e culturais da atualidade, postulo a favor de uma perspectiva teórico-prática de
ensino de língua que possa consorciar-se com as expectativas das diferentes práticas
de linguagem. Nesse sentido, as metodologias de ensino de língua devem inserir as
mais variadas ações de linguagem, que requerem uma interação eficiente e satisfatória
dos indivíduos nos contextos por onde transitam, exigindo desses indivíduos variados

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processos de textualização e discursivização do universo biossocial. Os gêneros


textuais não constituem meros artefatos ou objetos estanques, mas espaços
sociodiscursivos nos quais os indivíduos devem se constituir como agentes dos seus
dizeres. Para este estudo, tomo como referencial teórico as postulações de Bakhtin
(2006, 2010a, 2010b, 2016), Bazerman (2011), Marcuschi (2007, 2008), Koch (2004),
Moura (2017), para os quais, sob diferentes perspectivas teóricas, os gêneros
discursivos/textuais constituem ações de linguagem por meio das quais nos inserimos
nos diversos espaços de interação. Para Bakhtin (2016), os gêneros do discurso
constituem atos enunciativo-responsivos, construídos em ideologia, que nos possibilitam
intervir na realidade. Segundo Moura (2017), os gêneros constituem modos de inserção
dos sujeitos nas várias esferas da atividade humana. Analiso 6 (seis) relatórios de
Estágio Supervisionado em Língua Portuguesa de alunos do Curso de Letras da
Universidade Federal do Oeste do Pará, observando formas pelas quais os discentes
constroem o mencionado gênero, considerando-o como instrumento crítico-avaliativo
das ações pedagógicas desenvolvidas pelos professores em sala de aula. Nesse caso,
professores que atuam em turmas da Educação Básica. Tendo em conta as
metodologias utilizadas por esses professores e as concepções de ensino de língua que
subsidiam essas metodologias, observo especificamente as diferentes posturas
avaliativas dos alunos em relação as atividades implementadas por esses docentes, o
que vai refletir na construção do gênero em questão, já que este deve se constituir a
partir de uma concepção crítica acerca do ensino de língua nas escolas nas quais o
estágio é realizado. Os resultados preliminares apontam para o fato de que os relatos
dos estagiários estão permeados de contradições entre os paradigmas tradicionais e
perspectivas consideradas inovadoras no contexto atual.
Palavras-chave: Gêneros discursivos/textuais; Práticas Sociais; Ensino de Língua
Portuguesa.

3) Operações linguístico-discursivas na reescrita do gênero Conto


de Mistério

Luan Tarlau Balieiro (UEM)


Prof. Dr. Renilson José Menegassi (UEM/Orientador)

Resumo:

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No trabalho com a produção textual, dentre as quatro fases (MENEGASSI, 2010) em


que o aluno é orientado a perpassar, a reescrita é considerada uma fase de elevada
importância por conduzir o aluno a refletir sobre seu escrito a partir da materialização
linguística concreta de um gênero discursivo, alicerçada à concepção de escrita como
trabalho (FIAD; MAYRINK-SABINSON, 1991), a qual compreende a escrita como uma
atividade contínua de aprendizagem. Esta pesquisa objetiva discutir a atividade de
reescrita, por meio da revisão efetuada por uma professora na produção do gênero
discursivo Conto de Mistério, com enfoque nas quatro operações linguístico-discursivas
sistematizadas por Fabre (1986) e estudadas por Menegassi (1998): adição ou
acréscimo, substituição, supressão e deslocamento, à medida que sejam investigados
exemplos de cada operação para a apropriação global de suas características. Ao ter
como base tal objetivo, a pesquisa desenvolve-se à luz dos postulados da Linguística
Aplicada no funcionamento da escrita em língua materna e em trabalhos que discutem a
temática de elementos que levam ao reconhecimento das características das operações
executadas nos esboços de textos dos alunos. O material averiguado, para a
concretização dessa tarefa, é composto por textos do gênero discursivo Conto de
Mistério produzidos por alunos do 5.º ano do Ensino Fundamental, pertencentes a uma
escola da rede pública da região Noroeste do Estado do Paraná. O método empregado,
para a verificação do material desta pesquisa de cunho qualitativo e analítico, centra-se
nos exemplos evidenciados na dissertação de Mestrado de Gasparotto (2014), a fim de
identificar como a professora revisora constrói seus apontamentos por meio de
comentários nos textos dos alunos com a estrutura de um Conto, sobretudo
considerando os postulados de estudiosos como Fabre (1986) e Menegassi (1998), os
quais definem um suporte metodológico para a compreensão teórica e prática de
trabalhos situados no âmbito da Linguística Aplicada. Os resultados desta pesquisa
elucidam a eficácia que o processo de reescrita favorece à concatenação textual do
gênero discursivo Conto de Mistério, valendo-se da relevância dos comentários escritos
da professora revisora na produção do aluno mediante a aplicabilidade das operações
linguístico-discursivas, ora no plano textual de conteúdo, ora no plano textual de forma,
possibilitando o desenvolvimento linguístico e cognitivo do estudante em sala de aula.
Palavras-chave: Conto de Mistério; Ensino Fundamental; Operações linguístico-
discursivas; Reescrita.

4) Práticas de ensino de língua materna: o que sabem os professores?

Neluana Leuz de Oliveira Ferragini (UNESPAR)

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Resumo:
Este trabalho apresenta um diagnóstico realizado com professores da rede básica de
educação em escolas periféricas em uma cidade do norte do Paraná. O objetivo
consistiu em realizar um levantamento de conhecimentos prévios, em especial, quanto
à abordagem de gêneros, as práticas de oralidade e análise linguística em sala de aula
para organizar, posteriormente, materiais de apoio e cursos de extensão. Os tópicos
mencionados correspondem a aspectos de interesse do projeto de pesquisa “Gêneros
discursivos em sala de aula: propostas de estudo e didatização”, desenvolvido na
Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), campus de Apucarana, pelas seguintes
razões: a) correspondem a práticas sugeridas nos documentos oficiais, como os PCN,
OCNEM e, em nível estadual, as DCE; b) representam encaminhamentos relevantes
para o ensino e aprendizagem de língua materna, permitindo uma abordagem mais
interativa, reflexiva e social da língua. Outras práticas, como leitura e produção de
textos também foram abordadas, mas não com o mesmo enfoque, uma vez que
partimos do pressuposto que atividades de oralidade e análise linguística fossem mais
silenciadas em comparação às atividades de leitura e produção, o que não descarta a
relevância de tais práticas. Os dados foram coletados via questionário composto por
perguntas objetivas e abertas, aplicado no segundo semestre de 2016, em quatro
escolas determinadas pelo Núcleo de Educação do município. Os resultados para a
abordagem de gêneros em sala de aula revelaram que: a) os professores embora digam
que saibam o que são gêneros textuais ou discursivos, e que costumam trabalhar em
suas aulas, ainda não assimilaram completa ou coerentemente o conceito, suas marcas
e possibilidades de transposição; contudo se demonstram empenhados e interessados
em aprender mais a respeito. Salientamos que embora assumamos a teoria bakhtiniana
em nosso projeto, como o fulcro incide na obtenção de dados os quais nos permitam
representar as informações quanto ao tema por parte dos docentes que formam o
corpus deste trabalho, não houve uma delimitação quanto à perspectiva teórica em
nossos questionamentos, por isso, adjetivamos o vocábulo gênero seguido dos termos
textual/discursivo. No tocante à prática de oralidade, o corpora revelou incidência
principalmente nos seguintes momentos: explicação de conteúdos, diálogos e leituras.
Isso posto, verificamos que, de forma sistemática, os gêneros orais não costumam ser
abordados nem mesmo são mencionados como de interesse do professor para
atividades futuras. Em relação à prática de análise linguística, observamos que este é o
tópico representativo de menor ciência por parte dos professores, não havendo uma
ideia conceitual, nem mesmo uma exemplificação do que seria essa prática. As
informações supracitadas permitem-nos compreender conceitos e teorias já apropriadas
ou em processo de assimilação e nos indicam caminhos para contribuir no
preenchimento de possíveis lacunas teórico-práticas.
Palavras-chave: Ensino e aprendizagem de língua materna; Gêneros Discursivos;
Práticas de Oralidade e Análise Linguística.

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5) O infográfico é (ou não) um gênero?

Rafael Vitória Alves (UEM)


Prof. Dr. Neil Armstrong Franco de Oliveira (UEM/Orientador)

Resumo:
Este trabalho buscou investigar, na literatura da área, os autores que consideram o
infográfico um gênero e os que não, levantando seus motivos e fazendo inferências.
Tratou-se, portanto, de uma pesquisa bibliográfica, cuja instrumentalização
metodológica pautou-se na “Análise de conteúdo” (Bardin, 1977). Assim, o percurso
analítico foi delineado a partir de três etapas: 1) pré-análise, 2) exploração do material e
3) tratamento dos resultados, inferência e interpretação. O corpus foi composto por 54
pesquisas que, na etapa de pré-análise, passaram por uma sistematização de dados –
compondo, assim, um panorama histórico-conceitual da condição de gênero do
infográfico. A partir disso, pôde-se, mesmo que parcialmente, dar uma resposta à
questão norteadora deste trabalho, tendo em vista que aproximadamente 80% dos
autores pesquisados reconhecem como gênero. Os motivos apontados se resumem a:
possuir um propósito jornalístico; ter autonomia, estrutura definida e própria, finalidade e
marcas formais que se repetem; e, também, enquadrar-se em perspectivas teóricas de
gênero. O trabalho se justificou por: a) a importância do conceito de gênero e
infográfico, especialmente na área da linguagem – a esse respeito, buscou-se respaldo
na corrente teórica de gênero discursivo de Bakhtin (2011), considerando que a maior
parte dos autores pesquisados utiliza referências diretas e indiretas a esse teórico e seu
círculo e, com relação ao conceito de infográfico, amparou-se no trabalho de Lucas
(2010), por ser uma pesquisa que aprofunda a questão conceitual, tecendo uma análise
crítica das definições preconizadas por diversos autores ao redor do mundo; b) a falta
de pesquisas atuais que abordam essa questão; c) o fato de que, ao tratar o infográfico
como gênero, contribui-se com o seu encaminhamento em determinados contextos – no
campo jornalístico, por exemplo, pode vir a se estabelecer uma referência para o
trabalho de produção dos jornalistas e, também, favorecer a relação leitor-infográfico,
uma vez que ele passa a reconhecer a estrutura do gênero e, por consequência, pode
facilitar a apreensão do significado; já no campo da linguagem e do ensino, impulsiona-
se sua inserção em sala de aula, oportunizando o contato com esse gênero, que tem se
tornado cada dia mais recorrente nos processos comunicativos, ampliando, dessa
forma, a capacidade linguística dos estudantes. Por fim, pretende-se colaborar com
novas pesquisas acerca dessa temática.
Palavras-chave: infográfico; gênero; estudos da linguagem.

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6) Análise da produção e reescrita textual nos anos iniciais: uma


prática necessária

João Carlos Rossi (UNIOESTE)


Profa. Dra. Terezinha da Conceição Costa-Hübes (UNIOESTE/Orientadora)

Resumo:
Diante dos desafios que o professor encontra no processo de análise de produção e
reescrita de textos dos alunos do ensino fundamental, anos iniciais, o presente artigo
busca, por intermédio de uma pesquisa analítico-reflexiva, destacar a importância de o
professor diagnosticar o texto do aluno para bem orientar a reescrita. A reescrita se
mostra como parte integrante e essencial do processo de produção textual, uma vez
que possibilita ao aluno refletir sobre a língua, por meio de uma situação real de uso,
mostrando-se, desse modo, como uma prática necessária em sala de aula. Este
trabalho está articulado às atividades de pesquisa em desenvolvimento, intitulada
“Ações colaborativas nos anos iniciais: um olhar para as práticas de produção e
reescrita textual em formação continuada”, desenvolvido junto ao Programa de Pós-
Graduação em Letras, nível de mestrado, da Universidade Estadual do Oeste do
Paraná – UNIOESTE, Campus Cascavel. As discussões teóricas aquecidas partem da
concepção de linguagem e, consequentemente, de escrita, como forma de interação,
ancoradas nos pressupostos teóricos do círculo de Bakhtin/Volochinov (2014 [1929]) e
de Antunes (2003). No que se refere ao diagnóstico e orientação de texto, recorremos
ao instrumento de análise linguístico-discursivo apresentado em Costa-Hübes (2012), a
fim de identificar os aspectos linguísticos-discursivos dominados e não-dominados na
produção escrita de um aluno do 5º ano, de uma escola da rede pública de ensino, dos
anos iniciais, da região Oeste do Paraná. O texto selecionado, aleatoriamente, para
reflexão, foi produzido no ano de 2011, e atendia à proposta de um simulado da Prova
Brasil. A análise realizada mostrou que o instrumento de diagnóstico de Costa- Hübes
(2012) vem a somar com o trabalho do professor, uma vez que apresenta um
direcionamento para o processo de correção de textos escritos, nos anos iniciais. Além
disso, foi possível verificar que o aluno do 5º ano ainda não domina aspectos estruturais
do gênero discursivo em questão, dada a ausência de marcadores temporais, que são
elementos estruturantes do texto e que se deve potencializar um trabalho linguístico, a
fim de levar o aluno a refletir sobre as etapas de produção de um texto, a adequação da
variante linguística ao contexto de produção, os aspectos ortográficos, bem como de
concordância nominal e critérios de paragrafação.
Palavras-chave: Produção de texto; Reescrita de textos; Tabela diagnóstica.

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7) Prática de análise linguística: reflexões sobre os elementos


linguístico-discursivos em textos do gênero Regras de Jogo

Leliane Regina Ortega (UNIOESTE)


Profa. Dra. Terezinha da Conceição Costa-Hübes (UNIOESTE/Orientadora)

Resumo:
A escrita exige reflexões sobre o uso da língua, o que torna necessário analisar como a
materialidade linguística se configura no texto para expressar o projeto enunciativo do
autor. Todavia, o ensino tradicional de gramática não possibilita uma compreensão
integral de como os recursos linguístico-discursivos se organizam em uma situação
concreta de comunicação, assim, pouco contribui para a aprendizagem de como utilizar
a linguagem nas diferentes interações verbais. Um dos elementos constitutivos do
gênero do discurso, o estilo (BAKHTIN, 2010[1979]), expressa as escolhas linguísticas
do autor e como esses recursos se relacionam com a situação extraverbal que compõe
o enunciado. No espaço da sala de aula, a compreensão do estilo do gênero, expresso
no texto-enunciado, pode ocorrer por meio de atividades de análise linguística
(GERALDI, 2011[1984]), as quais podem contribuir para que o aluno do Ensino
Fundamental compreenda a organização da linguagem e a empregue na elaboração de
seus enunciados. Nessa perspectiva, nosso objetivo é apresentar algumas atividades
de análise linguística a partir de textos do gênero Regras de Jogo, com a intenção de
promover a reflexão sobre como os elementos linguísticos se configuram nesse gênero,
cuja capacidade de linguagem é a injuntiva. Para isso, nossa base teórica é composta
por Bakhtin (2010[1979]), Geraldi (2011[1984]), Mendonça (2006), dentre outros. Nessa
perspectiva, partimos do pressuposto de que a análise linguística, cunhada por Geraldi
em 1984, representa a possibilidade de complementação às práticas de leitura e
produção de texto. Então, ao analisarmos enunciados do gênero Regras de Jogo,
consideramos importante promover a reflexão sobre como a coesão referencial e
coesão sequencial se organizam na estruturação do texto. As atividades elaboradas,
além de visarem à reflexão, têm a intenção de fazer com que o aluno perceba a relação
entre os elementos linguísticos e a situação de interação social que dá origem ao
enunciado. Como resultado, esperamos que as atividades representem algumas
possibilidades de trabalho com o estilo do gênero Regras de Jogo e que possam
contribuir com os professores da Educação Básica, tanto no que se refere ao trabalho
com os alunos, quanto orientação para a elaboração de atividades de análise linguística
com outros gêneros discursivos. Ao concebermos que o ensino deva estar em

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consonância com a vivência cotidiana do aluno, consideramos que as atividades de


análise linguísticas podem fazer com que compreendam o uso da língua em situações
reais e percebam essa aprendizagem como necessária para a atuação nas diferentes
práticas sociais.
Palavras-chave: Análise linguística; Gênero Regras de Jogo; Ensino de língua materna.

8) O trabalho com o tema do texto no 5º ano do Ensino Fundamental:


uma proposta de investigação de respostas discursivas escritas em
oficinas de leitura

Fernando Henrique Ribeiro Lima (UEM)


Prof. Dr. Renilson José Menegassi (UEM/Orientador)

Resumo:
Esta comunicação origina-se de uma pesquisa de mestrado desenvolvida no Programa
de Pós-graduação em Letras – PLE da Universidade Estadual de Maringá no ano de
2016. A temática da pesquisa abordou o ensino da leitura em situações de oficinas
realizadas em turmas de 5º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública do
noroeste paranaense. O objetivo estabelecido é refletir sobre características do
desenvolvimento da leitura com ênfase na identificação do tema em um texto.
Paralelamente, objetiva-se, também, relacionar e compreender determinadas
estratégias de ensino importantes para o desenvolvimento dessa habilidade como um
conjunto de aprendizados importantes para o aperfeiçoamento da leitura em alunos do
5º ano. Metodologicamente, a pesquisa se baseou em um grupo de seis oficinas de
leitura realizadas no período de aula do qual originou-se um conjunto de respostas
objetivas e discursivas escritas geradas a partir de um caderno de atividades
especificamente desenvolvido para a realização das oficinas. Assim, a partir das
respostas construídas no contexto das oficinas, a leitura e análise dos dados, a exemplo
de Bortoni-Ricardo (2008), seguiram um movimento de análise comparativa
considerando a evolução das respostas a partir do trabalho realizado nas oficinas.
Teoricamente, esta pesquisa considera a leitura como processo (SOLÉ, 1998), portanto,
a geração dos registros durante as oficinas, a análise e as considerações relacionadas
ao desenvolvimento da compreensão de tema em textos trabalhados na sala de aula
estão relacionados à base teórica do Interacionismo pontuado pelos estudos do Círculo
de Bakhtin (BAKHTIN, 2011; BAKHTIN/VOLOCHINOV, 1992[1929]) que consideram o

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texto como um conjunto de enunciados que fazem parte de um contexto social e,


simultaneamente, o espaço das interações dos sujeitos com seus discursos, intenções e
conteúdos propostos por seus enunciados, logo, um gênero discursivo. Os preceitos
teóricos bakhtinianos são refletidos nesse trabalho na perspectiva do ensino marcado
pelos estudos de Menegassi (2010; 2011) que voltam o olhar pesquisador para os
eventos da sala de aula, considerando a importância da mediação e das diferentes
interações que lá ocorrem. Com a pesquisa, pode-se observar que os leitores
reconhecem o tema com mais eficiência quando o texto lhes permite associar algum
conhecimento prévio relativo ao gênero lido. Além disso, percebeu-se, também, que a
leitura como processo põe o leitor em contato com perguntas de pré-leitura que auxiliam
na busca de informações elementares no texto e, consequentemente, oportunizam
melhor compreensão do tema por ele tratado. Por fim, o resultado a que se chega é que
o trabalho com o tema em sala de aula se aperfeiçoa na concepção de leitura como
processo, pois permite ao leitor maiores interações com o texto lido porque lhe permite
criar estratégias para que pense sobre as informações apresentadas, sua organização
no texto e como cooperam para tratar de um mesmo tema no discurso.
Palavras-chave: Leitura como processo; Ensino; Perguntas de leitura; Oficinas de
leitura.

9) Práticas de escrita no PIBID em sala de aula: relação com o


conceito de gênero discursivo

Adriana Beloti (Unespar/Campo Mourão)

Resumo:
Refletir acerca do processo de ensino e aprendizagem da escrita inclui considerar as
perspectivas teórico-metodológicas que pautam as práticas pedagógicas em sala de
aula. Nesse sentido, esta comunicação objetiva analisar a proposta de produção textual
escrita de uma Lenda Folclórica, constituinte de uma unidade didática produzida por
professores em formação inicial participantes do PIBID – Programa Institucional de
Bolsas de Iniciação à Docência, a fim de avaliar como o conceito de gênero discursivo,
trabalhado em sua formação docente, subsidia o encaminhamento para a produção
textual escrita. Para tanto, pautamo-nos nos conceitos propostos por Bakhtin (2003), em
relação ao gênero discursivo, suas funções e características, e na concepção de escrita
como trabalho (FIAD; MAYRINK-SABINSON, 1991; MENEGASSI, 2016), considerando
a perspectiva processual de ensino da escrita desenvolvida em diferentes etapas, para

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discutirmos como foi trabalhada a prática discursiva de escrita e qual a função do


gênero apropriado pelos professores em formação inicial nesse processo. A
metodologia da pesquisa ancora-se na Linguística Aplicada (MOITA-LOPES, 1996;
2006), visto que o objeto específico de análise é parte do material didático produzido
para ser implementado em turmas de sexto ano do Ensino Fundamental II, participantes
do PIBID, tratando, portanto, de práticas de linguagem em contexto específico. Nossas
investigações consideram as atividades que antecederam a prática de escrita e o
encaminhamento para a produção textual, com foco nos conteúdos que se referem ao
gênero discursivo em estudo na unidade, ou seja, a Lenda Folclórica. A partir dos
registros da pesquisa, observamos que o conceito de gêneros discursivos pautou a
proposta do material didático e da escrita, contudo o foco recaiu nos aspectos
estruturais do gênero, destacando-se mais a estrutura da narrativa, o que reforça os
problemas ainda existentes na formação inicial do professor, que enfoca mais aspectos
estruturais e normativos do que os textuais-discursivos.
Palavras-chave: Escrita; Gênero discursivo; Material didático.

10) Marcas de estilo na produção dos gêneros 'carta aberta', 'carta de


reclamação' e 'carta de solicitação' em textos de alunos do Ensino
Médio

Marinês Lonardoni (UEM)


Sônia Maria M. Cassiolato (Col. Regina Mundi)

Resumo:
O ensino dos gêneros textuais/discursivos nas escolas é imperativo, já que os alunos
têm acesso, cotidianamente, a uma gama de textos e seus variados gêneros, seja na
internet, redes sociais, na escola e em outros ambientes. Contudo, quando se pensa no
ensino-aprendizagem dos gêneros em sala de aula, o procedimento de leitura e
produção dos gêneros requer que se considere a abrangência de aspectos relevantes
desse fazer/saber. Isto é, não basta o professor levar o aluno a reconhecer a estrutura
e as principais características de um determinado gênero e, a partir disso, se esperar
que o educando passe a produzir textos com base nesses aspectos. De acordo com
Bakhtin (1992, p. 178), a produção de todo e qualquer enunciado/texto deve refletir as
condições específicas e as finalidades de cada uma das esferas da atividade humana
na sociedade em que falante/escritor está inserido. Além disso, deve-se levar em conta

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não só o conteúdo (temático) e seu estilo verbal, mas também a construção


composicional dos gêneros. Dos três aspectos mencionados pelo linguista, o estilo
parece ser o responsável pelo maior grau de dificuldade na assimilação, ou percepção,
por parte dos alunos no momento da escrita. Diante dessa situação, verifica-se uma
necessária intervenção do professor no sentido de mostrar aos alunos ser possível
desenvolverem um estilo próprio, mesmo naqueles gêneros que apresentam uma
estrutura mais rígida, como a carta aberta, de reclamação e solicitação. Isso ocorre
tendo em vista o caráter individual do estilo (Cf. BAKHTIN, 1992, p. 282) e por sua
ligação indissolúvel aos gêneros do discurso. Desse modo, o estilo pode refletir a
individualidade de quem fala/escreve, mesmo quando
esses falantes/escritores estejam cursando os anos finais do Ensino Fundamental ou
no Ensino Médio. É nesse contexto que se insere a proposta desse simpósio:
apresentar e discutir as marcas de estilo na produção de textos voltados para os
gêneros textuais/discursivos carta aberta, carta de reclamação e carta de solicitação
elaborados por alunos do Ensino Médio. A teoria de base que permeia essa
reflexão ancora-se em Bakhtin (1992) e Marcuschi (2004).
Palavras-chave: marcas de estilo, gêneros textuais, carta de reclamação, carta
de solicitação, carta aberta e Ensino Médio

11) Concepções de leitura na prova de Redação do gênero textual


Resumo

Carla Catarina Silva (UEM)


Prof. Dr. Renilson José Menegassi (UEM/Orientador)

Resumo:
A partir das concepções de leitura inseridas nos campos de estudos da linguagem e
considerando a presença dos gêneros textuais no Ensino Básico nacional e sua
solicitação em provas de vários Vestibulares no país, uma vez que várias são as
concepções de leitura que embasam o trabalho dentro das salas de aula brasileiras,
este trabalho busca analisar quais perspectivas de leitura estão presentes em
comandos de produção textual de provas de Redação de Concursos Vestibulares da
Universidade Estadual de Maringá (UEM), em que o gênero textual Resumo é
solicitado. A escolha deste gênero textual se justifica pelo fato de que, desde a

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implantação de gêneros textuais nas provas de Redação da Instituição em 2008, foi o


segundo mais solicitado nas provas desde a primeira aplicação até o ano de 2016, com
16 solicitações, atrás apenas do gênero Relato. Devido às várias modalidades de
Vestibular que fazem parte do processo de seleção da UEM, - Vestibular Regular,
Vestibular na modalidade de ensino à distância EAD, e o Processo de Avaliação
Seriada (PAS) - selecionamos a modalidade Regular para análise dos comandos, mais
especificamente dos Vestibulares Regulares de Inverno 2008, Verão 2008, Inverno
2009, Inverno 2011, Inverno 2013 e Inverno 2014. Sendo o Resumo um gênero textual
em que se espera a apresentação das principais informações do texto e/ou autor do
texto, sem opinião ou intervenção explícitas do candidato, o que se assemelha às
características presentes nas concepções de leitura com perspectiva no autor e no
texto, buscamos verificar se os comandos referentes a esse gênero apresentam tais
concepções em sua formação. Para tanto, discutimos algumas concepções existentes
acerca do trabalho com a leitura, para, em seguida, analisar quais delas embasam os
comandos de produção textual das provas de Redação, que tomam o gênero Resumo
como proposta de produção. Os resultados demonstram a presença da perspectiva de
leitura com foco no texto em cinco dos seis comandos analisados e a concepção com
foco no autor em um deles. Demonstram, da mesma forma, que a perspectiva de leitura
presente no comando está atrelada ao gênero textual solicitado por ele, o que é muito
adequado ao processo, assim como as orientações do comando são muito importantes
para o direcionamento da leitura dos textos de apoio para posterior produção textual,
uma vez que são elas que possibilitam a verificação dos conceitos de leitura frente à
coletânea de apoio.
Palavras-chave: Concepções de leitura; comandos de produção textual; gêneros
textuais; prova de Redação de Vestibular.

12) A escrita do gênero discursivo carta pessoal no ensino


fundamental enquanto atividade dialógica

Márcia Cristina de Aquino de Paula (UEM)

Resumo:
Este trabalho aborda o ensino-aprendizagem de língua portuguesa, principalmente, no
que diz respeito às práticas de escrita. Temos como objetivo analisar como a posição
responsiva se materializa na escrita de estudantes inseridos em um processo de
implementação didática na escrita do gênero discursivo carta pessoal e como a prática

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pedagógica e metodológica podem contribuir para o desenvolvimento da escrita e da


linguagem, para esse estudo, nosso corpus de pesquisa são cartas escritas por
estudantes da Escola Estadual Professor Léo Kohler – EF, no município de Terra Boa –
PR, em intercâmbio com a Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental
Chico Soldado, no município de Cabixi-RO. Em nosso trajeto para o estudo e trabalho
com os gêneros discursivos retomamos alguns conceitos teóricos acerca dos
elementos das condições de produção escrita guiados à luz da concepção dialógica de
linguagem, conforme o círculo de Bakhtin (BAKHTIN, 2011; BAKHTIN/VOLOCHINOV,
2012). Em relação aos procedimentos metodologicos, a pesquisa caracteriza-se como
pesquisa-ação em uma abordagem qualitativo-interpretativa. As conclusões evidenciam
que o trabalho planejado oferece diferentes e reais condições de produção e contribui
de forma significativa para o desenvolvimento da linguagem, pois os estudantes podem
atuar de forma eficaz em diferentes situações sócio-históricas e comunicativas.
Palavras-chave: Ensino de Língua Portuguesa, Produção escrita, Concepção
Dialógica.

13) Os aspectos sociais do gênero em atividades elaboradas por


graduandos e pós-graduandos em Letras

Dra. Márcia Cristina Greco Ohuschi (UFPA)

Resumo:
A expressão dos enunciados concretos, segundo Bakhtin/Volochinov (1992), é
determinada pela situação social mais imediata e pelo meio social mais amplo. Logo, os
gêneros discursivos só podem ser compreendidos a partir desses aspectos e, em
situação de ensino e aprendizagem da Língua Portuguesa (LP), no estudo de
enunciados de diversos gêneros, “é preciso entender quem são os interlocutores, em
que situação real se encontram, qual o papel que ocupam na sociedade, em que época
histórica se deu a enunciação” (OHUSCHI et al., 2010, p. 2). Ou ainda, conforme a
proposta de Perfeito, Ohuschi e Borges (2010, p. 55-56), é necessário, primeiramente,
observar aspectos concernentes “ao contexto de produção – autor/enunciador [físico e
social], destinatário/interlocutor [físico e social], finalidade, época e local de publicação e
de circulação”. O trabalho com os gêneros na perspectiva bakhtiniana parte desses
aspectos sociais “para o gênero/enunciado/texto e, só então, para suas formas
lingüísticas relevantes” (ROJO, 2005, p. 198), fazendo alusão ao método sociológico

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proposto pelo Círculo. Assim, dada a importância do contexto de produção no processo


de ensino e aprendizagem da língua na perspectiva dos gêneros discursivos, passamos
a observar como esse aspecto tem sido contemplado em propostas de intervenção
(sequências didáticas, projetos de leitura e escrita) elaboradas por alunos de graduação
e de pós-graduação (Mestrado Profissional em Letras, neste caso já professores de LP).
Desta feita, este trabalho, vinculado ao Projeto de Pesquisa “Dialogismo em práticas
linguageiras a partir do trabalho com os gêneros discursivos” (UFPA-Castanhal) e ao
grupo de pesquisa “Interação e escrita” (UEM-CNPq – www.escrita.uem.br), tem como
objetivo refletir sobre os aspectos sociais do gênero contemplados em atividades
elaboradas por graduandos e pós-graduandos em Letras. Para tanto, selecionamos a
primeira versão de quatro projetos de leitura e escrita, produzidos por mestrandos no
âmbito de uma disciplina por nós ministrada no Programa, e de quatro sequências
didáticas construídas por equipes de graduandos, durante uma disciplina do curso, e
analisamos as questões referentes ao contexto de produção inseridas nas propostas no
módulo de leitura, especificamente no que denominamos leitura aprofundada. Dentre os
resultados obtidos, destacamos: a) há produção de questões gerais sobre o gênero e
não sobre o texto-enunciado em foco; b) há questão que não leva à reflexão, bastando
ao aluno copiar a resposta do texto; c) há questões que não se referem ao contexto de
produção do texto, mas a outros aspectos, como conteúdo temático, construção
composicional, compreensão do texto; d) os estudantes da graduação tendem a
elaborar questões mais diretas, enquanto que os da pós-graduação procuram
contextualizá-las mais, por vezes, cometendo excessos. Desse modo, os resultados
demonstram que os professores investigados (em formação inicial e continuada) não
têm familiaridade com a abordagem dos aspectos sociais do gênero no processo de
ensino e aprendizagem da LP, provavelmente, por estarem habituados às perspectivas
tradicionais de ensino.
Palavras-chave: Aspectos sociais; gêneros discursivos; atividades de contexto de
produção.

14) Gênero Fábula: uma proposta de leitura e análise linguística

Bruna Aparecida dos Santos Santiago Ribeiro (UNESPAR/Apucarana)


Érica Angela Correa (UNESPAR/Apucarana)
Profa. Dra. Neluana Leuz de Oliveira Ferragini (UNESPAR/Orientadora)

Resumo:

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Em sala de aula, os encaminhamentos didáticos cujo objeto de estudo e análise são os


enunciados concretos dos mais variados gêneros, possibilitam um olhar contextualizado
do ensino e aprendizagem de língua portuguesa, via perspectiva discursiva, ao
promover a reflexão sobre as práticas letradas do cotidiano e não simplesmente o
estudo metalinguístico de regras e prescrições que envolvem fragmentos isolados,
como o texto, a oração e a palavra. Ao se eleger os gêneros do discurso como eixo de
progressão curricular, consoante preconizam os Parâmetros Curriculares de Língua
Portuguesa (BRASIL, 1998), e as Diretrizes Curriculares do Estado do Paraná
(PARANÁ, 2008), cria-se um ambiente favorável para que o sujeito aprendiz venha a
assimilar significativamente os mecanismos sociais de interação. Sob tal enfoque, o
trabalho em tela tem por finalidade organizar um encaminhamento didático para o
estudo do gênero discursivo fábula, propondo, a partir dos preceitos bakhtinianos e
daconcepção de leitura discursiva, um plano de trabalho docente e discente, com
ênfase para as práticas de leitura e análise linguística, voltado para o nível de 6º ano do
ensino fundamental II, a partir do texto- enunciado “A tartaruga e o coelho”, da autora
Diléa Frate. A eleição da fábula deve-se ao fato de que o gênero em questão
potencializa a discussão a respeito da conduta e moral humana, promovendo um
espaço para reflexão do ensinamento apreciado explícita ou implicitamente em um
enunciado concreto. Isso posto, julgamos que se trata de uma abordagem pertinente a
ser contemplada na série em questão. A escolha do sexto ano justifica-se porque
correponde a uma etapa de transição na vida do estudante, o início de um novo ciclo e
de uma nova fase de seu desenvolvimento, em que conflitos, anseios e dúvidas,
provavelmente, fazem parte de seus pensamentos. Dessa forma, acreditamos que o
gênero fábula, além de uma proposta de leitura e análise linguística, também pode
fornecer momentos de expressivas meditações por meio de uma didática
problematizadora, sugerida pelas diretrizes estudais: a didática da pedagogia histórico-
crítica. A proposta de transposição didática do gênero fábula, por conseguinte, seguirá
os passos do Plano de Trabalho Docente e Discente, considerando metodologicamente
as seguintes fases: prática social inicial, problematização, instrumentalização, catarse e
prática social final. Assim, espera-se que o estudo possa transcender os conteúdos
meramente escolares e venha a contribuir para o letramento e constituição de um
sujeito social crítico. O presente estudo integra as pesquisas do projeto “Gêneros
Discursivos em sala de aula: propostas de estudo e de didatização”, desenvolvido na
Universidade Estadual do Paraná- Campus de Apucarana (UNESPAR)..

Palavras-chave: Gêneros do Discurso; Ensino e Aprendizagem de Língua Materna;


Gênero Fábula.

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15) Percepções das noções de gênero discursivo e de texto: um


estudo comparativo entre as formações inicial e continuada

Profa. Dra. Cláudia Valéria Doná Hila (UEM)


Profa. Dra. Lilian Cristina Buzato Ritter (UEM)

Resumo:
Esta comunicação tem por finalidade apresentar resultados parciais do projeto de de
pesquisa “Formação do professor de Língua Portuguesa e práticas de linguagem em
sala de aula: múltiplos olhares” (UEM). o qual toma como base norteadora de trabalho a
concepção de texto como enunciado concreto, à luz da Análise Dialógica do Discurso, a
fim de contribuir, especialmente, com o processo de elaboração didática das práticas de
linguagem para a sala de aula. A formação inicial e continuada de professores passa
por contínuas ressignificações teórico-metodológicas que se refletem nas práticas de
linguagem em sala de aula, ou seja, na prática da leitura, da produção oral e escrita, na
prática da análise linguística. Mas, ainda é notório que tanto os professores em
formação inicial e continuada apresentam dificuldades para planejar aulas, definir
metodologias, elaborar materiais didáticos especialmente dentro de uma concepção
dialógica da linguagem, constituída pelo fenômeno da interação verbal. Nesse sentido, a
repercussão nas salas de aula é ainda muito lacunar. Mesmo na formação inicial
observamos a dificuldade dos nossos futuros professores realizarem a transposição
didática dos conteúdos referentes às práticas da linguagem na elaboração de materiais
didáticos e mesmo no planejamento e execução das aulas de docência. Da mesma
forma, os professores em serviço, quando de volta à Universidade, por meio de
iniciativas governamentais federais como o Profletras (Mestrado Profissionalizante em
Letras), também evidenciam dificuldades. Partimos do pressuposto do quão essencial é
para o professor ser submetido a um processo de apropriação de conceitos teórico-
metodológicos, na perspectiva bakhtiniana de linguagem, no tocante às práticas de
leitura, produção de textos e análise linguística com gêneros discursivos, a fim de lhe
possibilitar condições concretas de produção didático-pedagógica mais significativa à
adoção da concepção de texto em sua condição de enunciado. Inseridos neste
contexto, para este momento, em específico, discutimos sobre resultados parciais de
um estudo comparativo das percepções acerca das noções de gênero discursivo e de
texto entre sujeitos em formação inicial, no contexto do Programa Institucional de Bolsa
de Iniciação à Docência (Pibid-Letras/Português), e sujeitos em formação continuada,
no contexto do Programa de pós-graduação Mestrado Profissional em Letras
(Profletras-Uem). Estas concepções são analisadas em diferentes instrumentos, ou

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seja, em planos de aula elaborados por pibidianos, e em atividades avaliativas


produzidas por mestrandos do referente programa profissional.
Palavras-chave: gênero discursivo; formação inicial; formação continuada.

