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FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE SERGIPE

LEVY LIMA ARAGÃO FILHO

A RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO COM O DETENTO: ANALISE PANORÂMICA


DAS GARANTIAS E AS PRINCIPAIS CONTROVÉRSIAS

ARACAJU
2018
LEVY LIMA ARAGÃO FILHO

A RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO COM O DETENTO: ANALISE PANORÂMICA


DAS GARANTIAS E AS PRINCIPAIS CONTROVÉRSIAS

Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado como pré-requisito parcial de
aprovação na disciplina TCC I do Curso de
Bacharelado em Direito da Faculdade de
Administração e Negócios de Sergipe - FANESE.

Avaliador: Prof. Dr. Luís Anderson Ribeiro Leite

ARACAJU
2018
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ................................................................................................. 5

2 JUSTIFICATIVA ............................................................................................... 7

3 OBJETIVOS ..................................................................................................... 8
3.1 Geral................................................................................................................. 8
3.2 Específicos ...................................................................................................... 8

4 METODOLOGIA DA PESQUISA ..................................................................... 9

5 ESTADO DA ARTE ........................................................................................ 10

6 CRONOGRAMA ............................................................................................. 13

REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 14
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1 INTRODUÇÃO

Para regular as condutas que se adequem a uma sociedade, foi


estabelecido o direito penal para os transgressores das regras contidas no Código
Penal e nas leis Penais esparsas. (MACHADO & GUIMARAES, 2014).

O Estado ao cercear a liberdade do indivíduo é seu responsável e por isso


pode se ver obrigado a indenizar, nas hipóteses dos detentos sofrem qualquer tipo
de dano. Desta forma, a responsabilidade do Estado é de fato objetiva, devendo
apenas demonstrar o dano e o nexo causal. A responsabilidade é indiferente de
culpa. (ALVINO, 2018).

Segundo Machado & Guimaraes (2014) ocorrem várias ofensas à dignidade


da pessoa dentro dos estabelecimentos prisionais, fugindo do controle dos órgãos
responsáveis, ou até mesmo, a situação de ambos serem coniventes com o
problema.

Segundo Freitas (2017) o sistema prisional brasileiro está falido, hiperlotado


e incapaz de produzir uma ressocialização do marginalizado a sociedade. E ressalta
que as facções criminosas se mantem articuladas em paralelo ao Estado,
estabelecendo diretrizes do crime dentro dos presídios.

As ofensas à dignidade da pessoa humana devem ser tratadas como


ofensas aos fundamentos do Estado de Direito, não podendo mais ser tolerado este
tipo de comportamento, de seres humanos contra seres humanos, tendo por fim,
que se trata de um ser igual ao outro. (MACHADO & GUIMARAES, 2014).

Corroborando com o entendimento de Aguiar (2018) os direitos que não


foram atingidos pela sentença ou lei, como vida, saúde e dignidade devem ser
protegidos e posto em pratica, por tudo, o que ocorre é o anverso. E a única pessoa
capaz de assegurar esses direitos fundamentais é o Estado.

A partir do ingresso do transgressor das normas ao sistema prisional, o


Estado se compromete em sua essência ao dever de vigilância e incolumidade do
preso. (DIAS, 2015)

Como explicitado por Durães (2017) no Brasil é adotado a pena privativa de


liberdade, que restringe a liberdade de locomoção do indivíduo; restritiva de direitos,
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que é uma pena alternativa, atingindo apenas alguns direitos; e multa, que nada
mais é que uma sanção patrimonial.

Contudo, é dever do Estado, ainda, a ressocialização do detento conforme o


artigo 1º da Lei 7.210 de 1984, a. Senão vejamos:

“execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou


decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do
condenado e do internado.” (BRASIL, 1984).

Pelo exposto, de fato, temos um sistema carcerário precário que não oferece
as garantias mínimas para o detento. Sendo o Estado o responsável objetivo de
cada penado. Cabendo ainda ações indenizatórias em face ao Estado toda vez que
houver danos sofridos por estes.
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2 JUSTIFICATIVA

O presente estudo tem um papel fundamental, devido a relevância ao tema,


esclarecendo questões divergentes levantadas pela sociedade, pela pouca
qualificação, descriminam os direitos pertinentes a detento.

Ademais, o estudo também será basilar para propensos trabalhos futuros na


área criminal do direito brasileiro. Sendo poucos os estudos que abordam o tema em
apreço.
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3 OBJETIVOS

3.1 Geral

Pesquisar as condições impostas pela legislação nacional e internacional


(através dos tratados e convenções) e a aplicação estatal.

3.2 Específicos

• Analisar o sistema carcereiro brasileiro;

• Verificar quais são os direitos fundamentais inerentes aos detentos;

• Explorar panoramicamente a eficiência e a ineficiência do Estado.

