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APELAÇÃO CRIMINAL Nº 5051606-23.2016.4.04.7000/PR


RELATOR : JOÃO PEDRO GEBRAN NETO
REL.
: Des. Federal LEANDRO PAULSEN
ACÓRDÃO
APELANTE : EDUARDO COSENTINO DA CUNHA
ADVOGADO : RODRIGO SANCHEZ RIOS
: Luiz Gustavo Pujol
: carlos eduardo mayerle treglia
: VITOR AUGUSTO SPRADA ROSSETIM
: Jorge Vicente Silva
: GUILHERME SIQUEIRA VIEIRA
: TICIANO FIGUEIREDO DE OLIVEIRA
APELANTE : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
: PETRÓLEO BRASILEIRO S/A - PETROBRÁS
APELADO : OS MESMOS
INTERESSADO : CLAUDIA CORDEIRO CRUZ
ADVOGADO : Pierpaolo Cruz Bottini
: ANA FERNANDA AYRES DELLOSSO
: CLAUDIA VARA SAN JUAN ARAUJO
INTERESSADO : COLABORADOR(ES) .
ADVOGADO : ANTONIO AUGUSTO LOPES FIGUEIREDO BASTO
: LUIS GUSTAVO RODRIGUES FLORES
: RODOLFO HEROLD MARTINS
: BENO FRAGA BRANDÃO
: Alessi Cristina Fraga Brandão
: IGOR ARTHUR RAYZEL
: CELSO SANCHEZ VILARDI
: LUIZ RODRIGO DE AGUIAR BARBUDA BROCCHI
: MARCELO NAPOLITANO DE OLIVEIRA
: MATTEUS BERESA DE PAULA MACEDO
: MARIA FRANCISCA DOS SANTOS ACCIOLY
: MARCOS VINICIUS RAYOL SOLA
: MARIA FRANCISCA SOFIA NEDEFF SANTOS
INTERESSADO : IDALÉCIO DE CASTRO RODRIGUES DE OLIVEIRA
ADVOGADO : ILIDIO VENTURA VIGARIO DE MOURA
: DARCY DE FREITAS
: LETICIA JOST LINS E SILVA
: ADRIANO PRATA PIMENTA
: MAIRA COSTA FERNANDES
: Eduardo Sanz de Oliveira e Silva
: Luiz Henrique Merlin
: Thiago Tibinka Neuwert

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: RENATA DA SILVA PENNA


: RONNY PETERSON NUNES DOS SANTOS
INTERESSADO : JOAO AUGUSTO REZENDE HENRIQUES
ADVOGADO : JOSE CLAUDIO MARQUES BARBOZA JUNIOR
INTERESSADO : JORGE LUIZ ZELADA
ADVOGADO : Alexandre Lopes de Oliveira
: Roberto Brzezinski Neto
: RICARDO MATHIAS LAMERS
: Renato Ribeiro de Moraes

EMENTA

DIREITO PENAL. DIREITO PROCESSUAL PENAL. VIGÉSIMA TERCEIRA


APELAÇÃO DA 'OPERAÇÃO LAVA-JATO'. PRELIMINARES. INÉPCIA DA
DENÚNCIA NÃO VERIFICADA. COOPERAÇÃO JURÍDICA
INTERNACIONAL. PROVAS OBTIDAS NA SUIÇA. AUSÊNCIA DE
NULIDADE. PRINCÍPIO DA DUPLA INCRIMINAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
COMPETÊNCIA PARA INVESTIGAÇÃO DE AUTORIDADE COM FORO
PRIVILEGIADO. USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA DO STF NÃO
VERIFICADA. DELAÇÃO PREMIADA. OITIVA DE COLABORADORES NA
CONDIÇÃO DE TESTEMUNHAS. MEIO DE OBTENÇÃO DE PROVA. LEI
12.850/13. INSTRUÇÃO PROCESSUAL. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIAS
PROTELATÓRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA INEXISTENTE.
SENTENÇA E FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. INSTRUÇÃO
PROCESSUAL. MÉRITO. CORRUPÇÃO PASSIVA. RECEBIMENTO DE
VANTAGENS INDEVIDAS EM NEGÓCIO REALIZADO PELA PETROBRÁS.
LAVAGEM DE DINHEIRO. CRIME AUTÔNOMO AO ANTECEDENTE.
CICLOS DA LAVAGEM. CRIME CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO
NACIONAL. MANUTENÇÃO DE DEPÓSITOS NÃO DECLARADOS NO
EXTERIOR. DOSIMETRIA DA PENA. ANÁLISE DE VETORIAIS DA PENA-
BASE. VEDAÇÃO A REFORMATIO IN PEJUS. COMPETÊNCIA PARA FIXAR
E VERIFICAR A REPARAÇÃO DOS DANOS. EXECUÇÃO DA PENA.
JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE.
1. INÉPCIA DA DENÚNCIA. A denúncia não pode ser considerada inepta quando
formulada em obediência aos requisitos previstos no art. 41 do Código de Processo
Penal, descrevendo de forma clara as condutas típicas praticadas, atribuindo-as ao
acusado devidamente qualificado, com todas as circunstâncias que permitem o
exercício da ampla defesa. Ademais, na hipótese dos autos, o próprio STF
reconheceu a aptidão da denúncia e a recebeu antes da perda do mandato
parlamentar do acusado.
2. COOPERAÇÃO JURÍDICA INTERNACIONAL. Nos termos da decisão