16) HQs e Inglês: Uma proposta didática de ensino de língua inglesa por
meio do gênero
Bruno Moreira da Silva (UEM)
Nathália de Almeida Moura (UEM)
Prof. Dr. Wiliam César Ramos (UEM/Orientador)
Resumo:
O ensino de língua inglesa em contexto público vem se aprimorando muito nas últimas
décadas com a evolução de práticas metodológicas e pesquisas nessa área. Apesar
disso, o ensino desse idioma pode tornar-se difícil caso não haja interesse por parte do
aluno, o que traz à tona a necessidade de criar um ambiente no qual ele se sinta
confortável para aprendê-la. Dessa forma, a utilização de gêneros que já fazem parte do
cotidiano do aluno é uma ferramenta crucial no processo de ensino-aprendizagem,
justamente por aumentar as possibilidades de despertar seu interesse. É desse modo
que o uso das histórias em quadrinhos torna-se interessante para aplicação em sala de
aula, pois além de já serem conhecidas pelos alunos, apresentam elementos complexos
com relação aos sentidos, diferentes tipos de linguagem utilizadas - além da verbal - e
interpretação, apesar de sua estrutura simples. Com isso, este trabalho justifica-se por
buscar a criação de um ambiente onde o aluno possa iniciar sua jornada na
aprendizagem de uma língua estrangeira sem sentir a pressão de textos complexos.
Sendo assim, o artigo contém a elaboração de uma proposta didática para o ensino de
língua inglesa por meio do uso do gênero história em quadrinhos, especificamente com
a HQ Peanuts, sobre o tópico gramatical Present Perfect , o qual é apresentado de
maneira descontextualizada de seu uso em um momento inicial da aula, de forma a
colaborar para a construção de sua base de conhecimento em língua inglesa, em seus
primeiros estudos. Para tal objetivo, inicialmente foram utilizados os conceitos de
ensino-aprendizagem de Freire (2015), o qual aborda o papel do professor como
mediador do conhecimento. Em seguida, utilizou-se Ramos (2009) para elaboração da
definição formal do gênero e o site oficial da HQ para uma contextualização e descrição
dos personagens. Após isso, para a contextualização dos tempos verbais, Quirk et al
(2004) para o Present Perfect e Bechara (2009) para seus equivalentes em português, a
fim de, então, descrever as sequências didáticas nas quais o presente artigo se baseia,
de Gonçalves (2009) e Cotter (2006) e, finalmente a elaboração da sequência didática

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proposta e uma sugestão de aplicação. E como conclusão busca-se problematizar essa


questão ao sugerir mais pesquisas aplicadas com o foco em materiais didáticos que
possam ser utilizados para a formação de alunos de escolas públicas, aplicando o
conhecimento gerado em pesquisas teóricas na prática real dos professores.
Palavras-chave: Proposta didática; Ensino de Língua Inglesa; Ensino por Gêneros;
Histórias em Quadrinhos;.

17) O gênero artigo de opinião em situação de vestibular

Cindy Mayumi Okamoto Luca (UEM)


Everton Luis Paulino Vinha (UEM)
Profa. Dra. Cláudia Valéria Doná Hila (UEM/Orientadora)

Resumo:
Esta comunicação, inserida no projeto de pesquisa “Formação do professor de língua
portuguesa e práticas de linguagem em sala de aula: múltiplos olhares”, apresenta os
resultados finais do Projeto de Iniciação Científica (PIC) intitulado “O gênero artigo de
opinião em situação de vestibular”, que visou a caracterização deste gênero no contexto
de concurso vestibular. O referencial teórico ancora-se principalmente na Análise
Dialógica do Discurso (BAKHTIN, 2003; BRAIT, 2003, 2006; PEREIRA, 2010), que
concebe o gênero discursivo como um enunciado concreto. Também utilizamos, para
nossa modelização didática, o Interacionismo Sociodiscursivo (BRONCKART, 2003).
Como metodologia para alcançarmos o nosso objetivo, analisamos 50 artigos
produzidos no vestibular de inverno de 2014 da Universidade Estadual de Maringá
(UEM) que obtiveram ou nota máxima, ou uma que carregasse um valor próximo a dela,
para, assim, configurarmos este gênero na esfera referida. Desta maneira,
desempenhamos, inicialmente, um estudo sobre o artigo de opinião em sua esfera de
circulação real, elencando quais são as suas condições de produção (temas
prototípicos, autor, interlocutor, esfera, suporte e finalidade), estrutura composicional e
estilo linguístico recorrentes. Além disso, em consequência do fato deste gênero ser, em
sua essência, argumentativo, realizamos um estudo acerca do que é argumentação e
sobre quais são os diversos tipos de argumentos que existem, com base,
principalmente nos postulados de Fiorin (2015). Findadas as análises do gênero em sua
esfera de circulação concreta, contrastamo-las com as condições de produção, os
argumentos recorrentes, a estrutura composicional e o estilo linguístico presentes nas
50 produções que obtiveram nota máxima ou uma próxima a esse valor e que foram
produzidas dentro do contexto de vestibular, configurando, portanto este gênero quando

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inserido nesta esfera. Os resultados das análises evidenciam que muitas das
características a respeito do artigo de opinião em sua circulação social sofrem diversas
modificações quando se insere este gênero em contexto de vestibular, principalmente
no que diz respeito aos elementos estruturais e linguísticos. Acreditamos que essa
modificação se deva a essa transposição de esferas, visto que, apesar de
estruturalmente acertivas, a organização do texto, do discurso e da linguagem
aproximam-se da dissertação escolar, não evidenciando uma distinção pontual entre
ambos.
Palavras-chave: Artigo de opinião; Gêneros; Vestibular.

18) O sistema da projeção e a articulação de vozes no gênero notícia


atributiva online

Dra. Nara Augustin Gehrke (UFSM)


Dr. Thiago Santos da Silva (UNIPAMPA)

Resumo:
Orientando-nos por estudos sobre gêneros desenvolvidos por um grupo de
pesquisadores conhecidos como Escola de Sydney, realizamos uma investigação sobre
a notícia jornalística contemporânea (IEDEMA; FEEZ e WHITE, 1994; MARTIN; ROSE,
2008; ROSE e MARTIN, 2012). A Escola de Sydney, levando adiante o projeto
hallidayano (HALLIDAY, 1989; 1994), pauta o entendimento da linguagem como
estreitamente interconectada ao contexto social em que é produzida. Dessa concepção
decorre que o gênero é sempre abordado como presente em uma ação comunicativa
dentro de um domínio social de interação e sua estrutura se instancia em função dos
propósitos sociais a que atende, o que lembra a concepção de gênero de Bakhtin
(2000) e seu “intuito discursivo”. Para Martin e Rose (2008), os gêneros são produzidos
no interior de uma atividade dialógica (prática social) e funcionam como uma ferramenta
(configurações recorrentes de significados plurifuncionais) utilizada em dado contexto
cultural. Coerentes com essa perspectiva, entendemos a notícia jornalística como uma
prática cultural materializada em textos articulados em torno de uma “representação de
uma representação” (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004; 2014) e com caráter
“atributivo” (KURTZ, 2011). Com uma abordagem sistêmico-funcional do mecanismo de
alternância de vozes, analisamos léxico-gramaticalmente o funcionamento da projeção
na língua portuguesa do Brasil. Para tal, mapeamos escolhas sistêmicas,
particularmente no complexo oracional e na seleção de verbos do processo de dizer,

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num corpus de quinze notícias online reportando a resposta da presidente Dilma


Rousseff após as vaias recebidas na abertura da Copa do Mundo de 2014. Os dados
mostraram que a escolha preferencial foi de complexos oracionais paratáticos,
produzindo a Citação o efeito de fidedignidade ao dizer da Presidente, com
predominância do discurso direto, ampliado por uma forma híbrida denominada ilha
textual. O verbo dizer é o processo verbal dominante (41%), acentuando o efeito de
imparcialidade; porém, se associados, os verbos afirmar, declarar, enfatizar, garantir e
reafirmar (em torno de 20%), representam atos de fala com os quais Dilma Rousseff
afirma, reiterada e enfaticamente (MOURA NEVES, 2000; MARCUSCHI, 2007), suas
crenças e certezas, o que acaba criando uma imagem favorável a ela. A rememoração,
argumento empregado recorrentemente na resposta da Presidente, evidencia-se na
escolha de lembrar (9%). O verbo completar (6%) e, com menor ocorrência mas igual
funcionamento, complementar, concluir, finalizar e prosseguir auxiliaram a organizar no
texto a cronologia discursiva, o que é pertinente à produção de significados textuais.
Embora com pouca evidência quantitativa mas com relevância retórica, foram
empregados verbos como reagir e desabafar produzindo significados em direção a
retomadas opositivas ou à emocionalidade circunstancial.
Palavras-chave: Notícia jornalística; Sistema da projeção; Alternância de vozes;
Processos verbais.

19) A dificuldade de escrita do gênero fábula na escola

Débora Martinez Ribeiro (UNESPAR)


Prof. Dra. Akisnelen Torquette (UNESPAR/Orientadora)

Resumo:
Este trabalho tem como objetivo apresentar uma análise reflexiva acerca da aplicação
de um projeto de estágio de regência sobre o gênero fábula. A regência faz parte da
avaliação da disciplina de Estágio Supervisionado de Língua Portuguesa para o Ensino
Fundamental II, da Universidade Estadual do Paraná – Unespar - Campus de
Paranavaí, durante o terceiro ano do curso de Letras (Português/Inglês), e foi aplicada
ao sexto ano de um colégio público de Paranavaí-PR. O projeto de estágio consistia em
apresentar aos alunos a estrutura e as características do gênero fábula por meio de
apresentação de textos, questões interpretativas/discursivas, discussões sobre os
temas e moral das histórias, analisando os textos base, que serviram para os alunos
como referência para os estudos sobre o gênero escolhido. Também foi proposto um

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exercício de escrita como avaliação do trabalho feito com os alunos. Tal exercício é a
principal base de estudo deste trabalho, pois foi a partir dessa parte da aplicação da
regência que os alunos apresentaram as maiores dificuldades em relação ao
entendimento da estrutura composicional do gênero fábula. A Fábula é um gênero
literário que desperta curiosidade, criticidade e reflexão, por isso, é importante que ela
seja trabalhada nas aulas de Língua Portuguesa e que esse trabalho seja estudado
para ser cada vez melhor desenvolvido. As fábulas são pequenas histórias que
possuem uma moral, uma narrativa curta, em prosa ou em verso, usada para ilustrar um
vić io ou uma virtude. As personagens são geralmente animais, com características
psicológicas humanas, ou seja, que representam tipos humanos. Segundo Bagno
(2006, p. 51-53) é um gênero literário muito antigo que se encontra em praticamente
todas as culturas humanas e em todos os perio ́ dos históricos. Bagno completa que este
caráter universal da fábula se deve, sua ligação muito in
́ tima com a sabedoria popular.
Nascida no Oriente, as fábulas foram reinventada no Ocidente e têm como principais
autores o grego Esopo (séc. VI a.C.), Fedro (séc. I a.C.) eJean La Fontaine
(1621/1692), de quem recebeu a forma clássica como é conhecida até hoje. A análise
deste trabalho teve como pressupostos teórico-metodológicos a terceira concepção de
linguagem, que tem como proposta a concepção de língua como forma de interação e
os gêneros do discurso pautados em Bakhtin/Voloshinov (1999), nos Parâmetros
Curriculares Nacionais (1999) e nas Diretrizes Curriculares da Educação Básica (2008),
que além de sustentar a análise deste estudo, também foi referência para a formulação
do projeto de regência aplicado no ano de dois mil e dezesseis. Os alunos conseguiram
resolver as questões interpretativas sobre o gênero com facilidade, porém apresentaram
dificuldades no momento do exercício de escrita, pois não conseguiram escrever dentro
da estrutura composicional do gênero estudado, confundindo a estrutura da fábula com
a estrutura do conto, gênero o qual já estavam habituados a escrever textos, pois a
professora da turma havia focado de forma mais enfática nesse gênero. Assim,
refletindo a luz da concepção interacionista de linguagem, entendemos que, mesmo
podendo parecer simples compreender a estrutura do gênero fábula, os alunos não
conseguiram de fato colocar em prática na produção de texto os conceitos aprendidos
tão bem durante os exercícios teóricos e de interpretação sobre o gênero. Uma
sugestão de proposta plausível para resolver tal problema seria explorar mais textos
desse gênero para que os alunos tenham mais contato e consigam observar melhor sua
estrutura e suas características, para posteriormente colocar em prática os conceitos
aprendidos e conseguir, de fato, escrever um texto dentro da estrutura composicional
requerida. Por fim, percebemos que alguns gêneros considerados simples ainda
causam dificuldades para serem escritos quando trabalhados de forma rápida, o que
nos faz pensar que todos os gêneros precisam ser trabalhados de maneira
desenvolvida para que realmente sejam compreendidos e os alunos possam produzi-
los.
Palavras-chave: Estágio de regência; Gêneros do discurso; Fábula.

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20) O processo de reescrita nas aulas do gênero resumo escolar

Aline da Silva Ramires (UEM)


Caroline Bognar da Silva Ceolin (UEM)
Victor Matheus dos Santos (UEM)
Profa. Dra. Cláudia Valéria Doná Hila (UEM/Orientadora)

Resumo:
Este estudo tem como objetivo apresentar resultados decorrentes da reescrita do
gênero resumo escolar, desenvolvida durante aulas de redação direcionadas ao preparo
de vinte e três alunos do terceiro ano do Ensino Médio, para a realização do vestibular e
do Processo de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Os três encontros destinados ao estudo do gênero foram conduzidos mediante o
emprego de Sequência Didática (SD) (SCHNEUWLY, DOLZ, 2004) elaborada por oito
bolsistas do subprojeto de Letras do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à
Docência (PIBID). Todavia, o procedimento SD teve de ser adaptado, de modo que a
produção inicial foi deslocada após o trabalho efetivo com o gênero. Essa adaptação
ocorreu pelo fato de o Ensino Médio ter poucas aulas de Língua Portuguesa e os alunos
participantes desse projeto não conseguirem manter o trabalho com um mesmo gênero
durante muito tempo. Assim, esse ajuste da SD tentou averiguar se é possível ao
professor trabalhar a reescrita com poucas aulas e os impactos disso para o aluno. Em
termos metodológicos, nosso trabalho abrangeu, primeiramente, a identificação de
variados resumos e a realização de um resumo escolar “às cegas”; posteriormente, o
reconhecimento do gênero e de suas condições sócio-históricas, bem como o
aprendizado do uso da paráfrase e das regras de sumarização; por fim, um modelo do
gênero resumo escolar, acompanhado da revisão de suas características, seguido da
reescrita. Para a feitura do texto segundo, foi escolhido O impacto dos memes na
sociedade não deve ser menosprezado, de Viktor Chagas, pertencente a ordem do
expor, conforme o agrupamento dos gêneros textuais proposto por Schneuwly e Dolz
(2004). O corpus da pesquisa consiste em treze redações coletadas, analisadas à luz
dos pressupostos teóricos da Linguística Aplicada (LA) e da Análise Dialógica do
Discurso (ADD) de Bakhtin (1998, 2003). A análise debruçou-se sobre os componentes
da planilha de correção utilizada para avaliar as primeiras e as segundas versões, a
saber: a) tema, que diz respeito à quantidade de informações principais do texto-fonte
presentes nas redações; b) condições de produção, que compreende ao cumprimento
do objetivo de elaborar um resumo escolar, observando a identidade social do autor do
texto fonte; c) estrutura composicional, marcada pela exposição inicial do título, do autor

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e do tema, assim como pela manutenção da sequência das informações do texto fonte;
d) gramática e estilo, que inclui os níveis sintático, semântico e discursivo e os
elementos de coesão e coerência textual (KOCH, 2015). Os resultados parciais do
estudo evidenciaram melhor adequação na reescrita, em relação à identificação do
papel social do autor do texto de apoio, à estrutura do gênero produzido e à gramática e
estilo.
Palavras-chave: Gêneros discursivos; Reescrita; Resumo escolar.

21) O gênero ensaio: da esfera jornalística para a produção escrita de


acadêmicos de Letras

Allana Cássia de Freitas (UEM)


Prof. Dr. Neil Armstrong Franco de Oliveira(UEM/Orientador)

Resumo:
O objetivo central desta pesquisa, inserida num projeto maior, foi investigar e analisar o
gênero ensaio em alguma de suas características. Como se trata de um gênero
discursivo que pode se manifestar em diferentes campos da linguagem humana,
buscamos conhecer sua versão jornalística como forma de permitir sua presença na
realidade de produção escrita atual dos alunos de letras, em projeto que tem nos
gêneros jornalísticos a ferramenta para o desenvolvimento da capacidade de escrita de
futuros professores de línguas. Analisamos o gênero ensaio a partir da teoria dos
gêneros do discurso na concepção dialógica da linguagem e observamos como esse
gênero foi consolidado sócio-historicamente. Em um dos procedimentos metodológicos,
nossa investigação se restringiu às revistas impressas semanais de maior circulação.
Como primeiro resultado, constatamos que o referido gênero tem uma presença
significativa em uma dessas revistas, historicamente a de maior tiragem no país. Sobre
as bases da perspectiva bakhtiniana, a partir da análise de sua constituição,
compreende-se o ensaio jornalístico como um gênero argumentativo multifuncional
híbrido que trata de temas geralmente polêmicos sem a intenção de esgotá-los, ou seja,
da parte do autor há o intuito discursivo de levar o interlocutor a refletir sobre os fatos e
seus desdobramentos. Entendemos que o ensaio jornalístico exige, além de um
trabalho mais dedicado com a argumentação, o conhecimento de contextos históricos e
ideológicos, e também que esse gênero pede uma escrita por vezes mais complexa.
Do nosso corpus, elegemos um exemplar do gênero, publicado pela revista de maior
circulação no país, de autoria de um jornalista que por vários anos ocupou espaço

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próprio nas edições do veículo jornalístico, marcado explicitamente com o nome do


gênero, evidenciando que se trata de gênero utilizado, normalmente, por jornalistas de
maior experiência. Ainda assim, defendemos sua presença na lista de gêneros
jornalísticos que vêm figurando em suporte definido e implantado para a produção
textual escrita de acadêmicos de Letras da UEM. A experiência com o jornal vem
mostrando que ao professor em formação é relevante o contato com uma diversidade
genérica. Especificamente o gênero ensaio pode permitir maior desenvolvimento de sua
escrita e argumentação.
Palavras-chave: Jornalismo; gênero ensaio; produção textual escrita.

22) A Linguística Contrastiva como aliada nas aulas de língua estrangeira


moderna da Educação Básica

Cecília Gusson Santos (UEL)


Prof. Dr. Otávio Goes de Andrade (UEL/Orientadora)

Resumo:
Este trabalho é um projeto de mestrado vinculado ao Programa de Pós Graduação em
Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Londrina. Por meio dele, pretendo
contribuir com a prática pedagógica do professor de língua estrangeira da Educação
Básica, propondo a utilização do arcabouço teórico-metodológico da Linguística
Contrastiva aliado à concepção bakhtiniana de linguagem. Conforme preconizam as
Diretrizes Curriculares Estaduais para o ensino de língua estrangeira, a prática em sala
de aula dos professores de Linguagens da Educação Básica deve norteada pelos
pressupostos do círculo de Bakhtin, ancorados na concepção do discurso como uma
prática social (BAKHTIN/VOLOSHINOV, 1992) e no trabalho com os gêneros
discursivos. No entanto, acredito que esse conceito não é suficiente para uma
compreensão mais apurada de determinados fenômenos atinentes aos processos de
ensino e de aprendizagem de línguas. Fenômenos decorrentes do contato entre duas
línguas ou entre variantes de uma mesma como a transferência e a interferência
(LADO, 1957), a interlíngua (SELINKER, 1972), entre outros, podem impactar o
processo de ensino e aprendizagem. Esses fenômenos são consistentemente
fundamentados e explicados pela Linguística Contrastiva. O conhecimento sobre essa
área do saber, assim como o estudo de seu instrumental teórico-metodológico, podem
ser valiosos aliados para o aprimoramento profissional dos professores de Linguagens

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e, consequentemente, para o enriquecimento das aulas de línguas estrangeiras


modernas na Educação Básica.
Palavras-chave: Linguística Contrastiva; Língua Estrangeira; Formação do Professor;
Educação Básica.

23) Uma proposta de ensino de leitura sobre o Gênero discursivo Canção:


sincretismo entre a linguagem verbal e a linguagem musical

Cristiano Brun Amarante (UEM)


Edson Carlos Romualdo (UEM - Orientador)

Resumo:
Em uma perspectiva sistematizada, a Música trabalha os sons em seus diversos modos
contemplativos. Englobando o trino melodia/ritmo/harmonia em sua constituição, a
Música, por sua forte presença nas sociedades, tornou-se objeto constante de reflexão
para várias áreas do conhecimento. Dentre os diversos tipos musicais, a Canção - na
qual encontramos o sincretismo entre a linguagem verbal e a linguagem musical em
suas diversas variantes – certamente é a que mais acompanha as diferentes atividades
sociais humanas. O conceito bakhtiniano sobre Gêneros do Discurso possibilitam
relacionarmos a Canção a enunciados relativamente estáveis inseridos nas diversas
práticas sociais, sendo constituída por um conteúdo temático, um estilo e uma
construção composicional. Tendo em vista essas características, juntamente com o fato
de os documentos oficiais recomendarem o uso dos conceitos sobre gênero discursivo
na esfera do ensino/aprendizagem, podemos tomar o gênero Canção como instrumento
didático para o ensino tanto da linguagem musical, quanto para o ensino da linguagem
verbal. Fato é que a Canção tem sido mal usada para este fim, pois nela, o ensino de
uma das linguagens – a verbal ou a musical – é sempre privilegiado em detrimento da
outra. Diversas pesquisas nos mostram que a Canção tem sido usada como pretexto
para que se ensine apenas a linguagem verbal, e em outros casos, se ensine apenas a
linguagem musical. Embasados em teóricos como Caretta (2011), Tatit (2003), Carmo
(2012), Schroeder (2011), e Bakhtin (1997), propomos um trabalho em que a Canção
seja vista como gênero carregado de signos musicais e verbais, considerados em seu
caráter sincrético, tomando este gênero como constituído por harmonia, melodia, ritmo,
e o verbal musicado, entrelaçados entre si para a criação de sentidos. Utilizando a
Canção “O Pato”, de letra criada por Vinicius de Moraes e inserida no seu livro “A Arca

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de Noé”, de 1970, e musicada postumamente pelo grupo “MPB 4” para um especial


televisivo da rede Globo, de 1980, propomos um percurso didático para o ensino de
leitura da Canção, que englobe o conhecimento sobre os elementos melódicos,
harmônicos, rítmicos e verbais, para crianças de 9 e 10 anos de idade. Essa proposta é
apresentada por encaminhamentos didáticos elaborados com a intenção de um ensino
que proporcione parâmetros de observação sobre os elementos constitutivos da Canção
em sua totalidade genérica, embasada no sincretismo entre a linguagem verbal e a
linguagem musical.
Palavras-chave: Gêneros do Discurso; Canção; Sincretismo verbo/musical.

24) Memórias literárias: um trabalho significativo de leitura e escrita em


turmas de 7º. ano
Eliane Marina Tirapelle Brasil
Profa. Dra. Marinês Lonardoni (UEM/Orientadora)
Resumo:
Trabalhar com os gêneros textuais no Ensino Fundamental é essencial, pois contribui
para o aprendizado da prática das leituras, favorece o trabalho de compreensão e
interpretação dos textos lidos e repercute significativamente nos alunos, preparando-os
para a produção escrita dos gêneros aprendidos. Isso porque só é possível levar o
educando a escrever determinado gênero se antes este tiver sido “apresentado” a ele,
conhecendo sua estrutura, principais características e os aspectos determinantes de
sua composição e estilo. Tendo em vista esses pressupostos, o objetivo deste simpósio
é apresentar resultados do trabalho de leitura e produção escrita do gênero Memórias
literárias em uma turma do 7º. ano do Ensino Fundamental. A memória literária é um
gênero que traz consigo um propósito sócio comunicativo de recuperar, num relato,
escrito de forma contemporânea, vivências de tempos mais distantes, relacionados a
lugares, objetos, pessoas, fatos, sentimentos, valores vivenciados ou não pelo autor. O
trabalho com o gênero Memórias literárias propicia o contato entre gerações, o resgate
das memórias vivas das pessoas mais velhas, proporcionando sentimentos de
pertencer ao lugar onde se vive, contribuindo para a formação de seres humanos mais
completos. Desse modo, o ensinoaprendizagem desse gênero teve por finalidade levar
o aluno a apreender suas principais características, as marcas e recursos linguísticos do
gênero por meio da leitura e compreensão de variados textos e autores, bem como a
produção escrita por meio de oficinas, visando a mudança no modo de falar e escrever

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do educando, no sentido de uma consciência mais ampla da língua e do domínio da


estrutura do gênero em questão. Esse trabalho foi realizado através de sequências
didáticas, propostas por Dolz e Schnewully (2010), que levam o educando a uma
produção textual mais clara, concisa, coerente e diferenciada, tendo em vista o ensino
da leitura e da escrita, já que essa atividade traz consigo um caráter mais humanizador.
No decorrer das etapas da produção escrita, observou-se que a principal dificuldade
para a construção dos textos por parte dos alunos era a de distinguir entre
diárioxrelatoxmemórias literárias. Para tanto, foi necessário mostrar as diferenças na
ordem de relatar, exemplificar esse gênero nas suas características, sua estrutura, seu
estilo. Para o pleno reconhecimento desses aspectos, os educandos fizeram a leitura de
vários textos de Memórias com a propósito de visualizar/apreender as características do
gênero (marcas textuais; verbos no pretérito perfeito e imperfeito; figuras de linguagem;
algumas expressões). As atividades foram desenvolvidas com base nos estudos de
Dolz e Schneuwly (2010), Clara, R;Altenfelder, a. H; Almeida, N.(2010) e Bakthin(1982).
Palavras chave: Leitura e escrita, gênero textual, memória literária.

25) A prática da escrita revelada no gênero crônica: entre nuances literárias


e jornalísticas

Leticia Terazzin Marroffino (UEM)


Prof. Dr. Neil Armstrong Franco de Oliveira (UEM/Orientador)

Resumo:
Nossa comunicação é resultado de investigação, de cunho descritivo e analítico, que
procurou reconhecer o gênero crônica na interseção entre dois campos da linguagem
humana, a literária e a jornalística, com vistas a uma prática de escrita em condições
reais de produção, mais especificamente em suporte definido e implantado para a
produção de futuros professores de línguas, a partir da teoria do gênero discursivo da
perspectiva dialógica da linguagem, dos teóricos do círculo de Bakhtin. O presente
trabalho buscou em alguns conceitos do círculo, como dialogismo, gêneros e
enunciados, enfocar a tríade que constitui o gênero: conteúdo temático, estilo de
linguagem e estrutura composicional, assumindo-o como forma de interação social.
Nessa abordagem, compreendemos a crônica como a representação de um gênero na
fronteira de dois campos da linguagem humana, ou seja, um gênero bivalente que por
vezes circula no meio da esfera de textos literários e, também, na esfera jornalística, e
que historicamente parece ter se estabelecido como um gênero genuinamente

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brasileiro. Diante de tal embasamento teórico, para promover a análise, recorremos a


duas crônicas: a primeira de jornalista/cronista publicada em jornal impresso de
circulação nacional e a segunda de aluna de Letras integrante de projeto de ensino que
visa ao desenvolvimento da capacidade de produção textual escrita de acadêmicos de
Letras da UEM. O critério de escolha se deu pelo tratamento temático, pois ambas
buscaram numa espécie de metalinguagem, tratar do processo de escrita, com
personagens em primeira pessoa evidenciando a pouca experiência com gêneros
jornalísticos ou a prática jornalística. O resultado nos leva a defender que a crônica
pode permitir um exercício de escrita que busca no agente produtor uma capacidade de
reflexão acerca dos fatos e temas da sociedade, sendo a crônica um reflexo do olhar do
escritor a respeito do cotidiano, contribuindo, sem dúvida, para o desenvolvimento da
capacidade de escrita dos sujeitos envolvidos no referido projeto de ensino. Muito além
da teoria que engloba as noções de gêneros, esse projeto visou à prática escritora
trabalhada no atual ensino de língua portuguesa, como língua materna, trazendo a
realidade do projeto O Consoante como meio de formação para os futuros professores,
buscando nesse indivíduo a compreensão de que escrever é um processo contínuo.
Palavras-chave: Gênero crônica; jornalismo e literatura; produção textual escrita.

26) Gêneros do jornalismo cultural: bases para a produção textual escrita


em curso de Letras

Fernando Luiz Prezotto (UEM)


Prof. Dr. Neil Armstrong Franco De Oliveira (UEM/Orientador)

Resumo:
Este trabalho procura demarcar uma discussão que se centra no entendimento do
jornalismo cultural e na descrição de gêneros discursivos pertencentes a este campo da
linguagem humana, a fim de figurarem em suporte definido, uma espécie de jornal
eletrônico, dentro de projeto de ensino que visa à produção textual de acadêmicos de
Letras da UEM. Tem se a compreensão de que o trabalho com a produção textual
escrita ainda pode ser considerado problemático em todos os níveis de ensino, da
educação básica à graduação. Sendo a escrita uma prática social, e, em termos de
ensino e aprendizagem, um trabalho processual de aquisição, conforme apontam
alguns estudiosos, são necessárias condições para que se efetivem práticas sociais

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reais de escrita para que os sujeitos aprendizes compreendam as razões que motivam
uma enunciação pelo modo escrito. Dessa forma, considerando os gêneros discursivos
na perspectiva do círculo de Bakhtin e seus elementos constituintes (tema, estilo e
construção composicional), assim como os aspectos históricos, culturais e ideológicos
que integram a natureza de todo enunciado concreto, bem como a importância que tem
o campo social de onde emergem os gêneros (Bakhtin, 2003), entende-se que são
relevantes os trabalhos de produção textual escrita. Nossa pesquisa se recorta ao
interesse sobre a reflexão e descrição do campo do jornalismo cultural e de alguns de
seus gêneros como aportes ao trabalho processual de produção textual. A prática da
escrita para além do meio acadêmico se justifica pela necessidade na formação do
futuro professor de línguas para o reconhecimento de outros gêneros, e também da
necessidade de ser capaz de propiciar práticas semelhantes a futuros alunos. Em
síntese, nossa comunicação se organiza do seguinte modo: a compreensão do conceito
de gênero discursivo na perspectiva do círculo de Bakhtin; um breve histórico do
jornalismo cultural e de suas tendências na contemporaneidade, sendo este um dos
elementos responsáveis por aumentar o acesso a objetos culturais, evitando
preconceitos de ideologia ou mesmo parcialidade política; características básicas de
alguns gêneros do jornalismo cultural no que diz respeito aos elementos que o
constituem (conteúdo temático, construção composicional e estilo); e a necessidade de
proposta de produção textual escrita para futuros professores de línguas, com base em
uma diversidade de gêneros. Os gêneros discursivos do campo do jornalismo cultural
foram escolhidos para que o trabalho de produção escrita de acadêmicos do curso de
Letras se efetivasse de forma significativa. As análises foram feitas a fim de criar um
aporte básico para figurarem no suporte definido e já implantado para a produção
textual escrita de alunos de Letras, considerando que a partir das práticas de escrita
para além do meio acadêmico, o professor em formação possa experimentar gêneros
diferentes e ser dono de seu processo autoral, inserindo-se em uma prática de
produção que tem um público interlocutor, não só o professor que avalia. Para isso,
foram analisadas, além dos textos selecionados de diferentes plataformas, duas
resenhas produzidas por acadêmicos de Letras e publicadas na página do jornal em
rede social. Concluímos que, a partir desta prática, o aluno passa a ter contato com a
realidade da produção textual jornalística, sendo responsável por seu desenvolvimento
e também pelos impactos sociais que seu texto causa e/ou pode causar para a própria
formação profissional bem como para seu papel de sujeito produtor de texto em
sociedade.
Palavras chave: Gêneros discursivos; jornalismo cultural; produção textual escrita.

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27) Novela gráfica e algumas contribuições para a leitura e interpretação de


textos quadrinísticos

Pietra Poliana Amancio Irineu da Silva (UEL)


Profa. Dra Maria Isabel Borges (UEL/Orientadora)

Resumo:
A novela gráfica não é um gênero quadrinístico comum tanto na escola como nos livros
didáticos. Os gêneros usualmente encontrados são: cartum, charge e tira cômica.
Segundo Vergueiro (2004), há uma urgência no conhecimento da linguagem dos
quadrinhos para ser trabalhada pelo professor nas diferentes disciplinas, sobretudo, nas
aulas de português. Em relação à novela gráfica, não há um consenso das
características que a categorizam como um gênero discursivo consolidado sócio-
historicamente. Segundo Murray (2017), sob uma visão literária, limitada e
preconceituosa, a novela gráfica se destina ao público que domina capacidades
amadurecidas de leitura, possui temáticas particularidades (por exemplo, vieses
(auto)biográfico e histórico) e é vendida em livrarias em suporte livro. Comparando-a
com a tira cômica — um texto híbrido desenvolvido na conexão entre construção da
expectativa e desfecho cômico (RAMOS, 2010; 2011) — é possível dizer que ainda
predomina a visão de entretenimento e sem maturidade temática, tomando como
referência a definição já citada de Murray. Essa visão também se estende para os
demais gêneros quadrinísticos, os tidos gêneros de qualidade inferior, principalmente,
quando comparados com os gêneros literários. Nesse sentido, o desenvolvimento do
detalhamento narrativo, bem como o tempo, o espaço, o posicionamento do narrador,
dentre outros componentes, constituem elementos importantes de diferenciação entre
os gêneros “novela gráfica” e “tira cômica”: esta é compreendida como um gênero
sintético e com desfecho cômico; enquanto aquela, em função de sua extensão,
possibilita o detalhamento da trama, das personagens, do espaço e tempo, do claro
posicionamento do narrador, com efeitos de humor ou não. Os dois gêneros pertencem
a mesma esfera social e partilham, portanto, elementos da sua construção
composicional que integram a linguagem dos quadrinhos, tais como: tamanho e
distribuição das vinhetas; balões de fala; cor; linhas cinéticas; diferentes tempos e
relações com o espaço e com a sequência narrativa; caracterização de personagens
estilizadas etc. Neste trabalho, o objetivo é apresentar uma caracterização de novela
gráfica como gênero discursivo, em comparação com a tira cômica, a partir da análise
de base qualitativa por amostragem. Com base nos elementos que integram o gênero
do discurso (BAKHTIN, 2003), propõe-se apresentar uma perspectiva sobre o gênero
“novela gráfica”, levando-se em consideração a conexão entre os elementos
pertencentes a sua constituição, as condições de produção e os participantes desse

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processo discursivo, além de apresentar a contribuição dessas manifestações artísticas


para o ensino da leitura nas escolas. Ramos (2010), Acevedo (2009), Cagnin (2014) são
as principais referências sobre a linguagem dos quadrinhos e, para a caracterização da
tira cômica, Ramos (2011; 2014). Os objetos de estudo são: a novela gráfica “Scott
Pilgrim contra o mundo”, criação de Bryan Lee O’ Malley (2010), e a tira cômica
(“Snoopy” de Charles Schulz, “Mafalda” de Quino, “Calvin e Haroldo” de Bill Watterson,
“As cobras” de Luis Veríssimo, “Grump” de Orlandeli, “Quadrinhos Ácidos” de Pedro
Leite, “Bichinhos de Jardim” de Clara Gomes, “Armandinho” de Alexandre Beck).
Palavras-chave: Gênero do discurso; Novela gráfica; Tira cômica; Scott Pilgrim; Leitura
e ensino.

