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ISBN 9788547216573

Lôbo, Paulo
Comentários ao Estatuto da Advocacia e da OAB / Paulo Lôbo. – 10. ed. – São Paulo : Saraiva, 2017.
1. Advogados - Estatuto legal, leis etc. - Brasil 2. Ordem dos Advogados do Brasil - Estatuto legal, leis etc. I. Título.
16-1349 CDU 347.965.8(81)(094.56)

Índices para catálogo sistemático:

1. Brasil : Advogados : Estatutos : Comentários 347.965.8(81)(094.56)

2. Brasil : Ordem dos Advogados : Estatutos : Comentários 347.965.8(81)(094.56)

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Revisão Microart Design Editorial

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Capa Roney Camelo


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Data de fechamento da edição: 13-12-2016

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Em home na ge m

a os gra nde s a dvoga dos bra sile iros e

Ex-Pre side nte s Na ciona is da OAB

Ma rce llo La ve nè re Ma cha do

e José Robe rto Ba tochio,

e m cuja s ge stõe s o Esta tuto foi

conce bido, discutido e , a fina l, conve rtido e m Le i.


SUMÁRIO

Nota à 10ª Edição

Parte I - DA ADVOCACIADA

ORIGENS DA ADVOCACIA
ORIGENS REMOTAS DA ADVOCACIA
ADVOCACIA COMO PROFISSÃO ORGANIZADA
ADVOCACIA NO MUNDO LUSO-BRASILEIRO
EVOLUÇÃO NO BRASIL

ATIVIDADE DE ADVOCACIA
LEI N. 8.906, DE 4 DE JULHO DE 1994
DENOMINAÇÃO DE ADVOGADO
Origem da denominação
Uso da denominação segundo o Estatuto
ATO E ATIVIDADE DE ADVOCACIA
POSTULAÇÃO PERANTE OS ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO. JUS
POSTULANDI DA PARTE
CONSULTORIA, ASSESSORIA E DIREÇÃO JURÍDICAS
ATOS E CONTRATOS
DIVULGAÇÃO DE ATIVIDADE DE ADVOCACIA. VEDAÇÃO DE EXERCÍCIO
CONJUNTO COM OUTRA ATIVIDADE
CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS DA ADVOCACIA
INDISPENSABILIDADE DO ADVOGADO
NATUREZA DA ADVOCACIA. SERVIÇO PÚBLICO. FUNÇÃO SOCIAL
O ADVOGADO ESTRANGEIRO
ADVOCACIA PÚBLICA
ATUAÇÃO DE ESTAGIÁRIO
NULIDADE DOS ATOS DE ADVOCACIA PRATICADOS ILEGALMENTE
MANDATO JUDICIAL
PODERES PARA O FORO EM GERAL
RENÚNCIA AO MANDATO JUDICIAL

DIREITOS DO ADVOGADO
DIREITOS OU PRERROGATIVAS
INDEPENDÊNCIA DO ADVOGADO ANTE O JUIZ E OS AGENTES
PÚBLICOS
LIBERDADE DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL
INVIOLABILIDADE DO ADVOGADO
IMUNIDADE PROFISSIONAL POR MANIFESTAÇÕES E ATOS
SIGILO PROFISSIONAL
INVIOLABILIDADE DO LOCAL E DOS MEIOS DE EXERCÍCIO
PROFISSIONAL
COMUNICAÇÃO COM CLIENTE PRESO
PRISÃO EM FLAGRANTE DO ADVOGADO
PRISÃO EM SALA DE ESTADO-MAIOR
DIREITO DE INGRESSO EM ÓRGÃOS JUDICIÁRIOS E LOCAIS PÚBLICOS
RELAÇÃO COM MAGISTRADOS
SUSTENTAÇÃO ORAL NOS TRIBUNAIS
USO DA PALAVRA ORAL. ESCLARECIMENTOS E RECLAMAÇÕES
DIREITO A EXAME E DE VISTAS DE PROCESSOS E DOCUMENTOS
DESAGRAVO PÚBLICO
SÍMBOLOS PRIVATIVOS DO ADVOGADO
RETIRADA DO RECINTO
ASSISTIR AOS CLIENTES INVESTIGADOS NAS APURAÇÕES
DIREITOS DA ADVOGADA GESTANTE, LACTANTE, ADOTANTE OU QUE
DER À LUZ

INSCRIÇÃO NA OAB
REQUISITOS PARA INSCRIÇÃO COMO ADVOGADO
Capacidade civil
Diploma de graduação em direito
Regularidade eleitoral e militar
Exame de Ordem
Ausência de incompatibilidade
Idoneidade moral
Crime infamante
Compromisso
INSCRIÇÃO DO ADVOGADO ESTRANGEIRO
ESTAGIÁRIO
DOMICÍLIO PROFISSIONAL. INSCRIÇÃO PRINCIPAL, SUPLEMENTAR E
POR TRANSFERÊNCIA
CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO
LICENCIAMENTO DO ADVOGADO
DOCUMENTO DE IDENTIDADE DO ADVOGADO

SOCIEDADE DE ADVOGADOS
NATUREZA E CARACTERÍSTICAS DA SOCIEDADE DE ADVOGADOS
CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE E SEU REGISTRO
DENOMINAÇÃO DA SOCIEDADE
Filial
RELAÇÃO DA SOCIEDADE COM SEUS SÓCIOS. RESPONSABILIDADES
ASPECTOS ÉTICO-DISCIPLINARES
PLANOS DE ASSISTÊNCIA JURÍDICA
ADVOGADO ASSOCIADO
SOCIEDADE INDIVIDUAL OU UNIPESSOAL DE ADVOCACIA

ADVOGADO EMPREGADO
ADVOGADO EMPREGADO. INDEPENDÊNCIA PROFISSIONAL
INAPLICABILIDADE AO ADVOGADO PÚBLICO
INTERESSES PESSOAIS DO EMPREGADOR
SALÁRIO MÍNIMO PROFISSIONAL
JORNADA DE TRABALHO
HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA DO ADVOGADO EMPREGADO

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
DIREITO AOS HONORÁRIOS
HONORÁRIOS EM ASSISTÊNCIA JURÍDICA E ADVOCACIA PRO BONO
TIPOS DE HONORÁRIOS
HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA
MODOS DE PAGAMENTO DOS HONORÁRIOS
COBRANÇA DOS HONORÁRIOS
PRESCRIÇÃO

INCOMPATIBILIDADES E IMPEDIMENTOS
NATUREZA E ALCANCE DOS IMPEDIMENTOS E INCOMPATIBILIDADES
AS INCOMPATIBILIDADES SOB A ÓTICA CONSTITUCIONAL
INCOMPATIBILIDADES COM A ADVOCACIA: ALCANCE E TIPOS
Titulares de entes políticos
Funções de julgamento
Funções de direção
Auxiliares e serventuários da justiça
Atividade policial
Militares
Atividades tributárias
Instituições financeiras
IMPEDIMENTOS: TIPOS E ALCANCE
Impedimentos dos parlamentares
Procuradores-gerais e diretores jurídicos
Tipos especiais de impedimentos
Não impedimento dos docentes dos cursos jurídicos
EFEITOS NO PROCESSO JUDICIAL

ÉTICA DO ADVOGADO
ÉTICA PROFISSIONAL
INDEPENDÊNCIA DO ADVOGADO
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ADVOGADO
LIDE TEMERÁRIA
CÓDIGO DE ÉTICA E DISCIPLINA
PUBLICIDADE DA ADVOCACIA

INFRAÇÕES E SANÇÕES DISCIPLINARES


INFRAÇÕES DISCIPLINARES
INFRAÇÕES DISCIPLINARES PUNÍVEIS COM CENSURA
Exercício da profissão por impedidos ou incompatibilizados
Participação em sociedade irregular
Utilização de agenciador de causas
Angariar ou captar causas
Autoria falsa de atos
Advogar contra literal disposição de lei. Lei injusta
Quebra de sigilo profissional
Entendimento com a parte contrária
Prejuízo causado à parte
Nulidade processual culposa
Abandono da causa
Recusa da assistência jurídica
Publicidade de trabalho pela imprensa
Manipulação fraudulenta de citações
Imputação de fato criminoso
Descumprimento a determinação da OAB
Prática irregular de ato pelo estagiário
Violação ao Código de Ética e Disciplina
Violação de preceito do Estatuto
INFRAÇÕES DISCIPLINARES PUNÍVEIS COM SUSPENSÃO
Ato ilícito ou fraudulento
Aplicação ilícita de valores recebidos de cliente
Recebimento de valores da parte contrária
Locupletamento à custa do cliente
Recusa injustificada de prestação de contas
Extravio ou retenção abusiva de autos
Inadimplemento para com a OAB
Inépcia profissional
Conduta incompatível
Reincidência
INFRAÇÕES DISCIPLINARES PUNÍVEIS COM EXCLUSÃO
Falsidade dos requisitos de inscrição
Inidoneidade moral
Reincidência
Crime infamante
TIPOS E CONSEQUÊNCIAS DAS SANÇÕES DISCIPLINARES
CONSEQUÊNCIAS NOS PROCESSOS E ATOS PRATICADOS PELO
ADVOGADO
ATENUANTES E AGRAVANTES
REABILITAÇÃO
PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO DISCIPLINAR

Parte II - DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL

BREVE HISTÓRICO DA OAB


Histórico do atual Estatuto

FINS E ORGANIZAÇÃO DA OAB


NATUREZA JURÍDICA E INDEPENDÊNCIA DA OAB
FINALIDADES DA OAB
FINALIDADES POLÍTICO-INSTITUCIONAIS
Defesa da Constituição
Defesa da ordem jurídica
Defesa dos direitos humanos
Luta permanente pela justiça social
Boa aplicação das leis e rápida administração da justiça
Aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas
FINALIDADES CORPORATIVAS. SINDICATOS
NATUREZA E TIPOS DE ÓRGÃOS DA OAB. A QUESTÃO DA
PERSONALIDADE JURÍDICA
PECULIARIDADES DA OAB: IMUNIDADE TRIBUTÁRIA E PUBLICIDADE
DOS ATOS
CONTRIBUIÇÕES OBRIGATÓRIAS
CARGOS DOS MEMBROS DE ÓRGÃOS DA OAB
PRESIDENTE DA OAB. LEGITIMIDADE PARA AGIR
CONSELHO FEDERAL DA OAB
COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA DO CONSELHO FEDERAL
VOTO E QUORUM
COMPETÊNCIAS DO CONSELHO FEDERAL
Cumprimento das finalidades da OAB
Representação dos advogados
Defesa das prerrogativas da profissão
Representação internacional
Legislação regulamentar e complementar do Estatuto
Intervenção parcial
Intervenção completa
Cassação de atos
Recursos
Identidade do advogado
Relatório e contas
Listas sêxtuplas
Jus postulandi do Conselho Federal
Cursos jurídicos. Autorização, reconhecimento e elevação da qualidade
Bens imóveis
Participação em concursos públicos
DIRETORIA DO CONSELHO FEDERAL

CONSELHO SECCIONAL
COMPOSIÇÃO DO CONSELHO SECCIONAL E DELIBERAÇÃO
COMPETÊNCIAS DO CONSELHO SECCIONAL
Regimento interno e resoluções
Criação de Subseções e Caixa de Assistência
Recursos
Relatório e contas
Tabela de honorários
Inscrição de advogados e estagiários
Cadastro de inscritos
Contribuições obrigatórias
Concursos públicos
Trajes dos advogados
Orçamento anual
Tribunal de Ética e Disciplina
Listas sêxtuplas
Intervenção
DIRETORIA DO CONSELHO SECCIONAL

SUBSEÇÃO DA OAB
NATUREZA E ESTRUTURA DA SUBSEÇÃO
DIRETORIA DA SUBSEÇÃO
COMPETÊNCIAS DA SUBSEÇÃO
CONSELHO DA SUBSEÇÃO

CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS


ORIGEM E OBJETIVOS DA CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS
DIRETORIA E MANUTENÇÃO DA CAIXA
PECULIARIDADES DA CAIXA

ELEIÇÕES E MANDATOS
SISTEMA E DATA DA ELEIÇÃO GERAL DOS MEMBROS DE ÓRGÃOS DA
OAB
REQUISITOS DE ELEGIBILIDADE
CHAPA CONCORRENTE
ELEIÇÃO DA DIRETORIA DO CONSELHO FEDERAL
MANDATOS

PROCESSO NA OAB
PROCESSO E NORMAS SUPLETIVAS
PRAZOS E NOTIFICAÇÕES

PROCESSO DISCIPLINAR
PODER DE PUNIR E DE EXECUTAR DECISÃO CONDENATÓRIA
IRRECORRÍVEL
FASES DO PROCEDIMENTO DISCIPLINAR
INSTRUÇÃO E DEFESA
JULGAMENTO PELO TRIBUNAL DE ÉTICA E DISCIPLINA
SUSPENSÃO PREVENTIVA
REPRESENTAÇÃO DISCIPLINAR OFENSIVA À HONRA DO ADVOGADO
REVISÃO DO PROCESSO ÉTICO-DISCIPLINAR

RECURSOS
TIPOS DE RECURSOS
CABIMENTO DOS RECURSOS
PRAZOS E EFEITOS DOS RECURSOS

DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS


REGULAMENTO GERAL
REGIME DOS SERVIDORES DA OAB
CONFERÊNCIAS DA OAB E COLÉGIO DE PRESIDENTES
PARTICIPAÇÃO DO INSTITUTO DOS ADVOGADOS
SITUAÇÕES TRANSITÓRIAS

Bibliografia
Nota à 10ª Edição

Esta 10ª e diçã o ma nté m o pa drã o da s a nte riore s, de sde a prime ira , de 1994, re la ciona ndo os
come ntá rios a ca da ca pítulo da le i, distribuídos siste ma tica me nte por ite ns te má ticos, que pode m
a grupa r um ou ma is pre ce itos le ga is do ca pítulo. Os come ntá rios sã o de na ture za doutriná ria , com
re fe rê ncia s à le gisla çã o a plicá ve l, à jurisprudê ncia dos tribuna is, à jurisprudê ncia a dministra tiva da
OAB e , como ilustra çã o, a o dire ito e stra nge iro.

Qua ndo ne ce ssá rio, os dispositivos do Re gula me nto Ge ra l e do Código de Ética e Disciplina sã o
re fe ridos e m nossos come ntá rios à Le i n. 8.906/94. Qua nto a o Código de Ética e Disciplina , e m sua
ve rsã o a prova da e m 2015, se u conte údo é se mpre re fe rido e m nossos come ntá rios a os te ma s é ticos
e disciplina re s, pe rtine nte s a ca da dispositivo do Esta tuto.

Muda nça s le ga is e re gula me nta re s, dire ta ou indire ta me nte a plicá ve is à a dvoca cia , a lé m de
nova s orie nta çõe s na jurisprudê ncia dos tribuna is supe riore s e do próprio Conse lho Fe de ra l da
OAB, ocorrida s a pós a última e diçã o, a lé m do a dve nto do CPC/2015, torna ra m ne ce ssá ria uma nova ,
re vista e a tua liza da . Alte ra çõe s re le va nte s ocorre ra m com a Le i n. 13.245/2016, re la tiva me nte à
a mplia da e impre scindíve l pa rticipa çã o do a dvoga do e m qua lque r e spé cie de inqué rito e
inve stiga çã o que e nvolva m se us clie nte s, e com a Le i n. 13.247/2016, que a utoriza a cria çã o e o
re gistro da socie da de unila te ra l de a dvoca cia .

A Le i n. 13.363/2016 a tribuiu dire itos e spe cíficos à a dvoga da ge sta nte , la cta nte , a dota nte ou que
de r à luz, com re pe rcussõe s positiva s e m sua a tivida de profissiona l.
PARTE I

DA ADVOCACIA
ORIGENS DA ADVOCACIA

ORIGENS REMOTAS DA ADVOCACIA

A a dvoca cia , como de fe sa de pe ssoa s, dire itos, be ns e inte re sse s, te ria na scido no te rce iro
milê nio a nte s de Cristo, na Sumé ria , se fore m conside ra dos a pe na s da dos históricos ma is re motos,
conhe cidos e comprova dos. Se gundo um fra gme nto do Código de Ma nu, sá bios e m le is pode ria m
ministra r a rgume ntos e funda me ntos pa ra que m ne ce ssita sse de fe nde r-se pe ra nte a utorida de s e
tribuna is. No Antigo Te sta me nto re colhe -se idê ntica tra diçã o e ntre os jude us. No Egito, proibia m-se
a s a le ga çõe s ora tória s, pa ra que a s a rte s sua sória s e os usos re tóricos do de fe nsor nã o influísse m
nos juíze s (Ma rtine z Va l, 1981, p. 1-5). Há que m loca lize na Gré cia a ntiga , e spe cia lme nte e m Ate na s,
o be rço da a dvoca cia , onde a de fe sa dos inte re sse s da s pa rte s, por gra nde s ora dore s como
De móste ne s, Pé ricle s, Isócra te s, se ge ne ra lizou e se difundiu (Rossi, 1990, p. 16).

Ta is hipóte se s, no e nta nto, nã o configura ra m a e xistê ncia de uma profissã o, de uma a tivida de
profissiona l pe rma ne nte e re conhe cida .

Se toma rmos por re fe rê ncia o mundo roma no, a o qua l nos vincula mos por tra diçã o cultura l,
pode re mos e ncontra r tra ços e volutivos da a dvoca cia , que pode ria se r de sdobra da e m dois tipos de
profissiona is distintos: os a dvoga dos, como pa tronos e re pre se nta nte s da s pa rte s, e os
jurisconsultos. Este s últimos, a cre dita dos pe la a lta qua lida de cie ntífica e mora l de sua s opiniõe s
jurídica s, gra nje a ra m, a o longo da história roma na , re conhe cime nto oficia l, inclusive pa ra vincula r
a s de cisõe s judicia is. Era m a s responsia prud entium (da í, jurisprudê ncia ) que se ria m le va da s e m
conta no julga me nto. Lê -se no pre â mbulo da s Instituiçõe s de Justinia no, volta da s à “mocida de que
e studa a s le is”, que e ste Impe ra dor, e m 530-533, promove u a re uniã o nos cinque nta livros do Digesto
ou Pand ectas do dire ito roma no a ntigo, nome a da me nte dos pa re ce re s, opiniõe s e obra s dos
jurisconsultos roma nos (Justia nia no, 1979, p. 3), constituindo a fonte bá sica do siste ma jurídico
roma no-ge rmâ nico.

Em Roma , inicia lme nte , a a dvoca cia fore nse e ra ta re fa come tida a pe na s a os pa trícios, que a
de se mpe nha va m como patronos de se us pa re s e clie nte s (patronus), porque some nte e le s tinha m
a ce sso a o dire ito. Após a Le i da s XII Tá bua s, e m ma is ou me nos 450 a nte s de Cristo, com a vitória
política da ple be , ce ssou ta l monopólio do dire ito, a ume nta ndo o núme ro de a dvoga dos le igos e
ple be us postula ndo e m juízo (ad vocatus) (Corrê a , 1986, p. 1-24).

No Digesto (D. 50, 13, 1, 11) ine xiste qua lque r distinçã o, conside ra ndo-se a dvoga dos todos
qua ntos “se dã o a o e studo da s le is e ple ite ia m ca usa s na s qua is e la s se a plica m”. De ssa forma ,
torna ra m-se indistinta s a s funçõe s do jurisconsulto (jurista , no se ntido e strito a tua l) e do a dvoga do.

Dura nte a Ida de Mé dia e urope ia , se gundo Ma x We be r, distinguiu-se do a dvoga do o


“prolocutor ” (counsel), que se coloca va a o la do da s pa rte s no tribuna l, contribuindo pa ra a
formula çã o da se nte nça e pa ra a proposta de de cisã o; de ce rta forma , pe rte ncia a o grupo de
julga dore s. Já o a dvoga do (avoué, solicitor, attorney, procurator) a ssumia a dire çã o té cnica na
pre pa ra çã o do proce dime nto e na obte nçã o dos me ios de prova . Ma s e ssa s funçõe s só pude ra m se r
e xe rcida s qua ndo o proce dime nto foi e m gra nde me dida ra ciona liza do. No proce dime nto primitivo
nã o se conce bia o a dvoga do com a s funçõe s a tua is. Na Ingla te rra qua se todos os a dvoga dos
proce dia m do grupo dos únicos que sa bia m e scre ve r, ou se ja , os clé rigos; some nte a pa rtir do sé culo
XV os a dvoga dos la icos conse guira m se orga niza r e m qua tro grê mios dos Jures of Court, e xcluindo os
clé rigos. De sse s grê mios sa ía m os juíze s, que fa zia m com os a dvoga dos vida profissiona l comum. No
mundo islâ mico, o Mufti foi um pe rfe ito pa ra le lo do jurisconsulto roma no (We be r, 1977, p. 58-9).

Longa tra diçã o a ponta Sa nto Ivo como o pa trono dos a dvoga dos. Na scido na Fra nça , e m 1253,
cursou dire ito, filosofia e te ologia . Orde na do sa ce rdote , por qua tro a nos foi juiz e cle siá stico na
dioce se de Re nne s. Atuou pe ra nte os tribuna is na de fe sa dos pobre s e dos ne ce ssita dos, se ndo por
isso conhe cido como o “a dvoga do dos pobre s”. No dia 19 de ma io de 1347 foi ca noniza do,
come mora ndo-se ne ssa da ta o dia do de fe nsor público.

ADVOCACIA COMO PROFISSÃO ORGANIZADA

Pode -se a firma r, a pa rtir de fonte s va ria da s, que a a dvoca cia se conve rte u e m profissã o
orga niza da qua ndo o Impe ra dor Justino, a nte ce ssor de Justinia no, constituiu no sé culo VI a prime ira
Orde m de Advoga dos no Impé rio Roma no do Orie nte , obriga ndo o re gistro a qua ntos fosse m
a dvoga r no foro. Re quisitos rigorosos fora m impostos: te r a prova çã o e m e xa me de jurisprudê ncia ,
te r boa re puta çã o, nã o te r ma ncha de infâ mia , comprome te r-se a de fe nde r que m o pre tor e m ca so
de ne ce ssida de de signa sse , a dvoga r se m fa lsida de , nã o pa ctua r q uota litis, nã o a ba ndona r a de fe sa ,
uma ve z a ce ita .

Vá rios a utore s, no e nta nto, a ponta m o sé culo XIII, com a Orde na nça fra nce sa do Re i Sã o Luiz,
que indica va re quisitos pa ra o e xe rcício da profissã o, como o ma rco inicia l da re gula me nta çã o le ga l
da a dvoca cia . Ma s, na ve rda de , a Orde na nça tinha por obje to a s prime ira s re gra s de ontológica s da
profissã o e nã o propria me nte sua re gula me nta çã o.

Ha me lin e Da mie n (1995, p. 17) suste nta m, no e nta nto, que a prime ira me nçã o que se te m dos
a dvoga dos foi e m um ca pitula r de Ca rlos Ma gno, e m 802, e que os gre gos e roma nos ignora ra m a
profissã o. Tê m ra zã o os a utore s se toma rmos a a dvoca cia como profissã o orga niza da , ma s e le s
próprios re conhe ce m que “e m Roma a funçã o do a dvoga do e xistia sob a forma de uma instituiçã o
libe ra l” e , a inda , que no Ba ixo Impé rio os a dvoga dos fora m orga niza dos e m colé gio sob o nome de
“Orde m dos Advoga dos”, dura nte o impé rio de Justino.

ADVOCACIA NO MUNDO LUSO-BRASILEIRO

Em Portuga l, a lguns fora is no sé culo XIII já fa zia m re fe rê ncia a os a dvoga dos, ma s é com a s
Orde na çõe s Filipina s (nota da me nte no Livro 1, Título XLVIII) que se te nta a prime ira orga niza çã o da
a dvoca cia , com re fle xos no Bra sil. As Orde na çõe s de te rmina va m o te mpo de oito a nos pa ra o curso
jurídico; e xa me pa ra a tua r na Ca sa da Suplica çã o; impossibilida de de a dvoga r contra a le i;
re sponsa bilida de civil do a dvoga do; pe na s disciplina re s a plica da s pe lo juiz, inclusive de gre do pa ra o
Bra sil; e vá ria s norma s é tico-profissiona is.

Os historia dore s da profissã o costuma m a pre se nta r como prime iro a dvoga do, no Bra sil, Dua rte
Pe re s, o bach arel d e Cananeia, de gre da do de ixa do e m Ca na ne ia no a no de 1501 (Sodré , 1975, p. 277).
Pa ra a lguns historia dore s se u nome se ria Me stre Cosme Fe rna nde s, um jude u de re conhe cida
cultura que fora e xpulso de Portuga l por motivos re ligiosos, te ndo sido e ncontra do vinte a nos de pois
vive ndo com os índios. Dura nte a Colônia , o qua dro ge ra l do foro bra sile iro e ra de sola dor:
ma gistra tura ignora nte e corrompida de um la do e , de outro, ra bulice a na lfa be ta e tra pa ce ira ,
se gundo Plínio Ba rre to (apud Pa ulo Filho, 1997, p. 18).

No Bra sil inde pe nde nte , a a dvoca cia (e a s profissõe s jurídica s e m ge ra l) ide ntifica se u ponto de
pa rtida como profissã o re conhe cida , na cria çã o dos cursos jurídicos, e m 11 de a gosto de 1827, e m
Olinda e Sã o Pa ulo. Em ve rda de , a le i de 1827 foi a nte ce dida pe lo de cre to de 9 de julho de 1825, que
criou provisoria me nte na Ca pita l do Impé rio (Rio de Ja ne iro) um curso jurídico, o qua l nunca se
insta lou, ma s pe rmitiu a e la bora çã o dos Esta tutos da s Fa culda de s de Dire ito, pe lo Visconde de
Ca choe ira , ma is ta rde a dota dos pe la s Fa culda de s de Sã o Pa ulo (insta la da e m 1º-3-1828 no Conve nto
de Sã o Fra ncisco) e de Olinda (insta la da e m 15-5-1828 no Moste iro de Sã o Be nto e tra nsfe rida pa ra
Re cife e m 1854).

A funda çã o do Instituto da Orde m dos Advoga dos Bra sile iros, e m 1843, e , fina lme nte , a cria çã o
da Orde m dos Advoga dos do Bra sil, e m 1930, simboliza m a s e ta pa s e volutiva s da orga niza çã o da
a dvoca cia bra sile ira , consa gra da s no a tua l Esta tuto da Advoca cia (que , pe la prime ira ve z, a ssim se
de nominou forma lme nte ) — a Le i n. 8.906, de 4 de a bril de 1994.

EVOLUÇÃO NO BRASIL

Dura nte o pe ríodo colonia l, o e xe rcício da profissã o de a dvoga do e ra ma is ou me nos livre ,


constituindo o e spa ço de a tua çã o dos le gule ios ou rá bula s, ou se ja , dos que a pre ndia m e e xe rcia m
o ofício na prá tica . As Orde na çõe s Filipina s (Livro 1, Título XLVIII) de te rmina va m que “todos os
Le tra dos, que houve re m de a dvoga r e procura r e m nossos Re inos, te nha m oito a nos de e studo
cursa dos na Unive rsida de de Coimbra e m Dire ito Ca nônico, ou Civil, ou e m a mbos”, com pe na s
se ve ra s de prisã o ou de gre do pa ra os infra tore s. Toda via , o Alva rá ré gio de 24 de julho de 1713
de cla rou que , fora da Corte , pode ria se r a dvoga do “qua lque r pe ssoa idône a , a inda que nã o se ja
forma do, tira ndo Provisã o”. De sse te rmo re sultou a figura do provisiona do, que pe rdurou no Bra sil
a té o a dve nto do a tua l Esta tuto da Advoca cia (Le i n. 8.906/94). Assim, pe la s e vide nte s dificulda de s de
de sloca me nto pa ra Coimbra , o título de ba cha re l e m dire ito e ra qua se nobiliá rquico, se rvindo muito
ma is pa ra a conquista de postos de coma ndo da a lta burocra cia ou de e fe ito simbólico dos
e sta me ntos do pode r na Colônia e no Impé rio.

Os cursos jurídicos cria dos no Impé rio tinha m fina lida de s e xplícita s de forma çã o dos qua dros
dirige nte s, como se lê nos Esta tutos do Visconde Ca choe ira , a os qua is re me te o a rt. 10 da Le i, e ,
re sidua lme nte , de a dvoga dos. O ca rá te r ge né rico da s disciplina s ministra da s nã o contribuíra m pa ra
a profissiona liza çã o, se rvindo os cursos como e spa ços de re ve la çã o de voca çõe s política s e
lite rá ria s.

Na Re pública Ve lha , a he ge monia política dos ba cha ré is de u sina is de de clínio, na proporçã o


do cre scime nto da a dvoca cia como profissã o a utônoma e inde pe nde nte do Pode r Público. Some nte
com a cria çã o da OAB, e m 1930, iniciou no Bra sil a re gula me nta çã o profissiona l do a dvoga do, com
e xigê ncia de forma çã o unive rsitá ria , sa lvo na s re giõe s onde se fa zia ne ce ssá ria a figura do rá bula ou
provisiona do. Até 1994, os dois prime iros Esta tutos da Advoca cia (De c. n. 20.784/31, e Le i n. 4.215/63)
volta ra m-se e xclusiva me nte pa ra a a dvoca cia e nte ndida como profissã o libe ra l, a utônoma . Nã o
conte mpla ra m a a dvoca cia e xtra judicia l e o a dvoga do a ssa la ria do dos se tore s público e priva do.

O de scompa sso com a re a lida de profissiona l e socia l le vou à ne ce ssida de de e la bora çã o de


novo Esta tuto, o de 1994. A a dvoca cia pa ssou a se r e nte ndida como e xe rcício profissiona l de
postula çã o a qua lque r órgã o do Pode r Judiciá rio e como a tivida de de consultoria , a sse ssoria e
dire çã o jurídica s e xtra judicia is. Ta mbé m disciplinou o se ntido e a lca nce de sua indispe nsa bilida de
na a dministra çã o da justiça , pre vista no a rt. 133 da Constituiçã o Fe de ra l, a inse rçã o da a dvoca cia
pública e a tute la le ga l mínima do a dvoga do e mpre ga do.
ATIVIDADE DE ADVOCACIA

LEI N. 8.906, DE 4 DE JULHO DE 1994

Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do B rasil — OAB

O PRESIDENT E DA REPÚBLICA

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

T ÍTULO I

DA ADVOCACIA

CAPÍTULO I

DA AT IVIDADE DE ADVOCACIA

Art. 1º São atividades privativas de advocacia:

I — a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais;

II — as atividades de consultoria, assessoria e direção jurídicas.

§ 1º Não se inclui na atividade privativa de advocacia a impetração de habeas corpus em


qualquer instância ou tribunal.

§ 2º Os atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas, sob pena de nulidade, só podem ser
admitidos a registro, nos órgãos competentes, quando visados por advogados.

§ 3º É vedada a divulgação de advocacia em conjunto com outra atividade.

(Obs.: O te rmo “qua lque r ” do inciso I do a rt. 1º foi conside ra do inconstituciona l pe lo STF na ADIn
1.127-8).

Art. 2º O advogado é indispensável à administração da justiça.

§ 1º No seu ministério privado, o advogado presta serviço público e exerce função social.

§ 2º No processo judicial, o advogado contribui, na postulação de decisão favorável ao seu


constituinte, ao convencimento do julgador, e seus atos constituem múnus público.

§ 3º No exercício da profissão, o advogado é inviolável por seus atos e manifestações, nos limites
desta Lei.

Art. 3º O exercício da atividade de advocacia no território brasileiro e a denominação de


advogado são privativos dos inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil — OAB.

§ 1º Exercem atividade de advocacia, sujeitando-se ao regime desta Lei, além do regime próprio
a que se subordinem, os integrantes da Advocacia-Geral da União, da Procuradoria da Fazenda
Nacional, da Defensoria Pública e das Procuradorias e Consultorias Jurídicas dos Estados, do Distrito
Federal, dos Municípios e de suas respectivas entidades de administração indireta e fundacional.

§ 2º O estagiário de advocacia, regularmente inscrito, pode praticar os atos previstos no art. 1º,
na forma do Regulamento Geral, em conjunto com advogado e sob a responsabilidade deste.

Art. 4º São nulos os atos privativos de advogado praticados por pessoa não inscrita na OAB, sem
prejuízo das sanções civis, penais e administrativas.

Parágrafo único. São também nulos os atos praticados por advogado impedido — no âmbito do
impedimento —, suspenso, licenciado ou que passar a exercer atividade incompatível com a
advocacia.

Art. 5º O advogado postula, em juízo ou fora dele, fazendo prova do mandato.

§ 1º O advogado, afirmando urgência, pode atuar sem procuração, obrigando-se a apresentá-la


no prazo de 15 (quinze) dias, prorrogável por igual período.

§ 2º A procuração para o foro em geral habilita o advogado a praticar todos os atos judiciais, em
qualquer juízo ou instância, salvo os que exijam poderes especiais.

§ 3º O advogado que renunciar ao mandato continuará, durante os 10 (dez) dias seguintes à


notificação da renúncia, a representar o mandante, salvo se for substituído antes do término desse
prazo.

CO MENTÁRIO S

DENOMINAÇÃO DE ADVOGADO

Origem da denominação

Pa ra o Esta tuto, a dvoga do é o ba cha re l e m dire ito, inscrito no qua dro de a dvoga dos da OAB,
que re a liza a tivida de de postula çã o a o Pode r Judiciá rio, como re pre se nta nte judicia l de se us
clie nte s, e a tivida de s e xtra judicia is de dire çã o, consultoria e a sse ssoria e m ma té ria s jurídica s.

De nomina va -se a dvoga do (ad vocatus) e m Roma , inicia lme nte , o que e ra cha ma do e m de fe sa
(vocati ad , ad -vocati) ou que re unia prova pa ra o patronus, dura nte o pe ríodo a ristocrá tico da profissã o.
Após a Le i da s XII Tá bua s, a mpliou-se o dire ito dos que podia m ple ite a r ca usa s, e limina ndo-se o
privilé gio do pa tricia do, a ssumindo contornos ma is pre cisos a profissã o de ad vocatus.

Se gundo a liçã o de Ale xa ndre Augusto de Ca stro Corrê a (1986, p. 3), “já sob Augusto, ad vocatus
torna -se sinônimo de patronus e ve mos o prime iro te rmo pe rde r o primitivo se ntido: postulare
ad vocationem , e , e ntã o, pe dir lice nça pa ra de fe nde r um a cusa do. A funçã o do a dvoga do cha mou-se
officium , m unus ad vocationis”.

As a ntiga s distinçõe s, e ncontra da s nos te xtos roma nos, de ad vocatus, patronus e causid icus
de sa pa re ce ra m nos sé culos II e III de pois de Cristo, e m be ne fício da prime ira de nomina çã o. Da
me sma forma , qua nto a o te rmo leguleii a tribuídos a os jurisconsultos de se gunda ca te goria que
a juda va m os litiga nte s e se a pe ga va m a o e studo da le tra da le i e da s forma s de proce sso.

De ma ne ira ge ra l, na a tua lida de , a a tivida de de a dvoca cia é unifica da , me smo qua ndo se
a dota m de nomina çõe s va ria da s, a e xe mplo dos pa íse s de com m on law, cujos profissiona is sã o
de scritos como lawers, attorney s, barristers ou counsellors, sa lvo no ca so da Ingla te rra , que ma nté m a
distinçã o de compe tê ncia e ntre os barristers (que a dvoga m pe ra nte os tribuna is supe riore s e que nã o
tra ta m dire ta me nte com os clie nte s) e os solicitors (que a dvoga m pe ra nte os juízos e tribuna is
infe riore s e tra ta m dire ta me nte com os clie nte s). Nos Esta dos Unidos os te rmos barrister e solicitor
fora m substituídos por attorney e counselor of law pe los inte gra nte s do cha ma do “Foro” (Bar), que
inclui os promotore s públicos e os juíze s. Na Fra nça , a a ntiga distinçã o de funçõe s que ha via e ntre
avocats e avoués de sa pa re ce u com a Le i de 31 de de ze mbro de 1971. Com a Le i de 31 de de ze mbro de
1990 houve a fusã o dos avocats com os conseils jurid iq ues.

A pa la vra “a dvoga do” é muito a sse me lha da nos vá rios idioma s de orige m e urope ia , com
e xce çã o dos pa íse s a nglófonos (e mbora re sidua lme nte se utilize ad vocate). Na Uniã o Europe ia , e m
virtude de dire tiva s e spe cífica s, sã o utiliza da s a s se guinte s de nomina çõe s, que tute la m o e xe rcício
profissiona l: Ale ma nha : rech tsanwalt; Bé lgica : avocat, ad vocat; Dina ma rca : ad vokat; Espa nha : abogad o,
ad vocat, avogad o, abokatu; Grã -Bre ta nha : ad vocate, barrister, solicitor; na Finlâ ndia : asianajaja, ad vokat; na
Fra nça : avocat; Gré cia : d ikigoros; Hola nda : ad vocaat; Itá lia : avvocato; Irla nda : barrister, solicitor;
Luxe mburgo: avocat; Portuga l: ad vogad o; Sué cia : ad vokat.

Uso da denominação segundo o Estatuto

Ape na s os inscritos na OAB pode m utiliza r a de nomina çã o ad vogad o, única utiliza da no Bra sil.
Os cursos jurídicos nã o forma m a dvoga dos (como nã o forma m ma gistra dos, procura dore s,
promotore s de justiça , de le ga dos de ca rre ira , de fe nsore s públicos), ma s ba cha ré is e m dire ito. A
le gisla çã o a nte rior que disciplina va os cursos jurídicos, inclusive a le i de 11 de a gosto de 1827, fa zia
re fe rê ncia ta mbé m a doutor e m dire ito, re se rva da a pe na s pa ra os profe ssore s ca te drá ticos.
Advoga do nã o é gê ne ro, ma s a pe na s e spé cie de profissiona l do dire ito.
De ixa m de se r a dvoga dos os que , por qua lque r motivo, tê m sua s inscriçõe s ca nce la da s na OAB.
Os lice ncia dos nã o pe rde m a qua lifica çã o, e mbora te nha m o e xe rcício profissiona l suspe nso.

Por há bito ba sta nte difundido, no Bra sil, costuma -se tra ta r o a dvoga do por d outor. No e nta nto,
sã o situa çõe s distinta s. Doutor é o que obte ve o título de doutor e m dire ito, confe rido por instituiçã o
de pós-gra dua çã o cre de ncia da pa ra ta nto, com de fe sa de te se . Embora nã o se possa e vita r o
tra ta me nto socia l, o uso inde vido do título de doutor e m docume ntos profissiona is e nos me ios de
publicida de configura infra çã o é tica . Como le mbra Ruy de Aze ve do Sodré (1975, p. 334), há “ve lha
re come nda çã o, se mpre re nova da , de que o a dvoga do nã o use , e m se us ca rtõe s, impre ssos e pla ca s
indica tiva s, a de nomina çã o de doutor, que nã o lhe é própria ”.

ATO E ATIVIDADE DE ADVOCACIA

O a rt. 1º diz qua is sã o os a tos priva tivos da a tivida de de a dvoca cia no e stá gio a tua l. Ape na s os
a dvoga dos le ga lme nte inscritos na OAB pode m pra ticá -los, sob pe na de e xe rcício ile ga l da profissã o.

A a tivida de é conce bida como um conjunto de a tos te le ologica me nte orie nta dos, e m um qua dro
de continuida de , pe rma nê ncia e inte gra çã o. Ato e a tivida de distingue m-se e inte rpe ne tra m-se na
re la çã o de conte údo e contine nte . A pe tiçã o, o contra to, o pa re ce r sã o a tos isola dos, que fa ze m
se ntido qua ndo inte gra dos à a tivida de da a dvoca cia .

Re ssa lte -se que a s hipóte se s de ste a rtigo nã o constitue m e nume ra çã o e xa ustiva (num erus
clausus). Enuncia m tipos bá sicos e inconfundíve is, ma s nã o e xclue m outros que por sua na ture za
e nqua dra m-se na a tivida de própria da a dvoca cia , dita dos pe la e voluçã o da s ne ce ssida de s jurídica s
e socia is.

Igua lme nte , no proce sso a dministra tivo, a re pre se nta çã o e de fe sa da s pa rte s a pe na s pode se r
fe ita por a dvoga do e nã o por le igo. E qua ndo e stive r e m jogo dire ito da pa rte , é obriga tória a
pre se nça do a dvoga do. Assim ficou consolida da no STJ a orie nta çã o e m fa ce do proce sso
a dministra tivo disciplina r, na Súmula 343: “É obriga tória a pre se nça de a dvoga do e m toda s a s fa se s
do proce sso a dministra tivo disciplina r ”. No MS 12.594/DF re ssa ltou o tribuna l que a pre se nça de
a dvoga do constituído ou de de fe nsor da tivo e m proce sso a dministra tivo é ga ra ntia constituciona l,
com a qua l nã o se compa tibiliza a a utode fe sa . Poré m, se gundo a Súmula Vincula nte 5/STF, “a fa lta
de de fe sa té cnica por a dvoga do no proce sso a dministra tivo disciplina r nã o ofe nde a Constituiçã o”.

Fora do â mbito dos órgã os do Pode r Judiciá rio, a ca pa cida de postula tória me dia nte a dvoga do
pode se r fixa da e m le i, qua ndo houve r re pre se nta çã o re gula r, como o fe z a Le i n. 9.307, de 1996,
re la tiva me nte a os proce dime ntos a rbitra is: “As pa rte s pode rã o postula r por inte rmé dio de a dvoga do,
re spe ita da , se mpre , a fa culda de de de signa r que m a s re pre se nte ou a ssista no proce dime nto
a rbitra l” (a rt. 21, § 3º).

Ante a s pe culia rida de s da a dvoca cia , o Ple no do CFOAB e ditou a Súmula 4/2012/COP,
e nte nde ndo que , a te ndidos os re quisitos do inciso II do a rt. 25 da Le i n. 8.666/93, é ine xigíve l
proce dime nto licita tório pa ra contra ta çã o de se rviços a dvoca tícios pe la Administra çã o Pública , da da
a singula rida de da a tivida de , a notória e spe cia liza çã o e a invia biliza çã o obje tiva de compe tiçã o,
se ndo ina plicá ve l à e spé cie o disposto no a rt. 89 (in totum ) do re fe rido diploma le ga l.

POSTULAÇÃO PERANTE OS ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO. JUS POSTULANDI DA PARTE

Postula çã o é a to de pe dir ou e xigir a pre sta çã o jurisdiciona l do Esta do. Exige qua lifica çã o
té cnica . Promove -a priva tiva me nte o a dvoga do, e m nome de se u clie nte . Esta é a funçã o tra diciona l,
historica me nte come tida à a dvoca cia . O a dvoga do te m o monopólio da a ssistê ncia e da
re pre se nta çã o da s pa rte s e m juízo. Ningué m, ordina ria me nte , pode postula r e m juízo se m a
a ssistê ncia de a dvoga do, a que m compe te o e xe rcício do jus postuland i. Sã o nulos de ple no dire ito os
a tos proce ssua is que , priva tivos de a dvoga do, ve nha m a se r pra tica dos por que m nã o dispõe de
ca pa cida de postula tória . Assim de cidiu o STF no AgRg 1.354/BA (DJ, 6 jun. 1997), que fe z a distinçã o
e ntre jus postuland i e d ireito d e petição a sse gura do à ge ne ra lida de da s pe ssoa s, que nã o inclui a que le .

O Esta tuto procurou a fa sta r a s dúvida s de inte rpre ta çã o re la tiva s à ne ce ssida de de pa rticipa çã o
do a dvoga do pa ra postula r pe ra nte de te rmina dos órgã os do Pode r Judiciá rio, pre se nte s e m de cisõe s
flutua nte s dos tribuna is, a pós o a dve nto da Constituiçã o de 1988. Envolve a postula çã o a qua lque r
órgã o do Pode r Judiciá rio, a sa be r (a rt. 92 da Constituiçã o, com a re da çã o da EC n. 45/2004):

“I — o Supre mo Tribuna l Fe de ra l;

I-A — o Conse lho Na ciona l de Justiça ;

II — o Supe rior Tribuna l de Justiça ;

III — os Tribuna is Re giona is Fe de ra is e Juíze s Fe de ra is;

IV — os Tribuna is e Juíze s do Tra ba lho;

V — os Tribuna is e Juíze s Ele itora is;

VI — os Tribuna is e Juíze s Milita re s;

VII — os Tribuna is e Juíze s dos Esta dos e do Distrito Fe de ra l e Te rritórios”.

Nã o há e nã o pode ha ve r qua lque r e xce çã o, da do o a mplo a lca nce do a rt. 133 da Constituiçã o,
sa lvo o Conse lho Na ciona l de Justiça , que nã o é órgã o jurisdiciona l (ma s o pa trocínio por te rce iros
a pe na s pode se r fe ito por a dvoga do). A norma do a rt. 1º do Esta tuto e xplicita e re gula me nta o a rt.
133, ne sta se de , pondo cobro a os e nte ndime ntos re stritivos, que a dmitia m a postula çã o dire ta da s
pa rte s a ce rtos órgã os judiciá rios.

Se m e mba rgo da força norma tiva e xpre ssa do a rt. 1º do Esta tuto, o STF, e m de cisã o limina r na
ADI 1.127-8, conside rou-o constituciona l ma s imprimiu inte rpre ta çã o re stritiva a o pre ce ito, a o e xcluir
de se u a lca nce os juiza dos e spe cia is e a justiça do tra ba lho. No julga me nto de finitivo, e m 17 de
ma io de 2006, o STF de cidiu pe la inconstituciona lida de do te rmo “qua lque r ” consta nte do inciso I e
conside rou pre judica do o pe dido qua nto a os juiza dos e spe cia is, te ndo e m vista a s a lte ra çõe s
le gisla tiva s poste riore s.

Com re la çã o a os juiza dos e spe cia is, pre vistos no a rt. 98, I, da Constituiçã o, a Le i n. 9.099/95, que
os re gula me ntou, e sta be le ce u que a dispe nsa do a dvoga do fosse a dmitida qua ndo o va lor da ca usa
nã o ultra pa ssa r o limite de vinte sa lá rios mínimos. A pa rtir da í se rá indispe nsá ve l a re pre se nta çã o
me dia nte a dvoga do. Já a Le i n. 10.259/2001 instituiu os juiza dos e spe cia is cíve is e crimina is no â mbito
da justiça fe de ra l e e sta be le ce u o limite de se sse nta sa lá rios mínimos ou o de infra çõe s que a le i
comine pe na má xima de dois a nos ou multa . O CF da OAB a juizou a çã o dire ta de
inconstituciona lida de (ADIn 1.539) contra a prime ira pa rte do a rt. 9º da Le i n. 9.099/95, com
funda me nto no a rt. 133 da Constituiçã o, ma s o STF ma nte ve a a ssistê ncia jurídica fa culta tiva e m
a çõe s de a té vinte sa lá rios mínimos, por e nte nde r que “nã o é a bsoluta a a ssistê ncia compulsória do
profissiona l da a dvoca cia e m juízo”. Com idê ntico obje tivo, o Conse lho Fe de ra l a juizou a ADIn 3.168
contra a dispe nsa do a dvoga do nos juiza dos e spe cia is cíve is e crimina is da Justiça Fe de ra l, pre vista
na Le i n. 10.259/2001; ne ste ca so, de cidiu o STF e m 8 de junho de 2006 que : “Pe ra nte os juiza dos
e spe cia is fe de ra is, e m proce ssos de na ture za cíve l, a s pa rte s pode m compa re ce r pe ssoa lme nte e m
juízo ou de signa r re pre se nta nte , a dvoga do ou nã o, de sde que a ca usa nã o ultra pa sse o va lor de
se sse nta sa lá rios mínimos (a rt. 3º da Le i 10.259/2001) e se m pre juízo da a plica çã o subsidiá ria inte gra l
dos pa rá gra fos do a rt. 9º da Le i 9.099/1995. Já qua nto a os proce ssos de na ture za crimina l, e m
home na ge m a o princípio da a mpla de fe sa , é impe ra tivo que o ré u compa re ça a o proce sso
de vida me nte a compa nha do de profissiona l ha bilita do a ofe re ce r-lhe de fe sa té cnica de qua lida de , ou
se ja , de a dvoga do de vida me nte inscrito nos qua dros da Orde m dos Advoga dos do Bra sil ou de fe nsor
público. Aplica çã o subsidiá ria do a rt. 68, III, da Le i 9.099/1995. Inte rpre ta çã o conforme , pa ra e xcluir
do â mbito de incidê ncia do a rt. 10 da Le i 10.259/2001 os fe itos de compe tê ncia dos juiza dos e spe cia is
crimina is da Justiça Fe de ra l”.

A de cisã o do Supre mo Tribuna l, no que conce rne à justiça tra ba lhista , re sultou e m torna r
compa tíve is o Esta tuto e a CLT, nã o te ndo a que le de rroga do e sta . Ma nté m-se a me sma situa çã o
a nte rior de re pre se nta çã o profissiona l fa culta tiva , e mbora a prá tica te nha de monstra do que , na
qua se tota lida de da s re cla ma çõe s, a s pa rte s (e mpre ga dore s e e mpre ga dos) se ja m se mpre
pa trocina dos por a dvoga dos. A Le i n. 10.288, de 20 de se te mbro de 2001, e ste nde u a dispe nsa do
a dvoga do na justiça tra ba lhista , a o a mplia r a compe tê ncia do sindica to, na pre sta çã o de a ssistê ncia
judiciá ria gra tuita , e a o a sse gura r que , na fa lta do re pre se nta nte le ga l, o me nor de 18 a nos te nha
sua re cla ma çã o tra ba lhista fe ita pe la Procura doria da Justiça do Tra ba lho, pe lo sindica to, pe lo
Ministé rio Público e sta dua l ou por cura dor nome a do e m juízo. A Qua rta Turma do TST de cidiu que a
na ture za e xtra ordiná ria do re curso de re vista “e xige que se ja inte rposto por a dvoga do de vida me nte
inscrito na OAB, a que m é re se rva da a a tivida de priva tiva da postula çã o e m juízo, e ntre os qua is o
a to de re corre r ” (AIRR 886/2000). Pa ra o TST, o a rt. 791 da CLT, que a dmite que e mpre ga dos e
e mpre ga dore s possa m re cla ma r pe ssoa lme nte pe ra nte a Justiça do Tra ba lho, “a té o fina l”, de ve se r
le va do e m conta a pe na s pa ra a instâ ncia ordiná ria , de a cordo com a Instruçã o Norma tiva n. 23/2003-
TST.

A Le i n. 12.016/2009, que disciplina o ma nda do de se gura nça individua l e cole tivo, a dmitiu, e m
se u a rt. 14, § 2º, que a a utorida de coa tora possa re corre r dire ta me nte da de cisã o conce ssiva do
ma nda do. Contra e sse dispositivo, a OAB a juizou a ADI 4.403, pe ra nte o STF.

Dir-se -á que a indispe nsa bilida de do a dvoga do pode dificulta r o a ce sso à justiça ne sse s ca sos.
Ta l a rgume nto é insubsiste nte , porque o dire ito a o a dvoga do e à a ssistê ncia jurídica inte gra l é
ga ra ntia de todo cida dã o. Pa ra Ra imundo Fa oro, “a va nta ge m de se livra r do a dvoga do é a pa re nte ,
porqua nto na ve rda de e le fica a o de sa mpa ro da a ssistê ncia do profissiona l ha bilita do, muita s ve ze s
e nfre nta ndo a outra pa rte a ssistida por profissiona l de gra nde compe tê ncia e ha bilida de ” (1990, p.
11-17). A cida da nia sa i ma cula da se nã o há igua lda de de me ios té cnicos, qua ndo uma pa rte é
de fe ndida por profissiona l e outra nã o, fa ze ndo com que os ma is fra cos se ja m e ntre gue s à própria
sorte , à sua ine xpe riê ncia e a o de sconhe cime nto dos proce dime ntos e do a pa re lho judiciá rio.

De toda sorte , a Constituiçã o come te u a o Esta do o de ve r de pre sta çã o de a ssistê ncia jurídica
gra tuita a os ne ce ssita dos, me dia nte a De fe nsoria Pública , obriga toria me nte disponíve l. E se e sta
fa lta r, o a dvoga do indica do pe la OAB pre sta rá a a ssistê ncia de vida , pe rce be ndo os honorá rios
fixa dos pe lo juiz e pa gos pe lo Esta do ou pe la Uniã o (a rt. 22, § 1º, do Esta tuto).

O Código de Ética e Disciplina de 2015 (a rt. 30) e o Provime nto n. 166/2015 ta mbé m
re gula me nta ra m a a dvoca cia pro bono, a ssim conside ra da a pre sta çã o gra tuita , e ve ntua l e voluntá ria
de se rviços jurídicos e m fa vor de instituiçõe s socia is se m fins e conômicos e a os se us a ssistidos, se m
condiçõe s pa ra contra ta çã o de profissiona l, ou a pe ssoa s na tura is de sprovida s de re cursos, que nã o
e ste ja m a ssistidos pe la de fe nsoria pública .

Cida dã o bra sile iro, nã o a dvoga do, invoca ndo o Pa cto de Sa n José da Costa Rica , que pre vê o
dire ito de todo cida dã o re corre r a os tribuna is e juíze s, suste ntou sua le gitimida de pa ra a juiza r a çã o
e m nome próprio. O STF re je itou o ma nda do de injunçã o, funda do no a rt. 133 da Constituiçã o e na
subordina çã o do tra ta do à a utorida de da norma constituciona l (Ag.Re g. no MI 772-1).
A e xce çã o contida no § 1º do a rt. 1º (h abeas corpus) me re ce e xplica çã o. A história de sse ma gnífico
instituto de monstra que e le nã o se inclui na postula çã o jurisdiciona l comum, ma s diz com o
e xe rcício e strito da cida da nia , que nã o pode se r ne ce ssa ria me nte subme tido a re pre se nta çã o
profissiona l, sob pe na de obsta r se u a lca nce de ga ra nte da libe rda de pe ssoa l.

Alé m da impe tra çã o do h abeas corpus, o STF, como vimos, a pe na s a dmitiu o jus postuland i dire to
da pa rte nos juiza dos e spe cia is e na justiça tra ba lhista . Assim, o de fe nsor da tivo le igo, no proce sso
crimina l, de signa do pe lo juiz, nã o é ma is le ga lme nte a dmissíve l. Ha ve ndo fa lta de a dvoga do ou
impossibilida de da De fe nsoria Pública na Coma rca , impõe -se a solicita çã o à OAB (Conse lho
Se cciona l ou Subse çã o), que indica rá o a dvoga do pa ra a a ssistê ncia judiciá ria , a se r re mune ra do
pe lo Esta do, se gundo honorá rios fixa dos pe lo juiz, nos limite s da ta be la da OAB (a rt. 22, § 1º, da Le i
n. 8.906/94). Assim re sponde u o Órgã o Espe cia l do Conse lho Fe de ra l à consulta formula da por
ma gistra do (Proc. 05/95-OE, DJU, 20 a br. 1996).

No ca mpo crimina l, o dire ito a o a dvoga do ou de te r a ssistê ncia de um a dvoga do pa ra sua


de fe sa (to h ave th e assistance of counsel for h is d efense — a rt. VI do Bill of Righ ts dos EUA) é um dire ito
funda me nta l do cida dã o, tute la do pe la s ga ra ntia s da a mpla de fe sa e do de vido proce sso le ga l
(incisos LIV e LV do a rt. 5º da Constituiçã o).

O pa trocínio de inte re sse s de te rce iros, no â mbito e xtra judicia l, ta mbé m constitui a tivida de da
a dvoca cia , a pe na s pe rmitida a os inscritos na OAB, conforme de cidiu o STJ, no ca so de a tua çã o junto
a o INPI (REsp 35.248-7). No que re spe ita à s Comissõe s Pa rla me nta re s de Inqué rito, com intuito de
a sse gura r o a mplo dire ito de de fe sa e coibir os a busos pra tica dos contra os cida dã os de poe nte s,
dispôs a Le i n. 10.676/2003, a lte ra ndo o a rt. 3º da Le i n. 1.579/52, que “o de poe nte pode rá fa ze r-se
a compa nha r de a dvoga do, a inda que e m re uniã o se cre ta ”.

A Conve nçã o de Ha ia , ra tifica da pe lo Bra sil e promulga da pe lo De cre to n. 3.087/99, com força de
le i ordiná ria inte rna , proíbe a inte rve niê ncia de pa rticula re s no proce sso de a doçã o inte rna ciona l.
Ente nde u o CFOAB (Proposiçã o n. 0042/2003/COP) que a a tua çã o do a dvoga do nã o pode se r
conside ra da inte rve niê ncia de pa rticula r, porque de corre de e xe rcício profissiona l le ga lme nte
de finido, nã o pode ndo a s Comissõe s Esta dua is Judiciá ria s de Adoçã o ce rce á -la .

A Le i n. 8.560/92 a dmite que o Ministé rio Público possa a juiza r a çã o de inve stiga çã o de
pa te rnida de qua ndo a mã e indica r o suposto pa i e e ste re cusa r-se a a ssumi-la , o que suscitou
dúvida de sua constituciona lida de . No julga me nto do RE 248.869-1, de cidiu o STF que “o princípio da
ne ce ssá ria inte rve nçã o do a dvoga do nã o é a bsoluto (CF, a rt. 133), da do que a Ca rta Fe de ra l fa culta a
possibilida de de outorga r o jus postuland i a outra s pe ssoa s”, e e nte nde u que a substituiçã o
proce ssua l e xtra ordiná ria do Ministé rio Público e ra le gítima , da da a “pre ca rie da de da a ssistê ncia
jurídica pre sta da pe la s de fe nsoria s pública s”.
O a dvoga do pode postula r e m ca usa própria , sa lvo se e stive r impe dido de a dvoga r contra a
pa rte contrá ria . Como re gra ge ra l, há pre visã o e xpre ssa no a rt. 103 do CPC/2015. Postula ndo e m
ca usa própria , ba sta indica r, na pe tiçã o ou na conte sta çã o, o e nde re ço e se u núme ro de inscriçã o na
OAB.

CONSULTORIA, ASSESSORIA E DIREÇÃO JURÍDICAS

A a tivida de priva tiva de a dvoca cia a bra nge situa çõe s que nã o se e nqua dra m na e spe cífica
a dministra çã o da justiça , como se vê no ite m II de sse a rtigo come nta do.

Na a tua lida de , cre sce e m todo o mundo a a dvoca cia pre ve ntiva , que busca soluçõe s
ne gocia da s a os conflitos ou o a conse lha me nto té cnico que e vite o litígio judicia l. Ao contrá rio da
a dvoca cia cura tiva , ou de postula çã o e m juízo, e m que se us a rgume ntos sã o ad proband um , o
a dvoga do, a o e mitir conse lhos, va le -se de a rgume ntos e sse ncia lme nte ad necessitatem . O pa ra digma
profissiona l a que se volta ra m o prime iro Esta tuto, dos a nos 1930, e o se gundo Esta tuto, dos a nos
1960, e ra o a dvoga do fore nse , e m ruptura com o pa ra digma e xiste nte no Impé rio e nos prime iros
cursos jurídicos de qua dro qua lifica do da Administra çã o Pública e da ma gistra tura . O Esta tuto a tua l,
conside ra ndo a re a lida de profissiona l profunda me nte tra nsforma da , te ve de le va r e m conta , a lé m
do a dvoga do fore nse , o a dvoga do e mpre ga do, o a dvoga do público e a s a tivida de s profissiona is
e xtra judicia is, compondo um pa ra digma comple xo e multifa ce ta do, que se a brigou sob a tute la
jurídica comum.

Um dos gra nde s ma le s da forma çã o jurídica , no Bra sil, é a de stina çã o pre domina nte dos cursos
jurídicos a o litígio. No e nta nto, a á re a ma is dinâ mica da s profissõe s jurídica s, na a tua lida de , é a
a tua çã o e xtra judicia l, e m vá ria s dime nsõe s. Pode mos e nca rá -la s de dois modos: como a tivida de s
pre ve ntiva s e como a tivida de s e xtra judicia is de soluçã o de conflitos. No prime iro ca so, busca -se
e vitá -los. No se gundo, busca m-se me ios distintos do proce sso judicia l pa ra soluciona r conflitos já
insta la dos ou com pote ncia l de litigiosida de ; e ste é o ca mpo da s me dia çõe s, da s ne gocia çõe s
individua is ou cole tiva s, da a rbitra ge m, da formula çã o de condiçõe s ge ra is pa ra contra ta çã o, do
de se nvolvime nto de re gra s e xtra e sta ta is de conduta , ta nto na s re la çõe s inte rna s qua nto na s
re la çõe s inte rna ciona is. O a dvoga do é o profissiona l e spe cia liza do, cuja a sse ssoria ou consultoria é
impre scindíve l, inde pe nde nte me nte de ma nda me nto le ga l, pe la de ma nda cre sce nte de se us
se rviços vinda de pe ssoa s, e mpre sa s, e ntida de s, grupos socia is e movime ntos popula re s. Esse va sto
ca mpo profissiona l re que r ha bilida de s que os cursos jurídicos de ve m conside ra r, e m virtude da
de sjudicia liza çã o de ssa s a tivida de s.

Ne sse se ntido, o CPC/2015 (a rt. 3º) e sta be le ce que a concilia çã o, a me dia çã o e outros mé todos
de soluçã o conse nsua l de conflitos de ve m se r e stimula dos pe los a dvoga dos e de ma is ope ra dore s do
dire ito, inclusive no curso do proce sso judicia l, a lé m de re força r o pa pe l da a rbitra ge m. Na
me dia çã o, re gula da pe la Le i n. 13.140/2015 e nos a rts. 165 a 175 do CPC/2015, a a tua çã o do a dvoga do
é de a sse ssora me nto e de cola bora çã o té cnica s pa ra o bom ê xito de sse proce dime nto,
dife re nte me nte da lógica do litígio proce ssua l. Poré m, pa ra a a udiê ncia de concilia çã o ou de
me dia çã o, a s pa rte s de ve m e sta r a compa nha da s de se us a dvoga dos ou de fe nsore s públicos
(CPC/2015, a rt. 334), que de ve rã o se r de vida me nte intima dos.

Os a tos e contra tos e la bora dos por mã os té cnica s pode m a fa sta r pre juízos futuros. A toma da de
de cisõe s que consulte pre via me nte os re quisitos e condiçõe s le ga is re duz os riscos de e rros e
da nos. No ca mpo e conômico, o a dve nto da le gisla çã o prote tiva do consumidor pa ssou a va loriza r a
consulta jurídica pa ra o forne ce dor, a nte s de ve icula r a lguma publicida de ou coloca r no me rca do
a lgum produto ou se rviço.

A dire çã o, coorde na çã o, che fia de qua lque r se rviço que e nvolva ma nife sta çã o de ca rá te r
jurídico só pode se r de se mpe nha da por a dvoga do le ga lme nte ha bilita do (inscrito re gula rme nte na
OAB), a ssim no se tor priva do como no se tor público.

O inciso II do a rt. 1º do Esta tuto qua lifica como priva tiva s de a dvoca cia a s a tivida de s de
consultoria , a sse ssoria e dire çã o jurídica s ma s nã o a s conside ra igua is ou se me lha nte s. Sã o
distinta s, uma ve z que o a dvoga do pode a pe na s pre sta r consultoria a clie nte s priva dos ou públicos,
ou pre sta r a sse ssoria jurídica , ou se r o dirige nte jurídico de e ntida de pública ou priva da , ou re a lizá -
la s conjunta me nte , se m que bra de sua s a utonomia s. As dua s última s a tivida de s sã o a utônoma s, de
e xe rcício e xclusivo por a dvoga do, que nã o se re a liza m me dia nte pa re ce re s. A a sse ssoria jurídica é
e spé cie do gê ne ro a dvoca cia e xtra judicia l, pública ou priva da , que se pe rfa z a uxilia ndo que m de va
toma r de cisõe s, re a liza r a tos ou pa rticipa r de situa çõe s com e fe itos jurídicos, re unindo da dos e
informa çõe s de na ture za jurídica , se m e xe rcício forma l de consultoria . Se o a sse ssor profe rir
pa re ce re s, conjuga a a tivida de de a sse ssoria e m se ntido e strito com a a tivida de de consultoria
jurídica .

Dire çã o jurídica te m o significa do de a dministra r, ge rir, coorde na r, de finir dire trize s de se rviços
jurídicos. Esse s se rviços a pe na s pode m se r dirigidos por a dvoga dos. Na vigê ncia do a nte rior
Esta tuto, a contrové rsia la vra va nos â mbitos a dministra tivo e judicia l qua nto a qua ​lificá -la como
a tivida de priva tiva de a dvoga do. A Le i n. 8.906/94 — no â mbito da compe tê ncia e xclusiva da Uniã o
de le gisla r sobre condiçõe s pa ra o e xe rcício da s profissõe s, a rt. 22, XVI, da Constituiçã o — pôs cobro
à contrové rsia a o de finir e xplicita me nte no inciso II do a rt. 1º que constitui a tivida de priva tiva dos
inscritos da OAB. Pa ra os dirige nte s jurídicos é e sse ncia l a a tivida de -fim de ge stã o de se rviço
jurídico, e nqua nto sã o comple me nta re s a s a tivida de s de a sse ssoria e consultoria jurídica s, que
pode m ou nã o se r por e le s e xe rcida s. Os a tos de a dvoca cia de que m e xe rce dire çã o jurídica sã o
pre sumidos, se m ne ce ssida de de comprova çã o e spe cífica .

A consultoria jurídica nã o pode se r pre sta da como ofe rta a o público, de modo impe ssoa l, por
utiliza çã o de me ios de comunica çã o como o te le fone ou a Inte rne t. O mode lo de socie da de de
a dvoga dos a dota do pe la Le i n. 8.906/94 é o de orga niza çã o de me ios, nã o pode ndo te r fina lida de s
me rca ntis ou e mpre sa ria is. Ne sse se ntido, e nte nde u o CFOAB se r ile ga l a impla nta çã o de siste ma
de pre sta çã o de se rviços de consultoria jurídica por te le fone (Consulta n. 147/97/OEP).

Ta mbé m é incompa tíve l com o mode lo nã o e mpre sa ria l de a dvoca cia , a dota do pe la Le i n.
8.906/94, a ofe rta de se rviços jurídicos me dia nte pla nos de a ssistê ncia jurídica , com pa ga me nto de
me nsa lida de s.

ATOS E CONTRATOS

Os a tos jurídicos (a tos jurídicos e m se ntido e strito e ne gócios jurídicos) e stã o se torna ndo ca da
ve z ma is té cnicos e comple xos, e m a lguns ca sos pa re ce ndo ve rda de iros códigos de dire itos e
de ve re s, sobre tudo e m ma té ria s e nvolve nte s de inte re sse s difusos ou cole tivos. Sã o re gula me ntos
de conduta , muito comuns na a tivida de e conômica , que convive m a o la do do dire ito e sta ta l. Nã o há
obriga torie da de de pa rticipa çã o de a dvoga dos e m sua e la bora çã o, ma s é ine vitá ve l que ta l ocorra ,
da da s a s sua s e spe cificida de s té cnica s. A Le i n. 8.934, de 18 de nove mbro de 1994, que dispõe sobre
o re gistro de e mpre sa s me rca ntis, nã o modificou a e xigê ncia do visto.

A pa rticipa çã o obriga tória do a dvoga do e m qua lque r a to jurídico importa ria le sã o a o princípio
da libe rda de de e xe rcício da a tivida de e conômica , a sse gura da na Constituiçã o, a rt. 170. Afigura -se
compa tíve l com o princípio constituciona l, contudo, e ssa obriga torie da de qua nto a os a tos
constitutivos de pe ssoa s jurídica s, porque a s conse quê ncia s da cria çã o de sse s e nte s sobre grupos
socia is dive rsos e xige m uma ca ute la ma ior. A e xpe riê ncia de monstrou que e sse ca mpo foi ocupa do
por outros profissiona is, se m qua lifica çã o jurídica (de spa cha nte s, conta dore s), utiliza ndo formulá rios
e mode los ne m se mpre a de qua dos, provoca ndo dificulda de s e litígios e vitá ve is, e spe cia lme nte nos
ca sos de dissoluçõe s socie tá ria s.

O Esta tuto conside ra nulos os a tos que nã o e ste ja m visa dos por a dvoga do. O visto nã o é me ra
forma lida de ; importa o comprome time nto com a forma e o conte údo do a to, e sta ndo suje ito a os
de ve re s é tico-profissiona is e à re sponsa bilida de civil culposa por da nos de corre nte s. Nã o consulta
os fins socia is da norma o e nte ndime nto que se sa tisfa ça a pe na s com a funçã o e xtrínse ca e
ca rtorá ria do visto, o que conve rte ria o a dvoga do e m notá rio, pois o inte re sse tute la do é o da
cole tivida de e nã o o de re se rva de me rca do de tra ba lho. Esta be le ce o a rt. 2º do Re gula me nto Ge ra l
que o visto do a dvoga do “de ve re sulta r da e fe tiva consta ta çã o, pe lo profissiona l que os e xa mina r, de
que os re spe ctivos instrume ntos pre e nche m a s e xigê ncia s le ga is pe rtine nte s”.
A norma e sta tutá ria nã o a lca nça a s e mpre sa s individua is porque e sta s nã o configura m pe ssoa s
jurídica s, sa lvo se re ve stir a forma de e mpre sa individua l de re sponsa bilida de limita da (EIRELI), de
a cordo com o a rt. 980-A do Código Civil. A e mpre sa individua l (dita firma individua l) é e quipa ra da à
pe ssoa jurídica pa ra de te rmina dos fins le ga is, como, por e xe mplo, os tributá rios. Ma s a e quipa ra çã o
visa a fins de te rmina dos que nã o a lte ra m a na ture za do e nte . As e mpre sa s individua is sã o
re gistra da s me dia nte formulá rio pa droniza do que de cla ra a pe na s da dos pre de te rmina dos, nã o
ha ve ndo a formula çã o de conte údo que os a tos constitutivos socie tá rios e xige m pa ra re gula çã o de
conduta de a dministra dore s e a ssocia dos.

Na ADIn 1.194, o STF inde fe riu, por una nimida de , o pe dido de me dida limina r de
inconstituciona lida de formula do pe la Confe de ra çã o Na ciona l da Indústria contra o § 2º do a rt. 1º, e m
1996. No mé rito, de cidiu que “a obriga torie da de do visto de a dvoga do pa ra o re gistro de a tos e
contra tos constitutivos de pe ssoa s jurídica s (a rt. 1º, § 2º, da Le i n. 8.906/94) nã o ofe nde os princípios
constituciona is da isonomia e da libe rda de a ssocia tiva ”.

A le i (CPC/2015, a rts. 610 e 733), a o dispor sobre e scritura s pública s de inve ntá rio e pa rtilha ,
divórcio conse nsua l, se pa ra çã o conse nsua l e e xtinçã o conse nsua l de uniã o e stá ve l, e sta be le ce que
some nte pode m se r la vra da s se os inte re ssa dos e stive re m a ssistidos por a dvoga do ou de fe nsor
público. Assistê ncia nã o é simple s pre se nça forma l a o a to pa ra sua a ute ntica çã o, porque e sta nã o é
a tribuiçã o do a dvoga do, ma s de e fe tiva pa rticipa çã o no a sse ssora me nto e na orie nta çã o do ca sa l
(a rt. 1º da Le i n. 8.906/94), e scla re ce ndo a s dúvida s de ca rá te r jurídico e e la bora ndo a minuta do
a cordo ou dos e le me ntos e sse ncia is pa ra a la vra tura da e scritura pública . Conside ra ndo que o
a dvoga do é e scolha ca lca da na confia nça e que sua a tivida de nã o é me ra me nte forma l, nã o pode o
ta be liã o indicá -lo, se os cônjuge s o procura re m se m a compa nha me nto da que le . Na e scritura
consta rã o a qua lifica çã o do a dvoga do e sua a ssina tura , se ndo impre scindíve l o núme ro de inscriçã o
na OAB. Se ca da cônjuge tive r contra ta do a dvoga do, e ste , a lé m do a sse ssora me nto, te m o de ve r de
concilia r os inte re sse s do se u clie nte com os do outro — se m pre juízo do de ve r de de fe sa —, de
modo a via biliza r o a cordo de se ja do pe lo ca sa l. Se os cônjuge s ne ce ssita re m de a ssistê ncia jurídica
gra tuita , por nã o pode re m pa ga r a dvoga do pa rticula r, pode rã o se r a ssistidos por de fe nsor público
(Le i n. 11.965/2009). Na forma do Provime nto n. 118/2007 da OAB, constitui infra çã o disciplina r va le r-
se o a dvoga do de a ge ncia dor ou a ssina r qua lque r e scrito e xtra judicia l que nã o te nha fe ito ou
cola bora do, se ndo ilícita a a dvoca cia e m ca usa própria , ca be ndo a os Conse lhos e Subse çõe s a
fisca liza çã o de vida . Esta be le ce o a rt. 9º da Re soluçã o n. 35/2007 do CNJ que é ve da da a o ta be liã o a
indica çã o de a dvoga do à s pa rte s, que de ve rã o compa re ce r pa ra o a to nota ria l a compa nha da s de
profissiona l de sua confia nça . Se a s pa rte s nã o dispuse re m de condiçõe s e conômica s pa ra contra ta r
a dvoga do, o ta be liã o de ve rá re come nda r-lhe s a De fe nsoria Pública , onde houve r, ou, na sua fa lta , a
Se cciona l da OAB.

DIVULGAÇÃO DE ATIVIDADE DE ADVOCACIA. VEDAÇÃO DE EXERCÍCIO CONJUNTO COM OUTRA ATIVIDADE

A divulga çã o da a dvoca cia e nca rta -se na te má tica da é tica profissiona l. Ne sse pa sso, inte re ssa
o tra ta me nto da a dvoca cia e nqua nto a tivida de e spe cífica que nã o pode se r confundida ou coliga da
com qua lque r outra .

A le i proíbe a divulga çã o conjunta com outra a tivida de , nã o importa ndo sua na ture za civil,
come rcia l, e conômica , nã o lucra tiva , pública ou priva da . A a dvoca cia nã o pode e sta r a ssocia da a
outra a tivida de , se ja e la qua l for. É proibida a divulga çã o da a dvoca cia com outra s a tivida de s ou a
indica çã o de vínculos e ntre uma s e outra s, por e xe mplo, de a dvoca cia e a tivida de contá bil, de
a dvoca cia e imóve is, de a dvoca cia e consultoria e conômica . A viola çã o de sse de ve r, ta mbé m
pre visto no Código de Ética e Disciplina (a rt. 40, IV), importa infra çã o disciplina r suje ita à sa nçã o de
ce nsura (a rt. 36, II e III, do Esta tuto).

A ve da çã o le ga l diz re spe ito nã o a pe na s à publicida de , ma s a o e xe rcício conjunto de a tivida de s


que inclua m a a dvoca cia . Na da impe de que o a dvoga do e xe rça outra s a tivida de s, e conômica s ou
nã o, contudo, ja ma is pode m e sta r a ssocia da s à a dvoca cia e m ca rá te r pe rma ne nte , qua ndo ofe re ce r
se us se rviços profissiona is. Como de cidiu o a ntigo Tribuna l de Ética da OAB-SP, e m 10 de fe ve re iro
de 1994, “o e xe rcício da a dvoca cia nã o pode se re a liza r no me smo loca l onde se e xe rce a
corre ta ge m de imóve is. Se o e scritório do a dvoga do e stá loca liza do e m pré dio de stina do à a tivida de
come rcia l, de ve te r a comoda çõe s se pa ra da s pa ra re sgua rdo do sigilo que de ve ce rca r a a tivida de da
a dvoca cia ”.

O mode lo a dota do pe la le i pa ra a a dvoca cia é o da e xclusivida de , a o contrá rio de e xpe riê ncia s
e mpre sa ria is pe rmitida s e m outros pa íse s. Uma e mpre sa pode te r um se tor jurídico, como
a tivida de -me io, ma s nã o pode divulgá -lo e ntre sua s a tivida de s-fim. O CFOAB de cidiu que come te
infra çã o le ga l e sta be le cime nto ba ncá rio que ofe rta se rviços de a dvoca cia comple me nta re s de se us
de pa rta me ntos imobiliá rios, e be m a ssim o uso de impre sso de stina do a pe tiçõe s fore nse s, com a
de nomina çã o da e mpre sa a compa nha da do a dje tivo “jurídico” (Re c. 142/SC/79).

De igua l modo, ne nhuma outra a tivida de pode se r divulga da incluindo a a dvoca cia , a inda que
no ca so de e mpre sa s que a ofe re ça m como pre sta çã o se cundá ria de se rviços a se us clie nte s.

Sobre a publicida de da a dvoca cia , ve ja m-se os come ntá rios a o a rt. 33.

CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS DA ADVOCACIA

O a rt. 2º do Esta tuto te m por fito re ssa lta r a s ca ra cte rística s e sse ncia is da a dvoca cia , e mbora a s
nã o de fina :

I — indispe nsa bilida de ;

II — inviola bilida de ;

III — funçã o socia l;

IV — inde pe ndê ncia .

O a rt. 133 da Constituiçã o e nce rra dua s norma s distinta s, re la tiva s à indispe nsa bilida de à
a dministra çã o da justiça e à inviola bilida de :

“Art. 133. O a dvoga do é indispe nsá ve l à a dministra çã o da justiça , se ndo inviolá ve l por se us a tos
e ma nife sta çõe s no e xe rcício da profissã o, nos limite s da le i”.

Se u te xto unitá rio provocou inte rpre ta çõe s conflita nte s, a nte a pa rte fina l que re me te à le i
re gula me nta dora , e nte nde ndo a lguns que nã o se ria a utoe xe cutá ve l porque re fe rida a a mba s a s
ma té ria s, inclusive à indispe nsa bilida de .

No Esta tuto, a indispe nsa bilida de e stá cuida da no caput do a rt. 2º e a inviola bilida de no se u §
3º, fica ndo e xplicita da s, no se u a rt. 7º, a s dua s que stõe s e me rge nte s do a rt. 133 da Constituiçã o: a ) a
le i a que se re me te é e sta (o Esta tuto) e nã o outra ; b) os limite s dize m re spe ito a pe na s à
inviola bilida de .

O STF de cla rou inte ira me nte constituciona l o § 3º do a rt. 7º, na ADIn 1.127-8, e spe cia lme nte a
e xpre ssã o “nos limite s de sta le i”.

A indispe nsa bilida de do a dvoga do à a dministra çã o da justiça é tota l; nã o pode sofre r limita çõe s
e sta be le cida s e m norma infra constituciona l. Ne sse ponto, o a rt. 133 é norma de e ficá cia ple na , ou
se ja , inde pe nde de le i, porque é da na ture za da a dministra çã o da justiça , e m nosso siste ma jurídico,
a ne ce ssá ria pa rticipa çã o do a dvoga do, a o la do do ma gistra do e do me mbro do Ministé rio Público.
O STF já ha via de cidido no MI 295-9/400 que o a rt. 133 é a utoa plicá ve l, qua nto à indispe nsa bilida de ,
e que “a re fe rê ncia contida no a rt. 133 a os limite s da le i diz re spe ito à inviola bilida de no e xe rcício
profissiona l e nã o à re gra pe re mptória se gundo a qua l o a dvoga do é indispe nsá ve l à a dministra çã o
da justiça ”.

De qua lque r forma , e m fa ce do te xto e xpre sso do Esta tuto, e ste é a le i re gula me nta dora a que
se re fe re o a rt. 133 da Constituiçã o.

Sobre inviola bilida de e a inde pe ndê ncia do a dvoga do, ve r os come ntá rios a os a rts. 7º e 31, § 1º,
re spe ctiva me nte .

INDISPENSABILIDADE DO ADVOGADO
O princípio da indispe nsa bilida de nã o foi posto na Constituiçã o como fa vor corpora tivo a os
a dvoga dos ou pa ra re se rva de me rca do profissiona l. Sua ratio é de e vide nte orde m pública e de
re le va nte inte re sse socia l, como instrume nto de ga ra ntia de e fe tiva çã o da cida da nia . É ga ra ntia da
pa rte e nã o do profissiona l.

Em fa ce do litígio, a a dministra çã o da justiça pre ssupõe a pa rida de de a rma s, me dia nte a


re pre se nta çã o e de fe sa dos inte re sse s da s pa rte s por profissiona is com idê ntica s ha bilita çã o e
ca pa cida de té cnica . O a ce sso igua litá rio à justiça e a a ssistê ncia jurídica a de qua da sã o dire itos
inviolá ve is do cida dã o (Constituiçã o, a rt. 5º, XXXV e LXXIV). Comprova ndo-se a insuficiê ncia de
re ndime ntos pe ssoa is, ca be a o Esta do pre sta r a ssistê ncia jurídica inte gra l a o ne ce ssita do a tra vé s de
corpo de a dvoga dos re mune ra dos pe los cofre s públicos, a sa be r, os de fe nsore s públicos
(Constituiçã o, a rt. 134), se m pre juízo do volunta ria do e ve ntua l da a dvoca cia pro bono, a dmitida pe lo
Código de Ética e Disciplina de 2015 (a rt. 30) e pe lo Provime nto n. 166/2015 pa ra instituiçõe s se m fins
lucra tivos e pe ssoa s de sprovida s de re cursos.

No orde na me nto bra sile iro, sã o trê s os figura nte s indispe nsá ve is à a dministra çã o da justiça : o
a dvoga do, o juiz e o promotor. O prime iro postula , o se gundo julga e o te rce iro fisca liza a a plica çã o
da le i. Ca da um de se mpe nha se u pa pe l de modo pa ritá rio, se m hie ra rquia (ve r os come ntá rios a o
a rt. 6º, a ba ixo). Pode -se dize r, me ta forica me nte , que o juiz simboliza o Esta do, o promotor, a le i, e o
a dvoga do, o povo. Todos os de ma is sã o a uxilia re s ou coa djuva nte s.

Sã o a dvoga dos todos os que pa trocina m os inte re sse s da s pa rte s, se ja m e la s qua is fore m,
me smo qua ndo re mune ra dos pe los cofre s públicos (a dvoga dos e sta ta is, de fe nsore s públicos). Ou
se ja , sã o os re pre se nta nte s ne ce ssá rios, que a ge m e m nome da s pa rte s, ma s no inte re sse da
a dministra çã o da justiça .

Como a dve rte José Afonso da Silva (1995, p. 533), come nta ndo o a rt. 133 da Constituiçã o, “o
princípio [da indispe nsa bilida de ] a gora é ma is rígido, pa re ce ndo, pois, nã o ma is se a dmitir
postula çã o judicia l por le igos, me smo e m ca usa própria , sa lvo fa lta de a dvoga do que o fa ça ”.

NATUREZA DA ADVOCACIA. SERVIÇO PÚBLICO. FUNÇÃO SOCIAL

A a dministra çã o da justiça é e spé cie do gê ne ro a tivida de pública . Ativida de pública pe culia r,


porque e xpre ssã o própria de um dos Pode re s e sta ta is constituídos, nã o se confundindo com a
Administra çã o Pública , e m se ntido e strito, que o Judiciá rio ta mbé m e xe rce com re la çã o a sua s
a tivida de s-me io. O ma gistra do e o promotor sã o a ge nte s do Esta do e e xe rce m funçã o pública . O
a dvoga do, no e nta nto, e mbora de la pa rticipe como figura nte indispe nsá ve l, nã o é titula r de funçã o
pública (ou e sta ta l), sa lvo se for vincula do a e ntida de de a dvoca cia pública .
O a rt. 2º, § 1º, do Esta tuto a tribui-lhe o ca rá te r de se rviço público, me smo qua ndo e xe rcida e m
“ministé rio priva do”. Significa dize r que a a dvoca cia nã o é funçã o pública , ma s é re gida pe lo dire ito
público. Como diz Ma rtine z Va l (1981, p. 19), a a dvoca cia é uma profissã o “tre me nda me nte pública ,
a nte cuja ra dica l publicida de de snuda -se minuto a minuto a intimida de da a lma , ma is que e m
qua lque r outra ”.

Contudo, se m e mba rgo da na ture za nã o e sta ta l de sua a tivida de , impre scindíve l pa ra


a sse gura r-lhe a inde pe ndê ncia dia nte do próprio Esta do, o Esta tuto e quipa ra -a a se rviço público, e m
sua s fina lida de s. Assim é porque a a tivida de de a dvoca cia pa rticipa da a dministra çã o pública da
justiça . No Esta do Mode rno é comum que pe ssoa s e e nte s priva dos e xe cute m funçõe s e se rviços
públicos.

Pa ra Ca rne lutti nã o há dúvida de que o pa trocínio, e stre ita me nte liga do à a çã o no proce sso,
se rve a um inte re sse público, ou corre sponde nte a uma funçã o pública ou me smo a um se rviço
público, se gundo o crité rio de distinçã o e ntre e sta s sua s e spé cie s de a tivida de pública (1936, p. 468).
Diz Fá bio Konde r Compa ra to que o múnus público da a dvoca cia , ma rca do pe lo monopólio do jus
postuland i priva do e m toda s a s instâ ncia s, com ra ra s e xce çõe s, be m de monstra que a a tivida de
judicia l do a dvoga do nã o visa , a pe na s ou prima ria me nte , à sa tisfa çã o de inte re sse s priva dos, ma s à
re a liza çã o da justiça , fina lida de última de todo proce sso litigioso (1993, p. 45).

Múnus público é o e nca rgo a que se nã o pode fugir, da da s a s circunstâ ncia s, no inte re sse
socia l. A a dvoca cia , a lé m de profissã o, é múnus, pois cumpre o e nca rgo inde cliná ve l de contribuir
pa ra a re a liza çã o da justiça , a o la do do pa trocínio da ca usa , qua ndo a tua e m juízo. Ne sse se ntido, é
de ve r que nã o de corre de ofício ou ca rgo público. Dura nte o Impé rio bra sile iro, ha via vá ria s
re fe rê ncia s le ga is a o significa do de múnus da a dvoca cia , como se vê no Aviso Impe ria l 151, de 1828,
de te rmina ndo a ca ssa çã o de provisã o de a dvoga do, na pe culia r lingua ge m da é poca , “porque se ndo
a a dvoca cia um munus publico, nã o póde se r e xe rcida por indivíduos que nã o goze m dos fóros de
cida dã o bra sile iro”. No Aviso 206, de 1866, diz-se que “a profissã o de a dvoga do é de um ca ra cte r
mixto, e lle nã o é só o ma nda ta rio da pa rte , é de ma is, uma e spe cie se nã o de funcciona rio publico,
a o me nos de a ge nte publico e e spe cia l, a que m a le i confe re dire itos e impõe obriga çõe s”.

A a dvoca cia , sobre tudo qua ndo ministra da e m ca rá te r priva do, é e xe rcida se gundo uma funçã o
socia l intrínse ca . A funçã o socia l é a sua ma is importa nte e dignifica nte ca ra cte rística . O inte re sse
pa rticula r do clie nte ou o da re mune ra çã o e o pre stígio do a dvoga do nã o pode m sa crifica r os
inte re sse s socia is e cole tivos e o be m comum. A funçã o socia l é o va lor fina lístico de se u miste r.
Como e nuncia a le i a le mã da a dvoca cia , de 1952, “a a tivida de do a dvoga do, a cima do e strito
inte re sse do clie nte , te m de proje ta r-se sobre o a mplo e spa ço da comunida de ”.

O a dvoga do re a liza a funçã o socia l qua ndo concre tiza a a plica çã o do dire ito (e nã o a pe na s da
le i) ou qua ndo obté m a pre sta çã o jurisdiciona l e qua ndo, me rcê de se u sa be r e spe cia liza do,
pa rticipa da construçã o da justiça socia l. Como diz José Ge ra ldo de Souza Junior (1990, p. 130), “a
compre e nsã o dos de ve re s e a ple na concre tiza çã o dos dire itos dos a dvoga dos pa ssa m pe la
me dia çã o de sua prá tica socia l, de suje ito copa rticipa nte do proce sso de re instituiçã o contínua da
socie da de ”.

Porta nto, sã o distinta s, ma s inte rde pe nde nte s, a s ca ra cte rística s da a dvoca cia e nuncia da s no §
1º do a rt. 2º da Le i n. 8.906/94, ta lve z o ma is importa nte de se us pre ce itos, de gra nde pote ncia lida de
he rme nê utica . É se rviço público, na me dida e m que o a dvoga do pa rticipa ne ce ssa ria me nte da
a dministra çã o pública da justiça , se m se r a ge nte e sta ta l; cumpre uma funçã o socia l, na me dida e m
que nã o é simple s de fe nsor judicia l do clie nte , ma s proje ta se u ministé rio priva do na dime nsã o
comunitá ria , te ndo se mpre pre se nte que o inte re sse individua l que pa trocine de ve e sta r pla sma do
pe lo inte re sse socia l.

O ADVOGADO ESTRANGEIRO

O e xe rcício da a dvoca cia no Bra sil de pe nde de inscriçã o no qua dro de a dvoga dos da OAB.

O a dvoga do e stra nge iro pode e xe rce r a profissã o no Bra sil, ma s há de subme te r-se à inscriçã o
na OAB, a te nde ndo a os re quisitos do a rt. 8º, inclusive a prova de gra dua çã o e m dire ito e de
a prova çã o e m Exa me de Orde m, que supõe o conhe cime nto da língua portugue sa e do dire ito
na ciona l. Ta l providê ncia nã o pode se r conside ra da um obstá culo à te ndê ncia mundia l de
supe ra çã o da s fronte ira s e de forma çã o da s comunida de s de na çõe s, sa lvo a ocorrê ncia de tra ta do
inte rna ciona l sobre a ma té ria (a rt. 5º, § 2º, da Constituiçã o). Nã o fa z se ntido que o a dvoga do
bra sile iro obrigue -se à inscriçã o e fisca liza çã o da corpora çã o profissiona l e o e stra nge iro nã o,
porque a le gisla çã o de se u pa ís nã o produz e fe itos sobre a a tivida de profissiona l que ve nha a
de se nvolve r no Bra sil.

O Provime nto n. 129/2008 a briu e xce çã o pa ra os a dvoga dos portugue se s, que fica m
de sobriga dos de pre sta r Exa me de Orde m e da s de ma is e xigê ncia s de inscriçã o. Pa ra e sse s
a dvoga dos, e m virtude do tra ta me nto privile gia do que a Constituiçã o bra sile ira outorga a os cida dã os
portugue se s, pa ra sua inscriçã o junto a o Conse lho Se cciona l que e scolhe r, ba sta fa ze r prova da
docume nta çã o de sua inscriçã o originá ria e de se us docume ntos pe ssoa is, e m origina is ou
fotocópia s, a ute ntica dos pe lo consula do bra sile iro e m Portuga l. Nã o há ne ce ssida de de re va lida çã o
do diploma de gra dua çã o e m dire ito obtido e m Portuga l.

De ixa de ha ve r a e xigê ncia , consta nte do Esta tuto a nte rior, de re ciprocida de de dire itos e
de ve re s, se gundo a qua l o a dvoga do e stra nge iro só pode ria inscre ve r-se na OAB se ta l possibilida de
ocorre sse e m se u pa ís pa ra o a dvoga do bra sile iro. Essa s re striçõe s nã o contribue m pa ra a
a proxima çã o dos povos. Se a le gisla çã o bra sile ira pe rmite o e xe rcício da a dvoca cia a o a dvoga do
e stra nge iro no te rritório na ciona l, de sde que inscrito na OAB, o Bra sil e sta rá le gitima do a pugna r
politica me nte por idê ntica a titude e m outros pa íse s que a dote m norma dife re ncia da .

O Provime nto n. 91/2000 do CFOAB a dmite que o a dvoga do e stra nge iro, ne ssa condiçã o, possa
a tua r no Bra sil, se obtive r a utoriza çã o do Conse lho Se cciona l da OAB, pe lo pra zo re nová ve l de trê s
a nos, e e xclusiva me nte pa ra prá tica de consultoria sobre o dire ito de se u pa ís de orige m, nã o lhe
se ndo pe rmitida a postula çã o a órgã o do Pode r Judiciá rio, a inda que e m pa rce ria com a dvoga do
bra sile iro. Ta mbé m é ve da da a a dvoca cia e xtra judicia l (consultoria , a sse ssoria , dire çã o jurídica s)
sobre o dire ito bra sile iro. Os consultore s e m dire ito e stra nge iro pode rã o re unir-se e m socie da de
e spe cífica , de vida me nte re gistra da no Conse lho Se cciona l da OAB, a cre sce nta ndo-se a se u nome de
orige m “Consultore s e m Dire ito Estra nge iro”. A e sse s a dvoga dos e à s re spe ctiva s socie da de s a plica -
se a le gisla çã o bra sile ira sobre a tivida de de a dvoca cia , inclusive a s re gra s de ontológica s. O
Provime nto n. 99/2002 do Conse lho Fe de ra l de te rminou a orga niza çã o do Ca da stro Na ciona l de
Consultore s e de Socie da de s de Consultore s e m Dire ito Estra nge iro. Se gundo o Provime nto n.
172/2016, a socie da de de consultore s e m dire ito e stra nge iro ou a socie da de de a dvoga dos que te nha
a dmitido consultor e m dire ito e stra nge iro de ve rã o comunica r à Se cciona l da OAB compe te nte a
ide ntifica çã o comple ta de se us consultore s e stra nge iros, incluindo o nome socia l porve ntura
a dota do por qua lque r de le s, be m como qua lque r a lte ra çã o de se us qua dros.

A coope ra çã o e ntre e scritórios bra sile iros e e stra nge iros de a dvoca cia é , porta nto, possíve l,
de sde que de la nã o re sulte : a cria çã o de nova s pe ssoa s jurídica s, com pa rticipa çã o socie tá ria de
a dvoga dos e stra nge iros ou dos próprios e scritórios; a prá tica da a dvoca cia , no Bra sil, por
profissiona is se m inscriçã o na OAB; a subordina çã o dos a dvoga dos bra sile iros a e ntida de ou
instituiçã o e stra nge ira s; a utiliza çã o de e nde re ço comum no Bra sil ou divulga çã o e comunica çõe s
comuns.

Ante o mode lo le ga l bra sile iro, a XXI Confe rê ncia Na ciona l dos Advoga dos, e m 2011, a provou
conclusõe s no se ntido de nã o se r pe rmitida pa rce ria e ntre a dvoga dos ou socie da de de a dvoga dos
bra sile iros e consultore s e m dire ito e stra nge iro, sa lvo pa ra a troca de e xpe riê ncia s e a te ndime nto
de clie nte s no â mbito da s re la çõe s inte rna ciona is, ca da qua l a tua ndo no te rritório do se u pa ís de
orige m, ou pa ra a ssocia çã o de na ture za cie ntífica e cultura l. É ra zoá ve l a re striçã o, pois é ne ce ssá rio
de monstra r proficiê ncia sobre o dire ito na ciona l que o a dvoga do te m de invoca r, o que se a pura com
o Exa me de Orde m, no Bra sil. Nã o fa z se ntido que o e xa me se ja e xigíve l pa ra o bra sile iro e
dispe nsa do pa ra o e stra nge iro.

Na ma ioria dos pa íse s, a s re striçõe s sã o ma is se ve ra s que a s a dota da s pe la OAB no Bra sil. Nos
Esta dos Unidos, a pe na s 24 Esta dos possue m le gisla çã o pe rmitindo o e xe rcício, e m se u solo, de
dire ito a lie níge na pe los cha ma dos consultore s le ga is e stra nge iros, com re quisitos limita nte s como
te mpo de profissã o e re ciprocida de do pa ís de orige m do consultor, e xigê ncia que o Bra sil nã o fa z.
Os a dvoga dos da ma ioria dos pa íse s re je ita ra m a libe ra liza çã o dos se rviços jurídicos no â mbito do
Acordo Ge ra l sobre o Comé rcio de Se rviços (GATS), porque a a dvoca cia nã o pode se r tra ta da como
me rca ncia .

ADVOCACIA PÚBLICA

A Constituiçã o, nos a rts. l31, 132 e 134, cuida da a dvoca cia pública , que pode se r a ssim
cla ssifica da :

a ) a dvoca cia e sta ta l (da Uniã o, dos Esta dos-me mbros, do Distrito Fe de ra l, dos Municípios e de
sua s Auta rquia s e Funda çõe s Pública s);

b) de fe nsoria pública (da Uniã o, do Distrito Fe de ra l e dos Esta dos-me mbros).

A Le i n. 8.906/94 orie ntou-se e m se ntido dia me tra lme nte oposto à le gisla çã o a nte rior, que
a pe na s disciplina va a a tivida de do a dvoga do priva do. Com o Esta tuto a tua l, a a dvoca cia pa ssou a
se r e nte ndida como e xe rcício profissiona l de postula çã o a qua lque r órgã o do Pode r Judiciá rio e
como a tivida de de consultoria , a sse ssoria e dire çã o jurídica s e xtra judicia is. Ta mbé m disciplinou o
se ntido e a lca nce de sua indispe nsa bilida de na a dministra çã o da justiça , pre vista no a rt. 133 da
Constituiçã o Fe de ra l, a inse rçã o da a dvoca cia pública e a tute la le ga l mínima do a dvoga do
e mpre ga do.

Que m de fe nde juridica me nte inte re sse de te rce iro, se ja e le pa rticula r ou a dministra çã o
pública , ou pre fe re opiniã o jurídica , é a dvoga do. Sã o trê s os figura nte s indispe nsá ve is da
a dministra çã o da justiça : o ma gistra do judicia l, o me mbro do Ministé rio Público e o a dvoga do. A
a dvoca cia pública nã o te m na ture za ne m a tribuiçõe s da ma gistra tura ou do Ministé rio Público.

O a dvoga do público, a lé m de se rvidor público, é a dvoga do. Os Procura dore s da Uniã o, do


Esta do ou do Município, e nqua nto se rvidore s públicos, sã o re gidos pe la s le gisla çõe s e spe cífica s,
que de limita m sua s a tribuiçõe s, má xime qua nto a sua s re la çõe s com a a dministra çã o pública .
Poré m, e nqua nto a dvoga dos, obse rva m, igua lme nte , a s re gra s ge ra is e é tica s própria s de sua cla sse
ge ra l e de ve m se r le ga lme nte de fe ndidos pe la OAB.

As dua s le gisla çõe s (a dvoca cia ge ra l e a e spe cífica ) incide m e m se us ca mpos e spe cíficos e nã o
compe te m e ntre si. Esse mode lo le ga l e stá inte ira me nte e m conformida de com a Constituiçã o de
1988.

A Advoca cia -Ge ra l da Uniã o e stá disciplina da na Le i Comple me nta r n. 73/93, e a de fe nsoria
pública (e m ge ra l), pe la Le i Com​ple me nta r n. 80/94. Amba s some nte a dmite m o e xe rcício da
a dvoca cia de ntro dos limite s de sua s a tribuiçõe s instituciona is, de modo e xclusivo, fica ndo ve da da a
a dvoca cia pa rticula r ou a utônoma .

O Esta tuto nã o disciplina a pe na s a a dvoca cia priva da . Os a rts. 131 a 134 da Constituiçã o tê m de
se r inte rpre ta dos de modo siste má tico, inte gra do e ha rmônico. A Constituiçã o nã o cuida de
a tivida de s pa ra le la s ou e xclude nte s, uma s de outra s, ma s de uma a ti​vida de de me sma na ture za
ontológica e jurídica , a a dvoca cia , pouco importa ndo o inte re sse pa trocina do (e sta ta l ou de pe ssoa
juridica me nte ne ce ssita da ) ou o tipo de vínculo público ou priva do do profissiona l que a e xe rce .

A a lte ra çã o ha vida na LC n. 80/94 (que pre vê que a “ca pa cida de postula tória do de fe nsor
público de corre e xclusiva me nte de sua nome a çã o e posse no ca rgo público”) nã o a lte ra e ssa
pe culia r na ture za híbrida da a dvoca cia pública ; a pe na s te m por fito e xplicita r que a ca pa cida de
postula tória do de fe nsor público (a ssim como dos procura dore s da Uniã o, dos Esta dos e dos
Municípios) dispe nsa a prova da re pre se nta çã o judicia l (ma nda to), ba sta ndo a pe na s a prova da
posse no ca rgo. O e nuncia do le ga l nã o a utoriza a inte rpre ta çã o de dispe nsa dos de fe nsore s públicos
da inscriçã o na OAB. Ne sse se ntido, de cidiu o TRF-1ª Re giã o (2007.33.020505-3), pa ra o qua l ta nto os
a rts. 133 e 134 da CF qua nto o a rt. 26 da LC n. 80/94 e xige m a inscriçã o dos de fe nsore s públicos nos
qua dros da OAB na condiçã o de a dvoga dos públicos, os qua is nã o pode m, de pois de ingre ssa r na
OAB, re que re r se u de sliga me nto.

De cidiu o STF, na ADIn 2.652, que ta nto os a dvoga dos públicos qua nto os a dvoga dos
pa rticula re s nã o e stã o suje itos a multa , ca so crie m e mba ra ços a o cumprime nto de de cisõe s judicia is
de na ture za ca ute la r ou de finitiva . A a çã o foi a juiza da pe la Associa çã o Na ciona l dos Procura dore s
de Esta do que que stiona va a constituciona lida de do a rt. lº da Le i n. 10.358/2001, que re ssa lvou os
a dvoga dos, se m e xplicita r a inclusã o dos a dvoga dos públicos. Pa ra o re la tor, no e xe rcício da
a dvoca cia , nã o e xiste dife re nça e ntre a dvoga do público e pa rticula r.

A Constituiçã o (a rt. 22, XVI) a tribui à Uniã o a compe tê ncia priva tiva pa ra le gisla r sobre
condiçõe s pa ra o e xe rcício da s profissõe s, se ja no se tor priva do, se ja no se tor público. O Esta tuto
configura a le i ge ra l da a dvoca cia , suple tiva de ca da le gisla çã o e spe cífica da a dvoca cia pública , ma s
e xclusiva e m ma té ria que diga com a a tivida de priva tiva de a dvoca cia . O e xe rcício e xclusivo da
a dvoca cia pública , que a s le is comple me nta re s a cima re fe rida s e a lguma s le is e sta dua is (pa ra os
procura dore s de Esta do) impõe m, pre ssupõe e xa ta me nte a a tivida de priva tiva de a dvoca cia ,
se gundo os pa râ me tros fixa dos no a rt. 1º do Esta tuto.

Com e xce çã o dos procura dore s dos Esta dos, do Distrito Fe de ra l e dos Municípios, sa lvo se
dispuse re m e m contrá rio a s le is re spe ctiva s, os de ma is a dvoga dos públicos a pe na s pode m e xe rce r
a a dvoca cia no â mbito de sua s a tribuiçõe s instituciona is. Significa dize r que nã o pode m e xe rce r a
a dvoca cia pa rticula r. Essa re striçã o, contida na s le is própria s, foi obje to de a çã o dire ta de
inconstituciona lida de proposta pe la OAB, ma s o Supre mo Tribuna l a re je itou por e nte nde r que
ine xiste dire ito a dquirido a re gime jurídico, ma nte ndo a ve da çã o le ga l à a dvoca cia pa rticula r pa ra os
se rvidore s ocupa nte s de ca rgos de a dvoga do da Uniã o, a ssiste nte jurídico da Uniã o, procura dor e
a dvoga do de a uta rquia s e funda çõe s pública s, de fe nsor público, procura dor da Fa ze nda Na ciona l,
procura dor do Ba nco Ce ntra l, procura dor do INSS e procura dore s da Comissã o de Va lore s
Mobiliá rios e da Supe rinte ndê ncia de Se guros Priva dos (ADI 1.754). Pa ra a Uniã o, vigora a Le i n.
9.651/98. De cidiu-se que “é ve da do a o Procura dor Fe de ra l e xe rce r a a dvoca cia fora da s sua s
a tribuiçõe s instituciona is, e m virtude da a lte ra çã o e sta be le cida , qua ndo da e diçã o da Me dida
Provisória 2.136-33/2000 — que tra nsformou o ca rgo de Procura dor Funda ciona l e m Procura dor
Fe de ra l” (STJ, AgRg no REsp 1.126.535).

Re sponde ndo a consulta , e nte nde u o órgã o Espe cia l do CFOAB que a ve da çã o a lca nça a todos
os de fe nsore s públicos, inclusive os nome a dos a nte s da vigê ncia da Le i Comple me nta r n. 80/94
(Proc. 325/2001/OEP-MS). Ta mbé m e nte nde u o Órgã o Espe cia l que procura dore s do Esta do lota dos
e m Procura doria que e xe rce m a tivida de s típica s da De fe nsoria Pública e stã o suje itos à s me sma s
re striçõe s de e xe rcício da a dvoca cia a fe ta s a os de fe nsore s públicos (Consulta 2011.27.02036-01).

Ao tra ta r da s incompa tibilida de s com o e xe rcício da a dvoca ​c ia , no a rt. 28, a Le i n. 8.906/94 nã o


incluiu os a dvoga dos e sta ta is ou os de fe nsore s públicos. A incompa tibilida de de te rmina a proibiçã o
total de a dvoga r; o impe dime nto, a proibiçã o pa rcia l. Os a dvoga dos públicos, e a té me smo se us
dirige nte s má ximos (procura dore s-ge ra is, de fe nsore s-ge ra is e tc. — a rt. 29 da Le i n. 8.906/94) e stã o
parcialm ente proibidos de e xe rce r a a dvoca cia , ou se ja , fora de sua s a tribuiçõe s instituciona is, ou a
pa rticula r. Ape na s se e stive sse m tota lme nte proibidos de e xe rce r a a dvoca cia fica ria m e xcluídos do
re gime le ga l do Esta tuto. Ma s se o a dvoga do público da Uniã o lice ncia r-se de se u ca rgo e sta rá
a pe na s impe dido de e xe rce r a a dvoca cia pe ra nte os órgã os e a s e ntida de s de ssa Fa ze nda Pública .

O Esta tuto nã o tra ta , ne m pode ria tra ta r, da s ma té ria s que e nvolve m a funçã o pública e m si,
e xe rcida pe lo a dvoga do público: a orga niza çã o da instituiçã o e sta ta l, a ca rre ira , a forma de
inve stidura , os dire itos e de ve re s e spe cíficos, a s infra çõe s disciplina re s e spe cífica s. Sobre e la s, a
le gisla çã o própria é e xclusiva ou pre va le ce nte .

Nã o se a rgume nte com o a spe cto forma l de hie ra rquia norma tiva , por se r o Esta tuto le i
ordiná ria e a Advoca cia -Ge ra l da Uniã o ou da De fe nsoria Pública se re m re gida s por le is
comple me nta re s, ne m com a obse rvâ ncia a o a ntigo broca rdo lex posterior generalis non d erogat priori
speciali. As ma té ria s, como a cima de monstra mos, nã o se confunde m, sã o de distinta na ture za , ma s
ha rmonizá ve is, se ndo ina plicá ve is ta is crité rios de inte rpre ta çã o. Por outro la do, re ssa lte -se que o
Esta tuto é le i ge ra l e m ma té ria de a dvoca cia .

A re gula rida de da inscriçã o na OAB é e xigê ncia pe rma ne nte , be m como a obse rvâ ncia da s
norma s ge ra is da le gisla çã o da a dvoca cia e dos de ve re s é tico-profissiona is, qua ndo no e xe rcício da
a dvoca cia pública . Assim dispõe o Provime nto n. 114/2006: “Art. 3º O a dvoga do público de ve te r
inscriçã o principa l pe ra nte o Conse lho Se cciona l da OAB e m cujo te rritório te nha lota çã o. Pa rá gra fo
único. O a dvoga do público, e m ca so de tra nsfe rê ncia funciona l ou re moçã o pa ra te rritório de outra
Se cciona l, fica dispe nsa do do pa ga me nto da inscriçã o ne sta , no a no e m curso, de sde que já te nha
re colhido a nuida de na Se cciona l e m que e ste ja a nte riorme nte inscrito”. O Provime nto ta mbé m de ixa
e xplícito que a a prova çã o e m concurso público de prova s e de prova s e títulos pa ra ca rgo na
a dvoca cia pública nã o e xime a a prova çã o e m e xa me de orde m, pa ra inscriçã o e m Conse lho
Se cciona l da OAB onde te nha domicílio ou de va se r lota do. Ne sse se ntido, a Orie nta çã o Norma tiva
n. 1/2011 da AGU de te rminou que todos os a dvoga dos da Uniã o, os procura dore s da Fa ze nda
Na ciona l, os procura dore s fe de ra is e os inte gra nte s do qua dro suple me nta r da AGU de ve m te r
inscriçã o re gula r na OAB pa ra o e xe rcício da a dvoca cia pública no â mbito da instituiçã o.

Me smo e m se u ministé rio priva do, o a dvoga do pre sta se rviço público (a rt. 2º, § 1º) e nã o se rviço
priva do. E e sse se rviço público pe culia r, a a dvoca cia , é tute la do pe lo Esta tuto, se ndo irre le va nte a
orige m ou vínculo do profissiona l que o e xe rce . Se ndo a ssim, o pode r de punir o a dvoga do público,
por fa lta é tica nã o funciona l e re la ciona da à a tivida de priva tiva da a dvoca cia , é e xclusiva me nte da
OAB. Se e sse profissiona l ve m a se r suspe nso ou e xcluído, fica proibido de e xe rce r a a dvoca cia ,
te mporá ria e pe rma ne nte me nte , a fe ta ndo a s própria s fina lida de s do ca rgo que ocupe , e mbora nã o
produza e fe itos qua nto a sua re la çã o funciona l inte rna . Contudo, ce rta me nte , por sua s implica çõe s
é tica s, a de cisã o da OAB re fle tirá na Administra çã o Pública , que te m o de ve r de obse rva r o princípio
da mora lida de a dministra tiva (a rt. 37 da Constituiçã o), que se e ncontra a cima de qua lque r re gime
jurídico funciona l, contra e le ta mbé m insta ura ndo o de vido proce sso disciplina r.

As re gra s da Le i n. 8.906/94 re la tiva s a o a dvoga do e mpre ga do sã o suple tiva s da s le gisla çõe s


e spe cífica s da a dvoca cia pública , no que for compa tíve l. A le gisla çã o e sta dua l pode , va lida me nte ,
e sta be le ce r proibiçõe s à a dvoca cia pa rticula r a se us se rvidore s, nã o se constituindo inva sã o da
compe tê ncia le gisla tiva da Uniã o. Ne sta dire çã o e nte nde u o CFOAB, por se u Órgã o Espe cia l, que os
Esta dos e Municípios tê m compe tê ncia le gisla tiva pa ra ve da r o e xe rcício da a dvoca cia priva da e
e sta be le ce r de dica çã o e xclusiva pa ra se us procura dore s (Consulta n. 0004/2002/OEP-MS).

Com funda me nto no § 1º do a rt. 3º do Esta tuto, o STJ (REsp 480.598) de cidiu que e ssa norma
“conce de a todos os a dvoga dos, inclusive a os de fe nsore s públicos, o dire ito a honorá rios”. O ca so
e nvolve u honorá rios de sucumbê ncia de vidos pe lo Esta do que re stou ve ncido na a çã o, nã o se
pode ndo confundir “órgã o do Esta do com o próprio Esta do”, que se e nfre nta ra m. A le i e sta dua l
pre vê que os honorá rios de vidos a o de fe nsor público se re ve rte m e m fa vor de fundo próprio de
a pa re lha me nto da De fe nsoria Pública . Em outro julga do (REsp 1.203.312), o STJ de cidiu que , a pe sa r
da impossibilida de de pe rce pçã o de honorá rios a dvoca tícios no e xe rcício de funçã o instituciona l,
e le s sã o de vidos à De fe nsoria Pública como instituiçã o, qua ndo fore m de corre nte s da re gra ge ra l de
sucumbê ncia nos te rmos do a rt. 4º, XXI, da LC n. 80/94.

No que conce rne a os honorá rios de sucumbê ncia , sua pe rce pçã o pe los a dvoga dos públicos
de pe nde de le gisla çã o própria . A Le i fe de ra l n. 13.327/2016 pa ssou a a dmitir se u pa ga me nto a os
a dvoga dos públicos fe de ra is, a pós o e nca minha me nto a um fundo, pa ra distribuiçã o de a cordo com
o te mpo de se rviço de ca da um. Os honorá rios de sucumbê ncia nã o inte gra m a ba se de cá lculo da s
contribuiçõe s pre vide nciá ria s ne m inte gra m os ve ncime ntos.

ATUAÇÃO DE ESTAGIÁRIO

Ao contrá rio do Esta tuto a nte rior, que pe rmitiu o e xe rcício pe lo e sta giá rio dos a tos nã o
priva tivos de a dvoga do, a Le i n. 8.906/94 fa culta a o prime iro (re gula rme nte inscrito na OAB) e xe rce r
todos os a tos, de sde que a compa nha do ne ce ssa ria me nte por a dvoga do (incluindo o procura dor ou o
de fe nsor públicos) e sob a re sponsa bilida de de ste . A a tua çã o do e sta giá rio nã o constitui a tivida de
profissiona l; inte gra sua a pre ndiza ge m prá tica e te m funçã o pe da gógica .

Assim, todos os a tos profissiona is e pe ça s proce ssua is de ve rã o se r re a liza dos com a


pa rticipa çã o do a dvoga do, e mbora possa m conte r, ta mbé m, o nome , o núme ro de inscriçã o e a
a ssina tura do e sta giá rio. A a usê ncia do a dvoga do ge ra nulida de do a to e re sponsa bilida de
disciplina r pa ra a mbos, e m virtude de infra çã o de norma e sta tutá ria e xpre ssa (a rt. 36, III, do
Esta tuto).

Contudo, o a rt. 29 do Re gula me nto Ge ra l e spe cifica a s hipóte se s e m que é possíve l a prá tica
isola da de a lguns a tos a uxilia re s pe lo e sta giá rio, e mbora sob a re sponsa bilida de do a dvoga do a que
se vincule :

I — re tira r e de volve r a utos e m ca rtório, a ssina ndo a re spe ctiva ca rga ; (“A re tira da dos a utos e m
ca rga por e sta giá rio de dire ito nã o importa e m ciê ncia ine quívoca do a dvoga do re sponsá ve l pe la
ca usa ” — STJ, REsp 1.296.317.)

II — obte r junto a os e scrivã e s e che fe s de se cre ta ria s ce rtidõe s de pe ça s ou a utos de proce ssos
e m curso ou findos;

III — a ssina r pe tiçõe s de junta da de docume ntos a proce ssos judicia is e a dministra tivos.

De cidiu o CFOAB que ta mbé m se inclui e ntre a s hipóte se s o pe dido de informa çõe s sobre o
a nda me nto de proce ssos judicia is, se m re tira da e se m vista s dos a utos (OE 49/95).

Ta is hipóte se s pre ssupõe m que o e sta giá rio se ja ma nda tá rio conjunto com o a dvoga do ou que
de ste te nha re ce bido a utoriza çã o, que pode rá se r e xigida pe lo e scrivã o. Essa s ca ute la s sã o
ne ce ssá ria s porque há re sponsa bilida de principa l e solidá ria do a dvoga do, no ca so de e xtra vio ou
re te nçã o a busiva de a utos.

O e xe rcício de a tos e xtra judicia is, que e nvolva m a sse ssoria jurídica , pode se r pra tica do pe lo
e sta giá rio isola da me nte , qua ndo re ce be r a utoriza çã o ou substa be le cime nto do a dvoga do pa ra ta l
miste r e pe rma ne ce r sob orie nta çã o de ste . Os de ma is a tos de a dvoca cia e xtra judicia l, e nvolve nte s
de consultoria e dire çã o jurídica s, nã o pode m se r pra tica dos isola da me nte pe lo e sta giá rio, me smo
qua ndo a utoriza dos pe lo a dvoga do, porque sã o a tos de finitivos e principa is, priva tivos de ste .

Nã o pode o e sta giá rio a tua r de modo a utônomo, isola da me nte ou e m conjunto com outros
e sta giá rios, ofe re ce ndo dire ta me nte se us se rviços a a dvoga dos ou a te rce iros, porque há
de svirtua me nto da fina lida de e duca tiva do e stá gio. Pode o e sta giá rio, de vida me nte inscrito na OAB,
fa ze r uso de insígnia s da OAB, como bottons (Eme nta n. 024/2013/OEP).

Sobre e sta giá rio, ve r os come ntá rios a o a rt. 9º.

NULIDADE DOS ATOS DE ADVOCACIA PRATICADOS ILEGALMENTE

A conse quê ncia que a le i a tribui à prá tica ile ga l dos a tos priva tivos de a dvoga dos,
e spe cia lme nte por pe ssoa nã o inscrita na OAB, é a nulida de . Nã o se tra ta de simple s ine ficá cia ,
ma s de inva lida de e m se u ma is a lto gra u. Tra ta -se , a qui, da nulida de e m se ntido e strito, que a lguns
de nomina m absoluta, a fa sta ndo-se pois a a nula çã o (gra u me nor de inva lida de ).

A nulida de , por se r de ple no dire ito: a ) pode se r de cla ra da de ofício; b) pode se r provoca da por
qua lque r inte re ssa do ou pe lo Ministé rio Público; c) é impre scritíve l; d) nã o se ra tifica pe la pa rte
inte re ssa da ; e ) nã o conva le sce com o te mpo; f) a pa ga , a o se r de cla ra da , os e fe itos produzidos ab
initio; g) nã o pode se r suprida ou sa na da .

Alé m da nulida de que a tinge o a to e m si, que m o pra tica re sponde civilme nte pe los da nos
de corre nte s, a o pre judica do, e m virtude do ilícito (a rt. 927 do CC); crimina lme nte , por e xe rcício ile ga l
da profissã o, e a dministra tiva me nte , onde coube re m a s re spe ctiva s sa nçõe s.

No ca so do a dvoga do impe dido, a nulida de a lca nça a pe na s os a tos re la tivos a o â mbito do


impe dime nto. Por e xe mplo, na re gra ge ra l, sã o nulos os a tos de a dvoca cia pra tica dos contra os
inte re sse s da Fa ze nda Pública a que se vincule o a dvoga do, incluindo toda s a s e ntida de s da
re spe ctiva Administra çã o Pública (a rt. 30, I, do Esta tuto).