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proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos presentes autos, 'a transferência de
procedimento criminal, embora sem legislação específica produzida internamente,
tem abrigo em convenções internacionais sobre cooperação jurídica, cujas normas,
quando ratificadas, assumem status de lei federal. Além das Convenções citadas no
precedente ('Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado
Transnacional' - Convenção de Palermo, promulgada no Brasil pelo Decreto 5.015,
de 12.03.04, e 'Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção' - Convenção de
Mérida, de 31.10.03, promulgada pelo Decreto 5.687, de 31.01.06), há,
relativamente à República Federativa do Brasil e à Confederação Suíça, o Tratado
de Cooperação Jurídica em Matéria Penal, aprovado pelo Decreto 6.974, de
7.10.2009, como também a previsão do art. 4U do Tratado de Extradição entre
Suíça e Brasil, de 23.7.1932, internalizado pelo Decreto 23.997, de 13.3.1934.'
3. A quebra de sigilo bancário determinada diretamente por autoridades Suíças,
inclusive sem qualquer pedido brasileiro para tanto, rege-se pelas normas
helvéticas. Não cabe pretender conferir efeitos extraterritoriais à legislação
brasileira para questionar a validade de atos jurídicos praticados naquele país com
base em sua própria legislação. Cada Estado soberano tem suas peculiaridades para
a autorização da quebra de sigilo e não se verifica, no caso, qualquer violação a
direitos humanos fundamentais e universais na produção dessa prova.
4. As previsões de tratados internacionais contemplam várias formas de
colaboração, dentre as quais inexiste uma vedação a priori à utilização da
integralidade do material probatório espontaneamente compartilhado por
autoridades estrangeiras quando o próprio Estado remetente não limita a remessa
integral de processos como forma de colaboração ou mesmo a forma de sua
utilização pela autoridade brasileira. Hipótese em que inaplicáveis regras
específicas de extradição a respeito da dupla incriminação.
5. COMPETÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal exerceu o controle jurisdicional
sobre o Inquérito 4.146/DF, no qual se buscou elementos sobre possíveis crimes
praticados por EDUARDO CUNHA, parlamentar detentor de prerrogativa de foro,
e que culminou na descoberta incidental de atos praticados ou registrados em nome
de seus familiares, CLAUDIA e DANIELLE CRUZ. Foi a própria corte
constitucional o órgão judicante que determinou o desmembramento do
procedimento investigatório, ocasião em que remetido à 13ª Vara Federal de
Curitiba para regular prosseguimento. Tratando-se de decisão tomada pelo Supremo
Tribunal Federal, não há usurpação de competência a ser reconhecida na hipótese.
6. DELAÇÃO PREMIADA. Na esteira de precedentes do STF, esta 8ª Turma
compreende que o acordo de colaboração premiada é ato jurídico negocial de
natureza processual.
7. Como negócio jurídico processual de natureza personalíssima que é, não pode ser
impugnado por coautores ou partícipes do colaborador na organização criminosa e
nas infrações penais por ela praticadas, ainda que venham a ser expressamente
nominados no respectivo instrumento quando do 'relato da colaboração e seus
possíveis resultados' (art. 6º, I, da Lei nº 12.850/13). Também por ser
personalíssimo, não vincula o delatado aos seus termos e não atinge diretamente a
sua esfera jurídica, isto é, seus efeitos não são extensíveis aos demais corréus.
8. Quanto à impossibilidade de o corréu prestar depoimento na condição de
testemunha, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ação Penal nº 470
('Mensalão'), excepcionou tal regra 'para o caso co-réu colaborador ou delator, a