28) Ensino Escolar de Produção de Textos e a Consideração de Atividades


Microtextuais

Simone Regina de Oliveira (UTFPR)


Prof. Dr. Givan José Ferreira dos Santos (UTFPR/Orientador)

Resumo:
O tema ensino de produção de gêneros textuais argumentativos não se esgota quando
as práticas pedagógicas, ainda que bem fundamentadas, precisam ser ajustadas ou
empregadas de outro modo, para que o objetivo maior seja alcançado: “o texto seja
desenvolvido em um processo e não como um produto”. As aulas de produção de
textos, de modo geral, são (re)conhecidas como àqueles momentos em que o professor
orienta alunos com atividades específicas ou técnicas que prometem habilitá-los a
elaborar textos. Por trás de tal promessa, sabe-se que o desconhecimento a respeito da
organização e estrutura de um gênero textual, como o ensaio escolar, pode direcionar
ambas as partes à procura por fórmulas rápidas e momentâneas que auxiliem na
“fabricação de textos” para atingir propósitos relativos e imediatos de exames e
processos seletivos, tais como o ENEM e as vagas de estágio, trainee, emprego,
concursos, entre outros. Em vista disso, entre os diversos desafios dos professores de
Língua Portuguesa do Ensino Médio está a preparação consistente dos estudantes para
produção de textos escritos que exigem domínio de elementos constitutivos da
argumentação. No trabalho do movimento complexo da argumentação, não basta que o
produtor escolha um ponto de vista a ser defendido, a partir de um tema proposto,
conheça a estrutura básica de um texto dissertativo – introdução, desenvolvimento e

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conclusão – e elabore parágrafos conforme as ideias vão surgindo à mente. Esse


gênero do domínio discursivo da escola, à semelhança de outros que também
apresentam natureza predominantemente argumentativa, contém traços característicos
peculiares que precisam ser bem dominados pelos alunos-autores, a fim de que os
objetivos sociais de produção sejam efetivamente alcançados. Ainda que várias
propostas pedagógicas de trabalho com argumentação em sala de aula tenham sido
publicadas e testadas no cotidiano escolar de ensino de produção de texto, permanece
uma insatisfação, da parte dos professores e de alunos, quanto ao nível de qualidade
dos textos argumentativos escolares. Nesse sentido, esta pesquisa procura contribuir
com uma proposta de material didático para auxiliar o professor de Língua Portuguesa
do Ensino Médio a desenvolver a competência argumentativa de seus alunos,
especificamente na elaboração do gênero textual ensaio escolar. Assim, o material
didático proposto fundamenta-se em pressupostos teóricos e metodológicos da Teoria
dos Gêneros Textuais (MARCUSCHI, 2002; KOCH; ELIAS, 2012; SANTOS, 2013;
BAZERMAN, 2011; FERRAGINI, 2016) e da Semântica Argumentativa (KOCH, 1984;
DUCROT, 1983; BRETON, 2003; SANTOS, 2013; KOCH; ELIAS, 2016). A pesquisa
caracteriza-se metodologicamente como bibliográfica, descritiva e analítica, uma vez
que apresenta proposta e análise de categorias linguísticas _ gênero textual ensaio
escolar, tipos de argumento, esquema de construção textual e verbos introdutores de
opinião. Acredita-se que o material proposto venha se constituir em instrumento de
mediação pedagógica favorável ao desenvolvimento da capacidade de produção textual
argumentativa dos alunos.
Palavras-chave: Ensino de produção de textos. Atividades Microtextuais. Proposta
Pedagógica.

29) A instrução ao sósia: a manifestação de um gênero na esfera


acadêmica e seu potencial formativo

Soelene de Fátima Brovoski Modolo (UTFPR Pato Branco)


Profa. Dra. Siderlene Muniz Oliveira (UTFPR Pato Branco/Orientadora)

Resumo:
A atividade de linguagem, com papel fundamental na evolução da espécie humana,
pode ser decomposta em ações que se organizam em discursos ou em textos. Estes se
distribuem em gêneros adaptados às necessidades das formações sociodiscursivas, se
modificam permanentemente e se configuram historicamente pelo acúmulo de

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processos individuais de apropriação dos mesmos (Bronckart, 2012). É através dos


gêneros, compreendidos como instrumento de comunicação e objeto de ensino-
aprendizagem, que as práticas de linguagem encarnam-se nas atividades dos
aprendizes (Schneuwly; Dolz, 2004). Este trabalho tem por objetivo apresentar uma
análise de dois textos pertencentes ao gênero - e método - instrução ao sósia, bem
como destacar o seu potencial formativo, uma vez que possibilita uma transformação do
trabalho do sujeito mediante um deslocamento de suas atividades, permitindo uma
compreensão do real da atividade, que ultrapassa a tarefa prescrita e a própria atividade
realizada (Clot, 2007). Assim, pretendemos contribuir com a propagação do gênero
instrução ao sósia no meio acadêmico. Pressupostos teóricos do Interacionismo
Sociodiscursivo (ISD), da Ergonomia da Atividade e da Clínica da Atividade embasam a
pesquisa. Foram analisadas as transcrições de duas instruções ao sósia, sendo uma
francesa e traduzida para o português (Clot, 2010) e outra brasileira (Riciolli, 2015).
Embasamo-nos no quadro de análise do ISD (Bronckart, 2012), tendo como foco o
plano global e os tipos de sequências predominantes. No que se refere ao plano global
dos dois textos, encontramos diferenças quanto à preservação da identidade dos
participantes, à forma de marcar os turnos de fala, à forma de o pesquisador introduzir a
entrevista, à transcrição das mesmas, sendo que somente a instrução ao sósia
brasileira foi submetida a normas de transcrição. No tocante às formas de planificação
dos textos, ambos se caracterizam pela sequência dialogal, por serem entrevistas,
marcadas pelas fases de abertura, transacional e de encerramento. Os dois textos
exibem segmentos organizados por esquematizações (Bronckart, 2012). Ainda, ambos
são organizados por meio da sequência injuntiva, diferindo um pouco quanto à
manifestação dos verbos. Além dos verbos no modo imperativo e infinitivo, conforme
proposto por Bronckart (2012), encontramos outros verbos nas sequências injuntivas:
futuro perifrástico, presente do indicativo, verbos modalizadores (Rosa, 2003). No
contexto de pesquisas sobre formação de professores, a instrução ao sósia tem um
grande potencial formativo, principalmente por possibilitar aceder ao real da atividade.
Assim, na esfera acadêmica, pode ser uma estratégia para estreitar a relação teoria e
prática, instigando reflexões por parte dos futuros professores acerca desse real da
atividade, dos conflitos existentes nas atividades docentes contextualizadas trazidas nas
instruções ao sósia.
Palavras-chave: gêneros textuais, instrução ao sósia, Interacionismo Sociodiscursivo,
formação de professores.

30 Leitura crítica de textos sob um viés dialógico: um possível


encaminhamento

Terezinha da Conceição Costa-Hübes (Unioeste)

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Resumo:

Conforme postulados de Paulo Freire, a criticidade implica no sujeito se apropriar de


sua posição no contexto em que vive, inserir-se, integrar-se objetivamente em sua
realidade. Todavia, atitudes como essas requerem a formação de um sujeito que saiba
ler criticamente seu meio, seu contexto, enfim, todos os textos com os quais ele possa
interagir. E ler criticamente pressupõe análise, reflexão, posicionamento embasado em
aspectos históricos e sociais que envolvem o conteúdo do texto e sua própria vida. Em
alguma medida, como diz Bonini (2012), é preciso indagar quem produziu o texto, para
quem foi produzido, a partir de quais pontos de vista, para provocar quais efeitos de
sentido. Essa atitude requer, na leitura de um texto, reflexões que extravasem seus
aspectos linguísticos e que avancem para sua dimensão extraverbal, conforme
postulados de Volochinov e Bakhtin (1926). Trata-se de compreender que o texto,
também denominado, nesse âmbito, como enunciado, organiza-se em duas dimensões:
verbal (ou verbo-visual) e extraverbal (ou social). Todavia, como orientar as atividades
de leitura na sala de aula, a partir de determinado gênero trabalhado, de modo que
essas dimensões sejam contempladas e alavanquem para o desenvolvimento crítico do
leitor? Na perspectiva de apresentar uma possível resposta a este questionamento,
elaboramos um instrumento teórico-metodológico que apresenta uma possibilidade de
encaminhamento para as atividades de leitura, de modo que, além de contemplar as
dimensões supra citadas, explore os diferentes níveis de leitura, conforme apresentado
por Menegassi (2010). Assim, essa proposta se volta para a dimensão extraverbal (ou
social) e verbal (ou verbo-visual) do gênero, conforme pressupostos bakhtiniano, em
diálogo com Luckesi et al. (1997), Menegassi (2010), Bonini (2012), entre outros
autores preocupados com o ensino da leitura crítica na escola. Nosso objetivo, portanto,
é socializar esse instrumento teórico-metodológico, na perspectiva de contribuir com a
condução das atividades de leitura na sala de aula que pretende formar um sujeito
capaz de ler criticamente. Este estudo se insere na área da Linguística Aplicada, uma
vez que está preocupado com as ações que se fazem com a linguagem, nesse caso,
em específico, no espaço escolar. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa
qualitativa interpretativista, conforme Bortoni-Ricardo (2008), de cunho teórico-reflexivo.
Os resultados apontam para um alargamento das possibilidades de atividades com a
leitura em sala de aula, possibilitando ao professor atentar-se para além das marcas
linguísticas de um texto e para questões que promovam a criticidade do leitor.

Palavras-chave: Leitura crítica; Ensino da leitura; Dimensão extraverbal e verbal do


gênero.

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SIMPÓSIO 8) Lexicologia e terminologia: diálogos e interfaces

Prof. Dr. Odair Luiz Nadin da Silva (UNESP)


odair.lluiz@gmail.com
Amanda Henrique Pereira (UNESP)
amanda_henrik@hotmail.com

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1) O léxico toponímico: nomes de motivações de natureza


antropocultural atribuídos aos municípios de Alagoas

Pedro Antonio Gomes de Melo (Uneal)


Prof. Dr. Manoel Messias Alves da Silva (Orientador/UEM)

Resumo:
O ato de nomear aglomerados humanos (cidades, povoados, aldeias etc.) aciona uma
complexa rede de fatores que, geralmente, estão associados a uma experiência vivida
pelo sujeito-nomeador ou por um dado grupo social. Essa atividade verbal não se dá de
maneira despropositada, de forma neutra ou aleatória, mas como uma estratégia de
posicionamento, que ocorre num contexto permeado por uma multiplicidade de sentidos
que, por sua vez, fazem parte de um universo sócio-histórico-cultural que deve ser
estudado pelo pesquisador no campo toponomástico. Sob esse olhar, buscamos
investigar as escolhas lexicais decorrentes de taxionomias de natureza antropocultural,
registradas na sincronia atual, para nomear municipalidades em Alagoas. Quanto aos
métodos empregados, trata-se de uma pesquisa bibliográfica que se insere no
paradigma pós-positivista de natureza qualitativa de cunho interpretativista, uma vez
que seus resultados são oriundos de interpretação de fenômenos linguísticos, nos quais
a intersubjetividade se marca na pesquisa, i. é., as possíveis motivações para escolhas
de nomes de municípios alagoanos, seus significados e suas representações simbólicas
no léxico toponímico, de forma objetiva, levando em consideração as bases de onde os
dados foram gerados. O inventário toponímico que compõe o corpus desta pesquisa
seguiu, fundamentalmente, os princípios teórico-metodológicos da Lexicologia e da
Toponímia, em especial o modelo teórico de Dick (1990 e posteriores) e as
contribuições de Isquerdo (1996; 2012). Após as análises, os resultados apontaram que,
dentro do grupo motivacional de natureza antropocultural, as taxes dos
antropotopônimos foram as mais produtivas com registros de 13 ocorrências de um total
de 46 topônimos, o que sugere que essas representações semânticas intencionais
estão ligadas às dadas motivações extralinguísticas e revelam traços socioculturais da
identidade do povo alagoano mediante as particularidades consubstanciadas no signo
toponímico e no conteúdo simbolizado por ele a ser interpretado pela comunidade.
Nesses casos, são nomes instituídos por aqueles que possuem o poder de mando, há
identificação pessoal dos homenageados, pessoas abastarda da elite, muitas vezes não
representando uma manifestação natural da população local. Assim, para a
identificação completa dos personagens, se faz necessário o recuo histórico à época do
batismo dessas cidades alagoanas. Nessa linha, evidenciamos que esses nomes não
representam a identidade da comunidade nomeada, mas uma conveniência intencional
do nomeador.

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Palavras-chaves: Lexicologia, Onomástica, Léxico toponímico, Nomes de município.

2) A religiosidade na toponímia paranaense: primeiras reflexões

Me. Anna Carolina Chierotti dos Santos Ananias (UEL)


Profa. Dra Aparecida Negri Isquerdo (UFMS/Orientadora)

Resumo:
O ser humano utiliza-se do léxico para nomear elementos de sua realidade física e
social, o que evidencia sua compreensão de mundo e a maneira de pensar e de agir de
sua comunidade. A Toponímia é responsável pelo estudo dos nomes de lugares e como
disciplina que se ocupa do léxico toponímico, mantém estreita relação com a
Lexicologia, à medida que o léxico toponímico também pode ser considerado uma forma
de repositório da história local, já que por meio do estudo dos topônimos é possível
recuperar dados acerca da trajetória dos grupos humanos que habitaram e habitam
determinada região e de momentos históricos vivenciados por eles. Este trabalho
apresenta considerações iniciais e resultados parciais a respeito da tese em
desenvolvimento - Marcas da Religiosidade e de Crenças Populares Impressas na
Toponímia Paranaense, desenvolvida no programa de Pós-Graduação em Estudos da
Linguagem na Universidade Estadual de Londrina (UEL). A tese tem como objetivo mais
amplo a catalogação e a análise da toponímia (elementos físicos e humanos) de caráter
religioso e de crenças populares pertencente aos 399 municípios que integram o Estado
do Paraná. Partimos da hipótese de que a preferência por nomes de cunho religioso é
condicionada por fatores histórico-geográficos, em especial os referentes aos processos
de povoamento e a fatores ideológicos relacionados ao sujeito nomeador. Para a coleta
de dados foram utilizados os mapas oficiais dos municípios paranaenses
confeccionados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) referentes ao
censo de 2010. O estudo orienta-se, fundamentalmente, pelo modelo teórico-
metodológico proposto por Dick (1990; 1995; 1998; 2000; 2006) e outras contribuições
da área. A coleta de dados gerou o montante de 9.602 (8.582 de acidentes humanos e
1.020 de acidentes físicos) ocorrências de topônimos de natureza mítico-religiosa, o
agrupamento dessas ocorrências resultou num total de 621 topônimos distintos
referentes ao corpus final deste estudo. Os resultados preliminares do estudo da tese
em andamento indicam que, a grande quantidade de topônimos de cunho religioso
identificados em algumas localidades pode ser justificada pelas expectativas dos
colonizadores frente à nova terra, logo, atribuir aos lugares nomes com carga semântica
espiritual, de alguma forma, representa uma invocação de proteção.

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Palavras-chave: Toponímia; Léxico; Religiosidade; Paraná.

3) A ocorrência de variação denominativa do termo “Agronegócios” em


um corpus semiespecializado.

Rosemeire de Souza Pinheiro Taveira Silva (UNESP/FCLAr/ IF Goiano)


Prof. Dr. Odair Luiz Nadin (UNESP/FCLAr)

Resumo:
O Agronegócio tem uma participação significativa na economia brasileira, o que eleva
sua importância de ser estudado, pois economicamente é um setor que tem se
modernizado e a cada expansão há necessidade de termos para registrar seu
conhecimento. Com o avanço sócio-econômico este segmento de aporte agroindustrial
tem se apropriado de diversos termos e conceitos, oferecendo aos pesquisadores a
oportunidade em expandir e contribuir com a elaboração de um acervo lexical
significativo e de suma importância para a área. Este segmento que representa toda
uma cadeia produtiva demanda várias análises terminológicas, mas este estudo visa
analisar a variação dos diferentes termos atribuídos ao conceito do Agronegócio em um
corpus semiespecializado. O próprio termo que intitula a área apresenta uma variação
denominativa, como: “Agronegócio”, “Agribusiness”, “Complexo agroindustrial”, “Cadeias
agroeconômicas”. Para tanto, vale refletir: Os pesquisadores da área ao proferirem
sobre o conceito do Agronegócio selecionam um ou mais termos? Estes termos são
tratados como sinônimos? Para buscar dados passíveis de reflexão, esta pesquisa
contou com auxílio de estudos bibliográficos e a análise de um corpus eletrônico, a fim
de verificar a frequência de uso. Para a composição do corpus foram auferidos (10) dez
boletins, (125) cento e vinte e cinco dissertações e (05) cinco teses de (16) dezesseis
instituições nacionais de ensino superior que abarcam a temática do Agronegócio. Estes
materiais foram retirados do banco de dissertações e teses da Capes, salvos em pdf,
transformados em txt e processados no programa Unitex. Após a organização dos
dados foi verificada a frequência de cada termo analisado e pôde-se observar três
situações em que os autores: 1) optam por apenas um termo, exemplo: “Agronegócio”;
2) utilizam dois ou mais termos como sinônimos, exemplo: “Agronegócio” e
“Agribusiness”; 3) escolhem mais de um termo, sendo que um dos termos tem uma
pequena modificação e/ou restrição conceitual, exemplo: “Cadeias agroeconômicas” e
“Complexo agroindustrial”. Logo, esta pesquisa observa que a variação terminológica
está condicionada ao enfoque do autor e a marca temporal. Este estudo é baseado nas
reflexões de Araújo (2007), Massilon (2007), Callado (2011), Batalha (2011) e Vieira

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Filho (2017), pesquisadores do Agronegócio, e da Terminologia, Krieger e Finatto


(2004), Biderman (2001), Barros (2004), Freixa (2013) dentre outros estudiosos.
Palavras chave: Agronegócio; Terminologia; Variação terminológica.

4) Terminologia do Direito do Consumidor: Análise da variação


denominativa

Amanda Pereira (UNESP/PG-FCLAR/CNPq)

Resumo:
A Terminologia, como ciência, pode-se considerar que se constituiu em dois momentos
importantes, o primeiro, está vinculado às teorias consideradas clássicas, em que
destacam-se, principalmente, as escolas Russa, Tcheca e Vienense (LOTTE, 1961;
DRODZ, 1979; WUSTER,1969). O enfoque maior das pesquisas provenientes dessa
vertente está na organização da linguagem de especialidade para que essa se tornasse
mais precisa e que comunicasse ciência de modo mais inequívoco possível. Em um
segundo momento, a Terminologia lançou à linguagem em contexto de especialidade o
olhar preocupado com as questões referentes à língua e, a partir disso, desenvolveu-se
em torno de metodologias e abordagens mais próximas à realidade linguística. Em
decorrência disso, passou-se a considerar fatores próprios das línguas naturais, como a
variação terminológica. Nesse sentido, nosso trabalho tem como objetivo apresentar um
recorte da pesquisa de mestrado cujo escopo é a variação terminológica no Direito do
Consumidor, para tal, analisamos a variação terminológica denominativa do termo
consumidor. Valemo-nos dos pressupostos de Cabré (1999), para questões relativas à
Teoria Comunicativa da Terminologia (TCT), Freixa (2002; 2006) para tratar das
motivações da variação denominativa, do reconhecimento das sinonímias e
classificação em escala de Equivalência Conceitual (Freixa, 2002, p.296). A partir da
identificação das unidades terminológicas sinonímicas referentes ao termo consumidor,
demonstraremos quais foram as ocorrências encontradas, a fim de verificar as
ocorrências dos diferentes usos nos textos que constituem o corpus, observando
também, como essas sinonímias apresentam-se nos contextos analisados. Por fim, com
esta pesquisa, visamos compreender de modo mais abrangente o fenômeno da
variação terminológica no âmbito do Direito do Consumidor, com enfoque em uma
modalidade importante que é a variação denominativa, pois como destaca Cabré (1999,
p. 138 tradução nossa) esse tipo de variação “se explica pela necessidade em adequar
a expressão às características discursivas de cada tipo de situação comunicativa”,
então, a variação é um movimento legítimo da língua à medida que seus usuários

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buscam por meio dela atender as suas necessidades comunicativas. Entendemos


também a relação interdependente das variações denominativa e conceitual, ao manter
o foco em um dos tipos de variação, buscamos abranger o fenômeno em si, de modo
amplo, visando compreender melhor como tal processo ocorre no âmbito das
especialidades.
Palavras-chave: Terminologia; Direito do Consumidor; Variação terminológica.

5) Coleta, etiquetagem e manipulação de corpus para a elaboração de


um dicionário Terminológico da Energia Eólica

Me. Daiane Jodar (UEM)


Prof. Dr. Manoel M. Alves da Silva (UEM/Orientador)

Resumo:
Buscando colaborar com a sustentabilidade, em especial, com a produção de energia
renovável, destacando a energia eólica, é que se motivou desenvolver essa pesquisa. É
sabido que a energia eólica é um tipo de energia renovável que provém do uso do
vento, que beneficia o meio ambiente, pois quando se utiliza a energia eólica, em sua
produção não se emite o dióxido de carbono na atmosfera. Desse modo, ao coletar os
termos da energia eólica empregados pelos estudiosos e usuários nas línguas
portuguesa e espanhola, para a produção de um dicionário terminológico, tem-se a
intenção de minimizar as confusões conceituais acerca da utilização desses termos e
destacar a importante função da análise contrastiva no que diz respeito às línguas
estrangeiras e suas especialidades. Ante dessa proposta, dentro de uma área de
especialidade como a energia eólica, um dicionário bilíngue é de suma importância para
que os diversos consulentes da obra, encontre eficácia na procura dos termos. Para
continuidade do trabalho faz-se necessário fazer o projeto de elaboração dos corpora,
mais especificamente, em números, foram escolhidos 111 textos em PB e 110 textos
em EE, somando um total de 220 textos. Essa etapa se de composição dos corpora foi
feita de modo geral com o uso da internet. A maioria dos textos foi encontrada na
Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD). Outra fonte de pesquisa
foi também o banco de dados das diversas Universidades da Espanha, onde foram
encontradas teses e dissertações na língua espanhola europeia.Dando continuidade à
etapa, após a escolha dos textos, foram arquivados em pastas separadas no
computador, corpus em PE e corpus em EE. Depois da composição dos corpora, a
etapa seguinte se deu na conversão dos textos que estavam em grande maioria em

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PDF e foram transformados em Word e TXT pelo conversor de textos zamzar.com.


Após a conversão de todos os textos, outro passo para a organização dos corpora foi a
compilação dos textos. Essa etapa se deu fazendo a junção de todos os textos EE em
um único arquivo, do mesmo modo esse mesmo processo foi feito nos textos em
PB.Dando continuidade, seguiu-se o passo da manipulação dos corpora. São
chamados programas de computador que cooperam na manipulação desses tipos
corpora, formando verdadeiros bancos terminológicos, constituídos a partir de fichas
terminológicas. As fichas são arquivos de termos, empregados como utensílios de
armazenamento de dados concernente aos termos de uma pesquisa de especialidade.
A partir do preenchimento das fichas terminológicas é que se inicia a elaboração do
dicionário propriamente dito. Com base nas informações das fichas é que os verbetes
são elaborados.
Palavras-chave: Terminologia; etiquetagem; dicionário

6) A elaboração do dicionário de energia hidráulica

Me. Fernanda Callefi Panichella (UEM)

Resumo:
O objetivo deste trabalho é apresentar os caminhos percorridos de uma pesquisa
terminológica monolíngue descritiva acerca das unidades de conhecimento
especializado relacionada a uma subárea específica da língua portuguesa denominada
energia hidráulica da área das energias renováveis. Esta pesquisa está alicerçada nas
teorias e metodologias da Terminologia em sua vertente a Teoria Comunicativa da
Terminologia (TCT), especificamente em relação à fraseologia detectada entre o
Português Brasileiro (PB). A finalidade Terminologia é observar os termos em situações
reais de uso e, a partir desse olhar, promover uma comunicação eficaz, a um só tempo,
concisa, precisa e objetiva. A TCT ampliou os caminhos para o fazer terminográfico,
assumindo a diversificação discursiva em função da temática, do tipo de emissor, dos
destinatários, do nível de especialização, do grau de formalidade, do tipo de situação,
da finalidade, do tipo de discurso, etc. Um passo extremante importante para o estudo
dos termos. De acordo com Cabré (2005) a TCT possui um caráter interdisciplinar, isto
é, traz consigo fundamentos das ciências da linguagem, das ciências cognitivas e das
ciências sociais, sendo possível analisar o termo levando em conta as suas muitas
faces. A Terminologia, no Brasil, passou a desenvolver-se e ser praticada de maneira
sistemática em meados da década de 80 do século XX. A partir de sua estruturação da
Terminologia nos anos 80 do século XX, a sociedade tem passado por situações

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contraditórias com consideráveis avanços tecnológicos. A ciência e a tecnologia estão


presentes no cotidiano, nos mais diferentes matizes, isto é, desde informações técnicas
sobre explosão de um ônibus espacial, passando por uma terminologia forjada no bojo
da guerra, até questões mais difíceis de serem entendidas. Dessa forma, com essa
interferência direta, a língua deve estar apta para nomear novos referentes e novos
conceitos, a ponto de ser eficaz comunicativamente. As línguas especializadas,
juntamente com o suporte prático e teórico da terminologia, passam a ser
imprescindíveis para legitimar a função real de uma língua como veículo de
comunicação também em situações especializadas. Em um uso informal não há tanta
preocupação com a precisão terminológica, porém tratando-se de uso especializado,
essa precisão é fundamental, ainda mais em relação aos contatos entre cidadãos de
países cujas línguas sejam diferentes. Dessa forma, esses avanços científicos e
tecnológicos precisam ser nomeados apropriadamente. As UTs (Unidades
Terminológicas) constituintes de uma área especializada refletem a estrutura conceptual
dessa área e são a base da comunicação especializada. No caso, de níveis
socioculturais divergentes, o produto terminográfico pode preencher a lacuna e facilitara
propagação dessas novas unidades lexicais forjadas pelas necessidades de seu usuário
especializado, facilitando o intercâmbio econômico e tecnológico conforme Silva (2003,
p. 111). Segundo Barros (2004 a Terminologia é uma ciência particular do léxico, que
tem o termo como principal item de estudo, sendo seu principal dentro de uma
linguagem de especialidade a indução a um funcionamento eficaz, sem ambiguidades.
O termo e o conceito são inseparáveis, visto que, um termo no momento de sua criação,
já adquiri um sentindo, que atribui a um conceito em uma determinada área. O
significante e a significação do termo resultam de um consenso entre especialistas de
uma área do saber, e a sua aceitação pode ser observada nos diferentes usos, âmbitos
da comunicação. Para a concretização a produção do dicionário da subárea em estudo,
esclarece-se, primeiramente, a escolha e a justificativa do tema e é apresentado um
apanhado histórico que contextualiza a energia hidráulica no Brasil e no mundo, ainda
há dados e alguns aspectos que contribuem para a produção dessa energia. A partir da
apresentação das modalidades do trabalho terminológico. Além disso, foi possível, por
meio dos termos identificados em 148 texto, dentre eles teses, dissertações e textos
relacionados à área, organizar a ontologia da energia hidráulica constituída por 478
termos, que foram compilados através do programa UNITEX. Partindo da pesquisa
temática. Foi abordado o enfoque onomasiológico, ou seja, incide em realizar uma
recolha de UTs em uma área dada com o intuito de explorá-las e defini-las a partir dos
conceitos identificados. Da mesma forma que outras pesquisas monolíngues, foram
percorridas as seguintes etapas: delimitação da área de especialidade; a constituição do
corpus; a conversão dos textos identificados em formato pdf, com o auxílio dos
conversores “DoPDF” e “FineREADER 6.0”; os textos foram salvos em word, revisados,
etiquetados e saltos em TXT. ) manuseio do programa auxiliador (Unitex); recolhimento
dos termos e levantamento dos dados semânticos e morfológicos; preenchimento das
fichas terminológicas; verificação dos candidatos a termos, de acordo com a frequência;
elaboração de proposta para caracterizar as UT como UTF ou não; análise e conclusão

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dos resultados obtidos; organização dos verbetes; conclusão do dicionário. É


importante salientar que a Ontologia auxiliou na recolha dos termos fraseológicos, que
embora tivessem sido reconhecidos pelos especialistas da área de Energia Hidráulica
como termos, foi possível visualizá-los em uma estrutura conceptual e. dessa forma,
reafirmar como termo pertencente à área em estudo. Também foi possível verificar que
não há termos polissêmicos, fato que proporciona maior precisão à área em questão. A
Ontologia é a ciência que trata dos objetos, de como se organizam na realidade e nas
relações que estabelecem entre si, baseando-se na proximidade situacional dos
elementos com a realidade. As relações ontológicas surgem da abstração das relações
existentes na realidade entre os indivíduos. Perante essas relações é que se formam os
conceitos, que estão relacionados, quer pela sua natureza ou pelas conexões da vida
real dos objetos que eles representam (CONTENTE, 2008, p. 124).O termo ontologia é
definido, no sentido filosófico, como um sistema de categorias que consideram certa
visão do mundo, independente de uma língua particular, entretanto, a utilização mais
corrente corresponde o termo ontologia a um artefato de engenharia, composto por um
vocabulário específico que descreve uma certa realidade, acompanhado de uma série
de declarações explícitas relacionadas com o significado que se pretende transmitir
desse vocabulário. Fato verificado na construção da presente ontologia, que se baseou
em situações reais de uso da Energia Hidráulica. Perante as palavras do estudioso,
percebe-se que é possível rearranjar um pouco artificialmente a polissemia intersetorial,
advogando em favor da hominímia. Por isso, tenta-se por meio da ontologia da energia
hidráulica, obter termos mais precioso e claros para a subárea, evitando o uso de
polissemia. Segundo Santos (2010, p. 57) os compromissos ontológicos são acordos
para usar o vocabulário partilhado de uma forma coerente e consistente. Assim os
usuários da língua podem comunicar sobre um domínio do discurso sem
necessariamente operar uma teoria partilhada globalmente, melhor dizendo, resulta de
um contrato, uma espécie de acordo social entre pessoas que partilham algo em
comum. A preocupação da Ontologia é com o ser e com as características comuns de
todos os seres. Tal identificação ocorre por meio da observação, propiciando o
conhecimento do mundo físico e do raciocínio, assim, produz uma estrutura de
abstrações. Assim, as ontologias podem ser consideradas como instrumentos de
padronização que visam, a estruturação e a organização do conhecimento e a
recuperação da informação, fato que auxiliou na elaboração do Dicionário de Energia
Hidráulica. Também foi possível produzir um mapa conceptual, que visa demonstrar o
funcionamento da energia hidráulica. O mapa conceitual além de servir para a
organização das relações conceituais na microestrutura do dicionário proposto, limita o
universo da pesquisa. Posteriormente, houve um apanhado teórico sobre a fraseologia
na língua geral e na terminologia, assim, foi possível estabelecer parâmetros para a
análise das unidades terminológicas especializadas encontradas no corpus da subárea
em questão, uma vez que as unidades fraseológicas com sintagmas nominais foram as
mais recorrentes. Por meio das definições estudadas, é possível perceber que há
investigadores que têm uma visão restrita e só admitem como pertencente ao âmbito da
fraseologia expressões idiomáticas próprias de uma língua, ou seja, unidades que

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apresentam um alto grau de fixação idiomática. Em contrapartida, há outros que


admitem inserir no campo das fraseologias estruturas extremamente variáveis, dando
atenção à fixação e à característica sintagmática da combinação. Fato verificado em
Roncolatto (2004, p. 51), que têm os critérios de fixação e idiomaticidade como
princípios decisivos da fraseologia. Para Corpas Pastor (1997, p. 20) as UTFs são
unidades léxicas formadas por mais de duas palavras, estão institucionalizadas,
possuem estabilidade, podem sofrer modificações nos elementos que as integram e
algumas apresentam certas peculiaridades. Já Carneado Moré (1987, p. 34) insere no
campo das unidades fraseológicas duas concepções diferentes, sendo que a primeira é
mais ampla, pois insere provérbio, refrões e a segunda, mais estreita, formada por
unidades que não ultrapassam a estrutura de frase, por exemplo: expressões
idiomáticas e algumas frases proverbiais. Embora não haja consenso quanto ao
âmbito de estudo da Fraseologia, a maioria dos pesquisadores definem seu objeto de
estudo como uma unidade polilexical, melhor dizendo, são combinações de unidades
léxicas constituídas por mais de duas palavras gráficas que apresentam estabilidade e
fixação. Logo, a fraseologia não possui limites claros devido à heterogeneidade
manifestada nas unidades que compõem. Além do mais, as UTs dependem do seu
reconhecimento segundo o ponto de vista do pesquisador, sobre o fenômeno linguístico
a ser analisado. Concebe-se, neste estudo, fraseologia como uma disciplina científica
que se dedica aos os estudos do léxico, observando a contextualização das UFs que a
compõem. Tais construções são formadas a partir de combinação de dois ou mais
elementos, possuem certo grau de fixação, cunhadas ao longo dos anos - colocações,
locuções idiomáticas ou expressões idiomáticas, e ainda as parêmias: refrões e
provérbios entre outros enunciados fraseológicos. Esta visão contém argumentos
suficientes nas perante González Rey 1(2004, apud Nogueira 2008, p. 46), porque para
ela, a fraseologia conglomera aspectos como o valor cultural que possuem a maioria
das UFs, é representante da idiossincrasia de uma cultura, de uma sociedade, de um
modo comum de ver a realidade além do fator idiomaticidade. A UT (Unidade
Terminológica) contém valores ativados pragmaticamente, cuja composição pode ser:
simples, sintagmática ou fraseológica, A UT simples é caracterizada conforme a
extensão, isto é, constitui-se extensionalmente com uma única unidade. Por exemplo:
água, energia, sedimento. A UT sintagmática contém em sua composição um sintagma
nominal (SN), cujo complemento é um sintagma adjetival (SA), como ocorre em: turbina
francis, turbina pelton, turbina kaplan, etc. Na composição sintagmática foi possível
detectar os seguintes arranjos com base no corpus manipulado: Substantivo + adjetivo
(Bacia hidrográfica); Substantivo + preposição + substantivo (Altura do ressalto);
Substantivo + adjetivo + adjetivo (Balanço Energético Nacional); Substantivo + adjetivo
+ preposição + adjetivo (Conta consumo de Combustível). A construção sintagmática
terminológica não apresenta um especificador e seu núcleo nunca poderá ser um
pronome. A estrutura mais comum é N+prep+N. São compostas apenas por um
sintagma nominal, enquanto as UTs fraseológicas podem apresentar vários sintagmas,
pois são estruturas complexas. Transmite conhecimento específico de uma área, isto é,
configura-se no discurso em que ocorre a ter valor especializado. Diversos autores

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como: Hausman (1990), Pavel (1993), Corpas Pastor (1997), Pearson (1998), etc; não
distinguem UTs sintagmáticas das unidades fraseológicas, ou seja, não traçam limites
claros diferenciando as duas estruturas, ainda mais quando se refere à estrutura com
sintagma nominal. Embora haja divergências, parece que os pesquisadores concordam
que para fazer parte do campo das fraseologias é preciso possuir em sua estrutura, pelo
menos, duas palavras gráficas, como também a fixação dessas unidades, não obstante,
discordem quanto ao grau, a maioria entende que as UTFs (Unidades Terminológicas
Fraseológicas) possuem um certo grau de fixação. A maioria concorda que a diferença
entre a fraseologia da língua corrente e a fraseologia da língua de especialidade é que
esta segunda apresenta uma UT em sua estrutura. Neste trabalho, levando em conta a
multiplicidade de denominações e a quantidade de unidades consideradas
fraseológicas, toma-se por base os estudos de Bevilacqua (1996, 2001), que
complementam as noções expostas por Gouadec (1994) e apresentam subsídios para
análise e reconhecimento das unidades fraseológicas de uma língua de especialidade,
além de critérios para distingui-las dentre outras unidades sintagmáticas. Como também
Desmet (2002) e Cabré, Lorente e Estopà (1996), que consideram a base nominal,
desde que haja deverbais ou adjetivos no particípio. Com intuito de se apresentar uma
base teórica que se possa responder às hipóteses levantadas: No corpus sobre a
Energia Hidráulica é possível encontrar fraseologias? As teorias atuais dão conta da
fraseologia especializada? Quais são os parâmetros para reconhecer o fraseologismo e
como caracterizá-lo? São expostas ainda, as informações pertinentes sobre as etapas
da pesquisa, a pesquisa bibliográfica, a ficha de pesquisa terminológica, a estrutura dos
verbetes do dicionário, o programa Unitex e os termos da energia hidráulica. Em
seguida, há a apresentação dos verbetes que constituem o Dicionário Terminológico da
Energia Hidráulica.
Palavras-chave: Dicionário Terminológico; Energia Hidráulica; Fraseologia;
Terminologia.

7) As marcas da fronteira na alimentação de paraguaios radicados em


Aral Moreira-Brasil e Departamento Santa Virgínia-Paraguai

Me. Jefferson Machado Barbosa (UEMS-FUNDECT)

Resumo:
O Estado de Mato Grosso do Sul, mais precisamente a fronteira internacional entre a
cidade de Aral Moreira-Brasil e o departamento Santa Virgínia-Paraguai, localiza-se no
sul do estado e possui uma divisão geográfica no mapa com o país vizinho Paraguai.