No ca so da suspe nsã o, se us e fe itos nã o se re stringe m a o ca mpo a dministra tivo-disciplina r;


e nvolve m a nulida de de qua lque r a to de a dvoca cia pra tica do dura nte o cumprime nto da pe na lida de .
Poré m, o STJ e nte nde u que nã o se de cre ta a nulida de dos a tos pra tica dos por a dvoga do a fa sta do do
e xe rcício profissiona l, se fora m ra tifica dos por novo procura dor constituído nos a utos e se da
irre gula rida de da re pre se nta çã o proce ssua l nã o a dve io pre juízo a qua lque r da s pa rte s (REsp
449.627).

Da me sma forma , a os lice ncia dos da a dvoca cia , porque nã o há lice nça ma te ria lme nte pa rcia l,
incluindo os a fa sta dos te mpora ria me nte pa ra e xe rce r ca rgos ou funçõe s incompa tíve is. A
incompa tibilida de tota l ge ra o ca nce la me nto de finitivo da inscriçã o.

MANDATO JUDICIAL

O ma nda to judicia l é o contra to me dia nte o qua l se outorga a re pre se nta çã o voluntá ria do
clie nte a o a dvoga do, pa ra que e ste possa a tua r e m nome da que le , e m juízo ou fora de le . O
instrume nto do ma nda to, onde sã o e xplicita dos os pode re s da re pre se nta çã o, é a procura çã o, que o
a dvoga do de ve se mpre prova r. O a rt. 5º da Le i n. 8.906/94 de sobriga o a dvoga do de re conhe ce r a
firma do ma nda nte , se ja pa ra a tua r e m juízo, se ja pa ra a tua r pe ra nte a a dministra çã o pública ,
porque a pe na s e xige que fa ça prova do ma nda to, ta l como ocorre com a le gisla çã o proce ssua l. O
a rt. 105 do CPC de 2015 a dmite que a procura çã o possa se r a ssina da digita lme nte . Em qua lque r
hipóte se , a procura çã o judicia l de ve conte r o núme ro de inscriçã o na OAB e o e nde re ço comple to.

O contra to de ma nda to e stá subja ce nte a o contra to de pre sta çã o de se rviços profissiona is, onde
se re gula a forma de re mune ra çã o do a dvoga do. No dire ito bra sile iro, dife re nte me nte de outros
siste ma s jurídicos, todo ma nda to conté m re pre se nta çã o; nã o há ma nda to se m re pre se nta çã o. O
ma nda do judicia l supõe ne ce ssa ria me nte a re pre se nta çã o do clie nte , a inda que os pode re s de
re pre se nta çã o de pe nda m da procura çã o, que é o instrume nto do ma nda to. A rigor, a um só te mpo, o
contra to que se a justa com o a dvoga do é se mpre misto típico, fundindo-se com e le me ntos de trê s
ne gócios jurídicos: contra to de ma nda to, contra to de pre sta çã o de se rviços profissiona is e ne gócio
jurídico unila te ra l de procura çã o.

A procura çã o pre ssupõe o contra to de ma nda to, que lhe subja z, a inda que ta cita me nte . O fa to
de figura r como re pre se nta nte um a dvoga do qua lifica o ma nda to e o torna ne ce ssa ria me nte
one roso.

Na hipóte se de socie da de de a dvoga dos, o ma nda to judicia l de ve se r outorga do


individua lme nte a os que de la fa ça m pa rte , me smo que o instrume nto procura tório a e la se re fira ,
conforme de te rmina o a rt. 15, § 3º, do Esta tuto. O a rt. 105 do CPC ta mbé m e xige que a procura çã o
conte nha o nome e o núme ro de re gistro da socie da de de a dvoga dos na OAB.

O pre ce ito le ga l (a rt. 5º) te m igua lme nte fundo de ontológico. Dirige -se a o a dvoga do a tribuindo-
lhe o de ve r de prova r o ma nda to, qua ndo postula r e m nome do clie nte . De me sma na ture za é a
e xce çã o pre vista no § 1º, que a dmite possa a tua r se m procura çã o e m ca so de urgê ncia , porque
pre ssupõe e xistir o ma nda to, confe rindo fé à sua de cla ra çã o ne sse se ntido. O pra zo pa ra a pre se nta r
o instrume nto procura tório é de quinze dia s, conta dos do dia se guinte a o do a to de re pre se nta çã o,
inde pe nde nte me nte de qua lque r a to ou ma nife sta çã o da a utorida de judicia l.

Pe rmite a le i a prorroga çã o por igua l pe ríodo de quinze dia s, uma única ve z, tota liza ndo trinta
dia s. A ne ce ssida de da prorroga çã o de ve se r justifica da , da do o ca rá te r de e xce pciona lida de de que
se re ve ste e o de ve r é tico de prova r o ma nda to. Essa justifica tiva de ve se r dirigida a o ma gistra do,
qua ndo e m juízo, e à pe ssoa com que m de ve re la ciona r-se re pre se nta ndo o clie nte , qua ndo fora de
juízo, a nte s do té rmino do prime iro pra zo pa ra que se nã o conve rta e m re nova çã o, que a le i
de sconside rou. Nã o ca be a o ma gistra do o juízo de conve niê ncia , ma s o de ra zoa bilida de da
justifica tiva a pre se nta da .

A fa lta de ma nda to produz conse quê ncia s e m fa ce de te rce iros e do suposto ma nda nte . Atinge -
se o pla no da e xistê ncia e nã o a pe na s o da e ficá cia . Contudo, e m de fe rê ncia a o ve lho princípio de
dire ito que ve da o e nrique cime nto ilícito, re sponde o suposto ma nda nte a té o prove ito que te ve .
Qua nto a o a dvoga do, há re sponsa bilida de disciplina r e civil.

Conside ra -se fa lta de ma nda to a a usê ncia de de monstra çã o de re gula r inscriçã o do ma nda tá rio
judicia l nos qua dros da OAB, ge ra ndo “a ine xistê ncia dos a tos proce ssua is pra tica dos”, conforme
de cidiu o Ple no do STF (MS 21.730-I-DF). Igua lme nte no ca so de a dvoga do e xcluído da OAB ou
dura nte o pe ríodo da pe na disciplina r de suspe nsã o, de na da va le ndo o substa be le cime nto poste rior
a profissiona l ha bilita do. Em de cisã o de 2004, o TST conside rou irre gula r a re pre se nta çã o té cnica
pa ra re corre r de um a dvoga do que ha via re ce bido pode re s típicos e priva tivos de a dvoga do por
me io de substa be le cime nto fe ito por uma e sta giá ria de a dvoca cia , porque “nã o pode ria
substa be le ce r pode re s de que nã o e ra porta dor ” (re missã o a o a córdã o A-E-RR-365996).

Na instâ ncia e spe cia l (Súmula 115-STJ) e na e xtra ordiná ria nã o se te m a dmitido re curso
inte rposto por a dvoga do se m procura çã o nos a utos. Na instâ ncia ordiná ria a dmite -se que é de fe ito
sa ná ve l a fa lta de instrume nto procura tório qua ndo da inte rposiçã o da a pe la çã o.

No ca so do de fe nsor público, a re pre se nta çã o da pa rte inde pe nde de ma nda to judicia l, e xce to
pa ra a s hipóte se s e m que a le i e xige pode re s e spe cia is (a rt. 44, XI, da LC n. 80/94). Da me sma forma ,
te m sido e nte ndido que os procura dore s a utá rquicos e m ge ra l, qua ndo a tua m e m juízo e m nome da
a uta rquia re spe ctiva a cujo qua dro pe rte nce m, e stã o dispe nsa dos de a pre se nta r o instrume nto
procura tório, porque nã o cumpre m ma nda to judicia l, ma s e xe rce m a tribuiçõe s de se us ca rgos. Ba sta
de clina re m o ca rgo, com o núme ro da ma trícula e o de inscriçã o na OAB. A ca pa cida de postula tória
do a dvoga do público e m ge ra l comprova -se pe la posse no ca rgo e nã o com o ma nda to judicia l, que
é dispe nsá ve l. A re spe ito, ve ja -se o RE 173.568-7 do STF: “Tra ta ndo-se de a uta rquia , a re pre se nta çã o
por procura dor do re spe ctivo qua dro funciona l inde pe nde de instrume nto de ma nda to. Suficie nte é a
re ve la çã o do status, me nciona ndo-se , ta nto qua nto possíve l, o núme ro da ma trícula . De clina da a
simple s condiçã o de a dvoga do inscrito na Orde m dos Advoga dos do Bra sil, pre sume -se a
contra ta çã o do profissiona l pa ra o ca so concre to, e xigindo-se , a í, a prova do cre de ncia me nto — a
procura çã o”. No me smo se ntido o STJ: “os a dvoga dos do Ba nco Ce ntra l do Bra sil e os procura dore s
a utá rquicos e m ge ra l, que , a tua ndo e m Juízo pe la a uta rquia re spe ctiva , nã o cumpre m ma nda to ad
jud icia — contra to que se prova pe la procura çã o, ma s e xe rce m a tribuiçã o do se u ca rgo, pa ra o que
nã o de pe nde m de outro título que a inve stidura ne le . Pre ce de nte do STF” (REsp 6.470-0).

Em se tra ta ndo de a ssistê ncia judiciá ria , fora do â mbito da de fe nsoria pública , e nte nde -se que
a a ce ita çã o do pa trocínio le va a o ma nda to com o clie nte . Se m a procura çã o, a pre se nça e m juízo
ide ntifica ria ma nda to a pa re nte , e xa ra ndo-se na a ta da a udiê ncia os te rmos da re fe rida outorga (Le i
n. 1.060/50, a rt. 16), ba sta ndo pa ra isso a confirma çã o do a ssistido de se r e le o a dvoga do que o
de fe nde . Os tribuna is tê m de cidido que o ma nda to e scrito some nte é ne ce ssá rio pa ra os a tos que
e xorbite m da procura çã o ge ra l pa ra o foro (RT, 718:115).

A morte e xtingue o ma nda to e a procura çã o. Equiva le à morte da pe ssoa física a dissoluçã o da


pe ssoa jurídica , pa ra fins de e xtinçã o do ma nda to. Em virtude da prote çã o da a pa rê ncia e da boa -fé ,
o ma nda tá rio pode e xe rce r o ma nda to, e nqua nto nã o toma r conhe cime nto da e xtinçã o da pe ssoa
jurídica ma nda nte . O a dvoga do, a firma ndo urgê ncia , pode a tua r se m procura çã o, obriga ndo-se a
a pre se ntá -la no pra zo de quinze dia s, prorrogá ve l por igua l pe ríodo; e ssa re gra e xce pciona l de
re pre se nta çã o se m ma nda to ta nto se rve pa ra o a dvoga do que a inda nã o te nha re ce bido o
instrume nto procura tório, qua nto pa ra a hipóte se de e xtinçã o de ma nda to pre e xiste nte à e xtinçã o da
pe ssoa ma nda nte .

PODERES PARA O FORO EM GERAL

A locuçã o “pa ra o foro e m ge ra l” te m a funçã o prá tico-ope ra ciona l de significa r um conjunto de


pode re s, se m ne ce ssida de de e spe cificá -los, pe rmitindo a o a dvoga do e xe rce r todos os a tos
proce ssua is e proce dime nta is a tribuídos à s pa rte s e ne ce ssá rios a o de se nvolvime nto norma l do
proce sso, de sde a distribuiçã o a té os re cursos à s última s instâ ncia s. A Le i n. 8.906/94 pre fe riu nã o
indica r qua is os pode re s e spe cia is que e stã o e xcluídos, de ixa ndo-os a crité rio da s vá ria s le gisla çõe s
proce ssua is.

No â mbito da le gisla çã o proce ssua l civil, conside ra m-se pode re s e spe cia is os de re ce be r
cita çã o, confe ssa r, re conhe ce r a proce dê ncia do pe dido, tra nsigir, de sistir, re nuncia r a o dire ito sobre
que se funda a a çã o, re ce be r, da r quita çã o, firma r compromisso e a ssina r de cla ra çã o de
hipossuficiê ncia e conômica .
RENÚNCIA AO MANDATO JUDICIAL

O a dvoga do pode re nuncia r a o ma nda to judicia l se mpre que julga r conve nie nte ou por
impe ra tivo é tico. O juízo de oportunida de é se u, e mbora ma tiza do pe la é tica profissiona l. Impõe -se o
de ve r de re núncia se mpre que o a dvoga do se ntir fa lta r-lhe a confia nça do clie nte . O Código de Ética
e Disciplina (a rt. 16) de te rmina que a re núncia implica omissã o do motivo, ou se ja , de ve se r fe ita
se m me nçã o do motivo que a de te rminou, a lé m da re sponsa bilida de por da nos e ve ntua lme nte
ca usa dos a o clie nte .

O Esta tuto e xige que o a dvoga do pe rma ne ça no ple no e xe rcício do ma nda to dura nte de z dia s
a pós a re núncia . Da me sma forma dispõe a le gisla çã o proce ssua l civil. Esse pe ríodo é ne ce ssá rio
pa ra que o clie nte te nha condiçõe s de te mpo pa ra prove r à sua substituiçã o. O a dvoga do re sponde
por qua lque r pre juízo que ca usa r a o clie nte ou a te rce iros, no pe ríodo cita do, por dolo ou culpa . A
consuma çã o do pra zo pode se r dispe nsa da se a nte s for substituído por outro a dvoga do ou nã o
houve r ne ce ssida de de sua pe rma nê ncia pa ra e vita r pre juízo a o ma nda nte .

Consuma -se a re núncia qua ndo for re gula rme nte comunica da a o clie nte , judicia l ou
e xtra judicia lme nte (ca rta com a viso de re ce pçã o, docume nto com ciê ncia firma da pe lo clie nte ,
notifica çã o me dia nte o Ca rtório de Títulos e Docume ntos). Nã o se a dmite re núncia ge né rica se
houve r ma is de uma ca usa do clie nte sob o pa trocínio do a dvoga do. A fa lta de notifica çã o, e m a çã o
pe na l, pode a ca rre ta r a nulida de do proce sso (STF, MC e m HC 98.118). No proce sso civil, a
comunica çã o é dispe nsa da qua ndo a procura çã o tive r sido outorga da a vá rios a dvoga dos e a pa rte
continua r re pre se nta da por outro, a pe sa r da re núncia .

Qua ndo o ma nda to outorga do a a dvoga do tive r fina lida de s e xtra judicia is, o pra zo de de z dia s
ta mbé m se rá e xigíve l, com a notifica çã o da re núncia a o próprio clie nte .

A re núncia nã o é a pe na s uma fa culda de a tribuída a o profissiona l; é uma imposiçã o é tica , e m


de te rmina da s circunstâ ncia s, como: a ) se o clie nte tive r omitido a e xistê ncia de outro a dvoga do já
constituído; b) se sobre vie r conflito de inte re sse s e ntre se us clie nte s, de ve ndo opta r por um dos
ma nda tos, re sgua rda ndo o sigilo profissiona l; c) se concluir que a ca usa é contrá ria à é tica , à mora l
ou à va lida de de a to jurídico e m que te nha cola bora do; d) se o clie nte impuse r a indica çã o de outro
a dvoga do pa ra com e le tra ba lha r na ca usa ; se sobre vie r conflito de inte re sse s e ntre se us
constituinte s, de ve ndo opta r por um dos ma nda tos, re nuncia ndo a os de ma is, re sgua rda ndo o sigilo
profissiona l.
DIREITOS DO ADVOGADO

CAPÍTULO II

DOS DIREIT OS DO ADVOGADO

Art. 6º Não há hierarquia nem subordinação entre advogados, magistrados e membros do


Ministério Público, devendo todos tratar-se com consideração e respeito recíprocos.

Parágrafo único. As autoridades, os servidores públicos e os serventuários da justiça devem


dispensar ao advogado, no exercício da profissão, tratamento compatível com a dignidade da
advocacia e condições adequadas a seu desempenho.

Art. 7º São direitos do advogado:

I — exercer, com liberdade, a profissão em todo o território nacional;

II — a inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho, bem como de seus instrumentos de


trabalho, de sua correspondência escrita, eletrônica, telefônica e telemática, desde que relativas ao
exercício da advocacia;

• Inciso II com a red ação d ad a pela Lei n. 11.767/2008.

III — comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mesmo sem procuração,
quando estes se acharem presos, detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis ou militares, ainda
que considerados incomunicáveis;

IV — ter a presença de representante da OAB, quando preso em flagrante, por motivo ligado ao
exercício da advocacia, para lavratura do auto respectivo, sob pena de nulidade e, nos demais casos, a
comunicação expressa à seccional da OAB;

V — não ser recolhido preso, antes da sentença transitada em julgado, senão em sala de Estado
Maior, com instalações e comodidades condignas, assim reconhecidas pela OAB, e, na sua falta, em
prisão domiciliar;

VI — ingressar livremente:

a) nas salas de sessões dos tribunais, mesmo além dos cancelos que separam a parte reservada
aos magistrados;

b) nas salas e dependência de audiências, secretarias, cartórios, ofícios de justiça, serviços


notariais e de registro, e, no caso de delegacias e prisões, mesmo fora da hora de expediente e
independentemente da presença de seus titulares;

c) em qualquer edifício ou recinto em que funcione repartição judicial ou outro serviço público
onde o advogado deva praticar ato ou colher prova ou informação útil ao exercício da atividade
profissional, dentro do expediente ou fora dele, e ser atendido, desde que se ache presente qualquer
servidor ou empregado;

d) em qualquer assembleia ou reunião de que participe ou possa participar o seu cliente, ou


perante a qual este deva comparecer, desde que munido de poderes especiais;

VII — permanecer sentado ou em pé e retirar-se de quaisquer locais indicados no inciso


anterior, independentemente de licença;

VIII — dirigir-se diretamente aos magistrados nas salas e gabinetes de trabalho,


independentemente de horário previamente marcado ou outra condição, observando-se a ordem de
chegada;

IX — sustentar oralmente as razões de qualquer recurso ou processo, nas sessões de julgamento,


após o voto do relator, em instância judicial ou administrativa, pelo prazo de quinze minutos, salvo se
prazo maior for concedido;

X — usar da palavra, pela ordem, em qualquer juízo ou tribunal, mediante intervenção sumária,
para esclarecer equívoco ou dúvida surgida em relação a fatos, documentos ou afirmações que
influam no julgamento, bem como para replicar acusação ou censura que lhe forem feitas;

XI — reclamar, verbalmente ou por escrito, perante qualquer juízo, tribunal ou autoridade,


contra a inobservância de preceito de lei, regulamento ou regimento;

XII — falar, sentado ou em pé, em juízo, tribunal ou órgão de deliberação coletiva da


Administração Pública ou do Poder Legislativo;

XIII — examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo, ou da Administração


Pública em geral, autos de processos findos ou em andamento, mesmo sem procuração, quando não
estejam sujeitos a sigilo, assegurada a obtenção de cópias, podendo tomar apontamentos;

XIV — examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem
procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento,
ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou
digital;

• Inciso XIV com a red ação d ad a pela Lei n. 13.245/2016.

XV — ter vista dos processos judiciais ou administrativos de qualquer natureza, em cartório ou


na repartição competente, ou retirá-los pelos prazos legais;
XVI — retirar autos de processos findos, mesmo sem procuração, pelo prazo de dez dias;

XVII — ser publicamente desagravado, quando ofendido no exercício da profissão ou em razão


dela;

XVIII — usar os símbolos privativos da profissão de advogado;

XIX — recusar-se a depor como testemunha em processo no qual funcionou ou deva funcionar,
ou sobre fato relacionado com pessoa de quem seja ou foi advogado, mesmo quando autorizado ou
solicitado pelo constituinte, bem como sobre fato que constitua sigilo profissional;

XX — retirar-se do recinto onde se encontre aguardando pregão para ato judicial, após trinta
minutos do horário designado e ao qual ainda não tenha comparecido a autoridade que deva presidir
a ele, mediante comunicação protocolizada em juízo.

XXI — assistir aos seus clientes investigados durante a apuração de infrações sob pena de
nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e subsequentemente de todos os
elementos investigatórios e probatórios decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo,
inclusive, no curso da mesma apuração:

a) apresentar razões e quesitos;

b) (VETADO).

• Inciso XXI acrescentad o pela Lei n. 13.246/2016.

§ 1º Não se aplica o disposto nos incisos XV e XVI:

1) aos processos sob regime de segredo de justiça;

2) quando existirem nos autos documentos originais de difícil restauração ou ocorrer


circunstância relevante que justifique a permanência dos autos no cartório, secretaria ou repartição,
reconhecida pela autoridade em despacho motivado, proferido de ofício, mediante representação ou
a requerimento da parte interessada;

3) até o encerramento do processo, ao advogado que houver deixado de devolver os respectivos


autos no prazo legal, e só o fizer depois de intimado.

§ 2º O advogado tem imunidade profissional, não constituindo injúria, difamação ou desacato


puníveis qualquer manifestação de sua parte, no exercício de sua atividade, em juízo ou fora dele,
sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB, pelos excessos que cometer.

§ 3º O advogado somente poderá ser preso em flagrante, por motivo de exercício da profissão,
em caso de crime inafiançável, observado o disposto no inciso IV deste artigo.

§ 4º O Poder Judiciário e o Poder Executivo devem instalar, em todos os juizados, fóruns,


tribunais, delegacias de polícia e presídios, salas especiais permanentes para os advogados, com uso e
controle assegurados à OAB.

§ 5º No caso de ofensa a inscrito na OAB, no exercício da profissão ou de cargo ou função de


órgão da OAB, o Conselho competente deve promover o desagravo público do ofendido, sem
prejuízo da responsabilidade criminal em que incorrer o infrator.

§ 6º Presentes indícios de autoria e materialidade da prática de crime por parte de advogado, a


autoridade judiciária competente poderá decretar a quebra da inviolabilidade de que trata o inciso II
do ca put deste artigo, em decisão motivada, expedindo mandado de busca e apreensão, específico e
pormenorizado, a ser cumprido na presença de representante da OAB, sendo, em qualquer hipótese,
vedada a utilização dos documentos, das mídias e dos objetos pertencentes a clientes do advogado
averiguado, bem como dos demais instrumentos de trabalho que contenham informações sobre
clientes.

§ 7º A ressalva constante do § 6º deste artigo não se estende a clientes do advogado averiguado que
estejam sendo formalmente investigados como seus partícipes ou coautores pela prática do mesmo
crime que deu causa à quebra da inviolabilidade.

• §§ 6º e 7º com a red ação d ad a pela Lei n. 11.767/2008.

§ 8º (VETADO) (Incluído pela Lei n. 11.767/2008)

§ 9º (VETADO) (Incluído pela Lei n. 11.767/2008)

§ 10. Nos autos sujeitos a sigilo, deve o advogado apresentar procuração para o exercício dos
direitos de que trata o inciso XIV.

§ 11. No caso previsto no inciso XIV, a autoridade competente poderá delimitar o acesso do
advogado aos elementos de prova relacionados a diligências em andamento e ainda não
documentados nos autos, quando houver risco de comprometimento de eficiência, de eficácia ou de
finalidade das diligências.

§ 12. A inobservância aos direitos estabelecidos no inciso XIV, o fornecimento incompleto dos
autos em que houve a retirada de peças já incluídas no caderno investigativo implicará
responsabilização criminal e funcional por abuso de autoridade do responsável que impedir o acesso
do advogado com o intuito de prejudicar o exercício da defesa, sem prejuízo do direito subjetivo do
advogado de requerer acesso aos autos ao juiz competente.

• §§ 10 a 12 acrescentad os pela Lei n. 13.245/2016.

(Obs.: As pa rte s grifa da s fora m conside ra da s inconstituciona is pe lo STF na ADIn 1.127-8. O inciso
IX do a rt. 7º ta mbé m foi obje to da ADIn 1.105-7.)
Art. 7º-A. São direitos da advogada:

I — gestante:

a) entrada em tribunais sem ser submetida a detectores de metais e aparelhos de raios X;

b) reserva de vaga em garagens dos fóruns dos tribunais;

II — lactante, adotante ou que der à luz, acesso a creche, onde houver, ou a local adequado ao
atendimento das necessidades do bebê;

III — gestante, lactante, adotante ou que der à luz, preferência na ordem das sustentações orais e
das audiências a serem realizadas a cada dia, mediante comprovação de sua condição;

IV — adotante ou que der à luz, suspensão de prazos processuais quando for a única patrona da
causa, desde que haja notificação por escrito ao cliente.

§ 1º Os direitos previstos à advogada gestante ou lactante aplicam-se enquanto perdurar,


respectivamente, o estado gravídico ou o período de amamentação.

§ 2º Os direitos assegurados nos incisos II e III deste artigo à advogada adotante ou que der à
luz serão concedidos pelo prazo previsto no art. 392 do Decreto-Lei no 5.452, de 1º de maio de 1943
(Consolidação das Leis do Trabalho).

§ 3º O direito assegurado no inciso IV deste artigo à advogada adotante ou que der à luz será
concedido pelo prazo previsto no § 6º do art. 313 da Lei no 13.105, de 16 de março de 2015 (Código
de Processo Civil).

• Art. 7º-A introduzido pela Lei n. 13.363/2016.

CO MENTÁRIO S

DIREITOS OU PRERROGATIVAS

O Esta tuto tra ta de forma indistinta os dire itos e pre rroga tiva s do a dvoga do. Contudo,
pre rroga tiva s sã o gê ne ro da s qua is os dire itos do a dvoga do sã o e spé cie s. Ela s pe rpa ssa m todo o
Esta tuto, nã o se conte ndo a pe na s no ca pítulo dos dire itos.

As pre rroga tiva s profissiona is dife re ncia m-se dos privilé gios da s corpora çõe s de ofício ou
guilda s me die va is. Como e scla re ce Ma x We be r (1977, p. 556), a nte s do Esta do Mode rno e da
conce pçã o de dire ito subje tivo, os dire itos pa rticula re s a pa re cia m norma lme nte sob a forma de
dire itos privilegiad os, isto é , e m orde na me ntos e sta tuídos a utonoma me nte por tra diçã o ou a cordo de
comunida de s de tipo e sta me nta l ou de uniõe s socia liza da s. O princípio de que o privilégio (dire ito
pa rticula r privile gia do, ne sse se ntido) pre va le cia sobre o dire ito ge ra l do pa ís (dire ito comum,
vige nte na a usê ncia da que le s) e ra um postula do a que se re conhe cia va lida de qua se unive rsa l.

Se , no pa ssa do, pre rroga tiva podia se r confundida com privilé gio, na a tua lida de , pre rroga tiva
profissiona l significa dire ito e xclusivo e indispe nsá ve l a o e xe rcício de de te rmina da profissã o no
inte re sse socia l. Em ce rta me dida é dire ito-de ve r e , no ca so da a dvoca cia , configura condiçõe s
le ga is de e xe rcício de se u múnus público.

O pre side nte do Conse lho Se cciona l ou da Subse çã o, a o toma r conhe cime nto do fa to que te nha
viola do ou possa viola r dire itos ou pre rroga tiva s da profissã o, de ve a dota r a s providê ncia s judicia is
e e xtra judicia is ca bíve is, de signa ndo a dvoga do com pode re s ba sta nte s e inte gra ndo a de fe sa , como
a ssiste nte , qua ndo ne ce ssá rio. Este é o ma nda me nto e xpre sso contido nos a rts. 15 a 17 do
Re gula me nto Ge ra l. Entre a s me dida s possíve is ca be a re pre se nta çã o contra o re sponsá ve l por
a buso de a utorida de , tipifica da como crime contra a ga ra ntia de e xe rcício profissiona l, se gundo a s
norma s proce dime nta is e de dire ito ma te ria l da Le i n. 4.898/65, cujo a rt. 3º, j (com a re da çã o da Le i
n. 6.657/79), dispõe :

“Art. 3º Constitui a buso de a utorida de qua lque r a te nta do:

(...)

j) a os dire itos e ga ra ntia s le ga is a sse gura dos a o e xe rcício profissiona l”.

O dire ito de re pre se nta çã o se rá e xe rcido por me io de pe tiçã o subscrita pe lo a dvoga do ofe ndido
ou pe lo Pre side nte do Conse lho Se cciona l ou da Subse çã o, dirigida à a utorida de supe rior que tive r
compe tê ncia le ga l pa ra a plica r sa nçã o a dministra tiva (a dve rtê ncia , re pre e nsã o, suspe nsã o do ca rgo,
de stituiçã o da funçã o, de missã o e de missã o a be m do se rviço público — a rt. 6º) ou a o Ministé rio
Público compe te nte pa ra inicia r proce sso-crime contra a a utorida de culpa da . A sa nçã o pe na l pode rá
consistir e m multa , de te nçã o por de z dia s a se is me se s ou pe rda do ca rgo e ina bilita çã o pa ra o
e xe rcício de qua lque r outra funçã o pública por pra zo de a té trê s me se s.

INDEPENDÊNCIA DO ADVOGADO ANTE O JUIZ E OS AGENTES PÚBLICOS

O pre ce ito do a rt. 6º comple me nta o princípio da indispe nsa bilida de do a dvoga do à
a dministra çã o da justiça , pre visto no a rt. 2º, re ssa lta ndo a isonomia de tra ta me nto e ntre o a dvoga do,
o juiz e o promotor de justiça .

Ca da figura nte te m um pa pe l a de se mpe nha r: um postula , outro fisca liza a a plica çã o da le i e o


outro julga . As funçõe s sã o distinta s e nã o se e sta be le ce e ntre e la s re la çã o de hie ra rquia e
subordina çã o. Em se ndo a ssim, ma is forte se torna a dire çã o é tica que o pre ce ito e nce rra no se ntido
do re la ciona me nto profissiona l inde pe nde nte , ha rmônico, re ciproca me nte re spe itoso e digno. O
pre stígio ou o de spre stígio da justiça a fe ta a todos os trê s figura nte s. Disse J. J. Ca lmon de Pa ssos
que “nã o te m o a dvoga do, à se me lha nça do ma gistra do, no proce sso, inte re sse s que lhe se ja m
próprios. Se u inte re sse é o inte re sse do constituinte , que e le formula e pa trocina pe ra nte os
tribuna is de que e spe ra a se gura nça a que fa z jus” (1976, p. 15).

Em fa ce do a rt. 133 da Constituiçã o, e do Esta tuto como le i que o re gula me nta , e spe cia lme nte
do a rt. 6º de ste , que procla ma a a usê ncia de hie ra rquia e ntre ma gistra do e a dvoga do, nã o
pre va le ce m ma is a s norma s contida s no Código de Proce sso Pe na l, que a utoriza va m o juiz a nome a r
de ofício de fe nsor a o ré u que o nã o tive sse . Ca be a pe na s à OAB de signa r a dvoga do pa ra a ssistê ncia
jurídica qua ndo houve r impossibilida de de De fe nsoria Pública no loca l do se rviço, fa le ce ndo a o juiz
qua lque r a utorida de pa ra ta l, que re dunda ria e m suba lte rnida de do a dvoga do.

É a um só te mpo de ve r e dire ito. De ve r de comporta me nto e dire ito de re ciprocida de . Ne sse


se ntido, e sta be le ce o CPC/2015 (a rt. 78) que é ve da do a os a dvoga dos, juíze s, me mbros do Ministé rio
Público e de fe nsore s públicos o e mpre go de e xpre ssõe s ofe nsiva s nos e scritos a pre se nta dos; pode
o juiz, de ofício ou a re que rime nto do ofe ndido, de te rmina r que a s e xpre ssõe s ofe nsiva s se ja m
risca da s, a sse gura ndo-se ce rtidã o do inte iro te or da s que fora m risca da s.

Os profissiona is do dire ito tê m a me sma forma çã o (ba cha ré is e m dire ito) e a tua m e m níve l de
igua lda de no de se mpe nho de se us distintos e inte r-re la ciona dos miste re s. No mundo inte iro
ma ntê m e stre ita s re la çõe s de re spe ito e cordia lida de . Na Espa nha tra ta m-se mutua me nte por
compa nhe iros. Na Ingla te rra , os juíze s sã o se le ciona dos de ntre os a dvoga dos que a tua m nos
tribuna is (barristers), e me smo de pois de nome a dos pe rma ne ce m como me mbros da re spe ctiva
Orde m de Advoga dos (Inns of Courts) (Ka ra lfy, 1990, p. 288).

O ma ltra to sofrido pe lo a dvoga do, e m sua inde pe ndê ncia ou dignida de profissiona is, nã o
a pe na s lhe diz re spe ito individua lme nte ma s a toda a cla sse . Contra e le de ve re a gir ime dia ta e
a de qua da me nte , fa ze ndo consta r no proce sso ou fora de le o que for ne ce ssá rio, le va nta ndo prova s,
pa ra comunica r o fa to à Orde m e promove r a s re pre se nta çõe s de vida s. É se u dire ito-de ve r de fe nde r
a s pre rroga tiva s da profissã o, le ga l e e tica me nte , nã o pode ndo se r submisso, omisso ou conive nte .
Nã o pode , toda via , e xce de r os limite s da re ciprocida de , ne m a busa r de se u dire ito isonômico.
De cidiu o STJ (REsp 684.532) que a ofe nsa de juiz a a dvoga do e m a udiê ncia é crime contra a honra ,
nã o a pe na s a buso de a utorida de , pois e nqua nto e ste te m como obje to a a tua çã o da a utorida de
pública , “no toca nte a os crime s contra a honra , a obje tivida de jurídica e m na da incide na
pre ocupa çã o do de svio do a ge nte público, ma s no fa to de sua re sponsa bilida de , como pe ssoa , e m
re spe ito à honra (obje tiva ou subje tiva ) de outre m”, a dmitindo-se o re ce bime nto da que ixa -crime
pe la difa ma çã o e se u julga me nto pe lo juízo compe te nte .

Se m inde pe ndê ncia , a a dvoca cia fe ne ce . Se m dignida de , e la se a me squinha (sobre


inde pe ndê ncia do a dvoga do, ve r come ntá rios a o a rt. 31).
O pa rá gra fo único do a rt. 6º e ste nde o coma ndo a todos os a ge nte s públicos e se rve ntuá rios de
justiça , com os qua is de ve o a dvoga do re la ciona r-se profissiona lme nte . Nã o é privilé gio porque
a dvoca cia é se rviço público, qua nto a se us e fe itos — a le i a ssim o diz —, e se u de se mpe nho te m de
re ce be r a de qua da cola bora çã o de sse s a ge nte s. Qua ndo o a dvoga do se dirigir a qua lque r órgã o ou
e ntida de pública , no e xe rcício da profissã o e no inte re sse do constituinte , com prova do ma nda to,
e xce to qua ndo for tra ta r de inte re sse pe ssoa l, nã o pode re ce be r tra ta me nto ordiná rio e idê ntico à s
de ma is pe ssoa s nã o profissiona is, ca be ndo a os a ge nte s públicos ofe re ce r condiçõe s a de qua da s a o
de se mpe nho de se u miste r.

O a rt. 7º, a o cuida r dos dire itos do a dvoga do, e spe cifica a lguma s de ssa s pre rroga tiva s, que
pa ssa re mos a a na lisa r.

LIBERDADE DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL

A Constituiçã o (a rt. 5º, XIII) de te rmina que é livre o e xe rcício de qua lque r profissã o, “a te ndida s
a s qua lifica çõe s profissiona is que a le i e sta be le ce r ”. A locuçã o q ualificação profissional te m se ntido
ma is a bra nge nte que capacid ad e a que fa zia re fe rê ncia a Constituiçã o de 1967/1969 (a rt. 153, § 23).
Significa condiçõe s, re quisitos e qua lida de s que sã o e sta be le cidos e m le i pa ra e xe rce r a profissã o
re gula me nta da . Esta é a funçã o do Esta tuto. A libe rda de de e xe rcício profissiona l é , porta nto,
condiciona da a e sse s e le me ntos de qua lifica çã o. O pa râ me tro que a le i qua lifica dora de ve obse rva r
é o da igua lda de de todos pe ra nte e la , se m qua lque r discrimina çã o, se gundo o princípio
e strutura nte do caput do a rt. 5º da Constituiçã o a que se subordina se u inciso XIII.

A profissã o de a dvoga do, pa ra os inscritos na OAB, pode se r e xe rcida e m todo o te rritório


na ciona l, obse rva da s a lguma s qua lifica çõe s ou condiçõe s que a Le i n. 8.906/94 e sta be le ce u pa ra
todos igua lme nte . A libe rda de de e xe rcício pode se r a ssim qua lifica da :

I — plena, com a se guinte cla ssifica çã o:

a ) e m ra zã o do e spa ço, no â mbito do te rritório do Esta do-me mbro, do Distrito Fe de ra l ou do


Te rritório Fe de ra l, e m cujo Conse lho Se cciona l o a dvoga do obte ve sua inscriçã o principa l ou sua
inscriçã o suple me nta r ou por tra nsfe rê ncia (v. a rt. 10 do Esta tuto);

b) e m ra zã o da ma té ria , pe ra nte os Tribuna is fe de ra is e supe riore s, loca liza dos e m outra s


unida de s fe de ra tiva s, na s ca usa s e m que ha ja se u pa trocínio profissiona l;

II — cond icionad a, pa ra o e xe rcício e ve ntua l da a dvoca cia , fora do te rritório de sua inscriçã o
principa l ou suple me nta r, a ssim e nte ndido qua ndo nã o e xce de r de cinco ca usa s a o a no.

INVIOLABILIDADE DO ADVOGADO
A ga ra ntia constituciona l da inviola bilida de do a dvoga do pe rpa ssa todo o te xto do Esta tuto, que
a re gula me nta . Os limite s le ga is re fe ridos na Constituiçã o (a rt. 133) tê m uma dime nsã o positiva e
ne ga tiva .

Na dime nsã o positiva , a inviola bilida de do a dvoga do, re fe rida e xpre ssa me nte nos a rts. 2º, § 3º,
e 7º, II e XIX e §§ 2º e 3º, do Esta tuto, oste nta a s se guinte s ca ra cte rística s:

a ) im unid ad e profissional, por ma nife sta çõe s e pa la vra s;

b) prote çã o do sigilo profissional;

c) prote çã o dos m eios d e trabalh o, incluindo loca l, insta la çõe s, docume ntos e da dos.

Na dime nsã o ne ga tiva , os limite s re fe ridos na Constituiçã o re ve la m-se no pode r e xclusivo da


OAB de punir disciplina rme nte os e xce ssos come tidos pe lo a dvoga do.

A inviola bilida de é e spé cie do gê ne ro imunida de . A imunida de ma te ria l importa a


de scrimina liza çã o do de lito tipo pa ra que m é le gitima do a re ce be r sua tute la e pode se r conce bida
como inviola bilida de (Gome s, 1990, p. 21), como o fa z a Constituiçã o no a rt. 133.

A imunida de ta mbé m a lca nça o de lito civil, nã o pode ndo o a dvoga do se r imputá ve l por
re sponsa bilida de civil, inclusive por da nos mora is, e m virtude de ofe nsa s irroga da s no e xe rcício de
sua profissã o.

Essa pe culia r imunida de profissiona l nã o constitui um privilé gio, ta mpouco ca rta de inde nida de .
Em ve rda de , o e scopo da le i é me nos a prote çã o do profissiona l e muito ma is a do clie nte . O
se gre do que gua rda nã o é se u, é do clie nte . Os a tos e ma nife sta çõe s profissiona is sã o profe ridos e m
ra zã o do pa trocínio do clie nte . Os instrume ntos de tra ba lho nã o sã o be ns de de sfrute pe ssoa l, ma s
e xiste m e m funçã o do clie nte .

A inviola bilida de nã o é a bsoluta porque nã o a lca nça os a tos nã o profissiona is, a sa be r, os que
dize m re spe ito a inte re sse s me ra me nte pe ssoa is, e os e xce ssivos, que ultra pa ssa m os limite s da
ra zoa bilida de , a os qua is incide m a s norma s disciplina re s.

Sobre a re la çã o da inviola bilida de com a indispe nsa bilida de , ve r os come ntá rios a o a rt. 2º.
Pa ssa re mos a tra ta r e spe cifica me nte da s e spé cie s de inviola bilida de do a dvoga do, que e me rge m do
Esta tuto.

IMUNIDADE PROFISSIONAL POR MANIFESTAÇÕES E ATOS

A imunida de profissiona l e sta be le cida pe lo Esta tuto é a imunida de pe na l do a dvoga do por sua s
ma nife sta çõe s, pa la vra s e a tos que possa m se r conside ra dos ofe nsivos por qua lque r pe ssoa ou
a utorida de . Re sulta da ga ra ntia a o princípio de libertas convinciand i. A imunida de é re la tiva a os a tos
e ma nife sta çõe s e mpre ga dos no e xe rcício da a dvoca cia , nã o tute la ndo os que de ste e xce de re m ou
disse re m re spe ito a fa tos e situa çõe s de na ture za pe ssoa l.

Como diz José Robe rto Ba tochio (RT, 688:401), a na ture za e mine nte me nte conflitiva da a tivida de
do a dvoga do fre que nte me nte o coloca dia nte de situa çõe s que o obriga m a e xpe nde r a rgume ntos à
prime ira vista ofe nsivos, ou e ve ntua lme nte a dota r conduta insurge nte .

Essa re gra nã o é novida de no dire ito bra sile iro. Com e xce çã o a o de sa ca to, a imunida de já
e sta va pre vista no a rt. 142, II, do Código Pe na l, a o pre ce itua r que nã o constitue m injúria ou
difa ma çã o puníve l a ofe nsa irroga da e m juízo, na discussã o da ca usa , pe la pa rte ou por se u
procura dor, ou se ja , nã o se ca ra cte riza privilé gio porque se dirige a qua lque r cida dã o que se
ma nife ste e m juízo. A imunida de pre vista no Esta tuto nã o se limita à s ofe nsa s irroga da s e m juízo,
ma s e m qua lque r órgã o da Administra çã o Pública , e e m re la çã o a qua lque r a utorida de e xtra judicia l,
como, por e xe mplo, qua ndo o a dvoga do a tua pe ra nte uma Comissã o Pa rla me nta r de Inqué rito ou
um Conse lho de Contribuinte s. No pla no inte rna ciona l, a Ca rta de Princípios Funda me nta is da
Profissã o Fore nse (Bonn, 1964) da Uniã o Inte rna ciona l de Advoga dos e sta be le ce que “a pa la vra do
a dvoga do nos Tribuna is e stá a mpa ra da pe la imunida de ”.

O Esta tuto nã o pe rmite que possa se r re stringida e m ra zã o da a utorida de a que se dirija a


ofe nsa , ou que se sinta ofe ndida . A imunida de é re la tiva à s pa rte s, a os ma gistra dos e a qua lque r
a utorida de pública , judicia l ou e xtra judicia l. O pre ce ito do § 1º do a rt. 7º da Le i n. 8.906/94 nã o
a dmite inte rpre ta çã o limita dora de se u a lca nce que e le próprio nã o te nha pre visto. Ca e m por te rra
ce rtos e nte ndime ntos jurisprude ncia is que e xcluía m a imunida de profissiona l da s ofe nsa s irroga da s
contra juiz, conside ra da s crime contra a honra . Me smo a nte s do a tua l Esta tuto, e ssa orie nta çã o
re stritiva re ce bia te mpe ra me ntos, como se vê ne ste Acórdã o do STF (RTJ, 54:517): “1. Libertas
Convinciand i — 1) A libertas convinciand i nã o se de gra da e m lice nça de irroga r ofe nsa s a o juiz da
ca usa . 2) Toda via , a viva cida de e xce ssiva do a dvoga do, ta lve z provoca da pe la viva cida de me nos
inte nsa do julga dor, pode nã o constituir crime , ma s a pe na s fa lta disciplina r puníve l, ta lve z, pe lo
órgã o de cla sse , se m pre juízo de se re m risca da s dos a utos a s e xpre ssõe s de scorte se s”. No HC
98.237, julga do e m 2010, o STF re a firmou e ssa orie nta çã o, a sse gura ndo a o a dvoga do a
inviola bilida de por ma nife sta çõe s que ha ja e xte rioriza do no e xe rcício da profissã o, me smo que a
suposta ofe nsa te nha sido contra o juiz.

A re gra da imunida de gua rda coe rê ncia com o princípio da igua lda de dos figura nte s da
a dministra çã o da justiça , que o a rt. 6º do Esta tuto tornou cla ro e incisivo. Por e sse princípio, o
a dvoga do e o ma gistra do sã o a utorida de s do me smo gra u, com compe tê ncia s e spe cífica s e
ha rmônica s, a mbos e xe rce ndo se rviço público (a rt. 2º, § 1º). Por nã o dispor do pode r de punir contra
o a dvoga do que e stive r no e xe rcício da re pre se nta çã o judicia l e e m ra zã o de sta , é ve da do a o
ma gistra do e xcluí-lo do re cinto judiciá rio, inclusive de a udiê ncia s e se ssõe s, ou ce nsura r a s
ma nife sta çõe s e scrita s no proce sso, por e le conside ra da s ofe nsiva s, e sta ndo de rroga da s a s norma s
le ga is que a s a dmitia m.

Nã o há e xigê ncia de se e sta be le ce r qua lque r vínculo e ntre a ofe nsa e a ca usa ou proce sso
judicia l. O STF (re l. Min. Eva ndro Lins) já de cidiu que e sse vínculo e stá na própria a tua çã o do
a dvoga do a que m se confe re a imunida de , se ndo a que la e xigê ncia “uma re striçã o que a le i nã o fa z”
(RTJ, 48:42).

A imunida de profissiona l nã o e xclui a punibilida de é tico-disciplina r do a dvoga do, porque ca be a


e le o de ve r de tra ta r os me mbros do Ministé rio Público e da Ma gistra tura com conside ra çã o e
re spe ito re cíprocos. O a rt. 6º, como já vimos, a o a brir o ca pítulo dos dire itos dos a dvoga dos, impõe -
lhe s o de ve r de tra ta r ma gistra dos e promotore s de justiça “com conside ra çã o e re spe ito
re cíprocos”. Já o Código de Ética e Disciplina (a rt. 28) conside ra de ve r é tico do a dvoga do tra ta r o
público, os cole ga s e a s a utorida de s com re spe ito, discriçã o e inde pe ndê ncia , e mpre ga ndo
lingua ge m polida e a gindo com lha ne za . Ma s a pe na s a OAB te m compe tê ncia pa ra punir o e xce sso
do a dvoga do, por sua s ma nife sta çõe s, pa la vra s e a tos, no e xe rcício da a dvoca cia . Se o fize r, o
ma gistra do come te rá a buso de a utorida de , tipifica do como crime na Le i n. 4.898/65, que o configura
no a rt. 3º como “qua lque r a te nta do a os dire itos e ga ra ntia s le ga is a sse gura dos a o e xe rcício
profissiona l”.

A fa lta de re ciprocida de de tra ta me nto re spe itoso por pa rte de ma gistra dos e promotore s de
justiça , de vida me nte comprova da , a fa sta a infra çã o disciplina r imputá ve l a o a dvoga do, e m situa çõe s
concre ta s, sa lvo por se us e xce ssos.

A imunida de profissiona l importa a usê ncia de crimina lida de , por nã o ha ve r contra rie da de a
dire ito, que ca ra cte riza o ilícito. Por suposto, o e fe ito ime dia to do § 2º é o da de scrimina liza çã o dos
fa tos come tidos no pa ssa do, no pre se nte e no futuro, me rcê inclusive do princípio da re troa tivida de
be né fica da le i nova e m ma té ria crimina l que o nosso siste ma jurídico a dota .

Os a tos e ma nife sta çõe s do a dvoga do, no e xe rcício profissiona l, nã o pode m fica r vulne rá ve is e
suje itos pe rma ne nte me nte a o crivo da tipifica çã o pe na l comum. O a dvoga do é o me dia dor té cnico
dos conflitos huma nos e , à s ve ze s, de pa ra -se com a busos de a utorida de s, pre potê ncia s,
e xa ce rba çõe s de â nimos. O que , e m situa çõe s le iga s, possa conside ra r-se uma a fronta , no a mbie nte
do litígio ou do a rdor da de fe sa de ve se r tole ra do. “Nã o há difa ma çã o ne m injúria , dize r o a dvoga do,
nos a utos, e m de fe sa de se us constituinte s, se e ncontra r o ma gistra do liga do a fa cçã o política .
Igua lme nte ine xiste o anim us calum niand i e m foca liza r com ce rto ca lor sua pe rsona lida de ” (RT,
439:448). Os e xce ssos que tra nsborde m dos limite s a dmitidos pe lo Código de Ética e Disciplina e
pe lo Esta tuto de ve m se r punidos disciplina rme nte pe la OAB.
Se o a dvoga do opõe a e xce çã o de suspe içã o e m proce sso judicia l, o ma gistra do a ssume o
pa pe l de pa rte (Fe rna nde s, 1976, p. 31). Nã o há ma ne ira de poupá -lo se m pre judica r a própria
e xce çã o. A e xce çã o de suspe içã o e m si é incompa tíve l com o crime contra a honra ; os dois sã o
incompossíve is.

O Esta tuto inova a o pre e xcluir a ilicitude dos a tos e ma nife sta çõe s do a dvoga do, nã o a pe na s
dos crime s contra a honra , a sa be r, a injúria (ofe nsa à dignida de ou a o de coro da pe ssoa ) e a
difa ma çã o (ofe nsa à re puta çã o), ma s ta mbé m do de sa ca to (de sre spe ito ou ofe nsa a pe ssoa inve stida
de a utorida de pública ). Toda via , o STF, na ADIn 1.127-8, e nte nde u inconstituciona l a e xpre ssã o
d esacato contida no § 2º do a rt. 7º do Esta tuto. Pa ra que possa se r configura do o de sa ca to, nã o
ba sta rá a conside ra çã o subje tiva do suposto ofe ndido, ma s a concre tiza çã o dos pre ssupostos do tipo
crimina l, a sse gura ndo-se a o a dvoga do o de vido proce sso pe na l e a a mpla de fe sa .

O de sa ca to é um dos tipos crimina is ma is difíce is de se r de finidos, de ixa ndo la rga ma rge m de


a pre cia çã o a o julga dor, com e vide nte risco pa ra o ofe nsor. O ca suísmo judiciá rio ne ssa ma té ria ,
flutua nte e contra ditório, e m que a té o sorriso é a ssim conside ra do, re ve la gra nde insta bilida de e
ince rte za , o que re come nda ponde ra çã o e re dobra da ise nçã o. Configura -se o de sa ca to qua ndo o
ofe ndido, funcioná rio público no e xe rcício da funçã o (a rt. 331 do CP), é humilha do, a gre dido ou
de spre stigia do. É indispe nsá ve l que a ofe nsa se ja come tida na pre se nça do funcioná rio, nã o se
conside ra ndo ta l se o foi por ca rta , te le fone , rá dio, te le visã o, pe tiçã o (RT, 534:324) ou e m ra zõe s de
re cursos (RJTJSP, 59:384). Há de e sta r comprova do o dolo, a vonta de livre e conscie nte de ofe nde r e
de spre stigia r a funçã o e xe rcida ; se o a tingido é a pe ssoa do funcioná rio ou ge ne rica me nte uma
instituiçã o, de sa ca to nã o há .

Exclue m-se da imunida de profissiona l a s ofe nsa s que possa m configura r crime de ca lúnia ,
e nte ndido e ste como a imputa çã o fa lsa e ma liciosa fe ita com anim us calum niand i a o ofe ndido de
crime que nã o come te ra . A ta nto nã o pode ria che ga r a inviola bilida de , sob pe na de e sma e ce r sua
justifica çã o é tica , le ga liza ndo os e xce ssos, que , me smo e m situa çõe s de te nsã o, o a dvoga do nunca
de ve a tingir. Ne sse s ca sos, re sponde nã o a pe na s disciplina rme nte ma s ta mbé m no pla no crimina l.
O STJ, e m dive rsos julga dos (por todos, ve ja -se o REsp 151.840-MG), te m a firma do que a imunida de
confe rida a o a dvoga do nã o constitui um bill of ind em nity , pois a ofe nsa pe ssoa l a juiz, a promotor de
justiça ou a a dvoga do da pa rte contrá ria ultra pa ssa os limite s do e xe rcício da a tivida de profissiona l.

Contudo, me smo na hipóte se de ca lúnia , é a dmissíve l a ex ceptio veritatis, como já foi de cidido
por nossos tribuna is (RT, 350:369), ou o a fa sta me nto da ilicitude qua ndo o anim us d efend end i
ne utra liza o anim us calum niand i (RT, 439:448). Nã o come te crime de ca lúnia a a dvoga da que re cla ma
a o tribuna l de juiz que insiste e m de scumprir de cisã o supe rior (STJ, HC 45.779); na re cla ma çã o, e m
virtude de poste rga çã o por ma is de a no pa ra e xpe diçã o de ca rta roga tória , a le gou a a dvoga da que
ta l conduta pode ria ca ra cte riza r pre va rica çã o, o que motivou o juiz a de nunciá -la por crime de
ca lúnia .

SIGILO PROFISSIONAL

O dire ito a o sigilo, no mundo a tua l, pa ssou a inte gra r os dire itos funda me nta is do cida dã o, que
sã o inviolá ve is inclusive e m fa ce do le gisla dor infra constituciona l. De stina -se a prote ge r o se gre do
da pe ssoa (Cupis, 1982, p. 26 e 381).

O sigilo profissiona l compa gina -se à me sma e tiologia , ma s te m configura çã o própria , se ndo
a nte s um de ve r que se impõe a o a dvoga do, pa ra justa me nte a sse gura r-se a ple nitude da de fe sa do
dire ito do cida dã o. Nã o se prote ge se gre do próprio, ma s de outre m. Como diz Adria no de Cupis,
a que le que é ne ce ssa ria me nte de stina do a re ce be r se gre dos te m o pa rticula r de ve r de conse rvá -lo
(1982, p. 381). Diz o a utor que a me sma ne ce ssida de corre sponde à e strutura da socie da de mode rna ,
ca ra cte rística da qua l é a distribuiçã o de compe tê ncia s e funçõe s; e m virtude de ta l distribuiçã o,
a lguns suje itos, e some nte e ste s, de se nvolve m de te rmina da s funçõe s no inte re sse de outros, e e m
ra zã o de ta is funçõe s e ncontra m-se na condiçã o de pe ne tra r e m importa nte s se gre dos pe ssoa is.

O sigilo profissiona l é , a o me smo te mpo, dire ito e de ve r, oste nta ndo na ture za de orde m pública .
Dire ito a o silê ncio e de ve r de se ca la r. Te m na ture za de ofício priva do (múnus), e sta be le cido no
inte re sse ge ra l, como pre ssuposto indispe nsá ve l a o dire ito de de fe sa . Nã o re sulta de contra to e ntre
o a dvoga do e o clie nte . Por e ssa ra zã o, Ruy de Aze ve do Sodré (1975, p. 396) a firma que e le nã o foi
instituído no inte re sse pa rticula r do clie nte , ma s pa ra se rvir a o dire ito de de fe sa , que é de orde m
pública . Impõe -se “e m qua lque r circunstâ ncia , me smo que o clie nte a utorize e xpre ssa me nte o
a dvoga do a re ve lá -lo”.

O de ve r de sigilo profissiona l e xiste se ja o se rviço solicita do ou contra ta do, re mune ra do ou nã o


re mune ra do, ha ja ou nã o re pre se nta çã o judicia l ou e xtra judicia l, te nha ha vido a ce ita çã o ou re cusa
do a dvoga do. O Código de Ética e Disciplina de 2015 (a rt. 36), e ste nde u sigilo profissiona l à s funçõe s
de me dia dor, concilia dor e á rbitro, qua ndo e xe rcida s por a dvoga do.

Este nde -se o de ve r de se gre do à s confidê ncia s do clie nte , à s do a dve rsá rio, à s dos cole ga s, à s
que re sulta m de e ntre vista s pa ra concilia r ou ne gocia r, à s de te rce ira s pe ssoa s fe ita s a o a dvoga do
e m ra zã o de sua profissã o e , ta mbé m, a os cola bora dore s e e mpre ga dos. Ne sse se ntido é o Código
de Ética da Unión Iberoam ericana d e Colegios y Agrupaciones d e Abogad os — UIBA.

O Esta do ou os pa rticula re s nã o pode m viola r e ssa imunida de profissiona l do a dvoga do porque


e sta ria m a tingindo os dire itos da pe rsona lida de dos clie nte s, e a fortiori a cida da nia . O sigilo
profissiona l nã o é pa trimônio a pe na s dos a dvoga dos, ma s uma conquista dos povos civiliza dos.
O de ve r de sigilo, imposto é tica e le ga lme nte a o a dvoga do, nã o pode se r viola do por sua livre
vonta de . É de ve r pe rpé tuo, do qua l nunca se libe ra , ne m me smo qua ndo a utoriza do pe lo clie nte ,
sa lvo no ca so de e sta do de ne ce ssida de pa ra a de fe sa da dignida de ou dos dire itos le gítimos do
próprio a dvoga do, ou pa ra conjura r pe rigo a tua l e imine nte contra si ou contra outre m, ou, a inda ,
qua ndo for a cusa do pe lo próprio clie nte . Ente nde mos ce ssa do o de ve r de sigilo se o clie nte
comunica a o se u a dvoga do a inte nçã o de come te r um crime , porque e stá e m jogo a ga ra ntia
funda me nta l e indisponíve l à vida , pre vista na Constituiçã o. Ne ste último ca so, de ve o a dvoga do
promove r os me ios pa ra e vita r que o crime se ja come tido.

O inciso XIX do a rt. 7º, ora come nta do, a sse gura a o a dvoga do o dire ito-de ve r de re cusa a de por
como te ste munha sobre fa to re la ciona do com se u clie nte ou e x-clie nte , do qua l tomou conhe cime nto
e m sigilo profissiona l. Esse impe dime nto incide a pe na s sobre fa tos que o a dvoga do conhe ça e m
ra zã o de se u ofício. “O se gre do profissiona l limita r-se -á a o que lhe foi confia do pe lo constituinte ,
ma s sobre os fa tos que , por outros me ios, te nha m che ga do a o se u conhe cime nto, nã o pre va le ce o
sigilo” (TJSP, AgI 18.143-1). A re gra de tute la do sigilo profissiona l, me smo e m fa ce do de poime nto
judicia l, é la rga me nte re a firma da na le gisla çã o bra sile ira , como se vê no Código Civil, a rt. 229, I, e
na le gisla çã o proce ssua l civil e pe na l. Ente nde u o STJ que o sigilo profissiona l, pre visto no cita do
inciso XIX, que a cobe rta o a dvoga do, é re la ciona do “à qua lida de de te ste munha ”, ma s nã o qua ndo
o a dvoga do é a cusa do e m a çã o pe na l de prá tica de crime (RT, 718:473).

Ne sse me smo se ntido, e sta be le ce o Código de Ética e Disciplina (a rt. 38) que o a dvoga do de ve
gua rda r sigilo, me smo e m de poime nto judicia l, sobre o que sa iba e m ra zã o de se u ofício, ca be ndo-
lhe re cusa r-se a de por como te ste munha e m proce sso no qua l funcionou ou de va funciona r, ou
sobre fa to re la ciona do com pe ssoa de que m se ja ou te nha sido a dvoga do, me smo que a utoriza do
pe lo constituinte .

Ma s o a dvoga do pode que bra r o sigilo profissiona l nos ca sos e m que se vê a ta ca do pe lo


próprio clie nte , ou, como pre vê o Código de Ética e Disciplina (a rt. 37), e m fa ce de circunstâ ncia s
e xce pciona is que configure m justa ca usa , como nos ca sos de gra ve a me a ça à vida , à honra ou e m
de fe sa própria . De cidiu o Tribuna l de Ética e Disciplina da OAB-SP (Proc. 3.254/2005) que o a dvoga do
te m o dire ito de re ve la r “fa tos e docume ntos, nos limite s de sua de fe sa , pa ra e vita r que ve nha a
corre r o risco de re sponde r por e ve ntua l ilícito come tido por sua e x-clie nte ”.

A de fe sa intra nsige nte do sigilo profissiona l é de inte re sse da inde pe ndê ncia e do pre stígio de
toda a cla sse dos a dvoga dos, pe ra nte a popula çã o. A gua rda do sigilo é va loroso ba stiã o contra a s
inve stida s dos pode rosos.

A tute la do sigilo e da re cusa de de poime nto a lca nça os pa re ce re s jurídicos ofe rta dos, pois
e ste s sã o obje to de inve stiga çã o cie ntífica e nunca de inve stiga çõe s policia is, judicia is ou de
comissõe s pa rla me nta re s de inqué rito. Os pa re ce re s e mite m opiniõe s té cnica s que pode m ou nã o
se r conside ra da s pa ra toma da de de cisõe s dos inte re ssa dos, nã o e sta ndo suje itos a ce nsura ou
lice nça (Constituiçã o, a rt. 5º, IV e IX).

Fa lta obje to e ine xiste o dire ito-de ve r de sigilo profissiona l e m re la çã o a fa tos notórios, fa tos de
conhe cime nto público, fa tos prova dos e m juízo e a docume ntos a utê nticos ou a ute ntica dos.

A re ve la çã o de sigilo profissiona l configura infra çã o disciplina r, puníve l com a sa nçã o de


ce nsura (a rt. 36, I, do Esta tuto), a lé m de ca ra cte riza r crime de viola çã o de se gre do profissiona l,
puníve l com pe na de de te nçã o de trê s me se s a um a no, na forma do Código Pe na l.

A Le i n. 12.683/2012, que a lte rou a Le i n. 9.613/98 (Le i de La va ge m de Dinhe iro), impôs o de ve r


à s pe ssoa s física s e jurídica s de informa r à s a utorida de s fina nce ira s compe te nte s sobre ope ra çõe s
fina nce ira s suspe ita s. Ma s e ssa de te rmina çã o le ga l nã o se a plica à a dvoca cia (a dvoga dos e
socie da de s de a dvoga dos), que é re gida por le i e spe cia l, sobre le va ndo o de ve r de sigilo profissiona l.
Ta mpouco e stã o obriga dos os a dvoga dos e sua s socie da de s a o ca da stro no Conse lho de Controle de
Ativida de s Fina nce ira s (COAF). Ne sse se ntido, de cidiu o Órgã o Espe cia l do CFOAB, re sponde ndo a
consulta (49.0000.2012.006678-6/OEP), por e nte nde r que le i e spe cia l (Esta tuto da OAB) nã o pode se r
implicita me nte re voga da por le i que tra ta ge ne rica me nte de outra s profissõe s e e m ra zã o dos
princípios constituciona is que prote ge m o sigilo profissiona l. Por fim, a Re soluçã o n. 24 do COAF
e xcluiu da obriga torie da de de informa r a s “pe ssoa s física s ou jurídica s subme tida s à re gula çã o de
órgã o próprio re gula dor ” que pre ste m, me smo e ve ntua lme nte , se rviços de a sse ssoria a e ssa s
a tivida de s.

INVIOLABILIDADE DO LOCAL E DOS MEIOS DE EXERCÍCIO PROFISSIONAL

A inviola bilida de do a dvoga do a lca nça se us me ios de a tua çã o profissiona l, ta is como se u


e scritório ou loca is de tra ba lho, se us a rquivos, se us da dos, sua corre spondê ncia e sua s
comunica çõe s. Todos e sse s me ios e stã o a lca nça dos tra diciona lme nte pe la tute la do sigilo
profissiona l. A Le i n. 11.767/2008 de u nova re da çã o a o inciso II do a rt. 7º, re força ndo a inviola bilida de
do loca l e dos instrume ntos de tra ba lho do a dvoga do, se m a dmitir e xce çõe s; suprimiu, inclusive , a s
e xpre ssõe s “sa lvo ca so de busca ou a pre e nsã o de te rmina da por ma gistra do e a compa nha da de
re pre se nta nte da OAB”, consta nte s da re da çã o originá ria do pre ce ito. Os a busos pe rpe tra dos por
a ge nte s policia is, e m cumprime nto de de te rmina çõe s judicia is, com inva sõe s de e scritórios de
a dvoca cia , pa ra busca e a pre e nsã o de docume ntos de se us clie nte s subme tidos a inve stiga çõe s
crimina is, com divulga çã o pe la impre nsa , le va ra m o le gisla dor a suprimir a re ssa lva . A pa rtir do
início da vigê ncia da Le i n. 11.767, o Pode r Judiciá rio nã o pode de te rmina r a que bra da
inviola bilida de do loca l e dos instrume ntos de tra ba lho do a dvoga do, e m ra zã o de sua a tivida de ,
ne m me smo pa ra fins de inve stiga çã o crimina l ou de instruçã o proce ssua l pe na l e m re la çã o a se us
clie nte s. O e scritório e os instrume ntos de tra ba lho do a dvoga do nã o pode m se r utiliza dos pa ra
produçã o de prova s contra se us clie nte s.

Pa ra os fins da Le i n. 11.767/2008, a prote çã o da inviola bilida de dos loca l e me ios de tra ba lho
do a dvoga do re que r: a ) que e le e ste ja no e xe rcício da profissã o; b) que o obje to da viola çã o se ja o
loca l de tra ba lho ou e scritório de a dvoca cia ; ou c) a comunica çã o te le fônica e te le má tica no
e xe rcício da profissã o; d) que e le se ja o titula r de se us instrume ntos de tra ba lho.

A Le i n. 11.767/2008 a pe na s a dmitiu a que bra da inviola bilida de e m uma única hipóte se : qua ndo
houve r indícios de a utoria e ma te ria lida de da prá tica de crime pe lo próprio a dvoga do. Ne sse ca so,
nã o é ma is o a dvoga do, ma s sim o cida dã o, que re sva lou pa ra o crime , nã o pode ndo va le r-se da
inviola bilida de , que é pre rroga tiva e xclusiva me nte profissiona l. Consubsta ncia dos os indícios da
prá tica de crime , com indiscutíve l ve rossimilha nça , o juiz pode rá , e m de cisã o motiva da , e m que se
de monstre nã o dize r re spe ito à a tivida de lícita de a dvoca cia , de te rmina r a busca e a pre e nsã o
e spe cífica , com a pre se nça do re pre se nta nte da OAB, de signa do pe lo Pre side nte do Conse lho
Se cciona l ou da Subse çã o, e xclusiva me nte dos da dos e docume ntos pe ssoa is do a dvoga do
inve stiga do re la ciona dos à prá tica do crime a ve rigua do. O juiz e nca minha rá a o Pre side nte da OAB
(Conse lho ou Subse çã o) ofício confide ncia l, pa ra que se ja de signa do o re pre se nta nte , fica ndo todos
re sponsá ve is pe la confide ncia lida de , pa ra que nã o fique comprome tida a diligê ncia . A a pre e nsã o
de ve rá a te r-se e xclusiva me nte à s coisa s a cha da s ou obtida s por me ios criminosos, como pre vê a
le gisla çã o proce ssua l pe na l, ou pa ra fins criminosos, nã o pode ndo se r fe ita de modo a le a tório,
a lca nça ndo o que for e ncontra do. Nã o pode a busca e a pre e nsã o e ste nde r-se a os docume ntos,
obje tos, informa çõe s e a rquivos pe rte nce nte s a se us clie nte s, que pe rma ne ce m cobe rtos com a
ga ra ntia da inviola bilida de . O a ge nte público que ultra pa ssa r e sse s limite s re sponde , inclusive
crimina lme nte , por ta l ilicitude .

Ape na s e m uma hipóte se é possíve l a e xte nsã o da que bra da inviola bilida de a os obje tos,
da dos, a rquivos e informa çõe s do clie nte : qua ndo e ste for cúmplice do a dvoga do na prá tica do
me smo crime a tribuíve l a o a dvoga do (pa rticipa çã o ou coa utoria ) e e ste ja se ndo inve stiga do
conjunta me nte com e le . A inviola bilida de ce de pa sso dia nte da e xistê ncia de um inte re sse público
supe rior, que sã o os funda dos indícios da prá tica de infra çã o crimina l.

O Provime nto n. 127/2008 re gula me ntou a pa rticipa çã o do re pre se nta nte da OAB pa ra
a compa nha me nto da busca e a pre e nsã o de que tra ta a Le i n. 11.767, de finindo a s providê ncia s que
de ve a dota r, culmina da s com a e la bora çã o e e nca minha me nto de re la tório circunsta ncia do a o
Conse lho Se cciona l, com cópia a o e scritório de a dvoca cia . Em ca so de consta ta çã o de que bra da
inviola bilida de de da dos e da corre spondê ncia e scrita , e le trônica , te le fônica ou te le má tica , re la tiva
a o e xe rcício da a dvoca cia , o re pre se nta nte forma liza rá prote sto, continua ndo ou nã o o
a compa nha me nto da diligê ncia .

A Le i n. 8.906/94 re fe re -se a e scritório e loca l de tra ba lho. Ente nde -se por loca l de tra ba lho
qua lque r um que o a dvoga do costume utiliza r pa ra de se nvolve r se us tra ba lhos profissiona is,
incluindo a re sidê ncia , qua ndo for o ca so. A a tua l re voluçã o te cnológica e de comunica çã o a ponta
pa ra a re a liza çã o a distâ ncia de se rviços liga dos por re de s de comunica çã o, se m o de sloca me nto
físico da s pe ssoa s. Em qua lque r circunstâ ncia , o sigilo profissiona l nã o pode se r viola do.

A Le i n. 8.906/94 nã o se re fe re à re sidê ncia do a dvoga do, porque e sta já e stá cobe rta pe la
ga ra ntia constituciona l de inviola bilida de a toda s a s pe ssoa s (CF, a rt. 5º, XI): “a ca sa é o a silo
inviolá ve l do indivíduo”. De todo modo, se o a dvoga do a utiliza pa ra se u loca l de tra ba lho, o ma nto
da inviola bilida de profissiona l ta mbé m a cobre .

Sã o instrume ntos de tra ba lho do a dvoga do, insusce tíve is de a pre e nsã o, os be ns móve is ou
inte le ctua is utiliza dos no e xe rcício da a dvoca cia , e spe cia lme nte se us computa dore s, te le fone s,
a rquivos impre ssos e virtua is, ba ncos de da dos, livros e a nota çã o de qua lque r e spé cie , be m como
docume ntos, obje tos de mídia s de som e ima ge m, re ce bidos de clie nte s ou te rce iros.

A busca e a pre e nsã o nã o pode m incluir corre spondê ncia s re ce bida s pe lo a dvoga do, porque sã o
confidê ncia s e scrita s, fe ita s a o a brigo da confia nça e da tute la da intimida de , ga ra ntida s pe la
Constituiçã o (a rt. 5º, XII), ne m os de ma is docume ntos, a rquivos e da dos que nã o se vincule m à
fina lida de ilícita , obje to da busca ; ne sse s ca sos, a inviola bilida de é a bsoluta .

Acompa nha ndo orie nta çã o inte rna ciona l, ne sta ma té ria , a Le i n. 8.906/94 condicionou a busca e
a pre e nsã o a o a compa nha me nto de re pre se nta nte da OAB. Ne sse se ntido é o Código Inte rna ciona l
de Ética Profissiona l a prova do pe la a sse mble ia ge ra l da International Bar Association. O STF, no
julga me nto de finitivo da ADIn 1.127-8, de cidiu pe la constituciona lida de da e xpre ssã o “e
a compa nha da do re pre se nta nte da OAB”, contida na re da çã o origina l do inciso II do a rt. 7º e
re produzida no § 6º introduzido pe la Le i n. 11.767. Os ministros re ssa lva ra m que o juiz pode rá
comunica r a OAB pa ra que e sta de signe re pre se nta nte com obje tivo de a compa nha r o cumprime nto
de ma nda do de busca e a pre e nsã o e m ca rá te r confide ncia l de modo a se r ga ra ntida a e ficá cia da s
diligê ncia s.

Por força da Le i n. 11.767/2008, nã o ma is pre va le ce a re gra do Código de Proce sso Pe na l, que


e sta be le cia re quisitos do ma nda do de busca e a pre e nsã o de docume ntos e m pode r do de fe nsor do
a cusa do, pa ra constituir e le me nto do corpo de de lito. A busca e a pre e nsã o de obje tos, docume ntos
e informa çõe s de a cusa do que e ste ja m e m pode r do a dvoga do nã o é ma is pe rmitida , sa lvo se
a mbos (clie nte e a dvoga do) e stive re m consorcia dos na prá tica do crime .
COMUNICAÇÃO COM CLIENTE PRESO

A prisã o ou me smo a incomunica bilida de do clie nte nã o pode m pre judica r a a tivida de do
profissiona l. A tute la do sigilo e nvolve o dire ito do a dvoga do de comunica r-se pe ssoa l e
re se rva da me nte com o clie nte pre so, se m qua lque r inte rfe rê ncia ou impe dime nto do
e sta be le cime nto prisiona l e dos a ge nte s policia is. Já de cidiu o STF que “1. O a ce sso do a dvoga do a o
pre so é consubsta ncia l à de fe sa a mpla ga ra ntida na Constituiçã o, nã o pode ndo sofre r re striçã o
outra que a que la imposta , ra zoa ve lme nte , por disposiçã o e xpre ssa da le i. 2. Açã o pe na l insta ura da
contra a dvoga do, por fa tos re la ciona dos com o e xe rcício do dire ito de livre ingre sso nos pre sídios.
Fa lta de justa ca usa re conhe cida ” (RHC 51.778).

A e ve ntua l incomunica bilida de do clie nte pre so nã o vincula o a dvoga do, me smo qua ndo a inda
nã o munido de procura çã o, fa to muito fre que nte ne ssa s situa çõe s. O de scumprime nto de ssa re gra
importa crime de a buso de a utorida de (a rt. 3º, f, da Le i n. 4.898/65, com a re da çã o da Le i n. 6.657/79).
Ne sse ponto o Esta tuto re gula me ntou o que dispõe o a rt. 5º, LXIII, da Constituiçã o, que a sse gura a o
pre so, se mpre , a a ssistê ncia de a dvoga do.

PRISÃO EM FLAGRANTE DO ADVOGADO

O inciso IV, combina do com o § 3º do a rt. 7º, comple me nta a dime nsã o pe ssoa l da imunida de ,
a o pre ve r que a prisã o e m fla gra nte do a dvoga do, por motivo de e xe rcício da profissã o, só de va
ocorre r e m ca so de crime ina fia nçá ve l, porta nto, e m situa çã o muito gra ve .

Os dispositivos le ga is, como be m a nota Ta le s Ca ste lo Bra nco, visa m a re sgua rda r a dignida de
profissiona l e a libe rda de física do a dvoga do, “e vita ndo, se possíve l, a iniquida de e a torpe za de
a utua çõe s injusta s, e ncome nda da s, forja da s, ile ga is ou a rdilosa me nte provoca da s por fa utore s
inve te ra dos da fe lonia e da ba ixe za . Procura m, a inda , a sse gura r — ca so a la vra tura do a uto se ja
ine vitá ve l — a toma da ime dia ta da s providê ncia s ca bíve is, que r, de uma pa rte , pa ra te nta r conjura r
com pre ste za a ime re cida a fronta , que r, de outra , pa ra ga ra ntir-lhe a incolumida de mora l e física ,
que , a lé m de e sta mpa r pre ce ito constituciona l, consubsta ncia de ve r cole tivo de toda a Corpora çã o,
e individua l de ca da a dvoga do” (1986, p. 213-4).

A prisã o e m fla gra nte só se rá vá lida , com a la vra tura do a uto re spe ctivo, se e stive r pre se nte o
re pre se nta nte da OAB, indica do pe la dire toria do Conse lho Se cciona l ou da Subse çã o onde ocorre r o
fa to, me smo qua ndo o a dvoga do ne la nã o te nha inscriçã o principa l. A pre se nça ne ce ssá ria do
re pre se nta nte da OAB nã o é simbólica , porque te m e le o dire ito e de ve r de pa rticipa r da a utua çã o,
a ssina ndo-o como fisca l da le ga lida de do a to, fa ze ndo consigna r os prote stos e incide nte s que julgue
ne ce ssá rios. Essa norma foi conside ra da constituciona l pe lo STF, na ADIn 1.127-8. Ta mbé m de cidiu o
STF que o § 3º do a rt. 7º nã o sofre ria re striçã o de sua inte rpre ta çã o, qua nto a o de sa ca to, que
de ixa va o a dvoga do à me rcê do a rbítrio do ma gistra do, constituindo conde ná ve l privilé gio. Assim,
a pe na s no ca so de crime ina fia nçá ve l, o a dvoga do pode se r pre so e m fla gra nte , por motivo de
e xe rcício da profissã o.

Ca be à a utorida de compe te nte , incluindo o ma gistra do, a prova da comunica çã o e xpre ssa da
prisã o à OAB, se mpre que o fa to imputa do a o a dvoga do de corre r do e xe rcício profissiona l. Ne sse
ca so, o re pre se nta nte da OAB de signa do inte gra a de fe sa , como a ssiste nte , no proce sso pe na l ou no
inqué rito policia l (a rt. 16 do Re gula me nto Ge ra l), a lé m de a dota r a s providê ncia s judicia is e
e xtra judicia is ca bíve is.

PRISÃO EM SALA DE ESTADO-MAIOR

Em toda s a s hipóte se s e m que o a dvoga do de va se r le ga lme nte pre so, pe lo come time nto de
crime s comuns, inclusive os nã o re la ciona dos com o e xe rcício da profissã o, e e nqua nto nã o houve r
de cisã o tra nsita da e m julga do, ca be -lhe o dire ito a se r re colhido à sa la de Esta do-Ma ior. Por e sta
de ve se r e nte ndida toda sa la utiliza da pa ra ocupa çã o ou de te nçã o e ve ntua l dos oficia is inte gra nte s
do qua rte l milita r re spe ctivo. O dire ito dos a dvoga dos a e sse be ne fício só é ga ra ntido e m ca sos de
prisã o pre ve ntiva . O cumprime nto da pe na de conde na çõe s tra nsita da s e m julga do ocorre e m
pre sídios norma is.

O Esta tuto pre vê que a sa la disponha de insta la çõe s e comodida de s condigna s. Esse pre ce ito
procura e vita r os a busos que se come te ra m qua ndo os qua rté is indica va m, a se u ta la nte , ce la s
comuns como de pe ndê ncia s de se u Esta do-Ma ior. Se nã o houve r sa la s com a s ca ra cte rística s
pre vista s na le i, se m improvisa çõe s de gra da nte s, fica rá o a dvoga do e m prisã o domicilia r, a té a
conclusã o de finitiva do proce sso pe na l.

Na ADin 1.127-8, o STF conce de u limina r pa ra suspe nde r a e ficá cia da e xpre ssã o “a ssim
re conhe cida s pe la OAB”. Suprimido o re conhe cime nto da OAB, ca be rá a o a dvoga do pre so, ou à
própria OAB (por se tra ta r de de fe sa de pre rroga tiva s profissiona is), de monstra r e m juízo que a sa la
nã o possui insta la çõe s e comodida de s condigna s. No RHC 10.442, o STJ de cidiu que “A pre rroga tiva
que confe re prisã o e spe cia l a os a dvoga dos obje tiva prote ge r o profissiona l que e xe rce a tivida de
e sse ncia l à a dministra çã o da justiça , se gundo o câ non do a rt. 133, caput, da CF. A priva çã o da
libe rda de do a dvoga do e m ce la de de le ga cia de polícia nã o a te nde à e xigê ncia de prisã o e spe cia l,
na forma pre coniza da no a rt. 7º, V, da Le i n. 8.906/94”. Poré m, o STJ re ssa lvou que a prisã o e spe cia l
nã o pode se r a sse gura da a a dvoga do que nã o tive r prova do que e sta va no e xe rcício da a dvoca cia na
é poca do de lito, nã o ba sta ndo a inscriçã o na OAB (RHC 27.152).

Dura nte a s discussõe s ha vida s no CFOAB, qua ndo da a prova çã o do a nte proje to do Esta tuto,
propôs-se a substituiçã o de sa la do Esta do- -Ma ior por sa la e spe cia l, e m sime tria com os de ma is
profissiona is unive rsitá rios. Pre va le ce u, no e nta nto, a continuida de de ssa pre rroga tiva , a pós os
de poime ntos dos a dvoga dos que se e xpuse ra m a os a rbítrios dos re gime s a utocrá ticos, por força de
sua a tua çã o profissiona l e m de fe sa de disside nte s políticos. A e xigê ncia de sa la de Esta do Ma ior
minorou o sofrime nto de sse s profissiona is.

Julga do do STJ (RT, 718:483) e nte nde u que o re colhime nto do a dvoga do a de pe ndê ncia e spe cia l
do Ba ta lhã o da Polícia Milita r supre a e xigê ncia le ga l, porque e sta te m por obje tivo prote ge r os
a dvoga dos do convívio com pre sos comuns, ne ga ndo o pe dido de prisã o domicilia r. Poste riorme nte ,
e m 2003, inte rpre ta ndo a Le i n. 10.258/2001, que modificou o a rt. 295 do Código de Proce sso Pe na l, a
Quinta Turma do STJ de cidiu que no ca so de ine xistê ncia de sa la do Esta do Ma ior, o a dvoga do pode
se r re colhido e m prisã o comum, de sde que e m de pe ndê ncia re se rva da e se pa ra da dos outros
pre sos. Toda via , e m 5 de ma io de 2006, o Ministro Ce lso de Me llo, do STF, invoca ndo pre ce de nte s do
Supre mo, conce de u Habeas Corpus contra de cisã o do STJ, que e nte ndia a de qua da a prisã o de
a dvoga do e m ce la se pa ra da de pre sos comuns, e m pre sídio do inte rior de Sã o Pa ulo. O Ministro
de te rminou a tra nsfe rê ncia do a dvoga do pa ra “de pe ndê ncia que se qua lifique como sa la de Esta do
Ma ior ”, e , ca so e sta nã o e xista , de ve ria o juiz informa r a o STF pa ra a sse gura r a prisã o domicilia r
(MC e m HC 88.702-3). Ente nde u o Ministro que e sse é dire ito insuprimíve l do a dvoga do,
inde pe nde nte me nte do a dve nto da Le i n. 10.258/2001. Sã o pre ce de nte s: RTJ, 184:640 e 169:274. Em
outra de cisã o, confirma ndo e ssa orie nta çã o, o Ministro e xplicou que “sa la de Esta do-Ma ior nã o se
confunde com prisã o e spe cia l porque a Le i n. 10.258/2001, que a lte rou o a rtigo 295 do Código de
Proce sso Pe na l pa ra disciplina r e sse tipo de prisã o, nã o se a plica a os a dvoga dos”, pa ra os qua is há
le i e spe cia l (Le i n. 8.906, de 1994); foi conce dido o h abeas corpus pa ra ga ra ntir à a dvoga da o dire ito de
fica r e m prisã o domicilia r, já que o TJMG a firmou ine xistir sa la de Esta do-Ma ior e m Mina s (MC e m
Re cla ma çã o n. 6.158-2).

Por fim, e dirimindo dúvida s a ce rca do de cidido na ADIn 1.127, e scla re ce u o Ple no do STF, e m
27-3-2008 (Rcl 5212): “1. No julga me nto da ADIn 1.127, e ste Supre mo Tribuna l re conhe ce u a
constituciona lida de do a rt. 7º, inc. V, da Le i n. 8.906/94 (Esta tuto da Advoca cia ), de cla ra ndo, a pe na s, a
inconstituciona lida de da e xpre ssã o ‘a ssim re conhe cida s pe la OAB’. 2. É firme a jurisprudê ncia de ste
STF no se ntido de que há de se r de fe rida a prisã o domicilia r a os a dvoga dos onde nã o e xista na
loca lida de sa la com a s ca ra cte rística s da que la pre vista no a rt. 7º, inc. V, da Le i n. 8.906/94, e nqua nto
nã o tra nsita da e m julga do a se nte nça pe na l conde na tória ”. Poré m, na s RCLs 5.826 e 8.853 o ple ná rio
do STF julgou improce de nte s a s re cla ma çõe s de a dvoga dos pre sos pre ve ntiva me nte , conside ra ndo
que , por conta da a usê ncia de e spa ços de ste tipo, e sta s sa la s pode m se r e quipa ra da s a a mbie nte s
se pa ra dos, se m gra de s, situa dos e m unida de s prisiona is ou qua rté is da Polícia Milita r.
DIREITO DE INGRESSO EM ÓRGÃOS JUDICIÁRIOS E LOCAIS PÚBLICOS

Da s pre rroga tiva s do a dvoga do, a s ma is se nsíve is e viola da s sã o justa me nte a s que lhe
a sse gura m os me ios ne ce ssá rios de sua a tua çã o, e m fa ce dos a ge nte s e órgã os públicos, sobre tudo
os re la ciona dos com a a dministra çã o da justiça . Atitude s burocrá tica s e pre pote nte s fre que nte me nte
se a nte põe m à libe rda de de movime ntos do a dvoga do qua ndo no e xe rcício profissiona l.

A Le i n. 8.906/94 introduziu me ca nismos ma is se ve ros, de forma a e fe tiva r e sse s dire itos


unive rsa lme nte a ce itos como impre scindíve is a o pe culia r tra ba lho do a dvoga do, que nã o pode m
fica r à me rcê da prudê ncia ou a o a rbítrio dos outros. O a dvoga do e xe rce se rviço público e nã o pode
se r impe dido de ingre ssa r livre me nte nos loca is onde de va a tua r.

Por e ssa ra zã o compre e nde -se a e spe cifica çã o contida no inciso VI. O ingre sso do a dvoga do é
livre na s sa la s de se ssõe s dos tribuna is, de a udiê ncia s judicia is, nos ca rtórios, na s de le ga cia s, e m
horá rios de funciona me nto re gula r. Na hipóte se de de le ga cia s e prisõe s, se u ingre sso é livre ,
inclusive a pós os horá rios de e xpe die nte . Qua lque r me dida que se pa re , condicione ou impe ça o
ingre sso do a dvoga do, pa ra a lé m de porta s, ca nce los e ba lcõe s, qua ndo pre cisa r comunica r--se com
ma gistra dos, a ge nte s públicos e se rve ntuá rios da justiça , no inte re sse de se us clie nte s, configura
ile ga lida de e a buso de a utorida de (a rt. 3º, f, da Le i n. 4.898/65).

A pre rroga tiva de livre a ce sso do a dvoga do ta mbé m a bra nge os loca is onde ocorra re uniã o ou
a sse mble ia e m que inte re sse le gítimo de se u clie nte possa se r a tingido. Ne ssa hipóte se (a líne a d )
e xige -se que se a pre se nte munido de procura çã o ba sta nte . Na s de ma is hipóte se s do inciso VI
(a líne a s a, b, c) nã o há ne ce ssida de de fa ze r prova da procura çã o, ba sta ndo o docume nto de
ide ntifica çã o profissiona l.

No se ntido da Le i n. 8.906/94, de cidiu o STJ que a a dvoca cia é se rviço público, igua l a os de ma is
pre sta dos pe lo Esta do, e , por suposto, “o dire ito de ingre sso e a te ndime nto e m re pa rtiçõe s pública s
pode se r e xe rcido e m qua lque r horá rio, de sde que e ste ja pre se nte qua lque r se rvidor da re pa rtiçã o.
A circunstâ ncia de se e ncontra r no re cinto da re pa rtiçã o — no horá rio de e xpe die nte ou fora de le —
ba sta pa ra impor a o se rve ntuá rio a obriga çã o de a te nde r a o a dvoga do. A re cusa a o a te ndime nto
constituirá a to ilícito. Nã o pode o juiz ve da r ou dificulta r o a te ndime nto a a dvoga do e m horá rio
re se rva do a e xpe die nte inte rno” (RMS 1.275). Ma s o me smo STJ de cidiu (RMS 3.258-2) que “nã o
constitui ne nhuma ile ga lida de a re striçã o de a ce sso dos a dvoga dos e da s re spe ctiva s pa rte s a lé m do
ba lcã o de stina do a o a te ndime nto, obse rva dos, contudo, o dire ito livre e irre strito a os a utos, pa pé is e
docume ntos e spe cíficos, ine re nte s a o ma nda to”.

RELAÇÃO COM MAGISTRADOS


Em re forço da a tua çã o inde pe nde nte do a dvoga do, e da a usê ncia de re la çã o de hie ra rquia com
a utorida de s pública s, os incisos VII e VIII impe de m qua lque r la ço de subordina çã o com ma gistra dos.
Ine xistindo vínculo hie rá rquico, o a dvoga do pode pe rma ne ce r e m pé ou se nta do ou re tira r-se de
qua lque r de pe ndê ncia qua ndo o de se ja r. Nã o lhe pode se r de te rmina do pe lo ma gistra do qua l o
loca l que de va ocupa r, qua ndo isto importa r de spre stígio pa ra a cla sse ou imposiçã o a rbitrá ria .
Obse rva da s a s re gra s le ga is e é tica s de convivê ncia profissiona l ha rmônica e re ciproca me nte
re spe itosa , o a dvoga do pode dirigir-se dire ta me nte a o ma gistra do se m horá rio ma rca do, nos se us
a mbie nte s de tra ba lho, na tura lme nte se m pre juízo da orde m de che ga da de outros cole ga s.

Se os ma gistra dos cria m dificulda de s pa ra re ce be r os a dvoga dos, infringe m e xpre ssa disposiçã o
de le i, come te ndo a buso de a utorida de e suje ita ndo-se , ta mbé m, a puniçã o disciplina r a e le
a plicá ve l. Ca be a o a dvoga do e à OAB contra e le re pre se nta re m, inclusive à corre ge doria
compe te nte ou a o Conse lho Na ciona l de Justiça .

De cidiu o STJ que “a de limita çã o de horá rio pa ra a te ndime nto a a dvoga dos pe lo ma gistra do
viola o a rt. 7º, inciso VIII, da Le i n. 8.906/94” (RMS 15.706). No ca so, a OAB-PA impe trou ma nda do de
se gura nça contra de cisã o de ma gistra da (confirma da pe lo Tribuna l de Justiça ) que só re ce bia os
a dvoga dos e m horá rio pre e sta be le cido, ne ga ndo-se a fa zê -lo qua ndo procura da .

SUSTENTAÇÃO ORAL NOS TRIBUNAIS

A libe rda de de pa la vra do a dvoga do na s se ssõe s e a udiê ncia s judiciá ria s é um dos ma is
importa nte s e insubstituíve is me ios de sua a tua çã o profissiona l. Toda s a s re forma s te nde nte s a
me lhora r o a ce sso e a própria a dministra çã o da justiça se mpre a ponta m pa ra a mplia r a ora lida de
proce ssua l. A pa rticipa çã o ora l dos a dvoga dos nos tribuna is e órgã os cole gia dos contribue m
de cisiva me nte pa ra o e scla re cime nto e convicçã o dos julga dore s.

Importa nte inova çã o, ne ssa se de , trouxe o inciso IX do a rt. 7º da Le i n. 8.906/94, a o modifica r o


mome nto e m que o a dvoga do possa re a liza r suste nta çã o ora l na s se ssõe s de julga me nto dos
tribuna is, a pós a le itura do re la tório e d o voto do re la tor. O que isso re pre se nta de a va nço? Se o
a dvoga do a pe na s se ma nife sta a nte s do voto do re la tor, vê -se na contingê ncia de re a liza r ve rda de iro
e xe rcício de pre moniçã o, pa ra sa ca r do re la tório a possíve l orie nta çã o do voto que a inda nã o foi
ma nife sta do. Ne m todos os juíze s prima m por cla re za e rigor na e la bora çã o do re la tório, omitindo
pontos julga dos importa nte s pe la s pa rte s ou comple me nta ndo-os no voto.

A suste nta çã o ora l do a dvoga do é dificulta da pe la ince rte za da orie nta çã o do voto ou qua ndo,
e m curto e spa ço de te mpo, um re la tório ma lfe ito impe le -o a comple me ntá -lo. Ma nife sta ndo-se a pós
o voto, no e nta nto, sobre tudo qua ndo lhe for de sfa vorá ve l, o a dvoga do pode e nce ta r o contra ditório
de te se s, no de rra de iro e sforço de conve ncime nto dos de ma is juíze s do cole gia do. Cumpre m-se
ma is cla ra me nte a s ga ra ntia s constituciona is do contra ditório e do a mplo dire ito de de fe sa e m
be ne fício da pa rte cujos inte re sse s pa trocina .

O a rgume nto contrá rio funda -se no a spe cto forma l de que , inicia do o julga me nto pe la
ma nife sta çã o do voto do re la tor, nã o pode se r ma is inte rrompido. Contudo, todos os me ios que
contribua m pa ra a ume nta r o gra u de ce rte za e justiça da de cisã o de ve m se r va loriza dos. Ta nto o juiz
qua nto o a dvoga do tê m a missã o ince ssa nte de e fica z e justa distribuiçã o da justiça .

Norma le ga l a sse me lha da , que modifica va o Código de Proce sso Civil de 1939, foi de cla ra da
inconstituciona l pe lo STF, d e officio e m se ssã o a dministra tiva de 5 de de ze mbro de 1956, sob o
se guinte funda me nto, consta nte da e me nta da de cisã o: “No e xe rcício de sua a tivida de , os tribuna is
judiciá rios e la bora m se us re gime ntos inte rnos com inde pe ndê ncia e sobe ra nia , conforme pre ce itos
constituciona is ine quívocos. E, de corre nte me nte , só e le s pode m a lte ra r se us re gime ntos inte rnos”. O
pre ce ito constituciona l re fe rido e ra o a rt. 97, II, da Constituiçã o de 1946, que a tribuía a os tribuna is a
compe tê ncia pa ra e la bora r se us re gime ntos inte rnos, se m e sta be le ce r limite s. A Constituiçã o de
1988 nã o ma nte ve re gra idê ntica ; a o contrá rio, e xcluiu dos tribuna is a compe tê ncia pa ra le gisla r
me dia nte re gime nto inte rno. O a rt. 96, I, a, da Ca rta de 1988, fa z compe tir a os tribuna is a e la bora çã o
de se us re gime ntos inte rnos, ma s e sta be le ce uma funda me nta l limita çã o: “... com obse rvâ ncia da s
norma s de proce sso e da s ga ra ntia s proce ssua is da s pa rte s...”. Ora , o inciso X do a rt. 7º da Le i n.
8.906/94 é e xa ta me nte norma de proce sso e , a cima de tudo, ga ra ntia proce ssua l da s pa rte s, porque a
e sta s e nã o à s pe ssoa s dos a dvoga dos inte re ssa a a mplia çã o de sua s possibilida de s de de fe sa .

Migue l Se a bra Fa gunde s, na 1ª Confe rê ncia Na ciona l da OAB, e m 1958, de plora va a


de se ncora ja dora re a çã o do Supre mo. Dizia que “os tribuna is, de um modo ge ra l, sã o indife re nte s a o
e mpe rra me nto e a o a na cronismo do proce sso, e se a lguns tê m a pre ocupa çã o pla usíve l da
ce le rida de , pe nsa m a tingi-la a pe na s com a supre ssã o dos de ba te s, a lma da s de libe ra çõe s cole gia is.
E ne sse a çoda me nto de julga r (julga r pa ra de vora r pa uta s e nã o pa ra fa ze r justiça ) há os que tê m
por incômodo o uso da pa la vra pe lo a dvoga do. Se nã o o suprime m, porque é le i, de spre stigia m-no
com a r de e nfa do e de sinte re sse com o que ouve m. De sle mbra m-se de que o a dvoga do que a ssoma
à tribuna cumpre o de ve r de postula r e m nome de outre m e pe ra nte titula re s re mune ra dos pe lo
Esta do pa ra conhe ce r de sta postula çã o. Nã o pe de o obsé quio de se r ouvido. Usa o dire ito de se r
ouvido”.

Ape sa r de ssa s ra zõe s, que milita m e m fa vor da constituciona lida de do pre ce ito introduzido na
Le i n. 8.906/94, o STF ma nte ve os me smos funda me ntos do pre ce de nte re fe rido na s ADIns 1.105-7 e
1.127-8, a lé m de a ma ioria , contra os votos dos Ministros Se púlve da Pe rte nce e Ma rco Auré lio,
e nte nde r que o contra ditório se pe rfa z e ntre a s pa rte s e nã o de sta s e m re la çã o a o ma gistra do.
USO DA PALAVRA ORAL. ESCLARECIMENTOS E RECLAMAÇÕES

Ao contrá rio da hipóte se do inciso IX do a rt. 7º da Le i n. 8.906/94, que disciplina a inte rve nçã o
ordiná ria do a dvoga do na s se ssõe s de julga me nto, o inciso X cuida da inte rve nçã o e xtra ordiná ria ,
e m de corrê ncia de se u de ve r de vigilâ ncia dura nte o julga me nto, pa ra e vita r pre juízo à ca usa sob
se u pa trocínio, ou à sua própria dignida de profissiona l.

O uso da pa la vra , fora do mome nto de stina do à suste nta çã o ora l, pa ra e scla re ce r e quívoco ou
dúvida que possa influir no julga me nto, é um dire ito inde cliná ve l do a dvoga do, que inde pe nde de
conce ssã o do pre side nte da se ssã o, ma s que de ve se r e xe rcido com mode ra çã o e bre vida de ,
obje tiva me nte , se m come ntá rios ou a djutórios. Essa pre rroga tiva te m por funçã o contribuir pa ra a
corre ta distribuiçã o da justiça . Te m por funçã o, igua lme nte , a de fe sa ime dia ta da s pre rroga tiva s
profissiona is, ma cula da s por a cusa çõe s e ce nsura s que lhe dirija m, ile ga lme nte , o julga dor. O
a dvoga do nã o e stá e m julga me nto; se come te u infra çã o disciplina r, ca be a o tribuna l contra e le
re pre se nta r à OAB, que de té m a e xclusivida de do pode r de punir disciplina rme nte .

Outra situa çã o de e xce pciona lida de , ma s de gra nde importâ ncia , é a pre vista no inciso XI, que
pe rmite o dire ito à re cla ma çã o do a dvoga do, inclusive ora l, contra inobse rvâ ncia fla gra nte de
pre ce ito le ga l, e m pre juízo da ca usa sob se u pa trocínio. Essa re cla ma çã o nã o é só um de sa ba fo,
porqua nto te m por fito a le rta r o juiz ou tribuna l pa ra e sse ponto e pre se rva r dire itos futuros. É o
me io de de fe sa contra o uso de puros juízos subje tivos de va lor que de sconside re m norma le ga l
e xpre ssa . Evide nte me nte nã o ca be a re cla ma çã o se a hipóte se for de la cuna , de inte rpre ta çã o, ou
do uso a lte rna tivo do dire ito, qua ndo se utilize m pa râ me tros obje tivos.

Ne nhuma norma re gime nta l pode rá e sta be le ce r a forma que o a dvoga do de ve obse rva r, a o
dirigir a pa la vra , no se u e xe rcício profissiona l, e m qua lque r órgã o público ou judiciá rio. Se u é o
dire ito de fa zê -lo se nta do ou e m pé , como pre vê o inciso XII. Em virtude de sse dire ito, sobre tudo
dura nte o julga me nto da ca usa pa trocina da , o CNJ de cidiu orie nta r os tribuna is de todo o Pa ís a
disponibiliza re m a sse ntos pa ra os a dvoga dos, próximo a o púlpito de suste nta çã o ora l dos ple ná rios
(PP 0007813-88.2012.2.00.0000).

DIREITO A EXAME E DE VISTAS DE PROCESSOS E DOCUMENTOS

O a ce sso a os a utos de proce ssos judicia is ou a dministra tivos a tivos ou findos é dire ito
inviolá ve l do a dvoga do, pa ra que possa e xe rce r livre me nte a profissã o, no inte re sse de se us
clie nte s. O dire ito de a ce sso a os a utos é gê ne ro, do qua l sã o e spé cie s o dire ito de vista s e re tira da
de a utos a tivos — o ma is a mplo de todos —, o dire ito de e xa me a a utos a tivos e o dire ito de re tira da
de a utos findos. O dire ito de vista s pre ssupõe que o a dvoga do te nha sido re gula rme nte constituído,
fa ze ndo prova com a procura çã o, pois inclui o dire ito de re tira r, no pra zo le ga l, os a utos a tivos. O
dire ito de e xa me é pre rroga tiva de todos os a dvoga dos, pa ra que te nha m a ce sso a a utos a tivos, se m
fa ze r prova de procura çã o, principa lme nte qua ndo ne ce ssita m te r conhe cime nto de se u conte údo,
a nte s de a ce ita r ou re je ita r o pa trocínio da ca usa . Conse que nte me nte , o dire ito de e xa me nã o inclui
o de re tira da dos a utos, sa lvo se ne ce ssita r copia r docume ntos ne le s contidos, que nã o e ste ja m
prote gidos por sigilo le ga l, e m outro loca l e a pe na s pe lo curto te mpo que ne ce ssita r pa ra ta l fim,
qua ndo a se rve ntia judicia l ou órgã o a dministra tivo nã o dispuse r de fotocopia dora s. O dire ito de
re tira da , se m procura çã o, é e xclusiva me nte a dmitido pa ra os a utos de proce ssos findos.

Pa ra o e xa me , o a dvoga do pode fa ze r a nota çõe s, copia r ou fotocopia r os proce ssos ou pa rte s


de le s. A única re striçã o é qua ndo e ste ja m e m re gime de sigilo, pre visto e m le i. É a le i que
e sta be le ce , ca so a ca so, o re gime de sigilo, pa ra pre ve nir da no irre pa rá ve l a os dire itos, à ima ge m, à
re puta çã o, à intimida de da s pe ssoa s, como ocorre com os conflitos do status fa milia r. Se o órgã o
judiciá rio nã o ofe re ce condiçõe s pa ra a cópia dos docume ntos, de ve a sse gura r a o a dvoga do e sse
dire ito, pe rmitindo-lhe te mpo ne ce ssá rio pa ra de sloca me nto a té o e quipa me nto priva do ma is
próximo, o que nã o ca ra cte riza re tira da , e m se ntido e strito.

O Conse lho Na ciona l de Justiça (Proc. 0001505-65.2014.2.00.0000) de cidiu que nã o ca be a


tribuna is limita r a forma como a dvoga dos fa ze m cópia dos a utos se m se gre do judicia l, me smo a os
profissiona is que nã o te nha m procura çã o pa ra a tua r no ca so. Provime ntos do tribuna l a pe na s
a dmitia m que os a dvoga dos pude sse m fa ze r cópia s usa ndo e scâ ne r portá til ou câ me ra fotográ fica ,
na própria se cre ta ria de juízo; dire ta me nte na se cre ta ria , me dia nte pa ga me nto; ou dirigindo-se a o
“comé rcio de re progra fia ma is próximo”, a compa nha do por um se rvidor da se cre ta ria de juízo.

No inqué rito policia l, a dmite -se o sigilo no mome nto da cole ta da s prova s ou da s diligê ncia s;
ma s o re sulta do da diligê ncia nã o e stá cobe rto por sigilo; a té porque o inqué rito policia l nã o é
proce sso, ma s proce dime nto a dministra tivo (D’Urso, 1998, p. 89). Com e ssa s re ssa lva s e a s pre vista s
na Le i n. 10.409/2002 (Le i de Tóxicos), nã o te m a a utorida de policia l compe tê ncia pa ra de cre ta r
sigilo, a sse gura ndo--se o dire ito de a ce sso a o a dvoga do, com ou se m procura çã o.

No HC 82.534, a Prime ira Turma do STF, e m de cisã o unâ nime , de te rminou que a proibiçã o de
vista inte gra l dos a utos de inqué rito policia l viola os dire itos do inve stiga do. A de fe sa do a cusa do
ha via te nta do, se m suce sso, obte r dire ito de a ce sso a os a utos de inqué rito na Polícia Fe de ra l, te ndo
se u pe dido ne ga do na prime ira e se gunda instâ ncia s e no STJ. Fa ze ndo re missã o a o inciso XIV do
a rt. 7º da Le i n. 8.906/94, o STF concluiu que a o a dvoga do do indicia do nã o é oponíve l o sigilo que se
imponha a o proce dime nto, a sse gura ndo-se --lhe a ce sso a os a utos e a obte nçã o de cópia s que
inte re ssa r, a nte s da da ta da inquiriçã o do inve stiga do. Extra i-se da e me nta : “A oponibilida de a o
de fe nsor constituído e sva zia ria uma ga ra ntia constituciona l do indicia do (CF, a rt. 5º, LXIII), que lhe
a sse gura , qua ndo pre so, e pe lo me nos lhe fa culta , qua ndo solto, a a ssistê ncia té cnica do a dvoga do,
que e ste nã o lhe pode rá pre sta r se lhe é ne ga do o a ce sso a os a utos do inqué rito sobre o obje to do
qua l ha ja o inve stiga do de pre sta r de cla ra çõe s”.

No HC 86.059-1, e m de cisã o ca ute la r, o Min. Ce lso de Me llo, do STF, forte nos pre ce de nte s do
tribuna l, e nte nde u que o proce dime nto inve stiga tório policia l e m re gime de sigilo, a inda que se
cuide de hipóte se de re pre ssã o à crimina lida de orga niza da (Le i n. 9.034/95, a rt. 3º, § 3º), “nã o
constitui situa çã o le gitima me nte oponíve l a o dire ito de a ce sso a os a utos do inqué rito policia l, pe lo
indicia do, por me io do Advoga do que ha ja constituído, sob pe na de injustificá ve l tra nsgre ssã o a os
dire itos do próprio indicia do e à s pre rroga tiva s profissiona is de se u de fe nsor té cnico, e spe cia lme nte
se se conside ra r o que dispõe o Esta tuto da Advoca cia (Le i n. 8.906/94), e m se u a rt. 7º, incisos XIII e
XIV”. Na forma do pre ce de nte HC 82.354, o a dvoga do te m dire ito de conhe ce r a s informa çõe s “já
introduzida s nos a utos do inqué rito, nã o a s re la tiva s à de cre ta çã o e à s vicissitude s da e xe cuçã o da s
diligê ncia s e m curso”. Esta s sã o a s única s limita çõe s a dmissíve is.

Pa ra pôr cobro à contrové rsia re ina nte nos tribuna is, o STF e ditou a Súmula Vincula nte 14, com
o se guinte e nuncia do: “É dire ito do de fe nsor, no inte re sse do re pre se nta do, te r a ce sso a mplo a os
e le me ntos de prova que , já docume nta dos e m proce dime nto inve stiga tório re a liza do por órgã o com
compe tê ncia de polícia judiciá ria , diga m re spe ito a o e xe rcício do dire ito de de fe sa ”. Dura nte a
discussã o da súmula , os ministros re ssa lta ra m que a a utorida de policia l e stá a utoriza da a se pa ra r
pa rte s do inqué rito que e ste ja m e m a nda me nto pa ra prote ge r a inve stiga çã o.

A possibilida de do e xa me , se m procura çã o e spe cífica , justifica -se . O a dvoga do pode e sta r a nte
situa çã o de urgê ncia ou ne ce ssita de e xa me pré vio, pa ra de cidir se a ce ita ou nã o o pa trocínio da
ca usa . Ante s da cria çã o da OAB, a possibilida de de e xa me de a utos nã o e ra conside ra da dire ito,
ma s um fa vor do e scrivã o, “um fa vor que o e scrivã o fica a utoriza do a conce de r e conce de rá a se u
a rbítrio, re cusa rá , ou frustra rá , se gundo a s sua s simpa tia s ou se us inte re sse s” (Ca rne iro, 1943, p.
159), o que be m indica a importâ ncia de sse dire ito a tua l.

O dire ito do a dvoga do a o e xa me proce ssua l, já ga ra ntido pe la Súmula Vincula nte 14-STF, foi
substa ncia lme nte re força do pe la Le i n. 13.245/2016, que de u nova re da çã o a o inciso XIV do a rt. 7º da
Le i n. 8.906/94, a lé m de a cre sce nta r trê s pa rá gra fos a o a rtigo, que de limita m o a lca nce do inciso. De
a cordo com a nova re da çã o, o a dvoga do te m dire ito de e xa me de proce sso e m qua lque r instituiçã o
re sponsá ve l por conduzir inve stiga çã o, me smo se m procura çã o, e nã o a pe na s e m re pa rtiçã o
policia l, como e sta be le cia a re da çã o a nte rior. Assim, o dire ito se e xpa ndiu pa ra incluir o Ministé rio
Público e órgã os de todos os pode re s públicos que te nha m compe tê ncia pa ra conduzir inve stiga çã o
contra pe ssoa s física s ou jurídica s. O dire ito de e xa me a bra nge qua isque r proce ssos inve stiga tivos,
incluindo os inqué ritos a dministra tivos, findos ou e m a nda me nto, pouco importa ndo que e ste ja m e m
me io físico ou digita l.

O dire ito a o e xa me , se m procura çã o, de proce sso que te nha por fito a conduçã o de
inve stiga çã o, contudo, nã o é a bsoluto. A me sma Le i n. 13.245/2016 e sta be le ce que o a dvoga do de ve
a pre se nta r procura çã o do clie nte , qua ndo os a utos e stive re m suje itos, le ga lme nte , a sigilo. Ta mbé m
pode se r limita do o dire ito de e xa me , pe la a utorida de compe te nte , incumbida de conduzir o
proce sso ou sua supe riora , qua ndo re fe rida a utorida de , motiva da me nte , de cla ra r que os e le me ntos
de prova a inda nã o e stã o docume nta dos nos a utos porque e stã o de pe nde nte s de diligê ncia s e m
a nda me nto e e sse e xa me pré vio possa comprome te r a e ficiê ncia e a fina lida de da s diligê ncia s.

Sa lvo na s hipóte se s de sigilo le ga l ou de diligê ncia s e m a nda me nto, a de ne ga çã o do e xa me


implica re sponsa bilida de crimina l e funciona l por a buso de a utorida de do re sponsá ve l. O a dvoga do,
inde pe nde nte me nte de ple ite a r a re sponsa biliza çã o da a utorida de , pode rá re que re r a o juiz que lhe
se ja a sse gura do o a ce sso a os a utos, por de te rmina çã o à a utorida de re sponsá ve l, inclusive de modo
ca ute la r.

O dire ito de te r vista dos proce ssos é ma is a bra nge nte do que o de simple s e xa me . Pre ssupõe
a re pre se nta çã o profissiona l e é impre scindíve l pa ra o se u de se mpe nho a a pre se nta çã o da
procura çã o. Em ne nhuma hipóte se pode se r obsta do, ne m me smo qua ndo e m re gime de sigilo. O
dire ito de vista s a ssocia -se a o de re tira r os proce ssos do ca rtório ou da re pa rtiçã o compe te nte , pa ra
pode r ma nife sta r-se nos pra zos le ga is (no proce sso civil é de 5 dia s). A obstruçã o é crime , inclusive
por a buso de a utorida de , a lé m da re sponsa bilida de civil do infra tor de sse pre ce ito le ga l. O STF
de cidiu que “Nã o pode fica r a o nuto do e scrivã o te r o a dvoga do vista dos a utos fora do ca rtório. Se
fa tos concre tos contra o a dvoga do fore m a pura dos, a í e ntã o providê ncia s de ve rã o se r toma da s, ma s
fora isso nã o há como ne ga r-lhe o dire ito a ludido” (RE 77.882). Ta mbé m de cidiu o STJ que o dire ito
de vista s a os a utos de ve se r e nte ndido como “ma nife sta çã o da sua a tivida de e louva çã o a o princípio
da libe rda de da profissã o” (RO e m MS 2.988-8).

A Le i n. 11.969/2009 e sta be le ce u que , se ndo comum à s pa rte s o pra zo, pode rã o se us a dvoga dos
re tira r os a utos, re ssa lva da a obte nçã o de cópia s, pa ra a s qua is ca da um disporá de uma hora ,
inde pe nde nte me nte de a juste e ntre e le s. A le i procurou da r ma is e fe tivida de a o dire ito de vista s,
ne sse s ca sos, pe rmitindo que todos os a dvoga dos te nha m a ce sso a o proce sso, a nte cipa ndo o
conhe cime nto a nte s de sua ve z de re tirá -lo. No proce sso civil, o CPC de 2015 (a rt. 107) e sta be le ce
que , se ndo o pra zo comum à s pa rte s, os procura dore s pode rã o re tira r os a utos some nte e m
conjunto ou me dia nte pré vio a juste , por pe tiçã o nos a utos; ma s ca da a dvoga do pode re tira r os a utos
pa ra obte nçã o de cópia s pe lo pra zo de dua s a se is hora s.

Há situa çõe s e m que o dire ito de vista é le gitima me nte obsta do, a lé m da s hipóte se s de sigilo:
qua ndo o proce sso e ncontra -se pa uta do pa ra julga me nto ou qua ndo já tive r sido inicia do o
julga me nto. Ne ste se ntido de cidiu o STF, no HC 72324, que , “no curso do julga me nto inte rrompido
por pe dido de vista de um dos julga dore s, nã o te m, e vide nte me nte , a plica çã o o inciso XV do a rt. 7º
da Le i n. 8.906/94”. No RMS 4848, o STJ ne gou o dire ito de vista s a a dvoga do se m procura çã o e m
a çã o de inve stiga çã o de pa te rnida de , justa me nte por corre r e m se gre do de justiça , pa ra re sgua rdo
da intimida de da s pa rte s.

O inciso XV do a rt. 7º inclui o dire ito de vista s do proce sso a dministra tivo, fora da re pa rtiçã o,
sob protocolo. Ante s da Le i n. 8.906/94, o STF já tinha de cidido que , “re ssa lva da s a s e xce çõe s
pre vista s e m le i, te m o a dvoga do dire ito à vista de proce ssos disciplina re s fora da s re pa rtiçõe s ou
se cre ta ria s” (RE 77.507). Após a Le i n. 8.906/94, o STJ conce de u ma nda do de se gura nça , no MS 6.356,
pa ra a sse gura r a o a dvoga do impe tra nte “o pode r le gítimo de toma r conhe cime nto dos a tos
proce ssua is já pra tica dos no proce sso a dministra tivo e m que stã o e obte r cópia s da s pe ça s que
e nte nde r ”. De cidiu o Órgã o Espe cia l do CFOAB que pode a a utorida de a dministra tiva e vita r a
re tira da dos a utos na s hipóte se s re fe rida s nos núme ros 1, 2 e 3 do § 1º do a rt. 7º da Le i n. 8.906/94
(Proc. 299/2000/OEP).

A Le i n. 8.906/94 nã o se re fe re , na hipóte se do dire ito de vista s, à e xigibilida de da procura çã o.


No e nta nto, a re pre se nta çã o do a dvoga do (com ou se m procura çã o) de ve se r indiscutíve l, sob pe na
de re sponde r por infra çã o é tico-disciplina r pe ra nte a OAB.

Esse dire ito nã o é a bsoluto; pre vê o § 1º do a rt. 7º que nã o se a plica a os proce ssos sob re gime
de se gre do de justiça — sa lvo pa ra os a dvoga dos da s pa rte s — e a inda pa ra o a dvoga do (da pa rte )
que tive r de volvido o proce sso some nte de pois de intima do, nã o pode ndo ma is re tirá -lo a té se u
e nce rra me nto, pe rmitindo-se -lhe a pe na s a vista , e m ca rtório ou na re pa rtiçã o.

A re tira da de a utos findos judicia is ou a dministra tivos pode se r fe ita de ntro do pra zo de de z
dia s, me smo se m procura çã o, e xce to qua ndo:

a ) o proce sso tive r sido cobe rto com o re gime de sigilo;

b) o proce sso contive r docume ntos de difícil re sta ura çã o, ou qua ndo a a utorida de profe rir
de spa cho motiva do, que justifique a re te nçã o dos a utos, como, por e xe mplo, sua importâ ncia
histórica .

Sã o hipóte se s e spe cia líssima s e vincula da s à pre visã o le ga l, pois como de cidiu o STF “constitui
dire ito do a dvoga do, a sse gura do por le i, re ce be r os a utos dos proce ssos judicia is ou a dministra tivos,
me smo se m procura çã o, pe lo pra zo de de z dia s, qua ndo se tra ta r de a utos findos” (RT, 678:194).

A Constituiçã o, a pós a Eme nda Constituciona l n. 45, de 2004, e sta be le ce u, no a rt. 93, IX, que a
le i pode limita r a pre se nça , e m de te rmina dos a tos, à s própria s pa rte s e a se us a dvoga dos, ou
some nte a e ste s, e m ca sos nos qua is a pre se rva çã o do dire ito à intimida de do inte re ssa do no sigilo
nã o pre judique o inte re sse público à informa çã o.

A hipóte se do ite m 2 do § 1º do a rt. 7º nã o se a plica a os proce ssos nã o concluídos; a pe na s a os


findos, por sua na ture za . Qua se todos os docume ntos origina is a ne xa dos a o proce sso sã o de difícil
re sta ura çã o, sa lvo os instrume ntos públicos, e isto nã o é óbice pa ra que o a dvoga do re gula rme nte
constituído possa re tira r os a utos pa ra e xe rce r os pode re s de sua re pre se nta çã o. As le gisla çõe s
proce ssua is pre ve e m os ca sos e spe cia líssimos de re te nçã o dos a utos e m ca rtório, norma lme nte
pa ra ga ra ntir a igua lda de da s pa rte s.

O dire ito do a dvoga do de a ce sso a os proce ssos nã o pode se r dificulta do sob funda me nto de
orga niza çã o de se rviços ca rtorá rios. O STJ (julga me nto e m 17-5-2001) de cidiu a nula r e xigê ncia da
justiça pa ulista de pré vio pre e nchime nto de ficha de controle pe lo próprio a dvoga do pa ra que
tive sse a ce sso a os a utos, com o obje tivo de e vita r o de sa pa re cime nto de proce ssos. A de cisã o
a firmou que ta l e xigê ncia “nã o se a molda a o princípio da igua lda de ” e ntre os figura nte s da
a dministra çã o da justiça .

DESAGRAVO PÚBLICO

À ofe nsa re ce bida pe lo a dvoga do, por motivo re la ciona do a o e xe rcício profissiona l, le ga l e
e tica me nte re gula r, a lé m da s implica çõe s pe na is, civis e disciplina re s ca bíve is, re ba te -se com o
de sa gra vo público. Esse proce dime nto pe culia r e forma l te m por fito torna r pública a solida rie da de
da cla sse a o cole ga ofe ndido, me dia nte a to da OAB, e o re púdio cole tivo a o ofe nsor.

O de sa gra vo público, como instrume nto de de fe sa dos dire itos e pre rroga tiva s da a dvoca cia ,
nã o de pe nde de concordâ ncia do ofe ndido, que nã o pode dispe nsá -lo, de ve ndo se r promovido a
crité rio do Conse lho, como e sta be le ce o § 7º do a rt. 18 do Re gula me nto Ge ra l.