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chamada delação premiada, prevista na Lei 9.807/1999'. Diz o acórdão: 'o sistema
processual brasileiro não admite a oitiva de corréu na qualidade de testemunha ou,
mesmo, de informante, exceção aberta para o caso de corréu colaborador ou
delator, a chamada delação premiada, prevista na Lei 9.807/1999' (no mesmo
sentido RHC 116.108/RJ, rel. Min. Ricardo Lewandowski).
9. O colaborador deporá em Juízo compromissado em dizer a verdade, seja pela
expressa disposição constante no art. 4º, § 14 da Lei nº 12.850/2013, seja para
atestar a veracidade de suas declarações e assim fazer valer os benefícios previstos
no acordo.
10. CERCEAMENTO DE DEFESA. O Código de Processo Penal confere ao
julgador um controle sobre a pertinência da prova a ser produzida, prevendo
expressamente a possibilidade de o juízo indeferir as provas 'consideradas
irrelevantes, impertinentes ou protelatórias' (artigo 400, §1º, do CPP). No caso dos
autos, todos os requerimentos da defesa foram devidamente analisados, tendo sido
minuciosamente fundamentados os indeferimentos das diligências tidas pelo juízo
como protelatórias ou inúteis para a apuração dos fatos. Cerceamento não
configurado.
11. SENTENÇA E FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. O juiz não possui o dever
legal de se manifestar sobre todos os argumentos declinados pelas partes, bastando
que decida todas as questões submetidas ao seu julgamento com fundamentação
suficiente a amparar suas conclusões. Precedentes STJ.
12. O juiz, a teor do que dispõe o artigo 155 do CPP, 'formará sua convicção pela
livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial'. Assim, as
conclusões exaradas pelo juízo, a partir da análise do conjunto probatório, não
podem ser tidas por inválidas apenas porque a parte discorda de seu mérito.
13. INSTRUÇÃO PROCESSUAL. Conquanto não haja norma processual que
permita expressamente a realização de novas diligências pela autoridade policial
após a deflagração da ação penal, a conjugação dos artigos 6º, 9º, 10 e 13 do Código
de Processo Penal revela a legalidade de tal procedimento.
14. Ainda que iniciado o processo criminal, nada impede que a autoridade policial
prossiga com as investigações e reúna novos elementos de convicção, desde que
necessários à elucidação dos ilícitos em apuração e obtidos no exercício de suas
atribuições legais. Ademais, na hipótese dos autos, o levantamento do sigilo do
procedimento investigativo se deu durante a instrução processual e o réu restou
devidamente intimado para que tomasse conhecimento acerca do conteúdo do
material e, caso assim o desejasse, apresentasse manifestação.
15. CORRUPÇÃO. Os tipos penais de corrupção tutelam o bom funcionamento da
Administração Pública, a qual deve pautar-se pelos princípios da legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Toda pessoa que exerce
cargo, emprego ou função pública, seja em caráter efetivo, ou mesmo
transitoriamente e ainda que sem remuneração, deve observe esses princípios na
prática dos seus atos. Isso tanto no âmbito da administração direta (ente político)
como da administração indireta (suas autarquias, funções, empresas públicas e
sociedades de economia mista) e também das empresas contratadas ou conveniadas
para a execução de atividade típica da Administração Pública.
16. Tipifica o delito de corrupção passiva a conduta de parlamentar que oferece
sustentação política para a manutenção de indivíduo no cargo de Diretor da
Petrobras em troca de propina recebida quando da realização de operações

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comerciais no âmbito da respectiva diretoria. Verificado o recebimento de vantagem


indevida em razão da função.
17. LAVAGEM DE DINHEIRO. Os verbos nucleares do tipo penal trabalhado pela
Lei 9.613/98 em seu art. 1º são ocultar ou dissimular. Ocultar é esconder, agir para
que não seja notado, visto ou descoberto. Dissimular também implica ocultação,
encobrimento, mas através de uma conduta que faz parecer outra coisa. Quando se
descobre a ocultação e a dissimulação, se encontra o produto do crime anterior, se
levanta o véu que encobria a prática criminosa, tornando-a desnuda, aparente,
acessível.
18. A criminalização da lavagem de dinheiro é fundamental para a repressão das
condutas que impedem ou dificultam sobremaneira a percepção e a investigação da
prática de crimes, sendo que tutela a Administração da Justiça, bem como a ordem
econômica.
19. A lavagem de ativos é crime autônomo em relação ao crime antecedente, já que
possui estrutura típica independente (preceito primário e secundário), pena
específica, conteúdo de culpabilidade própria e não constitui uma forma de
participação post-delictum.
20. Na esteira de precedentes do STF: '4) O delito de lavagem de dinheiro
consoante assente na doutrina norte-americana (money laundering), caracteriza-se
em três fases. A saber: a primeira é a da 'colocação' (placement) dos recursos
derivados de uma atividade ilegal em um mecanismo de dissimulação da sua
origem, que pode ser realizado por instituições financeiras, casas de câmbio,
leilões de obras de arte, dentre outros negócios aparentemente lícitos. Após, inicia-
se a segunda fase, de 'encobrimento', 'circulação' ou 'transformação' (layering),
cujo objetivo é tornar mais difícil a detecção da manobra dissimuladora e o
descobrimento da lavagem. Por fim, dá-se a 'integração' (integration) dos recursos
a uma economia onde pareçam legítimos.' (STF, AP 470, EI-décimos segundos,
Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 13/03/2014)
21. De qualquer modo, tratando-se de crime de ação múltipla, não é exigível o
exaurimento dessas fases para a configuração do crime. Basta a prática de quaisquer
das condutas descritas no tipo para que estejamos diante de crime consumado.
22. O aprofundamento da lavagem de determinado quantia, através de sucessivas
operações, não inaugura, quanto ao próprio autor do crime antecedente, atos
autônomos de lavagem. Não há como infligir ao réu punição autônoma em razão de
cada ato, sob pena de bis in idem.
23. MANUTENÇÃO DE DEPÓSITOS NÃO DECLARADOS NO EXTERIOR. O
art. 22 da Lei 7.492/86 criminaliza a evasão de divisas, assim entendida não apenas
a conduta de efetuar operação de câmbio não autorizada, com o fim de promover
evasão de divisas do País, como também as condutas de quem, a qualquer título,
promove, sem autorização legal, a saída de moeda ou divisa para o exterior, ou nele
mantiver depósitos não declarados à repartição federal competente (evasão
imprópria).
25. De acordo com a Circular nº 3.071/01 do Banco Central do Brasil, a Declaração
de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE) é obrigatória para os residentes no país,
'detentores de ativos (participação no capital de empresas, títulos de renda fixa,
ações, depósitos, imóveis, dentre outros) contra não residentes, que totalizem
montante igual ou superior ao equivalente a U$ 100.000,00 (cem mil dólares dos
Estados Unidos) no último dia de cada ano.'