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No entanto, a cultura paraguaia, em muitos aspectos, mistura-se com o a cultura


brasileira, em termos de música, pintura, religião, danças, culinária, enfim em diversas
manifestações. Em consequência do contexto histórico, anteriormente delineado,
observa-se que a alimentação das pessoas de origem paraguaia não se diferencia
muito da alimentação da população sul-mato-grossense. A fronteira seca que o Brasil
faz com o Paraguai facilita a troca ou empréstimo tanto de unidades lexicais, quanto dos
próprios alimentos. Os (i)migrantes paraguaios, que no Estado de Mato Grosso do Sul
se instalaram, trouxeram consigo costumes e comidas típicas de seu país e
implantaram na região alguns aspectos de sua cultura, por exemplo, uma iguaria típica
da culinária paraguaia é a sopa paraguaia, um bolo salgado feito de milho, fubá e
queijo, que já se tornou um prato presente no cardápio da culinária sul-mato-grossense
e não é algo diferente para os habitantes deste Estado. O objetivo da pesquisa é
apresentar a sistematização, lexemas, do campo semântico-lexical relativo à
alimentação de paraguaios residentes na região em estudo. Para tanto, realizamos
entrevistas com dez informantes do sexo feminino com idade superior a 45 anos e com
ascendêcia paraguaia. O corpus de análise faz parte do corpus de pesquisa de uma
investigação macro, realizada em 2010, cuja temática foi Narrativas de povos de
tradição oral: fronteira em questão. Nota-se nos dizeres desses informantes paraguaios
que o campo lexical referente à alimentação se apresenta composto por 15 (quinze)
unidades lexicais relativos a pratos e 2 (duas) unidades que se referem a bebidas. Os
15 (quinze) vocábulos nomeiam tipos de pratos que representam, em sua maioria, uma
tradição peculiar da alimentação de pessoas residentes na fronteira Brasil e Paraguai.
Percebemos que há vocábulos muito comuns entre ambos os países. Desse modo,
pode-se dizer que os vocabulários de paraguaios já foram anexados a cultura sul mato-
grossense, mesmo sendo de origem paraguaia.
Palavras-chave: Fronteira. Estudos do Léxico. Lexicologia. Campo semântico-lexical.

8) A retratação dos esquilos-europeus na tradução do léxico da obra


Harry Potter and the Philosopher’s Stone para o português brasileiro

Tiago Pereira Rodrigues (UNESP)

Resumo:
Essa comunicação apresenta um análise oriunda de uma pesquisa de mestrado
intitulada Uma análise dos neologismos mais frequentes na tradução da série Harry
Potter para o português brasileiro, a qual vem sendo desenvolvida por Tiago Pereira
Rodrigues, orientada pelo Prof. Dr. Celso Fernando Rocha e financiada pela Fundação

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de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP (processo nº 2016/03328-5).


A saga britânica Harry Potter, composta por sete livros e de autoria de J. K. Rowling,
apresenta um número substancial de criações lexicais, que contribuem para a
constituição de uma nova realidade (o universo da magia) através da rotulação dos
seres que a compõem. O emprego do léxico na série, tanto neológico quanto não-
neológico, permite caracterizar alguns desses seres de modo a refletir determinadas
críticas a respeito do contexto cultural de que provém a obra (o cenário britânico
contemporâneo). Nesse ponto, menciona-se o personagem Quirinus Quirrell, que é
professor na escola de magia em que Harry Potter estuda e é seguidor do vilão-mor da
saga, Lord Voldemort. O modo como o professor Quirrell é caracterizado através do
léxico do primeiro volume da saga (Harry Potter and the Philosopher’s Stone, “Harry
Potter e a Pedra Filosofal”) fazem dele o retrato dos esquilos-europeus (Sciurus
vulgaris), nativos da Grã-Bretanha, e refletem uma crítica contra as percepções e
posturas que os britânicos assumem a favor dessa espécie em detrimento dos esquilos-
cinzentos (Sciurus carolinensis), nativos da América do Norte. Tais percepções e
posturas decorrem de sentimentos nacionalistas antiamericanos. Dessa maneira,
objetiva-se apresentar como o personagem, por meio do léxico que o caracteriza,
retrata os esquilos-europeus e reflete a crítica em tela nas versões britânica e brasileira
do primeiro volume da série Harry Potter. Para isso, parte-se do pressuposto de que a
tradução é uma atividade interpretativa essencialmente geradora de significados que é
sempre influenciada pelos valores culturais da língua de chegada. Empregam-se, ainda,
preceitos apresentados por teorias de cunho lexical e o aparato teórico-metodológico da
Linguística de Corpus e dos Estudos da Tradução Baseados em Corpus, que propõem
a compilação de corpora eletrônicos e o uso de ferramentas computacionais a fins de
investigação tradutológica, facilitando a extração dos dados e tornando mais profícuo a
comparação entre textos de partida e de chegada. Como resultado, verifica-se que a
tradução em português brasileiro, apesar de retratar, através do léxico referente ao
professor Quirrell, a crítica ao enaltecimento nacionalista exacerbado e a negação da
nação americana manifestados no modo como são concebidos os esquilos-europeus e
cinzentos na Grã-Bretanha, ela não mantém todas as formas como o texto de partida
realiza essa crítica.
Palavras-chave: Estudos da Tradução Baseados em Corpus, Lexicologia, nacionalismo
britânico antiamericano, esquilos-europeus, esquilos-cinzentos.

9) Estruturas de acesso à informação lexicográfica em dicionários


eletrônicos de espanhol: uma análise do potencial didático

Prof. Dr. Odair Luiz Nadin

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(FCLAR/UNESP-USP/PNPD/CAPES)

Resumo:
A Lexicografia, ciência de elaboração e estudo de dicionários passou, ao longo de sua
história, por inúmeras (r)evoluções no sentido de tornar o dicionário, além de sua
característica própria de “repertório de dados léxicos”, cada vez mais útil ao usuário. No
século XX, por exemplo, o perfil prototípico do possível usuário se tornou um dos
aspectos que passou a diferenciar os princípios teórico-metodológicos para a
elaboração de dicionários. Desde aquela época, inovações ocorreram com relação às
estruturas dos dicionários monolíngues e bilíngues, com o surgimento de dicionários
para aprendizes, pedagógicos entre outros inúmeros tipos de obras lexicográficas. É,
pois, a partir de um perfil, ainda que hipotético, de usuário, que devem (ou deveriam) se
estabelecer as diferentes estruturas de um dicionário. No final do século XX, com o
advento das tecnologias da informação e comunicação (TICs), da internet e da
Linguística de Corpus, novamente a Lexicografia passou (e passa) por transformações.
Atualmente, há que se pensar em formas de proporcionar cada vez mais informações a
cada vez mais tipos de usuários, bem como definir e estabelecer estruturas de acesso a
essas informações que possam contribuir à potencialização do valor didático do
dicionário. Isso traz à Lexicografia, desde os anos 90, outra (r)evolução: uma
(r)evolução teórica, metodológica e tecnológica. Assim, analisamos neste estudo um
conjunto de dicionário de espanhol disponível em suporte eletrônico (CD, DVD, on-line
e/ou aplicativo) usados em contextos de ensino e aprendizagem de espanhol no Brasil a
fim de identificar as estruturas de acesso às informações lexicográficas e analisar suas
possíveis contribuições para o ensino.
Palavras-chave: Lexicografia Pedagógica. Dicionário Eletrônico. Ensino de Espanhol
como Língua Estrangeira. Aprendiz brasileiro.

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SIMPÓSIO 9) Para além do original: a tradução sob múltiplos olhares

Profa. Dra. Liliam Cristina Marins (UEM)


liliamchris@hotmail.com
Me. Davi Silva Gonçalves (UFSC)
gdavi1210@gmail.com

1) Carnaval pra inglês ver: uma análise tradutória do roteiro dos desfiles
das escolas de samba do Rio

Aline Scarmen Uchida (UEM)

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Me. Elerson Cestaro Remundini (UEM)

Resumo:
Não é exagero dizer que o tradutor é um mensageiro cultural. É graças a ele que os
mais diferentes povos tomam conhecimento de elementos culturais uns dos outros. O
carnaval, por exemplo, apesar de celebrado em diversos países, tem no Brasil um
status e uma grandiosidade incomparáveis. Não há, em qualquer outro canto do mundo,
a mesma intensidade e a mesma adesão a esta festa como se observa em nosso país.
Além disso, o carnaval brasileiro é multicultural e as diferenças entre os modos de
festejá-lo em cada região são muito acentuadas. Isso equivale a dizer que a distância
entre os diferentes festejos carnavalescos nacionais não é apenas geográfica, mas
cultural. Essa distância é ainda maior quando o espectador ou folião vem de uma
cultura que não a nossa. O nababesco desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro,
por exemplo, certamente não é visto pelo estrangeiro da mesma forma que o brasileiro
o vê. E se o espetáculo já é de difícil compreensão ao espectador tupiniquim, tanto mais
o será para o gringo, que, para entender as narrativas contadas por cada escola, tem
como recurso o roteiro dos desfiles, um guia bilíngue (português/inglês) impresso,
entregue a toda a audiência do sambódromo carioca. É esse roteiro o corpus do
presente trabalho. Por ser uma espécie de guia, à primeira vista o material poderia ser
visto como um texto técnico. De fato, há muito de técnico em seu conteúdo. Porém, ele
se ocupa em explanar narrativas imersas em culturalidades múltiplas, embebidas em
brasilidade. Os enredos variam do universal - uma crítica à indústria da beleza - ao
extremamente local - a cultura do Estado do Pernambuco, num tributo a um
carnavalesco pernambucano, já falecido, com referências a enredos por ele criados.
Todavia, mesmo os temas universais de repente são cobertos por camadas densas de
localismo. Daí a importância de um roteiro que explique ao espectador o que ele
presencia, para que o propósito de cada escola seja alcançado: contar uma história que
seja compreendida (o compreender é fator crucial, por exemplo, na avaliação que os
jurados fazem do quesito enredo). É função do tradutor desse roteiro ajudar o
estrangeiro a construir sentido a partir do que vê, a compreender uma narrativa muitas
vezes costurada por elementos culturais a ele estranhos (e aqui o termo “estranho”
encarna os dois sentidos possíveis). O presente trabalho, portanto, consiste numa
análise dos textos em inglês do roteiro supracitado, com o intuito de verificar se o
objetivo da tradução, ou seja, auxiliar o espectador estrangeiro a compreender as
narrativas, é potencialmente alcançado. Serão observadas as soluções aplicadas para
reconstruir, aos olhos do leitor estrangeiro, as narrativas apresentadas em português,
bem como os casos em que tais soluções parecem resultar em obstáculos para sua
compreensão. Para tal, analisaremos o guia do ano de 2016 e nos valeremos das
contribuições teóricas de Vermeer (2004), Benedetti e Sobral (2003), Hansen (2010),
dentre outros.

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Palavras-chave: Tradução; Carnaval; Aspectos culturais; Desfile das escolas de


samba; Roteiro bilíngue.

2) Entre o metro e a ideologia: o caso de “La Malinconia”, de Umberto


Saba

Andréia Riconi (UFSC/CNPq)

Resumo:
O objetivo desta comunicação é refletir acerca de meu processo de tradução do poema
“La Malinconia” (1921), de Umberto Saba. Optei por situar minha argumentação em
duas esferas: uma relacionada às escolhas tradutórias referentes à métrica do poema;
outra aos aspectos de caráter ideológico que permeiam a tradução. Referente ao
primeiro aspecto, é notável que Saba, nascido em 1883, em uma Trieste ainda
pertencente ao terreno austríaco, começa a escrever em uma época em que os
movimentos de vanguarda acaloravam as discussões acerca da arte na Europa,
promovendo um ideal de ruptura com formas preestabelecidas e idealizando novos
modelos experimentais. Saba, no entanto, pareceu ficar, de certa forma, imune a essa
movimentação. Seu maior contato com a literatura dividia-se entre os autores canônicos
da tradição literária italiana e as influências germânicas, relacionadas à filosofia e a
psicanálise – proporcionadas pela localização geográfica de sua cidade natal – muito
em voga no período em que começou a escrever. Em virtude dessa conjuntura
geográfica e histórico-cultural, Umberto Saba se localiza em uma zona literária limítrofe
e híbrida, já que busca, através de um fazer literário aos moldes da tradição italiana
também refletir acerca dessas questões relacionadas à psique e aos sentimentos
humanos, que ganhavam força entre seus contemporâneos. O desafio aqui, portanto,
reside primordialmente nesse caráter que mescla o antigo e o novo, a tradição e a
contemporaneidade, que faz emergir um escritor moderno à moda antiga –
característica que, a meu ver, deve estar presente na proposta de tradução. No que
concerne ao segundo aspecto de minha análise, busco demonstrar como aquilo que o
tradutor se permite divulgar por meio de sua tradução, também transcende o âmbito do
texto em si. Isso porque muitas das escolhas feitas refletem e reforçam uma visão
ideológica que o tradutor nutre acerca do mundo e da literatura. Nesse sentido,
proponho debater algumas das sensações que o texto fez emergir em minha leitura, e
como tais sensações também modularam o resultado final de minha tradução. Assim,
essa comunicação visa demonstrar como, no caso da tradução de “La Malinconia”,
métrica e ideologia se mesclam para atingir um objetivo: o de visibilizar o estilo de

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escrita de Umberto Saba, sem, com isso, invisibilizar o trabalho tradutório. O aporte
teórico que sigo para embasar minhas escolhas é composto, principalmente, por Mario
Laranjeira (2003) e Humboldt (2001).
Palavras-chave: Tradução poética; Umberto Saba; La malinconia.

3) Expansão interpretativa e tradução: pluralidade e descentrismo

Prof. Me. Fernanda Silveira Boito (UEM)


Prof. Dra. Liliam Cristina Marins (UEM)

Resumo:
(Re)construímos representações e (re)aprendemos a dar sentidos sob a ótica dos
contextos sócio-históricos, culturais e ideológicos onde, enquanto sujeitos, nos
inserimos. Isso significa que o modo como agimos e pensamos, logo, o modo como
lemos e interpretamos, é determinado a partir da nossa relação com o grupo social, ou
seja, com a comunidade interpretativa da qual fazemos parte (FISH, 1980). Além de
impregnado pelo social, o olhar do sujeito para o mundo está também repleto de si e irá
sempre diferir de outros sujeitos cujas lentes nunca são as mesmas, distanciando a
produção de sentidos da homogeneidade e da universalidade, o que implica em dizer
que os sentidos serão sempre plurais e constituídos não somente pela exterioridade,
mas pela subjetividade do sujeito em toda a sua hipercomplexidade. Essa perspectiva
problematiza uma concepção tradicional de tradução enquanto recuperação de sentidos
e leva o processo tradutório a ser pensado sob um viés pós-moderno e derridiano: toda
tradução é fruto de um ato de interpretação, sempre provisório, empreendido por um
sujeito em condições socioculturais e histórico-ideológicas particulares, em um processo
que jamais encerra as possibilidades múltiplas de sentidos de um texto sempre aberto a
outras leituras. Isso também significa pensar em tradução na relação que estabelece
com um movimento de expansão interpretativa, que, a partir de uma visão
hermenêutica, vai em direção oposta à concepção de paralisia e controle de produção

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de sentido e tem como alguma de suas bases filosóficas a desconstrução de conceitos


cristalizados, a polifonia nas representações, o dialogismo socio-histórico e cultural, a
contaminação de sentidos, a pluralidade de ideias e de pontos de vista, a
desnaturalização daquilo que herdamos e o descentrismo como questionador da
existência de uma única verdade (MONTE-MÓR, 2017). A partir desse retrato
epistemológico, o objetivo desta fala é, assim, problematizar a tradução enquanto
possibilitadora de expansão interpretativa. Esta discussão se faz importante neste
momento histórico em que, tanto nos estudos da tradução como em diversas outras
áreas do saber, tem sido cada vez mais necessário questionar os modos tradicionais de
construção e produção do conhecimento e da natureza humana. Isso significa repensar
as relações, sempre oscilantes, entre centro e periferia do(s) sujeito(s) e do(s)
sentido(s), desnudando um movimento constante de deslocamento que reinterpreta o
“ser” o centro para o “estar” no centro.
Palavras-chave: Tradução; pluralidade; expansão interpretativa.

4) A tradução em Derrida: (des)caminhos para além de “Torres de


Babel”

Prof. Me. Fernanda Silveira Boito (UEM)

Resumo:
A desconstrução, desenvolvida por Jacques Derrida, enquanto pensamento e
movimento de problematização, marca a pós-modernidade por meio de uma abordagem
filosófica peculiar e nos leva a trilhar um caminho de (re)significação do traduzir. Sob o
viés desconstrutivista, esse caminho é percorrido não somente pelas vias de “Torres de
Babel” (2005), obra em que Derrida, no labirinto de suas reflexões sempre complexas,
debruça-se especificamente sobre tradução, a confusão entre línguas e a (impossível)
tarefa do tradutor, mas também no imbricamento entre noções discutidas em outras
obras do filósofo, especialmente “De que amanhã: diálogos” (2004), “Espectros de
Marx” (1994) e “Mal de Arquivo” (2001), que dialogam e se (entre) cruzam. Nessa
medida, o objetivo deste trabalho é o de voltar nosso olhar para alguns pontos da
fecunda obra de Derrida, principalmente nos trabalhos que estabelecem uma relação de
amizade com a psicanálise, redirecionando as discussões empreendidas pelo filósofo
para um contexto em defesa de uma concepção pós-moderna do traduzir. A presente
discussão aponta caminhos de encontro não declarados entre Derrida e a concepção
pós-moderna de tradução tendo como base as discussões empreendidas pelo filósofo

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no que diz respeito à herança e o papel do herdeiro; a questão da differànce, noção


central nos movimentos de desconstrução; os dizeres a respeito do (retorno do)
espectro; a noção de arquivo; o trabalho de luto entre línguas-cultura; e as discussões
sobre liberdade, máquina e a (sempre) presença do outro. Corroboramos uma visão
pós-moderna do traduzir, visão esta que vem em defesa de um processo tradutório
enquanto produção mediada por um tradutor agente e não-neutro, operando no terreno
de textos sempre novos em uma cadeia onde os sentidos são construídos e sempre
adiados, e podemos concluir que consideramos Derrida um grande aliado que vem em
nosso auxílio para desconstruir a tradução vista sob as lentes do positivismo. Mesmo
que, a nosso ver, este não seja o movimento declaradamente empreendido no fio
condutor de suas obras, para nós, a herança de Derrida continua presentemente viva e
seu espectro fala nos dizeres sobre tradução para muito além de “Torres de Babel”
(2005).
Palavras-chave: Tradução; Pós-modernidade; Desconstrução; Derrida.

5) Da tela para o papel: um estudo sobre o seriado Supernatural

Me. Luís Cláudio Ferreira Silva (UEL/UNESP)

Resumo:
Apesar da grande profusão de textos e teóricos que trabalham e estudam as questões
tradutológicas no Brasil e no mundo, toda vez que vai se discutir uma tradução, seja ela
interlingual, intralingual ou intersemiótica, quase sempre, ao menos me parece, que
retornamos ao velho jargão, sobretudo no senso comum, da “tradução literal versus
tradução livre”, que imbrica a oposição “tradução fiel versus tradução infiel”. Fato é que
se considerarmos o leitor como parte constituinte dos significados do texto, não haveria
uma fidelidade a ser restabelecida, visto que o sentido seria variável. Para discutir essas
questões e outras relacionadas ao tema, escolhi o seriado Supernatural, do canal
Warner, que é um dos seriados de maior sucesso nos últimos tempos tanto nos Estados
Unidos quanto fora dele. Criada por Eric Kripke, o programa tomou grandes proporções,
chegou à décima segunda temporada com um grande número de fãs. O crescimento da
marca foi tão grande que migrou para outras mídias, uma delas a literatura. Geralmente,
o caminho feito é o contrário na tradução intersemiótica: a adaptação do livro para as
telas, seja as do cinema ou as da tevê. Habituados ao caminho “tradicional”, os fãs,
munidos do dogma popular, rapidamente se posicionam para julgar se uma adaptação é
boa ou não a partir de uma suposta “fidelidade” em relação à obra “original”, conceitos

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já questionados pelos estudos mais recentes de tradução/adaptação. Agora da tela para


o papel, no caso de Supernatural, há fidelidade na adaptação literária? Quais são os
elementos que devem permanecer e quais podem ser recriados/inventados? Há criação
na tradução/adaptação e como ela é feita? Qual o papel do tradutor/adaptador na
transposição e de quais elementos ele dispõe, em ambas as mídias, para isso? Os
personagens principais, a saber, os irmãos Sam e Dean Winchester, são “distorcidos”
quando transpostos para o papel? Analisando os livros O diário de John Winchester
(2010) – escrito por Alexander Irvine e traduzido por Eduardo Friedman – e
Supernatural: nunca mais (2013) – escrito por Keith Decandido e traduzido por Bruna
Luiza Rötzsch – procurarei, então, refletir sobre o processo de tradução intersemiótica e
recriação, tendo como base alguns teóricos da área de tradução como Fish (1992) e
Diniz (2005), entre outros. Ao longo do trabalho, dissertarei sobre a evolução dos
conceitos teóricos de tradução e adaptação. Ao fim, tentarei responder as questões
postas no início do trabalho, de modo a contribuir com os estudos tradutológicos e sua
inserção na arte contemporânea, em diálogo com as mais variadas mídias.
Palavras-chave: tradução; adaptação; fidelidade; Supernatural.

6) Tradução de filmes no ensino de língua estrangeira

Luiz Sérgio Alzair Alzão (UEM)


Profa. Dra. Alba Krishna Topan Feldman (UEM/Orientadora)

Resumo:
O objetivo deste artigo é destacar o emprego de traduções de filmes no ensino de uma
língua estrangeira para alunos falantes da língua portuguesa, em qualquer nível
educacional. Tendo em vista que o cinema é uma modalidade de transmissão de
mensagens importante na construção de significados, construção de identidade e na
facilitação de divulgação e assimilações culturais, a sua utilização se apresenta
importante, não somente no letramento de uma língua, mas, também, na difusão de
diferentes culturas. A tradução de filme no ensino de língua estrangeira pode
proporcionar alguma facilidade para o desenvolvimento do trabalho do docente, pois o
cinema carrega consigo a inocente ideia meio de diversão, de lazer. Em um mundo em
que a imagem se torna cada vez mais corriqueira e substituta do texto nas
comunicações informais, tanto entre os jovens quanto entre toda sociedade em geral, a
característica imagética, própria da sétima arte, pode promover um ambiente de
aproximação entre os alunos e o professor, e despertar um maior interesse da turma

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pela aula. Além disso, a utilização da imagem pode diminuir um pouco o clima de
formalidade e de obrigatoriedade que a turma sente na execução dos estudos em sala
de aula. A imagem por si só já carrega consigo uma carga importante de informações
na transmissão de uma mensagem, como pode ser percebido nos centenários filmes
mudos, principalmente naquelas cenas que não trazem nenhuma inscrição gráfica, ou
seja, legenda. Além da imagem, as falas dos personagens de um filme também são
ricas na transmissão de mensagens, haja vista que trazem consigo uma enorme gama
de informações que podem auxiliar o professor no ensino da língua. Vale destacar que,
também a trilha sonora faz parte da rede de transmissão de mensagens composta pelo
cinema e está apta a ser utilizada pelo docente. Diante de todas essas facilidades
apresentadas pelo cinema, o professor pode fazer uso das representações imagéticas,
em consonância com as falas do filme para ensinar muito mais do que a simples
tradução de uma palavra pela palavra em si, pois seu trabalho será facilitado e mais
produtivo se ele se utilizar de toda a ferramenta oferecida pelo filme e associar a palavra
traduzida à mensagem cultural que ela leva consigo. Assim, a divulgação de uma
cultura distante e totalmente diferente daquela que os estudantes estão acostumados e
conhecem tem a capacidade de facilitar, não somente o aprendizado, mas também a
fixação da palavra traduzida na memória do estudante. O aporte teórico principal terá
com base, a obra de Jane Sherman, Using Authentic Video in the Language Classroom
(2003), que define alguns conceitos de como trabalhar um vídeo ao ministrar uma aula
de língua inglesa.
Palavras-chave: Jane Sherman; letramento; cinema.

7) A tradução interlingual e intersemiótica de Língua Inglesa: uma


abordagem do livro O menino do pijama listrado (2014)

Me. Mariana Cristine Gonçalles (UEM)

Resumo:
O artigo intitulado A tradução interlingual e intersemiótica no ensino de língua inglesa:
uma abordagem do livro “O menino do pijama listrado”(2014) tem como objetivo
principal trabalhar conceitos pós-modernos sobre tradução, como o conceito de
originalidade e equivalência, através de uma abordagem de leitura no ensino de língua
inglesa. O intuito primário é desconstruir uma ideia compartilhada pelo senso comum –
a de que a tradução é uma cópia do texto “original”– e, muitas vezes, inapropriada que
se tem sobre a tradução e, também, reforçar a relevância do ensino de língua inglesa

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em constante correspondência com outras áreas, como um campo multidisciplinar que é


o ensino de tradução e o de literatura. Autores como Jakobson (2003), Derrida (2002),
Arrojo (2003), Benjamin (2008) e Hutcheon (2006) serão base para o estudo desses e
de outros conceitos pós-modernos da tradução abordados na pesquisa. Outros autores
como Zilberman (1985), Cadermatori (1987) e Machado e Silva (2014) trarão a
discussão a respeito da importância da literatura no ensino. Além disso, Fish (1992),
Lopes Rossi (2001) e Leffa (2012) serão fundamentais para a discussão das novas
abordagens do ensino de língua estrangeira, sua multidisciplinariedade e a importância
da tradução nesse contexto. Para tanto, pretende-se trabalhar o best-seller The boy in
the striped pajamas (2011) de John Boyne, sua tradução interlingual, O menino do
pijama listrado (2014) por Augusto Pacheco Calil, e sua tradução intersemiótica, o filme
O menindo do pijama listrado (2008), em uma turma do primeiro ano do Ensino Médio
de um colégio particular na região de Marialva – PR.
Palavras-chave: Tradução interlingual; Tradução intersemiótica; Ensino de língua
inglesa; Best-seller.

8) Breve percurso da história das traduções da bíblia até A Mensagem:


contextualização teórica e histórica

Mariane Oliveira Caetano (UFSC)


Profa. Dra. Rosvitha Friesen Blume (UFSC/Orientadora)

Resumo:
O presente trabalho centra-se na apresentação e na discussão de um breve percurso
da história das traduções da Bíblia ao longo dos séculos. Tendo em vista que a
tradução de textos religiosos e especialmente da Bíblia, juntamente com a tradução de
textos literários e filosóficos, foi o fator que impulsionou as primeiras reflexões e as
discussões quanto aos processos tradutórios e o papel do tradutor, este trabalho tem
por objetivo apresentar, de forma cronológica e sucinta, o percurso das traduções
bíblicas, destacando algumas traduções selecionadas a partir de seu impacto na história
e seu caráter pioneiro dentro de determinadas línguas. Além disso, busca-se traçar esta
trajetória até a tradução da Bíblia em Linguagem Contemporânea A Mensagem, de
Eugene Peterson - projeto de tradução feito a partir das línguas originais da Bíblia para
o Inglês, que teve sua tradução para o português no ano de 2011. Ademais, este estudo
propõe contextualizar historicamente a Bíblia A Mensagem tendo em vista o aparato

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teórico e o projeto de tradução que motivaram tal tradução e suas peculiaridades. Em


relação a esta tradução, cabe investigar o processo ocorrido ao longo dos tempos para
entender o que motivou traduções bíblicas que deixaram de prezar por uma linguagem
rebuscada e, muitas vezes, poética, para se simplificarem à linguagem corriqueira em
diversos idiomas. Para tanto, esta pesquisa fundamenta-se, principalmente, em Pohling,
Deslile e Woodsworth e Raupp, e considera, primordialmente, as definições de Nida de
Equivalência Formal e Equivalência Dinâmica para a tradução da Bíblia. Tais definições
dizem respeito, respectivamente, a traduções que prezam pelo texto de partida e tentam
se aproximar dele ao máximo e a traduções que focam no público leitor e em sua
compreensão, adequando o texto à cultura e língua de chegada. A partir de tais teorias
entende-se que a datar da Reforma Protestante as traduções da Bíblia aconteceram em
maior escala. Isso explica o vasto número de traduções disponíveis na atualidade, que
também se relaciona ao movimento protestante - um dos grandes incentivadores do
exame aprofundado das escrituras consideradas sagradas. Além disso, é de extrema
importância destacar que traduções bíblicas como A Mensagem, que possuem uma
linguagem mais simples e próxima da usada no dia-a-dia dos falantes, têm se tornado
cada vez mais populares e sido incentivadas no meio cristão, visto sua aceitabilidade e
seu caráter simplificado no que diz respeito à compreensão dos textos bíblicos.
Palavras-chave: História. Traduções da Bíblia. A Mensagem.

9) Tradução cultural: Efeitos de sentido em “O Pistoleiro” (2004), de


Stephen King

Mayara Stéphanie Barbieri dos Santos (UEM)


Profa. Dra. Líliam Cristina Marins (UEM/Orientadora)

Resumo:
Neste trabalho, discutem-se algumas escolhas tradutórias e seus efeitos de sentido no
livro O Pistoleiro, escrito por Stephen King (2003) e traduzido por Mário Molina (2004),
texto inicial para a saga A Torre Negra. O objetivo deste trabalho foi analisar tais
escolhas tradutórias, a partir do conceito de tradução cultural (Cf. Azenha, 2013), e na
abordagem de estrangeirização e domesticação de termos. No que tange essa
abordagem, na estrangeirização, a tradução apresentaria o estrangeiro para a cultura
receptora, o que ressaltaria as diferenças linguísticas e culturais entre os textos,
obrigando o leitor a “viajar” para a língua e cultura do texto de partida. Por outro lado, a
domesticação seria um método de aproximação, pois não exigiria empenho do leitor,

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que recebe o texto como se tivesse sido escrito em sua própria língua. (Cf. VENUTI,
1995). Além disso, o objetivo e o público-alvo da tradução do livro analisado foram
considerados, não partindo de um julgamento de valor, mas como base para reflexão
crítica. Nesse sentido, foi-se consonante à ideia de que cada indivíduo, sendo sujeito
social e da linguagem, interpreta as línguas e as traduzem de acordo com suas
vivências, assim como discutido por Arrojo (2003). Também convergiu-se com Orlandi
(2012) quanto à ideia de que a língua é composta por discursos, que acontecem na
integração entre o que é social e histórico, entre sistema e sua realização; as palavras
de uma língua existem a partir de um processo sócio-histórico e são, portanto, parte de
discursos que se delineiam em relação com outros. Ademais, pensou-se sobre cultura,
já que ela está associada de forma indissolúvel com a língua. Conforme Azenha (2013),
defende-se que as diversas definições de cultura existentes possuem pontos de
convergência que permitem entendê-la como uma ponte que une povos – essa
definição é determinada pelo espaço físico, geográfico, além de instâncias como
línguas, formas de arte, religião, ciência e ética. Portanto, a análise dos trechos de O
Pistoleiro e a sugestão de outras possibilidades tradutórias foram realizadas
considerando tradução uma leitura e uma transformação, associada à cultura e à
interpretação. As discussões e análises aqui presentes permitiram a compreensão de
que a tradução não é um produto resultado de uma simples transferência de sentidos,
mas um processo que envolve pesquisa e interpretação, contextos culturais, ideologias
e possíveis efeitos de sentido, aportados nos escritos de Arrojo (2003), Campos (1991)
e Derrida (1980).
Palavras-chave: Domesticação; Estrangeirização; Efeitos de sentido; Stephen King;
Tradução cultural.

10) Extraordinary tales: Edgar Allan Poe e o ensino de literatura via


tradução na escola pública

Nara E. Ribeiro da Silva – Universidade Estadual de Maringá


Profa. Dra. Liliam Cristina Marins (UEM/Orientadora)

Resumo:
Este trabalho, que traz recortes de uma pesquisa de Mestrado 1 em desenvolvimento,
tem como objetivo apresentar e analisar as atividades em que traduções de textos
literários do autor norte-americano Edgar Allan Poe foram utilizadas para o trabalho com
leitura crítica em uma oficina ofertada em um colégio estadual central na cidade de

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Maringá-PR. As traduções utilizadas em sala foram interlingual (do inglês para o


português) e a intersemiótica (do livro para o meio fílmico), a última por meio da
animação Extraordinary Tales (2015) com produção e divulgação no meio virtual. Esta
pesquisa é relevante, pois, embora muitos leitores não visitem o texto de partida no
meio escrito e no suporte livro, o contato com textos literários acontece, muitas vezes,
por meio de traduções intersemióticas que permitem que esses textos circulem em
outros meios. Diniz (2005) afirma que é comum encontrar pessoas que tiveram seu
primeiro contato com determinado texto literário via filme, e este meio permite com que
leitores com letramentos diferentes daqueles requeridos para a leitura no papel leiam
textos literários em outras formas de circulação. Assim, as práticas tradutórias permitem
que mais leitores tenham contato com esses textos e oportunizam formas de leitura
além da linguagem verbal, como as imagens e som, aspectos que podem auxiliar no
desenvolvimento de leitura crítica. Para a oficina, o trabalho com traduções foi aliado ao
conceito de multiletramentos, o qual propõe uma leitura que possa ultrapassar os limites
do código linguístico e que considera diferentes modalidades semióticas como
produtoras de sentido do texto. Desta forma, entende-se que a leitura pode ser feita em
meios como a televisivo, o cinematográfico e o virtual e essa circulação interfere na
forma com que o leitor “recebe” o texto. Justifica-se a importância deste trabalho por
tratar-se de uma pesquisa vinculada à área de formação do leitor via tradução, uma vez
que esse trabalho propôs práticas de leitura além da palavra escrita (no suporte livro),
colaborando, assim, para a valorização de práticas de leitura que atualmente não são
contempladas na escola. Ressalta-se também a importância deste trabalho para os
estudos no campo de tradução, ao considerarmos que a tradução de textos literários
para o meio fílmico é uma prática crescente nos dias atuais, e, por permitir, que obras
literárias cheguem a um número maior de espectadores, valorizando letramentos
diferentes dos requeridos no meio impresso. Desta forma, esta pesquisa se
fundamentará nos pressupostos teóricos de Hutcheon (2005), Diniz (1998, 2005), e
Hattnher (2010) nos estudos de tradução/ adaptação.
Palavras-chave: Tradução; Literatura; Formação do leitor.

11) Do jogo ao cinema: a tradução intersemiótica de Warcraft para a


mídia cinematográfica

Pedro Henrique Blasque Rocha (UEM)


Profa. Dra. Liliam Cristina Marins (UEM/Orientadora)

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Resumo:
Devido ao crescimento do mercado de games no mundo, com forte presença na Ásia,
os jogos eletrônicos passaram a compreender um número maior de usuários, chegando
a movimentar cerca de $99.6 bilhões no ano de 2016, conforme pesquisa do website
Newzoo. Tendo em vista a massificação dos jogos, tornou-se viável a exploração deste
público por parte das produtoras cinematográficas, as quais passaram a criar obras que
têm como base franquias de jogos de sucesso. Ao considerar este contexto, a proposta
deste trabalho é analisar o processo tradutório do jogo eletrônico para a produção
cinematográfica, com base na discussão das escolhas realizadas no processo de
criação do filme, principalmente com relação ao enredo e caracterização de
personagens. Partindo deste ponto, serão utilizados o jogo Warcraft: Orcs and Humans
(1994), da Blizzard Entertainment, e o filme de Duncan Jones, Warcraft: The Beginning
(2016), produzido pela Legendary Pictures. A análise será baseada nos pressupostos
teóricos de Jenkins (2009), com relação à narrativa transmidiática, Plaza (2003), quanto
ao processo de tradução intersemiótica, e de Atkins (2003), o qual defende o ponto de
vista de ser o jogo uma produção ficcional. O jogo como obra ficcional deve ser
considerado, pois se trata de uma produção criativa que contém elementos da narrativa
literária e explora, por meio da interatividade, a construção de pensamento crítico e
estratégico pelo público gamer, deixando de ser visto apenas como mero
entretenimento. Para aprimorar o desenvolvimento do enredo do jogo e auxiliar na
construção do pensamento crítico, a narrativa cinematográfica foi adaptada aos jogos
por meio de CGIs (imagens geradas por computador), uma vez que a inserção deste
aspecto na mídia virtual permite que ambas as mídias evoluam, de modo que uma
mídia passa a adequar características de outra sem tornar a mídia primária obsoleta,
um processo definido por Jenkins (2009) como parte da cultura da convergência. Ao
levar em consideração a integração entre mídias e analisando o mercado emergente da
tradução intersemiótica de jogos para o cinema, os estudos de Derrida (2006), que
desconstroem a superioridade da obra original quando comparada à tradução, exercem
grande efeito quando se trata deste tipo de comunicação, uma vez que as obras
cinematográficas baseadas em jogos não são bem recebidas e ainda são avaliadas
partindo do conceito de hierarquização do jogo em relação à sua versão para o cinema.
Sendo assim, é preciso elucidar o papel da nova produção, reconhecer os novos
sentidos formados a partir da tradução e, consequentemente, a criação de uma nova
obra para outro meio de comunicação. Além de apresentar estes pontos, será
necessário discutir como estas novas construções contribuem para o desenvolvimento
do pensamento crítico do espectador.
Palavras-chave: Warcraft, tradução intersemiótica, jogos eletrônicos, cultura de
convergência.

