Você está na página 1de 3

Texto sobre o livro “Um discurso sobre a ciência” de Boaventura de Sousa Santos

Rafael Mariano Camilo da Silva

Sobre o Autor

Boaventura de Sousa Santos nasceu em 1940 em Coimbra, Portugal, e com seus


estudos conquistou méritos internacionais ao divulgar suas preocupações com as
experiências da vida humana. No Brasil, Boaventura ganhou especial popularidade ao
participar das ultimas edições do Fórum Social Mundial.

O autor discute sobre o paradigma dominante, a crise do paradigma dominante e


o paradigma emergente e trabalha a idéia de uma evidente crise nas ciências nos tempos
atuais, e gradativamente ele expõe como a ciência falirá e como um novo espírito
científico deverá substituí-la.

Paradigma Dominante.

Segundo SANTOS, a partir do século XVI constituiu-se o modelo de


racionalidade que preside à ciência moderna e foi desenvolvido nos séculos seguintes
basicamente no domínio das ciências naturais e somente no século XIX que este modelo
de racionalidade se estende às ciências sociais emergentes.

A característica principal desse modelo, é negar o caráter racional de todas as


formas de conhecimento que não se pautam nos seus princípios epistemológicos e
metodológicos, sendo um modelo totalitário.
Segundo o Autor esta nova visão do mundo e da vida reconduz-se a duas
distinções fundamentais, entre conhecimento cientifico e conhecimento do senso
comum, por um lado, e entre natureza e pessoa humana, por outro. (pg 24).
Segundo o autor as ideias claras e simples que presidem a observação e a
experimentação são as ideias a partir das quais se pode ascender a um conhecimento
mais profundo e rigoroso da natureza essas ideias são as ideias matemáticas,
“A matemática fornece a ciência moderna, não só o instrumento
privilegiado de analise, como também a logica da investigação,
como ainda o modelo de representação da própria estrutura da
matéria. Para Galileu, o livro da natureza esta inscrito em
caracteres geométricos e Einstein não pensa de modo
diferente.”(p.27)

Desta ideia matemática na ciência moderna entendemos que o que não é


quantificável é cientificamente irrelevante e que conhecer significa dividir e
classificar (SANTOS, 2008).

Em meados do século XIX no âmbito das ciências sociais, uma primeira corrente
acreditava que o correto era aplicar os princípios epistemológicos das ciências da
natureza nas ciências sociais. A segunda estabeleceu um método próprio para as
ciências sociais, este que exclusivamente deveria ser distinto do método das ciências da
natureza.

A perspectiva da primeira corrente teórica metodológica entendia que as ciências


sócias deveriam ser estudadas como as ciências naturais, se aproximando com os
critérios da biologia e da física. A segunda corrente teórica metodológica defendia um
método próprio para as ciências sociais, pois não é possível explicar o comportamento
humano pelas mesmas leis observáveis das ciências da natureza.
Segundo Santos a ciência social será sempre essa ciência subjetiva e não
objetiva como as ciências naturais; tem de compreender os fenômenos sociais a partir
das atitudes mentais e do sentido que os agentes conferem às suas ações, para o que é
necessário utilizar métodos de investigação e mesmo critérios epistemológicos
diferentes das correntes nas ciências naturais. (p.38)
Boaventura termina esse ponto, paradigma dominante, concluindo que ambas as
concepções de ciência social ao qual mencionamos pertencem ao paradigma da ciência
moderna, ainda que a concepção mencionada em segundo lugar represente, dentro deste
paradigma, um sinal de crise e que contenha alguns dos componentes da transição para
outro paradigma cientifico.

A crise do paradigma dominante da ciência moderna


Boaventura de Sousa Santos atribui uma série de condições teóricas e sociais
para a crise do paradigma dominante da ciência moderna. São quatro condições de
caráter teórico: a teoria da relatividade de Einstein; a mecânica quântica; a crítica ao
rigorismo matemático e o avanço nas áreas da microfísica, química e biologia.
A partir de então, os processos se tornam relativos, vindo a refutar o modelo
dominante racional do paradigma da ciência moderna que pressupõe que a ordem é
estável.
O paradigma dominante da ciência moderna sustenta que quantificar é conhecer,
Santos (2010) alega que o paradigma emergente se constitui como uma crítica a esse
rigorismo como regra irrefutável.

O Paradigma Emergente

O autor apresenta o paradigma emergente através de um conjunto de teses.


Todo o conhecimento científico-natural é científico-social, nesse sentido deixa de ter
utilidade à distinção e afastamento entre ciências naturais e ciências sociais, para Santos
(2008)... à medida que as ciência naturais se aproximam das ciências sociais estas
aproximam-se das humanidades. Todo conhecimento é local e total; todo conhecimento
é autoconhecimento; todo conhecimento científico visa constituir-se em senso comum.

Considerações Finais
Boaventura nos permitiu entender como se fez necessário às transformações nas
ciências modernas e essa nova ciência exige um novo paradigma, uma vez que seus
anseios não são mais atendidos pelos métodos conservadores, hierárquicos e ortodoxos
da ciência moderna. Esse paradigma deve ser, além de científico, social, uma vez que,
na pós-modernidade, o conhecimento científico e não científico estão em permanente
contato e servem à sociedade.

REFERÊNCIA

SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso sobre as ciências. 7ª ed. São Paulo:


Cortez, 2010.