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26. Não há falar em continuidade delitiva pela existência de duas contas bancárias
distintas não declaradas no exterior. A declaração é anual e única,
independentemente da quantidade de contas existentes. A consumação do delito se
dá, a cada 31 de dezembro, pela manutenção no exterior de valores acima de U$
100.000,00 (cem mil dólares) sem a devida declaração à autoridade competente,
importando a soma total e não em quantos investimentos estão aplicados.
27. A manutenção de depósitos não declarados no exterior não pode ser considerada
como uma etapa necessária à lavagem de capitais, razão pela qual é inaplicável o
princípio da consunção.
28. DOSIMETRIA. PENA-BASE. In casu, o Ministério Público Federal trouxe
razões recursais exclusivamente destinadas a considerar como negativas as vetoriais
'motivos do crime' e 'conduta social'. Não houve irresignação em relação ao
quantum de aumento derivado das vetoriais já reconhecidas pelo magistrado de
primeiro grau. Sendo assim, negado provimento ao recurso, a majoração da pena-
base fundada nas mesmas vetoriais aplicadas em primeiro grau de jurisdição
implica reformatio in pejus sem que haja efetiva pretensão exercida pelo Ministério
Público Federal neste sentido.
29. REGIME. PROGRESSÃO. CONDIÇÃO: REPARAÇÃO DOS DANOS.
MODULAÇÃO E QUESTIONAMENTOS: COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA
EXECUÇÃO. Mantida a sentença na parte em que refere que a progressão de
regime fica, em princípio, condicionada à reparação do dano, nos termos do art. 33,
§4º, do Código Penal, porque 'ex vi legis'. As questões concernentes à aplicação
dessa previsão legal, seu modo e tempo de cumprimento, bem como quaisquer
outro incidentes que venham a surgir a seu respeito, serão da competência do Juízo
da execução.
30. EXECUÇÃO DA PENA ASSIM QUE EXAURIDA A SEGUNDA
INSTÂNCIA. A execução da pena terá início assim que exaurida a segunda
instância, não se devendo aguardar o trâmite de eventuais recursos especiais e
extraordinários, os quais não versam sobre matéria de fato e não são dotados de
efeito suspensivo. Entendimento consolidado na Súmula nº 122 do TRF4.

ACÓRDÃO

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a
Egrégia 8a. Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, decidiu julgar
prejudicadas as razões do agravo regimental interposto por Eduardo Cunha e, por maioria, com
ressalvas de fundamentação apresentadas pelo Des. Victor Luiz dos Santos Laus e vencido em
parte o relator, dar parcial provimento ao apelo do réu Eduardo Cunha e negar provimento ao
apelo do MPF, nos termos do voto do revisor, conforme relatório, votos e notas de julgamento
que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.

Porto Alegre, 21 de novembro de 2017.

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Desembargador Federal Leandro Paulsen


Relator

Documento eletrônico assinado por Desembargador Federal Leandro Paulsen, Relator, na forma do
artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26
de março de 2010. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço
eletrônico http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/verifica.php, mediante o preenchimento do código
verificador 9065204v23 e, se solicitado, do código CRC D41917EF.
Informações adicionais da assinatura:
Signatário (a): Leandro Paulsen
Data e Hora: 04/12/2017 15:05

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