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12) Uma análise da adaptação do texto literário Frankenstein, de Mary


Shelley, para a versão cinematográfica Mary Shelley’s Frankenstein

Sabrina Krüger Franco (UEM)


Profa. Dra Liliam Christina Marins (UEM/Orientadora)

Resumo:
O objetivo deste estudo é analisar a adaptação cinematográfica Mary Shelley’s
Frankenstein, de Kenneth Branagh, sob as lentes dos estudos da adaptação. De forma
específica, será analisado como o cineasta trouxe para o meio fílmico a representação
complexa do monstro da romancista inglesa Mary Shelly e quais elementos do texto
literário foram adaptados para o filme, como: os questionamentos da aberração acerca
de sua criação e existência, o comportamento da sociedade perante o diferente e a
discussão sobre quem é o verdadeiro monstro da história: o cientista, o monstro ou a
sociedade. Essa análise será realizada a partir dos estudos de Diniz (2005), segundo a
qual, quando se trata de adaptação, como a do meio verbal para o não verbal, o
cineasta, neste caso, precisa considerar os recursos que estão a sua disposição para
representar visualmente o que a palavra faz no texto literário. Essa representação visual
pode ocorrer por meio da fotografia, paleta de cores, enquadramento da cena, trilha
sonora, a própria atuação do ator, um ruído, focalização das lentes, entre outros. O
estudo também contemplará as considerações de McFarlane (1996), que critica o
critério de fidelidade em uma adaptação, argumentando que o filme possui um
propósito, que pode ser diferente do propósito do texto literário, pois o texto literário foi
destinado a um público diferente do público que o cineasta que adaptou o texto para o
cinema pretendeu alcançar. Esse estudo também contemplará os pressupostos de
Stam (2003), o qual explora a relação entre o cinema e o mundo, e como o cinema
possui uma linguagem que não se restringe apenas à linguagem metafórica, mas sim a
um conjunto de mensagens que são formuladas com base em uma forma de expressão,
isto é, o cinema possui um discurso significativo que é caracterizado por meio de
códigos. O autor expõe que a própria linguagem cinematográfica é a ferramenta usada
para marcar essa forma de expressão, assim, é essa linguagem que se responsabiliza
por “dar vida” aos elementos que estão no texto literário. A última autora que será
utilizada para sustentar a análise desse estudo é Hutcheon (2006). A autora questiona o
fato de fãs e críticos inferiorizarem uma adaptação, mantendo viva a crença que o texto
literário é sempre superior a qualquer tipo de adaptação. Ainda segundo a teórica, parte
do sucesso de uma adaptação vem da repetição do texto fonte com algum elemento

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que varia, característica que é mérito do cineasta, tornando, assim , o consumo dessa
adaptação algo prazeroso e rentável. Esse estudo pretende apresentar e discutir uma
das mais variadas formas de analisar uma adaptação fílmica que , mesmo considerada
“fiel” por inúmeros críticos de cinema, como Roger Ebert e Scott Telek, ainda não
obteve sucesso com o público.
Palavras-chave: Adaptação fílmica; Frankenstein; Texto literário; Imagem

13) Ensino de língua inglesa e tradução: análise do interdiscurso em um


blog jornalístico com "dicas de inglês"

Juliana Fontanella da Cunha (UEM)


Profa. Dra. Liliam Cristina Marins (UEM/Orientadora)

Resumo:
O blog “Dicas de Inglês Bruna Gusmão” é uma página pessoal publicada no website do
jornal O Diário do Norte do Paraná de Maringá desde 2013. O termo blog é a
justaposição das palavras web e log em língua inglesa as quais se referem,
respectivamente, à rede (ou internet) e a uma prática regular, o que levou à definição de
blog como “diário virtual”. Além de jornalista, a autora do blog é também tradutora e
professora de língua inglesa e apresenta um conteúdo de forma acessível à diversidade
do público que o jornal abrange. Nesse estudo, procuramos analisar o discurso da
jornalista no que se refere às concepções de tradução que subjazem suas postagens e
vídeos. Também buscamos uma perspectiva multidisciplinar, congregando saberes do
campo jornalístico, da tradução e do ensino de línguas, que se consolida no
“interdiscurso” do blog. Nesse sentido, toma-se como referência o tema desse
congresso, múltiplos olhares, para estabelecer o objetivo geral desse artigo. Espera-se
analisar neste estudo as publicações do mês de maio entre os anos de 2013 e 2017 a
fim de determinar elementos discursivos que caracterizem a relação tradução/ensino de
língua estrangeira proposta. Nota-se que os conteúdos das publicações são
diversificados: músicas, trechos de filmes ou livros, gírias e explicações gramaticais
pontuais advindas de experiências da autora ou da solicitação dos seguidores do blog.
Além disso, a variação de temáticas e elementos em língua inglesa também influencia a
forma como as postagens são apresentadas ao usuário de internet. A explicação para
essa variação está tanto na natureza do espaço de troca de saberes, a internet, quanto
no entendimento de que existe uma variedade de sujeitos a atingir com diferentes

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expectativas. Isso porque a autora interage com os sujeitos promovendo diferentes


abordagens sobre o conteúdo em um contexto de ensino e de aprendizagem que não
está submetido às regras de uma sala de aula presencial ou no ensino à distância. A
análise de algumas postagens mostra que, quando se recorre à tradução como recurso
para o ensino de pontos gramaticais, nota-se que ora é possível identificar uma
concepção mais prescritiva de tradução, ora uma concepção mais crítica ou cultural. Ao
pensar na tradução sob a luz da pluralidade, da multiplicidade e da comunicação de
massa, o aporte teórico deste estudo é constituído por autores da tradução segundo um
viés mais pós-moderno (ARROJO, 1986), a perspectiva das relações humanas e sociais
na cibercultura (LÉVY, 1999) e a análise do discurso (ORLANDI, 2012).
Palavras-chave: tradução; ensino de língua inglesa; análise do discurso; blog; internet.

14) The help: uso de traduções de textos literários na sala de aula

Taynara Cristina de Souza Silva (PLE/UEM)


Profa. Dra. Líliam Cristina Marins (UEM/Orientadora)

Resumo:
As aulas de língua inglesa na escola pública frequentemente são direcionadas para as
habilidades comunicativas, em especial a leitura e a escrita. Embora vários professores
demonstrem interesse pela literatura e considerem importante o estudo literário, ouvem-
se poucos relatos de docentes que trabalham com literatura inglesa ou estadunidense
em sala de aula. Em parte dos casos, não se faz esse tipo de trabalho por acreditar que
o nível linguístico dos alunos não é o suficiente para a leitura de um livro na língua
estrangeira. Diante dessa situação, a tradução tanto entre línguas quanto entre meios é
ferramenta fundamental para os alunos entrarem em contato com textos literários de
outros países. Isso porque a tradução permite que obras sobrevivam através das
culturas, línguas e épocas com a possibilidade de garantir, de forma ampliada, o que
Derrida (2002), a partir de Benjamin (2008), chama de sobrevida da obra. Nesse
trabalho, entende-se tradução como o resultado de um processo interpretativo e criativo
em o quê o tradutor tem a tarefa de ler um texto, traçar seus objetivos tradutórios e
recriar o texto de partida. Ou seja, a tradução é o resultado de um processo contínuo de
tomada de decisões as quais dão visibilidade ao tradutor no texto ou no filme e faz esse
profissional ser co-criador da obra a qual traduziu. Essa compreensão de tradução se
dá com base em autores que, apesar de trazerem ideias diferentes entre si, concordam
no ponto de que traduzir é ser constantemente impelido a fazer escolhas (HOUSE,

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2009; AMORIM, 2005). Assim, este trabalho traz uma proposta que tem como ponto de
partida o trabalho com literatura traduzida nas escolas públicas. Nesta proposta,
ampliando a discussão de Marins e Wielewicki (2009), objetiva-se a formação de
professores que viabilizem o uso analítico do texto e contraponha os textos tanto na
língua de origem quanto na língua ou no suporte de chegada. A finalidade é
problematizar as diferenças estruturais, culturais e linguísticas presentes nos textos e
desconstruir a ideia de hierarquização entre “original” e tradução. Assim, busca-se
alcançar tal proposta por meio da formação de professores por meio da equipe
multidisciplinar usando a obra The help na língua inglesa, na língua portuguesa e na sua
adaptação para o cinema e analisando as peculiaridades inerentes ao processo
tradutório de cada obra nos seus diferentes meios. A escolha dessa obra se dá pois os
temas abordados nela se relacionam com a realidade brasileira e com as lutas do
Movimento Negro Unificado Brasileiro, que culminaram na alteração da Lei de Diretrizes
e Bases da Educação (Lei nº 9.394/96), tornando obrigatório o estudo da história e da
cultura afro na rede de educação básica conforme as Leis Federais nº 10.639/03 e
11.645/08; e, no caso do estado do Paraná, fizeram surgir as equipes multidisciplinares
– instâncias escolares para a discussão e o estudo sobre questões étnico-raciais com a
proposta de intervenção no ambiente escolar.
Palavras-chave: The Help/ A resposta; tradução interlíngual; tradução intersemiótica;
equipes multidisciplinares.

15) A Revolução dos Bichos: do papel à tela

Ana Flávia de Oliviera (UEM)


Profa. Dra. Vera Helena Gomes Wielewicki (UEM/Orientadora)

Resumo:
A tradução tem sido objeto de estudos e de discussões em diversas pesquisas na
atualidade. Isso acontece devido a sua presença cada vez mais vigente em nossos
cotidianos, seja por meio de filmes ou livros que são traduzidos e/ou legendados para
que um maior público tenha possibilidade de acesso a esses materiais, seja por meio de
traduções de um meio semiótico para outro – como são os casos das traduções
intersemióticas do meio textual para o cinematográfico, tão comum nos últimos anos
principalmente em se tratando de traduções de narrativas literárias que são traduzidas
para o meio intersemiótico cinematográfico. Dentre essas discussões, destacam-se as
discussões sobre a transposição de textos literários para o meio intersemiótico

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imagético, visto que determinados autores não consideram que as transposições de


textos literários para meios intersemióticos – seja o meio cinematográfico ou outros, tais
como quadrinhos, jogos e ilustrações – sejam também traduções. Partindo das
discussões que envolvem tradução intersemiótica de textos literários para o cinema, o
presente artigo pretende analisar partes da tradução intersemiótica de A Revolução dos
Bichos que foi pensado primeiramente como um livro e escrito por George Orwell –
publicado em 1945 no Reino Unido – mas que em 1954 foi traduzido para o meio
audiovisual por Halas e Batchelor em formato de animação – o filme foi produzido e
lançado nos Estados Unidos. Durante o artigo analisamos cenas do livro e do filme.
Intencionamos com essas análises destacar as opções de tradução feitas pelos
produtores/tradutores do filme e ainda discutir conceitos como o de fidelidade em
relação ao texto literário – que é o texto de partida para o filme. Além das análises de
algumas cenas da animação e de comparações com suas respectivas cenas nos
trechos do livro, procuramos discutir questões de tradução, adaptação e fidelidade, a fim
de evidenciar quais são nossas concepções em relação aos conceitos de traduções
intersemióticas, principalmente as traduções intersemióticas de textos literários para o
cinema. Como base de nossas discussões lançamos mão de autores como Arrojo
(1986), que discute sobre a inferiorização de traduções; Diniz (199, 2003, 2005) e
Amorim (2005), para abordar o conceito de tradução intersemiótica; e Hattnher (2010)
que apresenta questões sobre a fidelidade nas traduções. Apoiamo-nos também em
autores que estudam sobre cinema como Bordwell (1997) e Shaw (2006).
Palavras-chave: A Revolução dos Bichos; George Orwell; tradução intersemiótica.

16) Ensino de Tradução para Secretariado – Um estudo sobre suas


possíveis perspectivas e abordagens

Profa. Me. Aline Cantarotti (UEM/PG-UNESP/CAPES)


Profa. Dra. Paula Tavares Pinto (UNESP)

Resumo:
Dada à regulamentação da profissão de Secretário Executivo em 1985, dentre suas
atribuições, constam no artigo 4° do documento (BRASIL, 1985) dois itens: “redação de
textos profissionais especializados, inclusive em idioma estrangeiro”; e “versão e
tradução em idioma estrangeiro, para atender às necessidades de comunicação da
empresa”. Assim, é uma das atribuições básicas do profissional de secretariado, desde

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1985, exercer também suas funções tanto em sua língua materna quanto em língua
estrangeira considerando também atividades de tradução. Discutir e problematizar a
atividade tradutória para o profissional de Secretariado seria, por assim dizer, ficar num
entremeio. O secretário executivo não é tradutor profissional, mas é, em alguns
momentos de sua atuação, requerido a traduzir de diferentes maneiras e considerando,
em especial, diferentes elementos dependendo do que é requisitado a traduzir. Além de
não ser tradutor profissional, também não tem um caminho de escolha específica para
sua atividade, uma vez que não escolhe traduzir, por exemplo, somente um tipo de texto
ou apenas um determinado assunto etc. É perceptível o não reconhecimento da
atividade tradutória como inerente ao trabalho do secretariado executivo e tal fato
direciona também ao não ensino e ao não reconhecimento de que a atividade tradutória
é intelectual, necessita desenvolvimento do pensamento e necessita discussões
teóricas e atividades práticas. Em outras palavras, traduzir para o secretariado
executivo necessita discussão, reflexão e ensino em seu meio institucional, nos cursos
para bacharéis. Nessa perspectiva, nos questionamos se existiriam estudos, mesmo
que iniciais, sobre o ensino de tradução para secretariado. Buscamos, então, levantar
estudos que desvendassem algumas perspectivas ou que discutissem possíveis
abordagens sobre esse ensino. Nossa hipótese era que talvez encontrássemos,
primeiramente, assuntos relacionados à tradução em estudos que tratassem sobre o
ensino de línguas estrangeiras (LE) para Secretariado, bem como nas disciplinas de
línguas estrangeiras ministradas na graduação em Secretariado. Assim, foi possível
também traçar uma perspectiva de ensino de LE para a área secretarial. Já em relação
aos Estudos da Tradução para secretariado, algumas discussões são bastante
preliminares e iniciam-se com publicações somente no ano de 2016 (ROCHA, 2016;
GYSEL, 2016). De qualquer forma, as perspectivas e abordagens encontradas estão
embasadas em fundamentações teóricas dos Estudos da Tradução bastante
diversificadas, não havendo ainda um consenso ou similaridades. Assim, nosso estudo
tem caráter bibliográfico e documental, de abordagem também descritiva.
Palavras-chave: Estudos da Tradução; Ensino de Tradução; Secretariado Executivo.

17) Ka tū te ihi-ihi/ ka tū te wana-wana: o que acontece quando a Disney


traduz para as telas um semideus polinésio?

Carla Cristina Gaia dos Santos (UEM)

Resumo:

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Ao traduzir para o cinema uma das figuras mais emblemáticas dentre as diversas
culturas polinésias, a Disney mais uma vez gera questionamentos sobre a maneira
como se apropria de culturas minorizadas. Em Moana (2016), os estúdios recriam Maui,
um semideus polinésio que continua vivo no imaginário dos povos da Oceania, e faz
dele um dos principais elementos causadores de humor na narrativa cinematográfica.
De acordo com os diretores, a produção do filme envolveu anos de pesquisas e
inúmeras viagens às ilhas do pacífico, além da parceria com diversos profissionais
polinésios, como linguistas, músicos, antropólogos e o roteirista Taika Waititi, escritor e
diretor neozelandês de linhagem maori. Todo o esforço colheu resultados positivos em
meio à crítica estadunidense, a qual enfatizou, sobretudo, o suposto empoderamento da
mais nova personagem da Disney, dita desbravadora, independente, e levou sites como
o Rotten Tomatos, parte do grupo Warner Bros, a classificá-lo com o certificado “fresh”,
resultado dos 95% das avaliações positivas recebidas. Contudo, todo o empenho nessa
produção parece não ter sido suficiente para evitar o descontentamento da recepção
crítica polinésia, visto que não deixou de levantar as mais controversas opiniões mesmo
antes de sua estreia mundial. O grande problema se instaurou, principalmente, no fato
de que, ao traduzir o destemido Maui para as telas por meio de uma criação
cinematográfica infantil, os estúdios acabam por tecer uma representação disneana de
uma das figuras de maior importância para os povos de origem polinésia. Enquanto a
crítica estadunidense, em sua grande maioria, aclama o novo filme, a recepção crítica
em sites australianos e neozelandeses por vezes levantam questionamentos sobre a
estereotipificação das personagens, principalmente do semideus Maui, figura central
das histórias de povos como os maoris, havaianos, samoanos e muitos outros.
Depreendemos, portanto, que a indigesta representação dessa personagem para crítica
polinésia levanta discussões quanto a questões de apropriação cultural e representação
identitária de culturas marginalizadas pelos olhos do Outro via tradução. Por
compreendermos que toda tradução implica em transformações de acordo com novos
tempos e novos contextos sócio-históricos, e, com isso, ela acaba também sendo
responsável por formular e fixar estereótipos de identidades culturais, tal qual nos
termos de Venuti (1998), procuramos no presente trabalho investigar e compreender a
recepção do longa pela crítica cinematográfica polinésia, a qual trilha um caminho
destoante quando comparada à positiva recepção da crítica estadunidense. Para isto,
percorremos redes sociais e diversos sites, assim como australianos e neozelandeses,
que dedicaram matérias e/ou entrevistas para discutir essa temática.
Palavras-chave: Maui, narrativas polinésias, tradução e construção de estereótipos
culturais, Disney.

18) Shakespeare no meio do quê?

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Giuliane Moreira Gonçalves (UEM)


Jháred Bailly Santos (UEM)
Profa. Dra. Liliam Marins (UEM/Orientadora)

Resumo:
Este trabalho tem como objetivo propor uma análise das escolhas tradutórias de
Esteves e Aubert (2008) em seu texto Shakespeare in the Bush – História e Tradução,
no qual os autores propõem uma tradução ao trabalho de Laura Bohannan,
Shakespeare in the Bush, no qual ela descreve sua viagem à tribo africana dos Tiv e
sua tentativa de contar a história de Hamlet, um dos clássicos de Shakespeare, àquela
tribo. Em seu texto, Esteves e Aubert (2008) apresentam um breve panorama histórico
das diversas publicações do trabalho de Bohannan – sendo a primeira em 1966, na
revista Natural History –, além de seu objetivo de tradução – a saber: tornar o texto mais
acessível, especialmente no âmbito acadêmico – e a própria tradução. Para analisar
esta última, as noções de comunidade interpretativa de Fish (1992), de formação da
identidade do sujeito por meio de memórias discursivas de Coracini (2003), as
concepções de tradução de Venuti (2000) e Hermans (1996), os modelos de tradução
de Vermeer (1986) os ideais de tradução relevante, leis de hospitalidade e double bind
de Derrida (2000) foram utilizados como referencial teórico. A partir destes teóricos, este
trabalho propõe também algumas sugestões de traduções para expressões e termos
que, a nosso ver, e de acordo com nossa comunidade interpretativa, poderiam ser
traduzidos de maneira diferente. Alguns dos termos analisados foram “mato”
(ESTEVES; AUBERT, 2008. p. 141), “fui atingida pela graça” (ESTEVES; AUBERT,
2008. p. 142), “lutando com a língua deles” (ESTEVES; AUBERT, 2008. p. 144), “bruxo”
(ESTEVES; AUBERT, 2008. p. 145, 153) e “bruxa” (ESTEVES; AUBERT, 2008. p. 145,
149, 153, 156, 157). Não obstante, este trabalho aponta escolhas tradutórias que foram
bem sucedidas, de acordo com nossas memorias discursivas e comunidade
interpretativa – como exemplo destas traduções temos “procurava por palavras”
(ESTEVES; AUBERT, 2008. p. 151), “cervejada” (ESTEVES; AUBERT, 2008. p. 143) e
“eliminado de cena” (ESTEVES; AUBERT, 2008. p. 146). Assim, ao fim da análise,
conclui-se que a comunidade interpretativa (FISH, 1992) e a noção de formação da
identidade do sujeito com base em memórias discursivas (CORACINI, 2003) são fatores
importantes no processo tradutório de um texto, influenciando ativamente nas escolhas
do tradutor, bem como sua concepção de tradução e seu objetivo com a mesma.
Conclui-se também que a tradução proposta por Esteves e Aubert (2008) atende aos
seus objetivos explicitados pelos tradutores embora nossa comunidade interpretativa –
bem como as memórias discursivas que formam nossas identidades – faria escolhas
diferentes, como foi apontado ao longo do trabalho.
Palavras-chave: Tradução; Análise; Shakespeare in the Bush.

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19) O filme Little Women e a sobrevida do romance homônimo via


adaptação cinematográfica

Gabriela Burgardt (UEM)


Profa. Dra. Vera Helena Gomes Wielewicki (UEM/Orientadora)

Resumo:
Os estudos da Tradução e da Adaptação já foram preconizados por teóricos
prescritivistas e descritivistas que, em maior e menor grau, respectivamente, colocavam
o texto “original” enquanto detentor do sentido único, a ser resgatado e transposto em
suas traduções. Assim, uma tradução era avaliada por meio do apego às noções de
fidelidade e equivalência, que determinariam sua qualidade, isto é, a superioridade do
“original” ainda era o fio condutor desse tipo de abordagem analítica. O filósofo Derrida
(2002), por meio de sua perspectiva desconstrutivista, problematiza as totalizações e
verdades. Ao refletir sobre o centro das estruturas – termo lido enquanto origem, nos
estudos tradutórios – afirma que, neste, “é proibida a permuta ou a transformação dos
elementos” (DERRIDA, 2002, p. 230). Nesse sentido, defende uma descentralização
dos centros, como forma de abertura dos círculos para as diferenças. É a partir disso
que outros teóricos se voltam à horizontalização das relações entre texto de partida e de
chegada - este visto, agora, como reconstrução daquele, não mais como transposição.
Amorim (2005), tendo como norte a ideia de que uma tradução é uma atualização do
texto-fonte, aponta para questões mercadológicas e determinações históricas como
elementos que influenciam o trabalho do/a tradutor/a. Hutcheon (2011) se especializa
na teoria da Adaptação, e nas implicações da mudança do contar para o mostrar (ou
vice-versa). Para a autora, mudanças na focalização, no ritmo, no tempo, no ponto-de-
vista, entre outros aspectos, fazem parte da adaptação, enquanto processo e produto.
Assim, escapa-se da ideia de que é a fidelidade ao “original” – geralmente um texto
literário, sacralizado e, por isso, “intocável” – que deve nortear a avaliação de traduções
e adaptações, enquanto de alta ou baixa qualidade. Pelo fato de os estudos
prescritivistas, antes citados, ainda econtrarem eco na sociedade, levando
frequentemente a opiniões contrárias ao resultado de traduções e, especialmente,
adaptações, é que estudos como esse se justificam. Nesse sentido, essa comunicação
toma, como objeto de análise, a adaptação, para o cinema, do romance Little Women
(1868), de Louisa May Alcott. Pela perspectiva derridiana, o filme homônimo (no Brasil:
Adoráveis Mulheres), lançado em 1994, da diretora Gillian Armstrong, garantiria a
sobrevida do “original” nas diferentes culturas e contextos. Como recorte para essa
trabalho, a construção da personagem Jo March, no meio cinematográfico, será

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investigada, por meio da análise dos elementos condicionantes antes elencados:


mercado, contexto histórico, mudanças necessárias na alteração de meios semióticos,
entre outros.
Palavras-chave: Little Women; adaptação; sobrevida; Jo March.

20) Literatura e cinema: processos tradutórios do livro The boy in the


stryped pyjama para o filme homônimo

Prof. Me. Maria Verônica Tavares Neves Cardoso (UEM/UNEAL)

Resumo:
Vivemos a era da convergência das mídias, segundo Jenkins (2009), com isso, nos
últimos tempos têm-se evidenciado e discutido, através de diversos estudos, os
diálogos entre narrativas nos mais diferentes suportes, e para isso, necessário se faz
suportes teóricos que possam alicerçar essas orientações metodológica. Assim sendo,
as teorias da tradução e da adaptação têm sido bastante difundidas e discutidas nos
meios acadêmicos. Esses processos sofreram e ainda sofrem de uma espécie de
“desvalorização”, uma vez que, tradicionalmente, o conceito de tradução esteve
intimamente ligado à ideia de “fidelidade” a um original. Esse tipo de preconceito tem se
mostrado ainda mais evidente quando esse processo tradutório/adaptativo tem como
vetor, a literatura adaptada para o cinema, como aponta os estudos de Bluestone (1957)
entre outros, no qual se evidencia a superioridade do primeiro gênero sobre o segundo.
Este estudo procura verificar o processo tradutório e de adaptação como um trabalho de
reescrita, no qual a preocupação não é valorar a obra original em detrimento da sua
reescritura, mas sim, observar e reconhecer como esses adaptadores utilizam recursos
para “mostrar” o “contado”, na perspectiva de Huctheon (2006), e assim, poder
reconhecer as riquezas que envolvem as relações existentes entre essas duas artes
distintas. A proposta desta comunicação é apresentar algumas considerações acerca
dos mecanismos discursivos utilizados nos processos tradutórios entre estes dois
gêneros artísticos: literatura e cinema, tomando como corpus de estudo o livro do
romancista irlandês Jonh Boyne, The boy in the stryped pyjama: a fable e o filme
homônimo, produzido por David Heyman e dirigido por Mark Herman. Ambos os
gêneros foram traduzidos para o Brasil como O menino de pijama listrado. Buscamos
selecionar e analisar trechos do filme, através da ótica da teoria da adaptação,
relacionando-os com o texto do livro. Assim sendo, utilizamos alguns estudiosos da área
fílmica, da tradução e da linguagem. Procuramos enriquecer o debate com teorias que

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tratam da tradução assumindo o caráter de tradução Intersemiótica nesse espaço de


transposição entre gêneros. O estudo encontra-se fundamentos em estudiosos como:
Jakobson (1971), Bastin (1998), Santaella (2002), McFarlane (1996), Diniz (2005),
Amorim (2005), Hutcheon (2006), Stam (2008) e Hatnner (2010).
Palavras-chave: gêneros narrativos; Adaptação; Tradução; Elementos da narrativa.

21) Traduções bíblicas em linguagem contemporânea no Brasil:


contextualização histórica

Francinaldo de Souza Lima (PGET/UFSC)


Profa. Dra. Karine Simoni (PGET-UFSC/Orientadora)

Resumo:
Os textos bíblicos começaram a ser traduzidos por volta do século III a.C, trabalho que
continua até hoje. Os projetos tradutórios se desenvolveram ao longo dos séculos,
adequando-se a muitas concepções tradutórias e formatos editoriais diferentes, a fim de
alcançar públicos diferentes. Por essa razão, faz-se necessário acompanhar a sua
trajetória e suas implicações tanto para o domínio religioso quanto para os Estudos da
Tradução em geral. Em particular, destacamos o surgimento de alguns projetos de
tradução bíblica em linguagem contemporânea, caracterizados por ter como ponto
fundamental a recepção do leitor, fornecendo o texto bíblico numa linguagem acessível
a este. Este trabalho é uma pesquisa descritiva, qualitativa, de cunho bibliográfico e
documental. O objetivo é traçar o panorama histórico das traduções bíblicas em
linguagem contemporânea no Brasil. Especificamente, propomos situar a prática dessas
traduções na História da Tradução, elencando fatores diversos que contribuíram em
algum grau para o desenvolvimento dessas traduções, assim como identificar os
projetos tradutórios dessa natureza desenvolvidos no Brasil até então. Os fundamentos
teóricos e metodológicos dessa pesquisa foram: Delisle e Woodsworth (1998), Geisler e
Nix (2006), Giraldi (2013) e Raupp (2015), sobre o histórico da tradução bíblica em
contexto mundial e nacional. Tomamos por base também o trabalho de Nida (1964) e o
de Lutero ([1530] 2006) sobre as reflexões teórico-metodológicas provenientes da
tradução bíblica e como elas contribuíram para os projetos tradutórios da Bíblia em
linguagem contemporânea. O panorama histórico permitiu-nos constatar que desde a
Idade Média existe uma preocupação em tornar o texto bíblico acessível ou em
linguagem vernacular ou adequado ao registro linguístico dos leitores menos instruídos.
Os ideais da Reforma Protestante no século XVI, as novas descobertas de manuscritos

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antigos no final do século XIX e as reflexões de Nida (1964) sobre o método de


tradução por equivalência dinâmica contribuíram para o aumento de traduções desse
perfil em diversas línguas. No Brasil, até o momento já foram produzidas oito traduções
completas distintas de bíblias em linguagem contemporânea, cinco delas de orientação
protestante, quatro das quais ligadas a traduções estadunidenses, duas de orientação
católica e uma judaico-messiânica. Essa ligação das bíblias protestantes com outros
trabalhos publicados nos Estados Unidos transparece a influência do movimento gospel
estadunidense no mercado editorial brasileiro. Defendemos, finalmente, o
acompanhamento desse movimento tanto em seu aspecto histórico, quanto em seus
desdobramentos teóricos e metodológicos de interesse dos Estudos da Tradução e
áreas afins.
Palavras-chave: História da Tradução; Tradução bíblica; Bíblia em linguagem
contemporânea.

22) A canção e sua versão: procedimentos de adaptação/tradução nas


canções de desenhos de princesas do estúdio Disney

Viviane Almada (UEM)


Prof. Dr. Edson Carlos Romualdo (Orientador\UEM)

Resumo:
A canção é um gênero da esfera literária que, devido às suas características próprias,
se marca como “um gênero sincrético que relaciona a linguagem verbal com a musical”,
por conseguinte, “deve ser compreendida tendo como princípio essa característica
fundamental” (CARETTA, 2009, p. 99). Além de ser sincrético, a canção é considerada
por Lopes (2013) como um gênero discursivo híbrido, visto que incorpora algumas
propriedades, quanto ao conteúdo temático, à construção composicional e às marcas
linguístico-enunciativas, de outros gêneros discursivos da mesma ou de outras esferas
sociais. É comum e tem sido há muito tempo, no contexto musical, a prática de traduzir
canções para outra língua, principalmente em filmes de animação. A essas canções dá-
se comumente o nome de versões No mundo todo o estúdio Disney é famoso por seus
longas-metragens e uma de suas mais populares linhas de trabalho são as animações,
que se tornaram mundialmente reconhecidas pela grandiosidade da produção, histórias
que cativam o público e canções que são difundidas em larga escala quando lançadas.
Essas canções são mundialmente conhecidas, tendo muitas delas até mesmo

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concorrido e - ocasionalmente vencido – o Oscar de “melhor canção original”. Quando


os filmes de animação são lançados nos países que não falam a língua inglesa, são
produzidas versões nas outras línguas para as canções. Assim, esta comunicação tem
como objetivo realizar um estudo comparativo das canções originais das animações do
estúdio Disney e de suas versões na língua portuguesa. Nosso corpus de análise é
constituído de vinte e três canções, duas de cada um dos doze filmes de animação das
Princesas Disney lançados até o ano de 2016. Para determinarmos os critérios
analíticos questionamos o papel da canção na estrutura do enredo do filme, visto ser
esse um musical, e o aspecto sincrético do gênero canção. O primeiro questionamento
nos mostrou que a análise deveria verificar como o tradutor da canção manteve a
versão condizente com o enredo do filme, sem perder seu funcionamento na dinâmica
narrativa. O segundo, como o tradutor trabalhou os aspectos relacionados à linguagem
musical – ritmo, melodia e harmonia (LOPES, 2013) – e à linguagem verbal: rimas,
escolhas de palavras, manutenção do sentido primeiro da canção. Nossas análises
demonstram que a versão/tradução das canções tem como objetivo primordial a
manutenção de seu aspecto musical e de seu papel no enredo, posto que as escolhas
tradutórias analisadas apontam para essa perspectiva, ao deixar de lado a tradução
termo a termo em favor de uma linguagem que se encaixe com os aspectos musical e
narrativo, mantendo o sentido geral da letra original, apesar das alterações necessárias.
Palavras-chave: canção; tradução; versão; Disney; filme de animação.

23) Tradução e evolução: A transmissão cultural através da seleção


literária

Prof. Me. Davi Silva Gonçalves (UFSC/CAPES)

Resumo:
O foco desta comunicação concerne à tradição complexa dentro da qual a tradução tem
influenciado historicamente a evolução das culturas humanas. O surgimento da
linguagem nas interações sociais de nossos ancestrais foi decisiva para a evolução de
seus ambientes culturais – tão decisiva que a tentativa de separar estes campos
(linguagem e cultura) é tida como impraticável na contemporaneidade. Tendo em mente
que minha intenção principal aqui é a de refletir acerca da relação bilateral entre a
evolução da linguagem e a da cultura, o meu propósito específico é estabelecer esta
ponte no contexto específico das práticas tradutórias, ainda que de maneira
especulativa. O arcabouço teórico escolhido para a pesquisa conta, portanto, não só
com nomes relevantes para a tradutologia, como George Steiner, (1975), Antoine

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Berman (1985) e Lawrence Venuti (1991), mas também com teóricos do campo da
antropologia e da evolução da linguagem, como Charles Darwin (1859), Desmond
Morris (1994) e Luigi Cavalli-Sforza (2000). Em termos práticos, quando se pensa na
seleção de discursos que ocorre através do processo de tradução, meus achados
tornam possível afirmar que muitos deles acabam por funcionar mais como uma seleção
artificial do que natural (termos acerca dos quais pretendo me debruçar). Essas
traduções, afinal, não apontam necessariamente para um caminho pré-estabelecido, a
ser tomado durante a evolução cultural, mas sim para uma direção influenciada
diretamente pelo interesse de alguns sujeitos – independente dos possíveis danos
sociais para a cultura humana que possam estar envolvidos com tais interesses, em um
cenário de mais longo prazo.
Palavras-chave: Evolução. Transmissão Cultural; Seleção Natural e Artificial; Tradução.

24) Merlim, uma adaptação bíblica de Robert de Boron

Mariany Camilo Nabarrete (UEM)


Prof. Dr. Fabio Lucas Pierini (Orientador/UEM)

Resumo:
A Idade Média é permeada de mitologias. Nessa época a Igreja possuía grande poder,
tanto econômico quanto político, dessa forma tanto a cultura mitológica quanto a cultura
religiosa influenciaram em grande parte a literatura da época. Uma mostra dessa
literatura é o romance Merlim, escrito por Robert de Boron (1993) por volta do século
XII. Partindo dessa mistura de crenças notamos, no romance, referências à religião
católica e a Bíblia. Ao ler os primeiros capítulos do livro de Robert de Boron, o
sentimento de já conhecermos a história que estamos lendo pode se fazer presente, e
assim continuamos com essa sensação durante todo o texto, na leitura temos sempre a
impressão de estarmos relendo outra história. Ao chegar ao seu fim, com o sentimento
inquietante de já ter tido contato com aquele texto, uma pesquisa sobre a obra se fez
necessária. Esse trabalho propõe debater e apresentar algumas dessas referências
como sendo marcas de uma retextualização. Hutcheon (2011) nos diz que, ao lermos
um texto, podemos ter a impressão de já termos o lido, pois, quando lemos um texto e
conhecemos o anterior dele, o sentimos constantemente durante a nova leitura, a autora
também nos diz que esse reconhecimento da obra acontece ao termos aceso à
referencias de temas, eventos, personagens, culturas e outros. Já para Amorim (2005),
a reescritura está relacionada com o interior de um grupo, e os textos desse grupo

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reproduzem e refletem a ideologia dominante dessa mesma cultura, ele ainda diz que a
literatura é constituída tanto de textos quanto de leituras, escrituras e reescrituras no
interior de uma cultura. Desta forma com o auxílio de definições e de conceitos de
teóricos como Lefevere, Venuti e os já citados Amorim e Hutcheon, dentre outros,
propomos definir a história de Merlim, realizada por Boron, como uma adaptação. Com
essa definição em mente, e a partir de alguns dos trechos da bíblia juntamente com
alguns trechos da obra de Boron (1993) procuramos comprovar essa correlação entre
as histórias cristãs presentes na Bíblia e também dos contos Celtas presentes na
cultura popular e literária da época. Isso, pois, para Venuti (2002), um dos teóricos
estudados, o tradutor ou o adaptador tem o poder de criar um mundo ou contraí-lo a
partir de representações da cultura a qual ele teve acesso, confirmando as correlações
entre as duas culturas mais marcantes na obra, a religião cristã, a partir de seus
registros escritos encontrados na Bíblia, e os mitos e lendas celtas da época.
Palavras-chave: Adaptação; Idade Média; Merlim; Bíblia; literatura francesa.