O de sa gra vo público de ve se r a prova do, com pa rcimônia e mode ra çã o, pa ra a sse gura r sua
força simbólica e é tica , se m risco de ba na lizá -lo. Por ma is influe nte que se ja o profissiona l, por ma is
se rviços que te nha pre sta do a o e ngra nde cime nto da cla sse , nã o pode se r por e le be ne ficia do,
qua ndo a ofe nsa for de ca rá te r pe ssoa l ou re la ciona da a outra s a tivida de s que e xe rça . Se u uso te m
de se r motiva do pe la de fe sa da s pre rroga tiva s profissiona is, e xclusiva me nte . Conside ra -se de
ca rá te r pe ssoa l toda ofe nsa que nã o e stive r re la ciona da com o e xe rcício profissiona l da a dvoca cia ,
ou re sulte de crítica doutriná ria , política ou re ligiosa , me smo qua ndo o a tingido se ja a dvoga do, ou
me ra re fe rê ncia ge né rica , a inda que de sa irosa , se m individua liza r os a dvoga dos (CFOAB, Proc.
4.796/96/PC); ou qua ndo o a dvoga do for ofe ndido no e xe rcício de sua cida da nia , de ve ndo re corre r à s
via s judicia is comuns (CFOAB, Proc. 5.487/2000/PCA-SC). O de sa gra vo nã o de pe nde ne m é
pre judica do por proce sso crimina l que o a dvoga do ofe ndido a juíze contra o ofe nsor ou ofe nsore s,
porque te m na ture za e fina lida de distinta s. Ma s é ca bíve l qua ndo o ma gistra do, pa ra inde fe rir um
ple ito, “se se nte no dire ito de a gre dir pe ssoa lme nte o a dvoga do e inde fe rir sua te se , ta xa ndo-a de
ina de qua da , te ra tológica , e spúria , limítrofe à litigâ ncia , ímproba , dize ndo visua liza r e spírito
ma licioso” (CFOAB, Re pr. 0014/2002/PCA). Em contra pa rtida , nã o é ca bíve l se “a de cisã o de vista s a o
a dvoga do foi inde fe rida e m de spa cho funda me nta do, se m a gre ssã o ou ofe nsa pe ssoa l, e de la fora m
movidos os re cursos ca bíve is” (CFOAB, Re c. 0109/2003/PCA), ou “qua ndo os a le ga dos a busos e
ofe nsa s e stã o e strita me nte liga dos a que stõe s proce ssua is, a s qua is comporta m re cursos e spe cíficos
ou me smo irre signa çã o junto à Corre ge doria do Tribuna l de Justiça de orige m”, pois a OAB nã o é
órgã o de controle disciplina r de “Ma gistra do que nã o de se mpe nha sua s funçõe s com e sme ro”
(CFOAB, PCA/037/2007).

De ve e le se r obje to de de libe ra çã o pré via do Conse lho compe te nte e consiste na le itura da
nota pe lo pre side nte na se ssã o a e le de signa da , na publica çã o na impre nsa , no se u
e nca minha me nto a o ofe nsor e à s a utorida de s e no re gistro nos a sse nta me ntos do inscrito. Se a
ofe nsa foi come tida por ma gistra do ou outro a ge nte público, da r-se -á ciê ncia a os órgã os a que se
vincule m. Nã o há e xigê ncia de se ssã o e spe cia l do Conse lho pa ra o de sa gra vo, ma s a o mome nto a
e le de stina do de ve rá se r da do todo o de sta que possíve l.

Se a re pe rcussã o for ma is fa vorá ve l a o ofe ndido, o de sa gra vo pode se r re a liza do na se de da


subse çã o, a cuja se ssã o compa re ce rá a re pre se nta çã o de signa da pe lo Conse lho Se cciona l.

Se o ofe ndido for o próprio Conse lho Se cciona l ou se u pre side nte , o de sa gra vo público pode
conta r com a pa rticipa çã o da dire toria do Conse lho Fe de ra l, que se fa rá pre se nte à se ssã o e spe cia l
da que le , qua ndo for pa rticula rme nte gra ve a ofe nsa .

O proce dime nto a se r a dota do e stá pre visto no Re gula me nto Ge ra l (a rts. 18 e 19), se mpre e m
virtude de ofe nsa e m ra zã o do e xe rcício profissiona l ou de funçã o da OAB, ca be ndo a o Conse lho
de cidir de ofício ou me dia nte re pre se nta çã o de qua lque r pe ssoa .

O dire ito à a mpla de fe sa de ve se r a sse gura do a que m se imputa a ofe nsa , sa lvo e m ca so de
urgê ncia e notorie da de do fa to. O de sa gra vo público nã o é me ra ma nife sta çã o de solida rie da de
corpora tivista , ma s de fe sa da dignida de da profissã o, se ndo ne ce ssá rio que a pre cie com ise nçã o os
fa tos, re spe ita ndo o contra ditório, pa ra que nã o se conve rta , e le próprio, e m ofe nsa . Esse s dois
re quisitos nã o sã o a lte rna tivos, ma s cumula tivos. A urgê ncia de corre do pre juízo e vide nte do
ofe ndido, que pode rá se r a gra va do pe la de mora , com da nos à sua re puta çã o profissiona l. A
notorie da de do fa to há de se r comprova da , como se dá com docume ntos a utê nticos ou
ma nife sta çõe s oficia is publica da s, que pra tica me nte torna m inócua qua lque r de fe sa do ofe nsor. De
qua lque r forma , a notorie da de do fa to pode se r e nga nosa , re come nda ndo a prudê ncia que se
a pure m a s ca usa s ou motivos. Se m ra zã o, e nte nde u a Prime ira Câ ma ra do CFOAB que “nã o se
conhe ce de re curso da pa rte a ponta da como ofe nsora , e m proce sso de de sa gra vo, por a usê ncia de
le gitimida de da me sma ” (CFOAB, Re c. 0118/2002/PCA); ou que “a a utorida de a gra va nte nã o te m
le gitimida de pa ra re corre r da de cisã o do Conse lho Se cciona l, a inda nã o unâ nime , por se tra ta r de
a to político, cujo juízo de va lor nã o pode se r discutido por e stra nhos à OAB” (CFOAB, PCA/001/2007).
Ente nde mos, a o contrá rio, que o a to de de sa gra vo ma l funda me nta do ou e m de sa cordo com sua s
fina lida de s pode se conve rte r e le me smo e m ofe nsa a o suposto ofe nsor, e m virtude de sua s
re pe rcussõe s.

Exce pciona lme nte , o de sa gra vo pode se r promovido pe lo Conse lho Fe de ra l, e por e le de cidido,
na s se guinte s hipóte se s:

a ) qua ndo o ofe ndido for conse lhe iro fe de ra l ou pre side nte do Conse lho Se cciona l, no e xe rcício
da s a tribuiçõe s de se us ca rgos;

b) qua ndo a ofe nsa a a dvoga do se re ve stir de re le vâ ncia e gra ve s re pe rcussõe s à s pre rroga tiva s
profissiona is; ne sse ca so, comprova r--se -á que o fa to te ve re pe rcussõe s na ciona is.

Na s dua s hipóte se s, sa lvo no ca so de conse lhe iro fe de ra l, a se ssã o pública de de sa gra vo da r-


se -á no loca l de inscriçã o do ofe ndido ou da ofe nsa , pe ra nte o Conse lho Se cciona l re spe ctivo, com a
pre se nça dos re pre se nta nte s do Conse lho Fe de ra l.

O la pso de te mpo de corrido da da ta da ofe nsa a o julga me nto do proce sso no Conse lho
Se cciona l nã o constitui óbice pa ra a prova çã o do de sa gra vo, se fore m suficie nte me nte prova dos os
fa tos (CFOAB, Proc. 1.243/93/SC).

SÍMBOLOS PRIVATIVOS DO ADVOGADO

Some nte o a dvoga do re gula rme nte inscrito na OAB pode usa r os símbolos priva tivos de sua
profissã o.

Símbolos priva tivos sã o a que le s a prova dos ou difundidos pe lo CFOAB e os que a tra diçã o
vinculou à a dvoca cia . Ele s nã o se confunde m com os me ios de ide ntifica çã o profissiona l, que
ta mbé m sã o e xclusivos, como a ca rte ira , o ca rtã o e o núme ro de inscriçã o; sã o forma s e xte rna s
ge né rica s e oste nsiva s, ta is como de se nhos significa tivos, toga s ou ve stime nta s, a né is, a dornos e tc.
Ape na s o CFOAB te m compe tê ncia pa ra criá -los ou a prová -los, da do o ca rá te r de uniformida de
na ciona l que se impõe .

Os símbolos e a ma rca oficia l da OAB fora m pa droniza dos pe lo Provime nto n. 135/2009, com uso
obriga tório pe los órgã os da OAB. O uso de sse s símbolos e m e ve ntos de pe nde de pré via a utoriza çã o
da Dire toria do Conse lho Fe de ra l, do Conse lho Se cciona l ou da Subse çã o, no â mbito de sua s
compe tê ncia s.
De cidiu o Órgã o Espe cia l do CFOAB que os ca rtõe s de visita e os pa pé is timbra dos dos
a dvoga dos nã o pode m conte r o logotipo da OAB, a nte a ve da çã o e xpre ssa do Código de Ética e
Disciplina (CFOAB, Proc. 115/96/OE). Ma s a dmitiu sua utiliza çã o e m bottons (Eme nta n. 024/2013/ OEP).

RETIRADA DO RECINTO

Audiê ncia s e de ma is a tos proce ssua is, qua ndo sã o ma rca dos, impõe m a pre se nça pontua l do
a dvoga do, que se de pa ra com conse quê ncia s irre me diá ve is qua ndo se a tra sa . O a tra so do
ma gistra do, no e nta nto, de sre spe ita a s pa rte s e e ne rva os a dvoga dos, que se ve e m na contingê ncia
de re ma rca r sua s progra ma çõe s de tra ba lho. A Le i n. 8.906/94 ga ra nte a o a dvoga do o dire ito de
re tira r-se , qua ndo a a utorida de se a tra sa r por ma is de trinta minutos do horá rio de signa do. Pa ra
isso, o a dvoga do de ve rá promove r a comunica çã o e scrita , protocoliza ndo-a . De ssa forma , re ssa lva
os dire itos se us e de se us clie nte s.

Nã o se a plica a re gra qua ndo o juiz e stive r pre se nte e o re ta rda me nto se de r e m virtude de
a tra sos ou prolonga me ntos de a udiê ncia s ime dia ta me nte a nte riore s. O re quisito é a a usê ncia
e fe tiva do juiz a o re cinto. Embora incômoda s à s pa rte s e a os a dvoga dos, sã o situa çõe s comuns no
foro. Se a re tira da do a dvoga do fosse a dmitida incondiciona lme nte , o pre juízo se ria da s pa rte s e dos
de poe nte s que compa re ce ra m e do cole ga da pa rte a dve rsa que nã o concorda sse com o a dia me nto.

ASSISTIR AOS CLIENTES INVESTIGADOS NAS APURAÇÕES

A Le i n. 13.245/2016 a mpliou o e le nco de dire itos priva tivos dos a dvoga dos, a o incluir o de
a ssistir a os se us clie nte s que e ste ja m subme tidos a inve stiga çõe s, dura nte a a pura çã o da s
infra çõe s. Tra ta -se de e xplicita çã o da ga ra ntia do a mplo dire ito de de fe sa , “com os me ios e re cursos
a e la ine re nte s” (Constituiçã o, a rt. 5º, LV).

O a dvoga do pode a compa nha r, se a ssim for solicita do por se u clie nte , todos os proce dime ntos
de a pura çã o da s infra çõe s, a ssim conside ra da s e m le i, de qua isque r na ture za s, incluindo
de poime ntos, inte rroga tórios e forma çã o proba tória . Como conse quê ncia , pode , no curso da
a pura çã o, a pre se nta r ra zõe s e que sitos à a utorida de compe te nte . Essa e spe cífica a ssistê ncia a o
clie nte inve stiga do prote ge -o do a rbítrio e de e ve ntua l a buso na produçã o da s prova s. A re da çã o
originá ria do proje to de le i a prova do pe lo Congre sso Na ciona l consigna va , igua lme nte , o dire ito de
“re quisita r diligê ncia s”, dura nte a a pura çã o de infra çõe s, ma s foi ve ta do pe la Pre sidê ncia da
Re pública , sob a justifica tiva de que pode ria le va r à inte rpre ta çã o e quivoca da de se r ma nda tória ,
pode ndo e mba ra ça r inve stiga çõe s, com pre juízos à a dministra çã o da justiça . Ma s o clie nte ,
me dia nte o a dvoga do, pode e xe rce r o dire ito de pe tiçã o, dirigindo-se à a utorida de compe te nte , ou
a o ma gistra do, se ne ga do a dministra tiva me nte , por força da ga ra ntia constituciona l (CF, a rt. 5º,
XXXIV, a). Por outro la do, a Súmula Vincula nte n. 14 do STF já re conhe ce que é dire ito do inve stiga do
e de se u de fe nsor te r a ce sso a todos os e le me ntos que fa ze m pa rte de a pura çõe s. Igua lme nte , o a rt.
14 do CPP a sse gura que o ofe ndido, ou se u re pre se nta nte le ga l, “pode rã o re que re r qua lque r
diligê ncia , que se rá re a liza da , ou nã o, a juízo da a utorida de ”.

A le i cominou com pe na de “nulida de a bsoluta ” o de poime nto, o inte rroga tório e a s prova s da í
re sulta nte s que nã o pode m produzir os e fe itos pre te ndidos.

DIREITOS DA ADVOGADA GESTANTE, LACTANTE, ADOTANTE OU QUE DER À LUZ

Conte mpla ndo o princípio da dife re nça , que a justa a igua lda de jurídica à discrimina çã o
a firma tiva e à va loriza çã o de circunstâ ncia s e spe cífica s, a Le i n. 13.363/2016 introduziu dire itos
e spe cíficos da a dvoga da , pa ra o e xe rcício de sua a tivida de profissiona l. Sã o circunstâ ncia s
te mporá ria s, poré m de e stre ma re le vâ ncia pa ra a s vida s pe ssoa is da a dvoga da e do filho a na sce r
ou na scido, que o dire ito nã o pode de sconside ra r, a lé m de nã o pre judica r a a dministra çã o da
justiça .

A igua lda de de todos na le i (“home ns e mulhe re s sã o igua is e m dire itos e obriga çõe s”, a rt. 5º, I,
da Constituiçã o) nã o significa que sua s dife re nça s se ja m de sconside ra da s, ta nto a s na tura is qua nto
a s cultura is. O dire ito à dife re nça te m por fito o re spe ito à s pe culia rida de s de ca da qua l,
constitutiva s de sua s dignida de s. Ma s nã o funda me nta , como se fe z no pa ssa do, a de sigua lda de de
dire itos e obriga çõe s, no pla no jurídico.

O a rt. 7º-A, ne ssa linha de inspira çã o, e sta be le ce que a a dvoga da ge sta nte te m dire ito a nã o se r
subme tida a de te ctore s de me ta is e a a pa re lhos de ra ios X qua ndo ne ce ssita re m a de ntra r nos
órgã os do siste ma judiciá rio e da a dministra çã o pública e m ge ra l, inclusive dos a pa re lhos policia is e
pe nite nciá rios. Como a a dvoga da ge sta nte , no e xe rcício de sua a tivida de profissiona l, pode
ne ce ssita r colhe r da dos, informa çõe s e prova s e m qua isque r outros luga re s, a norma le ga l ta mbé m
a tute la qua ndo a de ntra r e m imóve is de instituiçõe s e e mpre sa s priva da s pa ra ta is fins. A a dvoga da
ge sta nte te m, igua lme nte , dire ito de re se rva de va ga s e m ga ra ge ns de fóruns ou tribuna is, que sã o
obriga dos a ma ntê -la s disponíve is. A a dvoga da ge sta nte te m dire ito de pre fe rê ncia na orde m da s
suste nta çõe s ora is e da s a udiê ncia s, à s qua is de va compa re ce r e m ra zã o de proce ssos sob se u
pa trocínio. A orde m da s a udiê ncia s no me smo dia de ve se r modifica da pa ra conte mpla r e ssa
e spe cia l pre fe rê ncia . A pre fe rê ncia na orde m ta nto da s suste nta çõe s ora is qua nto da s a udiê ncia s
concorre com outra s pre fe rê ncia s e sta be le cida s e m le i (por e xe mplo, outra a dvoga da la cta nte ou
a dota nte ). Essa pre fe rê ncia compre e nde o te mpo do e sta do gra vídico.

A a dvoga da la cta nte , a dota nte ou a que de r à luz te m dire ito igua lme nte à pre fe rê ncia na orde m
da s suste nta çõe s ora is e da s a udiê ncia s. A a dota nte ou a que de r à luz tê m dire ito e spe cífico à
suspe nsã o dos pra zos proce ssua is, qua ndo for a única pa trona da ca usa , fa ze ndo prova da ciê ncia
pré via de sse fa to a se u clie nte ; a suspe nsã o dos pra zos se rá fixa da pe lo juiz pe lo te mpo ne ce ssá rio
a e ssa s circunstâ ncia s. A a dvoga da a dota nte te m dire ito à pre fe rê ncia pe lo te mpo e quiva le nte da
pre fe rê ncia a tribuída à a dvoga da que de r à luz ou for la cta nte , te ndo e m vista a s me sma s e xigê ncia s
de cuida dos pa ra com a cria nça . As a dvoga da s la cta nte e a dota nte pode m e xe rce r o dire ito de
pre fe rê ncia pe lo pe ríodo que a ciê ncia s da sa úde conside ra m a de qua do à a ma me nta çã o, se ja e la
na tura l ou nã o.
INSCRIÇÃO NA OAB

CAPÍTULO III

DA INSCRIÇÃO

Art. 8º Para inscrição como advogado é necessário:

I — capacidade civil;

II — diploma ou certidão de graduação em direito, obtido em instituição de ensino oficialmente


autorizada e credenciada;

III — título de eleitor e quitação do serviço militar, se brasileiro;

IV — aprovação em Exame de Ordem;

V — não exercer atividade incompatível com a advocacia;

VI — idoneidade moral;

VII — prestar compromisso perante o Conselho.

§ 1º O Exame de Ordem é regulamentado em provimento do Conselho Federal da OAB.

§ 2º O estrangeiro ou brasileiro, quando não graduado em direito no Brasil, deve fazer prova do
título de graduação, obtido em instituição estrangeira, devidamente revalidado, além de atender aos
demais requisitos previstos neste artigo.

§ 3º A inidoneidade moral, suscitada por qualquer pessoa, deve ser declarada mediante decisão
que obtenha no mínimo dois terços dos votos de todos os membros do Conselho competente, em
procedimento que observe os termos do processo disciplinar.

§ 4º Não atende ao requisito de idoneidade moral aquele que tiver sido condenado por crime
infamante, salvo reabilitação judicial.

Art. 9º Para inscrição como estagiário é necessário:

I — preencher os requisitos mencionados nos incisos I, III, V, VI e VII do art. 8º;

II — ter sido admitido em estágio profissional de advocacia.

§ 1º O estágio profissional de advocacia, com duração de dois anos, realizado nos últimos anos
do curso jurídico, pode ser mantido pelas respectivas instituições de ensino superior, pelos Conselhos
da OAB, ou por setores, órgãos jurídicos e escritórios de advocacia credenciados pela OAB, sendo
obrigatório o estudo deste Estatuto e do Código de Ética e Disciplina.

§ 2º A inscrição do estagiário é feita no Conselho Seccional em cujo território se localize seu


curso jurídico.

§ 3º O aluno de curso jurídico que exerça atividade incompatível com a advocacia pode
frequentar o estágio ministrado pela respectiva instituição de ensino superior, para fins de
aprendizagem, vedada a inscrição na OAB.

§ 4º O estágio profissional poderá ser cumprido por bacharel em Direito que queira se inscrever
na Ordem.

Art. 10. A inscrição principal do advogado deve ser feita no Conselho Seccional em cujo
território pretende estabelecer o seu domicílio profissional, na forma do Regulamento Geral.

§ 1º Considera-se domicílio profissional a sede principal da atividade de advocacia,


prevalecendo, na dúvida, o domicílio da pessoa física do advogado.

§ 2º Além da principal, o advogado deve promover a inscrição suplementar nos Conselhos


Seccionais em cujos territórios passar a exercer habitualmente a profissão, considerando-se
habitualidade a intervenção judicial que exceder de cinco causas por ano.

§ 3º No caso de mudança efetiva de domicílio profissional para outra unidade federativa, deve o
advogado requerer a transferência de sua inscrição para o Conselho Seccional correspondente.

§ 4º O Conselho Seccional deve suspender o pedido de transferência ou de inscrição


suplementar, ao verificar a existência de vício ou ilegalidade na inscrição principal, contra ela
representando ao Conselho Federal.

Art. 11. Cancela-se a inscrição do profissional que:

I — assim o requerer;

II — sofrer penalidade de exclusão;

III — falecer;

IV — passar a exercer, em caráter definitivo, atividade incompatível com a advocacia;

V — perder qualquer um dos requisitos necessários para inscrição.

§ 1º Ocorrendo uma das hipóteses dos incisos II, III e IV, o cancelamento deve ser promovido,
de ofício, pelo Conselho competente ou em virtude de comunicação por qualquer pessoa.

§ 2º Na hipótese de novo pedido de inscrição — que não restaura o número da inscrição anterior
— deve o interessado fazer prova dos requisitos dos incisos I, V, VI e VII do art. 8º.

§ 3º Na hipótese do inciso II deste artigo, o novo pedido de inscrição também deve ser
acompanhado de provas de reabilitação.

Art. 12. Licencia-se o profissional que:

I — assim o requerer, por motivo justificado;

II — passar a exercer, em caráter temporário, atividade incompatível com o exercício da


advocacia;

III — sofrer doença mental considerada curável.

Art. 13. O documento de identidade profissional, na forma prevista no Regulamento Geral, é de


uso obrigatório no exercício da atividade de advogado ou de estagiário e constitui prova de
identidade civil para todos os fins legais.

Art. 14. É obrigatória a indicação do nome e do número de inscrição em todos os documentos


assinados pelo advogado, no exercício de sua atividade.

Parágrafo único. É vedado anunciar ou divulgar qualquer atividade relacionada com o exercício
da advocacia ou o uso da expressão “escritório de advocacia”, sem indicação expressa do nome e do
número de inscrição dos advogados que o integrem ou o número de registro da sociedade de
advogados na OAB.

CO MENTÁRIO S

REQUISITOS PARA INSCRIÇÃO COMO ADVOGADO

No te rritório bra sile iro, o e xe rcício da a dvoca cia de pe nde de inscriçã o na OAB. Some nte os
Conse lhos Se cciona is da OAB tê m compe tê ncia le ga l pa ra re a lizá -la . Como disse o STJ (REsp
214.671), a inscriçã o na OAB “nã o constitui me ro título honorífico, ne ce ssa ria me nte a gre ga do a o
diploma de ba cha re l. A se le çã o de ba cha ré is pa ra o e xe rcício da a dvoca cia de ve se r tã o rigorosa
como o proce dime nto de e scolha de ma gistra dos e a ge nte s do Ministé rio Público. Nã o é de bom
a viso libe ra lizá -la ”.

É ga ra ntido o uso do nome socia l e o re conhe cime nto da ide ntida de de gê ne ro de pe ssoa s
tra ve stis e tra nse xua is pa ra inscriçã o como a dvoga dos na OAB, inclusive pa ra fins de re gistro e
ca da stro da s socie da de s de a dvoga dos de que fa ça m pa rte . A Re s. n. 05/2016, que a lte rou o a rt. 33 do
Re gula me nto Ge ra l, conside ra nome socia l a de signa çã o pe la qua l a pe ssoa tra ve sti ou tra nse xua l
se ide ntifica e é socia lme nte re conhe cida e se rá inse rido na ide ntifica çã o do a dvoga do, me dia nte
re que rime nto.
Capacidade civil

O re quisito de ca pa cida de civil prova -se com docume nto de ide ntida de (re gistro ge ra l ou
ce rtidã o de na scime nto), de ve ndo o inte re ssa do te r ma is de de zoito a nos. A ma iorida de pre sume a
ca pa cida de civil ple na (nã o a pe na s a ca pa cida de jurídica — toda s a s pe ssoa s a tê m,
inde pe nde nte me nte de ida de ou e sta do me nta l —, ma s a ca pa cida de de fa to ou ne gocia l). Pode , no
e nta nto, se r e lidida qua ndo ocorre r a lguma da s hipóte se s de inca pa cida de a bsoluta ou re la tiva ,
pre vista s na le gisla çã o civil, que de pe nde m de inte rdiçã o de cre ta da judicia lme nte . A supe rve niê ncia
de inte rdiçã o, conhe cida de ofício pe la OAB ou me dia nte re pre se nta çã o, provoca o ime dia to
ca nce la me nto da inscriçã o.

Ante s de comple ta r 18 a nos, pode ha ve r a inscriçã o do inte re ssa do, se for comprova da sua
gra dua çã o no curso jurídico. O Código Civil (a rt. 5º, pa rá gra fo único, IV) inclui a gra dua çã o
unive rsitá ria como ca usa de ma iorida de civil, se m ne ce ssida de de e ma ncipa çã o conce dida pe los
pa is. Ne sse ca so, o diploma é a prova da ca pa cida de civil. A Le i de Dire trize s e Ba se s da Educa çã o
Na ciona l-LDB (n. 9.394/96, a rt. 47) a dmite que a lunos com e xtra ordiná rio a prove ita me nto nos
e studos, de monstra do por me io de a va lia çã o a plica da por ba nca e xa mina dora e spe cia l, pode rã o te r
a bre via da a dura çã o dos se us cursos. A LDB ta mbé m nã o e xige que a se le çã o pa ra curso
unive rsitá rio e ste ja limita da a de te rmina da ida de .

Diploma de graduação em direito

O se gundo re quisito é o diploma ou ce rtidã o de gra dua çã o. A ce rtidã o supre a fa lta ou de mora
na conce ssã o do diploma . Nã o há inscriçã o provisória ; é se mpre de finitiva . Muito rigor de ve te r a
OAB no a ca ta me nto da ce rtidã o, porque a ume nta a proba bilida de de e rro, fra ude ou fa lsifica çã o. O
diploma é obje to de confe rê ncia na instituiçã o de e nsino qua nto à inte gra lida de do curso jurídico,
a nte s de se r re gistra do pe la Unive rsida de ou órgã o e duca ciona l que re ce ba de le ga çã o de
compe tê ncia do Ministé rio da Educa çã o.

A ce rtidã o de ve se r e mitida a pe na s pe lo órgã o re sponsá ve l pe la e xpe diçã o do diploma ou pe lo


controle do re gistro a ca dê mico da instituiçã o que ma nte nha o curso jurídico, nã o se ndo a ce ita s
de cla ra çõe s ou ma nife sta çõe s de outra e spé cie , ou ce rtidõe s e mitida s por órgã o da instituiçã o que
nã o possa e xpe dir o diploma . Toda instituiçã o de e nsino, pa ra e xpe dir diploma s, de ve e sta r
cre de ncia da ou re cre de ncia da pe lo Conse lho de Educa çã o compe te nte , que constitui a se gunda
e ta pa ne ce ssá ria pa ra se u re gula r funciona me nto. Como a dve rtiu o Órgã o Espe cia l do CFOAB
(0001/2002/OEP-DF), por de ve r de ca ute la , “os Conse lhe iros Se cciona is de ve m e xa mina r a s orige ns
dos docume ntos, se vá lidos, com re la çã o à s instituiçõe s de e nsino ce rtifica nte s”.

O Re gula me nto Ge ra l (a rt. 23) de te rmina que a ce rtidã o de gra dua çã o e m dire ito de ve e sta r
a compa nha da de cópia a ute ntica da do re spe ctivo histórico e scola r. A providê ncia é sa luta r,
pe rmitindo à OAB ve rifica r o cumprime nto e fe tivo da ca rga horá ria e xigíve l e o conte údo mínimo
pre vistos na s dire trize s curricula re s e ma na da s do Conse lho Na ciona l de Educa çã o.

Alé m do cre de ncia me nto da instituiçã o ma nte ne dora (unive rsida de , ce ntro unive rsitá rio,
fa culda de s inte gra da s ou e sta be le cime nto isola do de e nsino supe rior), o curso jurídico de ve e sta r
a utoriza do a funciona r pe la a utorida de e duca ciona l compe te nte e se r re conhe cido. O curso jurídico,
fe de ra l ou pa rticula r, de pois de a utoriza do e com funciona me nto re gula r, de ve obte r o
re conhe cime nto do MEC, re nova do pe riodica me nte , ou do Conse lho Esta dua l de Educa çã o
compe te nte , ne ste ca so qua ndo se tra ta r de instituiçã o ma ntida com re cursos públicos e sta dua is ou
municipa is. A OAB a pe na s pode a dmitir a inscriçã o de ba cha ré is gra dua dos e m cursos jurídicos
a utoriza dos e poste riorme nte re conhe cidos. Nã o ba sta , pois, e sta r o curso a utoriza do; há de e sta r
ta mbé m re conhe cido. Ne sse se ntido, de cidiu o CFOAB (Eme nta 23/2007/OEP) pe la impossibilida de
de inscriçã o no Exa me da Orde m, be m como nos qua dros da OAB, de e studa nte s de dire ito
conclude nte s e e gre ssos de curso de dire ito nã o re conhe cido pe lo MEC.

“A me lhor e xe ge se do a rt. 8º, II, da Le i n. 8.906/94 suge re que se conside re como instituiçã o de
e nsino ‘oficia lme nte a utoriza da e cre de ncia da ’ a que la cujo curso de ba cha re la do e m Dire ito conte
com a cha nce la do MEC” (STJ, REsp 1.121.275).

Regularidade eleitoral e militar

O te rce iro re quisito é a re gula rida de e le itora l e milita r, e nqua nto compulsória . O a nte proje to
e la bora do pe lo CFOAB suprimia e ssa e xigê ncia , porque impõe à corpora çã o profissiona l uma
funçã o de fisca liza çã o oficia l que lhe é e stra nha , ma s o Congre sso Na ciona l a ma nte ve .

Exame de Ordem

O Exa me de Orde m é um e xa me de a fe riçã o de conhe cime ntos jurídicos bá sicos e de prá tica
profissiona l do ba cha re l e m dire ito que de se ja e xe rce r a a dvoca cia . Os e studa nte s dos cursos
jurídicos, a nte s da gra dua çã o, nã o pode m fa zê -lo. Enca rta -se e ntre a s a tribuiçõe s da OAB de se le çã o
dos profissiona is da a dvoca cia .

No mundo luso-bra sile iro, a fonte re mota do Exa me de Orde m é o e xa me que a s Orde na çõe s
Filipina s (Livro 1, Título XLVIII) e xigia m pa ra os que de se ja sse m a tua r como procura dore s na Ca sa
de Suplica çã o, e m Portuga l.

O e xa me é composto de uma prova de conhe cime ntos jurídicos ge ra is (prova obje tiva ) e de
outra prova de re da çã o de pe ça profissiona l e de conhe cime ntos prá ticos, na á re a e spe cia liza da de
e scolha do e xa mina ndo (prova prá tico-profissiona l, de na ture za discursiva ). As dua s prova s de ve m
compre e nde r os conte údos pre vistos nos e ixos de forma çã o funda me nta l e de forma çã o profissiona l
do curso de gra dua çã o e m Dire ito, e sta be le cidos pe lo Conse lho Na ciona l de Educa çã o, a lé m de
dire itos huma nos e da le gisla çã o do a dvoga do (Esta tuto, Re gula me nto Ge ra l e Código de Ética e
Disciplina ), pode ndo, a inda , conte mpla r ma té ria s do e ixo funda me nta l do curso (a ntropologia ,
ciê ncia política , e conomia , é tica , filosofia , história , psicologia e sociologia ). Subme te -se à se gunda o
que logra r ê xito na prime ira .

O e xa me é de ca rá te r na ciona l e unifica do, re a liza do trê s ve ze s e m ca da a no. A Le i n. 8.906/94


de te rminou que o Exa me de Orde m fosse inte ira me nte re gula do e m Provime nto e dita do pe lo
CFOAB. A pa droniza çã o dos proce dime ntos é a sse gura da pe la Coorde na çã o Na ciona l de Exa me de
Orde m, de signa da pe lo Pre side nte do CFOAB.

O ca ndida to a pe na s pode subme te r-se à prova prá tico-profissiona l (2ª fa se ) se for a prova do na
prova obje tiva (1ª fa se ). Ao ca ndida to que nã o logra r a prova çã o na prova prá tico-profissiona l se rá
fa culta do computa r o re sulta do obtido na prova obje tiva a pe na s qua ndo se subme te r a o Exa me de
Orde m ime dia ta me nte subse que nte . Da do o ca rá te r na ciona l do e xa me , os Conse lhos Se cciona is
nã o tê m compe tê ncia pa ra a pre cia çã o de re cursos inte rpostos, que de ve m se r a pre cia dos pe la
ba nca re visora constituída pe lo Pre side nte do CFOAB.

O Exa me de Orde m unifica do pode se r pre sta do, pe lo ba cha re l e m dire ito, pe ra nte o Conse lho
Se cciona l de sua livre e scolha , nã o ma is se re stringindo a o do curso onde se gra duou ou a o de se u
domicílio e le itora l. Essa s re striçõe s fa zia m se ntido, pa ra e vita r burla à le i, a nte s da unifica çã o do
e xa me , pois se u conte údo va ria va e m ca da Conse lho Se cciona l.

Pode m pre sta r o e xa me ba cha ré is e m dire ito e os e studa nte s de dire ito do último a no do curso
ou do nono e dé cimo se me stre s. Pa ra os ba cha ré is e m dire ito, e xige -se que a gra dua çã o te nha sido
obtida e m curso re gula rme nte re conhe cido pe lo MEC ou pe lo Conse lho Esta dua l de Educa çã o, ne sse
ca so qua ndo se tra ta r de instituiçã o ma ntida com ve rba s pública s do Esta do ou do Município.

O ba cha re l e m dire ito que e xe rça ca rgo ou funçã o incompa tíve l com a a dvoca cia pode pre sta r
Exa me de Orde m. A ce rtidã o de sua a prova çã o vigora por pra zo inde te rmina do, pode ndo se r
utiliza da no pe dido de inscriçã o, a pós sua de sincompa tibiliza çã o.

De a cordo com o Provime nto n. 144/2011, o ca ndida to pre sta rá o Exa me de Orde m no Conse lho
Se cciona l da OAB da unida de fe de ra tiva na qua l concluiu o curso de gra dua çã o e m dire ito ou na
se de do se u domicílio e le itora l, sa lvo se for a colhido re que rime nto funda me nta do, dirigido à
Comissã o de Está gio e Exa me de Orde m do Conse lho Se cciona l de orige m, pa ra re a liza r a s prova s
e m outra loca lida de .
A Re soluçã o n. 02/1994 do Conse lho Fe de ra l, a lé m de re gula r a s situa çõe s tra nsitória s,
dispe nsou do Exa me de Orde m os ba cha ré is e m dire ito que concluíra m com a prove ita me nto o
e stá gio a nte rior, a té o dia 4 de julho de 1994, e os que tive ra m sua s inscriçõe s ca nce la da s e m virtude
do e xe rcício pe rma ne nte de ca rgos e funçõe s incompa tíve is, qua ndo re que re re m nova inscriçã o. O
Provime nto n. 144/2011 dispe nsa do Exa me de Orde m os e x-ma gistra dos, e x-promotore s de justiça e
os e x-inte gra nte s de ca rre ira s jurídica s. Contra ria ndo orie nta çã o a nte rior (CFOAB, Proc.
335/2001/OEP-SC), o Conse lho Fe de ra l da OAB e ditou o Provime nto n. 174/2016, dispe nsa ndo do
Exa me de Orde m, igua lme nte , os a dvoga dos públicos a prova dos e m concurso público de prova s e
títulos re a liza do com a pa rticipa çã o da OAB, a té a da ta da publica çã o de sse Provime nto (5-9-2016),
com inscriçã o re que rida a té 5-3-2017, findo o qua l re toma -se a e xigibilida de do Exa me .

Nunca é de ma is le mbra r que os cursos jurídicos nã o gra dua m a dvoga dos, ma gistra dos,
promotore s de justiça , de le ga dos de ca rre ira , de fe nsore s públicos, procura dore s públicos, ma s
ba cha ré is e m dire ito. Se ja qua l for a profissã o jurídica que de se ja re m e xe rce r, de ve m se r
se le ciona dos pre via me nte . No ca so do a dvoga do, o re sulta do de sua profissã o é público e nã o
priva do, porque é e le me nto indispe nsá ve l à a dministra çã o pública da justiça .

Dura nte dé ca da s, e a nte s da Le i n. 8.906/94, o Exa me de Orde m foi a lvo de ce rra da obje çã o de
inte re sse s me rca ntilista s da s má s e scola s de dire ito ou de e quivoca da re a çã o de a lguns inte gra nte s
do me io a ca dê mico. As prime ira s procura va m e vita r, como la me nta ve lme nte a inda ocorre , qua lque r
re quisito le ga l que a s le va sse a inve stir e m qua lida de dos cursos, e m e spe cia l do corpo doce nte ; os
se gundos bra ndia m o pode roso a rgume nto da a utonomia unive rsitá ria e do conflito de fina lida de s
e ntre os profissiona is do e nsino e o pra gma tismo dos ope ra dore s do dire ito.

Como a gra nde ma ioria dos e gre ssos dos cursos jurídicos procura inscre ve r-se na OAB, é
intuitivo que o Exa me de Orde m provoque uma de ma nda cre sce nte pe la me lhoria do de se mpe nho
dos cursos jurídicos (me lhore s profe ssore s, insta la çõe s, a ce rvo bibliográ fico, e stá gio a de qua do e tc.),
o que re sulta e m ma is inve stime nto.

A re a çã o since ra que a inda ha via e m se gme ntos do me io a ca dê mico minorou qua ndo se
pe rce be ra m com ma is cla re za os pa pé is distintos, ma s comple me nta re s, da comunida de
unive rsitá ria e da comunida de profissiona l, e que o inte re sse da OAB na e le va çã o da qua lida de do
e nsino jurídico é le gítimo, se m qua lque r móve l inte rve ncionista ou de que bra da a utonomia
unive rsitá ria . Por outro la do, e a í re sidia o e quívoco, o Exa me de Orde m — por a pre e nde r a pe na s
a lguns a spe ctos da forma çã o jurídica , principa lme nte os prá ticos — nã o a va lia o curso, ne m me smo
o e studa nte , ma s tã o some nte constitui modo de se le çã o pa ra e xe rcício da profissã o de a dvoga do,
uma e ntre ta nta s que o ba cha re l e m dire ito pode e scolhe r. O Exa me de Orde m nã o inte rfe re na
a utonomia unive rsitá ria dos cursos jurídicos, porque e ste s tê m fina lida de de forma çã o do ba cha re l
de dire ito. O gra u que os cursos confe re m e os diploma s que e xpe de m nã o de pe nde m do Exa me de
Orde m. A fina lida de de se le çã o (e fisca liza çã o) da OAB é poste rior à gra dua çã o confe rida pe los
cursos jurídicos. Ao contrá rio da le gisla çã o de outros pa íse s, a le i bra sile ira nã o fixa núme ro
de te rmina do de va ga s, pode ndo e xe rce r a profissã o qua lque r um que se ja a prova do no Exa me de
Orde m, de sde que nã o e xe rça ca rgo incompa tíve l com a a dvoca cia .

O Exa me de Orde m é compa tíve l com o princípio de libe rda de de profissã o, e sta be le cido no
inciso XIII do a rt. 5º da Constituiçã o, que e sta be le ce :

“XIII — é livre o e xe rcício de qua lque r tra ba lho, ofício ou profissã o, a te ndida s a s qua lifica çõe s
profissiona is que a le i e sta be le ce r ”.

A se le çã o inclui-se e ntre a s q ualificações profissionais; a le i que a e sta be le ce é o próprio Esta tuto.


A Constituiçã o nã o conte mpla a libe rda de a bsoluta ; e xige o re quisito de qua lifica çã o, ou se ja , nã o
tute la o profissiona l de squa lifica do, que porá e m risco a libe rda de , a se gura nça e o pa trimônio da s
pe ssoa s cujos inte re sse s pa trocine . Na vigê ncia da Constituiçã o de 1967/1969, o Supre mo Tribuna l
Fe de ra l já tinha fixa do o e nte ndime nto sobre a constituciona lida de de re quisitos e limita çõe s à
libe rda de de e xe rcício profissiona l pre vistos e m le i (Re pre se nta çã o de Inconstituciona lida de 930).

O princípio da libe rda de de e xe rcício profissiona l há de se r lido e m ha rmonia com o a rt. 22,
XVI, da Constituiçã o, que e sta be le ce se r compe tê ncia priva tiva da Uniã o le gisla r sobre cond ições para
o ex ercício d as profissões. Fê -lo a Le i n. 8.906/94, incluindo o re quisito de Exa me de Orde m.

A e xigê ncia de Exa me de Orde m ou do e quiva le nte Exa me de Esta do (pre sta do pe ra nte
tribuna is ou outros órgã os públicos) pa ra os que de se ja m e xe rce r a a dvoca cia é proce dime nto
comum e m qua se todos os pa íse s do mundo. Na ma ioria dos pa íse s o Exa me de Orde m ou
e quiva le nte é e xigíve l junta me nte com um e stá gio re a liza do após a gra dua çã o, dura nte dois a nos, e m
mé dia . Se gundo re la tório divulga do pe lo Conse lho da Europa sobre o funciona me nto da Justiça dos
Esta dos e urope us, e m 2012, a pe na s Andorra nã o fa zia ne nhuma a va lia çã o dos ba cha ré is a nte s de
e le s come ça re m a a dvoga r. Na Ale ma nha , que m de se ja e xe rce r a a dvoca cia pa ssa por tre ina me nto
e te m de fa ze r os me smos e xa me s que a que le s que vã o opta r por uma ca rre ira na Ma gistra tura ou
no Ministé rio Público.

O e stá gio nã o é suple tivo do Exa me de Orde m. Cumpre funçã o pe da gógica ne ce ssá ria pa ra a
forma çã o prá tica do e studa nte de dire ito e pa ra pe rmitir a inscriçã o no qua dro de e sta giá rios da
OAB (ve r come ntá rios a o a rt. 9º, § 1º). Sobre a dispe nsa do Exa me de Orde m, ve r os come ntá rios a o
a rt. 84).

Contra a e xigê ncia le ga l do Exa me de Orde m, vá ria s a çõe s fora m a juiza da s, com de cisõe s
dive rge nte s dos tribuna is, e m torno do a rgume nto de sua inconstituciona lida de . Fina lme nte , e m
a córdã o unâ nime , publica do e m 25-5-2012, o Supre mo Tribuna l Fe de ra l, no RE 603.583, concluiu por
sua constituciona lida de , pois a a tua çã o profissiona l do a dvoga do re pe rcute no ca mpo de inte re sse
de te rce iros, mostra ndo-se conse ntâ ne o com a Constituiçã o Fe de ra l, que re me te à s qua lifica çõe s
pre vista s e m le i. Se gundo a de cisã o, o Exa me de Orde m é um instrume nto corre to pa ra a fe rir a
qua lifica çã o profissiona l e te m o propósito de ga ra ntir a s condiçõe s mínima s pa ra o e xe rcício da
a dvoca cia , a lé m de prote ge r a socie da de .

Ausência de incompatibilidade

O quinto re quisito é nã o e xe rce r a tivida de incompa tíve l com a a dvoca cia . As a tivida de s que
ge ra m incompa tibilida de ou impe dime nto tota l e stã o e nume ra da s no a rt. 28 da Le i n. 8.906/94, pa ra
cujos come ntá rios re me te mos o le itor. De ve o inte re ssa do de cla ra r e ssa circunstâ ncia , a ssumindo
a s conse quê ncia s, inclusive pe na is, da ma nife sta çã o.

Se a de cla ra çã o nã o for ve rda de ira , a inscriçã o se rá ca nce la da e o fa lso a dvoga do fica rá suje ito
à s sa nçõe s pe na is (e spe cia lme nte por fa lsida de ide ológica e e xe rcício ile ga l da profissã o),
a dministra tiva s (proce sso disciplina r) e civis (re sponsa bilida de civil por da nos ma te ria is e mora is).
Os a tos por e le pra tica dos sã o nulos e nã o pode rã o se r conva lida dos (a rt. 4º).

Idoneidade moral

O se xto re quisito é a idone ida de mora l. É um conce ito inde te rmina do (poré m de te rminá ve l),
cujo conte údo de pe nde da me dia çã o concre tiza dora do Conse lho compe te nte , e m ca da ca so. Os
pa râ me tros nã o sã o subje tivos, ma s de corre m da a fe riçã o obje tiva de stand ard s va lora tivos que se
ca pta m na comunida de profissiona l, no te mpo e no e spa ço, e que conta m com o má ximo de
conse nso na consciê ncia jurídica .

De ma ne ira ge ra l, nã o sã o compa tíve is com a idone ida de mora l a titude s e comporta me ntos
imputá ve is a o inte re ssa do, que conta mina rã o ne ce ssa ria me nte sua a tivida de profissiona l, e m
de spre stígio da a dvoca cia . Assim, de cidiu o CFOAB que : a ) a conde na çã o por crime , suje ito à s
sa nçõe s do a rt. 305 do Código Pe na l, importa ne ce ssa ria me nte inidone ida de mora l, que nã o se ria
a fa sta da e m virtude de boa conduta poste rior ou pe dido de re visã o crimina l, sa lvo re a bilita çã o
judicia l (Eme ntá rio 1990/92, p. 139); b) ta mbé m importa inidone ida de mora l a prá tica ile ga l da
profissã o por ba cha re l e sta giá rio com inscriçã o ca nce la da , re sponde ndo a inqué ritos policia is (Proc.
4.676/95/PC); ou, c) a de missã o de se rvidor a be m do se rviço público (Proc. 5.255/98/PCA); ou d) a
e xone ra çã o de ca rgo ou funçã o, a be m do se rviço público, me smo que nã o te nha ha vido conclusã o
do proce sso crimina l (Proc. 3.987/90/PC); ou e ) que te nha ha vido re je içã o da de núncia na e sfe ra
crimina l (Proc. 4.603/94/PC); ou, f) a de missã o do se rviço público oca siona da por a propria çã o de
dinhe iro pe rte nce nte a o Erá rio (Proc. 4.602/94/PC).

Os ca sos de conduta incompa tíve l (ve r come ntá rios a o a rt. 35, pa rá gra fo único) ta mbé m se
e nqua dra m ne ssa e spé cie . “A conduta incompa tíve l com a a dvoca cia , comprova da me nte imputá ve l
a o re que re nte , impe de a inscriçã o no qua dro de a dvoga dos”, e sta be le ce o § 2º do a rt. 20 do
Re gula me nto Ge ra l.

A e xtinçã o punitiva , no juízo crimina l, de fa to que ca ra cte rize inidone ida de mora l nã o a e lide ,
pe rma ne ce ndo o impe dime nto à inscriçã o. É ta mbé m irre le va nte a a usê ncia de pe na crimina l ou
a dministra tiva como pre ssuposto do inde fe rime nto do pe dido de inscriçã o (CFOAB, Re curso n.
4.289/92/PC). A de cisã o do Conse lho da OAB nã o de pe nde de de cisã o crimina l, qua ndo houve r
proce sso pe na l e m curso, porque a s instâ ncia s judicia l e a dministra tiva nã o se confunde m.

A de cla ra çã o de inidone ida de mora l é a to vincula do, motiva do. Pa ra se e vita r o compone nte
a rbitrá rio, A Le i n. 8.906/94 de te rmina que a de cisã o do Conse lho obte nha no mínimo dois te rços dos
votos dos me mbros do Conse lho (conside ra da sua composiçã o tota l, e nã o de pre se nte s à se ssã o),
a sse gura do a o inte re ssa do o a mplo dire ito de de fe sa (de fe sa e scrita , ora l, re cursos, instruçã o
proba tória ), se gundo o proce dime nto disciplina r, onde coube r. O proce sso é de na ture za
e xclusiva me nte a dministra tiva , nã o se subordina ndo à e ve ntua l pe na crimina l, que e m re la çã o a e le
nã o pre va le ce , como a nota mos nos come ntá rios a o a rt. 68, a ba ixo. O que e me rge do § 4º do a rt. 8º é
a pre sunçã o le ga l da inidone ida de , qua ndo houve r conde na çã o crimina l tra nsita da e m julga do, se m
pre juízo de inve stiga çã o própria da OAB e nqua nto e la nã o se de r.

O inde fe rime nto de corre de proce sso a dministra tivo, cujo juízo nã o se vincula a o proce sso
judicia l, qua ndo os e le me ntos proba tórios fore m suficie nte s pa ra formá -lo. Porta nto, me smo a nte s
da conde na çã o judicia l, a inscriçã o pode se r ne ga da se os fa tos fore m suficie nte s pa ra a
configura çã o da inidone ida de mora l.

De cidiu o CFOAB que “a de cla ra çã o de inidone ida de mora l de pe nde de proce dime nto
incide nta l e pre judicia l da de cisã o, e m que se ja ga ra ntido o a mplo dire ito de de fe sa , insta ura do
me dia nte re pre se nta çã o dos inte re ssa dos ou de ofício pe lo próprio re la tor ou órgã o da OAB
compe te nte pa ra de cidir sobre a inscriçã o, obse rva do, onde coube r, o disposto no a rtigo 52, e xce to o
pa rá gra fo 5º, do Código de Ética e Disciplina . Suspe nde -se a tra mita çã o do proce sso de inscriçã o a té
que se de cida sobre a inidone ida de . Compe te a o Ple ná rio do Conse lho Se cciona l ou a o órgã o
e spe cia l corre sponde nte de cidir pe lo q uorum mínimo de dois te rços de todos os se us me mbros”
(CFOAB, Proce sso n. 4.635/95/PC). Essa de cisã o, re fe rindo-se a o te xto do CED a nte rior sobre re gra
ma ntido no a tua l, te m e fe ito norma tivo, porque nã o se a plicou a pe na s a o ca so concre to.

De qua lque r forma , a pós re a bilita çã o re gula rme nte de fe rida , e sta rá de simpe dido pa ra nova
inscriçã o, porque no siste ma jurídico bra sile iro ine xiste conse quê ncia pe rpé tua da pe na . Em
sime tria com a situa çã o do que te ve a inscriçã o ca nce la da por inve stir-se e m ca rgo incompa tíve l
com a a dvoca cia , por a plica çã o a na lógica do § 2º do a rt. 11 da Le i n. 8.906/94, o re a bilita do nã o
ne ce ssita subme te r-se a o Exa me de Orde m, ne m junta r comprova çã o de título de e le itor e de
quita çã o com o se rviço milita r qua ndo pe dir nova inscriçã o, pois se us docume ntos da inscriçã o
a nte rior pe rma ne ce m com o Conse lho Se cciona l, que te m o de ve r pe rpé tuo de custódia .

Crime infamante

Há uma hipóte se ta xa tiva de inidone ida de mora l, da da sua gra vida de , contida no § 4º do a rt. 8º
e que me re ce de sta que : a do crime infa ma nte . Nã o é qua lque r crime , ma s a que le , e ntre os tipos
pe na is, que provoca o forte re púdio é tico da comunida de ge ra l e profissiona l, a ca rre ta ndo de sonra
pa ra se u a utor, e que pode ge ra r de spre stígio pa ra a a dvoca cia se for a dmitido se u a utor a e xe rcê -
la . Infam ante é conce ito inde te rmina do, de de limita çã o difícil, de ve ndo se r concre tiza do ca so a ca so
pe lo Conse lho Se cciona l. Sobre e le re me te mos o le itor a os come ntá rios a o a rt. 34, XXVIII.

A e xtinçã o da punibilida de da pre scriçã o punitiva nã o a fa sta a e xistê ncia do fa to tipifica do como
crime , nota da me nte se infa ma nte . É infa ma nte e a te nta tório à dignida de da a dvoca cia o crime de
e ste liona to e de fa lsifica çã o docume nta l, impe dindo a inscriçã o do inte re ssa do nos qua dros da OAB
(CFOAB, Proc. 4.591/94/PC).

Compromisso

O último re quisito, a pós a conclusã o fa vorá ve l do proce sso de inscriçã o, é a pre sta çã o de
compromisso sole ne pe ra nte o Conse lho. O compromisso nã o é me ra forma lida de dispe nsá ve l; é
e le me nto inte gra dor da inscriçã o. Se m e le , de vida me nte consigna do e m a ta do Conse lho, que
indique nomina lme nte os compromissa ndos, é nula a inscriçã o, por pre te riçã o de sole nida de que a
le i conside ra e sse ncia l. O compromisso ma nife sta do de viva voz é no se ntido de e xe rce r a a dvoca cia
com dignida de e re sponsa bilida de , e m e strita obse rvâ ncia da le gisla çã o a plicá ve l e do Código de
Ética e Disciplina . O compromisso é pe rsona líssimo e inde le gá ve l, conse que nte me nte nã o pode o
inte re ssa do e sta r re pre se nta do por procura dor.

O Re gula me nto Ge ra l, a rt. 20, fixou os se guinte s te rmos do compromisso:

“Prom eto ex ercer a ad vocacia com d ignid ad e e ind epend ência, observar a ética, os d everes e prerrogativas
profissionais e d efend er a Constituição, a ord em juríd ica d o Estad o Dem ocrático, os d ireitos h um anos, a justiça
social, a boa aplicação d as leis, a rápid a ad m inistração d a justiça e o aperfeiçoam ento d a cultura e d as
instituições juríd icas”.

Ape sa r de longo, é um compromisso que a lca nça a s va ria da s dime nsõe s da a dvoca cia , e m
nosso te mpo. Nã o a pe na s o a spe cto de ontológico é re ssa lta do, ma s inclui a s fina lida de s
instituciona is da OAB, ta mbé m a ssumida s individua lme nte pe lo a dvoga do, a té me smo pa ra da r
se ntido à funçã o socia l re le va nte de se u ministé rio.

Sobre o pe dido de inscriçã o a o Conse lho Se cciona l, ve r os come ntá rios a os a rts. 58 e 61.

INSCRIÇÃO DO ADVOGADO ESTRANGEIRO

Vigora va no Esta tuto a nte rior o princípio da re ciprocida de , a sa be r, se ria a dmitida a inscriçã o
do a dvoga do e stra nge iro se e m se u pa ís o a dvoga do bra sile iro pude sse fa zê -lo e m idê ntica s
condiçõe s. No Re curso n. 1.891/75/PC, o CFOAB — se m e mba rgo de conside ra r constituciona l o
dispositivo do a nte rior Esta tuto que pre via a re ciprocida de — a firmou sua inconve niê ncia com os
inte re sse s na ciona is, porque e sta ria tra nsfe rindo a Esta do e stra nge iro de cisã o de ma té ria que só a o
Bra sil ca be re solve r.

Com a cre sce nte a proxima çã o e ntre os povos e o a profunda me nto da s re la çõe s e conômica s e
jurídica s inte rna ciona is, nã o fa z ma is se ntido ta l e xigê ncia . As comunida de s de na çõe s sã o uma
re a lida de que a va nça e , e m nossa re giã o, a impla nta çã o do Me rcosul pre ssupõe que os pa íse s
vizinhos fa cilite m os me ios de a tua çã o e de inte rcâ mbio de se us profissiona is, toma ndo inicia tiva s
que e stimule m os de ma is a se gui-los.

Nã o fa z se ntido, no e nta nto, que o a dvoga do possa e xe rce r no te rritório bra sile iro sua profissã o
e m situa çã o ma is va nta josa que se u cole ga bra sile iro. Da í a e xigê ncia de que se ja ta mbé m inscrito
na OAB, a nte s de pra tica r qua lque r a to priva tivo de a dvoga do, de ve ndo, inclusive , pre sta r Exa me de
Orde m e o compromisso le ga l, pa ra de monstra r que conhe ce o dire ito bra sile iro com que va i lida r.
O diploma de gra dua çã o e os de ma is docume ntos oficia is, re fe ridos como re quisitos, te rã o de se r
a ute ntica dos no consula do bra sile iro no pa ís onde fora m e mitidos e de pois tra duzidos pa ra o
portuguê s (Le i n. 6.015/73) por tra dutor público jura me nta do (De c. n. 13.609/43) ou por tra dutor
judicia lme nte compromissa do. A dispe nsa da le ga liza çã o consula r é possíve l qua ndo os docume ntos
sã o e nca minha dos por gove rno e stra nge iro a o gove rno bra sile iro por via diplomá tica (De c.
84.451/80). O diploma de ve rá , a inda , se r re va lida do por órgã o e duca ciona l bra sile iro compe te nte .

No mundo inte iro pre va le ce m ce rta s e xigê ncia s ou pre ssupostos pa ra a a tua çã o do a dvoga do
e stra nge iro, me smo nos pa íse s ma is a be rtos à s re la çõe s inte rna ciona is. O Ja pã o, por e xe mplo,
pa ssou a pe rmitir o e sta be le cime nto de foreign firm s de a dvoca cia , ma s impõe a os a dvoga dos
e stra nge iros o e xe rcício da profissã o e m pa rce ria com a dvoga dos ja pone se s. Na Ingla te rra , se u
pe culia r siste ma pre mia l de profissõe s jurídica s, incluindo o a ce sso a o Judiciá rio, torna muito difícil
a a tua çã o do a dvoga do e stra nge iro (Anima le , 1995, p. 168). No â mbito da Uniã o Europe ia , a Dire tiva
n. 98/5/CE re conhe ce como a dvoga do qua lque r dos profissiona is de a dvoca cia , se m a s distinçõe s
a ca so e xiste nte s nos pa íse s a e la vincula dos. Impõe , no e nta nto, condiçõe s bá sica s: a ) o a dvoga do
de outro pa ís da Uniã o de ve inscre ve r-se no pa ís de a colhime nto e a tua r de a cordo com pre ce itos
a li de te rmina dos; b) de pe nde ndo da fina lida de da a tivida de profissiona l, pode se r e xigido a tua r e m
conjunto com outro a dvoga do loca l, que por e le se re sponsa bilize ; c) pode ha ve r re striçõe s pa ra
a tua çã o pe ra nte tribuna is supe riore s e e xigê ncia de se guro de re sponsa bilida de profissiona l; d) o
a dvoga do fica subme tido à s re gra s de é tica profissiona l do pa ís de a colhime nto.

ESTAGIÁRIO

O e sta giá rio é o inscrito na OAB, ne ssa qua lida de , de ve ndo se r e studa nte de curso jurídico
le ga lme nte a utoriza do e re conhe cido ou ba cha re l e m dire ito. Há de cisã o controve rtida do Órgã o
Espe cia l do CFOAB a dmitindo a inscriçã o, no qua dro de e sta giá rios, de e studa nte s de cursos
jurídicos a utoriza dos e a inda nã o re conhe cidos pe los re spe ctivos Conse lhos de Educa çã o (Proc.
92/96/OE).

Nã o é e le um profissiona l do dire ito, e sua a pre ndiza ge m prá tica é de se nvolvida a o la do e sob
a orie nta çã o de um a dvoga do. Por conse guinte , o e sta giá rio nã o pode isola da me nte re a liza r
qua lque r a to próprio da a tivida de de a dvoca cia se m a a ssistê ncia do a dvoga do. Todos os a tos de
que pa rticipe , e spe cia lme nte os de na ture za proce ssua l, de ve m se r a ssina dos por e le e pe lo
a dvoga do, ou a utoriza dos e xpre ssa me nte por e ste , e xce to a que le s pre vistos no Re gula me nto Ge ra l
(v. come ntá rios a o a rt. 3º), os qua is pode e le e xe rce r dire ta me nte .

A inscriçã o do e sta giá rio pe rdura rá pe lo pra zo má ximo de re a liza çã o do re spe ctivo e stá gio, ou
se ja , dois a nos, e se rá fe ita no Conse lho Se cciona l e m cujo te rritório funcione o curso jurídico
re spe ctivo. Em ne nhuma hipóte se pode se r prorroga do, porque é tra nsitório e m virtude de se r
a pre ndiza ge m que a nte ce de sua inscriçã o como a dvoga do (CFOAB, Re c. 0179/2003/PCA-SP). O pe dido
de inscriçã o de ve rá e sta r a compa nha do de comprova nte da ma trícula no e stá gio, do re gistro civil, do
título de e le itor, da quita çã o do se rviço milita r e da de cla ra çã o de nã o e xe rce r a tivida de
incompa tíve l com a a dvoca cia .

Aplica -se a o e sta giá rio a s me sma s re gra s de impe dime nto ou incompa tibilida de . Ente nde u a 1ª
Câ ma ra do CFOAB (Proc. 5.301/98/PCA) que o e stá gio na ma gistra tura pa ulista , re gula me nta do pe lo
Provime nto n. 902/94 do TJSP, e m virtude de se us a mplos dire itos e de ve re s, impe de a inscriçã o do
a luno no qua dro de e sta giá rios e m virtude de incidê ncia do a rt. 28, V, da Le i n. 8.906/94. A sua
inscriçã o nã o pode se r de fe rida pe la OAB se e xe rce r ca rgo ou funçã o que o incompa tibilize com a
a dvoca cia , de ntre a s hipóte se s pre vista s no Esta tuto. Essa re striçã o se justifica porque o le igo
dificilme nte sa be distinguir o profissiona l do e sta giá rio e o pote ncia l de ca pta çã o de clie nte la e
de spre stígio pa ra a profissã o é muito gra nde . De qua lque r forma pode rá cursa r o e stá gio e m sua
instituiçã o de e nsino, pa ra fins de a pre ndiza ge m.

Concluído o e stá gio e obtido o gra u de ba cha re l e m dire ito, pre sta rá Exa me de Orde m, pa ra
inscriçã o como a dvoga do. Em ne nhuma hipóte se ha ve rá dispe nsa do Exa me de Orde m.

A le i pre vê que o e stá gio profissiona l de a dvoca cia te rá a dura çã o de dois a nos. Esse é o pra zo
mínimo que se e nte nde a de qua do pa ra a de vida a pre ndiza ge m prá tica . O e stá gio profissiona l de
a dvoca cia nã o é obriga tório; sê -lo-á , a pe na s, pa ra os que de se ja re m inscre ve r-se no qua dro de
e sta giá rios da OAB.

A Le i n. 8.906/94, no se u a rt. 87, re vogou ta nto a Le i n. 4.215/63 qua nto a Le i n. 5.842/72, que
disciplina va m re spe ctiva me nte o e stá gio profissiona l de a dvoca cia e o e stá gio de prá tica fore nse e
orga niza çã o judiciá ria , a mbos fa culta tivos pa ra os a lunos e pa ra a s instituiçõe s de e nsino e a mbos
dispe nsa ndo o Exa me de Orde m. Os dois e stá gios tinha m como obje tivo e xclusiva me nte a forma çã o
profissiona l pa ra a a dvoca cia .

De a cordo com o Esta tuto, há dois tipos de e stá gio, a sa be r, o e stá gio de prá tica jurídica ,
ministra do pe la s instituiçõe s de e nsino, de na ture za curricula r e obriga tório, pa ra todos os a lunos
dos cursos jurídicos, e o e stá gio profissiona l de a dvoca cia , disciplina do pe lo Esta tuto e pe lo
Re gula me nto Ge ra l. O se gundo, ou comple me nta o prime iro, com a tivida de s própria s de a dvoca cia ,
ou é re a liza do inte ira me nte , de modo a utônomo, ma s se m dispe nsa do prime iro. Ha ve ndo convê nio
e ntre a instituiçã o de e nsino e a OAB, e sta pode rá a dmitir o e stá gio de prá tica jurídica como e stá gio
profissiona l de a dvoca cia , de sde que se ja comple me nta do com ca rga horá ria de stina da a a tivida de s
priva tiva s de a dvoca cia e se ja promovido o e studo do Esta tuto e do Código de Ética e Disciplina .

O e stá gio de prá tica jurídica (curricula r) nã o é e xclusiva me nte da a dvoca cia , a té porque os
cursos jurídicos nã o sã o e scola s de a dvoca cia , pois e stã o ha bilita dos a gra dua r ba cha ré is e m dire ito
e m ge ra l. Ba cha re l e m dire ito é titulo de ha bilita çã o, ma s nã o é profissã o. Ha bilita -se o gra dua do a
e xe rce r profissõe s jurídica s (a dvoga do pa rticula r ou público, ma gistra do, promotor de justiça ,
de le ga do de polícia e tc.), pa ra cujo ingre sso de ve rá subme te r-se à s se le çõe s pre vista s e m le i, ou
se ja , concursos públicos ou Exa me de Orde m.

O que dife re o e stá gio profissiona l de a dvoca cia do e stá gio de prá tica jurídica ? O prime iro
a pe na s de fine os re quisitos mínimos pa ra se r conside ra do como ta l, com o e xclusivo obje tivo de
pe rmitir a inscriçã o na OAB como e sta giá rio, ou se ja , a pe na s pa ra os que de se ja re m inscre ve r-se
ne ssa condiçã o e que nã o e ste ja m impe didos de fa zê -lo (ca so dos que e xe rce m ca rgos incompa tíve is
com a a dvoca cia ou de a lunos da e scola que nã o e stá conve nia da com a OAB). A inscriçã o pré via
como e sta giá rio nã o é condiçã o pa ra poste rior inscriçã o como a dvoga do; é conve nie nte e obriga tória
pa ra os que e stive re m e sta gia ndo e m e scritórios de a dvoca cia e ne ce ssite m e xe rce r a s a tivida de s
que lhe s sã o própria s, como pre vista s no Re gula me nto Ge ra l da OAB (re tira r e de volve r a utos e m
ca rtório, obte r ce rtidõe s de proce ssos, a ssina r pe tiçõe s de junta da ).

Pa ra que a OAB re conhe ça o e stá gio curricula r da e scola de dire ito, como igua lme nte e stá gio
profissiona l de a dvoca cia , possibilita ndo a inscriçã o dos a lunos como e sta giá rios de a dvoca cia , se rá
ne ce ssá ria a re a liza çã o de convê nio. E se a e scola nã o for conve nia da com a OAB, na da impe de que
os a lunos se inscre va m como e sta giá rios, se e stive re m a tua ndo e m e scritórios de a dvoca cia ou
e ntida de s cre de ncia dos pe la OAB. Ne sse último ca so (e scola nã o conve nia da ) o e stá gio profissiona l
de a dvoca cia de ve se r comple to (300 hora s). Pa ra que o e stá gio de prá tica jurídica possa se r
re ce bido como e stá gio profissiona l de a dvoca cia , de pe nde nte do convê nio, re come nda -se o
a cré scimo de a o me nos 100 hora s, pode ndo se r re duzida s na hipóte se de o prime iro já incluir o
e studo do Esta tuto, do Re gula me nto Ge ra l e do Código de Ética . A comple me nta çã o da ca rga horá ria
pode se r e fe tiva da e m e scritórios de a dvoca cia , de fe nsoria pública , se tore s jurídicos públicos ou
priva dos, de sde que cre de ncia dos pe la OAB.

O CFOAB de cidiu que o e sta giá rio inscrito na OAB te m o pra zo má ximo de inscriçã o de a té 3
(trê s) a nos. Ultra pa ssa do e sse pe ríodo, te ndo e le concluído ou nã o o curso, e xtingue -se
a utoma tica me nte , por de curso de pra zo, a va lida de de sua inscriçã o como e sta giá rio pe ra nte o
Conse lho Se cciona l (Eme nta n. 029/2013/OEP).

A forma çã o prá tica a de qua da que se re que r de um e stá gio de ve e nvolve r a tivida de s simula da s
(e la bora çã o de pe ça s proce ssua is e forma çã o de proce ssos, da distribuiçã o a o trâ nsito e m julga do);
a ná lise s de a utos findos; visita s comprova da s me dia nte re la tórios sumá rios a os orga nismos
judiciá rios, a udiê ncia s e se ssõe s, de le ga cia s de polícia , pe nite nciá ria s; té cnica s de ne gocia çã o,
concilia çã o e a rbitra ge m; e a tua çã o e m proce ssos re a is e de ma is se rviços jurídicos de a sse ssoria e
consultoria .

A inscriçã o como e sta giá rio nã o é pré -re quisito pa ra a poste rior inscriçã o como a dvoga do. O
e studa nte de dire ito que nã o que ira ou nã o possa inscre ve r-se como e sta giá rio pode rá inscre ve r-se
dire ta me nte como a dvoga do, qua ndo obtive r sua gra dua çã o unive rsitá ria . Em qua lque r
circunstâ ncia , se rá obriga tória a pré via a prova çã o no Exa me de Orde m.

O ba cha re l e m dire ito pode re a liza r o e stá gio profissiona l de a dvoca cia , e m qua lque r
moda lida de , inclusive e m curso jurídico e m que se gra duou ou nã o. A hipóte se , pre vista na le i, é de
pouca utilida de prá tica , sa lvo pa ra os que se se ntire m inse guros a pre sta r dire ta me nte o Exa me de
Orde m.

Ao e sta giá rio que re a liza r a tivida de s prá tica s e m e scritório de a dvoca cia a plica -se a Le i n.
11.788/2008, cujo a rt. 12 conce de -lhe o dire ito de re ce be r bolsa ou outra forma de re mune ra çã o, se m
vínculo e mpre ga tício, e dire ito de re ce sso de 30 dia s, se o e stá gio ultra pa ssa r um a no. A jorna da de
tra ba lho se rá de finida e m comum a cordo e ntre a instituiçã o de e nsino e o e scritório de a dvoca cia .
Sobre o dire ito de concluí-lo, se m obriga torie da de do Exa me de Orde m, pa ra os que se
ma tricula ra m e m cursos de e stá gio se gundo a le gisla çã o a nte rior, ve r os come ntá rios a o a rt. 84.
Sobre a a tua çã o pe rmitida a o e sta giá rio, ve r os come ntá rios a o a rt. 3º.

DOMICÍLIO PROFISSIONAL. INSCRIÇÃO PRINCIPAL, SUPLEMENTAR E POR TRANSFERÊNCIA

O a dvoga do pode e xe rce r livre me nte a profissã o e m todo o te rritório na ciona l. Essa libe rda de é
ple na ou condiciona da , como a nota mos nos come ntá rios a o a rt. 7º, I.

A inscriçã o principal é promovida no Conse lho Se cciona l, e m cujo te rritório o a dvoga do de cla ra
que te rá se u domicílio profissiona l. Esse domicílio, que a bra nge o te rritório do re spe ctivo Esta do-
me mbro ou Distrito Fe de ra l, é de livre e scolha do inte re ssa do e nã o se vincula a o Conse lho
Se cciona l onde se loca lize o curso jurídico que lhe gra duou ou onde pre stou o Exa me de Orde m. A
de cla ra çã o há de se r ve ra z, sob pe na de constituir fra ude à le i, e nse ja ndo o ca nce la me nto de ofício
da inscriçã o. A fra ude é consta ta da poste riorme nte , qua ndo a a tivida de do a dvoga do pa ssa a se r
e xe rcida pre domina nte me nte fora de sua se de principa l, a pós a inscriçã o. Na dúvida , ou se ja , na
hipóte se de plura lida de de ce ntros de a tivida de s, a le i e sta be le ce uma pre sunçã o juris tantum de
coincidê ncia e ntre o domicílio profissiona l e o domicílio da pe ssoa física do a dvoga do (onde te nha
re sidê ncia com â nimo de finitivo).

O domicílio profissiona l é impre scindíve l, porque vincula o a dvoga do à jurisdiçã o do re spe ctivo
Conse lho, pa ra fins de fisca liza çã o, e le içõe s, pa ga me nto de contribuiçõe s obriga tória s, controle
disciplina r, ca da stro e a sse nta me ntos. A de cla ra çã o fa lsa de domicílio profissiona l, poste riorme nte
ve rifica da , le va a o ca nce la me nto da inscriçã o. De cidiu o Conse lho Fe de ra l da OAB que é
compe te nte pa ra , de ofício ou me dia nte re pre se nta çã o de qua lque r órgã o da OAB, de a dvoga do ou
inte re ssa do, ca ssa r ou modifica r a to de órgã o ou a utorida de da OAB, contrá rio a o Esta tuto, a o
Re gula me nto Ge ra l ou a o Código de Ética e Disciplina , incluindo o a to a dministra tivo de inscriçã o no
qua dro de a dvoga dos de Conse lho Se cciona l, má xime qua ndo ha ja indícios de fa lsida de de
de cla ra çã o de domicílio profissiona l.

O domicílio profissiona l a lca nça todo o te rritório da unida de fe de ra tiva , a sa be r, do Esta do-
me mbro, do Distrito Fe de ra l ou do Te rritório Fe de ra l (a rts. 10 do Esta tuto e 117 do Re gula me nto
Ge ra l). Nã o pode e sta r circunscrito a o â mbito de jurisdiçã o de uma subse çã o. O vínculo com a
subse çã o é de na ture za a dministra tiva e de de sce ntra liza çã o da s a tivida de s da OAB. O domicílio
profissiona l, porta nto, é re la ciona do a o e spa ço de jurisdiçã o do Conse lho Se cciona l re spe ctivo.

O a dvoga do pode , e ve ntua lme nte , e xe rce r sua a dvoca cia fora da se de principa l, se m
ne ce ssida de de inscre ve r-se e m outro Conse lho Se cciona l. Ma s há um limite qua ntita tivo, que nã o
pode se r ultra pa ssa do, pa ra nã o se suje ita r a o e xe rcício ile ga l da profissã o e à corre sponde nte
sa nçã o disciplina r: a té cinco ca usa s por a no, e m outro e me smo Esta do-me mbro. Nã o importa que o
pa trocínio da ca usa se ja inicia l ou e m fa se poste rior. Em re sposta a consulta , e nte nde u o Órgã o
Espe cia l da OAB (Eme nta 0127/2012/OEP) que a simple s e xistê ncia do nome do a dvoga do e m
procura çã o ad jud icia, se m que te nha re a lme nte e xe rcido a to judicia l ou e xtra judicia l e m cinco
de ma nda s, nã o configura a ha bitua lida de .

Ca usa de ve se r e nte ndida como proce sso judicia l e fe tiva me nte a juiza do, e m que ha ja
pa rticipa çã o do a dvoga do. A le i impõe o re quisito e xpre sso de “inte rve nçã o judicia l”. Assim, a
a dvoca cia pre ve ntiva ou e xtra judicia l ha bitua l inde pe nde de inscriçã o suple me nta r. Sobre o a ssunto
de cidiu o CFOAB que ca usa “é se mpre a prime ira , se ndo irre le va nte o a compa nha me nto nos a nos
subse que nte s. A de fe sa e m proce ssos a dministra tivos, e m inqué ritos policia is, o ‘visto’ e m contra tos
constitutivos de pe ssoa s jurídica s, a impe tra çã o de h abeas corpus e o simple s cumprime nto de ca rta s
pre ca tória s nã o constitue m inte rve nçã o judicia l pa ra os e fe itos do a rt. 10, § 2º. O re ce bime nto de
substa be le cime nto se m re se rva s, com a ssunçã o do pa trocínio da ca usa , importa inte rve nçã o
judicia l. Em ca sos de procura çã o conjunta , só é ca ra cte riza da a inte rve nçã o do a dvoga do que ,
e fe tiva me nte , pra tica r a tos judicia is” (Consulta 136/97/OEP).

Nã o se e nte nde , e vide nte me nte , no se ntido de ca usa os re cursos de corre nte s e proce ssa dos
e m tribuna is loca liza dos fora do te rritório da se de principa l. A insta la çã o ou pa rticipa çã o e m
e scritório de a dvoca cia ou o vínculo pe rma ne nte a se tor jurídico de e mpre sa ou e ntida de pública
fa ze m pre sumir a ha bitua lida de da profissã o, de ixa ndo de se r e ve ntua l. O e xe rcício e ve ntua l nã o
ne ce ssita de se r comunica do à OAB, dispe nsa ndo-se a e xigê ncia que ha via no pa ssa do.

A ha bitua lida de , na forma a cima indica da , torna obriga tória a inscriçã o suplem entar e m ca da
Conse lho Se cciona l, e m cujo te rritório e la ocorra . Essa inscriçã o re ce be nume ra çã o distinta , e
pe rfa z-se junta ndo-se ce rtidã o inte gra l ou cópia s a ute ntica da s do proce sso de inscriçã o originá rio e
dos docume ntos ca da stra is subse que nte s, a lé m de prova de quita çã o e re gula rida de . Nã o há
ne ce ssida de de pre sta çã o de compromisso, porque e ste é uno e indivisíve l. De cidiu o Conse lho
Fe de ra l (Consulta 0001/2003/OEP) que é ina dmissíve l a inscriçã o suple me nta r ou tra nsfe rê ncia se o
inscrito pa ssa r a ocupa r ca rgo público que ge re incompa tibilida de com o e xe rcício da a dvoca cia .

Se o a dvoga do tra nsfe rir de fa to a se de principa l da a tivida de de a dvoca cia pa ra o te rritório


onde te nha ou nã o inscriçã o suple me nta r, de ve rá promove r a tra nsfe rê ncia da inscriçã o originá ria .
O de ve r de informa r a muda nça é de ve r é tico e le ga l, corre sponde nte do dire ito pe ssoa l de e scolha
da se de principa l. De a cordo com o Provime nto n. 148/2012, o Conse lho Se cciona l que a colhe r o
pe dido de tra nsfe rê ncia ma nte rá a da ta da inscriçã o originá ria .

O Conse lho que re ce be r o pe dido de inscriçã o suple me nta r ou por tra nsfe rê ncia nã o pode
ne ga r va lida de à inscriçã o originá ria , e m virtude do princípio da igua lda de fe de ra tiva dos Conse lhos
Se cciona is. No e nta nto, se ve rifica r a e xistê ncia de vício ou ile ga lida de na inscriçã o principa l, te m o
de ve r de contra e la re pre se nta r, pe ra nte o Conse lho Fe de ra l, que de cidirá sobre a va lida de da
inscriçã o, fica ndo suspe nsa a tra mita çã o do pe dido de tra nsfe rê ncia ou de inscriçã o suple me nta r.
Ne sse s ca sos, o ca nce la me nto da inscriçã o principa l é ine vitá ve l, qua ndo fica ca ra cte riza do o vício,
e m virtude de fa lta de cumprime nto de re quisito le ga l.

O CFOAB tinha , re ite ra da me nte , de cidido pe la pre sunçã o de vício qua ndo o a dvoga do
inscre via -se e m um Conse lho Se cciona l, a le ga ndo se de principa l de a dvoca cia , a pós se r re prova do
e m Exa me de Orde m e m se u loca l de orige m, re que re ndo e m se guida tra nsfe rê ncia pa ra se u re a l
domicílio. Com a unifica çã o do Exa me de Orde m e ssa orie nta çã o nã o fa z ma is se ntido, nã o se
a plica ndo, a e ssa hipóte se , o § 4º do a rt. 10 do Esta tuto.

Conside ra -se ile ga lida de a inobse rvâ ncia dos re quisitos contidos na le gisla çã o a plicá ve l,
e spe cia lme nte no Esta tuto, no Re gula me nto Ge ra l e nos Provime ntos; vício é a fra ude à le i ou à OAB
ou a má -fé . Os dois fa tore s pode m e sta r inte rliga dos, como no ca so da de cla ra çã o fa lsa de
ine xistê ncia de incompa tibilida de . Se a colhe r a re pre se nta çã o, o Conse lho Fe de ra l de te rmina rá o
ca nce la me nto da inscriçã o principa l, da ndo conhe cime nto a o Conse lho que re pre se ntou pa ra
a rquiva me nto do pe dido da nova inscriçã o. A re pre se nta çã o de ve se r proce ssa da no Conse lho
Fe de ra l, com a mpla ga ra ntia de de fe sa a o Conse lho que de fe riu a inscriçã o originá ria e a o
a dvoga do.

Os a sse nta me ntos de inscriçã o do a dvoga do e stã o pe rma ne nte me nte disponíve is pa ra re gistros
re le va nte s de sua vida profissiona l, a lé m da s sa nçõe s disciplina re s que tra nsita re m e m julga do. O
Re gula me nto Ge ra l a dmitiu que o a dvoga do possa re que re r o re gistro de fa tos re la ciona dos com sua
a tivida de a dvoca tícia , cultura l ou cie ntífica , a lé m dos se rviços pre sta dos à cla sse .

CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO

A Le i n. 8.906/94 re gula e m num erus clausus a s hipóte se s de ca nce la me nto da inscriçã o. Tra ta -se
e ste de a to de sconstitutivo, que a fe ta de finitiva me nte a e xistê ncia da inscriçã o. O e fe ito do
ca nce la me nto é ex tunc, e xce to na hipóte se de inscriçã o obtida com fa lsa prova , porque a na ture za
da de cisã o se ria de cla ra tória de ine xistê ncia . Compe te a o Conse lho Se cciona l de cidi-lo, porque
some nte e ste pode de fe rir a inscriçã o, sa lvo no ca so da pe na lida de de e xclusã o, porque é
de corrê ncia a utomá tica e o Conse lho já a pre cia ra a ma té ria . A sua de cisã o é impre scindíve l pa ra
re ssa lva s de dire itos, nã o pode ndo a dire toria substituí-lo.

Me smo qua ndo o e x-inscrito de se je e possa re torna r à a tivida de de a dvoca cia , ce ssa ndo o
óbice le ga l, sua inscriçã o a nte rior ja ma is se re sta ura , e m ne nhum de se us e fe itos. Inclusive no ca so
de e x-pre side nte de Conse lho, porque sua pre rroga tiva de me mbro na to de órgã o da OAB de pe nde
da re gula rida de da inscriçã o. De sa pa re ce ndo a inscriçã o, de sa pa re ce de finitiva me nte o vínculo com
o órgã o de cla sse , e m fa ce do ca rá te r de sconstitutivo do ca nce la me nto que a fe ta a e xistê ncia e nã o
a pe na s a e ficá cia da inscriçã o. Outra inscriçã o ha ve rá de se da r, comprova dos os me smos re quisitos
do a rt. 8º, e xce to qua nto à comprova çã o do diploma de gra dua çã o e m dire ito, re gula rida de e le itora l
e milita r, de ve ndo se u pe dido se r a prova do pe lo Conse lho Se cciona l e subme te r-se a novo
compromisso. É e ste o se ntido da e xplicita çã o do § 2º do a rt. 11. O núme ro de inscriçã o va go, por
ca nce la me nto, de ve se r pre se rva do como da do histórico da OAB, nã o pode ndo se r re a prove ita do,
inclusive me dia nte pe rmuta (Proc. 4.177/97/CP). O STJ de cidiu (REsp 475.616), no ca so de ma gistra do
a pose nta do, que “a imuta bilida de da inscriçã o some nte pode se r a sse gura da a que m nã o te ve a
inscriçã o ca nce la da , pois o ca nce la me nto implica a e limina çã o tota l do vínculo do profissiona l com
a instituiçã o corpora tiva ”.

A Re s. n. 02/94 e xce pcionou do Exa me de Orde m os ma gistra dos, os promotore s de justiça e os


inte gra nte s da s ca rre ira s jurídica s, qua ndo re que re re m nova inscriçã o como a dvoga do, ma s se rá
nova a inscriçã o, obte ndo-se novo núme ro de re gistro.

O proce sso de ca nce la me nto nã o é pre judica do pe la supe rve niê ncia da a pose nta doria do
ocupa nte de ca rgo incompa tíve l, porque te m na ture za de cla ra tiva de ine xistê ncia e e ficá cia ex tunc,
de sde a inve stidura , nã o pode ndo conva lida r a inscriçã o irre gula r (CFOAB, Proc. 4.783/95/PC).

O ca nce la me nto pode se r re que rido pe lo inscrito, inclusive de smotiva da me nte , se ndo de fe rido
incontine nti. O pe dido te m de se r pe ssoa l (porque pe rsona líssimo), nã o pode ndo vir me dia nte
procura dor. É de finitivo, nã o ha ve ndo possibilida de de a rre pe ndime nto.

A pe na lida de de e xclusã o a ca rre ta o ca nce la me nto a utomá tico e de ofício a pós o trâ nsito e m
julga do da de cisã o. Sã o dua s situa çõe s distinta s, o que be m de monstra que o ca nce la me nto nã o
de té m a na ture za de pe na , porque é conse quê ncia de sta . Contra ria ndo e sse e nte ndime nto, de cidiu
a Se gunda Câ ma ra do CFOAB que “a dvoga do conde na do pe la prá tica do crime pre visto no a rt. 312
c/c 71 e 288 do Código Pe na l Bra sile iro, ha ve ndo prova s e xube ra nte s de má conduta profissiona l com
a pe rda do re quisito de idone ida de mora l pre visto no a rt. 8º, inciso VI, da Le i n. 8.906, de 4-7-1994,
de ve te r a sua inscriçã o ca nce la da na forma do a rt. 11, inciso V, da me sma Le i” (Re curso
0305/2002/SCA).

Nã o é ca so de ca nce la me nto dire to, ma s de ocorrê ncia de infra çã o disciplina r ca pitula da no


inciso XXV do a rt. 37 da Le i n. 8.906/94, me dia nte proce dime nto disciplina r e a sse gura da a a mpla
de fe sa , pa ra , a pós o trâ nsito e m julga do da de cisã o, proce de r-se a o ca nce la me nto.

Ta mbé m se ca nce la a inscriçã o qua ndo ocorre r a te rce ira suspe nsã o, re la tiva a o nã o
pa ga me nto de a nuida de s distinta s (a rt. 22, pa rá gra fo único), a pós o trâ nsito e m julga do da s re fe rida s
sa nçõe s.
No ca so de fa le cime nto ou e xe rcício docume nta lme nte comprova do de a tivida de incompa tíve l,
se os suce ssore s ou o inscrito nã o toma re m a inicia tiva , se rá promovido o ca nce la me nto de ofício
pe lo Conse lho compe te nte , cuja de cisã o, me smo de ofício, como já disse mos, é impre scindíve l pa ra
re ssa lva de dire itos, nã o pode ndo a dire toria substituí-lo.

A última hipóte se é a da pe rda supe rve nie nte de qua lque r re quisito de inscriçã o (por e xe mplo,
pe rda da ca pa cida de civil ple na pe la inte rdiçã o de cre ta da e m juízo, ca nce la me nto do diploma de
gra dua çã o, inidone ida de ou conduta incompa tíve l).

A pe rda ou suspe nsã o dos dire itos políticos nã o ge ra o ca nce la me nto da inscriçã o, por força do
Provime nto n. 04/64. Contudo, se o fa to ca usa dor e nqua dra r-se no tipo infra ciona l de inidone ida de
mora l pa ra o e xe rcício da a dvoca cia (a rt. 34, XXVII, da Le i n. 8.906/94), pode rá e nse ja r a pe na lida de
de e xclusã o. Obse rve -se que a pe rda de ca rgo pa rla me nta r e m virtude de que bra de de coro nã o
constitui ne ce ssa ria me nte inidone ida de mora l pa ra fins de e xclusã o da OAB, pois de pe nde do gra u
de de svio da conduta e do q uantum de compone nte político do julga me nto.

O ca nce la me nto, sa lvo na hipóte se de re que rime nto voluntá rio do inscrito ou do pré vio
proce sso disciplina r, no ca so da e xclusã o, nã o pode se r de cidido de ofício; há de obse rva r o de vido
proce sso le ga l e o contra ditório, a té me smo qua ndo for indiscutíve l a hipóte se , a e xe mplo de
fa lsida de do diploma de gra dua çã o (ne sse se ntido, de cidiu o CFOAB, Re curso n. 3.995/90/PC). O
CFOAB te ve oportunida de de a pre cia r ca so de ca nce la me nto de inscriçã o por a to do Che fe de
Ga bine te da Pre sidê ncia do Conse lho Se cciona l, se m conhe cime nto de ste , te ndo conside ra do nulo o
proce sso de sde a orige m (Re c. 0180/2003/PCA). Ma s o ca nce la me nto da inscriçã o, por se r e sta a to
a dministra tivo cuja nulida de pode se r procla ma da a qua lque r te mpo, nã o é obsta do pe la pre scriçã o,
nã o se pode ndo cogita r de coisa julga da (CFOAB, Proc. 245/99/OEP). Comprova da fra ude da inscriçã o
principa l, a pós o ca nce la me nto, o fa to de ve se r de nuncia do a o Ministé rio Público Fe de ra l pa ra
a pura çã o do crime de fa lsida de ide ológica (CFOAB, Proc. n. 323/2001/OEP).

LICENCIAMENTO DO ADVOGADO

O a dvoga do pode rá , por a to voluntá rio, ou de ve rá lice ncia r-se da a tivida de profissiona l na s
hipóte se s pre vista s na le i. Enqua nto e stive r lice ncia do fica rá de sobriga do do pa ga me nto da s
a nuida de s, ma s, se gundo a Súmula 03/2012/COP do CFOAB, é obriga tória sua ma nife sta çã o e xpre ssa
de opçã o ne sse se ntido, pre sumindo-se , com a a usê ncia de re que rime nto corre sponde nte , que
pre te nde fa ze r jus a os be ne fícios proporciona dos pe la OAB, com a ma nute nçã o da obriga torie da de
do re spe ctivo re colhime nto.

O pe dido de lice ncia me nto de ve rá se r justifica do, a pre se nta ndo o a dvoga do motivo re le va nte
que o impe ça de e xe rce r a a dvoca cia dura nte o pe ríodo indica do. É justifica do o pe dido de
lice ncia me nto no ca so de a fa sta me nto te mporá rio do Bra sil, pa ra a compa nha r a fa mília (CFOAB,
Proc. 5.491/2000/PCA). Dificulda de s fina nce ira s tra nsitória s nã o constitue m re le vâ ncia . Ca be a o
Conse lho Se cciona l a pre cia r ca so a ca so, nã o pode ndo sua dire toria fa zê -lo.

A incompa tibilida de te mporá ria é hipóte se pre vista e m le i. Ca be a o inscrito comunicá -la ,
re que re ndo o lice ncia me nto. O pra zo pode rá se r inde te rmina do, porque os titula re s de sse s ca rgos
sã o se mpre e xone rá ve is ad nutum . A fa lta de comunica çã o voluntá ria e nse ja o lice ncia me nto de
ofício pe lo Conse lho Se cciona l, incorre ndo o inscrito e m infra çã o disciplina r, cujo proce sso se rá
ime dia ta me nte insta ura do. Os e fe itos do pe dido de lice ncia me nto come ça m a pa rtir da da ta e m que
protocoliza do (CFOAB, Re c. 112/2002/PCA).

De cidiu o Conse lho Fe de ra l que o lice ncia me nto, e m virtude de comprova do e xe rcício de ca rgo
ou funçã o incompa tíve l e pe rma ne nte com a a dvoca cia , é a to a dministra tivo se m na ture za
disciplina r, que de ve se r e dita do de ofício pe lo Conse lho Se cciona l da OAB, se m a udiê ncia do
inscrito, a te or do a rt. 12 da Le i n. 8.906/94 (Proc. 4.866/96/PC). O lice ncia me nto nã o é pe na ou
sa nçã o, ra zã o por que nã o é de a plica r o princípio do de vido proce sso le ga l. Essa orie nta çã o é a
me sma pa ra a hipóte se de incompa tibilida de te mporá ria (CFOAB, Re c. 0297/2002/PCA), por força do
a rt. 12, II, do Esta tuto.

A doe nça me nta l curá ve l é a te rce ira e última hipóte se de lice ncia me nto, que pe rdura rá a té que
o inte re ssa do a pre se nte la udo mé dico que de cla re sua re cupe ra çã o de finitiva . No ca so de
inte rmitê ncia de insa nida de me nta l, a doutrina te m e nte ndido que se e nqua dra na inca pa cida de
civil a bsoluta pre vista no Código Civil, se ndo ma is a de qua do o ca nce la me nto. Como o lice ncia me nto
inde pe nde da inte rdiçã o judicia l, pode rá se r promovido de ofício pe lo Conse lho Se cciona l, a pós
subme te r o inscrito a pe rícia mé dica , ou, e m ca so de re cusa de ste , com funda me nto e m prova s
irre futá ve is de sua insta bilida de me nta l.

O lice ncia me nto voluntá rio, e xce to pa ra e xe rcício te mporá rio de ca rgo incompa tíve l, nã o re tira
do a dvoga do sua s pre rroga tiva s profissiona is, e xce to a s que se vincula m a o e xe rcício da profissã o;
por e xe mplo, nã o dire ito a de sa gra vo. O a dvoga do lice ncia do continua se ndo a dvoga do. Se e xe rce r a
profissã o, suje ita r-se -á à s sa nçõe s disciplina re s, ma s nã o se conside ra rá e xe rcício ile ga l, pois se us
a tos nã o sã o nulos, uma ve z que nã o e stá suspe nso disciplina rme nte .

DOCUMENTO DE IDENTIDADE DO ADVOGADO

A compe tê ncia pa ra dispor sobre a ide ntifica çã o do a dvoga do ou do e sta giá rio é do CFOAB (a rt.
54, X, da Le i n. 8.906/94). Os mode los e re quisitos dos docume ntos (ca rte ira e ca rtã o) fora m de finidos
pe lo Re gula me nto Ge ra l (a rts. 32 a 36). O uso do ca rtã o dispe nsa o da ca rte ira . O CFOAB de cidiu
que , pa ra os fins da Le i 9.434/97, pode o a dvoga do re que re r que se ja fe ito o re gistro da s e xpre ssõe s
“doa dor de órgã os ou te cidos” e “nã o doa dor de órgã os e te cidos” na s pá gina s de stina da s a
a nota çõe s, na Ca rte ira de Ide ntida de do Advoga do, ou no e spa ço de stina do a “obse rva çõe s e
impe dime ntos”, no ve rso do Ca rtã o de Ide ntida de do Advoga do (Proc. 4.256/97/CP). Na Ca rte ira de
Ide ntida de nã o pode consta r a nota çã o de pe na lida de imposta a se u titula r, a inda que a pós o trâ nsito
e m julga do da de cisã o, pois ta l re gistro é fe ito no prontuá rio do a dvoga do e xiste nte nos a rquivos do
Conse lho Se cciona l (CFOAB, Proc. 119/96/OE).

O docume nto de ide ntida de e mitido pe la OAB te m va lida de na ciona l e produz e fe itos de
ide ntifica çã o pe ssoa l pa ra todos os fins le ga is e nã o a pe na s pa ra a a tivida de profissiona l. Em
virtude da difusã o do proce sso judicia l e le trônico, o Re gula me nto Ge ra l e sta be le ce u que o suporte
ma te ria l do ca rtã o de ide ntida de é re siste nte , de ve ndo conte r dispositivo pa ra a rma ze na me nto de
ce rtifica do digita l.

A Le i n. 8.906/94 obriga a os se us inscritos o uso pe rma ne nte da ide ntifica çã o profissiona l,


de ve ndo e sta se mpre se r a pre se nta da qua ndo a que le s e xe rce re m sua s a tivida de s.

Pa ra que possa produzir se us e fe itos, o docume nto de ide ntida de de pe nde da re gula rida de da
inscriçã o do a dvoga do na OAB. Ne sse se ntido, re sponde ndo a consulta , o Órgã o Espe cia l do CFOAB
e nunciou que (Eme nta n. 181/2013/OEP) o a dvoga do que nã o re a liza o re ca da stra me nto pe ra nte a
Orde m dos Advoga dos do Bra sil e stá impe dido de e xe rce r a a dvoca cia .

Ne nhum docume nto, pa pe l, corre spondê ncia , a ssina do pe lo a dvoga do e nqua nto ta l, pode se r
e nca minha do se m o núme ro de sua inscriçã o ou do re gistro da socie da de de a dvoga dos de que fa ça
pa rte . A fa lta constitui infra çã o disciplina r, puníve l com a sa nçã o de ce nsura (a rt. 36, III, da Le i n.
8.906/94).

A obriga torie da de do núme ro de inscriçã o e ste nde -se a os me ios de divulga çã o da a tivida de de
a dvoca cia , inclusive à s pla ca s indica tiva s do e scritório.
SOCIEDADE DE ADVOGADOS

CAPÍTULO IV

DA SOCIEDADE DE ADVOGADOS

Art. 15. Os advogados podem reunir-se em sociedade simples de prestação de serviço de


advocacia ou constituir sociedade unipessoal de advocacia, na forma disciplinada nesta lei e no
Regulamento Geral.

§ 1º A sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia adquirem personalidade


jurídica com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB em cuja
base territorial tiver sede.

§ 2º Aplica-se à sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia o Código de


Ética e Disciplina, no que couber.

§ 3º As procurações devem ser outorgadas individualmente aos advogados e indicar a sociedade


de que façam parte.

§ 4º Nenhum advogado pode integrar mais de uma sociedade de advogados, constituir mais de
uma sociedade unipessoal de advocacia, ou integrar, simultaneamente, uma sociedade de advogados
e uma sociedade unipessoal de advocacia, com sede ou filial na mesma área territorial do respectivo
Conselho Seccional.

§ 5º O ato de constituição de filial deve ser averbado no registro da sociedade e arquivado no


Conselho Seccional onde se instalar, ficando os sócios, inclusive o titular da sociedade unipessoal de
advocacia, obrigados à inscrição suplementar.

§ 6º Os advogados sócios de uma mesma sociedade profissional não podem representar em juízo
clientes de interesses opostos.

• Caput e §§ 1º, 2º, 4º e 5º com redação dada pela Lei n. 13.247/2016.

§ 7º A sociedade unipessoal de advocacia pode resultar da concentração por um advogado das


quotas de uma sociedade de advogados, independentemente das razões que motivaram tal
concentração.

• § 7º acrescentado pela Lei n. 13.247/2016.

Art. 16. Não são admitidas a registro, nem podem funcionar todas as espécies de sociedades de
advogados que apresentem forma ou características de sociedade empresária, que adotem
denominação de fantasia, que realizem atividades estranhas à advocacia, que incluam como sócio ou
titular de sociedade unipessoal de advocacia pessoa não inscrita como advogado ou totalmente
proibida de advogar.

• Art. 16 com redação dada pela Lei n. 13.247/2016.

§ 1º A razão social deve ter, obrigatoriamente, o nome de, pelo menos, um advogado
responsável pela sociedade, podendo permanecer o de sócio falecido, desde que prevista tal
possibilidade no ato constitutivo.

§ 2º O licenciamento do sócio para exercer atividade incompatível com a advocacia em caráter


temporário deve ser averbado no registro da sociedade, não alterando sua constituição.

§ 3º É proibido o registro, nos cartórios de registro civil de pessoas jurídicas e nas juntas
comerciais, de sociedade que inclua, entre outras finalidades, a atividade de advocacia.

§ 4º A denominação da sociedade unipessoal de advocacia deve ser obrigatoriamente formada


pelo nome do seu titular, completo ou parcial, com a expressão “Sociedade Individual de
Advocacia”.

• § 4º acrescentado pela Lei n. 13.247/2016.

Art. 17. Além da sociedade, o sócio e o titular da sociedade individual de advocacia respondem
subsidiária e ilimitadamente pelos danos causados aos clientes por ação ou omissão no exercício da
advocacia, sem prejuízo da responsabilidade disciplinar em que possam incorrer.

• Art. 17 com redação dada pela Lei n. 13.247/2016.

CO MENTÁRIO S

NATUREZA E CARACTERÍSTICAS DA SOCIEDADE DE ADVOGADOS

A Le i n. 8.906/94 ma nte ve a na ture za da socie da de de a dvoga dos como socie da de


e xclusiva me nte de pe ssoa s e de fina lida de s profissiona is. É uma socie da de profissiona l sui generis,
que nã o se confunde com a s socie da de s pre vista s no Código Civil. A Le i n. 13.247/2016, que
introduziu no siste ma da Le i n. 8.906/94 a socie da de individua l de a dvoca cia , modificou a e xpre ssã o
“socie da de civil” pa ra “socie da de simple s”, re la tiva me nte à socie da de cole tiva de a dvoga dos, ma s
nã o re me te u e sta a o re gime do dire ito de e mpre sa do Código Civil, incluindo sua e spé cie socie da de
simple s (a rts. 997 a 1.038). Assim é porque ta nto a socie da de (cole tiva ) de a dvoga dos qua nto a
socie da de individua l de a dvoga dos sã o e xclusiva me nte re gida s pe la Le i n. 8.906, cujo a rt. 15, na
re da çã o a tua l, e xplicita te xtua lme nte : “na forma disciplina da ne sta Le i e no re gula me nto ge ra l”.
Assim, os pre ce itos do Código Civil nã o sã o a plicá ve is, a inda que suple tiva me nte . Do me smo modo,
o a rt. 16 e sta be le ce que a mba s a s socie da de s de a dvoca cia nã o pode m a pre se nta r forma ou
ca ra cte rística s de socie da de e mpre sá ria .

Re je itou-se o mode lo e mpre sa ria l e xiste nte e m vá rios pa íse s, pa ra que nã o se de sfigura sse a
a tivida de de a dvoca cia , que no Bra sil é se rviço público, a inda que e m ministé rio priva do, inte gra nte
da a dministra çã o da justiça . O ca pita l e sse ncia l da s socie da de s de a dvoga dos é a produçã o
inte le ctua l dos a dvoga dos que a inte gra m e nã o a s coisa s ou va lore s fina nce iros.

A socie da de de a dvoga dos (cole tiva ou individua l) de se nvolve a tivida de -me io e nã o a tivida de -
fim da a dvoca cia . Em suma , é orga niza çã o de me ios comuns a os a dvoga dos que a constitue m. Por
e ssa ra zã o, de te rmina o Re gula me nto Ge ra l que a socie da de de a dvoga dos pode pra tica r qua lque r
a to indispe nsá ve l à s sua s fina lida de s, com uso da ra zã o socia l, que nã o se ja priva tivo de a dvoga do.

É e ntida de cole tiva de orga niza çã o, me ios e ra ciona liza çã o pa ra pe rmitir a a tivida de a ssocia tiva
de profissiona is, que distribue m e compa rtilha m ta re fa s, re ce ita s e de spe sa s, qua ndo a tinge m um
níve l de comple xida de que ultra pa ssa a a tua çã o individua l. Ou, como e sta be le ce o re gime nto
inte rno da Orde m dos Advoga dos de Pa ris, constitui “e strutura s de me ios” que tê m por fina lida de
e xclusiva “fa cilita r ou de se nvolve r a a tivida de profissiona l de se us me mbros”, te ndo um ca rá te r
a uxilia r e m ra zã o de ssa a tivida de .

Dife re nte me nte da s de ma is socie da de s de se rviços, a fina lida de da s socie da de s de a dvoga dos,
como le mbra m Ha ddock Lobo e Costa Ne to (1978, p. 168), é a de re gula r e disciplina r re la çõe s
re cíproca s e ntre a dvoga dos, no que pe rtine funda me nta lme nte à vida a dministra tiva e fina nce ira do
grupo, ou, como disse Orla ndo Gome s por e le s cita do, “a re mune ra çã o dos re sulta dos obtidos com
a re mune ra çã o do tra ba lho dos a dvoga dos e disciplina do e xpe die nte do e scritório”.

Ca ra cte rística ma rca nte de ssa s socie da de s é sua fina lida de e xclusiva . Se us fins únicos sã o a s
a tivida de s de a dvoca cia , nã o pode ndo incluir qua lque r outra a tivida de , lucra tiva ou nã o (e xe mplos:
a dministra çã o ou ve nda de imóve is, conta bilida de , consultoria e conômica ou fina nce ira , re ligiã o,
política ).

Por e ssa ra zã o pe culia r, ta is socie da de s nã o pode m a dota r qua lque r dos tipos de socie da de
simple s ou de socie da de e mpre sá ria pre vistos no Código Civil. Pe la s me sma s ra zõe s, nã o pode m
a dota r a forma de coope ra tiva , porque e sta , a inda que nã o te nha fina lida de lucra tiva , é e ntida de
e mpre sá ria .

Ape na s a dvoga dos re gula rme nte inscritos pode m inte gra r a socie da de . Ba cha ré is e m dire ito
nã o inscritos ou incompa tíve is, e sta giá rios e le igos e stã o e xcluídos. Qua nto a os e sta giá rios, sua
a ssocia çã o, a nte s pe rmitida , pa ssou a se r proibida com o a dve nto da Le i n. 8.906/94 (CFOAB, Proc.
2.066/2000/TCA).

Na me sma á re a te rritoria l do Conse lho Se cciona l nã o pode o a dvoga do inte gra r ma is de uma
socie da de . Da me sma forma , nã o pode constituir nova socie da de , e nqua nto nã o for dissolvida
re gula rme nte a prime ira , com o re spe ctivo ca nce la me nto do re gistro, pouco importa ndo que e ste ja
de fa to de sa tiva da , ou qua ndo de la de sliga r-se , a pós o re gistro da a lte ra çã o do contra to socia l no
Conse lho Se cciona l. A le i procura e vita r que a socie da de se ja instrume nta liza da pa ra fins dive rsos
do e xclusivo e xe rcício profissiona l. Essa re gra , que pre se rva a unicida de da se de principa l da
a dvoca cia , a lca nça ta mbé m o impe dime nto de a tivida de simultâ ne a e m socie da de de a dvoga dos e
e m e scritório de a dvoca cia , no me smo domicílio profissiona l. Nã o a lca nça , no e nta nto, o a dvoga do
e mpre ga do, porque nã o inte gra , como sócio, a socie da de . Nã o há impe dime nto le ga l ne m é tico,
toda via , a o a dvoga do sócio de e xe rce r, ta mbé m, a profissã o individua lme nte .

A le i bra sile ira optou por re je ita r o mode lo a nglo-a me rica no da s law firm s, que nã o se
distingue m da s de ma is e mpre sa s me rca ntis, pois de sta s a bsorve ra m a é tica dos ne gócios e dos
re sulta dos lucra tivos. De sde qua ndo a s socie da de s de a dvoga dos pa ssa ra m a a dota r o mode lo
e mpre sa ria l, cre sce u e ntre os jurista s a me rica nos a re a çã o a os se us ne fa stos de sdobra me ntos com
re la çã o à é tica profissiona l, pois a s law firm s “conve rte ra m-se virtua lme nte e m a ne xos de grupos
fina nce iros, e spe cula dore s e industria is; ta is e mpre sa s, que pa ssa ra m a domina r a profissã o, pouco
contribue m pa ra o pe nsa me nto e a filosofia da a tivida de a dvoca tícia e na da e m re la çã o a
re sponsa bilida de ou ide a lismo” (Ma rks, 1972, p. 37). Pe rma ne ce forte a re je içã o, e ntre os a dvoga dos
britâ nicos, a o Le ga l Act 2007, no ponto e m que a dmite que socie da de s de a dvoga dos possa m te r,
como titula re s ou controla dore s, e mpre sa s ou profissiona is nã o a dvoga dos.

Pouco importa o ta ma nho da socie da de de a dvoga do ou a comple xida de de sua orga niza çã o:
nã o se re ve stirá de qua lque r forma de socie da de e mpre sá ria . O mode lo bra sile iro de sconside ra o
“e le me nto de e mpre sa ”, ou se ja , uma orga niza çã o e stá ve l, dura doura , de fim e conômico e
de spe rsona liza da qua nto a o be m ofe rta do e m me rca dos.

Qua isque r conflitos re la tiva me nte à e xe cuçã o do contra to socia l da socie da de de ve m se r


dirimidos e m juízo, com ga ra ntia do contra ditório, nã o te ndo a OAB compe tê ncia pa ra ta l, sa lvo o da
re gula rida de do re gistro (a spe ctos forma is e e xtrínse cos). As que stõe s e conômica s, ou re la tiva s a
divisõe s dos re sulta dos e da s pe rda s, os dire itos de suce ssã o, inclusive por morte do sócio, a
dissoluçã o da socie da de e sca pa m à s a tribuiçõe s a dministra tiva s da OAB.

Modifica ndo de cisã o toma da e m 2005, de cidiu e m 2007 o Ple ná rio do CFOAB, na Proposiçã o
0012/2005/COP, e m e mba rgos de de cla ra çã o com e fe ito modifica tivo, que a s socie da de s de
a dvoga dos nã o e stã o ise nta s do pa ga me nto da s a nuida de s que se ja m fixa da s pe los Conse lhos
Se cciona is: “1) — Te ndo e m conta a na ture za distinta dos se rviços pre sta dos a os a dvoga dos e à s
socie da de s forma da s por e ste s, nã o há re pe tiçã o na cobra nça de a nuida de s distinta s; 2) — O a rt. 46
da Le i 8.906/94 pode se r inte rpre ta do de forma e xte nsiva , a lca nça ndo ta nto os a dvoga dos inscritos
qua nto a s socie da de s re gistra da s; 3) — Compe te a ca da Se cciona l imple me nta r, conforme sua
a ná lise de conve niê ncia e oportunida de , a cobra nça de a nuida de s da s socie da de s de a dvoga dos”.

CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE E SEU REGISTRO

O a to constitutivo pe rfa z-se me dia nte contra to socia l, que de ve conte r os se guinte s re quisitos:
de nomina çã o, fina lida de , se de , dura çã o, a dministra çã o, re pre se nta çã o (rectius pre se nta çã o) judicia l
e e xtra judicia l, va lor do ca pita l socia l e sua distribuiçã o e ntre os sócios, re sponsa bilida de solidá ria
e subsidiá ria dos sócios, e xtinçã o, qua lifica çã o dos funda dore s e da dire toria provisória . O
Provime nto n. 112/2006 e xige , a inda , que o a to constitutivo e spe cifique o crité rio de distribuiçã o dos
re sulta dos e dos pre juízos ve rifica dos nos pe ríodos que indica r e a forma de cá lculo e o modo de
pa ga me nto dos ha ve re s e de e ve ntua is honorá rios pe nde nte s, de vidos a o sócio fa le cido. Nã o pode
se r re gistra do a to constitutivo que suprima o dire ito de voto de qua lque r sócio, que de ve se r igua l,
inde pe nde nte me nte da quota de pa rticipa çã o, que pode se r dife re ncia da .

Publica do o a to constitutivo, se rá le va do a re gistro, pa ra que a dquira pe rsona lida de jurídica . O


órgã o re gistra l compe te nte é o Conse lho Se cciona l da OAB e ne nhum outro. É pre rroga tiva
insupe rá ve l da OAB, de rroga tória do dire ito re gistrá rio comum e da compe tê ncia do Re gistro Público
de Empre sa s Me rca ntis ou do Re gistro Civil da s Pe ssoa s Jurídica s. Esse s órgã os nã o pode m
proce de r a o re gistro da s socie da de s de a dvoga dos, se ndo nulo o que se e fe tiva r. Como se tra ta de
nulida de (tota l) e nã o de a nula bilida de , qua lque r pe ssoa ou a OAB pode suscitá -la .

A e xistê ncia da socie da de de a dvoga dos de pe nde da a prova çã o de se u a to constitutivo e do


re gistro, a mbos pe lo Conse lho Se cciona l. O re gistro se re a liza e m livro próprio da OAB, re ce be ndo
nume ra çã o suce ssiva . Qua lque r a lte ra çã o do a to constitutivo de ve rá se r a ve rba da no re spe ctivo
re gistro, a pós a prova çã o pe lo Conse lho Se cciona l. A constituiçã o de socie da de de a dvoga dos se m
re gistro no Conse lho Se cciona l importa infra çã o a o a rt. 34, II, da Le i n. 8.906/94, se ndo ca bíve l a pe na
de ce nsura a os a dvoga dos que a inte gre m.

A socie da de de a dvoga dos a pe na s pode conte r como fina lida de a a tivida de de a dvoca cia . Na da
ma is. Se rá ne ga do o re gistro qua ndo, se ndo pouco e xplícita s sua s fina lida de s, infira -se do a to
constitutivo ca ra cte rística e mpre sa ria l. Nã o sã o pe rmitida s a re gistro socie da de s de a dvoga dos que
re vista m forma s de socie da de s e mpre sá ria s ou de coope ra tiva s.

Como o re gistro é único — e no Conse lho Se cciona l compe te nte — e a a tivida de de a dvoca cia é
e xclusiva (nã o pode e sta r a ssocia da a qua lque r outra , re mune ra da ou nã o), o re gistro civil da s
pe ssoa s jurídica s e o re gistro público de e mpre sa s me rca ntis e stã o proibidos de proce de r a o
re gistro de qua lque r socie da de que inclua a a tivida de de a dvoca cia e ntre sua s fina lida de s, me smo
que e sta se ja se cundá ria ou re sidua l. O a ntigo Tribuna l Fe de ra l de Re cursos, a o ca ra cte riza r a OAB
como órgã o de stina do a o re gistro pe culia r da s socie da de s de a dvoga dos, de cidiu que “o re gistro de
Socie da de de Advoga dos no Ca da stro Ge ra l de Contribuinte s inde pe nde de inscriçã o no Re gistro
Civil de Pe ssoa s Jurídica s” (REO 90.337).

O a dve nto do Código Civil de 2002 nã o a lte rou a compe tê ncia e xclusiva da OAB pa ra re gistro
da s socie da de s de a dvoga dos, porque o Esta tuto é le i e spe cia l que pre va le ce sobre le i ge ra l. Assim,
nã o se a plica m à s socie da de s de a dvoga dos a s re gra s do Código Civil a ce rca da s socie da de s
simple s.

Ante o a lca nce e spe cífico do re gistro da s socie da de s de a dvoga dos, nã o pode se r a ve rba da a
qua lida de de microe mpre sa , pa ra os fins da Le i n. 9.841/99, pois configura ria o inde vido
re conhe cime nto da na ture za e mpre sa ria l. Ne ssa dire çã o, de cidiu o Órgã o Espe cia l do CFOAB
(Consulta n. 0017/2002/OEP-BA).

Nã o é a dmissíve l o re gistro de socie da de de a dvoga dos que a pre se nte como sócios a dvoga dos
que nã o se ja m re gula rme nte inscritos, se ndo ta mbé m ve da dos os e sta giá rios. O e stá gio te m
disciplina própria , nã o conte mpla ndo a pa rticipa çã o e m socie da de s de a dvoga dos.

Na forma do Provime nto n. 159/2013, os re que rime ntos de re gistro se rã o instruídos com a s
ce rtidõe s de quita çã o da s obriga çõe s le ga is junto à OAB, fica ndo dispe nsa dos de comprova çã o da
quita çã o de tributos e contribuiçõe s socia is fe de ra is.

A Eme nda Constituciona l n. 45/2004 instituiu a qua re nte na de trê s a nos a o ma gistra do que se
a pose nta r ou se e xone ra r, o qua l fica impe dido de a dvoga r pe ra nte o juízo ou tribuna l do qua l se
a fa stou. A qua re nte na conta mina a socie da de de a dvoga dos à qua l se inte gra r como sócio? Pe la
conta mina çã o e nte nde u o CFOAB (Eme nta n. 018/2013/COP). Pa re ce -nos, toda via , que re striçã o de
dire ito nã o pode se r e ste ndida a te rce iro, a lé m do que a socie da de de a dvoga dos a pe na s e xe rce
a tivida de de me ios.

DENOMINAÇÃO DA SOCIEDADE

Nã o há libe rda de na composiçã o do nome da socie da de de a dvoga dos. O nome de ve e xpre ssa r
com cla re za sua fina lida de , nã o se ndo a dmitidos nome de fa nta sia , símbolos ou a cré scimos comuns
na s a tivida de s me rca ntis. A de nomina çã o da socie da de (dita “ra zã o socia l”) de ve se r constituída
pe lo nome comple to, ou sobre nome , dos sócios, ou pe lo me nos de um de le s, re sponsá ve is pe la
a dministra çã o. O Provime nto n. 112/2006 a dmite que se utilize o símbolo “&”, ma s o Provime nto n.
147/2012 e sta be le ce u, e xpre ssa me nte , que da ra zã o socia l nã o pode rá consta r sigla ou e xpre ssã o de
fa nta sia ou da s ca ra cte rística s me rca ntis, de ve ndo vir a compa nha da de e xpre ssã o que indique
tra ta r-se de Socie da de de Advoga dos, ve da da re fe rê ncia a “Socie da de Civil” ou “S.C.”

Ne m me smo o nome de gra nde lumina r do dire ito pode compor a de nomina çã o, como, por
e xe mplo, “Escritório Jurídico Te ixe ira de Fre ita s”, e isso porque o Esta tuto e xige , com ra zã o, que a
de nomina çã o te nha , obriga toria me nte e a o me nos, o nome de um a dvoga do re sponsá ve l pe la
socie da de .

O nome pode a pe na s se r composto da se guinte forma :

a ) nome s de todos os a dvoga dos sócios, a nte ce didos ou a cre scidos da qua lifica çã o socia l
inconfundíve l: “socie da de de a dvoga dos”, “a dvoca cia ”, “a dvoga dos a ssocia dos”, “e scritório de
a dvoca cia ” e tc.;

b) nome comple to ou sobre nome de um a dvoga do sócio (ou ma is de um) e ma is a qua lifica çã o
re fe rida na a líne a a).

Ente nde -se por nome do a dvoga do se u nome comple to (pre nome e sobre nome ), se u nome
re sumido ou a pe na s se u sobre nome . O CFOAB, a nte s da Le i n. 8.906/94, já de cidira que a socie da de
de a dvoga dos podia se r ide ntifica da ou pe lo nome comple to de um de se us a dvoga dos ou pe lo
sobre nome , pe lo me nos, de qua lque r de le s (Re c. 1.519/TC/90). Re a firma ndo e ssa orie nta çã o, e a pós
o a tua l Esta tuto, a Te rce ira Câ ma ra do CFOAB de cidiu que a ra zã o socia l pode se r composta com o
nome a bre via do dos sócios, com pre nome s, com sobre nome s ou com a pe na s o nome de um de le s
(Proc. 2.016/99/TCA). É ve da da a utiliza çã o do título de “profe ssor ” ou de “doutor ”, porque nã o
inte gra m o nome do a dvoga do. O Re gula me nto Ge ra l a dmite que pe rma ne ça o nome do sócio
fa le cido se e ssa possibilida de tive r sido pre vista no a to constitutivo da socie da de ou de sua
modifica çã o.

Ta mbé m nã o se a lte ra o nome da socie da de se o sócio pa ssa r a e xe rce r a tivida de incompa tíve l
te mporá ria . Ba sta rá a pe na s a nota çã o no re gistro da socie da de . O e xe rcício de a tivida de
incompa tíve l pe rma ne nte (e xe mplo, ma gistra tura ) importa rá a ne ce ssá ria modifica çã o nã o só do
nome , ma s da composiçã o socie tá ria .