• Averiguar as consequências para o Estado com a conduta dos próprios


detentos;

• Aplicar o os conhecimentos adquiridos ao sistema carcereiro e


entender as divergências.
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4 METODOLOGIA DA PESQUISA

O presente estudo será feito através de pesquisas teóricas, sendo


empregado o método de pesquisa bibliográfico, utilizando-se de livros, bem como de
artigos científicos publicados e reconhecidos. Além de tudo, já mencionado, serão
utilizadas também, leis ordinárias, complementares, tratado, convenções e a própria
constituição de 1988.
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5 ESTADO DA ARTE

5.1 Breve Historicidade

Na antiguidade, a pena imposta eram sacrifícios ou castigos desumanos.


Não havia o princípio da proporcionalidade, para validar a conduta versus o castigo
a ser aplicado. O que prevalecia era o mais forte, sobre o mais fraco. Contudo, com
o surgimento da Lei de Talião, localizada no código de Hamurabi, iniciou a aplicação
da proporção. Tornando penas severas as condutas que a mereceriam. Não
bastante, ganhou uma condição vingativa, além de um castigo espiritual com um
viés purificador de almas do apenado (BEZERRA, 2015).

Entendia como heresia, todo e qualquer pensamento divergente da igreja,


tipificado como crime, foi criado o Tribunal de Inquisição. Sua finalidade era banir os
hereges. Este movimento detinha como principio a unificação do Estado, igreja e
população. Contudo, contrario a isso, tornou-se um meio de tortura (ROCHA, 2015).

Continuando com a sapiência de Bezerra (2015), na Idade Média, havia um


processo para proferir o julgamento. Contudo, descabido de defesa por parte dos
acusados. Permitindo a tortura, o massacre por conta da Igreja Católica aos hereges
como fogueiras ou estrangulamento. A realidade só mudou com a revolução
francesa, que deu base ao direito penal moderno e a declaração dos direitos do
homem.

É perceptível, que o sistema punitivo teve sua evolução provocada pela


cultura local. Provocando, uma modificação em outras regiões. Dos castigos físicos
desproporcionais à proporção dos castigos. Mas a proporção de castigo trouxe outro
viés, a intolerância dos pensamentos. O fim da intolerância e a aplicação justa aos
transgressores foram modificadas e melhoradas com a revolução francesa:
liberdade, igualdade e fraternidade.

5.2 Aspectos Gerais Da Execução Penal

Atualmente, leva-se em conta as formas de punição em consonância com a


dignidade da pessoa humana. Objetivando a reeducação do individuo por meio de
penas privativas de liberdade (ROCHA, 2015).
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A Execução, tem por finalidade punir e reprimir um sujeito. Contudo, sua


função maior é garantir a restauração. Protegendo, o apenado e guiando seu retorno
a sociedade. O tratamento ocorre não só para o indivíduo, mas para o conjunto de
pessoas. Uma vez que a recuperação do transgressor não faz bem só pra si, mas
para todos a sua volta (MONTEIRO, 2016).

O sistema prisional brasileiro tem como objetivo a ressocialização e a


punição da criminalidade. Assim sendo, o Estado assume a
responsabilidade de combater os crimes, isolando o criminoso da
sociedade, através da prisão, o mesmo é privado da sua liberdade,
deixando de ser um risco para a sociedade (MACHADO &
GUIMARÃES, 2014, p. 3).
O sistema adotado pela legislação brasileira, impõe a ressocialização para o
bem coletivo. Fazendo do sujeito alvo, recuperado e com garantias de direitos.
Direitos como: políticos, educação, segurança, assistência medica e outros
(MONTEIRO, 2016).

Reintroduzir o preso à sociedade é fazer com que, o próprio, reflita sobre


suas atitudes e o que o levou a praticar aquela conduta. Oferecendo, assim, a
oportunidade de modificar seu rumo independente do que aconteceu no passado
(ROSSINI, 2014).

5.3 Garantia Constituinte aos Detentos

Os direitos da pessoa são adquiridos ao seu nascimento com vida. E não é


pelo motivo de ter transgredido que será perdido. Ao ser decretada a prisão, é
acionado o direito da integridade física e moral incólume (ROCHA, 2015).

Segundo a Lei de Execução Penal em seus artigos 12 e 14 o preso ou


internado, terá assistência material, em se tratando de higiene, a
instalações higiênicas e acesso a atendimento médico, farmacêutico e
odontológico. No entanto, a realidade atual não é bem assim, pois
muitos dos presos estão submetidos a péssimas condições de higiene
(MACHADO & GUIMARÃES, 2014 p. 8).