SIMPÓSIO 10) Tecnologias, ensino de línguas, políticas linguísticas e


educacionais: ecos na formação de professores

Profa. Dra. Michele Salles El Kadri (UEL)


mielkadri@hotmail.com
Profa. Me. Taisa Pinetti Passoni (UTFPR)
taisapas@gmail.com

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1) O uso das TIC na aprendizagem de línguas: limites e


potencialidades da telecolaboração no ensino médio
profissionalizante

Patrícia da Silveira (IFPR)

Resumo:

Percebe-se que o uso das TIC no contexto escolar não é algo novo, pois estudos
realizados na década de 90 já afirmavam que a tecnologia havia proporcionado uma
mudança significativa no contexto educacional, uma vez que, com o advento das TIC foi
possível dispor de sons, imagens e textos, integrando aprendizagem e tecnologia e
reconfigurando a sala de aula. Isto posto, a telecolaboração, mediada por ferramentas
tecnológicas tais como o Skype, tem como objetivo promover a aprendizagem de
línguas a partir da interação entre parceiros de diversos países que utilizam uma língua-
alvo para se comunicarem. Dessa forma, as estruturas linguísticas não são eliminadas
do processo de aprendizagem, mas sim, passam a ser observadas a partir de um
contexto mais relevante diante das interações online. Esta interação com o outro, além
de permitir ao estudante o contato espontâneo e autêntico com a língua alvo,
promovendo, não só a competência comunicativa, mas também, a autonomia em
relação a sua própria aprendizagem, possibilita ao estudante a aquisição de
competências comunicativas interculturais, no qual a exigência de tornar-se proficiente é
substituída por tornar-se inteligível na língua-alvo. Todavia, cabe mencionar que este
discurso ainda não acompanha a prática, pois, mesmo depois de décadas de estudos
acerca desta temática, são muitas as limitações a serem vencidas em relação ao uso
das tecnologias em sala de aula. A falta de computadores equipados com programas
voltados à prática de telecolaboração e aparelhos como o headphone, as condições
vulneráveis de acesso à internet, a escassa formação do professor para atuar neste
contexto e a inesxistência de políticas voltadas a promoção de parceria entre
instituições estrangeiras que possibilitem a aprendizagem telecolaborativa de línguas
representam algumas das limitações do uso da tecnologia em sala de aula. Assim
sendo, este trabalho visa compartilhar a experiência do projeto BOM TO SEE USTED
desenvolvido em uma instituição federal de ensino médio profissinalizante no período de
agosto/2015 a julho/2016, que teve como objetivo promover a aprendizagem de língua
inglesa em contexto de telecolaboração. A partir desta experiência foi possível
identificar as potencialidades e os limites do uso das TIC na aprendizagem de línguas

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no ensino básico e espera-se que este trabalho possa contribuir para as discussões e
ações acerca desta temática.

Palavras-chave: Telecolaboração; Aprendizagem de línguas; Potencialidades e limites.

2) Avaliação de proficiência linguística e a formação de professores


de LI
Profa. Dra. Priscila Petian Anchieta (UTFPR)
Resumo:

Visto que o papel do professor é de grande relevância para o nosso contexto de ensino
e aprendizagem de língua inglesa (LI), devemos considerar que ele não participe do
processo de avaliação apenas como avaliador, mas também como avaliado. De acordo
com Martins (2005), a avaliação do professor é indispensável para o ensino de línguas,
além de representar um desafio no trabalho desenvolvido por aprendizes e mestres. Um
tipo de instrumento de avaliação que vem sendo utilizado por professores de LI, com o
intuito de verificar seu nível de proficiência na língua estrangeira (LE) com a qual
trabalham, são os exames de proficiência linguística. Dessa forma, nossa discussão
volta-se para a avaliação da proficiência de professores de LI e a sua importância para
o sistema de ensino e aprendizagem de línguas. Objetivamos com este trabalho
apresentar recortes de uma pesquisa de doutorado, desenvolvida na UNESP/SJRP.
Serão utilizados dados sobre o teste escrito do EPPLE (Exame de Proficiência para
Professores de Língua Estrangeira), com o intuito de apontar aspectos que englobam a
validade interna do instrumento, incluindo, por exemplo, a validade de construto e a
validade de conteúdo. De acordo com Fulcher e Davidson (2007), a validade de
construto é a base de evidências para a interpretação ou uso de um teste, enquanto que
a validade de conteúdo representa o conjunto maior de tarefas das quais o teste deve
ser uma amostra. Com efeito, a validade de construto descreve e permite verificar se
um instrumento realmente avalia aquilo que é proposto avaliar. Um teste de proficiência,
por exemplo, apresenta dados que podem ser operacionalizados por meio de um
processo de mensuração. Esse processo leva em consideração vários aspectos, como
o formato do instrumento (eletrônico ou impresso), o desempenho do candidato, os
enunciados das tarefas, e todas as atividades que por meio da observação podem gerar
variáveis que serão quantificadas e analisadas. Desse modo, além de considerações a
respeito do exame como um todo, apresentaremos algumas tarefas do teste escrito com
o intuito de investigar aspectos como o método do teste, a confiabilidade, a praticidade
e a validade que permeiam a implementação e o aprimoramento de um instrumento de

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avaliação. Por meio desta discussão, lançamos mão também de sugestões que foram
elaboradas com o intuito de contribuir para o aprimoramento do exame.

Palavras-chave: avaliação, construto, exames de proficiência, validade.

3) Língua portuguesa ou línguas em português? A proposta da


lusofonia

Kátia Roseane Cortez dos Santos (UEM)


Prof. Dr. Juliano Desiderato Antonio (UEM/Orientador)

Resumo:

Este trabalho foi desenvolvido no âmbito da disciplina Letramento e superdiversidade,


ministrada pela Profa. Dra. Neiva Maria Jung, em 2016, no Programa de Pós-graduação
em Letras da Universidade Estadual de Maringá. No que concerne ao tema
“superdiversidade”, partimos do trabalho Language and Superdiversity (BLOMMAERT;
RAMPTON, 2011) para estudarmos como as sociedades estão cada vez mais
heterogêneas (devido principalmente ao fenômeno da globalização) e como é preciso
pensar em termos de práticas linguísticas híbridas (superdiversidade) e não apenas em
termos de comunidades linguísticas heterogêneas, mas onde conceitualmente língua e
cultura não se intercruzam (diversidade).Nesse escopo, discutimos, a partir da obra O
português no século XXI (MOITA LOPES, 2013), questões relativas ao projeto de
lusofonia, tema caro a professores e pesquisadores de língua portuguesa. Diante disso,
este estudo tem por objetivo estabelecer um diálogo entre o material Português: um
nome, muitas línguas, publicado em 2008 no âmbito do programa Salto para o Futuro, e
alguns autores que abordam o tema da lusofonia por uma pespectiva que leva em
consideração fatores como a globalização, ideologias homogeneizantes de língua e
cultura, mercado internacional de línguas etc. – Moita Lopes (2013), Hamel (2013),
Signorini (2013), entre outros. Tal diálogo busca ampliar a discussão sobre lusofonia
que é apresentada no material indicado, voltado à formação de professores. A partir
dessa ampliação, tornou-se perceptível que o conceito de lusofonia é complexo e
fomenta muitas discussões. Há aqueles que defendem essa união em prol de uma
comunidade representativa de luso-falantes, alegando que o fortalecimento da língua
portuguesa seria benéfico no sentido de se contrapor a hegemonia do inglês. E há os

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que enxergam na lusofonia uma forma de homogeneizar línguas e culturas; exemplo


disso é o que ocorre em Moçambique, onde há uma forte discriminação contra as
línguas e culturas locais. Vale ressaltar que ainda não dispomos de ferramentas
adequadas para analisar com clareza a situação, o que abre espaços para mais
pesquisas na área. De toda forma, seja na defesa ou na crítica do conceito, é
importante que a interculturalidade seja encarada de uma forma positiva e que a
pluralidade seja vista como constitutiva da cultura, da língua e do próprio ser humano.

Palavras-chave: Língua portuguesa; Lusofonia; Formação de professores.

RESUMO 4

5) Três práticas democráticas para o fomento de políticas educacionais -


uma abordagem para a proposição de políticas públicas a partir do público

Leonardo Neves Correa (UNIMONTES)


Resumo:

A Abordagem do Ciclo de Políticas - ACP (vide BOWE et al, 1992; BALL, 2011;
MAINARDES, 2006) compreende as políticas como um fenômeno cíclico, que perpassa
três estágios principais: um contexto de influência - que descreve os atores,
organizações e eventos que influenciam a escrita de um texto político; o contexto de
produção textual, que caracteriza o processo de materialização da política em forma de
texto e, finalmente; o Contexto de prática que estuda a forma com que a política é
interpretada e executada pela população. Na organicidade da ACP, os cidadãos
comuns, que vivenciam as políticas dia-a-dia, teriam o poder de influenciar a
reformulação destas políticas ou mesmo fomentar a criação de novas. Nesta
perspectiva, esta comunicação objetiva apresentar o conceito de ‘práticas democráticas’
apresentadas por Matthews (2014) - especificamente às noções de naming
(identificação do problema), framing (enquadramento) e deliberação pública - como
ferramentas para a proposição de políticas públicas educacionais que levem em
consideração a voz de atores sociais que tradicionalmente são colocados às margens
dos processos de tomada de decisões. De modo a ilustrar o processo, será apresentada
uma proposta de pesquisa em andamento na Universidade Estadual de Montes Claros -
Unimontes, que visa ao fomento de diretrizes educacionais especiais para o ensino de

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língua inglesa à alunos surdos em contextos de ensino regular. O projeto se divide em


três fases, de acordo que as referidas práticas democráticas. Na primeira fase, Naming,
serão realizadas uma série de entrevistas e grupos focais com alunos (surdos e
ouvintes), professores, interpretes e a comunidade escolar em geral de diferentes
regiões do país a fim de se identificar quais são as principais reivindicações destes
atores frente à questão. Em seguida, na fase de enquadramento, Framing, as
transcrições das entrevistas passarão por um processo de análise e enquadramento por
tópicos de proximidade, o objetivo é agrupar as falas que girem em torno de um
direcionamento comum, verificando quais são os principais argumentos e propostas de
cada um dos grupos. Posteriormente, na terceira fase, as análises da fase anterior
serão organizadas em um guia de discussão para deliberação pública e o tema do
ensino de inglês para surdos em contextos regulares será levado à um público mais
abrangente em uma série de fóruns deliberativos que objetiva verificar o posicionamento
da comunidade em geral (não apenas as comunidade surda e escolar) em relação ao
tema. Os resultados destes fóruns poderão ser utilizados como um instrumento de
representação popular para o fomento de políticas educacionais inclusivas nesta área.
Espera-se que esta comunicação possa contribuir para as discussões sobre
participação civil nos processos de tomada de decisões sobre temas educacionais de
interesse ao público geral.

Palavras-chave: políticas educacionais; práticas democráticas; abordagem do ciclo de


políticas.

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6) A tecnologia na formação (continuada) do professor de inglês:


potencializando o ensino e a aprendizagem

Luís Renato Dias Petry (UEL)


Profa. Dra. Viviane Aparecida Bagio Furtoso (UEL/Orientadora)

Resumo:

O homem sempre teve a necessidade de interagir e de se comunicar desde os


primórdios da humanidade. Com o passar do tempo e com a evolução das sociedades
surgiu a preocupação de se haver uma comunicação mais sistemática, para que uma
mensagem enviada seja compreendida da melhor forma possível, havendo uma
interação efetiva entre os interlocutores. Desta forma, cresceu o interesse de cunho
científico no ensino e no aprendizado de uma língua, e todos os processos neles
envolvidos. Com a evolução da tecnologia e sua transposição para os ambientes
educacionais de formato presencial e à distância, diversas questões de sua
aplicabilidade como instrumento de potencialização da formação continuada e a
atuação do professor de línguas na rede de ensino da Educação Básica vieram à tona.
O ensino e aprendizagem de uma língua são atos de criatividade, imaginação,
exploração de possibilidades, expressão, construção e aprofundamento na colaboração
social e cultural. No atual e dinâmico cenário de ensino e aprendizagem de uma língua
estrangeira não há como ficar alheio à evolução da tecnologia e dos recursos
tecnológicos que colaboram na formação inicial e continuada do professor e que
influenciam diretamente sua prática em sala de aula. Este trabalho, que se caracteriza
dos resultados iniciais da dissertação de mestrado em andamento do autor, justifica-se
pela importância de se resgatar historicamente a evolução da tecnologia e sua
influência no ensino e na aprendizagem de uma Língua Estrangeira Moderna, mais
especificamente a Língua Inglesa. Como objetivo geral, investigar como a tecnologia
subsidia a formação (continuada) do professor, ou seja, suas práticas pedagógicas,
evidenciando o ensino e a aprendizagem de Língua Inglesa. Como embasamento
teórico inicial, este trabalho analisa as Diretrizes Curriculares Estaduais (PARANÁ,
2008) e as Diretrizes para o Uso de Tecnologias Educacionais (PARANÁ, 2010) da
Secretaria de Estado de Educação do Paraná e de que forma elas contribuem para a
formação continuada e para a prática docente do professor de inglês. Para a coleta de
dados, foi aplicado um questionário de perguntas abertas e fechadas aos professores
do NRE (Núcleo Regional de Educação) de Ibaiti – Paraná, que compreende as
seguintes cidades: Conselheiro Mairinck, Figueira, Guapirama, Ibaiti, Jaboti, Japira,
Pinhalão, Siqueira Campos e Tomazina.

Palavras-chave: Tecnologia; ensino-aprendizagem; língua inglesa; Educação básica.

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7) Ecos do programa paraná fala inglês: uma análise das notíciais oficiais e
expectativas de envolvidos no programa

Atef El Kadri
Prof. Dra. Michele Salles El kadri

Resumo:

O objetivo do trabalho é o de investigar a iniciativa de uma política linguística no estado


do Paraná (Paraná Fala Inglês) à luz de literatura recente sobre globalização e ensino
de Língua Estrangeira (SZUNDY, 2016; BLOCK, 2008; CANAGARAJAH,2013; DEWEY
& JENKINS, 2010; HELLER & DUCHÊNE, 2012; RICENTO, 2015; PAN,2015; GANDIN
& HYPOLITO, 2003). Os dados foram coletados por meio de notícias encontradas no
site oficial do estado sobre o Programa Paraná Fala Inglês em janeiro de 2017 e
expectativas de professores envolvidos no programa. Os resultados da análise
demonstram que o que é divulgado do programa dá suporte à uma ideologia linguística
monolíngue baseada na noção de falante nativo e na necessidade de testes
padronizados como balizador desse aprendizado; na ideologia de que a língua inglesa é
uma commodity essencial à internacionalização das universidades e à ideologia do
aprendizado da língua inglesa como superior ao de outras línguas. Por outro lado, em
sua implementação, há propostas de subverter as ideologias engedradas no discurso
oficial por meio da produção local de material didático, adaptação do material oficial do
programa e conscientização dos envolvidos sobre as ideologias divulgadas no site.
Implicações e ecos do programa para a formação de professores serão discutidos.

Palavras-chave: ensino de línguas, internacionalização, formação de professores.

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8) Política linguística e formação de professores de línguas: bases


conceituais e propostas práticas com vistas ao engajamento

Profa. Me. Taisa Pinetti Passoni (UTFPR/UEL)

Resumo:

Concebida como um campo multi e interdisciplinar, a Política Linguística (PL) é um ramo


de investigação científica que se configura como uma área relativamente recente, com
origens nas décadas de 50 e 60 do século passado. Os temas de interesse dos estudos
em PL emergem de modo a relacionado ao escopo de atuação de professores de
línguas. Tendo em vista tal proximidade, a presente comunicação visa abordar as bases
históricas e conceituais da PL de modo a explorar possibilidades de engajamento dos
profissionais de ensino de línguas com este ramo de investigação a partir de
contribuições de propostas elaboradas por Field (2015) e Shohamy (2017). Para tanto,
primeiramente apresenta-se um histórico que carateriza as três fases que marcam a
linha do tempo da PL, de acordo com as proposições de Ricento (2006). A partir deste
panorâma, são apresentadas as três dimensões de atividades das quais a PL tem
tradicionalmente se ocupado, com devidos exemplos a fim de ilustrá-las: corpus, status
e aquisição. O planejamento sobre o corpus de uma língua objetiva empreender
esforços relacionados à adequação da forma ou estrutura da mesma, enquantro o
planejamento sobre o status empreende esforços voltados para as funções sociais que
diferentes línguas exercem em uma determinada comunidade discursiva (CALVET,
2007). Já as considerações acerca das ações voltadas para aquisição das línguas
empreendem ações que incidem sobre os usuários dos idiomas línguas por meio da
criação ou melhoria de oportunidades ou incentivos a sua aprendizagem (COOPER,
1989; HORNBERGER, 2006). Tendo por princípio que educadores são agentes em
potencial em PL, pois são indivíduos que interpretam, negociam, resistem e adaptam as
políticas em seus contextos de atuação (BALL, 1994, DAVIS, 2014; MENKEN E
GARCIA, 2010; SHOHAMY, 2017), a partir dos pressupostos abordados, a fim de
relacionar as contribuições específicas da PL para a formação de professores, são
apresentadas duas iniciativas que visam o engajamento de professores com o fazer e o
investigar neste campo do conhecimento. A proposta de Field (2015) aborda modos de
interagir com escolas e comunidades com vistas à insvestigação e à avaliação de
políticas, encorajando a participação local. O projeto de Shohamy (2017) elenca
atividades que visam o envolvimento de diretores de escolas com o reconhecimento das
demandas locais com vistas ao desenvolvimento de políticas situadas. Ambos os
trabalhos evidenciam e fomentam as negociações que potencialmente emergem das
apropriações resultantes da implementação de agendas em PL, de modo a extrapolar
as dimensões top-down ou botton-up as quais as políticas parecem se limitar, a fim

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reconhecer e estimular possibilidades do que se denomina “política linguística engajada”


(DAVIS, 2014).

Palavras-chave: Política e Planejamento Linguísticos; Formação de Professores;


Política Linguística Engajada.

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SIMPÓSIO 11) Reflexões sobre o ensino de linguagens nos cursos


técnicos do IFPR

Prof. Dr. Jefferson Adriano de Souza (IFPR)


jefferson.souza@ifpr.edu.br
Profa. Ms. Miriam Juliana Pastori Bosco (IFPR)
miriam.bosco@ifpr.edu.br

1) Língua, variação e livro didático

Luiz Henrique Alves (IFPR)


Profa. Ms. Rafael Petermann (IFPR/Orientador)

Resumo:

Desde que a educação básica iniciou seu processo de ampliação de acesso para todas
as pessoas, aqueles que historicamente nunca tiveram oportunidade de frequentar os
bancos escolares começaram a chegar às escolas, tornando-as espaços muito mais
plurais que outrora. Assim uma série de questões começou a vir à tona diante dessa
reconfiguração da instituição escolar e, dentre essas, a necessidade de uma nova
compreensão do fenômeno linguístico na sociedade e suas implicações para o ensino.
Em termos de teorias e de políticas linguísticas, avançou-se na direção de uma
compreensão mais social e cultural do fenômeno da linguagem, compreendendo que a
língua é uma prática social e não apenas um código, estático e alheio ao entorno extra
verbal. Todavia, pensar língua como prática social é ainda um desafio à praxis
pedagógica, já que a ideologia da padronização como uma ideologia linguística permeia
esse campo da atividade humana dentre diversos outros. Além disso, problematizamos
a questão dos livros didáticos de Língua Portuguesa como disseminadores e/ou
vulgarizadores das teorias linguísticas e, por isso, a importância de (re)pensa-los como
instrumentos didáticos. Nesse sentido, temos como objetivo neste trabalho analisar de
que maneira o livro didático de Língua Portuguesa adotado no IFPR-Campus Paranavaí
aborda as questões de variação linguística, verificando se, ao tratar da temática, a
concepção de língua como prática social é subjacente à abordagem do livro didático.
Para tanto, organizamos este estudo da seguinte maneira: primeiramente fizemos um

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levantamento bibliográfico a fim de sistematizar o conceito de língua como prática social


a partir de repertório teórico produzido na égide da Linguística Aplicada, com ênfase no
conceito de “ideologia da padronização” de Milroy (2011); em seguida olhamos
analiticamente para o livro didático adotado pelo IFPR-Campus Paranavaí no PNLD
2015-2017, com foco para as unidades didáticas que tratam de Variação Linguística.
Em termos de resultados, constatamos que o conceito de língua subjacente nesse
manual didático, ora reitera a ideologia da padronização ora avança em uma
compreensão mais plural de língua como prática social. Esperamos que este estudo
contribua como uma interlocução pedagógica que traga à tona reflexão a respeito da
compreensão e legitimação das línguas na sala de aula e a função do livro didático
nesse processo, e o papel da escola como agência de letramentos.

Palavras-chave: Língua; Ideologia da Padronização; Ensino de Línguas.

2) Reescrevendo o futuro: a escrita como instrumento de inclusão


no IFPR

Prof. Dr. Jefferson Adriano de Souza (IFPR)

Resumo:

“Reescrevendo o futuro” é um projeto de ensino e pesquisa a partir de práticas


reflexivas de leitura e de escrita, envolvendo estudantes dos últimos anos do ensino
médio integrado do IFPR. Os resultados do Enem 2014 e 2015 apontam a redação
como obstáculo para a inclusão e continuidade dos estudos. Em 2014, mais de 60% dos
34 estudantes de um campus do IFPR foram classificados nos níveis 1 (menos de 500
pontos) e 2 (menos de 600 pontos) da redação, fato que revela uma situação de
exclusão. Em 2015, 63% dos 44 estudantes desse campus obtiveram notas abaixo de
600 pontos. Desde outubro de 2015, este projeto vem tentando reescrever essa
estatística, oferecendo aos estudantes a possibilidade de melhorar seu desempenho na
redação do Enem. Para isso, foram organizadas oficinas de escrita: outubro de 2015;
abril-julho, agosto-setembro de 2016; abril-julho de 2017. O objetivo foi ampliar as
noções sobre: critérios do Enem; estrutura do texto dissertativo-argumentativo e
autocorreção. Refletindo sobre os resultados insatisfatórios das primeiras oficinas,
pensamos que a paráfrase estrutural de um texto nota 1000 poderia contribuir para
melhorar a escrita desses estudantes. Na terceira oficina (2016), testamos essa
hipótese com 10 sujeitos. Posteriormente, esse modelo foi reaplicado com todos os

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estudantes dos terceiros anos do ensino médio integrado. Nessa oficina, foram
utilizadas 10 redações do Enem com nota máxima, a fim de observar a estrutura desses
textos. Na execução deste projeto, buscamos suporte em Sercundes (1997), Simões
(2007), Geraldi (2012) e na Cartilha de redação no Enem (2016). Os dados sugerem
que essa abordagem, baseada na reflexão, análise e paráfrase estrutural de textos, tem
grande potencial para aprimorar a competência de escrita. Nas oficinas de 2017,
utilizamos apenas um texto nota 1000, por considerá-lo simples e, ao mesmo tempo,
contemplar todos os critérios do exame. Pautados na estrutura desse modelo, os
estudantes foram orientados a produzir outro texto com temática diferente. Nesse
campus, os resultados do Enem indicam aumento na média geral (todas as redações) e
na específica (as 30 melhores). Essa última passou de 588 (2014) para 604,67 (2015) e
622,1 (2016). Esperamos que esse projeto continue colaborando não só para ampliar os
resultados, mas sobretudo as possibilidades de inclusão dos estudantes. Neste recorte,
descrevemos a organização da oficina de 2017, apresentamos o depoimento de uma
participante e reflexões sobre o texto que ela produziu no Enem (2016). Entendemos
que o uso de um modelo nas oficinas, representando os critérios do Enem, favoreceu a
assimilação da estrutura do texto dissertativo-argumentativo. De acordo com a
estudante, o projeto melhorou sua organização textual e noção sobre a avaliação. As
reflexões sobre a sua dissertação indicam que é fundamental investir em uma
estruturação mais objetiva do texto e, principalmente, na qualidade da argumentação.

Palavras-chave: Oficina de escrita; Escrita como trabalho; Redação do Enem;


Paráfrase estrutural; Inclusão Social.

3) Redação Interativa: uma proposta de aprimoramento da escrita


para estudantes do ensino médio

Prof. Me. Míriam Juliana Pastori Bosco (IFPR)

Resumo:

O projeto de ensino “Redação Interativa”, realizado em um campus do IFPR, está


pautado no conhecimento de que grande parte da população brasileira e do público
atendido pela instituição apresenta dificuldades para escrever. Os resultados
apresentados na prova de redação do processo seletivo para ingresso em curso técnico
integrado ao médio indicam defasagem considerável no domínio da escrita. Em um dos

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processos seletivos realizados em anos anteriores, foram selecionados 40 estudantes


para o curso Técnico em Informática Integrado ao Médio. Em análise dos resultados,
conforme a lista dos aprovados, verificou-se que 70% dos estudantes que ingressaram
no campus não ultrapassaram 10 pontos (50% do máximo de pontos) na prova de
redação. Destes, 22% obtiveram no máximo 5 pontos. Tais dificuldades se agravam
quando considerada a possibilidade de realização da redação de vestibulares e
especialmente do ENEM, expedientes de ingresso no ensino superior no Brasil
atualmente e, portanto, uma etapa importante no processo de inclusão social
preconizada pelo IFPR. O objetivo deste trabalho é apresentar resultados parciais do
projeto de ensino “Redação Interativa”, que visa proporcionar aos estudantes
interessados de um campus do Instituto Federal do Paraná a oportunidade de realizar
oficinas de escrita, considerando-se, especialmente, o manual de redação do ENEM, a
análise de redações que conquistaram mil pontos em anos anteriores e a escrita e
análise de suas próprias redações. Os estudantes são atendidos quinzenalmente no
contra turno, horário em que ocorrem as oficinas, e também realizam atividades extras,
geralmente com atividades mais pontuais voltadas a aspectos gramaticais (uso de
conectivos, por exemplo). Em questionário respondido por parte dos participantes, os
estudantes indicaram atividades que consideraram interessantes (42,85% dos
respondentes indicaram a leitura do manual de redação do ENEM, com análise das
competências, como ponto relevante) e apresentaram reflexões sobre dificuldades de
escrita (37,5% dos respondentes afirmaram que têm mais dificuldades na competência
4, dentre as avaliadas pelo ENEM). A base teórica que inspira o projeto é
especialmente a do círculo de Bakhtin, que considera a linguagem como interação e
analisa as relações entre os componentes da situação de comunicação. A metodologia
a ser aplicada condiz com as ideias apresentadas por Geraldi (2012) e refere-se à
prática de escrita – análise linguística – reescrita de gêneros textuais. Os estudantes
realizam atividades de leitura do manual de redação do ENEM (MEC), escrita de
redações a partir de propostas já realizadas pelo exame, análise de redações que
obtiveram 1000 pontos em edições anteriores, análise da própria escrita e reescrita.

Palavras-chave: Oficinas de redação; ensino de escrita; redação no ENEM; inclusão


social.

4) A produção textual no ensino médio nas instituições federais,


estaduais e privadas. O que o ENEM nos revela?

Jaison Fernando da Silva (Univale)


Profa. Me. Lucimara C. Castro (Univale/Orientadora)

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Resumo:

O Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) é considerado importante instrumento de


avaliação de aprendizagem e é utilizado pela maioria das instituições educacionais
brasileiras, sejam públicas ou privadas, como indicador (ou não) do preparo do aluno
para o nível superior. No entanto, dentre as competências cobradas nesse exame, as
notas relativas à produção textual apresentam variações drásticas de uma instituição
para outra, o que justifica a necessidade de se investigar as razões desse fenômeno e
questionar como está a produção textual no Ensino Médio, uma vez comparadas as três
esferas: federais, estaduais, privadas. A investigação busca analisar como tem sido o
rendimento dos alunos no quesito produção de texto, utilizando os parâmetros do
ENEM, uma vez que, atualmente, os concluintes do Ensino Médio são incentivados a
fazer o exame. Algumas universidades públicas utilizam unicamente o ENEM como
critério de seleção para o ingresso nos cursos ofertados, além do fato de que a nota
obtida pode significar uma bolsa integral ou parcial pelo ProUni. Desse modo, participar
do maior processo seletivo do país, hoje, está atrelado, de alguma forma, à conquista
da vaga em uma instituição de ensino superior do Brasil. Considerando a amplitude
dessa modalidade de avaliação, o objetivo desse trabalho consiste em analisar os
dados do ENEM disponibilizados pelo Ministério da Educação, suas semelhanças e
diferenças, refletir sobre causas e efeitos dos fenômenos encontrados e suas possíveis
ressonâncias na educação. O método de pesquisa utilizado é o misto, principiando pela
pesquisa quantitativa em dados do ENEM dos anos de 2010 a 2014 que apontam o
desempenho em redação dos estudantes de cada uma das regiões geográficas do
Brasil e, a posteriori, usa-se a pesquisa qualitativa na compreensão do tema estudado e
no apontamento de estudos futuros. Espera-se encontrar nas três esferas – Instituições
federais, estaduais e privadas – independente do Estado, áreas que apresentem
desempenhos altos, médios e ruins em relação às primeiras colocações, quantificar até
que ponto os percentuais são significativos, bem como qual é a participação nas
primeiras cem colocações, das esferas federais, estaduais e privadas. Os dados pré-
analisados colocam o ensino público em situação deficitária em relação ao ensino
privado, suscitando a necessidade de se ampliar o viés de análise de forma a
considerar outras variáveis, principalmente a socioeconômica. Considera-se ainda que,
uma maior abertura de análise e amplidão do corpus, deve, necessariamente, conter
questionamentos sobre as variações regionais, uma vez que vivemos em um país de
dimensões continentais. Esse tipo de estudo atende à necessidade de produzir e
divulgar novos conhecimentos sobre a produção textual no Ensino Médio, uma vez que
a educação básica no Brasil é modelada por uma série de políticas públicas que nem
sempre acolhe as especificidades institucionais e regionais. Para Bakhtin em cada
esfera de uso da linguagem há uma ideia padrão de destinatário; esse por sua vez,
adota sempre uma atitude responsiva ativa frente a totalidade acabada do gênero. Para
atender a essa atitude, o discurso estabelece intercâmbios socioculturais, que são fruto
de processos cognitivos e conhecimentos acumulados ao longo do tempo, o que

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influenciaria diretamente na produção textual e consequentemente no rendimento dos


participantes. Por fim, deve-se acrescentar que o ENEM possui sempre ou quase
sempre um caráter seletivo e de diagnóstico com intensa repercussão educacional e
social e, principalmente, tem o mérito de possibilitar o exercício da reflexão sobre os
resultados de sua avaliação, o que pode contribuir para importantes avanços no
processo ensino-aprendizagem.

Palavras-chave: Exame Nacional do Ensino Médio; Redação; Desempenho;


Instituições Públicas, Estaduais e Privadas.

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SIMPÓSIO 12) Ensino-aprendizado de língua estrangeira moderna no


contexto brasileiro

Profa. Dra. Nerynei Meira Carneiro Bellini (UENP)


nerynei@uenp.edu.br
Profa. Me. Fernanda de Cássia Miranda (UENP)
fecmiranda@uenp.edu.br

1) O ensino-aprendizagem do gênero história em quadrinhos em


espanhol

Gabriel Gustavo dos Santos (UENP)

Resumo:

O projeto pretende viabilizar o ensino-aprendizagem sobre o gênero discursivo histórias


em quadrinhos em língua espanhola, com a intenção de aplicar, em um dos centros de
línguas do entorno da Universidade Estadual do Norte do Paraná de Jacarezinho, os
conteúdos desenvolvidos por ele. Para tal, em um primeiro momento, foram feitos
estudos em relação à bibliografia teórico-crítica e metodológica levantada, além de
discussões no Grupo de Pesquisa Ensino-aprendizagem de LEM acerca de assuntos
pertinentes ao desenvolvimento da pesquisa. As reflexões propiciadas por esses
estudos contribuíram para um maior esclarecimento sobre o assunto, e auxiliaram para,
posteriormente, a elaboração de estratégias e ações de ensino, bem como para a
assimilação do gênero referido. Ainda com base nesses estudos, foi possível observar e
ratificar o caráter multifuncional dos quadrinhos no ensino, uma vez que, se bem
trabalhados, eles podem servir como um rico material para auxiliar o ensino de uma
língua (seja ela estrangeira ou materna). Alguns aspectos bastante utilizados por eles e
que podem servir para uma abordagem didática são: sua grande variedade de palavras
que podem auxiliar na aquisição de um vocabulário mais amplo por parte do aluno, a
presença de uma enorme variedade de recursos expressivos, tais como: a
onomatopeia, a prosopopeia, a metáfora, a hipérbole, entre outros, que podem ser
trabalhados na língua alvo do ensino-aprendizagem. Além, é claro, dos elementos
próprios que constituem o gênero em questão, como: as linhas cinéticas, as metáforas

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visuais, os meios em que elas circulam, a variedade de formas dos balões, as


diferenças entre charge, cartum e tira e outras características que auxiliam na
compreensão do quadrinho como um todo. Ademais, outro fato que confirma a
importância do ensino-aprendizagem desse gênero é em relação a sua presença, cada
vez mais forte, nos ambientes escolares e acadêmicos, facilmente observável em livros
didáticos das mais diversas áreas do conhecimento (como português, sociologia,
história, filosofia, espanhol, inglês), em exames tais como o Enem, bem como no dia-a-
dia dos alunos (nos jornais, na internet, nos gibis). Com isso, intenta-se ampliar o
conhecimento dos alunos tanto sobre o gênero citado, quanto à língua em que ele será
disponibilizado, no caso, o espanhol. Posto isso, após as reflexões e estudos acerca do
tema, foi elaborado um questionário cujo conteúdo visa analisar o conhecimento dos
alunos a respeito do gênero história em quadrinhos. Esse questionário, que serviu como
uma avaliação diagnóstica, primeira parte da sequência didática, foi aplicado em uma
turma de Espanhol no nível de aprimoramento. Em seguida, os resultados colhidos
foram analisados, computados e serviram como matéria prima para a elaboração de um
artigo científico que discorre sobre as dificuldades dos alunos em relação a esse
gênero, e ratifica a importância de um estudo mais aprofundado sobre ele, para isso
foram utilizados como referencial teórico os estudos de Cagnin (1975), Ramos (2016) e
Vergueiro e Ramos (2010). Em seguida foi elaborada uma sequência didática que
intenta suprir as dificuldades encontradas na avaliação diagnóstica. Para tal, foram
utilizados como suporte teórico-metodológico as concepções de Schneuwly e Dolz
(2004), Lopes-Rossi (2012) e Cristovão (2009). Na atual fase em que o projeto se
encontra, ainda estão sendo elaborados e aplicados módulos de ensino-aprendizagem
sobre o tema, para que os alunos tenham, ao final do trabalho didático, total
esclarecimento sobre os quadrinhos, desde os elementos estruturais que os constituem
até a função social que eles desempenham em seus meios de circulação. Por fim, o
projeto pretende, após serem concluídos os módulos, a elaboração do trabalho final, em
que cada aluno terá de criar sua própria HQ, seja ela um cartum, uma tira ou uma
charge, na qual cada aluno utilizará, de maneira prática, os conhecimentos a que foram
submetidos no decorrer do projeto.

Palavras-chave: Ensino-aprendizagem; Sequência didática; História em quadrinhos;


Língua espanhola.

2) O ensino-aprendizado de língua estrangeira na era da


mobilidade: o uso de dispositivos móveis
Gabriel Marchetto (UEMS)
Prof. Dr. Ruberval Franco Maciel (UEMS/Orientador)

Resumo:

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Esta proposta de comunicação caracteriza-se como um recorte teórico de uma


dissertação em andamento e tem como objetivo a exposição e discussão de alguns
conceitos sobre o uso de equipamentos de tecnologia móvel (celulares, tablets, etc.) no
ensino-aprendizado de língua estrangeira (LE). Os pressupostos teóricos consultados
acerca da tecnologia móvel no ensino de LE baseiam-se nas pesquisas de Agullo &
Vallejo (2015); Donohue et al. (2015); Kukulska-Hulme (2009; 2013; 2016) e Stockwell &
Hubbard (2013). A respeito da ubiquidade dos textos multimodais presentes no contexto
digital, pesquisadores como Kalantzis & Cope (2008); Knobel (2016); Knobel &
Lankshear (2007); Kress (2003) e Santaella (2010; 2014) foram consultados. Kalantzis
& Cope (2008) declaram que os indivíduos, na atual conjuntura econômica, necessitam
possuir múltiplas habilidades para serem mais flexíveis e capazes de realizar uma série
de tarefas ao mesmo tempo, além de mudar de uma atividade para outra, rapidamente,
conforme necessário. Kukulska-Hulme (2011) afirma que a prática educacional não é
determinada pela tecnologia; tampouco a tecnologia é um fator determinante na
aprendizagem informal e diária. No entanto, apesar da prática educacional não ser
determinada pela tecnologia, Agullo & Vallejo (2015) destacam que a ubiquidade da
aprendizagem móvel, inevitavelmente, mudou os estilos de aprendizagem. Segundo
Kukulska-Hulme (2009), o conceito de aprendizagem móvel é instável, principalmente
devido à constante evolução deste campo de pesquisa, no entanto é inegável sua
influência na forma como a LE é aprendida e ensinada ao redor do mundo, pois os
alunos possuem dispositivos “poderosos” que possibilitam a criação e o
compartilhamento de textos multimodais; a comunicação espontânea com qualquer
pessoa ao redor do mundo; dentre outras atividades. Santaella (2014) afirma que o
novo tipo de aprendizado que vêm se desenvolvendo na era da mobilidade
caracterizase como aberto, individual ou grupal, podendo ser adquirido em quaisquer
situações, eventualidades e contextos, além de possuir a espontaneidade como
característica essencial. Kukulska-Hulme (2009) assevera que vivemos momentos
singulares, nos quais professores e alunos devem trabalhar juntos para compreender
como as tecnologias portáteis podem ser melhor utilizadas no contexto educacional. A
experiência pedagógica dos professores continuará a desempenhar um papel de
extrema importância no contexto escolar, no entanto necessita ser expandida e
reexaminada para atender as particularidades da aprendizagem móvel.
Palavras-chave: Mobilidade; Tecnologia Móvel; Língua Estrangeira; Ubiquidade.