Me smo nos Esta dos Unidos, que a dmite m o mode lo e mpre sa ria l de socie da de de a dvoga dos,
há forte re come nda çã o do Código de Re sponsa bilida de Profissiona l da Am erican Bar Association (EC
2-11) no se ntido da utiliza çã o dos nome s dos a dvoga dos a ssocia dos, porque o uso de nome
come rcia l “pode de sorie nta r os le igos a ce rca da ide ntida de , re sponsa bilida de e status dos
a dvoga dos que a inte gra m”.

Filial
A Le i n. 8.906/94 pe rmite que a s socie da de s de a dvoga do crie m filia is, a s qua is, no e nta nto, só
pode m se r insta la da s na á re a te rritoria l de outro Conse lho Se cciona l, de cujos limite s nã o pode m
ultra pa ssa r.

A filia l nã o te m pe rsona lida de jurídica própria ; é pa rte a utônoma de uma me sma pe ssoa
jurídica . Nã o pode te r sócios ou de nomina çã o distintos de sta .

Se u a to de constituiçã o, inclusive pa ra fina lida de s tributá ria s, é forma liza do por docume nto
e mitido pe la socie da de de a dvoga dos, que de ve conte r o re sumo dos e le me ntos ne ce ssá rios do
contra to socia l e de se u re gistro, a que se re porta , a forma de sua ge stã o, o pra zo de sua e xistê ncia
(de te rmina do ou inde te rmina do) e a sua á re a te rritoria l de a tua çã o. O a to é a ve rba do no re gistro da
socie da de e é a rquiva do no Conse lho Se cciona l de sua a tua çã o, me dia nte re que rime nto, o qua l
de ve se r a compa nha do de ce rtidã o do re gistro e de re gula rida de forne cida pe lo Conse lho onde
e ste ja re gistra da a socie da de . Ta mbé m se e xige o re gistro do contra to socia l da socie da de pe ra nte o
Conse lho Se cciona l e m cujo te rritório funciona r a filia l (Provime nto n. 126/2008). Esse re gistro te m
e fe itos me ra me nte de cla ra tórios, pa ra fins de fa cilita r a fisca liza çã o por pa rte do Conse lho Se cciona l
de a colhime nto.

Todos os sócios da socie da de de ve rã o re que re r, simulta ne a me nte , sua s inscriçõe s


suple me nta re s, de cujo de fe rime nto de pe nde a filia l pa ra inicia r sua s a tivida de s.

RELAÇÃO DA SOCIEDADE COM SEUS SÓCIOS. RESPONSABILIDADES

Ao contrá rio da socie da de intuitu pecuniae, na de a dvoga dos só qua ntita tiva me nte se a dmite m
dife re nça s e ntre os sócios, uma ve z que o qua lifica tivo é idê ntico. As pre te nsõe s de se us sócios nã o
sã o e m dinhe iro, ma s na e spe cifica çã o dos se rviços de ca da um (Sodré , 1975:35).

Por e ssa ra zã o, a socie da de ja ma is substitui os a dvoga dos na a tivida de priva tiva de a dvoca cia .
Esta some nte pode se r de se nvolvida dire ta me nte pe lo a dvoga do sócio ou e mpre ga do.

O CPC/2015 confe riu e spe cia l re le vo à s socie da de s de a dvoga dos, que pa ssa ra m a te r
le gitimida de conjunta com os a dvoga dos que de le pa rticipe m, pa ra se r indica da s na pe tiçã o inicia l
(a rt. 105), re ce be r intima çõe s judicia is (a rt. 106), re ce be r outorga e m procura çã o (a rt. 105), re ce be r o
pa ga me nto dos honorá rios (a rt. 85), cre de ncia r pre posto pa ra re tira da dos a utos (a rt. 272).
Contra ria ndo o e nte ndime nto é tico-jurídico a nte rior funda do no Esta tuto, inclusive dos tribuna is
supe riore s, o CPC/2015 e sta be le ce u e m norma coge nte que a s procura çõe s de ve m conte r ta mbé m o
nome e o núme ro de re gistro na OAB da socie da de de a dvoga dos.

A socie da de de a dvoga dos te m le gitimida de a tiva pa ra e xe cuta r, e m se u nome , a ve rba


honorá ria conce dida e m proce sso pa ra o qua l foi outorga do ma nda to a um dos se us sócios,
conforme de cidiu a Te rce ira Turma do STJ (REsp 651.157). A me sma Turma e m outro julga do de 2005
(REsp 566.190) e nte nde u que a ve rba honorá ria , a inda que cobra da pe la socie da de de a dvoga dos,
te m na ture za a lime nta r, pa ra fins de cré dito privile gia do e m a çã o de fa lê ncia , e m virtude da
confusã o de pa trimônio e ntre os a dvoga dos sócios e a socie da de de a dvoga dos. Igua lme nte , a
Qua rta Turma do STJ, e m julga do de 2007 (REsp 293.552), de cidiu que os honorá rios contra ta dos com
socie da de de a dvoga dos tê m ca rá te r a lime nta r, pois “os honorá rios a dvoca tícios,
inde pe nde nte me nte de que m os re ce ba , constitue m re mune ra çã o pe lo se rviço de a ssistê ncia
jurídica pre sta da a o clie nte ”, e porque a s socie da de s de a dvoga dos e stã o suje ita s a os princípios
é ticos e disciplina re s. Essa orie nta çã o pre va le ce u no CPC/2015 (a rt. 85, § 15), o qua l ta mbé m a dmite
que o a dvoga do possa re que re r que o pa ga me nto dos honorá rios se ja e fe tua do e m fa vor da
socie da de de a dvoga dos que inte gra na condiçã o de sócio. Essa re gra le ga l a bra nge ta nto os
honorá rios conve nciona dos qua nto os honorá rios de sucumbê ncia .

A re sponsa bilida de civil dos sócios pe los da nos que a socie da de cole tiva me nte , ou ca da sócio
ou a dvoga do e mpre ga do individua lme nte , ca usa r, por a çã o ou omissã o no e xe rcício da a dvoca cia , é
solidá ria , subsidiá ria e ilimita da , inde pe nde nte me nte do ca pita l individua l inte gra liza do. Os be ns
individua is de ca da sócio re sponde m pe la tota lida de de ssa s obriga çõe s. É nula a clá usula do
contra to socia l que e sta be le ce r qua lque r tipo de limita çã o à re sponsa bilida de dos sócios pa ra ta l
fim. Por e ssa ra zã o, de te rmina o Provime nto n. 147/2012 que o contra to socia l de ve conte r clá usula
com a pre visã o e xpre ssa de que , a lé m da socie da de , o sócio ou a ssocia do re sponde rá subsidiá ria e
ilimita da me nte pe los da nos ca usa dos a os clie nte s, por a çã o ou omissã o, no e xe rcício da a dvoca cia

A re sponsa bilida de civil inde pe nde da re sponsa bilida de disciplina r, a cuja conse quê ncia
suje ita r-se o sócio pe lo me smo fa to. Sobre a na ture za e a lca nce da re sponsa bilida de civil do
a dvoga do re me te mos o le itor a os come ntá rios a o a rt. 32.

O me smo a dvoga do nã o pode inte gra r ma is de uma socie da de de a dvoga dos no â mbito de
jurisdiçã o do me smo Conse lho Se cciona l.

ASPECTOS ÉTICO-DISCIPLINARES

A socie da de de a dvoga dos é punida na s pe ssoa s de todos os se us sócios. É e ste o se ntido da


norma que ma nda a e la a plica r o Código de Ética e Disciplina . Como a pe ssoa jurídica nã o pode
come te r infra çã o é tico-disciplina r, e sta é tida como pra tica da pe lo a dvoga do re sponsá ve l pe la
socie da de , que , qua ndo me nos, re sponde pe lo fa to de nã o te r ze la do pa ra que a socie da de nã o se
tra nsvia sse dos de ve re s mora is (Sodré , 1975:14).

Ma s nã o é só com re la çã o à publicida de que se a plica m a s norma s de ontológica s, porque o


Esta tuto é a bra nge nte e nã o re produziu se me lha nte re striçã o contida na Le i n. 4.215/63.
Há forte inspira çã o é tica na de te rmina çã o le ga l de impe dime nto à re pre se nta çã o profissiona l
de clie nte s de inte re sse s e ntre si opostos. A re gra , por sua e tiologia , ta mbé m a bra nge os a dvoga dos
e mpre ga dos da socie da de . Esse de ve r é tico e ncontra -se pre se nte nos ma is importa nte s códigos
de ontológicos. O a rt. 12 do Código Inte rna ciona l de De ontologia Fore nse da International Bar
Association e sta be le ce que os me mbros da socie da de de a dvoga dos nunca de ve m re pre se nta r
inte re sse s opostos.

O CFOAB já de cidiu (Proc. CP 2.339/80) que a s socie da de s de a dvoga do nã o pode m te r como


obje to socia l o e xe rcício do lobby ing, pode ndo, e ntre ta nto, pre sta r se rviços jurídicos pa ra e sse fim. E,
a inda (ibid em ), que nã o e xtra va sa dos limite s do me ro e xe rcício profissiona l a pre sta çã o de se rviços
de lobby ing qua ndo liga da à a tivida de e spe cífica do a dvoga do e re spe ita dos os princípios le ga is e
é ticos a plicá ve is e m ca da ca so.

PLANOS DE ASSISTÊNCIA JURÍDICA

Conce bida como orga niza çã o de me ios, a socie da de de a dvoga dos nã o pode re a liza r a s
a tivida de s priva tiva s de a dvoga do. Assim, nã o pode ofe re ce r se rviços de consultoria a o público por
me ios de comunica çã o como te le fonia e Inte rne t. Se profissiona is ou socie da de s nã o re gistra da s na
OAB o fize re m, e sta rã o incorre ndo e m e xe rcício ile ga l da profissã o. Ne sse se ntido, de cidiu o CFOAB,
re sponde ndo à consulta re la tiva me nte a se rviços de consultoria jurídica por te le fone “disk-dire ito”
(Consulta n. 147/97/OEP).

Pode m, poré m, a s socie da de s de a dvoga do ofe re ce r se rviços de a dvoca cia consultiva ou


conte nciosa , e m forma de pla nos de a ssistê ncia jurídica , de sde que utilize m publicida de nã o
me rca ntil, de ntro dos limite s do Esta tuto e do Código de Ética e Disciplina . Ta is pla nos nã o pode m
se r pre sta dos por e mpre sa s e e ntida de s, me smo com a uxílio de a dvoga dos. As e mpre sa s que o
fize re m de ve m se r notifica da s pe lo Conse lho Se cciona l, sob pe na de re sponsa bilida de crimina l dos
re sponsá ve is por e xe rcício ile ga l da profissã o e insta ura çã o de proce sso é tico-disciplina r contra os
a dvoga dos que a tua re m profissiona lme nte e m ta is pla nos.

ADVOGADO ASSOCIADO

O Re gula me nto Ge ra l (a rt. 39) introduziu a disciplina de um tipo inte rme diá rio e ntre o sócio da
socie da de e o a dvoga do e mpre ga do. É o a dvoga do a ssocia do, muito comum nos costume s dos
e scritórios de a dvoca cia bra sile iros.

O a dvoga do a ssocia do nã o e sta be le ce qua lque r vínculo de subordina çã o ou de re la çã o de


e mpre go com a socie da de ou com os sócios de la . Associa -se e m ca usa s de pa trocínio comum,
a tua ndo e m pa rce ria e a ufe rindo o pe rce ntua l a justa do nos re sulta dos ou honorá rios pe rce bidos.
Pode utiliza r a s insta la çõe s da socie da de , ma s nã o a ssume qua lque r re sponsa bilida de socia l.

O Re gula me nto Ge ra l impôs a re gula riza çã o de ssa s situa çõe s me dia nte contra tos que
e spe cifique m ta l fina lida de , de ve ndo se r e ste s a ve rba dos no re gistro da socie da de de a dvoga dos.
Essa providê ncia pre ssupõe que ha ja ce rta continuida de dos se rviços, nã o pode ndo a bra nge r a
a ssocia çã o e pisódica , por e xe mplo, e m a pe na s uma ca usa . Por sua ve z, o Provime nto n. 112/2006
e sta be le ce que os “contra tos de a ssocia çã o” com a dvoga dos se m vínculo e mpre ga tício de ve m se r
a pre se nta dos a o Conse lho Se cciona l pa ra a ve rba çã o no re gistro da socie da de de a dvoga dos, e m
trê s via s.

O a dvoga do a ssocia do é , porta nto, um tipo le ga l distinto de outros tipos pre vistos na Le i n.
8.906/94, a sa be r, o a dvoga do individua l, o a dvoga do e mpre ga do, o a dvoga do sócio de socie da de de
a dvoga dos e o a dvoga do público. Distingue -se dos de ma is tipos pe la singula rida de de vincula r-se a
ca usa s ou tra ba lhos profissiona is e xtra judicia is de te rmina dos. Nã o ge ra vínculo de e mpre go com a
socie da de de a dvoga dos porque nã o há qua lque r re la çã o de de pe ndê ncia ou subordina çã o jurídica
ou hie rá rquica . Ta mpouco se confunde com a figura do sócio.

O e ve ntua l impe dime nto do a dvoga do a ssocia do, e xa ta me nte por nã o inte gra r dire ta ou
indire ta me nte a socie da de de a dvoga dos, a e sta nã o conta mina .

SOCIEDADE INDIVIDUAL OU UNIPESSOAL DE ADVOCACIA

Dura nte muito te mpo, o dire ito bra sile iro re lutou e m a dmitir a pe ssoa jurídica unipe ssoa l, e m
ra zã o da dificulda de da se pa ra çã o pa trimonia l e da re sponsa bilida de pe la s obriga çõe s da me sma
pe ssoa física . A e mpre sa individua l e ra e é e quipa ra da à pe ssoa jurídica , pa ra de te rmina dos fins
(inclusive tributá rios), ma s nã o constituindo, poré m, e spé cie de pe ssoa jurídica , como a ssim se
ma nté m no Código Civil de 2002 (a rts. 966 e s.), o qua l dispõe que se o e mpre sá rio individua l a dmitir
sócios te rá de solicita r a tra nsforma çã o de se u re gistro e m socie da de e mpre sá ria . Ape na s e m 2011,
com a Le i n. 12.441, o Código Civil incorporou a de nomina da “e mpre sa individua l de
re sponsa bilida de limita da ” (EIRELI), constituída de uma única pe ssoa titula r da tota lida de do ca pita l
socia l. Toda via , da da a sua na ture za e mpre sa ria l, nã o se pre stou a re solve r idê ntica de ma nda dos
a dvoga dos, de sponta ndo o me smo obstá culo já ha vido com a e mpre sa individua l.

A Le i n. 13.247/2016 foi a lé m e a dmitiu a constituiçã o de socie da de individua l de a dvoca cia , cujo


titula r é um a dvoga do inscrito na OAB, de te ntor da tota lida de do ca pita l socia l. Pa re ce e stra nho que
ha ja socie da de de a pe na s um sócio. Ma s e ssa e ra uma te ndê ncia obse rva da na e voluçã o do dire ito
bra sile iro, que já a tinha a dmitido e m situa çõe s te mporá ria s, e m virtude do de sa pa re cime nto, da
sa ída ou e xclusã o de sócio, fica ndo a pe na s um re ma ne sce nte .
A socie da de individua l de a dvoca cia é , pois, e spé cie do gê ne ro socie da de de a dvoca cia , ou de
pre sta çã o de se rviços de a dvoca cia . Assim há dua s e spé cie s de ssa pe culia r socie da de : a socie da de
cole tiva de a dvoca cia e a socie da de unila te ra l ou unipe ssoa l de a dvoca cia .

Os dire itos e de ve re s de a mba s sã o igua is, gua rda da s sua s e spe cificida de s. As re gra s le ga is
sobre a na ture za de pre sta çã o de se rviços e xclusivos de a dvoca cia , o e xe rcício dos a tos priva tivos
de a dvoga do, a s limita çõe s como socie da de de me ios, o re gistro no Conse lho Se cciona l do loca l de
sua se de , a a be rtura de filia l, a re sponsa bilida de solidá ria e subsidiá ria da pe ssoa física do
a dvoga do titula r, a submissã o à s re gra s de ontológica s do Código de Ética e Disciplina , o pa ga me nto
de a nuida de , a e ve ntua l pa rticipa çã o de a dvoga do a ssocia do sã o a s me sma s pa ra a s dua s e spé cie s
de socie da de s de a dvoca cia . Pode ha ve r a cordos de a ssocia çã o de a tivida de s e ntre a socie da de
individua l e outra socie da de congê ne re ou cole tiva de a dvoca cia , ma s se m pode r de controle de
uma sobre outra .

A a lusã o que a Le i n. 13.247/2016 fa z à “socie da de unipe ssoa l de a dvoca cia ” diz re spe ito à sua
qua lifica çã o e e spe cificida de , ou se ja , de socie da de a pe na s constituída de um sócio. Contudo, a
de nomina çã o a se r utiliza da , obriga toria me nte , é a de “socie da de individua l de a dvoca cia ”, que
se guirá a o nome do titula r. Esse nome pode se r o me smo da pe ssoa física do a dvoga do, ou de sua
a bre via çã o, ou re duçã o.

Pa ra fins de inscriçã o na OAB, se gundo o Provime nto n. 170/2016, o a to constitutivo de ve conte r:


a ) a ra zã o socia l forma da pe lo nome do titula r, comple to ou pa rcia l, se guido da e xpre ssã o
“socie da de individua l de a dvoca cia ”, ve da ndo-se sigla s ou nome s de fa nta sia ; b) o obje to socia l,
indica ndo a pe na s a pre sta çã o de se rviços de a dvoca cia e , opciona lme nte , o ra mo do dire ito; c) o
va lor do ca pita l socia l; d) a de cla ra çã o da re sponsa bilida de subsidiá ria e ilimita da do titula r pe los
da nos que ca usa r a os clie nte s.

A procura çã o de ve se r outorga da a o a dvoga do e nã o à pe ssoa jurídica a ssim composta , pois a


funçã o de sta é prove r-lhe os me ios pa ra o e xe rcício e a orga niza çã o de sua a tivida de profissiona l,
e m fa ce de te rce iros, incluindo o fisco e os e mpre ga dos.

O titula r da socie da de individua l de a dvoca cia nã o pode constituir outra socie da de congê ne re ,
ne m pa rticipa r como sócio de socie da de cole tiva de a dvoca cia . Ta l e xe rcício simultâ ne o fra uda a
fina lida de da le i. Ta mpouco pode a brir filia l na me sma ba se te rritoria l do re spe ctivo Conse lho
Se cciona l.

Pode o titula r, no e nta nto, va le r-se do instituto da conce ntra çã o, qua ndo toda s a s quota s da
socie da de cole tiva de a dvoga dos fore m conce ntra da s e m se u domínio, por qua isque r me ios de
a quisiçã o, conve rte ndo a socie da de cole tiva de a dvoca cia e m socie da de individua l de a dvoca cia ,
me dia nte re que rime nto a o Conse lho Se ciona l compe te nte . A conve rsã o implica a constituiçã o de
nova pe ssoa jurídica , suce ssora da a nte rior.

A le i institui uma fa culda de . Se o a dvoga do nã o quise r constituir socie da de individua l,


continua rá e xe rce ndo sua profissã o e m ca rá te r pe ssoa l, continua ndo uma longa tra diçã o de sua
a tivida de .

Extingue -se a socie da de individua l de a dvoca cia pe lo fa le cime nto do titula r, ou por sua e xclusã o
dos qua dros da OAB, ou se pa ssa r a e xe rce r ca rgo ou funçã o conside ra dos incompa tíve is com o
e xe rcício da a dvoca cia .
ADVOGADO EMPREGADO

CAPÍTULO V

DO ADVOGADO EMPREGADO

Art. 18. A relação de emprego, na qualidade de advogado, não retira a isenção técnica nem
reduz a independência profissional inerentes à advocacia.

Parágrafo único. O advogado empregado não está obrigado à prestação de serviços


profissionais de interesse pes​soal dos empregadores, fora da relação de emprego.

Art. 19. O salário mínimo profissional do advogado será fixado em sentença normativa, salvo se
ajustado em acordo ou convenção coletiva de trabalho.

Art. 20. A jornada de trabalho do advogado empregado, no exercício da profissão, não poderá
exceder a duração diária de quatro horas contínuas e a de vinte horas semanais, salvo acordo ou
convenção coletiva ou em caso de dedicação exclusiva.

§ 1º Para efeitos deste artigo, considera-se como período de trabalho o tempo em que o
advogado estiver à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, no seu escritório
ou em atividades externas, sendo-lhe reembolsadas as despesas feitas com transporte, hospedagem e
alimentação.

§ 2º As horas trabalhadas que excederem a jornada normal são remuneradas por um adicional
não inferior a cem por cento sobre o valor da hora normal, mesmo havendo contrato escrito.

§ 3º As horas trabalhadas no período das vinte horas de um dia até as cinco horas do dia
seguinte são remuneradas como noturnas, acrescidas do adicional de vinte e cinco por cento.

Art. 21. Nas causas em que for parte o empregador, ou pessoa por este representada, os
honorários de sucumbência são devidos aos advogados empregados.

Parágrafo único. Os honorários de sucumbência, percebidos por advogado empregado de


sociedade de advogados, são partilhados entre ele e a empregadora, na forma estabelecida em
acordo.

(Obs.: O STF, na ADIn 1.194-4, de u inte rpre ta çã o conforme a o a rt. 21 e se u pa rá gra fo único se m
re duçã o do te xto.)

CO MENTÁRIO S
ADVOGADO EMPREGADO. INDEPENDÊNCIA PROFISSIONAL

O Esta tuto de dica um ca pítulo e spe cífico a o a dvoga do e mpre ga do, ou se ja , a o profissiona l
a ssa la ria do. É o re conhe cime nto le ga l a um fe nôme no que se tornou pre domina nte na a dvoca cia
bra sile ira . O a nte rior Esta tuto toma va como pa ra digma o a dvoga do libe ra l, que nã o se subordina va ,
por la ços de e mpre go, a se us clie nte s. Em a lguma s le gisla çõe s e stra nge ira s, a a dvoca cia é
incompa tíve l com a re la çã o de e mpre go. Na Uniã o Europe ia , o a dvoga do e mpre ga do pa ssou a se r
a dmitido e m todos os Esta dos-me mbros (Dire tiva n. 98/5/CE). No Bra sil, é gra nde o núme ro de
profissiona is que se subordina m a a lgum vínculo e mpre ga tício, nã o pode ndo e sse e norme
continge nte fica r à ma rge m da tute la le ga l.

A le gisla çã o tra ba lhista comum é suple tiva da Le i n. 8.906/94, porque e sta é le i e spe cia l que
de rroga ne ce ssa ria me nte a le i ge ra l.

A re la çã o de e mpre go configura -se com os me smos pre ssupostos do dire ito tra ba lhista comum.
Ne la nã o se inclue m os contra tos de pre sta çã o de se rviços a dvoca tícios e spe cíficos, que nã o
ultra pa sse m o pra zo de qua tro a nos de a cordo com a le gisla çã o civil. Na dúvida pre va le ce a
le gisla çã o tra ba lhista , a té porque o tra ba lho do a dvoga do inde pe nde da pre se nça física no loca l da
e mpre sa .

A cha ma da ad vocacia d e partid o típica nã o se inclui na re la çã o de e mpre go, e m princípio, por nã o


configura r tra ba lho subordina do. Ente nde -se como ta l a re mune ra çã o pre de te rmina da e pe riódica ,
inde pe nde nte me nte do monta nte de se rviços profissiona is pre sta dos pe lo a dvoga do no re spe ctivo
pe ríodo. A re mune ra çã o é ta mbé m de vida qua ndo ne nhum se rviço te nha sido e xe cuta do. Sa lvo a
re mune ra çã o, ne nhum outro pre ssuposto da re la çã o de e mpre go se a pre se nta . Da me sma forma
que a pre sta çã o de se rviços, a a dvoca cia de pa rtido pode conve rte r-se e m re la çã o de e mpre go,
ba sta ndo pa ra isso que se re a lize m os e le me ntos nucle a re s de se u suporte fá tico, que o dire ito
pre vê .

Ente nde -se por ise nçã o té cnica do a dvoga do e mpre ga do a tota l a utonomia qua nto à corre ta
a plica çã o dos a tos, me ios e pra zos proce ssua is, se m inte rfe rê ncia do e mpre ga dor. O a dvoga do
e mpre ga do nã o pode prosse guir orie nta çã o te cnica me nte incorre ta , me smo qua ndo dita da pe lo
e mpre ga dor. Na a tua çã o té cnica o a dvoga do de ve obse rva r a pe na s sua consciê ncia profissiona l e
é tica . Ne ssa á re a e strita me nte profissiona l, a re la çã o de e mpre go nã o o a lca nça .

Se m inde pe ndê ncia profissiona l nã o há a dvoca cia . De sde sua s ma is re mota s orige ns, a
a dvoca cia só pode se r e xe rcida com a bsoluta inde pe ndê ncia e m fa ce do pode r político e do próprio
clie nte . A subordina çã o hie rá rquica , própria da re la çã o de e mpre go, é limita da pe la inde pe ndê ncia
profissiona l do a dvoga do, que nã o pode se r ma cula da . A ise nçã o té cnica e a inde pe ndê ncia
profissiona l sã o re quisitos indisponíve is e inte rde pe nde nte s do e xe rcício da a dvoca cia . A de cisã o de
a juiza r a lguma a çã o ou de e nce ta r a lgum ne gócio jurídico é do e mpre ga dor, ma s a re a liza çã o é a to
profissiona l e xclusivo do a dvoga do.

O Código de Ética e Disciplina (a rt. 4º) e sta be le ce que o a dvoga do e mpre ga do de ve ze la r por
sua inde pe ndê ncia e libe rda de profissiona l, se ndo le gítima a re cusa do pa trocínio de ca usa cuja s
conse quê ncia s lhe se ja m a plicá ve is (de modo fa vorá ve l ou de sfa vorá ve l) ou de qua lque r pre te nsã o
do e mpre ga dor que contra rie orie nta çã o sua ma nife sta da a nte riorme nte .

Nã o consulta a inde pe ndê ncia do a dvoga do e mpre ga do a que le que compa re ce à a udiê ncia , no
foro tra ba lhista , porta ndo ca rta de pre posto. A prá tica conde ná ve l e m unir o a dvoga do sua condiçã o
profissiona l à de pre posto constitui infra çã o é tica . O Código de Ética e Disciplina (a rt. 25) e sta be le ce
se r de fe so a o a dvoga do funciona r no me smo proce sso, simulta ne a me nte , como pa trono e pre posto
do e mpre ga dor ou clie nte .

INAPLICABILIDADE AO ADVOGADO PÚBLICO

As norma s prote tiva s do a dvoga do e mpre ga do de ixa ra m de a lca nça r os a dvoga dos públicos (da
a dministra çã o pública dire ta , a utá rquica e funda ciona l da Uniã o, dos Esta dos-me mbros e dos
Municípios) por força da Le i n. 9.527/97, cujo a rt. 4º e sta be le ce que a s “disposiçõe s consta nte s do
Ca pítulo V, Título I, da Le i n. 8.906, de 4 de julho de 1994, nã o se a plica m à Administra çã o Pública
dire ta da Uniã o, dos Esta dos, do Distrito Fe de ra l e dos Municípios, be m como à s a uta rquia s, à s
funda çõe s instituída s pe lo Pode r Público, à s e mpre sa s pública s e à s socie da de s de e conomia
mista ”. Contra a norma do a rt. 4º da Le i n. 9.527, o CFOAB a juizou (ADI 3.396), e m 2005, a le ga ndo
a fronta a o princípio constituciona l da igua lda de (a rt. 5º), já que os a dvoga dos da inicia tiva priva da e
do se tor público re ce be m tra ta me nto dive rso, ma s e xe rce m a me sma a tivida de .

Na ADI 1.552-4, e m de cisã o limina r, o STF e nte nde u que a s e mpre sa s pública s e a s socie da de s
de e conomia mista que e xplore m a tivida de e conômica e m se ntido e strito, se m monopólio, e stã o
suje ita s a o re gime próprio da s e mpre sa s priva da s, inclusive qua nto à s obriga çõe s tra ba lhista s,
se ndo-lhe s, porta nto, a plicá ve is os a rts. 18 a 21 do Esta tuto qua nto a se us a dvoga dos e mpre ga dos. A
ADI ve io a se r julga da pre judica da , por pe rda supe rve nie nte de obje to.

INTERESSES PESSOAIS DO EMPREGADOR

A Le i n. 8.906/94 e sta be le ce norma de limita çã o da a tivida de do a dvoga do e mpre ga do e m fa ce


do e mpre ga dor. Se us se rviços profissiona is e stã o a dstritos a os a tos que de corra m ne ce ssa ria me nte
da re la çã o de e mpre go.
Essa norma é coge nte e nã o pode se r a fa sta da por conve nçã o individua l ou cole tiva . Pa re ce
dize r o óbvio, ma s julgou-se impre scindíve l sua e xplicita çã o no te xto le ga l, dia nte dos a busos
fre que nte s de ce rtos e mpre ga dore s.

Qua ndo o e mpre ga dor ne ce ssita r de se rviços de a dvoca cia re la ciona dos a se us inte re sse s
pe ssoa is ou fa milia re s e e stra nhos à a tivida de e mpre sa ria l, te rá de re mune ra r o e ve ntua l a dvoga do
e mpre ga do me dia nte honorá rios, nã o incluídos no sa lá rio ordiná rio, na s me sma s condiçõe s que
suporta ria se contra ta sse a dvoga do inde pe nde nte .

SALÁRIO MÍNIMO PROFISSIONAL

Esta é uma da s ma is torme ntosa s que stõe s que e nvolve m o a dvoga do e mpre ga do e de soluçã o
difícil.

A Constituiçã o ve da a utiliza çã o do sa lá rio mínimo como re fe rê ncia . A fixa çã o e m moe da


corre nte é irre a l e m e conomia infla cioná ria e os inde xa dore s sã o va riá ve is. O a nte proje to do
Esta tuto a tribuíra a o CFOAB compe tê ncia pa ra fixa r o sa lá rio mínimo profissiona l do a dvoga do se
nã o houve sse a cordo ou de cisã o cole tiva . No e nta nto, o Congre sso Na ciona l optou pe la se nte nça
norma tiva da justiça do tra ba lho, cria ndo um siste ma difuso que , ce rta me nte , nã o tute la os
inte re sse s dos a dvoga dos e mpre ga dos, e spe cia lme nte dos que nã o se e ncontra m orga niza dos e m
e ntida de s sindica is na s vá ria s re giõe s do pa ís.

Da forma como re sultou no Esta tuto, e xiste a se guinte gra da çã o de compe tê ncia s pa ra fixa çã o
do sa lá rio mínimo do a dvoga do, a plica ndo-se a poste rior na fa lta da a nte rior:

I — conve nçã o cole tiva do tra ba lho, e nvolve ndo a s re pre se nta çõe s da s ca te goria s dos
e mpre ga dore s e dos a dvoga dos e mpre ga dos (sua s a ssocia çõe s ou sindica tos); no siste ma jurídico
bra sile iro, a conve nçã o cole tiva obriga nã o a pe na s os signa tá rios, ma s todos os inte gra nte s da s
re spe ctiva s ca te goria s; a ssim, nã o pode se r a fa sta da pe lo a cordo individua l;

II — na fa lta de conve nçã o cole tiva ou a cordo cole tivo, pre va le ce o a cordo individua l, ce le bra do
e ntre o e mpre ga dor e o a dvoga do e mpre ga do, fixa ndo o sa lá rio mínimo corre sponde nte , e que nã o
pode se r a lte ra do pa ra me nor por a to unila te ra l;

III — se nte nça norma tiva da justiça do tra ba lho e m de corrê ncia de dissídio insta ura do e ntre o
e mpre ga dor e se us a dvoga dos e mpre ga dos.

O Re gula me nto Ge ra l a tribui a o sindica to de a dvoga dos e , na sua fa lta , à fe de ra çã o ou


confe de ra çã o de a dvoga dos, a re pre se nta çã o de ste s na s conve nçõe s cole tiva s, nos a cordos
cole tivos e nos dissídios cole tivos. Nã o pode a OAB substituí-los e m qua lque r circunstâ ncia .
Como se vê , nã o há um sa lá rio mínimo pa drã o ou na ciona l pa ra os a dvoga dos e mpre ga dos,
sa lvo no ca so de conve nçã o cole tiva ce le bra da com e ntida de s sindica is de ca rá te r na ciona l.

Alé m do sa lá rio mínimo profissiona l, qua ndo houve r, inclui-se no sa lá rio do a dvoga do
e mpre ga do o a diciona l de produtivida de e a ume ntos re a is que se ja m e stipula dos e m le i, conve nçã o
cole tiva ou se nte nça norma tiva . Esse s va lore s nã o pode m se r de duzidos do sa lá rio mínimo ou do
sa lá rio já pe rce bido pe lo a dvoga do.

JORNADA DE TRABALHO

Se guindo o mode lo que foi a dota do ne ssa ma té ria , no e sta be le cime nto de norma s le ga is
suple tiva s, na fa lta de a cordo individua l ou conve nçã o cole tiva , a Le i n. 8.906/94 e sta be le ce a
jorna da de tra ba lho do a dvoga do e m qua tro hora s contínua s e m uma se ma na de cinco dia s. O
Re gula me nto Ge ra l conside ra jorna da norma l de tra ba lho do a dvoga do e mpre ga do nã o a pe na s a de
qua tro hora s diá ria s, ma s ta mbé m outra ma ior, a té o limite de oito hora s diá ria s e qua re nta
se ma na is, ne ste ca so qua ndo houve r a cordo ou conve nçã o cole tiva .

O a cordo ou a conve nçã o cole tiva , no e nta nto, pode m de te rmina r um re gime de tra ba lho
dife re ncia do. A Le i n. 8.906/94 nã o fixou o limite má ximo, a plica ndo-se ne sse ca so a norma
e quiva le nte da le gisla çã o tra ba lhista comum. Na jurisprudê ncia tra ba lhista há e nte ndime nto de que
some nte fa z jus à jorna da de tra ba lho re duzida a que le profissiona l que pe rce be o piso sa la ria l. O
TST (RR 955/2002-002-02-00.3) re je itou re curso a pre se nta do por a dvoga do inte gra nte de se rviço
jurídico de ba nco que pre te ndia o re conhe cime nto do dire ito à jorna da de tra ba lho de qua tro hora s
diá ria s e o pa ga me nto da s de ma is hora s como hora s e xtra s; o Tribuna l ma nte ve o e nte ndime nto do
tribuna l re corrido, pois o fa to de o a dvoga do tra ba lha r oito hora s por dia , por si só, ca ra cte riza ria o
re gime de de dica çã o e xclusiva , com funda me nto no princípio da prima zia da re a lida de . Em outro
julga me nto, e m 2011, o TST e nte nde u se r inde vida a jorna da de ba ncá rio de se is hora s a a dvoga do
e mpre ga do de ba nco, cujo contra to de tra ba lho fixe jorna da de oito hora s, conside ra da como
de dica çã o e xclusiva (E-ED-RR 69600-92.2007.5.03.0022).

O re gime de de dica çã o e xclusiva , a ssim e xpre ssa do no contra to de tra ba lho, importa
ne ce ssá ria e le va çã o a o limite má ximo. O Re gula me nto Ge ra l conside ra de dica çã o e xclusiva o
re gime de tra ba lho do a dvoga do e mpre ga do “que for e xpre ssa me nte pre visto e m contra to individua l
de tra ba lho”, o que significa a bdica çã o de re gula me nta çã o ge ra l. A jorna da pode se r a lte ra da , de
modo he te rônomo, ha ve ndo a cordo cole tivo ou conve nçã o cole tiva . Esse re gime nã o se gue o mode lo
da Administra çã o Pública , que impe de o e xe rcício de qua lque r outra a tivida de re mune ra da e m
ca rá te r pe rma ne nte ; nã o há impe dime nto le ga l pa ra que o a dvoga do, fora de sua jorna da , possa
e xe rce r outra s a tivida de s re mune ra da s. De cidiu o TRT da 10ª Re giã o (Sã o Pa ulo) que é a jorna da de
tra ba lho do a dvoga do e mpre ga do que de fine se e le e stá e nqua dra do no re gime de de dica çã o
e xclusiva , pre visto no Esta tuto da Advoca cia , se ndo de sne ce ssá ria a pre visã o no contra to de
tra ba lho; a a usê ncia de a nota çã o de sse re gime na ca rte ira de tra ba lho “nã o tra z, por si só, qua lque r
pre sunçã o e m de sfa vor do e mpre ga dor ” (RO 00781.2002.202.02.00-0).

Em re la çã o a o a dvoga do e mpre ga do, te m-se um se ntido próprio de de dica çã o e xclusiva ,


distinto do mode lo do dire ito a dministra tivo, pois o a dvoga do e mpre ga do pode e xe rce r outra
a tivida de re mune ra da fora de sua jorna da de tra ba lho. Nã o e xiste a pe na s um mode lo de de dica çã o
e xclusiva , pode ndo se r de finido outro, se m que bra da le ga lida de .

Pode o e mpre ga dor opta r pe la de dica çã o e xclusiva , me dia nte norma s inte rna s da e mpre sa ,
contra ta ndo a dvoga dos e mpre ga dos ne sse re gime , por me io de contra tos individua is de tra ba lho. A
le i nã o e sta be le ce u um único re gime de tra ba lho (o bá sico, de vinte hora s se ma na is). O a cordo
cole tivo (e ntre a e mpre sa e se us e mpre ga dos) ou a conve nçã o cole tiva (e ntre e ntida de s
re pre se nta nte s da s ca te goria s pa trona is e dos tra ba lha dore s) pode m e sta be le ce r jorna da
dife re ncia da do mode lo le ga l mínimo, inclusive a de de dica çã o e xclusiva . Ma s e sta pode já e sta r
de finida pe lo e mpre ga dor a nte s da a dmissã o a o e mpre go do a dvoga do. É possíve l, a inda , a
a lte ra çã o be né fica a o a dvoga do, por mútuo conse ntime nto, por força do a rt. 468 da CLT.

Qua nto à jorna da de tra ba lho de a dvoga dos ocupa nte s de ca rgos de confia nça de se rviços
jurídicos da e mpre sa , e scla re ça -se que é da na ture za de ta is ca rgos o e xe rcício e m te mpo inte gra l e
que , no ca so do Esta tuto, e quiva le à de dica çã o e xclusiva (qua re nta hora s se ma na is), sa lvo se o
re gula me nto da e mpre sa fixa r me nor jorna da .

O tra ba lho do a dvoga do e nce rra pe culia rida de s que re pe rcute m na jorna da de tra ba lho,
e spe cia lme nte qua ndo a tua r no conte ncioso judicia l. As hora s de spe ndida s com o de sloca me nto e
pe rma nê ncia nos órgã os judiciá rios sã o computa da s como de e fe tiva jorna da , a té porque
dificilme nte pode m se r me nsura da s com a nte ce dê ncia : os a tos judicia is, e spe cia lme nte se ssõe s e
a udiê ncia s, de se nvolve m-se e m te mpos flutua nte s.

Qua ndo o de sloca me nto importa r de spe sa s pa ra o a dvoga do, e spe cia lme nte se utiliza r ve ículos
próprios ou se via ja r pa ra outra s coma rca s, fa rá jus a o re e mbolso corre sponde nte , nã o se ndo
conside ra do como re mune ra çã o.

Em qua lque r hipóte se , inclusive qua ndo o a dvoga do e mpre ga do e stive r à disposiçã o do
e mpre ga dor, a gua rda ndo ou e xe cuta ndo orde ns, e m sua ca sa ou e scritório, e sta rá cumprindo a
jorna da de tra ba lho. Atua lme nte , com a difusã o da informá tica e da mode rna te cnologia da s
comunica çõe s, o tra ba lho do a dvoga do e mpre ga do pode se r de se mpe nha do fora do loca l da
e mpre sa , porque sua produtivida de inde pe nde da pre se nça física dia nte do e mpre ga dor. Ne m por
isso de sa pa re ce m os e le me ntos nucle a re s da re la çã o de e mpre go.
Pre sume -se cumprime nto à jorna da de tra ba lho qua ndo houve r ha bitua l tole râ ncia do
e mpre ga dor a os se rviços pre sta dos pe lo a dvoga do e m se u e scritório, me smo e m horá rios fle xíve is,
de sde qua ndo e xe cute e a gua rde orde ns da que le . Essa hipóte se é a dmissíve l qua ndo a jorna da de
tra ba lho for a le ga l (qua tro hora s diá ria s).

As hora s e xtra ordiná ria s, a sa be r, a s que e xce de re m a jorna da le ga l ou conve nciona l, se rã o


re mune ra da s por um a diciona l nã o infe rior a 100% da hora norma l. Essa norma é coge nte ; nã o
a dmite conve nçã o cole tiva ou a cordo individua l e m contrá rio se ndo nula a clá usula contra tua l que a
contra ria r, pa ra os contra tos ce le bra dos a pós a vigê ncia da Le i n. 8.906/94.

Na e ve ntua lida de (por ce rto ra ra , na a tivida de de a dvoca cia ) de a jorna da norma l se r cumprida
e m horá rio noturno, se rá a cre scido a o sa lá rio um a diciona l de vinte e cinco por ce nto.

Re ssa lte -se que , pa ra soluçã o dos conflitos te mpora is de le is que e nvolva m re la çã o de
e mpre go, pre va le ce o princípio do e fe ito ime dia to. É doutrina la rga me nte a dota da no dire ito
bra sile iro e no dire ito e stra nge iro que a s le is de prote çã o a o tra ba lho a lca nça m ime dia ta me nte os
contra tos e m curso, porque visa m a os home ns como tra ba lha dore s, ma is do que contra ta nte s.

De a cordo com o Enuncia do n. 222 da SDI-I do TST, “o a dvoga do e mpre ga do de ba nco, pe lo


simple s e xe rcício da a dvoca cia , nã o e xe rce ca rgo de confia nça , nã o se e nqua dra ndo, porta nto, na
hipóte se do § 2º do a rt. 224 da CLT”. Com ba se ne ssa orie nta çã o, de cidiu o TST (RR 795908/01) que
nã o se a plica a norma da Le i n. 8.906/94 sobre a jorna da de tra ba lho do a dvoga do do Ba nco do
Norde ste do Bra sil subme tido a jorna da diá ria de oito hora s, pois “a pe sa r de te r sua a tivida de
profissiona l re gula me nta da por le gisla çã o e spe cífica , os a dvoga dos nã o inte gra m o rol da s
ca te goria s profissiona is dife re ncia da s consta nte do Qua dro de Ativida de s e Profissõe s a que se
re fe re o a rtigo 57 da CLT”.

O Esta tuto nã o tra tou da ma té ria re la tiva à s fé ria s do a dvoga do e mpre ga do, que te m sido obje to
de proje tos de le i e m tra mita çã o no Congre sso Na ciona l. A le gisla çã o tra ba lhista ge ra l,
conse que nte me nte , é suple tiva do Esta tuto, na s ma té ria s que e ste nã o disciplinou.

HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA DO ADVOGADO EMPREGADO

A Le i n. 8.906/94 e nce rrou a contrové rsia re ina nte , inclusive , na jurisprudê ncia de nossos
tribuna is sobre a na ture za e o de stino dos honorá rios de sucumbê ncia qua ndo o a dvoga do da ca usa
for e mpre ga do do ve nce dor.

Ente ndia -se que se ria m de vidos a o e mpre ga dor, porque o a dvoga do e sta va a sse gura do com se u
sa lá rio, nã o se suje ita ndo a os riscos da de ma nda , e porque compe nsa ria m a s de spe sa s e fe tua da s
pe lo e mpre ga dor.
Inve rte ndo-se a pe rspe ctiva , do e mpre ga dor pa ra o a dvoga do, contra põe -se com o a rgume nto,
que re stou pre va le ce nte na le i, de que honorá rios constitue m e xclusiva me nte re mune ra çã o de
tra ba lho do a dvoga do, se ja qua l for sua orige m. O fa to de se re m pa gos pe la pa rte contrá ria , no
â mbito da conde na çã o, nã o a lte ra e ssa na ture za . Assim de cidiu o STF, e m 2011 (RE 407.908), e m ca so
no qua l se discutia a le gitimida de do re ce bime nto de honorá rios de sucumbê ncia por a dvoga do
e mpre ga do de socie da de de e conomia mista , concluindo que ta is honorá rios ca be m a o profissiona l
e nã o a o ve nce dor da de ma nda .

A Le i n. 8.906/94 nã o e sta be le ce crité rios pa ra a pa rtilha dos honorá rios de sucumbê ncia e ntre
os a dvoga dos e mpre ga dos do me smo e mpre ga dor. Em qua lque r hipóte se , toda via , a re gra a se r
se guida é a do a cordo ha vido e ntre e le s. Em sua fa lta , pa rticipa rã o os que houve re m a tua do no
proce sso na proporçã o do de se mpe nho de ca da um. Essa soluçã o ne m se mpre pode rá se r a dota da ,
porque o proce sso judicia l pode te r sido a nte ce dido de tra ba lhos pre ve ntivos ou e xtra judicia is a e le
re la ciona dos, re a liza dos por outros cole ga s.

Em qua lque r circunstâ ncia , os honorá rios de sucumbê ncia dos a dvoga dos e mpre ga dos
constitue m fundo comum, cuja de stina çã o é de cidida pe los profissiona is inte gra nte s do se rviço
jurídico da e mpre sa ou por se us re pre se nta nte s, conforme de te rmina o pa rá gra fo único do a rt. 14 do
Re gula me nto Ge ra l. Na da obsta que , “e xistindo uma a ssocia çã o re gula rme nte cria da pa ra
re pre se nta r os inte re sse s dos a dvoga dos e mpre ga dos de de te rmina do e mpre ga dor, possa e ssa
e ntida de a ssocia tiva , me dia nte a utoriza çã o e sta tutá ria , se r le gitima da a e xe cuta r os honorá rios
sucumbe ncia is pe rte nce nte s a os ‘a dvoga dos e mpre ga dos’, se us a ssocia dos, o que a pe na s fa cilita a
forma çã o, a dministra çã o e ra te io dos re cursos do fundo único comum, de stina do à divisã o
proporciona l e ntre todos os a ssocia dos” (STJ, REsp 634.096).

Qua ndo se cuida r de socie da de de a dvoga dos, há re gra le ga l e xpre ssa : os honorá rios de
sucumbê ncia se rã o pa rtilha dos na forma do a cordo e sta be le cido e ntre e la e se us a dvoga dos
e mpre ga dos. E se nã o tive r ha vido a cordo? Ne sse ca so, e conside ra ndo que o princípio le ga l é o da
pa rtilha e ntre socie da de e a dvoga dos, os honorá rios de sucumbê ncia de ve rã o se r divididos e m
pa rte s igua is, uma pa ra a socie da de e outra pa ra os a dvoga dos e mpre ga dos. Essa soluçã o
pre ssupõe a a tua çã o e fe tiva dos a dvoga dos be ne ficiá rios na conduçã o do proce sso judicia l
re spe ctivo. O STF, na ADI 1.194-4, de u inte rpre ta çã o conforme à proposiçã o “os honorá rios de
sucumbê ncia sã o de vidos a os a dvoga dos e mpre ga dos”, contida no a rt. 21 do Esta tuto, “visto que é
disposiçã o suple tiva da vonta de da s pa rte s, pode ndo ha ve r e stipula çã o e m contrá rio, por se r dire ito
disponíve l pa ra limita r a a plica çã o de ssa re gra nos ca sos e m que nã o ha ja e stipula çã o contra tua l
e m contrá rio”, ou se ja , o contra to ce le bra do e ntre o e mpre ga dor e o a dvoga do e mpre ga do pode
e sta be le ce r que e ste nã o pa rticipe dos honorá rios de sucumbê ncia , fa ze ndo jus a pe na s a se u
sa lá rio.

Pe la sua própria na ture za , os honorá rios de sucumbê ncia nã o inte gra m a composiçã o do
sa lá rio dos a dvoga dos e mpre ga dos, nã o pode ndo se r conside ra dos pa ra e fe itos tra ba lhista s ou
pre vide nciá rios, di-lo o Re gula me nto Ge ra l no a rt. 14.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS

CAPÍTULO VI

DOS HONORÁRIOS ADVOCAT ÍCIOS

Art. 22. A prestação de serviço profissional assegura aos inscritos na OAB o direito aos
honorários convencionados, aos fixados por arbitramento judicial e aos de sucumbência.

§ 1º O advogado, quando indicado para patrocinar causa de juridicamente necessitado, no caso


de impossibilidade da Defensoria Pública no local da prestação de serviço, tem direito aos honorários
fixados pelo juiz, segundo tabela organizada pelo Conselho Seccional da OAB, e pagos pelo Estado.

§ 2º Na falta de estipulação ou de acordo, os honorários são fixados por arbitramento judicial,


em remuneração compatível com o trabalho e o valor econômico da questão, não podendo ser
inferiores aos estabelecidos na tabela organizada pelo Conselho Seccional da OAB.

§ 3º Salvo estipulação em contrário, um terço dos honorários é devido no início do serviço,


outro terço até a decisão de primeira instância e o restante no final.

§ 4º Se o advogado fizer juntar aos autos o seu contrato de honorários antes de expedir-se o
mandado de levantamento ou precatório, o juiz deve determinar que lhe sejam pagos diretamente,
por dedução da quantia a ser recebida pelo constituinte, salvo se este provar que já os pagou.

§ 5º O disposto neste artigo não se aplica quando se tratar de mandato outorgado por advogado
para defesa em processo oriundo de ato ou omissão praticada no exercício da profissão.

Art. 23. Os honorários incluídos na condenação, por arbitramento ou sucumbência, pertencem


ao advogado, tendo este direito autônomo para executar a sentença nesta parte, podendo requerer
que o precatório, quando necessário, seja expedido em seu favor.

Art. 24. A decisão judicial que fixar ou arbitrar honorários e o contrato escrito que os estipular
são títulos executivos e constituem crédito privilegiado na falência, concordata, concurso de credores,
insolvência civil e liquidação extrajudicial.

§ 1º A execução dos honorários pode ser promovida nos mesmos autos da ação em que tenha
atuado o advogado, se assim lhe convier.

§ 2º Na hipótese de falecimento ou incapacidade civil do advogado, os honorários de


sucumbência, proporcionais ao trabalho realizado, são recebidos por seus sucessores ou
representantes legais.
§ 3º É nula qualquer disposição, cláusula, regulamento ou convenção individual ou coletiva que
retire do advogado o direito ao recebimento dos honorários de sucumbência.

§ 4º O acordo feito pelo cliente do advogado e a parte contrária, salvo aquiescência do


profissional, não lhe prejudica os honorários, quer os convencionados, quer os concedidos por
sentença.

(Obs.: O STF, na ADIn 1.194-4, de cla rou inconstituciona l o § 3º do a rt. 24.)

Art. 25. Prescreve em cinco anos a ação de cobrança de honorários de advogado, contado o
prazo:

I — do vencimento do contrato, se houver;

II — do trânsito em julgado da decisão que os fixar;

III — da ultimação do serviço extrajudicial;

IV — da desistência ou transação;

V — da renúncia ou revogação de mandato.

Art. 25-A. Prescreve em cinco anos a ação de prestação de contas pelas quantias recebidas pelo
advogado de seu cliente, ou de terceiros por conta dele (art. 34, XXI).

• O art. 25-A foi introduzido pela Lei n. 11.902/2009.

Art. 26. O advogado substabelecido, com reserva de poderes, não pode cobrar honorários sem a
intervenção daquele que lhe conferiu o substabelecimento.

CO MENTÁRIO S

DIREITO AOS HONORÁRIOS

A re mune ra çã o do a dvoga do, que nã o de corra de re la çã o de e mpre go, continua se ndo


de nomina da h onorários, e m home na ge m a uma longa tra diçã o. Contudo, rigorosa me nte , o
pa ga me nto dos se rviços profissiona is do a dvoga do na da te m e m comum com o se ntido de
honorá rios que se e mpre ga va , por e xe mplo, e m Roma . A a dvoca cia incluía -se na s a tivida de s nã o
e spe cula tiva s conside ra da s operea liberales, pe rce be ndo o a dvoga do h onoraria ou m unera, com se ntido
de compromisso socia l, e m ve z de sa lá rio. Pa ra os roma nos, cuja socie da de funda va -se no tra ba lho
e scra vo, que m tra ba lha va por sa lá rio a ssimila va -se a os e scra vos. A vincula çã o da a tivida de
inte le ctua l de um cida dã o a outro cida dã o foi tida como h onor; da í os h onorários, forma de
re mune ra çã o voluntá ria e e spontâ ne a de ta is se rviços.
Ma s a té me smo e m Roma , a pe sa r de a Le i Cíntia (205 a .C.) ve da r a s doa çõe s re mune ra tória s, é
duvidosa a a firma çã o de que o ministé rio priva do do a dvoga do e ra gra tuito, se ndo e nga noso o te rmo
h onorarium , como re ssa lta a doutrina . Diz Ale xa ndre Augusto de Ca stro Corrê a (1986-1987, p. 22),
se guro e m Mé he sz e Gre lle t-Duma ze a u, que “e m ne nhum te mpo, a o contrá rio da opiniã o comum, o
ministé rio do a dvoga do foi pura me nte gra tuito, pois, nos prime iros te mpos de Roma , a a ssistê ncia
do pa trono re pre se ntou compe nsa çã o, a liá s insuficie nte , dos se rviços pre sta dos pe lo clie nte ; a Le i
Cíntia , pre te nde ndo e xigir do a dvoga do comple ta re núncia dos ma is le gítimos inte re sse s, corta ndo-
lhe , por a ssim dize r, a s mã os, fora promulga da por ignorâ ncia dos ve rda de iros ca ra cte re s do a ntigo
pa trona to, do qua l re sta va m e ntã o e xíguos ve stígios; e la nunca foi, a liá s, e xe cuta da rigorosa me nte
como ta mbé m nã o o fora m os a tos le gisla tivos poste riore s, te nta ndo re vigora r a le i, se m
a da pta çõe s”. Acre sce nte -se , e m a bono de sta te se , que há vá rios fra gme ntos do Dige sto (Corpus juris
civilis) re fe rindo-se a limita çõe s má xima s de honorá rios: a té ce m moe da s de ouro por que stã o
tra ta da ; nulida de de pa ga me nto a nte s da de fe sa ; a rbitra me nto pe lo ma gistra do, na fa lta de
conve nçã o e tc.

Na a tua lida de , o a dvoga do é um profissiona l que e xe rce uma a tivida de ne ce ssa ria me nte
re mune ra da , me dia nte o pa ga me nto do pre ço do se rviço, por e le e stipula do, obse rva da s a s
dire trize s que a e ntida de fisca liza dora (OAB) de te rmina , inclusive na ta be la de honorá rios (sobre a
ta be la , ve r come ntá rios a o a rt. 58, V). Após orie nta çã o consolida da nos tribuna is, inclusive com a
Súmula Vincula nte 47 do STF, a le i (CPC/2015, a rt. 85, § 14) ta mbé m a sse gura a na ture za a lime nta r
dos honorá rios, com os me smos privilé gios dos cré ditos oriundos da le gisla çã o do tra ba lho.

Ca be prima cia lme nte a o profissiona l fixa r o va lor de se us se rviços, nã o pode ndo o Pode r
Judiciá rio promove r sua re visã o, sa lvo se ultra pa ssa r os limite s má ximos fixa dos na ta be la de
honorá rios, qua ndo houve r ou qua ndo se ca ra cte riza r a le sã o. Dá -se a le sã o qua ndo o a dvoga do se
a prove ita r inde vida me nte da ine xpe riê ncia do clie nte ou de se u e sta do de ne ce ssida de , cobra ndo
va lore s de sproporciona is e a cima da mé dia dos pra tica dos e m situa çõe s a sse me lha da s. A le gisla çã o
civil comina com sa nçã o de a nula bilida de o e xce de nte configura dor da le sã o (a rt. 157 do Código
Civil).

Nã o há crité rios de finitivos que possa m de limita r a fixa çã o dos honorá rios a dvoca tícios, porque
flutua m e m funçã o de vá rios fa tore s, a lguns de forte de nsida de subje tiva , ta is como o pre stígio
profissiona l, a qua lifica çã o, a re puta çã o na comunida de , o te mpo de e xpe riê ncia , a titula çã o
a ca dê mica , a dificulda de da ma té ria , os re cursos do clie nte , o va lor da que stã o e tc. A soluçã o
jurídica de uma ca usa ou que stã o pode e xigir me nos te mpo de um profissiona l compe te nte e
e xpe rie nte do que de um inicia nte . Os se rviços de um e scritório be m orga niza do e com e strutura
custosa re fle te m ta is va riá ve is. No e nta nto, impõe -se se mpre a mode ra çã o, o pa drã o mé dio e m
situa çõe s a sse me lha da s, porque o a dvoga do é ad vocatus, non latro, como dizia um a ntigo a forismo.

O STJ consolidou na Súmula 201 o impe dime nto de fixa çã o dos honorá rios e m sa lá rios mínimos,
a ssim e nuncia da : “Os honorá rios a dvoca tícios nã o pode m se r fixa dos e m sa lá rios mínimos”.

Os honorá rios profissiona is de ve m se r fixa dos com mode ra çã o, a te ndidos os e le me ntos


se guinte s, de ntre outros: a ) a re le vâ ncia , o vulto, a comple xida de e a dificulda de da s que stõe s
ve rsa da s; b) o tra ba lho e o te mpo ne ce ssá rios; c) a possibilida de de fica r o a dvoga do impe dido de
inte rvir e m outros ca sos, ou de se de sa vir com outros clie nte s ou te rce iros; d) o va lor da ca usa , a
condiçã o e conômica do clie nte e o prove ito pa ra e le re sulta nte do se rviço profissiona l; e ) o ca rá te r
da inte rve nçã o, conforme se tra te de se rviço a clie nte a vulso, ha bitua l ou pe rma ne nte ; f) o luga r da
pre sta çã o dos se rviços, fora ou nã o do domicílio do a dvoga do; g) a compe tê ncia e o re nome do
profissiona l; h) a pra xe do foro sobre tra ba lhos a ná logos. Sã o e le me ntos e xe mplifica tivos que
se rve m de dire trize s de ontológica s pa ra o a dvoga do, a o fixa r se us honorá rios, e como fre na ge m à
te nta çã o da ga nâ ncia .

O Código de Proce sso Civil (a rt. 85), sa lvo a s hipóte se s e spe cia is que e le pre vê , e sta be le ce uma
proporçã o va riá ve l de de z a vinte por ce nto sobre o va lor da conde na çã o, ou se ja , na hipóte se de
honorá rios por sucumbê ncia , de te rmina ndo a o juiz que obse rve os se guinte s crité rios:

a ) o gra u do ze lo do profissiona l;

b) o luga r da pre sta çã o de se rviços;

c) a na ture za e a importâ ncia da ca usa ;

d) o tra ba lho re a liza do pe lo a dvoga do e o te mpo e xigido pa ra o se u se rviço.

O dire ito a os honorá rios contra ta dos nã o é ilimita do. Há limite s postos pe la é tica e pe la
ra zoa bilida de que nã o pode m se r ultra pa ssa dos. Os Conse lhos Se cciona is da OAB pode m indica r,
sob funda me nto é tico, os limite s má ximos, e mbora se ja muito difícil a pre visã o de toda s a s
hipóte se s. Um crité rio, muito utiliza do e se guro, é o pa drã o mé dio de honorá rios pra tica do no me io
profissiona l. Em qua lque r circunstâ ncia , o a dvoga do de ve e sta r a dve rtido contra a te nta çã o a é tica de
se tra nsforma r e m sócio, suce ssor ou he rde iro do clie nte . Se mpre que possíve l de ve e vita r o
pa ga me nto in natura.

O Código de Ética e Disciplina de 2015 (a rt. 53) pa ssou a a dmitir que o a dvoga do possa re ce be r
os honorá rios me dia nte ca rtã o de cré dito, tido como me io de pa ga me nto corre nte , me dia nte
cre de ncia me nto junto à ope ra dora do ra mo.

A Le i n. 8.906/94 sile ncia qua nto a o pa cto de q uota litis (pa rticipa çã o proporciona l no re sulta do
ou ga nho obtido na de ma nda ) que o dire ito roma no e a s Orde na çõe s Filipina s (Livro 1, Título XLVIII,
11) conde na va m. Se mpre que possíve l de ve se r e vita do, porque nã o contribui pa ra a dignida de da
a dvoca cia . O a dvoga do é re mune ra do e m funçã o de se us se rviços profissiona is, nã o pode ndo se r
a ssocia do a o clie nte . Se rá imora l, infringindo a é tica profissiona l, se nã o gua rda r re la çã o com o
tra ba lho pre sta do ou importa r va nta ge m e xce ssiva , conside ra ndo-se o que ordina ria me nte se ja
cobra do, pa ra idê ntico se rviço, e a inda se houve r prove ito do e sta do de ne ce ssida de ou de
ine xpe riê ncia do clie nte . O Código de Ética e Disciplina de 2015 (a rt. 50), re pe tindo disposiçã o do
a nte rior de 1995, a o contrá rio da ma ioria dos códigos de ontológicos (o Código de De ontologia dos
a dvoga dos da Comunida de Europe ia , a prova do e m 1988, proíbe o pa cto de q uota litis), a dmite e m
princípio o pa cto de q uota litis, obse rva dos os se guinte s limite s: a ) a quota do a dvoga do de ve se r
constituída de pe cúnia , se ndo proibida a pa rticipa çã o e m be ns do clie nte , sa lvo qua ndo e ste nã o
dispuse r de condiçõe s pe cuniá ria s e te nha ha vido contra ta çã o por e scrito ne sse se ntido; b) qua ndo
houve r honorá rios de sucumbê ncia , a quota do a dvoga do nã o pode se r supe rior à s va nta ge ns
a dvinda s a o clie nte . Ape sa r de sse s cuida dos, e nte nde mos que a opçã o do Código nã o foi boa e
de ixa ma rge ns a a busos fre que nte s.

Conside ra ndo sua ite ra tiva jurisprudê ncia , no se ntido de nã o se a plica r a le gisla çã o de
prote çã o a o consumidor a os se rviços de a dvoca cia , o STJ te m re corrido a o instituto da le sã o,
pre visto no a rt. 157 do Código Civil, qua ndo o pa cto de q uota litis ge ra de sproporçã o e ntre a s
pre sta çõe s do contra to, com a prove ita me nto inde vido e m ra zã o da situa çã o de infe riorida de do
clie nte . Em ca so de q uota litis com pe rce ntua l de 50%, o STJ, e m julga me nto de 2010, a re duziu pa ra
30% sobre a conde na çã o obtida , sob o funda me nto de ocorrê ncia de le sã o (REsp 1.155.200).

A Le i n. 8.906/94 pre vê uma única hipóte se de gra tuida de no e xe rcício da a dvoca cia : qua ndo o
a dvoga do re ce be r ma nda to de um cole ga pa ra de fe ndê -lo e m proce sso oriundo de a to ou omissã o
pra tica do profissiona lme nte . Pre sume -se , ne sse ca so, que os dire itos e ga ra ntia s do a dvoga do, e m
ge ra l, e ste ja m e m discussã o e há inte re sse tra nsubje tivo da cla sse . O pa trocínio é voluntá rio, nã o
pode se r imposto. O de fe nsor da tivo no proce sso disciplina r, por e xe mplo, nã o re ce be ma nda to, ma s
sim de le ga çã o da própria OAB pa ra re a liza r e ssa nobilita nte funçã o.

As ta be la s de honorá rios e sta be le cida s pe los Conse lhos Se cciona is sã o “simple s re fe re ncia is
na s re la çõe s e ntre clie nte e a dvoga do”, (CFOAB, Proc. 200/97/OEP), se ndo a pe na s vincula nte pa ra o
a dvoga do que os cobra r do Esta do qua ndo pre sta r a ssistê ncia jurídica a os ne ce ssita dos. Por nã o
constituir ta be la me nto, e nte nde u o CADE — Conse lho Administra tivo de De fe sa Econômica , do
Gove rno Fe de ra l, que na ta be la de honorá rios da OAB-SP nã o ha via indícios de infra çã o à orde m
e conômica (Re pr. 116/92, Pa re ce r n. 238/97).

Admite -se , le ga lme nte (CPC/2015, a rt. 85, § 15), que o a dvoga do possa re que re r que o
pa ga me nto dos honorá rios que lhe ca iba m se ja e fe tua do e m fa vor da socie da de de a dvoga dos que
inte gra como sócio, se m pre juízo da na ture za a lime nta r.

HONORÁRIOS EM ASSISTÊNCIA JURÍDICA E ADVOCACIA PRO BONO

A le gisla çã o a nte rior conside ra va de ve r é tico do a dvoga do a pre sta çã o gra tuita de se us se rviços
e m a ssistê ncia judiciá ria . É re squício da a ntiga conce pçã o do pa ga me nto a o profissiona l como uma
re mune ra çã o h onorária e nã o como uma re a l e e fe tiva contra pre sta çã o pe cuniá ria pe lo tra ba lho
re a liza do. Mode rna me nte , no Esta do Socia l (welfare State), a a ssistê ncia jurídica e nca rta -se nos me ios
de re a liza çã o da cida da nia , como dire ito subje tivo público e m fa ce do próprio Esta do, pa ra o e fe tivo
a ce sso à justiça .

A a ssistê ncia jurídica nã o se re sume à s que stõe s a juiza da s, ma s inclui o tra ba lho profissiona l
e xtra judicia l re a liza do no inte re sse do ne ce ssita do.

Após a Constituiçã o de 1988 a tribuiu-se a o Esta do, de finitiva e comple ta me nte , o e nca rgo da
a ssistê ncia jurídica gra tuita , me dia nte a obriga çã o, dirigida à Uniã o e a os Esta dos-me mbros, de
instituir e ma nte r a De fe nsoria Pública (a rt. 134 da CF; LC n. 80/94; LC n. 132/2009).

Se ndo de ve r do Esta do a a ssistê ncia jurídica , ca be a e ste o pa ga me nto dos honorá rios a o
a dvoga do que pa trocina r ca usa de ne ce ssita do, qua ndo houve r impossibilida de da De fe nsoria
Pública de re a lizá -la no loca l da pre sta çã o dos se rviços. A pa rte pode e scolhe r, ne ssa situa çã o de
e xce pciona lida de , o a dvoga do que funciona rá na a ssistê ncia jurídica . Nã o promove ndo, a pa rte , a
e scolha , ca be rá à OAB a indica çã o, na forma da Le i n. 1.060/50, e a lte ra çõe s ulte riore s.

Em qua lque r hipóte se , ha ve rá pa ga me nto de honorá rios pe lo Esta do, fixa dos pe lo juiz, ma s
se gundo ta be la orga niza da pe la OAB. O te rmo Estad o, re fe rido no § 1º do a rt. 22, é gê ne ro do qua l
sã o e spé cie s a Uniã o, o Distrito Fe de ra l e os Esta dos-me mbros (a rt. 134 da Constituiçã o). Ao
conce de r a a ssistê ncia jurídica ne ssa moda lida de subsidiá ria , de ve rá o juiz de cla ra r a
impossibilida de da De fe nsoria Pública . Ta l impossibilida de nã o é a bsoluta , ou se ja , nã o se
confunde com a ine xistê ncia . Ba sta ocorre r circunstâ ncia que e fe tiva me nte impe ça re a liza çã o da
De fe nsoria Pública no loca l da pre sta çã o do se rviço. De cidiu o STJ (REsp 239.205) que se a
a ssistê ncia jurídica for pre sta da pe lo Esta do, provisoria me nte , utiliza ndo a dvoga dos contra ta dos,
nã o pode m e sse s profissiona is postula r a dife re nça e ntre o va lor contra ta do e o va lor
corre sponde nte dos honorá rios fixa dos na ta be la da OAB, porque “re nuncia ra m à a plica çã o do
disposto no a rt. 22 da Le i n. 8.906/94, por força do pacta sunt servand a”.

O pa ga me nto dos honorá rios, a lé m de unive rsa liza r o princípio da re mune ra çã o a qua lque r
tra ba lho huma no, nã o ca rita tivo ou fila ntrópico, se rve como sa nçã o pe cuniá ria a o de scumprime nto
pe lo Esta do do de ve r constituciona l de ga ra ntir a De fe nsoria Pública a os ne ce ssita dos.
Nã o ha ve rá pa ga me nto de honorá rios pe lo Esta do na hipóte se de a dvoca cia pro bono, a dmitida
e re gula me nta da pe lo Código de Ética e Disciplina de 2015 (a rt. 30), te ndo e m vista sua na ture za de
volunta ria do, sa lvo se houve r conde na çã o de honorá rios de sucumbê ncia contra a pa rte a dve rsa . A
a dvoca cia pro bono nã o se confunde com a a ssistê ncia jurídica pública , pre sta da pe la De fe nsoria
Pública . O Provime nto n. 166/2015 re ssa lta a na ture za e xclusiva me nte gra tuita , e ve ntua l e de
volunta ria do da a dvoca cia pro bono, que some nte pode se r e xe rcida qua ndo os be ne ficiá rios “nã o
dispuse re m de re cursos pa ra , se m pre juízo do próprio suste nto, contra ta r a dvoga do”, a lé m da
proibiçã o de se r condiciona da à contra çã o futura de se rviços re mune ra dos.

TIPOS DE HONORÁRIOS

Sã o trê s os tipos de honorá rios:

I — conve nciona dos;

II — a rbitra dos judicia lme nte ;

III — de sucumbê ncia .

É de ve r é tico do a dvoga do, pa ra re duzir o pote ncia l de risco e de sga ste com o clie nte que
re pe rcute ma l na profissã o, contra ta r se us honorá rios por e scrito. De ssa forma , os honorá rios
conve nciona dos torna m-se inque stioná ve is e pe rmite m, e m situa çã o e xtre ma , a e xe cuçã o judicia l.
De ve m se r utiliza dos pa râ me tros se guros, ta is como: va lor fixo na moe da de curso força do;
a tua liza çã o me dia nte inde xa dor de te rmina do, qua ndo for o ca so; pe rce ntua l sobre va lor da ca usa ,
de sde já de te rmina do.

Ta mbé m sã o conside ra dos conve nciona dos os honorá rios a justa dos ve rba lme nte , e m pre se nça
de te ste munha s. Essa hipóte se de pe nde de a rbitra me nto, pa ra que os honorá rios possa m se r
e xe cuta dos.

Os honorá rios se rã o fixa dos por a rbitra me nto judicia l, qua ndo nã o fore m conve nciona dos
pre via me nte . O a rbitra me nto nã o se confunde com a rbitra rie da de do juiz, que de ve rá obse rva r
pa râ me tros que a própria le i fixou. O limite mínimo é a ta be la orga niza da pe lo Conse lho Se cciona l
da OAB. Há dois outros pa râ me tros, que nã o sã o os únicos, a se r le va dos e m conta pe lo juiz:

I — A compa tibilida de com o tra ba lho re a liza do, de ntro ou fora do proce sso judicia l, incluindo:
o te mpo, a proficiê ncia , a qua ntida de e qua lida de da s pe ça s produzida s, a mé dia da re mune ra çã o
pra tica da pe los profissiona is e m ca sos se me lha nte s, a pa rticipa çã o de ma is de um profissiona l, a s
de spe sa s e de sloca me ntos re a liza dos pe lo a dvoga do.

II — O va lor e conômico da que stã o, re la tivo a o qua l se e stipule uma pe rce nta ge m, se gundo a
mé dia pra tica da no me io profissiona l.

HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA

A le gisla çã o a nte rior e sta be le cia que os honorá rios fixa dos na conde na çã o contra a pa rte
ve ncida ou sucumbe nte , na a çã o, pe rte ncia m à pa rte ve nce dora . A Le i n. 8.906/94 inve rte u
ra dica lme nte a titula rida de de sse s e spe cíficos honorá rios, a sa be r, da pa rte ve nce dora pa ra se u
a dvoga do. Com e fe ito, mudou o funda me nto e a na ture za de ssa conde na çã o, de ixa ndo de se r
inde niza çã o da s de spe sa s de spe ndida s pe la pa rte ve nce dora pa ra consistir e m pa rte da
re mune ra çã o de se u a dvoga do, cujo ônus é imputa do à pa rte ve ncida .

Os honorá rios de sucumbê ncia pode m se r a cumula dos com os honorá rios contra ta dos. Pre via o
Código de Ética e Disciplina de 1995 que de ve ria m se r le va dos e m conta no a ce rto fina l com o
clie nte , o que significa re la tiva compe nsa çã o e ntre e le s, de modo a e vita r que a soma se conve rta
e m va nta ge m e xa ge ra da e de sproporciona l a os se rviços contra ta dos. Ainda que o Código de 2015
se ja omisso a re spe ito, e ssa re gra de ontológica de ve se r obse rva da .

O dire ito a os honorá rios de sucumbê ncia e ste nde -se a os a dvoga dos públicos, porque e xe rce m
a tivida de de a dvoca cia , nos te rmos do § 1º do a rt. 3º da Le i n. 8.906/94. A le i fe de ra l pode rá re stringir
ou proibir sua pe rce pçã o, ma s a s le is e sta dua is ou municipa is nã o pode rã o fa zê -lo, pois a
compe tê ncia pa ra le gisla r sobre condiçõe s de e xe rcício da s profissõe s é da Uniã o (a rt. 22, XVI, da
Constituiçã o). Os honorá rios de sucumbê ncia pe rte nce m inte gra lme nte a os a dvoga dos inte gra nte s
da ca rre ira re spe ctiva , que os pa rtilha rã o nos te rmos da le i e spe cífica de ca da ca rre ira , de a cordo
com o a rt. 85, § 19, do CPC/2015.

O dire ito a o re ce bime nto dos honorá rios de sucumbê ncia é indisponíve l, nã o pode ndo se r
obje to de ne gocia çã o e m contrá rio, inve rte ndo-se o e nte ndime nto jurisprude ncia l a nte rior. A le i
comina com a conse quê ncia da nulida de qua lque r disposiçã o ne gocia l que o a fa ste , inclusive
qua ndo se tra ta r de conve nçã o cole tiva e ntre re pre se nta nte s de tra ba lha dore s e do e mpre ga dor.
Toda via , o pre ce ito contido no § 3º do a rt. 24 da Le i n. 8.906/94 foi de cla ra do inconstituciona l pe lo
STF na ADIn 1.194-4.

Em fa ce de ssa de cisã o do STF, que a fe ta profunda me nte a siste má tica a dota da pe la Le i n.


8.906/94, re sulta o se guinte re gime jurídico:

a ) os honorá rios de sucumbê ncia pe rte nce m a o a dvoga do (a rt. 23) ou a o a dvoga do e mpre ga do
(a rt. 21), se nã o tive r ha vido e xpre ssa conve nçã o e m contrá rio;

b) os honorá rios de sucumbê ncia pe rte nce m à pa rte ve nce dora se houve r contra to ou
conve nçã o individua l ou cole tiva que a ssim e sta be le ça m.
De qua lque r forma , o dire ito do a dvoga do a os honorá rios de sucumbê ncia continua se ndo a
re gra , e a tra nsfe rê ncia à pa rte , a e xce çã o, a o contrá rio da orie nta çã o a nte rior.

De cidiu o STJ, no REsp 608.028, que “os honorá rios a dvoca tícios, me smo de sucumbê ncia , tê m
na ture za a lime nta r. A a le a torie da de no re ce bime nto de ssa s ve rba s nã o re tira ta l ca ra cte rística , da
me sma forma que , no â mbito do Dire ito do Tra ba lho, a a le a torie da de no re ce bime nto de comissõe s
nã o re tira sua na ture za sa la ria l”. Re je itou-se a pre fe rê ncia a o cré dito tributá rio, ple ite a do pe la
Uniã o. De a cordo com o Tribuna l, pa ra a gra nde ma ssa dos a dvoga dos, os honorá rios de
sucumbê ncia fa ze m pa rte do suste nto. É ta mbé m o e nte ndime nto do STF (RE 146.318-0), que
re conhe ce o ca rá te r a lime nta r dos honorá rios. A contrové rsia ce ssou com o a dve nto do § 14 do a rt.
85 do CPC/2015, que e xpre ssa me nte e sta be le ce a na ture za a lime nta r dos honorá rios, inclusive os de
sucumbê ncia .

Se gundo a Súmula 306 do STJ, qua ndo houve r sucumbê ncia re cíproca , os honorá rios de ve m se r
compe nsa dos, a sse gura ndo a o a dvoga do o dire ito a utônomo à e xe cuçã o do sa ldo se m e xcluir a
le gitimida de da própria pa rte . Já o CPC/2015 (a rt. 86) e sta be le ce que , “se ca da litiga nte for, e m pa rte ,
ve nce dor e ve ncido, se rã o proporciona lme nte distribuída s e ntre e le s a s de spe sa s, que inclue m os
honorá rios de sucumbê ncia .

A Súmula 453, do STJ, e nuncia que : “Os honorá rios sucumbe ncia is, qua ndo omitidos e m de cisã o
tra nsita da e m julga do, nã o pode m se r cobra dos e m e xe cuçã o ou e m a çã o própria ”.

Dúvida s há qua nto a os honorá rios de sucumbê ncia e m proce dime ntos a rbitra is, te ndo e m vista
que o a rt. 27 da Le i n. 9.307/96 a utoriza a se nte nça a rbitra l a disciplina r a re sponsa bilida de da s
pa rte s qua nto a o re ssa rcime nto da s de spe sa s e fe tua da s a e sse título. Te m sido e nte ndido que “ta l
re ssa rcime nto da r-se -á me dia nte a a pre se nta çã o, pe la pa rte ve nce dora , de e ve ntua l comprova nte
de de spe sa s com a dvoga dos — norma lme nte , o contra to de honorá rios — ou e m qua ntia , a se r
a rbitra da pe lo Tribuna l Arbitra l, que corre sponda a o que a pa rte ra zoa ve lme nte ga stou com sua
de fe sa no proce dime nto a rbitra l”, no ca so da s a rbitra ge ns domé stica s, pois na s a rbitra ge ns
inte rna ciona is é e stra nho o conce ito de sucumbê ncia (Te pe dino, 2008).

Advoga do pode se r contra ta do a pe na s pe los honorá rios de sucumbê ncia , pois nã o há


dispositivo le ga l que ve de e sse tipo de re mune ra çã o. Assim, 1ª Turma do Tribuna l Supe rior do
Tra ba lho confirmou, por una nimida de , a va lida de de uma clá usula contra tua l que e stipula va o
pa ga me nto a um a dvoga do de ssa forma (AIRR-66240-82.2007.5.23.0026). No ca so, o a dvoga do firmou
contra to de pre sta çã o de se rviços com o Ba nco do Bra sil, ma s uma clá usula do a cordo e sta be le cia
que a re mune ra çã o se ria por me io de honorá rios sucumbe ncia is. Na a çã o, o profissiona l pe dia a
a nula çã o da clá usula e que a Justiça do Tra ba lho fixa sse os va lore s de pa ga me nto.
MODOS DE PAGAMENTO DOS HONORÁRIOS

Os modos de pa ga me nto dos honorá rios conve nciona dos sã o livre me nte pa ctua dos por
a dvoga do e clie nte . Nã o há um crité rio rígido fixa do e m le i.

Na fa lta de conve nçã o se rá obse rva da a norma suple tiva do Esta tuto, que pre vê a divisã o do
pa ga me nto dos honorá rios e m trê s mome ntos, e m pa rte s igua is, qua ndo se tra ta r de proce sso
judicia l: um te rço no início do se rviço, um te rço a pós a de cisã o de prime ira instâ ncia e um te rço no
fina l do proce sso. A me sma proporçã o de ve se r a dota da no ca so de se rviços e xtra judicia is.

No que re spe ita a os honorá rios de sucumbê ncia , se a s pa rte s ve ncida s fore m dive rsa s,
re sponde m proporciona lme nte pe los honorá rios, de a cordo com a distribuiçã o fixa da na se nte nça
(CPC/2015, a rt. 87).

COBRANÇA DOS HONORÁRIOS

Os honorá rios sã o cobra dos me dia nte proce sso de e xe cuçã o. Sã o títulos e xe cutivos:

I — e xtra judicia l: o contra to e scrito de honorá rios que pre e ncha os re quisitos dos a rts. 221, 593
e se guinte s do Código Civil e que de ve se r o pa drã o a dota do pe lo a dvoga do;

II — judicia l: a de cisã o judicia l que os fixa r na sucumbê ncia ou os a rbitra r, no ca so de a usê ncia
de contra to e scrito.

Os honorá rios constitue m cré dito privile gia do, no me smo níve l dos cré ditos tra ba lhista s, e m
virtude de re sulta re m da me sma na ture za , ou se ja , do tra ba lho huma no, e m qua lque r hipóte se e m
que ha ja concurso de cré ditos: fa lê ncia , concorda ta , concurso de cre dore s, insolvê ncia civil e
liquida çã o e xtra judicia l. O privilé gio re fe re -se a honorá rios de qua lque r tipo ou orige m, de sde que o
pa ga me nto se ja imputá ve l a o de ve dor. O STF e quipa rou honorá rios a cré ditos tra ba lhista s pa ra
ha bilita çã o e m fa lê ncia s, na ADI 4.071. No REsp 1.152.218, o STJ limitou e m 150 sa lá rios mínimos os
honorá rios contra ta dos ou de sucumbê ncia que goza m da na ture za a lime nta r, e quipa ra dos a os
cré ditos tra ba lhista s no juízo a lime nta r.

Nã o há ne ce ssida de de a e xe cuçã o se r promovida e m proce sso distinto. Nos me smos a utos


onde te nha a tua do o a dvoga do pode se r pe dida a e xe cuçã o, se m distribuiçã o ou pa ga me nto de
ta xa s ou custa s pré via s, de te rmina ndo o juiz a e xpe diçã o do ma nda do de cita çã o e pe nhora ,
se guindo a s re gra s própria s do proce sso de e xe cuçã o, pre visto na le gisla çã o proce ssua l civil. A le i
fa culta a o a dvoga do um proce dime nto ma is simplifica do. Pode , no e nta nto, opta r pe la e xe cuçã o e m
proce sso próprio, se gundo sua s conve niê ncia s. Ente nde u o STJ (REsp 135.546) que “e mbora te nha o
a dvoga do dire ito a utônomo de e xe cuta r a ve rba honorá ria , nã o fica e xcluída a possibilida de da
pa rte , e m se u nome , ma s re pre se nta da pe lo me smo a dvoga do, insurgir-se contra o q uantum fixa do a
título de honorá rios a dvoca tícios”.

Qua ndo se tra ta r de pre ca tório, e ste de ve se r e xpe dido dire ta me nte e m nome do a dvoga do,
pois o dire ito é a utônomo e e m se u nome te rá sido proce ssa da a e xe cuçã o. O STJ (REsp 244.802),
inte rpre ta ndo o a rt. 23 da Le i n. 8.906/94 de cidiu que “o de te ntor do dire ito de pe rce pçã o dos
honorá rios se rá se mpre o a dvoga do constituído pe la pa rte ”, concluindo que nã o pode ple ite a r a
re visã o, e m re curso, e m nome do clie nte . No RMS 15794, e nte nde u que “o pre ca tório, qua ndo
re fe re nte à ve rba honorá ria , de ve se r e xpe dido e m nome do a dvoga do que pa trocinou a ca usa , e is
que a e le pe rte nce (Le i 8.906/94). Nã o te ndo sido, contudo, e xpe dido e m nome do pa trono
(a dvoga do), ca re ce e le de le gitimida de pa ra re que re r a inte rve nçã o no município por a usê ncia de
pa ga me nto da dívida ”. Ma s a Qua rta Turma do me smo STJ (REsp 191.378-MG) de cidiu que a
e xe cuçã o da se nte nça , na pa rte a lusiva a os honorá rios de sucumbê ncia , pode se r promovida ta nto
pe la pa rte como pe lo a dvoga do. A Corte Espe cia l do STJ, a o a pre cia r o REsp 1.102.473, a sse ntou que
o fa to de o pre ca tório te r sido e xpe dido e m nome da pa rte nã o re pe rcute na disponibilida de do
cré dito re fe re nte à me nciona da ve rba a dvoca tícia , te ndo o a dvoga do o dire ito de e xe cutá -lo ou ce dê -
lo a te rce iro. Se ndo a ssim, comprova da a va lida de do a to de ce ssã o dos honorá rios a dvoca tícios
sucumbe ncia is re a liza do por e scritura pública , be m como discrimina do no pre ca tório o va lor de vido
a título da re spe ctiva ve rba a dvoca tícia , de ve -se re conhe ce r a le gitimida de do ce ssioná rio pa ra se
ha bilita r no cré dito consigna do no pre ca tório. A Corte Espe cia l/STJ pa cificou e nte ndime nto no
se ntido da ile gitimida de da socie da de de a dvoga dos de re ce be r dire ta me nte o pre ca tório “se a
procura çã o de ixa r de indica r o nome da socie da de de que o profissiona l fa z pa rte ”, pois, ne ssa
hipóte se , “pre sume -se que a ca usa te nha sido a ce ita e m nome próprio, e ne sse ca so o pre ca tório
de ve se r e xtra ído e m be ne fício do a dvoga do, individua lme nte ” (AgRg no Proc. 769). A contrario sensu,
se a socie da de que o a dvoga do inte gra é indica da no instrume nto de ma nda to, re conhe ce -se a sua
le gitimida de pa ra fins de re ce bime nto do pre ca tório (STJ, AgRg nos EDcl no REsp 1.354.565).

Os honorá rios a dvoca tícios tê m na ture za a utônoma e pode m se r e xe cuta dos e le va nta dos
se pa ra da me nte e m pre ca tórios, inclusive via Re quisiçã o de Pe que no Va lor (RPV). Assim de cidiu o
Supre mo Tribuna l Fe de ra l (RE 564.132). O Exe cutivo e sta dua l de fe nde u a impossibilida de do
fra ciona me nto do va lor da e xe cuçã o de pre ca tórios, pa ra o pa ga me nto de honorá rios por RPVs,
a nte s de o va lor principa l a se r pa go. Ma s os ministros e nte nde ra m se r possíve l a e xe cuçã o
a utônoma dos honorá rios, inde pe nde nte me nte do va lor principa l a se r re ce bido pe lo clie nte .

Na fa se de e xe cuçã o da se nte nça , o a dvoga do pode , a ne xa ndo se u contra to de pre sta çã o de


se rviços, re que re r que se ja de duzido o va lor dos honorá rios contra ta dos da importâ ncia que o
clie nte te m dire ito a re ce be r. Assim de cidiu o STJ (REsp 295.987-SP).
O dire ito a honorá rios inte gra o pa trimônio civil da pe ssoa do a dvoga do. Em ca so de morte ,
tra nsmite -se a se us suce ssore s le gítimos. Em ca so de inca pa cida de civil supe rve nie nte e de pois de
de cla ra da sua inte rdiçã o, le gitima -se se u cura dor a re ce be r os honorá rios. A le i a pe na s re fe re -se
a os honorá rios de sucumbê ncia e à proporciona lida de pe lo tra ba lho re a liza do. Essa re fe rê ncia nã o
pode se r e nte ndida como re striçã o, ma s como e spe cifica çã o de hipóte se que nã o inva lida a s
de ma is, ou se ja , a s dos honorá rios conve nciona dos e a s dos a rbitra dos. A inte rpre ta çã o re stritiva
le va ria a re sulta do iníquo: os honorá rios que nã o fosse m oriundos de sucumbê ncia torna r-se -ia m
ine xigíve is, conduzindo a o e nrique cime nto se m ca usa do de ve dor.

A distinçã o e ntre os honorá rios de sucumbê ncia e os honorá rios contra tua is, pa ra e fe itos de
e xe cuçã o pe lo a dvoga do, e stá supe ra da pe la jurisprudê ncia do STJ, que conside ra a mbos de
na ture za a lime nta r. E, por te r na ture za a lime nta r, pode m se r a dimplidos com a constriçã o dos
ve ncime ntos do e xe cuta do (cf. REsp 948.492).

Os honorá rios, contra ta dos ou fixa dos e m se nte nça judicia l, sã o de vidos a inda que o clie nte
re a lize a cordo com a pa rte contrá ria . Pode , no e nta nto, o a dvoga do concorda r e m re duzi-los
proporciona lme nte , por libe ra lida de sua . Nã o há de ve r é tico pa ra ta l, porque ha via uma le gítima
e xpe cta tiva e m re ce bê -los, como pre visã o de re ce ita de se u e scritório, e é ra zoá ve l supor que , no
pla ne ja me nto de sua a tivida de , te nha re cusa do o pa trocínio de outra s ca usa s e m virtude da que la .

O a dvoga do que re ce be r substa be le cime nto com re se rva de pode re s nã o pode cobra r os
honorá rios dire ta me nte do clie nte ne m e sta be le ce r com e ste qua lque r tipo de a cordo de
re ce bime nto. Exige --se a inte rve nçã o ne ce ssá ria do cole ga que substa be le ce u, porque o
substa be le cime nto se de u e m ca rá te r de confia nça , ma nte ndo-se a que le no pa trocínio e dire çã o
principa l da ca usa ou que stã o. É re gra de na ture za é tica , cuja infra çã o e stá suje ita a pe na
disciplina r. Conse que nte me nte , o a dvoga do que re ce be u o substa be le cime nto nã o pode e xe cuta r
isola da me nte os honorá rios, de ve ndo fa zê -lo se mpre e m conjunto com o outro.

A Súmula 14 do STJ e sta be le ce que “a rbitra dos os honorá rios a dvoca tícios e m pe rce ntua l sobre
o va lor da ca usa , a corre çã o mone tá ria incide a pa rtir do re spe ctivo a juiza me nto”.

A Se gunda Se çã o do STJ, e nce rra ndo dive rgê ncia de julga dos do próprio tribuna l, de cidiu, e m
2012, por ma ioria , se r da Justiça do Tra ba lho a compe tê ncia pa ra proce ssa r e julga r a çã o de
cobra nça de honorá rios a dvoca tícios contra tua is e m ra zã o dos se rviços pre sta dos e m a çã o
tra ba lhista . No ca so, a dvoga dos pre sta ra m se rviços pa ra sindica to, se ndo que a e ntida de figurou no
polo a tivo na qua lida de de substituto dos se us filia dos (CC 112.748-PE). O STJ a fa stou o e nuncia do da
Súmula 363/STJ, que de te rmina a compe tê ncia da Justiça e sta dua l pa ra e xe cuçã o de honorá rios
a dvoca tícios contra tua is, e m fa ce do que dispõe o a rt. 22, § 4º, do Esta tuto.
PRESCRIÇÃO

A Le i n. 8.906/94 e sta be le ce re gra de pre scriçã o e spe cia l, de rroga tória da le gisla çã o comum
sobre a ma té ria , re la tiva à pre te nsã o de cobra nça dos honorá rios de a dvoga do.

O pra zo fixa do é o de cinco a nos. A Le i, incorre ta me nte , re fe re -se à a çã o, re pe tindo um e rro


muito comum e m nossa le gisla çã o, porque nã o é a a çã o que é a tingida pe la pre scriçã o, ma s, a nte s
de la , a pre te nsã o. O a rt. 206, § 5º, II, do Código Civil ma nte ve idê ntico pra zo pre scriciona l pa ra “a
pre te nsã o dos profissiona is libe ra is e m ge ra l, procura dore s judicia is”, conta do a pa rtir da conclusã o
dos se rviços, da ce ssa çã o dos re spe ctivos contra tos ou ma nda to. Pa ra a Le i n. 8.906/94, o te rmo
inicia l é o do dia útil se guinte a uma da s se guinte s hipóte se s:

I — Do te rmo fina l do contra to e scrito. Esta de ve rá se r a re gra . No e nta nto, a Le i n. 8.906/94


utiliza a locuçã o “ve ncime nto do contra to”, que de ve rá se r e nte ndido como te rmo fina l do pra zo de
pre sta çã o pe cuniá ria de vida pe lo clie nte . Ha ve ndo ma is de uma pre sta çã o pe cuniá ria , o
“ve ncime nto do contra to” se rá corre sponde nte a o da última .

II — Do trâ nsito e m julga do da de cisã o judicia l que fixa r os honorá rios de sucumbê ncia ou por
a rbitra me nto. “A pre scriçã o re la tiva a honorá rios de sucumbê ncia é quinque na l, nos te rmos do a rt.
25, inciso II, da Le i n. 8.906/94 (EOAB), que pre vê a fluê ncia do pra zo de cinco a nos a conta r do
trâ nsito e m julga do da de cisã o que fixa r a ve rba ” (STJ, AR 4.718).

III — Do e nce rra me nto comprova do e e fe tivo dos se rviços profissiona is e xtra judicia is
contra ta dos. Ne sse ca so, se nã o houve r contra to e scrito, os honorá rios se rã o a rbitra dos
judicia lme nte , re a brindo-se novo pra zo pre scriciona l, com funda me nto no ite m a nte rior.

IV — Da de sistê ncia da a çã o, conside ra da a da ta do trâ nsito e m julga do da de cisã o que


de cre ta r a e xtinçã o da a çã o.

V — Da tra nsa çã o a migá ve l ou judicia l e ntre o clie nte e a pa rte contrá ria . Na prime ira hipóte se ,
a pa rtir da da ta do contra to de tra nsa çã o, e na se gunda , a pa rtir da de cisã o que a homologa r.

VI — Da re núncia do ma nda to, por a to do a dvoga do, a pa rtir do e nce rra me nto do pra zo de de z
dia s se guinte s à notifica çã o e xpre ssa que fize r a o clie nte , sa lvo se for substituído a nte s do té rmino
de sse pra zo (cf. a rt. 5º, § 3º, da Le i n. 8.906/94). “A conta ge m do pra zo quinque na l a que a lude o a rt.
25, inciso V, da Le i 8.906/94 se inicia da da ta e m que o ma nda nte é cie ntifica do da re núncia ” (STJ,
REsp 864.803).

VII — Da re voga çã o do ma nda to, conside ra ndo-se a da ta da notifica çã o do clie nte re ce bida
pe lo a dvoga do, ou da comunica çã o do clie nte da nome a çã o de outro ma nda tá rio.

O Esta tuto nã o pre vê ca usa s e spe cia is inte rruptiva s ou suspe nsiva s da pre scriçã o,
pre va le ce ndo a s que o Código Civil fixa r.

A Le i n. 11.902/2009 introduziu ne sse ca pítulo do Esta tuto moda lida de de pre scriçã o, e stra nha
a os honorá rios a dvoca tícios. Cuida de pre scriçã o de pre te nsã o de outra ma té ria , ou se ja , de
pre sta çã o de conta s, cuja fa lta e nse ja infra çã o disciplina r, tipifica da no inciso XXI do a rt. 34, pa ra o
qua l re me te mos o le itor.
INCOMPATIBILIDADES E IMPEDIMENTOS

CAPÍTULO VII

DAS INCOMPAT IBILIDADES E IMPEDIMENT OS

Art. 27. A incompatibilidade determina a proibição total, e o impedimento, a proibição parcial


do exercício da advocacia.

Art. 28. A advocacia é incompatível, mesmo em causa própria, com as seguintes atividades:

I — chefe do Poder Executivo e membros da Mesa do Poder Legislativo e seus substitutos legais;

II — membros de órgãos do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos tribunais e conselhos


de contas, dos juizados especiais, da justiça de paz, juízes classistas, bem como todos os que exerçam
função de julgamento em órgãos de deliberação coletiva da administração pública direta ou indireta;

III — ocupantes de cargos ou funções de direção em órgãos da Administração Pública direta ou


indireta, em suas fundações e em suas empresas controladas ou concessionárias de serviço público;

IV — ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente a qualquer órgão do


Poder Judiciário e os que exercem serviços notariais e de registro;

V — ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente a atividade policial de


qualquer natureza;

VI — militares de qualquer natureza, na ativa;

VII — ocupantes de cargos ou funções que tenham competência de lançamento, arrecadação ou


fiscalização de tributos e contribuições parafiscais;

VIII — ocupantes de funções de direção e gerência em instituições financeiras, inclusive


privadas.

§ 1º A incompatibilidade permanece mesmo que o ocupante do cargo ou função deixe de


exercê-lo temporariamente.

§ 2º Não se incluem nas hipóteses do inciso III os que não detenham poder de decisão relevante
sobre interesses de terceiro, a juízo do Conselho competente da OAB, bem como a administração
acadêmica diretamente relacionada ao magistério jurídico.

Art. 29. Os Procuradores Gerais, Advogados Gerais, Defensores Gerais e dirigentes de órgãos
jurídicos da Administração Pública direta, indireta e fundacional são exclusivamente legitimados para
o exercício da advocacia vinculada à função que exerçam, durante o período da investidura.

Art. 30. São impedidos de exercer a advocacia:

I — os servidores da administração direta, indireta e fundacional, contra a Fazenda Pública que


os remunere ou à qual seja vinculada a entidade empregadora;

II — os membros do Poder Legislativo, em seus diferentes níveis, contra ou a favor das pessoas
jurídicas de direito público, empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações públicas,
entidades paraestatais ou empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público.

Parágrafo único. Não se incluem nas hipóteses do inciso I os docentes dos cursos jurídicos.

CO MENTÁRIO S

NATUREZA E ALCANCE DOS IMPEDIMENTOS E INCOMPATIBILIDADES

A Le i n. 8.906/94 introduziu um siste ma distinto de incompa tibilida de s e impe dime ntos, qua nto à
na ture za e a se u a lca nce , com re la çã o a o Esta tuto a nte rior. Ne ste , ha via uma lista de ca usa s
e spe cífica s de incompa tibilida de s e outra de impe dime ntos, a cre scida s de norma s ge né rica s que
a dota va m conce itos inde te rmina dos de captação d e clientela e red ução d e ind epend ência. A jurisprudê ncia
da OAB flutuou consta nte me nte , e m fa ce da s dua s corre nte s que disputa va m a prima zia da
inte rpre ta çã o le ga l: uma , a firma va que a s lista s configura va m e nuncia çõe s e xe mplifica tiva s,
de ve ndo se r a na lisa do ca da ca so concre to, se gundo os pa râ me tros ge né ricos re fe ridos; outra ,
suste nta va que a s lista s constituía m num erus clausus, a pe na s a cre scido de outra s hipóte se s qua ndo
pre via me nte fixa da s e m Provime nto da OAB, uma ve z que dizia m com re striçõe s de dire ito.

O a tua l Esta tuto optou por uma e nume ra çã o ta xa tiva , se m qua lque r re fe rê ncia a conce itos
ge né ricos e inde te rmina dos ne m possibilida de de a cré scimos me dia nte Provime nto. As hipóte se s
sã o a s re fe rida s na le i, e a pe na s e sta s. O CFOAB, a ce rta da me nte , conside rou ile ga l re soluçã o de
Conse lho Se cciona l que , sob pre te xto de inte rpre ta r o Código de Ética e Disciplina , criou
incompa tibilida de te mporá ria pa ra ma gistra dos, promotore s e de le ga dos de polícia (Proc.
4.454/99/COP). Sobre a na ture za re stritiva da inte rpre ta çã o dos impe dime ntos e incompa tibilida de s,
a ssim de cidiu o STF, no RE 92.237-PI: “Por outro la do, os impe dime ntos constitue m e xce çã o à re gra
ge ra l da possibilida de inte gra l do e xe rcício da profissã o de a dvoga do, de modo que os dispositivos
da le i que os e sta be le ce m de ve m se r inte rpre ta dos re stritiva me nte ”.

O pa ra digma que o Esta tuto te m pre se nte nã o é o da a dvoca cia com de dica çã o e xclusiva ,
se gundo o mode lo tra diciona l fra ncê s, a sa be r, o a dvoga do que nã o pode e xe rce r qua lque r outra
a tivida de , pública ou priva da , ne m pode se r a ssa la ria do. A e xpe riê ncia e a re a lida de bra sile ira s,
como já sa lie nta mos, de monstra ra m que o pe rfil pre domina nte do a dvoga do é o do a ssa la ria do ou o
do que a cre sce nta outra s fonte s de re nda à sua a tivida de profissiona l. Em muita s re giõe s do Pa ís o
Pode r Público é o principa l e mpre ga dor dos profissiona is do dire ito.

De sta rte , ma ntive ra m-se a s hipóte se s clá ssica s ou tra diciona is re la ciona da s a ca rgos e funçõe s
que , por sua na ture za , sã o incompa tíve is com o e xe rcício da a dvoca cia , nã o só por insupe rá ve l
conflito de inte re sse s, ma s ta mbé m por forte s motiva çõe s é tica s, qua ndo é a fe ta do o princípio da
igua lda de de oportunida de s profissiona is.

Os impe dime ntos e incompa tibilida de s e xiste m e m toda s a s le gisla çõe s do mundo sobre a
a dvoca cia , de sde qua ndo o Impe ra dor Justino, de Consta ntinopla , no sé culo VI, e struturou
le ga lme nte a profissã o.

A proibiçã o de e xe rcício de a tivida de priva da de te rmina da pe la Administra çã o Pública


(nota da me nte qua ndo o a dvoga do é se rvidor público e m re gime de te mpo inte gra l) nã o ge ra a
incompa tibilida de pre vista no Esta tuto da Advoca cia , porque sã o situa çõe s distinta s. A
incompa tibilida de pa ra o e xe rcício da a dvoca cia te m funda me nto é tico e visa a e vita r conflitos de
inte re sse s, que re pe rcute m ne ga tiva me nte na re puta çã o profissiona l, e nqua nto na prime ira situa çã o
pre va le ce o inte re sse da Administra çã o Pública . Assim, de cidiu o CFOAB (Eme nta 16/2007/OEP) que
a e xigê ncia da Administra çã o, de que se us se rvidore s inte rrompa m o e xe rcício da a dvoca cia priva da
e m ra zã o de e sta re m subme tidos a o re gime de de dica çã o e xclusiva , nã o inva de a e sfe ra de
compe tê ncia da OAB, uma ve z que nã o implica e sta be le cime nto de nova hipóte se de
incompa tibilida de ou impe dime nto, que se limita à re la çã o de pa trocínio, ma s simple s a plica çã o de
norma que re gula o vínculo contra tua l e /ou e sta tutá rio e sta be le cido e ntre a s pa rte s.

AS INCOMPATIBILIDADES SOB A ÓTICA CONSTITUCIONAL

A Constituiçã o, no a rt. 5º, XIII, e sta be le ce que “é livre o e xe rcício de qua lque r tra ba lho, ofício
ou profissã o, a te ndida s a s qua lifica çõe s profissiona is que a le i e sta be le ce r ”. As hipóte se s de
incompa tibilida de s e impe dime ntos inclue m-se no conte údo conce ptua l a bra nge nte de
“qua lifica çõe s profissiona is”, que nã o sã o a pe na s a s de e scola riza çã o, ma s a s de ca rá te r té cnico,
é tico, de fisca liza çã o, se le çã o e tc. A Constituiçã o a nte rior de 1967/1969 re fe ria -se a “condiçõe s de
ca pa cida de ”, de a lca nce ma is re strito, ha ve ndo o STF e nte ndido que ne la s e sta ria incluído o
siste ma de impe dime ntos e incompa tibilida de s pre visto e m le i.

De qua lque r forma , a Constituiçã o, no a rt. 22, XVI, e sta be le ce que a Uniã o te m compe tê ncia
pa ra le gisla r sobre “condiçõe s pa ra o e xe rcício da s profissõe s”, que se ha rmoniza m com a clá usula
fina l do inciso XIII do a rt. 5º, re la tiva me nte à s “qua lifica çõe s profissiona is que a le i e sta be le ce r ”.
A que stã o constituciona l foi e nfre nta da pe lo STF, no RE 199.088-1, qua ndo se a rguiu que a norma
infra constituciona l que e sta be le ce hipóte se s de incompa tibilida de s ofe nde ria o princípio da
libe rda de de e xe rcício profissiona l. Tra ta va -se de e xe rcício de ca rgo de a sse ssor de de se mba rga dor,
e nqua drá ve l na hipóte se do a rt. 28, IV, da Le i 8.906/94. De cidiu o STF que o a rt. 5º, XIII (libe rda de de
profissã o), “de ve se r inte rpre ta do e m consonâ ncia com o a rt. 22, XVI, da Constituiçã o Fe de ra l, e com
o princípio da mora lida de a dministra tiva imposto à Administra çã o Pública ”.

INCOMPATIBILIDADES COM A ADVOCACIA: ALCANCE E TIPOS

A incompa tibilida de implica a proibiçã o tota l de a dvoga r a o ba cha re l e m dire ito que pa ssa r a
e xe rce r ca rgos ou funçõe s que o Esta tuto e xpre ssa me nte indica . A proibiçã o pode se r pe rma ne nte
(e x.: ma gistra tura ) ou te mporá ria (e x.: se cre tá rio de Esta do), de pe nde ndo do e xe rcício ou na ture za
do ca rgo ou funçã o.

A incompa tibilida de é se mpre tota l e a bsoluta , a ssim pa ra a postula çã o e m juízo como pa ra a


a dvoca cia e xtra judicia l.

A incompa tibilida de pe rma ne nte a ca rre ta o ca nce la me nto de finitivo da inscriçã o (ve r
come ntá rios a o a rt. 11, IV), que , ca nce la da , ja ma is se re sta ura e e xtingue todos os e fe itos de la
de corre nte s, inclusive dos me mbros honorá rios vita lícios (a ntigos me mbros na tos). No ca so de
incompa tibilida de de me mbro honorá rio vita lício, o CFOAB já de cidiu que e x-pre side nte do
Conse lho Fe de ra l, ao a ssumir o ca rgo de procura dor-ge ra l do Esta do, nã o só e sta va
incompa tibiliza do pa ra a a dvoca cia , como, e nqua nto o e xe rce sse , nã o pode ria te r a sse nto no
Conse lho, conside ra ndo o lice ncia me nto compulsório (Re c. 3.095/83/PC).

É importa nte re ssa lta r que a incompa tibilida de é re fe rida a o ca rgo, se ndo irre le va nte que se u
titula r e ste ja de se mpe nha ndo a tivida de s de outro ca rgo, ou de svia do de funçã o. Ape na s ce ssa a
incompa tibilida de qua ndo de ixa r o ca rgo por motivo de a pose nta doria , morte , re núncia ou
e xone ra çã o.

Se o titula r do ca rgo público, conside ra do incompa tíve l, for posto e m disponibilida de


re mune ra da , pe rma ne ce a incompa tibilida de . Assim de cidiu o Órgã o Espe cia l no ca so de
ma gistra do e m disponibilida de (OE 3/95). Nã o ge ra dire ito a dquirido ne m fa z coisa julga da a de cisã o
sobre incompa tibilida de ou impe dime nto, pois a supe rve niê ncia de situa çã o nova a lte ra a de cisã o
a nte rior e impõe a o a dvoga do o de ve r de comunica çã o.

No que re spe ita a os a dvoga dos públicos (a rt. 3º, § 1º, do Esta tuto), o impe dime nto à a dvoca cia
priva da , e xiste nte no â mbito da Uniã o, nã o ca ra cte riza incompa tibilida de . É tipo e spe cífico de
impe dime nto.
Sã o oito a s hipóte se s de incompa tibilida de :

Titulares de entes políticos

A prime ira re fe re -se a os ca rgos de pre side nte da Re pública , gove rna dor de Esta do e pre fe ito
municipa l, e se us re spe ctivos vice s, e a os me mbros da s Me sa s do Congre sso Na ciona l, Se na do
Fe de ra l, Câ ma ra dos De puta dos, Asse mble ia s Le gisla tiva s, Câ ma ra s Municipa is. Qua nto a os
substitutos le ga is dos titula re s (a lca nça ndo os vice s ou suple nte s), inde pe nde de que e ste ja m no
e fe tivo e xe rcício, e m substituiçã o, dos ca rgos. A le i nã o se dirige a o e xe rcício, ba sta ndo a
virtua lida de da substituiçã o.

Os pa rla me nta re s que nã o inte gre m a s me sa s da s re spe ctiva s ca sa s le gisla tiva s sã o a pe na s


impe didos, na forma do a rt. 30, I, do Esta tuto. Assim re sponde u o Órgã o Espe cia l do CFOAB à
consulta , no se ntido de re conhe ce r que os ve re a dore s, que nã o inte gre m a me sa da ca sa le gisla tiva ,
e stã o impe didos de a dvoga r a pe na s contra a Fa ze nda Pública que os re mune re (Consulta
2010.27.00576-02).

A re gra obse rva o princípio da isonomia , porque e sta be le ce tra ta me nto igua l a todos os que se
e ncontre m na me sma situa çã o, ou se ja , os titula re s de órgã os má ximos dos Pode re s constituídos
dos e nte s fe de ra tivos.

Funções de julgamento

A se gunda a lca nça todos os que te nha m funçã o de julga me nto, nã o a pe na s os ma gistra dos e os
me mbros do Ministé rio Público.

No siste ma jurídico bra sile iro, o ma gistra do é e spé cie do gê ne ro juiz, a o contrá rio de outros
siste ma s e m que o ma gistra do é gê ne ro que inclui o me mbro do Ministé rio Público. Ne m todos os
juíze s sã o ma gistra dos (no se ntido e strito mode rno do te rmo, que se a fa sta do a bra nge nte se ntido
roma no). Sã o juíze s, ma s nã o juíze s-ma gistra dos: o juiz-á rbitro, o jura do, o juiz de pa z, o juiz e le itora l
e m sua jurisdiçã o e spe cífica , o juiz da justiça de sportiva .

Nã o ba sta , pa ra distinguir o ma gistra do do juiz, o e xe rcício do pode r de julga r ou da a utorida de


jurisdiciona l ou a forma de inve stidura . O pa râ me tro disjuntor é a ine rê ncia da s ga ra ntia s típica s da
vita licie da de , ina movibilida de e irre dutibilida de (a rt. 95 da Constituiçã o). Se fa lta qua lque r uma
de la s, e spe cia lme nte a vita licie da de , nã o se pre e nche o tipo ma gistra do, pa ra os fins da le i. A
vita licie da de há de se r conside ra da e m a to e potê ncia , se ndo a bra nge nte dos que a inda e ste ja m e m
e stá gio proba tório.

O a nte rior Esta tuto re ssa lva va a possibilida de de a dvoga r a os juíze s nã o ma gistra dos, fora de
sua s jurisdiçõe s e spe cífica s, nota da me nte a os juíze s e le itora is e a os juíze s cla ssista s da justiça
tra ba lhista . No a tua l Esta tuto a re fe rê ncia é a os “me mbros de órgã os do Pode r Judiciá rio”,
re me te ndo-se ne ce ssa ria me nte à Constituiçã o, que e sta be le ce :

“Art. 92. Sã o órgã os do Pode r Judiciá rio:

I — o Supre mo Tribuna l Fe de ra l;

I-A — o Conse lho Na ciona l de Justiça ;

II — o Supe rior Tribuna l de Justiça ;

III — os Tribuna is Re giona is Fe de ra is e Juíze s Fe de ra is;

IV — os Tribuna is e Juíze s do Tra ba lho;

V — os Tribuna is e Juíze s Ele itora is;

VI — os Tribuna is e Juíze s Milita re s;

VII — os Tribuna is e Juíze s dos Esta dos e do Distrito Fe de ra l e dos Te rritórios”.

O STF confe riu e nte ndime nto, se m re duçã o do te xto, na ADIn 1.127-8, pa ra e xcluir da
inte rpre ta çã o do inciso II do a rt. 28 os me mbros da Justiça Ele itora l e os re spe ctivos juíze s suple nte s
nã o re mune ra dos. Ente nde u o Órgã o Espe cia l do CFOAB que os dirige nte s dos órgã os da OAB,
inclusive o Pre side nte , nã o e stã o impe didos de e xe rce r e ssa funçã o.

Com re la çã o a os a dvoga dos que a tua m como me mbros de tribuna is e le itora is, de cidiu o
Conse lho Na ciona l de Justiça (PP 2007.10.00.001485-1) que : a ) nã o pode m a tua r pe ra nte o próprio
Tribuna l que inte gra m; b) nã o pode m a tua r pe ra nte outros juízos ou tribuna is e le itora is; c) pode m
a dvoga r pe ra nte os de ma is órgã os do Pode r Judiciá rio da Uniã o; d) pode m a tua r como a dvoga dos
nos fe itos crimina is; e ) nã o pode m pa trocina r ca usa s pe ra nte a Fa ze nda Pública que os re mune ra
(Esta dos ou Uniã o); f) pode m e xe rce r a a dvoca cia pública ; g) de ve m se subme te r à re gra de
qua re nte na pre vista no a rt. 95, pa rá gra fo único, da Constituiçã o, pe ra nte o tribuna l onde a tuou.

O Re gula me nto Ge ra l foi ma is longe , a o a dmitir que a incompa tibilida de me nciona da nã o se


a plica a os a dvoga dos que pa rticipe m dos órgã os de de libe ra çã o cole tiva que nã o inte gre m o Pode r
Judiciá rio, re pre se nta ndo a cla sse dos a dvoga dos, fica ndo a pe na s impe didos pe ra nte e sse s me smos
órgã os e nqua nto dura r a inve stidura . Conside ra -se re pre se nta nte da cla sse dos a dvoga dos a que le s
que se ja m indica dos pe la OAB, qua ndo a re pre se nta çã o for e xplicita me nte de stina da na composiçã o
do órgã o. Assim é porque a OAB, por força do Esta tuto, é a única e ntida de com pode r de
re pre se nta çã o cole tiva dos a dvoga dos.

Os juíze s le igos dos juiza dos e spe cia is ta mbé m fora m e xce pciona dos de ssa e spé cie de
incompa tibilida de , por força de e xpre sso ma nda me nto le ga l, contido no a rt. 7º da Le i 9.099/95,
e sta ndo a pe na s impe didos pe ra nte os juiza dos e spe cia is. Essa orie nta çã o pre va le ce u no Conse lho
Ple no do CFOAB (Eme nta n. 07/99/COP), modifica ndo e nte ndime nto a nte rior que os
incompa tibiliza va . Os a dvoga dos que e xe rça m ta is miste re s e stã o a pe na s impe didos pe ra nte os
juiza dos e spe cia is e m que e ste ja m de se mpe nha ndo sua s funçõe s. O juiz le igo nã o é titula r de va ra
ou juiza do ne m de té m compe tê ncia sobre os se rve ntuá rios dos ca rtórios. Os concilia dore s e m
princípio e stã o incompa tibiliza dos, sa lvo se a le i loca l de te rmina r que se rã o e scolhidos de ntre os
a dvoga dos indica dos pe la OAB como re pre se nta nte s da cla sse ; e sta foi a orie nta çã o a dota da pe lo
Órgã o Espe cia l do CFOAB, e m fa ce do a rt. 7º da Le i 7.244/84 (Proc. 31/95-OE), ma ntida pe lo Conse lho
Ple no (Eme nta n. 07/99/COP). Toda via , e nte nde u o STJ (REsp 380.176) que nã o há re striçã o le ga l a o
e xe rcício da s funçõe s conjunta s de concilia dor de Juiza do Espe cia l e de a dvoga do, se o ba cha re l e m
dire ito nã o ocupa r ca rgo e fe tivo ou e m comissã o no Pode r Judiciá rio, ha ve ndo impe dime nto a pe na s
pa ra o pa trocínio da s a çõe s proposta s no próprio juiza do cíve l.

Inclue m-se na incompa tibilida de os me mbros dos tribuna is e Conse lhos de Conta s
(conse lhe iros e a uditore s, e ste s qua ndo oste nta re m a tribuiçõe s a sse me lha da s ou substitua m
a que le s, me smo virtua lme nte ). O Órgã o Espe cia l do CFOAB (Eme nta n. 0130/2012/OEP) conside rou
que a s a tribuiçõe s da Ana lista de Fina nça s e Controle da Uniã o inclue m o a compa nha me nto e
a va lia çã o dos re cursos a lca nça dos pe los ge store s públicos, ca ra cte riza ndo funçã o de julga me nto e m
órgã o de de libe ra çã o (a rt. 28, II, do Esta tuto).

A Le i n. 8.906/94 pre te nde u cindir nitida me nte a funçã o de julga r da funçã o de postula r, que na
a tua lida de nã o se re la ciona m a pe na s a os órgã os do Pode r Judiciá rio. Por e ssa ra zã o, e nvolve u na
incompa tibilida de com a a dvoca cia os que inte gre m órgã os de de libe ra çã o cole tiva da
Administra çã o Pública dire ta ou indire ta (ne sta incluindo-se a s a uta rquia s, a s funda çõe s pública s, a s
e mpre sa s de e conomia mista e a s e mpre sa s pública s). Ente nde m-se como ta is os conse lhos ou
a sse me lha dos, de níve l ma is e le va do de ca da e ntida de ou unida de fe de ra tiva , a e xe mplo da s junta s
come rcia is, conse lho de contribuinte s, conse lho de a dministra çã o na s e mpre sa s, sa lvo no ca so de
me mbro na to e m virtude de ca rgo que só possa se r e xe rcido por a dvoga do. A m ens legis é se mpre a
de conside ra r o e xe rcício de pode r de cisório re le va nte . Por isso, os órgã os de de libe ra çã o cole tiva
primá rios ou inte rme diá rios, cuja s de cisõe s e stã o suje ita s a re curso a outros órgã os de de libe ra çã o
cole tiva do me smo órgã o ou e ntida de , nã o sã o a tingidos pe la incompa tibilida de .

Nã o se inclue m na s incompa tibilida de s os Conse lhos e órgã os julga dore s da OAB, porque e sta
nã o inte gra a Administra çã o Pública dire ta ou indire ta (a rt. 44, § 1º, da Le i n. 8.906/94).