Entretanto, é sabido que o sistema brasileiro apresenta falhas constantes e


imperdoáveis. O principal questionamento social é superlotação, impactando no
controle interno, no tocante as garantias de direito. Ainda que abarque com a
Defensoria Pública para atuar nesses sistemas permitindo o exercício dos direitos e
garantias fundamentais (ROCHA, 2015).

Entre diversas situações a serem ponderadas, Rossini (2014) cita que além
do descaso do próprio Estado que auxiliam na reinserção do sujeito, a o atraso de
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julgamentos e a quantidade de prisões efetuadas. Esta última, contempla condições


sociais que propiciam a reincidência criminal ao sair dos presídios.

Conforme exposto, é notório que a quantidade e a qualidade dos


estabelecimentos prisionais influenciam diretamente na ressocialização do individuo
que transgrediu as regras de uma sociedade. A falta de interesse de agir do Estado,
junto com a lentidão judiciaria contribui com o sistema carcerário falido.
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6 CRONOGRAMA

ATIVIDADES FEV MAR ABR MAI JUN

ESCOLHA DO TEMA E DO ORIENTADOR

ENCONTROS COM O ORIENTADOR

PESQUISA BIBLIOGRÁFICA PRELIMINAR

LEITURAS E ELABORAÇÃO DE FICHAMENTOS

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA COMPLEMENTAR

REDAÇÃO DA MONOGRAFIA

REVISÃO DA ORTOGRÁFICA E DE
FORMATAÇÃO

ENTREGRA DA MONOGRAFIA
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REFERÊNCIAS

AGUIAR, Lynxana. O desrespeito as garantias fundamentais dentro do sistema


penitenciário brasileiro. Disponível em: <https://sannaaguiar.jusbrasil.com.br/
artigos/552110307/o-desrespeito-as-garantias-fundamentais-dentro-do-sistema-
penitenciario-brasileiro> Acessado em: 20/09/2018.

ALVINO, André. Responsabilidade Civil do Estado aos Detentos. Disponível em:


<https://andrealvino.jusbrasil.com.br/artigos/611941545/responsabilidade-civil-do-
estado-em-relacao-aos-detentos>. Acessado em 18/09/2018.

BEZERRA, Raphael Lopes Costa. Breve Histórico do Sistema Penitenciário e a


Constituição Federal de 1988. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/359
61/breve-historico-do-sistema-penitenciario-e-a-constituicao-federal-de-1988>.
Acessado em 20/11/2018.

BRASIL. Lei n° 7.210, de 11 de julho de 1984. Lei de Execução Penal. Brasilia, DF,
jun, 1984.

DIAS, André Bernardes. Responsabilidade Civil Estatal: morte de detento nas


dependências de estabelecimento prisional. Disponível em: <https://jus.com.br
/artigos/36615/responsabilidade-civil-estatal-morte-de-detento-nas-dependencias-de-
estabelecimento-prisional>. Acessado em: 25/09/2018.

DURÃES, Alexander Luiz. O direito à educação nas pernas privativas de


liberdade no Brasil. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/61327/o-direito-a-
educacao-nas-penas-privativas-de-liberdade-no-brasil>. Acessado em 25/09/2018.

FREITAS, Eduardo. A responsabilidade civil do Estado pela violação da


integridade física do acautelado. Disponível em: <https://eduardohenriquede
freitas.jusbrasil.com.br/artigos/514598525/aresponsabilidade-civil-do-estado-pela-
violacao-da-integridade-fisica-do-acautelado>. Acessado em: 18/09/2018.

MACHADO, Nicaela Olímpia; GUIMARÃES, Issac Sabbá. A Realidade do Sistema


Prisional Brasileiro e o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana. Revista
Eletrônica de Iniciação Cientifica. Itajaí, Centro de ciência Sociais e Jurídicas da
UNIVALI. V. 5, n.1, p. 566-581, 1º Trimestre de 2014. Disponível em:
www.univali.br/ricc. Acessado em 10/09/2018.

MONTEIRO, Brenda Camila de Souza. A lei de execução penal e o seu caráter


ressocializador. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XIX, n. 153, out 2016. Disponível
em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leituras&artigo_
id=18106&revista_caderno=22>. Acesso em: 20/11/2018.
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ROCHA, Jaqueline Silva. Sistema Prisional: Evolução Histórica das Punições.


Disponível em: < http://www.conteudojuridico.com.br/artigo, sistema-prisional-
evolucao-historica-das-punicoes,54274.html>. Acessado em 20/11/2018.

ROSSINI, Tayla Roberta Dolci. O sistema prisional brasileiro e s dificuldades de


ressocialização do preso. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/33578 /o-
sistema-prisional-brasileiro-e-as-dificuldades-de-ressocializacao-do-preso>.
Acessado em 15/09/2018.