3) O uso de estratégias de aprendizagem no desenvolvimento da


autonomia do aprendiz de língua inglesa

Giovanna Martinez Ursulino (UEM)

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Jaqueline C. de Godoy Martim (UEM)


Prof. Dr. Wiliam César Ramos(UEM/Orientador)

Resumo:

Há diversos fatores envolvidos no processo de ensino-aprendizagem que extrapolam os


limites da sala de aula e da imagem do professor, dentre eles a forma como o aprendiz
lida com a aprendizagem fora da sala de aula. Nesse sentido, cabe ao professor
orientar o aprendiz no processo de aprendizagem (MICCOLI, 2007). Aprendizes da
língua inglesa tendem a demonstrar diversas maneiras de assimilar o conhecimento,
alguns mais facilmente que outros. Para isso, pensando naqueles com dificuldades mais
limitantes no processo de aquisição da língua inglesa e para a orientação de
professores, especialmente no contexto brasileiro em que o desenvolvimento da
autonomia do aluno, muitas vezes, passa despercebido tanto na educação básica como
nos centros de língua, é que desenvolve-se essa pesquisa visando despertar novos
processos pedagógicos nos quais o professor saiba como criar condições para o
desenvolvimento da autonomia de aprendizagem. Desta forma “debruça-se sobre o
papel e os meios que o professor dispõe de ajudar o aluno a mobilizar procedimentos, a
efetuar uma escolha, a modificar aquilo que não convém” (PERRADEAU, 2006, p. 187)
despertando-lhe metas que o motive e sanando suas possíveis dificuldades de
aprendizagem do idioma, por meio de estratégias que desenvolvam a sua autonomia de
aprendizagem. Autonomia significa, segundo o dicionário Aurélio, “faculdade de se
governar por si mesmo”. Assim, um aluno autônomo reconhece-se como um sujeito
ativo em seu próprio processo de aprendizagem, a saber que suas iniciativas promovem
e desenvolvem seus conhecimentos e habilidades de modo a atender suas
necessidades e objetivos. O desenvolvimento da autonomia dos alunos deve ser
incentivado pelo professor, visando a uma gradativa tomada de consciência por parte do
aprendiz, que deixa de centralizar a responsabilidade pela aprendizagem no papel do
professor, para entender que é ele quem deve tomar as rédeas de sua própria
aprendizagem, que é um processo de natureza cooperativa, cujo centro é o próprio
aprendiz interagindo com o professor e com os colegas. Ao levar em conta o tempo
gasto pelos aprendizes durante a aprendizagem de uma segunda língua, é preciso
salientar a necessidade de eles lidarem com suas próprias dificuldades, traçando
objetivos e descobrindo novas maneiras de sanar dúvidas, revisar conteúdos e
desenvolver habilidades comunicativas, pois nem sempre a figura do professor faz-se
presente. O desenvolvimento da autonomia de aprendizagem do aluno potencializa não
apenas seu desempenho como aprendiz, mas também como ser humano, fomentando
sua capacidade de lidar com os desafios da vida. (MICCOLI, 2007).
Palavras-chave: Aprendizagem; Autonomia; Estratégias; Língua Inglesa.

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4) Ensino de Língua Espanhola e PTD em Cena de rua

Profa. Dra Nerynei Meira Carneiro Bellini (UENP)

Resumo:

Figuras estilizadas com traços marcantes, pinceladas de cores intensas sobrepõem


fundos negros e saltam aos olhos do leitor em Cena de rua (1994), da artista plástica
mineira Ângela Lago (1945). O livro imagético, cujas únicas palavras estão no título,
convida o leitor a focar atenção nos impactantes desenhos. Ademais, a leitura poderá
suscitar nos espectadores questionamentos e indagações e estabelecer vínculos com a
sociedade brasileira no que tange à situação da criança marginalizada. É viável,
portanto, quando se lê Cena de rua chegar a reflexões e fruição leitoras no que
concerne ao contato com um texto de imagens que inova pela tessitura artística e pelo
estilo da escritora. A temática proposta vai ao encontro dos problemas discutidos nas
aulas de prática de ensino e orientação de estágio de língua espanhola ministradas na
Universidade Estadual do Norte do Paraná, campus Jacarezinho, quando alunos-
estagiários, em 2012 e 2013, diagnosticaram que, tanto na educação básica quanto nos
centros de línguas, professores utilizam, ainda, textos literários como pretexto para
ensinar gramática, excluindo o imprescindível contexto extraverbal. Ocorre, assim, nos
educandos, aversão à literatura e resulta em ausência de letramento literário. Visando
contribuir para a superação do mencionado problema, o Subprojeto Interdisciplinar
Letras Espanhol/Letras Português, vinculado ao Programa Institucional de Bolsas da
Universidade Estadual do Norte do Paraná, coordenado pelas professoras doutoras
Nerynei Meira Carneiro Bellini e Patrícia Cristina de Oliveira Duarte, propõe a
abordagem contextualizada de textos da esfera literária, em sala de aula. Devido à
complexidade de Cena de rua, estratégias e ações leitoras tornam-se importantes à
construção de sentidos os quais, segundo João Wanderley Geraldi (1995), vigoram na
integração de práticas de análise linguística e de leitura e produção textual. Com vistas
a um ensino de língua e literatura espanhola mais produtivo, propõem-se, neste
trabalho, estratégias e ações baseadas nas dimensões dos gêneros discursivos
(BAKHTIN, 2003), ou seja, conteúdo temático, construção composicional e estilo,
vinculadas às intenções discursivas e ao contexto extraverbal do livro. Coadunando-se
às orientações das Diretrizes Curriculares Estaduais do Paraná – DCE – para a
Educação Básica (PARANÁ, 2008), dentre outros documentos oficias, as atividades
didáticas propostas respaldam-se, ainda, no Plano de Trabalho Docente (PTD), de João
Luiz Gasparin (2009), e favorecem um processo de ensino-aprendizagem, no caso de
língua espanhola, que leva em conta os saberes do leitor, a fim de transformá-los em
conhecimento científico.
Palavras-chave: Cena de rua; Língua Espanhola; Leitura; Plano de Trabalho Docente;
ensino-aprendizagem.

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5) A internacionalização do ensino superior e o ensino de inglês


nas séries iniciais: um estudo de caso em um município do norte
do estado do Paraná

Paula Aparecida Avila (PPGEL/UEL)


Profa Dra. Juliana Reichert Assunção Tonelli (PPGEL/MEPLEM/UEL)

Resumo:

A internacionalização tem sido uma das metas do ensino superior (ES), haja vista a
crescente demanda por exames de proficiência, intercâmbio tanto de professores
quanto de alunos, programas do governo e investimentos de instituições particulares em
projetos e parcerias internacionais. Nesse cenário, embora a língua inglesa ocupe lugar
de prestígio, percebe-se grande dificuldade por parte de estudantes quando inseridos
em programas de intercâmbio no exterior ou mesmo quando são expostos à situações
nas quais o conhecimento de ao menos uma língua estrangeira (LE) é necessária em
seu próprio país, devido à falta de competência comunicativa na língua. Portanto,
acredita-se que quanto maior o período de exposição do sujeito à língua, melhor será
seu desempenho naquela língua (VICENTIN, 2013; MUÑOZ, 2014). Diante disso faz-se
importante investigar o ensino do inglês desde as séries iniciais de escolarização uma
vez que pesquisas evidenciam os benefícios da inserção de línguas estrangeiras,
especificamente a língua inglesa, cada vez mais frequente, na Educação Infantil e nos
anos iniciais do Ensino Fundamental de escolas públicas brasileiras (BACARIN, 2013;
ROCHA, 2006). No Brasil, a obrigatoriedade da oferta de ao menos uma LE se dá a
partir do sexto ano do Ensino Fundamental II, sendo facultativo nas etapas anteriores de
escolaridade (Educação Infantil e Ensino Fundamental I) (BRASIL, 2010). Entretanto,
com o advento da globalização, as discussões sobre o ensino de língua inglesa nas
séries iniciais têm tomado proporções cada vez maiores por meio de teóricos que
defendem o ensino de uma LE desde tenra idade (MORENO, TONELLI, 2016). Nesta
mesma vertente está a crescente oferta de escolas de Educação Infantil e Ensino
Fundamental I que dispõem em seu currículo o inglês e carecem de documentos
norteadores para o ensino de LE. Assim sendo, neste trabalho buscamos compartilhar a
experiência da professora-pesquisadora e sua prática pedagógica em uma escola
municipal pública do norte do estado do Paraná no período de 2008 a 2009, a qual
oferta o ensino da língua inglesa nas séries iniciais desde 1994. Dessa forma, como
objetivo geral, buscamos identificar as possíveis relações entre o ensino de inglês nas
séries iniciais para a internacionalização do ensino superior. Para isso, pretende-se

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discutir as motivações para a implantação do inglês nas séries iniciais no locus


investigado, identificar as possíveis relações globais e locais pontuadas pelos sujeitos
envolvidos no ensino de inglês neste contexto e refletir sobre o projeto político
pedagógico da escola investigada de forma a pontuar as possíveis contribuições do
ensino da língua inglesa aos alunos quando/se futuramente ingressarem no ES. Isto
posto, espera-se que esta pesquisa contribua para as discussões acerca do ensino da
língua inglesa em uma cidade do interior do estado do Paraná e sua possível influência
na internacionalização do ES.

Palavras-chave: Internacionalização do Ensino Superior; Língua Inglesa para Crianças;


Ensino Fundamental I.

6) O corpus como ferramenta de análise de elementos gramaticais


em redações em língua inglesa de alunos universitários

Mayra Aparecida dos Santos (UNESP – São José do Rio Preto)

Resumo:

A presente pesquisa discute características da escrita acadêmica em língua inglesa de


alunos universitários brasileiros uma vez que a falta de proficiência adequada em língua
inglesa foi um dos problemas identificados em programas de mobilidade internacional.
Tendo em vista a habilidade de produção escrita e utilizando a abordagem teórico-
metodológica da Linguística de Corpus, realizamos uma investigação para encontrar
dificuldades de redação enfrentadas por esses alunos ao escreverem seus textos
argumentativos. Com o objetivo de realizar um estudo de caso, formamos
um corpus para análise com 82 textos redigidos por alunos brasileiros universitários
com proficiência no nível B1 de língua inglesa. Usando como base os descritores de
competência de produção escrita do Quadro Europeu Comum de Referência (CEFR) e
como corpus de referência o corpus MICUSP, realizamos uma comparação entre o uso
dos quantificadores some, many e any, nos textos escritos pelos alunos brasileiros em
comparação aos textos dos alunos que compõem o MICUSP. Selecionamos alguns
excertos em nosso corpus de análise onde os alunos utilizam os quantificadores para
observarmos de que forma estes alunos estão utilizando estes elementos gramaticais.
Os alunos brasileiros que escreveram os textos em língua inglesa coletados para
montagem de nosso corpus são estudantes regularmente matriculados nos 1o e 3o ano
de Licenciatura em Letras Português / Inglês e também alunos do 3º ano de
Bacharelado em Letras com Habilitação de Tradutor. Da mesma forma, levantaremos

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informações em relação ao uso de conjunções entre os dois corpora, uma vez que
consideramos este um elemento gramatical expressivo em textos argumentativos. O
desenho de nossa dissertação considera os trabalhos sobre Ensino e Aprendizagem de
Língua Estrangeira, Escrita Acadêmica e Linguística de Corpus de acordo com os
trabalhos de Berber Sardinha (2004, 2010), Dayrell (2011), Dew (2010), Romer (2004),
Tribble (2001) e Viana (2011). Também faremos uso da gramática com base em corpus
Longmam de Biber et al (1999) para análise dos dados. Como ferramenta de extração e
observação dos dados, utilizaremos a ferramenta computacional AntConc. A partir dos
resultados obtidos nas análises e com base na observação do corpus MICUSP, cujos
textos são escritos por estudantes também não-nativos de língua inglesa, serão
elaboradas atividades didáticas com foco na produção escrita.
Palavras-chave: intercâmbio universitário; língua inglesa; ensino e aprendizagem;
linguística de corpus.

7) Passos e possibilidades para ensinar língua e literatura através


das histórias em quadrinhos – Conhecendo Miguel de Cervantes
e sua obra: Dom Quijote
Ana Paula R. Ferro (OCE/FACON)
Resumo:
As transformações constantes da sociedade e dos meios de comunicação demandam
novas técnicas didático-pedagógicas que atendam às necessidades gerais. Nesse
sentido, devido a seu caráter icônico, as histórias em quadrinhos se apresentam como
excelente alternativa de fomento à leitura. Sob essa visão, o presente artigo visa discutir
e analisar os passos e possibilidades para que o professor recorra às HQs, para
possibilitar o conhecimento de uma obra literária clássica, em uma linguagem e ritmo
adaptáveis à faixa etária dos alunos, bem como conduzi-los a criar novas histórias, ou
recontar a obra lida por meio dos quadrinhos, contribuindo assim, para explorar as
quatro destrezas comunicativas da língua espanhola dos alunos do Ensino Fundamental
II. Quanto ao delineamento do perfil teórico-metodológico, o presente trabalho está
sustentado em revisões bibliográficas, vídeos e periódicos que versam sobre o tema em
questão, ademais da experiência prática em sala e aula, e formação acadêmica do
professor-autor. Na organização e no desenvolvimento do escrito, são apresentados o
percurso das obras literárias para HQs no Brasil, a relação da literatura com os
quadrinhos, o trabalho em sala de aula com as narrativas em quadrinhos, o ensino de
língua estrangeira por meio de clássicos adaptados para HQ, os passos e
possibilidades de se trabalhar com HQs e literatura na sala de aula e uma breve análise
da obra Dom Quixote em HQ.

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Palavras chaves: Clássicos literários; Adaptação para Histórias em Quadrinhos;


Ensino de línguas.

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SIMPÓSIO 13) Formação de professores e ensino-aprendizagem de


línguas estrangeiras: diferentes olhares e múltiplas perspectivas

Profa. Dra. Josimayre Novelli Coradim (UEM)


josimayrenovelli@hotmail.com
Profa. Dra. Luciana Cabrini Simões Calvo (UEM)
cabrinisimoes@gmail.com

1) Marcas de linguagem lúdica em aulas de língua inglesa

Adriane Silva dos Reis (UTFPR)


Profa. Dra Didiê Ana Ceni Denardi (UTFPR/Orientadora)

Resumo:

A linguagem é um instrumento de comunicação. E na relação interlocutiva, os sujeitos


possuem características distintas em sua forma de falar, de expressar suas ideias e
sentimentos. Estas características de fala designam perfis e particularidades únicas de
cada ser social. Algumas pessoas ao se pronunciar verbalmente, se expressam de
forma mais tímida. Outros em seus atos de fala são ríspidos, inflexíveis, sérios, sisudos
e mal-humorados. Ainda há outros indivíduos que se manifestam de forma cômica,
fazendo os outros sujeitos rir e se divertirem pela forma de linguagem representada por
estes indivíduos. Levando em consideração as representações articuladas
comicamente, destacamos a linguagem lúdica. A linguagem lúdica é empregada para
entreter, divertir, recrear e brincar com alguém. Por este viés, ela também é manifestada
em contexto escolar. A forma de linguagem usada por um professor em sala de aula
pode afetar a relação com os alunos, designando uma relação social positiva ou
negativa, influenciando fatores afetivos e cognitivos dos alunos e provocando reações
interacionais-emotivas no ensino de Língua Inglesa (FINARDI; GIL, 2005). Com base
nesses pressupostos, esta comunicação objetiva apresentar resultados de uma
pesquisa etnográfica qualitativa sobre línguagem lúdica em aulas de Língua Inglesa. Os
dados foram produzidos em quatro aulas de Língua Inglesa em uma turma do segundo
ano do ensino médio de uma escola pública federal do Sudoeste do Paraná em

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setembro de 2016. Os dados foram coletados por meio diferentes instrumentos:


tomadas de notas, gravação em vídeo e transcrição de aulas. Posteriormente,
observamos nas transcrições as passagens em que a linguagem lúdica foi mais
acentuada e desenvolvemos a análise interpretativista das passagens selecionadas,
diagnosticando que as marcas de linguagem lúdica estão representadas tanto pela
forma de agir linguístico da professora como na forma de agir dos alunos. A maneira de
falar, cada qual com seu estilo, puderam proporcionar momentos de descontração e
divertimento durante as aulas observadas. A linguagem lúdica reportada por esse grupo
social-escolar também revelou a interatividade incentivada pela professora no ensino-
aprendizagem, a qual era tomada pela motivação dos alunos. Por esta razão, a
linguagem lúdica pode ser contemplada como um instrumento de conexão, interação,
afetividade e motivação em aulas de Língua Inglesa, visto que, ela permite uma
aproximação maior do aluno, contribuindo para o ensino-aprendizagem deste idioma.
Sob esta perspectiva, o objetivo principal da comunicação oral será apresentar uma
análise interpretativista sobre as marcas de linguagem lúdica manifestadas por uma
professora e seus alunos em aulas de Língua Inglesa em uma turma do segundo ano do
ensino médio de uma escola pública federal do Sudoeste do Paraná. Especificamente,
pretende-se mostrar como este estilo de linguagem atinge a relação social interativa em
sala de aula, bem como enfatizar o papel da linguagem lúdica no desenvolvimento de
relações de amizade e afeto entre professor e alunos nas aulas de Língua Inglesa.

Palavras-chave: Linguagem Lúdica; Aulas de Língua Inglesa; Ensino Médio.

2) Cuentacuentos: contribuições do teatro para o desenvolvimento


da competência comunicativa

Daniela Rocha de França (UEFS)


Profa. Me. Iranildes Almeida de Oliveira Lima (UEFS)

Resumo:
As atividades de extensão possibilitam aos estudantes de graduação uma experiência
de importância inestimável na sua área de atuação profissional, permitindo-lhes
perceber a importância do desenvolvimento de um trabalho consciente, ético, e que lhes
dará suportes para enfrentar as dinâmicas da vida laboral, assim como entender o
impacto que as ações de extensão causam na comunidade, visto que um dos pilares
necessários para a formação profissional é a práxis, as atividades de extensão são de
extrema importância para os graduandos em formação. Nesse contexto, o Programa
Portal: ensino-aprendizagem de línguas modernas para a cidadania, inclusão social e o
diálogo multi e intercultural tem contribuído intensamente para a formação de

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estudantes de graduação, oferecendo, aos participantes do Programa, meios para a


sistematização do conhecimento, a aproximação entre teoria e prática, o
desenvolvimento do trabalho em equipe, o crescimento pela troca de experiências. Este
relato de experiência propõe expor os resultados e as reflexões sobre uma das
atividades de extensão que acontecem no Programa Portal, denominada
Cuentacuentos. A proposta dessa atividade surgiu da ideia de trazer para Universidade
de Estadual de Feira de Santana uma experiência exitosa da Comunidade de
Catalunha, especificamente do município de Castellbisbal, em Barcelona, que leva a
dinâmica de contar contos para o teatro. A utilização da linguagem do teatro no
processo de ensino/aprendizagem de uma língua estrangeira permitiu aos participantes
do projeto experienciar processos de construção/reconstrução identitárias, assunção da
autoria de personagens, intertextualidade entre autores hispânicos. Na nossa
modalidade, reconhecemos as vantagens desta atividade para o desenvolvimento da
competência comunicativa, pragmática-funcional, sociolinguística, sociodiscursiva,
discursiva, estratégica, cultural e intercultural. Experienciamos o Cuentacuentos para
aprender língua e literatura espanhola através do jogo teatral (Boal,1987; Spolin, 1963;
Bernard Dort, 1985; Pupo, 2001). O período de análise foi de agosto de 2014 a
dezembro de 2016, sendo que os sujeitos envolvidos eram iniciantes no processo de
aquisição da língua espanhola. O público-alvo do projeto eram alunos do ensino médio
ou egressos de escolas públicos da cidade de Feira de Santana.
Palavras-Chave: Espanhol/LE; Extensão Universitária; Gêneros Textuais; Teatro.

3) A língua Dothraki como LE: contrastes fonológicos com o Inglês


como LM
Fernanda Martins Ferreira de Araujo (UEM)
Prof. Dr. Edson Carlos Romualdo (UEM/Orientador)

Resumo:
O presente trabalho apresenta uma análise inicial do projeto de pesquisa intitulado “Os
sons do Dothraki: uma análise contrastiva com os sistemas fonológicos do português e
do inglês”. O Dothraki é uma língua fictícia criada para o contexto da série Game of
Thrones, baseada nos romances de George R. R. Martin, produzida e exibida pela
HBO, que é considerada um dos maiores sucessos televisivos dos últimos tempos, com
milhões de telespectadores pelo mundo. Na história, a língua é falada por uma tribo
nômade guerreira que se destaca na série por ser uma das mais ouvidas na primeira
temporada. Devido ao grande sucesso da série, seus fãs buscaram o aprendizado

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dessa língua fictícia, gerando uma demanda por produtos que procurassem atender a
esse propósito, o que resultou no site , produzido pelos próprios fãs, e no livro Living
Language Dothraki (2014), de David Peterson, responsável pela criação da língua para
o seriado. O site e o livro constituem nosso corpus de pesquisa para essa comunicação,
cujo objetivo é contrastar os sistemas fonológicos da Língua inglesa (LI), como língua
materna, com o do Dothraki (LD), como língua estrangeira, a fim de apresentar algumas
das possíveis dificuldades que o falante de LI possuiria, caso estivesse aprendendo a
LD. A base teórica para a análise contrastiva fundamenta-se nos estudos da Linguística
Contrastiva (JAMES, 1981; WARDHAUGH, 1970). Esse ramo da Linguística surgiu em
1945, consolidou-se na década de 50 e teve seu declínio nos anos 80. No entanto,
voltou a ser empregado atualmente, com vistas a potencializar o processo de ensino-
aprendizagem de línguas estrangeiras (FERNÁNDEZ, 2003). Consideramos que a
Análise Contrastiva contribuirá para termos uma visão mais detalhada dos sistemas
fonológicos das duas línguas, permitindo levantar as dificuldades que os falantes de LI
terão ao tentarem pronunciar os fonemas da LD. Os resultados parciais mostram que o
sistema vocálico da LD diferencia-se muito da LI, pois possui apenas quatro vogais, em
oposição ao da LI, que possui doze. Desta forma, especificamente na pronúncia das
vogais, os falantes de LI não teriam problemas, visto que o quadro fonológico vocálico
da LI recobre o da LD. No entanto, ao contrastarmos os fonemas consonantais,
percebemos que a LD possui quatro fonemas distintos da LI, um uvular oclusivo, um
fricativo velar, um nasal palatal e o tape. Portanto, a dificuldade e possibilidade de erros
de pronúncia de falantes de LI mostram-se maiores quando tratamos da pronúncia das
consoantes do LD.
Palavras-chave: Análise contrastiva; Fonologia; Língua Inglesa; Dothrak.

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4) Dúvidas na formação docente: o que e como ensinar a língua


estrangeira?

Leandro Wallace Menegolo (UNIOESTE)


Vitor Emanuel Sguarezi Marangoni (UNIOESTE)
Profa. Dra Carmen Terezinha Baumgartner (UNIOESTE/Orientadora)

Resumo:

Este trabalho é o resultado de uma pesquisa inserida na área de Linguística, Letras e


Artes, subárea de Linguística Aplicada, conforme classificação do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Estudou, especificamente,
fragmentos do domínio da imaginação popular que se constroem acerca do exercício da
profissão docente em língua estrangeira, principalmente pela associação da teoria com
a prática. O termo “crença”, aqui, significa “aquilo em que se crê” (HOUAISS, 2009).
Portanto, traduz um ponto de vista, uma forma de pensamento que é adotada por um
grupo de pessoas. O mesmo vale para todos os sinônimos empregados para se referir a
ela (visão, opinião, ponto de vista, convicção, maneira de acreditar, etc.). Por meio de
um levantamento de crenças sobre o ensino e a aprendizagem de línguas estrangeiras
com um grupo de alunos iniciantes de um curso de licenciatura em Letras de uma
universidade pública, localizada na região Oeste do Paraná, o objetivo foi observar o
que pensam sobre o ensino e a aprendizagem de uma língua estrangeira, e por meio
dos dados gerados com um uqestionário, refletir sobre suas implicações na formação
acadêmica. A metodologia adotada classificou-se, conforme Gil (2002), como pesquisa
qualitativa, aplicada, por sua finalidade e por ser voltada “à aquisição de conhecimentos
com vistas à aplicação numa situação específica” (p. 27). Foi exploratória, consoante
seu objetivo mais geral, e porque a maior familiaridade com o problema possibilita torná-
lo mais explícito, a partir do que as reflexões se dão no contato com o objeto de estudo.
De campo, pela natureza e ambiente em que os dados foram gerados e analisados.
Primeiramente, reunimos informações sobre os modos de pensar o ensino e a
aprendizagem de LE, conforme discutidos por Moita Lopes (2002, p. 65) e Barcelos
(2004; 2007), fruto de nossas reflexões nas aulas da disciplina de Linguística Aplicada.
Com base nessas informações, elaboramos um instrumento de geração de dados
(questionário contendo perguntas) e o aplicamos em uma turma de alunos no início do
ano letivo, quando seus contatos com o conhecimento científico estava apenas
iniciando. Essa estratégia decorre do fato de que desejávamos captar as crenças que
traziam consigo como resultado de suas vivências anteriores a seu ingresso na
Universidade, num curso superior de graduação Letras/licenciatura. No total, foram
listadas 25 crenças e indagamos, o quanto esses estudantes as assumiam, numa
escala de 0 a 100%, dividida em 5 possibilidades de resposta previamente
estabelecidas para a tabulação dos dados: 0%, 25%, 50%, 75% e 100%. A amostra foi
de 46 estudantes, perfazendo 68,6% do total de 67 matriculados. Os resultados

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encontrados na análise dos dados foram de que há verdades presumidas que nada
influenciam (de 0% a 25% das ocorrências), as de pouca interferência (de 25% a 50%)
e as de alta interferência (de 75% a 100%) no grupo participante da pesquisa. Quanto a
essas (de alta interferência), o grupo demonstrou, no geral, estar afinado com as
contribuições da LA, mesmo não tendo sido exposto a nenhuma delas no ambiente
universitário, configurando a existência de uma conscientização acerca do que é ensinar
e aprender uma língua estrangeira. Além disso, a maioria das crenças depositava em
algo exterior ao indivíduo o crédito da responsabilidade pelo aprendizado da língua
estrangeira. Tais suposições mostram a ignorância social e a ausência de
questionamento crítico, pois levam professores de LE a realizarem suas aulas por meio
de regras sistemáticas e desprovidas de significação, afastando seus alunos do
consequente aprendizado e se frustrando na realização profissional.

Palavras-chave: Crenças; Ensino; Aprendizagem.

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5) PIBID e PROINTE em foco: construção identitária e


aprendizagem do professor de língua inglesa em espaços
extracurriculares

Profa. Me. Célia Regina L. Aleixo Devico (UEM)


Profa. Dra. Josimayre Noveli Coradim (UEM)
Profa. Dra. Luciana Cabrini Simões Calvo(UEM)

Resumo:

A construção da identidade docente e a formação do professor de língua inglesa


ocorrem em diversos contextos, curriculares e extracurriculares, nos quais os
acadêmicos atuam ao longo do curso de licenciatura em Letras. Esta comunicação
objetiva investigar como a participação de acadêmicos do curso de Letras (habilitação
única/inglês e habilitação dupla/português-inglês) em dois espaços extracurriculares –
Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid)/Letras-Inglês e o
Programa de Integração Estudantil (Prointe)/Inglês – afetam a aprendizagem docente e
o desenvolvimento de sua identidade profissional. O Pibid é uma política pública em
nível nacional que tem como um de seus objetivos contribuir com o fortalecimento da
formação de professores em cursos de licenciatura. Por sua vez, o Prointe caracteriza-
se por suas atividades de ensino e de serviço de apoio aos estudantes universitários e
tem como uma das finalidades oferecer oficinas de inglês instrumental, ministradas por
acadêmicos do curso de Letras, aos acadêmicos de uma universidade pública norte
paranaense. Esta investigação faz parte do projeto de pesquisa institucional “Formação
de professores de línguas: aprendizagem e desenvolvimento da identidade docente”, o
qual tem como objetivo geral “estudar e investigar a representação de oportunidades de
aprendizagem docente e o desenvolvimento da identidade profissional de acadêmicos
do curso de Letras em atividades e/ou espaços (extra)curriculares”. Para a geração dos
dados foram utilizados questionários de cunho dissertativo, aplicados aos pibidianos e
aos alunos-professores participantes do PROINTE. A análise e as discussões dos
dados estão pautadas nos estudos sobre aprendizagem docente (LAVE; WENGER,
1991; WENGER, 1998; JOHNSON, 2009, dentre outros) e nas pesquisas relacionadas
à construção e consolidação da identidade profissional (FLORES, 2003; BOHN, 2005;
BEIJAARD; MEIJER; VERLOOP, 2011; REIS; VAN VEEN; GIMENEZ, 2011, dentre
outros). Os resultados discutem quais experiências vivenciadas no âmbito dos dois
referidos projetos foram significativas para a aprendizagem docente e para o
desenvolvimento da identidade profissional. Ao lançar um olhar para esses dois
espaços extracurriculares, espera-se contribuir com o campo da formação de
professores de línguas, com as discussões sobre aprendizagem docente e formação da
identidade profissional em diversos tempos e espaços (extra)curriculares no âmbito do
curso de Letras.

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Palavras-chave: Aprendizagem docente; Identidade; Língua inglesa; PIBID; PROINTE.

6) Vivências de alunos ingressantes e formandos do curso de


Letras: aprendizagem e desenvolvimento da identidade docente

Profa. Me. Célia Regina L. Aleixo Devico (UEM)


Profa. Dra. Josimayre Noveli Coradim (UEM)
Profa. Dra. Luciana Cabrini Simões Calvo(UEM)

Resumo:

A formação do professor de línguas é um processo contínuo de aprendizagem, o qual


ocorre nas diversas práticas sociais vivenciadas pelos acadêmicos do curso de
licenciatura e envolve a construção da sua identidade profissional. Pesquisas voltadas
à compreensão da aprendizagem docente (LORTIE, 1975; SHULMAN, 1986; LAVE;
WENGER, 1991; WENGER, 1998; JOHNSON, 2009; CORADIM, 2015, dentre outros),
bem como os estudos relacionados à construção e consolidação da identidade
profissional do professor de inglês (NÓVOA, 1995; FLORES, 2003; BOHN, 2005;
BEIJAARD; MEIJER; VERLOOP, 2011; REIS; VAN VEEN; GIMENEZ, 2011; REIS;
GONÇALVES; ORSINI, 2014, dentre outros) são importantes bases teóricas que têm
pautado as discussões sobre o processo de tornar-se professor de inglês e sobre a
construção da sua identidade.A presente comunicação tem o intuito de analisar quais
experiências e/ou espaços vivenciados por ingressantes e formandos dos cursos de
Letras (habilitação única e dupla) contribuíram, na visão deles, para a sua formação
e/ou identificação como docentes de inglês. Os dados aqui apresentados fazem parte
de um projeto de pesquisa institucional intitulado “Formação de professores de línguas:
aprendizagem e desenvolvimento da identidade docente”, o qual objetiva “estudar e
investigar a representação de oportunidades de aprendizagem docente e o
desenvolvimento da identidade profissional de acadêmicos do curso de Letras em
atividades e/ou espaços (extra) curriculares”.Eles foram gerados por meio de aplicação
de questionários de cunho dissertativo para alunos ingressantes e formandos dos
cursos de Letras-Português/Inglês e Letras-Inglês de uma universidade pública
paranaense.Os resultados discutem de que modo as experiências acadêmicas
(disciplinas, projetos, eventos, dentre outras) vivenciadas ao longo do primeiro ano
contribuíram para formação docente dos alunos ingressantes e quais disciplinas e
espaços/atividades vivenciadas ao longo do curso, segundo os alunos egressos,
influenciaram ou fortaleceram sua formação e identificação com a profissão professor

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de inglês. Espera-se que esse estudo dialogue com as investigações voltadas para
construção e consolidação da identidade do professor de inglês, além daquelas voltadas
à aprendizagem docente. Esse trabalho pode ainda servir de aporte para o
aprimoramento e fortalecimento das práticas educacionais da formação do professor de
inglês nos cursos de Letras.

Palavras-chave: Alunos ingressantes; Formação docente inicial; Formandos do curso


de Letras; Identidade; Língua inglesa.

7) A identidade docente em um curso de Letras português-inglês

Walison Rodrigues de Andrade (UEM)


Profa. Dra. Luciana Cabrini Simões Calvo(UEM/Orientadora)

Resumo:
Esta comunicação apresenta os resultados de um projeto de iniciação científica
(PICUEM), o qual teve como principal objetivo investigar a construção identitária de
formandos de um curso de Letras com habilitação dupla (língua portuguesa e língua
inglesa). De modo específico, o referido projeto analisou os fatores que influenciaram as
escolhas pela licenciatura dupla; investigou como os acadêmicos se identificam ao se
formarem docentes em língua portuguesa e língua inglesa; e também verificou o papel
do curso de Letras na construção da identidade de professor de língua portuguesa,
língua inglesa ou de ambas as línguas. Os estudos sobre formação de professores de
línguas (CELANI, 2006; FREITAS, 2014; dentre outros) e a sua identidade (BOHN,
2005; FLORES, 2011; REIS; VEEN; GIMENEZ, 2011 e outros) embasaram esta
pesquisa qualitativainterpretativista. O contexto de investigação foi uma turma de quinto
ano do período noturno do curso de Letras com habilitação dupla português-inglês de
uma universidade pública paranaense e os dados foram gerados por meio da aplicação
de um questionário de cunho dissertativo aos formandos do mencionado contexto. Os
resultados apontam que a escolha da licenciatura dupla pelos respondentes foi
fortemente influenciada pelo turno em que o curso era ofertado e pelo fato de uma
licenciatura dupla oferecer maiores oportunidades de trabalho para um futuro
profissional. Além disso, constatou-se que os formandos que atuaram como sujeitos da
pesquisa reconhecem, de maneira unânime, a importância do curso em sua formação
identitária, ainda que aconteça de forma diferente para cada um deles. Finalmente, ao
pedir para que os alunos se identificassem como futuro professor, a pesquisa apontou
que, mesmo cursando uma licenciatura dupla, mais de dois terços dos respondentes se
enxergam como professores de uma língua apenas. O trabalho traz também dados

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referentes à (auto)confiança que os alunos sentem em ensinar cada língua e os


espaços que pretendem ocupar no mercado de trabalho. Esperase que a comunicação
contribua com as discussões sobre o papel dos cursos de licenciatura dupla na
formação profissional do docente e na sua construção identitária. Portanto, a pesquisa
desenvolvida esclarece e ilustra algumas das escolhas feitas pelo estudante da
licenciatura dupla e como esse as percebe enquanto aluno e futuro professor.
Palavras-chave: Formação docente inicial; Identidade; Curso de Letras; Habilitação
dupla.

8) O Celin e a sua contribuição com a formação de futuros


professores de língua inglesa
Me. Soraia Teixeira Sonsin (UNESPAR)

Resumo:

O projeto de pesquisa O CELIN e a sua contribuição com a formação de futuros


professores de língua inglesa está voltado para a Pesquisa Exploratória de cunho
descritivo, fundamentado na Teoria da Atividade Sócio-Histórico-Cultural (LEONTIEV,
1978) que nos possibilita compreender a organização e a concepção da Atividade de
ensino e aprendizagem e Vygotsky, (1934/2000), que considera que a mediação entre
pares no ambiente escolar é um processo importante de intervenção, pois possibilita
uma relação entre sujeito e objeto de conhecimento, propicia a compreensão crítica
sobre a relação entre aprendizagem e desenvolvimento dos alunos, a partir das
interações sociais. O objetivo geral da pesquisa foi o de identificar a contribuição efetiva
do CELIN com a área de formação em língua inglesa. Utilizamos como instrumento de
pesquisa: questionários aplicados aos alunos, professores e secretárias e, documentos
acerca da formação do CELIN. Assim, foi possível identificar o trabalho cotidiano dos
professores, o material didático utilizado, os procedimentos teórico-metodológicos
utilizados por estes professores. Para chegar a uma análise dos resultados, inicialmente
realizamos um levantamento geral dos números de alunos (), professores (9) e
secretárias (2) inseridos no CELIN. Como resultado parcial obtivemos a análise das
contribuições advindas apenas por parte dos professores de Língua Inglesa, atuantes
no Centro de Línguas da UNESPAR - Campus de Campo Mourão - CELIN. Os
resultados parciais alcançados são: Professores com formação em Ensino Superior,
pós-graduação e certificados internacionais na área de atuação; material didático
internacional adequado com a formação proposta e de ótima qualidade; os recursos
didáticos variam entre aparelho de som, CDs, DVDs, data show, lousa branca e

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canetão; a metodologia de ensino está embasada na Abordagem Comunicativa; os


alunos recebem monitoria em horário de contra turno; as instalações físicas são
adequadas, porém com falta apoio institucional para desenvolver atividades culturais.
Além de toda a capacidade identificada voltada para uma formação de excelência, este
centro oferta um ponto alto em destaque que é a oportunidade automática de meia
bolsa aos estudantes do curso de Letras da UNESPAR – Campus de Campo Mourão.
Esta oportunidade viabiliza maior fluência na Língua Inglesa.