Qua nto a os me mbros do Ministé rio Público, a Le i n. 8.906/94, no a rt. 83, da s disposiçõe s ge ra is
e tra nsitória s, e xce pciona os que ingre ssa ra m na ca rre ira e se inscre ve ra m na OAB a té 5 de outubro
de 1988, fa ze ndo opçã o a o re gime a nte rior que pe rmitia a a cumula çã o de a tivida de s.
Conside ra m-se me mbros do Ministé rio Público os que inte gra m a re spe ctiva ca rre ira
(promotore s e procura dore s). Os se rvidore s que os a uxilia m nã o e stã o a lca nça dos pe la
incompa tibilida de e sim pe lo impe dime nto do a rt. 30, I, da Le i n. 8.906/94, porque nã o se conside ra m
me mbros, ma s sim me ros a uxilia re s, se m a s pre rroga tiva s e os de ve re s dos ca rgos dos inte gra nte s
da ca rre ira do Ministé rio Público. Toda via , pre dominou o se ntido re stritivo, te ndo o Conse lho
Na ciona l do Ministé rio Público a prova do a Re soluçã o n. 27/2008 de te rmina ndo que os se rvidore s
e fe tivos, comissiona dos ou postos à disposiçã o dos Ministé rios Públicos e sta dua is e da Uniã o, ou
por e ste s re quisita dos, sã o proibidos de e xe rce r a a dvoca cia . Na me sma dire çã o a Súmula n.
02/2009/COP do CFOAB, se gundo o e nte ndime nto de que a e xpre ssã o “me mbros” de signa toda
pe ssoa que pe rte nce ou fa z pa rte de uma corpora çã o, socie da de ou a gre mia çã o, torna ndo-os
incompa tíve is com a a dvoca cia . Em re la çã o à Uniã o, e sta be le ce u o a rt. 21 da Le i n. 11.415/2006 que
“a os se rvidore s e fe tivos, re quisita dos e se m vínculos do Ministé rio Público da Uniã o é ve da do o
e xe rcício da a dvoca cia e consultoria té cnica ”. Igua lme nte , de cidiu o STJ, e m 2011 (REsp 997.714), que
a s a tivida de s e xe rcida s por a sse ssore s jurídicos do Ministé rio Público sã o incompa tíve is com o
e xe rcício da a dvoca cia .

Qua nto à qua re nte na de trê s a nos, introduzida pe la Eme nda Constituciona l n. 45/2004, pa ra que
o ma gistra do possa e xe rce r a a dvoca cia , a pós a a pose nta doria ou a e xone ra çã o do ca rgo, e nte nde -
se a plicá ve l à jurisdiçã o na qua l te nha pre sta do o concurso público pa ra ingre sso, ou à
corre sponde nte a o tribuna l e m que te nha ingre ssa do por nome a çã o do Pode r Exe cutivo. Nã o há
impe dime nto le ga l pa ra que a dvogue e m jurisdiçõe s distinta s. Assim, se e le inte gra va a justiça
e sta dua l, a qua re nte na a bra nge todos os órgã os judiciá rios de ssa jurisdiçã o, ma s nã o os do â mbito
fe de ra l. A hipóte se é de impe dime nto te mporá rio e e spa cia l, que de ve se r a nota da na inscriçã o
como a dvoga do, qua ndo a re que re r. Ne sse se ntido de libe rou o Órgã o Espe cia l do CFOAB, invoca ndo
pre ve nçã o da concorrê ncia de sle a l e o trá fico de influê ncia dos a dvoga dos que ma ntê m a funçã o
pública , ma s nã o a jurisdiçã o (Eme nta n. 019/2013/COP).

O Conse lho Na ciona l de Justiça de cidiu (PP 200910000010374) que a o juiz de dire ito é ve da do
e xe rce r a a dvoca cia na coma rca da qua l se a fa stou, a nte s de de corridos trê s a nos do a fa sta me nto
do ca rgo, por a pose nta doria ou e xone ra çã o. Ao juiz fe de ra l ou juiz do tra ba lho é ve da do e xe rce r a
a dvoca cia na se çã o, onde nã o houve r subdivisã o judiciá ria , subse çã o ou foro do qua l se a fa stou.
Essa orie nta çã o ma is libe ra l diz re spe ito a o â mbito do controle disciplina r, inclusive e m re la çã o a o
ma gistra do a pose nta do, nã o pre va le ce ndo e m re la çã o à a dota da pe la própria OAB, qua nto a o
e xe rcício da a dvoca cia , por sua compe tê ncia priva tiva ne ssa ma té ria .

Funções de direção
A te rce ira hipóte se é a de ca rgos e funçõe s de dire çã o e m órgã os ou e ntida de s vincula dos à
Administra çã o Pública . A le gisla çã o a nte rior incompa tibiliza va todos os ca rgos de che fia e
a sse ssora me nto a pa rtir do níve l de se rviço, minude ncia ndo tipos que nã o se e nqua dra va m ma is na
orga niza çã o a tua l da s e ntida de s e órgã os públicos.

Inte re ssa a o Esta tuto muito me nos os tipos ou de nomina çõe s dos ca rgos e ma is a funçã o de
dire çã o “que de te nha pode r de de cisã o re le va nte sobre inte re sse s de te rce iro”. Porta nto, nã o é
qua lque r ca rgo, me smo qua ndo se u titula r se ja de nomina do d iretor, que concre tiza a hipóte se . O
ca rgo pode se r de dire çã o, a sse ssora me nto supe rior, coorde na çã o, supe rinte ndê ncia , ge rê ncia ,
a dministra çã o, ma s ha ve rá de de te r pode r de de cisã o re le va nte que a fe te dire itos e obriga çõe s de
te rce iros, ou se ja , dos que nã o inte gra m a re spe ctiva e ntida de . Nã o se inclue m no tipo os ocupa nte s
de ca rgos que , a pe sa r da de nomina çã o, a pe na s a sse ssora m ma s nã o de cide m, pouco importa ndo o
gra u de influê ncia que oste nte m, ou a que le s cuja s a tribuiçõe s se suje ite m a o controle de supe rior
hie rá rquico no me smo e sta be le cime nto ou órgã o da e ntida de . Ne sse se ntido, nã o ge ra
incompa tibilida de ca rgo de dire tor de e scola pública , cuja a tivida de a cha -se circunscrita a coorde na r
e e xe cuta r de te rmina çõe s supe riore s (CFOAB, Proc. 5.540/2001/PCA).

Em suma , é o da a utorida de do órgã o ou da e ntida de que e mitirá o a to de cisório fina l,


e spe ra do pe lo te rce iro, me smo que contra ta l a to ca iba re curso a a utorida de supe rior. Da da a
multiplicida de e va rie da de de sse s ca rgos e funçõe s, ca be rá a o Conse lho compe te nte da OAB
a na lisa r ca so a ca so. Contudo, a a pre cia çã o da OAB nã o é discricioná ria , ma s vincula da a os
pre ssupostos da nte s me nciona dos. Sã o e xe mplos: a ) pe lo conte údo da s a tribuiçõe s do ca rgo, o
ge re nte de controle da CONAB é incompa tíve l, porque sua s de cisõe s produze m e fe itos e xte rnos à
e ntida de (CFOAB, Proc. 607/94/PC); ma s b) o che fe do se rviço de conta bilida de de pre fe itura
municipa l e stá a pe na s impe dido (CFOAB, Proc. 4.690/95/PC); c) os titula re s de se cre ta ria s dos
municípios, pouco importa a dime nsã o de ste s, e stã o incompa tibiliza dos (CFOAB, Re c. 182/2003/PCA);
d) o ca rgo de a na lista do se guro socia l do INSS é incompa tíve l com a a dvoca cia , e m ra zã o da
na ture za de sua s funçõe s de cisória s (1ª Câ ma ra do ​CFOAB, DOU, 24-4-2012).

Sã o e xcluídos da hipóte se le ga l os ca rgos ou funçõe s dire tivos de na ture za burocrá tica ou


inte rna , ou que a sse ssore m, informe m ou instrua m proce ssos pa ra de cisã o de a utorida de supe rior.
Conside ra -se nã o a na ture za do provime nto do ca rgo, se e fe tivo ou e m comissã o, ma s o a lca nce de
se u pode r de de cisã o. O ca rgo de provime nto e m comissã o ou a funçã o de confia nça , por si sós, nã o
ge ra m incompa tibilida de , se nã o constituíre m funçã o de dire çã o com pode r de cisório, que possa
re pe rcutir e m inte re sse s de te rce iros.

Assim, sã o a pe na s impe didos e nã o incompa tibiliza dos, de a cordo com o CFOAB: a ) os


inspe tore s do Ba nco Ce ntra l, que nã o ocupa m ca rgo de che fia (Proc. 4.483/94/PC); b) os supe rvisore s
de e mpre sa de e conomia , que nã o e xe rce m funçõe s de dire çã o (Proc. 4.595/94/PC); c) o Dire tor do
De pa rta me nto de Comunica çã o de Se cre ta ria Municipa l de Assuntos Jurídicos (Eme nta n.
031/2014/PCA. Toda via , o dire tor do órgã o municipa l que coorde na e e xe cuta a tivida de s re la tiva s à
compra , gua rda , distribuiçã o e controle de e stoque de ma te ria l foi conside ra do incompa tíve l, pois
e ssa s a tivida de s te ria m “pode r de de cisã o re le va nte sobre inte re sse s de te rce iros” (Re c.
5.037/97/PCA).

Ta mbé m e stã o e xcluída s a s funçõe s a fe ta s à a dministra çã o a ca dê mica dire ta me nte re la ciona da


a o ma gisté rio jurídico, ou se ja , coorde na dore s de cursos jurídicos, che fe s de de pa rta me ntos de
dire ito, dire tore s de ce ntros de ciê ncia s jurídica s ou de fa culda de s de dire ito de unive rsida de s, e ,
a inda , de fa culda de s de dire ito isola da s, qua ndo e ssa s instituiçõe s de e nsino se ja m vincula da s à
Administra çã o Pública (fe de ra l, e sta dua l ou municipa l). Pa ra que possa de sfruta r do be ne fício le ga l,
o ca rgo nã o pode e nvolve r a dire çã o de outros cursos ou a tivida de s, e stra nhos a o curso jurídico. O
Esta tuto de rrogou o a rt. 63 da Le i n. 4.881-A/65, que a dmitia a compa tibilida de de qua lque r ca rgo de
ma gisté rio supe rior com a a dvoca cia e xiste nte na instituiçã o de e nsino, a í incluídos a té me smo os
re itore s de unive rsida de s.

Essa hipóte se de incompa tibilida de ta mbé m a tinge e mpre sa s que nã o se inte gra m
cla ssica me nte nos tipos de e ntida de s da Administra çã o Pública indire ta , ma s que sã o por e la
controla da s. Ocorre ta l situa çã o qua ndo a Administra çã o pa ssa a de te r o controle a cioná rio ou do
ca pita l com dire ito a voto de e mpre sa s priva da s, ca ra cte riza do pe la possibilida de de e scolhe r se us
a dministra dore s, me smo qua ndo nã o a ssume m a forma de socie da de de e conomia mista ou de
e mpre sa pública . A Constituiçã o, no a rt. 173, a o disciplina r a a tivida de e conômica do Esta do, inclui
“outra s e ntida de s” que a e xplore m, suje ita s a sua tute la .

Ta mbé m e stã o incompa tibiliza dos os dirige nte s de e mpre sa s conce ssioná ria s de se rviço
público, ta is como a s de forne cime nto de á gua , luz, te le fonia , gá s, tra nsporte s. Se rviços conce didos,
pa ra os e fe itos da Le i n. 8.906/94, sã o a que le s próprios do Pode r Público que se de le ga m me dia nte
contra to a dministra tivo de conce ssã o (ou de pe rmissã o), re mune ra dos por ta rifa controla da ou
fisca liza da . Ta is se rviços continua m se ndo públicos porque a Administra çã o nunca se de spoja do
pode r de e xplorá -los dire ta me nte , e sta ndo se mpre suje itos à re gula me nta çã o e controle do pode r
conce de nte . A Constituiçã o incluiu a conce ssã o ou a pe rmissã o dos se rviços públicos na disciplina
da a tivida de e conômica (a rt. 175), de pe nde nte de pré via licita çã o, de contra to a dministra tivo, de
fisca liza çã o e de política ta rifá ria .

Enqua dra m-se ne sse tipo de incompa tibilida de os dirige nte s de e ntida de s cujos a tos e ste ja m
suje itos a ma nda do de se gura nça qua ndo e xe rce re m funçã o de le ga da do Pode r Público.
Auxiliares e serventuários da justiça

A qua rta hipóte se incompa tibiliza os titula re s de se rviços a uxilia re s da justiça . Envolve qua lque r
se rve ntuá rio da justiça , pouco importa ndo a forma de provime nto ou o órgã o do Pode r Judiciá rio, a í
incluída a justiça e le itora l e a tra ba lhista , por força do a rt. 92 da Constituiçã o.

No STF (RE 199.088-1-CE), e m ca so no qua l se postula va a de cla ra çã o de inconstituciona lida de


de sse dispositivo, e nvolve ndo a sse ssor de de se mba rga dor, disse , e m se u voto, o Ministro Fra ncisco
Re ze k: “pa sma -me sa be r que , a de ma is de ssa re a lida de com que te mos convivido, a inda e xista m
coisa s como a convicçã o de que o a sse ssor, o a uxilia r ime dia to de confia nça do ma gistra do no
pre pa ro dos fe itos, na pe squisa que orie nta o julga me nto, o de te ntor da ‘insid e inform ation’ e ste ja
ha bilita do, a o ve r de uma ca sa de justiça , a compe tir livre me nte com os que , fora do tribuna l,
e xe rce m a a dvoca cia ”.

A Le i n. 8.906/94, ne sse ponto, nã o se re stringe a pe na s a o ca rgo nomina l, porque a lca nça a


vincula çã o indire ta do se rviço pre sta do e m qua lque r órgã o do Pode r Judiciá rio. Assim, qua lque r
funçã o pública ou priva da que se vincule , me smo indire ta me nte , a a tivida de re gula r de órgã o do
Pode r Judiciá rio, inclusive qua ndo posto à disposiçã o de ste , torna se u ocupa nte incompa tibiliza do
com a a dvoca cia . Assim, de cidiu o CFOAB que é incompa tíve l a funçã o de de ntista e xe rcida no
Pode r Judiciá rio (Proc. 4.571/94/PC) e de me mbro do Conse lho Tute la r municipa l (DOU, 19-3-2012).
Esse a pa re nte e xce sso de rigor é ne ce ssá rio pa ra ga ra ntir a inde pe ndê ncia do a dvoga do e a
dignida de da profissã o, sobre tudo e m fa ce da popula çã o, pa ra o que é impre scindíve l que a
a tivida de da a dvoca cia nã o se ja e xe rcida por que m e ste ja a tua ndo de ntro dos órgã os judiciá rios ou
e m ofícios controla dos por e ste s, o que ine vita ve lme nte pre sume conflito de inte re sse s.

A re gra é e xte nsiva à que le s se rviços a uxilia re s cujos titula re s nã o se conside ra m “se rve ntuá rios
da justiça ”, ou se ja , os titula re s e se us e mpre ga dos dos se rviços nota ria is e de re gistro público. O
te rmo “re gistro” re fe rido no dispositivo re fe re -se a re gistro público como ta l de te rmina do e m le i e
cuja a tivida de e ste ja sob controle do Pode r Judiciá rio. Assim, nã o se inclue m os que a tua m e m
re gistro na Junta Come rcia l, OAB, INPI, Bibliote ca Na ciona l e outros órgã os públicos simila re s que
oste nte m compe tê ncia re gistrá ria . Com re la çã o à a tivida de nota ria l e de re gistro público, a Le i n.
8.935/94, que re gula me nta o a rt. 236 da Constituiçã o e dispõe sobre e sse s se rviços, ra tificou a
imposiçã o da incompa tibilida de com a a dvoca cia e xpre ssa me nte e m se u a rt. 25. A a tivida de de
le iloe iro ta mbé m é incompa tíve l com a a dvoca cia (Eme nta n. 078/2014/OEP).

Nã o há qua lque r e xce çã o a e ssa re gra , me smo e m se tra ta ndo de funçõe s mode sta s. O ma is
simple s se rve ntuá rio pode e xe rce r pe rigoso trá fico de influê ncia na tra mita çã o e re sulta do de
proce ssos judicia is, te ndo e m vista se u convívio diuturno com juíze s, promotore s e a uxilia re s de
justiça . O e xe rcício da a dvoca cia , ne ssa s circunstâ ncia s, re pre se nta e norme risco à dignida de e à
inde pe ndê ncia da profissã o.

Atividade policial

A quinta hipóte se diz com a incompa tibilida de dos ocupa nte s de ca rgos vincula dos dire ta ou
indire ta me nte a a tivida de policia l de qua lque r na ture za , e m ca rá te r tra nsitório ou pe rma ne nte , sob
re gime e sta tutá rio ou ce le tista . Aqui ta mbé m sã o a tingidos os que pre sta m se rviços ta nto na s
a tivida de s-fim qua nto na s a tivida de s-me io ou de a poio, inclusive qua ndo postos à disposiçã o, se ja m
ou nã o policia is.

A ra zã o de se r de ssa incompa tibilida de é que os policia is e e quipa ra dos e ncontra m-se


próximos a os a utore s e ré us de proce ssos, dos litígios jurídicos, o que pode ria propicia r ca pta çã o de
clie nte la , influê ncia inde vida , privilé gios de a ce sso, e ntre outra s va nta ge ns, se gundo pa re ce r do
Procura dor-Ge ra l da Re pública , na ADI 3.541, me dia nte a qua l a Confe de ra çã o Bra sile ira de
Tra ba lha dore s Policia is Civis pre te nde u impugna r o inciso V do a rt. 28. O STF julgou improce de nte a
a çã o (2014), consta ndo de se u a córdã o que “a ve da çã o do e xe rcício da a tivida de de a dvoca cia por
a que le s que de se mpe nha m, dire ta ou indire ta me nte , se rviço de ca rá te r policia l, pre vista no a rt. 28,
inciso V, da Le i n. 8.906/94, nã o se pre sta pa ra fa ze r qua lque r distinçã o qua lifica tiva e ntre a a tivida de
policia l e a a dvoca cia ”. No inte re sse da popula çã o, de ve m os policia is e xe rce r com e xclusivida de a
incumbê ncia de se gura nça pública .

Apre cia ndo ca so de psicóloga , e xe rce ndo funçã o e m e sta be le cime nto pe nite nciá rio, a firmou o
CFOAB que o se ntido de na ture za policia l é a mplíssimo, a bra nge ndo todo e qua lque r ca rgo ou
funçã o a e la vincula dos, dire ta ou indire ta me nte , me smo a que la s nã o pe rma ne nte s e xe rcida s e m
re pa rtiçõe s policia is (Re c. 5.182/97/PCA). No me smo se ntido, e nte nde u que psicólogo lota do e m
instituto mé dico le ga l, instituto de pe rícia s ou outro órgã o simila r subordina do à Se cre ta ria de
Se gura nça Pública e xe rce a tivida de de na ture za policia l (Eme nta 042/2014/PCA).

A incompa tibilida de a bra nge os pe ritos crimina is, os mé dico--le gista s (Re c. 49.0000.2011.003104-
6/PCA), os de spa cha nte s policia is, os da ctiloscopista s, os gua rda s de pre sídios. Em virtude da
cre sce nte te rce iriza çã o, a ve da çã o e nvolve igua lme nte os que pre sta m se rviços à s a tivida de s
policia is dire ta s ou indire ta s, me smo que te rce iriza dos ou e mpre ga dos de e mpre sa s priva da s.

Estã o incompa tibiliza dos, pois, todos a que le s que pre ste m se rviços, sob qua lque r forma ou
na ture za , a os órgã os policia is pre vistos na Constituiçã o (a rt. 144) e na s le is, a sa be r: polícia fe de ra l,
polícia s rodoviá ria fe de ra l e e sta dua l, polícia s fe rroviá ria s fe de ra l e e sta ​dua l, polícia s civis, polícia s
milita re s, corpos de bombe iros milita re s, gua rda s municipa is. O a ssiste nte de se gura nça da Re de
Fe rroviá ria Fe de ra l e stá a pe na s impe dido; nã o e xe rce ca rgo incompa tíve l (CFOAB, Proc. 09/95 OE).
Pa ra o CFOAB sã o incompa tíve is a s funçõe s de a ge nte de se gura nça pe nite nciá ria (Proc.
4.576/94/PC); o gua rda de pre sídio (Proc. 4.639/95/PC); os gua rda s municipa is (Proc. 252/99/OEP).

Ente nde -se como de na ture za nã o policia l a a tivida de de de spa cha nte s a utônomos junto a os
De tra ns, nã o ha ve ndo incompa tibilida de de la com o e xe rcício da a dvoca cia . Modifica ndo se u
e nte ndime nto a nte rior, que e ra pe la incompa tibilida de , o Órgã o Espe cia l do CFOAB, a compa nha ndo
a orie nta çã o que se mpre a dota mos, e ditou a Súmula 03/2009, no se ntido de se r compa tíve l com a
a dvoca cia o e xe rcício de de spa cha nte de trâ nsito. Com ra zã o, pois o De tra n e xe rce pode r de polícia ,
que é próprio da a dministra çã o pública e m ge ra l, ma s que nã o se confunde com “a tivida de policia l”
re fe rida no Esta tuto. Ape na s o policia me nto do trâ nsito e nqua dra -se ne ssa hipóte se .

Nã o se e nqua dra m no conce ito de a tivida de policia l a s a tivida de s de polícia a dministra tiva ,
de se nvolvida s por a ge nte s públicos, se m vínculo com órgã os que inte gre m a s polícia s civis e
milita re s. De modo ge ra l, sa lvo na s hipóte se s de a tribuiçõe s com pode r de de cisã o re le va nte sobre
inte re sse s de te rce iros, a s a tivida de s de fisca liza çã o da a dministra çã o pública (por e xe mplo,
a mbie nta l, sa nitá ria e de se rviços públicos conce didos, pe rmitidos ou a utoriza dos) nã o pode m se r
tida s como de na ture za e strita me nte policia l pa ra os fins de incompa tibilida de com o e xe rcício da
a dvoca cia .

Militares

A se xta hipóte se é a dos milita re s de qua lque r na ture za , de sde que e ste ja m na a tiva . As
va ria da s forma s de policia is milita re s já se e ncontra m a bra ngida s pe lo ite m a nte rior. Re sta m os
inte gra nte s da s Força s Arma da s: Exé rcito, Ma rinha , Ae roná utica . O milita r da a tiva constitui o
pa ra digma de se rviço público que impe de a inde pe ndê ncia profissiona l, porque suje ito à e strutura
hie ra rquiza da rígida e subordina do à disciplina e à re a liza çã o de ta re fa s subme tida s a orde ns de
coma ndo, que nã o pode m se r contra sta da s.

Ao contrá rio da a tivida de policia l, os se rvidore s civis que pre ste m se rviços à s Força s Arma da s
nã o e stã o a lca nça dos pe la incompa tibilida de , que é e xclusiva pa ra os milita re s e nqua nto ta is, sa lvo
a s hipóte se s de impe dime nto. No e nta nto, os milita re s da a tiva , qua ndo e m se rviço burocrá tico,
continua m incompa tíve is.

Atividades tributárias

A sé tima hipóte se e nvolve os ca rgos e funçõe s re la ciona dos com a re ce ita pública . Se fosse m
a dmitidos a a dvoga r, a te nta çã o ronda ria ca da pa sso de sse s importa nte s a ge nte s públicos, que
de ve m de dica r-se à s sua s ta re fa s com tota l e xclusivida de , por e xe rce re m típica s funçõe s de Esta do.
Os e xe mplos clá ssicos sã o os fisca is de re nda s, a uditore s fisca is, a ge nte s tributá rios, fisca is de
re ce ita s pre vide nciá ria s.
No e nta nto, todos os se rvidore s que tive re m compe tê ncia pa ra la nça me nto ou a rre ca da çã o ou
fisca liza çã o, inde pe nde nte me nte da de nomina çã o do ca rgo que ocupe m, e sta rã o incompa tibiliza dos
com a a dvoca cia . Aqui inte re ssa muito ma is a s a tribuiçõe s le ga is do que o nome do ca rgo, que
de ve m se r a na lisa da s ca so a ca so. De ssa rte , nã o incompa tibiliza o vínculo indire to com a s
a tivida de s fisca is, como suce de com os ca rgos burocrá ticos e de a tivida de -me io e xe rcidos nos
re spe ctivos órgã os; há de te r compe tê ncia pa ra a a tivida de -fim. Ne sse se ntido de cidiu o a ntigo TFR,
qua nto a o oficia l da Fa ze nda , porque sua s a tribuiçõe s nã o tipifica va m a tivida de de ca rá te r
fisca liza dor de tributos (AMS 96.831). Do me smo modo de cidiu o CFOAB, na vigê ncia do novo
Esta tuto, no ca so de se rvidor de Se cre ta ria da Fa ze nda que nã o e xe rcia a tribuiçõe s le ga is de
la nça me nto, fisca liza çã o ou a rre ca da çã o de tributo (Proc. 4.590/94/PC). Ma s ge ra incompa tibilida de o
e xe rcício de ca rgo de a uditor fisca l que dá pa re ce re s a a ssiste nte té cnico da Fa ze nda Pública (Re c.
0143/2003/PCA), be m como qua lque r a ge nte de tributos e sta dua is, pouco importa ndo a va ria çã o de
a tribuiçõe s loca is (Proc. 5.616/2001/PCA).

Tributos sã o impostos, ta xa s e contribuiçõe s de me lhoria (a rt. 145 da Constituiçã o). Ta mbé m se


suje ita m a os princípios do siste ma tributá rio na ciona l os e mpré stimos compulsórios (a rt. 148 da
Constituiçã o), a s contribuiçõe s pa ra fisca is e toda s a s fonte s compulsória s de re ce ita de e ntida de s da
Administra çã o Pública , nã o e nqua drá ve is como tributos e m se ntido e strito. Assim, como de cidiu o
CFOAB (PCA/018/2007), é incompa tíve l o e xe rcício da a dvoca cia por se rvidore s do siste ma
pre vide nciá rio que e xe cute m a tivida de s liga da s a a rre ca da çã o e la nça me nto de contribuiçõe s
pa ra fisca is. Pa ra os fins da le i, ta mbé m o inspe tor do Ministé rio do Tra ba lho e nqua dra -se na
hipóte se do inciso VII do a rt. 34, porque te m a tribuiçã o de fisca liza r a cobra nça do imposto sindica l
(Re c. 3.605/91/CP).

Nã o se inclue m ne sse tipo de incompa tibilida de os se rvidore s dos tribuna is e conse lhos de
conta s, porque e sse s órgã os nã o tê m fina lida de de la nça me nto, fisca liza çã o e a rre ca da çã o de
tributos. Por e xe mplo, oficia l de controle e xte rno do tribuna l de conta s nã o e xe rce a tivida de
incompa tíve l (Proc. 4.560/94/PC). A fisca liza çã o da s conta s e do corre to e mpre go da s re ce ita s
pública s sã o de na ture za distinta . Na prime ira hipóte se (a do tipo de incompa tibilida de ) te m-se a
forma çã o e constituiçã o da re ce ita pública ; na se gunda , a a plica çã o da re ce ita pública já foi
constituída . Ape na s os me mbros, ou se ja , os conse lhe iros e os a uditore s que possa m substituí-los
e stã o incompa tibiliza dos com a a dvoca cia .

Ta mbé m nã o se inclui no tipo o fisca l de pre ços e a ba ste cime nto da SUNAB, porque a funçã o
nã o te m na ture za tributá ria ne m é a e la e quipa ra da (CFOAB, Proc. 4.531/94/PC). Do me smo modo
de cidiu o Órgã o Espe cia l do CFOAB que “o e xe rcício da s funçõe s de fisca l municipa l de obra s
(a ge nte fisca l de urba nismo) nã o ca ra cte riza a hipóte se do cita do inciso VII do a rt. 28 da Le i 8.906/94,
uma ve z que nã o se re la ciona com a tivida de s fa ze ndá ria s, ge ra ndo, tã o some nte , o impe dime nto
pre visto no a rt. 30, I, do me smo diploma le ga l” (Re c. 113/96/OE). Ape na s com impe dime nto e stá o
fisca l de se rviços públicos de município, sa lvo se ocupa r ca rgo ou funçã o de dire çã o e
a sse ssora me nto, ne ste ca so por força do a rt. 28, III, da Le i n. 8.906/94 (Re c. 0396/2002/PCA-SC), ou o
fisca l de limpe za urba na (Eme nta n. 153/2014/OEP). O té cnico do Te souro Na ciona l de níve l mé dio
nã o e stá incompa tibiliza do pa ra o e xe rcício da a dvoca cia , pois sua a tivida de nã o é de a rre ca da çã o,
fisca liza çã o e la nça me nto de tributo (Re c. 5.151/97/PCA). Toda via , o té cnico do Te souro Na ciona l
e xe rce ca rgo incompa tíve l (Proc. 5.474/2000/PCA). O fisca l do tra ba lho e stá incompa tibiliza do com a
a dvoca cia , pois e xe rce a tribuiçã o de fisca liza çã o de contribuiçõe s pa ra fisca is (Proc. 5.403/99/PCA).

Instituições financeiras

A oita va e última hipóte se impõe -se pe la e xpe riê ncia da a plica çã o do a nte rior Esta tuto: é a dos
dirige nte s e ge re nte s de instituiçõe s fina nce ira s pública s ou priva da s, que de sfruta m de um e norme
pote ncia l de ca pta çã o de clie nte la , me rcê de um pode r de cisório que pode influir profunda me nte na
e conomia da s pe ssoa s.

A Constituiçã o de dicou e spe cia l a te nçã o à s instituiçõe s fina nce ira s (a rt. 192), constituindo
a tivida de dire ta me nte re gula da e fisca liza da pe lo Pode r Público.

O Esta tuto dirige -se a pe na s a os dirige nte s e ge re nte s que de te nha m pode r de cisório re le va nte
sobre inte re sse s de te rce iros, nome a da me nte o de conce de r e mpré stimos ou a prova r proje tos
fina nce iros, como os ge re nte s de conta s de ba nco. Dirige nte s e ge re nte s de a tivida de s-me io de ssa s
instituiçõe s nã o e sta rã o incompa tibiliza dos. Como de cidiu a CFOAB (Re c. 0066/2003/PCA), “a simple s
de nomina çã o de ge re nte ba ncá rio nã o induz, por si, incompa tibilida de com a a dvoca cia ”, por nã o
de te r o a dvoga do pode r de de cisã o re le va nte sobre inte re sse s de te rce iros, que propicie ca pta çã o
de clie nte la . Por igua l, a pe na s com impe dime nto, o supe rinte nde nte a djunto de re cursos huma nos
de ba nco gove rna me nta l, por e xe rce r pode re s que se e sgota m no inte rior da instituiçã o (Re c.
0114/2003/PCA).

IMPEDIMENTOS: TIPOS E ALCANCE

A simplifica çã o ma is e vide nte de u-se com o siste ma de impe dime ntos. Eliminou-se o ca suísmo
nã o muito cla ro do a nte rior Esta tuto, opta ndo-se por uma re gra ge ra l que re toma a soluçã o do a ntigo
Re gula me nto da OAB (1931) que o a nte ce de u, ou se ja , o impe dime nto limita -se à Fa ze nda Pública
que re mune ra o se rvidor, ta mbé m a dvoga do.

O a dvoga do que ma nte nha vínculo funciona l com qua lque r e ntida de da Administra çã o Pública
dire ta ou indire ta fica impe dido de a dvoga r contra nã o a pe na s o órgã o ou e ntida de , ma s contra a
re spe ctiva Fa ze nda Pública , porque e sta é comum. Por Fa ze nda Pública e nte nde -se ou a Uniã o, ou
o Esta do-me mbro ou o Município, incluída s a s re spe ctiva s e ntida de s de Administra çã o dire ta e
indire ta , e mpre sa s pública s e socie da de s de e conomia mista . Se , por e xe mplo, o a dvoga do for
e mpre ga do de uma funda çã o pública de de te rmina do Esta do-me mbro, o impe dime nto a lca nça rá
toda s a s e ntida de s da Administra çã o dire ta ou indire ta de ssa unida de fe de ra tiva . Do me smo modo,
se for a dvoga do ou procura dor do Município nã o pode rá a dvoga r contra qua lque r e ntida de pública
ou priva da vincula da a e sse e nte político.

Os Conse lhos de Fisca liza çã o de profissõe s re gula me nta da s tê m na ture za jurídica de


a uta rquia s de re gime e spe cia l, sa lvo a Orde m dos Advoga dos do Bra sil, por força da de cisã o
profe rida na ADI 3.026/DF. Aos se rvidore s dos Conse lhos de Fisca liza çã o a plica -se o impe dime nto
pre visto no a rt. 30, I, da Le i n. 8.906/94 (Eme nta n. 177/2013/OEP).

A le i re fe re -se a “se rvidore s” e Fa ze nda Pública que os re mune re . Em virtude da


funda me nta çã o é tica e sse ncia l a o siste ma de incompa tibilida de s e impe dime ntos, e ssa s e xpre ssõe s
de ve m se r e nte ndida s como a bra nge nte s dos se rvidore s a pose nta dos, pois e ste s nã o se
de svincula m inte ira me nte da Administra çã o Pública , que pe rma ne ce re mune ra ndo se us prove ntos.
Esse s se rvidore s, a o se a pose nta re m, le va m consigo insid e inform ation, que os de ma is a dvoga dos
nã o de tê m, volta ndo-se contra a Fa ze nda Pública a que se rvira m, e xplora ndo sua s fra gilida de s e
a ce sso a da dos e informa çõe s cuja re se rva , no inte re sse público, de ve m ma nte r. Essa pe culia r
situa çã o dos se rvidore s a pose nta dos foi sa lie nta da pe lo STF na ADIn 1.441/DF, cujo re la tor Min.
Octa vio Ga lloti concluiu: “Ao contrá rio dos tra ba lha dore s na inicia tiva priva da , que ne nhum lia me
conse rva m com os se us e mpre ga dore s a pós a re scisã o do contra to de tra ba lho pe la a pose nta doria ,
pre se rva m os se rvidore s a pose nta dos um re ma rca do vínculo de índole fina nce ira com a pe ssoa
jurídica de dire ito público pa ra a qua l ha ja m tra ba lha do”.

Note -se que o inte re sse pa trocina do te rá de se r contrá rio a o da Fa ze nda do e nte político, ou
se ja , que possa ha ve r conse quê ncia conde na tória de ca rá te r fina nce iro, nã o se a tingindo a s
que stõe s nã o conte nciosa s ou e m que ha ja inte re sse público ge né rico. A título de e xe mplo, no
proce sso crime o inte re sse público é ma nife sto, ma s nã o ne ce ssa ria me nte o da Fa ze nda Pública
(sa lvo nos crime s contra a Administra çã o Pública ).

O a dvoga do que pre sta se rviço a o Pode r Público, contra ta do e m virtude de proce sso licita tório,
nã o e stá suje ito a o impe dime nto do a rt. 30, I. Se rvidor público, re fe rido no inciso I, é a que le
nome a do me dia nte concurso público ou e m provime nto e m comissã o, nã o pode ndo re gra re stritiva
de dire ito se r inte rpre ta da e xte nsiva me nte , pa ra e quipa ra r situa çõe s jurídica s distinta s.

O impe dime nto de a dvoga do inte gra nte de socie da de de a dvoga do nã o a tinge os de ma is sócios.
O a dvoga do impe dido nã o pode rá pa rticipa r do ra te io dos honorá rios re ce bidos pe la socie da de
(Eme nta 059/2013/OEP).

Impedimentos dos parlamentares

O Congre sso Na ciona l introduziu no a nte proje to e la bora do pe la OAB uma hipóte se de
impe dime nto dirigida e spe cifica me nte a os pa rla me nta re s de qua lque r níve l, ta lve z pe lo impa cto da s
de núncia s da CPI da corrupçã o, cujos re sulta dos surgira m dura nte a tra mita çã o do Esta tuto na
Câ ma ra dos De puta dos. Essa hipóte se a mplia a que e xistia no a nte rior Esta tuto. Os pa rla me nta re s
municipa is, e sta dua is ou fe de ra is, que nã o se ja m me mbros ou suple nte s da s me sa s dire tora s, e stã o
impe didos de a dvoga r contra ou a favor de qua lque r e ntida de de Administra çã o Pública dire ta ou
indire ta municipa l, e sta dua l ou fe de ra l, nã o a pe na s contra a re spe ctiva Fa ze nda Pública , e nqua nto
pe rdura re m se us ma nda tos. Inclue m-se na proibiçã o a s e ntida de s pa ra e sta ta is, conce ssioná ria s ou
pe rmissioná ria s de se rviço público.

Procuradores-gerais e diretores jurídicos

Por fim, e m te ma de proibiçõe s, há de re fe rir-se a um tipo e spe cífico, que se loca liza e m zona
limítrofe e ntre a incompa tibilida de e o impe dime nto: os procura dore s-ge ra is, os a dvoga dos-ge ra is,
os de fe nsore s-ge ra is e os dirige nte s má ximos dos órgã os jurídicos da Administra çã o Pública dire ta
ou indire ta fe de ra l, e sta dua l ou municipa l e se us substitutos ime dia tos. Se mpre houve dúvida ,
dura nte a vigê ncia do a nte rior Esta tuto, sobre a le gitimida de pa ra e xe rce r a a tivida de de a dvoca cia ,
e spe cia lme nte a postula çã o e m juízo de sse s dirige nte s da a dvoca cia pública . Toda via , o e xe rcício da
a dvoca cia é e xa ta me nte a fina lida de do órgã o e , a fortiori, de se us ca rgos.

Como ha rmonizá -los com o siste ma da s proibiçõe s, que ta mbé m os a lca nça m? O Esta tuto
re solve u a contrové rsia a dmitindo o e xe rcício da a dvoca cia e xclusiva me nte no â mbito de sua s
a tribuiçõe s instituciona is, ve da ndo qua lque r outro, me smo e m ca usa própria , ou se ja , instituindo um
pe culia r tipo de impe dime nto. Ne sse se ntido, o Órgã o Espe cia l do CFOAB, re sponde ndo a consulta :
O Procura dor Ge ra l de município só e stá le gitima do a a dvoga r e m fa vor do e nte municipa l que
re pre se nta (Eme nta 180/2013/OEP).

Os dirige nte s da a dvoca cia pública e xe rce m a tivida de va ria da e comple xa de a dvoca cia que
nã o se re sume a pe na s a pa re ce re s jurídicos, pois pode m re pre se nta r judicia lme nte o e nte
fe de ra tivo, a utá rquico ou funda ciona l, dirigir os se rviços jurídicos, pre sta r a sse ssora me nto jurídico e
consultoria jurídica . Em conclusã o, e xe rce m a tivida de s de consultoria , a sse ssoria e dire çã o jurídica s
(inciso II do a rt. 1º do Esta tuto), e , qua ndo for o ca so, de postula çã o a órgã o do Pode r Judiciá rio
(inciso I do a rt. 1º).
Re sponde ndo à consulta que lhe foi formula da , o Órgã o Espe cia l do CFOAB e scla re ce u que na
a tribuiçã o fixa da por le i ou re gula me nto pa ra o substituto, me smo e ve ntua l, de outro ca rgo é
a plicá ve l a re gra de incompa tibilida de ou impe dime nto a que e stive r suje ito o titula r (Proc.
260/99/OEP).

Qua nto a os dire tore s, supe rinte nde nte s ou che fe s de órgã os jurídicos de a uta rquia s, funda çõe s
pública s, e mpre sa s pública s e e mpre sa s de e conomia mista fe de ra is, e sta dua is ou municipa is,
inclue m-se a pe na s o dirige nte má ximo do órgã o jurídico e se u substituto ime dia to, e quiva le nte s a os
procura dore s-ge ra is e subprocura dore s-ge ra is, e xcluindo-se a s che fia s suba lte rna s, de ca rá te r loca l
ou re giona l, cujos titula re s fica m suje itos a pe na s a os impe dime ntos e m fa ce da Fa ze nda Pública a
que se vincule a re spe ctiva e ntida de .

Tipos especiais de impedimentos

Te ndo e m vista a inte rpre ta çã o da da pe lo STF a o inciso II do a rt. 28 da Le i n. 8.906/94, os juíze s


e le itora is e se us suple nte s, oriundos da cla sse dos a dvoga dos, e stã o impe didos de a dvoga r contra a
Fa ze nda Pública fe de ra l e pe ra nte a própria justiça e le itora l.

Por força do Re gula me nto Ge ra l, os a dvoga dos que a tue m como me mbros de órgã os públicos
de de libe ra çã o cole tiva , com funçã o de julga me nto, como re pre se nta nte s da cla sse dos a dvoga dos e
indica dos pe la OAB, e stã o a pe na s impe didos dia nte de ta is órgã os.

Os juíze s le igos e concilia dore s nos juiza dos e spe cia is e stã o a pe na s impe didos de a dvoga r
pe ra nte ta is juiza dos, me rcê do que dispõe o a rt. 7º da Le i n. 9.099/95. A re fe rê ncia e xpre ssa no
pa rá gra fo único a os juíze s le igos nã o e xclui os concilia dore s, me nciona dos no caput, por impe ra tivo
do princípio de ra zoa bilida de . Ne sse se ntido e modifica ndo se u e nte ndime nto a nte rior,
a compa nha ndo a orie nta çã o que a nte s suste nta mos, o Órgã o Espe cia l do CFOAB de libe rou, e m
re sposta a consulta , que os juíze s le igos, e scolhidos de ntre a dvoga dos, fica m a pe na s impe didos de
e xe rce r a a dvoca cia nos Juiza dos Espe cia is, na forma pre vista na s Le is n. 9.099/95 e 12.153/2009 e no
a rt. 30, I, da Le i n. 8.906/94.

Os concilia dore s e me dia dore s judicia is ca da stra dos, na forma dos a rts. 165 e se guinte s do
CPC/2015, e stã o impe didos de e xe rce r a a dvoca cia a pe na s nos juízos e m que de se mpe nhe m sua s
funçõe s e e nqua nto a e xe rce re m. Em moda lida de e spe cia l de qua re nte na , fica m, igua lme nte ,
impe didos pe lo pra zo de um a no (CPC/2015, a rt. 172), conta do da última a udiê ncia e m que a tua ra m,
de a sse ssora r, re pre se nta r ou pa trocina r qua lque r da s pa rte s.

Tipos e spe cia is de impe dime ntos sã o os de ce rta s ca rre ira s jurídica s pública s que
de se mpe nha m a tivida de de a dvoca cia , e mbora re strita a o â mbito de sua s a tribuiçõe s instituciona is,
como o de fe nsor público, o a dvoga do da Uniã o e o procura dor da Fa ze nda Na ciona l. Pa ra e xe rce r
e ssa pe culia r a tivida de de a dvoca cia , e xige -se a inscriçã o nos qua dros da OAB, que é de fe rida com
ta l obse rva çã o de impe dime nto: “impe dido de e xe rce r a a dvoca cia fora de sua s a tribuiçõe s
instituciona is”. Re sponde ndo à consulta , e modifica ndo e nte ndime nto a nte rior, de cidiu o Órgã o
Espe cia l do CFOAB que a ve da çã o a lca nça a todos os de fe nsore s públicos, inclusive os nome a dos
a nte s da vigê ncia da Le i Comple me nta r n. 80/90 (Proc. 325/2001/OEP).

O Órgã o Espe cia l do CFOAB, e m de cisã o unâ nime de 2005 sobre consulta formula da , e nte nde u
que o de fe nsor público pode a dvoga r contra o Esta do ou a Fa ze nda Pública que o re mune ra como
se rvidor, a dmitindo que fosse e xcluída do docume nto profissiona l de a dvoga do a proibiçã o e sta tuída
no a rt. 30, I, da Le i n. 8.906/94, ma nte ndo-se a pe na s o impe dime nto de a dvoca cia priva da ; e ssa
orie nta çã o foi re a firma da e m 2011 (Eme nta n. 085/2011/OEP). Com ra zã o, pois a De fe nsoria Pública é
instituiçã o pública a utônoma de de fe sa judicia l dos dire itos e inte re sse s le gítimos dos juridica me nte
ne ce ssita dos, inclusive contra o Pode r Público.

Não impedimento dos docentes dos cursos jurídicos

Os doce nte s dos cursos jurídicos, me smo que vincula dos a instituiçõe s pública s de e nsino,
qua ndo no e xe rcício da docê ncia , nã o sofre m qua lque r incompa tibilida de ou impe dime nto pa ra
a dvoga r. Essa e xplicita çã o de ve -se a o fa to de que é importa nte , pa ra a forma çã o dos futuros
a dvoga dos, o ma gisté rio de profissiona is qua lifica dos que doutra forma e sta ria m impe didos de
a dvoga r, inclusive tota lme nte , se sua e spe cia lida de fosse o dire ito público.

EFEITOS NO PROCESSO JUDICIAL

O STF ma nife sta e nte ndime nto e m conside ra r que o a to pra tica do por a dvoga do, e m ca usa
própria , suje ito a impe dime nto, é pa ssíve l de anulabilid ad e, sa ná ve l por ra tifica çã o (RE 90.139). De ssa
forma , a s hipóte se s de incompa tibilida de ca usa ria m nulida de insa ná ve l dos a tos pra tica dos pe lo
profissiona l, e nqua nto a s de impe dime nto se ria m sa ná ve is.

Do me smo modo, se nã o consta r da inscriçã o na OAB o impe dime nto do a dvoga do, nã o pode a
pa rte se r pre judica da com sua pa rticipa çã o (RE 92.237). Como de cidiu o STJ (REsp 579.515), a e xtinçã o
do proce sso por vício de re pre se nta çã o e stá condiciona da a pra zo ra zoá ve l pa ra se r sa na do o
de fe ito, fica ndo sa na dos os a tos pra tica dos pe lo a dvoga do impe dido, de sde que re tifica dos a te mpo,
sobre tudo qua ndo o pa trocina do nã o sa bia do impe dime nto (no ca so, nã o houve re gistro na ca rte ira
profissiona l do pa trono).

Se ndo a ssim, a nulida de re fe rida no a rt. 4º, pa rá gra fo único, da Le i n. 8.906/94 (que re pe te
pre ce ito se me lha nte a o do a rt. 76 da Le i 4.215/63) se ria gê ne ro da s inva lida de s (nulida de ,
propria me nte dita , e a nula bilida de ).

Diz Ponte s de Mira nda (1974, v. 1, p. 444) que a re pre se nta çã o e m juízo por pe ssoa nã o inscrita
na OAB produz nulida de dos a tos proce ssua is. Da me sma forma , se o procura dor judicia l inscrito for
proibido de a dvoga r (incompa tibilida de ), há nulida de insa ná ve l.
ÉTICA DO ADVOGADO

CAPÍTULO VIII

DA ÉT ICA DO ADVOGADO

Art. 31. O advogado deve proceder de forma que o torne merecedor de respeito e que contribua
para o prestígio da classe e da advocacia.

§ 1º O advogado, no exercício da profissão, deve manter independência em qualquer


circunstância.

§ 2º Nenhum receio de desagradar a magistrado ou a qualquer autoridade, nem de incorrer em


impopularidade, deve deter o advogado no exercício da profissão.

Art. 32. O advogado é responsável pelos atos que, no exercício profissional, praticar com dolo
ou culpa.

Parágrafo único. Em caso de lide temerária, o advogado será solidariamente responsável com
seu cliente, desde que coligado com este para lesar a parte contrária, o que será apurado em ação
própria.

Art. 33. O advogado obriga-se a cumprir rigorosamente os deveres consignados no Código de


Ética e Disciplina.

Parágrafo único. O Código de Ética e Disciplina regula os deveres do advogado para com a
comunidade, o cliente, o outro profissional e, ainda, a publicidade, a recusa do patrocínio, o dever
de assistência jurídica, o dever geral de urbanidade e os respectivos procedimentos disciplinares.

CO MENTÁRIO S

ÉTICA PROFISSIONAL

A é tica profissiona l é pa rte da é tica ge ra l, e nte ndida como ciê ncia da conduta . Nosso ca mpo de
a te nçã o é o da obje tiva çã o da é tica profissiona l, que se de nomina d eontologia jurídica , ou e studo dos
de ve re s dos profissiona is do dire ito, e spe cia lme nte dos a dvoga dos, porque de toda s a s profissõe s
jurídica s a a dvoca cia é ta lve z a única que na sce u rigida me nte pre sa a de ve re s é ticos. A de ontologia ,
te rmo cria do por Je re mia s Be ntha m (1748-1832), com se ntido utilita rista , a o la do da dice ologia (e studo
dos dire itos profissiona is), inte gra o todo da é tica . Pa ra Ja cque s Ha me lin e André Da mie n (1975, p.
1), o te rmo te ria a pa re cido pe la prime ira ve z e m 1874, e m a rtigo de Ja ne t, a o me nos na Fra nça . A
e timologia da pa la vra e scla re ce se u se ntido: d eontos significa o de ve r de fa ze r; logos significa discurso
sobre e ssa ma té ria .

A é tica profissiona l nã o pa rte de va lore s a bsolutos ou a te mpora is, ma s consa gra a que le s que
sã o e xtra ídos do se nso comum profissiona l, como mode la re s pa ra a re ta conduta do a dvoga do. Diz
Goffre do Te lle s Junior (1988, p. 236) que “uma orde m é tica é se mpre e xpre ssã o de um proce sso
histórico. Ela é , e m ve rda de , uma construçã o do mundo da cultura . Em concre to, ca da orde m é tica é
a a tua liza çã o obje tiva e a vivê ncia da quilo que a comunida de , por convicçã o ge ne ra liza da , re solve u
qua lifica r de é tico e de norma l”. Sã o tópicos ou topoi na e xpre ssã o a ristoté lica (Vie hwe g, 1979, p. 23),
ou se ja , luga re s-comuns que se ca pta m obje tiva me nte na s conduta s qua lifica da s como corre ta s,
a de qua da s ou e xe mpla re s; nã o se confunde m com juízos subje tivos de va lor.

Qua ndo a é tica profissiona l pa ssa a se r obje to de re gula me nta çã o le ga l, os topoi conve rte m-se
e m norma s jurídica s de finida s, obriga ndo a todos os profissiona is. No ca so da a dvoca cia bra sile ira ,
a é tica profissiona l foi obje to de de ta lha da norma tiza çã o, de stina da a os de ve re s dos a dvoga dos, no
Esta tuto a nte rior e no Código de Ética Profissiona l, e ste da ta do de 25 de junho de 1934. O Esta tuto de
1994 pre fe riu conce ntra r toda a ma té ria no Código de Ética e Disciplina , e dita do pe lo CFOAB e m 1995
e e m 2015 (com vigê ncia fixa da pa ra 1º de se te mbro de 2016).

No ca pítulo da Ética do Advoga do, o Esta tuto e nuncia princípios ge ra is, ba liza ndo a
re gula me nta çã o contida no Código de Ética e Disciplina .

A é tica profissiona l impõe -se a o a dvoga do e m toda s a s circunstâ ncia s e vicissitude s de sua vida
profissiona l e pe ssoa l que possa m re pe rcutir no conce ito público e na dignida de da a dvoca cia . Os
de ve re s é ticos consigna dos no Código nã o sã o re come nda çõe s de bom comporta me nto, ma s sim
norma s jurídica s dota da s de obriga torie da de que de ve m se r cumprida s com rigor, sob pe na de
come time nto de infra çã o disciplina r puníve l com a sa nçã o de ce nsura (a rt. 36 da Le i n. 8.906/94) se
outra ma is gra ve nã o for a plicá ve l. Porta nto, a s re gra s de ontológica s sã o re gra s provida s de força
norma tiva ; a le i (o Esta tuto), o Re gula me nto Ge ra l, o Código de Ética e Disciplina e os provime ntos
sã o sua s fonte s positiva s, à s qua is se a gre ga m, como fonte s se cundá ria s, a tra diçã o, a inte rpre ta çã o
jurisprude ncia l e a dministra tiva , a doutrina , os costume s profissiona is. A a plica çã o da de ontologia
profissiona l de ve le va r e m conta a supe ra çã o da e xclusivida de da oposiçã o clie nte -a dve rsá rio por
uma nova lógica que inclua o pa pe l cre sce nte do a dvoga do e m a tua çã o pre ve ntiva e e xtra judicia l,
como conse lhe iro, a sse ssor e formula dor de a tos, proje tos e progra ma s de na ture za jurídica . Ao
a dvoga do que e la bora um a to jurídico ou orie nta e mpre sa ou consumidor e m re la çã o de consumo,
por e xe mplo, nã o se a plica m a s re gra s de ontológica s tra diciona is de due lo pre toria no, se ndo muito
ma is a de qua dos os de ve re s de rigorosa le a lda de , de sigilo, de qua lida de do tra ba lho, de é tica da
re sponsa bilida de , de inde pe ndê ncia té cnica .

O prime iro coma ndo do Esta tuto dirige -se à conduta pe ssoa l do a dvoga do. Onde que r que
re sida e se re la cione , de ve proce de r de forma a me re ce r o re spe ito de todos, porque se u
comporta me nto contribui pa ra o pre stígio ou de spre stígio da cla sse . Nã o é de ma is le mbra r a s
virtude s é tica s que Aristóte le s sinte tizou na Ética a Nicôm aco, a sa be r, a cora ge m, a te mpe ra nça , a
libe ra lida de , a ma gna nimida de , a ma nsidã o, a fra nque za , e nfim, a justiça , que é a ma ior de toda s.
Ou e ntã o os fa mosos pre ce itos de Ulpia no: h oneste vivere, alterum non laed ere, suum cuiq ue tribuere.

Ma s, ce rta me nte , a que ma is forta le ce o pre stígio da profissã o é a intra nsige nte probida de , ou
hone stida de (h oneste vivere), como ba stiã o indômito à s te nta çõe s que pa ssa m todos os dia s e toda s
a s hora s e m fre nte a o a dvoga do (Couture , 1990, p. 17). A hone stida de é o va lor ma gno da é tica da
a dvoca cia ; se m e la , a conduta profissiona l re sta profunda me nte comprome tida . O a dvoga do lida
fre que nte me nte , e m ra zã o de se u ofício, com inte re sse s e conômicos de se us clie nte s, que ne le
de posita m sua confia nça , e , por se us conhe cime ntos té cnicos, a cha -se e m condiçã o de
supe riorida de e m re la çã o à pe ssoa que solicita se us se rviços.

Na a dvoca cia , o re sulta do pe rse guido, e m ca da ca usa , nã o pode justifica r a a doçã o de


qua isque r me ios, pois e la nã o é ba lcã o de ne gócios ou a re na de trá fico de influê ncia ou corrupçã o,
incorre ndo e m viola çã o do de ve r de hone stida de todo a que le que a ssim proce de . Inve rte ndo-se
a ntigo a forismo, o a dvoga do nã o a pe na s de ve pa re ce r hone sto, ma s se r hone sto, como impe ra tivo
inte rior de conduta . No dize r de Ma nue l Sa nta e lla Lópe z, “um profissiona l, de stina do a o se rviço dos
de ma is, há de se r, a nte s de tudo, uma pe ssoa hone sta . A probida de ve m a constituir, de sta forma ,
um compê ndio da s principa is virtude s mora is. Supõe uma consciê ncia mora l be m forma da e
informa da dos princípios é ticos e da norma tiva e spe cifica me nte de ontológica ” (1995, p. 19). Ne ssa
me sma linha de gra nde za é tica , Adolfo Pa rry a dve rte que “o ta le nto se m a probida de é o ma is
fune sto pre se nte da na ture za e a probida de se m o ta le nto nã o ba sta porque , me smo com a me lhor
inte nçã o, come te m-se fre que nte me nte ma le s irre pa rá ve is” (La nga ro, 1992, p. 42).

O Código de Re sponsa bilida de Profissiona l da orde m dos a dvoga dos dos Esta dos Unidos
(Am erican Bar Association Mod el Cod e of Professional Responsability ) e nuncia e m se u pre â mbulo que todo
a dvoga do de ve de scobrir e m sua consciê ncia os stand ard s mínimos de conduta , ma s, e m última
a ná lise , é o de se jo pe lo re spe ito e confia nça dos me mbros de sua profissã o e da socie da de a que
e le se rve que de ve provê -lo do ince ntivo pa ra o má ximo gra u possíve l de conduta é tica .

Os de ve re s de de coro, urba nida de e polide z sã o obriga tórios pa ra o a dvoga do, inclusive na s


re fe rê ncia s proce ssua is à pa rte a dve rsa ; compe titivida de nã o é sinônimo de a gre ssã o. Viola o de ve r
de urba nida de o a dvoga do que imputa à pa rte contrá ria conduta criminosa , nã o se ndo a dmissíve l a
e xce çã o da ve rda de . Poré m, nã o viola o de ve r de urba nida de o a dvoga do que fa z crítica s pe ssoa is a
cole ga , e m me nsa ge m e le trônica , dura nte disputa e le itora l na OAB, pois o re quisito indispe nsá ve l é
a re la çã o com o e xe rcício da profissã o (CFOAB, Re c. 2010.08.02389-05/SCA — TTU).

Por fim, o de ve r de pe rma ne nte qua lifica çã o, pa ra be m cumprir se u compromisso socia l. A


incompe tê ncia , infe lizme nte , pode ca usa r ta ntos pre juízos socia is e individua is qua nto a própria
de sone stida de , se ndo a lguns irre cupe rá ve is.

O a dvoga do nã o dispõe do pode r do juiz e dos me ios de coa çã o da polícia . Sua força de ve
re sidir na pa la vra e na a utorida de mora l que oste nte , nunca no pode r e conômico se u ou de se u
clie nte ou na a lime nta çã o da ve na lida de huma na .

INDEPENDÊNCIA DO ADVOGADO

A inde pe ndê ncia é um dos ma is ca ros pre ssupostos da a dvoca cia . Se m e la nã o há


rigorosa me nte a dvoca cia . Qua lque r pe ssoa a pe na s confia rá na justiça se conta r com a a ssistê ncia
de um de fe nsor inde pe nde nte . A inde pe ndê ncia do a dvoga do nã o se limita a sua a tivida de judicia l;
é ta mbé m e sse ncia l à a tivida de e xtra judicia l de consultoria e a sse ssoria , a ssim como importa nte
fa tor de pre se rva çã o do Esta do de Dire ito, do gove rno subme tido a le is, da conte nçã o do a buso da
a utorida de e da limita çã o do pode r e conômico, porque foi instituída no inte re sse de todos os
cida dã os, da socie da de e do próprio Esta do. Uma a ntiga de cisã o da Supre ma Corte norte -
a me rica na , que a fa stou a e quipa ra çã o do a dvoga do a funcioná rio público, procla mou: “O público
te m qua se ta nto inte re sse na inde pe ndê ncia dos a dvoga dos qua nto na dos juíze s” (Che a tha m, 1965,
p. 66).

A inde pe ndê ncia do a dvoga do e stá e stre ita me nte liga da à inde pe ndê ncia da Orde m, que nã o se
vincula ne m se subordina a qua lque r pode r e sta ta l, e conômico ou político (ve r come ntá rios a o a rt.
44, § 1º). É gra nde e pe rma ne nte a luta dos a dvoga dos, e m todo o mundo, pa ra pre se rva r sua
inde pe ndê ncia dia nte da s a rre me tida s a utoritá ria s fre que nte s dos donos do pode r. O XXV
Congre sso da Uniã o Inte rna ciona l dos Advoga dos, re unido e m Ma drid, e m 1973, foi de dica do à
inde pe ndê ncia do a dvoga do, e sua s conclusõe s continua m pre se nte s qua ndo a firma m “que nã o
e xiste Justiça digna de sse nome se m o concurso de a dvoga dos inde pe nde nte s; que a inde pe ndê ncia
do a dvoga do condiciona sua libe rda de impre scritíve l, e que o de ve r funda me nta l dos povos é ma ntê -
la e m sua ple nitude ”. O a rt. 3º do Código Inte rna ciona l de De ontologia Fore nse da International Bar
Association e sta be le ce que o a dvoga do “de ve rá conse rva r sua inde pe ndê ncia no cumprime nto de se u
de ve r profissiona l”, e vita ndo qua lque r ne gócio ou ocupa çã o que possa m a fe ta r sua inde pe ndê ncia .

A inde pe ndê ncia do a dvoga do é condiçã o ne ce ssá ria pa ra o re gula r funciona me nto do Esta do
de Dire ito.
Por ta is ra zõe s, é uma de corrê ncia na tura l que os a dvoga dos te nha m e sta do se mpre na linha
de fre nte da s luta s e ma ncipa tória s e libe rtá ria s da huma nida de e do Esta do De mocrá tico de Dire ito.
Nã o é por a ca so que os a dvoga dos se mpre sofre ra m a intole râ ncia dos dé spota s de todos os
ma tize s. É simbólica a re a çã o ira da de Na pole ã o Bona pa rte , re fe rida por Rui Ba rbosa (s.d., p. 63),
qua ndo lhe a pre se nta ra m o de cre to de constituiçã o da Orde m dos Advoga dos (que te rminou por
a ssina r e m 1811) a nos a pós a s pe rse guiçõe s sofrida s pe los profissiona is com o golpe que o
e ntronizou no pode r: “Os a dvoga dos sã o fa cciosos, a rtífice s de crime s e tra içõe s. Enqua nto e u tive r
uma e spa da à cinta , nã o firma re i nunca ta l de cre to. Que ro que se possa corta r a língua a o
a dvoga do, se de la usa r contra o Gove rno”.

Na de fe sa dos inte re sse s sob se u pa trocínio, o a dvoga do nunca de ve fa ze r conce ssõe s que
a fe te m sua inde pe ndê ncia , inclusive e m fa ce do próprio clie nte . Na e scolha dos me ios jurídicos e na
conduçã o de se u tra ba lho profissiona l, o a dvoga do nunca de ve pe rmitir que ha ja tute la dire ta ou
indire ta do clie nte , de te rce iro ou do ma gistra do. É sua , inte ira e inde le gá ve l, a re sponsa bilida de
pe la dire çã o té cnica da ca usa ou da que stã o.

Alé m da inde pe ndê ncia té cnica , o a dvoga do de ve pre se rva r sua inde pe ndê ncia política e de
consciê ncia , ja ma is pe rmitindo que os inte re sse s do clie nte confunda m-se com os se us. O a dvoga do
nã o é e nunca pode se r o substituto da pa rte ; é o pa trono. Por outro la do, e m mome nto a lgum de ve
e le de ixa r-se le va r pe la s e moçõe s, se ntime ntos e impulsos do clie nte , que de ve rã o se r re tidos à
porta de se u e scritório.

A é tica do a dvoga do é a é tica da pa rcia lida de , a o contrá rio da é tica do juiz, que é a da ise nçã o.
Contudo, nã o pode o a dvoga do cobrir com o ma nto é tico qua lque r inte re sse do clie nte , ca be ndo-lhe
re cusa r o pa trocínio que viole sua inde pe ndê ncia ou a é tica profissiona l. Nã o há justifica tiva é tica ,
sa lvo no ca mpo da de fe sa crimina l, pa ra a ce gue ira dos va lore s dia nte da de fe sa de inte re sse s
sa bida me nte a é ticos ou de orige m ilícita . A re cusa , ne sse s ca sos, é um impe ra tivo que e ngra nde ce o
a dvoga do.

Disse Couture (1990, p. 37) que o dia de prova pa ra o a dvoga do é a que le e m que se lhe propõe
um ca so injusto, e conomica me nte va nta joso, e que ba sta rá a promoçã o pa ra a la rma r o de ma nda do
e re sulta r e m lucra tiva tra nsa çã o. Ne nhum a dvoga do é ple na me nte ta l se nã o soube r re cha ça r e sse
ca so, se m a pa ra to ou a la rde s.

O Código de Ética e Disciplina (a rt. 22) e sta be le ce que o a dvoga do de ve a bste r-se de pa trocina r
ca usa contrá ria à va lida de de a to jurídico e m que te nha cola bora do ou inte rvindo de qua lque r
ma ne ira e , a inda , qua ndo te nha sido convida do pe la pa rte contrá ria que lhe re ve lou se gre dos.

Qua nto à de fe sa crimina l, a tra diçã o da a dvoca cia é de nunca re cusá -la . O Código de Ética e
Disciplina (a rt. 23) de te rmina de forma incisiva que é dire ito e de ve r do a dvoga do a ssumir a de fe sa
crimina l, se m conside ra r sua própria opiniã o sobre a culpa do a cusa do.

Disse Rui Ba rbosa , e m fa moso tre cho de sua ca rta -re sposta a Eva risto de Mora is (1994, p. 48):
“tra ta ndo-se de um a cusa do e m ma té ria crimina l, nã o há ca usa e m a bsoluto ind igna d e d efesa. Ainda
qua ndo o crime se ja de todos o ma is ne fa ndo, re sta ve rifica r a prova : e a inda qua ndo a prova inicia l
se ja de cisiva , fa lta , nã o só a purá -la no ca dinho dos de ba te s judicia is, se nã o ta mbé m vigia r pe la
re gula rida de e strita do proce sso na s sua s mínima s forma s. Ca da uma de la s constitui uma ga ra ntia ,
ma ior ou me nor, da liquida çã o da ve rda de , cujo inte re sse e m toda s de ve a ca ta r rigorosa me nte ”.

Gua rda idê ntica e tiologia a re gra e sta tutá ria que de te rmina a o a dvoga do que nã o pre judique o
e xe rcício da profissã o, por re ce io de de sa gra da r ma gistra do ou qua lque r a utorida de ou de incorre r
e m impopula rida de . O ma gistra do nã o é se u supe rior. Ame squinha a profissã o, infringindo a é tica , o
a dvoga do que se comporta com te mor re ve re ncia l pe ra nte ma gistra do ou outra a utorida de , porque
nã o re pre se nta inte re sse s próprios, ma s sim do clie nte . Ta mbé m nã o se a dmite que a ja com
pe tulâ ncia , impe rtinê ncia ou pre potê ncia . No pa trocínio da ca usa de ve porta r-se com a ltive z e
dignida de , ma tiza da pe la se re nida de , e quilíbrio e urba nida de .

A opiniã o pública ne m se mpre e stá do la do da ve rda de ; comume nte de ixa -se le va r por
impulsos irre fle tidos e pe la s comoçõe s do mome nto ou pe la ma nipula çã o da s informa çõe s. A
impopula rida de pode se r o pre ço a pa ga r pe lo a dvoga do na de fe sa do clie nte , qua ndo e stá
conve ncido de que é me re ce dor de justiça . A história da a dvoca cia e stá che ia de sse s e xe mplos
gra ndiosos, como a do a dvoga do fra ncê s La bori, que pe rde u qua se toda sua clie nte la a o promove r a
de fe sa de Dre yfus (milita r a cusa do de tra içã o contra a Fra nça ), pre via me nte conde na do pe lo povo e
cuja inocê ncia ma is a dia nte se provou. Dura nte o julga me nto do dita dor ira quia no Sa dda m Husse in,
e m 2005, a ssim re sponde u Kha me e s Ha mid Al-Uba idi, um dos a dvoga dos que o de fe nde ra m, a pós o
a ssa ssina to de outro cole ga , que inte gra va a e quipe de de fe sa , sobre se de ixa ria o ca so, a nte o risco
de se r ta mbé m morto: “Eu o de ixo na mã o de De us. Me u tra ba lho e xige que e u de fe nda qua lque r
a cusa do, ra zã o por que nã o posso re cua r ” (Tim e, 7 nov. 2005, p. 17).

RESPONSABILIDADE CIVIL DO ADVOGADO

Alé m da re sponsa bilida de disciplina r, o a dvoga do re sponde civilme nte pe los da nos que ca usa r
a o clie nte , e m virtude de dolo ou culpa . As Orde na çõe s Filipina s, Livro 1, Título XLVIII, 10, já
de te rmina va m que “se a s pa rte s por ne gligê ncia , culpa , ou ignorâ ncia de se us Procura dore s
re ce be re m e m se us fe itos a lguma pe rda , lhe s se ja sa tisfe ito pe los be ns de le s”. Le mbra Yve s Avril
(1981, p. 213) que a re sponsa bilida de é a contra pa rtida da libe rda de e da inde pe ndê ncia do
a dvoga do.

No dire ito positivo bra sile iro sã o as se guinte s as norma s ge ra is de re gê ncia da


re sponsa bilida de civil do a dvoga do:

a ) Art. 133 da Constituiçã o Fe de ra l, que e sta be le ce a inviola bilida de do a dvoga do por se us a tos
e ma nife sta çõe s no e xe rcício da profissã o. É norma de e xone ra çã o de re sponsa bilida de , nã o
pode ndo os da nos da í de corre nte s se r inde niza dos, sa lvo no ca so de ca lúnia ou de sa ca to. Essa
pe culia r imunida de é impre scindíve l a o e xe rcício da profissã o, que lida com a contra diçã o de
inte re sse s e os conflitos huma nos.

b) Art. 186 do Código Civil, re gra bá sica da re sponsa bilida de civil subje tiva , a plicá ve l a os
profissiona is libe ra is.

c) Art. 32 da Le i n. 8.906, de 4 de julho de 1994 (Esta tuto da Advoca cia ), que re sponsa biliza o
a dvoga do pe los a tos que , no e xe rcício profissiona l, pra tica r com dolo ou culpa .

d) Art. 14, § 4º, do Código de De fe sa do Consumidor, que a bre importa nte e xce çã o a o siste ma
de re sponsa bilida de obje tiva , a o de te rmina r a ve rifica çã o da culpa , no ca so dos profissiona is
libe ra is. Forte corre nte , na doutrina e na jurisprudê ncia dos tribuna is, e nte nde ina plicá ve l a o
a dvoga do a le gisla çã o de prote çã o a o consumidor; ne sse se ntido, a Súmula 02/2011 do CFOAB,
se gundo a qua l a “Le i n. 8.906/94 e sgota toda a ma té ria , de sca be ndo a a plica çã o subsidiá ria do
CDC”.

Te ndo e m vista o de se nvolvime nto da te oria da re sponsa bilida de civil nos últimos a nos, a
re sponsa bilida de civil do a dvoga do a sse nta -se nos se guinte s e le me ntos:

a ) o a to (ou omissã o) de a tivida de profissiona l;

b) o da no ma te ria l ou mora l;

c) o ne xo de ca usa lida de e ntre o a to e o da no;

d) a culpa ou dolo do a dvoga do;

e ) a imputa çã o da re sponsa bilida de civil a o a dvoga do.

O a dvoga do e xe rce a tivida de , e nte ndida como comple xo de a tos te le ologica me nte orde na dos,
com ca rá te r de pe rma nê ncia . A a tivida de obriga e qua lifica como culposa a re sponsa bilida de pe lo
da no de corre nte de qua lque r de se us a tos de e xe rcício.

A imputa çã o da re sponsa bilida de é dire ta a o a dvoga do que pra ticou o a to de sua a tivida de
ca usa dor do da no, nã o pode ndo se r e ste ndida à socie da de de a dvoga dos de que pa rticipe .

Ca be a o a dvoga do prova r, a lé m da s hipóte se s comuns de e xclusã o de re sponsa bilida de , que


nã o a giu com culpa (e m se ntido a mplo, inclui o dolo). Se o profissiona l libe ra l prova r que nã o se
houve com imprudê ncia , ne gligê ncia , impe rícia ou dolo, a re sponsa bilida de nã o lhe pode rá se r
imputa da .
O a dvoga do te m obriga çã o de prudê ncia (obligation d e prud ence). Incorre e m re sponsa bilida de
civil o a dvoga do que , imprude nte me nte , nã o se gue a s re come nda çõe s do se u clie nte ne m lhe pe de
instruçõe s pa ra se gui-la s. Na hipóte se de consulta jurídica , de a cordo com Moitinho de Alme ida , o
conse lho insuficie nte de ve se r e quipa ra do à a usê ncia de conse lho, se ndo ta mbé m imputá ve l a o
a dvoga do a re sponsa bilida de civil (1985, p. 18). É e xce çã o à re gra de nã o ca bime nto de
re sponsa bilida de civil e m ra zã o de e xe rcício de consultoria jurídica , consa gra da no STF: “O pa re ce r
me ra me nte consultivo nã o possui ca rá te r vincula nte e nã o justifica , porta nto, a re sponsa biliza çã o do
a dvoga do que o a ssina ” (MS 30.892).

Sobre opiniã o jurídica e mitida e m proce sso de licita çã o, o ​CFOAB e ditou a Súmula n.
05/2012/COP, e nuncia ndo que nã o pode se r re sponsa biliza do, civil ou crimina lme nte , o a dvoga do
que , no re gula r e xe rcício do se u miste r, e mite pa re ce r té cnico opina ndo sobre dispe nsa ou
ine xigibilida de de licita çã o pa ra contra ta çã o pe lo Pode r Público. Ta mbé m de libe rou o CFOAB
(Eme nta 032/2014/COP) e m a utoriza r sua Dire toria pa ra que inte rve nha como a ssiste nte de todo
a dvoga do que ve nha a re sponde r proce sso a dministra tivo ou judicia l por força de sua a tua çã o como
pa re ce rista , de modo a e vita r a crimina liza çã o da a tivida de de a dvoca cia pública .

A pe rda da a çã o, por de cisã o judicia l, nã o implica re sponsa bilida de civil do a dvoga do, sa lvo se
a e le possa se r imputa do dolo ou culpa . Ma s a pe rda ne glige nte de pra zo ge ra re sponsa bilida de civil
por da nos mora is e ma te ria is, e m virtude da te oria da pe rda de cha nce (STJ, REsp 1.079.185).

Te m-se de cidido que o a dvoga do que a ge com comprova da impe rícia , impe dindo que se u
clie nte consiga uma posiçã o ma is va nta josa no proce sso, pode se r re sponsa biliza do com ba se na
te oria da pe rda de uma cha nce . O TJRS conde nou um a dvoga do a pa ga r da nos mora is por te r
pre judica do se u clie nte . O e rro da e stra té gia jurídica le vou à pre scriçã o do dire ito que e sta va se ndo
busca do, de ixa ndo o re cla ma nte se m re ce be r ve rba s re scisória s (Ap. 0447341-64.2011.8.21.7000).

Nã o ca ra cte riza re sponsa bilida de do a dvoga do, de fe nsor da tivo, o fa to de nã o ha ve r


a pre se nta do e mba rgos dive rge nte s no tribuna l, se a tuou e ficie nte me nte e m todos os a tos do
proce sso crimina l, inclusive por oca siã o do julga me nto da a pe la çã o, conforme de cidiu o STF (RT,
719:536).

Conside ra -se nula a clá usula de irre sponsa bilida de no contra to de pre sta çã o de se rviços de
a dvoca cia . Nã o se pode e xcluir re sponsa bilida de por a tos próprios.

LIDE TEMERÁRIA

Ocorre a lide te me rá ria qua ndo o a dvoga do coliga r-se com o clie nte pa ra le sa r a pa rte
contrá ria , se ndo solida ria me nte re sponsá ve l pe los da nos que ca usa r. A lide te me rá ria funciona
como me io inde vido de pre ssã o e intimida çã o, e sta ndo de stituída de qua lque r funda me nta çã o le ga l,
consistindo e m instrume nta liza çã o a busiva do a ce sso à justiça , pa ra fins impróprios ou ilícitos.

A lide te me rá ria , no e nta nto, nã o se pre sume , ne m pode a conde na çã o de corre nte se r
de cre ta da pe lo juiz na me sma a çã o. Ta mpouco ba sta a prova da te me rida de , que pode se r re sulta do
da ine xpe riê ncia ou da simple s culpa do a dvoga do. Pa ra re sponsa biliza r o a dvoga do é
impre scindíve l a prova do dolo. Ca ra cte riza ndo-se a lide te me rá ria , pode a pa rte pre judica da
ingre ssa r e m juízo com a çã o própria de re sponsa bilida de civil contra o a dvoga do que , coliga do com
o clie nte , ca usou-lhe da nos ma te ria is ou mora is, a nte a e vidê ncia do dolo. A compe tê ncia pa ra a
a çã o própria de re sponsa bilida de civil é da justiça comum, a inda que a lide te me rá ria te nha outra
orige m, como a Justiça do Tra ba lho.

O dolo, e nte ndido como inte nçã o ma liciosa de ca usa r pre juízo a outre m, é e spé cie do gê ne ro
culpa , no ca mpo da re sponsa bilida de civil. Aproxima -se da culpa gra ve . O dolo é qua lifica do e m
ca so de lide te me rá ria . É gra víssima infra çã o à é tica profissiona l. Ao contrá rio da culpa , onde o
da no te rá de se r inde niza do na dime nsã o e xa ta do pre juízo ca usa do pe lo a dvoga do, o dolo e m lide
te me rá ria a ca rre ta um plus a o a dvoga do, porque é obriga do solidá rio junta me nte com o clie nte ,
inclusive na quilo que a pe na s a e ste a prove itou inde vida me nte .

CÓDIGO DE ÉTICA E DISCIPLINA

A ne ce ssida de e m se re gula me nta r a é tica profissiona l, me dia nte códigos de conduta rigorosos,
ve m de longa da ta . Como toda a tivida de huma na , a a dvoca cia conhe ce u e conhe ce se us mome ntos
de indignida de come tidos pe los ma us profissiona is. A le i Cíntia (de 204 a .C.), e m Roma , puniu os
a dvoga dos com impe dime nto pa ra re ce be r re mune ra çã o e m virtude do proce dime nto re prová ve l de
muitos prá ticos. Orde na nça s dos re is e spa nhóis, e m 1495, fora m e dita da s pa ra “e vita r a ma lícia e
tira nia dos a dvoga dos que usa m ma l de se us ofícios”.

A Le i n. 8.906/94 e vitou a duplicida de de tra ta me nto le ga l dos de ve re s é ticos, re me te ndo-os


inte ira me nte a o Código de Ética e Disciplina , e dita do pe lo CFOAB. A duplicida de de tra ta me nto dos
de ve re s é ticos, ha vida e ntre o a nte rior Esta tuto e o Código, foi a principa l ra zã o pa ra o qua se
de sconhe cime nto do a ntigo Código de Ética Profissiona l no se io dos a dvoga dos, com pa rca
a plica çã o pe la própria OAB.

As re gra s de ontológica s do Código de Ética e Disciplina dize m re spe ito à re tidã o de conduta
pe ssoa l e profissiona l, à s re la çõe s com o clie nte , com o cole ga , com os a ge nte s políticos, a s
a utorida de s, os se rvidore s públicos e os te rce iros; a o sigilo profissiona l; à publicida de ; a os
honorá rios profissiona is; a o de ve r de urba nida de ; à a dvoca cia pro bono; a o e xe rcício de ca rgos e
funçõe s na OAB e na re pre se nta çã o da cla sse . Ao longo de sse s come ntá rios a o Esta tuto incluímos
a s re fe rê ncia s a o Código na s ma té ria s pe rtine nte s, nota da me nte qua nto a o sigilo profissiona l, à
inde pe ndê ncia , a os honorá rios, à divulga çã o de a tivida de de a dvoca cia , à re núncia a o ma nda to
judicia l, à imunida de profissiona l, a os símbolos priva tivos, à idone ida de mora l, à a tivida de de
e sta giá rio, a o domicílio profissiona l, à s socie da de s de a dvoga dos, a o a dvoga do e mpre ga do.

Ca da ca so é um ca so, na modula çã o ra zoá ve l dos de ve re s de conduta profissiona l, como se


pode de pre e nde r da s se guinte s de cisõe s do CFOAB, a plica ndo o Código de Ética : a ) Nã o fe re a é tica
o a dvoga do que , “de pondo pe ra nte a Se cciona l, re fe re a cusa çã o fe ita por se u clie nte a outro
a dvoga do, morme nte qua ndo e ste , por força do a ludido fa to, ve m a se r ré u e m a çã o pe na l” (Proc.
1.252/93/SC); b) “Nã o de ve o a dvoga do a ce ita r procura çã o de que m já te nha a dvoga do constituído, e
ta mpouco procura çã o pa ra re voga çã o do ma nda to, se m a nuê ncia do a nte rior procura dor ou se m a
sua ine quívoca notifica çã o a e ste dos motivos a pre se nta dos como justos a ta nto pe lo constituinte ”
(Proc. 1.521/94/SC); c) Nã o fe re o de ve r de urba nida de o a dvoga do que , na de fe sa dos dire itos de se u
constituinte , “la nça e m pe tiçã o pa la vra s e e xpre ssõe s firme s que re fle te m o comporta me nto da
pa rte contrá ria ” (Proc. 1.461/94/SC); d) Fe re o de ve r de urba nida de a cobra nça e fe tua da pe lo
a dvoga do e m corre spondê ncia re digida com te rmos intimida tivos e a me a ça dore s (Proc. 1.523/94/SC).

As re gra s de de ontologia de ve m e sta r inte rna liza da s no cotidia no profissiona l dos a dvoga dos.
Por e ssa ra zã o, e xige -se se u e studo na forma çã o prá tica do e studa nte de dire ito, e spe cia lme nte no
e stá gio, e pa ra o conte údo do Exa me de Orde m. Em última instâ ncia , a o profissiona l inspira do nos
princípios é ticos, e spe cia lme nte os da probida de , da dignida de e do de coro, o Código de Ética
re sulta de sne ce ssá rio; ma s é gra nde sua importâ ncia na orie nta çã o da conduta a se r se guida .

De ma ne ira ge ra l, os códigos de de ontologia profissiona l a pe la m à consciê ncia dos


profissiona is pa ra fa ze re m de se us e nuncia dos a s dire trize s voluntá ria s de sua s conduta s. Nã o é
ca tá logo de má s conduta s. É orie nta çã o de boa s conduta s ou boa s prá tica s profissiona is. Te m
na ture za de a utorre gula me nta çã o, confia da pe lo le gisla dor à prudê ncia da ca te goria profissiona l.
Assim é , por e xe mplo, o Código Inte rna ciona l de De ontologia Fore nse da International Bar Association.
O Código de Ética e Disciplina bra sile iro nã o a pe na s cumpre e sse pa pe l tra diciona l como a ssume a
na ture za de a utê ntica s norma s jurídica s, cuja infra çã o a ca rre ta a a plica çã o da sa nçã o disciplina r de
ce nsura (a rt. 36, II, da Le i n. 8.906/94).

É re gra ge ra l de ontológica a ve da çã o de ofe re cime nto de se rviços profissiona is que implique m,


dire ta ou indire ta me nte , inculca çã o ou ca pta çã o de clie nte la . Impõe -se a o a dvoga do o e mpre go de
lingua ge m e scorre ita e polida , se ndo-lhe ve da do o uso de e xpre ssõe s intimida tória s que possa m
constra nge r e a me a ça r o de stina tá rio, e spe cia lme nte e m se rviço de cobra nça .

O Código te m funçõe s a bra nge nte s, porque , a lé m de a bsorve r o conjunto dos de ve re s é ticos,
cuida dos proce dime ntos disciplina re s ne ce ssá rios pa ra sua ple na e fe tivida de . As norma s ge ra is
sobre o proce sso disciplina r, e m virtude de se re m e nte ndida s como de re se rva le ga l, fora m pre vista s
no Esta tuto. Os ritos e proce dime ntos, no e nta nto, fora m de stina dos a o Código de Ética e Disciplina
pa ra pe rmitir sua a da pta çã o à s muda nça s que se fa ça m ne ce ssá ria s.

Se u gua rdiã o é o Tribuna l de Ética e Disciplina — TED, insta la do e m todos os Conse lhos
Se cciona is, com a tribuiçõe s a mplia da s. Ca bia m-lhe , pe lo a nte rior Esta tuto, obje tivos ma is mode stos
de promoçã o da é tica profissiona l e de órgã o de consulta , ne sta ma té ria , do Conse lho Se cciona l. Na
vigê ncia da Le i n. 8.906/94 é órgã o indispe nsá ve l do Conse lho, porque a tribuído de compe tê ncia pa ra
julga r todos os proce ssos disciplina re s contra os inscritos na OAB. Alé m do TED, o CFOAB a provou
re gime nto próprio da Corre ge doria -Ge ra l do Proce sso Disciplina r (Re s. n. 03/2010).

O Código de Ética e Disciplina a lca nça o a dvoga do no foro, na rua , e m se u e scritório, e nfim, e m
todos os e spa ços públicos onde se u comporta me nto possa re pe rcutir no pre stígio ou de spre stígio da
a dvoca cia .

O Código de Ética e Disciplina ta mbé m a lca nça a conduta do a dvoga do como me mbro de órgã o
da OAB ou como re pre se nta nte da cla sse e m órgã os cole gia dos, como o CNJ e o CNMP. Conside ra -
se utiliza çã o de influê ncia inde vida , ve da da pe lo Código, a a tua çã o de dire tore s e conse lhe iros da
OAB, de dirige nte s da Ca ixa de Assistê ncia e de me mbros do TED, pe ra nte órgã os da OAB, na
de fe sa de pa rte s inte re ssa da s e m proce ssos ou no ofe re cime nto de pa re ce re s e m se u fa vor, e xce to
se for e m ca usa própria . O a rt. 32 do CED, com a re da çã o da Re s. n. 04/2016, e sta be le ce que o
a dvoga do que e xe rce r ca rgos ou funçõe s na OAB ou re pre se nta r a cla sse e m qua lque r instituiçã o
nã o pode rá firma r contra to one roso de pre sta çã o de se rviços ou forne cime nto de produto com ta is
e ntida de s, ne m a dquirir móve is ou imóve is de qua isque r órgã os da OAB, ou a e ste s a lie na r o que
se ja titula r de posse ou dire ito re a l.

Na a plica çã o do Código de ve m se r obse rva dos os limite s e sta be le cidos pe la s ga ra ntia s


constituciona is dos dire itos da pe rsona lida de , e spe cia lme nte a intimida de e a vida priva da , pa ra
que nã o se conve rta e m instrume nto a busivo de conduta .

PUBLICIDADE DA ADVOCACIA

O Código de Ética e Disciplina (Ca pítulo VIII) de fine os limite s da publicida de , que de ve prima r
pe la discriçã o e sobrie da de , com fina lida de e xclusiva me nte informa tiva , e sta ndo ve da da a utiliza çã o
de me ios promociona is típicos de a tivida de me rca ntil.

É ve da da a ve icula çã o por rá dio e te le visã o ou e spa ços públicos, pode ndo se r utiliza dos os
de ma is me ios de impre nsa , como re vista s, ou a que le s cujo a ce sso de pe nde do próprio inte re ssa do,
como ocorre com a Inte rne t, inclusive me dia nte sítio e le trônico próprio, e m qua lque r hipóte se
obse rva dos os limite s de conte údo, que de ve se r e xclusiva me nte informa tivo.

Na publicida de profissiona l, nos ca rtõe s e ma te ria l de e scritório pode m e sta r contidos o nome
do a dvoga do ou o da socie da de de a dvoga dos, se u núme ro de inscriçã o, se us títulos a ca dê micos
re gula rme nte obtidos e m instituiçõe s de e nsino supe rior (me stre , doutor, por e xe mplo), se us títulos
honoríficos, sua s e spe cia lida de s de se nvolvida s na á re a jurídica , sua condiçã o de me mbro de
e ntida de s cie ntífica s e cultura is, se us e nde re ços profissiona is e horá rios de e xpe die nte , se us
núme ros de te le fone e de ma is me ios de comunica çã o, como e-m ail, pá gina e le trônica , a lé m dos
idioma s e m que o clie nte pode se r a te ndido. Toda via é ve da da a me nçã o a ca rgos, e mpre gos ou
funçõe s ocupa dos pe lo a dvoga do ou que te nha ocupa do. Na publicida de profissiona l, o a dvoga do
tra ve sti ou tra nse xua l pode utiliza r se u nome socia l, ta l como fe z consta r de sua inscriçã o, de a cordo
com o a rt. 44 do CED (com a re da çã o da Re s. n. 07/2016).

O Código a va nça no se ntido de a dmitir a publicida de como dire ito do a dvoga do, o que inte re ssa
e spe cia lme nte a os ma is novos. Poré m a publicida de te m o e scopo de ilustra r, e duca r e informa r,
nã o pode ndo se r usa da pa ra a a utopromoçã o. A publicida de há de se r oste nsiva , ve ra z e cla ra , nã o
se a dmitindo a utiliza çã o de e xpe die nte s que configure m forma s sublimina re s de m erch and ising,
como a publica çã o de a rtigos jurídicos se m fina lida de cie ntífica e com intuito nã o a ssumido de
promoçã o profissiona l, ou a inse rçã o de re fe rê ncia s a o a dvoga do ou a se u e scritório e m
re porta ge ns, nota s socia is ou me nsa ge ns nos me ios de comunica çã o.

A publicida de nã o pode a dota r a é tica e mpre sa ria l. Nos Esta dos Unidos, o conflito é pa te nte
e ntre os ma nda me ntos de ontológicos da Ame rica n Ba r Associa tion e a Supre ma Corte , que , e m
de cisã o de 1977, e nte nde u que a publicida de dos profissiona is e stá constituciona lme nte prote gida
pe la Prime ira Eme nda . Pa ra os de ontólogos a me rica nos a publicida de é vista como a ma nife sta çã o
de me rca ntilismo, e stra nha à quie ta dignida de da profissã o. Ma s, pa ra os a dvoga dos que promove m
a ssistê ncia judiciá ria (legal-aid lawy ers), a publicida de é e sse ncia l pa ra via biliza r e conomica me nte
sua s a tivida de s (Se ron, 1993, p. 403).

No Bra sil, a ssume contornos próprios ma is a de qua dos a uma profissã o que de se ja pre se rva r-se
e m dignida de e re spe ito popula r. O se rviço profissiona l nã o é uma me rca doria que se ofe re ça à
a quisiçã o dos consumidore s. No Bra sil, a a dvoca cia é se rviço público, a inda qua ndo e xe rcido de
modo priva do, por força da Constituiçã o e da Le i n. 8.906/94.

É ve da do a o a dvoga do utiliza r-se dos me ios comuns de publicida de e mpre sa ria l e a re gra de
ouro é discriçã o e mode ra çã o, divulga ndo a pe na s a s informa çõe s ne ce ssá ria s de sua ide ntifica çã o,
pode ndo fa ze r re fe rê ncia a títulos a ca dê micos confe ridos por instituiçõe s unive rsitá ria s, a
a ssocia çõe s cultura is e cie ntífica s, a os ra mos do dire ito e m que a tua , a os horá rios de a te ndime nto e
a os me ios de comunica çã o. Este s sã o os da dos que pode conte r a publicida de , conforme e nuncia o
Código de Ética e Disciplina . O Código Inte rna ciona l de Ética do Advoga do, da International Bar
Association, e sta be le ce re gra muito rigorosa a re spe ito (re gra 8): “É contrá rio à dignida de do
a dvoga do re corre r a a núncio”. O a núncio nã o pode conte r fotogra fia s, ilustra çõe s, core s, figura s ou
de se nhos incompa tíve is com a sobrie da de da a dvoca cia . Proíbe m-se igua lme nte re fe rê ncia s a
va lore s de se rviços, ta be la s, forma s de pa ga me ntos e e strutura da se de profissiona l, ou o uso do
bra sã o da Re pública , ou do nome e símbolos da OAB.

O a núncio do e scritório ou da socie da de de a dvoga dos pode rá se r ve icula do e m jorna is,


re vista s, ca tá logos te le fônicos, fold ers de e ve ntos jurídicos ou outra s publica çõe s do gê ne ro, be m
como e m sítios da inte rne t, se ndo ve da do fa zê -lo por me io de me nsa ge ns dirigida s a te le fone s
ce lula re s, publicida de na te le visã o ou no cine ma , ne m pode ndo se r a me nsa ge m publicitá ria
tra nsmitida por outro ve ículo próprio da publicida de e mpre sa ria l.

Forma s indire ta s, ta is como progra ma s de consulta e m rá dios e te le visã o, a rtigos pa gos na


impre nsa , ve icula çã o fre que nte de sua ima ge m e nome nos me ios de comunica çã o socia l, m arketing
ou m erch and ising sã o a titude s que fe re m a é tica profissiona l. É proibida a publicida de sob forma de
opiniã o sobre ma té ria s jurídica s, sa lvo qua ndo a firma da de modo ge ra l ou e m te se ou como
tra ba lho doutriná rio, e e m ne nhuma hipóte se qua ndo e ste ja pa trocina ndo inte re sse concre to a
re spe ito. A pa rticipa çã o do a dvoga do na impre nsa , pa ra que nã o incida e m sa nçã o disciplina r, de ve
a te r-se e xclusiva me nte a obje tivos instrutivos, e duca ciona is e doutriná rios, se m qua lque r intuito de
promoçã o pe ssoa l.

A influê ncia dos me ios de comunica çã o socia l pa ssou a se r uma te nta çã o a os a dvoga dos que
busca m promove r-se profissiona lme nte sob a a pa rê ncia de e scla re cime ntos e re porta ge ns
de sinte re ssa da s. O Código de Ética e Disciplina , a o la do dos códigos de ontológicos de outros pa íse s,
procurou e ncontra r o ponto de e quilíbrio e ntre a pa rticipa çã o e pisódica do a dvoga do nos me ios de
comunica çã o e m ma té ria s de cunho jurídico, se m intuito promociona l e visa ndo a o inte re sse ge ra l, e
a que la ha bitua l, e m que se pre sume a promoçã o inde vida , ve da ndo a ha bitua lida de de re sposta s a
consulta s, o de ba te sobre ca usa s sob o pa trocínio de outro cole ga , o comprome time nto da dignida de
da profissã o, a divulga çã o da lista de clie nte s e de de ma nda s, a insinua çã o pa ra re porta ge ns e
de cla ra çõe s pública s sobre que stõe s jurídica s, ne ste ca so com intuito de ca pta çã o de clie nte la , o
de ba te se nsa ciona lista .

Como conse quê ncia , o a dvoga do que se ma nife sta r sobre de te rmina do te ma jurídico nos me ios
de comunica çã o fica impe dido e tica me nte de pa trocina r nova s ca usa s a e le re la ciona da s. Na s
ca usa s sob se u pa trocínio de ve limita r-se a se re fe rir e m te se a a spe ctos que nã o viole m o sigilo
profissiona l.

Que stã o controve rtida é a que se re fe re à ma la dire ta . Ou se a dmite ou se proíbe ou se limita .


De pois de longos de ba te s ha vidos no CFOAB, optou-se pe la te rce ira a lte rna tiva , ou se ja , a ma la
dire ta é a dmissíve l a pe na s pa ra comunica r a clie nte s e cole ga s a insta la çã o do e scritório ou
muda nça de e nde re ço. O Código de Ética e Disciplina de 2015 (a rt. 46) foi ma is longe , a o a dmitir que
a publicida de pe la inte rne t ou outros me ios e le trônicos e pe la te le fonia pode se r utiliza da pa ra
e nvio de me nsa ge ns, de sde que pa ra de stina tá rios ce rtos e que nã o implique m ofe re cime nto de
se rviços ou importe m ca pta çã o de clie nte la , dire ta ou indire ta .

A Inte rne t, a web e outros me ios e le trônicos de comunica çã o fa vore ce m viola çõe s da s re gra s
de ontológica s sobre publicida de da a dvoca cia , na s qua is se e nqua dra m a s se guinte s conduta s: a )
e nvio ha bitua l de bole tins informa tivos, que e ncobre m o intuito de divulga çã o do e scritório ou
socie da de de a dvoga dos; b) ofe rta de pa trocínio ou a sse ssoria jurídica e m pá gina da Inte rne t; c)
e sta mpa de re la çõe s de clie nte s; d) utiliza çã o de e-m ail ou pá gina da Inte rne t pa ra e nvio de
me nsa ge m e le trônica volta da à ca pta çã o de clie nte la ; e ) divulga çã o de pá gina s da Inte rne t com
a rtigos jurídicos e opiniõe s virtua is, com intuito de ca pta çã o de clie nte la , sa lvo e m re vista s jurídica s
e le trônica s; f) pre sta çã o de consulta s a clie nte s e ve ntua is, me dia nte pa ga me nto, inclusive com
ca rtã o de cré dito.
INFRAÇÕES E SANÇÕES DISCIPLINARES

CAPÍTULO IX

DAS INFRAÇÕES E SANÇÕES DISCIPLINARES

Art. 34. Constitui infração disciplinar:

I — exercer a profissão, quando impedido de fazê-lo, ou facilitar, por qualquer meio, o seu
exercício aos não inscritos, proibidos ou impedidos;

II — manter sociedade profissional fora das normas e preceitos estabelecidos nesta lei;

III — valer-se de agenciador de causas, mediante participação nos honorários a receber;

IV — angariar ou captar causas, com ou sem a intervenção de terceiros;

V — assinar qualquer escrito destinado a processo judicial ou para fim extrajudicial que não
tenha feito, ou em que não tenha colaborado;

VI — advogar contra literal disposição de lei, presumindo--se a boa-fé quando fundamentado na


inconstitucionalidade, na injustiça da lei ou em pronunciamento judicial anterior;

VII — violar, sem justa causa, sigilo profissional;

VIII — estabelecer entendimento com a parte adversa sem autorização do cliente ou ciência do
advogado contrário;

IX — prejudicar, por culpa grave, interesse confiado ao seu patrocínio;

X — acarretar, conscientemente, por ato próprio, a anulação ou a nulidade do processo em que


funcione;

XI — abandonar a causa sem justo motivo ou antes de decorridos dez dias da comunicação da
renúncia;

XII — recusar-se a prestar, sem justo motivo, assistência jurídica, quando nomeado em virtude
de impossibilidade da Defensoria Pública;

XIII — fazer publicar na imprensa, desnecessária e habitualmente, alegações forenses ou


relativas a causas pendentes;

XIV — deturpar o teor de dispositivo de lei, de citação doutrinária ou de julgado, bem como de
depoimentos, documentos e alegações da parte contrária, para confundir o adversário ou iludir o juiz
da causa;

XV — fazer, em nome do constituinte, sem autorização escrita deste, imputação a terceiro de


fato definido como crime;

XVI — deixar de cumprir, no prazo estabelecido, determinação emanada do órgão ou


autoridade da Ordem, em matéria da competência desta, depois de regularmente notificado;

XVII — prestar concurso a clientes ou a terceiros para realização de ato contrário à lei ou
destinado a fraudá-la;

XVIII — solicitar ou receber de constituinte qualquer importância para aplicação ilícita ou


desonesta;

XIX — receber valores, da parte contrária ou de terceiro, relacionados com o objeto do


mandato, sem expressa autorização do constituinte;

XX — locupletar-se, por qualquer forma, à custa do cliente ou da parte adversa, por si ou


interposta pessoa;

XXI — recusar-se, injustificadamente, a prestar contas ao cliente de quantias recebidas dele ou


de terceiros por conta dele;

XXII — reter, abusivamente, ou extraviar autos recebidos com vista ou em confiança;

XXIII — deixar de pagar as contribuições, multas e preços de serviços devidos à OAB, depois de
regularmente notificado a fazê-lo;

XXIV — incidir em erros reiterados que evidenciem inépcia profissional;

XXV — manter conduta incompatível com a advocacia;

XXVI — fazer falsa prova de qualquer dos requisitos para inscrição na OAB;

XXVII — tornar-se moralmente inidôneo para o exercício da advocacia;

XXVIII — praticar crime infamante;

XXIX — praticar, o estagiário, ato excedente de sua habilitação.

Parágrafo único. Inclui-se na conduta incompatível:

a) prática reiterada de jogo de azar, não autorizado por lei;

b) incontinência pública e escandalosa;

c) embriaguez ou toxicomania habituais.

Art. 35. As sanções disciplinares consistem em:


I — censura;

II — suspensão;

III — exclusão;

IV — multa.

Parágrafo único. As sanções devem constar dos assentamentos do inscrito, após o trânsito em
julgado da decisão, não podendo ser objeto de publicidade a de censura.

Art. 36. A censura é aplicável nos casos de:

I — infrações definidas nos incisos I a XVI e XXIX do art. 34;

II — violação a preceito do Código de Ética e Disciplina;

III — violação a preceito desta lei, quando para a infração não se tenha estabelecido sanção mais
grave.

Parágrafo único. A censura pode ser convertida em advertência, em ofício reservado, sem
registro nos assentamentos do inscrito, quando presente circunstância atenuante.

Art. 37. A suspensão é aplicável nos casos de:

I — infrações definidas nos incisos XVII a XXV do art. 34;

II — reincidência em infração disciplinar.

§ 1º A suspensão acarreta ao infrator a interdição do exercício profissional, em todo o território


nacional, pelo prazo de trinta dias a doze meses, de acordo com os critérios de individualização
previstos neste capítulo.

§ 2º Nas hipóteses dos incisos XXI e XXIII do art. 34, a suspensão perdura até que satisfaça
integralmente a dívida, inclusive com correção monetária.

§ 3º Na hipótese do inciso XXIV do art. 34, a suspensão perdura até que preste novas provas de
habilitação.

Art. 38. A exclusão é aplicável nos casos de:

I — aplicação, por três vezes, de suspensão;

II — infrações definidas nos incisos XXVI a XXVIII do art. 34.

Parágrafo único. Para a aplicação da sanção disciplinar de exclusão é necessária a manifestação


favorável de dois terços dos membros do Conselho Seccional competente.

Art. 39. A multa, variável entre o mínimo correspondente ao valor de uma anuidade e o máximo
de seu décuplo, é aplicável cumulativamente com a censura ou suspensão, em havendo circunstâncias
agravantes.

Art. 40. Na aplicação das sanções disciplinares são consideradas, para fins de atenuação, as
seguintes circunstâncias, entre outras:

I — falta cometida na defesa de prerrogativa profissional;

II — ausência de punição disciplinar anterior;

III — exercício assíduo e proficiente de mandato ou cargo em qualquer órgão da OAB;

IV — prestação de relevantes serviços à advocacia ou à causa pública.

Parágrafo único. Os antecedentes profissionais do inscrito, as atenuantes, o grau de culpa por


ele revelada, as circunstâncias e as consequências da infração são considerados para o fim de decidir:

a) sobre a conveniência da aplicação cumulativa da multa e de outra sanção disciplinar;

b) sobre o tempo de suspensão e o valor da multa aplicáveis.

Art. 41. É permitido ao que tenha sofrido qualquer sanção disciplinar requerer, um ano após seu
cumprimento, a reabilitação, em face de provas efetivas de bom comportamento.

Parágrafo único. Quando a sanção disciplinar resultar da prática de crime, o pedido de


reabilitação depende também da correspondente reabilitação criminal.

Art. 42. Fica impedido de exercer o mandato o profissional a quem forem aplicadas as sanções
disciplinares de suspensão ou exclusão.

Art. 43. A pretensão à punibilidade das infrações disciplinares prescreve em cinco anos,
contados da data da constatação oficial do fato.

§ 1º Aplica-se a prescrição a todo processo disciplinar paralisado por mais de três anos, pendente
de despacho ou julgamento, devendo ser arquivado de ofício, ou a requerimento da parte
interessada, sem prejuízo de serem apuradas as responsabilidades pela paralisação.

§ 2º A prescrição interrompe-se:

I — pela instauração de processo disciplinar ou pela notificação válida feita diretamente ao


representado;

II — pela decisão condenatória recorrível de qualquer órgão julgador da OAB.

CO MENTÁRIO S

INFRAÇÕES DISCIPLINARES
Dife re nte me nte dos de ve re s é ticos, que configura m conduta positiva ou comporta me nto
de se ja do, e nca rta dos no Código de Ética e Disciplina , a s infra çõe s disciplina re s ca ra cte riza m-se
pe la conduta ne ga tiva , pe lo comporta me nto inde se ja do, que de ve m se r re primidos. Sob a
pe rspe ctiva da tra diciona l cla ssifica çã o da s norma s, sã o impe ra tiva s a s que cuida m dos de ve re s, e
proibitiva s a s que tra ta m da s infra çõe s disciplina re s.

Pre va le ce u, no CFOAB, qua ndo da discussã o do proje to do Esta tuto, a te se forte me nte
de fe ndida pe lo Conse lhe iro Eva ndro Lins e Silva , de que a s infra çõe s disciplina re s, por constituíre m
re striçõe s de dire ito, de ve ria m se r ta xa tiva me nte indica da s e m le i, nã o pode ndo se r re me tida s a o
Código de Ética e Disciplina que a s re gula me nta sse . Com e fe ito, a ga ra ntia de que a s infra çõe s
e ste ja m pre via me nte tipifica da s e m norma s sa nciona dora s inte gra o de vido proce sso le ga l da
a tivida de sa nciona tória do Esta do (a rt. 5º, LIV, da Constituiçã o), “visto que se m a tipifica çã o do
comporta me nto proibido re sulta viola da a se gura nça jurídica da pe ssoa huma na ou jurídica , que se
e xpõe a o risco de proibiçõe s a rbitrá ria s e dissona nte s dos coma ndos le ga is” (Osório, 2005, p. 265).

As infra çõe s disciplina re s sã o a pe na s a s indica da s na Le i n. 8.906/94, e sta ndo ve da da s a s


inte rpre ta çõe s e xte nsiva s ou a na lógica s.

Os conce itos inde te rmina dos, ne sta se de , sã o e sca ssos e a pe na s os conside ra dos
impre scindíve is, da da a própria dinâ mica da e voluçã o dos comporta me ntos profissiona is e a
a da pta çã o à s muda nça s. É o ca so de conduta incompa tíve l, cuja s hipóte se s sã o e xe mplifica tiva s. No
e nta nto, nã o há ma rge m pa ra os juízos subje tivos de va lor. O conce ito se concre tiza me dia nte a
a propria çã o obje tiva dos stand ard s de conduta , re conhe cidos como va liosos e m ca da é poca pe la
consciê ncia na ciona l dos a dvoga dos, ma tiza dos pe lo se ntime nto de justiça .

As infra çõe s disciplina re s e stã o a grupa da s e m um a rtigo único, e m núme ro de vinte e nove
tipos, pode ndo se r dividida s e m trê s pa rte s, se gundo o níve l de gra vida de que oste nta m e de a cordo
com a s sa nçõe s a que e stã o suje ita s: ce nsura (e ve ntua lme nte , re duzida a simple s a dve rtê ncia ),
suspe nsã o e e xclusã o.

A multa é uma sa nçã o disciplina r a ce ssória que se a cumula e m outra sa nçã o e m ca so de


circunstâ ncia a gra va nte . Nã o pode se r a plica da de modo isola do ne m se re fe re e spe cifica me nte a
qua lque r infra çã o disciplina r.

Come te m infra çõe s disciplina re s os que e stã o inscritos na OAB. Pa ra os nã o inscritos, a plica -se
a le gisla çã o pe na l comum, por se tra ta r de e xe rcício ile ga l da profissã o. No e nta nto, o me smo fa to
puníve l disciplina rme nte pode ta mbé m re pe rcutir no ca mpo pe na l, nã o de pe nde ndo uma jurisdiçã o
da outra (inde pe ndê ncia da s instâ ncia s). A punibilida de nã o se e xtingue se o a dvoga do pa ssa r a
e xe rce r funçã o incompa tíve l com a a dvoca cia , de ve ndo a puniçã o se r re gistra da pa ra se r cumprida
qua ndo for re que rida e de fe rida nova inscriçã o.
Pa ra uma a ná lise ma is didá tica do conjunto da s infra çõe s disciplina re s, pa ssa re mos a a grupá -
la s se gundo a s sa nçõe s a que se vincula m na orde m dos incisos do a rt. 34 da Le i n. 8.906/94.

INFRAÇÕES DISCIPLINARES PUNÍVEIS COM CENSURA

Exercício da profissão por impedidos ou incompatibilizados

A prime ira e spé cie proíbe o e xe rcício da profissã o a os que e ste ja m impe didos de fa zê -lo. Já
sa lie nta mos que a fa lta ou fa lsida de de inscriçã o é ca so de puniçã o se gundo a le gisla çã o pe na l
comum (e xe rcício ile ga l da profissã o), ma s nã o propria me nte de infra çã o disciplina r. O impe dime nto
re fe rido ta nto e nvolve a incompa tibilida de (impe dime nto tota l) qua nto o impe dime nto pa rcia l, ne sse
ca so no â mbito do impe dime nto (por e xe mplo, a dvoga r contra a Fa ze nda Pública que o re mune re ).

Come te a me sma infra çã o que m pe rmite ou fa cilita que outre m nã o inscrito na OAB ou
impe dido e xe rça irre gula rme nte a profissã o. Ne sse ca so, a culpa do a dvoga do te rá de se r ma nife sta ,
por a çã o ou omissã o.

O a dvoga do fre que nte me nte de le ga ta re fa s a e scriturá rios, a se cre tá rios, a e sta giá rios e a
outros le igos. Essa de le ga çã o é a dmissíve l a pe na s e nqua nto e le ma ntive r ta is pe ssoa s sob se u
e strito controle e re sponsa bilida de e de sde que a e le s nã o a tribua a prá tica de a tos priva tivos de
a dvoca cia .

Participação em sociedade irregular

A se gunda e spé cie proíbe a pa rticipa çã o do a dvoga do e m socie da de de a dvoga dos fora do
mode lo e sta be le cido no Esta tuto. Como e xe mplos: socie da de que te m por fina lida de a dvoca cia
a ssocia da com outra a tivida de (conta bilida de , proje tos e conômicos e tc.); socie da de que te m
fina lida de de a tivida de de a dvoca cia e nã o e stá re gistra da na OAB, ma s e m outro re gistro público;
socie da de de a dvoga dos que a dota mode lo e mpre sa ria l.

Nã o se inclui ne sse tipo de infra çã o a ma nute nçã o comum do e scritório por ma is de um


a dvoga do ou a pa rce ria e m a tivida de s profissiona is ou o pa trocínio conjunto de ca usa s, de sde que
fique m ca ra cte riza da s a a tua çã o e a re sponsa bilida de individua l de ca da a dvoga do.

Utilização de agenciador de causas

A te rce ira e spé cie ve da a utiliza çã o de a ge ncia dor de ca usa s. Esta é uma infra çã o fre que nte ,
promovida de forma sutil, e spe cia lme nte na s a çõe s plúrima s, que da nifica o pre stígio da a dvoca cia .
O a ge ncia dor a tua de modo orga niza do, cobra ndo pa rticipa çã o nos honorá rios, a me squinha ndo o
tra ba lho do profissiona l.
Angariar ou captar causas

A qua rta e spé cie comple me nta a a nte rior, porque ve da qua isque r forma s que se ja m utiliza da s
pa ra a nga ria r ou ca pta r ca usa s, com ou se m a juda de te rce iros. O a dvoga do nã o pode ofe re ce r se us
se rviços a o clie nte pote ncia l como se fosse uma me rca doria . A publicida de de ve se r re a liza da de
modo ge né rico e com mode ra çã o, se m prome ssa de re sulta dos a ca usa s de te rmina da s.

Pa ra o Esta tuto, ne nhuma forma de ca pta çã o de clie nte la é a dmissíve l; o a dvoga do de ve se r


procura do pe lo clie nte , nunca procurá -lo. A inculca çã o dá -se se mpre de modo pre judicia l à
dignida de da profissã o, se ja qua ndo o a dvoga do se ofe re ce dire ta me nte a o clie nte e m a mbie nte s
socia is, a utopromove ndo-se , se ja qua ndo critica o de se mpe nho de cole ga que e ste ja com o
pa trocínio de a lguma ca usa , se ja , a inda , qua ndo se utiliza dos me ios de comunica çã o socia l pa ra
ma nife sta çõe s ha bitua is sobre a ssuntos jurídicos. De cidiu a Se gunda Câ ma ra do CFOAB (Proc.
2.299/2001/SCA) que e ssa infra çã o é “de na ture za forma l, que inde pe nde da ocorrê ncia do re sulta do
pa ra a sua consuma çã o”.

O uso de ma la dire ta , por e xe mplo, a pe na s é a dmissíve l pa ra comunica r a insta la çã o do


e scritório ou muda nça s de e nde re ço. Ne sse se ntido, de cidiu a Se gunda Câ ma ra do CFOAB (Re c.
0177/2002/SCA-SE, julga do e m 2004) que “corre spondê ncia do tipo ma la dire ta , ofe re ce ndo se rviço a
clie nte la a le a tória , configura infra çã o puníve l por viola çã o do a rt. 34, IV, e a rt. 4º, I, do Provime nto n.
94/2000, cuja compe tê ncia pa ra conhe ce r da ma té ria é da Se cciona l e m cuja ba se te rritoria l foi
re ce bida a ca rta ”.

Incorre ne ssa infra çã o o a dvoga do que pre sta se rviço, como a utônomo, à e mpre sa imobiliá ria
que a dministra loca çã o de imóve is, a dvoga ndo concomita nte me nte pa ra os pre te nde nte s a
loca tá rios indica dos pe la e mpre sa . Ta mbé m incorre ne ssa infra çã o que m promove o e xe rcício da
a dvoca cia me dia nte pla nos a ssiste ncia is (Proc. 215/98/OEP).

Autoria falsa de atos

A quinta e spé cie proíbe que o a dvoga do a ssuma a a utoria de a tos de a dvoca cia que e le nã o
pra ticou ne m com e le s cola borou. Essa re gra te m como principa l a lvo a de plorá ve l conduta de
a dvoga dos que , a troco de a lguns dinhe iros, dã o cobe rtura de le ga lida de a o e xe rcício ile ga l da
profissã o de rá bula s ou a sse me lha dos. O plá gio tota l ou pa rcia l de pe ça e la bora da por outro cole ga
ta mbé m configura a infra çã o. Que m a ge a ssim re ba ixa -se e m dignida de profissiona l e pe ssoa l e
de spre stigia a cla sse .

Advogar contra literal disposição de lei. Lei injusta


A se xta e spé cie e nvolve a proibiçã o de a dvoga r contra lite ra l disposiçã o de le i. Esta é re gra
ge né rica de prote çã o da Administra çã o da Justiça e do clie nte , ma s te m como pre ssupostos a
inte nçã o, a vonta de conscie nte e a má -fé do a dvoga do. A fina lida de de sse tipo de sa nçã o é e vita r
que o a dvoga do, com e vide nte intuito de obte r prove ito inde vido do clie nte ou de te rce iros, postule
ou re come nde soluçã o jurídica que sa be se r proibida ou que nã o pode se r tute la da pe la le i. Ne le se
e nqua dra a postula çã o contra orie nta çã o pa cífica dos tribuna is sobre de te rmina da ma té ria , se m
a dve rtir o clie nte do se guro insuce sso, ma s re ce be ndo honorá rios. É de ve r é tico do a dvoga do
a conse lha r se u clie nte a nã o ingre ssa r e m a ve ntura judicia l, e , como de te rmina o Código de Ética e
Disciplina (a rt. 9º), informa r-lhe dos riscos de sua pre te nsã o e da s conse quê ncia s que a dvirã o.

A orige m de ssa re gra , e m nosso dire ito, pode se r e ncontra da na Le i da Boa Ra zã o (de 1769, §
7º), que impunha se ve ra s sa nçõe s a os a dvoga dos que a conse lha sse m contra a s Orde na çõe s e o
dire ito e xpre sso, “porqua nto a e xpe riê ncia te m mostra do que a s sobre dita s inte rpre ta çõe s dos
a dvoga dos consiste m ordina ria me nte e m ra ciocínios frívolos, e orde na dos ma is a implica r com
sofisma s a s ve rda de ira s disposiçõe s da s le is”.

O e rro involuntá rio é e scusá ve l, sobre tudo e m fa ce da infla çã o le gisla tiva incontrolá ve l, que
ca ra cte riza nossa é poca . Ne sse ca so, ca be a o a dvoga do prová -lo. Na dúvida de ve se r pre sumido.
“Pa ra configura r infra çã o a o a rt. 34, VI, do EAOAB pre ssupõe a inte nçã o, a vonta de conscie nte e a
má fé do a dvoga do, pois a e ste ca be a inte ira e inde le gá ve l re sponsa bilida de pe la dire çã o té cnica
da ca usa ou da que stã o” (Eme nta 056/2007/SCA).

Ma is inte re ssa nte s ne ssa hipóte se sã o a s e xce çõe s, que e ngra nde ce m a a tua çã o construtiva
dos a dvoga dos na dime nsã o plura lista do dire ito e da justiça . Sã o pre sunçõe s de boa -fé , e a té
me smo dire trize s que re come nda m o a fa sta me nto da lite ra lida de da le i ou de re a çã o a e la , qua ndo
o a dvoga do e stive r conve ncido de sua inconstituciona lida de , de sua ine re nte injustiça ou qua ndo a
jurisprudê ncia impre gná -la de se ntidos dife re nte s. O comba te à le i inconstituciona l ou injusta nã o é
a pe na s um dire ito do a dvoga do; é um de ve r.

A le i é injusta qua ndo fe re os pa râ me tros a dmitidos pe la consciê ncia jurídica da justiça


comuta tiva , ou da justiça distributiva ou da justiça socia l e os dire itos huma nos. A justiça socia l (que
te m que ve r com a supe ra çã o da s de sigua lda de s socia is e re giona is) foi e le va da a princípio
e strutura nte do Esta do De mocrá tico de Dire ito, da socie da de e da a tivida de e conômica pe la
Constituiçã o bra sile ira (a rts. 3º e 170). É conhe cida a fórmula de Gusta v Ra dbruch, que o conhe cido
jusfilósofo a le mã o de se nvolve u e m 1946, a pós a Se gunda Gue rra Mundia l, pa ra o e nfre nta me nto dos
crime s de ge nocídio come tidos pe los na zista s, e m fa ce do princípio nulla poena sine lege: a ) a le i te m
pre fe rê ncia sobre o se ntime nto de justiça ; poré m, b) a justiça pre fe re à le i qua ndo e sta for
e xtre ma me nte injusta .
Vê m a propósito a s pa la vra s de Antonio de Luna (1954): “Qua ndo o dire ito do de ma nda nte ou a
oposiçã o do de ma nda do se ba se ia m e m uma le i injusta , o a dvoga do nã o de ve a ce ita r ta l ca usa , já
que a o a ce itá -la torna r-se -ia corre sponsá ve l pe los e fe itos de la ”.

Como se vê , o a dvoga do nã o é e scra vo da le i, no se ntido de le i e sta ta l; contra e la pode (e de ve )


opor-se qua ndo e m si me sma (e nã o a pe na s por sua a plica çã o) é injusta ou incompa tíve l com a
Constituiçã o. Ma is que a le i, é a justiça a fina lida de do siste ma jurídico bra sile iro.

O Código de Ética e Disciplina (a rt. 22) inclui a a bste nçã o do a dvoga do a o pa trocínio de ca usa s
contrá ria s à va lida de de a to jurídico e m que te nha cola bora do. Ne ssa te rce ira hipóte se é fla gra nte o
comporta me nto a é tico, pois importa ne ga r va lida de jurídica a o a to que e le próprio e la borou qua ndo
pa ssou a a dvoga r os inte re sse s da pa rte contrá ria .

A Constituiçã o bra sile ira a dotou o siste ma misto de controle da constituciona lida de
(conce ntra do, me dia nte a çã o dire ta proposta pe la s e ntida de s le gitima da s; difuso, me dia nte a rguiçã o
incide nta l suscita da por qua lque r a dvoga do e m ca usa s concre ta s). De ssa forma , o a dvoga do
contribui com a construçã o do Esta do De mocrá tico de Dire ito pa ra a re tira da do siste ma jurídico de
le i que viola a s norma s e princípios constituciona is que nos re ge m.

