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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA

DÉCIMA QUARTA CÂMARA CÍVEL

APELAÇÃO Nº 0000155-80.2009.8.19.0002
APELANTE: RUBENS CESAR ALVES DA SILVA
APELADO: CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO DOM JOSÉ
RELATOR: DESEMBARGADOR JUAREZ FERNANDES FOLHES

APELAÇÃO. PROCESSO CIVIL. AÇÃO DE ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS


CONTRATUAIS. RITO SUMÁRIO. AUTOR, ADVOGADO, ALEGA QUE RECEBEU TÃO
SOMENTE OS HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA, NÃO TENDO RECEBIDO OS
HONORÁRIOS CONTRATUAIS. CONTRATO VERBAL. REQUER O ARBITRAMENTO DOS
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SENTENÇA JULGANDO IMPROCEDENTE O PEDIDO.
APELAÇÃO DO AUTOR. NÃO PROVIMENTO DA APELAÇÃO.
Ação de “arbitramento de honorários contratuais” ajuizada em face do Condomínio do
Edifício Bispo São José. Autor, advogado, alega que foi constituído patrono do réu para
interposição de ação sumária, sendo destituído ao final da demanda. Aduz que os
honorários de sucumbência já foram resguardados em seu favor e que foi feito
contrato apenas verbal de honorários advocatícios, no percentual de 20% do valor da
condenação, os quais não foram pagos pelo réu. Requer arbitramento de honorários.
Sentença julgando improcedente o pedido. Apelação do autor. Sentença que não
merece reforma. A prestação do serviço profissional assegura aos advogados inscritos
na OAB o direito ao recebimento de honorários, sejam eles contratuais, fixados por
arbitramento judicial, ou sucumbenciais, nos termos do que prescreve o caput do art.
22 da Lei nº 8.906/94. O § 2º do referido artigo é claro ao estipular que “Na falta de
estipulação ou acordo, os honorários são fixados por arbitramento judicial, em
remuneração compatível com o trabalho e o valor econômico da questão, não
podendo ser inferiores aos estabelecidos na tabela organizada pelo Conselho Seccional
da OAB.”. Entretanto, no caso de contrato verbal, como na presente hipótese,
compete ao credor comprovar a existência do crédito que afirma ter. Assim, deve-se
consignar que não estamos diante de uma ausência de estipulação ou de acordo, mas
sim da prova quanto aos seus termos. Aqui, incabível o arbitramento judicial, eis que
foi estipulado acordo de recebimento tão somente dos honorários sucumbenciais, não
logrando o autor comprovar que o contrato verbal convencionou o pagamento, além
dos honorários sucumbenciais, de honorários advocatícios no percentual de 20% da
condenação, ônus que lhe cabia, a teor do art. 333, I, do CPC, deixando, assim, de
provar o fato constitutivo de seu direito. Precedentes jurisprudenciais do STJ e desta
Corte. NÃO PROVIMENTO DA APELAÇÃO.

Vistos, relatados e discutidos os autos da Apelação nº 0000155-


80.2009.8.19.0002, ACORDAM os Desembargadores da Décima Quarta Câmara Cível
do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, em
NEGAR PROVIMENTO À APELAÇÃO, nos termos do voto do Desembargador Relator,
como segue:

RELATÓRIO

Adoto o relatório do juízo sentenciante, assim redigido:


(PO) Apelação nº 0000155-80.2009.8.19.0002

JUAREZ FERNANDES FOLHES:000009714 Assinado em 30/09/2015 16:52:57


Local: GAB. DES JUAREZ FERNANDES FOLHES
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“RUBENS CESAR ALVES DA SILVA ajuizou ação de arbitramento de honorários, pelo rito
sumário, em face de CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO BISPO DOM JOSÉ.”
“Alega a parte autora que foi constituído patrono do réu para a interposição da Ação
Sumária de Cobrança em face do INCRA, que tramita perante 3ª Vara Federal de
Niterói, tendo atuado durante todo o processo, vindo a ser destituído na fase de
expedição de precatório.”
“Aduz que houve a celebração de contrato verbal, estabelecendo-se que os honorários
corresponderiam a 20% sobre os valores a receber.”
“A inicial veio acompanhada dos documentos de fls. 09/160.”
“Decisão à fl. 162 indeferindo o pedido de gratuidade de justiça.”
“Decisão à fl. 165 reconsiderando a decisão que indeferiu a gratuidade de justiça, eis
que comprovado que o autor está suspenso da OAB desde 2005.”
“Contestação às fls. 176/182. Aduz que o autor já recebeu mais de dezoito mil Reais à
titulo de honorários de sucumbência e que o ex-síndico do Condomínio firmou com o
autor contrato verbal para que o mesmo representasse o Condomínio na ação de
cobrança de cotas condominiais contra o INCRA. Narra que o anterior síndico
respondeu pela administração até 2001. Alega que o anterior advogado do
Condomínio é que fazia o acompanhamento processual que o autor praticamente se
limitava a assinar as petições e que a contratação se deu apenas com base no
recebimento dos valores da sucumbência.”
“Veio instruída com os documentos de fls. 183/190.”
“Decisão à fl. 198 indeferindo a produção de prova testemunhal, diante da declaração
já acostada aos autos.”

A sentença julgou improcedentes os pedidos considerando que “O anterior


síndico, que fez a celebração do contrato em nome do réu, se manifestou nos
autos através da declaração de fl. 186, confirmando a alegação da ré de que os
honorários contratados foram tão somente o recebimento de honorários de
sucumbência. O autor, por outro lado, não fez prova em sentido diverso, sendo
que como advogado deveria se cercar das cautelas necessárias para a
celebração de contrato escrito. Ressalte-se que neste tipo de ação, cobrança de
cotas condominiais, é muito comum a ação de advogados cobrando tão
somente os honorários de sucumbência.”

Eis o dispositivo da sentença:

“Isto posto, JULGO IMPROCEDENTES os pedidos constantes da inicial, nos termos do


artigo 269, I, do CPC.” (fls. 202/204 – índice 00214).

Apelação do autor às fls. 208/219 (índice 00220), alegando, em resumo: que não
há provas nos presentes autos de que o Dr. Dario Alves Corrêa Filho, inscrito na
OAB/RJ 29.422, era à época Síndico do Apelado, vez que deixou de juntar a Ata de
Assembleia de Eleição; que as petições protocoladas nos autos da Ação de Cobrança
eram assinadas em conjunto pelo Apelante e pelo Dr. Dario; que todo o trabalho foi
sempre realizado pelo Apelante; que é certo que o Apelado não nega a prestação de
serviço, apenas se atém a dizer que somente ficou acordado de pagar os honorários de
sucumbência; que, contudo, os honorários de sucumbência são direito do Advogado
assegurado por Lei; que a prestação de serviço é reconhecida pelo Apelado.

(PO) Apelação nº 0000155-80.2009.8.19.0002


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Finaliza requerendo o provimento “...para que reformada a integral da r. sentença,


com o Arbitramento dos Honorários Advocatícios Contratuais, pela sua atuação e trabalho
profissional dispensado nos autos do processo 95.0052285-3, pelo período de 12(doze) anos,
o deixando por inciativa unilateral da parte, já finalizado, somente para levantamento de
valores, sendo ainda condenado o Apelado nas custas e Honorários Advocatícios, na base de
20% (vinte por cento) sob o valor do Arbitramento, por ser medida da mais lídima e cristalina
JUSTIÇA!!!.”

Contrarrazões às fls. 256/259 (índice 00268), prestigiando o julgado.

É o relatório.
VOTO

De início, menciono que se encontram presentes os requisitos de admissibilidade


do recurso, que deve ser, por conseguinte, conhecido.

Trata-se de apelação interposta pela parte autora contra sentença, proferida nos
autos da ação “de arbitramento de honorários contratuais”, no rito sumário, ajuizada
por RUBENS CESAR ALVES DA SILVA em face do CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO BISPO SÃO
JOSÉ, que julgou improcedente o pedido.