Palavras-chave: CELIN; Língua Inglesa; Formação.

9) Inglês como Língua Franca: algumas considerações a respeito


da análise de um livro didático

Flávia Meneguel Fogaça (UEM)


Vilma Gomes de Lima (UEM)
Profa. Dra. Luciana Cabrini Simões Calvo (UEM/Orientadora)

Resumo:
Inglês como língua franca (ILF) vem sendo definido como o uso da língua na
comunicação entre falantes de diferentes línguas maternas (SEIDLHOFER, 2011). Os
estudos com foco na perspectiva do ILF vêm sendo desenvolvidos em diversos países e
têm sido objeto de investigação de pesquisadores, tanto no contexto nacional (EL
KADRI, CALVO, 2015; EL KADRI, 2013; GIMENEZ, 2013; MIRANDA, 2015; SIQUEIRA,
2011, dentre outros), quanto internacional (SEIDLHOFER, 2011; BERNS, 2011;
BAYYURT; AKCAN, 2015; MATSUDA, 2017, dentre outros). O fator principal que
contribuiu para que o inglês assumisse a categoria de língua franca foi a globalização,
processo capaz de encurtar distâncias e permitir a conexão em tempo real com pessoas
numa escala global. Frente a esta breve contextualização, o objetivo desta comunicação
é apresentar uma análise das quatro primeiras unidades do livro didático New Headway
Pre-intermediate, the Third edition (Student’s Book). De modo específico, ela examina
se e de que modo a perspectiva de inglês como língua franca se faz presente nesse
material, a partir das implicações linguísticas e/ou educacionais apresentadas por El
Kadri (2010), El Kadri; Calvo (2015), Gimenez et al. (2015). Nesse sentido, nossa
pesquisa é qualitativa, de cunho analítico, na qual o cerne da análise tem como base os
textos e as atividades propostas em nosso objeto de estudo. Os resultados alcançados
evidenciam que o material exibe algumas características da perspectiva do ILF, tal
como a ênfase no desenvolvimento de habilidades de expressão oral e escrita como
importantes focos de aprendizagem. No entanto, o livro aborda parcialmente questões

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como: a descentralização do falante nativo, a exposição a diferentes variedades do


inglês, o ensino de cultura em uma abordagem intercultural, uma articulação entre o
local e o global, a relação entre globalização e o inglês. Foi possível identificar também
que o livro não trata ou discute questões relacionadas aos objetivos do ensino e da
aprendizagem dessa língua, incubindo ao professor a tarefa de buscar essas
informações em outros materiais.

Palavras-chave: Inglês como Língua Franca. Livro didático. Ensino-Aprendizagem.

10) Elaboração de roteiro didático com unidades do PPPLE:


espaço de formação continuada para o professor

Profa. Me. Vanessa Christina Araujo (UEL)

Resumo:
A produção de Material Didático (MD) para o ensino de Português para Falantes de
Outras Línguas (PFOL) tem aumentado consideravelmente nos últimos anos, motivada,
dentre outros fatores, pela expansão desta área no cenário mundial. Reconhecendo
essa expansão de produção, encontramos no Portal do Professor de Português Língua
Estrangeira/Língua Não Materna (PPPLE), um Recurso Educacional Aberto, unidades
didáticas que contemplam uma perspectiva de língua portuguesa em uso, em suas
diferentes variedades e que vêm a atender, assim, à crescente expansão do português
como língua pluricêntrica por suas variedades igualmente válidas, com suas respectivas
histórias e funções em cada nação. Dentre as tarefas do professor, reconhecemos a de
analisar e selecionar MD como de grande importância, pois ele é o mediador entre um
MD produzido em larga escala e um público-alvo específico. Assim, temos como
objetivo, nesta comunicação, apresentar um conjunto de elementos essenciais,
denominado diretrizes, para a seleção e elaboração de MD de PFOL, a saber:
públicoalvo e motivação para aprendizagem, contexto(s) de uso da língua-alvo,
programa de ensino, concepções de língua(gem), dimensão da língua portuguesa e
integração de práticas de linguagem. Com o propósito de selecionar o MD para o curso
de PFOL do Laboratório de Línguas da Universidade Estadual de Londrina,
encontramos no Portal do Professor de Português Língua Estrangeira/Língua Não
Materna unidades didáticas que iam ao encontro das concepções que orientavam nossa
prática pedagógica. A seleção das unidades e a elaboração do roteiro didático como
material principal do curso em questão nos impeliam cada vez mais a revisitar os

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pressupostos teóricos que embasavam nossa práxis a fim de prepararmos um roteiro


que contemplasse os escopos didáticos e acadêmicos. Os resultados alcançados com a
especificação e o reconhecimento dessas diretrizes para seleção e elaboração de MD
foi uma decisão mais informada de nós professoras, de modo a atender melhor às
necessidades de nossos alunos. Além disso, verificou-se durante o percurso de
elaboração do roteiro e a organização das diretrizes que ali residia um espaço de
formação continuada para nós professoras, pois precisamos por inúmeras vezes
recorrer as concepções que norteiam nossa prática pedagógica, as quais, muitas vezes,
são deixadas de lado em detrimento das concepções subjacentes aos MD.
Palavras-chave: Formação de professores; Material Didático; Português para Falantes
de Outras Línguas.

11) A reflexão no estágio de docência em língua inglesa:


contribuições de uma instrução ao sósia

Profa. Dra. Didiê Ana Ceni Denardi (UTFPR)


Soelene de Fátima Brovoski Modolo (UTFPR)
Profa. Dra. Siderlene Muniz Oliveira (UTFPR /Orientadora)

Resumo:

Este artigo objetiva discutir sobre o estágio curricular supervisionado, a partir das
representações de um estudante do 8º período de Letras de uma universidade pública
do Sudoeste do Paraná. Objetiva, também, apresentar os resultados das análises de
um texto de instrução ao sósia, no qual identificamos marcas de reflexão prática
(SCHÖN, 1983) e reflexão crítica (PIMENTA; LIMA, 2005, 2006; ZEICHNER, 2008).
Trata-se de uma pesquisa qualitativa que responde a questões muito particulares e
preocupa-se com um nível de realidade que não pode ser quantificado (MINAYO, 1994).
Tem por embasamento o Interacionismo Sociodiscursivo (BRONCKART, 2012), que,
focando no agir no trabalho, confere à linguagem papel fundamental no
desenvolvimento humano. Fundamenta-se, ainda, nos pressupostos teórico-
metodológicos de disciplinas do trabalho, como a Ergonomia da Atividade e Psicologia
do Trabalho, mais especificamente, na Clínica da Atividade (CLOT, 2007), as quais
buscam investigar as situações de trabalho para promover uma melhoria e o bem-estar
das condições de trabalho e saúde dos trabalhadores. Utilizamos a instrução ao sósia
como instrumento para a geração dos dados, que consiste em um procedimento no qual
o sósia faz inúmeras perguntas para saber como realizar determinada atividade, muitas
vezes, questões que o outro não lhe previu ensinar (CLOT, 2007). Além disso, a
pesquisa contou com uma entrevista semi-estruturada encaixada na instrução ao sósia

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para que o participante pudesse manifestar sua opinião sobre o tema. A partir do texto
gerado, identificamos marcas da reflexão prática e reflexão crítica no agir do estudante
de Letras referente à atividade de estágio considerada. Reflexão prática que envolve
repensar as experiências vividas à luz de teorias para uma maior adequação da própria
prática; reflexão crítica que requer tomada de consciência das implicações sociais,
econômicas e políticas das escolhas das ações. Como resultado, verificamos, também,
que as representações do sujeito sobre o estágio de docência reforçam algo que tem
resistido ao tempo: a estrutura curricular dos cursos de formação de professores é frágil
no sentido de assegurar momentos de reflexão sobre as questões
observadas/vivenciadas no estágio. Este é entendido, pelo sujeito, como um espaço
para aproximar o aluno das realidades de sua profissão, o que faz do estágio um
momento especial na formação. Com relação a dificuldades encontradas, o sujeito
aponta que um dos desafios é fazer com que os professores aceitem os estagiários nas
salas de aulas, o que denota uma fragilidade na “parceria” entre as universidades e as
escolas. Os resultados da pesquisa contribuem para reiterarmos o potencial formativo
da instrução ao sósia, a qual foi definida pelo sujeito desta pesquisa como um momento
que “permitiu parar por alguns momentos e fazer uma reflexão, algo que é
extremamente necessário para um bom planejamento futuro”.

Palavras-chave: professor de língua inglesa; estágio curricular supervisionado;


reflexão; Interacionismo Sociodiscursivo; Psicologia do Trabalho.

12) O Pibid-Letras/Inglês na formação docente continuada

Mariany Camilo Nabarrete (UEM)


Nágila Oliveira (UEM)
Profa. Dra. Josimayre Novelli Coradim (Orientadora/UEM)
Profa. Dra. Luciana Cabrini Simões Calvo (Orientadora/UEM)

Resumo:

Muitos professores, ao se formar e começar a atuar em sala de aula, sentem a


necessidade de se manter atualizados em um processo contínuo de aprendizagem, o
qual ocorre por meio da formação docente continuada. Nesse sentido, este trabalho
apresenta resultados parciais de uma pesquisa realizada com seis professores
supervisores participantes do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência
(PIBID), do projeto Letras-Inglês, de uma universidade estadual paranaense. Tal projeto
é composto por duas professoras coordenadoras, quatro professores supervisores e
vinte e cinco pibidianos, sendo dois voluntários e uma mestranda. Os pibidianos têm a

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oportunidade de serem inseridos no contexto da Educação Básica desde o primeiro ano


da graduação e, juntamente com o acompanhamento de seus supervisores, participam
de várias etapas e atividades específicas da profissão. No âmbito desse projeto,
realizamos uma pesquisa de base qualitativa e interpretativista, tendo por objetivo
analisar, mediante a aplicação de um questionário de cunho dissertativo, as possíveis
contribuições do Pibid para a formação docente continuada dos supervisores
participantes. Consideramos que a formação docente continuada pode ser uma
oportunidade para que o professor (re)discuta questões referentes ao processo de
ensino e aprendizagem de línguas, reflita sobre sua aula, prática e carreira, troque
experiências com outros profissionais e acadêmicos do curso de licenciatura em Letras,
pense em possíveis soluções para problemas enfrentados em sala de aula, dentre
outros aspectos. As discussões teórico-analíticas embasam-se em estudos voltados
para a formação docente continuada, tais como Chimentão (2009); Telles (2009);
Jamoussi (2012); dentre outros. Os resultados da análise dos dados têm como foco: i)
discutir sobre a possível contribuição do Pibid para a formação docente continuada dos
supervisores; ii) analisar a forma como eles avaliam a sua atuação em sala de aula por
meio da vivência no projeto; iii) identificar atividades e/ou espaços oportunizados pelo
Pibid que puderam contribuir direta ou indiretamente para atuação e formação
continuada dos sujeitos investigados.

Palavras-chave: Pibid; Língua Inglesa; Formação docente continuada; Professores


supervisores.

13) Ensino de Língua Inglesa na educação básica pública:


implicações sobre a (des) valorização do idioma no atual cenário
educacional

Milene Luana da Silva (UEM)


Vanessa Tavares Baia (UEM)
Profa. Dra. Josimayre Novelli Coradim (UEM/ Orientadora)

Resumo:

Essa pesquisa trata de investigar os principais fatores que corroboram para a (des)
valorização da Língua Inglesa (doravante LI) no presente cenário educacional, na visão
de professores da rede pública de ensino que atuam em dois colégios estaduais em

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uma cidade do norte do estado do Paraná, um situado na região central e outro


localizado na região periférica. Esse estudo foi realizado no âmbito do Programa de
Iniciação Científica (PIC) da Universidade Estadual de Maringá, entre os anos de 2016 e
2017. Esta investigação é de natureza qualitativa e configura-se um estudo de caso.
Desse modo, para a geração dos dados, foi utilizado um questionário com questões
dissertativas referentes à visão desses professores sobre a (des) valorização do ensino
da LI no contexto os quais estão inseridos. Como fundamento teórico para a análise dos
dados, pautou-se nos estudos voltados ao processo de ensino e aprendizagem de
línguas no contexto brasileiro ao considerar a posição do inglês no contexto educacional
contemporâneo, ao status da LI e a visão e definições de estudiosos sobre a evolução
da língua, como: Seidlhofer (2005 apud ROCHA; SILVA, 2011), Lacoste e Rajagopalan
(2005 apud ROCHA; SILVA, 2011), Graddol (2006 apud ROCHA; SILVA, 2011), Bohn
(2000), entre outros. Além desses autores, foram utilizados os documentos oficiais
vigentes na educação brasileira, sendo eles: Parâmetros Curriculares Nacionais
(BRASIL, 1998), Orientações Curriculares para o Ensino Médio (BRASIL, 2006) e
Diretrizes Curriculares da Educação Básica (PARANÁ, 2008). Os resultados desse
estudo apontaram que os principais fatores contribuintes para a (des)valorização do
ensino de LI estão relacionados aos fatores externos à sala de aula (falta de
investimento na estrutura física e em recursos pedagógicos e tecnológicos) e internos
(desinteresse dos alunos no processo de aprendizagem de LI). É válido ressaltar que foi
possível verificar divergências entre pontos de vista dos docentes, levando em
consideração os diferentes contextos sócio educacionais nos quais estão inseridos.
Assim, com base na análise dos dados, evidenciamos que os fatores sociais, históricos
e econômicos interferem significativamente na visão dos professores e no
posicionamento dos alunos a respeito da (des)valorização do ensino da LI. Como
contribuições dessa investigação, aponta-se sua relevância para a reflexão a respeito
da visão da LI no cenário educacional brasileiro, visto que é considerada uma língua de
alcance global com possíveis implicações acadêmicas, profissionais e pessoais.

Palavras-chave: Língua Inglesa; (Des) Valorização; Educação Básica; Status da


Língua Inglesa na Contemporaneidade.

14) Expectativa x realidade: os (per)cursos do professor em


formação docente inicial nas oficinas do Pibid

Bianca Grela (UEM)


Fernanda Trevizan e Silva (UEM)
Profa. Dra. Josimayre Novelli Coradim (UEM/Orientadora)
Profa. Dra. Luciana Cabrini Simões Calvo (UEM/Orientadora)

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Resumo:

Conforme o Portal de Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior


(CAPES), o Programa Inicial de Bolsas de Iniciação à Docência (doravante Pibid) visa
contribuir com a formação de estudantes de licenciaturas por meio de sua inserção em
escolas da educação básica da rede pública, ao desenvolver atividades didático-
pedagógicas sob orientação de um coordenador (docente da instituição a qual estuda a
licenciatura) e de um supervisor (professor da escola básica). Nesse contexto, a
presente comunicação traz resultados de uma pesquisa que teve como objetivo
principal relatar as expectativas iniciais, bem como as crenças de duas docentes em
formação inicial no que se refere à elaboração de planos de aula para oficinas em
língua inglesa (LI) propostas pelo Pibid-Inglês da Universidade Estadual de Maringá
(UEM). Para tanto, tomou-se como corpus um dos diários reflexivos escrito pelas
pibidianas referente à atividade desenvolvida na escola cuja temática pautava-se no
gênero música. O foco investigativo centrou-se no contraste das expectativas iniciais
existentes antes da aula ministrada com a maneira como os fatos e as atividades foram
desenvolvidas na prática, considerando as adequações necessárias e, também, o modo
como as pibidianas lidaram com tais adaptações. A análise foi desenvolvida de forma
indutiva com base na identificação de temas e categorias que permearam a elaboração
e a aplicação do plano de aula em questão. O aporte teórico que embasou essa
investigação foram os estudos voltados às crenças de alunos e professores no que
tange ao processo de ensino e aprendizagem de línguas (BARCELOS, 2001; SILVA,
2007; CORADIM; ROSEIRA, 2014). Assim sendo, notou-se que as experiências
proporcionadas pelo Pibid foram de extrema importância para a formação das alunas-
professoras, já que suas crenças acerca da elaboração e aplicação de planos de aula
foram revistas. Além disso, salienta-se o quão torna-se imprescindível que o professor
pense em outras possíveis atividades e dinâmicas que vão além daquelas
contempladas em seus planos de aula , mas que ficam em suas construções mentais, a
fim de serem utilizadas mediante imprevistos e intervenções de diversas naturezas, a
saber: pedagógicas, contextuais, disciplinares, cognitivas, entre outras.

Palavras-chave: Pibid; Língua Inglesa; Formação docente inicial; Plano de aula; Diário
reflexivo.

15) O ensino por tarefas na formação inicial de professores em


língua inglesa a distância: possíveis encaminhamentos

Aline Priscilla Brancalhão Züge (UEM)

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Resumo:

O presente trabalho, de natureza qualitativo-interpretativa, volta-se para o levantamento


de possibilidades teórico-metodológicas de formação inicial de futuros professores de
língua inglesa, no contexto de Educação a Distância. A pesquisa justifica-se pela
necessidade, verificada pela pesquisadora, de atrelar sua experiência com o ensino de
língua inglesa a dois fatores, para ela, novos: a modalidade e o público, haja vista que
ela jamais havia atuado na modalidade a distância, tampouco na formação de futuros
professores de língua inglesa em um curso de Letras. Tal necessidade esteve atrelada
ao encargo atribuído à pesquisadora de que elaborasse um curso de extensão, via
educação a distância, a fim de minimizar as dificuldades dos professorandos. O
princípio norteador do estudo foi o de que, no que diz respeito à qualidade de ensino, as
práticas proporcionadas pela educação a distância não podem ficar aquém daquelas
oferecidas pelo ensino presencial. Tais práticas estão associadas à interação, ao uso
efetivo uso da língua inglesa e à lida adequada com a heterogeneidade. Esses fatores
são entendidos como propiciadores de aprendizado e devem ser ofertados na
modalidade a distância, da mesma maneira que, idealmente, espera-se que aconteça
na modalidade presencial. Uma vez que o estudo está voltado ao ensino de língua
inglesa a professorandos, foi também necessário buscar um embasamento teórico-
prático capaz de proporcionar uma adequada formação de professores de LI em
contextos não presenciais. Essa situação problema demandou o levantamento do
arcabouço legal referente à formação docente, que contempla práticas de letramentos e
a transposição didática. Procedeu-se, ainda, a um levantamento das mais comuns
abordagens de ensino de línguas estrangeiras, o que levou à constatação de que a
articulação do ensino por tarefas (RICHARDS & RODGERS, 2014; SCHLATTER, 2009;
SCHLATTER & GARCEZ, 2012) com as proposições do pós-método, de
Kumaravadivelu (1994) está em consonância com as demandas da formação de
professores de língua estrangeira dos dias atuais, tanto no que diz respeito ao
conhecimento de língua quanto ao componente pedagógico. Focalizou-se as interações
possibilitadas pela educação a distância, que se caracterizam pela utilização de
tecnologias da informação e da comunicação. Concluiu-se que a ampla
heterogeneidade dos alunos verificada na modalidade de ensino, em vez de ser um
entrave, pode atuar como fator de potencialização para a aprendizagem de língua
inglesa, pois fornece ricas oportunidades de movimentos interacionais, mediados pelas
tecnologias.
Palavras-chave: Ensino de Língua Inglesa. Formação de professores. Educação a
Distância. Ensino por tarefas.

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16) Bases de conhecimento docente em língua inglesa: a


perspectiva de professores em formação docente inicial no
contexto do Pibid
Jaqueline Mayumi Ikeda Loureiro (UEM)
Profa. Dra. Josimayre Novelli Coradim (UEM/Orientadora)
Profa. Dra. Luciana Cabrini Simões Calvo (UEM/Orientadora)

Resumo:
Esta pesquisa tem por finalidade apresentar uma investigação cujo foco analítico são
as perspectivas de alunos em formação docente inicial sobre as bases de conhecimento
mobilizadas por eles durante a atuação no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação
à Docência – Pibid, particularmente do projeto Pibid Letras-Inglês de uma universidade
pública paranaense. No âmbito da formação docente inicial, o Pibid incentiva alunos da
graduação a atuarem na área da licenciatura, bem como colabora com a valorização do
magistério e oportuniza a vivência do futuro docente na realidade do contexto em que
irá atuar. A dinâmica das reuniões do projeto Pibid-Inglês do contexto investigado
envolve desenvolvimento de planos de aula e atividades didático-pedagógicas, bem
como discussões teórico-metodológicas sobre diferentes aspectos voltados ao
processo de ensino e aprendizagem de línguas, além do compartilhamento de
experiências entre alunos em formação docente inicial, professores da rede básica e
professores do ensino superior. Ademais, o projeto interliga a aprendizagem teórica com
a prática, criando pontes interativas entre universidade e escolas. No âmbito desse
projeto, surgiu o interesse em analisar as bases de conhecimento mobilizadas pelos
pidianos perante sua atuação como professor em formação docente inicial. Essa
pesquisa, de natureza qualitativa e de base interpretativista, utilizou como instrumento
para a geração dos dados um questionário de cunho dissertativo. Com base nas
respostas de nove participantes do programa, realizou-se uma análise indutivo-dedutiva
com o intuito de identificar categorias analíticas recorrentes. O aporte teórico que
sustenta essa investigação são os estudos desenvolvidos por Shulman (1987) e
Grossman (1990), os quais denominam as bases de conhecimento como um conjunto
de conhecimento adquirido pelo professor ao longo de sua trajetória pessoal, escolar,
acadêmica e profissional. Os resultados evidenciaram que houve predominância do
conhecimento pedagógico de conteúdo, conhecimento discente e conhecimento do
contexto. Com base nos resultados, foi possível também identificar que a emoção
permeou os conhecimentos mobilizados pelos participantes da pesquisa. Concluiu-se
que, o Pibid proporcionou aos estudantes a aquisição de conhecimentos que
compactuam com os basilares de Shulman e Grossman, além de ter desenvolvido
habilidades emocionais.
Palavras-chave: Pibid; Língua inglesa; Formação docente inicial; Bases de
conhecimento.

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17) O inglês na escola pública funciona? - um relato de


experiência, a partir da “amostragem de tarefas” em LE, numa
escola pública do município de Arapiraca (AL)

Bruna Ciríaco Valério (SEEMA)

Resumo:

A princípio, por se tratar de tarefas, algumas reflexões teóricas são imprescindíveis,


sobretudo, as que nortearam o propósito desta pesquisa, destacando desse modo,
Scaramucci(1996) e Wills (1996) que salientam a importância do propósito
comunicativo; bem como Prabhu (1987) e Nunan (1989) que enfatizam os processos
cognitivos e interacionais e Ellis (2003a) que engloba em sua definição, tanto a parte
pragmática quanto a cognitiva da tarefa. O objeto da pesquisa é a análise da própria
tarefa que se realiza na sala de aula, priorizando o uso das principais abordagens de
ensino de língua estrangeira do panorama brasileiro. A escolha das abordagens para
cada tarefa ocorre numa relação de dependência, isto é, dentro da real necessidade do
público, tento em vista o conteúdo a ser ministrado na disciplina língua inglesa, no
ensino fundamental. Para tanto, é preciso um conhecimento claro das abordagens,
sendo assim, o trabalho apoia-se em Menezes (2014); Sant’Anna et.al. (2014) e Oliveira
(2014), como suporte das teorias de ensino de línguas, considerando aqui todas as
etapas: do planejamento à avaliação, além da didática com Chagas (1957) e Antunes
(2010). Nessa sustentação teórica, utilizamos também Geraldi (1997) e Faraco (2009),
no que se relaciona à concepção interacionista da língua, além da busca feita nas
fontes básicas, como Voloshinov e Bakhtin (1926) e Bakhtin (2003), conferindo desse
modo, a importância do estabelecimento de relações dialógicas no processo de ensino
e de aprendizagem. O objetivo da pesquisa é através do uso da “amostragem de
tarefas”, demonstrar que é possível promover uma aprendizagem significativa da língua
inglesa, dado que nesse processo, a interação é o caminho para a construção do
conhecimento. Como primeiros resultados foi possível perceber que em relação ao
conteúdo da disciplina de língua inglesa, os alunos se utilizaram das próprias tarefas
como fonte linguísticas de ensino para interagir com o mundo em sua volta e, assim,
compreender melhor o idioma estrangeiro, ou seja, as tarefas propostas pelo professor
iniciaram o processo de construção do saber. Pode-se observar também que nesse tipo
trabalho é plenamente possível o processamento da língua cognitivamente, já que numa
tarefa pode envolver habilidades produtivas ou receptivas, orais ou escritas, além da
inferência, da dedução e do raciocínio prático. A metodologia da pesquisa prima pela
abordagem qualitativa, a partir de aplicação de tarefas sistematizadas e fundamentadas
nas fontes supramencionadas, tendo como sujeitos, os alunos do 7º ano, de uma escola

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pública do município de Arapiraca (AL). Essa ação permite encontrar a partir do próprio
corpus da tarefa, meios que viabilizem resultados satisfatórios, pois ao passo que as
tarefas estão sendo realizadas, aprende-se com a execução e também com os
redirecionamentos, a serem dados, caso haja necessidade. Trata-se de uma pesquisa
ainda em andamento por entender que a aprendizagem ocorre na realização e na
continuidade progressiva das tarefas. Mesmo em desenvolvimento, já se percebe como
resultados parciais, um público mais motivado, por perceber fundamentos e finalidades
concretos na realização das tarefas. Conclui-se então, que as tarefas realizadas, por
serem baseadas no interação e na premissa de que ‘língua é comunicação’, estão
conseguindo efetivar essa comunicação em língua inglesa, a partir de situações reais,
vivenciadas em sala de aula.

Palavras-chave: Tarefas de ensino. Língua Inglesa. Interação. Aprendizagem.


Comunicação.

18) A identidade do professor de língua Inglesa em busca de


formação continuada: Sua relação com o exame de proficiência
Teaching Knowledge Test (TKT) de Cambridge
Janayna Ortunho Rosa Chamseddine (UEM)

Resumo:
Essa comunicação é fruto de reflexões pessoais, crenças e vozes que formam uma
polifonia em meu interior; moldando minha identidade docente, fazendo-me ressignificar
enquanto sujeito através da ideologia que faz parte de mim. Sendo esta a condição
para a constituição do sujeito e dos sentidos, Orlandi, 2003. Durante o ano de 2016
enquanto aluna do curso TKT, estava envolvida com mais sete colegas/alunas e quase
todas elas egressas de cursos preparatórios de proficiência, e também do curso de
Letras, esse lócus proporcionou muito estimulo para observação e reflexão acerca não
só de minha identidade enquanto aluna daquele curso, mas também entender o porque
de todas nós estarmos em busca de mais um certificado internacional. Então, dando
origem a essa comunicação busquei por alguns pilares constituintes da identidade
profissional indo de encontro a uma visão construtivista de acordo com Reis, 2011.
Onde é a ação do professor e sua busca para as respostas das seguintes perguntas
que movem a construção da identidade docente. Quem sou eu neste momento? Quem
desejo me tornar? O que me faz pensar assim? Tais perguntas me direcionaram a
encontrar alguns objetivos específicos nesse trabalho, como: *Revelar qual razão levou
o professor a optar pelo curso TKT; *Verificar possíveis lacunas na formação do
professor de língua inglesa; *Checar se há motivações extrínsecas ou intrínsecas a sua
participação no curso; *Verificar qual sua crença acerca do que constitui a identidade de
um professor de língua inglesa em busca de formação continuada. Para tanto,

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embasada na linguística aplicada, no campo de formação de professores de LI, a


literatura contemplará nuances de teoria de crença e reflexão, contudo, o escopo deste
trabalho atém-se a identidade do professor em busca de formação continuada.
Contemplarei no estado da arte: ABRAHÃO, 2004; 2006; BARCELOS, 2005; BASSO,
2000; BOHN, 2005; CELANI, 2006; FRANCO E LISITA, 2014, MIRANDA, NÓVOA,
1995; 2000; PIMENTA, 2005; REIS, 2011; entre outros de igual importância. Espera-se
através desse estudo, contribuir na formação docente continuada através das
descobertas de características que constituem a identidade docente do professor que
busca a certificação internacional como meio de crescimento acadêmico.
Especificamente o TKT de Cambridge.

Palavras-chave: Formação docente continuada, Identidade, TKT.

19) Proficiência leitora em língua inglesa: uma análise longitudinal


dos testes ofertados pelo TEPLE

Profa. Dra. Érica Fernandes Alves (UEM)


Profa. Dra. Luciana Cabrini Simões Calvo (UEM)

Resumo: O presente trabalho tem como objetivo apresentar um histórico do Teste de


Proficiência em Língua Estrangeira (TEPLE), ofertado pelo Departamento de Letras
Modernas (DLM) da Universidade Estadual de Maringá (UEM). De modo específico,
será feita uma análise longitudinal dos modelos de provas elaborados em diferentes
períodos de sua realização - desde o início até o presente momento - com vistas a
compreender as possíveis mudanças na concepção de leitura e interpretação textual
(LEFFA, 1999; LEANE, 2002; MENEGASSI, 2005; PAIVA, 2005; dentre outros)
adotadas na elaboração do teste ao longo de sua vigência. O teste é aplicado desde
1993 e é um requisito obrigatório para os alunos de pós-graduação da UEM, bem como
de outras instituições brasileiras de ensino superior (IES) que aceitam a certificação
oferecida pelo referido teste. Por seu longo período de vigência, ele é referência entre a
comunidade acadêmica e, portanto, requer rigor e atenção em sua elaboração. O
TEPLE é viabilizado por meio de um projeto de prestação de serviços e também de
extensão do DLM da universidade em questão. O projeto de extensão visa auxiliar
pedagogicamente a aplicação do TEPLE. Desse modo, os docentes participantes
elaboram, revisam, aplicam e corrigem as provas de proficiência destinadas para a
comunidade acadêmica. Observamos que a ideia de proficiência leitora subjacente ao
teste atual é a de decodificação e compreensão da língua estrangeira por meio de
tradução de excertos e da busca de informações ‘localizadas’ em textos com temáticas

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voltadas ao meio acadêmico. O teste é composto por questões de caráter objetivo e


também dissertativo abrangendo a interpretação textual de maneira diversificada e
ampla. As questões abordam não só a procura por informações, mas a compreensão de
aspectos linguísticos essenciais para a totalidade do sentido dos textos. A temática de
cada teste varia de acordo com as atualidades e discussões pertinentes ao meio
acadêmico como um todo. Esperamos que este trabalho dialogue com outros estudos
voltados para avaliação (TUMOLO; TOMITCH, 2007; SCARAMUCCI, 2009; CONSOLO;
GATTOLIN; SILVA, 2017; dentre outros) de testes de proficiência em língua estrangeira
de modo a dar subsídios e colaborar tanto localmente, na elaboração e análise contínua
do TEPLE, quanto amplamente em reflexões a respeito de exames que avaliam a
proficiência leitora em nível de pós-graduação.

Palavras-chave: teste de proficiência; pós-graduação; leitura.

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SIMPÓSIO 14) O Texto como Objeto: análises em perspectivas da


linguística textual e da linguística enunciativa

Prof. Dr. Edson Carlos Romualdo (UEM)

ecromualdo@uol.com.br

Profa. Dra. Célia Tamara Coêlho (Unespar)

celiatamara@uol.com.br

1) As limitações do código braille no universo multimodal

Gabriela de Souza Marques (UEM)


Prof.Dr. Edson Carlos Romualdo (UEM)

Resumo:

O código Braille, criado por Louis Braille, na França, em 1825, consiste em um sistema
de escrita em relevo constituído por 63 sinais formados por diferentes combinações de
seis pontos. Desde a sua primeira publicação, em 1829, o código tornou-se uma forma
de garantir às coletividades cegas o acesso à leitura e à escrita e, por conseguinte, à
comunicação por meio destas. Em síntese, o Braille é um sistema de representação da
linguagem verbal e, enquanto a noção de texto esteve restrita a essa modalidade, o
código desempenhou com êxito a sua função. Todavia os avanços nos estudos
linguísticos, especificamente em se tratando das contribuições da Linguística Textual,
trouxeram consigo novas concepções de língua, de linguagem, de leitura, de escrita e,
certamente, de texto. A função da linguagem de comunicar, defendida, a priori, por
Roman Jakobson (1896-1982), foi ampliando-se e, hoje, para algumas teorias, como a
Análise de Discurso de vertente pecheutiana, por exemplo, é possível dizer que o papel
de menor relevância da linguagem é o de comunicar. Notadamente no âmbito de
investigação da Linguística Textual, a função da linguagem foi estendida, ao longo do
tempo, ao contexto e à produção de sentidos, e não se deve deixar de destacar que, na
atual era da tecnologia, essa produção dá-se por outras semioses, que não a verbal.
Com base em Bentes (2012), é sobretudo na terceira e mais recente fase da teoria que
a língua deixa de ser vista como instrumento transmissor de informações, isto é, como
um sistema de codificação, e passa a ser entendida como atividade sociointerativa
situada, em que se propõe uma relação entre aspectos linguísticos, sociais e cognitivos.
A imagem e o som são, agora, considerados como produtores de sentidos e, diante

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dessa multimodalidade, o Braille, enquanto código, começa a apresentar algumas


limitações, embora seja uma ferramenta fundamental aos não videntes, por ter
possibilitado-lhes a constituição de uma nova individualidade histórica. A presente
comunicação, calcada em discussões de natureza teórica, tem por objetivo discutir por
que as limitações do código braille surgiram diante dos avanços trazidos pelos estudos
da Linguística Textual, sobretudo no que tange à noção de texto. Para tanto, é
necessário enveredar-se para estudos que se dedicam a discutir sobre o braille
enquanto código e sobre a trajetória da linguística do texto. Assim, esta apresentação
apoia-se nos trabalhos de Belarmino (2007), de Marcuschi (2008), de Cavalcante e
Custódio Filho (2010) e de Bentes (2012).

Palavras-chave: Código braille. Multimodalidade. Texto adaptado.

2) Intertextualidade e argumentação no gênero notícia no


webjornalismo alagoano
Me. Eduardo Pantaleão de Morais (UEM/DINTER)
Profa. Dra. Maria Célia Cortez Passetti (UEM/Orientadora)

Resumo:

Este trabalho propõe uma discussão acerca da intertextualidade e da argumentação,


numa abordagem linguístico-textual-argumentativa, mostrando como os interlocutores
podem construir e recuperar sentidos no gênero notícia, cuja veiculação se dá em um
portal de notícias de grande circulação na cidade de Maceió-AL. Essa proposta de
análise revela a produção de sentidos persuasivos por meio da intertextualidade, na
produção de determinados enunciados, em contexto jornalístico, para obter a adesão do
leitor ao que é mobilizado no conteúdo da notícia jornalística de internet. A base
metodológica é qualitativa, possibilitando uma interpretação dos dados, à luz dos vieses
textuais e argumentativos, destacando, por assim dizer, a qualidade das informações
provenientes da observação do corpus, permitindo, portanto, uma análise
pormenorizada a partir da identificação e interpretação da intertextualidade enquanto
recurso textual em vias de persuasão, o que coaduna na elaboração de outros sentidos
imbricados no gênero notícia. A teoria escolhida para o estudo centra-se no domínio
textual que acentua, de maneira abrangente, a instauração da coerência organizacional
do texto face ao conjunto de sentidos que circulam na tessitura do texto, constituindo,
por assim dizer, uma teia de conhecimentos que se amalgamam para produzir sentidos
entre os interlocutores. Para a construção da teoria, faz-se preciso elencar alguns
teóricos do texto, como Beaugrande, Dressler (1981), Antunes (2015), Fávero (2015),

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Koch (2011, 2014), Marcuschi (2008), além de outros, segundo os quais, a


intertextualidade é entendida como categoria textual que revela conhecimento restrito
e/ou amplo. No que concerne à argumentação e à persuasão, buscaram-se Aristóteles
(2005), Perelman, Olbrechts-Tyteca (1996), Reboul (1998), Sousa (2001) etc. Essa
discussão buscou responder aos seguintes questionamentos: Por ser a notícia um
gênero de grande relevância na esfera jornalística, como se deu a produção de sentidos
persuasivos a partir da intertextualidade, em sentido amplo e restrito, para o
fortalecimento da linguagem persuasiva? Se, por um lado, a relevância do estudo se
justifica por haver no gênero notícia uma composição estrutural que lhe permite ser
estudado no universo da textualidade, revelando os aspectos interpretativos que estão
endossados em seu conteúdo, por outro lado, os resultados da discussão
demonstraram que o estudo da intertextualidade e da argumentação, no referido gênero
textual, apresentam um significativo movimento entre a mensagem, o gênero e os
interlocutores.

Palavras-chave: Gênero notícia. Intertextualidade. Argumentação. Portal de notícias


alagoano.

3) As representações do sujeito leitor idoso sob o Mangá “Zetsuen no


Tempest”: uma adaptação da peça “Tempestade” de Shakeaspere

Me. Célia Tamara Coêlho (UNESPAR)


Dr. Edson Carlos Romuado (UEM)

Resumo:

A presente comunicação tem por objetivo analisar as representações do sujeito leit