Quebra de sigilo profissional

A sé tima situa çã o impe de que o a dvoga do viole sigilo profissiona l. Admite , no e nta nto, a justa
ca usa . O sigilo profissiona l é a pa ná gio da cida da nia e da inviola bilida de da a dvoca cia , como a cima
discorre mos (ve r come ntá rios a o a rt. 7º sobre inviola bilida de ).

A justa ca usa a pe na s ocorre qua ndo o clie nte a utoriza o a dvoga do a que bra r o sigilo ou, qua ndo
nã o a utoriza do, te m por fito prote ge r inte re sse re le va nte . Em virtude da gra vida de do de ve r, a
a utoriza çã o há de se r e xpre ssa , e a pe na s pode m se r utiliza da s nos limite s da ne ce ssida de da de fe sa
dos inte re sse s do clie nte .

O Código de Ética e Disciplina (a rt. 37) conside ra re le va nte s os se guinte s inte re sse s, que
justifica m a que bra :

a ) gra ve a me a ça a o dire ito à vida . Ta l ocorre , por e xe mplo, qua ndo o clie nte re ve la sua
inte nçã o (ou pa rticipa çã o) e m a ssa ssina r a lgué m;

b) gra ve a me a ça à honra a o próprio a dvoga do ou a te rce iro, como, por e xe mplo, a re ve la çã o de


fa tos tipifica dos como crime de ca lúnia ;

c) qua ndo o a dvoga do se vê a fronta do pe lo próprio clie nte e , e m de fe sa própria , te m de re ve la r


o se gre do, ma s se mpre de ntro dos limite s ne ce ssá rios à de fe sa .
O de ve r de sigilo inclui a re cusa de de poime nto judicia l sobre e le , ne sse ca so me smo que
a utoriza do ou solicita do pe lo constituinte , qua ndo o a dvoga do e nte nde r que de va pre se rvá -lo.

Um pe culia r tipo de sigilo profissiona l, que nã o pode se r que bra do, é o da s informa çõe s
re se rva da s do e x-e mpre ga dor, qua ndo o a dvoga do, pa trocina ndo inte re sse de te rce iro, contra e le
postula r. É de ve r do a dvoga do re sgua rda r o se gre do profissiona l e a s informa çõe s que lhe te nha m
sido confia da s pe lo e x-e mpre ga dor ou e x-clie nte (insid e inform ation).

Entendimento com a parte contrária

A oita va e spé cie ve da o e nte ndime nto do a dvoga do com a pa rte contrá ria . O se ntido de
e nte ndime nto nã o é a pe na s de tra nsa çã o, ma s de qua lque r te nta tiva de ne gocia çã o ou sonda ge m.
Pa ra ta nto o a dvoga do de ve re ce be r a utoriza çã o pré via do clie nte e cie ntifica r o outro cole ga . A le i
nã o e xige que ha ja instrume nto e scrito de a utoriza çã o, ma s de ve o a dvoga do a ca ute la r-se qua nto à
ne ce ssida de de prová -la .

No dire ito roma no, como se vê no Dige sto (D, 47, 15, 1), conside ra va -se pre va rica dor que m,
fingindo inte re ssa r-se por um, “tra i, e ntre ta nto, sua ca usa , a juda ndo o a dve rsá rio”.

O Código de Ética e Disciplina (a rt. 2º, pa rá gra fo único, d ) pre vê idê ntica re gra de ontológica ,
impondo o de ve r de a bste nçã o a o a dvoga do de “e nte nde r-se dire ta me nte com a pa rte a dve rsa que
te nha pa trono constituído, se m o a sse ntime nto de ste ”.

Prejuízo causado à parte

A nona e spé cie ta mbé m conside ra como infra çã o disciplina r o da no ou pre juízo que o a dvoga do
ca usa a o clie nte , a lé m da re sponsa bilida de civil a que se suje ita . Contudo, pa ra a re spon​s a bilida de
é tico-disciplina r a Le i n. 8.906/94 e xige a culpa gra ve (lata culpa, m agna negligentia), a ssim e nte ndida
uma ne gligê ncia e xtra ordiná ria , supe rior à mé dia da diligê ncia comum, ou se ja , nã o usa r a a te nçã o
ma is vulga r, nã o e nte nde r o que e nte nde m todos. A culpa gra ve a proxima -se do dolo (d olus m alus),
ma s com e le nã o se confunde porque fa lta a inte nçã o de pre judica r. A culpa gra ve é a que la
ine scusá ve l na a tivida de do a dvoga do. Re sulta da fa lta que o profissiona l ma is de sle ixa do ou
me díocre nã o pode ria come te r. A pe rda do pra zo pa ra conte sta r, por e xe mplo, a pós re ce be r o
ma nda do judicia l, concre tiza o tipo. A nã o inte rposiçã o de re curso, e m te se ca bíve l, importa pre juízo
a o clie nte (CFOAB, Re c. 0070/2002/SCA). Igua lme nte , “e xiste a infra çã o a o a rt. 34, IX, da nossa Le i n.
8.906/94 o fa to do a dvoga do contra ta do te r opta do por uma via judicia l, e m de trime nto da busca ma is
rá pida e , conse que nte me nte , da concre tiza çã o da Justiça a o clie nte , principa lme nte se a via
e scolhida , e mbora a ce ita pe lo judiciá rio, é me nos e fica z, tra ze ndo pre juízos a o clie nte ” (CFOAB,
Re c. 0301/2002/SCA), ou qua ndo o a dvoga do pre judica inte re sse confia do a o se u pa trocínio e de ixa
de ingre ssa r com a a çã o judicia l pa ra a qua l foi contra ta do, a ca rre ta ndo a incidê ncia da pre scriçã o
da pre te nsã o de se u clie nte (CFOAB, Proc. 2.304/2001/SCA).

O CFOAB de cidiu que come te a infra çã o disciplina r o a dvoga do que de ixa e scoa r in albis o
pra zo pa ra inte rposiçã o de re curso (Proc. 1.655/95/SC). Essa de cisã o nã o de ve se r a plica da de modo
a mplo, porque o a dvoga do pode e sta r conve ncido do de sca bime nto do re curso ou da inutilida de de
sua inte rposiçã o, e sta ndo tute la do pe lo princípio da inde pe ndê ncia té cnica .

Em outra de cisã o, e nte nde u o CFOAB que o a dvoga do que de ixa de compa re ce r à se ssã o de
julga me nto do tribuna l do júri por nã o te r re ce bido a inte gra lida de de se us honorá rios profissiona is
e pe lo insuficie nte ma te ria l proba tório colhido na instruçã o nã o come te a infra çã o disciplina r. Le vou
e m conta a a usê ncia de pre juízo pa ra o ré u (Proc. 1.673/95/SC). Ta mbé m conside rou ine xiste nte a
infra çã o disciplina r qua ndo o “a dvoga do contra ta do milita e te m domicílio e m cida de dista nte ma is
de 300 km do loca l onde pre te nde a juiza r a a çã o, nã o pode o clie nte a le ga r a ocorrê ncia de pre juízo
por fa lta gra ve por ra zoá ve l te mpo de spe ndido e ntre a contra ta çã o e a propositura da a çã o, má xime
qua ndo ta mbé m contribuiu pa ra o re ta rda me nto, nã o forne ce ndo o rol de te ste munha ” (Eme nta
064/2007/SCA).

Nulidade processual culposa

A dé cima e spé cie pune o a dvoga do que a ca rre ta a nulida de ou a nula çã o do proce sso e m que
funcione . Dois pre ssupostos de ve m ocorre r: a ) que a inva lida çã o do proce sso se ja imputá ve l a a to
ou omissã o voluntá ria do a dvoga do; b) que te nha ca usa do pre juízo a o re gula r a nda me nto do
proce sso. Ocorre , inclusive , qua ndo o clie nte nã o te nha sido pre judica do de finitiva ou
fina nce ira me nte ; ba sta o pre juízo do te mpo pe rdido.

Abandono da causa

A dé cima prime ira e spé cie pune o injustifica do a ba ndono da ca usa . O a ba ndono justifica do da
ca usa de ve rá se r se mpre pre ce dido da re núncia a o ma nda to, a gua rda ndo-se os de z dia s que o
Esta tuto pre vê , a pós a e fe tiva comunica çã o a o clie nte , sa lvo se e ste o substituir a nte s, conforme
nossos come ntá rios a o a rt. 5º.

De cidiu o CFOAB que nã o se conside ra justifica tiva e scusá ve l pa ra o a ba ndono da ca usa a


a le ga çã o de a cúmulo de se rviço no e scritório; ou de dificulda de de conta to do a dvoga do com se u
constituinte (Re c. 1.101/89/PC); ou o de sinte re sse de se u clie nte no a nda me nto com o proce sso (Proc.
1.575/94/SC). Em outro julga me nto, de cidiu que “re núncia de a dvoga do a o ma nda to outorga do,
a tra vé s de pe tiçã o dirigida a o Juízo, se m e xpre ssa comprova çã o de ciê ncia à pa rte , se ja por
a ssina tura e m docume nto inte rno, se ja por notifica çã o”, ca usa pre juízos à pa rte e ca ra cte riza a
infra çã o disciplina r pre vista no inciso XI do a rt. 34 da Le i 8.906/94 (Re c. 0063/2003/SCA).

O Código de Ética e Disciplina de 2015 (a rt. 15) de te rmina que o a dvoga do nã o de ve de ixa r a o
a ba ndono ou a o de sa mpa ro a s ca usa s sob se u pa trocínio, se ndo re come ndá ve l que , e m fa ce de
dificulda de s insupe rá ve is ou iné rcia do clie nte qua nto a providê ncia s solicita da s, re nuncie a o
ma nda to. De sa mpa ro é me nos que a ba ndono, porque e nvolve de sca so e fa lta de diligê ncia re gula r.
A conse quê ncia é a me sma : sa nçã o de ce nsura . Ha ve ndo motivo justo e re le va nte (por e xe mplo,
doe nça te mpora ria me nte inca pa cita nte ), me smo e m fa lta de ciê ncia a o constituinte , nã o ocorre a
infra çã o disciplina r.

Recusa da assistência jurídica

A dé cima se gunda e spé cie volta -se à re cusa da a ssistê ncia jurídica . É a ntigo e sse de ve r é tico
com os ne ce ssita dos, consta nte de todos os códigos de ontológicos. Um dos gra nde s obje tivos do
movime nto mundia l de a ce sso à justiça é a unive rsa liza çã o dos se rviços públicos ou socia is de
a ssistê ncia jurídica gra tuita . A Constituiçã o bra sile ira de te rmina que é de ve r do Esta do provê -los.
Pe rma ne ce o de ve r é tico do a dvoga do, suple tiva me nte , no ca so de impossibilida de tota l ou pa rcia l
de a te ndime nto da De fe nsoria Pública , qua ndo de signa do pe la OAB.

No siste ma e sta be le cido pe lo Esta tuto nã o se rá gra tuita a a ssistê ncia jurídica , sa lvo na hipóte se
de a dvoca cia pro bono como pre vista no Código de Ética e Disciplina (a rt. 30) e pe lo Provime nto n.
166/2015, compe tindo a o Esta do pa ga r a o a dvoga do que a pre sta r os honorá rios fixa dos se gundo
ta be la a prova da pe la OAB.

O que ca ra cte riza a infra çã o disciplina r é a re cusa imotiva da do a dvoga do à de signa çã o pe la


OAB pa ra pre sta r a a ssistê ncia . Conside ra -se re cusa motiva da a justifica çã o re le va nte , a crité rio da
OAB. Como pre vê o Código de Re sponsa bilida de Profissiona l da ABA (EC 2-29), nã o se a dmite como
justifica tiva s re le va nte s a re pugnâ ncia da ma té ria obje to do proce sso, a ide ntida de ou a posiçã o da
pe ssoa e nvolvida no ca so, a cre nça pe ssoa l do a dvoga do da culpa crimina l do ré u, ou a dúvida do
a dvoga do sobre os mé ritos do ca so civil.

Publicidade de trabalho pela imprensa

A dé cima te rce ira e spé cie conside ra publicida de proibida a divulga çã o pe la impre nsa de
tra ba lhos do a dvoga do re la tivos a que stõe s sob se u pa trocínio. Este é um te ma de lica do, porque , à s
ve ze s, o a dvoga do pre sta re le va nte s se rviços de orie nta çã o pública , nota da me nte no ca so de
inte re sse s de grupos e comunida de s. Tra ta -se de e spe cifica çã o de modos a é ticos de ca pta çã o de
clie nte la , conforme o inciso IV, a cima .
Por e ssa ra zã o, a hipóte se some nte se concre tiza qua ndo houve r ha bitua lida de (ma is de uma
ve z, nota da me nte nos me smos órgã os de impre nsa ) ou qua ndo nã o se configura r o inte re sse
público. A Orde m te m a pre cia do re pre se nta çõe s disciplina re s, infe lizme nte fre que nte s, de
a dvoga dos que a ge ncia m e re mune ra m jorna lista s pa ra , se gundo o ja rgã o jorna lístico, “pla nta re m”,
e m notícia s ou re porta ge ns, re fe rê ncia s e re la tos de se us tra ba lhos profissiona is. Essa é uma forma
de m erch and ising a é tico, que da nifica a ima ge m pública da a dvoca cia .

Sobre publicida de de a dvoca cia , ve r a cima os come ntá rios a e la de dica dos.

Manipulação fraudulenta de citações

A dé cima qua rta e spé cie é a a dulte ra çã o ou ma nipula çã o fra udule nta de cita çõe s. As cita çõe s
de te xtos de le is, de doutrina , de jurisprudê ncia ou de de poime ntos sã o comuns, e a té ne ce ssá ria s,
na s pe ça s produzida s pe lo a dvoga do. Ocorre a infra çã o disciplina r qua ndo, cumula tiva me nte : a ) o
te xto é de turpa do; b) há inte nçã o de fa zê -lo; c) visa a confundir o a dve rsá rio ou o julga dor.

Há de turpa çã o e m virtude de inte rpola çõe s, omissõe s ou a lte ra çõe s de pa la vra s ou pe ríodos. A
muda nça ou omissã o de uma le tra pode a lte ra r tota lme nte o se ntido de um te xto, como ocorre
qua ndo a le i, re fe rindo-se a “dos incisos x a y”, é tra nscrita como se ndo “dos incisos x e y”. Ta mbé m
há de turpa çã o qua ndo sã o suprimida s pa rte s do te xto, que nã o inte re ssa m a o infra tor, re sulta ndo
e m se ntido dife re nte do conte xto.

Imputação de fato criminoso

A dé cima quinta e spé cie pune a imputa çã o de sa utoriza da de fa to de finido como crime . Nã o se
tra ta propria me nte de ca lúnia , porque e sta é a imputa çã o falsa de fa to que a le i te nha qua lifica do
como crime . Pa ra concre tiza r a infra çã o disciplina r ba sta a imputa çã o a te rce iro, me smo que o fa to
de finido como crime se ja ve rda de iro.

Ca ra cte riza -se a infra çã o disciplina r qua ndo pre se nte s os se guinte s re quisitos: a ) imputa çã o de
fa to a te rce iro, a í incluída a pa rte contrá ria ; b) qua lifica çã o le ga l do fa to como crime ; c) fa zê -lo e m
nome do clie nte ; d) fa lta de a utoriza çã o e xpre ssa do clie nte pa ra fa zê --lo. É ce rto que há pre sunçã o
de fa zê -lo e m nome do clie nte , me smo qua ndo nã o a firma do e xpre ssa me nte , se a imputa çã o ocorre r
e m ra zã o do pa trocínio da ca usa ou que stã o.

Adve rte m Ha ddock Lobo e Costa Ne to (1978, p. 328) que e ssa re gra pre cisa se r te mpe ra da com
a da imunida de profissiona l por ofe nsa s irroga da s no e xe rcício da a dvoca cia (ve r come ntá rios a o
a rt. 7º, II).

A imputa çã o, e m pe tiçã o inicia l, de conduta criminosa à pa rte contrá ria constitui a infra çã o
disciplina r, que nã o é a fa sta da com o prote sto da e xce çã o da ve rda de . Ta mbé m configura a infra çã o
disciplina r (CFOAB, Eme nta n. 204/2012/SCA-TTU) a a cusa çã o fe ita a oficia l de justiça da prá tica de
a dvoca cia a dministra tiva cuja conduta é puníve l com ce nsura .

Descumprimento a determinação da OAB

A dé cima se xta hipóte se pune a fa lta de cumprime nto de de te rmina çã o e ma na da da OAB. A


de te rmina çã o de ve rá e sta r contida e m notifica çã o de ca rá te r ma nda me nta l pa ra obriga çã o de fa ze r,
pre vista e m norma le ga l. Sã o e ste s se us re quisitos: a ) de te rmina çã o de órgã o ou a utorida de da OAB;
b) obriga çã o le ga l imputá ve l a o a dvoga do; c) notifica çã o no pra zo le ga l, que é se mpre de quinze dia s
pa ra cumprime nto, conta dos do último dia útil ime dia to a o da ciê ncia (notifica çã o do re ce bime nto do
ofício ou publica çã o na impre nsa oficia l).

Configura o tipo a re cusa de e ntre ga da ca rte ira profissiona l pe lo a dvoga do que ha ja sido
suspe nso (CFOAB, Proc. 1.547/94/SC).

Prática irregular de ato pelo estagiário

Ta mbé m se inclui nos tipos infra ciona is, puníve is com a sa nçã o de ce nsura , a hipóte se de
prá tica pe lo e sta giá rio de a to e xce de nte de sua ha bilita çã o (inciso XXIX do a rt. 34 da Le i n. 8.906/94).
Como já a nota mos a cima , o Esta tuto, a o contrá rio da le gisla çã o a nte rior que pe rmitia a prá tica de
a tos nã o priva tivos de a dvoga do, a pe na s a dmite que o e sta giá rio a tue e m conjunto e
ne ce ssa ria me nte com a dvoga do, e xce to na s hipóte se s pre vista s no a rt. 29 do Re gula me nto Ge ra l.
Assim, a prá tica de qua lque r a to a tribuíve l à a tivida de de a dvoca cia , pe lo e sta giá rio isola da me nte ,
provoca a incidê ncia do tipo; é a to e xce de nte de sua ha bilita çã o.

Violação ao Código de Ética e Disciplina

Alé m dos tipos re fe ridos nos incisos I a XVI e XXIX do a rt. 34, a sa nçã o de ce nsura é a plicá ve l
e m ca so de qua lque r viola çã o a os pre ce itos e de ve re s é ticos pre vistos no Código de Ética e
Disciplina , sa lvo se a Le i n. 8.906/94 cominou-lhe sa nçã o ma is se ve ra (suspe nsã o ou e xclusã o).

Conside ra -se viola çã o do Código de Ética e Disciplina a a tua çã o de me mbros da OAB na de fe sa


de pa rte s inte re ssa da s e m proce ssos e m tra mita çã o e m órgã os da OAB, inclusive me dia nte
pa re ce re s, sa lvo e m ca usa própria . É conduta ina dmissíve l, ta mbé m e nqua drá ve l como a dvoca cia
a dministra tiva . Ta mbé m viola o Código de Ética e Disciplina o a dvoga do que re pre se nta r a cla sse
junto a qua isque r instituiçõe s, órgã os e comissõe s e firma r contra to one roso de pre sta çã o de
se rviços a e ssa s e ntida de s.
Violação de preceito do Estatuto

A ce nsura é se mpre a sa nçã o a plicá ve l, se nã o houve r e xpre ssa comina çã o de outra sa nçã o,
e m ca so de viola çã o de qua lque r pre ce ito do Esta tuto, me smo que e stra nho a os tipos de infra çõe s
disciplina re s do a rt. 34 do Esta tuto e do Código de Ética e Disciplina . Ou se ja , o de scumprime nto
pe lo a dvoga do da s norma s coge nte s do Esta tuto, que os obriga m, configura o tipo a bra nge nte e
de te rminá ve l (pe la viola çã o) de infra çã o disciplina r puníve l com ce nsura .

INFRAÇÕES DISCIPLINARES PUNÍVEIS COM SUSPENSÃO

Ato ilícito ou fraudulento

A dé cima sé tima e spé cie é a cola bora çã o do a dvoga do e m a to ilícito ou fra udule nto. Nã o há
ne ce ssida de , pa ra ca ra cte riza r a infra çã o disciplina r, que a pa rticipa çã o do a dvoga do, ne sse e ve nto,
de corra de se u e xe rcício profissiona l. Ba sta a cola bora çã o; nã o se e xige que pra tique ou a ssuma a
a utoria do a to. Sã o pre ssupostos do tipo: a ) a to contrá rio ou e m fra ude à le i de na ture za coge nte
(proibitiva ou impe ra tiva ); b) concurso do a dvoga do pa ra que o clie nte ou te rce iro o pra tique ; c)
inte nciona lida de do a dvoga do; d) be ne fício inde vido do clie nte ou te rce iro.

Enca rta m-se ne ssa hipóte se os se guinte s ca sos julga dos pe lo CFOAB: a fa lta do a dvoga do que
se utiliza de a lva rá de soltura oste nsiva me nte fa lso pa ra libe rta r constituinte s se us (Re c. 1.064/90/SC);
o a dvoga do que re ce be dinhe iro e m sua conta corre nte e te m ciê ncia da orige m ilícita do nume rá rio,
utiliza ndo-se de pa rte da qua ntia , a té o mome nto da a pre e nsã o pe la a utorida de que pre side
inqué rito crimina l a re spe ito do ca so (Re c. 0427/2002/SCA); o a dvoga do que pre sta concurso a o
clie nte pa ra fra uda r docume nto público (Re c. 0161/2004/SCA).

Nã o pode o a dvoga do utiliza r qua lque r me io pa ra de fe nde r se u clie nte . Ape na s pode e mpre ga r
todos os me ios lícitos e que nã o infrinja m a é tica profissiona l. O Código de Ética e Disciplina (a rt. 2º,
pa rá gra fo único, c) e sta be le ce que o a dvoga do de ve a bste r-se de e mpre sta r concurso a os que
a te nte m contra a é tica , a mora l, a hone stida de e a dignida de da pe ssoa huma na . O a dvoga do
de fe nde o criminoso, ma s nã o pode se r instrume nto do crime .

Aplicação ilícita de valores recebidos de cliente

A dé cima oita va e spé cie pune o a dvoga do que re ce be de clie nte importâ ncia s pa ra a plica çã o
e m obje tivos ilícitos ou de sone stos. É suficie nte pa ra concre tiza çã o do tipo que te nha ha vido
solicita çã o ne sse se ntido, e mbora se m re ce bê -la s.

O obje tivo é ilícito qua ndo viola e xpre ssa proibiçã o da le i ou os bons costume s. O obje tivo é
de sone sto qua ndo viola os princípios é ticos de probida de e re tidã o de conduta que se impõe m a
todo home m de ce nte e digno. Nã o se e nte nda que o Esta tuto se ja compla ce nte com o a dvoga do que
re ce be importâ ncia s do clie nte pa ra a plicá -la s me smo e m obje tivos lícitos. Advoga do nã o é corre tor
de va lore s.

Recebimento de valores da parte contrária

A dé cima nona e spé cie pune o a dvoga do que re ce be va lore s da pa rte contrá ria se m a utoriza çã o
de se u clie nte . Esse comporta me nto do a dvoga do re ve ste -se de gra ve viola çã o à é tica profissiona l,
a fronta ndo a confia nça que lhe de positou o clie nte . A infra çã o disciplina r e xiste me smo que o
a dvoga do nã o te nha inte nçã o de pre judica r se u clie nte , ou que a ja com intuito de be ne ficiá -lo.

É um plus à ve da çã o de e nte ndime nto nã o a utoriza do com a pa rte contrá ria , que por si só já
constitui infra çã o é tica .

Locupletamento à custa do cliente

A vigé sima e spé cie pune o locuple ta me nto à custa do clie nte ou da pa rte a dve rsa . Infe lizme nte ,
e sta é uma infra çã o fre que nte me nte come tida por ma us a dvoga dos, como se obse rva na s de cisõe s
da OAB ne ssa ma té ria .

Locuple ta me nto é o be ne fício ou e nrique cime nto inde vido do a dvoga do. Dá -se : a ) qua ndo
obté m prove ito de sproporciona l com os se rviços pre sta dos; b) qua ndo cobra honorá rios a busivos,
coloca ndo o clie nte e m de sva nta ge m e xa ge ra da ; c) qua ndo pa rticipa va nta josa me nte no re sulta do
fina nce iro ou pa trimonia l do ca so; d) qua ndo obté m va nta ge ns e xce de nte s do contra to de honorá rios
ne le nã o pre vista s; e ) qua ndo se a propria ou tra nsfe re pa ra si, a busa ndo do ma nda to, be ns ou
va lore s que se ria m do clie nte ou a e le de stina dos; e ta mbé m de a cordo com julga me ntos do CFOAB;
f) qua ndo promove o le va nta me nto de dinhe iro de posita do e m nome do clie nte , com a a gra va nte de
postula r be ne fício de justiça gra tuita pa ra o clie nte com que m ce le brou contra to de honorá rios (Proc.
1.551/94/PC); qua ndo re ce be honorá rios do clie nte pa ra inte nta r a a çã o e nã o a promove , se m lhe
da r e xplica çõe s (Proc. 1.543/94/SC); qua ndo re ce be do clie nte qua ntia de stina da à propositura da
a çã o tra ba lhista e se re cusa a de volvê -la qua ndo, no dia se guinte , o clie nte lhe comunica que
de sistiu de a juizá -la (Proc. 1.412/93/SC); qua ndo re ce be , e m pe nhor do constituinte , ve ículo de
proprie da de de ste e o ve nde , a pre te xto de pa ga r-se pe los se rviços profissiona is (Proc. 1.620/95/SC);
qua ndo e ntre ga o va lor a o clie nte me dia nte che que se m fundos (Proc. 1.920/98/SCA); qua ndo re ce be
procura çã o e a dia nta me nto do clie nte e nã o a juíza a a çã o (Proc. 2.038/99/SCA); qua ndo cobra
honorá rios e m pe rce ntua l e xorbita nte (no ca so, 30% sobre o va lor da conde na çã o se m contra to
e scrito e concordâ ncia do clie nte ) (Re c. 0428/2003/SCA); qua ndo fixa e m contra to e scrito honorá rios
e quiva le nte s a 50% do va lor do se guro a re ce be r me dia nte a lva rá (Re c. 0008/2004/SCA); qua ndo cobra
40% pa ra conduçã o de proce sso de inve ntá rio e re ce bime nto de pe nsã o pre vide nciá ria (Re c.
0387/2004/SCA).

Poré m, se gundo o CFOAB, o “re ce bime nto de 10% dos honorá rios contra ta dos (R$ 200,00) e ma is
pe que na s importâ ncia s pa ra e nfre nta me nto de custa s, nã o importa e m locuple ta me nto, que é fa lta
gra ve consiste nte e m a ume nta r o pa trimônio próprio e m de trime nto de outre m” (Eme nta
064/2007/SCA).

A de voluçã o do va lor inde vida me nte a propria do pe lo a dvoga do dá -se pe la a tua liza çã o
mone tá ria . A infra çã o nã o de sa pa re ce se houve r a de voluçã o a pós a insta ura çã o do proce sso
disciplina r.

Recusa injustificada de prestação de contas

A vigé sima prime ira e spé cie pune a re cusa injustifica da de pre sta çã o de conta s. O a dvoga do é
obriga do a pre sta r conta s dos va lore s re ce bidos do clie nte ou e m fa vor de ste . Ta l pre sta çã o importa
a comprova çã o da s de spe sa s e fe tiva me nte re a liza da s e a de voluçã o do va lor líquido nã o utiliza do.

Da me sma forma impõe -se incontine nti a pre sta çã o de conta s qua ndo o a dvoga do re ce be r
qua isque r importâ ncia s, be ns ou va lore s, de te rce iros ou prove nie nte s de orde m judicia l, no
e xe rcício de pode re s de re ce be r e da r quita çã o. Esse s pode re s sã o se mpre muito pe rigosos pa ra o
a dvoga do, que os de ve e xe rce r com mode ra çã o e má xima probida de .

O de ve r de pre sta çã o de conta s nã o pode se r e scusa do sob a le ga çã o de compe nsa çã o com os


honorá rios de vidos pe lo clie nte . A infra çã o disciplina r te m funda me nto é tico e nã o se a fa sta e m
virtude do dire ito ge né rico de compe nsa çã o pre visto na le gisla çã o civil. Há ite ra tiva jurisprudê ncia
do CFOAB no se ntido de que e ve ntua l cré dito do a dvoga do de corre nte de contra to de honorá rios
nã o de ve ne m pode se rvir de justifica tiva pa ra nã o pre sta çã o da s conta s de vida s (Re c.
0256/2002/SCA).

Em ca so de dificulda de s ou re cusa do clie nte , ca be a o a dvoga do promove r a pre sta çã o de


conta s, e m juízo, nã o consistindo e m e xclude nte s de se u de ve r. Com muito ma is ra zã o, nã o e xclui o
de ve r a a le ga çã o de nã o te r sido procura do pe lo clie nte , porque a pre sta çã o de conta s judicia l pode
va le r-se de cita çã o por e dita l. A iné rcia e m pre sta r conta s a o clie nte e quiva le à re cusa (Proc.
1.926/98/SCA). A re sponsa bilida de de pre sta r conta s é do a dvoga do que foi contra ta do e que a tuou na
ca usa , nã o se ndo justifica tiva e scusá ve l a a le ga çã o de que outra pe ssoa do e scritório te ria se
a propria do do nume rá rio (Re c. 0193/2003/SCA).

Configura a come nta da infra çã o disciplina r a re te nçã o de qua ntia de stina da à consigna çã o
judicia l, se m pre sta r conta s a o clie nte qua ndo solicita do. A a usê ncia de a nte ce de nte s justifica a
re duçã o da pe na , ma s nã o de sca ra cte riza a infra çã o. Ta mpouco a fa sta a incidê ncia da sa nçã o, o
a juiza me nto da a çã o de cobra nça de honorá rios de a dvoga do e o poste rior pe dido de de sistê ncia da
re pre se nta çã o, fe ito pe lo clie nte , ou a cobra nça de va lore s nã o pa ctua dos qua ndo da pre sta çã o de
conta s a e ste .

A pre sta çã o de conta s e nvolve dívida de va lor e nã o de dinhe iro, motivo pe lo qua l, e m ha ve ndo
de mora injustifica da , de ve se r mone ta ria me nte a tua liza da . A sa nçã o de suspe nsã o a e la imposta é
a cre scida da pe na suple tiva do pra zo inde te rmina do, a té que se ja inte gra lme nte sa tisfe ita a dívida ,
a té o limite de cinco a nos, qua ndo pre scre ve rá a pre te nsã o do clie nte pa ra a pre sta çã o de conta s
“pe la s qua ntia s re ce bida s pe lo a dvoga do de se u clie nte , ou de te rce iros por conta de le ” (Le i n.
11.902/2009). De cidiu o CFOAB que a pe na suple tiva “se re ve ste de ra zoa bilida de e de ve pre va le ce r
pa ra prote ge r a dignida de e o re spe ito da a dvoca cia , be m como re sgua rda r a socie da de da a tua çã o
de ma us profissiona is” (Eme nta n. 043/2013/OEP).

Após insta ura da a re pre se nta çã o contra o a dvoga do, a pre sta çã o de conta s por e ste re a liza da
nã o a fa sta a ocorrê ncia da infra çã o disciplina r ne m a a plica çã o da pe na corre sponde nte . O de ve r
é tico foi infringido e nã o pode a puniçã o disciplina r se r obsta da por a to poste rior do a dvoga do
infra tor. A de sistê ncia da re pre se nta çã o pe lo clie nte nã o impe de sua continuida de e de cisã o. A
pre sta çã o de conta s ta rdia , a pós a re pre se nta çã o disciplina r, fa z de sa pa re ce r o dé bito, ma s nã o a
fa lta disciplina r, cujo tipo foi suficie nte me nte concre tiza do. Essa orie nta çã o te m sido re ite ra da me nte
ma ntida pe lo CFOAB (Re c. 0023/2002/OEP e Re c. 0450/2003/SCA). Do me smo modo, a composiçã o
supe rve nie nte com o clie nte nã o a fa sta a pe na , pode ndo influir e m sua dosa ge m. Toda via , o
princípio da ra zoa bilida de , a prima rie da de , a s circunstâ ncia s do fa to e a te ndê ncia unive rsa l pa ra
minora çã o ou a boliçã o da s pe na s, que nã o de ve m se r e nte ndida s a pe na s como ca stigo, de ve m se r
le va dos e m conta no pa re ce r pre limina r do re la tor do proce sso disciplina r ou pe lo Tribuna l de Ética
e Disciplina , que pode opta r pe lo a rquiva me nto ou pe la sa nçã o de ce nsura ou a dve rtê ncia . A
a le ga çã o de pe núria , pe lo a dvoga do, nã o configura a te nua nte ou e xclude nte da pe na .

Ate nua ndo o rigor da norma , de cidiu a Se gunda Câ ma ra do CF/OAB que “prova do nos a utos
que o a dvoga do le va ntou qua ntia de de pósito re cursa l com a utoriza çã o de se u clie nte , como
pa ga me nto de honorá rios, de sca ra cte riza da se mostra prá tica da infra çã o tipifica da no a rt. 34, XXI,
da Le i n. 8.906/94” (Re c. n. 0091/2004/SCA-BA).

A a bsolviçã o no â mbito pe na l re conhe ce ndo o nã o come time nto do crime de a propria çã o


indé bita nã o te m re pe rcussã o a bsoluta na e sfe ra a dministra tiva a e nse ja r a de sconstituiçã o da
de cisã o que julgou proce de nte a re pre se nta çã o disciplina r por re cusa injustifica da da pre sta çã o de
conta s (Eme nta n. 005/2014/SCA).
Extravio ou retenção abusiva de autos

A vigé sima se gunda e spé cie pune disciplina rme nte a re te nçã o a busiva ou e xtra vio de a utos de
proce sso. Te m sido longa e pe nosa a luta da a dvoca cia pa ra ga ra ntir o a ce sso livre e fra nco do
a dvoga do a os a utos de proce ssos judicia is ou a dministra tivos, que inclui o dire ito de le vá -los pa ra
me lhor de se mpe nho de se u múnus público. A contra pa rtida é a pronta de voluçã o a o té rmino do
pra zo que lhe é a ssina do.

No pla no crimina l, pa ra a configura çã o do de lito, nã o ba sta que o a dvoga do ha ja re tido os


a utos a lé m do pra zo le ga l. De cidiu o STF que o crime some nte se consuma pe lo nã o a te ndime nto de
intima çã o do juiz pa ra re stituir os a utos (RE 53.934). Do me smo modo, no pla no disciplina r, a infra çã o
e sta rá ca ra cte riza da a pa rtir da re cusa ou omissã o e m a te nde r à intima çã o (CFOAB, Proc.
1.640/95/SC). Contudo, pa ra sua configura çã o é irre le va nte o dolo do a dvoga do ou que o fa to te nha
ca usa do pre juízo à s pa rte s do proce sso judicia l. Em se ntido contrá rio, e nte nde u a Se gunda Câ ma ra
do CFOAB que “nã o ba sta , pa ra a ca ra cte riza çã o da infra çã o disciplina r, a comprova çã o obje tiva dos
fa tos. Impõe -se a inda a de monstra çã o de pre juízo da í de corre nte , a lé m de a usê ncia de boa -fé do
re pre se nta do” (Re c. 0031/2003/SCA). Ma s a me sma Se gunda Câ ma ra de cidiu por una nimida de , e m
outro julga do, que “nã o há ne ce ssida de de dolo pa ra configura çã o da infra çã o” (Re c. 0070/2003/SC).

O e xce sso de pra zo, se ja e le qua l for, conside ra -se re te nçã o a busiva , sa lvo ca so fortuito ou
força ma ior ou impossibilida de supe rve nie nte . Às pa rte s pre judica da s pe la re te nçã o a busiva , a lé m
dos re mé dios proce ssua is pre vistos (CPC/2015, a rt. 234), ca be a pre te nsã o à re sponsa bilida de civil
por da nos. As conse quê ncia s é tica s, no e nta nto, inte re ssa m à OAB, pe la s re pe rcussõe s da nosa s a o
pre stígio da cla sse .

Dua s sã o a s hipóte se s que tipifica m a infra çã o disciplina r:

I — a re te nçã o a busiva de a utos re ce bidos com vista ou e m confia nça ;

II — o e xtra vio de a utos ta mbé m re ce bidos com vista ou e m confia nça .

A re te nçã o de a utos, suje ita à sa nçã o disciplina r, e xige o re quisito da a busivida de , que , por sua
ve z, e nvolve a inte nçã o de tira r prove ito inde vido ou de pre judica r e a prova do pre juízo; nã o se
pre sume . Me smo pa ra os que e nte nde m que o a buso do dire ito dista nciou-se da conce pçã o roma na
da inte nciona lida de , e sva zia ndo-se do e le me nto psicológico, a prova do de svio do dire ito é
indispe nsá ve l, má xime qua ndo se tra ta r de sa nçã o disciplina r, que oste nta na ture za punitiva .

O a buso nã o se confunde com ilicitude , porque supõe o e xe rcício (a busivo) de dire ito. Na
hipóte se de ilicitude , nã o há e xe rcício de um dire ito subje tivo, porque ine xiste dire ito. A ilicitude
infe re -se por simple s proce sso de subsunçã o do fa to à hipóte se norma tiva , que nã o pode se r
a plicá ve l a o a buso ou ma u uso do dire ito, se mpre de pe nde nte de prova .
Pre vê o CPC/2015 (a rt. 234) que , nã o de volve ndo o a dvoga do os a utos no pra zo de trê s dia s a pós
intima do, o juiz comunica rá o fa to à OAB pa ra proce dime nto disciplina r “e imposiçã o de multa ”. A
multa , cumula da com a sa nçã o de suspe nsã o, de pe nde da ve rifica çã o de circunstâ ncia s a gra va nte s
(a rt. 39 do Esta tuto). Inde pe nde nte me nte da multa imposta pe lo juiz (me ta de do sa lá rio mínimo), a
multa disciplina r é va riá ve l e ntre o mínimo corre sponde nte a o va lor de uma a nuida de e o má ximo
de se u dé cuplo.

A se gunda hipóte se é a do e xtra vio dos a utos. Aqui ta mbé m a ma rca da inte nciona lida de se
impõe , a cre scida de culpa bilida de . No pla no punitivo, nã o ba sta o fa to obje tivo do e xtra vio dos
a utos, pois a inte nçã o de fa zê -lo há de e sta r prova da ou infe rida inque stiona ve lme nte da s
circunstâ ncia s. Outra s sã o a s conse quê ncia s no pla no da re sponsa bilida de civil ou do dire ito
proce ssua l. A re sponsa bilida de imputá ve l a o profissiona l é se mpre a re sponsa bilida de com culpa .

A inte nçã o se pre sume a nte a s circunstâ ncia s que a e vide ncia m, como no ca so julga do pe lo
CFOAB (Proc. 1.583/94/SC), e m que o a dvoga do foi conde na do crimina lme nte , com ouvidos moucos
à s intima çõe s pa ra a de voluçã o do proce sso, a pós o de curso de qua tro a nos de sta s.

Cuide -se , a gora , da s e xclude nte s de punibilida de . Em nosso dire ito, tornou-se inútil a distinçã o
que a lguns procura va m fa ze r e ntre ca so fortuito e força ma ior. Sã o tipos inte rpe ne tra nte s que tê m
e m comum a ine vita bilida de , a e xclusã o de culpa e a inimputa bilida de . Re ce be ra m a mpla
construçã o conce itua l no dire ito priva do, com idê ntica configura çã o no dire ito a dministra tivo (a
fortiori no dire ito a dministra tivo sa nciona dor). Nã o importa que o a conte cime nto te nha sido
pre visíve l ou nã o; importa a ine vita bilida de dos e fe itos, a te or do a rt. 393 do Código Civil (re gra
comum).

De ordiná rio, é de a conte cime nto na tura l que se tra ta , “ma s pode da r-se que se ja a to de
te rce iro, pe lo qua l nã o re sponde o de ve dor, ou a to se m qua lque r culpa do próprio de ve dor. Nã o há
conce ito de ca so fortuito que se ja a bsoluto; o me smo fa to pode se r fortuito pa ra A, e nã o pa ra B”,
como diz Ponte s de Mira nda (1974, v. 2, § 179).

Constitui a to ou fa to de te rce iro o tra nsporte dos a utos de proce ssos, por e nga no dos
e nca rre ga dos da muda nça dos obje tos pe rte nce nte s a o a dvoga do que os tinha e m sua sa la , que
de sse modo se e xtra via ra m te mpora ria me nte .

No pla no pe na l, a re te nçã o a busiva pode conve rte r-se no tipo sone ga çã o de a utos, incorre ndo
no crime pre visto no Código Pe na l. Toda via , pa ra sua configura çã o é ne ce ssá rio que o a dvoga do
ha ja re tido os a utos a lé m do pra zo le ga l e que nã o te nha a te ndido à intima çã o judicia l (STF, RTJ,
76:456).

De cidiu a Se gunda Câ ma ra do CFOAB que re té m a busiva me nte a utos o a dvoga do que ma nté m
e m se u pode r por ma is de cinco me se s proce sso de e xe cuçã o de obriga çã o de fa ze r, te ndo sido
notifica do por dua s ve ze s pe la e scriva nia (Re c. 0103/2004/SCA).

Inadimplemento para com a OAB

A vigé sima te rce ira situa çã o é a do ina dimple me nto à s obriga çõe s pe cuniá ria s de vida s à OAB.
Dir-se -á que é puniçã o disciplina r discutíve l, porque se ria forma compulsiva de cobra nça , a tingindo
a libe rda de de e xe rcício da profissã o. Essa discussã o a briu-se dura nte a e la bora çã o do a nte proje to
do Esta tuto, ma s pre va le ce u a te se de sua a bsoluta compa tibilida de com a Constituiçã o, que te ria
re ce pciona do re gra se me lha nte da le gisla çã o a nte rior.

Com e fe ito, e ssa re gra gua rda similitude com a hipóte se do inciso XVI, ma s é muito ma is gra ve ,
porque a OAB nã o é e ntida de qua lque r de a ssocia çã o voluntá ria . É a corpora çã o dos a dvoga dos que
re ce be u de le ga çã o le ga l pa ra se le cioná -los, fisca lizá -los e sa ncioná --los no inte re sse cole tivo. Se e la
é ma ntida com a s contribuiçõe s obriga tória s de se us inscritos, a fa lta de pa ga me nto pode invia biliza r
o cumprime nto de sua s fina lida de s pública s.

Ca suística do CFOAB: se o pa ga me nto se de r com che que s de volvidos por insuficiê ncia de
fundos, a pe na de suspe nsã o pode rá se r a plica da , se m ne ce ssida de de notifica çã o pré via (Proc.
2.149/2000/SCA); “é pe rfe ita me nte possíve l re a liza r-se uma inte rpre ta çã o conforme à Constituiçã o e
de ixa r-se de punir o a dvoga do ina dimple nte de sde que e ste fa ça a prova da impossibilida de de
contribuir pa ra a OAB” (Re c. 0244/2003/SCA; o pa ga me nto a nte rior a o trâ nsito e m julga do da de cisã o
conde na tória a fa sta a a plica çã o da sa nçã o disciplina r (DOU, 2-12-2011, p. 201); e m contra pa rtida , o
pa ga me nto e fe tua do qua se cinco a nos de pois nã o a fa sta a a plica çã o da pe na (Eme nta 016/2007/SCA).

A cobra nça fa r-se -á me dia nte e xe cuçã o re gula r, ma s a fa lta re cobre -se de nítida infra çã o é tico-
disciplina r, porque a tinge o inte re sse público e o de toda a cla sse .

Ne sse tipo de infra çã o disciplina r, a pe na de suspe nsã o pode ultra pa ssa r o limite má ximo de
doze me se s, pois de pe nde do imple me nto de uma condiçã o: a sa tisfa çã o inte gra l da dívida (a rt. 37, §
2º). Toda via , o pa ga me nto nã o a fa sta o cumprime nto inte gra l da pe na imposta pe lo Conse lho da
OAB, cujo pra zo de suspe nsã o de ve se r inte ira me nte cumprido. Assim ocorre porque a infra çã o
ca ra cte riza -se pe lo fa to do ina dimple me nto do de ve r le ga l, consta ta da e m proce sso disciplina r.
Como de cidiu o STJ (REsp 711.665), o disposto no § 2º do a rt. 37 constitui a gra va me nto da pe na de
suspe nsã o, nã o fa ze ndo se ntido e ximir o a dvoga do “re conhe cida me nte infra tor do cumprime nto da
pe na lida de a plica da me dia nte le gítimo proce dime nto a dministra tivo”, nã o e xistindo no Esta tuto
re gra se me lha nte à do a rt. 34 da Le i n. 9.249/95 ou do § 2º do a rt. 9º da Le i n. 10.684/2003, pe la s qua is
é e xtinta a punibilida de dos crime s de na ture za tributá ria qua ndo há o pa ga me nto inte gra l da
cobra nça . Ne sse ca so, o a dvoga do a rgume ntou se m suce sso que o pa ga me nto da a nuida de , a nte s
da produçã o dos e fe itos da de cisã o a dministra tiva , le va ria à ina plica bilida de da pe na lida de .

O fa to de o profissiona l já se e ncontra r suspe nso e m ra zã o de ina dimplê ncia nã o impe de , e m


ca so de re ite ra çã o de conduta , a insta ura çã o de novo proce sso e a plica çã o de pe na idê ntica , nã o
configura ndo bis in id em , como de cidiu o CFOAB, e re sponde ndo a consulta (Consulta n.
0019/2002/OEP-SC).

Inépcia profissional

A vigé sima qua rta e spé cie volta -se à iné pcia profissiona l. Tra ta -se de situa çã o e m que o
a dvoga do de monstra fa lta de conhe cime nto me dia no de a tua çã o profissiona l ou do idioma pá trio. A
prolife ra çã o de cursos jurídicos, no Bra sil, se m re quisitos mínimos de qua lida de , inclusive de se u
corpo doce nte — a cre scida da a nte rior limita çã o le ga l pa ra a OAB se le ciona r se us inscritos, e m fa ce
da fa culta tivida de do Exa me de Orde m —, contribuiu pa ra a que da a ssusta dora do pa drã o mínimo
de qua lifica çã o dos profissiona is de dire ito que che ga m a o me rca do de tra ba lho.

Sã o a ssombrosos os e xe mplos de a dvoga dos que come te m e rros grosse iros suce ssivos de
lingua ge m, na s pe ça s que re dige m. O discurso é de sa rticula do, a lé m de a gre ssã o à s re gra s
rudime nta re s de re gê ncia ou concordâ ncia . É ina dmissíve l que um profissiona l que lida com a
lingua ge m, pa ra e xe rce r se u miste r, nã o a ma ne je be m. Nã o se e xige proficiê ncia ou e rudiçã o, ma s
re gula rida de e corre çã o.

A conde sce ndê ncia com a iné pcia profissiona l e xpõe a socie da de e m ge ra l a pre juízos, a lé m de
comprome te r o conce ito público e a dignida de da a dvoca cia .

Dá -se o tipo qua ndo: a ) há e rros grosse iros de té cnica jurídica ou de lingua ge m; b) há
re ite ra çã o. Erros isola dos nã o concre tiza m o tipo. No e nta nto, a re ite ra çã o pode e me rgir de uma
única pe ça profissiona l, qua ndo os e rros se a cumule m de forma e vide nte , e mbora se ja
re come ndá ve l o cote jo com ma is de uma . De cidiu, toda via , a Se gunda Câ ma ra do CF/OAB (Proc.
2.439/2001/SCA) que “e rros re ite ra dos de ve m se r ve rifica dos e m vá rios proce ssos e e m te mpo
ra zoá ve l”.

Alguns e xe mplos, e m ca sos julga dos pe lo CFOAB: qua ndo o a dvoga do “de monstra gra ve s
de ficiê ncia s de forma çã o, a ponto de dirigir-se a o Che fe do M. P. invoca ndo pode re s some nte
a tribuídos a os Juíze s e Tribuna is, a lé m de usa r e xpre ssõe s se m se ntido, come te r e rros grosse iros de
lingua ge m e formula r pe didos ma nife sta me nte ina de qua dos” (Proc. 1.576/94/SC); “me dida a nte rior do
me smo ja e z, nã o impe de tra ta me nto idê ntico, pa ra a iné pcia supe rve nie nte ” (Proc. 1.613/95/SC);
“a prova çã o e m Exa me de Orde m nã o significa de cla ra çã o, pa ra se mpre , de a ptidã o” (Proc.
1.608/95/SC).
Ne sse ca so, a suspe nsã o pe rdura a té que o a dvoga do se ja a prova do e m e xa me s de ha bilita çã o
a plica dos pe la OAB, e nvolve ndo té cnica jurídica e lingua ge m. O suspe nso fica inte rdita do a o
e xe rcício profissiona l, e m todo o te rritório na ciona l; se de scumprir a puniçã o, contra e le se rá
insta ura do proce sso por viola çã o do a rt. 47 da Le i de Contra ve nçõe s, por e xe rcício ile ga l da
profissã o. Ne sse se ntido de cidiu o Supre mo Tribuna l Fe de ra l, ne ga ndo h abeas corpus, por
ine xistê ncia de coa çã o ile ga l, no RHC 61.081.

Conduta incompatível

A vigé sima quinta hipóte se pune a conduta incompa tíve l com a a dvoca cia . O Esta tuto nã o a
de fine , utiliza ndo-se de conce ito inde te rmina do, cujo conte údo se rá concre tiza do, ca so a ca so. De
ma ne ira ge ra l, a conduta incompa tíve l é toda a que la que se re fle te pre judicia lme nte na re puta çã o e
na dignida de da a dvoca cia .

O conce ito inde te rmina do nã o se compa de ce com juízos subje tivos de va lor. Toda conduta é
a fe ríve l obje tiva me nte , porque se re me te a stand ard s de comporta me nto pa drã o ou mé dio,
conside ra dos va liosos pe la comunida de profissiona l, e m de te rmina da é poca .

A Le i n. 8.906/94 e nuncia a lguns e xe mplos, que nã o e sgota m a s e spé cie s, incluindo na conduta
incompa tíve l a prá tica re ite ra da de jogos de a za r, a incontinê ncia pública e e sca nda losa e a
e mbria gue z ou toxicoma nia ha bitua is. Eme rge de ssa s e spé cie s o pre ssuposto da ha bitua lida de , nã o
pode ndo se r conside ra do o e ve nto e pisódico. Alé m da de monstra çã o da ha bitua lida de ou
contumá cia do a to pra tica do, “o Conse lho Fe de ra l, a una nimida de , já firmou posiçã o de que a
a tua çã o da OAB se justifica some nte qua ndo a fa lta pra tica da pe lo a dvoga do tra nsgre dir pre ce ito
re gula r da própria a tivida de profissiona l ou qua ndo a ca rre ta r re pe rcussã o ne ga tiva à ima ge m da
a dvoca cia ” (Proc. 0199/2003/SCA). Toda via , pa ra o CFOAB, a prá tica de um só a to pode , por sua
inte nsa gra vida de , le va r à e xclusã o do a dvoga do, de spre za ndo o re quisito de re ite ra çã o da conduta
(Proc. 0140/2002/SCA).

No ca so de e mbria gue z ou toxicoma nia nã o há ne ce ssida de de se comprova r a contumá cia ,


ma s sua re pe tiçã o. O CFOAB conside rou conduta incompa tíve l com a a dvoca cia : o a juiza me nto, e m
ca usa própria , de re cla ma tória tra ba lhista , ca lca da e m contra to de tra ba lho grosse ira me nte fa lso
(Re c. 1.092/90/SC); qua ndo o a dvoga do constra nge u outre m a firma r a cordo e xtra judicia l (Proc.
1.546/94/SC); o a ba ndono da ca usa pe lo a dvoga do, a ponto de motiva r se u a rquiva me nto (Proc.
1.961/99/SCA); o re ce bime nto de importâ ncia do clie nte pa ra a plica çã o ilícita (corrupçã o de de le ga do
e policia is civis) (Proc. 2.024/99/SCA); o a dvoga do que se fa z pa ssa r por ma gistra do, obje tiva ndo
constra nge r a ge nte público (Re c. 0285/2003/SCA); a subtra çã o de che que de clie nte , com fa lsifica çã o
da a ssina tura de ste e sua ne gocia çã o com te rce iro, ta mbé m e x-clie nte (Re c. 0400/2002/SCA).
Reincidência

Alé m dos incisos XVII a XXV do a rt. 34, a suspe nsã o é a plicá ve l a um tipo ge né rico de infra çã o:
a re incidê ncia , que , pa ra e fe ito da Le i n. 8.906/94, é a ocorrê ncia de qua lque r outra infra çã o
disciplina r, a mba s puníve is com ce nsura ou qua ndo a suspe nsã o for se guida de infra çã o puníve l
com ce nsura . Nã o há ne ce ssida de de ide ntida de dos tipos.

Nã o ne ce ssita ndo de se r de me smo tipo, pode m se r combina da s infra çõe s suje ita s a outra s
sa nçõe s (por e xe mplo, a dve rtê ncia com suspe nsã o), de sde que a prime ira já te nha tra nsita do e m
julga do. A Se gunda Câ ma ra do CFOAB de cidiu, por ma ioria , que a ca ra cte riza çã o da re incidê ncia
inde pe nde de que te nha a de cisã o pre té rita tra nsita do e m julga do, pois “de cidir de modo dive rso
se ria de scumprir a norma çã o do inciso II da que le a rtigo” (Proc. 2.203/2000/SCA). A concomitâ ncia de
vá ria s infra çõe s com julga me ntos a inda nã o concluídos pode ca ra cte riza r conduta incompa tíve l com
a a dvoca cia , fa ze ndo-se incidir o inciso XXV do a rt. 37 da Le i n. 8.906/94.

De cidiu a Se gunda Câ ma ra do CFOAB que é de ve r do Conse lho Se cciona l junta r a os a utos o


re la tório de a nte ce de nte s infra ciona is (Re c. 0056/2002/SCA).

INFRAÇÕES DISCIPLINARES PUNÍVEIS COM EXCLUSÃO

Falsidade dos requisitos de inscrição

A vigé sima se xta e spé cie , cuja gra vida de conduz à sa nçã o de e xclusã o, é a fa lsa prova dos
re quisitos pa ra inscriçã o (ca pa cida de civil, diploma de gra dua çã o, título de e le itor, quita çã o milita r,
Exa me de Orde m, de sincompa tibiliza çã o, idone ida de mora l, compromisso). A fa lsida de ta nto pode
se r docume nta l qua nto ide ológica . O CFOAB de cidiu que a omissã o de informa çã o de fa tos
impe ditivos, no pe dido de inscriçã o, e quiva le à produçã o de fa lsa prova dos re quisitos pa ra
inscriçã o, o que le va à e xclusã o do inscrito, a qua lque r te mpo (Proc. 1.765/95/SC).

Me smo e m ca so de e vidê ncia da fa lsida de , a OAB nã o pode promove r o ca nce la me nto de ofício
da inscriçã o. O proce sso disciplina r é de rigor, me rcê da ga ra ntia de a mpla de fe sa , ma s pode o
Tribuna l de Ética e Disciplina suspe nde r o inscrito pre ve ntiva me nte , e m ca so de re pe rcussã o
pre judicia l à a dvoca cia , por força do a rt. 70 da Le i n. 8.906/94.

Concluindo pe la e xclusã o, a o se confirma r a fa lsida de , o Conse lho, a lé m de a plica r a sa nçã o,


ca nce la rá a inscriçã o, com a s ca ute la s de divulga çã o que o Esta tuto pre vê , e , e m virtude de o fa to
constituir crime , comunicá -lo-á à s a utorida de s compe te nte s.

Inidoneidade moral
A vigé sima sé tima e spé cie comina com a sa nçã o de e xclusã o de que m incorre r e m
inidone ida de mora l supe rve nie nte à inscriçã o. A idone ida de mora l nã o é a pe na s e xigíve l pa ra se
obte r a inscriçã o, ma s a compa nha toda a vida profissiona l do inscrito. Sobre o se u conce ito e
a lca nce re me te mos o le itor a os come ntá rios a o a rt. 8º (inscriçã o), a cima .

A pe rda de qua lque r dos re quisitos ne ce ssá rios à inscriçã o a ca rre ta o ca nce la me nto, se m outra
sa nçã o. Contudo, no ca so de inidone ida de mora l supe rve nie nte , por sua s re pe rcussõe s na é tica
profissiona l, o ca nce la me nto é a gra va do com o plus da sa nçã o disciplina r de e xclusã o, a plica da e m
proce sso próprio. A de cla ra çã o de inidone ida de de ve te r a ma nife sta çã o fa vorá ve l de dois te rços
dos me mbros do Conse lho Se cciona l compe te nte (a rt. 38, pa rá gra fo único, da Le i n. 8.906/94).

Ente nde u a Prime ira Câ ma ra do CFOAB (Re pr. 0009/2002/PCA) que a conde na çã o de a dvoga do
por júri popula r, ma s com re curso e m trâ mite , nã o a ca ra cte riza ria , e m virtude do princípio de
pre sunçã o de inocê ncia (a rt. 5º, LVII, da Constituiçã o). Toda via , o Órgã o Espe cia l do CFOAB (Proc.
348/2001/OEP) de cidiu que a pe na de e xclusã o pode se r a plica da qua ndo houve r fa tos notórios,
públicos e incontrove rsos, de corre nte s de conde na çã o crimina l e re colhime nto a o cá rce re . Em
de cisã o unâ nime , e nte nde u a Se gunda Câ ma ra do CFOAB que ca ra cte riza o tipo a conde na çã o e m
a çã o pe na l por infra çã o dos a rts. 138 (crime de ca lúnia ) e 344 (uso de violê ncia ou gra ve a me a ça no
curso do proce sso) do Código Pe na l (Re c. 0452/2003/SCA) e a conde na çã o por trá fico inte rna ciona l de
droga s (Proc. 2.444/2001/SCA).

Reincidência

Alé m da s hipóte se s contida s nos incisos XXVI a XXVIII, a e xclusã o é a plicá ve l a um tipo
ge né rico de infra çã o: a re incidê ncia , por trê s ve ze s, e m infra çõe s puníve is com suspe nsã o. Assim,
na te rce ira ocorrê ncia , a sa nçã o a se r a plica da nã o ma is se rá a de suspe nsã o, ma s a de e xclusã o. A
composiçã o da s infra çõe s, pa ra e fe ito de e xclusã o, pode se r va ria da , uma ve z que a re incidê ncia de
infra çã o puníve l com ce nsura conve rte -a e m suspe nsã o. Se rá de e xclusã o a te rce ira sa nçã o se : a
prime ira for de ce nsura , conve rtida e m suspe nsã o, e a se gunda de suspe nsã o; a prime ira for de
suspe nsã o e a se gunda de ce nsura conve rtida e m suspe nsã o; a prime ira e a se gunda fore m de
suspe nsã o.

De cidiu a Se gunda Câ ma ra do CF/OAB que “some nte a pós o trâ nsito e m julga do da te rce ira
pe na de suspe nsã o é que insta ura -se um qua rto proce sso disciplina r e spe cífico pa ra a a plica çã o da
pe na de e xclusã o, a sse gura ndo-se a o Re pre se nta do, ta mbé m ne ste proce sso, a mplo dire ito de
de fe sa . Este qua rto proce sso, insta ura do como conse ctá rio da s trê s suspe nsõe s a plica da s
a nte riorme nte , nã o comporta discussã o sobre o a ce rto ou nã o da s trê s de cisõe s tra nsita da s e m
julga do, pois pa ra isso há re mé dio jurídico e spe cífico, que é a re visã o do proce sso disciplina r (a rtigo
73, § 5º, da Le i 8.906/94)” (Re c. 0337/2003/SCA). Ente nde mos que o qua rto proce sso constitui e xigê ncia
que a le i nã o fa z (a rt. 37, II, da Le i n. 8.906/94), pode ndo a pe na de suspe nsã o se r conve rtida e m
e xclusã o já no te rce iro proce sso, ba sta ndo que ne ste junte m-se ce rtidõe s do trâ nsito e m julga do da s
dua s prime ira s.

Crime infamante

Outro óbice pre e xiste nte à inscriçã o ta mbé m a ca rre ta a sa nçã o disciplina r de e xclusã o qua ndo
nã o de cla ra do ou supe rve nie nte à que la : a prá tica de crime infa ma nte . Dura nte os de ba te s ha vidos
no Conse lho Fe de ra l, pa ra a prova çã o do a nte proje to do Esta tuto, optou-se por e sse conce ito
inde te rmina do, porque a s qua lifica çõe s de crime s, e xiste nte s na le gisla çã o pe na l, fora m
conside ra da s insuficie nte s pa ra o a lca nce é tico disciplina r pre te ndido, inclusive a de crime s
he diondos.

Crime infa ma nte e nte nde -se como todo a que le que a ca rre ta pa ra se u a utor a de sonra , a
indignida de e a má fa ma (da í infa me ). Essa s de sva loriza çõe s da conduta criminosa sã o
pote ncia liza da s e ca ra cte riza da s como infa me s qua ndo o crime é pra tica do por profissiona l do
dire ito, que te m o de ve r qua lifica do de de fe nde r a orde m jurídica . O furto, come tido por um la drã o
comum, nã o se e quipa ra e m gra u de infâ mia a o pra tica do por um a dvoga do, que é se mpre
pre sumida . Ne sse último se ntido, a Se gunda Câ ma ra do CF/OAB (Re c. 2.410/2001/SCA) qua lificou
como crime infa ma nte a prá tica de crime de furto, cuja conde na çã o tra nsitou e m julga do, e (Eme nta
n. 019/2007/1ª TSCA) a prá tica re incide nte de fa lsifica çã o de che que , com sua utiliza çã o inte nciona l
pa ra pa ga me nto de dívida pe ssoa l.

Pa ra e fe ito do Esta tuto, inclusive pa ra inscriçã o, nã o se e xige que ha ja conde na çã o crimina l


tra nsita da e m julga do, se ndo suficie nte a comprova çã o do fa to, a juízo do Conse lho compe te nte , e m
virtude de se r subme tido o proce sso disciplina r a jurisdiçã o a dministra tiva e xclusiva , nã o se
a plica ndo o dire ito pe na l suple tiva me nte . O único re quisito é o do de vido proce sso le ga l com a
ga ra ntia da a mpla de fe sa .

Nã o é a gra vida de do crime que o qua lifica como infa ma nte , qua ndo pra tica do pe lo a dvoga do
(se ja como ma nda nte , se ja como e xe cutor), ma s a re pe rcussã o ine vitá ve l à dignida de da a dvoca cia .
O e ste liona to (por e xe mplo, a e missã o re ite ra da de che que s se m fundos) se rá infa ma nte pa ra o
a dvoga do; o crime de homicídio (muito ma is gra ve ) pode rá nã o o se r. Toda via , o CFOAB conside rou
suficie nte o crime de homicídio, te ndo ha vido conde na çã o com trâ nsito e m julga do (Proc.
245/99/OEP); nã o conside rou infa ma nte o crime de de ixa r, se m justa ca usa , de prove r a subsistê ncia
dos filhos me nore s, porque “nã o re sta e m le sã o à cla sse ” (Proc. 2.438/2001/SCA); conside rou crime
infa ma nte a e xone ra çã o do ca rgo, por fa lta s gra ve s pra tica da s na funçã o policia l, por e la s
re sponde ndo e m proce sso crimina l (Re c. 3.946/90/PC).

Pre sume m-se infa ma nte s os crime s he diondos le ga lme nte tipifica dos e os a sse me lha dos. A
Constituiçã o (a rt. 5º, XLIII) conside ra ina fia nçá ve is e insusce tíve is de gra ça ou a nistia , a lé m dos
crime s he diondos, a prá tica de tortura , o trá fico ilícito de e ntorpe ce nte s, o te rrorismo. A Le i 8.930/94,
por sua ve z, conside ra crime he diondo o homicídio pra tica do por grupos de e xte rmínio, o homicídio
qua lifica do, o la trocínio, a e xtorsã o qua lifica da pe la morte , a e xtorsã o me dia nte se que stro, o
e stupro, o a te nta do viole nto a o pudor, a provoca çã o de e pide mia com re sulta do morte e o ge nocídio.

TIPOS E CONSEQUÊNCIAS DAS SANÇÕES DISCIPLINARES

O Esta tuto simplificou e siste ma tizou os tipos de sa nçõe s disciplina re s, conce ntra ndo-se
ba sica me nte e m trê s: a ce nsura , a suspe nsã o e a e xclusã o (a nte s, de nomina da elim inação). A multa é
sa nçã o a ce ssória , e m ca so de a gra va nte s, nã o pode ndo se r a plica da a utonoma me nte . A
a dve rtê ncia , no e nta nto, nã o de sa pa re ce u tota lme nte , pode ndo substituir a ce nsura e m ca so de
a te nua nte s.

Pre fe riu-se a locuçã o sanção d isciplinar, e m luga r de pe na , porque a infra çã o disciplina r e sua
conse quê ncia sã o re gida s pe los princípios do dire ito a dministra tivo, como pa ra digma de dire ito
ma te ria l, nã o se lhe s a plica ndo o dire ito pe na l, ne m me smo subsidia ria me nte (ve r os come ntá rios
a o a rt. 68). Ao proce sso disciplina r, contudo, o dire ito proce ssua l pe na l comum é suple tivo.

Tra diciona lme nte , a doutrina bra sile ira conside ra a s sa nçõe s disciplina re s substa ncia lme nte
distinta s da s sa nçõe s pe na is, te ndo e m conta o conte údo fina lístico de a mba s. Com e fe ito, a s
sa nçõe s disciplina re s sã o “e spé cie s de sa nçõe s a dministra tiva s, e mbora possua m sua s
pe culia rida de s, porque o re gime jurídico a dvé m do dire ito a dministra tivo e m sua ve rte nte
sa nciona dora ou punitiva ” (Osório, 2005, p. 157).

As sa nçõe s (sa lvo se a ce nsura for re duzida a a dve rtê ncia ) de ve rã o se r re gistra da s nos
a sse nta me ntos do inscrito pe lo Conse lho Se cciona l a que se vincule se u domicílio profissiona l
(inscriçã o principa l). Qua lque r a nota çã o some nte pode rá se r e fe tiva da a pós o trâ nsito e m julga do da
de cisã o que a plica r a sa nçã o. O CFOAB te m de cidido que , a pós o trâ nsito e m julga do da de cisã o, a
puniçã o de ve se r torna da pública , a fim de a sse gura r sua e xe cuçã o (Re c. 167/SC/80).

Nã o sã o pe rmitida s a nota çõe s que indique m a e xistê ncia de proce ssos disciplina re s a inda nã o
julga dos, porque suge re m e nga nosa me nte pre ce dê ncia ou pre julga me nto, viola ndo a pre sunçã o
le ga l de inocê ncia . A a nota çã o da sa nçã o nã o é pe rpé tua , se ndo e xcluída tota lme nte dos
a sse nta me ntos e m ca so de re a bilita çã o. De cidiu o CFOAB (Consulta OEP 119/96 e 0007/2003/OEP) se r
ina dmissíve l a nota çã o e m ca rte ira de a dvoga do da pe na lida de sofrida pe lo titula r, me smo a pós o
trâ nsito e m julga do da de cisã o. O re gistro de ve consta r e xclusiva me nte nos a rquivos da Se cciona l
e m que for inscrito.

De qua lque r forma , a sa nçã o de ce nsura (e a fortiori a de a dve rtê ncia ) nã o pode se r obje to de
publicida de ou divulga çã o. No e nta nto, nã o e stá cobe rta pe lo sigilo a bsoluto, porque e xclui os
órgã os da OAB, que de la pode rã o se r informa dos, e a inda e m a te ndime nto a re quisiçã o de
a utorida de judiciá ria .

Conve rte -se a ce nsura e m ad vertência, a juízo da OAB, qua ndo o a dvoga do come te r a fa lta na
de fe sa de pre rroga tiva profissiona l, qua ndo for primá rio ou tive r e xe rcido ca rgo de conse lhe iro ou
dirige nte da OAB. A conve rsã o nã o é dire ito subje tivo do punido, ma s crité rio de ponde ra çã o do
julga me nto. O e fe ito prá tico da a dve rtê ncia , a o contrá rio da ce nsura , é que nã o consta rá de re gistro
nos a sse nta me ntos do punido. A puniçã o se instrume nta liza e m ofício re se rva do.

A a dve rtê ncia é conside ra da pa ra e fe ito de a nte ce de nte disciplina r? Ente nde mos que sim,
de sde que o Conse lho ma nte nha a rquivo e spe cífico da s a dve rtê ncia s a plica da s e obse rve a
proibiçã o le ga l de re gistro da prime ira a dve rtê ncia a o inscrito, ca so contrá rio nunca se ria
configura da a re incidê ncia , pe rma ne ce ndo o infra tor suce ssiva me nte como primá rio.

A conse quê ncia da suspe nsã o é o impe dime nto tota l do e xe rcício da a tivida de profissiona l e
dos ma nda tos que lhe fora m outorga dos, e m todo o te rritório na ciona l, dura nte o pe ríodo
e sta be le cido pa ra a puniçã o, que va ria de um a doze me se s. Esse pra zo se rá prorroga do por te mpo
inde te rmina do: a ) a té que o infra tor pa gue inte gra l e a tua liza da me nte o que de ve , nos ca sos de fa lta
de pre sta çã o de conta s e de pa ga me nto da s contribuiçõe s obriga tória s à OAB; b) a té que se ja
a prova do e m e xa me s de ha bilita çã o, no ca so de iné pcia profissiona l.

A suspe nsã o nã o de sobriga o inscrito dos pa ga me ntos da s contribuiçõe s obriga tória s (Súmula n.
03/2012/COP) ne m o de svincula dos se us de ve re s é ticos e e sta tutá rios.

A conse quê ncia da e xclusã o é o impe dime nto tota l da a dvoca cia , e m ca rá te r pe rma ne nte ou a té
qua ndo se ja re a bilita do pe la OAB. Da da a gra vida de da sa nçã o, e xige -se q uorum e spe cia l de
vota çã o de dois te rços dos me mbros do Conse lho Se cciona l compe te nte . Ou se ja , há ne ce ssida de de
dois te rços da composiçã o do Conse lho vota ndo fa vora ve lme nte à sa nçã o, confirma ndo o
julga me nto do Tribuna l de Ética e Disciplina , que , ne sse ca so, de ve re corre r de ofício,
inde pe nde nte me nte do re curso voluntá rio. Ma s, se nã o for a tingido o q uorum de dois te rços, o órgã o
julga dor de ve fa ze r incidir a pe na lida de que e nte nde r ca bíve l, sa lvo a e xclusã o (Proc.
2.410/2001/SCA).

O CFOAB de cidiu que , “e m ca so de concurso ma te ria l de infra çõe s disciplina re s, a plica m-se
a utonoma me nte a s pe na s pre vista s pa ra ca da infra çã o” (Proc. 1.609/95/SC).
CONSEQUÊNCIAS NOS PROCESSOS E ATOS PRATICADOS PELO ADVOGADO

O a rt. 42 e sta be le ce que a s sa nçõe s de suspe nsã o e de e xclusã o a ca rre ta m o impe dime nto do
e xe rcício dos ma nda tos que o punido re ce be u de se us clie nte s, a fe ta ndo os proce ssos judicia is sob
se u pa trocínio. Os a tos pra tica dos pe lo a dvoga do, a pós o início de e xe cuçã o da pe na lida de
disciplina r, sã o invá lidos. No e nta nto, nã o se cuida de inva lida de tota l (nulida de a bsoluta ), ma s de
a nula bilida de sa ná ve l, ca be ndo a o juiz, ou à a utorida de compe te nte no ca so de proce sso
a dministra tivo, suspe nde r o proce sso, ma rca ndo pra zo ra zoá ve l pa ra que a pa rte sa ne o de fe ito.

Em ne nhuma hipóte se , sa lvo se nã o a te nde r à de te rmina çã o judicia l pa ra substituir o a dvoga do


punido disciplina rme nte , pode a pa rte se r pre judica da , porque a puniçã o a e la nã o se e ste nde ,
se ndo fa lso o a rgume nto de culpa in eligend o.

ATENUANTES E AGRAVANTES

Na a plica çã o de qua lque r sa nçã o disciplina r, a OAB le va rá e m conta de te rmina da s


circunstâ ncia s a te nua nte s e a gra va nte s, conside ra da s trê s ca ra cte rística s e sse ncia is:

I — a obse rvâ ncia de ssa s circunstâ ncia s nã o é discricioná ria , ma s obriga tória ;

II — inde pe nde de pe dido ou provoca çã o do re pre se nta do;

III — os tipos le ga is sã o e xe mplifica tivos (nã o constitue m num erus clausus).

A discriciona rie da de e stá contida no gra u de ponde ra çã o pa ra re duzir ou a mplia r a sa nçã o


disciplina r. Como de cidiu a Se gunda Câ ma ra do CFOAB, “a dosa ge m da s a te nua nte s, na forma do
a rtigo 40 e sta tutá rio, re pousa na discricioná ria a va lia çã o do órgã o julga dor ” (Re c. 0376/2003/SCA).

O Esta tuto optou por tipos a be rtos, pe rmitindo que o órgã o a plica dor da sa nçã o va lore
circunstâ ncia ne le nã o pre vista , e m fa ce de sua re le vâ ncia e ra zoa bilida de . Essa ductilida de de
a pre cia çã o nã o é indiscrimina da ne m pode conduzir a o a rbítrio ou juízos subje tivos de va lor, ma s a
stand ard s é ticos de comporta me nto que a comunida de profissiona l pra tica ou de fe nde .

No que pe rtine à s a te nua nte s, o Esta tuto pre fixa a lguns tipos que re duze m a sa nçã o disciplina r
que se ria imposta , a sa be r:

a ) De fe sa de pre rroga tiva profissiona l — Ne sse ca so, a fa lta de corre u do e xce sso ou da
e xa spe ra çã o, fe rindo a é tica profissiona l. O fim re le va nte nã o justifica a improprie da de dos me ios
e mpre ga dos. Exe mplo muito comum é o da de fe sa da inviola bilida de , e xce de ndo-se e m a gre ssõe s
de sme dida s a o ma gistra do, como na hipóte se de ca lúnia .

b) Prima rie da de — Aqui ine xiste ocorrê ncia de a plica çã o de finitiva de sa nçã o disciplina r
a nte rior, nã o pode ndo se r conside ra da a e xistê ncia de outro proce sso disciplina r nã o concluído com
trâ nsito e m julga do da de cisã o, ou a a nte ce dê ncia de infra çã o a pa ga da pe la re a bilita çã o, porque o
re gistro é e xtinto dos a sse nta me ntos do inscrito.

c) Exe rcício de ca rgo na OAB, a tua l ou a nte rior, pa ra o qua l foi e le ito o re pre se nta do, de sde que
te nha cumprido com re gula rida de e proficiê ncia o ma nda to.

d) Pre sta çã o de se rviços re le va nte s à a dvoca cia ou à ca usa pública , me smo que nã o te nha
e xe rcido ca rgo forma l na OAB. Nã o se conside ra m ta is a re puta çã o e o pre stígio pe ssoa is e
profissiona is, ma s a e fe tiva pa rticipa çã o e m e ve ntos, a çõe s e movime ntos que contribua m pa ra
e le va r a a dvoca cia (por e xe mplo, de fe sa s e spe cífica s da s pre rroga tiva s funciona is; pa rticipa çã o na s
luta s instituciona is da OAB; produçã o doutriná ria ) e e fe tiva r a cida da nia (por e xe mplo, de fe sa
e spontâ ne a de inte re sse s socia is e cole tivos; a tua çã o política de sinte re ssa da ; fila ntropia e a juda s
comunitá ria s).

Na a plica çã o da s a te nua nte s, a OAB conside ra rá :

a ) a re duçã o da sa nçã o disciplina r ma is gra ve pa ra a ime dia ta me nte me nos gra ve ;

b) a re duçã o do monta nte do te mpo de suspe nsã o;

c) a e xclusã o da multa ;

d) a re duçã o da sa nçã o de ce nsura pa ra a de a dve rtê ncia .

As circunstâ ncia s a gra va nte s sã o a que la s que ne ce ssa ria me nte pote ncia liza m os e fe itos da
infra çã o come tida , nã o só qua nto à viola çã o e m si, ma s qua nto a o da no à é tica profissiona l e à
dignida de da a dvoca cia e m ge ra l. O Esta tuto re fe re -se a dois tipos, nã o e xclude nte s de outros: a
re incidê ncia e m infra çã o disciplina r e a gra vida de da culpa .

Ma s, se a tipicida de le ga l da s circunstâ ncia s a gra va nte s é a be rta , sua s conse quê ncia s
e nce rra m-se e m num erus clausus. Ou se ja , qua ndo comprova da a circunstâ ncia a gra va nte , a s
conse quê ncia s a pe na s se rã o:

I — a plica çã o da sa nçã o ime dia ta me nte ma is gra ve , se ndo que pa ra a e xclusã o e xige -se dupla
re incidê ncia ;

II — a plica çã o cumula tiva de multa com outra sa nçã o;

III — gra da çã o do va lor da multa , de ntro dos limite s le ga is;

IV — gra da çã o do te mpo de suspe nsã o, ne sse ca so va ria ndo do te mpo mé dio a o má ximo.

A circunstâ ncia a gra va nte a nula o e fe ito da circunstâ ncia a te nua nte , pre va le ce ndo sobre e sta .

Exe mplo de ca so de a plica çã o de a gra va nte , com cumula çã o de multa (a rt. 39 da Le i n. 8.906/94),
conforme de cidiu o CFOAB, o fa to de o a dvoga do re te r qua ntia re ce bida e m nome do constituinte
por la pso de te mpo supe rior a trê s a nos e que só ve io a se r de posita da por força de de te rmina çã o
judicia l (Proc. 339/2001/OEP).

REABILITAÇÃO

O siste ma jurídico bra sile iro nã o a dmite sa nçã o punitiva de ca rá te r pe rpé tuo.

Toda s a s sa nçõe s disciplina re s pre vista s na Le i n. 8.906/94 re pe rcute m no e xe rcício profissiona l


do inscrito, nã o só ime dia ta me nte , ma s de modo pe rma ne nte , uma ve z que fica m re gistra da s e m
se us a sse ntos. Os profissiona is libe ra is, como qua isque r pre sta dore s de se rviços, nota da me nte os
a dvoga dos, de pe nde m da cre dibilida de que tra nsmite m.

A ma is gra ve da s sa nçõe s, a e xclusã o, impe de o culpa do de e xe rce r tota l e pe rma ne nte me nte a
profissã o, ve da ndo-lhe o a ce sso a e sse de te rmina do me io de sobre vivê ncia .

É, pois, le gítima a pre te nsã o a que se ja re a bilita do, ima cula ndo se us a sse nta me ntos e
pe rmitindo-lhe a ple nitude do e xe rcício profissiona l.

O Esta tuto pre vê a re a bilita çã o, que se rá a pre cia da a pe dido do inte re ssa do, qua ndo
a pre se nta r prova s de bom comporta me nto, a pós um a no do cumprime nto e fe tivo da sa nçã o,
inclusive a e xclusã o. O pe dido é pe rsona líssimo; nã o pode se r formula do por te rce iro.

O proce sso se guirá trâ mite s a sse me lha dos a o do proce sso disciplina r, e a s prova s de bom
comporta me nto de ve rã o gua rda r re la çã o com a infra çã o come tida . Como be m de cidiu a Se gunda
Câ ma ra do CFOAB, “a prova de bom comporta me nto, ne ce ssá ria à re a bilita çã o, nã o se re fe re
some nte a o que consta do ca da stro do a dvoga do na OAB. É indispe nsá ve l que , dura nte um a no,
a pós o cumprime nto da pe na o a dvoga do comprove que sua conduta no me io socia l nã o te nha
motiva do ne nhum proce sso, cíve l ou crimina l, ou, a inda , qua lque r inqué rito policia l” (Re c.
0389/2003/SCA).

Se a sa nçã o disciplina r tive r re sulta do de prá tica de crime , a pe na s a pós a re a bilita çã o crimina l
de cre ta da pe lo Pode r Judiciá rio pode rá se r pe dida a re a bilita çã o disciplina r. Ne sse ca so, nã o
ha ve rá ne ce ssida de de outra s prova s de bom comporta me nto, porque toda s já fora m a pre cia da s no
proce sso judicia l.

Nã o fa z jus à re a bilita çã o o a dvoga do que , e sta ndo suspe nso e m virtude de sa nçã o disciplina r,
continua a e xe rce r a a dvoca cia (Proc. 1.603/94/SC).

PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO DISCIPLINAR


Se guindo re gra comum de nosso siste ma jurídico, o Esta tuto disciplina a pre scriçã o à pre te nsã o
de punibilida de de infra çã o disciplina r, fixa da no pra zo de cinco a nos. Aproxima -se da Le i n.
6.838/80, que nã o se a plica à OAB.

A pre scriçã o é ma té ria de orde m pública que pode e de ve se r de cla ra da , inclusive , de ofício.

O pra zo é conta do nã o a pa rtir do conhe cime nto da fa lta , ma s de sua consta ta çã o oficia l pe la
OAB, a qua l se dá pe la insta ura çã o do proce sso disciplina r, a ssim de te rmina da . Pe la siste má tica do
a rt. 43 do Esta tuto, a consta ta çã o oficia l a pe na s pode da r-se pe lo conhe cime nto da re pre se nta çã o ou
a insta ura çã o de sta , de ofício. A consta ta çã o nã o se confunde com julga me nto, de ve ndo se r
conside ra do o te rmo inicia l a da ta do protocolo da re pre se nta çã o ou a da ta da s de cla ra çõe s do
inte re ssa do toma da s por te rmo pe ra nte órgã o da OAB, a pa rtir de qua ndo come ça a fluir o pra zo de
cinco (5) a nos, o qua l se rá inte rrompido na s hipóte se s dos incisos I e II do § 2º do a rt. 43 do Esta tuto,
volta ndo a corre r por inte iro com a ocorrê ncia do fa to inte rruptivo. Qua ndo a insta ura çã o do
proce sso disciplina r se de r ex officio, o te rmo inicia l coincidirá com a da ta e m que o órgã o
compe te nte da OAB toma r conhe cime nto do fa to, se ja por docume nto consta nte dos a utos, se ja pe la
sua notorie da de (Súmula 1/2011 do CFOAB). E a ssim é pa ra que o infra tor nã o se ja pre mia do com
te rmo a q uo a pa rtir da e xistê ncia do fa to, ma s de tota l de sconhe cime nto da a utorida de
sa nciona dora , a lé m de que , na s infra çõe s pe rma ne nte s, a ce ssa çã o de se us e fe itos de pe nde de sua
vonta de , e m de sfa vor da socie da de .

A pre scriçã o, no pra zo ge ra l de cinco a nos, consuma -se qua ndo nã o houve r qua lque r
julga me nto do órgã o compe te nte da OAB, que sã o o Tribuna l de Ética e Disciplina , o Conse lho
Se cciona l ou o Conse lho Fe de ra l, de a cordo com a ma té ria .

Tra ta ndo-se de infra çã o de ca rá te r continua do, a pre te nsã o punitiva nã o pre scre ve e nqua nto
dura r a ilicitude . Toda via , a Le i n. 11.902/2009 introduziu o a rt. 25-A à Le i n. 8.906/94, fixa ndo o pra zo
má ximo de cinco a nos pa ra a pre scriçã o da pre te nsã o de pre sta çã o de conta s “pe la s qua ntia s
re ce bida s pe lo a dvoga do de se u clie nte , ou de te rce iros por conta de le ”. Ainda que e ssa le i nã o
re fira e xplicita me nte à pre te nsã o punitiva , nã o há como ma ntê -la , pois o obje tivo da inde te rmina çã o
do pra zo, na re da çã o origina l do Esta tuto, e ra compe lir o a dvoga do infra tor à e fe tiva pre sta çã o de
conta s. Suprimida a pre te nsã o do clie nte , pe la pre scriçã o, de sa pa re ce o e fe ito suple me nta r do pra zo
inde te rmina do da sa nçã o de suspe nsã o do a dvoga do.

O pra zo da pre scriçã o é re duzido pa ra trê s a nos, no ca so de pa ra lisa çã o do proce sso, conta do
do último a to pra tica do pe la OAB. Ne sse ca so, o pre side nte do Conse lho Se cciona l ou da Subse çã o
que promove re m a instruçã o de cla ra rá a pre scriçã o e de te rmina rá o a rquiva me nto do proce sso, de
ofício ou a re que rime nto do inte re ssa do. A pre scriçã o inte rcorre nte de corre de fa lta da própria
instituiçã o, de ve ndo se r insta ura do o proce sso a dministra tivo pa ra a pura çã o da re sponsa bilida de .
Pa ra a pre scriçã o inte rcorre nte , nã o se a dmite a soma de pe ríodos inte rca la dos, se gundo o CFOAB
(Eme nta n. 079/2007/SCA).

O Esta tuto e sta be le ce , igua lme nte , modos próprios de inte rrupçã o da pre scriçã o, que re toma
se u curso e m se guida , a sa be r: a ) qua ndo a notifica çã o vá lida a o re pre se nta do pa ra re sponde r a
re pre se nta çã o for junta da a o proce sso disciplina r; b) qua ndo outro proce sso disciplina r for
insta ura do, re la tivo à me sma fa lta , te ndo e mbora orige m dive rsa ; c) qua ndo houve r de cisã o
conde na tória do Tribuna l de Ética e Disciplina , ou, e m gra u de re curso, do Conse lho Se cciona l ou do
Conse lho Fe de ra l. “Os de spa chos profe ridos com a fina lida de de impulsiona r o proce sso tê m o
condã o de inte rrompe r a pre scriçã o” (Re c. 0092/2004/SCA), ma s de ve m se r de spre za dos “os
de spa chos de me ro e xpe die nte que ma is fa ze m de monstra r a de sídia na conduçã o do fe ito a o
re me tê -lo de um luga r pa ra outro” (Re c. 0275/2004/SCA). Em suma , como de cidiu o Órgã o Espe cia l do
CFOAB, a inte rrupçã o da pre scriçã o da pre te nsã o à punibilida de da s infra çõe s disciplina re s ocorre
ta nta s ve ze s qua nta s ha ja a incidê ncia da s ca usa s inte rruptiva s pre vista s no a rt. 43, § 2º, do Esta tuto
da Advoca cia e da OAB (Re c. 0015/2004/OEP). Conse que nte me nte , insta ura do o proce sso,
inte rrompe -se o pra zo pre scriciona l; notifica do o re pre se nta do, inte rrompe -se , ta mbé m, a que le
pra zo; julga da proce de nte a re pre se nta çã o e m de cisã o re corríve l, ope ra -se nova inte rrupçã o; e se
no ínte rim de um dos quinquê nios o proce sso disciplina r pe rde r o impulso por pe nde r de de spa cho
ou julga me nto, inte rcorre a pre scriçã o trie na l. Contudo, de spa chos de me ra re de signa çã o de Re la tor
nã o tê m o condã o de inte rrompe r o la pso pre scriciona l (Eme nta n. 108/2014/OEP).

Nã o se a plica m a s re gra s do dire ito comum, ne sta ma té ria , porque a pre scriçã o, por sua
na ture za , nã o a dmite inte rpre ta çã o a na lógica e e xte nsiva ou suple tivida de norma tiva .
PARTE II

DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL


BREVE HISTÓRICO DA OAB

A OAB foi cria da le ga lme nte e m 18 de nove mbro de 1930, por força do a rt. 17 do De cre to n.
19.408 de ssa da ta . Pa ssa re mos e m se guida a indica r, e m bre ve cronologia , os mome ntos ma rca nte s
de se us a nte ce de nte s e a s tra nsforma çõe s por que pa ssou. Pa ra um e studo ma is a profunda do da s
orige ns e vida da OAB, pa rticula rme nte e m sua s prime ira s dé ca da s, re come nda mos a le itura da s
obra s de Ne he mia s Gue iros (A ad vocacia e o seu Estatuto), Joã o Gua lbe rto de Olive ira (História d os
órgãos d e classe d os ad vogad os) e Albe rto Ve nâ ncio Filho (Notícia h istórica d a Ord em d os Ad vogad os d o
Brasil).

Na tra diçã o fra nce sa , a pa la vra Ord em , que foi a dota da na de nomina çã o da e ntida de bra sile ira ,
vincula -se à orga niza çã o me die va l, como conjunto e sta tutá rio que orde na um modo de vida
re conhe cido pe la Igre ja , se me lha nte à Ord o Clericorum ou à s orde ns de ca va la ria . O a dvoga do e ra o
ca va le iro e m le is, a ssimilá ve l a os ca va le iros milita re s que ia m a o comba te pa ra de fe nde r os pobre s
e humilde s (Ha me lin; Da mie n, 1975, p. 17). A Constituiçã o re volucioná ria e libe ra l fra nce sa de 1791,
e m se u pre â mbulo, a firmou a e xtinçã o de toda s a s corpora çõe s profissiona is, de a rte s e ofícios;
poré m, a tra diçã o foi ma is forte e pe rma ne ce u a de nomina çã o Orde m, dista nte de sua funçã o
originá ria .

No dia 11 de a gosto de 1827, a pós de cre ta da pe la Asse mble ia Ge ra l, foi sa nciona da pe lo


Impe ra dor D. Pe dro I a le i que criou os dois prime iros cursos jurídicos no Bra sil, um e m Sã o Pa ulo e
outro e m Olinda , que pode ria m confe rir os gra us de ba cha re l e doutor. A le i ma ndou a plica r os
Esta tutos do Visconde de Ca choe ira e a sua da ta se popula rizou como o dia bra sile iro da justiça e
da s profissõe s jurídica s e m ge ra l. Em 1º de ma rço de 1828 re a lizou-se a sole nida de de ina ugura çã o
da Fa culda de de Dire ito de Sã o Pa ulo, e m uma sa la do Conve nto de Sã o Fra ncisco. Em 15 de ma io
de 1828 ina ugurou-se sole ne me nte a Fa culda de de Dire ito de Olinda , no Moste iro de Sã o Be nto,
tra nsfe rida pa ra Re cife e m 10 de a gosto de 1854. Os cursos de se nvolvia m-se e m cinco a nos e nove
ca de ira s (a rt. 1º da Le i de 11 de a gosto).

No dia 7 de a gosto de 1843, fundou-se o Instituto da Orde m dos Advoga dos Bra sile iros,
a ssocia çã o civil com a fina lida de de congre ga r os profissiona is da a dvoca cia , com vista s à cria çã o
da Orde m dos Advoga dos. O Esta tuto da a ssocia çã o foi a prova do pe lo Impe ra dor D. Pe dro II, ne ssa
da ta , por Aviso firma do pe lo Ministro de Esta do da Justiça , Honório He rme to Ca rne iro Le ã o,
e sta be le ce ndo se u a rt. 2º: “O fim do Instituto é orga niza r a Orde m dos Advoga dos, e m prove ito ge ra l
da ciê ncia da jurisprudê ncia ”. Há uma dúvida qua nto à de nomina çã o; a porta ria impe ria l re fe re -se a
Instituto dos Advoga dos Bra sile iros, ma s a a ta de insta la çã o diz que e la foi e xpe dida a fa vor do
Instituto da Orde m dos Advoga dos Bra sile iros, te ndo pre va le cido e sse nome nos e sta tutos da
e ntida de . No dia 7 de se te mbro de sse a no, e le ge u-se a prime ira dire toria , te ndo como pre side nte
Fra ncisco Gê Aca ia ba de Monte zuma , que e xe rce u o ca rgo a té 1851. Ainda no Impé rio, no dia 20 de
a gosto de 1880, foi a pre se nta do a o Le gisla tivo da Corte o Proje to de Le i n. 95, cria ndo a Orde m dos
Advoga dos do Bra sil.

Nos a nos de 1911 e 1914, nova s te nta tiva s de proje tos de le i fora m fe ita s no se ntido de se pa ra r
a Orde m dos Advoga dos e o Instituto dos Advoga dos, se m re sulta do. Em 16 de a bril de 1914, o
pre side nte do Instituto, Alfre do Pinto Vie ira , que muito tra ba lhou pa ra a impla nta çã o da Orde m,
pronunciou discurso e m que a firma va pre fe rir cria r no Bra sil uma instituiçã o dista nte dos mode los
e urope us, “toda nossa , se m privilé gios hie rá rquicos, ne m subordina çõe s que a fe te m a nossa
inde pe ndê ncia ”.

No dia 18 de nove mbro de 1930, fina lme nte , de u-se a cria çã o le ga l da Orde m dos Advoga dos do
Bra sil, e m virtude da inse rçã o do a rt. 17 no De cre to n. 19.408 do Gove rno Provisório, que te ve força
de le i, a ssim dispondo: “Art. 17. Fica cria da a Orde m dos Advoga dos Bra sile iros, órgã o de disciplina
e se le çã o dos a dvoga dos, que se re ge rá pe los e sta tutos que fore m vota dos pe lo Instituto da Orde m
dos Advoga dos Bra sile iros, com a cola bora çã o dos Institutos da Orde m dos Esta dos e a prova dos
pe lo Gove rno”. De stina va -se a se r o órgã o de disciplina e se le çã o da cla sse dos a dvoga dos. O
diploma le ga l nã o tinha e ssa fina lida de , ma s a de re orga niza çã o da Corte de Ape la çã o do Distrito
Fe de ra l. A inse rçã o de ve u-se a o a utor do a nte proje to, André de Fa ria Pe re ira , com o a poio do
Ministro da Justiça Osva ldo Ara nha . O instituto de sdobrou-se e m dua s e ntida de s: a Orde m dos
Advoga dos do Bra sil e o Instituto dos Advoga dos Bra sile iros, e ste (e se us filia dos) com fina lida de de
promoçã o da cultura e ciê ncia do dire ito e ntre os a dvoga dos.

Em 14 de de ze mbro de 1931 foi a prova do o Re gula me nto da Orde m dos Advoga dos do Bra sil,
a dota ndo-se e ste nome pe lo De cre to n. 20.784, cuja re da çã o de ve -se a Le vi Fe rna nde s Ca rne iro,
prime iro pre side nte da e ntida de , com vigê ncia dife rida pe lo De cre to n. 22.266, de 1932, pa ra 31 de
ma rço de 1933. O mode lo a dota do foi o do Barreau d e Paris, ta nto pa ra a orga niza çã o da e ntida de
como pa ra o pa ra digma libe ra l da profissã o de a dvoga do.

O Re gula me nto da OAB foi consolida do pe lo De cre to n. 22.478/33. No dia 6 de ma rço de 1933, à s
14 hora s, na se de do Instituto dos Advoga dos, o Conse lho Fe de ra l da OAB foi insta la do sob a
pre sidê ncia de Le vi Ca rne iro, que tinha sido e scolhido pre side nte provisório e m 18 de ja ne iro de
1932. O Re gula me nto pa ssou por vá ria s re forma s, por me io de : De cre to n. 24.631/34; Le i n. 510/37;
De cre tos n. 24.185/40; 2.407/40; 3.036/41; 4.803/42; 5.410/43; 7.359/45; 8.403/45; Le is n. 690/49 e 1.183/50. O
Re gula me nto, com ta is modifica çõe s, vige u a té a e ntra da e m vigor da Le i n. 4.215/63.
Em 25 de julho de 1934, o CFOAB a provou o Código de Ética Profissiona l, e ntra ndo e m vigor e m
15 de nove mbro do me smo a no. O ca da stro ge ra l dos a dvoga dos a pontou a e xistê ncia de 8.161
inscritos na OAB, e m todo o Pa ís.

O De cre to-Le i n. 4.563/42 a utorizou a Orde m dos Advoga dos do Bra sil a instituir Ca ixa s de
Assistê ncia , e m be ne fício dos profissiona is ne la inscritos.

A OAB foi re fe rida e xpre ssa me nte na Constituiçã o Fe de ra l de 1946, pe la prime ira ve z,
de te rmina ndo sua pa rticipa çã o nos concursos públicos pa ra ingre sso na Ma gistra tura .

No dia 11 de a gosto de 1956, o pre side nte da Re pública Jusce lino Kubitsche k de Olive ira
a ssinou, no re cinto da Orde m e pe ra nte o Conse lho Fe de ra l, e a o té rmino do ma nda to do
Pre side nte Migue l Se a bra Fa gunde s, a me nsa ge m a o Congre sso Na ciona l e nca minha ndo se m
qua lque r a lte ra çã o o proje to do novo Esta tuto da OAB. A comissã o que o re digiu foi composta de
Ne he mia s Gue iros, re la tor, The mistocle s Ma rconde s Fe rre ira , Albe rto Ba rre to de Me lo, C. B. Ara gã o
Boza no, J. M. Ma c Dowe ll da Costa e C. A. Dunshe e de Abra nche s, de corre nte do a nte proje to
a prova do pe lo CFOAB no dia 8 de ma io de sse a no. Acompa nhou o proje to, no Congre sso Na ciona l,
o Conse lhe iro Ne he mia s Gue iros. Na Câ ma ra dos De puta dos, foi re la ta do pe lo De puta do Milton
Ca mpos, e no Se na do Fe de ra l, pe lo Se na dor Aloysio de Ca rva lho Filho.

A 1ª Confe rê ncia Na ciona l da OAB foi re a liza da no pe ríodo de 4 a 11 de a gosto de 1958, na


cida de do Rio de Ja ne iro.

No dia 27 de a bril de 1963 foi sa nciona da a Le i n. 4.215 (o se gundo Esta tuto) pe lo Pre side nte
Joã o Goula rt, com um único ve to. A le i e ntrou e m vigor no dia 10 de junho de sse me smo a no,
pa ssa ndo a OAB, dura nte toda a dé ca da de se sse nta , a promove r sua impla nta çã o e a a tua r
instituciona lme nte , e m todo o Pa ís, na de fe sa dos dire itos huma nos viola dos pe lo novo re gime
milita r. A Le i n. 4.215 sofre u vá ria s a lte ra çõe s a dvinda s da s Le is n. 5.390/68, 5.681/71, 5.842/72,
5.960/73, 6.743/79, 6.884/80, 6.994/82 e do De cre to-Le i n. 505/69.

Em 1972, os pre side nte s dos Conse lhos Se cciona is forma liza ra m o compromisso de luta r pe la
pre se rva çã o dos dire itos huma nos ma cula dos pe lo re gime milita r.

Em 1980 come morou a OAB se u cinque nte ná rio. No dia 27 de a gosto de 1980, uma bomba
contida e m e nve lope e nde re ça do a o pre side nte do CFOAB ma tou a dire tora da se cre ta ria , Lyda
Monte iro da Silva . Aprofundou-se o e nvolvime nto da e ntida de pe la re sta ura çã o do Esta do de Dire ito
e pe la a nistia a os pre sos políticos, e scolhe ndo-se a liberd ad e como te ma da Confe rê ncia Na ciona l
re a liza da nos dia s 18 a 22 de ma io, e m Ma na us. Da ndo se quê ncia a sua luta consta nte , de ma is de
dua s dé ca da s e m de fe sa dos dire itos huma nos e pe la re sta ura çã o da de mocra cia no Pa ís, a OAB
orga nizou Congre ssos Pré --Constituinte s, e m 1985, pa ra e la bora r proposta s de uma nova
Constituiçã o.

Em 1986, o CFOAB tra nsfe riu-se de finitiva me nte pa ra Bra sília , cumprindo-se a prome ssa contida
no Esta tuto de 1963 (a rt. 157).

Histórico do atual Estatuto

A história do a tua l Esta tuto come çou e m 14 de junho de 1988, com a Porta ria n. 41/88 do
Pre side nte Má rcio Thoma z Ba stos, que de signou nove conse lhe iros e a dvoga dos, Ne wton José de
Sisti, Sa lva dor Pompe u de Ba rros Filho, Ce lso Me de iros, Milton Augusto de Brito Nobre , Pa ulo Luiz
Ne tto Lôbo, Re gina ldo Sa ntos Furta do, Sé rgio Fe rra z, Urba no Vita lino de Me lo Filho, Sé rgio Sé rvulo
da Cunha pa ra re forma do a nte rior Esta tuto, re sulta ndo e m a nte proje to pre limina r. Esse tra ba lho foi
re toma do pe lo Pre side nte Ophir Filgue ira s Ca va lca nte , me dia nte a Porta ria n. 2/91, que de signou os
e x-pre side nte s He rma nn Assis Ba e ta e Má rcio Thoma z Ba stos e o conse lhe iro fe de ra l Pa ulo Luiz
Ne tto Lôbo, e ste como re la tor, pa ra compore m a comissã o e spe cífica . Ne ssa oca siã o, tra mita va m no
Congre sso Na ciona l 124 proje tos de le i a lte ra ndo o Esta tuto a nte rior (Le i n. 4.215/63), o que
de monstra va a supe ra çã o de sua s fina lida de s.

No dia 13 de ma io de 1991, na prime ira se ssã o ordiná ria se guinte à posse do Pre side nte
Ma rce llo La ve nè re Ma cha do, o Conse lho Fe de ra l a provou re gime nto inte rno dos tra ba lhos de
e la bora çã o de novo Esta tuto, nã o ma is de re forma do a nte rior, de cla ra ndo-se e m se ssã o
pe rma ne nte e e le ge ndo uma Comissã o de Siste ma tiza çã o, composta dos Conse lhe iros Fe de ra is
Pa ulo Luiz Ne tto Lôbo (pre side nte e re la tor), Júlio Ca rde lla , Eli Alve s Forte , Ja yme Pa z da Silva e
Elide Rigon. A Comissã o, a pós a ná lise de a proxima da me nte 700 proposta s de e me nda s a o te xto
pre limina r por e la própria e la bora do, subme te u a re da çã o fina l à s se ssõe s do Conse lho Fe de ra l
dura nte os me se s de ma rço e a bril de 1992, que o a provou com a lte ra çõe s e m 17 de a bril de sse a no.
O te xto a prova do foi subme tido à re visã o gra ma tica l do filólogo Antônio Houa iss. No dia 28 de ma io
de 1992, a s lide ra nça s dos a dvoga dos, de vá ria s re giõe s do Pa ís, junta me nte com o CFOAB, sob a
Pre sidê ncia de José Robe rto Ba tochio, a compa nha ra m a e ntre ga do Proje to de Le i n. 2.938/92, pe lo
De puta do Ulisse s Guima rã e s, que o subscre ve u a o la do de a proxima da me nte se te nta de puta dos.
Na Câ ma ra dos De puta dos, foi re la tor o De puta do Ne lson Jobim, dura nte os dois a nos de
tra mita çã o, que a colhe u 43 e me nda s a o te xto, a prova ndo-se na Comissã o de Constituiçã o e Justiça
no dia 10 de ma rço de 1994, sob a pre sidê ncia do De puta do José Thoma z Nonô. O Se na do Fe de ra l
ma nte ve o te xto da Câ ma ra , a prova ndo 12 e me nda s de re da çã o proposta s pe lo re la tor Se na dor Iva n
Sa ra iva , e m ma io de 1994.

Em 4 de julho de 1994, o Pre side nte da Re pública Ita ma r Fra nco sa ncionou o proje to, se m
qua lque r ve to, conve rte ndo-o na Le i n. 8.906, pe ra nte os me mbros do Conse lho Fe de ra l, os
Pre side nte s dos Conse lhos Se cciona is e re pre se nta çõe s dos a dvoga dos de vá rios e sta dos
bra sile iros, no Pa lá cio do Pla na lto. A le i (o te rce iro e a tua l Esta tuto) foi publica da no dia 5 de julho,
e ntra ndo e m vigor ne ssa da ta . No dia 16 de nove mbro foi publica do, no Diário d a Justiça d a União, o
Re gula me nto Ge ra l do Esta tuto da Advoca cia e da OAB, a prova do pe lo Conse lho Fe de ra l, conte ndo
158 a rtigos. E no dia 1º de ma rço de 1995 publicou-se o Código de Ética e Disciplina , a prova do pe lo
CFOAB.

A Le i n. 11.179/2005 introduziu a prime ira a lte ra çã o a o Esta tuto de 1994, modifica ndo os crité rios
pa ra e le içã o da Dire toria do CFOAB, de finindo que o colé gio e le itora l é constituído e xclusiva me nte
pe los conse lhe iros fe de ra is, com dire ito a votos individua is. Outra s a lte ra çõe s importa nte s fora m
de te rmina da s pe la Le i n. 11.767/2008, re la tiva me nte à prote çã o da inviola bilida de do e scritório, dos
loca is e dos instrume ntos de tra ba lho do a dvoga do, e pe la Le i n. 11.902/2009, que e sta be le ce u o
pra zo de cinco a nos pa ra a pre scriçã o da pre te nsã o de pre sta çã o de conta s pe la s qua ntia s
re ce bida s pe lo a dvoga do de se u clie nte . Em 2015 foi a prova do o novo Código de Ética e Disciplina
(Re s. n. 02/2015-CFOAB, com e ntra da e m vigor fixa da pa ra 1º de se te mbro de 2016 — Re s. n. 03/2016-
CFOAB) e sa nciona do o novo CPC, cujos dive rsos pre ce itos re fle tira m na a tivida de da a dvoca cia .
FINS E ORGANIZAÇÃO DA OAB

T ÍTULO II

DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL

CAPÍTULO I

DOS FINS E DA ORGANIZAÇÃO

Art. 44. A Ordem dos Advogados do Brasil — OAB, serviço público, dotada de personalidade
jurídica e forma federativa, tem por finalidade:

I — defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado democrático de direito, os direitos


humanos, a justiça social, e pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da justiça e
pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas;

II — promover, com exclusividade, a representação, a defesa, a seleção e a disciplina dos


advogados em toda a República Federativa do Brasil.

§ 1º A OAB não mantém com órgãos da Administração Pública qualquer vínculo funcional ou
hierárquico.

§ 2º O uso da sigla OAB é privativo da Ordem dos Advogados do Brasil.

Art. 45. São órgãos da OAB:

I — o Conselho Federal;

II — os Conselhos Seccionais;

III — as Subseções;

IV — as Caixas de Assistência dos Advogados.

§ 1º O Conselho Federal, dotado de personalidade jurídica própria, com sede na capital da


República, é o órgão supremo da OAB.

§ 2º Os Conselhos Seccionais, dotados de personalidade jurídica própria, têm jurisdição sobre os


respectivos territórios dos Estados-membros, do Distrito Federal e dos Territórios.

§ 3º As Subseções são partes autônomas do Conselho Seccional, na forma desta Lei e de seu ato
constitutivo.

§ 4º As Caixas de Assistência dos Advogados, dotadas de personalidade jurídica própria, são


criadas pelos Conselhos Seccionais, quando estes contarem com mais de mil e quinhentos inscritos.

§ 5º A OAB, por constituir serviço público, goza de imunidade tributária total em relação a seus
bens, rendas e serviços.

§ 6º Os atos conclusivos dos órgãos da OAB, salvo quando reservados ou de administração


interna, devem ser publicados na imprensa oficial ou afixados no fórum, na íntegra ou em resumo.

Art. 46. Compete à OAB fixar e cobrar, de seus inscritos, contribuições, preços de serviços e
multas.

Parágrafo único. Constitui título executivo extrajudicial a certidão passada pela diretoria do
Conselho competente, relativa a crédito previsto neste artigo.

Art. 47. O pagamento da contribuição anual à OAB isenta os inscritos nos seus quadros do
pagamento obrigatório da contribuição sindical.

Art. 48. O cargo de conselheiro ou de membro de diretoria de órgão da OAB é de exercício


gratuito e obrigatório, considerado serviço público relevante, inclusive para fins de disponibilidade e
aposentadoria.

Art. 49. Os Presidentes dos Conselhos e das Subseções da OAB têm legitimidade para agir,
judicial e extrajudicialmente, contra qualquer pessoa que infringir as disposições ou os fins desta Lei.

Parágrafo único. As autoridades mencionadas no caput deste artigo têm, ainda, legitimidade
para intervir, inclusive como assistentes, nos inquéritos e processos em que sejam indiciados,
acusados ou ofendidos os inscritos na OAB.

Art. 50. Para os fins desta Lei, os Presidentes dos Conselhos da OAB e das Subseções podem
requisitar cópias de peças de autos e documentos a qualquer tribunal, magistrado, cartório e órgão da
Administração Pública direta, indireta e fundacional.

(Obs.: Na ADI 1.127-8, o STF de u inte rpre ta çã o conforme a pa la vra “re quisita r ” no a rt. 50, se m
re duçã o do te xto).

CO MENTÁRIO S

NATUREZA JURÍDICA E INDEPENDÊNCIA DA OAB

O Esta tuto e sta be le ce que a OAB é se rviço público, se m vínculo funciona l ou hie rá rquico com
órgã os da Administra çã o Pública . Sua inde pe ndê ncia só e ncontra limite na subordina çã o à le i.

Ao Esta do põe m-se dua s a lte rna tiva s: ou se ocupa dire ta me nte da re gula me nta çã o e da tute la
da profissã o de a dvoga do, como foi no pa ssa do, a nte s da cria çã o da OAB, ou confia a os próprios
inte re ssa dos a se le çã o, a disciplina e a de fe sa da sua profissã o, de le ga ndo-lhe s os pode re s
ne ce ssá rios, como ocorre u a pa rtir do Re gula me nto de 1931.

Na vigê ncia do Esta tuto a nte rior (Le i n. 4.215/63) re inou a contrové rsia sobre o re gime jurídico
da OAB, e spe cia lme nte porque a le i nã o e ra cla ra , tra duzindo e m a mbiguida de he rme nê utica a s
dúvida s ou va cila çõe s dos que o e la bora ra m. O a rt. 1º conside ra va a OAB “órgã o” inde te rmina do; o
a rt. 139 dizia que e la constituía “se rviço público”, nã o se lhe a plica ndo a s disposiçõe s le ga is
re fe re nte s à s a uta rquia s. De ma ne ira ge ra l, a doutrina a tribuía à OAB a qua lida de de “a uta rquia
e spe cia l” de contornos impre cisos. A ma ioria dos a utore s a firma va sua inde pe ndê ncia e m fa ce do
Pode r Público; outros, contudo, vincula va m-na à Administra çã o Pública .

Qua ndo o Pode r Exe cutivo inte ntou vincula r a OAB, na dé ca da de 1970, a o Ministé rio do
Tra ba lho, e o Tribuna l de Conta s da Uniã o pre te nde u controla r os re cursos fina nce iros da e ntida de ,
houve a ma nife sta çã o qua se uníssona dos jurista s bra sile iros re ssa lta ndo a s pe culia rida de s da OAB
e sua inde pe ndê ncia . Idê ntica orie nta çã o a dota ra m os tribuna is supe riore s e a Consultoria -Ge ra l da
Re pública (pa re ce r do Consultor-Ge ra l Ra fa e l Ma ye r, PR-3974/74-011/C/75, a prova do pe lo Pre side nte
da Re pública , DOU, 14-2-1978). Em 19 de nove mbro de 2003, o ple ná rio do Tribuna l de Conta s da
Uniã o de cidiu que a OAB nã o se subme te a o re gime da s a uta rquia s pública s, ma nte ndo, a ssim, sua
imunida de à fisca liza çã o do tribuna l, uma ve z que de sde 1952 o TFR de cidiu que a e ntida de nã o
pre cisa va pre sta r conta s a o TCU.

O Esta tuto pre scre ve e xplicita me nte que a OAB nã o ma nté m qua lque r vínculo com a
Administra çã o Pública . A OAB possui funçõe s constituciona is própria s, re la tiva me nte à le gitimida de
pa ra a juiza me nto de a çã o de controle da constituciona lida de da s le is, à de fe sa da Constituiçã o, à
pa rticipa çã o na composiçã o dos tribuna is, à pa rticipa çã o nos concursos públicos da ma gistra tura .

Qua l, no e nta nto, o se ntido de serviço público que de se mpe nha ? Se rviço público nã o significa
ne ce ssa ria me nte se rviço e sta ta l, e ste a ssim e nte ndido como a tivida de típica e xe rcida pe la
Administra çã o Pública . Se rviço público é gê ne ro do qua l o se rviço e sta ta l é e spé cie . A e voluçã o dos
conce itos e da e xpe riê ncia jurídica , me rcê da tra nsforma çã o do Esta do Mode rno, forta le ce a
a firma çã o corre nte de que ne m tudo o que é público é e sta ta l.

A de fe sa da cla sse dos a dvoga dos, dos dire itos huma nos, da justiça socia l e do Esta do
De mocrá tico de Dire ito, e nca rta da na s fina lida de s da OAB pre vista s no a rt. 44 do Esta tuto, supõe o
virtua l conflito com o Pode r Público. Se e ste impe de , dificulta ou viola o e xe rcício da a dvoca cia , ou
se ma lfe re ou contra ria os va lore s pe los qua is de ve e la pugna r, o confronto é ine vitá ve l e o conflito
de inte re sse s se insta la .

Como se rá possíve l que uma “a uta rquia ”, um e nte conce bido como longa m anus do Esta do,
possa pe rse guir inte re sse s a e le opostos, e stra nhos — de fe sa dos a dvoga dos — ou conflituosos?

O Esta do Mode rno nã o a pe na s se va le de e ntida de s de le de sme mbra da s (a dministra çã o


de sce ntra liza da e indire ta ), sob sua tute la ou controle . Ta mbé m re conhe ce compe tê ncia pa ra o
e xe rcício de funçõe s pública s a e ntida de s que nã o o inte gra m, a tribuindo-lhe s pode re s que se ria m
origina lme nte se us, como ocorre com o pode r da OAB de se le ciona r, fisca liza r e punir a dvoga dos.
Nã o se tra ta de um novo corpora tivismo, nos molde s me die va is, ma s de limita çã o de a utotute la
jurídica a e ntida de s orga niza da s, pa ra e xe rcício de de te rmina dos se rviços públicos.

As fina lida de s da OAB sã o indissociá ve is da a tivida de de a dvoca cia , que se ca ra cte riza pe la
a bsoluta inde pe ndê ncia , inclusive dia nte dos Pode re s Públicos constituídos. Se o a dvoga do é
ne ce ssá rio à a dministra çã o da justiça , e ntã o nã o pode e sta r subordina do a qua lque r pode r,
inclusive o Judiciá rio. A OAB ou a a dvoca cia de pe nde nte s, vincula da s ou subordina da s, re sulta m na
ne ga çã o de sua s própria s fina lida de s.

A Constituiçã o pre vê vá ria s hipóte se s de e xe rcício de se rviços públicos por pe ssoa s e e ntida de s
priva da s, como ocorre com o re gime de conce ssã o ou pe rmissã o pública s (a rt. 175) ou de se rviços
nota ria is (a rt. 236). O Esta do à s ve ze s come te a pe ssoa s jurídica s de dire ito priva do, a e le
vincula da s, a tivida de típica de polícia a dministra tiva , dispe nsa ndo o tipo a utá rquico. Porta nto, a
e xe cuçã o de se rviços públicos nã o concre tiza ne ce ssa ria me nte o tipo a uta rquia , me smo que
e spe cia l ou sui generis.

Se a OAB a pe na s e xe rce sse se rviço público e sta ta l típico, pode r-se -ia cogita r de jus singulare,
porque se ria tute la da por norma posta contra tenorem rationis, na pe culia r formula çã o do Digesto de
Justinia no. Ou se ja , se tive sse na ture za a mpla de a uta rquia , se ria sui generis ou inde pe nde nte ,
e sta ndo de sliga da ou de svincula da da Administra çã o Pública . Ma s nã o é o ca so, porque a s
fina lida de s da OAB sã o muito ma is a mpla s e e xtra e sta ta is.

A e voluçã o do dire ito conduz-nos a re je ita r o e la sté rio que se pre te nde u a tribuir a o conce ito de
a uta rquia , que já a bra nge u, historica me nte , a té a tivida de s e conômica s. A Constituiçã o bra sile ira de
1988 cindiu a s a tivida de s a dministra tiva s e sta ta is de sce ntra liza da s, come te ndo-a s à s a uta rquia s e à s
funda çõe s pública s (e sta s vê m se ndo e nte ndida s como e spé cie s do gê ne ro a uta rquia , ta mbé m
re gida s pe lo dire ito público, a pa rtir do lead ing case do STF — RE 101.126), da s a tivida de s e conômica s
e sta ta is, conce ntra da s na s e mpre sa s pública s e de e conomia mista , re gida s pe lo dire ito priva do (a rt.
173).

De flui do siste ma da Constituiçã o que a s pe ssoa s jurídica s de dire ito público sã o a pe na s os


e nte s e sta ta is de na ture za política (Uniã o, Esta dos-me mbros, Municípios e Te rritórios) e os e nte s
a utá rquicos (a uta rquia s e funda çõe s de dire ito público). Às de ma is e ntida de s pre fe riu-se a tribuir a
pe rsona lida de de dire ito priva do, a e xe mplo dos pa rtidos políticos (a rt. 17, § 2º).
A conce pçã o de ce rtos se rviços públicos como e ntida de s dota da s de na ture za jurídica mista (de
dire ito público e de dire ito priva do) nã o é novida de no dire ito, e spe cia lme nte com re la çã o à s
corpora çõe s profissiona is, como a OAB. A doutrina jurídica fra nce sa sublinha e sse tra ço, conforme
diz Prospe r We il (1977, p. 53): “Alude -se a ce rtos orga nismos de na ture za jurídica inde te rmina da , dos
qua is nã o se sa be be m se sã o pe ssoa s pública s ou priva da s. O e xe mplo ma is importa nte — ma s
nã o é o único — é o dos orga nismos de dire çã o da e conomia e da s orde ns profissiona is, que o
Conse lho de Esta do de cidiu (Monpe rt, 1942; Bougue n, 1943) nã o se re m e sta be le cime ntos públicos —
se m com isso se pronuncia r a fa vor de sua na ture za priva da —, ma s e sta re m subme tidos e m pa rte
a o dire ito público e e m pa rte a o dire ito priva do”.