Não assiste razão ao apelante.

Primeiramente, deve restar consignado que a relação estabelecida entre as


partes é regida pela Lei nº 8906/94 (Estatuto da OAB).

A prestação do serviço profissional assegura aos advogados inscritos na OAB o


direito ao recebimento de honorários, sejam eles contratuais, fixados por
arbitramento judicial, ou sucumbenciais, nos termos do que prescreve o caput do art.
22 da Lei nº 8.906/94.

A contratação do autor/apelante como advogado do réu é incontroversa, sendo


o apelo tão somente quanto à inexistência de honorários advocatícios.

Compulsando-se os autos, verifica-se que, efetivamente, o autor atuou como


patrono do réu em ação contra o INCRA (fls. 20/21 - índice 00020/00021), sendo
constituído como advogado do condomínio pelo seu então síndico, Dario Alves Corrêa
Filho, através da procuração de fls. 22 (índice 00022).

Em função deste processo o autor, ora apelante, teve resguardados em seu favor
os honorários sucumbenciais, no valor de R$ 18.682,85 (fls. 189 – índice 00195), na
forma de precatórios.

Foi juntada pelo apelado declaração do Sr. Dario Alves Corrêa Filho, então
síndico, que constituiu o autor como patrono, no sentido de que “...na época em que
estava exercendo o cargo de síndico do referido prédio, foi ajuizada a ação de cobrança das
cotas condominiais contra o INCRA, ficou acordado verbalmente com o ilustre causídico dr.
(PO) Apelação nº 0000155-80.2009.8.19.0002
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Rubens César Alves da Silva OABRJ n°66.166 , que seria cobrado por ele, tão somente os
honorários de sucumbência, sendo dispensado pelo advogado os honorários ao condomínio.”
(fls. 186 – índice 00192).

Por sua vez o autor não nega que o contrato foi somente verbal, alegando que
“... não foi realizado entre as partes litigantes Contrato de Honorários Advocatícios, somente
o que podemos chamar de contrato de cavalheiros (verbal), no percentual de 20% (vinte por
cento)...” (fls. 03 – índice 00019).

O advogado pode patrocinar os interesses de um cliente de forma gratuita ante a


inexistência de qualquer impedimento legal. Neste caso, haverá a prestação do
serviço, mas ele apenas receberá os honorários de sucumbência.

Note-se que a condenação nas verbas de sucumbência decorre de fato objetivo,


ou seja, a derrota no processo, cabendo ao juiz condenar, de ofício, a parte vencida,
independentemente de provocação expressa do autor, eis que se trata de pedido
implícito, cujo exame decorre da lei processual civil.

O art. 22, § 2º, da Lei 8906/94, é claro ao estipular que “Na falta de estipulação ou
acordo, os honorários são fixados por arbitramento judicial, em remuneração compatível
com o trabalho e o valor econômico da questão, não podendo ser inferiores aos
estabelecidos na tabela organizada pelo Conselho Seccional da OAB.”. Entretanto, no caso
de contrato verbal, compete ao credor comprovar a existência do crédito que afirma
ter.

Assim, deve-se consignar que não estamos diante de uma ausência de


estipulação ou de acordo, mas sim da prova quanto aos seus termos.

Nesse sentido, já manifestou o Superior Tribunal de Justiça que não se presume


o crédito em favor do profissional que afirma tê-lo, sem a devida comprovação de sua
exigibilidade, a saber:

EREsp 410189 / RS - EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL


2008/0165427-9 - Relator: Ministro MASSAMI UYEDA - Órgão Julgador: S2 - SEGUNDA
SEÇÃO - Data do Julgamento: 09/06/2010 - Data da Publicação/Fonte: DJe
21/06/2010. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA - AÇÃO DE ARBITRAMENTO DE
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - ART. 22, § 2º, DA LEI N. 8.906/94 - ESTATUTO DA
ADVOCACIA E OAB - AUSÊNCIA DE CONTRATO FORMAL E ESCRITO – ACORDO VERBAL -
CONTRATAÇÃO DOS HONORÁRIOS CONVENCIOCONVENCIONAIS NÃO COMPROVADA -
AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS CASOS CONFRONTADOS – EMBARGOS DE
DIVERGÊNCIA NÃO CONHECIDOS.
1. Na ação de arbitramento de honorários advocatícios, ausente o acordo formal e
escrito, é lícito exigir do autor (advogado) a comprovação do fato constitutivo do seu
direito, porquanto restando demonstrado que o acordo verbal firmado entre as partes
não prevê a contraprestação pelos serviços prestados pelo profissional, nos termos do
art. 22, § 2º, da Lei n. 8.906/94, não há que se presumir que o advogado sempre terá
direito aos honorários convencionais, além dos honorários sucumbenciais.
2. Não merece prosperar a alegação de divergência jurisprudencial entre julgados
decididos a partir de premissas fáticas diversas, porquanto os embargos de
divergência têm como pressuposto de admissibilidade a existência de similitude fática
entre os casos confrontados.
(PO) Apelação nº 0000155-80.2009.8.19.0002
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3. Embargos de divergência não conhecidos.

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AÇÃO DE ARBITRAMENTO. 1 - Na ação de


arbitramento, quando não houver contrato formal e escrito convencionando
honorários advocatícios, é perfeitamente cabível exigir do autor (advogado) prova do
fato constitutivo do seu direito, ou seja, da própria avença verbal. 2 - Convenção
(pacto), ainda que verbal, é exteriorização livre da vontade e, portanto, não se
presume, prova-se, notadamente em se tratando de contraprestação por serviços
(atuação profissional). O art. 22, § 2º da Lei nº 8.906/1994 não tem esse alcance. 3 -
Dissídio pretoriano não demonstrado. Ausência de violação de lei federal. 4 - Recurso
especial não conhecido. (REsp 410.189/RS, Rel. Ministro FERNANDO GONÇALVES,
QUARTA TURMA, julgado em 22/04/2008, DJe 05/05/2008)

Ressalte-se, ainda, que o artigo 35 do Código de Ética e Disciplina da Ordem dos


Advogados, cuja obrigatoriedade decorre do artigo 33, caput, da Lei Federal 8906/94,
dispõe que os honorários advocatícios “... devem ser previstos em contrato escrito,
qualquer que seja o objeto ou o meio da prestação do serviço profissional, contendo todas as
especificações e forma de pagamento, inclusive no caso de acordo”.

Incabível, portanto, o arbitramento judicial, eis que, no caso, foi estipulado


acordo de recebimento tão somente dos honorários sucumbenciais, não logrando o
autor comprovar que o contrato verbal convencionou o pagamento, além dos
honorários sucumbenciais, de honorários advocatícios no percentual de 20% da
condenação, ônus que lhe cabia, a teor do art. 333, I, do CPC, deixando, assim, de
provar o fato constitutivo de seu direito.

Nesse sentido tem se manifestado este Tribunal:

0012832-38.2011.8.19.0208 - APELACAO - 1ª Ementa - DES. ODETE KNAACK DE SOUZA


- Julgamento: 29/09/2014 - VIGESIMA SEGUNDA CAMARA CIVEL - APELAÇÃO CÍVEL.
COBRANÇA. RITO SUMÁRIO. CONTRATO VERBAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
ADVOCATÍCIOS. CONDIÇÕES NÃO COMPROVADAS. AUTOR QUE BUSCA O
RECEBIMENTO DE QUANTIA INDICADA EM TABELA DA OAB/RJ. PARTE RÉ QUE
COMPROVOU O DEPÓSITO DE 10% DO VALOR RECEBIDO PELO ACORDO REALIZADO
EXTRAJUDICIALMENTE, SEM INTERVENÇÃO DO AUTOR. O ARTIGO 35 DO CÓDIGO DE
ÉTICA E DISCIPLINA DA ORDEM DOS ADVOGADOS, CUJA OBRIGATORIEDADE DECORRE
DO ARTIGO 33, CAPUT, DA LEI FEDERAL 8906, DISPÕE QUE OS HONORÁRIOS
ADVOCATÍCIOS "DEVEM SER PREVISTOS EM CONTRATO ESCRITO, QUALQUER QUE
SEJA O OBJETO OU O MEIO DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO PROFISSIONAL, CONTENDO
TODAS AS ESPECIFICAÇÕES E FORMA DE PAGAMENTO, INCLUSIVE NO CASO DE
ACORDO". DESSA FORMA, A LIDE DEVE SER ANALISADA NOS TERMOS DO ART. 333, I,
DO CPC, ÔNUS NÃO DESINCUMBIDO PELO APELANTE. DESCABIMENTO DE
ARBITRAMENTO JUDICIAL. RECURSO A QUE SE NEGA SEGUIMENTO.

“APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA


DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CONTRATO VERBAL. AUSÊNCIA DE PROVA DOS
EXATOS TERMOS EM QUE OS SERVIÇOS FORAM CONTRATADOS. SENTENÇA DE
IMPROCEDÊNCIA. CONTRATO QUE NÃO PODE SER TIDO POR FATO PÚBLICO E
NOTÓRIO. TERMOS DA AVENÇA NÃO COMPROVADOS. AUSÊNCIA DE PROVA
EFICIENTE E INCONTESTE DA FORMA COMO O SERVIÇO PROFISSIONAL FOI PACTUADO.
INOBSERVÂNCIA DO DISPOSTO NO ART. 333, I, DO CPC. ACERTO DA SENTENÇA.
RECURSO A QUE SE NEGA SEGUIMENTO, NA FORMA DO ART. 557, CAPUT, DO CPC.”
(PO) Apelação nº 0000155-80.2009.8.19.0002
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APELAÇÃO Nº 0000429-48.2009.8.19.0033. RELATOR. DES. WAGNER CINELLI -
JULGAMENTO: 23/11/2011 - SEXTA CAMARA CIVEL

0023538-17.2010.8.19.0208 - APELACAO - 1ª Ementa - DES. CLAUDIO DE MELLO


TAVARES - Julgamento: 17/02/2014 - DECIMA PRIMEIRA CAMARA CIVEL - APELAÇÃO
CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ALEGAÇÃO DE
CELEBRAÇÃO DE CONTRATO VERBAL. DECLARAÇÃO DAS RÉS DE QUE O AUTOR AS
PATROCINOU A TÍTULO GRATUITO. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. REFORMA.
NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO PELO AUTOR AO MENOS DO ACERTO VERBAL
ESTABELECIDO ENTRE AS PARTES ANTE A IMPOSSIBILIDADE DE EFETUAÇÃO DE PROVA
NEGATIVA PELAS RÉS. Na ação de arbitramento de honorários advocatícios, ausente o
acordo formal e escrito, é lícito exigir do autor (advogado) a comprovação do fato
constitutivo do seu direito, porquanto restando demonstrado que o acordo verbal
firmado entre as partes não prevê a contraprestação pelos serviços prestados pelo
profissional, nos termos do art. 22, § 2º, da Lei n. 8.906/94, não há que se presumir
que o advogado sempre terá direito aos honorários convencionais, além dos
honorários sucumbenciais. Precedente do E. Superior Tribunal de Justiça. Recurso
provido, na forma do artigo 557, § 1º-A, do Código de Processo Civil.

Em suma, os contratos verbais, amplamente reconhecidos, devem ser


efetivamente provados, tanto no que diz respeito à sua existência quanto ao seu
conteúdo, sob pena de se tornar inviável a apreciação das obrigações dele
decorrentes.

Por tais motivos, voto no sentido de conhecer e NEGAR PROVIMENTO à


apelação.

Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2015.

DESEMBARGADOR JUAREZ FERNANDES FOLHES


RELATOR

(PO) Apelação nº 0000155-80.2009.8.19.0002