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Cícero (106-43 a.C.

), na sua obra De Natura Deorum (Sobre a Natureza dos


Deuses), refere-se à tradição que acredita na ajuda prestada pelos gémeos Castor e Pólux,
conhecidos como os Dioscuros, na batalha do Lago Regilo, e à notícia do seu
aparecimento maravilhoso noutros momentos importantes da vida da cidade de Roma:

«Assim tanto no nosso povo como nos demais aparecem a cada


dia que passa maiores e melhores cultos sagrados de deuses e religiões;
o mesmo acontece não por acaso, mas porque os deuses em pessoa
muitas vezes mostram a sua força, como aconteceu, por exemplo, junto
ao lago Regilo, aquando da guerra dos Romanos, em que Castor e Pólux
foram vistos a lutar a cavalo na nossa frente de batalha, e ainda mais
recentemente os mesmos Tindáridas vieram anunciar que Perseu tinha
sido vencido [pelos Romanos]1.
Portanto, acreditas que aquilo que aparece gravado numa rocha
junto a Regilo, como que a marca de um casco, é do cavalo de Castor?»

Cícero, De Natura Deorum, II, 6; III, 11.

Roma: o
Capitólio
(ao cimo das
escadas, as
estátuas
equestres dos
gémeos Castor
e Pólux)

1
Refere-se à vitória dos romanos sobre o rei Perseu da Macedónia, na batalha de Pidna, em 168 a.C.
O Templo de Castor e Pólux

O templo de Castor e Pólux foi construído


pelo governador Aulo Postúmio Albino, respeitando
um voto feito pelo seu pai durante a batalha junto ao
Lago Regilo, no ano de 499 a. C. e dedicado pelo
filho em 484 a. C. Conta a lenda que, naquela
batalha, os gémeos Castor e Pólux conduziram os
romanos à vitória contra os Tarquínios e os Latinos,
e que ao chegarem a Roma com a notícia da vitória
foram vistos enquanto davam de beber aos cavalos
na Fonte de Juturna.
À última reconstrução, do tempo de Augusto
(6 d. C.), pertencem as três colunas que se
conservam ainda e que figuram entre as mais
elegantes da Antiguidade Clássica.

Giuseppe Gangi, Roma Ayer y hoy, C&G Editrice, Roma, 1985

CURIOSIDADE
Castor e Polux eram, na mitologia grega, dois irmãos gémeos,
filhos de Zeus e de Leda. A lenda apresenta variantes, mas a mais
comum diz que Zeus (Júpiter para os romanos) se apaixonou por
Leda, que era casada com Tíndaro, aparecendo-lhe sob a forma
de um lindo cisne branco. Os amores de Leda e Zeus deram
origem ao nascimento de dois pares de gémeos, saídos de dois
ovos gigantes: Castor e Clitmnestra, filhos de Tíndaro, e Pólux e
Helena, filhos de Zeus. Assim, dois eram mortais e dois imortais.
Castor e Pólux eram dois irmãos inseparáveis, sempre amigos, e
participaram juntos em muitas façanhas notáveis. Quando
Castor, que era mortal, foi ferido num combate, Pólux repartiu
com ele o seu dom de imortalidade.
O culto de Castor e Pólux foi, desde cedo, introduzido em Roma,
sendo Castor sempre o mais popular. Aparecem mesmo nos
juramentos correntes (mecastor “por Castor!” e edepol “por Pólux”,
o que mostra a sua popularidade.
Os dois irmãos são também identificados com a constelação dos
Gémeos (Gemini) e aparecem como protetores dos navegantes.