No me smo se ntido, Je a n Rive ro (1981, p. 561) indica pre cisa me nte a s á re a s de re gê ncia da
gra nde dicotomia , e scla re ce ndo que o funciona me nto inte rno da s orde ns profissiona is e sca pa a o
dire ito a dministra tivo, subordina ndo-se a o dire ito priva do: os se us a ge nte s sã o a ssa la ria dos de
dire ito comum, os se us contra tos sã o civis, os se us pa trimônios sã o constituídos de be ns priva dos, o
se u re gime fina nce iro e sca pa à conta bilida de pública . De sta ca mos a se guinte pa ssa ge m: “Com a s
orde ns e ncontra mos pois o me smo fe nôme no de imbrica çã o do dire ito público no dire ito priva do
que e ncontra mos a o longo de ste título; ma s, como notou M. de La uba dè re , contra ria me nte a o que
se pa ssa com os e sta be le cime ntos públicos come rcia is, cuja e strutura de pe nde do dire ito público e
cuja a tivida de de pe nde do dire ito priva do, a qui o dire ito priva do re ge a e strutura da orde m, e o
dire ito público o e xe rcício de sua missã o”.

Da rio de Alme ida Ma ga lhã e s (1975, p. 27-46) a firma se r a OAB e ntida de jurídica sui generis, que
nã o se inclui ne m e ntre a s a uta rquia s a dministra tiva s ne m e ntre a s e ntida de s e xclusiva me nte
priva da s, por nã o ge rir qua lque r pa rce la do pa trimônio público ou se ma nte r com dinhe iros
públicos. No me smo se ntido ma nife stou-se Migue l Re a le (1975, p. 97-100), pa ra que m a OAB é
e ntida de singula r, na qua l ca ra cte rísticos públicos e priva dos se coorde na m e se comple me nta m.

Com e fe ito, a s re ce ita s da OAB, e mbora oriunda s de contribuiçõe s obriga tória s, nã o sã o


tributos porque nã o constitue m re ce ita pública , ne m ingre ssa m no orça me nto público, ne m se
suje ita m a conta bilida de pública . O a rt. 149 da Constituiçã o nã o se a plica à OAB.

Em suma , a OAB nã o é ne m a uta rquia ne m e ntida de ge nuina me nte priva da , ma s serviço público
ind epend ente, ca te goria sui generis, subme tida a o dire ito público, na re a liza çã o da s a tivida de s e sta ta is
que lhe fora m de le ga da s, e a o dire ito priva do, no de se nvolvime nto de sua s a tivida de s
a dministra tiva s e de sua s fina lida de s instituciona is e de de fe sa da profissã o.

Conside ra da a na ture za de se rviço público nã o e sta ta l, ma s se rviço público de â mbito fe de ra l,


os proce ssos judicia is e m que a OAB se ja inte re ssa da suje ita m-se à compe tê ncia da justiça fe de ra l
(STF, HC 71.314-9), sa lvo no ca so de cobra nça da s a nuida de s (STJ, EREsp 462.273).
FINALIDADES DA OAB

A contrové rsia re ina nte no se io da OAB, sobre sua s fina lida de s e obje tivos, confronta ndo
a que le s que postula va m a proe minê ncia , ou qua se e xclusivida de , dos inte re sse s corpora tivos com
os que pugna va m pe la pre va lê ncia da a tua çã o político-instituciona l, pe rde u o se ntido com o a dve nto
do a tua l Esta tuto. As dua s fina lida de s sã o pre vista s e xplicita me nte no a rt. 44, de modo ha rmônico,
inte gra do, se m supre ma cia de uma sobre outra .

A OAB e ngra nde ce u-se , a dquirindo confia bilida de e pre stígio popula re s, porque nã o se a te ve
a pe na s a os inte re sse s de e conomia inte rna , fugindo à e nga nosa te nta çã o da pa z burocrá tica de se u
microcosmo. Ao me smo te mpo, de se mpe nhou com de se nvoltura a ta re fa de va loriza çã o da
a dvoca cia e do ingra to miste r de polícia a dministra tiva da profissã o, e vita ndo que o Esta do fize sse o
que e la própria pode ria fa ze r.

O que já e ra luga r-comum, na sua histórica a tua çã o cotidia na , na ince ssa nte busca do
e quilíbrio e ntre os dois níve is de inte re sse (corpora tivo e instituciona l), tornou-se norma le ga l cla ra
no a tua l Esta tuto.

FINALIDADES POLÍTICO-INSTITUCIONAIS

Dura nte a s discussõe s do a nte proje to do Esta tuto, o CFOAB de cidiu por incluir de forma
e xpre ssa os obje tivos político-instituciona is e ntre a s fina lida de s da OAB, e nã o a pe na s do Conse lho
Fe de ra l, como consta va no a rt. 18, I, do a nte rior Esta tuto. Foi de cisivo o discurso firme e pe rsua sivo
do sa udoso e x-pre side nte na ciona l da OAB, Migue l Se a bra Fa gunde s, que se mpre e vocou a
tra je tória da e ntida de ne ssa dire çã o de civismo e solida rie da de socia l. Se a bra Fa gunde s influiu
positiva me nte na inclusã o de dispositivo se me lha nte , no proje to da Le i n. 4.215/63, e la bora do na
é poca e m que foi pre side nte da OAB, e no a nte proje to da Le i 8.906/94.

Le mbra Se a bra Fa gunde s, e m a rtigo de stina do a o te ma (1982, p. passim ), que a orga niza çã o
inicia l da OAB, me dia nte o Re gula me nto de 1931/1933, tomou como mode lo o da Orde m de Pa ris,
de stina ndo-se a se r a pe na s o órgã o de se le çã o e disciplina da cla sse . “Ma s, com o corre r do te mpo,
a s vicissitude s instituciona is por que o pa ís foi pa ssa ndo (da re constituciona liza çã o e m 1934 a o
Esta do Novo), ta nta s ve ze s com re fle xo no e xe rcício da a tivida de do a dvoga do e me smo no pa pe l
cívico ima ne nte na sua condiçã o profissiona l, fize ra m com que o Congre sso, sob a inspira çã o do
Conse lho Fe de ra l, pe la e la bora çã o de a nte proje to de re forma da re gula me nta çã o de 1931, a lça sse a
Orde m dos Advoga dos do Bra sil (me dia nte a Le i n. 4.215/63) a o níve l que ne nhuma congê ne re sua
a ssumiu nos pa íse s do nosso tra to comum, e ta lve z e m qua lque r pa ís”.

A re la çã o de de pe ndê ncia da profissã o com o Pode r Público e a ide ologia conse rva dora
a dquirida no convívio com os grupos domina nte s da socie da de , re quisitos socia is pa ra o suce sso,
dista ncia m o a dvoga do, e nqua nto ta l, da s pre ocupa çõe s político-instituciona is. Os a dvoga dos
libe ra is que cria ra m a OAB ide a liza ra m uma e ntida de de orga niza çã o e strita me nte profissiona l, de
ca rá te r corpora tivo e a político. Toda via , a s dita dura s do Esta do Novo (1937/1945) e do re gime milita r
(1964/1985) le va ra m os a dvoga dos a a ssumir cole tiva me nte a de fe sa dos dire itos huma nos e os
princípios do Esta do De mocrá tico de Dire ito, ou se ja , um pa pe l político ge ra l. Conve nce ra m-se de
que se m a s libe rda de s pública s e a inviola bilida de dos dire itos huma nos nã o há libe rda de pa ra o
e xe rcício inde pe nde nte da a dvoca cia . A Le i n. 4.215/63 já pre nuncia va e ssa dime nsã o, a ssumida
e xplicita me nte pe lo a rt. 44 da Le i n. 8.906/94.

A funçã o da OAB nã o é indica r opçõe s política s conjuntura is, porque nã o é o Pa rla me nto do
Pa ís, ma s de nuncia r os de svirtua me ntos dos pa râ me tros do Esta do De mocrá tico de Dire ito, dos
dire itos huma nos, da justiça socia l, cola bora ndo pa ra a me lhoria da s instituiçõe s, inclusive com
proposta s político-le gisla tiva s, te ndo e m me nte se mpre a s linha s e strutura is da vida na ciona l.

As que stõe s político-instituciona is, a lé m de figura re m como uma da s dua s fina lida de s ge ra is da
OAB (a rt. 44), e stã o come tida s e xpre ssa me nte a o Conse lho Fe de ra l (a rt. 54, I), a o Conse lho Se cciona l
(a rt. 57) e à s Subse çõe s (a rt. 61, I).

A funçã o política da OAB nã o inclui ne m se confunde com a política pa rtidá ria , ca mpo próprio
dos pa rtidos políticos, ou com a política gove rna me nta l. As te ndê ncia s pa rtidá ria s de ca da me mbro
da instituiçã o nã o pode m ultra pa ssa r se us umbra is. O plura lismo político e o a pa rtida rismo sã o
impre scindíve is pa ra sua sobre vivê ncia e re spe ita bilida de . A OAB nã o é de a lguns, ma s de todos os
a dvoga dos. Sua força re side na sa be doria e m tra duzir o pe nsa me nto mé dio da cla sse .

A a tua çã o instituciona l da OAB a pe na s é ca bíve l qua ndo e m jogo inte re sse s que tra nsce nde m
a s re la çõe s individua is. A de fe sa dos inte re sse s de grupos de te rmina dos de pe ssoa s só se pode
fa ze r pe la OAB, e xce pciona lme nte , qua nto conve nha à cole tivida de como um todo.

Defesa da Constituição

A de fe sa da Constituiçã o inclui-se e ntre a s fina lida de s político--instituciona is da OAB. Cumpre -a


de dois modos:

I — no ca mpo político ge ra l, pe la vigilâ ncia , de núncia e mobiliza çã o pública s, qua ndo e nte nde r
a me a ça dos os princípios constituciona is, e m virtude da a çã o ou omissã o de pe ssoa s, a utorida de s ou
e ntida de s pública s ou priva da s;

II — no ca mpo jurisdiciona l, pe lo a juiza me nto de a çã o dire ta de constituciona lida de ou de


inconstituciona lida de da s le is, cuja le gitimida de a Constituiçã o lhe a tribuiu (a rt. 103, VII).
Defesa da ordem jurídica

Outra fina lida de é a de fe sa da orde m jurídica . Contudo, nã o é qua lque r orde m jurídica , ma s
a pe na s a do Esta do De mocrá tico de Dire ito. Os le gisla dore s do a nte rior Esta tuto nã o pude ra m
a nte ve r que o Bra sil, um a no a pós o início de sua vigê ncia , vive ria ma is uma fa se de a utorita rismo
com que bra viole nta da orde m constituciona l e insta ura çã o de um Esta do a utocrá tico (a inda que de
dire ito). A a tua çã o da Orde m foi de fra nca re je içã o da orde m jurídica que pa ssou a impe ra r, e nã o
de sua de fe sa , qua lifica ndo politica me nte o que e sta va implícito: o compromisso dos a dvoga dos é
com o Esta do Dem ocrático de Dire ito, com re pulsa dos de ma is.

Defesa dos direitos humanos

O ministé rio da a dvoca cia é unive rsa l e m qua lque r circunstâ ncia e m que a libe rda de huma na e
os dire itos do home m e ste ja m e m ca usa , concluiu o XXV Congre sso da Uniã o Inte rna ciona l dos
Advoga dos, re unidos e m Ma drid no a no de 1973.

É na te nsã o dia lé tica e ntre a le i forma l e a concre tiza çã o dos dire itos huma nos, pre ssuposto da
dignida de do home m, que a a dvoca cia se re a liza como ma gistra tura livre e de consciê ncia .

A luta pe lo re spe ito e e fe tiva çã o dos dire itos huma nos foi o ponto a lto da a tua çã o político-
instituciona l da OAB e m sua história . Tornou-se impe riosa sua inclusã o e xpre ssa e ntre a s
fina lida de s da e ntida de no a rt. 44 do Esta tuto. Em 1980 e 1981, a OAB instituiu, e m ca rá te r
pe rma ne nte , a s Comissõe s de Dire itos Huma nos no Conse lho Fe de ra l e nos Conse lhos Se cciona is,
a ca ta ndo conclusõe s a prova da s na VIII Confe rê ncia Na ciona l da OAB de te se s dos Conse lhe iros
Victor Nune s Le a l e He rá clito Fontoura Sobra l Pinto.

A de fe sa dos dire itos huma nos nã o se re sume à inte rve nçã o e m ca sos de viola çã o consuma da ,
ma s de promoçã o de todos os me ios pre ve ntivos e de e fe tiva çã o do e xe rcício pe la s pe ssoa s e
comunida de s. A história dos dire itos huma nos confunde -se com a do proce sso civiliza tório e da
e ma ncipa çã o do home m; foi e é tra ça da com sa ngue , suor e lá grima s, contra a intole râ ncia , o a buso
do pode r, a s de sigua lda de s. Adve rte Fa bio Konde r Compa ra to que na De cla ra çã o Unive rsa l dos
Dire itos Huma nos o princípio da libe rda de “compre e nde ta nto a dime nsã o política como a
individua l. A prime ira ve m de cla ra da no a rt. 21, e a se gunda , nos a rts. 3º e se guinte s. Re conhe ce -se ,
com isso, que a mba s e ssa s dime nsõe s da libe rda de sã o comple me nta re s e inte rde pe nde nte s. A
libe rda de política se m a s libe rda de s individua is nã o pa ssa de e ngodo de ma gógico de Esta dos
a utoritá rios ou tota litá rios. E a s libe rda de s individua is, se m e fe tiva pa rticipa çã o política do povo no
gove rno, ma l e sconde m a domina çã o oligá rquica dos ma is ricos” (1983, p. 33).

Atua lme nte , os dire itos huma nos nã o se contê m na dime nsã o a pe na s individua l; a lca nça m
ta mbé m a dime nsã o cole tiva ou comunitá ria onde se e xprime m. Se gundo te rminologia e
cla ssifica çã o la rga me nte utiliza da s na doutrina bra sile ira , a os dire itos huma nos de prime ira ge ra çã o
(dire itos e ga ra ntia s individua is funda me nta is), suce de ra m-se os de se gunda ge ra çã o, de ca rá te r
socia l (dire itos socia is, e spe cia lme nte os dire itos dos tra ba lha dore s), os de te rce ira ge ra çã o, de
ca rá te r tra nsindividua l (como os dire itos dos consumidore s e do me io a mbie nte ), cogita ndo-se a gora
dos de qua rta ge ra çã o (inte grida de ge né tica e biodive rsida de ). Novos e spa ços huma nos surge m
re cla ma ndo prote çã o, qua ndo os a nte riore s a inda nã o fora m tota lme nte sa tisfe itos.

Luta permanente pela justiça social

Em vá ria s Confe rê ncia s Na ciona is, a OAB consolidou se u compromisso com a promoçã o da
justiça socia l, e le va da a uma de sua s fina lida de s instituciona is e xplícita s. A justiça socia l dife re da s
a ntiga s e spé cie s a ristoté lica s da justiça comuta tiva e da justiça distributiva , porque é dota da da
funçã o de suprimir ou re duzir a s de sigua lda de s socia is ou re giona is (pre ssuposta s) e promove r a
socie da de justa e solidá ria . A Constituiçã o de 1988 e le vou-a a obje tivo funda me nta l da Re pública
(a rt. 3º) e a princípio re itor da a tivida de e conômica (a rt. 170). Ca be à OAB e a os a dvoga dos
bra sile iros contribuíre m pa ra e ssa gra ndiosa ta re fa , de sa fia dora me nte inconclusa na me dida de
sua s possibilida de s.

A justiça socia l implica tra nsforma çã o, promoçã o e muda nça , se gundo o pre ciso e sta lã o
constituciona l: “re duzir a s de sigua lda de s socia is” (a rt. 3º, III, da Constituiçã o). A justiça socia l e stá
be m de finida e m de cisã o da Corte Supre ma de Justiça da Na çã o da Arge ntina , de 1974, como “a
justiça e m sua ma is a lta e xpre ssã o; consiste e m orde na r a a tivida de inte rsubje tiva dos me mbros da
comunida de e os re cursos com que e sta conta , com vista s a pe rmitir que todos e ca da um de se us
me mbros pa rticipe m dos be ns ma te ria is e e spiritua is da civiliza çã o; é a justiça por me io da qua l se
conse gue ou se te nde a a lca nça r o be m-e sta r, isto é , a s condiçõe s de vida me dia nte a s qua is é
possíve l à pe ssoa huma na de se nvolve r-se conforme sua dignida de ”.

Boa aplicação das leis e rápida administração da justiça

Outra fina lida de político-instituciona l é a que toca ma is proxima me nte a o e xe rcício profissiona l
da a dvoca cia : a luta pe la boa a plica çã o da s le is e pe la rá pida a dministra çã o da justiça . A
a plica bilida de da s le is dá -se por sua obse rvâ ncia e spontâ ne a pe los de stina tá rios ou por a plica çã o
me dia nte o Pode r Judiciá rio. Ca be à Orde m promove r a mba s, com todos os me ios disponíve is.

É, porta nto, le gítima a a tua çã o da OAB na crítica e na busca de soluçõe s pa ra a s dificulda de s


de de se mpe nho do Pode r Judiciá rio e pa ra a s de ma nda s cre sce nte s por a ce sso à justiça . Afina l, o
a dvoga do nã o é a pe na s indispe nsá ve l à a dministra çã o da justiça , ma s o me dia dor ne ce ssá rio e ntre
o cida dã o e o Esta do-juiz. Um dos ma is gra ve s proble ma s da a dministra çã o oficia l de justiça é a
morosida de , de ca usa s dive rsa s, te ndo sido conte mpla da pe la Eme nda Constituciona l n. 45/2004, que
e le vou a dire ito funda me nta l de ca da pe ssoa “a ra zoá ve l dura çã o do proce sso e os me ios que
ga ra nta m a ce le rida de de sua tra mita çã o” (a rt. 5º, LXXVIII, da Constituiçã o).

Aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas

Fina lme nte , cumpre à OAB pugna r pe lo a pe rfe içoa me nto da cultura e da s instituiçõe s jurídica s.
A OAB é a instituiçã o que ma is dire ta me nte sofre com a má forma çã o profissiona l dos a dvoga dos,
como re fle xo da ba ixa qua lida de da ma ioria dos cursos jurídicos do Pa ís. A e xigê ncia do Exa me de
Orde m constitui um pode roso instrume nto pa ra induzir à e le va çã o da qua lida de .

O de ve r da OAB nã o se re sume à forma çã o unive rsitá ria , porque a qua lida de cultura l do
a dvoga do é e xigê ncia que lhe a compa nha por toda a vida . O a pe rfe içoa me nto consta nte , me dia nte a
promoçã o de e ve ntos e inicia tiva s de ca pa cita çã o, é de rigor.

Por outro la do, a cola bora çã o da OAB e ste nde -se a o a pe rfe içoa me nto da s instituiçõe s
na ciona is, que a rticula m a orga niza çã o do povo. Ne sse ca so, é ime nso e de sa fia dor o e spa ço de
cola bora çã o, porque nã o se re stringe à s instituiçõe s dire ta me nte liga da s à a dvoca cia .

Essa re gra a ssocia -se à do a rt. 54, XV, do Esta tuto, que a tribui compe tê ncia a o CFOAB pa ra
cola bora r com o a pe rfe içoa me nto dos cursos jurídicos e pa ra ma nife sta r-se pre via me nte nos se us
pe didos de a utoriza çã o e re conhe cime nto.

Com intuito de fome nta r a cultura jurídica dos a dvoga dos, o CFOAB instituiu o “Prê mio Eva ndro
Lins e Silva ”, me dia nte os Provime ntos n. 100/2003 e 108/2005, a se r conce dido a a dvoga do ve nce dor
de concurso a be rto a todos os inscritos na s Se cciona is, consiste nte na a pre se nta çã o de tra ba lhos
jurídicos. O prê mio e m dinhe iro te m pe riodicida de tria nua l.

FINALIDADES CORPORATIVAS. SINDICATOS

Ca be à OAB promove r com e xclusivida de a polícia a dministra tiva da a dvoca cia bra sile ira , a í
compre e ndidos:

I — a se le çã o dos que pre te nde m e xe rcê -la , inclusive me dia nte Exa me de Orde m e ve rifica çã o
dos re quisitos de inscriçã o;

II — o controle e fisca liza çã o da a tivida de profissiona l;

III — o pode r de punir a s infra çõe s disciplina re s.

O pode r de polícia a dministra tiva da a dvoca cia per se é e xclusivo, indisponíve l e inde le gá ve l.
Ne nhuma outra a utorida de pode e xe rcê -lo, inclusive a judiciá ria .

A e xclusivida de a lca nça ta mbé m a de fe sa e a re pre se nta çã o dos a dvoga dos. Contudo, ta l
e xclusivida de nã o a fa sta a a tua çã o concorre nte dos sindica tos de a dvoga dos, porque viola ria o
princípio da libe rda de de a ssocia çã o sindica l, pre visto na Constituiçã o, a rt. 8º. Como ha rmoniza r a s
dua s compe tê ncia s?

Compe te à OAB a e xclusiva re pre se nta çã o geral dos a dvoga dos e a de fe sa da s pre rroga tiva s e
dire itos da profissã o, e nqua nto ta is. Compe te a o sindica to a de fe sa e re pre se nta çã o específicas dos
a dvoga dos sindica liza dos, no que disse r re spe ito à s que stõe s oriunda s de re la çã o de e mpre go a que
se vincule m, e some nte ne ssa hipóte se . Por e xe mplo, no a cordo ou conve nçã o cole tiva pa ra fixa r
sa lá rio mínimo profissiona l ou jorna da de tra ba lho, é o sindica to, e nã o a OAB, a e ntida de que
compa re ce com pode re s le ga is de re pre se nta çã o dos a dvoga dos sindica liza dos. Em contra pa rtida ,
se o a dvoga do e mpre ga do te m viole nta da sua inviola bilida de profissiona l, ca be à OAB de fe ndê -lo.

Embora a OAB e xe rça e ssa funçã o (nã o e sta ta l) de re pre se nta çã o e de fe sa ge ra is dos
a dvoga dos, de ve e stimula r que outra s e ntida de s surja m, congre ga ndo a dvoga dos, pa ra fina lida de s
cultura is e cie ntífica s, a ssiste ncia is e sindica is, porque toda s contribue m pa ra o forta le cime nto da
cla sse .

Como a nota mos a cima , a o come nta rmos o ca pítulo de dica do a o a dvoga do e mpre ga do, o
cre sce nte fe nôme no da a dvoca cia a ssa la ria da impõe a de fe sa de dire itos e inte re sse s que a pe na s o
sindica to da ca te goria pode , constituciona lme nte , de se mpe nha r, se m qua lque r subordina çã o à OAB,
a sa be r, na s re la çõe s tra ba lhista s e ntre e mpre ga dore s (inclusive a dvoga dos ou socie da de s de
a dvoga dos) e a dvoga dos e mpre ga dos.

NATUREZA E TIPOS DE ÓRGÃOS DA OAB. A QUESTÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA

O Esta tuto conside ra órgã os da OAB o Conse lho Fe de ra l, os Conse lhos Se cciona is, a s
Subse çõe s e a s Ca ixa s de Assistê ncia . A singula rida de fica por conta da na ture za da s Ca ixa s de
Assistê ncia , cujos come ntá rios te ce re mos ma is a dia nte .

Com re la çã o a o a nte rior Esta tuto, e xcluiu-se a Asse mble ia Ge ra l dos Advoga dos. Esse órgã o
forma l nunca funcionou na prá tica , pe la impossibilida de física de re unir e m um me smo e spa ço, com
re sulta dos viá ve is, todos os a dvoga dos inscritos na s Se cçõe s mé dia s ou gra nde s, e a té me smo e m
muita s Subse çõe s. Ima gine -se a invia bilida de fá tica de re unire m-se de ze na s e a té ce nte na s de
milha re s de profissiona is pa ra discutire m ou a prova re m conta s ou de libe ra re m sobre ma té ria s
e xce pciona is! Pre fe riu-se a instituciona liza çã o da s Confe rê ncia s na ciona is ou e sta dua is de
a dvoga dos, cuja e xpe riê ncia re sultou a nima dora . Qua nto à s e le içõe s, a dotou-se o siste ma e le itora l
comum, com o dire ito de voto dire to a sse gura do a todos os a dvoga dos inscritos, se m ne ce ssida de de
insta la çã o de a sse mble ia .

A te oria orga nicista da pe ssoa jurídica , que forte influê ncia e xe rce u sobre o dire ito bra sile iro,
e spe cia lme nte pe la a utorida de da s obra s de Ponte s de Mira nda (1974, v. 1:381), conce be os órgã os
(se gundo o pa ra digma biológico) como pa rte s inte gra nte s do todo (a pe ssoa jurídica ). Assim, se ria
inconce bíve l pe ssoa jurídica se m órgã o ou órgã o se m pe ssoa jurídica . Otto von Gie rke , o ma is
conhe cido dos formula dore s da te oria , no dire ito a le mã o, construiu o conce ito de orga nismo
a bstra indo-o origina ria me nte do e nte vivo, coloca ndo “a e xistê ncia do orga nismo tota l, do qua l o
home m constitui uma pa rte , por cima do orga nismo individua l” (s.d., p. 73).

De corre de ssa te oria que a pe ssoa jurídica ma nife sta -se me dia nte se us órgã os. Da í e ste s nã o
re pre se nta re m, com significa do de a tua r no luga r e e m nome de outra pe ssoa , ma s de pre se nta re m
a própria pe ssoa . Me ta forica me nte , a mã o que a ssina o a to nã o re pre se nta a pe ssoa , ma s é a
própria pe ssoa . A dire toria que ce le bra contra to nã o re pre se nta a pe ssoa , porque é e sta que a tua
me dia nte o a to da que la . Contudo, a té me smo pe lo fa to do uso corre nte , nunca se che gou a uma
univocida de de se u conte údo. No dire ito a dministra tivo, por e xe mplo, os a utore s se mpre utiliza ra m
o te rmo órgãos com va ria dos significa dos, a í incluindo a s pe ssoa s jurídica s. Como e xe mplo de
a mbiguida de , note -se que a Constituiçã o conside ra órgã os do Pode r Judiciá rio (que nã o é pe ssoa
jurídica ) os tribuna is fe de ra is e e sta dua is, e mbora e ntre e le s nã o ha ja vínculos de subordina çã o.

Vê -se que nã o é ne sse se ntido e strito (de pa rte da pe ssoa jurídica ) que o Esta tuto de fine os
órgã os da OAB, ma s se gundo o mode lo do fe de ra lismo, ou se ja , um ce ntro unifica dor, dividido e m
pa rte s a utônoma s dota da s de compe tê ncia s própria s e priva tiva s. Com e xce çã o da Subse çã o,
a tribuiu a os de ma is órgã os ca pa cida de jurídica , ou se ja , pe rsona lida de jurídica própria , de limita da
pe lo siste ma de vínculos e compe tê ncia s que instituiu.

O que importa , hoje , é muito ma is de finir se se e ncontra dia nte de um ple xo de ca pa cida de s
(dire ito da s pe ssoa s) ou de compe tê ncia s (dire ito a dministra tivo), e se ta l ple xo pode constituir um
e nte com gra us de a utonomia . O e xe mplo má ximo de a utonomia é a pe ssoa jurídica . Ma s nã o
a pe na s e la é dota da de ca pa cida de ; outros e nte s nã o pe rsonifica dos a tê m, como o condomínio de
e difício, a he ra nça ja ce nte , a ma ssa fa lida .

De ntro de sua s compe tê ncia s e spe cífica s, o Conse lho Fe de ra l te m jurisdiçã o e m todo o Pa ís, os
Conse lhos Se cciona is e a s Ca ixa s sobre o te rritório da s re spe ctiva s unida de s fe de ra tiva s, a
Subse çã o (a me nor unida de e strutura l da OAB) sobre a á re a te rritoria l a e la de limita da pe lo
Conse lho Se cciona l (município, pa rte de município, vá rios municípios). No â mbito da compe tê ncia
e spe cífica , um órgã o nã o pode sofre r inte rfe rê ncia do outro, sa lvo no ca so de inte rve nçã o pa rcia l ou
tota l. O a rt. 44 do Esta tuto diz que e ssa pe culia r orga niza çã o é fe de ra tiva , se ndo que a s unida de s
fe de ra da s tive ra m sua s compe tê ncia s priva tiva s re pa rtida s e ntre o Conse lho Se cciona l e a s Ca ixa s
de Assistê ncia . O Conse lho Se cciona l, por e xe mplo, nã o pode e xe rce r a compe tê ncia priva tiva da
Ca ixa de pre sta r a ssistê ncia .

Por toda s e ssa s ra zõe s, sublinhe -se que a re fe rê ncia e xiste nte nos a rts. 44 e 45 à s e spé cie s de
pe rsona lida de jurídica nã o de ve conduzir à inte rpre ta çã o ilógica de oste nta r a OAB dupla
pe rsona lida de jurídica , a sa be r, da Instituiçã o e m si e de se us conse lhos distinta me nte . O Esta tuto
modificou a na ture za da Instituiçã o, pre vista na Le i n. 4.215/63, porque nã o se re fe re ma is à dire toria
da Orde m, e sim à dire toria do Conse lho. O Esta tuto a nte rior disciplina va prime iro a “Dire toria da
Orde m” (Ca pítulo II do Título I), se guindo-se o Conse lho Fe de ra l, e m cujo ca pítulo ha via o pre ce ito
que e nse ja va a dúvida : “A Dire toria do Conse lho Fe de ra l é a me sma da Orde m dos Advoga dos do
Bra sil”.

Há única dire toria : a do Conse lho Fe de ra l ou a do Conse lho Se cciona l. Qua ndo o a rt. 44 do
Esta tuto diz que a OAB é dota da de pe rsona lida de jurídica própria , re me te ne ce ssa ria me nte à
e spe cifica çã o do a rt. 45. A OAB é a instituiçã o (que nã o se confunde com pe ssoa jurídica ), cuja
pe rsona lida de jurídica re ve la -se nos “órgã os” que a compõe m, de signa dos no a rt. 45. Vê -se , pois,
que a re fe rê ncia no caput do a rt. 44 à pe rsona lida de jurídica da OAB é uma me tonímia . Nã o e xiste
uma pe ssoa jurídica OAB, a o la do de outra s pe ssoa s jurídica s, ma s uma instituiçã o organizad a e m
de te rmina da s pe ssoa s jurídica s, que sã o o Conse lho Fe de ra l, os Conse lhos Se cciona is e a s Ca ixa s
de Assistê ncia .

Se gundo o mode lo fe de ra tivo (no ca so, o pa ra digma dos Esta dos-me mbros), os Conse lhos
Se cciona is a tua m e m á re a te rritoria l de limita da , e mbora dota dos de pe rsona lida de jurídica própria .
Nã o sã o inde pe nde nte s, ma s a utônomos, porque se vincula m juridica me nte a o ce ntro (Conse lho
Fe de ra l).

Autonomia , a o contrá rio de inde pe ndê ncia , supõe ne ce ssa ria me nte limite s. É o a utogove rno
de ntro de um e spa ço de limita do. De ntro de sse e spa ço há compe tê ncia s priva tiva s que a pe na s
pode m se r e xe rcida s pe lo Conse lho Fe de ra l, pe los Conse lhos Se cciona is e pe la s Ca ixa s de
Assistê ncia , se m inte rfe rê ncia da s outra s pa rte s a utônoma s (no se ntido do Esta tuto, órgã os).

Porta nto, os órgã os da OAB sã o tipifica dos pe la funçã o instituciona l, pe lo siste ma de vínculos e
pe la distribuiçã o de compe tê ncia s, inde pe nde nte me nte da pe rsona lida de jurídica , nã o se lhe s
a plica ndo o mode lo orga nicista de pe ssoa jurídica , um se ntido e strito.

Dois tipos de órgã os inte gra m e se vincula m a os Conse lhos Se cciona is; um, com pe rsona lida de
jurídica própria , a Ca ixa de Assistê ncia dos Advoga dos; outros, se m pe rsona lida de jurídica própria ,
ma s com compe tê ncia s bá sica s de finida s na le i, a sa be r, a s Subse çõe s, o Tribuna l de Ética e
Disciplina , a Confe rê ncia Esta dua l e o Colé gio de Pre side nte s (e ste s dois últimos, com funçã o
consultiva ). Os se gundos se e nqua dra ria m muito ma is na conce pçã o clá ssica de órgã o da pe ssoa
jurídica .

De ntro de sua s compe tê ncia s e spe cífica s, o Conse lho Fe de ra l te m jurisdiçã o e m todo o Pa ís, os
Conse lhos Se cciona is e a s Ca ixa s sobre o te rritório da s re spe ctiva s unida de s fe de ra tiva s, a
Subse çã o (a me nor unida de e strutura l da OAB) sobre a á re a te rritoria l a e la de limita da pe lo
Conse lho Se cciona l (município, pa rte de município, vá rios municípios).

Na hipóte se de conflito de compe tê ncia , e m ma té ria s e xpre ssa me nte nã o pre vista s, dá -se a
soluçã o pe lo princípio da supre ma cia do órgã o hie ra rquica me nte supe rior sobre o infe rior. Na
situa çã o pe culia r da s Ca ixa s, por se re m dota da s de pe rsona lida de jurídica própria , ha ve ndo conflito
e m ma té ria s que os me mbros do Conse lho Se cciona l, e m sua ma ioria , se ja m dire ta ou
indire ta me nte inte re ssa dos, tra nsfe re -se a o Órgã o Espe cia l do Conse lho Fe de ra l a compe tê ncia
pa ra de cidi-lo, conforme pre vê o Re gula me nto Ge ra l.

PECULIARIDADES DA OAB: IMUNIDADE TRIBUTÁRIA E PUBLICIDADE DOS ATOS

A Le i n. 8.906/94 a tribui imunida de tributá ria tota l a o pa trimônio e à re ce ita da OAB. Embora a
e ntida de nã o inte gre a Administra çã o Pública , como a cima sa lie nta mos, é se rviço público que
e xe rce funçõe s de polícia a dministra tiva por de le ga çã o le ga l. Pa ra e sse fim, a le i e quipa ra a OAB a
a uta rquia (note -se : e quipa ra r nã o é a tribuir na ture za ), e ste nde ndo-lhe o be ne fício da imunida de ,
pre visto no § 2º do a rt. 150 da Constituiçã o. A hipóte se é ve rda de ira me nte de imunida de e nã o de
ise nçã o.

A pe culia r na ture za mista da OAB (e ntida de priva da e pública , ne sse ca so, pa ra a s a tivida de s
e sta ta is de le ga da s) ta mbé m se re fle te na obriga çã o de publicida de de se us a tos, que se dá na
impre nsa oficia l ou, e m fa lta de sta , no Fórum. Ao contrá rio do Esta tuto a nte rior, ne m todos os a tos
ne ce ssita m de publicida de ; a pe na s os conclusivos e te rmina tivos que possa m re pe rcutir e m dire itos
e obriga çõe s de te rce iros. Os de a dministra çã o inte rna ou rotine iros sã o dispe nsa dos de
publicida de .

CONTRIBUIÇÕES OBRIGATÓRIAS

A OAB nã o pa rticipa de re cursos orça me ntá rios públicos. É ma ntida pe los próprios inscritos,
me dia nte o pa ga me nto de contribuiçõe s obriga tória s, multa s e pre ços de se rviços.

Essa s contribuiçõe s nã o tê m na ture za tributá ria , inclusive porque nã o se de stina m a compor a


re ce ita pública .

A Constituiçã o de 1988 nã o re volucionou o tra ta me nto da ma té ria , pois nã o a tribuiu a e ntida de


nã o gove rna me nta l o pode r de fixa r e cobra r pa ra si me sma tributos. O ca rá te r de compulsorie da de
da s a nuida de s, dos pre ços de se rviços que sã o pre sta dos a os a dvoga dos e da s multa s no ca so de
sa nçã o disciplina r nã o conve rte e sse s pa ga me ntos e m tributos, por nã o inte gra re m a re ce ita do
Esta do.

As contribuiçõe s a nua is, os pre ços de se rviços e a s multa s fixa dos ou cobra dos pe la OAB nã o
tê m, por conse quê ncia , a me sma na ture za da s contribuiçõe s socia is pre vista s no a rt. 149 da
Constituiçã o. Esta s e stã o incluída s e ntre os instrume ntos da Uniã o “de sua a tua çã o na s re spe ctiva s
á re a s”, te ndo sido e quipa ra da s a tributos. Supõe , ne ce ssa ria me nte , que componha m a re ce ita do
Esta do, no se ntido a mplo, me smo qua ndo ha ja inte re sse de ca te goria s profissiona is ou e conômica s
(pre vidê ncia , Se sc, Se na i e tc.). Nã o é o ca so da OAB.

O Conse lho Se cciona l é a utônomo pa ra fixa r a s a nuida de s e o modo de se u pa ga me nto,


ca be ndo a o Conse lho Fe de ra l a pe na s modificá -la s de ofício ou me dia nte re pre se nta çã o qua ndo
houve r ile ga lida de ou a busivida de (a rt. 54, VIII, do Esta tuto). O va lor e o modo de pa ga me nto da s
contribuiçõe s a nua is sã o fixa dos pe lo Conse lho Se cciona l do inscrito. É a principa l re ce ita da OAB,
que se de stina nã o só à sua ma nute nçã o, ma s ta mbé m se re ve rte e m be ne fício do próprio inscrito,
porque me ta de da re ce ita líquida de ve se r tra nsfe rida pa ra a Ca ixa de Assistê ncia dos Advoga dos. A
Le i n. 12.514/2011 fixou e m R$ 500,00, re a justá ve is pe lo INPC, o va lor da s a nuida de s de vida s pe los
profissiona is a os “conse lhos profissiona is”, qua ndo “nã o e xistir disposiçã o a re spe ito e m le i
e spe cífica ”. Essa le i nã o se a plica à OAB, nã o só por e ssa re ssa lva , ma s ta mbé m pe la na ture za
pe culia r da Orde m de constituir se rviço público inde pe nde nte , se m na ture za de a uta rquia vincula da
à a dministra çã o pública , dife re nte me nte dos conse lhos profissiona is, a lé m de a Le i n. 8.906/94 se r
le i e spe cia l, ne ssa ma té ria , e m fa ce da Le i n. 12.514.

Alé m da s a nuida de s, a s contribuiçõe s, a s multa s e os pre ços de se rviços se rã o fixa dos pe lo


Conse lho Se cciona l, de ve ndo se us va lore s se r comunica dos a o Conse lho Fe de ra l a té o dia 30 de
nove mbro do a no a nte rior, sa lvo e m a no e le itora l, qua ndo se rã o de te rmina da s e comunica da s a o
Conse lho Fe de ra l a té o dia 31 de ja ne iro do a no da posse , pode ndo se r e sta be le cidos pa ga me ntos
e m cota s pe riódica s (a rt. 55, § 1º, do Re gula me nto Ge ra l).

O Conse lho Se cciona l pode re voga r re soluçã o da ge stã o a nte rior que fixou a nuida de , de vida
pe los a dvoga dos, pa ra o a no se guinte , a nte a ne ce ssida de de via biliza r fina nce ira me nte a
a dministra çã o da e ntida de , ine xistindo viola çã o a dire ito a dquirido (CFOAB, Proc. 55/95 OE).

As multa s de corre m de sa nçõe s disciplina re s a ce ssória s, e m fa ce de circunstâ ncia s a gra va nte s,


e sã o fixa da s na de cisã o conde na tória .

Os pre ços de se rviços corre sponde m à re mune ra çã o de se rviços pre sta dos pe la OAB no
inte re sse pe ssoa l de que m os utiliza , e sã o fixa dos pre via me nte pa ra ca da tipo, a e xe mplo do
forne cime nto de ce rtidõe s, cursos, re progra fia s, inscriçõe s pa ra Exa me de Orde m.

Ao contrá rio do que ocorre com a Administra çã o Pública , a OAB nã o se gue o proce dime nto de
forma çã o da dívida a tiva . Ba sta a ce rtidã o pa ssa da pe la Dire toria pa ra constituir título e xe cutivo
e xtra judicia l. A ce rtidã o nã o ne ce ssita da a ssina tura de todos os dire tore s, ma s a pe na s do
Te soure iro, sa lvo disposiçã o e xpre ssa no Re gime nto Inte rno do Conse lho Se cciona l.

A cobra nça é comum (título e xe cutivo e xtra judicia l), se guindo o rito proce ssua l próprio e nã o o
da e xe cuçã o fisca l. De cidiu a Prime ira Se çã o do STJ (EREsp 462.273) que a s cobra nça s da s a nuida de s
da OAB de ve m se r julga da s e proce ssa da s pe la justiça e sta dua l, contra ria ndo de cisã o da Prime ira
Turma do tribuna l que concluiu pe la compe tê ncia da Justiça Fe de ra l. Funda me ntou-se o tribuna l no
fa to de que a s contribuiçõe s obriga tória s na OAB nã o tê m na ture za tributá ria e nã o se de stina m a
compor a re ce ita pública , o que a fa sta a incidê ncia da Le i n. 6.830/80.

O Esta tuto ma nte ve a re gra a nte rior de ise nçã o de pa ga me nto obriga tório da contribuiçã o
sindica l. Pa re ce -nos inócua , uma ve z que a a ssocia çã o sindica l é livre (a rt. 8º da Constituiçã o). Os
a dvoga dos que livre me nte se sindica liza re m e stã o subme tidos a o pa ga me nto da s contribuiçõe s
corre sponde nte s a os re spe ctivos sindica tos, a lé m da s contribuiçõe s obriga tória s à OAB, que tê m
fina lida de dive rsa .

A pre scriçã o da pre te nsã o de cobra nça da s contribuiçõe s ta nto dos a dvoga dos qua nto da s
tra nsfe rê ncia s de vida s a o Conse lho Fe de ra l re ca i no pra zo ge ra l (de z a nos, de a cordo com o a rt. 205
do Código Civil), conta do do início de sua e xigibilida de . Assim de cidira m a s Câ ma ra s Re unida s do
CFOAB no Proce sso n. CR 20/94). Toda via , e ssa orie nta çã o foi modifica da pe lo Conse lho Ple no
(Proposiçã o n. 0055/2003/COP), re la tiva me nte à s contribuiçõe s obriga tória s dos inscritos, pois
e nte nde u de a plica r o pra zo de cinco a nos, pre visto no a rt. 206, § 5º, I, do Código Civil, te ma
pa cifica do pe la Consulta n. 2011.27.02632-03/OEP. Essa , ta mbé m, é a orie nta çã o do STJ (REsp
1.267.721). O pra zo de ve se r conta do da da ta e m que foi la vra da a ce rtidã o da dívida pa ssa da pe lo
Conse lho Se cciona l.

O Provime nto n. 111/2006 do CFOAB, a pós flutua çõe s de e nte ndime ntos, e sta be le ce u a s
hipóte se s e m que o a dvoga do fica de sobriga do do pa ga me nto de a nuida de s, contribuiçõe s, multa s e
pre ços de se rviços de vidos à OAB, a sa be r:

I — e ste ja inscrito e te nha contribuído pa ra a OAB dura nte qua re nta e cinco a nos ou ma is;

II — te nha comple ta do 70 a nos de ida de e , cumula tiva me nte , trinta a nos de contribuiçã o
(Provime nto n. 137/2009) contínuos ou nã o;

III — se ja porta dor de ne ce ssida de s e spe cia is por ine xistê ncia de me mbros supe riore s ou
infe riore s, ou a bsoluta disfunçã o de ste s, de sde que isso o ina bilite pa ra o e xe rcício da profissã o;
IV — se ja priva do de visã o e m a mbos os olhos, de sde que isso o ina bilite pa ra o e xe rcício da
profissã o;

V — sofra de ficiê ncia me nta l ina bilita dora .

O Provime nto n. 137/2009 a sse gurou a os a dvoga dos be ne ficiá rios, a pe sa r de de sobriga dos do
pa ga me nto da s a nuida de s, o a ce sso a os se rviços pre sta dos pe la OAB, pe la Ca ixa de Assistê ncia e
pe la Escola Supe rior de Advoca cia .

O Re gula me nto Ge ra l (a rt. 56) fixou a divisã o obriga tória de se sse nta por ce nto da s re ce ita s da s
a nuida de s a rre ca da da s pe lo Conse lho Se cciona l da se guinte forma :

I — de z por ce nto pa ra o Conse lho Fe de ra l;

II — trê s por ce nto pa ra o Fundo Cultura l, a dministra do pe la Escola Supe rior de Advoca cia do
Conse lho Se cciona l, me dia nte de libe ra çã o da Dire toria de ste ;

III — dois por ce nto pa ra o Fundo de Inte gra çã o e De se nvolvime nto Assiste ncia l dos Advoga dos
— FIDA, re gula me nta do e m Provime nto do Conse lho Fe de ra l, e a dministra do por um Conse lho
Ge stor de signa do pe la Dire toria do Conse lho Fe de ra l;

IV — qua re nta e cinco por ce nto pa ra a s de spe sa s a dministra tiva s e ma nute nçã o do Conse lho
Se cciona l e da s re spe ctiva s Subse çõe s.

Me ta de dos qua re nta por ce nto re sta nte s da a rre ca da çã o da s a nuida de s, e a tota lida de da s
multa s, dos pre ços de se rviços e de outra s forma s de re ce ita s sã o livre me nte a propria da s e
de stina da s pe lo Conse lho Se cciona l re spe ctivo. Vinte por ce nto da s a nuida de s sã o de stina dos à
Ca ixa de Assistê ncia dos Advoga dos vincula da a o Conse lho Se cciona l.

CARGOS DOS MEMBROS DE ÓRGÃOS DA OAB

Os ca rgos de me mbros de órgã os da OAB sã o de e xe rcício gra tuito e obriga tório. A re gra a nte s
e sta be le cida pa ra os conse lhe iros da OAB e dirige nte s de Subse çõe s e xpa ndiu-se pa ra os me mbros
da dire toria da s Ca ixa s de Assistê ncia .

A obriga torie da de é re la ciona da a o e xe rcício do ca rgo e nã o à sua inve stidura , porque e sta
de pe nde de e le içã o e libe rda de de ca ndida tura .

O e xe rcício de sse múnus de sinte re ssa do é conside ra do pe la le i como se rviço público re le va nte .
Nã o é e quipa ra do, contudo, a o de se rvidor público e m se ntido e strito, ne m se vincula a o re spe ctivo
re gime jurídico único. Se o a dvoga do for ta mbé m se rvidor público, o e xe rcício e fe tivo e proficie nte
do ca rgo de dire tor ou de conse lhe iro de órgã os da OAB a prove ita pa ra e fe ito de conta ge m de te mpo
de se rviço com fina lida de de a pose nta doria ou disponibilida de , de sde que nã o se ja cumula tivo.
PRESIDENTE DA OAB. LEGITIMIDADE PARA AGIR

O pre side nte da OAB é o líde r dos a dvoga dos. O pre side nte do Conse lho Fe de ra l, ta mbé m
de nomina do pre side nte na ciona l da OAB, é um órgã o singula r, na me dida e m que o se u titula r é
a pe na s um indivíduo. Na tra diçã o fra nce sa , a de nomina çã o bâtonnier (ba stoná rio, e m portuguê s),
a inda la rga me nte utiliza da , a pa re ce u pe la prime ira ve z no sé culo XIV, e m virtude de o che fe da
Orde m dos Advoga dos se r o prior da Confra ria de Sã o Nicola u (pa trono dos a dvoga dos), incumbindo-
lhe porta r o ba stã o (bâton) da confra ria na s procissõe s (Ha me lin; Da mie n, 1975, p. 167).

Os pre side nte s da OAB (do Conse lho Fe de ra l, dos Conse lhos Se cciona is e Subse çõe s) tê m
le gitimida de pa ra a gir e m de fe sa dos princípios e sta be le cidos no Esta tuto, da a dvoca cia e m ge ra l e
dos a dvoga dos individua lme nte qua ndo viola dos se us dire itos e pre rroga tiva s profissiona is por
qua lque r pe ssoa ou a utorida de . Essa re gra nã o a bra nge o pre side nte da Ca ixa de Assistê ncia .

A le gitimida de ad causam é ta nto a tiva qua nto pa ssiva .

Na de fe sa dos inte re sse s da a dvoca cia pode m ingre ssa r com qua lque r tipo de a çã o, na
qua lida de de pre side nte s da OAB.

No ca so de ma nda do de se gura nça cole tivo (a rt. 5º, LXX, da Constituiçã o), e m virtude de ssa
pe culia r le gitimida de que lhe é outorga da por le i, nã o há ne ce ssida de de a utoriza çã o e xpre ssa dos
a dvoga dos inscritos.

O pre side nte pode inte rvir, a qua lque r título, inclusive como a ssiste nte , e m inqué ritos policia is
e a dministra tivos ou e m proce sso civil ou pe na l, qua ndo o a dvoga do se ja indicia do, a cusa do ou
ofe ndido. A inte rve nçã o se rá se mpre ne ce ssá ria qua ndo a imputa çã o a tribuída a a dvoga do tive r
re la çã o com sua a tivida de profissiona l.

A le gitimida de e xtra judicia l é e xpa ndida pa ra a tribuir a o pre side nte da OAB a utorida de pública ,
com pode r de re quisiçã o de docume ntos a qua lque r órgã o dos Pode re s Le gisla tivo, Judiciá rio e
Exe cutivo, e a e ntida de s da Administra çã o indire ta (a uta rquia s, e mpre sa s pública s e de e conomia
mista ), se mpre que ha ja ne ce ssida de pa ra de fe sa dos dire itos e pre rroga tiva s da profissã o. Na ADI
1.127-8, o STF de cidiu pe la constituciona lida de do a rt. 50, ma s confe riu inte rpre ta çã o conforme a
Constituiçã o no se ntido de compre e nde r a e xpre ssã o “re quisita r ” como de pe nde nte de motiva çã o,
compa tibiliza çã o com a s fina lida de s do Esta tuto e a te ndime nto dos custos da re quisiçã o,
re ssa lva dos os docume ntos cobe rtos pe lo sigilo.

A ma té ria ta mbé m e stá re gula da no Re gula me nto Ge ra l. Qua ndo o fa to imputa do a a dvoga do
de corre r do e xe rcício da profissã o ou e m ra zã o de sse e xe rcício, o pre side nte inte gra a de fe sa , como
a ssiste nte , no proce sso ou no inqué rito. Qua ndo o a to configura r a buso de a utorida de , inclusive de
ma gistra do, configura ndo-se a te nta do à ga ra ntia le ga l de e xe rcício profissiona l, ca be a o pre side nte
promove r a re pre se nta çã o contra o re sponsá ve l, na forma da Le i n. 4.898/65.
CONSELHO FEDERAL DA OAB

CAPÍTULO II

DO CONSELHO FEDERAL

Art. 51. O Conselho Federal compõe-se:

I — dos conselheiros federais, integrantes das delegações de cada unidade federativa;

II — dos seus ex-presidentes, na qualidade de membros honorários vitalícios.

§ 1º Cada delegação é formada por três conselheiros federais.

§ 2º Os ex-presidentes têm direito apenas a voz nas sessões.

Art. 52. Os presidentes dos Conselhos Seccionais, nas sessões do Conselho Federal, têm lugar
reservado junto à delegação respectiva e direito somente a voz.

Art. 53. O Conselho Federal tem sua estrutura e funcionamento definidos no Regulamento Geral
da OAB.

§ 1º O Presidente, nas deliberações do Conselho, tem apenas o voto de qualidade.

§ 2º O voto é tomado por delegação, e não pode ser exercido nas matérias de interesse da
unidade que represente.

§ 3º Na eleição para a escolha da Diretoria do Conselho Federal, cada membro da delegação terá
direito a 1 (um) voto, vedado aos membros honorários vitalícios. (NR)

• § 3º acrescentado pelo art. 1º da Lei n. 11.179/2005.

Art. 54. Compete ao Conselho Federal:

I — dar cumprimento efetivo às finalidades da OAB;

II — representar, em juízo ou fora dele, os interesses coletivos ou individuais dos advogados;

III — velar pela dignidade, independência, prerrogativas e valorização da advocacia;

IV — representar, com exclusividade, os advogados brasileiros nos órgãos e eventos


internacionais da advocacia;

V — editar e alterar o Regulamento Geral, o Código de Ética e Disciplina, e os Provimentos que


julgar necessários;

VI — adotar medidas para assegurar o regular funcionamento dos Conselhos Seccionais;


VII — intervir nos Conselhos Seccionais, onde e quando constatar grave violação desta Lei ou
do Regulamento Geral;

VIII — cassar ou modificar, de ofício ou mediante representação, qualquer ato, de órgão ou


autoridade da OAB, contrário a esta Lei, ao Regulamento Geral, ao Código de Ética e Disciplina, e
aos Provimentos, ouvida a autoridade ou o órgão em causa;

IX — julgar, em grau de recurso, as questões decididas pelos Conselhos Seccionais, nos casos
previstos neste Estatuto e no Regulamento Geral;

X — dispor sobre a identificação dos inscritos na OAB e sobre os respectivos símbolos


privativos;

XI — apreciar o relatório anual e deliberar sobre o balanço e as contas de sua diretoria;

XII — homologar ou mandar suprir relatório anual, o balanço e as contas dos Conselhos
Seccionais;

XIII — elaborar as listas constitucionalmente previstas, para o preenchimento dos cargos nos
tribunais judiciários de âmbito nacional ou interestadual, com advogados que estejam em pleno
exercício da profissão, vedada a inclusão de nome de membro do próprio Conselho ou de outro
órgão da OAB;

XIV — ajuizar ação direta de inconstitucionalidade de normas legais e atos normativos, ação
civil pública, mandado de segurança coletivo, mandado de injunção e demais ações cuja legitimação
lhe seja outorgada por lei;

XV — colaborar com o aperfeiçoamento dos cursos jurídicos, e opinar, previamente, nos


pedidos apresentados aos órgãos competentes para criação, reconhecimento ou credenciamento
desses cursos;

XVI — autorizar, pela maioria absoluta das delegações, a oneração ou alienação de seus bens
imóveis;

XVII — participar de concursos públicos, nos casos previstos na Constituição e na lei, em todas
as suas fases, quando tiverem abrangência nacional ou interestadual;

XVIII — resolver os casos omissos neste Estatuto.

Parágrafo único. A intervenção referida no inciso VII deste artigo depende de prévia aprovação
por dois terços das delegações, garantido o amplo direito de defesa do Conselho Seccional
respectivo, nomeando-se diretoria provisória para o prazo que se fixar.

Art. 55. A diretoria do Conselho Federal é composta de um Presidente, de um Vice-Presidente,


de um Secretário-Geral, de um Secretário-Geral Adjunto e de um Tesoureiro.
§ 1º O Presidente exerce a representação nacional e internacional da OAB, competindo-lhe
convocar o Conselho Federal, presidi-lo, representá-lo ativa e passivamente, em juízo ou fora dele,
promover-lhe a administração patrimonial e dar execução às suas decisões.

§ 2º O Regulamento Geral define as atribuições dos membros da Diretoria e a ordem de


substituição em caso de vacância, licença, falta ou impedimento.

§ 3º Nas deliberações do Conselho Federal, os membros da diretoria votam como membros de


suas delegações, cabendo ao Presidente, apenas, o voto de qualidade e o direito de embargar a
decisão, se esta não for unânime.

CO MENTÁRIO S

COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA DO CONSELHO FEDERAL

A composiçã o bá sica do Conse lho Fe de ra l corre sponde a trê s ve ze s o núme ro de unida de s


fe de ra tiva s (Esta dos-me mbros, Distrito Fe de ra l e Te rritórios) e ma is o pre side nte na ciona l. Após a
Constituiçã o de 1988, o Conse lho Fe de ra l pa ssou a conta r com 81 conse lhe iros, conside ra ndo 27
unida de s fe de ra tiva s, a lé m do pre side nte .

A de le ga çã o de ca da unida de fe de ra tiva é inte gra da por trê s conse lhe iros fe de ra is e le itos
dire ta me nte e m conjunto com o Conse lho Se cciona l, cumprindo ma nda to de trê s a nos. Ve r os
come ntá rios a os a rts. 63 a 67. O Esta tuto pre vê a possibilida de de se re m e le itos suple nte s de
conse lhe iros fe de ra is de ca da de le ga çã o. Os suple nte s tê m dire ito a o e xe rcício do ma nda to no ca so
de a fa sta me nto, te mporá rio ou de finitivo, do titula r, obse rva da a pre ce dê ncia de finida pe lo Conse lho
Fe de ra l, cuja compe tê ncia é priva tiva , ne ssa ma té ria , ou se ja , nã o pode o Conse lho Se cciona l
e xe rcê -la (Proc. 4.285/97/COP).

Ta mbé m inte gra m o Conse lho Fe de ra l se us e x-Pre side nte s, e mpossa dos a nte s de 4 de julho de
1994, com pode r de voto e quiva le nte a o de ca da de le ga çã o, e xce to pa ra e le içã o dos me mbros da
Dire toria do Conse lho Fe de ra l, por força da Le i n. 11.767/2008. Ta mbé m inte gra m o Conse lho
Fe de ra l, com dire ito a voz, ma s se m dire ito a voto, os e x-Pre side nte s e mpossa dos a pós 4 de julho de
1994. Todos a ssume m a qua lida de de me mbros honorá rios vita lícios, nã o a pe na s como home na ge m
da cla sse a os se us dirige nte s má ximos, ma s porque a história da OAB de monstrou que é oportuna
sua pa la vra de e xpe riê ncia pa ra toma da de posiçã o da e ntida de , sobre tudo e m ma té ria
instituciona l. A e xpre ssã o “me mbro honorá rio vita lício”, contida na le i, indica qua lida de e nã o
de nomina çã o. Os e x-Pre side nte s sã o conse lhe iros. O Ple ná rio do CFOAB, por ma ioria de votos,
de cidiu, (Re pre se nta çã o 03/2006/COP) que o e x-Pre side nte , oriundo da ma gistra tura pe lo quinto
constituciona l que re torna r à a dvoca cia por motivo de a pose nta doria , a ssume a qua lida de de
me mbro honorá rio vita lício, se m dire ito a voto.

O dire ito de voz foi ta mbé m a sse gura do a os pre side nte s dos Conse lhos Se cciona is, qua ndo se
fize re m pre se nte s à s se ssõe s do Conse lho Fe de ra l, se m a qua lida de de Conse lhe iro e ma ntido o
voto da re spe ctiva de le ga çã o.

Re sponde ndo a consulta , e nte nde u o Órgã o Espe cia l do CFOAB (Consulta n. 2007.27.01001-01)
que a nome a çã o pa ra ca rgo público de missíve l ad nutum , implica ndo o lice ncia me nto profissiona l
do inscrito, nos te rmos do a rt. 12, ou o ca nce la me nto de inscriçã o, nos te rmos do a rt. 11, a mbos do
Esta tuto, te m o condã o de fa ze r e xtinguir, a utoma tica me nte e a nte s do se u té rmino, o ma nda to que o
nome a do e xe rça no â mbito da OAB, se ja na condiçã o de Conse lhe iro, se ja como dirige nte de órgã o
da OAB.

Ao contrá rio do a nte rior, o Esta tuto nã o re gula me nta a e strutura e funciona me nto do Conse lho,
ou se ja , sua divisã o e m Câ ma ra s, Comissõe s, a compe tê ncia de sse s órgã os inte rnos, da dire toria
e m conjunto e dos dire tore s individua lme nte . Essa ma té ria , a nte s distribuída e ntre o Esta tuto e o
Re gime nto Inte rno, pa ssou pa ra o Re gula me nto Ge ra l e dita do pe lo Conse lho Fe de ra l.

O Re gula me nto Ge ra l fixou a e strutura do Conse lho Fe de ra l me dia nte os se guinte s órgã os:
Conse lho Ple no, Órgã o Espe cia l, Prime ira , Se gunda e Te rce ira Câ ma ra s, Dire toria e Pre side nte ,
de finindo sua s compe tê ncia s e spe cífica s. De modo ge ra l, coube a o Conse lho Ple no, inte gra do por
todos os conse lhe iros fe de ra is, de libe ra r sobre a s ma té ria s de ca rá te r instituciona l, o a juiza me nto
de a çõe s cole tiva s, a fixa çã o de dire trize s pa ra a cla sse , a toma da de posiçã o e m nome dos
a dvoga dos bra sile iros, a a prova çã o de te xtos norma tivos. O Órgã o Espe cia l é a última instâ ncia
re cursa l e de consulta . As Câ ma ra s a pre cia m ma té ria s e re cursos de a cordo com os a ssuntos e m
que fora m distribuídos: pa ra a Prime ira Câ ma ra , dire itos, pre rroga tiva s, se le çã o, fisca liza çã o; pa ra a
Se gunda Câ ma ra , é tica e disciplina ; pa ra a Te rce ira Câ ma ra , controle fina nce iro, e le içõe s e de ma is
que stõe s. A Se gunda Câ ma ra foi dividida e m trê s turma s. Na s fa lta s e impe dime ntos do Pre side nte
da Câ ma ra , e ste é substituído pe lo Conse lhe iro ma is a ntigo (Eme nta 07/2007/OEP). A dire toria ,
cole tiva me nte , de libe ra sobre ce rta s ma té ria s e xe cutiva s e de a dministra çã o que ultra pa ssa m a
compe tê ncia e spe cífica de ca da dire tor.

As comissõe s pe rma ne nte s fora m de finida s pe lo Provime nto n. 115/2007, compe tindo-lhe s: I —
a sse ssora r o Conse lho Fe de ra l e a Dire toria no e nca minha me nto da s ma té ria s de sua s
compe tê ncia s; II — e la bora r tra ba lhos e scritos e pa re ce re s, promove r pe squisa s e e ve ntos que
e stimule m o e studo, a discussã o e a de fe sa de te ma s a fe tos à s sua s á re a s de a tua çã o; III —
me dia nte a utoriza çã o da Dire toria do Conse lho Fe de ra l, coope ra r e promove r inte rcâ mbio com
orga niza çõe s de obje tivos igua is ou a sse me lha dos; IV — cria r e ma nte r a tua liza do ce ntro de
docume nta çã o re la tivo à s sua s fina lida de s; V — orie nta r os tra ba lhos da s comissõe s congê ne re s
cria da s nos Conse lhos Se cciona is e Subse çõe s; VI — e xpe dir instruçõe s norma tiva s, e sta be le ce ndo
crité rios de orde m té cnica , nos limite s da s sua s á re a s de a tua çã o, ad referend um da Dire toria do
Conse lho Fe de ra l.

VOTO E QUORUM

O voto é por de le ga çã o e nã o individua l. Em ca so de dive rgê ncia e ntre os me mbros da


de le ga çã o pre va le ce o voto da ma ioria ; e sta ndo pre se nte s a pe na s dois me mbros e ha ve ndo
dive rgê ncia , o voto é inva lida do.

O Pre side nte e xe rce a pe na s o voto unipe ssoa l de qua lida de , porque nã o inte gra qua lque r
de le ga çã o; é pre side nte na ciona l, de sliga ndo-se de sua orige m fe de ra tiva . Os de ma is dire tore s (vice -
pre side nte , se cre tá rio-ge ra l, se cre tá rio-ge ra l a djunto e te soure iro) vota m e m conjunto com sua s
de le ga çõe s.

Alé m do voto de qua lida de , o pre side nte é le gitima do pa ra um e spe cia l re curso: o de e mba rga r
a de cisã o, qua ndo nã o for unâ nime , obriga ndo o Conse lho a re a pre cia r a ma té ria , e m outra se ssã o.

O Conse lho Fe de ra l, e m todos os se us órgã os, de libe ra com a pre se nça da ma ioria a bsoluta
da s de le ga çõe s (me ta de ma is uma ), re toma ndo-se o princípio comum. Nã o se inclue m no cômputo
do q uorum mínimo os e x-Pre side nte s, com ou se m dire ito a voto, ne m os que tê m a pe na s dire ito a
voz.

O q uorum e spe cia l de dois te rços da s de le ga çõe s a pe na s é e xigíve l pe lo Esta tuto no ca so de


inte rve nçã o nos Conse lhos Se cciona is (a rt. 54, pa rá gra fo único) e de e diçã o ou re forma do
Re gula me nto Ge ra l, do Código de Ética e Disciplina e dos Provime ntos (a rt. 78 do Re gula me nto
Ge ra l). Ne ssa s ma té ria s nã o pode m vota r os e x-Pre side nte s do Conse lho Fe de ra l, incluindo os que
fora m e mpossa dos a nte s de 4 de julho de 1994.

COMPETÊNCIAS DO CONSELHO FEDERAL

As compe tê ncia s do Conse lho Fe de ra l sã o indica da s e m uma e nume ra çã o a be rta , porque nã o


e sgota m toda s a s hipóte se s. Ne m toda s sã o priva tiva s, porque a lguma s os Conse lhos Se cciona is e
a té me smo a s Subse çõe s a s e xe cuta m, no â mbito de sua s jurisdiçõe s e gua rda da s a s de vida s
a da pta çõe s. Os incisos I a III do a rt. 54 sã o comuns a o Conse lho Fe de ra l e a os Conse lhos Se cciona is
e Subse çõe s. Os incisos VI, VII, VIII e IX a plica m-se , no que coube re m, a os Conse lhos Se cciona is,
com re la çã o à s sua s Subse çõe s. O inciso XIV configura compe tê ncia concorre nte dos Conse lhos
Se cciona is. O inciso XVI ta mbé m se a plica a os Conse lhos Se cciona is, qua nto a se us re spe ctivos
be ns imóve is.

Re ssa lta da s compe tê ncia s do Conse lho Fe de ra l que sua funçã o é de ha rmoniza çã o, de
coorde na çã o ge ra l, de instâ ncia re cursa l fina l e , sobre tudo, de fixa çã o de dire trize s e política s
ge ra is, vincula ndo todos os de ma is órgã os da OAB. A ta re fa e xe cutiva , e m gra nde me dida , compe te
a os Conse lhos Se cciona is e a sua s Subse çõe s e à s Ca ixa s de Assistê ncia .

Pa sse mos a come nta r os tipos de compe tê ncia do Conse lho Fe de ra l, ma nte ndo a orde m do a rt.
54:

Cumprimento das finalidades da OAB

O prime iro impõe o cumprime nto e fe tivo da s fina lida de s da OAB, ta nto a s instituciona is qua nto
a s corpora tiva s. Re me te mos o le itor a os come ntá rios a e la s de stina dos a cima .

O de ve r de cumprime nto impe de que o Conse lho e xclua a lguma s e m de trime nto de outra s.

Representação dos advogados

O se gundo e xplicita o pode r ge né rico de re pre se nta çã o dos a dvoga dos bra sile iros pe lo
Conse lho Fe de ra l, e m juízo ou fora de le . Essa re pre se nta çã o é le ga l; inde pe nde de ma nda to ou
a utoriza çã o pré vios dos re pre se nta dos.

Qua ndo o Conse lho Fe de ra l se ma nife sta , e m ma té ria s corpora tiva s ou instituciona is,
ma nife sta m-se os a dvoga dos bra sile iros, e m se u conjunto. Da me sma forma , e m sua s jurisdiçõe s, os
Conse lhos Se cciona is e a s Subse çõe s.

As ma nife sta çõe s e re pre se nta çõe s dos órgã os supe riore s vincula m os infe riore s, nã o pode ndo
e ste s contra dita r a que le s.

A re pre se nta çã o é se mpre no inte re sse da profissã o. O Esta tuto re fe re -se à re pre se nta çã o
individua l. Ta mbé m ne sse ca so é limita da à de fe sa do a dvoga do a tingido no e xe rcício de sua
profissã o, me smo e m de corrê ncia de a tos pe ssoa is. No ca so de re pre se nta çã o individua l, a a çã o do
Conse lho é suple tiva dos Conse lhos Se cciona is e a pe na s qua ndo houve r gra ve re pe rcussã o na ciona l
e m pre juízo da a dvoca cia .

Sobre a promoçã o de a çõe s cole tiva s ve ja -se o come ntá rio a o inciso XIV.

Defesa das prerrogativas da profissão

Compe te à OAB ve la r pe la dignida de , inde pe ndê ncia , pre rroga tiva s e va loriza çã o da a dvoca cia .
Ve la r é e sta r vigila nte , ma s, a o me smo te mpo, é a gir e m sua de fe sa . Sobre inde pe ndê ncia da
a dvoca cia , re me te mos os le itore s a os come ntá rios à a tivida de de a dvoca cia e à é tica do a dvoga do.
Sobre pre rroga tiva s, ve ja m-se os come ntá rios a os dire itos do a dvoga do.

A re fe rê ncia à va loriza çã o me re ce um come ntá rio de sta ca do, porque , a nte s de se r uma a titude
de de fe sa , constitui um ma nda me nto promociona l. Ca be à OAB promove r a va loriza çã o da
a dvoca cia , pe ra nte a cla sse e pe ra nte a comunida de , e m todos os se ntidos: é tico, té cnico,
profissiona l, instituciona l.

O CFOAB de cidiu por una nimida de que nã o ca be de fe sa da dignida de da profissã o de


a dvoga do, qua ndo sua ima ge m é de ne grida e de forma da e m nove la s de te le visã o, porque a obra de
ficçã o e o dire ito de crítica e stã o a sse gura dos na Constituiçã o. Em ca so de ofe nsa individua l, o
a tingido proce de rá de a cordo com a le gisla çã o vige nte (Proc. 3.559/91/CP).

Representação internacional

A re pre se nta çã o dos a dvoga dos bra sile iros e m e ve ntos inte rna ciona is ou no e xte rior é e xclusiva
do Conse lho Fe de ra l. Nã o pode m os Conse lhos Se cciona is ou outra s e ntida de s de a dvoga dos
re pre se nta r o conjunto dos a dvoga dos bra sile iros, sa lvo se fore m cre de ncia dos pe lo Conse lho
Fe de ra l.

A a ssocia çã o da OAB é a pe na s possíve l à orga niza çã o inte rna ciona l que congre gue e ntida de s
na ciona is de a dvoga dos, pode ndo a pe na s pa rticipa r de e ve ntos ou e ntida de s inte rna ciona is que
a bra nja m outra s profissõe s jurídica s (CFOAB, Proc. 3.616/91/CP).

Dive rsa s e ntida de s inte rna ciona is congre ga m a dvoga dos. Excluindo-se a s que se volta m pa ra
de te rmina da s e spe cia liza çõe s, pode m se r re fe rida s: a UIA — Uniã o Inte rna ciona l dos Advoga dos
(Union Internationale d es Avocats), com se de e m Pa ris, funda da e m 1924, constituída de me mbros
individua is e cole tivos, se ndo ma is de 200 colé gios e orde ns de a dvoga dos, inclusive a OAB; a IBA —
International Bar Association, funda da e m 1947 e m Nova York, inte gra da por a dvoga dos, socie da de s de
a dvoga dos e a ssocia çõe s de a dvoga dos; FIA/IABA — Fe de ra çã o Inte ra me rica na de Advoga dos, com
se de e m Wa shington, composta de me mbros individua is e cole tivos, inclusive a OAB.

Legislação regulamentar e complementar do Estatuto

O Esta tuto nã o e sgota toda s a s ma té ria s re la tiva s à OAB e a os a dvoga dos. O le gisla dor optou
por uma le i concisa , cuida ndo e xclusiva me nte dos te ma s contidos no que se conside ra re se rva le ga l.
Tudo o ma is que te nha na ture za re gula me nta r, e nã o e nvolva cria çã o, modifica çã o ou e xtinçã o de
dire itos e obriga çõe s, foi re me tido à comple me nta çã o norma tiva do Re gula me nto Ge ra l, do Código
de Ética e Disciplina e dos Provime ntos, todos e dita dos pe lo Conse lho Fe de ra l, por força de
de le ga çã o da le i.

O Re gula me nto Ge ra l é o diploma a bra nge nte dos proce dime ntos, e strutura orga niza ciona l e
a tribuiçõe s dos órgã os inte rnos, e de toda s a s ma té ria s que se ja m susce tíve is à s muda nça s do
te mpo e da s ne ce ssida de s que se impuse re m. Os Provime ntos cuida m de te ma s e spe cíficos que
pode m se r de sta ca dos do Re gula me nto Ge ra l. Sobre o Código de Ética e Disciplina re me te mos o
le itor a os come ntá rios a o ca pítulo da é tica do a dvoga do. Essa s norma s sã o coge nte s e obriga m a
todos os órgã os e inscritos da OAB.

Sobre a le gitimida de da OAB e m e dita r o Re gula me nto Ge ra l, ve r os come ntá rios a o a rt. 78.

Intervenção parcial

O Conse lho Fe de ra l pode a dota r a s me dida s pre ve ntiva s e corre tiva s que julga r ne ce ssá ria s
pa ra a sse gura r o funciona me nto dos Conse lhos Se cciona is. É um modo pa rcia l e loca liza do de
inte rve nçã o, se m os rigore s da inte rve nçã o comple ta , porque nã o implica o a fa sta me nto de se us
dirige nte s. Assim, de cidiu o CFOAB pe la inte rve nçã o pa rcia l com fito de torna r ine fica z porta ria de
Pre sidê ncia de Conse lho Se cciona l, que nome a va a dvoga da pa ra re a liza çã o de ta re fa s a dstrita s à
dire toria de Subse çã o (Eme nta n. 061/2012/COP).

Se a s me dida s que a dota r fore m de scumprida s, a inte rve nçã o se rá e fe tiva da inte gra lme nte .
Essa s providê ncia s pode m se r mínima s e pouco tra umá tica s, como na hipóte se de e nvio de
obse rva dore s ou a uditore s. Ca be a os Conse lhos Se cciona is pre sta r toda a cola bora çã o ne ce ssá ria
pa ra que possa m cumprir sua s missõe s.

Intervenção completa

A inte rve nçã o comple ta da r-se -á nos ca sos de e xtre ma gra vida de , qua ndo ocorre re m cla ra s e
fla gra nte s viola çõe s a o Esta tuto e à le gisla çã o re gula me nta r, ou qua ndo a s de te rmina çõe s do
Conse lho Fe de ra l fore m siste ma tica me nte de scumprida s ou de sa fia da s, ou a inda qua ndo a e ntida de
loca l e stive r e m situa çã o de gra ve pe rigo pa ra a instituiçã o.

A inte rve nçã o, por sua s conse quê ncia s tra umá tica s a o siste ma fe de ra tivo e de a utonomia dos
Conse lhos Se cciona is, de ve se r de cidida me dia nte q uorum e spe cia l de dois te rços da s de le ga çõe s,
com fixa çã o de pra zo de te rmina do, que pode se r prorroga do. A de cisã o só pode rá se r toma da a pós
ouvido o Conse lho Se cciona l, que pode rá a pre se nta r de fe sa e prova s que a a fa ste m. Ne sse se ntido,
de cidiu o Conse lho Ple no do CFOAB, no Proce sso n. 4.322/98/COP, de cuja e me nta sã o e xtra ídos os
se guinte s e nuncia dos: “Na ture za e xce pciona l do re mé dio a se r utiliza do, e xclusiva me nte , qua ndo
cla ra , a lé m de qua lque r dúvida , a infringê ncia a o Esta tuto ou a o Re gula me nto Ge ra l. Pre va lê ncia do
princípio da a utonomia da s Se cciona is”.

De cidida a inte rve nçã o, o pre side nte na ciona l da OAB nome a rá dire toria provisória ,
suspe nde ndo-se o ma nda to dos dirige nte s e m e xe rcício.

O proce dime nto da inte rve nçã o é fixa do no Re gula me nto Ge ra l, no a rt. 81. Pre vê -se uma fa se
inicia l de ve rifica çã o e sindicâ ncia promovida s por re pre se nta nte s do Conse lho Fe de ra l, de signa dos
pe la dire toria de ste , os qua is de ve m a pre se nta r re la tório a o Conse lho Fe de ra l. Essa fa se é
a nte ce dida da notifica çã o do Conse lho Se cciona l pa ra a pre se nta r de fe sa pré via que e xclua o
proce sso de inte rve nçã o. Se o re la tório concluir pe la inte rve nçã o, e ntã o o Conse lho Se cciona l é
nova me nte notifica do pa ra de fe sa , qua nto a o móve l da inte rve nçã o (mé rito). Os pra zos pa ra a
de fe sa sã o se mpre de quinze dia s (a rt. 69 da Le i n. 8.906/94). Na se ssã o que a pre cia r a indica çã o da
inte rve nçã o, a sse gura ndo-se o dire ito de suste nta çã o ora l a o re pre se nta nte do Conse lho Se cciona l,
se e la for de cidida , fixa r-se -á pra zo pa ra inte rve nçã o, ca be ndo à dire toria de signa r dire toria
provisória . Pode ocorre r a inte rve nçã o sumá ria se houve r impe dime nto loca l a o tra ba lho da
sindicâ ncia ou de e vide nte irre pa ra bilida de e pe rigo pe la de mora da de cisã o, que de ve se r
motiva da .

Em 2011, o Conse lho Ple no do CFOAB promove u a inte rve nçã o comple ta , pe lo pe ríodo de se is
me se s, na OAB-PA, e m virtude de a lie na çã o de imóve l de proprie da de da OAB, e m fa vor de
Conse lhe iro Esta dua l, se m re gula r a utoriza çã o do Conse lho Se cciona l, por va lor a ba ixo do me rca do,
e m proce sso se m publicida de a de qua da , com fa lsifica çã o de a ssina tura de um dos me mbros da
Dire toria e m procura çã o pública outorga da e m fa vor de te rce iro e stra nho a o ne gócio jurídico
vicia do. Em ra zã o de sse s fa tos, trê s dire tore s e vinte e trê s conse lhe iros se cciona is re nuncia ra m a
se us ca rgos. Houve a pura çã o re gula r por pa rte da Polícia Fe de ra l, da Corre ge doria de Justiça do
TJPA e da comissã o de sindicâ ncia pre limina r, com a mplo dire ito de de fe sa a sse gura do. Ente nde u o
CFOAB que “a de spe ito de nã o se e quipa ra re m a a ge nte s públicos, os dirige nte s da OAB nã o pode m
se va le r de ssa condiçã o como forma de imunida de pa ra a prá tica de conduta s a é tica s e ímproba s,
e sta ndo obriga dos a a gir e xe mpla rme nte , inspira dos nos me smos princípios constituciona is
orie nta dore s da s norma s à que le s a plicá ve is” (DOU, 26-10-2011, p. 238).

Cassação de atos

Qua ndo pude r e vita r a inte rve nçã o e nos ca sos de me nor gra vida de , o Conse lho Fe de ra l
promove rá a ca ssa çã o ou modifica çã o do a to de qua lque r a utorida de ou órgã o da OAB que contra rie
o Esta tuto e a le gisla çã o re gula me nta r. Ne sse ca so, nã o há ne ce ssida de de q uorum e spe cia l pa ra a
de cisã o, ma s de ve rá se r ouvida pre via me nte a a utorida de e m ca usa , pa ra a pre se nta r de fe sa .

A ca ssa çã o pode ocorre r incide nta lme nte , qua ndo da a pre cia çã o de qua lque r proce sso ou e m
proce sso a utônomo, se mpre a pós ouvida a a utorida de re sponsá ve l.

Recursos

O Conse lho Fe de ra l é a instâ ncia re cursa l má xima na OAB. Ca be -lhe julga r todos os re cursos
inte rpostos contra de cisõe s dos Conse lhos Se cciona is que nã o te nha m sido unâ nime s ou, qua ndo
unâ nime s, contra ria re m o Esta tuto e a le gisla çã o comple me nta r (ve r os come ntá rios a o a rt. 75).

Identidade do advogado

Compe te e xclusiva me nte a o Conse lho Fe de ra l dispor sobre ide ntida de do a dvoga do e sobre
se us símbolos priva tivos no Re gula me nto Ge ra l. A re spe ito de ssa ma té ria convida mos o le itor a os
come ntá rios formula dos a o inciso XVIII do a rt. 7º e a o a rt. 13. O Re gula me nto Ge ra l cuidou da
ma té ria nos a rts. 32 a 36 e 155.

Relatório e contas

O Conse lho Fe de ra l ta mbé m a tua como Conse lho Fisca l da OAB, a pre cia ndo re la tório e
a prova ndo a s conta s de sua dire toria e , a inda , homologa ndo a s conta s dos Conse lhos Se cciona is. Se
a s conta s fore m re je ita da s por ra zõe s forma is, a s irre gula rida de s pode rã o se r suprida s. Se a
re je içã o for de mé rito, os re sponsá ve is re sponde rã o nos â mbitos disciplina r, pe na l e civil.

O e xe rcício fina nce iro dos órgã os da OAB e nce rra -se no dia 31 de de ze mbro de ca da a no.

O Re gula me nto Ge ra l fixa a obriga torie da de de a prova çã o do orça me nto a nua l, que de ve se rvir
de re gula çã o da s re ce ita s e da s de spe sa s. Os Provime ntos 101/2003 e 121/2007 e sta be le ce ra m a s
rotina s a se re m obse rva da s. Ca be à Te rce ira Câ ma ra do Conse lho Fe de ra l fixa r os mode los e os
crité rios pa ra os orça me ntos, ba la nços e conta s de sua dire toria e dos Conse lhos Se cciona is. Este s,
por sua ve z, fixa -os pa ra a s Subse çõe s e a s Ca ixa s de Assistê ncia .

Listas sêxtuplas

A e la bora çã o de lista s sê xtupla s pa ra composiçã o dos tribuna is compe te a o Conse lho Fe de ra l


qua ndo a corte tive r a bra ngê ncia na ciona l ou inte re sta dua l, ou se ja , o Supe rior Tribuna l de Justiça , o
Tribuna l Supe rior do Tra ba lho e os tribuna is re giona is, fe de ra is e tra ba lhista s, qua ndo e ste s tive re m
compe tê ncia te rritoria l que a bra nja ma is de um e sta do. Pa ra os tribuna is e sta dua is, a compe tê ncia
é do Conse lho Se cciona l re spe ctivo. A ma té ria e stá re gula da pe lo Provime nto n. 102/2004, com a
re da çã o da da pe los Provime ntos n. 139/2010, 141/2012 e 153/2013. Nos tribuna is re giona is e le itora is os
a dvoga dos sã o indica dos pe lo Tribuna l de Justiça e nã o pe la OAB (STJ, RMS 898-0), ra zã o por que nã o
há lista sê xtupla pa ra composiçã o de le s.

Ape na s pode m concorre r a dvoga dos que e ste ja m e m efetiva ativid ad e d e ad vocacia (a rt. 94 da
Constituiçã o) há ma is de de z a nos ininte rruptos e ime dia ta me nte a nte riore s à da ta do re que rime nto.
Há dificulda de e m ca ra cte riza r ta l a tivida de , ma s nã o ba sta a re gula rida de da inscriçã o na OAB,
porque nã o se confunde com a tivida de pote ncia l. O obje tivo da Constituiçã o é inte gra r os tribuna is
com a e fe tiva e xpe riê ncia profissiona l do a dvoga do. O STF, sob a é gide da Constituiçã o a nte rior, já
nã o conside ra va como e xe rcício e fe tivo da profissã o a pe na s a inscriçã o na OAB, como se vê no MS
20.702-7. Ape sa r de ha ve r de cisõe s contra ditória s no próprio STF, no RE 94.979-8, o re la tor Min.
Firmino Pa z fe z a distinçã o e ntre : a ) inscriçã o na OAB; e b) o e xe rcício da a dvoca cia , dize ndo: “Sã o
fa tos distintos. Nã o significa que , inscrito, a dvogue . Pode -se se r inscrito e nã o e xe rce r a profissã o de
a dvoga do”.

Incumbe a o ca ndida to prova r com docume ntos e ce rtidõe s que e xe rce u a tivida de s priva tiva s de
a dvoca cia nos últimos de z a nos, a ssim conside ra da s no a rt. 1º do Esta tuto se ndo cinco a tos
priva tivos por a no, a sa be r, cinco pe ça s profissiona is judicia is, subscrita s pe lo ca ndida to, ou
pa re ce re s por e le profe ridos na re a liza çã o de consultoria jurídica , ou prova de e xe rcício de
a tivida de s de a sse ssoria ou de dire çã o jurídica s. Pa ra a s dua s última s de ve m se r prova da s a
re la çã o de e mpre go com ta is fina lida de s, ou o contra to de pre sta çã o de se rviços ou ce rtidã o de
nome a çã o e e xe rcício do ca rgo público e quiva le nte . Pa ra os TJs e TRFs, o Provime nto n. 139/2010
e xige a inda a prova de inscriçã o há ma is de cinco a nos no Conse lho Se cciona l a bra ngido pe la
compe tê ncia do tribuna l.

Re sponde ndo à consulta , e nte nde u o CFOAB (Consulta 2007.27.04512-01) que pa ra a a dvoca cia
judicia l se e xige a a tua çã o e m, no mínimo, cinco proce ssos judicia is distintos que ve rse m sobre
ca usa s ou que stõe s dife re nte s. Pa ra a a dvoca cia e xtra judicia l, e xige -se a a tua çã o e fe tiva a nua l e m,
pe lo me nos, cinco que stõe s ou ma té ria s distinta s. Os a tos priva tivos de a dvoga dos ca pa ze s de
comprova r o e xe rcício profissiona l inclue m a postula çã o a qua lque r órgã o do Pode r Judiciá rio —
inclusive e m de ma nda s que nã o sã o priva tiva s do a dvoga do, como h abeas corpus, re cla ma çã o
tra ba lhista , a tua çã o no conte ncioso a dministra tivo, como Tribuna is de Conta s e Conse lho de
Contribuinte s, e a çã o no Juiza do Espe cia l — e a s a tivida de s de consultoria , a sse ssoria e dire çã o
jurídica s, de sde que de monstra da a pa rticipa çã o e fe tiva na ca usa ou que stã o, o que e xclui a prá tica
de a tos isola dos, be m a ssim a s simple s pe tiçõe s ou simple s opiniõe s se m funda me nta çã o jurídica .

Nã o pode se r conside ra da efetiva ativid ad e profissional o pe río​do de de se mpe nho de funçã o que
ge re incompa tibilida de te mporá ria , porque há lice ncia me nto compulsório, com suspe nsã o dos
e fe itos da inscriçã o (a rt. 12, II, do Esta tuto), computa ndo-se o pe ríodo a nte rior ou poste rior a o da
incompa tibilida de te mporá ria , porque a Constituiçã o nã o e xige que se ja m ime dia ta me nte a nte riore s
a o da e la bora çã o da lista . Ma s a ocorrê ncia de impe dime nto (a rt. 30, I, do Esta tuto) nã o obsta a
pa rticipa çã o na lista sê xtupla , conforme de cidiu o CFOAB (Proc. 5.604/2001/PCA), no ca so de
Procura dor de Esta do.

A comprova çã o dos re quisitos de ve se r fe ita com a inscriçã o. A sa tisfa çã o de le s na fa se re cursa l


a te nta contra o princípio da igua lda de , porque nã o é a dmitida pa ra inte re ssa do que nã o se
inscre ve u por nã o comprová -los a te mpo (Conse lho Fe de ra l Ple no, Proc. 0003/2002/COP). Re ssa lve -
se , e vide nte me nte , o que a le gisla çã o proce ssua l conside ra prova nova , ca bíve l e m re curso. O
re curso contra de cisã o do Conse lho Se cciona l que julga r re curso contra inde fe rime nto de inscriçã o
de ca ndida tos à lista sê xtupla , ou inde fe rime nto de impugna çã o, te rá se mpre e fe ito suspe nsivo e
some nte pode rá se r inte rposto me dia nte instrume nto e scrito. O re curso inte rposto ime dia ta me nte
a pós o julga me nto nã o inte rrompe rá a vota çã o pa ra forma çã o da lista ; se ca bíve l, suspe nde rá a
re me ssa da lista a o tribuna l, a té de cisã o fina l do Conse lho Fe de ra l; se inca bíve l, nã o se rá re ce bido
motiva da me nte pe lo Pre side nte do Conse lho Se cciona l, de ve ndo re me te r a lista a o tribuna l.

O Esta tuto ve da a inclusã o de conse lhe iros ou de me mbros de qua lque r órgã o da OAB e se us
suple nte s (a rt. 54, XIII). Sã o incompa tíve is a funçã o de julga r ou de e scolhe r com o inte re sse de
julga do ou e scolhido. A re gra te m funda me nto é tico, no se ntido de se e vita r o conflito de inte re sse s e
o trá fico de influê ncia . O Provime nto n. 102/2004 e xclui a possibilida de de o me mbro de órgã o da
OAB concorre r se re nuncia r a nte s à funçã o, como pe rmitia o Provime nto n. 80/1996. O impe dime nto
é de finitivo de sde o início do ma nda to e dura nte o triê nio, a inda que se te nha e nce rra do a nte s por
re núncia . A re gra nã o se dirige a pe na s a os me mbros do Conse lho que e la bora a lista , ma s a os de
qua lque r outro órgã o da OAB, sa lvo pa ra os me mbros do TED, da ESA ou da s Comissõe s, de sde que
nã o se ja m conse lhe iros.

Os crité rios e proce dime ntos pa ra e la bora çã o da s lista s, nota da me nte qua nto à inscriçã o,
impugna çã o dos ca ndida tos, a rguiçã o dos ca ndida tos, e scolha e indica çã o sã o de finidos no
Provime nto n. 102/2004 do Conse lho Fe de ra l. Os Conse lhos Se cciona is pode m a dota r o siste ma de
e le içã o dire ta pa ra os ca ndida tos, e xpe riê ncia que se te m re ve la do proble má tica , pe la inte rfe rê ncia
de inte re sse s e stra nhos à OAB, inclusive de na ture za e conômica .

Jus postulandi do Conselho Federal

Uma da s ma is importa nte s inova çõe s do Esta tuto sobre a compe tê ncia da OAB, e spe cia lme nte
do Conse lho Fe de ra l, é a le gitimida de pa ra a juiza me nto de a çõe s cole tiva s, a lé m da a çã o dire ta de
constituciona lida de ou de inconstituciona lida de . Sã o e la s, e sse ncia lme nte : a çã o civil pública ,
ma nda do de se gura nça cole tivo, ma nda do de injunçã o e de ma is a çõe s a sse me lha da s. Essa s a çõe s
cole tiva s pode m se r proposta s nã o a pe na s pe lo Conse lho Fe de ra l, ma s pe los Conse lhos Se cciona is
(a rt. 57 do Esta tuto) e Subse çõe s qua ndo conta re m com Conse lho próprio (a rt. 61, pa rá gra fo único, do
Esta tuto). Ne sse se ntido, o TRF-3ª Re giã o de cidiu pe la compe tê ncia da OAB-SP e m promove r a çã o
civil pública e m de fe sa dos consumidore s e m ge ra l, pe ra nte a Justiça Fe de ra l (AgI 1999.03.00.005975).

A le gitimida de pa ra a a çã o dire ta de inconstituciona lida de e stá pre vista no a rt. 103, VII, da
Constituiçã o Fe de ra l. Essa le gitimida de nã o se re stringe à s ma té ria s liga da s dire ta ou indire ta me nte
a os a dvoga dos, ma s a todos os a tos norma tivos fe de ra is e e sta dua is incompa tíve is com a
Constituiçã o Fe de ra l, porque é se u de ve r a de fe sa da Constituiçã o e m ge ra l (a rt. 44, I, do Esta tuto).
Essa le gitimida de é me nos um pode r e muito ma is um múnus público que lhe foi come tido pe la
Constituiçã o como um de se us gua rdiã e s.

O STF te m de cidido que os de ma is Conse lhos Fe de ra is profissiona is nã o tê m le gitimida de ,


se ndo a pe na s priva tiva da OAB (ADI 641-0). Por suposto, o único juízo de a dmissibilida de que o
CFOAB pode e xe rce r é o da incompa tibilida de ou nã o com os princípios e norma s constituciona is e
ja ma is o da re le vâ ncia com os inte re sse s da a dvoca cia . O Re gula me nto Ge ra l disciplina a ma té ria
no a rt. 82, que pre vê o juízo pré vio de a dmissibilida de pa ra a fe riçã o da re le vâ ncia da de fe sa dos
princípios e norma s constituciona is. Toda via , contra ria ndo o irre strito a lca nce da norma contida no
a rt. 54, XIV, do Esta tuto, o Conse lho Fe de ra l Ple no, por ma ioria (Proposiçã o n. 0032/2003/COP),
de cidiu que nã o de ve ria a juiza r a çã o dire ta de inconstituciona lida de qua ndo outra e ntida de te nha
le gitimida de pa ra ta nto; no ca so, tra ta va -se de de fe sa de dire itos e inte re sse s de popula çõe s
indíge na s. Poré m, e sta é re striçã o que a le i nã o fa z; a cre sce nte -se que a le gitimida de a tribuída pe la
le i à OAB configura de ve r, e nã o fa culda de de a gir.

A a çã o civil pública é um a va nça do instrume nto proce ssua l introduzido no orde na me nto jurídico
bra sile iro pe la Le i n. 7.347/85, pa ra a de fe sa dos inte re sse s difusos, cole tivos e individua is
homogê ne os (por e xe mplo, me io a mbie nte , consumidor, pa trimônio turístico, histórico, a rtístico). Os
a utore s le gitima dos sã o se mpre e nte s ou e ntida de s, públicos ou priva dos, inclusive a ssocia çã o civil
e xiste nte há ma is de um a no e que inclua e ntre sua s fina lida de s a de fe sa de sse s inte re sse s. O
e le nco de le gitima dos foi a cre scido da OAB, pe la Le i n. 8.906/94, que pode rá ingre ssa r com a a çã o
nã o a pe na s e m prol dos inte re sse s cole tivos de se us inscritos, ma s ta mbé m pa ra tute la dos
inte re sse s difusos, que nã o se ide ntifica m e m cla sse s ou grupos de pe ssoa s vincula da s por uma
re la çã o jurídica bá sica . Se ndo de ca rá te r le ga l a le gitimida de cole tiva da OAB, nã o há ne ce ssida de
de comprova r pe rtinê ncia te má tica com sua s fina lida de s, qua ndo ingre ssa r e m juízo. Se gundo o STJ
(REsp 1.351.760), “nã o é possíve l limita r a a tua çã o da OAB e m ra zã o de pe rtinê ncia te má tica , uma
ve z que a e la corre sponde a de fe sa , inclusive judicia l, da Constituiçã o Fe de ra l, do Esta do de Dire ito
e da justiça socia l, o que , ine xora ve lme nte , inclui todos os dire itos cole tivos e difusos”.

A re fe rê ncia a o ma nda do de se gura nça cole tivo de corre da le gitima çã o outorga da pe la


Constituiçã o (a rt. 5º, LXX) à s e ntida de s de cla sse . Da norma constituciona l e me rge como limita çã o a
de fe sa dos inte re sse s dos inscritos na OAB. Em fa ce do que e sta be le ce m o a rt. 49 e o inciso II do a rt.
54 do Esta tuto, nã o há ne ce ssida de de a utoriza çã o pré via dos inscritos be ne ficiá rios. A “OAB te m
le gitimida de pa ra impe tra r ma nda do de se gura nça cole tivo, e m de fe sa de dire itos individua is de
se us filia dos, me smo qua ndo nã o gua rde m re la çã o ime -dia ta com os inte re sse s profissiona is ou de
cla sse dos a dvoga dos” (Sundfe ld, 1990, p. 114).

Le mbre -se que a OAB ta mbé m é le gitima da a impe tra r ma nda do de se gura nça individua l, e m
se u próprio nome , pa ra a de fe sa dos inte re sse s cole tivos e individua is dos a dvoga dos (inciso II).

O ma nda do de injunçã o é outro pode roso instrume nto de e fe tivida de da s ga ra ntia s individua is
e cole tiva s, e spe cia lme nte da cida da nia , pre visto no a rt. 5º, LXXI, da Constituiçã o, que a OAB pode
utiliza r. A te ndê ncia , a o contrá rio da posiçã o a nte rior do STF, é de pre va le ce r a orie nta çã o no
se ntido de , consta ta da a mora le gisla tiva , tute la r-se jurisdiciona lme nte o dire ito subje tivo pre visto na
Constitui​ç ã o e de pe nde nte de re gula me nta çã o, a dota ndo-se os princípios e xiste nte s no próprio
siste ma jurídico

Cursos jurídicos. Autorização, reconhecimento e elevação da qualidade

Re conhe ce ndo a le gitimida de da OAB pa ra ma nife sta r-se sobre a forma çã o do profissiona l do
dire ito, porque e la é que m ma is sofre a s conse quê ncia s do ma u e nsino, a le i a tribuiu-lhe a
compe tê ncia pa ra opina r pre via me nte nos pe didos de cria çã o, re conhe cime nto ou cre de ncia me nto
dos cursos jurídicos. Assim, a nte s da de cisã o da a utorida de e duca ciona l compe te nte (Conse lho
Na ciona l e Esta dua l de Educa çã o, MEC e Se cre ta ria s Esta dua is de Educa çã o), ca be rá a o CF da OAB
e mitir pa re ce r pré vio. A ma té ria e stá re gula me nta da pe lo De cre to n. 5.773/2006, com a re da çã o do
De cre to n. 6.303/2007.

A prolife ra çã o de cursos jurídicos, se m a s mínima s condiçõe s de qua lida de , te m contribuído


pa ra a pre ocupa nte que da do níve l profissiona l dos a dvoga dos. Em fa ce disso, o CFOAB criou e m
1991 a Comissã o de Ensino Jurídico, a tua lme nte de nomina da Comissã o Na ciona l de Educa çã o
Jurídica , que pa ssou a e xe rce r a s a tribuiçõe s que fora m come tida s e m le i a o Conse lho (a rt. 83 do
Re gula me nto Ge ra l), me dia nte e studos, promoçã o de e ve ntos, pe squisa s e a pre se nta çã o de
proposta s concre ta s volta da s à e le va çã o da qua lida de do e nsino jurídico, ou me lhor, da e duca çã o
jurídica e m ge ra l, que e nvolve a pe squisa e a e xte nsã o. Ta mbé m e mite pa re ce re s pré vios nos
pe didos de a utoriza çã o de novos cursos jurídicos e de se us poste riore s re conhe cime ntos,
conside ra ndo, e spe cia lme nte , os se guinte s a spe ctos: a ) a ve rossimilha nça do proje to pe da gógico do
curso e m fa ce da re a lida de loca l; b) a ne ce ssida de socia l da cria çã o do curso; c) a situa çã o
ge ográ fica do município-se de do curso, com indica çã o de sua popula çã o e da s condiçõe s de
de se nvolvime nto cultura l e e conômico que a pre se nte , be m como da distâ ncia e m re la çã o a o
município ma is próximo onde ha ja curso jurídico; d) a s condiçõe s a tua is da s insta la çõe s física s
de stina da s a o funciona me nto do curso; e ) a e xistê ncia de bibliote ca com a ce rvo a de qua do, a que
te nha m a ce sso dire to os e studa nte s. O Conse lho Se cciona l e m cuja á re a de a tua çã o situa r-se a
instituiçã o de e nsino supe rior inte re ssa da se rá ouvido, pre limina rme nte .

Pa ra que um curso jurídico possa confe rir diploma s a se us gra dua dos, e xige -se prime iro que
e ste ja a utoriza do e , de pois, que se ja re conhe cido, ta nto com re la çã o à s unive rsida de s qua nto e m
re la çã o à s de ma is instituiçõe s de e duca çã o supe rior. Os proje tos de ve m de monstra r a ne ce ssida de
socia l do curso, os e studos de via bilida de e a qua lida de do proje to pe da gógico.

Bens imóveis

A a lie na çã o ou one ra çã o de be ns imóve is de pe nde da a prova çã o da ma ioria a bsoluta (me ta de


ma is uma ) da s de le ga çõe s. É re gra re gula me nta r, ma ntida na le i por sua re le vâ ncia .

Participação em concursos públicos

A Constituiçã o pre vê que o concurso público pa ra ingre sso na ma gistra tura e no Ministé rio
Público de ve rá conta r com a pa rticipa çã o da OAB e m toda s a s sua s fa se s, o que inclui a formula çã o
dos progra ma s e a orga niza çã o do ce rta me . Pa ra outra s ca rre ira s jurídica s (e xe mplo, Advoca cia -
Ge ra l da Uniã o), a s le is e spe cífica s tê m e sta be le cido re gra idê ntica .

O Conse lho Na ciona l de Justiça , inte rpre ta ndo a Constituiçã o, de cidiu que a pa rticipa çã o da
OAB “e m toda s a s sua s fa se s” a bra nge a fa se pre pa ra tória da e la bora çã o da s instruçõe s e do e dita l
do ce rta me , sob pe na de nulida de .

A pa rticipa çã o do Conse lho Fe de ra l é pa ra os concursos que tive re m a bra ngê ncia na ciona l ou
inte re sta dua l. Pa ra os de ma is, a compe tê ncia é do Conse lho Se cciona l.

O CFOAB de libe rou que a prova ora l, qua ndo e xigida e m concursos públicos pa ra ingre sso e m
ca rre ira s jurídica s, de ve se r e fe tiva me nte pública , inclusive com gra va çã o da s a rguiçõe s e re sposta s
com possibilida de de re curso. Este s sã o os re quisitos cuja obse rvâ ncia de ve se r e xigida pe lo
re pre se nta nte da OAB (Proc. 4.040/95/CP).

DIRETORIA DO CONSELHO FEDERAL

A dire toria do Conse lho Fe de ra l é composta de cinco me mbros, se rvindo de pa râ me tro pa ra


todos os órgã os da OAB: pre side nte (que é a o me smo te mpo pre side nte na ciona l da OAB), vice -
pre side nte , se cre tá rio-ge ra l, se cre tá rio-ge ra l a djunto e te soure iro.

Com e xce çã o do pre side nte , os de ma is dire tore s tê m sua s a tribuiçõe s de finida s no
Re gula me nto Ge ra l. O pre side nte e xe rce a pre se nta çã o na ciona l e inte rna ciona l, nã o a pe na s do
Conse lho Fe de ra l, ma s da OAB, constituindo órgã o me dia nte o qua l se e xpre ssa publica me nte .

A Pre sidê ncia é órgã o dúplice , com a tribuiçõe s a fe ta s a o Conse lho e própria s, ou se ja ,
e xe cutiva s e de a dministra çã o do Conse lho. Ao contrá rio do a nte rior, o Esta tuto nã o e spe cifica a s
a tribuiçõe s dos me mbros da dire toria , ne m do pre side nte , e xce to qua nto a os pode re s de
pre se nta çã o. Fê -lo o Re gula me nto Ge ra l, com disciplina e spe cifica da nos a rts. 98 a 104.

A dire toria , e m se u conjunto, é ta mbé m órgã o de libe ra tivo e e xe cutivo, com a tribuiçõe s fixa da s
no Re gula me nto Ge ra l.

O § 4º do a rt. 98 do Re gula me nto Ge ra l, a cre sce nta do pe la Re s. n. 1/2015 do CFOAB pre vê que a
dire toria do Conse lho Fe de ra l ta mbé m conta com dois conse lhe iros fe de ra is como re pre se nta nte s
instituciona is pe rma ne nte s por e la de signa dos, ad referend um do Conse lho Ple no, pa ra fins de
a compa nha me nto dos inte re sse s da a dvoca cia no CNJ e no CNMP.
CONSELHO SECCIONAL

CAPÍTULO III

DO CONSELHO SECCIONAL

Art. 56. O Conselho Seccional compõe-se de conselheiros em número proporcional ao de seus


inscritos, segundo critérios estabelecidos no Regulamento Geral.

§ 1º São membros honorários vitalícios os seus ex-presidentes, somente com direito a voz em
suas sessões.

§ 2º O Presidente do Instituto dos Advogados local é membro honorário, somente com direito a
voz nas sessões do Conselho.

§ 3º Quando presentes às sessões do Conselho Seccional, o Presidente do Conselho Federal, os


Conselheiros Federais integrantes da respectiva delegação, o Presidente da Caixa de Assistência dos
Advogados e os Presidentes das Subseções, têm direito a voz.

Art. 57. O Conselho Seccional exerce e observa, no respectivo território, as competências,


vedações e funções atribuídas ao Conselho Federal, no que couber e no âmbito de sua competência
material e territorial, e as normas gerais estabelecidas nesta lei, no Regulamento Geral, no Código de
Ética e Disciplina, e nos Provimentos.

Art. 58. Compete privativamente ao Conselho Seccional:

I — editar seu Regimento Interno e Resoluções;

II — criar as Subseções e a Caixa de Assistência dos Advogados;

III — julgar, em grau de recurso, as questões decididas por seu Presidente, por sua diretoria,
pelo Tribunal de Ética e Disciplina, pelas Diretorias das Subseções e da Caixa de Assistência dos
Advogados;

IV — fiscalizar a aplicação da receita, apreciar o relatório anual e deliberar sobre o balanço e as


contas de sua diretoria, das diretorias das Subseções e da Caixa de Assistência dos Advogados;

V — fixar a tabela de honorários, válida para todo o território estadual;

VI — realizar o Exame de Ordem;

VII — decidir os pedidos de inscrição nos quadros de advogados e estagiários;

VIII — manter cadastro de seus inscritos;


IX — fixar, alterar e receber contribuições obrigatórias, preços de serviços e multas;

X — participar da elaboração dos concursos públicos, em todas as suas fases, nos casos previstos
na Constituição e nas leis, no âmbito do seu território;

XI — determinar, com exclusividade, critérios para o traje dos advogados, no exercício


profissional;

XII — aprovar e modificar seu orçamento anual;

XIII — definir a composição e o funcionamento do Tribunal de Ética e Disciplina, e escolher


seus membros;

XIV — eleger as listas, constitucionalmente previstas, para preenchimento dos cargos nos
tribunais judiciários, no âmbito de sua competência e na forma do Provimento do Conselho Federal,
vedada a inclusão de membros do próprio Conselho e de qualquer órgão da OAB;

XV — intervir nas Subseções e na Caixa de Assistência dos Advogados;

XVI — desempenhar outras atribuições previstas no Regulamento Geral.

Art. 59. A diretoria do Conselho Seccional tem composição idêntica e atribuições equivalentes às
do Conselho Federal, na forma do Regimento Interno daquele.

CO MENTÁRIO S

COMPOSIÇÃO DO CONSELHO SECCIONAL E DELIBERAÇÃO

O Conse lho Se cciona l nã o te m ma is uma composiçã o uniforme , pa ra toda s a s unida de s


fe de ra tiva s, como ocorria de a cordo com a le gisla çã o a nte rior. A le i nã o fixa ma is o núme ro mínimo
ou má ximo, de le ga ndo a o Re gula me nto Ge ra l ta l miste r, e spe cia lme nte no que conce rne a os
crité rios a se re m utiliza dos, sa lvo o da proporciona lida de a o dos inscritos, o único que pre viu.

A re a lida de bra sile ira da distribuiçã o de a dvoga dos inscritos na OAB é e xtre ma me nte
he te rogê ne a . Na s Se çõe s ma iore s ha via uma sobre ca rga cre sce nte dos se us me mbros, porque o
limite má ximo e sta be le cido pe la Le i 4.215/63 nã o corre spondia à s ne ce ssida de s.

O Re gula me nto Ge ra l (a rt. 106) a dotou os se guinte s crité rios: a ba ixo de 3.000 inscritos, a té 30
conse lhe iros; a pa rtir de 3.000 inscritos, ma is um me mbro por grupo comple to de 3.000 inscritos, a té
o tota l de 80 conse lhe iros. Ca be a o próprio Conse lho Se cciona l fixa r o núme ro de se us me mbros e m
re soluçã o, suje ita a re fe re ndo do Conse lho Fe de ra l, incorpora ndo-o a se u Re gime nto Inte rno.

Sã o me mbros os conse lhe iros e dire tore s e le itos. O voto no Conse lho é unipe ssoa l. Sã o
ta mbé m me mbros os e x-pre side nte s do Conse lho, a pe na s com dire ito a voz, e xce to pa ra os que
a ssumira m o ca rgo a té o início de vigê ncia do Esta tuto, que pe rma ne ce m com o dire ito de voto.

O pre side nte do Instituto dos Advoga dos loca l (filia do a o Instituto dos Advoga dos Bra sile iros) é
me mbro na to e pe rma ne nte do Conse lho, ma s nã o te m dire ito a voto.

O pre side nte na ciona l, os conse lhe iros fe de ra is, o pre side nte da Ca ixa de Assistê ncia e os
pre side nte s de Subse çõe s, qua ndo pre se nte s, tê m ta mbé m dire ito a voz, ma s nã o se conside ra m
me mbros pe rma ne nte s do Conse lho. Com e xce çã o do pre side nte do Instituto, porque te m a sse nto
pe rma ne nte , nã o há obriga torie da de de convocá -los à s se ssõe s, ma s pode m compa re ce r se mpre
que de se ja re m, se ndo-lhe s a sse gura do o dire ito de a sse nto e de voz e m toda s a s ma té ria s
de ba tida s.

O Conse lho Se cciona l de libe ra com a pre se nça da ma ioria a bsoluta de se us me mbros e le itos
(me ta de ma is um dos conse lhe iros e dos dire tore s). A re gra do a nte rior Esta tuto (um te rço) foi
suprimida , re toma ndo-se o princípio comum. Nã o se inclue m no cômputo do q uorum mínimo os e x-
pre side nte s, com ou se m dire ito a voto, ne m os que tê m a pe na s dire ito a voz. O q uorum é de
insta la çã o da se ssã o e pa ra ca da vota çã o, pre va le ce ndo o voto da ma ioria pre se nte .

O q uorum e spe cia l de dois te rços (de pre se nça à vota çã o e nã o a pe na s de insta la çã o; e sta ndo
os dois te rços pre se nte s, pre va le ce o voto da ma ioria ) a pe na s é e xigíve l, pe lo Esta tuto, no ca so de
inte rve nçã o na s Subse çõe s (a rt. 60, § 1º, do Esta tuto), pa ra cria çã o e inte rve nçã o na Ca ixa de
Assistê ncia , pa ra a prova çã o ou a lte ra çã o do Re gime nto Inte rno do Conse lho Se cciona l e pa ra
a plica çã o de pe na de e xclusã o de inscrito (a rt. 108 do Re gula me nto Ge ra l). O pre side nte de té m
a pe na s o voto de qua lida de .

O re gime nto inte rno do Conse lho Se cciona l pode distribuir sua compe tê ncia e ntre câ ma ra s e
outros órgã os julga dore s, inte gra dos e xclusiva me nte por Conse lhe iros e le itos, titula re s ou suple nte s.
No Conse lho Se cciona l e na Subse çã o que disponha de conse lho sã o obriga tórios a insta la çã o e o
funciona me nto da Comissã o de Dire itos Huma nos, da Comissã o de Orça me nto e Conta s e da
Comissã o de Está gio e Exa me de Orde m. As de ma is comissõe s sã o fa culta tiva s.

COMPETÊNCIAS DO CONSELHO SECCIONAL

Pa ra nã o re pe tir a s compe tê ncia s já e spe cifica da s do Conse lho Fe de ra l, o Esta tuto e sta be le ce
uma re gra ge ra l a tribuindo-a s a o Conse lho Se cciona l, no que coube r e no â mbito de sua jurisdiçã o,
e xce to a que la s que sã o priva tiva s da que le . Sobre a ma té ria re me te mos o le itor a os come ntá rios a o
a rt. 54, com indica çã o dos incisos a plicá ve is a o Conse lho Se cciona l (“Compe tê ncia s do Conse lho
Fe de ra l”). Sã o compe tê ncia s comuns, obse rva da a supre ma cia do Conse lho Fe de ra l.
De cidiu a Te rce ira Câ ma ra do CFOAB (Proc. 0004/2003/TCA) que a a pura çã o de fa tos
pe rtine nte s a obra s re a liza da s pe lo Conse lho Se cciona l é da compe tê ncia de ste , a inda que pa rte da
ve rba a e la de stina da te nha pa rticipa çã o do Conse lho Fe de ra l.

O Conse lho Se cciona l re pre se nta , inclusive judicia lme nte , a cole tivida de dos a dvoga dos ne la
inscritos. Ne sse se ntido, o TRF da Qua rta Re giã o (MAS 2002.70.00.014508-6) a sse gurou a le gitimida de
da OAB-PR como re pre se nta nte de todos se us inscritos e m a çã o judicia l que discutia a cobra nça do
imposto sobre se rviços (ISS) de a dvoca cia pe lo Município de Curitiba .

Alé m da s compe tê ncia s comuns, o Esta tuto confe re a o Conse lho Se cciona l compe tê ncia s
priva tiva s, que nã o pode m se r e xe rcida s pe lo Conse lho Fe de ra l dire ta me nte . Pa ssa re mos a
come ntá -la s, se guindo a orde m do Esta tuto.

Regimento interno e resoluções

Ca be a o Conse lho Se cciona l e dita r se u re gime nto inte rno e re soluçõe s ge ra is e e spe cífica s. O
re gime nto inte rno nã o pre cisa se r subme tido a o Conse lho Fe de ra l, porque e ste dispõe de
instrume ntos inibitórios e inva lida nte s, se ultra pa ssa r a compe tê ncia do Conse lho ou viola r o
Esta tuto e le gisla çã o re gula me nta r, inclusive ca ssa çã o e inte rve nçã o. Qua nto ma ior o gra u de
a utonomia , ma ior o da a utorre sponsa bilida de .

Como já de cidiu o Conse lho Fe de ra l (Proc. 1.864/95/TC), “de ofício ou a pe dido, compe te a o
Conse lho modifica r ou ca nce la r dispositivo de Re gime nto de Conse lho Se cciona l, que colida com o
Esta tuto, o Re gula me nto Ge ra l, o Código de Ética ou Provime nto”.

Por ta is ra zõe s nã o há libe rda de tota l de conte údo, porque sã o obse rva dos os limite s de sua
compe tê ncia e a s dire trize s le ga is. Na dúvida , o Re gula me nto Ge ra l é se mpre um pa râ me tro se guro.
De cidiu o Conse lho Fe de ra l que o Re gime nto Inte rno da Se cciona l nã o pode de le ga r a outro órgã o
a to priva tivo do Pre side nte da que la (Proc. 0018/2003/TCA).

Criação de Subseções e Caixa de Assistência

Compe te a o Conse lho Se cciona l cria r a s Subse çõe s que julga r ne ce ssá ria s, obse rva dos os
crité rios e sta be le cidos no Esta tuto e no Re gula me nto Ge ra l, de finindo sua s á re a s te rritoria is e os
limite s de sua a utonomia . A cria çã o nã o de pe nde do re fe re ndo do Conse lho Fe de ra l.

Da me sma forma , com a re voga çã o do De cre to-Le i n. 4.583/42, a cria çã o da Ca ixa de


Assistê ncia nã o de pe nde de a prova çã o do Conse lho Fe de ra l, ba sta ndo que o se u Esta tuto se ja
a prova do pe lo Conse lho Se cciona l, que ta mbé m é o órgã o próprio pa ra re gistro, a tribuindo-lhe
pe rsona lida de jurídica . Os proce dime ntos, que ta mbé m e nvolve m a s a lte ra çõe s do a to constitutivo,
sã o e sta be le cidos pe lo Re gula me nto Ge ra l.

Recursos

O Conse lho Se cciona l é instâ ncia re cursa l e m fa ce da s de cisõe s de todos os órgã os da OAB a
e le vincula dos: Tribuna l de Ética , se u pre side nte , sua dire toria , dire toria s da s Subse çõe s e da Ca ixa
de Assistê ncia .

Ne nhum re curso pode se r e nca minha do dire ta me nte a o Conse lho Fe de ra l se m de cisã o do
Conse lho Se cciona l. Me smo qua ndo a Subse çã o conte com Conse lho, e ste nã o pode re ve r os a tos de
sua dire toria , como come nta re mos a dia nte . Sobre a siste má tica dos re cursos re me te mos o le itor a os
come ntá rios a o a rt. 76.

Relatório e contas

O Conse lho Se cciona l e xe rce a s funçõe s de Conse lho Fisca l de a mplo e spe ctro: fisca liza a
a plica çã o da re ce ita e a prova ou de sa prova o ba la nço e a s conta s de sua dire toria , da s dire toria s
da s Subse çõe s e da Ca ixa . Assumiu a s a tribuiçõe s que e ra m come tida s à a sse mble ia ge ra l pe la
le gisla çã o a nte rior. Contra sua de cisã o, ca be re curso a o Conse lho Fe de ra l.

A fisca liza çã o da s conta s é um proce dime nto de ca rá te r pe rma ne nte e de ve se r a tribuída a uma
comissã o (pe rma ne nte ) de orça me nto e conta s, e le ita pe lo Conse lho Se cciona l, de ntre se us
me mbros. Pode m se r utiliza dos os se rviços de a uditoria inde pe nde nte pa ra a uxilia r a comissã o.

O e xe rcício fina nce iro se mpre coincide com o a no ca le ndá rio, e nce rra ndo-se no dia 31 de
de ze mbro.

Ape na s os re la tórios, ba la nços e conta s de sua própria dire toria sã o subme tidos dire ta me nte à
homologa çã o do Conse lho Fe de ra l. As conta s de ve m obse rva r o orça me nto a nua l a prova do. Se a s
conta s fore m re je ita da s por ra zõe s forma is, a s irre gula rida de s pode rã o se r suprida s. Se a re je içã o
for de mé rito, os re sponsá ve is re sponde rã o nos â mbitos disciplina r, pe na l e civil. O Conse lho
Fe de ra l (Proc. 1.973/1997/TCA, julga do e m 2004) a dmitiu que a re je içã o da s conta s do Conse lho
Se cciona l pe lo Conse lho Fe de ra l e sta ria sa na da se e ste , poste riorme nte , tive sse conve rtido o dé bito
e m a uxílio fina nce iro. Ta mbé m de cidiu que irre gula rida de s forma is nã o comprome te m o conjunto da
pre sta çã o da s conta s (Eme nta n. 070/2012/TCA).

O Re gula me nto Ge ra l (a rt. 60) obriga a a prova çã o de um orça me nto a nua l, pa ra ca da órgã o da
OAB, de ve ndo os Conse lhos Se cciona is a prová -lo, pa ra o e xe rcício se guinte , a té o mê s de outubro, e
o Conse lho Fe de ra l a té a última se ssã o do a no, pe rmitida a sua a lte ra çã o no curso do e xe rcício,
me dia nte justifica da ne ce ssida de , de vida me nte a prova da pe los re spe ctivos cole gia dos. As Ca ixa s e
a s Subse çõe s obse rva m os crité rios e va lore s e sta be le cidos pe lo Conse lho Se cciona l pa ra a prova r
os se us.

Tabela de honorários

Compe te a o Conse lho Se cciona l fixa r ta be la de honorá rios a que se subme te m todos os se us
inscritos. Nã o e xiste uma ta be la única na ciona l, te ndo ca da Conse lho Se cciona l a mpla libe rda de
pa ra orga nizá -la . A ta be la e sta be le ce os pa râ me tros mínimos, ma s pode (e de ve ) indica r os limite s
má ximos e m vá ria s situa çõe s de ma ior risco de a busos. De ve e la se r a mpla me nte divulga da e
e nca minha da a o Pode r Judiciá rio pa ra conhe cime nto dos juíze s, pa rticula rme nte te ndo e m vista os
honorá rios a tribuídos a os a dvoga dos que pre sta re m a ssistê ncia jurídica , por impossibilida de pa rcia l
ou tota l da De fe nsoria Pública , conforme pre vê o a rt. 22 do Esta tuto.

A cobra nça de honorá rios a vilta dos, infe riore s a os e sta be le cidos na ta be la , ou supe riore s a os
limite s má ximos, constitui infra çã o disciplina r, puníve l com sa nçã o de ce nsura (a rt. 36, III, do
Esta tuto).

Pre va le ce a ta be la do Conse lho Se cciona l do loca l onde os se rviços do a dvoga do se ja m


pre sta dos, e nã o a do Conse lho de sua inscriçã o originá ria , porque o prime iro é o compe te nte pa ra
julga r a s infra çõe s disciplina re s de le s de corre nte s. Esse princípio a plica -se a ssim a os de inscriçã o
suple me nta r como a os que e xe rce re m e ve ntua lme nte a a dvoca cia fora de se u domicílio profissiona l
(a té cinco ca usa s).

Inscrição de advogados e estagiários

Ca be a o Conse lho Se cciona l de cidir os pe didos de inscriçã o de a dvoga dos e e sta giá rios. O
Esta tuto fle xibilizou a siste má tica a nte rior, pre ve ndo dua s fa se s: a prime ira , de instruçã o, e a
se gunda , de julga me nto. O pe dido de inscriçã o te rá início na Subse çã o, onde se ja domicilia do o
inte re ssa do, de sde que conte com Conse lho (a rt. 61, pa rá gra fo único), que o instruirá e e mitirá
pa re ce r pré vio (a prova do e m se ssã o), subme te ndo-o à de cisã o fina l do Conse lho Se cciona l.

Qua ndo nã o houve r Subse çã o o pe dido se rá instruído pe la Se cre ta ria do Conse lho Se cciona l e
distribuído a re la tor ou comissã o, que o subme te rá à se ssã o da Câ ma ra compe te nte ou do Ple no do
Conse lho, na forma de se u re gime nto inte rno. Nã o há ne ce ssida de de a ná lise pré via de comissã o
de se le çã o e pre rroga tiva s, porque de ixou de se r obriga tória , sa lvo se o re gime nto inte rno do
Conse lho a ma ntive r.

A instruçã o é re la tiva à comprova çã o e a ná lise dos re quisitos de inscriçã o, pa ra o que


re me te mos o le itor a os come ntá rios a os a rts. 8º (a dvoga do) e 9º (e sta giá rio).
Cadastro de inscritos

Ca be a o Conse lho Se cciona l ma nte r ca da stro de se us inscritos, na forma e condiçõe s


e sta be le cida s e m se u re gime nto inte rno, que de finirá o dire tor re sponsá ve l. O ca da stro e nvolve os
a sse nta me ntos ne ce ssá rios de ide ntida de do inscrito, de a lte ra çõe s e re gistro de infra çõe s
disciplina re s, o a rquivo dos docume ntos e proce sso de inscriçã o, e o nome da socie da de de
a dvoga dos de que fa ça pa rte o inscrito.

Dia nte da te cnologia da informá tica , todos os a sse nta me ntos pode m se r proce ssa dos e m
computa dor e , se for o ca so, microfilma dos os proce ssos findos de stina dos à incine ra çã o.

O ca da stro na ciona l dos inscritos é orga niza do pe lo Conse lho Fe de ra l, com os da dos de
a sse nta me ntos dos Conse lhos Se cciona is, pe rmitindo fá cil a ce sso pa ra a s informa çõe s. Obriga -se o
pre side nte do Conse lho Se cciona l a re me te r à se cre ta ria do Conse lho Fe de ra l o ca da stro a tua liza do
de se us inscritos a té o dia 31 de ma rço de ca da a no. O Ca da stro Na ciona l dos Advoga dos e stá
re gula do nos a rts. 24 a 24-B do Re gula me nto Ge ra l, com a re da çã o da da pe la s Re soluçõe s ns.
01/2012 e 05/2016 do CFOAB, cuja s informa çõe s e stã o disponíve is a qua lque r consule nte ,
principa lme nte na s pá gina s da web do Conse lho Fe de ra l e do Conse lho Se cciona l. O ca da stro de
ca da a dvoga do de ve conte r o nome comple to, o núme ro da inscriçã o, o Conse lho Se cciona l e a
Subse çã o a que e stá vincula do, o núme ro de inscriçã o no CPF, a filia çã o, o se xo, o nome socia l pe lo
qua l o a dvoga do tra ve sti ou tra nse xua l se ide ntifica , a da ta de inscriçã o na OAB e sua moda lida de , a
e xistê ncia de pe na lida de s e ve ntua lme nte a plica da s, e sta s e m ca mpo re se rva do, a fotogra fia , o
e nde re ço comple to e o núme ro de te le fone profissiona l, o e nde re ço do corre io e le trônico e o nome
da socie da de de a dvoga dos de que e ve ntua lme nte fa ça pa rte , ou e ste ja a ssocia do, e ,
opciona lme nte , o nome profissiona l, se é pe ssoa com de ficiê ncia , opçã o pa ra doa çã o de órgã os,
Re gistro Ge ra l, da ta e órgã o e missor, núme ro do título de e le itor, zona , se çã o, UF e le itora l,
ce rtifica do milita r e pa ssa porte .

Toda s a s informa çõe s contida s no ca da stro sã o pública s, e xce to a s re la tiva s à s sa nçõe s de


ce nsura (a rt. 35, pa rá gra fo único, do Esta tuto), cujo a ce sso só é a dmissíve l a os órgã os da OAB. Nã o
pode m se r a nota dos ne m informa dos os proce ssos disciplina re s e m a nda me nto ou e m gra u de
re curso, a s sa nçõe s de a dve rtê ncia e a s que fora m ca nce la da s e m virtude de re a bilita çã o, que tê m
a rquivo à pa rte e ma ntido sob sigilo.

É proibida proibiu a ve nda e a ce ssã o dos da dos do Ca da stro Na ciona l dos Advoga dos pa ra
te rce iros, e xce to e m contra tos firma dos com e ntida de s que pre ste m se rviços dire ta me nte liga dos à s
fina lida de s da OAB, pa ra o fim e xclusivo de divulga çã o de se rviços de stina dos à sa úde , à
pre vidê ncia , a o e nsino e a o se guro dos a dvoga dos.
Contribuições obrigatórias

A compe tê ncia pa ra fixa r e re ce be r contribuiçõe s obriga tória s, multa s e pre ços de se rviços é do
Conse lho Se cciona l. As a nuida de s de vida s pe los a dvoga dos de ve m se r fixa da s a té 30 de nove mbro
do a no a nte rior, sa lvo e m a no e le itora l, qua ndo se rã o de te rmina da s e comunica da s a o Conse lho
Fe de ra l a té o dia 31 de ja ne iro do a no da posse , pode ndo se r e sta be le cidos pa ga me ntos e m cota s
pe riódica s. Sobre a na ture za e ca ra cte rística s de ssa s re ce ita s, ve r os come ntá rios a o a rt. 46. O
Conse lho Fe de ra l, a s Subse çõe s e a Ca ixa da Assistê ncia nã o a s re ce be m dire ta me nte , ma s
me dia nte tra nsfe rê ncia do Conse lho Se cciona l.

As tra nsfe rê ncia s pa ra a s Subse çõe s e a possíve l compe tê ncia de sta s pa ra re ce bê -la s
dire ta me nte sã o de finida s no orça me nto a nua l, no re gime nto inte rno do Conse lho Se cciona l ou no
a to de constituiçã o de ca da Subse çã o. A pa rte da Ca ixa de Assistê ncia e stá de te rmina da no Esta tuto
(a rt. 62, § 5º), ou se ja , a me ta de líquida da s a nuida de s, conside ra da s a s de duçõe s pre vista s no a rt.
56 do Re gula me nto Ge ra l. Os ga stos com cursos jurídicos pe lo Conse lho Se cciona l nã o pode m se r
supe riore s a o va lor de vido a o fundo cultura l (Eme nta n. 009/2003/TCA).

O CFOAB a dmitiu que a Se cciona l da OAB possa cobra r a nui​da de de se us a dvoga dos e
e sta giá rios inscritos e m proporçã o a o pe ríodo de inscriçã o (Consulta n. 0017/2003/OEP-PE).

Concursos públicos

O Conse lho Se cciona l pa rticipa dos concursos públicos pa ra ingre sso na Ma gistra tura e no
Ministé rio Público (pre vistos na Constituiçã o) e outra s ca rre ira s jurídica s (pre vistos na s le is
e spe cífica s), de ca rá te r loca l, e m toda s a s sua s fa se s, o que inclui a formula çã o dos progra ma s e
sua orga niza çã o. O re pre se nta nte da OAB nã o te m funçã o me ra me nte forma l, pois é inte gra nte da
ba nca e xa mina dora e fisca l. Ca be -lhe a vigilâ ncia , a de núncia a o Conse lho e , se a utoriza do por e ste ,
re tira r-se dos tra ba lhos, e m ca so de viola çã o da s le is e que bra dos princípios de isonomia dos
concorre nte s, da mora lida de a dministra tiva e da impe ssoa lida de (a rt. 37 da Constituiçã o).

A de signa çã o do re pre se nta nte da OAB é de e xclusiva compe tê ncia do Conse lho Se cciona l, nã o
pode ndo ha ve r imposiçã o de re quisito ou condiçã o por pa rte do órgã o público. O Conse lho Ple no do
Conse lho Fe de ra l da OAB de cidiu que e ra fla gra nte me nte inconstituciona l re soluçã o de Tribuna l de
Justiça que de te rminou a indica çã o do re pre se nta nte da OAB me dia nte lista sê xtupla pa ra que o
tribuna l fize sse a e scolha (Proc. 4.288/97/CP).

Trajes dos advogados

É da compe tê ncia do Conse lho Se cciona l de te rmina r os crité rios que e nvolve m o conce ito
inde te rmina do de “e sta r conve nie nte me nte tra ja do”. Ne nhum ma gistra do, tribuna l ou a utorida de
te m o pode r de polícia pa ra de te rmina r que o a dvoga do ou a a dvoga da de va tra ja r-se de sta ou
da que la ma ne ira , como, por e xe mplo, e xigê ncia de te rno e gra va ta pa ra os a dvoga dos ou proibiçã o
de ca lça comprida pa ra a s a dvoga da s. Se os profissiona is e stã o tra ja dos se gundo os costume s do
luga r e da s pe ssoa s comuns, se m e xtra va gâ ncia s, nã o pode m se r obriga dos a outro pa drã o de
ve stuá rio. Há re gistros de vá rios constra ngime ntos sofridos por a dvoga dos, e m virtude de
idiossincra sia s e sté tica s de ma gistra dos e a utorida de s. Da í a oportunida de de sse pre ce ito le ga l.

Orçamento anual

O Conse lho Se cciona l de ve a prova r o orça me nto do a no se guinte , fixa ndo re ce ita e de spe sa ,
inclusive a s tra nsfe rê ncia s pa ra o Conse lho Fe de ra l, Subse çõe s e Ca ixa de Assistê ncia . Se mpre que
ne ce ssá rio pode rá modificá -lo. O q uorum de de libe ra çã o é o comum: ma ioria a bsoluta de se us
me mbros e le itos.

Tribunal de Ética e Disciplina

Compe te a ca da Conse lho Se cciona l cria r o Tribuna l de Ética e Disciplina e de finir sua
composiçã o (tota lida de , orige m e e le içã o dos me mbros) e funciona me nto. O tribuna l, de na ture za
disciplina r, a ssume funçõe s re le va nte s, de duplo e spe ctro: a ) como órgã o julga dor, de cidindo todos
os proce ssos disciplina re s instruídos pe lo Conse lho ou pe la s Subse çõe s; b) como órgã o de consulta
e de promoçã o da é tica profissiona l. Os proce dime ntos que de ve obse rva r e stã o pre vistos no Código
de Ética e Disciplina .

Me dia nte Provime nto, o Conse lho Fe de ra l ta mbé m a tribuiu a o tribuna l a compe tê ncia pa ra
concilia çã o, qua ndo a re pre se nta çã o contra a dvoga do for re que rida por outro a dvoga do. Frustra ndo-
se a concilia çã o, o proce sso se guirá o rito pre visto.

Os me mbros pode m se r re cruta dos de ntro ou fora do próprio Conse lho, se ndo re come ndá ve l o
concurso de a dvoga dos pre stigia dos pe la cla sse , me smo que nã o inte gra nte s de órgã os da OAB. Os
me mbros do tribuna l e xe rce m ma nda to, com pra zo de finido no re gime nto inte rno do Conse lho,
se ndo irre movíve is, sa lvo na s me sma s hipóte se s de pe rda de ma nda to dos conse lhe iros. De sua s
de cisõe s ca be re curso a o Conse lho Se cciona l.

Listas sêxtuplas

O Conse lho Se cciona l e la bora a s lista s sê xtupla s pa ra composiçã o dos tribuna is com jurisdiçã o
no te rritório coincide nte com o de sua compe tê ncia , inclusive dos tribuna is fe de ra is. Ta mbé m
pa rticipa da composiçã o da lista qua ndo o tribuna l tive r a bra ngê ncia inte re sta dua l, incluindo o
te rritório de sua compe tê ncia . Compe te a os Conse lhos Se cciona is a indica çã o dos ca ndida tos que
inte gra rã o a s lista s pa ra os re spe ctivos tribuna is de justiça de sportiva . A ma té ria e stá disciplina da
nos Provime ntos n. 102/2005, 139/2010 e 141/2010 do Conse lho Fe de ra l, os qua is a dmite m que o
Conse lho Se cciona l possa a dota r o siste ma de e le içã o dire ta pa ra e scolha dos ca ndida tos.

Sobre a ma té ria , ve r, ta mbé m, os come ntá rios a o a rt. 54, XIII.

Intervenção

O Conse lho Se cciona l de té m o pode r de inte rvir na s Subse çõe s e na Ca ixa de Assistê ncia ,
dia nte da s me sma s hipóte se s e condiçõe s da inte rve nçã o do Conse lho Fe de ra l nos Conse lhos
Se cciona is, pa ra cujos come ntá rios re me te mos o le itor (a rt. 54, VII). Pa ra inte rvir na s Subse çõe s e na
Ca ixa de Assistê ncia e xige -se q uorum e spe cia l de dois te rços dos conse lhe iros e le itos, pode ndo
vota r, se m compor o q uorum mínimo os e x-Pre side nte s com dire ito a voto.

Obse rva do o pa ra digma de inte rve nçã o pre visto no a rt. 54, VII, do Esta tuto, o Re gula me nto
Ge ra l a tribui ao Re gime nto Inte rno do Conse lho Se cciona l compe tê ncia pa ra re gulá -la ,
suple tiva me nte .

DIRETORIA DO CONSELHO SECCIONAL

A dire toria do Conse lho Se cciona l é e quiva le nte à do Conse lho Fe de ra l, a sa be r: pre side nte ,
vice -pre side nte , se cre tá rio-ge ra l, se cre tá rio-ge ra l a djunto e te soure iro. As a tribuiçõe s de ca da
me mbro da dire toria , e da dire toria como órgã o conjunto de libe ra tivo e e xe cutivo, sã o de finida s no
re gime nto inte rno do Conse lho Se cciona l, gua rda ndo sime tria com a s da dire toria do Conse lho
Fe de ra l, e sta s de te rmina da s pe lo Re gula me nto Ge ra l.

A re pre se nta çã o a tiva ou pa ssiva , e m juízo ou fora de le , é inde le ga ve lme nte do pre side nte , que
de té m a pe na s o voto de qua lida de na s se ssõe s do Conse lho, a lé m de pode r inte rpor o e spe cífico
re curso de e mba rgo à de cisã o nã o unâ nime , pa ra que se ja re a pre cia da a ma té ria e m se ssã o
se guinte .
SUBSEÇÃO DA OAB

CAPÍTULO IV

DA SUBSEÇÃO

Art. 60. A Subseção pode ser criada pelo Conselho Seccional, que fixa sua área territorial e seus
limites de competência e autonomia.

§ 1º A área territorial da Subseção pode abranger um ou mais municípios, ou parte de


município, inclusive da capital do Estado, contando com um mínimo de quinze advogados, nela
profissionalmente domiciliados.

§ 2º A Subseção é administrada por uma diretoria, com atribuições e composição equivalentes às


da diretoria do Conselho Seccional.

§ 3º Havendo mais de cem advogados, a Subseção pode ser integrada, também, por um
Conselho em número de membros fixado pelo Conselho Seccional.

§ 4º Os quantitativos referidos nos parágrafos primeiro e terceiro deste artigo podem ser
ampliados, na forma do Regimento Interno do Conselho Seccional.

§ 5º Cabe ao Conselho Seccional fixar, em seu orçamento, dotações específicas destinadas à


manutenção das Subseções.

§ 6º O Conselho Seccional, mediante o voto de dois terços de seus membros, pode intervir nas
Subseções, onde constatar grave violação desta lei ou do Regimento Interno daquele.

Art. 61. Compete à Subseção, no âmbito de seu território:

I — dar cumprimento efetivo às finalidades da OAB;

II — velar pela dignidade, independência e valorização da advocacia, e fazer valer as


prerrogativas do advogado;

III — representar a OAB, perante os poderes constituídos;

IV — desempenhar as atribuições previstas no Regulamento Geral ou por delegação de


competência do Conselho Seccional.

Parágrafo único. Ao Conselho da Subseção, quando houver, compete exercer as funções e


atribuições do Conselho Seccional, na forma do Regimento Interno deste, e ainda:

a) editar seu Regimento Interno, a ser referendado pelo Conselho Seccional;


b) editar resoluções, no âmbito de sua competência;

c) instaurar e instruir processos disciplinares, para julgamento pelo Tribunal de Ética e


Disciplina;

d) receber pedido de inscrição nos quadros de advogado e estagiário, instruindo e emitindo


parecer prévio, para decisão do Conselho Seccional.

CO MENTÁRIO S

NATUREZA E ESTRUTURA DA SUBSEÇÃO

O Esta tuto ma nte ve a de nomina çã o de Subse çã o, ta lve z e m home na ge m a o uso tra diciona l. No
e nta nto, nã o ma is e xiste “Se çã o” e tã o some nte Conse lho Se cciona l. O a nte proje to da OAB, de
forma ma is coe re nte , tinha suge rido a lte ra r o te rmo Subse çã o pa ra Se çã o, a ssim e nte ndida a pa rte
a utônoma do Conse lho Se cciona l (a liá s, a de nomina çã o do a nte proje to e ra “Esta dua l”), ma s o
Congre sso Na ciona l pre fe riu re toma r a te rminologia a nte rior.

A Subse çã o foi o órgã o da OAB que ma ior tra nsforma çã o sofre u com o novo Esta tuto. O Esta tuto
a nte rior a pe na s se re fe ria a sua dire toria , se m e sta be le ce r e strutura , a tribuiçõe s e os me ios de
a tua çã o. Se u disciplina me nto bá sico e stá pre ce itua do no Re gula me nto Ge ra l.

A Subse çã o é pa rte a utônoma do Conse lho Se cciona l, com jurisdiçã o sobre de te rmina do e spa ço
te rritoria l da que le . Nã o é dota da de pe rsona lida de jurídica própria ou de inde pe ndê ncia , ma s a tua
com a utonomia no â mbito de sua compe tê ncia . É órgã o nã o só do Conse lho Se cciona l, ma s ta mbé m
da OAB e nqua nto instituiçã o como sua me nor unida de . Autonomia , a o contrá rio de inde pe ndê ncia ,
pre ssupõe vínculo e limita çõe s.

A cria çã o da Subse çã o é a to e xclusivo do Conse lho Se cciona l, que de fine sua á re a de


jurisdiçã o, o gra u de compe tê ncia (que pode va ria r de uma pa ra outra ) e a pa rticipa çã o na re ce ita e
no orça me nto, pa ra ma nte r-se . O Provime nto n. 132/2009 e sta be le ce que a de cisã o de cria çã o ou
e xtinçã o de pe nde do voto fa vorá ve l da ma ioria dos me mbros do Conse lho Se cciona l. Nã o há
ne ce ssida de de homologa çã o do Conse lho Fe de ra l. O crité rio bá sico e sta be le cido pe lo Esta tuto é o
da e xistê ncia de um mínimo de quinze a dvoga dos com domicílio profissiona l (ve r, a re spe ito, os
come ntá rios a o a rt. 10) na á re a re spe ctiva , sa lvo se o re gime nto inte rno do Conse lho Se cciona l e xigir
ma ior núme ro.

A compe tê ncia é ta mbé m priva tiva do Conse lho Se cciona l no ca so de de sme mbra me nto de
Subse çã o, ha ve ndo de sne ce ssida de de re fe re ndo do Conse lho Fe de ra l (Proc. 1.756/93/TC).
O Provime nto n. 132/2009 criou o Ca da stro Na ciona l de Subse çõe s da OAB, vincula do a o
Ca da stro Na ciona l dos Advoga dos, com o obje tivo de ide ntificá -la s por núme ro de a dvoga dos e
se rviços pre sta dos, pa ra fim de cla ssifica çã o, orga niza çã o, de stina çã o de re ce ita s e limite s
te rritoria is.

De finido o a lca nce de sua a utonomia , no se u a to constitutivo ou no re gime nto inte rno do
Conse lho Se cciona l, e ste nã o pode ma is inte rfe rir no e xe rcício re gula r e lícito da compe tê ncia
e spe cífica da Subse çã o, sa lvo qua ndo viola dos fore m e ste Esta tuto, a le gisla çã o re gula me nta r ou o
re gime nto inte rno de le . Incumbe à Subse çã o a pre sta çã o de conta s a o Conse lho Se cciona l,
me nsa lme nte , da s re ce ita s a ufe rida s e da s de spe sa s e fe tua da s.

O Esta tuto a bre a possibilida de pa ra o livre e sta be le cime nto da á re a te rritoria l da Subse çã o, ou
de sua modifica çã o ulte rior, pe lo Conse lho Se cciona l, ou se ja , a bra nge ndo um município, pa rte de
município ou ma is de um município, incluindo a ca pita l da unida de fe de ra tiva onde e ste ja se dia do o
Conse lho. Esta última hipóte se é inte re ssa nte e de ve se r via biliza da , pa ra de sce ntra liza r a o má ximo
a s a tivida de s e xe cutiva s do Conse lho Se cciona l, se m risco de pe rda da importâ ncia simbólica de sua
re pre se nta tivida de . Afina l, é ime nso o e le nco de sua s a tribuiçõe s de coorde na çã o, re pre se nta çã o da
cla sse , instâ ncia re cursa l, formula çã o de dire trize s ge ra is e de a tua çã o instituciona l.

Nã o pode ha ve r conflito de a tribuiçõe s e ntre Subse çã o e Conse lho Se cciona l, porque pa ra e ste
pre va le ce o princípio da supre ma cia do todo sobre a pa rte . Qua lque r e ve ntua l conflito e ntre a s
dire toria s de a mbos os órgã os se rá dirimido pe lo Conse lho Se cciona l, se m inte rfe rê ncia do
Conse lho Fe de ra l, sa lvo como instâ ncia re cursa l re gula r, ou e ntã o qua ndo a ma ioria dos
conse lhe iros for dire ta ou indire ta me nte inte re ssa da na de cisã o.

Os a dvoga dos re side nte s na á re a te rritoria l de jurisdiçã o da Subse çã o a e la se vincula m. O


vínculo é de ca rá te r a dministra tivo e de corre da de sce ntra liza çã o da s a tivida de s da OAB. Contudo, o
domicílio profissiona l corre sponde a todo o te rritório da unida de fe de ra tiva , a sa be r, do Esta do-
me mbro, do Distrito Fe de ra l ou do Te rritório Fe de ra l, como de te rmina m os a rts. 10 do Esta tuto e 117
do Re gula me nto Ge ra l.

O pa trimônio mobiliá rio ou imobiliá rio da s subse çõe s pe rte nce a o Conse lho Se cciona l, porque
a que la s nã o de tê m pe rsona lida de jurídica própria , inclusive qua ndo obtido por doa çã o. No e xe rcício
de sua a utonomia , tê m pode r de ge stã o do pa trimônio, o que inclui a be rtura de conta s corre nte s
própria s, e m instituiçõe s fina nce ira s.

DIRETORIA DA SUBSEÇÃO

A Subse çã o é a dministra da por uma dire toria que te m a s me sma s composiçõe s e a tribuiçõe s da
dire toria do Conse lho Se cciona l, que por sua ve z gua rda e quiva lê ncia com a do Conse lho Fe de ra l,
ou se ja , de cinco me mbros. O Esta tuto, contudo, nã o se re fe re à e quiva lê ncia da s de nomina çõe s,
se ndo ra zoá ve l que nã o re produza os te rmos que ca use m confusã o com os ca rgos da dire toria do
Conse lho Se cciona l. Sã o e ste s os ca rgos: pre side nte , vice -pre side nte , se cre tá rio, se cre tá rio a djunto e
te soure iro.

Ao pre side nte compe te a re pre se nta çã o a tiva ou pa ssiva , judicia l e e xtra judicia l, da Subse çã o e
dos a dvoga dos e e sta giá rios jurisdiciona dos. O Esta tuto outorga -lhe e xpre ssa me nte a le gitimida de
proce ssua l no a rt. 49 (ve r, a cima , os come ntá rios a re spe ito).

COMPETÊNCIAS DA SUBSEÇÃO

As compe tê ncia s da Subse çã o sã o de dua s orde ns: a ) compe tê ncia s le ga is; b) compe tê ncia s
de le ga da s.

As compe tê ncia s le ga is sã o e sta be le cida s na Le i n. 8.906/94, corre sponde nte s à s compe tê ncia s
comuns dos Conse lhos Fe de ra l e Se cciona l da OAB, e no Re gula me nto Ge ra l (compe tê ncia s le ga is
e spe cífica s). Compe te à s Subse çõe s, no â mbito de se u te rritório, cumprir a s fina lida de s da OAB (ve r
os come ntá rios a o a rt. 44), ve la r pe la inde pe ndê ncia , dignida de e pre rroga tiva s da a dvoca cia (ve r os
come ntá rios a o a rt. 54, III) e re pre se nta r a OAB pe ra nte os pode re s constituídos loca is.

As compe tê ncia s de le ga da s sã o a s e sta be le cida s pe lo Conse lho Se cciona l, no a to constitutivo


da Subse çã o, no re gime nto inte rno do Conse lho Se cciona l ou e m re soluçã o de ste que a s de fina . A
de le ga çã o de compe tê ncia é a to discricioná rio do Conse lho Se cciona l e nã o de sua dire toria , que
ta mbé m pode rá e sta be le ce r pra zo e suprimi-lo, qua ndo julga r conve nie nte . A de le ga çã o pode rá se r
ge ra l ou e spe cífica pa ra de te rmina da s Subse çõe s. Uma hipóte se ra zoá ve l é a de pode r re ce be r
dire ta me nte a s contribuiçõe s obriga tória s dos a dvoga dos e a plicá -la s na própria Subse çã o.

CONSELHO DA SUBSEÇÃO

O Esta tuto a bre a possibilida de de a s Subse çõe s ma iore s conta re m com Conse lho pa ra
distribuiçã o de sua s a tivida de s. O re quisito mínimo é a e xistê ncia de pe lo me nos ce m a dvoga dos
com domicílio profissiona l na á re a de jurisdiçã o da Subse çã o, sa lvo se o re gime nto inte rno do
Conse lho Se cciona l e xigir núme ro ma ior. Ca be a o Conse lho Se cciona l de finir o núme ro de se us
me mbros e a s compe tê ncia s de le ga da s que pode rá de se mpe nha r, a lé m da s compe tê ncia s le ga is
pre vista s no Esta tuto.

O Conse lho da Subse çã o, qua ndo e xistir e for cria do pe lo Conse lho Se cciona l, de se mpe nha a s
funçõe s de ste , onde coube r, ma s nã o constitui órgã o hie ra rquica me nte supe rior à dire toria . Atua
pa ra le la me nte a e sta , e m cola bora çã o, se gundo a distribuiçã o de compe tê ncia s fixa da e m se u
re gime nto inte rno, a prova do pe lo Conse lho Se cciona l. Porta nto, a dire toria da Subse çã o nã o pe rde
ne m re duz sua s compe tê ncia s com a cria çã o do Conse lho, porque e ste te m a cre scida s a tribuiçõe s
que a e la nã o e ra m come tida s. De qua lque r forma , a dire toria do Conse lho é a me sma da Subse çã o.
Assim, nã o há tota l sime tria e ntre o Conse lho Se cciona l e o Conse lho da Subse çã o.

O Conse lho da Subse çã o pode e dita r re soluçõe s no â mbito de sua compe tê ncia e spe cífica , e
de ve insta ura r e instruir proce ssos disciplina re s pa ra de cisã o do Tribuna l de Ética (ve r os
come ntá rios a o a rt. 58, XIII, e , a ba ixo, a o proce sso disciplina r) e re ce be r e instruir pe didos de
inscriçã o de a dvoga dos e e sta giá rios, pa ra de cisã o do Conse lho Se cciona l (ve r os come ntá rios a o
a rt. 58, VII). Os proce dime ntos a se re m se guidos, re la tiva me nte à instruçã o de proce ssos, e stã o
pre vistos no Re gula me nto Ge ra l.

O obje tivo da cria çã o do Conse lho de Subse çã o é a de sce ntra liza çã o da s a tivida de s do
Conse lho Se cciona l, a tua ndo a que le como bra ço a uxilia r de ste , a lé m de cola bora r com a dire toria
da Subse çã o na distribuiçã o da s ta re fa s da OAB loca l. Há Subse çõe s com um núme ro de a dvoga dos
jurisdiciona dos supe rior a de de te rmina dos Conse lhos Se cciona is, nã o se ndo re come ndá ve l
tra ta me nto le ga l uniforme pa ra situa çõe s tã o he te rogê ne a s.
CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS

CAPÍTULO V

DA CAIXA DE ASSIST ÊNCIA DOS ADVOGADOS

Art. 62. A Caixa de Assistência dos Advogados, com personalidade jurídica própria, destina-se a
prestar assistência aos inscritos no Conselho Seccional a que se vincule.

§ 1º A Caixa é criada e adquire personalidade jurídica com a aprovação e registro de seu Estatuto
pelo respectivo Conselho Seccional da OAB, na forma do Regulamento Geral.

§ 2º A Caixa pode, em benefício dos advogados, promover a seguridade complementar.

§ 3º Compete ao Conselho Seccional fixar contribuição obrigatória devida por seus inscritos,
destinada à manutenção do disposto no parágrafo anterior, incidente sobre atos decorrentes do
efetivo exercício da advocacia.

§ 4º A diretoria da Caixa é composta de cinco membros, com atribuições definidas no seu


Regimento Interno.

§ 5º Cabe à Caixa a metade da receita das anuidades recebidas pelo Conselho Seccional,
considerado o valor resultante após as deduções regulamentares obrigatórias.

§ 6º Em caso de extinção ou desativação da Caixa, seu patrimônio se incorpora ao do Conselho


Seccional respectivo.

§ 7º O Conselho Seccional, mediante voto de dois terços de seus membros, pode intervir na
Caixa da Assistência dos Advogados, no caso de descumprimento de suas finalidades, designando
diretoria provisória, enquanto durar a intervenção.

CO MENTÁRIO S

ORIGEM E OBJETIVOS DA CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS

As Ca ixa s de Assistê ncia dos Advoga dos tive ra m orige m le ga l com o De cre to-Le i n. 4.563/42, que
pe rmitia que a s Se çõe s da OAB pude sse m instituí-la s por de libe ra çã o da s re spe ctiva s a sse mble ia s
ge ra is, com a prova çã o do Conse lho Fe de ra l. Ha via pre visã o pa ra uma dire toria de trê s me mbros e
trê s suple nte s e ma is um Conse lho Fisca l de trê s me mbros, todos e le itos pe lo Conse lho Se cciona l.
Nã o ha via cla re za qua nto à pe rsona lida de jurídica da s Ca ixa s. O De cre to-Le i n. 4.563/42 convive u
com a Le i n. 4.215/63, que nã o o re vogou.

O a tua l Esta tuto re vogou nã o a pe na s o De cre to-Le i n. 4.563/42, ma s toda a le gisla çã o


comple me nta r, uma ve z que cuidou inte ira me nte da s Ca ixa s de Assistê ncia , e le va ndo-a s à condiçã o
de órgã os da OAB (a rt. 45). As norma s e sta tutá ria s procura m e nce rra r conflitos e contrové rsia s que
se mpre e me rgira m e ntre Conse lho Se cciona l e Ca ixa , procura ndo re dime nsiona r a na ture za do
vínculo e ntre a mba s a s e ntida de s.

A Ca ixa é conce bida como órgã o a ssiste ncia l e de se gurida de da OAB, vincula da a o re spe ctivo
Conse lho Se cciona l. O vínculo e stá a ssim constituído: a e le içã o da dire toria da Ca ixa é fe ita e m
conjunto com o Conse lho na me sma cha pa ; o Conse lho é o órgã o que a cria ; o Conse lho te m pode r
de inte rve nçã o e ca ssa çã o; o Conse lho de stina me ta de líquida da s a nuida de s pa ra a ma nute nçã o da
Ca ixa ; o Conse lho a pre cia a s conta s da Ca ixa ; o Conse lho é a instâ ncia re cursa l contra a s de cisõe s
da Ca ixa .

A pe rsona lida de jurídica da Ca ixa dá -se com a a prova çã o e re gistro de se u e sta tuto pe lo
Conse lho Se cciona l, que de té m compe tê ncia de re gistro, dispe nsa do o re gistro civil de pe ssoa s
jurídica s, como já ocorria com a s socie da de s de a dvoga dos, dura nte a vigê ncia da Le i n. 4.215/63.

Pa ra cria çã o de Ca ixa , o Esta tuto pre vê um re quisito mínimo de mil e quinhe ntos inscritos no
Conse lho Se cciona l (a rt. 45, § 4º).

O Esta tuto nã o ma is e spe cifica a a ssistê ncia e tipos de be ne fícios a se re m pre sta dos a os
a dvoga dos pe la Ca ixa , re me te ndo a ma té ria a o e sta tuto a prova do ou modifica do pe lo Conse lho
Se cciona l. Abre , no e nta nto, a possibilida de de a tua r a mpla me nte no ca mpo da se gurida de
comple me nta r, e m toda s a s sua s dime nsõe s: sa úde , pre vidê ncia e a ssistê ncia socia l, nã o só com
se us re cursos próprios, ma s ta mbé m com pla nos de sa úde e pre vidê ncia a que a dira m os
a dvoga dos, constituindo fundo de pe nsã o e stá ve l e se guro.

Nã o pode rá se r ne ga do a uxílio fina nce iro pre visto pe la Ca ixa (no ca so, foi o a uxílio-e duca çã o),
se o a dvoga do e stive r e m dé bito com a Orde m, hipóte se que de ve se r a na lisa da ca so a ca so
(CFOAB, Proc. 2.058/2000/TCA).

A Te rce ira Câ ma ra do CFOAB de cidiu que de ve se r ne ga do a uxílio pe cuniá rio a a dvoga do que ,
suspe nso do e xe rcício profissiona l e m dé bito com a a nuida de , re que re r à Ca ixa a uxílio me nsa l pa ra
pa ga me nto de sta e ma nte r-se na fruiçã o dos de ma is be ne fícios (Re c. 0233/2002/TCA).

As Ca ixa s de Assistê ncia tê m a utogove rno? Ou a pe na s e xe rce m os a tos que os Conse lhos
Se cciona is de libe ra m? O a utogove rno é conse quê ncia da a utonomia ine vitá ve l de que m é dota da de
pe rsona lida de jurídica própria . Se a s Ca ixa s a tê m, por força de le i, e ntã o os vínculos com o
Conse lho Se cciona l sã o e sta be le cidos com re spe ito à s sua s compe tê ncia s e spe cífica s. Da me sma
forma como se dá , no pa ra digma fe de ra lista , e ntre a Uniã o e os Esta dos-me mbros. Embora ha ja
coorde na çã o de a tivida de s e compe tê ncia s, nã o há subordina çã o ou hie ra rquia , o que ocorre ria se
a Ca ixa fosse um órgã o e xe cutivo de sve stido de a utonomia e pe rsona lida de jurídica . Os vínculos
le ga is e xiste nte s e o siste ma de controle do Conse lho Se cciona l sobre a Ca ixa nã o a torna m órgã o
subordina do à que le , ou pa rte nã o a utônoma .

Na hipóte se de conflito de compe tê ncia , e m ma té ria s e xpre ssa me nte nã o pre vista s, dá -se a
soluçã o pe lo princípio da supre ma cia do órgã o hie ra rquica me nte supe rior sobre o infe rior. Na
situa çã o pe culia r da s Ca ixa s, por se re m dota da s de pe rsona lida de jurídica própria , ha ve ndo conflito
e m ma té ria s e m que os me mbros do Conse lho Se cciona l, e m sua ma ioria , se ja m dire ta ou
indire ta me nte inte re ssa dos, tra nsfe re -se a o Órgã o Espe cia l do Conse lho Fe de ra l a compe tê ncia
pa ra de cidi-lo, conforme pre vê o a rt. 85 do Re gula me nto Ge ra l.

DIRETORIA E MANUTENÇÃO DA CAIXA

A dire toria , se gundo o pa ra digma da dire toria do Conse lho Fe de ra l, é composta de cinco
me mbros: pre side nte , vice -pre side nte , se cre tá rio, se cre tá rio-a djunto e te soure iro, e le itos
dire ta me nte pe los a dvoga dos na me sma cha pa do Conse lho Se cciona l que obtive r a ma ioria dos
votos. As a tribuiçõe s dos me mbros da dire toria , e da dire toria como órgã o de libe ra tivo, sã o
de finida s no e sta tuto da Ca ixa (o Esta tuto re fe re -se e quivoca da me nte a re gime nto inte rno no § 4º do
a rt. 62, porque o § 1º pre vê cria çã o me dia nte e sta tuto, nã o se ndo ra zoá ve l a convivê ncia de dois
diploma s com a me sma fina lida de ).

A Ca ixa é ma ntida pe lo Conse lho Se cciona l, me dia nte a tra nsfe rê ncia de me ta de líquida da s
a nuida de s, se gundo os crité rios pre vistos nos a rts. 56 e 57 do Re gula me nto Ge ra l. Te ndo e m vista
que a a tua l re da çã o do a rt. 56 fixou e m se sse nta por ce nto da s a nuida de s o monta nte da s de duçõe s
obriga tória s (Conse lho Fe de ra l, Fundo Cultura l ge rido pe la ESA do Conse lho Se cciona l, Fundo de
Inte gra çã o e De se nvolvime nto Assiste ncia l dos Advoga dos, e de spe sa s de ma nute nçã o do Conse lho
Se cciona l e Subse çõe s), me ta de líquida da s a nuida de s corre sponde a vinte por ce nto. Essa
tra nsfe rê ncia de ve da r-se incontine nti à e fe tiva çã o da s re ce ita s me nsa is. Nã o e stã o incluídos a s
multa s e os pre ços de se rviços. A Ca ixa pode obte r re ce ita s própria s, oriunda s de le is e spe cífica s,
de se us se rviços ou da imple me nta çã o de pla nos de se gurida de comple me nta r.

O orça me nto da Ca ixa é a prova do por e la própria , na forma de se u Esta tuto, nã o pode ndo o
Conse lho Se cciona l a lte rá -lo (Proc. 2.051/2000/TCA). Compe te a o Conse lho Se cciona l fisca liza r toda s
a s a tivida de s da Ca ixa , inclusive a a plica çã o da re ce ita , ma s nã o pode inte rfe rir no pla ne ja me nto
orça me ntá rio, sa lvo se houve r viola çã o da le gisla çã o a plicá ve l. A a plica çã o dos re cursos da Ca ixa
de Assistê ncia de ve rá e sta r de vida me nte de monstra da na s pre sta çõe s de conta s pe riódica s do
Conse lho Se cciona l e na s de ste Conse lho Fe de ra l.

Toda s a s re ce ita s da Ca ixa , de qua lque r e spé cie , de ve m se r de posita da s e m a gê ncia s


ba ncá ria s oficia is, conside ra ndo a fina lida de da norma le ga l de re sgua rda r os re cursos públicos
ge ridos pe la e ntida de (Proc. 216/98/OEP).

Ente nde u o Conse lho Ple no do CFOAB que , na forma de Re soluçã o do Ba nco Ce ntra l, pode m
se r constituída s coope ra tiva s de cré dito, volta da s a a dvoga dos, ma s de la s nã o pode m pa rticipa r a
OAB ou a s Ca ixa s, a inda que se ja lícito o e stímulo à sua constituiçã o (Proc. 4.466/1999/COP).

PECULIARIDADES DA CAIXA

Nã o há ne ce ssida de de Conse lho Fisca l da Ca ixa , porque e sta compe tê ncia é do Conse lho
Se cciona l (a rt. 58, IV, do Esta tuto). Inclusive pa ra julga r sua s conta s.

A Ca ixa de té m pa trimônio próprio, porque é dota da de pe rsona lida de jurídica distinta , e mbora
sob fisca liza çã o e controle pe rma ne nte s do Conse lho Se cciona l re spe ctivo. Em ca so de e xtinçã o da
Ca ixa , se u pa trimônio se rá de stina do a o Conse lho Se cciona l a que se vincule .

A Ca ixa goza de imunida de tributá ria tota l e m re la çã o a se us be ns, re nda s e se rviços, conforme
pre visã o e xpre ssa do § 5º do a rt. 45 da Le i n. 8.906/94. O caput do a rt. 45 inclui e ntre os órgã os da
OAB a Ca ixa . A Corte Espe cia l do STJ (CC 36.557) de cidiu que a s Ca ixa s de Assistê ncia , por se re m
órgã os vincula dos dire ta me nte à OAB, pre sta m se rviços públicos, de ve ndo por isso te r o me smo
tra ta me nto jurídico, pa rticula rme nte qua nto à compe tê ncia da Justiça Fe de ra l pa ra julga r a s a çõe s
e m que se ja m inte re ssa da s. Argume ntou o tribuna l que o fa to de o a rt. 45 do Esta tuto dize r que a s
Ca ixa s sã o dota da s de pe rsona lida de jurídica própria nã o subtra i a sua condiçã o de órgã o da OAB,
a ssim como os sã o os Conse lhos Se cciona is, que por igua l inclue m-se na compe tê ncia da Justiça
Fe de ra l. Ante s, o STF já tinha confe rido imunida de tributá ria à s Ca ixa s, conside ra ndo-a s órgã os da
OAB, constituída da me sma na ture za de sta (RE 272.176-6).

Re toma ndo a discussã o do te ma , o STF re conhe ce u a e xistê ncia de re pe rcussã o ge ra l da


que stã o constituciona l suscita da , no RE 600.010.

A Ca ixa e stá subme tida à fisca liza çã o dos Conse lhos de Fa rmá cia e de Me dicina , be m como
dos órgã os de sa úde pública , no que pe rtine a o e xe rcício do pode r de polícia de sse s órgã os,
e xclusiva me nte no que disse r re spe ito à s a tivida de s de sa úde e me dica me ntos por e la e xe rcida s, e
dos profissiona is que e mpre gue , nos limite s da le gisla çã o a plicá ve l.

Todos os a tos conclusivos e re le va nte s da Ca ixa , com e fe itos e m inte re sse s de te rce iros, de ve m
se r publica dos na impre nsa oficia l, na ínte gra ou e m re sumo.
O Conse lho Se cciona l pode inte rvir na Ca ixa (a rts. 58, XV, e 62, § 7º, do Esta tuto), e m ca so de
de scumprime nto de sua s fina lida de s pe la dire toria ou qua ndo e sta viola r o Esta tuto e le gisla çã o
re gula me nta r, nome a ndo-se dire toria provisória . Essa de cisã o de pe nde de q uorum e spe cia l de dois
te rços (a rt. 108 do Re gula me nto Ge ra l), a sse gura ndo-se à dire toria a cusa da a mplo dire ito de de fe sa .

As Ca ixa s sã o inte gra da s por um órgã o cole tivo de a sse ssora me nto do CFOAB (Coorde na çã o
Na ciona l da s Ca ixa s) re la tiva me nte à política na ciona l de a ssistê ncia e se gurida de .
ELEIÇÕES E MANDATOS

CAPÍTULO VI

DAS ELEIÇÕES E DOS MANDAT OS

Art. 63. A eleição dos membros de todos os órgãos da OAB será realizada na segunda quinzena
do mês de novembro, do último ano de mandato, mediante cédula única e votação direta dos
advogados regularmente inscritos.

§ 1º A eleição, na forma e segundo os critérios e procedimentos estabelecidos no Regulamento


Geral, é de comparecimento obrigatório para todos os advogados inscritos na OAB.

§ 2º O candidato deve comprovar situação regular junto à OAB, não ocupar cargo exonerável ad
nutum, não ter sido condenado por infração disciplinar, salvo reabilitação, e exercer efetivamente a
profissão há mais de cinco anos.

Art. 64. Consideram-se eleitos os candidatos integrantes da chapa que obtiver a maioria dos
votos válidos.

§ 1º A chapa para o Conselho Seccional deve ser composta dos candidatos ao Conselho e à sua
Diretoria e, ainda, à delegação do Conselho Federal e à Diretoria da Caixa de Assistência dos
Advogados, para eleição conjunta.

§ 2º A chapa para a Subseção deve ser composta com os candidatos à diretoria, e de seu
Conselho quando houver.

Art. 65. O mandato em qualquer órgão da OAB é de três anos, iniciando-se em primeiro de
janeiro do ano seguinte ao da eleição, salvo o Conselho Federal.

Parágrafo único. Os conselheiros federais eleitos iniciam seus mandatos em primeiro de


fevereiro do ano seguinte ao da eleição.

Art. 66. Extingue-se o mandato automaticamente, antes de seu término, quando:

I — ocorrer qualquer hipótese de cancelamento de inscrição ou de licenciamento do


profissional;

II — o titular sofrer condenação disciplinar;

III — o titular faltar, sem motivo justificado, a três reuniões ordinárias consecutivas de cada
órgão deliberativo do Conselho ou da diretoria da Subseção ou da Caixa de Assistência dos
Advogados, não podendo ser reconduzido no mesmo período de mandato.

Parágrafo único. Extinto qualquer mandato, nas hipóteses deste artigo, cabe ao Conselho
Seccional escolher o substituto, caso não haja suplente.

Art. 67. A eleição da Diretoria do Conselho Federal, que tomará posse no dia 1º de fevereiro,
obedecerá às seguintes regras:

I — será admitido registro, junto ao Conselho Federal, de candidatura à presidência, desde seis
meses até um mês antes da eleição;

II — o requerimento de registro deverá vir acompanhado do apoiamento de, no mínimo, seis


Conselhos Seccionais;

III — até um mês antes das eleições, deverá ser requerido o registro da chapa completa, sob
pena de cancelamento da candidatura respectiva;

IV — no dia 31 de janeiro do ano seguinte ao da eleição, o Conselho Federal elegerá, em


reunião presidida pelo conselheiro mais antigo, por voto secreto e para mandato de 3 (três) anos, sua
diretoria, que tomará posse no dia seguinte;

V — será considerada eleita a chapa que obtiver maioria simples dos votos dos Conselheiros
Federais, presente a metade mais 1 (um) de seus membros.

• Incisos IV e V com redação dada pelo art. 1º da Lei n. 11.179/2005.

Parágrafo único. Com exceção do candidato a Presidente, os demais integrantes da chapa


deverão ser conselheiros federais eleitos.

CO MENTÁRIO S

SISTEMA E DATA DA ELEIÇÃO GERAL DOS MEMBROS DE ÓRGÃOS DA OAB

O Esta tuto unifica o siste ma de e le içã o pa ra os ca rgos da OAB, que se proce ssa na me sma
da ta . A e le içã o é dire ta pa ra todos os ca rgos, sa lvo pa ra o de pre side nte na ciona l da OAB, que é
se midire ta . Sã o e sta s sua s ca ra cte rística s ge ra is:

a ) vota çã o dire ta , de todos os a dvoga dos, de ca rá te r obriga tório;

b) vota çã o e m cha pa comple ta (dire toria e de ma is me mbros do Conse lho Se cciona l,


conse lhe iros fe de ra is, dire tore s da Ca ixa de Assistê ncia , dire tore s da Subse çã o qua ndo for e ste o
ca so);

c) da ta única ;
d) cé dula única , sa lvo qua ndo for utiliza da urna e le trônica ;

e ) ma nda to uniforme de trê s a nos.

Até a se gunda quinze na do mê s de nove mbro do último a no do ma nda to, os Conse lhos
Se cciona is de ve m re a liza r a s e le içõe s, e m dia pre via me nte de finido, se gundo os crité rios e
proce dime ntos de finidos pe lo Re gula me nto Ge ra l (a rts. 128 e s.). Ca be a os Conse lhos Se cciona is
promove r a mpla divulga çã o da s e le içõe s, e m se us me ios de comunica çã o, nã o pode ndo re cusa r a
publica çã o, e m condiçõe s de a bsoluta igua lda de , do progra ma de toda s a s cha pa s.

A comissã o e le itora l, composta de cinco a dvoga dos a use nte s da disputa e e scolhida pe la
dire toria , é indispe nsá ve l, compe tindo-lhe conduzir a e le içã o, de signa r me sa s re ce ptora s, a pura r os
votos e procla ma r o re sulta do.

Nã o sã o a dmitida s cé dula s e le itora is va ria da s, porque ma cula m o sigilo do voto. A cé dula é


única , consta ndo a pe na s a s indica çõe s da s cha pa s concorre nte s, pa ra livre e scolha do e le itor. No
ca so da Subse çã o, a cé dula se rá comple me nta da com a s cha pa s concorre nte s à dire toria e a o se u
Conse lho, se houve r.

O compa re cime nto dos a dvoga dos inscritos no Conse lho Se cciona l à e le içã o é obriga tório,
fica ndo suje ita à multa de 20% do va lor da a nuida de a a usê ncia nã o justifica da . Proposiçã o, no
se ntido de dispe nsa r da obriga torie da de do compa re cime nto à vota çã o os a dvoga dos com ma is de
70 a nos, como modifica çã o do Re gula me nto Ge ra l, foi re je ita da por una nimida de de votos pe lo
Conse lho Ple no do CFOAB, pois importa ria a lte ra çã o da Le i n. 8.906/94 (DOU, 7-3-2010, p. 134).

O a dvoga do lice ncia do, e m virtude de incompa tibilida de te mporá ria , nã o pode vota r e nã o pode
se r multa do e m virtude de sua a usê ncia , de sde que do conhe cime nto da OAB (CFOAB, Proc.
1.642/95/SC). Se nã o comunicou a funçã o incompa tibiliza nte e stá suje ito à sa nçã o disciplina r (a rt. 36,
III, do Esta tuto) e se u voto pode se r impugna do. Ne ssa dire çã o, de cidiu o Órgã o Espe cia l do CFOAB
(Consulta n. 0013/2003/OEP) que o a sse ssor de de se mba rga dor, por e xe rce r funçã o incompa tíve l com
a a dvoca cia , nã o pode vota r e m e le içã o da OAB.

Em qua lque r hipóte se , a impugna çã o a o voto de e le itor e ve ntua lme nte nã o inscrito na OAB
de ve se r fe ita no a to da vota çã o, se ndo de fe sa a posteriori, como de cidiu o Órgã o Espe cia l (Proc.
0006/2002/OEP); com e fe ito, a impugna çã o poste rior à vota çã o de ixá -la -ia à conve niê ncia da cha pa
concorre nte , se o re sulta do lhe fosse de sfa vorá ve l, o que significa ria a gir contra o a to próprio (venire
contra factum proprium ). Como de libe ra do pe lo CFOAB (Re c. 0350/2004-TCA), o re sulta do da e le içã o
“de ve se r pre se rva do qua ndo o a to motiva dor do re curso nã o houve r sido impugna do no mome nto
de sua re a liza çã o”, e m virtude de pre clusã o.

O voto é se cre to, inva lida ndo-se a cé dula que contive r qua lque r ra sura ou ide ntifica çã o.
O CFOAB te m de cidido que o Código Ele itora l constitui le gisla çã o suple tiva do Esta tuto na s
e le içõe s da OAB, ma s a pe na s se rá a plicá ve l qua ndo ine xistir tota lme nte norma da e ntida de (Re c.
0004/2003/OEP), de ve ndo se r e sgota da s toda s a s possibilida de s de inte rpre ta çã o se gundo a s
pe culia rida de s própria s. Na hipóte se de voto e le trônico, a dota r-se -ã o, no que coube r, a s re gra s
e sta be le cida s na Le gisla çã o Ele itora l, de a cordo com o § 6º do a rt. 134 do Re gula me nto Ge ra l. Ma s
nã o há se gundo turno na s e le içõe s da OAB. Se gundo e nte ndime nto do Órgã o Espe cia l do CFOAB
(Eme nta n. 077/2012/OEP), qua ndo o Esta tuto e sta be le ce ma ioria , a e xpre ssã o usa da nã o comporta
inte rpre ta çã o e xte nsiva , nã o pode ndo se r confundida com ma ioria a bsoluta .

A tra nsfe rê ncia do domicílio e le itora l pa ra e xe rcício do voto some nte pode rá se r re que rida a té
a s 18 (de zoito) hora s do dia a nte rior à publica çã o do e dita l de a be rtura do pe ríodo e le itora l da
re spe ctiva Se cciona l (Re s. n. 04/2012).

Os proce dime ntos da e le içã o fora m minude nte me nte disciplina dos no Re gula me nto Ge ra l, a rts.
128 e se guinte s, com a re da çã o da da e m 9 de de ze mbro de 2005. De sta que -se a proibiçã o de
propa ga nda por me io de e missora de te le visã o ou rá dio e por me io de outd oors e m todo o pa ís. A
propa ga nda de ve se r mode ra da , a ssim e nte ndida a que nã o ultra pa sse um oita vo de pá gina de
jorna l e um qua rto de pá gina de re vista ou ta bloide , te ndo por fito re duzir os custos de ca mpa nha e
e vita r o a buso do pode r político e e conômico no â mbito da OAB.

“As e le içõe s vincula m-se a o disposto no Edita l, cujos te rmos de ve m se r re spe ita dos pe los
ca ndida tos e sua s re spe ctiva s cha pa s, a fim de a sse gura r um proce sso e le itora l justo e de mocrá tico”
(CFOAB, Re c. 0003/2004-TCA).

REQUISITOS DE ELEGIBILIDADE

Os ca ndida tos inte gra nte s da cha pa , pa ra qua lque r ca rgo da OAB, ne ce ssita m comprova r que
e xe rce m a profissã o há ma is de cinco a nos, e xcluído o pe ríodo de e stá gio. Nã o ba sta a inscriçã o
re gula r. Ape na s pode se r conside ra do o pe ríodo ininte rrupto, nã o pode ndo se r a dmitida a soma de
pe ríodos de scontínuos pa ra o quinquê nio (CFOAB, Proc. 202/98/OEP). A e xigê ncia do pra zo de cinco
a nos pode se r cumprida a té o dia da posse le ga l e nã o a té o dia da s e le içõe s, conforme
e nte ndime nto do Órgã o Espe cia l do CFOAB, se guindo orie nta çã o a dota da na jurisprudê ncia dos
tribuna is supe riore s (Proc. 351/2001/OEP). Advoga do que e xe rce a tivida de há ma is de cinco a nos
pode se r ca ndida to, me smo que sua inscriçã o suple me nta r na Se cciona l te nha te mpo infe rior à que le
(Consulta n. 0014/2003/OEP). A e xigê ncia de e fe tivo e xe rcício da a dvoca cia , pre vista nos a rts. 5º e 131
do Re gula me nto Ge ra l, de ve re ce be r tra ta me nto re stritivo, morme nte qua ndo há prova da prá tica
profissiona l da a dvoca cia , me smo por via s dive rsa s da que la s suge rida s pe la s re fe rida s norma s,
me ra me nte e xe mplifica tiva s.
O Esta tuto e xige comprova çã o de situa çã o re gula r junto à OAB, significa ndo que :

a ) e ste ja e m dia com o pa ga me nto da s contribuiçõe s obriga tória s ou multa s;

b) nã o e ste ja e xe rce ndo ca rgo incompa tíve l, e m ca rá te r pe rma ne nte ou te mporá rio (ve r os
come ntá rios a o a rt. 27);

c) nã o e ste ja e m situa çã o de de scumprime nto a qua lque r de te rmina çã o da OAB.

Outro re quisito de e le gibilida de é a a usê ncia de conde na çã o disciplina r, sa lvo se houve r sido
re a bilita do (ve r come ntá rios a o a rt. 41). Só pode se r conside ra da a conde na çã o de finitiva tra nsita da
e m julga do. A conde na çã o suje ita a re curso nã o impe de a ca ndida tura , porque nã o pode ha ve r
a inda re gistro nos a sse nta me ntos do inscrito. A e xistê ncia de simple s sa nçã o disciplina r de
a dve rtê ncia (ve r come ntá rios a o a rt. 36, pa rá gra fo único) inva lida a ca ndida tura .

O último re quisito é o de nã o ocupa r o concorre nte ca rgo e xone rá ve l ad nutum . Na siste má tica
da Le i n. 8.906/94 ca rgos de ssa na ture za nã o sã o ne ce ssa ria me nte incompa tíve is, sa lvo se
corre sponde re m a os tipos do a rt. 28 (ve r come ntá rios a cima ). Pa ra fins de e le içã o, no e nta nto,
inva lida m a ca ndida tura , se ja ou nã o incompa tíve l. Conside ra m-se ta is os ca rgos de provime nto e m
comissã o, de funçõe s de confia nça ou a dministra çã o na Administra çã o Pública dire ta ou indire ta
(a uta rquia s, funda çõe s pública s, e mpre sa s de e conomia mista ou pública s). De cidiu o CFOAB (Re c.
0041/2004/TCA) que a funçã o de juiz le igo e m juiza do e spe cia l, por se r de missíve l ad nutum , torna o
a dvoga do ine le gíve l.

O Re gula me nto Ge ra l (a rt. 131) a cre sce ntou a s e xigê ncia s de e sta r o ca ndida to inscrito na
re spe ctiva Se cciona l da OAB, com inscriçã o principa l ou suple me nta r, de nã o e sta r e m dé bito com a
pre sta çã o de conta s a o Conse lho Fe de ra l, no ca so de dirige nte de Conse lho Se cciona l ou de Ca ixa
de Assistê ncia dos Advoga dos, e de nã o te r tido conta s re je ita da s (Re s. n. 02/2011).

CHAPA CONCORRENTE

Nã o pode ha ve r ca ndida tura s isola da s ou pe ssoa is. Ape na s se rã o a dmitida s ca ndida tura s
inte gra nte s de cha pa s comple ta s que indique m com cla re za qua is os concorre nte s a os ca rgos da
dire toria e do Conse lho, de conse lhe iros fe de ra is e da dire toria da Ca ixa , a lé m dos re spe ctivos
suple nte s. No ca so da Subse çã o, a cha pa e spe cífica indica rá os concorre nte s a os ca rgos da dire toria
e de se u conse lho, qua ndo houve r.

Nã o pode o ca ndida to a pre side nte na cha pa de sistir do re curso, uma ve z que o dire ito é de
todos os inte gra nte s da cha pa , se ndo indisponíve l. Re ce be u-se o re curso, a nula ndo-se a s e le içõe s
e m uma Subse çã o (Proc. 1.845/95/TC, DJU).
O § 3º do a rt. 128 do Re gula me nto Ge ra l e sta be le ce importa nte re gra de ga ra ntia de igua lda de
de compe tiçã o e ntre a s cha pa s, a o a sse gura r a ca da uma o a ce sso à lista ge m a tua liza da com nome
e e nde re ço, inclusive e le trônico, dos a dvoga dos e le itore s.

É possíve l a a lte ra çã o da cha pa , a nte s da e le içã o, se a lgum inte gra nte re nuncia r, fa le ce r ou for
conside ra do ine le gíve l, conside ra ndo-se vota do o substituto (a rt. 131, § 6º, do Re gula me nto Ge ra l).
Ne sse se ntido, a dmitiu a Te rce ira Câ ma ra do CFOAB (Re c. 0391/2004-TCA) a substituiçã o de
inte gra nte da cha pa ocupa nte de ca rgo incompa tíve l com a a dvoca cia e m da ta poste rior à do
protocolo de inscriçã o.

A ine le gibilida de pa ra pa rticipa çã o e m ple ito e le itora l que suce de à que le a nula do por
a plica çã o do a rt. 133 do Re gula me nto Ge ra l a tinge a pe na s o ca ndida to que tive r da do ca usa à
a nula çã o, nã o se e ste nde ndo a os de ma is inte gra nte s da cha pa (Eme nta n. 032/2013/OEP).

Dura nte a vota çã o, nã o pode o e le itor substituir ou suprimir inte gra nte s da cha pa , pa ra que nã o
ha ja risco de inva lida çã o e que bra do sigilo.

Ocorre ndo a hipóte se de e mpa te e ntre a s cha pa s concorre nte s, novo ple ito de ve rá se r
re a liza do. Ta l fa to ocorre u no Esta do do Ama pá , na s e le içõe s de 1994 (CFOAB, Proc. 1.838/94/TC).

ELEIÇÃO DA DIRETORIA DO CONSELHO FEDERAL

O Esta tuto pre vê re gra s e spe cífica s pa ra a e le içã o da Dire toria do Conse lho Fe de ra l. O siste ma
a dota do é se midire to. Na vigê ncia da le gisla çã o a nte rior, os conse lhe iros fe de ra is e scolhia m a
dire toria , me dia nte o voto da s de le ga çõe s, qua ndo toma va m posse . A Le i n. 8.906/94 criou um colé gio
e le itora l a mplia do, composto dos Conse lhos Se cciona is. Ma nte ve -se o princípio fe de ra tivo da
igua lda de do voto de ca da unida de , ou se ja , o re sulta do ma joritá rio e m ca da Conse lho Se cciona l
va lia um voto pa ra a cha pa concorre nte e scolhida . Toda via , a Le i n. 11.179/2005, modificou o siste ma ,
re a s​s e gura ndo a o Conse lho Fe de ra l o dire ito de e le ge r sua Dire toria , com muda nça substa ncia l:
substituiu o princípio fe de ra tivo (ca da de le ga çã o um voto) pe lo voto unipe ssoa l de ca da conse lhe iro
fe de ra l. Na me sma de le ga çã o pode rá ha ve r dive rgê ncia na e scolha da s cha pa s. Assim, a e le içã o da
Dire toria e , principa lme nte , do pre side nte do Conse lho Fe de ra l nã o é dire ta ne m indire ta ; é , sim,
cole gia l, como ocorre na s e le içõe s pa ra pre side nte s dos órgã os cole gia dos.

Ele itore s sã o a pe na s os conse lhe iros fe de ra is e le itos na e le içã o ha vida no Conse lho Se cciona l
na se gunda quinze na do mê s de nove mbro do último a no do ma nda to e xcluindo-se os e x-
Pre side nte s do Conse lho Fe de ra l.

A e le içã o fa r-se -á no dia 31 de ja ne iro do a no se guinte a o da e le içã o dos conse lhe iros fe de ra is,
por voto se cre to, toma ndo posse a dire toria no dia 1º de fe ve re iro. A re uniã o do colé gio e le itora l
se rá pre sidida pe lo conse lhe iro e le ito ma is a ntigo, ou se ja , o que conta r com ma ior te mpo de
ma nda tos suce ssivos ou inte rrompidos (a rt. 65 do Re gula me nto Ge ra l); se a inda a ssim pe rma ne ce r o
e mpa te , há de pre va le ce r o de inscriçã o ma is a ntiga , já que a e xpe riê ncia foi o crité rio le ga lme nte
a dota do.

A e le içã o da r-se -á por cha pa que indique os ca ndida tos a os ca rgos da dire toria do Conse lho
Fe de ra l, e m cé dula única que conte nha toda s a s cha pa s concorre nte s, ou ide ntifica da s na urna
e le trônica . O Re gula me nto e sta be le ce u dois pra zos distintos pa ra o re gistro da s ca ndida tura s: de 31
de julho a 31 de de ze mbro do a no a nte rior à e le içã o, pa ra re gistro de ca ndida tura à Pre sidê ncia ,
a compa nha do da s de cla ra çõe s de a poio de , no mínimo, se is Conse lhos Se cciona is; a té 31 de
de ze mbro do a no a nte rior à e le içã o, pa ra re gistro de cha pa comple ta , com a ssina tura s, nome s,
núme ros de inscriçã o na OAB e comprova nte s de e le içã o pa ra o Conse lho Fe de ra l, dos ca ndida tos
a os de ma is ca rgos da Dire toria . Ta mbé m pode rá se r e fe tiva do e m uma única oportunida de na da ta
da se gunda e ta pa , com a cha pa comple ta . O Esta tuto e xige que ha ja o a poia me nto de , no mínimo,
se is Conse lhos Se cciona is. Esse a poia me nto nã o significa vínculo pa ra vota çã o pe los re spe ctivos
conse lhe iros fe de ra is, ma s ce rtifica çã o de idone ida de e le itora l, pois sã o livre s pa ra vota r e m que m
e nte nde re m me lhor. A ra zã o de se r da s dua s e ta pa s é que , sa lvo o ca ndida to a pre side nte , os
de ma is inte gra nte s a os outros ca rgos da dire toria de ve m se r conse lhe iros e le itos na e le içã o ge ra l
ime dia ta me nte a nte rior.

A vota çã o é se cre ta , de ve ndo o pre side nte do colé gio e le itora l indica r trê s e scrutina dore s,
re solve r a s que stõe s de corre nte s do proce sso e le itora l e procla ma r o re sulta do, va le ndo-se da s
re gra s do Ca pítulo VII do Re gula me nto Ge ra l, onde coube r. Se rá procla ma da e le ita a cha pa que
obtive r a ma ioria simple s do cole gia do, pre se nte me ta de ma is um dos e le itore s. Re curso contra
de cisã o do pre side nte do colé gio e le itora l nã o te rá e fe ito suspe nsivo; se rá de cidido pe lo colé gio
e le itora l ime dia ta me nte e nã o pre judica rá a posse dos e le itos no dia se guinte (a rt. 77 do Esta tuto).

A nova re gra e le itora l, pre vista no inciso V do a rt. 67, com a re da çã o da da pe la Le i n.


11.179/2005, pre vê dois re quisitos pa ra e le içã o dos me mbros da cha pa que obtive r a ma ioria dos
votos: a ) ma ioria simple s dos conse lhe iros e le itos pre se nte s; b) q uorum de pre se nça de me ta de
ma is um dos conse lhe iros fe de ra is e le itos. O crité rio da ma ioria simple s dife re do que foi utiliza do
como re gra ge ra l no a rt. 64 do Esta tuto, isto é , a ma ioria dos votos vá lidos, se ja qua l for se u
pe rce ntua l. Assim, se ne nhuma cha pa concorre nte à Dire toria do Conse lho Fe de ra l obtive r a
ma ioria simple s dos votos dos conse lhe iros pre se nte s, a vota çã o de ve rá se r re pe tida a té que
a lguma a a tinja . O a rt. 137-A do Re gula me nto Ge ra l e sta be le ce u que , na se gunda vota çã o,
concorre rã o a pe na s a s dua s cha pa s ma is vota da s, re pe tindo-se a vota çã o a té que a ma ioria se ja
a tingida . Na a usê ncia de norma s e xpre ssa s no Esta tuto e no Re gula me nto Ge ra l, ou e m Provime nto,
a plica -se , suple tiva me nte , no que coube r, a le gisla çã o e le itora l.

Na le gisla çã o e stra nge ira , há re gistro de e le içã o dire ta pa ra pre side nte . A Le i de Que be c, de
1995 (Loi sur le Barreau), pre vê que todos os a dvoga dos sã o e le gíve is, de sde que te nha m sido
me mbros do Conse lho Ge ra l, no mínimo por um a no, e se ja m a poia dos por, a o me nos, trinta
a dvoga dos e m e xe rcício.

MANDATOS

O ma nda to pa ra todos os ca rgos da OAB (Conse lho Fe de ra l, Conse lhos Se cciona is, Subse çõe s e
Ca ixa de Assistê ncia ) é uniforme : trê s a nos. A re e le içã o nã o e stá ve da da . Contudo, pa ra os me smos
ca rgos de dire çã o, o Conse lho Fe de ra l e a lguns Conse lhos Se cciona is tê m a dota do a pra xe sa luta r
da nã o re e le içã o, pe rmitindo ma ior rota tivida de de mocrá tica .

O Esta tuto optou pe lo início do ma nda to e m 1º de ja ne iro do a no se guinte da e le içã o, e xce to


pa ra o Conse lho Fe de ra l, que inicia e m 1º de fe ve re iro se guinte . Vá ria s ra zõe s milita ra m e m fa vor
de ssa muda nça (a nte s a s da ta s e ra m 1º de fe ve re iro e 1º de a bril, re spe ctiva me nte ), se ndo a ma is
forte a de e vita r te nta tiva s la me ntá ve is de invia biliza çã o ou e sgota me nto da s ve rba s orça me ntá ria s
por pa rte da dire toria do Conse lho a nte rior contra a cha pa ve nce dora que por e la nã o fora a poia da .

A posse dos e le itos inde pe nde de qua lque r a to da dire toria ou do Conse lho a nte rior. Embora a
posse le ga l se dê e m 1º de ja ne iro, fe ria do mundia l, inde pe nde nte me nte de qua lque r forma lida de ,
na da impe de que o novo Conse lho progra me fe stivida de s de posse pa ra outra da ta que julga r
conve nie nte .

Ocorre ndo dúvida s qua nto à orde m dos suple nte s e le itos, pre va le ce a re gra ge ra l da
pre fe rê ncia da inscriçã o ma is a ntiga , conforme de cidiu o Ple no do Conse lho Fe de ra l (Proc.
4.064/95/CP).

O Esta tuto pre vê qua tro hipóte se s de pe rda do ma nda to a nte s de se u té rmino, pondo cobro a
a lguma s dive rgê ncia s que e me rgira m na vigê ncia da le gisla çã o a nte rior:

a ) ca nce la me nto da inscriçã o, de ofício ou por comunica çã o de te rce iro, por a lguns dos motivos
pre ce itua dos no a rt. 11 do Esta tuto (ve r come ntá rios a cima );

b) lice ncia me nto voluntá rio ou le ga l. Escla re ce a Súmula n. 05/2013, do Órgã o Espe cia l do
CFOAB, que os ca sos de incompa tibilida de s dispostos no a rt. 28 do Esta tuto importa m na pe rda do
ca rgo de Conse lhe iro ou Dire tor de todos os órgã os da OAB;

c) conde na çã o disciplina r de qua lque r tipo, e m ca rá te r de finitivo;

d) fa lta injustifica da a trê s re uniõe s suce ssiva s de qua lque r órgã o de libe ra tivo da OAB a que se
vincule (Ple no, Câ ma ra s, Comissõe s pe rma ne nte s ou e spe cia is). Ba sta a fa lta suce ssiva a um de sse s
órgã os, me smo que comprove fre quê ncia a outros, no me smo pe ríodo.

Alé m da s hipóte se s de pe rda , há e xtinçã o do ma nda to ou va câ ncia de ca rgo dire tivo nos ca sos
de morte , inca pa cida de civil ou re núncia .

Ne sse ponto é de se r sa lie nta da a pe culia r na ture za do ma nda to de me mbro de órgã o da OAB
(a rt. 48 da Le i n. 8.906/94): é se rviço público, de e xe rcício gra tuito e obriga tório. A gra tuida de e ,
sobre tudo, a obriga torie da de nã o fora m e sta be le cida s como fa culda de ou me ra re come nda çã o.
Qua lque r a dvoga do é livre pa ra se r e le ito e e mpossa do no ca rgo de me mbro de órgã o da OAB.

A e xtinçã o, ocorre ndo uma da s hipóte se s pre vista s na le i, é a utomá tica , inde pe nde ndo de a to
de cla ra tório do órgã o da OAB. Ca be à Se cre ta ria re spe ctiva , incumbida do re gistro da s fre quê ncia s,
comunica r o fa to a o pre side nte , pa ra que e ste solicite a o Conse lho Se cciona l compe te nte a e scolha
do substituto (conse lhe iro fe de ra l, conse lhe iro se cciona l, dire tor do Conse lho, de Subse çã o ou da
Ca ixa ), ca so nã o ha ja suple nte e le ito. Ne ste último ca so, a posse se rá ime dia ta .

Se houve r qua lque r de ssa s hipóte se s, a nte s da posse , o ma nda to nã o se inicia , poré m a plica -se
a na logica me nte a me sma re gra do pa rá gra fo único do a rt. 66, ou se ja , o Conse lho Se cciona l
e mpossa do e le ge rá o substituto.

Ente nde u a Te rce ira CFOAB que , ocorre ndo va ga e m virtude de re núncia (ou qua lque r outra
hipóte se — a cre sce nta mos), o ca ndida to te rá de obte r ma ioria de votos do Conse lho, nã o se
conside ra ndo e le ito se a ssim nã o se de r (Proc. 2.050/2000/TCA). Esse e nte ndime nto a plica -se a
qua lque r ca rgo dire tivo dos órgã os da OAB, que de ve se r pre e nchido me dia nte e le içã o do Conse lho
Se cciona l ou do Conse lho Fe de ra l, ne sse ca so pa ra a re spe ctiva Dire toria (a rt. 98, § 3º, do
Re gula me nto Ge ra l). O substituto le ga l a pe na s e xe rce o ca rgo, e m ca so de fa lta ou impe dime nto do
titula r, oca siona lme nte , nunca e m ca so de va câ ncia .
PROCESSO NA OAB

T ÍTULO III

DO PROCESSO NA OAB

CAPÍTULO I

DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 68. Salvo disposição em contrário, aplicam-se subsidiariamente ao processo disciplinar as


regras da legislação processual penal comum e, aos demais processos, as regras gerais do
procedimento administrativo comum e da legislação processual civil, nessa ordem.

Art. 69. Todos os prazos necessários à manifestação de advogados, estagiários e terceiros, nos
processos em geral da OAB, são de quinze dias, inclusive para interposição de recursos.

§ 1º Nos casos de comunicação por ofício reservado, ou de notificação pessoal, o prazo se conta
a partir do dia útil imediato ao da notificação do recebimento.

§ 2º Nos casos de publicação na imprensa oficial do ato ou da decisão, o prazo inicia-se no


primeiro dia útil seguinte.

CO MENTÁRIO S

PROCESSO E NORMAS SUPLETIVAS

O Esta tuto conce ntrou e m um título e spe cífico toda s a s ma té ria s re la tiva s a proce sso e
proce dime nto a dministra tivo na OAB. Poré m, ne m toda s e stã o ne le pre vista s, e sim a s de ca rá te r
ge ra l e principiológico, que provoca m e fe itos nos inte re sse s de te rce iros. Os proce dime ntos
e spe cíficos fora m re me tidos pa ra o Re gula me nto Ge ra l ou pa ra o Código de Ética e Disciplina .

As norma s suple tiva s a o Esta tuto e à le gisla çã o re gula me nta r e stã o pre vista s e m dua s á re a s
de te rmina da s: pa ra o proce sso e proce dime nto disciplina r a plica m-se suple tiva me nte a s norma s da
le gisla çã o proce ssua l pe na l comum (princípios ge ra is); pa ra os de ma is proce ssos (por e xe mplo, os
re la tivos à inscriçã o ou a impe dime ntos), a plica m-se suple tiva me nte , e m prime iro luga r, a s norma s
do proce sso a dministra tivo comum (princípios de dire ito a dministra tivo e os proce dime ntos a dota dos
na re spe ctiva le gisla çã o, principa lme nte a Le i n. 9.784/99) e , e m se gundo luga r, a s norma s de
proce sso civil.
O dire ito disciplina r te m na ture za de dire ito a dministra tivo e nã o de dire ito pe na l, nã o pode ndo
se r a plica do a e le , inclusive qua nto à s infra çõe s disciplina re s, a s re gra s suple tiva s da le gisla çã o
pe na l, ne m me smo se us princípios ge ra is. Essa importa nte distinçã o foi be m nota da pe la doutrina
e spe cia liza da , inclusive por e mine nte s juspe na lista s (Ma nzini, 1961, v. 1, p. 106; Asúa , 1950, v. 1, p. 39).
Por e ssa ra zã o, é possíve l a dupla sa nçã o, pe na l e disciplina r, e m virtude da me sma fa lta , nã o
ha ve ndo pre va lê ncia da a bsolviçã o, no pla no crimina l, sobre o proce sso disciplina r.

Pre va le ce no proce sso a dministra tivo o princípio do informa lismo ou do forma lismo mode ra do.
O proce sso a dministra tivo é forma l no se ntido que de ve se r e scrito e obse rva r os princípios
e sse ncia is do de vido proce sso le ga l e da a mpla de fe sa . Ma s nã o se gue a forma e os ritos próprios
do proce sso judicia l, significa ndo dize r que , a sse gura do o dire ito de de fe sa , pre domina a
simplifica çã o forma l e a a usê ncia de forma s rígida s. Esta be le ce o a rt. 2º, VIII e IX, da Le i n. 9.784/99,
que re gula o proce sso a dministra tivo no â mbito da Administra çã o Pública Fe de ra l, a plicá ve l
suple tiva me nte à OAB, que a pe na s se e xige no proce sso a dministra tivo a “obse rvâ ncia da s
forma lida de s e sse ncia is à ga ra ntia dos dire itos dos a dministra dos” e a “a doçã o de forma s simple s,
suficie nte s pa ra propicia r a de qua do gra u de ce rte za , se gura nça e re spe ito a os dire itos dos
a dministra dos”; de te rmina o a rt. 22 que “os a tos do proce sso a dministra tivo nã o de pe nde m de
forma de te rmina da se nã o qua ndo a le i e xpre ssa me nte e xigir ”.

PRAZOS E NOTIFICAÇÕES

Os pra zos, e m qua lque r proce sso a dministra tivo na OAB, sã o unifica dos e m quinze dia s. De
a cordo com o a rt. 139 do Re gula me nto Ge ra l (com a re da çã o da da pe la Re s. n. 9/2016 do CFOAB-
Ple no, com vigê ncia a pa rtir de 1º de ja ne iro de 2017) sã o computa dos a pe na s os dia s úte is, nã o
pode ndo se r corridos. Por força da Re s. n. 10/2016 do CFOAB-Ple no, e ntre os dia s 20 e 31 de
de ze mbro e dura nte o pe ríodo de re ce sso (ja ne iro) do Conse lho da OAB que profe riu a de cisã o
re corrida , os pra zos sã o suspe nsos, re inicia ndo-se no prime iro dia útil a pós o se u té rmino.

Assim, se ja pa ra ma nife sta çã o de qua lque r na ture za no proce sso, se ja pa ra re corre r, o pra zo é
único, ta nto pa ra o me mbro de órgã o da OAB como pa ra a s pa rte s, inte re ssa dos ou te rce iros.

O pra zo único a ca rre ta ma is va nta ge ns do que de sva nta ge ns, e vita ndo a prolife ra çã o de pra zos
e forma s de conta ge m que ta nto a torme nta o tra ba lho profissiona l do a dvoga do e m nossa s
le gisla çõe s proce ssua is. Todos os re cursos, inclusive e ve ntua is e mba rgos de cla ra tórios, de fe sa s e
ra zõe s fina is, sã o inte rpostos de ntro do pra zo único.

Os pra zos sã o conta dos da se guinte forma :

a ) se a notifica çã o foi pe ssoa l, me dia nte ca rta , conta m-se a pa rtir do dia útil se guinte , inclusive ,
a o da da ta e m que foi a nota do o re ce bime nto, nã o ne ce ssa ria me nte da junta da do a viso (AR) do
Corre io ou de me nsa ge iro da OAB. Porta nto, o te rmo inicia l nã o é o da junta da , ma s sim a da ta do
re ce bime nto pe lo de stina tá rio. A de mora da se cre ta ria da OAB pa ra junta da nã o prorroga o te rmo
inicia l, qua ndo a comunica çã o foi e fe tiva da a o de stina tá rio. Se a notifica çã o nã o foi fe ita
dire ta me nte à pe ssoa do de stina tá rio, de ve se r re fe ita . Após a se gunda te nta tiva , ca be a re gra ge ra l
da notifica çã o por e dita l;

b) se a notifica çã o foi pe la impre nsa oficia l, conta m-se a pa rtir do prime iro dia útil se guinte ,
inclusive , da publica çã o. Essa hipóte se , sa lvo no ca so de e dita l, nã o de ve se r utiliza da pa ra a
prime ira notifica çã o, e sim pa ra a s de ma is (inclusive pa ra inte rposiçã o de re curso), sobre tudo e m se
tra ta ndo de a dvoga do que te m o há bito profissiona l (e a té o de ve r) de le r a impre nsa oficia l com
re gula ​rida de ;

c) dura nte o pe ríodo de re ce sso dos Conse lhos da OAB, os pra zos sã o suspe nsos, re inicia ndo-
se no prime iro dia útil que se se guir a se u té rmino.

O CFOAB te m de cidido que ofício com AR, se m me nçã o do e nde re ço do de stina tá rio e re ce bido
por te rce iro, nã o pode constituir prova re gula r de notifica çã o (Re c. 283/SC/83). Ta mbé m de cidiu que ,
no proce sso disciplina r, fe re m o dire ito de a mpla de fe sa a de cisã o que nã o conce de pra zo ra zoá ve l
pa ra loca liza r te ste munha a rrola da pe lo re pre se nta do e a fa lta de intima çã o pa ra a compa nha r os
de poime ntos colhidos dura nte a instruçã o (Re c. 1.281/SC/93). Ma s se o proce sso nã o ve rsa sobre
ma té ria disciplina r, a publica çã o no Diá rio Oficia l da pa uta da se ssã o, com indica çã o cla ra da da ta
e m que se rá julga do, é suficie nte pa ra ga ra ntia da a mpla de fe sa (Proc. 295/2000/OEP).

Há de cisã o do CFOAB (Proc. 4.690/95/PC) e nte nde ndo que a posta ge m do re curso na a gê ncia
dos Corre ios da loca lida de do re corre nte , no pra zo a ssina la do, torna te mpe stiva a inte rposiçã o.
PROCESSO DISCIPLINAR

CAPÍTULO II

DO PROCESSO DISCIPLINAR

Art. 70. O poder de punir disciplinarmente os inscritos na OAB compete exclusivamente ao


Conselho Seccional em cuja base territorial tenha ocorrido a infração, salvo se a falta for cometida
perante o Conselho Federal.

§ 1º Cabe ao Tribunal de Ética e Disciplina, do Conselho Seccional competente, julgar os


processos disciplinares, instruídos pelas Subseções ou por relatores do próprio Conselho.

§ 2º A decisão condenatória irrecorrível deve ser imediatamente comunicada ao Conselho


Seccional onde o representado tenha inscrição principal, para constar dos respectivos assentamentos.

§ 3º O Tribunal de Ética e Disciplina do Conselho onde o acusado tenha inscrição principal


pode suspendê-lo preventivamente, em caso de repercussão prejudicial à dignidade da advocacia,
depois de ouvi-lo em sessão especial para a qual deve ser notificado a comparecer, salvo se não
atender à notificação. Neste caso, o processo disciplinar deve ser concluído no prazo máximo de
noventa dias.

Art. 71. A jurisdição disciplinar não exclui a comum e, quando o fato constituir crime ou
contravenção, deve ser comunicado às autoridades competentes.

Art. 72. O processo disciplinar instaura-se de ofício ou mediante representação de qualquer


autoridade ou pessoa interessada.

§ 1º O Código de Ética e Disciplina estabelece os critérios de admissibilidade da representação e


os procedimentos disciplinares.

§ 2º O processo disciplinar tramita em sigilo, até o seu término, só tendo acesso às suas
informações as partes, seus defensores e a autoridade judiciária competente.

Art. 73. Recebida a representação, o Presidente deve designar relator, a quem compete a
instrução do processo e o oferecimento de parecer preliminar a ser submetido ao Tribunal de Ética e
Disciplina.

§ 1º Ao representado deve ser assegurado amplo direito de defesa, podendo acompanhar o


processo em todos os termos, pessoalmente ou por intermédio de procurador, oferecendo defesa
prévia após ser notificado, razões finais após a instrução e defesa oral perante o Tribunal de Ética e
Disciplina, por ocasião do julgamento.

§ 2º Se, após a defesa prévia, o relator se manifestar pelo indeferimento liminar da


representação, este deve ser decidido pelo Presidente do Conselho Seccional, para determinar seu
arquivamento.

§ 3º O prazo para defesa prévia pode ser prorrogado por motivo relevante, a juízo do relator.

§ 4º Se o representado não for encontrado, ou for revel, o Presidente do Conselho ou da


Subseção deve designar-lhe defensor dativo.

§ 5º É também permitida a revisão do processo disciplinar, por erro de julgamento ou por


condenação baseada em falsa prova.

Art. 74. O Conselho Seccional pode adotar as medidas administrativas e judiciais pertinentes,
objetivando a que o profissional suspenso ou excluído devolva os documentos de identificação.

CO MENTÁRIO S

PODER DE PUNIR E DE EXECUTAR DECISÃO CONDENATÓRIA IRRECORRÍVEL

O pode r de punir a dvoga do ou e sta giá rio inscritos na OAB por infra çã o disciplina r re la ciona da
com a a tivida de profissiona l é e xclusivo da OAB, nã o pode ndo fa zê -lo qua lque r outra a utorida de
constituída , inclusive os ma gistra dos. Sobre a a dvoca cia pública , ve r os come ntá rios a o a rt. 3º, § 1º.

O Conse lho Se cciona l compe te nte é a que le e m cuja ba se te rritoria l ocorre u a infra çã o
disciplina r e tra mitou o proce sso a dministra tivo corre sponde nte , e nã o o da inscriçã o originá ria ,
ca be ndo o julga me nto e a a plica çã o da sa nçã o disciplina r a o re spe ctivo Tribuna l de Ética e
Disciplina (sobre o tribuna l, re me te mos o le itor a os come ntá rios a o a rt. 58, XIII).

Some nte a pós o trâ nsito e m julga do da de cisã o o Conse lho Se cciona l onde tra mitou o proce sso
re me tê -lo-á a o Conse lho onde o sa nciona do te nha inscriçã o principa l, pa ra fins de re gistro e m se us
a sse nta me ntos, se for o ca so. De a cordo com a Re s. n. 02/2016/SCA, a de cisã o conde na tória
irre corríve l pode rá se r comunica da por me io e le trônico e inse rida no ca da stro na ciona l de sa nçõe s
disciplina re s; a me sma Re soluçã o ta mbé m a dmite que a compe tê ncia pa ra e xe cuçã o da sa nçã o
disciplina r pode rá se r de le ga da a o Tribuna l de Ética e Disciplina se houve r ta l pre visã o no
re gime nto inte rno do Conse lho Se cciona l corre sponde nte . Os e fe itos da conde na çã o a lca nça m a s
e ve ntua is inscriçõe s suple me nta re s.

Re solve ndo conflito de compe tê ncia , a firmou o CFOAB (Eme nta n. 141/2014/OEP) a compe tê ncia
do Conse lho Se cciona l onde o profissiona l te m se u re gistro principa l e a pa rtir do qua l e xe rce
re gula rme nte a profissã o, pa ra fins de e xe cuçã o da puniçã o de cidida por outro Se cciona l.

Se a fa lta foi come tida pe ra nte o Conse lho Fe de ra l, se ja por a dvoga do, se ja por me mbro de
órgã o da OAB, ca be a e ste a compe tê ncia originá ria pa ra proce ssa r e punir, a tra vé s de sua Câ ma ra
compe te nte , a plica ndo a sa nçã o que julga r oportuna . A proba bilida de de sua ocorrê ncia é e sca ssa ,
contudo. Escla re ce u o Conse lho Fe de ra l que a infra çã o ocorrida na ba se te rritoria l do Conse lho
Se cciona l do Distrito Fe de ra l é ne ste proce ssa da , se ndo a que le incompe te nte (Proc. 4.503/99/COP).

Os proce dime ntos do proce sso disciplina r sã o obje to de disciplina me nto minude nte no Título II
do Código de Ética e Disciplina de 2015.

O Conse lho Fe de ra l de cidiu (Proc. 1.551/94/PC) que no proce sso a dministra tivo disciplina r nã o
se pode a tribuir e fe ito de nulida de à a usê ncia de forma liza çã o do a córdã o, qua ndo dos a utos
consta m o voto do re la tor e o re gistro da motiva çã o que de te rminou a de cisã o, pe rmitindo o
e xe rcício do contra ditório e da a mpla de fe sa .

Proble ma re corre nte no proce sso disciplina r é a a le ga çã o de ce rce a me nto do dire ito de de fe sa ,
o que le va à inva lida çã o tota l ou pa rcia l. O CFOAB e nte nde u que a ca ra cte riza : a fa lta de
de libe ra çã o sobre re que rime nto proba tório te mpe stiva me nte formula do, ta nto ma is qua nto, no
prosse guime nto, de cide -se contra ria me nte a o re que re nte (Proc. 1.181/92/SC); a dispe nsa , pe lo órgã o
julga dor, da s te ste munha s, a o a rgume nto de que se us de poime ntos se ria m de sne ce ssá rios à vista
da prova já colhida (Proc. 1.555/94/SC); a de signa çã o de da ta de julga me nto, a pe sa r da intima çã o
e xpe dida e nã o re ce bida (Proc. 1.667/95/SC); a a usê ncia da s a le ga çõe s fina is (Re c. 0255/2002/SCA); a
de cisã o que se ba se ia e m fa to e dispositivo e sta tutá rio dive rsos dos contidos na de cisã o que
insta urou o proce sso disciplina r e sobre os qua is nã o foi o re corre nte notifica do pa ra se de fe nde r
(Re c. 0194/2003/SCA). Ma s nã o a ca ra cte riza a fa lta de a rrola me nto da s te ste munha s no mome nto
proce ssua l oportuno (Proc. 1.511/94/SC), ou qua ndo o re pre se nta do re ce be toda s a s intima çõe s
ne ce ssá ria s e ma nife sta -se vá ria s ve ze s no proce sso (Proc. 1.493/94/SC).

No proce sso é tico-disciplina r, pa rte é qua lque r pe ssoa , nã o ne ce ssa ria me nte a dvoga do; o
re pre se nta nte pode se r le igo, ma gistra do, promotor de justiça , a utorida de pública . Toda via , a
comunica çã o oficia l por pa rte de a utorida de nã o a conve rte e m pa rte , pois o pre side nte da OAB
pode insta ura r de ofício o proce sso, a pa rtir da comunica çã o re ce bida . O proce sso a dministra tivo
nã o e xige a re pre se nta çã o, por a dvoga do, da pa rte , que pode postula r dire ta me nte . O a ca ta me nto
a o princípio constituciona l do contra ditório e da a mpla de fe sa nã o pode se r le va do a o e xtre mo de
conve rte r o proce sso a dministra tivo e m proce sso judicia l, pois a le gisla çã o proce ssua l pe na l é
suple tiva .

Advirta -se , como de cidiu a Se gunda Câ ma ra do CFOAB, que “a insta ura çã o de proce sso
disciplina r e xige , a o me nos, princípio de prova a lia do a indícios suficie nte s de infra çã o é tica .
Pre va le ce o princípio da inocê ncia , a té prova e m contrá rio” (Re c. 0360/2002/SCA). A me sma Se gunda
Câ ma ra (Re s. n. 02/2016/SCA) e sta be le ce u que , ha ve ndo supe rve niê ncia de conde na çã o no curso da
e xe cuçã o da sa nçã o disciplina r de suspe nsã o do e xe rcício profissiona l, tra ta ndo-se de a plica çã o de
nova sa nçã o da me sma na ture za , unifica r-se -ã o os pra zos fixa dos na s re spe ctiva s conde na çõe s,
e nqua nto que se fore m sa nçõe s de na ture za distinta promove r-se -á a e xe cuçã o simultâ ne a ou de
forma suce ssiva .

FASES DO PROCEDIMENTO DISCIPLINAR

Em qua lque r da s fa se s do proce dime nto disciplina r, pre va le ce o princípio da pre sunçã o de
inocê ncia do a dvoga do re pre se nta do, ra zã o por que a le i de te rmina que se re spe ite o sigilo.
Enqua nto nã o houve r de cisã o de finitiva tra nsita da e m julga do, ou a rquiva me nto, o proce sso
disciplina r nã o pode se r obje to de divulga çã o ou publicida de . Só pode m te r a ce sso a e le a s pa rte s,
os de fe nsore s, o re la tor e se us a uxilia re s. Assim, como de cidiu o Órgã o Espe cia l do CFOAB (Proc.
0007/2002/OEP), nã o pode se r divulga do o nome comple to do re pre se nta do na pa uta de julga me nto,
pode ndo se r indica do por sua s inicia is.

O Esta tuto e o Código de Ética e Disciplina simplifica ra m profunda me nte o proce dime nto
disciplina r, e xtinguindo as dua s pa rte s pre vista s na le gisla çã o a nte rior (inve stiga çã o e
a dmissibilida de e insta ura çã o do proce sso disciplina r), e que contribuía pa ra o de sne ce ssá rio
re ta rda me nto da funçã o disciplina r da OAB.

A insta ura çã o dá -se a utoma tica me nte com a re pre se nta çã o de qua lque r pe ssoa ou a utorida de ,
contra o inscrito, ou por de te rmina çã o de ofício do pre side nte do Conse lho Se cciona l ou da
Subse çã o, qua ndo e sta conta r com Conse lho (ve r os come ntá rios a o a rt. 61, pa rá gra fo único). Nã o se
pode e xigir re quisitos forma is de te rmina dos pa ra o re ce bime nto da re pre se nta çã o disciplina r,
má xime qua ndo é fe ita por le igos, que a pre se nta m sua s que ixa s, confia nte s na OAB, utiliza ndo
lingua ge m popula r. Se for ve rba l, se rá re duzida a e scrito pe la Se cre ta ria . É a sse gura da a obte nçã o
de cópia , me dia nte fotocópia , fotogra fia ou digita liza çã o, de a utos de proce ssos é tico-disciplina re s
(Re s. n. 02/2014 do CFOAB).

Ante s de inicia da a instruçã o proce ssua l, pode rá ha ve r a ná lise pré via dos pre ssupostos de
a dmissibilida de da s re pre se nta çõe s disciplina re s, por comissõe s de a dmissibilida de no â mbito dos
Tribuna is de Ética e Disciplina , composta s por se us me mbros ou por conse lhe iros se cciona is, que
pode m propor se u a rquiva me nto (CED, a rt. 68, com a re da çã o da Re s. n. 04/2016).

Toda a instruçã o proce ssua l é pre sidida pe lo re la tor de signa do pe lo pre side nte da Subse çã o ou
do Conse lho Se cciona l, concluindo-a com um pa re ce r pré vio a se r subme tido a o julga me nto do
Tribuna l de Ética e Disciplina . O Código de Ética e Disciplina de 2015 a dmite que os a tos de
instruçã o proce ssua l possa m se r de le ga dos a o Tribuna l de Ética e Disciplina , conforme dispuse r o
re gime nto inte rno do Conse lho Se cciona l; ne ssa hipóte se , ca be rá a o Pre side nte do Tribuna l
de signa r o re la tor pa ra instruçã o proce ssua l, por sorte io.

Assim, o proce sso disciplina r de sdobra -se e m dua s fa se s proce dime nta is suce ssiva s: uma de
instruçã o e outra de julga me nto.

INSTRUÇÃO E DEFESA

Ca be a o re la tor de signa do de te rmina r a notifica çã o do profissiona l re pre se nta do e a instruçã o


do proce sso, ba ixa ndo e m diligê ncia , re quisita ndo e produzindo prova s, ouvindo te ste munha s e a s
pa rte s e tudo o ma is que se ja ne ce ssá rio pa ra a pura çã o dos fa tos.

Re ce bida a notifica çã o, o profissiona l re pre se nta do a pre se nta rá de fe sa pré via e scrita e prova s,
a compa nha ndo o proce sso e m toda s a s sua s fa se s, pe ssoa lme nte , ou me dia nte a dvoga do, ou
de fe nsor da tivo. O pra zo é o me smo de quinze dia s, ma s pode se r prorroga do pe lo re la tor, ha ve ndo
motivo re le va nte .

Se o re pre se nta do nã o a pre se nta r de fe sa pré via ou nã o for e ncontra do, o re la tor solicita rá a o
pre side nte que de signe de fe nsor da tivo. Toda via , “fora da s e stre ita s hipóte se s do § 4º do a rtigo 73,
do Esta tuto, nã o se proce de à nome a çã o de de fe nsor da tivo. Se a pa rte , pe ssoa lme nte intima da pa ra
ra zõe s fina is, compa re ce se mpre a os a utos, a nte s e de pois de ssa intima çã o, há de se e nte nde r que ,
se nã o produziu ra zõe s fina is, foi porque nã o o quis” (CFOAB, Re c. 0360/2004/SCA).

Instruído o proce sso, a pós a produçã o da s prova s, inclusive com o de poime nto de no má ximo
cinco te ste munha s, a bre -se a o re pre se nta do a oportunida de de ofe re ce r ra zõe s fina is a pós
notifica do pe ssoa lme nte ou pe la impre nsa oficia l. Ence rra -se o proce dime nto de instruçã o com o
pa re ce r pre limina r do re la tor, que de ve conte r a de scriçã o cla ra dos fa tos e o e nqua dra me nto le ga l.
Ca be a o inte re ssa do incumbir--se do compa re cime nto de sua s te ste munha s. Compe te a o
re sponsá ve l pe la instruçã o a busca da ve rda de re a l dos fa tos, a inda que a s pa rte s nã o a fa cilite m,
nã o pode ndo pre va le ce r se ntime ntos corpora tivista s, que nã o contribue m pa ra a dignida de da
profissã o e a re a liza çã o re sponsá ve l do pode r sa nciona dor que a le i come te u à OAB.

O re la tor, a pós a de fe sa pré via , pode conve nce r-se da insubsistê ncia da re pre se nta çã o,
opina ndo por se u a rquiva me nto a o pre side nte da Subse çã o ou do Conse lho Se cciona l. Se o
pre side nte nã o concorda r com o a rquiva me nto, o re la tor prosse guirá o proce dime nto de instruçã o
a té a o se u fina l. O Código de Ética e Disciplina (a rt. 58, § 3º) ta mbé m pre vê a possibilida de de
a rquiva me nto, indica do pe lo re la tor a o pre side nte do Conse lho, a nte s da de fe sa pré via , qua ndo a
re pre se nta çã o disciplina r e stive r de sconstituída dos pre ssupostos mínimos de a dmissibilida de , por
e xe mplo, qua ndo o suposto a dvoga do nã o for inscrito na OAB. Como de cidiu o Órgã o Espe cia l do
CFOAB (Consulta n. 0003/2002/OEP), a compe tê ncia pa ra a rquiva me nto do proce dime nto é tico-
disciplina r é e xclusiva e inde le gá ve l do Pre side nte do Conse lho Se cciona l (a rt. 73, § 2º, do Esta tuto),
e m ra zã o da re le vâ ncia da de cisã o. Com a ce rto, pois configura o juiz a dministra tivo na tura l. Ma s nã o
pode o Pre side nte de te rmina r o a rquiva me nto se houve r indícios forte s de infra çã o, de te rmina ndo a
dila çã o proba tória a nte s de de cidir (Re c. 0314/2002/SCA). A fa lta de funda me nta çã o do de spa cho do
Pre side nte da Se cciona l de sa te nde a re gra do a rt. 73, § 2º, do Esta tuto; qua ndo o re la tor se
ma nife sta r pe lo inde fe rime nto limina r da re pre se nta çã o, o Pre side nte do Conse lho Se cciona l
de ve rá , funda me nta da me nte , de cidir a re spe ito, se ja pa ra inde fe rir, se ja pa ra a rquiva r o fe ito
(Eme nta 159/2007/SCA).

A re pre se nta çã o contra me mbros do Conse lho Fe de ra l e pre side nte s do Conse lho Se cciona l é
proce ssa da e julga da pe lo Conse lho Fe de ra l, que ne ste ca so re ce be u compe tê ncia originá ria .

Ao re pre se nta do re ve l da r-se -á de fe nsor da tivo, que de ve a tua r com toda diligê ncia profissiona l
possíve l, sob pe na de infringir o princípio de a mpla de fe sa , o que le va à ine vitá ve l a nula çã o do
proce sso. Ma s “nã o se vislumbra ce rce a me nto de de fe sa , qua ndo a pa rte , intima da por via posta l
e m sua re sidê ncia , compa re ce e /ou se fa z re pre se nta r nos principa is a tos proce ssua is, pa rticipa ndo
a tiva me nte da instruçã o do fe ito, e la bora ndo pe ça s e scrita s e re cursos, se mpre a te mpo e modo”
(CFOAB, Proc. 0003/2002/OEP).

JULGAMENTO PELO TRIBUNAL DE ÉTICA E DISCIPLINA

O Tribuna l de Ética e Disciplina (TED), como visto, é a prime ira instâ ncia de julga me nto do
proce sso disciplina r, com re curso a o Conse lho Se cciona l, sa lvo na hipóte se de a rquiva me nto limina r
pe lo Pre side nte do Conse lho.

Por ma is gra ve e notória que se ja a infra çã o disciplina r, o Conse lho Se cciona l nã o pode
dispe nsa r a a pre cia çã o pe lo TED, pa ra nã o incorre r e m supre ssã o de instâ ncia e comprome time nto
do dire ito de de fe sa .

Re ce be ndo o proce sso instruído, o pre side nte do Tribuna l de signa rá , me dia nte sorte io, um de
se us me mbros pa ra re la tá -lo, pode ndo a compa nha r ou nã o o pa re ce r do re la tor da instruçã o.
Qua ndo o TED for de le ga tá rio de compe tê ncia pa ra a instruçã o proce ssua l, o re la tor de sta nã o
pode rá se r o me smo pa ra julga me nto.

Ha ve ndo risco de pre scriçã o, e m virtude de má instruçã o pe lo Conse lhe iro re la tor, o Pre side nte
do TED pode rá sa ne a r o proce sso, a dota ndo a s providê ncia s ne ce ssá ria s pa ra suprir a s la cuna s de
instruçã o.
Pa ra propicia r a suste nta çã o ora l, o re pre se nta do é intima do pe la se cre ta ria do Tribuna l, com
quinze dia s de a nte ce dê ncia . De cidiu o CFOAB, e m ca so e m que o julga me nto foi a dia do e re a liza do
ma is de um a no de pois, que te ria de ha ve r nova intima çã o no Diá rio de Justiça da s pa rte s e de se us
procura dore s, sob pe na de ce rce a me nto de de fe sa e nulida de (Eme nta n. 206/2014/OEP).

Após a le itura do re la tório e voto, o re pre se nta do ou se u a dvoga do pode rá promove r de fe sa


ora l, no pra zo de quinze minutos, pode ndo se r inquirido pe los me mbros do Tribuna l. De cidirá e ste ,
por ma ioria de se us me mbros. O re la tor, no TED, se e nte nde r insuficie nte a instruçã o, pode rá
de te rmina r diligê ncia s. O TED pode de scla ssifica r a sa nçã o indica da pe lo Conse lhe iro que instruiu o
proce sso, por e xe mplo, de e xclusã o pa ra suspe nsã o, se a ssim for se u conve ncime nto.

A suste nta çã o ora l, pe ra nte o TED ou Conse lho, nã o é condiçã o de va lida de do julga me nto.
Assim, nã o constitui ce rce a me nto de de fe sa o inde fe rime nto do a dia me nto da se ssã o do julga me nto,
pa ra fa cilita r a produçã o da suste nta çã o (Re c. 0450/2003/SCA).

Toda s a s de cisõe s a dota da s e m proce ssos é tico-disciplina re s, da me sma forma que ocorre com
o proce sso comum, tê m a sua le ga lida de subordina da à funda me nta çã o. Os motivos de fa to e de
dire ito que suste nta m de ve m se r e xpre ssa me nte consigna dos. Nã o se pode a dmitir de cisã o se m
a córdã o; ou a córdã o se m o voto de vida me nte funda me nta do; ou omissã o da junta da da a ta da
se ssã o de julga me nto, ou de se u e xtra to.

A de cisã o de ve se r obje to de publica çã o na impre nsa oficia l, indica ndo a pe na s o núme ro do


proce sso, o órgã o proce ssa nte ou julga dor, a s inicia is dos nome s da s pa rte s, se us núme ros de
inscriçã o e os nome s, por e xte nso, de se us e ve ntua is procura dore s, com se us núme ros de inscriçã o.
Qua ndo o proce sso e stive r concluído, ce ssa a re gra de sigilo, pois é obriga tória a publicida de da
pe na de suspe nsã o e e xclusã o.

O Tribuna l de Ética e Disciplina nã o é composto ne ce ssa ria me nte por me mbros do Conse lho
Se cciona l; pode conta r com a dvoga dos nã o e le itos. Ne sse se ntido, o Órgã o Espe cia l do CFOAB
e ditou a Súmula 01/2007, e scla re ce ndo que : “Ine xiste nulida de no julga me nto de re curso e m ma té ria
é tico-disciplina r re a liza do por órgã o composto por a dvoga do nã o Conse lhe iro, de signa do nos te rmos
do Re gime nto Inte rno do Conse lho Se cciona l”.

Após o trâ nsito e m julga do da de cisã o conde na tória profe rida por órgã o julga dor da OAB,
de ve rá o Conse lho Se cciona l compe te nte , ou o Conse lho Fe de ra l, qua ndo se tra ta r de proce sso
originá rio, inse rir a s re spe ctiva s informa çõe s no Ca da stro Na ciona l de Sa nçõe s Disciplina re s da
Orde m dos Advoga dos do Bra sil, instituído pe lo CFOAB me dia nte Re s. n. 01/2014/SCA. Cumprida e
e xtinta a sa nçã o disciplina r, de ve rá a informa çã o se r inse rida no me smo ca da stro, no pra zo de 48
hora s, pa ra ba ixa do re gistro.
SUSPENSÃO PREVENTIVA

Em ca so e xce pciona l de gra ve s re pe rcussõe s à dignida de da a dvoca cia , o Tribuna l de Ética e


Disciplina pode rá toma r a inicia tiva , de ofício ou por solicita çã o do pre side nte do Conse lho, de
suspe nde r pre ve ntiva me nte o inscrito. Re come nda -se e xtre ma ca ute la , pa ra que nã o se conve rta e m
instrume nto pe rse cutório. Nã o ba sta qua lque r ofe nsa ou infra çã o, por ma is gra ve que se ja , ou a
a utorida de do ofe ndido. A suspe nsã o pre ve ntiva , por e nvolve r ime dia ta s re pe rcussõe s no e xe rcício
profissiona l, a pe na s é a dmissíve l e m situa çõe s notória s e pública s, cuja s re pe rcussõe s ultra pa sse m
a s pe ssoa s e nvolvida s e ca use m da no à dignida de cole tiva da a dvoca cia . É o ca so, por e xe mplo, de
notório e pe rma ne nte e nvolvime nto de a dvoga dos com trá fico de droga s, com da nosa re pe rcussã o
ve icula da na impre nsa , ca ra cte riza dor de infra çã o disciplina r gra ve (pa ssíve l de incidê ncia do a rt. 34,
XXV, XXVII e XXVIII). Ne sse se ntido, de cidiu o CFOAB que “a suspe nsã o pre ve ntiva , a que se re fe re
o a rt. 70, § 3º, do Esta tuto, re que r prova ba sta nte , que , a lé m da prá tica de fa lta disciplina r gra ve ,
e vide ncie a re pe rcussã o pre judicia l de ssa à dignida de da a dvoca cia . Nã o pode a suspe nsã o
pre ve ntiva ba se a r-se e m simple s suspe ita , de que nã o re sulte m indícios conclude nte s” (Re c.
0145/2003/SCA).

Em virtude do ca rá te r e xce pciona l da suspe nsã o pre ve ntiva , o § 3º do a rt. 70 do Esta tuto re se rva
sua a plica çã o a o Tribuna l de Ética e Disciplina “onde o a cusa do te nha inscriçã o principa l”. É
e xce çã o pre cisa à re gra do caput do a rtigo, que a tribui o pode r de punir disciplina rme nte a o
Conse lho Se cciona l e m cuja ba se te rritoria l te nha ocorrido a infra çã o.

Ne ssa hipóte se , o proce dime nto é ca ute la r e suma ríssimo e tota lme nte dirigido pe lo Tribuna l,
que ouvirá pre via me nte o a cusa do, a nte s de de cidir pe la suspe nsã o pre ve ntiva , e m se ssã o e spe cia l
de signa da pe lo Pre side nte do Tribuna l. Fa culta a o re pre se nta do ou a se u de fe nsor a a pre se nta çã o
de de fe sa , a produçã o de prova s docume nta is, te ste munha is e outra s, qua nto a o ca bime nto da
suspe nsã o pre ve ntiva , nã o a pe na s qua nto a o a spe cto forma l, ma s qua nto a o conte údo da suposta
infra çã o. Ca be a o re pre se nta do, pa ra a fa sta r a suspe nsã o pre ve ntiva , de monstra r que , me smo
ha ve ndo o fa to, nã o houve re pe rcussõe s pública s ne ga tiva s ou da nosa s à dignida de cole tiva da
a dvoca cia .

Se o a cusa do nã o compa re ce r, se rá substituído por de fe nsor da tivo de signa do pe lo pre side nte
do Conse lho, se gundo a re gra do § 4º, do a rt. 73 do Esta tuto. O pra zo da suspe nsã o pe rdura rá a té a o
julga me nto do proce sso disciplina r, ma s nã o pode rá ultra pa ssa r nove nta dia s.

“Aplica da a suspe nsã o pre ve ntiva , a que se re fe re o a rtigo 70 e sta tutá rio, o proce sso disciplina r
te m de che ga r a te rmo nos 90 (nove nta ) dia s subse que nte s, inde pe nde nte me nte do ofe re cime nto de
re curso — que nã o te m e fe ito suspe nsivo — contra a de cisã o ca ute la r. Os pra zos pre scriciona is
continua m fluindo, no curso da vigê ncia da suspe nsã o pre ve ntiva ou da tra mita çã o do pe rtine nte
re curso” (CFOAB, Re c. 0314/2003/SCA).

A de cisã o pe la suspe nsã o pre ve ntiva cumpre -se ime dia ta me nte , porque o e ve ntua l re curso nã o
te m e fe ito suspe nsivo (a rt. 77 do Esta tuto).

De cidida a suspe nsã o pre ve ntiva , o Tribuna l re me te rá o proce sso a o Pre side nte do Conse lho
(ou da Subse çã o) pa ra de signa r re la tor e promove r a instruçã o, re torna ndo a o Tribuna l pa ra
julga me nto de finitivo.

REPRESENTAÇÃO DISCIPLINAR OFENSIVA À HONRA DO ADVOGADO

A re pre se nta çã o disciplina r, de stituída de comprova çã o e com e vide nte intuito de ofe nde r a
honra do a dvoga do, pode e nse ja r re sponsa bilida de civil do ofe nsor, por da nos mora is. O a buso do
dire ito de re pre se nta r pode , no ca so concre to, da r ca usa a o da no mora l, má xime qua ndo houve r
a rquiva me nto de te rmina do pe lo pre side nte do Conse lho Se cciona l ou pe lo Tribuna l de Ética e
Disciplina , que fa z pre sumir a a usê ncia de prova ou funda me nto da suposta infra çã o.

Em ca so julga do pe lo Tribuna l de Justiça do Esta do de Sã o Pa ulo (AC 118.710-4/0), e x-clie nte


ingre ssou com re pre se nta çã o disciplina r contra a dvoga do, a cusa ndo-o “de nã o te r e scrúpulo” e de
“le va r va nta ge ns e m situa çõe s e mba ra çosa s”, te ndo sido a rquiva da pe lo Tribuna l de Ética e
Disciplina da OAB-SP, por fa lta de comprova çã o dos fa tos. De a cordo com a de cisã o do Tribuna l de
Justiça , “houve a buso e e xce sso” por pa rte da e x-clie nte , que foi conde na da a pa ga r inde niza çã o por
da nos mora is, a nte os constra ngime ntos por que pa ssou o a dvoga do pe ra nte se u órgã o de cla sse e
se us cole ga s, e m virtude da divulga çã o do e pisódio.

REVISÃO DO PROCESSO ÉTICO-DISCIPLINAR

O Ma nua l de Proce dime ntos do Proce sso Ético-Disciplina r do CFOAB re gula me ntou
a de qua da me nte a ma té ria , a o e sta be le ce r que te m na ture za de a çã o de e xclusiva inicia tiva do
a dvoga do punido, nã o se suje ita ndo à disciplina dos re cursos, a plica ndo-se subsidia ria me nte os
a rts. 621 a 627 do Código de Proce sso Pe na l, com obse rvâ ncia dos se guinte s re quisitos:

a ) a re visã o pre ssupõe o trâ nsito e m julga do da de cisã o conde na tória ;

b) a re visã o pode rá se r re que rida e m qua lque r te mpo, a nte s ou a pós a e xtinçã o da pe na ;

c) a re visã o pode se r pa rcia l, com e fe ito de de scla ssifica çã o da infra çã o disciplina r ou re duçã o
da pe na ;

d) a compe tê ncia pa ra o prosse guime nto e julga me nto da re visã o é do CFOAB, qua ndo se tra ta r
de de cisã o de mé rito profe rida e m re curso ou de de cisã o profe rida e m proce ssos disciplina re s
originá rios; ou do Conse lho Se cciona l re spe ctivo, qua ndo se tra ta r de de cisã o conde na tória
tra nsita da e m julga do e m prime ira instâ ncia a dministra tiva ;

e ) o a rt. 73, § 5º, da Le i n. 8.906/94 é ta xa tivo, ma s na e xpre ssã o “e rro de julga me nto”, ne le
inse rida como um dos pre ssupostos da re visã o, ta mbé m se compre e nde a de cisã o contrá ria à le i, à
Constituiçã o, a o Re gula me nto Ge ra l da OAB, a o Código de Ética e Disciplina e a os Provime ntos, na
e xte nsã o pre vista nos a rts. 54, VIII, e 75, caput, do Esta tuto.

Ente nde u a Se gunda Câ ma ra do CFOAB que “é do Conse lho Se cciona l a compe tê ncia pa ra
conhe ce r e julga r o pe dido re visiona l. Pa ra a a plica çã o da pe na de e xclusã o, o Esta tuto da OAB —
Le i 8.906/94 — e xige a ma nife sta çã o fa vorá ve l de 2/3 dos me mbros do Conse lho Se cciona l
compe te nte . Nã o e xige o Esta tuto q uorum idê ntico pa ra o julga me nto do pe dido de re visã o, funda do
e m e rro de julga me nto ou conde na çã o ba se a da e m fa lsa prova ” (Re c. 0146/2003/SCA).

Nã o há ne ce ssida de e notifica çã o de que m te nha fe ito a re pre se nta çã o disciplina r contra o


a dvoga do conde na do, sa lvo se o re la tor e nte nde r que a re visã o possa re sulta r da no a o inte re sse
jurídico que ha ja motiva do a conde na çã o.

O pe dido de re visã o nã o suspe nde os e fe itos da de cisã o conde na tória , ma s o a rt. 68 do CED
a dmite que o re la tor, a nte a re le vâ ncia dos funda me ntos e o risco de conse quê ncia s irre pa rá ve is
pa ra o re que re nte , possa conce de r tute la ca ute la r pa ra suspe nde r a e xe cuçã o.
RECURSOS

CAPÍTULO III

DOS RECURSOS

Art. 75. Cabe recurso ao Conselho Federal de todas as decisões definitivas proferidas pelo
Conselho Seccional, quando não tenham sido unânimes ou, sendo unânimes, contrariem esta Lei,
decisão do Conselho Federal ou de outro Conselho Seccional e, ainda, o Regulamento Geral, o
Código de Ética e Disciplina e os Provimentos.

Parágrafo único. Além dos interessados, o Presidente do Conselho Seccional é legitimado a


interpor o recurso referido neste artigo.

Art. 76. Cabe recurso ao Conselho Seccional de todas as decisões proferidas por seu Presidente,
pelo Tribunal de Ética e Disciplina, ou pela diretoria da Subseção ou da Caixa de Assistência dos
Advogados.

Art. 77. Todos os recursos têm efeito suspensivo, exceto quando tratarem de eleições (arts. 63 e
s.), de suspensão preventiva decidida pelo Tribunal de Ética e Disciplina, e de cancelamento da
inscrição obtida com falsa prova.

Parágrafo único. O Regulamento Geral disciplina o cabimento de recursos específicos, no


âmbito de cada órgão julgador.

CO MENTÁRIO S

TIPOS DE RECURSOS

O Esta tuto pre vê um tipo ge ra l e inomina do de re curso contra de cisã o de qua lque r órgã o da
OAB. O re curso é se mpre volta do à re forma da de cisã o e dirigido a o órgã o hie ra rquica me nte
supe rior.

Nã o pode m se r utiliza dos os tipos de re cursos pre vistos na le gisla çã o proce ssua l comum (pe na l
ou civil), de modo suple tivo, porque nã o há la cuna no Esta tuto. Ao contrá rio, a le i optou
e xpre ssa me nte por um único re curso, com e xclusã o de qua lque r outro, por via de inte rpre ta çã o,
se guindo a te ndê ncia unive rsa l pa ra simplifica çã o e má xima e conomia proce ssua l. Contudo, o
re gula me nto ge ra l ou o re gime nto inte rno do Conse lho Se cciona l pode m instituir moda lida de
e xpre ssa de re curso, pa ra situa çã o e spe cífica , a e xe mplo dos e mba rgos de de cla ra çã o. O Conse lho
Fe de ra l a dmitiu os e mba rgos infringe nte s, e m virtude do princípio da fungibilida de , a inda que nã o
pre vistos le ga lme nte ; no ca so, o Pre side nte da Se cciona l opôs e mba rgos infr